Apontamentos para o conhecimento dos escultores Antônio Quirino Vieira e Severo da Silva Quaresma

Alberto Martín Chillón [1]

CHILLÓN, Alberto Martín. Apontamentos para o conhecimento dos escultores Antônio Quirino Vieira e Severo da Silva Quaresma. 19&20, Rio de Janeiro, v. XI, n. 1, jan./jun. 2016. Disponível em: <http://www.dezenovevinte.net/artistas/amc_escultores.htm>.

 *     *     *

                     1.            Antônio Quirno Vieira e Severo da Silva Quaresma, escultores cariocas da segunda metade do século XIX, têm passado com muita discrição pela historiografia da arte[2], mesmo sendo dois dos principais escultores do período, que gozavam de um relativo sucesso e popularidade tanto no campo artístico, quanto - e talvez mais - no campo educativo, na tarefa de ensinar e estender o amor pelas Belas Artes. Ambos aparecem ligados desde 1856 à Sociedade Propagadora das Belas Artes, data da sua fundação, e ao Liceu de Artes e Ofícios. São dois dos “atletas” chamados por Bethencourt da Silva no seu empenho de resolver “o atrazo em que conhecia as letras e as artes entre nós, e a pouca estima que em geral se lhes outorga[3]. Assim, fazem parte do grupo de artistas que, “dedicando-se ao bem geral, á felicidade da nação aceitaram tomar sobre seus hombros um dos mais penosos encargos [...], o professorado publico[4], fato que se conjugava com outro ingrato labor, o dos artistas, que sabem “quanto custa viver no meio da indifferença de uma sociedade pouco preparada para avaliar os sacrifícios de uma classe inteira que se entrega ao seu mister como a um sacerdócio augusto[5], e: 

                     2.                                                  porque nem-um dos nossos concidadãos, que não seja artista, talvez calcule o que todos os dias se consume de coragem, de resignação e de vida, para se resistir ás lutas que assaltam qualquer vocação que por ventura appareça, no meio da nossa indifferença mercantil que tudo mata e aniquila.[6]

                     3.            Artistas pobres, operários modestos e homens de letras ricos apenas das illusões da mocidade levaram adiante a empreitada, quase uma cruzada, como eles denominam, de difundir as Belas Artes, e, como uma das ferramentas para alcançar seu objetivo, estava a publicação de uma revista artística no Brasil, O Brazil Artístico, que apenas contou com seis números, e que foi suspendida “devido ás dificuldades do meio, ás contrariedades que surgiram e, porque nâo dizel-o, á falta de recursos pecuniários”[7]. Recuperar o amor pelas artes e o seu progresso, propiciando assim a “chegada [d]a época em que Minerva reassumirá seu império” constituía-se como um fim desejado, para anunciar: “Nova nascitur ordo![8]

                     4.            Aceito que “o paiz no qual os conhecimentos artísticos não occupam o primeiro lugar, não pôde proseguir rapidamente na senda do adiantamento e da riqueza”[9], tornava-se imperativo resolver esta situação, já que as Belas Artes eram “o influxo de todas as industrias, as bases de toda a perfeição manufactureira[10], e elas seriam as geradoras da indústria, que, por sua vez, era geradora do comercio, que

                     5.                                                  nunca poderá existir, sem que a industria nacional lhe dê nascimento. Devemos pois, nós do commercio, proteger as artes, visto serem ellas que nos devem auxiliar mais tarde, e por este motivo ao menos, ainda quando outros muitos e importantes não houvesse, concorrer de coração com todos os nossos esforços para a sustentação desta sociedade.[11]

                     6.            Especial importância neste processo tinha a mocidade, “a força do futuro, o gigante do porvir”, porque seria ela que sustentaria “sobre os seus hombros a magestade deste Império”, e dela dependeria o futuro, “porque o trabalho é a locomotiva do progresso, e o trabalho é dos mancebos. Salvemos esta mocidade de hoje que deve educar a nossa prole sob auspícios mais benéficos do que os nossos, e a felicidade publica avultará”[12].

                     7.            Os objetivos e anseios da recém-fundada sociedade se resumem bem no Discurso recitado perante os membros fundadores da Sociedade Propagadora das Bellas Artes do Rio de Janeiro, no dia da sua organização em 23 de Novembro de 1856, no edifício do Museu Nacional, pronunciado pelo principal promotor do projeto, Bethencourt da Silva, quem afirmava:

                     8.                                                  E' tempo já de hastearmos a bandeira que deve tremular sobre a tenda da futura mocidade; é tempo de lhe ensinar-mos o amor da gloria, como a fonte de todos os sentimentos nobres e magnânimos: reunamo-nos pois em redor desse carro de triumpho em que ella vae conduzir todos os thesouros que devem florescer sobre os restos do passado e á vista do presente; porque a ventura de havermos preparado dignamente aquelles que devem representar-nos ante a posteridade, será bastante para satisfazer os mais ávidos desejos, as mais nobres ambições do coração.

                     9.                                                  Tractemos seriamente de reunir n'um circulo artístico todas as intelligencias juvenis que representam a nova pleiade dos filhos das musas; tentemos, pelo enthusíasmo e pela emulação, dar-lhes um fim proveitoso - a acção do trabalho, cuja falta os enerva na indolência; justifiquemos com estes esforços a superioridade da geração nova que se occulta hoje envergonhada pelo contraste opulento dos aventureiros que se atrevem a invocar, em defesa da sua inutilidade e madraçaria, as doutrinas do regresso.

                  10.                                                  Tractemos com afan e desinteresse desta grande missão que nos cumpre desempenhar, salvando a nossa reputação e com ella o bello da arte e da inspiração; porque o pequeno sacrifício pecuniário que vos será exigido, e com o qual educaremos a mocidade que mais tarde nos deve julgar, engrandecer-nos-á aos olhos do estrangeiro illustre que não pôde deixar de censurar hoje a nossa falta de perfeição mauiifactureira. industrial, artística e mecânica.

                  11.                                                  A abnegação dessa parte de vossos interesses, animando o povo ao estudo, vos elevará acima de todo o reconhecimento contemporâneo. Nada é tão sublime como a philantropia patriótica de uma parte da sociedade que intenta elevar a outra educando-a nos princípios essenciaes ao engrandecimento das nações.

