Exposições Gerais de Belas Artes: Disponibilização em rede de notas de imprensa - v. 2.0

1914 páginas de conteúdo · recuperadas do banco em 2026-08-29
APRESENTAÇÃO DO SITE

Organização de Arthur Valle

O presente site tem como objetivo principal colocar à disposição de investigadores em Artes e demais interessados um corpus selecionado de transcrições e fac-símiles referentes à recepção das Exposições Gerais de Belas Artes, o principal certame artístico realizado na cidade do Rio de Janeiro, nos períodos do Império e da 1ª. República. Inicialmente dedicado à série regular de mostras que se inicia em 1894 e se estende até o final do primeiro período republicano, o site constitui-se, igualmente, como um experimento de verificação do potencial da escrita hipertextual como forma de indexação e organização de um banco de fontes primárias relativo à história da arte no Brasil.

Vinculado atualmente ao projeto de pesquisa "História Digital da Arte e sua aplicação a Bases de Dados Brasileiras", do Departamento de Artes da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (DArtes/ICHS/UFRRJ), a iniciativa contou com o apoio, na forma de bolsas de iniciação científica, do CNPq e da FAPERJ. O site prossegue, consolida e amplia as ações de um projeto de Pós-Doutoramento intitulado "Exposições Gerais de Belas Artes da 1ª. República - 1894-1930: Levantamento e Análise de Textos Críticos", iniciado em 2008 junto ao Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal Fluminense (UFF), sob orientação do Prof. Dr. Paulo Knauss de Mendonça.

As principais características estruturais do site, em seu estado atual, são:

(1) a disponibilização de versões transcritas, com grafia atualizada, da parte textual das notas de imprensa recolhidas e de fac-símiles de sua parte iconográfica, bem como dos catálogos das exposições;

(2) o acesso por meio de busca textual direta — um campo de pesquisa que localiza tanto títulos quanto ocorrências no corpo dos documentos, permitindo verificar concordâncias — e de um índice alfabético; o material permanece organizado em torno dos eixos Anos, Periódicos, Articulistas, Expositores e Catálogos, indicados em cada página;

(3) a vinculação hipertextual das notas de imprensa e dos catálogos entre si, através de links referentes sobretudo aos nomes de expositores e obras que figuraram nas edições das Exposições Gerais; a cada página associa-se, ainda, a lista de suas páginas afluentes — isto é, do conjunto de páginas do site que a citam —, e as referências a imagens remetem aos respectivos fac-símiles, exibidos no próprio ambiente de leitura;

(4) a consolidação do banco de dados num documento estático e autocontido, recuperado da base do MediaWiki — o freeware, baseado na linguagem PHP, sob o qual o site foi originalmente criado e editado, de modo colaborativo e diretamente via navegador, o que facilitou a sua administração ao longo de sua constituição. Em sua forma atual, essa consolidação preserva o acervo e a sua trama de vínculos sem depender do software dinâmico ou de um servidor de banco de dados, com vistas a garantir o seu acesso continuado.

O banco de dados do site é composto por cópias digitalizadas de versões micro-filmadas ou de exemplares impressos dos periódicos e dos catálogos originais. É intenção do projeto expandir continuamente seu banco de dados. Nesse sentido, o site se encontra aberto para receber contribuições de investigadores que desejem colaborar com a sua ampliação, disponibilizando transcrições e/ou fac-símiles de notas referentes às Exposições Gerais. Tais contribuições serão creditadas nas páginas relativas às notas disponibilizadas, nas quais o nome do/a investigador/a e a natureza da sua contribuição se encontrarão referidos.

As transcrições das notas de imprensa tiveram a sua grafia atualizada, visando a facilitar a homogeneização gramatical do material disponibilizado e a realização de buscas textuais. A única exceção sistemática a essa regra refere-se à grafia dos nomes próprios de expositores, articulistas e personalidades: nesses casos, optou-se por preservar todas as variações encontradas de um mesmo nome próprio. Mas as variações do nome de determinado/a expositor/a se encontram vinculadas a uma única página, onde as referências localizadas nas diversas páginas do site podem ser listadas. A grafia do nome escolhida como título dessa página não é proposta como "correta;" antes, funciona simplesmente como um rótulo para a convergência das referências.

Nas transcrições, procurou-se preservar as ênfases gráficas (itálico, negrito, uso de maiúsculas etc.) e algumas características básicas da formatação original das notas de imprensa, como uso de subtítulos e quebras de parágrafo. O uso de colchetes foi reservado para a inserção de comentários relativos às transcrições. As indicações mais comuns são as seguintes:

[...] - indica trecho ilegível no documento consultado;

[sic] - indica erro ortográfico ou grafia heterodoxa;

[Imagem] - insere link para imagem de obra citada ou descrita, mas não referida nominalmente na nota de imprensa;

["nome de expositor"] - especifica o nome de expositor/a, para contornar referências resumidas, ambíguas ou equivocadas.

Embora um esforço de revisão tenha sido feito, as páginas do presente site podem conter erros ortográficos ou no funcionamento de seus links. Agradecemos antecipadamente ao usuário que indicar qualquer destes erros, escrevendo para: 1920dezenovevinte@gmail.com

1894
1894 - A Noticia
1894 - Catálogo

[página sem numeração]

ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES

Catálogo da Exposição Geral de Belas Artes

INAUGURADA

Em 1º de Outubro de 1894

RIO DE JANEIRO

Companhia Industrial de Papelaria

Rua do Rosário n. 81

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1894

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ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES

Catálogo da Exposição Geral de Belas Artes

INAUGURADA

Em 1º de Outubro de 1894

RIO DE JANEIRO

Companhia Industrial de Papelaria - Rua do Rosário n. 81

-

1894

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Escola Nacional de Belas Artes

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[página sem numeração]

PINTURA

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ALBERTO VIANELLI. - Nasceu em Nápoles, discípulo de Boulanger Lefevre, rua da Alfandega n. 45 (procurador do artista).

1 As mulheres na fonte.

ALEXANDRINO BORGES (Pedro). - Nasceu na Capital do Estado de S. Paulo, discípulo de Almeida Junior, rua do Lava Pés, n.34.

2 Cozinha e casa da roça.

3 Olaria. .

4 Morango.

5 Mamão.

6 Ariticú.

ALMEIDA JUNIOR (José Ferraz de). - Discípulo de Victor Meirelles e Cabanel, professor honorário da extinta Academia das Belas Artes. - Estado de S. Paulo.

7 Amolação interrompida.

8 Picador de fumo.

9 Pescaria.

10 A pintura (alegoria).

11 Salto Votorantin.

12 Cabeça de estudo.

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[página 6]

AMOEDO (Rodolpho). - Vice-Diretor e professor de pintura da Escola Nacional de Belas Artes. Discípulo de Alexandre Cabanel e P. Chavanes, rua Marquesa de Santos (Carvalho de Sá).

13 Retrato da Exma. Sra. A. A (pastel).

14 Cabeça de Oriental.

AUGUSTO PETIT. - Nasceu em França. Discípulo de Eugene Nesle, rua Gonçalves Dias n. 83.

15 Retrato.

AURELIO DE FIGUEIREDO. - Rua Barão de Capanema n.

16 Pátio da casa dos contos onde foi assassinado Claudio Manoel da Costa, em Ouro Preto. (Minas).

17 Copo d'água.

18 Retrato.

BAPTISTA DA COSTA (João). - Nasceu no Rio de Janeiro. Professor do Instituto Profissional, discípulo de R. Amoedo, rua do Boulevard n. 33.

19 Lagoa Rodrigo de Freitas (Rio de Janeiro).

20 Leitura interrompida.

21 Estação das Mangueiras.

22 Lago - Jardim Botânico.

23 Capela Matta Machado - Tijuca.

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[página 7]

24. Hotel da Tijuca.

25 Pedreira - Vila Isabel.

26 Repouso.

27 Ruínas de Villegaignon.

28 Rio - Jardim Botânico.

29 Lagoa de Rodrigo de Freitas.

30 Instituto Profissional. .

31 Forte Acadêmico.

32 Estação das Mangueiras.

D. BEATRIZ FERRO CARDOSO DE OLIVEIRA [sic]. - Nasceu na Bélgica. Discípula de Amedèe Bousson. Rua das Pernambucanas n. 54, (Pernambuco).

33 Un pot-au-feu parisien.

BELMIRO DE ALMEIDA. - Nasceu no Estado de Minas Gerais. Discípulo de Zeferino da Costa e outros. Rua da Caixa d'Água n. 33.

34 Tagarela, (propriedade da Escola).

35 Bom Tempo, (propriedade da Escola).

36 Vendedora de fósforos, costume italiano.

37 Nuvens, (propriedade do Exm. Sr. Dr. Ferreira de Araújo).

38 Vaso com flores, (propriedade da Escola).

39 Depois da Patroa, eu!

40 Retrato de Mme. A.

41 Efeito de Sol .

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[página 8]

42 Cabeça de Contadina.

BENEDICTO R. DA SILVA (Dr.) - Nasceu no Rio de Janeiro. Discípulo de A. Parreiras. Rua de S. Januário n.8.

43 Estudo entomológico.

BENTO BARBOSA. - Nasceu no Rio de Janeiro. Discípulo de Henrique Bernardelli e R. Amoedo. Redação da Revista Theatral.

44 Vóvó.

BERNARDELLI (Felix). - Residente em Paris.

45 Velha Hebréa (cabeça).

46 Conselho de bastidores.

47 Quem espera desespera.

48 Passará ele?

BERNARDELLI (Henrique). - Professor de pintura da Escola Nacional de Belas Artes.

49 História eterna.

50 Em tempos coloniais.

51 A saúde da bela.

52 Faceira.

53 Volta do trabalho.

BROCOS (M). - Professor da Escola Nacional de Belas Artes.

54 Mulatinha.

55 Crepúsculo, (Diamantina).

56 No pátio.

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[página 9]

57 Garimpeiros.

58 Vista panorâmica do Aqueduto da Carioca.

59 Cachoeira da Tijuca.

60 O dedo de Deus, (Teresópolis).

61 Cair da noite, (Teresópolis).

62 Estudo. (Teresópolis).

63 Pôr-do-sol (Estudo).

64 Retrato do Exm. Sr. Dr. Ubaldino do Amaral.

65 Vista da Cidade de Diamantina.

66 Paisagem. (Diamantina).

CASTAGNETO (João Baptista). - Nasceu no Rio de Janeiro. Discípulo de Verdi e Montemaro. Rua Primeiro de Março n. 10.

67 Chegada da esquadra legal em 23 de Junho de 1894.

68 Efeito de neblina - Niterói.

69 Calmaria.

70 Efeito de manhã.

71 Naufrágio.

DELPINO (Alberto). - Brasileiro. Discípulo da extinta Academia de Belas Artes, rua Gonçalves n. 24, Catumby.

72 Berço da inconfidência.

73 Serra de Itacolomy.

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[página 10]

74 Última ponte de S. João d'El Rei.

75 Porteira da Cachoeira, (fazenda do Exmo. Sr. Dr. Cruz Machado, em Barbacena).

76 Serra de Jacob.

77 Longes.

D. DIANA CID. - Paris 5 bis, rua Bará.

78 Flôr marinho.

79 Fantasia em rosa.

80 Mistério.

81 As laranjas.

82 O adeus.

83 Donzela.

84 A leitura.

85 Meditação.

86 Estudo.

FABBI (F). - Artista italiano.

87 Algeriana, doado a esta Escola pelo autor.

FACHINETTI (N.) - Nasceu em Trevizo, Italia. Retiro Guanabara n. 54 E.

88 Boa Vista, no alto da estrada de Teresópolis.

89 Serra dos Orgãos.

90 Vale do Quebra Frascos (Teresópolis).

91 Serra dos Orgãos.

92 Casa do Sr. Reginaldo Total, Cosme Velho (Laranjeiras).

93 Cascatas do Rio Abraão (Ilha Grande).

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[página 11]

94 Lagoa de Rodrigo de Freitas, vista da estrada da Gávea.

95 Cascata sobre o rio Paquequer (Teresópolis).

96 Chalet do Exmo. Sr. Augusto F. Vieira, no vale de Quebra Frascos (Teresópolis).

97 Aurora nos píncaros da Serra dos Orgãos (Teresópolis).

98 Praia de S. Roque (Ilha de Paquetá).

99 Itapuca. (S. Domingos em Niterói.) Colaboração com a Exma. Sra. D. Maria A. Forneiro.

100 Praia de Icaraí (S. Domingos em Niterói). Colaboração com a Exma. Sra. D. Maria A. Forneiro.

101 Tamarind Lodge. (S. Domingos, em Niterói). Colaboração com a Exma. Sra. D. Maria A. Forneiro.

102 Praia de Icaraí (S.Domingos, em Niterói). Colaboração com a Exma. Sra. D. Maria A. Forneiro.

FIUSA GUIMARÃES (José). - Nasceu no Rio de Janeiro. Discípulo de R. Amoedo e H. Bernardelli. Rua de S. José n. 30.

103 Visita.

104 Petrópolis.

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[página 12]

105 Juiz de Fora.

106 Aquarela (flores).

107 Bahia do Rio de Janeiro.

108 Gamboa.

109 S. João Nepomuceno.

110 Bahia do Rio de Janeiro, (vista de Petrópolis).

111 Copacabana.

INSLEY PACHECO. - Rua do Ouvidor.

112 Barranca, (paisagem).

LOPES RODRIGUES (Manoel). - Nasceu no Estado da Bahia. Pensionista do Estado. Discípulo de R. Collin e Lefevre.

113 Paisagem.

114 Cabeça de velho, (estudo).

115 Cabeça de velha.

116 Orquestra volante.

117 Paisagem. (Heyst sur mer. Bélgica).

118 Um velho bretão, (estudo).

119 Interior de atelier.

120 Retrato.

121 Sans Souci.

122 Estudo de cabeça. (Fusain).

MACEDO (Francisco). [sic] - Nasceu na Fortaleza, Estado do Ceará. Rua da Floresta n. 83.

123 Paisagem. (Manguba).

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[página 13]

124 Paisagem (Estação da Manguba, E. de F. de Paturité).

125 Paisagem. (Manguba Cearense).

126 Paisagem (Manguba Cearense).

MACEDO (João). - Nasceu na Fortaleza, Estado do Ceará. Discípulo da Escola Nacional de Belas Artes. Rua da Floresta n. 83.

127 Paisagem. (Catumby.)

MADRUGA FILHO (Manoel Pereira). - Nasceu em Teresópolis. Discípulo da extinta Academia de Belas Artes. Rua Flack n. 15.

128 Uma tarde em Riachuelo (Subúrbio).

129 A Ponta do Bispo.

130 A Bela Vivenda.

131 Paineira em flor.

132 A choupana do pescador.

D. MARIA AGNELLE FORNEIRO Nasceu na Ponta Negra, município de Maricá. Discípula de N. Fachinetti. Rua da Boa Vista n. 17. Santa Rosa.

133 Casa da Boa Vista em Santa Rosa.

134 Alto da chácara da Boa Vista. Niterói.

135 Estudo.

136 Estudo.

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[página 14]

OSCAR PEREIRA DA SILVA. - Pensionista do Estado, na Europa.

137 Le Mendiant dans la cour.

138 Leitora.

139 Monge.

140 Cabeça de mulher, (estudo).

141 Tronco de mulher, (estudo).

142 A Escrava.

143 Le racommodeur de faience.

PINTO BANDEIRA (Antonio Raphael). - Nasceu no Estado do Rio de Janeiro (Niterói). Discípulo da extinta Academia de Belas Artes, rua S. Leopoldo n. 23 (Niterói).

144 Cabeça de estudo.

RODRIGO SOARES. - Nasceu no Porto (Portugal) . Discípulo de J. Correia Cabanel, S. Paulo.

145 Retrato do Exm. Sr. José Maria Lisboa.

146 Retrato do Exm. Sr. Alberto da Silva e Souza.

SANTOS OLLALA (Francisco Garcia). - Nasceu em Malaga (Espanha). Discípulo de Joaquim Martin de la Vega. Rua Marquez d'Olinda n. 7 (Botafogo).

147 O Pescador.

148 A Cascata.

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[página 15]

149 Abobreira (estudo).

150 Cajus.

151 Paisagem (Barra da Tijuca).

152 Cabeça de Velho (desenho a pena).

153 Cabeça de Vênus.

154 Cabeça de Velho (a lápis).

155 Cabeça de Velho (a lápis).

156 Saracura (a pena).

157 Paisagem (aquarela).

158 Caramanchão (a pena).

SOUZA PINTO (José Julio). - Nasceu em Angra do Heroismo (Ilha Terceira).

159 Le Rendez-vous (figurou no Salon de 1894.).

160 À Beira mar (costume da Povoa de Varzin.).

161 Animais (estudo).

162 Arredores de Paris.

TREIDLER (Benno) - Nasceu em Berlin. Discípulo de Cristiano Wilberg. Rua da Assembeia n. 75.

163 Boa Vista (Niterói).

164 Moinho d'Água.

165 Santo Antonio.

166 Vigo (Espanha).

167 S. Bento, (Ilha do Governador).

168 S. Bento, (Ilha do Governador).

169 Formação de trovoada.

170 Boa Vista (Niterói).

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[página 16]

171 Niterói.

172 Touguinho (Minho).

VASCONCELLOS (Braz Ignacio de). - Nasceu no Rio de Janeiro. Professor do Liceu de Artes e Ofícios, rua do General Polydoro n. 80.

173 Retrato (a crayon).

174 Retrato (a crayon).

175 Retrato (a crayon).

VALLE DE SOUZA PINTO (Antonio Alves). - Nasceu em Vallongo (Porto). Professor do Liceu de Artes e Ofícios. Rua do Hospício n. 302, sobrado.

176 Retrato (a crayon).

177 Retrato (a crayon).

178 Vapor Sepetiba, em concerto na Quinta do Caju, oficinas da Companhia Edificadora.

179 Retrato (a crayon).

180 Retrato de uma criança de 4 meses (à pena).

181 Retrato (a pena).

182 Natureza morta.

VISCONTI (Eliseu D'Angelo). - Pensionista do Estado, na Europa. Discípulo de J. Zeferino da Costa. R. Amoedo e Henrique Bernardelli.

183 No verão.

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[página 17]

184 Leitura.

185 Distração.

186 Lavadeiras.

187 Bananeiras.

188 Paisagem.

189 Paisagem.

190 Paisagem.

191 Paisagem.

192 Paisagem.

WEIGARTNER (Pedro). - Nasceu em Porto Alegre (Estado do Rio Grande). Desenho [sic] da Escola Nacional de Belas Artes.

193 Vista de Nova Veneza (Santa Catarina).

194 Os Urubus.

195 As Galinhas.

196 A Gaiola.

197 O Peralta.

198 A Despedida.

199 Vendedor de queijos.

200 Corridas na Campanha do Rio Grande.

201 Um piquete de força de Arthur Oscar de passagem em Nova Veneza.

272 [sic] Reunião de Patriotas (Santa Catarina)

203 Retrato do Exm. Sr. Dr. Ubaldino do Amaral

204 As Lavandeiras.

205 Projeto de Viagem.

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[página 18]

KELLER KEHR (G). - Nasceu em Berna Suissa.

206 Retrato.

SOUZA PINTO (José Julio).

207 Père Mathieu.

DIANA CID

208 Agosto.

209 Setembro.

210 Novembro.

211 Flor de Maio.

212 Caminho quotidiano.

213 La musica proebita. [sic]

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[página 19]

SEÇÃO DE ESCULTURA

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BERNARDELLI (Rodolpho). - Discípulo de Chaves Pinheiro.

1 Retrato, (busto em bronze fundido) na Argentífera Brasileira.

FELIPPO DANTE. - Nasceu na Itália. Discípulo de Rossi Essiere. Rua da Ajuda n. 14.

2 Retrato do Exm. Sr. General Carneiro, (busto em gesso).

3 Retrato do Exm. Sr. General Deodoro (busto em gesso).

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[página 20]

SEÇÃO DE GRAVURA

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BROCOS (Modesto). - Brasileiro. Discípulo de Lheman e Madrazo. Professor da Escola Nacional de Belas Artes.

1 Água forte.

GIRARDET (Augusto). - Nasceu em Roma. Discípulo de Giorgio Girardet. Professor da Escola Nacional de Belas Artes. Rua Dois de Dezembro n. 37.

2 Cabeça da República (composição em aço).

3 Retrato do Exm. Sr. Dr. Benjamin Constant.

4 10 cópias em Camafeus.

5 8 Gravuras.

6 Medalha da escola (gesso).

7 2 retratos em pedras preciosas.

8 Cabeça da República (Sardônica).

9 Amor em repouso.

10 General Osório (esboceto).

11 Retrato do maestro Verdi (esboceto em gesso para Camafeu).

12 Retrato em gesso [esboceto para Camafeu].

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[página 21]

SEÇÃO DE LITOGRAFIA

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VALLE DE SOUZA PINTO (Antonio Alves do). Nasceu em Vallongo (Porto). Rua do Hospício n. 302.

1 Poeta Guerra Funqueiro (o abbade XXX.)

2 Retrato do Exm. Sr. Commendador Victorino de Barros.

3 Retrato do Exm. Sr. Conselheiro F. A. C. de Oliveira.

4 Retrato do Exm. Sr. Marechal Deodoro,

5 Retrato do Exm. Sr. Visconde d'Abaeté.

6 Retrato do Exm. Sr. Marechal Deodoro.

7 Retrato do ator brasileiro João Caetano dos Santos.

8 Retrato do Exm. Sr. Conde de Mattosinhos.

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[página 22]

SEÇÃO DE ARQUITETURA

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BERNA (João Ludovico Maria) - Brasileiro. Discípulo de Mogaux, Maucheri, Cagnet, Pensionista do Estado. Rua Pigalle n. 37.

1 Projeto de uma estação central de estrada de ferro, ladeados pelos edifícios de Correios e Telegraphos e de um grande hotel para viajantes.

2 Planta do projeto acima.

3 Fachada do Palácio da Indústria e Lavoura.

4 Avant project de um etablissements de Bains, pour une grande ville.

5 Planta do projeto acima.

6 Corte (do mesmo acima).

7 Pavilhon da grement dans un parc (esquisse) fachada e planta.

8 Villa Margarida e Beatriz (fachada e planta dos três pavimentos, esquisse).

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[página 23]

HEITOR DE CORDOVILLE. - Nasceu no Rio de Janeiro. Discípulo do Conde Vergenios Vosppgnani e Cesare Buzlra.

9 Projeto de um hotel (fachada).

10 Projeto de um hotel (planta).

KELLEE KEHR. [sic] - Nasceu em Bern [Suissa].

11 Retrato [água forte].

Companhia Marcenaria Brasileira

129 - Rua de S. Cristovão - 129

Móveis artísticos

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[página sem numeração]

SEÇÃO DE ARTES APLICADAS À INDUSTRIA

Argentífera Brasileira

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2 tête-a-tête de prata.

1 cafeteirinha e um açucareiro.

1 copo de prata, 8 ½.

1 " " " 6 ½.

6 copos guillochados.

4 chícaras, pires e colheres de prata.

1 Leiteira com asa de palha.

3 caixas para fósforos, grandes.

4 ditas para ditos, chatas.

4 ditas idem, idem, pequenas.

4 ditas idem, idem, com mola.

3 cigarreiras de prata.

1 caixa de cristal com tampa de prata, para pó de arroz.

1 Porta-flores de prata.

4 colheres de mesa com gravura.

4 ditas de chá, com dita.

6 ditas para tête-à-tête, feitio francês.

1 par de fivelas para ligas.

4 frascos para essências.

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[página 25]

6 facas de mesa, feitio inglês, prata.

6 garfos de dita, idem, idem.

6 colheres de sopa, idem, idem.

6 ditas de mesa, idem, idem.

6 ditas para café, idem, idem.

4 bengalas com castão de prata.

2 copos grandes cingelados.

3 talheres dourados, feitio torse, para criança.

4 Palmatorias quilochadas de metal.

1 Frigideira grande de dito.

1 Dita pequena de dito.

1 Manteigueira de dito.

1 Assucareiro grande de dito.

1 Dito pequeno de dito.

6 Argolas para guardanapos de dito.

3 Copos quilochados de dito.

2 Tijelas de dito.

2 Fundos para garrafas de dito.

2 Leiteiras de dito.

2 Colheres para assucar de dito.

3 Pratos ovais de dito.

2 Pratos cobertos de dito.

1 Cafeteira grande de dito.

1 Dita pequena de dito.

1 Estatueta - Maria Antonieta.

1 Dita - Napoleão I.

1 Placa - Dante.

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[página 26]

1 palmatoria de prata lisa

1 dita de dita dourada.

1 dita de dita lagartixa.

1 bandeja de prata dourada.

7 bengalas com castão de prata.

1 tampa de prato.

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Companhia Industrial de Cristais e Vidros

1 bacia rubi.

1 jarro de dito.

1 jarro azul.

1 lampião cor violeta.

1 dito grande, azul.

2 pares de porta-bouquet, azuis.

2 ditos de dito rubi.

1 globo branco direito.

1 dito idem, comum.

1 escarradeira verde.

1 globo verde.

1 copo torse, azul.

1 dito pequeno para ovos.

1 copo torse branco.

1 cálice diamante.

1 copo para venda.

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[página 27]

5 cálices torse.

1 copo diamante

1 cálice dito.

2 copos torse.

1 cálice torse pequeno.

1 copo rubi Perier.

1 dito idem, grande.

1 dito oriental.

1 dito Boccacio.

1 dito Perier, pé fino.

1 cálice diamante.

1 copo azul claro, pequeno.

1 cálice.

1 copo princesa.

1 cálice facetado.

1 copo torse com pé.

1 dito azul Carnot.

1 dito para venda.

1 dito idem, idem, idem.

1 cálice rubi, Carnot.

1 caneca torse.

1 dita lisa.

1 dita azul.

3 copos torse, azuis.

3 cálices torse azuis.

1 caneca verde.

1 mostardeira torse.

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[página 28]

1 mostardeira diamante.

1 leiteira branca.

1 serre-d'eau.

1 jarro branco para água.

1 castiçal verde.

1 dito amarelo.

1 farinheira bordada, branca.

1 castiçal azul claro.

1 saleira facetada.

1 pote branco para biscoutos.

1 mantegueira branca.

1 dita verde.

1 dita azul.

1 pote pós verde-mar.

1 dito de dito verde-escuro.

1 dito de dito azul claro.

1 dito de dito azul celeste.

1 jarro branco para mesa.

1 coberta para queijo.

1 compoteira rubi com prato.

1 Isolador verde para piano.

1 dito branco para dito.

1 par de porta-cartões azul.

1 par de porta-cartões, grandes.

1 cesta fantasia, verde.

1 dita de dita rubi.

1 dito de dita pequena.

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[página 29]

3 cestinhas rubi.

1 lampião grande, fantasia.

3 garrafas de meio litro.

4 chaminés de números diferentes.

1 fruteira azul grande.

1 dita rubi, grande.

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Digitalização de REDARTE/RJ Acessível em: http://redarterj.com/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

Fac-símile do catálogo Acessível em: http://www.dezenovevinte.net/egba/catalogos/1894.pdf

Catálogos
1894 - Gazeta de Noticias

Phidias et mon doigt. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 2 out. 1894, p.1.

EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 2 out. 1894, p.2.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 3 out. 1894, p.1.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS-ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 4 out. 1894, p.1.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 5 out. 1894, p.1.

Exposição geral de belas-artes. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 6 out. 1894, p.1.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 6 out. 1894, p.1.

Exposição geral de belas-artes. HENRIQUE BERNARDELLI. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 7 out. 1894, p.2.

NA EXPOSIÇÃO DE BELAS-ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 9 out. 1894, p.1.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS-ARTES. PEDRO WEINGARTNER. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 9 out. 1894, p.2.

PEDRO WEINGARTNER. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 10 out. 1894, p.1.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 12 out. 1894, p.1.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. MODESTO BROCOS. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 12 out. 1894, p.2.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 13 out. 1894, p.2.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 16 out. 1894, p.1.

NA EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES. UM QUADRO DE ALMEIDA JUNIOR. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 17 out. 1894, p.1.

Na Exposição de Belas Artes. UM QUADRO DE F. FABBI. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 18 out. 1894, p.1.

Exposição de Belas-Artes. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 19 out. 1894, p.1.

Exposição de Belas Artes. UM QUADRO DE AURÉLIO DE FIGUEIREDO. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 20 out. 1894, p.1.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. FELIX BERNARDELLI. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 22 out. 1894, p.1.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 22 out. 1894, p.1.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. SANTOS OLLALA. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 23 out. 1894, p.1.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 24 out. 1894, p.1.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. ALMEIDA JUNIOR. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 24 out. 1894, p.2.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 25 out. 1894, p.1.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 25 out. 1894, p.1.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 26 out. 1894, p.1.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 27 out. 1894, p.1.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 28 out. 1894, p.1.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 28 out. 1894, p.2.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. SOUZA PINTO. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 31 out. 1894, p.1.

PRÊMIOS DO SALON. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 31 out. 1894, p.1.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 1 nov. 1894, p.1.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 1 nov. 1894, p.1.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS-ARTES. LOPES RODRIGUES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 2 nov. 1894, p.1.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 4 nov. 1894, p.1.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. NICOLAO FACCHINETTI. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 4 nov. 1894, p.2.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 7 nov. 1894, p.1.

1894 - Jornal do Brasil
1894 - O Paiz
1895
1895 - A Cigarra
1895 - A Noticia
1895 - Catálogo

[página sem numeração]

CATÁLOGO

1895

2ª EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES

RIO DE JANEIRO

ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES

IN ARTE LIBERTAS

1895

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[página sem numeração]

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES

Inaugurada em 1 de Setembro de 1895

Na

ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES

1895

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[página sem numeração]

CATÁLOGO

PINTURA

Alexandrino Borges (Pedro). -Nasceu na Capital de S. Paulo (Brasil) discípulo de Almeida Junior. Rua da Gloria n. 62 na mesma Capital.

1 Romãs.

2 Retrato.

3 Goiabas.

4 Peixes.

5 Cesta entornada.

6 Cebolas (estudo a pastel).

-

Alina Teixeira (D.). - Fluminense, discípula do professor Pereda.

7 Paisagem.

8 Paisagem.

9 Paisagem.

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[página 4]

Almeida Junior (José Ferraz de). - Nasceu na Capital de S. Paulo (Brasil) discípulo de Victor Meirelles e Cabanel. Professor honorário da ex-Academia das Belas Artes. Rua da Glória n. 62 na mesma Capital.

10 Cozinha da roça.

11 Cena da roça.

12 Monjolo.

13 Cabeça de estudo.

14 Caipira pitando.

15 Recado difícil.

-

Alvaro do Valle.. - Artista. - Português

16 Junto do fogão (propriedade do Sr. Comendador André de Oliveira).

17 O Proletário (propriedade do Sr. Dr. Rodrigo Octavio).

-

Amoedo (Rodolpho). - Nasceu no Rio de Janeiro. Vice-diretor da Escola Nacional de Belas Artes, discípulo de Alexandre Cabanel e P. Chavanes. Rua Marquesa de Santos (Carvalho de Sá.)

18 Passeio matinal.

19 Refeição matinal.

20 Melancolia.

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[página 5]

21 Más Notícias.

22 Raio de sol.

23 Um diploma para belas artes.

-

Angelo Agostini. - Rua do Ouvidor n. 109.

24 Através das matas.

25 Marietta.

-

Aurélio de Figueiredo (Francisco). - Nasceu na Paraíba do Norte. Discípulo de Pedro Américo. Rua Barão de Capanema n. 1.

26 Quer uvas?

27 O gatinho.

28 O presente.

29 O futuro.

30 Saudade.

31 O ruído da concha.

32 Bananal (Jacarepaguá).

33 Borralheirinha (Jacarepaguá).

34 Itacolomi.

35 No jardim.

36 Mar de bramas (efeito dos nevoeiros sobre a Serra do Ouro Branco (Minas).

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[página 6]

Baptista da Costa (João). - Nasceu no rio de Janeiro. Professor do Instituto Profissional, discípulo de Rodolpho Amoêdo. Rua Oito de Dezembro n. 33 A.

37 Mangueira (subúrbio).

38 Praia de Santa Luzia.

39 Praia do Russel.

40 Mangas.

41 Frutas.

42 Parasitas.

43 Na roça.

44 Aurora.

-

Belmiro de Almeida. - Nasceu no Estado de Minas Gerais. Professor da Escola Nacional de Belas Artes, discípulo da extinta Academia de Belas Artes. Rua da Caixa d'Água n. F. 2 (Barro Vermelho S. Cristóvão).

45 Aurora do 15 de Novembro.

46 Paisagem.

47 Paisagem.

48 Palácio da Boa Vista.

49 Retrato.

50 Ciociaretto (propriedade do Sr Dr. Domicio da Gama).

51 Lieta (costume feito à luz do gás).

52 A cega de Narni (propr. do Dr. D. Gama).

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[página 7]

Bernardelli (Henrique). - Professor da Escola Nacional de Belas Artes.

53 As galinhas.

54 Marabu.

55 Rio Paquequer (Teresópolis).

56 Retrato.

57 Retrato.

58 Retrato.

59 Prólogo.

60 Epílogo.

61 Regueiro.

62 Teresópolis.

63 Carandaí (forno de cal).

64 Teresópolis.

65 La Bazia (Veneza).

66 Arcádia.

67 Repouso.

68 Entre folhas.

69 Retrato.

70 Veneza.

71 Retrato (pastel).

72 Teresópolis (pastel).

73 Jambo.

74 Diploma.

75 Livre operário (aquarela).

76 Garoa (Teresópolis).

77 Dois gigantes.

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[página 8]

78 Cabocla.

79 Teresópolis.

80 Pedra do Frade (Teresópolis).

81 Retrato.

-

Bernardelli (Lix). - Residente em Paris.

82 A culpa.

83 Veneza.

84 Triste sorte.

85 Tipo romano.

86 Ilha de Capri.

87 Tipo caprese.

88 Retrato.

89 Vendedora de tortas.

90 Onde vivem os pobres.

91 Vendedora de cântaros.

92 Jacales.

93 Casa de pescadores.

94 Huacalero, perguntando o caminho.

-

Berthe Abraham Worms (Mme.). - Nasceu em Metz Lorraine (França). Discípula de Jules Lefebvre, Benjamin Constant e C. Boulanger, de onde obteve diversos diplomas de professora de desenho, que lhe foram concedidos pelo governo de

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[página 9]

França. Rua da Glória n. 3. (Estado de S. Paulo).

95 Saudades de Nápoles.

96 Retrato.

97 Um cardeal.

98 Cabeça árabe.

99 Lição difícil.

100 Cabeça de mulher.

-

Brocos (Modesto). - Professor da Escola Nacional de Belas Artes.

101 A Redenção de Cam.

102 Mater dolorosa.

103 Feiticeira.

104 Na janela.

105 A espera.

106 Vista do rio Caravelas.

107 Chalet do Diretor da Companhia Bahia e Minas (Ponta da Areia).

108 Cabeça de estudo.

109 Cabeça de estudo.

110 Campo de Queimados (Bahia).

-

Castagneto (João Baptista). - Nasceu no Rio de Janeiro. Discípulo de Nardi e Montenard. Rua da Uruguaiana n. 90.

111 Pátio de chácara (Estado de S. Paulo).

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[página 10]

112 Avenida Rangel Pestana.

113 Praia de Copacabana.

-

Darier (H.). - Artista. - Francês.

114 O pescador (propriedade de D. Diana Cid).

-

Delphim da Camara. - Fluminense. Discípulo de José Corrêa de Lima. Rua Frei Caneca n. 38.

115 Retrato.

116 Retrato.

-

Delpino (Alberto). - Fluminense. Rua Gonçalves n. 24, Catumbi.

117 Retrato do padre Corrêa d'Almeida (poeta satírico).

118 Pinheiros (Sítio dos Corrêas em Barbacena).

119 Boa Vista (Barbacena).

120 Cascatinha do Álvaro (Barbacena).

121 Ladeira 21 de Abril (Barbacena).

122 Ameixas (pastel).

123 Saída de Ouro Preto (paisagem montanhosa).

124 Catleia Labiota (parasita do Ceará, cul-

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[página 11]

tivada na estufa do Dr. Ramos em Barbacena).

125 Paisagem (Barbacena).

126 Panorama de Mariana (propriedade do dr. José Cypriano Ferreira).

127 Serra Ibitipoca (Barbacena).

-

Diana Cid (D.)- Paris 5, bis, Rua Bará.

128 Retrato.

129 En détresse.

130 Retrato.

-

Eugenio Teixeira. - Artista Brasileiro.

131 A comunhão (propriedade do Estado).

-

Facchinetti (Nicoláo). - Nasceu em Treviso, (Itália), Rua Guanabara n. 54. E.

132 Praia de Icaraí.

-

Fiúza Guimarães (José). - Nasceu no Rio de Janeiro, discípulo de R. Amoêdo e H. Bernardelli. Largo do Machado n. 11.

133 Forte de Villegagnon.

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[página 12]

134 Morro da Viúva.

135 Paisagem.

136 Copacabana.

137 Praia de Copacabana.

138 Pedreira da Praia da Saudade.

139 Paisagem.

140 Paisagem.

-

Lacerda (Carlos de). - Nasceu no Estado da Bahia, discípulo de Dagnon Bouveret e Raphael Collin. Rua do Riachuelo n. 116, Rio de Janeiro.

141 Paisagem.

142 Paisagem.

143 Marinha.

144 Esperando.

-

Macedo (João). - Nasceu na cidade da Fortaleza (Ceará), discípulo da Escola Nacional de Belas Artes. Rua da Floresta n. 83.

145 Cabeça de estudo (aquarela).

146 No galinheiro (estudo).

147 Estudo.

-

Machado (Joaquim Fernandes). - Nasceu no Rio de janeiro, aluno de livre fre-

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[página 13]

quência da Escola Nacional de Belas Artes. Rua Senador Dantas n. 34, sobrado.

148 Efeito de manhã.

149 Frutas.

150 Canto da sala.

-

Malevolti (Adolpho). - Nasceu em Florença, (Itália). Discípulo de Nicola Cianfarrelli, Marquez Paolo Ferani e Emilio de Fabris. Rua da Guarda Velha n. 3 (Liceu de Artes e Ofícios).

151 Vestíbulo lateral da Igreja do Carmo do Rio de Janeiro (propriedade da Sociedade Propagadora das Belas Artes).

152 Campanha Toscana, ao nascer do sol.

-

Maria Agnelle Forneiro (D.) - Nasceu em Ponte Negra, município de Maricá (E. do Rio de Janeiro. Discípula de N. Facchinetti. Rua da Boa Vista n. 17, Santa Rosa (Niterói).

153 Estudo na Alalaia.

154 Tijuca.

155 Boa Viagem.

156 Paisagem.

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[página 14]

Marques Guimarães (Joaquim Augusto). - Nasceu na Cidade do Porto. Discípulo de João Corrêa Soares dos Reis. Rua D. Bibiana n. 54 A (Fabrica das Chitas).

157 Retrato de minha Mãe.

158 Retrato do Sr. Julio Machado.

159 Copo com camélias (propriedade do Sr. J. dos Santos Couceiro).

160 Pêssegos de Amarante.

161 Um jejum de preceito.

162 O meu atelier.

163 Aperitivos.

164 Aprestes de cozinha (Minho).

165 Uma camélia em copo d'água.

166 Manhã de inverno (Minho).

167 Tarde de verão.

168 Rosas.

169 Capoeiras, Fábrica das Chitas (Propriedade do Sr. Guilherme de Oliveira).

170 Um diploma para uma Associação de Caridade.

171 Uma Academia (modelo vivo).

-

Minitzky (A.) - Artista Russa.

172 Meditação.

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[página 15]

Parlegreco (B.) - Artista Italiano.

173 Bela vista.

174 Vigia.

175 Órfã.

176 O poço.

-

Valle de Souza Pinto (Antonio Alves). - Nasceu em Valongo (Porto). Rua do Hospício n. 302.

177 Peru (estudo).

178 Saveiro em construção nas oficinas da Companhia Edificadora (Quinta do Caju).

-

Victorina Vanier (Mlle.) - Nasceu em Mâcon (França). Discípula de Mlle. Nicólas.

179 Estudo crysathemes.

180 Cueillette d'abios.

-

Weingartner (Pedro). - Nasceu em Porto Alegre. Estado do Rio Grande.

181 Retrato.

182 Retrato.

183 Oráculo.

184 Lavadeira.

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[página 16]

Seção de Escultura

Adelaide Umbelina da Silveira. - Fluminense. Rua Pau Ferro n. 15. (S. Cristóvão).

185 A vida e a morte.

-

Bernardelli (Rodolpho). - Discípulo de Chaves Pinheiro.

186 Moema (esboço para mármore).

-

Seção de Arquitetura

Marques Guimarães (Joaquim Augusto). - Vide a página n. 14.

187 Prospecto de um Teatro de segurança para o Rio. Alçado (escala de 0m,03 por um.

188 Planta do rés do chão. Escala de 0(m),015 por um.

189 Fachada lateral. Escala 0m, 015 por um.

190 Corte longitudinal. Escala 0m,015 por um.

191 Instruções e planta descritiva 1m por 0(m),70.

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[página 17]

Seção de gravura de medalhas e pedras preciosas

Girardet (Augusto). - Nasceu em Roma. Discípulo de Georgio Girardet. Professor da Escola Nacional de Belas Artes. Rua da Lapa n. 101.

192 Medalha comemorativa da inauguração do monumento General Osório.

193 Amor em expectativa (ágata).

194 Amor em expectativa (ágata).

195 Teschio (ágata).

196 Retrato (concha).

-

Seção de gravura em água-forte.

Piccinni (Antonio). - Residente em Roma. Pintor água-fortista. Diretor dos trabalhos calcográficos da marinha Italiana.

197 O Avaro.

198 Contador de histórias.

199 Salve Regina.

200 S. M. Vittorio Emanoele Il Rè d'Italia.

201 Recedite, non est e min mortua puella; sed dormit. S. Matheo l X - 24.

202 Umberto I Rè d'Italia.

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[página 18]

Seção de Litografia

Valle Souza Pinto (Antonio Alves do). - Vide pag. n. 15. Hospício n. 302.

203 Retrato do Contra-Almirante Saldanha da Gama.

-

Seção de Artes aplicados à Indústria

Benedicto Filho (R. da Silva). - Nasceu no Rio de Janeiro, discípulo da ex-Academia das Belas Artes, professor do Instituto dos Surdos-Mudos. Travessa do Coronel Souza Valente n. 8 (S. Cristóvão).

204 Almofada.

205 Almofada.

206 Palheta suja.

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[página sem numeração]

Notas

-

Typ. da Papelaria Ribeiro, rua da Quitanda, 79-b.

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Digitalização de Biblioteca Digital de Obras Raras Acessível em: https://bdor.sibi.ufrj.br/

Transcrição de Laíza de Oliveira Rodrigues

Fac-símile do catálogo''' Acessível em: http://www.dezenovevinte.net/egba/catalogos/1895.pdf

Catálogos
1895 - Gazeta de Noticias
1895 - Jornal do Commercio
1896
1896 - A Noticia
1896 - Catálogo

[página sem numeração]

CATÁLOGO DA 3ª EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES.

IN ARTE LIBERTAS

1896

ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES

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[página sem numeração]

EXPOSIÇÃO GERAL

DE

BELAS ARTES

Inaugurada em 1 de Setembro de 1896

NA

Escola Nacional de Belas Artes

1896

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[página sem numeração]

CATÁLOGO

PINTURA

Adelaide Carvalho da Rocha. – Discípula de A. A. de Souza Lobo. Rua Mariz e Barros n. 52

1 Flores.

2 Flores.

3 Frutas e Flores.

4 Palacete (Mayrink).

5 Casa do Sr. Comendador Francisco José da Silva Rocha.

6 Parasitas.

7 Estudo de paisagem (Tijuca).

-

Amoêdo (Rodolpho). - Nasceu no Rio de Janeiro. Vice-Diretor e Professor de Pintura da Escola Nacional de Belas Artes. Discípulo de Alexandre Cabanel e Puvis de Chavanes. Rua Marqueza de Santos n.4, (Carvalho de Sá)

8 Retrato de F. de A.

9 Retrato do professor C.C.

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[página 4]

10 Retrato do Mlle L. V.

11 Balada. (Ilustração (guache) [sic]

12 Interior.

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Annita Sussekind de Mendonça (D.). - Nasceu no Estado da Bahia. Discípula de Fédor Sussekind e Insley Pacheco.

12 A Madrugada de verão.

12 B Paineiras (Caminho do Corcovado).

12 C Crepúsculo de Dezembro.

12 D Estudo de Paquetá.

12 E Tarde de Verão.

12 F Bahia de Guanabara (durante a revolta).

12 G Estudo de paisagem.

12 H Panorama do Rio (Visto do Icaraí).

-

Armando Affonso d'Azevedo Mendonça. - Nasceu na Cidade Christina (Minas) discípulo de Maxawell. Rua do Hospício n. 5 B.

13 Lua Nova.

14 Crepúsculo.

-

Augusto L. de Freitas. – Nasceu no Rio Grande do Sul. Aluno da Escola N. de Belas Artes.

15 Lavadouro.

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[página 5]

Aurelio de Figueiredo (Francisco). – Rua Barão de Capanema n. 1

16 Paraíso (fin de siecle).

17 Bernardette Lonbirous com suas duas companheiras em frente a gruta de Massabielle.

18 Aparição da "Imaculada Conceição." a Bernardette no interior da gruta.

19 Pão de Açúcar e morro de S. João, tomados da Lapa.

20 O Couraçado Riachuelo no ancoradouro.

21 Brumas matinais.

22 Fortaleza de Sta. Cruz e Lage vistas do Flamengo.

23 Paisagem (Jacarepaguá).

24 Bananeiras (ibidem).

25 Mocambo na roça.

26 Entrando à Barra.

-

Balliester (Carlos). – Nasceu no Rio de Janeiro. Discípulo de August Petit, rua Conde de Irajá n. 19 Botafogo.

27 Praia da Boa Viagem (efeito de tarde)

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[página 6]

Baptista da Costa (João) Nasceu no Rio de Janeiro. Professor do Instituto Profissional. Discípulo de R. Amoedo.

28 Vista do Instituto Profissional.

29 Madrugada.

30 Paisagem (Vila Isabel).

31 Dia chuvoso (Copacabana).

32 Copacabana (Dois Irmãos).

33 Passa tempo.

34 Barra da Tijuca.

35 Morro do Telégrafo (Vila Isabel)

36 Uvas.

37 Junduaí.

38 Barreira (Vila Isabel).

39 Rancho de trabalhadores (Estrada de Ferro Melhoramentos).

40 Pedreira (Vila Isabel).

41 Praia Formosa.

42 Rua do Coelho (Bairro Guanabara S. Paulo. [sic.]

43 Buttes chaormont. [sic]

-

Belmiro de Almeida.

43 A Retrato.

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[página 7]

Benno Treidler. – Nasceu na Alemanha. Discípulo de Christian Wilberg [sic.]. Vila Ruy Barbosa.

44 Panorama do Rio de Janeiro (pela manhã).

45 Vista da praia de Botafogo (à tarde).

46 Boa Viagem (Estudo da tarde)

47 Tarde do mês de Junho (Icaraí)

-

Berard (Daniel). – Nasceu no Rio de Janeiro. Discípulo de Henri Lhemam e Gustavo Jacquel. Professor de desenho da E. N. de Belas Artes. Rua Thomaz Coelho n. 24 D. (Vila Ruy Barboza).

48 Retrato.

49 Retrato.

50 Retrato.

51 Retrato.

-

Bernardelli (Henrique). – Professor de pintura da Escola Nacional de Belas Artes.

52 Paquita (pastel).

53 Philomena.

-

Bernardelli (Lix.). – Representante Henrique Bernardelli.

54 Filtration.

55 Um toque difícil.

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[página 8]

56 Lago de chapala.

57 Sol e Sombra.

58 Repouso.

59 Choça.

60 Pelo caminho da fonte.

-

Brocos (Modesto). Professor da Escola Nacional de Belas Artes.

61 Retrato de Mme. C. G.

62 Retrato do Dr. T. B.

63 Retrato do Dr. G. R.

64 Paisagem.

65 Paisagem.

66 Paisagem.

-

Bertha Worms (D.). Nasceu em Paris. Discípula de Lefebre e Benjamim Constant, rua Flak n. 3, Riachuelo.

67 Carta do netinho.

68 Meu Jorginho.

69 Mendigo.

70 Cabeça de Velha (estudo).

70 A Monge.

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[página 9]

Delpino (Alberto). Nasceu no Rio de Janeiro. Discípulo da extinta Academia das Belas Artes, rua Gonçalves n. 24, Catumby.

71 Retrato do maestro Manoel J. de Macedo.

72 Maracujás. (propriedade do Sr. Dr. Antonio da Cunha)

73 Chácara do Cintra (Ouro Preto).

74 Paço Municipal (Barbacena).

75 Tropeiro (assunto Mineiro).

-

Henrique Tribolet. – Nasceu no Rio de Janeiro. Discípulo de N. Facchinette, rua Maxwell n. 8, Vila Izabel.

76 Cascata grande (Tijuca).

77 Panorama da Boa Vista (Tijuca).

78 Trecho da Tijuca.

79 Tangerinas. (Pastel).

80 Vista da Fábrica da [sic.] chitas.

81 Lagoa Rodrigo de Freitas.

-

Lavalle (Felix Cordiglia). – Nasceu em Mendonza (Argentino). Discípulo de Marti. Pensão Bethowem.

82 Retrato do natural.

83 Retrato do natural.

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[página 10]

Lopes Rodrigues (Manoel). – Nasceu no Estado da Bahia, pensionista do mesmo Estado. Discípulo de R. Colline Lefevre.

84 Camponesa.

85 A forga.

86 Figura da República.

87 Paisagem.

88 Paisagem.

89 Paisagem.

90 Cabeça de velha.

-

Luiz da Silva Ribeiro Filho. - Nasceu no Rio de Janeiro.

91 Vista da Varsea Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul.

92 Vista tirada do alto do Redondo, antiga chácara do Conde d'Eu.

-

Madruga Filho (Manoel Pereira). – Nasceu em Teresópolis. Discípulo da extinta Academia das Belas Artes.

93 Paisagem.

94 Paisagem.

95 Estudo.

96 Retrato.

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[página 11]

Macedo (João). – Nasceu na Fortaleza (Ceará), discípulo da Escola Nacional de Belas Artes, rua de Santos Rodrigues n. 109.

97 Paisagem (Copacabana).

98 Paisagem (Copacabana).

99 Botafogo

100 Paisagem (Catumbi).

101 Paisagem (Catumbi).

102 Cabeça de Moça (estudo).

-

Machado (Joaquim Fernandes). – Nasceu no Rio Janeiro, discípulo da Escola Nacional de Belas Artes, rua do Senador Dantas n. 34.

103 Mau tempo (Copacabana).

104 Cachopos (Praia de Santa Luzia).

105 Ponta do arpoador (Copacabana).

106 Rochedos (Copacabana).

107 Pedras (Copacabana).

108 Ameixas, maduras.

-

Oscar Pereira da Silva. – Nasceu no Rio de Janeiro.

109 Basse cour de grand-mere.

110 Tocadora de bandolim.

111 Paisagem (Estrada de Norgent sur marne).

112 Cabeça de menina (estudo).

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[página 12]

113 Cantor ambulante.

114 Viaduto de Norgent (sur marne duas telas).

115 Modelo em ateliê.

116 Frutas do natural.

117 Quartel ao Charont.

118 Cabeça de árabe.

119 Interior de uma cachoeira.

120 Apoteose das Artes Liberais.

121 No verão (estudo de mulher).

121 A No Jardim.

-

Raphael Frederico. – Pensionista da Escola.

122 A noiva.

123 Estudo.

124 Estudo.

125 Dois meninos.

-

Salgado. – Artista Português.

126 Retrato (Dr. F. de Araujo).

-

Sebastião Vieira Fernandes. – Nasceu em Sta. Catarina. Discípulo de Victor Meirelles. Rua do Ouvidor n. 60.

127 Retrato do menino Roberto.

128 Retrato.

129 Retrato.

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[página 13]

Stefano Cavallaro. – Nasceu em Fejjiano (Itália). Discípulo de Estevão Silva. Rua z n. C, 2. (Catumbi).

130 Mangas.

131 Figos.

-

Vianna (Antonio). – Nasceu em Itajubá (Minas). Discípulo de Modesto Brocos e Henrique Bernardelli, Villa Ruy Barboza.

132 Retrato de Mme. F.

-

Victorine Vanier (Melle). – Nasceu em Mâcon. Discípula de Melle. Nicolas e Henrique Bernardelli. Rua da Luz n. 90 Rio Comprido.

133 Corbeille de Figues.

134 Portrait Miniature sur ivoire.

-

Vidal (Baronne de Maltzon). – Nasceu em Berlim [sic.] Discípula de Gusrord S. Karbina. Rua 1º de Março Roth aCa. [sic]

135 Trabalho de avô.

-

Viscondessa de Sistello.

135 A A Saudade.

-

Visconti (Eliseu D'Angelo). – Pensionista da Escola.

136 A comunhão.

137 Tronco de mulher.

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[página 14]

138 Lisonha.

139 Retrato do Maestro A. N.

140 Paisagem.

141 Dois meninos em repouso.

142 Rendição de Breda.

-

Weingartner (Pedro). - Nasceu em Porto Alegre (Estado do Rio Grande).

143 Jantar a bordo do Vapor Regina Marguerite.

144 A nova estrela.

-

Seção de Arquitetura

João Correa de Faria. – Pensionista do Estado do Pará.

145 Alegoria de Sta. Cecília, desenhada em perspectiva para o coro da matriz da Candelária do Rio de Janeiro. (composição do professor J. Zeferino da Costa).

-

Seção de Artes aplicadas à Indústria

Adelaide Umbelina da Silveira. – Nasceu no Rio de Janeiro, Rua Pau Ferro n. 15 (S. Cristóvão).

146 Moldura de fantasia (terra cota).

147 Dita. » »

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[página 15]

Seção de Gravuras sobre medalhas e pedras preciosas

Girardet (Enrico). – Nasceu em Roma, Discípulo de G. A. Girardet.

148 Cabeça

149 » » Flora.

150 » » Augusto Jovem.

151 » » Diana.

152 » » Antino.

153 Figura Galatéa.

154 » » Ebe.

155 Menino.

-

Seção de Litografia e Desenhos

-

Chamberlland (Rodolpho) . – Nasceu no Rio de Janeiro. Discípulo de Pedro Weingartner e Rodolpho Bernardelli. Rua Senador Dantas n. 9.

156 Retrato do maestro Carlos Gomes (crayon).

157 Retrato do Sr. Comendador José Ferreira d' Alegria (crayon).

158 Littré (crayon).

-

Typ-lith. «Martins & C.», rua do Hospício n. 170.

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[página sem numeração]

Apêndice

-

Henrique Bernardelli. – Decoração da cúpula do salão principal do Instituto Nacional de Música.

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Digitalização de Biblioteca Digital de Obras Raras UFRJ Acessível em: https://bdor.sibi.ufrj.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

Fac-símile do catálogo Acessível em: http://www.dezenovevinte.net/egba/catalogos/1896.pdf

Catálogos
1896 - Jornal do Commercio
1897
1897 - A Noticia
1897 - Catálogo

[página sem numeração]

ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES

CATÁLOGO DA QUARTA EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES

RIO DE JANEIRO 1º DE SETEMBRO DE 1897

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[página sem numeração]

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES

Inaugurada em 1 de Setembro de 1897 na Escola Nacional de Belas Artes

1897

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[página sem numeração]

CATÁLOGO

PINTURA

Adolpho Malevolti. - Nasceu em Florença (Itália) discípulo de Nicolau Cianfanelli Marquez, Comendador Paulo Feroni e Comendador Arquiteto Emílio de Fabris. (Premiado com a 3ª medalha de outro na Exposição de 1895).

1 Canto da Praça 7 de Março (Vila Isabel).

2 Fim da Ladeira do Seminário.

3 Goiabas.

4 Poesia do Claustro.

5 O dissipar do nevoeiro.

6 Saudação matutina.

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[página 4]

Alina Teixeira (Mlle.) – Discípula de Aurelio de Figueiredo. Rua das Laranjeiras n. 6. (Premiada na Exposição Geral de 1895 com a menção).

7 Pão de açúcar.

8 Mantilha.

9 Casa pobre (Friburgo).

10 Bebida fidalga.

11 Para a Oração.

12 O Caramujo.

-

Almeida Junior (José Ferraz de). - Nasceu na Cidade de S. Paulo (Brasil) discípulo de Victor Meirelles e Cabanel. – Rua da Glória n. 62 na mesma Cidade.

13 Caçando.

14 Ponte da Tabatinguera.

15 Tanque velho.

-

Amoêdo (Rodolpho). - Nasceu no Rio de Janeiro. Vice-Diretor da Escola Nacional de Belas Artes, discípulo de Alexandre Cabanel e P. Chavanes. Rua Marquesa de Santos.

16 Retrato de Mme. L. V.

17 Tarde de Maio.

18 Retrato de Mlle. N. C.

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[página 5]

19 Recordação (aquarela).

20 Cabeça de cabrito (aquarela).

21 Estudo.

-

Armando Affonso de Oliveira. - Nasceu em Christina (E. de Minas Gerais). Rua das Cabeças (Ouro Preto).

22 Fundo de casa.

23 Paisagem.

24 Chacaria do Velloso (casa onde nasceu o Sr. Visconde de Ouro Preto.

25 Fundo do quintal.

-

Beatriz Ferro Cardoso de Miranda (D.) - Nasceu em Bruxelas (Bélgica). Discípula de Amedée e Bourson. Travessa do Piauí n. 6, próxima a rua do Souto.

26 Retrato (miniatura a óleo sobre porcelana).

-

Bernardelli (Felix). - (Premiado com a 3ª medalha na Exposição Geral de 1894).

27 Pagem (aquarela)

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[página 6]

Bernardelli (Henrique). - Professor da Escola Nacional de Belas Artes.

28 Angústia.

29 Vestal.

30 Heloisa.

31 Retrato.

32 Ócio.

33 Leito do Rio Soberbo (Barreira de Teresópolis).

34 Fazenda Roma (Pombal).

35 Paisagem (Barreira de Teresópolis).

36 Choça abandonada.

37 Retrato.

38 Retrato.

39 Retrato.

40 Retrato.

41 Ócio.

42 Mártir.

43 Monologo.

44 Santa Maria.

-

Brocos (Modesto) Atualmente na Europa. - Premiado com a 1ª medalha de outro na Exposição de 1895.

45 Retrato.

46 Retrato.

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[página 7]

Benjamin Parlagreco. - Artista Italiano. rua Conde de Baependi n. 36.

47 A seguir para a roça.

48 A roda do moinho.

49 A missa cantada.

50 Brioso doente.

51 Vaquinha.

52 Margens do Rio Santo Antonio.

53 Casa rústica.

54 Retrato.

55 Retrato.

-

Casimiro Tomba. - Artista italiano (Roma).

56 Margarida.

-

Delpino (Alberto). - Discípulo da extinta Academia das Belas Artes. Rua Visconde de Sapucaí n. 228. (Premiado com a menção na Exposição Geral de 1895).

57 Retrato da Exma. Sra. D. M. C. Delpino.

58 Retrato do Sr. J. Paixão (autor das Adelfas)

59 Cidade Tiradentes.

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[página 8]

Diana Cid (D.) – Paris, 5 bis, rua Bará. – Premiada com a 3ª medalha de ouro na Exposição Geral de 1894.

60 Estudo de nu.

61 Retrato.

62 Retrato.

-

Ernesto Papf.

63 Flores.

-

Freitas (Augusto Luiz de). - Aluno da Escola Nacional de Belas Artes.

64 Jacobina (estudo).

-

Gustavo dall'Ara. – Artista italiano.

65 Casebre na Mangueira (propriedade do Sr. Bellarmino Carneiro).

66 Rua do Rosário no Arraial (propriedade do mesmo senhor).

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[página 9]

Lopes Rodrigues (Virgílio). - Nasceu em Pernambuco, discípulo de Francisco Garcia de Santa Olala. Rua do Conde de Irajá n. 19 (Botafogo).

67 Corveta Trajano em Copacabana.

-

Luiz da Silva Ribeiro Filho. - Nasceu no Rio de Janeiro. Rua Alice n. 19 (Laranjeiras).

68 Vista do Corcovado.

69 Entrada da Barra.

-

Maria Clara da Cunha Santos (D.) - Nasceu no Brasil. Discípula de Adolpho Malevolti.

70 Um lado da minha casa.

71 Frutas do Brasil.

72 Meu gabinete.

-

Mary Manso Sayão (Mlle.) - Nasceu no Rio de Janeiro. Discípula de Rodolpho Amoedo, rua Senador Vergueiro n. 31.

73 Vocação precoce.

74 Retrato do Sr. Dr. Manso Sayão.

75 Cabeça (estudo).

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[página 10]

Marques Guimarães (Joaquim Augusto). - Nasceu na cidade do Porto. Discípulo de João Corrêa Soares dos Reis. – Premiado com a 3ª medalha de outro na Exposição Geral de 1895).

76 Benedicto (cabeça de criança).

77 Rio Umbaú (Fazenda da Limeira, Estado de S. Paulo).

78 Copo d'água.

-

Oscar Pereira da Silva. - Nasceu no Rio de Janeiro. Rua Barão de Iguape n. 8 A (Estado de S. Paulo. – Premiado com a 2ª medalha de ouro na Exposição Geral de 1894.

79 Petite Jardiniére.

80 Cabeça de expressão.

-

Stefano Cavallaro. - Artista italiano.

81 Frutas do Brasil.

-

Souza Pinto (José Júlio de). – Nasceu em Angra do Heroísmo (Ilha Terceira). – Premiado com a 2ª medalha de ouro na Exposição Geral de 1894.

82 Paisagem a animais na Bretanha (propriedade de um distinto amador).

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[página 11]

Telles Junior (Jeronymo J. de). - Nasceu em Pernambuco (Brasil).

83 Paisagem em Pernambuco (propriedade do Sr. Bellarmino Carneiro.

84 Paisagem em Pernambuco (propriedade do mesmo senhor.

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Seção de Escultura

Bernardelli (Rodolpho). - Discípulo de Chaves Pinheiro.

85 Retrato (modelo em gesso para bronze).

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Seção de gravura de medalhas e pedras preciosas

-

Girardet (Augusto) . Nasceu em Roma. Discípulo de Georgio Girardet. Professor da Escola Nacional de Belas Artes.

86 Primeiros beijos (ágata).

87 Pintura (ágata).

88 Esculápio (ágata).

89 Retrato de Mme. A. A.

90 Retrato de Senhorita.

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[página 12]

91 Iracema.

92 Cecy (topázio).

93 Retrato (concha).

94 Retrato (aço).

95 Retrato de criança (gesso).

96 Retrato de menino (gesso).

97 Retrato do filhinho do Sr. Dr. R. Octavio.

98 José de Alencar (medalha em gesso).

99 Retrato dos filhinhos do Sr. A. Pereira (gesso).

100 Retrato.

101 Retrato de Mme. A. P.

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Desenhos a crayon

Cesar Machari. - Professor, Senador e artista italiano.

102 Estudo feito para os afrescos da Catedral de Genova. '' (Roma).

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Typ. da Papelaria Ribeiro
R. da Quitanda 97-b.

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Digitalização de Biblioteca Digital de Obras Raras UFRJ Acessível em: https://bdor.sibi.ufrj.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

Fac-símile do catálogo Acessível em: http://www.dezenovevinte.net/egba/catalogos/1897.pdf

Catálogos
1897 - Jornal do Commercio
1897 - O Paiz
1898
1898 - Catálogo

[página sem numeração]

EXPOSIÇÃO

ANUAL

CATÁLOGO

DA

QUINTA

EXPOSIÇÃO

GERAL

DE

1ro de Seto

A

1ro de Outo

BELAS-ARTES

RIO DE JANEIRO

ESCOLA-NACIONAL

DE

BELAS-ARTES

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[página sem numeração]

EXPOSIÇÃO GERAL

DE

BELAS-ARTES

Inaugurada em 1 de Setembro de 1898

NA

Escola Nacional de Belas-Artes

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[página sem numeração]

Typ. de Pereira Braga & C., rua Nova do Ouvidor n.28

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[página sem numeração]

CATÁLOGO

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PINTURA

AGOSTINI (Angelo) – Rua do Ouvidor, 109.

1 A Paraguaia.

2 Caçada de Antas (Serra de Teresópolis).

3 Carro de bois.

4 Cavalaria brasileira perseguindo paraguaios.

5 Leitura.

6 Marietta (estudo).

7 O Dr. Barboza Rodrigues mostrando aos índios do Amazonas o uso dos fósforos.

8 Pequenos engraxates.

9 Petit Parisiènne (estudo).

10 Tropeiros Paulistas.

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[página 2]

ALINA TEIXEIRA (D.) – Nasceu no Rio de Janeiro. Discípula de Aurelio de Figueiredo. Rua das Larangeiras,6. Premiada na Exposição Geral de Belas Artes de 1895 com a Menção.

11 Avozinha.

12 Flamboyants em flor.

13 Inverso.

14 Lendo.

15 Ponteando meias.

-

ALMEIDA JUNIOR (José Ferraz de) – Nasceu na cidade de S. Paulo. Discípulo de Victor Meirelles e Cabanel. Rua da Glória, 62. S. Paulo.

16 Água Represada.

17 Cabeça de estudo.

18 Futuro Artista.

19 Lavadeiras.

20 Partida da Monção.

Os antigos paulistas assim denominavam a caravana que partia de Porto-Feliz, descendo o Tietê para Cuiabá! As de que se trata eram organizadas simplesmente por destemidos e ousados sertanejos, que, inspirados pelo amor do desconhecido, descoberta das minas e civilização dos bugres, em toscos batelões cobertos de palha e simples canoas, partiam conscientes de que iam arrostar com sacrifícios inauditos toda a sorte de aventuras, constituindo-se por isso uma tradição gloriosa para os Paulistas.
O quadro sob o n. 20 representa a partida desses heróis que depois da missa da Igreja de N. S. da Mãe dos Homens, acompanhados do Padre, Capitão-mor e povo embarcavam-se no <<Porto-geral>>, recebendo na ocasião a solene benção da partida.

21 S. Jeronimo (esboceto).

22 Velha Beata.

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[página 3]

AMOEDO (Rodolpho) – Nasceu no Rio de Janeiro. Vice- Diretor e Professor de pintura da Escola Nacional de Belas Artes. Discípulo de Alexandre Cabanel e Puvis de Chavannes. Rua Marqueza de Santos, 2.

23 Faceirinha.

24 Fim de intriga.

25 Retrato do pintor Aurelio de Figueiredo.

-

ARMANDO AFFONSO DE AZEVEDO MENDONÇA – Nasceu no Estado de Minas-Gerais. Reside atualmente em Ouro Preto. É seu representante o Ilm. Sr. Miguel. Figueiredo. Cascadura.

26 Crepúsculo.

27 Fundos da casa de Bernardo Guimarães.

28 Tarde.

29 Tarde depois da chuva.

30 Tarde de verão.

-

AURELIO DE FIGUEIREDO (Francisco) – Nasceu na Paraíba do Norte. Rua Barão de Capanema, 1.

31 Paisagem brasileira.

32 Sol da Tarde.

-

BALLIESTER (Carlos) – Nasceu no Rio de Janeiro. Discípulo de Auguste Petit. Rua Martins Ferreira, 21. Botafogo.

33 Ao sair da Lua.

34 Efeito da Manhã (marinha).

35 Marinha.

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[página 4]

36 O Almirante Barroso ancorado na bahia do Rio de Janeiro.

37 O pôr do Sol (marinha).

-

BERNARDELLI (Henrique) – Professor de pintura da Escola Nacional de Belas Artes.

38 Autorretrato.

39 Baccho, tabacco e Venere (aquarela).

40 Beata.

41 Bom tempo.

42 Calhambola.

43 Caminho da Senzala.

44 Céu em cúmulos.

45 Em Ouro Preto.

46 Em pleno sol.

47 Enchente do Paraíba.

48 Esteada.

49 Estudo.

50 Fundão.

51 Garoa.

52 Margens do Paraíba.

53 O Dedo de Deus.

54 Prenúncio de tempestade.

55 Retrato de Mme. M...

56 Retrato de Rodolpho Bernardelli.

57 Retrato do Major Suckow (propriedade do Jockry-Club).

58 Rio Paquequer.

59 Solidão.

60 Tempo encoberto.

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[página 5]

BERNARDELLI (Lix). Premiado com a 3ª Medalha de ouro na Exposição Geral de Belas Artes de 1894. E' seu representante Henrique Bernardelli.

61 A Cancela do Sítio.

62 Águas mortas.

63 A rua principal do povoado.

64 Lago da Chapala.

65 O filho de meu filho.

66 O Rancho.

67 Pescando.

-

BOLATO (Pedro) – Nasceu em Montevideo (Uruguai). Naturalizado Brasileiro. Discípulo de Aurelio de Figueiredo. Rua de Sant'Anna, 33.

68 A casa do cão.

69 Ateliê do Sr. Aurelio de Figueiredo.

70 Boca do Mato (estudo de paisagem).

71 Cancela.

72 Frutas.

73 Frutas.

74 Estudo de natureza morta.

75 Estudo de natureza morta.

76 Marinha (Praia do Russel. )

77 Morro da Providencia.

78 O Portão.

79 Paisagem (Morro do Senado)

80 Quintal.

81 Rancho.

82 Rua do Alcântara.

83 Tronco de Jaqueira.

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[página 6]

BROCOS (Modesto) – Ex-professor de modelo-vivo da Escola Nacional de Belas Artes, Premiado com a 1ª Medalha de ouro da Exposição Geral de Belas Artes. Atualmente na Europa.

84 Aquarela (propriedade do Sr. Arthur Azevedo).

85 Retrato.

86 Saudade.

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CALIXTO (Benedicto) – Nasceu em Santos, Estado de S. Paulo.

87 Vista panorâmica de Santos.

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CHAMBELLAND (Rodolpho) – Nasceu no Rio de Janeiro, Discípulo de Rodolpho Bernardelli, Weingartner e Belmiro de Almeida.

88 Retrato do Dr. Julio Castilhos (a crayon).

89 Retrato do maestro Leopoldo Miguez (idem).

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CORINA GRANJO (D.) Brasileira – Discípula de Benno Treidler. Rua Primeiro de Março, 64 B.

90 Retrato (a crayon).

91 Retrato (idem).

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CUNHA VASCO (D. Anna da) – Nasceu no Rio de Janeiro. Discípula de Benno Treidler. Rua 1º de Março, 99.

92 Amendoeira (aquarela).

93 Árvore (aquarela).

94 Bananeiras (aquarela).

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[página 7]

95 Caminho das Paineiras (aquarela).

96 Canto do jardim (aquarela).

97 Casa do vizinho (aquarela).

98 Escada da Horta (aquarela).

99 Ladeira dos Guararapes (aquarela).

100 Manhã de Inverno. Sylvestre (aquarela).

101 O mirante do vizinho (aquarela).

102 O Portão (aquarela).

103 Rua das Mangueiras (aquarela).

104 Rua das Mangueiras (aquarela).

-

CUNHA VASCO (D. Maria da) Nasceu no Rio de Janeiro. Discípula de Benno Treidler. Rua Primeiro de Março, 99.

105 Bananeiras (aquarela).

106 Bananeiras (aquarela).

107 Cajueiros (aquarela).

108 Canto do jardim (aquarela).

109 Ladeira dos Guararapes (aquarela).

110 Ladeira dos Guararapes (aquarela).

111 Ladeira dos Guararapes (aquarela).

112 Latada (aquarela).

113 Mangueiras (aquarela).

114 Manhã do Silvestre (aquarela).

115 O caminho das Paineiras (aquarela).

116 Rua das Mangueiras (aquarela).

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DE AGOSTINI (Carlos Alberto) – Brasileiro. Aluno da Escola Nacional de Belas Artes, discípulo de Rodolpho Amoedo.

117 Laranjas.

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[página 8]

DELLA GATTA (A.) – Nasceu em Roma. Aluno da Academia de Roma e mais tarde discípulo de Villegas. E' seu representante a Exma. Sra. D. Anna Porto-Alegre.

118 Ponte-Velha. Florença (aquarela).

119 Spiate d'amore (aquarela).

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DELPHIM DA CAMARA – Nasceu no Rio de Janeiro. Discípulo de José Corrêa Lima. Rua Frei Caneca, 98. Premiado na Exposição Geral de Belas Artes de 1895 com a 3º Medalha.

120 Retrato.

-

DELPINO (Alberto) – Aluno da antiga Academia. Premiado na Exposição Geral de Belas Artes de 1895 com a Menção.

121 Arraial Velho (Sabará).

122 Cerâmica (Barbacena).

123 Desenhado.

124 Hospital dos Lázaros.

125 Retrato do Ninio (pastel).

-

DORNELLES (Octavio) – Nasceu no Rio Grande do Sul. Discípulo de Modesto Brocos e Belmiro de Almeida. Rua do Lavradio, 17.

126 Cascadura (panorama)

127 Estábulos em Cascadura.

128 Interior de casa em Cascadura.

129 Morro da Viúva.

130 Muro em ruínas (Morro do Castelo).

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[página 9]

131 Ocaso (Morro da Providência).

132 Praia dos Lázaros (Mangue).

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EDMÉE CRULS (D.) – Nasceu no Rio de Janeiro. Discípula de Benno Treidler.

133 Barra do Rio de Janeiro.

134 Efeito de neblina.

135 Estudo de flores.

-

FRANCISCA EMILIA DE CAMPOS (D.) – Aluno da Escola Nacional de Belas Artes, discípula de Rodolpho Amoedo.

136 Natureza morta.

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FREITAS (Augusto Luiz de) – Aluno da Escola Nacional de Belas Artes, discípulo de Henrique Bernardelli.

137 In Deo speravi.

-

INSLEY PACHECO (Joaquim) – Nasceu em Portugal. Discípulo de F. Renato Moreaux e Carlos Lind. Medalhas de prata da antiga Academia. Rua dos Ourives, 38.

138 Aurora na baia do Rio.

139 Cascata no Andaraí

140 Caminho de S. Roque.

141 Copacabana.

142 Copacabana.

143 Guache.

144 Guache.

145 Guache.

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[página 10]

146 Guache.

147 Guache.

148 Fantasia (guache).

149 Itapoan.

150 Morro do Inglês.

151 Paisagem (guache).

152 Paquetá

153 Paquetá.

154 Paquetá.

155 Paquetá.

156 Paquetá.

157 Paquetá.

158 Paquetá.

159 Pastel.

160 Quadro com 11 paisagens (guache).

161 Rio visto de Paquetá.

162 Serra de Teresópolis.

163 Sertão do Ceará (guache).

164 Sertão do Ceará (guache).

-

LATOUR (Eugenio) – Nasceu no Brasil. Aluno da Escola Nacional de Belas Artes, discípulo de Henrique Bernardelli.

165 Lavadeiras (aquarela).

166 Paisagem. Belo Horizonte (aquarela).

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[página 11]

LAVALLE (Felix Cordiglia) – Nasceu em Mendonza (República Argentina.) Discípulo de Marti. Rua Bambina, 66, Av. Almeida, 7.

167 Au clair de la lune...

-

MACEDO (João) – Nasceu na cidade da Fortaleza (Ceará). Aluno da Escola Nacional de Belas Artes, discípulo de Henrique Bernardelli.

168 À janela.

169 Paisagem.

170 Retrato.

-

MACHADO (Joaquim Fernandes) – Nasceu no Rio de Janeiro. Aluno da Escola Nacional de Belas Artes, discípulo de Henrique Bernardelli. Rua do Senador Dantas, 34, sobrado.

171 Escada Velha (Capri).

172 Fauno.

173 Ilha de Capri (Efeito do Sol).

174 Ilha de Fernando de Noronha.

175 Marinha.

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MADRUGA FILHO (Manoel Pereira) – Nasceu em Teresópolis. Discípulo da antiga Academia de Belas Artes. Atualmente em Paris. E' seu representante o Sr. Manoel Pereira Madruga.

176 Borboletas maliciosas.

177 Paisagem (exposto no Salon de Paris).

178 Raios de Sol.

179 Retrato do Ministro Regis de Oliveira.

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[página 12]

180 Sous bois.

181 Vieux Saules (exposto no Salon de Paris)

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MARIA CLARA DA CUNHA SANTOS (D.) – Nasceu no Brasil. Discípulo de Adolpho Malevolti. Rua do Conde do Bomfim, 12-A.

182 Caminho no arvoredo

183 Margens do Tietê.

184 Trecho de Paisagem.

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MARY MANSO SAYÃO (D.) – Nasceu no Rio de Janeiro. Discípula de Rodolpho Amoedo. Rua Senador Vergueiro, 31

185 Canto de toucador.

186 Flor do campo.

187 Melodia.

188 Natureza morta.

189 Retrato da autora.

190 Tête-à-tête.

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OSCAR PEREIRA DA SILVA – Nasceu no Rio de Janeiro. Rua Barão de Iguape, 8-A. (S.Paulo) Premiado com a 2ª Medalha de ouro na Exposição Geral de Belas Artes de 1894.

191 Passatempo.

192 Sansão e Dalila (esboceto).

193 Uvas.

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[página 13]

PARLAGRECCO (B.) – Artista italiano. Rua do Conde de Baependy, 36.

194 Cabeça (pastel).

195 Carmen (pastel).

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PETIT (Auguste) – Artista francês domiciliado no Rio de Janeiro há muitos anos. Discípulo de Eugène Nesle. Menção honrosa em 1882 e Medalha de prata em 1884. Rua do Rosário, 123.

196 À votre santé.

197 Frutas.

198 Jeune Arabe.

199 Jeune Arabe.

200 La prière.

201 Le coeur s'éveille.

202 Le fumeur.

203 Marreca.

204 Pássaros.

205 Praia das Flexas (paisagem).

206 Praia de Icaraí.

207 Pôr do sol.

208 Retrato de Sr. Charles Morel.

209 Reverie.

-

PORTO ALEGRE (D. Anna) – Brasileira. Discípula de Pedro Américo e Giovani Fattori.

210 Cantineira (aquarela).

211 Jovem Romano (aquarela).

212 Na Adega (aquarela).

213 Tambor-mor (aquarela).

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[página 14]

PRATI (Romualdo) – Artista italiano domiciliado no Rio Grande do Sul. E' seu representante o Dr. Raul Pederneiras.

214 Olha!!

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RIBEIRO (Luiz) – Nasceu no Rio de Janeiro. Aluno da antiga Academia de Belas Artes, discípulo de Victor Meireilles e João Zeferino. Menções honrosas e Medalhas de ouro de desenho da antiga Academia.

215 Bananas.

216 Doces (pastel).

217 Flores.

218 Jaqueiras (paisagem).

219 Legumes.

220 Milhos.

221 Paisagem.

222 Paisagem.

223 Peixes.

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RIBEIRO FILHO (Luiz da Silva) – Nasceu no Rio de Janeiro. Rua Alice, 19. Laranjeiras.

224 Almirante Barrozo em alto mar.

225 Alto da Serra (Petrópolis).

226 Caminho do túnel da rua Alice.

227 Cascatinha Estrada da Saudade.

228 Palatinado.

-

ROSALVO SIMÕES – Nasceu no Rio de Janeiro. Discípulo de Cormon e Puvis de Chavannes. Rua de Santa Christina, 11.

229 Retrato de Mlle. N. S.

230 Retrato de Mlle. F. F.

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[página 15]

SANTORO (Rosalbino) – Italiano, domiciliado no Estado de S. Paulo.

231 Vida na fazenda.

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SOUZA PINTO (José Julio de) – Nasceu em Angra do Heroísmo, Açores, Portugal. Discípulo de Cabanel. Medalha de 2ª classe da Exposição Universal de Paris de 1889. Medalha de 1ª classe da Exposição Internacional de Nice de 1884. Medalha 1ª da Exposição de Belas Artes d'Atlanta. Medalha de 2ª classe da Exposição Geral de Belas Artes do Rio de Janeiro de 1894. Medalha de Honra da Exposição do Centenário de Vasco da Gama em Lisboa de 1898. Cavalheiro de Santiago de Portugal. Cavalheiro de Legion d'Honneur. Representado em vários Museus de França, no de Montecarlo e no de Melbourne. Fg. St. Honoré, 235. Paris.

232 Cavalos.

233 Le Cabaret.

234 Em Prairie.

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STECKEL (Frederico Antonio) – Nasceu na Alemanha, naturalizado brasileiro. Hotel Nacional. Rio de Janeiro.

235 Ao pôr do sol. Capela do Rosário. Vista do lado do sul. Belo Horizonte.

236 Morro da Estação. Belo Horizonte.

237 No alto da avenida Garandaí em Belo Horizonte.

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[página 16]

TREIDLER (Benno) – Nasceu na Alemanha. Discípulo da Academia de Berlim e aluno de Christian Wilberg. 2º e 1º Prêmios da Academia de Berlim e Medalha da Exposição Geral de Belas Artes.

238 Efeito da neblina. Silvestre (aquarela).

239 Mangueiras (aquarela).

240 Morro da Glória. Manhã (aquarela).

241 Praia Vermelha. S. Domingos (aquarela).

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VILLAÇA (C.) – Paraense.

242 Retrato do maestro Francisco Braga (a crayon).

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VISCONTI (Eliseu d'Angelo) – Pensionista do Estado na Europa. Discípulo de João Zeferino, Rodolpho Amoedo e Henrique Bernardelli. Premiado com a 2ª Medalha de ouro na Exposição Geral de Belas Artes de 1894.

243 Ao longe (pochade).

244 Canto de Luxembourg (pochade).

245 Da minha janela (à tarde).

246 Efeito da manhã (pochade) .

247 Esperança (exposto no Salon de 97).

248 Fatigada (Nu, tamanho natural).

249 Modelo em pose.

250 Patinhos.

251 Saída da vida pecaminosa (Da Divina Comédia), esboceto para um grande quadro.

252 Um caminho do Jardin del Bueno Retiro (Madrid).

253 Um raio de Consolação (exposto no Salon de 97).

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WEINGARTNER (Pedro) – Nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Ex-professor da Escola Nacional de Belas Artes. Atualmente na Europa.

254 Saudades da terra (propriedade do Sr. Arthur Azevedo).

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[página 19]

ARQUITETURA

BAIANA (Henrique) – Nasceu em S. Salvador (Bahia). Arquiteto diplomado pela École Speciale d'Architecture de Paris. Professor de desenho geométrico, plantas e topografia da Escola Nacional de Belas Artes.

255 Ante-projeto de um Hospital de beribericos da Marinha em Teresópolis:

a) plano geral.

b) plano e fachada da administração.

c) plano e fachada de uma enfermaria.

d) plano e fachada de uma enfermaria de isolamento.

e) plano e fachada de um pavilhão para oficiais.

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BERNA (João Ludovico Maria) – Brasileiro. Discípulo de Mayeux, Maucheri, Gugnet e Blondel. Ex pensionista do Estado e atual professor da Escola Nacional de Belas Artes. Rua de Santo Amaro, 7.

256 Aparelho de bronze para iluminação elétrica, tamanho natural.

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[página 20]

257 Decoração de janela e teto no estilo de Luiz XIV

258 Decoração mural no gênero denominado japonês.

259 Gabinete de trabalho decorado no estilo de Luiz XIV. (Pertence ao Sr. C. A. dos Santos).

260 Projeto de edifício para a Biblioteca Nacional. Composto e desenhado segundo a orientação da arte moderna de construir.

261 Projeto de edifício para uma fábrica de tecidos e viação. (Pertence a uma firma comercial do Estado de Minas Gerais).

262 Projeto para o novo edifício do Club Naval. Perspectiva da fachada principal.

263 Vitraux decorado no estilo de Luiz XVI.

264 Vitraux no gênero japonês.

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MORALES DE LOS RIOS (Adolfo) – Nasceu em Sevilha (Espanha). Engenheiro e Arquiteto. Premiado com medalhas de bronze e de prata em diversas exposições. Professor da Escola Nacional de Belas Artes.

265 Composição decorativa, estilo renascimento espanhol para ser executada em cerâmica. (Casino de San Sebastian - Espanha).

266 Composição de estilo japonês para ser executada em tapeçaria. (Cadiz -Espanha).

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[página 21]

ESCULTURA

BERNARDELLI (Rodolpho) – Discípulo de Chaves Pinheiro. Diretor e professor da Escola Nacional de Belas Artes.

267 S. Lucas (esboceto projetado para a igreja da Cruz dos Militares).

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CORREIA LIMA (José Octavio) – Nasceu no Estado do Rio de Janeiro. Aluno da Escola Nacional de Belas Artes, discípulo de Rodolpho Bernardelli.

268 Retrato. (busto em gesso).

-

JULIETA FRANÇA (D.) – Nasceu no Estado do Pará. Aluna da Escola Nacional de Belas Artes, discípula de Rodolpho Bernardelli.

269 Retrato (busto em gesso).

-

PEREIRA (Manoel Joaquim da Silva) – Nasceu no Estado de Pernambuco. Aluno da Escola Nacional de Belas Artes, discípulo de Rodolpho Bernardelli.

270 Retrato (busto em gesso).

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[página 22]

Gravuras de medalhas e pedras preciosas

GIRARDET (Augusto) – Nasceu em Roma. Discípulo de Giorgio Girardet. Professor da Escola Nacional de Belas Artes.

271 Esboceto de medalha humorística.

272 Esboceto para um distintivo de colégio ou instituto de música.

273 Modelo de medalha (verso e reverso) comemorativa da inauguração da Igreja da Candelária.

274 Modelo de medalha (verso e reverso) comemorativa de Carlos Gomes.

275 Ondinas.

276 Retrato (gravura em ágata).

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Digitalização de Biblioteca Digital de Obras Raras UFRJ Acessível em: https://bdor.sibi.ufrj.br/

Transcrição de Brenda Martins de Oliveira

Fac-símile do catálogo''' Acessível em: http://www.dezenovevinte.net/egba/catalogos/1898.pdf

Catálogos
1898 - Jornal do Commercio
1898 - O Paiz
1899
1899 - A Noticia
1899 - Catálogo

[página sem numeração]

CATÁLOGO

DA VI EXPOSIÇÃO GERAL DE

BELAS-ARTES

IN

ARTE

LIBERTAS

1899

NA ESCOLA NACIONAL DE

BELAS-ARTES

RIO DE JANEIRO

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[página sem numeração]

EXPOSIÇÃO GERAL

DE

BELAS-ARTES

Inaugura em 1 de Setembro de 1899

NA

Escola Nacional de Belas-Artes

1899

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[página sem numeração]

Typ. de Pereira Braga & C., rua Nova do Ouvidor n. 28

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[página sem numeração]

CATÁLOGO

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PINTURA

ALINA TEIXEIRA (D.) – Nasceu no Rio de Janeiro. Discípula de Aurelio de Figueiredo. Premiada com a Menção na Segunda Exposição Geral em 1895. Rua do Marquês de Abrantes, 43 A.

1 Flores.

2 Parasita.

3 Praia do Flamengo

4 Seismando.

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ALMEIDA JUNIOR (José Ferraz de) – Nasceu na cidade de Itú, Estado de S. Paulo. Discípulo de Victor Meirelles e Cabanel. Medalha de 1ª classe na Quinta Exposição Geral em 1898, professor honorário da antiga Academia de Bellas-Artes.

5 Cabeça de estudo.

6 Cabeça de estudo.

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[página 2]

7 Estrada.

8 Importuno.

9 Mamão.

10 Mendiga.

11 Pic-Nic.

12 Saudades.

13 Violeiro.

-

ALTEN (D. Mathilde) – Nasceu na Alemanha. Rua dos Voluntários da Pátria, 144 B. Casa IV.

14 Ruínas do convento dos Beneditinos. Paulinzela. Thüringen em Alemanha, construído no século XII.

-

AMOEDO (Rodolpho) – Nasceu no Rio de Janeiro. Professor de pintura e Vice-diretor da Escola Nacional de Belas Artes. Discípulo de Alexandre Cabanel e Puvis de Chavannes.

15 Festão de magnólias, estudo (têmpera envernizada).

16 Retrato do Dr. S. R. (têmpera envernizada).

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ANESIA DE SOUZA (D.) – Nasceu em S. Paulo. Discípula de Almeida Junior. Largo Sete de Setembro, 7. S. Paulo.

17 Laranjas.

18 Limões.

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[página 3]

ARMANDO AFFONSO DE AZEVEDO MENDONÇA – Nasceu no Estado de Minas Gerais. É seu representante o Illm. Sr. Othon Mendonça.

19 Manhã.

20 Poente.

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ARRUDA (D. M. E.) – Nasceu em S. Paulo. Discipula de Almeida Junior. Rua da Aurora, 104. S. Paulo.

21 Abacaxi

22 Toucador Servido.

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AURELIO DE FIGUEIREDO (Francisco) – Nasceu na Paraíba do Norte. Rua Barão de Capanema, 1.

23 Decorando a lição.

24 Doce perfume.

25 Ilha Fiscal.

26 Paisagem Mineira (arredores da Campanha).

27 Quaresmas em flor.

28 Rapsódia das ondas.

29 Tarde Serena.

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BALLIESTER (Carlos) – Nasceu no Rio de Janeiro. Discípulo de Auguste Petit. Rua Martins Ferreira, 21. Botafogo.

30 O Almirante Barroso em alto mar.

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[página 4]

BAPTISTA DA COSTA (João) – Nasceu no Rio de Janeiro. Professor do Instituto Profissional, discípulo de Rodolpho Amoedo. Obteve na Primeira Exposição Geral em 1894 o Prêmio de Viagem.

31 A predileta.

32 Casa de Pescadores (Capri).

33 Estrada d'Anacapri (Capri).

34 Flores campestres (Capri).

35 Lac des Minimes.

36 Lago das Fadas (Petrópolis).

37 Monte Solaro (Capri).

39 Suresnes. Começo de Outono.

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BOLATO (Pedro) – Nasceu em Montevidéu, naturalizado Brasileiro. Ex-discípulo de Aurelio de Figueiredo e aluno da Escola Nacional de Belas Artes, da aula do professor Rodolpho Amoedo. Rua de Sant'Anna, 33.

39 Cajus.

40 Da janela do meu quarto.

41 Maçãs.

42 Morro de S. Carlos.

43 Vila Guarany.

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CHAMBELLAND (Rodolpho) – Nasceu no Rio de Janeiro. Discípulo de Weingartner, Rodolpho Bernardelli e Belmiro de Almeida. Rua do Senador Dantas, 54.

44 Retrato de Paulo Chambelland (a crayon).

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[página 5]

COOK (Benjamin) – Nasceu no Brasil.

45 Igrejinha da Copacabana.

46 Uma casa na Copacabana.

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CUNHA VASCO (D. Anna da) – Nasceu no Rio de Janeiro. Discípula de Benno Treidler. Premiada com a Menção na Quinta Exposição Geral em 1898. Ladeira dos Guararapes, 9. Silvestre.

47 Morro da Martha. Silvestre (aquarela).

48 Paisagem. Silvestre (aquarela).

49 Tarde de Junho. Silvestre (aquarela).

50 Tronco de Mangueira (aquarela).

51 Uma rua da chácara (aquarela).

52 Uma atalho da chácara (aquarela).

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CUNHA VASCO (D. Maria da). Nasceu no rio de Janeiro. Discípula de Benno Treidler. Premiada com a Menção na Quinta Exposição Geral em 1898. Ladeira dos Guararapes, 9. Silvestre.

53 Mangueiras (aquarela).

54 Paisagem. Silvestre (aquarela).

55 Tarde de Junho (aquarela).

56 Tronco de Mangueira (aquarela).

57 Uma rua da chácara (aquarela).

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[página 6]

DELPINO (Alberto) – Aluno da antiga Academia. Premiado com a Menção na Segunda Exposição Geral em 1895.

58 Candieiro (costumes mineiros) pastel.

59 Lagoa Santa – Minas – onde residiu e faleceu o naturalista dinamarquês Lund.

60 Paisagem da Fazenda do Dr. Couto (Barbacena).

61 Paisagem (Ouro Preto).

62 Santa Luzia do Rio das Velhas, lugar onde foram batidos os revolucionários de 1842. (Minas).

63 Tomates.

-

FRANCISCA EMILIA DE CAMPOS (D.) – aluna da Escola Nacional de Belas Artes, discípula de Rodolpho Amoedo.

64 Frutas.

65 Laranjas.

66 Paisagem.

67 Retrato.

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FREDERICO (Raphael) – Ex-pensionista da Escola Nacional de Belas Artes.

68 Concerto ao ar livre.

69 Interior de Atelier (Roma).

70 Tentação de Santo Antônio.

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[página 7]

HEITOR COSTA – Nasceu no Estado do Rio. Aluno da Escola Nacional de Belas Artes, discípulo de Henrique Bernardelli.

71 Paisagem.

72 Saudades.

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HELENA VAZ PEREIRA DE VIVEIROS (D.) – Nasceu no Maranhão [sic] Discípula de Adolpho Malevolti. Rua Malvino Reis, 91.

73 A Serpente Aquática (Norte do Brasil).

74 Lagoa Tury-Assú (Maranhão).

75 Trecho da Bocaina (Fazenda dos Pirineus).

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JACINTHO ALVES DA SILVA – Nasceu no Rio de Janeiro. Aluno da antiga Academia das Belas Artes, foi discípulo de João Maximiano Mafra e Agostinho José da Motta. Rua Antonio de Pádua, 13. Riachuelo.

76 Frutas do Brasil.

77 Frutas do Brasil.

78 Frutas do Brasil.

79 Frutas do Brasil.

-

JOÃO RIBEIRO – Da Academia de Letras.

80 Berço Vazio. Inspirada de uma poesia das Canções de Outono.

81 Campanha Lombarda.

82 Chácara da rua do Progresso. Santa Teresa. (Pertence ao Sr. F. de Sampaio).

83 Estudo.

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[página 8 faltando no fac-símile, reconstituição feita a partir de LEVY (2003)]

84 Feira Propriedade: Mário Alencar

85 Mulheres do Mar do Norte

86 Primavera

87 Cena do Tirol

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EUGENIO LATOUR - Natural do Rio de Janeiro, RJ. Discípulo de Aluno da Escola Nacional de Belas Artes: Henrique Bernardelli.

88 Ao voltar da horta

89 Paisagem

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JOÃO MOREIRA DE ARARIPE MACEDO - Natural de Fortaleza, CE. Discípulo de Aluno da Escola Nacional de Belas Artes: Henrique Bernardelli.

90 Gravador

91 Retrato

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JOAQUIM FERNANDES MACHADO - Natural do Rio de Janeiro, RJ. Discípulo de Rodolfo Amoedo e Henrique Bernardelli. Aluno da Escola Nacional de Belas Artes.

92 Depois do pecado

93 Desembarque dos portugueses em 1º de maio de 1500 (esboceto)

94 Flores campestres

95 Lago Verde

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MARIA AGNELLE FORNERO - Natural de Maricá (Ponta Negra), RJ. Ladeira da Glória 15, Rio de Janeiro. Discípulo de Nicolau Antonio Facchinetti.

96 A lagoa Rodrigo de Freitas, vista da chácara do doutor Alfredo Valdetaro: efeito da manhã

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[página 9 faltando no fac-símile, reconstituição feita a partir de LEVY (2003)]

97 Os Dois Irmãos, do terraço do Hotel das Paineiras (de manhã)

98 Um canto do jardim do doutor Francisco Martins Esteves, na Glória (manhã)

99 Um trecho da nossa rua (efeito da manhã)

100 Um trecho da rua do Russell, visto do jardim do doutor Esteves

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MARIA CLARA DA CUNHA SANTOS - Natural do Rio Grande do Sul. Rua Conde de Bonfim 12-A. Discípulo de Adolfo Malevolti.

101 Catalea em copo d'água

102 Laranja e manga

103 Mangueiral

104 Minha fruteira

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MARIA EMILIA DE CAMPOS - Natural do Mato Grosso. Discípulo de Rodolfo Amoedo. Aluna da Escola Nacional de Belas Artes.

105 Retrato

106 Retrato da autora

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J. DE MATOS - Natural de Campinas, SP. Rua da Glória 74, São Paulo. Discípulo de José Ferraz de Almeida Júnior

107 Estudo de cabeça

108 Cebolas

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[página 10]

NILO DE PAULA – Nasceu em Campinas, Estado de S. Paulo. Discípulo de Almeida Junior. Rua da Glória, 74. S. Paulo.

109 Cabeça de estudo.

110 Último prato.

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NORFINI (Alfredo) – Nasceu em Florença. Discípulo do pintor Norfini, seu pai. Domiciliado há anos em S. Paulo. Rua Campos Salles, 48. S. Paulo. É seu representante o Sr. professor Ludovico Berna.

111 Amarrando.

112 Senza titolo.

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PARLAGRECCO (B.) – Artista italiano. Premiado com a Medalha de 3ª classe na Quinta Exposição Geral em 1898. Rua do conde de Baependi, 36.

113 Alger.

114 De Volta.

115 O Paraíba.

116 Paisagem.

117 Poço do Imperador (paisagem).

118 Rua Nassau. (Petrópolis).

119 Vaca e bezerro.

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PETIT (Auguste) – Artista francês domiciliado no Rio de Janeiro há muitos anos. Discípulo de Eugéne Nesle. Menção honrosa em 1882. Medalha de prata em 1884 e Medalha de 3ª classe na Quinta Exposição Geral em 1898.

120 Frutas.

121 Frutas.

122 Frutas.

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[página 11]

123 Frutas.

124 Frutas.

125 Frutas.

126 Frutas.

127 Hortaliça.

128 Hortaliça.

129 Paisagem.

130 Retrato de Mlle. M. G.

131 Um apreciador.

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RIBEIRO FILHO (Luiz da Silva) – Nasceu no Rio de Janeiro. Premiado com a Menção na Quinta Exposição Geral em 1898. Rua Alice, 19. Laranjeiras.

132 Adamastor.

133 Almirante Tamandaré.

134 Benjamin Constant em cruzeiro.

135 Crepúsculo.

136 Iowa.

137 Navios alemães.

138 Palatinado. (Petrópolis).

139 Primeiro de Março em cruzeiro.

130 Protet e Benjamin Constant (Luar).

131 Segunda divisão (Luar).

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SANTOS PEDROSO (José Braz dos) – Nasceu no Rio de Janeiro. Aluno da antiga Academia de Belas Artes, foi discípulo de Agostinho José da Motta. É seu representante o Comndador Jacintho Alves da Silva. Rua Antônio de Pádua, 13. Riachuelo.

142 Flores.

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[página 12]

143 Frutas do Brasil. (Ameixas amarelas).

144 Frutas do Brail. (ameixas do Pará).

145 Frutas do Brasil. (Jambos).

146 Frutas do Brasil. (Melancia).

147 Vista da Igreja de N. S. da Penha de Irajá.

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SERVI (Carlos De) – Italiano, estudou em Roma. Domiciliado em s. Paulo, há 3 anos. Rua de S. Bento, 93. S. Paulo.

148 Caboclo (Estudo de cabeça).

149 Estudo de natureza morta.

150 Luciola.

151 Retrato do Sr. Julio Martins.

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TEIXEIRA DA ROCHA – Nasceu no Estado das Alagoas. Aluno da antiga Academia. Medalhas de ouro de pintura e de desenho da antiga Academia. Rua Petrópolis, 13. Santa Teresa.

152 Cajueiro. (Paisagem de Vila Isabel).

153 Cesta com cajus.

154 Chácara da Casa de S. José.

155 Estudo de desenho a pena.

156 Faceirice.

157 Horta da Casa de S. José.

158 Interior com retratos.

159 Lei 28 de Setembro. (Esboceto para decoração).

160 Ocaso.

161 Paisagem de Santa Teresa.

162 Paisagem.

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[página 13]

163 Paisagem de Santa-Teresa. (Rua Ocidental).

164 Paisagem de Vila Isabel.

165 Pedras na Copacabana.

166 Retrato do Sr. Rodrigues Cortes.

167 Rua Ocidental. (Santa Teresa).

168 Trecho da aula de desenho dos menores do Arsenal de Guerra.

169 Trecho da Chácara da Casa de S. José.

170 Trecho da Horta da Casa de S. José.

171 Trecho da rua Petrópolis. (Santa Teresa).

172 Trecho de Vila Isabel.

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TREIDLER (Benno) – Nasceu em Berlim. Discípulo de Christiano Wilberg. Premiado com a Medalha de 3ª classe na Primeira Exposição Geral em 1894.

173 Alegoria (aquarela).

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VAZ (D. B.) – Nasceu em Sorocaba, Estado de S. Paulo. Discípula de Almeida Junior. Rua Vieira de Carvalho, 14. S. Paulo.

174 Begônia.

175 Ovos com farinha.

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[página sem numeração]

ARQUITETURA

BERNA (João Ludovico Maria) – Brasileiro. Ex-pensionista do Estado e atual professor da Escola Nacional de Belas Artes. Discípulo de Bittencourt da Silva, Mayeux Cugnet e Blondel. Medalhas de ouro da antiga Academia. Premiado com a Medalha de 2ª classe da primeira Exposição Geral em 1894.

176 Altar-mor do Sagrado Coração de Jesus da rua Benjamin Constant. (Esquisse do projeto).

a) fachada principal do altar.

b) planta baixa

177 Construção à rua Evoneas.

178 Estudo de decoração de uma janela estilo Luiz XVI (aquarela).

179 Estudo de decoração de um vestíbulo, estilo Luiz XI (Sépia).

180 Residência em Campinas. (Estado de S. Paulo).

181 Teatro. Fachada principal. (Esquisse do projeto).

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[página sem numeração]

ESCULTURA

CORREIA LIMA (José Octavio) – Nasceu no Estado do Rio de Janeiro. Aluno da Escola Nacional de Belas Artes, discípulo de Rodolpho Bernardelli.

182 O remorso (estátua em gesso).

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NICOLINA VAZ DE ASSIS (D.) – Nasceu em São Paulo. Aluna da Escola Nacional de Belas Artes, discípula de Rodolpho Bernardelli.

183 Busto do almirante Saldanha da Gama.

184 Cabeça de menina.

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[página sem numeração]

Gravura de medalhas e pedras preciosas

GIRARDET (Augusto) – Nasceu em Roma. Discípulo de Giorgio Girardet. Professor da Escola Nacional de Belas Artes.

185 Ondinas. (Gravura em ágata encastoada de diamantes).

186 Distintivo para instituto de música (gravura em aço).

187 Retrato de menina (gesso).

188 Retrato de senhora (gesso).

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Digitalização de Biblioteca Digital de Obras Raras UFRJ Acessível em: https://bdor.sibi.ufrj.br/

Transcrição de João Victor Rossetti Brancato

Fac-símile do catálogo Acessível em: http://www.dezenovevinte.net/egba/catalogos/1899.pdf

Catálogos
1899 - O Paiz
1900 - Catálogo

[página sem numeração]

CATÁLOGO DA VII

EXPOSIÇÃO GERAL DE

BELAS ARTES

IN ARTE

LIBERTAS

ESCOLA NACIONAL

DE BELAS ARTES

RIO DE JANEIRO

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[página sem numeração]

EXPOSIÇÃO GERAL

DE

BELAS ARTES

Inaugurada em 1 de setembro de 1900

NA

Escola Nacional de Belas Artes

1900

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[página sem numeração]

CATÁLOGO

PINTURA

ABIANA AUGUSTA DO AMARAL (D.) – Natural do estado do Pará. Discípula de Raphael Frederico.

1 Cesta de frutas.

2 Vaso com tinhorão (estudo).

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AMOEDO (Rodolpho) – Natural do Rio de Janeiro. Discípulo de Cabanel e Puvis de Chavannes. Professor de Pintura e vice-diretor da Escola Nacional de Belas Artes, (atualmente na direção da Escola). Rua do Senador Vergueiro, 11.

3 Auto-Retrato.

4 Retrato de Mlle. L. M.

5 Saída de baile.

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[página 2]

BAPTISTA DA COSTA (João) – Natural do Rio de Janeiro. Discípulo de Rodolpho Amoedo. Professor do Instituto Profissional. Obteve na Primeira Exposição Geral (1894) o Prêmio de viagem. Rua Sete de Setembro, 140, 2º andar.

6 Bons dias em Bom Jardim.

7 Manhã em Santa Bárbara.

8 Pêssegos de Santa Bárbara.

9 Um transe doloroso.

10 Um trecho do Rio Grande (Bom Jardim).

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BELMIRO DE ALMEIDA – Natural do estado de Minas Gerais. Aluno da antiga Academia de Belas Artes e ex-professor da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com a medalha de 2ª classe na Primeira Exposição Geral (1894).

11 Retrato de Mlle. Abigail Seabra.

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BOLATO (Pedro) – Natural de Montevidéu, naturalizado brasileiro. Aluno da Escola Nacional de Belas Artes.

12 Lavanderia.

13 Paisagem (Rua Monte Alegre).

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BRAZILINA BRAZILICA DE BARROS VAZ (D). - Natural de Sorocaba, S. Paulo. Discípula de Almeida Junior. Rua Vieira de Carvalho, 14, S. Paulo.

14 Cesta com bananas, mangas e romãs.

15 Cesta de ameixas.

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[página 3]

16 Preparativos para o doce.

17 Tachinho.

18 Talhada de melancia.

-

BROCOS (Modesto) – Natural da Espanha. Ex-professor de desenho de modelo-vivo da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com a medalha de 1ª classe na Segunda Exposição Geral (1895)

19 A figueira.

20 A mangueira.

21 A paineira.

22 Estudo de Capresa.

23 O bode preto (lenda de Diamantina).

24 Retrato.

-

CANTANHEDA (Alvaro de) – Natural da Capital Federal. Bacharel em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito de S. Paulo. Professor do Ginásio Fluminense. Petrópolis. É seu representante o tabelião Cantanhede Júnior. Rua do Rosário, 70.

25 A Ponte.

26 Bananas (pastel).

27 Cabeça de estudo (pastel).

28 Cajus maduros (pastel).

29 Caminho do morro.

30 Canto do jardim.

31 Flor de Maio (pastel).

32 Manhã de Abril.

33 O Terreiro.

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[página 4]

34 Pêssegos (pastel).

35 Solidão.

36 Uma curva do Rio.

-

CARDOSO (Alberto) – Natural da Capital Federal. Discípulo de Hilarião Teixeira, Arthur Ferreira e outros. Rua Lucidio do Lago, 15. Méier.

37 Retrato do poeta americano Longfellow.

-

CARMEN CORREIA (D.) – Natural da Capital Federal. Discípula de Raphael Frederico.

38 Canto do Quintal.

39 Estudo de Flores.

40 Melância.

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COOK (Benjamin) – Natural do Brasil.

41 Paisagem em Copacabana.

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CORREIA e CASTRO (A. B.) – Natural do Rio de Janeiro. Discípulo de Gorra, Ferrario e Hanoleau. Travessa de S. Salvador, 18.

42 Fundo de Casa.

43 O açude (paisagem).

44 Orquídea (eathalea crispa)

45 Orquídeas e Begônias.

46 O Quintal (paisagens).

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[página 5]

47 Paisagem.

48 Paisagem (fumaça).

49 Paisagem (fumaça).

50 Paisagem (S. Francisco Xavier).

51 Pedreira de S. Francisco Xavier.

52 Trecho da Tijuca.

53 Trecho de casa.

-

CUNHA VASCO (D. Anna da) – Natural do Rio de Janeiro. Discípula de Benno Treidler. Premiada com a Menção na Quinta Exposição Geral (1898). Ladeira dos Guararapes, 9, Silvestre.

54 Latada (aquarela).

55 Na Estação do Silvestre. Estrada de Ferro do Corcovado (aquarela).

56 Estudo (aquarela).

57 Estudo (aquarela).

58 Paisagem (aquarela).

-

CUNHA VASCO (D. Maria da) – Natura do Rio de Janeiro. Discípula de Benno Treidler. Premiada com a Menção na Quinta Exposição Geral (1898). Ladeira dos Guararapes, 9, Silvestre.

59 Corcovado. Da estação do Silvestre (aquarela).

60 Estudo (aquarela).

61 Estudo (aquarela).

62 Paisagem. Silvestre (aquarela).

63 Portão da Chácara (aquarela).

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[página 6]

DELPINO (Alberto) – Natural do Rio de Janeiro. Aluno da antiga Academia de Belas Artes. Premiado com a Menção na Segunda Exposição Geral (1895).

64 Cruz das almas. Fazenda de Augusto A. de A. Lima. Barbacena.

65 Leiteiro (costume mineiro).

66 Retrato da Exma. Sra. H. C. de L. D.

67 Zezé (pastel).

-

DINORAH MEIRELLES (D.) – Natural do estado de S. Paulo. Discípula de Marques Guimarães. Guaratinguetá.

68 Retrato do Ilm. Sr. Antonio de Meirelles Freire.

-

EDITH LEFEBRE (D.) Natural do estado do Rio Grande do Sul. Discípula de Raphael Frederico.

69 Vista tirada do morro do Mundo Novo.

-

FACCHINETTI (Nicoláo) – Natural de Treviso, Itália. Ladeira da Glória, 15.

70 Fenômeno vegetal.

Reprodução fiel, pintada ao natural, deste fenômeno (citado por Martius na Flora Brasileira) que por longos anos foi admirado na rua Haddock Lobo, cocheira. Tanto a figueira brava como o coqueiro morreram em 1889.

(N. do A.)

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[página 7]

FRANCISCA EMILIA DE CAMPOS (D.) – Natural do estado de Mato Grosso. Aluna da Escola Nacional de Belas Artes.

71 Abacaxis.

72 Paisagem.

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FREDERICO (Raphael) – Natural do Rio de Janeiro. Ex-pensionista da Escola Nacional de Belas Artes. Rua do Coronel Cabrita, 16.

73 Água na parreira.

74 Antes do ensaio.

75 Mamão.

76 Rondó em lá maior.

77 Cena de interior.

-

GENY FRÓES (D.) – Natural do Rio de Janeiro. Rua Visconde da Gávea, 40.

78 Primeiros estudos.

79 Primeiros estudos.

80 Primeiros estudos.

81 Primeiros estudos.

-

GEORGINA AZUREM FURTADO (D.) – Natural do Estado de S. Paulo. Discípula de Mlle. Martha Hennig. Praia do Flamengo, 38.

82 Natureza morta.

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[página 8]

GRAZIELA JORDÃO BASTOS (D.) – Natural da Capital Federal. Discípula de Raphael Frederico.

83 Vista tirada do morro do Mundo Novo.

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HEITOR COSTA – Natural do Estado do Rio de Janeiro. Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes.

84 Mendiga.

85 Trecho de rio (Paisagem).

-

HELENA VAZ PEREIRA DE VIVEIROS (D.) - Natural do Maranhão. Discípula de Adolpho Malevolti. Rua Malvino Reis, 115.

86 Fazenda de Santa Helena, Mendes (estudo).

87 Fazenda de Santa Helena, Mendes (estudo).

88 Frutas (estudo).

-

IRACEMA OROSCO (D.) – Natural do Rio de Janeiro. Discípula de José Maria de Medeiros. Rua Souza Franco, 1, Vila Isabel.

89 Bananas.

90 Entrada.

91 Flores.

92 Paisagem (Andaraí-Grande).

93 Retrato.

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[página 9]

JOÃO RIBEIRO – Natural do Estado de Sergipe. Rua Oriente, 8.

94 Paisagem.

95 Paisagem.

96 Paisagem.

97 Estudo.

98 Estudo.

99 Estudo.

100 Estudo.

101 Estudo.

102 Estudo.

-

JULIE NAEGELI (D.) – Natural da Suíça. Discípula de Witing e Dresten. Rua do General Câmara, 63, 2º andar.

103 Estudo.

104 Estudo.

105 Retrato do Dr. Guilherme Naegeli.

-

L. A. HUNTER (D.) – Natural da Inglaterra. Discípula de Ferrarini, Wagner e Treidler. Praia do Flamengo, 40.

106 Arquitetura Romana.

107 Arquitetura Romana.

108 Convento em Capri.

109 Mercado Italiano.

110 Natureza Morta.

111 Rua dos barqueiros (Maranhão).

112 Vista da baía (Rio).

113 Vista da baía (Rio).

114 Vista de Capri.

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[página 10]

LATOUR (Eugenio) – Natural do Rio de Janeiro. Aluno da Escola Nacional de Belas Artes.

115 Flores.

116 Paisagem.

117 Retrato de Mlle. B. L.

-

MACEDO (João) – Natural do Estado do Ceará. Aluno da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com a Medalha de 3ª classe na Sexta Exposição Geral (1899).

118 Lavadeiras.

119 Margens do Sana.

120 Prece.

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MACHADO (Joaquim Fernandes) – Natural do Rio de Janeiro. Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com a Menção na Sexta Exposição Geral (1899).

121 Cravos.

122 Livro de orações.

123 Mau Tempo.

124 Paisagem.

125 Profeta Daniel.

126 Rosas.

-

MALAGUTI (Heitor) – Natural da Itália. Rua Faria, 31 B.

127 Cabeça (aquarela).

128 Cabeça de menina (óleo e aquarela).

129 Estudo de cabeça.

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[página 11]

130 Lago di Ghirla.

131 Maria.

132 Morro do Senado (aquarela).

133 Outono.

134 Retrato de menina.

135 Retrato (esboço a óleo).

136 Cena Milanesa (pátio de uma escola pública).

-

MARIA AGNELLE FORNEIRO (D.) – Natural do estado do Rio de Janeiro. Discípula de Nicoláo Facchinetti. Ladeira da Glória, 15.

137 Alto de Teresópolis.

138 Alto de Teresópolis (manhã).

139 Da Varanda de nossa casa.
(Pertence ao Sr. Visconde de Castro Guidão).

140 Hotel Bessa (Teresópolis).
(Pertence a Exma. Sra. Sr. D. Anitta Cardoso).

141 Rio Paquequer (Teresópolis).

142 Teresópolis (Casa de D. Adelaide).
(Pertence ao Sr. Antonio lopes Zenha).

143 Teresópolis (Teresópolis).
(Pertence ao Sr. Bartholdy).

-

MARIA CLARA DA CUNHA SANTOS (D. ) – Natural do estado do Rio Grande do Sul. Discípula de Adolpho Malevolti. Rua do Conde de Bonfim, 12 A.

144 Frutas do Brasil.

145 Margens do Sapucaí

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[página 12]

146 Serra do Cubatão.

147 Trecho de via férrea.

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MARIA ELISA DE ARRUDA BOTELHO (D. ) - Natural de S. João de Capivari, S. Paulo. Discípula de Almeida Júnior. Premiada com a Menção na Sexta Exposição Geral (1899). Rua Aurora, 104, S. Paulo.

148 Cabeça (estudo).

149 Natureza Morta.

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MARIETTA MEIRELLES (D.) - Natural do Estado de S. Paulo. Discípula de Marques Guimarães. Guaratinguetá.

150 Retrato do Rev. Padre Antonio dos Reis França.

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MENGE (Adolpho Alvin) – Natural do Estado do Rio de Janeiro. Ex-aluno da Escola Nacional De Belas Artes e de Max Kuchel. Rua do Visconde do Uruguai, 234, S. Domingos.

151 Ao pôr do Sol.

152 Nas solidões do Paquequer.

153 Cena rústica.

154 Terra! Terra!

155 Uma noite em Veneza.

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[página 13]

PARLAGRECCO (B.) – Natural da Itália. Premiado com a Medalha de 3ª classe na Quinta Exposição Geral (1898). Rua do Conde de Baependi, 24.

156 À procura de parasitas.

157 Cabeça de estudo.

158 Casa de Villegiatura em Copacabana.

159 Casa de Villegiatura em Copacabana.

160 Efeito de Neve.

161 Marinha em Copacabana.

162 Marinha em Copacabana.

163 Marinha e rochedos.

164 Navio Mercante.

165 Os Dois irmãos (Copacabana).

166 Paisagem (Copacabana).

167 Paisagem (Copacabana).

168 Quitandinha (Petrópolis).

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RIBEIRO FILHO (Luiz da Silva) – Natural do Rio de Janeiro. Premiado com a Menção na Quinta Exposição Geral (1898). Rua Alice, 19, Laranjeiras.

169 Cruzador Barroso (efeito de luar).

170 Cruzador D. Carlos.

171 Luar sobre Villegagnon.

172 Manhã fora da barra.

173 O Pirajá entrando a barra.

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[página 14]

TEIXEIRA (Luiz) – Natural do Estado de S. Paulo. Discípulo de Victor Meirelles e João Zeferino. Rua Dr. Pessoa de Barros, 59.

174 Camélias.

175 Um canto de S. João d'El Rei (paisagem).

176 Vargem do Marçal (S. João d'El Rei).

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TREIDLER (Benno) – Natural da Alemanha. Discípulo de Christian Wilberg. Premiado com a Medalha de 3ª classe na Primeira Exposição Geral (1894). Rua Buarque de Macedo, A 1.

177 Copacabana.
(Pertence ao Sr. Arthur Hunter).

178 Corcovado (aquarela).
(
Pertence ao Sr. Hoffmann).

179 Igreja da Glória (aquarela).
(
Pertence ao Sr. Hoffmann).

180 Praia do Russel (aquarela).
(
Pertence ao Sr. Hoffmann).

181 Retrato do Sr. Hoffmann (aquarela).

181 Vista de Santa Tereza (aquarela).
(
Pertence ao Sr. Künning).

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XAVIER (J.) – Natural de Campinas. Aluno da Escola Nacional de Belas Artes.

183 Frutas (estudo).

184 Frutas (estudo).

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[página sem numeração]

APÊNDICE

BERNARDELLI (Henrique) – Professor da Escola Nacional de Belas Artes.

1 Auto-Retrato.

2 Cloé.

3 Gonzaga (o poeta dos Inconfidentes).

4 O Aleijadinho, o escultor A. F. Lisboa.

5 Suzana.

6 Tentação.

7 Visão.

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[página sem numeração]

ARQUITETURA

BERNA (João Ludovico Maria) – Natural do Brasil. Ex-pensionista do estado e atual professor da Escola Nacional de Belas Artes. Discípulo de Bittencourt da Silva, Mayeux, Cognet e Blondel. Medalhas de ouro da antiga Academia. Premiado com a Medalha de 2ª classe na Primeira Exposição Geral (1894).

185 Arco do triunfo no estilo denominado Manuelino (estudo de conjunto a lápis).

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MELLO (Heitor) – Natural da Capital Federal com o curso de arquitetura da Escola Nacional de Belas Artes. Aluno do engenheiro-arquiteto Morales de los Rios.

186 Esquisse de Vila à beira-mar.

187 Estudo de decoração interior.

188 Estudo de Vaso neo-grego.

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[página 18]

MICHELI (Giacomo) – Natural da Itália. Rua do Senador Vergueiro, 11.

189 Projeto (estudo) de um Zimbório em perspectiva, visto de baixo para cima - segundo as proporções do Vignole.

" Parte geometral do Zimbório (a projeção é tomada do terço inferior das colunas para baixo).

-

MORALES DE LOS RIOS (Adolfo) – Natural de Sevilha, Espanha. Engenheiro e Arquiteto. Professor da Escola Nacional de Belas Artes.

190 Balneário para a chácara do Palácio Real de verão em S. Sebastian (Espanha).

191 Esboço da ornamentação monumental da praça de Catalunha em Barcelona.

192 Esboço de escolas distritais para o Rio de Janeiro.

193 Esboço do projeto para o Banco de Cauções e Descontos. Rio de Janeiro.

194 Fachada do palacete para o Sr. Comendador Garcia de Infante.

195 Modelos de vilas italianas para o Sr. F. Pinto. Rio de Janeiro.

196 Monumento comemorativo e pequeno Museu ao poeta Calderon de la Branca, em Madrid.

197 Monumento fúnebre ao 1º tenente Pio Torelli (em execução pelo Sr. Em. Cresta).

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[página 19]

198 Museu regional gatidano (Cádiz, Espanha).

199 Palacete do Sr. Dr. Francisco Ferreira, na Tijuca (em construção).

200 Pavilhão para banhos de mar em Sánlucar da Barrameda (Espanha) para o infante D. Antonio de Orleans.

201 Pretoria, feira e mercado de panos em Tolosa (Espanha).

202 Projetos de abside e altar para a igreja de Santana.

203 Sala de banho para o Conde de Leopoldina.

204 Segundo projeto de monumento ao 1º tenente Pio Torelli.

205 Troféu decorativo de elementos de arquitetura policroma.

-

SPELTZ (Alexandre) – Natural da Alemanha, naturalizado brasileiro. Engenheiro-arquiteto pela Escola Politécnica de Darmstadt. Rua da Quitanda, 69.

206 Plantas:

a) Palacete do Sr. Coronel B. M. Rocha, rua dos Voluntários da Pátria, 15. Estilo Renaissance.

b) Palacete do Sr. Danemberg, rua dos Voluntários da Pátria, 67 A. Estilo eclético.

Fotografias das fachadas.

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[página 20]

207 Plantas:

c e d) Casa do Sr. Dr. Rego Barros, rua Barão do Flamengo, 1. Estilo eclético.

e) Casa da Sra. Viscondessa de Castelo-Lousã, rua do Senador Vergueiro, 8 C. Estilo Luis XV.

f) Casa do Sr. Alexandre Speltz, rua Conselheiro Andrade Pertence, 1. Estilo Renaissance.

g) Casa do Sr. Comendador J. M. Pereira de Moraes, rua do Carmo, 38. Estilo eclético.

h e i) Casa do Sr. desembargador João Martins, rua Benjamin Constant, 26 G. Estilo Mourisco.

k) Casa do Sr. Carlos Schmidt, rua Gonçalves Dias, 38. Estilo Luiz XV.

Fotografias das fachadas.

208 Planta e fachada da casa do Sr. José Francisco Correia na rua do Cosme Velho. Estilo Mourisco.

209 Planta e fachada da casa do Sr. H. Garnier, na rua Chile, 189. Estilo eclético.

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[página sem numeração]

ESCULTURA

NICOLINA VAZ DE ASSIS (D. ) – Natural do Estado de S. Paulo. Aluna da Escola Nacional de Belas Artes.

210 Busto do Visconde de Ouro-Preto.

211 Cabeça de estudo.

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[página sem numeração]

Gravura de Medalhas e Pedras Preciosas

[Obras de Augusto Girardet]

212 Medalha da Academia de Letras (verso e reverso).

213 Medalha da Associação Comemorativa IV Centenário do Descobrimento do Brasil.

214 Medalha em homenagem ao benfeitor do Asilo Gonçalves de Araujo (reverso).

215 Pensée.

216 Targa que as senhoras maranhenses vão oferecer a Mme. Dreyfus.

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[página sem numeração]

GRAVURA E LITOGRAFIA

BROCOS (Modesto) – Natural da Espanha. Ex-professor de desenho de modelo-vivo da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com a Medalha de 1ª classe na Segunda Exposição Geral (1895).

217 Retrato (água-forte''). Feito no Rio de Janeiro e impresso em Paris.

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Digitalização de Biblioteca Digital de Obras Raras UFRJ Acessível em: https://bdor.sibi.ufrj.br/

Transcrição de Paula Nathaiane de Jesus da Silva

Fac-símile do catálogo Acessível em: http://www.dezenovevinte.net/egba/catalogos/1900.pdf

Catálogos
1900 - Jornal do Commercio
1900 - Revista da Semana
1901
1901 - Catálogo

[página sem numeração]

CATÁLOGO DA VIII

EXPOSIÇÃO

GERAL

DE

BELAS ARTES

ARS ET NATURA

ESCOLA NACIONAL

DE

BELAS ARTES

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[página sem numeração]

EXPOSIÇÃO GERAL

DE

BELAS ARTES

Inaugurada em 1 de Setembro de 1901

NA

Escola Nacional de Belas Artes

1901

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[página sem numeração]

Catálogo

PINTURA

Agostini (Angelo) - Largo da Carioca, 4

1 Aurora.

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Amoedo (Rodolpho) - Natural do Rio de Janeiro. - Professor de pintura da Escola Nacional de Belas Artes. - Discípulo de Alexandre Cabanel e Puvis de Chavannes.

2 Saudade.

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Benjamin Constante Netto - Natural de S. Paulo. - Discípulo de Almeida Junior. - Rua da Mooca, 80, São Paulo.

3 Atelier - (estudo). - Pertence ao Dr. Bento Bicudo.

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4 Estudo de cabeça. - Pertence ao Dr. Rodrigues Alves, presidente do Estado de São Paulo.

5 Laranjas.

6 Peixes, etc.

7 Petrechos de caça.

8 Verduras.

9 Vocação.

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Bernardelli (Henrique) - Professor de pintura da Escola Nacional de Belas Artes.

10 Auto-Retrato.

11 Frei Ignacio.

12 Maria.

13 No banho.

14 O pátio do convento.

15 Padre José Maurício.

16 Religiosa.

17 Retrato.

18 Retrato.

19 Retrato.

20 Virgem da Rosa.

21 Visão.

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[página 3]

Bolato (Pedro) - Natural de Montevidéu, naturalizado brasileiro - Aluno da Escola Nacional de Belas Artes. - Rua de Santana, 33.

22 Água parada.

23 Leitura ao ar livre. - (Quinta da Boa Vista).

24 Mancha.

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Brocos (Modesto) - Natural de Espanha. - Ex-professor de desenho de modelo-vivo da Escola Nacional de Belas Artes. - Premiado com a Medalha de 1ª classe na Segunda Exposição Geral. (1895)

25 A descascar goiabas.

26 A peneirar café.

27 Cruzeiro do Sul (visão).

28 Retrato de Mlle. A.

29 Retrato do Snr. M. P.

29A Retrato da Snra. M. P.

30 Retrato do Snr. R. de A.

-

Cavallaro (Stefano) - Natural da Itália. Discípulo de Estevão Silva. Professor de desenho do Liceu de Artes e Ofícios. Rua Z n. C 2, Catumbi.

31 Frutas do natural.

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[página 4]

Cunha Vasco (D. Anna da) - Natural do Rio de Janeiro. Discípula de Benno Treidler. Premiada com a Menção na Quinta Exposição Geral (1898). Rua Barão de Itambi, 10, Botafogo.

32 Anoitecendo (impressão) aquarela.

33 Pão de Açúcar (estudo) aquarela.

34 Pão de Açúcar (primeiros estudos) - aquarela.

35 Pão de Açúcar (primeiros estudos) - aquarela.

36 Praia de Botafogo (estudo) aquarela.

37 Praia de Botafogo (estudo) aquarela.

38 Praia do Flamengo (estudo) aquarela.

39 Praia do Flamengo (estudo) aquarela.

-

Cunha Vasco (D. Maria da) - Natural do Rio de Janeiro. Discípula de Benno Treidler. Premiada com a Menção da Quinta Exposição geral (1898). Rua Barão de Itambi, 10, Botafogo.

40 Ao entardecer (impressão) aquarela.

41 Crepúsculo (estudo) aquarela.

42 Pão de Açúcar (primeiros estudos) - aquarela.

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[página 5]

43 Pão de Açúcar (primeiros estudos) - aquarela.

44 Praia de Botafogo (estudo) aquarela.

45 Praia de Botafogo (estudo) aquarela.

46 Praia do Flamengo (estudo) aquarela.

47 Praia do Flamengo (estudo) aquarela.

-

Dall'Ara (Gustavo) - Rua Dr. Garnier, 45, S. Francisco Xavier.

48 Cais do Mercado.

49 Retrato.

-

De Agostini (Carlos Alberto) - Natural do Rio de Janeiro. Aluno da Escola Nacional de Belas Artes. Rua do Progresso, 6, Paula Mattos.

50 Casa da Câmara de Araxá (vista dos fundos).

51 Criada impertinente.

52 Paisagem (Ribeirão Preto).

53 Paisagem (Quinta da Boa Vista).

54 Paisagem (Quinta da Boa Vista).

55 Rancho do Carreiro (Araxá).

56 Reclamando seu companheiro (paisagem)

57 Saudades (estudo).

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[página 6]

Delpino (Alberto) - Aluno da antiga Academia de Belas Artes. Premiado com a Menção na Segunda Exposição Geral (1895).

58 Chácara (Barbacena).

59 Faiscadora (costume mineiro) Rio das Velhas.

60 Paisagem (Ouro Preto).

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Evencio Nunes - Natural de Sergipe - Aluno da Escola Nacional de Belas Artes - Ladeira de Monte Alegre, 17.

61 A Visão no cárcere (Tiradentes).

62 Mãe.

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Fiuza Guimarães (José) - Natural do Rio de Janeiro - Ex-Aluno e ex-pensionista da Escola Nacional de Belas Artes.

63 Cabeça de menina (estudo).

64 Cabeça de moça (estudo).

65 Cabeça de mulher (estudo).

66 Frutas. - Pertence ao IIIm. Sr. Indio do Brasil

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[página 7]

Fontana - Natural da Itália (Milano), já falecido.

67 Helvetia (aquarela). - Propriedade do Sr. Professor Ricardo Tatti.

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Francisca Emilia de Campos (D.) - Natural de Mato Grosso - Ex-aluna da Escola Nacional de Belas Artes.

68 Lavadeira.

69 Paisagem.

70 Rancho de sapé.

71 Tangerinas.

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Freitas (Augusto Luiz de) - Natural do Rio Grande do Sul - Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes. - Obteve na Quinta Exposição Geral (1898) o Prêmio de viagem.

72 Abandonada.

73 Anticoli Corrado.

74 Anticoli Corrado (outono).

75 A Prece.

76 Árabe.

77 Arredores de Roma.

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[página 8]

78 Campagna romana.

79 Ciociarra.

80 Ciociarra.

81 Confidências.

82 Consulta.

83 Costume anticolano.

84 Estudo de paisagem.

85 Fiera in Grotte di Castro.

86 Pastor.

87 Strada della Madonella (Grotte di Castro).

88 Tarde de outono.

89 Trasteverina.

90 Velhinho.

91 Vicolo della Signora (Soriam nel Cimino).

-

Görms (Willy) - Aluno do terceiro ano da Academia de Pintura de Berlim.

92 Festão decorativo (têmpera).

93 Festão decorativo (têmpera).

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Heitor Costa - Natural do Rio de Janeiro - Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes.

94 Réveuse.

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[página 9]

Helena Vaz Pereira de Viveiros (D.) - Natural do Maranhão - Discípula de Adolpho Malevolti. Rua Malvino Reis, 115.

95 O açude (Fazenda Santa Helena em Mendes).

96 Frutas.

97 Frutas.

98 Frutas.

99 Trecho de paisagem.

100 Trecho de paisagem (Fazenda de Santa Helena).

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Iracema Orosco (D.) - Natural do Rio de Janeiro - Discípula de José Maria de Medeiros - Diplomada pela Escola Normal do Distrito Federal, Rua Souza Franco, 1.

101 A carta (interior).

102 Entrada.

103 Frutas.

104 Frutas (pintura em cetim).

105 O gabinete.

106 O terraço.

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[página 10]

107 Peixes.

108 Retrato.

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Kempff (J.) - Natural da França. Discípulo de Benjamin Constant.

109 Frutas.

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Latour (Eugenio) - Natural do Rio de Janeiro - Aluno da Escola Nacional de Belas Artes - Rua Miguel Angelo, 41, Méier.

110 A féria do dia.

111 Antes de sair.

112 O pequeno trocista.

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Lopes Rodrigues (Virgílio) - Natural de Pernambuco - Discípulo de Santos Ollala - Vila Humaitá, casa C-1, Largo dos Leões.

113 Esquadra em alto mar. (efeito de luar).

114 Papagaio.

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[página 11]

Loy (José de) - Natural de Espanha - Rua da Assembleia, 87.

115 Retrato de menina.

116 Tipos e cenas da rua.

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Lucílio de Albuquerque - Natural de Pernambuco - Aluno da Escola Nacional de Belas Artes. Travessa das Belas Artes, 1.

117 Hortência.

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Luiz Maria Filippo - Natural da Itália - Discípulo de Marques Guimarães.

118 Retrato.

-

Luiz Ribeiro - Natural do Rio de Janeiro - Aluno da antiga Academia de Belas Artes - Discípulo de Victor Meirelles e Zeferino da Costa - Menções honrosas e medalhas de ouro de desenho da antiga Academia - Rua das Laranjeiras, 3.

119 Ameixas.

120 A vaga.

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[página 12]

121 Fantasia.

122 Flores.

123 Paisagem. (impressão).

124 Retrato (pastel).

-

Machado (Joaquim Fernandes) - Natural do Rio de Janeiro - Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com a Menção na Sexta Exposição Geral (1899).

125 Cerração.

126 Limões e pêssegos.

127 Margaridas e dálias.

128 O relógio de bronze.

129 Os dois vasos.

130 O sonho de Jacob.

131 O vaso de bronze.

132 Perpétuas e rosas.

133 Pitangas e cajus.

134 Viveiro de amores perfeitos.

135 Viveiro de margaridas.

136 Uvas.

137 Uvas e figos.

-

Malaguti (Heitor) - Natural da Itália. Aluno do Instituto de Belas Artes de Milão - Rua do Faria, 31-B.

138 Cabeça de estudo.

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[página 13]

139 Cabeça de estudo.

140 Retrato.

141 Retrato do Sr. E. T.

142 Retrato de menino. - Pertence ao IIIm. Snr. Capitão-Tenente Temistocles Savio.

143 Retrato de Mme. C. M. S. - Pertence ao IIIm. Sr. Sousa Laurindo.

-

Maria Barbosa de Oliveira e Silva - Natural do Rio de Janeiro. Discípula de Rodolpho Amoedo - Rua Aliança II, Laranjeiras.

144 Canto de toilette.

145 Crysanthemas. [sic]

146 Hortênsias.

147 Quinta-feira santa.

-

Maria Bulcão (D.) - Natural de Santa Catarina - Aluna livre do curso geral da Escola Nacional de Belas Artes - Rua Farani, 6-C.

148 Tangerinas.

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[página 14]

Maria Clara da Cunha Santos (D.) - Natural do Rio Grande do Sul - Discípula de Adolpho Malevolti - Rua Conde de Bonfim, 12-A.

149 A tarde (paisagem mineira).

150 Igrejinha (Copacabana).

151 Santana (arrebalde na capital de S. Paulo).

-

Maria Emilia de Campos (D.) - Natural de Mato Grosso. Ex-aluna da Escola Nacional de Belas Artes.

152 Paisagem.

-

Maria Herminia Lisbôa (D.) – Natural de S. Paulo. Discípula de Benno Treidler. Rua Costa Gama, 7. Petrópolis.

153 Estudo.

154 Estudo.

155 Estudo.

156 Estudo.

-

Maria Santos (D.) Natural de S. Paulo. Discípula de Marques Guimarães.

157 Rosas.

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[página 15]

Meirelles (D. Dinorah) - Discípula de Marques Guimarães.

158 Cabeça de Negra.

159 Primeiros estudos.

160 Retrato.

-

Marietta Meirelles (D.) - Natural de S. Paulo. Discípula de Marques Guimarães.

161 Canto do atelier.

161 Maçãs.

163 Retrato.

-

Marques Guimarães (Joaquim Augusto) - Ex-professor da Academia de Belas Artes do Porto. Premiado com a Medalha de 3ª classe na Segunda Exposição Geral. (1895).

164 Copo d'água.

165 Jasmins. - Pertence ao IIIm. Sr. Luiz Filippo.

166 Lorena ao entardecer. - Pertence ao IIIm. Sr. J. J. Antunes Braga.

167 Maricá em flor.

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[página 16]

Parlegreco (B.) Natural da Itália. Premiado com a Medalha de 3ª classe na Quinta Exposição Geral (1898). Praça da Igrejinha, 30 (Copacabana).

168 Cabeça (pastel).

169 Cavalo passarinheiro.

170 Copacabana (mancha).

171 Igrejinha (paisagem).

172 Mau tempo (paisagem).

173 Pedra do Arpoador.

174 Petrópolis (mancha).

175 Petrópolis. Rua Nassau (mancha).

176 Pintinhos.

177 Quitandinha (estudo).

178 Rochedo e Marinha.

179 Rochedo. Samambaia.

180 Uma manhã de Maio.

181 Vila Ipanema (mancha).

-

Petit (Auguste). - Natural da França, domiciliando no Rio de Janeiro há muitos anos. Discípulo de Eugêne Nesle. Menção honrosa em 1882, Medalha de prata em 1884 e medalha de 3ª. classe na Quinta Exposição Geral. (1898). Rua do Rosário n. 123.

182 Ameixas.

183 Cabeça de Velho.

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[página 17]

184 Flores.

185 Flores.

186 Flores.

187 Flores.

188 Flores e Frutas.

189 Frutas de Conde.

190 Laranjas.

191 Laranjas da Bahia.

192 O Mendigo.

193 S. Francisco de Paula.

-

Raphael Frederico. - Natural do Rio de Janeiro. Ex-pensionista da Escola Nacional de Belas Artes. Rua Coronel Cabrita, 19.

194 Entre couves.

-

Ribeiro Filho (Luiz da Silva). - Natural do Rio de Janeiro. Rua Alice, 19. (Laranjeiras).

195 Luar em Botafogo.

196 Pôr do Sol (efeito).

197 Trem rápido.

198 Vineta salvando ao porto.

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[página 18]

Roberto Rowley Mendes. - Natural do Brasil. Boulevard 28 de Setembro, 40 (Vila Isabel).

199 Estudo (pastel).

200 Rancho de pescadores (pastel).

201 Tarde de verão (pastel).

202 Uma volta do rio (pastel).

-

Santos (D. Antonietta). - Natural de S. Paulo. Discípula de Marques Guimarães.

203 Flores.

-

Sebastião Vieira Fernandes. - Natural de Santa Catarina. Discípulo de Victor Meirelles e Zeferino na Costa. Rua da Uruguaiana, 111, sobrado.

204 Helena (retrato a fantasia). Pertence ao Sr. Visconde de Sande.

-

Tchilde. - Natural da França. Rua de Santo Amaro, 18 (Catete).

205 Flores (aquarela).

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[página 19]

Treidler (Benno). - Natural da Alemanha. Discípulo de Christian Wilberg. Premiado com a Medalha de 3ª classe na Primeira Exposição Geral (1894). Rua Buarque de Macedo, A 1.

206 Efeito do Acaso (aquarela).

207 Lagoinha (aquarela).

208 Marinha (aquarela). Pertence ao Sr. Aurélio de Figueiredo.

209 Residência do Sr. Consul Alemão (aquarela).

210 Última luz da tarde (aquarela).

-

Vasquez (D. G. y) - Aluno da antiga Academia de Belas Artes. - Rua da Quitanda, 85.

211 Marinha.

212 Paisagem.

213 Paisagem.

214 Paisagem.

215 Paisagem.

216 Paisagem.

217 Paisagem.

218 Paisagem.

219 Paisagem.

220 Paisagem.

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[página 20]

Verdussen (Jules) - Natural da Bélgica - Discípulo de Vervloet e Boom. - É seu representante o Sr. Léon Mertens - Rua da Alfandega, 91, sobrado.

221 Arredores de Belo Horizonte.

222 Arredores de Belo Horizonte (Lagoa).

-

Viscondessa de Sistello - Natural do Rio de Janeiro - Discípula de José Malhôa.

223 Premiers flocons.

224 Trottins.

-

Wilmot (Commie) - Natural do Brasil, atualmente na Suíça.

225 Flores (aquarela). - Pertence ao Sr. E. F. Tribouillet.

-

Wilmot (Mary) - Natural do Brasil, atualmente na Suíça.

226 Flores e frutas (aquarela) - Pertence ao Sr. E. F. Tribouillet.

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[página 21]

Xavier (J) - Natural de Campinas. - Aluno do curso geral da Escola Nacional de Belas Artes - Rua Haddock Lobo, 173.

227 Estudo de cabeça.

228 Estudo de cabeça.

229 Estudo de paisagem.

230 Estudo de paisagem.

231 Estudo de paisagem.

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[página sem numeração]

ARQUITETURA

Aurelio de Figueiredo. - Natural da Paraíba do Norte. Rua Barão de Capanema, 1.

232 Projeto de um Monumento a Carlos Gomes.

-

Berna (João Ludovico Maria). - Natural do Brasil. Professor da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com a Medalha de 2ª classe na Primeira Exposição Geral (1894).

233 Projeto de uma habitação nas Águas Férreas.

234 Projeto do novo edifício do "Jornal do Brasil".

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[páginas 24]

Dubugras (Victor). - Natural da França. Residente em S. Paulo, Avenida Paulista, Alameda Lima, 3.

235 Projeto da Matriz em Ribeirão Preto.

-

Morales de los Rios (Adolfo). - Natural de Sevilha, Espanha. Engenheiro e arquiteto. Professor da Escola Nacional de Belas Artes.

236 Anteprojetos para a reconstrução do Mercado da Praça das Marinhas do Rio de Janeiro.

a) Planta geral da Praça das Marinhas, docas e novo mercado;

b) Planta do Mercado;

c) Fachada principal do lado das docas (1ª solução);

d) fachada principal do lado das docas (2ª solução);

e) Fachada principal do lado das docas (3ª solução);

f) Esboço de perspectiva.

237 Projeto para construção de quinze pequenos mercados seccionais na Capital Federal. Tipo do mercado do largo de S. Salvador.

g) Planta;

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[página 25]

h) Fachadas e secções;

i) Disposição geral dos mercados da Praia do Russel e da Lagoa Rodrigo de Freitas;

j) Perspectiva de um dos tipos de mercado de 1ª classe.

238 Cadastro Arquitetônico do Hospital da Real e Benemérita Sociedade Portuguesa de Beneficência à rua de Santo Amaro.

k) Planta geral;

l) Planta pormenorizada do 1º pavimento;

m) Planta pormenorizadas do 2º pavimento;

n) Fachada principal.

239 Projeto para a construção do Grande Teatro de Cádiz (edificado).

o) Fachada principal e secção transversal;

p) Fachada lateral;

q) Secção longitudinal.

240 Anteprojeto para a construção do novo teatro de Cartagena.

r) Plantas,

s) Plantas, fachadas e secções.

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[página 26]

241 Anteprojeto para a construção no terraço do Passeio Público da Capital Federal de um teatro para o Centro Artístico.

t) Plantas dos 1º e 2º pavimentos.

u) Fachada para o mar.

242 Esboço para a construção de um Circo-Hipódromo (no Rio de Janeiro), coberto, para grandes representações.

v) Planta;

x) Fachada e secção.

243 Esboço para o projeto do Gran-Casino de San Sebastian (edificado). - Fachada e detalhe.

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[página sem numeração]

Artes aplicadas à Indústria

Morales de los Rios (Adolfo) - Natural de Sevilha, Espanha - Engenheiro e arquiteto - Professor da Escola Nacional de Belas Artes.

244 Frontispício para a edição do Dicionário hispano-bascongado de Aizquibel (aquarela original e cromo).

245 Modelo de sanefa para fabricação de papel pintado.

246 Modelo e exemplar de edição de papel de carta para a infanta D. Eulalia em sua vilegiatura de San Sebastian.

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[página sem numeração]

ESCULTURA

Aurelio de Figueiredo - Natural da Paraíba do Norte - Rua do Barão de Capanema, 1.

247 Marechal Floriano (busto em bronze).

-

Bernardelli (Rodolpho) - Discípulo de Chaves Pinheiro - Diretor e professor da Escola Nacional de Belas Artes.

248 Busto de Ferreira de Araújo (bronze).

249 Retrato de L. R. (busto).

250 Victoria (bronze dourado).

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[página 30]

Correia Lima (José Octavio) - Natural do Estado do Rio de Janeiro - Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes - Discípulo de Rodolpho Bernardelli - Obteve o prêmio de viagem na Quinta Exposição Geral (1898).

251 Caim (bronze).

252 O pajé (bronze).

253 O prisioneiro (bronze).

254 S. João (gesso, tamanho natural).

-

Nicolina Vaz de Assis (D) - Natural de S. Paulo - Aluna da Escola Nacional de Belas Artes.

255 Adormecida.

256 Cabeça de estudo.

-

Zani (Amadeo) - Natural de Veneza - Discípulo de Rodolpho Bernardelli e Enjalbert - Alameda dos Andradas, 35, S. Paulo.

257 D. Bosco (busto).

258 Projeto de um monumento fúnebre.

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[página sem numeração]

Gravura de Medalhas e Pedras Preciosas

Girardet (Augusto) - Natural de Roma. Discípulo de Giorgio Girardet. Professor da Escola Nacional de Belas Artes.

259 Almirante Barroso (gesso).

260 Almirante Barroso (gesso, meia figura).

261 Almirante Tamandaré (gesso).

262 Medalha Comemorativa do IV Centenário do Brasil.

263 Medalha - Duque de Caxias (bronze).

264 Medalha em memória do Rei Umberto I (gesso).

265 Medalha em memória do maestro Verdi (gesso).

266 Medalha (Homenagem do Conselho Superior de Belas Artes a Rodolpho Bernardelli).

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[página 32]

267 Pensée (ouro).

268 Retrato de Senhorita.

269 Retrato em concha.

270 Reverso da medalha a Santos Dumont. (gesso).

271 Verso da Medalha a Gonçalves de Araújo.

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[página sem numeração]

GRAVURA E LITOGRAFIA

Brocos (Modesto). - Natural de Espanha. Ex-professor de desenho de modelo vivo da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com a Medalha de 1ª classe na Segunda Exposição Geral (1895).

272 Retrato de Fagundes Varella (água-forte).

273 Retrato de Ferreira de Araujo (água-forte).

274 Retrato do Dr. Fajardo (água-forte).

275 Retrato de Gonçalves Dias (água-forte).

276 Retrato de Quintino Bocayuva (água-forte).

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[página 34]

Cattaneo (João Ricardi). - Natural da Itália. Discípulo de Salvini, Panemaker e Roussot. Rua Sete de Setembro, 17, sobrado.

277 Quadro com modelos de xilografia.

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Digitalização de Biblioteca Digital de Obras Raras UFRJ Acessível em: https://bdor.sibi.ufrj.br/

Transcrição de Laíza de Oliveira Rodrigues

Fac-símile do catálogo Acessível em: http://www.dezenovevinte.net/egba/catalogos/1901.pdf

Catálogos
1901 - Jornal do Commercio
1902
1902 - A Noticia
1902 - Catálogo

[página sem numeração]

CATÁLOGO ILUSTRADO

DA IXª EXPOSIÇÃO GERAL

ESCOLA NACIONAL DE

BELAS ARTES

MCMII

Rio de Janeiro

E. Bevilacqua & C.

EDITORES

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[página sem numeração]

CATÁLOGO

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[página sem numeração]

Albuquerque (LUCILIO) – Natural de Pernambuco. Aluno da Escola Nacional de Belas Artes. Travessa das Belas Artes, 1.

1 Cabeça de artista.

2 Stella.

Agostini (ANGELO) – Largo da Carioca, 4.

3 Retrato de criança. *

4 Um frade.

5 Um velho Mosqueteiro. *

Amoedo (RODOLPHO) – Natural do Rio de Janeiro. Professor de Pintura na Escola Nacional de Belas Artes. Discípulo de Alexandre Cabanel e Puvis de Chavannes.

6 Retrato de M.lle M. de M. *

7 S. João Baptista

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Nota. - Os quadros Ilustrados neste catálogo vão marcados com *.

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[página 2]

Aurelio de Figueiredo – Natural da Paraíba do Norte. Rua de S. Leopoldo, 1.

8 Atalaias Fluminenses.

9 Ao pôr do Sol. (Paisagens de Jacarepaguá).

10 Morro da Babilônia.

11 Retrato do General Osório.

12 Tarde Carioca.

13 Tarde luminosa.

Araujo Froés (M. R. DE) – Natural do Estado da Bahia. Rua Dois de Dezembro, 31.

14 Boa Viagem.

15 Cajus.

16 Frutos.

17 Tarde de Julho (esboço).

Balliester (CARLOS) – Nasceu no Rio de Janeiro. Rua Martins Ferreira, 21 – Botafogo.

18 Ancoradouro de S. Bento.

19 Carambolas e damascos portugueses.

20 Flores em copo d'água.

21 Frutas.

22 Paquete mercante em descarga.

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[página 3]

Bernardelli (FELIX) – Premiado com a medalha de 3ª classe na Primeira Exposição Geral (1894). E seu representante o Professor Henrique Bernardelli.

23 Cozinha ambulante. (Impressões do México).

24 Flavia. (Cabeça).

25 Lago de Chapala. (Impressões do México).

26 Messidoro. (Impressões do México).

Bernardelli (HENRIQUE) – Professor de pintura na escola Nacional de Belas Artes.

27 A Risonha. Estudo de cabeça.

28 Azulina. Estudo de cabeça. (pastel).

29 Impressões da Cidade de Diamantina. (Aquarela).

30 Impressões da Cidade de Diamantina. (Aquarela).

31 Impressões da Cidade de Diamantina. (Aquarela).

32 Impressões da Cidade de Diamantina. (Aquarela).

33 Impressões da Cidade de Diamantina. (Aquarela).

34 Impressões da Cidade de Diamantina. (Aquarela).

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[página 4]

Bernardelli

35 Impressões da Cidade de Diamantina. (Aquarela).

36 Impressões da Cidade de Diamantina. (Aquarela).

37 Impressões da Cidade de Diamantina. (Aquarela).

38 O Voto. (pastel).

39 Paisagem de Diamantina.

40 Paisagem de Diamantina.

41 Paisagem de Diamantina.

42 Um serviço diamantífero. *

43 Retrato da Exma. Snra. Accetta.

44. Retrato do Snr. A. Accetta. (pastel).

45. Retrato do Snr. G. Accetta.

46. Retrato do Snr. Professor Couceiro.

47. Retrato do Snr. Professor Dr. Araujo Vianna. (pastel).

48. Retrato do Snr. Ronchini.

49. Retrato do Snr. Professor R. Roveda.

50. Retrato do Snr. Professor R. Tatti.

Baptista da Costa (JOÃO) – Natural do Rio de Janeiro. Professor do Instituto Profissional. Obteve na Primeira Exposição (1894) o Prêmio de Viagem. Premiado

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[página 5]

com a medalha de 2ª classe na Sétima Exposição Geral (1900). Rua Sete de Setembro 140, 2º andar.

51 Na Roça. (Palmeira).

52 Paisagem. (Bom Jardim).

53 Paisagem. (Bom Jardim).

54 Rosas.

55 Trecho do Rio Grande. (Bom Jardim).

Braga (L.) – Natural de São Paulo. Discípula de Marques Guimarães.

56 Cabeça de estudo.

57 Córrego da Saudade.

58 Ribeirão da Glória.

Bolato (PEDRO) – Nasceu em Montevidéu, naturalizado brasileiro. Aluno da Escola Nacional de Belas Artes. Rua de Sant'Anna, 33.

59 Crepúsculo.

60 Quinta da Boa Vista.

61 Rua do Alcântara.

Brocos (MODESTO) – Natural de Espanha. Ex-professor de desenho de modelo vivo da Escola Nacional de Belas Artes.

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[página 6]

Premiado com a medalha de 1ª classe na Segunda Exposição Geral (1895).

62 A beira da praia, (aquarela).

63 Retrato do Snr. Daniel Durand.

64 Rio Caravelas (crepúsculo).

65 Serra dos Órgãos (crepúsculo).

66 Um escrivão público (Aquarela).

Correia (D. Carmem) – Natural da Capital Federal. Discípula de Raphael Frederico. Rua da Passagem, 50.

67 Estudo de flores.

68 Estudo de flores.

Cavallaro (Stefano) – Natural da Itália. Discípulo Estevão Silva. Professor de desenho do Licei de Artes e Oficios Rua Z n. C 2, Catumby.

69 Cajus.

70 Frutas do natural.

71 Romã e Figos.

Cunha Santos (D. MARIA CLARA DA) – Natural do Estado do Rio Grande do Sul. Discípula de Adolpho Malevoti. Rua do Conde De Bonfim, 12 A.

72 Marinha (Praia de Santa Luzia). *

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[página 7]

Cruls (D. EDMÉE) – Natural do Rio de Janeiro. Discípula de Benno Treidler. Rua do Catete, 205.

73 Cambucás.

74 Estudo de flores.

75 Estudo de orquídeas.

76 Paisagem.

Dall'Ara (GUSTAVO) – Rua Sr. Garnier, 45, S. Francisco Xavier.

77 Chácara Magalhães Castro.

78 Estudo.

79 Novo Hospital do Exército em S. Francisco Xavier.

De Agostini (CARLOS ALBERTO) – Natural do Rio de Janiero Ex- aluno da Escola Nacional de Belas Artes.

80 Enquanto o espera.

81 Frutas.

82 Minha Colega.

83 Paisagem (dia nublado).

84 Paisagem (Pertence ao Sr. Dr. Meirelles Filho).

85 Paisagem Mineira (Pertence ao Sr. Coronel A. C.).

86 Ponte de Sapucaí (Pertence ao Sr. Getúlio A. Ferreira).

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[página 8]

Diana Dampt (D.) – Discípula da antiga Academia de Belas Artes e Jeans Paul Laurens.

87 Étude d'inteurieur.

88 L'Etang.

89 Reiny Manthy.

90 Toillet (pastel).

Driendl (THOMAS) – Natural da Alemanha. Residente na Boa Viagem - (Niterói).

91 Cabeça (estudo).

92 Interior.

93 Uma lição interrompida (Barreto).

94 Retrato do Dr. Joaquim Murtinho.

Delpino (ALBERTO) – Natural do Rio de Janeiro. Aluno da antiga Academia de Belas Artes. Premiado com a menção na Segunda Exposição Geral (1895).

95 Carícias (pastel) *

96 Chuva na Serra (paisagem Mineira) *

97 Sol na Floresta (Fazenda do Sr. A. de Lima)*

Fabiolo – Natural do Rio de Janeiro

98 Efeito de Luz (paisagem).

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[página 9]

Frederico (RAPHAEL) – Natural do Rio de Janeiro Ex-pensionista da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com medalha de 2ª classe na Sexta Exposição Geral (1899). Rua do Coronel Cabrita, 19.

99 Canto do Quintal.

100 Depois da Leitura.

101 Estudando. *

102 Junto do altar. *

Latour (EUGÊNIO) – Natural do Rio de Janeiro. Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com a medalha de 2ª classe (prata) na Oitava Exposição Geral (1901). Rua Miguel Angelo, 41. Méier.

103 À Tarde. (paisagem).

104 Colheita de rosas. *

105 Escolha Difícil. *

106 Retrato de Mlle. L. G. *

Macedo (JOÃO) – Nasceu na Cidade de Fortaleza. Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com a medalha de 3ª classe na Sexta Exposição

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[página 10]

Geral (1899) e com o Prêmio de Viagem na Sétima Exposição Geral (1900).

107 Retrato de Mme. de S.

108 Retrato de Mlle. F.

Malevolti (ADOLPHO) – Natural de Florença. Aluno da Real Academia de Belas Artes, de Florença, e discípulo do Comendador Emilio de Fabris e dos professores Nicola Cianfanelli e Marquez Paolo Fermi. Premiado com a medalha de 3ª classe na 2ª Exposição Geral (1895). Rua Carvalho de Sá, 26.

109 Amor no Convento. *

110 Concha e Flores.

111 Concha e Flores (pertence a Exma. Viscondessa de Villela).

112 Do lado esquerdo da Praça 7 de Março (Vila Isabel).

113 Frutas do Brasil (Pertence a Exma. Sra. Viscondessa de Vilella).

114 Luar (praia de Botafogo).

115 No mato em procura de mangas.

116 Trecho da Estrada de Ferro (Pertence ao Sr. Abrahão A. Brandão).

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[página 11]

117 Últimos raios de sol. Morro do Castello.

118 Voto a Maria *

Mendonça (JORGE) – Natural do Estado do Rio de Janeiro. Discípulo de Eduardo de Sá. Rua Itapagipe, 63.

119 Interior.

120 Luz da Tarde (guache).

121 Paquetá (luz da manhã).

122 Pedras (Trapicheiros).

123 Tarde (Efeito de luz, guache)

Mee (D. MINNA) – Natural de Hamburgo, brasileira. Residente em São Paulo.

124 Natureza Morta

Meirelles (DINORAH DE FRANÇA) – Natural de Guaratinguetá (São Paulo). Discípula de Marques Guimarães premiada com a menção do 1º grau na Oitava Exposição Geral (1901).

125 Retrato do Sr. Julio Antunes de Oliveira.

Meirelles (D. MARIETTA FRANÇA) – Na-

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[página 12]

-tural de Guaratinguetá (S. Paulo). Discípula de J. A. Marques Guimarães.

126 Cabeça de Negro. *

127 Camélia.

128 Retrato do Dr. França Meirelles.

Naeguel (D JULIA) – Natural da Suíça. Discípula de Witing, Dresten e Treidler.Ladeira do Andrade, 3 - Cosme Velho.

129 Flores.

130 Retrato.

Nunes (D. CLELIA DA COSTA) – Natural do Estado do Rio. Discípula de Henrique Bernardelli.

131 Perfil de F. B. T.

Nunes (EVENCIO) – Natural de Sergipe. Ex-aluno da Escola nacional de Belas Artes.

132 Anchieta.

Paula (NILO DE) – Natural de Campinas. Discípulo de Almeida Junior. Premiado com

[página 13]

A menção na Sexta Exposição Geral 1899. Rua do Regente Feijó, 56. Campinas.

133 Cebolas.

134 Flores da Paixão.

Pacheco (JOAQUIM INSLEY) – Rua dos Ourives, 38, 2º andar.

135 Andaraí.

136 Andaraí.

137 Andaraí.

138 A tarde em Paquetá.

139 Barra do Rio de Janeiro.

140 Boa Viagem.

141 Brocoió.

142 Capinzal no Andaraí.

143 Copacabana.

144 Copacabana.

145 Copacabana.

146 Coqueiros em Paquetá.

147 Fora da barra.

148 Guache.

149 Guache.

150 Guache.

151 Guache.

152 Guache.

153 Guache.

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[página 14]

154 Guache.

155 Guache.

156 Guache.

157 Ilhas em Paquetá.

158 Ilhas em Paquetá.

159 Ilha de Itapacis.

160 Ilha de Itapacis.

161 Ilha do Governador.

162 Itapacis.

163 Jurujuba.

164 Margens do Itaoca.

165 Morro da Viúva.

166 Morro da Viúva.

167 Morro da Viúva.

168 Paineiras.

169 Panorama do Rio de Janeiro.

170 Pastel (Uma tarde em Paquetá).

171 Paquetá.

172 Paquetá.

173 Paquetá.

174 Paquetá.

178 Paquetá.

179 Paquetá.

180 Paquetá.

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[página 15]

181 Piedade.

182 Piedade.

183 Piedade.

184 Piedade.

185 Pedras em Paquetá.

186 Rio visto de Paquetá.

187 São João d'El-Rei.

188 São João d'El-Rei. (Jazidas de ouro).

189 São José d'El-Rei.

190 São José d'El-Rei.

191 Serra dos Órgãos vista de Paquetá.

192 Tronco velho em Paquetá.

193 Uma tarde em Paquetá.

194 Vista das Palmeiras. (Estrada de ferro).

Parlagreco (B) – Natural da Itália. Premiado com a medalha de 3ª classe na Quinta Exposição Geral (1898).

195 Autorretrato.

196 Em demanda do curral.

197 Estábulo.

198 Mãe.

199 Vegetação Brasileira.

Petit (AUGUSTE) - Natural da França. Discípulo de Eugéne Nesle. Menção honrosa de 1882. Medalha de prata em 1884.

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[página 16]

Premiado com a medalha de 3ª classe na Quinta Exposição Geral (1898). Rua do Rosário, 123.

200 Autorretrato.

201 Fantasia.

202 Laranjas.

203 Mangas.

204 Mocidade. *

205 Retrato de Mme. Cardoso de Menezes.

206 Retrato de Monseignneur Frerot. (Bispo d'Angoulême).

207 Vendedora de rosas. *

Rodrigues (VIRGILIO LOPES) – Natural de Pernambuco. Discípulo de Santos Ollala. Vila Humaitá, c 1, Largo dos Leões.

208 A "Primeiro de Março", em dia de festa nacional.

209 "Orquendo", couraçado espanhol destruído pelos americanos em Cuba.

210 Paisagens e Marinhas.

Sá (D. MARIA EULALIA PIRES DE) – Discípula de Raphael Frederico. Rua Real Grandeza, 70.

211 Estudo de frutas.

212 Estudo de frutas.

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[página 17]

Sampaio (D. IGNES DELMINDA) – Natural da Inglaterra. Discípula de Teixeira da Rocha. E seu procurador o Sr. Nestor Sampaio. Rua do Conde de Bonfim, 284.

213 Estudo.

214 Estudo de cabeça.

Santos (GUILHERME GONÇALVES DOS) – Nasceu no Brasil. Aluno da antiga Academia de Belas Artes. Rua Marechal Floriano, 117.

215 Praia da Guarda (Paquetá).

216 Toranjas, carambolas e goiabas.

Seelinger (HELIOS) – Natural do Brasil. Rua do Barão de Guaratiba, 2. Catete.

217 Faunos Alegres.

218 Faunos Alegres.

219 Luta Romana.

220. Retrato

Silva (JACINTO ALVES DA) – Natural do Brasil. Aluno da antiga Academia, discípulo de Agostinho da Motta e Maximiano Mafra. Rua Antônio de Pádua, 13 (Riachuelo).

221 Fantasia (nanquim sobre pele).

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[página 18]

222 Frutas.

223 Frutas.

224 Orquídeas Amazonenses.

Siiva (MARIA B. DE OLIVEIRA E) – Natural do Rio de Janeiro. Discípula de Rodolpho Amoedo. Rua Aliança 2, Laranjeiras.

225 Estudo de cabeça. *

226 Manola. *

227 Retrato. *

Sistello (VISCONDESSA DE) – Natural do Rio de \janeiro. Discípula de Malhôa J. J. Rousseau.

228 Un Flegmar.

Souza Pinto (JOSÉ JÚLIO DE) – Nasceu em Angra do Heroísmo, Açores, Portugal. Discípulo de Cabanel. Medalha de 2ª classe na Exposição Universal de Paris de 1889. Medalha de 1ª classe na Exposição Internacional de Nice de 1884. Medalha 1ª na Exposição de Belas Artes d'Atlanta. Medalha de 2ª classe na Exposição Geral de Belas Artes do Rio de Janeiro 1894. Medalha de honra da Exposição

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[página 19]

Do Centenário de Vasco da Gama em Lisboa de 1898. Cavalheiro de Santiago de Portugal. Cavalheiro da Legion d'Houneur. Representados em vários museus de França, no de Monte Carlo e no Melbourne. F. St. Honoré, 235, Paris.

229 Um trecho do rio Douro perto da cidade do Porto.

230 Vacas bebendo em um trecho do rio Tua.

Treidler (BENNO) – Nasceu na Alemanha. Discípulo da Academia de Berlim e aluno de Cristian Wilberg. Premiado com a medalha de 3ª classe na Primeira Exposição Geral (1894). Rua Buarque de Macedo, A1.

231 Paisagem (Petrópolis).

232 Petrópolis (aquarela). Pertence ao Sr. Conde de Pinho

233 Lagoa Rodrigues de Freitas (aquarela).

Valle de Souza Pinto (ANTONIO ALVES DO) – Nasceu em Valongo (Porto).

234 Autorretrato (desenho de pena).

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[página 20]

Visconti (ELISEU D'ANGELO) – Ex-pensionista da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com medalha de 2ª classe na Primeira Exposição Geral (1894).

235 Esperando a saída.

236 Ezilda (retrato).

237 Família do maestro Nepomuceno (retrato).

238 Giuventú (Premiado na Exposição Universal de 1900 com a medalha de prata).

239 Igreja da Candelária.

240 Igreja do Carmo.

241 Noite de Luar (Villegaignon).

242 O beijo.

243 Oréadas (Premiado na Exposição Universal com medalha de Prata).

244 Os Novos.

245 Pedro Álvares Cabral guiado pela providência.

246 Perfil da nossa baía.

247 Perfil da nossa baía.

248 Retrato do Dr. Custódio Coelho.

249 Retrato do Dr. O. Romeiro.

250 Retrato da Exma. Viúva Simas.

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[página 21]

251 Retrato do Sr. Simas.

252 Retrato do Dr. José Carlos de Souza.

253 S. Sebastião.

254 Tarde de julho (Pão de Açúcar).

255 Cartão para as "Oréadas". (fragmento, desenho em carvão).

256 Cartão para as "Oréadas". (fragmento, desenho em carvão).

257 Cabeça para a Providência.

258 Lucrecia (Academia).

259 Suzette (Escorço).

Viveiros (D. HELENA PEREIRA VAZ DE) – Natural do Maranhão. Discípula de Adolpho Malevolti. Rua Malvino Reis, 115.

260 Cathalea Harrisonmana.

261 Frutas.

262 Paisagem (Mendes).

Weingartner (PEDRO) – Natural de Porto Alegre. Ex-professor da escola Nacional de Belas Artes.

263 Bailarina.

264 Ceifa em Anticoli.

265 Nidia (Costume Pompeiano).

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[página 22]

266 Pousada (Campanha do Rio Grande).

267 Praça em Anticoli.

Xavier (JOÃO) – Natural de Campinas. Aluno da Escola Nacional de Belas Artes. Rua Silva Manoel, 70.

268 Frutas.

269 Paisagem.

270 Paisagem.

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[página sem numeração]

ESCULTURA

Correia Lima (JOSÉ OCTAVIO) – Natural do estado do Rio de Janeiro. Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes. Discípulo de Rodolpho Bernardelli. Obteve o prêmio de viagem na Sexta Exposição Gera (1899).

1 A Forja (Estatueta em Gesso).

2 Cabeça de menina (Terracota).

3 Dueto (Estatueta de Bronze).

4 Eterna luta (Estatueta de Bronze).

5 Mater Dolorosa (Tamanho natural, Gesso).

6 Tentação (Estatueta em Bronze).

7 Visionária (Busto em Mármore).

ARQUITETURA

Berna (JOÃO LUDOVICO MORIA) – Natural do Brasil. Professor da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com medalha de 2ª classe na Primeira Exposição Geral (1894).

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[página 24]

9 Estudo para o projeto de edifício destinado a uma Escola de Direito.

a) Fachada principal.

b) Planta do Pavimento térreo.

c) Perspectiva do saguão de honra.

Dubugras (VICTOR) – Natural de França. Residente em São Paulo, Avenida Paulista, Alameda Lima, 3.

10 Vila para o Dr. Flavio Uchoa (em construção em S. Paulo)

a) Vestíbulo. *

b) Rés do chão. *

c) Pavimento alto. *

Van Dorser (J. C.) – Natural da Holanda, domiciliado em Paris. Condecorado pelo governo Francês. E seu representante Ludovico Berna.

11 Fachada principal do projeto para uma escola primária. (Primeiro prêmio de concurso público na rua de Berlim em Paris).

12 Chaminé monumental construída em Bruxelas.

a) Estudo de conjunto.

b) Detalhe da construção

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[página 25]

Gravuras de Medalhas e Pedras Preciosas

Girardet (AUGUSTO) – Natural de Roma. Discípulo de Giorgio Girardet. Professor da Escola Nacional de Belas Artes.

13 Cabeça (cópia. Gravura em aço).

14 Grupo do monumento a Pedro Álvares Cabral (Cópia, Gravura em Ágata).

15 Medalha a Santos Dummont (Verso e reverso, Gesso).

16 Medalha a S. M. Victtorio Emanuele III (Verso e reverso, Gesso).

17 Medalha do Instituto de Proteção a Infância (Verso, Gesso).

18 Medalha da Confraria da A. P. do S. S. Sacramento (verso e reverso. Gesso).

19 Medalha de Lembrança de XX de Setembro (Prata).

20 Medalha projeto para uma Exposição de Flores (Verso e reverso, Gesso).

21 Retrato de Senhor (Gravura em Ágata).

22 Retrato de Senhora (Gravura em Ágata).

23 Retrato de S. M. Victorio Emanuele III (Gravura em aço).

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Artes Aplicadas à Indústria

Bernardelli (HENRIQUE) – Professor de pintura na Escola Nacional de Belas Artes.

24 Projeto para um diploma.

25 projeto para um selo.

Seelinger (HELIOS) – Natural do Brasil. Rua Barão de Guaratiba, 2. Catete.

26 Interior.

27 Samba.

Visconti (ELISEU D'ANGELO) – Ex-pensionista da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com medalha de 2ª classe na Primeira Exposição Geral de Belas Artes (1894).

28 A Música (Vitral d'appatament).

29 Bas de portière.

30 Capa do Catálogo de minha Exposição

31 Capa para o Anuário Fluminense.

32 Email Cloisonné (paisagem estilizada).

33 Etoffe en soie (Anêmona).

34 Ex-libris (trabalho sobre couro).

35 Fazenda impressa.

36 Fazenda impressa (Carvalho).

37 Frisa au penetroir (Figura estilizada).

38 Frisa para entalho de madeira.

39 Jarro em gré (cerâmica).

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[página 27]

40 Jarro de porcelana.

41 Ladrilhos.

42 Lâmpada elétrica.

43 Le tre Vergini (Panos recortados entre si).

44 Marchetaria (Paisagem).

45 O Amor (Vaso pra cima de mesa).

46 Papel pintado.

47 Papel pintado (Cavalo estilizado).

48 Papel pintado (Gui estilizado).

49 Prato émail cloisonné.

50 Primavera (Cerâmica).

51 Projeto para um novo selo da República.

52 " " " " " " "

53 " " " " " " "

54 Renda para cortinado.

(Secção artes aplicadas).

55 Santos Dumont executado em três cores.

56 Vitral.

57 Vitral.

58 Vaso em gré.

Gravura e Litografia

Brocos (Modesto) – Natural de Espanha. Ex-professor de desenho de Modelo

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[página 28]

Vivo da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com a medalha de 2ª classe na Segunda Exposição Geral de Belas Artes (1895).

59 Retrato.

60 Retrato.

61 Retrato.

62 Retrato.

Cattaneo (JOÃO RICARDI) – Natural da Itália. Discípulo de Salvione, de Turim, e de Pannemarker e Rousseau, Paris. Premiado com as medalhas de bronze (1880) e de prata (1881) da Exposição da Academia de Belas Artes de Turim e medalha de ouro (1892) na Exposição do IX Centenário da descoberta do Brasil. Professor da cadeira de Xilografia da Escola de Artes e Ofícios de Montevidéu (Uruguai), lugar obtido por concurso na Itália. Rua do Hospício, 14, Sobrado.

63 Modelos de Xilografia

PIROGRAVURA

Wencelins (JULIETTE) – Natural de Paris. Rua Humaitá, 25.

64 La vierge et l'enfante Jésus (Chantaigner)

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[página 29]

65 Un buvard (Peroba).

66 Un coussin (Cuir).

67 Une converture de livre (carton).

68 Un paysage (Peroba)

69 Un porte-lettres (Peroba).

70 Un sachet (velours)

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[página sem numeração]

Maria B. d'Oliveira e Silva. – Estudo de cabeça.

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D. Maria Clara da Cunha Santos. – Praia de Santa Luzia.

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E. Latour. – Retrato de Mlle. L. G.

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Angelo Agostini. – Retrato de Criança

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D. Maria d'Oliveira e Silva. – Manola

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Alberto Delpino. - Carícias

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Rafael Frederico – Junto ao altar

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Alberto Delpino – Chuva na serra

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D. Maria d'Oliveira e Silva. – Retrato de Mlle. S. S.

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Adolpho Malevolti – Amor no Convento

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E. Latour – Escolha difícil.

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Alberto Delpino – Sol na Floresta

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Henrique Bernardelli – Um serviço diamantífero

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D. Helena Viveiros – Paisagem (Mendes).

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Augusto Petit – Vendedora de rosas

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V. Dubugras – Vila Dr. Flavio Uchoa

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V. Dubugras – Vila Dr. Flavio Uchoa

(rés do chão)

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Adolpho Malevolti – Voto a Maria

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D. Helena Viveiros – Frutas

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Rodolpho Amoedo – Retrato de Mlle. M. de M.

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V. Dubugras – Vila Dr. Flavio Uchoa

(vestibulo)

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Raphael Frederico. – Estudando

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Marietta Meirelles. – Estudo

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Augusto Petit. – Mocidade

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Angelo Agostini. – Mosqueteiro

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[página sem numeração]

E. Latour. – Colheita de Rosas

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Digitalização de Biblioteca Digital de Obras Raras UFRJ Acessível em: https://bdor.sibi.ufrj.br/

Transcrição de Beatriz dos Santos Furtado

Fac-símile do catálogo' Acessível em: http://www.dezenovevinte.net/egba/catalogos/1902.pdf

Catálogos
1902 - Correio da Manhã
1902 - Gazeta de Noticias
1902 - Jornal do Brasil
1902 - Jornal do Commercio
1902 - O Paiz
1903
1903 - A Noticia
1903 - Catálogo

[página sem numeração]

ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES

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Catálogo Ilustrado

DA DÉCIMA

EXPOSIÇÃO GERAL

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1903

-

E. Bevilacqua & C., Editores

-

RIO DE JANEIRO

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Agostini (ANGELO) – Largo da Carioca, 4.

1 Caminho do interior.

2 Céu da tarde.

3 O atelier de Diana Cid.

4 No mar.

5 Pintor atrapalhado.

6 Pôr do sol (Norte).

Alina Teixeira (D.) – Natural do Rio de Janeiro. Discípula de Aurélio de Figueiredo. Premiada com a menção na II Exposição Geral (1895). Rua do Marquês de Abrantes, 43 A

7 Casebre.

8 Praia de Botafogo.

Amoedo (RODOLPHO) – Natural do Rio de Janeiro. Aluno da antiga Academia de Belas Artes, prêmio de viagem em 1878. Discípulo de Alexandre Cabanel e Puvis

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[página 6]

de Chavannes. Medalha na Exposição Colombiana de Chicago (1893). Professor de pintura da Escola Nacional de Belas Artes.

9 Canto de jardim (aquarela).

10 Embaraço (aquarela).

11 Entardecer (guache).

12 Interior (aquarela).

13 Retrato de Mlle. A. (pintura a óleo).

14 Retrato do pintor Souza Lobo (pintura a ovo).

15 Retrato do Sr. V. M. (pintura a ovo).

16 Tormento (aquarela).

Araújo Fróes (M. R. DE.) – Natural do Estado da Bahia. Professor do Colégio Militar. Rua Buarque de Macedo, 65.

17 Impressões do Colégio Militar.

18 Rua Guarani (S. Domingos).

Baptista (J.) – Natural do Rio de Janeiro. Discípulo de Rodolpho Amoedo. Professor do Instituto Profissional. Obteve na I Exposição Geral (1894) Prêmio de Viagem. Premiado com a medalha de 2ª classe na VII Exposição Geral (1900). Rua Silva Manuel, 24.

19 A Igrejinha de Copacabana (pertence ao sr. Joaquim Ortiz).

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[página 7]

20 Paisagem (Vila Isabel).

21 Pescador.

Barros (JONAS DE) – Natural de Itú (S. Paulo). Discípulo de Alberani. Largo do Carmo, 5 - S. Paulo. É seu representante o Sr. Jacinto R. dos Santos. Gonçalves Dias, 51.

22 A rainha paulista.

23 O sapateiro remendão.

Bernardelli (HENRIQUE) – Professor de pintura da Escola Nacional de Belas Artes.

24 Antigo romano.

25 Corcovado (aquarela).

26 Corcovado (aquarela).

27 Corcovado (aquarela).

28 Corcovado (aquarela).

29 Costurando (aquarela).

30 Juca Cobra.

31 Paisagem (Teresópolis).

32 Paraíba (aquarela).

33 Paraíba (aquarela).

34 Retrato.

35 Retrato.

36 Retrato.

37 Retrato (aquarela).

38 Retrato (pastel).

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[página 8]

39 Retrato (pastel).

40 Teresópolis (aquarela).

41 Teresópolis (aquarela).

42 Teresópolis (aquarela).

43 Teresópolis (aquarela).

44 Teresópolis (aquarela).

45 Teresópolis (aquarela).

46 Teresópolis (aquarela).

47 Teresópolis (aquarela).

48 Teresópolis.

49 Via crucis.

Bevilacqua (EDUARDO) – Natural do Brasil. Aluno da Escola Nacional de Belas Artes, discípulo de Henrique Bernardelli. Rua Aprazível, 15.

50 Canção de Daphnes.

51 Paisagem.

52 Paisagem.

53 Paisagem.

54 Paisagem.

Bolato (PEDRO) – Natural de Montevidéu, naturalizado brasileiro. Aluno da Escola Nacional de Belas Artes, discípulo de Rodolpho Amoedo. Rua de Santana, 32.

55 Estudo.

56 Uma Consulta.

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[página 9]

Brocos (MODESTO) – Natural da Espanha. Ex-professor de desenho de modelo-vivo da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com a medalha de 1ª classe na II Exposição Geral (1895). Rua do Visconde de Maranguape, 16.

57 Cais do arsenal da Marinha (visto da Prainha).

57 A cascata na Barreira do Soberbo.

58 Painel decorativo para o salão de Mme. Andrée Mafre (pintura a cola).

59 Painel decorativo para o salão de Mme. Andrée Mafre (pintura a cola).

60 Um recanto do Soberbo.

61 Vênus e Baco (aquarela).

Cariot (GASTON) – Natural da França. Paris.

62 Floreal - "Poeme de Saisons" (pertence ao Sr. Luiz de Rezende).

Carré (RAOUL) – Natural da França. Paris.

63 Procession en Pitou (pertence ao Sr. Luiz de Rezende).

64 Reposoir de la Fête-Dieu en Poiton (pertence ao Sr. Luiz de Rezende).

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[página 10]

Chambelland (CARLOS) – Natural do Rio de Janeiro. Aluno da Escola Nacional de Belas Artes, discípulo de Rodolpho Amoedo. Travessa das Belas Artes, I.

65 Retrato.

66 Retrato.

67 Paisagem.

Chambelland (RODOLPHO) – Natural do Rio de Janeiro. Aluno da Escola Nacional de Belas Artes, discípulo de Rodolpho Amoedo. Travessa das Belas Artes, I.

68 Estudo de cabeça.

69 Mancha.

70 Retrato (aquarela).

Childe (ALBERTO) – Natural da França. Rua de Santo Amro, 18, Catete.

71 Cabeça de criança (aquarela).

72 Estudo de gato (aquarela).

73 Flores (aquarela).

74 Música (aquarela).

Clelia de Castro Nunes (D.) – Natural do Estado do Rio. Ex-aluna da Escola Nacional de Belas Artes, discípula de Henrique Bernardelli. Rua Santa Alexandrina, 29 C.

75 Devaneio.

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[página 8]

76 Estudo.

77 Retrato do Barão Homem de Mello.

78 Retrato de Mlle. R. N.

Cunha Vasco (D. ANNA DA) – Natural do Rio de Janeiro. Discípula de Benno Treidler. Premiada com a menção na V Exposição Geral (1898). Rua Barão de Itambi, 10, Botafogo.

79 Ao cair da tarde (aquarela).

80 Cais do Botafogo. Impressões (aquarela).

81 Interior. Estudo (aquarela).

82 Interior. Estudo (aquarela).

83 Interior. Estudo (aquarela).

84 Interior. Estudo (aquarela).

85 Interior. Estudo (aquarela).

86 Morro da Viúva. Botafogo (aquarela).

87 Paisagem. Lagoa (aquarela).

88 Trecho de rua. Botafogo (aquarela).

89 Uma casa na Lagoa Rodrigo de Freitas (aquarela).

Cunha Vasco (D. MARIA DA) – Natural do Rio de Janeiro. Discípula de Benno Treidler. Premiada com a menção na V Exposição Geral (1898). Rua Barão de Itambi 10.

90 Ao cair da tarde. Lagoa (aquarela).

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[página 12]

91 Crepúsculo. Lagoa (aquarela).

92 Interior. Estudo (aquarela).

93 Interior. Estudo (aquarela).

94 Interior. Estudo (aquarela).

95 Interior. Estudo (aquarela).

96 Interior. Estudo (aquarela).

97 Paisagem. Lagoa Rodrigo de Freitas (aquarela).

98 Tarde de Julho. Lagoa (aquarela).

99 Trecho de rua. Botafogo (aquarela).

100 Trecho de rua. Impressão (aquarela).

Dall'Ara (GUSTAVO) – Rua Dr. Garnier, 46, S. Francisco Xavier.

101 Crepúsculo.

102 Imediações da Praia Pequena (aquarela).

103 Morro do Trapicheiro.

De Agostini (CARLOS ALBERTO) – Natural do Rio de Janeiro. Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes, discípulo de Rodolpho Amoedo. Rua do Progresso, 2.

104 Aida (aquarela).

105 Flores (pertence ao Dr. Meirelles Filho).

106 Frutas.

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[página 13]

107 Mancha (Da minha janela).

108 Paisagem.

Delpino (ALBERTO) – Natural do Rio de Janeiro. Aluno da antiga Academia de Belas Artes. Premiado com a menção na II Exposição Geral (1895). Rua dos Ourives, 50.

109 Mariasinha (retrato pastel).

110 Marinha – Paissandu (Estado do Rio).

111 Tarde na roça (Barbacena).

Dinorah de França Meirelles (D.) – Natural de S. Paulo. Discípula de J. A. Marques Guimarães. Premiada com a menção honrosa do 1ª grau na VIII Exposição Geral (1901). Guaratinguetá (S. Paulo).

112 Cabeça (estudo).

Elvira Gomensoro Ferreira (D.) – Natural do Rio de Janeiro. Discípula de Auguste Petit. Praia do Caju, 3.

113 Rosas.

Evencio Nunes – Natural de Sergipe. Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com a menção honrosa de classe na IX Exposição Geral (1902). Ladeira do Ascurra, 21.

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[página 14]

114 Na cozinha.

115 Uma lição.

116 Um retrato.

117 Paisagem.

Fillippo (LUIZ MARIA) – Natural da Itália. Discípulo de J. A. Marques Guimarães. Premiado com a menção honrosa do 1º grau na VIII Exposição Geral (1901).

117A Retrato de Monsenhor João Fillippo.

Fiuza Guimarães (JOSÉ) – Natural do Rio de Janeiro. Ex-pensionista da Escola Nacional de Belas Artes. Travessa D. Carlota, 12 II.

118 Baco.

119 Cabeça de frade.

120 Cabeça de velha.

121 Dominó.

122 Interior na Bretagne.

123 Marinha - Bretagne.

124 Nu.

125 Paisagem - Alsace.

126 Paisagem - Alsace.

127 Paisagem - Alsace.

128 Paisagem - Bretagne.

129 Paisagem - Sarrebruck.

França (JOSÉ MONTEIRO DA) – Natural do Rio de Janeiro. Aluno da Escola

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[página 15]

Nacional de Belas Artes, discípulo de Henrique Bernardelli. Rua Senhor dos Passos, 116.

130 Na cozinha.

Frederico (RAPHAEL) – Natural do Rio de Janeiro. Ex-pensionista da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com medalha de 2ª classe na VI Exposição Geral (1899). Rua Coronel Cabrita, 19.

131 Amador de estampas.

132 Estudioso.

133 Retrato.

134 Retrato.

Garrido – Natural da França. Paris.

135 Fête d'etude.

Georgina Moura Andrade – Natural de São Paulo (Taubaté). É seu representante o Sr. Heitor Malaguti.

136 Um caipira.

Helena Vaz Pereira de Viveiros (D.) – Natural do Maranhão. Discípula de Adolpho Malevolti. Rua da Paz, 19.

137 Flores.

138 Paisagem.

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[página 16]

Irene de Andrade Ribeiro (D.) – Natural do Rio de Janeiro. Discípula de Rodolpho Amoedo. Ladeira do Ascurra, 2, Cosme Velho.

139 Retrato (desenho a crayon).

Latour (EUGENIO) – Natural do Rio de Janeiro. Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes. Premiada [sic] com a medalha de 2ª classe (prata) na VIII Exposição Geral (1901). Obteve o prêmio de viagem na IX Exposição Geral (1902).

140 Paisagem (Paris).

141 Paisagem (Paris).

Leduina B. da Gama Rodrigues (D.) – Natural de S. Paulo. Discípula de Marques Guimarães.

142 Rancho abandonado.

Lucilio de Albuquerque – Natural de Pernambuco. Aluno matriculado na Escola Nacional de Belas Artes, discípulo de Henrique Bernardelli. Premiado com a menção honrosa de grau na XI Exposição Geral (1902). Travessa das Belas Artes, I.

143 Perfil (pastel).

144 Retrato.

145 Retrato.

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[página 17]

Macedo (JOÃO) – Natural do Ceará. Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com a medalha de 3ª classe na VI Exposição Geral e com o prêmio de viagem na VII Exposição Geral (1900).

146 Canção antiga.

147 Malmequer.

Marietta de França Meirelles (D.) – Natural de Guaratinguetá (S. Paulo). Discípula de J. A. Marques Guimarães. Premiada com a menção honrosa do 1º grau na IX Exposição Geral (1902). Guaratinguetá - S. Paulo.

148 Flores e Frutas.

Marques Guimarães (JOAQUIM AUGUSTO) – Ex-professor da Academia de Belas Artes. Premiado com a medalha de 3ª classe na II Exposição Geral (1895).

149 Retrato de D. Antonietta Santos.

Matisse (AUGUSTE) – Natural da França. Paris.

150 Marine (pertence ao Sr. Luiz de Resende).

Mee (D. MINNA) – Natural de Hamburgo. Brasileira. Premiada com a menção honrosa do grau na IX Exposição Geral (1902). Rua Aurora, 86. S. Paulo.

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[página 18]

151 Ameixas.

152 Cebolas, etc.

153 Kakis (Fruta Japonesa).

154 Mamões, Figos, etc.

155 Parasitas - Catalaea Harrisonniana.

156 Parasitas - Lelia purpurata e Lelia labiata.

157 Tacho com marmelos.

Mendonça (JORGE) – Natural do Rio de Janeiro. Discípulo de Eduardo de Sá. Rua Itapagipe, 63.

158 Paisagem (Trapicheiro).

Napolitano (FRANCESCO) – Natural de Nápoles. Discípulo de Mariani e Domenico Morelli. Rua D. Feliciana, 114.

159 Mulheres de Sanniti.

160 Nevando (Nápoles).

161 Volta do trabalho.

Petit (AUGUSTE) – Natural da França. Discípulo de Eugène Nesle. Menção Honrosa em 1882 e Medalha de prata em 1884. Premiado com a Medalha de 3ª classe na V Exposição Geral (1898). Travessa de S. Francisco de Paulo, 6.

162 Amarílis.

163 Cesta com pêssegos.

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[página 19]

164 Mangas.

165 Mangas (pastel).

166 Pêssegos.

167 Pêssegos (pastel).

168 Retrato de Mlle. S.

169 Retrato de Mme. C. L. M.

170 Retrato do Comendador Esberard.

171 Retrato do maestro Cavallier.

172 Retrato de M. Jean de Azevedo Macedo.

173 Retrato do Sr. Xavier Pinheiro.

174 Rêverie.

Ranft (RICHARD) – Natural da França. Paris.

175 La Neige au Village. (pertence ao Sr. Luiz de Rezende)

Reis (CARLOS) – Natural de Portugal. É seu representante o Sr. Severiano de Abreu. Rua Barão de Guaratiba, 53.

176 Cabeça de boi.

Ribeiro Filho (LUIZ DA SILVA) – Natural do Rio de Janeiro. Rua Alice, 19, Laranjeiras.

177 Efeito de Sol e Calmaria

178 "Nile" no poço.

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[página 20]

179 "Nixie" em alto mar.

180 Tenerife (Luar).

181 South Hampton (Luar).

Sarah Del Vecchio (D.) – Natural do Rio de Janeiro. Discípula de Aguste Petit. Rua Evaristo da Veiga, 9.

182 Chrysantèmes.

183 Maçãs.

184 Retrato de Mlle. Iracema.

185 Tangerinas.

Seelinger (HELIOS) – Natural do Brasil. Rua do Barão de Guaratiba, 2, Catete.

186 Boemia.

187 Remorso.

Virgilio Lopes Rodrigues – Natural de Pernambuco. Discípulo de Santos Ollala. Vila Humaitá, Casa C I, Largo dos Leões.

188 Marinha - Ancoradouro.

189 Marinha - Ancoradouro.

190 Marinha - Ancoradouro.

191 Marinha - Copacabana.

192 Marinha - Copacabana.

193 Marinha - Holofote.

194 Paisagem e Largo do Jardim Botânico.

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[página 21]

Visconti (ELISEU D'ANGELO VISCONTI) – Ex-pensionista da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com a medalha 2ª classe na I Exposição Geral (1894) e com a medalha de 1ª classe na IX Exposição Geral (1902).

195 A fresca.

196 A sombra.

197 Cabeça de mártir.

198 Paisagem - Morro de Santo Antônio (tempera).

199 Retrato (tempera).

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[página sem numeração]

ESCULTURA

Bernardelli (RODOLPHO) – Professor de escultura e diretor da Escola Nacional de Belas Artes.

1 Busto do Dr. Brissay, cavalheiro da Legião de Honra (bronze).

Correia Lima (JOSÉ OCTAVIO) – Natural do Rio de Janeiro. Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes, discípulo de Rodolpho Bernardelli. Obteve o Prêmio de viagem na VI Exposição Geral (1899). Premiado com a Medalha de 1ª classe na IX na Exposição Geral (1902). Rua Frei Caneca, 307.

2 Busto de menino (gesso).

3 Pescador (estátua em gesso, tamanho natural).

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[página 24]

França (D. JULIETA) – Natural do Estado do Pará. Pensionista da Escola Nacional de Belas Artes.

4 Cupido.

*

ARQUITETURA

5 Modelo em relevo da fachada principal da Escola Nacional de Belas Artes projetada pelo professor Morales de los Rios, executado por Joaquim Fontes Soares no atelier Bernardelli.

*

GRAVURA DE MEDALHAS E PEDRAS PRECIOSAS

Girardet (AUGUSTO) – Natural de Roma. Discípulo de Giorgio Girardet. Professor da Escola Nacional de Belas Artes.

6 Lua de mel (estatueta em gesso).

7 Galateia de Raphael (gravura em ágata).

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[página 25]

8 Medalha do Marechal Floriano.

9 Medalha de S. Majestade Humberto I (de um busto do prof. Giulio Monteverde).

10 Medalhada Rainha Margarida de Saboya.

11 Projeto de medalha para a Exposição de Veneza (gesso).

12 COLEÇÃO DE MEDALHAS oferecidas para o Museu da Escola Nacional de Belas Artes, pelo Exmo. Sr. Luiz de Rezende.

*

GRAVURA E LITOGRAFIA

Brocos (MODESTO) – Natural da Espanha. Ex-professor de desenho de modelo-vivo da Escola Nacional de Belas Artes.

13 Retrato de Pedro II (água-forte).

14 Retrato do Dr. João de Saldanha da Gama (água-forte), para a galeria de Diretores da Biblioteca Nacional.

15 Retrato do Exmo. Sr. Barão do Rio Branco (água-forte).

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[página 26]

16 Retrato do Exmo. Sr. Dr. Rodrigues Alves (água-forte).

Cattaneo (JOÃO RICARDI) – Natural da Itália. Discípulo de Salvione, Turim, e de Pannemaker e Rousseau, de Paris. Premiado com as Medalhas de Bronze (1880) e de prata (1881) da Exposição da Academia de Belas Artes de Turim, e Medalha de Ouro (1892) da Exposição do IV Centenário. Professor da cadeira de Xilografia da Escola de Artes e Ofícios de Montevidéu, lugar obtido por concurso na Itália. Rua Hospício, 104, sobrado.

17 Napolitana (xilografia).

18 Paisagem (xilografia).

19 Tempestade (xilografia).

*

DESENHOS

20 Desenhos para o emblema da Biblioteca Nacional.

21 Ex-libris para a Biblioteca Nacional.

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[página 27]

ARTES APLICADA Á INDÚSTRIA

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Cerâmica Artística Nacional

Queimada ao fogo de mufla nas manufaturas dos Srs. Ludolff & Ludolff.

Visconti (ELISEU D'ANGELO) – Ex-pensionista da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com a Medalha de 2ª classe (pintura) na I Exposição Geral (1894) e com a medalha de 1ª classe (pintura) na IX Exposição Geral (1902).

22 A Primavera.

23 As Sereias.

24 As Sereias.

25 Centro de mesa (Passiflora Estilizada).

26 Prato decorativo.

27 Prato representando a Cerâmica.

28 Vaso (Decoração azul).

29 Vaso (Flora Estilizada).

30 Vaso (Flora Estilizada).

31 Vaso (Motivo Decorativo).

32 Vaso (Motivo Decorativo).

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[página 28]

33 Vaso (Motivo Ibicus).

34 Vaso (Motivo Orquídea).

35 Vaso (Motivo Passiflora).

E. Belivacqua &amp; C. – Premiados com a medalha de bronze da Exposição Colombiana e com a medalha de ouro da Exposição do IV Centenário da descoberta do Brasil. – Estabelecimento de pianos e música. Atelier para clichés em fotogravura e zincografia. Oficinas de tipografia, litografia e gravura musical. – Rua dos Ourives, 43.

36 Espécimes de trabalhos de fotogravura e fotolito.

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[página sem numeração]

ILUSTRAÇÕES

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Amarílis por AUGUSTO PETIT

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[página sem numeração]

Retrato de Mme. C. M. L por AUGUSTO PETIT

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Retrato do maestro Cavalier D'Arbilly por AUGUSTO PETIT

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[página sem numeração]

Rêverie por AUGUSTO PETIT

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Retrato de Mr. Jean d'Azevedo Macedo por AUGUSTO PETIT

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[página sem numeração]

Igrejinha de Copacabana por J. BAPTISTA DA COSTA

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[página sem numeração]

O pescador por J. BAPTISTA DA COSTA

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[página sem numeração]

Retrato de Mlle. Iracema por Mlle. SARAH DEL VECCHIO

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[página sem numeração]

Chrisanthèmes por Mlle. SARAH DEL VECCHIO

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[página sem numeração]

Mariasinha (retrato a pastel) por ALBERTO DELPINO

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[página sem numeração]

As ameixas por MINNA MEE

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Rancho abandonado por LEDUINA B. DA GAMA RODRIGUES

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[página sem numeração]

Medalhas de AUGUSTO GIRARDET

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Digitalização de Biblioteca Digital de Obras Raras UFRJ Acessível em: https://bdor.sibi.ufrj.br/

Transcrição de Paula Nathaiane de Jesus da Silva

Fac-símile do catálogo Acessível em: http://www.dezenovevinte.net/egba/catalogos/1903.pdf

Catálogos
1903 - Correio da Manhã
1903 - Gazeta de Noticias
1903 - Jornal do Brasil
1903 - Jornal do Commercio
1903 - O Malho
1903 - O Paiz
1904
1904 - A Noticia
1904 - Catálogo

[página sem numeração]

CATÁLOGO

DA

Décima Primeira

Exposição Geral de Belas Artes

Inaugurado em 1 de Setembro de 1904

NA

Escola Nacional de Belas Artes

1904

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[página sem numeração]

Catálogo

PINTURA

Agostini (Angelo) – Largo da Carioca, 4.

1 Leões caçando.

2 Nos pampas.

3 Lançando bois.

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Amoedo (Rodolpho) – Natural do Rio de Janeiro. – Aluno da antiga Academia de Belas Artes, prêmio de viagem em 1878 – Discípulo de Alexandre Cabanel e Puvis de Chavannes. – Medalha na Exposição Colombiana de Chicago (1893) Professor de pintura da Escola Nacional de Belas Artes.

4 Cativa (pintura a óleo de ovo).

5 Oração (encáustica).

6 Retrato (encáustica).

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[página 2]

Angelina de Figueiredo – (D.) Natural do Rio de Janeiro – Discípula de Antonio Parreiras. – Rua Guimarães Junior, 14. Niterói.

7 Estudo.

8 Estudo.

9 Estudo.

10 Nossa casa.

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Araujo Fróes (M. R. de) – Natural do Estado da Bahia. – Professor do Colégio Militar. – Rua Buarque de Macedo, 65.

11 Aterro da praia do Russell.

12 Caminho da Igreja.

13 Pedreira do Morro da Viúva.

-

Baptista (J.) – Natural do Rio de Janeiro. – Discípulo de Rodolpho Amoedo. Professor do Instituto Profissional. – Obteve o prêmio de viagem na I Exposição Geral (1894) e medalha de 2ª classe na VII Exposição Geral (1900) – Rua Silva Manoel, 24.

14 À caça de passarinhos.

15 Caminho da estação (Manguinhos).

16 Escadinha pitoresca (Vidigal) – pertence a Exma. Sra. D. Elisa da Fonseca.

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[página 3]

17 Fim de jornada

18 Fonte da saudade

19 Paisagem (Copacabana).

20 Paisagem (Manguinhos).

21 Praia do Vidigal.

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Beatriz Savio (D.) – Natural do Rio de Janeiro. – Discípula de Heitor Malaguti.

22 Estudo a claro-escuro.

23 " " " "

24 " " " "

25 " " " "

26 " " " "

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Bernardelli (Henrique) – Professor de pintura da Escoa Nacional de Belas Artes.

27 Como faria Casals? (aquarela).

28 Êxtases (aquarela).

29 Retrato de Arthur Napoleão.

30 Retrato de Mme. Oliveira Lima.

31 Retrato de Mlle. Amoroso Lima.

32 Retrato do Dr. Alberto Faria.

33 Retrato do Professor Brocos.

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[página 4]

Bevilacqua (Eduardo) – Natural do Rio de Janeiro. – Discípulo de Henrique Bernardelli – premiado com a menção honrosa de 1ª grau na X Exposição Geral (1903) – Rua Aprazível, 15 Santa Tereza.

34 Paisagem.

35 Paisagem.

36 Paisagem.

37 Retrato.

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Bolato (Pedro) – Natural de Montevidéu, naturalizado brasileiro. – Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes. – Discípulo de Rodolpho Amoedo – Rua de Sant'Anna, 23.

38 Estudo.

39 Estudo.

40 Paisagem (Manhã Brumosa).

41 Paisagem (Quinta da Boa Vista).

42 Paisagem (Santa Teresa).

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Brocos (Modesto) – Ex-professor de desenho de modelo vivo da Escola Nacional de Belas Artes. – Premiado com a medalha de 1ª classe na II Exposição Geral (1895) – Rua Silva Manoel.8.

43 Cabeça de contadina.

44 Cena doméstica.

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[página 5]

Chambelland (Rodolpho) – Natural do Rio de Janeiro. – Discípulo de Rodolpho Amoedo. – Premiado com Menção Honrosa do 2º grau na X Exposição Geral (1903) – Rua da Assembleia, 27.

45 Paisagem.

46 Paisagem.

47 Retrato (pastel).

48 Retrato (pastel).

49 Travessuras.

50 Uma noite de espetáculo.

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Cunha Vasco (D. Anna da) – Natural do Rio de Janeiro. – Discípula de Benno Treidler. – Premiada com a menção na V Exposição Geral (1898). – Rua Barão de Itambi, 10. Botafogo.

51 Copacabana (aquarela).

52 Leme (aquarela).

53 Leme (aquarela).

54 Petrópolis. Palatinado (aquarela).

55 Petrópolis. Palatinado (aquarela).

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[página 6]

Cunha Vasco (D. Maria da) – Natural do Rio de Janeiro. – Discípula de Benno Treidler. – Premiada com a menção na V Exposição Geral (1898) – Rua Barão de Itambi, 10 Botafogo.

56 Copacabana (aquarela).

57 Leme (aquarela).

58 Leme (aquarela).

59 Petrópolis. Palatinado (aquarela).

60 Petrópolis. Palatinado (aquarela).

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Dall'Ara (Gustavo) – Premiado com medalha de 2ª classe (prata) na VIII Exposição Geral (1901). – Rua Dr. Garnier, 45 São Francisco Xavier.

61 Paisagem.

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Delpino (Alberto) – Natural do Rio de Janeiro. – Aluno da antiga Academia de Belas Artes. Premiada com a menção na II Exposição Geral (1895). Rua Salgado Zenha, A I.

62 Fonseca (Niterói).

63 Paisagem sertaneja (Curvelo).

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[página 7]

64 Pêssegos (pastel).

65 Zolaica (pastel).

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Elvira Gomensoro (D.) – Natural do Rio de Janeiro. Discípula de Augusto Petit. – Ponta do Caju, 3.

66 Natureza Morta.

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Esteves (Honorio) – Natural do estado de Minas Gerais. – Ex-aluno da antiga Academia de Belas Artes. – Praia de Icaraí, 35.

67 Camponesa de Minas (pastel).

68 Estrada de Jurujuba.

69 Praia de Icaraí.

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Eulalia do Nascimento e Silva (D.) – Natural do Rio de Janeiro. – Discípula de Antonio Parreiras. – Rua do Carvalho de Sá, 26.

70 A ponte (Paisagem).

71 Estudo de interior.

72 Interior de igreja.

73 Interior de igreja.

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[página 8]

74 Na roça.

75 Paisagem.

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Evencio Nunes. – Natural de Sergipe. – Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes. – Premiado com a menção honrosa do 1º grau na VIII Exposição Geral (1901) – Ladeira do Ascurra, 21.

76 Paisagem.

77 Paisagem.

78 Paisagem.

79 Ao ar livre.

80 Lavadeira.

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Fiuza (J.) – Natural do Rio de Janeiro. – Ex-pensionista da Escola Nacional de Belas Artes. – Travessa de D. Carlota, 12-II.

81 Cabeça de estudo.

82 Paisagem de Tirol.

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França (José Monteiro da) – Natural de São Paulo. – Discípulo de Henrique Bernardelli – Premiado com a menção honrosa do 2º grau na X Exposição Geral (1903). – Rua do Senhor dos Passos, 116.

83 Clelia.

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[página 9]

84 Estudo de cabeça.

85 Estudo de cabeça (pastel).

86 Cena doméstica.

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Frederico (Raphael). – Natural do Rio de Janeiro. – Ex-pensionista da Escola Nacional de Belas Artes. – Premiado com a medalha de 2ª classe na VI Exposição Geral (1899). – Rua Coronel Cabrita, 19.

87 Alto!

88 Aos cajus (pastel).

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Freitas (Augusto Luiz de) – Natural do Rio Grande do Sul. – Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes. – Obteve o prêmio de viagem na V Exposição Geral (1898) e a Medalha de 2ª classe (prata) na VIII Exposição Geral (1901).

89 Escrivão Público (aquarela).

90 Jogo da Marra (aquarela).

91 Manhã de Primavera.

92 Pela tarde.

93 Vento Minoano.

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[página 10]

[Irene de Andrade Ribeiro] (D.) – Natural do Rio de Janeiro. Discípula de Rodolpho Amoedo. – Ladeira do Ascurra, 2.

94 De castigo.

95 Estudo.

96 Estudo de cabeça.

97 Frutas.

98 Frutas.

99 Lírios.

100 Retrato do Dr. Pinto Ribeiro.

101 Retrato de Mme. L.L.

102 Retrato de Mlle. E. H.

103 Objetos em uso.

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Lemos (Eduardo Pinheiro de) – Natural da Bahia. – Discípulo de François Campinam. – Rua de Santo Amaro, 17.

104 Paisagem.

105 Paisagem.

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Lucilio de Albuquerque – Natural do Brasil. – Discípulo de Rodolpho Amoedo e Henrique Bernardelli. – Premiado com a menção honrosa do 2º grau na IX Exposição Geral (1902). – Travessa das Belas Artes, 1.

106 Adoração.

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[página 11]

107 Gris (pastel).

108 Julieta (pastel).

109 Retrato.

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Macedo (João). – Natural do Ceará. – Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes. – Premiado com a medalha de 3ª classe na VI Exposição Geral e com o prêmio de viagem na VII Exposição Geral (1900). – rua Bibiana, 14.

110 "A Porangaba" - assunto cearense, inspirado pelo poema de Juvenal Galeno.

"Ai triste arcano que acabrunba e mata

a cabocla infeliz;

Cruel afeto, de que a chaga nunca

se torna cicatriz."

J GALENO (A PORANGABA).

111 Crepuscular.

112 Paisagem.

113 Retrato de Mlle. G.

114 Trecho de paisagem.

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Machado (Joaquim Fernandez) – Natural do Rio de Janeiro. – Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes. – Premiado com a menção na VI Exposição Geral (1899) e com o prêmio de viagem na VIII Exposição Geral (1901). Rua Benjamim Constant, K 1.

115 Cabeça de um velho pedinte.

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[página 12]

116 Cardo civilizado.

117 Constelações.

118 Margens do lago Vincennes.

119 Margens do Sena (Sèvres).

120 O Cristo curando um paralítico.

121 Ofertas ao ídolo.

122 Outono (Bois de Boulogne).

123 Paisagem (Bois de Boulogne).

124 Paisagem (Primavera em Villemeux).

125 Paisagem (Saint Cloud).

126 Paisagem (Villemeux).

127 Paisagem (Villemeux).

128 Primavera (Bois de Vincennes).

129 Repouso e estudo.

130 Tentação de Santo Antônio.

131 Violetas de Parma.

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Malaguti (Heitor). Ex-aluno do Instituto de Belas Artes de Milão. – Premiado com a menção honrosa do 1º grau na VIII Exposição Geral (1898). Rua Correia Dutra, 47.

132 Ode sáfica (Inspirado da canção homônima do mestre Joh Brams [sic], op. 94 n. 4.)

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[página 13]

Manna (Francisco) – Natural da Sicília. Discípulo de Romualdo Pratti e de Henrique Bernardelli. Rua das Laranjeiras, 2.

133 Retrato.

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Maria Thereza Rosso – Natural da Itália. Discípula de Auguste Petit. Rua do Ouvidor, 116.

134 Pêssegos.

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Marietta de Figueiredo (D.) – Natural do Rio de Janeiro. Discípula de Antonio Parreiras. Rua Guimarães, 14. Niterói.

135 Estudo.

136 Estudo.

137 Estudo.

138 Portão de nossa casa.

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Mendonça (Jorge de) – Natural do Rio de Janeiro. Discípulo de Eduardo de Sá. Rua Itapagipe, 63.

139 Pedra do Mirante.

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[página 14]

Mee (D Minna) – Natural de Hamburgo. Brasileira. Premiada com a menção honrosa do 2º grau na IX Exposição Geral (1902). Rua Aurora, 86. S. Paulo.

140 Ameixas.

141 Pêssegos Caracoes.

142 Uvas Delaware.

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Nina Santoro (D.) – Natural do Rio de Janeiro. Discípula de Modesto Brocos, Rubens Santoro e Rodolpho Amoedo. 80, rua Marquês de Abrantes.

143 Retrato.

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Oswaldo (Carlos) – Natural do Rio de Janeiro. Discípulo de Gelli, de Florença.

144 Paisagem, bosque de Carrara. (desenho).

145 Paisagem. Carrara.

146 Paisagem. Carrara.

147 Paisagem. Cascine. (desenho).

148 Paisagem. Pisa. Pertence ao maestro Henrique Oswaldo.

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Pacheco (J. Insley). – Rua Gonçalves Dias, 70, 2º andar.

149 Andaraí.

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[página 15]

150 Cemitério de S. João Batista.

151 Fora da Barra.

152 Fora da Barra.

153 Fortaleza de Santa Cruz.

154 Grupo de árvores na Lagoa Rodrigo de Freitas.

155 Icaraí.

156 Paisagem em Paquetá.

157 Paisagem S. Cristóvão.

158 Paquetá.

159 Paquetá. Ilha de Itapacis.

160 Paquetá. Ilha de Itapacis.

161 Paquetá.

162 Paquetá. Ilha dos Lobos.

163 Paquetá.

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Petit (Auguste) – Natural da França. Discípulo de Eugène Nesle. Menção honrosa em 1882 e medalha de prata em 1884. Premiado com a medalha de 3ª classe na V Exposição Geral 1898. Travessa de S. Francisco de Paula, 6.

164 Cajus.

165 Pêssegos.

166 Retrato.

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[página 16]

Pfam (D. Amalie) – Natural de Württemberg. Discípula de Horst Kolb-von-Gaupp. Rua do Comércio, 17. S. Paulo.

167 Frutas Brasileiras.

168 Frutas Paulistas.

169 Retrato de Mme. P. (pastel).

170 Retrato de Victoria E. (pastel).

171 Uvas Paulistas.

172 Vaso com orquídeas.

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Ribeiro (Luiz) – Natural do Rio de Janeiro. Aluno da antiga Academia de Belas Artes. Discípulo de Victor Meirelles e Zeferino da Costa. Menções honrosas e medalhas de ouro de desenho da antiga Academia. Professor do Instituto Nacional dos Surdos-mudos. Rua das Laranjeiras, 3.

173 Além das mangueiras (Jardim Botânico).

174 Impressão (Copacabana).

175 Impressão (Copacabana).

176 Impressão (Copacabana).

177 Marinha (Copacabana).

178 Flores.

179 Flores.

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[página 17]

Sarah Del Vecchio (D.) – Natural do Rio de Janeiro. – Discípula Auguste Petit. – Rua Evaristo da Veiga, 9.

180 Frutas de Conde.

181 Mamão.

182 Melancia.

183 Pássaros.

184 Peixes.

185 Tangerinas.

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Seelinger (Helios). – Natural do Rio de Janeiro. – Obteve o prêmio de viagem na X Exposição Geral (1903).

186 Autorretrato.

187 Copacabana.

188 Em repouso.

189 Leitura de novela.

190 Marinha.

191 Melancolia.

192 Paisagem.

193 Paisagem (Inhaúma).

194 Retrato.

195 Retrato (pastel).

196 Retrato ao ar livre.

197 Sibila.

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[página 18]

Supparo (A.) – Natural da França. É seu representante o Dr. René Barba.

198 Tetê de femme (pastel).

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Teixeira da Rocha (Manoel) – Natural do estado de Alagoas. – Discípulo de Victor Meirelles, J.P. Laurens e Benjamim Constant. – Medalhas de ouro de pintura e de desenho da antiga Academia. Premiado com a medalha de 3ª classe (ouro) na VI Exposição Geral (1899). – Rua Piauí, 4.

199 Interior com figuras – Pertence ao Snr. Comendador João de Andrade.

200 O Inspirado. – Painel decorativo. – Pertence ao Snr. Comendador João de Andrade.

201 Paisagem com cabras.

202 Paisagem com figuras. – Vila Izabel. – Pertence ao Snr. Comendador João de Andrade.

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Thu-Ceu-Han (Antonio Pereira). – Natural de Pequim. – Discípulo de Rodolpho Amoedo. – Avenida Ruy Barbosa, 83 A.

203 Retrato.

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[página 19]

Treidler (Benno). – Natural da Alemanha. – Discípulo da Academia de Berlim e aluno de Christiano Wilberg. – Premiado com a medalha de 3ª classe na I Exposição Geral (1904) Travessa Alice 10, Santa Tereza.

204 A tarde. Copacabana (aquarela).

205 Chuva. Glória (aquarela).

206 Paisagem (aquarela).

207 Manhã de sol.

-

Virgilio Lopes Rodrigues. – Natural de Pernambuco. – Discípulo de Santos Ollala - Vila Humaitá. Largo dos Leões.

208 Marinha (Praia do Caju).

209 Tamoio no poço.

-

Visconti (Eliseu d'Angelo) – Ex- pensionista da Escola Nacional de Belas- Artes. – Premiado com a medalha de 2ª classe na I Exposição Geral (1894) e com a medalha de 1ª classe na IX Exposição Geral (1902).

210 Cabeça de estudo.

211 Leitura (aquarela).

212 Paisagem (aquarela)

213 Retrato.

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[página 20]

Xavier (J.) – Natural de Campinas. – Ex-aluno do curso geral da Escola Nacional de Belas Artes. – Rua Goiás, 116. Encantado.

214 À tarde.

215 Estudo de cabeça.

216 Frutas.

217 Leitora.

218 Paisagem.

-

Wencelius (Juliette) – Natural de Paris. – Rua Maria Eugenia, 10.

219 Cair de lune (desenho).

220 Coucher de soleil (desenho).

221 Dessus de porte decoratif (desenho).

222 Les Buissons . – Petrópolis (guache).

223 Le matin (desenho).

224 Sous-Bois (desenho).

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[página sem numeração]

ARQUITETURA

Barba (René) – Arquiteto diplomado pelo governo francês. – Premiado na Escola Nacional de Belas Artes de Paris. – Verificador dos trabalhos da "Torre Eiffel" em Paris. – Membro da Associação Central dos Arquitetos Franceses. – Bacharel em Ciências Sociais. – Rua da Boa Vista, 13. Santa Rosa. Niterói.

225 Altar-mor (Ciborium) – para uma igreja matriz.

226 Bolsa de gêneros em Marselha.

227 Centro dos Estudantes de Paris.

228 Escada nobre para a Biblioteca Pública.

229 Fachada de 10 metros (3ª Prêmio do Concurso de Fachadas).

230 Fachada de 20 metros (Menção Honrosa do Concurso de Fachadas).

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[página 22]

231 Fachada de 12 metros (fora de concurso).

232 Monumento da Paz.

233 Projeto de Academia.

234 Projeto de Bazar estilo Tunisiano.

235 Projeto de estabelecimento termal.

236 Projeto de Instituto Pasteur.

237 Projeto de Intendência Municipal para o Creusot.

238 Projeto de Panthéon para Homens Ilustres.

239 Projeto de Vila em uma ilha.

240 Vila do Recreio para um artista dramático (no centro de um parque).

-

Morales de los Rios (Adolfo) – Natural de Sevilha, Espanha. – Engenheiro e arquiteto. – Professor da Escola Nacional de Belas Artes. – Premiado com a medalha de 1ª classe (ouro) na VIII Exposição Geral (1901).

241 Projeto de fachadas de 25 a 30 metros para a Avenida Central.

242 Projeto de fachadas de 25 a 30 metros de largura para a Avenida Central.

243 Plantas e fachadas do edifício de A. Rodrigues & C. (Ao Barateiro) para a Avenida Central.

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[página 23]

244 Fachada do prédio dos Srs. Costa Pacheco & C., na Avenida Central.

245 Projeto de fachada angular para a Avenida Central.

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Stahlembrecher (Aluisio Carlos de Almeida) – Natural do Rio de Janeiro. – Arquiteto pela Escola Nacional de Belas Artes.

246 Projeto para o Asilo Bom Pastor d'Angers no Rio de Janeiro.

a) Fachada.

b) Planta do 1º pavimento.

c) Seção longitudinal.

d) Seção transversal.

e) Planta do 2º pavimento.

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ESCULTURA

Bernardelli (Rodolpho) – Professor de escultura e diretor da Escola Nacional de Belas Artes.

247 Busto do Dr. Gross (bronze).

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Corrêa Lima (Jose Octavio) – Natural do Estado do Rio de Janeiro. – Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes, discípulo de Rodolpho Bernardelli. – Obteve o prêmio de viagem na VI Exposição Geral (1899) e a medalha de 1ª classe na IX Exposição Geral (1902). – Rua Frei Caneca, 307-A.

248 Menino (gesso).

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Gravura de Medalhas e Pedras Preciosas

Girardet (Augusto) – Natural de Roma. – Discípulo de Giorgio Girardet. – Professor da Escola Nacional de Belas Artes.

249 Medalha da Associação de N. S. Auxiliadora (modelo em gesso).

250 Medalha "ao Barão do Rio Branco" (gesso).

251 Medalha do Jubileu dos Telégrafos do Brasil. (modelo em gesso e prova de gravura).

252 Medalha lembrança do Salão de 1904 (modelo em gesso e gravura em aço).

253 Projeto de um distintivo para o Colomy Club (esboceto).

254 Retrato de senhora (modelo em gesso).

255 S. S. Pio X (modelo em gesso).

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Artes aplicadas a Indústria

PIROGRAVURA

Wencelius (Juliette) – Natural de Paris. – Rua Maria Eugênia, 10.

256 Vase decoratif (relief sur terre cuite).

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APÊNDICE

ESCULTURA

Zani (Amadeo) – Natural de Veneza. – Discípulo de Rodolpho Bernardelli e Enjalbert. – Alameda dos Andradas, 35, S. Paulo.

257 Retrato do Dr. Prudente de Moraes (gesso).

258 Retrato do Senador M. de Moraes Barros (gesso).

259 Sagrada família (baixo relevo, bronze).

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Digitalização de Biblioteca Digital de Obras Raras UFRJ Acessível em: https://bdor.sibi.ufrj.br/

Transcrição de Paula Nathaiane de Jesus da Silva

Fac-símile do catálogo Acessível em: http://www.dezenovevinte.net/egba/catalogos/1904.pdf

Catálogos
1904 - Correio da Manhã
1904 - Gazeta de Noticias
1904 - Jornal do Commercio
1904 - Kósmos
1904 - O Paiz
1905
1905 - A Noticia
1905 - Catálogo

[página sem numeração]

CATÁLOGO

DA

DÉCIMA SEGUNDA

Exposição Geral de Belas Artes

Inaugurado em 1 de Setembro de 1905

NA

Escola Nacional de Belas Artes

1905

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Catálogo

PINTURA

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Agostini (Angelo) – Largo da Carioca, 10.

1 Onça e Paca.

Alice Teixeira da Luz (D.) – Natural de São Paulo. – Discípula de Henrique Bernardelli. – Rua Silva Manoel, 16.

2 No Ninho.

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Americo Lopes. – Natural de Pernambuco. – Rua Conselheiro Antran, 17 A.

3 Tijuca.

4 Tijuca (fumaça).

5 Tijuca (fumaça).

6 Trecho em Valença.

7 Trecho de Paquetá.

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[página 2]

Azevedo (Carlos C. de). – Natural de Belém, Estado do Pará. – Discípulo de Jules Lefebre e Marcel Baschet. – Travessa de São Matheus, 67. Belém, Pará.

8 Bretonne au puits (Concarneau).

9 Fileuse.

10 L'heure de la soupe.

11 Paysage en Bretagne (Concarneau).

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Balliester (Carlos). – Natural do Rio de Janeiro. – Rua da Piedade, 12.

12 Cair da tarde (Ilha do Governador).

13 Galera em alto mar (Efeito de luar)

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Baptista da Costa (J.) – Natural do Rio de Janeiro. Discípulo de Rodolpho Amoedo. – Professor do Instituto Profissional. – Obteve o Prêmio de Viagem na I Exposição Geral (1894), Medalha de 2ª classe na VII Exposição Geral (1900) e Medalha de 1ª classe na XI Exposição Geral (1904). – Rua da Matriz, 5, Botafogo.

14 Canto de Praia (Vidigal).

15 Começo do dia.

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[página 3]

16 Estrada do Vidigal.

17 Icaraí.

18 Ipanema.

19 Mau tempo. (Copacabana).

20 Poços de Caldas.

21 Prisioneira.

-

Benjamin Constante de Oliveira Netto – Natural de S. Paulo. Premiado na Europa com 1 Medalha de bronze e 2 Menções.

22 Estudo.

23 Moreninho.

24 Filosofando.

25 Repouso.

-

Bernardelli (Henrique) – Professor de Pintura da Escola Nacional de Belas Artes.

26 Retrato.

27 Retrato.

28 Retrato.

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Bevilacqua (Eduardo) – Natural do Rio de Janeiro. – Discípulo de Henrique Bernardelli. Premiado com a Menção Honrosa de 1º grau

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[página 4]

na X Exposição Geral (1903) – Rua Aprazível, 15, Santa Tereza.

29 Retrato.

30 Salomé.

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Bolato (Pedro) - Natural de Montevidéu, naturalizado Brasileiro. – Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes. – Discípulo de Rodolpho Amoedo – Rua de Santana, 33.

31 Amor Casto.

32 Paisagem.

-

Brocos (Modesto) – Ex-professor de modelo vivo da Escola Nacional de Belas Artes. – Premiado com a Medalha de 1ª classe na II Exposição Geral (1895) – Rua Silva Manoel, 8.

33 Crepúsculo.

34 Retrato.

-

Chambelland (Carlos) – Natural do Rio de Janeiro. – Discípulo de Rodolpho Amoedo. – Premiado com a Menção Honrosa do 2º grau na X Exposição Geral (1903). Rua Monte Alegre, 49.

35 Retrato de Mile. O. J.

36 Retrato de J. B.

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[página 5]

Chambelland (Rodolpho) – Natural do Rio de Janeiro. – Discípulo de Rodolpho Amoedo. – Premiado com a Menção Honrosa do 2º grau na X Exposição Geral (1903) e com Medalha de 2ª classe (prata) na XI Exposição Geral (1904). Rua Monte Alegre, 49.

37 Bacantes em festa.

38 Leitura.

39 Paisagem.

40 Paisagem.

41 Passatempo.

-

Cantanheda (Alvaro de) – Natural da Capital Federal. – Discípulo de Paul Ortion, Bompiani e Bartolini. – Graduado pela Academia de Direito de S. Paulo. – Rua Rademacker n. 3 A, Tijuca.

42 À Beira do golfo.

43 Barco de pesca.

44 Cair da tarde.

45 Manhã no mar.

46 Órfã.

47 Velha Ponte.

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Carlota Labouriau (D.) – Natural do Rio de Janeiro. – Discípula da Escola de Belas Artes e de Nancy e de Auguste Petit. – Rua Paranaguá, 15. Santa Tereza.

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[página 6]

48 A Serenata.

49 Cravos.

50 Frutas.

51 Goiabas.

52 Laranjas.

53 Mamão.

54 Retrato de minha filha.

-

Costa (Mario Navarro da) – Brasileiro. – Rua da Real Grandeza, 42.

55 Ilha do Governador (Efeito de tarde)

56 Mau tempo.

57 Patacho Caravelas.

-

Cruz (Severino). – Natural de S. Paulo. – Discípulo de Almeida Junior e Oscar Pereira da Silva. – Rua Galvão Bueno, 5I. S. Paulo.

58 Bananas.

59 Cabeça.

60 Maçãs.

-

Cunha Vasco (D. Anna da) – Natural de Rio de Janeiro. – Discípula de Benno Treidler. – Premiada com Menção na V Exposição Geral (1898) e com a Menção Honrosa do 1º grau na XI Exposição Geral (1904). Rua Barão de Itambi, 10. Botafogo.

61 Estudo. Leme (aquarela).

62 Marinha. Ipanema (aquarela).

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[página 7]

63 Paisagem. Paineiras (aquarela).

64 Praia do Leme (aquarela).

65 Tarde de Junho. Leme (aquarela).

-

Cunha Vasco (D. Maria da Cunha). – Natural do Rio de Janeiro. – Discípula de Benno Treidler. – Premiada com a Menção na V Exposição Geral (1898) e com a Menção Honrosa de 1º grau na XI Exposição Geral (1904). – Rua Barão de Itambi, 17. Botafogo.

66 Estudo. Leme (aquarela).

67 Manhã de nevoeiro. Paineiras (aquarela).

68 Praia do Leme (aquarela).

70 Tarde de Junho (aquarela).

-

Dall'Ara (Gustavo). – Premiado com a Medalha de 2ª classe (prata) na VIII Exposição Geral (1901). – Rua Dr. Garnier, 45. S. Francisco Xavier.

71 Marinha.

72 Marinha.

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[página 8]

Delpino (Alberto). – Natural do Rio de Janeiro. – Aluno da antiga Academia de Belas Artes. – Premiado com a Menção na II Exposição Geral de (1895) – Rua Salgado Zenha, A 1.

73 O Internato do Ginásio Mineiro de Barbacena.

74 Mariana.

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De Servi (Carlo). – Italiano, estudou em Roma. – Domiciliado em S. Paulo há 9 anos. – Premiado com a Medalha de 3ª classe (ouro) na VI Exposição Geral (1899). – É seu representante o Sr. Julio Ramos.

75 Estudo. Cabeça de moça.

76 Estudo. Cabeça de moça.

77 Estudo. Cabeça de velho marinheiro.

78 Em descanso.

79 Reminiscências do passado.

-

Elvira Catta Preta (D.) – Natural da Capital Federal. – Rua Paissandu, 5.

80 Estudo.

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[página 9]

Elvira Gomensoro (D.) – Natural do Rio de Janeiro. Discípula de Auguste Petit. – Ponta do Caju. 3.

81 Capela de S. José.

82 Retrato.

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Eulalia do Nascimento e Silva (D.) – Natural do Rio de Janeiro. – Discípula de Antonio Parreiras. Premiada com a Menção Honrosa do 1º grau na XI Exposição Geral (1904). – Rua da Laranjeiras, 23.

83 Velha Estrada.

-

Fernandez Gomez (Antonio) – Natural da Espanha. – Discípul de Barbasan. – Rua Fresca, 3, Hotel-Royal.

84 Baturro. Tipo Aragonês. (estudo a pena).

85 Castello em ruinas (Goayan, Espanha).

86 >>

87 Estrada escabrosa.

88 Estudo de cabeça.

89 Fazendo meia.

90 Fiando o linho.

91 Na fonte.

92 Olivares.

93 O Minho (Divisa entre Espanha e Portugal).

94 O Ramalhete.

95 Piazza delle ville.

96 Primavera.

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[página 10]

97 Por do Sol.

98 Sátiro.

99 Secando o trigo.

100 Sol da manhã.

101 Trecho de Aldeia (Anticoli).

102 Uvas.

103 Vendedor Ambulante. (estudo a pena)

-

Fiuza (J.) – Natural do Rio de Janeiro. – Ex-pensionista da Escola Nacional de Belas Artes. – Travessa de D. Carlota, 12-II.

104 Cabeça de estudo.

105 Cabeça de frade.

106 Marinha.

-

Frederico (Raphael) – Natural do Rio de Janeiro. Ex-pensionista da Escola Nacional de Belas Artes. – Premiado com a Medalha de 2ª classe na VI Exposição Geral (1899). – Rua Coronel Cabrita, 19.

107 À Sesta.

108 Casas de taboas sobre o rio Maracanã.

109 Toques de goiva.

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[página 11]

Freitas (Augusto Luiz de) – Natural do Rio Grande do Sul. – Ex-aluno da Escola Nacional de Bela Artes. – Obteve o Prêmio de Viagem na V Exposição Geral (1898) e a Medalha de 2ª classe (prata) na VIII Exposição Geral (1901).

110 Campos de milho.

111 Quiçamã. Petrópolis.

112 Quiçamã. Petrópolis.

113 Últimos feixes.

114 Véspera de noivado.

-

Georgina de Andrade (D.) – Natural de S. Paulo. – Discípula de Henrique Bernardelli.

115 Cruzeiro da Monção.

116 Interior.

117 Paisagem.

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Godehaux – Natural de Paris.

118 Flores.

119 Flores.

120 Flores.

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Guillomet (O.) – Artista Francês.

121 Le Sacrement (Sologne).

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[página 12]

Helena A. Lins de Almeida (D.) – Brasileira. Rua Paissandu, 62.

122 Flores.

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Irene de Andrade Ribeiro (D.) – Natural do Rio de Janeiro. – Discípula de Rodolpho Amoedo – Premiada com a Menção Honrosa do 2º grau na XI Exposição Geral (1904). Ladeira do Ascurra, 2.

123 Orquideas.

123 Recordações do Carnaval.

124 Retrato de Mme. L. R.

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Jannsen (Pedro Henrique Christiano). – Natural de Bliestorf, Schleswig-Holstein, Alemanha. – Domiciliado na cidade de Fortaleza, Ceará. É seu representante o Sr, José de Abreu Albano.

125 Paisagem Cearense.

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Julien (D.) – Natural de S. Paulo. – Discípulo de Gêrone, Ollive e Carolus Durand. Rua S. Jorge n, 1, sobrado.

126 Palhoças.

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Julieta Horta Ribeiro (D.) – Natural da Capital Federal. – Discípula de Henrique Bernardello. Rua do Senado, 141 A.

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[página 13]

128 Retrato.

129 Retrato.

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Lacerda (Carlos Augusto de) – Natural da Bahia. – Discípulo de Dagnan-Bouvret e Collin. – Premiado com a Menção na II Exposição Geral (1895). Rua Barão de Cotegipe n, 11 C. – Vila Izabel.

130 Agosto.

131 Andaraí.

132 Por do Sol.

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Latour (Eugenio) – Natural do Rio de Janeiro. – Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com a Medalha de 2ª classe (prata) na VIII Exposição Geral (1901). – Obteve o Prêmio de Viagem na IX Exposição Geral (1902).

133 Agathina.

134 Aldeia Romana.

135 Ao longe.

136 A Orgulhosa.

137 A velha Flavia.

138 As Tesourinhas.

139 Cecília.

140 Flores e Mocidade.

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[página 14]

141 Lucia, a pastora.

142 Lygia.

143 Oliveiras.

144 Praga Social (O álcool).

145 Paisagem (manhã).

146 Tarde Úmida.

147 Um botão indispensável.

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Lucilio de Albuquerque – Natural do Brasil, Discípulo de Rodolpho Amoedo e Henrique Bernardelli. Premiado com a Menção Honrosa de 2º grau na IX Exposição Geral (1902) e com a Menção Honrosa de 1º grau na XI Exposição Geral (1904). Rua do Conde de Baependy, 38.

148 Estudo.

149 Riso (pastel).

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Macedo (João) – Natural do Ceará – Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes. – Premiado com a medalha de 3ª classe na VI Exposição Geral e com o Prêmio de Viagem na VII Exposição Geral (1900). – Rua Bibiana, 14.

150 Ao cair da tarde (aquarela).

151 Bons vizinhos (aquarela).

152 Cabeça de estudo.

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[página 15]

153 Costume Holandês.

154 Epistola difícil (aquarela).

155 Marinha S. Cristóvão (aquarela).

156 O poço.

157 Paisagem (Catumbi).

158 Paisagem (Fábrica das Chitas).

159 Paisagem (Friburgo).

160 Paisagem (Tijuca).

161 Paisagem (Vila Izabel).

162 Retrato do Exmo. Snr. Dr. N. P.

163 Tarde Nublada (Paisagem carioca).

164 Um tosco recanto (aquarela).

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Malaguti (Heitor) – Ex-aluno do Instituto de Belas Artes de Milão. – Premiado com a Menção do 1º grau na VIII Exposição Geral (1898). Rua Correia Dutra, 47.

165 Quietude.

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Marguerite Daum (D.) – Natural de Weimar, Alemanha. – Discípula de Auguste Petit. Rua Costa Bastos, 18.

166 Le Fumeur.

167 Syleno.

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Maria Theresa Rosso (D.) – Natural do Rio de Janeiro. – Italiana. Discípula de A. Petit. Rua do Ouvidor, 116.

168 Flores.

169 Frutas.

170 Legumes.

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[página 16]

Martha de Segadas (D.) – Natural da Capital Federal– Discípula de Sebastião Vieira Fernandes. Rua do Aqueduto, 15.

171 Cana da Índia.

172 Frutas.

173 Parasitas.

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Mee (D. Minna) – Natural de Hamburgo – Premiada com a Menção Honrosa do 2º grau na Exposição Geral (1902). Rua Aurora, 86. S. Paulo.

174 Dálias.

175 Parasitas.

176 Parasitas.

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Mendes (Roberto R.) – Natural da Capital Federal. Discípulo de Français et Doucet. – Premiado com a Menção Honrosa do 1º grau na VIII Exposição Geral (1901). Rua da Boa Viagem, 35. Niterói.

177 Crepúsculo.

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Morand (Eugène) – Artista Francês.

178 Ninfas.

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Petit (Auguste) – Natural da França. Discípulo de Eugène Nesle. Menção Honrosa em 1882 e Medalha de Preada em 1884. Premiado com a Medalha de 3ª classe (ouro) na V Expo-

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[página 17]

sição Geral (1898). Travessa de S. Francisco de Paula, 6.

179 Cajus.

180 Faceira.

181 Fleur de Bois.

182 Frutas.

183 Jeune lutteur.

184 Mangas.

185 Melão.

186 Retrato de Mme. D. M.

187 Sileno.

188 Uvas.

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Petrinilha de Lima (D.) – Natural do Rio de Janeiro. – Discípula de Augusto Petit. Rua da Constituição, 66 B.

189 Rosas.

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Raul Paranhos Pederneiras – Natural do Rio Grande do Sul. – Ex-aluno da Antiga Academia de Belas Artes. – Praia do Flamengo, 24.

190 A 1ª Missa no Brasil.

191 Alta Política.

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[página 18]

192 Angelus.

193 A Teoria de Darwin.

194 Café com leite.

195 Delícias da Solidão.

196 Esperança.

197 Estrela Cadente.

198 Fantasia.

199 Fantasia Japonesa.

200 Galhetas.

201 Imaculada Conceição.

202 Natureza Morta.

203 Nostalgia.

204 Ouvindo Beethoven.

205 Retrato do Poeta Fúnebre.

206 Sonho.

207 Sonho e Realidade.

208 Viens Poupoule!

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Santoro (Rosalbino) – Natural da Itália.

209 Remanso.

210 Tempestade.

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Sarah Del Vecchio (D.) – Natural do Rio de Janeiro. – Discípula de Auguste Petit e J. Baptista Da Costa. – Rua Evaristo da Veiga, 9.

211 Copacabana (paisagem).

212 Forte (Copacabana).

213 Pedra do Solitário (Ipanema).

214 Retrato de Maria.

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[página 19]

215 Retrato de meu pai.

216 Retrato de Maria.

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Sebastião Vieira Fernandes – Natural de Santa Catariana. – Discípulo de Vitor Meirelles. – Rua do Sacramento, 13.

217 Retrato.

218 Retrato.

219 Retrato.

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Theodoro Braga – Natural de Pernambuco. – Ex-pensionista da Escola Nacional de Belas Artes. – Rua do Conde de Baependi, 38.

220 Castelo Medieval (Osteim-Saxe) aquarela.

221 Fim de Sacrifício. Roma.

222 1830. Roma.

223 Lobo do mar. Londres.

224 Magdala. Roma.

225 Manhã de aniversário. Roma.

226 Melancolia. Londres.

227 Musa antiga. Roma.

228 Petrella Liri. Italia.

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[página 20]

229 P. Ovidus Naso.

230 Porta de Rottenburg od der Tauber. Bairen.

231 Richmond. Londres.

232 Rottenburg ob der Tauber. Bairen.

233 Ruinas do Palatino. Roma.

234 S. Lucas. Roma.

235 Vecchio Cantore.

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Timotheo da Costa (Arthur) – Natural da Capital Federal. – Discípulo de Henrique Bernardelli. – Rua Barão de Ubá, 9.

236 Diante do modelo.

237 Repreensão.

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Timotheo da Costa (J.) – Natural da Capital Federal. – Discípulo de Rodolpho Amoedo. – Rua Barão de Ubá, 9.

238 Retrato a carvão.

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Treidler (Benno) – Natural da Alemanha. – Discípulo da Academia de Berlim e aluno de Christiano Wilberg. – Premiado com a Medalha de 3ª classe na I Exposição Geral

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[página 21]

(1904). – Travessa Alice, 10. Santa Tereza.

239 Jacarepaguá (aquarela).

240 Leitura interessante (aquarela).

241 Manhã.

242 Marinha (aquarela).

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Virgilio Lopes Rodrigues – Natural de Pernambuco. – Discípulo de Santos Ollala – Villa Humaitá. Largo dos Leões.

243 Marinha.

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Virginia de Niemeyer (D.) – Natural de Minas Gerais. – Discípula de Auguste Petit. Rua da Alfandega, 4.

244 A Prece.

245 Bananas.

246 Laranjas.

247 Melancia.

248 Uvas.

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Visconti (Elizeu d'Angelo) – Ex-pensionista da Escola Nacional de Belas Artes. – Premiado com a Medalha de 2ª classe na I Exposição

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[página 22]

Geral (1894) e com a medalha de 1ª classe na IX Exposição Geral (1902).

249 Retrato.

250 Retrato.

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Vuagnat – Natural de Paris.

251 Chèvre et Chevrean.

252 Côte de Normandie.

253 Jeune Pâtre.

254 Lac d' Aiguebellette.

255 La première bécasse.

256 Vaches.

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Weingartner (Pedro) – Natural de Porto Alegre – Ex-professor da Escola Nacional de Belas Artes.

257 Estudo de nu.

258 Invejando as amorosas.

259 Paisagem do Rio Grande.

260 Recitator acerbus.

261 Remorsos.

262 Visita aos avôs.

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[página sem numeração]

ARQUITETURA

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Dubugras (Victor) – Natural da França. Residente em S. Paulo, Avenida Paulista, Alameda Lima, 3.

263 Projeto da Faculdade de Medicina da Bahia (em construção)

264 Projeto de Palácio Legislativo para Montevidéu.

265 Projeto de Palácio Municipal para Santos.

-

Sada (Carlos)

266 Projeto de Teatro a construir-se em S. José do Rio Pardo (S. Paulo).

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[página sem numeração]

Gravura de Medalhas e Pedras Preciosas

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Girardet (Augusto) – Natural de Roma. – Discípulo de Giorgio Girardet. – Professor da Escola Nacional de Belas Artes.

267 Coleção de 13 modelos de medalhas em bronze.

268 Coleção de 15 medalhas.

269 Os Presidentes.

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[página sem numeração]

ARTES APLICADAS

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Benedicto de Oliveira Machado – Natural de S. Paulo. Rua Senador Furtado, 19.

270 Jorra [sic] Tiradentes.

-

Hirsch (Mlle. Mary) – Natural de Baviera, Alemanha. – Discipula de Mme. Granèse. Rua Conde de Baependy, 38.

271 Vitrine contendo os seguintes objetos em couro:

Almofada

Lisense (cobertura de livro).

Saco Varlaine.

<< <<

<< <<

Carteira

<<

<<

<<

<<

Porta Cédulas.

Cinto.

-

Joanna Brandt (D.) – Natural de Copenhague. – Discípula de Mmes Arland e M. Richadt. – Villa Ester. Rua Fundador, Icaraí.

272 Banco de piano (cuir repoussé, Orchidéas)

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[página 28]

273 Banquinho (estilo de dragão).

274 Uma vitrine contendo:

a) Prato (Chataignes).

b) << (cactos).

c) << (Eglantine).

d) << (Geranuns).

e) << (Glycinia).

f) << (Rose).

g) << (Saxonie).

h) Vaso (Glicinia).

i) << (Vinha Sylvestre).

j) Passe-portant (cuis repossée).

-

Liceu de artes e ofícios de S. Paulo.

275 Cavalete esculpido de pau marfim para quadros.

276 Cadeiras de imbuia esculpidas (um par).

277 Cadeira de cabiúna esculpida.

278 Poltrona de guajuira de graduas com almofada de couro estufada de crina animal.

279 Mesinha de cabiúna esculpida para servir chá.

280 Poltrona de cabiúna esculpida.

281 Secretaria de imbuia com cadeira para moça.

282 Sofá de cabiúna esculpida.

-

Theodoro Braga – Natural de Pernambuco. Ex-pensionista da Escola Nacional de Belas Artes.

283 Cofre para joias do século XIV (reprodução).

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Digitalização de Biblioteca Digital de Obras Raras UFRJ Acessível em: https://bdor.sibi.ufrj.br/

Transcrição de Juliana Sena Coelho

Fac-símile do catálogo Acessível em: http://www.dezenovevinte.net/egba/catalogos/1905.pdf

Catálogos
1905 - Correio da Manhã
1905 - Gazeta de Noticias
1905 - Jornal do Commercio
1905 - Kósmos
1905 - O Paiz
1906
1906 - Catálogo

CATÁLOGO

DA

DÉCIMA TERCEIRA

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES

Inaugurada em 1 de setembro de 1906

NA

Escola Nacional de Belas Artes

1906

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[página sem numeração]

Catálogo

Pintura

Adelina Marques Saldanha (D.) - Natural do estado do Rio Grande do Sul. - Discípula de Auguste Petit. - 5, rua Senador Correia.

1 Flores.

2 Frutas.

Alaux (Guillaume) - Natural da França.

3 Marinha.

Aman-Jean - Natural da França.

4 Retrato.

5 Retrato.

Araujo Fróes (M. R. de) - Natural do Estado da Bahia. - Professor do Colégio Militar. - 93, rua da Conceição, Niterói.

6 Canto do Rio (Icaraí).

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[página 2]

Arthur Lucas - Natural da Capital Federal. - Discípulo de Zeferino da Costa, Rodolpho Amoedo e Decio Villares. - 48, rua Barão de Guaratiba.

7 Estudo (pastel).

8 Fantasia (pastel). Pertence ao Exm. Sr. Dr. Fernando Mendes de Almeida.

Arthur Silva - Natural do Rio de Janeiro. - Discípulo de Henrique Bernardelli. - 120, rua de S. Pedro.

9 Estudo.

10 Natureza morta.

11 Natureza morta.

Baptista da Costa (J.) - Natural do Rio de Janeiro. - Discípulo de Rodolpho Amoedo. - Professor do Instituto Profissional e da Escola Nacional de Belas Artes. - Prêmio de viagem na I Exposição Geral (1894). Medalha de 2ª classe na VII Exposição Geral (1900) e Medalha de 1ª classe na XI Exposição Geral (1904).

12 À beira do lago.

13 Margens do Paraíba. Guaratinguetá.

14 Paisagem. Leme.

15 Paisagem mineira. Palmira.

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[página 3]

16 Paisagem. Quinta da Boa Vista.

17 Um dia de ressaca. (Copacabana).

Bassi (T.) - Natural da Itália, domiciliado no Estado de S. Paulo. - É seu representante o Sr. D. A van de Pol. - 42, rua Theophilo Ottoni.

18 Vista da Vargem de Santo Amaro.

Beatriz Pompeo de Camargo (D.) - Natural do Estado de S. Paulo. - Discípula de Oscar Pereira da Silva. - 10, rua da Conceição, Meyer.

19 Na Fazenda. (Campinas).

20 Retrato.

Belmiro de Almeida - Natural do Estado de Minas Gerais. - Aluno da antiga Academia e ex-professor da Escola Nacional de Belas Artes.- Premiado pela antiga Academia e com a Medalha de 2ª classe (ouro) na I Exposição Geral (1894). - 29, rua Conselheiro Saraiva.

21 Amuada.

22 Beijo (caricatura).

23 Dame à la Rose.

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[página 4]

Bernardelli (Felix) - Premiado com a Medalha de 3ª classe (ouro) na I Exposição Geral (1894).

24 Barracas de banhos no lago de Chapala.

25 Colheira de milho.

26 Costumes mexicanos.

27 Lago de Chapala.

28 O Pátio (aquarela).

29 Os banhos em Chapala.

Bevilacqua (Eduardo) - Natural do Rio de Janeiro. - Discípulo de Henrique Bernardelli. - Premiado com a Menção Honrosa do 1º grau na X Exposição Geral (1903) e com a Medalha de 2ª classe (prata) na XII Exposição Geral (1905). - 15, rua Aprazível, Santa Teresa.

30 Infância de Orfeu.

31 Retrato.

Bouvet (Henry) - Natural da França.

32 Ao cair da tarde.

Brisgand (Gustave) - Natural da França.

33 Extase. Grafia em francês

34 Chant mystique.

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[página 5]

Brocos (Modesto) - Ex-professor de modelo-vivo da Escola Nacional de Belas Artes. - Premiado com a Medalha de 1ª classe na II Exposição Geral (1895). - 8, rua Silva Manoel.

35 Marinha.

36 Mater Dolorosa.

37 Retrato.

Caprile (N.) - Natural de Nápoles.

38 Nos Pampas (Buenos Aires).

Carlota Labouriau (D.) - Natural do Rio de Janeiro. Discípula da Escola de Belas Artes de Nancy e de Auguste Petit. - 15, rua Paranaguá, Santa Teresa.

39 Copacabana.

40 Flores (pastel).

41 Ipanema.

42 Notícia, Tribuna! (pastel).

Chambelland (Carlos) - Natural do Rio de Janeiro. - Discípulo de Rodolpho Amoedo. - Premiado com a Menção Honrosa do 2º grau na X Exposição Geral (1903) e com a Menção Honrosa do 1º grau na XII Exposição Geral (1905).

43 Olhares curiosos.

44 Retrato.

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[página 6]

Chapuis - Natural da França.

45 Bretagne.

Claude (J. Max) - Natural da França.

46 Exposição Canina.

Coelho de Magalhães (Gaspar) - Natural da Capital Federal, - Discípulo de Henrique Bernardelli. - 11, rua Sousa Cruz.

47 Pastor.

Collin (R.) - Natural da França.

48 Banho ao ar livre.

Columbano Bordallo Pinheiro - Natural de Portugal.

49 Cabeça de estudo.

50 Cabeça de estudo.

Cunha Vasco (D. Anna da) - Natural do Rio de Janeiro. - Discípula de Benno Treidler.- Premiada com a Menção na V. Exposição Geral (1898) e com a Medalha de 2ª classe (prata) na XII Exposição Geral (1905).- 10, rua Barão de Itamby, Botafogo.

51 Leme, de manhã (aquarela).

52 Leme, de manhã (aquarela).

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[página 7]

53 Leme, de manhã (aquarela).

54 Leme, de manhã (aquarela).

55 Leme, à tarde (aquarela).

56 Leme, à tarde (aquarela).

Cunha Vasco (D. Maria da) - Natural do Rio de Janeiro. - Discípula de Benno Treidler. - Premiada com a Menção na V Exposição Geral (1898) e com Medalha de 2ª classe (prata) na XII Exposição Geral (1905). - 10, rua Barão de Itamby, Botafogo.

57 Leme, de manhã (aquarela).

58 Leme, de manhã (aquarela).

59 Leme, de manhã (aquarela).

60 Leme, de manhã (aquarela).

61 Leme, à tarde (aquarela).

62 Leme, à tarde (aquarela).

Dall'Ara (Gustavo) - Premiado com a Medalha de 2ª classe (prata) na VIII Exposição Geral (1901). - 5 A, rua Dr. Joaquim Silva.

63 Jardim do largo da Glória.

64 Morro da Glória.

65 Serraria Frontin (Rua Senador Pompeu).

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[página 8]

D'Argence (E.) - Natural da França.

66 Crepúsculo.

Deborah Marcondes do Amaral (D.) - Natural da Capital Federal. - Discípula de João de Araripe Macedo. - 37 G, rua Pereira Nunes.

67 A Avozinha.

Delpino (Alberto). - Natural do Rio de Janeiro. - Aluno da antiga Academia de Belas Artes. - Premiado com a Menção na II Exposição Geral (1895).

68 Barbacena (Pinheiros).

69 Meu pai (Último retrato tirado do natural).

70 Ouro Preto (Chácara do Dr. Von Sperling).

71 Sabará, Rio das Velhas (Hospital dos Lázaros).

Diana Dampt (D.) - Discípula de Aman Jean. - Premiada com a Medalha de 3ª classe (ouro) na I Exposição Geral (1894).

72 As duas Irmãs.

73 O banho.

Elvira Catta Preta (D.) - Natural da Capital Federal. - Rua Paissandú, 5.

74 Pensativa.

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[página 9]

Elvira Gomensoro (D.) - Natural do Rio de Janeiro - Discípula de Auguste Petit. - Ponta do Caju, 3.

75 Um Boêmio.

Ema Voss (D.) - Natural da Alemanha. - 160, Avenida Paulista, S.Paulo.- É seu representante o Sr. D. A. van de Pol.

76 Parque Paulista.

77 S. Paulo.

Feitosa Filho (Miguel Alves). - Natural de Campinas. - Discípulo de Oscar Pereira da Silva.- 45, Alameda dos Andradas, S. Paulo.

78 Caipira fumando.

79 Cebolas.

80 Estudo.

81 Frutas.

82 Frutas.

83 Frutas.

84 Frutas.

85 Paisagem.

Fernandez Gomes (Antonio). - Natural de Espanha. - Discípulo de Barbasan.- Premiado com a Medalha de 2ª classe (prata) na XII Exposição Geral (905).

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[página 10]

Rua 15 de Novembro, 6, sobrado. - É seu representante o Sr. Vicente de Pazo.- Royal Hotel.

86 Caminho da enseada (Guarujá).

87 Canoas de S. Sebastião (Santos - Doca do Mercado).

Franco de Sá. - Natural do estado do Maranhão, recentemente falecido.

88 Retrato de Augusto Severo.

Frederico (Raphael) - Natural do Rio de Janeiro. - Ex-pensionista da Escola Nacional de Belas Artes. - Premiado com a Medalha de 2ª classe na VI Exposição Geral (1899). - Rua Coronel Cabrita, 19.

89 Crepúsculo no lago.

90 Estudando (aquarela).

91 Trenos da tarde.

Galdino Bicho. - Natural de Petrópolis. - Discípulo de Auguste Petit. - 25, rua Tavares Bastos.

92 Estudo.

Georgina de Albuquerque (D.) - Natural do estado de S.Paulo. - Discípula de Henrique Bernardelli.

93 Trecho do Jardim de Taubaté.

94 Trecho do Jardim de Taubaté.

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[página 11]

Honorio Esteves. - Natural do estado de Minas Gerais. - Ex-aluno da antiga Academia de Belas Artes.

95 Rio Icaraí.

96 Um cajueiro da estrada do morro do Cavalão.

97 Uma rua do jardim do Campo de Sant'Anna.

J. Arthur. - Natural do estado do Ceará. - Discípulo de Rodolpho Amoedo. - 11, travessa da Barreira.

98 Laura.

Julieta de França (D.)- Natural do Estado do Pará. Discípula de Rodolpho Bernardelli e M. Verlet. - 169, rua de S. Cristóvão.

99 Estudo de nu (desenho).

Lindermann (Rodolpho) - Natural de Paris. Discípulo de Jean Paul Laurens, Benjamin Constant e H. Royer. 35, rua Nova do Ouvidor.

100 Paisagem (S. Cristovão).

101 Paisagem (S. Cristovão).

102 Palmeiras.

103 Retrato de Arthur Azevedo.

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[página 12]

Lucilio de Albuquerque - Natural do Piauí. Discípulo de Rodolpho Amoedo e Henrique Bernardelli. - Premiado com a Menção Honrosa do 2º grau na IX Exposição Geral (1902) e com a Menção Honrosa do 1º grau na XI Exposição Geral (1904). - Pensionista da Escola, atualmente em Paris.

104 Retrato de Yerecé (pastel).

Luiza Xavier (D.) - Natural do Estado do Ceará. - Discípula de Rodolpho Amoedo. - 13, rua dos Artistas, Aldeia Campista.

105 Retrato.

Machado (Joaquim Fernandez) - Natural do Rio de Janeiro. - Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes - Premiado com a Menção Honrosa na Exposição Geral (1899) e com o Prêmio de Viagem na VIII Exposição Geral (1901).

106 Manhã (aquarela).

107 Tarde (aquarela).

Malhoa (José) - Natural de Portugal. - Membro honorário da Escola Nacional de Belas Artes.

108 Cebolas.

109 Cócegas.

110 Compra do voto.

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[página 13]

111 7º, não furtar... as uvas do Sr.cura.

112 Sardinhas.

113 Soalheiro.

Manna (Francisco) - Natural da Sicília. Brasileiro. - Discípulo de Romualdo Pratti e Henrique Bernardelli.- 81, rua Silva Manoel.

114 Ao ar livre.

115 Claro-escuro social.

116 Estudo.

117 Luta pela vida.

Marguerite Daum (D.) - Natural de Weimar, Alemanha.- Discípula de Auguste Petit. - Premiada com a Menção Honrosa do 2º grau na XII Exposição Geral (1905).- 11, rua Silveira Martins.

118 autorretrato.

119 Marre (H.) - Natural de França.

120 Cair da tarde.

Mee (D. Minna). - Natural de Hamburgo. - Brasileira - Premiada coma Menção Honrosa do 2º grau na IX Exposição Geral (1902)- - 20 rua Bocaiuva.

121 Flores.

122 Frutas.

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[página 14]

Mouvier (George) - Natural da França.

123 Mars, soleil levant.

Neves (G.) - Natural de Portugal. - Discípulo de J.Raphael.- 38, rua Costa Bastos.