                  12.                                                  A arvore da sciencia pôde abrigar o mundo inteiro, e para que isto se realize, para que hymnos de triumpho sejam cantados sob as abobadas do templo da sociabilidade fraternal, procuremos desde já assentar sobre seguros alicerces as bases deste edifício monumental, antes que o desanimo e inércia em que vivem os artistas, e que lavra como um miasma devastador, extinga de uma vez a musa brazileira.[13]

                  13.            Seguindo estas diretrizes, e em palavras de Bethencourt, entre “os beneméritos que accedendo ao meu convite estão promptos para o ensino gratuito[14], encontramos os dos artistas que ocupam este trabalho: Quirino Antônio Vieira e Severo da Silva Quaresma, que ministraram as aulas relativas à arte escultórica: estatuária em mármore e gesso, modelado, cerâmica e escultura de ornatos, e que aparecem definidos com as seguintes palavras:

                  14.                                                  Quirino Antônio Vieira, caracter nobre, aspirações independentes, habilidade pouco vulgar, estudioso e trabalhador, ensinará a estatuaria em gesso, arte cerâmica, e ornatos.

                  15.                                                  Severo da Silva Quaresma, discípulo do distincto esculptor Pettrich: seu nome tem sido já eloqüentemente commendado por seus trabalhos, com especialidade pelo retrato em mármore do Exm. Sr. Bispo diocesano, ha pouco exposto ao publico. Este intelligente artista occupar-se-á do ensino de estatuaria em mármore e mesmo em gesso.[15]

                  16.            Ambos os artistas estiveram, durante toda a vida, ligados aos trabalhos no Liceu e na Sociedade Propagadora das Belas Artes. Por sua parte, Quirino Antônio Vieira esteve ligado ao Liceu e à Sociedade Propagadora das Belas Artes desde a fundação em 1856[16], foi secretário em 1863[17], 1868[18], 1869[19], 1870[20] e em 1871[21], 1872[22], 1874[23], 1875[24] e 1876[25], mas parece, segundo algumas fontes[26], que desempenhou o cargo ininterrompidamente por 12 anos, e lecionou no liceu durante 17 anos sendo  professor de escultura de ornatos[27], de desenho e de modelo em barro,[28] membro da comissão artística em 1858[29] e conselheiro em 1868[30].

                  17.            O seu labor no Imperial Lyceo de Artes e Ofícios é o fato pelo qual é mais admirado e reconhecido, atribuindo-lhe graças a seu trabalho desinteressado e gratuito, por sua “philantrópica e sublime missão”, umas qualidades morais superiores, iguais às do fundador Betthencourt da Silva. Assim, todas as noites úteis, desde as 6 horas da tarde até às 10 e 11 da noite, trabalhava  “fiscalisando aquelle vastissimo estabelecimento[31].

                  18.            Por ele ganhou o título de oficial da ordem da Rosa em 1870, junto a Agostinho José da Mota, “em attenção aos relevantes serviços que prestaram gratuitamente à educação popular no Lyceu de Artes e Officios[32].

                  19.                                                  O Lyceu de Artes e Officios nos apresenta exemplos os mais completos n´esses sentidos: - exemplos de iniciativa, de perseverança, de concurso simultaneo ou isolado de luzes e de meios pecuniarios e mesmo - aquelles que colloco entre os mais bellos- exemplos da mais obscura dedicação á instituição, durante mais de vinte anos, na pessoa de Quirino Vieira, o secretario do lyceu, que deixou sua occupação, não retribuida de todas as noites, sómente para baixar ao tumulo. Honra, pois, a esses amigos verdadeiros do paiz: aos que cahiram na luta e aos que lutam ainda.[33]

                  20.            No final, “uma grande e irreparavel brecha abrira a morte nas phalanges da vanguarda do progresso e da civilização[34], na opinião dos seus contemporâneos, com o desaparecimento de tão notável artista.

                  21.            Severo da Silva aparece também fortemente unido ao Imperial Liceu, onde foi professor de estatuária[35] durante vários anos[36], secretário junto a Quirino Antônio Vieira em 1869[37] e 1870[38], e segundo secretário em 1868[39]. Fez também parte do Conselho da Sociedade Propagadora das Belas Artes em 1868[40], suplente em 1859[41] e 1860[42], conselheiro em 1866[43], 1871[44] e conselheiro sem comissão em 1857[45] e 1858[46]. Por tal missão, e reconhecendo sua importância, recebeu a encomenda de Cavaleiro da Ordem da Rosa, “em attenção aos relevantes serviços que teem prestado á instrução popular n´esta corte[47], junto ao pintor Antônio Araújo de Souza Lobo. Também foi conselheiro da Sociedade Comemorativa da Independência do Império em 1874.[48]

                  22.            O labor da dupla de escultores na Sociedade e no Liceu corresponde ao desenvolvido por outra dupla de professores na Academia de Belas Artes: Severo da Silva vê sua função de professor de estatuária replicada na Academia por Francisco Elídio Pánfiro (1850-1852[49]) e por Francisco Manoel Chaves Pinheiro (1852 - 1884), e Quirino Vieira tem réplica do seu labor como professor de modelado, de escultura de ornatos, por Honorato Manoel de Lima (1855-1863) e Antônio de Padua e Castro (1863-1881)[50],  que foi suplente na Sociedade Propagadora junto a Severo em 1860.[51]

                  23.            Nesses mesmos anos, Manuel de Araujo Porto-Alegre estava chamando uma renovação semelhante, um futuro igualmente promissório baseado na mocidade e o desenvolvimento através das Belas Artes:

                  24.                                                  Mocidade, deixai o prejuiso de almejar os empregos publicos, o telonio das repartições, que vos envelhece prematuramente, e vos condus á pobresa e á uma escravidão continua; apliccai-vos ás artes e á industria: o braço que nasceu para rabote ou para a trolha não deve manejar a penna. Bani os preconceitos de uma raça decadente, e as maximas da preguiça e da corrupção: o artista, o artifice e o artesão são tão bons obreiros na edificação da patria sublime como o padre, o magistrado e o soldado: o trabalho é força, a força intelligencia, e a intelligencia poder e divindade.

                  25.                                                  Snr. Minisro do Imperio. Está dado o primeiro passo para a emancipação do artista, para o progresso fundamental das bellas artes e da industria brasileira.[52]

Quirino Antônio Vieira

                  26.            Quirino Antônio Vieira, definido como de caráter nobre, aspirações independentes, habilidade pouco vulgar, estudioso e trabalhador[53], morreu em 1876, quando aparece residindo na Rua dos Inválidos 112,  solteiro, 52 anos, filho de Luiz Antônio Vieira, com uma renda de 200 reis[54]

                  27.            Discípulo de Marc Ferrez[55], recebeu menção honrosa de segundo grau na aula de escultura na Academia Imperial de Belas Artes no ano de 1842[56], medalha de prata em 1845, menção honrosa de 2º grau em 1846 e medalha de ouro em 1850[57], e em 1870 recebeu também o Hábito de Cristo,[58] no mesmo ano em que lhe foi concedido o título de oficial da Ordem da Rosa[59]. No âmbito extra-artístico, aparece politicamente ligado ao partido liberal, pelo menos, no momento da sua morte[60], e no religioso foi definidor da Irmandade de Nossa Senhora do Amparo da Freguesia de São José[61] e procurador em 1862[62].

                  28.            Além de suas funções na Sociedade Propagadora das Belas Artes e no Imperial Liceu de Artes e Ofícios, foi conselheiro da Sociedade Comemorativa da Independência do Império[63], membro da comissão para a confecção dos estatutos[64] e vice presidente da dita sociedade[65]. Aparece ligado à Associação de artistas brasileiros “Trabalho, união e moralidade” desde 1856[66], como presidente em 1861[67], vice-presidente em 1857[68] e 1867[69], primeiro secretário em 1862[70], segundo secretário em 1872[71], conselheiro em 1862-1863[72], 1869[73], 1870[74] e 1871[75] e na comissão em 1856[76]. Com ocasião da sua morte a Associação publica o obituário, chamando o escultor de “installador e conselheiro[77].

                  29.            Em 1862, após a morte de Honorato Manoel de Lima, professor de escultura de ornatos da Academia de Belas Artes, Quirino Vieira solicitou a cadeira, que nesse momento, contava com apenas um aluno matriculado no curso noturno, e que não estava sendo lecionada pelas melhoras no prédio da Academia. A petição do escultor foi negada por não se conhecer “obras de arte relativas á especialidade da cadeira, notoriamente reconhecidas como trabalhos de merecimento”[78], pois no corpo docente da instituição, segundo a resposta do ministério de negócios do Império, procuravam-se artistas de superior e reconhecido talento.

                  30.            Entre suas obras mais importantes, encontrava-se um grupo alegórico emoldurando o mostrador externo do relógio da fachada da estação central da Estrada de Ferro Dom Pedro II [Figura 1], a ornamentação com grupos, florões, arquitraves e modilhões de estilo e fantasia no Palácio Nova Friburgo e na Santa Casa da Misericórdia[79]. Realizou, dentro dos monumentos efêmeros construídos para a inauguração da escultura de Dom Pedro I de Louis Rochet, a escultura A Religião, coroando o zimbório do templo da praça da Constituição.

                  31.                                                  Marcado o dia 25 para a inauguração do monumento, tratou-se de ornar convenientemente a praça da Constituição, erguendo-se de um lado da estatua um templo de ordem dorica romana e fórma octogona, sustentado por doze columnas, tendo no centro um zimborio sobre o qual levantava-se a estatua da religião esculpida pelo artista Quirino Antonio Vieira; e do outro lado, para satisfazer as exigencias da symetria, um arco triumphal de architectura simples.[80]

                  32.            Também restaurou no ano de 1860, as moldagens em gesso da coleção didática da Academia de Belas Artes, Laocoonte e seus filhos, Antinoo do Capitólio, Amazona e Adonis[81].

Severo da Silva Quaresma

                  33.            Severo da Silva Quaresma,  nascido em 1830 ou 1831[82], solteiro, tinha sua residência no Paço Imperial, com uma renda de 1.200 reis, em 1877, e morou na Rua de São Joaquim, 46, freguesia de Santa Rita durante vários anos[83].

                  34.            Discípulo de Ferdinand Pettrich [84], foi fiscal da Associação de Artistas brasileiros em 1857 e 1858[85], segundo secretário da mesma Associação em 1856[86] e 1857[87], membro da comissão política em 1856[88], conselheiro em 1867[89], 1870[90], 1871[91]. Entre outros cargos foi conselheiro da Sociedade Comemorativa da Independência do Império nos anos de 1873 e 1874[92], e primeiro sargento da guarda nacional das freguesias de Santa Rita e Paquetá em 1859[93].

                  35.            Entre suas obras se destaca o busto em mármore de Manuel do Monte Rodrigues de Araújo, conde de Irajá, bispo diocesano do Rio de Janeiro, “obra que lhe trouxe grande conceito”, com a qual participou na Exposição de 1862[94], e foi exposta na galeria do Sr. Ruqué em 1856, sendo Quaresma “o primeiro brasileiro que faz um trabalho destes[95], destacando a grande importância que nesse momento teve a realização de uma obra em mármore por um artista brasileiro.

                  36.                                                  Continue o Sr. Severo nesse seu empenho de trabalhar sob a direcção de tão distincto professor, mostre-nos mais alguns fructos de seus estudos; e mais tarde, honrando o nome do esculptor Pethrich, receberá a recompensa de seus esforços. Coragem e perseverança.[96]

                  37.            Participou também na Exposição Geral de 1846 com um retrato e menino com pássaro[97], e na Exposição de 1879 com uma estátua em gesso do Visconde de Rio Branco [Figura 2],[98] que em 1885 se achava no teatro de São Luís do Rio de Janeiro[99]. Sobre esta última obra, a Revista Musical e de Bellas Artes, em 1879, publica o seguinte comentário satírico, destacando as roupas do visconde:

                  38.                                                  N´uma das sallas está tambem exposta a estatua do Sr.  Visconde de Rio Branco.