124 Barcos (Marinha).

125 Canto de Paula Mattos (estudo).

126 Casa Campestre (paisagem).

127 Efeitos de manhã (estudo).

128 Mangueira (estudo).

129 Morro do Senado (paisagem).

130 Roupa ao sol (paisagem).

131 Viaduto Carioca.

Oswald (Carlos). - Natural do Rio de Janeiro. - Discípulo de Gelli, de Florença. - Premiado com a Menção Honrosa de 2º grau na XI Exposição Geral (1904).

132 Alpi Apuane.

133 A tarde.

134 La Salvatrice.

135 Magdalena.

136 Paisagem (Viareggio e Forte dei Marmi)

137 Paisagem ('' '' '' '')

138 Paisagem ('' '' '' '')

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[página 15]

139 Paisagem.

140 Retrato.

141 Triste.

142 Vergente Die.

143 Violinista.

Petit (Auguste). - Natural da França. - Discípula de Eugène Nesle. - Menção Honrosa em 1882 e Medalha de Prata em 1884. - Premiado com a Medalha de 3ª classe (ouro) na V Exposição Geral (1898). - Travessa de S. Francisco de Paula. 8.

144 Autorretrato.

Rachel Boher (D.). - Natural de França. - Discípula de João Baptista da Costa. - Praça Malvino Reis, 9, Copacabana.

145 Flores.

146 Praça Malvino Reis (Copacabana).

147 Virtuose.

Regina Veiga (D.) - Natural do Estado do Rio. - Discípula de Rodolpho Amoedo. - 10 A, rua Maria Eugenia.

148 Estudo.

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[página 16]

Ribeiro (D. Irene de Andrade). - Natural do Rio de Janeiro. - Discípula de Rodolpho Amoedo. - Premiada com a Menção Honrosa do 2º grau na XI Exposição Geral (1904). - 2, ladeira do Ascurra.

149 Quietude.

150 Quinta da Boa Vista.

151 Trecho de paisagem.

Rosalvo Ribeiro. - Natural do estado de Alagoas. - Maceió.

152 Arrabalde de Paris.

153 Avenida do Prado (Maceió).

154 Bretagne.

155 Dragões.

156 Estação do Trapiche da Barra (Maceió).

157 Mancha (França).

158 Margem do Sena.

159 Porto do Trapiche da Barra (Maceió).

Sarah Del Vecchio (D.) - Natural da Capital Federal. - Discípula de João Baptista da Costa. - 9, rua Evaristo da Veiga.

160 Lago das Ninfas (Jardim Botânico).

161 O Lago. Leitor matutino (Passeio Público).

162 Ponte do Aquarium (Passeio Público).

163 Pirâmide (Passeio Público).

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[página 17]

Souza Vianna (Antonio). - Natural do estado de Minas Gerais. - Ex-pensionista da Escola Nacional de Belas Artes. Recentemente falecido.

164 Cabeça.

165 Cabeça.

166 Cabeça.

167 Vacas.

Teffé (D. Nair de). - Natural do Rio de Janeiro - Discípula da Academia Julian, de Bouguereau e Toudouse. - 208, Praia de Botafogo.

168 Estudo de cabeça.

169 Estudo de flores.

170 Estudo de flores.

171 Meu irmão Octavio.

172 Retrato (pastel).

173 Retrato (pastel).

174 Retrato (pastel).

Teixeira Bastos (J.) - Natural de Portugal. - Discípulo de Malhôa.

175 Casa de Campo (Valles).

176 Casa de Campo (Valles).

177 Casa de Campo (Covão. Valles).

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[página 18]

178 Efeitos do pôr do sol.

179 Moinho. Praia do Moledo.

180 Velho castanheiro.

Telles Junior. - Natural de Pernambuco.

181 Estrada da Matriz da Varzea.

Timotheo da Costa (Arthur). - Natural da Capital Federal. - Discípulo de Henrique Bernardelli. - Rua Pedreira Franco. 26.

182 Estudo.

183 Livre de preconceitos.

184 Retrato.

185 Retrato.

Timotheo da Costa (J.) - Natural da Capital Federal. - Discípulo de Rodolpho Amoedo. - 26, rua Pedreira Franco.

186 Retrato.

187 Retrato.

188 Retrato.

Tournés (E.) - Natural da França.

189 No tocador.

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[página 19]

Treidler (Benno). - Natural da Alemanha. - Discípulo da Academia de Berlim e aluno de Christiano Wilberg. - Premiado com a Medalha de 3ª classe (ouro) na I Exposição Geral (1894). - 38, rua Tavares Bastos.

190 Autorretrato.

191 Crepúsculo.

192 Manhã nublada.

193 Meio-dia.

194 Sol e Neblina.

Trigoso (João de Mello Falcão). - Natural de Portugal. Discípulo de Carlos Reis, de Lisboa.

195 Paisagem.

196 Uma cheia (Campos de Sanguinhal).

Vasquez (D. G. J.) - Aluno da antiga Academia de Belas Artes. - Premiado com a Medalha de 2ª classe (prata) na VII Exposição Geral (1901).

197 Planalto de Teresópolis.

198 Rio Paquequer.

199 Serra dos Órgãos.

200 Um dos afluentes do Paquequer.

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[página 20]

Visconti (Elizeu d'Angelo). - Ex-pensionista da Escola Nacional de Belas Artes. - Premiado com a Medalha de 2ª classe na 1ª Exposição Geral (1902) e com a Medalha de 1ª classe na IX Exposição Geral de (1902).

201 Segredo.

Weingartner (Pedro). - Natural de Porto Alegre. - Ex-professor da escola Nacional de Belas Artes.

202 Interior de cozinha.

203 Pastora.

204 Praça de Anticoli.

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[página sem numeração]

Escultura

Belmiro de Almeida. - Natural do estado de Minas Gerais. - Aluno da antiga Academia e ex-professor da Escola Nacional de Belas Artes. - 29, rua Conselheiro Saraiva.

205 Retrato do Dr. Gastão Braga (busto em bronze).

Correa Lima (José Octavio), - Natural do estado do Rio de Janeiro. - Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes, discípulo de Rodolpho Bernardelli. - Prêmio de Viagem na VI Exposição Geral (1899), Medalha de 2ª classe (prata na VIII Exposição Geral (1901) e Medalha de 1ª classe (ouro) na IX Exposição Geral (1902). - 307 A, rua Frei Caneca.

206 Busto do Almirante Custódio (gesso).

207 O trabalho (gesso).

Honorio da Cunha Mello. - Natural de Recife. - aluno da Escola Nacional de Bellas-Artes, discípulo do professor Rodolpho Bernardelli.

208 Cabeça de garoto.

209 Retrato de A.C.

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[página 22]

Julieta de França (D.) - Natural do estado do Pará. -Discípula de Rodolpho Bernardelli e M. Verlet. - Ex-pensionista da escola Nacional de Belas Artes. - Premiada com a Medalha de 2ª classe (prata) na X Exposição Geral (1903). - 169, rua de S. Cristóvão.

210 Busto do Comendador Catraby (gesso).

211 Busto do Dr. Serzedello Correia (gesso).

212 Busto de Mlle. Fortin (gesso).

213 Confidence (gesso).

214 Maquete - Rapt Eternel.

215 Maquete comemorativa da República Brasileira.

216 Rêve de l'enfant prodigue.

Nicolina Vaz de Assis (D.) - Natural do estado de S.Paulo. - Ex-aluna da Escola Nacional de Belas Artes e discípula de Rodolpho Bernardelli - Premiada com Menção Honrosa do 2º grau na VIII Exposição Geral (1901).

217 Busto de Mlle. L. (bronze).

218 Estudo para uma fonte (gesso).

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[página sem numeração]

Gravura de Medalhas e Pedras Preciosas

Girardet (Augusto). - Natural de Roma. - Discípulo de Giorgio Girardet. - Professor da Escola Nacional de Belas Artes.

219 Medalha comemorativa da criação do 1º Cardeal na América.

220 Medalha comemorativa do período presidencial do Exmo. Sr. Dr. Rodrigues Alves.

221 Medalha para oferecer ao Exmo. Sr. Dr. Francisco Pereira Passos, Prefeito do Distrito Federal.

222 Três projetos para uma moeda italiana de 20 liras em ouro.

223 Uma porção de aço para cunhar uma medalha em memória do Rei Humberto 1º.

224 Um retrato.

225 Vaidosas?

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[página sem numeração]

Gravura e Litografia

Brocos (Modesto). - Ex-professor de desenho do modelo-vivo da Escola Nacional de Belas Artes.

226 Retrato (água-forte) do Dr. J.J. Seabra. (Para a sala dos retratos do Ministério da Justiça e Negócios Interiores).

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[página sem numeração]

Arquitetura

Micheli (Giacomo). - Natural da Itália. - Premiado com a medalha de 3ª classe na VIII Exposição Geral (1900). - 13, rua da Piedade.

227 Antigo templo em ruínas, circular a dupla volta poligonal.

Saldanha da Gama (Raul Lessa de). - Natural da Capital Federal. - Aluno da Escola Nacional de Belas Artes. - 249, rua do Senado.

228 Monumento comemorativo da fundação da cidade de S. Sebastião.

[página sem numeração]

Artes aplicadas

Joanna Brandt (D.) - Natural de Copenhague.- Discípula de Mme. Arland, de M. Richardt e da Escola de Artes e Industriais Dinamarqueza. - Premidada com a Menção Honrosa de 1º grau na XIII Exposição Geral (1905). - Villa Esther, rua do Fundador. Icaraí.

229 Vitrine contendo trabalhos de couro e bordados.

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Digitalização de Biblioteca Digital de Obras Raras UFRJ Acessível em: https://bdor.sibi.ufrj.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

Fac-símile do catálogo Acessível em: http://www.dezenovevinte.net/egba/catalogos/1906.pdf

Catálogos
1906 - Correio da Manhã
1906 - Gazeta de Noticias
1906 - Jornal do Brasil

ESCOLA DE BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. O "VERNISSAGE". Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 set. 1906, p.3.

BELAS-ARTES. O SALÃO DE 1906. A INAUGURAÇÃO. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 2 set. 1906, p.9.

BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 7 set. 1906, p.3.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 8 set. 1906, p.2.

EXPOSIÇÃO DE BELAS-ARTES O SALÃO CÔMICO. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 9 set. 1906, p.11.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10 set. 1906, p.2.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 11 set. 1906, p.3.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 14 set. 1906, p.3.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 set. 1906, p.3.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 set. 1906, p.3.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 set. 1906, p.3.

Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23 set. 1906, p.8.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 set. 1906, p.2.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 25 set. 1906, p.2.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 26 set. 1906, p.2.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 27 set. 1906, p.4.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 out. 1906, p.4.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 8 out. 1906, p.2.

1906 - Jornal do Commercio
1906 - Kósmos
1906 - O Paiz
1907
1907 - Catálogo

CATÁLOGO

DA

DÉCIMA QUARTA

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES

Inaugurada em 1 de setembro de 1907

NA

Escola Nacional de Belas Artes

1907

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Catálogo

PINTURA

Adelia Marques Saldanha (D.) - Natural do Estado do Rio Grande do Sul. - Discípula de Auguste Petit. - 5, rua Senador Correa.

1 Autorretrato.

-

Affonso Silva. - Natural do Rio de Janeiro. - 158, rua do Rezende.

2 Morro do Castelo.

-

Agostini (Angelo). - 1, rua Sete de Setembro.

3 Criança arrebatada pela águia.

-

Angelina Agostini (D.) - Natural da Capital Federal. - Discípula de Henrique Bernardelli e de João Baptista da Costa. - 24, Henrique Dias.

4 Estudo.

-

Araujo Fróes (M. R. de). - Natural do Estado da Bahia. Professor do Colégio Militar. Premiado com a Menção Honrosa do 2º grau na XIII Exposição Geral (1906). - 20, rua de S. Pedro (Niterói).

5 Porto de S. Lourenço (Niterói).

-

Araujo Monteiro (Alfredo de Souza). Na -

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tural da Capital Federal. - 3, rua Souza Cruz.

6 Flores.

-

Baptista da Costa (J.) - Natural do Rio de Janeiro. - Discípulo de Rodolpho Amoedo. - Professor do Instituto Profissional e da Escola Nacional de Belas Artes. - Prêmio de viagem na I Exposição Geral (1894). Medalha de 1ª classe na VII Exposição Geral (1900) e Medalha de 1ª classe na XI Exposição Geral (1904). -- 44 B II, rua da Real Grandeza.

7 Caminho da Floresta (Rio de Janeiro).

8 Campo em flor (Juiz de Fora).

9 Casa de pobre (Juiz de Fora).

10 Depois da chuva (Juiz de Fora).

11 Interior de floresta (Rio de Janeiro).

12 Paisagem (Juiz de Fora).

-

Barbásan Lagueruela. - Natural de Espanha, domiciliado em Roma.

13 Cataplum... (Pertence ao Sr. Pedro S. de Queiroz.

-

Barbosa Rodrigues (Dr. João). - Diretor do Jardim Botânico.

14 Cabeça de Índia.

-

Barros (Angenor Cesar). - Natural da Capital Federal. - Discípulo de Henrique Bernardelli e João Baptista da Costa. - 146, rua Carmo Netto.

15 Estudo.

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Beatriz Ferro Cardoso de Miranda (D.) - Natural de Bruxelas, porém brasileira. - Ex-aluna da Ecole Nationale de Beaux-Arts pour les jeunes filles, de Paris, discípula de Amedée Bourson, de Bruxelas, e de João Zeferino da Costa. --30, rua Taylor.

16 Abacaxi.

17 Miscellanea.

-

Beatriz Pompêo de Camargo (D.) - Natural do Estado de S. Paulo. - Discípula de Oscar Pereira da Silva. - 1(), rua da Conceição. Meyer.

18 Bombons e licor.

19 Boca do Mato (Serra do Matheus).

20 Frutas.

-

Belmiro de Almeida - Natural do estado de Minas Gerais. - Aluno da antiga Academia e ex-professor da Escola Nacional de Belas Artes. - Premiado pela antiga Academia e com a medalha de 2ª classe (ouro) na I Exposição Geral (1894).

21 Inocência.

22 Paisagem de Teresópolis.

-

Bernardelli (Felix). - Premiado com a Medalha de 3ª classe (ouro) na I Exposição Geral (1894).

23 Lago de Chapala.

24 Paisagem.

-

Bernardelli (Henrique). - Ex-professor de Pin-

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-tura da Escola Nacional de Belas Artes.

25 Retrato do Snr. A.C.

26 Retrato do Snr. Coronel J. M.

27 Retrato do Snr. Coronel S.A.

28 Retrato do Snr. Dr. J. B. O.

29 Retrato do Snr. Visconde de T. de C.

-

Bevilacqua (Eduardo) - Natural do Rio de Janeiro. - Discípulo de Henrique Bernardelli. - Premiado com a Menção Honrosa do 1º grão na X Exposição Geral (1903) e com a Medalha de 2ª classe (prata) na XII Exposição Geral (1906). Prêmio de Viagem na XIII Exposição Geral (1906). - 198, rua das Laranjeiras.

30 Terra Santa (Petrópolis).

31 Petrópolis.

-

Bracet (Augusto) - Natural da Capital Federal. - Discípulo de Rodolpho Amoedo e João Baptista da Costa. - 94, rua do Conde de Bonfim.

32 Saudosa.

-

Brocos (Modesto) - Ex-professor de modelo vivo da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com a Medalha de 1ª. classe (ouro) na II Exposição Geral (1895). - 8, rua Silva Manoel.

33 Costumes da Galiza.

34 Meditando.

35 O Progresso (representando pelas Amadriades surpreendidas com a passagem da locomotiva (paisagem brasileira).Painel decorativo para o edifício em que vai fun-

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-cionar o jornal 'O Brasil'.

36 Paisagem.

-

Campão (José Marques) - Natural do Estado de S. Paulo. Discípulo de Oscar Pereira da Silva. - 8, rua das Palmeiras. (S. Paulo).

37 Caquis.

38 Orquídeas.

-

Carlota Labouriau (D.) - Natural do Rio de Janeiro. Discípula da Escola de Belas Artes de Nancy e de Auguste Petit. - 15, rua Paranaguá, Santa Teresa.

39 Poços de Caldas.

40 Retrato (pastel).

41 Ipanema.

-

Chambelland (Carlos) - Natural do Rio de Janeiro. - Discípulo de Rodolpho Amoedo - Premiado com a Menção Honrosa do 2º grau na X Exposição Geral (1903), com a Menção Honrosa do 1º grau na XII Exposição Geral (1905) e com a Medalha de 2ª classe (prata) na XIII Exposição Geral (1906). 51 A, rua Santa Alexandrina.

42 Final do jogo.

43 Retrato.

-

Christofe (Louis). - Natural da Capital Federal, 108, Praia de Botafogo.

44 Charmes (Forèt de Fontainebleau)

45 Debarquement de la sardine (Concarneau).

-

Coelho de Magalhães (Gaspar) - Natural da

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Capital Federal. - Discípulo de Henrique Bernardelli. - 11, rua Souza Cruz.

46 Cabeça (estudo).

47 Estudo de cabeça.

48 Paisagem.

49 Paisagem.

50 Retrato.

51 Rochedo.

52 Rochedo.

53 Vila Guarani.

-

Cordeiro (Luiz) Natural da Capital Federal. - Discípulo de Henrique Bernardelli e João Baptista da Costa. 22, rua Clapp.

54 Paisagem (estudo).

-

Cunha Vasco (D. Maria da) - Natural do Rio de Janeiro. - Discípula de Benno Treidler. - Premiada com a Menção na V Exposição Geral (1898) e com a Medalha de 2ª classe (prata) na XII Exposição Geral (1905). 10, rua Barão Itamby, Botafogo.

55 Crepúsculo. Leme (aquarela)

56 Copacabana (aquarela).

57 Paisagem. Petrópolis (aquarela)

-

Cunha Vasco (D. Anna da) - Natural do Rio de Janeiro. - Discípula de Benno Treidler. - Premiada com a Menção na V Exposição Geral (1898) e com a Medalha de 2ª classe (prata) na XII Exposição Geral (1905). - 10, rua Barão de Itamby, Botafogo.

58 Crepúsculo. Leme (aquarela)

59 Copacabana (aquarela)

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60 Moinho. Petrópolis (aquarela).

-

Dall'Ara (Gustavo) - Premiado com a Medalha de 2ª classe (prata) na VIII Exposição Geral (1901). - 5 A, rua Dr. Joaquim Silva.

61 A Glória.

62 Retrato.

63 Retrato do Snr. A. C.

64 Rua Direita.

-

De Agostini (Carlos Alberto) - Natural da Capital Federal. - Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes, discípulo de Rodolpho Amoedo. - 85, rua do Mattoso.

65 Meditando (Pertence ao Dr. Theodulo Soares de Meirelles).

66 Melancia (Pertence ao Dr. Theodulo Soares de Meirelles.)

67 O pé, meu louro?

68 Preocupada.

69 Retrato do Dr. B. de A.

-

Delpino (Alberto) - Natural do Rio de Janeiro. - Aluno da antiga Academia de Belas Artes. Premiado com a Menção na II Exposição Geral (1895).

70 Fazenda do Dr. Couto em Barbacena.

71 Saudosa Marilia. Inconfidência Mineira.

72 Santa Luzia.

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Deolinda Leite da Fonseca e Silva. - Natural do Estado do Rio de Janeiro. - Discípula de Auguste Petit: - 9, rua do Conde de Bonfim.

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[página 8]

73 Frutas.

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Edith Capote Valente (D.) - Natural do Estado de S. Paulo. - Discípula de Oscar Pereira da Silva. - 54, rua Sebastião Pereira (S. Paulo).

74 Cabeça de menina (desenho).

75 Caquis.

76 Mamões.

-

Eugenia Freire da Silva (D.) - Natural do Estado de S. Paulo.- Discípula de Oscar Pereira da Silva. - 36, rua Barão de Itapetininga (S. Paulo).

77 Natureza morta.

78 Natureza morta.

79 Natureza morta.

-

Fernandez Gomez (Antonio) - Natural de Espanha. Discípulo de Barbasan. - Premiado com a Medalha de 2ª classe (prata) na XII Exposição Geral (1905).

80 Estudo de cabeça.

81 Sítio de Itabatatinga.

-

Freitas (Augusto Luiz de) Natural do Rio Grande do Sul. - Ex-aluno da Escola Nacional da Belas Artes. - Obteve o Prêmio de Viagem na V Exposição Geral (1898) e a Medalha de 2ª classe (prata) na VIII Exposição Geral (1901).

82 Família Pobre.

83 Impressão.

84 Impressão.

85 Impressão.

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86 Impressão.

87 Impressão.

88 Impressão.

89 Impressão.

90 Inverno.

91 Rua da Aldeia.

-

Gabriela Costa (D.) - Natural da Capital Federal. Discípula de Teixeira da Rocha e José Maria de Medeiros. - 213, rua Haddock Lobo.

92 Marinha.

93 Travessuras.

-

Galdino Bicho. - Natural de Petrópolis. - Discípulo de Auguste Petit. - 131, rua do Riachuelo.

94 Cabeça de estudo.

95 Cabeça de estudo.

96 Cabeça de estudo.

-

Georgina de Albuquerque (D.) - Natural do Estado de S. Paulo. - Discípula de Henrique Bernardelli.

97 Italiana.

98 Supremo Amor.

-

Guilherme Santos. - Natural da Capital Federal. Discípulo de Victor Meirelles e Zeferino da Costa. - 37, rua Barão do Sertorio.

99 Paisagem (Campo de Sant'Anna).

100 Paisagem (Gruta de Paulo e Virgínia)

-

Gurgel. - Natural do Rio de Janeiro.

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101 Copacabana.

-

Isabel Hislop (D.) - Natural do estado do Rio Grande do Sul. Discípula de Phillipoteaux, do Cairo, - 67. Senador Vergueiro.

102 Cabeça de Árabe (Mohamed sala).

103 Cabeça de Árabe (Mohemoud Ab).

-

Jenny de Souza Aguiar (D.) - Natural da Capital Federal. Discípula de Henry Walder.

104 Corbeille de rosas.

105 Frutas.

106 Orquídeas.

107 Paisagem do Rio Piquete.

108 Retrato de meu irmão Luiz.

-

Latour (Eugenio). - Natural do Rio de Janeiro - Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com a Medalha de 2ª classe (prata) na VIII Exposição Geral (1901). - Obteve o Prêmio de Viagem na IX Exposição Geral (1902). - 23, via Margutta, Roma.

109 Barcos de pesca em Veneza.

110 Electra.

111 Efeito de sol.

-

Laura Andrade (D.) - Natural do Rio de Janeiro. - Discípula de Henry Walder. - 164, rua do Conde de Bonfim.

112 Flores e frutas.

-

Laura Freire de Meirelles (D.)- Natural do Estado de S. Paulo. Discípula de Oscar

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Pereira da Silva.

113 Melancia.

114 Natureza Morta.

-

Lucilio de Alburquerque. - Natural do Puauí. Discípulo de Rodolpho Amoedo e Henrique Bernardelli. - Premiado com Menção Honrosa do 2º grau na IX Exposição Geral (1902) e com Menção Honrosa do 1º grau na XI Exposição Geral (1904). - Pensionista da Escola, atualmente em Paris.

115 Dante (Canto V. do Inferno).

116 Agnus Dei.

-

Luiza Maurity dos Santos Belart (D.) Natural da Capital Federal. Discípula de Henrique Bernardelli, Rodolpho Amoedo e Baptista da Costa. - 2 B, rua Alzira Brandão.

117 Estudo.

118 Fantasia.

-

Macedo (João). - Natural do Ceará. - Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes. - Premiado com a Medalha de 3ª classe na VI Exposição Geral e com o Prêmio de Viagem na VII Exposição Geral (1900), - 1, rua Sete de Setembro.

119 Oficina de pobre.

120 Paisagem.

121 Um solo interrompido.

122 Viração da tarde.

-

Malhôa (José). - Natural de Portugal. Membro

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honorário da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com a Medalha de 1ª classe (ouro) na XIII Exposição Geral (1906).

123 Retrato de Mlle. R. O. (pastel).

-

Manna (Francisco). - Natural da Sicília, brasileiro. - Discípulo de Romualdo Pratti e Henrique Bernardelli. - Premiado com a Menção Honrosa do 1º grau na XII Exposição Geral - 1, rua Fialho.

124 Epílogo.

-

Marguerite Daun (D.) - Natural de Weimar, Alemanha. - Discípula de Auguste Petit. - Premiada com a Menção Honrosa do 2º grau na XII Exposição Geral (1905) - 11, rua Corrêa Dutra.

125 Paisagem.

126 Paisagem.

127 Retrato de meu pai.

-

Marie Louise de Bernardiéres (D.) - Natural de Lorient - Morbihan, França. Discípula de Besnard. - 10, rua Ipiranga.

128 Attendant le retour.

-

Marietta Velho (D.) - Natural do Rio de Janeiro Discípula de HenryWalder. 68, rua Bambina.

129 Rosas.

-

Mario Navarro da Costa - Natural da Capital Federal. 47, rua dos Voluntários da Pátria.

130 Em descarga (Bahia do Rio de Janeiro - Efei-

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[página 13]

to da manhã).

131 Estudo (Marinha).

-

Mendes (Roberto R.) - Natural da Capital Federal. Discípulo de Français et Doucet. - Premiado com a Menção Honrosa do 1º grau na VIII Exposição Geral (1901). Rua da Boa Viagem, 35. Niterói.

132 A Brisa (Crepúsculo no lago do Museu Nacional.)

133 Estudo de Mangueiras.

-

Mendonça (Armando) - Natural de Outro Preto é seu representante o Sr. Manuel Duarte Moreira Junior. 23, rua Cachamby - Meyer.

134 À tardinha.

135 Babueiro.

136 Interior de floresta.

-

Menge (A. de Alvim) - Natural do Estado do Rio de Janeiro, atualmente em Roma. Discípulo de Barbasan Lagueruela. É seu representante o Sr. Pedro S. Queiroz.

137 Ave Maria.

138 O Novato.

139 Velho Garibaldino.

-

Mercedes Lisboa Seng (D.) Natural do Estado de S. Paulo. Discípula de Oscar Pereira da Silva. - 21, rua Barão de Itapetininga (S. Paulo).

140 Caça.

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Nand Buyle - Natural da Bélgica.

141 Retrato do Dr. Barbosa Rodrigues.

-

Neves (G.) - Natural de Portugal. Discípulo de J. Raphael. Premiado com a Menção Honrosa do 2º grau na XIII Exposição Geral (1906). - 67, rua da Uruguayana.

142 Canto de rua.

143 Crepuscular.

144 Manhã.

145 Neblina.

146 Paisagem.

147 Paisagem (aquarela).

148 Retrato.

149 Retrato de menina.

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Oscar Pereira da Silva. - Natural do Estado do Rio de Janeiro. Premiado com a Medalha de 2ª classe (ouro) na I Exposição Geral (1894). - 159, rua Augusta (São Paulo).

150 Cabeça de expressão.

151 Canto de cozinha.

152 Tomando uma pitada.

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Oswaldo (Carlos). - Natural do Rio de Janeiro. - Discípulo de Gelli, de Florença. Premiado com a Menção Honrosa do 2º grau na XI Exposição Geral (1904) e com a Medalha de 2ª classe (prata) na XIII Exposição Geral (1906). - 124, rua Aristides Lobo.

153 Estudo de cabeça.

154 Retrato de M. B.

155 Retrato do maestro Oswald.

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[página 15]

Pacheco (Joaquim Insey). - 70, rua Gonçalves Dias.

156 Cabana solitária.

157 Estudo de árvores.

158 Guache (Paquetá).

159 Guache (Idem).

160 Guache (Idem).

161 Guache (Idem).

162 Ilha do Governador vista do Pedregulho.

163 Ilha de Paquetá.

164 Ipanema.

165 Ipanema.

166 Ipanema e Gávea.

167 Ipanema e Gávea.

168 Lagoa Rodrigo de Freitas.

169 Morro de Villa Isabel.

170 O mar que se encrespa em Copacabana.

171 Paisagem (Caminho de Ipanema).

172 Praia de Ipanema.

173 Praia de Ipanema.

174 Serra dos Órgãos, vista do Silvestre.

175 Tarde nos rochedos (Copacabana).

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Petit (Auguste). - Natural da França. - Discípulo de Eugène Nesle. - Menção Honrosa em 1882 e Medalha de Prata em 1884 - Premiado com a Medalha de 3ª classe (ouro) na V Exposição Geral (1898). - 8, travessa de S. Francisco de Paula.

176 Retrato do Exm. Sr. Barão Homem de Mello.

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Pinheiro de Almeida (A). - Natural do Rio de Janeiro.

177 Andaraí Grande.

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[página 16]

Puga Garcia (Gaspar). - Natural do Rio de Janeiro. - Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes - Discípulo de Rodolpho Amoedo, - 69 A, rua S. Luiz Gonzaga.

178 Crepúsculo.

179 Fantasia.

-

Rachel Boher (D).- Natural da França. Discípula de João Baptista da Costa. Premiada com a Menção Honrosa de 2º grau na XIII Exposição Geral (1906). - 9, praça Malvino Reis, Copacabana.

180 Canto de jardim.

181 Morangos.

182 Paisagem.

183 Paisagem.

-

Raul.

184 A defesa da bandeira (caricatura).

185 Contrastes (caricatura).

186 Em confidência...mineira (caricatura).

187 Guerra dos Farrapos (caricatura).

188 Ilusões perdidas (fantasia).

189 Pedido em casamento (caricatura).

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Regina Veiga (D.)- Natural do Estado do Rio. Discípula de Rodolpho Amoedo. Premiada com a Menção Honrosa do 2º grau na XIII Exposição Geral (1906). 10 A, rua Maria Eugenia.

190 Ao ar livre (pochade).

191 No jardim (pochade).

192 Retrato de Mlle. R.

193 Retrato de Mlle. S.

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[página 17]

Ribeiro da Silva (A.) - Natural de Portugal. 107, rua do Rosário.

194 Paisagem.

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Ribeiro (D. Irene de Andrade). - Natural do Rio de Janeiro. Discípula de Rodolpho Amoedo. Premiado com a Menção Honrosa do 2º grau na XI Exposição Geral (1904). 2, ladeira do Ascurra.

195 Canto de atelier.

196 Casa abandonada.

197 Convalescente.

198 Exercício ao ar livre (estudo).

199 Rêverie.

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Rosalvo Ribeiro.- Natural do Estado de Alagoas. Maceió. Premiado com a Menção Honrosa do 1º grau na XIII Exposição
Geral (1906).

200 Paisagem.

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Soares Cunha (Joaquim). - Natural da Capital Federal. Discípulo de Henrique Bernardelli e João Baptista da Costa. - 44, rua D. Luiza.

201 Cabeça (estudo).

202 Fundo de quintal.

203 Marinha.

204 Paisagem.

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Sussekind (Carlos). - Natural da Capital Federal. Discípulo de João Baptista da Costa. - 4, travessa do Marquez de Paraná.

205 Estudo de interior.

206 Estudo de interior.

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[página 18]

207 Estudo de interior.

208 Estudo de jardim.

209 Vista do Morro da Viúva.

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Teffé (D. Nair de). - Natural do Rio de Janeiro. - Discípula da Academie Julian, de Bouguereau e Toudouse. - 205, praia de Botafogo.

210 A mais íntima de minhas amigas.

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Thu-Ceu-Han (Antonio Pereira). - Natural de Pequim. Discípulo de Rodolpho Amoedo. 193, Avenida Rui Barbosa.

211 Flores (estudo).

212 Retrato do Exm. Sr. Dr. Affonso Penna, Presidente da República.

213 Flores (aquarela).

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Teixeira (Álvaro). - Natural do Estado do Rio de Janeiro. Discípulo de João Baptista da Costa. É seu representante o Sr. José Dalle Afflalo. 1, rua Costa Bastos.

214 Bananas.

215 Casal de garnisés.

216 Melancia.

217 Melão.

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Teixeira da Rocha (Manuel). - Natural do Estado de Alagoas. Discípulo de Victor Meirelles, J. P. Laurens e Benjamim Constant. Medalhas de ouro de pintura e de desenho da antiga Academia. Premiado com Medalha de 3ª classe (ouro) na VI Exposição Geral (1899).

218 Caixa d'água do Pedregulho.

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[página 19]

219 Colhendo rosas.

220 Impressão (Luxemburgo).

221 Jardim do Luxemburgo.

222 Quinta da Boa Vista (paisagem).

223 Retrato de criança.

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Timóteo da Costa (Arthur). - Natural da Capital Federal. - Discípulo de Henrique Bernardelli. Premiado com a Menção Honrosa do 1º grau na XIII Exposição Geral (1906). - 26, rua Pereira Franco.

224 Antes da Aleluia (pintado a tinta mate).

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Timóteo da Costa (J). - Natural da Capital Federal. - Discípulo de Rodolpho Amoedo Premiado com a Menção Honrosa do 2º grau na XIII Exposição Geral (1906). - 26, rua Pereira Franco.

225 Retrato

-

Valle de Souza Pinto (Antonio Alves do). - Natural do Vallongo (Porto). Premiado com a Menção Honrosa na I Exposição Geral (1894). - 302, rua do Hospício.

226 Retrato a lápis.

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Virginia de Niemeyer (D)- Natural do Rio de Janeiro. Discípula de Auguste Petit.

227 Flores.

228 Flores.

229 Caquis.

230 Retrato de minha afilhada Regina.

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Walder (Henry). - Natural da Suíça. - 9, rua Silveira Martins.

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[página 20]

231 Orquídeas.

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Wencelius (D. Juliette). - Natural de Paris. 88, do Conde de Baependy.

232 Environs de S. Francisco Xavier.

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Zimmermann (Aurelio). - Natural da Alemanha. Ex-aluno da Escola de Belas Artes de Berlim e da Academia de Dresde. Discípula de Raul Thumann e de Leon Pohle.

233 O fim da luta (Gouache)

234 Órfão (Gouache)

235 Um drama no campo.

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Zulmira Penteado (D) - Natural de Ribeirão Preto.

236 Paisagem.

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[página sem numeração]

ESCULTURA

Corrêa Lima (José Octavio). - Natural do Estado do Rio de Janeiro. - Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes. Discípulo de Rodolpho Bernardelli. - Prêmio de Viagem na VI Exposição Geral (1899) Medalha de 2ª classe (prata) na VIII Exposição Geral (1901) e Medalha de 1ª classe (ouro) na IX Exposição Geral (1902). - 75 B, rua de S. Cristóvão.

237 Iracema.

-

[[Ferrer (José V.)]] - Natural da Catalunha. Espanha, residente em Buenos Aires. Discípulo de desenho de Baldomero Galofre e de escultura de Torquato Tasso. É seu representante o Sr. Francisco Guimarães.- 86, rua Silveira Martins. Catete.

238 Retrato de F. G. (bronze).

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Honorio da Cunha e Mello. - Natural do Recife. Discípulo de Rodolpho Bernardelli Premiado com a Menção Honrosa do 2º grau na XIII Exposição Geral.

239 Juventude.

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Moreira Junior (Joaquim Rodrigues). - Natural da Capital Federal. Discípulo de Rodol-Bernardelli - 22, rua da Constituição.

240 Pensativo.

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[página 22]

Nicolina Vaz de Assis (D.) - Natural do Estado de S. Paulo. Ex-aluna da Escola Nacional de Belas Artes e discípula de Rodolpho Bernardelli. Premiada com Menção Honrosa do 2º grau na VIII Exposição Geral (1901) e com a Menção Honrosa do 1º grau na XIII Exposição Geral (1906). - 6, rua Barão de Itapagipe.

241 Busto de Gravina (gesso).

242 Cabeça risonha (gesso).

243 Meditação (gesso).

244 Oração (gesso).

245 Segredo (bronze).

-

Robert (Marc). - Natural da França. Premiado cinco vezes pela Escola de Belas Artes e no Salon de Paris.

246 Retrato de Antonio Parreiras (busto em bronze).

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[página sem numeração]

ARQUITETURA

Berna (João Ludovico Maria) - Ex-pensionista do governo na Europa. Premiado com a Medalha de 2ª classe (ouro) na I Exposição Geral (1894). Professor da Escola Nacional de Belas Artes.

247 Anteprojeto de uma habitação em cimento armado em Vila Ipanema. Copacabana (inédito).

248 Anteprojeto para a reconstrução em cimento armado da fachada da Faculdade de Direito. Praça da República (inédito).
249 Arco comemorativo da abertura dos portos do Brasil (inédito).

a) fachada principal.

b) fachada lateral.

c) planta.

250 Asylo do Bom Pastor (inédito). Fachada da Igreja e anexos.

251 Caixa de Amortização (inédito).

a) fachada principal.

b) perspectiva da escadaria, planta.

252 Columbario dos sócios falecidos da Caixa Beneficente Teatral (inédito).

a) perspectiva do conjunto.

b) seção e plantas.

253 Fachada para o Dispensário da Liga Brasileira contra a Tuberculose (inédito).

254 Perspectiva do interior de uma residência.

255 perspectiva do interior de uma residência.

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[página 24]

edifício da Associação Tipográfica Fluminense (inédito).

256 Perspectiva do projeto de um novo edifício para o Jornal do Comércio na Avenida Central, canto da rua do Ouvidor.

257 Projeto para o revestimento interno em mármore da capela do S.S. Sacramento da Catedral Metropolitana.

258 Teatro em cimento armado (inédito).

a) fachada idealizada pelo Dr. Raul Pederneiras.

b) seção longitudinal e plantas

259 Dubugras (Victor) - Natural da França. Premiado com a Medalha de 2ª classe (prata) na VIII Exposição Geral (1901). Residente em S. Paulo, Avenida Paulista, Almeida Lima, 3.

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Gravura de Medalhas e Pedras Preciosas

Girardet (Augusto). - Natural de Roma. - Discípulo de Giorgio Girardet - Professor da Escola Nacional de Belas Artes.

260 «Impromtus». (baixo-relevo para fundir em bronze).

261 Coleção de medalhas cunhadas em 1907, prova em gesso de uma gravura de medalha, e um retrato de menina (prova em gesso de um trabalho em ouro).

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GRAVURA E LITOGRAFIA

Mattos (Adalberto de). - Natural do Estado do Rio de Janeiro. Discípulo do professor Augusto Girardet. - 32, ruo Santos Rogrigues.

262 Retrato de J. M.

-

Valle de Souza Pinto (Antonio Alves) - Natural do Vallongo, Porto. 302, rua do Hospício.

263 Retrato do Exm. Sr. Dr. Afonso Pena, Presidente da República.

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ARTES APLICADAS

Joanna Brandt (D.) - Natural de Copenhague. Discípula de Mme. Arland, de M. Richardt e da Escola de Artes e Indústrias Dinamarquesa. Premiada com Menção Honrosa de 1º grau na XIII Exposição Geral (1905). 47, rua Souza Franco. Petrópolis.

264 Armário, aplicação de madeira e cobre repoussé.

265 Armário, cobre repoussé.

266 Armário, estranho repoussé.

267 Biombo, trabalho de madeira aplicada, couro repoussé e pintura sobre vidro.

268 Cadeira de couro repoussé.

269 Mesa (couro repoussé).

270 Mesa (couro repoussé.).

271 Vitrina com diversos objetos.

NOTA - Os móveis foram fabricados nas oficinas de Felippe, Gelli, Petrópolis.

-

Marga Hauer (D.) - Discípula de Mme. Feistel-Romeder de Heidlberg e de Mme. Clara Palm e de Mme. Von Lillien, de Munchen. - 64, rua Aqueduto, Santa Theresa.

272 Almofada de couro.

273 Almofada de veludo pintada.

274 Armário (trabalho de fantasia, estilo moderno)

275 Caixa para joias (trabalho de fantasia).

276 Decoração com um pavão.

277 Guarda-sol pintado.

278 Heidelberg (fotogravura).

279 Pompadour de veludo pintado.

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[página 30]

280 Toalha de mesa e guardanapos pintados e bordados.

281 Vaso pintado.

282 Vestido de criança pintado e bordado.

-

Wencelius (D. Juliette). - Natural de Paris Premiada com Menção Honrosa do 1º grau na IX Exposição Geral (1902). - 88, rua do Conde de Baepeudy.

283 Coussin (cuir repoussé).

284 Cyprès (gravure à feu).

285 Miniatures sur ivoire.

286 Vierge (gravure à feu).

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Digitalização de Biblioteca Digital de Obras Raras UFRJ Acessível em: https://bdor.sibi.ufrj.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

Fac-símile do catálogo Acessível em: http://www.dezenovevinte.net/egba/catalogos/1907.pdf

Catálogos
1907 - Jornal do Commercio
1907 - Kósmos
1908
1908 - A Noticia
1908 - Catálogo

CATÁLOGO

DA

DÉCIMA QUINTA

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES

Inaugurada em 1 de Setembro de 1908

NA

Escola Nacional de Belas Artes

1908

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[página sem numeração]

Catálogo

PINTURA

Agenor Alves. - Natural do Estado de Minas Gerais. Ex-discípulo de Roberto Mendes e atualmente do Professor Rodolpho Amoedo. Rua Sete de Setembro, 8 (2º andar).

1 Ao ar livre (fusain).

2 Interior de Atelier (estudo a aquarela).

3 Paisagem (pastel).

Agostini (Angelo). - Rua Sete de Setembro, I, sobrado.

4 Engraxates.

Amarante (José). - Natural do Estado de Minas Gerais. Discípulo dos Professores Henrique Bernardelli e Elyseu Visconti. Rua do Passo da Pátria, 27, Niterói.

5 Autorretrato.

Ayres (E). - Natural do Estado de Pernambuco. Discípulo do Professor Henrique Bernardelli. Rua das Laranjeiras, 47.

6 Natureza Morta.

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[página 2]

Baptista da Costa (J.). - Natural do Rio de Janeiro. Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes e discípulo do Professor Rodolpho Amoedo. Professor do Instituto Profissional e da Escola Nacional de Belas Artes. Prêmio de Viagem na I Exposição Geral (1894), Medalha de 2ª classe (outro) na VII Exposição Geral (1900) e Medalha de Iª classe (ouro) na XI Exposição Geral (1904).

7 Copacabana.

8 Para a pesca.

9 Rio Bengalas. Friburgo.

10 Retrato.

Borbasan Lagueruela. - Natural da Espanha, domiciliado em Roma. É seu representante o Sr. Pedro de Sequeira Queiroz. Avenida Central, 141.

11 Albergo (Pertence ao IIImo, Sr. Azeredo Coutinho).

12 Anticoli (Pertence ao Sr. Pedro de Sequeira Queiroz).

13 Feria em Albarracin (Pertence ao Sr. Pedro de Sequeira Queiroz).

Beatriz Pompeo de Camargo (D). - Natural do Estado de S.Paulo. Discípula de Oscar Pereira da Silva. Premiada com Menção Honrosa do 2º grau na XIV Exposição Geral (1907). Rua da Conceição, 10, Meyer.

14 Armando urupuca.

15 Bocca do Matto.

16 Carmen.

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[página 3]

17 Meu santinho do Céu...

18 No Pomar.

19 Passarinhando.

20 Perfil (aquarela).

Bompard (M.) - Natural da França.

21 Vue de Venise (Santa Marina).

Bracet (Augusto) - Natural da Capital Federal. Discípulo dos Professores Rodolpho Amoedo e João Baptista da Costa. Rua do Conde de Bonfim, 104.

22 Desdêm.

Brocos (Modesto) - Ex-professor de modelo-vivo da Escola Nacional de Belas Artes. - Premiado com a Medalha de 1ª classe (ouro) na II Exposição Geral (1905). - 8, rua Silva Manoel.

23 Retrato de Olavo Bilac.

24 Villegaignon ao amanhecer.

25 Vista do Bico do Papagaio (tomada da Quinta).

Campão (José Marques). - Natural do Estado de S. Paulo. Discípulo de Oscar Pereira da Silva. Premiada com Menção Honrosa de 1º grau na XIV Exposição Geral (1907). Rua S. João 397. S. Paulo.

26 Contemplando.

27 Na Mata.

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[página 4]

Carlota Labouriau (D.) - Natural da Capital Federal. Ex-discípula da Escola de Belas Artes de Nancy e de Augusto Petit. Rua Paranaguá, 14.

28 Meditando.

Christophe (Luiz). - Natural do Rio de Janeiro. Premiado com Medalha de 2ª classe (prata) na XIV Exposição Geral (1907). Rua Gustavo Sampaio, I, Leme.

29 Luar em Copacabana.

30 Ponta do Arpoador.

Coelho de Magalhães (Gaspar). - Natural da Capital Federal. Ex-discípulo dos professores Henrique Bernardelli e João Baptista e atualmente dos professores João Zeferino e Elyseo Visconti. Premiado com Menção Honrosa de 2º grau na XIV Exposição Geral (1907). Rua Souza Cruz, 11.

31 Cabeça de boi (mancha).

32 Eurico, o Presbítero.

33 Mimosa.

34 Arpoador.

Crotti (Augusto). - Natural de Bolonha (Itália). Ex-discípulo da Academia de Belas Artes de Bolonha e de Cabanel em Paris. - Travessa de S. Domingos, 4. - Botafogo.

35 Autorretrato (pochade). - pastel.

36 Cabeça (estudo). pastel.

37 Cabeça (estudo). pastel.

38 Midinette (estudo). - pastel.

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[página 5]

39 Retrato pastel.

Cunha (Joaquim Soares). - Natural da Capital Federal. - Ex-discípulo do Professor Henrique Bernardelli e atualmente do Professor João Baptista da Costa. - Rua D. Luiza, 44.

40 Em repouso.

41 Paisagem.

42 Paisagem.

Cunha Vasco (D. Anna da). - Natural do Rio de Janeiro. - Discípula de Benno Treidler. - Premiada com a Menção na V Exposição Geral (1898) e com a Medalha de 2ª classe. (prata) na XII Exposição Geral (1905) - Rua Barão de Itamby, 10, Botafogo.

43 Mau tempo. Lagoa de Rodrigo de Freitas. (aquarela).

44 Paisagem. Lagoa de Rodrigo de Freitas. (aquarela).

45 Paisagem. Silvestre. (aquarela). Pertence ao Exmo. Snr Francisco Guimarães.

46 Paisagem. Silvestre. (aquarela). Pertence a Exma. Snrª D. Maria Calheiros Cotta.

Cunha Vasco (D. Maria da). - Natural do Rio de Janeiro. - Discípula de Beno Treidler. - Premiada com a Menção na V Exposição General (1898) e com a Medalha de 2ª classe (prata) na XII Exposição Geral (1905). - Rua Barão Itamby, 10 Botafogo.

47 Paisagem. Lagoa de Rodrigo de Freitas. (aquarela).

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[página 6]

48 Paisagem. Lagoa de Rodrigo de Freitas. (aquarela).

49 Paisagem. Silvestre. (aquarela). Pertence ao Exmo. Snr Francisco Guimarães.

50 Paisagem. Silvestre. (aquarela). Pertence a Exma. Snrª D. Maria Calheiros Cotta.

De Agostini (Carlos Alberto). - Natural da Capital Federal. - Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes. - Discípulo do Professor Rodolpho Amoedo - Premiado com Menção Honrosa do 1º grau na XIV Exposição Geral (1907). -Rua Tavares Bastos, 57-C.

51 Más Notícias.

52 Presente de anos.

Delpino (Alberto) - Natural do Estado do Rio de Janeiro. - Aluno da antiga Academia de Belas Artes. - Premiado com Menção na II Exposição Geral (1895) e com Menção Honrosa do 1º grau na XIV Exposição Geral (1907). - Barbacena.

53 Antiga chácara do Furtunato. - Barbacena.

54 Retrato do Albertinho. (pastel).

Dinorah Carolina de Azevedo (D). - Natural da Capital Federal. Discípula dos Professores Daniel Berard e João Zeferino da Costa. Avenida Passos, 48.

55 Estudo.

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[página 7]

Fernandez Gomez (Antonio) - Natural de Espanha. Discípulo de Barbasan. Premiado com a Medalha de 2ª classe (prata) na XII Exposição Geral (1905). Rua de Santo Antonio, 64, Santos.

56 Cozinha do Sítio de Itabatatinga (Santos).

57 No balanço.

58 Tirando a rede (Praia de José Menino Santos)

Freitas (Augusto Luiz de) - Natural do Rio Grande do Sul. Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes. Prêmio de Viagem na V Exposição Geral (1898) e Medalha de 2ª classe (prata) na VIII Exposição Geral (1901).

59 De volta.

60 Garoto de aldeia.

61 Cena rústica.

Gagliardini - Natural da França.

62 Maisons de pêcheurs. Provence.

Georgina Barbosa Vianna (D.) - Natural do Estado de Pernambuco. Discípula de Jerónimo Telles Junior e outros. Premiada com Medalha de ouro na Exposição do Liceu de Artes e Ofícios de Pernambuco em 1906. Rua Duque de Caxias, 77. Recife. É seu representante o St. Antônio Barbosa Vianna, residente à rua S. Francisco Xavier, 10.

63 Um grande cacho de orquídeas.

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[página 8]

Helsby (Alfredo) - Natural de Santiago (Chile). Discípulo de Tomás Somerscales e Alfredo Valenzuela Puelma.

64 A Ponte.

65 Cabana.

66 Noite de luar.

67 Paisagem.

68 Paisagem.

69 Paisagem.

Latour (Eugenio) - Natural da Capital Federal Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com Medalha de 2ª classe (prata) na VIII Exposição Geral (1901) e Prêmio de Viagem na IX Exposição Geral (1902). Angra dos Reis.

70 A Inveja.

71 Luar.

72 Noite de Verão.

73 Sóror Materna.

74 Touriste.

75 Trecho de mercado Veneziano.

76 Velho Diletante (aquarela).

Lucas (H.) - Natural da França.

77 Frisson d'Automne.

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[página 9]

Luiza Maurity dos Santos Belart (D.) - Natural da Capital Federal. Professora diplomada pela Escola Normal e em exercício na mesma. Discípula de Rodolpho Amoedo. Premiada com Menção Honrosa de 2º grau na XIV Exposição Geral (1907). Rua Alzira Brandão, 29.

78 Boa merenda.

79 Estudo de formas.

80 Faceirice de camponesa.

81 Meu encanto.

82 Uma súplica.

Machado (Joaquim Fernandes) - Natural do Rio de Janeiro. Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com a Menção na VI Exposição Geral (1899) e com o Prêmio de Viagem na VIII Exposição Geral (1901). Rua Benjamim Constant, K 1.

83 A chamada das Sereias.

84 Predica aos pássaros. S. Francisco de Assis.

Marguerite Daun (D.) - Natural de Weimar, Alemanha. Discípula de Auguste Petit. Premiada com a Menção Honrosa de 2ª grau na XII Exposição Geral (1905). Rua Correia Dutra, 11.

85 Paisagem.

Maria Luiza Pompeo de Camargo (D.) - Natural do Estado de S. Paulo. Ex-discípula de A. Norfini. Fazenda Quilombo. Campinas.

86 Figos (aquarela).

87 Frutas.

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[página 10]

88 Frutas.

89 Mesa da cozinha.

90 Mesa da sala.

91 Pêssegos (aquarela).

92 Últimos raios de sol.

Marques Guimarães (Joaquim Augusto). - Natural do Porto (Portugal). - Discípulo de Soares dos Reis - Premiado com Medalha de 3ª classe (ouro) na II Exposição Geral (1895).

93 Flores.

94 Retrato de D. Pedro II.

Menge (Adolpho de Alvim). - Natural do Estado do Rio de Janeiro. - Discípulo de Barbasan Lagueruela. - Premiado com Menção Honrosa do 1º grau na XIV Exposição Geral (1907). - Avenida Central. 141.

95 Ardua Vita.

96 Anachreonte. (Ode XIX).

97 Zampognaro.

Moraes Silva (José). - Natural do Estado do Rio de Janeiro. - Discípulo do Professor João Baptista da Costa. - Rua Marechal Floriano, 16. Niterói.

98 Retrato.

Navarro (José). - Natural de Valença (Espanha). - Discípulo de Sorolla.

99 Pescadores.

100 Temporal.

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[página 11]

Neves (Germano). - Natural de Portugal. - Premiado com Menção Honrosa do 2º grau na XIII Exposição Geral (1906). Rua Silva Manoel 97.

101 Autorretrato.

102 Paisagem (estudo).

103 Paisagem (estudo).

104 Paisagem (estudo).

105 Paisagem (estudo).

106 Paisagem (estudo).

107 Marinha (estudo).

Norfini (Alfredo). - Natural de Florença. - Discípula do Comendador Luiz Norfini, seu pai. - Rua do Capitão-Mor, 2 - Niterói.

108 Acampamento de Beduínos.

109 Alto-mar.

110 Esperando a saída (marinha).

111 Os meus modelos.

112 O veterano dos modelos.

113 Paisagem Toscana (Outono).

114 Uma boa piada.

Noronha França (A). - Natural do Estado de Minas-Gerais. - Discípulo de Almeida Junior e Oscar Pereira da Silva.- Rua Alice, 9 - Laranjeiras.

115 Trabalho de campo.

116 Um trecho do Rio Verde (Minas).

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[página 12]

Oswaldo (Carlos). - Natural do Rio de Janeiro - Discípulo de Gelli, de Florença. - Premiado com a Menção Honrosa do 2º grau na XI Exposição Geral (1904) e com a medalha de 2ª classe (prata) na XII Exposição Geral (1906). É seu representante o Maestro Henrique Oswald. - Rua Malvino Reis, 124.

117 Autorretrato.

118 Paisagem Brasileira.

Petit (Auguste). - Natural da França. - Discípulo de Eugène Nesle. - Menção Honrosa em 1882 e Medalha de Prata em 1884. - Premiado com a Medalha de 3ª classe (ouro) na V Exposição Geral (1898). - Travessa de S. Francisco de Paula, 22.

119 Abacaxi.

120 Abios.

121 A l'Atelier.

122 Bananas.

123 Cajus.

124 Cesta de frutas de Conde e Cajus.

125 Cesta de frutas de Conde e Laranjas.

126 Cesta de laranjas.

127 Cesta de mamães e laranjas.

128 Frutas de Conde.

129 Goiabas.

130 Caquis.

131 Maçãs, peras, pêssegos.

132 Mangas.

133 Melancia.

134 Ofélia.

135 Pêssegos.

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[página 13]

136 Peras, pêssegos.

137 Retrato de Mme.L.

138 Retrato de M. Musso.

139 Romãs.

140 Saracura.

Pinto de Mattos (Aníbal) - Natural do Estado do Rio de Janeiro. Discípulo do Professor João Baptista da Costa. Rua Santos Rodrigues, 32.

141 Impressão (Marinha).

142 Impressão (Crepúsculo).

Raphael (José) - Natural da Villa de Vallongo (Portugal). discípula de J. P. Laurens e Benjamin Constant. Rua da Uruguaiana, 97.

143 Paisagem (Ao cair da tarde).

Regina Veiga (D.) - Natural do Estado do Rio de Janeiro. Discípula de Rodolpho Amoedo. Premiada com Menção Honrosa de 2º grau na XIII Exposição Geral e com Menção Honrosa de 1º grau na XIV Exposição Geral (1907). Rua Humaytá, 8 B.

144 Hermengarda.

145 Imigrantes.

146 Partida de Cricket (pochade).

Sussekind (Carlos) - Natural da Capital Federal. Discípulo do Professor João Baptista da Costa. Premiado com Menção Honrosa de 2º grau na XIV Exposição Geral (1907). Praia do Flamengo, 96.

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[página 14]

147 Caminho do Morro da Viúva.

148 Paisagem.

Telles Junior (Jeronymo) - Natural do Estado de Pernambuco. Discípulo de Barradas e Aurelio de Figueiredo. Ex-diretor do Myceu de Artes e Ofícios de Pernambuco e atualemnte professor de desenho. Premiado com Menção Honrosa de 2º grau na XIII Exposição Geral (1906). É seu representante o Illmo. Sr. Coronel Bellarmino Carneiro. Rua Silveira Martins, 78.

149 O Inverno em Olinda. (Pertence ao Coronel Bellarmino Carneiro).

Timotheo da Costa (João). - Natural do Rio de Janeiro. Ex-aluno da Escola Nacional de Belas Artes, discípulo de Rodolpho Amoedo Premiado com Menção Honrosa de 2º grau na XIII Exposição Geral (1906) e com Menção Honrosa de 1º grau na XIV Exposição Geral (1907). Rua Conselheiro Pereira Franco, 94.

150 Sonho.

Tournés (E.) - Natural da França. Membro do Júri do Salon de Paris.

151 Femme à la toilette.

152 Frilense.

153 La Jarretière.

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[página 15]

Visconti (Elyseo d'Angelo). - Ex-pensionista da Escola Nacional de Belas Artes. Premiado com Medalha de 2ª classe (ouro) na I Exposição Geral (1894) e com Medalha de 1ª classe (ouro) na IX Exposição Geral (1902). Professor da Escola Nacional de Belas Artes. Avenida Men de Sá, 54.

154 Avenida Central (paisagem).

155 Luxembourg (aquarela).

156 Luxembourg (aquarela).

157 Maternidade (Salon 1906 - Societé Nationale).

158 O Palácio do Pobre (paisagem).

159 Paisagem. Andarahy (aquarela).

160 Tricoteuse. Luxembourg (aquarela).

161 Esquisse do pano de boca do Teatro Municipal.

162 A passagem do Dia (esquisse do teto da sala de espetáculos).

163 O amor e a virtude triunfantes (esquisse da frisa situada sobre o pano de boca).

164 Cartões definitivos para a confecção do pano de boca:

a) A Grécia, Roma e o Clero.

b) Homero e Carlos Magno.

c) Idade Média e Renascimento.

d) Bethoven e a Época Moderna.

e) Carlos Gomes aclamado pelo povo.

f) Brasileiros ilustres aclamados pelo povo.

g) Brasileiros ilustres aclamados pelo povo.

h) A música instrumental e coral.

i) O gênio da Arte.

j) A ciência arrastando a verdade.

k) A figura da poesia.

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[página 16]

165 Desenhos para a frisa de 15 metros do teatro.

l) O Lírico (pastel).

m) O Drama (desenho).

n) Estudo para Vício (desenho).

o) Estudo para o Lírico (desenho).

p) Estudo para a Poesia (desenho).

166 Anjos e gênios para a frisa.

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179 Cartão para a Passagem do Dia.

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Weigartner (Pedro) - Natural do Estado do Rio Grande do Sul. Ex-professor da Escola Nacional de Belas Artes.

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[página 17]

189 A colheita do milho.

190 Ceifa em Anticoli.

191 Flores frescas.

192 Forno de Aldeia.

193 No trabalho.

194 Secando o milho.

Zier. - Natural da França

195 La Toilette.

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[página sem numeração]

ESULTURA

Bernardelli (Rodolpho). - Discípulo de Chaves Pinheiro. - Diretor e Professor de Escultura da Escola Nacional de Belas Artes. - Rua da Relação, 6-A.

196 Retrato do Dr. Passos (busto em bronze).

Moreira Junior (Joaquim Rodrigues). - Natural da Capital Federal. - Discípulo do Professor Rodolpho Bernardelli. - Premiado com Medalha de 2ª classe (prata) na XIV Exposição Geral (1907). - Rua da Constituição, 22.

197 Daphnes.

Renda (G). - Natural da Itália.

198 A dança.

199 A dança.

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[página sem numeração]

Gravura de Medalhas e Pedras Preciosas

Girardet (Augusto). - Natural de Roma. - Discípulo de Giorgio Girardet. - Professor da Escola Nacional de Belas Artes.

200 Medalha comemorativa dos trabalhos da Avenida Central (bronze).

201 Medalha da Companhia de Luz Stearica (bronze).

202 Medalha do Jubileu da Estrada de Ferro Central do Brasil (bronze).

203 Medalha do Jubileu Artístico de Arthur Napoleão (bronze).
204 Primavera (modelo em gesso).

205 Duplo-Retrato (modelo em gesso).

206 A Rodolpho Bernardelli (prova em gesso da gravura da medalha que se está cunhando em Paris).

207 Medalha do Instituto de Música (prova em gesso da gravura da medalha que se está cunhando na Casa da Moeda).

Mattos (Adalberto Pinto de). - Natural do Estado do Rio de Janeiro. - Discípulo do Professor Auguste Girardet. - Premiado com Menção Honrosa do 2º grau na XIV Exposição Geral (1907). - Rua Santos Rodrigues, 32.

208 Estudo de cabeça.

209 Projeto de medalha comemorativa da inauguração do novo edifício da Escola Nacional de Belas Artes (modelo em gesso).

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[página sem numeração]

ARQUITETURA

Marques Guimarães (Joaquim Augusto). - Natural do Porto (Portugal) - Professor na Academia de Belas Artes do Porto.

210 Projeto do Concurso para a Matriz de Ribeirão Preto (alçado, planta, corte e perfil lateral).

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Digitalização de Biblioteca Digital de Obras Raras UFRJ Acessível em: https://bdor.sibi.ufrj.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

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Catálogos
1908 - Correio da Manhã
1908 - Gazeta de Noticias
1908 - Jornal do Brasil
1908 - Jornal do Commercio
1908 - O Paiz
1909
1909 - Catálogo

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Digitalização de Biblioteca Digital de Obras Raras UFRJ Acessível em: https://bdor.sibi.ufrj.br/

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Catálogos
1909 - Fon-Fon!
1909 - Jornal do Brasil
1909 - Jornal do Commercio
1909 - O Paiz
1910
1910 - A Noticia
1910 - Careta
1910 - Catálogo

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Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

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Catálogos
1910 - Correio da Manhã
1910 - Illustração Brasileira
1910 - Jornal do Brasil
1910 - Jornal do Commercio
1910 - O Paiz
1911
1911 - A Noite
1911 - A Noticia
1911 - Careta
1911 - Correio da Manhã
1911 - Jornal do Brasil
1911 - Jornal do Commercio
1911 - O Paiz
1912
1912 - A Noite

BELAS-ARTES. O "Salon" de Setembro. A Noite, Rio de Janeiro, 18 jul. 1912, p.2.

O "SALON" DE 1912 - As obras dos expositores. A Noite, Rio de Janeiro, 21 ago. 1912, p.1.

O "SALON" DE 1912 - As obras dos expositores. A Noite, Rio de Janeiro, 26 ago. 1912, p.1.

O "SALON" E OS EXPOSITORES - A luta das aquisições oficiais. A Noite, Rio de Janeiro, 28 ago. 1912, p.1.

O "SALON" DE 1912 - AS OBRAS DOS EXPOSITORES. A Noite, Rio de Janeiro, 29 ago. 1912, p.1.

BELAS-ARTES - O "SALON" DE 1912. A Noite, Rio de Janeiro, 30 ago. 1912, p.2.

O NOSSO "SALON" DESTE ANO - Um aspecto geral da "vernissage". A Noite, Rio de Janeiro, 31 ago. 1912, p.1.

O "SALON" - Duas expositoras. A Noite, Rio de Janeiro, 5 set. 1912, p.1.

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - Angelina Agostini. A Noite, Rio de Janeiro, 6 set. 1912, p.1.

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - Gaspar de Magalhães. A Noite, Rio de Janeiro, 10 set. 1912, p.1.

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - J. Baptista Bordon. A Noite, Rio de Janeiro, 11 set. 1912, p.1.

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - GUTTMAN BICHO. A Noite, Rio de Janeiro, 12 set. 1912, p. 1.

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - Rodolpho Amoedo. A Noite, Rio de Janeiro, 14 set. 1912, p. 1.

BELAS-ARTES - O nosso "salão" - O Júri de escultura. A Noite, Rio de Janeiro, 17 set. 1912, p.2.

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - Modesto Brocos e Aurelio Figueiredo. A Noite, Rio de Janeiro, 18 set. 1912, p. 1.

GAMA, Luiz. BELAS-ARTES. O vergonhoso catálogo do nosso "Salon". A Noite, Rio de Janeiro, 19 set. 1912, p.2.

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - PONS ARNAU. A Noite, Rio de Janeiro, 21 set. 1912, p. 2.

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - Baptista da Costa. A Noite, Rio de Janeiro, 25 set. 1912, p. 1.

BELAS-ARTES. A medalha de honra do "Salon". A Noite, Rio de Janeiro, 26 set. 1912, p.2.

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon". OS DOIS CHAMBELLANDS. A Noite, Rio de Janeiro, 28 set. 1912, p. 1.

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - Os irmãos Timotheo da Costa. A Noite, Rio de Janeiro, 30 set. 1912, p. 1.

1912 - A Noticia
1912 - Careta
1912 - Correio da Manhã
1912 - Fon-Fon!
1912 - Jornal do Brasil
1912 - Jornal do Commercio
1912 - O Paiz
1913
1913 - A Noite
1913 - Careta
1913 - Correio da Manhã
1913 - Jornal do Brasil
1913 - Jornal do Commercio
1913 - O Imparcial
1913 - O Paiz
1914
1914 - Jornal do Commercio
1915
1915 - Jornal do Commercio
1916
1916 - Catálogo

XXIII Exposição Geral de Belas-Artes

-

Inaugurada em 12 de Agosto de 1916

-

CATÁLOGO

-

Palácio da Escola Nacional de Belas-Artes

Avenida Rio Branco - RIO DE JANEIRO

*

RIO DE JANEIRO

Tip. Do "Jornal do Commercio" de Rodrigues & C.

-

1916

[...]

[página 29]

XXIII EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS-ARTES

A. de Noronha França

Natural da Minhas Gerais

Discípulo de Almeida Junior e Oscar Pereira da Silva.

Premiado com Menção honrosa de 2º grau na XV Exposição Geral (1908).

Rua Senador Furtado, 62.

1. Boneca quebrada ou A primeira contrariedade

-

Accacio Gouveia

Natural da Lamego - Portugal

Rua S. Bento, 54 - S. Paulo.

2. Pinheiros.

3. Faianças.

-

[página 30]

Adelia Marques Saldanha (Dª.)

Natural do Rio Grande do Sul

Discípula de Augusto Petit. Premiada com Menção honrosa de 2º grau, na XXI Exposição Geral (1914).

Rua Voluntários da Pátria, 63.

4. Copacabana (paisagem).

5. Marinha.

-

Aladino Divani

Natural da Itália

Professor da Academia de Belas Artes de Lucca

Rua Conselheiro Furtado, 162 - S. Paulo.

6. Praia de banho de Viareggio.

-

Alberto Federman

Natural de Derma - Prov. De Alessandria (Itália)

Discípulo de Basílio Casulla.

Rua José Bonifácio, 30 (2º ª) - S. Paulo.

7. In Gamma di azzurro.

8. Geisha.

-

[página 31]

Albertina Jardim (Dª.)

Natural de S. Paulo

Discípula de Antonio di Rocco.

Alameda Eduardo Prado, 24 - S. Paulo.

9. O Maneco

-

Alcina Campos Ferreira (Dª.)

Natural do Porto - Portugal

Discípula de Auguste Petit.

Avenida Rio Branco, 127 (2° andar).

10. Frutas.

-

Alfredo Andersen

Natural de Christianissand (Noruega)

Discípulo de Wilman Hoch.

Rua Marechal deodoro, 82 - Curitiba (Paraná).

11. Retrato do major José Candido da Silva Muricy.

-

[página 32]

Alipio Dutra

Natural de S. Paulo

Discípulo de W. Laparra, Baschet e Royer

Piracicaba (S.Paulo)

12. Brumas no Piracicaba.

13. Quarto pobre.

14. Cozinha na roça.

-

Alvaro Teixeira

Natural da Capital Federal

Discípulo de J. Baptista da Costa.

Premiado com Medalha de Bronze, na XIX Exposição Geral (1912)

Rua Tenente Costa, 227 (Totodos-os-Santos)

15. Paisagem.

16. Cabeça.

17. Ophelia.

-

[página 33]

Anibal Mattos

Natural de Vassouras (Estado do Rio)

Discípulo de Baptista da Costa e Zeferino da Costa.

Premiado com Menção honrosa de 2º grau na XXI Exposição Geral (1914)

Rua Sete de Setembro, 67 (atelier).

18. A cruz dos caminhos.

19. Paisagem fluminense.

20. Caminho do Trapicheiro.

21. Campo de Sant'Anna.

22. Velhos troncos (Trapicheiro).

23. Sinal de chuva.

24. Trecho de Ribeirão (Minas).

25. Remanso.

26. Manhã (marinha).

27. Crepúsculo (marinha)

28. Trapicheiro.

29. Interior de floresta (paisagem).

30. Rio Comprido (paisagem).

31. Campo de Sant'Anna (mancha).

-

Andrade Filho (Luiz Carlos de)

Natural da Capital Federal

Discípulo de J. Baptista da Costa.

Rua Ipiranga, 106.

32. Canto de jardim.

33. Sol matutino.

34. Estudo.

-

[página 34]

André Vento

Natural de S. Paulo

Discípulo de E, Visconti e Fiuza Guimarães.

Rua Machado Coelho, 50.

35. Tarde de Julho.

36. Harmonia Primaveril.

-

Angelina de Figueiredo

Natural do Estado do Rio de Janeiro.

Discípula de Antonio Parreiras. Premiada com Menção honrosa de 2º grau na XI Exposição Geral (1904).

Rua Riodades, 165 - Niterói

37. Remanso (Teresópolis)

-

[página 35]

Antonio Rocco

Natural de Amalfi - Itália

Discípulo de Marello.

Rua Consolação, 70 - S. Paulo.

38. "Minatori" - Primeiros soccorros.

39. Passano i Bersaglieri.

40. Arnalfi. [sic]

41. Dopo il bagno.

-

Argemiro Cunha

Brasileiro

Discípulo de J. Baptista da Costa.

Premiado com Menção honrosa de 2º grau na XVII Exposição Geral (1910), Menção honrosa de 1º grau na XVIII Exposição Geral (1911).

Liceu de Artes e Ofícios.

42. Um ponto preto.

43. Consequências.

44. Flagrante.

-

[página 36]

Arthur Lucas

Natural do Rio de janeiro.

Discípulo da antiga Imperial Academia das Belas Artes.

Premiado com Menção honrosa de 1º grau na XIII Exposição Geral (1906).

Rua Pedro Américo, 78 (Catete).

45. Estrada Velha da Freguesia. (paisagem).

46. Igreja da Penna [sic] (Jacarepaguá).

47. Paineiras (Jacarepaguá).

-

B. Pinto

Natural do Porto - Portugal

Rua Flack, 140 - Riachuelo.

48. No Estaleiro (Cajú).

49. Manhã de nevoeiro.

50. Arredores do Porto de Inhaúma.

51. Arredores do Engenho da Pedra.

52. Praia da Ribeira (Ilha do Governador).

53. Praia da Ribeira (Ilha do Governador).

54. Praia do Cabaceiro (Ilha do Governador).

55. Pescando.

56. Barracões (Cajú).

57. No Campo.

-

[página 37]

Baptista da Costa (João)

Natural do Rio de Janeiro

Discípulo de Rodolpho Amoêdo.

Professor do Instituto Profissional João Alfredo, Professor e Diretor da Escola Nacional de Belas Artes.

Prêmio de Viagem na I Exposição Geral (1894), Medalha de 2º classe (ouro) na VII Exposição Geral (1900), Medalha de 1º classe (ouro) na XI Exposição Geral (1904), Medalha de Honra (ouro) na XXII Exposição Geral (1915).

Rua Real Grandeza, 166 - Botafogo.

58. Velhas Mangueiras (Rio de Janeiro).

59. Paisagem bucólica (Rio de Janeiro).

60. Dia triste. (Rio de Janeiro).

61. Ave Maria (Petrópolis).

62. Depois da chuva (Alto da serra - Petrópolis).

64. Rio Morim (Petrópolis).

65. Cabeça de carneiro (Estudo).

-

[página 38]

Beatriz Pompeo de Camargo (D.)

Natural de Campinas (S. Paulo)

Premiada com Menção honrosa de 2º grau na XIV Exposição Geral (1907).

Rua Amaral Gurgel, 15 (S. Paulo).

66. Nevoeiro (S. Paulo)

67. Arraial dos Souzas (S. Paulo).

68. Tietê transbordando (S. Paulo).

69. Igreja do S. Coração de Jesus (S. Paulo).

70. Autorretrato.

71. Cabeça.

72. Minha irmã.

73. Rosas.

74. Bambus (Campinas - S. Paulo).

75. Igreja do S. Coração de Maria (S. Paulo).

76. Jequitibá.

77. Serra da Cantareira.

78. Rio Atibaia.

79. Paisagem (Campinas - S. Paulo).

80. Canoa (Rio Atibaia).

-

[página 39]

Bernardelli (Henrique)

Nacionalidade Brasileira

Discípulo da antiga Academia Imperial das Belas Artes.

Ex-Professor de Pintura da Escola Nacional de Belas Artes.

Rua Belfort Roxo, 10 - Leme

22 medalhões de homens ilustres, projetadas para a fachada da Escola Nacional de Belas Artes.

81. A. Taunay.

82. Debret.

83. Z. Ferrez.

84. Ferrez.

85. Lebreton.

86. D. Pedro I.

87. D. Pedro II.

88. Porto-Alegre.

89. Maximiano Mafra.

90. Bethencourt da Silva.

91. Chaves Pinheiro.

92. Agostinho da Motta.

93. Antonio de Padua.

94. Victor Meirelles.

95. Pedro Americo.

96. Benjamin Constant.

97. Marechal Deodoro da Fonseca.

-

[página 40]

Bemvindo Z. N. Mello

Natural de Pernambuco

Discípulo de Lucilio de Albuquerque e Eurico Alves.

98. Genaro (estudo).

-

Bevilacqua (Raul)

Natural da Capital Federal

Discípulo de J. Baptista da Costa e Zeferino da Costa.

Rua Dr. Maia Lacerda, 95.

99. Desânimo.

100. Trabalhando.

101. Retrato.

102. O testamento.

103. Abarrotado.

104. Paisagem.

105. Paisagem.

-

[página 41]

Bicho (Guttmann)

Natural de Petrópolis

Discípulo de Augusto Petit, E. Viconti Belmiro de Almeida e Baptista da Costa.

Premiado com Menção honrosa de 2º grau, na XIV Exposição Geral (1907) e Pequena Medalha de Prata, na XIX Exposição Geral (1912).

Rua Gonçalves Dias, 15.

106. Agrippino Grieco.

107. Dr. Fabio Luz.

108. Dr. Pedro do Couto.

109. Dr. Rocha Pombo.

110. Conde de Waren.

111. Jacinto Ribeiro.

112. Dr. João Ribeiro.

-

[página 42]

Brocos (Modesto)

Natural de Santiago - Brasileiro

Discípulo de Lehmann, Hebert e Madrozo.

Professor de Desenho da Escola Nacional de Belas Artes.

Premiado com Medalha de 1º classe (ouro) na II Exposição (1895).

Travessa da Soledade, 22 - Mattoso.

113. A pistonista de Endos (ou os precursores do espiritismo) "Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosto em terra e se prostrou". B. G. 1º livro de Samuel, cap. 28, vers. 14.

114. Uma lenda brasileira.

115. Retrato do Dr. Leão de Aquino.

116. Um futuro amigo.

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[página 43]

Bruno (Pedro)

Natural da Ilha de Paquetá

Discípulo de Giuseppe Boschetto.

Premiado com Medalha de Bronze na XIX Exposição Geral (1912) e Pequena Medalha de Prata na XXI Exposição Geral (1914).

Rua Silva Pinto, 65.

117. Última homenagem.

118. Triste luar.

119. Tempestade.

120. Nuvem rosada.

121. Primavera das praias.

122. Luz ou Sombras.

123. Noite de luar.

124. Velho barco ao luar.

125. Luar das praias.

126. Dia triste.

127. Manhã.

128. Tarde no mar.

-

[...]

Catálogos
1916 - Jornal do Commercio
1916 - Revista do Brasil
1917
1917 - Revista do Brasil
1918
1918 - O Malho
1918 - O Paiz
1918 - Revista do Brasil
1920
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1920 - Gazeta de Noticias
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1921
1921 - A Noite
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1921 - Illustração Brazileira
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1922
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1923
1923 - Gazeta de Noticias
1923 - Illustração Brasileira
1923 - Jornal do Commercio
1923 - O Jornal
1923 - O Paiz
1924
1924 - Gazeta de Noticias
1924 - Illustração Brasileira
1924 - Jornal do Commercio
1924 - O Jornal

BELAS ARTES. A exposição geral deste ano. O Jornal, Rio de Janeiro, 10 ago. 1924, p.3.

Belas Artes. O "vernissage" do salão de 1924 - Diversas notas. O Jornal, Rio de Janeiro, 12 ago. 1924, p.3.

Belas Artes. A inauguração oficial do salão de 1924. O Jornal, Rio de Janeiro, 13 ago. 1924, p.3.

BELAS ARTES. DIVERSAS NOTAS. O Jornal, Rio de Janeiro, 16 ago. 1924, p.3.

O salão deste ano. O Jornal, Rio de Janeiro, 16 ago. 1924, p.3.

SILVA, Mario da. Belas Artes. O salão de 1924 - Notas e impressões - A arquitetura. O Jornal, Rio de Janeiro, 17 ago. 1924, p.3.

INCIDENTE NA EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - UM ALUNO DE BELAS ARTES PROIBIDO DE ENTRAR NO "SALÃO". O Jornal, Rio de Janeiro, 17 ago. 1924, p.3.

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. O salão de 1924 - A gravura e a arte aplicada. O Jornal, Rio de Janeiro, 19 ago. 1924, p.3.

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. O salão de 1924 - A ESCULTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 21 ago. 1924, p.3.

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1924 - A pintura - Os artistas estrangeiros. O Jornal, Rio de Janeiro, 22 ago. 1924, p.3.

Um trabalho decorativo do pintor Augusto Bracet. O Jornal, Rio de Janeiro, 22 ago. 1924, p.3.

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. O salão de 1924 - A PINTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 24 ago. 1924, p.3.

O julgamento dos trabalhos da Exposição Geral de Belas Artes. O Jornal, Rio de Janeiro, 24 ago. 1924, p.3.

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. O salão de 1924 - A PINTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 26 ago. 1924, p.3.

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1924 - A PINTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 28 ago. 1924, p.3.

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. O salão de 1924 - A PINTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 30 ago. 1924, p.3.

1924 - O Paiz
1925
1925 - Correio da Manhã
1925 - Gazeta de Noticias
1925 - Illustração Brasileira
1925 - Jornal do Commercio
1925 - O Globo
1925 - O Jornal
1925 - O Paiz
1926
1926 - Illustração Brasileira
1926 - Jornal do Commercio
1926 - O Globo
1926 - O Jornal
1926 - O Paiz
1927
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1927 - O Jornal
1927 - O Paiz
1928
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1928 - O Globo
1928 - O Jornal
1928 - O Paiz
1929
1929 - Correio da Manhã
1929 - Jornal do Commercio
1929 - O Globo
1929 - O Jornal
1929 - O Paiz
1930
1930 - Correio da Manhã
1930 - Jornal do Commercio
1930 - O Globo
1930 - O Jornal
1930 - O Paiz
A ARTE NO BRASIL. ALGUNS QUADROS DO ÚLTIMO "SALON" NA ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES. A Illustração Brasileira, 2. ano, n. 36, 16 nov. 1910, suplemento, n.p.

DE VOLTA DO CAMPO de Pablo Salinas

O CHÁ de Pablo Salinas

AS LAVADEIRAS de Agustin Salinas

DEPOIS DA PINGA de Gaspar de Magalhães

DOMUS MOECENATIS de Agustin Salinas

CEIFEIRO de Francisco Manna

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

A ARTE NO BRASIL. ALGUNS QUADROS DO ÚLTIMO "SALON" NA ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES. A Illustração Brasileira, 2. ano, n. 36, 16 nov. 1910, suplemento, n.p.

A Cigarra

1895 - A Cigarra

Periódicos
A criação dos dois laureados do "Salão". O Globo, Rio de Janeiro, 29 ago. 1929, p. 1.

Registramos, ontem, com o nome dos dois laureados do Salão de Belas Artes deste ano, o título das obras que lhes valeram o prêmio de viagem. Calmon Barreto, discípulo de Girardet, conquistou-o com o "Índio", gravura a buril, e Jordão de Oliveira, discípulo de Baptista da Costa, com uma paisagem que reflete um recanto de sol da Santa Casa [Imagem]. O julgamento basta, suposta a sua autoridade, a consagrar a fama dos dois jovens artistas. Não é demais, portanto, que, para melhor vulgarização dos dois trabalhos laureados, aqui se reproduzam um e outro, sendo de notas que o "Índio", o prêmio de gravura, aparece isolado do resto da montagem.

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Imagens

"Índio", de Calmon Barreto, e "Paisagem", de Jordão de Oliveira [Fotos e clichê Globo]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

A criação dos dois laureados do "Salão". O Globo, Rio de Janeiro, 29 ago. 1929, p. 1.

A exposição Anual da Escola de Belas Artes - O "vernissage" de ontem. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 12 ago. 1921, p.7.

A Escola Nacional de Belas Artes teve, ontem, a cerimônia do vernissage, e hoje, seus salões estão abertos ao público, ávido, como todos os anos, de conhecer os "novos", que se apresentam e verificar o progresso e o inédito, que nos trazem os mestres consagrados.

A primeira impressão que trouxemos da Exposição ontem inaugurada é que se a deste ano não desmerece muito das anteriores, também não se lhes avantaja pela quantidade ou qualidade dos trabalhos expostos.

Procuramos ouvir a opinião de vários concorrentes e todos foram acordes que as exposições de nossa primeira escola de arte, de ano para ano, se vão tornando menos interessantes e mais descuradas as suas exibições.

Os mestres fizeram-se representar por Baptista da Costa, Amoedo, Timotheo, Visconti e outros, sobressaindo, entre os "novos", Marques Junior, Formenti, Cantu e Boasset [?].

Na rápida visita que fizemos à Exposição, onde, numa grande confusão, envernizam-se quadros, estendiam-se festões, pregavam-se molduras, chamaram-nos a atenção três belos quadros de Cantu, as palpitantes marinhas de Gaede e um pequeno canto de toilette, habilmente pintado por Formenti, onde os metais reluzem com verdade flagrante e os reflexos de um abajur, casam-se, suavemente, com o modelo, que dá os últimos retoques no vestuário.

Com mais vagar, melhor diremos dos trabalhos expostos.

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Imagem

Grupo da quase totalidade dos expositores no "salon" deste ano, tirado no "vernissage" de ontem

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

A exposição Anual da Escola de Belas Artes - O "vernissage" de ontem. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 12 ago. 1921, p.7.

A Exposição de Belas Artes - O "VERNISSAGE". Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 1 set. 1905, p. 3.

A cerimônia do vernissage. Dia úmido, triste, cheio de nuvens escuras. A chuva ameaça cair a todo instante. Isso não impede que duas galerias da escola estejam repletas de artistas, homens de letras, críticos e da fina flor da nossa sociedade, representada por uma porção de senhoras encantadoras e de cavalheiros distintos.

Na cerimônia do vernissage parece que, em geral, não se enverniza coisa nenhuma. Se não fosse o Sr. Augusto Petit, trepado numa escada, a brosser uma das suas produções, ninguém diria que era vernissage.

As senhoras trocavam impressões, os autores, comovidos, andavam na doce procura do elogio, de resto e como sempre abundante; os críticos mediam distância, punham a mão em pala sobre os olhos (o Sr. Carlos Santos, ilustre crito [sic] do Jornal, faz um óculo com a mão esquerda), no difícil trabalho de julgar; os cavalheiros olhavam, e alguns estudantes, com espalhafato, para mostrar que entendem do riscado, formavam grupos de vez em quando, desfechando o incipiente saber em cima das telas. Uma reunião deliciosa.

A exposição é melhor, ou pior, que a dos anos anteriores? É, naturalmente, melhor, posto que menos abundante. No nosso acanhado meio artístico, nada mais lento que o progresso e a novidade. Na seção de pintura, há uns três ou quatro nomes de mestres respeitados e os nomes de três ou quatro esperanças de futuros mestres.

É o que interessa em primeiro lugar. Os mestres são o Sr. Elyseu Visconti, com um extraordinário retrato da escultora Nicolina Vaz de Assis, admirável de técnica, de vida, de sensibilidade; Henrique Bernardelli, com alguns retratos, um que se revela o psicólogo e o desenhista notável, principalmente nos retratos do Sr. Machado de Assis e do Sr. Carlos Rodrigues; e o Sr. Baptista da Costa, esse paisagista delicioso, cujos quadros são sempre de uma penetrante beleza.

As esperanças são o Sr. Latour, o Sr. Chambellan [sic] [Rodolpho Chambelland] e os Srs. Lucilio e Timotheo [João Timotheo da Costa]. O Sr. Latour, com dois anos de Paris, progrediu extraordinariamente, afinou todas as qualidades superiores que bebera nas lições do mestre, Rodolpho Amoedo. Há uma cena de miséria, a desgraça de um homem bêbado, roncando, num interior miserável, enquanto a mulher chora com os filhos em torno, cheio e empolgante de expressão, assim como a Leitura da carta e uma criaturinha nua, entre crisântemos - são trabalhadas com muita frescura. O Sr. Chambellan [sic] já nos dera, o ano passado, uma sensacional saída de teatro [Imagem]. Desta vez, deu-nos também uma grande tela, representando uma ronda báquica de sátiros e de ninfas pelos montes [Imagem]. Os progressos são evidentes quanto à técnica. O Sr. Chambellan [sic] será dentro de mais alguns anos um artista de nomeada, mas é de crer que o seu temperamento delicado sinta mais as elegâncias discretas, as sedas, o fulgor das luzes artificiais, o brilho das epidermes gemadas de pedras raras...

O Sr. Lucilio , sempre discreto, dá-nos dois retratos, um dos quais, o pastel intitulado Riso, é encantador. O Sr. Timotheo merece todos os elogios pelo seu retrato do poeta J. de Abreu Albano.

Na seção de pintura há ainda a citar os nomes de Malaguti, que nos deu uma tela de uma superior expressão; Fiusa [sic], Macedo [João Araripe de Macedo], Roberto Mendes, com uma paisagem intensa [Imagem]; De Servi, etc.

Dos principiantes, há menos cajus e outros produtos da flora brasileira. O Sr. Petit, que apresenta muitas telas, desta vez atirou-se ao nu, expondo Afrodite, Sileno e, não contente com isso, um Jovem lutador. O Sr. Petit está supimpa.

Nas outras seções, elogiamos o delicado trabalho das medalhas de Girardet. Entre esses primores em bronze e gesso, há um maior primor, a medalha que representa um petiz montado num burrico.

E ainda louvemos a pintura sobre porcelana da Sra. Joanna Brandt, uma dinamarquesa de talento, e os seus couros repoussés.

Esse canto da exposição merece detalhado estudo, assim como os trabalhos da Associação dos Escultores em Madeira e as mobílias do Liceu de Artes e Ofícios, de S. Paulo, uma referência amplamente elogiosa.

Faltavam aos visitantes os indispensáveis catálogos. É provável que nesta notícia desalinhavada e rápida faltem nomes que os noticiaristas tenham de aplaudir. Não terminemos, porém, sem citar, na seção de arquitetura, um magnífico projeto do Sr. Dubugras.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

A Exposição de Belas Artes - O "VERNISSAGE". Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 1 set. 1905, p. 3.

A exposição de belas artes - Vernissage. O Paiz, Rio de Janeiro, 1 set. 1912, p.3.

Foi ontem a vernissage do salão da exposição deste ano, na Escola de Belas Artes.

Uma festa simples e concorrida apenas por profissionais, amadores, jornalistas e aficionados.

O salão vai dar uma excelente impressão. Ao primeiro golpe de vista, vê-se que maioria é de trabalhos, onde nomes que surgiram há pouco se vão firmando superiormente. Os mestres nacionais pouco concorrem e alguns estrangeiros vieram defender o renome de que já gozam.

Há os trabalhos dos concorrentes ao prêmio de viagem, que despertam uma grande curiosidade.

Destes, o trabalho do Sr. Capllonch é positivamente o mais pretensioso, cercado de uma ficelle de molduras espaventosas. São três quadros num mesmo grupo - A voz do profeta, Baile fatídico, Triunfo de Salomé. Há neles, naturalmente, alguns defeitos, mas o artista aplicou-se e conseguiu bons efeitos. O Sr. Gaspar de Magalhães concorre com um quadro que representa uma sessão de pintura numa praia. Há nele coloridos bons, mas é um trabalho muito discutível. Outro concorrente é o Sr. Galdino Bicho, que expôs uma mulher num interior, onde se nota certa delicadeza de coloridos, embora pequenos defeitos de desenho. É de notar, porém, que o artista escolheu a modalidade mais difícil, que é a de fazer figuras. O Sr. Navarro da Costa expõe um grande medalhão - O patacho, que é um excelente quadro. Também concorre um outro jovem pintor, o Sr. Alvaro Teixeira, com o seu quadro Desalento de Orfeu. Não fora a figura mal desenhada, o conjunto e a perspectiva da paisagem seriam bons.

O Sr. Levino Fanzeres tem também um bom quadro, Dentro da vida, onde conseguiu surpreender um momento de ocaso original.

Dos concorrentes, porém, o que mais impressiona é J. C. Bordon [sic], um modesto artista, que apresenta uma magnífica paisagem, além de outros pequenos quadros do mesmo gênero (troncos), onde o efeito de luz coada é perfeito.

Carlos [Carlos Chambelland] e Rodolpho Chambelland expõem bons retratos; Arthur Timotheo tem lá o seu Idílio e João Timotheo expõe um bom quadro - Trabalhando; Fedora R. Monteiro mandou de Paris uma cabeça muito boa e Angelina Agostini tem um excelente retrato, onde já mostra a segurança do colorido e a verdade do seu desenho.

Dos mestres, há paisagens de J. B. da Costa, que não precisam de encômios, embora se possa dizer que o estimado pintor está, cada vez mais, se aperfeiçoando, conseguindo efeitos que só estamos acostumados a ver nos grandes mestres ingleses e umas águas perfeitas.

Dois quadros do mestre espanhol Sorolla produziram uma forte corrente de admiração, pela originalidade e os melhores efeitos na arte de colorir.

Visconti expôs alguns trabalhos, que estão na altura do seu valor; mas há um retrato de Gonzaga Duque que está acima de todos os elogios.

Entre os escultores, o Sr. Correia Lima expõe um magnífico grupo - A fonte; o Sr. Verdier tem vários trabalhos primorosos, como a maquete de Oscar Lopes; um bronze (gato) e um trabalho em madeira e marfim que honra a escultura.

Há um esplêndido busto de negra do Sr. Pinto do Couto; um outro do barão do Rio Branco, da Sra. Nicolina de Assis; um Pugilatore e um Narciso, do Sr. Antonio Mattos [sic] [Antonino Mattos], muito bom, sendo este último concorrente ao prêmio de viagem.

A exposição é brilhante e a animação grande.

Será hoje a inauguração oficial, devendo comparecer o Sr. presidente da República.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

A exposição de belas artes - Vernissage. O Paiz, Rio de Janeiro, 1 set. 1912, p.3.

A EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 4 set. 1910, p. 1.

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Ao alto, Rodolpho Bernardelli, Diretor da Escola, cujo edifício se vê ao centro. ao lado, o secretário A. Chalréo. Em baixo, Baptista da Costa, Belmiro de almeida e Correia, membros da comissão promotora da exposição.

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Digitalização e transcrição da Arthur Valle

A EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 4 set. 1910, p. 1.

A EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES DE 1930. O Jornal, 24 ago. 1930, p. 1.

A amostra de pintura e escultura apresentada na XXXVII Exposição Geral de Belas Artes, concorrida por grande número de artistas, nacionais e estrangeiros, redundou num eloquente atestado da honestidade da comissão que a organizou. Lá encontramos ao lado dos mestres já consagrados pelos lauréis acadêmicos, jovens de grande mérito que concorrem aos prêmios em boa hora instituídos pela Escola, pela Prefeitura e outros beneméritos doadores. Em nossa rápida visita, colhemos os seguintes flagrantes fotográficos. Da esquerda para a direita: Oswaldo Teixeira: Retrato da sra. Karla Eichkoff - F. Manna: Ilha do Governador - Georgina de Albuquerque: Roceiros - A. B. Domeneck: Marinha

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Imagens

Oswaldo Teixeira: Retrato da sra. Karla EichkoffFrancisco Manna: Ilha do GovernadorTheodoro Braga: Anhanguera - Georgina de Albuquerque: RoceirosA. B. Domeneck: Marinha

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

A EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES DE 1930. O Jornal, 24 ago. 1930, p. 1.

A EXPOSIÇÃO. A Noticia, Rio de Janeiro, 1-2 set. 1899, p. 1.

Inaugurou-se hoje, pouco depois do meio-dia, a exposição geral da Escola Nacional de Belas Artes, em presença do Sr. presidente da República e do Sr. ministro do interior.

À entrada do SS. EEx., uma banda militar executou, no saguão do edifício, o hino nacional; e o Sr. Rodolpho Amoedo, vice-diretor da escola, desceu de seu gabinete para receber os ilustres visitantes.

Acompanhado do Sr. Dr. Thomaz Cochrane, secretário da presidência, o Sr. Dr. Campos Salles ao lado do Sr. Dr. Epitacio Pessoa e seguido do Sr. Rodolpho Amoedo, professores da escola e representantes da imprensa, penetrou imediatamente na grande sala de exposição, cujas portas foram abertas de par em par.

O primeiro quadro que despertou a atenção do Sr. presidente da República foi O violeiro, de Almeida Junior. Essa tela esplêndida tem grandes dimensões e representa uma cena característica dos nossos costumes no interior. É o trecho de uma velha casa esburacada em que se destacam duas figuras do tamanho natural: - o violeiro, sentado sobre o peitoril da janela, viola ao peito, numa atitude indolente, descantando ao luar, e uma mulher, de pé, encostada à parede, pensativa, ouvindo a música do instrumento que chora…

Enquanto se deteve em frente ao quadro, ao Sr. Dr. Campos Salles revelou a sua admiração dizendo:

- É uma tela lindíssima! e tem para mim o valor inestimável de reproduzir uma cena dos nossos costumes.

Isso que aqui está é brasileiro e há de ficar guardando as nossas tradições de povo que ainda pão [sic] tem arte e literatura pronunciadamente características.

Outros quadros do mesmo autor agradaram imensamente a S. Ex.: A estrada, o Importuno e a Mendiga, tipo de uma mendiga popular em S. Paulo.

Ao ver a tela de Baptista da Costa a que, se não nos enganamos, o artista deu o título - Começo de outono, o Sr. Campos Salles manifestou recordações do trecho reproduzido no quadro.

O Sr. Dr. Epitacio Pessoa revelou viva admiração pela Estrada, de Almeida Junior, e pelo Importuno, do mesmo autor.

À hora em que deixamos a Escola de Belas Artes ainda ali se achavam S. S. EEx., muitos deputados, senadores, artistas, jornalista, etc.

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Digitalização de Fundação Biblioteca Nacional Acessível em: http://memoria.bn.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

A EXPOSIÇÃO. A Noticia, Rio de Janeiro, 1-2 set. 1899, p. 1.

A EXPOSIÇÃO. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 2 set. 1906, p. 5.

Com a presença do presidente da república e do ministro do interior, e com a solenidade dos anos anteriores, realizou-se ontem a abertura da 13ª exposição nacional de Belas Artes.

Para realizá-la foi preciso infelizmente a obtenção, de bons quadros estrangeiros. Lá figuram, por exemplo, com grande relevo, como era natural, diversos quadros de Malhôa, - que acabaram de ser expostos no Gabinete Português de Leitura. Algumas das obras de arte de pintores de fora do Brasil são pertencentes ao governo como as Cócegas do Malhôa. Outras foram cedidas por empréstimo delicadamente, pelos cavalheiros que delas se tornaram proprietários.

Esse recurso foi empregado para atenuar a má impressão de ausência de muitos nomes nacionais conhecidos, para reforçar a coleção onde estão representados apenas estes artistas dos velhos: Brocos, João Baptista, Treidler, Dall'Ara, Belmiro, Rafael Frederico, A. Delpino, Auguste Petit.

Novos é que não são poucos os que aparecem - e entre eles alguns vitoriosamente.

Mais de espaço nos ocuparemos devidamente dos trabalhos expostos.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

A EXPOSIÇÃO. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 2 set. 1906, p. 5.

A FESTA DE HOJE, NAS BELAS ARTES. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 8 set. 1913, p.6.

Inauguram-se hoje, com o concurso dos poetas Goulart de Andrade, Bastos Tigre e Luiz Edmundo, as palestras literárias organizadas pela comissão da XX Exposição de Belas Artes. Estas palestras, que, pela primeira vez, se realizam aqui, terão lugar no terraço interno da Escola de Belas Artes, junto ao templo de "Vesta", onde funciona o "bar".

Para as palestras não há convites, sendo o ingresso com a entrada paga do "Salon".

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Imagens

LUIZ EDMUNDO

BASTOS TIGRE

GOULART DE ANDRADE

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

A FESTA DE HOJE, NAS BELAS ARTES. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 8 set. 1913, p.6.

A HORA LITERÁRIA - O que foi a festa de ontem na Escola de Belas Artes. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 9 set. 1913, p.3.

Bastos Tigre fez uma conferência humorística; Goulart de Andrade e Luiz Edmundo recitaram

Bastos Tigre, Goulart de Andrade e Luiz Edmundo inauguraram ontem, e com um sucesso encantador, as palestras literárias organizadas pela comissão da XX Exposição de Belas Artes.

Foi a nota "chic" da tarde de ontem essa inauguração.

Às 4 horas, no terraço interno da Escola de Belas Artes, junto ao templo de "Vesta", todas as bancas do "bar", que aí funciona, se achavam ocupadas pelo que a esplêndida "city" tem de intelectual e elegante.

Ao amplo "Salon" contíguo ao terraço, a exposição atraíra inúmeras pessoas, e era soberbo o aspecto do local, a que afluíram vivaces modelos da beleza feminina, numa variedade empolgante e distinta de "toilettes" finíssimas para admirar a eloquência imortal das cores, espiritualizada nas molduras daquela exibição gloriosa da Arte excelsa.

E enquanto a "hora literária" não se fazia ouvir dos lábios de Bastos Tigre, o "five-o'-clock tea" reunia parte da afluência no terraço interno do palácio das Artes, onde um terceto musical executava magníficos trechos.

E o chá musicado, no delicioso "tête-à-tête" que liberalizava o tempo, foi, poucos minutos depois da hora marcada no programa, surpreendido pelas palavras de Bastos Tigre.

Iniciavam-se as palestras literárias, e a ele atribuíram o desempenho de inaugurá-las.

Para corresponder galhardamente ao alto cometimento, informou o humorista, pensara em escrever uma dissertação erudita acerca da evolução das artes, e viria, armado com volumosos tomos, revelar-se entendido nessas dificuldades, conquanto se arriscasse a ser ouvido por um auditório muito atento, sonolentamente atento...

Logo se percebeu que Bastos Tigre iria, mais uma vez, deliciar os que o ouviam com o seu humorismo apurado e irresistível.

E assim sucedeu. Exceção de algumas referências, talvez sisudas, sobre a pintura, a escultura e a poesia, toda a sua palestra literária foi uma "charge" delicada, que arrancou da elegante reunião merecidos aplausos.

Bastos Tigre esperava que todo o Rio comparecesse à bela festa artística, que ele inaugurava, porque não compreendia uma cidade natural e essencialmente artística, com gente que desadore a Arte.

E falando das que "não sabem a arte e por isso não na estimam", diz:

"São esses os que nos perguntam: qual a utilidade de um quadro, de um soneto, ou de uma estátua? Filisteus, ide perguntar a uma rosa qual a sua utilidade? E ela vos responderá, se tiverdes ouvido para ouvi-la e entendê-la: - tenho a utilidade da minha beleza e do meu perfume! Amanhã, quando eu for murcha e seca e tiver perdido, - ai de mim! o colorido das minas pétalas, o suavíssimo aroma que delas se evola, então sim, serei útil, transformada em chá, serei um drástico excelente..."

Mas os que não na estimam, não podem entender essa eloquência florida. E isso é triste, é lamentavelmente triste. Mas, o orador desiste dessas considerações e muda de assunto.

Em um soneto bucólico, previamente insinuado no espírito da assistência como a produção artística de um poeta pitoresco, ou de um pintor poeta, Bastos Tigre deu, com a extravagância e o inesperado dos dois últimos versos, motivo para incontido risos e aplausos.

Havia também, em sua palestra, sombras terríveis de uma resolução heroica: voltar à primitiva ideia de uma dissertação erudita, acerca da evolução das artes.

E para fingir de tornar efetiva essa ameaça, Bastos Tigre fazia referências aos primórdios da pintura, da escultura...

Essa última encontrou o seu fundador no mais nobre dos artistas, segundo as coisas sagradas. E Adão foi, até hoje, e infelizmente não pode ser reproduzido, a melhor das esculturas que ainda saiu de mãos artistas.

Isso lhe lembrava os bons tempos de "escultor", quando amassava com as mão bolas de barro, no Recife, para fazer balas de guerra, sem cogitar de mandar moldá-las para o bronze fundido.

Não obstante, molda versos de um humorismo inimitável; e fazendo, em superficial análise, a comparação entre as três artes, desejou evidenciar particularmente a relação conexa entre a pintura e a poesia, terminando por dizer os "Versos a um artista", de Raymundo Corrêa.

Goulart de Andrade recitou poesias de sua lavra. Organização de poeta, mas poeta de alma e de sentimento para ser o artista consciencioso que é, transformando em cinzel a pena que lhe grava, nas páginas de seus livros, esses soberbos versos que todos admiramos, Goulart de Andrade disse ontem, empolgado talvez pela beleza mesma de suas produções de arte, e empolgando quantos o foram ouvir, "Cinzas", dois, "vilancetes", o "Canto real da noite" e uma balada.

O "Pierrot e Columbina", que o poeta recitou com a dicção comovida, teve, por isso mesmo, se é possível, um efeito magnífico para o auditório, que o aplaudiu prolongadamente.

Luiz Edmundo, o elegante "diseur" de sempre, recitou os seus "Versos à Árvore", a "Canção da Lágrima", os dois sonetos "Londres e Veneza" e as quadrinhas "Beijo e Vinho".

A seleção que Luiz Edmundo fez entre os seus muitos versos, dos que ontem disse, foi esplêndida.

A "Canção da Lágrima" foi interrompida com os aplausos eloquentes da elegante assistência.

Segunda-feira vindoura repetir-se-á a "Hora literária", e ficam , assim esses dias da semana tendo a sua nota "chic" e absolutamente distinta.

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DOIS ASPECTOS DO "FIVE-O' -CLOCK-TEA", ONTEM LEVADO A EFEITO NA ESCOLA DE BELAS ARTES: AO LADO, OS INSTANTÂNEOS DE LUIZ EDMUNDO E GOULART DE ANDRADE, QUANDO RECITAVAM, E BASTOS TIGRE, QUANDO LIA A SUA CONFERÊNCIA

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

A HORA LITERÁRIA - O que foi a festa de ontem na Escola de Belas Artes. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 9 set. 1913, p.3.

A HORA LITERÁRIA NA ESCOLA DE BELAS ARTES. O Imparcial, Rio de Janeiro, 10 set. 1913, p.10.

Completando o nosso noticiário de ontem, publicamos hoje três interessantes instantâneos que apanharam em flagrante três curiosas atitudes dos brilhantes homens de letras que concorreram para o grande sucesso obtido pela primeira festa literária celebrada anteontem na Escola de Belas Artes. Segunda-feira próxima será celebrada a segunda festa.

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Imagens

O poeta Luiz Edmundo

O poeta satírico Bastos Tigre

O poeta Goulart d'Andrade

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

A HORA LITERÁRIA NA ESCOLA DE BELAS ARTES. O Imparcial, Rio de Janeiro, 10 set. 1913, p.10.

A HORA MUSICAL. O Paiz, Rio de Janeiro, 16 set. 1913, p.3.

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Cardoso de Menezes Filho, maestro Araújo Vianna, Pedro Bruno e senhoritas Isabel e Marieta de Verney Campello, que tomaram parte no concerto da hora musical, da Escola de Belas Artes.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

A HORA MUSICAL. O Paiz, Rio de Janeiro, 16 set. 1913, p.3.

A INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE ARTE CONTEMPORÂNEA. O Imparcial, Rio de Janeiro, 14 nov. 1922, p.6.

A CERIMÔNIA - IRREGULARIDADES

Efetuou-se, ontem, às 2 horas da tarde, na ex-secretária da Escola de Belas Artes, vasto e encardido prédio da Avenida, a famosa "Exposição de Arte Contemporânea", laboriosa demonstração de progresso, em 106 anos de cultura artística.

O edifício ostentava uma ornamentação farta, à que faltaram apenas as clássicas palmeirinhas e folhagens, mas chegando mesmo a ter cravos expostos sobre colunas, o que é, realmente, de grande efeito...

O ato revestiu-se de certa solenidade, sendo o Dr. Baptista da Costa, diretor do estabelecimento, lido, discretamente, um longo memorial, que foi ouvido com muita atenção pelos presentes. Em seguida foi declarada aberta a Exposição.

Não sendo este ano um "salonzinho" vulgar, claro está importante melhoramentos foram feitos nas galerias, para receber e exibir, condignamente, as numerosas telas e estátuas aprovadas pelo conspícuo juiz.

O que há de apreciável nesses melhoramentos é apenas a distribuição de luz que se tornou o uniforme. O grande número de trabalhos expostos impede-nos de falar do conjunto, em resumo, e ainda mesmo que o desejássemos tentar, faltar-nos-iam dados precisos a respeito de cada um dos trabalhos. Não havia catálogos. O operoso diretor, naturalmente, fiado na popularidade do estilo de cada um dos artistas, achou dispensável essa formalidade.

Enganou-se S. S. e a não ser os seus gsozinhos [sic] de pescoço estendido, na ânsia de beber uma aguazinha franjada de espuma, tudo envolvido num conhecimento ambiente de Petrópolis, às nive horas da manhã, que toda gente sabe que só poderia ser obra de sua amada palheta e dos seus pincéis de dois cabelos, nenhum mais dos quadros acusa, pela sua fatura, o nome do autor.

Ora, é sabido que a modéstia dos nossos pintores não lhes permite escrever em letras perfeitamente indecifráveis as suas respectivas firmas, daí a grande utilidades do catálogo.

Esperamos que S. S. reconsidere do seu propósito de deixar os espectadores na ânsia de contemplar as "obras primas", que tem a felicidade de exibir no ano de centenário sem conhecerem o nome do autor.

Venda-os mesmo a 10$000 mas organize catálogos.

No mais, resta a notar o concurso de uma banda de música que abrilhantou a solenidade executando trechos admiráveis...

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

A INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE ARTE CONTEMPORÂNEA. O Imparcial, Rio de Janeiro, 14 nov. 1922, p.6.

A inauguração do "Salão" de 1913. O Imparcial, Rio de Janeiro, 2 set. 1913, p.5.

Imagens

À esquerda, o sr. Presidente da República, entre os srs. Ministros do Exterior e Interior; à direita, pessoas presentes à inauguração.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

A inauguração do "Salão" de 1913. O Imparcial, Rio de Janeiro, 2 set. 1913, p.5.

A INAUGURAÇÃO OFICIAL DO "SALÃO" DE 1920. O Imparcial, Rio de Janeiro, 13 ago. 1920, p.7.

Realizou-se, ontem, às 3 horas da tarde, a inauguração oficial do salão de 1920, da Escola Nacional de Belas Artes.

Àquela hora, presente o Sr. presidente da República, ministro da Justiçã e diretor da Escola, Dr. Baptista da Costa, e os professores daquele estabelecimento superior de ensino, teve lugar a cerimônia.

O Sr. presidente da República visitou, então, as salas das exposições de pintura e escultura, onde se viam magníficos trabalhos que foram muito apreciados pela numerosa assistência.

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O Sr. presidente da República teve ocasião de ver ontem a medalha que o professor Girardet está cunhando em comemoração à próxima visita do rei dos belgas.

A referida medalha tem, no verso, o rei Alberto, ladeado pela rainha Elisabeth e o Dr. Epitácio Pessoa e no reverso, as armas da Bélgica e do Brasil.

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Os Srs. presidente da República, ministro da Justiça, presidente do E. do Ro. general Pessoa e demais autoridades que assistiram à inauguração do "Salon"

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

A INAUGURAÇÃO OFICIAL DO "SALÃO" DE 1920. O Imparcial, Rio de Janeiro, 13 ago. 1920, p.7.

A Noite
A NOTA DE ARTE. Foram conferidos dois prêmios de viagem do "Salão". O Globo, Rio de Janeiro, 28 ago. 1929, p. 1.

O Conselho Superior de Belas Artes, reunido sob a presidência do Sr. Ministro da Justiça, homologou a decisão do júri de Gravura de Medalhas e Pedras Preciosas, que conferiu o "Prêmio de Viagem", ao expositor Sr. Calmon Barreto.

O artista laureado com o "Prêmio de Viagem" entrou para a escola como discípulo do prof. Girardet, há quatro anos, sendo também discípulo dos profs. Leopoldo Campos, na Casa da Moeda, e R. Chambelland, na aula de modelo vivo.

O Sr. Calmon Barreto, que é natural de Minas Gerais, obteve o prêmio com o trabalho n. 275, "Índio", gravura a buril.

Havendo o [...]

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Sr. Calmon Barreto [Clichê Globo]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

A NOTA DE ARTE. Foram conferidos dois prêmios de viagem do "Salão". O Globo, Rio de Janeiro, 28 ago. 1929, p. 1.

A NOTA DE ARTE. Realizado o "vernissage" da XXXV Exposição Geral de Belas Artes. O Globo, Rio de Janeiro, 11 ago. 1928, p. 8.

As primeiras horas da tarde realizou-se, na Escola Nacional de Belas Artes, o "vernissage" da XXXV Exposição Geral de Belas Artes, ou seja, do "Salão" deste ano, que se exibe com um considerável número de trabalhos apresentados, sobretudo nas suas seções de concorrência ao prêmio de viagem à Europa. O ato, que decorre sempre num ambiente de intimidade entre gente da pena, do pincel, do camartelo ou do lápis, e é por isso mesmo chamada "a festa dos artistas", teve hoje, uma notável afluência de nomes conhecidos em todos os nossos círculos intelectuais, que ali foram passar a última vista de olhos sobre os próprios trabalhos antes da inauguração oficial de amanhã, ou ver e rever as obras mandadas pelos colegas, que geralmente interessam mais pela colorida ameaça que encerram na mudez das competições... E, realmente, o "Salão" deste ano, como a quase generalidade dos anteriores, oferece os mesmos altos e baixos, embora já vão aqueles sobrelevando-se aos últimos, pelo menos em quantidade. São nomes novos, nomes vagamente conhecidos, nomes que já se vão impondo, ou nomes já "medalhados" e de além fronteiras da Avenida. A gravura acima reproduz alguns trabalhos de concorrentes ao prêmio de viagem, na seção de pintura. São sempre os mais interessantes. Assim, vêem-se da esquerda para a direita: "Retratos" de C. Portinari; "O apóstolo das selvas", de Manuel Faria; "A Dama das Camélias", de Manoel Constantino, "Borboletas" de Gilda Moreira e " "Manhã no campo", [...]

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Imagens

"Retratos" de C. Portinari; "O apóstolo das selvas", de Manoel Faria; "A Dama das Camélias", de Manoel Constantino,"Borboletas", de Gilda Moreira e "Manhã no campo" de Cadmo Fausto

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

A NOTA DE ARTE. Realizado o "vernissage" da XXXV Exposição Geral de Belas Artes. O Globo, Rio de Janeiro, 11 ago. 1928, p. 8.

A Noticia
A Noticia, Rio de Janeiro, 1-2 out. 1894, p. 1.

O ministro da justiça autorizou o diretor da Escola Nacional de Belas Artes a mandar imprimir na Imprensa Nacional os catálogos da exposição geral de belas artes e da biblioteca da mesma escola, contanto que a despesa não exceda à consignação própria.

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Digitalização de Fundação Biblioteca Nacional Acessível em: http://memoria.bn.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

A Noticia, Rio de Janeiro, 1-2 out. 1894, p. 1.

A Noticia, Rio de Janeiro, 1-2 set. 1897, p. 1.

O Sr. 1º tenente Frontin foi representar hoje o Sr, [sic] presidente da República na exposição da Escola de Belas Artes.

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Digitalização de Fundação Biblioteca Nacional Acessível em: http://memoria.bn.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

A Noticia, Rio de Janeiro, 1-2 set. 1897, p. 1.

A Noticia, Rio de Janeiro, 1-2 set. 1911, p. 1.

A véspera registrou a festa do vernissage do Salão deste ano, que é o 18º salão oficial. Festa? Sim, festa emocional, aquele frisson de quem aparece em público, de quem quer sondar o seu juízo e o seu bom gosto artístico, de quem enfim quer vencer, triunfar, ganhar renome. E lá estão nada menos de cinco candidatos ao prêmio de viagem. Puga Garcia, Eurico Alves, Alvaro Teixeira, Bordou [sic] e Gaspar de Magalhães. Qual deles vencerá? Os trabalhos impõem-se, como lindas promessas em via de próxima realização e o júri não vencerá com facilidade o trabalho de escolha. Mas o vernissage passou e hoje inaugura-se a exposição. Vai o ministro do Interior; irá talvez o presidente da República e a exposição continuará aberta até o dia 30, até talvez 15 de outubro. E quantos terão a curiosidade de lá ir? Não se sabe, mas já se presume que não serão muitos milhares. É ainda um mal do nosso público: ele ainda não encarreirou para as exposições de arte e para justificar a sua ausência na exposição da Escola, basta-lhe a alegação de que a Escola fica fora de mão.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

A Noticia, Rio de Janeiro, 1-2 set. 1911, p. 1.

A Noticia, Rio de Janeiro, 2-3 set. 1911, p. 1.

Uma das notas da véspera, e esta digna de registro, foi a inauguração da 18ª exposição de belas-artes. A festa não teve a concorrência que era de esperar, apesar de saber-se que a ela compareceriam o presidente da República, ministro da Justiça, altas autoridades e convidados de distinção. Os que não honraram com a sua presença esse certame de arte perderam algumas horas de gozo intelectual, pois há telas magnificas que bem evidenciam o talento e o gosto artístico das [sic] seus autores. O Sr. presidente da República, que foi recebido pela comissão executiva percorreu toda a exposição, não dissimulando a agradável impressão que lhe causavam os trabalhos expostos. A exposição, porém, continua aberta e certamente até o dia do seu encerramento não lhe faltará a concorrência de que é digna.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

A Noticia, Rio de Janeiro, 2-3 set. 1911, p. 1.

A Noticia, Rio de Janeiro, 28-29 ago. 1897, p. 1.

No dia 1 de setembro próximo será inaugurado pelo Sr. Dr. Amaro Cavalcanti a exposição anual da Academia de Belas Artes.

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Digitalização de Fundação Biblioteca Nacional Acessível em: http://memoria.bn.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

A Noticia, Rio de Janeiro, 28-29 ago. 1897, p. 1.

A Noticia, Rio de Janeiro, 5 set. 1896, p. 2.

Para a exposição atual na Academia de Belas Artes, há cartões que dão direito a ingresso durante todo o tempo da exposição, e que dão direito ao prêmio que lhe couber por sorte no tômbola que será efetuada logo depois do encerramento. Esses cartões custam apenas 20$, e temos alguns deles à disposição do público em nosso escritório.

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Digitalização de Fundação Biblioteca Nacional Acessível em: http://memoria.bn.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

A Noticia, Rio de Janeiro, 5 set. 1896, p. 2.

A XXIII Exposição Geral de Belas Artes. INAUGUROU-A, ONTEM, O MINISTRO DO INTERIOR. O Jornal, 13 ago. 1930, p. 3.

Inaugurou-se ontem a XXIII [sic] Exposição Geral de Belas Artes na Escola Nacional de Belas Artes, perante uma grande assistência, entre a qual se distinguiam o representante do presidente da República, os ministros do Interior e da Viação, o chefe de polícia e representantes dos demais titulares, diretores do Departamento do Ensino e Museu Nacional, além de várias personalidades de destaque nas artes, ciências e letras.

O Sr. Vianna do Castello, às 14 horas, deu entrada no salão, inaugurando oficialmente o certame.

Em seguida s. ex. percorreu em companhia dos convidados todas as salas da exposição, detendo-se a contemplar os trabalhos que mais lhe agradaram.

Uma banda de música da Brigada Militar tocou durante a cerimônia da inauguração numa das dependências da Escola.

OS PRÊMIOS DE 1929

Realizou-se, às 15 horas, no salão nobre da Escola de Belas Artes, a entrega de diplomas e medalhas aos expositores contemplados com prêmios e menções honrosas em 1929. Presidiu a sessão o sr. Cicero Peregrino, diretor, interino, do Departamento Nacional do Ensino.

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Imagem

Aspecto do ato inaugural do Salão de 1930

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

A XXIII Exposição Geral de Belas Artes. INAUGUROU-A, ONTEM, O MINISTRO DO INTERIOR. O Jornal, 13 ago. 1930, p. 3.

A XXXIV EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Realizou-se ontem o "vernissage" dos trabalhos expostos - A seção de arte aplicada. O Jornal, Rio de Janeiro, 12 ago. 1927, p. 3.

Realizou-se, ontem, o "vernissage" da XXXIV Exposição Geral de Belas Artes, cuja inauguração oficial hoje terá lugar, às 14 horas, com a presença do presidente da república.

Foi uma cerimônia íntima, na qual apenas tomaram parte os artistas, alguns jornalistas, e o sr. Victor Konder, ministro da Viação que foi olhar o seu retrato executado por Meinhard Jacoby, uma das telas que figuram no "Salon".

Depois de termos divulgado vários dos trabalhos expostos nas seções de pintura e escultura, vamos hoje ocupar-nos de uma das mais interessantes, embora muito pouco apreciada: a arte aplicada.

Quase todos os anos passa ela completamente despercebida do público, embora sua importância, na arte de qualquer povo, seja insofismável. Pode-se dizer mesmo que a arte aplicada, aplicada às mais variadas indústrias, às mais variadas utilidades práticas enfeixa em si, como arte decorativa que é todo o caráter artístico de um povo.

Todavia, como entre nós, pouco se liga a esse gênero, fogem todos de a ele se dedicar e daí resulta que o "Salon" fica sempre vazio de manifestações de arte aplicada.

Este ano, felizmente, apesar de serem apenas quatro os concorrentes, há nessa seção uma obra apreciável, sobretudo no que se refere às plásticas em couro, executadas pelas senhoras Maria Hirsch da Silva Braga e Joanna Parlowna de Oven Grentner, e às estilizações do professor Theodoro Braga.

É a seção do "Salon" em que se evidencia nitidamente uma ânsia de criar qualquer coisa com caráter brasileiro original e novo.

Os motivos indígenas, sobretudo extraídos das cerâmicas do marajoaras, predominam nos trabalhos da senhora Maria Braga e do professor Theodoro Braga que, assim, mais uma vez contribuem para o estímulo dessa corrente que tende para a formação de uma arte genuinamente brasileira da qual, de resto, o esforço do professor Theodoro Braga foi o primeiro marco.

Damos a seguir a lista dos trabalhos expostos na seção de arte aplicada:

Iracema Dutra - Vaso (estilo grego); Quadro estilo japonês, (Le guerrier nipon d'autrefois); Quadro estilo japonês; Banco e mesa (estilo oriental); Pasta e mestanho [sic]; Vaso modelagem.

Joanna Pavlowna de Oven Grentener - Plásticas em couro: a) pasta, b) porta-charuto.

Maria Hirsch da Silva Braga - Cofre em couro, alta [sic] relevo, com decorações de galhos de café em frutos; Almofada em couro, baixo relevo, com decorações inspiradas nos motivos da cerâmica Marajoara; Bolsa em couro, baixo relevo, ornamentada com motivos decorativos de desenhos dos vasos indígenas Paráuaras; Coberturas para livros, em couro, baixo relevo, com folhas de arvore paulista estilizadas - Inverno em S. Paulo: Cobertura para livros em couro, baixo relevo - Pensativa; Encadernação da obra "Retirada da Laguna", do imortal visconde de Taunay.

Theodoro Braga - A sombra de um vitral, iluminura em pergaminho, decorando a poesia desse título do poeta João Felisardo: Uapé - Yapona, tapete inspirado na majestosa flor amazônica. Vitória Régia, composição original de Theodoro Braga e executado na Manufatura de tapetes "Santa Helena", S. Paulo; Lírio Amazônico (Eucharis amazonica), castiçal em ferro batido, desenho original de Theodoro Braga e executado na seção de serralheria da Escola Profissional de Rio Claro, S. Paulo; Orquídeas. Chalé em seda nacional, composição original de Theodoro Braga e executado em "batik" nacional, por Domenico Busnelli; Estojo em guatambu, composição decorativa inspirada nos desenhos dos extintos índios da Ilha Marajó, original de Theodoro Braga e executado por Domenico Busnelli; Vaso decorativo em guatambu de acordo com ornamentação adotada das decorações indígenas Marajoaras, original de Theodoro Braga, executado por Domenico Busnelli; Caixa para jóias, em guatambu, composição sobre motivos indígenas brasileiros, original de Theodoro Braga, execução de Domenico Busnelli; Caraná, projeto de coluna (palmeira amazônica), composição original de Theodoro Braga e execução do escultor Vicente Laroca; Letras ornadas, composição de arte decorativa para ilustrações de livros (ornamentos tipográficos); Mangueira em flor, projeto original, inspirado na flora brasileira, para tecelagem de colgaduras; Tapete, projeto de tapete (com decorações estilizadas de motivos indígenas marajoaras) a ser executado pela Manufatura de tapetes "Santa Helena" de São Paulo, para o salão da Prefeitura daquela capital; Estojo em guatambu, composição decorativa inspirada em desenhos indígenas marajoaras, original de Theodoro Braga e executado por Domenico Busnelli; Vaso decorativo em guatambu, idem, idem.

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Imagens

A nossa gravura reproduz vários aspectos de trabalhos da seção de arte aplicada, vendo-se o chalé marajoara composto pelo professor Theodoro Braga, o cofre em couro esculpido com decorações de galhos de café em frutos, da senhora Maria Braga, a pasta em couro da senhora de Oven Grentener e um recanto da seção com trabalhos daqueles dois primeiros artistas citados.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

A XXXIV EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Realizou-se ontem o "vernissage" dos trabalhos expostos - A seção de arte aplicada. O Jornal, Rio de Janeiro, 12 ago. 1927, p. 3.

A XXXIV EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS-ARTES - Foi solene a sua inauguração, ontem, com a presença do sr. ministro da Justiça. O Jornal, Rio de Janeiro, 13 ago. 1927, p. 3.

Está oficialmente inaugurada, desde ontem e franqueada ao público, a XXXIV Exposição Geral de Belas Artes.

Às 14 horas, quando chegou à Escola de Belas Artes, à Avenida Rio Branco, o ministro da Justiça, achava-se o edifício repleto de famílias, estando presentes quase todos os artistas brasileiros ora no Rio.

O sr. Vianna do Castello, em companhia do dr. Aloysio de Castro, diretor do Departamento Nacional de Ensino, do sr. Corrêa Lima, diretor da Escola, e dos membros da Comissão Organizadora da Exposição, percorreu demoradamente as várias salas, examinando interessado os inúmeros trabalhos expostos.

A nossa gravura reproduz, em baixo e ao centro, um aspecto da saída do sr. Vianna do Castello do edifício da Escola, vendo-se s. ex. ladeado pelo dr. Aloysio de Castro e pelos professores Corrêa Lima e Elyseo Visconti (à direita) [Imagem].

As demais fotografias que compõem a gravura são de trabalhos da seção de pintura, a qual já há dias nos vimos referindo. Ao alto, partindo da esquerda, vêm-se: "Retrato da senhorita M.B." do professor Rodolpho Chambelland; "Praia Vermelha", de Edgard Parreiras; "Canto do Rio", de Francisco Manna.

Em baixo, à esquerda, vê-se uma tela do professor Elyseo Visconti, intitulada "Retrato" e, à direita, uma paisagem de Porciuncula Moraes, cujo título é "Vale da Tijuca".

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

A XXXIV EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS-ARTES - Foi solene a sua inauguração, ontem, com a presença do sr. ministro da Justiça. O Jornal, Rio de Janeiro, 13 ago. 1927, p. 3.

A XXXVI EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 11 ago. 1929, p. 7.

Transcorre a época em que celebramos o centenário do primeiro "salon"

Estamos à véspera da XXXVI Exposição Geral de Belas Artes. Será amanhã a "vernissage" e terça-feira, perante o chefe do Estado, altas autoridades, mundo social e outras mais pessoas gradas a cerimônia da abertura solene. O certame de 1929 valerá pelos trabalhos que reuniu; a colocação no conjunto dos anteriores, aliançando-se na crítica sincera que, atendendo às inclinações pessoais, respeite os grandes princípios da capacidade de imaginação criadora e fidelidade do sentimento plástico, os técnicos, os eruditos, quando oportuno. Mas, desde já, emergindo da coincidência que lhe reserva a história, ganharam a significação de transcorrer à época em que devemos comemorar o centenário do primeiro "salon". Efetivamente, a ascensão de José Clemente Pereira à pasta do Império, dando o apoio que merecia a perseverança estimada de Debriet [sic] coadjuvado por Grandjuan de Montigny, provocaria a primeira exposição nacional de pintura, escultura e arquitetura. Concorrerem-na, entre outros, Simplicio Rodrigues de Sá, José Christo, Souza Lobo, Porto Alegre, José dos Reis, José da Silva, Falcoz, João Climaso, Augusto Goulart e Marco Fenez [sic], vendo os 2.000 visitantes que o percorreram, cerca de 50 quadros e alguns bustos.

Agora, um século à frente, verá o público, em meio de produções diversas, as telas "Harmonia Verde" (nu) – Retrato de Carlos Gomes e "Estudos para um retrato", do professor Marques Junior; "Duas paisagens do Rio" e "Retrato", do professor H. Cavalleiro; "Um painel decorativo" e um "Nu", de Armando Vianna; "Retrato de mulher" e um "Cristo", de Oswaldo Teixeira; "Os gulosos" (concorrente à medalha de ouro), de Almeida Junior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior]; "Retrato do sr. Miguel Calmon" e "A primeira emoção de Elyseo Visconti"; "Paisagem e um retrato de Orlando Peruz [sic]"; "Retrato de Miss Espirito Santo, senhorita Glycia Serrano", de d. Sara Villela Figueiredo; diversos trabalhos de Joaquim Ferreira, Manoel Constantino, Jordão de Oliveira. De escultura expõem belos trabalhos os srs. Humberto Cozzo e Luiz Paes Leme.

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Imagem

"Os gulosos" - quadro do pintor Almeida Junior, concorrente à medalha de ouro

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

A XXXVI EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 11 ago. 1929, p. 7.

A XXXVI EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 13 ago. 1929, p. 5.

Rápidas impressões da sua inauguração, ontem, com a presença do presidente da República

Está inaugurada desde ontem mais uma, a XXXVI, das nossas Exposições Gerais de Belas Artes. O ato inaugural, o que desde o governo Epitacio Pessoa não se verificava, teve a assistência do presidente da República e essa honra ao atual "Salon" foi bem merecida pois é dos melhores destes últimos anos ou pelo menos dá essa impressão graças a uma seleção mais criteriosa dos trabalhos que deu ao conjunto muito maior harmonia do que a costumeira.

Evidentemente o critério da excessiva tolerância, até aqui seguido invariavelmente, parecendo um benefício ao meio artístico era, entretanto, a ele profundamente nocivo. Deve-se pressupor que o artista que ingressa em um "Salon" sujeito a júri teve uma recompensa no simples fato de ter sido admitido. Não se tratando de um salão de "independentes", como não se trata no caso, mais louvável é sem dúvida o critério este ano adotado. Mais louvável e mais útil. Se não há o contraste ao qual já nos habituamos de um trabalho inferior realçando o vizinho de mais valor, não há também a recíproca.

Na XXXVI Exposição, ora franqueada ao público, o que principalmente ressalta é o equilíbrio. Dir-se-ia que os nossos artistas se esmeraram mais para comemorar o centenário das exposições de arte no Brasil que agora se verifica. Há prejuízo de quantidade mas há lucro de qualidade.

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Seção de pintura: 208 trabalhos. Seção de escultura: 54 trabalhos. Gravura de medalhas e pedras preciosas: 44 trabalhos. Gravura e litografia: 10 trabalhos. Arte aplicada: 1. Arquitetura: 8.

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Na seção de pintura figuram este ano quase todos os da velha guarda. Nota-se apenas, de relance, a ausência de Rodolpho Chambelland. Lá estão entretanto, Visconti, Bernardelli [Henrique Bernardelli], Amoedo e Parreiras [Antonio Parreiras].

O prêmio de viagem, não despertou tão grande interesse como em 1927 e 1928, quando foram disputadíssimas as vitórias respectivamente de Manoel Santiago e Candido Portinari. Concorrem atualmente Euclides Fonseca, Cadmo Fausto, Gastão Formenti, Joaquim Ferreira, Jordão de Oliveira, Manoel Constantino, Manoel Faria, Orlando Teruz, Orozio Belém, Rosele Del Negro, Sarah Villela de Figueiredo e Suzana Mesquita.

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O retorno de um prêmio de viagem desperta sempre grande curiosidade. Todos querem ver o que lucrou na Europa, o que aproveitou, em que se beneficiou com o contato dos grandes centros. Por isso muitas atenções se voltavam para as telas do sr. Armando Vianna que expunha pela primeira vez após o seu regresso do Velho Mundo. E a sua contribuição, com justiça, só merecia de todos muitos encômios. Voltou outro artista, mais seguro da sua técnica, com uma apreciável ambientação. Tanto em "Banho Matinal", como em "Repouso" e "Cigana" seu progresso é sensível. Na paisagem, como na figura e no nu.

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Eliseu Visconti, sempre o extraordinário criador de harmonias. Henrique Cavalleiro, embora não tenha produzido muita coisa nova aos olhos dos íntimos do seu atelier, apresenta-se forte, muito forte mesmo. Sua técnica, vigorosa e moderna, obedece a um imperativo de sentimento que se vai aprimorando dia a dia. Sente-se que esse pintor não parou. Pesquisa, estuda, procura evoluir. Fica bem, nesta ligeira nota, falar, nele ao lado de Eliseu Visconti.

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Oswaldo Teixeira apresenta três belos quadros um arbusto e dois ótimos retratos. Do elemento feminino destaca-se sem dúvida a senhora Sarah Villela Figueiredo que nos apresenta dois ótimos retratos - um da senhorita Glycia Serrano [Imagem].

E quase nada se pode dizer mais após uma visita rápida de inauguração. Há sempre tanta gente onde está o presidente da República!

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Imagens

Dois aspectos da inauguração do Salon de Belas Artes. Em cima, o presidente da República, os ministros da Justiça e da Viação, o diretor da Escola e visitantes. Em baixo, grupo de expositores

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

A XXXVI EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 13 ago. 1929, p. 5.

A. Alves Cardoso
A. B. Correia e Castro
A. C.
A. C. BELAS ARTES. A INAUGURAÇÃO DO SALÃO OFICIAL DE 1926. O Jornal, Rio de Janeiro, 13 ago. 1926, p. 3.

Impressão da cerimônia e um golpe de vista sobre os trabalhos expostos

Como prevíramos, o salão da Escola de Belas Artes, este ano, reúne um copioso número de trabalhos, onde não merece apenas elogio a quantidade, mas há a destacar a qualidade, que revela, em vários dos nossos artistas, uma sensível aplicação e progresso visível, confrontados com esforços comprovados de salões anteriores.

Pode dizer-se com segurança que depois do grande mostruário organizado por Baptista da Costa para a celebração do centenário, só agora apresentamos um salão onde os valores são tão pronunciados e as tendências picturais se definem tão bem.

Depois de uma demorada visita à Exposição tem-se a impressão da harmonia que os conjugados esforços apresentam, tomando-se, logo, visível a sensível melhora, a aplicação cuidada de vários artistas, que expõem valores novos ou insistem nos gêneros já tratados, levando, porém, sensíveis vantagens apreciáveis sobre os anteriores.

Esta impressão, que mais a vagar detalharemos, era geral, notava-se em todas as fisionomias capazes de sentir e transmitir uma emoção da arte. Os salões encheram-se de convidados, e família e cavalheiros davam uma viva nota de movimento às galerias, enquanto professores, expositores, alunos da Escola formavam grupos, trocando opiniões, comentários, enchendo de rumor os recantos.

O interesse que se notava em pintura, era igual ao que a seção de escultura despertava, o mesmo podendo afirmar-se das valiosas seções de arquitetura, gravuras e medalhas, e artes aplicadas. Só nesta última não foi grande o número de objetos, compensava o lapso a beleza dos grandes trabalhos ali reunidos pelo notável professor Augusto Herborth, que a expõe, três painéis de "Composição decorativa, constando de alfabeto, vocabulário, desenhos e aplicações decorativas, inspiradas na decoração dos índios brasileiros do baixo Amazonas", e pela senhora Joanna Pawlowna Grentener que, entre outros, expõe o "Livro do Centenário da Câmara dos Deputados", escultura e gravura em couro.

O conjunto de trabalhos expostos no salão agrada ao mais exigente temperamento e assinala uma honesta porfia, luta interessada na obtenção da melhora, do progresso gradual, sem o que não é possível assinalar nenhuma conquista em qualquer terreno mental. O salão deste ano dá a impressão exata de que foi organizado com amor, por quantos tomaram a responsabilidade de promovê-lo ou a ele concorrer.

Foi esta a impressão perfeita e honesta que nos ficou desse soberbo mostruário de arte nacional.

UMA RÁPIDA IMPRESSÃO DE JOSÉ MARIANNO

Em meio ao número considerável de artistas, críticos de arte, jornalistas que se acotovelavam, discutiam, analisavam, encontramos o Dr. José Mariano.

Diretor novo, cheio de responsabilidades pelo seu passado cultural, pelas suas conhecidas opiniões sobre coisas de arte e artistas do nosso país, com pontos de vista seus, divulgados através da forte atuação que tem exercido em nosso meio, a sua palavra pareceu-nos valiosa e levou-nos a interrogá-lo:

- Como lhe parece o salão, doutor Marianno?

- Tenho no Salão atual a melhor das impressões. Há entusiasmo, há vibração, em todas essas telas claras, cheias de luz. Os pintores brasileiros estão no bom caminho, e estou certo de que, no ano próximo, o Salão será ainda mais forte.

Qual a melhor obra do Salão?

A que mais me impressiona, é o retrato que Visconti trouxe ao Salão. É uma maravilha de técnica, um poema de harmonia. É um dos três grandes retratos do mestre insigne da pintura brasileira, sendo os dois outros, o de Gonzaga Duque e o da escultora D. Nicolina do Couto, que eu ofereci à Escola.

Considero excepcionalmente valiosa a colaboração do ilustre prof. Dr. August Herborth, cujos trabalhos de composição decorativa inspirados nos desenhos e inscrições dos nossos índios, marcam o início de uma nova era na arte brasileira.

Mais de espaço direi a minha impressão sobre o valor das pesquisas do ilustre professor que com nova capacidade apreendeu o vocabulário artístico dos nossos selvagens, compondo com eles elementos originais de decoração aplicada à cerâmica, à confecção de estofos, de ladrilhos, etc.

A CERIMÔNIA INAUGURAL

Com 45 minutos de atraso, chegou ao edifício da Escola, o major Barbosa Gonçalves, ajudante de ordens do presidente da República, que vinha representar s. ex.

Recebido à porta principal do edifício pelo Dr. José Marianno, pela comissão diretora composta dos professores Lucilio de Albuquerque, J. O. Corrêa Lima, Benno Freider [sic] e outros professores, foi o Sr. Barbosa Gonçalves conduzido ao gabinete do diretor, de onde, após breve descanso, o conduziram ao salão de escultura.

Aí começou o desfile inaugural de junto de um busto do Sr. Arthur Bernardes, sendo percorridas todas as salas, apressadamente, pela comitiva, a que já aderira o ajudante de ordens do ministro da Justiça, que também não pudera comparecer.

Em pouco estava percorrida a vista toda a vasta galeria, retirando-se os elementos oficiais, sempre saudados pela música posta no "hall" do edifício, ao mesmo tempo que os convidados, longe do formalismo oficial começavam a ver e a esmerilhar os valores ali reunidos.

Nos comentários então ouvidos, era comum um ou outro lembrar que, na Inglaterra o próprio rei, desde a praxe estabelecida pela rainha Vitória, faz questão de inaugurar o salão anual de Belas Artes, praxe implantada, também, na França, pelo Diretório, continuada pelo Império, seguida pelos Bourbons, universalizados na República.

RÁPIDA VISITA A ALGUNS TRABALHOS EXPOSTOS

É difícil um breve esforço do que está reunido ali.

Há, por exemplo, dentre os mestres consagrados, três telas do Sr. Visconti, cada uma num gênero diferente e todas igualmente fortes. Fazer confrontos, medir, retocar, calcular coisinhas nos quadros do senhor Visconti é bizantinismo sem utilidade porque esse grande mestre dá a impressão de que, à proporção que envelhece, se torna mais perfeito, mais luminoso, mais claro. Entretanto, para satisfazer a preocupação de confronto dos que só assim sabem ver, diríamos que "Piedade", catalogada com o n. 308 é um dos melhores trabalhos da poderosa pintura brasileira. Para não sair das Medalhas de Honra, citamos outro pintor que a tenha conquistado. Seja o senhor Lucilio de Albuquerque.

Este artista é outro caso singular. Em vez de involuir, melhora sensivelmente, aperfeiçoa-se, torna-se um grande pintor, luminoso, perfeito ao desenho, o que sempre foi, seguro no colorido. "Fim de pescaria" e "No alto da montanha" são as duas composições que expõe, ambas muito bem trabalhadas, sendo de notar a primeira, onde há um pescador tratado com estudado carinho.

As cores, os reflexos, sombras, planos vão muito bem na tela e o seu quadro ressuma uma força de inspiração íntima, que traduz o artista preocupado com a ideia, com a inspiração, que é a nota dominante dos seus envios anteriores.

Façamos, porém, transição para as pequenas medalhas de ouro.

Vejamos D. Georgina de Albuquerque, a grande artista, consagrada em nosso país e no estrangeiro, pelo sentimento da sua arte clara e vibrante, onde se sente o sol dos trópicos, o sol da nossa terra a iluminar as cenas encantadoras que pinta.

D. Georgina apresenta um limpo nu. "Mal-me-quer", onde a carne é bonita e sem transparências e onde há repouso, equilíbrio, naturalidade de expressão e de vida. O seu quadro "Dia de verão" é outra delicadeza de tela e se a autora me permitisse escolher, entre os dois, eu ficaria com este, apesar de sentir que a autora ilustre preferiria o outro.

D. Georgina ainda pinta animais e, como em todas as suas tentativas, exercita-se com pleno êxito. O seu quadro 111, intitulado "Alto na encruzilhada", tem cor local e movimento e assegura a continuidade de grandes trabalhos, mais tarde.

Vejamos outro.

Seja o Sr. Pedro Bruno, que expõe sensivelmente melhorado, revelando um aproveitamento notável. Os seus envios são lindos quadros em que manifesta apreciável tendência para decorações, pintando com correção, com graça, com ideia. Dentre as cinco telas que expõe, "Mãe" e "Sol de outono" agradam-nos, sobremodo, não esquecendo o "Cristo ao mar", lindo motivo em que as qualidades de decorador majestoso se acentuam.

Ainda uma pequena medalha de ouro, o Sr. Timotheo da Costa (João). Dos seus quatro trabalhos, há uma amostra muito forte, de grande perfeição. "No atelier", quase igualada pelo "Estudo de tronco", outro trabalho, também, que agrada aos exigentes.

A sua cabeça de "Adolescente" é boa, notando-se, porém, que o corpo, o planejamento, são apressados, não corresponderam aos demais. Esta restrição em nada diminui a magnífica impressão do conjunto, principalmente das duas telas a que nos referimos.

Ainda um último, extra-catálogo, que apresenta um dos trabalhos mais bonitos, mais luminosos, mais claros e acatados, da Exposição. É o Sr. Carlos Chambelland.

Este artista se apresenta com uma tela de grandes dimensões e grandes belezas [Imagem] e parece que maldosamente feita para que o júri, na distribuição da cobiçada medalha, tenha, este ano, as maiores dificuldades em resolver a quem a mesma caberá.

Pelo menos, foi isto que sentimos, depois de ver, pacientemente, os quatro artistas aqui grupados, examinando-lhes, detidamente, os envios.

A. C.

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Imagens

Um aspecto de cerimônia do descerramento do busto do Sr. Arthur Bernardes, inaugural do 'Salon', e trabalhos de concorrentes ao prêmio de viagem: "Primavera em flor", de Armando Vianna; "Retrato do professor Henrique Bernardelli", de Sarah Villela Figueiredo; "Pintor Roberto Rodrigues", de Candido Portinari; "Retrato do sr. Corbiniano Villaça", de Manoel Constantino, e "A Carta", de Manoel Santiago

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

A. C. BELAS ARTES. A INAUGURAÇÃO DO SALÃO OFICIAL DE 1926. O Jornal, Rio de Janeiro, 13 ago. 1926, p. 3.

A. C. BELAS-ARTES. Ligeira impressão colhida ontem na XXXIII Exposição Geral. O Jornal, Rio de Janeiro, 14 ago. 1926, p. 3.

Sem preocupação dogmática de fazer crítica, de que resultam muitas vezes opiniões nascidas do afeto ou geradas do ódio, continuamos, displicentes, o nosso passeio de ontem, em torno das obras catalogadas no salão de Belas Artes.

Os nossos pintores ali comparecem, como dissemos de relance, pintando vários gêneros e motivos. Não se vêm somente paisagens, como há pouco acontecia, quebrada esta nota apenas pelos estudos de inspiração clássica, com que a velha mentalidade da Escola empanturrava os rapazes, influindo sobre o espírito dos artistas feitos e ainda não libertos das tendências erradas trazidas do curso acadêmico.

Não que neguemos valor às telas já feitas e inspiradas nessa velha e respeitável inspiração; ou que, com a referência feita ao gênero paisagem, mostremos desamor por essa difícil pintura. Absolutamente, não. Pela paisagem sentimos todo o entusiasmo de quem as possuindo, lindíssimas, lamenta apenas não saber pintar para reproduzi-las.

Mas é que a paisagem só tem sido tentada, com raras exceções, na pintura brasileira, com pouca felicidade. E é evidente que essa orientação resultava de um falso conceito que hoje não prevalece, mas que predominou por algum tempo, julgando a paisagem motivo decorativo, parte componente de tela, fundo de quadro, em suma. A paisagem tem, entretanto, como a figura humana, a sua vibração e vida íntima. Sente-se a paisagem com a mesma palpitação, a mesma elevação espiritual da figura; Para ser perfeita, a paisagem precisa ter uma alma e esta só se depara quando, por exemplo, a paisagem nos evoca alguma coisa que conhecemos, que amamos, que sentimos e compreendemos, mesmo sem tê-la visto.

Na paisagem brasileira esta feição especial encontra-se maravilhosamente tratada, como ninguém antes ou depois dele tratou, por Antonio Parreiras. Baptista da Costa, que foi também fortíssimo paisagista, não se igualou a Parreiras, pelo impressionismo europeu que revelou na maioria dos seus quadros. Grande como era, maior teria ainda sido se houvesse nascido em França e pintado a Normandia, as planícies adustas da Crau, a encosta amena dos Alpes, na Côte d'Azur. Parreiras, não. Pintou com cores e com sentimento a paisagem brasileira, deixando bons quadros, como expressão exata e perfeita, da nossa terra e da nossa luz.

Mas voltemos ao salão deste ano, que tão boa impressão vai deixando.

Vejamos os expositores que se nos afigura mais fortes.

Seja o Sr. Minhard Jacoby [sic]. Este grande pintor apresenta trabalhos de rigorosa técnica e perfeição. O seu colorido continua a revelar a mesma clareza dos seus quadros já conhecidos. Perfeição de processos pictóricos absoluta coloca esse artista no primeiro plano dos nossos pintores de figura. O Sr. Meinhard Jacoby expõe quatro telas, todas muito felizes, culminando as suas qualidades na de n. 204. "Branco em branco", retrato de senhorita.

Reportemo-nos, agora, aos envios do Sr. [Augusto Bracet]. São quatro quadros, predominando na qualidade e no número, o retrato. O Sr. Bracet apresenta com muita felicidade o Sr. Armando Braga, trabalhando no "atelier", dando impressão de movimento, naturalidade, à figura, tanto na cabeça, como nos detalhes, que a interessam.

O Sr. Bracet está se firmando um forte retratista, opinião que nos fornecem os seus envios e outros trabalhos recentes.

Paremos agora junto dos bonitos quadros, de técnica difícil, enviados pelo Sr. Annibal Mattos. São três marinhas e uma casa velha, todas tratadas com segurança, conhecimento de planos, jogo feliz de luzes. Esse artista é do grupo que mais aproveitamento revela, por isso que se distancia infinitamente dos seus envios anteriores.

Helios Selhinger [sic] traz ao salão o concurso de uma das suas interessantes composições. É um quadro de proporções regulares, intitulado "Pedro Malazarte", onde se vê famoso personagem, tocando frauta [sic] rude, enquanto em roda a bicharada da fauna brasileira ouve-o contrita, na perspectiva de acontecimento, que só o observador não atenta. O quadro tem colorido, a feição pessoal do autor e não é possível escurecer, pelo envio, o merecimento do seu autor.

Vejamos, finalmente, um dos mais recentes premiados com a viagem à Europa. É o Sr. J. B. Paula Fonseca. Apresenta dois quadros, ambos muito seguros, com as qualidades de paisagista que vem revelando desde o curso, recebidas de Baptista da Costa. O Sr. Paula Fonseca acentua qualidades que se vão definindo em sua técnica, pintando com muita segurança. Dos dois quadros expostos o mais forte é "Mercado de Veneza", onde há perspectiva, ciência exata dos planos, colorido bem combinado e, sobretudo, movimento nas figurinhas de mercadores que emprestam vida à tela.

É um belo e forte trabalho, com o qual julgamos oportuno encerrar as notas de hoje. - A. C.

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Imagens

"Retrato", de Eyseu Visconti

"Mãe", de Pedro Bruno

"Armando Braga", de Augusto Bracet

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

A. C. BELAS-ARTES. Ligeira impressão colhida ontem na XXXIII Exposição Geral. O Jornal, Rio de Janeiro, 14 ago. 1926, p. 3.

A. da Costa
A. dalla Gatta
A. G. Moya
A. Gartmann
A. Minitzky
A. Nilo de Paula
A. Pinheiro de Almeida
A. Ribeiro da Silva
A. S.
A. S. EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 4 set. 1904, p. 2.

Não é das mais copiosas a exposição inaugurada anteontem num dos salões da Escola de Belas-Artes. Pareceu nos inferior às dos anos anteriores pela quantidade; e em qualidade, avolumam-se as produções de principiantes e de amadores.

Está claro que, num meio de vida artística incipiente, como a nossa, não poderia o ilustre diretor da escola exercer uma censura exigente, recusando a colaboração dos que fazem as primeiras armas.

Felizmente o concurso de H. Bernardelli, Amoedo, J. Baptista, Brocos e outros mestres lá estão para afirmar bem alto os créditos da nossa pintura.

Os retratos de H. Bernardelli são verdadeiros primores de arte: o de Arthur Napoleão é assombroso de expressão e de execução; contemplando-o, ao lado do piano, tem-se vontade de parafrasear Miguel Angelo, bradando: - toca! Os de dr. Alberto Faria, mme. Oliveira Lima, Modesto Brocos, são igualmente admiráveis.

J. Baptista, hoje o paisagista brasileiro por excelência, expõe formosas telas, entre as quais uma grande paisagem - Fim de jornada - um vasto bosque de um verde e de uma luz autenticamente tropicais, cortado por uma estrada por onde desce um carro de bois, tudo - céu, árvores, carro e figuras - pintado magistralmente. As demais paisagens de Baptista são outros tantos títulos do eminente artista ao qualificativo que lhe demos acima.

Brocos, o nosso fiel e conciso pintor de costumes, apresenta uma Cena doméstica das que justamente tem feito a sua reputação no gênero: observação exata, execução primorosa e, sobretudo, essa cor local que só ele sabe dar a esses aperçus da vida popular.

Amoedo não expõe trabalho algum a óleo, mas somente pintura a ovo e cera. São pelo primeiro processo pintados os quadros Cativa; excelente de execução, a Oração, que pode não ser muito verdadeiro, mas é magistralmente feito.

Dos novos o maior expositor é J. F. Machado, mas não se pode dizer que seja o mais feliz. A sua grande tela - Cristo curando um paralítico, não nos agradou de forma alguma. A cena peca, não só pela concepção como pela execução. Aquele Cristo sem majestade, de cabelos empastados e amarelos, com uma mancha vermelha no bigode, como se estivesse a deitar sangue do nariz. As demais figuras e o cenário não são mais felizes.

Carta civilizada (?) é também um trabalho que não podemos elogiar. Na Tentação de Santo Antônio a figura do santo e as das duas mulheres, uma deitada e outra sentada de costas, são bem feitas. O seu talento se afirma com vantagem em algumas paisagens e na Cabeça de um velho pedinte.

Helius Seelinger expõe muitas telas de que não gostamos absolutamente. Em todas aparece a mesma mulher, sob diferentes nomes, sempre com a mesma boca funda, com a mesma pele suja e no meio de borrões que intentam reproduzir objetos e estofos sarapintados. Fora disto um auto-retrato muito favorecido e um retrato de rapaz, por acabar e com um detestável fundo dourado (!).

Dentre os novos, o mais digno de louvor é Chamberland [Rodolpho Chambelland], que, entre outras boas coisas, apresenta dois magníficos retratos a pastel (ns. 47 e 48). A sua cena noturna - Noite de espetáculo tem belos efeitos de sombra e luz artificial, sendo muito bem apanhadas a atitude e a expressão das figuras.

E Bevilacqua, além de boas paisagens, tem um retrato excelente.

D. D. Angelina [Angelina de Figueiredo] e Marietta de Figueiredo sobressaem com algumas paisagens, que são, talvez, mais que boas promessas. Nossa casa e Portão de nossa casa, Estudo (n. 7) e Estudo (n. 135); denotam uma poderosa intuição da luz, da cor e da perspectiva.

A Pedra do Mirante de Jorge Mendonça, tem um belo verde e um fundo brumoso bem feitos.

D. Eulalia do Nascimento apresenta um Interior de igreja e um Estudo do interior muito promissores.

A Paisagem, do Sr. Teixeira da Rocha, (n. 202) é um trabalho feito com observação e boa técnica.

São numerosas as aquarelas, firmando-as as senhoritas Anna [Anna Cunha Vasco] e Maria Cunha Vasco, Treidler, Visconti, Leonidia [?], H. Bernardelli e outros.

As senhoritas Cunha Vasco revelam grandes progressos e expõem trabalhos encantadores.

As de Treidler nos pareceram destituídas de delicadeza de toque, tão empastadas que, mesmo à distância, não produzem o efeito desejado.

As do Sr. Visconti parecem estar por acabar, tão vagos são o seu colorido e os seus contornos.

Não cremos que nenhuma das aquarelas expostas na Escola se possa medir com algumas do Sr. Arthur Ferreira.

Não nos sobra espaço para enumerar os demais trabalhos expostos, a maior parte dos quais são tentativas mais ou menos felizes, mas longe de ainda se afirmar individualidades artísticas.

Não podemos, porém, deixar de mencionar um bom Retrato de d. Nina Santoro, e Porangaba, cena inspirada numa lenda narrada e bem interpretada por J. Macedo.

De outra ocasião falaremos das seções de arquitetura, escultura, gravura e pedras preciosas.

A. S.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

A. S. EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 4 set. 1904, p. 2.

A. Scavone
A. Supparo
A. V.
A. V. AINDA O "SALÃO". A Noticia, Rio de Janeiro, 6-7 set. 1905, p. 3.

Entre os paisagistas da atual Exposição Geral de Belas Artes figura também o Sr. Roberto Mendes. Pena é que enviasse somente um quadro - Crepusculo, a representar um trecho da Quinta da Boa Vista em belíssimo momento de luz. O Sr. Roberto Mendes pertence à classe dos pintores letrados. É muito lido em Ruskin e procura seguir as suas regras e preceitos. As paisagens daquele artista primam pela poesia.

Da seção de Artes Aplicadas deixei de mencionar o resultado apresentado pela Associação dos Escultores em madeira, porque os trabalhos chegaram à última hora. Essa associação expõe alguns fragmentos de obras decorativas. Vislumbro jubiloso como que um renascimento das obras de talha no Rio de Janeiro...

Os primeiros ensaios artísticos, feitos no Brasil, após a conquista portuguesa, foram em escultura de ornatos de madeira, para decorar altares das primitivas capelas. E esse ramo de arte, depois desenvolveu brilhantemente como atestam os nossos mais vetustos templos.

Por algum tempo decaiu: com Valentim da Fonseca e mais tarde com Antonio de Padua e Castro e Chaves Pinheiro desapareceram os nossos melhores entalhadores.

As tentativas na marcenaria artística não passavam de tentativas, e o que por aí, se via e ainda vê, se ressente de grosseiro trabalho manual ou executado à máquina.

A associação, parece, tomou a si o difícil encargo de renascer uma especialidade; e, por esse serviço, todo o acoroçoamento é pouco, tanto mais quanto a matéria-prima será toda nossa. E nenhum país do mundo iguala ao Brasil em lindíssimas e apropriadas madeiras.

Nos trastes fabricados pelas oficinas do Liceu de Artes e Ofícios da cidade de S. Paulo, expostos no Salão, notam-se forma e relevos que denunciam também o renascimento a que alude, e cujo advento se deve desejar imensamente.

* * *

As porcelanas da Sra. Johanna Brandt, cujo nome apenas citei no folhetim anterior, chamam particular atenção; são corajosos e dignos de aplauso os seus esforços.

Nesse mister somos, no Brasil, de uma pobreza franciscana. Raros têm tentado essa indústria artística.

Nos tempos coloniais Manso conseguiu algum resultado com a matéria-prima extraída da ilha do Governador. Ninguém mais se ocupou com isso, nem com a cerâmica propriamente dita artística. Há tentativas do Sr. Esberard; e na exposição de Belas Artes, realizada em 1903, Elisêo Visconti, o insigne pintor, apresentou vários objetos de cerâmica, com formas, alguns, a lembrarem as de vasos de Pacoval e Marajó, e pintados com estilizações de plantas indígenas ou aclimadas.

Ignoro se o Sr. Visconti persiste ou se desistiu, apesar do sucesso obtido no Salão de 1903.

Não há coisa que mais me interesse em artes aplicadas do que a porcelana ou a cerâmica.

Não se poderá contestar as vantagens no ponto de vista higiênico e ornamental do emprego da cerâmica, especialmente esmaltada, na arquitetura civil. Sou decidido adepto desse material, não só para os aposentos indicados na legislação, senão também nas fachadas. Não é ocasião de discutir o assunto; mas me sobram razões para demonstrar essas vantagens de boa cerâmica, quando não seja possível a pedra trabalhada.

A Sra. Johanna Brandt me informou que, para o estabelecimento dos Drs. Ludolf, ornamentou algumas peças de cerâmica, queimadas nos fornos daqueles industriais. Mostrou-me alguns objetos, e, entre estes, azulejos.

Em azulejos são meros ensaios, porém é de presumir que os Srs. Ludolf com perseverança, em breve tempo conseguirão abastecer o mercado com tais produtos, de fabricação brasileira.

Não é grande a exposição da Sra. Brandt, mas escolhida. As pinturas se limitam a flores. Há objetos queimados por ela em Copenhague, e outros aqui em fornos seus.

Trata-se de uma senhora dinamarquesa, de 31 anos de idade, casada, domiciliada, há algum tempo, no Brasil. Fez seus estudos, a princípio, na Noruega; completou-os, em Estocolmo e Copenhague, em escolas especiais de artes aplicadas, que as há, numerosas, nos Estados Escandinavos.

Esteve em Inglaterra e na Alemanha.

Aprendeu a trabalhar em couro, e nesse gênero expõe alguma coisa de valor; borda muito bem, tinge e pinta.

É uma senhora de talento, conversa admiravelmente.

Além desta expositora, há outra com trabalhos de couro, que estiveram no último Salon, de Paris. Basta esta circunstância para recomendá-los.

* * *

A nota a lamentar na atual exposição é a ausência completa de obras de escultura. O nosso eminente estatuário Rodolpho Bernardelli os tem primorosos na praça pública; e só expunha um ou outro trabalho para animar aos novos. Destes nenhum escultor apareceu.

Nem todos sabem que a Rodolpho Bernardelli se deve, e exclusivamente a ele, ter entrado em execução o estatuído em lei, isto é, a primeira exposição anual. Não poderei calar esse serviço relevante, prestado à Arte.

Foi ele, quem tomou a si o primeiro salão, desde as armações até o catálogo. E isso há onze anos passados. Daí em diante, com o produto das estradas e vendas de catálogos se mantém o salão, para cujo êxito concorrem também os esforços e dedicação de todo pessoal administrativo da Escola, chefiado pelo zeloso secretário.

É de esperar que, em 1906, o certame artístico se realize no prédio novo que o governo resolveu mandar construir na Avenida Central; e se isso acontecer, o diretor da Escola pretende anexar ao Salão, uma exposição de flores, e concertos musicais, porque para tais exibições haverá espaço suficiente no projetado palácio das Belas Artes.

Em artes plásticas não podemos, por enquanto, no Brasil, ser muito exigentes, especialmente quanto à quantidade de cultores. É verdade que nem todos comparecem às exposições; se comparecessem todos os nossos consagrados pintores, escultores e arquitetos, seria muito bom; ainda assim reduzido seria o meio relativamente ao que todo homem culto deve desejar. Possuímos poucos artistas; para que se aumente o número e progridam, não lhes regateie animação. A prodigalidade em elogios é perigosíssima; mas também o é a exigência descomedida: desacoroçoa e desarvora a quem trabalha com sinceridade em prol da civilização do país, onde nasceu ou habita.

Eis por que aos expositores de todos os salões anuais peço não desanimem e voltem com mais fé e progresso.

* * *

Por coincidência agradável e igualmente útil, na vizinhança da Escola Nacional de Belas Artes, conhecido grupo de homens de letras iniciou uma série de interessantes conferências. O salão do Instituto Nacional de Música, pintado por Henrique Bernardelli, tem regurgitado de gente seleta que, uma vez na semana, vai ali, pressurosa, desfrutar eruditas dissertações.

Caberá a palavra, no sábado, segundo o anúncio, ao Sr. Alcindo Guanabara, que tomou para tema da conferência - A dor. Não podia escolher assunto mais atraente do que esse. O grande jornalista com o espírito superior de que é dotado, abordará provavelmente a interpretação plástica daquele sentimento, através das obras-primas da Arte. É caso para nenhum artista se deixar ficar em casa e correr a ouvir o Sr. Alcindo Guanabara. - A. V.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

A. V. AINDA O "SALÃO". A Noticia, Rio de Janeiro, 6-7 set. 1905, p. 3.

A. V. SALÃO DE 1903. A VÉSPERA. A Noticia, Rio de Janeiro, 31 ago.-1 set. 1903, p. 3.

Realizar-se-á, amanhã, ao meio-dia, no edifício da Escola Nacional de Belas-Artes, a inauguração da décima Exposição geral de trabalhos anuais de artistas, com a presença do Sr. presidente da republico, seus ministros, do Dr. prefeito do Distrito Federal, membros do corpo diplomático e representantes de todas as classes sociais.

Amanhã, dia assinalando na legislação brasileira de Belas-Artes, completará o Salão do Rio de Janeiro a sua primeira década.

Esses certames artísticos, semelhantes aos de Paris, não se faziam com regularidade antes da reforma de 1890. A lei republicana os tornou obrigatórios, fixando a abertura no dia 1º de setembro de cada ano, e criou prêmios entre eles o chamado de Viagem, com o qual, o laureado obtém o pensionato de dois anos nos grandes centros de cultura artística. Preciso recordar essas disposições sempre que me ocupo do Salão, por quanto nem todos as conhecem.

O conselho superior de Belas-Artes, a quem incumbe superintender anualmente as Exposições Gerais de Belas-Artes, adotou a praxe parisiense do vernissage, a que chamo a véspera, é o dia dos últimos toques de verniz e dos remates. Foi hoje o nosso vernissage ou antes a nossa Véspera, que é modesta,limita-se a visitas de expositores, amigos particulares e representantes da imprensa. Amanhã, então, será a abertura, o dia solene e festivo da Exposição Geral.

Ao Salão de 1903 deixaram de concorrer alguns dos nossos artistas de nomeada, o que é deveras lamentável. Mas, em compensação, não menos ilustres, quais os irmãos Bernardelli [Rodolpho Bernardelli e Henrique Bernardelli], Amoedo, Visconti, J. Baptista, M. Brocos, Raphael Frederico, e outros, compareceram dando o exemplo aos novos e mostrando quanta confiança e fé tem no futuro da Arte no Brasil. Eis a razão pela qual, nestas ocasiões, direi sempre: são dignos de louvor todo aquele ou toda aquela que concorre com um quinhão de esforço e trabalho para as Exposições. Orgulho-me, como brasileiro, em afirmar, sem o mínimo receio de provas em contrário, que não precisamos mais fazer encomendas na Europa: temos artistas capazes, nacionais ou estrangeiros domiciliados no país. Aqui sabe-se esculpir, gravar e pintar, podendo também garantir - há arquitetos.

O Salão, além dos trabalhos anuais de artistas, tem como anexo uma exposição de obras de arte, objetos curiosos e velharias artísticas, ultimamente adquiridos pelo governo para o museu da Escola. Muitos desses objetos oferecem interesse histórico. De alguns me ocuparei oportunamente.

Estará igualmente às vistas do visitante uma bela e rica coleção de medalhas oferecida pelo Sr. Luiz de Rezende. Assim outros amadores seguissem este exemplo!...

* * *

Na seção de Escultura sobressai o busto em bronze do Dr. Brissay. Obra de Rodolpho Bernardelli, basta isso para se formar a ideia do que seja. Que se poderá dizer mais do que se tem dito, a respeito de tudo quanto produz o talento e o cinzel do eminente estatuário? Compareceu para animar aos novos.
Acompanharam ao mestre, seus discípulos: Corrêa Lima e D. Julieta França, pensionista do Estado. Ambos expõem estátuas em gesso. A daquele representa um pescador adolescente e desta representa o Amor, na figura de um menino alado.

Na seção de Gravura de medalhas e pedras preciosas, o professor Augusto Girardet expõe belas produções: as medalhas a Floriano Peixoto e a da Exposição de lâmpadas de álcool.

Consta da exposição do competentíssimo artista, obra sua, lindíssima, - um camafeu, em ágata rio-grandense, a reproduzir a Galatéa, de Raphael.

O clou da Exposição Geral é o modelo em gesso da fachada do projetado edifício para a Escola Nacional de Belas-Artes, na praça da Glória. O Sr. Joaquim Fontes Soares, ornamentista do atelier Bernardelli, autor desse relevo, interpretou, com perícia e cuidado, o risco magnífico de Morales de Los Rios. Deste modo facilmente se poderá compreender o que se pretende executar no terreno: duas necessidades palpitantes serão satisfeitas. A nossa Escola ira funcionar em edifício digno dela, em sítio apropriado; e completar-se-á o aformoseamento daquela praça, onde já existem dois monumentos.

* * *

A seção de Pintura é a mais concorrida como sempre: fato não exclusivo ao nosso salão; em Paris, ou em qualquer centro de arte, o mesmo fenômeno se tem observado.

O público contemplará, entre quadros a óleo, de artistas nacionais, alguns outros, enviados de Paris, pelos Srs. Auguste Matisse e R. Carré, pintores franceses da escola impressionista.

No Salão figuram numerosas aguarelas; entre estas muitas já estiveram na última exposição da especialidade. Não citarei as dos provectos artistas; falta-me espaço: chamarei somente particular atenção par os 22 quadros das irmãs Cunha Vasco [Anna da Cunha Vasco e Maria da Cunha Vasco], que se distinguem e progridem admiravelmente.

A exposição se ressente da falta de quadros históricos, propriamente ditos. De história pátria então não vi nenhum; salvo se ficou tão escondido que me foi impossível descobri-lo. Nos salões anteriores, Henrique Bernardelli, com a maestria que lhe é peculiar, nos deliciou com o seu Goazaga [sic], o seu Lisboa (o aleijadinho) e finalmente com o seu José Mauricio, do qual A Noticia tratou em folhetim especial. Não sei porque, até hoje, esses quadros não foram adquiridos pelo governo para as nossa Galeria Públicas de Belas-Artes... Talvez por isso, muitos artistas fujam de composições deste gênero...

Nos excelentes trabalhos expostos por Henrique Bernardelli, admirei a Via Crucis, composição sacra, em que predomina a figura da Virgem a acompanhar a Cruz nos Passos dolorosos do Calvário. Como manifestar-me diante de produções picturais de Henrique Bernardelli, quer se trate deste ou daquele gênero, quer se trate deste ou daquele processo! Falar da composição elevada e bem compreendida, da sinceridade artística, das cores, do temperamento excepcional, da observação, da sabedoria na técnica, são já lugares comuns no tratar-se de obras do mestre sempre o mesmo na culminância.

De Elisêo Visconti, o artista encantador, há muitos quadros, em diferentes gêneros e processos. Recordo-me de um retrato a têmpera e da paisagem do Morro de Santo Antônio.

Duas grandes novidades apresenta este pintor: - objetos de cerâmica decorados, e desenhos do ex-libris e do emblema para a Biblioteca nacional. Nestes desenhos (no gênero encomendados pela primeira vez) o Sr. Visconti procurou originalidade, dando o cunho exclusivamente nacional aos elementos constitutivos do ex-libris e do emblema.

E a sua cerâmica? Depois de Manso, o malogrado artista dos tempos coloniais, só agora vemos, em público, a tentativa de Visconti, para quem, neste momento, me faço todo aplausos e, cheio de entusiasmo, peço encarecidamente que não faltem auxílios e coadjuvações ao ilustre pintor. Fez louça nacional, com material nosso, e fabricada no Brasil, nas oficinas do Dr. Ludolf, em Jerônimo de Mesquita. O Sr. Visconti, nas ornamentações, estilizou plantas indígenas e aclimadas do nosso país, inspirando-se também em forma e tema decorativos dos nossos aborígenes.

Este assunto é tão interessante, que exige particularizá-lo em folhetim especial.

Na seção de pintura preciso citar, entre os quadros do professor Rodolfo Amoedo, os retratos: de Mlle... de uma delicadeza admirável de técnica, e o do pintor Souza Lobo. Ao visitante não faltarão brilhantes aguarelas, do Sr. Amoedo, para contemplar com real prazer.

Do Sr. Modesto Brocos, o distinto e conhecido pintor, sobressaem dois painéis a cola, suas paisagens a óleo e as suas águas-fortes. Destas, é magistral o retrato de D. Pedro II.

Das paisagens do Salão, merece lugar de honra aquela de Bom Jardim, do Sr. João Baptista da Costa, onde se vê um homem a pescar em um rio irrepreensivelmente pintado. Poucas paisagens tem aparecido que se possam colocar em paralelo com esta do Sr. João Baptista. Há muito tempo não senti tão bem ao contemplar um quadro! ... E quanto me agrada o sítio escolhido, onde, na margem do rio, destaca-se, num grupo de arvores, - uma gameleira, as flores de quaresma e uma umbaúba... A umbaúba, a formosa árvore das nossas capoeiras das nossas matas, que entretanto não existe infelizmente um só exemplar nos nossos jardins e parques públicos em que se observam, alias, escusadas repetições de outras plantas pouco decorativas.

Do Sr. Raphael Frederico, há um quadro a que denomina de retrato. Trata-se da representação talvez de um agricultor a gozar de um parreiral. Das telas do Sr. Raphael Frederico coloco esta no primeiro plano.

O pensionista E. Latour mandou, de Paris, duas paisagens; uma tem qualidades.

Lucílio de Albuquerque expõe os retratos do Dr. Diego Chalréo e do escultor Corrêa Lima.

O Sr. Helios Seelinger no seu quadro Bohemia' aproveitou, com graça, para as figuras da composição, alguns representantes da nova geração literária e artística.

Entre os novos, que pela primeira vez aparecem, o Sr. Eduardo Bevilacqua foi uma grande revelação no seu quadro Daphnis e Cloé''. Aluno da Escola e discípulo de Henrique Bernardelli, é caso para felicitar ao mestre por tal resultado.

Faltava-me falar dos Srs. J. Fiuza e João Macedo, ex-pensionistas do estado. O público certificar-se-á dos notáveis progressos e do talento desses artistas, diante dos seus quadros expostos.

Dos velhos pintores seria injustiça esquecer Angelo Agostini. De um tempo a esta parte ele se apresenta sempre pronto nas fileiras com os moços. Já o disse eu no ano passado e repito.

O Sr. Augusto Petit, conhecido e antigo retratista, enviou retratos, quais os dos Srs. Esberard, Cavalier e o do meu amigo Xavier Pinheiro, de muita semelhança. Expõe o mesmo pintor dois quadros sugestivos de bustos de mulheres seminuas e algumas telas de frutas.

Não concluirei esta rápida noticia sem mencionar que, entre os expositores de 1903, figuram também os Srs. Carlos Reis, Mendonça [Jorge de Mendonça], Dall'Ara, Ribeiro [?], J. Barros, Felippo, Fróes [Manoel Ribeiro de Araújo Fróes], Napolitano, de Agostini e outros. E as Sras. Clélia Nunes, ex-aluna da Escola, Helena Viveiros, Mee e Del-Vecchio.

O visitante experimentará agradável impressão. - A. V.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

A. V. SALÃO DE 1903. A VÉSPERA. A Noticia, Rio de Janeiro, 31 ago.-1 set. 1903, p. 3.

A. V. SALÃO DE 1903. CERÂMICA. A Noticia, Rio de Janeiro, 7-8 set. 1903, p. 3.

Volto a tratar da Exposição Geral de Belas-Artes, e o faço por causa dos objetos de cerâmica expostos pelo distinto pintor Sr. Elisêo Visconti.

Ao noticiar a exposição deste artista, disse eu que a sua tentativa merecia, além de muitos aplausos, ser muito auxiliada e coadjuvada. Não há duas opiniões a esse respeito.

Fiz ver que depois de Manso, o malogrado artista dos tempos coloniais, só agora apareceram esses novos esforços num intervalo de cem anos.

Quem foi esse Manso? Que fez? Quererá saber, certamente, quem não se entrega a estudos da historia da Arte no Brasil ... E não será muito difícil satisfazer a justa curiosidade.

Manoel de Araújo Porto Alegre, o arquiteto do primitivo Banco do Brasil, do Cassino Fluminense e da famosa varanda da coroação do imperador D. Pepro [sic] II; o pintor da Ceia de Cristo que está na capela do hospital geral da Misericórdia; o poeta do Colombo, escreveu: "Manso, o fabricante de porcelanas, de lindíssimos camafeus, era uma realidade em qualquer nação civilizada e digno de ser honrado pela posteridade".

Com respeito a arte, ainda, em juízos críticos de Porto Alegre, não encontrei conceitos exagerados. Pode ser que, alguma vez, em rasgos de sincero nacionalista, ele tivesse se excedido com relação a outros assuntos, mas, no concernente aos artistas brasileiros, fora sempre imparcial. Devo, aos luminosos escritos de Porto Alegre, o início dos meus estudos históricos de Arte Nacional.

Manso, fora também, nos tempos coloniais, uma espécie do que é o emérito professor Augusto Girardet em nossa época: fazia belos camafeus em material nosso. O Museu Nacional deve possuir um desses camafeus.

A mais circunstanciada notícia publicada acerca daquele artista, deve-se ao pranteado Dr. Moreira de Azevedo, meu mestre no antigo Colégio Pedro II.

Se o Sr. Visconti encontra dificuldades para vencer, - mas vencerá - imaginem o Manso no regime colonial, num acanhado meio, sem os recursos industriais de hoje!?...

João Manso Pereira era o seu nome. Nascera em Minas Gerais, e morrera em Angra dos Reis, Estado do Rio, a 16 de agosto de 18[...], na idade de 70 e tantos anos.

Quando viera de sua terra natal para aqui, nomearam-no professor de latim, matéria que ensinou até se jubilar. Sabia o grego e o hebraico; conhecia muito bem ciências naturais. Fabricou vinhos, açúcar e aguardente destilada da raiz do Sapê; e, extraiu álcalis da bananeira e do mangue. Cultivou, portanto, simultaneamente a arte e a ciência.

Fabricou suas famosas porcelanas com argila da ilha do Governador, e as compararam com algumas da China, segunda [sic] a notícia biográfica pelo Dr. Moreira de Azevedo. Imitou admiravelmente o charão em uma mesa com que presenteou ao vice-rei Luiz de Vasconcellos, o Mecenas da época colonial. Entre os seus trabalhos em porcelana decorada, citam: um aparelho para chá e uma caixinha para sabão de barba; objetos que ofereceu ao rei D. João VI.

Não se sabe por que motivo o artista se retirou do Rio de Janeiro e refugiou-se em Angra dos Reis. Nesta localidade pretendeu explorar salitre das sepulturas, o que lhe ia ocasionando sérios desgostos. Espalharam-se pasquins, nos quais se dizia que o químico até não deixava os mortos descansarem. Uma nota interessante da vida de Manso, refere o Dr. Moreira de Azevedo. Em testamento, o artista pediu que "envolvessem seu cadáver em um lençol carregado por quatro pobres, o sepultassem na porta da igreja, para ser pisado por todos sendo assim expurgado de alguma soberba que pudesse ter tido em vida".

* * *

Na sala de escultura, da Exposição, o visitante encontra, em uma mesa 14 objetos de cerâmica, vasos e pratos, pintados pelo Sr. Elisêu Visconti, queimados e esmaltados nas oficinas dos Srs. Ludolff & Ludolff, em Jeronimo de Mesquita. É a maior novidade do Salão, esta parcela de louváveis esforços em artes aplicadas à indústria. Objetos fabricados com material do país e artisticamente ornamentados com elementos da nossa natureza. O Sr. Visconti estilizou para isso folhas e flores do Brasil, umas indígenas e outras aclimadas.

Não ficou aí o artista: na forma de alguns vasos e nos respectivos temas decorativos se inspirou em contornos e ornatos de objetos de uso dos nossos aborígenes. Nos desenhos de um dos potes há evidentes derivações da louça primitiva do Amazonas.

O Museu Nacional possui valiosa coleção dos cerâmicos de Marajó e Pacoval, cujos desenhos (alguns coloridos) constam dos Arquivos daquele estabelecimento. O Sr. Visconti não copiou, nem imitou servilmente. Em tudo respira originalidade, nenhuma preocupação de convencionalismo, nem pieguice. O artista sincero aplicou o seu talento de pintor decorador em uma especialidade artística, que visa fins altamente utilitários para todas as classes sociais.

No Renascimento italiano foi que a cerâmica do Ocidente realizou o grande progresso do emprego do esmalte a revestir as pastas cerâmicas do induto [sic] branco, brilhante, impermeável, permitindo as colorações. O fato dominante na historia da cerâmica, no Renascimento, é a aplicação corrente feita pelos della Robbia, desse esmalte sobre a escultura em terra cota. E daí os vasos esmaltados, a constituição da faiança, nome que provavelmente vem de Faenza, cidade da Itália, onde a fabricação muito se desenvolveu. A influência italiana atingiu a quase todos os países da Europa, embora em alguns como Espanha e Portugal, encontrasse um ambiente mourisco.

É assunto interessante e atraente a histária da cerâmica através das idades e dos povos. Na América, em sua fase anterior a conquista europeia, entre as cerâmicas das antigas civilizações, sem conexões com a ocidental, encontraram-se vasos característicos de formas singulares. Do México, do Peru e das nossas estações funerárias do Amazonas há curiosos documentos em vários museus.

O Sr. Elisêu Visconti não se preocupou com estilos determinados.

Já se pode prever que também não procurou inventar novos. Disciplinou apenas a sua imaginação, para algumas composições, no que há de original nas silhuetas, nos contornos dos objetos legados pelos primitivos donos do território brasileiro.

Que importa que, por enquanto, a parte industrial não atingisse ao máximo de perfeição; já se conseguiu muito nos primeiros ensaios apresentados!... Daqui por diante a perícia dos industriais redobrará em esforços.

Nesta questão de cerâmica, como em qualquer objeto, viso, antes de tudo, o lado estético: a forma e a decoração, isto é, o contorno e a ornamentação. Há formas artísticas na cerâmica do Sr. Visconti, e elementos novos de ornamentação pictural, tirados da flora das nossas matas e jardins. As flores de Maracujá, do Mimo de Vênus e outras foram estilizadas. No modo de tratar, na interpretação, no traço, o artista deu a sua nota original por todos conhecida. Ali está o seu temperamento, toda a sua maneira de ver a natureza na especialidade de pintura decorativa.

A tentativa do ilustre pintor teve aplausos. Seja imitado na coragem. Belo foi o exemplo. É de presumir: não ficaremos unicamente nos esplêndidos ensaios documentados pelos 14 objetos expostos no Salão de 1903.

A. V.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

A. V. SALÃO DE 1903. CERÂMICA. A Noticia, Rio de Janeiro, 7-8 set. 1903, p. 3.

A. V. SALÃO DE 1904. A VÉSPERA. A Noticia, Rio de Janeiro, 31 ago.-1 set. 1904, p. 3.

De conformidade com o que estatue a legislação brasileira de Belas Artes, realizar-se-á amanhã, ao meio-dia, no edifício da Escola Nacional de Belas Artes, a solenidade da abertura da 11ª Exposição Nacional de trabalhos anuais dos artistas. À festa da Arte é de esperar compareçam os Srs. Presidente da República e seus ministros, membros do corpo diplomático e Congresso Nacional, autoridades civis e militares e representantes das demais classes sociais.

As exposições anuais tornaram-se obrigatórias depois da lei de 1890, que fixou o dia e criou prêmios, entre eles o de Viagem, com o qual o artista laureado obtém uma pensão do Estado para aperfeiçoar os estudos nos grandes centros estrangeiros de cultura artística.

Há quatro anos me cabe a incumbência de dar notícias nestas colunas a respeito dos trabalhos que motivam a civilizadora festa, e jamais deixo - como acabei de o fazer - de recordar estas disposições de lei que dignificam a administração superior do país, e convém sejam bem vulgarizadas.

Ao vernissage, ou aos últimos retoques e arrumações da Véspera, compareceram, hoje, expositores, seus amigos, algumas senhoras e jornalistas. Faziam as honras da casa o Diretor da Escola e o Dr. Diogo Chalréo, o qual, como secretário, concorre sempre com valioso contingente de esforços e dedicação para o bom andamento das exposições.

* * *

A ideia de exposições de arte no Rio de Janeiro vem de 1829. Para conseguir que a primeira se fizesse, sofreu acerbas amofinações e desgostos João Baptista Debret, o notável pintor, membro da famosa colônia de artistas franceses, fundadores do ensino oficial de Belas Artes no Brasil.

Na Guanabara, revista que outrora se publicava nesta cidade, escreveu o eminente Porto alegre, depois barão de Santo Angelo, uma resenha crítica da exposição de 1849; aproveitou, então, no seu escrito, rememorar a série de desagradáveis ocorrências que tão justamente magoariam o ilustre Debret.

Reformada a extinta Academia das Belas Artes, nomearam para diretor, Henrique José da Silva, com o que, escreveu Porto Alegre, "os professores franceses se ressentiram de um tão injusto proceder: havia na colônia três homens de um mérito superior: Mr. Debret, pintor histórico, discípulo de David, Mr. Taunay, pintor de batalhas e paisagens, e Mr. Grandjean, arquiteto, discípulo de Percier e Fontaine. Mr. Taunay era membro do Instituto Real de França, e os seus dois colegas em breve o seriam se tivessem ficado na Europa.

"Estes três varões, continua Porto-Alegre, que possuíam bens de fortuna, e que eram homens de reputação firmada, foram desprezados pelo governo de então, para a direção da Academia que vieram fundar, e preteridos por Henrique, cujo talento lhes era muito inferior. Mr. Taunay retirou-se; Debret ficou para desenhar e escrever a sua viagem, e Mr. Grandjean por ter gasto o que tinha em uma propriedade, que a todo o custo não pôde vender como lhe convinha. Quando em 1827 nos matriculamos na Academia das Belas Artes já aquela casa era um caos incompreensível de desordem e de ódios recíprocos.

"À plácida constância de Mr. Debret, à importância que lhe granjearam seus talentos e suas virtudes se deve alguma coisa do seu progresso."
"Henrique não podendo ferir os mestres, feria o ensino, entravava o seu andamento: fortemente protegido, levou aquele estabelecimento de rastros até o ano de 1829, no fim do qual Mr. Debret nos mandou em seu nome, pedir ao Exmo. Sr. senador José Clemente Pereira (era ministro) a permissão de fazer uma exposição pública dos trabalhos de sua aula.

"O diretor Henrique fez tudo o que estava a seu alcance para embaraçar este ato do governo, mas baldadas foram todas as suas tentativas. A Mr. Debret se uniu Mr. Grandjean e com as obras dos dois e de seus discípulos se fez a 1ª exposição pública da Academia das Belas Artes, a qual concorreram várias pessoas."

No ano seguinte, segundo se lê no mesmo escrito de Porto-Alegre, alcançaram do Conselheiro de Estado Maia o mesmo favor e o respectivo catálogo fora impresso à custa de Debret.

Relembrar tais serviços, no dia de hoje, é um preito devido à memória do grande pintor que iniciou as exposições artísticas no Rio de Janeiro.

O catálogo da exposição de 1904 contém 259 números. Há trabalhos de professores provectos, artistas consagrados, de novos e esperançosos filhos da nossa Escola.

Na pintura culmina o mestre. O público ainda não se fartou, nem se fartará de admirar as incomparáveis pinturas do adorável Henrique Bernardelli. Retratos expõe ele desta vez que são obras-primas de composição e técnica.

Rodolpho Amoedo, outro professor da Escola, e membro do júri, abrilhantou a sala com a ´´Cativa´´ e a Oração.

De Elisêo Visconti, atualmente no estrangeiro, impressiona a Cabeça de estudo: contemplem essa sentida produção do grande artista.

A Cena domestica, de Modesto Brocos, é um quadro que se destaca: é o interior de modesta habitação rural. Esse professor, que também é membro do júri, pinta sempre com sinceridade interessantes cenas da vida brasileira.

Reapareceu, com aplausos, no salão deste ano, o pintor Teixeira da Rocha, cuja ausência era lamentada por todos os admiradores do seu talento. O distinto professor da Escola Normal do Distrito Federal, enviou duas paisagens: a da Vila Isabel, assim como o painel decorativo - O Inspirado, que são duas notas da Exposição.

O Sr. Raphael Frederico, na sua especialidade já conhecida e aplaudida, expõe: uma boa aquarela - Aos cajus e a tela - Alto.

Do Sr. Fernandes Machado, recentemente chegado da Europa, para onde seguiu em 1902, em virtude do "prêmio Viagem", obtido no Salão do ano anterior, estão expostos entre outros trabalhos uma grande tela - O Cristo curando o paralítico.

Luis de Freitas nos mandou da Itália, produções de mérito.

Do talentoso artista João Macedo, não deixarei de chamar a atenção para A Poranga [sic], quadro, cujo assunto cearense foi inspirado no poema de Juvenal Galeno.

Entre os paisagistas culmina João Baptista da Costa, o pintor da natureza brasileira. São contemplados, sempre com prazer, os seus quadros desse gênero. Dos expostos mencionarei: - a Paisagem da Copacabana, a Caça de passarinhos e o Fim da jornada.

De ano a ano progride admiravelmente, no mesmo gênero, o Sr. Jorge de Mendonça, a regular pelo seu quadro: Pedra do Mirante.

Não esquecerei de citar uma paisagem do Sr. Fiuza, pelas singularidades representadas: é um caminho criado de pedras fincadas à guiza de menhirs. É paisagem do estrangeiro: Do Tirol.

Entre outros paisagistas expuseram: o Sr. Dall'Ara e o jovem e esperançoso Carlos Oswaldo, atualmente em Florença, filho do maestro Oswaldo, diretor do Instituto Nacional de Música.

Não é possível deixar de falar de Lucilio de Albuquerque, aluno laureado da Escola; não desmentem, o conceito em que é tido, os trabalhos que expõe.

Seguem-se Seelinger, Malagutti, Franca José Monteiro França, Bevilacqua, Chambelland [Rodolpho Chambelland] e Evencio Nunes, Delpino, Bolato, Xavier, Virgilio [Virgilio Lopes Rodrigues] e Araujo Fróes, professor no Colégio Militar.

Entre as aquarelas são dignas de nota, sempre nas exposições, as do Sr. Benno Treidler e de suas discípulas as Sras. Cunha Vasco (D. Anna [Anna da Cunha Vasco] e D. Maria [Maria da Cunha Vasco]).

Angelo Agostini e Isnley Pacheco [sic], dando o exemplo necessário aos moços, não deixaram de enviar quadros para a Exposição.

O laborioso Sr. Augusto Petit, antigo retratista, remeteu um retrato e dois quadros de frutas.

Muitas senhoras e outros artistas expõem trabalhos que provam aptidão e louváveis esforços. É de esperar que não desanimem; voltem para o ano com maiores resultado de aplicação e progresso.

Tenho me limitado a breves indicações; nem outra coisa poderei fazer em tão curto espaço de tempo. O lorgar também não comporta desenvolvimentos críticos.

* * *

Entre as esculturas expostas sobressai a maravilhosa do busto em bronze do Dr. Gross, obra de Rodolpho Bernardelli. Do seu discípulo o ilustre Correia Lima há um gesso Menino. O Sr. A. Zani, também discípulo de R. Bernardelli, domiciliado em S. Paulo, enviou para a Exposição dois bustos: um de Prudente de Moraes e outro do senador Moraes e Barros. Do mesmo escultor o público verá um baixo-relevo de bronze - Sagrada Familia.

São sempre interessantes as exposições do Sr. Augusto Girardet, professor de gravura de medalhas e pedras preciosas.

Será única expositora em Artes aplicadas à indústria a Sra. Julieta Wencelius.

Abundante e profusa é a exposição de trabalhos de arquitetura: só o Sr. R. Barbá [sic] apresentou 16 desenhos que documentam a sua competência de artista. Os desenhos do arquiteto Sr. R. Barbá foram feitos na Europa e por alguns foi premiado. Bem vindo o distinto profissional; no Brasil, país novo, encontrará vasto campo para a sua atividade.

O Sr. Aluizio Carlos de Almeida Stahlembrecher, natural do Rio de Janeiro, e arquiteto pela Escola, se distingue no Salão por um projeto para o Asilo Bom Pastor.

Os desenhos do jovem arquiteto brasileiro, que deixou bom nome na Escola, onde obteve as melhores notas de aprovação, vão ser submetidos a um júri, que se pronunciará como for de justiça.

Aguardemos esse julgamento.

A. V.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

A. V. SALÃO DE 1904. A VÉSPERA. A Noticia, Rio de Janeiro, 31 ago.-1 set. 1904, p. 3.

A. V. SALÃO DE 1904. O PRÊMIO DE VIAGEM. A Noticia, Rio de Janeiro, 14-15 set. 1904, p. 3.

Quando nestas colunas na véspera da atual Exposição Geral de Belas Artes, dei notícia dos trabalhos expostos, disse apenas quanto aos desenhos apresentados pelo Sr. Aluisio Carlos de Almeida Itahlembrecher [sic], arquiteto titulado pela Escola, que seriam eles submetidos a um Júri, o qual se pronunciaria como fosse de justiça.

As folhas já publicaram a decisão de Júri que, por unanimidade de votos, concedeu ao expositor o Prêmio de viagem.

E O Paiz, assim se exprimiu em relação ao premiado: - "O nome do Sr. Aluisio Carlos de Almeida Stahlembrecher, arquiteto titulado pela nossa Escola de Belas Artes, foi aclamado como [sic] o presente Prêmio de viagem. O projeto do Asilo Bom Pastor, é de fato um dos melhores trabalhos expostos no Salão. Foi a afirmação calma, segura, ponderada desse grande talento, que, pela opinião dos críticos e aplausos dos visitantes, estava naturalmente destinado a tão necessária recompensa".

E aduziu ainda mais a mesma folha, no final da notícia, o seguinte: "Na época atual de renovação urbana, quando os poderes públicos transformam e alargam as ruas e procuram embelezar a cidade, é sobremodo significativa a decisão dada pelos júris da exposição, presididos pelo diretor da escola, professor Rodolpho Bernardelli, premiando com a viagem à Europa um digno representante da moderna geração de arquitetos educados e titulados pela nossa Escola."

Há 11 anos consecutivos que se realizam, conforme o estatuído em lei, as exposições gerais de Belas Artes. Depois deste longo período é a primeira vez que o prêmio de viagem (o do Salão) coube ao arquiteto. Tem sido concedido a pintores e a um escultor. Mas, agora, como acentuou o noticiarista dO Paiz, isto é, numa época de grande movimento de construções arquitetônicas, e aformoseamento, foi muito significativa, repito, e oportuna a conduta do júri da Exposição.

Todos viram e aplaudiram o apreço que o Sr. Dr. Lauro Muller, ministro da Viação e Obras Públicas, vota [sic] a Escola Nacional de Belas Artes: reuniu o Júri das Fachadas no edifício da Escola, onde também mandou expor os respectivos desenhos e distribuiu, solenemente, […] prêmios conferidos aos concorrentes.

Nas obras da avenida Central não cessa S. Ex. de dar demonstrações de produtivo interesse que toma pela Arte especialmente pela Arquitetura civil e decorativa.

Outro ministro, o do Interior, o Sr. Dr. J. J. Seabra, tem dado impulso a muitas construções arquitetônicas do seu ministério. A obra, considerada da Santa Engrácia, e destinada a princípio para uma Maternidade, S. Ex. mandou concluir e ali agasalhou sociedades de letras, que, até então, funcionavam, ora neste, ora naquele prédio, sem pouso certo e permanente; ordenou obras complementares no Hospício Nacional de Alienados e novo frontispício para Escola Politécnica.

O ilustre ministro não se esquecerá também de um edifício, digno para a Escola Nacional de Belas Artes, que permanece em prédio acanhadíssimo e impróprio para as suas aulas e ateliês.

O mesmo movimento de obras úteis se observa em outros ministérios e na Prefeitura do Distrito Federal. É o governo de renovação e trabalho o atual da República. Ao operariado brasileiro não faltam lugares para o desenvolvimento de sua atividade. Mais oportuna ocasião, do que a presente, ainda não houve, portanto, para prêmio de viagem a um arquiteto....

* * *

O Sr. Aluisio Carlos de Almeida Stahlembrecher, laureado com o Prêmio de Viagem, nasceu na cidade do Rio de Janeiro. Foi aluno da Escola Militar, onde completou o curso preparatório. Reformou-se no posto de 2º tenente de artilharia. O seu primeiro intento, depois da reforma, foi se matricular na Escola Politécnica, prosseguir nos estudos matemáticos, iniciados na Escola Militar e obter o título de engenheiro civil. Mas, ao mesmo tempo lhe aparecia em sonhos a Arquitetura Civil como uma arte de encantar...

Não hesitou mais; matriculou-se na Escola Nacional de Belas Artes, obteve as melhores notas de aprovação em todas as matérias do curso geral e nas que constituem os três anos de curso especial e prático de Arquitetura Civil.

Na vida prática e profissional não lhe sorriram logo os favores da sorte. Em nosso meio, em que muita gente confunde o engenheiro com o arquiteto, ou este com qualquer desenhador trivial de prospectos banais ou baratos, o nosso jovem arquiteto tem lutado e muito... Mas de sua boca não se ouvem palavras de ressentimento e a modéstia realça cada vez mais o seu mérito.

Encomendam-lhe, afinal, um projeto para determinado asilo, e adstrito a um estilo também determinado. E o fez conscienciosamente. Apresentou-o ao juízo de todos os seus mestres, e o expôs no Salão.

É um projeto ponderado. Nos pormenores se revela a probidade geométrica do autor e o quanto se distingue ele como meticuloso e seguro nos cálculos. Ninguém deve ignorar que, para um plano arquitetônico, o profissional procede a estudos sérios. Não há a atender somente à parte artística. A parte científica exige não pequena soma de conhecimentos, que ficam assinalados na severidade dos traços, os quais não permitem demasia de pitoresco, nem bonitezas e subterfúgios de ornamentações escusadas ou paisagistas de ambiente, mais apropriada para outra ordem de trabalhos de Arte.

O cuidado e rigor com que riscou as linhas da fachada, cortes e plantas, põem em evidência o projetado sistema construtivo em todas as suas particularidades, inclusive as decorativas, perfeitamente desenhadas. Impuseram-lhe um estilo - o ogival ou pontudo; obedeceu, mas modernizou em algumas formas e com a introdução de materiais novos.

Munido da pensão do Estado seguirá, em breve, para a Europa, o jovem arquiteto brasileiro. Pena é que o prêmio não possa exceder de dois anos.

Mas depois que adquira os ensinamentos necessários na velha Europa, pela contemplação do que se tem feito em todas as épocas históricas até hoje, nas principais cidades, não regresse imediatamente o nosso compatriota ao Brasil; procure ir também aos Estados Unidos da América do Norte. Ali se demore; conheça de perto, aprenda, o que de audacioso, inventivo, confortável e original se tem construído nas cidades importantes da grande Confederação Norte-Americana. É isso que, principalmente, precisa ver o arquiteto brasileiro, já que difícil se torna uma estadia, aliás, tão útil, nos centros de população dos domínios ingleses, na Índia e Austrália.

A. V.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar'

A. V. SALÃO DE 1904. O PRÊMIO DE VIAGEM. A Noticia, Rio de Janeiro, 14-15 set. 1904, p. 3.

A. V. SALÃO DE 1905. AMANHÃ E DEPOIS. A Noticia, Rio de Janeiro, 30-31 ago. 1905, p. 3.

O dia de amanhã é, por imitação francesa, chamado do - Vernissage, isto é, a véspera da abertura do Salão anual, que, no Rio de Janeiro, segundo a letra da lei, se denomina Exposição Geral de Belas Artes, certame a que concorrem os artistas, expondo seus trabalhos do ano.

Na segunda-feira, no Instituto Nacional de Música, o público desfrutou a deliciosa e fecunda conferência de Medeiros e Albuquerque, e, depois de amanhã assistirá, no edifício da Escola Nacional de Belas Artes, a inauguração solene da Duodécima Exposição geral de Belas Artes.

Toda vez que trato, nestas colunas, do nosso Salão anual, não deixo de assinalar que essas exposições datam da reforma do ensino oficial de Belas Artes com a obrigatoriedade legal de dia fixo, que é o 1º de setembro. Essa mesma legislação federal estabeleceu vários prêmios, e entre estes o de Viagem, que consiste no pensionato, por conta do Estado, durante dois anos, nos grandes centros de cultura artística.

No salão de 1904 coube o prêmio de viagem ao arquiteto Aluizio Carlos de Almeida Stahlembrecher, que, atualmente na Europa, dá as melhores provas de aplicação e aproveitamento.

Não passará de rápido apanhado o que poderei anunciar da próxima exposição, somente ligeiras indicações, uma espécie de antecipada reportagem. O catálogo depois facilitará e corrigirá qualquer lacuna involuntária.

Impressionará bem a seção de Pintura, sempre mais abundante do que qualquer outra, mas este ano mais seleta relativamente às das exposições anteriores. O Júri recusou não pequeno número de quadros.

A Arquitetura está representada pelos desenhos originais do Sr. Victor Dubugras, professor da especialidade na Escola Politécnica de S. Paulo. Três são os projetos: Palácio Municipal para Santos, Palácio legislativo de Montevidéu, e Edifício para a Faculdade de Medicina da Bahia.

Não sei se todos os meus leitores pensarão como eu a respeito desse arquiteto: - lamento que a sua competência ainda não tenha sido aproveitada para projetar algum edifício viável no Rio de Janeiro... Adquiriu um estilo seu na interpretação das linhas das grandes arquiteturas históricas, locando e dispondo singularmente os elementos decorativos. Dos seus projetos expostos, o do Palácio Municipal de Santos se destaca pela originalidade na disposição das massas e adaptação de formas.

Na seção de Gravura em medalhas e pedras preciosas se acharão, como sempre, as magníficas composições do professor Augusto Girardet. Com alguns baixos relevos, passados já ao bronze e outros delicadíssimos produtos, o artista expõe a coleção dos gessos para as medalhas dos presidentes da República, a respeito das quais me ocupei especialmente no folhetim anterior.

Em Artes Aplicadas concorrem: a Sra. Joanna Brandt, com alguns trabalhos em porcelana; o amador Sr. Benedicto Machado, com a sua Jarra Tiradentes; e o Liceu de Artes e Ofícios de S. Paulo, com originais produtos de marcenaria artística.

Nesta seção há também trabalhos em couro, de uma senhora, cujo nome não me ocorre neste momento.

Os exemplares de marcenaria artística, enviados pelo Liceu de Artes e Ofícios da cidade de S. Paulo, certificam a louvável, apropriada e melhor orientação pedagógica que deve ter um estabelecimento exclusivamente destinado ao ensino profissional. São já conhecidos os trabalhos em bronze e ferro das oficinas desse Liceu; faltava-me conhecer os de madeira. Os trastes expostos, de formas excepcionais, com esculturas diversas, foram manufaturados: uns em cabiúna, outros em imbuia e um em pau-marfim.

* * *

Remeteram quadros os Srs.: Henrique Bernardelli, Elisêo Visconti, João Baptista da Costa, Modesto Brocos, P. Weingartner, Eugenio Latour, Raphael Frederico, Treidler, Araripe Macedo, Fiuza, Dall-Ara, Severino Cruz, De Servi, Luiz de Freitas, Lucilio de Albuquerque, Malagutti, Rodolpho [Rodolpho Chambelland] e Carlos Chambelland, Bevilacqua, Carlos de Azevedo, Benjamin Constante, Theodoro Braga, Augusto Petit, Fernandez [Antonio Fernandez Gomez], e outros, além de algumas senhoras.

No gênero retrato, Henrique Bernardelli, o mestre, apresenta três maravilhas: os retratos do Sr. Machado de Assis, do Dr. Ubaldino do Amaral e do D. José Carlos Rodrigues. E do Sr. Elisêo Visconti vieram de Paris, onde figuraram no Salon, duas telas magistrais; uma delas, o retrato da escultora Nicolina Vaz de Assis, será um dos mais belos documentos de arte do próximo Salão. O Sr. Visconti é um artista insigne.

O Sr. João Baptista da Costa preparou diversos quadros. O notável pintor da natureza brasileira expõe, entre outras paisagens, a de um trecho de Poços de Caldas [Imagem]. Diante desse quadro o contemplador se transporta ao ambiente. O artista, escolhendo o sítio onde corre um rio atravessado por uma ponte de tipo primitivo e grosseiro, teve em vista, é de presumir, não só representar o lugar puramente silvestre, senão também dar uma nota genuína do viver de localidades rurais do interior de alguns dos nossos Estados. Não há uma paisagem do Sr. João Baptista que não seja legitimamente brasileira.

No gênero de paisagem brasileira ainda há trabalhos a citar como os do Sr. Araripe Macedo, membro do Júri, do Sr. Modesto Brocos, que também expõe um bom retrato do Sr. Luiz de Freitas e da Sra. Eulalia do Nascimento Silva.

Em aquarelas são dignas de menção as vistas pintadas pelo Sr. Treidler e pelas suas duas ilustres e operosas discípulas as Exmas. Sras. Cunha Vasco [Anna da Cunha Vasco e Maria da Cunha Vasco].

As marinhas do Sr. Dall'Ara merecerão provavelmente demorada contemplação. A propósito não deixarei de notar os esforços de um jovem amador, que pela primeira vez aparece expondo quadros de marinhas; quero me referir ao Sr. Mario Navarro da Costa.

Devo indicar as cabeças pintadas pelos Srs. Lucilio de Albuquerque, Malagutti, Fiuza e de Servi. O Sr. Timotheo da Costa desenhou um grande carvão - o retrato de poeta muito conhecido entre os novos.

Em frutas há indicar um quadro de bananas do Sr. Severino Cruz. E como trabalho de habilidade e aptidão observei dois quadrinhos em fumaça do Sr. Americo Lopes, muito bem feitinhos. Na especialidade de restituição arqueológica clássica o Sr. professor Pedro Weingartner remeteu belo quadro.

Entre os assíduos expositores não é possível esquecer o estimável Sr. Raphael Frederico.

São sempre dignos de louvor todos os artistas que concorrem a esses certames, cada um deve mandar o seu quinhão do esforço. Toda a animação é pouca em um meio artístico em formação, como é o nosso.

O Sr. Augusto Petit enviou, além de quadros seus, trabalhos de alguns discípulos. A Sra. Sarah Del-Vecchio figura com um retrato de seu pai o Dr. Adolpho Del-Vecchio.

Do Sr. Augusto Petit mencionarei A Faceira e o Silêncio. O primeiro é quadro de nu, em tamanho natural. Trata-se de um belo modelo, pintado com esmero; e o segundo da representação do velho bêbedo da Fábula, no momento em que é despertado para cantar, conforme a passagem descrita por Virgílio, passagem que, em tradução francesa, o artista consigna na moldura do quadro.

* * *

É de justiça falar com particularidade de alguns dos novos, que efetivamente, no Salão de 1905, sobressaíram.

O Sr. Eugenio Latour, pensionista do Estado, atualmente na Europa, abrilhantará a exposição com copiosa documentação de seu aproveitamento e dos progressos obtidos. É extensa a lista de suas produções. Cultivou o processo a óleo e aquarela.

O seu quadro de gênero, a representar uma cena de bebedeira no interior de uma casa de proletário europeu, é composição de valor. Figurou na última exposição de Roma.

A cena se dá, às vezes, na Europa, no dia do pagamento. O operário bebe a fartar e entra em casa fora de si. Aí continua a se embriagar. A bebedeira toca ao seu auge; surge então toda a sorte de desordens e nada fica inteiro.

O artista pintou o momento que sucede ao desespero do bêbedo. Vê-se o operário com a cabeça sobre a mesa, com a feição transtornada, vidros quebrados pelo chão, um desalinho completo, e do outro lado a família em desgosto profundo.

É o registro das dolorosas consequências de vício fatal. Parece-me mesmo que o quadro se intitula assim: O vício fatal.

O talentoso aluno da escola, o Sr. Bevilacqua, conjuntamente com o retrato de seu pai, mandou para o Salão um quadro de restituição histórica - Salomé. Mostrou muito talento na interpretação da personalidade histórica que motivou obras primas de grandes mestres da pintura francesa e italiana. Escolheu um assunto melindroso não só por essa razão como por exigir sérios estudos da respectiva arqueologia artística. Não é obra sem defeitos, mas tem qualidades que prognosticam futuro brilhante ao jovem artista.

Os dois irmão Chambelland me encantaram desta vez; são duas aptidões incontestavelmente artísticas; quer o Rodolpho, o mais velho, quer o Carlos, o mais moço, ambos naturais desta cidade, alunos da nossa escola, infatigáveis, aplicados, lutadores, resolveram trabalhar este ano como nunca o fizeram.

Rodolpho Chambelland, que no salão passado, mereceu a medalha de prata, compôs um quadro de fantasia de inspiração mitológica - As bacantes em festa. O jovem artista venceu dificuldades de arranjo para o movimento alegre do cordão de figuras que seguem pelo caminho a fora, esbatendo-se a fatura progressivamente, à medida que os vultos se afastam das do primeiro plano.

Um júri concedeu ao jovem artista, no salão de 1904, elevado prêmio; não será para admirar que ele venha a receber, agora, maior recompensa, porque também maiores foram os esforços e superior o resultado.

* * *

Agradável surpresa terá o público com o aparecimento, no salão, do conhecido caricaturista Raul. Do artista serão expostas muitas e divertidas composições, e no meio delas algumas fantasias alegóricas e inspiradas.

Os desenhos de Raul Pederneiras darão a nota alegre da Exposição.

A. V.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

A. V. SALÃO DE 1905. AMANHÃ E DEPOIS. A Noticia, Rio de Janeiro, 30-31 ago. 1905, p. 3.

Abiana Augusta do Amaral
Acacio Rodrigues Moreira
Accacio Gouveia
Achilles Araujo
Adalberto Mattos - Artigos
Adalberto Pinto de Mattos
Adelaide Carvalho da Rocha
Adelaide Desierto Nascimento
Adelaide Lopes Gonçalves
Adelaide Umbelina da Silveira
Adelia Marques Saldanha
Adolpho de Alvim Menge
Adolpho Hungerbühler
Adolpho Malevolti
Adolpho Morales de los Rios
Adolpho Morales de los Rios - Artigos
Affonso Dias Martins
Affonso Eduardo Reidy
Affonso Silva
Agenor Alves
Agenor Cesar de Barros
Agustin Salinas
Aladino Divani
Albano Lopes de Almeida
Albert Freyhoffer
Albertina Jardim
Alberto Cardoso
Alberto Childe
Alberto Delpino
Alberto Federman
Alberto Frederico
Alberto Martins Ribeiro
Alberto Schlopsnies
Alberto Sironi
Alberto Vianelli
Alcebiades de Noronha Miranda
Alcina Campos Ferreira
Aldo Bocigni
Aldo Bonadei
Alexandre Speltz
Alfred Joel
Alfredo Andersen
Alfredo de Souza Araujo Monteiro

de Souza Araujo Monteiro Clique aqui para obter uma lista de todos os artigos onde este artista é citado como expositor

Expositores
Alfredo Galvão
Alfredo Helsby
Alfredo Herculano
Alfredo Norfini
Algumas imagens do Salão de 1926. O Paiz, Rio de Janeiro, 20 ago. 1926, p. 1.

A título de resumo fotográfico encontrará o leitor, nesta página, algumas reproduções do "Salão" deste ano, cuja inauguração oficial teve lugar no dia 12 do corrente.

Como O PAIZ se tem ocupado dos autores e das obras, estas imagens apenas virão melhor elucidar o leitor sobre as notas críticas já publicadas.

Nem todos os trabalhos estampados agora foram analisados pelo crítico de arte do PAIZ. Mas esses mesmos como que vêm melhor explicar o valor e o caráter do atual salão, deixando ao leitor, que ainda não o pôde visitar, a possibilidade de um confronto mais aproximado da realidade entre a palavra escrita e a imagem representativa.

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Imagens

"RETRATO DE O M" C. PORTINARI

"MOCIDADE" PAINEL DE H. CAVALLEIRO

"DEPOIS DO TRABALHO" JORDÃO

"RETRATO DO Sr O. F." G. ORTHOF

"RETRATO" ROCHA FERREIRA

"RETRATO DO Sr. A. M." SARAH FIGUEIREDO

"ROMÂNTICA" P. BRUNO

"RETRATO" ELYSEU VISCONTI

"RETRATO DO Sr. C. B." M. CONSTANTINO

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

Algumas imagens do Salão de 1926. O Paiz, Rio de Janeiro, 20 ago. 1926, p. 1.

ALGUNS QUADROS NOTÁVEIS DA EXPOSIÇÃO ANUAL, NA ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES. A Illustração Brasileira, 2. ano, n. 34, 16 out. 1910, p.129.

A SOBREMESA - De Pablo Salinas

RETRATO DE Mme. T. - De Rodolpho Amoedo

NO ATELIER - De Pablo Salinas

BOLHAS DE SABÃO - De Francesco Ferraresi

ESTUDO - De Bruzzo [Giuseppe Brugo?]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

ALGUNS QUADROS NOTÁVEIS DA EXPOSIÇÃO ANUAL, NA ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES. A Illustração Brasileira, 2. ano, n. 34, 16 out. 1910, p.129.

Aliberto Baroni
Alice Nazareth
Alice Teixeira da Luz
Alina Teixeira
Alipio Dutra
Almeida Reis
Almir Pinto
Aluisio Carlos de Almeida Stahlembrecher
Alvaro Cantanheda
Alvaro de Almeida
Alvaro do Valle
Alvaro Teixeira
ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - Angelina Agostini. A Noite, Rio de Janeiro, 6 set. 1912, p.1.

A jovem artista com cujo nome inicio uma série de "impressões pessoais" sobre o atual "salon" acaba de firmar de modo decisivo o seu notável progresso na arte de pintar. Outra coisa não esperavam do seu talento aqueles que haviam admirado no "salon" transacto duas pequenas cabeças de criança, interessantes estudos em nada inferiores aos trabalhos atualmente expostos.

A Sra. Angelina Agostini apresenta apenas três trabalhos. O simples fato de serem "três" indica uma evidente superioridade de bom senso sobre a maior parte dos expositores.

Os trabalhos da Sra. Angelina são todos retratos, apesar do mais fraco deles, "Don Pablo" (7) trazer nas dobras do veludo quinhentista o disfarce que lhe empresta a primeira vista uns ares de quadro de gênero.

No retrato de "Mme. L. B." (5) a pompa do colorido e a largueza do desenho são até certo ponto absolutamente imprevistos numa artista de tão tenra idade, apesar do inconfundível talento de que dá mostras.

Ali, naquele formoso modelo, o pincel não teve titubeios, nem andou a cata do desenho desviado. Como pintura, é de muito bom quilate. Vede o colorido justo daquela carnação, e a elegância daquele toucado de cores iriadas [sic]. Esse retrato, do modo por que está executado, põe numa bagagem de algumas milhas a obra de fancaria dos medalhões enferrujados como Aurelio de Figueiredo e Modesto Brocos.

O outro retrato feminino, "Hortência" (6) é igualmente muito apreciável dentro da luz quente que o envolve. Para encontrar uma harmonia nas condições de luz em que a artista pôs o seu modelo, as dificuldades a remover não foram de pouca monta.

O terceiro retrato "Don Pablo" reduzido pelo inteligente "deguisement" à condição de fidalgote de Castela, é ao meu ver inferior aos retratos femininos, anteriormente citados.

O desenho daquele personagem está em vários pontos estropiado. Notai a mão direita daquele espadachim. Os dedos estão por demais grandes.

O modelado da cabeça deixa, igualmente muito a desejar. É uma coisa buscada, massacrada, feita naquela pátina de chocolate tão grata ao Sr. Henrique Bernardelli, digno mestre da artista. Entretanto, o modo por que a artista vestiu a sua personagem, mantém o seu equilíbrio dentro do quadro.

A roupa está bem tocada, com vivacidade, com sentimento.

A Sra. Angelina Agostini fez-se merecedora dos mais francos elogios pelo seu progressivo aproveitamento técnico.

Parece chegado o momento da artista emancipar-se do suserano influxo do seu mestre, para que a sua arte atinja à independência de que é merecedora.

GONÇALO ALVES.

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Imagem

A senhorita Angelina Agostini

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - Angelina Agostini. A Noite, Rio de Janeiro, 6 set. 1912, p.1.

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - Baptista da Costa. A Noite, Rio de Janeiro, 25 set. 1912, p. 1.

Baptista da Costa é o primeiro paisagista nacional. Primeiro na ordem cronológica, porque antes dele, nenhum grande artista brasileiro sentiu e amou com tanta emoção a natureza; primeiro, porque ninguém o excede na flagrante verdade com que interpreta as suavíssimas gamas do verde tropical.

Enquanto Amoedo, o mestre admirável, reflete nos seus quadros o espírito da arte francesa e Visconti evoca a alma dos seus modelos como naquele maravilhoso retrato de Gonzaga Duque, Baptista da Costa detém a sua palheta na bucólica contemplação da natureza. A paisagem, elevada à categoria de "quadro" isso é, como um interesse artístico individual e intenso, nunca fora praticada pelas figuras mais representativas da arte nacional.

A Baptista da Costa cabe indubitavelmente a glória de ter compreendido o encanto desse gênero de pintura, criando pelo seu prestigio e pela sua dedicação uma escola interpretativa de arte nacional, merecedora do brilhante futuro que lhe está preparado. Para atingir ao maravilhoso conhecimento das cores predominantes da paisagem brasileira, das suas múltiplas e variadas nuanças, das delicadas e sutis combinações cromáticas a que elas se expõem modeladas pela luz voluptuosa das encantadoras manhãs de maio, ou iluminadas de chofre pelo sol coruscante de dezembro, Baptista da Costa venceu gradativamente uma soma formidável de obstáculos, mercê de sua obstinada perseverança.

A sua arte evoluiu, como evoluiu a sua técnica. Certos aspectos demasiadamente monótonos e uniformes de que os seus quadros se revestiam, foram insensivelmente transformados, pela delicada e habilidosa fixação da luz ambiente.

Baptista da Costa possui acentuadas preferencias por determinados efeitos de luz. O quadro 22 "Saudoso recanto" está modelado na "hora" em que o verde adquire o aveludado característico da vegetação tropical. Devem ser quatro horas da tarde, porque a luz é morna, e a natureza espera tranquilamente o crepúsculo. Reparai no luminoso e sincero brilho das margens do rio em primeiro plano. As cores estão fundidas, casadas umas às outras, e entretanto, maravilhosamente justas.

Sente-se o rio abrir tranquilamente o caminho através do suave acidente do terreno, e a paisagem fugir ao fundo desdobrada em sucessivos planos decrescentes.

Um outro efeito de luz é surpreendido no quadro 23 "Manhã de verão", igualmente maravilhoso de interpretação.

Baptista da Costa sabe aproveitar com muita inteligência essa nota pitoresca da paisagem. O quadro 26, "Dia de luz" é um interessante corte com excelente perspectiva.

Neste pequeno quadro também é muito notável a procura da luz, feito com uma habilidade que faz lembrar Harpignes, aquele admirável Harpignes que brincou com o sol, e subjugou as nuvens e o céu.

Baptista da Costa compreendeu, interpretou, e venceu a paisagem brasileira. Outros artistas virão um dia completar o caráter regional que a arte brasileira está longe de possuir, tentando o estudo dos costumes nacionais brilhantemente encelados pelo malogrado Almeida Junior.

GONÇALO ALVES.

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Baptista da Costa

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - Baptista da Costa. A Noite, Rio de Janeiro, 25 set. 1912, p. 1.

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - Gaspar de Magalhães. A Noite, Rio de Janeiro, 10 set. 1912, p.1.

O Sr. Gaspar de Magalhães, que é um dos mais esforçados jovens da moderna geração de artistas, continua no teimoso propósito de fazer coisas alevantadas, muito acima daquilo que a sua arte pode atingir no momento atual.

Não só os seus trabalhos no "salon" transacto, como os do atual, ressentem-se dessa má orientação.

O artista leva este ano ao "salon" nada menos de cinco quadros.

Pratica a um tempo a paisagem animada (68) ou a paisagem essencial (71) ou a marinha animada (67).

Essa versatilidade de motivos picturais requer uma capacidade técnica igualmente versátil e prodigiosa. "Cada coisa deve ser pintada de um modo" disse Leonardo da Vinci; e a palavra "modo" nesse admirável aforismo deve ser compreendida como sinônimo de "maneira".

Contam-se realmente alguns artistas capazes de realizar a arte sob todos esses aspectos que o Sr. Gaspar Magalhães pretende traduzir. Eu só conheço um, o maravilhoso Albert Besnard, paisagista, retratista, naturalista, decorador, e também orientalista. Em Todas essas coisas, ele é por igual prodigioso.

Mas Albert Besnard não conseguiu ser todas essas coisas a um tempo...

Vejamos a obra do simpático Sr. Gaspar.

O mais importante trabalho exposto tem o título "Curioso" (67).

É uma tela avantajada representando uma nesga de praia, em cuja areia uma criança posa deitada para uma pintora convenientemente armada em guerra, isto é, com a sua caixa de tintas, os seus pincéis, a sua tela, etc. O menino posa, ao sol. O menino está bom, tem naturalidade, tem modelado; a pose é graciosa, leve.

O efeito de sombra está fielmente estudado. Deixemos o modelo.
A pintora está com um vestido [...], de um tom sujo; as botinas são pretas, e o desenho não se sabe bem onde começa nem onde acaba. Acresce que o artista representa a pintora com uma cara de poucos amigos, angulosa e antipática.

Os dois garotos que observam de soslaio a pintora e mais a pintura, estão feitos "a la diable". Há erros grosseiros de desenho, para só falar neles, porque em matéria de modelado quero crer que o Sr. Gaspar deixou para outra feita.

O quadro do Sr. Gaspar seria uma interessante tela decorativa se o artista tivesse afastado todo aquele "encombrement" de cavalete, pintora, e seus comparsas, reduzindo-o apenas à nesga de praia com a interessante figura que representa o "modelo".

O Sr. Gaspar deve ser um pouco mais comedido na sua admiração por artistas do fôlego de Ettore Tito, ou mesmo Sorolla. Esta gente é perniciosa...

O quadro "Marinha" (70) concorre para salvar a catástrofe do anteriormente descrito. É um lindo aspecto de duna, com uma franja de mar azul ao fundo. Os planos anteriores são ocupados pela vegetação marinha do litoral, cactáceos, mirtáceas, crisobalanáceas e outras. É um documento interessante, talvez um pouco detalhado, mas em todo caso sincero, honesto, e vigoroso.

Mais um quadrinho interessante "Cavalo" (68). Bom desenho; modelado feliz, com uma notável "souplesse"; apenas a cabeça do cavalo não está bem articulada.

Os outros trabalhos do artista são menos dignos de apreciação.

O Sr. Gaspar deve conduzir a sua arte com mais critério e mais observação.

Nada de entusiasmos fáceis. Continue nas suas marinhas. Figuras, poucas "quantum satis", bem desenhadas e tratadas com largueza.

É o meu conselho.

GONÇALO ALVES.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - Gaspar de Magalhães. A Noite, Rio de Janeiro, 10 set. 1912, p.1.

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - GUTTMAN BICHO. A Noite, Rio de Janeiro, 12 set. 1912, p. 1.

O jovem artista cuja obra exposta no atual "salon" pretendo hoje analisar, é realmente transbordante de entusiasmo pela sua carreira. Apenas esse entusiasmo, sobre ser excessivo, é contraproducente, pois arrasta o talentoso artista a fazer demonstrações de força nem sempre coroadas de pleno sucesso.

O Sr. Gutmman Bicho concorre com quatro retratos, um dos quais de grande aparato e mais uma paisagem. Para que tanto?

Todo aquele esforço realmente muito apreciável que o artista distribuiu, aliás, sem boa proporção pelos seus numerosos trabalhos, não teria melhor e mais seguro realce se tivesse sido, todo ele condensado num só quadro, homogêneo e sincero, interpretado honestamente, sem os "trucs" grosseiros de que sua obra se ressente?

Lamento que o artista assim não tenha compreendido, alistando-se voluntariamente parelheiro no sensacional torneio de arte falsa disputado pelos seus colegas Magalhães [Gaspar Coelho de Magalhães], Fanzeres e Capllonch.

Essa fraqueza é tanto mais lamentável, quanto o Sr. Gutmman Bicho possui já qualidades dignas de serem convenientemente aproveitadas.

Vejamos os seus trabalhos, O de número 39, retrato de Lima Campos, não está feliz. O artista abordou um modelo naturalmente dificílimo, para cuja interpretação se fazia precisa uma maneira larga, impetuosa, e segura.

O modelo possui certas indicações anatômicas muito pessoais e características que o artista sacrificou deploravelmente, na impotência de tirar dela [sic] o desejado partido. O desenho daquele retrato é medroso, acanhado. Basta estabelecer a proporção do diâmetro frontal transverso da cabeça.

O modelado é desigual, ora meloso e excessivo como nas comissuras da face, ora massacrado e infiel, como no metacarpo e dedos correspondentes da mão direita.

No retrato n. 41, A. de Giorgio, as qualidades técnicas do Sr. Gutmman Bicho são bem mais interessantes.

Não só o desenho como o colorido, são bastante justos, agradavelmente harmoniosos. Há a notar porém uma perceptível assimetria facial caracterizada pelo erro de valores do modelado da arcada superciliar direita, e região malar correspondente.

Exceção feita dessa pequena falha, esse trabalho e o melhor de quantos o artista expõe.

Mais um retrato: o do Sr. Baptista Junior (41). Reputo-o inferior ao precedente. O colorido é menos sincero, um tanto convencional.

A luminosidade revelada pelo modelado do rosto é igualmente arbitrária e falsa.

Passados em revista os três retratos masculinos, resta-nos o retrato de Mme. M. G., quadro de grande aparato, no gênero daqueles que Sargent costuma expor nos Salons de Paris.

Mme. M. G. esta "costumée" com um elegantíssimo vestido cor de rosa, sentada num rofo canapé. O cenário pretensioso e buscado é o de um "boudoir" elegante, menos o tapete com cara de urso...

Para alijar cinquenta por cento das dificuldades prováveis, o Sr. Gutmman Bicho impôs ao seu modelo uma torturante rotação sobre o lado direito, de modo a apresentar ao seu pincel pouco experiente todas as delícias de um rosto de perfil. Há nesta pose artificial e buscada, uma influencia manifesta do talento do Sr. Antonio Parreiras, o artista de fancaria a quem tem sido confiada a inglória tarefa de aleijar do modo o mais horrendo, todas as personagens históricas da nossa pátria.

Desde o arranjo pretensioso da composição até aos últimos detalhes do acabamento, o retrato de Mme. M. G. compromete desastradamente a capacidade do Sr. Gutmman Bicho, pondo em relevo a inabilidade de seu desenho complicado da falta de valores do seu colorido.

Poupando a mim mesmo o desprazer de prolongar a crítica sobre esse detestável quadro, tenho a esperança de que o jovem artista encaminhe com mais critério a sua arte, para não expô-la a tão crítica situação.

Chego afinal à única paisagem com que o artista concorre (42). É um corte interessante, com boa perspectiva.

O colorido está um pouco cru, o que não admira, porque o artista está mais afeito ao modelado da figura humana.

O Sr. Gutmman Bicho que é muito moço, terá certamente oportunidade de medir melhor as suas forças, governando-as ao mesmo tempo com mais acerto.

É esse o meu sincero desejo.

GONÇALO ALVES.

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Guttman Bicho

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - GUTTMAN BICHO. A Noite, Rio de Janeiro, 12 set. 1912, p. 1.

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - J. Baptista Bordon. A Noite, Rio de Janeiro, 11 set. 1912, p.1.

O Sr. Baptista Bordon é paisagista, exclusivamente paisagista. É a feição de sua arte, é a nota de seu temperamento contemplativo e bucólico. Há Tanta sinceridade na sua arte; as suas paisagens são repassadas de uma tal poesia, que o crítico perdoa o exclusivismo dos seus motivos, na esperança de não desviá-lo das suas preferências.

O gênero "paisagem" explorado pelos estreantes da pintura, e pelos mestres charlatães, como Antonio Parreiras, deve ser olhado sempre como uma coisa suspeita. As mais das vezes ele serve de habilidoso disfarce ao desenho defeituoso do artista.

A paisagem do Sr. Bordon é feita de outro estofo. É um artista que se faz paisagista depois de ter adquirido na porfiada luta da observação diária da natureza, o conhecimento profundo das suas cores, o segredo das suas nuances.

Como todo o paisagista verdadeiramente sincero, como aquele fino e espiritual Roberto Mendes cuja ausência neste "salon" continuadamente deploro, o Sr. Baptista Bordon é particularmente cioso da atmosfera ambiente, como prova o mais notável dos seus trabalhos expostos, o "Beijo" do sol" (43).

Esse quadro retrata um canto de floresta tropical. O corte representa um trato de terra acidentada e desigual. Deve ser à margem de algum regato. A vegetação é caracterizada dos lugares excessivamente úmidos, feita com aquela verdadeira e monótona truculência do nosso verde.

A fatura do Sr. Bordon, que, aliás, sempre me pareceu muito recomendável, é nesse trabalho digna dos maiores louvores. Notai bem o modo por que está fixada a luz daquela clareira, a inteligência com que o artista interpretou a violência daquele inesperado banho de ouro na trama verde da ramagem.

O artista, sem insistir demasiadamente na nota "pitoresca" deu entretanto a esta paisagem um corte movimentado, com boa perspectiva.

Há nesse trabalho do Sr. Bordon um senão que, para felicidade dele, e minha, - como admirador que sou de sua obra - não chega a sacrificar o efeito geral de conjunto; os planos posteriores; os "longes" da paisagem, estão um pouco empastados. Mera questão de "valor" que o artista teria removido, se não fosse, como é, um modesto aluno da nossa Escola de Belas Artes.

O Sr. Bordon não é facilmente contentável. Além do "Beijo do sol", envia ao "salon" mais de três paisagens, todas muito apreciadas.

A paisagem "Nenúfares" (45) evoca uma nesga de lago tropical. A água, na tranquilidade morna da atmosfera envolvente, tem um reflexo untuoso, gordo. Sente-se o lodo, a umidade, a decomposição da matéria vegetal naquele recanto da natureza. A margem do lago o detalhe botânico está fielmente estudado; ali estão palmeiras; borragináceas e aroideas; enfim; a flora peculiar dos sítios umbrosos.

Os quadros 44 e 48 são igualmente bons. O 48, "Troncos" revela uma acuidade visual bem aproveitada. As raízes aparentes daquela árvore que eu imagino ser uma "urostigma" denotam uma justeza de "touche" muito feliz.

Aceite o Sr. Bordon, nas palavras que deixei escritas sobre a sua obra, os meus muito sinceros parabéns.

O seu nome há de ser, em próximo futuro incorporado ao dos raros artistas da paisagem honesta e interpretativa, coisa muito mais difícil do que geralmente parece ser.

GONÇALO ALVES.

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O pintor J. B. Bordon

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - J. Baptista Bordon. A Noite, Rio de Janeiro, 11 set. 1912, p.1.

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - Modesto Brocos e Aurelio Figueiredo. A Noite, Rio de Janeiro, 18 set. 1912, p. 1.

Houve uma época em que o Sr. Modesto Brocos se devotou incondicionalmente aos quadros de costumes populares, e deu para pintar casas de taipas e desvãos de senzalas.

Esse gênero de pintura obedecia ao habilidoso plano de fazer vibrar a nota sentimentalmente piegas do nosso povo, educado na escola romântica de Gonçalves Dias e José de Alencar.

O certo é que o Sr. Modesto Brocos fabricou um sem número de caboclos mais ou menos desengonçados, e só deixou de fabricá-los quando o público compreendendo afinal o patriótico embuste fechou os olhos ao esforçado pintor.

O Sr. Modesto Brocos precisava de novos motivos picturais, e apelou resolutamente para a mitologia grega.

Compôs um quadro modestamente intitulado "As hamadríades e a civilização". O sucesso esteve absolutamente na altura do transcendente assunto.

Mas como "o uso do cachimbo fez a boca torta" as hamadríades eram legítimos caboclos, e a "civilização" nada mais do que uma formidável e complicada maxambomba transportada para o seio da floresta virgem por algum guindaste que o autor teve o paciente cuidado de ocultar, para maior tortura do observador.

Com esse sensacional e imaginoso trabalho fez o Sr. Modesto Brocos a sua estreia no gênero da pintura anedótica para o qual, seja dito de passagem, possui o inspirado pintor uma irresistível vocação.

Não foi portanto surpresa para ninguém, e muito menos para quem escreve estas linhas, o novo quadro ora exposto no "Salon".

O quadro do Sr. Modesto Brocos (53) não é uma paisagem banal com meia dúzia de árvores e um pedaço de tranquilo rio; é um formidável "cosmorama" apanhado do morro de Santa Teresa, executado com aquela perspectiva estrábica que eu injustamente considerava exclusivo apanágio dos grandes quadros históricos do mimoso poeta Sr. Aurelio de Figueiredo.

O "cosmorama" do Sr. Modesto Brocos além do erro palmar de perspectiva, não possui tampouco nenhuma qualidade apreciável de fatura. É uma coisa lambida, acanhada, feita com a preocupação mesquinha do acabamento. As figurinhas dispersas naquele enviesado terraço estão realmente deformadas. Falta-lhes matéria plástica, falta-lhes tecido humano. O colorido é simplesmente lastimável. Todos os planos são tocados do mesmo modo com uma indiferente e incompreensível frieza.

O autor do "cosmorama" apresenta mais três trabalhos (54, 55 e 56) todos convenientemente errados, benza-os Deus! O seu estilo, é, como se vê, admiravelmente informe e harmônico.

Até faz lembrar o estilo do Sr. Aurelio de Figueiredo, autor de dois retratos (16, 17) sem cor, sem vida, sem modelado, interpretados com um colorido convencionalmente falso e antipático.

GONÇALO ALVES

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - Modesto Brocos e Aurelio Figueiredo. A Noite, Rio de Janeiro, 18 set. 1912, p. 1.

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - Os irmãos Timotheo da Costa. A Noite, Rio de Janeiro, 30 set. 1912, p. 1.

Arthur Timotheo estreou ruidosamente para o grande público com um magnífico estudo de costumes intitulado "Cabeça de preto", exposto no "salon" de 1906. Detentor do prêmio de viagem no ano seguinte, com um interessante e bem observado quadro intitulado "Domingo de Ramos" [sic], partiu para a Europa e lá desenvolveu brilhantemente as apreciáveis qualidades reveladas durante o tirocínio acadêmico.

Arthur Timotheo é um vibrante e sincero artista. A sua fatura larga e espontânea conduzida quase sempre por um desenho caprichosamente cuidado e bastante expressivo, ressentia-se a principio de uma certa virtuosidade praticada um tanto à moda dos artistas da Espanha. Mas essa pequena fantasia tende a desaparecer, absorvida pela visão segura que o talentoso artista vem manifestando nos últimos trabalhos.

O "Idílio" (6) é um quadro sentido com verdadeira intensidade emotiva. A sua interpretação devia ter sido um pouco mais cuidadosa, afastando pequenos senões que lhe diminuem o incontestado mérito artístico. Como quer que seja a análise desse trabalho revela qualidades técnicas do melhor quilate, realçadas pela poesia que envolve as duas figuras que o animam.

João Timotheo traz ao "salon" um pequeno quadro de gênero "Trabalhando" (131) imaginado com muita felicidade, e desenhado com bastante segurança.

O contingente dos irmãos Timotheo da Costa é mais uma vez muito apreciável.

GONÇALO ALVES.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - Os irmãos Timotheo da Costa. A Noite, Rio de Janeiro, 30 set. 1912, p. 1.

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - PONS ARNAU. A Noite, Rio de Janeiro, 21 set. 1912, p. 2.

Não fora preciso procurar o n.18 no catálogo para ter a certeza de que aquele violento retrato de mulher saíra das mãos de um artista espanhol. A arte do Sr. Pons Arnau reflete sinceramente o espírito vibrante da sua raça, na impetuosidade da técnica, no arranjo, na composição, nos últimos detalhes, enfim, de sua pintura.

A sua maneira, não é precisamente a de seu ilustre mestre, o brilhante Sorolla Bastida, mas a sua fatura é essencialmente espanhola.

O retrato de Mme. M. L. B. é por isso mesmo um interessantíssimo documento de interpretação artística. A pose é donairosa, com aquela nobreza de linha tão sedutora da moderna arte espanhola, a expressão é naturalmente elegante, encontrada sem esforço nem violência.

Mme. M. L. B. está sentada. Uma interessante e franzina criança procura o aconchego de seu corpo.

Ambas as figuras desse quadro do Sr. Pons Arnau estão solidamente construídas com muito bom desenho. O modelado é sempre impetuoso, pouco justo, por vezes, mas nunca desagradável.

Tenho a impressão de que o artista não dispôs para a confecção de seu quadro da luz tranquila e suave de atelier. O rosto da principal figura está modelado com excessiva luminosidade. O panejamento também não possui harmonia de colorido em alguns pontos, como por exemplo na seda que veste o [...] esquerdo do retrato principal.

A virtuosidade da técnica arrastou o artista a algumas fantasias. As mãozinhas da criança estão estilizadas, como era de praxe nos retratos nobres do século dezenove, e o fundo do quadro está mergulhado naquela indecisa e tumultuosa bruma dos quadros de gênero espanhóis.

O Sr. Pons Arnau é um artista bem representativo da arte do seu país, arte sedutora, bem humorada, e essencialmente humana, apesar dos preconceitos de que é portadora, ou talvez mesmo em virtude desses mesmos preconceitos.

GONÇALO ALVES.

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Pons Arnan [sic]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - PONS ARNAU. A Noite, Rio de Janeiro, 21 set. 1912, p. 2.

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - Rodolpho Amoedo. A Noite, Rio de Janeiro, 14 set. 1912, p. 1.

Rodolpho Amoedo ressurge afinal, do voluntário recolhimento a que condenara a sua mágica palheta. O seu quadro "Juventude" (17) é a nota emocional do "Salon".

Todos se acercam dele, os discípulos, para o admirarem, os invejosos para o criticarem. Eu também estou ali, ao pé daquele franzino corpo de mulher, não para notar-lhe os insignificantes defeitos, mas para render a minha homenagem ao maior artista brasileiro, ao mestre incomparável do "Último tamoyo" e da "Partida de Jacob".

Rodolpho Amoedo retoma os seus pincéis.

Recrudesce contra ele a incôndita grita do despeito. "Está errado!" dizem uns. "Está falso!" dizem outros.

Só eu não ouço o pregão mesquinho.

Porque os meus olhos evocam inconscientemente, ainda deslumbrados, a piedade do missionário curvado sobre o busto do Tamoyo agonizante.

GONÇALO ALVES.

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O Sr. Rodolpho Amoedo

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon" - Rodolpho Amoedo. A Noite, Rio de Janeiro, 14 set. 1912, p. 1.

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon". OS DOIS CHAMBELLANDS. A Noite, Rio de Janeiro, 28 set. 1912, p. 1.

Os irmãos Chambellands, Carlos [Carlos Chambelland] e Rodolpho [Rodolpho Chambelland], representam exatamente na moderna geração artística o mesmo papel que Rodolpho Amoêdo tão brilhantemente representou na história da arte nacional.

Discípulos ambos do glorioso e incomparável que tão alto levantou o prestigio da arte nacional, os dois Chambellands com ele sentiram e aprenderam aquela superior e nobre maneira de interpretar com tanto encanto a natureza e as coisas.

Artistas de raça, ambos encarnam o espírito da arte francesa, toda feita de graça e sedução.

Um dos traços mais característicos da arte desses talentosos artistas é o gosto pelo arranjo íntimo das suas personagens dentro dos respectivos cenários.

Mas ao lado da inteligência da composição os seus trabalhos possuem todas as qualidades intrínsecas de "metier" brilhantemente desenvolvidas.

Carlos, o mais moço dos dois, possui um suavíssimo colorido sempre discretamente entonado. A sua maneira é fina, a um tempo subtil e voluptuosa. O retrato de mulher ora exposto no "Salon" e que foi o "clou" de sua exposição, é um esplendido trabalho. Ele resume brilhantemente toda a delicada visão estética do talentoso artista. O colorido, delicadamente sentido, está interpretado com uma virtuosidade de que poucos artistas nacionais se podem orgulhar de possuir.

Rodolpho possui como o irmão o desenho escorreito e firme. É um verdadeiro harmonista possuindo do colorido um admirável e exato sentimento.

A sua maneira é pouco mais forte, porém, igualmente segura. O retrato do Sr. F. H. possui um colorido de grande vivacidade, a par de um excelente desenho. Todas essas seguranças de técnica a serviço de uma fina sensibilidade estética, estão fatalmente fadadas a um brilhante futuro.

Os irmãos Chambellands acabam de dar um passo à frente, na vanguarda dos que mais se esforçam pela arte nacional.

GONÇALO ALVES.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ALVES, Gonçalo. Notas do "Salon". OS DOIS CHAMBELLANDS. A Noite, Rio de Janeiro, 28 set. 1912, p. 1.

Amadeu Zani
AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 out. 1906, p.4.

A secção de escultura, na presente Exposição, é pobre em quantidade, mas ganha vantagem em qualidade.

O busto de bronze, exposto por Belmiro de Almeida, é um pequeno trabalho feito com muito gosto, cheio de vida, imprimindo mais uma nota elogiosa ao talento do artista.

Corrêa Lima, a quem um grupo de rapazes do nosso meio inteligente prestou ultimamente justa e original homenagem, revela mais uma vez o quanto é merecedor o seu talento de execução e fatura.

O Trabalho é um gesso de formas perfeitas de observação, talhado com maestria, como são todos os trabalhos do jovem e laureado artista.

Honorio da Cunha e Mello expõe dois trabalhos agradáveis. Destaca-se logo a Cabeça de Garoto, bem observada, com promessas de êxito completo do discípulo de Rodolpho Bernardelli.

De D. Nicolina de Assis, há um busto de dama, em bronze, um dos melhores trabalhos de sua lavra, que conhecemos. A figura é expressiva, o toque é perfeito, vivo e muito insinuante. O seu estudo para uma fonte, decorativo e singelo, também merece referência pela perfeição aliada à sobriedade dos toques.

D. Julieta França expõe sete trabalhos. A nossa artista, porém, dominada pelo sentimento monumental, sacrifica muito a sua maneira e a sua arte. O busto do Dr. Serzedello Corrêa é de uma fatura muito lisa, sem as grandes impressões que caracterizam a escultura moderna.

A maquete comemorativa é apenas uma ideia do que poderia ser o monumento; não revela grande originalidade, mas agrada no conjunto. Mais aceitável é o seu gesso Sonho do filho pródigo, cujo título em francês, não nos nos [sic] parece próprio de uma artista nacional, assim como o outro título Confidence do seu gesso enorme e desgracioso, onde as duas figuras estão em uma pose constrangida, artificial, sem indício de sentimento. Quem o contempla, não tem a menor ideia de que o trabalho representa uma confidência, parece-nos antes um Hércules desproporcional a retesar os músculos duros de uma ninfa.

Na seção de gravura de medalhas e pedras preciosas continua a figurar isolado o professor Girardet. Os seus trabalhos são sempre os mesmos, criteriosamente feitos, carinhosamente tratados.

Deles destacamos a medalha oferecida ao Dr. Passos e as Vaidosas, interessante baixo relevo, muito vivo e muito atraente.

Modesto Brocos, com a água-forte, retrato do Dr. J. J. Seabra, nos deu saudades das suas primeiras águas-fortes, muito mais cuidadas na execução e no desenho.

Na secção de artes aplicadas, figura somente D. Joanna Brandt, com seus trabalhos de couro e bordados, na maioria interessantes e originais.

* * *

Terminamos estas apreciações, quando recebemos uma resposta a carta do artista Belmiro de Almeida, ultimamente transcrita.

Publicá-la-emos, como tréplica natural nessa questão que nos parece simpática e merecedora de atenção do meio artístico.

Bueno Amador.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 out. 1906, p.4.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10 set. 1906, p.2.

Ex-professor de modelo vivo da Escola Nacional de Belas Artes, Modesto Brocos, tinha por dever expor ao público trabalhos de mais alto valor dos que ora expõe. A sua farta bagagem de artista nos autoriza a dizer assim, porque as suas telas expostas, salvo a Mater Dolorosa, já antiga, desagradam muito em todos os pontos.

O artista escolheu para assunto de sua marinha a clássica praia de Icaraí, com a competente pedra de Itapuca e belezas adjacentes.

Era de esperar que, aproveitando um assunto explorado e gasto, como esse da pitoresca praia, o artista procurasse efeitos mais soberbos e desse um cunho novo; mas tal não aparece na sua tela sem vida, sem ar, com o jogo da água completamente duro, sem impressões suaves, sem toques reais.

O seu Retrato é também frio, sem vida, descurado, denotando que o autor não se dedicou, como devia; a prova de seu abandono na recente exposição está na água-forte, retrato do Dr. Seabra, que fica longe, mesmo muito longe dos desenhos das suas celebres e artísticas águas-fortes, que com tanta perícia tem cultivado.

Não se moleste ao artista com estas franquezas; mas força é convir que os seus trabalhos este ano retrogradaram, evidenciando que houve descuido, ou abandono de sua parte.

Mater dolorosa aí está para mostrar o valor do artista; a diferença aí, notável; a tela vê-se que já está com a marca do tempo, o que indica não ter sido quadro feito recentemente, e daí talvez o cuidado, a fatura perfeita, a expressão sincera daquela fisionomia angustiada. Nessa o autor empregou todos os seus dotes e oxalá que fizesse o mesmo nos demais trabalhos.

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De Columbano Bordallo Pinheiro há no salão duas pequenas telas, já nossas conhecidas, da galeria Rembrandt. São duas pequenas cabeças de estudo, larga e magistralmente manchadas, naquele estilo especial que caracteriza prontamente a obra de Columbano.

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Discípula de Aman Jean, D. Diana Dampt, née Diana Cid, expõe este ano duas telas.

Nelas descarta-se completamente do estilo do mestre, e o seu quadro As duas irmãs mostram [sic] grandes progressos adquiridos na pintura. A preocupação, porém, de originalidade, leva a autora às vezes mais longe do que a própria esquisitice de seu mestre, detestável no retrato. Não conhecemos maior extravagância do que a sua tela O banho, onde em fundo dourado, liso de caiação, uma dama com um lençol duro a valer ladeia outra dama nua, com os braços em cruz, de forma tal, que chega a confundir os cotovelos com os próprios seios, dando a impressão má que todos sentem na contemplação desse trabalho.

Liberte-se a autora desses pequenos senões, procure ser verdadeira no pincel, deixe o mestre de lado, e dirá depois se andamos mal avisados.

Bueno Amador.

A exposição foi ontem muito visitada, continuando aberta todos os dias, das 10 às 3 horas da tarde.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10 set. 1906, p.2.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 11 set. 1906, p.3.

Da exposição que, com êxito completo, realizou José Malhôa ultimamente no Gabinete Português de Leitura, passaram para o Salão atual seis telas suas. Cebolas é um magistral quadro de natureza morta, eximiamente executado, que põe a grande distância os muitos quadros do gênero, que por aí aparecem crivados de abacates, melancias e hortaliças. Compra do voto, [...]. não jantar... [sic], Sardinhas e Soalheiro são quatro estudos de observação de aspectos e costumes portugueses, apanhados em flagrante por seu pincel seguro e firme, vivamente [...], em uma largueza de [...] empolgante. O seu quadro maior, Cócegas, hoje pertencente à pinacoteca nacional, é também um bom estudo calcado sobre costumes portugueses, mas perdeu muitíssimo agora, com o confronto que naturalmente ressalta, junto dos quadros do Salão.

Assim, nas Cócegas, as figuras desenhadas e coloridas com maestria, não encontram jogo semelhante nas outras telas, mas o cenário em que se desenrola o [...] campônio, não tem luz, falta-lhe ar; todo aquele extenso trigal monótono e esbranquiçado, sem os toques louros, quase uniforme no tom, dá a impressão natural de uma vasta região maneira de caulim. As medas, os peixes [sic] não brilham ao sol, há em todo o horizonte um tom de frio, quase polar. E isto ressalta ainda mais, depois de ser vista a tela de Rigolot, também exposta no Salão, onde os moios de trigo brilham, tem a vida característica, com as violências do sol entre nuvens; a técnica de Malhôa é diferente da de Rigolot, mas não é tão verdadeira nem tão expressiva na paisagem das Cócegas.

E é essa uma das vantagens dos Salões de pintura, fazendo nascer a comparação entre os autores e daí estabelecer a prioridade, - o que não se dá nas exposições isoladas de um autor. O vulgo muito prosaicamente explica o caso quando diz que "é no frigir dos ovos que se vê a gordura".

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Do pintor maranhense Franco de Sá, recentemente falecido, há um retrato, em tamanho natural, de Augusto Severo, na maneira lisa e escorreita dos trabalhos já clássicos no nosso meio, como necessários à simpatia da encomenda. Apesar disso, a tela tem predicados bons de colorido, a semelhança do retratado é agradável e o conjunto satisfaz pela singeleza.

Bueno Amador.

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A Exposição, que tem sido muito visitada, continua aberta, todos os dias, das 10 horas da manhã às 3 da tarde.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 11 set. 1906, p.3.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 14 set. 1906, p.3.

Gustavo Dall'Ara, se não nos enganamos, veio para o Brasil, a convite de Henrique Stepple que então estava à testa do semanário Vida Fluminense, célebre pelas caricaturas de Arthur Lucas, Jubim e Teixeira da Rocha e pela macaca que vivia às cabriolas no sobrado da redação, na rua do Ouvidor, atraindo a atenção dos transeuntes. Estreou Gustavo Dall'Ara nesse hebdomadário, onde se revelou como um belo retratista à pena, não se tendo atirado a caricatura talvez por desconhecer completamente o meio. Com a morte do hebdomadário Vida Fluminense, Dall'Ara começou a cultivar os retratos a pena, as decorações e de onde em onde exibia pequenos estudos a óleo de nossos pontos principais da cidade.

Constante e pertinaz, conseguiu ir avante e hoje gozam de bela cotação artística as suas pinturas, na maioria locais, trechos apanhados aqui, ali pelas ruas, ao nascer ou ao por do sol. É frequente ver-se o artista, nas horas de sol oblíquo, em um canto de rua, cavalete armado, palheta frisada apanhando impressões aqui e ali.

Suas telas, atualmente expostas, são três pedaços de nossa vida urbana, apanhados com muita felicidade, com toques de luz verdadeira, muito vivos e reais.

E já se vai impondo no nosso meio o pincel observador do antigo caricaturista do Tonin Buonagrazia, jornal italiano, donde o foi tirar Henrique Stepple.

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Lucilio de Albuquerque, atualmente na Europa, como pensionista da Escola das Belas Artes, dá-nos somente um quadro, retrato de Yerecê, que está longe de revelar o seu merecimento de artista.

O quadro, a pastel, é no estilo que os entendidos denominam sujo, pelo emprego dominante dos tons escuros e frios. À maneira de baton é o inexpressivo jogo semelhante ao do fusain escorrido em esbocetos. Como esboço passaria o seu trabalho completamente, mas exposto como retrato é fraco e deixa muito a desejar.

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Auguste Petit foi sóbrio desta vez. Expôs um único trabalho, auto-retrato, rejuvenescido, polido, liso, com felizes toques de luz. Parece-nos que o autor vai-se desligando do antigo feitio que tanto o prejudicava em certos retratos de encomenda. Já nesse autorretrato o pincel é menos escorrido, há alguma coisa de manchado, como se diz em gíria de pintores e se assim continuar, modificando a maneira primitiva, o artista terá a lucrar grandemente, apresentando um estilo mais rasgado, mais próprio, mais sentido, e não o tom de fotografia colorida que imprimia de ordinário aos seus trabalhos.

Bueno, Amador.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 14 set. 1906, p.3.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 set. 1906, p.3.

Benno Treidler é o exímio aquarelista que todos aplaudem pela correção de seus desenhos e pela certeza do manejo do pincel. Expõe no presente ano quatro motivos de paisagens e um auto-retrato. Aquarelista, no rigor perfeito da palavra, Treidler é completamente senhor dessa técnica dificílima, e, atualmente, mais familiarizado com a nossa natureza, imprime nos seus quadros a verdade dos tons, com uma leveza de [...], com uma precisão rara, com uma exceção larga, franca, bem lançada, de aguadas suaves, sem reforçar as manchas, sem quase retocar os pontos por onde o pincel passa uma vez.

A princípio, víamos nos seus trabalhos, sempre desenhados com perfeição, a preponderância dos tons violáceos, um cunho alemão no colorido; já não se dá o mesmo nas atuais aquarelas, o tom propriamente nosso, a nossa natureza com todo o seu ambiente tropical, morno e fecundo, aparece nas aquarelas do artista com uma realidade encantadora. Seu gênero predileto é a paisagem, de que nos dá quatro belos quadros, com esplêndidos estudos do céu. O auto-retrato é menos largo na execução; mais cuidadoso andou aí o pincel, mais tímido talvez, por ser o retrato o gênero mais difícil em pintura, principalmente em aquarela. O seu trabalho, porém, tem qualidades apreciáveis e, em valor, não fica longe das suas primorosas aquarelas.

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Duas discípulas, dignas do mestre, são as senhoritas Cunha Vasco [Anna da Cunha Vasco e Maria da Cunha Vasco]. Na aquarela, de ordinário, as amadoras, atiram-se ao cultivo da natureza morta, flores, frutas, legumes... As duas discípulas de Benno Treidler felizmente nunca se deixaram vencer pelo ramerrão da natureza morta, e atiram-se com galhardia à natureza viva, procurando os largos efeitos do ambiente, as luminosas manchas do céu, os horizontes matizados, luz e ar, enfim.

As aquarelas das duas irmãs já constituem, nas exposições gerais, motivos de apreciação elogiosa, pela maneira máscula com que são executadas, pelo vigor do colorido - deixando bem patente o método eficaz de seu mestre. As paisagens expostas pelas duas distintas amadoras poderão ser acoimadas de monótonas pela uniformidade do assunto, pois ambas escolheram para seus estudos efeitos da pitoresca praia do Leme, de manhã e à tarde.

Explica-se, porém, o caso, conhecendo-se as dificuldades enormes para as senhoritas que se dedicam à pintura da natureza, não lhes é possível embrenhar-se nas nossas matas, nos nossos bosques, e, assim sendo, escolhem para as suas obras os pontos mais acessíveis de onde tiram recursos, que são verdadeiros primores de aquarela.

Os motivos apresentados na atual exposição pelas senhoritas Cunha Vasco são dignos de todo elogio.

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De execução leve, suave, de tonalidade provocante, mostrando que o pincel passou pela tela como uma carícia - é o quadro de E. Tournés No toucador.

A macieza aveludada e […] desse palmo de tela dá, de longe, a impressão de um esmalte célebre, trabalhado nos bons tempos em que o esmalte pertencia mais à arte do que à industria. É um canto delicioso de toilette, na meia-luz branda, magistralmente executado.

Bueno Amador

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 set. 1906, p.3.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 set. 1906, p.3.

Figuram na exposição duas telas de Gustave Brisgand, pintor francês de merecimento. Seus trabalhos são, na maior parte, fantasistas ou simbólicos, com tonalidades veladas e ambientes de ancenúbio.

Chant mystique é uma agradável composição, de fino desenho e colorido leve, com bons efeitos de luz suave, de que o artista tira todo o partido possível.

Extase é outra tela do mesmo estilo fantasista, atraente e bem executada. São dos melhores quadros que conhecemos no gênero.

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De Max Claude, há uma pequena tela, Exposição canina, interessante pelo pitoresco do assunto, bem estudado; sendo digna de nota a flagrante impressão da canzoada em fila, como se estivesse diante de um fotógrafo...

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Do Sr. Galdino Bicho há um estudo que nos deixa em dúvida. Não podemos garantir se o trabalho dessa tela é totalmente seu ou se houve grande colaboração do seu professor A. Petit, cuja maneira antiga ai transparece visivelmente.

Em todo o caso, a sua cabeça de estudo possui qualidades apreciáveis.

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D. Julieta França, de quem falaremos depois, quando passarmos à secção de escultura, expõe um desenho, estudo do nu, que melhor figuraria numa exposição irregular de seus trabalhos, à guisa de croquis: nunca, porém, em salão de pintura, onde só devem aparecer trabalhos de maior monta. O seu estudo, como todos os trabalhos de Academia, não deveria figurar ali, por ser assunto trivial em belas-artes.

Bueno Amador.

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A exposição, que tem sido muito visitada, continua aberta todos os dias, das 10 da manhã às 3 da tarde.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 set. 1906, p.3.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 set. 1906, p.3.

Interrompemos hoje a nossa série de apreciações sobre a atual Exposição de Belas Artes, para transcrição das seguintes linhas, que nos foram enviadas por um antigo aluno da ex-Academia, hoje arredado do meio, empolgado pela burocracia:

"Caro Bueno Amador - Talvez desconheças a escola clássica dos Júris premiativos das exposições de pintura e escultura na nossa cidade.

Dou-te alguns apontamentos curiosos, para veres como o sistema é gradativo e bem arquitetado. Em regra, dá-se o prêmio de viagem ao que obteve medalha de 1ª ou 2ª classe no ano anterior.

A medalha de ouro de 1ª classe é sempre conferida ao autor de um quadro que o governo tenha adquirido, durante o ano, para assim ser justificado o valor da compra. A medalha de 2ª classe é o último degrau para o prêmio de viagem no ano seguinte.

Este estado é quase sempre seguido por todos os júris premiativos e, - coisa estranhável -, desde os tempos da extinta Academia, existe o inqualificável preconceito da cor, não das telas, mas dos autores...

Ainda me acode à lembrança a ojeriza que, por esse injustificável preconceito, os júris, secundados pelos antigos professores da Academia, votavam aos que, embora possuíssem qualidades recomendáveis de espírito, de talento, e de vocação artística possuíam na pele o pigmento pouco simpatizado e no cabelo a revelação da raça desprezada.

Os do meu tempo recordam-se bem da crua guerra sofrida por Estevam Silva, guerra tão cruel que obrigou a vítima a reagir em plena sessão solene de distribuição de prêmios, quando chamado para receber uma medalha. O talentoso pintor da natureza morta levantou-se, dirigiu-se ao Sr. D. Pedro II, que presidia o ato, e pediu a palavra. Sua Majestade, depois de conferir a medalha de prata, deu-lhe a palavra. Estevam Silva, que era loquaz e bem falante, apostrofou ali mesmo, diante dos medalhões da época, o proceder da maioria da Academia, que premiava por simpatia e parcialidade e conservava enraizado o ódio de raça, aliado ao ignóbil preconceito da cor.

Esta reação, porém, não teve eco, apesar do entusiasmo que causou a apóstrofe de Estevam Silva, pois o ramerrão do preconceito continuou, sendo nele injustamente contemplado o meu contemporâneo Izaltino Barbosa, um negro de talento; meu calouro Martinho Dumiense e muitos outros, hoje arredados das belas-artes.

O preconceito, parece-me, foi legado à nova escola e, sou capaz de apostar dobrado contra singelo, que no júri premiativo atual, ele se deixou manifestar abertamente, fazendo crer que não é tão cedo ou nunca será concedido o prêmio de viagem aos que não tiverem a pele alva...

E assim se vê na distribuição atual, onde os rapazes de cor, de merecimento provado estão em uma escala injusta.

Que dizes a isto?"

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Dando guarida a estas linhas, é nosso intuito esperar uma resposta para os fatos apontados, certos de que serão acolhidas as réplicas, com o mesmo acato dado às linhas acima. Trata-se de uma questão importante como é a do preconceito de cor e, pelas linhas transcritas, parece-nos que há algum fundamento.

Bueno Amador.

- A exposição continua aberta todos os dias, das 10 horas da manhã às 3 da tarde.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 set. 1906, p.3.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 set. 1906, p.2.

De Araujo Fróes, professor do Colégio Militar, há uma tela apreciável, que mereceu menção honrosa do 2º grau. É um trecho de Icaraí, com bastante verdade, um colorido firme, promissor de trabalhos de maior fôlego.

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De F. Fader, pintor argentino, há cinco telas no salão, todas sobre motivos dos campos e das cordilheiras. É um dos poucos argentinos, dos novos, que se dedicam aos costumes locais de seu país. Seus trabalhos, um tanto antiquados, possuem uma "maneira" larga de fatura, que não impressiona muito, dando a ilusão de "manchas" de estudo de atelier e não de um trabalho acabado. Há, porém, uma quantidade perfeita no estilo do artista: a luz é tocada com precisão, vendo-se que foi esta a principal atenção ao executar as suas pinturas.

A monotonia dos assuntos também concorre para diminuir muito o efeito dos quadros, que melhor seriam apreciados se estivessem afastados uns dos outros, no salão. A maneira de "manchar" revela que o artista há de ser um bom "impressionista" da sua terra e do seu meio.

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Rodolpho Lindermann, discípulo de Jean Paul Laurens, expõe quatro telas, três paisagens e um retrato, todos num estilo penumbrado, fazendo predominar as tonalidades tristes. É mais fiel na paisagem, onde os toques são de mais seguro efeito.

No retrato, porém, há um que de desagradável, pelo rebuscado da fatura, imprópria de tal gênero. Nas telas de natureza o seu pincel mostra-se mais à vontade com mais largueza de manejo e com belos traços de estilo próprio. Por seus trabalhos mereceu o artista a menção honrosa de 2º grau.

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Também mereceram a menção honrosa de 2º grau os trabalhos de Germano Neves, paisagens prometedoras, trechos bem apanhados de nossa terra, com apreciável precisão de tons.

O colorido possui vigor, e dos efeitos luminosos o artista tira todos os recursos possíveis, revelando assim uma tendência perfeita para a paisagem naturalista.

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Vasquez é ainda o esquisito paisagista, que vive aqui e ali, pela zona fluminense, apanhando impressões suaves e efeitos pitorescos da nossa natureza. O seu temperamento é de um sereno observador, que escolhe as melhores tonalidades, a suavidade da luz, as horas de sol oblíquo, para as suas telas. Este ano o seu pincel, a sua maneira e o seu estilo, nos agradaram muito mais. O artista já possui um que de seu, um toque próprio que o distingue a primeira vista: tem estilo caracterizado. Leve no manejo, suave nos tons, verdadeiro na impressão, Vasquez revela-se, de ano para ano, um artista de paisagem, digno de aplausos.

Bueno Amador.

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A Exposição continua aberta todos os dias, das 10 às 3 da tarde.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 set. 1906, p.2.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 25 set. 1906, p.2.

Entre os pintores estrangeiros que figuram no atual salão, destacamos Guillaume Alaux, com a sua expressiva marinha, trabalho de pincel firme e completo senhor da técnica. Chapuis, com um trecho da poética e legendária Bretanha, de uma suavidade empolgante; e Collin, com o "Banho ao ar livre" muito pitoresco e delicado.

Eliseu Visconti apresenta-nos a sua pequena tela "Segredo", no estilo antiquado que o artista frequentemente cultiva. Este trabalho lembra sua tela que ficou celebre, a do "Beijo", embora não possua as mesmas suavidades de expressão. É o único trabalho exposto pelo artista, hoje ocupado na Europa, com a decoração do Teatro Municipal, a seu cargo.

- Pedro Weingartner expõe um "Interior de cozinha", já nosso conhecido, onde há muita fidelidade e muita observação nos efeitos luminosos. Expõe mais a "Pastora" e "Praça de Anticoli", duas telas agradáveis no mesmo estilo de sempre, minucioso, detalhado, que faz distinguir prontamente a obra do artista rio-grandense.

Do finado Souza Vianna, há no salão três estudos de cabeça e um estudo de animais, que revelam qualidades distintas, provando que muito havia a esperar desse bom pincel mineiro.

Honorio Esteves, que é da velha guarda, apresenta três estudos de paisagem, com algumas qualidades e regular dose de sentimento.

Não concordamos, porém, com os títulos que procurou dar as telas. "Um cajueiro da Estrada do Morro do Cavalão"... "Uma rua do jardim do campo de Sant'Anna"... são títulos informativos demais, que fazem lembrar o [...] de Pedro Américo em seus primeiros tempos, quando punha títulos quatro vezes maiores do que os seus quadros. A parte essa prolixidade dos títulos, os quadros de Esteves são regulares, com toques felizes.

Feitosa Filho obteve menção honrosa do 2º grau com os seus trabalhos expostos. Deles destacamos o Caipira fumando, de apreciável fatura, e a Paisagem com muita suavidade de tons. O mais são frutas e mais frutas, que, se agradam pela fatura, transformam o salão em monotonia. Observando bem, o visitante vê que a predileção da maioria é exatamente pela natureza morta, e, em um salão, sempre faz desmerecer muito a atenção, que foge logo destes quadros.

Isso não quer dizer que os trabalhos de Feitosa desagradem, pelo contrário, são na maioria bons, bem tocados, perdendo apenas Cebolas, confrontadas com as Cebolas de Malhôa.

Bueno Amador.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 25 set. 1906, p.2.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 26 set. 1906, p.2.

Discípulo de H. Bernardelli, Eduardo Bevilacqua apresenta-se este ano com dois bons trabalhos.

Uma das tendências do jovem pintor é a procura dos assuntos mitológicos para os seus quadros de composição e fantasia. Infância de Orpheu é uma tela leve, impressionante, de ambiente bem iluminado, com bastantes promessas de segurança futura. Onde, porém, o jovem artista mais se esmerou, foi nesse bem tratado Retrato [Imagem], onde procurou, e conseguiu, vencer muitas dificuldades do gênero, que é difícil. O estilo aproxima-se muito da maneira do mestre, notando-se largueza nas marcações vigor próprio nas tonalidades.

Com este trabalho, Eduardo Bevilacqua mereceu do Júri o prêmio de viagem, justa recompensa de seus esforços leais.

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Carlos Chambelland, discípulo de Rodolpho Amoedo, expõe também duas telas de fatura larga e promissora.

Olhares curiosos é um quadro bem tratado, com simpática feição, havendo um que de sentimento, além da observação real. O quadro faz pensar. As três raparigas, no primeiro plano, olhando, curiosas, para um casal que passeia na paria, manifestam um certo ar de inveja, um certo timbre de despeito. É um bom quadro, e bom também o seu Retrato, tocado com precisão.

O Júri conferiu-lhe a medalha de 2ª classe, último degrau para o prêmio de viagem, no ano próximo.

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Francisco Manna é um artista nascido do seu próprio esforço. Discípulo do grande Romualdo Prati, que o desencantou em Porto Alegre, em uma condição modesta, Manna progrediu e veio para a nossa escola, estudar com Henrique Bernardelli. Em pouco tempo deu ótima conta de seu merecimento. Expondo pela primeira vez, este ano, as suas telas revelam quanto é esforçado e tenaz. Como Chambelland e Timotheo não se limitou a reprodução banal, tentando imprimir na tela trecho de [...] e de análise social, de [...] boas provas o Claro-escuro social e a Luta pela vida, dois trabalhos promissores de um pincel seguro. Ao ar livre e Estudo são também composições que merecem referências. O artista obteve menção honrosa de 1º grau.

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Arthur Timotheo da Costa, é um mestiço de talento. Quem o vê, não dá nada por ele. Entretanto, seus quadros revelam que, além do cenógrafo já conhecido o artista é um prometedor na tela. Livre de preconceitos é um trabalho feliz de concepção e fatura, iluminado e altraente [sic] onde o autor procurou imprimir sentimento psicológico, com bastante largueza de execução. É o seu melhor trabalho e com ele fez jus a menção de 1º grau. Seus Retratos e o seu Estudo também merecem menção honrosa dos entendidos, por bem feitos e verdadeiros, principalmente a cabeça de negro fielmente tratada.

Seu irmão J. Timotheo da Costa expõe também três Retratos de fatura apreciável, com que obteve menção honrosa de 2º grau. Esperamos vê-lo em trabalhos mais fortes, pois tem queda manifesta para isso e há de atingir o seu fim.

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Carlos Oswaldo, de uma família de artistas,discípulo de Gelli dá no salão a "maneira" diferente, aproximando-se do estilo alemão; moderno, lembrando em algumas telas a feitura rija de Helios Seelinger, educado na mesma escola. Para nós, Magdalena é o seu melhor trabalho sóbrio de colorido, vigoroso de desenho e firme de execução - o seu Retrato e o seu Violinista são de desenho rigoroso, aliado ao colorido simples, com uma tonalidade máscula, se assim nós podemos exprimir. No gênero paisagem, o autor apresenta primores de fatura e de execução, obtendo com justiça a medalha de 2ª classe que o Júri lhe conferiu.

Bueno Amador.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz'''

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 26 set. 1906, p.2.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 27 set. 1906, p.4.

Damos hoje guarida à réplica seguinte, recebida contra as asseverações da carta que, há dias publicamos, a respeito do pretendido preconceito de cor, em questões do júri premiativo:

"Meu caro Bueno Amador - Só agora li a carta do ex-aluno da Academia Imperial de Belas Artes, carta a que deste guarida e que pareces aprovar, esperando resposta.

Fui também aluno da antiga Academia, meu caro Bueno, e asseguro-te que os ilustres professores deste estabelecimento nunca fizeram questão de cor (não faças calembourg); a prova aí esta no benemérito professor Bethencourt da Silva, dirigindo o Liceu de Artes e Ofícios, tratando com carinho de pai toda a classe de gente, sem fazer questão de cor.

O mesmo acontece com o venerando professor João Maximiano Mafra, que sempre acolheu os seus alunos, sem se lembrar que neste mundo existem raças de diferentes cores.

Acresce também que os ilustres professores Chaves Pinheiro e Agostinho da Motta não eram brancos. Como queres tu, meu Bueno, que uma congregação, composta de tão distintos homens, pudesse fazer questão de cor?!

Fui amigo inseparável do malogrado Estevam Silva, servi ao lado do inolvidável José do Patrocínio, trabalhando em prol da raça negra escravizada, e tenho a certeza de que nenhum só dos meus colegas me poderá arguir de injusto, por questão de cor, tanto mais quanto me prezo de ser amigo de todos aqueles a quem a critica poderia atingir. Não te lembras do célebre caso dos escravos da Paraíba do Sul, que tanto ocupou a atenção publica e que veio à luz pela Gazeta da Tarde?

Pois bem, quem fez toda essa reportagem foi este teu amigo, que propôs como condição única do intemerato trabalho - o incógnito - condição que foi aceita pelo Patrocínio e pelo Conselheiro Dantas. Aí está o Serpa Junior, que era nosso companheiro, e que pode atestar o que digo.

Que diabo, pois te entrou no corpo, meu caro colega, para supores que eu agora, por ser honrado com o cargo de membro do júri do Salão da Escola Nacional de Belas-Artes , pudesse esquecer o meu passado, as minhas crenças, para lançar mão de ideias tão abomináveis?! Não! não, meu Bueno, tu não pensaste bem em dar guarida a tal maldade!

Olha para os meus anos e faze-me justiça.

Do teu, muito teu - Belmiro de Almeida."

Publicando a altaneira carta do artista Belmiro de Almeida, damos público testemunho do quanto o prezamos, lembrando apenas que, se demos guarida a carta que provocou a sua réplica, foi mais por uma questão de princípios e não de pessoas, pois longe estamos e sempre estaremos de fiscalizar assuntos dessa importância, principalmente com o pintor Belmiro, cujos dotes de há muito conhecemos e apreciamos com justiça e sinceridade.

Bueno Amador.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 27 set. 1906, p.4.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 8 out. 1906, p.2.

Treplicando contra a resposta do pintor Belmiro de Almeida, escreve-nos o autor da missiva, que levantara a questão sobre o mecanismo íntimo das coisas gestoras da Escola:

"Li a resposta do meu antigo colega Belmiro de Almeida, que infelizmente entendeu mal os meus comentários a respeito do clássico mecanismo premiativo da Escola de Belas-Artes, aliando ao preconceito da cor, esquecendo-se dos versos de Tolentino, que cabem otimamente no meu caso:

Eu dou golpe nos costumes

E cuidam que é nas pessoas...

Ninguém contesta nem contestará que Belmiro, dentro ou fora de qualquer júri de Belas Artes, seja sempre o mesmo coração atento às grandes causas e, por isso mesmo, inimigo acérrimo do abominável preconceito da cor.

Mas posso afirmar, com as mãos sobre o fogo, que no assunto por mim relatado, Belmiro é positivamente um voto vencido.

Eu, ele e o finado Estevam Silva, éramos companheiros de classe, e ele sabe perfeitamente a guerra que sofreu o nosso pintor de natureza morta, pelo fato de ter o pigmento escuro impresso na epiderme.

Ele sabe perfeitamente, tão bem ou melhor do que eu, que, desde os tempos da academia, nem um só dos rapazes de cor, com provas bastantes de aproveitamento, com classificações de primeira plana, obteve o consolo do prêmio de viagem de estudo na Europa. Ele sabe que muitos esmoreceram no melhor da luta por verem o seu esforço perdido, não porque lhes faltassem predicados, mas porque não possuíam a pele alva dos privilegiados de raça...

Ele sabe ainda que não pode apontar para exemplo, um só mestiço que tenha ido à Europa, premiado pelos júris acadêmicos. E esse preconceito existiu longos anos, na vida da ex-Academia e parece estar bem encaixado na engrenagem do mecanismo atual, pois desde muito observo que só obtém tal prêmio quem pertence à casa, e os prêmios são dados em uma certa ordem reveladora do movimento futuro. E tanto assim é que eu posso garantir desde já quem abiscoitará o prêmio de viagem no ano vindouro...

Não o faço agora, porque estou ainda a narrar os milagres sem tocar nos milagrosos, mas sinto umas cócegas de explanar tudo, tim-tim por tim-tim, para que me contrariem, com provas esmagadoras, afim de ficar eu calado com tantas catilinárias..."

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Publicando a tréplica, damos a palavra a quem o caso tocar, garantindo que a olharemos toda a resposta que for enviada, nos devidos termos da praxe.

Bueno Amador.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 8 out. 1906, p.2.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 8 set. 1906, p.2.

Oito pequenas telas do pintor alagoano Rosalvo Ribeiro acham-se na atual exposição. Todas elas mostram ótimas qualidades de maneira, de estilo e de execução, muito sentimento e muita verdade de colorido.

Rosalvo Ribeiro não é um incipiente nem uma promessa: os seus trabalhos são de primeira ordem e o seu nome é bem conhecido em Paris, onde figurou galhardamente em vários salões, cultivando com especialidade os assuntos militares.

A seu respeito o catálogo nada menciona, além da declaração de seu berço natal, em Alagoas: mas, sabemos de outiva que foi um dos melhores discípulos de E. Detaille, o grande pintor militar, que muito o distinguira, quando o artista patrício estudava no estrangeiro.

Para se avaliar do valor artístico de Rosalvo Ribeiro basta a pequena mancha, de uma tocante verdade e de um colorido vigoroso, bem lançado, de quem conhece todos os segredos da cor, da luz e do ar. Como prova de sua predileção pelo gênero militar, há o quadro Dragões, soberbo estudo de militares franceses, de execução fina.

Sentimos bastante que o artista não figure na exposição com um trabalho de maior fôlego, onde o seu talento se revele em toda a sua plenitude; mas consta-nos que ele vegeta no professorado de Maceió, como um desiludido, sem esperanças de justiça perfeita...

Se assim é, que estas linhas sejam para ele um brado de reação; o artista não deve deixar-se empolgar pelas condições más do meio em que vive; o artista deve lutar desassombradamente, e quando se tem a consciência de seu próprio valor, manda-se a modéstia e o acanho às urtigas, entrega-se de corpo, alma e coração ao culto da arte, reage-se, peleja-se e chega-se ao fito desejado vitoriosamente.

E aí de quem se deixa vencer pela indiferença do meio ou pelo [sic] deficiência de recursos próprios, quando se trata de arte! A arte não é incompatível com outra profissão, e qualquer que esta seja, sempre há de dar momentos, minutos, segundos para estudo, porções de tempo que serão aproveitadas avaramente em beneficio de seu culto.

Assim, esperamos em breve o aparecimento de Rosalvo Ribeiro, com toda a pujança, para enriquecer o nosso núcleo valioso de artistas nacionais.

Bueno Amador.

A Exposição Geral de Belas-Artes, que tem sido muito visitada, continua aberta todos os dias das 10 às 3 horas da tarde.

Amanhã:

O Salão Cômico - A Exposição em caricaturas.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 8 set. 1906, p.2.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 set. 1908, p.4.

Salão do 1908 - O "Vernissage" - Obedecendo à praxe estrangeira, realizou-se ontem a cerimônia do "Vernissage" na Escola Nacional de Belas Artes para a décima quinta exposição geral a inaugurar-se hoje.

A cerimônia, simples pretexto para a reunião de artistas e pessoas gradas horas antes da festa inaugural, esteve concorrida notando-se grande número de pintores nacionais amadores, senhoras e senhoritas.

A exposição apresenta um aspecto agradável, à primeira vista, sendo regular o número de trabalhos dignos de atenção.

A cerimônia da inauguração realiza-se hoje devendo comparecer o elemento oficial.

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Bueno Amador

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 set. 1908, p.4.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 set. 1912, p.6.

O salão de 1912 - A lei de imitação que se alastra poderosamente em todos os campos da atividade, introduziu o sistema do "vernissage" um dia antes da inauguração oficial das exposições de belas artes.

Ontem realizou-se a cerimônia do "vernissage" preparatório da abertura da exposição geral do corrente ano.

A hora em que entramos, passadas as grandes, as largas, as nuas galerias do casarão que esconde nos porões as riquezas da pinacoteca nacional e expõe somente as coisas em gesso sujo que atropelam meia dúzia de nichos encontramos uns quatro ou cinco varredores que limpavam a escada que dá acesso ao salão da exposição, no segundo pavimento.

Aí, entre guirlandas e festões de folhas de mangueira, embora chovesse como na rua, em alguns pontos, a concorrência era grande: vimos ali pintores, escultores, músicos, poetas, prosadores, amadores, medalhões e curiosos, aqui e ali, encarapitado em uma escada encontrava-se um expositor a dar a última de mão ao verniz de seu quadro, havia ainda a lufa-lufa da organização geral, o artista Mario Navarro da Costa andava de um lado para outro com uma palagana [sic] é uma brocha, a fornecer verniz a alguns colegas esquecidos, esgotando assim a sua provisão.

O conjunto da exposição revelou melhor escolha por parte do júri e mais força em matéria de pintura. Quadros há que, embora mereçam referências elogiosas, não têm o inédito para surpreender o visitante; são os que já figuraram em exposições singulares ou em agremiações especiais.

Há muito que ver este ano: o salão apresenta-se cheio, expurgado felizmente da "quitanda" que a condescendência dos júris anteriores fazia entrar, enchendo as paredes de jabuticabas, bananas e grumixamas; há muito que ver e muito que elogiar a escultura apresenta-se mais forte; a escultura dá um fraco contingente e a parte mais numerosa é a pintura, numerosíssima, até.

Dos antigos, dos já consagrados alguns se apresentam com direito a justos louvores outros nem por isso [...] Dos novos, das promessas, dos que explodem agora para a vida da arte, alguns há que mostram o empenho vivo do progresso e da conquista [...] do prêmio de viagem, e esse empenho é em grande parte justificado pelas provas de esforço e de tenacidade como revelam os quadros de Bordon, de Bruno [Pedro Bruno], de Navarro da Costa e de Caplonch.

Outros há dos novos que apresentam o progresso de que nos falava espirituosamente o finado Paula Ney: - o progresso da cauda do cavalo, que é sempre para baixo...

Entre os entendidos e os amadores passavam senhoras e senhoritas, dando uma nota […] naquele ambiente pejado de quadros de gesso e de sobretudos.

O professor Visconti multiplicava-se a dar as últimas ordens de organização, lastimando que se exibisse um quadro, um quadrinho, em um canto, uma tela desmedidamente lambida com uma figura roliça, polida e mais envernizada do que um cromo de carregação...

A impressão geral era de agrado. E agradou. A exposição atual é melhor do que as desses seis anos mais chegados. Saímos depois de hora e meia, de vistoria e cavaqueação, passamos de novo pelas galerias nuas e desertas, tropeçamos na falange de gessos atropelos, em uma delas, cumprimentamos o porteiro e tiramos respeitosamente o chapéu ao esboço em bronze do monumento de Pedro I que afinal apareceu à entrada, com toda a sua nobreza de execução e como um símbolo talvez para os artistas de coragem nesta terra de apatia. O bronze de Rochet ali está agora a dizer que nessas coisas de arte, tudo se resume no grito do nosso primeiro imperador: "Independência ou morte".

Fora do palácio de vazio e de silencio chovia a potes, mas a frieza do dia não influiu na […] do "vernissage".

Há muito que dizer e que contar sobre a exposição. Isso irá por partes com vagar.

Hoje realiza-se a inauguração oficial com a assistência das autoridades e de amanhã em diante o público poderá apreciar conosco o que nos deram alguns artistas no período decorrido de trezentos e sessenta e cinco dias.

Bueno Amador.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 set. 1912, p.6.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 set. 1913, p.5.

O SALÃO DE 1913 - Realiza-se hoje, na Escola de Belas Artes, a cerimônia da inauguração da vigésima exposição geral, com a presença do Sr. Presidente da República, dos Srs. Ministros e das principais autoridades.

A comissão organizadora composta dos Srs. Augusto Girardet, Heitor de Mello e Lucilio de Albuquerque, [...] convites a todas as pessoas gradas, aos artistas e aos amadores, de modo que a festa de hoje [...] brilhante concorrência.

[...] obras enviadas, este ano sendo notável o trabalho dos novos, dos que em bem pouco tempo aparecem em nosso meio artístico

[...]

Bueno Amador.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 set. 1913, p.5.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 12 set. 1908, p.5.

Salão de 1908 - Escola Nacional de Belas Artes. - Começaremos as nossas impressões pelos novos, pelos que se apresentam com grandes revelações e bastantes provas de estudo. O Sr. Joaquim Soares Cunha, ex-discípulo de Henrique Bernardelli, atualmente sob as vistas do professor João Baptista da Costa, na Escola, apresenta três interessantes trabalhos que revelam talento, propriedade de tons e algo de segurança técnica.

Em repouso e Paisagem, n. 42 do catálogo, são os melhores trabalhos, em ambos o jovem artista mostrou ter largos horizontes a vencer com facilidade, - questão de estudo e pertinácia. O Sr. Noronha França, discípulo do finado Almeida Junior e de Oscar Pereira da Silva, apresenta nas duas telas de feitura simpática, Trabalho de Campo, com muita propriedade tocado, colorido algo firme e bastantes efeitos de luz agradáveis; agrada-nos mais Um trecho do rio Verde, em Minas, com simpáticos toques alegres sobre a água tranquila. É outro pincel honesto, é outra revelação, e o futuro dirá se nos enganamos a respeito dos conceitos aqui externados sobre estes dois jovens artistas.

O Sr. Agenor Alves, ex-discípulo de Roberto Mendes e atualmente do professor Rodolpho Amoedo, apresenta-nos três trabalhos, dos quais o mais aceitável é a sépia Interior de atelier. Achamos algo de duro e de inexpressivo no seu fusain. Ao ar livre e na sua paisagem o Pastel.

A sua aquarela mostra observação e segurança regular de técnica. O Sr. E. Ayres expõe um quadro de natureza-morta, de feitura agradável, conjunto interessante, que o autor procurou fazer o menos posado possível.

O jovem discípulo de Henrique Bernardelli apresentou-se bem.

Alvim Menge, discípulo de Barbasan Lagueruela, premiado com menção honrosa na exposição anterior, apresenta três soberbas telas, que um pintor de valor assinaria sem titubeios, tais as qualidades poderosas que este jovem patrício revela.

De seus trabalhos, empolga mais o Ardua Vita, esplêndida concepção, esplêndida fatura.

Se o seu trabalho não teve a colaboração direta e eficaz do seu valoroso mestre, pode o jovem artista entrar desassombrado pelos galarins da justa nomeada, pois os seus trabalhos atuais são dos mais completos que conhecemos no gênero, como execução e como concepção. O Sr. José Moraes Silva, aluno da Escola, discípulo de João Baptista, figura com um Retrato apreciável, revelando boas qualidades nesse gênero difícil, propriedade de tons, desenho firme e semelhança com o retratado que também é oficial do mesmo ofício, que por sinal, nada expôs este ano.

Continuaremos.

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Bueno Amador

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 12 set. 1908, p.5.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 13 set. 1912, p.5.

O SALÃO DE 1912 - O Sr. Alvaro Teixeira apresenta, como trabalho de mais fôlego, a tela Desalento de Orfeu, onde a paisagem é bem cuidada, notando-se vigor do colorido e certeza de efeitos.

A figura mitológica do quadro, infelizmente, não se casa com a técnica do paisagista: é fraca, não só como desenho, mas também como colorido, como atitude e como expressão. Sente-se talvez que o autor tenha feito a figura de cor, dando antes a impressão de mancha acadêmica do que uma figura acabada.

A paisagem, sim, é apreciável e mostra a segurança do pintor e a proficiência do seu mestre que é especialista em tal assunto.

D. Angelina Agostini apresenta notáveis progressos; seus trabalhos expostos já possuem um cunho característico e dão à artista um lugar de destaque. Don Pablo é uma cabeça bem tocado, cheia de relevo e de vida, dando a entender que muito há a esperar da artística patrícia, quando a libertar da maneira de que ainda se ressentem seus trabalhos: os tons adaptados por um de seus mestres.

Discípulo de José Malhôa, o Sr. Julio Teixeira Bastos apresenta telas uniformes, representando os sentidos que, no seu entender, são cinco apenas. São trabalhos muito interessantes como observação dos tipos, executados com largueza e justamente apreciados pelos entendidos.

Sente-se a expressão e vida em todas as figuras e há um todo simpático na apresentação do conjunto.

O Sr. Pedro Bruno pertence a grupo dos novos e dos que vencem pelo esforço e pelo talento. A maneira original de pintar, embora não seja definitiva, caracteriza desde já um estilo de colorista, personalizando a palheta do jovem pintor.

Manhã azul e Herdeiro são dois trabalhos merecedores de elogiosas referências e que muito recomendam os méritos do artista.

Os irmãos Carlos [Carlos Chambelland] e Rodolpho Chambelland cultivam com proficiência o gênero ingrato e difícil do retrato.

Na exposição, cada um apresenta dois retratos e deles não se pode destacar um melhor que outro, todos são igualmente bons; Rodolpho é mais atirado às poses originais dos modelos, dando-lhes um cunho novo no gênero; Carlos é mais humano e possui o segredo de fazer viver os seus retratos com muita segurança. Elogios para ambos são desnecessários, ambos têm consciência do seu valor de artistas e para ambos o nosso meio já há muito deu um lugar de destaque.

Prosseguiremos.

Bueno Amador.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 13 set. 1912, p.5.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 14 set. 1912, p.4.

O SALÃO DE 1912. - O Sr. Pons Arnau apresenta um retrato de colorido agradável, ambiente simpático, com cuidado revelado nas duas cabeças, pose interessante, formando um apreciável conjunto, merecedor de referência, como efeito, com exceção das mãos angulosas e não acabadas que destoam completamente do conjunto pela dureza.

Baptista da Costa é o mesmo paisagista de sempre, conhecedor de todos os matizes da nossa natureza pródiga em efeitos soberbos. Os seis trabalhos expostos são seis primores, destacando-se o Saudoso recanto, delicioso trecho de Petrópolis, que o artista transferiu para a tela com muita verdade e muito sentimento.

Levino Fanzeres exibe três trabalhos, notando-se em todos a predicação pela paisagem; é nesse ponto que o pintor mais se [...], dando impressões acabadas e aspectos de tons apreciáveis.

Os quadros de composição apresentam algo de poético e dão motivos para acoroçoar o artista. Visão, embora não possua todas as qualidades de um quadro completo, é uma composição bem lançada que demonstra o valor do artista. Seus trabalhos revelam uma tempera nova e um modo de fazer que já vão caracterizando o estilo, dando-lhe personalidade, e nisso está o seu maior elogio.

De José Malhôa há uma belíssima cabeça de estudo, que já esteve em exposição nesta cidade, e que constitui um belo quadro, como são todos os que nascem do pincel do apreciado artista português.

Prosseguiremos.

Bueno Amador.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 14 set. 1912, p.4.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 set. 1908, p.4.

Escola Nacional de Belas Artes. O Salão de 1908. - Angelo Agostini, o caricaturista, o polemista que encaneceu na lide jornalística e tem o seu nome ligado a um quarto de século de nossa vida política e social, expõe este ano uma tela de costumes, os Engraxates, bem trabalhada e alegremente disposta.

Modesto Brocos apresenta três trabalhos frios, que não parecem da lavra do ex-professor de modelo vivo da Escola. O retrato do Sr. Olavo Bilac é de ingrata fatura e colorido fantasiado, a sua Vista do Bico do Papagaio é uma paisagem seca, sente-se falta de ar e de luz. Tais telas revelam que o artista não as pintou bem disposto ou com muita vontade, pois quem conhece M. Brocos sabe que ele é capaz de coisa melhor do que as telas atualmente expostas.

Luis Christophe apresenta dois trechos de agradável efeito, principalmente o Luar em Copacabana, de tonalidades impressionantes, colorido simpático, mostrando em certo quê de poesia nos seus trabalhos.

Alberto Delfino [sic], artista já premiado, que deu em tempos idos, melhor cópia de seu valor, ultimamente tem revelado um abandono completo, um desânimo contristador. Seus quadros, Retrato do Albertinho (pastel) e Antiga chácara do Fortunato (sic) são infelizes desde os títulos até a execução: o retrato então, fica muito aquém dos estudiolus [sic] colegiais que as professoras públicas nos impingem anualmente. É detestável esse trabalho e o autor não deveria levar o seu desânimo ao ponto de exibi-lo em público.

Outro, que prometia muito, que foi premiado, que apresentou, há tempos, trabalhos apreciáveis, que foi discípulo de Barbasan e está dando tristes provas de abandono, é o artista Fernandez Gomez. Os seus quadros, feitos em Santos, são monótonos e desgraciosamente pesados, as figuras sem vida, lembram marionetes. Algum desenho, algumas vedardes do céu, e mais nada.

Marques Guimarães expões duas telas: Flores, muito leve, de aspecto agradável e de uma singeleza encantadora; o Retrato de D. Pedro II apresenta todos os defeitos dos retratos copiados da fotografia, é tudo mecânico, sem vida, em uma tela incomensuravelmente enorme.

Germano Neves apresenta um auto-retrato sofrível, com alguns toques infelizes, cinco estudos de paisagens com boas qualidade, e uma marinha (estudo) de feição delicada: mais algum esforço, bastante observação e o artista ficará completo.

Carlos Oswald, que é um dos novos que mais prometem, dá-nos um auto-retrato que é um soberbo trabalho, de gosto artístico completo, segurança de desenho, técnica sua, estilo seu. Não conhecemos o original, mas a execução perfeita desse trabalho dá ao autor os foros de ótimo artista. Uma excentricidade, porém, é a Paisagem brasileira do mesmo autor: está longe de ser brasileira, como qualquer um de nós da Alpha Contauri, é uma pintura-literária como bem designaram uma vez esse gênero confuso, esbatido, inexpressível. Mil vezes preferível o seu auto-retrato, um primor no gênero.

Três telas de E. Tournés, aparecem no salão. O autor é membro do Júri do Salon de Paris, e isto bastará para recomendar seus trabalhos. Femme à la toilette, Frileuse, la Jarretiére, todas em um sistema lambido que lembra, à distância, a pintura esmaltada. O assunto das três telas é quase o mesmo, uma mulher em um canto do seu quarto, em meia luz, em trajes frescos; são apreciáveis, mas o membro do Júri de Paris devia nos mostrar coisa melhor do que esses quadrinhos de assunto repetido, pois no ano passado tivemos uma edição quase igual do mesmo autor.

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Bueno Amador

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 set. 1908, p.4.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 set. 1912, p.4.

O SALÃO DE 1912. - D. Sylvia Meyer, devidamente apreciada na última exposição do Centro "Juventas", onde apresentou belos trabalhos a pastel, apresenta na exposição atual dois trabalhos: "Estudo" e "Aspásia". Sente se em ambos a segurança com que vai progredindo a jovem artista patrícia, a demonstrar o seu atento estudo do desenho e a sua técnica já revelada na precisão dos tons. Do grupo dos novos, destaca-se atualmente a senhorita Sylvia Meyer como a que mais progressos apresentam e mais revelações promete. Seus trabalhos atualmente expostos agradam muitíssimo.

Discípulo de Teixeira Lopes, o Sr. Pinto do Couto aparece este ano pela primeira vez dando-nos bons atestados de seu talento; das esculturas do artista português destacaremos a máscara em bronze de Tolstoi, a cabeça do negro e o retrato do Sr. A. de S. É um escultor e tem sentimento.

Bueno Amador.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 set. 1912, p.4.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 out. 1908, p.4.

O Salão de 1908 - Escola Nacional de Belas Artes - Ultimando as nossas impressões sobre o salão deste ano, temos a registrar o agrado e o aplauso que inspiram as "Flores frescas" de Weingartner, o melhor trabalho seu; as telas de D. Regina Veiga, que bem aproveita as lições do mestre; os "Abios" de A. Petit; a "Mesa da cozinha", de D. Maria Luiza Pompeu de Camargo; as telas de Eugenio Latour, exceção feita da "Soror materna", ideia soberba, mas pobremente executada, com alguns descuidos de perspectiva; os trabalhos do pintor Helsby, um chileno muito original; a tela "De volta" de Augusto Luiz de Freitas, tocada com muita propriedade; as aguarelas de D. Anna [Anna Cunha Vasco] e D. Maria Cunha Vasco, executadas com largueza de tons e segurança de coloridos; "Meditando", de D. Carlota Laboriau, suave e delicada; "Mimosa", estudo razoável de Coelho de Magalhães; um "perfil" aceitável, de Dona Beatriz Pompeu de Camargo e a tela "Maternidade", de Elyseu Visconti, para nós o melhor trabalho seu em exposição. O artista apresenta grande número de cartões definitivos para a concepção do pano de boca do Theatro Municial. Esses cartões mostram a segurança pessoal do artista e o profundo conhecimento que possui da difícil arte, mas todo esse acervo de primores, se são dignos de apreciação parcelados como se acham, revelando exuberante saber e técnica completa, não exaltam o valor conceptivo do pano do teatro, que peca pela falta de espírito de síntese, que é o maior ideal em matéria de decoração. Assim como em literatura só se despreza o que é redundante e prolixo, em artes plásticas, mormente em arte decorativa, procura-se sintetizar o mais possível o assunto; daí os símbolos antigos de que as mitologias dão os mais soberbos exemplos. A preocupação de colocar retratos, ou antes, cabeças de indivíduos conhecidos, mortos e vivos, na tela, escravizou de algum modo o pincel e a concepção do trabalho, pois as figuras assim feitas, copiadas naturalmente de estampas e fotografias e naturalmente obrigadas à mesma posição dos originais, quebram completamente o belo efeito dessa marcha ascendente que vai em espiral.

O autor distribui em avulso um momento explicativo do seu trabalho, mostrando assim vasto conhecimento do assunto que se propôs a pintar, e ao mesmo tempo a falta de condensação simbólica de todos os elementos da cultura ali representados. O trabalho é primoroso como execução e pena é que o assunto escolhido fosse tão emaranhado, a lembrar a sensaboria de um Cesar Cantú que nos obrigassem a ler em uma noite só.

A ausência, porém, do espírito sintético, em coisa alguma desmerece o trabalho do operoso artista e de relance, o efeito é empolgante e impressionador.

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Bueno Amador

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 out. 1908, p.4.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 set. 1913, p.6.

A HORA MUSICAL - Na terrasse da Escola de Belas Artes realizou-se ontem a segunda festa da série artística que se organizou para alegrar as segundas-feiras no certame ali atualmente em [...]

A "hora literária", há oito dias realizada com grande êxito, abriu o campo. Ontem tivemos a "hora musical", que esteve brilhante, graças ao concurso dos nossos apreciados cultores de boa música.

Os assistentes tiveram ensejo de apreciar trechos da ópera Galaor, cantados pelas Senhoritas Isabel e Marietta de Verney Campello, acompanhadas no piano pelo autor da ópera, o maestro Sr. Araujo Vianna. Pedro Bruno, que, além de pintor apreciado, é delicado cultor do canto, fez ouvir a sua voz de barítono, cantando a Ave Maria, também composta pelo maestro Sr. Araujo Vianna colhendo muitos aplausos.

Foi uma bela hora de arte.

Na próxima segunda-feira, dizem, teremos a "hora humorística", de que talvez participem, entre outros, os Srs. Bastos Tigre, Calixto Cordeiro e os nossos companheiros Srs. Raul Pederneiras e Luiz Peixoto, que farão caricaturas instantâneas.

Nada há deliberado por enquanto, mas temos como quase certa a realização dessa festa, parte integrante da série de horas de arte tão bem iniciadas.

O SALÃO DE 1913 - A falta de espaço não nos tem permitido a frequência das nossas apreciações sobre os trabalhos da atual exposição geral de belas artes. D'ora avante procuraremos abreviar as notas a respeito, adotando o sistema que esteve muito em uso no velho continente: os dos valores, por meio de graus, especialmente, sendo o grau 10 a máxima da apreciação, correspondente à nota ótima; os graus 9 a 6, correspondentes à nota boa; de 6 a 1, à nota sofrível, e o zero, naturalmente, será a nota má. Esses valores não serão dados somente pela apreciação pessoal do rabiscador destas linhas, serão também a resultante da observação dos competentes no assunto, de modo a melhor firmar o valor dos trabalhos.

Assim, hoje, em pintura, temos a seguinte discriminação:

Sr. Alvaro Teixeira, grau 4; D. America de Souza, grau 3; D. Adelaide Gonçalves, grau 5; D. Adelia Saldanha, grau 3; Sr. André Vento, grau 5; Sr. Agenor de Barros, grau 5; Annibal Mattos, grau 8; Arnaldo de Carvalho, grau 9; Raul Bevilacqua, grau 8; Guttmann Bicho, grau 8; Miguel Caplonch, grau 8; Carlos Chambelland, grau 9; Rodolpho Chambelland, grau 9; Coelho de Magalhães, grau 6; José Cordeiro, grau 7; Gustavo Dall'Ara, grau 9; Carlos de Servi, grau 9; J. Dias Junior, grau 5; Eurico Moreira Alves, grau 6; D. Fedora do Rego Monteiro, grau 6; Srs. Fiuza Guimarães, grau 9; Gastão Formenti, grau 8; D. Francisca Leão, grau 7; D. Julieta Bicalho, grau 7; Srs. Luiz Christophe, grau 8; Luiz de Freitas, grau 7; Lucilio Albuquerque, grau 9; Heitor Malagutti, grau 9; D. Maria Pardos, grau, 5; Marques Junior, 8; Alvim Menge, grau 9; Navarro da Costa, grau 9; Carlos Oswald, grau 9; Edgard Parreiras, grau 7; Pons Arnau, grau 7; Souza Pinto, grau 9.

Em escultura obtivemos os seguintes valores.

Srs. Armando Braga, grau 7; Francisco de Andrade, grau 6; Luiz Esteves de Carvalho, grau 0; Antonio Mattos, grau 8; Moreira Junior, grau 8; Pinto do Couto, grau 9; Corrêa Lima (H. C.), grau 10.

Continuaremos assim a publicação simbólica das apreciações por valores e mais tarde, quando houver uma folga de espaço que facilite mais delonga na apreciação discriminada, voltaremos à praxe antiga, fazendo referências sobre os trabalhos mais merecedores.

Bueno Amador.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 set. 1913, p.6.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 set. 1912, p.5.

O SALÃO DE 1912. - Abrimos hoje um parêntesis na apreciação descritiva que periodicamente aqui fazemos sobre os trabalhos expostos no certame anual.

Esse parêntesis é ditado por um comentário que o recente julgamento do júri premiativo, referendado pelo conselho superior, acaba de tornar público.

Não é de hoje que acompanhamos o visível, o palpável, o pesaroso retrocesso das coisas d'arte no mundo oficial. O nível moral, assolado tristemente pela situação turva dos espíritos mal orientados ou condescendentes, faz descrer da sinceridade e da franqueza dos julgados nos últimos anos, em matéria de belas artes.

Há muito se faz sentir que é criminosa ou pelo menos, perigosa a indiferença oficial aparente a respeito dessas coisas de arte e agora o recente julgado mais confirma essa suspeita.
O júri, incompleto por ablativo de um dos artistas que dele devia participar, conferiu o prêmio, o decantado e almejado prêmio de viagem, a um dos concorrentes, considerado em cotejo com os trabalhos de seus companheiros, um dos mais fracos. Foi dolorosa e triste a surpresa, ontem confirmada pelo veredictum do pretendido conselho de belas artes e mais aumenta o pesar na certeza de que houve, como tem havido desde que a escola se constituiu em coterie, excessão injustificável e nada nobre a essa excelência balofa e desclassificada que se denomina o Empenho.

O autor destas linhas muito antes de encetar a sua serie de apreciações […] mais pela observação pessoal de um orientado do que pela competência da critica, foi um dos mais assediados para que fizesse referencia benévolas em favor de alguns concorrentes ao prêmio.

Certo de que esses pedidos seriam [...] por estabelecer como norma a impressão que lhe parece justa e digna de ser dada a publicidade, o rabiscador destas regras nunca aferiu os trabalhos artísticos pelo [...] de terceiros, expondo a sua opinião incompetente embora, mas sincera e franca.

Entretanto, um júri cujas responsabilidades são maiores, mais [...] e mais distintas, reúne-se incompletamente, passa por alto o merecimento real dos trabalhos expostos, não analisa e não estuda os precedentes, não faz cotejo de espécie alguma e confere o prêmio ao que mais [...] de empenho apresenta [...]

Esse [...] que representa demérito para a [...] moral das ações julgadoras em nosso meio, veio confirmar mais uma vez que ainda é necessária a luta sem tréguas para que a justiça seja uma coisa real em nosso terra. Não vai nessas referências a intenção de menoscabar este ou aquele dos concorrentes inspira-nos somente a questão de tese, do confronto de trabalhos e da sinceridade das opiniões. O ato confirmado pelo conselho de belas artes precisa ser publicado por extenso, para justificar as razões desse prêmio e o motivo por que assim foi resolvido: desta forma poderemos ver qual o critério que presidiu nesse exótico julgamento e será dada satisfação ao povo que, afinal, é quem paga sempre para ser iludido por embustes [...] e quejandas prebendas com que nos infelicitam, desde que a campanha burocrata penetrou nos domínios das artes.

Exótico ainda mais nos parece esse ato, por não haver dele recurso, mas, em nome do bem e da hombridade, exponham os trabalhos dos concorrentes em público, franca e abertamente para que sejam apreciados os pareceres surpreendentes da comissão julgadora. Duvidamos muito que assim façam; muitos membros do júri [...] pelos pedidos políticos e influentes, de modo que a justiça sã de uma questão nobre sofre um prejuízo colossal, menoscabando-se o Direito e a Verdade.

Por esse andar, esperamos que o Governo faça obra completa, extinguindo a escola por inútil e mantendo apenas o Museu, a Pinacoteca, em vez de exaurir tantas somas para prêmios de atos injustos que nada nos honram nos domínios das artes plásticas.

Bueno Amador.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 set. 1912, p.5.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 set. 1908, p.6.

ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES - O SALÃO DE 1908 - Na seção de pintura, o Sr. José Amarante expõe um auto-retrato, com algumas propriedades; vê-se que ainda titubeia na palheta, mas não faz descer do seu progresso, se continuar a estudar com firmeza e sinceridade, mormente com o auxílio dos dois professores que o orientam.

João Baptista da Costa é sempre o mesmo João Baptista das paisagens magistrais. Poucos, bem poucos serão tão verdadeiros como este artista patrício. São nossas, positivamente nossas aquelas paisagens, aqueles céus, aqueles efeitos de luz cantante que têm sido a dificuldade insuperável de muitos artistas estranhos. Pincéis abalizados têm desfalecido diante da nossa natureza; desenham-na com propriedade e não conseguem imprimir na tela esse segredo do colorido tropical de nossos campos. João Baptista, em cada palmo de tela, imprime vitoriosamente a poesia encantadora e única da nossa vegetação, o azul verdolengo de nossos mares, a luz opalinada do firmamento que nos cobre, e sente-se em suas paisagens o perfume suave e balsâmico que nos prende e encanta. Há trechos de telas que, por si sós, valem telas inteiras.

Expõe quatro trabalhos: - Para a Pesca é soberbo de efeito; Copacabana, principalmente no plano direito, é de uma poesia encantadora; sente-se o ar nesse ponto suavemente colorido. E, como não bastassem estas provas seguras do valor do artista, lá está o retrato vigoroso e palpitante do Dr. Azevedo Lima, o melhor dos retratos que se acham no Salão.

Augusto Crotti, bolonhês de origem, discípulo de Cabanel, dá-nos um auto-retrato pochade, feito com largueza, colorido vivaz, efeitos agradáveis e tonalidades próprias. Outro tanto não podemos dizer dos outros pastéis de sua lavra, um pouco hesitantes na fatura; talvez pouca vontade de rematar os trabalhos, para o que o autor acrescentou aos títulos dos quadros a palavra estudo. Esperamos apreciá-lo em trabalhos de mais fôlego.

Joaquim Fernandes Machado apresenta o quadro Predica aos pássaros, S. Francisco de Assis, tela que figurou no Salão de Paris, no ano passado, merecendo os mais francos elogios, a que juntamos os nossos. É um trabalho encantador, pelos efeitos, sentindo-se uma harmonia empolgante nessa suavidade morna que banha o ambiente. - Uma tela de valor seguro. Outra, diferente na fatura, mais moderna em seus processos, é a Chamada das Sereias, alegre e cantante a palpitar nas tonalidades claras e leves.

Dois bons quadros.

Continuaremos.

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Bueno Amador

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 set. 1908, p.6.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 set. 1912, p.5.

O SALÃO DE 1912. - Na seção de escultura mais uma vez se destacou o artista patrício Corrêa Lima. O grupo em gesso Juventude constitui mais um forte atestado de seu merecimento e de sua segurança. Poucos, bem poucos têm a verdade do modelado, expressão das fisionomias e a graça da composição como este escultor nosso que sabe imprimir muita arte à execução de seus trabalhos. Sente-se vida nas figuras, a musculatura parece vibrar: o conjunto, de agradável pose, torna o trabalho merecedor do bronze definitivo para destaque e beleza de um dos nossos logradouros. E mil vezes um trabalho destes, de reconhecido valor, feito com alma, com carinho e consciência, a adornar a cidade entre tufos de verdura, beirando um lago, do que as importações marmoreamente tristes que em muitos pontos infelicitam os nossos jardins.

Para Corrêa Lima estas referências são desnecessárias, a consciência segura de artista perfeito faz com que a sua posição no nosso mundo de arte seja sempre de franco destaque, pela pujança do seu talento e pela maestria de sua execução.

Petrus Verdié é também um escultor. Apresenta cinco trabalhos, por onde não se pode bem aferir a proficiência do artista. Femme au châle, trabalhado em madeira e marfim, tem algo de escultura, embora um tanto inexpressivo; é mais um trabalho de paciência. Os outros trabalhos atestam que sabe compor com precisão, que não são segredos para o desbastador os movimentos como o do Etude de chat e o do Etude de mouvement. O retrato em pé do Sr. Oscar Lopes tem algo de semelhança e a execução é muito bem feita. Falta-nos ver e apreciar o artista em trabalho de largo fôlego, onde possa aliar à execução, que é sempre boa, a ideia ou a imaginação, para que o aplauso seja completo.

Prosseguiremos.

Bueno Amador.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 set. 1912, p.5.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 2 set. 1912, p.5.

O SALÃO DE 1912. - Com a solenidade do costume, realizou-se ontem a inauguração oficial da décima exposição geral de belas artes no palácio da Avenida Rio Branco.

Ao ato assistiram o Sr. Presidente da Republica, casa civil e militar, Ministros do estado, Senadores, deputados, magistrados, jornalistas, artistas e cavalheiros da mais fina sociedade.

A impressão geral da exposição foi, como ontem dissemos agradável e a sala vasta apresenta um aspecto convidativo com muitas probabilidades de êxito.

A exposição estará aberta todos os dias, das 10 horas da manhã às 4 da tarde e dos trabalhos expostos daremos, pouco a pouco, a resenha despretensiosa, mas franca com que há um bom par de anos enfastiamos os leitores do Jornal do Brasil.

Bueno Amador.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 2 set. 1912, p.5.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 2 set. 1913, p.7.

O Salão de 1913 - Com toda a solenidade inaugurou-se ontem a vigésima exposição geral de Belas Artes pelo Presidente da República, que foi recebido à entrada da Escola pela Diretoria e pelos membros da comissão organizadora, que o acompanharam durante a visita, que durou curtos instantes, retitando-se com as formalidades do estilo, não sem declarar que muito estimaria tornar público aos artistas "a satisfação de que se acha possuído pelo progresso artístico notado de ano para ano, mormente no atual Salão.

A concorrência foi enorme, havendo momentos em que se tornava quase impossível ver as telas, as esculturas e os demais trabalhos, tal o número de pessoas que assistiram à solenidade inaugural.

A impressão geral foi agradável, achando-se bem representadas todas as seções de artes plásticas.

O júri de admissão foi relativamente benévolo e assim vemos ao lado de trabalhos bons, alguma coisa fraca, felizmente em menor quantidade do que nos salões anteriores.

Dos trabalhos expostos diremos oportunamente, depois de demoradas e repetidas visitas ao salão, pois manda o critério seguro que não se emita uma opinião antes de aturado e acurado estudo.

Assim, diremos paulatinamente das obras expostas, longe das pretensões severas dos aristarcos e dos zoilos, mas com a promessa segura dos que apresentam unicamente o desejo de acertar, sem outro intuito além do de procurar orientar devidamente os que têm real merecimento.

Certo muitas das nossas despretensiosas observações não agradarão aos que as motivarem por seus trabalhos mas a estes restará o consolo da afirmação de que "opinião é uma coisa que poucos têm e todos dão."

Não terminaremos estas linhas, antes de entrarmos nas apreciações e descrições dos trabalhos expostos, sem a referência ao elemento feminino, que soube apresentar-se garrido e numeroso na festa de ontem animando-a com a sua alegria e o seu concurso estético e indispensável em todas as conciões [sic] da arte.

Bueno Amador.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 2 set. 1913, p.7.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 20 set. 1912, p.5.

O Salão de 1912 - Na seção de gravura de Medalhas, com sempre figura em primeiro plano, o professor Sr. Augusto Girardet. Os seus trabalhos executados sempre com arte e gosto, aliados a uma técnica perfeita, são verdadeiros primores no gênero. As gravuras em pedra e em metal são de perfeição admirável e os baixos relevos dão sempre um cunho artístico de tal ordem que nunca se admira sem aplauso espontâneo e sincero. É um mestre em toda a extensão do termo. O Sr. Adalberto Mattos apresenta também bons trabalhos, mostrando assim o aproveitamento consciente do prêmio de viagem. As composições têm cunho artístico e os estudos de cabeça embora não primem pela semelhança e muitas vezes pelo desenho, são apreciáveis. D. Nicolina Vaz Pinto do Couto apresenta dois trabalhos, sendo o melhor o gesso patinado representando o Barão do Rio Branco, muito expressivo.

Em pintura o Sr. João Timotheo da Costa apresenta uma tela, Trabalhando, bem tocada como estudo de impressão. Arthur Timotheo figura com o quadro Idílio já conhecido e apreciado na exposição que realizou a voltar da Europa.

Do Sr. Augusto Petit há a destacar o retrato do Sr. Delpech que é o melhor dos seus três trabalhos expostos, caracterizado pela semelhança fisionômica do modelado. De Carlos de Leroi [sic] o melhor trabalho de efeito é A carioca (sic) belo estudo da crioula, com bons efeitos de contrastes de luz. O beijo materno é um quadro bem colorido mas inexpressivo e frio, sem um ponto impressionante como composição. [...] perfil é do quadro Descanso do tropeiro, onde a sua palheta também se esmerou com efeitos e tonalidades agradáveis.

Fiuza Guimarães, ou por abandono ou por preguiça, deu-nos uma Salomé mal cuidada. O estudo do nu tem algo de notável, mas a cabeça da mulher está sem expressão, descuidadamente tocado, bem como a cabeça do Baptista que nos parece desproporcionada.

O artista certamente não dedicou a essa tela o carinho habitual que se aprecia em seus trabalhos acabados, como o célebre estudo do nu exposto há anos quase na mesma pose do estudo atual e que foi considerado um primor de arte e de verdade.

Bueno Amador.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 20 set. 1912, p.5.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 22 set. 1912, p.5.

O SALÃO DE 1912 - Elizeu Visconti apresenta na exposição cinco trabalhos. Um deles, o retrato de Gonzaga Duque, já figurou em outra exposição e para esse primoroso trabalho, um dos mais completos no gênero, estão esgotados os adjetivos elogiosos. É uma preciosidade artística incontestavelmente. Meio-dia é um esplendido efeito de luz que o pintor obteve com maestria notável e Primavera, constitui um dos mais admirados estudos do nu, atestado seguro do valor do artista, que altamente já está na falange dos bons, como pincel e como interpretação.

De Lucilio de Albuquerque temos a apreciar o Despertar de Ícaro, a que já nos referimos quando o artista apresentou em público os seus trabalhos, ao voltar da Europa. Coquetterie é outro trabalho gracioso e leve, onde o pintor apresentou a sua técnica reveladamente segura; os demais trabalhos que exibe casam-se bem como feitura e somente há um pequeno reparo quanto a tela Mãe Preta.

Aí o assunto prestava-se para uma composição vigorosa, mas o artista alcançaria o seu fim se não apresentasse um ambiente fraco.

Os modelos de que se utilizou e a disposição do trabalho não traduzem a beleza que o assunto poderia inspirar se fosse tratado com mais vigor. Lucilio de Albuquerque verá nestas linhas a franqueza aberta de quem deseja sempre o ver na vanguarda a produzir otimamente, pois que de anto ele é capaz.

Bueno Amador.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 22 set. 1912, p.5.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 22 set. 1913, p.4.

O Salão de 1913 - A Hora Humorística - A comissão organizadora da vigésima exposição Geral de Belas Artes, composta dos Srs. E. Girardet, Heitor de Mello e Lucilio de Albuquerque, bom se houve na organização das horas artísticas às segundas-feiras na exposição, como o demonstram a "hora literária" de que participaram os Srs. Luiz Edmundo, Bastos Tigre e Goulart de Andrade e a "hora musical" em que se apresentaram o maestro Sr. Araujo Vianna e as Sras. Verney Campello e os Srs. Cardoso de Menezes e Pedro Bruno.
Hoje, teremos a "hora humorística", às 4 horas da tarde e dela participarão os artistas Srs. J. Carlos, da redação da "Careta", Calixto Cordeiro, da "Gazeta de Notícias" e do "Fon Fon" e o nosso companheiro Raul Pederneiras do "Jornal do Brasil" e da "Revista da Semana".

Os três artistas do lápis certamente forão [sic] improvisos e surpresas que muito hão de alegrar os frequentadores da exposição geral, pelo imprevisto das "charges" e pelos hilariantes comentários que surgem sempre dos instantâneos das caricaturas.

Bueno Amador.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 22 set. 1913, p.4.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23 set. 1913, p.7.

O Salão de 1913 - A hora humorística. - Seguindo a série artística que tem imprimido às segundas-feiras uma hora deliciosa na exposição geral de belas artes depois da "hora literária" e da "hora musical" que tanto êxito alcançaram, tivemos ontem a "hora humorística", que atraiu enorme concorrência à "terrasse" da Escola de Belas Artes, onde predominava a elegante nota feminina.

Às quatro horas da tarde já era quase impossível o movimento, tal o número de assistentes em torno às mesas de "bar", de pé, junto à amurada e aglomerados no extremo, junto à porta da entrada.

À hora marcada subiram ao estrado os caricaturistas Srs. J. Carlos, Calixto Cordeiro e os nossos companheiros Luiz Peixoto e Raul Pederneiras.

Este fez a apresentação geral dos humoristas do lápis, dizendo de se ser "o que há que nunca houve", por ser surdo... Feita a apresentação começaram alternadamente os quatro caricaturistas a fazer uma série hilariante de "charges" pessoais, "blagues" de caricaturas, trocadilhos ilustrados, dificuldades de desenho, que provocaram calorosos aplausos da assistência, sendo muitos os trabalhos instantâneos ali feitos, solicitados por várias pessoas que os guardaram como recordação da interessante festa.

Às cinco horas os quatro caricaturistas, depois de se caricaturarem respectivamente, encerraram a sessão com uma caricatura macabra executada por todos eles ao mesmo tempo, o que motivou mais uma série de palmas, retirando-se todos otimamente impressionados por esse bom momento de riso, álacre, insoante [sic] e jovial.

Os Srs. J. Carlos, Calixto, Luiz e Raul foram muito cumprimentados e marcaram assim mais uma vitória no acervo de seus repentismos do lápis.

Bueno Amador.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23 set. 1913, p.7.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 29 set. 1908, p.4.

ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES - O SALÃO DE 1908 - Coube o prêmio de viagem ao jovem aluno Moreira Junior conforme deliberou o Júri. Alvim Menge obteve medalha de prata. Fernandes Machado medalha de ouro.

Não sabemos ao certo dos outros prêmios conferidos.

A exposição tem sido regularmente visitada e estará aberta todos os dias das 10 da manhã às 3 da tarde.

O bronze de Rodolpho Bernardelli, retrato do Dr. Pereira Passos, é um primor de fatura, de execução e de semelhança; a figura tem vida bastante no metal ingrato e o busto morre artisticamente sobre relevos alegóricos, cheios de movimento. É mais um belo trabalho do professor Bernardelli.

"Daphnes", de seu discípulo J. R. Moreira Junior, é um gesso apreciável, com propriedades de observação, fatura tímida mas agradável, apenas indeciso no olhar da figura, mal tocado. É uma promessa que o prêmio de viagem revelará depois.

Na seção de escultura há também dois bronzes de G. Renda, escultor italiano, "A dança", de infinita graça e caprichosos contornos, executados como maestria completa.

Bueno Amador

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 29 set. 1908, p.4.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 30 set. 1913, p.7.

O Salão de 1913 - A HORA TEATRAL - A comissão organizadora da vigésima exposição geral de Belas Artes, composta dos professores Srs. E Sivardet [sic], Heitor de Mello e Lucilio de Albuquerque, em boa hora organizaram a série de sessões de arte às segundas-feiras, atraindo ao salão da Escola de Belas Artes a concorrência notável que se tem presenciado.

Iniciada a série com a "hora literária", de que participaram os poetas Srs. Luiz Edmundo, Goulart de Andrade e Bastos Tigre, surgiu de pronto o êxito, seguindo-se a "hora musical", de que participaram os Srs. Maestro Araujo Vianna, Cardoso de Menezes, Pedro Bruno e Eneas Werney Campello, e a "hora humorística", em que figuraram os Srs. Calixto Cordeiro, J. Carlos, Luiz Peixoto e Raul Pederneiras.

Ontem, tiveram as pessoas de bom gosto, que enchiam o salão da exposição, a dita de uma "hora teatral", em que figuraram os nossos principais artistas, como os Srs. Ferreira de Souza, João Barbosa e outros. Foi uma hora de muito agrado, em que foram recitados monólogos leves e poesias de mérito, aumentando-se assim o êxito da série de sessões de arte tão bem estabelecida pela comissão.

Para segunda-feira próxima, segundo nos consta, teremos "as quatro horas", ou antes, a sessão englobada em que se apresentarão todos os que contribuíram para o êxito completo dessas interessantes horas, originais e agradabilíssimas, fechando-se assim, com chave de ouro, uma das mais apreciáveis lembranças de arte do Salão de 1913.

Bueno Amador.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 30 set. 1913, p.7.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 4 set. 1911, p.4.

O SALÃO DE 1911. - A denominação clássica de salão parece-nos imprópria este ano, caberia melhor o título de salinha ou saleta, diante da exiguidade e do pequeno número de expositores de merecimento que ali se apresentam.

Sente-se uma desolação e um abandono por todo aquele ambiente silencioso e frio: imensas e altíssimas paredes mostram na barra uma fila modesta de telas, as esculturas quase desaparecem naquele recinto cheio de vazio; quando se entra, ao vencer o último degrau da escada, ao passar o terraço onde definham seis ou oito palmeiras encafuadas em latas e tinas carunchosas, parece que se vai penetrar em um sítio histórico, vetusto de coisas fanadas... Uma tristeza imensa em todo o casarão inacabado...

Por que cargas d'água os governos deste país não tomam a sério as coisas de arte? Se as autoridades cuidassem deveras da cultura moral e intelectual desta terra, certo não deixaria à matroca a exposição geral de belas artes, que é sempre organizada com grandes sacrifícios das comissões nomeadas que têm de armar o salão quase sempre à sua custa, pois de fonte oficial só há a imposição da abertura do certame sem mais nada...

Os artistas, ainda esperançados, procuram levar avante a empresa, sacrificando-se muitas vezes sem resultado algum. O elemento oficial comparece grave e solene, corre as salas (quando há mais de uma...) para rápido aqui, salta rápido para outro ponto e depois safa-se grave e solene como entrou, sem mais um movimento de iniciativa... E os trabalhos de arte lá ficam, à espera que um esporádico Mecenas amador dê o exemplo que as autoridades não deram.

O resultado entristecedor é o ablativo quase completo dos nossos artistas consagrados; não de vê quase um trabalho dos artistas de verdade, salvo o de um ou outro que se acha preso à vida diária da docência da escola. Apreciar se [sic] ali uma tela de Visconti, outra de João Baptista, uma escultura de Corrêa Lima, alguns quadros promissores dos novos, uma ou outra composição aceitável de amador, e está visto o salão.

É sensível a ausência da maioria dos nossos pintores: desânimo? indiferença? desilusão?... ninguém sabe. Melhor aspecto e mais efeito produziu a exposição do Centro Artístico Juventas recentemente organizada: se não apresentou obras-primas no gênero, deu belas provas de dedicação e trabalho animador; ali um dos novos, que é Galdino Bicho, apresentou-se melhor do que no salão.

Dos trabalhos expostos destacam-se logo as soberbas paisagens de João Baptista da Costa, que dia a dia mais se eleva no gênero dificílimo da paisagem brasileira, de cujo verde característico poucos, bem poucos, alcançaram o segredo. João Baptista apresenta mais uma vez um punhado de vitórias, dando primores vivos de nossa natureza privilegiada: não é somente a flagrante fidelidade aliada à verdade da cor e da graciosa perspectiva, o que caracteriza a maneira do apreciado pintor; seus trabalhos possuem todos um encanto poético um ambiente inspirador, a sublime tranquilidade das águas espelhentas emolduradas pela vegetação farta e pródiga; encantam e prendem, seduzem e enlevam essas preciosas telas do artista patrício; o seu estilo e o seu sentimento refletem-se nos trabalhos de seus discípulos, que no salão se apresentam com visíveis provas de aproveitamento e, - para que negar? - com palpáveis provas da colaboração de mestre, que em todas as telas dos seus alunos mostra passagens seguras do seu pincel a esconder com a sua maneira e o seu estilo os naturais defeitos dos que começam agora a aparecer. O mesmo acontece com um belo busto executado por uma discípula de Correia Lima; sentem-se à grande distância a mão e o estilo do mestre escultor, que certamente deu alma e vida a esse pedaço de bronze que da discípula tem apenas o nome gravado à margem... Com isso não queremos atirar os discípulos dos mestres ao demérito: pretendemos ants [sic] mostrar que para eles ainda muito falta e pequenas provas que apresentam não poderão servir de medida de adiantamento enquanto a mão vacilante for guiada ou substituída pela mão segura dos seus mestres. Na exposição há muitos trabalhos assim.

Continuaremos as nossas impressões que embora desautorizadas, não deixarão o cunho de sinceridade que as preside: estas e outras muitas verdades, que serão ditas, não poderão molestar, porque visam o benefício próprio dos que se iniciam sob a direção dos nossos melhores artistas.

Bueno Amador.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 4 set. 1911, p.4.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 4 set. 1912, p.5.

O SALÃO DE 1912. - Inegável é que o Salão apresenta um pouco mais de vigor do que nos anos anteriores. Sente-se ali que houve trabalho, tenacidade, entusiasmo até, pois há quadros que não representam as clássicas manchas e os ultra clássicos estudos que nunca deviam sair dos "ateliers"; trabalhos ali figuram indicando que houve porfia, pertinácia e principalmente o justo desejo de progredir, principalmente da parte dos novos.

Pena é que a imaginação não apareça; os assuntos, afora a parte do naturalismo, são de trivial pobreza, que já está clássica em matéria de artes plásticas. O recurso é sempre a rotineira monotonia da repetição de casos históricos ou mitológicos, já soterrados pela frequência como as Salomés e quejandos assuntos a que a falta de imaginação ou a preguiça conceptiva dos artistas recorre nos momentos de pressa, somente pelo desejo de produzir alguma coisa, seja o que for. Há também na atual exposição a parte não desconhecida, quadros já vistos e revistos em várias exposições parciais; essas telas, na maioria apreciáveis e dignas de referencias incondicionalmente elogiosas, não deveriam figurar em uma exposição de trabalhos novos. Como se explica o Salão de 1912 com quadros e esculturas já expostas em 1903, por exemplo?

Sente-se nisso o desejo da comissão e de alguns artistas de encher os vazios do salão e encher bem, porque se tais quadros são já conhecidos dos entendedores, a maioria do público poderá apreciá-los agora e fazer melhor juízo de muitos dos autores que fora desses trabalhos anteriores, não expõem coisa nova que se veja.

Dos novos falaremos com vagar e com mais ponderação, pois tratamos com os coroados de amanhã. Sente-se que muitos deles estão prejudicados pela pretendida crítica elogiosa e barateadora que os leva logo a culminância da perfeição de modo a encher de vento muitos e muitos que já se julgam senhores da palheta e do escopro, quando, entretanto, ainda têm de voltar ao desenho, ao desenho primeiro ao a b c da arte plástica, que é o mais característico sinal de probidade do artista consciencioso, segundo a frase célebre de Ingrés [sic]. Há entre os novos algumas revelações seguras que, certo, com o estudo frequente, alcançarão o fim desejado, e podemos citar entre eles, sem receio de contestação, J. Bordon, com as suas paisagens muito sentidas e vividas; Navarro da Costa, que se especializa com segurança no gênero ingrato da marinha; J. Bruno [sic], com seu estilo já caracterizado na originalidade das composições; Sylvia Meyer, que tem dado provas de estudo consciencioso e seguro; Fanzeres, com algumas revelações luminosas da sua palheta original; Caplonch, um tanto audaz mas persistente e bem intencionado dando com felicidade a segurança dos tons e Arnaldo de Carvalho, sóbrio e seguro, mostrando as vitórias que alcança à custa do talento e de dedicação.

Analisaremos em resenhas simples os trabalhos atualmente expostos, certos de que as nossas referências mais ditadas pela observação de longo tempo do que pela competência, serão lidas antes como notas de exposição ou de descrição com o impressionismo pessoal sem pretensões.

Bueno Amador.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 4 set. 1912, p.5.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 7 set. 1911, p.7.

O Salão de 1911 - Continuando as nossas impressões sobre a exposição geral de Belas Artes, destacaremos hoje Elyseo Visconti, inegavelmente um batalhador, senhor absoluto do desenho e da cor. O seu estilo caracterizado pela segurança das composições é sempre humano, profundamente humano e sentido, como se poderá apreciar nessa tela soberba de verdade e de expressão, onde a figura de uma mulher amamentando o filho, vibra e palpita com muita verdade e muito sentimento. O retrato do rapaz impressiona pelo vivo característico da expressão, a figura parece viver na tela como, a um entendido ouvimos dizer, com muita propriedade, que pouco faltava para que essa figura saltasse do quadro, a palpitar. Bastam estes dois trabalhos para dizer algo de Visconti e algo de justo; é um artista na santidade da expressão.

Dos pensionistas aparece Moreira Junior com melhores provas de escultura, demonstrando que tem trabalhado sinceramente e tem obtido a justa compensação moral de seu esforço honestos. De seus trabalhos destaca-se Leandro e Hero, composição de algum fôlego, mal colocada no salão, em plano muito baixo, de forma a fazer perder grande parte dos efeitos. É um bom trabalho e indica que podemos contar com um escultor a mais na lista dos poucos que realmente possuímos.

Citemos ainda Valle de Souza Pinto, o Valle magistral dos retratos a pena e a crayon, que há longos anos tem a consagração de mestre nesse gênero; pena é que ao lado desses trabalhos de real merecimento e de execução toda sua, apresente uns trabalhos a óleo um tanto amaneirados e lisos, a guisa das plantas topográficas.

Insley Pacheco é um velho-moço e poucas vezes temos visto tantas energias em progresso; aí estão as suas goaches admiradas e admiráveis admirando o salão com certo cunho original e impressionante.

Continuaremos.

Bueno Amador.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 7 set. 1911, p.7.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 9 set. 1913, p.6.

O SALÃO DE 1913 - A HORA LITERÁRIA. - A comissão organizadora da atual exposição geral de belas artes apresentou ontem uma hora de sessão original e nova, que pretende repetir todas as segundas-feiras, dando a cada uma delas um aspecto [...] por das manifestações de arte.

A "hora" de ontem foi a literária e teve êxito completo, atraindo à "terrasse" do edifício o escol da nossa sociedade, dando destaque ao elemento feminino que se apresentou numeroso e garrido.

No elegante "bar" e em todas as dependências da "terrasse" havia assistência e os três iniciadores dessas festas semanais da exposição foram brilhantemente recebidos.
O Sr. Bastos Tigre discorria com muita propriedade sobre as artes em suas diferentes manifestações e ali irmanadas pelo espírito de solidariedade, entre [...] palestra com seus versos humorísticos e fechando a sua bela prosa com a citação vibrante dos belos versos de Raymundo Corrêa "A um artista".

Seguiu-se o Sr. Goulart de Andrade, que recitou o "Canto Real" de sua lavra e trechos do poema "Cinzas".

Por último o Sr. Luiz Edmundo recitou as produções suas: "Versos a uma árvore", "Sonetos do Amor e [...]"; sendo todos os artistas calorosamente aplaudidos.

Na próxima segunda-feira teremos [...] que se [...] musical.

Essas festas semanais certamente muito vão contribuir para elevar mais o movimento inteligente cercando a exposição geral de belas artes de um ambiente de espírito de elegância e de sabor fino, aliando as manifestações todas em torno das artes irmãs.

Parecerá impróprio falarmos de tal assunto nesta sessão destinada à apreciação das artes plásticas, mas seria impossível deixar de citar [...] que, por sua importância [...]

Bueno Amador.

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Imagem

A interessante festa de arte, ontem, na "terrasse" da Escola Nacional de Belas-Artes. A assistência ouvindo versos do Dr. Goulart de Andrade.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 9 set. 1913, p.6.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. O Salão de 1909. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 6 set. 1909, p.3.

Pedro Weingartner, ex-professor da Escola Nacional de Belas-Artes, apresenta este ano três telas, confirmando mais uma vez os seus dotes artísticos aliados a uma tenacidade exemplar. Quarta-feira de Cinzas é uma cena de agonia carnavalesca em uma cidade italiana. Na frieza dos bruxuleios da madrugada foliões retardatários cercam um tabuleiro ao ar livre, para uma refeição frugal. O grupo principal deste quadro está bem jogado, notando-se contrastes de luz muito fiéis. Nas Termas é um assunto romano, que o pintor rio-grandense muito cultiva; é um belo quadro, muito animado, muito vivo chegando o esmero até à minúcia, que é um dos característicos do pincel de Weingartner. Saindo dos moldes dos pequenos quadros, quase miniaturas, o artista expõe um tríptico de regular tamanho, com o título Miséria social. Em conjunto, abstração feita da pose constante em todos os motivos, é um trabalho simpático, seguro de tons, com todos os pontos bem tratados. O assunto que à primeira vista não se explica, parece-nos apostrofar a prática misteriosa das megeras da Europa, as viragos que a gíria francesa denomina faiseuses d'anges, conforme parece indicar a terceira tela. Quanto à composição, é perfeita e bem acabada, sentindo-se um ambiente bem tratado, principalmente no painel do centro, que é limpo demais para um interior de miséria d'alma. É um dos melhores expositores deste ano.

Elyseu d'Angelo Visconti, professor de pintura da Escola, dá-nos uma mancha do Luxemburgo, muito iluminada, um aspecto do Chalet Murtinho e um quadro de estilo Minha família, de composição exótica, mostrando a segura técnica dos tons e a segurança do colorido, predicados triviais no seu temperamento de artista. Este último trabalho é de uma feição própria, que indica um caráter pessoal do pincel e torna o artista vencedor na conquista dos efeitos e das tonalidades.

Benno Treidler é o aquarelista de pulso vigoroso que todos apreciamos. As quatro paisagens que apresenta são feitas com a maestria de sempre, em toques largos e seguros, reveladores do talento do seu autor.

Presciliano Silva, o pintor baiano que muitos aplausos colheu em uma exposição recentemente organizada, apresenta no salão sete trabalhos escolhidos dentre os que figuraram na sua exposição. O retrato do pintor Olavo Baptista é, para nós, o seu melhor trabalho; naturalidade em pintura como poucas vezes temos visto e sentido entre os novos. O Bebedor de cidra é um outro trabalho digno de referência pelas qualidades de composição, notáveis: Interior bretão, Lago do Parc Monceau, Lição de tricô e Paisagem são apreciáveis impressões que mostram o grande proveito do artista no tirocínio de estudos na Europa.

Carlos Oswald, que tem a imperdoável mania de por em seus quadros títulos franceses, expõe três trabalhos bons. Destaca-se logo a Reveuse, que é uma original cabeça de mulher, com singeleza nas […]

[...] Barbasan, continuará por certo a orientar-se melhor, de forma a dar melhores provas de [...], pois não lhe faltam qualidades para isso.

Continuaremos.

Bueno Amador.

A Exposição está aberta todos os dias, das 10 da manhã às 3 da tarde, na Escola Nacional de Belas Artes, na Avenida Central.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. O Salão de 1909. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 6 set. 1909, p.3.

AMADOR, Bueno. O SALÃO DE 1904 (IMPRESSÕES RÁPIDAS). A Noticia, Rio de Janeiro, 7-8 set. 1904, p. 2.

Salão, é um modo de dizer. O nome não diz com a coisa. Os pequenos corredores de barbearia usam do mesmo título pomposo e nobre. Digamos salão. Acompanhamos assim a onda do exagero. Passemos para as tiras de almaço as nossas impressões que irão para a impressão como expressão sincera de um juízo escancarado e franco. Tão escancarado e franco como a oratória do Erico Coelho.

Saltemos pelo egoísmo feroz dos mestres consagrados. São uns sovinas confessos.

Poucos quadros, muitos estudos, muitíssimos retratos e quase nada de criação.

- Vejamos os neófitos, os insipientes.

Aí sim. Há muito que ver e comentar. Avulta o número de artistas de saias. Mal ensaiadas pelos mestres. O pincel feminino atira-se ao ramerrão da natureza morta e artes correlativas. Temos o clássico trecho do fundo do quintal e o honroso e serôdio vaso com flores mal-ajambradas. - Condescendência dos organizadores do salão. Recebem tudo que cai na rede da exposição como legítimo peixe artístico. Toda a hortulânia, toda a sociedade nacional de agricultura lá está, propagada por mãos femininas. Que saudades do Pedro Alexandrino e do Estevão Silva! - Vamos adiante. Helios Seelinger expõe uma dúzia de coisas engraçadas. Dez com a mesma cara e quase a mesma postura. Ou impostura de modelo metediço que não deixou o artista pintar outra coisa.

- Chambelland [Rodolpho Chambelland] dá-nos um saboroso pastel em retrato e Uma noite de espetáculo muito curiosa. A cena representa o final da Zazá, obrigado a foguetório e artifício cambiantes, no momento em que o fogueteiro, todo triques à beirinha, sopra convencido uma bicha de rabear...

- Esteves apresenta um pastelão narigudo como campônia mineira, - Evencio brilha com o seu teatrinho João Minhoca e Fiuza dá-nos uma fábrica de gelo sob o título de paisagem tirolesa - O Sr. França [José Monteiro da França] mostra na Cena domestica, que o seu pincel inda não está domesticado. - Raphael Frederico expõe um pimpolho a cavalo, com o título alto! Disparamos logo, sem apetite pelos cajus do autor. - A. Freitas com duas aquarelas muito bem lavadas deu-nos vontade de mandar-lhe a nossa roupa suja. - Lucilio com o seu pimpolho chupado, quase o enforca na tesoura do casebre, ao fundo. - J. Macedo expõe uma soberba Porangaba, não sabemos o que é isso de Porangaba, mas o quadro é bonitinho e bem feito; se os outros dele fossem assim... J. F. Machado pespega 17 telas. Destacamos como execução O Dr. Passos reprimindo a mendicidade. Destacamos como simbolismo Constelações, onde um perfil, tomando um banho de fumaça, fica a ver estrelas. - Não vimos a Ode Sáfica os [sic] Maluguti. Se for da mesma forma e medida do seu soneto da Rosa-Cruz... pode fazer outra. - Luiz Ribeiro, professor impressionista, deu-nos a Aléa das Mangueiras. Uma verdadeira mangação.

- O Sr. Thu-Ceu-Han, natural de Pequim, fez um negócio da China com o retrato do Dr. Seabra. Nem assim S. Ex. sai... parecido! - Virgilio Rodrigues enterrou-se na paisagem do Caju. Os mais continuam a prometer muito. Uma particularidade que não escapou à nossa observação: há cajus na exposição a dar com um pau! E pêssegos! - A escultura aparece com o Rodolpho [Rodolpho Bernardelli], o Correia Lima e Zani, somente. Girardet continua magistral na concorrência à Academia de Letras, fabricando medalhões. Os seus são maus apreciados. Henrique [Henrique Bernardelli], Baptista, Amoedo, Treidler e os mais não precisam comentários.

Talvez continuemos as notas impressionistas. Ça depend... Queremos ver primeiro a impressão destas notas cheias de franqueza e vazias de competência... - Bueno Amador.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

AMADOR, Bueno. O SALÃO DE 1904 (IMPRESSÕES RÁPIDAS). A Noticia, Rio de Janeiro, 7-8 set. 1904, p. 2.

Aman-Jean
Ambrosina Fonseca
Amelia Coutinho
Amelia Sabino de Oliveira
Amelie Pfam
America de Souza
Americo Frederico da Rocha
Americo Giusti
Americo Lopes
André Vento
Anesia de Souza
Angelina Agostini
Angelina de Figueiredo
Angelo Agostini
Angelo Bigi
Angelo Bruhns
Angelo Cantú
Angelo Prinzo
Angenor Cesar Barros
Anna da Cunha Vasco
Anna Fernandes da Costa
Anna Porto-Alegre
Annibal Martins Ferreira
Annibal Pinto de Mattos
Annita Sussekind de Mendonça
ANT
ANT. PINTURA - O "salon" de 1913 – Guttman Bicho – Pons Arnau. O Imparcial, Rio de Janeiro, 11 set. 1913, p.6.

Guttman Bicho (Galdino) é um novo dos últimos aparecidos, pois a sua revelação data apenas de um ano atrás, e, entre os da sua geração, certamente um dos melhores dotados.

Boêmio intransigente, desses boêmios excêntricos como os há na Europa, nos bairros-artistas das capitais, no "Quartier Latin", em "Montmartre", em "Montparnasse", formando uma espécie de casta pitoresca nos hábitos, no exterior bizarro, na linguagem e nas ideias, raça de demagogos formidáveis, apóstolos de filosofias e de estéticas truculentas, de doutrinas que eles anunciam entre duas fumaças fleumáticas do "bruyére". Paradoxalatras [sic] - como se diz por lá mesmo.

O certo é que esses rapins conseguem invariavelmente o seu fim: espantar e irritar. Que tem isso de mal? A sua vida aventureira, a sua generosidade magnífica, a sua altivez e o seu sentimento foram a assunto de excelentes versos e de ótima prosa, de boa música, até, assim que, ainda que para mais não servissem, já tinham imensamente contribuído para a arte. Mas a verdade e que em muitos deles o talento e ainda mais abundante do que os cabelos, as gravatas e as abas frondosas dos sombreiros: Willette, Delacroix, Manet, Millet, foram deles.

No Brasil, porém, eles se fazem cada vez mais raros: Guttman Bicho é um dos últimos e um dos que tem talento.

Acontece com ele um fenômeno raríssimo na sociedade dos rapins: é um trabalhador. Prova-o a sua bagagem artística que se avoluma prodigiosamente cada ano, e, agora mesmo, no salon aberto, há três ou quatro telas espaçosas que ele assina, com o seu nome, e, sobretudo, com o seu estilo já bastante pessoal para se não expor a confusões.

Um desses quadros merece menção especial, o maior deles [Imagem]. Guttman Bicho gosta de espaço, se bem que pinta detalhadamente e não carregue nunca a sua tela, uma larga construção onde há apenas duas figuras, mas em tamanho natural – dois retratos evidentemente que parecem irmãs.

Tipos acentuados de carioca, de pele dourada, cabelos escuros e pesados, olhos verdes, talhe fragílimo, sentadas uma ao lado da outra em um sofá, junto de uma porta velada, na "pose" clássica de quem se faz retratar.

Sobre o tapete, no primeiro plano, um desastrado vaso de vidro cheio d'água onde sobrevivem penosas açucenas!

Há lá também um irritante bandolim, tão irritante como se estivesse a verrumar os ouvidos de quem o vê com desgosto.

Afora isso, e umas incorreções de desenho na figura que fica mais longe, um escorço de mão infelicíssimo, mas possível de conserto - o quadro é bom.

Bom claro-escuro, colorido sincero e agradável aos olhos, boa composição.

Sem contar que Guttman Bicho, como já se disse, é muito novo, concorre pela segunda vez apenas, ainda não foi estudar nos museus e nos bons "atelier" [sic] da outra banda do mar - o que afinal, hão de convir, é imprescindível.

O que se lhe pode pedir por enquanto, ele dá generosamente, e são as qualidades essenciais para fazer [...] dele um belo artista daqui a um par de anos.

Senão, deem-lhe o prêmio e verão.

-

O Sr. Pons Arnau, um espanhol: atravanca um bom pedaço de parede cm o seus ínvios Retratos.

Um deles, uma família inteira vítima da sua palheta, [...] o que se pode exigir de medíocre, de apagado, de inexpressivo e revela uma penúria de talento verdadeiramente lamentável.

O sr. Pons Arnau, juramos! aprendeu a pintar nas receitas que vem dentro das caixas de de […] da casa Bourgevis.

Em toda a extensão de tela rebocada e envernizada que esse cavalheiro regalou ao "salon", não há uma polegada que preste, nenhuma em que, por descuido, esse senhor pintor tivesse deixado escapar uma centelha de vida - apreendida em pinturas de algum mestre dos que a sua terra foi sempre tão fecunda!

ANT.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

ANT. PINTURA - O "salon" de 1913 – Guttman Bicho – Pons Arnau. O Imparcial, Rio de Janeiro, 11 set. 1913, p.6.

ANT. PINTURA O "Salon" de 1913 - A. Baptista da Costa - Arthur Timotheo - Rodolfo Chambelland. O Imparcial, Rio de Janeiro, 10 set. 1913, p.3.

Flaubert amava tanto e tanto o enterneciam certos lugares, certas paisagens, que comovidamente dizia: "quisera poder apertá-las contra o peito e cobrí-las de beijos e lágrimas".

A nossa paisagem, louvada com tão grande entusiasmo em período, estrofes e frases de procedências ilustres, tão largamente cantada como sendo o mais generoso gesto da natureza, não é, de certo, capaz de despertar sentimentos iguais àqueles que outros recantos deste mundo inspiravam ao melancólico autor da "Education Sentimentale"... As agigantadas linhas de "décor" que a compõem, e esse fantástico colorido realçado pelo sol do nosso eterno meio-dia, tudo o que há nela, enfim, de imprevisto, de insólito, de arrojado e que se grava para sempre na memória da retina ofuscada - tão indelevelmente se imprime nela que aí mesmo fica, e a sua impressão fortíssima não desce nunca ao fundo da alma e não comove.

À nossa paisagem faustuosa, eminentemente decorativa, maravilha dos olhos, falta melancolia, falta espiritualidade, alma.

Será, talvez, por isso, que Baptista da Costa anda a esquadrinhar pelas montanhas europeizadas de Petrópolis, um recanto velado de bruma e de melancolia que o espiritualize e que o torne, assim, digno do pincel animado pelo frêmito que corre os nervos do artista perpetuador das imagens e dos sentimentos. Será, talvez, por isso, que ele procura para a sua palheta, ora, o verde vário, de tons mais sutis e mais brandos, a desmaiar em reflexos na água tranquila que se esvai em fios longos entre duas colinas, roçando apenas uma ou outra rocha vestida da grama e do musgo que lhe amortecem as arestas; ora, um rebanho que coleia ao fundo de um vale coberto de erva úmida.

Assim, Baptista da Costa sente e anima de uma vida plácida, discreta, a paisagem que pinta e põe nela, no céu claro que a cobre, sobre a água mansa em que ela se debruça, nas franças [sic] a flutuar nas nuvens, sob os ramos e a sombra fresca, profunda como a água, que se derrama nos gramados das clareiras, debaixo das moitas densas, um doce e leve silêncio que é a alma daquelas telas verdes.

Arthur Timotheo e Rodolpho Chambelland combinaram para este "salon" duas telas de gênero que iriam bem em face uma da outra nas duas paredes opostas da mesma sala [Imagem 1 e Imagem2]. Parecem ter as mesmas dimensões e têm um mesmo tipo, uma fatura semelhante, um assunto comum: o Carnaval.

São o que se chama em Paris "des grandes machines", valentemente pintadas, solidamente construídas, levadas em um arranco brioso até ao fim.

De sorte que não se poderia escolher entre as duas, nem notar numa ou noutra um detalhe mais flagrante do vivo ou um processo mais feliz de técnica, um colorido mais bem achado, mais verdadeiro produzido pela luz artificial que ilumina os dois quadros.

ANT.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

ANT. PINTURA O "Salon" de 1913 - A. Baptista da Costa - Arthur Timotheo - Rodolfo Chambelland. O Imparcial, Rio de Janeiro, 10 set. 1913, p.3.

Antonietta Santos
Antonino Mattos
Antonio
Antonio Alice
Antonio Alves do Valle de Souza Pinto
Antonio Castanho
Antonio de Padua Dutra
Antonio de Souza Vianna
Antonio dos Santos Balouta
Antonio Esposito
Antonio Fernandez Gomez
Antonio Garcia Bento
Antonio Mattos
Antonio Noronha França
Antonio Parreiras
Antonio Piccinni
Antonio Pitanga
Antonio Raphael Pinto Bandeira
Antonio Rocco
Antonio Virzi
Antonio Zoppi
ANTONIO. Belas-Artes. A Noticia, Rio de Janeiro, 2-3 set. 1912, p.1.

Está inaugurada a exposição de Belas Artes.

Quatro ou cinco rapazes de talento disputam o sempre ambicionado prêmio de viagem. Quem se lembra ainda das coisas trágicas que desse prêmio resultaram o ano passado, calcula a melindrosa condição do júri que tem de concedê-lo este ano.
Como todos se lembram ainda, o laureado em 1911 foi aquele delicado e meigo Puga Garcia. Puga era noivo. Vitorioso, amado, laureado, aclamado, com a viagem à Europa subsidiada pelo governo, o moço artista ia casar e partir.

Oito dias antes do casamento, uma noite em que ele vinha de visitar a noiva, com a alma cheia de carinho e meiguice, respirando um ambiente todo de meiguice, carinho e ternura - nessa noite, no bonde, cai-lhe um jornal na mão e Puga Garcia lê que é acusado de um plágio. Aí se dizia que o seu quadro não era seu, que a sua vitoria não era sua.

Espírito fraco, delicado e meigo, desaparelhado para a luta, sentindo-se mortalmente ferido com essa suspeita brutal - Puga Garcia chega a casa e enforca-se.

Ao outro dia, lendo a acusação e lendo o suicídio, quase toda a gente acreditou no plágio. O suicídio equivalia por uma confissão.

Depois, visto o outro quadro, aquele de que se dizia tinha ele copiado o seu. Os jornais publicaram mesmo reproduções fotográficas de ambos. Não tinha havido plágio nenhum. Os dois artistas haviam pintado um pastor. Apenas, como os pastores são dados simbolicamente com uma flauta, ambos tinham a flauta. Tudo mais era diferente: a figura, o ambiente, a luz, tudo! Só de comum, a flauta. E como o pastor de Puga não era canhoto, tinha a flauta do mesmo lado. A figura do primeiro quadro era a de um sátiro; a de Puga é a de um adolescente formoso.

Os profissionais, os artistas, os críticos, os competentes afirmaram que não tinha havido plágio.

Não foi possível restituir a vida ao artista morto. Ao menos era justo que fosse reabilitada oficialmente a sua memória, pelo Júri que lhe havia concedido o prêmio.

Agora, temos outra exposição, outro Júri, outro prêmio de viagem, quatro ou cinco moços de talento, disputando... Que Deus ilumine a comissão julgadora! Que do seu veredicto não saia uma tragédia! - e si sair outra tragédia, que ao menos não seja desamparada oficialmente a memória de um artista! ... - Antonio.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ANTONIO. Belas-Artes. A Noticia, Rio de Janeiro, 2-3 set. 1912, p.1.

Apoio e realização

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Aracy Nazareth
Archimedes Dutra
Archimedes José da Silva
Argemiro Cunha
Arlindo Bastos
Armando Affonso de Azevedo Mendonça
Armando Braga
Armando Magalhães Corrêa
Armando Vianna
Armindo Francesconi
Arnaldo de Carvalho
ARTE - A "HORA MUSICAL". O Imparcial, Rio de Janeiro, 16 set. 1913, p.8.

Realizou-se, ontem, na Escola de Belas Artes, com uma concorrência toda chic, a interessante festa, a que, muito acertadamente, deram o nome de "Hora musical".

Efetivamente, o momento é o mais oportuno para se tratar desse assunto: no Municipal, com admirável elenco, uma companhia italiana revive as velhas óperas de Wagner, tão estimadas quão incompreensíveis; no mesmo teatro e com os mesmo elementos executam-se várias audições de um ópera brasileira, a Abul, com desmedido sucesso, e, por fim, a Galaor, de Araujo Vianna, de que já se conhece uma audição, vem acordar o nosso sentimento musical, fazendo-nos vibrar inteiramente.

A Escola de Belas Artes, onde já se exibiram, em palestras suaves e cheias de encantos, os poetas da nova geração Goulart de Andrade, Luiz Edmundo e Bastos Tigre, dá agasalho, agora, a um punhado de musicistas com que muito se deleita a elite carioca.

A "Hora musical", pois, como não podia deixar de ser, obteve um êxito muito grande.

A senhorita Marietta Verney Campello, na canção da Sibila da nova ópera de Araujo Vianna, Galaor, obteve merecida ovações. O mesmo aconteceu à senhorita Belia, sua irmã, que foi irrepreensível na canção de Moema, de Delgado e Carvalho e Wolte de Catalam.

O sr. Pedro Bruno, cantando uma parte da "I pagliacei", de Leoncavallo, andou sempre à altura do justo renome que conquistou.

No violino, o sr. A. Cardoso de Menezes executou, com muita proficiência vários trechos de musicas clássicas destacando-se Thais, de Massenet e Zamacucca, de Nicolino Milano.

Os acompanhamentos foram feitos pelo maestro Araujo Vianna, que se portou com a habitual correção.

A assistência coroou os intérpretes da "Hora musical" com calorosos aplausos.

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Imagens

Os artistas que tomaram parte na "Hora musical"

Um aspecto da assistência

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

ARTE - A "HORA MUSICAL". O Imparcial, Rio de Janeiro, 16 set. 1913, p.8.

ARTE contemporânea. A Noite, Rio de Janeiro, 13 nov. 1922, p.1.

Inaugurou-se oficialmente a exposição da Escola Nacional de Belas Artes

Inaugurou-se esta tarde, no edifício da Escola Nacional de Belas Artes, a exposição comemorativa do Centenário, que teve uma afluência tão grande como jamais se observou em exposições de arte no Rio de Janeiro. Devido a dedicação e atividade do professor Baptista da Costa, que estimulou grande número de expositores de todo país, insistindo pelo consumo de suas obras, a exposição de agora é em verdade um mostruário por onde se pode ter uma ideia de evolução de nossa pintura e escultura e uma noção segura dos nossos destinos artísticos.

Não vamos aqui, nesta simples notícia de inauguração, citar os nomes que mais se distinguem, ou os trabalhos que maior atenção provocaram da numerosa e fina assistência. Por enquanto nos contentamos em assinalar o êxito de inauguração e o muito que para tanto concorreu a atual direção da Escola de Belas Artes, e todos os seus professores.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

ARTE contemporânea. A Noite, Rio de Janeiro, 13 nov. 1922, p.1.

ARTE. O Imparcial, Rio de Janeiro, 15 set. 1913, p.6.

HORA MUSICAL - Mais uma festa encantadora se realiza hoje, às 4 horas, na "terrase" superior da Escola de Belas Artes, por iniciativa da comissão organizadora da XX Exposição Geral, que continua a atrair grande número de visitas.

A festa precedente intitulou-se "hora literária"; a de hoje receberá o nome de "hora musical", pois a poesia e a oratória, que tanto brilharam já, cedem o lugar à música, que vai ter hoje o seu culto naquele ambiente todo de arte e intelectualidade.

A "hora musical", que será, sem dúvida, a nota mundana mais interessante de hoje, tem o seu sucesso garantido, à vista do programa que vai ser observado.

Mlles. Marietta e Isabel de Verney Campello, as aplaudidas intérpretes da ópera Galaor, na audição efetuada no salão do Jornal do Commercio tomarão parte na festa, cantando trechos escolhidos dessa ópera, acompanhadas ao piano pelo próprio autor, o maestro Araujo Vianna.

Alberto Nepomuceno, o festejado autor do Abul e Henrique Oswaldo, tocarão ao piano produções inéditas. Bruno [Pedro Bruno], expositor no "Salon" atual, é também um barítono de voz segura e educada: cantará a "Ave Maria", do maestro Araujo Vianna.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

ARTE. O Imparcial, Rio de Janeiro, 15 set. 1913, p.6.

ARTE. O Imparcial, Rio de Janeiro, 22 set. 1913, p.8.

HORA HUMORÍSTICA – Realiza-se hoje, às 4 horas da tarde, na Escola Nacional de Belas Artes, a terceira festa da série que, por uma feliz iniciativa da comissão organizadora da atual exposição, se tem efetuado as quintas-feiras com grande sucesso.

A reunião de hoje intitula-se "hora humorística". Alguns de nossos mais distintos caricaturistas tomarão parte no desempenho do programa. Daí se conclui que a "hora humorística" vai divertir imensamente a todos os que tiverem o bom gosto de comparecer a essa reunião de arte e elegância.

Acrescente-se ao prazer que resultará da interessante festa o que sentimos ao visitar a Escola e ao apreciar novamente os belos quadros de nossos artistas.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

ARTE. O Imparcial, Rio de Janeiro, 22 set. 1913, p.8.

ARTE. O Imparcial, Rio de Janeiro, 31 ago. 1913, p.7.

Será inaugurado hoje a XX Exposição Geral de Belas Artes.

A "vernissage", que teve lugar ontem, constituiu uma encantadora festa de arte, festa inteiramente íntima na qual tomaram parte alguns de nossos poetas novos, que declamaram poesias.

Durante o funcionamento da exposição haverá na Escola de Belas Artes, onde ela se acha, conferências, chás e concertos, que muito contribuirão para o êxito do atual certame de arte.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

ARTE. O Imparcial, Rio de Janeiro, 31 ago. 1913, p.7.

ARTE. O Imparcial, Rio de Janeiro, 8 set. 1913, p.8.

A exemplo do que se faz em Paris, por ocasião do "salons" anuais de belas artes, os nossos artistas resolveram iniciar hoje a "hora literária", durante a atual exposição.

A primeira "hora literária" realiza-se hoje, às 4 horas da tarde, e vai, certamente, concorrer para que haja grande animação na "terrasse" da Escola de Belas Artes.

Os apreciados poetas Goulart de Andrade, Bastos Tigre e Luiz Edmundo dirão poesias de sua lavra, cada um durante um quarto de hora.

Duplamente proveitosa será, pois, a visita que hoje façam a exposição de belas artes as pessoas de bom gosto, e que desejam passar alguns momentos agradáveis. Não só poderão apreciar os trabalhos apresentados pelos nossos esforçados e futurosos artistas, mas também terão ensejo de ouvir belas poesias, que serão recitadas durante a "hora literária".

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

ARTE. O Imparcial, Rio de Janeiro, 8 set. 1913, p.8.

ARTE. O Imparcial, Rio de Janeiro, 9 set. 1913, p.6.

"HORA LITERÁRIA" - Foi um sucesso, um grande sucesso, a primeira "Hora Literária", ontem realizada na "terrasse" superior da Escola Nacional de Belas Artes, por iniciativa da comissão organizadora da atual exposição geral.

Para a "Hora Literária", de ontem, estavam inscritos os apreciados poetas Luiz Edmundo, Goulart de Andrade e Bastos Tigre.

O primeiro, que é o autor dos lindos versos da "Turris eburnea", disse, entre outras produções de sua pujante fantasia, o soneto "Veneza", que damos a seguir:

Veneza. Nos canais que a luz do luar prateia,

Vão as gondolas como os cisnes, a boiar;

E a voz de serenata, é nos cantos de sereia

A subir, a subir, da quietude do mar.

Na gondola de prata a rainha passeia

Toda de branco, como uma camélia ao luar...

É enquanto esplende a luz calma da lua cheia,

Fica a gente a sorrir, fica a gente a sonhar...

Ah! Veneza do Amor! Como eu já te sonhava

Como uma virgem loira, a cabeleira lava,

Irmã casta da lua e noiva alva do mar...

E tu, sonhas, enquanto a voz da serenata

Sobe e a rainha vai na gondola de prata,

Toda de branco, como uma camélia ao luar...

Goulart de Andrade, o autor dos "inconfidentes", que acaba de se revelar um prosador vigoroso e profundo com a "Assunção", decla [...]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

ARTE. O Imparcial, Rio de Janeiro, 9 set. 1913, p.6.

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 11 ago. 1921, p.5.

XXVIII EXPOSIÇÃO DE BELAS-ARTES.

Organizado o salão de Belas Artes, do corrente ano, a comissão diretora composta dos Srs. Raul Pederneiras, Morales de los Rios e Rodolpho Chambelland, abre-o hoje, às 11 horas para o vernissage, que, como se sabe, é uma festa de preparo para onde acorrem os artistas e os intelectuais

A inauguração da exposição será amanhã, com a presença do Sr. presidente da República.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 11 ago. 1921, p.5.

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 12 ago. 1918, p.5.

Vernissage.

Foi ontem o vernissage da XXV exposição geral de belas artes, onde, segundo o programa oficial, se acham expostos trabalhos de pintura, escultura, gravura, arquitetura e artes aplicadas.

O edifício da Escola Nacional de Belas Artes, duas horas esteve franqueado aos convidados especiais, pois, como se sabe, o vernissage é uma abertura de exposição de caráter mais íntimo, destinado quase que exclusivamente aos artistas e aos seus convidados, onde se trocam ideias, se retocam telas, se corrigem erros de coloração, perspectivas de luz, etc.

Muitas pessoas, entre elas algumas famílias, compareceram ao vernissage, recebidas todas com grande amabilidade pela comissão e o juri, de onde ousamos destacar a figura extremamente cativante do professor Amoedo.

Era notável a escassez de obras apresentadas este ano, o que muitos explicavam com o grande número de trabalhos recusados por insuficientes ou inferiores.

Pode-se dizer assim, que o salon nacional este ano é um pouco menor que o dos anos anteriores, mas, que, em compensação, os trabalhos expostos representam já uma seleção magnífica e, por isso mesmo, da melhor impressão.

Na festa dos pintores, ontem tão agradavelmente realizada na Escola de Belas Artes, um ilustre artista brasileiro, que estudou na Europa e lá viveu longos anos, lembrou que hoje, dia da inauguração oficial da exposição, S. Ex. O Sr. Presidente da República visitará o salon, como é de praxe; e lembrou que, no Brasil, os clubes do Estado não tem o hábito dos governantes da Europa, hábito que constitui uma praxe sempre mantida, de adquirir alguns trabalhos nas exposições oficiais.

De fato, ao que nos recordamos, desde a proclamação da República, apenas o presidente Campos Salles adquiriu um trabalho de artista nacional, de sua bolsa particular.

É certo que alguns presidentes da República tem aceitado a proposta de venda de quadros para as repartições públicas, mas isso é sempre um negócio mais para os intermediários que para os próprios artistas.

O que fazem os chefes de Estado na Europa, por ocasião da abertura das exposições, é uma praxe salutar para a própria emulação entre os artistas, que esperam sempre ter a honra de ver a mais alta autoridade do país mandar colocar o seu cartão, como qualquer visitante, nas telas que lhe mereceram melhores encômios ou que os impressionaram mais.

Entre nós, não se tem visto isso, e é para lastimar, porque, dentre as despesas de representação de um chefe de Estado, certamente que três ou quatro contos que ele pudesse destinar à aquisição de duas telas na exposição anual, teriam uma significação muito elevada, como exemplo e como incentivo aos cultores das belas artes.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Natalia Mano Goulart Saraiva

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 12 ago. 1918, p.5.

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 13 ago. 1920, p.4.

Com a presença dos Srs. Presidente da República e ministro da justiça, realizou-se ontem, às 15 horas , a inauguração oficial da XXVIII [sic] Exposição Geral de Belas Artes.

SS. EExs. percorreram as galerias onde se acham expostos os trabalhos deste ano, tendo o Dr. Epitácio Pessoa palavras de animação para os artistas nacionais, apreciando com interesse as telas expostas, o pequeno grupo de esculturas e gravuras.

O chefe da Nação retirou-se depois, tendo sido acompanhado durante a visita pela comissão diretora da exposição, professores Rodolpho Amoedo, Benno Treidler e Raul Pederneiras.

A exposição teve durante o dia todo a visita de muitas famílias e pessoas de alta distinção social.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 13 ago. 1920, p.4.

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 13 ago. 1921, p.4.

EXPOSIÇÃO GERAL.

Realizou-se ontem a inauguração da 28ª exposição geral de belas artes, no edifício da Escola Nacional de Belas Artes.

Às 13 horas, apenas com a presença da comissão diretora, diplomatas e professores, o Sr. presidente da República, acompanhado dos membros de suas casas civil e militar, visitou o certame.

O Sr. ministro da justiça, que preside os interesse desse ramo de administração não recebera convite.

O Dr. Epitacio Pessoa percorreu as salas da exposição, demonstrando interesse por alguns trabalhos, e, depois de ser tomada uma fotografia, retirou-se com sua comitiva.

No saguão tocou uma banda de música da polícia.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 13 ago. 1921, p.4.

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 14 ago. 1918, p.6.

XXV Exposição Geral.

Tem tido numerosa concorrência o salon de 1918, aberto diariamente das 10 às 5 horas da tarde, na Escola de Belas-artes.

Acham-se à venda, com o encarregado da exposição, as medalhas de ouro, prata e bronze, comemorativas do 1ª centenário do ensino oficial de belas artes no Brasil, trabalho executado pelo insigne artista professor A. Girardet.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Natalia Mano Goulart Saraiva

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 14 ago. 1918, p.6.

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 16 ago. 1921, p.6.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES.

Continua aberta, no edifício da Escola Nacional de Belas Artes, a exposição geral do corrente ano.

Devido ao estado de obras da escola, o salão encerrar-se-á no fim deste mês.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 16 ago. 1921, p.6.

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 22 ago. 1920, p.5.

ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES.

[...]

- Uma comissão de artistas nacionais fez chegar ás mãos do presidente do júri, reunido ontem, na Escola de Belas Artes, um ofício acompanhado de documentos relativos á nacionalidade de alguns concorrentes ao prêmio de viagem.

O júri resolveu não tomar conhecimento dessa representação, encaminhando-a, no entanto, para o conselho superior.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 22 ago. 1920, p.5.

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 23 ago. 1921, p.6.

A MEDALHA DE HONRA DO SALÃO DE BELAS-ARTES.

Realizou-se ontem, no edifício da Escola Nacional de Belas-Artes, a reunião dos expositores do atual Salão de Belas-Artes, para a eleição da "medalha de honra".

A esta reunião compareceram os seguintes expositores: Baptista da Costa, Rodolpho Amoedo, Lucilio de Albuquerque, Guttmann Bicho, Luiz Katenback, Augusto Bracet, A. Timotheo da Costa, Armando Magalhães Correia, Garcia Bento, Antonio Parreiras, J. Timotheo da Costa, Humberto Garcia [?], Gaspar Magalhães, Hellios Soelinger [sic], Francisco Manna, André Vento, Arthur Lucas, Luiz de Almeida Junior, Gastão Formenti, Francisco Andrade, Antonino de Mattos, Irene Ribeiro França, Augusto Girardet e Francisco Coculino [sic]. Essa reunião foi presidida pelo professor Raul Pederneiras, membro da comissão diretora da Exposição Geral de Belas-Artes, e secretariada pelo professor Lucilio de Albuquerque.

De acordo com o que determina o regimento da exposição geral, não foi concedida a nenhum artista a medalha de honra, pois que os candidatos mais votados - os artistas Antonio Parreiras e Elyseo Vinconti - não obtiveram dois terços de votos dos expositores presentes, nos três escrutínios realizados, ficando o prêmio dependendo da resolução que for tomada pelo Conselho Superior de Belas-Artes.

A atual exposição de belas-artes encerrar-se-á, impreterivelmente, no dia 12 do mês vindouro, tendo sido, até ontem, bastante visitada.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 23 ago. 1921, p.6.

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 24 ago. 1918, p.5.

XXV Exposição Geral de Belas Artes.

Na próxima segunda-feira, às 14 horas, haverá uma reunião de todos os expositores do corrente ano, afim de procederem a votação da medalha de honra - prêmio máximo das Exposições de Belas Artes.

Na terça-feira reúnem-se os júris de todas as seções, afim de procederem a distribuição dos prêmios aos expositores do corrente ano, sendo também julgado o "Prêmio de Viagem".

Hoje, sábado, a exposição estará aberta das 10 da manhã ás 5 horas da tarde.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Natalia Mano Goulart Saraiva

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 24 ago. 1918, p.5.

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 26 ago. 1918, p.5.

Exposição geral de belas artes.

Continua aberto ao público, com muita concorrência, o salon oficial de belas-artes.

Ontem foi visitado por mil pessoas aproximadamente.

Hoje, às 14 horas, terá lugar a votação de medalha de honra.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Natalia Mano Goulart Saraiva

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 26 ago. 1918, p.5.

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 27 ago. 1921, p.5.

O JÚRI DA EXPOSIÇÃO.

Sob a presidência do Dr. Alfredo Pinto, ministro do interior, realizou-se ontem, no edifício da Escola Nacional de Belas Artes, a reunião do conselho superior de belas artes, para o fim de tomar conhecimento dos pareceres dos júris das diversas seções do atual salão de belas artes.

Foram pelo mesmo conselho aprovadas as seguintes apreciações propostas pelos referidos júris: seção de pintura, prêmio de viagem, a Guttmann Biche [sic]; grande medalha de ouro, a Belmiro de Almeida; grande medalha de prata, a Angelo Cantú, Levindo Fanzeres [sic] e Jorge de Mendonça; pequena medalha de prata, a Marques Junior; medalha de bronze, Gastão Forment [sic], Irene França e Oswaldo Teixeira; menção honrosa de 1º grau, Manoel Constantino Ribeiro e Joaquim da Rocha Ferreira; menção honrosa de 2º grau; Adelia Saldanha Gino Bruno Francoso, Manoel Bas Domeneck, José Maria dos Reis Junior, Thomaz Reynaldo [sic] e Armando Vianna; prêmios em dinheiro, 1:000$ a Francisco Menna [sic] e Gaspar Magalhães; 600$ a Raul Deveza e Paula Fonseca; 250$, a Euclides Fonseca e Luiz Kattenback; prêmio Galeria Jorge (500$), e Almeida Junior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior]. Seção de escultura, menção honrosa de 2º grau, a Maria de Assis Mattos; prêmio em dinheiro (1:000$), a Antonino Mattos; 250$, a Paulo Mazuchelli. Seção de gravura: prêmio em dinheiro (500$), a Arlindo Bastos. Seção de arquitetura: pequena medalha de ouro, a Francisco dos Santos, e menção honrosa de 1º grau, a A. G. Maya [sic].

Findo o objeto para a qual foi convocada a reunião do conselho, o Sr. ministro despediu-se de todos os seus membros, pronunciando nessa ocasião um breve discurso. S. Ex. teve palavras de louvor para com o atual diretor da escola, professor João Baptista da Costa, pela sua sábia administração no mesmo estabelecimento. Disse o orador que, durante o tempo em que vem dirigindo a pasta da justiça, sempre tem procurado auxiliar o progresso artístico do país. Como brasileiro, continuaria a assim proceder. Despedia-se com saudade de todos os membros do conselho superior, onde sempre encontrou a maior boa vontade, na administração das belas artes. Em seguida usou da palavra o diretor da escola, que disse o seguinte:

"Permita V. Ex. que nesta sessão em que nos faz as suas despedidas para ir assumir o honroso cargo de ministro do Supremo Tribunal, que lhe apresente, em nome deste conselho, no da Escola Nacional de Belas Artes, e ainda em nome dos artistas brasileiros, com as nossas felicitações pela honrosa distinção que vem de receber do benemérito presidente da República o nosso grande e profundo reconhecimento pelos benefícios que em tão curto tempo na administração da pasta da justiça, prestou V. Ex. à esta escola e à arte brasileira em geral. As obras de melhoramentos e ampliação do atual edifício desta escola, e o carinho que V. Ex. sempre dispensou à arte brasileira e aos nossos artistas, por si só bastariam para ter V. Ex. como benemérito desta casa. Apresento, pois, a V. Ex. as minhas homenagens pelos grandes serviços prestados à arte brasileira e aos seus artistas."

Em seguida o Sr. ministro encerrou a sessão, abraçando a cada um dos membros presentes, que o acompanharam até a porta principal do edifício da escola.

A. S. Ex. foi oferecido um belíssimo "bouquet" de cravos.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 27 ago. 1921, p.5.

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 29 ago. 1920, p.6.

Exposição Geral de Belas Artes.

No edifício da Escola nacional de Belas Artes, reuniram-se os expositores do atual "salon", afim de procederem à votação para a medalha de honra. Em numero de vinte, mínimo exigido para a votação, o professor Raul Pederneiras, da comissão diretora, abriu a sessão, iniciando-se a votação que o seguinte resultado: professor Lucilio de Albuquerque, 15 votos; E. Visconti, quatro votos, e R. Bernardelli, um voto.

Encerrada a sessão, foi lavrada uma ata, assinada por todos os votantes.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 29 ago. 1920, p.6.

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 30 ago. 1921, p.5.

O SALÃO NACIONAL.

Continua a ser muito visitado o atual salão, instalado no edifício da Escola de Belas Artes, o qual se encerrará, impreterivelmente, no dia 12 de setembro próximo.

Comunica-nos a diretoria da Escola de Belas Artes, que dessa data em diante se conservará fechado o portão principal do edifício, sendo a entrada pelo portão da rua Porto Alegre, fronteiro à Biblioteca Nacional.

Devido às obras que se estão efetuando neste edifício, as galerias de pintura e escultura conservar-se-ão fechadas, não sendo permitido o ingresso às pessoas estranhas.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 30 ago. 1921, p.5.

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 4 set. 1921, p.4.

28ª EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES

Continua aberta, no edifício da Escola Nacional de Belas Artes, a exposição geral, que tem sido muito visitada, devendo a mesma encerrar-se no dia 12 do corrente, conforme resolveu a respectiva comissão diretora.

Hoje, por ser domingo, a entrada na exposição é grátis.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 4 set. 1921, p.4.

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 5 set. 1918, p.5.

Foram os seguintes os prêmios conferidos pelos júris da atual Exposição Geral de Belas Artes:

Medalha de honra (votação dos expositores do ano), professor escultor Correia Lima. Seção de pintura: grande medalha de ouro, Antonio Parreiras; grande medalha de prata, Augusto Bracet e Regina Veiga; pequena medalha de prata, E. Parreiras, Almeida Junior e Andre Bento [sic]; medalha de bronze, Raul Pederneiras, Argemiro Cunha e Raul Deveza; menção honrosa de primeiro grau, A. Garcia Bento; menção honrosa de segundo grau, M. Tullio, João Dutra e Clotilde Giradet; prêmio "Galeria Jorge", André Bento [sic]; prêmio de animação (1:000$), Augusto Bracet e Pedro Bruno; prêmio de animação (500$), Georgina de Albuquerque e Maria Pardos; prêmio de animação (250$), L. Christophe, J. Timotheo, A. Timotheo e H. Soellinger [sic]. Seção de escultura: prêmio de viagem, Modestino Canto, grande medalha de prata, Pinto do Couto; medalha de bronze, H. Leão Velloso; menção honrosa do primeiro grau, Celso Antonio; menção honrosa de segundo grau, Almir Pinto e Samuel Martins Ribeiro; prêmio de animação (500$), Francisco de Andrade; prêmio de animação (250$), Paulo Mazzuchelli. Seção de gravura: grande medalha de prata, L. Campos; pequena medalha de prata, Arlindo Bastos; menção honrosa de primeiro grau, Gomes Marinho; menção honrosa de segundo grau, Sergio Antunes e W. da Trindade; prêmio de animação (500$), J. Soubré. Seção de arquitetura: grande medalha de ouro: V. Dubugras; menção honrosa de segundo grau, Raul Cerqueira e prêmio de animação (500$), V. Dubugras.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Natalia Mano Goulart Saraiva

ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 5 set. 1918, p.5.

ARTES E ARTISTAS - Exposição de Belas Artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 2 set. 1910, p.6.

Inaugurou-se ontem a 17ª exposição geral de belas artes.

Ao meio dia, realizou-se a cerimônia oficial, com o comparecimento dos Srs. Presidente da República e ministro do interior, que foram recebidos à porta da Escola Nacional pelo ilustre pintor, Sr. Belmiro de Almeida, membro da comissão organizadora, e pelo diretor e professor da escola.

Outros convidados e inúmeros artistas achavam-se na ocasião presentes e os Drs. Nilo Peçanha e Esmeraldino Bandeira passaram a visitar os diversos salões da exposição, examinando os trabalhos, admirando alguns, atentos às explicações que, gentilmente, lhes prestava o Sr. Belmiro de Almeida.

O Sr. presidente da República e o Sr. ministro do interior retiraram-se depois de 1 hora da tarde, quando foi então a exposição franqueada ao público, notando-se até à tarde numerosa concorrência.

A exposição geral de 1910 é talvez a que apresenta maior número de trabalhos. O catálogo consigna 182, nas seções de pintura, gravura de medalhas, arquitetura, escultura, artes decorativas e objetos de arte.

Na seção de pintura, Rodolpho Amoedo representa-se por dois retratos, tendo sido muitíssimo admirado o do Sr. Alfredo Coutinho.

O professor Baptista da Costa, além das suas magníficas paisagens, entre as quais sobressai, entretanto Manhã, um maravilhoso quadro de Petrópolis, apresenta um excelente retrato do Sr. João Rego, oficial da Biblioteca Nacional.

Henrique Bernardelli também se representa com dois retratos.

Entre os novos, ocupa sem dúvida o primeiro lugar Presciliano Silva e faz-se admirar D. Regina Veiga, discípula de Rodolpho Amoedo, com os seus dois únicos quadros expostos.

Artistas estrangeiros concorrem, além de outros, Agustin [Agustin Salinas] e Pablo Salinas, ambos espanhóis, aquele domiciliado em Roma e este atualmente em S. Paulo. Ambos são artistas de real merecimento; evidentemente, porém, Pablo Salinas mostra-se mais senhor da sua arte.

São ainda expositores desta seção: D. Adelina Marques Saldanha [sic], Argemiro Cunha, Arnaldo de Carvalho, Agenor Cesar de Barros, Galdino Bicho, Xaldo Bocigni [sic], João Baptista Bordon, Modesto Brocos, José Braga [?], Pedro Bruno, Miguel Caplonde [sic], D. Carlota Gondolo Laboriau, Luiz Cristophe, Gaspar Coelho de Magalhães, Joaquim Soares Cunha, Gustavo Dall'Ara, Dario Villares Barbosa, Mlle. Milly Dernemont, Manoel Bas Domeneck, Carlos Gomes Fernandes, Francisco Ferraresi, José Monteiro da França, D. Gabriella Costa, D. Helena R. Meira, Insley Pacheco, Eugenio Latour, Francisco Manna, Mario Villares Barbosa, Annibal Pinto de Mattos, Germano Neves, Pedro Peres, Augusto Petit, D. Rachel Boher, D. Raymunda Delphina da Gama e Costa, Fabian de la Rosa, Alvaro Teixeira, Virgilio Mauricio e Elyseu Visconti.

A seção de gravuras de medalhas é representada pelo professor Augusto de Girardet e seu discípulo Adalberto Mattos.

Na de arquitetura, é único expositor João Ludovico Berna.

Na de escultura há sete trabalhos de Umberto Cavina, Magalhães Correia e Moreira Junior.

Na seção de artes decorativas, finalmente, exibem-se João Berna, D. Maria Rosalia Correia Lima e a Fundição Indígena.

O clou da exposição de 1910 é, entretanto, o salão consagrado ao ilustre e saudoso Daniel Berard. São nada menos de 65 trabalhos, todos primorosos, como os sabia fazer o grande mestre.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

ARTES E ARTISTAS - Exposição de Belas Artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 2 set. 1910, p.6.

ARTES E ARTISTAS. BELAS ARTES - O Salão de 1923. O Paiz, Rio de Janeiro, 30 ago. 1923, p.2.

Quando se lêem no catálogo da exposição oficial deste ano dizeres solenes, como estes:: "XXX Exposição Geral de Belas Artes - Pintura - Escultura - Gravura - Arquitetura - Litografia - Arte aplicada" - julga-se que se vai encontrar no belo edifício da Escola Nacional alguma coisa de elevado e de surpreendente.

Entra-se, porém, atravessa-se as galerias, olha-se de um lado e de outro, e o que se sente é que não se sente nada. Tem-se a impressão de que são os mesmos quadros incipientes, os mesmos efeitos, a mesma concepção pobre de todos os anos.

Como que a exposição é a mesma.

Entretanto, anda por ali, demora-se um pouco a ver, e vê-se finalmente que é apenas o conjunto que impressiona mal, porque, infelizmente, a maioria das telas, dos gessos, dos desenhos, dos cunhos vazados é de uma infinita falta de caráter.

Na verdade, descobre-se algo nuevo, como dizia o imortal ironista.

Tratemos, porém, ainda que: ligeiramente, dos mestres - para guardar, a hierarquia.

Dos mestres da pintura brasileira poucos restam, e ainda muito menos mandam à grande mostra anual os seus trabalhos.

Apenas Visconti, Parreiras [Antonio Parreiras], Baptista da Costa, Chambelland (Carlos) [Carlos Chambelland], Levino Fanzeres, Georgina e Lucilio de Albuquerque.

Será preciso dizer que uma paisagem de Baptista é fina, luminosa, de ambiente doce como as paisagens dos mestres escoceses? Não.

Citaremos apenas - Em plena natureza, onde suas qualidades de velho bucolista estão muito bem acentuadas.

Chambelland mandou As comungantes. Não é um interior de capela, como a esplêndida tela de Carlos Reis, mas criaturinhas que vão à comunhão.

Aí estão, na auréola espiritual que lhes envolve as cabecinhas, todo o sentimento religioso, a superstição ingênua e doce que o pincel não vinca em traços rudes de preocupação interior, mas que deixam adivinhar.

Visconti, artista amorável, dono de um poder de realização exuberante, autor de plafonds célebres, decorador insigne, exumando assuntos e tipos clássicos com que se firmou nas grandes obras públicas - Visconti, no lavor espontâneo, é simplesmente o afetivo. Tudo nele é surpreender a natureza nos seus momentos de maior beleza e trazer à tela, mostrando a sua preocupação primacial, a família.

Sempre Visconti, que adora a mulher e os filhos, os pinta e os mostra ao público, como a dizer que não precisa buscar modelos de linha nobre fora do seu ambiente.

A aquarela O chá (32 do cat.) é uma prova disto.

Levino Fanzeres é ainda e sempre o vigoroso fixador dos momentos de luz fugace nos montes e vales de sua terra.

Colocou no salão 12 quadros.

Valerá citar? Unicamente assinalaremos, pela espiritualidade de paz suave na paisagem, Terra virgem - Manhã de sol - Caminho da fazenda. São quadros tratados com absoluta honestidade, com perfeita técnica, com a consciência de quem não necessita ficelles de efeito para mostrar-se um pintor capaz de resistir ao tempo e aos costumes.

Georgina de Albuquerque, que estudou em Paris, que foi premiada quatro vezes nas exposições gerais do Rio de Janeiro, mandou ao salão três telas - Fim de passeio - Balcão florido - Na praia.

Conhece-se o modus da ilustre artista. A riqueza do seu colorido, a largueza de sua fatura, a felicidade com que compõe os seus trechos, a graça nova que dá ao arranjo geral daquilo que deseja expor - são-lhe predicados que ninguém ousa negar.

Outro velho mestre que se apresentou, largamente subsidiado por enorme produção, foi Antonio Parreiras.

E mais de 100 quadros pôs Parreiras em mostra este ano.

Parreiras é um consagrado. Como destacar alguns trabalhos?

Depois de atingir as maiores recompensas, a obra de certos artistas não deve ser discutida.

Mas Parreiras, que raramente nos dava a ver as telas de sua impressão colhida nas viagens à Europa, colocou na galeria que lhe destinaram pequenas obras primas, que evidentemente não foram executadas para um determinado efeito-falso, mas exprimem o sentimento verdadeiro do artista.

Elas contrastam com o verde selvagem e os grande troncos da sinfonia florestal de nossa terra, que Parreiras levou mais de 20 anos pintando em todos os tons. Mas são de uma sinceridade magnífica.

Edgard Parreiras, sobrinho do velho paisagista, é um digno continuador do nome ilustre.

Nunca se repete.

Seus temas são nobres. O que o atrai não são futilidades bonitas da mata ou do casario das cidades em ruínas.

Edgard Parreiras pinta quadros que serão sempre expressões ilustres da arte de saber ver e traduzir a natureza.

Sua tela Mangueira é uma obra definitiva.

O pintor Augusto Bracet fez uma composição visando um estudo de movimento anatômico e linhas de fina extasia. É o nu denominado Direito de asilo.

A figura é excelente, tratada com mestria - e pode-se alegar que o artista pôs ali todo o seu esforço artístico e merece louvores.

Outros planos do quadro estão, porém, mal expostos, e, a não ser por uma explicação detalhada do local, não se compreende, bem a posição da escada do templo em relação à nave, onde se percebe o assunto que dá motivo ao título.

Este nu, porém, sem os detalhes de emolduração que não nos agradaram, é digno de qualquer galeria de arte.

Outros mestres figuram no salão. Mas, preferimos fechar esta crônica, citando a obra de uma ilustre senhora, discípula de Carlos Reis e da Academia Julien, de Paris. É a senhora Babo de Andrade. Brasileira, mas fora do Brasil há longos anos, a senhora Andrade só o ano passado expôs pela primeira vez - e teve menção honrosa.

Este ano, a senhora Andrade mandou ao salão três pequenas telas que merecem ser assinaladas com absoluta justiça. Porque não se trata de uma principiante esperançosa. É uma verdadeira artista.

Dessas três telas só não gostamos de Cravos e frutas, que parecem tratados com grande despreocupação. No salão azul, porém, revela já a segurança de quem joga com as proporções com facilidade. E os tons vivos dos estofos, que um pincel inexperiente sempre torna duros e recortados, estão excelentemente ambientados.

A sua melhor tela exposta, porém, é No atelier do mestre (Lisboa).

Sabe-se muito bem a dificuldade que há em colocar contornos na meia tinta de um interior de pouca luz. Pois a senhora Andrade, revelando um canto do atelier de Carlos Reis, fê-lo como não o faria melhor o ilustre mestre.

O tom suave que envolve todas as coisas dissimula-se na própria atmosfera do lugar, fazendo destacar um dos outros objetos sem que a sombra perdesse seu ambiente.

Estas coisas, não podem ser tratadas por principiantes, sem que logo resulte uma impropriedade ou uma confusão de claro-escuro.

Entretanto, no quadro da senhora Andrade estes senões não aparecem.

Não queremos atirar à responsabilidade da ilustre senhora o fardo pesado de uma consagração definitiva. Mas, seu temperamento, sua intuição, estão perfeitamente revelados na expressão adquirida ao contato de verdadeiros mestres e formados num meio evidentemente superior ao comum das escolas incipientes de pintura.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

ARTES E ARTISTAS. BELAS ARTES - O Salão de 1923. O Paiz, Rio de Janeiro, 30 ago. 1923, p.2.

ARTES E ARTISTAS. BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 12 ago. 1923, p.8.

O VERNISSAGE DA XXX EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES

O prestígio das coisas convencionais

Às 14 horas de ontem, havia nas galerias da Escola de Belas Artes um único artista (o último abencerragem) que dava, nervosa e convictamente, toques de aperfeiçoamento no seu quadro. Tudo mais ali achava-se metodicamente disposto e uma multidão circulava.

Porque, pelo menos, do ponto de vista da concorrência, o vernissage de ontem foi brilhantismo. O que o Rio possui de mais seleto lá se achava. Êxito completo.

Mas, por ora, em matéria de impressões, é impossível ir, conscienciosamente, além. As galerias estavam inundadas de fotógrafos dos jornais e revistas. E os estampidos de magnésio sucediam-se. Uma densa e irrespirável névoa envolvia tudo e era impossível ver com precisão fosse o que fosse.

Muita concorrência, turbilhões de fumaça de magnésio, tal foi o vernissage.

Assim velado o valor artístico dessa 30a exposição, cumpre apenas assinalar que o seu êxito mundano foi completo.

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Imagem

Vernissage

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

ARTES E ARTISTAS. BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 12 ago. 1923, p.8.

ARTES E ARTISTAS. BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 14 ago. 1923, p.2.

A INAUGURAÇÃO DA XXX EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES

Com a presença do Dr. Arthur Bernardes, presidente da República, Dr. João Luiz Alves, ministro da justiça; doutor Arnolpho Azevedo, presidente da Câmara dos Deputados; representantes dos Srs. ministros de Estado, prefeito do Distrito Federal, presidente do Instituto dos Advogados, autoridades civis e militares, foi inaugurada anteontem, na Escola Nacional de Belas Artes a XXX Exposição Geral de Belas Artes.

Durante o ato da inauguração oficial estiveram repletas todas as dependências da escola, que se achavam artisticamente enfeitadas.

O Sr. presidente da República, durante a sua visita, que foi minuciosa, teve palavras de louvor para diversas obras, felicitando seus autores.

S. Ex. que tencionava demorar-se mais na apreciação das obras expostas foi a isso impedido devido a uma cerimônia oficial no palácio do Catete, tendo prometido ao professor Baptista da Costa voltar em outro dia.

O Sr. presidente, que esteve sempre acompanhado do Dr. João Luiz Alves, ministro da justiça e do diretor da escola, ao terminar a sua visita pediu ao professor Baptista da Costa, a quem felicitou pelos seus trabalhos, que figuram na atual exposição. "Em plena natureza" e "Uma tradição que desaparece", que fizesse chegar ao conhecimento dos autores os seus cumprimentos, entre eles o Sra. Georgina de Albuquerque, Pedro Bruno, Antonio Parreiras, C. Chambelland, Oswaldo Teixeira e Antonino Mattos.

O conjunto arquitetônico apresentado pelos arquitetos Santos Maia e Elisiario Bahiana, bem como o projeto, apresentado pelo arquiteto J. Souza Camargo, mereceram de sua excelência elogiosas referências.

- A exposição estará aberta todos os dias das 11 às 17 horas, e das 18 às 22 horas.

- O Sr. prefeito fez-se representar na solenidade inaugural do salão de belas artes pelo Dr. Lourival Fontes, seu oficial de gabinete.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

ARTES E ARTISTAS. BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 14 ago. 1923, p.2.

ARTES E ARTISTAS. BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 15 nov. 1922, p.2.

A INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE ARTE CONTEMPORÂNEA E RETROSPECTIVA.

Realizou-se ante-ontem, às 14 horas, na Escola de Belas Artes, a inauguração da exposição de arte retrospectiva e contemporânea, organizada sob direção competente dos Srs. Baptista da Costa, Raul Pederneiras e Fléxa Ribeiro.

À solenidade, que se revestiu de grande brilhantismo, compareceram os senhores major Cunha Pitta, representando o Sr. Presidente da República; Dr. Carlos Sampaio, prefeito do Distrito Federal; Dr. Ferreira Ramos, delegado geral da exposição; Conde Van de Bruch, comissário geral da Bélgica; figuras de maior destaque no nosso mundo artístico, Exmas. senhoras, Dr. Victor Marks, delegado de polícia da exposição; Dr. Vergueiro Steidel, delegado do governo paulista; representantes da imprensa e outras pessoas gradas.

Antes da inauguração do salon de belas artes foi inaugurado, na sala da congregação da escola, o busto em bronze do Dr. Epitacio Pessoa, presidente da República, trabalho artístico do escultor Costa [sic] Lima [Corrêa Lima].

Por essa ocasião, o diretor da escola, professor Baptista da Costa, pronunciou discurso no qual salientou os inestimáveis serviços prestados às belas artes pelo Sr. presidente da República.

Fez um ligeiro apanhado das obras de remodelação por que passou o belo edifício da Avenida Rio Branco e terminou com as seguintes palavras:

"A Escola Nacional de Belas Artes, como prova de reconhecimento aos serviços prestados por S. Ex. à instituição, por unânime e significativa vontade expressa em sessão plena da congregação, resolveu colocar em lugar distinto desta casa o busto em bronze do Dr. Epitacio Pessoa, obra de um dos seus molhados artistas, como sincera homenagem no dia de hoje, e sente-se feliz em tornar público seus agradecimentos, com os votos de prosperidade e felicidade a quem tão bem compreendeu, animou e tanto realizou, em proveito das belas artes, em nosso amado Brasil."

A convite do Sr. Batista da Costa, o Dr. Carlos Sampaio retirou a bandeira que cobria um busto de bronze do Dr. Epitacio Pessoa, ouvindo-se então o hino nacional.

Em seguida a numerosa assistência percorreu os vastos salões da escola, onde se encontram verdadeiros primores de arte.

Como já ficou dito, a exposição compreende trabalhos artísticos coordenados de 1816 a 1915 (arte retrospectiva) e de 1915 a esta parte (arte contemporânea).

De arte retrospectiva são dignos de menção os trabalhos da missão francesa, tais como os quadros de Debret, Taunay e outros, a maquette da batalha de Riachuelo de Victor Meirelles; os bronzes S. Estevão e A faceira, de Rodolpho Bernardelli; um curioso lavabo monumental dos tempos coloniais; um bronze simbólico de Almeida Reis, O rio Paraíba; vários bustos do professor Correia Lima; a coleção de medalhas dos chefes de Estado do Brasil, desde Pedro I; a maquette do monumento a Pedro I, de Rocher [sic]; várias vistas panorâmicas do Rio, de Victor Meirelles; a maquette da batalha dos Guararapes; quadros de Amoêdo, Visconti, Baptista da Costa, Chambelland e de tantos outros e mármores de Correia Lima.

A parte referente à "Arte contemporânea" não cabe em um breve registro de reportagem. Cabe-nos, apenas, assinalar que, quer em pintura, quer em escultura, arquitetura ou gravura, os nossos artistas de hoje não desmereceram das glórias que para o nosso país conquistaram Pedro Américo, Victor Meirelles e tantos outros.

Após uma longa peregrinação pelos salões da escola, detivemo-nos por instantes, enbevecidos, diante da "Batalha do Avahy", a grandiosa e surpreendente tela de Pedro Américo.

Na seção de pintura foram muito apreciadas as seguinte telas: "Iracema", de Almeida Junior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior]; "Civilização", de André Vento; "O precursor", de Pedro Bruno; "O dia de feira", de Chambelland [Carlos Chambelland]; "Flamboyant", de Garcia Bento; "Igreja de S. João d'El Rey", de Lucílio de Albuquerque; "Retrato de Mell. B. F. B.", de Justino Migueis; "Passagem", de Moreira de Vasconcellos; "Melancolia", de Jorge Mendonça; "Avó" e "D. Juan", de Oswaldo Teixeira; "Solar Avoengo", de Edgard Parreiras; "Auto retrato", de Sarah Villela Figueiredo; "A governante", de Visconti; e a encantadora "Poesia da tarde", de Clara Welker.

O Sr. Baptista da Costa foi muito cumprimentado pelo brilho e pela eficiência da exposição, que tomou a si dirigir.

A exposição estará aberta à noite ao público, todos os dias das 11 às 18 horas, e das 20 às 22 horas, sendo de 1$ (bônus) o ingresso à mesma.

ESCOLA N. DE BELAS ARTES

Pede-nos para declarar que não tem fundamento a nota publicada ontem por um matutino desta capital, referente à Exposição de Belas Artes, visto como os catálogos da referida exposição foram entregues aos representantes da imprensa que os solicitaram.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

ARTES E ARTISTAS. BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 15 nov. 1922, p.2.

ARTES E ARTISTAS. BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 18 nov. 1922, p.2.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE BELAS ARTES

A Sociedade Brasileira de Belas Artes, em reunião da diretoria, nomeou prof. Lucílio de Albuquerque seu representante junto à Exposição Comemorativa do Centenário da Independência, autorizando-o, ao mesmo tempo, a adquirir quadros no salão para o patrimônio da sociedade.

Desempenhando-se da honrosa incumbência, o professor Lucílio acaba de adquirir os seguintes quadros: Dia de ressaca, do professor João Baptista da Costa; Estudo em verde, de Marques Junior; Don Juan Tenorio (pastel), de Oswaldo Teixeira, e Barco, de Garcia Bento.

Em ofício dirigido ao presidente da Sociedade, assim se expressa o professor Lucílio:

"Fazendo tal escolha, tive como orientação dotar esta sociedade com um quadro representativo de um dos maiores expoentes da nossa arte, qual o professor João Baptista Costa, e de um outro que encerrasse um espírito moderno, como o do Sr. Marques Junior. Quanto aos senhores Oswaldo Teixeira e Garcia Bento, não só pelo interesse de seus trabalhos, mas por serem dois artistas que começam com brilho a sua carreira artística e aos quais é preciso animar.

Esperando que aprovareis a minha escolha, subscrevo-me."

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

ARTES E ARTISTAS. BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 18 nov. 1922, p.2.

ARTES E ARTISTAS. BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 2 dez. 1922, p.2.

EXPOSIÇÃO DE ARTES CONTEMPORÂNEAS.

A comissão organizadora da exposição de arte contemporânea pede-nos declarar que todos os expositores que tenham sido premiados em exposições anteriores são convidados para reunir-se no salão da Escola Nacional de Belas Artes, às 13 horas, de segunda-feira próxima, 4 de dezembro, afim de se proceder a votação para a medalha de honra, de acordo com os artigos 52, 59, 60, e 61, e seu parágrafo, do regulamento em vigor e que rege o programa da seção de Belas Artes.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

ARTES E ARTISTAS. BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 2 dez. 1922, p.2.

ARTES E ARTISTAS. BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 21 nov. 1922, p.2.

E. N. de Belas-Artes

O professor Baptista da Costa, diretor da Escola Nacional de Belas Artes, recebeu do Dr. Carlos Sampaio, ex-prefeito do Distrito Federal e comissário geral da Exposição Internacional do Centenário, o seguinte ofício:

"Ao deixar o cargo de comissário geral da Exposição Internacional do Centenário, cumpro o grato dever de agradecer o auxílio que prestastes durante a minha administração ao nosso caro Brasil.

Felicito-me a mim mesmo ter tido o prazer de encontrar-vos como auxiliar nos trabalhos da comemoração do centenário da nossa independência, para a qual comemoração concorrestes com esforço e carinho que de vosso patriotismo todos esperavam. Saúde e fraternidade - Carlos Sampaio."

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

ARTES E ARTISTAS. BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 21 nov. 1922, p.2.

ARTES E ARTISTAS. Ecos da XIX exposição. O Paiz, Rio de Janeiro, 3 set. 1912, p.6.

As más línguas, como os filhos da Candinha, vão a todos os lugares. Estiveram na Escola de Belas Artes e tomaram as suas notas. Perderam o caderninho, mas, alguém o encontrou e resolveu nele confiar, pedindo-nos que anunciássemos o achado na seção dos "Objetos perdidos".

Satisfazemos hoje o desejo da honrada pessoa que quer restituir o seu a seu dono. Tomamos o alvitre de destacar o anúuncio para esta coluna. Dá mais na vista aqui. Como é provável que tenham sido perdidos outros caderninhos e porque não variem muito de forma esses blocks de algibeira, para evitar que seja reclamado por um falso dono esse que está em nosso poder, em vez de dizermos simplesmente que "entregamos ao verdadeiro dono uma carteira de notas encontrada na exposição de belas artes, preferimos publicar hoje as linhas escritas em uma das folhas, à guisa de santo, contando que a senha, em cujo segredo estamos, nos desvende o proprietário do objeto, a quem não faremos dúvida em entregar a preciosidade...

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Aqui vão as impressões:

"O catálogo está impresso em bom papel. Valha-nos isso, porque a revisão está fantástica. É de esperar que para a 20ª exposição a comissão alugue um revisor. O francês em que está escrita a denominação dos trabalhos de artes aplicadas é de fazer corar um zulu. Nós íamos perdoar o d que sete vezes conclui o abajur de uma expositora. Enfim, abatjourd' podia passar. O diabo é que logo adiante, na mesma página, surge uma "Coluna com cachet-peau". Sempre queríamos ver a cara do expositor que havia mandado à escola o seu cache-pot. Verdade é que o tal cache-pot é uma lástima é quase uma pequena vergonha para a comissão que o deixou passar."

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"136 trabalhos de pintura! Bravo! Trabalhou-se. Vários mestres expõem. É lisonjeiro. Paro em frente ao quadro n. 16, do mestre A. de F. [Francisco Aurelio de Figueiredo e Mello] É, como se diz no Binoculo, o retrato de uma senhorita decotada. É riquíssimo o vestido de baile ... A senhorita é que está com um semblante, em todo de haver perdido a barca para o célebre Baile na ilha fiscal, que o mesmo mestre A. de F. ofereceu ao governo (e o governo aceitou) por sessenta contos de réis..."

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"O outro retrato de senhora. Tela imensa, para salão rico. O autor é um jovem já mencionado honrosamente em 1907. Olho os anéis da mão esquerda do modelo. Um rubi ... reconstituído. O artista deverá esforçar-se por pintar um Oriente. Uma dessas minúcias muitas vezes compromete o todo. Pintar uma pedra falsa num retrato de luxo... Dir-se-ia que a obra toda é reconstituída."

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"O mestre M. B. [Modesto Brocos] pintou uma Cena de bordo. Sentiu tanto o que pintou que enjoou, lançando aquele quadrinho das índias Na cachoeira... Ficou-lhe a impressão de bordo e de tal sorte que resolveu mostrar o Morro do Senado (em 1908), a uma pacata família, do alto de um vasto tombadilho."

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"Gostei muito do Tijolo deitado tocando frauta'' [sic] ..."

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Prosseguiremos na publicação das notas até que o autor legítimo venha reclamar a carteirinha perdida.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ARTES E ARTISTAS. Ecos da XIX exposição. O Paiz, Rio de Janeiro, 3 set. 1912, p.6.

ARTES E ARTISTAS. Ecos da XIX exposição. O Paiz, Rio de Janeiro, 4 set. 1912, p.2.

Segundo o prometido, prosseguiremos hoje na divulgação das notas sobre o Salon, já que o dono da carteira não a veio reclamar.

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"Mais um mestre. É o Sr. A. P. [Auguste Petit] Não há nome artístico mais conhecido nas rodas conservadoras do Rio. Muito benquisto entre os membros das ordens religiosas e das casas de beneficência, este grande nome é o que se lê, em letras fotográficas, assinando os retratos, em tamanho natural, que povoam os corredores das igrejas e os salões nobres das casas de caridade, perpetuando as veneráveis efigies dos irmãos beneméritos. São sempre muito parecidos os retratos que pinta este mestre. De tão exatos, fazem pensar nas exatíssimas objetivas Goerz ou Zeiss. Aqui está, por exemplo, o retrato do simpático conferencista Sr. Delpech. Ao retratado só falta, descerrar os lábios para uma preleção aos seus discípulos. O quadro do Sr. ª P. é bem uma obra... didática.

Há do mesmo autor, uma composição simbólica intitulada Manacá. Olorosa flor! E dizer-se que houve ideia de rejeitar-se a obra por pouco decente... Ó respeitáveis e pudicos senhores da comissão, já vistes algum biscuit imoral?

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"Os pintores não devem trocar o pincel pela pena. Saem-se sempre mal. O Sr. C. de S. [Carlo de Servi] é uma bela palheta. Sabe o que são as cores. O quadro da mulatinha é um encanto. Muito bem achada a luz em que se banha a carnadura bronzeada da chibante patrícia. Pena é que o artista aproveitasse o estudo para por ele simbolizar a carioca. Assim se chama a tela: A carioca. As cariocas da gema deviam procurar o pintor, dizendo-lhe, no idioma que ele tanto estima: Grasie [sic], signore de S., tropo gentile!"

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"N.131. Título, Trabalhando. Tudo muito bom. O quadro vale por uma reclamação contra a eterna falta d'água: o pobre operário, que acordou de madrugada para trabalhar, não pode lavar o rosto e ficou com os olhos pregados...".

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Se ainda hoje o autor das notas não vier reclamar a carteira, amanhã continuaremos.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ARTES E ARTISTAS. Ecos da XIX exposição. O Paiz, Rio de Janeiro, 4 set. 1912, p.2.

ARTES E ARTISTAS. Ecos da XIX exposição. O Paiz, Rio de Janeiro, 6 set. 1912, p.4.

Anteontem íamos sendo vitimas de um embuste. Apresentou-se à nossa redação um cavalheiro que se intitulava dono da carteira perdida na Escola de Belas Artes, a já célebre carteira da qual temos extraído algumas notas, publicando-as nesta seção, com o fim indireto e um tanto sutil de reconhecermos, sem a menor dúvida, o autor e proprietário dessas impressões já acoimadas de indiscretas.

O citado cavalheiro procurou-nos alta hora da noite, quando já o serviço da folha estava completo. Tais coisas disse para provar o seu legítimo direito à posse da carteira, que o secretário do Paiz mandou interromper o serviço e retirar da seção Artes e artistas as notas que estávamos continuando a publicar.

Minutos depois, apertado pelas nossas perguntas, o citado cavalheiro caiu em flagrantes contradições. Era um impostor.

Despedimo-lo, desconfiados de ser ele um expositor amedrontado ... Infelizmente já era tarde. As máquinas rodavam, tirando a edição do Paiz. Eis aí por que interrompemos ontem a publicação das notas.

Mais avisados do que nunca contra a impostura damos a seguir as notas que deviam ter sido publicadas ontem.

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"Ns. 30 a 34 - Os cinco sentidos - Que pedem os Srs. críticos? Sinceridade, não é? Pois aqui está um caso de sinceridade inegável. O pintor sentiu e corajosamente transmitiu o seu sentimento. É como quem diz: de tão franco, estendeu-se. As cinco telas em que o pintor T. B. [Julio Teixeira Bastos] interpretou, a seu modo, os sentidos, valem por um espelho fiel refletindo uma alma, todo um temperamento.

O Sr. T. B. tomou cinco homens, um para cada tela: um mendigo, um ferreiro, um padre, um bêbedo e cego.

O mendigo tem uma das mãos em pala sobre os olhos e , ou antes, procura ver, pois que o pobre diabo já está muito velho, e aperta os olhos num imenso esforço, o ferreiro descansou o martelo ao lado da bigorna e presta ouvido, atento.
Um prêmio a quem disser o que está o ferreiro escutando. O sentido do olfato - o mais delicado e misterioso de todos - está representado por um padre que toma a sua pitada. Santo Deus! o que foi esse pintor cheirar... Um rude homem (um campônio? um aguadeiro? um moço de estribaria?) entorna goelas abaixo uma gorda borracha de vinho maduro. É o sentido do gosto, mais ainda, da empanturração. E, por fim, um cego que caminha, as mãos no ar, sintetiza o tato. O Tato? Com as mãos no ar? Compreendo. O cego está calçado: o tato fica na sola dos sapatos...

Um indivíduo que tem certa habilidade pictural e do modo acima descrito compreende os sentidos, compondo as cinco telas, de 30 a 34, no catálogo do salão fez uma obra sincera, porque a sua alma estava misturada às tintas da palheta..."

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Se ainda hoje o autêntico escriba não nos aparecer, amanhã prosseguiremos.

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A exposição geral de belas artes, que se inaugurou a 1º do corrente, no edifício da Escola Nacional de Belas Artes, continua aberta todos os dias, das 10 horas da manhã às 4 da tarde.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ARTES E ARTISTAS. Ecos da XIX exposição. O Paiz, Rio de Janeiro, 6 set. 1912, p.4.

ARTES E ARTISTAS. Ecos da XIX exposição. O Paiz, Rio de Janeiro, 7 set. 1912, p.5.

Com as linhas que se vão seguir, relativas à seção de escultura, fica concluída a divulgação, por parte do Paiz, das notas do caderninho perdido no salon. É claro que nem todas as impressões do misterioso visitante foram por nós publicadas. Algumas, cujo segredo respeitamos, eram de uma franqueza absoluta, como, de resto, sempre são escritas as impressões muito pessoais que se não destinam à publicidade.

A pessoa que perdeu a carteira ainda não a veio reclamar. Se o não fizer dentro de uma semana, entregaremos o objeto à guarda da polícia. Daí em diante, […] o crítico com o Sr. Belisário Távora.

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Escultura - Ns. 144 e 146 - Dois autores diversos expõem trabalhos com o mesmo título: Barão do Rio Branco. O primeiro tem a explicação - estátua alegórica - e o segundo - busto em gesso patinado. Ambos pretendem reproduzir os nobres traços do inolvidável estadista, mas, nenhum dos dois o conseguiu. Ambos, nesse ponto de vista, se equivalem porque visitante algum poderá dizer qual dos dois trabalhos é mais infeliz.

Do mesmo autor do n. 146 é o n. 147, um busto da República. Escrevo esta nota ao pé de dois senhores a quem muito de vista conheço. Ouço um guarda dizer que são republicanos históricos. Um é excessivamente alto e magro e veste bizarramente. Na sua face magra e vermelha cintila um monóculo. O outro é robusto e veste uma sobrecasaca melancólica. Trás sob a cartola uma cabeleira romântica. Como todos os homens se parecem com bichos, percebo que, desenvolvendo a caricatura do magro, terei obtido um galo; desenvolvendo a do outro, terei a do leão. Observo-os. Olham desconfiados para o bloco de mármore. O galo apoia-se tristemente no ombro forte do leão e exclama, num desalento:

- Também não foi esta a república dos nossos sonhos...

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ARTES E ARTISTAS. Ecos da XIX exposição. O Paiz, Rio de Janeiro, 7 set. 1912, p.5.

ARTES E ARTISTAS. Exposição de 1911. O Paiz, Rio de Janeiro, 23 set. 1911, p.3.

Reuniu-se ontem o conselho superior de belas artes, sob a presidência do Dr. Rivadavia Correia, ministro da justiça e negócios interiores.

Foram aprovados os pareceres dos júris relativamente aos artistas merecedores de prêmios, por trabalhos expostos.

Obteve o prêmio de viagem o expositor Sr. Gaspar de Puga Garcia.

Na seção de pintura forma premiados os expositores seguintes:

Medalha de prata - Srs. F. Pons Arnaud e Gaspar Coelho de Magalhães.

Menção honrosa de 1º grau - Srs. Argemiro Cunha, D. Fedora do Rego Monteiro, João Baptista e DD. Helena Meira e Angelina Agostini.

Menção honrosa de 2º grau - Srs. Levino Fanzeres, Eurico Moreira Alves, Dakir Parreiras e DD. Aurelia Coutinho e Julieta Bicalho.

Na seção de escultura, foi premiado o expositor Sr. Petras Verdie [sic].

Na seção de objetos de arte, foi premiada a expositora D. Amelia Coutinho.

Em gravura não houve premiação e a de arquitetura não teve expositor.

Foram colocadas as etiquetas nos trabalhos premiados, logo depois de encerrada a seção.

A exposição continua aberta todos os dias, das 10 horas da manhã às 5 da tarde, no novo edifício da Escola de Belas Artes.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ARTES E ARTISTAS. Exposição de 1911. O Paiz, Rio de Janeiro, 23 set. 1911, p.3.

ARTES E ARTISTAS. Exposição de belas artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 2 set. 1911, p.2.

Realizou-se ontem a inauguração da 18ª exposição geral de belas artes, no edifício da Escola Nacional de Belas Artes.

O marechal Hermes da Fonseca, presidente da República, acompanhado do general Percilio da Fonseca, chefe da sua casa militar, compareceu ao ato inaugural, sendo recebido naquela escola pelos Srs. Rivadavia Correia, ministro da justiça; Dr. Araujo Vianna, Elyseu Visconti, Modesto Brocos, membros da comissão diretora da exposição; professores, alunos e vários artistas, que o acompanharam na visita que S. Ex. fez.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ARTES E ARTISTAS. Exposição de belas artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 2 set. 1911, p.2.

ARTES E ARTISTAS. Exposição de belas artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 2 set. 1912, p.3.

Inaugurou-se ontem a 19ª exposição geral de belas artes.

O salão, ao abrir-se a exposição, tinha, já à 1 hora da tarde, o aspecto de um grande acontecimento da vida elegante da cidade, a que as nossas artes e os nossos artistas estão tão conjugados.

E uma sociedade seleta foi tomando o vasto salão da exposição, garrulando, comentando com propriedade, parando à solicitação de uma obra mais perfeita ou mais original, comparando, assinalando progressos ou fazendo reticências singulares.

Às 2 horas, quando entrou o Sr. presidente da República, acompanhado do Sr. ministro da justiça e grande comitiva, o salão formigava.

Lá estavam muitas senhoras, e não eram elas que manifestavam menos senso artístico, levando as nossas patrícias que concorreram à exposição com seus trabalhos não só a solidariedade da sua presença, mas o conforto de apreciações que valem pelo melhor dos juízos críticos.

Na assistência estava a melhor sociedade do Rio de Janeiro.

O Sr. presidente da República percorreu vagarosamente as seções, viu com satisfação os trabalhos expostos, tendo sempre expressões amáveis ao progresso dos nossos artistas e pareceu retirar-se muito satisfeito do resultado brilhante da reunião deste ano.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ARTES E ARTISTAS. Exposição de belas artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 2 set. 1912, p.3.

ARTES E ARTISTAS. Exposição geral de belas artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 14 out. 1911, p.4.

Amanhã encerra-se a exposição geral de belas artes, correspondente ao Salon de 1911. Hoje, dia da moda e penúltimo da exposição, é de esperar grande concorrência ao salon, o qual estará aberto das 10 da manhã às 4 da tarde, no novo edifício da Escola de Belas Artes.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ARTES E ARTISTAS. Exposição geral de belas artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 14 out. 1911, p.4.

ARTES E ARTISTAS. O "salon" de 1911. O Paiz, Rio de Janeiro, 10 set. 1911, p.5.

Continua aberta a exposição, que tem sido muito visitada, das 10 horas da manhã às 5 da tarde.

Desde o dia de sua inauguração, que foi a 1 do corrente, aumenta o numero de visitantes. Ainda anteontem demos notícia da seção espanhola, anexa ao Salon, que é muito interessante.

A comissão diretora da exposição mandou que se conservasse a bela ornamentação floral, feita para a festa inaugural pela zelosa inspetoria dos jardins públicos, ornamentação essa que tão admirável efeito produziu nesse dia, quando as flores estavam frescas e os festões ainda verdes.

Depois dos julgamentos para a premiação, que provavelmente serão na próxima segunda-feira, pretende-se que duas conferências literárias se realizem no recinto da exposição, em dias previamente anunciados.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ARTES E ARTISTAS. O "salon" de 1911. O Paiz, Rio de Janeiro, 10 set. 1911, p.5.

ARTES E ARTISTAS. O "Vernissage" da exposição geral de 1924. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 12 ago. 1924, p. 4.

O 1º CENTENÁRIO DA MISSÃO LE BRETON

Concomitantemente na Escola Nacional de Belas Artes realizaram-se ontem a comemoração do primeiro centenário da missão artística francesa de Le Breton e o vernissage da exposição geral de 1924, cuja inauguração oficial é hoje.

A Sociedade Brasileira de Belas Artes como homenagem aos ilustres franceses a quem devemos a nossa iniciação artística, ofereceu uma placa comemorativa à Escola.

Pouco depois de uma hora da tarde teve lugar esta cerimônia, com a assistência dos Srs. Dr. Alexandre Conty, embaixador de França; Baptista da Costa, diretor daquele estabelecimento de ensino; Dr. José Marianno, pintor Marques Junior, presidente e secretário da S.B.B.A., muitos artistas, jornalistas e convidados especiais, oferecendo a placa, o Dr. José Marianno, disse as seguintes palavras:

"Exmo. Sr. Embaixador da França - Exmo. Sr. professor Baptista da Costa.

Comemorando a inauguração do curso de Belas Artes no Brasil, a Sociedade Brasileira de Belas Artes, presta, nesse momento, um comovido preito de homenagem aos artistas franceses da missão de 1816.

Essa homenagem, tão modestamente expressiva, tem uma alta significação de pura intelectualidade. Ela restabelece e afirma o sentimento de "escola", isso é, a ligação espiritual das gerações presentes com o espírito de seus mestres.

A missão de 1816, contratada por Marialva, tinha o temerário propósito de implantar num país de raça portuguesa uma escola de arte francesa.

Le Breton organiza sua caravana. Reúne nomes de alta representação artística, na época, como Debret, Taunay, Grandjean, Ferrez. O conde da Barca, impregnado de uma cultura postiça, repele com impertinência a colaboração de elemento artístico nacional na formação da Nova Escola.

A missão tem um grande programa a realizar, desde a pintura de gênero ao fabrico da porcelana, da arte à maneira de Sévres...

Mas ela se insula nas próprias ideias, monopoliza o movimento de arte no país, isola-se da própria nacionalidade como que fugindo-lhe ao contato [...] A preferência marcada de coroa outorga-lhe desde então foros ditatoriais nos domínios da arte. Os velhos decoradores sacros, tão grandes na piedosa sinceridade de suas composições, sentem os primeiros espinhos de despeito. Os artistas franceses, representantes de uma cultura superior, embaixadores da elegância, vivendo na intimidade escandalosa dos potentados da corte, criticam-lhe as falhas, diminuem-lhes o precário prestígio a que eles estavam afeitos.

O público perde de súbito seus ídolos mais preciosos. Surgem as intrigas, formam-se dois partidos. As ordens religiosas que se fizeram detentoras do classicismo artístico do país estabelecem por seu turno a terrível reação pacifica contra os civilizadores gauleses. Sem embargo, a missão progride, estuda. Debret porfia na documentação dos nossos costumes, de nossa indumentária. Mas o seu prestigio não ultrapassa os saraus pantagruélicos da corte. Está fundada a Escola onde vários alunos caboclos e mestiços se instruem na arte acadêmica de David...

Breve, com o despertar da consciência nativista, a alma do povo procura insensivelmente libertar-se das peias acadêmicas para afirmar-se nas suas próprias e inconfundíveis preferências. O caráter da raça estua. Grandjean, que, a meu ver, é a figura central da missão, desdenha a contribuição da arquitetura nacional, a qual Debret rende, todavia, homenagem. Grandjean tem o sentimento nobre da medida dentro dos cânones greco-romanos. Ele não veio aprender no país que o hospedava. Veio construir a sua arte. Grande figura do neoclassicismo napoleônico, suas composições continuam sob o céu luminoso dos trópicos a rota invariável que o artista se traçara. Sua arte não deixa discípulos. Ao contrário, paralelamente com Grandjean, os humildes "mestres do risco", desdenhosos da grande arte que se nos queria impor, continuam a fazer suas igrejas singelas, com duas torres quadradas panejadas de "coruchéus" massudos, os grandes mestres de talha de Ouro Preto, Sabará, Mariana e São João Del Rei porfiam na sua arte incompreendida, os inspirados "santeiros" da Bahia não deixavam de entalhar carinhosamente seus heróis celestes, olhos em êxtases, as vestes luminosas e coloridas, assopradas pelo vento de borrasca.

Passando em rápida critica os propósitos da missão francesa e a sua atuação no cenário da arte do Brasil colonial, quero reconhecer-lhe, todavia, a grande preponderância na orientação da pintura brasileira.

Sem o advento da missão, não teriam surgido, por certo, nomes como Victor Meirelles, Pedro Américo, Almeida Junior, Zeferino da Costa, Henrique Bernardelli, Visconte, Baptista da Costa e alguns outros.

Meus senhores. Não era meu intento fazer-vos um discurso. Perdoai se me alonguei mais do que eu próprio desejara.

Honra seja aos grandes mestres franceses, cuja lembrança hoje recordamos.

Eles viverão eternamente dentro de todos nós, pobres continuadores do sonho impossível que eles idealizavam.

Falaram ainda os Srs. Baptista da Costa e Alexandre Conty, este, em nome de sua pátria, e aquele, no da Escola de que é presidente.

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O "vernissage" correu interessantíssimo, animado com a presença da maioria de nossos artistas e apresentando o aspecto que lhe é característico, muita fé e expectativa por parte dos expositores, muita alegria por parte de todos.

A exposição, em geral, agrada. Registra um surto magnífico de mocidade.

Oswaldo Teixeira, com um lance escolhido, chama a atenção geral, arrancando exclamações de entusiasmo de muita gente. Numa rápida visita, quase uma corrida pelas glerias [sic] cheias de quadros, vimos bons pedaços de tela, dignos de uma exame mais demorado, acusando os nomes de Marques Junior, Garcia Bento, Guttman Bicho, Fanzeres, Orlando Teruz, Helios Seelinger, Ozorio Belém, Armando Vianna, C. Portinari, Gilda Moreira, F. Machado, Manoel Santiago, Edith Aguiar, Bracet, Manoel Faria, Vicente Leite, Edgard Parreiras, Carollo, Capplonch...

A seção de escultura, [...] tem a contribuição de Antonio Mattos, M. Lopes de Almeida e alguns outros.

Em meio daquele fervilhar de comentários, nas salas exíguas transformadas pela alegria dos expositores em palco de crianças em recreio, obrigamos [sic] ainda alguns trabalhos da arte aplicada devidos ao Sr. Theodoro Braga, quando damos por finda a nossa visita, esperando mais calma para um exame mais descansado a cada tela, do que daremos conta no próximo domingo.

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Algumas pessoas que assistiram à inauguração da placa comemorativa do primeiro centenário da missão Lebreton, entre os quais os Srs. Alexandre Conty, Baptista da Costa, José Marianno e Marques Junior.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ARTES E ARTISTAS. O "Vernissage" da exposição geral de 1924. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 12 ago. 1924, p. 4.

ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 2 set. 1908, p.21.

Belas artes.

Inaugurou-se ontem, às 2 horas da tarde, a exposição geral de belas artes, honrada com a presença do Sr. presidente da República, recebido pelo Sr. Rodolpho Bernardelli, diretor da escola nacional, em companhia de outros membros do corpo docente daquele estabelecimento.

Enorme afluência de convidados e expositores dificultava a visita e observação dos quadros por aqueles que por deveres exigidos pela imprensa diária ali se achavam, de modo que, mesmo a impressão geral dos trabalhos expostos devia ressentir-se do atropelamento e falta de espaço para se ganhar a necessária distância à apreciação de cada quadro.

Além disso havia indubitavelmente um elemento perturbador da contemplação de uma arte como a pintura; e referimo-nos ao elegante grupo de senhoras que concorreram à festa inaugural da exposição, impondo-se pela beleza natural e concorrendo para desviar a atenção do observador.

A coleção exposta é pequena, mas ganhou em qualidade, devido ao rigor da comissão admissora [sic], o que merece aplausos, porque até aqui tudo quanto se apresentava era, em regra, aceito, quando a exposição de um trabalho naquele estabelecimento, em certame oficial, deve por si constituir um estímulo, e portanto até certo ponto dificultado.

Tratar minuciosamente daquela exposição, sem demoradas visitas, é quase impossível; ainda assim conseguimos tomar algumas notas e reter impressões relembradas pelo catálogo.

Manda a justiça que mencionemos em primeiro lugar o busto do Dr. Pereira Passos, trabalho do eminente escultor Bernardelli [Rodolpho Bernardelli], que transforma o bronze em carne, com aquela brandura gelatinosa dos tecidos do rosto humano. O busto fala e vive, e recebe uns tons admiráveis de luz, luz que deve invadir a penumbra em que se oculta o primoroso escultor e gravador de medalhas, Girardet, que lá escondeu uma reprodução da medalha comemorativa do 1º concerto de Arthur Napoleão, ao lado de outros primores, obras acabadas e projetos em gesso - oito trabalhos, e dois do seu talentoso discípulo Adalberto de Mattos, Cabeça (estudo) e medalha comemorativa da inauguração do novo edifício da Escola Nacional de Belas Artes.

Na paupérrima exposição de escultura deve se notar a estátua de Daphnes, de Moreira Junior; um bom trabalho, e difícil pela idade do modelo.

Passando para a pintura o visitante é sempre atraído pelo talento de J. Baptista, com quatro quadros, dos quais três excelentes - Copacabana, Para a pesca e Rio Bengalas. Desenho de mestre e colorido de artista observador.

Seguindo o catálogo que anotamos mencionaremos um fusain de Agenor Alves.

Bompart [sic], Visita de Veneza, exuberante de cores, tal qual o quadro de José Navarro - Pescadores, neste mais exageração de colorido, verdadeira orgia de tintas, mas de bom desenho, largo, independente.

Brocos, ex-professor de modelo vivo, já se impôs como pintor, e toda a gente culta lembra-se dos seus grandes triunfos.

Expõe pouco, e das três telas ali reunidas a que mais nos agrada é Villegaignon.

Soares Cunha faz vista com o seu n. 40 - Em repouso, inda que pouco acabado na figura.

As senhoritas Cunha Vasco [Anna da Cunha Vasco e Maria da Cunha Vasco], tantas vezes citadas nestas seções como talentosas aquarelistas, expuseram bons trabalhos, bem molhados e muita frescura.

Bela concepção é o Eurico, de Coelho Magalhães quadro fantástico, em que o presbítero sonha acordado com Hermengarda; mas a figura do herói de Alexandre Herculano, requeria um modelo que não nos desse ideia de um cômico metido em veste sacras.

O quadro é belo, mas a figura não é o Eurico.

Latour, reexpõe os seus melhores quadros. É um artista de talento. No seu n. 76 - Dilletante, nota-se que o modelo não era violinista. Se fosse um quadro antigo, de séculos passados, ainda passava, mas como aquelas vestes modernas o quadro perde por falta de verdade.

É de bom efeito a Predica aos pássaros, de Fernandes Machado, inda que a composição seja de pouco interesse e pouca poética; o de n. 83, do mesmo autor - A chamada das sereias, deveria ter tido por modelo uma bela figura. Aquela que lá está é feia e o modo de tratar muito esquisito.

O Sr. Marques Guimarães expõe flores e um grande retrato de um velho que o catálogo, com a teimosia das letras impressas, afirma ser o de D. Pedro II, mas não é.

Constou, nas rodas visitantes, que o quadro era uma encomenda do Centro Católico.

Augusto Petit expõe bons quadros de frutas, alguns esplêndidos; mas, por que, não os pinta ao sol?

Visconti atrai todas as atenções com a Maternidade, belíssimo quadro, como composição, como desenho e suavidade de cores; mas a sua preocupação não é senão justificar o seu pano de boca do Theatro Municipal.

Como quadro esse trabalho teria sido poupado pela crítica. Como pano de boca, morre por excesso de trabalho, um amontoado de figuras em turbilhão, misturando quitandeiras com o Papa.

Na sua justificação há um erro e uma injustiça, quando afirma que Carlos Gomes é o maior músico que o Brasil possui dentro da sua época de formação nacional.

Carlos Gomes foi, é certo, o único brasileiro aplaudido em teatros estrangeiros; mas como músico não pode ser classificado acima de Leopoldo Miguez, inda que este tenha sido infeliz com a partitura de Saldunes.

É que o teatro populariza, ao passo que o sinfonista só tarde aparece.

Para finalizar estas notas citaremos o nome de Weingartner, que já não é aquele primoroso pintor que nos assombrara com a sua primeira exposição há uns 20 anos. Procura, talvez, um outro caminho, mas ainda não se orientou.

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[...]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 2 set. 1908, p.21.

ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 3 set. 1912, p.2.

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O DEPUTADO - O salon deste ano prova que, realmente, a nossa arte progride!

- E já marcou algum quadro para o seu gabinete de trabalho?

O DEPUTADO - Mas eu não sou o Rottschild, minha senhora!...

- Nem mesmo com o argumento de subsídio?...

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 3 set. 1912, p.2.

ARTES E ARTISTAS. O Salon de 1911. O Paiz, Rio de Janeiro, 12 set. 1911, p.4.

Tem sido muito visitada a 18ª exposição geral de belas artes, instalada em um dos salões da Escola Nacional.

A exposição está aberta diariamente, das 10 horas da manhã às 6 horas da tarde.

O júri concluirá hoje o julgamento, devendo terminá-lo hoje, mesmo.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ARTES E ARTISTAS. O Salon de 1911. O Paiz, Rio de Janeiro, 12 set. 1911, p.4.

ARTES E ARTISTAS. OS "NOVOS" NA ARTE BRASILEIRA. O Paiz, Rio de Janeiro, 10 ago. 1924, p.5.

Imagens

Oswaldo Teixeira - PESCADOR BRASILEIRO

J. Fahrion - EM TRAJES TURCOS

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ARTES E ARTISTAS. OS "NOVOS" NA ARTE BRASILEIRA. O Paiz, Rio de Janeiro, 10 ago. 1924, p.5.

ARTES E ARTISTAS. Salão de 1911. O Paiz, Rio de Janeiro, 1 set. 1911, p.6.

VERNISSAGE - Realizou-se ontem vernissage do salão de 1911, isto é, a modesta cerimônia da véspera da inauguração que será hoje, na presença do Sr. presidente da República, suas casas civil e militar, ministros de Estado, prefeito e pessoas gradas.

O Sr. presidente da República prometeu à comissão diretora da exposição, achar-se às 2 horas da tarde, no edifício da escola, onde anualmente se fazem os salões artísticos.

A exposição de pintura não é grande, mas é seleta. Neste ano a comissão diretora mandou estender um velário corrigindo a luz mal dirigida da galeria.

Pela primeira vez os concorrentes ao prêmio de viagem foram convidados à previa declaração; os seus trabalhos ficaram reunidos em um pano de parede e, facilmente, se poderá fazer estudo comparativo. Dentre eles se destacam os dos srs. Eurico Alves, Fedora Monteiro, Gaspar Magalhães e Puga Garcia.

Apareceram pela primeira vez algumas paisagistas de talento.

Em escultura há muitos trabalhos do sr. Moreira Junior, ex-pensionista do Estado.

Na mesma seção se destacam: um gatinho, gracioso gatinho e esculturas da Sra. Hermelinda Cunha.

É nota interessante à exposição de gravura do Sr. Adalberto Mattos, pensionista do estado na Itália, ex-aluno da escola e discípulo de Augusto Girardet, exímio professor da especialidade na nossa Escola de Belas Artes.

Este mestre na gravura, sempre abrilhanta os salões anuais, e ainda agora o público terá de apreciar belas produções de Augusto Girardet.

Entre os quadros expostos emocionam os de Elyseu Visconti e as incomparáveis paisagens de João Baptista da Costa.

A arquitetura não se fez representar. Por que [sic] Morales de los Rios, Heitor de Mello e os jovens arquitetos brasileiros, que tanto projetaram nesta cidade, não compareceram.

Sente-se que eles não exponham, quando tanto agradam as construções que, sob seus planos, são levadas a efeito nesta cidade...

A falta do catálogo, que só será distribuído hoje na inauguração, nos inabilita a detalhadas apreciações, o que faremos amanhã.

O aspecto do salão de 1911 agrada; e, pela primeira vez, a ornamentação floral realça, devido à coadjuvação prestada, a pedido da comissão diretora, pelo Dr. Julio Furtado, digno inspetor geral dos jardins públicos.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ARTES E ARTISTAS. Salão de 1911. O Paiz, Rio de Janeiro, 1 set. 1911, p.6.

Arthur Lucas
Arthur Silva
Arthur Timotheo da Costa
AS BELAS ARTES E O PRÊMIO DA CIDADE. O Globo, Rio de Janeiro, 29 ago. 1928, p. 1.

Pela primeira vez foi, na feira de arte deste ano, conferido o Prêmio da Cidade, de instituição recente. Conquistou-o, e de acordo com o julgamento do júri competente e decisão do Conselho superior de Belas Artes, o escultor Magalhães Corrêa, tantas vezes medalhado, e prêmio de viagem à Europa. O trabalho que granjeou tão alta recompensa é a "Mãe Preta", que a nossa gravura reproduz, ao lado do seu autor.

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Imagens

"Mãe Preta" escultura de Magalhães Corrêa

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AS BELAS ARTES E O PRÊMIO DA CIDADE. O Globo, Rio de Janeiro, 29 ago. 1928, p. 1.

AS CONFERÊNCIAS DO "SALÃO". "Baptista da Costa e o seu ambiente", por Adalberto Mattos. O Globo, Rio de Janeiro, 22 ago. 1929, p. 1.

Na Escola Nacional de Belas Artes, às 17 horas de hoje, o professor Adalberto Mattos realizará a sua conferência sobre "Baptista da Costa e o seu ambiente", que é a segunda da série iniciada com o "Salão" deste ano.

O tema e o autor da palestra são sugestões bastantes aos nossos meios intelectuais e artísticos, onde Adalberto Mattos é nome de tanto brilho e relevo, para que seja numerosa e seleta a assistência e calorosos os aplausos ao que vai falar do grande paisagista brasileiro e das características de sua vasta e notável obra.

O sumário, aliás, da conferência, é o seguinte, o que melhor lhe indica as linhas gerais dos pontos de cultura e de divulgação que serão versados: Considerações de ordem geral; O Conceito da Arte; A projeção do cabotinismo e do falso modernismo na função crítica; Os incompreendidos; O ambiente e o critério dos mestres; Intuição do ambiente na criança; A influência do ambiente nos indivíduos; A música como fator de percepção; O ambiente de Leonardo da Vinci; O ambiente de Baptista da Costa; Na intimidade do pintor; A paisagem, o Retrato e a Composição; "Transe doloroso", obra da juventude; O espírito e o tipo do pintor; A infância, educação e produção; O princípio estético. O brasileirismo do artista; O organizador e o homem.

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Imagens

J. Baptista da Costa, num carvão de Orozio Belém, e Adalberto Mattos [Cliché Globo]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

AS CONFERÊNCIAS DO "SALÃO". "Baptista da Costa e o seu ambiente", por Adalberto Mattos. O Globo, Rio de Janeiro, 22 ago. 1929, p. 1.

AS conferências do Salão de 1930. Vai iniciá-las o Sr. Flexa Ribeiro. O Globo, 13 ago. 1930, p. 2.

Vai iniciar-se amanhã, no salão de honra da Escola Nacional de Belas Artes, a série de conferências organizada para o Salão deste ano.

Caberá o início dessas palestras ao Sr. Flexa Ribeiro, crítico de arte e jornalista, que dissertará sobre o tema "Metafísica da pintura".

Nada mais é preciso dizer, conhecidos os méritos do conferencista e a atração do assunto escolhido, para que se vaticine uma assistência seleta e numerosa como de resto sempre se observou em anos anteriores.

Para essa conferência foram expedidos convites; a entrada, porém, será franqueada a todos quantos queiram assisti-la.

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[Cliche Globo] Professor Flexa Ribeiro. Desenho do Professor H. Corrêa

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

AS conferências do Salão de 1930. Vai iniciá-las o Sr. Flexa Ribeiro. O Globo, 13 ago. 1930, p. 2.

AS obras do palácio das Belas Artes. O Jornal, Rio de Janeiro, 11 nov. 1922, p. 3.

O "vernissage" e a inauguração da exposição de arte contemporânea comemorativa do Centenário da Independência

Está marcada para amanhã a inauguração da exposição de arte contemporânea, comemorativa do Centenário da nossa Independência política. Hoje à tarde, das 16 às 18 horas, realiza-se a cerimônia do "vernissage". Essa exposição, como se sabe, envolve também o "salão" deste ano, retardado em virtude das obras executadas no Palácio das Belas Artes.

São de grande vulto as aludidas obras, determinadas pela falta de espaço, pela impropriedade de instalações para as aulas e principalmente para o museu, que guarda os nossos melhores tesouros artísticos e as valiosas peças quo vamos adquirindo das notabilidades estrangeiras.

Por largo tempo se reclamou esse melhoramento, por muitos anos o nosso "saião" foi apresentado entre sarrafos e aniagem, sem que os protestos dos artistas e da imprensa lograssem ser ouvidos.

Mas o professor Baptista da Costa, com uma persistência verdadeiramente evangélica, logrou alcançar a boa vontade e a atenção das nossas autoridades para a situação precária das instalações em que se vinha procurando fazer o ensino das belas-artes no Rio de Janeiro.

E as obras foram atacadas. Constam elas de novas galerias, criadas com aproveitamento de espaço ocupado por terraços inúteis. Pode-se calcular a área ganha como superior a um terço da área total do edifício.

Com a remodelação de toda a divisão interna, estão agora independentes as diversas seções do estabelecimento, que tem a entrada dos alunos da Escola separada da entrada dos visitantes do museu.

A escada da entrada principal para acesso às galerias foi desdobrada. em dois lances, colocados lateralmente, sendo aproveitado o espaço ao fundo para uma galeria de escultura.

O palácio das belas artes passa a ter galerias especias destinadas ao "salão" anual, acabando-se assim, como dissemos, com os sarrafos e as aniagens, de tão desagradável aspecto.

O edifício foi dotado de dois elevadores: um para o acesso dos alunos às salas de aulas e outro para os visitantes do museu.

Cuidou-se também de uma distribuição de luz capaz de ser aproveitada para o funcionamento do museu e da exposição à noite.

Em tudo isso obedeceu-se, como é natural, às linhas e ao estilo arquitetônico do edifício.

A execução dos melhoramentos e acréscimos, isto é, tudo que diz respeito com a parte arquitetônica, esteve a cargo dos professores Archimedes Memória e Gastão Baena [sic].

Os ornatos são sóbrios e distintos. Em volta das galerias destinadas ao salão anual foram colocados lambris, havendo também aí, como nas galerias do museu, mostruários para as pequenas obras de arte.

O professor Baptista da Costa procedeu a uma revisão geral na instalação dos quadros do museu, começando pelas obras da missão francesa que iniciou os estudos das belas artes no Brasil, seguindo-se depois os artistas nacionais em ordem cronológica sob o ponto de vista das épocas.

As obras do edifício ainda não estão concluídas, mas permitem, pelo seu adiantamento, realizar-se a inauguração de amanhã que é esperada com grande e natural curiosidade.

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O professor Baptista da Costa, diretor da Escola de Belas Artes

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

AS obras do palácio das Belas Artes. O Jornal, Rio de Janeiro, 11 nov. 1922, p. 3.

Associação dos Escultores em Madeira
Attilio Corrêa Lima
ATUALIDADES - O "SALÃO" DE 1911. O Paiz, Rio de Janeiro, 2 set. 1911, p.1.

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- Gostou da exposição de pintura deste ano, doutor?

- Bastante! Notei, com muito prazer, que este ano as molduras são menos espalhafatosas e que as telas são mais sinceras...

- Ah! Como explica isso?

- Talvez, porque este ano o júri resistiu à invasão dos terríveis amadores geniais, isto é, dos "artistas" que fariam maravilhas se não tivessem o bom senso de ganhar a vida em outra coisa...

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ATUALIDADES - O "SALÃO" DE 1911. O Paiz, Rio de Janeiro, 2 set. 1911, p.1.

August Herborth
Auguste Matisse
Auguste Petit
Augusto Bracet
Augusto Crotti
Augusto Girardet
Augusto José Marques Junior
Augusto Luiz de Freitas
Aurea Vianna Palmeira
Aurelia Coutinho
Aurelio Zimmermann
B. Vaz
Balthazar da Camara
Bambino
BAMBINO. NA EXPOSIÇÃO. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 7 set. 1902, p.2.

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- Não me dirás para que se nomeia um júri em todas as exposições anuais?

- Ora essa! para aceitar o que é bom e rejeitar o que é mau!

- Entretanto, vejo aqui, ao lado de belos trabalhos, uma série de quadrinhos infantis... verdadeiras "botas"!

- Admiras-te, porque ignora que o júri desta casa é só para inglês ver.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

BAMBINO. NA EXPOSIÇÃO. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 7 set. 1902, p.2.

Barandier da Cunha
BARATA, Frederico. A XXXIV EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS-ARTES - Os disputantes do prêmio de viagem à Europa. O Jornal, Rio de Janeiro, 21 ago. 1927, p. 3.

Frederico BARATA

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(Para O JORNAL)

A XXXIV Exposição Geral de Belas Artes, com seu meio milheiro de trabalhos, é das maiores demonstrações de esforço que conhecemos no nosso meio artístico. Por isso mesmo a sua análise deve ser feita com grande benevolência, procurando qualidades com otimismo e não rebuscando com pessimismo falhas e defeitos.

De todas as salas em que se subdivide o "Salon", desperta maior atenção pública a que abriga os candidatos ao prêmio de viagem da seção de pintura, os quais nunca se apresentaram em tão elevado número.

O júri terá de decidir entre nove concorrentes, que são as senhoras Haydéa Lopes Santiago e Sarah Villela de Figueiredo, as senhorinhas Gilda Moreira e Edith de Aguiar e os srs. Manoel Santiago, Cadmo Fausto, Candido Portinari, Orlando Teruz, Manoel Faria e Gastão Formenti. Como o fará? Obedecendo a um critério técnico ou artístico?

É esse um ponto ainda não resolvido na concessão da mais importante das premiações do "Salon" e sobre o qual agora se vai firmar doutrina. Até aqui eram sempre poucos os disputantes (um ano houve com um só, o sr. Almeida Junior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior]), e fácil era ao júri pronunciar-se, tanto mais quanto desde o "Salon" anterior, por um critério de antiguidade, já se ficava sabendo mais ou menos qual seria o premiado no ano seguinte. Agora, não. O júri terá de proceder a uma análise sincera e refletida e, mesmo realizando o julgamento por eliminatórias, chegará a um ponto de seleção em que se defrontará com quatro candidatos apreciáveis.

Desses quatros um há que não revela personalidade mas mostra justeza acadêmica, com boas qualidades de desenho, colorido, distribuição de luz e regular ambientação da tela.

Um outro, com personalidade fortemente marcada, descuida-se um pouco dos rigores acadêmicos para beneficiar o sentimento de que se impregnaram os seus trabalhos nacionalistas: é mais artista.

Outro ainda, destaca-se por uma exibição maior ainda dessas qualidades íntimas que transformam as telas em verdadeiros poemas de doçura, altamente emotivos, de uma emotividade romântica a lembrar Musset ou Lamartine.

E, finalmente, o último dos quatro a que nos referimos, apresenta uma contribuição mais fraca pela facilidade dos assuntos abordados, tendo tido muito menores dificuldades a resolver, mas indiscutivelmente forte pelas qualidades que encerra na sua simplicidade de técnica, que chega a ser quase uma síntese, pesquisada com carinho e sentimento moderno.

Esses candidatos - era quase inútil nomeá-los - são os srs. Cadmo Fausto e Manoel Santiago, a senhora Haydéa Lopes Santiago e o sr. Candido Portinari.

Dentre eles terá o júri de escolher um, cuja vitória depende exclusivamente do critério da comissão.

Se a viagem à Europa for encarada não como recompensa a um trabalho exposto, mas como prêmio a toda a [sic] uma obra e a todo um esforço, tendo em vista o mérito artístico, a personalidade revelada e, sobretudo, as possibilidades que tenha o candidato de aproveitar a estadia no Velho Mundo, não há como negar ao sr. Manoel Santiago a dianteira na grande corrida.

Já no ano passado sua obra era digna da elevada recompensa e o júri, por maioria de um voto apenas, negou-a para não quebrar a praxe de antiguidade que beneficiou o sr. Armando Vianna como forçara anteriormente o sr. Oswaldo Teixeira a dois anos de espera...

Não há, porém, prognóstico possível quanto ao julgamento dos disputantes do prêmio de viagem.

Em 1926, quando o sr. Manoel Santiago superava esmagadoramente os demais concorrentes pelo conjunto de qualidades da obra exposta, isto é, da obra imediata, foi concedido o prêmio a outro. Como assegurar, pois, que ele seja o vitorioso deste ano quando tem, dentro desse mesmo imediatismo de análise, concorrentes da força de Haydéa Lopes, Candido Portinari e Cadmo Fausto?

É verdade que a sua exclusão novamente seria uma injustiça. Não representaria, porém, absurdo da força de outros que tem sido praticados em anos anteriores e dos quais nos dá comovido exemplo um quadro exposto no "Salon" atual por um premiado que regressou da Europa. Regressou e regrediu, por culpa dos que o julgaram não pelo mérito do seu talento estudado em todo o desenvolvimento da sua obra, mas unicamente pela habilidade revelada em um trabalho menos infeliz.

Essas as considerações que nos parecem oportunas antes do "veredictum" da comissão julgadora, que é constituída pelos professores Elysêo Visconti e Rodolpho Amoedo e pintores Guttman Bilho [sic] e Almeida Junior. Mais tarde havemos de examinar minuciosamente a obra dos disputantes do prêmio de viagem que - é esse o único ponto indiscutível - será na seção de pintura "por droit de qualité".

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BARATA, Frederico. A XXXIV EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS-ARTES - Os disputantes do prêmio de viagem à Europa. O Jornal, Rio de Janeiro, 21 ago. 1927, p. 3.

BARATA, Frederico. A XXXV EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 24 ago. 1928, p. 3.

Os doze concorrentes ao prêmio de viagem à Europa, na seção de pintura

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Os mestres: Elyseu Visconti, Henrique Bernardelli e Rodolpho Amoedo

Frederico BARATA

(Para O JORNAL)

Não se pode negar que a época atual da pintura brasileira oferece muito maior interesse à critica do que essa outra que viu nascerem Almeida Junior, Pedro Américo, Victor Meirelles ou Zeferino da Costa. Menos estável, mais movimentada nas suas variadas tendências técnicas, a nossa época é por isso mesmo muito mais interessante. Imaginamos o que deveria ser um "Salon" ao findar o século passado, monótono, meticuloso, dogmático, escuro. Hoje, pelo menos, há liberdade, há luz, há contrastes... E, curiosidade a assinalar, quando parece declinar em todo o mundo o culto das extravagâncias é que ele começa a surgir aqui, atrasado de quase meio século. François Fosca, fazendo a critica do "Salon des Indépendants", assinalava recentemente o quanto essa exposição perdera o seu poder outrora enorme de excitar a indignação e o desprezo, e explica o fenômeno dizendo que vivemos uma época de democratização estética, como se os tumultos artísticos destes últimos quarenta anos tivessem gerado o receio das aventuras ousadas. A verdade, porém, é que elas existem ainda. O que diminuiu foi a capacidade emotiva do público e não a audácia dos pintores. Raros são os que ainda sabem negar e mais raros os que se escandalizam. Quem vê Lindberg atravessar em avião, sozinho e diretamente, a formidável distância que separa Nova York de Paris, quem fala pelo telefone de um continente para outro não se acha com o direito de recusar nada. O que parece absurdo bem pode ser a verdade... O regime é de grande, enorme tolerância. E os absurdos aí estão idênticos aos que os antecederam, só parecendo mais fracos porque desapareceu a reação que contra eles erguiam as convenções, os cânones e os dogmas do velho academismo intransigente. Para muitos, essa tolerância é uma característica de desordem estética, de verdadeira anarquia. Já era essa a opinião dos que combatiam Manet, Cézanne, Dégas, Monet, Picasso... Vale mais, pois, que sejamos tolerantes e possamos ver a beleza em um Rembrandt ou em um Matisse, em um Miguel Angelo, em um Rodin ou em um Bourdelle. A beleza, em arte, não se pode evidentemente medir pela fórmula de que se serve o artista para transmiti-la. Não julgariam os gregos, ao tempo das xoanas, que essas esculturas rudimentares eram a suprema conquista da arte? E depois que esses mesmos gregos aos nossos olhos mais se aproximaram da perfeição graças aos Phidias, aos Scopas e Praxitelles, não vamos nos voltando ao culto do primitivismo, denominando simplicidade, poder de síntese, ao que ontem chamávamos ignorância? Quantos sorrisos de piedade não nos dirigirão ainda os pósteros julgando a nossa incapacidade de sentir a beleza, pela qual muita vez [sic] passamos indiferentes para celebrarmos, possivelmente, o horrível como se o belo fora! Será o mesmo sorriso que hoje destinamos aos que num passado não distante recusaram beleza à obra dos impressionistas ou, mais longinquamente, tiveram a audácia de combater Franz Halls...

EM TORNO DA VIAGEM À EUROPA

Acompanharemos a época. Com infinita tolerância vamos penetrar na XXXV Exposição Geral, ora franqueada ao público na Escola de Belas Artes. Como sempre, todas as atenções convergem em primeiro lugar para a sala em que se alinham os candidatos ao prêmio de viagem à Europa.

Só na seção de pintura, por culpa da facilidade em conceder medalhas de prata, eles são este ano em número de doze: Cadmo Fausto, Candido Portinari, Edith de Aguiar, Euclydes Fonseca, Gastão Formenti, Gilda Moreira, João de Azevedo, Manoel Constantino, Manoel Faria, Orlando Teruz, Orozio Belém e Sarah Villela de Figueiredo. Pouco trabalho, porém, vai ter o júri para julgá-los, visto como alguns se apresentam tão fracos que não resistirão sequer a uma benévola eliminatória inicial. Os srs. Cadmo Fausto, Candido Portinari e Manoel Constantino são os favoritos. O primeiro já no ano passado, disputando o mesmo prêmio, perdeu apenas por um voto para o sr. Manoel Santiago, que já se encontra em Paris. É um disputante que se apresenta com qualidades apreciáveis, se bem que ainda um pouco hesitante. Abordando um gênero difícil - o ar livre - conserva a mesma monotonia de colorido da exposição antecedente e até mesmo os motivos escolhidos são idênticos aos do ano passado. Dir-se-ia que teve receio de pintar assunto diferente, se bem que revele condições ótimas para fazê-lo.

O sr. Candido Portinari assina um magnífico retrato do sr. Olegário Marianno. Não se poderia discutir o seu direito à premiação se só com esse trabalho a ela se tivesse candidatado. Com muito caráter, bom colorido e sólida construção é ele digno da cobiça recompensa.

O sr. Portinari, entretanto, que desde 1926 disputa com retratos a viagem à Europa, apresenta também, e pela primeira vez, uma composição que muito deixa a desejar. Por onde se orientará a comissão julgadora? Pelo mérito excepcional do retrato ou pelo conjunto grandemente prejudicado pela composição em que cada figura constitui um quadro isolado, sem ambientação alguma?

A QUESTÃO DO AMBIENTE DE TRABALHO

O sr. Manoel Constantino apresenta-se com duas composições: "Morte de Mimi" e "Dama das Camélias". Ambas dão-nos a impressão de terem sido executadas no interior de um quarto escuro e talvez não nos enganemos. Os nossos artistas lutam, em sua maioria, com grandes dificuldades de ateliers e não raro são forçados a trabalhar em ambientes impróprios, sem luz e sem espaço. Ainda no ano passado vimos um dos nossos bons pintores, aliás, hoje professor da Escola, ser vítima de uma partida que lhe pregou o diminuto quarto que lhe servia de atelier. Nele fez posar o modelo, para um nu, quase sem distância para apreciar os efeitos da distribuição de tintas. Habituou-se, porém ao trabalho naquele ambiente e acabou por não sentir mais nem essas deficiências, nem as de luz. Dado o quadro por terminado, mandou-o para o "Salon" e só aí, depois de exposto, quando não havia mais remédio, descobriu os inúmeros defeitos que não vira antes e nos quais incorrera unicamente por culpa do ambiente em que trabalhara. Essa questão do mau ambiente em que trabalha o artista tem maior importância do que a primeira vista pode parecer e dela deve ter sofrido as consequências o sr. Manoel Constantino, tanto quanto no ano passado o sr. Marques Junior que é o pintor ao qual acima nos referimos. E leva-nos a essa conclusão o conhecimento perfeito que temos das suas possibilidades que não estão de modo nenhum representadas pelas duas telas "Morte de Mimi" e "Dama das Camélias", com um colorido peculiar a cartazes de cinema. Esta última dir-se-ia que acabara de levar um repelão mais violento do enciumado Armando Duval, resultando da queda machucar uma das mãos que, inchando, tornou-se maior do que a outra...

Uma concorrente também apreciável é a senhorita Edith de Aguiar. Há anos que a vimos acompanhando e sempre nela temos encontrado progressos a assinalar. Sua contribuição deste ano é boa, destacando-se o retrato de "Mlle. E. S." e uma paisagem feliz não só pelo corte como pela interpretação (nº 84). E se é certo, como se propala nas rodas dos artistas que a senhorita Edith de Aguiar não poderá nunca obter o prêmio de viagem por ter seus estudos em parte no estrangeiro, não se lhe pode recusar a outorga de uma outra recompensa.

Também não podem passar sem uma referência o sr. Orlando Teruz e a senhora Sarah Villela Figueiredo, cuja contribuição é inferior, todavia, a outras que dela temos visto. Aquele revela ousadia de concepção, mas se descuida das figuras que em um dos quadros - o do barco - chegam a ser disformes, aproximando-se quase daqueles "Primevos" que Antonio Parreiras expôs em "Salon" anterior.

Em resumo, e a rigor, o prêmio de viagem não poderia caber este ano à seção de pintura.

OS DA VELHA GUARDA

Passemos agora à velha guarda, Elyseu D'Angelo Visconti, Rodolpho Amoedo e Henrique Bernardelli são os únicos que a representam.

Elyseu Visconti constitui, ele só, uma série de capítulos da história da evolução da nossa pintura. Numa ânsia de se aperfeiçoar, pesquisando sempre, não para nunca esse espírito infatigável e eternamente moço. Carlos Malheiro Dias contava-nos outro dia, maravilhado, o espanto de que se deixara possuir ao entrar em princípios deste ano no atelier do grande Malhôa, em Portugal. Vira um artista novo, até então desconhecido, mais ardente, mais luminoso, mais vivo, diferente do Malhôa anterior que se habituara a amar, mas sempre grande e cada vez mais forte e mais admirável. Com Visconti se passa o mesmo. Cada vez que o vemos é novo e sempre grande, sempre forte. Quão diferente é o Visconti que produziu "S. Sebastião" e "Oreades", do que produziu "Cura de Sol" e "Samothrace" e do que agora apresenta "Os deserdados", "Para a Escola", "Retrato" (91), e "Igreja de Santa Tereza"! Mas que belo artista é em qualquer dessas fases, tão distantes uma da outra! Em "Retrato" um magnífico retrato de sua senhora, conseguiu Elyseu Visconti efeitos de luz ao ar livre de surpreendente beleza, mas com doçura, sem cores berrantes e sem artifícios, e mais uma vez nos apresenta aí uma feliz amostra do que poderíamos chamar um "primeiro plano atmosférico" que se interpõe entre a figura - primeiro plano real - e o observador, pesquisa a qual se vem devotando com ardor de certo tempo para cá.

H. BERNARDELLI

Henrique Bernardelli, o velho mestre de "Bandeirantes", da Pinacoteca Nacional, oferece-nos este ano nada menos de 28 trabalhos. Dentre eles vinte são retratos das alunas que estudam no seu atelier, à Avenida Atlântica. Em conjunto, essa série de retratos não causa boa impressão. Tratados com o mesmo colorido, sem a mínima variação e todos apanhados em rigoroso perfil, ficam monótonos e prejudicados, dando a ilusão de que foram posados por um único modelo. São retratos para serem vistos isolada e espaçadamente. De todos os trabalhos expostos pelo professor Bernardelli é talvez o melhor o "Retrato do professor Bernardelli", seu irmão, que nos agradou imensamente, tanto quanto nos desagradou "Na varanda", onde se vê em primeiro plano uma figura de moça que cruza as pernas em atitude forçada e quase incompreensível, como se as tivesse de madeira ou ferro. Idêntica dureza se nota no movimento do pescoço. "Manton de Manilla" é um belo quadro e, em verdade, um ótimo retrato da senhora Sarah Villela de Figueiredo, discípula do pintor.

R. AMOEDO

O sr. Rodolpho Amoedo, outro artista consagrado é um dos que mais notáveis obras possuem na Pinacoteca nacional, apresenta um único trabalho: "Jesus descendo o Monte das Oliveiras". É um quadro que não é novo. O professor Rodolpho Amoedo, quando há pouco visitamos o seu atelier, terminava para o "Salon" uma grande tela que, entretanto não enviou. Lamentamo-lo, porque "Jesus descendo o Monte das Oliveiras" é trabalho inexpressivo que não dá margem a que por ele se possa julgar da evolução ou da decadência de um mestre da estrutura do seu autor.

Em outro artigo prosseguiremos na análise da atual Exposição Geral de Belas Artes. E estudaremos, para encerrá-la, os trabalhos enviados pelos srs. Nelson Netto e Theodoro Braga - nos quais nos queremos deter um pouco mais - assim como os que remeteram os srs. A. Bracet, Carlos Oswaldo, Cesar Turatti, F. Manna, Georgina de Albuquerque, Genesco Murta, Henrique Cavalleiro, Hernani de Irajá, João Thimotheo da Costa, João Zacco Paraná, Jordão de Oliveira, Lucílio de Albuquerque, Almeida Junior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior], Marques Junior, Oswaldo Teixeira, Padua Dutra, Pedro Bruno, Porciuncula de Moraes, Paulo Gagarin, Suzanna de Mesquita e Yvone Visconti

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BARATA, Frederico. A XXXV EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 24 ago. 1928, p. 3.

Barbasan Lagueruela
Baronne de Maltzon Vidal
Basilio Franscisco Nunes
Beatriz Ferro Cardoso de Miranda
Beatriz Pompeu de Camargo
Beatriz Savio
BELAS ARTES - ... EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 ago. 1921, p.8.

Realizou-se anteontem, na Escola Nacional de Belas Artes, a votação da "Medalha de honra", a ser conferida pelos expositores da [sic] atual "Salão" ao artista brasileiro que mais se distinguir entre eles.

O resultado da referida votação foi o seguinte: 1º escrutínio - Antonio Parreiras, 12 votos; Elyseu Visconti, 9 votos; Belmiro de Almeida, 2 votos; em branco 2. 2º escrutínio - Antonio Parreiras, 13 votos; Elyseu Visconti, 10; Belmiro de Almeida, 2; em branco, 2. 3º escrutínio - Antonio Parreiras, 13 votos; Elyseu Visconti, 12; Belmiro de Almeida, 1; em branco 1 voto.

Não tendo nenhum dos artistas acima mencionados, obtido dois terço [sic] dos votantes, não se verificou o conferimento da aludida medalha, que ficou, na forma do regimento das Exposições gerais, a juízo do Conselho Superior de Belas Artes conferi-la ou não.

Conforme já é público, a Exposição permanecerá aberta somente até o fim do corrente mês, devido ao estado de obras da Escola.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BELAS ARTES - ... EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 ago. 1921, p.8.

BELAS ARTES - 28ª EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 ago. 1921, p.7.

Continua aberta, até o fim do mês, na Escola de Belas Artes, a Exposição Geral do corrente ano, que foi, ontem, visitada por cerca de 1.000 pessoas.

Hoje, às 9 horas reunir-se-ão os juris das diversas seções para julgarem os trabalhos expostos e conferir os prêmios, inclusive o de viagem.

No dia 20, às 13 horas, terá lugar a votação da Medalha de Honra, somente podendo votar os expositores premiados em exposições anteriores.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BELAS ARTES - 28ª EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 ago. 1921, p.7.

BELAS Artes - O Despertar de Ícaro. Careta, Rio de Janeiro, n. 225, 21 set. 1912, n/p.

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- Sim senhor, seu coisa. Quem deve estar contente é o Lucílio

- E vai mudar o nome do quadro. Fica mais próprio. " O despertar do governo"

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Digitalização Fundação Bibliotheca Nacional

Transcrição de Arthur Valle

BELAS Artes - O Despertar de Ícaro. Careta, Rio de Janeiro, n. 225, 21 set. 1912, n/p.

BELAS ARTES - VOTAÇÃO PARA A "MEDALHA DE HONRA" DA 28ª EXPOSIÇÃO GERAL. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 ago. 1921, p.6.

Por falta de número legal não se realizou ontem a votação para a "medalha de honra", a ser conferida pelos expositores do atual "Salão" ao artista brasileiro que mais se distinguir na Exposição, devendo haver para tal fim nova reunião amanhã às 13 1/2 horas.

Somente poderão votar os expositores premiados em exposições anteriores.

Hoje, por ser domingo, a entrada na Exposição é grátis.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BELAS ARTES - VOTAÇÃO PARA A "MEDALHA DE HONRA" DA 28ª EXPOSIÇÃO GERAL. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 ago. 1921, p.6.

BELAS ARTES NO PORÃO. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 set. 1912, p.7.

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Esta exposição é para os ratos, ao menos eles não me metem as botas.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

BELAS ARTES NO PORÃO. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 set. 1912, p.7.

BELAS ARTES. A exposição geral deste ano. O Jornal, Rio de Janeiro, 10 ago. 1924, p.3.

Amanhã teremos o "vernissage" da exposição geral deste ano e na terça-feira, depois de amanhã a inauguração oficial desse certame, às 13 horas, com a presença das altas autoridades.

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"A saída da escola" – Quadro de J. Geoffrey

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS ARTES. A exposição geral deste ano. O Jornal, Rio de Janeiro, 10 ago. 1924, p.3.

BELAS ARTES. A INAUGURAÇÃO OFICIAL DA EXPOSIÇÃO GERAL DESTE ANO. O Jornal, Rio de Janeiro, 13 ago. 1925, p. 2.

Com a presença de várias altas autoridades e membros do corpo diplomático, foi ontem inaugurada a Exposição Geral de Belas Artes deste ano. O fato revestiu-se de brilho particular, em virtude da numerosa e escolhida concorrência. As diversas galerias transbordaram de visitantes, que ali foram admirar os trabalhos dos nossos artistas.

A partir de hoje a exposição estará diariamente franqueada à visita do público, das 11 às 17 horas.

Com mais vagar registraremos impressões sobre esse certame.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

BELAS ARTES. A INAUGURAÇÃO OFICIAL DA EXPOSIÇÃO GERAL DESTE ANO. O Jornal, Rio de Janeiro, 13 ago. 1925, p. 2.

BELAS ARTES. A INAUGURAÇÃO OFICIAL DO "SALÃO" DE 1925. O Paiz, Rio de Janeiro, 13 ago. 1925, p. 4.

Conforme estava marcado, realizou-se ontem, às 15 horas, a inauguração oficial do "Salão" de 1925, na Escola Nacional de Belas Artes.

A esse ato, que esteve brilhantíssimo, compareceram representantes do mundo oficial, políticos, diplomatas e várias outras pessoas, entre as quais pudemos anotar as seguintes: Dr. Miguel Mello, representando o Sr. presidente da República; Dr. Alaor Prata, prefeito do Distrito Federal, Dr. Mello e Souza, representando o Sr. ministro da justiça; representante do comandante da polícia militar; senador Paulo de Frontin, embaixador da França, ministro do Uruguai, ministro da China, Dr. José Mariano Filho, Dr. Nereu Sampaio, barão Ramiz Galvão, general Moreira Guimarães, senador Fernandes Lima, Dr. Laudelino Freire, Dr. Goulart de Andrade, Dr. Carneiro Leão.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

BELAS ARTES. A INAUGURAÇÃO OFICIAL DO "SALÃO" DE 1925. O Paiz, Rio de Janeiro, 13 ago. 1925, p. 4.

Belas Artes. A inauguração oficial do salão de 1924. O Jornal, Rio de Janeiro, 13 ago. 1924, p.3.

Está inaugurada a exposição geral de belas artes. É o salão anual dos nossos artistas. O mundo oficial não compareceu, mas fez-se representar. A indiferença do oficialismo pela nossa evolução artística nestes últimos tempos tem sido completa. Mas isso não impedirá que ela se desenvolva e progrida sob o amparo do publico e daqueles que vivem da arte e pela arte, publico e artistas animados pelo mesmo ideal, por ser comum e superior a fé que os inspira.

O palácio das artes belas burburinhou de visitantes. Os salões ocupados pelos trabalhos que constituem a presente exposição geral, transbordaram de famílias. Digno de ser registrado o interesse manifestado por todos na apreciação desse agradável conjunto, que representa mais um passo na afirmação de uma etapa tão cheia de labor e de dificuldades - a marcha para o triunfo definitivo da arte no nosso país. E essa vitória será um fato positivo dentro em breve, se, como bem disse o professor Baptista da Costa, fora do terreno das competições pessoais, todos os artistas se congregarem para trabalhar por esse alevantado objetivo.

Estiveram presentes à cerimônia inaugural os srs. embaixadores de Portugal e dos Estados Unidos da América do Norte. Vem a propósito registrar que o sr. embaixador Edwin Morgan, muito se tem interessado pelas nossas coisas de arte e pelos nossos artistas, promovendo o envio de telas de pintores brasileiros para o seu país.

A exposição geral de belas artes estará aberta, diariamente, das 11 às 17 e das 19 às 22 horas como nos anos anteriores.

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A representação oficial na inauguração da exposição deste ano

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

Belas Artes. A inauguração oficial do salão de 1924. O Jornal, Rio de Janeiro, 13 ago. 1924, p.3.

BELAS ARTES. A INAUGURAÇÃO OFICIAL DO SALÃO DESTE ANO. O Jornal, Rio de Janeiro, 14 ago. 1923, p.3.

O ato de inauguração oficial da Exposição Geral de Belas Artes, reuniu em torno dos trabalhos que constituem o salão deste ano, o escol da nossa intelectualidade e do meio social carioca.

A mais alta autoridade do país, o Sr. presidente da República, compareceu, acompanhado dos chefes de suas casas civil e militar, dos Srs. ministro da Justiça, presidente da Câmara dos Deputados e governador da cidade.

O Sr. presidente da República percorreu todas as salas onde se acham expostos os trabalhos dos nossos artistas. Começou pela seção de pintura, passando depois às seções de escultura, gravura e arquitetura.

Era desejo do Sr. presidente Arthur Bernardes demorar-se mais algum tempo em vista às galerias da Escola de Belas Artes, mas não lhe foi isso possível por ter compromisso de hora para outra solenidade.

A impressão recebida pelo Sr. presidente foi muito agradável, segundo manifestou ao diretor da Escola de belas Artes, professor Baptista da Costa, a quem pediu para ser o intérprete de suas felicitações muito calorosas aos artistas ali representados com seus trabalhos.

A notícia de que o Sr. presidente da República prometeu voltar ao salão anual dos nossos artistas merece ser registrada com prazer. Essa visita oferecerá ensejo para o chefe da nação admirar também a pinacoteca nacional e ver a situação em que a mesma se encontra, sem serventes para o serviço de limpeza, sem guardas para que as galerias possam ser franqueadas à visita do público. O Sr. presidente Arthur Bernardes verificará também a necessidade de serem concluídas as reformas por que vinha passando o edifício e cujas obras estão paralisadas.

Deixar aquilo como está, não dotar a Escola de Belas Artes com pessoal suficiente para o asseio da casa e com guardas em número capaz de permitir o franqueamento das galerias à visita do público, é atentar contra o patrimônio nacional.

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A Exposição Geral de Belas Artes estará aberta todos os dias das 11 às 17 horas e das 18 às 22 horas.

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O sr. presidente da República e outras pessoas presentes à Exposição Geral de Belas Artes.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BELAS ARTES. A INAUGURAÇÃO OFICIAL DO SALÃO DESTE ANO. O Jornal, Rio de Janeiro, 14 ago. 1923, p.3.

BELAS ARTES. A MEDALHA DE HONRA NO "SALÃO" DE 1925. O Paiz, Rio de Janeiro, 31 ago. 1925, p. 2.

Por não se ter reunido o número legal de expositores deixou de ser concedida a medalha de honra, no corrente ano.

A exposição, que tem sido muito visitada, continua aberta de 11 às 17 horas.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

BELAS ARTES. A MEDALHA DE HONRA NO "SALÃO" DE 1925. O Paiz, Rio de Janeiro, 31 ago. 1925, p. 2.

BELAS ARTES. DIVERSAS NOTAS. O Jornal, Rio de Janeiro, 16 ago. 1924, p.3.

Quem atentar ao número de exposições que se tem realizado nestes últimos tempos, não terá razão para desalento ou pessimismo, quanto ao desenvolvimento da nossa vida artística que, verdade seja dita, vão sendo cada vez mais intensa e promissora.

Além da exposição geral dos artistas patrícios, temos atualmente diversos certames valiosos. Nesses e na série de mostras individuais realizadas nestes últimos tempos as aquisições têm sido bastante animadoras.

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"Banhistas" - Quadro de Zier

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS ARTES. DIVERSAS NOTAS. O Jornal, Rio de Janeiro, 16 ago. 1924, p.3.

BELAS ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 12 ago. 1920, p.9.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Inaugura-se hoje, às 15 ½ horas, o Salão de 1920, de pintura, escultura arquitetura, gravura e artes aplicadas, com a presença do Sr. Presidente da República e todas as altas autoridades federais e municipais. Ontem realizou-se o "vernissage" que teve grande animação, sendo a impressão geral muito agradável, por primar a atual exposição mais pela qualidade do que pela quantidade.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 12 ago. 1920, p.9.

BELAS ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 ago. 1921, p.8.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES

Continua aberto, na Escola de Belas Artes, o "Salão" do corrente ano, que tem sido bastante visitado.

Sábado último visitaram toda a Exposição os Srs. Ministro da Justiça e Dr. Raul Veiga, presidente do Estado do Rio.

Devido ao estado de obras no edifício da Escola, o "Salão" permanecerá aberto somente até o fim do corrente mês de agosto.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BELAS ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 ago. 1921, p.8.

BELAS ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 31 ago. 1921, p.10.

A ENTRADA DO "SALON" - Continua a ser muito visitado o atual salão, instalado no edifício da Escola Nacional de Belas Artes, o qual, encerrar-se-á, impreterivelmente, no dia 12 de Setembro próximo.

Comunica-nos a Diretoria da Escola de Belas Artes, que dessa data em diante conservar-se-á fechado o portão principal do edifício, sendo a entrada feita pelo portão da rua Porto Alegre, fronteiro à Biblioteca Nacional. Devido às obras que estão se efetuando neste edifício, as galerias de pintura e esculturas, conservar-se-ão fechadas, não sendo permitido o ingresso às pessoas estranhas.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BELAS ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 31 ago. 1921, p.10.

BELAS ARTES. NA ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 12 ago. 1923, p.3.

O salão de 1923

Realizou-se ontem, na Escola de Belas Artes, o "vernissage" da XXX Exposição Geral de Belas Artes.

A comissão diretora é composta dos Srs. Rodolpho Chambelland, Raul Lessa Saldanha da Gama e Petrus Verdié. São membros do juri os Srs. J. Baptista da Costa, Rodolpho Amoêdo, Marques Junior e Helios Seelinger, sendo que estes últimos eleitos pelos expositores. Andaram acertados os artistas brasileiros.

Helios Seelinger é um pintor de grande talento e que possui originalidade, e sendo moderno sabe marcar com certa precisão. Os seus recursos são admiráveis e cremos que se o jovem artista quisesse ter um pouco mais de cuidado com as suas telas, nos ofereceria trabalhos perfeitos, porquanto tem aptidões e estudos para isto.

Marques Junior é um nome. Sua exposição foi uma grande revelação entre nós - o pensionista da Escola trazia algo de novo para o nosso meio - vinha portador de uma nota inédita e senhor de uma técnica admirável e de um colorido rico e vibrante.

O Salão deste ano traz muitas surpresas. Dos novos ocupa o primeiro plano o Sr. Oswaldo Teixeira, nome dos mais admirados entre nós, e que apesar de sua juventude, já se impôs como um artista de raras aptidões e de soberba técnica. Naturalmente, o prêmio de viagem deste ano lhe será conferido.

A senhora Aurea Vianna Palmeira, expõe pela primeira vez, no "salão". São três as paisagens que assina - dois aspectos do Rio e um interior de jardim. A jovem pintora é aluna do Sr. Virgilio Mauricio e executou as suas telas sob a direção do pintor. É de esperar que novos triunfos coroem a estreia da artista que se revela possuidora de uma técnica larga e segura, servida por um belo desenho e uma compreensão de valores admirável.

A jovem pintora inicia sua carreira brilhantemente e desde já o seu nome figura na lista dos artistas nacionais.

O Sr. Portinari é também muito jovem. Figura com brilho no atual certame. Um outro juvenil artista é o Sr. Osorio Belém [sic], que também dá opiniões sobre pintura e o que é mais sério, discute pintura. Vi os trabalhos que enviou à Escola. Não posso compreender como foi admitida a sua pintura de uma mediocridade e de uma incorreção de desenho que pasmam.

Qual é o critério do júri? Em que se baseia a comissão julgadora? Que é um "salão"?

Um salão é o certame dos pintores e não uma exposição de alunos; - um salão é um lugar onde se presume serem encontrados trabalhos que afirmem um nome ou revelem um temperamento. Reunir telas só pelo prazer do número, ou para cobrirem as paredes das galerias, é um critério dos mais perigosos e que põe em jogo a comissão julgadora, no ponto de vista de conhecimentos técnicos e de apreciação artística. Como o trabalho do Sr. Belém existem vários outros. O desenho, entretanto, que o jovem estreante assina, tem qualidade recomendáveis e sua admissão serve de estímulo ao juvenil pintor. Ao demais é um péssimo critério este de aceitar no "Salão" trabalhos de principiantes.

Surpreende-nos, sobretudo, porque sendo membros do júri dois jovens de real valor e de visão própria, modernos, que seguem a nossa época, como Helios Seelinger e Marques Junior, não se explica a admissão de uma série de estudos abaixo do medíocre, os quais merecerão, no próximo domingo, crítica justa e sincera. Não sabemos se o Sr. Lucilio de Albuquerque faz parte do júri. Esse distinto pintor é um batalhador e que tem apresentado, ultimamente uma série de paisagens que o sagram um grande e inconfundível artista. Quanto ao Sr. Rodolpho Amoêdo, o seu julgamento não nos interessa. O homem que assina pomposamente as decorações das duas rotundas do Teatro Municipal não pode ter opinião sobre pintura. Deve aceitar tudo que foi enviado à Escola e premiar tudo, porque se alguma coisa tivesse a recusar seria os mostrengos que desfiguram as duas pequenas saletas contíguas ao "foyer" do Municipal onde, no "plafond", se irradia fulgurantemente, a obra do Sr. Elyseu Visconti.

Somos grande admiradores do Sr. Rodolpho Amoêdo, desse artista que se imortalizou com a "Partida de Jacob" - do mestre que pincelou "O último Tamoyo", do pintor que marcou o magnífico "Jesus em Capharnaum", do brasileiro que enternece com a "Narração de Philetas", do homem que traduziu "Desdemona" e "Más notícias" - telas de pulso e afirmadoras de um nome, de um temperamento. Este é o Rodolpho Amoêdo, o nosso grande pintor - o que decorou o Municipal e vários outros edifícios públicos, é a sombra confusa do verdadeiro, cujo nome é para nós consagrado, mas cuja obra está sujeita à crítica, ao reparo - o que lhe deve ser útil e sobretudo porque é de nosso dever.

Sim, o dever do crítico, daquele que procura orientar é o de ser sincro [sic] e justo. Não temos em se tratando de arte preferência, não conhecemos amigos, não nos interessam as nossas amizades. Julgamos a obra como ela se nos apresenta.

Procuramos ser justos.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BELAS ARTES. NA ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 12 ago. 1923, p.3.

BELAS ARTES. O "Salão". O Paiz, Rio de Janeiro, 19 ago. 1928, p. 7.

Hoje, domingo, tanto o "Salão" como a Pinacoteca da Escola de Belas Artes estarão abertos das 12 às 17 horas.

Para facilitar a visita do público ao "Salão", resolveu a comissão diretora que à noite, das 19 às 22 horas, permanece o mesmo aberto.

O capitalista e industrial Sr. Zeferino de Oliveira, em carta endereçada à comissão organizadora do atual "Salão", declarou que, desejando cooperar para o progresso da arte nacional, resolveu oferecer no corrente ano, a importância de 4:000$ para ser distribuída, como prêmio de estímulo, aos expositores das seções de pintura, escultura e gravura e arquitetura, a juízo da comissão.

Assim, estão de parabéns os expositores do corrente ano, pelo gesto filantrópico do conhecido capitalista.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS ARTES. O "Salão". O Paiz, Rio de Janeiro, 19 ago. 1928, p. 7.

BELAS ARTES. O "VERNISSAGE" DA EXPOSIÇÃO GERAL DESTE ANO. O Jornal, Rio de Janeiro, 12 ago. 1923, p.3.

Teve grande animação o "vernissage" do salão deste ano. É a trigésima Exposição Geral de Belas Artes, organizada pelos nossos artistas. Foi uma tarde de animação naquele recinto, cujo aspecto é agora bem mais condigno, graças à remodelação por que passou o palácio das artes belas.

Apesar do desânimo que se pretende implantar no nosso meio artístico, o salão deste ano é bem mais forte do que se esperava. Foi mesmo surpresa para muitos ver tantos trabalhos reunidos. Essa impressão não é motivada pelo concurso que dá a esse certame o pintor Antonio Parreiras. Registrando-a, queremos nos referir à animação geral, apesar de não terem concorrido vários dos nossos artistas.

Quanto ao contingente do Sr. Antonio Parreiras, devemos dizer que ele é valioso em quantidade e em qualidade numa grande parte. As telas do pintor Parreiras ocupam toda a ampla sala em que, na exposição do centenário da independência, se apresentaram os artistas belgas.

A inauguração oficial do salão será hoje às 13 horas, estando convidado para presidi-la o presidente da República. Deverão comparecer outras altas autoridades.

A comissão diretora da Exposição Geral de Belas Artes, deste ano, é composta dos professores Rodolpho Chambelland, Raul Lessa, [sic] Saldanha da Gama e Petrus Verdié.

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Um grupo de artistas tirado por ocasião do "vernissage" do salão deste ano.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BELAS ARTES. O "VERNISSAGE" DA EXPOSIÇÃO GERAL DESTE ANO. O Jornal, Rio de Janeiro, 12 ago. 1923, p.3.

BELAS ARTES. O "VERNISSAGE" da XXXV EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 11 ago. 1928, p. 3.

A tradicional festa de camaradagem espiritual, vai reunir, por certo todo o nosso mundo intelectual nas galerias da Escola Nacional de Belas Artes.

Como se sabe, essa reunião antecede a inauguração do Salão, que terá lugar amanhã, ali, à uma hora da tarde.

É a XXXV Exposição Geral de Belas Artes que se realiza, estando muito concorrida e empenhadamente disputado o Prêmio de Viagem.

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Professor Corrêa Lima, diretor da Escola Nacional de Belas Artes [Imagem]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS ARTES. O "VERNISSAGE" da XXXV EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 11 ago. 1928, p. 3.

Belas Artes. O "vernissage" do salão de 1924 - Diversas notas. O Jornal, Rio de Janeiro, 12 ago. 1924, p.3.

O "vernissage" da exposição geral de belas artes teve a presença de muitos artistas, homens de letras e jornalista. Foi uma tarde cheia para os que vivem um pouco do espírito e que ali estiveram remidos em franca e agradável camaradagem.

O "vernissage" oferece uma nota de participar encanto pelo ambiente de intimidade que estabelece, dando margem a uma troca de ideias mais sincera e qualquer preocupação formalística.

A inauguração oficial do salão está marcada para hoje, às 13 horas, com a presença do mundo oficial.

Sobre os trabalhos expostos diremos com mais vagar, apreciando as diversas seções em que o certame se divide. Diremos, entretanto, desde já que a exposição geral deste ano impressiona agradavelmente e apresenta produções que autorizam afirmar o evoluir progressivo do nosso meio artístico.

Citemos de passagem, o concurso de Baptista da Costa, o mestre da paisagem brasileira; Elyseu Visconti, de Marques Junior, Garcia Bento, Oswaldo Teixeira, Augusto Bracet, Georgina de Albuquerque, Margarida Fiori [?], Bracet, Edgard Parreiras, Lucilio de Albuquerque, Gaspar Magalhães, Augusto Petit, Helio Seelinger, Theodoro Braga, Armando Vianna e Fernandes Machado.

Uma seção que se apresenta este ano com trabalhos dignos de exame mais detido, é a das artes decorativas. Figura aí um belo e delicado grupo de escritório, em couro cinzelado e com relevos inspirados na flora brasileira, envio da sra. Maria Hirsch da Silva Braga.

Os concorrentes ao prêmio de viagem são os srs. García Bento, Oswaldo Teixeira e Armando Vianna da seção de pintura: Francisco Gomes Marinho, na seção de gravura.

A maior tela da atual exposição é o envio do pintor Fernandes Machado – "Ao bandeirante desconhecido". No primeiro plano do quadro, vê-se a cova aberta em que ficou abandonado e esquecido dos que marcharam à frente o esqueleto do bandeirante desconhecido. Sobre essa sepultura um anjo, significando a glorificação histórica, desce para depositar a coroa simbólica. Em torno do lugar sagrado, vêem-se troncos de árvores cobertos de parasitas, pedras, musguentas, folhagens, característicos das nossas matas virgens, como se fossem sentinelas silenciosas em torno daquele cujo nome só a História conhece. Na parte superior da tela, a figura da História, acompanhada de anjos, inscreve no seu registro de pedra, o nome desse bandeirante, cuja glória, dois anjos empunhando e fazendo vibrar as suas tubas altissonantes, apregoam por todo o território nacional.

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Um aspecto do "vernissage" do salão deste ano

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

Belas Artes. O "vernissage" do salão de 1924 - Diversas notas. O Jornal, Rio de Janeiro, 12 ago. 1924, p.3.

BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 12 nov. 1922, p. 3.

O "vernissage" do salão de 1922

EXPOSIÇÃO DE ARTE RETROSPECTIVA E CONTEMPORÂNEA

Foi uma tarde cheia de alegria a de ontem, para as rodas artísticas. Realizou-se o "vernissage" do salão deste ano e da exposição de arte retrospectiva e contemporânea, comemorativa do Centenário da Independência.

Havia, entre quantos se interessam pela nossa vida artística, a dupla curiosidade de ver o muito que já se acha exposto e as reformas materiais por que passou o palácio das belas artes.

Regurgitaram de artistas, de literatos e de jornalistas as galerias em que se acham os trabalhos enviados ao salão e os da exposição de arte retrospectiva.

Iremos registrando impressões sobre o grande certame em que, talvez por ser comemorativo do Centenário da Independência, houve muita condescendência na malha larga da admissão...

Longe, entretanto, a afirmativa de que não haja ali muito que ver e apreciar, obras de real mérito e incontestável valor artístico.

A INAUGURAÇAO - UM BUSTO DO PRESIDENTE EPITÁCIO PESSOA

Estava marcada para hoje a inauguração do "salão" e da exposição de arte contemporânea.

Motivos de ordem superior determinaram o adiamento dessa solenidade para amanhã, segunda-feira.

Para assistirem a esse ato, foram convidados oficialmente o sr. presidente da República, ministros do Estado, altas autoridades do país, corpo diplomático, Conselho Superior do Belas Artes e Congregação da Escola de Belas Artes.

A Inauguração será às 14 horas, só sendo permitido o ingresso no edifício da Escola, a essa hora, as pessoas que apresentarem o convite branco.

Os demais convidados só terão ingresso, após a inauguração oficial. A comissão diretora dessa exposição, pede a atenção dos convidado para essa determinação, visto como será rigorosa nessa medida.

Antecedendo à inauguração do salão será inaugurado, numa das salas da Escola, busto em bronze do dr. Epitácio Pessoa, presidente da República.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 12 nov. 1922, p. 3.

BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 22 dez. 1922, p. 3.

O PRÊMIO DE VIAGEM DO SALÃO DESTE ANO E A "GRANDE MEDALHA DE OURO"

Esteve reunido ontem o Conselho Superior de Belas Artes para resolver sobre os prêmios do salão deste ano. A reunião acabou às 16 1/2 horas e do que ficou deliberado deveria a secretaria da Escola de Belas Artes fornecer nota que não recebemos até a ultima hora.

Podemos informar que o "prêmio de viagem" do salão foi conferido ao sr. Almeida Júnior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior], único candidato inscrito.

A "grande medalha de ouro" coube ao pintor Pedro Alexandrino, que está vigorosamente representado no salão deste ano.

Foi uma distinção justamente conferida ao consagrado artista brasileiro cujos quadros de natureza morta tão brilhante nome lhe deram aqui e fora do país.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 22 dez. 1922, p. 3.

BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 25 ago. 1923, p.3.

O SALÃO DESTE ANO

NOTAS E IMPRESSÕES

Vamos dar início ao registro de impressões sobre a exposição geral de belas artes. Começaremos por dizer que o salão anual dos artistas patrícios devia ser organizado de modo a, por eles, se poder ir aferindo do progresso do nosso meio em assunto de artes belas. Infelizmente não pode ser assim, tão cheios de altos e baixos se apresentam esses certames. Parte da culpa cabe, não há negar, às comissões organizadoras cujo critério devia ser mais rigoroso. Comentários poderiam também ser feitos com relação aos abusos praticados por artistas de livre ingresso, pelo envio de trabalhos já conhecidos.

Iniciaremos estas notas e impressões sobre o salão deste ano pelo contingente que lhe levou o pintor Antonio Parreiras. Dos 219 trabalhos catalogados na seção de pintura, nada menos de oitenta são de sua autoria. Imagine-se o aperto da comissão organizadora se uma dúzia de artistas se lembrasse de fazer a mesma coisa...

Mas trata-se de uma exceção, de uma homenagem ao artista que tendo de realizar agora uma exposição aproveitou o ensejo para apresentá-la ao lado do salão anual, concorrendo para o brilho do mesmo. Reúne aí o pintor Antonio Parreiras, em sala especial, trabalhos executados em várias épocas, aqui e na Europa. São oitenta paisagens. Foi a paisagem que deu certa notoriedade ao Sr. Antonio Parreiras, colocando-o entre os nossos melhores pintores que cultivam essa especialidade. Tantas paisagens reunidas poderiam, por força de número, estabelecer ambiente de certa monotonia. Mas tal não acontece, tão grande a variedade dos aspectos em face das alternativas oferecidas por naturezas bem diversas. Passar das neves da Suíça à vegetação luxuriante desta nossa terra tropical, com estações de repouso para a vista nos dourados outonos das florestas francesas, ameniza o espírito e desperta interesse em torno da obra do artista, vendo-a assim tão variada na gama de suas tonalidades. Nem tudo o que ali está nos fala, é certo, ao sentimento com a mesa vibração, mas é obra bem diferente, pelo menos na sua melhor parte, dos famosos "Primevos" apresentados pelo Sr. Parreiras no salão do ano passado. Não nos impressionam pelo tamanho as grandes "máquinas", nem os grandes quadros, são por nós olhados com prevenção, só pelo fato de serem grandes. O Sr. Antonio Parreiras, verdade seja dita, tem um pouco a preocupação das grandes telas. Constituem elas as suas melhores produções? O que está no salão responde a isso negativamente. "Terra natal" e "Inferno verde", não exprimem a grandiosidade do assunto. Mas o quadro 145 - "Queda do Iguaçu" - de tamanho relativo, transmite, ao observador, uma impressão da imponência do local, do volume da água, da força formidável que a impulsiona. É água que se projeta do alto, é água que corre espraiada por sobre penedos recobertos de limo verde, que desliza, cá em baixo, por entre pedregulhos e penedias, é água que, lançada do alto ou, comprimida na corredeira, espalha pelo ambiente uma garoa levemente irisada.

A tela 133 - "Velho parque" - é um trabalho com magníficas qualidades. Boa perspectiva e paisagem arejada. As árvores, por muito antigas, parecem sofrer mais os efeitos da estação outonal, despidas das folhas que vão estendendo pelo chão um tapete de ouro velho...

A restinga - quadro 148 - é uma nota cheia de frescura, uma paisagem bem nossa, bem fluminense, bem dos arredores de Niterói. Ela registra os variegados tons do verde da floresta brasileira.

Longe iríamos na apreciação de todos os trabalhos do pintor Parreiras, se para tanto não nos faltasse tempo e espaço.

Assinalemos a variedade da fatura que o artista empregou, ora pintando liso, ora acumulando tintas e lançando mão da espátula e do esfregaço. Parece-nos ser na fatura lisa que o artista se encontra mais à vontade.

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Queda do Iguaçu - Quadro de Antonio Parreiras.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 25 ago. 1923, p.3.

BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 26 ago. 1923, p.3.

O SALÃO DESTE ANO

NOTAS E IMPRESSÕES

É das mais agradáveis a impressão que se recebe ao contemplar o contingente levado ao salão deste ano, pelo professor Baptista da Costa. Já consagrado como intérprete maravilhoso da paisagem brasileira, ele reafirma a justiça desse conceito a cada novo trabalho que apresenta. Assim autoriza afirmar o seu último quadro "Em plena natureza", um aspecto colhido no alto da serra, em Petrópolis. A arte do pintor Baptista da Costa é simples e honesta. Ela não visa afirmar efeitos com sacrifício daquilo que as regras do bom desenho estabeleceram. Esse conjunto de qualidades reflete-se "Em plena natureza" (quadro 11 do catálogo), em que a mão do mestre soube estabelecer planos e distâncias dentro de uma agradável perspectiva. Tudo é equilibrado nessa tela cheia de sentimento. Os altos píncaros que as nuvens beijam, os cortes caprichosos que as trombas d'água cavaram, as variegadas tonalidades do verde da floresta que se estende por vales e montes, os contrastes de luz e sombra entre o primeiro e o segundo plano, o macio aveludado do ambiente, tudo isso se infiltra na nossa alma como que nos colocando em pleno cenário, onde o artista colheu o assunto para o seu quadro.

Em "Uma tradição que desaparece", um aspecto de desmonte do morro do Castelo (tela 13 do catálogo) o pintor Baptista da Costa oferece outro aspecto do seu talento. É um trabalho de documentação histórica, um flagrante dessa obra gigantesca, que é o arrasamento da montanha tradicional em que figurou o marco milenário da fundação da cidade.

Entre o que foi enviado ao salão pelo Sr. Pedro Bruno, devemos destacar o quadro "Símbolo das praias". É uma tela simpática, um trabalho de ar livre, feito com largueza, bem arejado e envolvido em agradável ambiente. Apresenta o mesmo uma figura de mulher em plena praia, com o filhinho ao colo. Bastante feliz esse trabalho do pintor Pedro Bruno que, como prêmio de viagem à Europa, ainda deve ao público uma exposição individual.

Dos envios do professor Lucilio de Albuquerque, em número de cinco, mereceu serem assinalados "Curva da estrada", "Troncos" e "Entrada da barra", todas bem iluminadas e com bom desenho.

Com "O livro louro" (tela 110 do catálogo), o Sr. Mario Tulio apresenta uma linda criatura em "dessous". É um quadro feliz na ideia e na execução. Aquelas meias de seda transparentes, aqueles refolhos de rendas, largamente indicados, constituem uma nota quente, original e algo provocadora...

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"Símbolo das praias" - Quadro do pintor Pedro Bruno

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 26 ago. 1923, p.3.

BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 28 ago. 1923, p.3.

O SALÃO DESTE ANO

NOTAS E IMPRESSÕES

Prosseguindo no registro de impressões colhidas no salão deste ano, apraz-nos voltar a referir o nome do professor Lucilio de Albuquerque, para citar um desenho que tanto tem de expressivo como de agradável. É uma cabeça de mulher, uma nota cheia de frescura e largamente desenhada.

Tratemos agora de outro mestre - e mestre consagrado - o pintor Elyseu Visconti. "Afetos" constitui uma página íntima da sua palheta. Aquelas cabeças, aquelas fisionomias expressivas, parecem emergir da tela e falar. Fácil foi ao artista refletir toda a pureza, toda a psicologia daquelas almas, pois cada uma delas é um pedacinho da sua própria alma, da sua própria vida...

A paisagem enviada pelo Sr. Paula Fonseca - "Recanto de fazenda" - é bem iluminada e tem boa perspectiva. Pena é o que os bois não guardem em relação aos demais elementos da paisagem uma justa proporção. O Sr. Paula Fonseca tem, inquestionavelmente, qualidade de paisagista, mas precisa conquistas individualidade.

O pintor Leopoldo Gotuzzo, enviando cinco trabalhos ao salão deste ano, deu um belo exemplo de operosidade. E assim o afirmamos por sabermos que ele acaba de regressar do sul do país onde realizou uma exposição a bem dizer por entre o sibilar das balas e ao tropel das cavalarias. Apesar da situação revolucionária em que se encontra a terra gaúcha, o Sr. Leopoldo Gotuzzo foi feliz. Teve os seus quadros adquiridos, executou alguns retratos e não se esqueceu do salão anual. O seu retrato de menino (tela 83) tem expressão e relevo. É um trabalho magnífico quer o encaremos como figura, quer como retrato. O garoto (84 do catálogo) parece-nos mais zangado do que triste. O antigo forte do Leme tem profundidade e é trabalho que fala como documentação histórica. A casinha vermelha não tem leveza de tons e o estudo de nu à sanguínea pareceu-nos muito carregado.

As marinhas do Sr. Garcia Bento vão ganhando terreno. Tem uma palheta clara e limpa esse artista, cuja fatura se apresenta largamente espatulada na "Tarde de sol" quadro com que está representado na exposição geral. Falta ao Sr. Garcia Bento ocupar-se um pouco mais com as suas figuras, animá-las e colocá-las em proporção.

A individualidade artística do jovem Sr. Oswaldo Teixeira vem sendo muito discutida nestes últimos dias. A composição que ele levou à exposição geral, com candidato ao prêmio de viagem, foi uma verdadeira decepção. Críticos e artistas viam no novel pintor uma sólida promessa, a afirmação de um grande talento para a carreira que abraçou. Ofuscado pelo coro dos elogios o Sr. Oswaldo Teixeira tomou ares de gênio, entrou no terreno das originalidades e produziu o ano passado aquela coisa doentia a que intitulou - "O homem da rosa". O quadro "Deixai vir a mim as criancinhas" (tela 120 do catálogo) é um trabalho carecedor de qualidades. No interior de misera choupana está uma criança morta. Ajoelhada, debruçada por terra, uma pobre mãe chora. A figura de Jesus surge à entrada: "Deixai vir a mim as criancinhas que para elas é o reino dos céus". O assunto, sem ser novo, oferece ensejo para grandiosa composição. Essa grandiosidade não logrou alcançá-la o Sr. Oswaldo Teixeira. A figura do cristo não guarda uma atitude ereta na sua linha de composição. A criança morta tem corpo de menino e pernas de adulto. A falta de proporcionalidade é evidente e parece incrível que o artista não a tivesse percebido. A luz mística que se projeta iluminando a cena também é falha de observação; não tem doçura nem suavidade. Num salão de artistas aquele trabalho está deslocado. Outros lá se encontram em idênticas condições, claudicando no desenho. Parece-nos que a comissão de admissão devia fazer do bom desenho a condição primordial para a entrada dos trabalhos no salão.

O fato do quadro do Sr. Oswaldo Teixeira ser o mais discutido é prova de que se continua a ver no jovem pintor uma sólida promessa. O retrato do leiloeiro Virgilio feito por esse artista tem ótimas qualidades embora lhe falte um pouco mais de vida e de caráter. A teça "Recostada" tem relevo e é bem expressiva. Os demais trabalhos do Sr. Oswaldo Teixeira nada transmitiram ao nosso espírito. Continuamos a confiar nos ótimos frutos desse temperamento artístico, se, como todos esperam, a perseverança, o apurado estudo do desenho e uma fé absoluta no seu esforço, não o abandonarem.

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"Afetos" - Quadro do pintor Eliseu Visconti

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 28 ago. 1923, p.3.

BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 29 ago. 1923, p.3.

O SALÃO DESTE ANO

NOTAS E IMPRESSÕES

A exposição geral deste ano tem despertado bastante interesse, nota muito simpática para os que almejam o desenvolvimento da nossa vida artística.

Continuando no registro das impressões que colhemos nesse certame, cumpre-nos falar, agora, da contribuição a ele levada pelo senhor Augusto Bracet, com a tela intitulada "Direito de asilo". Esse quadro é, a nosso ver, uma das produções mais fortes e equilibradas do salão. Ele deixou uma impressão duradoura no nosso espírito.

Inspirou-se o artista em episódio histórico da idade média, no direito que tinham os templos e os bosques sagrados do paganismo, de proteger os culpados. Esse direito foi transferido para as igrejas cristãs. O imperador Leão proibia que se arrancasse alguém desses asilos.

O quadro do pintor Augusto Bracet apresenta o interior de um convento, estilo gótico-romano. A meio da escadaria, esgueirada junto à coluna, uma figura de pecadora procura esconder-se da turba que ulula à porta e é contida por um religioso de braços abertos. Essa figura de mulher é a nota dominante do quadro. Ela está em desalinho. O manto que a envolvia, caiu por terra, deixando a descoberta as linhas esculturais das suas formas lindas. No seu rosto estampa-se um misto de pavor e de curiosidade. Foi esse momento que o pintor passou para a tela, e o fez com felicidade e talento; fê-lo de maneira honesta, deixando ali, palpitante de verdade e de sentimento, tudo quanto fora justo exigir dele.

O pintor Fernandes Machado enviou uma composição em que procurou exaltar a bondade e o altruísmo da mulher patrícia, alistando-se na Cruz Vermelha brasileira. É um aspecto do campo de batalha. Onde e em que época se desenrolou aquela cena? Trabalho de ficção? Pura fantasia? O sr. Fernandes Machado revela com essa obra um espírito hábil e imaginoso.

Representa o quadro em questão, uma dama da Cruz Vermelha, que, no ato de socorrer um oficial do Exército, ferido e já em agonia, reconhece nele seu esposo. Transe de indescritível angústia, em que ao feminino coração acode, apenas, a idéia e o desejo de morte. Eis, senão quando, no ambiente obscurecido de fumo, gazes e poeira, de tantos explosivos de guerra, uma cruz mística surge e avulta, atraindo os olhares dos raros sobreviventes da batalha. "O símbolo da fé mais uma vez repete o milagre da salvação: aos desesperados da terra só o consolo deixado por Cristo..."

A cabeça do oficial moribundo repousa sobre um tambor envolto pelo pavilhão nacional, destinado a servir de mortalha ao herói que o defendeu.

Tem qualidades muito apreciáveis "Os sapatos do netinho", envio do sr. Cadmo de Souza, que, já no ano passado, teve a sua medalhinha de bronze.

O sr. Manoel Faria está representado com dois retratos. Esperamos melhor oportunidade para um julgamento de seus trabalhos.

Esses retratos mostram que não é ele uma negação para a arte, mas, faltam-lhe ainda conhecimentos de desenho e mais justeza de colorido.

Muito interessantes os estudos e desenhos de Fiuza Guimarães, a fusin [sic], sanguínea e óleo. Destes últimos, que são em número de três, merece destaque, pela sua expressão e relevo, o que ocupa o número 71 do catálogo.

Uma excelente marinha, um aspecto de luz hibernal colhida nas nossas praias, a contribuição do príncipe Paulo Gagarin. A luz é muito meiga, a massa líquida do mar largo está bem apresentada. As ondas têm movimento e morrem, espraiando-se, preguiçosamente por sobre a brancura do imenso areal.

O pintor alemão sr. Hans Paap, de passagem pela nossa cidade enviou ao salão meia dúzia de telas, com aspectos colhidos na Tijuca e na Gávea. Não conseguiu esse artista interpretar a nossa natureza, com felicidade nem justeza, tão extravagante nos pareceram a técnica e o colorido das mesmas.

É um ótimo retrato de sua esposa [Imagem] o que enviou o sr. Theodoro Braga, artista, cuja contribuição será objeto de maiores considerações, ao tratarmos da arte aplicada.

Pelo sr. Edgard Parreiras foi enviada uma paisagem em que domina o tronco de uma velha mangueira [Imagem], Estão reafirmadas nesse trabalho as qualidades do artista. Não haveria mais encanto e mais poesia se figurasse no quadro, em toda a sua plenitude, a larga copa dessa árvore secular?

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"Direito de asilo" - Quadro do pintor Augusto Bracet

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 29 ago. 1923, p.3.

BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 30 ago. 1923, p.3.

O dia de ontem foi grandemente movimentado para a vida artística da cidade. Do que ocorreu damos notícia a seguir.

A medalha de honra do salão deste ano

Os artistas representados na exposição geral deste ano estiveram reunidos para resolver sobre a concessão da medalha de honra correspondente ao mesmo certame.

Compareceram: Antonio Parreiras, Lucílio de Albuquerque, Raul Pederneiras, Gaspar Magalhães, Jorge Soubre, Helios Seelinger, Argemiro Cunha, Edgard Parreiras, Leopoldo Silva, Levino Fanzeres, Pedro Bruno, M. Constantino, Armando Vianna, Garcia Bento, Manoel Faria, J. B. Paula Fonseca, Modestino Kanto, Francisco de Andrade, Ludovico Berna, Baptista da Costa, Paulo Mazzuchelli e André Vento.

A medalha de honra foi conferida ao pintor Antonio Parreiras, que obteve 18 votos, havendo quatro cédulas em branco.

Comovido, o artista agradeceu a homenagem que lhe era prestada pelos colegas, quase ao fim da sua carreira, Aproveitou o ensejo para fazer um apelo aos mesmos no sentido de se unirem em movimento solidário na defesa dos interesses comuns.

Fez referência à campanha de silêncio, que disse estar sendo feita em torno dos esforços dos artistas brasileiros. A seguir, recriminou a imprensa, increpando-a de pródiga em elogios para com os artistas estrangeiros e de silenciosa para com os nacionais. Acentuou que ela, quando destes fala, é para destruir, sem se lembrar dos sacrifícios feitos pelos nossos artistas, sem esperança de recompensa, pois o colecionador nacional desampara também o trabalho bom do seu patrício para amparar, de preferência, a arte de arribação.

Aconselhou, por fim, aos seus colegas a reagirem pelo trabalho e prestigiando, tanto quanto possível, a Escola de Belas Artes, como representante oficial da classe, e a Sociedade Brasileira de Belas Artes, como representante oficial da mesma perante o povo.

A exposição geral

A exposição geral de belas artes continua aberta. O número de visitantes não tem sido grande, nestes últimos dias. É triste registrá-lo, mas é verdade. Isso demonstra a necessidade de ser franco o ingresso no salão anual dos nossos artistas.

A ideia, já posta em prática há alguns anos, de se realizarem festas mundanas em torno do salão, afim de atrair para ele a atenção do público, precisa não ser abandonada. Cumpre lançar mão de todos os elementos capazes de contribuir para a educação artística do nosso meio, até que esse sentimento se radique na alma da nossa gente.

Vamos concluir hoje as nossas impressões sobre a seção de pintura, no certame dos artistas patrícios. Imperdoável seria que não registrássemos, nesta crônica despretensiosa e simples, o trabalho enviado pelo Sr. Arthur Lucas. Apesar de enfermo, esse artista leva sempre o seu concurso ao salão. Desta feita está ele representado por um interessante aspecto de praia.

O nome e a arte de Arthur Thimotheo, o saudoso pintor tão cedo levado pela morte, são evocados por um retrato, tela em que se apresentam, trabalhados com o mesmo vigor, a figura e a paisagem.

Da contribuição sempre valiosa levada pela Sra. Georgina de Albuquerque, devemos destacar o "Fim de passeio", magnífico quadro de ar livre, em que ressalta a forte vibração do colorido de um casaco, um contraste violento de que a pintora tirou excelente partido.

Interessantes e dignas de especial registro, as paisagens do Sr. João Timotheo.

A seguir registraremos impressões sobre as seções de escultura, gravura e arquitetura.

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O pintor sr. Antonio Parreiras, artista distinguido com a "medalha de honra" do salão deste ano

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 30 ago. 1923, p.3.

BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 5 dez. 1922, p. 3.

A "Medalha de Honra" do Salão deste ano

Os artistas medalhados que concorrem ao salão deste ano estiveram reunidos para conferir a "Medalha de Honra". Compareceram vinte e cinco artistas e a distinção máxima coube ao pintor Elyseu Visconti.

Muito merecida essa homenagem a um dos expoentes, se não o maior expoente da pintura brasileira.

Presidiu a reunião o professor Rodolpho Amoêdo, sendo a vitória do pintor Elyseu Visconti alcançada logo no primeiro escrutínio.

Analisada em seu conjunto, a bagagem desse artista justifica plenamente e de sobra a homenagem recebida. O pintor Elyseu Visconti, cuja vida tem sido toda ela consagrada à arte e pela arte, acaba, pois, de ter a confortável satisfação de ver aplaudida, admirada e distinguida pelos colegas a sua carreira brilhante e vitoriosa. Foi um belo gesto, foi mesmo um ato de justiça praticado pelos artistas do salão deste ano.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 5 dez. 1922, p. 3.

BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 7 set. 1906, p.3.

Discípulo de Zeferino da Costa, Rodolpho Amoedo e Decio Villares, Arthur Lucas, há muitos anos não aparecia em público, empolgado pela luta diária em que vive, como um trabalhador que é, enchendo o Jornal do Brasil de ilustrações e caricaturas de atualidade, sob o pseudônimo de Bambino, bem conhecido do público ledor.

Assim vivendo, Arthur Lucas tira os domingos e feriados, para meter-se em casa, com sua tela e os seus pincéis, estuda e executa na exiguidade do tempo de que dispõe.

A sua predileção artística é pelo pastel, de cuja técnica dificílima já é senhor há muito tempo, pois os que frequentam o seu atelier são unânimes no louvor a seus estudos e a seus trabalhos, notadamente a cabeça de mulher, belo pastel em medalhão, que figurou vitoriosamente em uma exposição do Rio da Prata.

Modesto em excesso, quase retraído, possui Arthur Lucas trabalhos primorosos em escultura e em baixo-relevo, vistos e apreciados apenas pelo pequeno número de amigos que visitam o seu modesto atelier no alto de Guaratiba, pelos domingos de sol.

Ali há uma reprodução finíssima em bronze, baixo relevo, de uma ilustração de Giacomelli, um sátiro de bronze, uma bela cabeça de infante e tudo emoldurado pelos trabalhos de estudo a pastel que ornam as paredes, ressaltando logo um belo retrato de seu irmão, ao violão, de execução perfeita. E o artista vive assim, estudando e compondo nas poucas horas que o labor diário lhe dá, é sempre com o mesmo amor e o mesmo gosto.

Dois são os seus trabalhos expostos no salão, ambos executados a pastel. Estudo, é uma cabeça magistral de vida e sentimento e só quem conhece a dificuldade manifesta da composição a pastel poderá apreciar devidamente o valor da fatura.

Para melhor prova da execução artística de Arthur Lucas, nesse gênero, basta um simples confronto de seus trabalhos com os pastéis existentes no salão: a diferença é sensível e enorme; a maioria dos quadros a pastel tem a fatura desgraciosa do esfuminho ou do baton corrido, e mesmo escorrido. Com os quadros de Arthur Lucas tal não se dá, nota-se a fusão das cores com uma leveza e uma suavidade encantadoras, conseguindo tonalidades primorosas como as dessa cabeça do Estudo, envolta em uma gaze transparente. Fantasia é outro perfil de mulher suave e delicado, em um fundo amarelo e quente, fitando com abandono uma borboleta azul, que pousa próxima do colo. As mesmas qualidades de técnica, de colorido e de vida possui este trabalho.

Para quem, como nós, o acompanha há anos, Arthur Lucas é um dos melhores pastelistas nacionais e a sua [...] graciosa e delicada na figura dá-nos saudades das naturezas mortas de Gensolen [sic], o pastelista exímio que por longos anos deleitou o nosso meio artístico.

Pudesse o artista dispor de tempo, não lhe empolgasse a luta diária pela vida, maior seria o acervo de produções suas, certamente primorosas, pois que não lhe faltam amor, vontade e preciosa dose de talento artístico.

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Desde ontem figuram no salão seis telas do pintor argentino Fernando Fader, todas sobre assuntos dos campos de seu país.

São elas:

Rodéo, Crepusculo, En el corral, En las lomas, Entrando al corral e Cordillera, de que mais tarde falaremos.

Acompanhando os quadros, veio para a direção da Escola uma carta do Sr. Enrique Prins, apresentando o pintor argentino como um dos pincéis mais nacionais, pelo cultivo de assuntos de sua terra, e veio outra missiva do próprio expositor, concebida nestes termos [...]:

"Sr. Rodolpho Bernardelli, - Estão já dispostos no primeiro vapor seis qua [...]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 7 set. 1906, p.3.

BELAS ARTES. O SALÃO DE 1922. O Jornal, Rio de Janeiro, 1 dez. 1922, p. 3.

NOTAS E IMPRESSÕES

Cabe agora a vez, neste registro de impressões, à seção de arquitetura. Apenas meia dúzia de arquitetos enviaram trabalhos ao salão deste ano. Francisco dos Santos, um artista cheio de ideias e de originalidade, ocupou-se do estilo colonial, oferecendo ao olhar dos visitantes uma ideia do encanto que seria um bairro construído nesse gênero de arquitetura.

O arquiteto Saldanha da Gama expõe um plano de embelezamento da cidade do Rio de Janeiro com o prolongamento do canal do Mangue, desde a ponte dos Marinheiros, numa reta que se insinuaria pelos bairros do Engenho Velho, Aldeia Campista e Andaraí. O aludido plano envolve o arrasamento de vários morros e a abertura de túneis no morro de Santo Antônio.

Além desse trabalho, apresenta o arquiteto Saldanha da Gama um projeto para o monumento comemorativo da fundação da cidade do Rio de Janeiro. O monumento é inspirado no estilo do renascimento português e tem forma octogonal, medindo desde o solo até o centro da esfera armilar 50 metros, justamente a altura em que se achava o primitivo marco.

No pedestal estão colocadas as estátuas de Mera de Sá, Araribóia, Padre Anchieta e Salvador Corrêa de Sá e mais os baixo-relevos representando o desembarque e fundação primitiva da cidade no lugar denominado "Cara de Cão", na Praia Vermelha e a mudança do marco desse lugar para o Morro do Castelo e as datas respectivas - 1565 e 1567.

Interiormente, ao centro, acha-se a estátua pedestre de Estácio de Sá, em atitude de defesa do marco da cidade. Ao redor, sobre as paredes, as inscrições referentes ao marco e ao monumento, uma encimada pelas armas coloniais da cidade e outra pelas armas atuais.

Sobre a base da coluna, exteriormente, as estátuas da cidade colonial, da cidade-Reino, da cidade-Império e da cidade-República. A coluna é encimada por uma esfera armilar, em cristal e bronze, onde se sente embutida uma Cruz de Malta, tendo ao centro um foco de grande poder iluminativo.

Dando acesso a todos os pavimentos, inclusive o interior da esfera, existe uma escada em caracol, apenas para o serviço do guarda conservador do monumento.

A sua construção será em cimento armado, com revestimento do mármore, externamente e interiormente também o primeiro pavimento.

As estátuas e os baixo-relevos serão em mármore branco.

O projeto tem grandiosidade e impressiona agradavelmente. A nossa gravura dá uma ideia dessa obra d'arte.

Trataremos, a seguir, da seção belga no salão deste ano.

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Projeto para o monumento comemorativo da fundação da cidade do Rio de Janeiro, trabalho do arquiteto Saldanha da Gama

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

BELAS ARTES. O SALÃO DE 1922. O Jornal, Rio de Janeiro, 1 dez. 1922, p. 3.

BELAS ARTES. O SALÃO DE 1922. O Jornal, Rio de Janeiro, 2 dez. 1922, p. 3.

NOTAS E IMPRESSÕES

Vamos encerrar as impressões que vimos registrando em torno do salão deste ano com algumas referências ao concurso dos artistas belgas e a parte que se convencionou chamar de retrospectiva.