                  39.                                                  Não sabemos o que devemos mais admirar: se a perfeição da esculptura, se a airosidade da cintura do grande estadista, se o talento do mestre alfayate que lhe fez a casaca.

                  40.                                                  Nem uma dobra, nem uma préga, nem uma costura mal assente! E´ o casso de dizer, como os alfayates: "está-lhe que nem uma luva."

                  41.                                                  O nosso amigo Insley Pacheco asseverou-nos que aquella estatua está alli para fazer propaganda ao estabelecimento do Sr. Raunier.

                  42.                                                  Seriamos mais extensos em considerações sobre esta casaca, se não temessemos que ella nos podesse valer uma casaca de pau.[100]

                  43.            Também na Revista Illustrada, em 1879, Angelo Agostini dedica um comentário do mesmo tipo, afirmando que “não é ser severo em dizer-se que, em materia de arte, o Sr. Quaresma anda soffrivelmente em jejum[101].

                  44.            Em 1872, foi publicado no Diário de Belém a notícia sobre a inauguração do monumento ao General Maximiano Antunes Gurjão:

                  45.                                                  Na sala das sessões da nossa camara municipal levantou-se, ante-hontem (16), um monumento em marmore que, a par da historia das glorias nacionaes de que o illustre general foi um dos mais fervidos operarios, perpetuará a sua memoria nas epochas porvir.

                  46.                                                  O monumento é um busto do general, vulto natural, em marmore branco, assentado em uma simples, mas elegante, columna de marmore preto. Está collocado na salla das sessões, em face de dosel.

                  47.                                                  O busto do finado general foi burilado nesta corte, onde tivemos occasião de vêl-o.

                  48.                                                  E´ um bello trabalho, de linda execução e perfeito acabado, e no qual soube satisfazer inteiramente á confiança nelle depositada o modesto, mas talentoso artista Severo Quaresma, lente do lycey de artes e officios.[102]

                  49.            Junto com outro escultor carioca, Cândido Caetano de Almeida Reis, apresentou um projeto de ornamentação para a galeota imperial, em 1877, que foi aprovado por um valor de 4.000 reis[103].

Obras conjuntas

                  50.            Severo da Silva Quaresma e Quirino Antônio Vieira compartilharam endereço profissional durante vários anos, entre 1862 e 1870, no Paço Imperial, junto à Portaria das Damas[104], mas Quirino Vieira aparece também radicado em outro endereço ao mesmo tempo, na Rua dos Inválidos 112 e 114[105], e figurava na Rua da Alfândega, 323[106] e 170 A, em 1859[107], precisamente no endereço da companhia Severo da Silva Quaresma & Comp., mas não achamos, até o momento, um dado que assinalasse um trabalho conjunto na companhia, ou mesmo um trabalho como sócios.

                  51.            O que parece claro é que Silva Quaresma e Quintino Vieira desempenharam trabalhos conjuntamente em várias ocasiões e também  lecionaram juntos durante muitos anos no Liceu. Juntos, executaram em 1873 a escultura do catafalco idealizado por F. J. Bithencourt para Dona Amélia, duquesa de Bragança, imperatriz viúva, “da ordem coryntia a gosto de Luiz XVI, ornamentado conformidade com os preceitos clássicos e o estylo predominante do templo[108].

                  52.                                                  O catafalco é um polygono de 32 faces, que repousa sobre um embasamento, com duas escadarias de sete degráos, e quartellas nos cantos de fórmas elegantes que se prendem em uma extremidade á pequenos pedestaes e na outra junto ás colunas, erguendo se em ambas extremidades tripodes de luz e castiçais de prata.

                  53.                                                  Nas faces lateraes do embasamento ha grandes medalhões com a inicial – A - do nome da imperatriz viuva. Festões de flôres e pequenos ornatos de ouro enriquecem esta parte do monumento, sobre a qual se levantam esta parte do monumento, sobre a qual se levantam quatro grupos de tres columnas cada um, estriadas e com capiteis de ouro; rematando as quatro dos angulos mais salientes por pequenos pedestaes coroados por tripodes de perfumes.

                  54.                                                  Sobre estas doze columnas contorna o entablamento, com o friso florestado de prata, tendo nas faces anterior e posterior suspensas as armas imepriaes, cobertas de crepe e enlaçadas por festões de flores que se vão prender ás columnas mais proximas.

                  55.                                                  Ao entablamento segue-se o attico, nelle descansa a cupola, em cujo fecho se ergue um pequeno pedestal, onde pousa o dragão de ouro das armas dos Bragança. Quatro imperiaes arqueadas sobre a cupola dão-lhe o aspecto de uma corôa.

                  56.                                                  No interior do catafalco, sobre o tablado, levanta-se o cenotaphio, formado por quatro grandes quartellas duplas com ornatos de ouro, supportando a archittrave sobre a qual pousa a eça de fórmas elegantes incrustada de riquissimos lavores , tendo nos medalhões a inicial da finada imperatriz e nos cantos tripodes ardentes.

                  57.                                                  No tecto, formado pelo fundo da archittrave, vê-se  um mocho com uma ampulheta e outro com uma fouce, desenho primoroso do distincto artista nacional, Victor Meirelles de Lima.

                  58.                                                  Em cima da eça está collocada a urna coberta por um manto imperial ricamente bordado a ouro, e a corôa da imperatriz velada por crepe. Serpentinas de prata sustentam as velas que illuminam a urna.

                  59.                                                  A disposição do cenotaphio, que é inteiramente nova, deixa vêr o altar-mór, que os monumentos deste genero até agora entre nós feitos interceptavam de todo.[109]

                  60.            A participação dos dois escultores talvez tenha sido de um caráter mais ornamental, já que as esculturas principais, o dragão dos Bragança e o anjo da morte, foram realizados por Chaves Pinheiro, professor da Academia das Belas Artes,  e Pasquarelli, respectivamente[110].