Os pintores e escultores da Bélgica ocupam uma galeria à parte, tão valioso, em número, o contingente que enviaram ao certame anual dos artistas brasileiros, estabelecendo mais esse traço de simpatia para uma aproximação intelectual.

Não só em número, mas também em qualidade se podem julgar valiosos, em conjunto, os trabalhos dos pintores e escultores belgas. Está claro que isolamos das nossas cogitações a parte referente a essa coisa doentia que os pobres de talento e de espírito resolveram chamar - futurismo.

A tela "Printemps" de A. Bastien, é uma agradável paisagem, cheia de frescura e de viço; "Le moulin", de Laermans, é um aspecto regional reproduzindo com sentimento e observação, obra de fatura larga e sem minúcias, mas alcançando com segurança todos os efeitos. Assim também o quadro de Montigny, "Arrivée à l'école".

Esses trabalhos, entre os quais destacaremos a tela - "L'homme aux perroquets" - de A. Stevens, falam do elevado grau em que se encontra a cultura das artes belas no país amigo.

Em escultura, só nos prendeu a atenção - "Mére et l'enfant" - duas fisionomias bem expressivas e bem modeladas, obra de Lagal.

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A parte referente à arte retrospectiva, reúne alguma coisa interessante, mas, como já assinalamos, está longe de dar uma ideia do muito que possuímos.

Malgrado isso, não é uma seção despida, de interesse, oferecendo muito que ver aos espíritos observadores.

Tarefa difícil seria, por certo, dar impressões isoladas sobre cada contribuição, quando figuram ali colecionadores, artistas e amadores, uns com quadros e outros com móveis, muitos com escultura e outros com objetos históricos. - Leques, cofres, espadas e pistolas!

Mas releva dizer que, ao lado desse verdadeiro arsenal, há varias obras primas dos nossos melhores artistas.

A MEDALHA DE HONRA

A comissão organizadora da Exposição de Arte Contemporânea convida a todos os expositores, que tenham sido premiados em exposições anteriores, a reunirem-se no salão da Escola Nacional de Belas Artes, às 13 horas de segunda-feira próxima, 4 de dezembro, afim de proceder-se à votação para a medalha de honra, de acordo com os artigos 52, 59, 60 e 61 e seu parágrafo, do regulamento em vigor e que rege o programa da secção de belas artes.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

BELAS ARTES. O SALÃO DE 1922. O Jornal, Rio de Janeiro, 2 dez. 1922, p. 3.

BELAS ARTES. O SALÃO DE 1922. O Jornal, Rio de Janeiro, 21 nov. 1922, p. 3.

Notas e impressões

Vamos registrar, numa série de notícias, algumas impressões sobre o salão deste ano, retardado por circunstâncias especiais e já perfeitamente justificadas. Pode-se dizer que, pela primeira vez, o salão dos artistas brasileiros é apresentado com instalação condigna e distinta. À primeira vista, essa particularidade poderá parecer de importância secundária. Mas não o é. As condições de ambiente para a apresentação de uma obra de arte exercem grande influencia no julgamento da mesma, dependendo ela, como depende, de uma boa colocação e de perfeita distribuição de luz.

Dito isto, ao entrarmos no registro do muito que foi exposto, comecemos pelo mestre da paisagem no Brasil, o professor Baptista da Costa. E é justo que se observe aqui o "ab Jove principium", não porque o diretor da Escola de Belas Artes tenha, ao fim de tantos anos de aspiração, realizado tão grandes melhoramentos materiais no edifício daquele importante instituto, mas, porque ele é, no certame deste ano, a figura culminante da nossa arte no ramo da pintura. Quem o afirma é a sua própria obra, é sua arte: grande na "Sapucaieiras em flôr", à claridade rútila da luz do dia; pura no "Remanso Itaipava", tão cheio de calma na doçura da tarde; grandiosa e magnifica na lenda da "Marabá", onde a floresta majestosa convida ao êxtase, a água que corre leva-nos ao espirito a sugestão de que há em torno de nós aquele frescor da mata e o musgo que recobre a penedia parece transpirar umidade. Pela primeira vez vimos, desse artista, um nu ao ar livre. Foi para nós, confessemo-lo, uma surpresa, pois, apesar de não ter sido feliz na escolha do modelo, a carnação é perfeita, a figura bem lançada e há uma equilibrada harmonia entre a sua atitude e o cenário que a envolve. Baptista da Costa inspirou-se, para a execução desse quadro, na expressão de Escragnolle Doria, quando disse, ao traçar o perfil da Marabá: "... e queda-se melancólica, seios órfãos de amor, alma dolorida, sem consolo, sem um ninho ..."

A natureza morta tem lugar de honra no salão deste ano. Trabalhada por mão de mestre, ela sorri dos que a depreciam, para brilhar com fulgor e relevo ao lado dos outros gêneros. Assim cultivada, ela deixa de ser propriamente natureza morta e apresenta-se animada por isso a que se pode chamar "a vida das coisas", tal como as pinta o sr. Pedro Alexandrino, artista que se consagrou nessa especialidade, no brilho dos metais, em cerejas que, "de tão rosadas e doces, evocam lábios e beijos"...

As garrafas de vinho velho, os marmelos maduros ao lado dos já "tocados" e os metais reluzentes, falam-nos do pouco que conhecemos da arte do grande Joseph Bail. O sr. Pedro Alexandrino é uma figura que honra a nossa cultura artística.

O PRÊMIO DE VIAGEM

Como concorrente ao prêmio de viagem pelo salão deste ano, inscreveu-se apenas o sr. Almeida Júnior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior], segundo nos informou a comissão organizadora. O quadro com que ele se apresenta foi inspirado num trecho do romance de Alencar. Iracema segue, na areia da praia, as pegadas do guerreiro branco...

A figura da índia, que uma lenda de amor imortalizou, está tratada com carinho; a elegância de linhas, a desenvoltura do porte, as carnes rijas, aquela expressão de dúvida, impressionam agradavelmente e atraem para o quadro uma grande simpatia. A paisagem é ampla e o ambiente rarefeito. A vegetação escassa e rasteira, da beira da praia, denota observação. Não se pode contestar que esse conjunto de qualidades dá ao quadro do sr. Almeida Júnior harmonia e unidade.

Agradável nos seria reconhecê-las nos demais trabalhos com que ele está representado.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

BELAS ARTES. O SALÃO DE 1922. O Jornal, Rio de Janeiro, 21 nov. 1922, p. 3.

BELAS ARTES. O salão de 1922. O Jornal, Rio de Janeiro, 22 nov. 1922, p. 3.

NOTAS E IMPRESSÕES

Prosseguindo no registro de impressões sobre o salão deste ano, diremos que esperávamos uma contribuição mais forte por parte do pintor Eliseu Visconti, o artista consagrado do "foyer" do Municipal, o autor de tantas obras primas que enriquecem as pinacotecas dos nossos amadores o colecionadores. Não é que faltem a essa contribuição as qualidades de uma técnica perfeita. marcando a individualidade do artista em maneira toda sua. Os seus desenhos com estudos de nu e as suas aquarelas são notas muito graciosas, mas faltou, em meio de tudo aquilo, uma tela de mais fôlego como ele as sabe e pode fazer. O tríptico reproduzindo cenas do lar pareceu-nos algo pueril.

Numa tela de grandes dimensões - "Primevos" - o pintor Antonio Parreiras apresenta dois selvícolas no seio da mata. A anatomia dessas figuras é verdadeiramente aberrante na sua falta de proporcionalidade.

Quanta verdade e quanta poesia encontra o olhar no "Rancho solitário", de Jorge de Mendonça! É um artista que se vem aprimorando de maneira muito acentuada. Essa tela é uma página viva do nosso interior. A velha porteira escancarada e as ruínas do rancho que o jeca habita, deixam no espirito uma impressão de abandono. A natureza em torno é grandiosa e um sol dourado ilumina, ao fundo, os cumes dos montes.

Oswaldo Teixeira é um novo de grande talento. O seu quadro a "Avó" tem ideia e palpita na sua vívida expressão. A embevecida ternura com que a velha olha para a netinha adormecida no seu regaço e a atitude da pequena ao lado são paginas de psicologia muito bem observadas. Trabalhando com a persistência e a honestidade mantida nos seus estudos, o jovem artista, que já é uma revelação, será, dentro em breve, uma vitoriosa afirmativa do nosso patrimônio artístico.

A SOCIEDADE BRASILEIRA DE BELAS ARTES ADQUIRIU UMA TELA DE BAPTISTA DA COSTA

Uma das telas expostas pelo professor Baptista da Costa no salão deste ano - "Dia de ressaca em Copacabana" - foi adquirida pela Sociedade Brasileira de Belas Artes, para sua já valiosa coleção.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

BELAS ARTES. O salão de 1922. O Jornal, Rio de Janeiro, 22 nov. 1922, p. 3.

BELAS ARTES. O SALÃO DE 1922. O Jornal, Rio de Janeiro, 23 nov. 1922, p. 3.

Notas e impressões

Há, no salão deste ano, diversos quadros de assunto histórico. Realizando-se esse certame na época em que o Brasil comemora o Centenário da sua Independência política, era de esperar tal contribuição. O gênero reclama qualidades especiais e intrínsecas. Verdade é que pululam em torno do grande acontecimento nacional episódios os mais interessantes, oferecendo à inspiração do artista motivo para as mais variadas composições.

Assim é que lá estão grandes telas de Georgina de Albuquerque, Augusto Bracet, Pedro Bruno e Carlos Oswaldo.

Georgina de Albuquerque reproduziu a sessão do Conselho de Estado que decidiu da Independência. Estão presentes todos os ministros, nos seus fardões verdes. A princesa Leopoldina está sentada. José Bonifácio, de pé, faz a exposição verbal da situação: não era possível permanecer naquela indecisão. Para salvar o Brasil, cumpria que se proclamasse imediatamente a independência. A figura da princesa apresenta-se magnífica, na pureza de suas linhas e na nobreza da sua atitude. Desejaríamos mais carácter para a figura de José Bonifácio. O fundo do quadro não se apresenta plenamente resolvido, mas o conjunto se equilibra de maneira muito apreciável. Há vida e movimento nesse quadro que recebe luz direta do exterior por uma janela abrindo para o parque. A tonalidade é quente e muito agradável.

Augusto Bracet reviveu com felicidade a cena do momento histórico em que se fizeram ouvir os "primeiros sons do hino da Independência". Inspirou-se, para isso, no trecho das memórias de Francisco de Canto e Mello: "chegando a [sic] palácio, fez imediatamente o príncipe d. Pedro, em papel, um molde da legenda - "Independência ou Morte" - a qual, sendo levada por mim ao ourives Lessa, à rua Boa-vista, serviu para que às seis horas dessa mesma tarde estivessem prontas as duas legendas com que o príncipe e eu nos apresentamos no teatro. Neste ínterim, compôs sua alteza o Hino da Independência, que na mesma noite deveria ser, como foi, executado no teatro".

D. Pedro está sentado ao cravo, parecendo tirar do instrumento os primeiros sons do hino que compôs. Colocado de perfil, a sua figura parece algo recortada, mas quem olha para o quadro diz logo: lá está Pedro I! É uma prova de que a figura tem carácter.

Aliás, não faremos favor ao pintor Augusto Bracet, dizendo das excelentes qualidades desse seu trabalho. Talvez o ambiente se apresentasse mais atraente sem o grande agrupamento de móveis e de pessoas. Mas o interior foi bem definido e todas as figuras se apresentam resolvidas, mostrando que o artista, enfrentou sem hesitações as situações que criou na sua composição.

Não entendemos bem o "Viva a Independência", de Carlos Oswaldo. Como alegoria ao grande feito nacional, se é isso, parece-nos trabalho de fraca concepção.

O quadro de Pedro Bruno apresenta a figura de Tiradentes no momento em que o carrasco lhe veste a alva. Numa atitude resignada e triste o precursos [sic]' olha para o alto. O carrasco está de costas para o espectador e no primeiro plano, um frade, de joelhos, empunha um crucifixo.

Não há nesse quadro, a nosso ver, um justo equilíbrio de conjunto nem proporcionalidade de distâncias e tamanhos.

O carrasco está muito sobre o precursor e o religioso deixa a impressão de ocupar a maior parte da tela. Entretanto, a figura de Tiradentes tem expressão e está bem lançada. Ela deixaria melhor impressão se repousasse sobre uma trama de perspectiva estabelecida com mais precisão e cuidado.

TELAS ADQUIRIDAS PELA SOCIEDADE BRASILEIRA DE BELAS ARTES

Além da tela do professor Baptista da Costa "Dia de ressaca em Copacabana", a Sociedade Brasileira de Belas Artes, adquiriu para a sua coleção mais as seguintes telas: "Barco", de Garcia Bento, "Estudo em verde", Marques Júnior e "D. Juan Tenorio", pastel de Oswaldo Teixeira.

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"Os primeiros sons do hino da independência" - Tela histórica de Augusto Bracet

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

BELAS ARTES. O SALÃO DE 1922. O Jornal, Rio de Janeiro, 23 nov. 1922, p. 3.

BELAS ARTES. O SALÃO DE 1922. O Jornal, Rio de Janeiro, 25 nov. 1922, p. 3.

NOTAS E IMPRESSÕES

Continuando a registrar informes sobre o salão, diremos que Gaspar de Magalhães afastou-se este ano do assunto de sua predileção - os animais. Além de um retrato, a que já fizemos referência, enviou ele uma pequena marinha. É um trecho de mar largo em dia de ressaca. As ondas movimentam-se e sente-se a areia da praia [...] pela umidade.

A pequena paisagem de Frederico Brandon "Quietude" está envolvida num ambiente calmo. É uma colina agreste em que o olhar repousa com prazer.

Euclydes Fonseca reproduziu e interpretou com muita felicidade um aspecto do morro do Castelo, apresentando agradável efeito de sombra e luz. É uma nota conscienciosa e justa no contraste das duas tonalidades.

Não nos entusiasmou a contribuição de Marques Júnior ao salão deste ano. O seu divisionismo fatiga a vista, a maneira pontilhada estabelece uma espécie de cortina entre a obra de arte e o espectador.

De tudo quanto expõe Theodoro Braga devemos destacar a "Nostalgia", uma cabeça de negro em que há vida, relevo e expressão.

A paisagem de Edgard Parreiras, apresentando um velho solar em ruínas tem excelentes qualidades de técnica. O assunto não nos empolgou, mas como obra de arte esse trabalho é bem justo na sua perspectiva e na sua quente tonalidade.

O pintor francês Gustave Brisgand que ora nos visita, levou ao salão um desenho de mulher nua, em tamanho natural. Não precisamos repetir as expressões com que acolhemos a exposição individual desse artista. Quanta delicadeza e quanta suavidade nas linhas dessa figura, que bela e admirável cabeça!

Também levou vários trabalhos ao certame anual dos nossos artistas o pintor húngaro Francisco Nemay, cujos trabalhos o nosso público apreciou ainda há pouco.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

BELAS ARTES. O SALÃO DE 1922. O Jornal, Rio de Janeiro, 25 nov. 1922, p. 3.

BELAS ARTES. O SALÃO DE 1922. O Jornal, Rio de Janeiro, 26 nov. 1922, p. 3.

NOTAS E IMPRESSÕES

Ao prosseguirmos no registro destas impressões sobre o salão deste ano, grato nos é assinalar o júbilo com que as rodas artísticas receberam a noticia de que o professor Baptista da Costa, por merecer a confiança do governo, continuará, a dirigir a Escola de Belas Artes. Não será, pois, interrompida a ação administrativa que ali se vem desenvolvendo, com reclamos e com real proveito para a nossa cultura artística.

O interesse despertado pelo certame dos artistas brasileiros tem sido grande. Conforta dizê-lo. O nosso público já não é indiferente às coisas de arte nem à sorte dos nossos artistas. É muito animador o movimento observado diariamente naquelas galerias, e mais animador ainda saber-se que muitos dos visitantes procuram consultar a lista dos preços na portaria.

Entre os quadros de assunto histórico, devemos incluir o painel simbólico e decorativo de Helios Seelinger. O artista desdobrou-o em três partes: a primeira recorda a época das caravelas, os revezes dos navegadores com as surpresas bravias do oceano; a segunda evoca a luta das raças, o surgimento do tipo brasileiro como símbolo da nacionalidade emancipada e pairando no alto a figura da pátria augurando um Brasil fecundo de paz e de trabalho; a terceira parte é consagrada ao período republicano até aos dias presentes, envolvendo numa alegoria o Exército e a Bandeira.

A concepção é imaginosa. Quiséramos, na execução, mais movimento nas águas do oceano revolto. O fato de ter o artista dado às ondas uma direção oposta à posição do observador, estabelece no espirito deste certa confusão, e na tela uma espécie de desequilíbrio. A segunda parte não é intuitiva e pareceu-nos multo brusca a transição da luta das raças para o período republicano.

Helios Seelinger consagrou-se à arte decorativa, fez dela a sua especialidade, e ela está realmente no seu temperamento e no seu feitio. O meio tem sido ingrato para o aproveitamento de suas aptidões e do seu espirito emancipado.

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Já fizemos referência ao contingente de Theodoro Braga, no salão. Essa referência foi ao que ele expõe na seção de pintura. Há ainda, do operoso artista, o contingente que ele levou à seção de artes aplicadas, contribuição interessante, valiosa e original. Versa a mesma sobre motivos da flora e da fauna brasileiras, aplicadas à decoração. Fruto de demorada pesquisa e de muita observação, esses estudos demonstram que a nossa natureza é uma fonte perene de inspiração.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

BELAS ARTES. O SALÃO DE 1922. O Jornal, Rio de Janeiro, 26 nov. 1922, p. 3.

BELAS ARTES. O SALÃO DE 1922. O Jornal, Rio de Janeiro, 28 nov. 1922, p. 3.

NOTAS E IMPRESSÕES

Vamos encerrar as notas que vimos registrando sobre a seção de pintura do salão deste ano, a fim de passarmos à seção de escultura e à de arquitetura, seguindo-se o salão dos artistas belgas e a exposição de arte retrospectiva.

Os próprios expositores serão os primeiros a compreender quão pesada é a tarefa de percorrer aquelas enormes galerias e, à vista das impressões recebidas, ir colocando em relevo este ou aquele trabalho que mais nos fale ao espirito. Haverá, por isso, deficiências no que se tem escrito aqui em torno do salão, mas isso é perfeitamente perdoável em face da boa vontade que nos anima, visando movimentar o noticiário artístico, infelizmente tão descurado no nosso meio. .

Ia-nos, por exemplo, passando em despercebido um quadrinho assinado por Luiza de Andrade - "Estudo de interior". É um trabalho honesto, envolvido em ambiente próprio e com as linhas de perspectiva bem estabelecidas.

Não nos entusiasmaram as telas em que o professor Lucilio de Albuquerque apresenta este ano algumas relíquias arquitetônicas de S. João d'El-Rey. À primeira impressão de desinteresse, acreditamos fosse ela determinada pela natureza do assunto. Mas logo nos lembramos que qualquer assunto bem tratado pelo artista nos há de, fatalmente, falar à alma. Realmente o professor Lucilio de Albuquerque, pelo seu talento e pelo nome que já conquistou, devia estar ali representado com obra de maior fôlego. Não lhe faltam para isso qualidades que somos os primeiros a reconhecer.

Há graça e encanto no "Manacá", quadro quente na sua tonalidade, deliciosa carnação de mulher ao ar livre, aspirando o perfume das flores. A luz forte coa-se por entre o manacá florido, projetando sobre aquela carne estuante de mocidade e de seiva um colorido cambiante. É isso o que se sente em face do quadro de Georgina de Albuquerque, no qual entra, sem duvida, uma pequena dose de fantasia, o que, aliás, em nada o prejudica.

É uma figura expressiva e em que há [...], graça e relevo, a "Leleta", de Sarah Figueiredo.

De Manoel Santiago apreciamos a paisagem do "Canto do Rio" - árvores, terra e mar. As telas "Botafogo" e "Flores ao sol" não chegaram a nos impressionar.

O barão Feske de Puttkamer tem uma nota graciosa e agradável na sua paisagem de Paquetá.

Do artista dinamarquês que ora nos visita, Gustav Brock, há no salão uma coleção de retratos, miniaturas sobre marfim, preciosas obras d'arte.

Em tela de grandes dimensões o pintor Levino Fanzeres reproduz o episódio "Partida de Araribóia". Terra e água tem grandiosidade, mas as figuras, dispostas em linha, guardando quase todas a mesma uniformidade, sem atender a distâncias e situações, apresentam-se com certa dureza e sem movimento. O outro quadro, "Efeito de sol", é uma paisagem bem lançada e bem sentida.

Justino Migueis deu expressão, relevo e mesmo um certo cunho de nobreza ao retrato de mlle. Branca Falques de Brito.

Ao ver os "Cravos de meu jardim", enviados por Germano Neves, tivemos a impressão de que eles perfumavam o ambiente.

Interessante a contribuição do caricaturista Raul Pederneiras e magníficas as águas-fortes de Pedro Weingartner. Algumas são mesmo pequenas maravilhas.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

BELAS ARTES. O SALÃO DE 1922. O Jornal, Rio de Janeiro, 28 nov. 1922, p. 3.

BELAS ARTES. O SALÃO DE 1922. O Jornal, Rio de Janeiro, 30 nov. 1922, p. 3.

NOTAS E IMPRESSÕES

Cuidemos agora da escultura no salão deste ano. É fraca, em número, contribuição dos escultores. mas há na seção consagrada ao gênero, bem como na de gravura, muita coisa interessante. Comecemos por falar da obra prima que enviou o professor Corrêa Lima - uma cabeça de menino, busto em mármore, de tamanho natural, verdadeira maravilha de expressão e de vivacidade, um bloco de mármore que o artista animou com o fulgor do seu talento. Muito bom, também, o busto do dr. Mario Nazareth, provedor da Candelária.

Francisco de Andrade tem o seu nome representado por um busto em bronze, retrato do arquiteto Francisco Santos. Com esse trabalho registra ele novo triunfo para a sua carreira. Mais que um simples busto, essa obra de arte é realmente, um retrato, pois exterioriza bem, na segurança do seu agradável modelado, o traço de semelhança e um pouco da alma do modelo.

Leopoldo Silva trabalhou muito para o salão e fê-lo com grande brilho. Bom modelado o do "índio pescador", em cuja altitude o artista resolveu interessantes dificuldades; expressivo e voluntarioso o "Retrato em bronze" e no mármore "Repouso", uma linda figura de mulher, há serena tranquilidade e uma doce harmonia nas linhas.

Dos trabalhos enviados por Nicolina Vaz Pinto do Couto, destacaremos o mármore estatuário "Cabeça de estudo" e, acima disso, a "Cabeça de criança", uma verdadeira jóia de arte.

Há bastante sentimento na "Página de amor", bronze de Enzo Orsini.

Os bustos de Pinto do Couto, feitos com a maestria que lhe é característica, já tiveram, de nossa parte, o registro merecido. Em todos eles a arte desse escultor se evidencia por uma técnica bem individual.

Do muito que expõe Alexandre Finta de Aba, nada menos de vinte pequenos trabalhos, apreciamos o simbolismo da "Fúria da guerra" e o baixo relevo do vaso em bronze - "Descida ao sepulcro".

Um busto esplêndido de expressão e de semelhança, o de Affonso Lopes de Almeida, executado por Samuel Martins Ribeiro. O modelo é magnífico e o artista dele soube tirar partido.

Apreciáveis e com qualidades os bustos de Fernando Mendes e Paulo Barreto, executados por Laurindo Ramos.

Assinalemos ainda - e com merecido destaque - o brilho da representação de Leopoldo Campos na seção de gravura.

A seguir trataremos da seção de arquitetura.

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Retrato do arquiteto Francisco Santos - busto em bronze de Francisco de Andrade

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

BELAS ARTES. O SALÃO DE 1922. O Jornal, Rio de Janeiro, 30 nov. 1922, p. 3.

BELAS ARTES. O Salão de 1928. O Paiz, Rio de Janeiro, 13-14 ago. 1928, p. 7.

A comissão organizadora, como nos anos anteriores, a fim de facilitar a visita do público aquele certame, resolveu que o mesmo permanecesse aberto à noite, das 19 às 22 horas, durante a semana corrente.

Por deliberação da diretoria da Escola, tanto o Salão como a Pinacoteca, estarão abertos das 12 às 17 horas, diariamente, menos a pinacoteca, que às segundas-feiras permanecerá fechada, para limpeza.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS ARTES. O Salão de 1928. O Paiz, Rio de Janeiro, 13-14 ago. 1928, p. 7.

BELAS ARTES. SALÃO DE 1905. A Noticia, Rio de Janeiro, 1-2 set. 1905, p. 2.

No edifício da Escola Nacional de Belas Artes, realizou-se hoje, a solene abertura da 12ª exposição geral de belas artes, com a presença de altas autoridades, do diretor, corpo docente e alunos da Escola, homens de letras, artistas e algumas famílias.

A exposição deste ano, folgamos em dizê-lo, é mais numerosa e mais seleta que a do ano passado.

Na seção de pintura, que, como sempre é a mais rica figuram 262 trabalhos.

Deixaram de concorrer muitos dos nossos artistas de nomeada, em compensação outros, de mais constância e esperança no futuro das nossas belas artes e não menos ilustres, dando o exemplo aos novos, concorreram com elementos de sobra para o êxito do salão de 1905.

Destacam-se ao primeiro lance dolhos [sic] os quadros de Visconti, sobretudo o retrato da distinta escultora brasileira D. Nicolina Vaz de Assis; os de João Baptista, o primoroso pintor da nossa natureza; os retratos de Henrique Bernardelli, as marinhas de Dall'-Ora [sic]. Brocos também dá-nos um trecho da nossa baía, com efeitos do poente, belo trabalho, e um bom retrato de pessoa de sua família.

Eugenio Latour, pensionista do Estado, atualmente na Europa, enviou alguns trabalhos de valor, destacando-se o quadro - "Praga Social", uma cena de alcoolismo em família de um proletário, um belo trabalho no seu conjunto em questão bem definidas a técnica e os efeitos de luz.

O artista em outros quadros que apresenta agrada vivamente pela nota dominante do colorido dado aos seus trabalhos.

Citaremos ainda os de Weingartner, Raphael Frederico, Eduardo Bevilacqua e as paisagens de Petrópolis de Luiz de Freitas e o brilhante concurso trazido pelos irmãos Chambelland [Carlos Chambelland e Rodolpho Chambelland], ambos alunos da escola e brasileiros.

É a segunda vez que concorrem e desta o fizeram com convicção e amor e jovens como são muito prometem.

Salientaremos as aquarelas de Rodolpho Chambelland e o seu quadro muito feliz - "Bacantes em festa". Nesta seção há muitos nomes novos destacando-se A. Fernandes, E. Morand, Vaugnah [sic] e Carlos Azevedo.

Em aquarela sobressaem como sempre os belos trabalhos de B. Treidler e suas distintas discípulas as demoiselles Cunha Vasco [Anna da Cunha Vasco e Maria da Cunha Vasco], duas amadoras que já conquistaram justa nomeada pelo talento artístico.

Os desenhos de Raul dão uma nota atraente a esta seção.

Na seção de gravuras só há a notar as primorosas medalhas do professor Girardet, na de escultura os trabalhos da Associação dos Escultores de ornatos de madeira, os exemplares de marcenaria artística enviados pelo Liceu de artes e ofícios de S. Paulo, os trabalhos em couro de Mlle. Hirsch, Theodoro Braga e D. Joanna Brandt, e a jarra Tiradentes de Benedicto Machado.

Na de arquitetura destacam-se belíssimos desenhos do Sr. Victor Dubugras, professor da Escola Politécnica de S. Paulo.

A exposição deste ano merece uma visita demorada pela sua importância e valor dos trabalhos dos nossos artistas, que tanto tem elevado as Belas Artes do nosso país.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BELAS ARTES. SALÃO DE 1905. A Noticia, Rio de Janeiro, 1-2 set. 1905, p. 2.

BELAS-ARTES - A "MEDALHA DE HONRA" DO SALÃO FOI CONFERIDA AO PROFESSOR LUCILIO DE ALBUQUERQUE. O Jornal, Rio de Janeiro, 26 ago. 1920, p. 3.

Os artistas premiados e que figuram na exposição geral deste ano, reuniram-se ontem para conferir a "medalha de honra".

Compareceram os srs. Baptista da Costa, Arthur Thimoteo, Lucilio de Albuquerque, Rodolpho Chambelland, Francisco Manna, João Thimoteo da Costa, Helios Seelinger, Antonino de Mattos, Augusto Bracet, Navarro da Costa, Francisco de Andrade, Argemiro Cunha, Adalberto de Mattos, Francisco Gomes, Martins Ribeiro, André Vento, Edgard Parreiras, Garcia Bento, Almeida Junior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior] e Antonio Soubre [?].

Ao todo vinte artistas que deram quinze votos ao sr. Lucilio de Albuquerque e cinco ao sr. Elyseu Visconti. Presidiu a reunião o professor Raul Pederneiras, que teve a gentileza de traçar para esta folha a caricatura do professor Lucilio de Albuquerque, o artista a quem foi conferida a "medalha de honra". Do ato foi lavrada uma ata por todos assinada.

O professor Lucilio de Albuquerque agradeceu a honrosa distinção conferida pelos seus colegas, classificando-a como festa de pura bondade. Assim procedendo, haviam praticado grave injustiça, pois a "medalha de honra" cabia ao seu ilustre colega o sr. Elyseu Visconti.

O sr. Arthur Thimoteo lamentou que "preocupações de pura política individual", houvesse privado este ano o pintor Elyseu Visconti da "medalha de honra". Pediu que ficasse consignado na ata ser objeto da merecida distinção feita ao professor Lucilio de Albuquerque, o quadro por ele exposto no salão deste ano "Retrato da sra. Georgina de Albuquerque".

Foi muito notada a ausência de alguns artistas premiados e principalmente de alguns que já conquistaram a "medalha de honra". Por essa ausência quase não houve número para a reunião...

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O professor Lucilio de Albuquerque - Caricatura de Raul [Raul Pederneiras - Caricaturas]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES - A "MEDALHA DE HONRA" DO SALÃO FOI CONFERIDA AO PROFESSOR LUCILIO DE ALBUQUERQUE. O Jornal, Rio de Janeiro, 26 ago. 1920, p. 3.

BELAS-ARTES - A inauguração oficial da exposição geral de 1920 - As obras reclamadas pelo palácio das Belas-Artes. O Jornal, Rio de Janeiro, 13 ago. 1920, p. 3.

Está oficialmente inaugurada a exposição geral deste ano. Compareceram ao ato as altas autoridades do país. As salas ocupadas pelos trabalhos dos concorrentes transbordavam de senhoras e cavalheiros. Era um aspecto bem diferente do da véspera, em que se realizara a "vernissage". Havia menos preocupação de ver arte e mais mundanismo, mais desejo de ver o presidente da república que olhar para os trabalhos expostos. Mas isso foi um aspecto rápido, um aspecto que foi breve como um momento, que pouco mais foi a visita presidencial.

O presidente Epitácio Pessoa, acompanhado do ministro Alfredo Pinto, do professor Baptista da Costa, diretor da Escola de Belas Artes: do sr. Raul Veiga, presidente do Estado do Rio de Janeiro e dos membros da comissão organizadora da exposição, professores Rodolpho Amoedo, Raul Pederneiras e B. Treidl e percorreu toda a exposição, tenod [sic] tido ocasião de felicitar pessoalmente os srs. Helios Seelinger, Antonino Mattos, Georgina de Albuquerque e outros artistas que se achavam presentes.

Depois o presidente da República passou a visitar o museu de belas artes, onde pode ver a galeria dos pintores nacionais e só parte da galeria dos pintores estrangeiros, pois a outra está vedada pelos sarrafos e lonas que ostentam os trabalhos da atual exposição geral.

Teve então o sr. Epitácio Pessoa oportunidade de ver que o edifício reclama obras de conservação e a construção de novas galerias; que aquilo tudo está isntalado com uma pobreza humilhante para os nossos créditos de povo culto.

Aquelas galerias deviam ostentar mobiliário antigo e de estilo em vez de bancos mais próprios para jardins públicos.

Ouvimos, ao fim da visita, o presidente da Republica dizer ao professor Baptista da Costa que não se fariam de uma só vez todos os melhoramentos reclamados, mas alguma coisa se faria desde logo. Também ouvimos do ministro Alfredo Pinto a confirmação dessas palavras. Parece-nos, porém, que os reparos exigidos pelo edifício terão de ser atacados de uma só vez para se evitar de futuro maiores gastos.

Quando o presidente Epitácio Pessoa deixou o edifício da Escola de Belas Artes, ao som do Hino Nacional, os visitantes formaram alas desde o alto da escadaria do saguão até a entrada do auto presidencial.

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O presidente da República visitando a exposição de Belas Artes.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES - A inauguração oficial da exposição geral de 1920 - As obras reclamadas pelo palácio das Belas-Artes. O Jornal, Rio de Janeiro, 13 ago. 1920, p. 3.

BELAS-ARTES - FOI ONTEM INAUGURADA A EXPOSIÇÃO ANUAL. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 13 ago. 1920, p.6.

Na Escola Nacional de Belas Artes foi ontem inaugurada a exposição anual de pintura e escultura.

Às 15 horas, aproximadamente, chegou ao edifício da Escola o Sr. Presidente da República, que se fez acompanhar do seu ajudante de ordens, Capitão Marcolino Fagundes e do Sr. Dr. Alfredo Pinto,. Ministro da Justiça.

S. Ex. foi recebido pelo Sr. professor Baptista da Costa, Diretor do estabelecimento, e demais professores e artistas, além de grande número de pessoas convidadas.

Após os primeiros comprimentos foi iniciada a visita presidencial aos trabalhos expostos, que são em número elevado nas diversas seções, com especial referência à de pintura.

Terminada a visita, o Sr. Presidente da República retirou-se, levando as melhores impressões do salão deste ano.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES - FOI ONTEM INAUGURADA A EXPOSIÇÃO ANUAL. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 13 ago. 1920, p.6.

BELAS-ARTES - Impressões do salão deste ano - AINDA A SEÇÃO DE PINTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 15 ago. 1920, p. 3.

Antes de continuarmos a registrar impressões sobre a exposição geral deste ano, devemos assinalar a entrada, na seção de pintura, das três telas do sr. Elyseu Visconti, trabalhos esses que figuraram no "salon" de Paris. São, pois, três peças magníficas, três quadros prejulgados, dado o meio em que surgiram e onde receberam referencias muito lisonjeiras. Nelas as figuras harmonizam-se com o ambiente em que foram colocadas, seja em "Samothrace", na "Família" ou na "Cura do sol".

Desenhadas com maestria, essas figuras, envolvidas numa suave tonalidade, têm expressão, naturalidade e movimento. Aquele velado tão característico da técnica do pintor Visconti toma relevo extraordinário visto à noite sob a luz artificial.

O sr. Rodolpho Amoedo mantêm as suas qualidades de mestre num retrato e no "Chá das cinco horas".

O sr. Augusto Bracet tem na exposição geral dois trabalhos fortes. Em ambos o panejamento e o colorido da carnação são executados com honestidade. O nu da mulher que hesita na escolha da fazenda, está desenhado com firmeza, mas a "Ânfora" é quadro mais sólido. Colocado de dorso para o observador, o oleiro grego vê criar-se no seu espírito, ante a atitude de mulher que desperta e se espreguiça, a forma da ânfora. Esta surge ao fundo com o tom suave e luminoso de objeto criado pelo espírito do artífice. É, como se vê, um quadro de concepção e de ideia.

Não parecem telas do mesmo pincel, a "Manhã de sol" e o "Outono", do sr. Pedro Bruno: aquela, um luminoso aspecto de praia e esta umas dançarinas muito mal amanhadas.

O trabalho de "guache" do sr. De Servi intitulado "Depois da tempestade", é um belo pedaço de mar, com movimento e as ondas espumantes a quebrarem-se sobre os rochedos. Não achamos muito justo o seu retrato do sr. Alfredo de Souza.

O sr. Gaspar de Magalhães, atualmente em Paris, lembrou-se do salão anual antes de partir e deixou dois trabalhos sérios: um touro e uma cabeça de carneiro. Diz-nos o coração que o sr. Gaspar de Magalhães vai ser um grande animalista brasileiro. O seu touro tem boa anatomia e está colocado de escorço, deixando o lombo médio e o pelo luzidio.

Tem muita vida, muita luz e muito movimento a paisagem "Sol da tarde", tela do professor Rodolpho Chambelland também representado com dois retratos apreciáveis.

A sra. Cecil Clark Davis, que há pouco expôs na "Galeria Jorge" uma coleção de retratos feitos com admirável solidez, enviou ao salão dois trabalhos executados aqui, os retratos da sra. Stewart e da condessa Maude de Provana. São esses dois retratos mais um atestado do valor dessa artista de real merecimento. Há na sua maneira de pintar vigor de técnica e uma certa facilidade de transmitir à tela um pouco da alma e do caráter de suas retratadas, dando além disso muito relevo às figuras, qualidades que poucos pintores logram possuir.

No vale do Paraíba o sr. Levino Fanzeres apanhou rico "Efeito de sol". É uma paisagem de efeitos justos e com tonalidade muito agradável. Também merece registro especial a sua "Agonia da tarde", um ambiente torturado pela noite que vem longe. Na linha do horizonte o sol desaparece deixando ainda a terra afogueada.

Distinguido em 1910 com um prêmio de viagem, o sr. Francisco Massa [sic] não o pode gozar. A inveja e a perfídia alvejaram- no. Mas o artista ferido pela injustiça e pela deslealdade continuou a trabalhar.

Recaia sobre a consciência dos que o perseguiram o remorso da maldade praticada. No salão deste ano está ele representado por seis trabalhos: "Recreio matinal", "Ócio de estudante", "Pescadores de águas turvas", "Recanto iluminado", "Tarde de sol" e "Crivos de luz". São telas honestas e em que há unidade da maneira de pintar.

O sr. Navarro da Costa está, a nosso ver num período de evolução na sua maneira de pintar. Ele não é, positivamente, o mesmo pintor de anos passados, antes de ter convivido com os grandes mestres da Europa. O estudo de luz que ele fez da janela de seu atelier sobre a cidade de Lisboa, é uma nota de fatura honesta e de muita solidez. Há nessa pequena tela uma sucessão de planos delineados com muita habilidade.

Apenas um trabalho levou o sr. Edgard Parreiras à exposição geral deste ano, mas a sua "Manhã de sol" representa-o muito condignamente. Tem claridade, alegria e boa perspectiva. No primeiro plano um verde "flamboyant" estende os galhos sobre o caminho para lhe dar sombra amiga.

Com um retrato e uma paisagem, o sr. Argemiro Cunha atrai a atenção para o seu nome, pois o retrato tem qualidade excelentes e a paisagem, bem iluminada, transborda de vida e de alegria.

Dos trabalhos expostos pelo sr. Otto Bungner, destacaremos a "Paisagem da Gávea", feita com grande delicadeza de toque.

Aparece este ano, pela primeira vez, no salão da exposição geral, o sr. Albano Lopes de Almeida. É um novo que surge, cheio de esperanças e com talento. As suas duas paisagens "Beijos de sol" e "Vegetação", tem originalidade e desenho. O vácuo, aquela impressão de vazio que não é fácil de alcançar, o jovem artista a obteve de maneira apreciável.

Com três assuntos da guerra, o sr. Hermogenes Marques apresenta-se com brilho na exposição geral. Os seus cavalos têm nobreza e são lançados com largueza.

As manchas do sr. Mario Tullio falam um pouco da exuberância do seu temperamento cenográfico.

A "Interrogação", da sra. Maria Elisa de Frontin Werneck, uma jovem desfolhando malmequeres, faz acreditar numa promissora esperança. Olhamos com simpatia muito espontânea para o seu trabalho.

É um espírito imaginoso e criador, o sr. Martins Ribeiro. A sua "Visão interior" é disso prova frisante. O homem que surge dentre as sarças de fogo e revendo o próprio íntimo, tem anatomia e muita expressão.

O sr. Eugenio Latour foi de infelicidade flagrante com o seu "Dia de audiência".

Tem muito sentimento e poesia o "Crepúsculo", do sr. Francisco Cucolilo, uma linda paisagem à beira-mar.

A sra. Regina Veiga está representada com três trabalhos apreciáveis e nos quais se acentuam os seus progressos; do sr. Gastão Formenti, destacaremos o "Rochedo do arpoador". A citar ainda, na seção de pintura, os nomes dos srs. Fernandes Machado, Americo Giusti, Antonio Esposito, Antonio G. Bento, B. Pinto, Lopes de Leão, Cesare Colossuonno, A. Delfino [sic], Manoel Domenech, João Dutra, Hedwiges Witte, Irene França, Joaquim Rocha Ferreira, John Graz, Laudelino Aguiar, Luiz Kattenback, Manoel Faria, Maria Lisboa, Reis Junior, Solange Hess e Zina Aita.

A seguir registraremos impressões sobre as seções de escultura, gravura e arquitetura.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES - Impressões do salão deste ano - AINDA A SEÇÃO DE PINTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 15 ago. 1920, p. 3.

BELAS-ARTES - Impressões do salão deste ano - Escultura - Gravura - Arquitetura. O Jornal, Rio de Janeiro, 16 ago. 1920, p. 3.

Registradas que já foram as nossas impressões sobre a seção de pintura na exposição geral deste ano, passaremos agora a tratar da escultura, gravura e arquitetura. Feito isso, estará concluída a nossa tarefa, no desempenho da qual só tivemos o objetivo de ser justos, não procurando diminuir o esforço de ninguém, nem alimentando vaidade com elogios exagerados e imerecidos. Quer nas exposições gerais, quer nas individuais, trate-se de nacionais ou estrangeiros, tem sido e será sempre essa a nossa linha de conduta.

A SEÇÃO DE ESCULTURA

Sob qualquer ponto de vista, a seção de escultura deste ano é, visivelmente, inferior a do ano passado. Numericamente, então, essa inferioridade, além de ser patente, chegou ao ponto de não se poder consagrar à escultura uma sala especial. É lamentável que o desânimo tenha por essa forma invadido o espírito dos nossos jovens escultores.

O sr. Francisco de Andrade, que tão fortemente se fez representar em exposições anteriores, limitou-se aos bustos, este ano. É de lamentar que assim tenha acontecido. Dos bustos que expõe, destacaremos, como trabalho de mais largueza e segurança, no modelado, o do arquiteto Francisco dos Santos. Está feito com vigor de expressão, animado por um sólido desenho e observação anatômica. O estudo para uma estátua, representando um bandeirante, tem boa atitude a figura, lançada com certa nobreza.

Também quiséramos, para o sr. Magalhães Corrêa, artista de talento e prêmio de viagem da nossa Escola de Belas Artes, uma representação mais sólida, em se tratando de um salão anual. As duas cabecinhas por ele enviadas são cheias de vida e de delicadeza, são dois pequenos mimos do seu coração para dois rebentos da sua alma de pai e artista.

O escultor que domina na exposição geral é o sr. Antonio [sic] de Mattos [Antonino Mattos], prêmio de viagem na exposição geral de 1914. Na "Agonia" há expressão de dor. É bem um símbolo de vida que se extingue. Mas a "Escrava" é o trabalho de folego, entre os que expõe o artista, é mesmo a melhor peça de escultura no salão deste ano. O modelado é fino e a posição da figura está bem estudada. De formas belas, a escrava, braços cruzados para traz e acorrentados, tem os olhos fixos no céu, numa expressão súplice de liberdade.

Há muita simpatia e muita bondade na expressão fisionômica do retrato com que se apresenta o sr. Casemiro Corrêa, interessante busto em que ele reproduzia as feições de sua velha mãe.

O retrato em bronze do facultativo sr. Maciel Bacellar, executado pelo sr. Umberto Cavina, está bem modelado, mas deixa a desejar quanto à semelhança.

No busto apresentado pelo sr. Martins Ribeiro - 149 do catálogo - há graça na atitude, o modelado agrada mas o traço de semelhança não foi bem alcançado.

Do sr. Leão Velloso não chegamos a penetrar no assunto que lhe inspirou o trabalho "Evocando", mas aquele beijo de "Um sonho" é agradável de ver e as duas figuras, graciosamente apresentadas em relevo têm em torno de si uma forte irradiação.

O busto em gesso, do general Silva Pessoa, feito pelo sr. Laurindo Ramos, talvez dê melhor resultado depois de passado para o bronze.

Tanto no busto em bronze, apresentado pelo sr. Paspual Fonseca [sic] Pascoal Fosca, como na sua índia argentina, há observação e viveza de modelado.

A SEÇÃO DE GRAVURA

Também há pouca coica [sic], este ano, na seção de gravura. Na parte referente às medalhas, esperávamos uma representação mais brilhante do sr. Adalberto Mattos, nome já consagrado nesse delicado ramo de arte. Mas, tivemos de nos contentar com a sua delicada "Felicidade".

Apreciamos e muito os medalhões do sr. Francisco Marinho, para os campeonatos de natação e water-polo; o interessante "Peri" do sr. Jorge Soubre e algumas das peças expostas pelo sr. L. Campos.

Na gravura litográfica despertaram-nos a atenção duas produções em talho doce: "Criança orando" e "Madona de Raphael", enviadas pelo pintor sr. Otto Reim.

O sr. Lopes de Leão tem nessa seção quatro assuntos colhidos na Itália.

A SEÇÃO DE ARQUITETURA

Estão expostas, nesta seção, dois projetos pertencentes ao sr. José Mariano Filho, o inteligente colecionador que tanto impulso procura dar a vida artística da nossa cidade "Uma residência à beira-mar", de Victor Duburgas, e "uma casa em estilo colonial", de Francisco Santos.

A EXPOSIÇÃO GERAL À NOITE

Visto à noite, o salão da exposição geral oferece aspecto interessante. A luz está distribuída com habilidade e há telas que ganham mesmo muito realce sob a luz artificial.

Todas as noites, das 19 às 22 horas, a concorrência tem sido numerosa.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES - Impressões do salão deste ano - Escultura - Gravura - Arquitetura. O Jornal, Rio de Janeiro, 16 ago. 1920, p. 3.

BELAS-ARTES - Impressões sobre o salão deste ano - A sessão de pintura. O Jornal, Rio de Janeiro, 14 ago. 1920, p. 3.

Está em foco o "salão". A exposição geral domina e absorve o noticiário artístico. Mais do que isso: o "salão" anual consegue interessar o nosso meio social, atraindo-o para o palácio das artes belas. Registremos com simpatia esse movimento salutar e magnífico. Que ele se desenvolva sempre e cada vez mais, são os votos que formulamos. Mas, para que a arte culmine dominando todos os atos da nossa vida, não basta a boa vontade deste ou daquele elemento. Mister se faz que os artistas e o público, animados pelo mesmo ideal e por um objetivo comum, tenham convívio mais intimo, fácil de alcançar com a realização de exposições individuais. À administração publica, tanto a federal como a municipal, bem podia caber a tarefa de dar maior realce ao certame anual, não só instituindo prêmios, mas também que esses prêmios tivessem significação material capaz de levar a emulação ao espírito dos que trabalham.

A prova de que não nos faltam artistas de talento, está aí bem patente e com um relevo capaz de se impor mesmo aos olhos dos que não queiram ver. Comecemos por um nome feminino, a sra. Georgina de Albuquerque. A sua "Manhã de sol" é um forte trabalho de pleno ar e plena luz. Um tipo esbelto de mulher chegou à varanda desviou ligeiramente a cortina e contempla a paisagem. O seu corpo interceptou o jorro de uma luz intensa que lhe banha o dorso. É uma tela vibrante em que se desejaria talvez, um pouco de calor na folhagem verde que forma o fundo do quadro. É ainda do pincel da sra. Georgina de Albuquerque a "Faceira", executada com finura de toque e uma soberba expressão fisionômica. Não há ali só a harmonia daqueles cabelos loiros com os olhos azuis e meigos, os lábios polpudos e róseos; há também a irradiar da tela, na expressão daquela figura, toda a faceirice da mulher linda, como que a exclamar: "olhem-me, que eu sou mesmo bela!"

Sente-se em "Chagrin d'amour" que a figura do primeiro plano tem a alma despedaçada por uma desilusão, mas a figura de azul não satisfaz, nem está na altura daquele delicado ambiente de interior.

A menina e o cão justifica [sic] bem o título "Meiguice".

O nome do professor Baptista da Costa está representado por duas grandes telas: "Últimos raios de sol" e "Tarde calma". Aquela é uma paisagem petropolitana, um trecho de floresta banhado pela frescura da água corrente. Está ali, na pureza de suas linhas, na verdade do colorido e naqueles suaves efeitos de sol e sombra, a técnica do mestre. A "Tarde calma" é um aspecto da Lagoa Rodrigo de Freitas. Os planos desdobram-se num cenário maravilhoso pela sua grandeza e pela sua admirável perspectiva. Contempla-se o quadro e o próprio espírito se acalma diante daquela serena quietude em que está mergulhada a natureza. Baptista da Costa impõe-se aí com o pintor magnífico das águas tranquilas.

Das cinco telas enviadas pelo Sr. Lucilio de Albuquerque, todas trabalhadas com largueza, destacaremos o retrato de alguém cuja alma ele, mais do que ninguém, poderia interpretar com segurança e conhecimento. Mas não é só a particularidade dessa psicologia tão bem definida pelo artista quanto aos traços fisionômicos da retratada, Tudo ali está feito com arte e carinho. O tecido branco do casaco Jersey é perfeito e oferece agradável contraste sobre a "toilette" escura. As extremidades também estão muito bem acabadas. O retrato é em tamanho completo.

Entre os trabalhos com que se apresenta o Sr. Arthur Thimoteo, interessou-nos particularmente um aspecto da "Praia da Boa Viagem", pintura larga e feita com vigor. O artista tirou das tintas acumuladas efeitos seguros. O mar tem vida e movimento; a água, cheia de transparência, resplende em luminosa claridade.

Duas arrojadas marinhas do Sr. Helios Seelinger, falam vivamente do espírito imaginoso do artista: "Nossa esquadra na guerra" e "Por mares nunca dantes navegados".

O velho médico do Sr. João Thimoteo, auscultando o pequeno enfermo [Imagem], tem na fisionomia uma expressão concentrada, uma atitude de médico desejoso de fazer diagnóstico certo.

O assunto religioso na pintura, está representado por uma tela de Carlos Oswaldo, "Jesus entre os doutores". Muito boas as figuras dos velhos sábios e o meigo Jesus está feito com doçura e num ambiente místico.

O sr. [Augusto Petit], talvez o mais velho dos artistas que figuram no salão deste ano, apresenta uma tela em que ressumbra mocidade e frescura. É a "Primavera", simbolizada por um lindo meio corpo de mulher linda e moça, peitos túmidos e de bicos róseos, aninhados na gaze como dois meigos pombos brancos...

A tela do sr. Almeida Júnior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior], "Primeiro pecado", não impressiona bem e claudica mesmo no desenho.

Formando um grupo de retratos com "Alguns amigos", o sr. Guttman Bicho não foi feliz.

Com a sua "Cleópatra", o sr. André Vento está bem representado. Há nessa tela harmonia de conjunto e sentimento decorativo. Talvez lhe falte perspectiva e expressão nas figuras. Mas a roupagem, panejamento e acessórios, são de colorido agradável e bizarramente equilibrado.

Nos três quadros que enviou o sr. Paulo Fonseca [sic], revela qualidades de paisagista; o sr. Assumpção Santiago fez um bom auto-retrato; o sr. Porciuncula Moraes, no "Último beijo", ficou muito longe da meta desejada, e a sra. Julia Ferreira Pinto apresentou um trabalho de cores justas na sua "Tzigana".

E ficamos por aqui na seção de pintura, da qual continuaremos a registrar impressões. Depois seguir-se-á a seção de escultura e a de gravura.

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A exposição geral de belas artes está franqueada ao público diariamente, das 11 às 17 horas, e à noite das 19 às 22 horas, no Palácio das Belas Artes.

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"Tarde calma" - Quadro do Professor Baptista da Costa

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES - Impressões sobre o salão deste ano - A sessão de pintura. O Jornal, Rio de Janeiro, 14 ago. 1920, p. 3.

BELAS-ARTES - O "SALON" DE 1912. A Noite, Rio de Janeiro, 30 ago. 1912, p.2.

Realiza-se amanhã a "vernissage" da XIX Exposição Geral de Belas-Artes, cuja inauguração será domingo próximo.

Algumas horas mais, e poderemos, num gozo de espiritualidade, contemplar os trabalhos dos que no silêncio dos seus ateliers, os idealizaram e compuseram, consagrando-se a Arte, única e santa preocupação que tiveram e tem nesta vida.

Fala-se em lutas.

Elas existem e existirão sempre, e, tanto mais nobres serão, sempre que forem dirigidas em torno de um elevado ideal.

Aqui no nosso pequeno meio artístico, o eterno pomo da discórdia é o prêmio de viagem. (Quantia inferior a oito contos de réis).

Tão apaixonadas discussões se têm travado, que acontece às vezes, os contendores, caírem em incoerências notáveis.

O ano passado, uns batiam-se pelo pintor Presciliano, pretendente ao prêmio de viagem, e, chegado da Europa poucos meses antes, onde estivera em gozo de uma pensão estadual.

- Diziam que podia ir.

Quem conhece o defeituoso regulamento das exposições, não o contesta, pois neste não há um só artigo que esclareça ou impeça de que qualquer rapaz, estude ele na Europa ou na Ásia, concorra na sua volta aquele famoso prêmio.

Condená-lo só em consciência. Agora, entre os concorrentes, há o Sr. Capllonch chegado, - dizem - da Europa, e, os que o ano passado aceitavam Presciliano recusam agora aquele!

Talvez, quem sabe? As telas da Bretanha sejam superiores às de Florença.

Ao prêmio de viagem, do "salon" os próprios alunos matriculados da escola, embora tenham tirado o prêmio de cinco anos, podem e devem concorrer ao do "Salon".

O regulamento dá-lhes esse direito.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES - O "SALON" DE 1912. A Noite, Rio de Janeiro, 30 ago. 1912, p.2.

BELAS-ARTES - O "vernissage" do salão deste ano Hoje às 15 ½ horas será a inauguração oficial. O Jornal, Rio de Janeiro, 12 ago. 1920, p. 3.

Pelos três salões em que foram distribuídos os trabalhos dos concorrentes a 27ª Exposição Geral de Belas Artes, espalhou-se ontem, à tarde, um alegre burburinho. Eram artistas, homens de letras, colecionadores e jornalistas, ali reunidos para o "vernissage" do certame deste ano. Não havia no ambiente e aspecto cerimonioso das inaugurações oficiais, mas aquele convívio alegre e despreocupado dos que cultivam a arte.

Os grupos espalhavam-se pelos corredores amplos, oferecendo o contraste interessante da alegria incontida dos novos e a serenidade dos que já venceram ou viram estiolar o seu esforço ante a indiferença do meio.

E, como soe acontecer em todo "vernissage" que se preza, não faltou ao de ontem a nota da maledicência, tão apreciada e cultivada entre alguns dos nossos artistas...

Desses comentários, verdade seja dita, muitos de revestiam de razão e justiça. Aqueles eternos tapumes de lona que o governo ainda [...] quis evitar, os ridículos festões de folhagens, a absoluta ausência de bom gosto numa casa de artistas, tudo isso já teria sido evitado, se houvesse um pouco de boa vontade por parte da administração pública. Mas que mais poderia fazer a comissão organizadora, sem espaço e sem recursos? Esta apelou, em vão, para o presidente Epitácio Pessoa, que, depois de uma larga estadia nos centros artísticos do Velho Mundo, bem podia olhar com mais simpatia e mais carinho para a arte no brasil.

Passando a outra ordem de considerações, diremos que o Salão deste ano representa um esforço dos nossos artistas. Há ali trabalhos que nos honram, no cultivo de um delicado ramo de cultura, como esse das artes plásticas.

Bem podia o júri ter selecionado um pouco mais, não só para maior equilíbrio do conjunto, mas também para levar emulação ao espirito dos que não houvessem ainda alcançado a meta desejada, o preparo preciso para transpor as portas do Salão.

Estão representados na exposição deste ano nomes acatados do nosso meio artístico, e entre estes Amoedo, Baptista da Costa, De Servi, Carlos Oswaldo, Rodolpho Chambelland, Levino Fanzeres, Georgina de Albuquerque, Magalhães Corrêa, Lucilio de Albuquerque, Arthur Timotheo, Brasset, [sic] Latour e Selinger.

A sra. Cecil Clarck Davis, pintora norte-americana atualmente entre nós, enviou dois magníficos retratos.

Os trabalhos do pintor sr. Elyseu Visconti, as telas com que o mesmo figurou no "Salon" de Paris, não chegaram a tempo de ser colocadas; mas lá se acham os lugares reservados para as mesmas.

Hoje é a inauguração oficial do Salão às 15 ½ horas, com a presença das altas autoridades.

Com mais vagar, falaremos dos diversos trabalhos expostos na seção de pintura e escultura.

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A comissão organizadora do salão deste ano: Raul Pederneiras, Rodolpho Amoedo e B. Freidler [sic]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES - O "vernissage" do salão deste ano Hoje às 15 ½ horas será a inauguração oficial. O Jornal, Rio de Janeiro, 12 ago. 1920, p. 3.

BELAS-ARTES - O júri da exposição geral deste ano. O Jornal, Rio de Janeiro, 17 ago. 1920, p. 3.

A EXPOSIÇÃO GERAL DESTE ANO
Esteve fechada ontem a exposição geral de belas artes, em homenagem ao professor Heitor Mello, tão prematuramente roubado à vida. A cidade do Rio de Janeiro deve ao talento do saudoso arquiteto brasileiro muitos dos mais belos edifícios.

A partir de hoje a exposição estará novamente aberta durante o dia e à noite.

As comissões julgadoras que terão de iniciar os seus trabalhos dentro de poucos dias são os seguintes:

Júri de pintura - Professores J. Baptista da Costa, Lucilio de Albuquerque, R. Chambelland, A. Timotheo da Costa e d. Georgina de Albuquerque.

Júri de escultura - Professores Augusto Girardet, José O. Corrêa Lima, Petrus Verdié, Joaquim R. Moreira Junior e A. Magalhães Corrêa.

Júri de gravura de medalhas - Professores Augusto Girardet, Petrus Verdié, Carlos Oswald e Corrêa Lima.

Júri de arquitetura - Professor Gastão Bahiana, Raul L. de Saldanha da Gama, Miguel Calmon Du Pin e Almeida e Archimedes Memoria.

Júri de gravura e litografia - Professores Augusto Girardet, J. R. Moreira Junior, Petrus Verdié, Carlos Oswald e Corrêa Lima.

Reproduzimos hoje o quadro do pintor Sr. Augusto Bracet - "A ânfora". Nessa tela concebeu o artista a ideia da origem da ânfora. O oleiro grego suspendeu o trabalho para contemplar a mulher que desperta. A atitude de espreguiçamento que a mesma toma faz criar no espírito do artífice a forma da ânfora. Esta resplandece ao fundo tocada por uma luz muito suave.

Realmente, nas formas da mulher e na atitude tomada, há muita coisa da ânfora. E nessa semelhança foi sábia a natureza. A mulher é bem a ânfora pela qual bebemos todas as desilusões que nos despedaçam a alma, todas as doçuras que nos encantam a vida!

Em outra gravura reproduzimos a "Escrava", do Sr. Antonino de Mattos, a melhor peça de escultura do salão deste ano.

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Imagens

"A ânfora" - quadro do pintor Augusto Bracet

"Escrava" - estátua do escultor Antonino Mattos

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES - O júri da exposição geral deste ano. O Jornal, Rio de Janeiro, 17 ago. 1920, p. 3.

BELAS-ARTES - O nosso "salão" - O Júri de escultura. A Noite, Rio de Janeiro, 17 set. 1912, p.2.

Os julgamentos a que foram submetidos os trabalhos de arte, das diversas seções do "Salon" de 1912, nenhum dentre eles foi mais desastrado do que o de escultura.

Os homens começaram, mostrando-se generosos: ao lado dos belíssimos trabalhos de Correia Lima, Verdier e Pinto do Couto aceitaram entre várias coisas ruins aquela pequena estatueta intitulada "Rio Branco" artisticamente detestável.

E essa generosidade, que mais acertadamente se pode classificar de imoral, foi completada com o último julgamento.

"A cabeça de crioula", trabalho do escultor Pinto do Couto que como Arte, por si só vale muito mais que certas obras muito nossas conhecidas, não teve classificação!

Os outros que comentem...

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES - O nosso "salão" - O Júri de escultura. A Noite, Rio de Janeiro, 17 set. 1912, p.2.

BELAS-ARTES. 18a Exposição Geral de Belas-Artes. A Noite, Rio de Janeiro, 1 set. 1911, p. 2.

O Sr. presidente da República inaugurou hoje na E. N. de Belas Artes o salon deste ano.

O chefe da Nação foi recebido à porta do edifício pela diretoria da Escola, comissão organizadora da exposição, membros do júri e muitos artistas e convidados.

Em seguida, e acompanhado dos mesmos Srs. Membros, percorreu a galeria superior da escola, onde se acha instalado o atual salon.

Observando-se as explicações que a comissão dava ao chefe de Estado, vê-se quanta frieza e quanto desinteresse pelas coisas de Arte possuem aqueles senhores.

Não há um pouco de entusiasmo, não transmitem emoção alguma que faça ver ao governo e ao público a necessidade que há de auxiliarem e desenvolverem o nosso pequeno, mas fecundo meio artístico.

Na Europa, onde o meio é outro e muito mais adequado, estimula-se o público, fazendo-se um grande reclame.

Aqui, nem se ouve falar, nem se sabe onde ou quando se realiza semelhante festa.

Em compensação, as entradas são pagas como em Paris, e no dia de vernissage prega-se um cartaz na porta anunciando o preço da entrada, que custa somente 5$000!

Bela propaganda!...

E não vão os artistas ou alunos pedir convites, que imediatamente será castigada essa ousadia com um energético - não!

A exposição, assim, nasce vazia, vive vazia e morre vazia.

Ninguém se importa.

Tudo ali é triste e cheira a mofo.

O mofo do abandono.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES. 18a Exposição Geral de Belas-Artes. A Noite, Rio de Janeiro, 1 set. 1911, p. 2.

BELAS-ARTES. A "Vernissage". A Noite, Rio de Janeiro, 31 ago. 1911, p. 2.

Realizou-se hoje, com a presença de vários artistas, pintores, escritores, jornalistas e muitos convidados, a [sic] vernissage dos trabalhos expostos no atual salon, cuja inauguração se realizará amanhã com a presença do Sr. presidente da República.

O salon é pequeno mas agradável pelo conjunto, notando-se que o júri procedeu com critério e sem aquela tão desnecessária energia do ano passado. O maior número de trabalhos é dado este ano pelos novos, tendo alguns trabalhos de bastante merecimento.

Nota-se neste salon um certo afastamento dos mestres, expondo apenas Baptista da Costa com as suas belas paisagens; Visconti, retratos, sendo um muito bom, e Rodolpho Amoedo com um retrato também.

Em escultura, Corrêa Lima, Moreira Junior, e um belo gato de Petrus Verdier.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES. A "Vernissage". A Noite, Rio de Janeiro, 31 ago. 1911, p. 2.

BELAS-ARTES. A inauguração da exposição geral. O Jornal, Rio de Janeiro, 13 ago. 1921, p. 3.

Teve a presença do sr. presidente da República e das demais altas autoridades do país a inauguração da Exposição Geral de Belas Artes.

Essas autoridades foram recebidas pelo diretor da Escola de Belas-Artes, professor João Baptista da Costa; membros da comissão organizadora do salão deste ano, artistas, homens de letras, amadores e colecionadores.

A visita às seções de pintura, escultura e arquitetura foi demorada.

Durante o dia recebeu a Exposição Geral, deste ano, numerosos visitantes.

Com mais vagar daremos algumas notas sobre os trabalhos expostos.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BELAS-ARTES. A inauguração da exposição geral. O Jornal, Rio de Janeiro, 13 ago. 1921, p. 3.

BELAS-ARTES. A medalha de honra do "Salon". A Noite, Rio de Janeiro, 26 set. 1912, p.2.

Reuniram-se ontem mais uma vez, na Escola Nacional de Belas Artes, os artistas expositores do atual "Salon", premiados com medalhas nas exposições anteriores, para votarem a grande "medalha de honra".

Como da primeira vez, deixou de se efetuar essa votação por falta de número.

Em torno desta há já uma enorme cabala.

O fato dela existir só pode ser agradável aos próprios artistas, pois vem provar mais uma vez que já há aqui quem se interesse por coisas de arte.

Em todo o caso é necessário dizer-se que as sugestões que se estão fazendo em torno dos artistas que tem de votar, pecam pela falta de sinceridade. Acreditamos mesmo que os votantes não se deixarão guiar por elas...

A medalha de honra é o maior prêmio que o "Salon" dá aos artistas.

Ela só deve ser dada a um trabalho, grande pela sua concepção, perfeito na composição e impecável na sua execução.

Enfim que seja um trabalho de pintura como "A partida de Jacob", "Os bandeirantes", "As Oréades", e "A fuga para o Egito", ou de escultura como, "S. Sebastião e Fabíola".

Ora, nestas condições, ou nas que obriga o valor do prêmio, o atual "Salon" não tem nenhum, ou, pelo menos, tem o delicioso grupo de Corrêa Lima "Juventude", que é o que mais qualidades possui, e, nestes casos é o único candidato discutível à medalha de honra.

Mesmo seria baratear muito a "medalha de honra" conferindo-a a uma "academia" que, pela sua execução, vem simplesmente confirmar o acerto da escola, dando a seu autor o lugar de professor de pintura na mesma escola, e, que, só por isto, há o direito de se exigir dele que saiba fazer um "nu".

Agora confundir este trabalho com um quadro é muito, e parece-nos que nesse erro não cairão os artistas expositores, sob cuja responsabilidade se vai dar a "medalha de honra".

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES. A medalha de honra do "Salon". A Noite, Rio de Janeiro, 26 set. 1912, p.2.

BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 set. 1913, p.5.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 set. 1913, p.5.

BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 29 set. 1913, p.7.

SALÃO DE 1913 - A hora teatral - Continuando a série iniciada com tanto êxito e que empresta às segundas-feiras o brilho completo de uma hora bem passada na Exposição Geral de Belas Artes, realiza-se hoje a "hora teatral" de que participarão, entre outros artistas, as Sras. Lucilia Peres, Adelaide Coutinho e Judith Saldanha, e os Srs. João Barbosa, Ferreira de Souza e Carlos Abreu.

Será mais um atrativo a acrescentar à série tão bem iniciada pela "hora literária", a que se seguiram a "hora musical" e a "hora humorística".

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BELAS-ARTES.Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 29 set. 1913, p.7.

BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 8 set. 1913, p.5.

O Salão de 1913 - Se é de justiça iniciar a série das nossas apreciações com a apresentação do melhor trabalho atual na exposição de Belas Artes, apontamos em pintura esse deliciosíssimo painel de João Baptista da Costa, que tão sentidamente soube alcançar a nossa natureza em todos os seus matizes e em toda a sua poesia dos trópicos. Esse primoroso canto da encantadora cidade petropolitana, a que o artista denominou "Tranquilidade" é, para nós, a mais preciosa das telas expostas.

Quanta verdade, quanto sentimento e quanta beleza poética nesse trecho positivamente nosso, caracteristicamente nosso e que o autor soube, como sempre, imprimir na tela com a segurança magistral de um consagrado.

É uma paisagem, há vegetação como sempre, e como sempre há o clássico filete d'água, característico de quase todos os trabalhos do paisagista brasileiro, -dirão [...] muitos que somente veem com os frios olhos sem alma. O que podemos garantir é que nesse delicioso palmo de tela, o assunto da paisagem é sentido e vivo, sente-se ali o ambiente morno e nostálgico dos nossos campos e das nossas águas, o paisagista soube dar à sua impressão de cor O sentimento poético [...] e aliado à mais encantadora das interpretações.

À Baptista da Costa, que é um consagrado, estas linhas de certo não são de aplauso comum, mas de […] admiradora aclamação, como prova frisante e sincera do [...] valor que lhe reconhecemos na dificílima arte da paisagem interpretada e sentida e caracteristicamente brasileira.

-

Uma tela de um discípulo de Baptista da Costa e que merece especial referência é a do [...] "Velhas árvores", de João Baptista Bordon, magnífica paisagem de efeito seguro, com largos toques de sol a coar a luz pela folhagem [...] caminhos.

Bordon, cuja exposição ultimamente feita apresentou vitoriosas revelações [...] que é declaradamente um paisagista de real merecimento.

De Eugenio Latour a exposição apresenta sete trabalhos, dos quais destacamos e colocamos em primeira [...] ns. 135 "Bianca" e 137 "Nelina", duas delicadas composições feitas com a leveza e a frescura que já caracterizam a palheta do artista.

"Polichinelo", "Máscaras" e "Rosa Murcha" são outros primores que merecem elogiosas referências, pois demonstram que Latour de de dia para dia mais se acentua no seu caráter próprio, exclusivamente seu, o que é um dos mais fortes predicados do verdadeiro artista.

Bastaria, para quem não o conhecesse, como recomendação ao aplauso e à consagração. "Blanca", esse pequeno rosto admiravelmente lançado, cheio de verdade e de expressão.

Continuaremos.

A hora literária - Na "terrasse" da Escola Nacional de Belas Artes realiza-se hoje, às 4 horas da tarde a primeira festa de arte, da série que se vai organizar durante a permanência da Exposição Geral.

A de hoje é exclusivamente literária e dela participarão os conhecidos literários Srs. Luiz Edmundo, Goulart de Andrade e Bastos Tigre, que certamente abrirão a temporada com o brilho que sabem dar às suas palestras.

A entrada para essa hora de arte genuína é a mesma da exposição [...] essa deliciosa série são bastante para augúrio do êxito feliz.

Segue-se na próxima semana a hora musical e assim teremos todas as segundas-feiras um belo momento de gozo artístico, celebrando a aliança de todas as manifestações de arte.

[...]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 8 set. 1913, p.5.

BELAS-ARTES. O "Salon de 191│...│. A Noite, Rio de Janeiro, 7 out. 1911, p. 2.

Finalmente foram confirmados e distribuídos os prêmios aos expositores do atual "salon".

O júri teria satisfeito todos os expositores?

A nossa opinião é que nunca houve um julgamento tão criterioso como o deste ano.

Um expositor fez um protesto. É natural, porque é difícil contentar a todos.

Qualquer expositor, principalmente sendo concorrente ao prêmio de viagem, julga-se com direito a ele. Grita, salienta as suas qualidades, diz-se superior a qualquer outro colega seu.

Mas o júri é que não pode proceder da mesma forma, porque os concorrentes são muitos e o prêmio de viagem é um só.

Este ano, em lugar de um, são dois que vão gozar o prêmio de viagem.

Vê-se assim que o júri deste ano não procedeu mesquinha e avaramente como o do ano passado, que deixou de dar o prêmio de viagem, a título de economizar alguns magros cobres ao governo.

O tesouro que lhes agradeça.

O júri dando o prêmio de viagem, estimula, e, a responsabilidade é toda do premiado, que fica com o encargo moral de voltar com alguma coisa da Europa.

Fora do prêmio de viagem, há as menções honrosas com que alguns trabalhos estão premiados.

Há trabalhos superiores a outros, classificados na mesma ordem, como sejam os de Argemiro Cunha e Angelina Agostini incontestavelmente superiores aos de Fédora.

Mas, analisando-se bem o julgamento, vê-se que o júri não podia absolutamente proceder de outra forma.

Nem isto é caso para protesto, antes deve servir de estímulo, e é uma consolação, principalmente para estes dois jovens artistas, a certeza de que estão bem e muito bem ali representados com seus prometedores trabalhos.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES. O "Salon de 191│...│. A Noite, Rio de Janeiro, 7 out. 1911, p. 2.

BELAS-ARTES. O "Salon" de Setembro. A Noite, Rio de Janeiro, 18 jul. 1912, p.2.

A comissão organizadora da próxima Exposição Geral de Belas-Artes, composta dos artistas Srs. Corrêa Lima, Baptista da Costa e Henrique Bernardelli, deve reunir-se por estes dias para darem início aos seus trabalhos.

Enquanto isso, a vida pelos ateliers vai numa grande movimentação.

Os futuros expositores tratam do acabamento de seus trabalhos preocupados com o sucesso da exposição.

Parece que este ano a concorrência será grande e boa.

Lucilio de Albuquerque concorrerá com um seu novo trabalho, que se acha quase terminado.

"A mãe preta" é o título deste quadro.

É um hino de gratidão à raça, que tantos serviços nos prestou, servindo-nos com carinho, criando com verdadeiro amor maternal os filhos daqueles que por uma desumanidade inaudita a colocaram sempre fora da lei, contra os próprios princípios da natureza.

D. Georgina Albuquerque, Heitor Malaguti, Fiuza Guimarães e muitos outros concorrerão também a esse certame.

Helios, que, está em viagem para cá, é provável que apesar da sua exposição, concorra também com algum trabalho.

Como se vê, o futuro "Salon" promete ser melhor que os antepassados.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES. O "Salon" de Setembro. A Noite, Rio de Janeiro, 18 jul. 1912, p.2.

BELAS-ARTES. O "Salon" e as exposições. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 3 set. 1911, p. 3.

- No dia 10 do corrente reunir-se-á o júri que terá de julgar os concorrentes ao prêmio de viagem do Salon de 1911.

Esse júri é composto dos srs. Elyseo Visconti, Baptista da Costa, Fiuza Guimarães e Timotheo da Costa.

Os dois últimos foram os eleitos pelos artistas que expõem.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES. O "Salon" e as exposições. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 3 set. 1911, p. 3.

BELAS-ARTES. O "salon". A Noite, Rio de Janeiro, 2 set. 1911, p. 2.

Não está tão cheio, como nos anos passados, o salon deste ano. Está, porém, melhor.

Visconti é um dos maiores artistas, e o nosso primeiro retratista.

Os seus retratos não são só excelentes pela justeza da cor, pela perfeição do modelado. Mas mais pela intensa e profunda psicologia com que anima e dá vida aos seus retratados.

É assim aquele belo retrato de menino. Há também, entre os trabalhos deste artista, um pequeno quadro, que é um poema de cor e de concepção; intitula-se "Crisálida", é a ninfa, de cujo casulo, numa metamorfose brilhante, voam borboletas douradas, azuis, vermelhas e, ao fundo, a casaria da cidade resplandecente num banho de sol.

Baptista da Costa, outro mestre que nunca falha ao salon, expõe, como sempre, as suas belas paisagens.

Que dizer das paisagens de Baptista?

Que são retalhos da natureza arrancados com muita habilidade e colados entre quatro paus dourados que formam a moldura e dependurados ali para nosso gozo.

O maior número de trabalhos este ano é dado pelos novos, concorrentes ou não ao prêmio da viagem.

Argemiro Cunha tem um esplêndido retrato, e é um dos mais fortes dos novos.

O modelo está bem posado, a cabeça tem muita expressão e os detalhes bem feitos; basta para isso observar as mãos.

Aqui citamos o nome de todos os que aparecem, ficando para depois a opinião:

Gaspar Magalhães, João Baptista Bordon, Gaspar P. Garcia, Angelina Agostini, Annibal Mattos, Fédora Monteiro e Eurico Alves.

Duas coisas ruins há ali no salon, o catálogo cheio de erros e os quadros horríveis de Regina Veiga e Alves Teixeira [sic].

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES. O "salon". A Noite, Rio de Janeiro, 2 set. 1911, p. 2.

BELAS-ARTES. O "Salon". A Noite, Rio de Janeiro, 5 set. 1911, p. 3.

As seções mais concorridas este ano do "Salon", mas pobres pela falta de boas obras, são as de escultura e de gravura.

Corrêa Lima, o estatuário do lindo monumento Ao Almirante Barroso, dá-nos este ano simplesmente um busto, que é um detalhe demonstrativo do muito talento que possui. Girardet, o bom professor de gravura da Escola, expõe vários trabalhos seus feitos com aquele savoir faire que todos lhe conhecem.

Moreira Junior e Adalberto de Mattos expõem trabalhos feitos na Europa.

Verdié tem um Étude de chat que é um mimo de graça.

Cavina, Francesconi e Hermelinda Cunha apresentam vários trabalhos.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES. O "Salon". A Noite, Rio de Janeiro, 5 set. 1911, p. 3.

BELAS-ARTES. O "vernissage" da exposição geral deste ano. O Jornal, Rio de Janeiro, 12 ago. 1921, p. 3.

É, sem dúvida, um agradável sintoma, o interesse que se vem estabelecendo, de há anos a esta parte, em torno das nossas exposições gerais de belas artes.

Esse interesse reflete progresso, cultura, civilização. As exposições gerais poderiam, entretanto, produzir obra de educação mais ampla e mais rápida, se fosse franco o ingresso às mesmas.

Não seria pesado à administração pública custear as despesas de instalação desses certames que, franqueados ao público, poderiam concorrer enormemente para o desenvolvimento do nosso meio artístico.

Ontem realizou-se o "vernissage" do salão deste ano. Foi uma tarde de justas alegrias para os nossos artistas e para quantos olham com simpatia e carinho para os assuntos de arte. Lá estiveram todos os nossos pintores e escultores e, ao lado deles, uma bela plêiade de intelectuais patrícios.

Há, no salão deste ano, muita coisa interessante, outras desinteressantes e algumas que não nos pareceram na altura de um salão de artistas.

Confrontando com o salão passado, o deste ano pareceu-nos mais fraco.

Domina naquele meio a arte de Visconti com o quadro "A família", tela soberba, maravilha de técnica, de espírito e de fatura.

Esta nota, porém, é só para assinalar o brilho do "vernissage" do nosso salão, cuja inauguração oficial se realizará hoje, à tarde, com a presença do sr. presidente da República e demais altas autoridades.

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Artistas presentas ao "vernissage" do salão de 1921

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BELAS-ARTES. O "vernissage" da exposição geral deste ano. O Jornal, Rio de Janeiro, 12 ago. 1921, p. 3.

BELAS-ARTES. O "vernissage" da Exposição geral. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 12 ago. 1928, p. 3.

Decorreu como todos os anos, muito animado o "vernissage" da Exposição Geral de Belas Artes.

O Salão apresenta-se brilhantemente concorrido, assinalando o comparecimento de veteranos e novos numa demonstração formosa do cultivo das artes plásticas entre nós.

Além do Prêmio de Viagem, este ano há um outro prêmio a disputar, intitulado "Carioca".

Ao primeiro concorre uma plêiade brilhante: Manoel Constantino, Cadmo Fausto, Candido Portinari, Manoel Faria, Orozio Belém, J. Fonseca [sic] [Euclydes Fonseca], Orlando Teruz, Edith Aguiar, Gilda Moreira, Sarah de Figueiredo, e o gravador A. Marinho [sic] [Francisco Gomes Marinho].

Entre os concorrentes ao prêmio "Carioca", de dotação de 15:00$000, Oswaldo Teixeira é um concorrente de valor excepcional, apresentando um notável "São Sebastião".

Todas as seções estão muito concorridas, destacando-se primacialmente a de pintura, a que concorrem as nossas paletas mais festejadas.

Ontem, o salão teve a nota característica de alegre boêmia peculiar aos "vernissages" e hoje, à uma hora da tarde, será a inauguração solene da XXXV Exposição Geral de Belas Artes.

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Aspecto de expositores, ontem, no "vernissage"

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES. O "vernissage" da Exposição geral. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 12 ago. 1928, p. 3.

BELAS-ARTES. O "vernissage" da XXXIII Exposição Geral - Sua inauguração oficial hoje. O Jornal, Rio de Janeiro, 12 ago. 1926, p. 3.

O salão anual de pintura da Escola de Belas Artes continua a ser a nota mais viva do nosso meio artístico, por isso que oferece a grande atração do prêmio de viagem, sem os percalços do curso seriado a que o programa da Escola obriga.

Não oferecesse essa amostra de valores outro interesse e só este asseguraria à velha Instituição, que já conta trinta e seis anos, atrativo suficiente para movimentar o meio artístico, pondo-lhe em evidência as figuras de representação e prestígio.

E não é exagerado que isto ocorra. O salão, muito embora seja acusado de desviar dos cursos regulares da Escola os rapazes do melhor merecimento, tomando-lhes todo tempo na confecção dos quadros com que se atiram à disputa das medalhas de bronze e de prata, sem a qual, esta última, não poderão concorrer ao prêmio de viagem, ainda é uma eficiente escola onde se apuram qualidades, por isso que, à cata das vantagens que ela proporciona, os moços trabalham e progridem, estimulam-se e melhoram, na certeza de que poderão vir a fazer a cobiçada viagem que não é apenas um desejo do artista, mas uma preocupação de quase todos os homens de inteligência e boa vontade.

Sim, viajar à Europa ainda é uma maneira mais fácil de aprender alguma coisa, muita coisa, com a menor preocupação de esforço e tempo. Tudo lá está feito, as artes desenvolvidas, a literatura opulentada. Para o artista, então, o trabalho limita-se a ver, a olhar, a examinar ou a perquirir dos detalhes, porque tudo que ele possa conceber, dentro das exigências da sua arte, encontra organizado, catalogado, não oferecendo outra dificuldade que não seja a de olhar, assimilar ou reproduzir.

Mesmo assim, entretanto, por vários anos o salão de Belas Artes não correspondeu à expectativa. Havia desânimo, parece que os moços não confiavam muito na justiça dos mais velhos e daí se formar uma enlaçante onda de indiferença que refletia diretamente no salão, espelho onde se reproduzem com nitidez os diversos estados d'alma do nosso emotivo meio artístico.

O salão de 1922 afastou-se desses moldes deploráveis de desânimo a que nos vimos referindo e ofereceu naquela data festiva da pátria uma vigorosa prova de que o nosso esforço quando bem conduzido é capaz de produzir grandes coisas.

Mais tarde os salões subsequentes estiveram mais ou menos na altura do conceito adquirido por aquele, notando-se o mesmo interesse na disputa das recompensas que o salão, por força do Regulamento, confere. Vários nomes foram aparecendo para pleitear o prêmio de viagem, sendo que, este ano, os nomes apontados se medem em aproximada igualdade de forças, notando-se certo equilíbrio que criará dificuldades ao júri para a escolha do prêmio final.

Manoel Constantino, Manoel Santiago, Armando Vianna e Candido Portinari, aparecem com trabalhos que denotam vivo esforço e pertinácia, o mesmo podendo dizer-se de outros artistas que se batem pela conquista de prêmios mais modestos, mas tão dignos como prova de esforço, quanto aquele.

No salão deste ano há representações de todas as escolas, de todas as tendências pinturais modernas. Lá estão, ao lado de telas fortes quadros de somenos valor, junto de mestres como o Sr. Visconti, nomes bisonhos, que só agora começam a aparecer, e ainda outros, que melhor fora nunca chegassem a surgir.

Puro ecletismo, que recomenda a atividade do meio artístico e mostra o fervor com que se trabalha em busca de uma constante perfeição das artes plásticas no país.

O que se pode dizer de pintura, amplia-se facilmente às outras seções, especialmente à da escultura. Aí há vários trabalhos de acentuado merecimento, copiosa amostra do esforço da presente geração. São muitos os expositores, sendo fácil gravar os nomes de Antonino Mattos, Francisco Andrade, Magalhães Corrêa, Laurindo Ramos, Paes Leme, alguns mais.

A sala de arquitetura não desmerece no conjunto da dos últimos anos, de 1922 para cá.

Há excelentes estudos, planos de edifícios públicos, obras monumentais. Os projetos do Palácio do Congresso de Minas Gerais e do grande balneário de Araxá são composições em que as massas estão bem calculadas e o conjunto geral empolga.

Outros trabalhos, como o Banco de Comércio e Indústria de Belo Horizonte, já em construção, e várias plantas de residências particulares, afirmam o cuidado e o carinho com que se prepara neste momento a arte da construção.

A seção de gravuras apresenta poucos, mas excelentes modelos.

A inauguração do salão, com a presença do mundo oficial e de pessoas gradas, será realizada hoje, às 13 horas, tendo ontem se efetuado o "vernissage".

Na cerimônia de ontem notou-se a viva animação e entusiasmo dos anos passados.

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Imagens

O Sr. José Marianno Filho, diretor da Escola, ladeado pelos concorrentes ao prêmio de Viagem: gravador F. Marinho e pintores Armando Vianna, Candido Portinari, Manoel Constantino e Manoel Santiago

Envernizando um dos trabalhos

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BELAS-ARTES. O "vernissage" da XXXIII Exposição Geral - Sua inauguração oficial hoje. O Jornal, Rio de Janeiro, 12 ago. 1926, p. 3.

BELAS-ARTES. O "vernissage" do salão deste ano - A inauguração oficial do certame dos artistas brasileiros. O Jornal, Rio de Janeiro, 12 ago. 1925, p. 2.

Por entre a alegria comunicativa dos artistas, homens de letras e jornalistas, realizou-se o "vernissage" da exposição geral deste ano. É o trigésimo segundo certame realizado pelos artistas brasileiros. Já os tivemos mais fortes, em tempos idos, mas também já os tivemos menos interessantes. O que, entretanto, se pode afirmar em face dos últimos salões é que eles vão sendo cada vez mais dignos da atenção de quantos acompanham com carinho a evolução do nosso meio artístico. Grato é assinalar que, entre estes, está o estadista que ora dirige a pasta da Justiça e Negócios Interiores, o dr. Affonso Penna Junior. Com surpresa para os nossos artistas, o ministro da Justiça compareceu à cerimônia do "vernissage", conversou com os expositores e interessou-se pelos trabalhos apresentados. Não foi uma simples visita de obrigação oficial. O dr. Afonso Penna Junior de tudo quis saber e tudo lhe foi informado pelo professor Baptista da Costa e mais membros da comissão organizadora da atual exposição.

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A cerimônia do "vernissage" movimentou as longas galerias ocupadas pelos trabalhos do salão deste ano. Fervilhavam os comentários e as opiniões diante das telas, mas tudo envolvido em bom humor e encantadora harmonia.

O catálogo acusa 358 trabalhos de pintura, 55 de escultura, 28 de gravura, 27 de arte aplicada e litografia, e 31 de arquitetura.

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Hoje, às 13 horas, dar-se-á a inauguração oficial da Exposição Geral de Belas Artes, com a presença das altas autoridades.

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Imagem

Em cima: o dr. Affonso Penna Junior, ministro da Justiça, ao lado do diretor da Escola de Belas Artes e de vários artistas - Em baixo: um grupo de expositores

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

BELAS-ARTES. O "vernissage" do salão deste ano - A inauguração oficial do certame dos artistas brasileiros. O Jornal, Rio de Janeiro, 12 ago. 1925, p. 2.

BELAS-ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 20 ago. 1920, p. 3.

OS JULGAMENTOS DA EXPOSIÇÃO ANUAL

Amanhã, sábado, deve reunir-se, às 9 horas, a comissão julgadora dos trabalhos das seções de escultura e gravura, na exposição geral de belas artes.

Às 8 ½ horas do mesmo dia reunir-se-á a comissão julgadora da seção de pintura.

A "GRANDE MEDALHA DE HONRA" DO NOSSO SALÃO

Os artistas medalhados da atual exposição geral de belas artes deviam reunir-se ontem para conceder a "grande medalha de honra". Esses artistas são em número de trinta e seis e é preciso a presença de vinte, no mínimo, para se conceder a aludida medalha. Apenas compareceram doze medalhados, ficando, por isso, adiada a votação.

Já possuem a "grande medalha de honra" do nosso salão os artistas João Baptista da Costa, Girardet, Corrêa Lima e Rodolpho Amoedo.

Este ano, parece assentado entre os medalhados do salão que seja distinguido com a "grande medalha de honra" o pintor Elyseu Visconti.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 20 ago. 1920, p. 3.

BELAS-ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 20 ago. 1927, p. 3.

O RETRATO DE FLORIANO, PINTADO POR DECIO VILLARES

No salão deste ano figura um dos bons retratos pintados por Decio Villares, o velho e consagrado pintor da geração de Victor Meirelles e Pedro Américo e a quem o Brasil deve alguns dos seus quadros fortes.

O retrato de Floriano, além do valor que lhe empresta o nome do artista que o pintou, apresenta a singularidade apreciável de ser o único retrato para o qual Floriano posou, por isso que, temperamento esquisito e desconfiado, jamais o consolidador acedeu aos inúmeros pedidos de artistas, que o desejavam retratar.

A Decio Villares coube essa oportunidade em virtude da afetuosa amizade que ligava Floriano ao pintor, só atendendo o marechal a essas razões afetivas, por isso que sempre fugira, por temperamento, a homenagens de qualquer natureza que lhe quisessem prestar, mormente o clássico retrato a óleo, tão ao gosto dos hábitos medianos dos homens públicos no Brasil.

Este retrato, a senhora de Decio Villares pretende oferecer à venda ao Estado, sendo levada a desfazer-se dessa tela, a que ela e o pintor se acham ligados por laços afetivos muito fortes, em virtude da situação difícil que o artista atravessa, nesse momento, em pais estrangeiro.

Dado o fato de existir verba para compra de obras de arte do salão, parece que é uma boa oportunidade do governo ir ao encontro das necessidades de um dos artistas mais acatados e de maior reputação da nossa pintura, adquirindo uma tela que trás a assinatura de um dos grandes pintores brasileiros.

A MEDALHA DE HONRA PARA RODOLPHO BERNARDELLI

O mundo artístico brasileiro prepara-se para saldar uma velha dívida com o escultor Rodolpho Bernardelli.

Hoje deverá haver às 14 horas, reunião de todos os expositores do Salão deste ano, para a conferição daquele título, há alguns anos não conferido, tudo levando a crer que ele recairá no consagrado escultor patrício, que, atendendo a insistentes solicitações, ali compareceu, apresentando um busto do velho Coxito, último trabalho saído das suas mãos.

Para a reunião de hoje foram feitos convites antecipados, sendo de esperar grande concorrência ali, às 14 horas.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 20 ago. 1927, p. 3.

BELAS-ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 21 ago. 1927, p. 5.

FOI CONFERIDA A "MEDALHA DE HONRA" DO "SALÃO" DESTE ANO A RODOLPHO BERNARDELLI

Revestiu um caráter de excepcional homenagem, a reunião ontem realizada na Escola Nacional de Belas Artes, para a conferição da Medalha de Honra.

O número de expositores que compareceu ao convite subiu a sessenta e quatro, não havendo ideia de comício tão numeroso ali. Outro detalhe que singulariza como viva manifestação de simpatia a deliberação dos artistas, está em que, até essa data, nenhum artista logrou obter aquela alta distinção com tão comovente unidade, por isso que, dos sessenta e quatro votantes, o nome de Rodolpho Bernardelli foi sufragado com sessenta e duas cédulas, sendo as outras duas conferidas, uma a Armando Braga, e a outra, em branco.

A mesa que presidiu aos trabalhos, composta dos srs. Elyseo Visconti, Lucilio de Albuquerque e Raul Pederneiras, sob a presidência do primeiro, conduziu os trabalhos com espírito de absoluta isenção, tendo havido grande salva de palmas ao ser proclamado o resultado do escrutínio.

Ontem mesmo uma comissão de artistas tomou a incumbência de levar a Rodolpho Bernardelli comunicação do ato de justiça que, embora tardio, lhe foi feito.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 21 ago. 1927, p. 5.

BELAS-ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 23 ago. 1927, p. 3.

Os prêmios conferidos pelo salão oficial deste ano

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Coube ao sr. Manoel Santiago, na seção de pintura, o prêmio de viagem à Europa

O júri do salão oficial deste ano reuniu-se, ontem, para a missão mais delicada que lhe incumbe, como aparelho distribuidor de premiações.

Havia uma ansiedade enorme, fácil de calcular, quando se sabe que cento e vinte eram os expositores, e, destes, apenas uma pequena minoria se encontra em condições de já não pleitear recompensas conferidas pelo salão.

Às 14 horas, quando começaram os trabalhos, era avultado o número de artistas que se encontravam na escola e imediações, fazendo comentários, discutindo as possibilidades do pleito que se ia travar lá dentro.

Presididos os trabalhos pelo professor Rodolpho Amoedo, estiveram presentes os demais membros do júri, professores Elyseo Visconti e Lucilio de Albuquerque e pintores Guttman Bicho e Almeida Junior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior].

Depois de aberta a preliminar da competição mais alta, que é o prêmio de viagem, após estabelecer-se animado debate, o júri conferiu essa distinção ao pintor Manoel Santiago, seguindo-se, após, a eleição dos demais prêmios, nesta ordem:

Pequena medalha de ouro - Hans Paap, A. Rocco e Oswaldo Teixeira.

Grande medalha de prata - Candido Portinari, Cadmo Fausto, Sarah Villela de Figueiredo e Haydéa Santiago.

Pequena medalha de prata - Yvone Visconti, Mario Tullio, João de Azevedo, Rosille Torres, Paulo Gagarin, Murillo Lagrecca, Euclydes Fonseca.

Pequena medalha de bronze - Virgilio Lopes Rodrigues, Francelina Falcão, Lange Morretes, Jurandyr P. Leme, Wanda Turatti, Zilda Elsenlohr, Quirino Campofiorito, J. Mendes [?], Gaspar Neiva, Padua Dutra, João Dutra, Balthazar da Camara e Mario Nunes.

Menção honrosa de 1º grau - Lupercio Ferraz, Simone [?], Suzanna Mesquita, Germinal Artesi, F. Acquarone, Isabella [?].

Menção honrosa de 2º grau - Moysés Silva, Virgilio Silva, Del-Negro, L. Abreu [Luiz Abreu], Archimedes Dutra, H. Torres [Hilda Soares Torres], Francinet Alves, T. Sato e Paiva [Odilon Paiva].

Prêmios em dinheiro:

1:000$ - Manoel Faria e Orlando Teruz;

500$ - Edith Aguiar e Gastão Formenti;

250$ - Gilda Moreira e Roberto Niand [sic].

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Uma nota interessante, e que não pode passar sem registro, é a de que, este ano, o prêmio de viagem beneficia a dois artistas.

De fato, tendo-o conquistado o sr. Manoel Santiago, seguirá para a Europa também sua esposa, d. Haydéa Lopes Santiago, contemplada com a grande medalha de prata.

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Imagem

O sr. Manoel Santiago e sua esposa d. Haydée Lopes Santiago, no seu atelier, vendo-se no fundo o primeiro estudo para o quadro "Marajoaras", com o qual disputou a elevada recompensa

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 23 ago. 1927, p. 3.

BELAS-ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 24 ago. 1927, p. 5.

As premiações de escultura, gravura de medalhas e artes aplicadas

Reúne-se hoje o Conselho Superior de Belas Artes

Completando a nota sobre premiações do salão oficial de belas artes, este ano, que O JORNAL foi o único a divulgar, publicamos a seguir o resultado do júri de escultura e as principais distinções conferidas aos expositores das seções de Gravura de Medalhas e Artes Decorativas.

O júri de escultura compunha-se dos professores Corrêa Lima, Magalhães Corrêa, Modestino Kanto, Petraus Verdié [sic] e Augusto Giradet, tendo funcionado sob a presidência do primeiro.

Este foi o resultado do seu julgamento:

Grande Medalha de Ouro - Antonino Mattos.

Medalha de bronze - Humberto Cozzo, Josephina Vasconcellos, Yáyá Castro.

Menção honrosa de 1º grau - Orestes Acquarone Filho.

Menção honrosa de 2º grau - Alfredo Herculano, Carlos Del-Negro, Izaura Pereira de Andrade e Roselle Torres.

Prêmios em dinheiro - 1:000$, José Pereira Barreto; 250$000, Paes Leme.

Na seção de Gravuras e Medalhas foi conferida a Grande medalha de Prata ao sr. Jorge Soubre e em Artes Aplicadas, a Pequena medalha de ouro, a d. Maria Hirsch da Silva Braga.

D. Maria Hirsch da Silva Braga, que vem expondo com sucesso desde 1922, é esposa do pintor Theodoro Braga, detentor por sua vez da Grande medalha de ouro, nessa mesma especialidade.

Hoje deverá reunir-se o Conselho Superior de Belas Artes para tomar conhecimento das premiações propostas, ratificando-as ou não, como poder soberano que é.

O Conselho Superior de Belas Artes é presidido pelo diretor da Escola, professor Corrêa Lima.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 24 ago. 1927, p. 5.

BELAS-ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 25 ago. 1921, p. 3.

Diversas notícias

Ainda não foi marcado dia para a reunião do Conselho Superior de Belas Artes que terá de apreciar as decisões do júri sobre os trabalhos da exposição geral deste ano.

Essa exposição será encerrada no próximo dia 12 de setembro.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BELAS-ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 25 ago. 1921, p. 3.

BELAS-ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 25 ago. 1927, p. 5.

OS TRABALHOS DE ONTEM DO CONSELHO SUPERIOR DE BELAS ARTES

Conforme fora anunciado, reuniu ontem, sob a presidência do ministro da justiça, o Conselho Superior de Belas Artes, afim de homologar ou não as decisões tomadas pelos júris de pintura, escultura, gravura e artes aplicadas, nas suas deliberações relativas á premiação.

O Conselho Superior de Belas Artes ratificou todas as deliberações tomadas, por unanimidade de votos, passando, depois, a eleger o seu secretário, para o que foi procedido escrutínio, que deu o seguinte resultado: Diogo Chalréo, 28 votos; Adalberto Mattos, 1; Rodolpho Amoedo, 1 e Rodolpho Chambelland, 1.

Todo o trabalho foi rápido, sendo suspensa a sessão às 15:30.

A COMISSÃO DE COMPRAS DO SALÃO

O diretor da Escola de Belas Artes, segundo a praxe habitual, vai nomear uma comissão de professores da Escola para opinar sobre as aquisições a serem feitas para a pinacoteca. Já há um grande trabalho em torno das futuras vendas, sendo, entretanto, conveniente lembrar que o critério seguido ali tem sido o de se fazerem as aquisições dentre as obras expostas no próprio salão, como um estímulo muito justo aos que nele cooperam.

MANIFESTAÇÃO DE SIMPATIA AO PINTOR PORTINARI

Procurando levar ao pintor Candido Portinari uma viva manifestação de simpatia pela premiação que o salão de Belas Artes acaba de auferir-lhe, - a "Grande Medalha de Prata" - alguns intelectuais e artistas amigos daquele pintor promovem em almoço em sua honra, achando-se a lista de adesões na Casa Villarinho.

Ainda não está marcado o dia dessa festa de simpatia intelectual e cordialidade artística.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 25 ago. 1927, p. 5.

BELAS-ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 28 ago. 1920, p. 3.

A "MEDALHA DE HONRA" DO SALÃO DESTE ANO

Do pintor patrício sr. Arthur Thimoteo recebemos uma carta esclarecendo o seu pensamento nas palavras que pronunciou por ocasião de ser concedida a "medalha de honra" do salão deste ano.

Os tópicos que publicamos a seguir atendem perfeitamente aos desejos do missivista:

"Dizendo o meu prezado colega Lucilio de Albuquerque que os artistas haviam praticado grave injustiça, conferindo-lhe a "medalha de honra", justificou ele plenamente o seu voto dado ao pintor Eliseu Visconti. Respondemos então, afirmando não ter havido injustiça no proceder nosso e no de todos os colegas presentes, que lhe haviam de bom grado dado o voto. E acrescentei que "se injustiça tinha havido, ela partira de outros, e em outras exposições nas quais o sr. Eliseo Visconti, de fato, se havia apresentado mais forte e com obras mais vigorosas."

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 28 ago. 1920, p. 3.

BELAS-ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 31 ago. 1921, p. 3.

DIVERSAS NOTÍCIAS

Um dos escultores premiados no salão deste ano, foi o sr. Paulo Mazuchelli.

Entre os trabalhos por ele enviados, destaca-se o busto que reproduzimos, na nossa gravura.

[...]

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES

Continua a ser muito visitado o atual salão, instalado no edifício da Escola Nacional de Belas Artes, o qual, encerrar-se-á, impreterivelmente, no dia 12 de setembro próximo.

Comunica-nos a diretoria da Escola de Belas Artes, que dessa data em diante conservar-se-á fechado o portão da rua Porto Alegre, fronteiro à Biblioteca Nacional. Devido às obras que se estão efetuando no edifício, as galerias de pintura e escultura, conservar-se-ão fechadas, não sendo permitido o ingresso a pessoas estranhas.

Diversas notas

O pintor Guttmann Bicho, que acaba de ser distinguido com o prêmio de viagem pelo júri do salão deste ano, pretende partir para à Europa, em maio do ano próximo.

Parece-nos de justiça registrar que esse artista iniciou os seus estudos de pintura com o professor Augusto Petit a cujo lado trabalhou mais de quatro anos, matriculando-se depois na Escola de Belas Artes.

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Imagem

Um busto do escultor Paulo Mazuchelli

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BELAS-ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 31 ago. 1921, p. 3.

BELAS-ARTES. O SALÃO DE 1906. A INAUGURAÇÃO. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 2 set. 1906, p.9.

Com a presença do Sr. Presidente da República, suas Exmas. filhas, casa militar do Palácio, Dr. Felix Gaspar , Ministro do Interior e seu Secretário, Sr. Rodrigues Barbosa; Dr. Prefeito Municipal, Dr. Leopoldo de Bulhões, Ministro da Fazenda, Dr. Paulo de Frontin. Dr. Gabriel Junqueira, Dr. Daltro Santos, Carlos Américo dos Santos, Rodolpho Amoedo, Diogo Chalréo, Rodolpho Bernardelli, M. Brocos, Baptista da Costa, Belmiro de Almeida, Bevilaqua, Arthur Lucas, José Mariano Filho, Araújo Vianna, Mme. Joanna Brandt, Mme. Mathilde Faria, Mme. Licínio Cardoso, José Veríssimo, Agenor de Carvoliva, Plácido [...], A. Petit, Pedro Peres, J. Macedo, Luiz Ribeiro, Corrêa Lima, Timotheo da Costa, Chambeland, F. Manna. E. Girardet, D. Julieta França, Zeferino da Costa, […] Berna, Honório Mello, Arnaldo Gomes. J. Fiuza, R. Albino, Gonzaga Duque, Calixto Cordeiro, Luiz Edmundo, Dr. Guimarães Porto, Dr. Theodoro Magalhães, J. Valle, Dr. Frederico Russell, Raul Pederneiras e outros cavalheiros, crescidíssimo [sic] numero de senhoras e senhoritas, inaugurou-se ontem a décima terceira Exposição Geral, no edifício da Escola Nacional de Belas Artes.

Era difícil circular pelas salas, tal a quantidade de visitantes que ontem compareceram e estimaríamos bastante que pelo menor um número igual a metade sempre haja na Exposição como nota reveladora de interesse real pelas belas-artes.

O Sr. Presidente da República visitou todas as salas, demorando-se bastante na apreciação dos trabalhos reputados melhores.

A impressão geral agradou a todos, embora não figure na atual exposição a maior parte dos artistas consagrados. Tais como Henrique Bernardelli, Rodolpho Amoedo, Zeferino Costa, Aurélio de Figueiredo, Rodolpho Bernardelli, Daniel Berard e muitos outros; sendo relativamente compensada essa ausência pela forte revelação de cinco pincéis novos, Eduardo Bevilacqua, Arthur Timotheo da Costa, Carlos Chambelland, Francisco Manna e Carlos Oswald.

Sondando a opinião dos visitantes, verificamos com observação que o agrado geral, inclina-se em extremo para as composições de Belmiro de Almeida, Baptista da Costa, Arthur Lucas, Rosalvo Ribeiro e Corrêa Lima.

Durante a cerimônia fez-se ouvir uma das bandas musicais da Força Policial, no saguão da entrada, onde se acham os dois grandes gessos de D. Julieta França.

O catálogo ontem distribuído traz uma elegante capa, desenhada por H. Bernardelli.

A Exposição estará aberta todos os dias.

- Ainda não figuram no salão os seis quadros enviados da República Argentina pelos artistas A. [...] e Fabio Fader [sic], que estão a chegar.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES. O SALÃO DE 1906. A INAUGURAÇÃO. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 2 set. 1906, p.9.

BELAS-ARTES. O salão deste ano. O Jornal, Rio de Janeiro, 26 ago. 1928, p. 3.

Já assinalamos a importância do salão deste ano. É um certame que honra a cultura artística de qualquer povo. Bem possível será que não estejam de acordo com essa afirmativa os eternos incontentáveis. Mas a verdade é que não se poderia exigir mais de um meio onde, a bem dizer, nada se faz pela arte nem pelos artistas.

Contemplar a atual exposição geral é admirar, cada vez mais, o estoicismo dos artistas patrícios.

Enchem-se todos os anos aquelas amplas salas. Desfilam por ali alguns milhares de pessoas dias a fio e, rarissimamente, se vê uma tela com a nota de "adquirida".

Não há dúvida que seria para desanimar, se a alma do artista não vivesse alentada por um ideal superior. E à prova de que ele se coloca muito acima das contingências materiais da vida, está na sublimidade do entusiasmo com que o seu concurso se renova, a cada ano, nessa exposição, que é, indiscutivelmente, um dos mais belos índices da cultura brasileira.

Tempo houve em que nem a frequência se verificava. O salão vivia abandonado. Já se conseguiu atrair a atenção do público. É meio caminho andado. O resto virá depois. Louvores sejam, pois, tecidos aos que tão abnegadamente semeiam...

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES. O salão deste ano. O Jornal, Rio de Janeiro, 26 ago. 1928, p. 3.

BELAS-ARTES. Os prêmios da exposição geral deste ano. O Jornal, Rio de Janeiro, 27 ago. 1921, p. 3.

As despedidas do ministro

Sob a presidência do sr. dr. Alfredo Pinto, ministro do Interior, realizou-se ontem, no edifício da Escola Nacional de Belas Artes, a reunião do Conselho Superior de Belas Artes, para o fim de tomar conhecimento dos pareceres dos júris das diversas seções do atual salão de Belas Artes.

Pelo mesmo Conselho foram aprovados as seguintes premiações, propostas pelos referidos júris.

Seção de Pintura - Prêmio de viagem, a Guttmann Bicho; grande medalha de ouro, a Belmiro de Almeida; grande medalha de prata, a Angelo Cantú, Levino Fanzeres e Jorge de Mendonça.

Pequena medalha de prata, a Marques Junior.

Medalha de bronze, Gastão Forment, Irene França e Oswaldo Teixeira.

Menção honrosa de primeiro grau, Manoel Constantino Ribeiro e Joaquim da Rocha Ferreira.

Menção honrosa de segundo grau, Adelia Saldanha, Gino Bruno Francoso, Manoel Bas Domeneck,José Maria dos Reis Junior, Tomaz Reynolds e Armando Vianna.

Prêmios em dinheiro: 1:000$, a Francisco Manna e Gaspar Magalhães; 500$, a Raul Deveza e Paula Fonseca; 250$, a Euclydes Fonseca e Luiz Kattenback.

Prêmio Galeria Jorge (500$000), a Almeida Junior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior].

Seção de escultura, menção honrosa de segundo grau, a d. Maria de Assis Mattos.

Prêmio em dinheiro, 1:000$, a Antonio [sic] Mattos [Antonino Mattos], 250$, a Paulo Mazuchelli.

Seção de gravura - Prêmio em dinheiro: 500$, a Arlindo Bastos.

Seção de arquitetura - Pequena medalha de ouro, a Francisco dos Santos.

Menção honrosa de primeiro grau, a A. G. Moya.

Findo o objeto para a qual fora convocada a reunião do Conselho, o sr. ministro Alfredo Pinto usou da palavra e apresentou as suas despedidas.

Teve palavras de louvor para o atual diretor da Escola, professor João Baptista da Costa, pela sua sábia administração na Escola de Belas Artes; disse que durante o tempo em que dirigiu a pasta da Justiça, sempre procurou auxiliar o progresso artístico do país. Como brasileiro, continuaria, a assim proceder.

Despedia-se com saudades de todos os membros do Conselho Superior, onde sempre encontrou a maior boa vontade, na administração artística do Brasil.

Usou em seguida da palavra, o diretor da Escola, que disse o seguinte:

"Permita v. ex. que nessa sessão em que nos faz as suas despedidas, para ir assumir o honroso cargo de ministro do Supremo Tribunal, que lhe apresente em nome deste Conselho, no da Escola Nacional de Belas Artes e ainda em nome dos artistas brasileiros, com as nossas felicitações pela honrosa distinção que vem de receber do benemérito presidente da República, o nosso grande e profundo reconhecimento pelos benefícios que em tão curto tempo na administração da pasta da Justiça, prestou v. ex. a essa Escola e à arte brasileira em geral.

As obras de melhoramentos e ampliação do atual edifício desta escola, o carinho que v. ex. sempre dispensou à arte brasileira e aos nossos artistas, por si só bastariam, para ter v. ex como benemérito desta casa.

Apresento, pois, a v. ex. as minhas homenagens pelos grandes serviços prestados à arte brasileira e a seus artistas.

Em seguida o sr. ministro encerrou a sessão, abraçando a cada um dos membros presentes que o acompanharam até a porta principal do edifício da Escola de Belas Artes." [sic]

Ao. sr. ministro Alfredo Pinto, foi oferecido um belíssimo ramo de cravos.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BELAS-ARTES. Os prêmios da exposição geral deste ano. O Jornal, Rio de Janeiro, 27 ago. 1921, p. 3.

BELAS-ARTES. XVIII Exposição Geral de Belas-Artes. A Noite, Rio de Janeiro, 11 set. 1911, p. 2.

Reuniu-se hoje pela primeira vez o júri que tem de conferir os prêmios no presente salon.

Não tendo terminado hoje os seus trabalhos, o júri adiou para amanhã a continuação dos mesmos.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES. XVIII Exposição Geral de Belas-Artes. A Noite, Rio de Janeiro, 11 set. 1911, p. 2.

BELAS-ARTES. XVIII Exposição Geral de Belas-Artes. A Noite, Rio de Janeiro, 13 set. 1911, p. 2.

O júri que tem de conceder os prêmios aos expositores do presente salon encerrou ontem os seus trabalhos.

Nada transpirou cá fora do seu resultado. Sabe-se que os membros do júri discutiram muito.

Os prêmios só serão dados à publicidade, depois de sobre eles se manifestar o Conselho de Belas Artes, cujo presidente por lei é o Sr. Ministro da Justiça.

É muito provável que até sábado o Conselho se reúna e resolva este caso.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES. XVIII Exposição Geral de Belas-Artes. A Noite, Rio de Janeiro, 13 set. 1911, p. 2.

BELAS-ARTES. XVIII Exposição Geral de Belas-Artes. A Noite, Rio de Janeiro, 19 set. 1911, p. 2.

Ainda não se reuniu o Conselho Superior de Belas Artes que tem de homologar o trabalho feito pelo júri relativo aos prêmios do atual salon.

Por intriga e mesquinha compreensão de coisas de arte, tem aparecido algumas noticiazinhas dizendo que entre os candidatos há estrangeiros.

Não existe tal, todos eles são tão brasileiros quanto o são aqueles que se dão ao feio esporte da maledicência.

Também não é verdade que tivesse ficado resolvido o ano passado pelo ministro do interior que o prêmio só fosse dado a natos, mas sim que toda a vez que houvesse um empate fosse dada a preferência aos que não fossem naturalizados.

E devido a essa circunstância e às qualidades artísticas que o Sr. Puga Garcia possui, foi-lhe conferido (segundo se diz) o prêmio de viagem.

Também não é verdade que Visconti se tivesse batido pelo artista Gaspar de Magalhães.
Este ano a distribuição dos prêmios não provocaram [sic] os incidentes do ano passado e que se reduziam apenas ao caso Manna ainda por liquidar, pois continua no Supremo Tribunal, onde aguarda sentença final.

Os outros prêmios do salon deste ano ao que nos consta serão assim distribuídos:

Medalha de prata, a Gaspar de Magalhães; menções honrosas de 1º grau a Eurico [Eurico Moreira Alves], Bordon, Fédora e Argemiro [Argemiro Cunha].

Este último tem apenas menção honrosa de 1º grau com o seu belo retrato. É uma injustiça. Os visitantes podem verificar isso comparando o trabalho dele com os dos outros concorrentes.

Talvez seja esta a maldade do Sr. Visconti, no atual júri.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES. XVIII Exposição Geral de Belas-Artes. A Noite, Rio de Janeiro, 19 set. 1911, p. 2.

Belmiro de Almeida
Belmiro de Almeida - Caricaturas
Bemvindo Z. N. Mello
Benedicto Calixto
Benedicto de Oliveira Machado
Benedicto Filho
Benedicto R. da Silva
Beniamino Parlagreco
Benjamin Constant Netto
Benjamin Cook
Benno Treidler
Bento Barbosa
Bernardino de Souza Pereira
Bernardo Pinto da Silva
Berthe Worms
BETHENCOURT, M. de. EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 4 set. 1909, p.1-2.

Talvez mais que em qualquer outro domínio da atividade humana, é na arte que se afirma o poder vitorioso dos mortos. Ao visitarmos ontem a exposição de belas-artes, ao percorrer o edifício suntuoso que agasalha a arte nacional, lá no alto se nos deparou, em uma galeria inacabada ainda, o escol do que produziu a pintura brasileira. Entre quadros de pintores que vivem a prolongar na terra a sua carreira artística, pouco numerosos, é certo, outros quadros se destacavam de artistas que não mais vivem na carne que se lhes dissolveu, mas que existem ainda nas obras que os sagraram para sempre, almas cujos reflexos ficaram nas telas onde passearam o seu pincel expressivo, espíritos cuja ética se encarnou no desenho e colorido do que pintaram. Pedro Américo, Vistor Meirelles, Almeida Junior estão ali presentes nos quadros que deixaram, o primeiro a projetar-se entre os companheiros, como príncipe que foi na pintura brasileira, artista em que se fundiam dotes diferentes, desenhista impecável e colorista brilhante, amante extremoso da forma a recordar as linhas e contornos clássicos e intérprete dos grandes sentimentos, talvez incapaz de traduzir as pequenas emoções, mas triunfante na interpretação das grandes. E pequenos também não são os que o acompanharam: Vistor Meirelles, com a sua pujança de concepção do pitoresco, Almeida Junior com a trágica paixão do horror, a extrair da luz as sombras intensas do mal.

Os que ainda existem e tem naquela galeria a sua representação psíquica, não são de somenos valor, embora pareça que nos últimos tempos o pincel se lhes imobilizou nas mãos, em um gesto acentuado de desânimo. Por que Amoedo não mais acorda no seu sentir aquele gosto delicado e pureza de emoção que presidiram a narração de Philetas, aquele amor da carne que se revela na mulher nua, que, como um primor de feitura, se lhe destaca em uma tela em que, se mingua a concepção ética, a forma dá quanto de estético se possa esperar da opulência e riqueza dos contornos? Por que outros não mais, como ele, trabalham, inertes a nada fazer, despedidos da arte que lhes foi o culto de outrora? A intensa luta pela vida, as pungentes necessidades do problema quotidiano, é que os arredaram do templo onde eram celebrantes, tanto é difícil em uma democracia agitada, como a de nossos dias, achar uma parte seleta da sociedade que se deleite com a arte, uma aristocracia de sentir que torne possível a criação das obras primas do artista. À medida que o nivelamento democrático se opera nos espíritos, a industria vai substituindo a arte, ao artista se substitui o artífice. Fazer muito e mal, mas de pronto ganhar dinheiro, eis o que se dá; e mais uma vez esses geniais escritores que foram os Goncourts apontaram a verdade, a chaga da arte moderna, na Manette Salvuson [sic], o livro que explica como o dinheiro aperta, sufoca e esmaga o artista, Lavevon apertado pelas volutas das serpes da necessidade e que vê consigo estrangulada a prole dos seus ideais que se finam.

É grande aquele edifício, que o governo mandou erigir à arte nacional, muito maior que a pequena obra de arte em que o culto das belas-artes nasceu o Brasil. A sua grandeza e opulência, porém, mais traduzem um esforço da indústria que um trabalho arquitetônico, que impressione. A sua fachada tem o defeito irreparável de semelhar uma construção londrina, substituindo à pedra, que o tempo sabe decorar com os seus tons quentes, a alvenaria, que os anos deflagram e obrigam a reparações, que se destacam como remendos. Esmaga a construção aquela cúpula quadrangular sem proporção com o resto do edifício, parecendo que zomba da delicadeza e finura das colunas coríntias que mais abaixo se vêem.

É um palácio, não sofre dúvida, mas um palácio de industrial, não o do artista. Ali as obras de arte podem estar à vontade, sem se acotovelarem umas as outras, em uma comunidade burguesa de conforto, mas sem a linha corrente do sentir fidalgo. Vasto, extenso, o edifício pode muito abrigar debaixo do seu teto, onde, através de vidros grossos, se côa a luz; uma certa trivialidade, porém, de linhas se depara em todo aquele conjunto, tem-se a sensação do grande, sem se possuir a do belo. Admira-se o que pode fazer a engenharia, na falta da arquitetura ausente.

Se o orgulho de um povo pode consistir na posse de monumentos ricos, a Nação Brasileira pode folgar com o edifício da Escola de Belas-Artes, como com os outros que lhe estão próximos; se, porém, a mais que a riqueza, alguma outra coisa se busca, essa satisfação orgulhosa desaparece. Fora para desejar que o edifício das Belas-Artes menos rico se apresentasse, mas muito mais artístico, mais puro e sóbrio de linhas, com fachadas singelas, onde a pedra dissesse que se cultiva a arte lá dentro, sem aquela e de mau gosto ornamentação de museu, de espécimes reduzidos da arte antiga, feitas em miniaturas de relevo as obras primas do Egito, Grécia e Roma.

Os mortos, cujas relíquias lá dentro se guardam: os vivos, que ali tem o melhor da sua criação artística, mereceriam a homenagem de se lhes dar um palácio em que a arte fosse vencedora da indústria.

Mas, posta de parte essa impressão de desagrado para com o asilo atual da arte brasileira, força é reconhecer que, tecnicamente, para uma casa de trabalho, o edifício está magnificamente aparelhado,. São amplas as suas salas, profusa a sua luz, pródigo o ar que ali se respira, higiênico o seu conjunto.

É uma boa casa e bem haja o governo que lhe iniciou os trabalhos, esse período em que presidiu à Nação o Sr. Rodrigues Alves e em que foi ministro o Sr. J. J. Seabra, a quem se deve a criação desse palácio, embora, zombando da verdade cronológica, vejamos, no alto da sua fachada principal, uma inscrição em que parece que se lhe atribui a fundação à já invicta administração do Sr. Affonso Penna. A maneira dos monarcas egípcios, que, ávidos de uma glória vã, mandavam apagar inscrições antigas de monumentos, para substituí-las por outras, em que figurassem como sendo seus autores, aquela inscrição lá do alto merecia este pequeno comentário.

Seja, porém, como for, o que não se pode escurecer, é que, apesar de tudo, a arte entre nós ainda procura viver e tem onde soltar os seus vôos. Mortos grandes artistas, emudecidos outros, há quem procure continuá-los, inspirar-se em um passado que de tamanho brilho foi. A exposição que se inaugurou e que é digna de ser examinada atenta e demoradamente, é um sintoma de vida, que convém registrar. Em meio das preocupações que a vida moderna sobrepõe aos indivíduos disputados pelos interesses que cada vez mais assoberbam as sociedades; em meio das paixões que os problemas sociais e políticos acordam nas multidões ávidas de riqueza e de mando, é belo ver que ainda existe alguém que não sacrifica nem a Moloch nem a Cesar, que se guia pelo superior ideal, que cobriu de uma mocidade eterna a Grécia antiga e que, como uma aurora sem névoas, fez cantar a Europa o poema da Renascença. Entre nós existe quem não aspira a ter triunfos no forum ou na política, quem não se embeveça no êxito de uma clínica próspera, quem não confie a sua glória de processos industriosos de engenharia. Umas almas jovens, descuidosas do futuro, voltam as vistas para a arte, consagram-lhe as primícias da sua vida e isso enaltece o povo brasileiro, que assim mostra saber sentir com os seus maiores, com aqueles que há cerca de cem anos fundavam a Escola de Belas-Artes.

Uma visita mais demorada que a que no dia 1º do corrente fizemos é que nos pode autorizar, não a fazer uma critica de arte, que a tanto não aspiramos, mas uma rápida apreciação das obras que vimos expostas. Percorreremos outra vez aquelas salas, que atravessamos rapidamente, pararemos diante das obras que ali se acham e na sua contemplação, isenta de qualquer prevenção de ânimo, hauriremos a concepção do seu valor artístico, que havemos de procurar traduzir nestas linhas despretensiosas, onde só há o desejo de encontrar ensejo para não regatear o encômio a quem justamente o mereça.

É grande o passado da Escola de Belas-Artes e muito nos seria de alegria encontrar um presente que lhe fosse sucessor, uma plêiade de artistas que pudessem ser considerados a prole dos grandes mestres de que a galeria inacabada lá no alto guarda os primores que a administração inteligente consagrou.

M. de Bethencourt.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BETHENCOURT, M. de. EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 4 set. 1909, p.1-2.

Bibiano Silva
Bolognese
BOLOGNESE. SALON 1913. O Paiz, Rio de Janeiro, 20 set. 1913, p.3.

SALON 1913

- Eh bien, mon petit gros, ce que tu me racontes là est très beau, cependant il faut que je sois franche avec toi;

- Que veux-tu dire par là?

- Il faut que je te dise que tu deviens agaçant.

- Pourquoi donc, ma chérie?

- Depuis que nous sommes à Rio, tu ne me parles plus que d'art et d'artistes;

Tu me sers le matin un discours sur la peinture, et le soir je dois entendre une oraison sur la sculpture.

Il faut que tu te souviennes de la sœur de mon amie dont le fiancé était employé de chemin de fer.

- Et alors?

- Pendant six mois que durèrent les fiançailles il ne lui parla que des mouvements des trains et du changement des signaux.

- Et après le mariage?

- Il continua; mais un beau jour elle fit la rencontre d'un jeune journaliste qui lui conta fleurette de la meilleure manière.

Elle avait tellement dans la tête les mouvements des trains et des signaux qu'elle ne put répondre au jeune homme que ceci:

Le train qui part de la gare de St. Lazare à 10h et demie, arrive le lendemain matin à la même heure à Marseille... s'il n'y a pas eu de retard.

- C'était une obsession il l'avait complètement abrutie alors!

- Mais oui mon gros; c'est pour cela que à force de me parler d'art, je crains de devenir un artiste, et pire encore, un... critique!

- La tienne ma petite amie est une invitation à rester à la maison.

- Pas du tout; je ne veux pas rester à la maison avec pour toute compagnie, deux bonnes, un signe et un perroquet; je te suivrai partout parce que tu sais bien que je t'aime jusqu'à l'adoration.

- Tu es charmante, ma mignonne, tu es adorable, tu es un trésor.

Maintenant, suis-moi, nous allons au salon voir - les heureux de ce monde!

Tu sais qu'on a distribué des médailles d'or, d'argent, des mentions, par cela même on a consacré des nouveaux génies, des astres nouveaux brilleront sous la voûte du ciel brésilien.

- Qu'est-ce que tu dis là! Ceux qui ont eu la médaille d'or, la porteront chez la tante a la première occasion, n'est ce pas mon gros?

- Mon loulou - est ce que ce tableau la est fini?

- Ma mignonne, c'est une impression très jolie qui n'a pas besoin d'être poussée d'avantage.

- Qu'est-ce, mon gros, qu'une impression?

- Cela dépend.

Il y a dans ce salon des impression qui ont duré longtemps.

Tu vois ce tableaux sur la cimaise que son auteur appelle impression?

- Oui, mon ami.

- Et bien, pour faire cette... impression - le peintre a sué une grande partie de l'eau qui remplit l'océan!

- Et pourquoi lui donne t'il ce nom?

- Parce que ça ne le mérite pas!

Une impression doit avoir tous les caractères d'une vision et d'un travail spontané, immédiat.

Regarde plutôt l'autre tableau qui se trouve à coté; eh bien, son auteur doit être classé parmi les peintres impressionnistes ou divisionnistes.

Chambelland est un divisionniste.

- Alors c'est un querelleur, un homme qui cherche noise à tout le monde!

- Tu ne saisis pas mignonne.

C'est la méthode, la théorie, qui consiste dans la dissociation des tons en observant les mouvements et les transformations des points lumineux de spectre solaire, sur les objets, aussi bien que sur les personnes, dans le paysage comme dans le portrait; ce travail exige une sûreté absolue de l'œil et de la main.

On divise les tons, on ne le mêle pas.

Un peintre de mes amis apporta il y a six ans des pastels exécutés selon la théorie divisionniste.

Bleu, vert, jaune, orangé et quelques tons complémentaire; du bleu de prusse à la place du noir.

Un autoportrait aujourd'hui dans un musée d'art moderne, une tête de maçon portugais et autres études faites à Paris et à Lisbonne.

- Je voudrais bien voir un peintre divisionniste quand il travaille!

- Regarde le tableau de Chambelland, que beaucoup n'ont pas compris et d'autres n'ont pas voulu comprendre.

Admire les jolis tous le chair!

- C'est vilain, il y a du bleu, du jaune, du vert; les figures sont zébrées de bleu et de rose et de vert; je n'ai jamais vu cela!

- C'est un travail très difficil. [sic]

Éloigne toi, tu les verras harmonisées et fraîches, tandis que dans le tableau d'en face, académique et archaïque, les tons sont sales.

- Regarde-regarde, c'est encore le vieux monsieur de l'autre jour.

Il prend des notes.

- Laisse donc cela, mignonne; nous lirons ces jours-ci ses bêtises, sur l'art.

- Où écrit il ce monsieur?

- Oh! ma chére [sic]!!! il écrit dans le plus grand journal de Rio.

- Et on croit à ce qu'il écrit?

- Les lecteurs avalent ses écrits comme du pain, comme l'hostie que deux fois par jour avale le monténégrin Jannuzi.

Ils connaît [sic] tous les hors-concurs [sic] - il en fait mourir quelques uns qui se portent bien, et il en ressuscite d'autres qui se portent mieux, puisquils [sic] sont morts!

- C'est un homme extraordinaire alors?

- Je te crois, ma fille!

BOLOGNESE.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BOLOGNESE. SALON 1913. O Paiz, Rio de Janeiro, 20 set. 1913, p.3.

BOLOGNESE. XX Exposição de Belas Artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 4 set. 1913, p.5.

"Poetas por poetas sejam lidos!..."

E assim, em todos os ramos de arte.

Quem melhor que um artista poderá dizer das emoções que a arte desperta, diante de uma bela tela ou de um quadro medíocre; de um grupo em mármore, ou uma figura em bronze, meticulosa de verdades, palpitando e dando doçura ao bloco áspero do metal, que um vero artista [sic]?

Ao passar através as [sic] galerias das Belas Artes, íamos lado a lado com um interessante artista estrangeiro. Ouvíamos as suas ligeiras reflexões sobre os trabalhos expostos, e logo nos ocorreu a ideia de pôr em letra de forma o que nos dizia com a isenção de ânimo, que certamente os nossos compatriotas não poderiam ter.

Externamos o nosso desejo, e ele acedeu, impondo duas condições essenciais: que daria as suas impressões em diálogo com a gentil criaturinha que o acompanhava e escritas na língua que lhe é própria.

Naturalmente que aceitamos jubilosamente; e aqui vai sua crônica, tão leve, tão ligeira, tão inofensiva...

UNE PROMENADE AU SALON AVEC MA PETITE AMIE GLADYS

- Mon petit Gros, j m'ennuie!

- Je vais bien! Tu es nerveuse depuis quelque temps; tu as le "spleen": on dirait que Rio de Janeiro n'as pas quai de distraire!

Je t'ai offert d'aller nous promenais au Corcovado, à St. Theresa, boire un bock au Pão de Açúcar, rien ne te va: j'ai voulu te conduire au cinéma; les choses les plus extraordinaires je te les ai offertes sans réussir à te voir sourire.

- Tiens, que sont ces dames qui descendent de l'auto avec de si jolies toilettes; où sont elles?

En voilà encore qui arrivent!

- Ces dames que tu vais vont à l'exposition, au vernissage; elles vont voir vernir des tableaux.

- Je veux y aller; où est-ce?

- C'est là en face; justement je connais le directeur qui nous donnera une entrée: allons y.

Qui as tu, ma petite amie?

- Rien; où me conduis tu?

- Voir des tableaux.

- Je croyas [sic] que c'était dans une nécropole.

- Pourquoi, mon amie?

- Tu ne vais pas des cyprès?

- Ma mignonne, les artistes sont des poètes, des symbolistes; ils chantent avec Ugo Foscolo.

"All'ombra dei cypresgi [sic] e dentro l'urne confortate di pianto..."

parce que ces vers symbolisent le nêan de tous leurs efforts, ils perdent tout espoir d'une vie heureuse par le travail: la vie aujourd'hui est un calvaire et l'artiste qui a fait placer les cyprès avait certainement des idées plus sombres que d'habitude.

- Et ces tapis sont ils d'Orient?

- Il parait que si; c'est le représentant du Bazar de l'Hôtel de Ville que nous l'affirmé...

Monte, donc, ma mignonne, marchons à droite.

- Voilà le Christ; tout est symbole ici.

- Oui, ma petite Gladys, c'est une belle œuvre de Bernardelli, à qui le Brésil doit je ne sais pas si c'est bien ou mal d'avoir des artistes.

- Et cette femme plantureuse qui pleure à ses pieds?

- C'est "Maddalena pentita".

- On vois que les femmes à cette époque se nourrissaient bien et que le chagrin ne leur ôtait pas l'appétit. N'est pas, mon petit Gros?

- Oui.

- Et tous ces messieur [sic] là en groupe qui bavardent, qui sont ils?

- Ce sont les colonnes de l'Art brésilien, les luminaires, en somme. Il y a les deux frères Bernardelli, Lauro Müller et tu vais ce bon vieux qui est assis à côte du capitaine de la police municipale? Eh bien, celui-là c'est Therminus.

- Et le jeune homme brun qui se promène avec un air embête?

- Celui-là c'est Lucilio, un jeune artiste que se monte le cou.

- Et sa tête où va-t-elle allors?

- Tu es bien curieuse, ma petite Gladys. Sa tête plane au dessus de l'atmosphère ambiante, au dessus des "effluvil oxigenei".

- Eh bien, toutes ces personnes attendent le président, qui droit venir à une heure et demie.

- Et quelle heure est il maintenant?

- Il est deux heures et demie, mais tu sais bien que les présidents n'ont pas l'exactitude de les rois. Dons nous pouvons monter voir les tableaux et l'attendre.

- A moin [sic] qu'il ne nous pose un lapin!

- Oh! Gladys, pourquoi dit tu cela?

*

- Tu vois, mignonne, ici on danse; c'est bien, la Facture est libre, des gammes chromatiques placées avec sûreté, c'est lumineux et la pâte est grasse. Mignonne ne regarde donc pas là, il n'y a que des navètes.

- Eh bien, mon ami, c'est très bon!

- Oui, avec le ragoût et le civet de lapin!

- Écoute, écoute, mon Gros, qu'est ce donc cette musique?

- Cest le Raffût de St. Polycarpe.

- Et le jeune homme aux cheveux qui lui tombent sur les épaules?

- Celui, là, c'est un génie.

- Et le vieux monsieur qui prend des note?

- C'est un critique, c'est Americo dos Santos.

- Que c'est Americo dos Santos?

- Oh, écoute, assez de tes espiègleries, veux tu que je te le dise?

- Eh bien, c'est un monsieur qui ne sait rien de rien!

- Tiens vola le portrait de Madame Rego Barros . Il est bien, mais le coloration est monotone. De Servi a du talent et peut faire mieux.

Le portrait de la jolie et charmante Tetea Gasparoni on l'a placés exprès dans l'encoignure d'une porte qui souvre [sic] et qu'on ferme selon les besoins de MM. les balayeurs.

Latour, Chambelland frères [Carlos Chambelland e Rodolpho Chambelland], Oswalde, Menge, sont bien représentés dans leurs pays avec des ouvres qui peuvent être admirées ailleurs.

Angelina Agostini fera mieux l'année prochaine - c'est une jeune fille rieuse et blonde.

Sahra Padavaci [sic] a un joli petit paysage italien

- Tu entends jouer l'Himne [sic] National, mon petit Gros?

- Oui, ma mignonne, c'est le Président qui arrive avec son cortège de jolie femmes! Allons nous en par ce que il pourrait bien nous inviter à dîner.

Bolognese.

(La sculpture au prochain article)

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BOLOGNESE. XX Exposição de Belas Artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 4 set. 1913, p.5.

BOLOGNESE. XX Exposição de Belas Artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 6 set. 1913, p.6.

A simpleza das notas que nos mandou Bolognese, sobre o salão da exposição, com o seu leve aticismo, não logrou torná-las inapercebidas.

Ontem, foram essas notas tão comentadas, como se alguma coisa houvesse se descoberto.

Não esperava o nosso eventual colaborador tanto sucesso; e, por isso, apressou-se em mandar-nos as outras notas, estas sobre a escultura.

E, como as primeiras, Bolognese trata da grande arte plástica com a leveza que lhe é peculiar.

Damos abaixo a sua pequena crônica dialogada.

LA SCULPTURE

- Gladys, lève-toi, il est dix heures et demie.

Tu sais bien où je t'ai promis de t'emmener.

- Où donc? voir passer le Président?

- No; rappelle-toi que nous devons allée [sic] à l'exposition a 11 heures, où Fifine doit nous attendre.

- Comment? Nous allons encore voir vernir des tableaux?

- Aujourd'hui je veut le Président!

- Comment est-il un Président; grand, petit, beau, laid, intelligent?

- Oh! tu as bien le temps de connaître ces choses là, ma mignonne.

D'abord, monsieur Hermes, avant d'être président, était un vaillant maréchal, donc, une grande personnalité.

- Au, une grande brute!

- Oh! Gladys tu es bien méchante ce matin, je crois que tu fais confusion.

- No, no, no!

- Je me rappelle très bien le maréchal qui demeurait dans la maison a coté de la notre, et qui tapait sur sa femme comme un désespéré.

- Tu vois mignonne, c'est bien ce que je te disais; tu confonds le maréchal Hermes da Fonseca qui fut un brave soldat et un grand citoyen, avec notre voisin qui était maréchal aussi, mais... ferrant!

- Alors le président ne cloue pas les bottines en fer aux cheveaux [sic]?

- Mais pas du tout! Monsieur Hermes da Fonseca a été choisi par ces concitoyens qui l'ont élu pour représenter dans le monde ce grand et beau pays.

- Ah! je ne savais pas!

- Vite, enfant gâté, met tes veilles bottines, ta vieille petite robe et sortons.

- On va donc voir des choses sales?

- Alons [sic], ne fais pas de réflexions, il est tard.

*

- Tu vois. Fifine n'y est plus.

- Tiens! ou a encaisse le Christ, pour quelle raison, mon petit ami?

- C'est pour le protéger des barbares, des vandales, des iconoclastes, par ce que de ceux la il y en a partout, en Italie, en France, en Espagne, où les œuvres d'Art sont plus nombreuses et plus appréciés.

- Dépêche-toi donc, marche à droite et tourne à gauche, monte toujours toujours.

- Où allons-nous, mon gros, chez les martiens?

- Je te dis de ne pas faire de réflexions; marche en avant.

- Comment veut-tu que je puisse marcher, tu ne vois pas la foule de messieurs que barre l'entrée?

- Qui sont-il [sic]?

- Ce sont des critiques.

- Mais alors il y a plus de critiques que de tableaux! Ils rentrent, et chacun d'eux se place devant un tableau et prend des notes.

- Marche, mignonne, la sculpture est un peu plus loin.

- Regarde, petit gros. Que fait-il ce bon homme nu qui allonge un bras et écarte les jambes? Veut-il courir, attrapée des mouches, ou nager?

- C'est l'œuvre d'un Praxitele en herbe, ou d'un Fidias, ou peut-être d'un Bernardelli, dirait Nogueira da Silva, qui confond les trois ensemble.

- Et c'est une bêtise, n'est ce pas mon petit gros?

- Oh! Gladys, faut-il que je te répète que ce n'est pas à toi de juger ces choses là, tu comprend?

- Tiens mignonnette, regarde le joli portrait de Souza Pinto; tu sais bien, ce peintre qui dans la rue toise tout le monde et ne voit personne, l'artiste qui peint bleu même ce qui est rouge, te le rappelle-tu?

- Écoute, mon cher, mon adorable petit ami, viens voir ce pauvre homme que a une grande plaie béante au pieds; lui est-il tombé une pierre dessus? Cette statue n'est pas mauvais elle est même bon.

- C'est, Philocteto, le personnage d'une tragédie de Sophocle.

- Et c'est homme poilu qui tiens une croix à la main? Et ce petit singe dorée et bronzée qui dort? Et cette grande femme assise qui tien une poupée en bois sur le genoux et une autre dans ses bras?

- Tout cela ma petite cocotte n'est pas trop beau et il faut espérer mieux, l'an prochain.

- Regarde plutôt ce joli gamin qui se repose, il est très bien.

- Il est fatigué? Précisément, ma cocotte, et tu vois l'autre qui crie à Noite?

Tu ce la n'est pas mal non plus. Mais celui qui dort est mieux.

- Tiens, est-ce que ce n'est pas le portrait du vieux nègre que nous avons vu à l'entrée de l'école?

- Oui, mignonne il est très bien.

- Et celui la qui a deux palettes de bois, qui lui sortent du menton, qui est-il?

- C'est un maître indulgent!

- Et ces grandes médailles, c'est pour distribuer à des grandes personnes, n'est ce pas?

- Ces belles médailles ce sont des portraits.

- Alors ce sont eux même [sic] qui se donnent la médaille! Ils sont plus malins que nous antres petites filles qui la recevons de la maîtresse... si nous sommes sages!

- Parfaitement bijou.

BOLOGNESE.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BOLOGNESE. XX Exposição de Belas Artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 6 set. 1913, p.6.

BONESCHI, Paulo. A XXXIII Exposição Geral de Belas Artes. IMPRESSÕES RÁPIDAS. O Globo, Rio de Janeiro, 16 ago. 1926, p. 8.

(Conclusão da edição extraordinária de hoje)

telas duma maneira fiel, honesta e sincera. Foge aos fáceis e rendoso processos dos malabaristas do pincel e se a sua visão artística é prevalentemente objetiva, a sua pintura não deixa de ter um cunho caracteristicamente pessoal.

O corte suas paisagens é geralmente agradável, justa a perspectiva, definidos os planos, exata a cor.

Duas coisas aconselhamos a Manuel Farias: maior ousadia e menor preocupação dos detalhes, em vantagem das massas.

CANDIDO PORTINARI

Se não me engano, o jovem pintor paulista, que concorre este ano ao prêmio de viagem, alcançou já o máximo grau de sua evolução artística, e dificilmente poderá produzir obras melhores que as pintadas até hoje.

Os dois retratos do "Poeta Olegario Marianno" e do "Pintor Roberto Rodrigues", bem desenhados e bem compostos, simples e sintéticos, são pintados com técnica moderna, faltando-lhes, entretanto limpeza de cor e vibração. Conseguiu, porém, Portinari fixar na tela, duma maneira feliz, a psicologia dos retratados.

ARMANDO VIANNA

Também concorrente ao prêmio de viagem, Armando Vianna apresenta quatro trabalhos: "Primavera em flor" ótima composição de ar livre; são cinco figuras de mulheres banhadas de luz, impecavelmente desenhadas e bem ambientadas. Vê-se claramente que o quadro foi conscientemente estudado nos detalhes e no conjunto.

As figuras são movimentadas, o colorido quente, bem compreendido o jogo complicado da luz e das sombras no ar livre. Parabéns.

"Meu pai" é um retrato bem construído e valorizado.

"Antes da festa" é um estudo de metais e cristais interessante.

Menos feliz foi Aramando Vianna em "Travessura", ar livre representando crianças banhando-se no mar.

Faltaram-lhe os recursos técnicos para representar os reflexos da epiderme molhada.

MANOEL CONSTANTINO

Concorre ao prêmio de viagem com cinco trabalhos: "Infância de Giotto", "Retrato de Corbiniano Villaça", "A rosa branca", "Sta. H. M. S.", "Dr. Tapajoz Gomes".

O temperamento artístico fino e aristocrático do jovem pintor revela-se na atitude das figuras, na escolha e na disposição dos objetos secundários na composição dos quadros, na elegância e na graça do desenho, na harmonia do colorido e na expressão dos vultos.

Manoel Constantino é o pintor das elegâncias.

Espírito observador, sua técnica é segura, sua pincelada certa.

Formamos votos, porém, que Manoel Constantino apurando melhor ainda a sua técnica, consiga dar à sua pintura maior solidez, maior volume às suas figuras, definir melhor massas e planos das suas paisagens.

SARAH VILLELA

Outra concorrente ao prêmio de viagem. Apresenta-se com três retratos: "Prof. Henrique Bernardelli", "Dr. Amaury Medeiros", "Sra. Fonseca Costa". O primeiro dos três retratos tem qualidades técnicas apreciáveis.

MANOEL SANTIAGO

Concorre ao prêmio de viagem com cinco óleos e dois carvões.

"O curupira", é composição original e equilibrada; o assunto puramente brasileiro da lenda amazônica empolgou o jovem artista que conseguiu criar com bastante felicidade o símbolo plástico da divindade indígena.

"A cabocla", outra tela puramente brasileira; a figura de adolescente do primeiro plano bem lançada e bem construída destaca-se sobre a linda paisagem do fundo, representando um rio caudaloso.

"A carta" é um lindo estudo de nu, otimamente ambientado com escorços bem resolvidos.

Notamos, porém, dois ligeiros senões: os reflexos verdes da almofada sobre a carne parecem ser demasiadamente, fortes, e o braço esquerdo parece ser um tanto desproporcionado.

Notáveis os progressos técnicos realizados por Manoel Santiago.

JORDÃO DE OLIVEIRA

Esse jovem sergipano é uma promessa que está se tornando uma realidade.

Jordão de Oliveira é um desses temperamentos artísticos preocupados mais com o espírito de que com a matéria; com a expressão de que com a forma. A técnica deles é instintivamente torturada.

Gostamos sobremaneira da "Sanguínea".

O óleo "Auto-retrato" é bastante interessante, e tem "caráter". A indumentária deveria ser tratada com uma técnica melhor.

Jordão de Oliveira expõe mais duas telas: "Retrato do Dr. Neves Manta" e "Depois do trabalho".

HAYDÉA SANTIAGO

Haydéa Lopes Santiago apresenta-se esse ano com um conjunto de trabalhos muito forte.

"Hora da missa" (Igreja de Santo Antonio) é um quadro histórico composto e pintado com mão de mestre.

Desenho e perspectiva impecáveis, colorido justo e muito movimento nas figuras, também nas que se perdem no último plano e que foram admiravelmente esboçadas.

"O romance" é um ar livre bem composto, com lindos efeitos de luz.

Haydéa Santiago expõe mais "O portão da chácara", "Galinheiro", "Os pombos", e a "Tarde de verão".

A técnica de Haydéa é bastante larga e vigorosa; seus verdes, limpos, mas um tanto crus e uniformes; seu sol amarelo de mais.

ANDRÉ VENTO

"Adoração ao sol" e "Adormecida", são as duas telas expostas por esse talentoso pintor.

"Adormecida" é um lindo nu de mulher bem desenhado e ambientado.

"Adoração ao sol" é um painel decorativo duma composição simples, original equilibrada, notável pelo contraste da tonalidade azul predominante com a luz quente e avermelhada do sol poente. Mas por que colocá-lo no recanto mais escuro do salão?

OROZIO BELÉM

É com a maior simpatia que acompanho a carreira artística deste jovem pintor mineiro ainda adolescente e que já demonstra possuir qualidades técnicas raras de forte desenhista e de iluminado colorista.

Orozio Belem possui por natureza uma felicidade extrema em aprender e praticar os segredos da técnica pictórica e tem por instinto a noção das proporções, dos valores, das massas.

Com isso não quero nem posso dizer que ele seja um artista formado. Sua visão, até hoje exclusivamente objetiva e materialista, deve evoluir para abranger novos horizontes além das barreiras impostas pela natureza.

Orozio Belem deve cultivar o próprio espírito e apurar cada vez mais o próprio gosto; não procure, porém, espiritualizar a sua arte; seria um erro fatal; procure dar-lhe novas formas de vida de acordo com o seu temperamento fantástico e sensual.

Está em poder dele tornar-se um dos melhores artistas do Brasil.

"Yáyá" e o "Retrato" meu e de minha mãe são duas pinturas ao ar livre justas de cor e de valores.

O meu retrato é, sem embargo, a tela mais luminosa do atual salão, e é este talvez o seu merecimento principal. A paisagem que constitui o fundo do retrato podia ser tratada duma maneira mais sintética. Mas quem conhece as inúmeras dificuldades que oferece a paisagem reproduzida por Orozio Belém, avalia o merecimento desse jovem pintor em tê-las quase totalmente superadas.

Além disso, os dois retratos têm muito "caráter".

HELIOS SEELINGER

"Pedro Malazarte" é o título e o assunto da tela exposta por Helios Seelinger.

Como composição é entre as mais felizes das produzidas pela fantasia inventiva, inesgotável do genial artista.

Assunto caracteristicamente brasileiro é desenvolvido por Helios com os elementos principais da nossa flora e da nossa fauna, harmonizados num conjunto homogêneo e ao mesmo tempo variado.

Lindas e originais as figuras simbólicas das mães d'água.

O quadro de Helios por sua natureza é prevalentemente decorativo pois nele entram elementos fantásticos, simbólicos e uma certa tendência estilizadora; falta-lhe, porém, um dos característicos principais da pintura decorativa: o contraste vivo das cores, e maior luz.

Apesar disso, a tela de Helios representa uma excelente produção do festejado artista.

GUTTMAN BICHO

Guttman Bicho pode ser hoje considerado um dos mestres da pintura brasileira.

Os seus quadros, eminentemente realísticos, são limpos de cor, cheios de luz, justos de perspectiva e de valores. São inconfundíveis.

No "Ar livre" prefiro a paisagem ao conjunto da composição.

O meu "Retrato", bem composto e bem ambientado, muito fino de cor parece-me reproduzir com perfeição os traços característicos da minha fisionomia.

J. B. PAULA FONSECA

De volta do Velho Mundo nos apresenta duas paisagens: "Mercado de Florença" e "Recanto do Jardim de Luxemburgo", pintado com uma certa largueza e preocupação moderna de limpeza de cor.

TU ES PETRUS...

Não se trata de Petrus bíblico, mas tão somente do Petrus Verdié, professor de "ornato" na E. N. B. A .

Tem ele de comum com o santo apóstolo as veneráveis barbas decorativas e o pendor por tudo quanto é barca.

E do conde da Barca é o medalhão-retrato que o nosso Petrus conseguiu impingir o ano passado ao governo federal, realizando a pesca milagrosa de dez contos de réis.

Petrus Verdié, "hors-concours" da seção de escultura, viu-se - sem maiores formalidades - abertas também as portas da seção de pintura.

Valeu-lhe a proteção do chaveiro celeste.

Brasileiro (naturalizado), despreza ele o vulgar idioma português; fala e escreve na língua dos deuses: fala e escreve em francês.

De "místico", as pinturas de Petrus não têm nada, nem as "verduras" (Fruits), nem os fotográficos casebres ("maison", "maisons" de "blanchisseuses"), que, sobrepondo-se uns aos outros, parecem querer escalar o céu numa louca corrida de Babel.

Serenamente mística (isso, sim...) é a falta de pudor com que alguns figurões do nosso Olimpo artístico, valendo-se de sua posição privilegiada, expõem, sem cerimônias, à apreciação do público suas próprias "botas".

SEÇÃO DE ESCULTURA

A seção de escultura em seu conjunto apresenta-se mais fraca do que a de pintura.

Falta a grande composição onde pelo jogo das massas e pelas linhas gerais da composição mede-se o pulso do artista.

Abundam nessa seção, estudos de cabeças e estatuetas.

Salientamos entretanto: "Espontâneo" (gesso patinado, representando uma onça), notável pelo movimento, de Magalhães Corrêa; "Gaúcho" (gesso patinado) de Orestes Acquarone: e talvez a peça mais interessante e a cabeça mais expressiva da seção: "Calabar" e "Melancolia", dois gessos bem modelados e singularmente expressivos (o segundo executado com alguma preocupação sintética) do jovem escultor Paes Leme; "Miquimby" e "Mestiço", duas cabeças, também muito expressivas, de Armando Braga.

Na gravura salienta-se só um nome: Adalberto de Mattos, o mestre genuinamente nacional. Serenamente místico o seu "perfil em baixo relevo" "Virgo-Virginum"; bem compostas e buriladas as suas "Paquette" [sic] [1, 2] e "Medalhas do Tiro de Imprensa".

Paulo Boneschi.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BONESCHI, Paulo. A XXXIII Exposição Geral de Belas Artes. IMPRESSÕES RÁPIDAS. O Globo, Rio de Janeiro, 16 ago. 1926, p. 8.

Braz Ignacio de Vasconcellos
Brazilina Brazilica de Barros Vaz
Bror Kronstrand
Brun Vandique
Bueno Amador

1904

AMADOR, Bueno. O SALÃO DE 1904 (IMPRESSÕES RÁPIDAS). A Noticia, Rio de Janeiro, 7-8 set. 1904, p. 2.

1906

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 8 set. 1906, p.2.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 10 set. 1906, p.2.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 11 set. 1906, p.3.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 14 set. 1906, p.3.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 set. 1906, p.3.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 set. 1906, p.3.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 set. 1906, p.3.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 set. 1906, p.2.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 25 set. 1906, p.2.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 26 set. 1906, p.2.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 27 set. 1906, p.4.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 out. 1906, p.4.

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 8 out. 1906, p.2.

1908

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 set. 1908, p.4.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 12 set. 1908, p.5.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 set. 1908, p.4.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 set. 1908, p.6.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 29 set. 1908, p.4.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 out. 1908, p.4.

1909

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. O Salão de 1909. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 6 set. 1909, p.3.

1911

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 4 set. 1911, p.4.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 7 set. 1911, p.7.

1912

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 set. 1912, p.6.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 2 set. 1912, p.5.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 4 set. 1912, p.5.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 13 set. 1912, p.5.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 14 set. 1912, p.4.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 set. 1912, p.4.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 set. 1912, p.5.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 set. 1912, p.5.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 20 set. 1912, p.5.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 22 set. 1912, p.5.

1913

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 set. 1913, p.5.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 2 set. 1913, p.7.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 9 set. 1913, p.6.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 set. 1913, p.6.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 22 set. 1913, p.4.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23 set. 1913, p.7.

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 30 set. 1913, p.7.

Articulistas
Buonarotti
BUONAROTTI. IMPRESSÕES DO "SALÃO". A Noticia, Rio de Janeiro, 4-5 out. 1904, p. 2.

O Sr. Joaquim Fernandes Machado é o pintor mais fecundo que se apresenta no Salão deste ano, pois são dele nada menos de dezessete quadros que lá estão.

É aluno laureado da academia onde obteve o prêmio de viagem em 1901. É, portanto, um artista já conhecido, mas de ano para ano são constantes e enormes os seus progressos e este ano revelou-se um artista excepcional com os felicíssimos achados que apresenta.

Decididamente o seu pincel está destinado a revolucionar a velha e elísia arte da pintura. Vejamos o quadro n. 115 - Cabeça de um velho pedinte. Machado criou com ele um verdadeiro símbolo. Podia ter se limitado a tomar um bom modelo e nesta cidade não lhe faltavam. Mas não, todos eles seriam vulgares, nenhum sintetizaria a corte infinita desses filhos da desgraça. Machado correu direito ao Recreio em noite de dramalhão e de lá trouxe o grande símbolo - o tipo de Pedro Sem, feito pelo Dias Braga! Daí em diante o Recreio foi o seu fornecedor de temas e de tipos.

Outra noite foi lá inspirar-se e trouxe os Milagres de Santo Antonio cujo título modificou para Tentação de Santo Antonio. E, uma vez enveredado para a rua do Espírito Santo, não descontinuou; voltou novamente ao Recreio e trouxe para a tela O Mártir do Calvario. De um drama feroz de [...] arrancou as Margens do Sena, de outro de Decourcelles a Margem do Lago de Vincennes. Se não abiscoitava o prêmio de viagem ficava definitivamente no teatro a imortalizar todo o seu vasto repertório de dramas, comédias, óperas, tragédias, revistas, zarzuelas e vaudevilles!

O Sr. Machado, porém, não ficou por aí. Não lhe bastava toda essa pintura dramática. Ele sonhava coisa mais elevada, mais original. Pensou, matutou longamente, descansou a paleta, perdeu noites de sono e por fim bradou como Arquimedes - mas vestido: EURECA! E muito satisfeito e genial criou a Escola de Abacate, - a obra mais perfeita e mais emocional depois do prerafaelismo e da escola realista.

Quase todos os quadros que agora expõe são já da nova descoberta. A sua escola presta-se admiravelmente à pintura da paisagem, cujos verdes ele modifica, mistura, confunde e baralha para reduzir a uma cor uniforme e bonita, a dulçorosa cor do abacate.

As suas paisagens falam assim ao sentimento da gula e o visitante que os contempla sai dali com água na boca e desesperado, se não é tempo da apetitosa fruta.

Mas Machado, com a sua descoberta, conseguiu ainda outra vantagem inapreciável, que é a da uniformização das estações. O Outono do Bois de Boulogne é cor de abacate, como cor de abacate é a Primavera do Bois de Vincennes e a Primavera de Villemeux. E não há monotonia, - desde que uma é primavera e a outra outono.

Machado tem achados ainda mais felizes. A um vaso que entre os jardineiros foi sempre conhecido por esse fecundo e honesto nome de vaso, deu Machado o nome poético de Parma, pôs-lhe dentro umas flores roxas da Rosenwald, colocou ao lado um bule de chá e denominou o quadro Violetas de Parma! Depois (era necessário mandar ao salão 17 quadros!) foi civilizar os cardos e, como o tempo urgia e os cardos se mostravam terrivelmente insubmissos, Machado agarrou um feixe de margaridas, esparrimou-as na tela com estranha sequidão, pintou ao lado um tipo antropomorfo de Darwin e batizou: o Cardo civilisado!

O Sr. Machado não ficou ainda, pelos cardos e abacates. Tinha de pintar dezessete quadros e faltavam-lhe alguns para a coleção. De França tinha trazido quase todas as suas paisagens, Villemeux, Saint-Cloud, Vincennes, Boulogne e a França ficara um verdadeiro deserto. Tinha a Grécia, porém, com as suas hermas, as suas encantadoras cenas pastoris. Não foi à Arcádia para pintar os seus pastores. Ficou pelos arredores de Atenas, num campo cor de abacate, pegou de um carneirinho, de uma menina e de um rochedo, uniu-os num grupo só de modo a parecer que o carneiro estava com os pés fincados no chão e grudado ao rochedo como Prometeu e de maneira que não se vissem as pernas da menina nem se percebesse se ela estava sentada no carneiro ou no rochedo. Depois, pela imaginação, transportou à Atenas a herma do nosso Gonçalves Dias do Passeio Público.

- É pronto! Estava feito o Ofertas ao ídolo! Estavam pintados dezessete quadros e criada a escola do abacate. O Sr. Machado podia merecidamente descansar. - Buonarotti.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar'

BUONAROTTI. IMPRESSÕES DO "SALÃO". A Noticia, Rio de Janeiro, 4-5 out. 1904, p. 2.

Busca textual direta

[Em edição]

C. Miragy
C. MIRAGY. NA EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 3 set. 1902, p.1.

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(Diante do retrato do sr. Murtinho) - Lá está ele com o seu arzinho de senso... (Depois de muda contemplação) Afinal... não é tão feio como o pintam!

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

C. MIRAGY. NA EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 3 set. 1902, p.1.

C. N.
C. N. A REDENÇÃO DE CHAM FANTASIA SIMBOLISTA. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 19 set. 1895, p.1-2.

(A PROPÓSITO DO QUADRO DE MODESTO BROCOS)

Iohohé! Iohohé!

Vites-vous en mer un vaisseau courir?

Les mats sont tout noirs, les voiles sont rouges

Et sur le haut bord un pale marin

Et debout toujours, il veille et ne bouge.

Houi! Comme il siffle le vent! - Iohohé!

Houi! - Quel breissement [sic]! - Iohohé!

Houi! - Il vole comme flèche le navire

Sans but, sans repos et sans trêve!

Quem canta é Senta, filha de Daland, noiva de Eric. E as rocas zumbem, zumbem, ativadas pelas flandeiras, todas formosas, donzelas todas. Lá fora o vento uivante, o vento ríspido e nivoso espalha a saraiva, semeia o granizo. É dezembro, mês álgido, mês fúnero.

O céu noruego é como um pelo d'urso branco e os gênios níveos, filhos dos fiords glaciais, passam no ar sem pássaros, pairam nas brumas do ar brandindo as asas tênues, diáfanas, embrulhados em flocos, jogando a carambina, fruto branco da invernia; e diluem-se e desaparecem no ar, no ar que tem gume e corte, ar dos montes que avultam nupcialmente brancos, ar dos campos alvacentos, ar dos desfiladeiros nítidos, ar das cavernas vítreas onde se refugiam as raposas felpudas, muito aconchegadas, aquecendo-se como as ovelhas nos apriscos, como os velhinhos nos lares.

Ao longe o mar grosso espuma, escachoa e ronca e alvoroçado em tormenta parece tremer de frio. Pobres águas! os flocos que lhes caem em cima e vão por elas fora são os escombros das geleiras avalanches, brancas como monjas mortas vindas do eremitério penitenciário dos regelados polos silenciosos.

Os pinheiros parecem penitentes em êxtase, vestido d'alvas, nos montes; e sobre os alvos pinheiros, como em ombros imóveis de faquires, corvos negros sacodem as asas gotejadas e rente aos corvos negros procelárias tiritam ao sopro polar, hálito do fim do mundo onde não chegam os louros e compridos raios de sol beneficente.

E na casa as rocas zumbem em casa de Daland, o marujo, as moças fiam e entre as moças, Senta, noiva de Eric, filha de Daland, o marujo.

No muro ante os olhos de Senta, há um quadro representando o Navio Fantasma, a nave do holandês maldito que, num momento de fúria, imprecou porque seu lenho intrépido tantas vezes quantas arremetia em rumo ao cabo Tormentoso era repelido pelo misterioso mar das costas ignotas. Imprecou clamando que havia de dobrar o cabo, quer Deus quisesse, quer não, embora andasse em águas até o fim dos tempos. E Deus ouviu na Altura a imprecação do nauta.

E navega. A maruja espectral labora sempre e o holandês comanda. Quantos séculos tem visto sobre as águas esse barco de pena! E flutua.

Um vento trágico enfuna as velas seculares, o mar babuja a quilha estalidante e lá vai o navio cercado de espumas, velho, como a arrastar nas águas os seus cabelos brancos.

E lá vai o navio, lá vai o precito anunciando pelas borrascas, com o tufão à proa como uma vigia, o raio por santelmo, o trovão por celeuma, lá vai, mar em fora, aos baldões.

Iohohé! Iohohé!

diz a balada e a maruja responde dolentemente: Hivá! Hivá!

Navegantes dos largos mares que vêem rasgar o nevoeiro à proa peregrina do Navio Fantasma ajoelham-se no convés dos barcos e oram por saberem que o navio que passa é o anunciador das tormentas, ele é que cava os Maelstrons, ele é que assanha as vagas, ele é que irrita os ventos, ele é que ateia o raio.

Iohohé! Iohohé!

Vites-vous en mer un vaisseau courir?

Geme a voz piedosa de Senta, filha de Daland, noiva de Eric, fiandeira, fiando à sua roca, que zumbe enquanto os olhos doces, dum azul magoado, fitam o quadro estranho que prende de muralha, representando o Navio Fantasma do Holandês maldito. As outras, moças jucundas, acham de louca essa contemplação.

Enamorar-se dum réprobo! Todavia, porque a voz de Senta é deliciosa, pedem-lhe que canto a ela, extasiada, os olhos no quadro, canta doridamente:

Iohohé! Iohohé!

Vites-vous en mer un vaisseau courir?

.....................................

.....................................

Et sur le haut bord un pâle marin

Est debout toujours, il veille et ne bouge.

Mas, não é só - há a promessa de perdão e Senta, toda a alma na voz, tirando os acordes do coração, canta como uma profetisa cantaria um hino sagrado, incitando as hostes, conclamando deuses:

Mais le pâle marin verrait sa délivrance

Si jamais il trouvait une femme sur terre

Jusqu'à la mort fidèle.

Ah! pâle voyageur, quand la trouveras-tu?

Intimamente, porém, o coração lhe segreda que a nave em breve encontrará ancoradouro e, colhidas as velas, a maruja exausta repousará no porto que lhe há de mostrar a luz bendita dum farol - o coração. Enternecidas pela plangência do canto, as moças jucundas cantam a meia voz, com mágoa:

Ah! pâle voyageur, quando la trouveras-tu?

E Senta, inopinada, ouvindo o oráculo do coração, ergue-se e clama: "Sou eu quem te há de salvar! Por mim virá o teu perdão, precito" E, efetivamente, ela o vê, a ele o Holandês maldito. É Daland quem o traz, pálido, carregado de sofrimento, branco como a espuma do mar, frio como os gelos dos pelos, triste como as noites de inverno. Ela o vê... e, para que traçar a passionária piedosa, para que empalidecer em meias tintas esse drama de sacrifício, de redenção pelo amor?

Uma mulher que o ama, pobre holandês! vão animar os ventos, vão abrandar-se as vagas, vai repousar a gente; é o Perdão, enfim, o porto feliz da Paz que se lhe depara, alumiado pelos olhos azuis da moça Senta.

Mas, no momento em que ele, antes da partida para a experiência da Fidelidade tantas vezes desmentida, alonga a vista ansiosa para a terra, vê Senta, a abnegada, falando a Eric, com lágrimas, a Eric, o noivo. Vê e julga-se traído. Pobre holandês maldito! Mais uma perfídia! Mais uma perfídia! Ao mar … à pena! às procelas tremendas... ela …

Iohohé! Iohohé!

E o Holandês ganha o convés. Abre-se aos ventos irascíveis todo o vetusto pano da urca... e lá vai, mar em fora!

Hivá! Hivá!

É a peregrinação que recomeça. Embravecem-se as ondas, uiva o tufão, o maelstron remoinha, estrepita o raio zebrando o céu turbado e lá vai o navio, e lá vai o navio!

Senta, porém, apenas se despedia do esquecido Eric, Senta que era fiel, olha, estremece, corre à rocha da praia e espia em desespero.

E lá vai o navio! E lá vai o navio! E o Holandês:

Est debout toujours, il veille et ne bouge.

.....................................

Honi! - Quel bruissement! - Iohohé!

Honi! - Comme il siffle le vent! - Iohohé!

Honi! - Il vole comme flèche le navire

Sans but, sans repos, sans trève!

Mas Senta jurou e cumpre: "Sou eu quem te há de salvar!" diz e arroja-se n'água. Nada! vai longe o navio levado pelos ventos carrascos. Nada, a onda lambe-a toda, a espuma baba-a. Falecem-lhe as forças, mas o coração é fiel, é forte. Nadando sempre, já desalentada, olha - lá vai longe o navio! Mergulha, vem à tona ansiando, olha ainda... já vai longe! Vai longe! Debate-se, o mar toma-a como uma fera abocanhando a presa, e sorve-a. Ei-la ainda uma vez à [...], apenas a cabeça, os olhos empanados, os lábios roxos... olha, suspira e desaparece. Redenção! Redenção! O mar aclara-se!

Logo o navio desconjunta-se, podre de tantos séculos esfarinha-se, esfarinham-se os cabos, as velas voam desfeitas. Um clamor sobe aos céus - é a maruja que bendiz a morte, é o holandês que bendiz o amor que o redimiu, fazendo-o descansar nas águas do seu tormento. E os mares, livres desse assombro errante, acalmam-se. Redenção pelo amor, forte como a própria morte.

Saara, mas de saibro, mar de tormentas, mar de ululos, Saara d'África, mas de agonia, és o praino de Cham. Pelas ondas das tuas dunas lá vai o peregrino, de aringa em aringa, a pedir Redenção. Precede-o o kasmin de fogo e os homens ambiciosos, os homens perversos vão-no acompanhado com o trovejar da artilharia, com o santelmo das metralhas devastando as terras, escravizando as almas.

Tu, porque desrespeitasse o ancião, teu pai e teu salvador, caminhas pelas areias, sem abrigo, ao som tristonho dos cantores bárbaros, deixando uma esteira de lágrimas no [sic] tua derrota terrível. Quem te há de salvar? o amor, o grande amor que redime, Senta, a mulher que é a Liberdade, que é a Purificação.

Só poderás descansar no dia em que desaparecer da tua fronte o estigma da maldição, quando despires o negro burel de penitente, trocando-o pela cândida túnica de iniciado, na tua cabeça maldita resplandecerá a auréola dos cabelos louros, teus olhos penserosos refletirão a cor puríssima dos céus e o mundo, sem repelir-te, fará contigo, arrependido, o que com José fizeram os irmãos que o renderam.

Para isso, porém, é necessário que uma mulher apareça e que se purifique no amor, purificando-te.

Senta, mãe negra! esquece o noivo da tua raça e busca salvar o precito. Senta, que liberta e redime, deixa a maloca e recebe no ventre o germe da Purificação. Chora a morte do teu pai e canta a sua ressurreição no teu filho. Senta, mãe negra! Mãe redentora, unge-te de beijos e salva a tua raça.

A tela de Modesto Brocos que vi na exposição é o pendant do quadro sinistro que os olhos de Senta contemplavam. Cham, a tua redenção é feita pelo amor mortal: e amor, que é a vida, vai aos poucos matando-te. No princípio era a negra, a alma cativa, a alma peregrina e dolente.

Cham, toda a tua história aí está nessa tela: a negra, a tua mácula, mas também o teu primeiro passo no caminho do Perdão, a Mulata o dilúculo, a criança, a claridade resplandente. A tua raça, mãe negra, entrará pelo Futuro nobre e forte, perdoada do pecado de Cham, teu ancestral tenebroso, que vai baixar ao Esquecimento, rendimento para o sempre, porque não há Redenção com o olvido e a Morte é uma substituição.

Não és como o judeu andejo que ainda caminha. Cham, filho de Noé, depositário de Deus - a tua redenção faz-se no ventre, hás de purgar-te nessa pia sacratíssima, desse Jordão é que hás de sair perdoado, quando o Amor baixar sobre ele como o portador da Graça. Para lavar-te da culpa só a onda purpúrea da Gênese - hás de atravessar esse Mar Vermelho para entrares em Canaã, maldito; Moisés é o amor.

Para sagra-te só a benção multiplicada até que o gesto vindo da grenha encaracolada do teu filho descanse sobre sobre [sic] os cabelos louros do teu neto. Senta é a alma que ama e purifica, Senta é a liberdade pelo sacrifício. Que eras tu, mãe negra? a desprezada. Foi necessário que um raio de luz entrasse no teu ventre para que fosses, pouco a pouco, deixando pelo caminho a treva do teu destino. És a sombra e espias, como uma noite que escoa, o primeiro stratus [sic] doirado que lhe saiu flanco. És a maldição e olhas o teu pecado lentamente redimidos; és a repudiada e vês que tua alma, através do teu primeiro amor, vai se aproximando da Luz; és a podridão e floresces; és a melancolia e dás o sorriso.

Graças, mãe negra, olhos no céu, mãos postas, rende graças a Deus e ao que te fecundou o ventre para o primeiro fruto. Rende graças, figura de mártir, pela redenção da tua alma, alma que é o dote do teu maior: Chan.

Como essa nave do Holandês errante, podes sossobrar agora: teu coração amou, todos os teus sentimentos foram acatados, beijaste, abençoaste, sorriste, redimida.

A morte é o Esquecimento que anistia; na vida ficas perpetuada e imaculada no teu neto. O teu perdão é esse que balbucia, o filho de tua filha. Descansa, alma sofredora. Podes sossobrar agora.

Há nesse quadro um doce e enternecido poema em quatro cantos: a oração de graças da Redimida, a glória de um velho tronco apodrecido que ainda vê rebentar num galho subsistente a flor anunciadora da vida; a enternecida contemplação materna, a vaidade do homem olhando-se no espelho humano, o filho, e a inocência feliz da criança.

Acham-se ali, em representação simbólica, as estações da Vida, a Primavera infante, o Estio que fecunda, o Outono produtivo e o merencório Inverno.

A Redenção de Chan é o Natal do Salvador da raça dos oprimidos - é a Morte d'Alma negra e o desabrochamento do lírio do Perdão, o claro infante louro, louro como os que vêm do Cáucaso bendito onde Japhet descansou abençoado e feliz.

.....................................

Mais le pâle marin verrait sa délivrance

Si jamais il trouvait une femme sur terre

Jusqu'à la mort fidèle

Ah! pâle voyageur quand la trouveras-tu?

Mãe negra, responde à balada de Senta e dize que também juraste no teu coração, como a virgem das neves: "Sou eu quem te há de salvar! Por mim virá o teu perdão, precito!"

E vai cumprindo, com a tua Dor Redentora, a promessa do teu coração fiel.

C. N.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

C. N. A REDENÇÃO DE CHAM FANTASIA SIMBOLISTA. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 19 set. 1895, p.1-2.

Cadmo Fausto de Souza
Calmon Barreto
Camila Alvares Azevedo
Camilla Alvares de Azevedo
Candida de Gusmão Cerqueira
Candido Portinari
Careta
Carlo de Servi
Carlos Alberto de Agostini
Carlos Augusto de Lacerda
Carlos Balliester
Carlos Chambelland
Carlos da Cunha
Carlos de Azevedo
Carlos del Negro
Carlos Gomes Fernandes
Carlos Oswald
Carlos Reis
Carlos Sada
Carlos Sussekind
Carlota Gondolo Labouriau
Carmen Correia
Casemiro Corrêa
Casimiro Tomba
Castro e Silva
CASTRO E SILVA. NA ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES - A verdade sobre o "Salão". O Imparcial, Rio de Janeiro, 16 ago. 1920, p.14.

Mais uma vez tive a sensação horrível de me encontrar frente a frente com a natureza.

O homem detesta a realidade, e por isso com a imaginação que tem doira-a de múltiplos aspectos subjetivos. Não enaltece a vida porque a morte é mais misteriosa. Sonha em torno de si. E desse sonho de que se consola, cria uma natureza nova: a Arte.

Todos aqueles quadros, um por um, iam-me levando através de um mundo desconhecido. Era um país sem sombras, sem reflexos, sem expressão. A natureza sem o homem.

Deus meu! Que direi, este ano de tudo isso!

Primeiramente, nos "salões" futuros é necessário acabar com aqueles cordões de capinzal, aqueles verdes monótonos que se enroscam em torno das paredes, pelo assoalho, sobem até o teto, descem por cima das molduras, numa simetria burlesca de infinito mau gosto.

Nessa casa de artistas não há decoradores, nessa colmeia de gênios falta o gênio simples da ornamentação. Se minguam os recursos, se escasseiam as verbas, fiquem ao menos, com a pobreza honesta, que é muito mais sincera, mais emotiva, mais interessante.

Desta vez, como que levada por um súbito pudor bem entendido a exposição foi esconder-se lá para o fim da Escola, nos últimos quartos, na cozinha, pelos corredores, deixando vaga, triste e deserta a grande sala de entrada que nos outros anos ostentava um tão grande número de esculturas. É o que primeiro se nota: ou a Escola cresceu ou a exposição diminuiu. E diminuiu de fato. Os escultores tiveram outras coisas a fazer (o que é habitual) ou não deram importância ao "certamen".

O Sr. Leão Velloso, todavia compareceu firme. "Um sonho" e "Evocando" eis o que mandou.

E é preciso fazer justiça. Este moço está cada vez melhor, a sua técnica muito mais segura a sua inspiração muito mais larga. "Evocando" é ele mesmo, num auto-retrato a Rodin, quer dizer, pouco parecido... no corpo., mas com infinita harmonia d'alma, uma nebulosidade que encanta, que seduz. "Um sonho" é ainda Rodin ... pelo assunto. Num rochedo, quase deitada, a virgem oferece os lábios à mocidade. Mas o Sr. Leão Velloso, segundo me disse, quis interpretar o beijo ideal, o beijo sentimento, e não o beijo paixão. Doutro modo, como se explicaria a fisionomia do efebo, parada, imóvel, sem uma ruga, um espasmo, um traço que defina a violência da atitude?

O Sr. Leão Velloso, precisa evoluir neste particular. Mas evoluirá. A sua arte é segura, sente-se o contínuo progresso do seu esforço, a sua tenacidade. Retifico, pois, o que disse em 1919: ele é a nossa maior promessa e virá a ser o maior escultor do nosso meio.

Quanto à pintura paremos, para começar, um inquérito muito representativo.

Quais as correntes que nela dominam? Qual o pensamento medular a linha reta que atravessa como uma diretriz, as composições, os temas?

Se não contei errado o gênero preferido foi o retrato. Segue-se logo a paisagem propriamente dita, por fim as marinhas. Dos primeiros há quarenta e dois. Dos segundos vinte e sete, mais ou menos. Dezesseis das terceiras.

Principiemos pelo principio. "Alguns amigos", do Sr. Guttmann Bicho é muito interessante. Aparecem, na tela, figuras notáveis da geração. O Sr. Ronald de Carvalho, o Sr. Rodrigo Octavio Filho, etc.

Enquanto o Sr. Ronald de Carvalho chora, o Sr. Rodrigo Octavio abre ambos os olhos muito abertos e fita um caixão mortuário onde o talento do Sr. Guttman espera o enterro.

Eu modifico, pois o título do quadro de "Alguns Amigos", para "A espera do enterro".

O Sr. Fernandes Machado (Joaquim) é impagável. O "Retrato" que expõem é de um tal realismo! de uma tal simplicidade! Olhai bem para aquele chapéu, para aquela gravata, para o que o retratado tem na lapela. Será a "Legião d'Honra"? Será um abacaxi? Que será?

Depois da burocracia vem o positivismo. Aqui o motivo é mais vasto. O Sr. Eugenio Lateur [sic] mostra-nos um "Dia de audiência". Analisando filosoficamente os mordedores do estado o artista pinta-os todos microcéfalos, achatadinhos. Que ironia! E que simplicidade! É isso mesmo. Até a bandeira está perfeita. As letras da "Ordem e Progresso" são uma maravilha de ficar pasmo! Mas não lhe está atrás o "Primeiro Pecado", do Sr. Almeida Junior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior]. Mesma dúvida, que com o Sr. Joaquim Fernandes. Não se sabe se aquele Adão e Eva, qual é Eva qual o Adão, apesar de um estar oferecendo a maçã (creio que é a maçã porque parece uma cereja) ao outro.

A cobra que se enrosca na árvore, simbolicamente, só é cobra por simbolismo.

Passemos às paisagens. A natureza, objetivamente, é muito menos prosaica que o homem! Mas, ainda assim, afora o Sr. Baptista da Costa ("Tarde Calma", "Últimos raios do sol"), que tem o defeito de copiar-se de 12 em 12 meses, um pouco monótono em tudo o que faz, o Sr. Argemiro Cunha ("Caminho do Porto") discípulo do Sr. Baptista da Costa, mas menos meticuloso, menos efeminado do que ele; afora o Sr. Otto Bunger, o que não é brasileiro, mas sabe distinguir a cor, a tonalidade do céu da sua pátria, do nosso céu de um azul índigo, de um azul tão diferente dos outros azuis; afora o Sr. Edgard Parreiras que também já nos anda a repetir os assuntos; pouco há que se aproveite.

Nas marinhas destaco o Sr. Antonio G. Bento - cujo defeito principal é não ter alma. "Cais do Porto" está tão bem feitinho que não parece uma marinha: parece o próprio Cais do Porto.

Vejamos agora o Sr. Servi: é um pintor de frutas. Tem jeito e algum mérito. Mas por que não retirou dos seus "Estudos" aquela insuportável cerâmica, aquele jarro que está ali como um lobo entre as ovelhas?

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Não pretendo, porém, porque acho inútil, descrever, um a um todos os trabalhos. Cedo o lugar aos biógrafos da crítica.

E vamos ao que importa. Que nos dá a exposição? Que nos promete? Nada ou muito pouco. Não encontrei em todos aqueles retratos um ser humano, em todas aquelas paisagem [sic] um recanto da vida, em todas aquelas marinhas a poesia, o sentimento, a alma do oceano.

Como um fotógrafo que confia no mecanismo do seu aparelho estes nossos artistas não acrescentam coisa alguma ao que vêm [sic], parece que tudo é banal, inferior aos olhos deles.

Pessoas que nós não teríamos a coragem de tolerar mais de cinco minutos, se isso, são imortalizadas em obras passageiras com uma meticulosidade apavorante. Não há uma ideia, uma extravagância mesmo, mas uma ideia, uma só. Minto. Há uma exceção. Admiremos agora o que ela exprime.

O Sr. Alberto Martins Ribeiro quis expressar, concretamente um grande número de conceitos abstratos "Visão interior", disse-me o Sr. Martins Ribeiro, é o homem, filho do fogo que é a essência da vida, debatendo-se em contorções, em ânsias, em desejos no entrechoque doloroso do passado e do futuro.

"Quis acentuar disse-me o autor, a luta do espírito e da matéria. Aquele se emaranha em constantes contradições."

No entanto se a ideia é excelente, digna de qualquer mestre, a execução não está, nem podia estar no mesmo plano.

Faltam às chamas intensidade nervosismo, crispações. Mas o fundo do quadro onde mal despontam esqueletos, mãos, sombras, atesta as qualidades eminentes deste incultivado artista.

O quadro é certo não valerá por si. Mas comparando-o com a "Patrulha" do Sr. Hermogenes Marques onde os cavalos não tem movimento nem perspectivas, comparando-o com a "mesmice" da pintora americana Cecil Clark Davis (que segue o espírito de imitação da sua terra onde só se "pasticha" Velasquez, comparando-o com o Sr. Lucilio de Albuquerque que nos mostra um "Retrato" onde é preciso mudar duas coisas: o tapete feiíssimo e as crianças que empastam o conjunto e desviam a atenção do motivo principal - creio que se pode dizer com certeza que o Sr. Alberto Martins Ribeiro tem muito mais talento embora com muito menos estudo.

O que deve predominar numa obra de arte é o lado interior, o lado subjetivo.

O realismo só existe em teoria. Os próprios holandeses souberam animar as coisas inanimadas, por exemplo, um fim de jantar em que a mesa tem tanta vida que se sentem e quase que se conhecem as pessoas que a deixaram a [sic] pouco. Que poema não há num quadro destes! Toda a poesia burguesa e pacata da Holanda, a existência, a ocupação, a figura, o sexo, tudo isso eternizado, sugerido por um copo, uma simples côdea de pão.

Mas como é desanimador este outro espetáculo da natureza através da arte medíocre! Porque Deus, criando o pensamento, criou um mundo novo (um mundo que não existe na XXVII exposição da nossa "Escola"), um mundo onde a matéria se transforma novamente em espírito, o granito em catedral, onde a natureza não está mais frente a frente conosco em sua brutalidade, em sua insensibilidade, mas sim pairando entre o amor e a fantasia, muito mais perto da (...) e da beleza suprema!

CASTRO E SILVA.

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Imagem

"Por mares nunca dantes navegados"

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

CASTRO E SILVA. NA ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES - A verdade sobre o "Salão". O Imparcial, Rio de Janeiro, 16 ago. 1920, p.14.

Cecil Clark Davis
Cecilia Driendl
Celita Vaccani
Celso Antonio
Celso Kelly
Cerâmica Artística Nacional
Cesar Alexandre Formenti
Cesar Machari
Cesare Colossuonno
Cezar Turatti
Chapuis
CHROME, John de. O salão de Belas Artes - Notas comprimidas e irreverentes II. O Globo, Rio de Janeiro, 16 ago. 1929, p. 1.

O "pintor" Guignard fez uns rabiscos, que a gente até hoje não sabe o que é - Sigond [?] também fez rabiscos, fingindo pingos de cera de tocha, - D. Georgina oferece uma cena de praia, com um braço do tamanho de um bonde, e um cachorro empalhado; dá também um casal de meninos cheios de azulão e com as canelas sujas [Imagem] - Mario Nunes expõe cartazes franceses, desses que são reclame das estradas de ferro de lá, pura fantasia, - Navarro da Costa meteu um pedaço de Veneza na baia de Guanabara, com a Villegaignon a vinte quilômetros de distância da terra; noutro quadro tem fatias de bolos de confeitaria num molho de gelatina - Pedro Bruno oferece um nu à frescata à beira-mar, um barco apoplético e um mercado de peixe no tempo dos franciscanos, segundo descreve o Raul - Roberto Rodrigues, diz o Chambelland, expõe a apoteose do desengonço e o degringolado do equilíbrio, com traço firme - Jordão, até agora escapou à "trepação" geral - Turati escapou também, mas dos elogios - Mazzuchelli apresenta o busto do torcicolo do poeta Olegario, e o mesmo faz, no estilo afunilado, o escultor Paes Leme - Samuel Ribeiro mostra uma mulher pneumática torcendo-se por causa de uma dentada escabrosa - Almeida Junior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior] é esplêndido nas laranjas entre troncos animados [Imagem] - Gaspar Magalhães nos dá uma feira livre com chaleira para o júri.

Amanhã, tem mais.

JOHN DE CHROME.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

CHROME, John de. O salão de Belas Artes - Notas comprimidas e irreverentes II. O Globo, Rio de Janeiro, 16 ago. 1929, p. 1.

CHROME, John de. O salão de Belas Artes - Notas comprimidas e irreverentes III. O Globo, Rio de Janeiro, 19 ago. 1929, p. 1.

Cavalleiro apresenta paisagens a seco e um busto econômico [Imagem], onde a tinta foi chupada por falta de óleo - D. Irene França oferece o retrato de um rabecão escorando uma moça cor de rosa - Timotheo [João Timotheo da Costa] ainda nos dá os últimos arrancos de um foguete nas costas de um balandrau incendiário - Dos Dutra, um expõe paisagem em banho de fumaça, outro uma natureza morta e enterrada e outro um coradouro esperando roupa - D. Julieta França dá a figura da velha Sabina, para bulir com as laranjas de Almeida Junior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior] - Gazarin [sic] descobriu o processo de extrair o ar das paisagens - Visconti dá-nos um retrato do professor Calmon, antes de cochilar - D. Sarah [Sarah Villela Figueiredo] aparece com o retrato de Miss Espírito Santo, quando for mais velha – Bicho [Guttmann Bicho] expõe um presepe de brinquedo e o retrato de uma bengala muito bem feito - Antonino Mattos mostra como vai ficar o povo, com sua estátua esfolada, para meter inveja ao professor da casa - O escultor Paes Leme dá um gaiato com escritos de aluguel - Cozzo apresenta uma mulher do gênero "não venhas" - Gaspar também expõe um defumadouro monstro no meio do capinzal - Armando Vianna tem uma alegoria aos banhos de Copacabana [Imagem] e um nu em vale de lençóis. Amanhã, tem mais.

JOHN DE CHROME.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

CHROME, John de. O salão de Belas Artes - Notas comprimidas e irreverentes III. O Globo, Rio de Janeiro, 19 ago. 1929, p. 1.

CHROME, John de. O salão de Belas Artes - Notas comprimidas e irreverentes IV. O Globo, Rio de Janeiro, 20 ago. 1929, p. 1.

J. da Rocha Ferreira expõe uma [...] preta, com uma cabeça em cima - Raul expõe, também, além do João Minhoca, uma campônia com os pés 44, bico largo, cabeça de avelã, e um modelo novo de uma [sic] fogareiro para castanhas - Domenech provou que, se o feio doesse, não seria por causa do amarelão - Orozio Belém apresenta o Jeca sem saber ainda em quem vai votar... o prêmio de viagem - Vicente Leite provou a carestia das habitações, metendo um [...], estilo querosene, numa paisagem [...] - Virgilio [Virgilio Lopes Rodrigues], como sempre, "vai na onda" - Leopoldo Campos expõe, em alto relevo, o retrato da chapa do seu candidato - D. Lotte Benter nos mostra o ministro Dr. Konder correto e muitíssimo aumentado - Magalhães Corrêa nos oferece o 1º [...] que adotou entre nós a saudação fascista [Imagem]. Pela primeira vez nos aparece a Mãe Benta a cavalo, da lavra do Modestino Kanto - Calmon Barreto, em dois baixos relevos, mostra o Dr. Washington Luis convidando o Jeca a tomar banho e os dois [...] um minuto antes da [...]. Amanhã tem mais.

JOHN DE CHROME.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

CHROME, John de. O salão de Belas Artes - Notas comprimidas e irreverentes IV. O Globo, Rio de Janeiro, 20 ago. 1929, p. 1.

CHROME, John de. O salão de Belas Artes - Notas comprimidas e irreverentes V. O Globo, Rio de Janeiro, 22 ago. 1929, p. 1.

Soubemos que alguns expositores ficaram um tanto "queimados" com estas notas. A culpa não é nossa, nem deles. Apenas registramos os comentários que ouvimos entre os oficiais do mesmo ofício, nas visitas ao salão. Não vale a pena zangar e vamos adiante. Dá-se um prêmio a quem decifrar os enigmas pitorescos, estilo tarsilico, dos trabalhos de Guignard. Alvim Menge condenou o modelo a dormir no chão, quando tinha ao lado uma cama bem boa. O professor Bracet expõe um retrato de Dona Carola, com um reclame dos vitrais do Formenti. Carlos Oswaldo faz prodígios de equilíbrio com couve-flor em molho de vinagre. Fiúza expõe a cabeça que não fala em pleno espaço etéreo. Moema [?] está se especializando nos cartões postais com vistas dos becos do Rio. Formenti [Gastão Formenti], muito original no novo processo de soltar balão de São João, à distância. Henrique Bernardelli apresenta um bandeirante posando para o fotógrafo, com o primeiro cão policial colonial. Excelente o reclame do xarope peitoral, do pintor Henrique Manzo, o frasco está muito parecido. Amanhã, tem mais.

JOHN DE CHROME.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

CHROME, John de. O salão de Belas Artes - Notas comprimidas e irreverentes V. O Globo, Rio de Janeiro, 22 ago. 1929, p. 1.

CHROME, John de. O salão de Belas Artes - Notas comprimidas e irreverentes VI. O Globo, Rio de Janeiro, 23 ago. 1929, p. 1.

Adalberto Mattos disse a Magalhães Corrêa que o escultor Bertazzon de São Paulo, expõe um "Pensamento" em gesso, mas não pensou como aquela cabeça, sem crânio, pode pensar. Talvez fosse pensamento do autor ficar com o crânio em casa - D. Yayá Castro expõe Luiz Gonzaga, em bronze, empertigado como um recruta à paisana - Adalberto apresenta um forno de padaria para torração do doente desconhecido, com um cobertor por causa do mau tempo - Carlos Chambelland oferece uma beijoca familiar, uma evocação [Imagem] […] branca nuvem e o perfil de um jeca, depois de uma luta de boxe, com pontos falsos no nariz - Francisco Aquarone mostra o valor do contorcionismo atrás da cortina - Gastão Formenti continua a cultivar as pedras d'água ou o Rio das Pedras - D. Adelaide West apresenta curiosa série de cromos para caixas de bombons - Henrique Bernardelli dá-nos ainda um pescador com arrastão de papel rasgado - Manoel Faria não nos mostrou os quadros que o Ariosto reproduziu, há dias, num matutino - Teruz tem uma paisagem com cavalos inchados - Orlando Tarquinio nos mostra um solar de telhado cambaio - Vieira Machado nos dá a planta longitudinal da Pedra do Índio, escala de um por quatrocentos metros. Amanhã tem mais.

JOHN DE CHROME.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

CHROME, John de. O salão de Belas Artes - Notas comprimidas e irreverentes VI. O Globo, Rio de Janeiro, 23 ago. 1929, p. 1.

CHROME, John de. O salão de Belas Artes - Notas comprimidas e irreverentes. O Globo, Rio de Janeiro, 14 ago. 1929, p. 1.

A exposição agrada. Uma só fila de quadros nas paredes de todas as galerias. Para esse efeito o júri rejeitou mais de duzentas obras. Podia recusar muito mais. As de Timotheo da Costa [João Timotheo da Costa], por exemplo, que expõe a miniatura [...] explosão na ilha do Cajú e o retrato de uma das vítimas em estado desesperador. Há muito que ver e apreciar no salão. Vamos aos bocadinhos. Helios Seelinger exibe uma amostra de portal de tintureiro, um carnaval morfético e um cachorro de cavanhaque bancando o bode dentro de uma "maionese". Oswaldo Teixeira continua a fazer quadros grandes, pensando que são grandes quadros; dele, há uma primavera de pau envernisado [Imagem], estilo Petit, com duas réstias de guardar cebolas na cabeça; dá-nos também um Cristo acrobata [Imagem], com estopa de trem de ferro na cabeça e uma lesão corpórea no lugar em que o vulto nunca foi ferido; dá-nos ainda o modelo de uma casa de modas de 1820, em manequim lustroso. Marques Junior apresenta Carlos Gomes, antes de ser operado da catarata. Amoêdo tem um bandeirante com as barbas do Dr. Arrojado Lisbôa e as pernas numa gaita de foles, entre bonecos de engonço, Raul atirou-se ao óleo, com um teatrinho do gênero João Minhoca, Antonio Parreiras mostra um dia de sol, com um burro trocando as pernas [Imagem]. André Vento e Marques Junior, segundo nos disse Orozio Belém, cultivam juntos o nu furta-cores. Lucilio continua a fazer árvores com estopa, no estilo arranhado. Constantino faz muito bem a louça especial para quem toma chá, nu em pelo. A "trepação", na roda artística, é continua. Amanhã tem mais.

JOHN DE CHROME.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

CHROME, John de. O salão de Belas Artes - Notas comprimidas e irreverentes. O Globo, Rio de Janeiro, 14 ago. 1929, p. 1.

Clara Welker
Clelia de Castro Nunes
Clotilde Giradet
Coelho Netto
Columbano Bordalo Pinheiro
Commie Wilmot
Companhia Argentífera Brasileira
Companhia de Marcenaria Brasileira
Companhia Industrial de Cristais e Vidros
Companhia Marcenaria Brasileira
Corbiniano Villaça
Cordelia de Amorim Lima
Corina Granjo
Correio da Manhã
Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 9 set. 1906, p. 1.

Imagens

O distinto pintor brasileiro Belmiro de Almeida [Imagem]

Um quadro de Belmiro, que figura na Exposição de Belas Artes

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 9 set. 1906, p. 1.

Cosme Peixoto
COSME, Peixoto. O SALÃO DE 1894 I. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 nov. 1894, p. 1.

O nome que vai firmar estas observações críticas sobre a exposição geral de belas-artes inaugurada na escola nacional dos Srs. Bernardelli (Rodolpho) e Amoedo, no 1º de outubro do corrente ano, não é talvez desconhecido dos leitores e da parte do público aplicado ao culto do belo, tal qual oficialmente o entendem na travessa próxima ao tesouro.

Com efeito, vai para quatro anos que no Diario do Commercio publiquei alguns artigos que, não será falta de modéstia recordar, produziram bastante sensação, chamando a postos a elite dos talentosos e complacentes adoradores de certas celebridades convencionais - A bulha que então se fez a respeito de meus escritos versou grandemente sobre quem seria o escritor.

Estando assentado que o círculo dos homens de letras e de artes não devia exceder certos limites, começaram os meus antagonistas a declinar nomes próprios; e absolutamente não se convenceriam de que o meu não era um pseudónimo, se em pessoa não tivesse eu, de acudir para evitar maiores desgostos aos cavalheiros injustamente agredidos.

Mas porque tanto alarido? Porventura eram os meus juízos eivados de malignidade ou perfídia? mentiria quem o dissesse, e ninguém nunca se atreveu a dizê-lo. Se causei impres[…] foi somente pela originalidade de dizer o que todo mundo estava pensando e o que ninguém queria declarar pelo receio de parecer um asno, discordando da crítica compadresca e louvaminheira das folhas amigas. Há, dizem os franceses, alguém com mais espírito de que Voltaire: c'est tout le monde. Era esse o espírito de Cosme Peixoto que, ainda mais viajado e experiente do que é arte e do que são os artistas ai pelo resto do planeta, pede licença para destruir algumas ilusões prejudiciais, ainda que com isso se indignem os fetichistas do oficialismo distribuidor de medalhas, de reputações e de cadeiras lucrativas.

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A escola de Belas-Artes tem o direito de ser julgada severamente. Tratá-la com as bondades que mendigam instituições de outro gênero seria desconhecer a fidalguia de seu nascimento, a elevada posição de seus diretores, as pretensões que abertamente professa e a nobre altivez com que levantou o lábaro da reforma… que digo eu? da revolução em matéria de ensino artístico em nosso país.

Bernardelli (Rodolpho) foi o Benjamin Constant das artes. Despedaçou velhos ídolos; expulsou do seu templo os sectários das antigas ideias, e em torno de si congregou outros sacerdotes a quem incumbiu de purificar os altares e de encetar por novo rito a adoração de novos deuses. Para tamanho desideratum (honra por isto lhe seja!) o governo ou, antes, os governos que se tem sucedido desde 1890 até hoje, nada tem regateado ao restaurador das belas-artes no Brasil. Os antigos vencimentos eram escassos, e Innocencio da Silva fala de um pobre secretário, o padre Sayé, que morreu de fome nas águas furtadas da academia.

Hoje não; os vencimentos estão aumentados, e ali se alguém morrer, antes há-de ser por excesso de locomoção, pelas extensas romarias a terras longínquas, com abandono do magistério e das projetadas restaurações. As despesas com o material acompanham as do pessoal (fácil seria demonstrá-lo pela simples inspeção dos orçamentos) e, assim, nada se havendo recusado ao ilustre diretor e seus amigos, não há dúvida que mais se lhe deve pedir como fruto de terreno tão fartamente adubado.

Por outro lado o sr. Bernadelli é um nome feito. Não se pode escudar com alegações que apenas defenderiam mediocridades. Revolucionário, cumpre-lhe demonstrar que a sua cruzada não foi (e creio que não poderia ser sem deslustre) uma caça de posições e ordenados. Destruidor do academicisme [sic], é preciso mostrar o que pôs em lugar dele. Inaugurador de escola, tem obrigação de não usar de velhos moldes, de exibir novos processos e de realizar, por si ou por seus discípulos, os levantados intuitos trombeteados por seus arautos.

Ora, novidade e processos de fecundas criações no ensino antiacadémico nenhum melhor campo tem para ostentar-se do que as exposições como a última; e eis por que fui estudá-la.

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O catálogo procede por ordem alfabética dos expositores. Não o seguirei em tal disposição. Vamos procurar primeiramente a obra dos mestres, e depois virá a dos discípulos, seguindo-se a do elemento estranho ao moderno ensino oficial.

Sempre respeitoso para com o sr. Bernardelli (Rodolpho), aqui lhe dou o primeiro lugar, e principiarei correndo todos os salões em busca de trabalho seu. Afinal, no fim do 2º salão, encontro a única produção do amável escultor. É o n. 216, que diz desta forma: Retrato, busto em bronze, fundido na Argentífera Brasileira.

É um busto do sr. Leopoldo Miguez, diretor do instituto de Música. Nenhuma outra coisa há do sr. professor de escultura, e, portanto, cumpria-me ver, mirar, remirar cuidadosamente o precioso bronze, tentando apanhar na correção das linhas, no bem modelado, na expressão fisionômica, os segredos da recente escola desbaratadora do academicismo. Pois isso, fiz com a maior atenção, pertinazmente, teimosamente, infatigavelmente, durante cerca de meia hora e, por fim, desanimado, retirei-me convicto de que a nova escola recata suas inovações com tanta ou maior cautela do que a empregada pelos sacerdotes egípcios para ocultarem do vulgo os mistérios da ciência hierática.

O retrato-busto, é, ninguém o ignora, um gênero inferior na escultura, como o quadro-retrato o é na pintura; mas a superioridade do artista é por vezes tal que levanta o gênero e o põe de par com os mais elevados. Um retrato por Van Dyck (queira perdoar-me a escola nova) vale, a meu ver, muito mais, muitíssimo mais que toda a galeria histórica do sr. Amoedo; e por um busto de Pradier não duvidara eu trocar a enorme Faceira. Mas para que um retrato (busto ou tela) haja merecimento que desse modo o exalte, parece-me que deve ser mais do que a mera imitação de um modelo. Se assim fora, a fotografia daria quinaus na pintura, e a máscara tirada sobre o cadáver desbancaria os mestres escultores.

Ora, o sr. Bernardelli (R.) nada mais fez do que copiar as feições do sr. Miguez, sem as iluminar com um reflexo sequer do gênio, que, qual fogo escondido em lâmpada alabastrina, sempre transparece no semblante do verdadeiro artista.

Dir-me-á o sr. Bernardelli que não tem culpa de não ser um gênio o sr. Miguez; e eu de boa vontade lho concedo; mas, amigo do ilustre maestro, o preclaro escultor deveria surpreendê-lo num dos seus momentos felizes, quando, verbi gratia, estivesse a compor outro hino para o sr. Prudente de Moraes, e não em um daqueles momentos de apatia e de insignificância fisionômica nos quais o próprio Verdi correria o perigo de confundir-se com o engraxate ali da esquina.

Pois então serve o bronze para perpetuar esses instantes de bestificação a que estão sujeitos todos os mortais, e até mesmo os diretores de instituto?

Demais, o sr. Miguez tem um defeito de conformação no nariz. Possui-o torto, o que aliás só poderia chegar à posteridade por via da tradição, pois nunca de tal se escreveu. E vem o sr. Bernardelli e cópia, exagerando, a tortuosidade nasal do seu confrade!

Do nariz opinou um antigo que era o honestamentum faciei. Ele mudaria de parecer vendo o busto do sr. Miguez pelo sr. Bernardelli. Essas tortuosidades na carne são defeitos a que logo acham atenuantes o lume dos olhos, a doçura do sorriso e a inflexão da voz, onde também se pinta a alma, buscando o caminho de outra alma e captando-a pelo misterioso influxo da simpatia. No bronze, não.

Aquilo é rígido, mudo, verde-negro e frio. A tortuosidade nasal do sr. Miguez não impede que ele seja um distintíssimo cavalheiro, disfarçado o defeito por outros dotes físicos: no busto é simplesmente horrível. O sr. Bernardelli prestou ao seu amigo (dos meus amigos livre-me Deus!) o maior desserviço que lhe pudera fazer: impotente para traduzir no bronze a vida fisionômica do mísero retrato, perpetuou no rígido metal a deformidade que o afeia. Ora dá-se.

"Para a maior parte dos escultores - escreveu Maxime du Camp - a humanidade só é um pretexto para a pose imitada dos antigos.

Vendo um homem, não perguntam se tem coração, se tem sofrido, se tem amado, se acaso traz no semblante os vestígios de alguma profunda paixão que se possa estudar para dar a uma obra mais alto pensamento. Não; eles só perguntam se o modelo tem músculos, e regozijam-se vendo a beleza dos bíceps e dos sterne-cleido-mastoidesses [sic]?"

Com estas palavras verberava o crítico francês os academicistas de sua terra; o que diria ele do inovador que, descurando igualmente a expressão moral de um retratado, somente trouxesse como elemento de novidade a reprodução servil de um aleijão?

O sr. Bernardelli, no íntimo da consciência, há de convir em que estou dizendo verdades. O ilustre revolucionário deve conhecer os bustos em que Francia, Caffieri, Houdon, Foucon, fizeram viver com a vida de inteligência e de paixão os semblantes de Gluck, Piron, dos dois Corneilles, de Voltaire, de Molière e de Reguard. Pois bem! evoque as reminiscências dessas obras-primas do gênero e bata no peito diante do nariz torto de bronze.

Outra obra do estatuário reformador: o busto de Benjamim Constant que se acha à entrada da escola. Este não faz parte da exposição, mas para mim foi novidade, porque tudo o é no que se passou depois de 1890.

Nesse trabalho, medíocre de execução, e igualmente impossível como expressão de fisionomia, há uma esquisitice digna de nota e que bem demonstra a falsa orientação do sr. Bernardelli: o busto tem, a cavalete sobre o nariz, um pince-nez sem vidros!

Dificilmente se compreende a aberração de querer reproduzir no metal o apendiculo ótico do modelo. Não conheço estátua ou busto algum com óculos. Se o amor da cópia é irresistível no sr. Bernardelli deveria mandar pôr uns vidros no pince-nez do fundador da República. Se o bronze a tudo se presta, esses vidros deveriam ser de bronze. Mas, se entre o perigo da arte pôr aos olhos de um modelo um par de coisas opacas e o inconveniente de suprimir o pince-nez real é possível que ainda se excogite um meio qualquer, este não é, não pode ser, o pôr um filósofo a olhar eternamente através de uns aros sem vidro.

O busto sem pince-nez seria talvez menos real, concordo; mas, assim como se acha esta reclamando a intervenção do Herm[…] Pazos para completar na sua oficina o pince-nez deteriorado pelo semirrealismo do sr. Bernardelli.

Imaginamos que um dos retratos em busto pelo sr. Bernardelli tem uma verruga na face. Reproduzi-la-ia o caro mestre? E se na verruga houvesse pelos, como não é raro nos grains de beauté! Certamente não houvera meio de representá-los. Mas então provado fica que em toda arte há uma divisa que sem ridículo não se pode transpor tentando copiar a natureza. Por que então não parar a tempo? Para que fazer a verruga se não é possível reproduzir os pelos? Para que os aros da luneta se é irrisório dar-lhe vidros de bronze?

E quando enormidades como estas vão passando sem reparo nem exprobração, sente-se a necessidade de que um homem, como eu, fraco, ignorante, mas sincero, apareça para protestar em nome da arte ofendida pelo seu mais elevado representante no ensino oficial brasileiro.

Falsa orientação - escrevi há pouco, e tinha razão. Não existe orientação mais falsa que a do artista que desconhece o fim e os meios da sua arte. Com que admirável e concisa lucidez não o soube expor Mme. De Stael, na sua imortal Corinna [sic], e quanto não lucraria em retê-la o desorientado restaurador das belas-artes no Brasil!

Quer que lhe poupemos o trabalho de procurar? "Ela (Corinna) estava convencida de que a invasão de uma arte pelos domínios de outra a ambas prejudicava mutuamente… As artes são limitadas em seus meios, posto que sem limites nos seus efeitos… O gênio não procura combater o que está na essência das coisas; sua superioridade consiste, ao contrário, em adivinhá-la."

Se disto se lembrasse o egregio mestre, logo reconhecera que a estatuaria não vai até aos pince-nez dos heróis, e não se poria na dura contingência de optar entre uns óculos de bronze ou uns aros sem vidro.

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Isto já vai longo e aqui seria deitado o ponto final se não fosse um dito do porteiro ou guarda da escola aos visitantes que se retiram:

- Se quer ver o grupo do Sr. diretor, está nesta sala aqui debaixo.

Um grupo! Do sr. Bernardelli! Precipitei-me, ardendo por uma compensação dos desastres que tinham sofrido as minhas esperanças.

Era o Cristo e a adúltera, de que largamente me ocupei em 1890.

Mas - conta singular! - reavivada a memória pelo novo exame, pareceu-me ter visto aquilo desenhado algures. Chego a casa e verifico onde foi: no Catalogue ilustré de peinture et sculpture, Salon de 1894, Ludovie Baschet, éditeur.

Ali, à página 278, está representado exatissimamente o grupo em questão, sob o título La femme adultére.

Foi trabalho exposto na secção de escultura por um conceituado artista, o Sr. L. Berhstam [sic].

Para poupar ao leitor o trabalho de procurar o livro, eu o deixo em mãos de um dos honrados redatores desta folha, a fim de que o exponha à curiosidade pública.

Assim ficará reconhecida a identidade dos dois trabalhos: e forçoso será escolher uma das três hipóteses:

Ou que o artista A copiou B;

Ou que B copiou A;

Ou, finalmente, que ambos copiaram de terceiro.

Com esta publicação favoreço o Sr. Bernardelli, para que proteste contra o plágio do estrangeiro, cuja obra aparece anos depois da sua.

Veremos o que o outro responde, e justiça será feita a quem de direito.

Mera coincidência é que não pode ser; a atitude irritada do Cristo, a manga do seu vestido, a posição pelotonnée da adúltera - tudo é igual no trabalho do Sr. Berhstam [sic] e no do Sr. Bernardelli.

Proteste o sr. diretor da escola, e conte comigo para defendê-lo, se tiver razão. Defendamos aquele grupo. Foi o primeiro e, por ora, o último do fecundo mestre.

Cosme Peixoto.

Oficial honorário

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Digitalização de Fundação Biblioteca Nacional Acessível em: http://memoria.bn.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

COSME, Peixoto. O SALÃO DE 1894 I. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17 nov. 1894, p. 1.

COSME, Peixoto. O SALÃO DE 1894 II. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 nov. 1894, p. 1.

Vinha a pelo, uma vez que comecei ocupando-me com o sr. Bernardelli (Rodolpho), tratar já da estátua equestre do glorioso general Osorio; mas, para não mentir ao título destes artigos, reservarei para mais tarde a análise que requer esse monumento. Por ora continuarei no estudo da última exposição.

O segundo mestre da Escola oficial, o substituto do diretor, por ele designado e, por conseguinte, reputado o mais apto para traçar à juventude novas sendas nas jornadas da arte, é o sr. Amoedo, também Rodolpho, e também infelizmente pouco operoso no pôr em prática as doutrinas salvadoras da sua grei.

Bernardelli apresentou um busto, o do nariz deformado; e Amoedo dois quadros, um a óleo (n.14, Cabeça de oriental), sendo o outro um pastel n. 13. Retrato da exma. sra. A. A.

O pastel é o melhor.

Esta espécie de desenho, depois de haver feito furor no século passado, parece ultimamente apenas destinado a estudos preparatórios.

Seja como for, nele, como em toda e qualquer especialidade, bem se pode manifestar a superioridade do artista.

Os pastéis de Rosalba e Natier, no século último, e os de Courrens, Giraud e Riesener entre os contemporâneos comprovam a verdade da asserção precedente. Por isso não acusamos o sr. Amoedo do ter feito um pastel; mas simplesmente de havê-lo feito segundo as regras do velho Cozinheiro Moderno.

É um retrato, e nele, à primeira vista, se reconhece as feições da exma. esposa do artista, muito bem apanhadas de perfil; porém faltaríamos à verdade se disséssemos que ali se nota a revelação de qualquer dessas ousadias que distinguem os chefes de escola, ou mesmo os simples cabeças de revolta de atelier. O sr. Amoedo pacifica e largamente desenhou seu pastel tal, como em 1688 o desenharia Mademoiselle Heid, que foi a inventora do gênero, e milhões de vezes depois o fizeram inúmeros artistas, antes que as belas-artes fossem salvas pelos senhores da Escola Nacional. Nem mesmo declinou do truc antiquíssimo de um fundo acidental para realce de certa parte da figura. Ali há um chapéu de flores alvas que devem tudo a uma nódoa vermelha do fundo.

A Cabeça de Oriental foi pintada a óleo. É a mesma do retrato, mas não já de perfil, e embrulhada num véu branco que lhe vai até à boca. Simples estudo como os que povoam os ateliers de todos os principiantes. Onde, pois a revolta, a revolução, de que se fez subchefe o honrado vice-diretor?!

- Mas é uma ideia fixa, observarão, talvez, os entusiásticos defensores da Escola.

- Não, repondo-lhes eu, não é uma ideia fixa, mas uma exigência que se impõe pela mesma natureza e lógica dos fatos. Que direis, vós outros, do finado Manuel Deodoro, se, depois da manhã de 15 de novembro, tivesse reunido seus oficiais e os houvesse convidado para… um beija-mão no paço? Pois outra coisa não é o papel inglório que estão desempenhando os srs. Bernardelli, Amoedo e seus ilustres companheiros: fizeram a sua revolta, declararam deposto o academicismo e agora, todos os dias, humilhados lhe beijam a destra, pois tanto vale imitar-lhe os processos e reproduzir-lhe as criações.

Um retrato-pastel e uma cabeça de estudo - e dito fica todo o trabalho colossal do sr. subchefe da revolução artística. Não vos parece, leitores amigos, que a este sr. tenente e ao seu digno capitão admiravelmente se adapta o velho conto da montanha que pariu… um busto, um estudo de cabeça e um pastel?

Seriamente, e é preciso repeti-lo até a saciedade, quando do Rio me apartei em 1890, desgostoso pelas invetivas que O Paiz dirigia à guarda nacional, sempre acreditei que melhor se fosse empregar o tempo. Mas em belas-artes nada vejo senão as conferências do sr. Parlagreco, com quem tenho umas pontinhas de conversa, que hão de sabir a seu tempo. No mais, nada! A tal nova diretriz dada ao ensino oficial é a mais famosa farse [?] de que tenho notícia. […] com ela quem quiser; irrite-se muito embora a chusma dos engrossadores, que, para acertarem a mão, engrossam até os artistas, deteriorando-lhes o senso estético e o moral. Por minha parte, bem alto, com o reforço da opinião pública sensata, clamo que nenhum dos dois Rodolphos diretores tem demonstrado a razão de ser das suas antigas ferocidades e a superioridade de suas obras em relação às dos mestres brasileiros.

Sim, mestres brasileiros, os quase expulsos da Escola Nacional pelos vencedores do academicismo: Pedro Américo, o fogoso filho do norte, que pintava batalhas epopeias; Victor Meirelles, seu brilhante êmulo, artista, posto que se fez filósofo e, compreendendo que o mundo da arte se tinha feito uma feira, encerrou-se numa rotunda e ali vive a trabalhar silencioso e retirado; Bethencourt da Silva, o benemérito do Liceu, a quem devemos não poucos dos belos edifícios que possuímos; Medeiros, um trabalhador inteligente e modesto que com o Bernardelli (Rodolpho) compartiu o pão duro da adversidade, estudantes ambos eles, e a quem o atual diretor, atingindo ao zénite da prosperidade, privou da cadeira vitalícia e desterrou para uma escola primária.

Estes os banidos. Que fizeram? Umas coisas que ao Ramalho Ortigão levaram a dizer que em matéria de pintura não ficava o Brasil aquém de Portugal, e talvez de outras nações europeias - Ramalho Ortigão que de um retrato do velho Motta assegurava que o tomaria por um Velasquez. E os novos, depois de muitos anos de sarcasmos e de quatro de onipotência? Os novos fazem bustos aleijões e pastelinhos de família.

Assim otimamente andou o sr. Amoedo quando, no catálogo, se apajou de haver sido discípulo de Victor e de Pedro Americo, e só declara que o foi de Alexandre Cabanel e de P. Chavanes. Bem quisera eu que Cabanel tivesse visto o retrato do sr. Días Braga pelo mesmo sr. Amoedo! E que a P. Chavanes fosse mostrado o grupinho de crianças da família Araujo! Ilustres mestres franceses, em nada vos aproveita a declaração do catálogo. Ele só faz bem aos mestres brasileiros.

Outro professor é o sr. Bernardelli (Henrique( [sic] Diz-se que em viagem os jesuítas só podem andar aos pares: os srs. Bernardelli andam aos três. Além do sr. Rodolpho e do sr. Henrique ainda há um sr. Felix [Felix Bernardelli], de quem logo falarei. Do sr. Henrique há na exposição quatro telas e uma aquarela.

A Feiticeira (n. 38) é um retrato de garrida tafulona. No modo de olhar e na provocante e estudada pose sente-se a profissional do culto de Citera. Flutua pelo ar um vago perfume de véloutine, e o espectador insensivelmente pergunta se está no boudoir das muitas Mademoiselles X. que se espanejam nos jardins dos teatrinhos frescos… Não me posso explicar mais porque estas linhas podem cair sob os olhos dos guardas nacionais do meu chefe dr. Fernando Mendes; mas, enfim, sempre ainda quero perguntar porque é que aquilo se chama Feiticeira? Onde a feitiçaria de beleza tão vulgar? Triste fascinação a que em poucas horas se desmancha no Stadt Munchen!.

Este quadro é cópia evidente de uma fotografia - o que atualmente constitui o grande escolho dos retratistas e a razão por que há tão poucos retratos.

"Quase todos os pintores contemporâneos, observa judiciosamente Eugène Véron na sua mui conhecida Estética, substituem a realidade fotográfica à realidade pictural, e são desenhadores incompletos." Entre nós o defeito chegou ao cúmulo. Há muito tempo que não vemos um retrato, pois que tal nome não damos às fotografias amplificadas e coloridas a óleo.

Um dos inconvenientes deste sistema servil de cópia é a repetição de certas atitudes que cheiram e tresandam a atelier de fotógrafo. A Feiticeira repete uma dessas poses. Tenho um retrato da sogra do meu major exatamente na mesma posição, e só com a diferença de que ela é senhora séria e não tem fumaças de feiticeira.

Em segundo lugar, por uma irresistível tendência de copista, o contorno da figura faz-se mais seco do que deve ser para o necessário relevo. Provem isto de que para todo retratista (falar com um é falar com todos) o retrato-fotografia é a própria natureza que ali está viva, diante dele, e que convém imitar o mais fielmente possível para alcançar um máximo de verdade. Pois, senhores, isto é um erro que ouvi demonstrar-se à sociedade, em Londres, numas conferências, talvez menos [...] que as do [...] sr. Parlagreco, porém evidentemente muito mais práticas e proveitosas para artistas. Com efeito, a fotografia só com o auxílio do estereoscópio, e para isto usando de duas imagens apanhadas sob dois ângulos diversos, só assim, repito, é que ela pode dar a sensação do relevo. A imagem tomada com um só objetivo [sic] apresenta o corpo quase sem espessura. E vai o pobre retratista e… zás! copia aquilo exatamente. Quanta bota ali pela sapataria do Moncada não deve sua origem ao fato de não haver quem lhe diga isto cientificamente: e não mal e às carreiras, como agora o faz um simples oficial honorário!

Demais, pela fotografia nunca se obterá em retrato de movimento, mas apenas uma posição estacada. Os antigos (perdoem-me o pedantismo) eram uns retratistas dinâmicos: davam o gesto. Os copistas de fotografias são eminentemente estáticos: dão a atitude parada, imobilizada, petrificada, tal qual a surpreendeu a máquina do fotógrafo.

Não contesto que da fotografia se tiram grande vantagens [sic]; por exemplo: a reprodução trompe-l'oeil das rendas, da palhinha de cadeira etc. Deste gênero de dificuldades muitas foram habilmente vencidas na Feiticeira. Exatamente quando eu a contemplava, estavam junto de mim duas mocinhas que se mostravam seduzidas pelo formoso leque da pecadora. Mas, por honra da arte, quer me parecer que um pintor de talento deve aspirar a alguma coisa mais do que nos elogios de sinhá Chiquinha sobre o bem feito do leque do retrato.

Lembra-nos bem que na exposição universal de Viena, em 1873, onde estive com o sr. dr. Ramiz Galvão e o dr. França Junior, de saudosa memória, figurou um retrato assinado por Carolus Duran, e já então a crítica assinalava a decadência do retrato moderno.

"Que importa - escreveu então França Junior - que tons de seda do vestido da sra. … sejam admiráveis de verdade, se a sua fisionomia nada exprime? Todos os acessórios que a cercam parecem antes o resultado da bruta fidelidade de uma máquina fotográfica que o fruto consciencioso de um pincel inteligente e inspirado."

Aplique-se a lição, que eu não ouso fazê-lo e não me atrevo a tanto, porque o quadro da Feiticeira tem apenas à moldura [...] honorífica, anunciando que os juízes em Chicago acharam aquilo esplêndido.

Isto de quadros que se exibem já premiados, é uma grande massada para os espíritos ordeiros, como este meu. Fica um homem [...], e sem se atrever a criticá-los. São como os oficiais honorários, meus companheiros de armas, que só passeiam fardados. Se algum deles não fosse um bravo, não haveria meio de pensá-lo alto. O prestígio impede o livre exame. E, por outro lado, duvidar do critério e do bom gosto de Uncle Sam em matéria de arte seria quase atentar contra a doutrina da Monroe. Por tal razão não prossigo com a Feiticeira, e somente ainda me arrisco à questão do título… chamar-lhe o Pancadão e fiquemos de acordo.

Da História Eterna (n. 49) já caçoou a própria Gazeta, onde estão o sr. Parlagreco (professor da Escola Nacional contratado pelo sr. Bernardelli) e um talentoso fabricante no mesmo bairro (o sr. Belmiro). A eternidade da história resume-se nisto: um rendez-vous amoroso em que os pombinhos se arrufam. O rapaz, assaz mal-educado, vira costas à dama de seus pensamentos e pela posição em que se acha, parece satisfazer certa necessidade vulgar, eliminando do organismo líquidos nocivos…

Creio que está claro e, se não, consultem o desenho da Gazeta. Ora, na realidade isso devia ter-se feito desde o princípio do mundo, depois que o primeiro homem bebeu água, mas, a bem da poesia edénica, melhor seria supor que ele não o fez a três passos da formosíssima companheira… Quanto ao cenário de tal vulgaridade, difícil é imaginar mais coisa chata e insignificante.

Enorme, a Volta do trabalho, (n. 53) Enorrrme, com três rrr, como dizia o Paula Ney, transformado em almoxarife, ou coisa que o valha, pelo destino que, cansado de por asas a muitas lesmas, num belo dia se lembrou de arranjar uma casca de caramujo para aquela borboleta. Enorme, mas só enorme.

É um campo verde, todo verde, bastamente verde como o pano de um bilhar; e, no meio dele, quatro figurinhas de biscuit: três bonequinhos fingindo gente e um cachorrinho de mentira.

A […] desta composição provavelmente foi sugerida pelo Angelus de Millet. Mas que diferença!

Eu estava em Paris, quando em 1889 ali se vendem esse belo quadro da coleção Secrétan, em junho ou julho, se me não falha a memória. A obra-prima de Millet foi então ali vendida por 553.000 francos, afora outras despesas que orçaram por cerca de 27.000 francos. Travou-se luta titânica entre um agente da American Art Association e um sr. Proust, comissionado por certo grupo de amadores franceses. O francês ganhou, e, testemunha desse duelo que fez época, largamente me fartei de contemplar a famosa tela.

Ela representa grande planície. No primeiro plano, um campo, onde se acham um jovem campônio e a sua companheira, que ouvindo o toque de Ave Maria, interromperam o trabalho e oram de pé, no mais piedoso recolhimento. O rapaz está descoberto e segura o chapéu. A moça põe as mãos e sobre elas inclina o rosto. Destacam se ambas aquelas cabeças, cem o mais vigoroso contraste, no fundo luminoso do céu. Uma luz quente e dourada, a do sol no poente, banha os confins do horizonte e a planície que se estende a perder de vista. Ao longe a projetar-se no céu brilhante do ocaso, o campanário de uma igrejinha longínqua.

Que belas figura e que admirável sentimento religioso! Não sei se este quadro é o mais belo da escola moderna, como já li escrito não sei onde, mas com certeza é um dos mais bem sentidos poemas que tenha cantado o pincel de um artista. O nosso pobre Bernardelli não deu para tanto. Os seus bonequinhos voltam do trabalho como depois de uma sessão os deputados que nunca falam: insignificantes e nulos. A paisagem, que também tem alma para os que sabem compreendê-la, mantem-se no mesmo silêncio estupidamente casmurro. E, de par com tudo isto, enorme e implacável, um verde que de tão desengraçado até parece debicativo [sic].

- Mestre, dirão ao sr. Henrique os seus discípulos (se é que os tem além do sr. Fiusa acusado no catálogo, e se é honrado professor de pintura não faz como o outro Bernardelli, o Rodolpho, que para reformar o ensino da escultura não tem alunos desde a famosa reforma) mestre, que lição devemos colher da tua Volta do trabalho?

Aquilo, meus filhos, é uma página transcendental dos novos processos antiacadémicos… Alguma coisa assim como a famosa Influência do azul sobre as artes de um pinta-monos da Vie de Bohême de Henri Murger… O nosso professor de estética há de explicar-lhes isso por miúdo a propósito de antiguidades assírias.

Que mais, a respeito do sr. Bernardelli (Henrique)? Ah! ainda uma aquarela: o n. 51, À saúde da bela!

Devia chamar-se o Caiador ou o Convidado de pedra. É um pobre diabo todo sujo de cal, de gesso, de alvaiade e de outras coisas brancas. Levanta o corpo e parece brindar, o título explica que à namorada, e um cicerone amável ensinou-me que o tipo é do soldado da idade média… Hum! não me consta que na idade média se […] os soldados como hoje se faz aos [...].

E por hoje basta. Ainda há outros professores - mas não desejo tornar-me [...] Au revoir!

Cosme Peixoto

Oficial honorário

P. S. No Paiz de 18 do corrente um senhor que se assina A. A. diz que eu me […] por trás do meu nome para fazer injustiças ao sr. Bernardelli. É singular isto de homem não se assinar por inteiro e dar como pseudônimo o nome de outros! Eu poderia retaliar pedindo-lhe que se desagachasse , mas não quero questões zangadas.

Conquanto militar (honorário), sou extremamente pacífico.

Assim apenas direi ao Sr. A. A. que, quando se respeita a individualidade e somente se ataca o artista nas suas produções, é falta de gosto chamar o debate para o terreno pessoal.

Em um trecho final o Sr. A. A. revela-se gastônomo, procurando demonstrar a excelência de um escultor pelo fato de lhe terem oferecido um banquete. Quid inde? O mastigar nada prova em estética. Confundir Gangântua com Fídias não é digno de tão erudito escritor. Eu apresento razões: julgo, comparo, discuto.

O sr. A. A. tem apenas suas belas frases, e o suculento menu. Julgue-nos os leitores de ambos

Cosme Peixoto.

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Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

COSME, Peixoto. O SALÃO DE 1894 II. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 nov. 1894, p. 1.

COSME, Peixoto. O SALÃO DE 1894 III. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 26 nov. 1894, p. 1.

O que se vai ler não é a continuação da crítica das obras d'arte expostas no Salão; é, num entre parêntesis, que procurarei limitar o mais possível a contestação exigida pelo artigo de Marial, na Gazeta de Noticias de 23 do corrente.

Já o disse em carta dirigia à redação desta folha: congratulo-me comigo mesmo por ter fornecido ensejo ao defensor do sr. Bernardelli [Rodolpho Bernardelli] para escrever qualquer coisa sobre o seu ídolo; e, como remuneração deste pequeno serviço, apenas quero que o leitor, com alguma paciência, me acompanhe nas observações prévias que vou fazer a respeito de Marial.

Notemos em primeiro lugar que ele é homem linfático, e em sumo grau. Viu o artista de sua predileção, o seu Canova, o seu Fídias, subir ao pináculo da glória, realizar a mais sublime concepção da estatuária moderna, atingir ao zênite no firmamento da arte nacional - e não se mexeu nem sequer para saudá-lo com um daqueles artiguetes que são a papa mais fina dos leitores da Gazeta. "Faltava-lhe oportunidade"- diz Marial friamente.

Que fleuma! Que linfatismo!

Depois, num belo dia, aparece o meu pobre folhetim; e Marial, molia! O meu artigo apareceu no dia 17; e apenas seis dias depois é que Marial sai a campo, e assim já meio fatigado, como quem dá um recado de encomendar, sem convicção na causa que defende, limitando-se a dar como provado o ponto em discussão, e invocando falsos argumentos ad hominem para terminar o debate…

Que deduzir de tudo isso, leitor sagacíssimo? Sem dúvida já o adivinhaste. Marial somente deu de si aquilo muito constrangido e para satisfazer ao amigo. Parece-me que os estou ouvindo:

- Ó Marial, então não há quem me defenda? Fica sem resposta o canalha do Cosme?

[…], o melhor é não fazer […] aquele debaixo da barriga da estátua, de que falava o Lulú Senior no folhetim da Noticia de 10 de novembro? (*)

- Almoços não hão de faltar, com a graça do orçamento, aos bons amigos, compadres e críticos imparciais; mas não se trata disto; é preciso bater o Cosme.

- Melhor seria entregá-lo ao desprezo, ou pedir ao público que suspenda o juízo; mas, enfim, se fazes gosto, sempre mandarei ao Parlagrecco que diga qualquer coisa. Ele é tão cientista!

- Não; deves ser tu mesmo, com a tua verve inimitável, o teu estilo diamantino, o teu apetite… diabo! O teu talento inexcedível.

- Está dito: hoje é 19… Em quatro dias fica pronto.

- E que seja de escacha; sim?

- Não tem dúvida; quando eu pego, é deveras. O Cosme está desmoralizado.

- E não te esqueças de dizer que é por inveja.

- Não; direi primeiro que foi por despeito. O mais forte fica para o fim.

E ora ali está como se explica a argumentação mole do notável escritor. Não é de fundo o seu artigo, mas literalmente a pedido. Não se vê ali a vitória da convicção servida pelo amor de uma causa: é simplesmente uma por conta, ao escapar e para satisfazer indiscreta rogativa.

***

Marial labuta em grave engano quando me atribui despeito. Despeito por quê? Acredita que, ainda quando fosse eu amigo de algum dos antigos mestres da Academia, haja entre estes quem se repute infeliz por ter deixado a cruz do ensino artístico, entendido como eles o entendiam, com labor assíduo e fatigante, porque então ainda não se tinha inventado o modo de ensinar e dirigir Chicago uma escola e uma aula no Rio de Janeiro? Não; os velhos mestres da antiga Academia devem estar satisfeitos com o que fizeram no seu pardieiro (como delicadamente diz Marial) e decerto não desejam voltar a ele.

Pedro Americo (um dos do pardieiro) pode morrer sossegado, na certeza de que por ele ficam falando a Batalha de Avahy e a de Campo Grande, cuja contemplação recomendo aos escultores que não saibam fazer cavalos; Victor Meirelles, com a sua Primeira Missa, os seus Guararapes e o seu Riachuelo desafia o confronto das botas geniais do Bernardelli (Henrique) e das pastelarias do Amoedo, seus ingratos e degenerados discípulos; Chaves Pinheiro, se vivo fosse, poderia responder a Marial que, quando o Vasques pediu ao Bernardelli (Rodolpho) uma estátua para eternizar no bronze a memória de João Caetano, o brilhantíssimo estatuário nada julgou melhor do que tirar do pardieiro a obra do mestre, a qual hoje figura em frente da escola Nacional; e Bettencourt da Silva limitar-se-ia a apontar silencioso todos os edifícios em que imprimiu cunho arquitetônico cujos encômios fácil seria desentranhar das coleções da Gazeta, sendo talvez produtos da mesma pena de Marial.

Mas não enveredemos por ai, que seria inútil. Eu não defendo a antiga Academia, que, como todas as instituições trucidadas, aguarda, na imobilidade da morte, um julgamento mais sereno que o dos contemporâneos… Eu pergunto o que se pôs em lugar da assassinada. Olho, e só vejo aleijões artísticos ou produtos insignificantes e nulos. Em torno diviso meia dúzia de jornalistas, comensais e compadres dos artistas madraços e vaidosos, a rufar desesperadamente no Zé Pereira do engrossamento.

Protesto, e estou no meio [sic] direito. Não entro na vida íntima, não injurio os homens. Demonstro os erros, aponto os ridículos, evidencio o grotesco das reputações colossais e das obras liliputianas. É natural que isto incomode; paciência! Marial que se resigne a ler-me, e, no fim, o seu bom senso, algum tanto lerdo e bonacheirão, talvez o induza a reconhecer que eu digo muitas verdades.

***

Limpa a minha testada, como defensor da antiga Academia, vamos a outro argumento ad hominem, que Marial empregou na sua triste missão de chamar a questão para o terreno pessoal.

O meu ilustre contendor, não se sabe a propósito de que, veio falar em monarquia e República. Isto, no tempo da revolta, seria horrível, e obrigar-me-ia, como suspeito, a calar o bico. Mas agora ouso esperar que não me será [...] discutir os bustos e retratos dos artistas da escola Nacional. O processo de Marial, que, sem ofensa do honrado contendor, peço licença para chamar o processo polícia secreta, além de iníquo, é ineficaz.

Se apenas os bons republicanos podem ter a palavra neste país, eu declaro que sou republicano pré-histórico, havendo feito as minhas primeiras armas com os srs. Salvador de Mendonça e outros incorruptíveis. Estou disposto, com Marial e o resto do mundo, a dar vivas ao sr. Presidente de Moraes, ao sr. Floriano, ao Manuel Deodoro, ao Silva Jardim e a todos os defuntos imortais. Quer que nesta questão de arte eu dê arrhas [sic] do meu espírito subordinado? Pois aqui faço público que sou oficial honorário, e por sinal que a minha patente deve estar nas mãos do sr. Seabra desta folha, a quem pedi que me a tirasse em pele de revoltoso.

Demais, se o ter sido monarquista é motivo para excomunhão maior, ninguém mais excomungado que o sr. Rodolpho Bernardelli. Ele ia, duas vezes por semana, ao palácio de Petrópolis. Ninguém mais cortejador e mesureiro. Trazia sempre na botoeira do casaco as insígnias das ordens de que era comendador; até parece que dormia com elas. Quando rompeu a revolução, era ele o ai, Jesus! o mimo do paço Izabel, e a - princesa imperial, por sugestão dele, foi até ao ponto de erroneamente desprezar um parecer do conselho de Estado, e de anular um concurso legalmente feito na Academia. É em verdade singular que Marial ande tão mal informado dos sucessos, e queira hoje transformar em corifeu de revoltas contra o monarquismo o submisso cortesão que solicito se acolhia à sombra dos principais, e cujo dócil temperamento forneceria - aos Tarquinios grilhões, punhais aos Brutos.

Assim, meu caro Marial, deixemo-nos dessas histórias de imperador e de monarquias. Somos todos republicanos, a da melhor água. O que está em questão é o […] do Salão último e a incompetência dos mestres (aliás quase todos estrangeiros) da francesa escola Nacional. O mais é conversa fiada. Avocat au salon

Se o ilustre contendor deseja nova demonstração de que nada tenho de infenso às reformas, quando sensatamente feitas, eu lhe a vou fornecer já, dando a minha opinião sobre o instituto nacional de Música, que foi reformado juntamente com a Academia. Ali, salva a exclusão ilegal do sr. Cavallier (e talvez de algum outro que não me ocorre), conservaram-se os bons elementos e sensivelmente tudo melhorou com a aquisição de outros. O Instituto, largamente dotado, criou novas forças, a fez o que, por […] de recursos, não podia efetuar o velho Conservatório. Miguez, tipo do diretor laborioso e sério, não abandona um só dia o seu estabelecimento; dirige, aconselha, admoesta, corrige, […] Ali, o número de alunos cresce espantosamente, e, em concertos públicos repetidos, dão mostras de aproveitamento notável. Aquilo progride - é inegável, e tenho prazer em dizê-lo.

Mas a pobre escola Nacional! Como ainda não houve um só candidato à matrícula que prestasse os exames absurdamente exigidos como preparatórios, as aulas ficaram abandonadas. O pardieiro, frequentado pelos mendigos, sublimes que ainda por ora constituem toda a nossa glória artística, – por esses mendigos, repito, e pela mocidade que afluía a ouvi-los, o pardieiro transformou-se em….deserto. Bernardelli tinha um só aluno de escultura, Heitor Berna, moço das mais fundadas esperanças, e quase que correu com ele, arredando futuro competidor. A coisa chegou a tal ponto que, para fingir-se que havia alunos, declarou-se que (contra as exigências do regulamento) seriam admitidos os alunos do Liceu de Artes e Ofícios, para cuja matrícula não se exige preparatório algum! Mais ainda: determinou-se que às aulas da escola Nacional viessem formados os aprendizes da casa da Moeda! Era preciso, a todo transe, e por meio destas e de outras prestidigitações, ocultar ao público e descalabro resultante da famosa reforma.

Marial (que eu nem suspeito quem seja, nem quero saber, neste debate impessoal, em que os censurados não são os homens, mas os funcionários desidiosos e os artistas falsamente vaidosos) Marial deve ser um homem de bem. Se o é, compenetre-se de que fez triste papel defendendo o mal e autorizando o procrastinação de um estado de coisas que é a perversão do ensino artístico em seu país.

A doutrina do amável escritor da Gazeta, no tocante […] dos diretores de escolas, atinge às raias do burlesco; nem me pesa usar deste epíteto, uma vez que o colega tantas vezes empregou o vocábulo tolice, com relação a juízos de outrem.

O teorema de Marial pode assim formular-se: "Para bem dirigir uma escola não é preciso estar perto dela, e, quanto mais longe está o diretor (três mil léguas, por exemplo), tanto mais beneficiará a sua ação sobre o instituto dirigido".

A lei newtoniana nos ensina que a atração decresce na razão inversa do quadrado das distâncias; mas, pelo teorema de Marial, vejo que a atração moral do sr. Bernardelli segue o princípio diametralmente oposto. […] é preciso levá-lo ao pólo norte, ou aos antípodas, para que a Escola progrida, como se deseja… Ora o Marial!

Mais ainda: Bernardelli (Rodolpho) não é só diretor, - é também professor de escultura. Também lá de Chicago dirigia melhor a sua aula? Não tem alunos, responderá Marial… Perfeitamente, e eis que definiu o seu ídolo: é um manipanso que dirige, por milagre, a três mil léguas de distância, e um professor aureolado que não tem e não quer ter discípulos.

***

O meu distinto contraditor não aprendeu, ou já esqueceu a sua lógica. O seu sistema de argumentar consiste em dar por provado o que resta provar. Postos de lado os argumentos ad hominem, que não são dignos de tão culto espírito, os outros resumem-se nisto: "Ousais apontar erros e defeitos na obra deste escultor? Mas ele é brilhantíssimo, e ninguém lhe pode empanar a glória."

Mas, meu ilustre adversário, eu não quero empanar coisa alguma; e, quando afirmo que uma obra de arte é má, logo me dou ao trabalho de apontar o que me pareceu errado, apoiando-me em alheios pareceres, quando de apoio julgo necessitada a minha opinião.

Com argumentação análoga à de Marial demonstrar-se-ia, verbi gratia, que o sr. Nunes, honrado artista capilar, é o maior e o mais fecundo dos dramaturgos: "Oh! não[sic] lhe empaneis a glória, que ele tem de ir à posteridade! etc., etc."

Quanto ao que propriamente se discutia, Marial foi de inaudita parcimônia. Acha-me confuso, não me entendeu (confessa) e, em vez de ler outra vez, responda ao que não percebeu.

Isto de ser eu confuso, é defeito que resulta da minha pouca prática de escrever para o público - sou o primeiro a dizê-lo; porém, modéstia à parte, também pode provir de culpa ou deficiência do meu ilustrado antagonista. Há inteligências abertas para umas coisas e fechadas para outras. Talvez que Marial seja muito forte em esoterismo.

Por isso, nada disse quanto ao nariz torto do busto do sr. Rodolpho. Atribui-me (por inadvertência, quero crer que não por deslealdade) proposições que não emiti, e pretendendo (não sei por que) dar-me como inspirado na filosofia da arte de Taine, ou que ele pensa ser de Taine, cai na deliciosa… esperteza de asseverar que as doutrinas formuladas in genere por esse mestre não são aplicáveis aos bustos-retratos.

Quanto ao pince-nez do busto de Benjamin, os erros de Marial são de […] especiais: históricos, estéticos […]

Historicamente não é verdade que Benjamin Constant desde moço usasse de óculos e que não os pudesse dispensar, ficando com olhos como os de um cego, quando porventura tirasse o pince-nez. É falso: apelo para as inúmeras pessoas que de perto conheceram a Benjamin Constant. Ele andava habitualmente sem pince-nez. Quando proclamou a República (eu estava no campo) não o trazia e só o pós ao nariz para ver como ficara o sr. Bocayuva, quando Manuel Deodoro transpôs o portão dando vivas ao imperador.

Benjamin Constant punha a intervalos o pince-nez: mas, ainda quando o tivesse sempre, não era isto razão para um escultor fazer óculos de bronze. Thiers usava de óculos fixos; os seus retratos não os dispensam; mas já viu Marial algum busto de Thiers com óculos de mármore? Esta glória estava reservada ao Bernardelli, e, Vasco da Gama de tal descoberta, bem merece ter por Camões o seu cantor Marial.

Imagine-se onde vai dar essa teoria dos apendículos - e agora entro no erro estético do meu antagonista. Nada mais, nada menos do que em também representar no busto o charuto de que habitualmente faça uso um desesperado fumista. E lá vai por entre os beiços do retratado o charuto do seu uso, com fumaça de metal ou de pedra!

Os vidros de óculos ou de luneta podem ser representados em um quadro; mas neste caso (e que o digam os pintores) a refração da luz, perpassado o vidro, altera a cor da região orbicular, dando um efeito muito diverso do que produziriam nos aros seus vidros. E estes são vistos, porque só na cabeça de Marial, em desespero de causa, poderia entrar a ideia de ser necessário meter o dedo pelos olhos dos outros a fim de reconhecer se há ou não vidros nos óculos. Em geral, não é preciso chegar esse extremo, e toda a gente logo o descobre, exceto se, como o ilustre Marial, está resolvido a não ver para não magoar o amigo.

Agora, à parte ratone [?].

A comparação do pince-nez com a dentadura postiça e o chinó, seria ultrarridícula, se não metesse pena por denunciar os apuros de um panegirista reduzido a última extremidade. Os dentes postiços ocultam um defeito natural, e com eles o sujeito ou sujeita, mostra ter o que não possui de verdade. Da mesma sorte a cabeleira. O pince-nez, não. Ninguém o trás para fingir que tem olhos. E, se acaso influi na fisionomia, como aliás não acontecia no caso Benjamin Constant, não é menos certo que escapa aos meios da escultura, que só pelo modelado - pode produzir efeitos de luz.

Fazer o contrário é desconhecer os limites da sua arte, ao […] sustentar tal absurdo é dar público testemunha ou de ignorância (o que não se dá com Marial) ou de inconcebível confiança na verbiagem para aturdir a atrapalhar os incautos… Ou acreditará Marial que escreve para beócios que não saibam julgar em matéria tão na altura das mais rudimentares inteligências.

***

Concluamos tratando da coincidência entre o Cristo e a adúltera de Bernardelli e o grupo Behrstam [sic].

É inexato que eu ocultasse a circunstância de ser o trabalho do artista inglês ou alemão posterior ao do escultor mexicano. Na última coluna do meu folhetim de 17 está a declaração da data do catálogo: 1894.

O que desejo é que se explique a coincidência. Por que não protestou o sr. Bernardelli contra o plágio do europeu? Acaso pode um diretor de belas artes e professor de escultura ignorar a existência de um grupo, igual ao seu, o exposto no salão de 1894, em Paris?

Proteste, e eu me encarrego de levar o seu protesto ao sr. Behrstam, que, naturalmente, explicará donde tirou o seu grupo.

Negar a igualdade quase absoluta é impossível. O catálogo ainda está em mãos da ilustrada redação desta folha. Verifique quem quiser, e aprecie então a sinceridade com que Marial põe em dúvida a semelhança dos dois grupos.

Não; Marial comigo não tira, não pode tirar partido.

Atacou-me pensando que eu sou o Despeito, porém muito se engana. Se eu tivesse outro nome, que não fora Cosme Peixoto, ele seria a Justiça - a justiça finalmente cansada de empazinações e públicos pseudocríticos.

Arredem-se os turiferários e os engrossadores: caminho à verdade, que também tem o direito de erguer a voz!

Meu objetivo é, pois, muito elevado; não tenho nenhum interesse material ligado ao progresso das artes em minha pátria.

Meu firmamento é muito mais alto que o de Marial. Este faz como o Lulú Senior, quando quer julgar uma estátua: mete-se debaixo da barriga do cavalo, a beber os vinhos gelados do estatuário…

Que diabo pode ver um homem desses, em tal posição, olhando para cima?

Que observador e que horizontes!

Cosme Peixoto,

[...]

_

(*) Textual: "Segunda-feira vou ver inaugurar a estátua de general Osorio, estátua que quase vi nascer, que vi crescer ali na rua da Relação, por […] que mais de uma vez almocei por baixo dela: bebendo à sua […] vinhos italianos que o Rodolpho […]"

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Digitalização de Fundação Biblioteca Nacional Acessível em: http://memoria.bn.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões'

COSME, Peixoto. O SALÃO DE 1894 III. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 26 nov. 1894, p. 1.

CREMONA, Ercole. O Salão de 1923. Illustração Brasileira, Rio de Janeiro, set. 1923, p. 11-16.

por Ercole Cremona

Animador é o aspecto do Salão de Belas Artes do corrente ano, a despeito dos reiterados ataques de um grande grupo de pessimistas. Se há iniciativa que mereça ser julgada com uma dose de filosofia otimista, é precisamente a Exposição geral de Belas Artes, anualmente levada a termo pelo Conselho Superior.

Pouco a pouco evoluímos, já se não vê a "quitanda" de antigamente, o regime do sarrafo e da serapilheira não existe mais e a mocidade já tem uma preocupação de produzir e formar uma individualidade característica. Só a última circunstância deve ser para todos nós um motivo de alegria e de recíprocas congratulações.

Os artistas moços primam pelo trabalho esforçado e pela exibição de talento.

Sejamos, pois, indulgentes e otimistas para os fracos, desejosos de acertar na espinhosa estrada da Arte.

Iniciaremos os nossos comentários pelos moços.

Em todo o turbilhão de cores há uma tela que prende a atenção dos olhos experimentados. É uma cena de atelier, modesto.

Uma figura jovem, muito clara, com tons limpos, predomina no quadro; à esquerda, sobre um cavalete, está um busto de mulher ainda em terra e ao fundo baixos-relevos perdidos em planos mais afastados.

É o retrato do escultor Paulo Mazzucchelli, pintado pelo jovem artista CANDIDO PORTINARI, uma verdadeira promessa de pintor. A tela é possuidora de qualidades verdadeiramente notáveis para a idade do seu autor, o desenho é bom, revelando um grande desembaraço; a pincelada é franca e o ambiente justo. O quadro não é uma obra isenta de erros, porém, é já um documento valioso, uma nota onde se percebem uma certa independência e vontade de individualismo. Outro jovem que se apresenta bem é OSWALDO TEIXEIRA. O moço pintor mandou ao Salão um conjunto de seis trabalhos: "Sinite parvulos venire ad me Talium est enine regnum coelorum", "Retrato do Dr. A. M.", "Recostada", "Retrato do Sr. V. L. R.", "Adolescente" e "Fim de missa". Do grupo de telas destacamos os retratos e "Recostada". Nos retratos, o pintor mostra-se seguro do desenho e possuidor de uma técnica digna de registro; no grande quadro de composição, percebe-se uma afoiteza, uma precipitação prejudicial; grandes defeitos são visíveis sem o menor esforço, o próprio desenho tão familiar ao artista acha-se sacrificado.

Apesar de erros incontestáveis, a tela é uma peça de valor, onde o talento do pintor está flagrantemente espelhado. Permita-nos o artista um pouco de franqueza; julgamos poder usar dela, pois acompanhamos a sua vida artística desde o tempo em que vestia calças curtas e frequentava as aulas do Liceu de Artes e Ofícios; falamos como amigo e com a experiência de causa própria: não se fie nos demasiados elogios, eles são a causa da precipitação com que pintou o grande quadro.

A obra de verdadeira Arte deve ser amadurecida e seriamente meditada, assim sendo, não acontecerá como agora acontece ao jovem artista que produziu uma tela onde as falhas existem, não por falta de conhecimentos, mas por falta de meditação, de crítica leal dos que convivem com o pintor e o incitam ao malabarismo de pincel.

A obra de arte pode ser bela sem serem precisas acrobacias e outras condições doentias... Não veja o artista, nas nossas palavras, a pretensão de aconselhá-lo, não temos autoridade para tal fazer, porém temos o direito e o dever de dizer com franqueza e lealdade o que acabamos de declarar! ...

CEZAR TURATTI dá-nos um retrato da "Senhorinha Wanda Broude" onde há sentimento e condições agradáveis de pintura; o desenho resente-se um pouco, porém o conjunto do trabalho é agradável. MANOEL CONSTANTINO apresenta-se bem com "Edith" e "Retrato"; o primeiro é, entretanto, superior ao retrato, a cabeça de criança é modelada com segurança e muito expressiva. Como composição, "Edith" agrada imensamente, os seus detalhes têm propriedade e o desenho está tratado com certa habilidade.

EDITH DE AGUIAR firma um retrato sóbrio, muito bem estudado com belas qualidades de técnica e de desenho. O tom preto predominante na tela é justo, tendo a jovem artista vencido sérias dificuldades; a cabeça da figura revela uma austeridade que fica bem naquele conjunto; as cambiantes do preto e da carne foram compreendidas pela pintora, de forma agradável. Como desenho o quadro possui também magníficas qualidades que prometem seriamente.

MANOEL FARIA é outro jovem que vem escalando os obstáculos que encontra na sua estrada, de uma forma encantadora. Os retratos de "Mme Z" e "Mme X" revelam condições especiais de retratista. Preferimos, porém, o retrato de "Mme Z". A impressão recebida, agora, é a mesma de quando o retrato esteve exposto no "Salão da Primavera" no Liceu de Artes e Ofícios, no ano passado; isso nos leva a confirmar com mais segurança o futuro do modesto artista.

ANTONIO GARCIA BENTO com a tela "Tarde de Sol" confirma plenamente tudo que se tem dito do seu mérito e da maneira inconfundível de interpretar as suas marinhas. Garcia Bento é um dos jovens de grande valor entre os seus contemporâneos, as telas que assina não se parecem com qualquer das dos seus colegas; em vez de pincel, o artista emprega a espátula, conseguindo efeitos magníficos.

Ainda agora, na tela "Tarde de Sol", se verifica isso. o pintor dá-nos sob aquele título uma marinha animada de navios e outras embarcações onde uma planimetria estudada lhes realça os planos de maneira agradável.

MARIO TULIO dá-nos cinco telas com belas qualidades de cor. D. SARAH VILLELA FIGUEIREDO com os quadros apresentados mostra que progride francamente; o [...] precisa. A cor do quadro é limpa e […] retrato da Senhorinha L. B." é o melhor documento do seu progresso, é um quadro de condições afinadas.

ARMANDO VIANNA apresentou-se bem. OZORIO BELEM, muito jovem ainda, promete vencer na arte que abraçou. MANOEL SANTIAGO com a tela "Yara" revela um aproveitamento seguro e uma noção equilibrada da composição.

CARLOS CHAMBELLAND é um dos vencedores do Salão, as suas telas garantem-lhe regalias especiais. Tratando […] comparticipação à grande mostra, tivemos já a oportunidade de realçar os seus méritos de fino pintor; transcrevendo os nossos conceitos sobre os seus quadros, confirmamos integralmente tudo quanto escrevemos; "Um pintor que se apresenta com galhardia, este ano, é Carlos Chambelland. O artista dá-nos apenas duas telas: "Retrato de Mme C. Chambelland" e "As Comungantes". Em ambos os trabalhos, Carlos Chambelland patenteia um seguro conhecimento do desenho e dos empastamentos. No "Retrato de Mme C. Chambelland", a par do desenho existe a condição da semelhança, qualidade essencial em tal gênero de trabalho. À primeira vista poderá parecer um conceito acaciano dizermos que a qualidade primordial em um retrato é a semelhança; é preciso, porém, notar que estamos na época em que se encontra "espiritualismo" em tudo:"

...

"A tela "As Comungantes" é daquelas que deixam uma impressão profunda no espírito do observador: o próprio leitor poderá verificar o que afirmamos, atendendo no ambiente do quadro, na atitude das figuras e na maneira por que foram resolvidas. Contribui para o encanto do quadro o grande sentimento das duas figurinhas. A tela de Carlos Chambelland merece as honras da Pinacoteca."

JOAQUIM FERNANDES MACHADO está também representado com galhardia. O grande quadro intitulado "O símbolo da Fé" mais uma vez repete o milagre da salvação: aos desesperados da Terra só o consolo deixado por Cristo" - uma coisa, porém, pedimos ao pintor: parcimônia nos títulos; - o quadro "Morro do Castelo" é fraco, muito fraco, não parecendo do autor do "O símbolo da Fé...", - esteja o leitor tranquilo que não tornamos a escrever o título por inteiro! - FIUZA GUIMARÃES voltou à atividade; para satisfação dos seus admiradores, mandou ao Salão uma série de desenhos e três cabeças bem interessantes. GASPAR MAGALHÃES com o seu envio, apesar de pequeno, mostra-se senhor da mesma honestidade e do mesmo desenho que sempre soube dar aos seus quadros. GASTÃO FORMENTI está mal representado, o auto retrato é incontestavelmente inferior às marinhas que costuma pintar.

GEORGINA DE ALBUQUERQUE mantém inalterável a primazia conquistada entre os artistas da sua geração; dos seus quadros diremos unicamente que são magníficos e que qualquer grande pintor poderia assiná-los sem receio de se sentir diminuído!

Externando de tal forma a nossa opinião sobre o seu grande valor, entendemos prestar ao seu formoso talento a mais sincera das homenagens. LUCILIO DE ALBUQUERQUE, seu marido, por sua vez confirma o conceito em que é tido: um pintor de real merecimento. As suas telas possuem emoção e uma frescura de cor muito apreciável.

LEOPOLDO GOTUZZO é o mesmo pintor aristocrata de sempre; o sentimento dos seus quadros é comunicativo. No "Retrato de J. B." o artista dá-nos uma magnífica obra de Arte, cheia de ótimos predicados de desenho, técnica e cor. D. MARGUERITE BRACET, que estreia este ano no Salão, mandou um interessante quadro intitulado "La Bible". A distinta senhora revela qualidades sérias de pintora, no seu quadro há detalhes que parecem de um já experimentado artista; o conjunto está ambientado e a cor é bastante agradável. AUGUSTO BRACET merece francamente os melhores elogios, não só pelo quadro exposto como pela persistência com que se tem apresentado nestes últimos anos nas Exposições Gerais.

A prova evidente do valor do quadro de Augusto Bracet reside precisamente na diversidade de opinião que o mesmo provocou, sendo que a maioria dos juízos foi francamente favorável ao pintor. O quadro de Bracet não é perfeito, porém é preciso convir na circunstância de que o artista está em franca evolução e possui talento bastante para chegar a produzir belas obras.

Quem cotejar os envios do pintor, verá a razão do nosso lado. "Direito de Asilo" tem em si uma grande qualidade que a nosso ver é valiosíssima, excluindo todas as belas condições artísticas: revela a preocupação de produzir dentro de uma ideia - é coisa tão rara a ideia; - tal condição é importante e bastante merecedora de um registro especial. PEDRO BRUNO é também um vencedor, o seu envio é bom e demonstra ser o pintor um trabalhador infatigável. Os seus nus são muito bem tratados, principalmente "Yara". LEVINO FANZERES está bem representado. Já tivemos a oportunidade de tratar a obra do pintor e entre outras considerações dissemos: O pintor espírito-santense vem aos poucos conquistando um lugar de destaque entre os de sua geração, que cultivam a paisagem.

A marcha do pintor tem sido lenta, porém, de algum tempo a esta parte, vem-se acentuando consideravelmente; as boas qualidades são em maior número e reveladoras de um critério mais equilibrado.

O aspecto da maioria das telas do artista não nos é estranho; há bem pouco tempo estiveram os quadros em exposição na "Galeria Jorge": destas mesmas páginas partiram comentários sobre o mérito dos referidos quadros, comentários que pedimos licença para transcrever por se referirem a telas agora expostas no Salão:

"Nos quadros que o pintor apresenta ao público na "Galeria Jorge", mostra-se mais seguro, os motivos são traduzidos com emoção variada: "Caminho da Fazenda" é uma bem manchada paisagem de corte pitoresco e planimetria compreendida. Um pequeno defeito notamos, porém, na tela: a grande árvore que domina, à direita, parece-nos fora do ambiente; a sua cor é muito igual a de outros pontos que, em virtude da perspectiva, não podem ter a mesma tonalidade.

O aspecto geral da paisagem é, entretanto, agradável e merecedor de elogios.

HANS PAAP é um pintor bizarro. As suas telas são curiosíssimas e pessoais. ARTHUR LUCAS não quis deixar de contribuir para o realce da grande mostra de Arte. Mandou "Santa Cruz", uma tela possuidora de qualidades.

EDGARD PARREIRAS, que vem conquistando a golpes de talento uma nomeada sólida, dá-nos "Mangueira", uma magnífica paisagem rica de cor e corte caprichoso. PAULA FONSECA, também paisagista, vai de triunfo em triunfo. A tela intitulada "Recanto da Fazenda" tem magníficas qualidades, assim como "A Morena". De THEODORO BRAGA destacamos entre as suas telas o retrato "Senhora". O pintor paraense é uma das figuras mais completas do nosso meio artístico atual: como pintor de cavalete, é, incontestavelmente, dos bons que possuímos: os seus trabalhos no Salão assim o demonstram.

"Senhora" é um trabalho de linha sóbria e bom empastamento. Como decorador tem "Frisa decorativa" (Lenda brasileira), "Estilização da Flora e Fauna brasileiras" e "Aplicação da ornamentação indígena". Sobre esta última modalidade do seu grande talento, tivemos bem há pouco tempo o prazer de escrever:

"Monteiro Lobato encontrou em Theodoro Braga o fiel tradutor do seu pensamento rebelado de brasileiro: "[...] a Arte Colonial através de um temperamento profundamente esteta, filho da terra, produto do ambiente, alma aberta à compreensão amorosa da nossa Natureza..."

Theodoro Braga assim fez: criou sem copiar o acanto, sem decalcar as volutas caprichosas do jônico nem os trevos do gótico.

Bebeu a inspiração nos motivos brasileiros, na folhagem poliforme, na linha caprichosa dos frutos e na "silhouette" graciosa das aves.

Tão belo trabalho mereceu, quando exposto no Salão Comemorativo do Centenário, na Escola N. de Belas Artes, a medalha de ouro, prêmio justo por todos os motivos."

JOÃO TIMOTHEO está bem representado, as suas telas são interessantes e revelam evolução. Completa a sua contribuição o envio de uma tela pintada por seu irmão Arthur [Arthur Timotheo da Costa] já falecido o "Retrato de Sylvia Meyer", uma verdadeira joia.

ARGEMIRO CUNHA, um valoroso mas arredio pintor, mandou ao Salão uma tela que não tem sido devidamente apreciada: "Seara de espinhos". Nesse singelo trabalho está uma alma de artista, um pintor dos mais honestos. Sistematicamente foge à evidencia. Vamos, porém, contrariar a sua modéstia exagerada e revelar ao público o seu verdadeiro valor.

Argemiro iniciou os seus estudos com Evencio Nunes, no Liceu de Artes e Ofícios. Entrando para a Escola de Belas Artes frequentou por algum tempo a aula do professor Rodolpho Amoêdo, passando depois para as de João Baptista da Costa e Zeferino da Costa - O Mestre dos Mestres - durante o período de estudos revelou-se sempre um verdadeiro fanático pelo estudo do desenho. Dentro de muito pouco tempo era respeitado pelos seus colegas e considerado pelos mestres, que viam nele uma organização de artista. Os assuntos religiosos foram sempre o ponto capital da sua inclinação.

O retrato mereceu também a sua atenção.

Nesse gênero de trabalho pintou algumas telas de grande valor como o retrato de "Mlle Maria Silva" que figurou no "Salão" de 1919, sob o título de "Rosas", sendo premiado com a medalha de prata.

Da sua paleta saiu ainda a grande tela retratando a "Senhorita Léa Meirelles" e "Mocinha", um delicado trabalho muito elogiado quando exposto em 1912. Além de pintor, Argemiro cunha é um hábil água-fortista e um litógrafo de grande valor: aqui mesmo nestas páginas vários têm sido os trabalhos publicados.

Propositadamente deixamos para o fim dos nossos comentários, sobre a pintura do Salão, as figuras de Antonio Parreiras, Baptista da Costa e Eliseu Visconti, os mestres que muito honrem com as suas telas a maior mostra da arte brasileira.

Não comentaremos as obras desses três grandes artistas porque elas estão acima de qualquer comentário. Profundamente ridículo seria repetir os adjetivos empregados pela crítica unânime, com referências aqueles; diremos unicamente que qualquer dos quadros que têm a assinatura dos pintores é digno da admiração de quantos sentem verdadeiramente a Arte! Este é o nosso elogio.

Na seção de escultura apresentam-se 12 artistas firmando um conjunto de 22 trabalhos. Entre os artistas expositores destacam-se Leopoldo Silva com um belo grupo "Piedade"; Antonino Mattos com um detalhe do "Monumento ao Dr. Delfim Moreira"; Umberto Cavina e Amadeu Zani com "Verdade", um mármore delicioso.

Na gravura de medalhas, triunfa o professor Augusto Girardet. Não é demais repetirmos o que já dissemos sobre o venerado mestre: "Como sempre que se apresenta nos Salões de Belas Artes, o professor Augusto Girardet conquista a atenção dos entendidos - dizemos entendidos, porque bem poucos são os capazes de compreender a Arte da medalha, no Rio de Janeiro, mesmo entre os que mais entendem... A contribuição do mestre é valiosa; dentro daquela pequena vitrine existe uma dose de emoção rara e grandiosa. Em todos os trabalhos, a par de uma correção impecável, espelham-se a grande técnica e o talento inconfundível do mestre; as suas medalhas nada ficam a dever às dos maiores mestres contemporâneos como Roty, Vernon, Chaplain, Charpentier, Chapu, Scharff e Lancelot Croce. Propositadamente não especificamos esta ou aquela medalha; indiferentemente, elas nos merecem a mesma admiração e o mesmo respeito."

Ao mestre seguem-se Leopoldo Campos, Jorge Soubre, Arlindo Bastos, Herminio Pereira e Ignacio da Silveira.

Na seção de arquitetura apresentam trabalhos os arquitetos Elisiario Bahiana, professor Ludovico Berna, Angelo Brunhs, Josino Camargo, F. Mesquita, Luiz Signorelli, Dubrugros [sic], Francisco Santos e M. Nazieres [sic]. Na de gravura e litografia, apenas três expositores concorreram, os Srs. Mario dos Santos, Ildefonso Torres e Virgilio Filho, aliás bem fracos.

Nas artes aplicadas aparecem nomes de responsabilidade como Theodoro Braga, Helios Seelinger e Wanda Marie com um belo tapete bordado sobre desenho de Raul Pederneiras que também se apresenta galhardamente com uma série de trabalhos de um humor magnífico.

Pelos diversos júris foram conferidos os prêmios seguintes:

Seção de Pintura - Prêmio de viagem ao Sr. João Baptista de Paula Fonseca; Grande medalha de prata, a Theodoro Braga; Pequena medalha de prata, a Armando Martins Vianna; Medalha de bronze, a Edith de Aguiar, Manoel Faria, Hans Paap e Candido Portinari; Menção honrosa de primeiro grau, a Bernardino S. Pereira, Cesar Turati, Solange de Frontin Hess, João de Azevedo, Ernesto Quissak e Manoel Santiago; Menção honrosa de segundo grau, a Marguerite Flori Bracet, Domingos Dias da Silva, Haydéa Lopes, Virgilio Lopes Rodrigues e Gastão Worms. Prêmios em dinheiro: 1.0000$, a Oswaldo Teixeira e Armando Martins Vianna; 500$000, a Candido Portinari e Garcia Bento; 250$000, a Manoel Constantino Gomes Ribeiro e Manoel Faria.

Seção de escultura - Prêmios em dinheiro: 1.000$000, a Paulo Mazzuchelli; 250$000, a Vicente Larocca.

Seção de gravura de medalhas - Menção honrosa de primeiro grau, a Ignacio da Silveira. Prêmio em dinheiro: 500$000 a Jorge Soubre. Seção de arquitetura - Pequena medalha de prata, a Elisiario da Cunha Bahiana e Mario dos Santos Maia [?]; Medalha de bronze, a M. Nosiere e Josino de Souza Camargo; Menção honrosa de segundo grau, a Luiz Signorelli. Prêmio em dinheiro: 500$000, a Angelo Brunhs de Carvalho.

Seção de arte aplicada - Menção honrosa de primeiro grau, a Helios Seelinger e Wanda Marie.

* * *

Cabe aqui perfeitamente um comentário, embora rápido, sobre o pintor recentemente falecido em Vargem Alegre no Estado do Rio de Janeiro. Chamava-se o artista Gustavo Dall'Ara - o pintor da cidade - como todos o denominavam, em virtude do seu pendor e carinho pelos assuntos da nossa bela terra Carioca.

Gustavo Dall'Ara acabou os seus dias num leito de hospital, desapareceu modestamente como vivera. O Sr. Jorge de Souza Freitas, seu grande amigo, organizou na "Galeria Jorge" uma pequena mostra dos seus mais recentes quadros; assim procedendo, o ilustre amador de coisas de Arte realizou um ato digno de ser registrado: ofereceu aos admiradores do pintor mais uma oportunidade de admirarem as suas telas, realmente interessantes. É certo que Gustavo Dall'Ara não foi um expoente nas belas artes de nossa terra, porém estava longe de ser um destituído de valor; muitas de suas telas figuram em galerias particulares, nas nossas irmandades religiosas e repartições governativas. Como retratista, deixou muitos trabalhos, cheios de condições estéticas bastante pronunciadas e como desenhista não ficava longe de muitos outros artistas que vivem nos píncaros da glória... A sua verdadeira obra é, porém, a que se liga com a nossa vida urbana; em grande quantidade são os seus quadros revivendo aspectos e costumes nossos. Entre eles figuram: "Porta do antigo forte do Castelo", "Doca do Mercado Velho", "Mercado de S. Domingos", "Antigo Teatro D. Manoel", "Morro da Favela", "Rua 1° de Março", "Largo de S. Francisco de" Paula e os recantos da baía de Guanabara com os navios da nossa esquadra.

Gustavo Dall'Ara não era brasileiro de nascimento. Natural de Veneza, nasceu em 22 de Dezembro de 1865. Veio moço para o Brasil e aqui se deixou ficar, encantado pela nossa natureza e pelos nossos hábitos.

O ilustre Dr. Laudeline Freire, realizando [...] obra sobre a pintura no Brasil no período de 1816-1916 incluiu o nome do pintor entre os demais que formaram o núcleo valoroso que [...] estudado em tão preciosa [...]. Assim se refere o historiador com relação ao artista: "Começou a estudar na Escola de Belas Artes da sua cidade natal, não chegando a concluir o curso. Foi discípulo de [...] de perspectiva, e de Franco Dallandrea.

Tendo sido atacado de manifestações epiléticas e em face da declaração formal do seu médico de que só se curaria com a mudança radical de clima, e coincidindo receber por essa época um convite para vir colaborar num jornal ilustrado desta cidade, escolheu o Brasil para o seu novo domicílio, aqui chegou a 18 de Março de 1890. A primeira exposição da Escola de Belas Artes a que concorreu foi a de 1899.

Tem como especialidade a paisagem animada. A sua predileção é pintar ruas, lugares, cantos e arrabaldes da cidade do Rio de Janeiro.

É por isso conhecido como pintor da cidade.

A pinacoteca da Escola Nacional de Belas Artes, entre as suas obras de arte, guarda uma tela de Gustavo Dall'Ara, um trabalho de proporções reduzidas, mas que traduz magnificamente a individualidade do pintor.

Era o artista premiado nos Salões de Belas Artes, com a pequena medalha de prata (1907) e grande medalha em 1913.

Gustavo Dall'Ara foi um asíduo expositor das Exposições Gerais, tendo sido várias vezes membro do Júri. Era um espírito jovial e sua palavra fácil encantava e prendia quantos se lhe aproximavam. Entre os quadros que estiveram expostos na mostra organizada pelo Sr. Jorge Freitas figurou a tela "Favela", adquirida pela Sociedade Brasileira de Belas Artes: foi um gesto magnífico por todos os motivos, enriqueceu o patrimônio artístico da instituição e auxiliou a família do pintor, provavelmente em dificuldades.

Bastante lamentável foi o silêncio em torno do artista, por ocasião da sua morte.

Não teve as homenagens que merecia. No entanto muito lhe deve a cidade do Rio de Janeiro, que sempre teve na sua paleta as cores [...] para fixar os seus mais pitorescos aspectos, as suas tristezas, as suas festas e o seus costumes... Paz à sua alma.

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Imagens

BAPTISTA DA COSTA - "EM PLENA NATUREZA"

BAPTISTA DA COSTA - "NÉVOAS DA MANHÔ

PEDRO BRUNO - "YARA"

GEORGINA DE ALBUQUERQUE - "FIM DE PASSEIO"

LEOPOLDO GOTUZZO - "ANTIGO FORTE DO LEME"

MANOEL FARIA - "RETRATO"

ARGEMIRO CUNHA - "SEARA DE ESPINHOS"

CARLOS CHAMBELLAND - "COMUNGANTES"

LUCILIO DE ALBUQUERQUE - "A CURVA DA ESTRADA"

AUGUSTO BRACET - "DIREITO DE ASILO"

FERNANDES MACHADO - "SÍMBOLO DA FÉ"

THEODORO BRAGA - "SENHORA"

EDGARD PARREIRAS - "MANGUEIRA"

AMADEU ZANI - "VERDADE"

ANTONINO MATTOS - "DETALHE DE MONUMENTO"

SARAH VILLELA FIGUEIREDO - "RETRATO DA SENHORINHA L. B."

MEDALHAS DO PROFESSOR AUGUSTO GIRARDET

PAULA FONSECA - "RECANTO DE FAZENDA"

LEOPOLDO CAMPOS - "MARABÁ"

HUMBERTO CAVINA - "S. FRANCISCO DE ASSIS"

VICENTE LAROCA - "RISONHA"

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

CREMONA, Ercole. O Salão de 1923. Illustração Brasileira, Rio de Janeiro, set. 1923, p. 11-16.

CREMONA, Ercole. O Salão do Centenário. Illustração Brasileira, Rio de Janeiro, jan. 1923, n/p.

O Salão de Belas Artes comemorativo do Centenário, sem dúvida, é o mais orientado de quantos se têm realizado, desde que foram instituídos.

Houve um critério, um ponto de partida que pautou a orientação dos organizadores, verdade que encontraram o campo para isso.

A reforma por que passou o palácio permitiu que se fizesse uma coisa condigna da nossa data magna; com ela lucraram os nossos artistas e a Arte brasileira, que, de agora em diante possuem onde se alojar. Bem tristes foram os tempos em que era preciso recorrer-se à aniagem tinta e aos sarrafos que punham num risco permanente as telas dos mestres do passado, escondendo-as por meses seguidos dos olhares da multidão, privando-as de ar e de luz.

Colocamos a modéstia de parte e nos felicitamos, pois sempre nos batemos contra o critério de tais arrumações prejudiciais à causa da arte patrícia. Quem entra no Salão de Belas Artes de hoje, sente alegria, bem estar espiritual e um conforto material; sente limpeza e amor ao belo, não há mais o revérbero, o rescaldo de outrora.

A penumbra macia convida à contemplação e a uma permanência demorada em tão amável e distinta companhia; a penumbra é sempre propícia aos sonhos e à fantasia. Deixemo-nos guiar por ela, sejamos otimistas, mesmo para o que não merecem otimismos...

Comecemos pelo mestre da nossa paisagem.

BAPTISTA DA COSTA, apesar das ocupações de diretor da Escola e professor, ainda encontrou tempo para produzir e produzir bem. Enviou ao salão um conjunto afinado de seis telas.

A todas elas, presidiu um critério altamente estético; Sapucaieiras engalanadas, À beira do Açude, Remanso Itaipava e Dia de ressaca, são verdadeiras maravilhas que nos falam uma linguagem estranha de beleza e nos mostram quanto a nossa terra é pujante de encantamentos. As paisagens de Baptista da Costa no atual Salão, mostram uma evolução franca e uma técnica cada vez mais aprimorada; a luz radiante é perfeita, as gamas são estudadas com justeza, são inconfundíveis; os diversos planos se sucedem sem recursos de "camouflages", unicamente pelos seus valores rigorosamente exatos; as paisagens do pintor são dosadas com o critério da simplicidade, reproduzem a natureza com todos os fenômenos de luz e poesia. No auto-retrato O paisagista, o artista nos mostra uma face de seu talento polimorfo; ele pela sua verdade nos recorda os conceitos que Carlo Parlagreco, antigo professor da Escola Nacional de Belas Artes, externou em suas conferências, felizmente reunidas em volume sob o título Questões de artes: "O fogo sagrado roubado ao céu e que ensina aos homens as artes, sintetiza tantas quantidades ideais e tantas fases da história humana que seria impossível enumerar em breve. Mas aquela luta não acaba no mito de Prometeu, nem no mundo grego; continua no mundo latino, continua ainda que latente, na idade média e recomeça a sua marcha gloriosa na Renascença e dura, vitoriosa mais do que nunca, até aos nossos dias". O paisagista, de Baptista da Costa nos relembra semelhantes palavras porque sentimos nele o mesmo "fogo sagrado", as mesmas "quantidades ideais" e mais a concretização do perfeito. A nosso ver, aquele pedaço de tela tocado pelos pincéis do artista, representa uma obra complexa, porque é mais do que um retrato material, é a alma do pintor, é o mestre que tudo vê através daqueles olhos de psicólogo.

Bem defronte ao ilustre paisagista, está ELISEU VISCONTI com um punhado de obras valorosas de concepção, tocadas com maestria e desenhadas com fidalgo desembaraço. Não citaremos particularmente esta ou aquela obra, muito de propósito; toda a sua contribuição nos merece o mais incondicional aplauso.

Visconti é um temperamento privilegiado, é um espírito que evolui francamente. Os seus quadros são sempre novos; trazem um sentimento pronunciado e um desejo de aproximação cada vez maior da grande verdade. Qualquer motivo para Visconti, é bastante para a criação de uma obra de arte; os seus desenhos nos revelam essas qualidades, são simples traços de carvão, de "sanguinea", mas portadores de alma, de uma infinidade de condições estéticas. Os quadros do mestre têm a propriedade valiosa de possuírem sempre um ponto de partida preconcebido, meditado, uma ideia.

PEDRO ALEXANDRINO nos dá três telas de natureza morta, magistralmente pintadas, mas portadoras de uma verdade flagrante. Os metais brilham, espalham reflexos, as frutas são perfeitas de coloração, os cristais são tocados com uma felicidade inaudita; todos estes predicados formam um conjunto primoroso e único. Pedro Alexandrino é o nosso maior pintor de natureza morta, até hoje nenhum outro se lhe aproximou. Pedro Alexandrino é o especialista por excelência.

THEODORO BRAGA, depois de longa ausência, apresenta-se ao público com uma coleção de trabalhos. A maior parte do seu tempo foi dedicado ao estudo da estilização da nossa flora, conseguindo realizar uma obra notável e patriótica, merecedora do apoio do governo, que deve se publicada para divulgação do que é possível fazer unicamente com elementos nossos. Quando o ilustre artista chegou ao Rio, o ano passado, vindo do seu Estado natal, tivemos a oportunidade de escrever:

"O ilustre pintor vem ao Rio, trazido pelo desejo de mostrar o que fez em dezesseis anos de ausência; vai expor o seu quando Antonio Vieira, e mais os manuscritos da História do seu opulento torrão, fruto das pesquisas de muitos anos, através à documentação existente em mãos particulares, bibliotecas e arquivos poeirentos. Na mesma ocasião apresentará ao juízo dos patrícios e autoridades, um valioso e detalhado trabalho sobre a estilização das nossas flora e fauna. Tão interessante estudo foi iniciado em 1905, aqui no Rio, logo após sua chegada da Europa.

São preciosos argumentos que merecem ser divulgados intensamente. Tomamos a liberdade de chamar atenção do Sr. Dr. Carlos Sampaio para o assunto; agora, que se cogita da intensificação do ensino profissional, era bem cabível o aproveitamento de tão útil e patriótica obra".

Transcrevemos os tópicos acima para que o ilustre Dr. Alaor Prata verifique o que o artista fez e veja não existir exagero nas nossas sugestões.

Theodoro Braga é o elemento que as nossas escolas profissionais precisam para caminhar sem recorrer ao estrangeiro na maior das vezes cabotino e sem valor...

Toda a coleção apresentada pelo artista é de um valor indiscutível sob todos os pontos de vista artísticos e didáticos.

CARLOS CHAMBELLAND enviou ao salão dois trabalhos: Dia de feira e Água corrente, duas notas interessantes. Dia de feira representa o tipo do nosso cafuzo perfeitamente interpretado e pintado; em Água corrente observam-se as mesmas qualidades.

AUGUSTO BRACET, nos dá um quadro histórico de grandes proporções: Primeiros sons do Hino da Independência. A tela representa uma magnífica vitória para o autor da Ânfora. Inspirou-se o pintor no seguinte trecho da memória de Francisco de Canto e Mello:

"Chegando a palácio fez imediatamente o príncipe, em papel, um molde da legenda - INDEPENDÊNCIA OU MORTE - a qual, sendo levada por mim aos ourives Lessa, à rua Boa Vista, serviu para que às 6 horas dessa mesma tarde estivessem prontas as duas legendas com que o príncipe e eu nos apresentaremos no teatro. Neste ínterim compôs Sua Alteza o hino da Independência que na mesma noite deveria ser, como foi, executado no teatro."

No quadro de Augusto Bracet existem pequenos defeitos, porém, sem importância diante das grandes qualidades que encerra.

PEDRO BRUNO nos dá também uma grade tela histórica: O percursor, e mais uma série de quadros onde há talento e um aproveitamento notável.

De todo o conjunto preferimos os quadros de nu, notadamente Anunciação.

Temos ainda como grandes telas históricas, a ilustre pintora Georgina Albuquerque, e o bizarro Helios Seelinger.

GEORGINA DE ALBUQUERQUE apresenta a Sessão do conselho de Estado que decidiu a Independência, um belo trabalho inspirado na nossa história e calcado nos conceitos de Rocha Pombo: "Convocou-se o conselho de Estado para o dia 1. de setembro (ou 2), às 10 horas da manhã. Já estavam todos os ministros presentes no Paço. Fez José Bonifácio a exposição verbal do estado em que se achavam os negócios públicos, e concluiu dizendo que não era mais possível permanecer naquela dubiedade e indecisão, e para salvar o Brasil cumpria que se proclamasse imediatamente a sua separação de Portugal. Propôs, então, que se escrevesse a D. Pedro que sem perda de tempo pusesse termo, ali mesmo, em São Paulo, a uma situação tão dolorosa para os brasileiros.

Todos os ministros aplaudiram o alvitre, e com eles emulou com entusiasmo a princesa real."

Georgina de Albuquerque emprestou toda a sua grande alma, todo o seu sentimento e a sua maravilhosa técnica ao quadro, onde há figuras movimentadas e bem desenhadas, atitudes resolvidas e gamas resolvidas com grande saber.

Outras telas mandou a artista ao salão, telas onde há talento; Manacá, é uma perfeita obra de arte, um nu de mulher moça de carnação colorida.

Efeito de sol é outro belo espécime do seu valor, de feitura inteiramente moderna.

HELIOS SEELINGER nos dá um grande tríptico alegórico intitulado: Minha terra.

Na concepção do trabalho, o artista empregou todos os recursos da sua fantasia, concretizou tudo que tem feito e realizou um belo conjunto. Lá estão os cavalos movimentados, as figuras bizarras e a sua riqueza de cor, variada e brilhante.

Do pintor existem ainda outros quadros de real encanto, como Caravelas, Em procura de novas terras, Navio fantasma e Fantasma do mar.

O Sr. AUGUSTO PETIT, fugindo de sua técnica costumeira, nos dá uma paisagem rica de cor, empastada com rara habilidade e de boa perspectiva, não se parecendo nem de longe com que tem feito até aqui.

LEOPOLDO GOTTUZO, o fidalgo de sempre, brilha no envio feito. As figuras são sentidas, as suas paisagens mostram quanto é perfeita a sua visão e o seu sentimento.

GARCIA BENTO, ALVIM MENGE, GERMANO NEVES, JOÃO DE AZEVEDO, PAES LEME [Jurandyr dos Reis Paes Leme], MARIO TULIO, MANUEL SANTIAGO e JUSTINO MIGUEIS contribuem com eficiência para o brilho da nossa maior mostra de Arte. Todos eles enviaram trabalhos que se recomendam pelas qualidades e honestidade.

CARLOS OSWALD mandou uma grande tela: Viva a Independência!, com belas qualidades decorativas e composição agradável.

EDGARD PARREIRAS, com a sua expressiva tela: Solar Avoengo, atingiu uma situação de destaque conquistada a golpes de talento.

O seu quadro encerra qualidades sérias, reveladoras de um grande pintor, um paisagista valoroso e de grandes recursos. De lastimar é a disposição regimental que impede o artista que já tenha estudado no estrangeiro de concorrer ao prêmio de viagem. A ele é que devia ser conferido o prêmio de viagem sem comparação; o seu quadro vale por uma dúzia do que foi premiado, que, incontestavelmente, é uma péssima manifestação de arte; não compreendemos como se consegue uma Iracema tão feia, sem desenho... mas deixemos o pintor premiado, esquecíamos que nos propusemos a não fazer crítica, e sim uma crônica otimista... No quadro do EDGAR PARREIRAS, há um encantamento especial, uma luz que inebria e um empastamento que empresta à paisagem uma nota alegre, as gamas bem postas jogam para longe.

Edgar Parreiras é, enfim, um pintor que nos honra sobremaneira.

JOÃO FAHRION apresenta-se com um conjunto agradável, destacando-se o retrato Mlle. X, uma bela e expressiva cabeça, com sérias qualidades de pintura.

LUCILIO DE ALBUQUERQUE contribuiu com uma série de pequenos trabalhos, perfeitamente interpretados e grande luminosidade; são eles: Igreja, Casa histórica, Uma rua e Beco do Salto, todos executados na lendária São João Del Rei.

PEDRO WEINGARTNER, o velho pintor rio-grandense, apresentou-se com um bom conjunto de trabalhos reveladores da sua operosidade. Muito folgamos em vê-lo contribuir para o realce do Salão do Centenário e não nos pudemos furtar de transcrever aqui algumas palavras, por nós escritas sobre a individualidade do ilustre pintor, antigo professor da Escola de Belas Artes: "Mera casualidade favoreceu-nos a encontro com Pedro Weingartner, há poucos dias chegando ao Rio. Encontramos - o na Galeria Jorge, em palestra amistosa num grupo de artista. De pequena estatura, com a cabeça já quase branca, inspira simpatia a quantos se lhe aproximam, conhecemos-lo em Roma, há quase três lustros.

O seu ateliê, em via Margutta era um verdadeiro repositório de coisas de arte, metodicamente grupadas; peles raras de animais da terra distante punham no ambiente um que de saudade... Nesse ambiente vivia o pintor, trabalhava de sol a sol, produzindo obras de real encanto. Filho de pais alemães, nasceu no Rio Grande do Sul em 1858. Estudou em Berlim e Munique, onde frequentou as respectivas academias, e mais tarde em Roma em virtude de uma pensão que lhe foi concedida pelo maior dos protetores da arte brasileira, o imperador D. Pedro II.

O gênero de pintura a que o artista se tem dedicado pode-se dizer que é o de costumes, pois grande parte dos seus quadros representa cenas de sua terra natal. Em todos os seus quadros revela um conhecimento profundo da sua arte; a perspectiva e a cor casam-se harmoniosamente. A crítica justa tem sempre louvado a sua operosidade, os adjetivos têm sido aplicados sem favor; a maneira por que [sic] o ilustre pintor interpreta os assuntos que abraça, dá-lhe foros de analista profundo; os menores detalhes merecem ao artista cuidado especial, observação dosada, o que empresta aos conjuntos uma sobriedade impecável.

A notoriedade de Pedro Weingartner atualmente goza ira prevista nos seus primeiros trabalhos. Os quadros que possuem na Galeria Oficial são a mais palpitante prova do seu talento. São duas telas emotivas, de assuntos diversos: Muito tarde! e Derrubada. No primeiro vê-se um conjunto de figuras ambientadas, portadoras de desenho rigoroso e expressão própria; em Derrubada, Weingartner apresenta-se como paisagista seguro. A galhada que se vê em plano de destaque é interpretada como segurança, o desenho dos troncos é tratado como honestidade e rigor. Não há massas confusas para enganar o observador, nem malabarismos exagerados. As nuances e o claro-escuro têm aplicação equilibrada, o que forma um reunião de qualidades estéticas dignas do justo renome do pintor"." Pedro Weingartner é um dos nossos velhos artistas, a sua estadia no Salão deve ser olhada com alegria por todos, pois ele é digno de todas as suas homenagens.

De ANGELINA FIGUEIREDO figura no Salão uma paisagem: Tronco secular, interessante de corte e simpática de coloração.

Angelina Figueiredo, pertence ao grupo de mulheres artistas que vêm há alguns anos produzindo trabalhos de real mérito.

SARAH VILLELA FIGUEIREDO é outra pintora que muito contribuiu para o triunfo do Salão do Centenário. Os seus retratos são possuidores de magníficas qualidades de caráter, são bem desenhados, possuem cor e bons cortes. Vimos pelo seu auto-retrato que é muito jovem ainda; da sua mocidade ousamos esperar obras de grande valor. Auspiciosa para a pintora é a inclinação para o retrato, pois a maioria das nossas jovens que se dedicam à "pintura" prefere o ligeiro quadrinho de frutas ou de flores... feitos de cór.

ARMANDO MARTINS VIANNA é um novo que muito promete. Nos seus trabalhos existem frisantes indícios de uma envergadura de artista; o acompanhamos há algum tempo, tanto no salão como nos seus trabalhos escolares, e ainda no ano passado tivemos a oportunidade de ver trabalhos seus, tratados pelo difícil gênero da aquarela, trabalhos que deixavam entrever os progressos que hoje apresenta nas telas expostas; Minha senhora, é um belo exemplo do seu talento; no retrato há qualidade flagrantes e uma gama de artista.

MANUEL CONSTANTINO GOMES é também um novo. Mas, um novo de valor.

O Retrato da senhora R. G. e seu filho é um dos quadros que agradam ao primeiro exame, tendo pequenos defeitos, que, entretanto, não prejudicam o conjunto da obra. Há na tela do jovem artista, detalhes de grande valor, o panejamento é muito bem resolvido, as duas figuras estão harmonizadas e bem pinceladas. No emprego das cores percebe-se uma inclinação para os efeitos fortes. Continue o jovem pintor na estrada que vai e terá, muito em breve, os frutos que merece.

JORGE DE MENDONÇA, como sempre, nos dá um conjunto honesto e muito harmonioso.

LUIZ KATTEMBACH é um dos nossos jovens que vem caminhado com segurança nos nossos salões. Este ano apresenta-se com um retrato de senhora, onde há belas qualidades.

GASPAR DE MAGALHÃES mandou ao salão um retrato de senhora. Como sempre, o trabalho do pintor está amparada por uma interpretação honesta que faz bem ao espírito do observador. Desenhado com segurança, garantiu ao artista um lugar de destaque entre os de sua geração - geração brilhante.

O trabalho de Gaspar Magalhães é composto por grande simplicidade, a pincelada é fraca e a coloração fresca.

De JOSÉ MARQUÊS CAMPÃO, as no Salão um tela sugestiva e encantadora: Pose un regard profond qui couve et qui protége.

RAUL DEVEZA expõe dois retratos bem tratados. Apresentam-se ainda, firmando trabalhos que se recomendam, a senhoras ADELIA SALDANHA, GEORGINA VIANNA, Haydée Lopes, Irene França e Marietta Galliez.

MARQUES GUIMARÃES nos dá um Altar cívico pavoroso!

ARTHUR LUCAS, apesar de doente mandou uma grande tela, A queda do gigante, onde dá predicados de valor.

O quadro representa uma grande árvore fendida pelo machado dos lenhadores. Vê-se o tronco atacado em ambos os lados, flores, cipós e lascas de madeiras pelo chão.

A grande tela é testemunho de uma vontade de lutar contra a fatalidade, é um esforço digno de ser imitado.

Muito de propósito deixamos para final desta crônica o nome de OSWALDO TEIXEIRA. A vida dessa criança privilegiada nos é familiar. Recordemos ainda os seus primeiros passos vacilantes nas aulas do Liceu de Artes e Ofícios. Não nos admira o furor que os seus trabalhos vêm causando, tinha de ser assim; realmente, Oswaldo Teixeira é um talento pouco vulgar para a pintura, ele vence em poucos minutos, dificuldades que outros levam anos a transpor...

O conjunto de trabalhos que mandou ao salão é notável, pelas qualidades e pelo número. Em todas elas há emoção, desenho e a preocupação de fazer arte.

Avó, O homem da rosa e Leblon, são perfeitos frutos de um artista feito.

Avó reproduz uma cena vulgar; mas o Homem da rosa é mais que isso, é um quadro onde há um dose de filosofia, uma encarnação espiritual pronunciada; em Leblon é a nossa natureza, é o nosso bravio que bate as pedras beijadas pelo sol, é a poesia luminosa da espuma bordando caprichosos desenhos na crista das ondas...

A individualidade de Oswaldo Teixeira é vigorosa, polimorfa; os motivos, sejam eles quais foram, bailam na sua paleta.

A alegria, a dor, o feio, o ridículo, encontram no jovem pintor um interprete seguro; a essa criança que pinta e desenha como um encanecido artista podem ser aplicadas as palavras de Pascole, felizes palavras de que Mario Pilo lançou mão para abrir um dos seus mais belos capítulos de estética: Iofrendo un pó de sílice, de quartzo; lo fondo, aspiro e soffio poi dilema: vedi la fiala come un di marzo azzurra e grigia, torbida e serena! Um cielo io faccio com um pó di rena e un pó di fiata. Ammira: io son l'artista!

Oswaldo Teixeira é já um belo artista, mas está idade perigosa, caminha em um fio sobre um abismo profundo; se lhe faltar a energia para repelir os maus conselhos e as influências detestáveis do modernismo achincalhante, precipitar-se-á; e o cabotinismo contará com mais um soldado impotente para enfrentar a verdadeira concepção do belo. Temos dentro da própria mocidade brasileira dos nossos dias, dois exemplos frisantes que nos animam a externar semelhantes conceitos "passadistas", mas sinceros; duas formosas inclinações perderam-se pelo modernismo: Dias Junior e Henrique Costa. Talento não lhes faltava, faltou-lhes envergadura para lutar as mesmas correntes que ainda hoje procuram perder os que realmente têm valor.

Siga Oswaldo Teixeira a estrada de seus mestres e verá daqui há [sic] alguns anos que nossas palavras são amigas e o nosso desejo e vê-lo triunfante, representam mais alguma coisa do que vontade de elogiar.

A secção de escultura, desta vez apresenta-se com um belo número de trabalhos.

A maioria deles é possuidora de reais qualidades. Uma das figuras de destaque da secção, é, sem dúvida, LEOPOLDO E SILVA; já estudamos a sua individualidade, mostramos com franqueza o valor de sua obra: "Os trabalhos que enviou ao salão atestados flagrantes de que a benevolência não tem sido a mola impulsora de apreciações elogiosas à sua obra.

Leopoldo e Silva é dotado de uma percepção justa das massas; o empastamento da sua escultura é feito de uma forma encantadora, principalmente nos mármores".

FRANCISCO DE ANDRADA enviou um retrato, um busto perfeitamente executado, possuidor de qualidades magníficas.

ANTONINO MATTOS mandou uma cabeça de mármore, onde há muito sentimento.

BIBIANO SILVA expõe o original em gesso patinado do Monumento comemorativo do Centenário, para o Estado do Rio Grande do Norte. HUMBERTO CAVINA mandou um conjunto digno de registro, onde se destaca Aná-Retã, uma estátua com qualidades de expressão e muito movimento. CORRÊA LIMA fundiu em bronze a sua fonte Juventude e Menina e Moça, e mandou-as novamente ao Salão; em ambos os trabalhos, o artista mostra bem o que é. Outras obras mandou ainda o escultor, obras perfeitas como o Busto de Flexa Ribeiro e Cabeça de Menino. LAURINDO RAMOS, ENZO ORSINI, FINTA DI ABA e MARGARIDA L. DE ALMEIDA, mandaram trabalhos que se recomendam. LEÃO VELLOSO e SAMUEL M. RIBEIRO concorreram com belos trabalhos portadores de grande talento escultórico. PINTO DO COUTO contribuiu com um bom conjunto. Na secção de gravura de Medalhas e Pedras Preciosas, brilha o nome de LEOPOLDO CAMPOS; apresentaram trabalhos também os artistas: D. DINORAH DE SIMAS ENÉAS, ARLINDO BASTOS, BARACHO, FRANCISCO MARINHO, HERMINIO PEREIRA e JORGE SOUBRE.

ERCOLE CREMONA

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Imagens

BUSTO DE EPITÁCIO PESSOA, EXECUTADO POR CORRÊA LIMA

"À BEIRA DO AÇUDE" (FRIBURGO), POR JOÃO BAPTISTA DA COSTA

"O LAR", TRÍPTICO DE ELISEU VISCONTI

"PRIMEIROS SONS DO HINO DA INDEPENDÊNCIA", POR AUGUSTO BRACET

"ANUNCIAÇÃO", POR PEDRO BRUNO

"MANACÁ", POR GEORGINA DE ALBUQUERQUE

"BARCO", POR GARCIA BENTO

"AUTO-RETRATO" DE SARAH VILLELA FIGUEIREDO

"RETRATO DE MME. B. E", POR LUIZ KATEMBACH

"SOLAR AVOENGO", POR EDGARD PARREIRAS

RETRATO DA "SENHORA R. G. E SEU FILHO", POR M. CONSTANTINO GOMES RIBEIRO

"RETRATO", POR GASPAR COELHO DE MAGALHÃES

"POSE UN REGARD PROFONDE QUI COUVE ET QUE PROTÉGE", DE JOSÉ MARQUES CAMPÃO

"A QUEDA DO GIGANTE", POR ARTHUR LUCAS

"AVÓ", POR OSWALDO TEIXEIRA

ASPECTO DA SEÇÃO DE ESCULTURA E ARQUITETURA

"ANÁ-RETÔ, BRONZE DE HUMBERTO CAVINA

"A ESPOSA DA MORTE" (JANDYRA), MÁRMORE DE LEOPOLDO E SILVA

"RETRATO DO ARQUITETO FRANCISCO SANTOS", BRONZE DE FRANCISCO DE ANDRADE

"MENINA E MOÇA", BRONZE DE CORRÊA LIMA

RETRATO-MÁRMORE DE H. LEÃO VELLOSO

"AFFONSO LOPES DE ALMEIDA", GESSO DE SAMUEL R. RIBEIRO

MEDALHA DE FRANCISCO MARINHO – (PUNÇÃO DE AÇO)

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Ana Beatriz Domingues, Caio Paz, Marcela Moraes e Marcele Frossard

CREMONA, Ercole. O Salão do Centenário. Illustração Brasileira, Rio de Janeiro, jan. 1923, n/p.

D'AVILA, Léo. O "Salão" deste ano. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 18 ago. 1925, p. 3.

O salão oficial de Belas Artes, inaugurado no dia 12, veio dar razão aos que proclamam atravessar a arte brasileira uma fase de profunda estagnação. O sintoma é […] mais grave, por quanto se trata de um país novo, em pleno caldear de elementos heterogêneos, e cujas manifestações artísticas deviam ter um pouco do sonho audaz dos primeiros bandeirantes, realizando palmo a palmo a conquista de uma natureza encantadora, na ânsia […] de um mais amplo cenário onde satisfazer a imperiosa necessidade de uma dominação ilimitada...

Em vez disso, temos, como suprema irrisão, uma pintura sem horizontes, balda absolutamente de […], numa degradante dependência das escolas e dos mestres europeus. Todavia, talvez pela distância, apenas reflete fracamente as variantes comuns aos movimentos artísticos dos grandes povos.

É o caso, por exemplo, de certos lugarejos do interior, onde as inovações da moda chegam com bastante atraso, assumindo, aos olhos do […] citadino, as proporções de um grotesco irresistível, agravado pela ignorância e falta de tato.

A visão estreita, a completa ausência de cultura dos pintores brasileiros, não lhes permite penetrar […] as intenções dos grandes mestres estrangeiros, cujos processos, muitas vezes verdadeiros no exprimir fatos da evolução mental de determinado povo, tornam-se, quando parodiadas [sic] por indivíduos de outro meio intelectual profundamente artificiais.

Desse modo, os jovens artistas brasileiros aferrados a mesquinhas questões de técnica, encaniçados em competições inglórias, são incapazes de uma iniciativa que os liberte da influência do meio. Eis o aspecto mais doloroso do problema. A atual geração vem sendo alimentada há alguns anos com os destroços da pintura de meia dúzia de […] em plena decadência. Daí a falta de originalidade, a pobreza de concepção e a uniformidade de motivos que caracterizam a moderna pintura brasileira.

Com pequenas variantes, um salão de belas artes é a reprodução exata do anterior. Nem sequer um rasgo audacioso ou mesmo um sopro de juventude animando o arcabouço carcomido da rotina.

Vemos sempre as mesmas paisagens fotograficamente conscienciosas, os mesmos retratos em idênticas posições, com as mesmas […] de desenho, preferíveis contudo às deformações de um misto de futurismo e pretenso impressionismo. Podemos citar ainda alguns casos evidentes de senilidade e […] precoce, que não podem ser […] nesta seção.

Queremos apontar também a incoerência de alguns membros do júri, recusando trabalhos de jovens esforçados, e, não obstante, enviando obras que, não só pelo lado técnico, como ainda pelo artístico, não deviam, de modo algum, ser apresentados por professores da escola de uma Belas Artes.

Enfim, o salão nos produziu uma sensação penosa de tristeza e opressão, avultando extraordinariamente alguns raros lampejos de arte...

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A obra mais notável do salão deste ano, é uma cabeça de índio, do escultor mexicano Fidias. Esculpindo no velho tronco de árvore aquela fisionomia que mostra inconfundíveis os caracteres antropomórficos da raça, o artista revela um profundo amor pelo solo pátrio. Índio também, realizou o anseio dos seus antepassados, identificando a terra ao homem. Animou a matéria bruta e transformou a triste fealdade no sublime sonho de artista...

Nos quadros de Pedro Bruno palpita exuberante alegria de viver. O pintor nos evoca os momentos felizes, quando mais intensamente sentimos a delícia de uma natureza esplendorosa em festas. São telas ridentemente iluminadas por uma luz tépida, que nos infunde um doce torpor contemplativo.

Georgina de Albuquerque surge indiscutivelmente forte. No "O segredo da flor", o eterno enigma da mulher tem o delicioso sabor expectante, do fruto agreste desconhecido.

Os concorrentes ao prêmio de viagem se apresentam bastante equilibrados. Infelizmente estão fracos.

Garcia Bento decaiu muito este ano. Algumas de suas marinhas têm umas pedras no primeiro plano e uns cortes do mais perfeito mau gosto.

Armando Vianna, embora progredisse alguma coisa, não merece ainda o prêmio de viagem. A sua maior tela possui falhas evidentíssimas no desenho. Uma das mulheres sentadas, revela, à altura do fêmur, uma fratura exposta perfeitamente caracterizada.

Sarah de Figueiredo, uma retratista de mérito incontestável, tem o grave defeito de repetir muito certas poses convencionais. Juntando a isso a coincidência das telas apresentarem idênticas proporções, temos uma lamentável impressão de monotonia.

Candido Portinari revela-se um dos nossos melhores retratista.

Devemos citar em primeiro lugar retrato do príncipe Gargarin [sic]. É uma obra notável, sobretudo pela expressão característica da figura. Sentimos bem aquele olhar duro, de brilhos metálicos, olhar de quem tudo viu, tudo sentiu.

O fundo, cópia de uma paisagem, mostra nítida compreensão do ambiente; os planos dispostos com maestria.

No retrato da senhorita Maria de Medeiros, o pintor imprimiu um leve tom de espiritualidade. É uma obra fina, de fatura delicada, plena de uma graça vaporosa..

O retrato do pintor Mario Tullio é um trabalho admirável como técnica pictórica. Merece destaque a serena harmonia do conjunto. A estilização discreta dá uma nota sentimental ao todo, sacrificando embora a personalidade do modelo.

Edith de Aguiar expõe dois trabalhos fortes.

Joaquim R. Ferreira apresenta uma composição, as "Parcas", com algumas qualidades apreciáveis. Os tons discretos, de acordo com o assunto, as fisionomias expressivas, alguns detalhes felizes, formam um bom conjunto.

Meinhard Jacoby é um técnico vigoroso; maneja o pincel com segurança surpreendente. A facilidade com que resolve uma mão ou uma perna granjeou-lhe a entusiástica admiração dos nossos pintores, de visão artística bem pouco complexa.

Figurando num salão onde membros do júri expõem trabalhos com erros de desenho inadmissíveis em principiantes, o pintor não pode deixar de fazer figura brilhante.

É, além disso, um fraco colorista; a sua pintura aparece envelhecida antes do tempo.

Uma nota interessante no salão, é o perfil do poeta Olegário Mariano, de Mario Tullio. Expressão bem característica. A cabeça fortemente movimentada, contrasta com a placidez quase pétrea do busto, apenas manchado.

Dir-se-ia uma rajada de inspiração passando sobre a inerte majestade da rocha.

Eugenio Ligand [?] é um artista de personalidade indiscutível, cujas tendências não estão bem definidas ainda. É um sonhador ofuscado pelo absorvente dinamismo da vida moderna.

Manoel Santiago expõe um belo nu, "Flor de Igarapé", um tanto diferente da sua maneira habitual.

Dois jovens estreantes, Celso Kelly e Gerson Pinheiro denotam qualidades promissoras.

Na seção de desenho, Roberto Rodrigues apresenta dois estudos a carvão, executados com vigor. São, não há dúvida, os melhores desenhos expostos.

Léo D'Avila

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Imagens

"Retrato" de Candido Portinari, e "Radiosa", de Pedro Bruno

Cabeça de índio, do escultor mexicano Fidias

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

D'AVILA, Léo. O "Salão" deste ano. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 18 ago. 1925, p. 3.

D. B. Vaz
Dakir Parreiras
Daniel Bérard
Daniel Sabater
Daniel Widhopff
Dario Villares Barbosa
Deborah Marcondes do Amaral

aqui''' para obter uma lista de todos os artigos onde este artista é citado como expositor

Expositores
[Décima] 10ª Exposição Geral de Belas-Artes. A Noticia, Rio de Janeiro, 1-2 set. 1903, p. 2.

Inaugurou-se hoje, à hora anunciada a 10ª exposição dos trabalhos anuais dos artistas.

A solenidade da abertura coube ao Sr. ministro da justiça e negócios interiores, por lei, presidente do conselho superior de Belas-Artes.

Ao edifício da Escola Nacional de Belas-Artes afluiu o que a sociedade do Rio de Janeiro tem de mais seleto.

Enumerar as pessoas que compareceram seria difícil e ainda no momento, em que escrevemos estas linhas não cessa o movimento de visitantes que, com as suas presenças, animam aos artistas, grato tributo de civilização no Brasil.

Do ministério, além do Sr. ministro da justiça, esteve também presente o Sr. Dr. Lauro Muller, ministro das Obras Públicas, que apesar de seus múltiplos afazeres não deixou de comparecer.

Os corpos diplomáticos e consular estrangeiros tiveram representados, entre eles o Sr. ministro de Portugal, com toda a sua legação, e o Sr. cônsul da Holanda.

O Sr. ministro da Guerra fez-se representar pelo capitão Alfredo Martins Pereira, seu ajudante de ordens.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

10ª Exposição Geral de Belas-Artes. A Noticia, Rio de Janeiro, 1-2 set. 1903, p. 2.

[Décima Oitava] 18ª EXPOSIÇÃO DE BELAS-ARTES - O VERNISSAGE. A Noticia, Rio de Janeiro, 31 ago.-1 set. 1911, p. 2.

No novo edifício da escola Nacional de Belas Artes, a Avenida, realiza-se amanhã a inauguração da 18ª exposição geral de Belas Artes.

Realizou-se hoje ali a cerimônia do vernissage. Expositores davam o verniz nos seus quadros: artistas, jornalistas procuravam notas e impressões.

A comissão diretora da Exposição é composta dos seguintes professores: Dr. Araújo Vianna, nosso distinto colaborador, Elyseo Visconti e Modesto Brocos.

Há expostos cerca de 90 quadros, bustos e medalhas. Houve da parte do júri de admissão um determinado rigor, de maneira que se pode dizer que a exposição é escolhida.

Abundam, entretanto os retratos. Baptista da Costa expõe magnificas paisagens e Modesto Brocos retratos muito bons.

Há outros quadros muito bonitos, não nos sendo possível aludir aos seus títulos devido a falta do catálogo.

A inauguração oficial é amanhã, a 1 hora da tarde, com a presença do Sr. presidente da República.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

18ª EXPOSIÇÃO DE BELAS-ARTES - O VERNISSAGE. A Noticia, Rio de Janeiro, 31 ago.-1 set. 1911, p. 2.

1900
DÉCIMA SEGUNDA EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS-ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 10 set. 1905, p.1.

Imagens

Uma sala da exposição

[…] BRAGA [Theodoro Braga] - Publius Ovidius Naso

AUGUSTO PETIT - Faceira

CARLOS CHAMBELLAND - Mlle. O. J.

THEODORO BRAGA - Manhã de aniversários

RODOLPHO CHAMBELLAND - Bacantes em festa

ROBERTO R. MENDES - Crepúsculo

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

DÉCIMA SEGUNDA EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS-ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 10 set. 1905, p.1.

DÉCIMO salão de belas artes. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 3 set. 1903, p.1.

Ainda ontem foi muito visitada a exposição de belas artes.

O Sr. Antonio José Dias de Castro adquiriu o quadro O pescador (21) de João Baptista da Costa, de quem já nos ocupamos.

O quadro é isto: uma umbaúba destacando-se flores quaresmais, uma ladeira, de relva amarelecida, dourada de sol; ao lado, um rio, que vem de longe, de uma curva; à beira do rio, um pescador, de caniço, a linha dentro d'água diáfana.

Alberto Delpino tem três quadros expostos, entre os quais sobressaem: Mariazinha (109) e Tarde na roça (111).

Este pintor é um dos laureados pela Escola de Belas Artes e ultimamente foi premiado, em 2º lugar, por ocasião da exposição do 4º centenário.

O primeiro prêmio coube a Victor Meirelles, o saudoso mestre.

A cerâmica de Visconte [sic], queimada ao fogo de Mufla, nas manufaturas Ludolf, de Jeronymo de Mesquita, é digna de todo o apreço e de todo o encômio, pela lindeza das formas e escolha dos temas decorativos, todos nacionais.

Domingo próximo, daremos, sobre o salão, uma crônica do nosso companheiro Agenor Carvoliva.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

DÉCIMO salão de belas artes. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 3 set. 1903, p.1.

DÉCIMO Salão de Belas Artes. O "Vernissage". Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 set. 1903, p.1.

Artistas, homens de letras, jornalistas e até alguns dilettantti [sic] compareceram ontem ao "vernissage" do décimo salão, na Escola Nacional de Belas-Artes.

Além de vários expositores, pudemos notar os srs. Dr. Raymundo Corrêa, Domicio da Gama, Carlos Americo dos Santos, Morales de los Rios, Evencio Nunes, Heitor Malagutti, Bellarmino Carneiro e Thomaz Lopes.

A exposição é menos numerosa do que a do ano anterior.

Vimos telas e pastéis de João Baptista da Costa, Garrido, Visconti, Henrique Bernardelli, Rauft, Fiuza Guimarães, Hélios, Brócos, dd. Sara Del Vecchio e Clara Nunes [?], Amoedo, Lucilio, João Macedo e outros.

Ao todo, - 199 quadros.

Causou-nos encantadora impressão, por que é verdadeiramente uma paisagem natural, que tem vida, que tem a alma da própria natureza, perfeita, palpitante, a que tem por título Pescador, de Baptista da Costa.

Também atraía todas as atenções uma paisagem (têmpera), de Visconti, representando o Morro de Santo Antônio, a perder de vista, magnífico pela precisão de luz e de colorido.

Nas seções de escultura, artes aplicadas à indústria, gravura de medalhas e pedras preciosas, gravura e litografia e desenho, expõem poucos artistas.

Cabe aqui, desde já, uma menção encomiástica ao modelo em gesso, do projeto do futuro edifício da Escola, de Moraes de los Rios, feito no atelier Bernardelli.

Às 4 horas da tarde, ainda havia gente discutindo e criticando, e palestrando, ou contemplando, simplesmente, no salão. Já estavam dadas as últimas pinceladas do envernizamento. Rebrilhavam as telas.

Hoje, à 1 hora da tarde, deve realizar-se, na presença do Sr. Presidente da República, a inauguração da exposição de 1903.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

DÉCIMO Salão de Belas Artes. O "Vernissage". Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 set. 1903, p.1.

DÉCIMO salão de belas-artes. A INAUGURAÇÃO. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 2 set. 1903, p.2.

Ontem, à 1 hora da tarde, o sr. ministro do interior abriu a décima exposição de belas-artes.

A esse tempo, já a vasta sala regurgitava da gente que ainda se ocupa das coisas artísticas em nosso país, e que eram expositores, jornalistas, literatos e amadores.

Estes últimos dividiam-se em duas classes, bem o podemos adivinhar: uns que ali foram sem intenção de ver, quanto mais de sentir e de comover-se pela arte, - por simples dever de representação: outros, que foram verdadeiramente curiosos, querendo apreciar, de visu, feitos de que ouviram falar com elogio, as melhores obras e a melhor arte que se fez, no decurso de um ano no Brasil.

Pudemos notar as seguintes pessoas: dr. Lauro Muller, ministro da indústria; conselheiro Camelo Lampreia, ministro de Portugal; F. Palm, cônsul da Holanda, capitão Martins Pereira, representante do sr. ministro da guerra: senador Nogueira Paranaguá, dr. Raymundo Correa, os irmãos Bernardelli [Rodolpho Bernardelli e Henrique Bernardelli], dr. Amaro Cavalcanti, capitão-tenente Belfort, Auguste Petit, senador Nilo Peçanha, 1º tenente José Augusto Vinhaes, dr. Brasil Silvado, [...] Arthur Odo [...], secretário particular do sr. ministro da Inglaterra, Augusto Girardet, professor Araújo, Raphael Frederico, Cattaneo Riccardi [sic], Carlos Americo, Léo d'Affonseca, dr. Neves da Rocha, d. Irene de Andrade Ribeiro, Dall'Ara, d. Sara del-Vecchio, d. Clélia Nunes, Thomaz Driendl, J. Macedo, Napolitano, Francesco [sic] e Agenor Carvoliva.

No saguão da Escola, tocava uma das bandas da brigada policial.

Os quadros reluziam.

O dia estava bonito; fazia sol.

Logo a entrada, aquela formosa paisagem do morro de Santo Antonio, onde se revela toda a alma de Elisêo Visconti, toda a emoção, toda a poesia, toda a ductilidade de seu pincel.

No outro plano, a Bohemia, de Helios Seelinger, um rapaz que estudou na Alemanha, de onde trouxe toda a nebulosidade de concepção, toda a fantasia alada que é característica dos alemães.

J. Baptista da Costa, Brocos, Henrique Bernardelli, Fiuza, Delpino, Amoêdo, d. Alina Teixeira, Bevilacqua, Cariot, Carré, Chambelland, d. Clélia Nunes, as irmãs Cunha Vasco [Anna da Cunha Vasco e Maria da Cunha Vasco], Dall'Ara, De Agostini, Evencio, Raphael Frederico, d. Marietta Meirelles, J. Macedo, Lucilio, Latour, Rauft, Napolitano, d. Sara Del Vecchio e outros tem quadros que merecem menção.

As outras seções, de escultura, de arquitetura, de cerâmica, etc., também estão magníficas.

De tudo falaremos mais desenvolvidamente.

Falta-nos espaço, agora.

- O sr. presidente da República deixou de comparecer a exposição, por motivos de força maior.

S. ex. prometeu comparecer mais tarde, com sua exma. família.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

DÉCIMO salão de belas-artes. A INAUGURAÇÃO. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 2 set. 1903, p.2.

Decio Villares
Delphim da Camara
DEMORO, Lauro M.. A EXPOSIÇÃO GERAL DE 1924. O prêmio de viagem – O titanismo em pintura. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 24 ago. 1924, p. 3.

Da mocidade que, cheia de entusiasmo, concorre à presente exposição, comunicando-lhe algum brilho e dando uma demonstração sincera de que deseja ir adiante, Oswaldo Teixeira é o vanguardeiro. Sua contribuição é a mais interessante, a mais digna de comentários, atraindo as atenções gerais, despertando expressivas admirações. Representa o resultado de esforços acumulados durante alguns anos, empregados com uma constância admirável pelo expositor jovem ao estudo e a observação, agora em toda pujança se refletindo em uma série de obras fortes, que o acreditam entre os vultos relevantes do meio artístico brasileiro. Depois do êxito do "Homem da Rosa", tendo estacionado, Oswaldo Teixeira reaparece agora com um lance a que deu todos os recursos de sua execução, numa arremetida irretorquível.

Apresenta-se ao prêmio de viagem à Europa com sete telas, retratos e composições, onde mais uma vez põe à prova as suas qualidades de figurista senhor de uma técnica segura, amiga de detalhes. É um pintor clássico, notadamente no retrato do Sr. Augusto Petit, e no "Brindando", que juntamente com o "Pescador" se impõe ainda – e aí está a sua melhor qualidade – pelo forte sabor característico, de que ambos estão impregnados à saciedade. Nessa última tela o artista enquadrou um trecho ensolado da praia carioca, onde vêm morrer, se desfazendo em espumas, as ondas brandas, quase ao pé de uma figura jovem e rude que lhes percorre todos os dias o dorso incerto, na labuta árdua da pescaria.

Está sentado na areia, um pedaço de rede sobre as pernas, muito queimado de sol, sob o grande chapéu de palha, esse tipo que pena de Lotl certamente haveria de amar o que o pincel de Oswaldo fixou tão brilhantemente num ambiente onde extravasam as pompas do seu colorido vibrante e justo, numa semelhança com Sorrolla.

"Brindando" é um quadro de distinção.

A figura afidalgada se fez admirar, sobretudo pela expressão fisionômica e em toda a composição o pintor mostra a cuidadosa segurança com que trata as menores coisas, procurando seu harmonioso equilíbrio, e, principalmente a verdade, não esquecendo nem manchas de vinho derramado em toalha.

A parte de natureza morta está no mesmo plano de brilhantismo com que foi marcada essa figura, cujos tons de leveza encantadora, são dados pelas plumas caídas voluptuosamente sobre a copa do chapéu medieval.

Oswaldo Teixeira já pisa o grande caminho que só aos eleitos é dado percorrer.

-

Juntamente concorrem, com o autor de "Boas Notícias", ao prêmio de viagem à Europa, os Srs. Garcia Bento e Armando Vianna.

Garcia Bento, que tem um nome firmado de marinhista, apresenta quatro telas desse gênero, evidenciando às suas virtudes já reconhecidas as de um técnico honesto e as de um colorista que opera com discrição, mais preocupado com o lado emocional que lhe sugere a natureza.

Sabe senti-la, traduzindo-a, às vezes, com certa frieza, ma sempre com personalidade.

Suas telas são lançadas magnificamente com largueza e denotam os conhecimentos valiosos de que é dotado o pintor também jovem, também digno de merecer confiança pelo futuro que o espera, como a todos os do seu estofo, os que trabalham com sinceridade e sem alardes.

Garcia Bento parece desdenhar a figura, preferindo inteiramente o gênero em que nestes últimos tempos se vem singularizando de maneira notável.

Seu quadro "Mau tempo", trabalhado com muita emoção, numa figura de toque admirável, basta para revelar um talento e afirmar uma personalidade.

O terceiro concorrente, Armando Vianna, expõe dois retratos e duas composições.

-

Dentro em breve um júri, a que se apresentam três expositores, terá de pronunciar-se sobre o prêmio da viagem à Europa, decidindo quem dentre eles atravessará o Atlântico com uma pensão do governo brasileiro.

Esse pronunciamento, como aconteceu ainda o ano passado, costuma interessar, além dos próprios concorrentes, o meio artístico brasileiro, em tais ocasiões inteiramente preocupado com a exposição geral, que representa o seu maior acontecimento, enchendo de uma certa animação o ambiente acanhado onde tenta o seu desenvolvimento.

E pelas galerias quietas, onde se mostram os produtos da nossa coletividade artística, já começam a fervilhar a propósito os comentários infalíveis, muitos traduzindo ponderáveis opiniões.

Comentários e opiniões, francamente acusando duas correntes opostas, sem felizmente denunciarem um possível entrechoque, visam dois nomes: Oswaldo Teixeira e Garcia Bento.

Ambos apoiados em obras vigorosas e interessantes, cada qual prestigiado por méritos pessoais e atestado em um passado curto, e, por isso mesmo, revelador do quanto tem trabalhado, ambos, por um direito de conquista que intimamente lhes enche de esperanças, ambicionam o prêmio, valorizado assim pela incógnita da disputa. E tudo faz crer não se transforme afinal em pomo de discórdia...

Lauro M. Demoro.

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Imagens

Marques Júnior - "Adormecida"

Oswaldo Teixeira - "Brindando"

Orlando Teruz - "Últimos Retoques"

Garcia Bento - "Marinha"

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

DEMORO, Lauro M.. A EXPOSIÇÃO GERAL DE 1924. O prêmio de viagem – O titanismo em pintura. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 24 ago. 1924, p. 3.

DEMORO, Lauro M.. ARTES E ARTISTAS. A Exposição geral de 1924. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 17 ago. 1924, p. 5.

A Exposição geral de 1924

Fica-nos como impressão dominante do Salão um ousado arremesso de juventude.

Naquelas salas pouco afeitas às claridades das grandes ideias e à majestade das fortes realizações vislumbra-se o esforço de uma geração que deseja vencer.

É a geração mais jovem dos artistas brasileiros, valendo essa sua ânsia de vitória por uma compensação aos que tem sido iludidos, anos seguidos, na mostra oficial por muitos dos legítimos expoentes de gerações anteriores, a maioria dos quais arredia presentemente, comparecendo outros com as velhas chapas, gastas já pelo uso que alguns lustros registram...

Um impulso, em que se misturam muita fé e muita ousadia, de valores adolescentes, se contrapõe, corrigindo provável desequilíbrio no salão que é espelho de nossa cultura artística, a uma evidente demonstração de cansaço.

São os extremos que se acusam, distanciando-se.

E não deixa de ser isso também um fenômeno muito peculiar à psique brasileira, vastamente comprovado nas várias modalidades das nossas manifestações intelectuais.

O iniciado é toda uma maravilha de auspícios, ardendo por subir a grandes alturas, cuja distância mede pela audácia de que está animado, vendo apenas rosas pelos caminhos.

Impelido por uma força própria de inteligência, semelhante na finalidade do efeito a que os ágeis atletas antigos davam aos seus dardos nas arenas de competição, vence quase sempre os primeiros obstáculos.

Produz-se no ambiente, não bastante familiar com essas proezas, uma sensação de assombro imediato e, antes de um regresso à calma e à reflexão, recebe o jovem herói, como naquela época de ouro, entre atoardas de hinos e ditirambos, uma coroa, que acaba por não poder suportar na cabeça assim precocemente desorientada... Com os anos gastos à sombra dos sicômoros flaubertianos no desfrutar da gloríola, o vitorioso vai perdendo as ilusões e a sua coroa pesadona [...] ressequidas folhas.

E em pouco tempo, voltando ao trabalho, vem à fadiga e juntamente com essa minaz entorpecedora do músculo, a dúvida, a insidiosa torturadora do espírito.

Tocam-se aqui os extremos. É o que, sem evitar o paradoxo, confirma o Salão.

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Da mocidade que cheia de entusiasmo, concorre a presente exposição, comunicando-lhe algum brilho e dando uma demonstração sincera de que deseja ir adiante, Oswaldo Teixeira é o vanguardeiro. Sua contribuição é a mais interessante, a mais digna de comentários, atraindo as atenções gerais, despertando expressivas admirações.

Representa o resultado de esforços acumulados durante alguns anos empregados com uma constância admirável pelo expositor jovem ao estudo e à observação, agora em toda pujança, se refletindo em uma série de obras fortes, que o acreditam entre os vultos relevantes do meio artístico brasileiro, assim tão belamente honrada.

Depois do êxito do "Homem da Rosa", tendo estacionado, Oswaldo Teixeira reaparece agora com um lance a que deu todos os seus recursos de execução, numa arremetida irretorquível. Apresenta-se ao prêmio de viagem à Europa com sete telas, retratos e composições, onde mais uma vez põe à prova as suas qualidades de figurista senhor de uma técnica segura, amiga de detalhes.

É um pintor clássico, notadamente no retrato do Sr. Augusto Petit e no "Brindando", que juntamente com o "Pescador" se impõe ainda - e aí está a melhor qualidade - pelo forte sabor característico, de que estão ambos impregnados à saciedade.

Nessa tela o artista enquadrou um trecho ensolado de praia carioca, onde vem morrer, se desfazendo em espumas, as ondas brandas, quase ao pé de uma figura jovem e rude que lhes percorre todos os dias o dorso incerto, na labuta árdua da pescaria.

Está sentado na areia, um pedaço de rede sobre as pernas, muito queimado do sol, sob o grande chapéu de palha, esse tipo que a pena de Lotl certamente haveria de amar o que o pincel de Oswaldo fixou tão brilhantemente num ambiente onde extravasam as pompas do seu colorido vibrante e justo, numa semelhança com Sorrolla.

"Brindando" é um quadro de distinção.

A figura afidalgada se faz admirar, sobretudo pela expressão fisionômica e em toda a composição o pintor mostra a cuidadosa segurança com que trata as menores coisas, procurando seu harmonioso equilíbrio, e, principalmente a verdade, não esquecendo nem manchas de vinho derramado em toalha.

A parte de natureza morta está no mesmo plano de brilhantismo com que foi marcada essa figura, cujos tons de leveza encantadora, são dados pelas plumas caídas voluptuosamente sobre a copa do chapéu medieval.

Oswaldo Teixeira já pisa o grande caminho que só aos eleitos é dado percorrer.

* * *

Juntamente concorrem, com o autor de "Boas Notícias", ao prêmio de viagem à Europa, os Srs. Garcia Bento e Armando Vianna.
Garcia Bento, que tem um nome firmado de marinhista, apresenta quatro telas desse gênero, evidenciando às suas virtudes já reconhecidas as de um técnico honesto e as de um colorista que opera com discrição, mais preocupado com o lado emocional que lhe sugere a natureza.

Sabe senti-la, traduzindo-a, às vezes, com certa frieza, mas sempre com personalidade.

Suas telas são lançadas magnificamente com largueza e denotam os conhecimentos valiosos de que é dotado o pintor também jovem, também digno de merecer confiança pelo futuro que o espera, como a todos os do seu estofo, os que trabalham com sinceridade e sem alardes.

Garcia Bento parece desdenhar a figura, preferindo inteiramente o gênero em que nestes últimos tempos se vem singularizando de maneira notável.

Seu quadro "Mau tempo", trabalhado com muita emoção, numa figura de toque admirável, basta para revelar um talento e afirmar uma personalidade.

O terceiro concorrente, Armando Vianna, expõe dois retratos e duas composições.

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Recentemente a propósito do último "Salon" da "Societé dos Artistes Français", o crítico Jacques Baschet notou um número copioso de paisagens e de naturezas mortas naquele certame, enquanto o figurismo se apresentava reduzido.

O ilustre jornalista parisiense, explicando esse excesso poucas vezes registrado, concluiu pela crise de modelos, forçados, assim, os artistas a procurar quase em massa o campo, o ar livre.

Não acontece, evidentemente, o mesmo com os nossos patrícios que pintam e gostam de enviar o produto de seu trabalho à exposição oficial.
O que ali vemos, de modo muito diverso, é uma avalanche de retratos e composições de figura, e uma carência quase que absoluta de paisagens.
Desse desequilíbrio parece-nos culpado o Sr. Antonio Parreiras, que ainda o ano passado, com os seus prestigiosos trabalhos, encheu toda uma sala...

Há uma profusão de retratos e, pelo que vimos, os nossos artistas são muito amigos, reinando entre eles uma harmonia rara. Gostam de retratarem-se uns aos outros, e por vezes, de tão excessivo, o amor degenera em perfídia...

Destacam-se, em compensação, nesse gênero, Guttman Bicho, no "Retrato de Mme. O. Goulart", dentro da técnica pontilhista, com um caráter finamente parisiense, e Sarah Figueiredo, em dois trabalhos de dimensões regulares, tratados com largueza, revelando uma artista bem orientada.
Pintores jovens, que se iniciam promissoramente como figuristas, com diversos retratos portadores de qualidades são Vicente Leite, Orozio Belém, Cesar Turatti e Gilda Moreira.

Do Candido Portinari esperava-se muito mais do que apresentou, tendo-se em conta os seus méritos já comprovados.

A Senhorita Edith de Aguiar, com o pastel "Jeune Fille em Robe Rose", mostra os progressos acentuados que vem obtendo, resultando essa composição num adorável conjunto de linhas harmoniosas, num encanto de distinção, a que o colorido feito de rosas, dá indizível graça.
Assinando vários trabalhos, especialmente o "Retrato da Senhorita A.R.", João Fahrion destaca-se como bom desenhista.

Na mesma sala onde se encontram as melhores coisas da exposição, merece um pouco de atenção, "Últimos Retoques". Assina-o Orlando Teruz, que começa a aparecer e de maneira auspiciosa.

Cuidando mais do desenho, do que parecia desdenhar, segundo vimos, num quadro exposto não há muito, conseguiu uma bela figura em ambiente distinto, detalhando com felicidade o panejamento, e imprimindo certa graça às flores que emprestam com as suas cores uma nota mais grave ao conjunto, tirando-lhe uma possível uniformidade monótona.

É uma produção conscienciosa digna dos melhores encômios.

Uma contribuição interessante e curiosa é a de Haydéa Lopes, que tem decidida predileção pela pintura de ar livre, cheia de luz e vibração, revelando uma fina sensibilidade em "Mocidade em Flor", "Romantismo" e "Cabra Cega", não obstante algumas incorreções na construção das figuras, assim acreditam a artista, que sabe pintar com a inteligência.

O mesmo se pode dizer de Manoel Santiago, pintor de imaginação equilibrada e que poderá produzir belas e originais coisas, se continuar no gênero de que já nos dá excelentes demonstrações, inspirando-se nas lendas nortistas.

A paisagem, propriamente dita, está em inferioridade no Salão.

O Sr. Baptista da Costa expõe três trechos campestres paulistas, nos quais repete, mais uma vez, a sua técnica tão conhecida, e, ainda faz, numa natureza morta, com habilidade, gentil reclamezinha aos figos de Poços de Caldas...

Em "Águas de minha Terra", Levino Fanzeres é cuidadoso, saindo-se airosamente da tarefa ingrata de fixar tonalidades do nosso verde, e Fausto de Souza demonstra evidentes progressos na figura e na paisagem, de posse da selencia [sic] dos valores.

Edgard Parreiras, assinando um trecho fluminense, e "Hora de Luz" reafirma os seus dotes de excelente paisagista, que sabe ver e sentir com sinceridade.

Há ainda outros quadros desse gênero, alguns interessantes, devidos a Paula Fonseca, Gomes Carollo, Manoel Faria e Yvonne Visconti.

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A pintura decorativa tem representação brilhante nas contribuições de Visconti, Augusto Bracet, Capplonch, este com um friso de longas dimensões, em que faz a síntese simbólica da evolução brasileira, dividendo-a em quatro períodos históricos.

Marques Junior, além de um admirável desenho de estudo e de um nu magnífico [Imagem], reafirmando os seus conhecimentos, também concorre com um painel decorativo, "Serenidade", onde as suas tendências impressionistas harmoniosamente se casam com os rigores acadêmicos.

Ainda uma referência ao imaginoso e sempre interessante Helios, aos trabalhos de Verdié, Antonino Mattos e Modestino Kanto, na reduzida seção de escultura, e aos de Theodoro Braga pelas suas estilizações da nossa fauna e da nossa flora, e aí temos a Exposição Geral de 1924.

Lauro M. Demoro

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

DEMORO, Lauro M.. ARTES E ARTISTAS. A Exposição geral de 1924. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 17 ago. 1924, p. 5.

Deolinda Leite da Fonseca e Silva
Diana Cid
Diana Dampt
Dinorah Carolina de Azevedo
Dinorah de França Meirelles
Dinorah de Simas Enéas
Dirce Benites Mendes
Diva de Moura Ferreira
Domenico Busnelli
Domingos Dias da Silva
Domingos Garcia y Vasquez
Dumont La Bute
DUQUE, Gonzaga. O SALÃO DE 1904. Kósmos, Rio de Janeiro, set. 1904, n/p.

É difícil fazer-se uma classificação dos trabalhos do atual Salão, e a não ser por uma demasiada boa vontade ou um esnobismo perdoável, por inofensivo, talvez escorrido em moldes galantes de um viver menos rude que o costumário, poder-se-ia dividir os expositores em grupos de escolas e determinar-lhes, com visos do acerto, as tendências estéticas.

Mas, se as notas, por ventura justas, de um rabiscador do crônicas, habitualmente desajeitadas e pretensiosas, obtiverem atenção de alguém e da sua emissão se derivar conceito, direi que, nesta exposição como nos anteriores Salões, só encontro pintores de figuras e paisagistas, porque na maneira do interpretar os assuntos e de os fixar a igualdade é quase completa, com desconto das habilidades.

Daí, pois, um limitado modo de ver, que se restringe ao mérito pessoal de cada expositor, e que se irá desdobrando na ordem estabelecida pelo registro das impressões.

Começarei pelo professor Amoêdo. O escritor ilustre das "Notas de Arte" do Jornal do Commercio, o Sr. Carlos dos Santos, já notou que esse artista, de um tempo a esta parte, preocupa-se mais com o processo material de pintar que com os temas de pintura. É uma observação exata. Mas, por se lhe conhecer esse foro, não se lhe deve carregar na censura, porquanto o rebuscamento do grande artista, que é dos que mais honram a nossa pobre Arte, tem um alcance de alta valia diante da rápida perecibilidade ou transformação dos materiais modernos. A nossa pinacoteca conserva quadros que, contando poucos anos de existência, mudaram de cor, entre esses alguns do professor Amoêdo, os quais, se não perderam de todo o seu brilhante colorido, sofreram consideráveis modificações nos tons.

Com esse notado rebuscar terá o ilustre mestre acertado? Não o sabemos, nem ele próprio o afirmará. Verdade é que a pintura a ovo, que ora nos apresenta, essa cativante, essa belíssima Cativa que nos surpreende e nos imobiliza em contemplação, parece assegurar um vantajoso substitutivo do óleo. A volúpia da epiderme, a nuança quase imperceptível dos tons da sombra para a luz, a delicadeza da coloração quente desse corpo moço de mestiça, que ali temos, desnudado da cabeça à cinta, e que a posição frouxa do descanso assentado mais dificulta a verdade do modelado, o artista venceu admiravelmente por um processo que ilude, que reproduz de modo incomparável.

A maciez dos seios túrgidos, tão fina, tão nítida que desafia o tato, a anatomia dos ombros, o flácido peso do ventre e a perfeição da cabeça em que reluzem toques claros de sol, sendo marcas dos pincéis do mestre, parecem ganhar por essa tinta uma vida mais intensa, a que o brilho dos vermelhos do fundo e do pano do regaço realçam com o vigor dos celebres vermelhos flamengos.

Tal processo, feito por quem sabe, é incontestavelmente magnífico, mas, quanto à sua durabilidade, só o tempo a poderá provar. O que é exato é que a procura do processo nos ofereceu a oportunidade de admirar uma obra inestimável, cuja diminuta dimensão mais delicada, mais deliciosa, mais bela torna a figura pela perfeição do acabamento, desde os valores, o desenho anatômico da forma, a verdade da cor, até a expressão da cabeça, onde ha um quer que seja de indiferença e orgulho, de passividade e ousadia.

Mas, não se limitou o professor Amoêdo a pintura a ovo, rebuscou a restauração da encáustica, por seus dois processos - a pincel e a ferro. A esses dois modos expõe a Oração, que é do primeiro e uma cabeça-retrato, do segundo.

A Oração, que reproduzimos com estas linha, é um busto de rapariga elegante em contraste com a claridade de uma vidraça a que se encosta.

Não tem a posição comum das rogadoras, é uma original postura que se coaduna com o título pela expressão do rosto.

Oposto à claridade da janela, todo o seu busto está numa penumbra em que se estabelece a finura dos tons macios, em verde brando, de suas vestes à moda.

A cabeça, que se lhe inclina à esquerda, sobre os mãos enclavinhadas ao de leve, lindas mãos aristocratas que algo recordam a Marcha Religiosa de Edmundo Hanracourt - a cabeça tem uma dulcíssima expressão de prece, de religião elegante e aliviadora, em que o balbucio da Ave, Rainha! se exala duma boca perfumada a Tsen-Tsen... É de luz, como uma carícia ou um socorro que lhe chega, apenas um beijo sobre o contorno oval da face, sobre a pálpita [sic] narina esquerda e no semicírculo da trunfa dos cabelos, contornando-a, como um halo, em revés.

Esse processo, porém, se nos apresenta muito secco. Não possui o aveludamento do pastel nem a tonalidade pastosa da pintura à ovo. Os vermelhos, sobretudo, ganham com ele uma resistência áspera de argila ressequida, como se nota na cabeça-retrato. Na Oração, seja pelo recurso do meio tom e pela ausência de vermelhos francos, seja pelo recurso dos pincéis, essa dureza não se acusa tão insistente.

O óleo, e também o ovo, dão resultados mais seguros, reproduzem melhor a realidade. Do mais, o óleo é um processo que atingiu a máxima vulgarização, é o material comum, que se maneja desde as primeiras pinceladas.

E é por isso que os cinco retratos apresentados pelo professor H. Bernardelli não fazem o amador vacilar, impressionam-no logo ao relance dos olhos. O do pianista Arthur Napoleão e o do pintor Modesto Brocos, apesar de não me ser possível garantir a exata, semelhança com os originais, tem todas as qualidades das obras completas. O primeiro, sobre a excelência da pintura, é um rico trabalho, audacioso pela massa negra, formada pelo piano e pela roupa do retratado, donde se destaca a cabeça viva, extraordinariamente animada do velho mágico do teclado. A expressão do seu olhar deve ser aquela, porque toda a realidade vive naquela pupila do seu característico perfil. E o mesmo pode ser dito de todos os outros, desses maravilhosos transportes do real para a tela, que são a prova do soberano domínio da palheta em que as tintas se transmudam em sangue, em epiderme em ossamenta, em alma, com que o artista recompõe na imagem o que vê e o que quer.

Não obstante considerá-lo um mestre, e prezá-lo com toda a admiração que o seu talento me desperta, não posso calar a estranheza que me alfinetou de sentir o belo retrato de Mme. O. L. fora do ambiente, como se o accessório paisagenado, que o cerca, não lhe tivesse servido de local.

Na paisagem e mesmo, diremos, nesta exposição, a par dos dois mestres da pintura brasileira, quem mais atrai os olhos do visitante e lhe põe exclamativas encomiásticas no cérebro é João Baptista, já conceituado pintor da nossa natureza, com seus oito trabalhos e, especialmente, com o seu grande quadro - Fim de Jornada.

A caracterização da nossa paisagem, a que ele nos acostumou e que seus pincéis dia a dia vão conseguindo fixar da maneira mais impressionante, esse inconfundível, por ser híbrido, sentimento de força e de melancolia que ressumbra da natureza, por ele interpretada e ao demais o brio, a luminosidade de suas tintas fundem-se nesse quadro, e dele fazem uma bela obra de verdade e de arte. É lhe assunto a primeira hora do crepúsculo vésper, momento em que o dia começa a se diluir, brandamente, na água-tinta violeta da noite para o negrume ciciante das desoras. Do céu, do azul esmorecido, caem os últimos lampejos do sol, que iluminam, obliquamente, em rasgões d'estertores, árvores, aclives verdejantes de terreno, afastados fofos de capoeira, algodoamentos nublosos do horizonte que, à luz d'envés, se tingem de róseo quente e lilás intenso. Jorrando em transversal, d'alto para baixo, a escambante luz deixa em tênue penumbra roxa o extenso primeiro plano do quadro, onde rasga o verde da rama rasteira o filão chato e largo da estrada. E lentamente, com o fixado movimento tardo das fadigas, passa a carreta chiante dos bois, a que o alívio do peso faz apenas ringir no esboroar dos socalcos e nos solavancos dos pedregulhos. O candieiro, de varapau no ombro, vai norteando as duas juntas ruminantes, e o carreiro, moído das estafas, descansa no lastro da carrada, que venceu d'um salto e onde se pojou sobre o rebordo, do qual lhe pendem as pernas quase nuas, cruzadas, em abandono característico. Sobre o sulco das rodas, vem descendo a gente do trabalho, a velha negra, de samburá às costas e, ao seu lado, a netinha mulata que começa a lhe ajudar na lavoura, a filha, o genro, toda a família que luta pelo sustento arrancando à terra o precioso à vida... E no fim da estrada a porteira fechou-se. O dia é findo. Do telhado, que emerge das frondes dum recanto, evola-se o fumo subtil da lareira, o descanso chegou e já ao fundo, para além dos marcos da morada, o capeirão florente de quaresmas e ipês se densa em mistérios de quebradas, aromatizando com o suor acre de suas resinas e o transudo afrodisíaco de suas folhagens toda a várzea em silêncio...

Essa magnifica paisagem tem o poder emocionante da hora e prende o olhar de quem a nota, fixando-se-lhe na câmara ótica, e lhe dando o interesse da natureza por um descer de tarde, sob a incomparável poesia dos campos que a alma recebe com um largo, um imenso hausto de consolo e pureza.

Sobre este mérito ela reproduz bem aproximadamente o caráter da paisagem fluminense - a roça - que não é o bravio sertão nem a mata virgem, mas um meio termo entre o vilarejo e a floresta, intermédio à cultura de uma civilização meã e á rusticidade fecunda da natureza livre, onde o homem é o que ali está representado naquelas figurinhas, gente simples de trabalho, produzindo a lavoura como as árvores do pomar produzem os frutos e como essas, quase idênticas a elas, vivendo da Terra, amando-a, tomando-lhe a cor, e bem notadamente também os aspectos, e sendo, em verdade, seu produto, tão legitimo como os seus vegetais!

Esta conseguida qualidade, já notável, de reter na tela a feição da nossa pitoresca paisagem (a do Rio, São Paulo e Minas) está constatada em todos os demais quadros de João Baptista reunidos na exposição de hoje, e dentre eles destaco o de n. 19 (Copacabana) e de n. 15 (Manguinhos) que são belos.

* * *

Como sempre, a paisagem está largamente representada e tem, no atual salão, o primeiro lugar pela qualidade.

O conceituado Sr. Benno Treidler expõe uma Manhã de Sol, que não faz esquecer as suas aquarelas, ao contrário, aumenta-lhes o mérito porque, nesse indicado quadro, o perito manejador das manchas perdeu a precisão dos valores. O Sr. Jorge de Mendonça, um novo, alcançou uma das menções honrosas com a sua Pedra do Mirante, realmente digna disso pelo vigor da pincelada e pela observação da cor. Com uma boa impressão intitulada Pela tarde apresenta-se o Sr. Augusto de Freitas, e o Sr. Evencio Nunes nos oferece aos olhos uma bem desenhada paisagem de n. 76 porém mal atendida, como pintura, no primeiro plano e uma Lavadeira que, pelas dimensões do regador deve ter dilatada freguesia e rijo pulso para a luta romana, não obstante o cuidado que o probo artista dispensou à figura e a alguns detalhes do quadro, que me parece demasiado minucioso. Essas observações, porém, não desmerecem seus dotes de artista consciencioso e bom colorista.

Do Sr. Dall'Ara vi uma aparatosa brigada de cores, em parada, com pretensão a paisagem; o que contrasta com a sobriedade da palheta do Sr. Luiz Ribeiro, que é um atento trabalhador. O Sr. Araujo Froes teria conseguido um bom quadro com o Caminho da Igreja, se não fosse amaneirado, e o Sr. Eduardo Bevilacqua, que esta se fazendo um forte artista, também impressionaria melhor se não enegrecesse tanto as suas paisagens.

Entre os expositores aparecem o Sr. Honorio Esteves com um interessante estudo da Estrada de Jurujuba, e um considerável grupo de senhoras ou senhoritas.

As senhoras... (Como eu implico com esta palavra, neste particular! É fofa, tola, convencional. Tem alguma coisa de pieguice e muito de ranço da burguesia aristocratizada. Por que não dizer mulheres, que é uma palavra dignificadora?...) As senhoras - vá lá repetirei - que se exibem na paisagem e outros assuntos a óleo, devem ter desvanecido seus mestres, porque, sinceramente, merecem elogios.

A Sra. Eulalia do Nascimento (discípula do A. Parreiras) tem um recomendável estudo de interior de igreja, em que a perspectiva planimétrica foi vencida com grande habilidade, atenta, como deve ser, a monotonia desse interior todo branco, sem uma violência de cor; e se não fosse um esquisito, desengonçado ou esparramado genuflexório que um mau instante lhe fez colocar ao centro da nave, teria obtido um magnifico estudo. Ainda assim é bom. Compensam essa pequena infelicidade seus quadros - A Ponte, Na roça e a paisagem de n. 75 que são muito bem estudados.

A Sra. Irene Ribeiro (disicipula de R. Amoêdo) trocando a paisagem pelas frutas e pelas figuras, expõe um agradável retrato do Mme. L. L. e a Sra. Nina Santoro (discípula de M. Brocos e R. Amoêdo) também um bom retrato. Da Sra. Angelina de Figueiredo (professor A. Parreiras) há um atendido estudo com o titulo Nossa Casa, e, com dois trabalhos, apresenta-se a Sra. Marietta de Figueiredo (professor A. Parreiras) sendo um deles, o Portão de nossa casa, cuidadosamente estudado, mas infelizmente prejudicado pelo desazo de uma tinta neutra, creio que sombra de Cassel, que alforra o primeiro plano, à esquerda, tornando-o desagradável e falso.

* * *

Eliseu Visconti, que é um dos mestres da nossa pintura, por falta de tempo ou pela moléstia que o levou à Europa, concorre com poucos trabalhos e de restrita importância. Em pintura a óleo apenas dois estudos de cabeças feitos com a delicadeza de sempre e com aquela frescura de ambiente a que nos acostumou nos seus ar-livres.

O Sr. Teixeira da Rocha expõe duas paisagens, a de n. 202 - paisagem com figuras (Vila Isabel) e a do n. 201, paisagem com cabras - segundo a singular denominação do catalogo. Prefiro a primeira pela luz, pelo ar e pela cor. A segunda é um tanto compacta, como pintura, posto que bem desenhada.

Na maneira desse artista encontro excesso de detalhes que, não raro, lhe dá aos quadros um quer que seja de pontilhamento, de mouchisme, como dizia o infeliz simbolista Aurier. As suas paisagens, essas que estão no Salão, e outras que ele tem exposto, apresentam-se muito cortadas, muito cristalizadas - direi - se o termo pode ser bem apreendido na sua accepção. O que nele mais se recomenda em primeiro lugar é a cor, pelo que respeita à pintura, e depois a fidelidade detalhista pelo que toca ao desenho.

Essas duas qualidades melhor são aproveitadas nos seus quadros de gênero, como esse de n. 199 (interior com figuras) - (sic) cuja composição é bem feita, o que nem sempre se nota nos nossos pintores de costumes. O grupo do quatro figuras, de que se compõe o quadro - uma moça mãe tendo ao regaço o filhinho novo, e rodeada de dois adolescentes - é arranjado com habilidade, consegue interessar pela expressão de curiosidade que inculca, porquanto se forma para excogitar, através uma larga vidraça, qualquer cena que se passa fora. Com esses quadros o Sr. Rocha expõe também um painel ou, como explica o catalogo - paneau decorativo - sob o titulo Inspirado, em que há felicidade de expressão. É um busto de menino em perfil, que ergue a destra armada do um pincel para fixar uma imagem na tela. O conjunto pela cor, e pelo accessório, é agradável, corresponde ao intento do trabalho.

O professor Modesto Brocos, em pintura a óleo, só expõe um quadro intitulado Cena Doméstica, pintado com o saber que todos lhe reconhecem, mas despido de interesse estético. Pode ser que lhe não faltem admiradores, e até entusiastas!... eu, por mim, é que lhe não baterei as palmas nem aos que o copiarem, pois, sobre achar fria, desajeitada e banal essa Cena Doméstica, não compreendo o deleite que à estesia de um artista poderá dar semelhante colocação de figuras, a que falta visivelmente naturalidade, e falha a composição do assunto.

Essa maneira foi usada por Almeida Júnior, que havia perdido as excelentes qualidades técnicas da estreia para se transformar num pintor pastoso, amaneirado e duro. Obteve, porém, sucesso e não pequeno. Chegou a fazer discípulos. Mas, considerada a nossa incultura estética e essa intermitente pretensão de fundamentar uma arte nacional com a pintura de costumes, o exemplo poderia ser acolhido, e atenuado pelo apuro educativo dos novos artistas.

Agora quem lhe segue a traça, sem se reoccupar com a correção do principal defeito, é o professor Brocos e na Cena Doméstica tem mais uma infeliz tentativa, como já teve nos Filhos de Cham [sic], não obstante seus reconhecidos méritos de pintor e desenhista.

Também com um quadro de gênero evidencia-se no Salão o Sr. Rodolpho Chambelland. Esse não é professor nem é ainda um artista livre dos conselhos do mestres, mas a sua Noite de espetáculo possui composição e, sobre ser um esforço técnico de efeito a duas luzes artificiais, tem o encanto do assunto eurítmico. Descontadas algumas pequeninas precipitações de neófito, entre as quais o exagero iluminado das portas ao fundo do quadro e o enluaramento da luz eléctrica que lhe escapou em parte, são tantas as suas boas qualidades que bem merece a importância obtida.

O seu desenho se vai acusando duma firme elegância, sobretudo no que respeita à composição, dá-nos nítidas e movimentados figuras que a palheta completa. Há nesse quadro efeitos muito bem reproduzidos, como o da lanterna do coupé sobre as costas do cocheiro e nas ancas dos cavalos, e em tudo um capricho, um asseio de pincel que o recomendam para o futuro, posto que, desde já, se lhe possa predizer uma certa tendência para o chic, como esse assunto indica e como ainda se observa no bom retrato a pastel exposto sob o n. 48.

O Sr. Lucilio de Albuquerque, que há de ser outro artista de amanhã, expõe dois pasteis e dois quadros a óleo, sendo um desses um bonito retrato de senhora, tratado com largueza no busto e louvável minúcia na cabeça.

O Sr. João Macedo (prêmio de viagem, 1900) entre algumas paisagens observadas com cuidado, expõe uma Porangaba, inspirada em Juvenal Galeno, cujos versos estão transcritos no catalogo.

É um fundo de paisagem e no centro do quadro, deitada sobre a relva, uma cabocla de face pendida ao chão, em atitude acabrunhada.

Ha alguns anos que os nossos pintores não se lembram dos caboclos, vício implantado pelo indianismo da Gonçalves Dias e Alencar.

Escritores de outra geração, que se ocuparam do belas artes, nomeadamente Aluizio de Azevedo e Urbano Duarte, fizeram-lhe troça; e já me não recordo quem foi que disse ou escreveu que o caboclo, em pintura, era como o sabiá na poesia, sujava o assunto.

Não serei dos mais adversos ao caboclo como assunto pinturesco, não o considero menos estético que o caipira; ao contrário, por sua nudez pode ser boa academia, desde que não falte talento ao artista para saber colocá-lo no quadro. Mas, o que devemos exigir, é que o caboclo seja realmente caboclo e não se pareça com os selvagens dos romances nacionais, que aprenderam retórica em artinha de padre-mestre. Ora, todos os pintores que tem tomado por tema esse bicho humano, que é o caboclo, não se dão ao trabalho de o reproduzir talqualmente [sic] ele é; fazem-no de cera da terra ou de barro cozido, argamassam-no consoante suas próprias habilidades de artista e seus recursos imaginativos. E daí uma caboclada pelintra, rebolante ou escanifrada, que nos desafia a ponta dos botins.

O Sr. Macedo incidiu no mesmo tipo, caiu no mesmo erro, e nem sequer nos fala à alma pela melancolia do quadro como o velho Sr. Medeiros com a Iracema, que o pinacoteco conserva. Se o Sr. Macedo é moço cordato, e bem intencionado, pedimos-lhe o obséquio de se deixar de caboclos, machos ou fêmeas, porque da sua arte, Sr. Macedo, esperamos cousa mais meritória.

Raramente os que produzem muito são os que melhor trabalham, e é o caso do Sr. J. Fernandes Machado (prêmio de viagem, 1901). O Sr. Machado apresenta uma grande quantidade de quadros, sendo um deles de grandes palmos - Cristo curando um paralítico.

A pintura do Sr. Machado me parece apressada, falha de emoção e por demais comum. Da numerosa obra exposta apenas destacarei a Primavera (Bois de Vincennes) e o de n. 120 (Repouso e Estudo) que nos deixam alguma impressão.

É de lamentar-se que, este ano, dois originais artistas como são Heitor Malagutti e Helios Seelinger estejam tão mal representados! A Malagutti faltou a resignação de se subtrair ao certame artístico, ao Seelinger uma boa amizade que o aconselhasse.

* * *

AQUARELAS - À parte os professores H. Bernardelli, Brocos e Treidler, que expõem trabalhos já conhecidos na áltima exposição dos Aquarelistas, notei duas finíssimas aquarelas de Elyseu Visconti, Leitura e Paisagem.

A primeira é um delicado estudo de cabeças adolescentes que atendem a um livro, a segunda uma boa manhã de sol entre névoas, feita com o asseio de colorido e a funda emoção que caracteriza esse grande, forte, original artista.

As senhoritas Cunha Vasco (Anna [Anna Cunha Vasco] e Maria [Maria Cunha Vasco]) não perderam a oportunidade de exibirem seus conscienciosos trabalhos do paisagistas, onde as recomendáveis qualidades do professor Treidler vão sendo, progressivamente, assimiladas por duas naturezas dotadas de alto instinto estético. E não lhes teço elogios por urbanidade ou deferência às prerrogativas do sexo, pois não conheço tais prerrogativas em letradas, literatas e artistas, além da minha razão se opor a todo o transe aos salamaleks da cortesia quando o dever me reclama a opinião.

O Sr. Luiz de Freitas é tambem expositor de aquarelas, e são de suas mãos trabalhadoras o Jogo da Marra e o Escrivão Publico que nada perderiam se tivessem mais um pouco de vigor.

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ESCULTURA - É pobre, é paupérrima, mais que isso - é desalentadora a escultura no Salão deste ano.

O professor R. Bernardelli apresenta num pequenino bronze o retrato do Dr. G., de que nada se pode dizer, atendendo-se a extraordinária técnica do artista que é inexcedível nesse gênero, e à nenhuma qualidade de composição do trabalho.

O Sr. Amadeu Zani (de São Paulo) expõe dois pequenos bustos, retratos do Dr. Prudente do Moraes e do Senador M. B., e um baixo relevo em bronze, todos tratados cuidadosamente.

E Corrêa Lima, o emocionante escultor de Mater Dolorosa, o vigoroso artista do Velho Pagé, do Prisioneiro e do Caim', três pequenos e admiráveis bronzes, apenas nos apresenta um gesso sobre o titulo - Menino - que só poderia recomendar o nome de um principiante.

É desalentadora a escultura, neste Salão!

Setembro de 1904.''

GONZAGA DUQUE.

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Imagens

PROFESSOR R. AMOÊDO - ORAÇÃO

JOÃO BAPTISTA MEDALHA DE OURO FIM DE JORNADA

J. BAPTISTA - ESTRADA DA ESTAÇÃO (MANGUINHOS)

R. CHAMBELLAND - NOITE DE ESPETÁCULO - MEDALHA DE PRATA

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Digitalização e transcrição de Arthur Valle

DUQUE, Gonzaga. O SALÃO DE 1904. Kósmos, Rio de Janeiro, set. 1904, n/p.

DUQUE, Gonzaga. O Salão de 1906. Kósmos, Rio de Janeiro, set. 1906, n/p.

Nessa radiosa manhã de feriado, em que o sol, lembrando um soneto de B. Lopes, parecia:

... um guizo de ouro, cheio

Da alegria sonora de uma rima, desci vadiamente para a poeirada da cidade em reconstrução. Caras alegres, muita gente em casemiras claras, algumas mulheres bonitas. Radioso dia!

Na praça de S. Francisco do Paula encontrei o meu ilustre amigo Polycarpo, todo dominical numa fatiota cinzenta, enfeitando a sua lapela com um ramilhete de hortênsias, de fronte de achavascado brutamontes, vendedor de flores.

É bem de supor que vossas excelências, respeitáveis leitores, não conheçam o Polycarpo. Não se trata do hílare Polycarpo Banana, do Eduardo Garrido, nem de algum João Ninguém p'ra aí assim. Eu vol-o apresento. É moço, creio que vai pelos trinta anos, no máximo. A estatura fica-lhe entre o baixo e o alto; arredonda-se-lhe o corpo no desfruto da boa vida, trás bochechas escanhoadas, é moreno, usa bigode e pince-nez de míope em aros de tartaruga sobre o narizito ao vento, e unido a isso al­gum talento, algum dinheiro, umas cócegas literárias, muita jovialidade e, se não fossem os seus arrebatamen­tos tropicais, seria a mais adorável das companhias durante algumas horas.

Polycarpo, acollhendo-me jubilosamente, pregou-me logo uma rosa ao peito, e solícito como sempre:

- Qual o teu destino?

Encolhi os ombros; O que estiver escrito no imenso livro do Senhor Deus eterno.

Amigo Polycarpo coçou o queixo, farejou as alturas, depois, resoluto, tomando-me o braço: Vamos ao Salão.

- Perfeitamente. Ao Salão. Prestas-me um grande serviço, farás por mim a critica (ou coisa que a valha) dessa exposição. Se a não fizeres colaborarás nela, pres­tando-me a leveza do teu inesgotável humorismo. Emprestar-me-ás a nota original das tuas observações.

Ao Salão, amigo Polycarpo!

Em minutos alcançamos a Escola de Belas Artes, em cujo átrio esbarramos com dois enormes gessos. Polycarpo pretendeu admirá-los, ao que me opus com o argu­mento considerável de que as grandes coisas devem ser guardados para o fim. Compramos as entradas e subimos.

Ao primeiro relance de olhos algumas paisagens impressionantes, um Vasquez sobressaindo pelo vigor da sua fatura, duas magnificas cabecitas de Columbano, uma firme caraça de negro por Thimotheo da Costa [Arthur Timotheo da Costa]...

Particularmente Vasquez nos atrai. As suas quatro paisagens - Planalto de Teresópolis, Rio Paquequer, Serra dos Órgãos, e Afluente do Paquequer, são magnificas. Esse pintor, que por tão longo tempo persistiu na obscuridade de uma voluntária existência humilde, é das melho­res organizações artísticas que contamos entre contemporâneos. A sua visão apreende sinteticamente, o seu colorido é quente, e ao mesmo tempo sóbrio, a sua maneira original. Não reproduz unicamente, interpreta, entra na expressão da natureza, funde-a com a sua alma.

Passamos adiante.

Polycarpo endireitou as lunetas no narizito cheiradiço, alvejou um quadrinho. É uma linda cabeça de morena, em perfil, curvando-se ao decote dos seios onde pousou uma borboleta azul. O aveludado do pastel dá-lhe à epiderme a maciez voluptuosa das penugens nascentes, o revérbero do fundo, em vivos apoteósicos de alaranjados, ilumina-lhe o contorno do perfil, a nudez do busto que parece feita de uma maravilhosa pele de seda frouxa vivificada por beijos.

- Magnífico! - disse.

- Sim, magnífico! - concordei.

Olhamos, ambos, o catalogo. Tem o n. 8. e traz a assinatura de Arthur Lucas. Conheço muito este nome. Arthur Lucas é um belíssimo artista desviado do curso natural da sua tendência por circunstâncias indebeláveis da sorte contrária. Pintor, e pintor por temperamento, fez-se caricaturista, fez-se ilustrador, porque o gênero lhe garantia a subsistência. Mas a sua qualidade nata de colorista, a sua grande vocação para a palheta, ficou latente e, por vezes, rompeu obstáculos de tempo e compromissos para se externar em lindos painéis imaginosos, de uma suave fantasia de cores e de formas. A falta de tempo, porém, mantinha-o afastado das exposições. Felizmente aqui temo-lo agora, provavelmente o teremos sempre e sempre com esse entrain, com essa viveza e poesia que o destacam em primeira linha dentre os expositores atuais.

Polycarpo, na sua terrível incontinência meridional, fazia exclamações: Bravo! bravíssimo!... Este é um artista!...

Mas, como o catálogo indicasse outro quadro do mesmo Lucas, sob o n. 7, procuramo-lo ansiosamente. Lá está! É também um pastel. Sobre um fundo roxo, igual, sem nuanças, destaca-se outra cabeça de mulher, de uma suavidade sonhadora, quase ideal. Também morena, e em perfil, mas desse moreno tênue das magnólias que se vão fenecendo; da coroa escura dos seus quentes cabelos castanhos pende um véu transparente, que a envolve numa névoa de visão e todo o seu busto, que é leve como as plumas, está encoberto por um leve tecido claro, em tons brandos de branco e cinza, harmonizando-se com a indecisão sentimental do seu semblante, que o gesto da mão, sobre a vareta do leque revela e inculca.

Polycarpo, comovido, sacode-me o braço:

- Hein, que dizes?

- É um artista, amigo Polycarpo, é um artista que aqui está, para gozo nosso e honra da pátria.

- Caramba! Eu, se fosse do júri, dava-lhe logo vinte medalhas de ouro e duas viagens à Europa. Olhe você, que esse homem lá na terra de gente fazia figura.

- Não há duvida, ilustre amigo. Este Sr., Arthur Lucas, que é o infatigável Bambino dos "calungas" de jornais ilustrados, entrou magnificamente nesta exposição.

Merece palmas de ouro e trompas clangorosas de vitória. Urrah! pelo Lucas.

Polycarpo, esquecendo-se da gravidade do lugar, berrou escandalosamente: urrah!

Respeitáveis senhores tremeram, assustados; os biombos de paninho vermelho oscilaram.

E para não destruir a deliciosa impressão que me deram essas duas cabeças, interpretadas por uma alma de poeta, volvi os olhos para um sereno, fascinador retratinho de rapariga, assinado pelo extraordinário Aman-Jean. Polycarpo protestou em nome do seu feroz nativismo contra este meu ato: Ali, o que tínhamos a ver, era o trabalho dos patrícios... os estranjas, esses, não necessitavam do nosso julgamento, eram reputações feitas, eminências na Arte... Olha aquilo, olha a nossa luz naquele quadrinho.

Apontava uma paisagem do professor Baptista da Costa, que descobriu o segredo de reter na tela a cor, a luz, o contorno pitoresco da nossa natureza. Passamos em revista as suas obras. Como sempre encontramo-la conscienciosa, seriamente feita. Mas, apesar de todas as boas qualidades que se poderá notar no seu grande quadro À beira do lago, preferimo-lo nos quadros de menores dimensões, na Margem do Paraíba, na Paisagem do Leme, na Paisagem Mineira, em que não há verdadeiramente composição do assunto, mas reprodução do observado. As figurinhas do primeiro não correspondem à intensidade emotiva do cenário. Desta opinião também participa o meu ilustre amigo, o respeitável Polycarpo, que tem competência em assuntos de arte, pelo menos igual à que nós outros presumimos possuir e o bastante para ser ouvido e cheirado por nossas celebridades.

Assim foi que ele notou com muito critério o progresso alcançado pelas Sras. Rachel Boher e Sarah del Vecchio, nos estudos de paisagem. Dessa última senhora há um interessantinho [sic] quadrinho, a Ponte do Aquarium em que se revela a proveitosa influência do seu professor, o já conceituado Baptista da Costa.

A Sra. Boher apresenta um bom estudo da praça Malvino Reis, em Copacabana, feito com muita segurança dos valores e do desenho. Essas senhoras, como as aquarelistas DD. Anna [Anna Cunha Vasco] e Maria Cunha Vasco, prometem ser artistas de real merecimento.

Do paisagista pernambucano Telles Junior, de quem se ocupou nesta revista, há um ano, o Sr. Oliveira Lima, encontramos um quadrinho que se nos afigura insuficiente para constatar o mérito que esse escritor lhe deu. O seu acabamento acusa maneirismo e, nos detalhes, vemos persistências que denotam dificuldades.

O Sr. Dall'Ara dá-nos três estudos bem desenhados e intensamente coloridos. Muito bons.

Percorrendo o catalogo encontramos o nome do Sr. Bevilacqua (Eduardo Bevilacqua) que, no ano passado, apanhou a medalha de segunda classe. Isso parece que o excitou beneficamente, porque no Salão de hoje os seus dois trabalhos expostos são muito, muitíssimo superiores aos daquele ano.

Polycarpo chama-me, delicadamente, a atenção para a Infância de Orfeu. A paisagem está bem iluminada e os pincéis correram com largueza; a figurinha de Orfeu, se não fosse o desenho da perna direita, mormente do pé, seria feliz. Outro trabalho do Sr. Bevilacqua é um retrato, em que se revela o seu desejo de progredir. E não há duvida, fez um passo enorme! O retrato é bom pelo que respeita à pintura. Sem o censurar, eu desejaria a cabeça fosse mais consistente, mas a roupa, como accessório, agrada-me grandemente, assim como a distribuição da luz, feita com tal habilidade que dá um delicado interesse à figura.

- Neste caso...

- Se lhe deram medalha no ano passado é justo que lha deem neste ano.

- E este Sr. Carlos Chambelland?... - perguntou-me Polycarpo, diante dos Olhos curiosos.

- É um rapaz de grande talento, um belo artista que vem chegando. No Salão de 1905 expôs um bom retratinho, mais do que isso, um excelente retratinho.

- Mas.... estas duas figurinhas, que lá estão na praia... Com franqueza, não te parecem desajeitadas?

Sim, não me agradam... sobretudo, a do homem. Em todo o caso, Polycarpo amigo, há muito ar neste quadro, e tudo é frescura, tem o ambiente marítimo, o horizonte é vasto,.. Repara bem nestas três figurinhas femininas. São d'après nature. E se queres conhecer mais o valor desse moço, que muito promete, olha este retratinho. Pode-se-lhe dizer tímido na pintura da cabecita, falta-lhe acabamento, vigor, mas repara estes olhinhos, como vivem, como eles fitam. Atende a este corpo, a este vestidinho branco... Hein?... Aqui há desenho, há pintura...

- Davas-lhe também uma medalha?

- Certamente, até a medalha de ouro!

E hás do convir em que a nossa pintura está cheia de promessas, que devemos aproveitar. Há um numeroso grupo de rapazes de talento.

- Por exemplo...

- Esse Thimótheo da Costa, o Arthur, irmão do outro Thimoteo [João Timótheo da Costa]. Aqui tens o Livre de preconceitos...

- Deveria ser: fora das regras da arte...

- Nem tanto. Vejo que esta figura do mulher deitada num comoro de areia, está desarticulada, a perna esquerda vem em curva para um plano errado, contrariando a posição do tronco quase em escorço; vejo que a sua perna direita forma uma linha piramidal que se desloca violentamente do resto do corpo...

- E que mais?

- Não obstante tudo isso, a composição é audaciosa, põe uma nota de rebeldia nesse meio...

- Começando por não significar coisa nenhuma.

- Espanta-me a tua intolerância, amigo Polycarpo.

- Eu tolero tudo, meu velho, desde que seja tolerável. Calcula tu que, saindo daqui, um nefelibata nos agarrasse e nos fizesse ouvir uma coisa mirabolante, pouco mais ou menos assim: A pompa triunfal do empavesamento císnesco das galeras d'ouro, ardendo em explosões de minas arrebatadas sob o holofote do sol nascente, arquitetava Babilônias flutuantes com festins de Baltasar nos montículos movediços do corcoveante oceano... Seria isso tolerável?

Emudeci. O jovial Polycarpo quando escorrega para o sério é simplesmente formidável.

- Bem. E o que dizes deste violinista?

- Acho-o soberbo, é uma das melhores obras deste Salão. O Sr. Carlos Oswald trouxe para a pintura o talento com que o seu ilustre pai cultiva a música. Esta cabeça está viva, não se pode negar; há alma nesses olhos, essas mãos tem sangue, e músculos e nervos. Admirável figura! De resto, toda a obra desse moço ainda mesmo que pouco nos agrade, como a Magdalena, possui a marca do um artista, sente-se-lhe o calor da febre da composição. Quando não tivéssemos este extraordinário violinista, bastaria a Triste para revelar essa individualidade que veio honrar a nossa arte com o brilho do seu mérito. A mão desse moço tem a segurança de um mestre, o desenho sai-lhe certo e firme, a sua palheta possui um brio pouco comum, a sua tinta ilumina com um raio ou suaviza e melancoliza como o luar; e em tudo está a sua alma de artista, o seu poder do criar, de evocar, de comunicar, A própria Magdalena, a que me referi, se tivesse por título - estudo, academia, nu - ou outro qualquer que o não determinasse, que o não fizesse um tipo, seria ótimo trabalho. Magdalena! porque?... Em que esta figura indica a pecadora arrependida que acompanhou Jesus de Nazaré?... Será pelo acabrunhamento em que permanece?... Será simplesmente um nome de acaso, como seria o de Silvia, Marta, Joana?... Que nos importa a nós que uma mulher nua, sobre um divan, sem outros attributos que inculquem a sua origem, a sua raça, os seus costumes, se chamo Joaquina ou Rachel?... Pondo isso de parte, toda a obra desse moço é uma afirmação incontestável do seu talento e do seu saber.

O Sr. Oswald conquistou, com ela, um dos primeiros lugares entre os nossos pintores e nesse lugar conservar-se-á, sem dúvida, aumentando o fulguramento do seu nome para glória da nossa pátria.

Outro artista novo que se nos revela no atual Salão é o Sr. Francisco Manna.

O seu estudo ao ar livre, o Claro-escuro social e a Luta pela vida são obras que afirmam uma individualidade incipiente. Como interesse artístico preferimos o estudo ao ar livre e a Luta pela vida ao grande quadro Claro-escuro social, mas em todos encontramos o mesmo sentimento da cor, a mesma facilidade de pintura, o mesmo cuidado de desenho. O Sr. Manna é o mano dos nossos bons artistas.

De repente, Polycarpo berrou um - oh! - escanda­loso. Duas modestas senhoras que, acomodadas em ca­deiras, olhavam sonolentas o retrato do infeliz Dr. Augusto Severo pelo falecido e modestíssimo Franco do Sá, estremeceram, aterrorizadas. Corri para o meu ilustre amigo: Que é!

Ele não se podia conter, estava vibrante; agarrou-me pela cintura, arrastou-me violentamente para o lugar em que se achava, e numa ânsia admirativa repetia-me:

- Admira, admira isto! Admira.

Era a Dame à la Rose, de Belmiro de Almeida.

Sim, devíamos admirá-la. Realmente, essa pintura demonstra um profissional completo. Ali tudo foi atendido: o desenho, que é certo, macio, reconstruidor; os tons, que são magistrais nos seus valores; e a expressão, que se nos comunica e vive e atrai. Olhamo-la demoradamente.

A linha esguia desse corpito, vestindo tecidos negros, move-se numa graça serpentina e tão nervosa e magra ela é que lembra uma tulipa negra! Sobre a fragilidade do pescocinho a cabeça volve-se para nos sorrir - descobre-se-lhe, então, a insídia do olhar que nos fascina, a feitiçaria do sorriso que nos entontece. É uma viva figura, uma admirável figura que, entusiasmando Polycarpo, lhe arranca da originalidade esta frase, em que esta caracterizada todo o exquis do modelo: Bizarro louva-deus da moda!

Belmiro é o mesmo artista de há dez, de há quinze anos passados. A sua pintura conserva o encanto do asseio, da precisão, da certeza que a sua pratica adquiriu e a sua índole cultivou. E neste quadrinho da Amuada, que aí está, encontramo-lo com as mesmas qualidades de rigoroso desenhista e fino pintor que levaram o seu nome ao mais alto conceito entre os nossos artistas.

Do mesmo modo se mantém na elevada reputação conquistada os Srs. Treidler com suas belíssimas aquarelas, Visconti com um adorável Segredo, que fez parte de uma coleção exposta há anos e Weingärtner sempre delicadamente meticuloso; Raphael Frederico expõe uma paisagem, um tanto prejudicada pelo plano direito em que há um rio demasiado para o bom efeito do quadro. E... Mas, o amigo Polycarpo começa a sentir fadiga. É sua opinião que já vimos o que devíamos notar, o mais que o admire quem tiver tempo.

Partimos para a sala de escultura. Como sempre pobre e fria. Correia Lima, que nos podia comover com o seu belo talento, contenta-se em expor um busto-retrato do almirante Mello e outro gesso, o Trabalho, inegavelmente modelado com o saber de que há dado sobejas provas. A Sra. Nicolina de Assis apresenta um busto-retrato, em bronze, bem feito e o projeto de uma fonte; o aluno Cunha Mello agrada-nos muito com o seu gesso, retrato de A. C., realmente interessante. Ainda Belmiro de Almeida nos surpreende com uma cabecinha em bronze, retrato do Dr. G. B. e a Sra. Julieta França, recém-chegada da Europa, diz-nos por sete trabalhos o aproveitamento do seu tempo de pensionista da União. Nesses sete trabalhos há um busto em bronze, retrato, dois em gesso, também retratos, a maquette de um monumento da República e mais duas grandes composições.

A maquette possui uma bonita linha monumental e para julgarmos satisfatória às nossas exigências desejaríamos que as figuras do pedestal em vez de isoladas, tivessem conexão entre si, formassem um conjunto, rompendo assim com a forma clássica e dando-lhe maior importância inventiva. Das suas composições deixo ao ilustre Polycarpo o encargo de as julgar. E, portanto, dou-lhe a palavra. Amigo, dize tu o que pensas desses gessos.

- O que penso? Com franqueza, inclino-me simpaticamente para a obra dessa escultora, a sua predileção pela nudez é uma prova de aplicação. A grande escultura é o nu. Mas, a Sra. Julieta, não sei porque, não se dá ao trabalho de amadurecer as suas concepções, parece que tem a sofreguidão de produzir.

Se ela houvesse procedido com maior tino na composição da Confidência, veria que o assunto não se prestava à grandeza dada às figuras nem deveria ser este o modo de agrupá-las. Há precipitação em tudo isso. Mais lentamente, para dizer melhor - mais amadurecidamente, o assunto se lhe apresentaria de outra maneira; as figuras, pelo razão do título, completar-se-iam num conjunto mais estético e também mais verdadeiro. Haveria, pois, outra expressão. Este defeito ressalta também do Filho Pródigo. A posição da figura não nos indica o momento nem caracteriza bem o indivíduo. Se lhe escrevessem no soco, em lugar de Rêve de l'enfant prodigue, Sonho de Jacob ou Fadiga ou Sesta do pastor, olharíamos para ele com a mesma emoção. O que lhe falta, como falta a Confidência, é a interpretação, é o flagrante, que, numa simples mirada, tudo nos revela. Pensado, reflectido, estudado o assunto, teria a escultora alcançado o quanto pretendeu. A inspiração fica na primeira maquette. Se o gênio a bafeja, essa maquette será extraordinária, mas se a ideia apenas resultar de uma especial disposição de temperamento, é preciso pensar muito, fazer e refazer, estudar pacientemente para encontrar a sua expressão exata.

Assim falou Polycarpo. Sorri-lhe, estendi-lhe as mãos: Obrigado, amigo, obrigadíssimo. Em nome da arte, obrigadíssimo.

Agora, à Vida!

À Vida! - Confirmou Polycarpo. E saímos para o ar livre das ruas.

GONZAGA DUQUE

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Imagens

COPACABANA

À BEIRA DO LAGO

OLHOS CURIOSOS

CLARO-ESCURO SOCIAL

DAME A LA ROSE

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Digitalização e transcrição de Arthur Valle

Atualização da grafia por Vinícius Moraes de Aguiar

DUQUE, Gonzaga. O Salão de 1906. Kósmos, Rio de Janeiro, set. 1906, n/p.

DUQUE, Gonzaga. SALÃO DE 1905. Kósmos, Rio de Janeiro, set. 1905, n/p.

No átrio, pouco distante do Gladiador, vejo passar a silhueta ornamental duma esvelta senhora, encantadoramente cindida por um costume-tailleur cor de musgo. Num gesto rápido, em que a elegância se confunde com a prática, a sua estreita e fina destra, em pelica branca, arrepanha a saia. Descubro a linha d'escorço dum borzeguim de verniz... Ela galga os degraus. Ao enviesar no lanço esquerdo, em frente ao nicho, apanho-lho o perfil, de relance. É claro. Tem a pupila negra. Negros lhe são os cabelos, sobre os quais decliva para a frente um chapéu de palha negra, empertigando a aba posterior sobre uma guirlanda de rosas brancas...

Penso: é um bom augúrio. Compro a entrada e o catálogo. Subo. Biombos vermelhos, um espaço curto. Levanto o olhar. Junto à trave da porta, a única que dá acesso ao Salão dividido em três compartimentos, uma figura fria e negra me surpreende. Parece um corvo atalaiado. Atento melhor. É um retrato. No negrume das roupas, na treva do fundo, uma face pálida, a branco, permanece melancólica. Dizem que é o poeta Albano. Assim, em branco e preto, e na altura em que está, parece o ator Dias Braga... quando moço. Entrementes, sinto-me perturbado, um perfume delicioso, arrancado à flora exótica de países maravilhosos, penetra-me o ser, enlanguesce-me.

Que é que me aturde tão deleitosamente?! ... Há perto de mim a carícia duma sombra. Volvo o olhar e dou com ele na esvelta senhora em costume-tailleur cor de musgo. Suas pupilas negras, que são duas noites claras de lendas, fitam o retrato, por momentos; o fruto paradisíaco da sua boca se entreabre - lucioleiam alvuras - e se arrevesa gracilmente num breve momo...

E tenho o olhar fascinado por ela. Envolvo-a, encasulo-a no meu deslumbramento. Ela então, lentamente, volta para mim as noites claras das suas pupilas profundas. Percebo-lhe no semblante o reflexo dum desdém, mas que não ofende nem repele, porque apenas tem um vago de indiferença no indeciso duma surpresa. É o instante de todas as mulheres bonitas diante do estranho que as contempla. Olha-me e afasta-se.

Bem. Dou-me por satisfeito. Ao menos vivi um segundo na luz negra das suas pupilas profundas. E essa exposição começa a me interessar grandemente. Uma oleografia, com o título A Prece, parece-me despretensioso trabalho de amadora ingênua. As delicadas mãos que a envernizaram são, realmente, prendadas. que isso foi trabalho de muita paciência! Em todo o caso, mãos prendadas e que, sem dúvida, com igual habilidade, tocarão mazurcas ao piano e darão ponto à calda dos saborosos papos d'anjos!.... Mãos proveitosas de feliz senhora!

Adiante. Um quadrinho intitulado Primavera palpita na sua moldura. É dum espanhol, o Sr. Fernandez Gomez. Desenho certo, boa cor, luz intensa. Tem, como a maior parte dos modernos paisagistas espanhóis, o maneirismo da feitura; mas isso não o impede de ser uma obra bem acabada. Dá-lhe graça a figurinha de mulher que, em meio da paisagem, recolhe flores.

Ha também uma vigorosa cabeça de velho tratada com audácia e segurança por um artista de grande valor, que se chama Carlo de Servi, e um crepúsculo, do Sr. Cantanheda, um pouco mole, mas suavemente pintado.

Ao lado, o Sr. Dall'Ara expõe uma marinha: ao fundo uma ilha, assim me parece, crivada de casinhas. Água mansa, um patacho ancorado, barcos em derredor. Tudo isto desenhado pacientemente e pintado ao vivo. Faltando-lhe o interesse estético do conjunto, sobra-lhe o da observação. O Sr. Gustavo Dall'Ara possui, nesse processo, que lhe é peculiar, o mérito da probidade. Como pintura documental, excede à fidelidade fotográfica e se o captain do patacho o levar pra sua terra longínqua, ao envelhecer e quando puser lume ao cachimbo, após o empanturro do repasto, poderá dizer à velha esposa, alçando o dedo nodoso em alvo a um determinado ponto da ilha:

- Estás vendo aquela casita, lá em baixo?... Pois ali, muitas vezes comi bananas com farinha...

* * *

O lado oposto, em toda a altura do biombo, há o reluzir de faianças vitrificadas, dominando o rosicler.

Um velho cor de rosa, barbado e de óculos de ouro, assim ao molde dum conselheiro de Estado, demonstra irrefutavelmente que o declive brusco das mesas de pés quebrados, sendo um problema de equilíbrio para a estabilidade dos objetos que a encimem, é também uma excelente tipoia para os braços aleijados; mais adiante um velho cachimbeiro, que parece um vitral iluminado, emerge dum banho de carmim; vejo ainda um moço de dragonas diluindo-se na gloria rósea da sua elegância, e, ainda mais o patife dum Sileno que vem provar à gente que o presunto de York é feito da carne dos beberrões. Como se vê nada mais alegremente instrutivo. Demoremo-nos por alguns segundos. Aqui está uma grande tela a que, por motivos vários, se pôde chamar uma tela abundante.

De pé, em meio do quadro, uma rapariga nua exibe o seu dorso ao público [Imagem]. E note-se que é um dorso... de se lhe tirar o chapéu, porque a superabundância das redondezas assume proporções fenomenais.

Em frente ao quadro, que é do Sr. Augusto Petit, está um homem pasmado. É baixote e atarracado, rebarbativo. Um par de suíças grisalhas ladeiam-lhe a caraça rapada e congesta; tem um bugalho terno, quase lagrimejante, e para ver bem, para não perder minudências, montou as lunetas na batata escarlate do nariz.

Eu (ao seu lado, a meia voz e timidamente) - A rapariga está reluzindo, mas quanto a asseio parece que não é lá das mais caprichosas...

Ele (olhando-me de esguelha, meio desconfiado e irritado) - Aquilo é o sombreado, seu coisa. Você ínté parece que nunca viu pinturas!

Eu (humilde e tranquilo) - Ah!... é sombreado!.. Está bem. Parecia sujo. Nada mais natural do que haver poeira nas porcelanas...

Ele (escandalizado) – Porcelana?!!

Eu (procurando sossegá-lo) - E não é de porcelana, a rapariga?

Ele (numa risada, superior ante a minha ignorância) - Ó seu gajo!... você não vê que a menina está pintada na tela?...

Eu (ingenuamente) - Ah!... pintada, sim... Ora, quem diria?...

Ele (após um silêncio, e com intimidade) - Cá estou a calcular os teres...

Eu - ???!!!

Ele (no mesmo tom) - Se o mestre deixasse-m'a p'r'aí por uns oitenta a cem mil réis...

Eu – Comprava-a?

Ele (triunfante) - Está visto que sim.

Eu (a piscar-lhe o olho) - E estava ali estava [sic] na parede do seu dormitório...

Ele - Nada! Não, senhor... Ia... mas era p'r'a sacada.

Eu (boquiaberto) - Para a sacada?!!

Ele - É o que lhe digo, p'r'a sacada... Mandava o mestre pôr-lhe umas letras...

Eu (ainda mais boquiaberto) - Perdão... não o compreendo.

Ele (com amuo) - Homem - você não é lá, p'ra que digamos, muito sagaz!

Eu - Um poucochinho bronco, às vezes... se me consente a modéstia...

Ele (embevecido no seu desejo) - É o que lhe digo... Aquilo na fachada do meu negócio...

Eu (atalhando-o) - Ah! sim... compreendo-o... seria anúncio.

Ele (radiante) - Isso!... Isso!...

Eu - E a casa de V. S. é de banhos?

Ele (com orgulho) - Nada! Não, senhor... É um negocio de fressuras e mais miudezas...

Eu - Original! E que letras mandaria V. S. escrever no quadro?

Ele - Hom'essa! O título do meu negócio - Ao balão do Ferramenta!

Eu (curvando-me) - Está a calhar... V. S. é, simplesmente, um extraordinário simbolista!...

* * *

No segundo compartimento.

O Sr. Heitor Malagutti expõe uma original Quietitude, em que a sua característica de imprevisto, por vezes falha, destoa da mole vulgaridade da maioria. Serve-lhe de assunto o busto duma grave senhora que, amparando no regaço uma loura criança adormecida, levanta o braço esquerdo em movimento de oferta, segundo se depreende pela laranja que está na sua mão.

Certo que essa pintura não tem o atrativo comum dos quadrinhos de enfeite, é um pedaço de tela meditado, longamente, durante horas de idealização e ao queimar duma cigarrilha. E dentro da sua aparente simplicidade encontra-se algo de espiritual, que resulta duma ideia preconcebida. É, em verdade, um obstáculo criado entre o artista e o público essa maneira singular de interpretar e fazer; mas, dado que exprima a sinceridade dum temperamento e esteja conforme às regras fundamentais da arte, ao público nenhum direito assiste de censurar o seu autor além do que lhe compete em recusar a sua simpatia a essa obra. Nem por isso ela deixará de ser intensa e alcançar o seu destino, restringida, embora, a um pequeno círculo de amadores.

Ora, a Quietitude, se diverge da maneira comum de pintar, não se insurge contra os princípios inalteráveis do desenho e da cor, porque ela os respeita na relatividade do seu modo de ser. Sobre tanto possui, como obra de arte, a objetividade do assunto, que se lhe apreende na serena fisionomia da grave senhora, a quem a rebuscada ingenuidade do contorno empresta uma característica expressão matronal, em que se externa o seu justo orgulho de procriadora. A firmeza macia do seu olhar possui uma penetração que excita pensamentos. E pela tranquilidade, como pela atitude, a sua significação completa-se nessa criança loura, adormecida no seu regaço, tal houvessem, ambas, saído dum muro de templo cristão onde as deixaram os cândidos pinceis dum decorador primitivo.

Daí provém a fixação intencional do artista, que pretendeu e conseguiu dar ao quadro o caráter pré-rafaelista dos estetas rebelados contra a tendência copiadora da arte contemporânea. E não só pela espontaneidade do traço, como pela intenção das minúcias, até o acionado [sic] desse braço cuja mão segura uma laranja no gesto estático com que os gregos dos áureos tempos traziam nas palmas os pomos de âmbar, a sua obra é um documento dos cismas estéticos que se controvertem modernamente e, também, afirmação duma individualidade inconfundível entre os que mais se destacam na pintura da nossa época.

Originais e admiráveis são também esses dois artistas franceses que concorreram ao nosso Salão, o Sr. Eugène Morand com as Ninfas e o Sr. Guillomet com o Sacramento.

O pequeno quadro do Sr. Morand é uma suave harmonia do tons brandos. Paisagem ampla e pardacenta; apenas algumas árvores frondejam ao longe. Céu pálido e frio. À esquerda, nesgando em cavada ribanceira escura o terreno sombrio, rola morosamente a corrente pálida dum rio baixo. E no pardo outoniço da planura, sob a fria palidez dos céus, uma ronda, miniaturada, de ninfas bailando, cujos corpos, na tenuíssima transparência das vestes brancas, não interrompem a tonalidade suave e sugestiva dessa pequena tela que faz lembrar Schubert.

O Sacramento do Sr. Guillomet contrapõe-se à meiga delicadeza desses tons, porque a sua intensidade colorida aturde. É uma irradiação verde e amarelo em contraste brusco com o primeiro plano, todo ele feito do corpo de raparigas em amplos vestidos azul-escuro. O quadrinho mede pouco mais de três sobre dois palmos, se tanto! Desenhado com firmeza, também a sua cor possui um vigor fascinante, que mais surpreende pela singularidade da concepção. Em ar livre, por entre folhagens verdes dum parque, uma multidão de raparigas, coifadas à maneira normanda, se aglomera em torno dum sacerdote, em vestes pomposas, que levanta, à altura dos braços distendidos o cibório flamejante à luz do sol. Do meio da multidão, a contê-la, surge o dorso vermelho dum suíço, com o seu chapéu de dois bicos e armado de bastão e bengala. A luz é auriverde, faiscante, aturdidora. Todas as cabeças, as ricas paramentas sacerdotais, as vestes dos acólitos, o cenário inteiro, tudo arde num verde apoteótico com o qual se funde o amarelo rutilo dos metais e dos bordados. E também o fundo - onde se vê a parede duma capela, vive na mesma feérie de verdes intensos, berrando a violência do seu vigor como a explosão duma gruta de esmeraldas na selvagem claridade dum meio-dia dos trópicos!

Com a mesma nota de verdes luminosos, não obstante a diferença do assunto e da técnica, instiga-me a atenção o quadro do Sr. Rodolpho Chambelland - Bacantes em festa.

O Sr. Chambelland no Salão anterior obteve sucesso com o seu quadro de estreia e, para não desmerecer a confiança inspirada, volta neste ano com cinco trabalhos, dos quais é o mais exigente de cuidados, esse que lhe foi sugerido pela sensualidade do paganismo.

É um ar livre em que há muito talento e não pequena soma de artifício, mas artifício perdoável diante da imensa dificuldade em que um artista se encontra, em nossa terra, para obter modelos que satisfaçam a uma composição variada como é essa. Em verdade, tais assuntos, quando se não recomendam pela beleza dos nus ou eminente originalidade da composição, descambam rapidamente para o ridículo. Isto posto, compreende-se o quanto trabalhoso se tornou ao moço artista a feitura do seu novo quadro, e daí toda a desculpa para o artifício, empregado a título de recurso, o que é flagrante logo na visível transformação do modelo feminino em vários tipos, e modelo a que falta, em absoluto, a elegância e flexibilidade do que serviu para a bobagem envernizada do reincidente Sr. Petit. O mesmo artifício está repetido na teoria de bacantes desdobrada ao longo do campo, em que a impossibilidade do nu ao ar livre obrigou o artista não só a falsear valores de cor, como a confundir em massa uniforme os corpos à distância.

No entanto, a sua composição merece francos elogios pelo distendimento gracioso da linha serpentina e pelo excelente efeito do contraste da sombra do primeiro plano com a larga claridade dos planos secundários. As figurinhas, tocadas de cor, são bem movimentadas e expressivas; a paisagem é vasta e iluminada, transmitindo a impressão fresca do dia; as perspectivas felizes, o céu diáfano e claro. O que lhe foi notado no quadro de estreia aqui mais só acentua - o asseio da palheta, o acerto da maior parte dos valores, a delicadeza dos detalhes e, com essas qualidades, a mesma fraqueza pelo chic, que hoje é apenas um senão, mas amanhã pode ser um defeito...

Em todo o caso, esse Sr. Rodolpho Chambelland merece um bravo!...

* * *

É neste compartimento que encontro duas telas do mestre Elyseu Visconti. Dois retratos. Um, é de menina transformada em moça, de olhos celestes e cabelos negros, clara e rósea, transudando o capitoso aroma da mocidade e toda primaveral no seu vestido branco.

Se não é linda é real. Ela aí está numa leve cadeirita de bambu, braço apoiado ao espaldar, a mão esquerda, cujos dedos apertam umas flores singelas, descansada molemente sobre o regaço e viva, palpitantemente viva, com a rijeza de sua carnação de moça e a calma ingenuidade dum olhar celeste a que o negrume dos cabelos sombreiam estranhamente.

Outra é a fixação imagética da escultora brasileira D. Nicolina de Assis [Imagem].

É pois, um retrato, mas desses retratos que ficam nos arquivos da arte e perpetuam o nome dos seus autores, porque são mais do que reproduções, são valiosos produtos da técnica, nos quais se concretizam seguranças de forma, méritos de palheta e qualidades surpreendentes de expressão.

O retrato de D. Nicolina de Assis é uma obra completa, como é o de Lucrecia Criveli de Leonardo, o de Castiglione de Raphael, o de Anna de Cléves de Holbein, o homem da luva de Ticiano, o da Condessa d'Albermarle de Reynolds, o de Mrs. Siddons de Gainsborough... uma obra destinada à reputação duma pinacoteca ou ao orgulho dum amador...

Olha-se-o e dificilmente se lhe retira o olhar, tal o encanto em que se fica, porque o seu conjunto é uma harmonia de cores severas, mas duma simplicidade tocante, em tons serenos que vão das duas tênues nuanças da chapada do fundo pardo até o escuro zuartino do vestido, pelo qual se fixa o equilíbrio dos tons intermediários representados pela fourrure de pêlo pardo que lhe envolve o pescoço e pelo tom beije da capa. É dessa suavíssima, severa e inteira harmonia de pardos, em que o oca se justapõe às terras, que ressalta a massa escura do vestuário, até o negrume violento dos cabelos e do chapéu. Então, na intensidade negra dessas duas tintas, aclara-se o rosto admiravelmente modelado da inteligente escultora patrícia. É belo?... Certo que sim, é belo porque não existem artistas feios.

Não tem o seu rosto o clássico oval das madonas nem a proporção geométrica dos tipos comuns das belezas convencionas; é, porém, uma cabeça que indica um espírito superior, que se desvia do desenho vulgar dos demais tipos do seu sexo pelo facies inculcativo dos tocados pela chama divina dos criadores. Por isso é belo. A beleza na arte não resulta da justeza ao molde admitido para essa qualificação, resulta da vida, da verdade, do poder expressivista da obra.

Nesse rosto o que se procura não é a proporção das linhas, a forma mais ou menos pura do nariz, o recorte perfeito da boca, a linha grácil do mento; o que se atende e se quer, antes de tudo, é a expressão fisionômica, a visagem, esse subjetivismo que constitui a espiritualidade do tipo e que só sabem fixar os pincéis dos grandes artistas. E é o que se tem neste belo retrato, nesta forte, poderosa obra de arte, porque este olhar como que aveludado por uma sombra de sonho, esta boca que tem o calor da vida e pela qual a palavra deve escorrer ardente e meiga, a graça inconfundível desta cabeça, não são simplesmente duma mulher, são de um ente que só realça entre seus semelhantes e para o qual o nosso respeito é mais movido pela admiração do seu talento do que, propriamente, pelas prerrogativas do sexo.

Mas, será um retrato na sua precisa significação? Não sei se a Sra. D. Nicolina de Assis é esta que aqui vejo; mas sei, e disso tenho absoluta certeza, que esta que aqui está viva na tela, com este rosto, com este olhar, com este modo de descansar a destra na cintura, esta é que é a escultora Nicolina.

E enquanto gozo a emoção que me deu esta a obra, corro os óculos pelo compartimento. De repente paro. Desmonto os óculos - cuidadosamente limpo-lhe os vidros e torno a olhar. Levanto-me da cadeira, aproximo da tela que me prende assim a curiosidade, procuro posição, afasto-me, passo à direita, movo-me para a esquerda... Mas, é sempre o mesmo efeito... aquela mão é uma mão... macho, uma mão que há de mamar na posteridade o renome da sua grandeza. E, senhores, esse mimo, esse dote, esta tetéia de cinco dedos, pertence a um pianista. Até parece reclame. É que o homem tem mão para as encomendas. Mas, com franqueza, aquilo no teclado, Virgem Nossa Senhora, põe o mundo abaixo!

Em compensação o Sr. Lucilio de Albuquerque livra-me daquela formidável manopla que o Sr. Bevilacqua condecorou com um brilhante, retendo o meu olhar na sua elegante cabecita de mulher, feita com o nervoso ardor da sua bravura pinturesca.

Depois, pelo alto das paredes, entre umas marinhazinhas, das quais apenas percebo uns barquinhos e umas praiazinhas, muitas mangas, muitas laranjas, muitas bananas, então bananas em penca! É uma quitanda desesperada, o Largo da Sé e a Casa Cypriano em concorrência de exibição, porque a maior parte daquelas frutas parece bugiganga de salas, ao modo dos frutos em louça, pintada e envernizada.

Esses Srs. amadores não terão mais que fazer?...

Terceiro compartimento.

Encontro outro Chambelland, o Sr. Carlos Chambelland, irmão do Rodolpho.

O seu quadro de estreia é um retratinho de senhora, em corpo inteiro, num vestido de fazenda azul marinho, mitenes brancas, sapatos brancos e sóbrios enfeites brancos [Imagem]. Está sentada num canto de divã estufado de amarelo, apoiando o corpo numa almofada azul celeste. A cabecinha penteada em bandós, que são negros como seus lindos olhos, tem uma testeira de contas, brancas, à moda italiana do século XVI, mas estando o fio posto sobre os cabelos. É uma feliz estreia, um prometimento confiável, esse quadrinho, bem desenhado e já muito bem pintado para um artista ainda não emancipado das aulas. Se o talentoso estreante, em vez de se subordinar à modéstia do interior em que está a retratada, se desse ao capricho de harmonizar os accessórios com o vestuário dela, isto é, mantivesse o quadro numa gama ou procurasse contrastes, poderia ter conseguido mais realce para a sua obra, ainda assim muito boa.

Mestre Baptista da Costa expõe oito paisagens, oito admiráveis trechos desta nossa brilhante natureza por ele surpreendida com o segredo da sua arte, para a qual já esgotamos toda a provisão de elogios.

A Prisioneira e a paisagem de Poços do Caldas são duas telas que fazem a reputação dum artista, particularmente esta última com a intensidade da sua luz num verde que é caracteristicamente o verde da nossa natureza. Os outros quadros, o fulgurante Começo do dia, o Canto de praia, Estrada do Vidigal, Ipanema e Mau tempo tem a marca da sua preciosa palheta, são observados e retidos com a sua maestria sempre louvada. Mas, como me entristecem esses belos quadros!... a mim, que por mais que rebusque o martirize os bolsos nada encontro! Felizes os que tem dinheiro!... Talvez nem tanto!... em todo o caso, nessas ocasiões, a gente lhes inveja a bolsa...

O Sr. professor Henrique Bernardelli... Desta vez o Sr. professor Amoêdo pregou-nos uma peca. Esperávamos uma composição nova, uma bela obra cheia de novidade e de saber, mas o Sr. Amoêdo não quis nos dar esse gozo, descansou nos triunfos de seus discípulos, os Srs. Chambelland. Agora quem me faz perplexo é o Sr. professor H. Bernardelli com os seus dois retratos, o do Sr. Machado de Assis e o do Sr. Dr. Ubaldino do Amaral, sem dúvida que pintados por mão de mestre, mas, não sei por que, temperados com chocolate. Talvez para meter figas ao Sr. Amoêdo com a sua pintura a ovo.

O professor Benno Treidler, que concorreu à seção de aquarelas com uma interessantíssima Leitura interessante e dois outros vigorosos trabalhos, expõe um quadro a óleo - Manhã - pintado com a sua largueza de habituado manejador de pincéis. A hora parece-me bem surpreendida pelo Sr. Treidler, há frescura na paisagem e o ambiente neblinoso é leve e iluminado.

O professor Pedro Weingartner é, como sempre, o paciente e meticuloso mouchiste das figurinhas liliputianas das paisagens microscópicas, mas, inegavelmente, com o valor dos seus sérios conhecimentos de arte, e o Sr. Brocos, o fixador dos nossos costumes roceiros, aí figura com um crepúsculo tocado com o brio a que nos acostumou, e um retratinho.

Apresenta-se nesta exposição o Sr. Theodoro Braga, ex-pensionista da escola na Europa.

A mim parece-me que o Sr. Braga preocupou-se muito com o estudo do desenho, no que andou bem avisado, mas quanto à pintura pouco pôde fazer ou, se não é de temperamento avesso à pintura a óleo, deixou-se influenciar demais pela maneira do inglês Youg Hunter [sic]. A maioria dos seus quadros tem uma secura de chapada de estamparia e é recortada, como pintada pouco a pouco em zonas propositalmente estabelecidas. Entretanto a sua aquarela - Castelo Medieval - possui bem o carácter do gênero e é vigorosa; a mancha é feita com segurança e elegância.

Na Manhã de aniversário que, antes de aí figurar, esteve exposta por longo tempo na Casa Rembrandt, o defeito do recortamento está mais atenuado que no Vecchio Cantore ou na Melancolia; ainda assim os panos brancos que formam todo o fundo perderam a sua frouxidão, a sua leveza, por causa dessa maneira. Esse quadro, em que o pintor procurou vencer a dificuldade da gama em branco, falha ao efeito desejado porque a delicadeza das nuanças da gama escapou à atentiva do seu autor e as sombras foram densadas com uma violência desastrosa. Ao demais, o artista fraqueou nos valores do segundo plano em que está a mulherzinha deitada; aí a confusão dos volumes é infeliz, o quadril da rapariga, o qual está envolto nos lençóis, tem um destaque brusco sobre o resto do corpo, que se funde numa meia tinta quase transparente, inutilizando a densidade do resto do corpo e sobretudo a vida da cabecita morena do modelo. E, no entanto, o artista empregou todos os recursos do pontilhamento para destacar a chocolateira de níquel e outros accessórios correspondentes que estão num gueridon, ao lado da cabeceira do leito, na mesma penumbra e na mesma distância em que se acha o busto da figurinha!

Mas, quanto ao desenho propriamente dito, isto é, à marcação do assunto, o Sr. Braga saiu-se bem, como bem se destaca em os [sic] outros quadros expostos.

Creio que o Sr. Braga, pelo seu temperamento, por sua tendência à simplificação e uma certa originalidade no combinar o assunto, no qual muito se descobre de paciência, daria um bom cultivador de artes aplicadas.

Aqui está o Sr. Latour, prêmio de viagem à Europa. Nada menos de quinze quadros, mas quinze quadros que atestam a sua aplicação e anunciam um grande artista a se formar.

Pondo de parte o maior deles, Praga Social, que me não agrada pelo assunto já muito batido e muito pouco pinturesco tratado pelo modo porque foi, qualquer de seus trabalhos evidencia o relevo duma individualidade incipiente. O asseio, a frescura, o brio da sua palheta são já notáveis; o desenho sai-lhe certo da mão trabalhadora e os assuntos trazem o cunho do seu interesse por uma arte inspirada na natureza e com ela vivendo.

As Tesourinhas, destacadas da sua obra, constituem um adorável quadrinho pela composição, pela graça real das três figurinhas, tão alegremente vivas no frescor desse ambiente de manhã domingueira! É ainda essa franqueza e firmeza do fazer, das quais ressalta o modelado à luz franca, que se nota nas Flores e Mocidade, motivo bem arranjado para um nu. Mas se o elogio pela habilidade da pintura, não o farei quanto à escolha do modelo e à posição que lhe deu. A magreza da rapariguita que pousou é tal que suas formas não correspondem ao título da obra. Esses membros são os de uma adolescente e a posição, intencionalmente forçada para não lembrar poses conhecidas, dá-me a impressão duma acrobata que se desconjuntou numa queda.

* * *

E ainda mais paisagens!

O Sr. Luiz Ribeiro, que é um artista consciencioso posto que abusando da minudência, tem cinco quadros dos quais quatro são paisagens. O de figuras, sob o título Véspera de noivado, é um quadrinho de gênero, estudado com esmero, mas que pouco me interessa, o que não quer dizer que deixe de interessar a outros. De suas paisagens mencionarei Últimos feixes, muito iluminada e de boa perspectiva aérea.

Retorna a expôr a Sra. Eulalia Silva, que no catálogo, figura com o nome de Eulalia do Nascimento e Silva com o apêndice de um D maiúsculo, entre parêntesis, para que todo o mundo saiba que ela é Dona... O que eu sei, e com isso é que me importo, é que realmente a Sra. Eulalia é dona de uma grande vocação para a arte, mas ainda medrosamente agarrada à influência do seu professor.

A Velha estrada se tivesse mais um pouco de vigor no primeiro plano e mais observação nas massas do fundo, seria excelente trabalho. Em todo o caso, quem isso faz promete muito.

Ora! aqui tenho uma paisagem que me não fala unicamente à vista! É este Crepúsculo de Roberto Mendes, um pintor espiritualista que, depois de nos encantar com os seus admiráveis pastéis, voltou-se para a pintura a óleo e vai fazendo uns delicados poemas de saudade com os recantos de Natureza entendida por sua alma de poeta e interpretada por sua miraculosa palheta. É um trecho de parque abandonado; o rasgão dum lago divide-o pelo centro, em duas margens. A galhada contorcida duma velha mangueira estende, ao alto, a bambinela atormentada de seus ramos; ao fim da margem esquerda uma figueira brava pende sua fronde para a água, silenciosa, coberta de farrapos de algas, onde se refletem, em tons roxos, ramarias e troncos, e todo o cambiante colorido do crepúsculo, desde o amarelo dourado dos derradeiros raios solares até o verde e o azul pálido das alturas.

Mas, nessa reunião de tintas, nessa diversidade de cores, há uma consonância admirável, em que o saber do artista se afirma soberanamente sobre o vulgarismo das feituras aplaudidas. E mais do que isso, que é um mérito de técnica, a sua paisagem comunica-se com a nossa alma, prende-nos dentro da sua verdade e nos dá a sensação da sua vida.

É este o mérito desse discípulo de Ruskin, que se não deixa fascinar pelas lantejoulas dos triunfos fáceis nem se corrompe com as imposições burguesas do meio.

A sua arte é um culto, para o qual vive, como um eremita, obscuro e possuído. E por se lhe entregar com esta ardência, ela lhe transmite os seus segredos, ela se lhe familiariza, requinta a sua visão, palpita nas suas tintas, passa para suas telas com essa intensidade rara, ou diz o seu sentir, estranho, incompreendido, por demais sutil para o entendimento dos que a querem e procuram só como a um gozo da vista e um complemento decorativo das salas.

Bendito o artista que assim nos faz entender e amar a Natureza!

* * *

Alegres desenhos e desopilantes caricaturas do Raul... Boas aquarelas das irmãs Vasco [Anna da Cunha Vasco e Maria da Cunha Vasco]...

Diante das medalhas do Sr. Augusto Girardet reencontro a esvelta senhora em costume tailleur cor de musgo. Há nas suas pupilas o quebranto de um gozo, toda a ternura dos delicados espíritos embevecidos na contemplação dum objeto de arte. E sorri glorificando com a luz do seu inexprimível sorriso a obra do Sr. Girardet. Sorri e retira-se.

Durante segundos fico desatinado, sem pensar, sem saber o que fazer...

Mas, onde está a Escultura? Não há escultores, não há uma aula de escultura nesta terra?... E a Sra. Nicolina, a Sra. França, o Sr. Berna, o professor Bernardelli?... Que faz o Sr. Correia Lima?... Triste pergunta! Que faz o Sr. Correia Lima... Ora, que há de ele fazer?!... Por espaço de quatro ou cinco anos o governo brasileiro manteve-o na Europa; de lá nos mandou o artista três bronzes em que se confirmavam o seu talento e aplicação, de lá veio com um belo gesso, a Mater Dolorosa... e esperou que lhe dessem trabalho. Mas não havia trabalho. O Sr. professor Rodolpho Bernardelli, diretor perpétuo e senhor absoluto da Escola de Belas Artes, não sei se comendador de várias ordens estrangeiras, conselheiro estético do governo e outras instituições, monopolizava todas as admirações e todos os trabalhos. Estavam na sua célebre oficina o Teixeira de Freitas, o Dr. Francisco de Castro, o busto do conselheiro Thomaz Coelho, o Carlos Gomes.. e não me lembro que mais glórias nacionais lá se foram meter... Tinha S. S. ou Sua Eminência uma enfiada de encomendas: o frontão da Escola Politécnica, a ornamentação do Chafariz da Carioca, os bustos da fachada do Teatro S. Pedro, estátuas para o Teatro Municipal, um refúgio para o largo da Lapa figura simbólica para o pseudo palácio das Academias, glorificações brônzeas de presidentes de associações comercias, ornamentos para palácios da Avenida... e mais... e mais... por atacado e a varejo.

No entanto, o Sr. Correia Lima, com quem o Estado gastou dinheiro para o aperfeiçoar na arte de esculpir, e cujo aproveitamento demonstrou em magníficos trabalhos, ficava às moscas, com o seu sorrisinho de bom menino e todas as suas ilusões metidas num saco!...

Não sei se ele se queixa, porque mesmo não sei onde ele vive; mas isso é uma grande injustiça, em que se tem a lamentar a inutilização dum talento e o exemplo nefasto oferecido aos que pretenderem ser artistas.

Ah!... percebo que se me foi o bom humor depois que aquela formosa dama de lindos olhos partiu. E quem seria?... Ora, que me importa saber quem seria tão donairosa senhora! Uma deusa, talvez, descida à terra para dar a um pobre mortal, arruinado e triste, a alegria necessária à sua penosa missão... De qualquer forma, verdadeira ou imaginária, deusa ou simples madame três estrelinhas, de qualquer forma, uma linda mulher! Isto basta.

10 de Setembro.

GONZAGA DUQUE.

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Imagens

BACANTES EM FESTA

D. NICOLINA DE ASSIS

RODOLPHO CHAMBELLAND DISCÍPULO DE R. AMOÊDO

PRISIONEIRA

POÇOS DE CALDAS

TESOURINHAS

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Digitalização e transcrição de Arthur Valle

Atualização da grafia por Vinícius Moraes de Aguiar

DUQUE, Gonzaga. SALÃO DE 1905. Kósmos, Rio de Janeiro, set. 1905, n/p.

DUQUE, Gonzaga. SALÃO DE 1907. PINTURA E ESCULTURA. Kósmos, Rio de Janeiro, set. 1907, n/p.

Quando comprei o meu bilhete d'entrada no saguão da Escola Nacional de Belas Artes senti um fastio, pareceu-me desnecessário subir para ver coisas que me não sacudiriam os nervos nem me comoveriam. Por fim ergui os ombros: Vamos lá!

E fui, vagarosamente, galgando os dois lanços da escadaria, enquanto, de mim para mim, pedia a Deus que me desse boa dose de paciência. A decepção, porém, não foi a que eu esperava; com franqueza, contava encontrar coisa diferente...

Logo, à entrada, esbarro com uma enorme marinha do Sr. Mario Navarro da Costa. É um dos novos da nossa pintura; conheço-o, admiro o seu fogoso talento e confio muito no seu futuro, se estudar. Esse quadro, pelo assunto e pelas dimensões, já é prova da sua audácia, qualidade que só não presta quando, quem a tem, falha em inteligência e amor à profissão. De resto, a audácia fica sempre bem num moço. Sem ela nada se faz de novo, nada se consegue de original.

O assunto escolhido pelo moço-artista é um transatlântico inglês em descarga, um desses carreiros, pesados cascos de aço que fazem a travessia da Grã-Bretanha ao Rio de Janeiro trazendo formidáveis toneladas de fardos. A hora escolhida foi a da manhã, mas uma dessas manhas pálidas em que a lua parece branca.

Esse efeito está bem apreendido, quer na tonalidade do ambiente, quer na das águas. O movimento de saveiros e lanchas em torno do enorme crustáceo de ferro, a luz que os ilumina, as sombras que projetam, indicam observação. No primeiro plano passa um barco com estivadores, que se supõe em rumo para o cargueiro.

Contrapondo-se às qualidades boas, que acima indiquei, devo dizer que encontro na planimetria o defeito do abaixamento da linha do horizonte, que estreita o espaço, quando ele, atendendo-se ao tom dos longes, principalmente do plano intermediário, parece ser, na realidade, maior.

O barco, que enche a parte inferior do quadro, falhou algum tanto em valores, donde a flagrante confusão dos planos da sua colocação e do navio; sendo que esse também se me afigura desenhado um pouco a la diable na sua parte da ré. Não tenho, com estes ligeiros reparos, a intenção de reduzir o mérito de um trabalho em que se percebe o entusiasmo de uma grande, de uma verdadeira vocação artística; faço-os com a sinceridade de que julgo ter sempre dado sobejas provas.

E, por isso, também direi ao talentoso marinhista, que promete por seu sentimento estético preencher o vazio deixado pelo pranteado Castagnetto e, talvez, ser notabilidade nesse gênero, que não é de feliz resultado empreender trabalhos tão largos e de tal tamanho em quanto a mão do desenhista não tiver a prática necessária para os grandes agrupamentos.

A redução das proporções facilita muito o cuidado do acabamento, donde a correção, os retoques, o equilíbrio da factura, que concorrem para a estima do conjunto. Os grandes quadros, ao contrário, exigindo segurança absoluta da feitura, levam os menos práticos às ficelles de larguezas que só servem para iludir, por instantes, a visão dos incautos.

O quadrinho n. 131, que nos apresenta com a indicativa de estudo, é uma prova da sua aplicação ao gênero escolhido e no qual o espero ver reputado.
Na mesma parede em que está a grande tela do talentoso Sr. Mario Costa, encontro um auto-retrato, em tamanho natural, da Sra. Adelia Marques Saldanha. À parte a dureza da sua maneira, o trabalho recomenda-se pelo desenho e cuidados de palheta.

A Sra. Adelia Saldanha é discípula do Sr. Augusto Petit, felizmente numa época bem diferente da que celebrizou o nome desse pintor, e como discípula imita o mestre nas suas belas e más qualidades.

Assim, a dura maneira de pintar que, ao depois, lambida a blaireau e envernizada a valer, dá aos quadros o aspecto de placas de porcelana; a preferência do clássico claro-escuro ao modelado, uniforme intensidade do todo, o infeliz uso de escuros terrosos para acusar sombras, como se nota no contorno desse seio direito do auto-retrato, são defeitos do mestre, dos quais a talentosa artista, parece, dificilmente se libertará.

E é para se lamentar, porque a Sra. Adelia é uma artista e... felicíssima por possuir tão formoso modelo. E desde que falei no Sr. Augusto Petit, é justo citar o bom retrato que ele apresenta nesta exposição.

Há algum tempo a esta parte o Sr. Petit, que com certeza não irá à minha missa (caso o Senhor Deus resolva que, de nós dois, seja eu o primeiro a esticar as canelas), está se fazendo outro muito diverso daquele Sr. Augusto Petit dos comendadores fiambres de ordens terceiras de vários santos.

Em 1905, creio, o retratista dos irmãos provedores, apresentou um nu e mais uma cabeça de asceta que me beliscaram admiração. Palavra d'honra, que m'o [sic] fizeram pasmado. Não que o mérito de ambos, o nu de um lado e o místico de outro, fossem obras de embasbacar a Posteridade... Isso, não! Mas, senhoras, entre o pintor daqueles quadros e o dos comendadores de banquete em consistórios, havia notável diferença.

Os trinta ou quarent'anos de constante exercício do Sr. Petit lhe serviram para alguma coisa. Olhem que eu conheço pintores que, quanto mais trabalham, mais desandam.

Agora, neste Salão que começou com a barulhada do júri (bom augúrio, não há dúvida!) o Sr. Petit embasbaca-nos, pelo menos a mim, que nunca lhe fiz fosquinhas, nem tenho o remorso de o ter chamado - o nosso Bonnat.

Esse retrato do Sr. barão Homem de Mello é uma tela que merece francos elogios. E precisamente no primeiro dia em que ali me achava, precisamente no momento em que notava a firmeza desse desenho, o cuidado em tratar a cabeça, a felicidade das suas minúcias, o Sr. barão Homem de Mello surgiu no salão. Tive, portanto, a oportunidade de comparar retrato e retratado... em foco da minha visão. Não há dúvida, as cabeças eram as mesmas, as mesmíssimas expressões. Apenas um senão: para não destruir o efeito do olhar as grossas lentes, de operado de cataratas, que o Sr. barão usa nos seus óculos, iguais as que eu uso, (seja consignado isso, para o meu busto que o Sr. Rodolpho Bernardelli há de fazer, se até lá houver lugar no Passeio Público), foram substituídas por vidros finos nos óculos do retrato. Pouco vale o reparo.

Quanto à cabeça, o Sr. Petit ali tem todo o relevo do desenho, acusando bem a anatomia, minudeando as características da velhice. E epiderme, espessura de cabelos, vida fisionômica, constituem um conjunto de atendido trabalho que honra o artista.

Como o Sr. Augusto Petit está vendo, é um elogio sincero, talvez dos mais sinceros que haja recebido.

Ao demais, essa parte do Salão parece favorecida pelo acaso. Ali está a maioria dos bons trabalhos.

É ali que vejo as duas magníficas paisagens do Sr. Roberto Mendes, o nosso paisagista ruskiniano, o poeta da alma das coisas, sem melindrar o meu ilustre amigo, o grande poeta Alberto de Oliveira. Por causa das dúvidas, retiro o substantivo - poeta - substituindo-o por - pintor. Pintor da alma das coisas, não é muito bem achado; mas, por isso mesmo, há quem tenha apanhado enxurradas de elogios do Sr. Elysio de Carvalho...

Dos dois quadros expostos pelo Sr. R. Mendes, não se sabe qual o preferível. O dA brisa (crepúsculo vespertino, quinta da Boa-Vista) é imensamente empolgante, a fulguração do seu ocaso, o sereno harmônico combinado de luz e sombras dos seus planos, o arrepio do lago que faz imaginar passagens de nimfas invisíveis, toda a suavíssima poesia que tressuda essa natureza em cismares, todo o encanto que dela vem e nos embala a contemplativa e doce alma como berceuse ao luar, fazem desse quadro uma preciosa obra de arte, tão valiosa pelo seu expressivismo quanto pela sua fatura, em que não há exageros, dissonâncias, ambages de cores, pois que tudo ali tem a sua estilização, a sua propriedade, o seu acerto.

Doutro lado temos esse magnífico Estudo de mangueiras (133 do catálogo), dum verde prodigioso, o verde caracteristicamente nosso, que embaraça e cansa os paisagistas não familiarizados com a nossa vegetação e, tantas vezes, escapa ou compromete aos nossos próprios artistas.

E não é só a cor que destaca triunfalmente esse Estudo, é também mui frisantemente o carácter das árvores, a sua forma, o seu habitat, que constituem a preocupação do esteta Ruskin, e que os nossos paisagistas, em maioria, na sua intencionalidade de aspectos, desprezam ou perdem.

O Sr. Roberto Mendes com os dois trabalhos expostos vem afirmar o que eu já disse dele, em artigo aqui publicado em Junho deste ano, isto é, que entre os nossos paisagistas contemporâneos, o seu destaque se impõe pelo saber com que pinta e pela alma com que interpreta.

Já se lhe sente o relevo de um mestre, pouco falta para que a sua individualidade domine soberana na paisagem brasileira.

Ainda é nesta parte do Salão que vemos o Sr. Lucilio de Albuquerque, atual pensionista da Escola na Europa. O Sr. Lucilio, cujo talento conquistou grande número de admiradores, entre os quais tenho orgulho de me incluir, não pode enviar trabalhos que nos indicassem o seu aproveitamento, aliás inesperado porque há pouco tempo que ele iniciou os seus estudos em Paris.

O seu inacabado quadro chamado Dante (canto V do Inferno) tem largamente do quanto ele daqui levou, o que foi o bastante para conquistar, com brilho, o seu lugar de pensionista. A composição acusa o que ele ainda nos poderá dar, para satisfazer o alto conceito em que todos o temos. Assim é justo que esperemos, mesmo porque, o seu Agnus Dei, que acompanha o esboçado quadro já referido, não corresponde à expectativa dos seus admiradores.

[...]

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Digitalização e transcrição de Arthur Valle

Atualização da grafia por Vinícius Moraes de Aguiar'

DUQUE, Gonzaga. SALÃO DE 1907. PINTURA E ESCULTURA. Kósmos, Rio de Janeiro, set. 1907, n/p.

E. Belivacqua & C.
E. D'Argence
E. P. O SALÃO - A DIVULGAÇÃO PRÉVIA DOS TRABALHOS DO ANO. O Globo, Rio de Janeiro, 11 ago. 1927, p. 4.

Com surpresa geral, antes do "vernissage", que só se realizou hoje, às 14 horas, o público teve conhecimento completo, com fotografias e descrições minuciosas, dos trabalhos que figuram no Salão, só amanhã aberto aos curiosos. A circunstância colocou, sem dúvida alguma, em posição esquerda a comissão organizadora. Nem aqui, nem na Europa, que nos fornece exemplos, se permitiu nunca a publicidade com dias de antecedência dos trabalhos do "Salon", o que é natural. Este ano, porém, não sabemos porque cargas d'água, alguns dias antes do "vernissage", foram divulgados, em fotografias e em abundante noticiário, todos os aspectos da XXIV [sic] Exposição anual de Belas Artes. Regista-mos [sic] a circunstância para que se compreenda, de futuro, a divulgação prévia, com meses de antecedência, dos trabalhos que devem figurar no Salão de 1828 [sic]... e talvez no de 1929...

- E. P.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

E. P. O SALÃO - A DIVULGAÇÃO PRÉVIA DOS TRABALHOS DO ANO. O Globo, Rio de Janeiro, 11 ago. 1927, p. 4.

E. Tournés
Edgard Parreiras
Edith Aguiar
Edith Capote Valente
Edith Lefebre
Edmée Cruls
Edson Motta
Eduardo Bevilacqua
Eduardo Bevilacqua & Companhia
Eduardo Pinheiro de Lemos
Elaine Sanceau
Eliseu D'Angelo Visconti
Elisiario da Cunha Bahiana
Eloy Pontes
Elvira Catta-Preta
Elvira Gomensoro Ferreira
Ema Voss
Emilia Marchezine
Emilio Cardoso Ayres
Enrico Girardet
Enrique Frias
ENTRE AMADORES. O Malho, Rio de Janeiro, n. 54, set. 1903, n/p.

Malho.egba1903b.jpg

<br style="clear: both" />

- Já foste à Exposição de Belas-Artes?

- Não tenho tido tempo, chego sempre em casa tarde, de volta do café cantante...

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Digitalização e transcrição de Arthur Valle

ENTRE AMADORES. O Malho, Rio de Janeiro, n. 54, set. 1903, n/p.

ENTRE CRITIQUEIROS. O Malho, Rio de Janeiro, n. 54, set. 1903, n/p.

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<br style="clear: both" />

- Os quadros da exposição não me agradaram, francamente.

- Eu gostei mais das molduras.

- E não reparaste como estão todas as telas mal assinadas?

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Digitalização e transcrição de Arthur Valle

ENTRE CRITIQUEIROS. O Malho, Rio de Janeiro, n. 54, set. 1903, n/p.

Enzo Orsini
Ercole Cremona
Ernest Victor Saadeh
Ernesto Francisconi
Ernesto Puliti

Puliti Clique aqui para obter uma lista de todos os artigos onde este artista é citado como expositor

Expositores
Ernesto Quissac
ESCOLA DE BELAS ARTES – OS CANDIDATOS AO PRÊMIO DE VIAGEM. O Imparcial, Rio de Janeiro, 12 set. 1913, p.7.

Imagens

À esquerda, sentados: senhoritas Sylvia Meyer e Angelina Agostini e Antonino Mattos; de pé: Moreira Junior, Dakir Parreiras e Enrico Alvez. [sic] À direita, as senhoritas Sylvia Meyer e Angelina Agostini.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

ESCOLA DE BELAS ARTES – OS CANDIDATOS AO PRÊMIO DE VIAGEM. O Imparcial, Rio de Janeiro, 12 set. 1913, p.7.

ESCOLA DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 1-2 set. 1902, p. 1.

O edifício onde funciona a Escola de Belas-Artes, na travessa do mesmo nome, estava hoje revestido de gala para receber a visita do Sr. Presidente da República, que ia ali assistir à inauguração da imponente exposição anual da mesma Escola.

O Sr. Presidente da República, chegou à Escola, cerca de […] 2 horas da manhã, acompanhado do Dr. Thomaz Cochrane, seu secretário.

S. Ex. trajava sobrecasaca preta, calça claro e trazia chapéu alto.

Quando o landau de palácio parou à porta do estabelecimento e o piquete do 1º regimento de cavalaria do exército que escoltava o carro presidencial, fez as continências de estilo ao chefe de Estado, a banda de música do 3º batalhão de infantaria, que se achava no saguão da escola de Belas-Artes, executou o hino nacional.

O Sr. Dr. Campos Salles foi recebido a entrada pelo diretor da Escola professor Rodolpho Bernardelli, Dr. Diogo Chalréo, secretario e pelos Srs. Professores Henrique Bernardelli, Rodolpho Amoedo, Modesto Brocos, Dr. Araújo Vianna e outras pessoas, dirigindo-se para as duas galerias onde se acha instalada a exposição e demorando se em minucioso exame em cada um dos trabalhos expostos pelos artistas João Baptista da Costa, Diana Dampt, H. Malaguti, Henrique Bernardelli, Evencio Nunes, Modesto Brocos, Rodolpho Amoedo e outros.

No salão de escultura o Sr. Presidente da República teve a sua atenção presa durante grande espaço de tempo na contemplação dos belíssimos trabalhos em gesso do laureado discípulo de Bernardelli, o Sr. J. O. Corrêa Lima.

O Sr. Dr. Campos Salles acabava de elogiar o autor de um belíssimo grupo em gesso "Mater Dolorosa" obra do punho do jovem escultor Corrêa Lima, quando o professor Bernardelli teve ensejo de apresentá-lo ao chefe de Estado.

S. Ex., dirigindo a palavra ao jovem artista, disse que não o supunha tão moço.

Ao retirar-se do salão, o Sr. Presidente da República despediu-se de Corrêa Lima, felicitando-o pelos seus magníficos trabalhos, acrescentando que artistas do seu valor faziam honra ao nosso país.

O Sr. Presidente da República percorreu ainda várias dependências daquela escola, examinando duas finíssimas jarras de porcelana com ricas pinturas, que estão na biblioteca e uma mobília escura, trabalho em couro e [...] e de estilo antigo.

S. Ex. visitou também no pavi [...]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ESCOLA DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 1-2 set. 1902, p. 1.

ESCOLA DE BELAS ARTES. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 1 set. 1906, p. 2.

A cerimônia do vernissage realizada ontem na Escola Nacional de Belas Artes, precedente à abertura da exposição do corrente ano, que terá lugar hoje, revestiu-se de muito encanto e simpatia.

A ela compareceram altas autoridades da República, grande número de artistas nacionais estrangeiros, amigos de artistas nacionais e estrangeiros, amigos do professor Rodolpho Bernardelli e representantes da imprensa.

Entre os artistas novos que concorrem à exposição figuram Eduardo Bevilacqua, Chamberlaind Carlos [sic], Arthur Thimotheo, J. Neves [sic], Arthur Lucas, Lucilio, Sarah Delvecchio e Carlos Oswald, os quais apresentam magníficos trabalhos.

João Baptista da Costa, Malhôa, Vasques e Trindler [sic], conhecidos mestres da pintura, honram também a exposição com esplêndidos quadros.

O célebre pintor francês Armangean [sic] expõe um magnífico retrato de Luiz de Rezende.

A parte de escultura da exposição está representada com muito bons trabalhos dos artistas Corrêa Lima, Belmiro de Almeida, Cunha Mello e d.d. Nicolina de Assis e Julieta França.

"Demoiselle" Nair de Teffé concorre a exposição com alguns trabalhos de subido valor artístico.

A galeria, conquanto pequena, pois consta ao todo 225 trabalhos, honra o gosto artístico dos expositores.

Com mais vagar faremos uma apreciação sobre cada um dos trabalhos apresentados.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ESCOLA DE BELAS ARTES. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 1 set. 1906, p. 2.

ESCOLA DE BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. O "VERNISSAGE". Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 set. 1906, p.3.

Realizou-se ontem a cerimônia intima do vernissage, intróito clássico da inauguração do Salão da Exposição anual de Belas Artes.

Pouco depois do meio-dia começaram a aparecer na Escola de Belas Artes os artistas expositores convidados, muitas senhoras e senhoritas e representantes da imprensa.

Enquanto se davam os últimos toques de vernissage dos quadros; colhíamos notas dos trabalhos expostos.

Na seção geral de pintura figuram trabalhos dos Srs.:

D. Adelia Marques Saldanha, G. [...], Aman-Jean, Araujo Fróes, Arthur Lucas, Arthur Silva, Baptista da Costa, [...], D. Beatriz Camargo, Belmiro de Almeida, Felix Bernardelli, Eduardo Bevilacqua, H. Bouvet, G. Brisgand, M. Brocos, N. Caprile, C. Chambelland, Chapuis, Max Claude, Coelho de Magalhães, R. Collin, Columbano, Mlles. Anna Anna da Cunha Vasco e Maria da Cunha Vasco, Dall'Ara, [...], D. Deborah do Amaral, Alberto Delpino, D. Diana Dampt, D. Elvira Catta-Preta, D. Elvira Gomensoro, D. Ema Voss, Feitosa Filho, Fernandes Gomes, Franco de Sá, Raphael Frederico, Galdino Bicho, D. Georgina Albuquerque, Honorio Esteves, J. Arthur, D. [...] França, R. Lindermann, Lucilio de Albuquerque, D. Luiza Xavier, J. F. Machado, José Malhôa, F. Manna, D. Marguerite Daum, H. Marre, D. Minna Mee, George Mouvier, G. Neves, Carlos Oswald, Auguste Petit, D. Rachel [...], D. Irene Ribeiro, Rosalvo Ribeiro, D. Sarah Del Vecchio, D. Nair de Teffé, J. Teixeira Bastos, Telles Junior, J. Thimotheo da Costa, A. Thimotheo da Costa, E. Tournés, Benno Freidler [sic], J. Frigoso [sic], D. G. J. Vasquez, Eliseu Visconti e Pedro Weingärtner. Para esta secção chegaram mais dois quadros de Belmiro de Almeida, que serão hoje retirados da Alfândega e mais seis quadros argentinos, sendo um do Sr. Enrique Frias, que já hospedamos durante o Congresso Cientifico Latino Americano, e cinco telas de um dos pintores de mais nomeada nas regiões platinas: o Sr. Fabio Fader [sic].

Na secção de escultura figuram trabalhos dos Srs. Belmiro de Almeida, Corrêa Lima, Honorio Cunha Mello, D. Julieta França e D. Nicolina Vaz de Assis.

Na seção de gravura de medalhas e pedras figura como único expositor o S. Girardet.

Na seção de gravura e litografia apresenta-se somente o Sr. Modesto Brocos.

Na parte de arquitetura expõem os Srs. Giacommo Micelli e Raul Lessa Saldanha da Gama.

Pouco depois de 1 hora da tarde [...] na escola o Sr. Dr. Felix [...], Ministro da Justiça, acomnhado de seu Secretário, o Sr. Rodrigues Barbosa, visitando os salões e recebendo as primeiras impressões sobre os trabalhos.

Entre as pessoas presentes ao vernissage notamos os Srs. Rodolpho Bernardelli, Diogo Chalréo, Joaquim Vianna, Morales de Los Rios, D. Julia Lopes de Almeida, Léo d'Affonseca, Belmiro de Almeida, D. Maria Clara da Cunha Santos, Baptista da Costa, Mlles. Cunha Vasco, D. Joanna Brandt, Carlos Américo dos Santos, Sylvio Bevilacqua, J. Valle, Alberto Nepomuceno, Arthur Lucas, Plácido [...], Amaro Amaral, Castro Silva, Figueiredo Lima, Julião Machado, Araújo Viana, Dr. Carlos [...], Raphael Pinheiro, Raul Pederneiras e muitas outras pessoas, além de quase todos os expositores.

Na seção de artes aplicadas figuram soberbos trabalhos de couro e bordados de D. Joanna Brandt.

Hoje realiza-se a inauguração oficial, com a presença do Sr. Presidente da República.

Como sempre, o Jornal do Brasil fará a resenha diária dos trabalhos expostos, confiando a tarefa a Bueno Amador, que procurará analisar a exposição com toda a alienação devida, estando também o lápis de um de nossos companheiros encarregado de transformar a exposição em um salão cômico, para amenizar a aridez das linhas de apreciação geral dos trabalhos expostos.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ESCOLA DE BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. O "VERNISSAGE". Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 set. 1906, p.3.

ESCOLA Nacional de Belas Artes - O Salão de 1912. Careta, Rio de Janeiro, n. 223, 7 set. 1912, n/p.

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<br style="clear: both" />
I - Expositores e seus amigos. II - No vernissage. III - Na seção de escultura.

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Visitantes

O snr. Fonseca Hermes, líder da maioria da Câmara, lança o olhar da sua novel competência artística sobre um delicioso estudo de nu.

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<br style="clear: both" />
Leitura do Catálogo na entrada do Salão.

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Digitalização Fundação Bibliotheca Nacional

Transcrição de Arthur Valle

ESCOLA Nacional de Belas Artes - O Salão de 1912. Careta, Rio de Janeiro, n. 223, 7 set. 1912, n/p.

Escola Nacional de Belas Artes. Careta, Rio de Janeiro, n. 171, 1910, p.10.

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<br style="clear: both" />

Visita ao Salão de 1911

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Digitalização da Fundação Biblioteca Nacional

Transcrição da Arthur Valle

Escola Nacional de Belas Artes. Careta, Rio de Janeiro, n. 171, 1910, p.10.

ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES. Careta, Rio de Janeiro, n. 223, 7 set. 1912, n/p.

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<br style="clear: both" />
ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES

Vernissage. Guttmann Bicho dá a última pincelda num de seus quadros.

ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES

Vernissage. Navarro da Costa pincelando o seu "Remanso".

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Digitalização Fundação Bibliotheca Nacional

Transcrição de Arthur Valle

ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES. Careta, Rio de Janeiro, n. 223, 7 set. 1912, n/p.

ESCOLA Nacional de Belas Artes. Careta, Rio de Janeiro, n. 276, 13 set. 1913, n/p.

Imagem

Os Srs. Bastos Tigre, Luiz Edmundo e Goulart de Andrade recitando poemas numa festa literária

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Digitalização de Bibliotheca Nacional/RJ

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

ESCOLA Nacional de Belas Artes. Careta, Rio de Janeiro, n. 276, 13 set. 1913, n/p.

ESCOLA Nacional de Belas Artes. Careta, Rio de Janeiro, n. 277, 20 set. 1913, n/p.

Imagens

Aspecto do salão quando se realizou a festa musical de segunda-feira

Sr. Cardoso de Menezes, maestro Araujo Vianna e Sr. Pedro Bruno. Stas. Izabel e Marieta de Verney Campello que executaram o programa da festa musical.

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Digitalização de Bibliotheca Nacional/RJ

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

ESCOLA Nacional de Belas Artes. Careta, Rio de Janeiro, n. 277, 20 set. 1913, n/p.

ESCOLA Nacional de Belas Artes. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 13 dez. 1922, p.3.

AS EXPOSIÇÕES DE ARTE CONTEMPORÂNEA E DE ARTE RETROSPECTIVA

As exposições de arte que ao público ora oferece a Escola Nacional de Belas Artes, entregue ao critério artístico e à competência administrativa do professor João Baptista da Costa, nos levam a rever, embora sucintamente, a curta história do atual edifício, quase terminados os detalhes últimos de remodelação e adaptação porque ele passou.

Com efeito, construído especialmente para nele ser instalada a Escola Nacional de Belas Artes com todas as suas disciplinas teóricas e práticas, acolhendo ainda as exposições anuais de pintura, escultura, arquitetura e gravura e artes aplicadas, o novo palácio, campo, severo e suntuoso, não preenchia os fins para que fora destinado; não podia caber, ali dentro, aquele Instituto superior de ensino.

Assim, resumidamente, podemos dizer que as quatro seções se deste modo podemos chamar, que até então se achavam confundidas em uma só (tais como a Escola propriamente dita com seus serviços inerentes, o Museu - exposição permanente das Obras de arte, as Salas para as Exposições gerais temporárias ou sejam os Salões anuais e o Salão de Honra onde se realizam as solenidades artísticas escolares), tudo hoje ali vive sua vida independente das demais. Com efeito, não havendo salas disponíveis para as Exposições anuais, eram elas efetuadas dentro do próprio Museu, em paredes provisórias, levantadas na ocasião, com sarrafos cobertos de aniagem, escondendo assim dos visitantes os quadros da pinacoteca, durante pequena parte do ano.

O Salão de Honra , além de sua péssima acústica, era antes um vestíbulo do Museu e para este servindo de passagem.

Entre os diversos pavimentos do edifício não havia separação alguma, o que concorria para se misturarem alunos com visitantes, resultando daí sérios inconvenientes para disciplina. O número de salas para as aulas, sempre então insuficiente, ocasionava perturbação no respectivo funcionamento, dificultando a ordem e a fiscalização. Não havia o devido conforto em uma escola onde o ensino misto é distribuído. Não havia estúdios apropriados para os principais cursos práticos e o que havia se ressentia dos defeitos de adaptação.

Eis, em linha geral, os grandes males que o vasto edifício apresentava então às disciplinas ali ministradas. Com efeito, não se compreende um instituto dessa natureza sem os requisitos indispensáveis ao seu tão especializado fim.

Diante de tantos obstáculos o professor Baptista da Costa não desanimou e meteu mãos à obra de adaptação, logo após assumir a direção da Escola.

Foram feitos durante a administração do Prof. Baptista da Costa os seguintes melhoramentos:

1. - No lugar então ocupado, na área, por terraços inúteis, no primeiro pavimento foram construídos, à esquerda, o ateliê de escultura de ornatos e à direita o de estatuária, com luz especial e conveniente.

2. - Removida a antiga escada nobre, alargado o compartimento que ela ocupava e ligadas as duas salas adjacentes, obteve-se um suntuoso "hall" que é o museu de escultura, amplo, severo e adequado, com uma área de 8 metros de largo por 34 metros de comprimento.

3. - No pavimnto [sic] superior, circundando a área central foram construídas galerias para as exposições anuais, com iluminação zenital, sendo duas de 8 metros de largura por 23 metros de comprimento e perpendiculares à Avenida Rio Branco, duas medindo 8 metros de largura por 17 metros de comprimento e, nos encontros dessas quatro galerias, outras quatro medindo 8 metros por 8 metros.

4. - Duas escadarias nobres com acesso ao pavimento superior, dando assim absoluta independência ao salão de Honra para as solenes cerimônias, separando do museu e das exposições temporárias e cujo funcionamento pode ser simultâneo. Desse arranjo e disposição das escadas atualmente resultou a conveniente separação entre a Escola e os demais serviços, podendo-se entretanto, em outras ocasiões, obter por meio do "hall" da estatuária uma boa comunicação temporária. A entrada dos alunos é feita pela porta norte do edifício.

5. - Nos ateliês de pintura, situados no último pavimento, lado sul, foi modificada a iluminação, por meio de cobertura com claraboias, dispostas de modo a não receber os raios diretos do sol nas horas do ensino.

6. - Os ateliês de arquitetura, lado norte, receberam igualmente a mesma modificação, isto é, luz apropriada.

7. - O arquivo, até então apertado, passou a ocupar um vasto salão no pavimento térreo.

O plano, concebido em largos traços e tenazmente defendido por Batista da Costa e organizado por uma comissão de professores técnicos de acordo com o Diretor, acaba de dar o mais satisfatório resultado: acham-se confortavelmente instalados dentro do mesmo edifício, independentemente um dos outros, o Museu e suas galerias, as salas para as exposições temporárias, tudo dentro da tranquilidade e do silêncio de que necessita o visitante estudioso, a Escola no seu conjunto de professores aplicados e competentes e do alegre bando de jovens na inquieta preocupação de estudar e de viver.

Outro melhoramento introduzido foi a iluminação das grandes salas que guardam as preciosidades artísticas, quer as galerias definitivas, quer as que se destinam às exposições anuais. Durante o dia a claridade solar, coando-se pelas claraboias, estende-se sobre as paredes onde se acham as pinturas, enquanto que o espectador, abrigado por um toldo de largura e comprimento adequado e iguais à abertura da referida claraboia, admira as obras de arte dentro de uma agradável penumbra, sem ter os olhos fatigados ou feridos diretamente por uma luz dura e incomodativa. Durante a noite, a luz artificial, bem disposta e de intensidade necessária, esconde-se ao olhar do visitante, irradiando-se convenientemente sobre as telas com inteligência suspensas com a devida inclinação.

Partindo da sala quadrada que forma o ângulo sul do edifício o visitante inicia o seu estudo com as telas dos primeiros mestres do começo do Século XIX, desde a chegada da colônia de artistas franceses que para cá vieram a chamado de D. João VI, notando-se obras e de Jean Baptiste Debret, Nicolas e Felix Taunayo [sic] e de Henrique da Silva e de Simplício de Sá. Entrando na primeira grande galeria, sente o visitante o movimento ascensional da pintura com seus mais lídimos representantes que, tendo nascido ou tendo vindo de seus países a fim de aqui contribuírem para seu melhor renome, são representados por Corrêa de Lima, Cicarelli, Araujo Porto Alegre, Barandier, os dois Moreau, Augusto Muller, Barros Cabral, Mafra, Souza Lobo, Grunholtz [sic], Palliere, Agostinho da Motta, Facchinetti, de Martino, Arsenio Silva, Vinet, Pedro Americo, Victor Meirelles, Almeida Junior, Pedro Peres, Zeferino da Costa, Firmino Monteiro, Amoedo, Caron e outros; passa em seguida para a segunda quadrada onde se destaca Amoedo, Henrique Bernardelli, Aurélio de Figueiredo, Souza Carneiro, para depois entrar na segunda grande galeria, onde apareceu então João Baptista da Costa, Visconti, Brocos, Belmiro de Almeida, Parreiras, Décio Villares, Duarte, Weingartner, Castagneto, Medeiros, Lucílio e Georgina de Albuquerque, os irmãos Chambelland, Carlos Oswald, Fiuza, Vianna, França unior, Luís Freitas, Latour, Jorge Mendonça, Pedro Alexandrino, Oscar Pereira da Silva, Parlagreco, Raphael Frederico, Roberto Mendes, Helios e outros.

A partir do meio dessa galeria começa então, tanto quanto possível, devido a várias circunstâncias, a exposição dos artistas estrangeiros, por ordem cronológica, dos mais modernos para os mais antigos.

Assim é que se vêem:

Graner, Antonio Alice, Axilutte, Barbasan, Barran, Bompard, Carlos Reis, Cauwelaert, Claus, Condeixa, Cubels y Ruiz, Dall'Ose, Bianca, Debat-Ponsan, Delachaux, Fabio Fabbi, Fader, Favrette, Roque e Helena Carneiro [sic], J. Girardet, Heilbuth, Losros, Madrazzo, Malhôa, Maneini [sic], Marel-Fatio, Alphonse de Neuville, Pranilla [sic], Queiroz, Salinas, Boggiani, Silva Porto, Serella [sic] y Bastida, Souza Pinto, Vallon, Velloso Salgado, Theodore Weber, e outros. Em seguida passam para a terceira sala quadrada, tendo ali Baptista da Costa agrupado os singelos donativos feitos por beneméritos cidadões: aí figuram os nomes dos artistas Aman-Jean, Baudoin, Burgraff, Cauchois, Chevalier, Taylor, Clary, Danphin, Desisy, Dholoman, Fourater, Henri Martin, Kalekreuth, La Haye, Marius Michel, Olson, Ravanne, Henri Royer, cujas telas foram oferecidas pelo Sr. Conde de Figueiredo; as de Breughel, Annibale Caracci, Pierre Van Steen, Teniers, doadas pelo Sr. Dr. Salvador de Mendonça.

Contam-se mais os donativos do Comendador Federico Roxo: um Annibali Caracci; do Sr. Claudio de S. Vianna duas telas de Mirevelt; do Sr. Raymundo Maya um Poussin. Passa-se em seguida para a terceira grande galeria onde se encontram telas de Albani, Corregio, Asseretto, Carrael, Castiglione, Cesare, d'Arpine, Cignani, Corrado, Dominichino, Fiasella, Fransken, Gentilleschi, Luca Giordano, Grouse, Guerchino, Heem, Honthorst, Jordaens, Julion, Largilliere, Le Seuer, Maratta, van der Meulon, Molyn, Paggi, Perugino, Pesare, Pietro de Cortona, Piela, Pordenone, Precacini, Quantin-Latour, Salvatos Roza, Sannzio del Santi, Surritelli, Scacciatti, Sirani, Snyders, Tempesta, Tiepolo, Veneziano, Vignalli, de Wael, Wonvermann, e muitos outros cuja autoria ainda é ignorada. Na última sala quadrada acham-se reunidas telas de Jouvenet, Ary Scheffer, Murillo, Ribera, Simon Vouf, Vaseare, Van-Dyck, Velasquez, Veronese, e outros.

Na arrumação destas telas dos mestres antigos, foram elas dispostas segundo país de origem dos respectivos artistas.

Dessa maneira, fácil é ao estudioso poder se guiar na peregrinação por aquelas longas salas que convidam à contemplação, ao estudo e ao recolhimento intelectual.

Ao lado, contornando internamente essas galerias estão as que foram construídas para as exposições anuais ou temporárias. São outras tantas salas que agora receberam as obras de Arte Contemporânea cujo conjunto e organização foram por demais felizes. A impressão recebida pela harmonia da disposição com que foram elas expostas é de que os artistas nacionais (cujo número sendo muito grande permite-nos citá-los em primeiro lugar), na luta consciente em busca da realização de seu ideal, muito e muito tem conseguido.

Em salas próprias, arejadas e devidamente iluminadas estão instaladas as exposições de obra de arte, preciosos donativos feitos ao Museu da Escola. Assim o benemérito Sr. Luiz de Resende doou à Escola 63 telas pintadas por artistas do valor de Allaune, Blanche, Chantron, Raphael-Collin, Guignard, Le Gout-Gerard, Aman-Jean, Palizzi, Rosa Bonheur, Carlo Schwabe, e outros, além de algumas obras de escultura, medalhas, etc.

Do mesmo modos [sic] Barões de São Joaquim, num gesto idêntico de amor ao Brasil, concorreram com valiosos donativos constantes de 68 telas de mestres como Joseph Bail, David Beeck, Edouard Detaille, Broughel, Dupuis, Goupil, Harpigneis, Henner, Jonkind, Maufra Renouf, Sisley, Tassaert, Ziem e outros e alguns móveis de estilo.

O valor dessas preciosas doações é inestimável, já como conjunto de boas obras instrutivas, já como belo exemplo de amor a este Instituto de arte, enriquecendo assim o patrimônio nacional.

Em outra sala acha-se devidamente organizado o precioso espólio do mestre que foi Victor Meirelles. Suas aquarelas, estudos de trajes, seus esbocetos e manchas para os panoramas, o esboço da batalha dos Guararapes e o panorama em cujo centro se desenrola o assunto da primeira missa no Brasil, toda essa virtuosa bagagem artística do saudoso mestre está cuidadosamente organizada e guardada.

No salão de escultura acham-se vários bronzes de trabalhos de Rodolpho Bernardelli que estavam até então ainda em gesso. Mandando-os fundir quis Batista da Costa salvar e perpetuar o precioso cabedal artístico e dar-lhe o devido valor; assim foram fundidas: A Faceira, Santo Estevão e S. Sebastião, de Bernardelli, e O Paraíba de Almeida Reis.

Para as festas solenes com que foi comemorada a maior das datas nacionais concorreram dignamente os artistas nacionais, não só todos reunidos em conjunto na Exposição de Arte Contemporânea como isoladamente nas obras monumentais da Exposição Internacional. Assim, lá fora, no meio do turbilhão das construções que se ergueram formando os palácios da grande Exposição do Centenário, a Escola Nacional de Belas Artes, representada por seus dignos e ex-alunos, deu uma prova indiscutível e categórica do quanto vale o artista nacional. Podemos citar rapidamente os nomes de Carlos e Rodolpho Chamberland [sic], pintando o admirável "plafond" do Palácio das Festas; Marques Júnior no das Pequenas Indústrias e no do Distrito Federal; Eugenio Latour no de Estatística, Genaro do Couto e Mello, Julieta França, Modestino Kanto, Francisco de Andrade, Magalhães Corrêa e outros, ornamentando, enriquecendo esses palácios com imponentes decorações esculturais; e mais que todos esses, os trabalhos na Exposição vieram por em relevo o valor intelectual, artístico e a capacidade de execução dos arquitetos nacionais Archimedes Memória, Nestor de Figueiredo, Adolpho Morales los Rios Filho, Armando de Oliveira, Celestino San Juan e outros.

À Exposição de Arte Contemporânea, concorreram 97 artistas pintores, com 283 trabalhos, 18 escultores com 76 obras, 6 arquitetos com 30 projetos, 8 gravadores de medalhas com 24 trabalhos, 2 de arte aplicada expondo 9 trabalhos, 1 gravador à água-forte e 1 litógrafo, tudo num total de 133 concorrentes com 435 obras de arte.

É de sumo interesse para nós o valioso concurso dos artistas belgas que trouxeram para a nossa Exposição o precioso conjunto de arte, caracterizando aquele nobre país. Assim, em sala especial, acham-se inteligentemente expostas 150 obras de arte de 76 artistas, sendo 61 pintores com 71 telas, 1 gravador à água forte com 11 gravuras, 10 escultores com igual número de trabalhos e 4 gravadores em medalhas com 58 obras.

Apesar de várias circunstâncias contrárias, advindas no momento, a Exposição de Arte Retrospectiva resultou um acontecimento interessante e oportuno. Com efeito, o limite de uma exposição como esta não pode existir; e o que a Seção de Belas Artes conseguiu pôr sob os olhos inteligentes do público é por demais interessante: móveis de várias épocas sobretudo da transição da Colônia para o Império, retratos, paisagens, costumes pintados por diversos artistas nacionais e estrangeiros, tendo vivido no Brasil, esculturas em mármore, bronze e gesso de personalidades e episódios consagrados, gravuras de medalhas e camafeus, gravuras e litografias da época reproduzindo cenas de antanho, adornos femininos da época e outros variados objetos lembrando trechos de uma vida passada dentro de nossa história e para a qual nós nos voltamos com veneração e respeito.

À essa Exposição concorrerão 47 expositores com total de 317 objetos.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

ESCOLA Nacional de Belas Artes. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 13 dez. 1922, p.3.

ESCOLA Nacional de Belas Artes. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 13 nov. 1922, p.2.

Inauguram-se, hoje, na Escola Nacional de Belas Artes, as Exposições de Arte Contemporânea e de Arte Retrospectiva, com as quais esse estabelecimento de ensino comemoria [sic] o 1o centenário da independência do Brasil.

Terão ingresso na ocasião da inauguração oficial, pelo Sr. Presidente da República (às 2 horas), somente as altas autoridades civis e militares, os membros do Conselho Superior de Belas Artes, os professores da Escola, os expositores quer da Exposição de Arte Contemporânea, quer da Exposição de Arte Retrospectiva, os representantes da imprensa e os convidados que exibirem os convites para essa hora (convites e envelopes brancos)

Os portadores dos convites azuis e os alunos da escola, só terão ingresso das 4 horas em diante. Estes, mediante o cartão de matrícula.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

ESCOLA Nacional de Belas Artes. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 13 nov. 1922, p.2.

Escola Nacional de Belas-Artes. Careta, Rio de Janeiro, n. 119, set. 1910, n/p.

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O Presidente Nilo Peçanha, sua comitiva, e alunos da Escola visitando o Salão de 1910.

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Digitalização da Fundação Biblioteca Nacional

Transcrição da Arthur Valle

Escola Nacional de Belas-Artes. Careta, Rio de Janeiro, n. 119, set. 1910, n/p.

ESCOLA Nacional de Belas-Artes. Careta, Rio de Janeiro, n. 275, 6 set. 1913, n/p.

Imagens

Inauguração do Salão

Artistas, na Escola, no dia da inauguração do Salão

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Digitalização de Bibliotheca Nacional/RJ

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

ESCOLA Nacional de Belas-Artes. Careta, Rio de Janeiro, n. 275, 6 set. 1913, n/p.

Euclides Baracho
Euclydes Fonseca
Eugène Morand
Eugène Nesle
EUGÈNE NESLE. IMPRESSÕES DO "SALÃO". A Noticia, Rio de Janeiro, 6-7 out. 1904, p. 1.

O primeiro artista retratista especialista que aportou ao Brasil foi o Sr. Augusto Petit. Pelo menos o Dr. Vieira Fazenda, incansável investigador das coisas da nossa cidade, ainda não apontou outro que o tenha precedido.

A sua chegada à formosa baía de Guanabara, onde ainda navegava as ultra estéticas barcas de Niterói cujas chaminés um dia haviam de servir para modelo de cartolas, deu-se quando o século XIX tinha apenas dois anos, exatamente quando em França nascia o grande Victor Hugo e no Brasil o venerando Sr. visconde de Barbacena engatinhava. Os primeiro [sic] tempos do Sr. Petit foram seriamente difíceis.

A colônia ainda ferrenhamente governada por moldes que já naquele tempo eram considerados antiquados pelos foliculários exaltados e os portugueses, homens de negócio e bom senso antes de tudo, não tinham vagar para pensar em artes. Felizmente já havia irmandades e definidores. Foi isso que salvou o Sr. Petit e decidiu da sua glória.

Aconteceu que ia passar o aniversário do definidor de uma das muitas confrarias então já existentes aqui e os seus companheiros não sabiam que fazer para celebrar-lhe com gaudio estrepitoso o dia memorando e apanhar-lhe algum cobre para a compra de uns sinos, quando alguém lembrou que havia na cidade um pintor francês muito hábil em retratar pessoas notáveis. Estava nos casos para pintaro [sic] do definidor e nenhuma ideia seria mais tocante e eficaz do que essa de oferecer o retrato a um homem de dinheiro, de quem se queria dinheiro. A ideia era dessas que se impõem independentemente do exame e foi logo aceita.

No dia solene foi, pois, inaugurado com grande pompa, no consistório da confraria, o retrato do benemérito definidor para o qual, não por pouca confiança no êxito salutar do retrato, mas para mais envaidecer o definidor, se mandou vir também uma comenda. Foi esse o primeiro retrato a óleo pintado e inaugurado na América do Sul. Só muito depois foi que chegaram a fotografia e o Sr. Insley Pacheco. O tal definidor soube ser grato aos seus amigos.

A igreja teve os sinos novos, não tão grandes como se queria nem tão bordados; mas enfim eram sinos, como dizia o homem. Honra, pois, a esse protetor da fé e da preciosa indústria dos retratos a óleo, cujo nome infelizmente se perdeu, não pela sua insignificância, mas por imperdoável descuido dos coevos e do Sr. Petit. Datam daí o sucesso e a fortuna do nosso grande retratista a óleo.

Logo entre os portugueses e as tribos domesticadas correu fama do seu talento e da sua original maneira de pintar.

No começo ainda houve uma certa desconfiança. O artista era francês e todos se lembravam com rancor do audacioso Duguay-Trouin. Mas alguém ponderou que se o Sr. Petit fosse inimigo dos portugueses e jacobino não teria pintado o retrato do definidor ou, pelo menos, não o teria feito tão favorecido. Além disso o tal definidor era a pessoa que mandava entre os seus contemporâneos e entendia que também, não só ele, os outros definidores deviam receber o retrato e dar dinheiro para sinos. E a sua grande influência serviu poderosamente para salvar o Sr. Petit e lançá-lo definitivamente no caminho da glória, que naquele tempo não tinha a bela balaustrada que tem nem o esplêndido jardim que ainda se vai fazer. Daí em diante não empalideceu mais a clara estrela do Sr. Petit tão venturosamente acesa por aquele rico comendador da colônia. Nem sequer um leve e rápido pestanejar interrompeu o seu brilho. Ao contrário, todas as circunstâncias, sem descontar nenhuma, como boas fadas generosas, vieram em seu auxílio e até a política, que é companheira das Parcas, ajudou o artista. Vindo para o Rio de Janeiro el-rey D. João VI com a sua faustosa corte, soube da existência do Sr. Petit, viu o retrato do definidor e desde logo concebeu o projeto de mandar pintar todos os seus fidalgos pelo famoso e ativo pintor. Foi este o primeiro trabalho de Hércules do Sr. Petit, trabalho de que se saiu com galhardia do próprio Hércules, pois, em menos de um ano, estavam retratados todos os cavaleiros e damas do monarca português e o próprio monarca teve uma edição de retratos com tiragem extraordinária. O rei foi adiante no empenho de ajudar o artista e aproveitar o seu talento na glorificação pela tinta e pelo óleo dos grandes vultos da sua pátria. O Sr. Petit passou a tela toda a fidalguia portuguesa da Metrópole. Isso duramente incomodou o seu compatriota Junot, general de Napoleão, mas ainda mais firmou os créditos do Sr. Petit na estima dos portugueses. Depois, como se sabe, veio a independência com D. Pedro e os Andradas e com ela o hino e a bandeira, nova encomenda de retratos ao Sr. Petit. A instabilidade do regime novo, as suas constantes oscilações determinavam contínuas mudanças no pessoal político; mas isso, que nos dizer dos foliculários do tempo, arrastava o país à ruína e à anarquia e eram verdadeiros atentados à liberdade, para o Sr. Petir redundava em novas encomendas. Quem sabia era imediatamente retratado e à medida que se firmava o regime firmava-se também a reputação do Sr. Petit. Embora indiferente à política, parece que o Sr. Petit contribuiu para os sucessos de 7 de abril. Se assim foi provou excelentemente os seus talentos políticos, pois triunfou com os conspiradores e pôde inaugurar pelo retrato de D. Pedro II, feito na véspera de abdicação, a pintura a óleo do segundo reinado.

Neste período as suas encomendas avultaram.

As várias guerras e revoluções, que então houve, deram lugar ao aparecimento de grandes individualidades que o seu pincel historiográfico não esqueceu. Houve até, nos fins da monarquia, um velho conselheiro que tão entusiasmado ficou com o seu retrato, pintado pelo eminente artista, que não se conteve, encomendou-lhe mais cinco retratos iguaizinhos e mandou-os colocar por todas as dependências da sua casa, desde a sala de visitas até a saleta de engomar.

Monarcas e cavaleiros desapareceram em 1889 para proporcionarem novas encomendas ao Sr. Petit e ainda hão de vir a revisão da Constituição, o aumento da esquadra, a uniformização das justiças estaduais, a mudança de bandeira, o código civil e outras coisas mais.

Esta é a história verdadeira do Sr. Petit e dos retratos a óleo no Brasil.

Atualmente o Sr. Petit, não tendo mais gente a pintar, pinta frutas, enquanto espera que a nova geração cresça e faça nome.

No "salão" deste ano S. S. expõe dois quadros frutíferos Cajus e Pêssegos e o último retrato.

Como se vê, o Sr. Petit vai com o tempo. Quando se cultivava a vistosa flor do conselheirismo o artista pintava conselheiros; agora todas as vistas e atividades se voltam para a pomicultura e o artista, acompanhando a corrente geral, pinta cajus. - Eugène Nesle.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

EUGÈNE NESLE. IMPRESSÕES DO "SALÃO". A Noticia, Rio de Janeiro, 6-7 out. 1904, p. 1.

Eugenia Freire da Silva
Eugenia Freire Meirelles
Eugenio de Figueiredo
Eugenio Latour
Eugenio Proença Sigaud
Eugenio Teixeira
Eulalia do Nascimento e Silva
Eunice Margarida da Silva
Eurico Moreira Alves
Evaristo Sá
Evencio Nunes
EXPOSIÇÃO de Arte Retrospectiva e Contemporânea. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 14 nov. 1922, p.4.

SUA INAUGURAÇÃO ONTEM

Realizou-se ontem, às 14 horas, na Escola de Belas Artes, a inauguração da exposição de arte retrospectiva e contemporânea, organizada sob a direção dos senhores Baptista da Costa, Raul Pederneiras e Fléxa Ribeiro.

À solenidade, que se revestiu de grande brilhantismo, compareceram os Srs. Major Cunha Pitta, representando o Sr. Presidente da República; Dr. Carlos Sampaio, Prefeito do Distrito Federal; Dr. Ferreira Ramos, Delegado Geral da Exposição; Conde Van der Bruch, Comissário Geral da Bélgica; figuras de maior destaque no nosso mundo artístico, senhoras, Dr. Victor Marks, Delegado de Polícia da Exposição; Dr. Vergueiro Steidel, Delegado do Governo Paulista; representantes da imprensa e outras pessoas gradas.

O Professor Baptista da Costa, Diretor da Escola de Belas Artes, proferiu o seguinte discurso, que a assistência muito aplaudiu: "Exmo. Sr. Presidente da República. Sejam as minhas primeiras palavras de agradecimento sincero a S. Ex. e ao seu digno governo pelo interesse sempre demonstrado por esta casa e pelos benefícios de grande relevância; começamos hoje a colher os resultados eficazes de tão excelentes benefícios, a Escola dotada dos melhoramentos de que tanto necessitava e que de há muito se faziam sentir, por indispensáveis conforme as reiteradas solicitações por mim feitas, desde que assumi a direção deste Instituto, função esta, que nunca fez parte das minhas cogitações na vida artística e que venho exercendo sem que solicitasse tão honroso cargo.

A Escola Nacional de Belas Artes, que além da direção de ensino artístico, tem o encargo de guardar o nosso único Museu de arte, não podia deixar de participar destacadamente na Comemoração do Primeiro Centenário da Nossa Independência Política.

Iludem-se os que pensam que, aqui dentro, vivemos unicamente no cumprimento das exigências burocráticas: aqui sempre palpitou a grande preocupação pelo desenvolvimento das artes plásticas em nosso país, trabalho feito sem alardes mas com perseverança, com convicção de quem coopera realmente para o engrandecimento do nosso querido Brasil.

S. Ex. o Sr. Presidente da República, no primeiro ano de Governo, depois de inaugurar a Exposição Geral de Belas Artes, perguntou-me, ao retirar-se, se a Escola de algo necessitava; respondi a S. Ex. que a Escola precisava de muitos melhoramentos, e os artistas careciam de estímulo. S. Ex. houve por bem pedir pormenores informativos, e, em audiência, dias depois marcada, tive ensejo de expor detalhadamente a situação da Escola e as medidas, ao meu ver, necessárias.

Neste mesmo ano, tive a dita de ver atendida uma parte da minha solicitação, pois era votado no Congresso, a dotação de 30 contos, para aquisição de obras de artistas nacionais, visando à apresentação de trabalhos que dessem mais realce às exposições anuais, estimulando os artistas em prol de um cunho mais elevado na arte que abraçaram.

Lamento que a marcha dos trabalhos encetados, não tenha tido a presteza, necessária, de modo a poder inaugurar esse certame comemorativo do nosso centenário com as obras terminadas, para completo esplendor, que imaginara nesta solenidade.

Mas a obra encetada caminha a bom termo, graças ao carinho com que S. Ex. atendeu ao apelo que fiz em nome dos artistas.

Seja-me permitido, também, mencionar as atenções valiosamente dispensadas pelo grande patriota Sr. Dr. Alfredo Pinto, quando Ministro do Interior, pelo Dr. Carlos Maximiliano, sempre interessado pela Escola, pelo Dr. Urbano dos Santos, Exmo. Ministro Ferreira Chaves, pelo prestígio que me tem dispensado na administração desta casa.

Hoje, a Escola possui seus ateliês de pintura, estatuária, escultura de ornamentos e arquitetura, perfeitamente instalados; suas galerias estão definitivamente organizadas, livres da perturbação prejudicial que as ameaçava por escassez de espaço, sofrendo o desastre das armações de sarrafo e aniagem, para realização das exposições anuais, até então realizadas, com grande risco para as riquezas da nossa pinacoteca.

Deve-se a S. Ex. esse grande passo, que aponta melhores e mais rasgados horizontes, para a arte e os artistas no Brasil.

Em poucos momentos poderia ser examinada a exposição permanente, de obras antigas, independente das galerias da exposição temporária. A iluminação diurna e noturna está tanto quanto possível resolvida; algumas correções, naturalmente, há a fazer, o que se não fez agora, por carência de tempo, devido à demora da entrega da sala, para mais apurado estudo das determinadas condições de luz.

Ooutro [sic] benefício decorrente é a interdependência das galerias de exposição e das demais salas da Escola, evitando-se assim, a perturbação dos trabalhos escolares, agora completamente separadas das salas franqueadas ao público.

Ao certame de arte que se vai inaugurar, acresce o valioso concurso de artistas estrangeiros, principalmente belgas, que, assim, por um requinte de gentileza, colaboram na grande comemoração em honra à grande data nacional.

A Escola Nacional de Belas Artes, como prova de reconhecimento dos serviços prestados por S. Ex. à instituição, por unânime e significativa vontade expressa em sessão plena da Congregação, resolveu colocar em lugar distinto desta casa, o busto em bronze Sua [sic] seus laureados artistas como sincera homenagem no dia de hoje; e sente-se feliz em tornar público seus agradecimentos, com os votos de prosperidade e felicidade a quem tão bem compreendeu, animou e também realizou, em proveito das belas artes em nosso amado Brasil."

A convite do Sr. Batista da Costa, o Sr. Dr. Carlos Sampaio retirou a bandeira que cobria um busto de bronze do Sr. Dr. Epitácio Pessoa, ouvindo-se então o hino nacional.

Em seguida a numerosa assistência percorreu os vastos salões da Escola, onde se encontram verdadeiros primores de arte.

Como já ficou dito a exposição compreende trabalhos artísticos coordenados de 1916 [sic] a 1915 (arte retrospectiva) e de 1915 a esta parte (arte contemporânea).

Na exposição de arte retrospectiva, figuram trabalhos da antiga missão artística francesa, tais como quadros de Debret, Taunay [Nicolas-Antoine Taunay] e outros a maquete da batalha de Riachuelo, de Victor Meirelles; os bronzes "Santo Estevão" e "A Faceira", de Rodolpho Bernardelli; um curiosa lavago [sic] monumental, dos tempos coloniais; um bronze simbólico de Almeida Reis "O Rio Paraíba"; vários bustos do Professor Corrêa Lima; a coleção de medalhas de chefes de Estado do Brasil desde Pedro I; a maquete do monumento a Pedro I, de Rocher [sic]; várias as vistas panorâmicas do Rio, de Victor Meirelles; a maquete da batalha dos Guararapes ; quadros de Amoêdo, Visconti, Baptista da Costa, Chambelland, e de tantos outros; mármores de Corrêa Lima.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

EXPOSIÇÃO de Arte Retrospectiva e Contemporânea. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 14 nov. 1922, p.4.

EXPOSIÇÃO de Arte Retrospectiva e Contemporânea. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 25 dez. 1922, p.3.

Continuam sempre muito visitadas as exposições de Arte Contemporânea e de Arte Retrospectiva, instaladas no edifício da Escola Nacional de Belas Artes, Avenida Rio Branco. A elas dão entrada os cupons dos Bônus, facilitando assim a grande concorrência do público. Continuam abertas das 11 da manhã às 6 da tarde e de 8 às 10 da noite, diariamente.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

EXPOSIÇÃO de Arte Retrospectiva e Contemporânea. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 25 dez. 1922, p.3.

EXPOSIÇÃO de arte retrospectiva e contemporânea. O Jornal, Rio de Janeiro, 14 nov. 1922, p. 3.

HOMENAGEM AO PRESIDENTE EPITÁCIO PESSOA

Está inaugurada a exposição de arte retrospectiva e contemporânea, comemorativa do centenário da independência .

A esse certame foi anexado o salão anual dos nossos artistas, particularidade que muito contribuiu para o interesse despertado em torno do mesmo.

A cerimônia inaugural teve a presença de muitos artistas, famílias da nossa sociedade e várias altas autoridades. Não podendo comparecer, o presidente Epitácio Pessoa fez-se representar. Antes de serem as galerias franqueadas aos convidados, procedeu-se à inauguração de um busto de s. ex. na sala da congregação, trabalho do escultor patrício professor Corrêa Lima. Por essa ocasião disse, em resumo, o diretor da Escola de Belas Artes, professor Baptista da Costa:

"Sejam as minhas primeiras palavras de agradecimento sincero ao sr. presidente da República e ao seu governo pelo interesse sempre demonstrado por esta casa e pelos beneficio a ela prestados, todos de grande relevância. Começamos hoje a colher os resultados eficazes de tão excelentes benefícios; a Escola está dotada dos melhoramentos de que tanto necessitava e que de há muito se fazia sentir, por indispensáveis conforme as reiteradas solicitações por mim feitas, desde que assumi a direção deste Instituto, função esta que nunca fez parte das cogitações da minha vida artística e que venho exercendo sem que solicitasse tão honroso cargo.

A Escola Nacional de Belas Artes, que, além da direção do ensino artístico, tem o encargo de guardar o nosso único Museu de arte, não podia deixar de participar, destacadamente, da comemoração do Primeiro Centenário da nossa independência política.

Iludem-se os que pensam que, aqui dentro, vivemos unicamente no cumprimento das exigências burocráticas; aqui sempre palpitou a grande preocupação pelo desenvolvimento das artes plásticas em nossa país, trabalho feito sem alarde, mas com perseverança, com convicção de quem coopera realmente para o engrandecimento do nosso querido Brasil.

O sr. presidente Epitácio Pessoa no primeiro ano de seu governo, depois de inaugurar a Exposição Geral de Belas Artes, perguntou-me, ao retirar-me, se a Escola de algo necessitava; respondi a s. ex. declarando que a Escola, precisava de muitos melhoramentos e os artistas careciam de estímulo. Houve s. ex. por bem pedir pormenores informativos, e, em audiência, dias depois marcada, tive ensejo de expor detalhadamente a situação da Escola e as medidas, ao meu ver, necessárias.

Neste mesmo ano, tive a dita de ver atendida uma parte da minha solicitação, pois era votada no Congresso a dotação de 30 contos, para aquisição de obras de artistas nacionais, visando a apresentação de trabalhos que dessem mais realce às exposições anuais, estimulando os artistas em prol de um cunho mais elevado na arte que abraçaram.

Lamento que a marcha dos trabalhos encetados, não tenha tido a presteza necessária, de modo a poder inaugurar esse certame comemorativo do nosso centenário com todas as obras terminadas, para o completo esplendor que eu imaginara dar a esta solenidade.

Mas a obra encetada caminha a bom termo, graças ao carinho com que o governo atendeu ao apelo que fiz em nome dos artistas.

Seja-me permitido, também, mencionar as atenções valiosamente dispensadas pelo grande patriota dr. Alfredo Pinto, quando ministro do Interior, pelo dr. Carlos Maximiliano, sempre interessado pela Escola, pelo saudoso dr. Urbano dos Santos e ao sr. ministro Ferreira Chaves, pelo prestígio que me tem dispensado na administração desta casa.

Atualmente a Escola de Belas Artes possui os seus "ateliers" de pintura, estatuária, escultura de ornatos e arquitetura. perfeitamente instalados; suas galerias estão definitivamente organizadas, livres da perturbação prejudicial que as ameaçava por escassez de espaço, sofrendo o desastre das armações de sarrafo e aniagem, para realização das exposições anuais, até então realizadas, com grande risco, para as riquezas de nossa pinacoteca.

Deve-se ao governo que está a findar na gestão esse grande passo, que aponta melhores e mais rasgados horizontes, para a arte e os artistas no Brasil.

A exposição permanente de obras antigas está Independente das galerias de exposições temporárias; a iluminação diurna e noturna está tanto quanto possível resolvida; algumas correções, naturalmente, há a fazer, o que não foi satisfeito agora, por carência de tempo, devido à demora na entrega das salas, para mais apurado estudo de determinadas condições de luz.

Outro beneficio decorrente é a inteira independência das galerias da exposição e das demais salas da Escola, evitando-se assim, a perturbação dos trabalhos escolares, agora completamente separadas das salas franqueadas ao público.

Ao certame de arte que se vai inaugurar, acresceu o valioso concurso de artistas estrangeiros, principalmente belgas, que, assim, por um requinte de gentileza colaboram na grande comemoração em honra à grande data nacional.

A Escola Nacional de Belas Artes, como prova de reconhecimento aos serviços a ela prestados por s. ex. o presidente Epitácio Pessoa, resolveu, por unânime e significativa vontade expressa em sessão plena da Congregação, colocar em lugar distinto desta casa o busto em bronze de s. ex., obra de um dos seus laureados artistas e sente-se feliz em tornar público seus agradecimentos, com os votos de prosperidade e felicidade a quem tão bem compreendeu, animou e realizou, em proveito das Belas Artes no nosso amado Brasil".

Foi grande, por toda a tarde, -o movimento nas galerias do palácio das belas artes, que ficarão franqueadas o [sic] publico, todos os dias das 11 às 18 horas e das 20 às 22.

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Artistas presentes à cerimônia inaugural da exposição do arte retrospectiva e do salão deste ano

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

EXPOSIÇÃO de arte retrospectiva e contemporânea. O Jornal, Rio de Janeiro, 14 nov. 1922, p. 3.

EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES - O "SALON" DE 1921 - O "VERNISSAGE". Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 12 ago. 1921, p.3.

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Três trabalhos expostos pelos concorrentes ao prêmio de viagem

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES - O "SALON" DE 1921 - O "VERNISSAGE". Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 12 ago. 1921, p.3.

EXPOSIÇÃO de Belas Artes - O "VERNISSAGE". Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 1 set. 1905, p. 2.

Dia pálido e brumoso próprio para ver quadros; tempo úmido, convidando ao morno ambiente de uma exposição de arte.

Grande e fina concorrência à hora em que chegamos, artistas, jornalistas, literatos e a grande massa anônima dos snobs que vão a toda a parte onde parece elegante "ser visto".

Muitas senhoras em roupas de inverno e bôas macias, de penas.

É difícil dar uma notícia perfeita da exposição; os quadros são em grande número; e não há um catálogo, um guia, uma indicação qualquer que seja, com que se conduza o visitante.

Como os expositores estão espalhados, é impossível saber o número de trabalhos de cada um.

E os títulos dos quadros?

Muito menos. Batizá-los-emos por nossa conta e risco de acordo com o assunto tratado; perdoem os autores o mau gosto do padrinho.

Mas não há outro remédio.

Há na sala entusiasmo e interesse; murmura-se nos grupos contra os expositores de melancias e cajus, que transformam a exposição em praça do Mercado.

Diga-se em verdade que os quitandeiros rarearam este ano; esperamos que aos poucos se liquidem todos eles, o sr. Petit à frente.

Há muita bota; oh! Muita!

Mas, enfim, ponhamo-las de parte e vejamos o que há de bom e apresentável.

O clou da exposição é um belíssimo retrato de senhora, devido ao pincel educado de Visconti; muita vida, muita expressão naquele olhar cheio de brilho e de meiguice; um retrato psicológico: adivinha-se no modelo um caráter firme e voluntarioso; as tintas bem distribuídas, sem o escândalo de originalidade dos melhores quadros do artista.

Entretanto, o seu colorido é inconfundível; Visconti sabe imprimir aos seus trabalhos um cachet especial, muito seu, que dispensa e assinatura.

Os retratos de Bernardelli [Henrique Bernardelli] são os de sempre: trabalhados com a habitual maestria, quase todos em tons escuros, muito acadêmicos, sem ousadias ou pretensões revolucionárias.

Há três muito de apreciar, os dos srs. Ubaldino do Amaral, Machado de Assis e Carlos Rodrigues.

As paisagens de Baptista da Costa. Mas haverá necessidade de dizer o que são as paisagens de Baptista da Costa?

O belo artista expõe bom número delas.

Há um pôr-do-sol (batizamo-lo assim) de grande e intensa beleza; o colorido do horizonte é de absoluta verdade.

Uma outra, cremos que de Poços de Caldas, impressiona pelo verde macio da folhagem, o nosso verde alegre e quente, coberto por um céu luminoso e suavíssimo.

Rodolpho Chambelland, aluno da Escola, faz progressos rápidos e notáveis.

Dos seus quadros destacamos as Bacantes em festa, um estudo de acadêmico muito bem executado, malgrado a deficiência de modelos; Passatempo - (uma tocadora de violão) e Leitura.

Carlos Chambelland, seu irmão cadet, apresenta bons estudos que honram o nome da família.

Lucilio expõe um belo retrato de senhora, é, com perdão da chapa [sic], uma grande promessa de grande artista se continuar a se aplicar como até a aqui.

Malagutti dá-nos um excelente retrato de senhora com uma criança ao colo; este artista original, personalíssimo, agrada com quase todos os seus trabalhos pela ousadia da execução.

Este retrato é nebuloso e triste, os traços mal se debuxam na tela e entretanto as fisionomias são riquíssimas de expressão e alma.

Malagutti é um revolucionário, sem […] mas com um grande talento […]

[…]

Vicio Fatal, Lar infeliz ou que melhor nome tenha, é um quadro sugestivo, impressionante.

É um ébrio que chega em casa, esbordoa a mulher, derruba os móveis e agora já […] estado de coma alcoólica, […] sobre a mesa, os olhos congestos, os lábios numa expressão de angústia indizível; em torno a mulher e os filhos choram; os móveis jazem pelo chão em pedaços.

[Eugenio Latour] Expõe mais um esplêndido Nu, um grupo de três mulheres, lendo confidencialmente uma carta [Imagem], e ainda alguns outros bons estudos.

É um artista que emprega otimamente o seu tempo.

Falaremos amanhã de outros trabalhos expostos.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

EXPOSIÇÃO de Belas Artes - O "VERNISSAGE". Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 1 set. 1905, p. 2.

EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES - O "vernissage". Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 11 ago. 1921, p.3.

Realiza-se hoje, às 14 horas, a XXVIII Exposição Geral de Belas Artes, no edifício da Escola Nacional de Belas Artes. Há grande ansiedade em nosso meio artístico e intelectual para o certame, que abre com o "vernissage" de hoje, devido aos nomes que nele tomarão parte.

Todas as exposições promovidas pelo Conselho Superior de Belas Artes têm realizado perfeitamente os seus fins, merecendo a simpatia pública e elevando o nível do nosso mundo artístico.

A XXVIII exposição promovidas pelo Conselho Superior de Belas Artes têm realizado perfeitamente os seus fins, merecendo a simpatia pública e elevando o nível do nosso mundo artístico.

A XXVIII exposição assinalará portanto, mais uma conquista para a Escola Nacional de Belas Artes, que vem prestando reais serviços à artes no Brasil, educando gerações que, mais tarde, levantarão o nome do país.

A exposição de hoje, que o povo sagrará com a sua concorrência, é variada, mantendo as normas observadas nos anos anteriores.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES - O "vernissage". Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 11 ago. 1921, p.3.

Exposição de Belas Artes - O Salão Cômico. Jornal do Brasil, 11 set. 1910, p. 6.

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[...]

Raul Pederneiras - Caricaturas

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Digitalização de Fundação Biblioteca Nacional. Acessível em: http://memoria.bn.br/

Transcrição de Arthur Valle

Exposição de Belas Artes - O Salão Cômico. Jornal do Brasil, 11 set. 1910, p. 6.

Exposição de Belas Artes. A Noticia, Rio de Janeiro, 1-2 set. 1910, p. 2.

No edifício da Escola Nacional de Belas Artes, realizou-se hoje, ao meio dia, com a presença do Sr. presidente da República, a inauguração da 17ª Exposição de Belas Artes.

Todos aqueles que acompanham com interesse o desenvolvimento das belas artes no Brasil, podem perfeitamente calcular a satisfação de que se acham hoje possuídos os novos artistas que tanto se tem esforçado para o êxito das exposições anuais.

A exposição que hoje se inaugurou excedeu a toda expectativa, não só pelo número de trabalhos expostos que é muito superior ao do ano passado, como também pelo valor desses trabalhos.

O Sr. presidente da República chegou ao edifício da Escola ao meio dia em ponto, acompanhado dos Srs. Ministro do Interior, secretário da presidência e chefe da casa militar.

Receberam S. Ex. muitos dos artistas que concorreram à exposição, servindo o Sr. Belmiro de Almeida de ciceroni do chefe do Estado.

O Sr. Dr. Nilo Peçanha percebeu toda a exposição, demorando-se a observar os quadros do professor Berard, alguns dos quais se acham incompletos.

Tanto o Sr. presidente da República como [...]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

Exposição de Belas Artes. A Noticia, Rio de Janeiro, 1-2 set. 1910, p. 2.

EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 12 set. 1904, p. 1.

A Exposição Geral de Belas-Artes, que continua aberta todos os dias, das 10 horas da manhã às 4 da tarde, foi ontem bastante visitada, apesar do tempo encoberto e chuvoso.

Sábado os júris das seções de pintura e arquitetura, em sessão convocada para esse fim, conferiram os seguintes prêmios:

Medalha de 1ª classe (ouro) a João Baptista, pelo quadro "Fim da Jornada"; medalha de 2ª classe (prata) a Rodolpho Chambelland, pelo quadro "Uma noite de espetáculo"; menções honrosas do 1º grau a d. Eulalia do Nascimento Silva, Lucilio de Albuquerque, d. Anna da Cunha Vasco e d. Maria da Cunha Vasco; menções honrosas do 2º grau a Carlos Oswald, Jorge de Mendonça, d. Nina Santoro, d. Irene de Andrade Ribeiro, d. Angelina de Figueiredo e d. Marietta de Figueiredo; e o "Prêmio de viagem" ao expositor de arquitetura Aluisio Carlos de Almeida Stahlembrecher.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 12 set. 1904, p. 1.

EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 2 out. 1894, p.2.

Ao meio-dia de ontem, perante um público escolhido e numeroso, realizou-se a inauguração da exposição.

Entre as pessoas ali presentes notamos os Srs. Ministro argentino, cônsul da Itália, general Vasques, almirante Gonçalves, deputado A. de Mattos, marquês de Paranaguá, J. Teixeira Leite, A. Jannuzzi, barão de Sampaio Vianna, Drs. Moraes Brito, Lima Drummond, André Cavalcanti e José Verissimo, barão de Quartim e muitos professores do Instituto de Música e da Escola de Belas Artes. Formosas e elegantes senhoras aumentavam o brilho da reunião.

Às 3 horas da tarde, compareceu o Sr. Dr. Nascimento, ministro do interior, o qual se demorou cerca de uma hora apreciando devidamente a exposição, que lhe mereceu elogios.

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Grande foi o número de pessoas que acudiram durante algumas horas a visita da exposição e excepcional foi também o número de amadores que ontem mesmo fizeram aquisição de algumas das telas expostas.

Avaliem os leitores pela lista que damos em seguida:

N. 9. F. de Almeida [Almeida Junior]: Pescaria - Adquirida pelo Sr. Barão de Quartim;

N. 14. Amoedo: Pastel - Idem;

N. 19. Baptista [Baptista da Costa]: Lagoa R. de Freitas - Idem;

N. 46. F. Bernardelli: Conselho de bastidores - Idem;

N. 131. Madruga Filho: Paineira em flor - Idem;

N. 147. Santos Ollala: O pescador. - Idem;

N. 52. H. Bernardelli: Faceira. - Adquirida pelo Sr. Teixeira Leite;

Ns. 54, 55, 56, 57, 65 e 66. M. Brocos: Mulatinha, Crepúsculo, (Diamantina) No páteo, Garimpeiros, Vista de Diamantina e Paisagem - Adq. pelo Sr. Conde S. de Pinho;

Ns. 199, 200 e 201. P. Weigartner: Vendedor de queijos, Corridas no Rio Grande e Piquete de cavalaria. -Idem;

N. 195. P. Weigartner: As galinhas. - Adq. pelo Sr. F. Antonio dos Santos;

N. 196. Do mesmo pintor: A gaiola. - Adq. pelo Dr. Gross;

N. 197. Idem: O peralta. - Comprado por Mll. Laboth;

N. 194. Idem: Os urubus. - Comprado pelo Dr. Passos;

Ns. 204 e 205. Idem: As lavadeiras e Projeto de viagem. - Adq. pelo barão de Sampaio Vianna;

Ns. 88 e 91. N. Fachinetti: Boa vista e Serra dos Órgãos. Adquiridos pelo comendador Villela;

N. 97. Idem: Paisagem, e n. 198. P. Weingartner: A despedida. Adquiridos pelo Sr. A. Waguelin.

Como se vê, foram já vendidos 26 quadros, o que de certo demonstra bom gosto do público fluminense.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Bárbara Kushidonti

EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 2 out. 1894, p.2.

EXPOSIÇÃO de Belas Artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 24 set. 1902, p.3.

O resultado da votação dos diversos júris da Exposição Geral de Belas Artes efetuada ontem, na respectiva escola é como se segue:

SEÇÃO DE PINTURA - Medalha de honra - Não houve número de expositores para a votação: 1a medalha (ouro) - Sr. Eliseu d'Angelo Visconti: prêmio de viagem - Sr. Eugenio Latour; 1as menções - D. Marietta Meirelles e Sr. Helias Sellinger [sic]; 2as menções - D. Ignez Sampaio, D. Maria Mee e D. Maria Barbosa de Oliveira.

SEÇÃO DE ESCULTURA - 1a medalha (ouro) - Sr. José Octavio Correia Lima.

SEÇÃO DE ARQUITETURA - Não houve recompensas.

SEÇÃO DE GRAVURA E LITOGRAFIA - Não houve recompensas.

SEÇÃO DE ARTES APLICADAS À INDÚSTRIA - 2a medalha (prata) - Sr. Eliseu d'Angelo Visconti. 2as menções - Sr. Helias Sellinger [sic] e Julietta Wencelins.

Os diversos júris eram compostos pela forma seguinte:

Pintura - R. Amoedo, Brocos, H. Bernardelli e J. B. da Costa

Escultura - R. Bernardelli, A. Girardet e F. J. P. Carneiro.

Arquitetura - Dr. A. Morales de los Rios, Dr. Graça Couto e Dr. E de Araújo Vianna.

Gravura - R. Bernardelli, A. Girardet, Dr. A. Morales de los Rios, Dr. E. de Araújo Vianna e F. J. P. Carneiro.

Artes aplicadas - R. Bernardelli, R. Amoedo, Dr. Morales de los Rios, Dr. E. de Araújo Vianna, A. Girardet e F. J. P. Carneiro.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

EXPOSIÇÃO de Belas Artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 24 set. 1902, p.3.

Exposição de Belas Artes. UM QUADRO DE AURÉLIO DE FIGUEIREDO. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 20 out. 1894, p.1.

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UM QUADRO DE AURÉLIO DE FIGUEIREDO

Quando o vice-diretor da Escola quis que a exposição fosse inaugurada em setembro, esse retrato ia figurar sem cabeça; muito parecido, mas sem cabeça. Adiada a exposição para outubro, Aurélio continuou a trabalhar e chegou a pintar o rosto, contando com adiamento novo. Não houve adiamento e o retrato foi enviado assim mesmo, sem o crânio.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

Exposição de Belas Artes. UM QUADRO DE AURÉLIO DE FIGUEIREDO. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 20 out. 1894, p.1.

EXPOSIÇÃO DE BELAS-ARTES O SALÃO CÔMICO. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 9 set. 1906, p.11.

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Corrêa Lima - O Dr. Passos, quando era pequeno.

H. Cunha Mello - Um garoto queixoso e quixudo [sic].

Arthur Lucas - Malmequer, Bem-me-quer, - muito... pouco...

C. Oswaldo - Um sujeito apertado...para caber na moldura.

Julieta França - Os monstros de gesso, grupo que escapou de um terremoto na Itália...

Carlota Laboreau - Prêmio para os visitantes da exposição. Folhinha para o ano que vem.

B. Treidler - Retrato do seu bigode em fraldas de camisa.

Nair Teffé - Uma assinatura com olhos no teto.

Nicolina de Assis - A falta d'água no bairro de São Cristóvão - Reclamação em gesso.

Belmiro de Almeida - A polícia de Paris. - Trata tudo aos beijinhos... Que diferença!

Diana Dampt - A tetação. Quadro teratológico; exposição de maminhas.

F. Manna - Últimos momentos do Seixas, comendo a mão.

Aman Jean - Retrato a lusco-fusco de um cavalheiro espírita...

M. Brocos - Retrato do Dr. J. J. Seabra, quando ficar mais velho e mais adiposo.

Brisgand - A serenata das favas contadas.

A. Timotheo da Costa - Retrato de um preto pedindo beijinhos e muchochos.

A. Timotheo da Costa - Um banho de areia depois de uma rasteira com gaivotas.

F. Fader - Um cavalheiro que perdeu a cabeça a procurar as pernas...

C. Chambelland - As três Marias equilibrando dois bonecos na beira de uma praia.

João Baptista - Exercício ginástico dos patinhos da lagoa; encarapitam-se uns [...] outros e nenhum vai ao [...].

Raphael Frederico - A quarta parta de uma caixa d'óculos tocando a terça parte de uma rabeca.

Fernandes Gomes - A viagem do Doutor... - Condução de uma gaiola de tico-tico com [...] Dr. Aarão Reis na proa do barco.

E. Bevilacqua - Orfeu [...] puxa-puxa para consertar a perna...

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

EXPOSIÇÃO DE BELAS-ARTES O SALÃO CÔMICO. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 9 set. 1906, p.11.

Exposição de Belas-Artes. A Cigarra, Rio de Janeiro, 12 set. 1895, p.4.

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Os croquis que damos nesta página são autógrafos dos seus signatários que gentilmente obsequiaram a Cigarra, dando a este número um inestimável valor artístico.

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Digitalização e transcrição de Arthur Valle

Exposição de Belas-Artes. A Cigarra, Rio de Janeiro, 12 set. 1895, p.4.

EXPOSIÇÃO de Belas-Artes. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 3 set. 1903, p. 3.

Inauguração da 10 exposição anual. - As Belas-Artes e os malazartes. - A concorrência. - Os expositores. - Notas.

A 10 Exposição Geral de Belas-Artes foi anteontem, ao meio dia, inaugurada a capucho, isto é, sem a presença do presidente da República que, preocupado com os malazartes de várias espécies, que o cercam, não tem cabeça para Belas-Artes.

Em compensação estiveram lá os ministros do interior e da viação, que, acompanhados pelo professor Bernardelli [Rodolpho Bernardelli], diretor da Escola Nacional de Belas-Artes, percorreram as duas salas do costume [sic], onde este ano, nos pareceu ver menos quadros e piores, na generalidade, do que no anterior certame.

Cinquenta expositores de pintura apresentam 199 quadros a óleo, pastel, aquarela, guache, cola, crayon, ovo e têmpera; sendo a escultura representada por três nomes e quatro trabalhos; a arquitetura um nome e um projeto, o da Escola de Belas-Artes, de Morales de los Rios, executado no atelier Bernardelli, por Joaquim Fontes Soares, figurando ainda entre as especialidades artísticas muitos trabalhos de gravura, de medalhas e pedras finas do professor Augusto Girardet; quatro águas-fortes de Modesto Brocos; três xilografias e dois desenhos de João Ricardi Cattaneo; 14 objetos de cerâmica de Elyseu Visconti e espécimes de trabalhos de fotogravura e fotolito dos Srs. Bevilacqua &amp; C.

Os expositores de quadros são: Henrique Bernardelli, Rodolpho Amoedo, Modesto Brocos, João Baptista da Costa, Fiuza Guimarães, Raphael Frederico, Joaquim Augusto Marques Guimarães, Augusto Petit, Carlos Reis, Elizeu Visconti, Alina Teixeira, Araújo Fróes, Jonas de Barros, Ed. Bevilacqua, Pedro Bolato, Gaston Cariot, Raoul Carré, Carlos [Carlos Chambelland] e Rodolpho Chambelland, Alberto Childe, Clelia de Castro Nunes, Anna [Anna Cunha Vasco] e Maria Cunha Vasco, Gustavo Dall'Ara, Carlos de Agostini, Alberto Delpino, Dinorah da França Meyrelles, Elvira Gomensoro Ferreira, Evencio Nunes, Luiz Mario Filippo, José Monteiro da França Garrido, Georgina Moura Andrade, Helena Vaz Pereira de Viveiros, Irene de Andrade Ribeiro, Eugenio Latour, Ledrina da Gama Rodrigues, Lucilio de Albuquerque, Marietta da França Meyrelles, Augusto Matisse, Minna Mee, Jorge de Mendonça, Francesco Napolitano, Richard Rauft, Luiz da Silva Ribeiro Filho, Sarah Del Vecchio, Helios Seelinger, Virgilio Lopes Rodrigues.

Deles, cinco são ou foram professores na Escola Nacional de Belas-Artes e outros institutos, quatro, tiveram prêmios de viagem, nove, receberam medalhas em outras exposições e onze, mereceram menções honrosas.

Não é nosso empenho fazer critica às manifestações artísticas nacionais reunidas nas salas da Escola de Belas-Artes, pelos poucos que ainda se esforçam na nossa pátria por fazer alguma coisa mais valiosa do que maldizer quanto resulta do engenho daqueles que não são seus apaniguados elevando estes aos píncaros da glória.

Limitamo-nos a reproduzir a impressão que rapidamente recebemos nas poucas horas que nos detivemos ontem em frente dos quadros expostos no nosso Salon.

Pareceram-nos geralmente pobres de concepção os poucos quadros de composição; menos maus alguns retratos, dois ou três bons e também - não nos lembra quantos maus.

Os trabalhos de aquarela são em grande numero, relativamente, figurando entre eles como, a nosso ver, dignos de registro, os de Amoedo e Bernardelli (Henrique) e os das senhoritas Anna e Maria Cunha Vasco, discípulas de Benno Treidler.

Apresentam as gentis e aplicadas jovens 20 quadros de interior e paisagem, em que revelam fina observação e justeza de cores.

Dos quadros a óleo achamos bons alguns, que não mencionaremos, para não desgostar os autores dos que nada valem e especialmente um ... não vale desgostar a mocidade atirada.

Deixemos que tal façam os austeros mestres da crítica, que vão estampar por estes dias nos diferentes órgãos de publicidade o seu juízo inflexível e amadurecido.

Os trabalhos de cerâmica artística queimada ao fogo de Mufla nas manufaturas dos srs. Ludolf & Ludolf, apresentados por Eliseu Visconti, são uma tentativa feliz merecedora de incitamento e proteção; boas as águas-fortes de Brocos, assim como as medalhas e gravuras em pedras finas de Girardet, e dignas de registros as xilografias de Cattaneo.

O diretor da Escola apresenta um busto do dr. Brissay, em bronze, muito parecido e bem executado e seus discípulos Correia de Lima e Julieta França expõem: o primeiro um busto de criança, em gesso, e um pescador, também em gesso e a segunda, Cupido, em atitude de quem, depois de haver disparado uma flecha, olha, escarninho para a sua vítima.

Atitude é graciosa e a expressão do travesso Deus muito parisiense.

A exposição foi muito visitada por senhoras e senhoritas e muitos artistas, amadores e críticos, vendo-se também ali juízes, ministros do Supremo Tribunal e outros altos funcionários, o Sr. Ministro de Portugal e seu secretário, representantes da imprensa, etc.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

EXPOSIÇÃO de Belas-Artes. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 3 set. 1903, p. 3.

EXPOSIÇÃO DE BELAS-ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 1 set. 1895, p.2.

Fomos ontem convidados a visitar a 2ª exposição de Belas-Artes, que será hoje inaugurada oficialmente.

Não queremos nem podemos entrar em miúda análise de todos os quadros expostos, até porque para isso nos faltaria competência. Desejamos apenas deixar consignada aqui a nossa impressão pessoal, e essa impressão foi lisonjeira.

Somos avessos aos elogios exagerados como às censuras de parti-pris. No segundo caso, falta-se ao primeiro dos deveres do jornalista (é propositalmente que não escrevemos a palavra crítico). No primeiro, corre-se muitas vezes o risco de impedir os progressos do artista que […] nos louvores da imprensa e dos amigos, julga-se um mestre impecável e não mais procura aperfeiçoar-se.

Analisando, ainda sumariamente, a atual exposição de Belas Artes, convém não esquecer que a arte em nosso país ainda se acha limitada em um círculo muito restrito, como restritos são os que a cultivam.

Cremos que se pode dizer que, só nestes últimos anos, o amor pelo quadro se tem desenvolvido com mais expansão, e, se hoje ainda não possuímos pintores de grande pulso, que tenham feito escola, temos contudo alguns que conseguiram à força de trabalho tornar-se salientes e chegar a um grau de aperfeiçoamento que já constitui uma glória para nós e que autoriza a crítica a ser um pouco mais exigente.

Neste número, está, por exemplo, o Sr. Rodolpho Amoedo, cujos quadros Passeio matinal e Raio de sol não nos agradaram pelo tom cru das cores que fere a vista e por nos parecer algo convencional. Em compensação, deleitou-se o quadro Más Notícias, que está desenhado e pintado por mão de mestre. Ali os menores detalhes revelam um artista senhor de sua arte.

Os quadros do Sr. Almeida Junior devem ser incluídos no número dos mais primorosos, já pela fidelidade, poderíamos dizer fotográfica, da reprodução dos tipos e dos lugares, já pelo tom exato do colorido, já pela correção do desenho. Examine-se, por exemplo, a Cozinha na roça, ou o Caipira pintando [sic], e ver-se-á transparecer nesses quadros a consciência do artista e a felicidade do pintor. O Sr. Almeida Junior fez, aliás, uma especialidade dos tipos de caipira e de cenas da roça.

O Sr. Angelo Agostini expôs apenas dois quadros. O Através das matas agradou-nos pela ideia e pela execução.

O Sr. Henrique Bernardelli tem nada menos de 29 quadros expostos. O que tem por título Epílogo foi o que mais nos impressionou. Toda a paisagem tem o tom justo, sem nenhuma nota discordante.

O quadro de maiores proporções é o do Sr. Belmiro de Almeida, Aurora de 15 de novembro. Embora o gênero alegoria não seja dos que mais nos agradam, é força confessar que, como composição e como execução, o artista foi muito feliz. Pessoalmente, damos a preferência a duas deliciosas paisagens num tom suave que deleita a vista.

Do Sr. Luiz [sic] Bernardelli [Felix Bernardelli] notamos sobretudo o quadro Triste sorte. A cabeça é bela e está pintada com vigor.

Da Sra. Diana Cid, vimos dois retratos de primeira ordem e que revelam uma artista de temperamento. Há na pintora certa tendência para o impressionismo. Felizmente, ela sabe deter-se a tempo e não caiu nos exageros de uma escola, que já vai perdendo terreno, com grande vantagem para a arte.

Aos amadores de natureza morta, recomendamos as Parasitas do Sr. Baptista da Costa e as Cebolas do Sr. Alexandrino Borges.

A Meditação da Sra. A. Minitzky é digna de chamar a atenção dos amadores. Há ali uma simplicidade de execução e uma tonalidade de cores sombrias que nos agradaram sobremodo.

Como pasteis, há dois quadros muito bem feitos, e esses têm por autor o Sr. Henrique Bernardelli. Correspondem eles aos ns. 71 e 75. Chegados ao termo desta rápida e incompleta resenha, seja-nos lícito destacar dois quadros que se nos afiguram os mais bem acabados de toda a exposição.

O primeiro é a Redenção de Cham, que, já pela originalidade da ideia, já pela composição dos tipos, já pelo colorido, honra o talento do Sr. Brocos e mereceria uma análise mais detida do que as poucas linhas que o tempo e o espaço nos forçam a dedicar-lhe. A figura e a atitude da preta, sobretudo, estão de rara felicidade.

O segundo quadro é o do Sr. H. Davier [sic] e tem por título La Pêche aux guideaux. O tom geral do quadro lembra-nos um pouco o processo de Ruiz [sic] de Chavannes. Mas como desenho e como execução, o Sr. Davier não procede do grande mestre francês. É possível que seja justamente devido ao colorido sombrio que o quadro não agrade a muita gente. Para nós, vemos aí um grande merecimento, que nos faz classificar o quadro do Sr. Davier ao lado do do Sr. Brocos, como valor artístico.

A seção de escultura resume-se, por assim dizer, na Moema de Rodolpho Bernardelli, que mais uma vez nos deu prova de grande audácia de imaginação. Aquele corpo, cujas formas transparecem através das dobras do lençol que o cobre, está desenhado com arte, com consciência e com sentimento. É um digno pendant à Faceira.

Em suma, a exposição, como acabamos de ver, é das mais interessantes que aqui se tem realizado, e oxalá seja ela concorrida e desenvolva entre nós o gosto pelas belas artes, que tanto contribuem para a civilização intelectual de um povo, [sic]

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

EXPOSIÇÃO DE BELAS-ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 1 set. 1895, p.2.

Exposição de Belas-Artes. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 19 out. 1894, p.1.

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AURÉLIO DE FIGUEIREDO

Camões tinha pena e espada. Aurélio tem pena e pincel. Pinta excelentes romances e escreve quadros esplêndidos.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

Exposição de Belas-Artes. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 19 out. 1894, p.1.

EXPOSIÇÃO de belas-artes. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 2 set. 1895, p.2.

O Sr. presidente da República, acompanhado do Sr. coronel Moraes, chefe de sua casa militar, e de seus ajudantes de ordens, capitão Neiva de Figueiredo e tenente Cunha Moraes, assistiu ontem à abertura da exposição geral de belas-artes.

S. Ex. foi recebido pelo Sr. diretor Rodolpho Bernardelli, membros da administração e professores, e demorou-se longo tempo, examinando tudo, indagando minuciosamente e conversando com o diretor e professores.

S. Ex. reconheceu que o edifício é acanhado, e neste sentido conversou largamente com o Sr. ministro do interior, que também ali se achava.

O Sr. presidente foi convidado a ver em uma sala da academia dois armários com objetos de prata fabricados nesta capital, na fábrica Argentífera Brasileira.

Os trabalhos são perfeitos, de bom gosto e admiravelmente executados.

Um dos proprietários da fábrica ofereceu a S. Ex. uma bengala, cujo castão foi ali fabricado.

O Sr. presidente viu ainda os trabalhos do professor Augusto Girardet, trabalhos de gravura em pedra e bronze que lhe mereceram elogio.

A S. Ex. o Sr. Girardet ofereceu uma medalha da inauguração da estátua do general Osorio.

A esta cerimônia compareceram os Srs. Drs. Manuel Victorino, vice-presidente da república, ministros do interior, da indústria e da marinha e outros cavalheiros.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

EXPOSIÇÃO de belas-artes. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 2 set. 1895, p.2.

EXPOSIÇÃO de Belas-Artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 1 set. 1903, p.1.

Teve ontem lugar a cerimônia do vernissage que precede hoje em dia, por toda a parte a inauguração mais ou menos oficial das exposições de belas-artes. E dizemos cerimônia porque de fato o trabalho de dar a última de mão aos quadros se realiza na véspera do dia marcado para o vernissage oficialmente anunciado.

Pode-se dizer que todo o estado maior dos nossos artistas se apresenta com trabalhos de maior ou menor fôlego [...], como era lícito esperar dos seus nomes.

Juntamente com os [...] expõem os artistas novos, filhos da Escola Nacional, formados na mesma e há pouco voltados da Europa. Deles dois fazem parte do atual júri de pintura.

Os rapazes, os [...], apresentam-se quase au grand complet, sempre animosos: alguns, com valentia que nem todos saberão apreciar e com dificuldades ignoradas do nosso meio, [...] grandes trabalhos de fôlego.

Entretanto, a exposição não apresenta telas de extraordinárias dimensões nem trabalhos de grande envergadura, mercadoria que não tem saída nem [...] nosso público, nem passando pela parte do Tesouro, que já fez não há muito louvável esforço em prol da arte, adquirido valiosas obras e condições.

Essa carência de grandes assuntos pictóricos justifica-se pelo custo extraordinário que representam para o artista, pela certeza de ficarem nas mãos dos autores, que não vivem apenas de óleo de linhaça, tintas e vernizes ...

A escultura só apresenta um busto em bronze, esplêndido, de R. Bernardelli. Correia de Lima brilha infelizmente pela ausência, pelo menos, até a hora do vernissage.

Na seção de arte aplicada, Visconti expõe lindíssimas experiências de cerâmica que bem merecem o amparo do público e do capital inteligente.

Girardet, como sempre, brilha na seção de gravura e medalha.

Uma nova sala, acrescida à exposição, encerra a coleção mais interessante de indumentária que até hoje tem exposto a Escola, e que revela as muitas e desconhecidas riquezas que ela possui.

Na seção de arquitetura, um único trabalho: o projeto em gesso e à grande escala do futuro Palácio de Belas Artes, esplêndida obra de Morales de los Rios, executada com perfeição no atelier de R. Bernardelli.

O público que assistiu ao vernissage foi seleto e numeroso e é de esperar que o mais franco sucesso coroe hoje a inauguração do nosso salão anual.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

EXPOSIÇÃO de Belas-Artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 1 set. 1903, p.1.

EXPOSIÇÃO de Belas-Artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 11 set. 1904, p.2.

PRÊMIO DE VIAGEM

A legislação republicana que estabeleceu a exposição anual de belas artes instituiu, como proteção e animação, o prêmio de viagem à Europa, concedido pelos júris das diversas seções reunidos em sessão plenária, ao concorrente brasileiro, menor de 34 anos de idade, que pelos trabalhos apresentados melhor merecesse essa distinção.

Os prêmios tem tido resultados fecundos. Basta percorrer as galerias do salão presente para compreender a utilidade de tal iniciativa. Os Srs. J. Baptista, Fiuza, Freitas [Augusto Luiz de Freitas], Visconti, Macedo, Correia Lima, Machado, Seelinger, demonstram, nas telas ou bustos que apresentam, o aproveitamento que obtiveram frequentando ateliers e museus estrangeiros.

O salão de 1904 é um dos mais concorridos e triunfantes. Na pintura, escultura e arquitetura, os rapazes merecedores do prêmio abundam. A tarefa dos júris não será das mais fáceis.

Ontem, à 1 hora da tarde, na diretoria, reuniram-se para julgamento dos trabalhos expostos, os respectivos júris.

O nome do Sr. Aloisio Carlos de Almeida Stahlembrecher, arquiteto titulado pela nossa Escola de Belas-Artes, foi aclamado como o presente prêmio de viagem. Os projetos do Asilo do Bom Pastor são, de fato, um dos melhores trabalhos expostos no salão. Foi a afirmação calma, segura, ponderada desse grande talento, e, pela opinião dos críticos e aplauso dos visitantes, estava naturalmente, destinado a tão necessária recompensa.

Em pintura, o Sr. João Baptista da Costa, o sensível e delicado pintor da natureza brasileira, obteve medalha de 1ª classe (outro) pelo seu quadro – Fim de jornada (n. 17). A medalha de 2ª classe (prata) coube ao Sr. Rodolpho Chambelland, distinto aluno de Rodolpho Amoedo, pela sua magnífica composição Uma noite de espetáculo (n. 50). As menções honrosas de 1ª classe foram distribuídas aos Sr. Lucilio de Albuquerque e DD. Eulalia do Nascimento e Silva, Anna da Cunha Vasco e Maria da Cunha Vasco.

Os Srs. Carlos Oswaldo, Jorge de Mendonça e DD. Irene de Andrade Ribeiro, Nina Santoro, Angelina de Figueiredo e Marieta de Figueiredo obtiveram menções de 2ª classe.

O júri de arquitetura era composto dos Drs. Ernesto da Cunha de Araújo Vianna, Adolpho Moraes de los Rios, Eduardo Barbosa, professores da escola, e Aarão Reis e Gastão Bahiana, eleitos pelos expositores; o de pintura, dos Srs. Henrique Bernardelli e Rodolpho Amoedo, professores da escola, e Aurelio de Figueiredo e Modesto Brocos, escolhidos pelos concorrentes.

Na época atual de renovação urbana, quando os poderes públicos transformam e alargam as ruas e procuram embelezar a cidade, é sobremodo significativa a decisão ontem dada pelos júris da exposição, presididos pelo diretor da escola, professor Rodolpho Bernardelli, premiando com a viagem à Europa um digno representante da moderna geração de arquitetos educados e titulados pela nossa escola de Belas-Artes.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

EXPOSIÇÃO de Belas-Artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 11 set. 1904, p.2.

EXPOSIÇÃO de Belas-Artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 3 set. 1904, p.2.

A 11ª exposição geral de belas-artes, inaugurada anteontem, com a presença dos Drs. J. J. Seabra, ministro do interior e Lauro Müller, ministro da viação, é mais um atestado brilhante da utilidade do preceito legislativo republicano que estabeleceu esses certames anuais.

A concorrência de expositores é, este ano, grande.

Nas diversas seções de salão, arquitetura, escultura, pintura, pirogravura e gravura, mestres e representantes da geração nova figuram com trabalhos de valor ou ensaios dignos de interesse e estudo.

Na seção de pinturas culminam Henrique Bernardelli e Rodolpho Amoedo, ambos professores da Escola Nacional de Belas-Artes. Henrique apresenta retratos magníficos, com aquela técnica sapiente, segura, singular que o torna incomparável entre os seus contemporâneos todos. O retrato do Dr. Alberto de Farias é maravilhoso de fatura e composição e o de Mme. Oliveira Lima (pastel), pela naturalidade da pose, a suavidade e arranjo do ambiente, merece ser destacado.

Rodolpho Amoedo tem duas composições de grande valor.

Cativa (pintura a ovo) é mais uma das manifestações brilhantes e variegadas do grande pintor da Partida de Jacob, que na Oração apresenta, pela primeira vez nas nossas exposições, um adorável rosto de mulher em encausto [sic], processo que, desprezado há tempo, começa de novo a prender as atenções dos pintores.

O Sr. J. Baptista, primeiro paisagista brasileiro da geração presente, concorre com diversas composições que fortificarão a nomeada que já possui; do Sr. Teixeira da Rocha, outro paisagista de mérito, há trabalhos ricos de colorido e expressão.

O Sr. J. Fiusa [sic], artista laureado da nossa escola, mostra, na Paisagem de Tirol, um dos mais originais trabalhos seus, pela sobriedade magnífica da técnica e pela melancolia doce e suave que dele se destaca.

Da novíssima geração que surge, os nomes de Chambelland [Rodolpho Chambelland], Lucilio, Bevilacqua e Jorge de Mendonça andavam de boca em boca dos visitantes do salão. Rodolpho Chambelland, ainda aluno da escola, pela 2ª vez expositor, na Noite de Espetáculo, pela audácia da composição, a mais difícil no sentido técnico, de todo o salão, demonstra um talento original e investigador no seu respeito à tradição e ao ensinamento dos mestres, de que muito tem por certo a esperar a arte nacional.

Lucilio, embora moço e modesto, pode-se dizer um artista consagrado. Os retratos de Mlle. J. R. são atestados brilhantes do seu savoir-faire e delicadeza de colorido.
O Sr. Jorge de Mendonça tem paisagens expressivas e belas, que prometem, ao lado das de Baptista, Fiusa e T. da Rocha, um renascimento esplêndido desse gênero de pintura.

Outros artistas apresentam-se, com menos brilho, mas não com muito inferior merecimento. Assim, devem ser citados os Srs. Machado, Manno [sic] [Francisco Manna], Agostini, Malaguti, Helios Seelinger, Pacheco, Dall'Ara, Macedo e outros.

Em escultura há poucos trabalhos. O busto do Dr. Gross, do grande estatuário brasileiro Rodolpho Bernardelli, e o menino, do suave e delicado escultor Correia Lima, foram os mais apreciados.

Em arquitetura, além dos planos de Morales de los Rios e René Borba [sic], há o magnífico projeto do Asilo do Bom Pastor do arquiteto Stahlembrecher, que pela solidez do plano, beleza arquitetônica da fachada e das decorações é, sem dúvida, um dos melhores trabalhos da presente exposição.

Em gravura e pirogravura há excelentes contribuições do professor Jurasdet [sic] [Augusto Girardet] e de Mme. Wincelins.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

EXPOSIÇÃO de Belas-Artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 3 set. 1904, p.2.

EXPOSIÇÃO de Belas-Artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 6 set. 1904, p.3.

O salão de 1904 bat son plein. Nunca se viu tanta gente na Escola de Belas Artes. Ontem, dia lindo de sol, foi um desfilar contínuo de homens de Estado, jornalistas, escritores, artistas, amadores, cavalheiros e damas do the best people, que percorreram as galeria, admirando e comentando os retratos maravilhosos de H. Bernardelli, as paisagens sentidas de J. Baptista, Fiuza e T. da Rocha, os retratos de Lucilio, Chambelland [Rodolpho Chambelland] e Amoedo, as cenas brasileiras de Brocos e Agostini, a Parongoba, de Macedo, os esquisitos e espirituais trabalhos de Malaguti e Mlle. Juliette Wencelins, os lustros de R. Bernardelli, Zani e Correia Lima, as medalhas de Girardet e os projetos magníficos de Morales e Stalembrecher.