                  61.            Talvez, sua obra mais importante foi o enorme frontão do Cassino Fluminense [Figura 3][111]:

                  62.                                                  O Sr. Severo da Silva Quaresma, discípulo do cavalleiro Pettrich, e os Srs. Quirino Antônio Vieira e João Duarte de Moraes discípulos do fallecido professor de esculptura da nossa Academia de Bellas-Artes, Marcos Ferrez, acabam de preparar o baixo-relevo da empena do Cassino Fluminense.[112]

                  63.            Aos dois escultores, soma-se um terceiro artista, João Duarte Morais, do qual quase não sabemos nada, e que aparece como professor adjunto do Liceu em 1863[113]. Esta grande obra foi um dos empreendimentos escultóricos de maior envergadura e importância do momento, quando o monumento a Dom Pedro I ainda não estava inaugurado e outros grandes frontões, como o da Santa Casa da Misericórdia, de Luigi Giudice, também não haviam sido realizado. Assim recolheu a imprensa, em 1857, esta obra, afirmando que:

                  64.                                                  Este trabalho, que era merecedor de adornar uma melhor obra, teve o infortúnio de ser collocado em uma das mais desgraçadas composições da edificação moderna e por isso talvez tenha sido bem pouco attendido e apreciado.A composição do baixo-relevo representa o Gênio do Brazil, presidindo as Musas, grupadas aos dois lados de modo a

                  65.                                                  preencherem completamente o tympano da empena.

                  66.                                                  Executando este trabalho os seus autores deram um grande passo na carreira artística, justificaram a reputação em que eram tidos de moços hábeis e laboriosos, e mostraram que no nosso paiz não faltam talentos nem dedicação, mas somente boa vontade de proteger as artes e os artistas[114].

                  67.            Desconhecemos o labor de cada um no frontão do Cassino, fato que não é desvendado na época, e, embora o estilo seja bastante homogêneo, é relevante assinalar que em relação à composição existe uma diferença entre o lado direito, muito melhor conseguido, onde as figura se distribuem mais harmonicamente no espaço, que as do lado esquerdo, que formam um grupo mais amalgamado que deixa parte do espaço escultórico vazio.

                  68.            Resulta interessante pensar este labor de ambos escultores e a diferente consideração que ambos tinham na sociedade e no campo artístico. Se, por um lado, Severo da Silva Quaresma tem uma renda de 1.200 reis, por outro, Quirino Antônio Vieira recebe apenas 200 reis, uma quantidade seis vezes menor que a alcançada pelo seu colega, que possuía uma empresa particular, a referida Severo da Silva Quaresma & Comp., domiciliada na Rua da Alfândega, n. 170 A, cujo labor aparece assim definido: “Incumbem se de objectos pertencentes á escultura, tirão mascaras, retratos, etc”[115]. Diante deste labor, pelo momento, só sabemos que Quirino Vieira atuou como ajudante de arruador na diretoria de obras municipais[116].

                  69.            Assim, Severo da Silva Quaresma e Quintino Vieira fizeram parte ativamente do ambicioso projeto educativo e de desenvolvimento artístico e social que Bithencourt da Silva criou em 1856 para estender o cultivo e o apreço das Belas Artes no Brasil imperial, compartilhando seus anelos e desejos, para dar forma a um novo futuro, para criar novos Fidias que empunhassem o cinzel:

                  70.                                                  Esperemos no futuro ! Em breve tempo

                  71.                                                  Vereis contentes desfazer-se a nuvem

                  72.                                                  Que o luzeiro das artes escurece !

                  73.                                                  Vereis entrar seus raios protectores,

                  74.                                                  Derramando uma luz vivificante

                  75.                                                  Pelo vasto recinto, em que os alumnos

                  76.                                                  Da grande escola que exercita as artes,

                  77.                                                  Moverem com o ardor da juventude

                  78.                                                  Do seu trabalho os nobres instrumentos !

                  79.                                                  Vereis a um lado os mestres da esculptura!

                  80.                                                  Para dar exemplo aos jovens aspirantes,

                  81.                                                  Empunhando os cinzeis, quaes novos Phidias,

                  82.                                                  Contra a pedra de Paros,  convertendo-a

                  83.                                                  Nos sublimes heróes que o mundo honraram

                  84.                                                  Por armas, letras, artes e sciencias![117]

Fontes primárias

                  85.            Por seu interesse para o conhecimento da arte oitocentista e, especialmente, de Quirino Antônio Vieira, transcrevemos aqui três pequenas resenhas da imprensa com ocasião da sua morte, publicadas no dia 28 de maio de 1876, em A Reforma, O Globo, e a Revista do Rio de Janeiro.

·        A Reforma, Rio de Janeiro, 28 de maio de 1876:

                  86.            Desceu hontem à sepultura, no cemitério de S. Francisco Xavier, Quirino Antonio Vieira, esculptor em ornatos de muito merecimento, que juntava à intelligencia de artista a rara qualidade de modesto. Era ainda mais: era um honrado cidadão, um benemérito da pátria que não testemunhava sua dedicação ao engrandecimento nacional por vãs palavras, mas por obras.

                  87.            Há 17 annos leccionava gratuitamente e com exemplar assiduidade no Liceu de Artes e Officios a arte cerâmica com summa proficiencia. Eleito em 1864 secretario d´esse estabelecimento desde então, até as vesperas de seu infausto passamento, dia por dia, exerceu esse encargo com verdadeiro devotamento, comparecendo todas as noites e desempenhando suas funções desde as 6 horas da tarde ate quasi 11 horas da noite.

                  88.            Possuidor de uma memória felicisima, conhecia todos os alumnos por seus nomes e pelo numero que tinham de matricula, mesmo quando esta elevou-se, em alguns annos, a mais de 1100 alumnos. E tanto amava esses alumnos que esquecia-se do si para cuidar d´elles, perdendo ás vezes dias inteiros de trabalho a livrai-os do recrutamento.

                  89.            Esse artista, tão honrado, tão digno e tão philantropico, morre, no emtanto, legando a uma mai de 76 annos e a uma irmã também adiantada em annos a mais absoluta pobreza. Por tão grandes e tão uteis serviços prestados ao paiz o governo Imperial deu-lhes os hábitos da Rosa e de Christo... Só isso.

                  90.            O partido liberal, que ufana-se de contar parlamentares e estadistas cmo Zacarias e Octaviano, também se orgulha de ter Quirino Antonio Vieira militado em suas fileiras, com convicção e com desinteresse.