E todos saíram admirados da tenacidade e esforços do digno diretor da escola, professor Rodolpho Bernardelli, e dos artistas expositores, conseguindo fazer, num meio como o nosso - relativamente indiferente - tão magnífica exposição, para o êxito da qual muito concorreu a dedicação eficaz do secretário da escola, Dr. Diogo Chalréo.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

EXPOSIÇÃO de Belas-Artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 6 set. 1904, p.3.

EXPOSIÇÃO Geral de Belas Artes - O VERNISSAGE - A INAUGURAÇÃO. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 1 set. 1902, p.1.

Trouxemos muito boa impressão da rápida visita que fizemos ontem à Exposição Geral de Belas-Artes, por ocasião do vernissage.

Abundante e variado o presente Salão contém muitas obras de valor, algumas das quais dignas dos mais cultos centros de arte.

Não mais quadros grandes e incompletos como alguns que apareceram nos Salões anteriores, mas numerosas telas de dimensões modestas, porém cheias de mérito.

Quase todos os nossos artistas consagrados e por consagrar estão representados, mostrando que o ano de 1902 foi fecunda e proveitosamente ocupado por um labor consciencioso e esforçado. Além disso alguns novos firmam o seu nome e manifestam-se artistas verdadeiros no Salão deste ano, dando-lhe maior interesse.

Circunstância curiosa: uma das partes mais importantes da exposição é formada pelos retratos que são muitos e bons, havendo 10 ou 12 positivamente dignos dos incondicionais elogios. Citaremos de passagem os dos Srs. Ronchini, Rouede e Curcino, por Henrique Bernardelli; o do Sr. Malagutti, por Lucilio de Albuquerque; o da Sra. Julieta França, por João Macedo; o do presidente da Sociedade Espanhola de Beneficência, por Modesto Brocos, o do Sr. Joaquim Murtinho, por Drindler [sic], e outros feitos pelos Srs. Rodolpho Amoedo, Eugenio Latour o Girardet.

Notamos ainda uma agradável fantasia de Malagutti, excelentes paisagens de João Baptista da Costa, que se tem desenvolvido vantajosamente, composição e desenhos primorosos de Eliseu Visconti, um bom trabalho de Evencio Nunes, gravuras magníficas de Augusto Girardet, especialmente as medalhas e a gravura do monumento do 4º centenário, fantasias vigorosas de Helios Seelinger, etc.

A escultura está representada pelo Sr. Corrêa Lima, que regressou da Europa após dois anos de bem aproveitado estudo e expõe um grande grupo de gesso A morte de Abel, com qualidades brilhantes e três pequeninos e graciosos bronzes e um busto de mármore feito com extrema delicadeza e sentimento.

É uma exposição interessantíssima da qual nos ocuparemos detidamente. Por hoje aí ficam estas notas muito ligeiras chamando a atenção do público para o Salão de 1902.

Hoje, ao meio-dia a exposição será inaugurada solenemente pelo Sr. Dr. Campos Salles.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

EXPOSIÇÃO Geral de Belas Artes - O VERNISSAGE - A INAUGURAÇÃO. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 1 set. 1902, p.1.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - PRÊMIOS E RECOMPENSAS DO SALÃO OFICIAL DE 1926. O Paiz, Rio de Janeiro, 26 ago. 1926, p. 4.

O Conselho Superior de Belas Artes, tomando conhecimento das decisões dos júris de pintura, escultura, gravura de medalhas, arquitetura e artes aplicadas, aprovou as seguintes resoluções dos júris:

Pintura - Prêmio de Viagem, Armando Vianna, pelo trabalho número 291, "Primavera em flor"; grande medalha de ouro, Pedro Bruno, pelo trabalho n. 44 "Mãe"; pequena medalha de ouro, Marques Junior, pelo trabalho n. 195, "Ventarola verde"; grande medalha de prata, aos Srs. Manoel Constantino, pelo trabalho n. 179, "Infância de Giotto", e André Vento, pelo trabalho n.16, "Adormecida"; pequena medalha de prata, aos Srs. Manoel Faria, pelo trabalho n. 189, "Meu retrato"; Gastão Formenti, pelo trabalho n. 108, "Último retoque"; Domingos Dias da Silva, pelo trabalho n. 78, "Cosendo a rede"; Orlando Peruz [sic], pelo trabalho n. 275, "Perfis"; Joaquim da Rocha Ferreira, pelo trabalho n. 244, "Retrato"; Gilda Moreira, pelo trabalho n. 124, "Alegria de viver"; Anibal Mattos, pelo trabalho n. 21, "Ancoradouro"; Aidéa Santiago, pelo trabalho número 131, "Hora da missa"; Orozio Belem, pelo trabalho n.225, "Yayá"; medalha de bronze, aos Srs. Heribert Niaud, pelo trabalho n. 140, "Mística"; Principe Paulo Gargarin, pelo trabalho n. 237, "Em descanso"; Roselli K. Torres, pelo trabalho n. 245, "Pó de arroz"; Yvonne Visconti, pelo trabalho n. 312, "Retrato"; José dos Santos, pelo trabalho n. 170, "De ponto"; Bais Momeneck [sic], pelo trabalho n. 29, "Estudo de figura"; Vicente Leite, pelo trabalho n. 300, "De minha varanda"; menção de honra de 1º grau, Emilia Marchesine, pelo trabalho n. 92, "Opilado"; Olga Pedrosa, pelo trabalho n. 216 "Chuva de ouro"; Palmyra Pedra, pelo trabalho n. 230, "Senhora D. P."; Affonso Dias Martins, pelo trabalho n. 72, "Curativo"; Balthazar da Camara, pelo trabalho n. 28 "Mãe e Pátria"; Padua Dutra, pelo trabalho n. 237, "Preparo para doce"; Alcebiades Miranda, pelo trabalho n. 3, "Estudo de retrato"; Americo Frederico da Rocha, pelo trabalho n. 14, "Espanhola"; Agenor de Barros, pelo trabalho n. 19 "Cambuquira"; Alfredo Galvão, pelo trabalho n. 5, "Noiva"; Virgilio Lopes Rodrigues, pelo trabalho n. 202, "Praia de Copacabana"; Hugo Falbo, pelo trabalho n. 233, "Quando a fealdade é precoce"; menção honrosa de 2º grau, aos Srs. Heraclito Ribeiro dos Santos, pelo trabalho n. 138, "Senhorita Henriqueta"; Lupercio Ferreira [sic] [Lupercio Ferraz] pelo trabalho n. 167, "Trecho do rio Faria"; Maria Francelina de Barros Falcão, pelo trabalho n. 193, "Cabeça de velho"; Paulo Mazzuchelli, pelo trabalho n. 235, "Senhorita Annurama"; Suzana Mesquita, pelo trabalho n. 266, "Cabeça"; Odelli Castello Branco, pelo trabalho n. 213, "Flores"; Roberto Rodrigues, pelo trabalho n. 241, "O Suicida"; Germinal Artesi, pelo trabalho n. 121, "Orando"; Francisco Aquarone, pelo trabalho n. 104, "Depósito de cal"; Maximiliano Valdez, pelo trabalho n. 199, "Barcos em Badalona"; Celso Kolli [sic], pelo trabalho n. 66, "Retrato"; Hilda Eixeulober, pelo trabalho n. 151, "Retrato", e medalha de bronze, ao Sr. Jordão de Oliveira, pelo trabalho n. 166, "Retrato do Sr. Neves Manta.

Prêmios em dinheiro - 1:000$, ao Sr.Manoel Santiago, pelo trabalho n. 249 "A carta"; Candido Portinari, pelo trabalho n. 50, "Retrato do poeta Olegario Mariano"; 500$, aos Srs. Miguel Campplocth [sic], pelo trabalho "Banhista", e Sarach Villela [sic], pelo trabalho n. 261, "Professor Bernardelli", e 250$, aos Srs. Oswaldo Teixeira da Rocha, pelo trabalho n. 71, "Retrato", e Cadman Fausto [sic], pelo trabalho n. 101, "Antes do baile".

Escultura - Grande medalha de ouro, ao Sr. Francisco de Andrade, pelo trabalho n. 317, "Golpe mortal"; pequena medalha de ouro, ao Sr. Cunha Mello, pelo trabalho número 331, "busto de S. Ex. O Sr. Dr. Arthur Bernardes"; Humberto Cavina, pelo trabalho n. 340, "São Francisco"; grande medalha de prata, aos Srs. Armando Braga, pelo trabalho n. 323, "Mãe", e Lotte Benter, pelo trabalho n. 349, "Aviador"; pequena medalha de prata, aos Srs. L. B. Paes Leme, pelo trabalho n. 259, "Melancolia"; Vicente Larocca, com o trabalho n. 363, "De profundis", e José Pereira Barreto, pelo trabalho n. 33, "Busto do colega José Rangel"; menção honrosa de 2º grau, aos Srs. Homero da Silva, pelo n. 237, "Reflexão de uma flor", e Yáya Castro, pelo trabalho n. 363, "busto do Senhor L. G."; 1:000$, ao Sr. Laurindo Ramos, pelo trabalho n. 342 "Busto do professor Rocha Vaz" e 250$ ao expositor Homero da Silva, pelo trabalho n. 337, "Reflexão de uma flor".

Gravura de medalhas e pedras preciosas - Grande medalha de ouro ao Sr. Adalberto de Mattos, com o trabalho n. 371, "Plaquet da Sociedade Nacional de Agricultura" [Imagens 1, 2]; pequena medalha de ouro, ao Sr. Leo [...]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - PRÊMIOS E RECOMPENSAS DO SALÃO OFICIAL DE 1926. O Paiz, Rio de Janeiro, 26 ago. 1926, p. 4.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 1-2 out. 1894, p. 1.

A abertura da exposição de belas artes, a primeira das que a reforma da escola de belas artes estatuiu, é um fato importante no mundo artístico brasileiro.

Para uma primeira exposição, feita sem ruido, mas como um trabalho preciso e urgente, todo o nosso aplauso é pouco para o que merecem os seus organizadores a cuja frente se encontra o poderoso artista Rodolpho Bernardelli, diretor da escola.

Uma exposição de arte, em um país onde a arte apenas surge, ressente-se forçosamente da exiguidade de autores e, para não manifestar essa exiguidade, acontece que um número limitado de artistas - os mestres - acumulam telas e se tornam, por assim dizer, os únicos expositores. Este é o principal defeito da exposição hoje inaugurada.

E não sabemos porque artistas de nome e real talento, como Decio Villares, e artistas que começam - os discípulos deste pintor - não concorreram. Seria, sem dúvida, o reconhecimento da arte oficial contra a qual protestam, mas seria, antes de tudo, uma segura e boa obra de patriotismo e uma cooperação valiosa levada ao primeiro Salon .
Nunca esqueceremos uma conversa que tivemos em Paris com Planells e Casas, duas organizações pujantes de pintor, em que discutimos a beleza (duvidosa então para nós) dos panneaux de Puvis de Chavannes e emitimos a opinião de que o Salon dissidente não tinha uma forte razão de ser.

- Talvez, disse Planells.

- Com certeza, retorquiu Casas. Com a morte de Meissonier, o Champ de Mars devia ter morrido, porque receber-nos-iam nos Campos Elísios, de braços abertos.

- Eu não faria envoi algum, tornou Planells.

E Casas: - Nem eu. Afinal nenhum de nós concorreria. Ficaríamos na mesma.

Como eu estranhasse essa lógica, os dois catalães, com esse exagero espanhol tão simpático, sem perda de um momento, me levaram ao Pantheon , onde fizeram saber ver Puvis de Chavannes. E convenci-me do próprio erro, porque até então não o vira .

Este fato pode dar-se hoje e sempre. Cada um vê com a sua organização, com os seus sentimentos e as suas paixões, com a sua visualidade física e a sua visão moral.

E nem tintas nem processos de fatura podem ser aferidores infalíveis do valor de um artista.

Em uma exposição como a que ontem vimos, não poderiam ser recusados, por […] escrúpulo de processos, por singelo e inconsistente espírito acadêmico, trabalhos de pintores de talento. Que no ânimo do júri tal prejuízo não prevaleceu, provam-no algumas telas, mas por sinal, em que se busca tirar do simbolismo pictural o efeito espetaculoso que, apesar do ruido de um momento, não pondo […] mesmo em França.

Todos deviam ter concorrido. É a nossa opinião e nela não vai intuito algum de menos respeitar escrúpulos de doutrina ou melindres pessoais, que por ventura tenham preponderado nos abstencionistas.

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A impressão do conjunto da exposição é a própria essência dos fatos: é um início, um despertar do espírito artístico.

Aqui e ali, em pintores conhecidos, uma ou outra tela com qualidades reais de cor e de vida, tocada de um sentimento requintado de arte, requintado talvez demais, quase arrebicado.

Em outros a preocupação do chic e o desenho do chic. Paisagens do Brasil em que a luz é de outras terras, ao lado de algumas doces paisagens, bem trabalhadas e sentidas, por isso que marcam o carater local, daqui, da natureza vista.

Na maioria, telas feitas na Europa. Aqui, uma manifesta preocupação do moderno, mas desenho mais correto.

Em muitos quadros revelam-se qualidades poderosas: observação, colorido, percepção de valores, facilidade de fatura e inteligência de motivos emocionantes.

Há obras boas, mas há muita hesitação. Há obras más de artistas que virão a ser bons.

Há inexperiência com talento, assim como em alguns quadros a prática profissional apenas disfarça qualidades negativas.

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Digitalização de Fundação Biblioteca Nacional Acessível em: http://memoria.bn.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 1-2 out. 1894, p. 1.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 30 set.-1 out. 1894, p. 2.

Foi hoje o vernissage. Na galeria n. 2 da Escola de Belas Artes, onde é a exposição, procede-se à numeração das telas. Muita concorrência, boa concorrência sobretudo.

Em um rápido lance de olhos notamos telas de Amoedo, H. Bernadelli, Aurelio [Francisco Aurelio de Figueiredo e Mello], Oscar Pereira da Silva, Brocos, Belmiro, C. Rodrigues [?], Souza Pinto, e Almeida [José Ferraz de Almeida Junior].

Amanhã falaremos detidamente do que é a exposição, e faremos uma apreciação, sucinta embora, das telas que de alguma forma marcam personalidades.

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Digitalização de Fundação Biblioteca Nacional Acessível em: http://memoria.bn.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 30 set.-1 out. 1894, p. 2.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 30-31 ago. 1895, p. 2.

Amanhã, sábado, realiza-se o vernissage do Salon da Escola Nacional de Belas Artes.

Antes de mais nada, façamos votos para que o movimento de simpatia, que se iniciou com a exposição do ano passado, pelos artistas e pelas obras de arte, se prolongue este ano.

Para o público já importante que se interessa pela arte é uma verdadeira festa a de amanhã.

Ela significa, por um lado, a boa vontade dos artistas que acodem ao apelo da escola e por outro prova quanto será eficaz o auxílio que as pessoas de bom gosto e de fortuna dispensarem aos artistas adquirindo as suas obras.

Ao encerrar-se a exposição do ano passado, aqui fizemos votos para que aquela, a primeira, não fosse a última.

Hoje, que estamos em véspera do vernissage da segunda exposição anual da Escola Nacional de Belas Artes, felicitamos o diretor da escola Rodolpho Bernardelli, por ver que os seus esforços algum resultado tiveram.

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Digitalização de Fundação Biblioteca Nacional Acessível em: http://memoria.bn.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 30-31 ago. 1895, p. 2.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. ALMEIDA JUNIOR. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 24 out. 1894, p.2.

É um dos mais simpáticos artistas brasileiros; trabalhador, ativo, festejado na sociedade paulistana, onde vive e faz propaganda maravilhosa a favor das artes, Almeida Junior tem sabido captar as simpatias dos outros colegas, coisa rara em meios onde, por princípio, domina em cada artista a convicção de que ele é o eixo do mundo e tudo se conforma às suas necessidades de estática e de resistência.

Era natural que na primeira exposição da Escola de Belas Artes aparecesse esse Benjamin do público paulistano e que todos os artistas lhe fizessem o mais entusiástico acolhimento.

As sete telas, quase todas de grande tamanho, que ele apresenta, dão prova da sua grande atividade ao trabalho e do bom exemplo que dá aos rapazes que se metem no caminho espinhoso da arte.

As mais interessantes, porém, parecem-nos as menores: Pescaria e Cabeça de estudo.

A primeira é uma mancha esplêndida de colorido, perfeitamente entonada e simpática, muito simpática, apesar de ser o desenho das duas figuras um pouco descuidado.

A Cabeça de estudo é um bonito trabalho: expressão viva e fatura boa, frescura de colorido e firmeza de traços; é o que mais distingue o talento do egrégio artista.

No Salto Votorantin a linha da paisagem é muito bem escolhida e muito bem emoldurada; a água é que não é água, e é uma grande falta.

A Leitora poderia ser um bom quadro; mas além de ser, como composição, uma adaptação póstuma de título a um estudo feito sem fim determinado e talvez por exercício, o colorido não é simpático: predomina um certo roxo que torna a cena monótona.

A Amolação interrompida e o Picador de fumo são dois quadros de que muito falou a crítica há tempos: são trabalhos de uma certa importância, mas não se pode afirmar que representem um progresso sobre outros que o ilustre artista produziu anteriormente e que figuram entre as melhores pinturas da pinacoteca da Escola de Belas Artes.

Há qualidades fortes de composição nestas duas figuras, mas há também um defeito de origem: foram feitas no atelier e representam efeitos que só na viva luz do sol se podem obter. Assim, prejudica-as muito certa igualdade de tintas que não se nota nos outros trabalhos.

A Pintura é evidentemente uma alegoria decorativa e sob esse aspecto é necessário considerá-la. Como obra pura da arte, daria campo a muitas discussões, já sobre a equação luminosa do conjunto, dando à procura do belo, se afasta demasiadamente da realidade; como decoração agrada e é suficiente para o fim que se propôs o artista. No conjunto Almeida Junior fica sempre aquela simpática e genial figura de artista, a quem todos amam e respeitam e de quem a pátria pode esperar obras de grande importância e vitalidade.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Bárbara Kushidonti

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. ALMEIDA JUNIOR. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 24 out. 1894, p.2.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. FELIX BERNARDELLI. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 22 out. 1894, p.1.

Os quatro quadros que este distinto moço enviou à primeira exposição da escola captaram-lhe imediatamente as simpatias dos amadores e da opinião pública, que o proclamou digno irmão dos dois grandes artistas, que honram aqui e na Europa, e em toda parte onde suas obras se exibem, o nome brasileiro.

Os técnicos poderão discutir sobre as qualidades mais ou menos brilhantes da palheta desse artista, poderão observar-lhe a maior ou menor correção do desenho, e encontrarão nele todos argumentos para discutí-lo, mas o crítico não pode deixar de ficar impressionado pela felicidade que ele revela na composição.

Antes de tudo possui ideias: por mais modestas que sejam as suas intenções, não se revela nestes quadrinhos de forma alguma a adaptação de um título.

A Velha Hebréa, que podia parecer um simples estudo de cabeça, tem uma intuição tão feliz de caráter que deixa claramente ver aquele hábito de observação que distingue o artista.

O Conselho de bastidores (n. 46) é um quadrinho de gênero, que os frequentadores do Lyrico, os privilegiados admitidos nos entre atos aos mistérios das cenas, não deixarão de reconhecer como verdadeiro. Quantas daquelas conselheiras e, ainda mais, quantas daquelas aconselhadas não passaram diante dos nossos olhos, quantas daquelas comédias sujas dos bastidores não destruíram em nós a rósea fantasmagoria do proscênio alimentada pela luz elétrica e pelas ilusões óticas policromas?

Os dois quadrinhos Quem espera desespera e Passará ele? são duas expressões do mesmo conceito; são dois quadros que, conforme o costume em moda na escola francesa de outros tempos, formam pendant, e servem para mostrar como a mesma condição psicológica se manifesta sob diversas formas de condição social.

Num quadro é a patroa, no outro é a criada; mas as duas esperam alguém. Uma se ocupa com a leitura, outra com a vassoura; mas a ocupação única de ambas é a poesia eterna da mocidade... o amor... Podem variar quanto quiserem; o mundo é sempre agitado pelos mesmos elementos: no fundo nada muda e nada acaba; na superfície tudo se transforma.

O artista que chega a fazer distinguir claramente o que há no fundo das coisas e o que há na superfície, é o que mais corresponde aos fins da arte, o que mais promete fixar nas suas produções as forças e os aspectos da vida.

Felix Bernardelli pode estar no princípio da sua carreira; pode estar ainda na condição de quem não conhece todos os recursos e todas as ficelles da sua arte; mas mostra que é um artista de ideias e que, cedo ou tarde, nos dará obras de arte que não terão a glória e o interesse de um só dia.

É o caso para ser profeta com pouco trabalho e pouca despesa.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Bárbara Kushidonti

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. FELIX BERNARDELLI. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 22 out. 1894, p.1.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 1 nov. 1894, p.1.

As notícias dadas ontem pelos jornais sobre o julgamento dos trabalhos expostos foram muito deficientes, pois constataram apenas uma lista de prêmios conferidos, e a muita gente afigurou-se estranho não ver entre os premiados alguns dos mais notáveis artistas, bem como causou impressão o fato de não ter sido conferida a medalha de honra.

A medalha de honra é conferida por eleição, em que só podem tomar parte os artistas premiados na Escola em exposições anteriores. Só compareceram à eleição quatro artistas nessas condições: Henrique Bernardelli, Belmiro de Almeida, João Baptista da Costa e Castagnetto. Deixou de comparecer, por estar em S. Paulo, Almeida Junior, e desculpou-se por carta Aurelio de Figueiredo.

Para ser conferida a medalha de honra é preciso que o eleito reúna dois terços dos votos apurados; ora, em três escrutínios consecutivos, o resultado foi sempre este: Henrique Bernardelli, dois votos, Belmiro de Almeida, um voto, e um voto em branco. Não se pode, portanto, conferir a medalha de honra.

Os prêmios são dados por um júri, presidido pelo diretor da Escola e composto por dois professores designados por ele, e dois artistas estranhos à Escola, e eleitos pelos expositores, depois de conhecida a nomeação do júri.

Ficou, pois, o júri assim constituído: presidente Rodolpho Bernardelli, professores Rodolpho Amoedo e Modesto Brocos e eleitos pelos expositores os Srs. Delphim de Carvalho e Souza Lobo.

Os professores da Escola e os membros do júri não podem ser premiados. Excluídos esses dos prêmios, o júri entendeu que nos outros trabalhos expostos, embora haja muitos de valor, nenhum merecia primeira medalha de ouro, que o júri reserva, por ser o seu mais alto prêmio, para obras que reúnam todas as qualidades, notadamente aquelas em que haja composição digna de apreço.

Lembraremos agora aos amadores quais foram os quadros premiados.

Segunda medalha de ouro. Souza Pinto. É um pintor português, irmão do conhecido desenhista Valle [Antonio Alves do Valle de Souza Pinto], tão apreciado nesta cidade, principalmente pelos seus retratos a fusain. O quadro que lhe valeu um prêmio é o que tem o n. 167 (servir-nos-emos sempre da numeração do último catálogo posto à venda) e intitula-se Rendez-vous.

É uma paisagem de campo, em que há no primeiro plano uma rapariga à espera do namorado, que aparece ao fundo. Figurou no Salon de Paris este ano.

Belmiro de Almeida também teve uma segunda medalha de ouro, pelo quadro Nuvens, n. 37, que pertence ao nosso colega Ferreira de Araújo. É um quadro ao ar livre, de uma delicadeza rara, muito apreciado pelos artistas e amadores. Representa uma cena de arrufos.

Visconti, pensionista da escola na Europa, e um dos nossos artistas que mais prometem, teve igual prêmio pelo quadro n. 193, intitulado No verão. É uma menina nua, abanando-se com uma ventarola.

Outra segunda medalha de ouro coube a Oscar Pereira da Silva, também pensionista na Europa, e que tem exposto quadros no Salon de Paris. Valeu-lhe o prêmio o quadro n. 150, a Escrava, que foi caricaturado nesta folha. É um bonito estudo do nu.

Terceiras medalhas de ouro. Felix Bernardelli, o mais moço dessa família abençoada de artistas de talento, obteve esse prêmio com o seu quadro n. 47, Quem espera desespera. É uma moça sentada à janela, à espreita do namorado. Sente-se, olhando para o quadro o que o artista sentiu. É a arte comunicativa.

Lopes Rodrigues, outro pensionista do Estado, em Paris, em cujo Salon tem exposto diversos trabalhos. Teve terceira medalha de outro pelo quadro n. 127, Interior de atelier.

D. Diana Cid é a representante única do simbolismo da atual exposição. É dela a Japonesa [?] pela qual se apaixonou o nosso colega Olavo Bilac. Teve terceira medalha de outro pelo quadro n. 81, Fantasia em rosa, quadro que muita gente acha extravagante, mas que é positivamente muito expressivo. É uma figura de mulher, com umas papoulas grandes nos cabelos, e ao lado de uma moita dessas flores. Há na figura detalhes apenas esboçados, mas o todo é graciosíssimo, e um verdadeiro triunfo no gênero simbólico.

Santos Olada [sic] ganhou a sua terceira medalha com o quadro n. 155, O Pescador, uma magnífica paisagem brasileira, que está logo à direita de quem entra na sala e em que há uma figura de amador de pesca, em pé, posto ali com uma felicidade pasmosa.

Pedro Alexandrino Borges, outra terceira medalha, é um paulista; discípulo de Almeida Junior. Teve esse prêmio pelo quadro n. 1, Cozinha em casa da roça. É um quadro em que há um tacho de doce, e um jacá cheio de laranjas, que parecem de verdade.

Benno Treidler terceira medalha de outro, por uma paisagem n. 172, Boa Vista (em Niterói). É alemão.

Menções. Uma ao artista Valle, a que acima nos referimos, quadro n. 187, o Vapor Sepetiba. Outra a D. Maria Agnelle Forneiro, discípula de Fachinetti, e irmã do nosso colega Domicio da Gama, pelo seu quadro n. 142, Alto da chácara da Boa Vista, em Niterói. Outra a Manuel Pereira Madruga, pelo quadro n. 139, Paineira em flor. Os petropolitanos são bem aptos para apreciar a beleza deste quadro do jovem pintor, que partiu ultimamente para a Europa.

O prêmio de viagem foi conferido ao artista João Baptista da Costa, por unanimidade de votos. Consiste em uma pensão por dois anos, na Europa.

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Não terminaremos estas informações sem fazer referência ao que disse há dois dias o crítico da arte da Noticia, a respeito do Tombola. É uma jeremiada sem razão de ser. Pensa o crítico que vão para o tombola os quadros que não acharam compradores, o rebotalho; que o tombola é uma espécie de ficha de consolação, pior ainda, uma esmola, ou antes uma coisa à moda de restos de comida de restaurante graúdo, que passam aos restaurantes em que, por dois vinténs, se come au hasard de la fourchette.

Pois não é nada disso. Os quadros para o tombola são escolhidos por professores da Escola, e pagos pelo preço que o autor pede por eles. A escolha é tão honrosa para o artista, ou mais ainda, do que a feita pelos amadores.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Bárbara Kushidonti e Karina Perrú Santos Ferreira Simões

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 1 nov. 1894, p.1.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 12 ago. 1925, p. 2.

Um quadro recusado, que põe em cheque a soberania do júri

Teve lugar, ontem, o "vernissage" da Exposição Geral de Belas Artes, que hoje se inaugura com a solenidade registrada todos os anos, nesta mesma data.

Volvem-se para ela todas as atenções de nossos círculos artísticos que, assim, nestes dias de agitação intelectual, se preocupam com as menores coisas que se lhe passam em torno.

E, portanto, não podiam ficar insensíveis ao incidente ocorrido com um dos elementos que mais tem colaborado para o êxito do Salão oficial, a que concorre a cada ano com o esforço brilhante de sua palheta fecunda.

Trata-se do Sr. Manoel Santiago, que hoje não poderá oferecer à contemplação dos admiradores de sua arte finamente trabalhada, no conjunto das suas telas admitidas à Exposição Geral, a "Sesta Tropical", que, não obstante aceita pelo júri, está impedida de figurar junto às demais firmadas por esse artista aplaudido.

E isso porque o Sr. Baptista da Costa, após o veredicto final, que apenas registra os votos dos srs. Rodolpho Amoedo e Carlos Chambelland, numa atitude de prepotência injustificável, modificou a ata, enviando-a em seguida, ao Dr. Affonso Penna, ministro da Justiça.

Como se vê, o júri aceitou o quadro do Sr. Manoel Santiago, ao qual o Sr. Amoedo classificou de imoral, porque uma das figuras, a figura de uma cândida criança, está nua...

A seguir esse critério, o nosso pintor bíblico deve mandar destruir aquelas lúbricas figuras que o seu pincel ilustre fixou ali bem perto, nas salas angulares do Theatro Municipal.

Mas, em última análise, tudo isso representa uma opinião, a do Sr. Amoedo, que não pode prevalecer, mesmo com a ajuda da do Sr. Baptista da Costa, contra a maioria do júri, que é soberano.

Esta é a questão. A outra, a da imoralidade do quadro, sabe a pilhéria.

E o caso, que está afeto ao Sr. ministro da Justiça, estamos certos, será solucionado com a superioridade que preside a todos os atos de S. Ex., que queremos acreditar, não irá reformar o regulamento em vigor nas exposições gerais.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 12 ago. 1925, p. 2.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 13 out. 1894, p.2.

Oscar Pereira da Silva é entre os expositores um dos que tem mais amor ao trabalho. As suas sete telas, de proporções não indiferentes, revelam o que ele tem feito no seu atelier, estudando sobre diversos modelos, e o cuidado que nesses estudos tem tido.

Le Mendiant dans la cour n. 137, apesar da indicação do catálogo, não é um quadro de composição; é simplesmente um estudo limitado à cabeça, o resto do corpo está ali para indicar a intenção verdadeira do artista, é descuidado e, embora com pretensões de realismo, muito pouco elegante e sem graça.

O mesmo caráter revela Le Raccomodeur de faiances. A preocupação do artista é sempre a cabeça, que está muito bem modelada; e o corpo da mesma forma descuidado e mal desenhado; basta citar a perna direita, que de maneira alguma se liga com o corpo.

O assunto não tem valor de invenção, pois aquele tipo podia ser um sapateiro, um carpinteiro, um oficial de qualquer ofício.

Vê-se bem que o título e o assunto vieram depois de acabado o quadro.
A escrava não tem nenhuma característica que justifique o título, mas é mais do que os dos seus companheiros n. 137 e 143, um trabalho de maior fôlego, um estudo do nu, de tamanho natural, uma prova de grande boa vontade e de trabalho longo e cuidadoso.

Nada de quadro e muito menos de escravidão; é um estudo.

Ainda assim é digno de louvor o artista que enfrenta dificuldades não pequenas.

Mas a tão louvável ousadia não corresponde um louvável resultado. O desenho deixa muito a desejar, e o conjunto, aquele que dá caráter até a um simples traço de lápis, não tem simpatia, não tem aquele cunho de vitalidade que se revela nas manchas mais insignificantes de Visconte [sic].

A pintura de Oscar Pereira da Silva tem boas qualidades, mas que são mais inerentes ao trabalho material do que a uma feliz concepção e expressão artística.

Falta o gênio, infelizmente, falta a primeira condição de quem se dedica à cultura da arte. Falta a ingenuidade dos efeitos e a procura das tintas.

Mais feliz é o monge n.139, e ainda mais os estudos Leitora n. 138 e o Tronco e Cabeça de mulher ns. 140 e 141.

Não deixam de ser fruto do mesmo sistema, porém mostram como em telas de proporções mais limitadas o estudo do pintor alcança resultados melhores.

Em todo o caso este artista merece o aplauso dos que avaliam não só o que é fruto do gênio, mas também o que é trabalho e o que é estudo.

Na arte, como na vida, há sempre uma escala, em que todos os valores e todas as gradações estão representados: não seriam possíveis os últimos graus sem os primeiros e os médios.

No grande edifício coletivo da arte, cada valor tem seu lugar e sua importância. O ponto está em saber colocá-lo.

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Continuam as compras na exposição.

Um felizardo, o Sr. Carlos G. Rheingantz adquiriu ontem O Aqueducto, de Brocos.

A concorrência de visitantes, ontem, foi extraordinária.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Bárbara Kushidonti

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 13 out. 1894, p.2.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 25 out. 1894, p.1.

João Baptista da Costa revelou neste ano notável progresso sobre os trabalhos que no ano passado a Escola de Belas Artes expôs.

Tem uma tendência especial pela paisagem, sabe reproduzir na tela os caracteres mais comuns da nossa natureza e apanha, às vezes, com muita felicidade bonitos efeitos de luz.

A Lagoa Rodrigo de Freitas e o Lago do Jardim Botânico dão prova do que de melhor possui como colorista e não lhe falta aquela frescura de tintas que é a medida do talento de pintor e que pode deixar prever o que esse moço inteligente e trabalhador será capaz de produzir quando tiver conhecido os melhores meios artísticos modernos.

Agrada menos na figura; é questão de método no estudar e no idealizar a realidade.

Ainda assim se o prêmio de viagem, estabelecido pelo regulamento, fosse pela sabedoria do júri destinado a esse artista, não seria talvez mal empregado.

- O Sr. Alexandrino Borges é um digno discípulo do ilustre Almeida Junior.

A Cozinha da roça é um estudo consciencioso, sem pretensões e sem preocupações de efeitos ou de linhas.

A Cadeira de arame está excelentemente pintada; as laranjas descascadas, as inteiras, as cestas são bem expressas, todo o conjunto tem um caráter de homogeneidade que indica a feliz aptidão do artista na observação e reprodução dos caracteres predominantes de um meio.

Também nos outros estudos de frutas mostra o mesmo gosto, o mesmo cuidado e a mesma palheta.

- O Sr. Rodrigo Soares, nascido no Porto e hoje morador em S. Paulo, figura na exposição com dois retratos.

Um é o do Sr. José Maria Lisboa, proprietário do Diário Popular um dos tipos mais conhecidos de S. Paulo, condição que tem feito muito reclame ao retratista.

O outro pertence ao importante negociante Sr. Alberto da Silva e Souza e está, pelo que nos dizem, muito parecido.

Esta de retratos é uma crítica difícil: os que encomendam a reprodução da própria efígie não se importam com a arte tanto quanto com a semelhança.

Assim o crítico tem pouco a acrescentar depois de ter feito notar a qualidade mais necessária de um retrato. Mas o Sr. Rodrigo Soares possui também boas qualidades de palheta e de gosto, que podem compensar algumas faltas que se apresentam nos seus trabalhos.

- Madruga Filho, um dos moços brasileiros que mais gostam da paisagem, figura com cinco quadros medíocres, em que se mostra preocupado com o colorido e muito superficial; mas promete ir adiante, e a viagem que empreendeu, há pouco tempo à Europa, é uma prova cabal de que tem muita boa vontade e de que trabalhará para se tornar notável nessa arte, em que como o paraíso bíblico multi sunt vocati pauci vero electi.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Bárbara Kushidonti

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 25 out. 1894, p.1.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 28 out. 1894, p.2.

Elyseu d'Angelo Visconti, pensionista do Estado na Europa há mais de ano e meio, é o fruto mais legítimo e mais precioso da escola das Belas-Artes.

No concurso de viagem de 1892 deu prova brilhante do seu talento artístico, ganhou o prêmio e foi para Paris. Ali não adormeceu sobre os louros adquiridos na pátria e pôs-se a trabalhar com grande amor e entusiasmo.

Logo depois mandou uns quadros à exposição de Chicago e recebeu uma medalha, e neste mesmo ano apesar de ser novo no meio parisiense, teve a honra de ser admitido no Salon com dois quadros que foram considerados e louvados.

Ao mesmo tempo que trabalhava para esta primeira exposição enviava para a escola um estudo de figura e do nu, para satisfazer suas obrigações de pensionista.

É como se vê um trabalhador exímio e um temperamento artístico de primeira ordem.

Os dez quadros que aqui e acolá figuram nas duas salas da exposição pertencem a diversas épocas, desde a de discípulo da escola até a de expositor no Salon. Os entendidos podem notar perfeitamente a evolução do seu talento e o progresso que se vai manifestando nos últimos trabalhos do jovem artista com o contato de novos meios de novas ideias e com o conhecimento de novos elementos artísticos, que o governo francês, desde há muito procura concentrar na cidade mais animada e mais ruidosa do mundo moderno.

Nas paisagens notam-se as primeiras manifestações e as primeiras promessas: há maior ou menor felicidade no estudo dos pormenores na escolha das linhas e na alocação das figuras; mas o que nunca falta é a equação luminosa do conjunto: embrionária apenas intencional em alguns, clara e bem definida noutros.

Percebe-se à primeira vista que a observação do artista é feliz e que muitas vezes consegue traduzir, com relações apropriadas, os caracteres salientes das linhas, das cores e dos objetos observados.

Aí está a medida que ajuda a distinguir num estado inicial o que promete ser artista do que ilude, ou se ilude de poder alcançar com os esforços do trabalho o que a natureza lhe negou.

A Leitura e a Distração são dois quadrinhos dignos de toda a atenção, dois estudos em que o artista tenta adquirir uma fisionomia e dar forma a uma ideia.

Há belas qualidades de palheta e há afirmação séria de bom gosto na fusão das tintas e na repugnância decidida que mostra para os efeitos chocantes e charlatanescos que nos últimos tempos andavam pelas glórias da moda.

Enfim, o senhor Visconti já começou bem em Chicago continua a andar e irá longe muito longe no campo da arte.

Que a modéstia excessiva ou as lutas que não deixarão de aparecer aos primeiros triunfos não o afastem da vida luminosa em que entrou.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Bárbara Kushidonti

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 28 out. 1894, p.2.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. MODESTO BROCOS. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 12 out. 1894, p.2.

Um dos artistas que mais trabalham para reproduzir em suas obras a natureza e os tipos e os costumes mais característicos do nosso meio, é certamente Modesto Brocos.

Não é, como geralmente não são os bons artistas, fanático de alguma maneira de arte ou de algum gênero estereotípico de efeitos naturais . É realista enragé. Todos os tipos, todas as cenas, todos os efeitos lhe servem: o que importa é que os tenha diante dos olhos; fornecidos de energias invejáveis para a adaptação a qualquer meio, quer na Espanha, quer na Itália, quer no Brasil, quer em qualquer outra parte, foi, é, e seria artista da mesma força, sendo uma espécie de máquina intelectual que o clima respeita e que o trabalho ou os acidentes exteriores não podem estragar.

Nesta exposição não concorre como podia ter feito, se tivesse tido tempo de acabar umas telas de assunto importante, nas quais está trabalhando a meses, mas não deixa de aparecer como um dos primeiros e dos mais notáveis artistas, que contribuem para o desenvolvimento da arte nacional.

Numa excursão pelo sertão de Minas estudou aquela natureza dos terrenos auríferos e ricos de produtos minerais .

Um pintor amante de efeitos suaves ou deslumbrantes não teria achado assunto digno de inspiração naquelas rochas nuas, áridas, pavorosas, que parecem recusar abrigo aos seres viventes. Mas Brocos tirou daquelas pedras verdadeiras obras de arte, mostrando como em tudo pode existir o belo, desde que esteja no cérebro do artista.

O Crepúsculo, n. 55, os Garimpeiros, n. 57, a Vista da Cidade de Diamantina, n. 65 e a Paisagem, n. 66, são trabalhos de bonito efeito em que tudo está perfeitamente harmonizado, desde o conjunto até os pormenores mais insignificantes.

A pedra sobressai rija, potente, numa evidência impressionante e nos Garimpeiros a paisagem, animada por duas figuras de trabalhadores, assume a feição duma cena zoliana: a tristeza do ambiente está em relação com a das figuras e o drama cotidiano do trabalho se revela em toda a sua crueza, despido daquela auréola sentimental que o idealismo necessariamente lhe dá.

Outros lugares, além do sertão dos diamantes, formam o assunto dos estudos de Brocos: Teresópolis ns. 60, 61 e 62, três lindos estudos, ainda que de pequenas proporções, a Tijuca (Cachoeira n. 59), e o mesmo Rio de Janeiro.

A vista do aqueduto da Carioca, tomada do alto de Santa Tereza, é um trabalho digno de toda a consideração.

É um pedaço da capital, com a baía no fundo, com os morros em primeiro plano, e ao meio o aqueduto que predomina. A cena se apresentava com as maiores dificuldades para um artista: linhas cortadas e interrompidas e uma infinidade de planos que se sobrepõem e se confundem. Era mais fácil vencê-las com poucas manchas, mas o pintor fez de tudo aquilo uma reprodução tão fiel e tão minuciosa, que este quadro deveria considerar-se como um precioso documento histórico da topografia do Rio de Janeiro. O colorido é brilhante como em todos os outros trabalhos.

O retrato do Dr. Ubaldino do Amaral é certamente o que mais distingue o talento de Brocos nesta exposição.

Quem viu o ilustre vice-presidente do senado sentado nas cadeiras do meio da sala, no dia do Vernissage, não pode deixar de avaliar a felicidade do artista representar na tela um tipo tão interessante e tão simpático .

Não é caso de examinar aqui a palheta do pintor, nem de dar relevo a certas tintas mais ou menos fortes, que podem agradar ou não aos amadores; o que nesse retrato está esplendidamente fixado é o caráter do tipo que representa. A sillonete [sic] não podia ser mais feliz; falta a pose, essa peste de todos os retratos, essa falsificação obrigada de tantos bons trabalhos, esse assassínio de muitos caracteres sobre a tela. O movimento dos ombros, o da cabeça em perfeita correspondência com os traços enérgicos e másculos da fisionomia, foram felizmente apanhados; as grandes qualidades morais e ideias do caráter tiveram na tela a síntese mais fiel. Aquele é um retrato como poucas vezes se dá e como poucos artistas sabem e podem fazer conscientemente ou não.

É o caso para felicitarmo-nos com o Brocos.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Bárbara Kushidonti

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. MODESTO BROCOS. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 12 out. 1894, p.2.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. NICOLAO FACCHINETTI. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 4 nov. 1894, p.2.

É um tipo dos mais interessantes que a Itália tem mandado para o Rio de Janeiro

Há quarenta e tantos anos que chegou aqui. Estava envolvido nos movimentos políticos de 1848, estava ameaçado na vida e na liberdade, e a polícia austríaca, feroz naqueles dias como nunca, não o deixava descansar um momento.

Emigrou. Não possuía uma completa educação artística; apenas três anos de estudo tinham-no iniciado na arte do desenho, e os mistérios da arte não sorriam na sua fantasia, como na dos que, possuindo no próprio cérebro todo um mundo de sonhos divinos de glória e de grandeza, vão procurando ambientes mais apropriados e ares mais exagerados oxigenados, para expansão do seu espírito.

Fugia da polícia, e chegava a uma terra que estava bem longe de oferecer-lhe os meios para completar a sua cultura artística, mas que, mais benigna do que a mãe pátria, garantia-lhe a maior liberdade.

O problema da vida impunha-se, as necessidades materiais se apresentavam para substituir os ideais da pátria [...], e aqueles poucos princípios de estudo de desenho parecendo-lhe o único meio de subtrair-se ao terrível predomínio da miséria. E não se enganou. Eis o princípio da carreira artística de Facchinetti. Começou a pintar quando ainda devia começar os estudos mais sérios da sua arte, e pôs-se ao trabalho para não fazer de mártir político.

De outra parte, o ambiente artístico do Rio de Janeiro naquela época era, além de extremamente acadêmico, quase nulo (e basta ver os desenhos daquele tempo na escola de Belas Artes para julgar o que valia) e a falta de recursos impedia qualquer ocupação não retribuída.

O que foi a vida de Facchinetti errante nas matas e nas alturas da Serra dos Órgãos, apaixonado por esses horizontes imensos, por esses grandes oceanos de luz, que divinizam nas montanhas a natureza brasileira, o que foi a vida desse homem modesto e felizardo, que subiu até aos favores dos magnatas da corte e dos príncipes, o que foi, enfim, o trabalho desse artista improvisado, formaria o assunto de um dos mais interessantes romances modernos.

Os quadros que ele mandou a esta exposição pertencem ao período melhor dos seus estudos de paisagem; são quase todos de propriedade privada, o que demonstra que agradaram, como agradou certamente o que foi vendido em Chicago, na última exposição.

São bastante conhecidos, e por isso não precisamos analisá-los; e depois pertencem à arte de outros tempos, arte de tecnicismo e ideias diversos dos do tempo moderno; arte de grande paciência sem dúvida, mas que não se dá com o nervosismo e com o gosto contemporâneo.

- A Exma. Sra. D. Maria Agnello, discípula de Facchinetti, mostra claramente ter muito amor e muita devoção à arte do mestre, e pode ficar satisfeita com o prêmio que o júri lhe conferiu.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Bárbara Kushidonti

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. NICOLAO FACCHINETTI. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 4 nov. 1894, p.2.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. O "VERNISSAGE" DE ONTEM. A INAUGURAÇÃO OFICIAL DO SALÃO BRASILEIRO. O Paiz, Rio de Janeiro, 12 ago. 1928, p. 1.

Conforme estava anunciado teve lugar ontem, às 14 horas, na Escola Nacional de Belas Artes, o "Vernissage" dos quadros do Salão de 1928.

Numerosos artistas e amadores povoaram as galerias numa desusada curiosidade pelas obras expostas.

Hoje, às 14 horas, terá lugar a cerimônia inaugural da XXXV exposição geral de belas artes, com a presença do Sr. Presidente da República, altas autoridades e numerosas pessoas, especialmente convidadas, pela comissão organizadora, para aquele fim.

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Imagens

NO SALÃO DE BELAS ARTES: UMA EXPOSITORA JUSTIFICANDO O "VERNISSAGE"

INSTANTÂNEO TOMADO ONTEM, DURANTE O "VERNISSAGE" DO SALÃO DESTE ANO

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. O "VERNISSAGE" DE ONTEM. A INAUGURAÇÃO OFICIAL DO SALÃO BRASILEIRO. O Paiz, Rio de Janeiro, 12 ago. 1928, p. 1.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. O "VERNISSAGE" DE ONTEM. O Paiz, Rio de Janeiro, 12 ago. 1925, p. 1.

Há hábitos que nem a força iconoclasta do futurismo mais agudo consegue destruir. O vernissage é um deles. Se outrora os pintores ainda davam àquele termo a verdadeira significação - e compareciam para evitar que as telas rechupassem - hoje é mera tradição.

E o que há de singular, até entre os revolucionários, os inovadores da nossa pintura, é a unanimidade com que todos praticam a velhíssima praxe.

É verdade que Géricaux [sic], segundo se conta, só deu equilíbrio de massas ao seu
famoso quadro da Jangada da fragata Medusa, depois que o viu no salon, broxando a figura morta que se joga para o mar.

Seja como for. O vernissage deste ano foi um dos mais animados que a Escola de Belas Artes tem visto. Artistas, amadores, curiosos, percorriam avidamente as salas. Várias senhoras se detinham diante de telas especiais: e os autores solícitos logo esclareciam as dúvidas, alegando sempre a impossibilidade de fazer melhor... por falta de tempo ou de modelo.

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S. Ex., o Sr. ministro da justiça, não quis esperar o dia de hoje - inauguração oficial - para dar ao salão deste ano o prestígio e o estímulo da sua presença. Em companhia do professor Baptista da Costa, por duas vezes, percorreu as diversas salas onde se alinham numerosos metros de tela e algumas dúzias de gesso.

Durante o tempo de sua visita, o doutor Affonso Penna Junior mostrou sempre grande e carinhoso interesse por diversas obras, demorando-se, por vezes, diante de alguns trabalhos que melhor lhe despertavam a atenção.

A nota mais original, porém, foi dada pela presença do maharajah de Kapurtala, que também se demorou longamente na Escola Nacional de Belas Artes, tendo expressões do mais vivo louvor para a arte brasileira, pelos exemplares que acabava de ver.

Com tal animação, os pintores e modeladores estão cheios de grandes esperanças, nem só em relação ao êxito puramente artístico, como também no que diz respeito ao outro...

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Imagem

NA SEÇÃO DE ESCULTURA - Pessoas presentes ao "vernissage", vendo-se, ao centro, O Sr. Affonso Penna Junior, ministro da justiça, e professor Baptista da Costa, diretor da Escola Nacional de Belas Artes

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. O "VERNISSAGE" DE ONTEM. O Paiz, Rio de Janeiro, 12 ago. 1925, p. 1.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 13 ago. 1924, p.5.

Realizou-se, ontem, às 13 horas, a solene inauguração da XXXI Exposição Geral de Belas Artes, no edifício da Escola Nacional de Belas Artes.

O ato teve inicio com a presença do Dr. Ferreira Braga, representante do senhor presidente da República; tenente Marques Polônia, representando o Sr. ministro da justiça, e representantes dos demais ministros e do prefeito municipal.

Como é de praxe, a exposição estará aberta, diariamente, das 11 às 17 horas.

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Imagens

Pessoas presentes à cerimônia da inauguração da Exposição Geral de Belas Artes

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 13 ago. 1924, p.5.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 13-14 ago. 1928, p. 4.

Imagem

UM MOMENTO, LOGO DEPOIS DA CERIMÔNIA INAUGURAL DA XXXV EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES, ANTEONTEM NA ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 13-14 ago. 1928, p. 4.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 15 ago. 1924, p.5.

Continua a ser considerável a frequência ao Salão Nacional.

Parece que o público começa, na realidade, a interessar-se pelos certames de arte. Atendendo a isso, as galerias de pintura e escultura estarão também franqueadas ao publico durante a noite.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 15 ago. 1924, p.5.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. OS "NOVOS" NA ARTE BRASILEIRA. O Paiz, Rio de Janeiro, 10 ago. 1924, p.1.

PINTURA - ESCULTURA

Todos os movimentos de renovação artística encontraram sempre embaraços à evolução das novas forças criadoras.

É fenômeno natural. O meio que se constituiu lentamente, adquire uma certa cristalização. Toda funda [sic] alteração importa [sic] em diferente aptidão visual. E a preguiça mental, os hábitos do sentimento, a estabilidade mansueta da mesma interpretação, acabou por constituir as mesmas associações de ideias que facilitam, imensamente, o juízo critico.

E como ninguém se quer enganar no julgamento da beleza, é mais fácil esboçá-lo, guiado pelo diagrama preestabelecido, do que se entregar aos [...] de sua sensibilidade.

O homem é ser imitativo por excelência: sua ação tradicionalista é a origem e causa dos infortúnios morais que o perseguem e algemam.

Por outro lado, e de modo mais especial, todos se envaidecem com o prazer de "conhecer as coisas".

Ninguém se acomoda com a ideia de que tem mau gosto.

Esse fato, aparentemente simples, gera através da história, o vício de permanecer no erro, ainda quando ele está lucidamente demonstrado.

Indivíduos há que dotados de personalidade recalcam-na no temor de não ter bom gosto: e, em matéria estética continuam a repetir os mesmos clichês cujo continente detestam e cujo conteúdo não sentem.

Ora, a obra de arte é, por excelência, energia vital de intuição.

É verdade que em se não a trazendo nos germens do instinto, só a educação prolongada, tenaz, persevera em modificar o impreciso e ineficaz instrumento.

Se aquela a esta se reúne - instuição [sic] ingênita, educação visual disciplinada na contemplação diuturna da beleza - temos então o homem completo, no domínio da arte.

É o ser que sendo requintado, chegou a simplicidade.

Com a sucessão das experiências do passado, o "espírito moderno" se transforma no sentido de ter maior receptividade. Dota-se de qualidades sensíveis que lhe permitem, com mais brevidade e simpatia, acolher os inovadores com o necessário entusiasmo.

Não se fecha mais no circulo das manifestações estéticas que o viram adolescer. Tornar-se liberal.

Admite, em principio, a evolução artística. E procura, com generosa bondade, descobrir o que há de novo nas aspirações da mocidade.

Inquieto e ávido, o espírito de hoje lança, nos surtos iterativos dos ideais nascentes, as possibilidades de outras descobertas, de diversas e desconhecidas revelações da natureza na sua face estética.

É que a vida moderna se assinala como expoente, na […] da ação. O mundo voa na alegoria do aeroplano. As formas sucedem-se no frêmito de tudo identificar, para atingir mais depressa, e com intensidade, as grandes conquistas da Realidade.

Eis porque a França decidiu organizar, para o ano próximo, a exposição internacional de artes decorativas e industriais modernas, onde só permite se exibam as imaginações dos sentimentos individuais, no que houver de mais novo, de criação verdadeiramente contemporânea.

Nós estamos longe daquela salutar compreensão. Por isso os movimentos artísticos originais, no Brasil, nunca existiram.

Nas artes plásticas, que nos ocupam agora, eles foram, sem interrupção, o reflexo direto do que se passa na Europa, principalmente em Paris.

De trinta anos para cá, em todo o período republicano, aquela mesma repercussão como que estancou. Ou por outra, o espelho da nossa sensibilidade se marcou de tal sorte que as largas manifestações artísticas que renovaram e arejaram a pintura [...] há cinquenta anos, nos [...] conhecidas.

A geração do Segundo Império - a maior e mais orgânica que o Brasil jamais teve - continua o seu predomínio. Para sua época, como Almeida Junior, Pedro Américo, Victor Meirelles, Almeida Reis, Agostinho da Matta [sic] e Zeferino da Costa - para só citar os mortos - foi o retrato fiel da arte francesa e um pouco da italiana, da segunda metade do século XIX.

Apesar de não ser original na composição nem na escolha dos temas, por vezes a fatura se evidenciava pessoal. E, em muitos casos, na simples paginação, corria o raio efêmero de uma libertação.

A nossa natureza, os nossos tipos, a vida brasileira - tudo era visto com as lentes dos binóculos europeus.

Na maioria, as obras, aliás, eram executadas em França.

Não se pretende, por hoje, explicar certas razões imprescindíveis que, até certo ponto, justificavam aquela predileção.

O que, porém, ressalta com extremos de evidencia, é que a pintura brasileira parece haver parado, após o advento do referido grupo de artistas.

Acreditando, porém, que as [...] recentes renovações estéticas – aquela ânsia do espírito moderno - hajam pairado no ar brasileiro. O PAIZ se decide a impulsionar a propaganda de um movimento incerto e tímido que se [...]

Eis por que procuramos estimular os novos, de hoje, no ardente desejo de vê-los em uma organização melhor no rumo das ideias inovadoras.

Cada exposição geral que se inaugura poderá ser estudada com o anelo de encontrar-se nas incertezas da mocidade, os pendores estéticos que se alçam naquele rumo.

Conviria de tal sorte, vir em auxílio desses rapazes que adolescem cheios de sinceridade.

Bem sabemos que os males que viciam a cultura artística, no Brasil, têm origens remotas.

Mas nem por isso devemos deixar de trabalhar, com denodo e entusiasmo, para atingir, na esfera das artes plásticas, à afirmação mental que o Brasil necessita.

Não será obra de uma geração. Mas a vitória está na veemência ininterrupta.

O que a juventude precisa é entregar-se, amplamente, ao seu temperamento. Viver de seu sentir. Auscultar suas inclinações. E, uma vez evidenciada a vocação, trabalhá-la no sentido de ver com sinceridade, por ela mesma, a nossa realidade, e trazê-la à luz.

Há um problema de ensino que se está por fazer: é o da educação artística.

Seria necessário começar da escola primaria, no ensinamento do desenho, como fonte de conhecimento.

Mas, além desse tirocínio discipular, há outras reais manifestações de sensibilidade que vêm, pela força ingênita do destino, à flor da vida e que muitas vezes são o melhor sinal de aptidão estética.

A primeira condição para o artista é o dom providencial de que ele veio, misteriosamente, dotado. Ao depois, a educação completará as falhas, estimulando as energias imanentes.

As escolas não fazem os artistas: estes são que as fazem. Aquelas são necessárias como a ginástica para a robustez e beleza do corpo.

Do Salão Nacional, que amanhã faz o vernissage, julgamos não errar tendo escolhido previamente, alguns exemplares dos jovens brasileiros que ali figuram de maneira mais significativa.

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Imagens

M. Constatino - ANTIGO CAIS DO MERCADO

Veiga Guignard - ESTUDO DE CABEÇA

Margarida Lopes de Almeida - CABEÇA DE VELHO

Orlando Teruz - ESTUDO

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. OS "NOVOS" NA ARTE BRASILEIRA. O Paiz, Rio de Janeiro, 10 ago. 1924, p.1.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. SANTOS OLLALA. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 23 out. 1894, p.1.

[Santos Ollala] É espanhol, provavelmente moço, mas poucos o conhecem de pessoa.

Tem talento sem dúvida, e é um dos expositores que mais se fazem notar pelo brilhantismo da palheta.

Nesta exposição apresenta-se com quatro paisagens de pintura a óleo, três desenhos a pena, dois a lápis e uma aquarela; o que mostra que não tem predileção alguma e que está devidamente preparado para todos os gêneros de arte.

Não sai, porém, de uma simples preparação; estes trabalhos dão prova do seu temperamento artístico, e reduzem-se a uma promessa. Os frutos hão de vir com o trabalho e com o desenvolvimento das qualidades intelectuais do artista.

O quadro mais interessante é o Pescador, n. 155. A paisagem é uma fiel representação de vegetação tropical, muito forte e muito escura, e por conseguinte pouco alegre

A figura que anima a cena é simpática e está bem trabalhada.

Menos feliz é a Cascata, embora seja um estudo dos mesmos elementos e da mesma vegetação; mas a água que fornece o assunto do quadro está longe, bem longe de representar o que deve ser; poderá ser algodão, lã, gesso líquido, tudo, menos água.

A Aboboreira, os Cajus, a Barra da Tijuca são pequenas manchas das que se fazem para apanhar um efeito momentâneo; mas com o trabalho consecutivo perderam aquela frescura que os bons artistas alcançam em trabalhos dessa natureza.

A Aquarela (n. 165) é apenas uma tentativa; mas a Cabeça do velho (n. 169) é um bom desenho à pena; desenho simpático e correto e que revela uma feliz expressão de humour.

A Saracura e o Caramanchão, desenho à pena, são também felizes e alcançam o claro-escuro com relevo e graça; não há esforço e não há ficelles, a ingenuidade do processo artístico revela a ingenuidade da visão dos efeitos naturais.

Nos desenhos a lápis, os traços mais vigorosos mostram a franqueza com que o artista desenha e esboça.

É uma simples preparação, mas esperamos numa próxima exposição vê-lo em ação com quadros de maior assunto e de maior significação.

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Quinze dias após a abertura da exposição chegaram dois quadrinhos do professor Beniamino Parlagreco, de que não nos ocupamos por motivos de pura conveniência.

O Sr. barão de Quartin comprou já um deles e pediu que fosse exposto, no que foi atendido gentilmente pela diretoria da escola; o público julgue-o sem o auxílio da crítica.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Bárbara Kushidonti

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. SANTOS OLLALA. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 23 out. 1894, p.1.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. SOUZA PINTO. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 31 out. 1894, p.1.

Irmão de um artista que, há trinta anos, se estabeleceu entre nós, Julio José de Souza Pinto [sic] concorreu a esta primeira exposição, mandando de Portugal, onde reside, cinco quadros que merecem a maior atenção.

Le Rendez-vous é o maior, quanto a proporções, e já figurou no Salon de Paris neste mesmo ano.

Representa uma cena de campo em tempo de primavera, como a grama fresca e abundante deixa perceber. No primeiro plano, uma moça, uma camponesa provavelmente, está esperando alguém; mas com os olhos fixos no solo, enquanto vê, e se compreende bem que vê, aparecer no fundo o que espera.

Seria difícil avaliar o caráter etnográfico dessa figura, que não tem nada que ver com os tipos portugueses e espanhóis, e que é uma espécie de mistura de bretã e holandesa: o costume é característico, muito parecido com o de uma irmã de caridade, e todo o ar da figura cheira um pouco de colégio; mas, apesar dessa discordância entre a intenção da composição e os caracteres salientes que deveriam justificar a posição psicológica da figura principal, o quadro tem qualidades simpáticas de palheta e não pode deixar de apreciá-lo quem gosta, em pintura, de efeitos suaves e de tintas meigas, plácidas, quase veladas. Parece que o valente artista se preocupa muito com a imitação de um dos mais conhecidos pintores modernos.

À beira-mar é um quadrinho de costume da Povoa de Varzim; está pintado como o Rendez-vous: a mesma técnica, igual entonação, igual predomínio da velatura, como se uma neblina leve e imperceptível ocupasse todo o ambiente do quadro; mas a figura daquele menino é bem interessante, tem um sentimento indefinido que agrada e atrai .

O estudo de Animais é também louvável, embora não saia dos limites de uma mancha simpática, bem feita, mas daquelas que o artista vai fazendo em todas as ocasiões quando fica impressionado por uma linha, por um efeito, por um perfil.

À mesma categoria pertencem os Arredores de Paris e Père Mathieu.

O primeiro é uma pintura muito delicada e muito fina; tem frescura de tintas e simplicidade de processo admirável ; a relação dos tons é muito boa; o conjunto está em harmonia com a impressão do ar grisalho e melancólico .

O Père Mathieu, uma verdadeira mancha, que à primeira vista parece obtida com uma tinta só, é o que mais revela a força do artista, não só em saber apanhar os traços mais característicos de um tipo, mas também em sabê-los representar com grande simplicidade de meios.

Nada há mais difícil do que o simples, em todo gênero de arte, e nessa mancha preciosa o bom desenhista e bom colorista revela todos os segredos de sua arte.

Seria imperdoável fechar esta notícia sem dizer aos leitores que estes quadros não são senão uma expressão medíocre do talento de Souza Pinto.

Esse artista é muito conhecido na França onde a Calça rota e a Vingança de Alexandre VI e outros quadros seus foram celebrados e ilustrados nos jornais de arte mais autorizados e conscienciosos.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Bárbara Kushidonti

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. SOUZA PINTO. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 31 out. 1894, p.1.

EXPOSIÇÃO Geral de Belas-Artes. A Inauguração. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 2 set. 1902, p.2.

Foi enorme a concorrência ontem à inauguração da 9ª Exposição Geral de Belas-Artes, ultrapassando muito a dos anos anteriores.

Era tal o número de visitantes que era quase impossível ver os quadros.

O Sr. Dr. Campos Salles, presidente da República, chegou às 11 horas à Escola de Belas-Artes, sendo recebido no vestíbulo pelo ilustre escultor Rodolpho Bernardelli, diretor, Diogo Chalréo, secretario da escola, e os professores Henrique Bernardelli, Dr. Araujo Vianna, Carlos Cianconi e Augusto Girardet.

S. Ex. visitou detidamente a exposição, demorando-se especialmente diante das paisagens e retratos de Bernardelli, uma fantasia de Augusto Petit, os retratos de Osório, do Dr. Joaquim Murtinho, de outros pintados por Modesto Brocos, das Oréades de Visconti, as gravuras de Girardet. Provocaram-lhe calorosos elogios as esculturas do Sr. Corrêa Lima. O Sr. presidente da República fez se apresentar o jovem artista, felicitando-o cordialmente.

S.Ex. visitou ainda o salão da diretoria, examinando as mobílias antigas, a biblioteca e o salão de escultura onde estão as célebres obras de Bernadelli [sic]: O Cristo e a Adúltera, a Faceira, o atelier de modelagem a gesso e a aula de modelo vivo.

Tanto à entrada como à saída do Sr. presidente da República a banda do 3º batalhão de polícia, postada no vestíbulo, tocou o hino nacional.

Voltaremos a tratar minuciosamente da presente exposição, que contém numerosas obras de valor e constitui mais um título de glória para os seus prestimosos organizadores, assim como para os artistas que nela concorrem.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

EXPOSIÇÃO Geral de Belas-Artes. A Inauguração. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 2 set. 1902, p.2.

EXPOSIÇÃO Geral de Belas-Artes. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 10 set. 1903, p. 2.

Foi ontem muito visitada a exposição geral de Belas-Artes que continua aberta todos os dias das 10 horas da manhã às 4 da tarde.

Pelo Sr. Francisco Guimarães foi adquirido o vaso As Sereias, cerâmica artística nacional de Visconti.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

EXPOSIÇÃO Geral de Belas-Artes. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 10 set. 1903, p. 2.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS-ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 4 out. 1894, p.1.

O sucesso aumenta, os visitantes enchem as suas salas durante todo o dia e os quadros vendem-se, vendem-se que é um gosto. Não podemos deixar de registrar este fato muito significativo, que mostra quanta estima começa a ter entre nós a aristocracia da inteligência, e da arte.

Ontem foram adquiridos mais quadros, e são, além dos de ns. 7 e 8, de Almeida Junior, já adquiridos pelo Estado de São Paulo, os de n. 12, adquirido pelo Sr. João Sampaio Vianna, o de n. 22, pelo Sr. Rego Barros, o de n. 55, pelo mesmo senhor e o de n. 194, pelo Sr. Dr. F. Passos, o de n. 134, colaborado por Facchinetti e a Exma. Sra. M. A. Forneiro, pelo Sr Dequelin.

Outras e importantes compras nos garantem que serão realizadas por estes dias.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Bárbara Kushidonti

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS-ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 4 out. 1894, p.1.

Exposição geral de belas-artes. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 6 out. 1894, p.1.

O sucesso franco que conseguiu alcançar esta primeira tentativa de exibição artística, dispensa o crítico de escrever o preâmbulo do costume.

Os fatos tem uma eloquência poderosa, que qualquer consideração filosófica ou moral estragaria certamente.

Felicitando o público brasileiro pelo bom gosto e pela vontade que mostrou no entusiástico acolhimento desta exposição, passamos a examiná-la e antes de tudo no seu valor coletivo e depois nas particulares feições de cada obra e de cada artista.

O que ela revela de certo é a boa orientação estética dos nossos artistas.

O conjunto tem modestas proporções mas não deixa de afirmar a potência de um desenvolvimento, que se poderá experimentar quando a prosperidade do país o permitir.

Falta um conteúdo ideal que possa refletir as maiores feições e as maiores energias da vida histórica e da contemporânea, falta a ousadia das grandes concepções, mas ninguém deixará de considerar que nenhum organismo pode dar grandes provas de si, num período inicial de formação. As leis da natureza não [...] mudam e não se transformam.

[...]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

Exposição geral de belas-artes. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 6 out. 1894, p.1.

Exposição geral de belas-artes. HENRIQUE BERNARDELLI. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 7 out. 1894, p.2.

Dá-se os nossos artistas que vão completar na Europa a sua educação artística um fenômeno que poucas vezes sofre exceção: produzem muito na Europa e aqui pouco ou nada. Depende isso de muitas causas justificáveis: falta de modelos, de emulação, de incitamento [sic] abundância de encomendas privadas ou de lições etc... causas suficientes para esfriar qualquer temperamento ardente e qualquer entusiasmo.

Henrique Bernardelli representa porém uma das exceções, e as cinco telas que expõe são uma prova cabal da sua fecundidade e da sua disciplina no trabalho. Algumas foram feitas na Itália: Volta do trabalho (n. 53), História eterna n. 49, e À saúde da bela n. 51. Duas nasceram aqui; Em tempos coloniais n. 50, e Feiticeira n.52 que um erro imperdoável do catálogo chama de Faceira confundindo assim esta obra com a esplêndida estátua deste nome que é uma das obras-primas de Rodolpho [Rodolpho Bernardelli].

Quer na Itália, quer no Brasil, e é lícito deduzir, quer em qualquer outra parte do mundo. Henrique Bernardelli não deixa de trabalhar sempre com o mesmo entusiasmo e com o mesmo gosto, por conseguinte com o mesmo resultado.

A Volta do trabalho, cuja péssima colocação não deixa que se aprecie convenientemente, é uma daquelas cenas melancólicas em que o temperamento do autor sintetiza o assunto mais preferido da época moderna, tão preocupada com os problemas sociais e com a glorificação do trabalho.

A cena é um bonito efeito de sol posto, as figuras feitas sem preocupação estética, parecem intencionalmente destinadas a despertara tristeza. Numa situação quase idêntica Basquez e Willet souberam, com insuperável felicidade, reunir o sentimento da tristeza e o da beleza . Ainda assim este quadro merece ser muito considerado, apreciado e, antes de tudo, adquirido.

O Tempos coloniais é evidentemente um dos estudos que serviram ao artista como preparação pelo seu grande quadro Os bandeirantes, que é de propriedade de escola e que merece uma medalha de honra em Paris; e como estudo é bem precioso e bem interessante, embora o título não chegue a dar-lhe o tom e a pretensão de quadro.

Mas na história de quase todos os grandes artistas modernos os estudos sempre figuram como obras verdadeiras de arte, enquanto os quadros perdem não poucas vezes de valor ou de importância, por não serem a reprodução imediata da visão luminosa do artista. É bem difícil manter no conjunto do quadro a vida palpitante, o colorido fresco e movimento admirável que em certos estados o artista chega inconscientemente a roubar à natureza.

Assim, a linda aquarela que tem por título À saúde da bela é um esplêndido estudo, cheio de vida e de uma simpática fatura; mas poderia ter outro título e seria sempre bem aplicado .

A história eterna começa por ser um estudo, mas acaba por ser um quadro: a comédia dos namoros e dos pormenores que, apurando os desejos, preparam a fecundação do gênero humano, tem nesse quadrinho uma das suas cenas mais características e mais comuns; é gênero sem pretensão e sem grande brilho, mas bem simpático; é como um soneto de índole familiar saído do gênero de um escritor dramático .

A Feiticeira é, por consenso comum, o quadro mais importante da exposição: foi premiado em Chicago, impressionou desde o primeiro momento a todo gênero de pessoas: cultas e incultas, profanos ou artistas. O assunto representa um tipo que foi e é ainda hoje um dos elementos mais salientes e mais dominadores da vida.

A forma está em perfeita harmonia com o assunto e deixa sobressair egregiamente as qualidades mais vigorosas da palheta de Bernardelli, muito notável pela sobriedade das tintas. Os efeitos luminosos são obtidos com a máxima simplicidade. O desenho é correto, a silonette de toda a figura não podia ser mais apropriada e mais natural.

Feliz conjunto de qualidades artísticas, herdadas e adquiridas, em contínuo progresso, Henrique Bernardelli não tardará a fixar nas suas telas a feição mais forte da vida nacional.

Esperemos.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Bárbara Kushidonti

Exposição geral de belas-artes. HENRIQUE BERNARDELLI. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 7 out. 1894, p.2.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS-ARTES. LOPES RODRIGUES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 2 nov. 1894, p.1.

É um baiano ilustre, e fez, como muitos entre os melhores, a sua educação artística na Europa.

Os dez quadros com que se apresenta nesta exposição não são certamente a melhor parte do que ele pode e sabe fazer, e são de uma desigualdade que impressiona.

Nas duas paisagens, 121 e125, mostra-se e muito fraco; pode-se dizer até que não tem jeito para o estudo e reprodução das cenas majestosas da natureza.

Os estudos mostram certo cuidado e certa intenção na execução do desenho; mas infelizmente não dão o que devia dar um estudo sincero e apaixonado da realidade.

A cabeça de velho, 122, e a da velha 123, e o mesmo Velho bretão 126 que é melhor e tem caráter, não se recomendam pelas qualidades plásticas: os efeitos de colorido são obtidos com uma espécie de receita que mais parece convencionalismo e o convencionalismo é a ruína de qualquer temperamento artístico.

O interior de atelier que é provavelmente um estudo do lugar onde o artista trabalha, e que deixa perceber um assunto, que o catálogo prudentemente ocultou, ressente-se do mesmo defeito de convencionalismo ou, em todo caso, não agrada, não dá a ideia de um ambiente; o trabalho empregado para reproduzir os pormenores prejudica o conjunto, pois é sabido pelas últimas experiências científicas que os processos da visão binocular, que é a visão humana, não toleram, na observação de qualquer plano ou ambiente, senão a observação direta de um determinado espaço: o resto se vê só como por um reflexo, e é necessário representá-lo como uma simples mancha, tal qual se oferece à vista.

Pouco interesse oferece o Retrato, 128, como obra de arte, e o quadro Orquestra volante poderia ter-se prestado para um bom assunto se não tivesse um colorido pouco simpático e não lembrasse tantas gravuras e oleografias de que estão repletas a Itália e a França.

O Sans souci, 123, é, entre os dez quadros, o único que faz honra ao seu autor e que lhe conserva o renome de artista respeitável e talentoso.

O assunto é ligeiro e é quase dos que nascem depois do quadro; mas aquele menino sentado numa cadeira virada e com as mãozinhas nos bolsos, inconsciente da vida ou feliz de não saber quantas dores e misérias encerram, aquele menino tem caráter, e esta qualidade de humorismo fino, no sentido mais filosófico da palavra, da à tela um valor que algumas imperfeições de desenhos não chegam para tirar-lhe.

Quem observa atentamente não pode deixar de notar uma diferença sensível entre as qualidades de plástica e de colorido deste quadro e os dos outros.

Intonação exata, palheta simpática, perspectiva aérea muito boa; o quadro tem ar e tem luz, e é uma obra de arte.

É para esperar que essa tela represente o presente idealismo artístico de Lopes Rodrigues, e que nesse novo caminho possa colher louros para si e para a pátria.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Bárbara Kushidonti

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS-ARTES. LOPES RODRIGUES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 2 nov. 1894, p.1.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS-ARTES. PEDRO WEINGARTNER. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 9 out. 1894, p.2.

Brasileiro do sul, mas filho de alemão, tem no seu temperamento as qualidades mais salientes da raça, a que deve a origem, e do meio em que respirou pela primeira vez as auras da vida.

Talento sério e disciplinado, revela em todo o seu trabalho cuidado meticuloso nos pormenores, correção do desenho, imitação quase fotográfica da realidade, relação de tons sempre justa e bem calculada: e nisso é perfeitamente alemão. O seu colorido é vivo [sic] é fresco, é simpático, e não tende de modo algum a fossilizar-se a um a um formulário químico, onde a arte acaba e o artifício triunfa. E aqui está o filho de um país meridional.

Ainda assim não tem grandes vôos de fantasia e fica satisfeito com a representação pacífica e suave da natureza tranquila e da vida burguesa apática, sossegada, vegetativa.

Há mais de um ano, este professor da Escola de Belas Artes desapareceu; foi viajar pelo sul e pelas matas do Rio Grande e Santa Catarina, onde ficou quase bloqueado pela revolta em Nova Veneza, sertões daquele futuroso Estado.

Voltou há três meses, trazendo consigo uma bonita coleção de quadros e de quadrinhos, em que a paisagem deliciosa dos países do sul se apresenta com tudo o que possui de característico e de brilhante, na topografia e na vegetação abundante.

E a maior parte desses trabalhos está hoje na exposição, atraindo extraordinariamente os amadores e os compradores.

A Vista de Nova Veneza (n. 193) era já conhecida antes desta exibição, e foi já assunto de um artigo da Gazeta. Falemos nos outros quadros. De maior importância parecem os de ns. 201 e 202, não só pelo assunto, que se prende a episódios da revolta última, como pela maneira porque o caráter desses homens do sul, que são ao mesmo tempo agricultores, políticos e guerreiros, está representado.

As figuras não são como parecem à primeira vista, um complemento ou uma ornamentação da paisagem; são uma feliz reprodução dos costumes mais característicos das raças do sul tão diferentes das do norte.

Por um sábio uso dos pormenores e pela distribuição da luz, que é sempre exata, pela simpática colocação e agrupamento das figuras, a pintura de Weingartner agrada a todo gênero de pessoas e satisfaz tanto ao crítico quanto ao artista e ao diletante.

As mesmas qualidades têm os outros quadros, As galinhas, os Urubus, A Gaiola, O Peralta, Despedida, o Vendedor de queijos, As lavadeiras e as Corridas do Rio Grande.

O caráter local é sempre fielmente mantido e está sempre em harmonia com todos os elementos do quadro.

Um quadro que se afasta dos outros, pele [sic] variedade de assunto e do costume, é o Projeto de viagem; mas não parece que naquela representação de um meio já ( [sic] desaparecido o pintor seja tão feliz como no da vida moderna.

Vê-se bem que Weingartner colhe no contato e na observação da vida real as melhores notas da sua arte. As evocações do passado não lhe sorriem; outra fibra é necessária para esse gênero, que é às vezes o mais elevado, mas que é quase sempre o mais perigoso.

-

Continuam as compras.

Anteontem e ontem foram comprados os quadros de Brocos: n. 62, adquirido pelo senador Ramiro Barcellos, n. 60 e n. 59, adquiridos pelo barão Sampaio Vianna.

O quadro n. 71 de Castagneto foi também vendido e o Sr. Dr. Raul Pompeia comprou o quadro n. 71 de Delpino.

Adiante e ad meliora.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Bárbara Kushidonti

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS-ARTES. PEDRO WEINGARTNER. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 9 out. 1894, p.2.

EXPOSIÇÕES de arte contemporânea e arte retrospectiva. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 nov. 1922, p.4.

Realizou-se ontem, na Escola de Belas Artes, a inauguração da Exposição de Arte Contemporânea, comemorativa do Centenário da Independência, comparecendo ao ato o corpo docente do estabelecimento e outras pessoas gradas.

- Inaugurar-se-ão amanhã, no edifício da Escola Nacional de Belas Artes, as exposições de Arte Contemporânea e da Arte Retrospectiva, organizada pela Seção de Belas Artes da Exposição Internacional do Centenário da Independência.

Efetuar-se-á ali, hoje, a cerimônia do "vernissage".

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

EXPOSIÇÕES de arte contemporânea e arte retrospectiva. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 nov. 1922, p.4.

F.
F. A Noticia, Rio de Janeiro, 2-3 set. 1895, p. 1.

Não é este o lugar em que se tem de fazer a crítica da atual Exposição de Belas Artes; mas, nesta coluna, o assunto não tem limitações, e o caso do dia é a Exposição inaugurada ontem, em presença do Sr. Presidente da República.

A Exposição é pobre, dirão os que de espírito prevenido, e sistematicamente, fazem guerra à Escola Nacional que substitui a antiga Academia; será pobre ainda, mas é nacional.

Os artistas não foram pedir assuntos à mitologia nem à história romana; inspiraram-se no meio em que vivem, e trabalham por fazer uma arte nossa, o que sempre é melhor do que arremedar a arte alheia.

Vejam o clou da exposição, a Moema, de Rodolpho Bernardelli, assunto genuinamente nacional; o quadro de Brocos, a Redenção, em que a figura da velha africana acaba de o consagrar grande artista, e artista nosso, porque já era nosso pelo bem que fazia a esta terra e ultimamente nos arredores de Teresópolis assentou definitivamente os seus arraiais no Brasil; os quadros de Rodolpho Amoedo, de Belmiro, de Almeida Junior, de Henrique Bernardelli, e outros em que estão a nossa vida, os nossos costumes, as nossas paisagens.

Das reformas levadas a efeito pela República, desde os seus primeiros dias, destacou-se a que se ocupou com o ensino das belas artes. O Instituto Nacional de Música já é um estabelecimento modelo, e Alberto Nepomuceno vem agora argumentar-lhe o brilho; a Escola de Belas Artes, se se completar a reforma, dando-lhe o edifício de que precisa, será em breve uma casa de que nos orgulharemos. O que está ainda por organizar, embora já planejado, é o teatro nacional. Mas a sua vez não há de tardar.

F.

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Digitalização de Fundação Biblioteca Nacional Acessível em: http://memoria.bn.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

F. A Noticia, Rio de Janeiro, 2-3 set. 1895, p. 1.

F. F.
F. F. AS ARTES APLICADAS NO SALÃO OFICIAL DE 1926. O Paiz, Rio de Janeiro, 29 ago. 1926, p. 4.

Em geral, nas exposições de arte, não se costuma dar muita altura às artes aplicadas. São filhas bastardas; e ocupam lugar bem secundário na assembléia daquelas musas.

Sucede, porém, que quando a arte aplicada é compreendida com a largueza e o sentimento com que a trata D. Joanna Pavlowna de Oven Grentener, ela se eleva a nível superior, e não vemos mais razões para aquela distinção.

O "Livro do Centenário da Câmara dos Deputados" é uma obra de valia, nem só pela beleza específica de matéria, como pela sobriedade conveniente com que foram usados os motivos da decoração.

O couro assim talhado e gravado adquire uma nobreza e elegância que lhe emprestam valor de obra de arte. Os medalhões dos retratos, com as cercaduras ovais que os guarnecem são todos enfeitados com simplicidade austera, em nada desviando a atenção do observador do motivo principal: antes ampliando o agrado da visão.

A medalha de ouro que o júri do Salão Oficial de 1926 conferiu a Mme. Grentener foi recompensa justa e que o absolve de outros enganos.

Os outros trabalhos modelados em couro são do mesmo caráter: e as admiráveis qualidades artísticas da autora - na sensibilidade, como na compreensão - aparecem com a mesma intensidade.
Felizmente que as obras de D. Joanna Pavlowna salvaram a seção de "arte aplicada". - F. F.

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Imagem

JOANNA PAVLOWNA – "LIVRO DO CENTENÁRIO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS", ESCULTURA E GRAVURA EM COURO

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

F. F. AS ARTES APLICADAS NO SALÃO OFICIAL DE 1926. O Paiz, Rio de Janeiro, 29 ago. 1926, p. 4.

F. Fabbi
F. R. BELAS ARTES. EM TORNO DO RETRATO. O Paiz, Rio de Janeiro, 15 ago. 1924, p.5.

Há dias falava eu da situação embaraçosa em que, cada vez mais, se havia de encontrar a pintura, em face dos extraordinários progressos da fotografia.

E revendo o Salão Nacional, na coleção de retratos que lá se exibem, maiores foram minhas inquietudes. Os pintores brasileiros continuam preocupados com a reprodução exata do hábito externo das personagens. É vulgaridade materialista. Tanto na maneira dita clássica, como na modernidade da cor, que se tenta implantar entre nós.

Não devemos esquecer que a semelhança física é dada, na sua totalidade, pela fotografia. Neste campo revelador, acredito inúteis os esforços dos pintores: serão sempre, e cada vez mais, suplantados pela objetiva. Tanto mais que a similitude não é somente de planos nem de massas, mas, principalmente de pormenores. Todas as minudências do retratado, no que diz com semblante, como no que se refere aos acessórios, à chapa imprime com flagrante nitidez.

Eis porque costumo preferir a fotografia, aos maus retratos pintados. As vantagens são numerosas: desde a rapidez, custo, até a parecença.

Basta a imobilidade de uma pose, o sorriso exigido, e não piscar, para que se tenha nos piores casos, a nossa efígie, fisicamente verídica, estampada.

É precisamente neste tomo que a arte se diferencia, e toma expressão inconfundível.

O artista não copia. Transcreve a sua interpretação. Apreende, de todos os momentos ativos da figura, o tempo característico. E dá, na síntese pictural, o conjunto representativo.

Se o artista se limitasse à cópia da natureza, creio não existir quem não preferisse o modelo...

E tanto é verdade o referido que bastará examinar a luta aberta entre o modelo e o seu intérprete. Aquele se oculta, sob mil disfarces; este busca-o com sofreguidão; caça-o nas luras [sic] Recônditas dos supostos modos de ser, até conseguir, com penetrante argúcia, apurá-lo no que ele tem de legitimamente seu e que, malinamente [sic], pretendia esconder.

O retrato é como a paisagem moral do individuo. Expande no ambiente. Nele se devem evidenciar, como energia criadora os nada efêmeros, e que são a sua eternidade. Como seria possível viver-se sem o ar que respiramos? De tal sorte a personagem há de ter atmosfera própria: só aí suas qualidades subjetivas, essenciais de vida interior, agirão em profundidade, trazendo com frequência humana, o que há de real no individuo, como ser diferenciado da espécie.

É necessário, nesta altura do problema, não esquecer que a igualdade é uma aparência. A natureza não se repete. Tudo são dessemelhanças. E as diferenças morais, as disparidades esteto-psicológicas são infinitamente maiores e mais profundas do que as da aparência exterior.

O retratista terá que proceder como o botânico: não se fiar nas exterioridades lineares e coloridas, quando estiver classificando os modelos...

Se não tomasse ares de paradoxo, dever-se-ia afirmar que os seres se caracterizam mais no que possuem de feio do que nos dons da beleza.

É nesse registro que vive o condão individual ele resulta do sofrimento de emoções com que a personagem se formou. Aformoseá-lo será roubar-lhe o que lhe é próprio, pessoal - e dota-lo de alindes comuns que pertencem ao clichê inofensivo, e que se encontra em todas as receitas ... para fazer retratos que agradem muito aos modelos.

F. R. [Fléxa Ribeiro]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

F. R. BELAS ARTES. EM TORNO DO RETRATO. O Paiz, Rio de Janeiro, 15 ago. 1924, p.5.

F. R. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1924. O Paiz, Rio de Janeiro, 13 ago. 1924, p.5.

A abertura do Salão Nacional constitui sempre o maior acontecimento artístico do ano.

É de justiça dizer que o público já começa a interessar-se pelo certame, vendo naquelas coleções mais do que uma simples galeria de quadros. É o esforço do Brasil que se evidencia cada ano, no desejo de revelar os sentimentos e os ideais estéticos de uma cultura em formação.

Para quem acompanha, no entanto, a evolução artística moderna, onde se destacam, principalmente, a França e a Espanha, na pintura, - é por demais claro que ainda não atingimos à capacidade criadora para acompanhar os desdobramentos técnicos que se realizam na Europa.

Não quero dizer que é o apogeu da imitação. Tampouco que julguem necessário esconder ou eliminar o passado, para, então, conseguir aperfeiçoamento nas artes do desenho.

Mas é de todo ponto evidente que nos deixamos ficar em demasiado retardo, no que diz como compreensão dos modernos problemas estéticos. Continuamos a empregar "fórmulas" obsoletas que já fizeram o seu tempo.

Por várias vezes tenho eu clamado contra os processos antiquados, anti-pedagógicos, que se continuam a empregar no ensino artístico brasileiro.

E meu reclamo é tanto mais justo quando apelo, com franqueza, para que se dê maior liberação aos jovens estudiosos.

De modo geral, quem vê a pintura brasileira, de hoje, fica aturdido com a ideia espírita de que são figurarias de tempos idos que, pelo milagre de taumaturgos, continuam a projetar-se nas telas.

Imagine-se um escritor novo a efetuar novelas, com a mesma técnica dos romances de capa e espada. Não muito diferente é a situação - falo de modo genérico - dos pintores brasileiros.

As poucas exceções que se assinalam, não chegam ainda a constituir núcleo bastante coordenado, com vida autônoma, para poder dizer-se que abrem uma nova fase, na arte nacional.

Acredito, porém, que, se aqueles limitados elementos perseverarem, acabarão por constituir corrente definida e característica. Teremos, então, dentro de alguns anos, outras, e mais belas, manifestações da pintura brasileira.

Se pretendesse, nesta espécie de introdução às notas do Salão Nacional, fixar audaciosamente, as maiores ausências que verifico, com frequência, na pintura, entre nós, diria que elas se podem resumir em duas modalidades: no que diz com a sensibilidade das cores, e no que toca com a densidade da forma.

A maioria dos nossos pintores - e a exposição atual é testemunho flagrante - não atinge a acuidade visual necessária para a percepção de que a matéria participe das cores que a cercam. Menos ainda de que a natureza não existe como epiderme. Há profundidade nos volumes: e é dessa penetração, revelada, às vezes, pela linha, que vive todo o segredo impressionante da arte. Sem aqueles dois condões - chamo-lhes assim - a pintura seria facilmente vencida pela fotografia. Pois que, em alguns exemplares de arte, já se obtém até mesmo uma certa atmosfera, onde os corpos nadam.

Acredito que é esse um dos perigos a ameaçar a arte, para o futuro.

E o artista precisa, cada vez mais, compenetrar-se daquele sentimento para que a pintura continue a ser a grande fonte de emoção humana.

F. R. [Fléxa Ribeiro]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

F. R. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1924. O Paiz, Rio de Janeiro, 13 ago. 1924, p.5.

Fabian de la Rosa
Fabiolo
Fantasio
FANTASIO. FANTASIO NA EXPOSIÇÃO I MOEMA. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 4 set. 1895, p.1.

Ei-la, aqui está, neste mar de gesso (que, apesar de falso, ondula tanto como o verdadeiro) a pálida Moema, arrancada ao seio de outro mar mais largo e mais fundo - o do esquecimento - pelo talento e pelo amor de Rodolpho Bernardelli. Na sala escura e baixa, cercam-na as outras esculturas. Ao fundo, o Cristo estende para ela o seu braço divino, como a abençoar essa que muito amou. Não a olha a Faceira, que, insensível ao espetáculo da morte, conserva nos lábios o seu petulante sorriso sensual; não a olha a Calipígia, embebida como está na contemplação da sua própria beleza... Mas a Vênus de Medicis envolve-a num longo olhar piedoso.

Ei-la, aqui está, mais bela que no poema de Santa Rita Durão, a pálida Moema, a desprezada amante do Caramuru, fria, friamente levada; pelas ondas indiferentes, morta, morta de amor e de ciúme. Quando começou de fazer-se ao largo a nave maldita em que, nos braços de Paraguassú, regressava à Europa o bravo Caramuru - é fama

".:.que a multidão formosa

Das damas que Diogo pretendiam,

Vendo avançar-se a nau na via undosa

E que a esperança de o alcançar perdiam,

Entre as ondas, com ânsia furiosa,

Nadando, o esposo pelo mar seguiam...

…..............................................................

E uma, que as mais precede em gentileza,

Não vinha menos bela do que irada."

Era Moema, gemendo de inveja, ardendo de amor e de despeito e, vendo através dos cabelos desgrenhados, molhados de lágrimas e de espuma, a aventura do amante e da rival, e bradando :

"Por serva e por escrava te seguira,

Se não temera do chamar senhora

A vil Paraguassú que, sem que o creia,

Sobre ser-me inferior, é néscia e feia!..."

Mas afasta-se a nau. Néscia e feia, que importa ? A preferida é Paraguassú, a quem Catharina de Medicis devia dar mais tarde o seu nome de batismo. Os homens são todos assim, pobre Moema! A preferida é Paraguassú,

"essa indigna! essa infame! essa traidora!"

E Moema

"na onda do mar, que irado freme,

Tornando a aparecer desde o profundo,

- Ah! Diogo cruel! - disse com mágoa,

E indo a dizer o mais, sorveu-se na água."

Mas aqui a temos agora, perpetuamente bela, vivendo na mais forte obra que a escultura brasileira tem produzido. Que formosa! Depois de cinco minutos de contemplação, a ficção de Bernardelli apodera-se dos olhos e do espírito da gente. Agita-se a água. O corpo da morena morta parece subir e descer, ao brando […] das ondas. Como que a sua cabeleira se emaranha e desemaranha na correnteza, à feição do um punhado de algas esparsas. Sacodem-se as pernas, embalança-se o dorso: apenas a face, dolorosa e pálida, tem a rigidez terrível da morte - olhos cerrados para sempre, lábios retorcidos num derradeiro lamento...

FANTASIO.

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Digitalização e Transcrição de Arthur Valle

FANTASIO. FANTASIO NA EXPOSIÇÃO I MOEMA. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 4 set. 1895, p.1.

FANTASIO. FANTASIO NA EXPOSIÇÃO II A REDENÇÃO DE CHAM. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 5 set. 1895, p.1.

"Gênesis. IX. 21 - E, tendo Noé bebido do vinho, se embebedou, e apareceu nu em sua tenda. 22 - o que tendo visto Cham, veio rindo dizê-lo a seus irmãos. 23 - Mas Sem e Japhet, tendo posto sobre os ombros uma capa e andando para trás, cobriram com ela a desnudez de seu pai, e não a viram, porque tinham os olhos voltados para outra parte. 24 - E Noé, despertando da sua bebedice, como soubesse o que tinha feito o filho mais moço, disse: maldito seja Cham! Seus filhos serão escravos dos escravos de seus irmãos!"

Foi assim que a raça gerada por Cham, na terra adusta da África, ficou sendo preta e feia, maltratada e escrava. No grande quadro do meu amado Brocos, aquela admirável preta velha, de mão erguidas ao céu, é a descendente daquele mau filho, que, tendo visto bêbado o pai, teve a ousadia de achar engraçada a sua patriarcal bebedeira. Ali está ela pagando o crime que não cometeu. Mas Noé, quando condenou, com a sua maldição, toda a raça do filho mau a ter na pele, até à consumação dos séculos, a negrura da noite, - não podia contar com uma coisa que sucedeu depois.

E a coisa foi esta: descendentes brancos de Sem, fartos de beijar peles alvas, desandaram a beijar peles pretas. E começou assim a raça de Sem a redimir a raça de Cham, - redenção que Brocos acabou agora. Em gíria comercial, quando se quer dizer que é preciso esclarecer um contrato, diz-se que é preciso pôr o preto no branco. Brocos, para esclarecer a raça de Cham, inverteu o processo: fez justamente o contrário.

Na sua grande tela belíssima, já a filha da velha preta está meio lavada da maldição secular: já não tem na pele a lúgubre cor da noite, mais a cor indecisa de um crepúsculo. E vede agora aquele latagão que ali está, ao lado dela, branco como o dia: é um Semita puro, que se encarregou de completar a obra da redenção, transformando o crepúsculo numa aurora radiante. Vede a aurora-criança como sorri e fulgura, no colo da mulata, - aurora filha do dilúculo, neta da noite... Cham está redimido! Está gorada a praga de Noé!

- Felizmente! Porque, enfim, seria horrivelmente iníquo que, por causa da moafa de um patriarca intemperante, toda uma raça trouxesse até o dia do Juízo Final o estigma da condenação...

Noé bebeu? Pois não bebesse! Brocos desmoralizou-o.

FANTASIO.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

FANTASIO. FANTASIO NA EXPOSIÇÃO II A REDENÇÃO DE CHAM. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 5 set. 1895, p.1.

FANTASIO. FANTASIO NA EXPOSIÇÃO III A AURORA DE 15 DE NOVEMBRO. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 6 set. 1895, p.1.

Tanga em torno de dois rins, kanitar [sic] à testa, - um possante caboclo, meio deitado sobre uma fulva pele de onça, vê a aurora que surge, esplendendo, do largo mar luminoso. Que aurora! se todas as auroras fossem belas assim, sei de um fantasista que, apesar de muito amigo do sono da manhã, não deixaria nunca de arrancar o nariz ao ninho tépido dos almofadões, para vê-las e amá-las, na frescura e no desalinho do seu despertar glorioso. O caboclo de Belmiro de Almeida dormiu cinquenta anos, com a mesma preguiça com que eu durmo oito horas. Mas acordou a tempo, coisa que nem sempre me sucede...

Acordou a tempo, e está delicado com o que vê. A Aurora caminha para ele, oferecendo-se, virgem despida de preconceitos, ao seu amor de varão robusto. O olhar, úmido de carinho, envolve o jovem índio, entontece-o, põe-no dentro de uma nuvem de desejos e de delírios... Caminha para ele. À mão esquerda, traz desfraldada a grande bandeira, cuja cor auriverde mergulha, funde-se, embebe-se no clarão de apoteose que cerca o vulto triunfal da deusa. Em torno dela, uma espiral de anjos cinge-a de uma palpitação de asas amorosas. E quem, como eu, tem a mania de pretender ouvir a voz das coisas que não falam, ouve a ardentíssima ode fescenina que o mar apaixonado recita à virgem que o ilumina.

Parece que a câmara de deputados comprará o belíssimo quadro. Muito bem. Colocado ao fundo da sala, por trás da cadeira em que o Sr. Arthur Rios se esforça por manter a ordem entre os pais da Pátria, aquele quadro prestará um serviço grande à câmara. Porque, vede bem: A Aurora de 15 de novembro, caminhando para o caboclo, que é o Brasil, apoia-se sobre o dorso submisso de um leão. E, justamente sobre a erriçada juba da fera, voa o anjo que representa a Lei. Quando os Srs. deputados tiverem de votar algum estado de sítio, a Aurora desfraldará sobre a cabeça do presidente aquela bandeira de ordem e de progresso, e bradará: "Alto lá, pais da Pátria, não foi para isso que eu saí um dia da palheta luminosa de Belmiro! nem foi para isso que o meu cantor Fantasio, já vítima de tantos estados de sítios, celebrou em trinta linhas fogosas a minha suprema beleza! Alto lá! a Lei domina a Força!"

E não haverá estado de sítio, e Belmiro continuará a pintar, e eu continuarei a dizer que ele tem talento, e a Aurora continuará a ser bela, - tão bela que se todas as auroras fossem belas assim eu me transformaria no mais convencido dos madrugadores.

FANTASIO.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

FANTASIO. FANTASIO NA EXPOSIÇÃO III A AURORA DE 15 DE NOVEMBRO. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 6 set. 1895, p.1.

FANTASIO. FANTASIO NA EXPOSIÇÃO IV ARCADIA. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 8 set. 1895, p.1.

Porque, de entre as vinte e tantas telas, que expõe agora Henrique Bernardelli, escolho eu justamente esta, que é a menor e talvez a que menos prende a atenção dos visitantes? Caprichos...

Ninguém soube ainda, como Henrique, pintar as florestas do Brasil. Mal de mim, porém, que ando tão farto de florestas!... Quem me tira de diante dos olhos o espetáculo humilhante desta natureza forte, infinitamente mais forte do que eu, esmagadora e insensível, acabrunhando com a sua majestade orgulhosa a minha miserável fraqueza? Como é que pintas as nossas florestas, Henrique, sem que cegue os teus olhos o esplendor desse verde violento?

Ando enfarado das florestas natais: prefiro quedar uma hora extasiado diante da serena paisagem da tua Arcadia... Deixa-me aqui ficar diante deste quadrinho fantasista, tão sóbrio dentro da sua caprichosa e fidalga moldura, tão suave sob a tênue lâmina de vidro, com que amorosamente quiseste resguardar das brutalidades do ar a melindrosa delicadeza da sua composição!

Cravada no seio de Peloponeso, a verde Arcadia foi uma pátria de músicos e de guerreiros. Pastoreando os rebanhos mansos, não havia filho daquela terra divina que não trouxesse carinhosamente encostada à boca a leve frauta maviosa, esse doce instrumento em que gemia a alma da bela Syrinx [sic], transformada outrora em caniço pro fugir o amor do atrevido e esquentado Pan.

Se havia guerra, cada pastor, deixando adormecida sobre a relva a rústica avena, corria, de pique em punho, a engrossar as falanges assassinas dos hoplitas. E, ou morria gloriosamente, ou voltava a pastorear o seu gado, ao choro brando da frauta querida, sob o olhar malicioso do velho Pan, senhor e Deus daqueles prados e daqueles bosques, - de testa cornuta e pés de cabra...

No quadrinho de Henrique, um céu azul, um céu ridente de porcelana, em que bailam nuvens translúcidas, cobre as ervagens úmidas e rasteiras que acolchoam o prado. Sobre esse tapete, de um verde demasiado que repousa a vista, apertam-se as ovelhas, tantas e tão brancas, que, de espaço a espaço, o chão parece estar coberto de toalhas de geada. E, guardando-as, um pastor, de costas para quem olha a tela, envolvido na pela mosqueada que lhe pende dos ombros fortes, e a cabeça engrinaldada de parras ondeantes - sopra o seu cálamo agreste...

Que doçura! Quanto tempo fiquei ali, crendo ouvir a melodia simples do pastor, julgando sentir, no olfato acariciado, o cheiro balsâmico da relva! E quando, voltando a mim, me vi metido no balandrão negro e com a cabeça torturada pela cartola dura, tive desejos de meter uma bala na cabeça, e... fui tomar um coq-tail.

FANTASIO.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

FANTASIO. FANTASIO NA EXPOSIÇÃO IV ARCADIA. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 8 set. 1895, p.1.

FANTASIO. FANTASIO NA EXPOSIÇÃO IX ORÁCULO. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 21 set. 1895, p.1.

Este número 183 de Weingartner é, para mim, uma obra-prima. Um palmo, se tanto, de tela... Sobre um fundo severo, em que a vegetação brota de rochas negras, um velho sacerdote gaulês invoca os poderes do céu. Alto e membrudo, o Druida tem o corpo envolvido na longa túnica branca do sacerdócio. À cabeça, traz a coroa simbólica de hera e carvalho. Ao peito, desdobra em rolos de neve, vai-lhe a barba ondeante. A mão esquerda empunha um longo cajado recurvo, e a mão direita, numa deprecação ansiosa, ergue-se para o céu.

É talvez o último Druida; talvez o último solitário das cavernas da Armorica, o último possuidor da ciência dos astros, o último eleito de Teutatés...

Há nos seus olhos, vidrados pela velhice, e nas suas faces, cavadas pelas privações do culto, e na sua boca, torcida e túrgida de imprecações, uma tamanha amargura, - que, olhando o quadro, compreende-se logo que o pintor quis fixar na tela o último estertor da agonia de uma religião. O imperator [sic] romano aí vem. Vercingetorix, carregado de ferros, jaz no cativeiro. A Gália, conquistada, já não tem um movimento de revolta, sob os pés triunfantes do conquistador. César, à frente das suas legiões invencíveis, profana o sono dos guerreiros gauleses sob as pedras dos dolmens e dos menhirs. A Gália está morta!

E o último Druida pergunta aos céus impassíveis por que o deixam ainda sobreviver ao extermínio da sua raça e da sua crença... Nunca mais, no sexto dia da lua, colherá no carvalho consagrado o agárico do sacrifício! nunca mais, na solenidade anual dos Carnutos, entre as druidesas pálidas, ao barulho abafado dos címbalos, estudará, no regato vermelho que jorra do pescoço da vítima humana degolada, os altos desígnios de Ogmios e as sanguinárias ordens de Hesus!...

Que quadro! E tudo isto cabe em um palmo, se tanto, de tela...

FANTASIO.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

FANTASIO. FANTASIO NA EXPOSIÇÃO IX ORÁCULO. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 21 set. 1895, p.1.

FANTASIO. FANTASIO NA EXPOSIÇÃO V OS PANNEAUX. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 10 set. 1895, p.1.

São dois. São belos. São de Aurelio de Figueiredo. Frescos e risonhos, no seu largo e luminoso emolduramento de ouro claro, creio que se destinam a decorar alguma sala de jantar de casa rica. Quem os encomendou a Aurelio? - não fui eu!

Ah! não fui eu! não fui eu! Só mesmo um Sibarita, como o intemperante Apicius, que pagava mil e quinhentos sestércios por um barbo gordo, poderia permitir-se o luxo de colocar, aos lados do seu grande aparador carregado de vitualhas, esses panneaux alegóricos.

Eu não! se ainda não consegui viver, como os gregos do tempo de Homero, com um punhado de azeitonas e uma sardinha por dia, - estou muito longe dos refinamentos gastronômicos do amigo Lucullo. Para que quereria eu aqueles panneaux na minha sala de jantar?

Quem não teve ainda o bom gosto de ir à exposição da travessa das Belas Artes é capaz de supor, lendo o que acima fica escrito, que Aurelio pintou gordos perus tostados; ou nédios bácoros rutilantes picados de rodelas de limão; ou flamejantes lagostas nadando em molhos incendiários; ou espalhafatosos faisões de forno, ainda abrindo como um leque oriental a cauda frisada; ou pirâmides de frutas fulgurando entre renques de garrafas de Rheno e Clicquot; ou imensos nacos de queijos vários, casando o oleoso branco do Camembert ao ouro fulgido do Chester e ao verde pálido do Roquefort... Ah! néscios! Se Aurelio tivesse feito isso, teria mostrado não conhecer os elementos da arte gastronômica! A decoração de uma sala de jantar não deve representar comedorias. O gourmet, depois de cheio o estômago, só quer pensar em coisas leves e poéticas: saciada a Besta, é preciso dar pasto à Alma.

Que são os panneaux de Aurelio? Céus azuis, flores claras, lírios alvos, ramagens verdes, nuvens transparentes... E, nessa paisagem idílica, cupidinhos nus, gordinhos, maliciosos, ostentando a uma branda luz de primavera as carnes tenras, cor de rosa, - carnes de flor em botão...

Ai! que bom deve ser, depois de chuchurreado e chartreuse, estirar-se a gente numa vasta e fofa poltrona abacial, e ver aí, através das nuvens cheirosas de um Murias, aqueles meninos trêfegos, que sacodem no ar os pesinhos leves e empunham arcos, de que partem frechas sentimentais, - assassinas de corações... Quem foi que encomendou aqueles panneaux a Aurelio? Desgraçadamente não fui eu!...

Desgraçadamente? Quem sabe? Com o meu temperamento, aqueles panneaux seriam capazes de dar-me ideias... Oh! Tenho muito medo da apoplexia!

FANTASIO.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

FANTASIO. FANTASIO NA EXPOSIÇÃO V OS PANNEAUX. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 10 set. 1895, p.1.

FANTASIO. FANTASIO NA EXPOSIÇÃO VI ALMEIDA JUNIOR. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 12 set. 1895, p.1.

É impossível que S. Paulo não ame com especial carinho este Almeida Junior, que é paulista de corpo e de alma, paulista em S. Paulo, paulista no Rio, paulista em Paris, e que seria paulista mesmo em Júpiter ou Marte, se para o seio de qualquer desses planetas o arrebatasse um dia algum furacão, com palheta, pincéis e o resto. E a população de Marte ou de Júpiter, vendo-o chegar, e ouvindo-o, e vendo-lhe os quadros, ficaria logo conhecendo a fundo S. Paulo, e a gente paulista, e o café paulista, e o virado paulista e os costumes de todo o mundo paulista, desde a barra de Santos até a serra dos Parecis. Nunca um homem se pareceu tanto com a terra em que nasceu. Nunca um artista soube com tanto amor transplantar para uma obra de arte o seu temperamento e o de sua gente.

O autor do Caipira fumando, dizem, filia-se à escola naturalista. Disso, fazem-lhe uns uma qualidade e outros um defeito. Ah! meus senhores! dura ainda esta mania tola de admitir escolas em arte? há arte romântica? há arte naturalista? há arte simbolista? Muito me contam... Só o que lhes sei dizer é que, amando Diana Cid, - uma sonhadora adorável, cujas telas têm o vago encanto perturbador de uma balada de Verlaine, - amo também Almeida Junior, cujas telas têm a esplêndida e forte verdade de uma página de Zola.

Vejam aquela Cozinha na roça... Agachada diante de um balaio, a velha cozinheira prepara o jantar. Pelas paredes esfumaçadas, rutilam as panelas. Arde a lenha ao fogão rústico, e uma meia luz tranquila enche a vasta peça. Ao fundo, escancara-se uma porta para o terreiro. E há nesse retângulo violentamente cortado na parede de barro uma soalheira fortíssima, que dói nos olhos...

Que simplicidade, que sobriedade, que verdade!

Falta apenas ali, na moldura brilhante da porta, a própria figura morena do Almeida Junior, de botas de montar e chapéu desabado, vindo pedir à velha cozinheira, como bom paulista que é, um bocado do seu gosto virado de feijão preto, em que os torresmos fulguram como pepitas de ouro...

FANTASIO,

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

FANTASIO. FANTASIO NA EXPOSIÇÃO VI ALMEIDA JUNIOR. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 12 set. 1895, p.1.

FANTASIO. FANTASIO NA EXPOSIÇÃO VII (Parênteses). Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 16 set. 1895, p.1.

"Chove... Por um tempo assim, quem sai de casa? com um tempo assim, quem se atreve a vir até aqui, pelas ruas encharcadas, cortando as grossas cordas da água que cai, para apreciar quadros!" monologava eu, na segunda sala da exposição, encolhido sobre uma cadeira, circunvagando pelas paredes carregadas de telas um olhar desconsolado. Éramos dois visitantes: eu, e um velhinho trêmulo, muito míope, que esfregava o nariz nos quadros, e bocejava. Mais ninguém. Lá fora, chovia, desabaladamente... O velhinho teve um bocejo mais forte, e saiu, arrastando os pés. Fiquei sozinho. "Que tempo! como sair daqui, com a tempestade que há lá fora?" Fecharam-se-me os olhos. Quis ainda abri-los: vi, num relance, o verde das paisagens, as cores vivas dos quadros de gênero, o ouro das molduras... Adormeci.

E sonhei que uma mulher (ai! bem que te conheci, assassina do meu sossego!) vinha triunfalmente caminhando para mim, sem rumor, mal pousando os pés no soalho envernizado da sala... Chegou, ficou altivamente plantada diante de mim e disse:

"Imbecil! por que vens aqui perder, diante de mulheres pintadas, um tempo que tão bem empregarias em rimar uma ode ardente, em que celebrasse a minha beleza de mulher verdadeira, de mulher de carne, mais bela que todas essas? Olha-me bem, imbecil! vê se aquela grande mulher que saiu da palheta do Henrique [Henrique Bernardelli] tem a majestade do meu porte! vê se aquela Aurora do Belmiro tem o meu esplendor! vê se aquele n. 21 do Amoedo tem este sorriso quente, que desabrocha nos meus lábios como uma rosa de maio! vê se alguma daquelas figuras do Felix [Felix Bernardelli] tem a minha faceirice! Idiota! que sacrificas a natureza à arte, e estás nesta sala silenciosa, quando podias estar sabes bem onde, numa sala cuja penumbra está sempre cheia do perfume e do hino que andam comigo!..."

Eu, alucinado pelo que ouvia, tive este brado: "Ah! já sei que és mais bela que as mulheres destes quadros! Mas, vamos à sala de escultura! vamos à sala de escultura! sustentarás o confronto com a Venus de Medicis? Ficarás como ela, diante de mim, no pleno esplendor das tuas formas divinas? Vamos à sala de escultura!..."

Não ouvi o que respondeu. O que ouvi foi uma voz dura e zangada, de homem: "Já para fora! já para fora!"

Abri os olhos. Diante de mim, estava um contínuo da Escola de Belas Artes, sacudindo-me: "Já para fora! isto aqui não é albergue noturno! Vá!"

Que desgraça! já não há nesta terra um só lugar em que se possa sonhar em paz!

FANTASIO.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

FANTASIO. FANTASIO NA EXPOSIÇÃO VII (Parênteses). Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 16 set. 1895, p.1.

FANTASIO. FANTASIO NA EXPOSIÇÃO VIII MALHÔA. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 20 set. 1895, p.1.

Malhôa, pintor português, figura na exposição, mas não figura no catálogo, porque os seus quadros ficaram, durante pouco menos de um século, detidos na alfândega. Dizem-me que um dos vigilantes Argus dessa vigilantíssima casa, introduzindo um olhar perspícuo no caixote em que vinham as telas, viu qualquer coisa que fulgurava tanto como uma barra de ouro de vinte quilates; e, logo, pensou: "aqui há contrabando!" Ficou preso o caixote suspeito. Somente agora, bem verificadas as coisas, se viu que o fulgor alarmante vinha da esplêndida cabeleira daquela rapariguinha do maior dos quadros expostos.

Por isso Malhôa chegou atrasado. Mas não chegou tarde. Longe do barulho das duas salas principais, na pequena sala do fundo, que doce que é ficar a gente contemplando as crianças de Malhôa!... Porque é um pintor de crianças, este. Da sua fresca palheta saem de preferência carinhas tímidas, em que brilham grandes olhos inocentes, curiosamente abertos para o mistério da vida, que não entendem... Na Caça aos taralhões, como prende o olhar da gente a criança ajoelhada sobre o relvado, de que árvores raras sobem... E o pequenino dos Ouriços, louro e corado, camisinha desabotoada, pés nus, face muito séria, olhos fixos nos frutos espinhosos... Em torno dele, há apenas a estrada, amarela e triste. Mas, com a sua presença, o quadro está cheio de uma alegria e de uma inocência que enternecem.

Vou perguntar ao Julião onde mora, em Portugal, este Malhôa,... Quero mandar-lhe, pelo correio, uma dúzia de beijos, para lhe pagar o bem que me fizeram à alma as suas crianças - já que lhe não posso mandar uma dúzia de contos de réis fortes, para ter o direito de nunca mais me separar dos seus quadros.

FANTASIO.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

FANTASIO. FANTASIO NA EXPOSIÇÃO VIII MALHÔA. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 20 set. 1895, p.1.

FANTASIO. FANTASIO NA EXPOSIÇÃO X UM QUADRO DE FELIX. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 22 set. 1895, p.1.

Ao fundo, ao lado de um berço, em que dorme o recém-nascido, perto do fogão, no aposento pobre, a mãe chora. Um frade, cuja barba branca se derrama sobre o burel grosso, fala a um rapaz, de rosto oculto entre as mãos e aponta-lhe o berço. Pela janela, à esquerda, um jorro largo de sol ilumina esse pequeno drama, tão comum na vida, e tão bem tratado por Felix Bernardelli neste delicioso quadrinho.

Na face austera do frade, não há cólera. O santo velho bem sabe que o sangue humano é quente, que a Natureza é pérfida, e que, quando se coloca um rapaz faísca junto de uma rapariga-pólvora, há quase sempre explosões que, sendo mais inofensivas, são mais graves que a explosão de Bagé. E parece que a gente ouve estas palavras, que dos seus lábios serenos caem uma a uma, dentro do ouvido do rapaz envergonhado:

"Não te envergonhes, rapaz! Estas coisas sucedem... Em geral, quem colhe uma flor num pomar, tem a certeza de que fez gorar o fruto, de que essa flor era o berço. Mas, no amor, o caso é outro: justamente porque se colhe a flor é que o fruto aparece... Não te envergonha! Se estivéssemos no Brasil, em mil oitocentos e noventa e cinco, verias aparecer diante de ti, não a minha alva barba monacal, mas o ruivo cavaignac [sic] policial do Sr. Corijó. Mas eu não sou delegado de polícia. Em vez de meter na prisão de uma delegacia, meto-te na prisão do matrimônio. Não te envergonhes! vai dar a mão à rapariga e prepara-te para dizer adeus ao celibato. Vamos! é de preceito que roa os ossos quem comeu a carne!"

O diabo é que, no belo quadrinho de Felix, apesar das boas palavras do monge, a rapariga continua a chorar, o rapaz continua a hesitar, com a face escondida entre as mãos e o recém-nascido continua a dormir sem pai legal... mas, esperemos que o monge sempre convença o rapaz! É provável que, antes de fechada a exposição, haja mais um marido sobre a terra..-

FANTASIO.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

FANTASIO. FANTASIO NA EXPOSIÇÃO X UM QUADRO DE FELIX. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 22 set. 1895, p.1.

Fausto Emiliano Praxedes

Emiliano Praxedes Clique aqui para obter uma lista de todos os artigos onde este artista é citado como expositor

Expositores
Fedora do Rego Monteiro
Felippo Dante
Felix Bernardelli
Felix Cordiglia Lavalle
Felix Tilk
Fernando Correia Dias
Fernando de Mesquita Braga
Fernando Fader
Fernando Valentim
Feske de Puttkamer
FESTA ENTRE ARTISTAS. A Noticia, Rio de Janeiro, 12-13 set. 1902, p. 1.

Realizou-se, ontem, como havíamos noticiado, o "pic-nic" dos artistas expositores do Salão de 1902.

Os expositores reuniram-se no restaurante do Silvestre; a festa esteve muito animada, reinando a mais fraternal alegria.

O Sr. Aurelio de Figueiredo pouco antes do brinde de honra, que foi a Rodolpho Bernardelli, leu interessantes apólogos alusivos à arte e à critica.

Na mesa que era em forma de T, sentaram-se os Srs. Rodolpho Bernardelli, Insley Pacheco, Araujo Vianna, Valle, Augusto Petit, Angelo Agostini, Araujo Fróes, Morales de los Rios, Augusto Girardet, Henrique Bernardelli, Rodolpho Amoedo, Modesto Brocos, Aurelio de Figueiredo, Eugenio Latour, Correia Lima, Lucilio de Albuquerque, Helios Seelinger e Bolato.

O Sr. Visconti desculpou-se em carta, de não poder, por doente, assistir a festa.

Às 4 horas da tarde retiraram-se os artistas para a cidade pelo ferro carril elétrico de Santa Tereza.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

FESTA ENTRE ARTISTAS. A Noticia, Rio de Janeiro, 12-13 set. 1902, p. 1.

Fidias
Filinto Santoro
Finta de Aba
Flaminis
FLAMINIS. CRÔNICA. A Noticia, Rio de Janeiro, 8-9 set. 1897, p. 2.

Tratemos agora da exposição de Belas Artes, em linhas rápidas, embora. Poucos artigos tem aparecido sobre ela: poucos? nenhum! – apenas duas ou três notícias curtas e banais, todas registrando principalmente isto: a sua pobreza.

Poucos quadros, realmente. Mas quem quiser atribuir isso à preguiça dos pintores que temos, cometerá uma grave injustiça, dessas que bradam aos céus.
A Arte é uma rara flor, melindrosa e fina, que só vive bem, quando tudo em torno dela está equilibrado, seguro, próspero, ou quando, mesmo no meio da agitação política, do temor de um krack, ou da convulsão de uma guerra, há homens que compreendam que nem só a política, o dinheiro e o barulho das armas devem absorver a vida. Nenhuma época mais agitada do que aquela em que viveu o grande Leonardo da Vinci: mas, entre o estrupido das guerras, as aclamações das vitórias, as tristezas das derrotas, Francisco I, o guerreiro de Marignan, acolheu, nos seus braços de amigo incondicional, o pintor da Gioconda.

Aqui, nesta época indecisa, o comércio se desespera, a indústria entisica, a lavoura morre: e só a Arte deveria prosperar e brilhar? Que apoio merece ela dos nossos políticos, dos nossos financeiros, dos nossos guerreiros? Basta dizer que há dez anos vive a Escola de Belas Artes a pedir que lhe deem uma casa que não seja uma toca infecta, e esse pedido só tem achado indiferença e má vontade.

O catálogo da exposição de 1897 só tem 102 números. Acham pouco? [sic] permitam-me que ache muito: fazer aquilo, nos abafados tempos de agora, já me parece um assombro de esforço, uma grande arremetida de heroísmo.

Flaminis.

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Digitalização de Fundação Biblioteca Nacional Acessível em: http://memoria.bn.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

FLAMINIS. CRÔNICA. A Noticia, Rio de Janeiro, 8-9 set. 1897, p. 2.

Fléxa Ribeiro

1922

RIBEIRO, Fléxa. AS BELAS ARTES NA EXPOSIÇÃO. I - SEÇÃO BELGA. O Paiz, Rio de Janeiro, 20 nov. 1922, p.1.

RIBEIRO, Fléxa. AS BELAS ARTES NA EXPOSIÇÃO. II - ARTE CONTEMPORÂNEA: PINTURA. O Paiz, Rio de Janeiro, 27 nov. 1922, p.1.

RIBEIRO, Fléxa. AS BELAS ARTES NA EXPOSIÇÃO. III - ARTE CONTEMPORÂNEA: PINTURA. O Paiz, Rio de Janeiro, 4 dez. 1922, p.1.

RIBEIRO, Fléxa. AS BELAS ARTES NA EXPOSIÇÃO. IV - ARTE CONTEMPORÂNEA: PINTURA. O Paiz, Rio de Janeiro, 11 dez. 1922, p.1.

RIBEIRO, Fléxa. AS BELAS ARTES NA EXPOSIÇÃO. V - ARTE CONTEMPORÂNEA: ESCULTURA. O Paiz, Rio de Janeiro, 18 dez. 1922, p.1.

1924

F. R. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1924. O Paiz, Rio de Janeiro, 13 ago. 1924, p.5.

F. R. BELAS ARTES. EM TORNO DO RETRATO. O Paiz, Rio de Janeiro, 15 ago. 1924, p.5.

1925

RIBEIRO, Fléxa. A ARTE E A MORAL. O Paiz, Rio de Janeiro, 21 ago. 1925, p. 3.

1926

RIBEIRO, Fléxa. O SALÃO DE 1926 - O "VERNISSAGE" DE ONTEM. O Paiz, Rio de Janeiro, 12 ago. 1926, p. 1.

RIBEIRO, Fléxa. O SALÃO DE 1926. O Paiz, Rio de Janeiro, 13 ago. 1926, p. 1.

RIBEIRO, Fléxa. O SALÃO DE 1926. O Paiz, Rio de Janeiro, 14 ago. 1926, p. 1.

1928

RIBEIRO, Fléxa. O SALÃO BRASILEIRO. O Paiz, Rio de Janeiro, 12 ago. 1928, p. 1.

RIBEIRO, Fléxa. SALÃO BRASILEIRO. O Paiz, Rio de Janeiro, 15 ago. 1928, p. 1.

RIBEIRO, Fléxa. SALÃO BRASILEIRO. O Paiz, Rio de Janeiro, 15 ago. 1928, p. 4.

RIBEIRO, Fléxa. SALÃO BRASILEIRO. O Paiz, Rio de Janeiro, 19 ago. 1928, p. 2.

RIBEIRO, Fléxa. SALÃO BRASILEIRO. O Paiz, Rio de Janeiro, 20-21 ago. 1928, p. 1.

RIBEIRO, Fléxa. SALÃO BRASILEIRO. O Paiz, Rio de Janeiro, 22 ago. 1928, p. 1.

RIBEIRO, Fléxa. SALÃO BRASILEIRO. O Paiz, Rio de Janeiro, 30 ago. 1928, p. 1.

1929

RIBEIRO, Fléxa. PEQUENA CRÔNICA DE ARTE. O Paiz, Rio de Janeiro, 19-20 ago. 1929, p. 5.

1930

RIBEIRO, Fléxa. CRÔNICA DO "SALÃO". O Paiz, 22 ago. 1930, p. 3.

RIBEIRO, Fléxa. OS PAISAGISTAS DO SALÃO OFICIAL. O Paiz, 25-26 ago. 1930, p. 1.

Articulistas
Flor Heinzelmann
Florisbella Monteiro
Fon-Fon!
Fontana
Frá Angelico
FRÁ ANGELICO. IMPRESSÕES DO "SALÃO". A Noticia, Rio de Janeiro, 16-17 set. 1904, p. 3.

Uma dificuldade extrema para analisar os quadros do professor Henrique Bernardelli. Há lá um quadro dele representando um velho tocador de rabecão que, perplexo e indeciso, pergunta: Como faria Casals? Esta é exatamente a situação de quem se afoita a fazer a crítica dos quadros do mestre. Tudo ali é sagrado, desde o nome do autor até o tocador de rabecão.

Essa intangibilidade é como um muro forte e altivo posto entre os quadros e o espectador, muro que só os iconoclastas irreverentes por essência, se animam a transpor. E o rabequista, naquela eterna indecisão de manejar o arco do seu instrumento só porque na terra está um colega notável, um rabequista que é um mestre, como sorri irônico, satisfeito de ver um crítico em aperto idêntico aos seus. Os espectadores param, contemplam a aquarela, examinam-na com atenção, estudam-na demoradamente e correm os olhos pela tela, à procura da assinatura. E logo se lhe esvai a crítica, logo os lábios se lhes fecham sufocando o comentário. - É do Mestre! Murmuram no assombro de uma admiração inesperada e brusca. E esta palavra mágica acende logo entusiasmos e êxtases sagrados e pouco falta para que todos se ajoelhem como diante de uma ára [sic] de arte, num culto ardente e impetuoso pelo artista. Vimos um comendador abrilhantado, emudecido de pasmo admirativo diante do rabequista indeciso. O seu olhar não se despregava do rabecão; havia entre os dois como que um fluído simpático que os atraia um para o outro irresistivelmente. Só ao cabo de muitos minutos ansiosos foi que o comendador se despegou do seu êxtase para dizer: Belo instrumento!

E voltando-se para mim:

- Foi feito na minha fábrica, é melhor do que os que vêm da Europa; e todo feito com madeira do país, pura indústria nacional. E lá se foi, deixando-me um cartão da sua fábrica.

Diante do Extasis uma senhora já madura quedou também longo tempo. Intrigou-me a sua atitude; aproximei-me, volvi os olhos respeitosamente para o quadro, quase ajoelhei também e, disfarçando assim a minha curiosidade, (perdoai-me oh! Mestre!) examinei a mulher. O seu rosto estava pálido, o olhar, vago e languido, como se perdia numa névoa indefinível; duas lágrimas brilhavam silenciosamente nos seus olhos, renovando-se de segundo em segundo, como gotinhas de uma fonte avara. Senti-me também comovido diante daquela emoção tão sincera e espontânea que macerava aquele rosto já engelhado: - Porque chora, minha senhora? Perguntei sem lhe dar tempo a enxugar as lágrimas. Sente-se mal? Se quer, chamo o porteiro para lhe trazer um pouco de água com açúcar.

- Não é nada, senhor. Mas este quadro comoveu-me. Diante dele lembrei-me da minha primeira comunhão. Ah! quadra feliz da mocidade! estação risonha da vida, primavera cheia de ilusões e enganos, que saudades eu tenho de ti! Oh! tempo que já não voltas, que longe tu vais implacavelmente!

Tremi diante desta crise perigosa. Mas o porteiro entrou, salvadoramente, guiando um visitante e a entrada indiscreta desses dois seres materiais obrigou a senhora a esconder religiosamente as lágrimas e as saudades. Aquela explosão, porém, da velha, diante do quadro sugestionante, fez ainda mais crescer em mim a admiração pelo Mestre! - Frá Angelico.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

FRÁ ANGELICO. IMPRESSÕES DO "SALÃO". A Noticia, Rio de Janeiro, 16-17 set. 1904, p. 3.

FRADIQUE, Mendes. O SALÃO. O Jornal, 15 ago. 1930, p. 3.

Mendes FRADIQUE

-

Animador, vivamente animador o salão deste ano, na Escola Nacional de Belas Artes.

Já se respira no certame algo de mais puro do que se respirava em dias ainda não mui remotos.

Em verdade, assim na pintura como na escultura e nas demais belas artes, o talento nacional surge, brilha e sobeja. Andamos já por lá deitando uma rápida vista d'olhos. E de quanto logramos pilhar nesse curto instante de legítimo prazer, pudemos guardar a mais lisonjeira das impressões. E o que muito contribui para esse nosso sincero contentamento foi o entusiástico alvoroço com que os visitantes, já então bastante numerosos, se referiam ao certame, acendendo-se por vezes, entre eles animada porfia, em que se patenteava uma significativa emulação em gosto artístico. É claro que não nos abalançamos aqui a um meticuloso relatório estatístico, nem tampouco a qualquer coisa que se pareça, ou pretenda ser uma crítica de arte. Não. Longe de nós tão arrojado intento. No salão fomos gente de fora, fomos o espiante anônimo, o colhedor espontâneo de aspectos globais, sem o menor vislumbre de ranço técnico. É assim como um comentário que passa, comentaremos algo do salão deste ano. Lá se vê de tudo: desde o Visconti, artista que já não comporta adjetivo, até algumas telas adjetivas, insubstancialmente espalhadas pelos quatro cantos do salão. Chamou-nos a atenção, por motivos longos de explicar, um retrato do poeta Olegario Marianno, feito por mão de artista, soberbamente técnico, e deveras interessante.

Tem-se, porém, diante daquele retrato, a impressão de que o autor andou se vendo abardado com uma séria apertura, acerca do modelo. Ao que parece, o poeta das cigarras posou para o pintor até uma certa altura. A páginas [...], Olegario, imprevisto, como sempre, viu-se forçado a viajar de urgência, para S. Paulo e partiu sem mais aquela.

O artista do retrato ficou, é claro, num tremendo apuro, privado assim subitamente, do modelo. E ainda para maior angustia o prazo de entrega dos trabalhos estava já a expirar. E o artista, após longa maturação, julgou ter achado o remédio para o caso: convidou o José Marianno para continuar a pose do irmão.

José acedeu e posou.

E eis porque diante da tela a gente mais desprevenido fica a pensar em por que é que o Olegario teria saído tão gordo, ou por que teria saído tão magro o José Marianno...

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

FRADIQUE, Mendes. O SALÃO. O Jornal, 15 ago. 1930, p. 3.

FRADIQUE, Mendes. O SALÃO. O Jornal, 19 ago. 1930, p. 5.

Mendes FRADIQUE

II

Continua despertando vivo interesse entre os amadores de belas artes o certame oficial deste ano. Como tivemos ocasião de dizer em crônica da semana passada, é sensivelmente animadora a safra artística de 1930.

Lá está mui dignamente representado o arrojo de Humberto Cozzo. Desenvoltura e elegância - eis quanto pôs na composição "Anseios". O escultor culmina no busto "O pintor", que é notável.

"O trabalho" - eis o título que o artista deu a um latagão moendo, que carrega dos braços uma bigorna. Em verdade, o marmanjo do Cozzo parece tratar-se de um empolgante trabalho, mas trabalho de equilibrismo. É bem possível que uma vertical baixada do centro de gravidade da figura não consiga cair dentro da base de sustentação. Como se vê, Cozzo é rebelde mesmo às leis fatais do equilíbrio dos corpos apoiados. Na Europa, exporia no Salão dos independentes. Ao que parece, há prodígio na postura do latagão; ou, talvez, o malandro esteja para aí a entrujar a gente com uma bigorna de cortiça.

Há um senão que se repete pandemicamente em quase todos os retratos de gente sentada. Há em todos eles um espaldar remotíssimo para uma cadeira do primeiro plano. Tem-se a impressão de que o pessoal está sentado em Niterói, ou noutro sítio ainda mais recuado.

Concorre ao Salão deste ano o jovem Honorio Peçanha, talento robusto e nítida personalidade artística. A história deste moço seria deveras divertida, se não fora, como é, tristíssima para o estalão intelectual de nossos estadistas e [...] pais da pátria.

Trabalhava o rapazelho como cabineiro do elevador de uma das nossas casas de parlamento, e fez, com rara felicidade, uma caricatura plástica do presidente da casa.

Por este ato de grave sacrilégio foi o pobre ascensorista posto no olho da rua, entrando a lutar com privações de toda a ordem.

Apiedaram-se dele Modestino Kanto e Magalhães Corrêa, que o meteram na Escola Paulo de Frontin, a aprender os primeiros rudimentos de escultura. Os progressos de Honorio Peçanha são apenas assombrosos; é quanto se sente e vê na caricatura do protetor, trabalho simplesmente formidável.

Deveras interessante, pois, o salão oficial deste ano. É possível que ainda voltemos com alguns comentos despretensiosos e sinceros acerca da grande feira de talento.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

FRADIQUE, Mendes. O SALÃO. O Jornal, 19 ago. 1930, p. 5.

Francesco Ferraresi
Francesco Napolitano
Francinet Alves
Francisca Azevedo Leão
Francisca Emilia de Campos
Francisco Acquarone
Francisco Aurelio de Figueiredo e Mello
Francisco Coculilo
Francisco de Andrade
Francisco de Nemay
Francisco dos Santos
Francisco Franco de Sá
Francisco Garcia Santos Ollala
Francisco Gomes Marinho
Francisco Manna
Francisco Pons Arnau
Francisco Puig Domenech Colon
Franzi Wilfer Horst
Frederico Antonio Steckel
Frederico Barata
Frederico Brandon
Frederico Lange de Morretes
Frei Frapresto
FREI FRAPRESTO. IMPRESSÕES DO "SALÃO". A Noticia, Rio de Janeiro, 13-14 set. 1904, p. 2.

Modesto Brocos que já foi professor de modelo vivo na Escola Nacional de Belas Artes e obteve a medalha de 1ª classe na 2ª exposição geral, em 1895, muito modestamente expõe apenas dois quadros - Cabeça de contadina e cena doméstica. A Cabeça é um belo estudo do mau gosto e do feio. Aquela mulher é uma obra-prima de imperfeições plásticas. Felizmente o artista só lhe pintou a cara. Mas de tal modo que tremendo se adivinha o resto. Pode-se apostar que a contadina tem a cinta mal feita e as pernas arqueadas, sem contar a monstruosidade dos pés. Brocos parece tender agora para as impressões violentas. E conseguiu brilhantemente o seu fim: a contadina dá uma perfeita impressão do belo horrível e no gênero pavoroso dificilmente se encontrará coisa tão completa. A contadina é uma dessas mulheres que lembram ainda as harpias e as corujas. É uma nota terrível que mais enluta a frieza glacial do Salão já vazio de comendadores e de moças elegantes.

A Cena domestica felizmente anula por completo essa impressão de pavor que a contadina nos deixa. Mas desperta logo um desgosto, principalmente nos amigos do progresso que muito provavelmente não vão ver pinturas, ocupados exclusivamente, como vivem, na labuta material. O desgosto é legítimo. Numa época como a nossa em que tudo evolui a passos acelerados, aquele quadro parece um inimigo, um brado hostil e rancoroso do reacionarismo. Pregam-se ali os processos antiguados da refinação do açúcar. Uma mulher acocorada, numa cozinha lôbrega, mexe e remexe um caldeirão colocado sobre um braseiro. Vê-se que a pobre rapariga sua e tressua junto do lume no esforço contínuo de mexer a panela, e a cozinha enche-se de fumaça sufocando a mísera. Tudo isto depõe contra o suplicante processo da velha refinaria; mas o artista quis fazer a apologia de um martírio e não há remédio senão lamentar a pobre rapariga que se esfalfa a remexer a panela e procurar rapidamente outros quadros menos açucarados que este, benza-o Deus; de tanto açúcar tornou-se amargo! - FREI FRAPRESTO.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

FREI FRAPRESTO. IMPRESSÕES DO "SALÃO". A Noticia, Rio de Janeiro, 13-14 set. 1904, p. 2.

Fundição Indígena
G. de O.
G. DE O. ARTES. O prêmio de viagem no salão deste ano. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 6 set. 1913, p.5.

Iniciando hoje rápido estudo sobre o salão deste ano, parece, melhor não poderíamos fazê-lo do que observando a obra dos quatro candidatos ao prêmio de viagem, cujos retratos ilustram sobremodo estas pálidas notas.

São eles, em vista da norma obrigatória entrada em vigor este ano, d. Angelina Agostini, Miguel Caplonch, Guttman Bicho e Baptista Bordon, isto é, aqueles, dos candidatos do salão passado, que obtiveram medalha de prata.

Com sinceridade devemos deixar desde já assinalado que nenhum deles se apresenta mal aparelhado agora, atestando assim o aproveitamento esperado nesse lapso de tempo com o incitamento da recompensa obtida.

Entrando, porém, mais particularmente no domínio da obra de cada um desses moços artistas, cabe-nos render as homenagens a que faz jus d. Angelina Agostini, pelos trabalhos expostos, que afirmam, sem dúvida, além de um esforço de louvar, uma acentuada noção artística.

As compras e sobretudo Vaidade são duas telas que desafiam a assinatura mesmo dos consagrados, sem que lhes proporcionassem razões para os desestimar. Não se concluirá daí que constituam afirmações definitivas de um temperamento artístico.

Efetivamente, assim não é, e sendo a verdadeira crítica o reconhecimento dos valores estéticos, exorbitaríamos aqui da nossa função máxima, se desse modo exagerássemos os méritos evidenciados pela distinta senhora.

D. Angelina é uma artista de raça, com personalidade já positiva, conquanto, com franqueza o dizemos, muito lucrará, por certo, quando de todo libertada da tutela da escola, e, mais, daquela do sr. Bernardelli.

Nada lhe falta, nem mesmo paciência e perseverança, para a vitória final: técnica tem-na ela bem sua, a serviço de uma fatura comedida e inteligente. Sua obra denuncia grande capacidade de trabalho a que se entrega sem arrojos, mas também sem desfalecimentos.

Com inteiro destemor se poderá dizer mesmo que é quem melhor apetrechada vai ao encontro do veredito julgador.

É verdade que d. Angelina tem como concorrentes três moços trabalhadores e, pode-se dizer sem receios de que nos taxem leviano ou bendizente, já assaz experimentados nos mistérios da Arte, que escolheram.

Miguel Caplonch, todos sabem um delicado pintor, ativo, inteligente, cuidadoso, capaz mesmo de mais fazer do que nos apresenta agora.

Para confirmar, ali tivemos quarenta e cinco dias a fio, Salomé, o excelente tríptico com que obteve a medalha de prata do salão passado.

Com os pequenos defeitos, que desassombradamente apontamos oportunamente, não a julgamos inferior a nada do que ora expõe.

O seu episódio Wagneriano é uma composição arrojadíssima, de que não deve estar satisfeito, convencido que de que se fazem vítimas voluntárias, mesmo os grandes pintores mundiais, quando se abalançam a entrepresas dessa ordem. De dificultosa interpretação, pelo nebuloso do assunto concebido, num meio estranho, à hora cheia de tropeços, o motivo do quadro de Caplonch é uma verdadeira cruzada, a que fora temeridade ajustar-se alguém, neste acanhadíssimo Rio de Janeiro.

Já não assim o seu retrato decorativo [Imagem] que, sem favor, lhe assegura um posto relevante entre os seus iguais.

Infelizmente, a par das duas figuras bem desenhadas, o pintor teve, a nosso ver, a má ideia de estilizar parte da composição, o que emprestou, sem dúvida, grande dose de antipatia ao seu trabalho. Não há negar que Caplonch faz com rara habilidade esse gênero de pintura, mas retrato decorativo é uma extravagância, que se não autoriza facilmente a um pintor.

A razão de ser da arte decorativa, de que se fez tão denodado paladino Roger Marx, desaparece quando se pensa no retrato, e isso mais se acentua pela desigualdade que com ele se faz nascer, desde que se não pode estilizar também a figura ou figuras sem [...]

Afora, porém, esse modo de ver, absolutamente pessoal, parece que o artista não foi feliz também na escolha do sítio para a sua composição. De fato, o sol entrando, naturalmente, por cima do muro do fundo, só vem beijar furtivo um pedacinho da sombrinha (não estilizada) e aí fica todo absorvido na seda clara, e esquece de seguir na trajetória mal falada até o gramado do primeiro plano, em que aliás entram mal as figuras repousadas.

Mas com tudo isso, o observador para com satisfação diante das telas de Miguel Caplonch.

Em relação a Guttman Bicho, toda a gente está de acordo em que o seu "Lylü e Lay" é superior ao medalhado do 19º salão, não sendo, ao que suponha, essa circunstância surpresa para os que o conhecem como pintor. Bicho pinta e pinta muito e, conquanto haja nesse ministério um tanto de anarquia, ainda assim muito aproveita, quando mais não seja em matéria de fatura e de técnica.

As figuras do seu quadro são positivamente boas, bem desenhadas e [...], o que se realça e assegura como verdade indiscutível, se se observa cada uma de per si, em abstração difícil mas possível.

Há talvez um pouquinho de dureza, que não seria suficiente para diminuir-lhe o valor.

Juntos, entretanto, como estão, já se acentua o único defeito do seu trabalho, ainda assim muito recomendável. Bicho é um empolgado pela arte, que estima mais do que a si próprio; enamora-se dos efeitos, deixa-se absorver pela encenação do assunto e desvaira-se a ponto de se não aperceber das minúcias e detalhes.

Em "Mme. G.", de 1912, havia sérios erros de desenho, que hoje se não surpreenderão, facilmente, em Lylü e Lay, entretanto, há sério descuido de valores na ambientação das figuras e o observador custa a acreditar no pintor, quando colocou em primeiro lugar a que, de fato, não está na frente da outra.

Mas, Guttman Bicho deve, apesar disso, estar contente, porque os mestres aí estão para consolá-lo com as suas aberrações de colorido e os seus flagrantes erros de valores.

Finalmente, resta-nos Baptista Bordon, o discípulo amado de Baptista da Costa, com as suas Velhas árvores. Trata-se de um artista novo, ao qual nunca regateamos aplausos, de que, aliás, sabe fazer-se criador com o seu inaudito esforço e sinceridade artística.

Beijos de Sol foi um sucesso no ano passado e sucessos foram as suas exposições, principalmente, a primeira, ali na Associação dos Empregados no Comércio.

Há na substanciosa obra de Bordon pedaços deliciosos das nossas paisagens, que, embora semelhantes em fatura às de seu grande mestre, o mágico interpretador de um dos aspectos da nossa natureza, excede-os justamente porque assinalam, com verdade absoluta, novas feições, horas outras, ambientes diversos dos consagrados já, e tão legítimos como os que mais o forem.

Acostumamo-nos a ver no modesto autor de Casuarina, essa página poética do nosso Campo de Sant'Anna, um curioso paisagista para quem confiantemente se pode augurar o posto máximo desse gênero da pintura nacional. Somos, pois, radicalmente insuspeitos para dizer-lhe agora do quadro com que se apresenta.

Velhas arvores é um quadro bem no gênero preferido de Bordon e agrada, absolutamente, à primeira vista.

Há uma encantadora poesia no assunto, para o que se concertaram o nosso sol glorioso, coado através da rede de verdura, e as cantilenas da água transparente, deslizando nos pedrouços do riacho, que serpeia entre os arbustos, sob o dossel que a fronde entretece.

Mas, com o demorado do olhar observador, vão aos poucos surgindo os tropeços encontrados e não vencidos pelo estudioso pintor. E para apontar alguns, na rapidez que estas notas comportam, basta que denunciemos a maneira descuidada porque tratou as folhas secas que tapetam os dois primeiros planos, o verde excessivamente cru de grande parte da vegetação e até mesmo o colorido das tranças da grande árvore, aquém do rio, dos quais um parece longe, e isso afirmariam todos, se a sua base se não viesse inserir bem junto aos outros.

São, porém, pequenos cochilos que só assinalamos por tratar-se de um pintor afeito a vencer estas e outras dificuldades sem esforço, motivo mesmo que lhe trouxe a pesar nos ombros uma tremenda responsabilidade.

Assim esboçada a nossa pálida opinião pessoal, conhecido o nosso modo de ver em relação ao prêmio de viagem, é claro que a qualquer dos concorrentes poderia o júri concedê-lo, pois todos estão aptos para aproveitá-lo. Qualquer deles teve suficiente aprendizagem para que a estadia na Europa, em contato com os mestres, e, o que mais é, em meio apto e culto, proporcione elementos decisivos à eclosão do seu mérito ou desmentido formal da sua impotência.
G. DE O.

As festas do "Salon" de 1913

A comissão organizadora do "Salon" de 1913, teve a magnífica lembrança de organizar este ano as palestras literárias e musicais, tal qual se faz em Paris. Segunda-feira realiza-se a primeira com o concurso dos poetas Goulart de Andrade, Luiz Edmundo e Bastos Tigre.

A seguir devemos ter também uma sessão musical, na qual serão executados trechos da ópera Galaor, do maestro brasileiro Araujo Vianna, interpretado pelas senhoritas Maria e Marietta Campello, e os srs. Dufriche e Levy Costa.

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Imagem

OS CANDIDATOS O PRÊMIO DE VIAGEM DO "SALÃO" DE 1913: ANGELINA AGOSTINI, MIGUEL CAPLONCH, GUTTMANN BICHO E BAPTISTA BORDON

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

G. DE O. ARTES. O prêmio de viagem no salão deste ano. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 6 set. 1913, p.5.

G. de O. O SALÃO DE 1912 - Algumas considerações sobre o júri e rápidas impressões do Salão. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 15 set. 1912, p.1.

[...]

G. de O.

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Imagens

Em cima: "Retrato do sr. C. P.", pelo pintor Carlos Chambelland - Em baixo: "Retrato do dr. J. M.", pelo pintor Rodolpho Chambelland

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

G. de O. O SALÃO DE 1912 - Algumas considerações sobre o júri e rápidas impressões do Salão. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 15 set. 1912, p.1.

G. de O. O SALÃO DE 1912 - Concluímos hoje a galeria dos concorrentes ao prêmio de viagem do Salão deste ano. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 6 set. 1912, p.3.

[...]

G. de O.

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Imagem

Bibiano Silva e o seu Liberto

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

G. de O. O SALÃO DE 1912 - Concluímos hoje a galeria dos concorrentes ao prêmio de viagem do Salão deste ano. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 6 set. 1912, p.3.

G. de O. O SALÃO DE 1912 - Inaugurou-se, ontem, solenemente O Salão deste ano de Belas Artes. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 2 set. 1912, p.3.

[...]

G. de O.

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Imagens

Um instantâneo da inauguração

Pedro Bruno e o seu Manhã Azul

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

G. de O. O SALÃO DE 1912 - Inaugurou-se, ontem, solenemente O Salão deste ano de Belas Artes. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 2 set. 1912, p.3.

G. de O. O SALÃO DE 1912 - Levino Fanzeres concorre ao prêmio de viagem com "Visão" e "Crepúsculo". Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 4 set. 1912, p.3.

[...]

G. de O.

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Imagem

O pintor Levino Fanzeres

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

G. de O. O SALÃO DE 1912 - Levino Fanzeres concorre ao prêmio de viagem com "Visão" e "Crepúsculo". Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 4 set. 1912, p.3.

G. de O. O SALÃO DE 1912 - Rápidas impressões do Salão desse ano. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 8 set. 1912, p.1.

[...]

G. de O.

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Imagens

O pintor Capplonch

"SALOMÉ" TRÍPTICO DE MIGUEL CAPPLONCH

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

G. de O. O SALÃO DE 1912 - Rápidas impressões do Salão desse ano. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 8 set. 1912, p.1.

G. de O. SALÃO DE 1912 - Antonino Mattos concorre ao prêmio de viagem com seus Narciso e Pugilatore. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 5 set. 1912, p.3.

[...]

G. de O.

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Imagem

"NARCISO"

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

G. de O. SALÃO DE 1912 - Antonino Mattos concorre ao prêmio de viagem com seus Narciso e Pugilatore. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 5 set. 1912, p.3.

G. de O. SALÃO DE 1912 - Prosseguimos na galeria dos concorrentes ao prêmio de viagem. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 3 set. 1912, p.3.

[...]

G. de O.

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Imagens

Alvaro Teixeira e o seu quadro - Desalento de Orfeu.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

G. de O. SALÃO DE 1912 - Prosseguimos na galeria dos concorrentes ao prêmio de viagem. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 3 set. 1912, p.3.

Gabriella Costa
Galdino Guttmann Bicho
GAMA, Luiz. BELAS-ARTES. O vergonhoso catálogo do nosso "Salon". A Noite, Rio de Janeiro, 19 set. 1912, p.2.

Há três ou quatro anos que o catálogo das exposições da Escola de Belas Artes se torna alvo de fortes censuras, até certo ponto muito justas.

O amor pela má impressão, de que anualmente, as várias comissões organizadoras tem dado provas, revela um grande carinho pelos expositores, que, em alguns é levado ao excesso de até lhes mudarem o sexo.

Assim encontramos o bizarro Helios, pintor de faunos e ninfas, transformado em pudibunda moça.

E, mais, aumenta ou diminui os prêmios conforme o nome é simpático ou não.

A outros, emburra com a nacionalidade e dá-lhes outra.

Ora o catálogo não é feito por competente, mas sim pela preciosidade de um bedel, que durante todo esse tempo tem sido o encarregado da revisão do catálogo.

E como para fazer esta o homenzinho não conheça regra, nem português, e, da comissão, ainda ninguém tenha reparado que ele tem jeito para tudo menos para dirigir a impressão de um catálogo de Arte, continua e continuará a fazer o que até aqui tem feito.

Em todo o caso os artistas devem prevenir-se para o ano.

LUIZ GAMA.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

GAMA, Luiz. BELAS-ARTES. O vergonhoso catálogo do nosso "Salon". A Noite, Rio de Janeiro, 19 set. 1912, p.2.

Garrido
Gaspar Coelho de Magalhães
Gaspar Neiva
Gaspar Puga Garcia
Gastão Formenti
Gastão Worms
Gaston Cariot
Gazeta de Noticias
Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 1 nov. 1894, p.1.

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<br style="clear: both" />

UM QUADRO DE BROCOS

Mulatinha Delambida

Mulatinha do caroço

Que da fruta proibida

Vais carregando o destroço...

Quem te deu essa dentada

Com tal fúria de molosso;

Quem te fez tão descarnada

- Que te roa agora o osso!

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 1 nov. 1894, p.1.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 1 set. 1895, p.1.

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<br style="clear: both" />

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Digitalização de Arthur Valle

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 1 set. 1895, p.1.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 12 out. 1894, p.1.

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<br style="clear: both" />

- Diz-me cá; de quem gostas tu mais, dos pintores antigos ou dos modernos?

- Eu te digo; os modernos sempre tem uma vantagem: ainda são de carne e osso.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 12 out. 1894, p.1.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 16 out. 1894, p.1.

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<br style="clear: both" />

A HENRIQUE BERNARDELLI

VINGANÇA DO BROCOS

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 16 out. 1894, p.1.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 22 out. 1894, p.1.

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<br style="clear: both" />

NA EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES

UM QUADRO DE BROCOS

Retrato de um homem político sagaz. Está no seu cantinho devassando os horizontes da pátria, figurados simbolicamente pela vasta tela em branco. Já ocupa alta posição, mas é homem para encher a tela toda. Pintando-o assim, Brocos fez a pintura do futuro, a Wagner.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 22 out. 1894, p.1.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 24 out. 1894, p.1.

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<br style="clear: both" />

Na Exposição de Belas Artes

HISTÓRIA ETERNA

QUADRO DE HENRIQUE BERNARDELLI

- De quem gosta ele mais: de mim ou da cerveja?

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 24 out. 1894, p.1.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 25 out. 1894, p.1.

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<br style="clear: both" />

Na Exposição de Belas Artes

PICANDO FUMO

QUADRO DE ALMEIDA JÚNIOR

O modelo parece-nos com o artista, que é um modelo de qualidades artísticas... e paulistas.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 25 out. 1894, p.1.

Fac-símile da página original

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 26 out. 1894, p.1.

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<br style="clear: both" />

Na Exposição de Belas Artes

A PINTURA

ALEGORIA DE ALMEIDA JÚNIOR

Como o nosso Salon, a exemplo do do Campo de Marte, em Paris, também recebe objetos de indústria artística, Almeida Júnior resolveu apresentar este modelo às senhoras que oferecem aos seus namorados lenços marcados com corações atravessados por flechas.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 26 out. 1894, p.1.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 27 out. 1894, p.1.

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<br style="clear: both" />

Na Exposição de Belas Artes

BOM TEMPO

QUADRO DE BELMIRO DE ALMEIDA

JOGO DE PRENDAS

- Ai! ai! cai no poço ...

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 27 out. 1894, p.1.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 28 out. 1894, p.1.

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<br style="clear: both" />

CARLO PARLAGRECO

Quem o vê assim toma-o por uma fúria. Pois é o homem mais calmo, mais comedido, mais amável que dar-se pode. Somente em questões de arte não transige, como não transige em questões políticas. Republicano até a medula dos ossos, Parlagreco deixou um nome brilhante na imprensa do seu país, e estaria hoje em Montecitorio se a arte não o tivesse trazido para o Brasil. A caricatura que hoje publicamos representa-o no momento em que ele fala de sua cadeira de professor, e provavelmente a combater o carrancismo. Com crítico, é um favo de mel: o menos que ele chama a quem lhe cai nas mãos é egrégio e genial.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 28 out. 1894, p.1.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 3 out. 1894, p.1.

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<br style="clear: both" />
Na exposição de belas-artes:

- Pobre moça! Para pagar o retrato, teve de vender até a camisa do corpo...

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 3 out. 1894, p.1.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 4 nov. 1894, p.1.

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<br style="clear: both" />

NA EXPOSIÇÃO DE BELAS-ARTES

QUADRO DE D. DIANA CID

Números de exposições na moldura e na testa. Antes isso do que um T.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 4 nov. 1894, p.1.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 5 out. 1894, p.1.

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<br style="clear: both" />

Modesto Brocos chama-se ele, e é realmente tão modesto como talentoso; mas, há um ponto em que a sua modéstia é espanhola como ele, é o ponto relativo à sua beleza física. Durante anos, ele teve a paciência de esperar que lho dissessem; e ninguém lho dizia, e daí que vem a ser o Brocos tão pequenito. A mágoa mirrava-o, encolhia-o.

Um dia não pode mais conter-se, e disse: eu seria um guapo rapaz, se tivesse mais dois dedos de altura, assim. E mostrava quatro dedos, muito apartados um do outro. E continuava a definhar.

Ultimamente, porém, foi a Minas fazer as bonitas paisagens que lá estão na Exposição, tão disputadas pelos amadores. E em Diamantina quebrou-se o encanto: houve quem o achasse bonito, e lho dissesse.

De então para cá o Brocos é outro. O que havia nele de espanhol, o que a modéstia ocultava por força do seu nome de batismo, desabrochou e ninguém mais pode com ele. Não só se acha bonito, mas até muito bem feito; e julga poder aplicar à própria plástica a divisa a que se apega, como artista: sobre todo, las proporciones...

Dessas proporciones, e da beleza do Brocos apregoada em Diamantina, dá ideia a sua esplêndida caricatura por Henrique Bernardelli, que hoje publicamos. Agora, o que ele é como artista, quem o não conhece ainda, que vá à Exposição de Belas Artes. Nesse terreno, Brocos não precisa de mais dois dedos de altura; tem estatura dos artistas de verdadeiro merecimento.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 5 out. 1894, p.1.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 6 out. 1894, p.1.

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Henrique Bernardelli é o segundo da dinastia. Em pequeno tocou rabeca, como toda a família, e mais tarde atirou-se à pintura, como a família toda. No tempo em que a Escola de Belas Artes parecia uma loja de bichos empalhados, Henrique Bernardelli fez o concurso de viagem à Europa e perdeu pelo voto de Minerva. Minerva, dessa vez, teve juízo, porque decidindo assim deu-nos dois pintores viajados. Armado com seu prêmio, seguiu Rodolpho Amoêdo, o concorrente feliz, para a França, de onde nos voltou, anos depois, o pintor que todos conhecem e aplaudem; Henrique, que só podia apelar para outro concurso daí a seis anos - a Academia de então não tinha pressa - abalou para Roma, onde era pensionista escultor seu irmão mais velho. Enquanto o irmão amassava o barro, ele moía tintas. Hoje aí está, premiado em Paris e em Chicago, e dando-nos telas como a Faceira, que é um dos primores da atual exposição.

Henrique Bernardelli é muito viajado. Ultimamente foi ao México, e o anel - de chumbo ou de prata? - que usa no polegar foi-lhe dado de presente por uma princesa Azteca, que se tomou de amores por ele a primeira vez que lhe viu o nariz. Por isso, o Belmiro, reproduzindo-lhe a vera imagem, fê-lo de perfil para salientar-lhe o nariz que o torna irresistível, e ostentando no polegar o anel que é um talismã. Uma só coisa o contraria nessa história do anel: não o poder usar no nariz.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 6 out. 1894, p.1.

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 7 nov. 1894, p.1.

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<br style="clear: both" />

NA EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES

QUADRO DE SOUZA PINTO

Se a moldura não fosse tão larga, os pés destes cavalos chegariam à sala.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 7 nov. 1894, p.1.

Genesco Murta
Geny Fróes
George Mouvier
Georgina Azurem Furtado
Georgina Barbosa Vianna
Georgina de Albuquerque
Gerhard Orthof
Germano Neves
Germinal Artesi
Gerson Pompeu Pinheiro
Giacomo Micheli
Gilda Moreira
Gino Bruno Francoso
Giorgio Ziliani
Giovanni Battista Castagneto
Giuseppe Brugo
Giuseppe Magni
Giuseppe Perissinoto

Perissinoto Clique aqui para obter uma lista de todos os artigos onde este artista é citado como expositor

Expositores
Giuseppe Renda
Godchaux
Godehaux
Gomes Carollo
Gonçalo Alves
Gonzaga Duque
Gonzalo Leguizamón Pondal
Grace Adelaide West
Grandjean de Montigny
Graziela Jordão Bastos
Griphus
GRIPHUS. A EXPOSIÇÃO DE BELAS-ARTES. Fon-Fon!, Rio de Janeiro, n. 37, 14 set. 1912, n/p.

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A crítica - Bravos! desta vez pintou!

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Digitalização da Fundação Biblioteca Nacional

Transcrição de Arthur Valle

GRIPHUS. A EXPOSIÇÃO DE BELAS-ARTES. Fon-Fon!, Rio de Janeiro, n. 37, 14 set. 1912, n/p.

GUANABARINO, Oscar. ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 1 out. 1894, p.2.

Escola Nacional de Belas-Artes

EXPOSIÇÃO GERAL

Foi grande a nossa surpresa e grande o nosso contentamento ao entrarmos ontem na sala em que estão reunidos os trabalhos de pintura enviados à exposição de belas-artes.

A pintura progride, como nenhuma das outras artes, no domínio da República; e basta comparar a atual exposição com a melhor que conseguiu o antigo império em 1884, quando a academia tinha conselheiros e comendadores a dirigi-la, para vermos o quanto temos caminhado.

A pintura histórica, tão recomendada e exigida, apresentava sempre fatos históricos, que nenhuma relação tinham com a nossa vida. Pedro Américo, professor de arqueologia, caindo em constantes erros dessa matéria, dava-nos Joana d'Arc, Moisés, Judite, Heloísa e Abelardo,Voltaire, e tantos outros quadros de assunto estrangeiro, quando a nossa história ainda estava, como está, por explorar; e como esse pintor era quem dava a nota naquela época, todos os outros seguiram-lhe nas águas e lá vinham as coleções bíblicas, em que o S. Jerônimo não falhava.

Atualmente aparece uma arte, que, se não é francamente nacional, acentua bem a tendência para isso.

Nesse ponto temos três artistas notáveis, que pintam cenas brasileiras, produzindo quadros magníficos - Almeida Junior, Brocos e Weingärtner.

O pintor ituano, autor de alguns quadros existentes nas galerias da escola nacional, tais como - O modelo, Caipiras negaceando, Derrubador brasileiro, e mais dois outros bíblicos - A fuga para o Egito e Remorso de Judas aparece-nos agora com três telas brasileiras - A pescaria, A queda do Votorantim, Amolação interrompida e O caipira.

Na Pescaria a cena passa-se em um rio pouco caudaloso, com as margens alagadas e invadidas pelo tabual; na barranca estão os dois pescadores. É um quadro bem de cena vulgar; sem o espetaculoso do panejamento e sem o grito das cores pomposas arrumadas para fazerem efeito.

Na Queda do Votorantim há pouco estudo da água; parece uma queda de gesso, sem transparência, sem umidade, sem ruído. Almeida Junior não está no seu elemento, mas em compensação lá temos o Caipira, tipo exato do sertanejo paulista, indolente, sentado a picar fumo para cigarro com a grande faca de ponta. Há muita observação nesse tipo, aliás difícil.

O Amolador interrompido também é um tipo brasileiro e bem brasileiro. A tela tem grandes dimensões e obriga o pintor a muitos detalhes, que prendem a atenção do observador.

Almeida Junior é sempre o mesmo artista de traço largo, fiel desenhista e de colorido natural, banindo da palheta cores inúteis, que só servem a quem quer produzir o agradável a vista, sem se importar com a verdade.

Brocos, perfeitamente identificado com a nossa natureza, apresenta uma série de paisagens mineiras, salientando Os bateadores; mas o seu melhor trabalho é o Aqueduto, quadro que já esteve exposto antes de partir para Chicago.

Entre os artistas que procuram nacionalizar a arte, estudando os nossos costumes e surpreendendo a cor do nosso ambiente, tão difícil de ser apanhada pela inconstância da luz, devemos colocar em um dos primeiros lugares este pintor, de grande atividade e sempre fiel a verdade.

Weingärtner não se limita a ser brasileiro - torna-se bairrista. Atualmente os seus quadros são cenas do Rio Grande, ou pelo menos do Sul.

A exposição ainda não está catalogada, de modo que é difícil citar os quadros pelos seus títulos ou pelo menos indicar o seu número; mas entre muitos que atraíram a nossa atenção, recordamo-nos de um piquete de lanceiros em plena campanha.

O assunto presta à variedade; os soldados só têm uniformizados os armamentos, e a pala e as bombachas dão o tom característico dos trajes do sul onde todos querem passar por guascas, procurando efeitos na gauchada.

O brasileirismo obrigou-nos a deixar para o fim o quadro que mais simpatia nos despertou - A feiticeira, de Henrique Bernardelli; esse quadro, que figurou na exposição de Chicago, é de grande merecimento, qualquer que seja o lado por que se encare. Verdade é que o assunto também é dos melhores para chamar a atenção dos visitadores e dos críticos - a mulher preparada para o baile - e dizemos para os críticos, porque a mulher é a mais perfeita manifestação do belo, e é o belo a constante indagação da crítica.

Felix Bernardelli exibe um quadro de grande sentimento, Uma espera à janela, mas falta-nos espaço e deixaremos para outra ocasião não só esse quadro como também um outro idêntico, mas exercido pela criada, assim como uma dançarina que finge ouvir os conselhos de sua mãe.

Devíamos citar nesta primeira notícia uma cabeça envolta em véu róseo, trabalho magnífico de Rodolpho Amoêdo, e destinado, segundo nos consta, a um jornalista fluminense; mas o espaço priva-nos desse intento e por essa mesma razão não falamos hoje no Jaca de laranjas de Pedro Alexandrino, nos trabalhos de L. Rodrigues, pensionista do Estado; na Escrava'' de Oscar P. da Silva e tantos outros em cuja frente estivemos parados algum tempo.

OSCAR GUANABARINO.

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Transcrição de Fabiana Guerra Granjeia

Atualização da grafia por Andrea Garcia Dias da Cruz

GUANABARINO, Oscar. ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 1 out. 1894, p.2.

GUANABARINO, Oscar. ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 1 set. 1899, p.2.

ARTES E ARTISTAS

Exposição de belas-artes

Inaugura-se hoje, ao meio-dia, a exposição geral de belas-artes; na Escola Nacional, solenidade essa que foi, como de costume, precedida da visita prévia para o envernizamento das telas, o que de fato se realizou ontem com bastante concorrência de artistas, amadores e representantes da imprensa fluminense.

A atual exposição, posto que apresente quadros de alto valor artístico, é, na sua feição geral, muito pobre, mormente em si fazendo uma comparação com a grande afluência de trabalhos que acudiram ao último certame ali realizado.

Com a sua recomendável assiduidade, figuram, como sempre, os finos trabalhos do professor Girardet, cujas medalhas e gravuras em pedras finas são exemplares modelos no seu gênero.

A falta do catálogo, que só hoje será distribuído, nos impede de entrar em minuciosidade sobre os objetos expostos; mas da visita que fizemos ontem, trouxemos a mais agradável impressão deixada pelos quadros do pintor paulista Almeida Junior cujo talento, sempre em exercício, tem aperfeiçoado o artista de um modo digno de louvor.

A tela n. 10, uma velha pobre, nos degraus de uma escada de pedra, com a mão estendida à caridade pública, é a sua obra-prima nesse torneio artístico.

A cabeça da velha é um estudo admirável e todo o quadro apresenta uma nota harmônica, suave e serena.

Na mesma parede está colocado um outro quadro desse mesmo autor, sob o n. 12, em que há uma mulher que contempla, com os olhos rasos de lágrimas, a fotografia de um ente querido.

O efeito de luz nesse quadro é belíssimo.

Ainda de Almeida Júnior é o n. 13, um caipira sentado ao peitoril tange a viola, acompanhando uma mulher da roça que canta. O quadro é bom, é nacional, genuinamente brasileiro em todos os seus detalhes, mas a maior das dificuldades não foi vencida - a mulher cantando.

Lá está ela de boca aberta em atitude lânguida de quem se enternece com a melodia das nossas modinhas - mas não canta, não se sentem as contrações dos músculos que entram no fenômeno da emissão de sons vocais.

No fundo da sala, ocupando quase toda a parede, está o quadro - Tentação de Santo Antônio, de R. Frederico, que se acha em Roma.

Muitas belezas encontram-se nessa tela bem combinada e com os grupos em magnífica disposição; mas o Santo Antônio não responde a tradição e mais se parece com um pandego, disfarçado em frade, do que com o lendário sacro do cristianismo.

Citaremos ainda o quadro de J. Baptista n. 35, um açude em meio de floresta.
Poucas vezes temos visto água assim, dando perfeita idéia do líquido estagnado, dando a gente vontade de apanhá-la.

É um primor de paisagem.

Benjamin Parlagreco ocupa lugar honroso nessa exposição. O seu quadro n. 114, um carro de bois, carregado e exposto ao sol, ao sol dos nossos campos, tudo inundando de luz intensa, tem atrelada a junta do cabeçalho.

São dois animais vivos, perfeitamente destacados, envolvidos em ar, o que é sempre difícil de obter, e desenhados com muita observação.

O dia de hoje não se presta para uma visita com o fim de ver os quadros de modo a tratar deles, inda que em crônica ligeira.

Começaremos, portanto, esse trabalho amanhã.

OSCAR GUANABARINO [1]

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Transcrição de Fabiana Guerra Granjeia

Atualização da grafia por Andrea Garcia Dias da Cruz

GUANABARINO, Oscar. ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 1 set. 1899, p.2.

[1] Nota da transcritora: Este artigo não está assinado, mas é citado posteriormente por Oscar Guanabarino.

GUANABARINO, Oscar. ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 13 set. 1898, p.2.

Exposição

ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES

O pintor brasileiro Aurélio Figueiredo apresenta, na atual exposição, duas paisagens, sob os ns. 31 e 32, Paisagem brasileira e Sol da tarde.

Gostamos mais da segunda, onde se encontra um tom de poesia peculiar às nossas paisagens ao cair da tarde.

Esse quadro merecia no entanto a animação de algumas figuras para acentuar a verdade do quadro.

Outro tanto não diremos da Paisagem brasileira. É certo que na natureza do Brasil tropical há grande abundância de gradações de várias cores, mas a tonalidade geral adotada pelo artista em questão no quadro aludido é falsa, como exagerado é aquele céu, que não é nosso.

O pintor tratou todos os planos desse seu quadro com o mesmo vigor de colorido, de modo que a perspectiva aérea se prejudica.

No primeiro plano as pedras brutas que ali se encontram exigiam, além de uma cor mais verdadeira, muito mais vigor de pincel, de modo a se perceber pelo toque a aspereza daquele terreno.

Esse mesmo defeito notamos no coqueiro que ali está, um dendê pouco mareado e suave demais para a situação do quadro, cujo ambiente é amplo e selvagem.

Pareceu-nos que o artista procurou a nota melodiosa para a sua composição, e é caso de se lhe dizer que ali é preciso menos Bellini e mais Wagner, muito Wagner.

Seguindo o programa estabelecido para estas linhas, encontramos logo depois do Sr. Aurélio Figueiredo o pintor Carlos Balliester, discípulo de Augusto Petit e expositor dos quadros de ns. 33 e 37.

Pelo conjunto dos quadros vê-se ou desconfia-se que se trata de um amador que evita o desenho e que ainda tateia; têm no entanto algumas telas que são muito simpáticas, e neste caso estão a Marinha e Efeito de manhã.

Este segundo é bem arejado e muito agradável.

O quadro intitulado Ao sair da lua é pura fantasia, mas ainda assim mais aceitável do que o de n. 36 - Almirante Barroso ancorado no porto do Rio de Janeiro, o que negamos, pois nada indica que esse navio esteja na nossa baía, com um horizonte de alto mar, que não pode ser o da barra, pois nesse caso lá estariam as montanhas de pedra, que estreitam a passagem das águas do oceano.

A exposição desse amador lucraria com a retirada do quadro em discussão, pintado sem arte, lambido, acanhado e chato. Não parece trabalho do autor das duas marinhas que citamos como boas e aceitáveis.

Quiséramos prosseguir; mas encontramos as notas dos quadros do Sr. Henrique Bernardelli, que expõe nada menos que 23 trabalhos, o que tomaria muito espaço e alongaria demasiadamente esta simples apreciação.

Guardemo-nos para a primeira ocasião.

OSCAR GUANABARINO.

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Transcrição de Fabiana Guerra Granjeia

Atualização da grafia por Andrea Garcia Dias da Cruz

GUANABARINO, Oscar. ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 13 set. 1898, p.2.

GUANABARINO, Oscar. ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 2 set. 1898, p.2.

Inaugurou-se ontem a exposição regulamentar da Escola Nacional de Belas-Artes.

É a quinta festa, a quinta exposição geral, que ali se realiza; e quando menos se esperava, em uma época de verdadeiro desânimo, reuniram-se quadros de alto valor e em quantidade bastante para atestar o amor com que um vasto grupo de artistas se dedica ao trabalho nesse terreno de atividade espiritual e estética.

Os pintores brasileiros, que viam com pesar o frio acolhimento dos seus quadros na sociedade fluminense, esquecida do dever de proteger essas artes com o mesmo entusiasmo com que recebe a música, devem estar animados com os resultados da exposição retrospectiva que anteontem se encerrou naquele mesmo local. Aquele agrupamento de objetos raros e custosos veio demonstrar que existe no Rio de Janeiro uma roda perfeitamente educada que procura a sua convivência com os objetos que receberam a vida dos artistas e que traduzem o sentimento de uma alma pura.

Se a arte estrangeira mereceu dessa roda o apoio que se pode avaliar em soma superior ao capital de alguns bancos, claro está que há um mercado franco para os produtos da arte nacional, dependendo isso, apenas, de uma intervenção inteligente que saiba estabelecer relações entre os artistas e os colecionadores.

A imprensa fluminense é talvez culpada nesse atraso da pintura; os jornais fazem enorme propaganda da música, em todos os seus terrenos, havendo mais críticos musicais do que músicos, deixando-se, entretanto, no olvido as outras artes.

As exposições da Escola de Belas-Artes, no seu princípio, eram escoimadas. Lucrava com isso o agrupamento das telas, evitando-se as botas; mas os recusados adquiriam as simpatias de amigos que os tinham desde então como vítimas de preferências odiosas.

Isso não se deu agora, pois a comissão resolveu aceitar tudo quanto fosse enviado à exposição, deixando ao público visitante e à crítica imparcial o cuidado de fazer a seleção.

É nesse terreno que desejamos entrar, com poucas luzes, é certo, mas com toda a sinceridade, acreditando que benefícios serão os resultados, desde que a crítica seja severa e conscienciosa.

Comecemos pelo expositor, cujo nome se encontra em primeiro lugar no catalogo - Angelo Agostini, que apresentou 10 quadros, alguns dos quais muito bem observados, havendo, porém, desigualdade na coleção.

O n. 10, Tropeiros paulistas , por exemplo, é um primor de técnica, inda que a composição não seja das mais graciosas; mas é bastante o fundo da paisagem, um capoeirão brasileiro, com a verdade que pode ser atestada por todos aqueles que sabem observar a nossa natureza, para que o quadro se imponha imediatamente.

Os tropeiros estão bem estudados e os cavalos são feitos por mão de mestre, movimentados, vivos e nessa confusão natural e comum na vida do campo.

Esse quadro tem alto valor, pois lembra o estilo dos bons mestres, se bem que o autor tenha usado de um artifício para realçar o seu trabalho, e vem a ser o pouco detalhe do terreno do primeiro plano, obrigando o observador a se extasiar com a cena viva dos tropeiros esbatida na floresta de além.

Mas ao lado dessa obra-prima de Angelo Agostini apresenta-se o seu quadro n. 7 - O Dr. Rodrigues Barbosa mostrando aos índios do Amazonas o uso dos fósforos , cujo título, como um programa que é, se desvirtua diante do trabalho.

Quem, longe da exposição, ler no catálogo o título desse quadro, julgará que terá de ver um estudo dos nossos silvícolas, quando apenas encontrará uma fantasia - uma bela floresta com umas figurinhas que tanto podem ser Xavantes como Bororós ou Crichanás, entre os quais está uma figura, que será o Dr. Barbosa Rodrigues, porque lá está o fósforo em combustão; mas desde que se percebe o erro do título fica-se em dúvida sobre a autenticidade da floresta do Amazonas e da piroga.

No mesmo caso está a Caçada de antas, na serra de Teresópolis . Angelo Agostini não é caçador e nunca viu uma anta perseguida pela matilha - verdade é que se o ilustre pintor se perdesse na floresta virgem no momento de ser levantada a fera, com certeza fugia e adeus quadro.

A situação desse quadro é falsa - ou pelo menos pura fantasia do autor.

Outro tanto não acontece com o n. 8 - Pequenos engraxates , quadro interessante e verdadeiro como cena diária.

Lembramo-nos ainda de dois magníficos estudos desse mestre - Marieta e Petite parisiènne , merecendo preferência o segundo, bem expressivo e de efeito.

Perdem-se na exposição, não deixando boa nem má impressão, os três quadros A paraguaia, Carro de bois e Leitura; mas em compensação fica perfeitamente gravada na memória do visitante o n. 4 - Cavalaria brasileira perseguindo paraguaios.

Angelo Agostini desenha bem os seus cavalos e dá-lhes muito movimento, conseguindo vencer enormes dificuldades.

Nesse quadro, de valor histórico, há muito estudo e muita arte na composição dessa brilhante gauchada dos lanceiros, havendo muita harmonia em tudo.

Em resumo - Angelo Agostini é um artista que honra a nossa exposição de Belas-Artes.

OSCAR GUANABARINO

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Transcrição de Fabiana Guerra Granjeia

Atualização da grafia por Andrea Garcia Dias da Cruz

GUANABARINO, Oscar. ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 2 set. 1898, p.2.

GUANABARINO, Oscar. ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 20 set. 1898, p.2.

Exposição

ESCOLA NACIONAL DE BELAS-ARTES

Os trabalhos de Henrique Bernardelli valem, por si só, uma exposição, não tanto pelo valor, como pela quantidade de quadros apresentados, pois ocupam a numeração de 38 a 60, o que prova grande atividade, exercício contínuo e amor à sua profissão artística.

Duas são, portanto, as relatividades que se impõem no estudo da exposição desse talentoso artista - a que se nota em referência à exposição em geral e a que não se evita dentro da sua própria coleção.

Qualquer dos seus trabalhos lhe daria lugar saliente entre os expositores, inda mesmo as pequenas paisagens feitas com rapidez, com aquela febre que se manifesta no artista quando ele quer surpreender um momento da natureza, um efeito passageiro de luz que caprichosamente torna fantástico este ou aquele ponto da paisagem tropical.

Henrique Bernardelli não teve preocupação de produzir quadros para uma exposição pública; deu o que tinha, e isso traz à critica a grande vantagem de conhecer o artista, que sente, em qualquer recanto da natureza, a nota poética da forma agreste e o tom melodioso que se destaca das harmonias do colorido; sente e traduz com a calma do seu temperamento e pinta sempre de acordo com a sua índole artística, sem visar à originalidade que às vezes degenera em maluquices e sem outra filiação de escola que não seja a que lhe é inerente.

A relatividade íntima dos seus quadros é manifesta por isso mesmo, e é assim que, no meio deles, tornam-se indiferentes O Dedo de Deus e o Fundão, que ali figuram modestamente sem que se lhes possa salientar boas nem más qualidades.

Tornam-se interessantes, porém, aqueles que conhecem o artista em questão e apreciam a delicadeza do seu trato, a sua modéstia e ar bondoso, a descoberta de certos movimentos de impaciência de pincel e verdadeiros arrebatamentos seus, prejudicando o quadro da mesma forma pela qual o tempo prejudica, às vezes, a harmonia a que estamos habituados em determinados panoramas. Daí o céu sujo que vemos no Tempo encoberto (60), na Garoa (51) e no Prenúncio de tempestade (54).

Repare-se na coincidência desses defeitos sempre nas perturbações da natureza. Vê-se que há fenômenos que alteram o bom humor do nosso Henrique, revoltoso com os revoltosos e brutal com os selvagens que lhe invadem o teatro de suas contemplações.

O n. 43, Caminho da senzala, é belo como paisagem; mas há um ponto difícil, o negro, dificuldade que foi vencida, mas que deu em resultado ficar o preto como se fosse de pedra; ainda faremos reserva quanto ao Calhambola, belíssimo, mas deixando ver que um outro céu traria mais suavidade ao quadro.

Agrada-nos muito quando esse artista produz no gênero da tela n. 44, Céu em cumulus, quadro excelente, rápido e bem tocado. A mesma impressão deixaram-nos os de ns. 52, Margens do Paraíba; 59, Solidão; 47, Enchente do Paraíba, e 46, Em pleno sol, com um canto por acabar, o que dá pouco vigor aos lírios dos pântanos que ali estão.

É de mestre a aquarela n. 39, Baccho tabaco e Venere, valentemente desenhado com largueza e muita flexibilidade; e o mesmo se dirá da Beata, quadro que achou logo comprador de bom gosto.

Nos retratos, Henrique Bernardelli tem sempre a sua nota artística, quer se trate de um trabalho de tamanho natural, como o do major Suckow, quer no de Mme. M..., de pequenas dimensões.

O autorretrato parece um condenado e dizem que ele assim se pintou para fazer realçar o belo retrato de seu irmão Rodolpho Bernardelli, retrato esse que talvez seja o melhor quadro da exposição.

E efetivamente lá se vê o grande estatuário vivo no seu ateliê e elevado pela idealização de um artista superior que num retrato impõe a figura pela superioridade da arte, deixando o visitante na contemplação de uma obra-prima em que tanto se admira a expressão de um ente vivo como os detalhes de todo o ambiente, a factura larga da roupagem e a quantidade de ar que circunda o vulto distinto do digno diretor da Escola Nacional de Belas-Artes.

OSCAR GUANABARINO.

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Transcrição de Fabiana Guerra Granjeia

Atualização da grafia por Andrea Garcia Dias da Cruz

GUANABARINO, Oscar. ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 20 set. 1898, p.2.

GUANABARINO, Oscar. ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 20 set. 1899, p.2.

Exposição de belas-artes

Voltando ao assunto que se prende ao título destas linhas, falaremos de dois trabalhos do Sr. Rodolpho Amoedo, vice-diretor da Escola Nacional de Belas-Artes.

Expõe pouca coisa, mas é preciso levar em linha de conta os seus trabalhos executados no Cassino Fluminense, em que o ilustre professor empregou muito tempo para bem poder imprimir um cunho artístico à ornamentação decorativa daquele edifício.

Os dois quadros expostos são - Um retrato e Festão de magnólias, sob os ns. 15 e 16, ambos pintados pelo processo denominado tempera envernizada, em que a tinta em pó é umectada com a gema e clara d'ovo, recebendo o quadro, depois de terminado, uma camada de verniz que vai fixar duradouramente todas as cores empregadas.

No Retrato há uns artifícios ou, antes, umas certas manhas de artista, como seja a ornamentação do quadro, sobre tudo no panejamento ao fundo, preparado não só para dar mais efeito ao trabalho como também para evitar dificuldades de relevo; mas apesar disso existem ali boas qualidades, sobressaindo o desenho que é franco e faz perdoar o estardalhaço de cores vivas habilmente escolhidas, além de todos os acessórios que se encontram à esquerda, acessórios esses em que o pintor se deleitou em reproduzir todas as minuciosidades aos objetos que ali se encontram.

Agradou-nos, sem reservas, o Festão de magnólias, em que a cor é exatamente a da natureza.

Sente-se nesse trabalho do Sr. Rodolpho Amoedo a espessura das folhas, a dureza do seu tecido, a parte aveludada e a lustrosa, além da transparência das flores.

Augusto Petit, que todos nós conhecemos, depois de haver explorado durante muitos anos a rendosa indústria de retratista, que lhe forneceu meios de educar suas filhas, que são hoje artistas de merecimento, conforme temos noticiado nestas colunas, transcrevendo por vezes os seus triunfos em Paris; Augusto Petit, dizíamos, tem se dedicado ultimamente à arte, tanto que no ano passado ocupou lugar saliente na exposição anual de belas-artes.

As suas frutas são realmente bem estudadas, e algumas chegam a uma perfeição tal que iludem, como acontece com uma laranja que se acha na divisão da sala.

Muito lucrariam os seus trabalhos nesse gênero, se, em vez de pintados no ateliê, o fossem ao ar livre, à luz franca do sol.

Afastando-se dos seus processos antigos, apresenta ainda um bom retrato de Mlle. M. G.; mas o seu melhor trabalho, ainda que um pouco carregado no tom, é o quadro intitulado Um apreciador (n. 131), estudo bem tratado, largo, tocado sem preocupação e de bom efeito.

Progride; e esse é o dever do artista.

OSCAR GUANABARINO.

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Transcrição de Fabiana Guerra Granjeia

Atualização da grafia por Andrea Garcia Dias da Cruz

GUANABARINO, Oscar. ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 20 set. 1899, p.2.

GUANABARINO, Oscar. ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 24 set. 1898, p.2.

Exposição

ESCOLA NACIONAL DE BELAS-ARTES

Dentre os sete quadros expostos por Felix Bernardelli, o talentoso moço que atualmente se acha no México, só um, o de n. 67, deixa de agradar imediatamente.

Nesses quadros, assinados Lix Bernardelli, não só se apreciam as qualidades técnicas do pintor, sempre minucioso no desenho, bem detalhado e colorido simpaticamente, como também o assunto, não vulgar e procurado.

Há pintores que, por mero passatempo, fazem uns exercícios reproduzindo telhados velhos, paredes de fundo de quintais, casas partidas ao meio e outras esquisitices, e que expõem essas coisas em que a arte foi excluída por um realismo impossível e mesmo inadmissível. Nem tudo quanto é verdadeiro e existente na natureza merece atenção do artista, que no seu trabalho tem de dar a parte mais nobre da sua alma - o sentimento artístico, a idealização de um fato.

Saber pintar é uma questão técnica; o resto depende da educação do artista, e este o que deve procurar, quando se apresenta em público, é justamente o seu modo de interpretar e de exprimir.

Felix Bernardelli, entretanto, peca às vezes, justamente por não ligar grande importância à técnica, procurando apenas a cena que o impressionou, como bem se depreende ao examinar atentamente o quadro n. 61 - A cancela do sitio, em que há tão pouca tinta que se chega a ver a tela; mas o efeito desejado, esse não lhe escapou.

Ao vermos o n. 62, Águas mortas, anotamos o catálogo com o adjetivo - belo, e cremos que isso acontecerá à maioria dos visitantes daquela exposição.

São muito apreciáveis as suas qualidades de paisagista, como na Rua principal do povoado, com um punga cansado, e no Lago da Chapada.

Trouxemos magnífica impressão do quadro O filho de meu filho, uma cena encantadora, bem disposta e digna de um artista.

Depois de Felix Bernardelli é difícil tratar do Sr. Bolato, com 16 quadros expostos.

Pode-se dar parabéns ao pintor pela quantidade exibida; mas quanto ao valor, é muito pouco, basta dizer que em tão grande coleção só nos satisfez o de n. 68 - A casa do cão. Os outros, ou são sujos com emplastro verde (Morro da Providência), ou feios (Cancela), ou pálidos (Frutas), ou mau assunto (Quintal), ou pouco observados (Rancho), ou de cor falsa (Tronco de jaqueira).

Mas se há ali um quadrinho bom, por que não virão outros?

O remédio será pintar menos, procurando produzir melhor.

Deixamos de citar outros quadros deste pintor, mas assim tem acontecido com outros, e para não irmos muito longe basta lembrar que, tratando da exposição de Henrique Bernardelli, não mencionamos o seu Estudo (n. 49), um cavalo e um asno de escorço.

Dizem que aquilo é uma alusão, mas não atinamos com ela. O quadrinho deixa a impressão de uma anca de cavalo e uma cabeça de asno. No entanto talvez fosse clara se lá estivesse, em vez disso, uma corcova de camelo e uma cabeça de asno.

E basta por hoje, ficando para o próximo artigo o pintor Brocos.

OSCAR GUANABARINO.

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Transcrição de Fabiana Guerra Granjeia

Atualização da grafia por Andrea Garcia Dias da Cruz

GUANABARINO, Oscar. ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 24 set. 1898, p.2.

GUANABARINO, Oscar. ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 3 set. 1899, p.2.

ARTES E ARTISTAS

Exposição de belas-artes

Quando, a propósito da visita prévia da exposição geral de belas-artes, escrevemos algumas linhas citando os quadros que nos tinham impressionado mais, deixamos de citar os seus títulos por não termos o catálogo, só distribuído no dia da inauguração do certame.

Convém, portanto, citar ainda uma vez o nome do pintor paulista Almeida Junior, que se recomenda não só pelos quadros que tiveram referências nestas colunas, mas ainda pelos estudos ns. 5 e 6, duas belas cabeças pintadas com largueza e independência.

A Estrada apresenta notável contraste com o quadro n. 11 - Pic-nic: quando tem aquele de natural, espontâneo e verdadeiro, tem este de convencional, rebuscado e falso. Dir-se-ia uma tela feita de encomenda, a gosto do freguês. Esse pecado do simpático e fértil artista é resgatado pelo Importuno, uma sessão de modelo vivo interrompida, quadro bem observado e dotado de movimento.

Vem a propósito os dois quadros ns. 21 e 22, de D. M. E. Arruda, discípula do digno artista cujo nome acabamos de citar.

O Toucador servido tem coisas muito bem feitas, está bem combinado e deixa ver que ali não andou o dedo do mestre, que se tal houvesse acontecido, com certeza teria desaparecido o defeito flagrante de perspectiva nas linhas da taboa mais alta do traste, borda do mármore e quinas vivas das gavetas, linhas essas que não se dirigem todas para o mesmo ponto, dando, por isso, a sensação de um objeto torto.

Seguindo a numeração do catálogo encontramos sete trabalhos do pintor nacional Aurélio de Figueiredo, dos quais apenas nos agradaram a Tarde serena e Paisagem mineira.

O de n. 35, Ilha Fiscal é falso, não só na cor como em todo o fundo; abreviaremos a crítica apontando o seguinte defeito. A vista é tomada da Praça das Marinhas, nesta capital. A ilha fica, portanto, a 4 quilômetros da Armação, em Niterói, e no entanto parece que essa distância não existe senão na boa vontade do artista. É que o fundo está detalhado de mais, muito cheio e de colorido muito carregado. A correção é fácil: - velar o fundo e obter assim a distância que efetivamente existe.

No dia da inauguração daquela festa artística falou-se muito da Rapsódia das ondas, quadro do autor em discussão.

É uma tela agradável, sem dúvida, mais chique do que verdadeira e um tanto dura nas ondas que se quebram; mas os pontos bons do quadro desaparecem desde que se consulta a lista de preços que acompanha o catálogo, onde esse quadro está marcado por 5:000$, a maior cifra que ali se acha estampada.

Analisando o trabalho de acordo com a exigência pecuniária do autor acentua-se a falta de modéstia do pintor, e lembra uma anedota talvez não conhecida e que tem aplicação ao caso.

Um caipira contemplava a exposição de chapéus de senhora, em uma vitrine de casa bem conhecida no Rio de Janeiro. O proprietário do estabelecimento quis divertir-se à custa do pobre homem fazendo ao mesmo tempo uma tentativa de negócio.

Entabulada a conversação o caipira foi forçado a entrar na referida casa de modas e no fim de poucos instantes estava ele em frente ao grande espelho e com um belo chapéu na cabeça.

Bem que percebeu o roceiro a figura ridícula do seu traje encimado por aquele objeto de faceirice. Mas não deu o braço a torcer; mirou-se, confessou que o chapéu era muito bonito e que iria muito bem na cabeça de nhã Chica, sua mulher.

- E por que não o compra? perguntou o dono da casa.

- Quanto custa?

- Noventa mil réis e não é caro.

O caipira tirou lentamente o chapéu da cabeça, mirou-o de novo, por dentro e por fora, tocou em todas as fitas, nas flores e nas plumas e por fim disse:

- Não é feio, não; mas faltam aqui, aos lados, dois buracos...

- Dois buracos? E para que isso?

- Para meter as orelhas do burro que der 90$ por isto!

É o caso dos 5:000$ pelo quadrinho Rapsódia das ondas. É muito bonito: mas faltam-lhe os buracos.

OSCAR GUANABARINO.

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Transcrição de Fabiana Guerra Granjeia

Atualização da grafia por Andrea Garcia Dias da Cruz

GUANABARINO, Oscar. ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 3 set. 1899, p.2.

GUANABARINO, Oscar. ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 4 set. 1898, p.2.

Exposição

ESCOLA NACIONAL DE BELAS-ARTES

Seguindo a ordem do catálogo da exposição geral de belas-artes, encontramos, depois do nome do artista Angelo Agostini, o de D. Alina Teixeira, que expõe cinco quadros, com os respectivos preços marcados em lista especial, o que prova estarmos em presença de uma pintora profissional.

Vê-se que a autora dos quadros expostos avalia os seus trabalhos com mais desembaraço do que pinta: 500$ pela Avozinha, 350$ pelo Flamboaiãs em flor e 400$ por qualquer dos intitulados Inverno ou Ponteando meias - o que nos parece excessivo, e isso porque a Avozinha é um quadro feio, inda que desenhado com certo cuidado.

Os velhos e velhas são, não o negamos, bons estudos - mas como assunto só é arte nas mãos hábeis de artistas amestrados, capazes de dar a sua individualidade a uma tela; no Flamboaiãs em flor há falta de perspectiva e uma pilastra fora do prumo; o Ponteando meias, uma velha que examina a linha com que cose - é uma figura parada, e finalmente o que se intitula Lendo, é acanhado. Essa coleção lucraria muito, apresentada como trabalhos de amadora, sem preços no catálogo, pois chamaria sobre si as indulgências da crítica e dos pretendentes.

Encontra-se, depois desse nome, o do pintor paulista Almeida Junior, que expõe seis quadros, entre os quais a Partida da monção (n. 20) com a seguinte legenda no catálogo:

"Os antigos paulistas assim denominaram (partida da monção) a caravana que saía do Porto Feliz, descendo o Tietê, para Cuiabá. As de que se trata eram organizadas simplesmente por destemidos e ousados sertanejos, que, inspirados pelo amor do desconhecido, descoberta de minas e civilização dos bugres, em toscos batelões cobertos de palha e simples canoas, partiam conscientes de que iam arrostar com sacrifícios inauditos toda a sorte de aventuras, constituindo-se por isso uma tradição. O quadro exposto representa a partida desses heróis que, depois da missa na igreja de Nossa Senhora da Mãe dos Homens, acompanhados do padre, capitão-mor e povo, embarcavam-se, no Porto Geral, recebendo a solene benção da partida."

A grande dimensão do quadro do pintor paulista devia trazer-lhe, como realmente se deu, uma série de dificuldades que nem sempre foram vencidas.

Artista inteligente, conseguiu muitas figuras que se tornam notáveis no seu quadro; o agrupamento é harmonioso, no meio daquela porção de gente, e o efeito da garoa bem apanhado - mas entre muitas belezas nota-se, em primeiro lugar, o tom de esboço na grande tela, além de muitas figuras que não foram estudadas com modelo vivo, servindo para isso o manequim, que dá durezas insuportáveis e às vezes impossíveis!

Veja-se, por exemplo, o negro que no primeiro plano procura carregar uma canastra, que evidentemente está vazia, e indague-se se aquela é a posição que tomaria um homem em tal mister.

Não queremos entrar em pequenas minuciosidades, tais como o enorme chapéu do capitão-mor, capaz de abrigar uma família inteira, ou o padre, em praça pública, sem o solidéu - são coisas que passam, inda que se tornem essenciais em quadro histórico - mas há figuras que se destacam e que não estão convenientemente dispostas.

A proa de uma das canoas, prontas a partir e em plano saliente, há, por exemplo, um sertanejo que procura avançar a sua embarcação espiada sobre uma estaca. Achando-se a canoa em um remanso, bastava pequena tensão da retenida para o deslocamento do corpo flutuante, e no entanto lá se vê um sujeito em posição de quem procura, com o laço, estacar um animal em disparada. A posição é a mesma - escorado.

Quem ignorar o nome do autor desse quadro, dificilmente descobrirá nele o pintor do Negaceando. É que o artista, além de querer contrariar o seu estilo, não tem, em S. Paulo, elementos para dar execução a um quadro daquela ordem.

São boas as suas duas telas Velha beata e Cabeça de estudo; o Futuro artista é bem desenhado e forma um quadrinho simpático, mas nenhuma impressão trouxemos das Lavadeiras.
Restam dois quadros: Água represada e S. Jerônimo (esboceto); no primeiro há o defeito de estar deserta a paisagem, quando ali tudo se animaria com uma lavadeira e alguns animais; no segundo, apesar de esboceto, exposto por 400$, erro de título - aquilo não é S. Jerônimo, e muito lucraria o quadro, se no catálogo se lesse - Velho maluco querendo apanhar uma mosca pousada no alfarrábio.

Porque, evidentemente, o suposto S. Jerônimo vai-se levantando cautelosamente de mão pronta, e a gente percebe-lhe a intenção...

Só falta a mosca.

OSCAR GUANABARINO

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Transcrição de Fabiana Guerra Granjeia

Atualização da grafia por Andrea Garcia Dias da Cruz

GUANABARINO, Oscar. ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 4 set. 1898, p.2.

GUANABARINO, Oscar. ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 8 set. 1898, p.2.

Exposição

ESCOLA NACIONAL DE BELAS-ARTES

Seguindo sempre a ordem do catálogo, teremos hoje, em primeiro lugar, os três quadros do Sr. Rodolpho Amoedo, cujo talento se atesta com muitos trabalhos de valor que esse artista tem exposto.

Trata-se de um pintor que parece desconfiado de si mesmo e anda em busca de qualquer coisa que nos seus quadros revele uma qualidade sua, exclusivamente sua, e daí a contínua preocupação de procurar efeitos esquisitos, verdadeiras ginásticas entre as cores, sendo, ao que parece, fito seu vencer as dificuldades que ele próprio estabelece, de modo que há uma espécie de sacrifício da idéia à virtuosidade do pintor.

O resultado dessa preocupação é contrário as leis estéticas, e a prova é que o observador, diante de um desses quadros do Sr. Amoedo, deixa de se extasiar em presença de um produto de sua atividade artística para admirar a habilidade com que resolveu o problema que ele próprio lançou no arranjo do ambiente em que colocou o seu modelo e nas roupagens deste.

Há, porém, nos quadros deste artista muita suavidade, um tom geral de simpatia e muita variedade.

A Faceirinha está neste caso. Pertence ao Sr. João Ribeiro, que o obteve em um concurso literário com o seu conto em prosa S. Bohemundo, e é uma tela delicadíssima, pintada ao ar livre com bons resultados.

Com o título Fim da intriga, apresenta o Sr. Amoedo um quadro, em que um dominó amarelo desafivela a máscara e deixa ver a metade do rosto.

A dificuldade foi habilmente vencida e a intriga dá-se, porque o desejo da gente é puxar a máscara e ver por completo a boca do modelo, uma morena de olhos brejeiros.

O retrato do pintor Aurélio de Figueiredo é uma judiaria do digno subdiretor da Escola Nacional de Belas-Artes. Tudo ali é bem feito, bem desenhado, bem disposto e bem pintado - mas a cor do artista retratado é exatamente a da laranja da China. Disseram-nos que havia nisso um epigrama malicioso do Sr. Amoedo, que não é novo entre colegas que pintam.

Deixemos, porém, o ilustre artista, que daria para muitas páginas de apreciação, e passemos ao expositor, cujos quadros receberam os ns. de 26 a 30 - o Sr. Armando Affonso de Azevedo Mendonça, mineiro e residente em Ouro Preto.

Ninguém, parece-nos, chegará a compreender os trabalhos deste senhor; e ao vermos o seu Crepúsculo, chegamos a pensar que se tratasse de um homem infelicitado pela falta de juízo; mas não - é sistema seu.

O quadro aludido pode ser feito com duas panelas de tinta e duas brochas. Dá-se o vermelhão da China e por cima o verde-negro, fingindo árvores de papelão recortado.

Os pintores, às vezes, quando são interpelados a respeito da inverdade dos seus coloridos, impossíveis e exageradíssimos, respondem: - Eu vejo assim e assim pinto.

Não é exato.

Pode ser que a sensação de cor varie conforme o indivíduo; mas se o pintor em questão vê a natureza de um modo diverso, claro está que, pintando tal como sente, deve-nos dar um quadro em que o efeito seja, para nós, igual ou idêntico ao que vemos na natureza. Ou então temos uma aberração, isto é, um indivíduo que sente o colorido natural de modo diverso à sensação que recebe quando esse colorido se traduz na tela.

Se existe esse defeito, tais indivíduos, privados da perfeição do sentido visual, não são aptos para a arte da pintura, como não o são os cegos.

As árvores de papelão deste autor se reproduzem no quadro - Tarde, com as mesmas durezas da Tarde de verão, este com umas nuvens impossíveis, como as que vemos na Tarde depois da chuva.

Dos cinco quadros apresentados por este autor, em que o de n. 29 é oferecido aos amadores por um conto de réis (1:000$), não há nenhum que se aproveite ...

Ou tudo aquilo, quem sabe, será troça?

Talvez - pelo menos parece.

OSCAR GUANABARINO

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Transcrição de Fabiana Guerra Granjeia

Atualização da grafia por Andrea Garcia Dias da Cruz

GUANABARINO, Oscar. ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 8 set. 1898, p.2.

GUANABARINO, Oscar. ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 9 set. 1899, p.2.

Exposição de Belas-Artes

Quando apareceu pela última vez, nestas colunas, o mesmo título destas linhas, foi para acolher uma carta do pintor Aurélio de Figueiredo, a quem torturamos, por espaço de três dias, deixando-o à espera da nossa resposta.

Mas o artista queixou-se da nossa perseguição e quisermos demonstrar-lhe que eram infundadas as suas suspeitas; por isso concordamos na inserção da sua carta, pois nela, e pela primeira vez, revelou o seu autor talento para alguma coisa.

O Sr. Aurélio de Figueiredo em toda a sua vida artística não produziu, na nossa humilde opinião, um único quadro de merecimento, mas provou que sabe escrever uma diatribe; é mestre e nesse gênero pode se gabar que produziu uma obra prima, a qual demos o nosso próprio espaço.

Perverso seríamos se nos opuséssemos à manifestação do seu talento, trancando lugar à carta. De agora em diante, porém, desaparece a nossa piedade pelo pobre autor da Francesca de Rimini visitando o túmulo do pai (?) quadro que, se não é a mais notável produção da arte nacional, é, pelo menos, a mais das botas (gíria de pintores) que tem aparecido em exposições.

Já agora vale a pena ser amigo do pintor que, apesar do talento para esvurmar doestos, ignora que ninguém se arvora em crítico, pois é crítico toda a gente.

Quem olha para um quadro e diz - gosto ou não gosto - exerce a crítica. Terá ou não meios de dar as razões da sua impressão; conhecerá ou não os defeitos ou as boas qualidades do quadro, saberá ou não discutir essas qualidades; disporá ou não de um jornal para publicar as suas opiniões; mas a crítica foi feita e não é condição indispensável ser profissional para exercer essa missão.

Se não entramos, às vezes, em detalhes, a propósito dos quadros de que damos notícia, fazemo-lo assim para evitar a sensaboria da análise; mas já que o Sr. Aurélio de Figueiredo o quer, em lugar das anedotas, saiba que o seu quadro está errado: o mar, da Rapsódia das ondas, é mar de ateliê, falso, de algodão, de palha, de tudo quanto quiserem - menos d'água.

Os pássaros que lá estão, ninguém os conhecem - são imaginados pelo pintor - aves marinhas com bicos de pombos e por aí além.

Sabem todos que um objeto branco colocado entre a objetiva de uma máquina fotográfica e a luz intensa, como a do sol, torna-se escuro, pois a parte clara, o lado iluminado é o oposto - o que não é visto; mas o Sr. Aurélio tem dois sóis no seu quadro: um, no fundo da tela, no oriente, e outro, que são os seus belos olhos meridionais.

A figura do Orfeu não é má; mas já vimos em outra exposição um quadro do Sr. Aurélio copiado de cromos de caixinhas de lenços, e daí a nossa dúvida se será dele ou não o inquinado Orfeu.

A nossa perversidade nos diz que aquilo é copiado de uma estampa qualquer, e isso porque, evidentemente, o pintor daquela figura não é o mesmo desenhista da - Doce perfume.

O maior defeito do pintor em questão é não saber desenhar, defeito que se estende aos seus discípulos, como, alias, é natural.

Vêm a propósito os quadrinhos de D. Alina Teixeira, que estuda com o rapsodista.

A tela n. 1 - Flores, além de mal combinada, tem uns ratinhos com orelhas de lebre, mas não se atina se esses bichinhos são de louça ou se procuram reproduzir os daninhos roedores chamados camundongos.

O n. 2 é intitulado Parasita; mas na atualidade o artista não tem o direito de ser ignorante. A arte exige conhecimento variadíssimo e o mestre consentiu que sua discípula desse à bela flor de uma orquídea o nome de parasita!

A parasita que dá flor capaz de ser reproduzida na pintura é a erva de passarinho.

Na Praia do Flamengo a cor é suja, defeito proveniente de má organização da palheta e falta de conhecimento da combinação das cores, de modo que aquilo vem a ser conseqüência de tentativas.

No Cismando, n. 4, a perspectiva está errada - tudo torto.

Além disso o título do quadro nada exprime, a menos que a figura que lá se vê esteja cismando se deve ou não lavar o rosto, empastado de carvão ou fuligem.

Melhor seria que o mestre indicasse á aluna o professor Treidler, que tem naquela exposição o atestado de sua competência nos quadros das discípulas que apresenta: DD. Anna [Anna da Cunha Vasco] e Maria da Cunha Vasco, a primeira com seis aquarelas, de ns. 47 a 52, e a segunda, com cinco, de ns. 53 a 57.

Nota-se-lhes talvez um pouco de frieza no colorido, mas há desenho, vida, animação e verdade.

Os de ns. 50 e 56 - Troncos de mangueiras, são dois trabalhos que honram o talento da mulher brasileira.

OSCAR GUANABARINO.

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Transcrição de Fabiana Guerra Granjeia

Atualização da grafia por Andrea Garcia Dias da Cruz

GUANABARINO, Oscar. ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 9 set. 1899, p.2.

Guido Reni
GUIDO RENI. IMPRESSÕES DO "SALÃO". A Noticia, Rio de Janeiro, 11-12 out. 1904, p. 2.

Ontem percorriam o "Salão" várias senhoras. Tem havido ali grande animação desde que se espalhou a notícia de que o "Salão" é o ponto de reunião da nossa sociedade elegante, e duas senhoras, com os seus grandes chapéus rendados, as luvas envolvendo as suas finas mãos, um sutil aroma de flores fidalgas evolando-se em volta como uma exaltação de vergéis, viam, observavam, perscrutavam os quadros, as paredes, o teto, o soalho e os outros visitantes. Os seus olhos não paravam: eram, mal comparando, duas bolinhas de azougue rolando, e eu vi os de uma vez, que entraram a espiar por trás dos quadros. Intrigou-me seriamente o caso e acompanhei-as, disfarçando quanto possível a minha curiosidade. Isso aliás não era preciso, porque elas não ocultavam a sua inspeção, antes pareciam interessadas em que todos as vissem assim investigadoras, naturalmente desejosas de que alguém as auxiliasse a encontrar o que procuravam.

Lembrou-me que teriam perdido a bolsa, um anel, um brinco, ou mesmo uma liga preciosa. Honni soil que mal y pense. E aproximei-me.

- Viste bem, ali, Mariquinhas? dizia uma, apontando um canto da galeria onde um grande quadro fazia uma grande sombra e um grande mistério.

- Não, ali não pode estar. Leonor disse a Mariquinhas, já suando de procurar.

- Pois, então, minha cara, digo-te que não encontramos.

Condoído das duas senhoras, fiz uma mensura tímida e perguntei-lhes se tinham acaso perdido alguma coisa.

Elas tiveram nos rostos belíssimos e suados uma profunda expressão de alívio.

- Ah! é o senhor que nos vai salvar desta angústia.

- Às ordens de VV. EEx., disse eu, já aflito também.

- Não lhe vamos pedir nenhum impossível, nenhuma coisa do outro mundo; mas, enfim, queremos merecer da sua bondade uma graça que nos é difícil obter.

- Tudo o que estiver ao meu alcance, minhas senhoras.

- O senhor vê aqueles quadros que ali estão com os números 11, 12 e 13 e que no catálogo têm respectivamente os títulos de Aterro de praia do Russel, Caminho da Igreja e Pedreira do morro da Viúva?

- Sim, estou vendo, por sinal que são bonitos, dão bem ideia do aterro, da igreja e da Viúva.

- É exatamente a nossa opinião, ou antes não chega ainda a ser toda a nossa opinião, porque nós os achamos superiores, tanto o caminho, como o morro, como o Russel. Mas enfim estamos de acordo, nós e o senhor, em que essas telas são boas.

- Perfeitamente, até as molduras, se é que a admiração de VV. EEx. quer ir também às molduras.

- O cavalheiro é extremamente amável.

- Em arte concordo sempre com as senhoras.

- E por ser amável é que lhe pedimos um favor precioso.

- Digam VV. EEx.

- Queríamos conhecer o autor desses quadros.

- VV. EEx. Pretendem então comprá-los?

Elas tiveram uma confusão ligeira.

- É muito simples...

- Não é bem isso.

É possível que ainda venhamos a adquiri-los. O senhor compreende, essas aquisições não se fazem assim no ar, sem muita reflexão, sem muito pensar. Não acha?

- Em arte sou da opinião de VV. EEx.

- O caso é que sem pretendermos comprá-los, estamos entusiasmadíssimas com essas pinturas e queríamos testemunhar ao autor esta nossa admiração.

Disseram-nos lá fora que ele se achava aqui; mas há duas horas que o procuramos e não o vemos.

- Talvez tenha saído.

- Não saiu. Asseguraram-nos que tinha subido, e vindo para esta galeria.

- O caso é realmente estranho e eu confesso a VV. EEx. a minha perplexidade. Por onde teria ele saído?

- Mas não saiu, asseguro-lhe; disseram-nos que estava aqui, deve, portanto aqui estar.

- É evidente e irrefragável; mas ninguém o vê.

- E nós já estamos exaustas de o procurar.

- Queiram VV. EEX. sentar-se enquanto eu o procuro.

Então, com uma minuciosidade espantosa, entrei a espiar pelas frinchas das portas, pelos cantos da galeria, por baixo das cadeiras, por traz dos quadros, durante uma hora, um século ansioso e desesperado, e ao cabo só tive esta frase desoladora:

- Pois, minhas senhoras, o nosso artista é positivamente invisível, seria mil vezes mais fácil encontrar uma formiga que vê-lo a olhos nus.

As senhoras tiveram quase um pranto. Reprimiram-no porém. Diante dos quadros era uma incivilidade chorar. Ergueram-se, ajeitaram as rendas dos chapéus, repuxaram a pelica das luvas, soltaram um suspiro e arrepanhando os vestidos, saudaram-me com um sentido reconhecimento e dirigiram-se para a porta. De repente soltaram ambas dois gritinhos de uma alegria profunda. Aqueles gritos vinham da alma, do coração.

Diante delas o professor Bernardelli, com o ar trinfante de um pescador de pérolas, trazia nos braços, amuado e modesto, o louro autor dos quadros por mim e pelas senhoras tão ansiosamente procurado. Ali mesmo, ao colo do eminente diretor da Escola, o distinto pintor recebeu as homenagens de três almas fatigadas de o admirarem e procurarem. Mas ao menos eu e as senhoras aliviávamos o peito dessa torturante emoção. - Guido Reni.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

GUIDO RENI. IMPRESSÕES DO "SALÃO". A Noticia, Rio de Janeiro, 11-12 out. 1904, p. 2.

Guignard
Guilherme Gonçalves dos Santos
Guilherme Schleinstein
Guillaume Alaux
Gunnar Hammerich
Gurgel
Gustav Brock
Gustave Brisgand
Gustave Debrie
Gustave Gagliardini
Gustavo Dall'Ara
Gustavo Rheigantz
H. Darier
H. Gonot
Hans Paap
Haydéa Lopes Santiago
Hedwiges Witte
Heinrich Graf
Heitor Costa
Heitor de Cordoville
Heitor de Pinho
Heitor Malagutti
Heitor Mello
Helena A. Lins de Almeida
Helena Frontin Hess
Helena Pereira da Silva
Helena Pires de Oliveira
Helena R. Meira
Helena Vaz Pereira de Viveiros
Helene Marre
Helio Duarte
Helios Seelinger
Henri Bouvet
Henrique Baiana
Henrique Bernardelli
Henrique Cavalleiro
Henrique J. L. de Almeida
Henrique José da Silva
Henrique Manzo
Henrique Tribolet
Henrique Vio
Henry Walder
Heraclito Ribeiro dos Santos
Heribert Niaud
Hermelinda Cunha Repetto
Herminio José Pereira
Hermogenes Marques
Hernani de Irajá
Hilarião Teixeira
Hilda Eisenlohr
Hilda Soares Torres
Hildegardo Leão Velloso
Homero Silva
Honorio da Cunha Mello
Honorio Esteves
Honorio Peçanha
Hugo Falbo
Humberto Cavina
Humberto Cozzo
Hyppolite Lucas
Ignes Delminda Sampaio
Ignez Corrêa da Costa

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Expositores
Ignez Sampaio
Ildefonso Agostinho Torres
Illustração Brasileira
INAUGURA-SE amanhã a XXVII Exposição Geral de Belas Artes. NOTAS DO "VERNISSAGE". A Noite, Rio de Janeiro, 11 ago. 1920, p.2.

Atravessamos hoje rapidamente os salões de pintura da Escola de Belas Artes, no "vernissage", da XXVII exposição geral. Vimos cerca de cem telas, quase todas de relance, e número bem maior de certo viram as pessoas que lá estiveram a admirar tudo, com menor pressa.

A confusão de um dia de "vernissage" não poderia permitir já hoje nos manifestássemos sobre os principais trabalhos de modo menos breve, razão que nos leva a fazer apenas um simples registro de algumas telas e de nomes, quase todos sobejamente conhecidos do publico, como o do professor Amoedo, que nos apresentou, além de um pequeno "Chá das 5 horas", um retrato de Mlle. XXX, que é precisamente o que reproduz a nossa gravura [Imagem] ao lado de um outro [Imagem], devido ao pincel de Lucilio de Albuquerque, o do professor Baptista da Costa, que firma uma paisagem da Lagoa Rodrigo de Fraitas, coroada de luz da tarde, os de Arthur Timotheo e Timótheo da Costa [João Thimotheo da Costa], que este se distinguiu no "Auscultando" e aquele no retrato de Mlle. Avelino Mesquita. O Sr. Pedro Bruno, prêmio de viagem à Europa, apresentou uma visão de outono e uma pintora americana, Miss Cecil Clark Davis, expôs dois retratos que atraiam a atenção de muitas pessoas. O Sr. Rodolpho Chambelland exibiu um retrato de O. M., que agradava bastante. D. Georgina de Albuquerque expôs umas telas luminosas, como "Meiguice" e "Manhã de sol", e o Sr. Hermogenes Marques ofereceu-nos quadros de guerra. Uma tela de bastante significação local é a do Sr. Latour, representando um dia de audiência na Prefeitura. Do Sr. Francisco Manna apareceram dois trabalhos, que podem ser assinalados: "Ócio de estudante" e "Recanto iluminado". D. Regina Veiga lá estava a dar retoques finais na orla de filó da saia de uma moça que se retratou com bastante finura de pincel. O Sr. Petit deu-nos uma figura muito animada de "Primavera" e grandes telas expôs o Sr. Seelinger, entre as quais impressiona a "Nossa esquadra na guerra", de muita impressão patriótica.

E muitos outros nomes e trabalhos poderíamos citar se não fosse a angústia de tempo e se de todos não pudesse o público fazer melhor ideia depois da inauguração oficial, que se realiza amanhã.

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Imagens

Retrato de Mlle. XXX, por Rodolpho Amoedo

Retrato de Georgina de Albuquerque, por Lucilio de Albuquerque

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

INAUGURA-SE amanhã a XXVII Exposição Geral de Belas Artes. NOTAS DO "VERNISSAGE". A Noite, Rio de Janeiro, 11 ago. 1920, p.2.

INAUGUROU-SE O "SALÃO" DO ANO - Uma impressão de visita. O Globo, Rio de Janeiro, 12 ago. 1926, p. 3.

Uma impressão de visita

Com a presença do representante do presidente da República, do ministro do Interior e de outras autoridades, inaugurou-se hoje o "Salão" de 1926, que será de amanhã em diante franqueado ao público. A concorrência de convidados foi extraordinária, notando-se grande número de senhoras. As salas de escultura, arquitetura, pintura e artes aplicadas estavam repletas. As pessoas que viam o "Salão" pela primeira vez demoraram-se longamente, pois a quantidade de telas e outros trabalhos, distribuídos por quatro salas e duas extensas galerias, é excepcional. A animação foi sempre grande, estando presentes o diretor da Escola de Belas Artes e muitos professores.

No saguão tocou uma banda militar durante o ato. Até a última hora a afluência ainda era considerável. Do "Salão" e dos aspectos desse primeiro dia de entusiasmo real foram tiradas diversas fotografias.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

INAUGUROU-SE O "SALÃO" DO ANO - Uma impressão de visita. O Globo, Rio de Janeiro, 12 ago. 1926, p. 3.

INCIDENTE NA EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - UM ALUNO DE BELAS ARTES PROIBIDO DE ENTRAR NO "SALÃO". O Jornal, Rio de Janeiro, 17 ago. 1924, p.3.

Na porta de acesso ao salão da atual Exposição geral de Belas Artes foi afixado um aviso proibindo a entrada ali, do aluno da primeira série do curso geral da Escola de Belas Artes, Stellio Alves de Souza.

Essa providência foi determinada pela atitude menos respeitosa do aludido aluno para com trabalhos expostos. Entre outras pilherias de mau gosto, teve a de colocar o seu quepe, pois achava-se fardado, na cabeça do busto do sr. ministro da Guerra.

Irritado com tais atitudes, incompatíveis com aquele recinto, um expositor admoestou-se.

O aluno Stellio Alves de Souza exaltou-se, passando os contendores da discussão à vias de fato.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

INCIDENTE NA EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - UM ALUNO DE BELAS ARTES PROIBIDO DE ENTRAR NO "SALÃO". O Jornal, Rio de Janeiro, 17 ago. 1924, p.3.

Ines Maria Luisa Corrêa da Costa
Iracema Dutra
Iracema Orosco Freire
Irene de Andrade Ribeiro
Irene Ribeiro França
Isolina Machado
Izabel Hislop
Izaura Pereira de Andrade
J.
J. Arthur
J. B.
J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 13-13 out. 1894, p. 2.

D. Diana Cid. - A poesia chegou aos decadistas, a pintura chegou ao simbolismo místico. Movimentos que se acompanham e que se desenrolam dentro de um plano único, a poesia e a pintura derivaram a esta arte de mistério e de dúvida em que a banalidade tanta vez sobrepuja o talento.

Era natural que a tortura da forma e a perversão moral apoteotisada por vanglória vesânica, mantendo na mocidade uma tensão sensacional transbordante, superior ao nervosismo dela; era natural que esses fatores de desequilíbrio alicerçassem apenas uma obra literária postiça e fictícia, em que a neurose, a histeria e a loucura - casos patológicos definidos - tomaram foros de normalidade e surgiram como uma qualidade inerente às organizações poéticas.

Neste campo, colocados fora do que a própria intelectualidade apreende, aberraram todos esses poetas simbólicos e, querendo seguir a corrente mórbida de Baudelaire e a escola idealista, aristocrática e dolorosa de Villiers de L'Ysle Adam, singelamente se ativeram ao uso do vocábulo raro, ao abuso das onomatopeias e, lentamente, insensivelmente, ei-los em uma marasmática confusão, sem saberem que rota seguir, entregues à própria impotência e à celebridade, quase extinta já, de um momento em que pelo novo tiveram as palmas da opinião.

Na pintura, porém, este movimento, que só podia vingar no seu lado idealista e simbólico, era uma inutilidade, como escola, por isso que já existia de longo tempo como simples gênero. Pois não havia a alegoria? Puvis de Chavannes não fez a Apoteose de Victor Hugo, que é simbólica como todas as alegorias? Aman Jean não fez as Estações? E todas essas alegorias que são senão pinturas simbólicas? Vede a tela de Almeida Junior, A Pintura. Que é ela senão uma tela simbólica?

O simbolismo pictural era, pois, uma superfluidade, uma inutilidade.

Eis porque, diante dos trabalhos da Exma. Sra. D. Diana Cid, um grande receio me acomete: - o de criticar, como escola, a essa altura, o que, como gênero, é detestável. E este receio casa-se com outro - o de ter de discutir a obra de uma senhora e não simplesmente a de um artista. Se o faço, porém, é porque a Sra. Diana Cid é o representante único da escola novíssima, e, como tal, rompendo com os moldes clássicos, marca uma tentativa revolucionária, que tendo de cair, merece todavia ser discutida.

O simbolismo na arte de pintar e um processo ineficaz quando feito a todo o transe, sistemática e propositalmente. É símbolo a obra que exprime, no consenso de seus observadores, um fato ou um estado de alma. O símbolo pictural da debacle de 1870, por exemplo, é aquela tela, que todos vimos em oleografias, em que um soldado francês tenta erguer-se de sob as patas de um cavalo montado por um prussiano. Simboliza um fato.

Mas nos quadros da Sra. D. Diana Cid não há nada de parecido. Fantasia em rosa? Mas quem compreende a intenção da artista? Mistério? Com certeza que nada simboliza. Aquilo é quando muito a viuvez. Flor marinha, por seu lado, é uma coisa incompreensível, com aqueles montes e aquela água, que podem ser o que se quiser. A Meditação é um horror; aquele barco mal desenhado, aquela meditação sobre as águas e o colorido são tão estranhos, tão inatingíveis que, (talvez a culpa seja minha) não os percebo. E O Adeus? E a Flor de Maio? E Agosto, Setembro e Novembro?

Não, decididamente não é nesta pobreza de colorido, neste violento embate de tons, nesta falta de valores, nesta fúria premeditada de usar certas cores impróprias ao assunto; não é neste transvio, nesta aberração que a arte nova há de encontrar o alento que lhe falece o brilho que ainda não teve.

A Sra. D. Diana Cid tem qualidades, no entanto. Já na Fantasia em rosa, se nota uma certa beleza decorativa, sopro vago da influência dos mestres japoneses na pintura de hoje; há tal ou qual colorido, um desenho regular das flores e mesmo das roupas.

Ainda se revelam certas qualidade no Estudo, exposto com o n. 86, em que há vestígios da arte pagã, no tipo a um tempo religioso e lúbrico da figura…

A Leitura em que o desenho é sofrível em um ou outro ponto, resulta um absurdo quando olhado em seu conjunto, com uma espécie de noiva - todas as figuras da Sra. D. Diana Cid parecem noivas - com uma paisagem sem cor e sem gosto em que perambula a desolada leitora.

Donzela (n. 83) em que há manchas boas, alguma expressão, e em que o desenho da roupa é por vezes correto, perde também pelo fundo, onde há camadas de tintas quase puras, definidas com violência, fazendo atenuar os valores, enfraquecendo o essencial da tela para satisfação do capricho impressionista.

O n. 213, A música proibida, é uma tela superior às que tenho apontado. Não predomina aqui o propósito prévio de escola. As figuras tem alguma expressão, o colorido um pouco baço, é possível, e não brigam as cores como habitualmente.

A melhor tela desta artista é a paisagem de n. 212, Caminho quotidiano.

É uma boa tela, que denota qualidades que só a vontade poderia ter obliterado. Grande suavidade de tintas, bom desenho de figuras e luz agradável.

Este era naturalmente o gênero a que se deveria consagrar a Sra. D. Diana Cid. Não entende assim. Lamento-a, porque o simbolismo cai, mas arrasta, inutilizando-os, todos os que procuram, na falsidade desta arte nova, o ruido de um intante [sic].

A pintura é uma. Os artistas podem diferir, mas a arte é a mesmíssima. Quando se pensa o contrário, a pintura é uma fotografia de um mundo de cera.

J. B.

J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 13-14 out. 1894, p. 1.

D. Diana Cid. - A poesia chegou aos decadistas, a pintura chegou ao simbolismo místico. Movimentos que se acompanham e que se desenrolam dentro de um plano único, a poesia e a pintura derivaram a esta arte de mistério e de dúvida em que a banalidade tanta vez sobrepuja o talento.

Era natural que a tortura da forma e a perversão moral apoteotisada por vanglória vesânica, mantendo na mocidade uma tensão sensacional transbordante, superior ao nervosismo dela; era natural que esses fatores de desequilíbrio alicerçassem apenas uma obra literária postiça e fictícia, em que a neurose, a histeria e a loucura - casos patológicos definidos - tomaram foros de normalidade e surgiram como uma qualidade inerente às organizações poéticas.

Neste campo, colocados fora do que a própria intelectualidade apreende, aberraram todos esses poetas simbólicos e, querendo seguir a corrente mórbida de Baudelaire e a escola idealista, aristocrática e dolorosa de Villiers de L'Ysle Adam, singelamente se ativeram ao uso do vocábulo raro, ao abuso das onomatopeias e, lentamente, insensivelmente, ei-los em uma marasmática confusão, sem saberem que rota seguir, entregues à própria impotência e à celebridade, quase extinta já, de um momento em que pelo novo tiveram as palmas da opinião.

Na pintura, porém, este movimento, que só podia vingar no seu lado idealista e simbólico, era uma inutilidade, como escola, por isso que já existia de longo tempo como simples gênero. Pois não havia a alegoria? Puvis de Chavannes não fez a Apoteose de Victor Hugo, que é simbólica como todas as alegorias? Aman Jean não fez as Estações? E todas essas alegorias que são senão pinturas simbólicas? Vede a tela de Almeida Junior, A Pintura. Que é ela senão uma tela simbólica?

O simbolismo pictural era, pois, uma superfluidade, uma inutilidade.

Eis porque, diante dos trabalhos da Exma. Sra. D. Diana Cid, um grande receio me acomete: - o de criticar, como escola, a essa altura, o que, como gênero, é detestável. E este receio casa-se com outro - o de ter de discutir a obra de uma senhora e não simplesmente a de um artista. Se o faço, porém, é porque a Sra. Diana Cid é o representante único da escola novíssima, e, como tal, rompendo com os moldes clássicos, marca uma tentativa revolucionária, que tendo de cair, merece todavia ser discutida.

O simbolismo na arte de pintar e um processo ineficaz quando feito a todo o transe, sistemática e propositalmente. É símbolo a obra que exprime, no consenso de seus observadores, um fato ou um estado de alma. O símbolo pictural da debacle de 1870, por exemplo, é aquela tela, que todos vimos em oleografias, em que um soldado francês tenta erguer-se de sob as patas de um cavalo montado por um prussiano. Simboliza um fato.

Mas nos quadros da Sra. D. Diana Cid não há nada de parecido. Fantasia em rosa? Mas quem compreende a intenção da artista? Mistério? Com certeza que nada simboliza. Aquilo é quando muito a viuvez. Flor marinha, por seu lado, é uma coisa incompreensível, com aqueles montes e aquela água, que podem ser o que se quiser. A Meditação é um horror; aquele barco mal desenhado, aquela meditação sobre as águas e o colorido são tão estranhos, tão inatingíveis que, (talvez a culpa seja minha) não os percebo. E O Adeus? E a Flor de Maio? E Agosto, Setembro e Novembro?

Não, decididamente não é nesta pobreza de colorido, neste violento embate de tons, nesta falta de valores, nesta fúria premeditada de usar certas cores impróprias ao assunto; não é neste transvio, nesta aberração que a arte nova há de encontrar o alento que lhe falece o brilho que ainda não teve.

A Sra. D. Diana Cid tem qualidades, no entanto. Já na Fantasia em rosa, se nota uma certa beleza decorativa, sopro vago da influência dos mestres japoneses na pintura de hoje; há tal ou qual colorido, um desenho regular das flores e mesmo das roupas.

Ainda se revelam certas qualidade no Estudo, exposto com o n. 86, em que há vestígios da arte pagã, no tipo a um tempo religioso e lúbrico da figura…

A Leitura em que o desenho é sofrível em um ou outro ponto, resulta um absurdo quando olhado em seu conjunto, com uma espécie de noiva - todas as figuras da Sra. D. Diana Cid parecem noivas - com uma paisagem sem cor e sem gosto em que perambula a desolada leitora.

Donzela (n. 83) em que há manchas boas, alguma expressão, e em que o desenho da roupa é por vezes correto, perde também pelo fundo, onde há camadas de tintas quase puras, definidas com violência, fazendo atenuar os valores, enfraquecendo o essencial da tela para satisfação do capricho impressionista.

O n. 213, A música proibida, é uma tela superior às que tenho apontado. Não predomina aqui o propósito prévio de escola. As figuras tem alguma expressão, o colorido um pouco baço, é possível, e não brigam as cores como habitualmente.

A melhor tela desta artista é a paisagem de n. 212, Caminho quotidiano.

É uma boa tela, que denota qualidades que só a vontade poderia ter obliterado. Grande suavidade de tintas, bom desenho de figuras e luz agradável.

Este era naturalmente o gênero a que se deveria consagrar a Sra. D. Diana Cid. Não entende assim. Lamento-a, porque o simbolismo cai, mas arrasta, inutilizando-os, todos os que procuram, na falsidade desta arte nova, o ruido de um intante [sic].

A pintura é uma. Os artistas podem diferir, mas a arte é a mesmíssima. Quando se pensa o contrário, a pintura é uma fotografia de um mundo de cera.

J. B.

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Digitalização de Fundação Biblioteca Nacional Acessível em: http://memoria.bn.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 13-14 out. 1894, p. 1.

J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 14-15 out. 1894, p. 1-2.

Weigartner - Um dos expositores que mais quadros enviaram foi o Sr. Weigartner.

Nas 13 telas deste artista há por vezes qualidade de cor e de luz, mas uma predileção por estudos locais tomou-lhe por tal forma o pincel que mais seria para analisar o ponto de vista dos costumes do que propriamente a pintura.

E, francamente, a pintura não é boa. Tem o não sei que de impressionante, que atrai, mas, observado detidamente, o desenho é cheio de incorreções e tem o ar de feito de fotografia a apagar os efeitos bons que o colorido não raro dá às suas telas.

Onde há figura, o desenho do Sr. Weigartner é incorreto invariavelmente. Fez antes bonecos do que homens. Não lhes deu vida nem expressão, nem teve a ciência do conjunto. Quase sempre que faz um grupo de cavaleiros (193, 200, 201, 202), nota-se a falta de desenho; os cavalos são sem proporções; os cavalos que fez nem são do Rio Grande nem de parte alguma, e os cavaleiros que os montam tem que dar graças a Deus de estarem em tintas, porque se fossem verdadeiros os cavalos estariam há muito tempo por terra.

Na paisagem revela o Sr. Weigartner a sua vocação artística; tem harmonia de tintas, tem facilidade de fixar valores, e a luz, essa grande dificuldade, dominou-a este artista notavelmente. Na tela 193, a paisagem é boa e o todo respira a vida simples desses casinholos, a poesia da vida ingênua que muito raramente se fixa na tela.

Nas outras telas em que há paisagem mais ou menos estas qualidades persistem, embora conjuntamente com os defeitos de figura.

Às vezes o colorido é violento, como na tela 201 em que os valores não são guardados com justeza.

A tela 205, Projeto de viagem, é um trabalho chic, feito de cor sem vida. A concepção é nula, e a decoração, que é a preocupação do quadro é insignificante.

Além destas telas há o retrato do Sr. Ubaldino do Amaral, mal feito sem dúvida, em que a epiderme parece escoriada, mas com mais expressão que o retrato que o Sr. Brocos fez do presidente do senado.

Madruga filho. - Nas cinco telas deste artista há boas qualidades a notar.

No n. 128, Uma tarde em Riachuelo, o reflexo do poente é exato, o céu é de uma tinta doce, as nuvens são bem tratadas e uma grande transparência de ar dá ao quadro um efeito de verdade que falta na Paineira em flor, n.131, em que o fundo azul, seja nuvem, seja fantasia, é um erro, e uma prova de mau gosto.

No n. 130, A bela vivenda, que por sinal é de horrível aparência, uma coisa me impressiona e é a atenuação do azul, feita de forma a demarcar claramente o mar e o céu, resultando uma boa nota de verdade e ao mesmo tempo de franqueza.

A Ponta do Bispo e a Choupana do Pescador tem outras qualidades. O mar é bem feito, o céu é transparente, as nuvens tem uma grande suavidade de cores e a praia clara e de um doce reflexo faz destacar a paisagem da terra numa harmonia tranquila de cor e de luz.

Não há nem largueza de fatura nem arrojo nestas telas: mas há uma poesia delicada por vezes e uma amorosa execução que oculta esforço e vontade de progredir.

-

Fabbi. – Este pintor expões a Algeriana. Uma tela complicada esta, em que o lado decorativo toma proporções exorbitantes e em que a execução das roupas, aliás boa, se ofusca e anula ao embate de cores violentas e ao gritante de cores cruas.

A figura não é mal feita. Peca por essa preocupação do bonito, em tanta escala fornecido pela arte italiana. Os pormenores tem uma tal saliência que fazem do quadro uma grande confusão de coisas, todas de igual importância.

Os pincéis na mão do Sr. Fabbi devem ser objetos familiares; mas isso não basta para que se seja um bom artista.

É preciso mais, é preciso ter sonho, ter alma, saber, por exemplo, da execução justa das roupagens que fez neste quadro tirar o efeito que a acumulação de pormenores aqui atenuou excessivamente. Não há que ver, a escola italiana atual é uma declarada decadência. Falta-lhe a fantasia que dá a audácia, falta-lhe a observação que dá a vida, falta-lhe o bom gosto que dá a beleza decorativa. É espetaculosa e fútil.

J. B.

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Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 14-15 out. 1894, p. 1-2.

J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 17-18 out. 1894, p. 2.

Fiusa Guimarães. – As telas que expõe este artista, não sendo boas, são todavia uma prova de que possui algumas qualidades que, desenvolvidas pelo trabalho, podem fazer dele um bom artista. A execução é ainda hesitante, as tintas são empregadas sem grande verdade, a fatura não tem toda facilidade e falta ao artista essa confiante segurança que permite audácias e originalidade: é um principiante, creio. Se o não for, se o que enviou à exposição é o seu trabalho definitivo, não conseguiu em todo o caso passar desse estado de confusão e indecisão que caracteriza o pintor que começa.

A tela 103, Visita, é a prova do que digo: uma senhora numa sala, eis o quadro. Dentro de um tal assunto que não tem concepção, o único motivo do quadro seria o estudo de pormenores e de luz: isto é, se a educação estética do Sr. Fiusa Guimarães fosse feita, se conhecesse um pouco de móveis de estilo e quase nada de decoração, não teria pintado numa sala (que só nos móveis e na decoração encontra razão para ser pintada) aqueles móveis de casa de pensão e aquele quadrinho raquítico na parede e um tapete velho demais. Isto é tudo de péssimo gosto. Se a figura ainda fosse boa… mas tal não sucede. É uma visita que tem o ar de quem pediu uma audiência e está à espera do Sr. Ministro, e se contrafaz e se sente mesquinha e pouco à vontade. Desola este quadro.

Em paisagem revela boas qualidades; é claro que não no n. 104, Petrópolis, em que a cor do solo, o verde da vegetação e o céu tem uma absoluta falta de harmonia. Já no n. 109, S. João Nepomuceno, uma certa suavidade de cores, o céu em que há ar e a luz bem tonalizada fazem desculpar o mau colorido do solo e o desenho lambido.

Nos ns. 107, 108 e 110, outras notas: no primeiro há harmonia de valores e doçura de pincelada; no segundo é bem o céu de poente e no terceiro ainda o céu destaca.

Passando pela tela 111, Copacabana, em que a praia se conhece porque está lá gente, e não pela areia, vê-se a tela 105, Juiz de Fora, que é o melhor trabalho do Sr. Fiusa. Tem longe, soube dar o azul do céu, marcar o verde de fórmula que a cor da terra com ele se harmonizasse, e as casinhas ao alto estão finamente coloridas, numa sobriedade de tons singela e verdadeira.

Quanto à aquarela que figura com o n.106, melhor fora não dar tal espécime do que pode fazer no gênero.

-

Francisco Macedo [sic] .- 4 paisagens: Em todas uma falta completa do conhecimento das transições de luz, uma incorreção do desenho que só se permite a quem começa, e nas primeiras telas que são sempre um como que ensaio de pincéis e da palheta. Deve ser um principiante: basta olhar para as vacas da paisagem que tem o n. 123 para afirmar que nunca desenhou animais.

Não conhece os tons, não observou nem estudou as árvores, hesita em tudo.

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João Macedo. – Uma tela, uma paisagem. As mesmas incorreções que apontamos no precedente. Aprendizagem.

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Rodrigo Soares. - Dois retratos: um de corpo todo, outro de busto; aquele grande, quase tamanho natural, e este pequeno. Ns. 145 e 146.

Vê-se que sabe desenhar; mas ressalta a nota de uma preocupação de fazer vigoroso que prejudica o conjunto.

O n. 145 é atado, tem falta de desenvoltura, sente-se pouco à vontade, é contrafeito. Em pormenores há claramente manchas de uma grande franqueza e desenho justo que provam que o artista já tem feito muito.

O segundo retrato é menos réussi ainda que o primeiro. Dir-se-ia que o Sr. Rodrigo Soares se sente apertado pela pequenez da tela e quereria pintar a grandes pinceladas e não com minucioso cuidado como se viu forçado pelas dimensões do quadro.

A sua exposição é inferior ao que sabe, sobretudo porque a prática da pintura decorativa, mural, muito lhe tem transformado a maneira pessoal e principalmente o desenho, em que chegou a ter grande segurança.

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Pinto Bandeira - Um estudo de cabeça: certo vigor de pincel mas uma notável falha de desenho, de que resulta a cabeça ficar colada aos ombros. é o n. 144.

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Insley Pacheco. - Barranca, n.112. Uma paisagem sem beleza, com violentos tons verdes, uma confusão. Sem estudo de pormenores, sem originalidade.

J. B.

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Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 17-18 out. 1894, p. 2.

J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 18-19 out. 1894, p. 2.

Santa Olalla. – Entre as telas deste pintor, uma, O Pescador, é boa. A figura tem naturalidade, e o desenho é correto. Além disso, o colorido todo é de uma grande exatidão, as manchas são francas e a água tem muita transparência. Na Cascata, a água ainda é boa, o colorido é vivo, há savoir faire, mas o conjunto não respira a mesma poesia, agrada menos do que a primeira. A Aboboreira já tem menos qualidade; nota-se nesta tela um grande desleixo, e dir-se-ia ter sido feita por brincadeira.

Os Cajús, n. 150, são detestáveis, não quanto ao colorido que é justo, mas na proporção que falta absolutamente. Se ficaram menores do que a mesa foi por acaso.

A paisagem da Barra da Tijuca é agradável, doce de tintas e harmonioso de luz.

Nos seus desenhos é pena, o Sr. Santa Olalla revela que estudou; vê-se que teve mestres, que lhe disseram, a tempo, qual a importância dos croquis. Os seus estudos a lápis e à pena são corretos, especialmente a cabeça de velho andaluz (n. 152), e uma cabeça de um colono (n. 154).

Uma paisagem, em aquarela, exposta sob o n. 157, tem boas manchas e denota conhecimento do processo.

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Freidler. [sic] - A exposição deste artista é quase que exclusivamente de aquarelas que não são más, mas a que falta vigor de manchas e facilidade.

Os seus trabalhos a óleo, dois quadros, não tem qualidade alguma digna de menção. No n. 163 ainda há uma tal ou qual justeza de cores; mas no n. 172, em que quer fazer um estudo de natureza e de costumes do Minho, erra completamente, falha os tipos e os vestuários, e falseia a natureza. É mau, simplesmente.

D. Maria Agnelle Forneiro. – Esta senhora é discípula do Sr. Fachinetti, com quem colabora em diferentes quadros.

Reconhece-se logo, depois de examinar os quadros do mestre e da discípula, que esta possui faculdades de assimilação. Assimilou a maneira, o colorido e o gosto do Sr. Fachinetti. Se tivesse tido um bom professor, é de supor que tivessem mais merecimento os seus trabalhos. É do mestre que lhe vieram todas as qualidades que imprimiu às suas telas.

Para mim. O Sr. Fachinetti é um pintor detestável. Nem a pintura do bonitinho me agrada, nem posso considerar arte preconcebidos efeitos dados às telas com o mero fim de agradar, sem uma parcela sequer da satisfação íntima que todo o artista sente ao produzir uma obra boa.

Não discuto as suas obras, que por vezes se me afiguraram oleografias. Mas não posso deixar de apontar a sua nefasta influência sobre esta senhora. Deu-lhe todos os defeitos, sem lhe dar a única qualidade que tem, que é a nitidez das tintas.

-

Souza Pinto. - 5 telas boas. Sabe pintar; já teve uma medalha no Salon, é hors-concours. Somos amigos, e tudo quanto eu dissesse de bem pareceria parcial. Calo-me, pois, dizendo todavia que é bom o que expôs.

-

Valle Souza Pinto - Não é como o irmão, nem tudo é bom. Uma Natureza Morta, que expôs, não é má; o Vapor Sepetiba é detestável, não é pintura.

Quanto aos seus desenhos a lápis e à pena, vê-se que tem larga prática do gênero, embora não revele bom gosto e nem sempre execute bem.

-

Aqui e ali, rebuscando, pudera ajuntar notas e corrigir as que vão publicadas. Não vale, porém, a pena. Nem o público se interessa por essas coisas, nem os artistas me julgariam, por isso, mais sincero.

Agora, que detalhadamente vi a exposição, uma observação me salta do conjunto das telas que foram expostas: entre os artistas novos há verdadeiros artistas e entre os já consagrados alguns há que não merecem a consagração, mas que, sobretudo, não devem ser tomados para mestres.

Isto não significa má vontade. Isto quer traduzir somente o que o grande número sente, mas cala; o que a própria escola sabe, mas parece ignorar. Uma reforma completa de ensino deveria ser feita. Ei-la ali, iniciada por esta exposição.

Que se abandone o gênero rococó da escola italiana e se busque na arte nova, na arte que acompanha as letras e as ciências em sua evolução atual, o ensinamento que a arte de homem não pode trazer.

Rompa-se, porém, com essa mania de pensionistas na Itália; mandem-nos para a França ou para a Espanha e verão como todos esses temperamentos que afloram neste momento adquiriram pujança de concepção e de execução.

J. B.

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Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 18-19 out. 1894, p. 2.

J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 2-3 out. 1894, p. 1.

Ontem demos a impressão do conjunto, que a exposição nos deixou.

Começaremos hoje a considerar isoladamente, os expositores, apreciando-os sob um ponto de vista inteiramente pessoal.

Rodolpho Bernardelli. - O distinto escultor expos apenas um trabalho em bronze. É um retrato. Bem feito, largueza de fatura, vigor de traços e, sobretudo, vida natural. Pena é que este artista estivesse arredado dos seus labores habituais e não pudesse concorrer com mais trabalhos para o primeiro Salon a que a sua iniciativa tão ligada está.

Rodolpho Amoedo. - Um quadro a óleo, Cabeça de oriental, e um retrato a pastel.

A Cabeça de oriental é uma delicada obra em que há fatura e há alma. Desde a languidez até a beleza morna da oriental, tudo se exprime nesta tela. O colorido é justo, os valores são bons e a doçura das linhas só tem igual na macieza da pele aveludada da oriental. Do pastel do Sr. Amoedo não diremos outro tanto: frio, sem expressão e sem audácia, no próprio acabamento rebuxado [sic] de chinesice tem a sua condenação. Não é trabalho que possa ir fazer número ao lado dos que deram nome ao Sr. Amoedo. É incaracterístico como obra de arte e pobre como decoração.

Henrique Bernardelli - Enviou cinco trabalhos. Duas telas boas: Faceira, uma figura de senhora, tamanho natural, em que há riqueza de colorido, precisão de desenho, estudo de pormenores e essa ampla pincelada que só vem quando a obra sai de uma alma de artista; e a Volta do trabalho, uma grande paisagem, cheia de luz e de ar, de uma perspectiva deliciosa, de uma poesia simples e tranquila.

A tela n. 49, História eterna, tem falta de desenho. A figura de homem é mal traçada, mesquinha, e a mulher acanhada na sua espécie de ciúme ou amuo, que falta ainda reconhecer.

O quadro Em tempos coloniais tem uma figura bem traçada, mas a paisagem é pobre de cor e a tinta mais parece posta a esmo do que lançada com a compreensão da harmonia dos valores.

E para finalizar, por hoje, referir-nos-emos a uma aquarela do Sr. Henrique Bernardelli. À Saúde da bela que, em uma ampla fatura, a pinceladas largas, é uma verdadeira obra de arte, quer pela técnica de que todos os efeitos foram tirados, quer pela beleza do conjunto decorativo de um bom gosto, talvez sem igual na exposição atual.

Brocos - 13 quadros deste pintor estão expostos.

Muitas paisagens de Minas, algumas com qualidades de luz e colorido vivo, talvez cru demais. Uma excessiva atenção no desenho das pedras e do solo chega a dar a algumas telas o ar de reprodução de coisas que não existem. Chega-se a ter vontade de dizer: que rocha tão bem tratada! Mas em outras - não se entenda nos Garimpeiros e no Aqueduto da Carioca - há coisas bem vistas e bem realizadas como o Crepúsculo (n.55) em que o solo deve ser aquilo e a luz é justa. O Crepúsculo é uma boa paisagem.

O retrato do Sr. Ubaldino do Amaral não nos agrada; as roupas foram tratadas mal e a pele parece morta, tão arrastada foi a tinta. Perto deste retrato vê-se outro da mesma pessoa, feito pelo Sr. Weigartner, e pelo confronto se concluirá que temos razão. Este último vive mais, é menos género d'après photographie.

Além deste retrato e das paisagens, tem o Sr. Brocos duas telas - n. 54, Mulatinha, e n. 56, No pátio - que são incomparavelmente superiores aos demais quadros que ele enviou. No pátio, em especial, é bom, francamente bom. Há cor, há luz, há vida, há desenho, finalmente essa pequenina obra é o trabalho de um artista. Ali há artista; ali há arte. E, verdade, ao vê-lo, causou-nos uma agradável surpresa, achamos-lhe uma outra maneira, em execução muito diversa da dos quadros do mesmo autor que antes analisáramos. Por certo que o assunto mais se adequava ao ânimo do pintor; sem dúvida que o Sr. Brocos sentiu poucas das suas paisagens.

J. B.

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Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 2-3 out. 1894, p. 1.

J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 3-4 out. 1894, p. 1-2.

Belmiro de Almeida. - Se é certo, como afirma Bourget, que ao estudo do mundo exterior e físico deve correr paralelo e concatenado o inquérito da vida interior e moral, para que a obra de arte seja humana e duradoura, - o Sr. Belmiro de Almeida nesta exposição só tem duas telas sobre as quais a crítica se possa devorar e nas quais se reúnam os requisitos de um trabalho sério e ordenado, tendendo a uma aspiração artística e conotando um estado na evolução do seu temperamento de pintor. Essas telas são: Tagarela (n. 34) e Nuvens (n. 37).

Quer nesta, quer naquela, o artista sentiu o assunto, foi levado, por esse estado de identificação do próprio espírito com a obra, a dominar a psicologia dos sujets e a lançar nas telas a harmonia entre a vida interior e a vida exterior - vida interior que é o estado da alma desses sujets, e a vida exterior que tem de se traduzir nas maneiras, na expressão fisionômica e na natureza envolvente.

Visionando desta forma, os dois quadros, a que nos vimos referindo, são bons.

Tagarela é a surpresa viva do natural: uma criada, de olhos curiosos, expressão entre risonha e sarcástica, uma dessas criaditas que a todo o instante param, interrompem a faina quotidiana para dois dedos de cavaco, uma palestrazinha, e que forçam cavacos e palestras a essa invariável análise da vida dos patrões e aos potins da vizinhança que tão alto lugar ocupam na história de todas as criadas.

Sentada, como que reconhecendo o direito a descansar de um trabalho que não teve, tagarela. E, ao lado, desprezado instrumento do trabalho, a a [sic] vassoura que deverá servir à limpeza já retardada.

E é tal o sentimento da verdade e da observação feita do assunto, que a fatura da decoração e da figura, a fixação de pormenores (afora o detestável mosaico do solo, descuidado e por acabar cheio de manchas de tinta e de reflexos oleosos), a combinação dos valores, a escolha das tonalidades, - tudo é de uma justeza que não raro falece em outras telas do mesmo autor.

Nuvens é a outra boa tela: numa bucólica paisagem, doce e velada ligeiramente, desenrola-se a eterna cena dos arrufos, nuvens passageiras que mal toldam o aberto céu dos amores juvenis. O colorido é raro, talvez que poucos os vejam, e até alguém me observou: - daquilo nunca vi… Mas ai de nós! Como se há de exigir a um pintor que veja o que outrem vê, se a sua organização é outra, se os seus sentimentos são diferentes, se os olhos são dele e não de outrem?... A visualidade é um fenômeno subjetivo, e a visualidade pictural cromática é tão subjetiva que Herbert Spencer chegou a exclamar algures:

"Quem sabe a cor, que me ensinaram a chamar azul, - sendo a mesma modalidade fenomenal que todos chamam o azul - quem sabe se essa cor não produz na minha retina a mesma impressão que sobre a retina de um outro produz o amarelo? Mas aquela impressão para mim é o azul, ao passo que o azul deste meu semelhante, como impressão, pode ser a mesma que em minha retina seja motivada pelo amarelo!"

O fenômeno em si, na sua natureza íntima, é subjetivo, variável portanto de indivíduo para indivíduo. Na sua exteriorização, porém, identifica-se por uma simples convenção.

É isto o que é preciso observar no caso do quadro Nuvens. Há harmonia? Há desenho? Sem dúvida. Pois bem. As cores são as que ele viu ou sonhou e desde que do conjunto dos tons, da vizinhança das cores não resulte a falsidade, que fere e que não ilude, não há que discutir.

Mas, passando destas telas às outras, não podemos manter o juízo feito até aqui. No n. 38, Vaso com flores, ainda há gosto, ainda há qualidades de cor e de conjunto decorativo, ainda há estudo de pormenores. Na Vendedora de fósforos começa a falta de seleção de tipo característico, e aquilo, que é um assunto puramente italiano, não é um tipo de italiana bonita, mas a sua face, que quer ser rosada, é antes escoriada, de equimoses. E, embora haja algum desenho, há com certeza uma notável falta de intuição artística. Não sendo um assunto a que um tipo disforme fosse indispensável, é claro que o artista devia escolher uma bela vendedora de fósforos, aliás vulgar. Era apenas uma questão de modelo, que segurasse a caixa que parece estar para cair, e que tivesse olhos, porque os olhos dessa vendedora irreal não são nem sequer olhos de vidro.

Mas o desenho, que por vezes é bom nas telas do Sr. Belmiro, desce a um ponto, que mal me explico, no quadro exposto com o n. 39, Depois da patroa, eu!, em que se vê uma cadeira, reminiscência pura dos desenhos com que nas escolas primárias as crianças soem deslumbrar as famílias, de resto naturalmente propensas a esses deslumbramentos.

O n. 41, Efeito do sol, é inextricável, sem beleza, sem vida e sem luz.

O n. 42, Cabeça de Contadina, bem desenhado no rosto, é uma coisa estranha, no colo sem as curvas definidas, sem a ondulada a natural descida do colo, incorretíssimo, incompreensível.

O envio do Sr. Belmiro é excessivamente grande. Com quatro telas, Tagarela, Nuvens, Vaso com flores e Vendedora de fósforos, teria sido um dos melhores expositores, teria provado que desenha com firmeza, que conhece os efeitos da luz, que tem no seu espírito a noção clara da harmonia das tintas e que, se por enquanto não atingiu à perfeição a que pode chegar, se esforça por marcar seriamente, com a consciência do mérito do que produz, as fases por que o seu talento e o seu temperamento tem fatalmente de passar. É pena a quantidade haja sacrificado a qualidade.

J. B.

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Digitalização de Fundação Biblioteca Nacional Acessível em: http://memoria.bn.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 3-4 out. 1894, p. 1-2.

J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 5-6 out. 1894, p. 2.

Oscar Pereira da Silva. - Entre as escolas modernas de pintura, uma existe que tem por ideal a pintura de Velasquez, o grande e incomparável artista de As meninas e desses retratos sem igual, como os de Felipe II, o do próprio pintor, e tantas outras telas em que o desenho e as cores produziram efeitos até hoje insuperados, até hoje inigualados. Essa escola em França tem nas suas fileiras Carolus Duran, Fernand Cormon e Aimé Morot, e em Espanha contou Casado e Casto Plasencia e hoje conta Gonzalo Bilbao, Arcos e Munoz y Cuesta.

É uma corrente de regresso a um estado transposto pela evolução artística, dir-se-á. Não. É apenas a grande afirmação de que na pintura, como de resto em todas as artes, só fica o que é humano, só perdura aquilo que saiu de um temperamento como a interpretação da natureza. Velasquez é eterno, porque mais do que ninguém soube em suas telas dar o conjunto harmonioso da natureza, notar em cada cambiante uma tonalidade da natureza e em cada traço deixou a verdade de um desenho, estranhamente fino e amplo, ao mesmo tempo, em que a mínima coisa lhe merecia o mesmo amoroso enlevo que as figuras principais e tudo é tratado com igual cuidado.

Esta escola, por isso que é a escola da natureza, tinha que vencer e venceu. Em toda a linha domina em França esta corrente que arrasta todos os novos e leva de vencida todos os consagrados.

Oscar Pereira da Silva é dos que, sob a influência do meio artístico parisiense, adapta essa nova fé e busca, muito embora sempre dentro do seu temperamento, essa perfeição de desenho que os velasquistas ergueram como bandeira de guerra.

Este jovem pintor é uma das mais completas organizações artísticas que tenho conhecido. Ama apaixonadamente a sua arte, adora a beleza até o culto religioso pelas grandes obras de arte e é tímido, de uma timidez de quem, durante a realização de uma obra, vai reconhecendo as imperfeições, sentindo a própria impotência de fazer o que se pode fazer, e sofre essa tortura que é resultado de talento e consciência.

Cada nova tela de Oscar P. da Silva é um progresso que se nota, marcado distintamente, uma conquista de novos meios e processos, definitiva e segura conquista selada pelo estudo e pela pertinácia.

Quem entra nesta exposição, seja qual for seu ponto de vista crítico, tenha esta ou aquela predileção, não pode deixar de se demorar na observação das telas deste moço desconhecido e admirar o que quer que seja de atraente e agradável que elas respiram. De todas sai uma nota de cuidado e de esforço para adquirir firmeza de desenho, todas tem o mesmo sentimento da natureza dominando o espírito observador e inteligente do autor.

Essa própria predileção pelos motivos de sofrimento, o mendigo, a escrava, e o ferro-velho, é uma prova de que, na pesquisa dos assuntos, a sua dolorosa análise da vida o lança para o lado interessante das lutas do pensamento que abrangem os problemas da miséria e as grandes questões sociais do momento.

É um espírito grave, com laivos de filósofo sobredourando uma organização intensa de artista.

Les mediants dand la cour, em que há incorreções de desenho, é no entanto um quadro de valor pela justa descrição de pormenores, pelo colorido firme e igual e pelo bom gosto, que, sendo uma das suas qualidades primaciais, sobe de ponto no Raccomodeur de faience e na Escrava, dois trabalhos que denotam, a par de uma observação aguda, muita verdade de desenho, riqueza de cores e uma decidida maneira pessoal de fazer, equilibrada e segura.

O Monge é uma tela boa: há desenho, há harmonia de valores, há expressão, há grandeza de traço e reconhece-se aqui uma firmeza de pincelada, que se mantém no Tronco de mulher, estudo que é um primor, uma revelação de conhecimento da anatomia, que para ser humana não precisa de ser marcada a vergões, mas pode bem ser de um cuidado desenho sem divisórias profundas, desde que tenha os relevos dados pela cor e não pelo amontoado da tinta.

A Leitora e a Cabeça de mulher são provas do que digo: a anatomia é bem estudada, e a fatura é correta, simples e natural.

Oscar Pereira da Silva é um dos novos pintores brasileiros que tem verdadeira vocação artística e segura intuição da beleza. Não será fácil encontrar em suas telas os erros de gosto, a impropriedade de decoração que muitos apresentam.

Essa amargurada luta pela perfeição fatural e profissional, esse ardente desejo do que ele próprio chama saber pintar, dão-lhe uma frieza de análise do próprio mérito de suas obras, tão notável e de tão alto grau que nunca as deixa de achar incorretas e de as considerar meros produtos da ignorância de mêtier e de muita vontade. Mas espera conseguir na próxima obra apagar alguns dos defeitos da de hoje. E é neste insistente esforço, que, dia a dia, vai fazendo progressos, marcando a sua individualidade, definindo a sua maneira e estabelecendo a sua visão interior.