Uma lagrima à sua memoria. [118]

·        O Globo, Rio de Janeiro, 28 de maio de 1876:

                  91.            Este habil artista fluminense, discipulo de nossa Academia de Bellas Artes, acaba de descer á ultima morada na terra, legando a uma octogenaria mãe e velha irmã um nome honrado e de extrema pobreza.

                  92.            E esse artista que produziu alguns trabalhos de escultpura de ornatos que honram a escola que o preparou, consagrára se ao Imperial Lyceo de Artes e Officios com tanta dedicação e desinteresse que tocara ao devotamento.

                  93.            Ha mais de 17 annos que leccionava alli gratuitamente a aula theorico-practica de cerámica, e desde 1846 que exercia as funções de secretario desse utilissimo estabelecimento, comparecendo ao desempenho de tão philantrópica missão todas as noites uteis e conservando-se em seu posto de honra desde ás 6 horas da tarde até as 10 e ás vezes 11 da noite, em que ordinariamente terminam alli os trabalhos do ensino.

                  94.            Era o finado cavalleiro das ordens da Rosa e de Christo, com que fôra agraciado em recompensa aos relevantes serviços que prestou á instrucção popular, mas a mais bella de suas condecorações era o nome honrado e digno que soube conquistar, quer como artista laborioso quer como professor philantropo.

Em signal de profundo sentimento o Lycêo encerra as suas aulas por oito dias e a congregação dos professores toma luto por igual tempo.[119]

·        Revista do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 28 de maio de 1876:

                  95.            A semana que hoje finda despertou ao noticiar da imprensa diaria, que uma grande e irreparavel brecha abrira a morte nas phalanges da vanguarda do progresso e da civilisação. Um infatigavel lidador cahira quasi na arena do combate.

                  96.            Quirino AntonioVieira, dizia aquelle noticiar, ja não existe!

                  97.            E quem era Quirino Antonio Vieira?

                  98.            Um intelligente esculptor de ornatos que ornára a fachada da estação central da Estrada de ferro de D. Pedro II com o bello grupo allegorico que emoldura o mostrador externo do relógio; que ornamentára com grupos, florões, architraves e modilhões, de estylo e phantasia , o palacete Nova Friburgo e o edificio da Santa Casa da Misericordia. Um artista laborioso e honesto, um filho exemplar um digno cidadão emfim.

                  99.            Espirito esclarecido, alma generosa e pleno do mais nobre patriotismo, cedo comprehendeu a sublime missão do Imperial Lycêo de Artes e Officios, que, por singular coincidencia era fundação de um grande artista tambem dotado das mesmas qualidades moraes que elle; e desde que avaliou a importancia da missão a que se destinava aquella instituição, devotou-se de corpo e alma a sua manutenção.

              100.            Ha dezesete annos Quirino Antonio Vieira começou a leccionar nesse popular  estabelecimento, e desde então até este anno não abandonou jamais as suas aulas, quer de dezenho, que a principio professou, quer de esculptura de ornatos e modelo em barro. Por espaço de mais de dois terços de um quarto de seculo desempenhou conscientosamente essa philantropica missão gratuitamente, como muitos não a desempenhariam por dinheiro.

              101.            Ha doze annos os collegas o elegeram secretário do Lycêo e nuna mais quizeram outro; e que outro haveria que todas as noites uteis, desde as 6 horas da tarde até as 10 e 11 da noite, estivesse trabalhando e fiscalisando aquelle vastissimo estabelecimento? - Onde encontrar outro com tanto amos á causa da instrução que fizesse inteiro e completo sacrificio de suas horas de repouso em proveito de uma escola popular?

              102.            Doze annos, dia por dia, desempenhou Quirino o enfadonho encargo de escripturar a matricula de 800 a 1.200 alumnos annuaes! E com que pontualidade, e com que zelo, e com que bôa vontade!

              103.            Um dia, porém, dia nefasto para aquelle estabelecimento, o batalhador enfraqueceu; uma noite não pôde comparecer ao Lycêo, a enfermidade cruel, que de ha muito corroia-lhe a existencia, não o deixará sahir do leito e... não o deixou mais.

              104.            Que legou Quirino Antonio Vieira, artista laborioso que por mais de trinta annos exerceu continuamente a sua profissão? - Á sua velha mãe e irmã- a miseria; á posteridade- um nome.     

              105.            O nome hade fulgurar esplendente de gloria na historia moral deste paiz, mas a miseria hade arrancar lagrimas a quem deixou elle ao desamparo; lagrimas pungentes que são o batismo da celebridade![120]

Referências bibliográficas

AZEVEDO, M. D. M. de (1877). O Rio de Janeiro; sua história, monumentos, homens notáveis, usos e curiosidades. Rio de Janeiro: Garnier, 1877.

CAVALCANTI, Carlos (org.); AYALA, Walmir, (org.). Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Brasília: MEC, INL, 1973.

CHILLON, Alberto, Martín. O Gênio do Brasil e as Musas: Um manifesto ideológico numa nação em construção. 19&20, Rio de Janeiro, v. IX, n. 1, jan./jun. 2014. Disponível em: <http://www.dezenovevinte.net/obras/obras_amc.htm>. Acesso em: 10 de outubro de 2014.

FERNANDES, Cybele Vidal Neto. O Ensino de Pintura e Escultura na Academia Imperial das Belas Artes. 19&20, Rio de Janeiro, v. II, n. 3, jul. 2007. Disponível em: <http://www.dezenovevinte.net/ensino_artistico/aiba_ensino.htm>. Acesso em: 10 de outubro de 2014.

FERRARI, Paula (org.). Manoel de Araujo Porto-Alegre: Discurso pronunciado na Academia das Belas Artes em 1855, por ocasião do estabelecimento das aulas de matemáticas, estéticas, etc.. 19&20, Rio de Janeiro, v. III, n. 4, out. 2008. Disponível em: <http://www.dezenovevinte.net/txt_artistas/mapa_1855_discurso.htm>.

GALVÃO, A. Notas sobre as moldagens em gêsso da ENBA da UB. Peças preciosas da coleção escolar. Arquivos da escola de Belas Artes, 1957.