J. B.

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Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 5-6 out. 1894, p. 2.

J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 6-7 out. 1894, p. 2.

Lopes Rodrigues. - A escola de Paris foi a influência decisiva sobre o talento de Lopes Rodrigues. Espírito lúcido, de uma clarividência rara, seguiu a corrente de hoje: tomou o desenho como base imprescindível à sua arte. Desenha muito, e desenha já hoje bem. O que é a sua pintura, dizem-no os quadros que tem na exposição.

Paisagista, tem doçura de tintas, precisão de desenho, sentimento, vigor de colorido e esse quê de inexplicável que é o ar na tela, que é a luz incoercível materializando-se, essa harmonia do quadro com a natureza vista, que só os temperamentos predestinados apreendem. Nas duas paisagens que expoôs, observam-se as qualidades que aponto: tem elas os ns. 113 e 117. São duas telas pequenas, feitas com uma grande segurança de processo, vivas, claras, alegres como a natureza, sentidas como a verdade.

Na Cabeça de Velho (n. 114) e Cabeça de Velha (n. 115) define-se a fatura de Lopes Rodrigues: larga, a pinceladas firmes, com franqueza de manchas, marcando forte os cambiantes. Como estudo, a cabeça de velho é mais exato e mais expressiva.

As outras telas de Lopes Rodrigues reúnem as condições apontadas acima e têm, por isso que as telas são maiores, mais largueza de processo, mais audácia, mais coragem de contrastes e revelam nos pormenores o conhecimento da técnica, cabal, perfeita, de pintor que entrou na posse de toda a sua pujança artística.

A tela n. 116, Orquestra volante, é uma prova do que afirmei; nela se encontram as manchas francas, as largas pinceladas, o colorido e estudo de pormenores, que são as qualidades dominantes neste artista. E em todas as suas telas o mesmo vigor e firmeza igual, desde Interior de atelier, que é rebuscado, e com excesso de pormenores, até Sans Souci, fina obra de um artista seguro do seu métier, senhor do pincel que maneja e das tintas que lhe mancham a paleta.

Claro é que tem aqui e ali defeitos; no Retrato, do n. 120, por exemplo, há uma notável falta de naturalidade; aquilo é contrafeito e violento.

Mas há desenho, saber pintar e sobre Oscar Pereira da Silva tem a vantagem de uma forte educação subsidiaria, constituída de estudos conexos com a pintura e de estudos gerais sobre outras artes, uma sólida orientação estética e um conhecimento da decoração raro.

Oscar P. da Silva é mais ilustrador, pensa mais na correção e no acabamento. Lopes Rodrigues, não; cada pincelada que dá ao pintar tapeçarias ou roupas é uma marcha certa, exata, é aquilo, mas não se deteve a arrastar a tinta para dar o liso, nem teve dúvidas sobre a execução de pormenores. Já está firme, conhece a luz, vê bem a cor, surpreende as tonalidades, dominou enfim, o métier. É um vigoroso, um desses artistas robustos de compleição e talento.

Aurelio de Figueiredo. - Nas três telas deste pintor noto uma tal disparidade de processos e de execução que me é difícil, sem o catálogo e sem a assinatura, atribuí-las ao mesmo artista.

Assim no n. 16, Pátio etc. (o nome é enorme), há um colorido justo, há desenho de detalhes bem feito, e no fundo do pátio há luz e ar, o solo é bem tratado e o todo respira naturalidade e observação, ao passo que o retrato exposto com o n. 18 é sem expressão, sem vigor de tintas, não tem nada de notável no desenho das roupas, é acanhado e estreito de fatura, de um convencionalismo banal e frio.

Já no copo de água varia de todo de processo, o desenho é bom, o vestido é transparente e justo, a cor é bem valorizada e o fundo, escolhido com bom gosto, faz destacar a figura, cuja correção, longe de ser amaneirada, é exata na própria seriedade da criança, para quem levar um copo de água é uma coisa séria.

Esta hesitação suponho que é devida antes ao fato de uma incompleta educação artística do que a defeito essencial do artista.

No que ele tem de bom, manifesta-se, sem dúvida, uma vocação, e entrevê-se um temperamento de artista. Completar, sob uma orientação uniforme e lógica, a técnica adquirida é o que falta e deve ser todo o cuidado do Sr. Aurélio de Figueiredo.

Castagnetto - Com o Sr. Castagnetto não sucede o mesmo que com o Sr. Aurélio de Figueiredo. Os seus quadros são de uma grande igualdade de processos e até de assunto. É um pintor de marinhas e só expõe marinhas.

Um tom claro, de ar transparente e de luz refrangida na superfície das águas, sai de suas telas, em que falta a nitidez do traço, mas sobre a vida do conjunto, e sobrenada uma luz harmoniosa e agradável.

Entre as telas que expôs, para nós a melhor é Efeito da Neblina, em que o tom velado da atmosfera e do mar é exato, e em que há sentimento da beleza das marinhas, que nem sempre existe nas outras suas telas.

O Sr. Castagnetto tem sem dúvida uma maneira pessoal e um colorido original. Precisa alargar o campo da sua pintura, fazer menos mar, fazer mais rochedos, o que quer que seja que tire às usas telas o ar que tem e de que resulta guardar-se de todas a mesma reminiscência.

J. B.

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Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 6-7 out. 1894, p. 2.

J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 7-8 out. 1894, p. 2.

Visconti - Entre os artistas que figuraram na atual exposição, um dos mais interessantes é o Sr. Visconti.

É tão rara nesta exposição a nota de chic que constitui a grande qualidade de Marold, Myrbach, José Roy, Chéret e todos esses inimitáveis ilustradores franceses, que o Sr. Visconti, sendo o único representante desta feição no Salon da Escola de Belas Artes, toma um lugar destacado e saliente e se apresenta como um artista à parte, tendo de ser analisado sob um ponto de vista inteiramente diverso dos demais expositores.

Antes, porém, de me ocupar desta sua feição, devo referir-me a outros quadros que expôs e em que se revelam qualidades apreciáveis, embora menos salientes e caracterizadamente pessoais. Expôs várias paisagens, entre as quais merecem especial observação as de ns. 186, 187 e 192.

No n.186, Lavadeiras, a paisagem é vigorosa de colorido, e nota-se muita justeza de valores. A dispersão da luz sobre a roupa estendida a corar é bem notada e faz destacar do fundo verde as figuras, dando-lhes um realce cheio de verdade, que não prejudica o conjunto e torna mais viva a tela.

No n. 187, Bananeiras, as figuras são mal desenhadas, acanhadas, constrangidas a estarem ali. Aqui, já os valores não são guardados como na tela anterior e a roupa pendurada; se tem falta de transparência, tem igualmente uma desarmonia de tons que se batem, que se repulsam e agridem numa flagrante insociabilidade.

A paisagem do n. 192 é boa. Os tons são suaveis [sic], guardam harmonia, e uma figura de negra, contra uma casita e uma barraca tosca de madeira, sobressai sem esforço e sem prejudicar o desenho da casa e da barraca, cujas tintas, embora escuras, não morrem pela vizinhança da figura.

Nestas três telas o que eu noto como dominante é uma grande beleza de colorido, uma cuidada execução das folhas e mesmo das árvores, uma esplêndida escolha do verde, que é caso raro na exposição, o verde daqui, o verde verdadeiro, considerada a luz como exata.

Mas, por certo que não é a paisagem o gênero a que se dedica amorosamente o Sr. Visconti. Não.

Espírito inteligente, organização de artista, sabendo tirar todo o partido da palheta, vendo justo, toda a sua arte tem que pairar no estreito âmbito das observações do chic, mais ou menos notáveis, conforme a perfeição fatural, mas convencional na sua essência íntima.

Será um grande ilustrador, […]tor bom, como é o ilustrador […] mas, não tendo profundeza de […]ção, não possuindo facilidade […]teses, e sem ser dotado do […] fantasia e da potente [...]rold, permanecerá fazendo bonitas telas sem sonho e sem vida observada.

Tomará os modelos para poser em convencionais cenas de gabinete de toilette e de vida elegante, saberá usar as tintas e poderá ser um extraordinário diletante da palheta; mas em tanto quedará, se, pelo estudo e pela educação da imaginativa até agora prejudicada pela visão exclusivamente exterior, não procurar despertar faculdades dormentes e criar motivos de evocação e fontes de emoção.

No verão, por exemplo, é uma tela que confirma o que acima vai exposto: não havendo uma observação profunda do assunto a tratar, a preocupação da cor quase baça e a procura de efeitos tirados do ondeado das roupas da cama, falha completamente e vai até ao ponto de revelar um descuido grande no tocante a anatomia, de que só aponto a coxa, cujo desenho mal parece de Sr. Visconti.

Na Leitura (184) patenteia-se o artista de chic. Uma grande segurança de pincelada, simples e fácil e o proposital desleixo na conclusão firmam e indicam a maneira pessoal do artista. Aqui, o colorido, que é raro, esquisito, de uma originalidade deliciosa, tem efeitos de verdade. O desenho é bom, a posição - de mão no queixo e os olhos atentos - é bem notada. A cabeça está bem tratada, e o manto tem sobre a testa uma justa tonalidade que faz destacar o rosto. A fatura tem largueza.

A Leitura é em resumo uma bonita tela, mas sem sugestão, defeito que ainda se nota na Distração (185). Neste quadro o desenho é esplêndido, a fatura é deliciosa, e o colorido é muito superior ao da Leitura. Há expressão na fisionomia dessa mulher formosa e doce. E dos pormenores tratados com um fino gosto emerge uma tal impressão de conforto e de moleza, que, para mim, esta é a melhor tela do Sr. Visconti.

As roupas são tratadas com arte, com conhecimento dos recursos do ofício, e a luz é boa, bem dispersa, igual e sem violências nos reflexos.

Dito isto, que ninguém conclua que a minha opinião tem a mínima agressão feita ao Sr. Visconti. Aponto defeitos que são reais: a falta de educação artística, o desábito dos trabalhos intensos de análise interna, a observação exclusivamente exterior e a inércia imaginativa. Mas a par disto há o reconhecimento de grandes qualidades de colorido e de desenho, e a homenagem prestada a um dos melhores talentos deste artista, o talento de ilustrador. Ao passo que estas qualidades são fixas, os defeitos são transitórios, podem corrigir-se. A questão é de vontade e de muito trabalho.

J. B.

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Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 7-8 out. 1894, p. 2.

J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 8-9 out. 1894, p. 1.

Alberto Delpino. - A paisagem é na pintura o que o lirismo é na poesia. Os temperamentos fortes, violentos, capazes de grande tensão passional, derivam na arte das linhas e das cores, a análise das cenas da vida em que a emoção é intensa ou em que problemas da história ou da moral se agitam. É Cormon pintando o Caim, é Detaille nos seus quadros militares, é Casto Plasencia na Joana a louca, é Puvis de Chavannes na Vida de Santa Genoveva, é Murilo nas suas Madonas.

Os temperamentos delicados, doces, (temperamentos que na poesia têm os líricos) para os quais as emoções tranquilas de uma aurora, a calma religiosa de um poente, e a poesia pagã dos campos, constituem os motivos normais de inspiração, - esses têm o seu modo artístico indicado na paisagem, no estudo das naturezas mortas e nas marinhas, mas principalmente na paisagem. É ver toda essa enorme legião de paisagistas modernos cujo mestre incontestavelmente foi Meissonier.

O Sr. Alberto Delpino pertence ao número dos que se inspiram na natureza simples e grandiosa, eterna e bela, beleza sem igual, que através das evoluções do gosto e da arte, da ciência e dos sentimentos, quedará sempre a mesma, sempre cheia de poesia e de sentimento. E, muito naturalmente, decorrendo da sua organização, é um paisagista.

Nesta exposição, início por certo de um forte movimento artístico no Brasil, quando se para diante das obras de um artista, que num dado gênero tem personalidade, uma enorme alegria surge por ver que existe quem nesse gênero possa um dia fazer discípulos.

E - triste é dizê-lo - sempre que tenho ido a exposição não ouço, aos que como eu andam a olhar para as telas, uma única referência aos trabalhos do Sr. Delpino. Por quê? Eu creio que não os têm visto. São tão pequenos! Colocaram-nos tão dispersos!

Mas quem olhar com olhos de ver, e tiver sabido notar a maneira de uma dessas pequenas paisagens, vai, por ali fora, descobrindo uma a uma, sem procurar números, as telas de Alberto Delpino. É que há nelas uma fatura pessoal, uma visão pessoal.

Olhem para o n. 77, Longes, tão longe colocada, à direita, na segunda sala, muito alto. Viram? Que doçura de céu, que suavidade de coloridos! A cada plano corresponde um tom e vai, pouco a pouco, cambiando até chegar às nuvens, numa harmonia de valores que faz daquele campo um campo com perspectiva, com ar na transparente atmosfera, com luz sobre o terreno. Há um vago sentimento de poesia a evolar-se do conjunto, um sentimento que o artista teve e soube transmitir. E em saber transmitir a impressão da natureza está todo o valor dos paisagistas.

Esta tela é a melhor do Sr. Delpino. Mas as outras são boas, todas feitas com sentimento, todas tendo luz e ar, desenhadas com cuidado, sem rebuscar a maneira dos efeitos, naturalmente como uma expressão da verdade.

Serra de Jacob, Serra de Itacolomi, têm a mesma doçura. São paisagens de um paisagista e não de um diletante.

A Última ponte de S. João d'El-Rey, a Porteira da Cachoeira, e o Berço da Inconfidência são de uma grande beleza de cores e de valores justos, marcados harmonicamente. Há nelas uma sinceridade, uma franqueza de colorido, e uma escolha de tonalidades suaves, que raramente se encontram numa mesma tela.

O Sr. Delpino, em conclusão, é para mim o melhor paisagista da exposição, aquele que da natureza teve a mais humana impressão e que melhor transmitiu essa impressão. Vi mais a sua paisagem que a de outros. Só pode considerar-se um bom paisagista aquele que consegue fazer ver em suas telas o que viu.

Pedro Alexandrino. - No estudo das naturezas mortas este artista tem trabalhos de relativo mérito, com certa propriedade de cores, aqui e ali bastante vigor de tintas e desenho correto.

A sua tela exposta com o n. 3 [sic] é uma paisagem fraca, sem vida, sem sentimento e com uma grande falta de verdade no desenho amaneirado e no colorido pálido, sem uma nota de vigor e sem ar.

Na tela n. 3 [sic], porém, os processos mudam, e o mesmo vigor de tintas das suas naturezas mortas volta a ser empregado, e aqui mais amplamente. A fatura é larga e o colorido é justo. Há uma notável facilidade de pincelada e uma completa ciência das cores, como se vê no tacho que é bem traçado e em que os reflexos do fundo são de uma exatidão flagrante.

O Sr. Pedro Alexandrino tem qualidades incontestáveis de colorista. Mancha bem, e sobretudo, no quadro n.3 [sic], mancha com segurança e desenha com firmeza.

-

Augusto Petit. - Expôs um retrato, que causa o enlevo de muita gente e que nos produz a impressão única de um retrato em fundo de cinzeiro ou em um prato. Ar de louça; bonitinho, mas sem um sopro de arte, sem uma expressão. Nada sugere.

É uma tela indiferente. Nem sequer é um desses quadros de que se diz: que horror!

Sofre-se um trabalho daqueles como recordação de antepassado: guarda-se pelo respeito ao morto. Quando a pessoa ainda vive, um retrato como este é um simples assassinato.

J. B.

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Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 8-9 out. 1894, p. 1.

J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 9-10 out. 1894, p. 2.

João Baptista. - Um dos melhores coloristas da exposição. Deve ser um trabalhador, um forte, uma organização de artista, equilibrada e sã. Expõe muitas telas e não se pode dizer que em qualquer delas haja vestígios de trabalho feito na lufa-lufa de concluir para vender. Em todas se nota, mesmo ao lado de incorreções, essa coisa sempre evidente que é a vontade de produzir bom.

Se este esforço nem sempre teve o desejado resultado, pouco importa. Basta que, manifestando qualidades boas em todas as telas, em todas revelando vontade e trabalho, haja executado algumas bem, muito bem mesmo.

A tela n. 19, Lagoa Rodrigo de Freitas, é de uma grande originalidade de colorido, sem contudo se perder a relação dos valores. A água não é, como na tela n. 29, do mesmo título, executada com propriedade e verdade; é a água de lagoa, parada, mas sem a transparência que se nota à direita neste último quadro.

Aqui, se o longe não é perceptível, nem belo, há uma grande verdade de cor no velado da rocha, sempre em neblina envolta. E o céu, que neste quadro não é bem tratado, merece outro desvelo na Estação das Mangueiras, n.21, em que a frescura das cores, a escolha de um verde natural e a boa perspectiva contribuem para a beleza da paisagem, incontestavelmente uma das melhores do Sr. Batista.

Uma das coisas que mais me agradam nas obras deste pintor, é a maneira por que faz a água, de uma transparência nítida, de uma verdade palpitante de natureza. É ver os quadros: n. 22, cheia de colorido; n.28, espécie de miniatura, em que um pintor sobre pedras, está abrindo a caixa das tintas; e o n. 29, de que já falei.

Nas telas de ns. 23, 25, 27, 30 e 32 há uma grande beleza de verde, respeito pelos valores, céu bem feito, e no n. 25 nota-se muita justeza de colorido na pedreira, como o solo do n.27 é exato, executado sem esforço.

Nos ns. 23 e 24, a fatura é boa, as sombras justas, o desenho é fino, e ainda o colorido é vigoroso.

No n. 31, Forte Acadêmico, se as nuvens têm certa frescura e, se o solo está bom, as figuras parecem bonecos mal desenhados.

Uma tela interessante, embora a figura seja contrariada e pareça colada à parede, é a Leitura interrompida, que ali tem o n. 20. A paisagem do fundo é clara, arejada, de cores frescas, e uma impressão de leve marca o todo do quadro de uma nota agradável e doce.

Nesta tela revela o Sr. Batista qualidades excelentes de cor para paisagem, qualidades que ainda existem e intensamente no quadro n. 26 - Repouso.

Aqui, é bom o fundo - a paisagem. O desenho dos morros toma grande relevo pela beleza do verde. As palhoças estão finamente tratadas, produzindo pelo colorido suave uma bela harmonia com a doçura do fundo.

A figura tem laivos da escola de Puvis de Chavannes, observa-se mais o contorno que os detalhes, o que é justo, porque o pleno ar dá uma grande saliência aos contornos e atenua forte-[…]

[…] os pensionistas […] quando a Bretanha lhes sorri como o único meio de equilibrar as finanças. Mas ainda assim seria um mau interior bretão.

Entre amigos toda a franqueza é pouca.

J. B.

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Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 9-10 out. 1894, p. 2.

J. B. O FIM DO SALON. A Noticia, Rio de Janeiro, 30-31 out. 1894, p. 1.

A exposição de belas artes acabará, ao que parece, por uma tombola em que se há de fazer a liquidação dos trabalhos que não encontraram compradores.

Não sei por que, mas, em assuntos de arte, repugna-me sobremaneira ver ir de roldão o respeito, que pelo trabalho artístico se tem, e o valor que um trecho, ínfimo embora, representa sempre, como produto de um escorço de momento, seja qual for o seu resultado final. A obra de arte deve anular-se quando a sua significação não sirva para definir nem uma individualidade, nem uma organização, nem um processo.

Que desta conclusão, porém, se não infira que preciso seja lançar em pregão de venda aquilo que, por valer pouco, ou por não encontrar quem saiba ou queira dar-lhe preço, restou como se fora stock em um armazém de gêneros. Não; a obra de arte ou vale ou deve ser recolhida, como reprimenda ao autor, à sua coleção particular, aquilo que, na vida literária, se chama obra de gaveta.

E nestes casos uma obra que tem que ser corrigida, que é indispensável que o seja, e que, portanto, o autor conserva pelo interesse pessoal de não descer.

Mas querer terminar o Salon da escola de Belas Artes pela venda a quem dá mais do que lá fica, será, porventura, um meio extremamente prático de contentar Deus e toda a gente, mas é também, e com certeza, o estabelecimento de uma igualdade, que é falsa, e a supressão de um estímulo - o da venda - que se faz mister em todas as vidas e muito particularmente na dos artistas.

Isso, bem evidente é, nem aproveita à arte, nem trás lucros ao corpo dos artistas brasileiros. Não aproveita à arte, porque ilude o gosto pouco educado do público, e nada avança para os artistas porque os coloca a todos num pé de igualdade que mais os humilha do que auxilia.

E no fundo é imoral. Parece até que os artistas, que com tão boa vontade acorreram ao apelo da escola, se sentem vexados, com este princípio, se ele se tornar um fato. E tem razão.

A escola entra a estabelecer precedentes pouco recomendáveis. Se a tombola é do regulamento, é um erro da lei e mais valerá não lhe dar execução.

De passagem nos ocorre um outro ato da escola de Belas Artes, que é também estranhável. É o último concurso ao prêmio de viagem, aberto com a exclusão dos alunos da antiga academia, e estatuindo, como predicado essencial, a frequência da atual escola.

Equivale a concorrência da agora a um diploma de incompetência, dado, sem julgamento de fato, a artistas que podem vir a ser glorias, mas que não tem como único o ensino acadêmico.

Estes fatos são incontestáveis defeitos de doutrina e prejudicialíssimos precedentes. Mas o que é de uma gravidade moral, que fere a lesa a arte, é a tombola. Não só porque é jogo, assim pensamos, mas também porque desvaloriza, quase anula os artistas incipientes.

A tombola que se quer fazer é a declaração, por parte do próprio o júri, de que na exposição há trabalhos que lá não deveriam figurar, pela pequenez do seu mérito.

E, além disso, inclui uma como que comiseração e compaixão pelos expositores menos felizes, que mal se concebe que parta daqueles mesmos que lhes franquearam a porta do Salon.

J. B.

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Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

J. B. O FIM DO SALON. A Noticia, Rio de Janeiro, 30-31 out. 1894, p. 1.

J. BELAS-ARTES. O salão dos artistas brasileiros - A ESCULTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 26 ago. 1925, p. 3.

No salão deste ano a seção de escultura parece apresentar-se um pouco mais movimentada que a do ano anterior. O fato merece ser referido com vivo júbilo, tão fraco tem estado, ultimamente, esse ramo nos certames dos artistas brasileiros. Aliás, quem acompanha de perto as crônicas dos salões realizados em outros países, mesmo os de cultura artística mais avançada, sabe que é, via de regra, menor o número dos que se consagram à escultura. O árduo trabalho que esta demanda deve ser uma das causas disso, além da acuidade, da fina percepção por ela exigida, tanto de quem a cultiva como de quem a aprecia.

A razão de ser da preferência por esta ou aquela especialidade artística, principalmente entre a pintura e escultura, tem sido, em todos os tempos, objeto de larga controvérsia, ficando sempre cada um no ponto de vista em que o colocou o seu pendor, mas havendo, entretanto, absoluta concordância quanto à base em que ambas devem repousar: o bom desenho. E este está presente e rigoroso na "Iracema", do professor Corrêa Lima. Bem proporcionados os membros e perfeita a construção anatômica. As linhas gerais dão vida e movimento à figura, que repousa sobre os calcanhares, empunhando o arco, destra em atitude de quem desferiu ou vai desferir a flecha. Na expressão fisionômica não nos pareceu definida qualquer ação. Iracema tem, talvez, estampado no rosto um sentimento de satisfação. A flecha não está presente. Teria sido desferida e alcançado alvo visado pela doce filha de Araken?

O sr. Antonino Mattos expõe detalhes para o monumento aos heróis da Laguna, três figuras em tamanho natural. Tratando-se de elementos para uma obra de conjunto, só em tais condições se as poderia apreciar com justeza.

A estátua da "Vitória", executada pelo sr. Paulo Mazzuchelli, para o novo edifício da Câmara dos Deputados, está lançada com galhardia. As linhas da figura são graciosas e elegantes, apresentando-a cheia de leveza, com agradável vaporosidade, de vôo alçado, quase solta no espaço.

Não foi feliz a sra. Nicolina Vaz no seu grupo "Estudos de dança". Há nele certos descuidos de composição, falta de movimento e de leveza nas atitudes. Também é verdade que se trata de grupo apenas esboçado...

Parece que não exageraremos dizendo constituir nota de grande destaque, nesta seção, uma cabeça escultura em madeira - "Cabeça de índia" - trabalho de Fidias, professor da Escola de Belas Artes do México. De um rústico pedaço de madeira fez esse artista surgir uma fisionomia de formidável força expressiva, na sua tremenda fealdade: estrábica, nariz em sela, certamente devastado pela sífilis, aquela cara macilenta e endemaciada [sic] é como que um espelho onde se refletem estados de corpo e alma.

A "Giovenezza" do sr. H. Cavina, faz evocar a vulgaridade de figuras que ornam túmulos.

Interessante escultura em madeira, com ótimas qualidades de expressão e desenho, é o tipo de "Gravador holandês", que saboreia o seu cachimbo. Enviou-o a sra. Lotte Benter.

A sra. Maria S. Meyer fez-se lembrar com dez trabalhos. Os seus bustos são ótimos retratos, bem expressivos e modelados com certa finura. A máscara em terracota (389) está estilizada com graça e largueza.

Deve ser assim, tal como a concebeu o sr. Humberto Cozzo - a "Traição". É uma figura feminina, garras aduncas, coleante qual a víbora e, como esta, a rastejar pelo chão.

O sr. Francisco de Andrade, além de uma expressiva cabeça a que deu impropriamente o título de "Homem que marcha", levou ao salão duas estatuetas interessantes, dois bons retratos de corpo inteiro em miniatura: o de Paulo Barreto e do dr. Drummond Alves, sendo que este úl- [...]

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Imagens

"Cabeça de índia" - escultura em madeira, do artista mexicano Fidias

"A Vitória" - estátua de Paulo Mazzucchelli

"Iracema" - do professor Corrêa Lima

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

J. BELAS-ARTES. O salão dos artistas brasileiros - A ESCULTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 26 ago. 1925, p. 3.

J. BELAS-ARTES. O salão dos artistas brasileiros - A PINTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 19 ago. 1925, p. 7.

Intensifica-se a vida artística nacional. As exposições individuais sucedem-se e aí temos agora o salão dos artistas brasileiros despertando o mais vivo interesse, sempre animado pela presença de visitantes.

Felizmente, já vão longe os dias em que aquelas galerias permaneciam desertas e as almas dos artistas eram invadidas pelo desânimo. Conforta assinalar que as nossas exposições gerais vão melhorando de ano para ano, sendo de lamentar que delas se afastem, preconcebidamente, artistas de incontestável valor, cuja presença ali, com seus trabalhos, devia constituir uma obrigação moral, além de ser um exemplo altamente salutar.

O momento reclama o congraçamento de todas as energias em prol de um ideal comum, trabalhando cada qual para que novas fases de marasmo não venham estiolar a mais bela manifestação da cultura de um pouco.

A evolução que temos tido nesse terreno e a reforma do ensino parecem oferecer oportunidade para o estabelecimento de medidas mais severas quanto ao preparo intelectual a exigir dos que se destinam à carreira das artes plásticas. A organização do próprio salão também está a reclamar uma remodelação nas suas bases e a adoção de umas tantas providências entre as quais se poderá incluir a de não entrarem no mesmo trabalhos já expostos aqui, prática que se vem tornando abuso nestes últimos anos.

Feitas estas breves considerações à guisa de preâmbulo para o registro de impressões sobre os trabalhos enviados ao salão deste ano, começaremos por assinalar as cinco paisagens do professor Baptista da Costa, o sempre admirável intérprete da natureza brasileira, destacando entre elas por mais nos falarem à alma, "Dia nublado" e "Ao amanhecer", dois magníficos flagrantes colhidos da terra paulista.

Edgard Parreiras confirma o merecido conceito em que é tido, com a sua "Manhã de Agosto", uma paisagem quente, cheia de luz, apresentando interessantes efeitos de sol e sombra; os planos amplamente desdobrados, a atmosfera lavada, a brancura do areal e a rara vegetação da restinga, são como que um vivo e sentido testemunho do contato do artista com a natureza.

Das quatro marinhas de Garcia Bento, a mais forte é, por certo, "Dia de chuva", empolgante aspecto de terra e mar levado para a tela com toda a sua grandiosidade, através o fino temperamento deste jovem pintor patrício. As nuvens pesadas e escuras vistas ao longe são um prenúncio de tempestade certa e a chuva está ali, positivamente assegurada pela umidade que vai envolvendo todo o ambiente. Nada mais simples, é verdade; mas, também, nada mais expressivo.

Armando Vianna entre outros trabalhos, apresenta "Flores ao sol", uma feliz composição. As flores são três viçosas criaturas, gozando as delícias do pitoresco recanto plantado à beira-mar. Esse quadro oferece um conjunto de qualidades bastante apreciáveis. A paisagem é cheia de frescura e as distâncias bem proporcionadas, inclusive os longes. O céu tem a limpidez dos nossos belos dias de verão. As figuras que animam o primeiro plano gozam tranquilas o ar puro que ali se respira. Estão tratadas com graça e largueza. Elegante a silhueta da que se acha de pé. A luz é intensa e dá vida ao ambiente. Agradáveis e harmoniosas as notas de cor, justos os efeitos de luz que se coa através a sombrinha vermelha. Enfim, o quadro "Flores ao sol" do jovem pintor Armando Vianna, é um dos trabalhos que dão vida ao salão deste ano no qual os predicados superam com vantagem uma ou outra restrição que tivéssemos a fazer.

Pode ser considerado obra de mestre o retrato do dr. Marianno Junior (318 do catálogo) envio da sra. Sarah Villela Figueiredo. O fundo é neutro e o retrato em corpo quase inteiro tem grande relevo, sendo de salientar ainda a maneira feliz com que foram tratadas as mãos, o chapéu e bengala. Também merece ser citado o auto retrato a pastel (325 do catálogo).

Um artista que este ano não nos parece representado na altura do seu renome, é o senhor Eliseu Visconti. Reproduziu ele em pequena tela um aspecto curioso do bairro de Copacabana - "Vila Rica" - nome pejorativamente dado a aprazível e pitoresco recanto, onde a pobreza, para se abrigar tem construído miseráveis barracões. O verde dessa paisagem está, a nosso ver, muito diluído; é um verde fraco, lavado e cru; não evoca o forte vigor da nossa pujante natureza. Está claro que o trabalho do consagrado mestre tem qualidades decorativas das mais preciosas e finas, dificuldades vencidas com galhardia e inquestionável pureza de desenho.

Não víamos, de há muito, um trabalho de Navarro da Costa, depois da sua recente estadia na Europa. Foi com viva surpresa que nos defrontamos com a nova maneira desse apreciado marinhista. Habituados que estávamos à sua técnica primitiva, não podemos, desde logo, atribuir-lhe a autoria de "Veneza no outono". Folheamos o catálogo: tela 241. Confessamos que ao contemplar esse quadro o nosso espírito evocou as produções de Bompard, maravilhoso pintor da cidade dos Doges.

Poder-se-á alegar que a maneira é bem outra e que não se haja ali alcançado, com aquela mesma admirável perfeição, a leveza rarefeita do ambiente, aqueles céus translúcidos, as sombras a se projetarem indefinidamente pelas massas líquidas dos canais, aquele sentimento de antiguidade que tudo envolve e define. Mas não será só essa evocação legítimo título de glória para o artista patrício? Estamos pela afirmativa. As tintas acumuladas gozam agora da sua predileção, maneja a espátula com rara facilidade, abusa mesmo algo do processo da acumulação, mas não há negar que os efeitos são conseguidos com a necessária precisão. As tonalidades são fortes e vigorosas, lançadas com aquela máscula virilidade que foi sempre uma das mais valiosas características desse pintor. Com quadro "Veneza no outono" o sr. Navarro da Costa abre uma nova clareira à sua arte e a confirma com os mesmos requisitos em "Canal flamengo" convindo acentuar nos dois trabalhos a observância de uma ótima e segura perspectiva.

Dos quinze (!) trabalhos enviados por Levino Fanzeres, apenas dois deviam ter sido aceitos. Os demais são pequenas manchas, cujo valor não vem a propósito apreciar. Ficariam bem numa exposição individual ou no atelier. Estão, porém, deslocados num salão anual. Dos dois quadros a que aludimos, o "Recanto de Vila-Velha" tem muito convencionalismo, mas o outro - "Vale da Alegria" - é uma paisagem cheia de qualidades, muito sincero e bem sentida.

Que excelente pintor de figuras ao ar livre se tem afirmado sr. Pedro Bruno! Com quem encanto reproduz aspectos da vida das praias! Desta feita escolheu ele interessantes motivos para os quadros com que se fez representar. Olhemos para "Hora feliz". É a hora do banho para os pequenos. O menor agita-se nos braços maternos, desejo de voltar à tina d'água, onde está o irmão. O cenário é um trecho de praia. Do mar sopra a brisa enfunando a roupa nos varais. Há muita verdade nesse quadro. É tenra a encarnação dos pequenos, alegres carinhas redondas, rosadas e saudáveis. Sente-se, na expressão materna, a satisfação, o sorriso franco da alegria de uma existência a decorrer em lar sereno e feliz. Em "Raios de sol" e "Radiosa", tem Pedro Bruno obras de igual valor artístico. Na tela - "Filhos do mar" - há vida e movimento, embora encontrássemos restrições para algumas figuras dessa composição.

São mais frequentes no salão deste ano os trabalhos a pastel, principalmente retratos. Citemos os que foram enviados pela sra. Gilda Moreira e Helena Frontin Hess.

Também se acha bem representada na presente exposição geral a sra. Solange Frontin Hess, com dois bons retratos, sendo que o "Leque de plumas" é um perfil bem interessante.

Ficam por aqui as primeiras impressões do salão. Prosseguiremos no registro das mesmas. - J.

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Imagem

"Dia nublado" - paisagem paulista do professor Baptista da Costa

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

J. BELAS-ARTES. O salão dos artistas brasileiros - A PINTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 19 ago. 1925, p. 7.

J. BELAS-ARTES. O salão dos artistas brasileiros - A PINTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 25 ago. 1925, p. 7.

Prosseguindo no registro de impressões sobre o salão deste ano, trataremos ainda da seção de pintura, a que maior campo oferece à observação do visitante por ser a que maior número de trabalhos reúne.

Em primeiro lugar citaremos o nome que culmina a pintura feminina no Brasil: a Sra. Georgina de Albuquerque. Pertence-lhe, sem dúvida, a mais bela nota de cor do atual certame. É a tela "O segredo da flor", trabalho feito com largueza e cheio de uma encantadora frescura. Soberbo momento de feliz inspiração, esse em que a artista conseguiu tirar da sua palheta aquela verdadeira torrente de harmonias. Não há hesitações. As pinceladas correram sobre a tela com a segura precisão dos efeitos desejados, formando aqueles tons quentes, voluptuosas e macios. A maneira é simples, sem rebuscados, mas lá ficou tudo quanto de expressivo e delicado a pintora quis dar àquela figura de mulher que tem dentro da alma todo o misterioso segredo de uma flor.

Além desse trabalho a Sra. Georgina de Albuquerque enviou mais três, todos com qualidade muito apreciáveis. Não nos agradou, entretanto, a perspectiva aérea do fundo dado ao cenário das duas criaturas que palestram "No terraço". Casas, baía e montanhas, deviam ter ido mais para longe, de modo a estabelecerem, pela distância, uma proporção mais equilibrada com o tamanho das figuras, que ocupam o primeiro plano.

Leopoldo Gotuzzo parece que tem a volúpia de vencer dificuldades nos seus estudos de nu. A consciência com que ele observa a construção anatômica dos modelos, dão-lhe individualidade inconfundível. No "Turbante azul" e em "As pérolas", temos a admirar, além da carnação sadia e moça, da graça e do vivo frescor que envolve a cabeça desta última, toda aquela riqueza de panejamentos e acessórios que tanto concorrem para bem predispor o meio ambiente.

Um interior meticuloso, o "Tricot", do Sr. Guttman Bicho. Aquela figura, assim de perfil, tem delicadeza e poesia.

O artista que abre o catálogo da presente exposição é de nacionalidade alemã e enviou 19 trabalhos!! Mais um pouco e poderia o Sr. A. Gartmann ter feito uma exposição individual. Trata-se de um artista que enfrenta todos os assuntos com desembaraço. Possui o Sr. A. Gartmann, o que falta a muita gente boa: seguros conhecimentos do desenho. Sobremodo interessantes seus retratos a sanguínea e a carvão, principalmente o de Frei Pedro Sinzig. No retrato a óleo deste sacerdote não foi o artista tão feliz quanto naquele, pois deu-lhe um caráter avelhantado e ríspido, ao passo que na sanguínea a bondade está aliada não à rispidez mas à energia. Há certa falta de vibração no colorido da paisagem colhida no Leblon, mas o seu interior da Igreja de S. Francisco (Bahia) com aqueles pretos a orar, constitui uma nota de fino lavor artístico.

O Prof. Lucilio de Albuquerque apresenta, ao lado de outros trabalhos, "O arrastão", um aspecto da vida dos nossos pescadores. É um trecho da bela praia de Icaraí, banhado por intensa luz. Os homens do mar, sobre a brancura do areal, pés fincados na areia, retesados os músculos, estão entregues à faina de arrastar para terra a grande rede que lhes deve trazer, com o bom pescado, a recompensa ao árduo labor diário.

Sugestivo e espiritual o grande quadro com que Augusto Bracet desenvolve o tema do seu "Fim do calvário". A humanidade vai galgando, na dolorida procissão do sofrimento, a encosta escarpada da vida. Carrega cada um a sua cruz a caminho do seu calvário. O sagrado madeiro está ali como símbolo de sofrimento e de dor. O assunto capital do tema ocupa a parte dominante do quadro. É uma figura de mulher - um nu em tamanho natural - que lá atingiu o fim do seu calvário. Deixou a cruz e vai ascender ao céu, ajudada por outras figuras em que o artista simbolizou a fraternidade humana.

O pintor Augusto Bracet também expõe o retrato do Dr. Ramos Montero, ministro do Uruguai.

O gênero retrato foi o que mais afluiu ao salão deste ano: lá estão reunidos mais de setenta! Só o Sr. Gartmann mandou 15 e o Sr. Portinari 5, sendo que destes alguns já expostos cá fora! Citemos alguns trabalhos desta especialidade.

Comecemos pelo do Sr. Manoel Constantino que resolve com garbo dificuldades de cor e de atitudes, não temendo mesmo o acabamento das extremidades. Seus retratos (208, 209 e 210 do catálogo) tem vida, graça e expressão. O jovem artista foge das atitudes clássicas e estudadas, cria conflitos com as cores vivas formando contrastes arrojados, mas, ao fim de tudo, consegue apresentá-las em agradável harmonia.

O auto-retrato da Sra. Edith de Aguiar não pode estar de acordo com o modelo; não acreditamos que seja assim o seu braço esquerdo. Mas o outro (97 do catálogo) tem qualidades muito apreciáveis e que seriam maiores se os enfeites do vestido fossem apresentados com mais leveza.

Um bom retrato do Dr. Dunshee de Abranches, o que expõe o Sr. Meinhard Jacoby. Pena é que o interior, um gabinete de trabalho, não esteja mais arejado. O quadro "As irmãs" é interessante como grupo pela atitude graciosa das duas criaturas retratadas mas o colorido é anêmico e frio.

O Sr. Oswaldo Teixeira, que desfruta na Europa o seu merecido prêmio de viagem, está mal representado com aqueles dois retratos (261 e 262). Em tais condições parece-me que melhor fora não ter aparecido o seu nome no salão deste ano. Tendo passado, há pouco, por Lisboa, o jovem artista deve ter visto ali, se lhe aprouve, os quase divinos retratos de Columbano e, se os viu, sem pretensão estulta ou vaidade tola, compreendeu, por certo, quando lhe falta caminhar ainda para chegar vitoriosamente ao reino dos grandes eleitos.

O retrato em corpo inteiro (tela 331) enviada pelo Sr. Theodoro Braga, tem relevo e o tom ouro-velho do vestido foi alcançado com justeza.

Dos cinco trabalhos expostos por Yvonne Visconti, o único que nos interessou foi "Leitura". O desenho do mesmo é ótimo; na encarnação do dorso parece sentir-se o sangue à flor da epiderme e a cabeça foi tocada com graça e largueza. É uma pequena nota em que há arte e espírito.

Arrebatado pelas asas da fantasia, o Sr. Manoel Santiago andou vagando pelo país das quimeras e do sonho. Foi de lá que ele nos trouxe, para este mundo de coisas reais e utilitárias, o "Noturno de Chopin" e a "Flor do Igarapé". São dois nus trabalhados dentro de um puro idealismo. Olha-se com viva simpatia para esses dois quadros, mesmo abstraindo do convencionalismo que os envolve, tal a harmonia de suas linhas e tão grande a suavidade que deles transborda.

Se bem que mais terrena nas suas concepções artísticas, menos convencional na maneira de sentir a natureza, a Sra. Haydée Lopes Santiago, também se deixa empolgar um pouco pela fantasia ao criar os tipos de suas composições, nas quais há sempre movimento e a alegria bizarra do colorido.

Rosa soltas ao lado do violino e da palheta. Com esses elementos fez o sr. Bernardino Pereira um quadro de natureza morta. As rosas tem viço e frescor; as tonalidades estão bem equilibradas. Dos trabalhos que ele expõe é esse o mais feliz.

Uma paisagem sentida, posta em boa perspectiva e bastante arejada, a "Tarde de inverno em Teresópolis", da sra. Angelina de Figueiredo. O ambiente é de frio seco e tem como que uma vaga brancura de neve.

Está envolvido em tranquila doçura religiosa, o interior de tempo enviado pelo sr. E. Latour; bem lançado o painel decorativo do sr. André Vento; boa figura de ar livre e amplo aspecto de praia, a tela do sr. Domingos Dias da Silva (90 do catálogo); injustificáveis certos descuidos de desenho em trabalhos do sr. Henrique Cavalleiro; interessante o aspecto de praia "Cajueiros", do sr. Cadmo Fausto de Souza; amaneiradas as cinco produções do sr. Hernani de Irajá; cheios de qualidades muito apreciáveis os nove trabalhos enviados por Mario Tulio; desenhada com vigor, finalmente tocada e altamente exprissiva [sic] no sentimento que a envolve, a cabeça de "Velho mosqueteiro", pelo sr. Gaspar Magalhães (Paris - 1918); executado com muita leveza e agradável de tons, o estudo para painel decorativo, do sr. Marques Junior; pouco ventilada e sem fundo, a paisagem do sr. Manoel Faria, mas o seu "Flamboyant" (132), tem melhores qualidade de cor e de perspectiva.

Encerramos aqui as nossas impressões sobre a seção de pintura. É possível que muita coisa haja escapado à nossa observação. Deixamos de fazer referências aos trabalhos já expostos cá fora pela razão natural de nos termos oportunamente manifestado a respeito dos mesmos.

Lamentamos, de passagem, a presença, no salão, de umas tantas extravagâncias, convindo não esquecer nunca que aquilo não é um certame de alunos, mas - o salão dos artistas brasileiros.

A seguir registramos impressões sobre seção de escultura. - J.

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Imagem

"O arrastão" - quadro do professor Lucilio de Albuquerque

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

Editando J. BELAS-ARTES. O salão dos artistas brasileiros - A PINTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 25 ago. 1925, p. 7.

J. C.
J. C. ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 26 ago. 1921, p.5.

A EXPOSIÇÃO GERAL.

A primeira deliberação do júri da XXXVIII [sic] exposição geral de belas artes foi sábia.

Acaba ele de resolver não conferir a nenhum expositor a medalha de honra.

Dois grandes artistas estavam apontados para receber essa ilustre recompensa. Mas, como não seria justo preferir um ao outro, a medalha de honra não foi colocada.

Essa primeira resolução mostra uma boa disposição de ânimo, quando é hábito acusar-se os nossos artistas de más intenções uns com os outros. Ainda assim, a comissão recusou muitos trabalhos destinados ao salão.

Isto poderia trazer a ideia de que o salão deste ano estivesse constituído de bons trabalhos selecionados. Mas o que realmente merece algumas palavras é muito pouco.

Não se pode dizer que a nossa exposição geral, em 1921, seja uma organização que eleve a nossa cultura artística. Ao contrário, apesar da permanência de algumas afirmações anteriores, o conceito geral só pode ser precário, diante da pobreza mental, da falta de senso artístico, da indigência dos processos que em maioria se observam em uma exposição que apresentamos aos estrangeiros como estratificações de tudo que possuímos, que ganhamos, que refinamos durante um século, em matéria de artes plásticas.

Não há dúvida na existência de verdadeiros talentos. Mas as nossas telas são, em maioria, destituídas de origem séria. Verdadeiros pintores, como o Sr. Baptista da Costa, a se preocupar com cenas de teatro ligeiro, em peças inconsequentes; como Augusto Bracet, a fazer símbolos filosóficos de uma rara infelicidade. O pendor do nosso espírito fantasista como que nos vai apagando o senso clássico da arte pura e simples, para seguir escolas que jamais serão escolas, tendências mórbidas, que são, lá mesmo, nos grandes centros de arte, o doloroso sintoma de desagregação e de esgotamento, que nem ao menos marcam a ansiedade precursora dos renascimentos.

Não se pode, é verdade, condenar uma obra de arte exclusivamente pelo assunto que ela encerra. Mas é que a falta de sinceridade exclui o elo divino, que liga, pela inspiração, a obra artística à natureza.

E, em nosso salão, um único artista é sincero na externação da sua maravilhosa fantasia. É Helios Seelinger. Vê-se que ele sente e sabe exprimir o palor dos recantos de sonho ou o fulgor das forças desencadeadas de um mundo irreal, porém materializado nas possibilidades das coisas visíveis.

Possivelmente nos falta um ambiente superior, artístico, onde os nossos pintores pudessem apoiar o seu espírito, educar sua visão, constatar o aperfeiçoamento de sua técnica. Mas isto não justifica que tentemos escaladas à puerilidade, e melhor seria organizar um salão de exposição nacional com meia dúzia de telas, que encher o sombrio corredor do grande instituto com coisas de puro esforço físico, que estão longe de despertar a menor ideia, que não seja a desolação.

Não procurem os nossos artistas efeitos falsos. Pintem o que possam sentir. Nada há mais rico que a própria verdade. Nada mais insubsistente que a ficção. Entre as obras-primas de pintura, que os museus tão avaramente guardam, não se encontram arremedos e intermitências de lantejoulas, mas a expressão de uma alta sensibilidade na apreensão da natureza, em qualquer das suas mil facetas.

Mas não chegamos até aqui por achar imprestável tudo quanto se contém no salão oficial deste ano. Teremos mesmo um grande prazer em assinalar obras dignas de uma referência mais analítica do que as destas linhas apenas de impressão.

Auto-retrato, do professor Amoedo, por exemplo, é um desses trabalhos que fazem acreditar no ressurgimento de energias que se julgaria extintas.

Não nos leve a mal o ilustre mestre. Mas de muitos anos datam os seus trabalhos isentos de restrições irreverentes. Há muito que se acreditava Rodolpho Amoedo estacionário, se não decadente.

O seu auto-retrato, porém, dá-nos, felizmente, a prova de que lhe permanecem todas as suas grandes faculdades, conseguindo executar pelo difícil processo da aquarela um dos mais perfeitos trabalhos desse gênero.

Entretanto, a nossa falta de ambiente é realmente notável. Não nos conta que as faculdade de um verdadeira artista, em qualquer latitude do globo, possam escapar à regra natural do desenvolvimento pela constante relação das coisas da vida.

Só entre nós, ao que parece, tais faculdades esmorecem com o correr do tempo. Por quê? Possivelmente pela miséria artística do meio.

Não pode haver outra explicação para a evidente inferioridade das telas expostas este ano pelo Sr. Baptista da Costa, em que o Dia luminoso, de contornos ásperos e planos duros como de cartão recortado, nada tem das belas paisagens do seu antigo pincel, paisagens de doce expressão, cheias de ar finíssimo a envolver a estrutura oscilante das árvores e a refletir-se no espelho móvel das águas.

Pode-se, porém, francamente gostar de Madame Arai, de Gaspar Magalhães, uma dessas telas que inspiram confiança, onde tudo é harmonia e sinceridade, honestidade de processos. Deve-se elogiar Mocidade, de Angelo Cantú, uma riqueza de expressão, de colorido, demonstração de uma arte forte e bem sentida. Impossível deixar de parar com agrado diante dos retratos de Mlle. Jacy e de Angelo Lazary, feitos por esse modesto e magnífico artista, que é Raul Deveza. Quem não gostará de Acácias, tão cheia de luz e de frescura, da Sra. Gerogina de Albuquerque [sic] ? Sol da tarde, de Edgard Parreiras, é uma tela digna de ser admirada, como são magníficos os quatro trabalhos desse consciencioso artista que é Arthur Timotheo, principalmente o conglomerado de alguns colegas, cada um deles tratado com os recursos de que dispõe Timotheo, que lhes deu um caráter próprio e inconfundível. João Timotheo tem uma Cabeça excelente, e fez um assunto histórico muito bem tratado, Fernão de Magalhães. Levino Fanzeres, já consagrado, expôs três ou quatro estudos de uma grande tela comemorativa para o Espírito Santo, seu Estado natal, e Quietude, impressionante paisagem, em que tudo está revelado preciosamente, como só os grandes artistas o podem fazer.

Dois dos mais ilustres pintores brasileiros compareceram com trabalhos seus - Eliseu Visconti, pensionista da Escola de Belas Artes em 1892, e Antonio Parreiras. Mandou este o seu Caçador de esmeraldas, de que já nos ocupamos, e aquele alguns trabalhos antigos e modernos, todos primorosos e alguns já bem aceitos no salão de Paris.

A exposição não revela grandes progressos para o Brasil, infelizmente; mas, como acima dissemos rapidamente, vê-se que alguma coisa nos resta.

J. C.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

J. C. ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 26 ago. 1921, p.5.

J. C. Van Dorser
J. de Matos
J. Kempff
J. M.
J. M. ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 15 ago. 1918, p.4.

Ligeiras impressões do salon

- "Isto tem, pelo menos, uma grande qualidade - é sincero!"

Tão categórica afirmação, por nós ouvida precisamente quando entravamos na primeira sala, era feita por um cavalheiro já de certa idade, corretamente vestido (linda pérola, a da gravata!) a uma senhorita, talvez filha, elegantíssima no seu tailleur de flanela azul que o ouvia com a recolhida atenção a que só tem direito as palavras dignas de inteira fé.

Aproximamo-nos discretamente e contemplamos, também, a escultura a que se referia o cavalheiro já de certa idade e bem posto. Era um "estudo", segundo o catálogo - uma cabeça de moço plebeu atavicamente afinado pela civilização da capital, e cujo bonet de casimira nos deixou perplexos sobre a profissão que lhe devíamos atribuir.

Parece que aquele bonet é o que mais particularmente caracteriza os "apaches". Não sabemos se com verdade, se apenas convencionalmente, porque louvado Deus! Nunca tivemos ensejo de os ver, a não ser no écran dos cinemas.

Mas a aceitarmos como "documento visto" o assinado por Fanzeres num pequeno pastel, de excelente cor e de execução muito espontânea e feliz, "o bonet faz o apache" e devemos agradecer ao Altíssimo que assim seja! Sem aquele bonet, achatado sobre a pála [sic], eles poderiam passar perfeitamente despercebidos e até inspirar-nos a maior confiança, como esse mesmo rapagão, de fisionomia sadia, tranquila e mais jovial do que suspeita, com que Fanzeres previne a nossa ingênua boa fé.

Demoramo-nos na contemplação da escultura que mereceu a observação do cavalheiro já de certa idade e bem posto. Não revela audácias, nem pretensões inovadoras e não berra pela atenção do visitante, mas pelo modelado agradável e fácil, que indica principalmente a honesta observação do seu autor e talvez, também, porque o catálogo não o denuncia à nossa cautela, dissemo-nos, a nós mesmos:

- Sim, realmente, isto parece sincero! E logo a seguir: - Afinal, que é a sinceridade, em arte?

Ora, foi na confusa curiosidade desta interrogação que percorremos, lentamente, as poucas salas da vigésima quinta exposição nacional de belas artes.

Mas devemos ao leitor um esclarecimento.

O autor das linhas que tem a fortuna de estar neste momento sob os seus olhos, não é crítico de arte, nem mesmo amador. É um homem medianamente educado, como toda a gente e que, também como toda a gente, tem passado a parte mais útil da sua vida em perseguição da fortuna, com o bom senso, porém, de evitar - senão com escrúpulo, pelo menos com acentuada sagacidade, todos os atalhos que o código veda despoticamente ao "trânsito público".

Teria, portanto, em assuntos de arte, a vaga compreensão que um homem essencialmente "prático" pode adquirir da estatuária municipal das praças e jardins; dos painéis das igrejas e dos retratos a óleo, que tão solenemente decoram alguns dos santuários da administração pública mais accessíveis ao contribuinte.

Seria muito pouco, é certo. Mas ultimamente leu muito, muitíssimo! Felizmente, a guerra, tão condenada por tantíssimas pessoas, permitiu-lhe a realização de todas as aspirações! É - como ironicamente dizem os pobretões - um "novo rico", ou um "recém-ricaço". Bambúrrio? Talvez.

Mas já sem preocupações de ordem material deseja gozar a vida, deleitar-se. Ora, dizem que não há gozos superiores aos que a arte concede a quem cultiva. Por que a não há de cultivar? Não é absolutamente ignorante. Ultimamente tem lido até autores ingleses e russos. Traduzidos, já se vê. Preza-se de ter um "bom gosto" equilibrado, sensato, mediano, digamos: "normal", como o de toda a gente.

Deseja, portanto, formar a sua galeria. Galeria pequena, mas escolhida! Daí as suas visitas ao salon e o direito, que hoje assiste a toda a gente de dar a sua opinião acerca das obras expostas. Não faz bem?

Ouçamol-o.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Natalia Mano Goulart Saraiva

J. M. ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 15 ago. 1918, p.4.

J. M. ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 16 ago. 1918, p.5.

Ligeiras impressões do Salon.

- Afinal, que é a sinceridade, em arte?

E como muito refletimos durante a nossa vagarosa e atenta visita, concluímos, à saída, que a resposta é fácil, ou impossível...

"Fácil", se nos satisfizermos com a significação essencial das palavras e diremos, então, que é sincera a obra de arte quando o pensamento, ou o sentimento do artista, que a executou, nela se traduz com clareza e a inteira simplicidade da verdade; "impossível", se quisermos definir a Verdade...

Daí resultou a nossa convicção de que a sinceridade em arte é uma virtude extremamente elástica e, portanto, de uma significação muitíssimo relativa.

O que pode parecer sincero a uns, pode não o parecer a outros. Esta afirmação talvez tenha aparências acacianas, mas não deixa, por isso, de ser verdadeira.

Nós, por exemplo, que ignoramos completamente os "mistérios da técnica", como já aqui ontem confessamos lealmente ao nosso leitor, podemos julgar sincerissima uma obra de arte na qual o profissional talvez só encontre o "processo" e preconceitos de "métier", mais ou menos simpáticos.

Há, pois, duas maneiras de ver a arte?

Uma, leal, desprevenida, e apenas curiosa de "admiração", isto é, apenas desejosa de receber toda a irradiação emotiva da obra que contemplamos e outra prevenida, reservada e cautelosa contra os "entusiasmos fáceis", no empenho, - igualmente sincero, - de só vermos como julgamos que devemos ver!

Parece que sim! A primeira é a do "sentimento", a dos profanos, a nossa; a segunda que, logicamente, deve ser a dos próprios artistas e dos profissionais da crítica, é a da "análise e tem a particularidade - apreciável - de explicar as frequentes divergências de opiniões em tais assuntos e a pasmosa convicção com que, enquanto uns afirmam que certas obras só estariam dignamente no Olimpo, para deleite de divinos olhos, outros as declaram indignas mesmo do pó e da traça de qualquer porão.

Ora, se há mais de uma maneira de ver "sinceramente" e se os próprios artistas veem de um modo seu, particular e individual, segundo a orientação do seu espírito, quase sempre derivada da orientação da sua escola, não é lógico que a sinceridade com que "executam", tenha, também, modalidades apreciáveis.

Basta atender a que o artista, - pintor, escultor, ou músico, - só consegue dar a impressão completa de "sinceridade" quando possui completamente todos os seus meios de expressão.

Isto é tão intuitivo que para exemplificação nem vale a pena de lembrar os embaraços de qualquer estrangeiro que, ignorando a nossa língua, quisesse falar-nos com eloquência, clareza e brilho, da sua admiração sincera pela nossa baía, por exemplo. Teríamos, por força, de sorrir intimamente da sua sinceridade... se o espetáculo dos seus esforços não nos afligisse.

Daí o efeito de telas e esculturas em que o desejo de ser sincero é evidente, mas que, apesar disso, nos submetem a uma penosa impressão de mesquinhez, pela sua inconsciente, ou angustiada insuficiência de expressão, e daí, também, a irresistível atração de outras, dominadores da atenção do espectador, que nelas sente a robusta segurança, a clara sinceridade de quem as executou, como, por exemplo, o retrato do Sr. S. de V., de Rodolpho Chambelland, sóbrio e tranquilo em toda a sua construção e minúcias; de rara pureza clássica na sua composição tão simples e pessoal, e magistralmente luminoso, embora dominado pela nota sombria, (obra verdadeiramente digna da mais exigente galeria moderna e com a qual o autor se afirma, vitoriosa e definitivamente, no gênero mais difícil da pintura), - as paisagens de Baptista da Costa, o Mestre, que está no período culminante da sua obra de "paisagista", como se depreende da honestíssima simplicidade da sua paleta cada vez mais justa e da sua feliz exatidão visual; - A Última Ceia, de Carlos Oswaldo, onde a par da grandeza do assunto e da franqueza da composição, há minuciosidades delicadíssimas de observação e de factura; - as Caravelas, de H. Selinger, numa gama puramente decorativa, mas de excelente composição que, na intencional simplicidade, não diminui a grandeza do assunto; a Velha mangueira, De Servi, magistral de luz e perspectivas; as aquarelas de Colon, voluntariamente opacas, mas magistrais na harmoniosa verdade do colorido e de corte felicíssimo; - uma figurinha de mulher, numa moldura elíptica, cujo número nos escapou, encantadora de espontaneidade e de frescura, e Jardim Florido, de Georgina Albuquerque, ao qual nos referiremos proximamente. - J. M.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Natalia Mano Goulart Saraiva

J. M. ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 16 ago. 1918, p.5.

J. M. ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 17 ago. 1918, p.5.

Ligeiras impressões do Salon.

Será inteiramente justa a inclusão do Jardim florido, de Georgina Albuquerque, entre as obras a que acabamos de nos referir?

Ah! Se todos os artistas pudessem ter a paciência de esperar; se antes de abandonarem os seus trabalhos ao público pudessem afastá-los de si durante o tempo necessário para os esquecerem um pouco e, depois, os analisassem com os olhos repousados e já livres da obsessão do esforço empregado, quanta coisa má seria sofrível, quanta coisa sofrível seria boa e quanta coisa boa seria ótima!

Mas a autora do Jardim florido está, realmente, na plena posse de todos os seus meios de expressão?

Que o diga quem melhor entenda do assunto, do que nós, simples neófitos.

Na nossa opinião, porém, a sua tela, evidentemente levada a cabo com a absoluta compreensão das responsabilidades, exprime tão grande sinceridade e tão ardente "querer"; a feitura é tão leal e o desenho tão seguro; o ar, sob aquele guarda-sol, é tão transparente e luminoso; enfim, a "nota vista" nos é tão harmoniosamente transmitida e aquele efeito de luz (sempre sedutor e traiçoeiro) cai tão facilmente nas vulgaridades "impressionistas" do cromo e do 'afiche - quando não é visto e sentido assim, por um colorista verdadeiramente delicado e de processos fundamentalmente honestos, - que é justo esquecer as pequeninas anomalias da paleta para a inscrever com prazer entre as obras de maior valor do atual salon.

*

Mas porque a inteira posse dos meios de expressão permite a "clareza da sinceridade", devemos acreditar que todos os artistas em plena maturação profissional são "sinceros"?

Certamente, não!

Para exemplificarmos a insuficiência expressiva, lembramos atrás, o caso do estrangeiro que, desconhecendo a nossa língua, nela nos quisesse exprimir, com eloquência, clareza e brilho, a sinceridade da sua admiração pela nossa paisagem.

Para respondermos à pergunta que nos saltou agora dos bicos da pena, recorreríamos ao caso inverso: - o do orador hábil e senhor de todos os segredos da oratória, que, usando brilhantemente da sua eloquência, não a pusesse sinceramente ao serviço de um ideal, mas, calculadamente, ao dos interesses da sua ambição.

Assim compreenderíamos, talvez melhor, o caráter de certa arte, toda de "efeitos", de audácias, ou desembaraços de puro métier, calculadamente teatral - no sentido cenográfico - e na qual a ânsia da exterioridade exclui toda a significação espiritual; obras sem "fundo", apenas para os olhos, - felizmente não para os de todos – sem um cantinho onde o sentimento se acolha e repouse, na consoladora intimidade que todas as obras de arte reservam a quem as contempla!

E, principalmente, da paisagem que essa arte vive. Ubérrima paisagem!... - J. M.

Exposição Geral de Belas Artes.

Continua a ser muito visitado o salon oficial de belas artes, aberto das 10 às 17 horas. Hoje, sábado, é considerado dia chic'', e por isso a entrada custará 2$000. tem sido animadora, para os artistas expositores, a afluência de amadores colecionadores, que tem feito grandes aquisições.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Natalia Mano Goulart Saraiva

J. M. ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 17 ago. 1918, p.5.

J. M. ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 20 ago. 1918, p.5.

Ligeiras impressões do "salon".

Como profanos, todos os sistemas e feituras nos parecem admissíveis na pintura de cavalete, desde que se destinem a exprimir a ideia ou o sentimento que o artista quis despertar em nós, e não pretendam interessar-nos exclusivamente pelo seu caráter, apuradamente clássico, ou extravagantemente revolucionário.

Como profanos, nos é indiferente que A, em vez de se utilizar de pincéis como B e C, se sirva de escovas ou esponjas, e que recorra ao efeito do alto relevo, por meio da sobreposição da tinta empastada, ou que lhe prefira o das tenuidades do espeganço [sic] - se com isso pôde exprimir o que pretendia. Mas, se apenas o preocupou o empenho de prender a nossa atenção pelas singularidades do processo, por mais individual que ele pareça, temos o direito de não apreciar em alto grau a sua arte, e de dizer que tal artista não vê a natureza através do temperamento, mas que se serve dela simplesmente como pretexto para a aplicação, mais ou menos engenhosa, das suas astúcias de artífice.

E já não será, então, para nós o artista, mas, apenas o ...arteiro!

*

Finalmente, qual a impressão obtida do atual salon?

Excelente! Não o dizemos com vibrações de entusiasmo calculado, mas com a sinceridade, embora de um visitante desejoso de ver com os olhos da boa fé.

Há naquelas salas coisas notavelmente inferiores e algumas impiedosamente rejeitáveis, mesmo por profanos, como nós?

Seria rematada hipocrisia negá-lo!

Mas, existem para isso duas razões igualmente ponderáveis.

Primeira: A conveniência de aceitar tudo, para não desanimar os que começam...(e parece que até os que... ainda não começaram).

Segunda: A necessidade que os aristas tem, de viver, como toda a gente. Porque se há um ideal, que é a aspiração da suprema perfeição nunca atingida, ou, segundo a vulgarizadíssima expressão de Guizot, a pura essência da poesia, desventuradamente ainda há um outro, não menos empolgante e a cuja realização absoluta até os artistas são constrangidos - para felicidade do senhorio, do vendeiro, do sapateiro, do alfaiate...

Isso explica perfeitamente a falta de seleção de alguns artistas nas suas próprias remessas, isto é, porque - a par de trabalhos seguros e dignos do maior apreço - eles enviam, às vezes, coisas tão insignificantes, que chega a ser difícil atribuí-las ao mesmo autor.

Mas, que remédio, senão contar com a boa vontade dos amadores... econômicos, visto que o número dos outros continua a sr infinitamente inferior ao dos famosos trezentos de Gedeão?...

E seria tão fácil aumentá-lo!

Bastaria que as altas individualidades do país (nem só de política vive o homem!) e as agremiações de elite, como o Clube dos Diários, o Jockey Club, o Derby, e todos os outros agrupamentos representativos das classes mais cultas e abastadas da nossa sociedade, se interessassem um pouco mais vivamente pela nossa arte, que é, em toda a parte do mundo, a expressão mais sensível do progresso e da cultura!

Se os artistas nacionais se reconhecessem assim aparados, animar-se-iam, certamente, a esforços mais amplos e completos, e dar-nos-iam tudo quanto logicamente podemos deles esperar!

Foram estas as reflexões que nos despertaram as visitas feitas ao salon, depois de termos percorrido aquelas salas, onde tão claramente se oferecia a arte já definitiva - se assim podemos dizer - de uns; o esforço leal e brilhante de outros e as eloquentes promessas dos novos.

*

Além dos trabalhos a que já atrás nos referimos, muitos outros merecem a atenção demorada do visitante, e entre eles citaremos, pela ordem do catálogo: Liz (50), de Bracet, um nu harmonioso e de excelente tonalidade ambiente; Lagoa Rodrigo de Freitas (58), de Pedro Bruno; Praia de Gragoatá (69), de Christofle [sic]; Romano (81), de Coelho Magalhães, boa impressão, de estudo e o Retrato, (78), fosco, mas de desenho equilibrado; dois retratos, (96 e 97), de Raul Deveza, ambos executados com visível honestidade e a singeleza de quem pretende ir pelo melhor caminho, principalmente o 96, que contém contrastes compreendidos com discrição, porque é serenamente interpretado; Agonia da Tarde (123), de Fanzeres, um pequeno pastel de mancha, bem vista; Plazuela del Socorro (135), e Porto de Santo André, (136), de Gottuzo, sombras largas e transparentes, verdadeiro ar e verdadeira luz; Primeira separação (170), de Maria Pardos, ambiente traduzido com inteira segurança de valores; No atelier (172), de Timotheo da Costa [João Timotheo da Costa]; Porque me abandona? (230), de Rocco, a que já nos referimos, sem a indicação do número, nem do autor; Guida (224), escultura de Francisco Andrade; Bustos (228 A a 228 D), de Correia de Lima, todos magistrais (é o caso de dizer), e dos quais o mais gracioso é o Retrato de senhora e o de mais caráter o de Raul Pederneiras, mais desembaraçadamente executado; Rêveur (230), de Debrie; inquestionavelmente uma das joias da seção de escultura; On ne passe pas! (232), de Kanto, talvez mais teatral e menos sentido do que se podia desejar; Colix (240), de Hildegardo Velloso, um cão de Hulm de movimento arrojado, mas obtido, e que revela no autor raras e preciosíssimas qualidades de observação, que o céu conserve; Senhora A. L. A., de Margarida Lopes de Almeida, busto modelado com agradável singeleza e uma sobriedade voluntária, pouco comum nos que começam, e Barão Homem de Mello, estudo em gesso, de Pinto do Couto, obra de artista seguro dos seus meios de execução, e que os utiliza com todo o valor.

*

- Mas, afinal, em que consiste a sinceridade, em arte?

Não será apenas nisto: em fazer conscienciosamente o que se pôde, com segurança, sem pretendermos dar aos outros a falsa impressão de que se é capaz de mais?... - J. M.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Natalia Mano Goulart Saraiva'

J. M. ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 20 ago. 1918, p.5.

J. Milde
J. Repórter
J. Repórter. NA ESCOLA DE BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 8 set. 1902, p.1.

UMA VÍTIMA

O pintor Auguste Petit

A JUVENTUDE

Há muita gente por aí que de velha data embirra com o laborioso pintor Sr. Auguste Petit, por causa da série interminável dos seus retratos de fancaria, executados quase à la minute, para manifestações de apreço ou para perpetuação, em salas burguesas, de anafados e pachorrentos chefes de família. Ainda ontem a Penna encantadora de João Luso, no folhetim do Jornal do Commércio, pôs na boca de certo fantástico Polydoro uma deliciosa perversidade que eu ouvi do querido Pardal Mallet há mais de doze anos. Dizia-me o frondeur:

- Você sabe como faz o Petit? Pinta de uma assentada vinte, cinquenta, duzentos retratos de homens e de mulheres, uns gordos, outros magros; tem o cuidado de esboçar apenas as caras. Depois, a cada encomenda que chega, pega de uma tela, modifica aqui e ali as feições da pessoa que tem de reproduzir, arruma-lhe uma verruga ou um cavanhaque ou umas suiças... e pronto sai o freguês muito satisfeito com a obra, que andou depressa e em conta.

É preciso registrar que, em toda a velha campanha contra o artista, há uma grande, uma profunda injustiça. Ele já tem dado sobejas provas de que não é apenas um fazedor de carões de comendadores, de priores de ordens terceiras e de matronas boas donas de casa. Há pouco tempo ainda, trabalhos seus de belo valor mereciam prêmios em Paris, e todo o Rio de Janeiro admirava os lindos quadros de natureza morta que aqui expôs, voltando da Europa. (Os seus cruéis inimigos diziam, por sinal, que a sua especialidade não era outra, e que os retratos que fazia eram também trabalhos de natureza morta.)

*

Mas vejam os senhores se o pobre Sr. Auguste Petit tem ou não tem motivo de sobra para se dedicar ao gênero abundante das pinturas de manifestações de apreço.

Dispôs-se o artista, um belo dia, a pintar, com toda a arte e com todo o amor, um retrato capaz de honrar o salon brasileiro e de absolvê-lo, a ele Petit, de todos os grandes pescados [sic] com moldura que neste vale de tintas tem cometido. Escolheu para modelo uma formosíssima rapariga virgem inteira, e reproduziu-a na tela em condições de empolgar o observador em um relance; [...], com grande felicidade (principalmente para ele que a estava a ver em carne e osso – em carne, sobretudo), o momento em que a pequena, em camisa, deixava esta escorregar pelos ombros, mostrando os seios redondinhos e polpudos.

Terminando o quadro, deu-lhe este título: Juventude. E remeteu-o para a exposição da Escola de Belas Artes.

A vitória era certa. O pintor caluniado, meses a fio levou a antegozar a nova reabilitação que para seu nome preparava.

- Agora sim! Depois das naturezas mortas, esta natureza vivíssima! Exclamava ele com os seus pincéis. Vamos a ver a cara com que ficam os meus adversários!

E imaginava a impressão que a obra iria produzir entre os visitantes da escola:

- Que magnífico trabalho!
- Esplêndido!

- Sim, senhor!

E ouvia, como se estivesse em França ou [..] a gente aqui falasse francês.

- Oh! C'est le grand Petit!

*

Abriu-se a exposição. O artista emocionado, trêmulo, febril, lá se foi esconder a um canto, bem pertinho do quadro, no velho edifício de Montigny.

Mas aí! Veja-se a crônica do meu prezado Valentim... Quero dizer: do [...]

O [...] Petit, mal entraram os amadores começou a ouvir coisas como estas, diante de sua Juventude:

- Que pancadão!

- Supinpa!

- De primeiríssima!

E como os amadores o descobrissem, encolhido e subjugado, a querer esgueirar-se por entre umas grandes telas correram para ele [...] grupos, cercaram-no, crivaram-no de perguntas como estas, acompanhadas de brejeiro piscar d'olhos:

- Onde ela mora, hein?

- É separada do marido?

- O pé que é esplêndido! Que número é?

Com que cara o pintor, indignado gesticulava, protestando com a maior das veemências:

- Ora essa! Ponham-se daqui para fora! Por quem me tomam os senhores?

*

É para um homem mandar a Arte para as quintas do inferno!

Petit, corrido, esmagado, dissolvido em lágrimas, declara agora, com voz sumida, no fundo de seu atelier, entre cinquenta figuras de varejistas esparramados em telas de metro e meio:

- Nunca mais! Agora, para outra exposição, hei de pintar o retrato do comendador Ribeiro de Carvalho ou do deputado Barbosa Lima!

J. REPÓRTER.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

J. Repórter. NA ESCOLA DE BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 8 set. 1902, p.1.

J. Trigoso
Jacintho Alves da Silva
Jacinto Alves da Silva
Jean-Baptiste Debret
Jeanner
Jenny de Souza Aguiar
Jerônimo Seelinger Fleury
Jeronymo J. de Telles Junior
Joanna Brandt
Joanna Pavlowna de Oven Grentner
João Baptista Bordon
João Baptista da Costa
João Barbosa Rodrigues
João Batista de Paula Fonseca
João Braga
João Correa de Faria
João de Araripe Macedo
João de Azevedo
João de Mello Falcão Trigoso
João do Rio
João Dutra
João Fahrion
João Felippe Azevedo
João Fernandes Ribeiro
João Ferri
João Ludovico Berna
João Luso
João Maximiniano Mafra
João Moreira de Vasconcellos
João Ribeiro
João Ricardi Cattaneo
João Scuotto
João Timotheo da Costa
João Xavier
Joaquim Augusto Marques Guimarães
Joaquim da Rocha Ferreira
Joaquim Fernandes Machado
Joaquim Fontes Soares
Joaquim Insley Pacheco
Joaquim Rodrigues Moreira Junior
Joaquim Soares Cunha
Joaquin Sorolla y Bastida
John de Chrome
John Graz
Jonas de Barros
Jordão de Oliveira
Jorge de Mendonça
Jorge Soubre
Jornal do Brasil
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 set. 1912, p.8.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 set. 1912, p.8.

Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23 set. 1906, p.8.

Imagem

Quadro, de Eduardo Bevilacqua, exposto no salão de 1906, da Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, que obteve o prêmio de viagem [Imagem]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 23 set. 1906, p.8.

Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 30 set. 1913, p.7.

Imagem

Alguns dos atores que figuraram na "Hora teatral", ontem, na Escola de Belas Artes. Em baixo: um aspecto da numerosa assistência.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 30 set. 1913, p.7.

Jornal do Commercio
Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 10 set. 1903, p.3.

A Exposição Geral de Belas-Artes, que foi ontem extraordinariamente visitada, continua aberta todos os dias das 10 horas da manhã às 4 da tarde.

Pelo Sr. Francisco Guimarães foi adquirido o vaso "As sereias", cerâmica artística nacional de Visconti.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 10 set. 1903, p.3.

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 11 set. 1903, p.2.

A Exposição Geral de Belas-Artes, que esteve ontem concorridíssima, continua aberta todos os dias das 10 horas da manhã às 4 da tarde.

Pelo Sr. Comendador André de Oliveira foi adquirido o quadro n. 29, "Costurando", aquarela do professor Henrique Bernardelli.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 11 set. 1903, p.2.

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 out. 1905, p. 4.

Encerra-se no dia 15 do corrente a Exposição Geral de Belas Artes.

Interessante por mais de um título, passou quase no abandono do público que pouco a visitou: e os artistas, que se esforçaram por apresentar uma soma regular de trabalhos de merecimento, não tiveram, com poucas exceções, a satisfação de vê-los apreciados pelos nossos amadores e colecionadores.

É relativamente diminuto o número dos trabalhos vendidos; e diante desse fato e visto que o Governo não adquire mais quadros de artistas nacionais, como o fazia outrora, é simplesmente de admirar que, sem grandes estímulos, sem a única animação real, ainda apresentam um conjunto de resultados como o da atual Exposição.

-

Foram os seguintes os trabalhos vendidos na exposição:

De João Baptista da Costa: n. 14, Canto de praia, pelo Sr. Dr. Leitão da Cunha; n. 15, Começo do dia, pelo Sr. Dr. Regis de Oliveira; n. 17, Icaraí, pelo Sr. Coronel M. Matheus Ferreira, e n. 20, Poços de Caldas, pelo mesmo cavalheiro.

De Mario Navarro da Costa: n. 57, Patacho Caravelas.

De Antonio Fernandes Gomes: n. 99, Secando o trigo, pelo Sr. Affonso Pereira.

De Augusto Luiz de Freitas: n. 110, Campos de milho, pelo Sr. Dr. Fróes da Cruz; n. 111, Quissamã (Petrópolis), pelo Sr. Dr. Francisco Murtinho; n. 112, idem, pelo Sr. Dr. Francisco Murtinho; n. 113, Últimos feixes, e o n. 114, Véspera de noivado, pelo Sr. João Andrade.

De Godchaux: n. 118, Flores, pelo Sr. Joaquim Nunes da Rocha.

De D. Helena Pires de Oliveira: n. 122, Flores.

De Eugenio Latour: n. 133, Agatina, pelo Sr. C. A.; n. 134, Aldeia romana, pelo Sr. Dr. João do Rego Barros; n.136, A orgulhosa, pelo Sr. Numa de Oliveira; n. 138, As tesourinhas, pelo Sr. A. Morales de los Rios; n. 139, Cecilia, pelo Sr. Luiz de Rezende, e n. 146, Tarde úmida, pelo Sr. Julio Delage.

De Augusto Petit, n. 182, Frutas.

De Pedro Weingartner: n. 258, Invejando as amorosas, pelo Sr. André Gonçalves de Oliveira; n. 260, Recitator acerbus, e n. 262, Visita aos avós, pelo Sr. Dr. Freitas Valle.

Em um total de 262 quadros expostos, apenas 23 acharam quem os adquirisse, o que não chega a dar uma porcentagem de dez por cento, por certo não muito animadora.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 out. 1905, p. 4.

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 set. 1903, p.3.

A Exposição Geral de Belas-Artes, que foi ontem muito visitada, continua aberta todos os dias, das 10 horas da manhã às 4 da tarde.

Pelo Sr. Julio Delage foi adquirido o quadro n. 47 "Theresopolis", aquarela do Professor Henrique Bernardelli.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 set. 1903, p.3.

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 14 out. 1902, p.3.

Encerra-se amanhã a Exposição Geral de Belas-Artes, do corrente ano.

A impressão por ela produzida foi, no consenso geral, excelente pelo número não pequeno dos bons trabalhos que ela encerra; e é de surpreender que em um centro que ainda recentemente, por ocasião da Exposição Portuguesa e do leilão Quartin, mostrou tão apreciativo interesse por coisas de arte, fossem tão diminutas as aquisições de quadros e obras de escultura ali exibidos.

Nenhum meio mais profícuo de animação existe do que a aquisição diretamente aos artistas de produções suas por aqueles que têm os elementos necessários e de algum modo tem afirmado a sua predileção e gosto por obras de arte - queremos crer, por uma real apreciação delas e não pelo snobismo mesquinho de possuir coisas que todos não podem ter, mas que as procuram haver por muito menos do seu real valor.

Realmente, é desconsolador ver, por exemplo, só para falar do mais moço, um artista como o jovem Corrêa Lima que acaba de honrar o nome brasileiro na Europa e que nos traz obras tão primorosas, não vender a sua primeira obra em mármore, produção que em outro centro, dadas as circunstancias atuais desse artista, seria renhidamente disputada, tanto mais que é uma fina peça de escultura, singularmente sugestiva.

Infelizmente, o próprio Estado, que pela responsabilidade que tem na criação dos artistas, tinha a obrigação moral de animá-los, é o primeiro que lhes regateia o mais modesto auxilio, não lhes adquirindo nada.

Amanhã daremos os nomes dos poucos amadores que adquirirão trabalhos na Exposição.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 14 out. 1902, p.3.

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 14 out. 1903, p.3.

Encerra-se amanhã, às 4 horas da tarde, a 10ª exposição geral das Belas-Artes que foi ontem, apesar do mau tempo, extraordinariamente visitada.

Foi adquirido pelo Sr. Dr. Eduardo Moreira o quadro n. 166 "Pêssegos" do artista Augusto Petit.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 14 out. 1903, p.3.

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 15 set. 1903, p.2.

A Exposição Geral de Belas-Artes, que tem levado grande concorrência à Escola Nacional de Belas-Artes, continua aberta todos os dias das 10 horas da manhã às 4 da tarde.

Pelo Sr. Visconde de Vilella foram adquiridos os seguintes quadros: n.57 A, Cascata na Barreira do Soberbo, de Modesto Brocos; n. 122, Interior na Bretagne, de J. Fiuza; e n. 152, Cebolas, etc., de D. Missina Mee [sic].

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 15 set. 1903, p.2.

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 15 set. 1904, p.2.

Na Exposição Geral de Belas-Artes, foram adquiridos pelo Dr. Henrique Samico quatro telas: n.151, "Fora da Barra"; n. 154, "Grupo de árvores na Lagoa Rodrigo de Freitas"; e n.159, "Paquetá: ilha de Itapacy", todo [sic] de Insley Pacheco, e o de n. 164, "Cajus" , original de Augusto Petit.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 15 set. 1904, p.2.

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 18 set. 1902, p.3.

A Exposição Geral de Belas Artes, que foi ontem muito visitada, continua aberta todos os dias, das 10 horas da manhã às 4 da tarde.

Foi adquirido pelo Exm. Sr. Ministro do Paraguai o quadro n. 204, Mocidade, original do Sr. Auguste Petit.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 18 set. 1902, p.3.

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 19 set. 1902, p.3.

A Exposição Geral de Belas Artes continua aberta das 10 horas da manhã às 4 da tarde.

Foi adquirido pelo Sr. Comendador André de Oliveira a obra de escultura n. 2 - Cabeça de menina (terracota), original de Corrêa Lima.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 19 set. 1902, p.3.

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 20 set. 1902, p.6.

A Exposição Geral de Belas-Artes, que foi ontem muito concorrida, continua aberta todos os dias das 10 horas da manhã às 4 da tarde.

Pelo Sr. Olegario Joaquim Ortis foi adquirido o quadro n.77 - Chácara Magalhães Castro - original de Gustavo Dall'Ara.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 20 set. 1902, p.6.

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 28 set. 1902, p.3.

A Exposição Geral de Belas Artes, que foi ontem muito concorrida, continua aberta das 10 horas da manhã às 4 da tarde. Pelo Sr. Olegario Joaquim Ortiz foi adquirido o quadro n. 53 - Paisagem (Bom Jardim), original de João Baptista da Costa, e pelo Sr. Angelo de Souza Leitão o quadro n. 104 - Colheita de rosas, original de Eugenio Latour.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 28 set. 1902, p.3.

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 3 set. 1903, p.3.

A Exposição Geral de Belas-Artes que, apesar do mau tempo, foi ontem muito visitada, continua aberta todos os dias, das 10 horas da manhã às 4 da tarde.

No dia da inauguração foi adquirida pelo Sr. Antonio Jose Dias de Castro a paisagem n. 21 - O Pescador, original do artista Baptista da Costa.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 3 set. 1903, p.3.

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 3 set. 1904, p.2.

Na Exposição Geral de Belas-Artes foram ontem adquiridos os quadros do Sr. J. Baptista, "Fim da jornada" e "Paisagem de Copacabana" e o do Sr. Augusto Petit, "Pêssegos".

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 3 set. 1904, p.2.

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 3 set. 1907, p. 4.

A Exposição Geral de Belas Artes, foi ontem extraordinariamente visitada e continua aberta todos os dias das 10 horas da manhã às 4 da tarde. Pelo Sr. Cunha Vasco foi adquirido o quadro n. 7 Caminho da Floresta, original do professor João Baptista da Costa.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 3 set. 1907, p. 4.

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 30 set. 1904, p.3.

A Exposição Geral de Belas Artes, cujo encerramento se verificará muito brevemente, estará hoje aberta das 10 horas da manhã às 4 da tarde. Pela Exma. Sra. D. Fabíola B. da Silveira Porto foi adquirida a paisagem intitulada "Curvelo" original do pintor Delfino [sic].

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 30 set. 1904, p.3.

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 5 set. 1902, p.2.

A Exposição Geral de Belas-Artes, que continua aberta todos os dias das 10 horas da manhã às 4 da tarde, foi ontem muito concorrida.

Pelo Exm. Sr. Barão de Sampaio Vianna foram adquiridos os quadros ns. 172, 172, 174 e 175, originais de Joaquim Insley Pacheco.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 5 set. 1902, p.2.

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 5 set. 1903, p.3.

A Exposição Geral de Belas-Artes, que foi ontem concorridíssima, continua aberta todos os dias das 10 horas às 4 da tarde no edifício da Escola Nacional de Belas-Artes.

Pelo Sr. Luiz de Rezende foi adquirida a tela n. 30, Juca Cobra, original do professor Henrique Bernardelli.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 5 set. 1903, p.3.

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 5 set. 1904, p.2.

Na Exposição Geral de Belas-Artes foram ontem adquiridos pelo Dr. Arthur Paulo de Souza, duas telas dos artistas João Baptista e Insley Pacheco, intituladas "Paisagem de Manguinhos e Paquetá".

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 5 set. 1904, p.2.

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 5 set. 1905, p. 3.

Na Exposição Geral de Belas Artes foram adquiridos os quadros "As tesourinhas" de Eugenio Latour, pensionista do Estado, atualmente em Roma, e "Frutas" de Augusto Petit.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 5 set. 1905, p. 3.

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 6 set. 1902, p.2.

A Exposição Geral de Belas Artes, que foi ontem extraordinariamente visitada, continua aberta todos os dias das 10 horas da manhã às 4 da tarde.

Pelo Sr. Guilbaut foi adquirido o quadro n. 196 - Em demanda do curral -, de B. Parlagreco, e pelo Sr. Rego Barros o quadro n. 197 - Estábulo -, original também do saudoso artista.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 6 set. 1902, p.2.

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 6 set. 1905, p. 2.

Na Exposição Geral de Belas Artes foram adquiridas as seguintes obras de arte: o quadro n. 143, "Aldeia Romana", de Eugenio Latour, pelo Dr. Rego Barros, e uma plaquette em gesso "Festa das Flores", do professor Augusto Girardet, pelo Dr. Rodrigo Octavio.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 6 set. 1905, p. 2.

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 7 set. 1905, p. 3.

Na seção de pintura da Exposição Geral de Belas Artes foi adquirida a paisagem Tarde úmida, original do Sr. Eugenio Latour, pensionista do Governo, que se acha atualmente em Roma.

Na seção de artes aplicadas o Dr. Rego Barros comprou a poltrona de guajunira, feita na marcenaria artística do Liceu de Artes e Ofícios de S. Paulo.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 7 set. 1905, p. 3.

José Amarante
José Braz dos Santos Pedroso
José Cordeiro
José Cortez
José de Loy
José dos Santos
José Ferraz de Almeida Junior
José Fiuza Guimarães
José Hallais de Oliveira
José Jardim de Araujo
José Julio de Souza Pinto
José Maria de Medeiros
José Maria dos Reis Junior
José Maria Sampaio
José Marianno Filho
José Marques Campão
José Monteiro da França
José Moraes Silva
José Navarro
José Octavio Correia Lima
José Pereira Barreto
José Pereira Dias Junior
José Pitlik March
José Porciuncula de Moraes
José Rangel
José Raphael
José Suarez
José V. Ferrer
José Vital Branco Malhoa
Josephina de Vasconcellos
Josephina Vasconcellos
Josino de Souza Camargo
Jules Verdussen
Julia Ferreira Pinto
Julia Naegel
Julião Machado - Caricaturas
Julie Hengel
Julie Naegeli
Julien
Julieta Bicalho
Julieta de Moura Modesto Guimarães
Julieta França
Julieta Horta Ribeiro
Julieta Maia
Juliette Wencelins
Julio Teixeira Bastos
Jurandyr dos Reis Paes Leme
Justino Migueis
Karl Ernst Papf
Keller Kehr
Kósmos
L. A. Hunter
L. Braga
L. F.
L. F.. O salão de 1913 II. O Paiz, Rio de Janeiro, 9 set. 1913, p.9.

O salão de 1913

II

Com o nome laureado do maior paisagista brasileiro, o Sr. Baptista da Costa, iniciamos a série de apreciações que compreendemos sobre os expositores do corrente ano, aqui consignando as nossas impressões, trazendo-lhes os nossos incentivos, dirigindo-lhes as observações que nos pareçam procedentes, aplaudindo-os ou censurando-os.

Na contemplação das obras dos nossos afamados pintores, raras vezes temos tido impressão igual a que nos causaram os trabalhos do professor Baptista da Costa, presentemente expostos. Sentimo-nos orgulhosos ante tão boas provas do nosso talento artístico, manifestações tão completas da nossa cultura estética, mais que suficientes para nos envaidecerem com a consciência de que na arte da pintura também já possuímos representantes que nos honram com os seus trabalhos, onde quer eles possam ser exibidos.

Baptista da Costa pertence ao grupo dos pintores notáveis, e no qual figura, na especialidade que escolhera, como a mais acentuada individualidade artística que possuímos. É um desses espíritos privilegiados, aparentemente calmos nas suas manifestações exteriores, mas que vivem na tortura das emoções, por elas continuamente atormentados, e impelidos à contemplação do ideal, que outra coisa não é senão a harmonia entre o que sente o artista e a realidade que o impressiona. Em busca dessa harmonia vive todo o artista merecedor deste nome. "O artista e o mundo formam duas individualidades. A obra do artista, reproduzindo o mundo, não o reproduz senão tal qual foi visto e sentido por um homem, e, desde então, não se pode deixar de conceber que existem em um quadro duas coisas distintas: de um lado, a realidade que existe, porque existe; do outro lado, existe o espírito humano para quem as coisas são o que parecem ser, e não se distinguem da impressão que produzem".

Duas condições se tornam necessárias a todo o artista que busca o verdadeiro ideal da arte - um alto grau de emotividade, isto é, a faculdade de impressionar-se e o saber externar as suas impressões, exteriorizá-las e comunicá-las. "Fazer com que todos sintam diante das suas impressões que ele sentira no momento de externá-las" - eis o grande segredo para atingir o belo absoluto, que idealizou Platão.

O professor Baptista da Costa possui, como nenhum outro pintor brasileiro, esse segredo, esse supremo poder de sentir a realidade e transmiti-la completa. Nenhum o excedeu, nenhum se lhe aproxima na sinceridade com que interpreta as infinitas nuances do nosso verde, das nossas árvores, das nossas florestas, das nossas paisagens, sempre cheias de luz, de brilho, de tons, e de indizíveis encantos, nem na sobriedade, no sentimento e na fidelidade com que as sabe transportar para a tela.

Ao grande artista cabe o maior sucesso da atual exposição, onde se apresenta com um formoso grupo de sete quadros, intitulados: Tranquilidade, Um trecho do Tietê, Ponte das Sogras, Carneiros pastando, A caminho do curral, Um cantinho de Petrópolis e As duas irmanzinhas.

A de número 31 do catálogo deixa o visitante estupefato, num doce atordoamento de sensações, que facilmente não poderá traduzir. Sente-se a beleza do quadro, ao mesmo tempo que se sente a impossibilidade de descrevê-la. Atingiu o artista a completa harmonia do real e do ideal, revelando a sua excepcional capacidade de sentir a natureza e reproduzi-la, sentindo-a, no máximo da sua realidade, alcançando o que de mais difícil há na obra da arte, que é transmitir a realidade a outrem, que passe a sentir as mesmas impressões que sentira o artista no momento de externá-las. Nada se observa nesse quadro que não seja realmente belo. Jamais vimos a superfície de uma água parada, tratada do modo por que ele o soube fazer. Se os múltiplos encantos do primeiro plano, que é a parte do quadro que fica na sombra e na qual o artista intencionalmente procurou deixar a impressão de frio e tranquilo, efeito que genialmente conseguiu, traduzindo desse modo o que na realidade observara, se os encantos do primeiro plano, dizíamos, são intraduzíveis, não menos intraduzíveis são os da parte iluminada da tela. Aí toda a sua técnica admira pela suave serenidade de que se reveste. E com tal firmeza de consciente ponderação se detém em face dos motivos que o poderiam levar a exageros, que do seu pincel nenhum traço se observa, nenhum tom há, nada sai que não esteja numa expressão rigorosa de valores, numa combinação de maior justeza e exatidão. O seu trabalho, a que nos referimos, é a inteira comprovação do que dizemos. Todas as qualidades desse quadro, a que com acerto chamou de - tranquilidade, formam um conjunto de inexcedível perfeição.

A caminho do curral é outro grande quadro, igualmente belo, igualmente extraordinário e palpitante de realidade. O horizonte que aí se afasta, limitando um céu lindíssimo; as montanhas que aí se sucedem, cobertas de uma vegetação simples e natural; os carneiros que se movimentam numa consistência que se sente, e as demais qualidades do quadro dão a convicção de ser impossível pintar com maior fidelidade e sentimento um trecho do nosso interior.

Os outros trabalhos, embora menores, condensam todas as qualidades características do insigne paisagista.

Agora alguns traços da vida do artista que me parecem interessantes.

É o atual Estado do Rio de Janeiro que tem a glória de ter sido o berço de tão privilegiado filho. Ali nasceu Baptista da Costa, a 24 de novembro de 1865. Ainda na sua primeira infância veio para esta cidade, onde iniciou os seus estudos no antigo Asilo dos Menores Desamparados, hoje Instituto Profissional Masculino, que entre os nomes que ornamentam o seu corpo docente conta o do ilustre artista. Matriculou-se na Escola de Belas Artes em 1885, tendo como colegas de ano Visconti e Rosaldo [sic] Ribeiro, e como contemporâneos da academia, além de outros, os Srs. Fiuza, Raphael Frederico, Alberto Delpino, Arthur Lucas e Eduardo Sá. Foram seus professores: Souza Lobo e José Maria Medeiros, de desenho; e Zeferino da Costa e Rodolpho Amoedo, de pintura.

A primeira exposição a que se apresentou foi a de 1890, em que exibiu dois retratos, tendo obtido menção honrosa.

Foi o primeiro dos nossos artistas que obtiveram o prêmio de viagem à Europa, e isto em 1894, com o seu quadro Repouso. Ao voltar do estrangeiro foi premiado na exposição de 1900, com o Transe doloroso, com a segunda medalha de ouro, tendo de novo obtido esse prêmio em 1904, com o quadro Fim de jornada. Tem concorrido a todas as exposições anuais da nossa escola, apenas, com exceção de uma. Exposições suas tem feito as seguintes: a primeira, em 1892, na Escola de Belas Artes; a segunda, em 1894, no edifício do Hipódromo Nacional; a terceira, em 1896, em S. Paulo, e a quarta, de volta da Europa, na casa Postal, rua do Ouvidor.

Escolhido em 1906 para professor de pintura da Escola de Belas Artes, foi reconduzido em 1911, cargo em cujo exercício se acha, honrando a douta corporação docente daquele instituto de ensino.

Rio, setembro de 1913 - L. F.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

L. F.. O salão de 1913 II. O Paiz, Rio de Janeiro, 9 set. 1913, p.9.

L. F.. O SALÃO DE 1913 IV. O Paiz, Rio de Janeiro, 13 set. 1913, p.4.

O SALÃO DE 1913

IV

A fantasia na pintura constitui um gênero, para quem queira admiti-lo, muito predileto de determinados espíritos. Se nas letras podemos admirar e aplaudir os chamados escritores de ficção, como entre nós o tem sabido ser Coelho Netto, na pintura são falíveis os resultados do artista que por esse caminho se aventura.

O que há desde logo a condenar nesse gênero é que ele dificilmente conseguirá ser a expressão da verdadeira arte na pintura. Gênero mais apropriado à decoração, não passará dos imediatos efeitos que possa produzir.

Dos nossos artistas é o Sr. Helios Seelinger o que mais se inclina à fantasia. Os seus trabalhos sempre acusam os excessos da imaginação. É o nosso pintor de ficção. Por isso mesmo é difícil à crítica dizer dos seus méritos com certa segurança, pelo muito de imaginário, de fantástico e, portanto, de arbitrário, que encerra a sua produção.

Artista da geração atual encontra o Sr. Helios um êmulo no Sr. Carlos Oswaldo; mas este não se entrega de todo, como faz o primeiro, aos vôos da imaginação; não se desprende da realidade. Por isso mesmo, a sua obra vem irrompendo fecunda e radiante.

Expõe o Sr. Helios Seelinger um só quadro, e este de pura fantasia. É um incêndio, em todos os seus horrores, que pretendeu transportar para a tela. Resultado obtido - negativo.

O primeiro efeito que procurou obter foi o de um contraste entre o fogo e a noite. Ninguém, porém, consegue saber se é à noite que aquelas figuras de bombeiros, sob a impressão das labaredas que já se alteiam, no ângulo superior e à esquerda da tela, se esforçam por abafar o incêndio. Tais figuras são pouco animadas, principalmente a do cocheiro que conduz o carro, que chamaríamos de um clown estonteado, se a isso não nos vedasse a fantasia do pintor.

Outra figura também defeituosa é a que ampara nos braços o corpo de uma menina desfalecida. Veja-se como está duro e em posição absolutamente falsa o braço pendente deste menina. Enfim, sem desconhecermos o talento do artista, confessamos que o seu único trabalho, ora exposto, O fogo, que no catálogo tem o n. 198, não nos agradou.

Com um só quadro também se nos apresenta o Sr. Navarro da Costa. Este, porém, vem como cavaleiro conscientemente vitorioso das dificuldade de um gênero em que não é dado a qualquer facilmente conquistar louros. Marinhista, exclusivamente marinhista, entregou-se com ardor ao cultivo da sua arte, a que quer com a sinceridade de um crente. Vibrátil, febricitantemente nervoso, o seu temperamento é de um verdadeiro artista. Há na sua produção, a atenuar-lhe quaisquer deficiências que porventura ainda se observem, a circunstância de se estar revelando um bom pintor, à custa dos seus próprios esforços, sendo um autodidata no real sentido da palavra.

Entre nós, os marinhistas têm sido raros. Ocorrem-nos no momento os nomes de De Martino e Castagneto, como os principais, seguindo-lhes Emilio Rouéde e Julio Ballá.

A Castagneto, porém, nenhum excedeu. Foi artista que se impôs à admiração, menos pela profundidade da sua obra do que pelo cunho especial do seu estilo, revestido sempre de muita liberdade e largueza. Não deixando grandes quadros, extravasando-se em uma produção de pequenos trabalhos, de impressões ligeiras, conseguiu, todavia, tornar-se pintor notável, por ter sabido acentuar a sua individualidade de modo inconfundível, com o seu processo a la diable de fazer.

Navarro da Costa que, como Castagneto, é um revoltado, que quer andar só, e aprender consigo mesmo, será, sem dúvida, o continuador das glórias do grande marinhista. Nele já se sente uma individualidade que melhor se firmará com a continuação da obra que vem fazendo com grande talento, vivida inspiração e abundância de sentimento.

E tais são as qualidades que revela [sic] o seu bom quadro Sol de inverno.

Este trabalho é dos que deveriam pertencer à nossa galeria pública. Serviria para a documentação futura da formação e desenvolvimento da obra de um pintor que amanhã será um dos grandes representantes da nossa cultura artística.

Não nos cansamos de repetir o que já anteriormente dissemos. Não é acertada e nem tem sido bem inspirada a orientação da nossa escola, no que concerne à aquisição de quadros.

Em primeiro lugar, necessário se faz que a compra deles seja feita por intermédio de um júri constituído de professores da própria escola; e, depois, que esse júri se inspire em sentimento de maior apreço pelos nossos artistas patrícios, e estrangeiros que estejam incorporados ao nosso movimento, os quais, de fato, só se consagram à arte pelo muito amor que a ela tem e não porque se sintam cercados do indispensável estímulo e das recompensas de que não podem prescindir.

Estamos certos de que a formosa tela de Navarro da Costa, como os excelentes trabalhos de Baptista da Costa, de Carlos Oswaldo, dos Chambellands [Carlos Chambelland e Rodolpho Chambelland], de Menge, dos Timotheos [Arthur Timotheo e João Timotheo] e de outros, voltarão aos ateliês, e não irão ocupar nas galerias da escola os lugares que, de acordo com o modo de sentir ali predominante, devem ser ocupados por quaisquer artistas estrangeiros que, por aqui transitem, e que para logo se transformam, no conceito da crítica indígena, em notabilidades mundiais.

Não vemos razão para que, no momento presente em que está aberto o nosso salão, e em detrimento dos nossos, sejam adquiridos quadros de estranhos, agora entre nós, bons artistas realmente, mas que estão longe de serem vultos que se imponham. É assim, porém, que comumente se faz, e arbitrariamente se pratica. Contra esse proceder impatriótico e desarrazoado, aqui fica o nosso protesto.

Rio, setembro - 913

L. F.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

L. F.. O SALÃO DE 1913 IV. O Paiz, Rio de Janeiro, 13 set. 1913, p.4.

L. F.. O SALÃO DE 1913 V. O Paiz, Rio de Janeiro, 18 set. 1913, p.7.

O SALÃO DE 1913

V

Em um dos nossos anteriores artigos dissemos que o Sr. Carlos Oswaldo é um artista, cuja obra vem irrompendo fecunda e radiante. Vem irrompendo - é apenas uma maneira de dizer. A sua obra é já a de um verdadeiro artista, que com o superior talento que está revelando, será sem dúvida um dos grandes mestres e um dos maiores pintores brasileiros.

É o que nos autoriza dizer o seu magnífico grupo de 10 trabalhos, com os quais concorre ao salão.

É um dos que com mais brilho ali se apresentam; e por isso se torna digno de entusiasmos encômios, que aqui lhe deixamos consignados com viva satisfação. Os seus quadros são todos bons, pintados com sentimento, inspiração e inteligência, não sendo fácil, se a isto fôramos obrigados, a fazermos dentre eles qualquer seleção. É de efeitos surpreendentes o trabalho a que intitulou - Estudo de reflexos. É quadro de mestre, cheio dos encantos e qualidades da verdadeira arte. Representa um corpo nu de mulher, banhado pelos reflexos de várias tonalidades, que se harmonizam com admirável justeza. O de n. 181 - Cabeça de velho, é outro, que, talvez, em nada seja inferior àquele.

É admirável como Carlos Oswaldo, de quadro a quadro, sabe variar de processos. A maioria dos seus quadros parece ter sido feita por artistas diversos e com sentimentos diferentes. Comparemos, por exemplo, o quadro n. 185, Tocando Debussy, com o de n. 179, o Supremo esforço; este, com o Estudo de reflexos, ainda este com a sua grande tela As forças da Pátria. Somente os de ns. 178 e 183; 179 e 180 se assemelham entre si.

Entretanto, essa mudança de técnica em nada afeta o valor dos trabalhos.

Constituirá ela, porventura, uma qualidade, uma virtude digna de ser louvada?

Certamente. Ao nosso ver tais mudanças são manifestações de que só são capazes os bons talentos, as inteligências ricamente dotadas.

No seu grande quadro, que, apesar de não ser o melhor, é um trabalho de valor, apenas há a prejudicar-lhe um pouco a ideia infeliz do artista de estender ao fundo do quadro a bandeira nacional, de modo a dominar todo o trabalho, causando mau efeito e prejudicando o conjunto das forças da Pátria. Estas são representadas pela ciência, pela arte, pelo trabalho, pela liberdade, pela justiça e pela instrução. A figura que simboliza a arte foi tratada com inspiração, procurando o pintor representá-la num tipo expressivo, de cor acentuadamente alva e de perfil que logo denuncia um perfil grego.

Em resumo, todos os seus trabalhos são bons e o seu nome está em indiscutível destaque, não somente entre os expositores, como também entre os artistas da geração a que pertence.

Os professores Modesto Brocos e De Servi, que, com os Srs. Baptista da Costa, Henrique Bernardelli e Pedro Peres, formam o júri incumbido de conferir os prêmios na atual exposição, nela também se apresentam.

O primeiro, o Sr. Brocos, apenas expõe uma aquarela e uma gravura a água forte.

Na aquarela, que representa uma leitura à noite, as figuras não agradam, principalmente a da mulher, não tendo conseguido o artista tirar os efeitos que naturalmente procurou obter. Apreciamos mais a gravura, onde há vestígios de pincel amestrado.

São dois quadrinhos que não dão a medida do merecimento do pintor, justamente conceituado em o nosso meio, onde é tido como bom professor. E, por isto mesmo, para um distinto professor, os seus trabalhos são insignificantes.

O segundo, o Sr. Carlos De Servi, apresenta uma maior bagagem. Maior e melhor. São todas figuras, sobressaindo o retrato de uma distinta senhora e de um conhecido amador. É um retrato de grandes dimensões e que, se não é uma obra de todo impecável, é sem dúvida trabalho executado com maestria, sentindo-se em todo ele tamanha simplicidade, que para [...] atrai a atenção de modo muito agradável. É comum, no gênero retrato chegar o artista ao exagero das tintas, de modo a tornar a figura muito cheia e empastelada, ou chegar ao extremo oposto, isto é, alisá-la, de modo a tirar-lhe a beleza artística, aproximando-a de uma fotografia.

No Sr. De Servi não se observam tais defeitos. Ele sabe manter-se em boa linha, não se afastando da simplicidade, que é talvez uma das mais salientes qualidades da sua técnica. Muitas vezes, com um só traço, que lhe sai espontâneo do pincel consegue resultados que por outros de técnica rebuscada não seriam obtidos sem ingentes esforços. Veja-se, por exemplo, os tons que obteve no rosto da figura daquele excelente esboceto, a que chmaou [sic] Insônia'. Que suavidade de tons! Quanto efeito agradável alcançado com tão grande moderação!

A simplicidade na pintura, sobre ser qualidade apreciabilíssima no pintor, desde logo traduz a sinceridade da interpretação. Pode-se admitir como princípio verdadeiro o seguinte: não há técnica revestida de simplicidade que não dê resultados sempre sinceros.

O retrato, que apreciamos, é um trabalho rico de tons. Apenas nele quereríamos um maior destaque na cabeça e que tivessem sido melhor acentuadas as dobras do vestido.

O quadro n. 83 Puberdade, é também um trabalho bem feito. Há excessiva delicadeza de tons neste quadro. O retrato do barão de Ergonte é a sua imagem perfeita, artisticamente reproduzida na tela.

Os dois outros trabalhos Saudades e Estudo de cabeça, são de menor importância.

Seria injusto da nossa parte o silenciar [...] boa impressão recebida do conjunto das obras do Sr. De Servi; e nenhum favor lhe faremos em aqui lhe deixarmos os nossos aplausos.

O Sr. Pedro Bruno expõe Harmonia das praias, Harmonia azul, Pedras marinhas, Árvore amiga. São patentes os progressos deste artista. Os seus quadros atuais provam a observação. Até há bem pouco tempo a sua maneira de fazer era indecisa, vacilante, tímida, e sem a precisa segurança e firmeza. Hoje, não. Os seus trabalhos, se não são obras perfeitas, são, contudo, reveladores de qualidade que só se alcançam com muito estudo, dedicação e talento.

Quem foi capaz de fazer um quadro como o que ele denominou Harmonia das praias, já é um artista que se vai impondo à consideração pública. É o melhor e o mais completo deles, sem que, aliás, deixe de ter senões. O quadro representa um canto de praia. Aí, junto a uma embarcação, se acham duas figuras de pescadores, ocupados no concerto de uma rede.

As figuras estão boas e têm qualidades. A rede, porém, não causa bom efeito, pela impressão de dureza e também pelo colorido, que não é aceitável.

Dispersas na praia há várias folhas caídas, nas quais parece não ter havido nenhuma justeza de desenho e proporções. Para serem o que representam, seria preciso que fossem folhas de exagerado tamanho, o que na realidade não são.

O quadro, porém, no seu conjunto, tem vida, é bem iluminado e bom. Os de ns. 47 e 49 são aceitáveis e interessantes, o que já não diremos do de n. 50 Árvore amiga.

O Sr. João Timotheo da Costa apresenta-se com dois quadros Epave (nu) e Último toque.

O primeiro, é quadro de não pequenas proporções, representando duas raparigas semi-abraçadas, ambas de costas para o observador. A impressão do quadro é boa, visto formar um conjunto harmônico, para o que também concorreu a feliz escolha da moldura e do passe-par-tout. Há relevo nas figuras, que são de bom colorido. O desenho, salvo as falhas que adiante assinalaremos, é firme, guardando os modelos, entre si, uma posição muito natural. Apreciado, porém, o quadro, em seus detalhes, não poderá fugir à análise o mau efeito de alguma coisa que parece um corte no pescoço da figura mais alta, de modo a dar a impressão de que os cabelos tendem a entrar pelo pescoço. É que o artista passou bruscamente do cabelo ao colorido da carne sem esbater suficientemente. Outro defeito não menor está na mão esquerda da figura mais baixa, que repousa sobre a cintura da companheira, cuja mão parece ter sido olvidada pelo pintor. Também não nos agradaram os cabelos, que dão a ideia de terem sido empastados.

No segundo quadro, há um velho de cachimbo à boca dando a última de mão [sic] em um trabalho, que executa sobre uma mesa. É um interior de oficina. A figura do velho escultor está bem feita, com feição definida, cabelos de bom colorido e leves, com agradável tonalidade no rosto e nas mãos.

A despeito das ligeiras observações aí feitas, o distinto artista apresenta-se condignamente no salão.

O Sr. Alberto Delpino, pintor residente na cidade de Barbacena, Minas, e aí professor de desenho, apenas mandou o pequenino quadro Cena pastoril'', que, não obstante ter sido feito com certo sentimento, não dá ideia do talento de que é realmente dotado o artista.

Rio, setembro, 913.

L. F.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

L. F.. O SALÃO DE 1913 V. O Paiz, Rio de Janeiro, 18 set. 1913, p.7.

L. F.. O SALÃO DE 1913 VI. O Paiz, Rio de Janeiro, 20 set. 1913, p.3.

O SALÃO DE 1913

VI

Entre os melhores representantes da atual geração de pintores nacionais figuram com muito brilho os irmãos Chambelland - Rodolpho [Rodolpho Chambelland] e Carlos [Carlos Chambelland]. São dois moços, e bem moços ainda, que dia a dia firmam a sua individualidade artística.

No salão são figuras salientes, e cujas obras têm sido com justiça assaz apreciadas.

O principal trabalho de Rodolpho é o Baile a fantasia. É um quadro de valor e que dá bem a ideia do talento do seu autor. Vivo, movimentado, cheio de tons e de luz, à primeira vista dá a impressão de algo de fantástico e de decorativo. Para logo, porém, se vê que ele é um conjunto de admiráveis efeitos. É trabalho que vibra e faz vibrar, e que, palpitante de cores intensas, deixa o observador numa correspondente intensidade de emoções. Observado atentamente, as suas qualidades não são inferiores. O quadro dá logo a perceber o delírio de uma festa carnavalesca. As figuras nele são bem pintadas e movimentadas. A principal delas e a de maior destaque é a do carnavalesco que dança com uma rapariga de fantasia encarnada. Essa figura está magistralmente tratada, não só na posição em que se acha, de uma completa naturalidade, como na expressão do seu rosto, que não poderia ser apanhado com mais justeza. O ambiente de todo o quadro foi também apanhado com rara felicidade.

Ladeando-o, estão dois retratos do mesmo autor, que também são bem trabalhados.

As extremidades de uma figura servem sempre de pedra de toque das dificuldades do gênero e da segurança do pincel do artista. Nos dois trabalhos aludidos há de fato alguma coisa que revela a firmeza do pintor. As cabeças têm relevo. O tronco, sobretudo o do retrato n. 57, tem consistência. As mãos, porém, não só deste, como de outro retrato, deixam a desejar. No primeiro, há qualquer coisa de inacabado na mão direita; no segundo, a forma e colorido das mãos não agradam. Neste, admiramos o tom levíssimo do vestido e a expressão fisionômica.

Comparados entre si os dois trabalhos, o último se nos afigura melhor.

Carlos Chambelland apresenta também dois retratos - La dame au gant e o retrato do Dr. Oliveira Lima. Este é de uma naturalidade inexcedível. Com relevo talvez demasiado, é a cabeça do distinto, simpático e competente intelectual apanhada com exatidão, sentindo-se, através do trabalho, que o artista pintou com prazer e carinho. Pode ser que a posição de intimidade em que foi apanhado o original se preste a qualquer observação procedente; mas o que é fora de dúvida é que a arte deve ser sempre verdadeira e sincera; e ninguém dirá que aquele retrato não seja a expressão real e exata do ilustrado escritor brasileiro.

Com igual, senão superior carinho, sente-se ter sido feito o outro retrato, obra sem dúvida de maior fôlego e de maiores dificuldades que o primeiro, e por si só capaz de muito bem recomendar o artista.

Não somente pela posição em que se acha, mas pelo destaque da figura, é o trabalho que o primeiro atrai agradavelmente a atenção de quem entra no salão. Julgamo-lo um trabalho extraordinário, sem embargo de leves senões, que poderiam ser observados numa das mãos e nos lábios.

São também figuras salientes no grupo dos nossos atuais artistas os irmãos Timotheos - o Arthur [Arthur Timotheo da Costa] e o João [João Timotheo da Costa]. Deste já nos ocupamos em notas anteriores.

Arthur Timotheo expõe três quadros. O maior e o de maior importância é o Dia seguinte. No seu conjunto é um quadro que agrada, porque inegavelmente tem qualidade assaz apreciáveis.

Com muito pesar, observando atentamente o trabalho, temos restrições a fazer-lhe. Desde logo se vê que o artista prejudicou o mérito da sua obra, visto não a ter acabado. Vejam-se os braços das figuras. Não se pode ocultar a desagradável impressão que eles causam.

Os do chauffeur somem-se, os do carnavalesco que, em estado de embriaguez, se ampara à parede, e é seguro por um dos encarregados da limpeza das ruas, não estão bem desenhados, nem bem pintados; os do que varre a calçada dão a impressão de não parecerem braços, e assim os das demais figuras. E foi lamentável que tal sucedesse, porque, se o quadro tivesse sido convenientemente concluído, seria um trabalho de primeira ordem.

Bem sabemos que ao autor não escasseiam qualidades de um bom artista, e é muito capaz de fazer excelentes obras.

Em inúmeros trabalhos há revelado o seu merecimento.

Além do Dia seguinte, tem uma paisagem da Quinta da Boa Vista, muito delicada e interessante e um nu - Adormecida.

Luiz Christophe é outro artista de talento reconhecido e de boa reputação entre nós.

Figura no salão com três bons trabalhos. Há a acentuar-lhe nos seus processos, e na sua maneira de ver, um certo quê de original e de inconfundível. No quadro de n. 140 - Ilha da Boa Viagem, ao pôr do sol, parece, à primeira vista, que se exagerou nos tons, mas na nossa baía, a quem observar, não são estranhos aqueles efeitos. Em certas tardes são realmente aqueles os reflexos produzidos pelo sol nas montanhas. São toques momentâneos em que a faixa rubro-violácea do horizonte se reflete daquele modo.

Dos seus trabalhos, porém, preferimos a Praia do Arpoador. Há aí uma vaga que se lança na praia e outra na iminência de arrebentar-se, que traduzem momentos felicíssimos do inteligente artista. É magnífica essa última vaga. Só por si vale um quadro; e grande deveria ter sido o esforço do pintor para conseguir o que fez.

Fiuza Guimarães apresenta um grande quadro - a Guerra e outro menor - Cabeça de camponês.

Por mais que possuído da mais viva simpatia, observamos, o primeiro dos trabalhos não nos agradou.

Sentimos que há nele, além de traços inapagáveis da inspiração do artista, toques de mestre. Mas confessamos que nos perdemos na indecisão do quadro, e não sentimos a consistência, nem a expressão das sua [sic] figuras.

É possível que ele possa ser comparado a um trecho musical, profundamente clássico, e com ele aconteça o que comumente sói acontecer com este. Preferimos, porém, declarar que não o entendemos, e por isto mesmo não o pudemos apreciar, o que já não sucede com o outro trabalho, que julgamos muito bom, e no qual muita coisa há a apreciar - boa expressão de fisionomia, bom desenho, destaque completo da cabeça, colorido natural e sincero.

Igual simpatia temos pelo Sr. Dall'Ara, artista que, sem impulso de audácia e exagero, tem sabido cercar a sua obra de um certo quê de moderação, que sempre agrada.

O seu quadro n. 78 - Tarefa pesada, é trabalho muito bem feito. As figuras são todas bem cuidadas, principalmente a que conduz a lata d'água; e as sombras são feitas com a maior naturalidade. O artista, porém, não conseguiu tirar certos efeitos, que seriam naturais.

A árvore, por exemplo, que recebe o sol em cheio, ressente-se da falta de tons iluminados, não sendo verdadeiro o colorido que às suas folhas imprimira o artista, que, aliás tão belo colorido soube dar às figuras.

A Ronda é igualmente um bom quadro, talvez um pouco frio, mas de uma sinceridade e realidade que seduzem.

No Sr. Dall'Ara há esta observação a fazer. O que lhe sai do pincel tem algo de frio, mas sempre agrada.

Rio, setembro de 1913.

L. F.

Exposição de belas artes

Acha-se aberta, hoje, das 10 horas da manhã às 5 da tarde, a exposição geral de belas artes, instalada em uma das espaçosas galerias da Escola de Belas Artes, à Avenida Rio Branco.

Hoje, sábado, é considerado dia chic para a visita a este salon.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

L. F.. O SALÃO DE 1913 VI. O Paiz, Rio de Janeiro, 20 set. 1913, p.3.

L. F.. O SALÃO DE 1913 VII. O Paiz, Rio de Janeiro, 22 set. 1913, p.2.

SALÃO DE 1913

VII

O Sr. Luiz de Freitas expõe seis quadros pequenos e um de dimensões regulares, a que denominou de "velhinhos felizes". A não serem este e o de número 142, "Luz crepuscular", aliás grandemente prejudicado pela moldura, os demais carecem de importância. Não é que todos desgostamos por completo, mas é que eles não são trabalhos à altura de uma exposição, nem do valor do artista. Os de ns. 143 e 145 poderiam aí figurar, mas convenhamos que os demais apenas poderiam ser tidos como ligeiras notas de impressão.

Quiséramos que os nossos artistas tivessem maior apreço pelo salão e a ele só concorressem com trabalhos acabados, e que efetivamente representassem um esforço concluído.

Artistas, como o Sr. Luiz de Freitas, já laureado por mais de uma vez nos nossos torneios anuais, e com as qualidades de que é possuidor, fica de alguma sorte, perante o público, com a responsabilidade de não apresentar trabalhos de somenos importância. Releve-nos o artista estas observações, também aplicáveis a outros, ditadas pela sinceridade com que olhamos as coisas de arte, e que apenas visam trazer-lhe maior estímulo.

Ao professor Lucilio de Albuquerque, por exemplo, se ajustam perfeitamente as observações que aí ficam.

Conquanto os seus dois quadros "Retrato" e a "Encosta" sejam bem feitos, não se pode deixar de acentuar que o seu autor se apresenta no salão com uma bagagem de inferior importância. Professor da nossa escola, de renome feito em obras de merecimento incontestável, seria para desejar que trouxesse ao salão alguma coisa de mais valioso. O retrato, que tem no catálogo o n. 140, é o de um conhecido amador, cuja figura foi bem apanhada. Apesar de o fundo do quadro, com abundância de folhas, tentar dominar a figura, esta se destaca, e não é prejudicial no seu relevo. Foi uma dificuldade criada pelo próprio pintor para dela se sair com galhardia.

A paisagem tem algum interesse. Seríamos, porém, insinceros se não disséssemos que melhor impressão tivemos da apreciação, em conjunto, da paisagem da apreciada artista Sra. Georgina de Albuquerque.

Não teria cabimento o confronto entre os dois pinceis; mas é cabível transmitirmos a impressão recebida.

Como paisagem, no seu conjunto, é um trabalho bem feito, e feito com certa vida e movimento. As figuras das crianças são interessantes, guardando ambas atitudes naturais e graciosas, com as quais também guarda harmonia a posição da rapariga que com elas brinca no jardim. A menina que está deitada sobre a relva, espreitando a companheira a atirar a bola, agrada bastante. O quadro ainda tem pontos bem tocados. O outro trabalho, "Perfil de senhora", é também de algum interesse.

Do Sr. Raphael Frederico, como apreciado pintor, também exigiríamos tivesse mandado trabalhos mais importantes, o que não quer significar que são de todo maus os que lá estão. Estes oferecem algum interesse, menos pelas dificuldades vencidas do que pela firmeza de algumas linhas, certas nuances de efeito e alguns toques agradáveis. Repetimos, porém, que é insignificante o contingente que trouxe ao salão.

Dos quadros do Sr. Malagutti, em número de seis, apenas exceptuaremos como de regular merecimento o que denominou de "Serenata", não obstante se parecer com um desenho colorido. A "Impressão de Paquetá", aquarela, agradaria certamente mais do que aquele, se não fora a dureza de que se reveste. Onde, porém, o artista fracassou por completo foi nos retratos, que são absolutamente falhos. Neles não há relevo, não há colorido, não há expressão, e nem verdade. Sobretudo, no de n. 154, estes defeitos são mais sensíveis, dando-nos até a impressão de ter sido quebrada a tela na altura do ombro da figura.

No quadro "Serenata", acima aludido, sente-se momentaneamente uma certa suavidade de colorido a que se segue o regular efeito da linha de palmeiras, banhadas pelo luar. Nestas palmeiras, achamos assaz destacados os seus estipes, não sendo natural que, à noite, possam ser vistos da forma por que etão [sic] na tela.

Em resumo, não podemos apreciar nenhum dos trabalhos do Sr. Heitor Malagutti.

O mesmo já não diremos dos seus quadros do Sr. Eugenio Latour. Para lhe ser assinalado lugar distinto bastaria o seu belo quadro "Bianca". Nele há expressão, graça, tons felicíssimos, leveza e o que mais possa ser exibido numa pintura bem feita.

A "Máscara raivosa" e a "Máscara jocosa", apesar dos senões que lhe poderiam ser notados, não deixam de agradar. No primeiro, quereríamos que os cabelos produzissem melhor efeito; no segundo, há algo de desagradável que se salienta do pescoço do modelo.

Do Sr. Alvim Menge nada conhecíamos, senão que era um inteligente patrício que com vantagem estudava a sua arte no estrangeiro.

A apresentação dos seus trabalhos atuais foi, portanto, para nós, a revelação de mais um bom artista, que com brilho vem reunir-se à plêiade dos nossos jovens pintores de maior futuro.

Esse distinto moço trouxe ao salão um concurso dos mais preciosos, estando ali a representar uma das melhores figuras.

Deixando de lado as suas pequeninas impressões e o "Pão d'agua", trabalho assaz interessante, os seus principais quadros, que são quadros de verdade - "Hidromancia", "Sedução" e "Serata d'onore", têm despertado os mais vivos aplausos.

Há a observar neste artista que o seu pincel não vibra sob grandes emoções; mas qualidades outras que possui sobrepujam a sua relativa frieza.

O seu trabalho "Hidromancia" é um dos melhores quadros da exposição. Todas as suas dificuldades, que não são pequenas, foram resolvidas com maestria, nele sobressaindo a figura de uma moça, que, debruçada num parapeito, procurando fazer adivinhações pela água, está superiormente cuidada, de modo a causar a mais agradável impressão.

Há em toda essa tela uma delicadeza encantadora de tons, a que se reúne uma rigorosa firmeza de desenho.

A "Sedução" também muito nos agradou. Uma moça interrompida no seu trabalho por uma carta que recebe, medita sobre o conteúdo dela. Não há nesta figura a consistência, nem o relevo observados no quadro "Hidromancia". Mas o artista soube imprimir às diversas partes do quadro disposição tal, e revestir a moça de ar de tamanha simpatia, que o trabalho passa a ser apreciado com viva satisfação.

O terceiro quadro, embora de grande efeito, é, ao nosso ver, inferior àqueles. Uma atriz, junto à ribalta, recebe da plateia flores e aplausos, a que corresponde em atitude graciosa. Tendo o seu corpo tão diretamente banhado pelas luzes da ribalta, o artista não logrou tirar os efeitos correspondentes, como o poderia ter feito.

Sendo, como é, valiosíssimo o concurso desse artista, e estando em tão grande destaque os seus trabalhos, causou-nos estranheza que o júri de professores o não tivesse contemplado entre os premiados.

A injustiça nos parece ter sido grande.

Ao ilustre artista cabia, jure et facto, ter sido aquinhoado com uma das melhores medalhas, ou com a aquisição de uma das suas obras, outro meio que teria sido satisfatório de premiar o seu merecimento.

Rio, setembro de 1913.

L. F.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

L. F.. O SALÃO DE 1913 VII. O Paiz, Rio de Janeiro, 22 set. 1913, p.2.

L. F.. Salão de 1913 I. O Paiz, Rio de Janeiro, 7 set. 1913, p.4.

Um dos nossos mais distintos colaboradores, que trata geralmente das coisas de arte, inicia hoje, em um artigo muito próprio, uma série de escritos sobre o salão de belas artes, deste ano.

O primeiro é o que se segue:

Salão de 1913

I

A vigésima exposição geral, inaugurada na Escola Nacional de Belas Artes, desde 1º do corrente, deve ser considerada mui justamente como um belo certame artístico; e constata inegavelmente a auspiciosa animação de arte que de certo tempo a está parte se vem acentuando.

Lembramo-nos bem que as primeiras exposições da série anual, inaugurada em 1894, se realizaram com regular interesse, a elas concorrendo as nossas maiores individualidades artísticas e não pequeno número de distintos amadores, todos esperançosos e confiantes de que para a arte se abririam novos horizontes e para o artista um campo de mais compensadora atividade e de mais vasto descortino para os seus ideais. Essa vida, porém, das primeiras exposições, foi de todo efêmera e passageira. Ela não pôde resistir à indiferença do público, passando as festas anuais da nossa Escola de Belas Artes a se realizarem friamente, sem nenhum interesse despertar, despercebidas do público e amortalhadas na mais glacial das indiferenças.

O que menos resultava desse desolador estado de apatia, era o desaparecimento do estímulo no artista, que, além de privado do apoio moral dos aplausos e homenagens em torno das suas obras, era compelido a amontoá-las, com a mais completa das desilusões, nos cantos dos seus ateliês.

A censura que se possa fazer ao meio, posto lhe tenha a justificar a ausência de cultura artística de que notoriamente se ressentia e ainda se ressente, é e deve ser sempre menor à responsabilidade que cabe à nossa Escola de Belas Artes, que muito mais do que fez e do que faz poderia fazer em favor dos artistas nacionais. É sabido que o governo concedeu àquela escola, para aquisições de objetos de arte, uma dotação orçamentária; mas, por outro lado, é também sabido que tal verba era destinada aos estrangeiros, absolutamente estranhos ao nosso meio, cujas obras eram sempre adquiridas de preferência às obras dos artistas brasileiros ou de estrangeiros ligados ao nosso meio. E se não fora a iniciativa da congregação da escola, de restringir à terça parte da dotação a quantia que poderia ser destinada aos estranhos, ainda hoje assistiríamos, pelos precedentes verificados, às mais clamorosas injustiças para com os nossos artistas.

A conduta da direção da escola não deixa ser assaz errada, e neste ponto indefensável. Natural é que adquiram no estrangeira [sic] e do estrangeiro objetos de arte para as nossas coleções; mais natural e necessário, porém, se torna a aquisição das melhores obras dos nossos melhores artistas. As galerias da Escola Nacional de Belas Artes, todos facilmente compreenderão, devem ser na realidade o arquivo, a documentação, o repositório dos documentos e provas das nossas manifestações de arte. Quando o historiador quiser reconstruir o passado da nossa pintura, por exemplo, naturalmente, a primeira fonte que procurará recorrer será a galeria nacional.

Aí, porém, muito pouco lhe permitirá descrever com verdade e segurança qualquer época que porventura pretenda estudar, não somente pela ausência de inúmeros artistas, que lá não figuram, como pela escassez de obras daqueles que mais se notabilizaram. Seria muito para louvar que o critério da escola a outro sentimento não obedecesse senão o de adquirir sempre as grandes obras dos nossos artistas; e que esse critério fosse estribado num dispositivo regulamentar, que terminantemente vedasse ao artista a venda de qualquer dos seus trabalhos apresentados nas exposições oficiais antes de ser feita a escolha, pela própria escola, daqueles que ela julgasse deverem pertencer a galeria pública, e servissem de atestados do valor do artista e do desenvolvimento da arte.

Isto é o que é preciso que se faça e é o que está em condições de fazer o professor Henrique Bernardelli, com os seus sentimentos de grande artista e a sua dedicação às artes brasileiras.

O momento atual, em que o público já vai perdendo da sua indiferença alguma coisa, que já é o suficiente para trazer maior incentivo aos artistas, animando-os e abrindo-lhes uma melhor fase, é asado para que ainda alguma coisa se faça.

-

Intentamos aqui a apreciação dos trabalhos de pintura expostos no atual salão.

Os expositores que aí se apresentam constituem os três seguintes grupos: o dos artistas, o dos novos e o dos amadores.

No primeiro figuram, entre outros, as Srs. Baptista da Costa, Alberto Delpino, Brocos, Bruno, os Chambellands [Carlos Chambelland e Rodolpho Chambelland], Crotti, Dall'Ara, De Servi, Fiuza, Georgina de Albuquerque, Graner, Latour, Christophe, Luiz de Freitas, Lucilio, Malaguti, Menge, Navarro da Costa, Carlos Oswaldo, Arnau, R. Frederico, Soelinger [sic], Souza Pinto, os Thimotheos [Arthur Timotheo e João Timotheo] e Visconti; no segundo, os Srs. Alvaro Teixeira, Angelina Angelina Agostini, Annibal de Mattos, Bicho, Bordon, Capllonch, Gaspar Magalhães e Eurico Alves, e no grupo de amadores, as Sras. Adelaide Gonçalves, Adelia Marques, America de Souza, Angelina de Figueiredo, Carlota Labouriau, Fedora Monteiro, Francisca Leão, Iracema Freire, Julieta Bicalho, Maria Pardos, Sarah Padovani, Sylvia Meyer e viscondessa de Castello [sic].

De todos ou quase todos diremos as nossas impressões.

Rio, setembro, 1913 - L. F.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

L. F.. Salão de 1913 I. O Paiz, Rio de Janeiro, 7 set. 1913, p.4.

L. F.. SALÃO DE 1913 III. O Paiz, Rio de Janeiro, 10 set. 1913, p.3.

SALÃO DE 1913

III

A história da pintura no Brasil, além da sua longa fase precursora, que se estende por quase todo o tempo colonial, pode ser dividida, ao nosso ver, em dois grandes períodos.

O primeiro período - o de formação - começa em 1816 e vai até 1860, e abrange duas épocas:

a) de 1816, ano em que chegaram ao Rio de Janeiro os artistas franceses, a 1826, data da fundação da Imperial Academia de Belas Artes;

b) de 1826 a 1860, data em que começaram a aparecer Victor Meirelles e Pedro Americo.

O segundo período - o de desenvolvimento - começa em 1860 e vem até os nossos dias, e abrange as três seguintes épocas:

a) de 1860 a 1884, ano que assinala a mais notável das exposições nacionais;

b) de 1884 a 1894, data em que se iniciaram as exposições anuais da atual Escola de Belas Artes, e em que começaram a surgir os dois mestres E. Visconti e Baptista Costa.

c) de 1894, aos tempos atuais.

É curioso assinalar nessa história uma nota bem interessante. Em cada época há sempre dois nomes que, avantajando-se aos que floresceram no mesmo tempo, se tornam as suas maiores figuras representativas.

Se quisermos rever na sua pequena distância dos nossos dias, as épocas de formação, já encontraremos sobrelevando-se os vultos de Debret e Nicoláo Taunay, na primeira; e Emilio Taunay e Porto Alegre, na segunda.

Ainda mais se acentua essa curiosa emulação, sempre entre dois mestres, no período do nosso real desenvolvimento artístico.

Victor Meirelles e Pedro Americo são os dois vultos proeminentes, as suas mais acentuadas culminâncias da sua época; como igualmente o são Henrique Bernardelli e Rodolpho Amoedo, dentre os artistas que floresceram de 1884 a 1894. A tão notáveis gerações sucederam os artistas atuais, dentre os quais ninguém ousaria negar o lugar de primus inter pares a Visconti, na figura, e a Baptista da Costa, na paisagem.

São as três gerações que se sucederam, sendo certo que cada uma delas soube, mantendo o patrimônio recebido, tornar-se continuadora das tradições dos mestres.

Grato e sempre grato será, aos que se interessam pela arte brasileira, o recordar os nomes de Almeida Junior, Firmino Monteiro, Rodrigues Duarte, Oscar Silva, Pedro Peres, Estevão Silva, Vasques, Belmiro, Treidler, Parreiras, Karon [sic], Castagneto, França Junior, Ribeiro, Aurelio de Figueiredo, Decio Villares, Dall'ara e outros, êmulos e continuadores da geração anterior, cujo valor pode ser aferido pelos nomes de Facchitnetti, Arsenio Silva, Vinet, De Martino, Le Chevrel, Zeferino, Grimm, Driendl, Leoncio Vieira, Horacio Hora, Agostinho da Motta, Souza Lobo, Delfim da Camara e José Maria Medeiros.

Visconti é, como se vê, um dos mestres dentre os mestres.

Professor da Escola de Belas Artes, onde muito há contribuído para o nosso progresso, artista dos mais queridos e mais bem cotados do nosso meio, espírito cultivado e temperamento dotado de extremo grau de emotividade, nenhum trabalho lhe sai das mãos sem que tenha o cunho da verdadeira obra de arte.

Apresenta-se no atual salão com quatro trabalhos - Uma pequena paisagem, uma figura e dois desenhos. Nenhum deles, é certo, dá a medida completa do seu real merecimento; mas são todos eles trabalhos muito bem feitos e que revelam superiores qualidades.

A paisagem é linda, harmoniosa, de tons, tons muito leves. A árvore do primeiro plano é de uma delicadeza que encanta e está envolvida num ambiente de uma tonalidade de bom efeito e que se derrama igualmente por todo o quadro.

A figura desde logo revela ter sido feita por mão habituada ao gênero. Representa uma cabeça de mulher exageradamente magra, e intitula-se Cabeça de martir. Na pequena parte do colo, que pode ser observada, há muita beleza; o colorido é agradável, e os cabelos estão pintados com maestria admirável.

Dos seus desenhos gostamos mais do de n. 212. É trabalho também magistral, cujas dificuldades foram todas vencidas, obtendo o artista admirável resultado.

No de n. 213 há duas figuras no primeiro plano que muito nos agradaram.

A despeito de serem bons, os trabalhos do professor Visconti constituem, para o salão, uma bagagem relativamente pequena. É muito para desejar que o grande artista não o abandone desde já. Seria lamentabilíssima a sua ausência nas nossas festas anuais.

O que com sinceridade desejamos é que sempre ali se ache a dar-nos os belos frutos do seu formoso espírito.

Rio, setembro, 1913.

L. F.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

L. F.. SALÃO DE 1913 III. O Paiz, Rio de Janeiro, 10 set. 1913, p.3.

Laudelino de Aguiar
Laura Andrade
Laura Freire de Meirelles
Laura Saint Brisson
Laure Enthoven
Laurindo Ramos
Lauro M. Demoro
Leduina B. da Gama Rodrigues
Léo D'Avila
Leonardo da Vinci
LEONARDO DA VINCI. IMPRESSÕES DO "SALÃO". A Noticia, Rio de Janeiro, 13-14 out. 1904, p. 2.

A musa alegre da ironia leve e inofensiva, como uma borboleta branca por entre o pó da Avenida, tem andado por esta coluna a fazer em prosa ligeira o comentário da atual exposição oficial de pintura. Honra lhe seja feita, não cometeu uma injustiça sequer e nem um momento se vangloriou de entendida. Falou a rir de coisas que viu a rir, mas com esse riso que contenta as almas e a ninguém fere. Falou da antiguidade do Sr. Petit, do tamanho microscópico do Sr. Araujo Fróes, dos verdes de abacate do Sr. Machado, do diletantismo elegante de três ou quatro expositores, dos modelos imutáveis do Sr. Agostini, da invulnerabilidade artística do Sr. Henrique Bernardelli com uma leveza, uma volubilidade que não deve ter deixado rancores em ninguém.

Para o fazer valeu-se do prosaísmo da frase corrente, que é a linguagem chã de Mr. Jourdain, deixando a solenidade do verso que lhe tolheria a liberdade de rir e emprestaria aos seus juízos uma autoridade que ela absolutamente não pretendia aparentar. Encerrado o "Salão" ninguém mais se lembrará da pobre musa que agora tem de ir respigar outros assuntos em terreno mais árido e menos simpático. E ninguém terá ficado grato à musa pela alegria que trouxe nestas leves frases de um jornal; em compensação também ninguém lhe ficará querendo mal. Os artistas continuarão a pintar os seus quadros com o mesmo amor e os mesmos carinhos. O Sr. Agostini fará mais leões, o Sr. Petit mais retratos, o Sr. Araujo Fróes mais aterros do Russell com o que contribuirá brilhantemente para a avenida Beira-Mar; o Sr. Honorio Esteves voltará a Minas para pintar mais camponesas, o Sr. Henrique Bernardelli tornará a pintar o Sr. Arthur Napoleão, os Srs. Cunha Vasco [Anna da Cunha Vasco e Maria da Cunha Vasco] voltarão à Copacabana, ao Leme e ao Palatinado, o Sr. Chambelland [Rodolpho Chambelland] fará outro teatro em chamas para a aflição do nosso corpo de bombeiros. Enquanto isso a musa contertar-se-á de ter amado os seus artistas sem lhe ter comprado um quadro, de ter rido com esses doces boêmios durante um mês esse riso sadio e leve que não deixa vincos no rosto nem nuvens no céu e canta como as cigarras ou os sabiás, conforme é inverno ou verão. Não pôde a musa falar de todos e esse é o seu maior pesar. Muitos são os que ficam, não esquecidos, mas não referidos. Faltou tempo e faltou espaço, duas coisas tão necessárias como o pão. Agora, nesta derradeira hora da exposição, à musa resta apenas tempo para falar de um doce quadro, essa encantadora Porangaba, do Sr. João Macedo. O jovem é do Ceará e por isso não nos surpreende o seu talento. A terra da luz só tem um defeito - as secas - e esse ao que parece insanável. Mas no mais é perfeitamente farta. Abundaram ali as carnaúbas, os poetas, as belezas, as jangadas, os políticos e os jornalistas. O Sr. João Macedo era, pois, um talento que já se esperava da terra do Sr. comendador Accioly.

Também o assunto da Porangaba era já tido como certo, porque sendo cearense o pintor, cearense havia de ser o tema do quadro. Tudo perfeitamente cearense para provar a solidariedade da raça. A Porangaba é realmente um quadro encantador; há nele a vibração de uma alma verdadeiramente artística que logo transmite a sua emoção a quem o contempla. À parte, quaisquer defeitos de técnica ou de execução que a impressão geral não permite esmiuçar, a Porangaba promete um artista de muito futuro, principalmente se não se perder nas paisagens, nos retratos e noutras obras semelhantes. O assunto é talvez atrasado e restrito. Talvez só o Ceará compreenda profundamente e de conhecimento próprio aquele drama íntimo que aflige a formosa e desditosa índia. O essencial, porém, é que transpareça do quadro uma bela organização artística e a promessa de um talento que se não perderá. Está encerrado o "Salão". - Leonardo da Vinci.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

LEONARDO DA VINCI. IMPRESSÕES DO "SALÃO". A Noticia, Rio de Janeiro, 13-14 out. 1904, p. 2.

Leopoldo Campos
Leopoldo Gotuzzo
Leopoldo Silva
Levino Fanzeres
Libindo Ferraz
Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo
LOBATO, Monteiro. O "Salão" de 1917. Revista do Brasil, São Paulo, ano II, out. 1917, n. 22, p.171-190.

Está aberto no Rio a 24a. exposição geral de Belas-Artes, ou o "salon", como chamam eles. O que se nunca abre apesar das vinte e três aperientes exposições anteriores é o apetite do público para estas coisas de arte. Quero dizer na minha que, como as outras, a exposição deste ano está às moscas. Em plena avenida, ponto forçado da perambulagem calaceira de toda a capital, só penetram nas galerias da Escola os murmúrios da rua, poeira do asfalto, fonfonadas. Os porteiros das 10 às 5, ou 17 como querem eles, cabeceiam sonecas suculentas, diante dos talões de entradas que se vendem pior do que literatura poética.

Nas cidadezinhas da roça, a via mais deserta chama o povo "rua do Vai Um"; e é bem apanhado, porque raro são vistos nela mais de um transeunte, bípede ou cão vadio. Lembram tais ruas os "salões" anuais do "Entra Um" da Escola. Esse "um" perdido pela vastidão das galerias, em namoro ante certos quadros, é de ordinário... o seu próprio autor. Perto dali, no entanto, a goma alta do Rio disputa a chuçadas de cotovelo cadeiras de cinema para emparvecer o olho ante as caretas truculentas do Judex. Não é, pois, causa da deserção a pratinha do ingresso, como se afigura a alguém. É pouco caso, e dos legítimos. A razão da decadência das artes nós engalha nisso. Impossível desenvolver-se alguma em tal ambiente de indiferentismo. Sem raizame fincado no seio úbero do povo toda arte, além de superfetação teratológica, é artificialismo sufocador das vocações melhores, e criador por moção polar, de virgilices larápias. A falta do sadio estimulo popular, cresce e viça um tortulho venenoso: a "cavação" perante governos, com disputa feroz das boas graças duns Mecenas de 160 réis, pais d'arte e tutores de artistas, à custa de cuja profissão lá vão formando ricas coleções baratinhas. Há ainda os 300 de Gedeão, que compram telas; mas estes 300, averiguou-se já, não passam de 30, se lá chegarem. Dedicar-se uma criatura às artes em terra assim é perpetrar heroísmo tangencial à loucura: heroísmo maior que o dos guerreiros a esta hora eminhocados na terra de periscópio no olho, loucura igual à de poetas que esperem da Bolsa cotação para rimas.

E como é assim, os noventa por cem das energias vitais de um artista dispende-os ele na reação contra os gazes asfixiantes da indiferença pública ou estupidez mecânica, sobejando apenas dez para consumo na extenuante elaboração estética.

No Império contrabatia esta vacuidade das massas o insubstituível Pedro II, cujo bem querer às artes ligado à compreensiva inteligência de que as não há sem artistas bem defendidos das asperezas da vida, levou a pintura e a música sobre todas, a um grau de esplendor que envergonharia a atualidade, se a atualidade fosse suscetível de tal fraqueza.

A galeria da Escola traz bem patentes os produtos da proteção governamental pré e pós ao Quinze de Novembro. Pré, é Pedro Américo de Figueiredo com a Batalha d'Avahy. Pós, é Aurelio com o Baile da Ilha Fiscal.

Nos ominosos tempos é o gênio levado ao pleno desabotoar de todas as forças ingênitas e como seqüência o enriquecimento do país com obras primas daquele jaez. Após a "integração republicana da América", é a cavação em grande, é a obstrução, com o dispêndio de 60 contos, dos 20 ou 30 deliciosos metros quadrados de parede nua que a famigerada "machina"... infernal de Aurélio atravanca. Banido do país o elemento Pedro II, que agia cataliticamente por ação da presença, e posto em lugar dele o vácuo democrático duns imperantes de chinelas, quadrienais no tempo, e mais ou menos quadrados no espaço, o nível da arte caiu de par com o câmbio, o crédito, o brio e todas as mais coisas que caem passando ela a viver de expedientes, falida como o tesouro, apesar de apalaçados ambos, arte e tesouro, suntuosamente. Eis porque, cá na minha, o quadro mais notável deste ano é um não exposto nem nesta, nem nas exposições anteriores, porém resaltante à vista como o que mais o é. Quadro de colaboração, desconsolador até ali, a um tempo trágico e pícaro: "Apolo de tanga 'cavando' pão à porta do seu palácio". Dada esta montanha de precalços o que a 24a. exposição revela significa tanto que dá ímpetos de pedir-se a berros o medalhamento de todos os expositores por ato de inaudito heroísmo. Ou isso ou a internação deles num manicômio.

* * *

Dos novos é Pedro Bruno o que melhores cópias dá de si. Expõe um Iokanaan, vulgarmente João, em tríptico, onde o estafadíssimo tema dos apetites histéricos da Salomé desenvolve-se com muito arrojo de interpretação, num ambiente noturno de singular verdade, com largueza de técnica e muita harmonia. Esse e os mais trabalhos do autor, paisagens ou composições idealistas, erguem Bruno a uma plana de nítido destaque na corte dos novos. É dos que pedem à pintura expressão de sentimentos e de idéias, e não a exclusiva estamparia foto-crômica de bananas e paisagens bonitinhas, vazias de sentido. Em "Flamboyants", "Prenúncios de tempestade", "Volta à casa", e nos mais, há sempre a preocupação de interpretar um estado d'alma ou dele ou da natureza, n'alguns otimamente conseguidos.

Raymundo Cela é outro nome que aparece. Traz uma tela de vulto: Último diálogo de Sócrates. A mania de sair do presente compreensível, e mergulhar em mundos mortos, como o grego, é uma balda velha da Escola, que não perceberá nunca o absurdo contido nisso, diante da moderna concepção de arte. Como pode um menino do Ceará, transplantado para o Rio, e que não é um helenólogo com 50 anos de estudo, como pode essa moderníssima e brasileiríssima criatura interpretar com sua alma virgem de filosofias, uma cena do século de Péricles? Fará artificialismo puro, está claro, a custa de reminiscências visuais. E dos professores que lhe escolheram ou aconselharam tal tema haverá um conhecedor do grego, afeito a confabular com a legião dos sofistas, e, em conseqüência desse convívio mental, capaz de ouvir e entender Sócrates? E de o por decentemente em tela a dialogar? Não obstante Cela denuncia-se com boas qualidades de arranjador, e boa técnica, sobretudo nas figuras secundárias, já que à principal deu cara de Elixir de Nogueira ao filósofo e panejou-o pesadamente.

Carlos Oswaldo, talento cheio de personalidade e já senhor de maneira própria, expõe 14 telas nas quais dá largas à sua paixão pelos efeitos de luz artificial, caindo até num loie-fullerismo pictural provocador de comentários tais como trop chiqué e outros da família. É muito elegante, e muito amigo de elegâncias femininas.

Na paisagem destaca-se Edgard Parreiras com a "Restinga", que é talvez a mais sugestiva paisagem exposta este ano. A luz, o mormaço, a transparência do ar, dá-os ele com rara felicidade; a verdade do ambiente empolga o espectador e puxa-lhes da glote exclamações.

Também Paulo do Valle apresenta formosa tela - Pau d'alho -, feita com desempeno de mestre, alto senso decorativo, ótima de tons e ótima de luminosidade.

Gotuzzo é outro nome que se vai impondo. Largueza de mão, elegância de pincel, expressão e outros traços valiosos ressaltam das telas que traz à mais ligeira inspeção. Em água-forte expõe duas fases diversas do mesmo estudo de nu que valem por si sós muita tela de avantajadas dimensões.

Gastão Formenti dá uma "Tarde no Leblon" digna de menção pela frescura das tintas e excelência do céu.

Helios Seelinger expõe apenas "Dança Macabra", cena de sabá onde espinoteiam bruxas de Goethe, e toda a fauna demoníaca do Hartz, esbatidas do rubro fogo do inferno, movimentadissima, e "Sonho de Cabral", fantasia marinha bastante sugestiva. Ambas típicas, filhas legítimas da sua poderosa veia fantasmagórica, ambas excelentes, não destoa nenhuma da originalíssima obra anterior desse artista hoffmanico, único entre nós.

Capplonch surge com dois esboços feitos a lacre vermelho - a Guerra e o Trabalho - com revoadas de morcegos, guerreiros truculentos, capacetados à alemã, conseguindo dar a impressão de um Helios áptero. Cumpre-lhe ganhar asas no futuro certame, expondo o desenvolvimento destes esboços em telas reabilitadoras.

Correia Dias: está aqui um notabilíssimo artista que infelizmente só apresenta um painel decorativo - Sancho e D. Quixote - estilizados com maravilhoso senso decorativo. Insuficiente que é o exposto para avaliar da sua arte, entretanto, como ex digito gigans, vê-se dele que figura culminante é C. D. no gênero, e o é aqui como o será em qualquer requintado centro artístico onde tal arte se apresente.

R. Mendes expõe um bom pastel discretamente desenhado e bastante rico de luzes.

L. Ribeiro, velho marinhista, dá o "Oregon e o Iowa entrando no Rio", figurando o lance com muita minuciosidade, nada moderno na técnica, antes usando uma das mais fora da moda, sinceríssima, porém, e honestíssima.

Inúmeros outros novos apresentam trabalhos denunciadores de boas qualidades inatas ou adquiridas como Christophe, Widhopff, Dutra Alipio Dutra, que expõe um pescador à linha de grandes dimensões, Migueis, etc., mas não há tempo de falar deles visto como os mestres estão aí superciliosos já. É Amoêdo quem dentre eles dá o melhor trabalho. Pensou assim e não pensou mal o Jury, condecorando esse quadro com a medalha de honra. "Eros e a Noite", embora não possuam o encanto indefinível de certas telas anteriores de Amoêdo, como a partida de Jacób, ainda é indiscutivelmente um quadro de mestre. A. Parreiras expõe uma grande paisagem bem a sua maneira, mas que não destroniza nenhuma de suas boas paisagens de outrora. R. Chambelland exibe na sua "Vaidosa" gentil atestado do que há de mimoso e leve no seu pincel, amigo de elegância e maciezas.

Lucílio trouxe para o salão uma tela de vulto, tirada do tema anchietino, tanto de sua predileção - Catequese - onde se vê o evangelizador das selvas, em atitude estática no meio de uma teoria de coroinhas curumins, afundando pelo mato em demanda do gentil conversível. É um bom quadro, embora ressentido da pressa com que foi levado a termo.

João Baptista expõe retratos e paisagens, tudo escrupulosamente pintado, tão escrupulosamente pintado que nos verte no espírito a dúvida: se o escrúpulo excessivo da verdade absoluta não é mais nocivo à arte do que um tal qual desvio para o maneirismo, por onde se denuncie que o pintor tem mais alma, sentimento e temperamento do que uma Zeiss anastigmática.

Quo abundat non nocet, diz um latim glotão, contrabatido por outro mais inteligente: est modus in rebus. E para aqui a contribuição dos mestres. Agora, às mulheres. Antes, porém, uma estaçãosinha diante do Petit. Um quadro há em certa sala que prende a atenção de todo o mundo, e depois de prendida a atenção solta o riso. De longe figura uma rósea barata descascada. De perto continua a ser uma descascadíssima barata. A quem procure no catálogo a classificação entomológica "daquilo" deparar-se-à esta solução: Feliz sorte, estudo de nu. Fica a gente sabedor de que o inseto é uma nudez feminina e por sobre isto uma feliz sorte. Mas será feliz sorte a do curioso que logrou desentranhar o x do enigma, ou a do pintor que já tem na tela um cartão com o saboroso "adquirido"? Górógótó, galhetas!...

Além dessa há pelas paredes mais dezenove petitoisseries apasaijadas, qual delas mais chic, com árvores e águas e céus o que há de catitinhas, coisa de arrepiar de entusiasmo as bossas estéticas de meio Méier e toda a Cascadura.

Que Augusto Petit pinte assim, está direito; a arte é um canto da natureza visto através dum temperamento. Se o temperamento de Petit é armado de prismas que arredondam árvores, envernizam águas, esmaltam carnes, descascam baratas, é lógico saia da sua palheta a cromolitografia de folhinha tão grata ao paladar menineiro de Maxambomba. Mas que uma vítima daltônica desse temperamento seja membro do Jury, e dê voz no julgamento das inúmeras obras expostas é acrobática compreensível na terra onde Zago estaçoa parques; no Rio é forte. Pede brado d'alerta. Como voa Petit a tais cumeadas, se é positivamente áptero? Será pirraça à Alemanha pelo fato mirífico de ser o homem natural de France, como soa binocularmente o Catálogo, e ter tido por mestre a Eugenio Nesle, e haver-se medalhado a ouro de 3a. classe (há de ser plaquet este ouro de terceira) na exposição de 98? Altos segredos d'Appolo!...

Senhoras, senhoritas e madames. Há-as copiosas, 22 ao todo. Destacam-se: D. Georgina de Albuquerque, já muito senhora da sua arte, amiga de pintar interiores aos quais dá notável equilíbrio de ambiente e onde figuras bem trabalhadas pousam à vontade como chez soi; D. Regina Veiga, que traz dois bons retratos cujo pecado único reside nas mãos; D. Adelaide Lopes, com um pastel de feliz carnação; e D. Julieta Bicalho, com uma paisagem joaobaptistina onde aliás vê o público mais sentimento que nas do seu mestre, convizinhas.

A Sra. A. Prados [sic] [Maria Pardos] afouta-se a dois nusões de truz, uma Dalila cor de panarício, e um outro nu de fogo, capplonchico. Beatriz de Camargo sempre a mesma, sincera e conscenciosa.

Fica intercalada aqui uma palavra sobre os "Imigrantes" de Rocco, que nos iam escapando. São bem imigrantes aquelas figuras, surrados da vida e da viagem, com todo o passado de miséria negra estampado no físico e na quebreira da alma. É um quadro bom sem ser belo. O autor seguiu o preceito de Dürer : toda preocupação de beleza é nociva à arte.

Na paupérrima secção de escultura Francisco Andrade impõe-se com um "Narciso" bem modelado e superiormente pousado, dando ainda um belo baixo relevo digno de muito louvor, "Descoberta da América". Cavina tem a "Flor da Mata", nu feminino e "nacional", uma cabocla lascivamente reclinada; e Modestino Kanto expõe "Alma torturada" onde há qualidades, como se diz em gíria. Mazzuchelli dá um grupo em gesso, "Em defesa" bem movimentado. O resto, é o resto. A arquitetura entra na exposição deste ano com trabalhos de Sironi, Berna e Dubugras, não apresentando nada de novo.

Em medalhas, as medalhas do costume. E é só.

Numericamente consta o certame de 225 obras de pintura, 19 de escultura, 13 de arquitetura, 3 de gravura, afora 22 medalhas, gravuras em pedras, gesso e cera. Seria pouco no Panamá, nos Estados Unidos da Colômbia ou n'outro qualquer país de intensa população. Cá nos nossos Estados Unidos é, indubitavelmente, muito. Não esqueçamos que somos um país de apenas 30 milhões de habitante, e muito novo, tão novo como o U.S.A.

Setembro, 1917.

MONTEIRO LOBATO

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Imagens

R. AMOEDO: EROS E A NOITE, p.173.

LUCÍLIO DE ALBUQUERQUE: RETRATO, p.175.

GEORGINA DE ALBUQUERQUE: RETRATO, p.177.

F. ANDRADE: NARCISO, p.177.

EDGARD PARREIRAS: RESTINGA, p.181.

R. CELA: ÚLTIMO DIA DE SÓCRATES, p.181.

R. CHAMBELLAND: VAIDOSA, p.183.

A. DUTRA: PESCANDO, p.187.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Alice Damasceno, Cristiane Souza de Oliveira e Daniel Belion

LOBATO, Monteiro. O "Salão" de 1917. Revista do Brasil, São Paulo, ano II, out. 1917, n. 22, p.171-190.

Lotte Benter
Louis Rochet
Louise Visconti
Lucas Meyerhofer
Lucilia Ferreira
Lucilia Fraga
Lucílio de Albuquerque
Lucio Costa
Luis Cordeiro
Luiz Abreu
Luiz Bartolomeu Paes Leme
Luiz Carlos de Andrade Filho
Luiz Christophe
Luiz da Silva Ribeiro Filho
Luiz Esteves de Carvalho
Luiz Fernandes de Almeida Júnior
Luiz Gama
Luiz Graner y Arrufi
Luiz Kattenbach
Luiz Maria Felippo
Luiz Ribeiro
Luiz Signorelli
Luiz Teixeira
Luiza Babo de Andrade
Luiza M. S. Belard
Luiza Maurity dos Santos Belart
Luiza Xavier
Lulu Senior
Lupercio Ferraz
LUSO, João. O Salon de 1916. Revista do Brasil, São Paulo, ano I, set. 1916, n. 9, p.37-50.

Nada menos de seiscentos e sessenta e um trabalhos constam do catálogo da XXIII Exposição Geral de Bellas Artes. E há ainda um "apêndice"! Este súbito aumento da produção artística nacional, que, à primeira vista, deveria rejubilar toda a gente, não agradou a muitos e a alguns verdadeiramente escandalizou. É que, pelos modos, a Comissão do Salon, desejando dar ao público, por ocasião da celebração do centenário do ensino artístico no Brasil, uma impressão largamente satisfatória do que se tem aproveitado e caminhado de D. João VI para cá, resolveu afrouxar um tanto as exigências do exame e fazer vista grossa a certas vulgaridades e deficiências, nos últimos anos banidas do nosso certame oficial. A ser assim - e não queremos faltar ao respeito da Commissão, mas parece-nos bem que foi - seguiu-se, de certo modo, aquele critério atribuído por G. Ferrero à Alemanha moderna, numa conferência em que o ilustre publicista estabeleceu a distinção entre o progresso quantitativo e o qualitativo... Ora, aqueles que no presente caso, defendem tal orientação, alegam a necessidade da benevolência, da bitola baixa, para animação dos jovens artistas, a quem outros estímulos desgraçadamente faltam numa terra e numa época tão avessas a idealismos. Mas o efeito, se bem refletimos, antes se nos afigura pernicioso. Porque, animando-se, com o júbilo da exibição, e porventura do prêmio, os inexperientes ou mal dotados cultores da Arte, nenhum serviço útil se presta à mesma Arte e evidentemente se concorre para que os outros, os verdadeiros, os bons esmoreçam e desanimem. Há sempre, entre as obras expostas, lado a lado, alguma coisa de tradicional, de convencional, que as equipara, as irmana como dignas umas das outras. E o que a uns expositores enche de orgulho, a outros, por força, há de causar desgosto. Depois, a verdade é que o Salon não tem por fim especial encorajar, estimular quem quer que seja. A sua função consiste, deve consistir, acima de tudo, no julgamento dos trabalhos que lhe são enviados. Nos centros mais cultos, figurar num certame oficial de arte representa, não a obtenção de um favor ou incentivo, mas a conquista de uma justiça irrecusável. Está claro que não vamos ao extremo de recomendar ao nosso Juri o mesmo rigor com que, por exemplo, os Artistes Français recusam anualmente milhares de telas, gessos ou mármores; mas, dentro da relatividade que as circunstâncias impõem, desejaríamos que a entrada nestas Exposições Gerais não dependesse, em tão grande escala, de condições alheias ao real valor das obras e assim envolvesse, por si só, uma forma de consagração.

Não nos alongaremos, porém, a discutir uma questão que além do mais, é um fato consumado. Houve demasiada tolerância - eis o que ninguém põe em dúvida - e não apenas em relação ao mérito de alguns, concorrentes, como também no tocante a regras ou práticas nestes casos estabelecidas. Assim, por exemplo, se aceitaram quadros já vistos em exposições particulares e até em estabelecimentos comerciais. Francamente, é dar excessiva importância ao lado numérico e muito pouca ao lado do interesse. O Salon sofreu, por isso. O que, porém, mais o prejudicou - sobretudo, se atendermos a sua feição histórica e comemorativa - foi a ausência de vários mestres, cuja indiferença ou birra não têm, no caso, suficiente explicação. O sr. Visconti, por exemplo, não compareceu; nem o Sr. Belmiro; nem o Sr. Bernardelli. O Sr. Henrique Bernardelli enviou os excelentes medalhões "a fresco" que se destinam à fachada da Escola e que, distribuídos por duas sacadas, em cavaletes baixos e em locais acanhados, mal se deixam apreciar; e o Sr. Rodolpho Amoêdo apenas concorreu com fotografias das suas composições decorativas para o foyer do Theatro Municipal. Escusado será acentuar a falta que estes gros bonnets fazem sentir ao público visitante; e bem se imaginam os comentários dos maldizentes e a indignação dos patriotas, para quem o fato respectivamente significa que os "Velhos" estão esgotados e o país mais perdido!

Dos medalhões da pintura, pois, só concorreu o Sr. João Baptista, infatigável na sua paixão laboriosa e moralmente obrigado a prestigiar o Salon, agora que a Direção das Belas Artes lhe está confiada. As suas paisagens são tecnicamente impecáveis. Nelas se patenteia uma fatura paciente, escrupulosa, sem arrebatamentos e sem êxtases - de maneira a dar impressão de que o mestre trabalha sobretudo com a consciência. Nós, que, em Arte como em tudo o mais, sofremos de incurável sentimentalismo, preferiríamos obras menos corretas, em que acentuadamente transparecesse a emoção do artista, júbilo, mágoa, entusiasmo, apreensão ou languidez sonhadora, diante do trecho de natureza que o inspirou. Isto, porém, significa um reparo pessoal sem nenhuma pretensão teórica, doutrinária: e de certo o que se nota nas paisagens do Sr. João Baptista, é a impassibilidade da perfeição.

Há, no Salon, uma "grande máquina", a Expedição à Laguna, do Sr. Lucílio de Albuquerque. À frente de inúmera cavalhada, Garibaldi dirige a manobra do transporte de um dos seus barcos, puxado, sobre eixos e rodas, a juntas de bois; ao longe, vem outro barco, tirado pelo mesmo sistema e seguido doutros cavaleiros, a perder de vista; e ao alto, o céu sereno e luminoso sorri benignamente à esforçada aventura. Em outros quadros, bem menores e bem mais simples, tem o Sr. Lucílio conseguido afirmar melhor a sua individualidade. Não há, porém, negar que desta audácia de um artista relativamente moço, resultou uma obra que deve ser olhada com respeito e francamente louvada. A perspectiva está estudada e obtida de um modo já magistral; em alguns dos bois que puxam o grande barco, vê-se bem a contração penosa do arranco, o violento esforço da avançada... Enfim, o Sr. Lucílio triunfou; e não foi sem justiça que o Juri lhe conferiu a Grande Medalha de Ouro. Sua esposa, a sra. Georgina de Albuquerque, teve a Grande Medalha de Prata. É o que se chama um casal, mesmo em arte, feliz. A Árvore de Natal representa também uma obra maior e mais difícil até hoje empreendida pela artista. É num interior de uma casa burguesa, onde se reúne, em torno do pinheiro gentil, de variegados, luminosos frutos, um bando de crianças; já muitas prendas foram distribuídas; ao fundo, as pessoas grandes contemplam a alegria dos pequeninos; e no primeiro plano, ao canto da tela, há uma moça ao piano e um rapaz enlevadamente a olha, como se, no rosto que resume aquele ambiente familiar e festivo, visse todo o seu futuro. Esta nota dá ao assunto uma particularidade tocante; e algumas figuras, como a meninota que, de frente para o observador, examina a nova boneca, seriazinha, compenetrada, um tanto comovida, são na verdade, interessantes. Um entendido notaria talvez, no conjunto, certa falta de harmoia, de equilíbrio; mas seria, talvez, uma simples impertinência...

A sra. Georgina de Albuquerque não é, neste Salon, a única artista vitoriosa. Realmente, o belo sexo faz-se representar, com brilho e dignidade. A sra. Fedora do Rego Monteiro que, há pouco, nos chegou de Paris e fez uma exposição numerosíssima, onde não rareavam as belas obras, obteve a Pequena Medalha de Prata, com um retrato a pastel, aceito no Salon des Artistes Français. A sra. Adelaide Lopes Gonçalves que já há dois anos obteve aquele prêmio, expõe quatro "pastéis", reveladores do seu constante progresso especialmente o título Bordando que, sem pretensão a retrato, supreende uma linda fisionomia, nos seus traços delicados e na sua fina expressão. No Toucador é o principal dos quadros expostos pela sra. Sylvia Meyer, discípula do Sr. H. Bernardelli e cuja intuição artística nobremente se vai assinalando. A artista afrontou ali várias dificuldades, como o reflexo do espelho, a variedade dos acessórios, a luz ambiente - que venceu com muita habilidade e espírito. Citaremos ainda, com especial louvor, uma figurinha de criança (n. 339 do catálogo) que é positivamente deliciosa; e mais não citamos, porque o espaço destinado a este artigo mal nos permite fazer referência a uma obra de cada expositor que nos interessa. Mas, continuando: Da sra. Beatriz Pompeu de Camargo, há, no Salon, nada menos de quinze trabalhos a óleo e dois a aquarela. Entre os primeiros, destaca-se o retrato Minha irmã, executado com uma espécie de ingenuidade simpática e cativante; e impressionam também de modo agradável algumas paisagens, pelas quais se vê como a artista interpreta delicadamente a natureza. A sra. Helena P. da Silva expõe uma Cabeça de Expressão que realmente a tem. Há uma escultora premiada, a sra. Hermelinda Repetto; na seção Gravura de Medalhas, obteve a Grande Medalha de Prata a sra. Dinorah Simões Enéas; e nas Artes Aplicadas conquistou idêntico prêmio a sra. Johanne Brandt, professora eximia, cujos trabalhos há muito se tornaram notáveis e são hoje imitados por uma infinidade de disciplinas. Talvez nesta apressada lista feminina, tenhamos omitido alguns nomes... Perdão! Não foi propriamente por querer!

As obras do Sr. Carlos Oswaldo ocupam na Exposição lugar deveras saliente e honroso. São dez quadros a óleo, onde a técnica do jovem artista assume raro caráter de personalidade, e algumas finíssimas, preciosas águas-fortes. Dos trabalhos a óleo, particularmente nos seduziu o Garoto, cuja vibrante, comunicativa expressão faz pensar na inspiração milagrosa de um Velasquez e recorda, entre os modernos pintores, o grande intérprete de fisionomias que é Columbano. Reconhecemos, porém, como mais valiosa a Sonata de Beethoven, onde as duas figuras, a mulher ao piano - dando embora a impressão de ter os braços compridos demais - e o homem abraçado ao violoncelo, compõem uma cena intensamente espiritual. Outro artista de singular temperamento é o Sr. Helios Seelinger que, ocupado, durante o ano, com trabalhos de decoração fora do Rio, nos não oferece, infelizmente, as coisas novas e fortes que dele se devem sempre esperar. Como obra desconhecida, só nos dá a fantasia alegórica Tormentum belli, de arrojada concepção e frenético movimento. O Sr. Seelinger obteve, há anos, o Prêmio de Viagem; desta vez coube ele a um artista moço, o Sr. Dias Júnior, em quem mestres e críticos fundem as melhores esperanças. Intitula-se Abel e Caim o quadro premiado e apresenta duas academias de adolescente, executadas com bastante segurança. Abel, de pé, a frente erguida, o olhar estático, agradece ao Senhor ter-lhe aceitado as ofertas modestas; Caim, sentado, as mãos entre os joelhos; curte sobriamente o seu despeito e já talvez premedite o seu crime. Há neste trecho paradisíaco um talude, indicativo, sem dúvida, de quanto se achava, no Éden, adiantado o serviço de Obras Públicas... Mas o quadro interessa verdadeiramente, a sério; as figuras têm linha e têm expressão; e os planos de paisagem sucedem-se acertada e harmoniosamente.

Era concorrente do Sr. Dias o Sr. Henrique Cavalleiro, outro rapaz magnificamente dotado e como aquele destinado a honrar, um dia, a pintura brasileira. Entre os seus quadros, salienta-se o retrato do Sr. A. P. numa pose muito natural, com as feições caprichosamente modeladas; e Juventude, uma figura feminina, suave e sadia, saindo de um fundo de larga folhagem, por trás da qual fulgura o sol. Este trabalho denota, além do mais, um gosto, uma compreensão de beleza que não são nada comuns em tal idade. O Sr. Cavalleiro conquistou a Grande Medalha de Prata, como o Sr. Pedro Bruno, de quem admiramos, entre outras telas, A Noite de Luar, cheia de poético sentimento, com a sua luz aperolada fundindo-se no lilás da paisagem, a sua casuarina, o seu portal agreste, onde uma figura de mulher parece possuída da beleza e da melancolia que a rodeiam. Igual prêmio coube ao Sr. Luiz Christophe que em duas paisagens de Teresópolis, afirma, com superior engenho, as suas já reconhecidas aptidões para o gênero.

Os quadros do Sr. Antonio Rocco, só agora conhecido no Rio, colocam-se entre os melhores da Exposição "Minatori" - Primeiros Socorros é um trabalho que empolga a atenção do visitante, pela fatura larga, espontânea, vigorosa. Um operário, vítima de um desastre, jaz por terra, sem acordo, morto talvez; um companheiro, ajoelhado, examina-lhe o ferimento pavoroso; outros de pé, aguardam compungidos e ansiosos, a revelação que aquele lhes vai fazer. Sente-se em tudo aquilo o pulso forte e desenvolto de um pintor de boa raça, educado em boa escola. Não se pode deixar de citar, do mesmo artista, a tela Passano i Bersaglieni, onde, de uma sacada, várias mulheres do povo, belas e robustas criaturas, contemplam, num misto de ternura e entusiasmo, as tropas que, embaixo, devem ir galhardamente desfilando. Também pela primeira vez expõe no nosso Salon, e com soberbo destaque, o Sr. Henrique Vio que, além de algumas paisagens de enérgico e vibrante colorido, nos oferece uma figura de ancião, em suave repouso, tratada de maneira a fazer lembrar os mestres antigos, cuja obra ficou e parece sempre nova - e um retrato do escultor F. C., singularmente expressivo. Não estrangeiro, mas educado na Europa e ainda residente em Madrid, o Sr. Leopoldo Gotuzzo manda-nos sete obras dignas da melhor atenção, entre elas um Nu de mulher, em que tratando um modelo já longe da primeira mocidade mas ainda perto da segunda, o artista consegue interessantes efeitos de carnação. A figura está meio deitada num divã coberto de veludo verde escuro e descansa a cabeça nas costas da mão esquerda, na cintura, desenham-se bem os refegos de uma gordura que começa a pronunciar-se; as pernas estendem-se numa sensação de preguiça e abandono; tudo está feito com propriedade e aparente facilidade, mas onde o pintor deixou a melhor demonstração nos recursos de sua técnica, foi no rosto, apanhado num ligeiro escorço e modelado a preceito. A notar do mesmo artista, duas variantes de um tipo de velho alcólico e um Estudo de cabeça (assobiando).

No Salon, abundam os retratos. O Sr. Guttmann Bicho que foi discípulo do Sr. A. Petit mas está deixando de o parecer e faz do retrato a sua especialidade, expõe nada menos de sete, quase todos de homens de letras e nos quais assinala a sua continua emancipação e aperfeiçoamento. O Sr. Ziliani, além de uma obra de combate social, Guerra alla guerra, exibe um auto-retrato, em quatro interpretações de luz artificial, trabalho bastante curioso. O Sr. Marques Junior, que cultiva com particular carinho e graça o retrato a sanguinea, apresenta também um, a óleo, deveras apreciável; e no retrato, brilham ainda os Srs. Alfredo Andersen, norueguês domiciliado em Curitiba; Gaspar Coelho de Magalhães, um dos melhores alunos que tem tido o mestre H. Bernardelli - assim como, na paisagem, se distinguem os Srs. Levino Fanzeres, que tanto aproveitou da sua estadia na Europa; B. Pinto, Arthur Lucas, Raul Bevilacqua, já também brilhante figurista; Marques Campão, Annibal Mattos, Antonio Castanho, Edgard Parreiras, digno discípulo de seu tio; Miguel Capllonch, João Baptista Paula França [?], Paulo Valle Junior.

Na seção de Aquarelas, Pastéis e Desenho, o Sr. H. Colom [sic] surpreendeu grandemente aqueles que apenas o conheciam como despretensioso, embora habilíssimo, decorador. As suas paisagens a aquarela encerram, além de poderoso cunho individual, um toque de poesia que encanta. Não houve, neste certame, mais sensacional revelação. De outros artistas que mais ou menos aqui se salientam, falamos já a propósito da seção de Pintura. Mas seria grave injustiça não mencionar as iluminuras, de sedutora imaginação e peregrina graça de composição, do Sr. Correia Dias; as endiabradas, irresistíveis charges do Sr. Raul Pederneiras que no Salon defende os créditos da Caricatura; as paisagens a aquarela - e a sério - de outro afamado caricaturista o Sr.Vasco Lima, e os retratos do Sr. Valle Souza Pinto, cujo crayon pede meças aos mais apurados e fiéis.

A seção de Escultura está, como sempre, numericamente fraca. O Sr. Rodolpho Pinto do Couto que, no nosso meio artístico, ocupa lugar distintíssimo e continua a não ser pelo Júri suficientemente recompensado, expõe duas Cabeças em bronze, as quais, sem nenhum favor, devem ser consideradas duas verdadeiras obras de arte. Sua esposa a Sra Nicolina Vaz Pinto Couto, tem, na República do Brasil, um belo trabalho em mármore. Os srs. Antonino Mattos, Antonio Pitanga, Francisco de Andrade, Modestino Kanto, Jorge Soubre vão dando cada vez melhor conta de si. Há um novo de talento: o Sr. Paulo Mazzuchelli discípulo do Sr. Corrêa Lima. Podemos passar à Gravura de Medalha e Pedras Preciosas, onde o Sr. Adalberto Mattos prêmio de viagem em 1909 e atual professor do Liceu de Artes de Ofícios mantém a palma que, pelo menos, nessas Exposições Gerais, parece ter-lhe definitivamente passado para as mãos o seu insigne mestre Girardet. Vem depois a Arquitetura, com vários projetos acadêmicos do professor Ludovico Berna; alguns Estudos admiráveis do Sr. Victor Dubugras; projetos do Sr. Samuel das Neves... e nada mais. Decididamente, os arquitetos fizeram gréve. Na Gravura e Litografia, triunfa o Sr. Carlos Oswaldo, já citado e faz bem boa figura o Sr. Argemiro Cunha. E chegamos finalmente às Artes aplicadas, com a sra. Marga Harier [sic], as Sras. Nazareth: Marina, Alice e Aracy [Marina Nazareth, Alice Nazareth e Aracy Nazareth].

Eis o que tínhamos que dizer, nesta singela resenha que absolutamente não aspira à crítica e nem sequer visa foros de boa reportagem. Em resumo: Um bom Salon à maneira daquele famoso poema

"que seria melhor, não sendo tão comprido..."

JOÃO LUSO.

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Imagnes

Lucilio Albuquerque: - Retirada da Laguna, p.39.

Georgina de Albuquerque: - Árvore de Natal, p.39.

J. Baptista da Costa: - Velhas Mangueiras, p.43.

Marques Campão: - Uma Nuvem, p.43.

Dias Júnior: - Caim e Abel, p.47.

Andersen: - Retrato do Major J. C., p.47.

Antonio Rocco: - I Minatori, p.47.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Joanna Barbosa Balabram

LUSO, João. O Salon de 1916. Revista do Brasil, São Paulo, ano I, set. 1916, n. 9, p.37-50.

M.
M. de Bethencourt
M. FIGURA DO "SALÃO" - O PINTOR MURILLO LA GRECA. O Globo, Rio de Janeiro, 19 ago. 1927, p. 8.

Entre as revelações do atual Salão da Escola de Belas Artes destaca-se o nome do pintor pernambucano Murillo La Greca, cujo grande quadro "Os Fanáticos de Canudos", tem atraído a atenção dos visitantes daquela exposição, não só pelo assunto, - uma evocação histórica inspirada nos "Sertões", de Euclydes da Cunha, como pela maneira pela qual o artista nos transmite a emoção que o inspirou.

Murillo La Greca iniciou-se na pintura sob a direção de Henrique Bernardelli, mas pouco tempo se demorou no "atelier" de Copacabana, pois tendo ocasião de se transportar à Itália, ali permaneceu por espaço de seis anos, que tanto durou o seu aprendizado artístico. Agora volta-nos artista feito e com uma bagagem de que os cinco quadros do Salão representam a valioso expoente, revelando a [sic] vários aspectos o talento do autor: no retrato em duas figuras femininas carinhosamente tratadas; na paisagem em "Nordestina", flagrante da natureza do norte, com o motivo típico - o casebre de barro, um cajueiro ao lado, o coqueiral defronte, luz tropical, ar seco; finalmente na composição em "Apollo e Castalia" e "Fanáticos de Canudos". A primeira destas duas telas é quase um painel decorativo; há muita doçura no conjunto e na fisionomia das duas figuras. Na composição dos "Fanáticos" o que mais sobressai é o grupo do primeiro plano, curiosa "pietá" sertaneja, - uma velha amparando nos braços o filho moribundo; em torno outras cenas daquele episódio doloroso da nossa história - jagunços feridos, jagunços que ainda atiram sobre Canudos já conquistado pelo Exército; ao longe o casarão da cidadela de Antônio Conselheiro. A técnica é larga, e no colorido se trai o pendor do artista para os efeitos decorativos.

Murillo La Greca estreou-se bem. A sua primeira apresentação é penhor seguro de uma forte e bela obra futura.

- M.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

M. FIGURA DO "SALÃO" - O PINTOR MURILLO LA GRECA. O Globo, Rio de Janeiro, 19 ago. 1927, p. 8.

MACHADO, Julião. A "Saleta". A Cigarra, Rio de Janeiro, 5 set. 1895, p.5.

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OS CRÍTICOS

- ah! um peru!... Que palpite!...
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Digitalização e transcrição de Arthur Valle

MACHADO, Julião [Julião Machado - Caricaturas]. A "Saleta". A Cigarra, Rio de Janeiro, 5 set. 1895, p.5.

MACHADO, Julião. EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES. SEÇÃO DE ESCULTURA. A Cigarra, Rio de Janeiro, 19 set. 1895, p.3.

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OS CRÍTICOS

" MOEMA " - ou os funestos resultados da má colocação das boias, quando se toma banho sem saber nadar.
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Digitalização e transcrição de Arthur Valle

MACHADO, Julião [Julião Machado - Caricaturas]. EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES. SEÇÃO DE ESCULTURA. A Cigarra, Rio de Janeiro, 19 set. 1895, p.3.

Manoel Bas Domenech
Manoel Constantino
Manoel de Araújo Porto-alegre
Manoel Faria
Manoel Funchal Garcia
Manoel Ignacio da Silveira
Manoel Joaquim da Silva Pereira
Manoel Lopes Rodrigues
Manoel Ribeiro de Araújo Fróes
Manoel Ribeiro de Araujo Froes
Manoel Santiago
Manuel Pereira Madruga Filho
Manuel Teixeira da Rocha
Marc Robert
Marcel Debut
Marcenaria Brasileira
Marga Hauer
Margarida Lopes de Almeida
Margrethe Krog
Marguerite Daum
Marguerite Flori Bracet
Maria Agnello Forneiro
Maria Barbosa de Oliveira e Silva
Maria Bulcão
Maria Clara da Cunha Santos
Maria da Cunha Vasco
Maria de Assis Mattos
Maria Delfino de Amorim Lima
Maria Elisa de Arruda Botelho
Maria Elisa de Frontin Werneck
Maria Elisabeth Boher Bahiana
Maria Emilia de Campos
Maria Eulalia Pires de Sá
Maria Francelina de Barros Falcão
Maria Herminia Lisboa
Maria Hirsch da Silva Braga
Maria Luiza Pompeu de Camargo
Maria Meyer
Maria Pardos
Maria Rosalia Corrêa Lima
Maria Santos
Maria Teixeira de Faria
Maria Thereza Rosso
MARIANNO FILHO, José. Impressões do Salão. O Jornal, Rio de Janeiro, 23 ago. 1925, p. 2.

Em artigo especial para O JORNAL, José Mariano (filho) comenta as paisagens de Baptista da Costa e Edgard Parreiras e os quadros de gênero ligeiro de Osorio Belém [sic], Guttman Bicho e Henrique Cavalleiro, expostos este ano no Salão

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José MARIANNO (filho)

(Presidente da Sociedade Brasileira de Belas Artes)

(Especial para O JORNAL)

A paisagem

Baptista da Costa é, talvez dentre todos os pintores brasileiros, o que mais se tem comovido diante da natureza.

Montanhas altas, ásperos despenhadeiros, vales profundos, planícies onduladas, tudo lhe tem passado pelas mãos. É um fascinado, e ao mesmo tempo um intérprete sagaz.

Tem-se atribuído à sua pintura uma nota de plangente melancolia.

Entretanto, eu a vejo sempre admirável. Porque nas suas paisagens a natureza é surpreendida nos seus mais recônditos mistérios.

Baptista conhece o segredo das sombras profundas, dos horizonte largos, do colorido justo. Assim, todos os efeitos são obtidos de pronto, eu diria quase por antecipação - sem esforço, e sobretudo sem nenhum dos "trucs" conhecidos.

Baptista da Costa conhece a hora alegre das manhãs douradas de maio, os dias tristes de inverno a bruma indecisa do crepúsculo. Todos os tons lhe são familiares, todas as cores lhe são amigas.

As árvores - reconhece-as à primeira vista, com a sagacidade do matreiro caboclo.

Certa vez - recordo-me agora - ele sorriu meio espantado quando me pus a nomear com familiaridade uma a uma, as árvores que ele havia transplantado para a tela de um pequeno quadro. No primeiro plano, um tufo de quaresmas; depois um grupo de sapucaias, e ao longe, abraçando a estrada larga recortada pela luz do sol, a grande figueira brava esgalhada e enorme, o tronco estuante de seiva, a fronde imensa, emergindo da terra no ímpeto de força indômita.

Depois o se ter deixado impressionar pela fisionomia das grandes árvores excelsas com as quais pode compor pequeninas paisagens que são verdadeiros quadros íntimos da natureza, Baptista da Costa começou a sentir os grandes panoramas brasileiros.

Aqui, o artista se revela na sua singela grandeza. É o "Salto do Itu", o Alto da Serra de Petrópolis, e tantos outros trabalhos nos quais o artista domina o horizontes [sic], semeia os vales, contorna despenhadeiros na ânsia cada vez maior [...]

No salão atual, como nos anteriores [...] Todas as paisagens são bem "cortadas", largamente feitas, banhadas de luz. Uma delas me agrada particularmente (48).

Será por causa daquela grande moita de bambus virentes orlando de súbito um violento contraste com esta paisagem? Talvez.

Edgard Parreiras é outra [sic] paisagista que se emociona com a natureza. Sua arte possui ademais uma nota de humana piedade pelas velhas coisas do passado, solares abandonados, portões carcomidos, igrejas desertas. Ainda este ano, seu mais forte trabalho (279) é um vívido flagrante de cena antiga.

Eis aí uma pequena pintura que é ouro de lei. Prestai atenção à honestidade do desenho, à perspectiva, à luz que a envolve. O colorido é expressivo, gracioso, tratado com desenvoltura.

Dois pitorescos aspectos de Ouro Preto são apresentados por Annibal de Mattos (35-36). Ambos estão bem cortados e desenhados com acerto, porém um pouco frios. Talvez mera questão de técnica.

Quadros de gênero

Orozio Belém, apenas adolescente, possui todos os indícios de um temperamento artístico. Pinta com independência, compõe com apreciável desembaraço. O mais apreciável de seus trabalhos (255) tem um curioso cachet [sic] de pintura espanhola. Sairá dali um pintor de costumes, um cronista da raça no gênero dos grandes pintores de Espanha? Que Deus me ouça o vaticínio.

Guttman Bicho, depois de nos ter dado uma série de interessantes retratos finalmente observados traz em salão um bom quadro de gênero [...] bem entonado tratado com boa técnica. O colorido está justo, muito bem compreendido.

A pintura de Henrique Cavalleiro continua a desafiar a crítica. É das que "bravent l'opinion". Possuindo um forte poder de expressão pictural, sentindo os seus motivos sempre dentro do "partido" decorativo, senhor de uma paleta luminosa e vibrante, Cavalleiro será um excelente decorador, quando se propuser a desenhar as coisas até ao fim, como lhe foi ensinado por Eliseu Visconti.

Geralmente os artistas que se metem a futuristas são uns pobres diabos incapazes de desenhar um sapato. Fazem torto simplesmente porque não podem fazer certo. Isso não impede que se presumam grandes predestinados e menosprezem o trabalho alheio, que eles não podem produzir.

Cavalleiro é precisamente o contrário. Ele deforma propositadamente o desenho dos seus trabalhos, não sem que se lhe perceba a intenção. É uma questão de teimosia que há de passar para […] de todos quantos esperam com ansiedade sua volta ao aprisco. Mas com todas essas sinceras restrições sua pintura é "et pour cause", do melhor estofo.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

MARIANNO FILHO, José. Impressões do Salão. O Jornal, Rio de Janeiro, 23 ago. 1925, p. 2.

Marie Louise de Bernardiéres
Marieta Galliez
Marietta de Figueiredo
Marietta de França Meirelles
Marietta Velho
Marina Nazareth
Mario da Silva
Mario De Murtas
Mario Doglio
Mario dos Santos
Mario dos Santos Maia
Mario Fertin de Vasconcellos
Mario Navarro da Costa
Mario Nunes
Mario Tulio
Mario Villares Barbosa
Martha de Segadas
Martinho de Haro
Mary Manso Sayão
Mary Wilmot
Mathilde Alten
MATTOS, A. O Salão de 1921. Illustração Brazileira, Rio de Janeiro, ago. 1921, n/p.

Com uma regularidade cronométrica, inaugurou o Conselho Superior de Belas Artes o Salão oficial, que, para nós, representa a expressão máxima da produção artística da maioria dos artistas nacionais. Infelizmente, ainda desta vez, não foi possível, à comissão encarregada da organização do certame anual, dar uma acomodação condigna ao esforço dos artistas patrícios; dificuldades sérias ainda estão sendo removidas para que, no próximo ano, pela comemoração do nosso centenário, o Salão possa ter a imponência que merece. A Rodolpho Bernardelli coube a glória de organizar o primeiro Salão, vencendo mil dificuldades; agora, a Baptista da Costa é dado o prazer de conseguir uma definitiva instalação, que será, estamos certos, dotada das condições de luz e distribuição de locais, adequados à apresentação das obras de pintura, escultura, gravura e arquitetura. Tal realização vem de encontro à vontade unânime dos nossos artistas. Insuspeitos, podemos julgar os benefícios que o professor João Baptista da Costa vem de conseguir para os artistas brasileiros; por muitos anos combatemos o regime do sarrafo, tabiques e estopa pintada; unicamente nos movia o desejo de ver realizado, na prática, o que durante longos anos foi objeto de cogitações e indecisões. O professor Baptista da Costa venceu, tendo por aliado um espírito ponderado, que compreendeu claramente as necessidades latentes da Arte brasileira; esse espírito de escol foi o do Dr. Alfredo Pinto, digno ministro da Justiça, que, por esse motivo, deixa o seu nome vinculado à história das Belas Artes. Para que o nosso Salão se torne realmente a expressão máxima da totalidade dos nossos artistas torna-se mister, no entanto, uma prática severa na escolha da produção; a par de muitas obras dignas existem outras, verdadeiramente infantis, completamente falhas de preocupação estética, que visam apenas conjugar o verbo encher... Muita coisa, que nunca deveria ter transposto os umbrais do Salão, lá figura impunemente, como se aquele recinto fosse um vasto museu de incoerências, de verdadeiros aleijões encurralados em molduras mais ou menos berrantes... Essas aberrações são provocadas pela nossa índole, pelo mau vezo de julgarmos, não com a consciência e sim com o coração, por simpatia ao nome ou indivíduo. O Salão deste ano não é inferior nem superior aos atrasados. A ausência de alguns nomes laureados torna-se notada à primeira impressão: Rodolpho Bernardelli, que hoje vive divorciado dos ambientes artísticos, e seu irmão Henrique, Fiuza Guimarbes [sic], Rodolpho Chambelland, Correia Lima e outros são os desertores. BELMIRO DE ALMEIDA, que por muitos anos viveu afastado dos nossos salões, aparece agora com um trabalho fino como todos os que saem da sua paleta. O quadro de Belmiro de Almeida é uma nota clara, simpática, onde as figuras de Calogeras, Raul Fernandes e Rodrigo Octavio se destacam, vivas. O atual Salão é pouco numeroso. Não se nota nele o atropelo habitual dos outros anos. Mas é agradável ao visitante, apesar das franquezas existentes. BAPTISTA DA COSTA brilha; fugindo um tanto ao habitual, os seus quadros formam um conjunto homogêneo, as suas figuras são desenhadas com sobriedade, mostrando, mais uma vez, que é um artista capaz. Repetimos aqui: teríamos verdadeiro prazer em ver o valente artista interpretando as nossas florestas, o nosso interior empolgante de cor e de mistérios. GARCIA BENTO, no seu envio, revelou progressos; os seus quadros têm mais poesia, o empastamento é mais seguro e a cor mais transparente. É um dos novos que se destaca, sem ser preciso recorrer aos atroadores reclamos, às exageradas manifestações dos amigos; enviou três trabalhos espatulados com segurança e boa planimetria. Outro novo que se apresenta galhardamente é OSWALDO TEIXEIRA. Muito moço ainda, já possui atrevimentos, coragem de fazer alguma coisa fora das normas habituais. O Retrato do pintor Santiago é bem a prova do que afirmamos. ARGEMIRO CUNHA este ano limitou-se a enviar uma paisagem sentida, que, com propriedade, intitulou: Tarde. MANOEL SANTIAGO, em dois trabalhos, mostra uma evolução franca, uma maneira simpática de pincelar e cortar os seus quadros, revelando magníficas qualidades de marinhista, com empastamentos seguros e muita cor; também é de plêiade que surge. EDGARD PARREIRAS é um triunfador. No seu quadro Sol da tarde, há impetuosidade, dificuldades vencidas, atrevimentos de luz e sombras, que traduzem bem o magnífico estado de alma do artista, quando o executou. Longe de nós fazer qualquer insinuação ao júri; mas, de bom grado mandaríamos o artista visitar o velho mundo com a ajuda do prêmio de viagem, pois não encontramos nos concorrentes ao referido prêmio qualidades de força a vencer os obstáculos. ANDRÉ VENTO continua amaneirado, sem emoção e sem entusiasmo. ALMEIDA JUNIOR [Luiz Fernandes de Almeida Júnior] apresenta-se de forma tal que não podemos conceber como conseguiu que o seu quadro Recordações entrasse no Salão; francamente, parece-nos uma brincadeira de mau gosto da parte do artista. HENRIQUE CAVALLEIRO, atualmente em Paris, no gozo do prêmio de viagem, enviou ao Salão, dois interessantes quadros: Paisagem e Retrato de Mlle. X, sendo este último, muito fino de cor e desenhado com segurança. MARQUES JUNIOR, também em Paris, mandou-nos um conjunto equilibrado; o Retrato de Mlle. M. de L., de grandeza natural, atrai o visitante pela maneira e pela tonalidade azul. Percebe-se a semelhança: o empastamento agrada. Esse retrato atesta mais uma vez a segurança do desenhador por excelência, que Marques Junior sempre foi, quando estudante, na Escola de Belas Artes. De ANGELO CANTÚ tem o Salão um primor: Atravessando o lago, duas figuras movimentadas e coloridas com vigor. AUGUSTO BRACET dá-nos um nu interessante, bem desenhado, de concepção e composição seguras; a nosso ver é a melhor obra do pintor. Intitula-se o quadro: A Vida. Representa um nu de mulher, tendo um dos braços em escorço, mergulhado no lago, em cujo fundo se reflete indecisamente um esqueleto humano, deixando ver o sarcasmo eterno do riso, em contraste ao corpo de carnação fresca... CARLOS CHAMBELLAND enviou alguns dos trabalhos que expôs na "Galeria Jorge", todos magníficos e bem lançados, como, aliás, são todos os trabalhos que executa. GASPAR MAGALHÃES, CUCULILO, RAUL DEVEZA, FATEMBACK [sic], FRANCISCO MANNA e PAULO FONSECA [sic] apresentam-se bem, revelando progressos e amor à carreira que abraçaram. GEORGINA e LUCILIO DE ALBUQUERQUE, apesar de não estarem tão bem representados como nos anos anteriores, dão-nos trabalhos bons, dignos dos melhores elogios. ARTHUR [Arthur Timotheo da Costa] e JOÃO TIMOTHEO apresentam-se regularmente bem. Os trabalhos apresentados não dão, entretanto, ideia do quanto os artistas são capazes. ELISEU VISCONTI é triunfador do Salão. Bastava o Grupo de retratos para dar-lhe os louros; a família do artista está representada no quadro com um vigor e semelhança pouco vulgares. Estudando a personalidade do artista escrevemos um dia:

"Como Rembrandt, Visconti chega a ser cruel quando pinta um retrato; o retrato de Nicolina Pinto do Couto, pela verdade e pela expressão, pode ser comparado ao delicioso perfil de Saskia, ao da viúva Swartenhaut, pela sobriedade impressionante que toca a alma de todos os que o contemplam! O mesmo entusiasmo dá a Visconti o empreendimento que anima as suas produções; o vigor dos seus quadros é notável. Como dissemos, pode parecer absurdo o que encontramos de comunhão entre os artistas citados; mas o que é fato é a mesma abundância de generalidade existente entre ambos, a mesma emotividade, os mesmo sentimento e o mesmo amor por todos os motivos da natureza, que Visconti ama com amor igual ao que o genial pintor do Ronda tinha pelos assuntos que pintava. Visconti tem dedicado algum tempo da sua vida ao estudo da obra de Velasquez, quer observando a sua obra, quer copiando quadros seus. Copiando, não com aquele espírito que carateriza o bando de comerciantes que infestam as grandes galerias da Europa, visando unicamente a recheada bolsa do incauto americano que, a cada passo, deixa escapar formidáveis exclamações que escandalizam os mais comedidos visitantes. O rompante, que muitos julgam ver em certos atos de Visconti, não existe, por ser o artista um indivíduo que vive para a sua obra, absorvido pelos motivos, pela mestra natureza; vive alheio às preocupações que aos outros causam desânimo e aborrecimentos. Eliseu Visconti, como artista que é, ama a solidão, o pouco badalar em torno da sua típica pessoa; vive feliz e invejado pelos seus pares, que, de vez em quando, procuram ofuscar-lhe o mérito. Taciturno, de poucas palavras, como o grande mestre em 1656, o seu desenvolvimento tem sido consequente, o seu gênio se adaptando logicamente às tendências mais de acordo com o seu temperamento; é justamente este ponto um dos que mais o aproximam de Rembrandt, que, pouco a pouco, deixou a técnica segura, mas sem entusiasmo, para abraçar a que mais lhe parecia preencher as condições primordiais da obra de Arte. Como Velasquez, chegou a ter uma verdadeira ginástica de pincel, o que lhe valeu conseguir a solução de muitos dos seus assuntos com o caráter que o notabilizou. Rembrandt criou uma luz que é particularmente sua; Visconti criou um "tipo" que se percebe em todos os seus quadros, não o "tipo físico" propriamente, mas o tipo de pintura que não se confunde e os faz destacar entre mil. A Maternidade, o retrato de Gonzaga Duque, o foyer do nosso Municipal (que é a melhor obra pictórica que lá existe) e nos deliciosos Nus existentes na Pinacoteca oficial, pode-se verificar esse "tipo", apesar da disparidade de assunto e composição. Visconti representa para o Brasil o mesmo valor que Rembrandt para a Holanda, Velasquez para a Espanha, Raphael para a Iltália e tantos outros, que seria longo enumerar; pois quase todas as grandes nações Europeias possuem o seu artista encarnando condições sérias para serem colocados no mesmo nível dos gênios."

Na Seção de Gravuras de Medalha fulgura o nome de Augusto Girardet, cercado de alguns discípulos. Na Escultura caminham na vanguarda os escultores Antonino Mattos e Magalhães Corrêa, o primeiro com uma magnífica estátua de grandeza natural e o segundo com uma deliciosa figurinha. Outros artistas apresentam-se mais ou menos bem, revelando cuidado e dedicação. Paulo Mazzucchelli expõe um baixo relevo, onde há linha de composição e bom jogo de massas.

Na Seção de Arquitetura, o Sr. Dubugras, como sempre apresenta-se com brilho, e Francisco dos Santos, Ludovico Berna e A. J. Maia [sic] enviaram também um belo coeficiente, que muito realça a Seção.

A. MATTOS [Adalberto Mattos - Artigos]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

MATTOS, A. O Salão de 1921. Illustração Brazileira, Rio de Janeiro, ago. 1921, n/p.

MATTOS, Adalberto P.. O Salão de 1926. Illustração Brasileira, Rio de Janeiro, set. 1926, n/p.

Acompanhado de grandes rumores e algum escândalo, o Salão de Belas Artes, movimentando o ambiente colocou em evidência os nomes mais representativos da arte em nossa terra; muita gente que nunca havia penetrado os umbrais do majestoso palácio entregue ao carinho de José Marianno, levada pelas polêmicas quase diárias, na imprensa, foi ver de perto o que os artistas fizeram e, conforme o testemunho de muitos, constatou com justiça a operosidade e evolução franca de quantos se apresentavam na grande mostra. Como sempre, a inauguração foi um mostruário de vaidades por parte dos artistas e público presente. Como de costume, faltaram as altas autoridades e mais uma vez a arte não teve o amparo moral que devia ter, por parte delas...

Comentando o aspecto da grande mostra, tivemos já a oportunidade de fazer algumas considerações perfeitamente oportunas e que vamos agora repetir, sem o intuito, porém, de desmerecer o valor de cada um dos componentes da exposição que, sem favor, é das melhores realizadas em nosso ambiente. Mesmo, não produzindo com os característicos que a nosso ver são indispensáveis à formação da arte brasileira, merece a maioria dos artistas o melhor encorajamento e os mais calorosos aplausos.

Estes são os comentários que fizemos:

O momento não permite rigores, ele é dos novos; porém, apesar do otimismo que se impõe, julgamos oportunos alguns comentários, embora eles sejam contrários a muitos dos elementos em destaque no atual Salão: observamos continuar a não existência, na grande feira de arte, no grau que devia, a brasilidade nos assuntos não obstante o movimento em ebulição entre os nossos artistas, nos últimos tempos.

A maioria dos criadores de belezas continua a preferir os motivos sem característicos e falhos de condições capazes de tornarem a produção de arte entre nós em expressões típicas: enveredando por caminhos bem diversos dos indicados pelo temperamento tropical, preferindo os atalhos e as modalidades que nos chegam pelas publicações estrangeiras, fora de qualquer dúvida, os artistas patrícios diminuem a capacidade criadora, enfraquecem o "eu" e as individualidades, na maioria das vezes interessantes, e fazem ainda desaparecer a realização da personalidade e os característicos do ambiente tão precioso à formação da legítima criação estética.

Não pretendemos talhar carapuças para este ou aquele artista. As nossas palavras de franqueza visam unicamente fazer sentir, a nosso ver, a necessidade do que afirmamos e estudar o momento atravessado pela arte em nossa terra. Ousando enfrentar as correntes, lastimamos a ausência do brasileirismo capaz de criar uma manifestação que seja realmente nossa, sem enxertos... do brasileirismo forte, fonte de benefícios, manancial de entusiasmo que movimente o sentimento e a emotividade nata de todos os nossos artistas pintores, escultores e gravadores.

Fácil é calcular como os nossos artistas seriam interessantes se quisessem tomar para padrão as coisas brasílicas, o sertão, o céu, as águas e os verdes tão cheios de encantos, prenhes de cambiantes embriagadoras! Por que havemos de imitar, quando possuímos tantas belezas a realizar? Por que abandonarmos um caminho que, a nosso ver, é o único capaz de individualizar a arte brasileira? Quisessem os nossos artistas empregar a habilidade com que interpretam as tendências alheias e impessoais no nosso meio, tendências já exploradas e interpretadas por uma legião de indivíduos mais ou menos cabotinos, em representar os motivos genuinamente nossos, estamos certos, fariam verdadeiros primores, criações capazes de empolgar o mundo inteiro e de definir a situação francamente dúbia que vamos atravessando. Os nossos artistas devem ser brasileiros, talento não lhes falta!

Mas, deixemos os comentários. Repetimos com a máxima serenidade: o Salão de Belas Artes que vem de ser inaugurado, sem favor é dos melhores sob o ponto de vista de contribuição dos novos. Um espírito novo anima o envio dos moços; em cada quadro vive uma preocupação de aparecer com individualidade, com uma pronunciada vontade de independência e desprezo pelo banalismo doentio.

O "Prêmio de Viagem", até bem pouco tempo disputado sem calor, começa a despertar seriedade e a movimentar o ambiente; os concorrentes, abandonando as intrigas próprias dos espíritos acanhados, caminham com segurança; isoladamente, cada qual mais forte, eles impulsionam a própria criação com emoção e talento. Animados por tão poderosos requisitos, a obra de tão promissora mocidade, aparece envolvida naquele critério flagrante e vivo no testamento artístico de Corot: "desenho, valor cromático e intensidade luminosa". Na contribuição dos novos é visível a estrada que cada um segue; sem se deixarem manietar pelo desânimo que um dia dominou os mestres, vão formando a cadeia estética que dentro em breve há de surgir para a glória de todos eles.

Dizendo que o Salão é dos melhores não pretendemos estabelecer paralelos com os anteriores. Bem difícil é fazer semelhante comparação. Se os anteriores não conseguiram deixar gravadas impressões duradouras no espírito dos que querem estabelecer paralelos, a culpa é deles próprios, da memória que os não ajuda... Não queremos discutir semelhante assunto, pueril, não oferece vantagem alguma; lembremos unicamente que no atual Salão existe uma lacuna dolorosa: a ausência de Baptista da Costa, artista eminente e talvez insubstituível no momento presente.

Nenhum pintor, dos que fazem profissão de fé na grande mostra, ainda se revelou com qualidades capazes de, ao menos, prenunciar o preenchimento da vaga aberta com a morte do autor de tantas maravilhas. Falou-se, comentou-se em surdina o desaparecimento do mestre, projetou-se realizar, em homenagem à sua memória, uma grande mostra e para tal foi nomeada oficiosamente uma comissão maior que um bonde da Light... dizemos oficiosamente porque não nos consta que a maioria dos membros tenha recebido comunicação oficial, nós por exemplo, até o momento em que escrevemos estas linhas, não recebemos, apesar dos jornais diários terem publicado o nosso nome como um dos membros. Que a comissão nomeada oficiosamente nada tenha feito, explica-se, mas quer a comissão organizadora tenha esquecido a figura do paisagista é que não compreendemos; a homenagem era simples e não acarretaria despesas, bastava um punhado de flores e uma inscrição no pedaço de parede onde sempre figuravam as magistrais telas, era barato e significativo; toda a multidão que durante horas seguidas cirandou pelas galerias ficava sabendo que a memória de um artista que soube honrar a arte, não desapareceria com coisa inútil... Dirão os que já foram ao Salão: a homenagem foi prestada, nada menos de dois retratos do mestre figuram na exposição! Mas, diremos nós: antes não estivessem porque são verdadeiros atentados...

Os principais reparos foram feitos, iniciemos a peregrinação pelas galerias, vejamos o que fizeram os nossos artistas. Vamos iniciar os nossos comentários pela seção mais desprezada pelo público e pelos noticiaristas: a "Gravura de Medalhas e Pedras Preciosas". Conta a seção apenas sete expositores, sendo um candidato ao prêmio de viagem à Europa: quatorze é o número de trabalhos apresentados. Arlindo Bastos apresentou-se com um punção em aço, gravado a buril, representando o seu auto-retrato; é um trabalho de merecimento, bem tratado e de técnica apreciável. Arlindo Bastos é um pertinaz expositor e um modesto artista que, por assim ser, muito se tem prejudicado: detentor da medalha de prata, podia também ser concorrente ao prêmio de viagem, talvez com êxito.

Calmon Barreto, muito jovem ainda, apresentou-se com três trabalhos: "Sportini", "Eros e o Leão", abertos diretamente no aço e "Dançarina", em gesso. Outro gravador que deve candidatar-se ao prêmio de viagem (se a projetada reforma não extinguir tão preciosa recompensa) é o Sr. Herminio José Pereira. O "Retrato de Santos Dummont", trabalho no aço, é realmente um trabalho digno de um profissional consciencioso e seguro da sua arte. O punção referido é obra de gravador, tudo o indica: a maneira de tratar a cabeça, os golpes seguros, de buril e o conjunto.

Walter Rodrigues de Toledo, mesmo sendo o mais fraco dos expositores da seção, apresenta-se muito bem, merecendo louvores. Francisco Gomes Marinho, candidato ao prêmio de viagem (vencido), apresentou-se com "Ofélia", "Medalha para o Clube de Regatas Boqueirão do Passeio" e "Medalha para um concurso de tiro".

Leopoldo Campos é um expositor que honra a seção. As suas medalhas são primorosas, tendo conquistado justa recompensa.

Na seção de Gravura e Litografia, figura apenas o Sr. Otto Rein com dois trabalhos: "Operação nas costas" e "Kaufmann Giseh de Hans Hobbein"; são trabalhos sérios e muito bem resolvidos. Na seção de Arte Aplicada figuram os nomes de Augusto Herborth e Joanna Pavlowna de Oven Grentner e na de Arquitetura os Srs. Cortez, Bruhns, Signorelli, Paulo Antunes, A. Corrêa Lima, Lucas Mayerhofer, R. Magno de Carvalho e Vasconcellos Cardoso, todos com fortes trabalhos. Vejamos agora a seção de escultura que, como a de gravura, é quase sempre abandonada por todos.

Antes de qualquer comentário devemos lamentar a ausência dos mestres que tanto têm brilhado em outras exposições, assim como a não existência de obras de vulto; mas, dos males o menor: os escultores patrícios, embora com trabalhos de pequenas proporções, apresentam-se, com raras exceções, mais ou menos bem. Nada menos de 53 trabalhos foram enviados à Exposição, em mármore, bronze, madeira e gesso: Francisco de Andrade, Antonino Mattos, Armando Braga, José Pereira Barreto, Honório da Cunha Mello, Homero da Silva, Honorio Peçanha, Humberto Cavina, José Rangel, Laurindo Ramos, Lotte Benters, Magalhães Corrêa, Maria S. Meyer, Orestes Acquarone, Paes Leme, Paulo Mazzuchelli, Petrus Verdier, Vicente Larocca e Yáyá de Castro, são os contribuintes de seção.

Francisco de Andrade apresenta-se com um envio de cinco trabalhos, mostrando em todos eles uma técnica segura; o júri, conferindo-lhe medalha de ouro colocou-o um plano de destaque entre os seus pares. Do conjunto apresentado pelo escultor, destacamos o retrato do "Dr. Lindolpho de Freitas" e a "Cabeça de velho". Antonino Mattos está bem representado com o "Velho filósofo", uma máscara expressiva, cheia de magníficas qualidades. Armando Braga contribuindo com seis trabalhos interessantes, empresta à seção um brilho digno de registro. "Mãe" é obra de um verdadeiro artista; "Velho tronco" é também um bom trabalho com qualidades de técnica bem apreciáveis. Cunha Mello, professor da Escola, apresenta-se bem: da coleção enviada destacamos o retrato do Sr. Presidente da República, incontestavelmente o seu melhor trabalho. José Pereira Barreto, Homero Silva, Honorio Peçanha, Maria Meyer e Yáya de Castro são principiantes na grande arte com os trabalhos apresentados, embora não resistam a uma crítica severa, fazem a sua figura; deste conjunto excluímos o busto de Baptista da Costa, da última escultora, por ser uma obra infeliz que não devia ser exposta, mesmo para não prejudicar a autora. Laurindo Ramos não está bem representado, os bustos que apresentou não têm vida e são amaneirados; comparando-os com outras produções do jovem escultor deixam a desejar. O ano passado, com a estátua do "Padre Cicero" deixou transparecer muitas esperanças que infelizmente não apareceram. Lotte Benters, alemã, apresenta-se muito bem com os seus sete trabalhos. Humberto Cavina revelou-se o operoso de sempre e nos deu uma encantadora cabeça de "S. Francisco" muito bem estudada. Magalhães Corrêa apresentou-se com um pequeno trabalho onde as suas qualidades animalistas são evidentes. De Oreste Acquarone destacamos "Gaúcho"; não nos impressionaram os seus projetos de medalha e plaquete, como baixo-relevo são falsos nos planos, embora o conjunto possua algumas qualidades decorativas. Paes Leme é um jovem que promete, desejamos vê-lo em obras de maior vulto. Paulo Mazzuchelli está mal representado.

Do Sr. Professor Petrus Verdier existe um "Tamanduá bandeira" fraquíssimo, duro como o jacarandá em que foi executado e sem particularidades que se destaque; a não ser as dificuldades da técnica da escultura em madeira, francamente, não possui mais nada. Vicente Larocca sempre em progresso, nos mandou de S. Paulo uma série de trabalhos bons; do conjunto destacamos "De Profundis", "Perfil de mistério" e "Riso", obras de grande sentimento e o busto do "Poeta Arsenio Palacio", cheio de expressão.

A seção de pintura, como sempre, é mais numerosa, nada mesmo de 316 trabalhos foram apresentados pelos 107 artistas expositores. Todos os gêneros de pintura foram testados, assim como os assuntos.

Chamando a atenção do visitante está a tela de João Timotheo "No atelier", obra-prima do pintor: cheia de grandes qualidades ela se destaca das demais enviadas pelo artista, assim como o resto do Salão. De lamentar é que o pintor não tenha tratado os outros quadros com o mesmo carinho dispensado ao trabalho citado; "Estudo de tronco", por exemplo, muito fino de cor é desagradável pelo desleixo, embora proposital da cabeça positivamente aleijada. "Adolescente" deixa muito a desejar, e a "Paisagem" embora luminosa, é demasiadamente abandonada sob o ponto de vista do desenho. Com lealdades dizemos, lastimar os descuidos do pintor, pois, quem pinta uma obra da força de "No atelier" tem o dever de manter, em todas as obras apresentadas ao público, o mesmo equilíbrio e a mesma segurança.

O Senhor Verdier, escultor e autor do "Tamanduá", que por ironia do destino está próximo de J. Timotheo e ao lado de Elyseu Visconti, mais parece um aprendiz que um professor da Escola de Belas Artes.

Almeida Junior (Luiz Fernandes), prêmio de viagem do Salão do Centenário, apresentou-se bem; os seus nus são bem tratados e atestam os progressos feitos durante a estadia no Velho Mundo. "Radiosa" é interessante de linha e de carnação justa. Almeida Junior embora não tenha ainda atingido o ponto culminante da sua arte, é, no entanto, um artista de real merecimento.

André Vento, honesto, nos deu "Adoração ao Sol" e "Adormecida"; em qualquer dos trabalhos o artista saiu-se galhardamente. "Adoração ao Sol", muito decorativo, mostra bem a feição do pintor e o carinho instintivo para a fantasia. "Adormecida", de desenho discreto e cor magnífica, é também um bom trabalho; é com grande prazer que hoje podemos elogiar sem restrições o envio do artista por nós combatido em outras ocasiões.

Anibal Mattos com o envio feito veio confirmar o conceito em que sempre foi tido pelos seus pares. Angenor Barros, antigo discípulo de Bernardelli e Visconti, enviou três trabalhos que têm despertado a atenção pela feição curiosa a eles emprestada.

Balthazar da Camara apresentou-se bem com o seus dois quadros: "Desejos" e "Mãe e Pátria"; preferimos "Desejos" pela maior dose de arrojo e movimento das figuras, onde muitas qualidades residem.

Bueno Treidler [sic] [Benno Treidler] é o técnico impecável de sempre: as suas aquarelas são magníficas.

"Gastão Penalva", "Armando Braga", "Cismando" e "Ouro sobre azul" são os quadros que Augusto Bracet enviou ao Salão; exceptuando-se "Cismando", as outras telas revelam magníficas qualidades: nos retratos muito caráter e esse "Ouro sobre azul" um sabor decorativo pela primeira vez aparecido nas paisagens que tem pintado.

Pedro Bruno, consagrado pela opinião pública, é, fora de dúvida, da sua geração, um dos melhores ornamentos; os trabalhos que apresentou, no Salão, são o melhor documento a tal respeito.

Candido Portinari revela-se mais uma vez um pintor forte; os retratos de "Olegario Marianno" e "Roberto Rodrigues" são duas obras de valor.

Virgilio Lopes Rodrigues apresentou-se magnificamente. Nada menos de seis telas foram por ele enviadas à grande feira de arte, notando-se em todas elas uma franca compreensão das dificuldades perfeitamente vencidas.

Com lealdade, devemos dizer que ao artista falta unicamente um pouco mais de técnica e uma pincelada mais nervosa; o dia em que Virgilio Lopes Rodrigues adquirir as mencionadas qualidades, pode, sem favor, formar ao lado dos nossos melhores artistas. Ousamos dizer semelhante coisa por sabermos o valor do pintor e a convicção com que enfrenta a natureza. Copacabana tem sido o seu campo de estudo e será, estamos certos, a estrada que o conduzirá ao apogeu. Zélia Ferreira nos dá um "carvão" promissor; no mesmo caso está Sarah Costa.

Cadmo Fausto de Souza, também concorrente ao prêmio de viagem, apresentou-se com "Mal-me-quer" e "Antes do baile"; em ambos os trabalhos residem boas qualidades de cor e desenho. Gaspar Magalhães é um velho frequentador dos Salões de Belas Artes. Os trabalhos que apresentou são bem o seu temperamento; neles vive flagrantemente a honestidade.

Gastão Sormenti [sic] [Gastão Formenti], que também é dos bons elementos do Salão, apresenta-se com "Último retoque", "Paisagistas" e "Natureza morta". Gerhard Orthof apresenta-se bem. Otto Bungner expôs "Ressaca" com qualidades.

Roberto Rodrigues, possuidor de um temperamento de elite, apresentou um único quadro: "O Suicida"; de concepção bizarra, a tela desperta a atenção dos visitantes. Não obstante o aspecto macabro da composição, percebe-se dentro dela alguma coisa mais que o desejo de produzir diferente dos outros. Em "O Suicida" há um sentimento recôndito, uma personalidade encasulada que, estamos certos, dentro em pouco se desprenderá das cadeias para aparecer nítida, com todos os flagrantes das individualidades formadas.

Especial registro merece Elyseu Visconti, o mestre consagrado por todos os títulos; dele são as maravilhosas telas: "Piedade", "Retrato" e "Bahiana". Em qualquer delas a personalidade do pintor aparece forte, vibrante de emoção e cheia de um espírito sempre novo e inconfundível. Da arte de Elyseu Visconti irradiam condições tais que, como a auréola, envolvem a sua personalidade tomando-a um padrão-guia para a mocidade. De tela para tela, o mestre evolui e caminha para a perfeição suprema.

Na mesma estrada vai sua gentilíssima filha, a senhorinha Yvonne [Yvonne Visconti]; da jovem pintora figuram no Salão duas obras cujo elemento principal é a figura; dela é ainda uma paisagem interessante e fina de cor; em qualquer dos trabalhos nota-se a boa orientação e o carinho para a Arte. A senhorinha Yvonne é dos mais novos expositores, porém, vai caminhando com real segurança. Entre as mulheres que apresentam na grande mostra, está a senhora Sarah Villela Figueiredo: o seu envio é forte e progressivo, consta de retratos, gênero de pintura a que vem se dedicando, com rara tenacidade, há alguns anos. Os retratos do "Professor Henrique Bernardelli", "Dr. Amaury de Medeiros" e "Senhora Fonseca Costa", incontestavelmente são trabalhos dignos de uma verdadeira artista. Discípula de Henrique Bernardelli tem sabido manter a responsabilidade que semelhante condição obriga; foi premiada já com a medalha de bronze em 1922 e medalha de prata em 1924. Concorrente ao prêmio de viagem no atual Salão, foi vencida sem sofrer, porém, os arranhões da derrota pois, o júri reconhecendo o seu merecimento conferiu-lhe o prêmio de encorajamento. D. Sarah Figueiredo é uma das mais legítimas esperanças, muito podemos esperar do seu privilegiado talento.

João de Azevedo nos dá uma bem tocada aquarela "Natureza morta" e Bernardo Pinto uma marinha "Vapores em descarga": neste quadro o pintor apresenta-se um amaneirado e sem as qualidades que das outras vezes o destacavam dos seus pares.

Belmiro de Almeida mandou ao Salão a "Mulher nua" que figurou na sua mostra pessoal nitidamente realizada: tratando daquele trabalho tivemos a oportunidade de escrever: "Mulher nua" é o saxofone do conjunto. É a técnica impecável de um grande pintor. Em "Mulher nua" Belmiro abandonou os pelos de marta e as preocupações de imitar mosaicos; pintou, modelou com realidade aquela carne abundante de mulher, carne amadurecida que começa a perder o viço.

"Mulher nua" desagrada como estética, não tem finuras de forma nem linha elegante, porém, desperta admiração como feitura material; aquela carne vibra e entristece ao mesmo tempo! O papel de "Mulher nua" no ambiente da mostra de Belmiro de Almeida, quer nos parecer bem outro que uma simples exibição; é um documento forte da competência do autor como pintor, é um aviso gritante de que a decadência ainda não lhe bateu à porta...

Oxalá outros pudessem fazer o mesmo"

De Henrique Cavalleiro existe um punhado de obras que se contrastam: umas paisagens verdadeiramente lindas, cheias de luz, uns quadros positivamente doidos e duas séries de caricaturas magníficas. Olhando o envio de Henrique Cavalleiro temos a impressão de que o artista se diverte em desperdiçar talento em coisas pouco interessantes como "Mocidade", "Sonho místico" e "Carioca". Os trabalhos citados revelam bem como verdeira é a opinião de um dos nossos bons pintores: "Cavalleiro é um homem que, possuindo um brilhante verdadeiro, quer à viva força trocá-lo por um falso..." Bem poucas vezes temos ouvido tão verdadeira apreciação.

Henrique Cavalleiro, sabemo-lo, é um grande desenhador, daí não admitirmos a obra errada, desproporcionada e falha de originalidade que pretende impor ao ambiente carioca. Que o pintor nos perdoe a franqueza, porém as palavras que pronunciou na sua última entrevista publicada em "O Jornal" a isso nos autoriza. Vamos transcrever na íntegra as palavras do artista. Ei-las:

"Aqui, geralmente, a crítica não é exercida com o 'critério' e a competência que devem sempre acompanhá-la. Os jornais elogiam sem outra justificativa, muita vez, senão a da camaradagem. Pelo afeto se consegue tudo no Brasil, até ter talento e gênio. Esta facilidade de vitória faz com que, tornando-se a glória uma conquista fácil, ninguém procure trabalhar para aproveitar melhor a sua inteligência ou o seu saber. Veja bem que o Brasil nunca produziu um sábio, um grande pesquisador, um filósofo, que houvesse enriquecido o mundo com uma nova ideia, e, entretanto, reconheçamos que a inteligência brasileira é fértil e brilhante, viva a agitada e só não produz o homem de gênio porque não quer trabalhar, falta-lhe o hábito da pesquisa, o método da indagação e da ordem".

Henrique Cavalleiro foi injusto com todos os que sempre receberam bem as suas obras, com os seus mestres e com os seus amigos: a crítica existe no Brasil, o que não existe são os indivíduos que a compreendam...

De Carlos Chambelland é a sugestiva tela "Beijo da Guanabara", limpa de cor e muito bem desenhada: no trabalho, o pintor mostra-se um verdadeiro emotivo e um conhecedor profundo da sua arte.

Celso Kelly, como Roberto Rodrigues, está bem representado dentro da maneira que abraçou. Dias da Silva progride francamente; Edith de Aguiar confirma o conceito em que é tida. Eduardo Bevilacqua nos dá uma paisagem estudada com carinho; "S. Lourenço" revela bem o temperamento do pintor e o carinho que ele dispensa à sua arte. Eduardo Bevilacqua há muitos anos não se apresentava nas "Exposições Gerais", é pois com especial agrado que registramos o seu reaparecimento. "Tipos do Norte" e "Interior de Floresta" recomendam o seu autor, o Sr. Euclydes Fonseca. Georgina de Albuquerque encanta com as três telas que enviou: é a mesma artista do "Ar livre", sempre brilhante, emotiva e segura da palheta.

Gilda Moreira e Haydéa Santiago são duas pintoras de largos recursos, os seus envios patenteiam o melhor testemunho do que diremos. Guttmann Bicho parece ter atingido o ponto culminante da sua arte: os quadros que mandou ao Salão assim o atestam. O "Retrato do Dr. Paulo Boneschi" é um trabalho cheio de qualidades e recursos dignos de destaque: retratista, soube focalizar a personalidade do orientalista com rara felicidade.

Helios Seelinger, bizarro, fulgurante e estranho nos dá "Pedro Malazarte", uma grande tela onde o seu talento aparece forte e sugestivo. De D. Irene Ribeiro França existem duas telas: "Flor de mansarda" e "Bananeiras", interessantes de cor. J. Seelinger Fleury, muito jovem ainda, revelou-se de forma pessoal e curiosa, deixando entrever um futuro brilhante. De João Fahrion temos "Retrato" e "Arlequim" muito bem tocados e ricos de cor. Jordão de Oliveira apresentou-se magnificamente, principalmente em "Neves Manta". Arthur Lucas nos ofereceu uma tela rica de cor e composição equilibrada. Lucilio de Albuquerque em todos os dois trabalhos apresentados, mostra-se o emotivo de sempre, o senhor de uma técnica forte que o destaca dentre todos os pintores, no Salão. Manoel Constantino, Manoel Santiago, Armando Vianna, Joaquim da Rocha Ferreira e Orozio Belem são uns verdadeiros triunfadores, apresentam-se magnificamente. Manoel Faria, em franco progresso, nos dá uma série de telas estudadas com carinho. Marques Junior apresentou-se com "Ventarola verde", colorida com riqueza e propriedade. Jacoby, retratista vigoroso, nos deu um conjunto precioso do qual destacamos "Branco em branco". Miguel Capllonck em "Chalana de pesca" e "Banhista" mostrou bem as suas aptidões. De Paula Fonseca destacamos "Recanto do jardim" e Sylvia Meyer "Cabeça de Moça". Orlando Teruz está bem representado. Vicente Leite corresponde ao justo renome que vai conquistando. Estas são as nossas impressões sobre o Salão de Belas Artes.

A seguir damos na íntegra as premiações conferidas pelos respectivos juris, nas diversas seções:

"Artes aplicadas" – Grande medalha de ouro, à D. Joanna Pavlowla, pelos seus trabalhos e especialmente pelo de nº 387, "Livro do centenário da Câmara dos Deputados", e Augusto Herboth, pelo trabalho nº 386, pequena medalha de ouro.

"Arquitetura" – Medalha de bronze, ao Sr. Luiz Signorelli; pequena medalha de prata, ao Sr. Roberto Magno de Carvalho, e 500$, aos Srs. Paulo Antunes Ribeiro, Correia Lima (Attilio) e Lucas Mayerhofer, pelo conjunto apresentado.

"Pintura" – Prêmio de Viagem, Armando Vianna, pelo trabalho nº 291, "Primavera em flor"; grande medalha de ouro, Pedro Bruno, pelo trabalho nº 44, "Mãe"; pequena medalha de ouro, Marques Junior, pelo trabalho nº 195, "Ventarola verde"; grande medalha de prata, aos Srs. Manoel Constantino, pelo trabalho nº 179, "Infância de Giotto"; e André Vento, pelo trabalho nº 16, "Adormecida"; pequena medalha de prata, aos Srs. Manoel Faria, pelo trabalho nº 108, "Último retoque"; Domingos Dias da Silva, pelo trabalho nº 78, "Cosendo a rede"; Orlando Teruz, pelo trabalho nº 275, "Perfis"; Joaquim da Rocha Ferreira, pelo trabalho nº 244, "Retrato"; Gilda Moreira, pelo trabalho nº 124, "Alegria de viver"; Anibal Mattos, pelo trabalho nº 21, "Ancoradouro"; Haidéa Santiago, pelo trabalho nº 131, "Hora da missa"; Orozio Belem, pelo trabalho nº 255, "Yáyá"; medalha de bronze, aos Srs. Heribert Niaud, pelo trabalho nº 140, "Mística"; Príncipe Paulo Gargarin, pelo trabalho nº 237, "Em descanso"; Roselli K. Torres, pelo trabalho nº 245, "Pé de arroz"; Yvonne Visconti, pelo trabalho nº 312, "Retrato"; José dos Santos, pelo trabalho nº 170, "De ponto"; Baz Domeneck, pelo trabalho nº 39, "Estudo de figura"; Vicente Leite, pelo trabalho nº 300, "De minha varanda"; menção de honra de 1º grau, Emília Marchesine, pelo trabalho nº 92, "Opilado"; Olga Pedrosa, pelo trabalho nº 216, "Chuva de ouro"; Palmyra Pedra, pelo trabalho nº 230, "Senhora D. P."; Affonso Dias Martins, pelo trabalho nº 72, "Curativo"; Balthazar da Camara, pelo trabalho nº 28, "Mãe e Pátria"; Padua Dutra, pelo trabalho nº 277, "Preparo para doce"; Alcebiades Miranda, pelo trabalho nº 3, "Estudo de retrato"; Americo da Rocha, pelo trabalho nº 14, "Espanhola"; Agenor de Barros, pelo trabalho nº 19, "Cambuquira"; Alfredo Galvão, pelo trabalho nº 5, "Noiva"; Virgilio Lopes Rodrigues, pelo trabalho nº 202, "Praia de Copacabana"; Hugo Falbo, pelo trabalho nº 283, "Quando a fealdade é precoce"; menção honrosa de 2º grau, aos Srs. Heraclito Ribeiro dos Santos, pelo trabalho nº 138, "Senhorita Henriqueta"; Lucrecio Ferreira [sic] [Lupercio Ferraz], pelo trabalho nº 167, "Trecho do rio Faria"; Maria Francelina de Barros Falcão, pelo trabalho nº 193, "Cabeça de velho"; Paulo Mazzuchelli, pelo trabalho nº 235, "Senhorita Annurama"; Suzanna Mesquita, pelo trabalho nº 266, "Cabeça"; Odelli Castello Branco, pelo trabalho nº 213, "Flores"; Roberto Rodrigues, pelo trabalho nº 241, "Suicida"; Germinal Artesi, pelo trabalho nº 121, "Orando"; Francisco Acquarone, pelo trabalho nº 104, "Depósito de cal"; Maximiliano Valdez, pelo trabalho nº 199, "Barcos em Badalona"; Celso Kolli [sic], pelo trabalho nº 66, "Retrato"; Hilda Eixeulober, pelo trabalho nº 151, "Retrato", e medalha de bronze, ao Sr. Jordão de Oliveira, pelo trabalho nº 166, "Retrato do Sr. Neves Manta".

Prêmios em dinheiro – 1:000$, ao Sr. Manoel Santiago, pelo trabalho nº 249, "A carta"; Candido Portinari, pelo trabalho nº 50, "Retrato do poeta Olegario Marianno"; 500$, aos Srs. Miguel Campplocth, pelo trabalho "Banhista", e Sarach Villela, pelo trabalho nº 261, "Professor Bernardelli" e 250$, aos Srs. Oswaldo Teixeira da Rocha, pelo trabalho nº 71, "Retrato", e Cadman Fausto, pelo trabalho nº 101, "Antes do baile".

"Escultura" – Grande medalha de ouro, ao Sr. Francisco de Andrade, pelo trabalho nº 317, "Golpe mortal"; pequena medalha de ouro, ao Sr. Cunha Mello, pelo trabalho nº 331, "Busto de S. Ex. o Sr. Dr. Arthur Bernardes"; Humberto Cavina, pelo trabalho nº 340, "São Francisco"; grande medalha de prata, aos Srs. Armando Braga, pelo trabalho nº 323, "Mãe", e Lotte Benter, pelo trabalho nº 349, "Aviador"; pequena medalha de prata, aos Srs. L. B. Paes Leme, pelo trabalho nº259, "Melancolia"; Vicente Larocca, com o trabalho nº 363, "De profundis", e José Pereira Barreto, pelo trabalho nº 33, "Busto do colega José Rangel"; menção honrosa de 2º grau, aos Srs. Homero da Silva, pelo trabalho nº 237, "Reflexão de uma flor", e Yáyá Castro, pelo trabalho nº 363, "Busto do Senhor L. G."; 1:000$, ao Sr. Laurindo Ramos, pelo trabalho nº 342, "Busto do professor Rocha Vaz", e 250$ ao expositor Homero da Silva, pelo trabalho nº 237, "Reflexão de uma flor".

"Gravura de medalhas e pedras preciosas" – Grande medalha de ouro, ao Sr. Adalberto de Mattos, com o trabalho nº 371; pequena medalha de ouro, ao Sr. Leopoldo Campos, pelo trabalho nº 381, "Medalha da Sociedade Riograndense"; medalha de bronze, ao Sr. Calmon Barreto, pelo trabalho nº 375, "Ero e o leão"; menção honrosa de 1º grau, ao Sr. Walter Rodrigues, pelo trabalho nº 383, "Montesquieu", e 500$, ao Sr. Calmon Barreto.

ADALBERTO P. MATTOS [Adalberto Mattos - Artigos]

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Imagens

"Sol de Outono" - Pedro Bruno

"No atelier" - João Timotheo

"Mal-me-quer" - Georgina de Albuquerque

"Primavera em flor" - Armando Vianna

"Infância de Giotto" - Manoel Constantino

"O Curupira" - Manoel Santiago

"Prof. Henrique Bernardelli" - Sarah Villela Figueiredo

"Olegario Marianno" - Candido Portinari

"Mal-me-queres" - Fausto de Souza

"Velho filósofo" - Antonino Mattos

"Piedade" - Elyseu Visconti

"Retrato" - Elyseu Visconti

"Cabeça de velho" - Francisco de Andrade

"Desejos" - Balthazar da Camara

"Adormecida" - André Vento

"Cabocla" - Manoel Santiago

"Radiosa" - Almeida Junior (L. F.)

"Dia de Verão" - Georgina de Albuquerque

"Perfis" - Orlando Teruz

"Retratos" - Orozio Belem

"O Suicida" - Roberto Rodrigues

"Mãe" - Pedro Bruno

"Fim de Pescaria" - Lucilio de Albuquerque

"Ouro sobre azul" - Augusto Bracet

"Nu de mulher" - Belmiro de Almeida

"Pedro Malazarte" - Helios Seelinger

"Branco em branco" - Meinhard Jacoby

"Tipos de Norte" - Euclydes Fonseca

"Elsa" - Edith Aguiar

"Retrato do Dr. Paulo Boneschi" - Guttman Bicho

"Neves Manta" - Jordão de Oliveira

"Barcos na Guanabara" - Anibal Mattos

"Volta do serviço" - Meinhard Jacoby

"O beijo da Guanabara" - Carlos Chambelland

"Recanto de Luxemburgo" - Paula Fonseca

"Efeito de Sol" - L. Franzeres

"S. Lourenço" - E. Bevilacqua

"Paisagem" - Henrique Cavalleiro

"Lago dos Nenúfares" - Manoel Faria

"Lagoa Rodrigo de Freitas" - Virgilio Lopes Rodrigues

"Dr. Arthur Bernardes" - Cunha e Mello

"Gaúcho" (detalhe) – Orestes Acquarone

"Reflexão de uma flor" - Homero Silva

"Cigarra" - Maria S. Meyer

"O Pintor M. Constantino" - Paulo Mazzucchelli

"A ventarola verde" - Marques Junior

"S. Francisco de Assis" - Humberto Cavina

"Espontâneo" - Armando Corrêa

"Calabar" - L. B. Paes Leme

"Retrato" - Vicente Leite

"De profundis" - Vicente Larocca

"Plaquete" [1, 2] - Adalberto Mattos

"Dançarina" - Calmon Barreto

"Menina e Moça" - Sylvia Meyer

"Retrato" - Joaquim Ferreira

"Projeto de Residência" por Paulo Antunes, A, Corrêa Lime e Lucas Mayerhofer

"Projetos" [1, 2] de Luiz Signorelli

"A dor" - Lotte Benter

"Retrato" - Yvonne Visconti

"Retrato do musicista M. S. F." - Celso Kelly

"O Romance" – Haydéa Lopes Santiago

"Alegria de viver" - Gilda Moreira

"Retrato da Senhora D. P." - Palmyra Pedra

"Flor de mansarda" - Irene Ribeiro França

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

MATTOS, Adalberto P.. O Salão de 1926. Illustração Brasileira, Rio de Janeiro, set. 1926, n/p.

MATTOS, Adalberto. O Salão de Belas Artes. Illustração Brasileira, Rio de Janeiro, set. 1925, n/p.

Conforme a velha prática, inauguraram os nossos artistas, a Exposição de Belas Artes, no edifício em que funciona a Escola de Belas Artes. Como de costume, antes da sua abertura, as decisões pouco criteriosas dos Sr. Julgadores, em algumas das seções, levantaram acaloradas celeumas, agitaram o ambiente e despertaram curiosidade...

Precisamente, um dos motivos que levaram a opinião pública, sempre tão divorciada das mais complexas manifestações estéticas, é que nos leva a uma série de comentários perfeitamente oportunos. Tudo quanto apareceu em letra de forma, os mexericos mais desconexos com infindáveis séquitos de aborrecimentos, teve origem justamente na precipitação e falta de amor pelos comezinhos princípios ensinados pela justiça.

Bem raros são os julgamentos de admissão ao Salão Oficial que não provocam protestos justos e injustos. Uns gritam orientados pelo despeito de verem recusadas obras realmente desfavorecidas de qualidades; outros, francamente amparados pela razão.

E tudo isso acontece por quê? Pela simples ausência de critério, pelo emprego de dois pesos e duas medidas, conforme o momento...

No momento presente existem protestos fundamentados assim como os despropositados: vamos nos preocupar dos primeiros. Foi nota escandalosa, a recusa, por parte de alguns membros do Júri da seção de pintura, de uma tela da autoria do distinto pintor Manoel Santiago; o quadro, depois de um julgamento favorável, foi posto a margem sob a gravíssima alegação de ser uma obra imoral! A acusação tremenda, partindo de um júri oficial, caiu com todo o seu peso sobre a cabeça do artista; não fosse ele um temperamento de lutador, teria, forçosamente, sucumbido ao insulto atirado com tanta dureza ao seu mérito de artista e ao seu nome honrado de exemplar chefe de família. A acusação, em se tratando do quadro de Manoel Santiago, atinge o absurdo (somente uma miopia maldosa seria capaz de julgá-la verdadeira). Uma sesta tropical foi a tela atingida pela perversidade. É a primeira vez que no Brasil, um artista recebe semelhante ultraje: unicamente uma visão doentia pode descobrir na tela de Manoel Santiago, vestígios, embora velados, de uma intenção pouco compatível com a sua educação, com a sua religião e para com o ambiente a que se destinara a obra.

Bem embaraçosa e pitoresca é a situação criada com a acusação assacada, o critério estabelecido importa quase no fechamento das portas da Escola Nacional de Belas Artes, onde figuram os maravilhosos calcos da estatuária grega em plena NUDEZ, onde figuram a Faceira e Santo Estevão, de Rodolpho Bernardelli; a Messalina, de Henrique Bernardelli; a Escrava, de Antonio Mattos; Menina e Moça, de Correia Lima; Paraíba, de Almeida Reis; Pompeiana, de Zeferino da Costa; Leda e o Cisne, de Jean Baptiste Pierre; Paraíso restituído, de Lucilio de Albuquerque; Reflexos, de Carlos Oswaldo; Eva, de Chautron; David e Abzag, de Pedro Américo; As oreades, de Visconti; Sono, de Lucílio de Albuquerque e principalmente Estudo de mulher quadro impregnado de realismo zolista tão em voga quando o Sr. Rodolpho Amoêdo, seu autor, o concebeu! Se não quiserem cerrar as portas do palácio das Belas Artes, no mínimo, terão que vestir tangas no Apolo de Belvedere, no Laocoonte e em todo séquito de nus maravilhosos que enchem de beleza resplandecente as galerias do nosso museu máximo... É tão absurdo o critério, que não nos é possível acreditar na sua sinceridade.

O mal está feito e para ele não há remédio. Deixemos, porém, as águas turvas onde a isenção do espírito falece para dar lugar a miopia maldosa. Vejamos como se apresenta os nossos artistas velhos e moços. Começaremos por João Baptista da Costa, o mestre da nossa paisagem tranquila. Com alegria constatamos que a sua arte não envelhece, muito pelo contrário, cada vez é mais radiosa, caminhando sempre em ascensão para a perfeita beleza. Qualquer das telas apresentadas bastava para consagrá-lo: "Ao amanhecer", "Grupo de pau d'alhos", "Fazenda Boa Vista", "Dia nublado" e "Manhã" são os quadros. Mário Navarro da Costa constitui uma das notas mais brilhantes do Salão, as telas Veneza no outono, Foz do Rio Leça e Canal Flamengo chamam a atenção do visitante, obrigando-o a demorar-se diante delas numa contemplação beata de gozo; não há exagero no que dizemos, tivemos ocasião de ver os colegas do pintor felicitá-lo com sinceridade; registramos o acontecido por vermos que as nossas palavras aqui mesmo divulgadas, encontraram eco, forçaram, mesmo aos mais exigentes a reconhecer em Navarro da Costa um consagrado artista merecedor da estima de quantos amam verdadeiramente a beleza. Nas telas de Navarro da Costa, a nossa mocidade muito pode aprender: contemple ela a maneira do pintor quando trata a água e os céus, a arquitetura beijada de luz, cheia de vida e verdadeira a ponto de nos transportar aos sítios originais. Mario Navarro da Costa atingiu a culminância desejada, porém, muita obra bela haveremos ainda de contemplar porque a sua fé é tão grande como a sua arte.

Georgina de Albuquerque é uma criatura cuja alma adeja sempre de mãos dadas com a glória; permanente é o seu êxtase diante da beleza pura, daí a grande emoção vivente em todos os quadros que pinta. O envio deste ano vem colocá-la em situação de destaque entre os seus pares, nivelando-a com os mestres consagrados, mesmo contra a vontade dos maldizentes e despeitados dos seus triunfos...

"Decepção" e "No terraço" são obras já conhecidas; detalhadamente, a crítica, delas se ocupou enaltecendo-lhes o mérito e as qualidades. Da aristocracia artística é ainda "O segredo da flor", que, sem favor, deve ser colocada entre as obras-prima da nossa pintura contemporânea. Tudo, na pequena tela, demonstra a segurança técnica e emotiva de Georgina de Albuquerque. De uma pastosidade sentida e simples, o quadro conta um hino de beleza, embala com doçura as almas bem formadas que sabem respeitar a obra alheia... Bem poucos são os artistas possuidores da operosidade de Georgina de Albuquerque; todos os salões de Belas Artes encontram na pintora esteio forte capaz de erguê-los sempre a altura que merece ser colocado.

Lucilio de Albuquerque apresenta-se com "A benção Divina", "Doceira Baiana", "O Arrastão" e "Manhã de Sol", os seus dotes de artista.

Eliseu Visconti, consagrado autor de tantas telas e primorosas decorações, está presente no Salão anual com uma encantadora paisagem, Vila Rica. No quadro, os mais delicados predicados aparecem; o ambiente rico do lugar foi pretexto para o mestre criar uma obra-prima, irmã das já produzidas. As gamas envolvidas se sucedem nos vários planos pincelados com rara maestria, e a perspectiva rigorosa, interpretada pela sua visão adestrada, mostra o encanto da pitoresca localidade rendilhada de verdes calmos e montanhas altaneiras, beijadas pelo sol filtrado em nuvens que se adivinham... Vila Rica é uma das mais belas obras do Salão, confirmando com segurança a aureola do mestre criados da "Maternidade", "Oreades" e "S. Sebastião". Sua filha Yvone Visconti, embora principiante, mostra já um seguro pendor para a arte: Em Férias, Primavera, O chefe, A boneca e notadamente Leitura são provas evidentes disso.

Gaspar de Magalhães, nome familiar aos nossos amadores de arte, apresenta-se com "Anoitecendo" e "Velho mosqueteiro". "Velho mosqueteiro" é uma cabeça bem tocada. "Anoitecendo" nos mostra um dos maravilhosos crepúsculos a morrer no horizonte a detrás de escarpados rochedos; Os quadros de G. Magalhães contrastando-se retratam a feição poliforme de seu espírito privilegiado, sempre alerta as sensações de beleza; os quadros do pintor não nos causam a menor admiração, de longa data nos habituamos a registrar os merecidos louros, desde que o seu nome apareceu nas lides artísticas, os triunfos se sucedem, firmando cada vez mais a sua individualidade como artista de raça.

Fausto de Souza, que é um artista de grande futuro, revela, no envio feito, uma sensibilidade digna de registro; as suas telas Cajueiros e Jesus e a Samaritana, mostram francos progressos na arte de pintar e um pronunciado feito como compositor. No quadro bíblico, o motivo escolhido foi feliz, interpretando bem a frase que o inspirou:

"Se souberes quem é o que te pede de beber, talvez tu lh'o pedirás e Ele te daria a água que dá a vida."

No semblante de Nazareno há realmente uma religiosidade sentida e na máscara da Samaritana uma expressão correspondente ao todo da obra. Como afinação, as figuras se recomendam e como composição agradam ao primeiro exame.

Não nos é possível dizer o mesmo do Sr. Petrus Verdié, professor da Escola Nacional de Belas Artes. O discípulo de Falguieres, pertence ao número dos artistas que não deviam figurar na exposição; os seus quadros são verdadeiros desastres. Por mais que nos esforcemos, não conseguimos descobrir qualidades nas seis telas apresentadas; fossem elas apresentadas por qualquer aluno da Escola, teriam fatalmente o destino merecido; o porão. Já que estamos tratando do Sr. Verdié, vejamos também o que mandou para a seção de Escultura. Assinado pelo pintor-escultor existe um grande bloco de madeira esculpida representando o "Conde da Barca", e que foi adquirida pela Pinacoteca Oficial. O trabalho em questão, francamente, nada tem de notável a não ser o tamanho; tudo no retrato é igual e da mesma forma tratado: cabelos, máscara, pano e atributos, possuem a mesma técnica e a mesma interpretação. Dirão que é um esboço, que ao trabalho faltam uns toques finais, o bafejo sagrado que as verdadeiras obras de arte possuem; se assim for, o trabalho não devia figurar na exposição, nem tampouco ser adquirido pela Pinacoteca... Bem ao lado do trabalho do Sr. Verdié está uma cabeça, também em madeira, esculpida por um artista mexicano. Que abismo vai de um trabalho ao outro! A "Cabeça de Indio", comove, faz pensar, nos transportando à verdadeira escultura em madeira. Tudo naquela cabeça é cheio de encanto: a boca, modelada maravilhosamente, o nariz, a face, os olhos esgazeados a olharem profundamente, com doçura, com piedade, para os que insinceramente a tentam ridicularizar.

A cabeça modelada pelo "selvagem" arranca turbilhões de pensamentos, ao passo que o Conde da Barca do discípulo de Falguiere, faz unicamente sorrir...

Manuel Santiago, o pintor atingido pela maldade, tem um punhado de obras, onde o seu valor aparece espelhado. Qualquer dos seus quadros encarna um sentimento forte, uma moral altiva que não merece ser apedrejada.

No mesmo caso está a Sra. Haydeia L. Santiago, mulher do pintor. A sua bagagem no salão é forte e reveladora de um raro espírito de artista.

A. Sartmann [sic] está bem representado com sua série de bons desenhos e um ótimo retrato de Frei Pedro Sinzig. André Vento, nos dá um painel intitulado "Sonho Azul", com boas qualidades de pintura. Anibal Mattos apresentou-se com quatro telas, do grupo destacamos "Porto da Guanabara", marinha muito bem tocada, reveladora de uma visão adestrada.

João de Azevedo, Bas Domenech, Manoel Faria, Fred Brandon, Frontin Hess, Irene França, Arthur Lucas e Julieta de Moura Modesto Guimarães, assinam bons trabalhos, mostrando compreensão dos motivos escolhidos.

Guttman Bicho, que já tem um nome feito, está por sua vez bem representado. De Eugenio Latour, figuram no salão duas telas" "E porque pecaste?", é um projeto para painel. Em ambos os trabalhos o pintor mostra quanto vale. Edith de Aguiar, firmou o seu nome como retratista. O seu auto-retrato é já uma obra bastante recomendável.

Bernardino S. Pereira está magnificamente representado. Do seu envio, destacamos o quadro de flores. Augusto Bracet, merece franco elogio; o quadro "Fim do Calvário" é bastante interessante e revelador de uma bela dose de emoção e qualidades de compositor. O "retrato do Sr. Dionísio Ramos Monteiro", sem favor, pode figurar ao lado dos melhores, no atual Salão. Pedro Bruno continua fazendo progressos; qualquer dos quadros enviados possui maravilhosas qualidades de cor e desenho. Muitos artistas de renome são incapazes de fazer o que Pedro Bruno apresentou; sem receio de errar, podemos adiantar que no caso estão mesmo professores da Escola... De Henrique Cavalleiro figura na mostra um punhado de obras calcadas nas correntes ultramodernistas; não encontramos palavras capazes de definir o que o pintor quis fazer. Os mestres da crítica indígena afirmam que tudo aquilo é muito bom, que é a última palavra em matéria de pintura, etc., etc.

No mesmo caso está o Sr. De Murtas com o seu "Vaqueiro de Burgos", uma franca imitação de Zuloaga, mas imitação fraquinha e mal desenhada.

Mario Tulio está representado com um conjunto de nove telas, sem exitar destacamos "Perfil de Poeta".

Oswaldo Teixeira, está mal, os retratos enviados são amaneirados, duros, quase fotográficos.

Carlos Oswaldo, apesar de chamar a atenção, não corresponde à expectativa, aos envios dos anos anteriores. Ousamos dizer que não correspondem a expectativa por ser ele um dos nossos grandes artistas contemporâneos.

Orozio Belém, está bem, continuando a progredir e alimentar esperanças para o futuro.

Roberto Rodrigues apresentou-se com bons desenhos.

Jacoby assina um primoroso retrato.

Leopoldo Gottuzzo, como sempre, coloca-se em plano de destaque, as suas telas possuem qualidades encantadoras, qualidades que o colocam entre os nossos mestres em franca ascensão.

Libindo Ferraz nos dá três paisagens que retratam fielmente a natureza de sua terra e uma honestidade profissional digna de nota.

Manoel Constantino é uma das revelações do atual Salão. É já um retratista interessante, possuidor de condições bastantes para vencer no nosso ambiente, a sua maneira é larga e o desenho seguro e elegante.

Edgard Parreiras é o pintor de sempre, paisagista encantador e brilhante, que sabe cortar os motivos apresentados.

Portinari continua a elevar sua arte, assinando bons retratos.

Gargarin, com "Sol Tropical" e "Reinado Verde", dá uma nota vibrante à exposição, não desmentindo o conceito em que é tido.

Raul Pederneiras, é autor da nota alegre, em "Altas Cavalarias", o seu espírito irradia bom humor, comunicando ao visitante um pouco da sua alma sempre alerta ao riso sadio.

Uma artista que se apresenta muito bem é Sarah Villela Figueiredo, retratista de apurada estesia; com um conjunto de nove telas, a pintora compareceu à exposição oficial, evidenciando méritos incontestáveis.

Os retratos do Dr. José Mariano Júnior, Senhorinha S. Moscoso, Carlota, Sylvia, Zezé, Magú, Nair e outros retratos, são documentos comprovantes de uma personalidade encantadora, digna de amparo da crítica honesta.

Garcia Bento e Armando Vianna, os concorrentes mais fortes ao prêmio de viagem, estão perfeitamente em condições de disputar a alta recompensa. As obras por eles apresentadas são fortes e reveladoras de individualidades capazes de enfrentar ambientes mais adiantados que o nosso.

O Sr. Turatti enviou obras de valor. O seu "Perfil de senhorita" possui qualidades dignas, despertando a atenção ao observador.

Na seção de escultura há muita coisa, predominando, porém, as destituídas de mérito. Antonino Mattos, Bibiano Silva, Correia Lima, Laurindo Ramos, Modestino Kanto, Armando Magalhães Corrêa, Armando Braga, Paulo Mazzucchelli, Zacco Paraná, Lotte Benter e Phidias, destacam-se galhardamente dentre os demais expositores. Na arte aplicada só Theodora Braga [sic] deve ser citada. Na arquitetura, os projetos interessantes são em número avultado, Dubugras deve ser destacado. Sem favor, o seu trabalho é digno disso.

Propositadamente, deixamos para o fim dos nossos comentários os expositores da seção de gravuras de medalhas. Basilio Nunes, Calmon Barreto, Arlindo Bastos, Ignacio Silveira, Jorge Soubre, José Maria Sampaio, Gomes Marinho, Octavio Neves e o grande mestre Augusto Girardet, são os artistas.

Girardet, como sempre, empolga com as suas medalhas.

Arlindo Bastos, jovem gravador, merece ser destacado.

De ano para ano, o nome do artista sobe de cotação nos ambientes de arte de nossa cidade.

Discípulo de Hilarião Teixeira e Girardet, tem sabido honrá-los; a sua honestidade profissional tem lhe valido a estima dos colegas e o carinho dos mestres. Os envios feitos em anos anteriores elevaram o seu mérito, tendo os vários júris premiado o esforço e o carinho dedicado à difícil arte do buril. Entre os muitos prêmios, ele possui a medalha de prata, recompensa que o coloca entre os aspirantes ao prêmio de Viagem a Europa.

A bagagem apresentada por ele ao atual Salão é equilibrada e merecedora de ser destacada: Medalhas da Vitória e Asilo Bom Pastor não envergonham o seu nome, ao contrário, erguem-no a altura de um verdadeiro gravador.

Na seção de gravura são também candidatos ao prêmio de viagem, os artistas Marinho e Soubre. Ambos estão fortes.

ADALBERTO MATTOS [Adalberto Mattos - Artigos]

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Imagens

"Dia nublado" – Baptista da Costa

"O segredo da flor" – Georgina de Albuquerque

"Decepção" – Georgina de Albuquerque

"Retrato" – Augusto Bracet

"Turbante azul" – Leopoldo Gottuzzo

"Retrato" - M. Constantino

"Perfil de senhorita" – Cezar Turatti

"Noturno de Chopin" – Manoel Santiago

"Filhos do mar" – Pedro Bruno

"Vestígios do passado" – Edgard Parreiras

"Manhã de sol" – Lucílio de Albuquerque

"No terraço" – Georgina de Albuquerque

"Malmequer" – Corrêa Lima

Augusto Girardet - O mestre da medalha que tanto brilho emprestou ao Salão de Belas Artes

"Cabeça de índio" – Fidias

"No cais" – Garcia Bento

"Flores ao sol" – A. Vianna

"O progresso" – J. Zacco Paraná

"Retrato" – Bibiano Silva

"O Guia Lopes" – Antonino Mattos

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Daniele Aldano Rodrigues

MATTOS, Adalberto. O Salão de Belas Artes. Illustração Brasileira, Rio de Janeiro, set. 1925, n/p.

MATTOS, Adalberto. O SALÃO DE MCMXXIV. PINTURA ESCULTURA ARQUITETURA GRAVURA. Illustração Brasileira, Rio de Janeiro, ago. 1924, n/p.

POR ADALBERTO MATTOS [Adalberto Mattos - Artigos]

Com o atual Salão, realiza o Conselho Superior de Belas Artes a sua trigésima primeira mostra, onde os nossos artistas apresentam as suas obras. De lastimar é, porém, a obstinada ausência de muitos dos mais acatados mestres da arte patrícia; deles deveria partir o exemplo, a apresentação das suas obras constituiria, estamos certos, verdadeiras lições de arte para a mocidade dos dias que correm, e dariam às egrégias individualidades que nos honram com as suas visitas, uma ideia perfeitamente nítida do nosso verdadeiro estado artístico, depois da vinda da Missão de 1816. Perfeitamente oportunos julgamos alguns comentários sobre o movimento de 1816; movimento, incontestavelmente causador do que hoje possuímos em matéria de Arte.

Um decreto assinado pelo Marquês de Aguiar, em 12 de Agosto de 1816, foi a causa do conspícuo movimento e consequente vinda para o nosso ambiente de um punhado de valorosos artistas. O referido decreto foi o primeiro passo para a formação metodizada do ensino das artes no Brasil. Os acontecimentos políticos da época, impediram, porém, a imediata prática do objetivo. Enquanto melhor oportunidade era esperada, graves contratempos sobrevieram; entre eles figuram a morte do Conde da Barca, verdadeiro amparo dos artistas, e a de Joaquim Le Breton, chefe da colônia (1).