LEVY, Carlos Roberto Maciel. Exposições Gerais da Academia Imperial e a Escola Nacional de Belas Artes. Período monárquico. Catálogo de artistas e obras entre 1840 e 1884. Rio de Janeiro: Ediciones Pinakotheke, 1990.

Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1852, 1858, 1859, 1860, 1861, 1863, 1869, 1870, 1871, 1872, 1874, 1875, 1876, 1877.

A Nação, 10 de julho de 1873.

A Reforma, 5 de fevereiro de 1870.

A Reforma, 4 de março de 1870.

A Reforma, 31 de dezembro de 1870.

A Reforma, 28 de maio de 1876.

Constitucional, 18 de outubro de 1862.

Correio da tarde, 5 de novembro de 1856.

Correio do Brazil, 21 de fevereiro de 1872.

Correio Mercantil, 13 de fevereiro de 1854.

Correio Mercantil, 3 de setembro de 1856.

Correio Mercantil, 30 de setembro de 1856.

Correio Mercantil, 9-10 de dezembro de 1856.

Correio Mercantil, 10 de dezembro de 1856.

Correio Mercantil, 23 de julho de 1857.

Correio Mercantil, 24 de setembro de 1857.

Correio Mercantil, 6 de junho de 1859.

Correio Mercantil, 9-10 de dezembro de 1859.

Correio Mercantil, 10 de agosto de 1861.

Correio Mercantil, 23 de setembro de 1862.

Correio Mercantil, 26 de setembro de 1862.

Correio Mercantil, 21 de maio de 1863.

Correio Mercantil, 19 de setembro de 1866.

Correio Mercantil, 21 de setembro de 1867.

Correio Mercantil, 4 de fevereiro de 1868.

Correio Mercantil, 17 de fevereiro de 1868.

Diário do Rio de Janeiro, 16 de novembro de 1856.

Diário do Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1857.

Diário do Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1858.

Diário do Rio de Janeiro, 14 de janeiro de 1871.

Diário do Rio de Janeiro, 28 de setembro de 1873.

Diário do Rio de Janeiro, 2 de junho de 1876.

Diário do Rio de Janeiro, 18 de janeiro de 1877.

Gazeta de Notícias, 6 de janeiro de 1877.

Gazeta de Noticias, 19 de outubro de 1881.

Ministério do Império, 1870 e 1871.

Jornal da Tarde, 30 de dezembro de 1870.

O Brasil, 31 de dezembro de 1842

O Brasil artístico.

O Globo, 31 de setembro de 1874

O Globo, 28 de maio de 1876.

O paiz, 5 de agosto de 1885.

Ministério do Império, 1870, 1871.

Revista do Rio de Janeiro, 1876.


[1] Doutorando em Artes, Universidade do Estado do Rio de Janeiro/ Bolsista PNAP Fundação Biblioteca Nacional. O presente trabalho foi realizado com apoio do Programa Nacional de Apoio à Pesquisa - FBN/MinC.

[2] Atualmente sabemos muito pouco sobre estes escultores, apenas breves dados oferecidos por dicionários ou breves menções, que se limitam a dados gerais e obras específicas. De modo a suprir esta lacuna, oferecemos aqui um estudo detalhado com informações inéditas ao respeito, que trazem luz a dois artistas com atuações importantes, tanto na prática artística, quanto no ensino, e que ajudam a entender melhor a arte brasileira oitocentista.

[3] O Brasil artístico, p. 64. Jacy Monteiro.

[4] O Brasil Artístico, p. 14.

[5] O Brasil Artístico, p. 14.

[6] O Brasil Artístico, p. 15.

[7] O Brasil Artístico, p. III-IV.

[8] O Brasil Artístico, p. 50. Manuel Ferreira das Neves.

[9] O Brasil Artístico, p. 17-18.

[10] O Brasil Artístico, p. 17-18.

[11] O Brasil Artístico, p. 48. Gault Filho.

[12] O Brasil Artístico, p. 16.

[13] O Brasil Artístico, p. 17-18.

[14] O Brasil Artístico, p. 23. Discurso recitado perante os membros fundadores da Sociedade Propagadora das Bellas-Artes do Rio-de-Janeiro, no dia da sua organização em 23 de Novembro de 1856, no edifício do Museu Nacional.

[15] O Brasil Artístico, p. 24-25.

[16] Correio Mercantil, 9-10 de dezembro de 1856.

[17] Correio Mercantil, 21 de maio de 1863.

[18] Correio Mercantil, 17 de fevereiro de 1868.

[19] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1869, p. 409.

[20] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1870, p. 403.

[21] Diário do Rio de Janeiro, 14 de janeiro de 1871.

[22] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1872, p. 410.

[23] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1874, p. 429.

[24] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1875, p. 464.

[25] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1876, p. 488.

[26] A Reforma, 28 de maio de 1876.

[27] Ministério do Império, 1870 e 1871.

[28] Revista do Rio de Janeiro, 1876, p. 160.

[29] Diário do Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1858. Correio Mercantil, 10 dezembro 1856.

[30] Correio Mercantil, 4 de fevereiro de 1868.

[31] Revista do Rio de Janeiro, 1876, p. 160-161.

[32] A Reforma, 31 dezembro 1870.

[33] Gazeta de Noticias, 19 outubro 1881.

[34] Revista do Rio de Janeiro, 1876, p. 160-161.

[35] Ministério do Império, 1870 e 1871. CAVALCANTI, Carlos (org.); AYALA, Walmir, (org.). Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Brasília: MEC, INL, 1973, o situa como professor de escultura de ornatos.

[36] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1860, p. 382. 1861, p. 341. 1862, p. 350. 1863, p. 350. 1871, p. 389.

[37] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1869, p. 409.

[38] A Reforma, 5 de fevereiro de 1870.

[39] Correio Mercantil, 17 de fevereiro de 1868.

[40] Correio Mercantil, 4 de fevereiro de 1868.

[41] Correio Mercantil, 9-10 de dezembro de 1859.

[42] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1860.

[43] Correio Mercantil, 19 setembro 1866.

[44] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1871, p. 390.

[45] Diário do Rio de Janeiro, 9  de dezembro de 1857.

[46] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1858, p. 352.

[47] A Reforma, 4 de março  de 1870.

[48] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1874, p. 531.

[49] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1852, p. 78.  

[50] FERNANDES, Cybele Vidal Neto. O Ensino de Pintura e Escultura na Academia Imperial das Belas Artes. 19&20, Rio de Janeiro, v. II, n. 3, jul. 2007. Disponível em: <http://www.dezenovevinte.net/ensino_artistico/aiba_ensino.htm>. Acesso em: 10 de outubro de 2014.

[51] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1860, p. 381.

[52] FERRARI, Paula (org.). Manoel de Araujo Porto-Alegre: Discurso pronunciado na Academia das Belas Artes em 1855, por ocasião do estabelecimento das aulas de matemáticas, estéticas, etc.. 19&20, Rio de Janeiro, v. III, n. 4, out. 2008. Disponível em: <http://www.dezenovevinte.net/txt_artistas/mapa_1855_discurso.htm>.

[53] O Brasil Artístico, v.1,  p. 24.

[54] Segundo A Reforma, 28 de maio de 1876, o escultor morreu nesse mesmo ano, pelo que em 1877 já estaria morto.

[55] CAVALCANTI, Op. cit., p. 477.

[56] O Brasil, 31 de dezembro de 1842.

[57] Arquivo do Museu dom João VI, EBA, UFRJ, 5992, 31/10/1862. Pacote 2 (Antonio de Padua e Castro).

[58] Jornal da Tarde, 30 de dezembro de 1870.

[59] A Reforma, 31 de dezembro de 1870.

[60] A Reforma, 28 de maio de 1876.

[61] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1861, p. 364.

[62] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1862, p. 374.

[63] O Globo, 31 de setembro de 1874. Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1874, p. 531.

[64] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1873, p. 485.

[65] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1876, p. 538.

[66] Correio Mercantil, 3 de setembro de 1856.

[67] Correio Mercantil, 10 de agosto de 1861.

[68] Correio Mercantil, 24 de setembro de 1857.

[69] Correio Mercantil, 21 de setembro de 1867.

[70] Correio Mercantil, 23 de setembro de 1862.

[71] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1872, p. 411.

[72] Correio Mercantil, 26 de setembro de 1862.

[73] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1869, p. 410.

[74] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1870, p. 404.

[75] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1871, p. 390.

[76] Correio Mercantil, 30 de setembro de 1856.

[77] Diário do Rio de Janeiro, 2 de junho de 1876.

[78] Arquivo do Museu dom João VI, 5992, 31/10/1862. Pacote 2 (Antonio de Padua e Castro).

[79] Revista do Rio de Janeiro, 1876, p. 160-161.

[80] AZEVEDO, M. D. M. de (1877). O Rio de Janeiro; sua história, monumentos, homens notáveis, usos e curiosidades. Rio de Janeiro: Garnier, 1877, p. 21-22. 

[81] GALVÃO, A. Notas sobre as moldagens em gêsso da ENBA da UB. Peças preciosas da coleção escolar. Arquivos da escola de Belas Artes, 1957, pág. 130.

Ibid: pág. 130.

[82] Diário do Rio de Janeiro, 18 de janeiro de 1877. Neste ano tinha 46 anos, por isso nasceria em 1830 ou 1831.

[83] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1860, p. 351.

[84] Diário do Rio de Janeiro, 16 de novembro de 1856.

[85] Correio Mercantil, 24 de setembro de 1857.

[86] Correio Mercantil, 30 de setembro de 1856.

[87] Correio Mercantil, 23 de julho  de1857.

[88] Correio Mercantil, 30 de setembro de 1856.

[89] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1867, p. 380.

[90] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1870, p. 404.

[91] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1871, p. 390.

[92] Diário do Rio de Janeiro, 28 de setembro de 1873.

[93] Correio Mercantil, 6 de junho de 1859.

[94] CAVALCANTI, Op cit., p. 14, 477. No Constitucional, 18 outubro 1862, Correio da tarde, 5 novembro 1856, aparece como expositor na Exposição Nacional de 1862 com o busto do Sr. Bispo conde.

[95] Correio da tarde, 5 novembro 1856, Desconhecemos a que se refere ao falar dum trabalho destes.

[96] Diário do Rio de Janeiro, 16 novembro 1856.

[97] LEVY, Carlos Roberto Maciel. Exposições Gerais da Academia Imperial e a Escola Nacional de Belas Artes. Período monárquico. Catálogo de artistas e obras entre 1840 e 1884, Ediciones Pinakotheke, Rio de Janeiro, 1990.

[98] LEVY, Op. cit.,  p. 254.

[99] O Paiz, 5 de agosto de 1885.

[100] Revista Musical e de Bellas Artes, 19 de abril de 1879. Savarin.

[101] Revista Illustrada, 1879, ano IV, n. 155.

[102] Correio do Brazil, 21 de fevereiro de 1872.

[103] Gazeta de Notícias, 6 de janeiro de 1877.

[104]Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1861, p. 462.

[105] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1868, p. 111.

[106] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro , 1861, p. 100.

[107] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1859, p. 515.

[108] A Nação, 10 de julho de 1873. O templo referido seria a Capela Imperial.

[109] A Nação, 10 de julho de 1873. O templo referido seria a Capela Imperial.

[110] A Nação, 10 de julho de 1873.

[111] CHILLON, Alberto, Martín. O Gênio do Brasil e as Musas: Um manifesto ideológico numa nação em construção. 19&20, Rio de Janeiro, v. IX, n. 1, jan./jun. 2014. Disponível em: <http://www.dezenovevinte.net/obras/obras_amc.htm>. Acesso em: 10 de outubro de 2014.

[112] O Brasil Artístico, v. 1, p.94.

[113] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1863, p. 350.

[114] O Brasil Artístico, 1857, v. 1, p. 94.

[115] Correio Mercantil, 13 de fevereiro de 1854.

[116] Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro, 1869, p. 344. Almanak, 1870, p. 341.

[117] O Brasil Artístico, p. 33. Francisco Gonçalves Braga.

[118] A Reforma, 28 de maio de 1876.

[119] O Globo, 28 de maio de 1876.

[120] Revista do Rio de Janeiro, 1876, p. 160-161.