O Visconde de São Lourenço, possuidor de um espírito equilibrado, empreendeu, porém, o prosseguimento da obra iniciada. Pelo seu prestígio, conseguiu a promulgação de um decreto em 12 de Outubro de 1820, criando uma Real Academia para o estudo das artes; infelizmente a Academia sonhada não logrou existência; sendo a 23 de Novembro do mesmo ano, publicado um outro decreto, cujo teor julgamos interessante reproduzir. Ei-lo: "Falecendo Le Breton em 1819, no ano seguinte chegou a esta corte o Sr. Henrique José da Silva, pintor assaz conhecido por seu talento e produções na cidade de Lisboa, a solicitar um despacho para seu filho; e chegando ao conhecimento do Exmo. Thomaz Antonio de Villa Nova Portugal o quanto era abalizado em pintura e desenho esse artista, convidou-o a ficar nesta Corte, oferecendo-lhe o lugar que escolhesse na Academia, e a Diretoria das aulas, vaga por falecimento de Le Breton. Como não se achasse nomeado o lente de desenho, escolheu ele esta cadeira, e então lavrou-se o decreto de 23 de Novembro de 1820, no qual ordenava Sua Majestade que, sendo conveniente entrar em efetivo exercício algumas das classes dos estatutos da Academia e Escola Real de Belas Artes, os mandava entrar em efetividade, observando-se os estatutos, que baixarão assinados pelo dito Exmo. Secretário de Estado dos Negócios do Reino; eis a relação das pessoas, de que faz menção o dito decreto: Lente de Desenho, Henrique José da Silva, 800$, e como diretor das aulas, 200$; Secretário da Academia, Luiz Rafael Loyé, 480$; Lente de Pintura Histórica, João Baptista de Bret, 800$; Dito de Paisagem, Nicolao Antonio Taunay, 800$; dito de Escultura, Augusto Taunay, 800$; dito de Arquitetura, Augusto Victorio Grandjean de Montigny, 800$: dito de Mecânica, Francisco Ovide, 800$; Pensionário de Desenho e Pintura, Simplício Rodrigues de Sá, 300$; José Christo Moreira, 300$; Francisco Pedro do Amaral, 300$; dito de Escultura, Marcos Ferrez, 300$; dito de Gravura, Zeferino Ferrez, 300$000. Rio de Janeiro, 25 de Novembro de 1820 - Thomaz Antonio de Villa Nova Portugal." A nomeação de Henrique José da Silva teve o dom de interromper a harmonia reinante entre os artistas; devido a ela, profundos desgostos sobrevieram, obrigando Nicolau Taunay a retirar-se para sua pátria.

Infrutíferos foram todos os esforços até 1821, em virtude de acontecimentos políticos e intrigas; só depois desse período é que surgiram alguns frutos devidos aos esforços de Montygni [sic], De Bret e Felix Emilio Taunay. Em um espaço de tempo relativamente exíguo, conseguiram aqueles mestres preparar um grupo de discípulos de mérito, cujos nomes vieram até nossos dias, aureolados de merecida glória. Esse grupo, que sem exagero podemos considerar possuidor da prioridade orientada na pintura brasileira, era composto dos artistas Simplício Sá, José de Christo Moreira, portugueses; Affonso Falcor, francês; Manoel de Araújo Porto Alegre, Francisco Pedro Amaral, Francisco de Souza Lobo, José Carvalho dos Reis e José da Silva Arruda, brasileiros. Esses foram os frutos diretos da Missão; daí por diante os artistas multiplicaram-se, cresceram, e aos poucos formavam a já aprimorada cópia de obras que ornam a nossa Pinacoteca.

* * *

Entre os mestres que figuram na mostra oficial, ocupam o primeiro plano Eliseu Visconti e João Baptista da Costa; o primeiro, com um grupo de obras de alto sabor decorativo e desenhos magistrais; e o segundo, com uma encantadora coleção de paisagens belas e emocionantes, como todas as obras saídas da sua privilegiada palheta. João Baptista da Costa encarna bem o intérprete das nossas paisagens calmas, do verde sempre vibrante das montanhas e dos campos; é o poeta criador que sabe transformar uma nesga de céu em um poema grandioso de beleza e de harmonia. Não especificamos este ou aquele quadro do ilustre mestre, todos são maravilhosos e nos despertam o mesmo sentimento de alegria e de prazer infinito; mesmo se quiséssemos estabelecer comparações, impossível seria fazê-lo; as obras de Baptista da Costa são de um afinamento tal que atingem um verdadeiro grau de perfeição! O mestre criador do Transe Doloroso é um artista sempre moço, é a nosso ver um pintor que honra a sua terra como muito poucos podem fazê-lo. Sem hesitar, colocamos o artista entre os mais fortes pintores modernos contemporâneos do mundo; naturalmente, os adeptos vermelhos do "modernismo" julgarão rematadamente tola a classificação que fazemos, chamando Baptista da Costa de pintor moderno; se assim julgarem, muito pouco nos importa, fora de qualquer cogitação, colocamos os considerados "reformadores", principalmente os de nossa terra, que não tem feito outra coisa que copiar e reproduzir as coisas do velho mundo, fazendo obra de cabotinismo pouco inteligente...

Julgamo-nos muito felizes em assim pensar, e com a maior lealdade o confessamos.

É uma questão de princípios.

Se errados estamos, muito folgamos com isso, pois estamos em boa companhia..., na companhia dos intérpretes da beleza que reputamos verdadeira, e também na companhia dos que sabem colocar um olho e um nariz nos seus respectivos lugares...

Muitas vezes ouvimos um velho mestre, artista e sábio, dizer: "Deus é o artista por excelência, - o onisciente, - o único que pode e soube dar às suas obras imortais, na congruência de seu fim, as harmonias congênitas do bom, do belo e do divino. O gênio, que é a supremacia das faculdades intelectuais do homem, está para o mundo moral como a luz está para o mundo físico: tirai o sol, esse esplêndido fanal do universo, e o orbe, obumbrado, perdido no silencio da tristeza, se afundará em gelo e escuridão".

Deus, sendo o verdadeiro, o consumado artista, deu ao homem uma imagem toda equilíbrio e harmonia, criou o sentimento, a proporção que Leonardo julgava divina quando a encontrava impecavelmente plasmada nas estátuas do tempo em que as preocupações de arte eram puras e as maneiras de vencer mais honestas... A própria monotonia da vida nos dias correntes, nos dá a mais empolgante lição de estética e harmonia: quando encontramos um ente anormal, instintivamente, qualificamo-lo de aleijado, dando-lhe como consolo, pela deformidade, a nossa piedade e a nossa lástima. Assim procedemos porque o infeliz foge às leis da harmonia, da estética, imprescindíveis condições da obra perfeita. Se isso acontece com a criação do Supremo Artista, é justa, é racional a aplicação do mesmo principio na obra de Arte saída do pensamento do homem, afinada, lapidada, convenientemente a fim de preencher as condições do belo ideal. Tais condições são os fatores primordiais que nos levam a considerar a obra de Baptista da Costa perfeita, uma verdadeira apoteose, um campo vastíssimo onde só não se recreiam os temperamentos vesgos e os impregnados de partidarismo doentio de uma coisa que não podem sentir.

Na magnífica coleção apresentada por Baptista da Costa, podem os "avançados" ver a verdade da nossa sinceridade e a justificação dos elogios unânimes que a obra do mestre sempre despertou, desde o seu aparecimento no ambientes de arte de nossa terra, sempre em ascendência e refinamento. Não há muito tempo combatemos com lealdade algumas obras do mestre, e fizemo-lo porque o julgávamos estacionário; felizmente, em tempo verificamos o nosso erro, constatamos a naturalidade do fenômeno diante do surto maravilhoso que nos revelou no Salão do Centenário.

Eliseu Visconti, como Baptista da Costa, triunfa no atual Salão. A sua bagagem é forte, é emotiva e impressionante na sua nova maneira de interpretar os motivos abraçados. Na aparência parece haver contradições nas nossas palavras, no julgamento do valor destes dois artistas (Visconti e Baptista), porém, tal não acontece; eles possuem apenas maneiras diferentes de interpretação, mas o fundo é o mesmo, o mesmíssimo, calcado na observância impecável do desenho. Visconti despreza, apenas aparentemente, o detalhe amado por Baptista; antes de conseguir o seu objetivo luminoso, ele esmerilha, resolve com amor sagrado as mais insignificantes minúcias do desenho. Prova esmagadora disso reside nos maravilhosos desenhos para as decorações do Conselho Municipal, em boa hora entregues ao seu talento.

"Nos desenhos de Visconti [1, 2, 3] todas as manifestações do gênero humano foram claramente representadas; dentro de tão ousada maneira, soube o pintor tirar o máximo partido: lá estão figuras esplêndidas de nudez anatomicamente perfeitas, exuberantes de verdade, cantantes de cor e de poesia; lá estão a pintura, a música, a história, o comércio, a arquitetura, a verdade, a poesia, a gratidão, a beneficência, a aeronáutica, a maternidade e a glória de grandes asas espalmadas a coroar a cidade; emoldurando o ambiente, há uma paisagem idealizada pelo pintor; de linhas severas, as palmáceas cortam verticalmente o quadro numa simetria audaciosa, de mistura com arvores estranhas, hirtas com colunas...

Em todo o conjunto do painel há uma religiosidade comunicativa que faz pensar no simbolismo e no idealismo de Puvis de Chavannes, obrigando-nos a meditar no seu gênio pictórico, considerado como o mais decorativo de todo o século XIX e como o mais capaz de conceber uma decoração onde a alma vibra de emoção cariciosa... Dentro de tão grandioso cenário as figuras vivem aureoladas de uma luz radiosa; as gamas sucedem-se numa escala afinada, cheias de harmonia como acordes de órgãos tirados por misteriosas mãos. A indumentária esposa os gestos e as atitudes comungam com o conjunto. Diante de tanta magnificência acudiam-nos à memória palavras de um ancião indiretamente mestre de umas poucas gerações: o arquiteto Bethencourt da Silva.

"O artista - escreveu o velho esteta, com a experiência de uma vida de emoções - não é uma máquina, mas um filósofo e um poeta. A natureza encerra todas as belezas e todas as maravilhas, mas encerra-as na profundidade insondável de uma desordem sublime, nesse caos onde só o músico achou as suas harmonias e o arquiteto as suas abóbadas e colunas. Na presença do esplendente tesouro da própria natureza inanimada, o artista encontra um mundo de belezas; e é por isso que nas minudencias da ornamentação está o tipo da riqueza florestal do país em que a arte se constitui. A cada povo dá Deus o amor do que é seu; e o artista lá vai buscar no recôndito de suas florestas as folhas e os frutos com que há de compor os seus ornatos; as flores com que vai enfeitar o berço de seus filhos, a fronte de seus heróis, o colo de suas mulheres, o altar dos seus deuses. O movimento ou imobilidade; o pesado ou o airoso; a calma ou a violência simbolizam um povo ou uma nacionalidade. Mas, se todos os elementos fundamentais estão na terra, só o espírito do artista é dado descobri-los."

"Eliseu Visconti procedeu como o velho esteta preconizou: embrenhou-se no caos da natureza motora, guiado pelo talento e pelo amor, arrancando de dentro dela os elementos primaciais da sua obra; tirou a beleza animada das suas figuras e a luz que as ilumina... Isso no grande painel. Vejamos os pequenos.

No situado à esquerda do observador, vê-se Oswaldo Cruz glorificado por uma grande figura de brancas e espalmadas asas, envolta em tecidos transparentes, deixando adivinhar um corpo formoso... Uma grande nuvem corta a paisagem idêntica a do grande painel. Em torno do saneador da cidade estão seres sofredores, Oswaldo Cruz, com um gesto sereno, incute esperança e animo aos desalentados. As figuras componentes da cena são maravilhosamente executadas, são de um desenho magistral, notadamente o grupo do fundo onde se vê uma mulher com um adolescente caído sobre o seu regaço; as atitudes e as expressões são de um sentimento tão pronunciado que causam admiração. A psicologia existente nas figuras é interpretada com grandeza, percebendo-se o sofrimento do artista ao transportá-la para a tela. No outro painel destaca-se o vulto de Pereira Passos, o grande Prefeito, entre uma multidão: são mulheres, homens e crianças que o homenageiam. Na interessante composição predomina uma grande figura alada; completa o ambiente o fundo retratando os muros da velha cidade que Pereira Passos reformou dando-lhes foros de beleza. Como nos outros painéis, a execução deste é maravilhosa, há vida, há entusiasmo e a mesma técnica encantadora, que vem colocar o pintor na vanguarda dos seus contemporâneos."

Estas palavras foram por nós mesmos escritas em Maio de 1923; repetimo-las por julgarmos oportunas diante dos originais das decorações que o artista, num gesto digno mandou ao Salão, dando assim uma lição grandiosa aos moços, principalmente aos transviados...

Outros artistas se apresentam no terreno decorativo, mostrando assim um pendor especial para a arte soberba da decoração. Augusto Bracet em "Força do Direito" dá provas cabais de poder resolver com galhardia os difíceis problemas da complexa manifestação artística; o esboceto exposto pelo pintor tem belas qualidades de composição e uma linha simpática no conjunto. Ainda de Augusto Bracet é um nu de pequenas dimensões, bem tratado e modelado com simplicidade, notadamente o dorso, onde a pincelada é pastosa e a cor limpa. A contribuição de Augusto Bracet é valiosa, colocando-o mais uma vez em destaque.

Miguel Capllonch, por sua vez, enviou uma grande composição com vários metros de extensão; a concepção do jovem pintor agrada sobremaneira pela ideia e pela forma por que foi desenvolvida, deixando adivinhar a profunda impressão que lhe causou o grande Sartorio. Não condenamos o pintor por esse motivo, muito pelo contrário, entendemos que assim procedendo, andou bem, pois a estrada do mestre é digna de servir de orientação, principalmente no terreno da decoração. Helios Seelinger e Marques Junior enviaram também painéis decorativos cheios de ótimas qualidades e tendências emotivas dignas de encômios.

Lucílio de Albuquerque empresta ao conjunto do Salão uma nota de patriotismo, desenvolvendo em um interessante painel a obra de Bilac, obra de devotamento pátrio. No trabalho de Lucílio predomina a preocupação decorativa dentro da sua maneira larga e colorida. Outros trabalhos foram mandados pelo pintor à exposição, todos eles revelando as mesmas qualidades dentro de um bom desenho e uma cor de primeira ordem.

Georgina de Albuquerque é a vencedora de sempre, é a artista encantadora do "ar livre" e das figuras cheias de luz e vida. Se o envio deste ano não é tão forte como os dos anos anteriores, é pelo menos sólido, resistindo com energia ao julgamento da critica honesta.

Theodoro Braga com seu envio coloca-se na altura de um pintor seguro. Os seus quadros cheios de um sentimento especial, agradam sobremaneira: o efeito de noite é bem resolvido, mostrando claramente o seu valor; no quadro "Confidências", Theodoro Braga foi infeliz no emolduramento; o tom dourado, a nosso ver, prejudica seriamente o aspecto geral da tela, confundindo-se com os valores amarelos de certos detalhes, aliás resolvidos muito bem. Theodoro Braga, além de obras de pintura, enviou à seção de Artes Aplicadas, uma contribuição digna do seu talento criador e da sua percepção artística; as estilizações expostas confirmam o artista como o único verdadeiramente capaz de realizar semelhantes cometimentos, cometimentos que honram não só o artista, como também a nossa Pátria.

D. Maria Braga, mulher do pintor, é bem a sua companheira de credo; comungando os mesmos sentimentos decorativos, realizou um conjunto maravilhoso: são móveis e encadernações trabalhados em couro. Como motivos decorativos, a distinta artista lançou mão da flora brasileira; tais criações deviam ter aplicação na casa brasileira, nos salões de honra dos nossos palácios elas deveriam ingressar livremente para o nosso próprio decoro estético. Ultima-se o suntuoso palácio da Câmara; era o caso de realizar-se, pelo menos em algumas salas, a nacionalização dos mobiliários, pois provado está que temos quem possa fazê-los muito mais belos que os famosos estilos de importação... Sabemos as nossas palavras perdidas, em todo o caso fica a lembrança e a certeza de que somos capazes de realizar, pelos nossos artistas (o casal Braga), verdadeiras maravilhas, genuinamente nossas!

Há ainda no Salão um grupo de mulheres-artistas, mas artistas que se apresentam com galhardia, assinando obras portadoras de grande mérito; entre elas figuram: Margarida Fiori Bracet, Sarah Villela Figueiredo, Yvone Visconti, Solange Frontin Hess, Haydêa Santiago e Irene França.

De Margarida Bracet, há uma tela interessante, onde aparece uma figurinha de boneca entre panejamentos muito bem tratados como desenho e cor; Margarida Bracet é um dos temperamentos femininos emotivos que figuram no atual Salão, formando um magnífico par com seu marido, o pintor Augusto Bracet, fora de dúvida elemento de primeira ordem no ambiente contemporâneo.

Sarah Villela Figueiredo, que há alguns anos vem assiduamente concorrendo às Exposições gerais, está muito bem representada com os retratos de C. S. J. e F. G. A. Neles encontramos muito progresso e uma já segura técnica; o empastamento e a composição merecem apurado cuidado da futurosa artista.

Em outras exposições temos louvado sem restrições o seu mérito de pintora, e agora novamente o fazemos, certos de que a jovem artista caminhará sempre, progredindo e criando verdadeiras obras de arte. Um nome novo apareceu este ano assinando alguns quadros cheios de muita ingenuidade, mas promissores de um futuro auspicioso; referimo-nos a Yvone Visconti que, segundo nos informaram, é filha do grande mestre Eliseu Visconti.

Solange Frontin Hess, com a tela "No Terraço", confirma a sua individualidade de artista; nos mesmos casos estão Haydéa Santiago e Irene França; a primeira, nos dá um conjunto encantador, onde aparecem "Mocidade em flor", "Romantismo", "A Visita" e "Cabra-cega".

Um artista que evoluiu francamente foi Guttmann Bicho: o retrato de "Mme. C. Goulart" e a luminosa "Paisagem", são os melhores atestados disso. Guttmann Bicho já era um artista de merecimento, mesmo antes da viagem, porém, voltou corrigido de certos defeitos de desenho muito frequentes nos seus retratos, aliás sempre muito semelhantes.

Alberto Delpino apresenta-se bem com a paisagem "Estrada de rodagem"; o seu trabalho agrada. Angelo Bigi, Manoel Faria, Fernandes Machado, Virgilio Lopes Rodrigues, Mario Túlio e Orosio Belém, estão condignamente representados, o mesmo acontecendo com A. Guignard e João Fahrion, jovem artista patrício. Gaspar Magalhães, que é um veterano dos nossos salões, enviou à grande mostra pouca coisa: alguns desenhos e dois quadros. Carlos Oswaldo, como das vezes anteriores, está maravilhosamente representado como pintor e água-fortista; o seu "Violinista", uma bela obra, cheia daquele estranho sentimento da sua antiga maneira, agrada e faz vibrar o visitante. "Vestal", tão diferente do primeiro, é um interessante quadrinho, porém inferior; não tem a mesma vibratilidade de "Violinista". "Última Ceia", água-forte de grandes dimensões, é bela, cheia de emotividade, e, sem exagero, coloca o seu autor no nível dos mestres da arte do branco e negro.

O que é Carlos Oswald como água-fortista, várias vees [sic] o temos dito, sendo portanto desnecessário repeti-lo.

Aníbal Mattos apresenta-se com uma grande paisagem com belas qualidades de técnica e de cor.

Na paisagem do artista, existe impetuosidade e familiaridade com a natureza, qualidades que reputamos valiosas em um paisagista.

Ernesto Francisconi, que pela primeira vez se apresenta no Salão, fê-lo com simplicidade, porém equilibrado.

Heinrich Graf nos dá uma magnífica coleção de obras de requinte apurado; o Dr. Hernani de Irajá contribuiu com um conjunto de oito telas, possuindo todas elas os mesmos predicados.

Arthur Lucas, o velho artista que todos conhecem, não esqueceu a sua contribuição; mandou "Dríade", onde a sua individualidade está claramente representada.

Antonio Garcia Bento nos dá "Praia de Fora", "Ancoradouro","Estrada da baía" e "Mau tempo". Qualquer dos quadros mostra bem o temperamento privilegiado do jovem pintor; são obras dignas de um verdadeiro artista; nelas há desenho, técnica, cor e uma transparência verdadeiramente encantadora.

O maior elogio que podemos fazer, é dizer que o jovem artista caminha francamente para, dentro em breve, ocupar o lugar ainda vago desde a morte de Castagneto!

Gastão Formenti, com o quadro "Riacho", nos dá uma nítida impressão do seu valor de pintor; na tela existem predicados recomendáveis e encantadores.

Do Sr. Jacobi existem no Salão belos retratos; de Dall'Ara figura um auto-retrato com belas qualidades reveladoras dos conhecimentos pictóricos do saudoso pintor.

B. Pinto, Domenech, João de Azevedo, D. Dias da Silva, José dos Santos e Portinari, apresentaram-se dignos de referencias elogiosas.

Paula Fonseca, prêmio de viagem do Salão passado, mandou uma paisagem fraca, trabalho que está longe dos méritos do pintor...

Edgard Parreiras, apesar de bem representado, não corresponde ao justo renome que já possui; o pintor tem o dever de mandar ao Salão obras onde o seu privilegiado talento apareça sem reticências, como agora acontece. Em outros Salões o artista tem se apresentado com mais desembaraço de técnica e mais sentimento.

Oswaldo Teixeira, o provável premiado com a viagem deste ano, apresentou-se com uma bagagem forte e digna de recompensa; entretanto, não nos é possível deixar de fazer algumas observações ao jovem pintor: seria preferível um envio menor para melhor resolver alguns dos seus quadros; nestes casos está a grande tela "Boas notícias", onde existem sérios descuidos de desenho e muito amaneiramento de colorido. As nossas observações absolutamente não visam a diminuição do mérito do artista, incontestavelmente maior do que o dos detentores dos prêmios de viagem, conferidos na seção de pintura de muito [sic] anos a esta parte. Oswaldo Teixeira é já um verdadeiro artista, não obstante a sua pouca idade; não duvidamos de que saberá honrar a pátria no velho mundo, para onde seguirá, estamos certos, com o prêmio deste ano.

Um novo que se apresenta magnificamente é Manoel Santiago. Com a sua assinatura figuram "Evocação" e "Harmonia", telas cheias de sentimento e muitas outras qualidades dignas de serem apreciadas.

Treidler, o mestre consagrado na aquarela, apresentou-se no atual Salão com uma maravilhosa coleção de impressões do morro do Castelo; em qualquer dos seus trabalhos predomina uma técnica assombrosa, mostrando conhecer todos os segredos da fidalga arte. Além dos requisitos da arte, a coleção do artista possui o valor incontestável de documentação histórica da desaparecida colina, berço da tradição da cidade.

A seção de Escultura do Salão apresenta um aspecto interessante de variedade. Muitos nomes novos apareceram em trabalhos de valor como os de Teruzzi Acquarone [?], Margarida Lopes de Almeida, Armando Braga, Umberto Cavina, Laurindo Ramos, Paulo Mazzucchelli e Martins Ribeiro. É o triunfador da Seção o Sr. Antonio Mattos: qualquer dos três trabalhos apresentados, mostram bem o seu valor artístico; principalmente "Aprés le peché", agora fundido em bronze, e "Mlle Duque", revelam um espírito dotado de muito sentimento e um conhecimento seguro da sua arte, como bem poucos da sua geração possuem.

Modestino Kanto enviou as maquetes "Marcha triunfal" e "Tiradentes", trabalhos estes reveladores de técnica e compreensão da composição. O Sr. Verdier mandou um detestável auto-retrato, completamente falho de anatomia e inexpressível; as suas maquetes, porém, possuem qualidades. De João Zaco Paraná, figura no Salão um grande "Semeador" cheio de belas qualidades escultóricas e muito movimento. Zaco Paraná é sem dúvida um espírito de artista, mas a demasiada modéstia prejudica-o seriamente. A placa comemorativa à oficialização do ensino artístico no Brasil, inaugurada na Escola de Belas Artes, é a melhor prova do que dizemos; no singelo trabalho há muita alma e forte conhecimento do oficio; tão forte que o coloca entre os melhores escultores moços. Alfred Joel, alemão, e atualmente entre nós, contribuiu seriamente para o êxito da Seção de Escultura com o envio sério, onde figuram "Via sacra", "Menino e a tartaruga", "Busto da Senhora Fedora Ganz" e o retrato de frei "Pedro Sinzig". Opulenta é a Seção de Arquitetura; nela apresentaram-se João Ludovico Berna, catedrático da matéria e membro do Conselho Superior de Belas Artes; Angelo Bruhns, Attilio Corrêa Lima, Dubugras, Lucio Costa, Fernando Valentim e Felix Tilk. Na Seção de Litografia, aparece novamente o nome de João Fahrion assinando uma bela gravura representando "O martírio de S. Sebastião". Uma seção onde há obras primorosas é a de gravura de medalhas. Augusto Girardet, como sempre, figura acompanhado de seus discípulos. Leopoldo Campos, Herminio Pereira, Basilio Nunes, Arlindo Bastos e Marinho, enviaram um punhado de obras dignas de serem admiradas pelas dificuldades resolvidas e concepções.

Augusto Girardet assina uma série de obras, onde o seu valor vive, mostrando quanto ainda pode fazer, apesar dos anos. Na medalha comemorativa das bodas de ouro dos segundos "Barões de Vasconcellos", o mestre mostra-se um impecável retratista, assim como no verso da medalha "Prêmio Dr. Paulo de Frontin", o perfil do grande engenheiro é maravilhoso de semelhança e magnificamente colocado no campo da medalha.

Na plaquete "Congresso Ferroviário" é o compositor que se evidencia seguro das linhas e das massas que se contrabalançam equilibradamente.

"Nossa Senhora da Conceição" representa um exemplo primoroso da técnica do artista como gravador em pedras preciosas. Bem pouca gente pode avaliar as dificuldades de semelhante trabalho, quer pela dureza da pedra, como pelas delicadezas existentes; naquele pequeno campo, Augusto Girardet reuniu tudo que a sua personalidade artística possui como beleza, como segurança no manejo do "ordegno" e ainda como desenhador impecável. Não nos admiramos de nada disso, sabemo-lo capaz de muito mais, pois, durante anos, convivemos com ele e nos acostumamos a apreciá-lo no manejo dos seus buris e dos seus desbastadores. Um pedaço de aço ou uma pedra dura, nas suas mãos, se transformam em maleável matéria para receber a forma preconcebida e desejada pelos poucos que amam a Gravura em nossa terra. Ele é ainda o mestre de toda a geração de gravadores patrícios; geração, infelizmente, abandonada pela incompreensão da fidalga arte. Leopoldo Campos mandou uma vitrine contendo quatro medalhas possuidoras de mérito e conhecimentos da profissão. Francisco Gomes Marinho, candidato ao prêmio de viagem, contribuiu com galhardia para o brilhantismo da Seção. A nossa qualidade de membro do Júri, infelizmente, nos impede de maiores considerações sobre o merecimento dos seus trabalhos. Depois de uma ausência de alguns anos, contribuímos com o nosso coeficiente para a seção: enviamos modelos de medalhas e plaquetes, cujo mérito deixamos entregue a critica de outrem. É provável que em nossa crônica não apareçam os nomes de alguns novos, e que obras merecedoras de referências nos tenham escapado, porém, se isso aconteceu, foi sem intuitos malévolos.

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(1) Compunha-se a colônia de Joaquim Le Breton, Pedro Dillon, João Baptista de Bret, Nicolau Antonio Taunay, Augusto Taunay, Augusto Henrique Victor Grandjean de Montigny, Simão Tradier, Francisco Ovíde, Carlos Henrique Levasseur, Luiz Simphoriano Menie e Francisco Baurepas.

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Imagens

- Desenhos [1, 2, 3] para as decorações do edifício do Conselho Municipal, por Eliseu Visconti.

- "Rio Tiete", paisagem de Baptista da Costa

- "Mata Iluminada", por Aníbal Mattos

- "A Força do Direito", (esboço), por Augusto Bracet

- "A imortalidade", painel decorativo por Lucilio de Albuquerque

- "Pescador", por Oswaldo Teixeira

- "Retrato da Senhora R. O. F.", por Georgina de Albuquerque

- "Retrato de Mme. O. Goulart", por Guttmann Bicho

- "O Semeador", estátua em gesso por Zaco Paraná

- "Laura", gesso de Orestes Acquarone Filho

- "Mlle. Duque", busto por Antonino Mattos

- "Solar colonial", por Lucio Costa

- "Hall", por Lucio Costa

- Medalhas e plaquetes em gesso. Modelos executados por Adalberto Mattos

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

MATTOS, Adalberto. O SALÃO DE MCMXXIV. PINTURA ESCULTURA ARQUITETURA GRAVURA. Illustração Brasileira, Rio de Janeiro, ago. 1924, n/p.

Maurice Bompard
Maurice Nozières
MAURICIO, Virgilio. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1923. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 19 ago. 1923, p.3.

Impressão geral - Os novos - Consagrados e veteranos - A contribuição feminina - As paisagens do Sr. Parreiras - Avulsos

Está inaugurado o salão de 1923. A comissão diretora é composta de três membros: Raul Lessa de Saldanha da Gama; Rodolpho Chambelland e Petrus Verdié.

São membros do júri da seção de pintura os Srs. João Baptista da Costa, Lucilio de Albuquerque, Rodolpho Amoedo, Augusto José Marques Junior e Helios Seelinger.

Iniciemos a nossa visita.

Várias salas estão ocupadas pela seção de pintura, sendo que pintura, pastel, desenho, tudo está misturado, sem o menor senso estético. Assim é que vemos numa sala ao lado de uma pintura, um pastel, o que aliás demonstra a escassez de trabalhos que foram enviados ao salão.

O salão é pobre; e no conjunto medíocre. Quase não valeria a pena um estudo crítico. É insignificante demais. Não se encontra nenhuma revelação; nada de original guarnece as vastas paredes da exposição. Tudo é conhecido, repetido, igual ao que já temos visto e a impressão geral é que os nossos pintores estão cansados, não têm estímulo, nem coragem de trabalhar. Muitos não concorrem este ano ao salão; muitos se ausentaram da participação devido à política da Escola; em compensação, para preencher esta lacuna, o júri ou por benevolência, ou por não ter observado com devida atenção, aceitou uma série de trabalhos que surpreende pela mediocridade, pelos erros de desenho, pela inferioridade. Vê-se desde já, que em [...], a XXX exposição geral é fraca, parecendo mais um certame de alunos que um salão anual de Belas Artes.

* * *

O Sr. Flexa Ribeiro, logo após o vernissage, escreveu a sua crítica estampada em "O Paiz", merece ser lida pelo cunho de sinceridade. [...] justeza da apreciação, sendo que o escritor foi exigente demais [...] com a obra do Sr. Oswaldo Teixeira. É certo que numa exposição não se julga o autor e sim a obra; num certame não se deve saber se o expositor tem 19 anos, se estuda a pouco tempo, se é principiante. Nada disso. Num salão analisa-se o que se expõe sem considerações para com o autor, tendo por princípio único que a tela figura no salão e por conseguinte está sujeita à crítica. Ainda assim o Sr. Flexa Ribeiro, demonstra a sua sinceridade e põe em evidência a sua independência e o seu modo de julgar e distribuir louvores.

Falando dos novos escreve o crítico paraense:

"Bem, sei que é coisa temerosa falar-se com franqueza, aos jovens, nesta cidade de S. Sebastião do Rio de Janeiro! Eles esquecem que o louvor é fácil, agradável, e quase sempre lucrativo...

Mas julgo que seria de toda a conveniência estabelecer diferenças: comércio e indústria é uma outra atividade do espírito, limitada e de fins modestos.

A arte é a única expressão desinteressada do homem. E eu não amo propriamente a obra de arte, mas a Arte, como certos indivíduos, por demais requintados, que não amam mais, e verdadeiramente, a mulher, e sim o Amor..."!

É realmente uma observação justa. Os novos, sobretudo os que surgem pela primeira vez numa exposição, não os de talento, mas os medíocres, não suportam a crítica.

Querem ser mestres no início da carreira...

Os novos do atual certame são o Sr. Oswaldo Teixeira e Candido Portinari, jovens de talento e que prometem muito.

O primeiro é candidato ao prêmio de viagem a apresenta cinco trabalhos - uma composição, dois retratos e dois estudos. Os seus quadros em conjunto (isto é fragmentando as suas telas) são admiráveis. Expliquemos.

Oswaldo Teixeira surgiu com um brilhantismo raro e esse brilho se acentuou no salão do ano passado e ainda este ano, não com a mesma força, em certos dos seus estudos.

Incontestavelmente o prêmio de viagem deve ser seu. Não existe em todo o salão, em toda a Escola de Belas Artes um aluno que se tenha apresentado tão bem; ao demais o seu concorrente não pôde competir com a sua força com a sua técnica, com o seu desenho.

Examinemos a sua contribuição. "Sinite parvulos venire ad me talium est enine regnum coelorum" é a sua principal tela, pois se trata de uma composição. O artista não foi feliz se bem que se encontrem neste trabalho qualidades recomendáveis. O desenho é descuidado; falta volume e a composição deixa muito a desejar.

A coloração é boa - o ambiente está muito bem interpretado e existem detalhes impressionantes. O retrato do Dr. A. M. merece o prêmio de viagem. Bastava a maneira por que está tratado o paletó para afirmar um artista. O Sr. Teixeira demonstra com esse trabalho as suas poderosas qualidades de técnico e de desenhista. "Recostada", possui uma boa cor e está largamente pintada.

O retrato do Sr. V. L. R. é outra obra de mérito. O desenho é correto e a mão está bem pintada e desenhada com vigor.

"Fim de missa", curioso e interessante estudo de interior, põe em evidência o talento do seu autor. Não se pode ainda prever o futuro do Sr. Oswaldo Teixeira. O que podemos afirmar é que esse jovem artista não pode mais continuar em nosso meio; é momento de seguir para a Europa. Já entre nós, fez o que podia fazer. Retardar o seu aperfeiçoamento é aniquilar esta vocação que já realizou trabalhos dignos de todo apreço. Na Europa, vendo a obra dos grandes mestres, visitando museus e exposições, estudando com afinco, a revelação de hoje pode se transformar num grande nome para a nossa Pátria, o que de coração desejamos.

Esperemos, pois, que o júri saiba coroar esse esforço, o que redundará em aplausos não só à comissão julgadora mas à arte nacional.

Outro jovem de incontestável merecimento é o Sr. Candido Portinari. No retrato do escultor Paulo Mazzucchelli, estão impressas grandes virtudes artísticas.

Desenho, técnica, compreensão de valores e cor. É um artista. As mãos do seu retrato estão magistralmente executadas e são pintadas com uma simplicidade surpreendente. A tonalidade geral, clara, está compreendida brilhantemente. A cabeça podia ser mais estudada; os toques de luz mais justos o que não implica na beleza do conjunto de seu trabalho que é um dos melhores da atual exposição.

* * *

O Sr. Jean José-Frappa, o ilustre crítico francês, diretor do "Le monde illustré" escrevendo sobre o "Salon de la societé" [sic] Nationale" - assim se expressou: "Não sabemos se por piedade ou pela necessidade de cobrirem as paredes que enquadram a vasta escadaria o júri do "Salão" admitiu a série de telas que se encontram expostas nestes muros."

O escritor julgou que tais obras não mereciam uma citação e com uma frase definiu a mediocridade daqueles trabalhos. Poderíamos também perguntar ou fazer a mesma observação a respeito de uma série de telas que se exibem na Escola Nacional de Belas Artes, na atual feira artística.

É melhor silenciarmos.

* * *

O Sr. Leopoldo Gotuzzo regressa do Rio Grande do Sul onde expôs várias de suas telas. Eu vejo na sua obra de hoje as mesmas qualidades das anteriores -- a mesma cor, a mesma técnica, o mesmo desenho. Não há progresso, nem descaídas.

O artista é o mesmo.

O melhor trabalho, na seção de desenho pertence-lhe.

Trata-se de uma sanguínea - "Estudo de nu" - bem marcada, de uma linha geral agradável e justa de valores. Pena é que o pintor não tivesse estudado com mais amor as extremidades!

O Sr. Pedro Bruno é da sua geração o mais bem representado e o artista que acusa maiores progressos. A sua contribuição é digna de todo o elogio e apreço. "Repouso" é um formoso atestado do seu talento. O desenho está marcado com precisão e a fatura é das mais agradáveis.

A cor geral deste nu está justa, e a tela bem ambientada. "Símbolo das praias" acusa qualidades notáveis de colorido e desenho, mas não está no prumo a figura principal. "A pescadora" e "Yara" são duas notas de vibrante coloração e que muito contribuem para o sucesso do atual salão.

Augusto Bracet também assina um nu - "Direito de asilo". É uma tela interessante, de uma perspectiva confusa, mas onde se observa um intenso desejo de trabalhar e vencer dificuldades. A pintura é agradável, e a carnação de seu nu é sentida e interpretada com alto senso estético.

O Sr. Theodoro Braga não merece figurar na seção de pintura, com os seus quadros "Cabeça de menina" e "Árabe"; nunca deveriam ser expostos. "Senhora", entretanto, é um trabalho recomendável e como retrato está admirável. Porque o artista, que é insuperável em arte aplicada, não se dedica exclusivamente a este gênero.

As suas aplicações de nossa flora e fauna brasileiras, nos objetos e nos bordados, no "fillet", por exemplo, são magníficas. Temos a impressão de que o Sr. Braga sabe bordar bem e maneja com habilidade o dedal e a agulha, tal a perfeição do desenho de sua renda que figura, em estampa feita à mão, no seu conjunto catalogado sob o número 338.

* * *

O que se observa, aliás fácil de constatação, é a falta de sinceridade em nossos artistas.

A propósito, o Sr. Flexa Ribeiro escreve algumas linhas, que merecem divulgação:

"Há uma qualidade que se tende a generalizar, e que é das mais perigosas, podendo até assinalar remoto prenúncio de morte: a falta de sinceridade. Já tenho procurado explicar-me, a mim mesmo, a razão desse estranho fenômeno. Será falta de imaginação criadora? Acaso, - como a disciplina do desenho ainda não tenha atingido à adolescência, entre nós - o pintor, diante do modelo a transcrever, experimenta comoção pelas dúvidas que tem de sua grafia, e fique como o pianista que não se apossou, de fato, da leitura da página, e está mais preocupado com as notas do que com o seu "valor" expressional e de conjunto?

Para testemunhar semelhante aviso bastará dizer que a insinceridade não está somente no cursivo do pintor; a própria composição é sinal característico. Nunca motivo simples, de dificuldades técnicas reduzidas. Em geral, vai logo às maiores. E há, então, em muitos desses trabalhos, não sei que de teatral, ou, às vezes, de postiço, que me entristece como se visse alguém de minha estima a fazer grandes gestos, falando muito e alto... sem saber o que dizia."

Um pintor que se conserva sincero é o Sr. Elyseo Visconti. É certo que os trabalhos deste ano são inferiores aos do salão passado. No seu quadro "Afetos" existe mais "habilidade", "savoir-faire" do que mestria. A tonalidade geral é agradável e o desenho perfeito. Existe mesmo um traço de espiritualidade nos seus retratos que afirmam as qualidades artísticas do pintor de "O lar". "Para a escola" é uma magnífica paisagem de efeito agradável e de uma perspectiva admirável. "Mártir" devia ter ficado no "atelier". Mas compreende-se que o pintor não tenha podido enviar trabalhos novos... Após o magnífico painel decorativo que figura no novo edifício do Conselho Municipal, o artista devia estar cansado. Realizou uma obra que o honra e que é um atestado eloquente de suas brilhantes qualidades de pintor e de desenhista.

O Sr. Baptista da Costa quis fugir de sua fórmula já tão conhecida entre nós, e de S. Paulo nos traz uma pequena obra-prima - "Névoas da manhã" - que, como paisagem, é perfeita; mas "a perfeição não existe sobre a terra"... e o Sr. Baptista da Costa não se contentou em ter realizado talvez a sua melhor paisagem, e coloca naquele ambiente admirável uma figura desproporcional, em relação à paisagem, que prejudica a harmonia de tão admirável trecho de natureza. "Em plena natureza" e "A volta do rio" são paisagens iguais às anteriores.

"Uma tradição que desaparece" acusa surpreendentes qualidades no primeiro plano. Os verde estão justos, bem manchados - a coloração esplêndida. O morro do Castelo em ruínas parece cortado a canivete, e não nos dá a impressão de terra, mas de madeira - tal a dureza, o modelado, a estrutura que o Sr. Baptista da Costa imprimiu nas massas afogueadas do barro brasileiro.

O Sr. Lucilio de Albuquerque será o campeão da espátula, entre nós. Os seus progressos são sensíveis. Em cada exposição ele triunfa com as suas paisagens. São quatro as telas que assina. " A curva da estrada", "Entrada da Guanabara", " A grande árvore", "Troncos". Na seção de desenho figura com um estudo, um pouco descuidado. As suas cópias de nossa natureza estão executadas com grande mestria.

Sem ser monótono, o Sr. Lucilio de Albuquerque realiza quatro estudos, todos diferentes em tonalidade, de nossas paisagens, o que afirma as suas qualidades de visão e de técnico.

Fiuza Guimarães, o pintor tão esquecido entre nós, enviou este ano uma série de trabalhos. É um bom sintoma. O Sr. Fernandes Machado enviou uma composição - "O símbolo da Fé mais uma vez repete o milagre da salvação: aos desesperados da Terra só o consolo deixado por Cristo". É uma tela de grandes dimensões, com um colorido simpático, de um desenho regular e de fatura também regular. Representa um esforço. Não seria mau que esse trabalho fosse adquirido pela diretoria da Cruz Vermelha para o seu novo edifício. Não representa ele também o devotamento das enfermeiras no campo de batalha?

O símbolo pelo menos está bem representado, e representado na figura central da tela.

"As comungantes", do Sr. Carlos Chambelland, agradam. O retrato do Sr. Arthur Timotheo da Costa, o jovem artista que faleceu ainda tão moço, em pleno desenvolvimento artístico, é um trabalho de grande harmonia, bem composto, de um desenho correto e sólido como pintura.

O Sr. Edgard Parreiras, com a sua paisagem - "Mangueira" é uma decepção. Esse artista é uma paisagista de mérito e a sua última mostra de arte era realmente digna de todo o aplauso; o "Solar avoengo" do ano passado era uma tela perfeita, mas a "Mangueira" deste ano é dura, com um verde cru, sem atmosfera, de composição desequilibrada. Na tela existe o chão que está bem manchado e de um belo colorido.

Não será excesso de trabalho e outras ocupações? Não se compreende que um artista do mérito de Edgard Parreiras se apresente tão mal quando o seu nome já pode ser citado entre os dos nossos melhores pintores.

* * *

As mulheres figuram num belo contingente, no atual salão. A Sra. Georgina de Albuquerque não está bem apresentada. Os seus trabalhos são insignificantes. Aurea Vianna Palmeira merece francos louvores, pois que é a primeira vez que se apresenta; Haydéa Lopes assina três paisagens, sendo que "Palácio tranquilo" possui qualidades dignas de registro.

Luiza Babo de Andrade, Palmira Pibernat Pedra e Noellner Pedrosa (Olga Mary) estão representadas.

Edith Aguiar é um nome novo nas exposições.

O pastel que assina não nos agrada nem como técnica nem como cor. É terroso, mal desenhado e os valores estão confusos. No retrato de Mme. I. P. A. a artista afirma sua personalidade. A mão está executada vigorosamente, o planejamento admirável, bom desenho, pintura sólida - o que quer dizer, que esta tela, em conjunto, é magnífica.

* * *

O Sr. Parreiras [Antonio Parreiras], enfim, andou acertado. Estamos diante de um expositor que se apresenta como nunca nenhum artista se exibiu - assinando uma série notável de telas. São oitenta os quadros que figuram na sala Parreiras, oitenta paisagens afirmadoras de um temperamento, de uma grande individualidade. Felizmente, não temos a deplorar, no conjunto de suas obras - nenhuma tela figura - gênero tentado pelo Sr. Parreiras com insucesso. Basta recordarmos os seus nus de mediocridade absoluta, falhos de valor e mal desenhados, sem sentimento e nenhuma proporção, aliados a uma ausência completa dos menores conhecimentos anatômicos. Fez bem em abandonar este gênero, e, para o seu gozo pessoal, para a glorificação de seu nome, não necessita mais do que a série magnífica de paisagem que valorizam sobremodo o atual certame.

A medalha de honra do Salão é de justiça ser conferida a esse grande paisagista - o maior do Brasil e um dos mais ilustres da pintura contemporânea. Uma simples visita à sua casa é o suficiente para se contrastar a riqueza e o brilhantismo de sua palheta. Citemos algumas de suas páginas, verdadeiras obras-primas. O número 133, "Velho parque", é uma paisagem de técnica perfeita e de um colorido real. Consagra um nome. Com que sentimento de arte o pintor executou a sua maravilhosa tela 162 - "L'Oise á Erany" - bela recordação da França, onde tudo, tonalidade, execução, cor, naturalidade, culmina ao real?! E a "Mancha de sol", recanto de nossa natureza; "Restinga". "Último clarão" (Suíça) não são surpreendentes flagrantes vistos por um mestre?

Deixando as pinturas e observando os dois magníficos desenhos 204 e 203 -- não se tem a impressão de contemplar trabalhos de um grande desenhista, um Ingres da paisagem?

É certo que na sua coleção existem estudos em que a fantasia do pintor se patenteia, assim como a sua habilidade. "Terra Natal", "Mata Virgem", "Inferno Verde" não são o resultado de sua visão e talento criador, mais do que uma cópia do natural? O que é certo é que o Sr. Antonio Parreiras ilumina o Salão com a sua obra e dá à mocidade um exemplo e uma lição magníficos e dignos de serem seguidos e imitados.

* * *

O Sr. Garcia Bento merece um lugar à parte. A sua "Tarde de sol" é de admirável contextura. Existem atmosfera, cor, perspectiva e sobretudo, uma surpreendente visão. A sua paisagem executada à espátula é uma das mais formosas afirmações do atual certame. Esse artista será um dos grandes nomes de nossa pintura.

O jovem Manoel Santiago apresenta-se com uma composição - "Yara". Não se pode negar talento ao artista, que possui agradável colorido. O desenho de sua tela carece de mais estudo e observação.

Waldemar Ferreira Braga está representado por dois carvões. Vai em franco progresso esse jovem artista, e pode servir de estímulo ao Sr. Orozio Belem, que, iniciando apenas a sua carreira, indeciso, sem conhecer ainda valores, envia uma pintura para o Salão, que, de tão inferior, só pode prejudicar o jovem estreante. O seu desenho está marcado com certa facilidade, e a sua admissão deve servir de estímulo aos seus pendores artísticos.

* * *

As outras seções são muito insignificantes. Os trabalhos apresentados são poucos, e nota-se um esmorecimento geral, uma falta de ânimo que contrista.

Aguardemos o próximo salão de 1924, e que os nossos artistas trabalhem, são os nossos votos.

É o melhor caminho para o triunfo.

Virgilio Mauricio [Virgilio Mauricio - Artigos]

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Imagens

Oswaldo Teixeira - "Recostada"

Haydéa - "Palácio tranquilo"

Oswaldo Teixeira - "Estudo" (pastel)

Visconti - "Afetos"

Gotuzzo - "Retrato"

Portinari - "Retrato do escultor Paulo Mazzuchelli"

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

MAURICIO, Virgilio. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1923. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 19 ago. 1923, p.3.

Max Claude
Max Grossmann
Maximiliano Valdez
Meinhard Jacoby
Mendes Fradique
Mercedes Lisboa Seng
Miguel Alves Feitosa Filho

aqui''' para obter uma lista de todos os artigos onde este artista é citado como expositor

Expositores
Miguel Capllonch
Milly Dernemont
Minna Mee
Miriam Falcão Lima
Mme. Lebelle
Modestino Kanto
Modesto Brocos y Gomez
Monaco Elena
Monteiro Lobato
Moysés Nogueira da Silva
Murillo Gonçalves de Souza
Murillo La Greca
N. Caprile
NA ESCOLA DE BELAS ARTES - A inauguração da exposição deste ano. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 13 ago. 1921, p.5.

Com a presença do Sr. Presidente da República, membros do Governo, Corpo Diplomático, pessoal docente do estabelecimento e grande número de convidados, realizou-se ontem a inauguração oficial do "Salão" anual da Escola de Belas Artes.

Recebido o Sr. Epitacio Pessoa, que se fez acompanhar de membros da sua casa militar, pelo diretor daquele estabelecimento de ensino e pela comissão que para esse fim fora nomeada, foi S. Ex. introduzido no recinto, onde já se achavam os expositores, que compareceram este ano ao certame.

S. Ex. percorreu as salas de pintura, escultura, gravura e arquitetura, demorando-se a analisar ora um quadro, ora uma medalha ou os bronzes expostos, expendendo a sua opinião ou bordando um comentário sobre o valor dos trabalhos que lhe chamavam a atenção.

Decorrida cerca de meia hora, S. Ex. retirou-se, sendo acompanhado até a porta do estabelecimento com o mesmo cerimonial, que o acolhera à entrada.

O Dr. Alfredo Pinto, Ministro do Interior, por motivo de moléstia, não pôde acompanhar o Sr. Presidente da República na visita que fez ontem à exposição.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NA ESCOLA DE BELAS ARTES - A inauguração da exposição deste ano. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 13 ago. 1921, p.5.

NA ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES. ABERTURA OFICIAL DO SALÃO DE 1925. O Paiz, Rio de Janeiro, 13 ago. 1925, p. 2.

Imagem

PESSOAS PRESENTES AO ATO SOLENE DE ABERTURA DA EXPOSIÇÃO GERAL DE ARTE, VENDO-SE O REPRESENTANTE DO SR. PRESIDENTE DA REPÚBLICA, DR. MIGUEL DE MELLO; DOUTOR ALAOR PRATA, GOVERNADOR DA CIDADE, E DR. CARNEIRO LEÃO, DIRETOR DA INSTRUÇÃO.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

NA ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES. ABERTURA OFICIAL DO SALÃO DE 1925. O Paiz, Rio de Janeiro, 13 ago. 1925, p. 2.

NA EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES. UM QUADRO DE ALMEIDA JUNIOR. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 17 out. 1894, p.1.

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NA EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES

UM QUADRO DE ALMEIDA JÚNIOR

ESOTERISMO

Três linhas na palma da mão, não se encontrando, querem dizer que o sujeito dá para amolador.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

NA EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES. UM QUADRO DE ALMEIDA JUNIOR. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 17 out. 1894, p.1.

Na Exposição de Belas Artes. UM QUADRO DE F. FABBI. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 18 out. 1894, p.1.

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UM QUADRO DE F. FABBI

Quem sabe se é o uso desse cachimbo de dar corda que me está pondo a boca torta?

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

Na Exposição de Belas Artes. UM QUADRO DE F. FABBI. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 18 out. 1894, p.1.

NA EXPOSIÇÃO DE BELAS-ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 9 out. 1894, p.1.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

NA EXPOSIÇÃO DE BELAS-ARTES. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 9 out. 1894, p.1.

NA EXPOSIÇÃO DE BELAS-ARTES. O Malho, Rio de Janeiro, n. 54, set. 1903, n/p.

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- Que mania é essa, gentes, de expor também cartões de visita?

- Para o ano mando o meu.

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Digitalização e transcrição de Arthur Valle

NA EXPOSIÇÃO DE BELAS-ARTES. O Malho, Rio de Janeiro, n. 54, set. 1903, n/p.

NA Exposição Geral de 1924. O prêmio de viagem a Europa conferido a Oswaldo Teixeira. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 31 ago. 1924, p. 3.

As mãos jovens de Oswaldo Teixeira detêm, desde alguns dias, o prêmio de viagem.

Eis aí um ato do júri, na exposição geral, que vale por uma satisfação.

Teve-a o meio artístico brasileiro, de que esse pintor é uma das mais curiosas e fortes expressões. No Salão de 1923 houve, como ninguém esquece, uma preterição injusta, por isso que apenas se articulou contra o brilhante artista o fato de ser ele muito jovem.
O amor próprio assim profundamente ferido, uma confiança ilimitada em si mesmo e uma grande força de vontade, impeliram o artista a um trabalho contínuo e febril, cujos resultados estão fazendo o brilho da presente exposição geral.

Apresentando sete grandes telas, que se fazem acreditar como as mais interessantes do Salão, respondeu brilhantemente aos que começavam a duvidar da persistência do seu impulso inicial.

E dentre esses trabalhos, que honram a juventude artística brasileira o júri escolheu "O Pescador" para conferir o prêmio de viagem a Europa a Oswaldo Teixeira.

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Imagem

Oswaldo Teixeira – "O Pescador"

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NA Exposição Geral de 1924. O prêmio de viagem a Europa conferido a Oswaldo Teixeira. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 31 ago. 1924, p. 3.

NA GALERIA DAS BELAS-ARTES. Gazeta de Noticias. Supplemento Illustrado, Rio de Janeiro, 18 set. 1904, p. 1.

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- Há muitos anos que vejo sempre os mesmos quadros.

Será isso que chamam arte retrospectiva?

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

NA GALERIA DAS BELAS-ARTES. Gazeta de Noticias. Supplemento Illustrado, Rio de Janeiro, 18 set. 1904, p. 1.

Nair de Teffé
Nand Buyle
Natale Parisi
NAVARRO, Saul de. A ARTE VIGOROSA DE O. TEIXEIRA. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 24 ago. 1924, p. 3.

A arte, como expressão radiosa do espírito e transmissão divina da beleza, tem o dom de espelhar a força invisível do mistério, porque se nos apresenta com o mesmo poder maravilho da luz, que é o sangue luminoso que jorra do Universo...

Reflexos dos seres ou das coisas, a pintura representa o poder da luz dinamizada na cor, esboçando o sorriso celeste do espectro solar. Pintar não significa, no sentido estético, senão reunir, por um golpe de olhar, o que o nosso pensamento abrange ou decifra do espetáculo surpreendente de tudo quanto passa em nosso eu, seja uma visão da natureza, seja uma sombra, uma alma, ou um sonho, através das imagens que surgem de nossas sensações.

A revelação do titanismo na pintura brasileira deve consistir no esplendor de nossa potencialidade cósmica, vibrando na claridade e no colorido, ao sopro criador da Arte, de modo a ser uma expressão vigorosa do anseio de nosso meio físico e uma explosão luminosa do Infinito que sacode a terra e chega quase a anular o homem, quase a torná-lo homúnculo pelo excesso de grandeza, vendo-se acionado pelo turbilhão de selva, em meio de um estremecimento galvânico. Aqui a luz é tão forte e tão prodigiosa, que há, por vezes, efeitos capazes de produzir todos os caprichos óticos e de realizar todos os impossíveis da imaginação...

O pintor, que, por uma obediência ao desenho e aos preceitos acadêmicos, se subtrai a essa vertigem, cosmogônica, sugere o imenso ridículo de um cego a manejar um pincel. Em nossa arte, ainda presa ao ritualismo geométrico dos mestres exóticos e mumificados nos museus necrópoles do Belo, avulta a figura varonil de Pedro Américo, que, com uma centelha de gênio no cérebro, foi um titanista por intuição, vazando nas suas batalhas, fragorosas de colorido, e no surto sideral de suas alegorias, a pujança que esplende no Brasil e que ficou espiritualizada nas telas que assinou.

Depois dele, raramente aparecem esses assomos de visualismo titânico, esses traços físicos de nossa grandeza que se fluidificou em ritmos, cantando no verso cangloroso [sic] de Castro Alves, no estilo vulcânico de Euclydes da Cunha e no verbo altissonante de Ruy Barbosa.

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A arte vigorosa de Oswaldo Teixeira é uma tendência, ainda que vaga e algo vacilante, desse titanismo na pintura nacional. O jovem pintor, em pleno viço da adolescência, fixa com o clarão auroral de seu talento, o sonho magnífico da beleza, numa expressão vibrante e nervosa, dando, em pinceladas seguras, a afirmação de sua personalidade a libertar-se de influências estranhas e a transmitir a nossa visão o gozo inefável das emoções estéticas.

Os sete quadros, expostos no "Salon" deste ano, demonstram de sobejo o seu valor e tanto se sobressaem, que, sem exagero, superam as obras de outros artistas nacionais, cuja consagração oficial os exime, talvez, de maior esforço, ficando a cochilar sobre louros colhidos, numa deliciosa preguiça de lagartos ao sol...

Concorrendo, mais uma vez ao prêmio de viagem, que lhe tem sido clamorosamente negado, sob o risível pretexto de sua juventude esplendente e, quiçá, por uma pirraça bem indígena ao mérito autêntico, Oswaldo Teixeira comparece no júri com trabalhos sugestivos e pujantes, que despertam aos que vão contemplá-los a certeza do seu triunfo, que só lhe poderia deixar de ser reconhecido na hipótese absurda de se divorciar a justiça da beleza.

O novel artista é um predestinado. Criança assombrou quando surgiu com o seu primeiro quadro - "Velha beata", transpondo vitoriosamente a nossa Escola. Depois de outras conquistas, logrou o êxito ruidoso que foi "O homem da rosa", uma obra-prima, porque nesse admirável retrato de Roberto Gomes, exibiu a sua faculdade invulgar de figurista, transfundindo em luz o flagrante de uma alma e a dolorosa realidade de uma vida em toda a sua visão de esteta novo. É uma constelação de ritmos que se tornaram tons e perspectiva...

Vejamo-lo e apreciemo-lo.

"Carta da terra", um quadro de grande dimensão e larga fatura, reproduz o interior de um lar, onde a família reunida ouve a leitura da missiva, vinda de Portugal, eco da pátria distante. Em conjunto, a impressão recebida se torna agradável. Em pormenor, detendo-se o nosso olhar em cada figura, cresce e caracteriza-se o mérito dessa composição vigorosa, embora deixe ainda alguma coisa para completá-la. Sendo forte, é o trabalho mais fraco pela exigência imposta pela sua desenvoltura, ou, talvez, porque o tema não encerre, por si mesmo, esse encanto e esse secreto e indefinível poder que envolvem as obras de arte, em que a vida e o mundo são beijados de mistério...

O "Retrato de Mme. A.R." é outro quadro de mérito, onde o seu pincel consegue fixar a sombra luminosa de uma alma, tocando-a da graça dos tons e colorindo-a por um suavíssimo sortilégio de exímio exegeta do mistério, que nimba cada face, pondo em cada fisionomia humana um enigma palpitante.

Vimos, depois o "Pastor", em que Oswaldo Teixeira vence as exigências da técnica, numa firmeza de toque magnífica, a exibir, naquele dorso nu, a beleza anatômica do corpo másculo, de rija carnação, modelado por um traço impecável, a dominar o primeiro plano, esgarçando-se, ao fundo, numa tonalidade fugitiva, em fluidez ambiente, um trecho ondulado de paisagem alpestre. Aquela soberba figura, colocada numa atitude assaz difícil, assoma em toda a sua força orgânica, parecendo obra de um mestre.

"Brindando" é uma tela animada pela jovialidade e dinâmica da cor. Um velho tipo senhoril de fidalgo ergue a taça finíssima e diáfano, contendo o vinho generoso, e tem nas feições radiantes de prazer báquico, a expressão feliz do entusiasmo, saudando alguém, na postura cavalheiresca de um nobre, como se o víssemos surgir de um quadro da escola flamenga. Segura um bandolim com a mão esquerda, descansando o instrumento sobre a mesa, onde um jarro de belo recorte, uma taça vazia, um cálice deitado e frutas - maças aveludadas de colorido e uvas de uma translucidez esmeralda - se espalham sob o alvo linho da toalha, aqui e ali, maculado pelo tom violáceo do vinho derramado. O chapéu de longas abas, quebrado ao meio, com um penacho de alvas plumas e o resto da indumentária ao sabor do tipo antigo, que revive, completam e aprimoram a execução desse lance pitoresco e galhardo.

Agora, uma paisagem esplêndida: o "Pescador". É uma tela vigorosamente titanista pelo colorido nervoso e forte, pela exuberância da claridade e pela crispação do mar que se desfaz cantando, a sugar o lábio branco das praias... A figura sadia e bronca de homem do mar, com os apetrechos de pesca, sentado sobre a areia cariciosa, ostenta a energia anímica da saúde e o dinamismo psicológico da esperança a mostrar no rosto castigado de sol, que um amplo chapéu desabado não protege de todo, um sorriso animalesco de gozo intenso e panteísta.

Que riqueza de tons, de movimento e de luz zenital, numa glorificação máxima do sol e do mar, que se confundem e integram, numa simbiose voluptuosa de gigantes!...

Depois desse espetáculo titânico e de um impressionismo tropical, Oswaldo Teixeira, com a magia de seu pincel, ora violento e impetuoso, ora sutil e evocador de êxtases e sonhos, nos dá o contraste em "Recordando", quadro emocional e ungido de espiritualidade e heroísmo, fundindo dois sentimentos opostos: a glória da espada e a exaltação simbólica da cruz. E esse vulto torturado e nostálgico do frade moço, que o pesado burel amortalha, surgindo o semblante sonhador e doloroso, com a auréola do misticismo, tem qualquer coisa de humano pelo sofrimento e de divino pelo calvário interior que se alça nesse olhar, onde a luz quase se faz lágrima... As mãos esguias e descarnadas, que se atraem pelo imã da angústia, afagando contra o peito o gládio, recordação e relíquia de um tempo extinto, - que renasce por um surto de saudade; essas mãos sofredoras e tentaculares, que se distendem como se acariciassem os lírios que se espiritualizam e lhe pungem o coração, desenham todo o martírio que exprime esse quadro esotérico e abismal. Onde exsurge o passado que relumbra e revive pelo prodígio da recordação...

O retrato, finalmente, do professor Petit [August Petit], de tamanho natural, saltando a figura do fundo negro, na sugestão ignota do claro-escuro, é magistral, uma obra rara no gênero tão vulgarizado e mercantilizado no Brasil, a lembrar aqueles prodigiosos retratos dos mestres da escola espanhola, mormente da arte estupenda de Goya, esse violador dos arcanos profundos da luz.

Oswaldo Teixeira, sem intenção e por um golpe de seu talento singularíssimo, retratou com um halo de inspiração, quem, no nosso meio, é o maior responsável pela calamidade do retrato a óleo, para gáudio da vaidade burguesa e delícia do academismo oficial, provando que a arte não pode ser um exercício da paciência e um negócio por atacado, mas a revelação de um espírito predestinado e eleito, o perfume da beleza que se desprende da flor de uma alma, ao ritmo e clarão da eternidade.

O venerável professor Petit, que envelheceu e se celebrizou na indústria rendosa dos retratos, passará a posteridade, paradoxalmente, famoso... pelo pincel robusto de Oswaldo Teixeira.

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Dar-lhe-ão o prêmio de viagem, este ano? Não podemos ter certeza. No Brasil, por uma inversão de valores e por carência lamentável de cultura, não é somente em política que os escândalos e as injustiças se perpetram impunemente, porquanto, no que concerne a estética, a mediocridade também triunfa, pela razão democrática do maior número.

Se o mérito valesse, se o talento fosse no nosso país uma condição de sucesso, Oswaldo Teixeira já teria não só realizado a sua viagem de recompensa, como teria também, dado a volta ao mundo.

A Escola de Belas Artes quase sempre concede o prêmio de viagem, como um passaporte para o outro mundo, aos verdadeiros artistas, e, como passeio gratuito, aos medíocres que desejam bocejar no Louvre e divertir-se em Montmarte.

Saul de Navarro

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NAVARRO, Saul de. A ARTE VIGOROSA DE O. TEIXEIRA. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 24 ago. 1924, p. 3.

Nelson Gonçalves Neto

aqui''' para obter uma lista de todos os artigos onde este artista é citado como expositor

Expositores
NETTO, Coelho. IMPRESSÃO DE ARTE. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 28 ago. 1921, p.4.

Fosse a Arte, como querem alguns, a simples imitação da natureza do que ela tem de exterior ou aparente e toda a obra dos mestres da pintura teria sossobrado no dia em que Niepce, valendo-se dos raios do sol, inventou a fotografia.

A cópia é um serviço.

O copista executa a obediência passiva com que um escravo cumpre uma tarefa, transportando, com mais ou menos cuidado e habilidade, o que se lhe põe ante os olhos.

Das faculdade uma só lhe é necessária e essa é, justamente, a da obediência - a atenção.

O que dá vida, beleza, eternidade à Arte não é o contorno, senão o que dentro dele lateja, como a mesma vida vibra na flor ou em um raio de sol.

Homens há que meditam longamente um discurso, esboçam-no, lançam-lhe as partes com as regras de retórica, joeiram escrupulosamente os termos, escolhem as imagens, pulem, repulem a frase e ainda lhe revêem trechos desbastando aqui, acrescentando além, repassam-no e tendo-o, enfim, por perfeito, decoram-no.

Fixado, que o tenham, na memória, passam a adorná-lo para o efeito da tribuna - é o gesto que ensaiam, é o olhar que acendem, é a voz que modulam, é a ênfase com que o levantam e, por último, o lanço dramático de peroração com que vão certos de prender e dominar o auditório.

Chega a hora da prova. Ei-los com a lição, dizem-na, ouvem-na todos atentos, mas frios, acham-na bem feita, aplaudem-na.

Eis, porém, que outro na assembleia se levanta, enérgico. Assume a tribuna, encara d'alto, o auditório, apruma o busto e, com entono de dominador, começa.

É uma indisciplina que dardeja raios.

Logo de entrada o seu poder impõe-se: não há fugir-lhe.

As palavras vivem como lavas que rebentam de um vulcão, explodem e alumiam, trazem em si mesmas a força e o fulgor; não são como brasas de forja que só levantam labaredas à força de sopradas.

Há nelas o que nas outras falta - alma, vigor; essa irradiação que se transmite, como a claridade, e que nos revela arcanos, que nos esclarece com esse prestígio intelectual que se chama - a sugestão.

O orador que recita é como o bufarinheiro que traz as suas preciosidades enfardeladas e as vai mostrando, uma a uma, todas ricas, formosas, mas com as etiquetas do fábrico.

O Improvisador, esse é como o gênio das lendas, espírito criador que, desde logo, surpreende pelos imprevistos.

Um requinta no bem fazer, sem preocupar-se com o que, em verdade, deve ser e é sempre o principal, a essência; outro faz como a natureza nas suas erupções - dá a vida, a força, a beleza tal qual é e isso é que o torna sobrenatural, destacando-o do comum dos homens, impondo-o como um criador.

Não é o timbre da palavra que comove e arrebata, mas o espírito da frase e esse espírito deve existir em tudo, ele é que é a eloquência que nos arremata na facundia do orador, que nos fascina nas telas, que nos fala das esculturas, que é a voz alta que rompe dos monumentos em expressão olímpica e voa nas ondas das sinfonias cantando como Ariel no Éter.

Pintar não é só dar cor a um contorno; esculpir não é apenas talhar a pedra ou plasmar o barro - e Deus assim nô-lo deixou demonstrado quando, depois de apolegar na terra a forma humana, nela infundiu em sopro de ânimo, o próprio espírito. O templo e a casa não se limitam ao chão e ao teto e a música só nos comove quando há nela poesia, que é alma.

O que se pede à Arte, que é sempre uma síntese de Beleza é o que na Beleza é a essência do divino - a vida, não no que ela tem de material, que é a representação, mas no que ela tem de expressivo, de imaterial, e que se transmite como a claridade - a sugestão.

Assim como a luz, ao abrir-se, mostra-nos na paisagem recantos de beleza, trechos admiráveis que a penumbra escondia, assim a sugestão desperta em nossa alma comoções de enlevo nunca sentidas e até opera prodígios provocando surtos de ideias, inspirando-nos pensamentos novos, arrombando-nos em sonhos e devaneios.

Esse prestígio maravilhoso que nos toca o sentimento fazendo […] que se nos comunica em simpatia, forte como o amor, que, de improviso, nos vence, é Arte, o mais não passa de imitação artificiosa. O que eu procuro em uma exposição, de pintura - por exemplo, não é a cópia inexpressiva do que tenho cá fora na própria natureza, mas a interpretação dessa mesma natureza, a sua poesia, essa misteriosa "alma das coisas" de que falou o poeta.

Razão tinha o moço ateniense em desdenhar do homem que imitava o rouxinol, alegando, com indiferença, "já haver ouvido o pássaro".

Certo, porém, outra seria a resposta do mancebo se o homem, em vez de anunciar-se como imitador prometesse, o que poderia fazer Siegfried, interpretar o canto da ave.

Lembrei-me deste caso na visita que fiz à exposição da Escola de Belas Artes, não aos velhos artistas, alguns dos quais ali figuram excelentemente, mas à contribuição com que concorreram os novos.

Deus do céu! É possível que a juventude desta terra tão cheia de luz, tão nova, ante a qual se extasiam todos os estrangeiros que a visitam e alguns até enamorados dos seus aspectos, nela se demorem tomando, às pressas, em sessões ao ar livre, flagrantes de luz, cortes de horizontes, carizes de céus, paisagens, tesouros apanhados como diamantes brutos à flor da terra que eles, mais tarde nos devolvem lapidados, só encontre banalidades para copiar?

Falta de sentimento ou de energia? indiferença ou incapacidade estética?

Não há ali uma sugestão, nada que nos fale à alma - cores, cores sobre lineamentos hesitantes e no fundo... o vazio.

Não atribuo a falta de talento, mas aquilo que alguém já disse, talvez com razão, ser mais do que o talento, ser "gênio" que é a força do querer, essa onipotência que se chama - vontade.

Porque não a hão de cultivar os meus jovens patrícios, aproveitando o modelo que Deus nos deu, maravilhoso em tudo, e pondo no que dele tirarem a poesia que todos nós temos n'alma e que o pincel traduz com tanta expressão como a pena? Não sei.

Francamente, se eu tivesse adivinhado que iria ver na exposição dos novos aqueles aspectos da nossa natureza, parodiaria o moço ateniense respondendo ao convite que me fizeram com estas palavras: "Já vi a natureza".

Cópias daquelas amesquinham o modelo e fazem a gente descrer do futuro...

Eu, enfim, sou um homem cheio de esperanças e, apesar de tudo, espero, e muito, dos jovens artistas da minha Terra.

Coelho Netto.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NETTO, Coelho. IMPRESSÃO DE ARTE. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 28 ago. 1921, p.4.

Newton Sá
Nicolao Antonio Facchinetti
Nicolas-Antoine Taunay
Nicolau del Negro
Nicolina Vaz de Assis
Nieta Gomes
Nina Santoro
NO SALÃO DE BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 24 ago. 1929, p. 1.

O PRÊMIO DE VIAGEM DE 1929

Dos concorrentes ao prêmio de viagem do Salão deste ano, dois candidatos se destacam com evidente nota: Calmon Barreto, na seção de medalhas, e Jordão de Oliveira, em pintura.

Calmon Barreto se assinala com préstimos fora do comum, principalmente pelo sentimento do modelado, pelo senso relativo das proporções, pelo delicado e robusto equilíbrio das massas, como também por uma visão aguda do pormenor.

Há mais de vinte anos que o professor Girardet, professor de gravura de medalhas e pedras preciosas, não nos apresenta um discípulo dotado como Calmon Barreto.

O retrato do Sr. Antonio Carlos foi sentido com vida particular às minúcias, dentro de uma compreensão geral do conjunto. Certas particularidades expressivas da fisionomia, olhos e boca, foram obtidas com finas intenções: o gravador como que, para marcar bem o caráter do perfil, modelou no plano, com significativas méplates. O gesso todo, aliás, revela certo poder de análise pouco comum entre os nossos retratistas.

Os medalhões de figuras nuas e vestidas atestam seu desembaraço de composição, harmonia de movimento.

Na gravura a buril - Hercules - o sentido das coisas poderosas, na miniatura, se anuncia de maneira inconfundível.

Naturalmente que o júri, como depois o Conselho Superior de Belas Artes, examinará com todo interesse uma das mais belas afirmações, destes últimos tempos, da sensibilidade e da arte brasileira.

Calmon Barreto chegou ao momento precioso da metamorfose estética: em meio mais amplo, às correntes de maior intensidade artística, sua jovem personalidade se desdobrará, e o país poderá inscrever um nome - uma vitória - no seu patrimônio artístico.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NO SALÃO DE BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 24 ago. 1929, p. 1.

NO SALÃO DE BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 26-27 ago. 1929, p. 1.

Não será conferida medalha de honra - O prêmio de viagem será à seção de gravura

Reúne-se hoje, às 15 horas, o Conselho Superior de Belas Artes, sob a presidência do Sr. Vianna do Castello.

Será a mais importante reunião deste ano, pois o conselho vai homologar as várias decisões dos diferentes júris.

Desde ontem que é grande a agitação nos meios artísticos, pois na reunião de hoje duas das mais importantes soluções serão tomadas.

Podemos adiantar, quanto à primeira, que o júri do salão deste ano resolveu não conferir a medalha de honra de 1929. Provavelmente semelhante decisão será aprovada pelo plenário do Conselho Superior.

Outra decisão também de real importância será a escolha do prêmio de viagem do salão deste ano.

Conforme já prevíramos, deverá o Sr. Calmon Barreto, aluno do professor Girardet, e de cujas reais qualidades já falamos, colher maior número de sufrágios, sendo assim eleito prêmio de viagem na seção de gravura, de medalhas e pedras preciosas.

Naturalmente que se o Conselho Superior de Belas Artes, como aliás se cogita, dispusesse já de dois prêmios anuais, as qualidades de Jordão de Oliveira o levariam a merecer a preferência dos membros daquela assembleia.

São, realmente, estes os dois jovens concorrentes que reúnem os mais apreciáveis dotes, na presente exposição geral de belas artes, para aquele prêmio.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NO SALÃO DE BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 26-27 ago. 1929, p. 1.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, 11-12 ago. 1930, p. 6.

O "SALÃO" DE 1930 - Para o vernissage da exposição, a 37ª da Escola Nacional de Belas Artes, abriram-se ontem as grandes salas da nossa academia de arte. Animador o ambiente, pela concorrência, pela alegria dos expositores, pela presença de homens de letras e pelo comparecimento de altas autoridades, tudo indicava o sentimento artístico dominante na vetusta escola e a esperança do êxito que domina os expositores. É uma esperança legítima que deve ser estimulada num país como o nosso onde a arte ainda não tomou o desenvolvimento que merece. De fato não deixa de ser comovedor e digno de admiração esse fogo sagrado que alimenta, através de todas as dificuldades e vicissitudes, a nossa gente, dedicada à arte, sem o necessário amparo dos poderes públicos, no meio da indiferença quase geral, que os nossos pintores, escultores, gravadores, arquitetos e toda a grande e sonhadora família do belo e da arte, vencem com estoica, galhardia, sem considerar os duros tempos e as dificuldades que lhes contrariam os surtos e as energias. É por isso que muito comove e causa admiração a esperançosa alegria, notada ontem entre os expositores sorridentes, pintores que retocavam os seus quadros, dando-lhes a última mão de verniz, escultores que procuravam as posições adequadas aos seus trabalhos e outros e outros, na contemplação carinhosa da sua "obra", em caminho da vitória...

E assim deixamos a Escola Nacional de Belas Artes depois de passar pelo salão nobre, onde se realizou uma tocante cerimônia em homenagem ao ilustre artista Sr. Rodolpho Bernardelli. Naquela dependência da Escola inaugurou-se um busto em bronze do velho professor, cujo elogio foi feito pelos Srs. Flexa Ribeiro num comovido improviso e Adalberto de Mattos pelo Conselho da Escola. Ambos os oradores traçaram um perfil feliz do escultor que tem dotado o Rio de Janeiro com os belos monumentos da sua autoria. Esta homenagem foi presidida pelo Sr. Ministro do Interior, estando também presentes os Srs. Senador Paulo de Frontin, Almirante José Carlos de Carvalho, Theodoreto do Nascimento, homens de letras, jornalistas, artistas e senhoras em profusão.

À entrada, como durante a inauguração do busto do Professor Bernardelli; - um magnífico trabalho do Professor Corrêa Lima - foi o homenageado alvo de manifestações diversas com palmas e flores.

A bela tarde de ontem encerrou-se com uma aplaudida conferência do nosso colega de imprensa, Sr. Agrippino Grieco, sobre o "Artista".

Hoje, às 14 horas, será inaugurado, oficialmente, o "Salão" de 1930, isto é, XXXVII Exposição Geral de Belas Artes.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, 11-12 ago. 1930, p. 6.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, 13 ago. 1930, p. 13.

O "SALÃO" DE 1930 - Está aberto à curiosidade pública e ao estudo dos que se interessam pela nossa vida artística, o "Salão" de 1930, designação mais ou menos francesa, que resume a XXXVII Exposição Geral de Belas Artes. Posto que menos abundante em trabalhos de pintura, em comparação com os últimos três anos, a exposição de agora não deixa de estar animada com alguns valores artísticos de mérito. Entre a gente que a ela comparece, nota-se o mesmo fogo sagrado, que as humanas esperanças alimentam entre sonhos de glória...

O número mais reduzido de trabalhos não indica, evidentemente, menor operosidade dos nossos artistas, ele se explica, de um lado pelas dificuldades materiais em que vivem esses grandes e abnegados sonhadores e, do outro lado, pelo critério adotado pela escola de evitar o congestionamento das paredes, para o que foi necessário pôr em prática certo rigor na aceitação das obras enviadas à exposição. Aproveitam, com a medida, os artistas e o público. Aqueles pela possibilidade que se lhes oferece de cuidar mais dos seus trabalhos, com o critério da qualidade e não do número, como sucede alguns artistas, aliás, de renome, em vias de degenerescência artística, e o público aproveita também pela maior facilidade que terá de ver tudo quanto se expõe, sem a confusão inevitável, determinada pela pletora das peças exibidas.

O ato inaugural do "Salão" teve o fatal aspecto das inaugurações oficiais: as autoridades superiores do Estado: - Presidente da República, ou seu representante; ministros, nas pessoas dos Srs. Vianna do Castello, Lyra Castro e Victor Konder; funcionários esperando suas excelências à porta, artistas em torno, jornalistas, flores e festões, muitas senhoras, música de bandas militares, animação geral.

Foi, no meio de um público numeroso que se acotovelava em visita aos trabalhos, sob a impressão dos comentários mais dispares, contraditórios e alguns de uma banalidade infeliz, que penetramos nas salas de exposição onde se alinham 223 trabalhos de pintura, 56 de escultura, 195 de gravura de medalhas e pedras preciosas, 18 de arquitetura, 6 de gravura e litografia e 40 de artes aplicadas.

Está visto que não é possível a ninguém, num espaço curtíssimo de tempo, e num meio de gente tão numerosa, que se entrecruza, dar uma impressão, ainda que geral, da exposição. Entretanto, o quanto é possível, em tais circunstâncias, ficaram-nos, da visita de ontem algumas impressões que aqui registramos à vol d'oiseau.

E foi assim que, obedecendo à ordem do Catálogo - por sinal que um catálogo muito bem organizado - deparam-se-nos a "Tarde de Sol" de Archimedes Dutra, bem iluminada; "Os Tarrafeiros", de Cadmo Fausto, candidato do Prêmio de Viagem, - trabalho bem lançado, cheio de movimento; e "Veronica", de Carlos Oswaldo. É sempre agradável ver os trabalhos do Sr. Carlos Oswaldo, cuja técnica e talento se reafirmam em todas as suas telas. A "Veronica", de sua autoria, é a própria dor, na expressão da figura em cujo olhar há como que um mundo de sofrimentos. Que tenalidade [sic] na figura, nos seus cabelos, nas sombras que as mãos projetam! É um inspirado, é um técnico, é um colorista. E, continuando a visita, encontramos o "Matinal" de Edgard Pareiras [sic], uma composição de grande vida, e encontramos também a "Manhã" de Francisco Manna, artista que reúne todas as qualidades de uma técnica perfeita em que se traduz o seu poder sugestivo, na sua luz, cheia de transparências magníficas, no "seu" céu vivido, na beleza de suas composições, na realidade das "suas" perspectivas. José dos Santos ilustra as paredes com três trabalhos de valor em que sobressaem "Igreja S. Francisco de Assis, de Ouro Preto" (interior e exterior) e vem Levino Fanzeres, com uma série de pequenas telas palpitantes de verdades brasileiras. Como concorrente ao Prêmio de Viagem, comparece também Manoel Faria, um dos mais trabalhadores dos nossos artistas. O seu "Pico do Andaraí" é uma tela sentida, rica no seu colorido da qual emana uma sinfonia de cores e valores técnicos que dão alto destaque à composição, cheia de luz e vida. Oswaldo Teixeira não é o mesmo gigante da pintura, prejudicado como anda pelo excesso de produtividade. O "Retrato da Sra. Karia Elckhoff" em que se sente, de passagem, o seu talento, não é, entretanto, a obra completa dos seus primeiros tempos. A posição difícil em que colocou o modelo, dando a perna esquerda uma posição prejudicial ao efeito do conjunto ou da harmonia do conjunto, provoca impressão de mal estar, pelo exagero do tamanho dessa mesma perna. Felizmente o "Retrato da Sra. E. J." vem afastar as restrições que a obra apressada do Sr. Oswaldo Teixeira sugere. No galgo, pela sua execução, na figura do modelo, pela expressão e nos detalhes, reafirmam-se, de novo, o artista em quem ainda repousam as esperanças, do nosso meio, de vê-lo na posição que conquistou com o seu talento e a sua técnica. Augusto Luiz de Freitas apresenta três pequenas telas em que transparecem o seu poder evocativo e as qualidades de observação, servindo pela sua técnica que lhe assegura o êxito de composições felizes, inspiradas, geralmente, em paisagens europeias.

Continuando a nossa peregrinação, encontramos o "Morro de Geribá", de Paula Fonseca. É um trabalho cheio de vida, de uma luz esplêndida, com um fundo rico de emoções pela verdade de suas tintas, pela sinfonia das cores, num conjunto de relevos soberbos. A nota faceta [sic], surge com os trabalhos de Raul Pederneiras, no "Morro da Glória", no "Cristo e a Adúltera" e na "Árvore de Natal". Este (caricatura a óleo) e uma tirada do espírito observador do nosso ilustre caricaturista, como é também o "Cristo". Mas a "Árvore de Natal" é uma feliz alusão aos indivíduos que vivem curvados ao peso das condecorações, tais como a planta simbólica verga ao peso de mil e uma bugigangas. Encontramos a seguir, a "Paisagem Carioca", de Príncipe Paulo Gagarin, que, a cada dia mais se aproxima da natureza brasileira, através do seu temperamento emotivo.

Com a maestria de sempre Sarah de Figueiredo apresenta três trabalhos, entre os quais o "Auto-retrato", mostra os magníficos recursos da técnica e da observação acurados da distinta artista. O patriotismo e a predileção do Sr. Theodoro Braga sugerem-lhe a tela "Anhanguera", inspirado na época seiscentista e na qual o artista, ainda que sem os arroubos dos trabalhos anteriores, dá mostras do seu poder evocador e da sua técnica.

A "Cabeça de Moça" do Sr. Orlando Teruz, que concorre ao Prêmio de Viagem, é um trabalho de alto valor, pela vida, pela técnica e pelos efeitos obtidos da pintura.

Retirou-se o cronista da última sala de pintura, em direção a de escultura... Era tarde. Apenas o tempo de repousar os olhos sobre a "Tentação" do Sr. Armando Braga que é o artista inspirado de sempre, de concepções arrojadas e dele passamos a contemplar com ternura, os "Meus desvelos", de Magalhães Corrêa, um mimo de graça e uma perfeição na execução.

A luz começava a faltar e a sala mergulhava em penumbra. Abandonamos o recinto onde voltaremos para a impressão do que vimos, e do que ainda não nos foi possível ver nos outros departamentos da arte. E falta tanta coisa...

Está visto que aqui se não alude aos velhos mestres, Parreiras [Antonio Parreiras], Visconte [sic] , Amoedo, que pelos seus nomes, bem dispensam as referências ligeiras que nos consideramos dispensados de emitir.

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OS PREMIADOS DE 1929 - Na tarde de ontem, depois da inauguração do "Salão", realizou-se, na Escola de Belas Artes, a cerimônia da entrega dos diplomas e medalhas aos expositores premiados no Salão de 1929.

O ato foi presidido pelo reitor da Universidade do Rio de Janeiro, Dr. Manoel Cicero, fazendo parte da mesa que dirigiu os trabalhos, o Professor Corrêa Lima, diretor da Escola de Belas Artes, o Comandante Braz Velloso, representante do Sr. Presidente da República, o Professor Pedro do Couto, diretor do Pedro II, e os membros do Conselho Supremo. O Sr. Flexa Ribeiro, fez ligeira alocução referente ao ato, saudando os alunos distinguidos.

Esteve presente à cerimônia seleta assistência.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, 13 ago. 1930, p. 13.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 ago. 1914, p.7.

XXI EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Realiza-se hoje, no Edifico da Escola Nacional de Belas-Artes, a inauguração da exposição Geral de Belas-Artes do corrente ano.

Efetuou-se ontem ali a cerimônia do vernissage, que foi muito concorrida.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 ago. 1914, p.7.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 ago. 1915, p.6.

XXII EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Com a presença do Sr. Presidente da República inaugura-se hoje, à 1 hora da tarde, a vigésima segunda Exposição Geral de Belas Artes.

Ontem efetuou-se ali a cerimônia usual do vernissage que esteve bastante concorrida de artistas, jornalistas e amadores, ultimando-se os preparos para a exposição como o geral do público a verá.

Apesar do estado incompleto em que ainda se achavam a ornamentação e arranjo geral, e da azáfama em que os expositores e os empregados da Escola se empenhavam porfiadamente para que tudo ficasse inteiramente preparado para a cerimônia de hoje, as pessoas que ontem tiveram a ventura de percorrer os dois salões da Exposição, de lá trouxeram profunda e grata impressão tanto do efeito do conjunto como particularmente de muitas das obras expostas, impressão que é de esperar se torne mais intensa e agradável com visitas repetidas.

Como de costume, a seção mais numerosa é a de pintura, na qual o catálogo acusa 182 números; a de escultura, se bem que menos numerosa apresenta o total de quarenta obras, quantidade respeitável em comparação com os anos anteriores; a de gravura e litogravura, apenas três trabalhos; e a de arquitetura, treze desenhos.

Isto é, um total de 264 obras expostas, que, para o nosso meio e as circunstâncias atuais representam um resultado muito satisfatório.

Na visita rápida e perfunctória que ontem ali fizemos, se não podemos colher elementos para externar uma opinião definitiva, as impressões que trouxemos, são, como já dissemos, as mais agradáveis possíveis, e aguçam o desejo de voltar repetidas vezes à Exposição.

Dos artistas mais velhos só o Sr. Aurelio de Figueiredo e o Sr. João Baptista da Costa expõem. Nem o Sr. Rodolpho Bernardelli, nem o Sr. Rodolpho Amoedo, nem o Sr. Henrique Bernardelli, nem o Sr. Elyseo Visconti mandaram trabalhos; mas, pode-se francamente dizer que esses ilustres artistas se acham brilhantemente representados com as obras de alguns dos seus discípulos.

A exposição este ano é dos artistas mais jovens, como os Srs. Corrêa Lima e Cunha e Mello na seção de escultura, e como a Sra. Sylvia Meyer, e os Srs. Henrique Cavalleiro, Eugenio Latour, Rodolpho Chambelland, Carlos Oswald, aos quais cumpre acrescentar outros até agora desconhecidos, como o Sr. Leopoldo Gottuzo.

O quadro que imediatamente chama a atenção é o retrato de Sua Eminência o Cardeal Arcoverde, pelo Sr. Aurelio de Figueiredo, pelo seu tamanho e pelo vivo escarlate das amplas vestes sacerdotais; impressiona agradável e surpreendentemente, um retrato pequeno de senhora, corpo inteiro, do jovem artista Henrique Cavalleiro, de tonalidade sóbria e harmônico de cor, e boa compreensão; dois quadros de figura, fatura larga, nervosa e fina, do Sr. Eugenio Latour; dois retratinhos de crianças, muito finos e simpáticos do Sr. Rodolpho Chambelland; os retratos, tão bem estudados e de boa fatura, da Sra. Sylvia Meyer; os dois quadros de figura da Sra. D. Georgina de Albuquerque; os quadros de figura, de uma fatura que tem seu que de original, do nosso jovem patrício Leopoldo Gottuzo, atualmente na Espanha; um quadro de figura de mulher deitada em um sofá, um busto bem pintado, com um braço em escorço muito bem feito, da Sra. Maria Pardos, etc.

As paisagens de João Baptista impõe-se sempre, e nesse campo o veterano artista Sr. Auguste Petit continua a produzir a impressão agradável com que nos surpreenderá na sua recente exposição.

Na seção de escultura, o jovem mestre Corrêa Lima tem um belo trabalho inspirado numa poesia de Machado de Assis, uma figura de mulher aflorando à puberdade, em que as formas começam a arredondar-se e a sexualizar-se , modelada com muita finura e recato, traduzindo com muita felicidade a delicada imagem do poeta.

Nesta seção notam-se ainda diversos trabalhos do jovem artista Cunha e Mello, entre os quais um projeto de estátua a Odorico Mendes; diversos trabalhos assaz interessantes de um artista argentino, Sr. Chalo: um mármore da Sr. Nicolina Pinto do Couto; bustos do Sr. Aurelio de Figueiredo, etc.

Na de gravura de medalhas há diversos trabalhos interessantes, que demandam exame mais aturado.

Não devemos também deixar de notar as águas fortes do Sr. Carlos Oswald.

Nesta rápida resenha dos trabalhos que ontem mais de pronto impressionaram, é natural que tenhamos passado por alto muitos que mereçam destaque. Mais de espaço voltaremos a tratar pormenorizadamente da exposição; mas, devemos desde já deixar aqui registrado o modo brilhante como a comissão diretora da Exposição soube desempenhar-se da sua tarefa.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 ago. 1915, p.6.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1902, p.2.

Exposição geral de Belas Artes - Inaugura-se hoje, à 1 hora da tarde, com a presença do Sr. Presidente da República, a exposição do corrente ano.

A cerimônia do vernissage que se realizou ontem, esteve muito concorrida de jornalistas, amadores e artistas, na sua maioria expositores, e a impressão que a exposição deixou no espírito de todos é que é a melhor de quantas se tem realizado nos últimos dez anos. Tanto pelo número como pela qualidade das obras expostas, a exposição surpreende. A primeira impressão do visitante é que o ano foi de intenso trabalho e que, a despeito de ser ainda contrário o meio, não arrefecem, com pequenas exceções, o ardor e o entusiasmo dos artistas. Em todas as seções há trabalhos dignos de nota e do mais aturado exame, e em uma pequena notícia da rápida visita que ontem fizemos não podemos dar conta minuciosa de tudo quanto há ali merecedor de destaque. Entretanto, desde já chamaremos a atenção para aquilo que mais fundo nos atraiu.

Na seção de pintura que é a mais numerosa, notam-se logo duas correntes em contraste frisante uma com a outra; é a dos artistas mais velhos, pintando em moldes estabelecidos e que já têm foros de cidade, e a dos modernos, ambiciosos de novos ideais, que lutam por formas independentes e novas. Nem sempre os primeiros se contentam em se deixar ficar no terreno sólido e seguro onde adquiriram os seus louros, e os segundos, nos seus esforços de novos tentames, voltam também aos recursos adotados por aqueles, e então dá-se como um ponto de contato. As correntes existem, porém, e é isso o que dá um certo caráter definido à presente exposição.

No primeiro grupo, podem-se por os Srs. Henrique Bernardelli, Thomas Driendl, Amoedo, Aurelio de Figueiredo, Angelo Agostini, Brocos, etc., e no segundo, os Srs. Elyseo Visconti, na primeira [...], e os Srs. Malagutti, Helios Seelinger, Diana Dampf e também os Srs. Latour e Lucilio.

Mais de espaço, frisaremos profundamente esta nota; por hoje, nos limitaremos tão somente a salientar os trabalhos que mais prenderam a nossa atenção.

Dominam na Exposição os quadros de figura, e entre estes os retratos. O Sr. Henrique Bernardelli tem um grupo numeroso de excelentes retratos, em busto todos, em que revela a sua sólida técnica, larga e segura; o Sr. Thomaz Driendl expõe um retrato, corpo inteiro, do Sr. Dr. Joaquim Murtinho, que é uma magnífica interpretação de caráter: o Sr. Visconti, mandou uma série de retratos, notáveis pela maneira original de apresentação e de fatura; há mais dois bons retratos, corpo inteiro, do falecido General Osório, pelo Sr. Aurelio de Figueiredo, e do Sr. Daniel Duran, pelo Sr. Modesto Brocos, e um retrato de senhora, pelo Sr. Macedo, pensionista da Escola na Europa. O Sr. Amoedo tem também um pequeno e fino retrato de senhora, e o Sr. Malagutti um retrato de senhora, feito com certa originalidade.

Nos quadros de figuras domina o Sr. Visconti com o seu esplendido S. Sebastião, com as Oreadas, com a sua Gioventú, com o delicioso Beijo, e outros. O Sr. Amoedo expõe também um S. João o Precursor. Convém citar também o [sic] estudos do Sr. Helios Seelinger no gênero de Hans Thoma; e uma harmoniosa figura de mulher de intenção simbólica, de Henrique Bernardelli.

Na paisagem, ocupa facilmente o primeiro lugar o Sr. Souza Pinto com dois magníficos quadros, um de paisagem, e outro de marinha, uma vista do porto, admirável de simplicidade e finura de efeito. Seguem-se os Sr. João Baptista, com três excelentes estudos; Sr. Henrique Bernardelli, com impressões justas e sólidas da localidade pitoresca de Minas; Sr. Gustavo Dall'Ara com dois estudos feitos no Engenho Novo, um dos quais é vibrante de luz e de ar; as luminosas aquarelas do Sr. Treidler, e os interessantes estudos a óleo e a guache de Sr. Pacheco.

Há também uns quadros de gênero de Wenigartner [sic], do Sr. Driendl, e do Sr. Raphael Frederico.

Na seção de escultura, o único expositor é o Sr. Corrêa Lima, o talentoso e jovem pensionista da escola, que acaba de voltar de Roma. Tem quatro pequenos trabalhos em bronze, um pequeno busto e uma figurinha em gesso, um busto em mármore ainda não acabado, e um grupo em gesso, para ser passado para mármore. Em todos esses trabalhos, de que mais de espaço falaremos detalhadamente, o jovem artista mostrou o grande aproveitamento que tirou dos dois anos que passou na Europa. É de lastimar que a colocação do último grupo não permita que ele seja vantajosamente examinado.

Nesta mesma sala, mais uma vez chama a atenção o Sr. Visconti, com os seus bem lançados desenhos do nu, e a variada e característica série de desenhos de artes decorativa e aplicada.

Na mesma sala notam-se ainda os belos medalhões em gesso e as gravuras sobre pedras do Sr. Girardet, magnífico auto-retrato à pena do Sr. Valle [Antonio Alves do Valle de Souza Pinto]; os retratos a água-forte do Sr. Brocos, e as xilografias do Sr. Cattaneo.

Voltaremos novamente à exposição, e então repararemos as omissões que forçosamente cometemos, como não podia deixar de acontecer em uma primeira e rápida visita.

A impressão geral é, porém, incontestavelmente magnífica, e a exposição merece ser visitada.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1902, p.2.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1903, p.2.

Inaugura-se hoje com a presença do Sr. Presidente da República a Exposição Geral de Belas Artes.

Ontem, ao vernissage compareceram muitas pessoas, notando-se senhoras, literatos, amadores, artistas e jornalistas.

A exposição deste ano não é tão grande nem tão boa como a do ano passado, mas é melhor do que muitas dos anos anteriores a 1902 e contém, no pouco número de trabalhos verdadeiramente bons, alguns de primeira ordem e que farão figura notável em qualquer certame desses.

O quadro que pelas suas proporções, assunto e execução é o que domina a Exposição, é o intitulado Bohemia, de Helios Seelinger, um moço brasileiro que da Alemanha nos voltou há cerca de dois anos, impondo-se logo como um artista de talento, de sólida técnica e originalidade de inventiva.

Naturalmente, teremos que voltar mais tarde a esse seu quadro, nem a presente notícia pode ser outra coisa senão uma rápida enumeração dos trabalhos que nos impressionarão em uma primeira e não demorada visita.

Henrique Bernardelli tem uma exposição muito numerosa e muito variada, mas bastaria o seu pequeno retrato de uma senhora sentada, uma sinfonia em escuro, uma obra prima de execução, para manter o lugar eminente que ocupa entre os nossos artistas.

Do Sr. Amoedo há um bom retrato do Sr. Souza lobo e um pequeno retrato de uma formosa e jovem senhora, feito com o cuidado e a arte que lhe são peculiares.

O Sr. Brocos tem umas boas paisagens e águas fortes excelentes, sobressaindo o retrato do Imperador D. Pedro II.

O Sr. Visconti expõe uma vigorosa cabeça de cristo, um excelente estudo do nu, um belo retrato e uma paisagem que impressiona muito bem; mas onde o Sr. Visconti faz uma excepcional figura, confirmando a nota do fino artista que é, e a sua versatilidade, é com a exposição de seus trabalhos de cerâmica, de uma impressão tão fina, de uma tão delicada e tão original concepção e fatura. Será pena que essa tentativa que logo no seu primeiro início deu resultados tão primorosos, não passe dessa fase e não seja o núcleo de uma indústria para a qual possuímos os melhores elementos e que os objetos expostos mostram poder ter o cunho de originalidade nacional.

João Baptista, o nosso paisagista tão nacional, tem duas paisagens belíssimas, com aquele sentimento tão verdadeiro da nossa natureza. Na paisagem tem também Gustavo Dall'Ara um quadro pintado com a sinceridade a que nos acostumou.

Podemos ainda notar o quadro Daphinis [sic] e Cloé, do Sr. Ed. Bevilacqua, um jovem aluno da escola, que se apresenta revelando muito talento e fazendo honra aos mestres; as duas paisagens enviadas de Paris, por Eugenio Latour, tão boas de impressão, acusando já progresso e já nos desvendando o que ganhará esse estudioso artista na sua estadia na Europa; os dois trabalhos do Sr. Macedo, outro pensionista que acaba de chegar de Paris e que nos promete para breve uma exposição exclusiva de trabalhos seus; os trabalhos do Sr. Evencio e do Sr. Lucilio; os interessantes quadrinhos de gênero do Sr. Raphael Frederico; alguns trabalhos do Sr. Fiuza e um pequeno retrato e uns Chrysonthemus de Mlle. Del-Vecchio, uma talentosa discípula do Sr. Petit, o qual, como sempre, enviou numerosos trabalhos com o caráter conhecido da sua pintura.

A Exposição está cheia de aquarelas, muitas boas, e entre estas chamam logo a atenção as das duas irmãs Mlles Cunha Vascos [sic] [Anna da Cunha Vasco e Maria da Cunha Vasco], as talentosas discípulas de Benno Treidler de quem aprenderam a técnica brilhante e que já vão dando uma nota tão pessoal.

No salão de pintura há ainda uns quadros de uns artistas franceses, que chamam a atenção pela nota impossionista [sic] levada á outrance, mas que afirmam incontestáveis e seguros conhecimentos técnicos.

Na seção de escultura, um magnífico trabalho de Rodolpho Bernardelli, o busto de bronze do Dr. Brissay. E na de arquitetura, o modelo em gesso do projeto planejado pelo Sr. Morales de los Rios, para transformar a atual praça da Glória em Escola de Belas-Artes. Essa maquette, se assim se pode dizer, é de belo efeito, e revela todo o empenho e todos os conhecimentos arquitetônicos do seu autor, e com certeza há de agradar muito.

Mais de espaço voltaremos a tratar mais por miúdo da Exposição, e então corrigiremos as lacunas sempre inerentes à rápida e perfunctória visita.

O visitante deve também entrar na sala oposta à da Exposição e examinar os objetos ali reunidos, que são os adquiridos o ano passado pelo Governo para a nossa galeria de belas-artes, aí terá ocasião de apreciar, além de magníficos trabalhos de pintura, tanto de artistas nacionais como estrangeiros, muitos objetos que se não pensaria existirem entre nós e que constituem importantes elementos de educação artística.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1903, p.2.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1904, p.2.

Exposição Geral de Belas-Artes - Hoje, ao meio dia, inaugurar-se-á a exposição geral de Belas-Artes do corrente ano.

Realizou-se ontem ali a cerimônia do vernissage que foi muito concorrida, notando-se muitas senhoras e representantes de quase todas as classes da sociedade.
A exposição deste ano contém grande número de trabalhos na seção de pintura, em que aparecem alguns nomes novos; nada menos de 224 telas ali figuram, entre as quais é bastante regular a porcentagem dos de merecimento.

Da visita rápida que ontem ali fizemos, pudemos notar os seguintes quadros que nos chamaram a atenção; cinco admiráveis retratos, por Henrique Bernardelli, entre os quais avulta o de Arthur Napoleão, fadado talvez a ser o clou da exposição; oito belas paisagens de João Baptista, em que o distinto artista parece estar tendendo para tornar mais clara a sua cor; dois trabalhos de Rodolpho Amoedo, um a óleo de ovo e um retrato a encáustica; um bom quadro de gênero, de M. Brocos; alguns sólidos estudos de cabeça e finas aquarelas de Elyseu Visconti; aquarelas e uma vibrante paisagem a óleo, de Benno Freidler [sic]; um quadro de gênero e paisagem, de Teixeira da Rocha; aquarelas da senhorita Cunha Vasco; quadros de Pacheco; uma paisagem de G. Dall'Ara e trabalhos de Angelo Agostini.

É grande este ano a concorrência dos artistas novos, e se os trabalhos por eles expostos não são isentos de senões, a maior parte revela, a par de incontestável talento, grande aplicação e vontade de progredir. Assim podemos dizer de Eduardo Bevilacqua, que já o ano passado se fizera notar; Rodolpho Chambelland, que tem coisas bem interessantes e um grande quadro de composição, com bastantes qualidades; Evencio Nunes, J. Fiuza, Raphael Frederico, Antonio Luiz de Freitas [sic], Lucilio de Albuquerque, Joaquim Fernandes Machado, que nos chega da Europa com um trabalho muito numeroso; Heitor Malagutti, que apenas concorre com um esboço nu, em que se trai a nota literária da sua arte; Carlos Oswaldo, cujo nome aparece pela primeira vez no Catálogo, mas de modo brilhante; Helios Seelinger, que expõe numerosos trabalhos em que destaca a sua nota pessoal, e outros cujos nomes não nos lembram agora.

Entre os trabalhos de senhoras que expõem, nota-se um interior de igreja e outros trabalhos de D. Eulalia do Nascimento e Silva; naturezas mortas, de D. Sarah Del-Vecchio e desenhos de D. Juliette Wencelins.

A seção de arquitetura contém trabalhos dos conhecidos arquitetos René Barba e Morales de los Rios e de Sr. Aluisio Carlos de Almeida Stahlembrecher, um aluno da Escola Nacional de Belas-Artes, que apresenta belos resultados dos seus estudos.
Na de escultura, encontram-se um bom busto em bronze de Rodolpho Bernardelli; um trabalho em gesso, de Corrêa Lima; bustos em gesso de Amadeu Zani; e na de gravura de medalhas, modelos em gesso de diversas medalhas, por Augusto Girardet, e um baixo relevo em bronze, Sacra Família, de A. Zani.

Voltaremos a tratar da Exposição em subsequente notícia.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1904, p.2.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1905, p. 3.

Exposição Geral de Belas Artes - Na Escola de Belas Artes realizou-se ontem a cerimônia do vernissage com regular concorrência de artistas, homens de letras, jornalistas e algumas famílias.

Essa cerimônia não se tornou ainda aqui a reunião da moda, como o vernissage dos Salões parisienses, ou o "private view day" da "Royal Academy" em Londres, em que o escol das sociedades parisiense e londrina comparece todo como a um rendez-vous obrigatório, onde a gente que se tem na conta de fina e educada, que tem posição saliente na sociedade por uma ou outra razão gosta de ser vista; e onde as senhoras vão rivalizar, pelas suas graças naturais e por lindas toilettes, com as produções dos artistas no apelo à atenção e ao apreço dos homens.

É, infelizmente, ainda bem limitado o número dos que acham que vale a pena ocupar algumas horas na contemplação de quadros e outros objetos congêneres, e que tem a curiosidade de se certificar sem demora da atividade e da produção dos artistas durante o ano que mediou entre a última e a nova exposição. Isso é uma questão de educação artística, e só a repetição e a frequência dessas exposições poderão trazer modificação de hábitos nesse sentido.

Entretanto, a exposição que hoje se inaugura tem elementos para bem recompensar a quem a visitar.

A impressão geral que se tem ao percorrer a sala onde estão concentrados os trabalhos de pintura, é que o seu nível se elevou sensivelmente e que, se pouco numerosos são os trabalhos de grande composição, e muito menos as grandes máquinas, há, em compensação, uma grande variedade de quadros pequenos, interessantíssimos pelo assunto e pela maneira como são tratados.

É bem de ver que, numa primeira visita, é difícil concentrar a atenção em um dado quadro e analisar-lhe imediatamente todas as suas qualidades mais sutis, em uma aglomeração de pinturas de todo o gênero. A vista passa de um para o outro quadro sem parar.

Entretanto, não há negar que muitas obras, por efeito de qualidades próprias de técnica ou de motivo, prendem a nossa atenção e impressionam imediatamente. É o resultado dessa primeira e rápida impressão que procuramos dar aqui, citando alguns dos quadros expostos, sem pretender, de modo algum, decidir por alguns momentos de observação do merecimento de trabalhos que tomaram aos artistas muitos dias e talvez meses para pintar.

Empolgou-nos de pronto o espírito um esplêndido retrato da escultora nacional D. Nicolina de Assis por Elyseu Visconti. A retratada está de pé, envolvida em fourrures, com um chapéu de veludo preto, quase de perfil, com uma mão sobre a cintura e a outra caída ao longo do corpo. Extremamente harmônico de entonação, a cabeça de um modelado muito fino se destaca cheia de expressão e com relevo do fundo, respirando todo o quadro uma técnica a um tempo sóbria e magistral e profundo sentimento. Afigura-se-nos que esse retrato vai ser o trabalho mais admirado do Salão de 1905.

Henrique Bernardelli, o mestre da técnica, expõe três excelentes retratos, o do Sr. Machado de Assis, sereno, sentado visto meio perfil do fundo escuro e rico; o retrato sentado do Sr. Dr. J. C. Rodrigues, esboço para o quadro em tamanho natural que o artista vai pintar para a Associação Comercial, e o retrato do Sr. Dr. Ubaldino do Amaral, corpo inteiro, sentado em uma grande cadeira de alto espaldar de couro, fundo magnífico do qual a vigorosa cabeça do retratado, vibrante de caráter se destaca com singular relevo.

Com uma numerosa e variada exposição de quadros, quase todos de figura, toma por assim dizer de assalto ao visitante o ex-aluno da nossa Escola, o Sr. Eugenio Latour, prêmio de viagem da Exposição. Nos dois anos que tem passado na Europa, trabalhou muito e progrediu muito, como o poderá ver quem examinar os trabalhos que ele de lá enviou. Já havia revelado aqui um fino temperamento de artista de grande sentimento, e agora nos mostra um pintor de uma técnica segura e delicada, de bom desenho, uma palheta limpa, de belos efeitos de luz, e em quem a permanência em um meio italiano não fez perder a nota característica que herdara talvez de sua ascendência francesa. Dos seus trabalhos, que não podemos agora especializar todos, destacam-se à primeira vista: um grande quadro de composição, um interior de família flagelado pela praga da embriaguez, pintado com muita felicidade de efeito, pela postura dos personagens, pela sua expressão vigorosa e pela harmonia do seu conjunto; um interessante quadro de gênero, um velho pregando em suas próprias calças um botão indispensável e três jovens e sadias raparigas lendo alegremente uma carta, no meio de uma bela paisagem intensamente iluminada [Imagem].

João Baptista expõe três magníficas paisagens, um efeito de madrugada, de sentimento poético, e um sem número de notas, em que, como sempre, esse fino e individual artista traduz com verdadeiro sentimento a nossa natureza. Com mais vagar voltaremos a falar dos seus trabalhos, como sempre dos mais apreciados das nossas exposições.

Weingartner tem alguns dos seus interessantes quadros neo-pagãos, pintados na sua maneira conhecida.

O pintor paulista De Servi expõe uns vigorosos estudos de cabeça, que revelam artista distinto.

Brocos tem um retrato de senhora, sólido e bem construído, e uma boa paisagem.

Treidler, a par de suas inconfundíveis aquarelas, um quadro a óleo, uma paisagem cheia de luz, e horizonte.

Rodolpho Chambelland, o jovem artista que nestes últimos anos tão bela figura tem feito nos Salões, expõe um quadro de efeito e de boas qualidades, uma bacanal ao ar livre, um grupo de "borrachos" entregando-se a libações ao ar livre, tendo por fundo uma paisagem de grande perspectiva e vibrante de sol [Imagem]. As figuras têm corpo e movimento, e o quadro tem o sentimento próprio, e trai o espírito audaz do talentoso artista, em cujo futuro parece que há motivos para se confiar.

Gustavo Dall'Ara tem duas vistas de pontos desta cidade, tiradas do mar, com qualidades de colorista.

Há muitos nomes novos na Exposição, como, por exemplo: A. Fernandes, um artista espanhol, muito amaneirado, que expõe quadros de gênero e paisagens, que têm valor; Carlos de Azevedo, um jovem artista do Pará, que mandou dois quadros com bom desenho e qualidades, e uma palheta um poco suja, que naturalmente há de se tornar mais clara; Vuagnat, que expõe um quadro com uns bois bem pintados em uma paisagem um tanto incolor; Eugène Morand, um quadro de uma entonação, suave e cinzenta, de motivo antigo e de um artista cujo nome não podemos distinguir [Guillomet], um interessantíssimo quadro impressionista, de sobriedade de fatura, e de fino colorido, representando uma cerimônia religiosa ao ar livre.

As Senhoritas Cunha Vasco [Anna da Cunha Vasco e Maria da Cunha Vasco], as talentosas amadoras que já adquiriram direito de cidade na comunhão artística, expõem belas aquarelas com vistas de Copacabana e a Senhorita Del Veccio [sic] [Sarah Del Vecchio], o retrato de seu pai, muito semelhante, e uns agradáveis estudos de paisagem, em que já se vai revelando a boa influência do seu mestre nesta especialidade, o Sr. João Baptista.

Do Sr. Eduardo Bevilacqua, outro inteligente discípulo da escola que já em anteriores exposições se fizera notar, há dois quadros grandes, um retrato de seu pai ao piano, e um grande quadro de assunto bíblico; o Sr. Lucilio tem um interessante pastel, uma risonha carinha de criança e o Sr. Thimotheo da Costa [João Timotheo da Costa], outro aluno da escola, um retrato de tamanho natural, feito a fusain.

A. Luiz de Freitas, que há pouco fez uma interessante exposição na praça do Coméercio, tem paisagens com os efeitos de luz que o distinguem.

O Sr. Angelo Agostini expõe um pequeno quadro representando uma caçada e o Sr. August Petit, retratos, quadros de gênero, e um nu, tamanho natural, na sua maneira conhecida [Imagem].

Dá uma nota nova e atraente à exposição a reunião dos desenhos de Raul Pederneiras, de um fino "humour" uns e outros com delicada intenção simbolística.

Na seção de escultura propriamente dita, não há nenhum trabalho exposto; esta seção este ano foi representada fora da escola, com as duas novas e admiráveis estátuas de Carlos Gomes e Teixeira de Freitas, da lavra de Rodolpho Bernardelli.

Na seção de arquitetura, desenhos do arquiteto Victor Dubugras, e na seção de arte aplicada, trabalhos em couro lavrado e de decoração em porcelana e de móveis de Mlle. Brandt, que merecem ser examinados, e trabalhos em couro repoussé e pintado, de Mlle. Mary Hirsch, de variedades e atraentes aplicações artísticas e feitos com muita habilidade e gosto.

As especialidades exercidas por essas duas senhoras são das que mais se prestam a ser cultivadas pelas amadoras, que podem facilmente assenhorear-se da sua técnica e nelas encontrarem elementos para dar expressão ao seu gosto artístico em uma infinidade de objetos decorativos.

Nesta seção devemos também mencionar os trabalhos de talha em madeira e de móveis do Liceu de Artes e Ofícios de S. Paulo.

E last but not least, a variada e numerosa coleção dos primorosos trabalhos do grande artista que é esse modesto operário que se chama Augusto Girardet.

A medalha, essa arte tão fina e tão delicada em que se notabilizaram os artistas do Renascimento e que atingiu, pode-se dizer, ao seu apogeu na França contemporânea com Chaplain, Dubois, Dupuis, Ponscarme, Charpentier e outros, sobressaindo entre eles o grande Rotz, ainda é pouco compreendida entre nós, sendo os poucos colecionadores de medalhas que possuímos, levados a isso mais pela mania da coleção de que pelo amor e pelo prazer, proveniente da apreciação do seu valor artístico. Por isso é que a obra de Augusto Girardet não tem ainda recebido toda a consideração a que faz jus tão consciencioso e hábil artista. A medalha não é, como muita gente pensa, um medalhão em miniatura, porém, uma obra artística em que, para atingir a perfeição desejada o artista tem de tirar os seus efeitos do uso dos planos, com tal delicadeza e segurança que o seu relevo seja pouco saliente.

De tamanho diminuto e de forma bela e delicada, a medalha perpétua, em uma matéria imperecível, a memória de grandes homens e de grandes acontecimentos.

Quer na medalha propriamente, quer no medalhão ou na plaquette, ou nos seus admiráveis trabalhos de gravura em pedras preciosas, as obras de Augusto Girardet apresentam, a par de grande perfeição técnica, inventiva e grande encanto.

Com os seus projetos de medalha com os bustos dos presidentes da República, o Sr. Augusto Girardet pretende elevar um panteão à memória dos que estão servindo a República nesse alto cargo, à guisa do que se tem feito em França.

Com recordação do Salão deste ano, que é realmente superior aos anteriores, o Sr. Girardet gravou uma medalhinha que é uma joia artística.

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A inauguração oficial da Exposição realizar-se-á hoje, à 1 hora da tarde com a presença do Sr. Presidente da República e do Sr. Ministro do Interior.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1905, p. 3.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1906, p. 3.

Exposição geral de Belas Artes - Inaugura-se hoje, ao meio-dia, a 13ª exposição geral de belas artes, com a presença do Sr. Presidente da República.

Ontem, com de costume, realizou-se ali a cerimônia do vernissage a que compareceram o Sr. Ministro do Interior e sua esposa, muitas senhoras e inúmeras pessoas, principalmente artistas, jornalistas e homens de letras.

A exposição deste anos [sic] é difícil de se caracterizar, embora não deixe de conter muitos elementos que hão de torná-la bastante interessante.

A nota que fere logo aos que tem sido frequentadores habituais destas exposições, é a abstenção quase absoluta dos artistas mais maduros: nem o Sr. Henrique Bernardelli, nem o Sr. Rodolpho Amoedo, que sempre, enquanto faziam parte do Corpo Docente da escola, se mantiveram na estacada, sendo anualmente representados por trabalhos de certo fôlego, este ano enviaram sequer um pequeno cartão de visita.

Seria longa a lista dos absenteístas. Dos atuais lentes da Escola o único que comparece e com uma exposição valiosa tanto pelo número como pela quantidade é o Sr. João Baptista da Costa; a sua eleição foi, porém, tão recente, que de modo algum pode ter tido grande influência na sua representação. Elyseo Visconti, que também tem sido nos últimos anos um expositor constante e valioso pela qualidade e quantidade das suas telas, nada mandou, ocupado como naturalmente se acha em Paris, com a elaboração das pinturas murais e do pano de boca para o Teatro Municipal. É pena que não pudesse se fazer representar pelos quadros com que entrou ao Salão este ano, e dos quais nos contam maravilhas patrícios nossos que tiveram a fortuna de os ver ali.

Causa também impressão ao visitante a grande quantidade de quadros de artistas estrangeiros, que seria fato realmente lisonjeiro para nós, se houvessem sido enviados pelos seus autores, em vez de serem, como realmente são, expostos pelos seus possuidores, que os adquiriram fora do país.

Em todo caso, como são, na maioria, trabalhos de merecimento, de artistas quase todos de nomes feitos na Europa, não há negar o valioso serviço educador que prestam tanto ao público como aos próprios artistas, com a sua presença ali.

Dos nossos artistas, há um grupo regular de expositores constantes:

Os Srs. Brocos, Treidler, Rafael Frederico, Gustavo Dall'ara, A. Petit, A. Delpins [sic], etc.

E estes lá estão todos representados com meia dúzia de notas bem típicas.

A feição mais característica da exposição este ano, a que constitui o seu lado mais simpático e a que há de torná-la memorável, é a figura que nela fazem os jovens artistas, aqueles que apenas agora começam a aparecer, alguns dos quais surgem até pela primeira vez este ano.

Parece que abstenção dos professores se explica na brilhante amostra dos esforços dos novos, como querendo aqueles serem representados de preferência pelos resultados do seu ensinamento que pelos esforços próprios.

Os trabalhos expostos acusam intenções artísticas de ordem séria; desapareceram quase totalmente os quadros de natureza morta mais ou menos mal pintados, e em seu lugar vemos trabalhos de figura e de paisagem, em que se acusam o esforço aturado, o estudo consciencioso do natural, a procura da correção do desenho e da técnica. E tudo isso, se não constitui ainda realidade indiscutível, dá as mais risonhas e esperançosas promessas de mais uma boa meia dúzia de artistas distintos que virão honrar a arte brasileira.

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Na Exposição atual, o quadro que ocupa o lugar de honra e mais saliência tem, é essa esplêndida paisagem de Malhôa, denominada As Cócegas, que o Governo em boa hora adquiriu para a nossa pinacoteca.

De Malhôa ainda se podem ver na Exposição os quadros: Soalheira, o 7º Não furtar ... as uvas do Sr. Reitor e as Cebolas, a Compra de votos - que fizeram parte da sua recente exposição no Gabinete Português de Leitura, onde foram muito admirados.

Tratamos então minuciosamente de cada um desses quadros, e agora só nos resta felicitar o público por ter ainda ocasião de apreciar os trabalhos de um pintor que é um mestre moderno na mais lata acepção da frase.

João Baptista, que, guardadas as diferenças que caracterizam as artes tão individuais dos dois artistas, se pode dizer é o nosso Malhôa, pois que é o artista que pinta com mais cunho nosso a nossa natureza, tem meia dúzia de paisagens esplêndidas, quase todas de temas tirados da Copacabana,. João Baptista não é propriamente dito um colorista no sentido de se deixar dominar pelas cores brilhantes e luminosas da natureza. É um melancólico, e ainda nos seus quadros mais cheios de luz, se trai essa feição do seu temperamento. Os verdes, porém, da nossa paisagem, as horas em que a luz do Sol menos dominador se mostra, os cambiantes de cinzento, ele pinta tudo isso com um pincel mágico como um artista em quem a exteriorização, isto é, a faculdade de exprimir a impressão e a sensação que lhe produzem as cenas da natureza, é extraordinariamente exata e reveladora da fina vibratilidade do temperamento do artista.

Da sua técnica, já nada há mais a dizer, e quando os seus temas se coadunam em perfeita harmonia com as suas preferências e simpatias pessoais, como parece haver-se dado com alguns dos seus menores quadros, a execução é impecável, fazendo verdadeiras joias. O seu quadro de maior fôlego na exposição, uma paisagem do Leme [Imagem], com figuras, no primeiro plano, um trecho d'água em que nadam gansos no intermédio, e rochedos e verdura no fundo, não nos impressiona tão satisfatoriamente, apesar da sua vigorosa fatura. Todo o fundo é magnificamente pintado; mas, parece-nos que falta no primeiro plano intermédio nas figuras e nos gansos algo que não podemos precisar, mas que não nos deixa fruir em toda a plenitude o encanto do quadro.

Benno Treidler tem uma grande aquarela, cheia de cor, em que seu modo largo de manchar dá o efeito geral da paisagem, numa impressão generalizada, com o ambiente atmosférico criado pelas ondulações de luz. Tem também um bom auto-retrato, feito em traços largos, mas com bastante caráter.

Belmiro, que há muito anos não expunha, tem um pequeno quadro de gênero cômico, de grande finura de desenho, cheio de vitalidade, e cujo tom grotesco se funda na natureza. Consta-nos que existem dois trabalhos seus de maior fôlego, mas que não podem ser já pendurados por se acharem ainda na Alfândega.

Brocos mandou um retrato, uma marinha a óleo, e uma água forte; gostamos mais desta última. É o retrato do Sr. J. J. Seabra, um bom retrato como semelhança e uma excelente obra como trabalho de arte. Consta-nos que foi mandado fazer para a galeria dos titulares da pasta do Interior e Justiça, e constitui um exemplo digno de louvor, não só por ser a água forte um processo muito mais artístico do que a fotografia, como também mais duradouro.

Aqui podemos também incluir os excelentes quadrinhos do Sr. Rosalvo Ribeiro, porque, se é um novo expositor, não é precisamente um novo. Rosalvo Ribeiro estudou em Paris com Raphael Collin e, se não nos enganarmos com Detaille e expôs frequentes vezes no Salon, principalmente quadros de assuntos militares, que tiveram referências elogiosas na imprensa parisiense.

De volta a Maceió, sua terra natal, tem sido obrigado a ocupar-se de outro mister para ganhar a vida, mas nunca abandonou os pincéis, e os seus quadros na Exposição mostram que ele é um artista sólido, de desenho seguro e correto e palheta limpa e nada pobre. O seu quadro de assunto militar é muito bem feito e muito agradável e as suas pequenas notas de paisagem são deliciosas de espontaneidade, frescura e verdade e tocadas com mão de quem sabe.

Cabe aqui também dizer das aquarelas das senhoritas Cunha Vasco [Anna da Cunha Vasco e Maria da Cunha Vasco], que, pelo saber que esses trabalhos revelam, conquistam lugar muito honroso numa exposição. É um prazer ver moças tão jovens completamente absorvidas pelo estudo e pelo amor da arte, e as suas aquarelas este ano, notas de impressão de grande verdade e largamente manchadas, são verdadeiros primores.

O paisagista D. J. e Vasquez [sic] expõe duas paisagens pintadas em Teresópolis, que revelam quanto este inteligente e estudioso artista tem progredido ultimamente. A sua palheta é atualmente muito mais limpa e mais quente, e os seus céus são mais transparentes e luminosos. E como ele teve sempre um desenho sólido e boa fatura, e um espírito delicadamente vibrátil, os seus quadros são duas esplêndidas notas da pitoresca cidade das montanhas, traduzidas com grande felicidade de execução, e isto sentirão todos aqueles que, como escreve estas linhas, conhecem e amam aqueles pitorescos sítios.

Outro artista que há muito não aparecia nas nossas exposições, o Sr. Arthur Lucas, tem duas excelentes figuras a pastel, com a delicadeza e o aveludado próprios desse veículo.

Dentre os novos, aparecem fazendo figura brilhante e jus a encômios pelos seus labores durante o ano, os Srs. J. [João Timotheo da Costa] e A. Timotheo, Eduardo Bevilacqua, A. Fernandez, C. Chambelland, J. Manna [sic], Carlos Oswald e Lucilio de Albuquerque.

Os trabalhos desses moços, se não podem escapar a reparos, revelam qualidades muito apreciáveis de fatura e de concepção, incontestável talento nos seus autores e, coisa mais interessante, individualidades distintas que naturalmente com o tempo se hão de acentuar mais claramente.

Não podemos agora tratar especialmente de cada um deles, mas voltaremos mais detidamente a examinar os seus trabalhos.

Entre as amadoras que expõem, umas são já nossas conhecidas como a senhorita Esther Dell-Vecchio [sic] e Mme. Labouriau, e a senhorita Irene Ribeiro e outras, como a senhorita Nair de Teffé, expõem pela primeira vez.

A senhorita Ester Del-Vecchio tem três estudos de paisagem, vistas tiradas do Passeio Público, que revelam os extraordinários progressos feitos pela distinta amadora nestes últimos dois anos. Como é natural, em pessoa tão jovem, a sua maneira assemelha-se muito a do seu mestre, o Sr. João Baptista, e constitui um elogio muito honroso para ela o fato de se poder à primeira vista, confundir-se a autoria dos seus trabalhos.

A verdade é que tem muito talento, já sabe ver e sentir a paisagem e exteriorizar de modo atraente as impressões que a natureza lhe produz, e isso já é quase tudo.

Com mais estudo e trabalho, e com a boa direção que tem, há de vir a ser uma amadora do mesmo plano dos bons artistas.

Mme. Labouriau mandou apenas dois quadros com rosas muito bonitas, muito odorosas, e com certo modo vago de pintar, que encanta.

A senhorita Irene Ribeiro tem um agradável retratinho de menina sentada, muito interessante de fatura e de boa compreensão e vida.

A senhorita Nair de Teffé tem alguns trabalhos de figura a pastel, que, embora não isentos de defeitos, agradam revelando estudo e aplicação na autora.

Ouvimos dizer que esta amadora iniciou os seus estudos em Paris, com Bouguereau, falecido o ano passado.

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A secção de gravura sobre pedras e medalhas, que sempre chama a atenção nestas exposições, embora constituída por único expositor, não deixa este ano de inspirar o mesmo interesse. Augusto Girardet não esteve inativo e os seus modelos em gesso das medalhas em honra do Arcebispo Arcoverde, do Rei Humberto, do Dr. Francisco Pereira Passos, são dignos exemplos da sua fina arte.

É pena que não faça parte da exposição um exemplar da sua medalha comemorando a passagem pela administração superior do país, do Sr. Dr. Lauro Muller, a qual contém um tão fino retrato do referido Ministro.

O ilustre artista expõe também um interessante baixo-relevo em gesso, com duas figurinhas de crianças.

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A secção de escultura se não contém muitos trabalhos, nem por isso deixa de ser interessante e de merecer visita e exame demorado.

Corrêa Lima tem um busto em gesso, tamanho natural, do falecido Almirante Custódio José de Mello, que, como retrato em escultura, faz honra ao artista. A sua estátua em gesso, de um trabalhador com uma picareta na mão, é excelente de anatomia, de modelado e de postura, mas a cabeça ajusta-se mal no tronco e não tem caráter próprio.

A Sra. Julieta França, que esteve estudando em Paris, como pensionista da Escola, tem alguns trabalhos de figura e um projeto de monumento, que revelam progressos na técnica da artista: um busto de mulher, feito com certa simplicidade, agradou-nos especialmente.

A Sra. Nicolina de Assis, outra patrícia nossa de talento, que também chegou há pouco da Europa, expõe apenas dois trabalhos em bronze: uma bela composição para encimar uma fonte, feliz de inspiração e com fatura larga e um busto de menina, muito gracioso, um retrato fantasia, evidentemente, mas trabalhado de técnica.

Esses trabalhos mostram os progressos feitos por essa artista e justificam os elogios que lhe fez o escultor Mercier.

Nessa exposição há ainda um bom trabalho, de um aluno da escola, o Sr. Honorio da Cunha Mello.

Elast [sic] but not least, um pequenino busto em bronze por Belmiro de Almeida, um fino retratinho, feito com muita "verve" e muito espírito e desenho, e revelando mais uma feição interessante desse talentoso e original artista.

Na mesma sala onde está a secção de escultura, a Sra. Joanna Brandt, que já no ano passado apresentara trabalhos interessantíssimos de arte aplicada, tem uma vitrina com belos trabalhos de couros bordados, dignos de serem vistos.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1906, p. 3.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1907, p. 4.

Inaugura-se hoje a Exposição Geral de Belas-Artes do corrente ano.

Ontem realizou-se ali a cerimônia do Vernissage, a que o Sr. Presidente da República deu um especial destaque, com a sua presença, tornando-a de fato a inauguração oficial.

O Sr. Dr. Affonso Penna, que era acompanhado do Sr. Dr. Tavares de Lyra, Ministro do Interior, do Sr. Dr. Edmundo Veiga, seu secretário, e de membros de sua Casa Militar, chegou à 1 hora da tarde, sendo recebido à porta do edifício da escola pelo Sr. Professor Rodolpho Bernardelli, Diretor, e por membros do professorado da Escola e do júri da Exposição.

Em sua visita que durou mais de uma hora. S. Ex. percorreu demoradamente todas seções da Exposição, examinando minuciosamente a maior parte dos tralhos [sic] expostos, expendendo concertos e fazendo perguntas que bem demonstravam o interesse e a apreciação que lhe despertavam muitos dos objetos expostos.

S. Ex., ao retirar-se, expressou ao Sr. Diretor da Escola a boa impressão que lhes causara a exposição; e parece que foi igual a impressão que tiveram o Sr. Ministro do Interior, o Sr. Prefeito do Distrito e a enorme concorrência de pessoas distintas de todas as classes sociais, sendo de notar o grande número de senhoras.

Seria difícil mencionar todas as pessoas que ontem ali compareceram, para visitar a exposição, destacando-se, porém, entre elas, numerosos artistas, jornalistas, escritores e colecionadores.

Anteontem fizemos uma longa resenha da maior parte dos trabalhos expostos; mas, pelo catálogo e pela visita que ontem fizemos, verificamos ter deixado de mencionar os nomes de muitos expositores. Um dos característicos interessados da atual exposição é o aparecimento de muitas senhoras expositoras, tanto na seção de pintura, como na de artes aplicadas, com trabalhos que revelam inquestionavelmente vocação artística, aturado esforço e originalidade.

Mais de espaço voltaremos à exposição.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1907, p. 4.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1908, p. 5.

Inaugura-se hoje, às 2 horas da tarde, no edifício da Escola de Belas Artes, comparecendo a essa cerimônia o Sr. Presidente da República.

Como é costume, realizou-se ontem a cerimônia do vernissage com regular concorrência de senhoras, artistas, amadores e jornalistas.

A exposição deste ano, que não é muito numerosa, contém, entretanto, boa cópia de trabalhos de valor artístico.

O júri de admissão desta vez foi implacável com grande número de quadros de natureza-morta, na sua maioria pintados por amadores que invadiam a parede da exposição, rebaixando-lhe o nível e prejudicando o efeito das obras de merecimento.

Outra abstenção que será notada e sentida, é a de muitos dos nossos artistas, cujos nomes estávamos acostumados a ver figurar com brilho nesses certames. Em compensação, aparecem alguns nomes novos, alguns artistas estrangeiros, com trabalhos que hão de se contar entre as coisas mais atraentes da exposição deste ano.

O Sr. Elyseo Visconti é o artista que mais expõe coisas extremamente dignas de se ver. Tem um grande quadro - A Maternidade - figuras ao ar livre bem feitas, no meio de uma paisagem muito bela, um canto do Luxemburgo, com boa perspectiva e muito ar, e as qualidades do fino pintor que é esse artista. Esse quadro será um dos que mais prenderão a atenção dos visitantes. O Sr. Visconti tem ainda uns estudos de paisagem bastante agradáveis, sobretudo uma nota muito verde, cheia de frescura e sol, uma vista do Andaraí. O que, porém, vai atrair mais curiosidade e o exame dos visitantes para a obra do Sr. Visconti, é a coleção dos estudos que esse artista fez para pintura do pano de boca do Theatro Municipal e que vistos assim isolados são deveras apreciáveis.

O Sr. João Baptista da Costa concorre com uma paisagem grande, tirada da praia do Vidigal na Gávea, de uma tonalidade muito tranquila, e duas pequenas, acentuando bem a sua individualidade, e um retrato excelentemente pintado.

O Sr. E. Latour mandou alguns dos melhores trabalhos que trouxe da Europa. Esse trabalhos já foram expostos no edifício da Associação dos Empregados no Comércio e suas qualidades ganharam com a melhor luz da atual exposição.

Weingartner mandou de Roma quadros de assuntos populares, bem iluminados, mas em que o desenho deixa, por vezes, que desejar.

As distintas amadoras, as Sras. D. Anna [Anna Cunha Vasco] e D. Maria Cunha Vasco, são representadas por meia dúzia das suas tão interessantes aquarelas, vistas de Santa Teresa e vista da lagoa de Rodrigues de Freitas, estas últimas com uma nota muito fresca e muito pessoal, numa técnica larga e segura.

O Sr. Fernandez Machado expõe o seu grande quadro - S. Francisco falando aos pássaros, - que tem boas qualidades de pintura e foi exposto em Paris.

O Sr. Blocos [sic] tem um retrato do Sr. Olavo Bilac na sua mesa de trabalho e que não faz justiça ao brilhante escritor.

O Sr. Alvim Menge, o nosso jovem patrício que acaba de chegar de Roma onde esteve estudando com Barbasan, tem três quadros de grandes proporções, de assuntos populares, que revela decididos progressos e em nada se parecem com a maneira do mestre, o que é um bom sinal.

Podem ainda notar duas paisagens do Sr. Süssekind, o jovem discípulo do Sr. João Baptista, e que acusa progressos do ano decorrido; um grande quadro, efeito de luar no mar, do Sr. Christophe, de boas qualidades, mas que nos pareceu inferior aos dois trabalhos seus do ano passado; as notas de paisagem, tão interessantes e tão sinceras, do Sr. Germano Neves; um Eurico, cujo modelo não se nos afigura ter sido escolhido com muita felicidade, mas cujo assunto denota arrojo simpático no jovem artista que o empreendeu.

Há poucos retratos na exposição; além dos já citados, um de senhora, a pastel, do Sr. Petit, e um retrato, de vastas proporções, do falecido Imperador, sentado, na sua última fase, pintado com certa intenção e execução cuidadosa pelo Sr. Marques Guimarães, que há muitos anos não comparecia às nossas exposições.

Cinco pintores estrangeiros se acham representados, todos de nome feito e com quadros de valor. Deste, o do artista Hyppolito Lucas vai ser um dos clous da Exposição: é um busto de mulher, uma figura de Parisiense na frescura da idade, rosto polpudo e rosado, cheio de vida e de expressão risonha, envolvido nas peles e roupagens de inverno. É um quadrinho primorosamente feito, finamente modelado, mãos deliciosamente desenhadas, uma obra cheia de distinção e de boa técnica.

Gagliardini, uma reputação parisiense de bon aloi, tem uma vibrante vista de Veneza, palpitante de cor e de luz, numa técnica divisionista de grande largueza.

Em fatura muito diferente, mas igualmente magistral, são os quadrinhos de Barbasan, cenas de praça da vida popular italiana, feitas com uma meticulosidade extraordinária de desenho, que, entretanto, não prejudica o efeito de conjunto das pinturas, esplendidamente iluminadas por exuberante luz solar.

De outro pintor francês de nome Maurice Bompard há também uma vista de Veneza, com bastante cor, e uns quadrinhos de gênero, mulheres no seu toucador, sugestivos estudos de nus bem contornados e bem envolvidos por um artista francês E. Tournès, que nos últimos salons tem chamado a atenção para o seu nome com obras exclusivamente desse gênero.

Na seção de escultura, o busto em bronze do Sr. Dr. F. P. Passos, obra magistral do Sr. Rodolpho Bernardelli; dois pequenos bronzes (dançarinos), cheios de vida e movimento, do artista italiano Renda, oferecidos à nossa galeria pelo Sr. Julio Delage, e um bem estudado Daphnes, em gesso, pelo talentoso aluno da Escola, Sr. Moreira [Joaquim Rodrigues Moreira Junior].

Como sempre, o Sr. Augusto Giradet faz boa figura com as suas belas medalhas, entre as quais sobressai a que foi feita para celebrar o jubileu do Comendador Arthur Napoleão. Devemos também chamar a atenção para o trabalho de um seu discípulo.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1908, p. 5.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1909, p. 6.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Desta vez ficou inutilizada a chapa secular, segundo a qual o tempo contribui sempre, mais ou menos eficazmente, para abrilhantar, dando-lhes mais risonhas galas, as solenidades festivais e gloriosas. Justamente, o tempo prejudicou tanto quanto possível o esplendor do vernissage da Escola Nacional de Belas Artes. Dia carrancundo, fúnebre, péssimo enfim. Garoava; o ar pesava de umidade repassante e comunicativa melancolia; e o belo edifício da Avenida dava na luz pardacenta e baça do meio-dia, a impressão desconsoladora de ser muito menos nobre, muito menos pomposo; e até chegava a não parecer tão gracioso, e até se dizia que não era tão novo...

Lá dentro, porém, esquecia-se a gente do mau tempo e das suas pirraças. A sala principal regurgitava de artistas e visitantes; havia grupos embasbacados diante das grandes "máquinas" sensacionais; os velhos professores davam-se atitudes de reserva e alheamento, indiferentes às glórias já demasiado saboreadas; os alunos passavam, trêfegos, pairando, fazendo mais ou menos a caricatura falada do Salão; andavam fotógrafos assestando a máquina daqui e dali, entre explosões surdas de magnésia; e era uma agitação, um burburinho de festa, a que, para maior encanto, faltavam os estridores da banda de música das inaugurações tradicionais. Mas o que de certo produzia a impressão mais agradável e cativante era o aspecto da exposição propriamente dita, das longas filas de quadros, sucedendo-se na variedade das cores, das formas, dos processos e dos tipos e realizando um conjunto de surpreendente harmonia e seleção.

Os frequentadores dos Salões antecedentes deviam estar deliciados. Não havia aquele atropelo de bom e mau, ótimo e péssimo, onde o olhar se confundia e perdia na tontura que dão as altas torrentes ameaçadoras; não se sentia o estrebuchar da catarata dos amadores, suspensa sobre as cabeças incautas, prestes a irromper, desfazer-se em "naturezas mortas" inundando tudo, afogando a visão em ondas de banalidade; podia-se contemplar à vontade, passar por entre as rumas de telas, parar diante desta ou daquela, sem o perigo da avalanche arrasadora; e sobretudo - Oh, consolação; oh, júbilo! - respirava-se.

Eis a nota dominante deste conjunto sedutor. Dizia-se, nas rodas oficiais, que o júri recusara setenta e tantos trabalhos. Devia talvez ter recusado mais alguns. Não é já, porém, aquela liberalidade excessiva que tendia louvavelmente a não desanimar vocação ou esforço algum, mas quase estabelecia o regime da porta aberta a todas as audácias e presunções. Esta dificuldade e esta escolha tornavam-se na verdade necessárias e tanto mais providencias se anunciam, quanto é certo que as domina ainda certo espírito de tolerância. Se se deve recear que o rigor extremo cerceie algumas belas aspirações e para sempre destrua a promessa dos ingênuos e dos tímidos, cumpre igualmente considerar que um Salão não é um simples mostrador, nem a sua função a de exibir e apadrinhar tentativas de arte. A inclusão de um nome naquele catálogo deve ser disputada, conquistada como uma honra: figurar naquela galeria deve significar uma espécie de vitória e de consagração.

Em suma, a impressão geral deste Salão dá-lhe incontestável superioridade, em relação aos dos anos anteriores. Não se atendendo aos êxitos individuais, as afirmações isoladas de talento e de técnica - mesmo porque tal comparação, unidade a unidade, seria bem difícil de estabelecer - esta evidência ressalta, testemunhando o mais animador dos progressos: é que se refugou muita obra inferior e se apuraram mais de duzentos trabalhos, entre primorosos e simplesmente dignos de aceitação. A Exposição de 1909 terá, só por isso, uma significação nova e, dando mais exata representação do movimento artístico, muito mais valerão de certo os seus efeitos de ensinamento e estimulação.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1909, p. 6.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1910, p.6.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Considerando o nosso apoucado meio, a falta de animação que aqui têm os artistas, o quase nenhum auxílio que lhes dá o Estado, não podia ser mais satisfatório o resultado dos esforços dos promotres [sic] da atual Exposição Geral de Belas Artes, que hoje se inaugura.

Com uma perseverança merecedora do mais rasgado reconhecimento, os membros do Conselho Diretor da Escola têm realizado, com regularidade poucas vezes interrompida, no decurso de cerca de vinte anos, essas exposições gerais; e se os resultados não têm sempre sido tão lisonjeiros quanto o desejaria o nosso patriotismo, é inquestionável que elas têm servido para manter vivaz a atividade dos nossos melhores artistas, para despertar a emulação de muitos talentos que sem elas continuariam a permanecer desconhecidos e para ocasionar o aparecimento de novas e aproveitáveis vocações. Se nomes conhecidos desaparecem do catálogo, por motivo de desânimo ou de falecimento, sempre surgem outros que de algum modo compensam a perda daqueles e trazem novo alento aos que não desesperam do futuro da arte entre nós.

Eram essas as considerações que nos passavam pelo espírito ao percorrer ontem, por ocasião da tradicional cerimônia do vernissage, a grande galeria onde foram reunidas as obras que constituem a exposição de 1910.

O júri de admissão foi este ano mais rigoroso do que o dos anos anteriores, e com isto, se diminui muito a quantidade de obras aceitas, elevou sensivelmente o nível da exposição.

É de lastimar que esse rigor não fosse um pouco mais intenso, e que a exposição não ficasse expurgada de alguns quadros que não possuem as qualidades precisas para ali figurar.

A exposição atual é pequena, e menor ainda parece em vista da longa galeria onde foram pendurados os quadros. A ornamentação silvestre com que foram decoradas as partes superiores das paredes, de gosto, não é suficiente para ocultar os enormes trechos de espaço vazio.

Nada causa maior prazer, nem desperta mais profunda emulação do que ver o modo como os artistas mais velhos se conservam brilhantemente na estacada, alimentando a mesma fé ardente da juventude e provando que o verdadeiro temperamento artístico não se coaduna com a inatividade.

Henrique Bernardelli teve, e tem, o seu tempo destinado à pintura de encomendas de grandes telas decorativas para a Biblioteca Nacional e a nova ala do Ministério da Fazenda; mas achou ensejo para pintar dois retratos magistrais, pequenos de formato, mas grandes pela excelência da sua arte consumada pela vitalidade da expressão, em um, e pela beleza do arranjo da composição no outro.

Rodolpho Amoedo também enviou dois retratos, que mostram que o Rodolpho Amoedo dos bons tempos não está morto. O do Sr. Azeredo Coutinho é extremamente bem feito, bem metido dentro do quadro numa pose elegante, a figura toda apuradamente pintada, o fundo bem ideado, e o todo muito harmônico e fino na sua minuciosa e tênue técnica característica. O retrato de senhora [Imagem], de fundo cinzento claro em contraste com o vestido fraise écrasée, é também excelente, principalmente a cabeça, que é muito bem construída.

Elyseo Visconti também teve o melhor do seu tempo tomado com obras decorativas; mas enviou dois admiráveis trabalhos, quase diríamos em duas faturas diferentes. Em um, naquela sua técnica segura e sóbria que nos deu o Beijo, uma menina, empunhando flores, abraça uma senhora: uma demonstração de afeto por um acontecimento faustoso, talvez um aniversário, - bem entonado e muito harmônico. No outro, uma bela menina, rechonchuda e loura, com dois laços de fitas dando duas notas vermelhas à cabeça, faz as suas lições sentada a uma mesa. À direita, com fortes pinceladas verticais, quis o artista dar a impressão de vibrante faixa de sol entrando arrebatadoramente pela sala - tudo numa técnica, que tem reminiscência da sua tentativa de pointillé do ano passado.

A presença de Pedro Peres, um velho artista de reconhecido valor entre os seus pares, e que há muitos anos se alheara das exposições da Escola de Belas Artes, é motivo de grande contentamento para os que apreciam.

É representado por dois quadros iguais em vigor e qualidade aos seus trabalhos de uma década atrás.

O mais importante como composição é o que representa uma criança adormecida sobre um colchão e junto a ela, em contemplação, a sua jovem mãe. Por trás desta, uma imagem de Cristo crucificado, da qual se irradia uma refulgência de luz, revela a prognosticação dolorosa que lhe perpassa no espírito. O outro quadro, um quadrinho de gênero, tem uma figura assaz expressiva.

Modesto Brocos enviou um pequeno quadrinho, em que, soube apanhar bem a fisionomia expressiva do Sr. Azeredo Coutinho, que por falta de retratos, e mesmo de bons retratos, não deixará de ir à posteridade. Na atual Exposição, tem nada menos de quatro; e, conquanto seja impossível deixar de estabelecer o confronto entre eles e de determinar primazias, qualquer desses trabalhos é feito de modo a encher de contentamento o seu possuidor. Imagine-se, pois, a alegria de quem é dono de todos eles e, ainda mais, enriquecidos das mais carinhosas dedicatórias. Também é impossível encontrar-se mais prazenteiro e infatigável modelo. Toda a gente, quando pousa, dentro em pouco tempo demonstra todos os sintomas de fadiga que se traem na expressão enfadada do rosto, e é sempre laborioso e difícil empreendimento para o pintor, prender o seu modelo pousando contente durante o tempo preciso. Com o Sr. Azeredo Coutinho, quem cansa é o artista, e é a sua inesgotável bonomia que mantêm em atividade a paleta e os pincéis.

A estes segue-se em idade João Baptista da Costa, cujo tempo foi dado em grande parte ao professorado. Entretanto, ele se faz representar na Exposição por uma numerosa e variada produção, que preenche todo o âmbito da sua arte.

Da sua obra exposta, basta citar, porém, apenas três quadros: o retrato do Sr. João do Rego, a sua grande paisagem de Petrópolis e a paisagem "Avenida Pibanha" [sic].

João Baptista apareceu como paisagista e como paisagista firmou a sua reputação de mestre.

Mas, de vez em quando, dá-nos prova de que notável pintor de figura séria se quisesse se dedicar a esta especialidade. Assim aconteceu há dois ou três anos com o excelente retrato do Dr. Azevedo Lima, e o mesmo ocorre com o retrato do Sr. João do Rego. O retratado está sentado junto a uma mesa de trabalho e olha para fora do quadro. A cabeça é bem conformada; o olhar franco e vivo; a fisionomia expressiva; e é pena que a postura seja um pouco forçada. Tudo indica que o retrato foi pintado diretamente do modelo, distinguindo-se ao mesmo tempo pela técnica sólida e firme e pela boa caracterização.

Na paisagem João Baptista alcança este ano mais um memorável triunfo.
Tomou para tema do seu quadro grande um dos pontos mais belos de Petrópolis, no fim da Avenida Piabanha, na direção do bairro denominado Bingen. No primeiro plano, o rio Piabanha com as suas margens verdejantes; e em planos sucessivos à orla da estrada que se vai desenrolando pela encosta, coberta de arvoredos e vegetação, com os cumes frondosos das colinas no fundo.

A hora é a hora solene e majestosa do cair da tarde de um glorioso dia de verão, quando os últimos raios do sol lançam um radiante véu dourado sobre todo o horizonte e se refletem nas nuvens leves e diáfanas do arrebol.

Jean François Millet dizia: Le fond de tout est toujours ceci: qu'il faut qu'un homme soit touché d'abord pour pouvoir toucher les autres. Diante do quadro de João Baptista, impressionando-nos com uma tão profunda comoção como se estivéssemos perante o próprio grandioso espetáculo da natureza, compreende-se a veracidade desse enunciado do grande pintor francês. João Baptista deve ter sentido fortemente esse belo fato da natureza, para assim pintá-lo com tão extraordinário vigor e intensidade de transmissão. Aliás, aqueles que têm acompanhado com atenção e simpatia o desenvolvimento deste artista, não podem deixar de ter observado que a sua obra se tem caracterizado por essa sinceridade de propósito, por esse desejo de fidelidade e lisura na interpretação da natureza. Essa arte singela, sincera e nobre é a grande arte destinada a viver e a perdurar, e a arte que desejaríamos que nos representasse no estrangeiro. Por que João Baptista, tão operoso, tão verdadeiro, agora na pujança do desenvolvimento do seu talento e das suas faculdades, não concorre às grandes exposições estrangeiras? Por que ainda não enviou nada a qualquer dos Salons de Paris? Por que não foi ainda à Veneza? Temos certeza que nada poderia contribuir mais para despertar a curiosidade para o nosso país do que alguns dos trechos da nossa soberba natureza, interpretados pela arte superior do nosso grande paisagista.

Continuando a peregrinação pelo nosso Salon, vemos que Eugenio Latour expõe dois trabalhos, ambos retratos de senhoras: um, de uma bela figurinha vestida de azul, sentada, com um leque na mão e leve e firmemente pintado com um pastel, e outro, um primor de arte, uma moça com um chapéu verde, e violetas no peitilho cinzento, fundo escuro, muito expressivo. Simples cartões de visita, possuindo aquela fina graça do pintor da Musette, que prometia um bom retratista de senhoras.

Gustavo Dall-Ara tem dois pequenos quadrinhos, uma paisagem e uma marinha, na sua maneira e naquela tonalidade clara que lhe são características. Estaria, porém, muito melhor representado se houvesse enviado aquele bom retrato de senhora, feito ao ar livre, que se acha exposto no café Belas Artes. Este é um trabalho que merece destaque, não só pela maneira como venceu as dificuldades de um retrato ao ar livre, como pelo modo como está modelada a cabeça da retratada. Não seria difícil encontrar nele alguns senões, mas também, já dizia Joshua Reynolds, quadros impecáveis nunca existiram.

Dois nomes novos aparecem pela primeira vez nas paredes da exposição: os dos Srs. Mario [Mario Villares Barbosa] e Dario V. Barbosa, dois moços filhos de S. Paulo, que fizeram o seu tirocínio em França, onde mais de uma vez entraram no Salon. Os dois artistas paulistas pretendem brevemente realizar uma exposição aqui, por isso apenas enviaram um trabalho cada um, para não deixarem de comparecer à Exposição. Mas esses trabalhos bastam para mostrar que temos mais dois pintores de incontestáveis qualidades e de boa educação artística.

O Sr. Mario Barbosa foi buscar o tema do seu quadro numa cena do interior da Bretanha. À porta de uma pequena casa, dando para um pátio, uma aldeã jovem, de pé, tem um trabalho de agulha nas mãos; sentada em frente a ela, uma velha faz meia. Fora, um vaso de flores, no rebordo de uma janela; uma pipa para água e outros acessórios apropriados dão à respectiva cor local. Isso numa boa fatura larga.

Do quadro do Sr. Dario Barbosa [Imagem] gostamos mais pela maior naturalidade da composição e pela fatura mais simples e mais segura. Também o tema é da Bretanha: três aldeães, pescadores visivelmente, conversam, um de pé, fumando o cachimbo característico, os outros sentados no parapeito da margem de um rio, no qual balouçam alguns barcos.

F. Manna tem um bom estudo de plein air, com uma figura bem feita e bem metida [Imagem]. Um jardineiro, com uma foice na mão com que está a aparar o gramado, interrompe o trabalho para acender um cigarro. Todo o primeiro plano é bem tratado, mas não nos agrada o modo como é feita a grande árvore do fundo.

O Sr. J. Monteiro da França, que foi outrora discípulo da nossa Escola, e se acha atualmente em Roma, mandou uma série de quadros pintados em Anticoli Corrado, a aldeia vizinha da Capital italiana e tão preferida dos artistas, feitas numa tonalidade muito azulada, de fatura desembaraçada e revelando sinceridade. É artista já feito, e os seus quadros, se deles se eliminassem as figuras, nem sempre com os valores exatos, muitos ganhariam.

E, agora, last but not least, falemos do elemento estrangeiro, antes de deixar a seção de pintura.

São quatro os expositores estrangieros [sic], dos quais dois, os Srs. Brugo e Agustin Salinas, atualmente entre nós, parecem querer eleger domicílio aqui, o que seria um ganho para o nosso meio artístico.

Os outros dois expositores estrangeiros são os Srs. Pablo Salinas, irmão do Sr. Agostin Salinas, e residente em Roma, e o Sr. F. Ferraresi.

Comecemos pelo Sr. Pablo Salinas, cuja exposição é mais numerosa.

A sua maneira habitual, aquela pela qual se fez conhecido, é a do quadro grande, com muitas figuras, representando um salão Luiz XV, onde se dá um concerto.

A primeira impressão que se tem é de uma orgia de cores faiscantes que entontecem, uma pirotecnia que espanta e maravilha os olhos. Neste quadro os pormenores, figuras, móveis, espelhos, dourados, são pintados com extraordinário requinte e apuro e os vestuários brilham com o variegado lustre do cetim e da seda. Examinando-se com atenção e de perto, vê-se que todos os valores são exatos, que as figuras têm todas as expressões próprias, e cada trecho do quadro é uma joiazinha de execução.

Mas o efeito de conjunto, que deve ser a qualidade primordial e dominante numa obra de arte, é totalmente sacrificado. Esta escola de pintura, em que os princípios essenciais se reduzem a questões de pura virtuosidade, foi fundada por Fortuny, e ficou dominando em Roma, num grupo de pintores italianos e espanhóis que, como o Sr. Salinas, ali estabeleceram domicílio.

Ao mesmo gênero de pintura pertencem os outros quadros pequenos expostos por esse pintor.

Quis ele, porém, mostrar a variedade do seu pincel, e enviou outro quadro cuja maneira é verdadeiramente a antítese dessa forma de pintura [Imagem]. Neste, as figuras, ao ar livre, saindo provavelmente de um teatro, iluminadas por luz artificial, são feitas numa maneira larga, forte, segura, expressiva, que, se não fossem os toques do anel de brilhantes na mão da personagem principal, uma senhora elegante, não teria relação de parentesco com os outros trabalhos do artista.

O Sr. Agustin Salinas tem trabalhos feitos em Roma, com figuras, e um retrato do Sr. A. Coutinho.

Deste pouco temos que acrescentar, além de dizer que é o Sr. Azeredo apanhado por uma face diferente daquela escolhida pelos outros artistas e feita com certa facilidade. O Sr. Salinas sabe desenhar bem, as suas figuras são bem feitas e os seus quadros têm composição, mas o efeito de conjunto nem sempre agrada, e como que se ressente de falta de vida. Gostamos mais das suas paisagens, principalmente das suas paisagens pintadas aqui, nas quais o artista tem mostrado compreender tão bem a nossa natureza; e lastimamos que, estando já há tanto tempo entre nós, não tenha preparado nenhuma tela nesse gênero para o nosso Salon.

O Sr. José Brugo, que o ano passado tão boa figura fez com um quadro de composição e um retrato, mandou dois bons estudos de nu, e um interessante quadro de figura. Dos primeiros, há um em uma tonalidade mais clara, o estudo de um torso de mulher de boa carnação, e no quadro Les affiches as cores dos cartazes na parede prejudicam a figura da costureirinha que os lê, aliás excelentemente pintada.

Do Sr. Ferraresi, há uns pastéis que não nos interessam particularmente.

Antes de deixar esta seção, devemos cumprimentar o velho Insley Pacheco, que aos setenta anos, ainda pinta com a mesma frescura e fantasia as suas apreciadas gouaches; e mencionar as belas paisagens do Sr. Luiz Christophe (nomeadamente a de n. 31, um banhado e uma campina), e dos aproveitados discípulos de João Baptista, o Sr. Germano Neves e a Sra. Rachel Boher.

Na seção de gravura de medalhas, como sempre, se destaca o Professor Augusto Girardet, a quem não se faz favor dizendo que os seus trabalhos podem competir com os dos melhores artistas da Europa.

Este ano aparece também um seu discípulo, o Sr. Adalberto Mattos, com quatro trabalhos apreciáveis.

Na seção de escultura, o Sr. Joaquim Rodrigues Moreira Junior, prêmio de viagem na Exposição de 1908, mandou de Roma três trabalhos em bronze e um em gesso, que mostram o seu aproveitamento ali. A cabecinha de menino é particularmente interessante pela finura do modelado e pela expressão.

O Sr. Umberto Cavina, artista aqui residente, expõe dois bustos em gesso, que têm qualidades.

O Sr. Armando de Magalhães Corrêa, aluno da Escola de Belas Artes, que expõe, pela primeira vez, tem um estudo de cabeça muito prometedor.

A Fundição Indígena expõe diversos objetos que recomendam a excelência do trabalho de fundição e moldagem desse estabelecimento.

Na seção de artes aplicadas, apenas uma expositora, a Sra. D. Maria Rosalia Corrêa Lima, com belos trabalhos de bordados.
Na seção de arquitetura, apenas, um expositor, também, o Professor Ludovico Berna.

Em outra notícia, falaremos da exposição dos trabalhos deixados pelo falecido professor Bérard.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1910, p.6.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1911, p.5.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Inaugura-se hoje, com a solenidade de estilo a Exposição Geral de Belas Artes.

Ontem, como nos anos anteriores, efetuou-se a cerimônia do vernissage, que não foi muito concorrida, mas a que afluíram diversos artistas e jornalistas, que encontraram os organizadores da exposição atarefados com arranjos e arrumações para desfazer a má impressão do pequeno concurso de expositores e apresentar, de modo a salientar-lhes as qualidades, os pouco numerosos trabalhos em exibição.

Todas as galerias do primeiro andar estão festivamente alinhadas de plantas, e na galeria do segundo andar, onde foram arrumados os trabalhos, um extenso velário forra toda a larga e longa claraboia dando boas condições de luz igual e harmonicamente suave.

Festões de folhagens artisticamente dispostas caem pelas paredes e intercolunas fazendo impressão agradável.

A comissão de admissão de trabalhos foi, evidentemente de máximo rigor, banindo inexoravelmente todos os tentames de pintura de natureza morta, de frutas, etc. - a quitanda, como diz um professor - que tão discordante nota davam a algumas das exposições passadas.

Mas, essa própria dureza que pareceria constituir um elemento de insucesso, vai contribuir para o êxito da exposição.

Porque, […] parte os trabalhos de […] artistas já feitos, que infelizmente […] não são em grande número e dos quais muitos estão ausentes, este ano, das paredes da exposição, o mesmo nível artístico, a qualidade das outras obras expostas ganhou consideravelmente com o que perdeu em quantidade.

Não há, por assim dizer, trabalhos que se possam dizer de amadores; e, embora haja bastantes trabalhos que, em exposições em um meio mais desenvolvido do que o nosso não seriam admitidos, a grande maioria dos cento e tantos quadros ali reunidos são dignos de ser examinados e acolhidos, alguns com o respeito e admiração que se devem ter a boas obras de arte, e outras com a mais simpática consideração.

Uma nota atraente da atual exposição é o aparecimento de meia dúzia de trabalhos de poucos, que, embora principiantes ainda, já revelam qualidades prometedoras de artistas com que se devem contar no futuro.

Na rápida visita que ontem fizemos, notamos que prendem logo a atenção, e com certeza hão de guardá-la durante toda a exposição, quatro trabalhos de Elyseu Visconti, atestando a maestria de um artista que alia a uma técnica que cada vez se apura mais singulares qualidades de visão. Tem, com especialidade, um retrato de menino, que é uma obra cheia de dignidade e vigor, num tom verde-escuro, de grande harmonia. Todas as obras de Visconti merecem destaque particular, que não pode ser feito numa curta noticia como esta, escrita quase sobre a perna.

João Baptista, o nosso grande paisagista, também está bem representado com meia dúzia de luminosas paisagens, resultados das suas excursões na rainha das nossas cidades serranas.

Rodolpho Amoedo deixou apenas um retrato, de pequeno formato, meticulosamente pintado, como tudo que ele faz ultimamente, mas no qual não deixou de dar à fisionomia do retratado o tom terroso que se lhe tornou característico, nem de emprestar ao vestuário certa dureza.

O fundo desse quadro, em aquarela tocada de óleo, é bem feito e interessante.

Modesto Brocos tem um regular retrato do Sr. Pereira Reis.

Do Sr. Brugo, o distinto pintor espanhol que vive em Nova Friburgo, interessantes quadrinhos de paisagens animadas de figuras e animais, bem iluminados e sinceramente pintados.

Do velho Pacheco há toda uma série das suas inconfundíveis e apreciadas guaches.

De Barbasan uma admirável composição caricatural, cheia de verve e enlevée com singular presteza e segurança.

Do seu discípulo, o Sr. Alvim Mange [sic], um quadrinho de paisagem, com muita cor e luz.

Dos novos, o Sr. G. Magalhães aparece com um quadro cheio de vida, crianças numa praia, brincando com caranguejos, numa tonalidade clara, um esforço sério em que se sente a influência do quadro do grande pintor italiano Ettore Tito, entrado recentemente para a Escola.

O Sr. Puga Garcia tem um quadro alegórico de figura ao ar livre, um tema pagão, em que há muito sentimento.

Outro novo, o Sr. Bicho, tem um retrato cheio de qualidades.

Boas notas de paisagem do Sr. João Baptista ... Bourdon, quase diríamos ... da Costa, tamanho ao [sic] de família tem elas as do mestre.

Há duas moças que se apresentam com trabalhos de figura, que prometem: são as Sras. Rego Monteiro e Angelina Agostini.

Só um quadro de frutas, umas bananas pintadas sobre um fundo de veludo azul-ferrete, bananas cheias de expressão, se assim se pode dizer, e desafiando a gula de quem olha para elas, e um veludo macio e cheio de reflexos encantadores. É um quadro que poderia ser aceito em qualquer exposição.

Na seção de escultura, que não é muito grande, os trabalhos do nosso ex-pensionista na Europa, o Sr. Moreira Junior; de um escultor português recém-chegado, e um ¨gato coçando-se¨, um estudo feito com largueza e espirito, de outro artista, também recém-chegado, o escultor francês Verdié.

Na seção de medalhas, interessantes trabalhos do Sr. Adalberto de Mattos.

Em uma rápida visita e sem o catalogo, que constitui sempre um valioso auxiliar mnemônico, é natural que tenhamos deixado de mencionar trabalhos dignos de nota e cometido injustiças. Faremos o possível em repará-las em notícia posterior.

É pena que os dois jovens pensionistas recém-chegados da Europa não quisessem concorrer com todos ou alguns dos trabalhos que trouxeram, enriquecendo assim a exposição anual, onde um deles já foi premiado e onde ambos poderiam adquirir novas distinções.

A comissão organizadora merece encômios pelo modo com que fez as coisas este ano, e é de esperar que o público não abandone as salas da exposição, deixando assim de levar aos artistas o incentivo e o galardão do apreço a que tem direito os seus esforços.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1911, p.5.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1912, p.9.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Inaugura-se hoje a Exposição Geral de Belas Artes.

Realizou-se ontem a cerimônia do "vernissage", a que compareceu o Sr. Dr. Rivadavia Correa, que acompanhado do Sr. Rodolpho Bernardello [sic] e dos membros organizadores da Exposição, percorreu demoradamente o salão, mostrando-se muito bem impressionado.

Estiveram presentes muitos jornalistas, artistas e amadores, aos quais muito agradou o conjunto dos trabalhos.

O ilustre artista português Souza Pinto também esteve muito tempo na Exposição e não foram parcas nem pouco calorosas as expressões de apreço que teve para as obras dos seus colegas brasileiros.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1912, p.9.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 10 set. 1906, p. 2.

Dos trabalhos dos artistas novos na atual exposição, entre aqueles de que mais gostamos, estão os do Srs. Francisco Manna, jovem italiano que para aqui veio criança e cujos estudos têm sido feitos aqui. Expõe nada menos de quatro trabalhos, dos quais um certo vulto e grandes pretensões filosóficas, denominado Claro-Escuro Social que, apesar de certas qualidades boas de fatura, não é o que mais nos agrada. Já Thoré-Burgue [sic] disso que quem se deitasse tranquilamente em um banco do Boulevard e abrisse os olhos, teria maior certeza de levar para o seu atelier um bom assunto para quadro, do que aquele que, fechando os olhos às cenas que a natureza fornece, procurava febrilmente inspirar-se em assuntos tirados dos livros dos grandes escritores ou dos movimentos sociais contemporâneos a despeito desse seu quadro de intenções socialistas, o que nos atrai no Sr. Manna é esse amor da natureza, que ele revela nos seus outros quadros, essa faculdade de ver e de sentir o que se passa em torno de si. É por isso que o seu quadro - Luta pela vida - estudado diretamente da natureza, interessa vivamente pelo cunho da verdade que tem; o artista, talvez inconscientemente, se impressionou fortemente com essa cena diária e comum da vida, e nessas condições não lhe foi difícil fazer um quadrinho atraente. Vê-se que tudo foi pintado com prazer, tudo foi estudado com cuidado e amor, e o quadro feito sem vacilações, numa fatura larga e exuberante de quem não poupa tintas, e se compraz em lançar na tela cores vivas e quentes. Naturalmente tem os defeitos de quem ainda há pouco começou a jornada; mas as qualidades que revela, se forem cultivadas com estudo e perseverança, hão de fazer dele um pintor de valor.

O quadro - Claro-Escuro Social - tem valor como estudo de modelado e de expressão, mas também não é isento de defeitos. Houve quem dissesse que a fisionomia do mendigo e o modo como ele trás o chapéu, revelam indivíduo que outrora esteve em melhores condições. Pode ser, mas seus pés, enormes, grosseiros, disformes, indicam que o seu dono andou toda vida descalço, e uma coisa não se coaduna com a outra. Todavia, com todos esses reparos, com todos os senões que possui o quadro, não deixa de chamar simpatias para o artista pelo esforço que revela e por essa qualidade de audácia, que assenta tão bem nos jovens artistas que querem se distinguir na sua arte.

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Quando teremos a generosidade particular enriquecendo com donativos o nosso pequeno museu de arte, e poderemos aplicar com relação aos nossos patrícios as belas palavras de Bonnat?

Pois se a nossa Galeria Nacional de Belas-Artes nem mesmo tem uma pequena verba anual, com que fazer alguma aquisição nas nossas exposições, como por exemplo, agora, com os quadros de Belmiro, de João Baptista, do pintor argentino Fernando Fader e a bela paisagem do pintor francês Rigollot.

No momento atual, há um amador distintíssimo que possui uma magnífica paisagem por um dos maiores mestres modernos da Itália.

Esse quadro vale mais de dez contos de réis; mas, esse amador está pronto a cedê-lo se o quadro for para a nossa Galeria de Belas-Artes, pelo preço por que o comprou há anos, isto é, por dois contos de réis. Infelizmente, a Galeria não possui elementos para o adquirir, e a generosidade particular, que tão brilhantes provas dá diariamente da sua abnegação e liberalidade em outros campos, não virá em seu socorro, deixando que, por falta de uma quantia relativamente pequena, se deixe de aumentar o tesouro artístico da nação.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 10 set. 1906, p. 2.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 10 set. 1911, p.7.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - A Comissão organizadora desta Exposição resolveu conservá-la aberta até o dia 15 do corrente e fez muito bem, por que, embora pequena, contém ela trabalhos dignos de ser vistos e apreciados mais de uma vez.

Este tem sido o ano das exposições, e algumas destas de obras de artistas estrangeiros de fama e de fama merecida, funcionaram quase simultaneamente e quase nas mesmas salas ocupadas pelo nosso Salon.

O público, que examinou os trabalhos dos artistas estrangeiros e naturalmente os apreciou, porque eram excelentes, deve ter se regozijado, ao percorrer o nosso Salon por ver que também possuímos artistas cujas obras não temem comparação com as dos seus colegas estrangeiras [sic].

Realmente, os quatro excelentes trabalhos de Visconti, na atual Exposição, sobretudo o seu admirável retrato de menino e as magnificas paisagens de João Baptista, tão luminosas, tão sinceras, tão reveladoras das magnificências portentosas da nossa natureza, bastam para dar uma amostra da nossa cultura artística.

E as revelações e as promessas com que os trabalhos de jovens artistas nos vieram surpreender. De fato, constituem uma brilhante promessa, talvez a mais sólida e por certo a mais inesperada da atual exposição, os três trabalhos enviados pela Sra. D. Angelina Agostini, que tem de quem herdar talento e alma de artista. Essas três cabeças de preto e de mulata chamam a atenção pela sua construção, pelo arranjo como são apresentadas e pela sua sólida execução, que mostra que, a par da sua aptidão inegável, a jovem artista tem sabido aproveitar-se das lições de seu professor, o mestre Henrique Bernardelli.

O Conselho Superior de Belas Artes propôs que ao jovem artista Gaspar de Magalhães fosse também concedido o premio de viagem, aproveitando-se, a exemplo do que se fez com o Sr. Arthur Thimotheo, o premio que deixou de ser utilizado o ano passado.

Foi esse um ato de toda a justiça do Conselho Superior de Belas-Artes: o trabalho do Sr. Magalhães, se não está isento de senões, acusa progressos visíveis e uma vontade de sair da estrada batida, de não ladear dificuldades e de fazer obra que tenha alguma coisa individual.

É de desejar que essa recomendação do Conselho Superior de Belas-Artes, que teve, segundo consta, o mais franco e animador acolhimento por parte do ilustre Sr. Ministro do interior, possa ser transformada em um fato consumado. Em vez de um artista que nos voltará aprimorado do velho mundo, teremos dois e todos teremos a ganhar com isso.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 10 set. 1911, p.7.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 11 ago. 1914, p.5.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS-ARTES - O grande acontecimento mundial que vai preocupar todos os espíritos desviou, como era natural, a atenção do nosso pequeno "Salão" anual.

Como toda gente, nós também nos deixamos dominar pela grande curiosidade e ansiedade do momento, e por isso, ainda não nos desempenhamos da nossa tarefa, de dizer alguma coisa acerca da atual exposição, que, entretanto, encerra muitas obras dignas de observação demorada e apreciativa.

Dos professores da escola, presentes e passados, o único que expõe é João Baptista da Costa. É justo, pois, que comecemos por quem é mestre, mestre justamente considerado, não simplesmente pelo seu cargo de oficial, mas pela eminente posição que conquistou no nosso mundo artístico.

Há muito que João Baptista goza entre os nossos artistas da honrosa reputação de ser o nosso primeiro paisagista, e há certo número de anos para cá pode acrescentar a esse renome o de ser um seguro provecto retratista.

Esse renome, ele o granjeou, não por obras singulares que impressionam, quiçá como coisas de grande originalidade, mas por um estudo constante e simpático da nossa natureza e por essa faculdade, que parece tão simples e que é a verdadeira essência da individualidade artística, de sentir a natureza e a vida por meio dos pincéis, de modo que se nos afigura não ser possível fazê-lo por outra linguagem.

Nas suas paisagens, João Baptista ainda este ano mantém a sua brilhante reputação e se na denomina "Incidente Desagradável" ele inclui um fato anedótico que lhe dá ensejo para colocar nela uma interessante figura de criança e introduzir novos elementos pictóricos, na de número 29 - conserva a mesma beleza austera da paisagem pura com a sua construção simples e o efeito atmosférico da hora.

No retrato de senhora, em busto, sobriamente feito, a figura é apresentada com muita vitalidade e tudo muito harmônico na tonalidade.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 11 ago. 1914, p.5.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 11 ago. 1920, p.6.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES – Inaugura-se amanhã, no edifício da Escola de Belas Artes, a exposição geral de belas artes do corrente ano.

Sabemos que entre outros artistas mandaram trabalhar [sic] a distinta artista americana Mrs. Cecil Davies Clarke [sic], as Sras. D. Regina Veiga e D. Georgina de Albuquerque, e Rodolpho Amoedo, João Baptista da Costa, Elyseu Visconti, Eugenio Latour, Lucilio de Albuquerque, Rodolpho Chambelland e Leão Velloso.

Hoje realiza-se ali a cerimônia do "vernissage".

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 11 ago. 1920, p.6.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 11 out. 1907, p. 3.

A seção de escultura da atual Exposição contém cinco expositores e dez trabalhos.

Como de boa educação, comecemos pelos estrangeiros e falemos do busto em bronze do Sr. Antonio Parreiras pelo escultor francês Marc Robert.

Diz o catálogo que se trata de um artista premiado muitas vezes na Escola de Belas-Artes e no Salon de Paris, e isso não causa admiração vendo-se o seu savoir-faire largo, hábil e atrevido. O busto do Sr. Parreiras não é simplesmente um retrato; é quase um traço biográfico, uma expressão característica, uma feição saliente de um temperamento muito móvel, cujas faces tanto físicas como espirituais foram apanhadas com muita sutileza.

Do retrato do Sr. F. G. em bronze, pelo escultor espanhol José V. Ferrer, já tivemos ocasião de falar. Então, salientemos, a par da finura de expressão e da boa fatura da cabeça, a desproporção entre esta e o corpo e o corte desagravel [sic], na parte superior dos membros inferiores. Esses senões não nos devem impedir de reconhecer que o artista espanhol é um escultor que é senhor da técnica da sua arte.

Corrêa Lima, o já laureado discípulo de Rodolpho Bernardelli, tem um pequeno nu, a que deu o nome de Iracema.

Modelado com grande cuidado e finura, habilmente equilibrado em uma postura graciosa, o seu trabalho é mais um bom estudo realista do nu, diríamos quase um estudo acadêmico, do que uma concepção, e muito menos uma interpretação da heroína de José de Alencar.

Revela-se este ano outro discípulo talentoso de Rodolpho Bernardelli, e que com as lições do mestre e esforço aturado há de ir longe: é o Sr. Joaquim Rodrigues Moreira Junior que expõe um pequeno nu em gesso, denominado Pensativo.

Nesse trabalho, que contém senões, como por exemplo, as pernas muito compridas e mal modeladas, principalmente nas articulações, há, no entanto, coisas reveladoras de um temperamento artístico e de grande talento.

O menino nu tem simplicidade e sentimento e certo encanto na posição bastante sugestiva. Sem que queiramos nem de leve insinuar qualquer suspeita de imitação, essa estatueta do novel escultor faz vir ao espírito a lembrança de Caim de Teixeira Lopes.

O Sr. Honorio da Cunha e Mello, outro talentoso discípulo de Rodolpho Bernardelli, já premiado em anterior exposição, tem um expressivo busto de mulher.

E last but not least, quatro trabalhos em gesso e um em bronze da Senhora D. Nicolina de Assis, todos bustos, mas dos quais apenas um é retrato. Este, que é feito com certo vigor, tem caráter e expressão, e é modelado com amor, é o retrato do ator italiano Gravina. Os outros são figuras ideais, bastante atraentes, modeladas por uma mão delicada e experimentada.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 11 out. 1907, p. 3.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 11 out. 1910, p.5.

O Sr. Giuseppe Brugo, o artista italiano que o ano passado se apresentou no nosso Salão com um quadro importante, Pedras de Jerusalém, que logo o colocou na primeira fila dos nossos pintores, e que atualmente tem na Exposição Geral, na Escola de Belas Artes, três quadros de figura que não desmerecem do acima citado, parece que estabelecerá domicílio neste país, com o que muito ganhará o nosso assaz limitado meio artístico.

O Sr. Brugo acha-se presentemente em Nova Friburgo, pintando um quadro grande, de composição, para o Colégio Anchieta, daquela cidade. O tema do quadro é um episódio da vida do patrono daquele estabelecimento.

Dali tem ele enviado para cá uns interessantes estudos de paisagens, distintos pela feliz escolha dos pontos pintados e pela maneira fina e sentimento com que são feitos, e que têm encontrado domicílio nas coleções de finos amadores.

Agora, mandou dois belos desenhos a crayon, que se acham expostos na Casa Vieitas, à rua da Quitanda.

No desenho puro, sem o auxílio da cor, o artista tem de mostrar quanto conhece a sua arte, e não pode, como na pintura a cores, ocultar qualquer falha com um toque mais ou menos destro ou mais vivo. Aí toda a imperfeição, todo o descuido, toda vacilação se trai francamente.

Por isso é que muitos artistas consideram o desenho a branco e preto como a arte por excelência, a única arte plástica, no dizer do grande água-fortista Bracquemond.

Os dois desenhos do Sr. Brugo representam: um, uma criança, e o outro, o frontispício de uma velha casa.

Largos, firmes, bem delineados, são feitos com simplicidade e sem maneirismo.

Vê-se que o artista foi um observador fiel do que tinha diante de si e que registrou bem a impressão que ambos os temas lhe produziram.

No da criança a forma e o contorno são bem sugeridos e bem definida a expressão.

Esses dois desenhos, tão pequenos e tão simples, bastam para demonstrar os recursos que um artista conhecedor de sua arte encontra nos elementos do branco e preto.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 11 out. 1910, p.5.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 11 set. 1904, p.3.

Exposição Geral de Belas Artes - o Sr. Joaquim Fernandes Machado, que obteve o prêmio de viagem na Exposição de 1900 apresenta o resultado dos seus estudos e trabalhos nos dois anos que passou na Europa. [...] bem numerosa é essa contribuição, e bastante variada, compreendendo quadros de assunto religioso, estudos de figura, estudos de paisagem e de natureza morta, em uma série de nada menos de dezesseis telas, algumas de tamanho regular.

O Sr. Machado, na Exposição de 1901 apresentará um quadro - O Sonho de Jacob - que o destacou com certa saliência e que fez augurar muito do futuro do jovem artista.

Esse quadro revelava a ambição de fazer uma obra em que, a par de bons conhecimentos técnicos, o artista se esforçava por mostrar faculdades imaginativas.

Corre-nos, porém, o dever de dizer que nem com os seus dois quadros de assunto bíblico, nem com os outros atualmente expostos, começou a realizar as promessas então entrevistas.

Não quer isto dizer que o artista nada aproveitou da sua viagem e que retrogradou. Longe disso a nossa intenção; mas afigura-se nos que durante o tempo que lá esteve, o preocupou sobremodo a intenção de produzir muito, de apresentar numerosas provas de seu labor e diligência, e que isso prejudicou a qualidade de seus trabalhos. Parece também que, no pouco tempo a sua disposição, sentiu a impressão de diferentes influências, e tentou tocar em diversos assuntos e sob pontos de vista diferentes.

Daí resulta a impressão, que a sua numerosa exposição causa, de açodamento no produzir, de precipitação na escolha e elaboração de temas que, pela sua elevação e pela repetida preferência por outros artistas, exigiam certa originalidade de tratamento, certo apartamento da banalidade na composição, e estudo e cuidado na sua execução. É por isso que não nos agradam os seus quadros de assuntos bíblicos, apesar do tentame de efeitos decorativos no fundo da Tentação de Santo Antônio (n.130).

Sobre não nos dizerem essas telas nada de novo, o artista foi infeliz na escolha de modelos e na maneira geral como as pintou.

O mesmo quase se pode dizer do seu quadro Ofertas ao idoso e de outros como o n. 116.

Onde este artista mais nos agrada e onde denota que fez estudos que lhe podem mais tarde ser úteis, é nos pequenos quadros de paisagem, feitos com regular frescura e fidelidade de notação.

Gostamos também do seu quadro - Constelações - (n.117), uma nota impressionista interessante, com as duas cabeças bem feitas, sendo todo o quadro pintado com certa espontaneidade e vibração de cor.

O quadro - Cabeça de um velho pedinte - 115, tem qualidades de modelado e tratamento mais cuidadoso, e o quadrinho - Violetas de Parma - (131), no seu gênero, é interessante de composição, harmônico de tom e as suas flores tem certo sentimento de forma e de cor.

O Sr. Fernandes Machado tem, sem dúvida alguma, talento e apreciadas qualidades de técnica. Precisa agora assentar e utilizar-se criteriosamente dos elementos que embebeu na sua última viagem, e não hesitamos em afirmar que, com isso, com um estudo mais aturado do modelo, sem a preocupação de produção numerosa, há de nos dar trabalhos que honrem o seu nome.

Gustavo Dall'Ara mandou este ano apenas um trabalho, uma grande paisagem, representando um trecho do Engenho Novo.

Como sempre, é uma obra de colorista intensamente iluminada, pintada em tons fortes de verde, azul e laranja, mas em que talvez o modo um tanto minucioso como estão tratados todos os planos diminua um pouco o efeito geral.

O Sr. Fiuza tem uma boa cabeça de estudo, e uma paisagem do Tirol, com qualidades de perspectiva e em que o solo coberto de gelo impunha um problema de luz refletida de efeito.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 11 set. 1904, p.3.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 ago. 1916, p.6.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Inaugura-se hoje, dia que completa o centenário do início do ensino das belas artes no Brasil, a exposição geral do corrente ano.

Por exceção as duas cerimônias do vernissage e da inauguração oficial realizam-se hoje mesmo, a primeira às 2 horas da tarde e a segunda às 8 horas da noite.

Tivemos ocasião de visitar ontem as salas do edifício da Escola, onde se realiza a exposição; e apesar da azáfama que ali reinava, a arrumação dos trabalhos expostos já ia adiantada bastante para se poder formar ideia aproximada do que será o certame deste ano.

A impressão geral é boa e agradável. O número de expositores é bastante grande, na sua maioria de artistas novos e que comparecem pela primeira vez no nosso salão.

Dos velhos mestres só apareceu João Baptista da Costa, o atual Diretor da Escola - com meia dúzia de paisagens na sua fatura características e interessantes, como são todos os trabalhos que saem do seu provecto pincel.

Rodolpho Bernadelli, Rodolpho Amoedo, Henrique Bernadelli, Corrêa Lima, não enviaram nenhum trabalho; deixaram inteiramente o campo aos seus discípulos, e aos nóveis artistas.

Vieram muitas obras de artistas residentes nos Estados, e cumpre desde já salientar que fazem boa figura na Exposição os representantes de S. Paulo

Na rápida visita que fizemos não pudemos, como era de esperar notar todos os trabalhos de merecimento ali reunidos. Mais de espaço trataremos circunstanciadamente das principais obras; mas não queremos furtar-nos ao prazer de citar algumas que logo de pronto solicitaram a nossa atenção.

Quem entra no salão principal tem logo os olhares atraídos para uma grande tela que ocupa quase toda a parede do fundo da sala. É uma grande composição - a maior da Exposição - do pincel do Sr. Lucilio de Albuquerque, representando um episódio da vida de Garibaldi [Imagem].

Outro quadro que também chama a atenção pelas suas proporções e brilho da tinta dominante é o retrato de S. Eminência o Sr. Cardeal Arcoverde, pelo jovem artista Rodolpho Chambelland. Este retrato já esteve exposto em outro lugar e já tivemos ocasião de a ele nos referir aqui mais minuciosamente.

Os outros trabalhos que nos impressionaram agradavelmente são: quatro autorretratos de um artista que se assina Ziliani, com efeitos de reflexos de luz interessantes; um quadro com uma mulher moça, sentada junto a uma mesa, com uma carta na mão e em atitude pensativa [Imagem], do Sr. M. Campão; um retrato ao ar livre, assinado por [...], um retrato de uma moça vestida de preto e uma paisagem-panorama, do Sr. H. Cavaleiro; um quadro - desastre em uma [...] - composição com figuras, largamente feita, assinado A. Rocco; uma série de aquarelas, feitas com a técnica de um proficiente nessa especialidade, assinadas P. Colom; uma excelente cabeça de preta, pelo Sr. Argemiro Cunha, etc.

Na seção de desenhos notamos três trabalhos, feitos com a proficiência que há muito o torna conhecido, do velho mestre Valle [Antonio Alves do Valle de Souza Pinto], uma série de iluminuras a cores, para um livro de versos do Sr. Gustavo Barroso, por um artista português e recentemente entre nós, o Sr. Corrêa Dias.

Na seção de esculturas e medalhas, é de obrigação salientar logo o original da medalha feita por Augusto Girardet, pra recordar o centenário que hoje se comemora.

No verso tem duas figuras principais - os retratos de D. João VI e do Sr. Wencesláo Braz - em cima três figuras, representando a pintura, a escultura e a arquitetura, e com os dizeres Escola Nacional de Belas Artes - 1º Centenário do Ensino Oficial no Brasil.

No reverso: figura de um gênio alado, empunhando um facho - a vista da baía do Rio de Janeiro, com os navios que trouxeram os artistas que vieram fundar a Escola, e em baixo, no primeiro plano, figuras representando as classes que atualmente as cultivam. Em torno, a seguinte legenda em latim, composta pelo Sr. Barão de Ramiz - Priora revoco et prasens immortale reddo.

Uma série de plaquettes de muito valor artístico, do Sr. Adalberto de Mattos; um busto de gesso, de uma mulher moça, ouvindo com muita expressão, do Sr. Antonio [sic] de Mattos [Antonino Mattos]; um busto em mármore, tamanho maior do que o natural, representando a República, e muito bem trabalhado, da Sra. Nicolina de Assis.

São em grande cópia os trabalhos desta seção.

Na seção de cortes aplicados [sic], há três vitrines de interessantes trabalhos em couro, bordados, porcelanas, etc., da conhecida professora Sra. D. Joanna Brandt.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Natalia Mano Goulart Saraiva

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 ago. 1916, p.6.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 ago. 1920, p.4.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Com a presença do Sr. Presidente da República inaugura-se hoje, às 3 ½ horas da tarde, a XXVII Exposição Geral de Belas Artes.

Ontem realizou-se ai a cerimônia do vernissage, o que nos permitiu fazer uma ideia rápida é verdade, do que é a exposição do corrente ano.

Em número de telas, é menor do que nos anos anteriores: mas, a impressão de conjunto é que há ali reunidas coisas muito interessantes, e que há artistas que acusam progresso notável.

Não temos tempo, nem se pode fazer uma apreciação justa por uma rápida visita; mas, se pode mencionar como empolgando logo muito favoravelmente a atenção os dois retratos enviados pela distinta pintora Mrs. Cecil Davies Clarke, as duas paisagens de João Baptista; o retrato e duas paisagens de Lucilio de Albuquerque; os quadros cheios de luz, de D. Georgina de Albuquerque; o quadro de composição, de Eugenio Latour; os retratos de Rod. Chambelland; a bela paisagem [Imagem] de Edgard Parreiras; o retrato de D. Regina Veiga; as duas marinhas e os outros trabalhos de Helios Seelinger, que este ano parece que vão dominar o Salão; os quadros de Arthur Thimotheo da Costa e os de seu irmão João [João Thimotheo da Costa], e trabalhos de Carlos Oswaldo, Carlos De Servi, Bruno, Guthmann Bicho [sic], Augusto Bracet, Navarro da Costa, etc.

Os quadros com que o Sr. Elyseo Visconti concorre à exposição e que fizeram parte da última exposição da "Société Nacionale" [sic], em Paris, ainda não se achavam expostos.

Na seção de escultura bons trabalhos de jovens artistas, chamando a atenção a estatua "Escrava" de Antonino de Mattos e o grupo "Um sonho" de Hilgardo Leão Velloso [sic].

Na seção de medalhas e pedras preciosas obras muito interessantes dos artistas formados por. A. Girardet, os Srs. Arlindo Bastos, Dinorah de Simas Enéas, Francisco Marinho, Jorge Soubre e L. Campos.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 ago. 1920, p.4.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 ago. 1921, p.5.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Com a presença do Sr. Presidente da República, realiza-se hoje, a uma hora da tarde a inauguração oficial da "28ª Exposição Geral de Belas-Artes" no edifício da Escola Nacional de Belas Artes.

Teve ontem ali lugar a cerimônia do vernissage a que concorriam artistas, amadores, pessoas de posição social e representantes de países estrangeiros: e a impressão produzida pelos trabalhos expostos pareceu ser muito boa.

O número dos trabalhos não é tão grande como tem sido em alguns dos anos anteriores; mas, ainda assim é de admirar que não sejam eles mais diminutos nas difíceis circunstâncias em que todos nos debatemos.

Dos mestres - mandaram trabalhos - na seção de pintura - o Diretor da Escola João Baptista da Costa - três paisagens, um quadro de figuras ao ar livre e um pequeno quadro de gênero - um retrato-caricatura, feito com chiste e graça. Elyseu Visconti - uma série de desenhos, e quatro quadros a óleo - dois grupos de retratos: paisagem impressionista e uma figura de menino. Por agora, basta chamar a atenção para esses trabalhos; o que aliás é também inútil, porque ninguém com os olhos abertos e que saiba ver, deixará de olhar para eles.

Trabalhos que também logo prendem a atenção e aos quais toda a gente voltará mais de uma vez, são os quadros de figura do artista Angelo Cantú, aliás mal colocados e em má luz.

Eugenio Latour tem quatro trabalhos pintados no Morro do Castelo - um retrato de velho, que parece ser um tipo ali popular; e dois interiores de Igreja, que produzem impressão de que o tema lhe foi particularmente simpático e que ele cuidou com carinho. São também quadros que a gente tem de rever mais de uma vez.

D. Georgina de Albuquerque expõe dois quadros de figura - retratos visivelmente feitos com intenção. O denominado "Acácias", ao ar livre, com muita cor e fortes vibrações de luz, afigura-se-nos que vai ser um dos "clous" do Salão deste ano.

Lucilio de Albuquerque - duas paisagens de valor.

Antonio Parreiras é representado por dois grandes quadros de figuras e paisagens, como ele os sabe pintar.

Na rápida visita através das salas, dominado mais pela curiosidade de ver do que de fazer crítica, deparamos ainda com muita coisa interessante que mais tarde teremos de examinar mais atenta e demoradamente, como os quatro trabalhos de Seelinger com as intenções simbólicas que formam o característico da sua pintura; os trabalhos dos dois irmãos Arthur [Arthur Thimoteo da Costa] e João Thimoteo da Costa; as paisagens de Edgard Parreiras; de Francisco Manna, de Fernandes Machado, de Levino Fanzeres, de Argemiro Cunha; os trabalhos de figura de Rodolpho Amoedo, de Guttmann Bicho, o quadro "o nu" [sic] de Augusto Bracet, denominado "A Vida"; todos e bons, de Carlos Chambelland; a japonesa [Imagem], de Coelho de Magalhães; os retratos de Raul Deveza, os estudos de figura de Marques Junior, a "Adolescência" de Carlos Oswald e quatro trabalhos rigorosos de Oswaldo Teixeira, que nos dizem ser um menino de dezesseis anos de idade, mas que já maneja o pincel com a desenvoltura de um artista já experimentado.

A seção de escultura também contém muita coisa digna de atenção e que merecerá estudo cuidadoso. Nem Rodolpho Bernardelli, nem Corrêa Lima têm ali nada; mas estão por assim dizer bem representados por discípulos de valor como Antonino Mattos, com duas estátuas, uma em gesso [Imagem], e outra em bronze [Imagem]; Francisco de Andrade, com duas estátuas - imagens - Santa Tereza de Jesus e Nossa Senhora do Monte do Carmo - encomendas da Ordem do Carmo, e o busto do Dr. Nicanor do Nascimento; Armando Magalhães Corrêa, A carioca, uma estatueta em gesso; Hildegardo Leão Velloso, com um projeto de monumento [Imagem], de que se não deve falar sem estudo demorado mas que chama a atenção.

O Sr. Humberto Cavina é o único que expõe bronzes, uma estatueta - intitulada Fundidor e um estudo de cabeça.

Uma das seções da exposição que costuma ser sempre extremamente atraente, e que este ano em nada se mostra inferior às dos anos anteriores, é a de gravura - gravura de medalhas, toda ela formada pelos trabalhos desse insigne mestre que se chama Augusto Girardet e dos seus ilustres discípulos. É impossível falar dessa seção de corrida.

E finalmente a seção de arquitetura, com projetos dignos de nota, e em que se reconhece com prazer o interesse que o velho estilo colonial está despertando da parte dos nossos arquitetos e, melhor ainda, dos que estão construindo casas.

A exposição do corrente ano, sem obras de grande pretensões em qualquer de suas seções, possui qualidade que a hão de fazer visitada frequentemente por quantos ali forem.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 ago. 1921, p.5.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 ago. 1928, p. 14.

O "VERNISSAGE" DO SALÃO DE 1928 - Os salões da Escola Nacional de Belas Artes estiveram ontem em grande atividade. O grupo, o grande grupo de artistas, que concorrem à exposição oficial de 1928, na praxe que antecede à inauguração do "Salão", lá esteve a dar os retoques finais de verniz aos seus trabalhos, numa animação sadia, numa alegria afanosa, cheia de esperanças e de confiança...

O "Salão" deste ano é sobremaneira numeroso e nele as afirmações de talento aparecem de um lado e delineiam-se de outro.

A seção de escultura parece-nos, a julgar pela rápida visita de ontem, uma das mais animadas pela qualidade dos trabalhos e pelo número dos expositores.

Ante a elevada coleção de quadros de peças de escultura, de arte aplicada, de projetos arquitetônicos, não é possível um apanhado do que ali vimos. Reservamos para depois uma notícia mais detalhada e a apreciação que nos sugerem os trabalhos e as personalidades dos artistas que, este ano, vão dar ao "Salão" uma das suas mais belas significações.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 ago. 1928, p. 14.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 set. 1902, p.3.

Exposição Geral de Belas-Artes - Da seção de pintura resta-nos apenas falar das paisagens.

O Sr. Souza Pinto enviou de Paris uma - Vascas [sic] bebendo em um trecho do rio Tua -, em que se notam os seus estudos de luz refletida, com o fundo magnificamente iluminado, mas com o primeiro plano tratado com certas durezas; e uma marinha - Um trecho do rio Douro, perto da cidade do Porto -. Desta última gostamos mais pelo excelente tratamento das águas; mas, afigura-se-nos que a linha do horizonte tem qualquer defeito que dá a impressão de um desequilíbrio no nível das águas, que a princípio tomamos como o efeito da vazante da maré. Ambos os quadros são pintados com a maestria de técnica, a simplicidade de fatura e os brilhantes efeitos peculiares ao exímio artista, mas os quadros expostos não são os melhores que ele nos tem enviado.

O Sr. Henrique Bernardelli tem uma série de vistas a óleo e à aquarela, impressões da cidade de Diamantina, estudos feitos no local na viagem por ele empreendido ao Estado de Minas, no ano decorrido. Todos esse trabalhos, a par da sua superior técnica em ambos os veículos que empregou, possuem bem o caráter local, denotam grande observação e efeito pitoresco, se bem que por vezes um tanto frio. O quadro Um serviço diamantífero (42), bem estudado e bem tratado, pinta, com muita felicidade, o processo da lavagem das areias diamantíferas à beira do rio.

O Sr. João Baptista da Costa, o artista que melhor sabe ver a nossa natureza, tem quatro trabalhos que se distinguem por uma boa interpretação da paisagem, fiel e verdadeira, principalmente do nosso verde. Sente-se neles o alfombrado da relva, a umidade de que está ela impregnada, o cheiro acre e penetrante das matas, e a impressão que eles nos causam é profunda e comocional. São das coisas melhores da Exposição.

O Sr. Aurelio de Figueiredo manda quatro quadros em que trai a sua natureza de poeta. São todos de impressão boa, suavemente enternecedora. O primeiro plano é relativamente pouco tratado, mas os fundos são belos, com a luz difusamente espalhada, bem iluminados, produzindo o mais agradável efeito a espécie de véu diáfano e transparente do que envolve toda a paisagem.

O Sr. Gustavo Dall'ara envia duas paisagens feitas nos arrabaldes desta Capital. Dos seus dois quadros, gostamos mais do n.77, Chácara Magalhães Castro - ambos revelam a mesma sinceridade de percepção. O quadro acima indicado é um belo estudo de um dia luminoso e intenso de sol. Todos os planos muito trabalhados e bem desenvolvidos tomam as suas distâncias verdadeiras e dão ao quadro singular largueza de horizonte. A paisagem tem ar, tem ambiente, tem luz muito intensa e produz impressão agradabilíssima, apesar de um vizinho que de algum modo lhe prejudica o efeito. Talvez se possa reparar um demasiado abuso dos azuis nas sombras e nos contrastes.

No n.79 - Hospital do Exército em S. Francisco Xavier - dominam os corpos simétricos do edifício, mas os arredores deste, que são característicos, são pintados com igual sinceridade.

Do Sr. Modesto Brocos há duas visitas de Teresópolis, tiradas de pontos vizinhos do local denominado Barreira, na estrada que conduz aquela pitoresca e aprazível cidade. São feitas na hora melancólica e nostálgica do crepúsculo, e despertam certa sensação de tristeza e de saudade, principalmente em quem tiver trazido recordações de dias felizes passados naquele delicioso recanto.

O Sr. Eugenio Latour ainda aqui dá mais uma amostra do seu talento e temperamento artístico. A sua paisagem (n.103), A tarde - é bem observada, muito quente e dá mais agradável impressão.

O Sr. Joaquim Insley Pacheco, o veterano artista tão apreciado, enche a exposição com uma numerosa contribuição de pequenos trabalhos a óleo e a gouache, mostrando que a idade não lhe arrefeceu o entusiasmo nem lhe quebrantou a atividade. São na sua maioria estudos dos arredores desta cidade em que a tendência de poetizar a paisagem se trai de modo sedutor, mas dos quais se destacam por vezes algumas impressos exatas e fiéis do natural.

Do saudoso Benjamin Parlagreco, um quadro - Vegetação brasileira (n. 190), na sua maneira e com a nota bem característica da nossa paisagem, e uns estudos de animais, nos quais mostrava que, se a morte não o houvesse arrebatado tão cedo, viria a ser um animalista notável. O quadro - Em demanda do curral (n. 196) - tem dois bois muito bem estudados, e no n. 197 - Estábulo -, se a vaca é demasiada bojuda, o bezerrinho é admirável de observação, e muito bem feito.

Do Sr. Benno Treidler, quatro luminosas aquarelas manchadas com aquela largueza, aquela segurança e simplicidade de toque que há muito o sagraram mestre incontestado nesse gênero. O Sr. Treidler é um estudioso e excelente transcritor dos admiráveis e surpreendentes efeitos da luz intensa dos nossos dias luminosos e sempre nos apresenta trabalhos que nunca deixam de interessar.

O Sr. Elisêo Visconti expõe umas manchas azuis de uma nota impressionista demasiado forçada, dando efeitos que talvez seja ele o único que os tenha observado assim. Isso nada destoa em um artista que apresenta uma obra tão valiosa no seu conjunto, e que nos deu as finas e admiráveis paisagens da sua Gioventú e das suas Oréadas.

O Sr. Weingartner enviou de Roma diversos quadros de paisagem italiana com figuras e animais. As paisagens são todas agradáveis, bem feitas, muito bem iluminadas e dando agradável impressão que este artista sempre desperta. Em algumas, como a - Ceifa em Autreoli [sic] (n. 264) - as figuras são bem feitas e no - Pousada (n. 266) - o fundo é bem pintado e com amplo horizonte.

Os bois que introduz nos seus quadros é que são muito mal desenhados e muito duros.

Devemos ainda notar uns pequenos estudos de paisagem a óleo e a gouache do Sr. Jorge de Mendonça, que pela primeira vez se apresenta nas nossas exposições e revela qualidades de observação e de interpretação; e dois pequenos quadrinhos de Felix Bernardelli, dois cartões de visitas enviados do México, duas excelentes impressões com característica cor local.

O Sr. Carlos Balliester tem-se ultimamente dedicado à pintura de marinha, para a qual parece ter gosto. Os seus trabalhos não desagradam, mas afigura-se-nos que são um tanto falsos de cor e frios de impressão. Como é um artista ainda moço, somos de opinião que ganharia muito com mais aturada observação de natural e maior cuidado no desenho. Tem um quadro de frutas - Carambolas e damascos portugueses - que é bem regular.

No número dos quadros de natureza morta devemos ainda notar: umas excelentes - Rosas (n. 54) - do Sr. João Baptista da Costa; umas - flores - vigorosamente pintadas, de D. Julia Naegeli; - umas Cebolas, - excelentemente pintadas, do Sr. Nilo de Paula e as frutas do Sr. Petit.

O Sr. Antonio Valle expôs apenas um desenho à pena, retrato do próprio artista, que é de uma acabada perfeição de técnica.

O Sr. Valle tem feito deste gênero de trabalho uma especialidade em que não tem quem o exceda; e pela semelhança que sabe dar aos retratados, unida à correção do desenho e grande transparência, faz verdadeiros primores sendo de admirar que não sejam mais numerosos os retratos nesse gênero, de preferência às ampliações fotográficas, tão geralmente preferidas entre nós, mas que não tem o mesmo valor artístico.

É de surpreender que o Sr. Valle nunca tenha tentado fazer gravura à água-forte, parecendo-nos possuir uma técnica de desenho muito apropriada a esta especialidade.

Já que falamos em água-forte, tratemos já dos quatro belos retratos expostos pelo Sr. Modesto Brocos. Mais de uma vez temos posto em evidência nessas colunas a apreciação que temos dessas suas obras. Dos retratos expostos, o que preferimos é o do Sr. Dr. Martins Junior, de maior transparência. O retrato do ilustre Professor Rodolpho Bernardelli é excelente, de desenho e de expressão, mas algo [...]

[…] dignos dos melhores encômios e constituem exemplo que merecia ser seguido por outros artistas.

Também merece palavras de louvor e encorajamento, pelos seus excelentes modelos de xilografia, o talentoso artista Sr. João Ricardi Cattaneo.

A seção de escultura compreende exclusivamente sete trabalhos do jovem artista José Octavio Corrêa Lima, recém-chegado da Europa, onde esteve dois anos em virtude do prêmio de viagem que alcançou na Exposição Geral de 1899.

Já o ano passado, com os trabalhos que enviou de Roma, deu provas de grandes estudos e progresso; e os trabalhos que tem na atual exposição, confirmam a impressão, então, produzida, de ser um moço de grande talento e que, se prosseguir com o mesmo afinco ao trabalho, há de dar um escultor que honrará a pátria. Para isso será necessário que da sua parte haja o esforço entusiástico, a perseverança no estudo que deve ter todo e verdadeiro artista; mas também será imprescindível que receba ele a proteção dos que possuem meios de fortuna e principalmente do Governo, sem a qual não poderá ele empreender obras em que possa pôr em contribuição toda a sua faculdade criadora e os fatores de técnica já adquiridos.

A escultura não tem ainda entre nós a apreciação que merece, porque demanda uma educação artística mais aprimorada, privada da atração e do enlevo que dá a cor. Na escultura, a forma não tem a cor, a atmosfera e o tom que constituem os elementos encantadores da pintura. Esta é uma arte de ilusão; a escultura depende rigorosamente da concepção e da combinação das linhas e das formas. É uma arte que nas suas mais elevadas manifestações, deve ser casta, severa e grave, e como é vista por todas as suas partes, precisa de agradar ao espectador de todos os pontos de vista, sendo que no caso de grupos, as dificuldades aumentam de força complicativa. Assim considerando, não se pode deixar de apreciar com entusiasmo os trabalhos do Sr. Correia Lima este ano. Destes destaca-se, pelo elevado valor da concepção, o gesso em tamanho natural denominado Mater Dolorosa, que representa uma angustiosa mãe debruçada sobre o cadáver do filho. Este grupo, belo nas suas proporções e nas suas linhas, significativo na sua forma e na sua posição, é uma admirável composição tanto pela ideia simbolizada como pela expressão do todo, e pela singular beleza das figuras, principalmente a da mulher que é muito bem modelada e sentida.

Talvez na saliência demais proeminente das extremidades do filho morto haja uma quebra na harmonia da composição, mas isto mesmo constitui um elemento de vitalidade e mostra que o jovem artista já se vai libertando de preceitos acadêmicos e se esforçando por afirmar a sua individualidade. É, em suma, uma bela obra tanto em primor de execução como em largueza de sentimento, e mereceria que o Governo, que tem elementos para isso na verba com que foram adquiridos ultimamente objetos de arte para a nossa galeria de belas-artes, comprasse esse grupo ao jovem artista e o mandasse executar em mármore. Sobre adquirir uma das mais admiráveis obras produzidas ultimamente por artista nacional, constituiria isso um grande auxílio para o desenvolvimento de um talento fadado a honrar a pátria brasileira. Esse ato seria um padrão de benemerência que aureolaria os nomes dos Srs. Presidente da República e Ministro do Interior e interino da Fazenda, do qual os pósteros lhes seriam gratos.

Os outros trabalhos do Sr. Corrêa Lima não são menos merecedores de exame e atraem todos pela sua força de expressão. O busto em mármore - Visionária - (7), é gracioso e suave de linhas, de um caráter delicadamente traduzido, com um sentimento de forma bem sugerido.

A Cabeça de menina, em terracota, é de grande ingenuidade de expressão. E as pequenas estatuetas de bronze, talvez mais esboçadas do que minuciosamente acabadas, são interessantes no modelado sugestivo e cheias de vitalidade e de caráter pitoresco. O Dueto (3) é uma figura arcaica, muito graciosa na sua intenção e finamente executada. Mas, dessas estatuetas de bronze, a que preferimos é a Eterna luta (5), de um realismo imaginativo, se assim se pode dizer. Aqui o escultor, não tendo o nu para interessá-lo, fez do movimento o motivo principal do seu trabalho. Tem força e naturalidade na postura e certa nobreza sugestiva das figuras de Jean François Millet.

O Sr. Corrêa Lima possui grandes qualidades de desenho e mesmo como modelador já é notável a sua perícia; e de que não lhe falta a faculdade de concepção tem dado já provas exuberantes; é um artista cujo futuro deve ser acompanhado com atenção.

Da escultura para a gravura de medalhas e pedras preciosas a transição não é muito grande. A arte do medalhista não é também ainda bem apreciada aqui. Poucos compreendem que uma bela medalha não é simplesmente um medalhão comum em miniatura, mas uma modificação de escultura em que os planos devem dizer mais do que as luzes e as sombras. E atualmente só na França é que esta arte, que Vasari dizia ser o elo entre a escultura e a pintura, tem atingido a elevado grau de perfeição.

A atual Exposição só um artista se fez representar: o Sr. Augusto Girardet, que é um mestre incontestado no seu métier, um verdadeiro artista que alia a uma perfeição de técnica uma delicadeza e sentimento artístico que só uma vocação especial e completa educação profissional podem dar.

Os seus projetos de medalha a Santos Dumont, a Vittorio Emmanuele e para o Instituto de Proteção à Infância são de excelente concepção, e o retrato de Vittorio Emmanuele e a Cabeça (13), de um grande primor de execução.

Muito finos e finamente esculpidos os dois retratos, e o grupo do monumento a Pedro Álvares Cabral, de Rodolpho Bernardelli, todos gravados em ágata.

O Sr. Girardet é um artista que em todas as exposições faz figura notável, sendo tanto mais de estranhar que a sua fina arte não tenha muitos amadores que a saibam apreciar.

A seção de arte aplicada é quase toda preenchida com trabalhos do Sr. Visconti. São desenhos aquarelados, para vidraçarias, para esmaltes, para panos impressos, para tecidos, para entalhes em madeira, para cerâmica, para porcelana, para ladrilhos, para lâmpadas elétricas, para marchetaria, para papéis pintados, para rendas, projetos para selos, etc., que todos ou quase todos figuraram na sua Exposição o ano passado, e dos quais então falamos minuciosamente.

O Sr. Visconti em tudo quanto fez sempre se revela um artista fino e isso se evidencia dos seus trabalhos nessa seção. Há uma coisa, porém, que convém salientar: é que em todos esses desenhos mostra ele que conhece a técnica como devem ser trabalhadas as matérias especiais respectivas a que eles se destinam, É pena que ainda não pudesse levar a efeito nenhum desses projetos, quando, pelo menos, os desenhos dos selos e os para papéis pintados já poderiam ter tido realização. Numa cidade em que já há tantas fabricas de papéis pintados, é realmente de surpreender que ainda se limitem à reprodução ou à imitação do que se faz na Europa, quando poderiam aproveitar as aptidões decorativas de artistas como o Sr. Visconti e outros. Produziram, com certeza, obras que teriam certo cunho de originalidade e de caráter nacional.

São também interessantes os trabalhos de pirogravura da Sra. Juliette Wencelins.

Na seção de arquitetura apenas três expositores.

O Sr. Ludovico Berna apresenta um estudo para projeto de edifício destinado a uma escola de direito, compreendendo os desenhos da "fachada principal, a planta do pavimento térreo e perspectiva do saguão de honra", em que se acusa o savoir-faire do professor de arquitetura da Escola de Belas-Artes.

O Sr. Victor Dubugras mandou três desenhos (vestíbulo, rez-de-chão e pavimento alto) da opulenta casa que está construindo em S. Paulo, para o Dr. Flavio Uchôa; mas, que não aumenta a boa impressão da sua exposição o ano passado.

O Sr. J. C. Van Dorser, arquiteto holandês, residente em Paris, mandou, a convite do Sr. Ludovico Berna, três desenhos - Fachada principal do projeto para uma escola primária, que obteve o primeiro prêmio em um concurso, e foi construída em Paris, e desenhos de chaminé monumental construída em Bruxelas (estudo de conjunto e detalhe da construção).

Os seus trabalhos revelam um artista notável e com o seu exame muito terão a ganhar os alunos dessa especialidade.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 set. 1902, p.3.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 set. 1909, p. 8.

Os júris das seções de pinturas, escultura, arquitetura e gravura de medalhas reunidos ontem para julgamento dos trabalhos expostos, conferiram os seguintes prêmios:

Pintura - medalha de prata – Giuseppe Brugo e Francisco Manna.

Menção honrosa do 1º grau - Presciliano Silva.

Menção honrosa do 2º grau - Dr. Raul Pederneiras, D. Cecilia Driendl e D. Carlota Labouriau.

Escultura - Menção honrosa do 1º grau - Umberto Cavina.

Gravura de medalhas - Medalha de prata - Adalberto Pinto de Mattos.

- Tem tido muita concorrência o Salão deste ano. Foram adquiridos os seguintes quadros: n. 51 "Pastando", de Fernandez Gomes, pelo Sr. Luiz Supplicy, e n. 6, "Estrada do Bighen [sic] (Petrópolis), do professor João Baptista da Costa, pelo Dr. Abreu Fialho.

Hoje, domingo, a Exposição estará aberta das 10 horas da manhã às 4 da tarde.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 set. 1909, p. 8.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12-13 ago. 1929, p. 5.

O SALÃO DE 1929 - Foi ontem inaugurada solenemente a 37ª [sic] Exposição Geral de Belas Artes. O ato teve a presença dos Srs. Presidente da República, Ministros da Justiça e da Viação. O chefe do Estado chegou à Escola de Belas Artes às 14 horas, acompanhado do Sr. Ministro da Justiça e do seu ajudante de ordens, Major Brasilio Carneiro de Castro, e foi recebido à porta, pelo Diretor do estabelecimento, Professor Corrêa Lima, e demais Professores, os quais conduziram S. Ex. para os salões, até aquele momento fechados. Procedeu-se, então, a inauguração da exposição de belas artes deste ano.

O Sr. Presidente da República percorreu as galerias, nas quais estão expostos trabalhos dos nossos melhores artistas, principalmente pintores, acompanhado do Diretor da Escola S. Ex. tudo observou com atenção, tendo-se demorado mais tempo ante as obras que lhe pareciam de realce maior, observando-as e ouvindo os esclarecimentos e informes que o Professor Corrêa Lima lhe prestava.

Logo depois, S. Ex. se retirou.

Seguiu-se a cerimônia da entrega de diplomas, feita pelo Sr. Ministro da Justiça, perante enorme assistência.

Muitos são os expositores deste ano, devendo destacar-se os nomes dos seguintes artistas: Pedro Bruno, Oswaldo Teixeira, André Bento [sic], Humberto Cozzo, Paes Leme, Manoel Faria, M. Constantino e Sarah de Figueiredo.

De hoje em diante, o Salão de 1929 está aberto à visita pública.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12-13 ago. 1929, p. 5.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 13 ago. 1920, p.6.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Com a presença do Sr. Presidente da República inaugurou-se ontem a Exposição Geral de Belas Artes do corrente ano.

S. Ex. chegou ao edifício da Escola de Belas Artes às 3 ½ horas da tarde, sendo recebido na porta do mesmo pelo Sr. João Baptista da Costa, Diretor da Escola, e pelos membros da Comissão da Exposição, que acompanharam S. Ex. na demorada visita que fez aos salões da Exposição, parecendo bem impressionado com a maioria dos trabalhos que viu.

Depois, S. Ex. visitou a sala de aula de gravuras, onde examinou a "maquette" da medalha que o Professor Augusto Girardet está fazendo para comemorar a visita dos soberanos belgas ao nosso país

Nesta medalha o artista soube reunir no anverso com muita arte os bustos do Rei e da Rainha dos Belgas e do Sr. Presidente da República, e no reverso da mesma, na figuras simbólicas dos dois países, dando-se as mãos.

O Sr. Presidente da República foi depois às salas da Pinacoteca, examinando os quadros que a compõem, e em seguida ao terraço interno da Escola, que se projeta transformar em salas destinadas as exposições que se costumam realizar naquele edifício. Parece que a ideia dessa transformação não desagradou a S. Ex., que prometeu atender oportunamente tanto quanto pudesse a realização desse projeto.

Também compareceram a cerimônia inaugural da exposição, acompanhando o Sr. Presidente da República na sua prolongada visita o Sr. Dr. Alfredo Pinto, Ministro do Interior; o Sr. Dr. Carlos Sampaio, Prefeito do Distrito Federal; o Sr. Dr. Raul Veiga, Presidente do Estado do Rio; o Sr. Dr. Geminiano da Franca, Chefe de Polícia; o Sr. General Silva Pessoa, comandante da Brigada Policial; o Sr. Dr. André Cavalcanti, Ministro do Supremo Tribunal Federal, e outras pessoas gradas.

As salas da exposição estiveram constantemente cheias de senhoras e cavalheiros.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 13 ago. 1920, p.6.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 13 ago. 1925, p.6.

Teve todo o brilho, nada faltando para ser considerada como uma verdadeira festa de arte, a inauguração do Salon de 1925.

O mundo oficial, a representação das instituições sábias, o comparecimento dos membros do Corpo Diplomático e dos melhores elementos da sociedade do Rio de Janeiro, deram à abertura da XXXII Exposição de Belas Artes o concurso de sua presença.

Pode-se afirmar que muito poucas vezes o nosso Salon - que traduz este ano uma grande e homogênea animação - tem tido a concorrência entusiástica que ontem lhe notamos. De fato, todos os cinco largos compartimentos da Escola de Belas Artes, onde se ostentam os numerosos trabalhos expostos, de pintura, escultura, gravura, etc., regurgitaram desde a hora da abertura até a de fechar.

A primeira impressão que tivemos deste certame, na visita que lhe fizemos por ocasião do vernissage, demo-la em longa apreciação na nossa edição de ontem. Antes, porém, de oferecer ao público uma ideia mais detalhada do que é a exposição deste ano, o que faremos em notícias subsequentes, limitamo-nos, por hoje, ao registro da cerimônia de inauguração, que teve, como dissemos acima, todo o brilho, para o qual contribuíram também flores e tapeçarias, lançadas pelas escadarias internas do edifício.

Na assistência, além de numerosas famílias notavam-se os Srs. Miguel Mello, representando o Sr. Presidente da República, Dr. Mello e Souza, representando o Sr. Ministro da Justiça; Dr. Ramiz Galvão, General Moreira Guimarães, representando o Instituto Histórico, Senador Fernandes Lima, por si e pelo Dr. Costa Rego, Governador do Alagoas, Dr. Laudelino Freire, representando a Academia de Letras, Dr. Lobo Goulart de Andrade, Dr. Alaor Prata, Prefeito do Distrito Federal, Dr. José Rangel, Diretor da Escola Normal, Embaixador da França, Ministro da China, Presidente da Sociedade Brasileira de Belas Artes, Presidente do Instituto Central de Arquitetos, Dr. Dionysio Ramos Monteiro, Ministro do Uruguai, Dr. Carneiro Leão, Diretor da Instrução Municipal.

A exposição estará aberta diariamente das 11 às 17.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 13 ago. 1925, p.6.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 13 set. 1903, p.3.

A quantidade de aquarelas na Exposição é bastante numerosa, mas o numero de seus expositores é apenas de sete.

São o Sr. Henrique Bernardelli e as duas irmãs senhoritas Anna [Anna Cunha Vasco] e Maria Cunha Vasco, que expõem o maior número desses trabalhos.

Quando se realizou a pequena Exposição da Associação dos Aquarelistas, mostramos qual nos parecia ser a maneira do Sr. H. Bernardelli. Os seus trabalhos na atual Exposição confirmam o que então dissemos. O seu estilo é sóbrio e harmônico; é tranquilo, mas atraente na sua serenidade. As suas paisagens, que procuram traduzir a expressão de certas horas menos brilhantes da Natureza, não chamam logo o olhar; mas, depois que este nelas se demora, possuem um encanto delicado, principalmente as suas vistas de Teresópolis, que trazem à memória dos que conhecem a pitoresca e aprazível cidade das montanhas, as recordações mais agradáveis.

As aquarelas das senhoritas Cunha Vasco, se não possuem a perfeição de desenho e a segurança de execução do artista consumado que é o Sr. H. Bernardelli, chamam logo a atenção pela sua cor garrida. Estas duas amadoras, discípulas de Benno Treidler, acusam incontestável progresso na maneira mais firme e mais ampla de manchar, e se bem que revelem ainda a influencia do professor, se nota tendência para tomarem direção própria e a predileção pela cor quente e rica, o amarelo e o vermelho, e luz brilhante e intensa.

Nos seus esboços de paisagens o efeito é de intensa e luminosa transparência. Nos estudos, porém, de interior, em que há bons efeitos de luz, esse gosto pelas tintas positivas transparece mais, em pequenos desenhos, que são evidentemente pintados com prazer.

O Sr. Amoedo apresenta, além dos trabalhos com que concorreu a Exposição dos Aquarelistas, um novo quadrinho - Embaraço - uma pequena figura desenhada com grande apuro, mas pintada com mais largueza do que os seus outros trabalhos no gênero, e impressionando agradavelmente, como quase tudo que sai do seu delicado pincel.

Gustavo Dall'Ara tem uma paisagem com as suas qualidades de colorista e o Sr. Alberto Childe quatro trabalhos que acusam a indecisão de quem tem andado arredio desse gênero de pintura.

Na seção de desenhos há em dois trabalhos do Sr. Elyseo Visconti, o emblema da Biblioteca Nacional e o Ex-Libris para a mesma.

Como tudo que faz o Sr. Visconti, esses desenhos têm um cunho artístico, tem propriedade para o fim a que se destinam e felicidade na escolha dos motivos. Os símbolos neles introduzidos acusam certa distinção no modo como são tratados e no seu caráter decorativo. Todas as suas linhas são feitas com grande firmeza de execução e produzem efeito vigoroso.

Com a barateza da fotogravura, que põe os ex-libris ao alcance, por assim dizer, de todos, seria de desejar que os possuidores de grandes bibliotecas tivessem os seus livros marcados por esses tão interessantes distintivos.

Das águas-fortes do Sr. M. Brocos, a que mais gostamos é o retrato do falecido Imperador, de um tratamento mais sóbrio do que as outras, muito fino de expressão e que tem grande caráter.

O retrato do Sr. Barão do Rio Branco também tem qualidades.

São dignas de louvor e animação a perseverança e a coragem com que o Sr. Brocos vai completando a galeria dos nossos homens ilustres e fazendo uma obra que o futuro saberá reconhecer agradecido.

O Sr. João Ricardi Cattaneo, um artista de merecimento, mas modesto, expõe três xilografias que tem qualidades de desenho e de observação.

Na seção de escultura, um sólido bronze de Rodolpho Bernardelli, um busto-retrato do Dr. Brissay, tratado com grande largueza e realismo; e uma interessante estátua em gesso, tamanho natural, Pescador, de Corrêa Lima. Bem estudada nas suas formas e no caráter do tipo que representa, tem expressão de movimento e merecia ser passada para o bronze.

Não nos agrada o Cupido da pensionista da Escola na Europa, a Sr. D. Julieta França.

Na seção de gravura de medalhas e pedras preciosas, o único expositor é, como sempre, o Sr. Augusto Girardet.

Os seus trabalhos salientam-se pela usual habilidade técnica e feliz composição.

Nesta seção há também uma preciosa coleção de medalhas, de artistas franceses na sua maioria, oferecida à Escola pelo Sr. Luiz de Rezende.

Estas medalhas serão assunto de uma notícia especial.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 13 set. 1903, p.3.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 13 set. 1904, p.3.

Exposição de Belas-Artes - Uma nota característica da atual exposição, nota muito agradável de observar e registrar, é o aparecimento de muitos artistas novos, de trabalhos reveladores de inquestionáveis qualidades de talento e de aplicação por parte de moços, uns alunos da Escola, outros de professores particulares, mas demonstrando todos o mesmo espírito de amor à arte, certo, desenvolvimento de cultura artística que surpreende agradavelmente.

É fora de dúvida que muitos desses trabalhos não são isentos de senões, de inexperiências; mas em quase todos se torna saliente o desejo sincero de estudar, de adiantar-se, de progredir, e esse estímulo, esse esforço de emulação constitui um bom sintoma.

Destes novos o que se apresenta com a obra mais importante, tanto pelo número como pela qualidade, é o Sr. Rodolpho Chambelland, que já se fizera notar na exposição do ano passado.

Expõe seis trabalhos, e naturalmente o que se impõe logo ao visitante é o de n. 50 Uma noite de espetáculo, que representa uma rua diante de um teatro, com carros parados e todo esse fervedouro de gente que se aglomera, que se move em noite de espetáculo. O assunto inquestionavelmente devia atrair um moço desejoso de impressionar o publico, e oferecia certos problemas de observação, de efeitos de luz e de movimento, próprios para deixar entrever os adiantamentos de técnica de um moço trabalhador.

A impressão que o quadro causa é, sem dúvida alguma, a mais agradável: é bem iluminado, é tratado com certa ousadia, tem bastante perspectiva, o agrupamento das pessoas é feito com arte, dando bem a sensação de movimento e revela certa facilidade de execução. É, todavia, pintado com chic e impressiona mais como sendo reprodução de uma cena passada em alguma cidade da Europa do que no Rio de Janeiro.

Os seus dois retratos são também muito bons, com os valores bem expressados e com certos efeitos de contrastes bem interessantes. Em ambos a pose tem certo ar e desenvoltura, e o mesmo recurso do chic.

Todos estes trabalhos são revelações positivas de um talento artístico não pequeno e mostram que se vai apoderando dos segredos da técnica da sua arte. A par de hesitações, há atrevimentos próprios da idade, mas que requerem ser bem governados para não redundarem em exceções que lhe possam ser mais tarde prejudiciais. Tem certa facilidade e largueza de execução; e procura efeitos que requerem, para sua justeza, observação aturada e própria.

Se os futuros trabalhos do Sr. Chambelland vierem confirmar as promessas contidas nos seus quadros deste ano, poderemos contar com mais um artista que honrará as tradições da casa onde aprendeu.

O Sr. Eduardo Bevilacqua, outro filho da nossa escola, que também já o ano passado se fizera notar, tem na exposição deste ano um retrato e três paisagens.

O retrato, em corte longitudinal, representa um moço assentado à sua mesa de trabalho, manuseando um livro. É um bom trabalho, pintado com certa franqueza, boa cor e regular desenho, e certa graça na pose.

A paisagem n. 34, um tanto original no corte, tem uma figura bem metida e é bem estudada.

É também um moço de talento, do qual há a esperar muito.

O Sr. Lucilio de Albuquerque, outro moço com inegável talento, enviou quatro trabalhos, todos de figura, dois a óleo e dois a pastel.

O retrato (n. 109) é um bom trabalho, e pintado com certo rigor. A figura tem expressão; a carnação bem feita, exigindo talvez mais cuidadoso tratamento no colo, em que a grande bóa de arminho lhe faz uma moldura muito vistosa.

A roupagem da qual o busto emerge donairosamente, é tratada com certa largueza, e o retrato, visto da distância própria, produz muito belo efeito.

Há certa delicadeza e garça nos dois pastéis e o pequeno quadro Adoração tem sentimento.

É uma família de artistas a do atual Diretor do Instituto Nacional de Música. Músico eminente, tem dois filhos que acabam de revelar, um em música e outro na pintura, aptidões artísticas não comuns. Este último, o Sr. Carlos Oswaldo, que tem na atual exposição diversos trabalhos de paisagem, é um artista dotado de sentimento poético. As suas duas paisagens (ns. 145 e 146) acusam muita firmeza de técnica e uma visão imaginosa. Dão-nos o céu, as águas, as relvas e as montanhas feitas com um toque delicadíssimo e em um ambiente acinzentado.

O Sr. José Monteiro da França tem uns estudos de figura, em que se notam execução desenvolta, boa cor, expressão e desenho.

O Sr. Jorge de Mendonça, na sua paisagem Pedra do Mirante, pintada com observação e estudo, revela incontestável progresso, e o Sr. J. Xavier tem duas paisagens, que são duas interessantes notas impressionistas.

A. Supparo é o nome de um artista francês, que não sabemos se é moço, mas que expõe um delicioso pastel, uma encantadora cabecinha feita com muita delicadeza.

Podemos aqui também falar de Augusto Luiz de Freitas, que já não é dos mais moços, mas que está trabalhando na Itália e mandou umas paisagens muito interessantes, com bom colorido, muita observação e bons estudos de efeito de luz.

Não gostamos tanto das suas aquarelas, em que há certa pobreza de cor.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz'

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 13 set. 1904, p.3.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 13 set. 1905, p. 4.

Exposição Geral de Belas Artes - A exposição atualmente aberta na Escola de Belas Artes, se bem que não contenha obras primas, é bastante interessante; se há quadros que possam ambicionar essa classificação, o seu número não excederá de dois ou três, e devem ser procurados entre os retratos.

Evidentemente, não nos parece que se possa contestar entre os quadros expostos a primazia aos retratos pintados por Henrique Bernardelli e Elyseo Visconti. Ambos os artistas enviaram mais de um trabalho nesse difícil gênero; mas só tem cada um representando-o genuinamente um único retrato.

Embora já no tempo dos egípcios se descortine o desejo dos indivíduos de verem as suas feições perpetuadas pelos pintores e pelos escultores, pode-se dizer que a verdadeira pintura de retratos só começou um século depois de Giotto e isso mesmo em forma secundária, costumando os artistas introduzir nos planos secundários de quadros religiosos o seu próprio retrato ou o de algum amigo seu ou contemporâneo distinto. Isso se tornou muito comum no décimo quinto século, como o atestam numerosos quadros de Gozzoli, Botticelli, Ghirlandaio, Signorelli e Frá Angelico, na Itália, e dos irmãos Van Eycck [sic] e Memline [sic], no Norte.

A prática de pintar um indivíduo determinado para conserva-lhe as feições, sem nenhum outro motivo, tornou-se bem depressa geral, sentindo-se nos retratos que ficaram desse tempo, quase todos de perfil, recortados mui claramente em um fundo preto, a influência das medalhas da época.

No décimo sexto século, a arte do retrato fez grandes progressos, libertou-se da subordinação às exigências da composição e do espaço e adquiriu maior largueza, interpretação mais natural, maior conformidade no modelo e na carnação com a natureza.

Seria longa a enumeração dos grandes artistas que se distinguiram na pintura do retrato, e seria necessário citar quase todos os que ocupam o primeiro plano da arte em todas as épocas, como Ticiano, Raphael, Leonardo da Vinci, Van Eyck, Alberto Durer, Rembrandt, Velasquez, Paulo Veroney [sic], Rubens, Van Dyck, Franz Hals, Philippe de Champaigne, Clouet, Holbein, Mignard, Drouais, Greuze, Watteau, David, Goya; e nos últimos tempos, a sua lista é tal que seria preciso mencionar quase todos os mestres modernos.

Na pintura de retratos, o artista tem que atender a duas coisas: a semelhança ao modelo e o efeito artístico, e toda a sua habilidade deve consistir nisso. Além da semelhança externa, o artista tem mais de procurar ler o caráter do retratado e interpretá-lo na sua tela; e, pela maneira por que faz isso, evidenciar também a sua individualidade própria.

Henrique Bernardelli, como pintor no sentido próprio, não tem ainda quem o supere, combinando em proporções bem equilibradas, vigor de estilo e excelência de execução.

O retrato do Sr. Dr. Ubaldino do Amaral, que se nos afigura ser o melhor dos três que exibe, é uma obra de grande força de execução. Apresenta-se sentado, no seu gabinete de trabalho, como o corpo um pouco virado, olhando francamente para fora do quadro. A postura tem o negligé, o inconvencional, a grande naturalidade, de quem está à vontade em um meio simpático, e não de quem está se fazendo retratar. O modelo acha-se comodamente recostado em uma volumosa cadeira de alto espaldar, de couro, sobriamente pintada e constituindo um fundo esplêndido, do qual se destaca com vigorosa saliência a varonil e inteligente cabeça do ilustre retratado.

A posição das mãos é sempre coisa difícil em um retrato, e ainda nisso foi feliz o Sr. Bernardelli, bem como no modo como as pintou.

O retrato todo, de vigoroso efeito, dá a sensação de um descanso cheio de vida e movimento, se assim se pode dizer, e é uma das melhores obras de um artista que nos tem dado tantas as coisas excelentes neste gênero.

O retrato do Sr. Machado de Assis é também um belo trabalho; mas, a impressão de tranquilidade e de quase imobilidade que tem, e a pouca saliência que tem do fundo a cabeça meditativa do eminente literato, faz com que essa obra esmaeça diante do vigoroso retrato do Sr. Ubaldino do Amaral.

O retrato da nossa inteligente patrícia, a Sra. Nicolina de Assis [Imagem], do pincel de Elyseo Visconti, não é obra de somenos valor e ao encanto produzido pela excelência da técnica, fina e segura, reúne o de uma não vulgar natureza feminina e artística, expressivamente interpretativa.

Muito harmônico no seu arranjo de cores, longe de querer impressionar pelo garrido das tintas e pelo vigor excessivo de técnica, o artista fez uma composição de cores sóbrias e produzindo [sic] de um modo magistral uma impressão serena e profunda.

A figura da inteligente escultora é representada de pé, vestida de passeio, com roupas de cores escuras, o busto envolvido em bastas peliças e, na cabeça pequena e cheia de caráter, um chapéu preto, a que dá uma nota muito interessante e fina uma fita de veludo amarelo alaranjado.

A atitude é graciosa e expressiva e a figura está bem cercada de ar.

A fisionomia tem uma expressão meditativa e de delicada intuição, contribuindo também para aumentar a graça da composição a posição das mãos muito bem pintadas.

A entonação geral do quadro é feita de modo a produzir efeito muito igual de impressão, e na maneira magistral por que está pintado todo o retrato se revela como sobre o espírito do artista ainda cala fundo a influência do autor da Rendição de Breda, da qual fez uma boa cópia para a nossa Galeria Nacional.

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O Sr. Dr. Regis de Oliveira adquiriu o belo quadro Começo do Dia, de João Baptista da Costa, que faz parte da atual Exposição de Belas Artes.

Como se sabe, o Sr. Dr. Regis de Oliveira ocupa o elevado cargo de Ministro do Brasil em Londres. Para ali pretende partir em meados do próximo mês, e levar consigo a magnífica paisagem de João Baptista, que assim terá a grande satisfação de saber que uma obra sua será admirada em um salão londrino, e pelo escol da sociedade da capital britânica.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 13 set. 1905, p. 4.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 13 set. 1914, p.5.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Encerra-se terça-feira, 15 do corrente, a XXI Exposição Geral de Belas Artes, estando a mesma exposição aberta, até essa data, das 11 horas da manhã às 5 da tarde, no edifício da Escola Nacional de Belas Artes.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 13 set. 1914, p.5.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 13-14 ago. 1928, p. 5.

SALÃO DE 1928 - O Palácio das Belas Artes esteve anteontem em festa com a abertura da XXXV exposição geral, que é em meios artísticos o que se convencionou chamar o "salão" oficial.

O "salão" de 1928 revela um fato auspicioso para a cultura nacional, desde que se tomem em consideração a concorrência e os valores dos trabalhos apresentados.

Ainda que se ponha de lado certo número de "peças" que lá se ostentam e que não nos parecem dignas de figurar numa mostra de arte, como as cópias de simples gravuras inexpressivas ou quadros que o júri de admissão deveria deixar de lado, pelo menos para não congestionar as salas nem prejudicar os bons trabalhos, ainda que postos de lado esses concorrentes, a exposição é apesar de tudo abundante e animadora.

Juntamente quando visitávamos as numerosas coleções do "salão" deparasse-nos, entre a multidão de que estavam repletas todas as dependências da Escola nacional de Belas Artes, onde nunca víramos tanta gente deparasse-nos a figura de mosqueteiro que tão vivo destaque dá à pessoa de Jorge Colaço. O ilustre artista, animador de cenas as mais belas, através dos seus "azulejos" e de sua cerâmica maravilhosa notava com as melhores expressões de sua alma aberta à animação da festa da arte brasileira e analisava os trabalhos, dedicando a alguns deles comentários amáveis.

Entretanto, nós que sabíamos das tendências de Colaço, na sua atual visita ao Brasil, pensamos em a revelia sua conduzi-lo a obras de caráter mais acentuadamente brasileiro. Foi pequena a nossa tarefa. A nossa pintura não tem ainda cunho nacional. Ela reflete-se e plasma-se na cultura europeia na França e na Itália, principalmente, e em seus processos quer se trate de "escolas", quer se tenha em linha de conta a feitura e até a inspiração, são de feição europeia dominante.

Não chegaremos ao exagero doentio de pensar que só os símbolos nacionais são dignos de passar à tela. Mas ao lado das marinhas, das paisagens, dos "nus", dos retratos, das composições de fantasia, muito assunto digno de ser pintado existe, dentro do cenário tropical, em certos tipos nossos e sobretudo nas nossas lendas, que são notas de vibração esplêndida para as paletas dos nossos artistas.

Deve-se repetir aqui: este reparo não exprime o desejo de só se ver pintado o "caboclo", o caipira, o Pão de Açúcar, as florestas ou os frutos do país. Iríamos, se assim fosse, cair na mesma monotonia e teríamos dado atestado de pouca inteligência.

Mas, voltando à ordem de considerações que fazíamos, ao lado do artista português, pouco tivemos a mostrar-lhe, dentro do âmbito que parecia constituir objeto de suas pesquisas. Só encontráramos o trabalho de Theodoro Braga, "Bandeirante Antonio Raposo Tavares", a "Feira Sertaneja", de Balthazar Camara; "Sertanejo em desafio", de Gonçalves de Souza e uma meia dúzia mais de quadros.

Deixando Jorge Collaço, prosseguimos na visita à exposição e muito abundante como ela se apresenta, embaraçados pela verdadeira multidão que acorreu à inauguração de ontem apertados por uns, interrompidos na nossa observação por outros. Logo se sente a impossibilidade em que nos encontramos de falar do "salão", como expressão de arte.

Dela, evidentemente, nos ocuparemos em artigos sucessivos, pois que a obra exposta é grande e merece o registro a que faz jus pelas manifestações ali demonstradas de talento e do ingentíssimo trabalho da atual geração artística brasileira ou residente no Brasil.

O catálogo é longo. Acusa, para a pintura, nada menos de 426 telas; para a escultura 65 "peças"; na gravura de medalhas e pedras preciosas, litografias, arquitetura e arte aplicada, 89 peças.

Estes números dão ideia do que é a exposição e justificam a falta de uma apreciação em torno dos principais trabalhos como temos feito sempre e como faremos em outros artigos.

Nem de outro modo poderá ser. Todavia é ainda digno de nota mencionar o número de concorrentes aos prêmios de viagem que este ano são: Cadmo Fausto, Candido Portinari; Edith de Aguiar, Euclides Fonseca, Gastão Formonti [sic], Gilda Moreira, João de Azevedo, M. Constantino, Manoel Faria, Orlando Teruz, Orozio Belém, Sarah Villela de Figueiredo.

Estes expositores ocupam uma sala especial e em torno de seus trabalhos reuniram-se as atenções gerais.

À inauguração do "salão" compareceu o Sr. Ministro da Justiça e representante [sic] das altas autoridades da república.

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A comissão organizadora do "Salão" como nos anos anteriores, a fim de facilitar a visita do público àquele certame, resolveu que o mesmo permanecesse aberto à noite, das 19 às 22 horas, durante a semana corrente.

Por deliberação da Diretoria da Escola, tanto o "Salão", como a Pinacoteca, estarão abertos das 12 às 17 horas, diariamente, menos a Pinacoteca, que às segundas-feiras, permanecerá fechada para limpeza.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 13-14 ago. 1928, p. 5.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 14 ago. 1923, p.5.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Com a presença dos Srs. Dr. Arthur Bernardes, Presidente da República; Dr. João Luiz Alves, Ministro da Justiça; Dr. Arnolpho de Azevedo, Presidente da Câmara dos Deputados, representantes dos Ministros de Estado, Prefeito do Distrito Federal, Presidente do Instituto dos Advogados, autoridades civis e militares, foi inaugurada anteontem, no edifício da Escola Nacional de Belas Artes, a XXX Exposição Geral de Belas Artes.

Durante o ato da inauguração oficial estiveram repletas todas as dependências da Escola que se achavam artisticamente enfeitadas.

O Sr. Presidente da República, que percorreu demoradamente todas as salas da Exposição, examinando minuciosamente a maior parte das obras ali reunidas, teve palavras de louvor para diversos trabalhos, felicitando os seus autores.

O Sr. Presidente da República, que esteve sempre acompanhado do Dr. João Luiz Alves, Ministro da Justiça, e do Sr. João Baptista da Costa, Diretor da Escola Nacional de Belas Artes, ao terminar a sua visita pediu ao Professor Batista da Costa, a quem felicitou pelos seus trabalhos que figuram na atual exposição - "Em plena natureza; uma tradição que desapareceu", que fizesse chegar ao conhecimento dos artistas expositores, os seus cumprimentos, entre eles a Sra. D. Georgina de Albuquerque, e os Srs. Pedro Bruno, Antonio Pereira [sic] [Antonio Parreiras], Carlos Chambelland, Oswaldo Teixeira e Antonio de Mattos.

O conjunto arquitetônico apresentado pelos arquitetos Srs. Santos Maia e Eliziario Bahiana bem como o projeto apresentado pelo arquiteto J. de Souza Camargo, mereceram de S. Ex. elogiosas referências.

A exposição foi durante todo o dia muito visitada, tendo sido geral a boa impressão produzida pelas obras expostas.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 14 ago. 1923, p.5.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 14 ago. 1927, p. 10.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - A exposição que ontem se inaugurou na Escola de Belas Artes é uma manifestação de trabalho intenso dos nossos artistas e uma expressão de cultura que se afirma no nosso meio de modo que não deixa de surpreender.

Efetivamente - apraz-nos registrar - nestes últimos tempos, de ano para ano aumenta o número de expositores e, mais do que os expositores, aumenta o trabalho dos concorrentes, apurando-se o seu entusiasmo e o seu labor que mostram, em relação a cada artista, progresso e evolução.

É um fato que registramos com o maior prazer e para o qual, dentro das nossas forças, teremos sempre palavras de estímulo e de carinho animador.

A exposição que ontem se inaugurou é a XXXIV da nossa escola oficial, o que vale dizer, que é a arte acadêmica, que não admite os grandes surtos fora do "academicismo" estabelecido, muita vez [sic] cometendo injustiças e desanimando os que poderão triunfar em vôos esplêndidos...

A exibição de ontem compareceu todo o nosso mundo oficial; o Sr. Presidente da República representou-se pelo Sr. Ferreira Braga; o Ministro do Interior e o da Agricultura lá estiveram; o Sr. Dr. Aloysio de Castro, também a visitou e, como estes, muitas outras autoridades e, além destas, um número infinito de convidados que encheram as vastas e numerosas dependências da Escola. Na confusão natural da assistência, no cruzar das salas, interrompidas pelos conhecidos que reclamam uma opinião, nas interjeições dos que parecem querer externar a sua emoção, na crítica sussurrada, nos encontrões dos apressados que tudo querem ver num relançar d'olhos, em tal confusão é-nos humanamente impossível, dentro das horas em que está aberta a Exposição, dela fazer uma ideia, e, muito menos, transmitir ao público a impressão detalhada da exibição, com citação dos trabalhos - dos numerosíssimos trabalhos - oferecidos à curiosidade pública como atestado de quanto se trabalhou este ano em arte no Brasil e de que sorte se trabalhou.

Assim o melhor caminho que encontramos para desobrigar-nos do dever jornalístico é registrar apenas os surtos que ali tem a sua melhor expressão, em artigos que iremos dando, na análise ainda que ligeira, da Exposição Geral de Belas Artes, ontem inaugurada.

Por hoje limitamo-nos a citar as telas que mais se destacam em duas ou três das salas da Escola, sem que estas citações constituam preferência, pois é fácil compreender a impossibilidade em que ali nos encontramos de ver tudo, mesmo nestas duas ou três dependências.

Um fato, porém, que devemos frisar desde logo é o de terem concorrido ao Prêmio de Viagem nada menos de 15 artistas, assim distribuídos:

Na pintura:

Cadmo Fausto, Candido Portinari, Edith de Aguiar, Gastão Formenti, Gilda Moreira, Haydéa Lopes Santiago e Sarah Villela Figueredo.

Na escultura:

José Pereira Barreto, Paes Leme Vicente Larocca.

Na gravura:

Arlindo Bastos Francisco Gomes Marinho.

Um outro fato digno de registro, na Exposição, é o número de senhoras que se apresentam e a volta dos velhos mestres que quiseram honrá-la com os seus trabalhos.

Mas, voltando ao nosso papel de noticiarista, cumpre-nos, de acordo com o que dissemos acima, registrar, entre os numerosos trabalhos expostos, os seguintes, pela ordem do catálogo:

A Sra. Adelaide Nascimento, "Recanto florido", de muita vida e colorido; Almeida Junior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior], "Risonha", bela figura de mulher, de fisionomia expressiva; Americo Frederico da Rocha. "Estudo de nu", bem modelado, anatomicamente impecável, e "Cabeça de Velho", felicíssima; Annibal Motta [sic] [Annibal Mattos], "Crepúsculo de outono", um belo cenário, e "Ancoradouro do Velho Mercado", bem iluminado, de águas muito boas; "Odaliscas", do Sr. Antonio Rocco, uma tela de grandes proporções, em que o autor mostra, dentro de um estilo tranquilo, uma técnica apurada, cheia de luz, com alta expressão no colorido e nos detalhes; os tapetes que ali figuram são uma rica prova do seu poder de sugestão, transmitida ao profano com naturalidade esplêndida; "Hercules e Prometeu", do Sr. Cadmo Fausto, tem grande vida e execução feliz como a sua "Volta do pasto" é rica de tonalidades felizes; o Sr. Celso Kelly, apresenta-nos um "Colegial" e um "De mais alto", com um bom céu e uma bela bruma; o Sr. Fiúza Guimarães dá-nos uma boa "Cabeça de Velho"; a Sra. Georgina de Albuquerque, sempre feliz nas suas figuras, apresenta-nos desta vez, "Um domingo na Quinta da Boa Vista", de lindos relevos que suas cores fortes exageram. Boa luz nesta tela; sua "Brasileira" é um quadro bom, como o "Nu" é um pretexto magnífico para a exibição de uma cabeça e de um torso de mulher modelares. A senhorinha Gilda Moreira, uma esperança da pintura, não quis deixar de comparecer à Academia. Sua estreia há três anos e a volta, em outras exposições, justificam a sua presença com os dois quadros "Manhã de junho, em Santa Thereza" e "Retrato". O primeiro, larga tela, de colorido bom, dá uma ideia da técnica da jovem artista. E notamos mais: um bem modelado "Nu", da Sra. Hilda Eisenlohr, feliz em seus detalhes, sem grande acerto quanto à atitude da figura; um arrojado "Trecho do Rio de Janeiro", do Sr. Lucilio de Albuquerque, lançado com vigor; "Paisagem", do Sr. Luiz Christophe, de boas sombras e árvores magníficas. O Sr. Manoel de Faria dá, para o Prêmio de Viagem, os "Bandeirantes", tela de enormes proporções, feliz em detalhes. Seguem-se mais; "Serra dos Órgãos", belo quadro, desenvolto, de céu magnífico e planos rigorosos e do Sr. Orlando Teruz, concorrente ao Prêmio de Viagem, três belos trabalhos: "Tentação", de grandes dimensões, em que a figura central é um modelo de perfeição anatômica de cores felizes e sombras precisas, fazendo ressaltar a carne palpitante, rigorosamente compatível com o tema: "Funeral", quadro decorativo encerra belezas extraordinárias, não só pela ideia como pelo colorido e execução; e o "Retrato", esplêndido na sua feitura quer da figura que é encantadora, quer nos detalhes do panejamento, nos tons que tanto impressionam pela sua justeza. O Sr. Petrus Verdier dá-nos um "La Cour", natural e preciso nos seus tons; a Sra. Roselli Koch Torres comparece com uma "Primavera", bem modelada, mas de fundo frio. A fisionomia da figura está bem iluminada. O Sr. Rodolpho Chambellen [sic] dá um expressivo "Retrato da senhorinha M. B.". O Sr. Visconti compareceu com cinco telas entre as quais dois bons retratos e a "Igreja de Santa Thereza", com uma tonalidade magnífica. A Sra. Yvonne Visconti dá um painel decorativo de efeitos magníficos, delicadíssimo na sua concepção e feliz na execução.

Muito há ainda que dizer da seção de pintura e a ela voltaremos.

A seção de escultura está belamente representada e dela teremos oportunidade de falar como pretendemos ocupar-nos das demais exibições; escultura, medalhas, arquitetura e arte aplicada, esta última cheia de novidades. Entretanto, como homenagem aos seus autores, é justo, desde já, destacar, na Escultura, dois trabalhos que reuniram ontem, em torno de si, viva curiosidade. É um busto do Sr. J. Antonio Coxito Granado, trabalho de grande precisão do Sr. Rodolpho Bernardelli que tem, nesse gesso, a confirmação do seu alto valor de artista, e ao qual imprimiu a sua técnica e a sua observação que dão à figura do modelo, Sr. Granado, verdadeira palpitação de vida.

O outro trabalho é o "Arrependimento de St. Hubert", o belo bronze da senhorinha Josephina de Vasconcellos, de cuja personalidade se ocupou, largamente, este jornal há alguns dias, registrando seu talento de escultura, de poetisa e de musicista.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 14 ago. 1927, p. 10.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 14 nov. 1922, p.9.

EXPOSIÇÃO DE ARTE CONTEMPORÂNEA E DE ARTE RETROSPECTIVA - Realizou-se ontem, às 2 horas da tarde, no edifício da Escola Nacional de Belas Artes, a inauguração das exposições de Arte Contemporânea e de Arte Retrospectiva, que fazem parte da Exposição Comemorativa do Centenário da Independência.

À cerimônia da inauguração compareceram o representante do Sr. Presidente da República e o Sr. Dr. Carlos Sampaio, Prefeito do Distrito Federal, que percorreram as vastas galerias, onde se acham arrumadas as obras expostas, acompanhados do Sr. João Baptista da Costa, Diretor da Escola e de diversos professores.

Numa rápida visita, como a que pudemos fazer ontem, é impossível dar uma ideia exata e desenvolvida do valor da atual exposição, uma das maiores, das que se têm realizado na Escola, e com um grande número de seções, a que concorreram quase todos os nossos artistas de nome feito e muitos artistas novos, que hão de chamar a atenção sobre si.

Faz parte da exposição uma seção de pintores belgas contemporâneos, entre os quais alguns dos de maior nome no seu país.

A exposição de arte retrospectiva, além dos objetos pertencentes a Galeria Nacional de Belas Artes, que são preciosos, se acham expostos numerosos objetos de valor, pertencentes a colecionadores particulares.

A arrumação e a disposição das obras da exposição fazem honra ao seus organizadores, devendo se salientar que as modificações por que passaram as salas do edifício da Escola deram-lhe condições excelente para esse fim. Não podemos por agora externar outra opinião senão de que há ali grande número de obras, em qualquer das seções, que impressionam agradavelmente o visitante, e que demonstram os grandes esforços dos nossos artistas durante o ano decorrido e o muito trabalho dos organizadores da exposição para reunir uma tão grande cópia de obras de valor.

Mais de espaço havemos de falar minuciosamente das diversas seções da exposição.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 14 nov. 1922, p.9.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 14 set. 1913, p.10.

O QUADRO "A GUERRA", DO SR. FIUZA - O Sr. Fiuza fez inserir nA Noite de anteontem [link], uma carta em que procura nos atacar por causa do que se escreveu nestas colunas com relação ao seu quadro intitulado "A Guerra", que faz parte da atual Exposição Geral de Belas Artes.

O Sr. Fiuza sangrou-se em saúde.

Não dissemos que o seu trabalho era cópia ou plágio do quadro também intitulado "A Guerra", de Franz Stuck, que se acha na Nova Pinacoteca de Munique.

Dissemos sim que, diante dele, era impossível não nos lembrarmos do quadro de Stuck; mas, ao mostrar os pontos de contato que nos pareceu existirem entre os dois trabalhos, salientamos as diferenças que separam e distinguem um do outro.

Como quer que seja, ao espírito de quem conhecer o quadro de Stuck e ver o do Sr. Fiuza, há de involuntariamente acudir a lembrança do primeiro, a despeito de quanto em contrário afirma o Sr. Fiuza.

Quanto às insinuações malévolas que este procura fazer-nos, deixamo-las no seu ponto de partida, por não ser nosso hábito retrucar num terreno em que a crítica deixa de ser crítica, despindo-se de sua serena imparcialidade, para tomar, nas discussões pessoais, processos que se não coadunam com a sua missão.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar'

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 14 set. 1913, p.10.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 15 ago. 1915, p.2.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Podemos falar mais calmamente da atual exposição, sem exaltações fáceis do primeiro momento em que o nosso desejo nos faz ver as coisas através de um prisma que a inspeção fria não confirma.

Fazendo abstração da encenação hábil e ruidosa com que a apresentou a comissão organizadora, a atual exposição é uma das mais pobres a que temos assistido.

Apesar do grande número de trabalhos que compõem a seção de pintura, muito pouco há que destacar.

Tirem-se as paisagens do Professor João Baptista da Costa, e não são as melhores nem as mais individuais que tem saído do pincel do ilustre artista; os dois retratos do distinto pintor Eugenio Latour, inquestionavelmente muito interessantes como fatura, como apresentação e como modelos, mas que não denotam tudo quanto o Sr. Latour pode fazer; os dois retratos de crianças do jovem artista Rodolpho Chambelland que […] tre; e os dois trabalhos da Sra. D. Georgina de Albuquerque, - o que é que se pode citar mais?...

Talvez, algumas das paisagens do Sr. Augusto Petit, que vieram da recente mostra individual desse amável e modesto artista e que demonstram que nunca se é velho para estudar e para progredir; um ou dois trabalhos do Sr. Dias Junior e do Sr. Guttman Bicho.

Que é isso em comparação com alguns dos "salões" passados em que Henrique Bernardelli se fazia representar por meia dúzia de sólidos retratos; Rodolpho Amoedo, com algum trabalho do seu notável pincel; Elyseo Visconti, com obras notáveis e atraentes tanto pela concepção como pela finura de execução; Helios Seelinger, com trabalhos cujos originais temas e maneira singular de interpretá-los nos fizeram pressagiar um artista do valor de Franz Stuck; e bem assim o nosso mestre da paisagem, com espécimes da nossa natureza, transplantados com igual frescura e mais espontaneidade do que agora, e os jovens artistas como os próprios Srs. Latour, Chambelland e o Sr. Lucilio de Albuquerque, com trabalhos em que cada qual à porfia queria mostrar o muito que haviam aprendido e o muito que tinham dentro de si para externar.

Da atual exposição não há positivamente, na seção de pintura, um trabalho de fôlego, uma dessas obras que o artista executou trabalhando sob o estímulo de uma forte comoção, na excitação febril da inspiração. Talvez de todos os quadros expostos, aquele em que se encontre mais pronunciada a impressão desse sentimento, seja o denominado "Única Esperança" do jovem artista Sr. Pedro Bruno; mas, se a sua concepção foi sinceramente sentida, não possui ele ainda o preparo técnico necessário para que se dê a perfeita fusão da ideia visual e da boa execução que constitui a obra de arte.

Tanto esse moço como os Srs. João Baptista Bordon, o Sr. Guttman Bicho, o Sr. Gaspar de Magalhães, e os demais jovens artistas merecem louvores pelos esforços envidados, contribuindo para que a exposição não se deixasse de realizar este ano; mas, a verdade transparente é que a riqueza do número não encobre a relativa mediania da qualidade.

Nas outras secções, o mesmo se pode dizer, pouco ou nada tendo a acrescentar ao que já se escreveu aqui na primeira notícia.

Na de escultura, o Sr. Correia Lima é facile princeps com uma obra que domina tudo o mais; na de gravura de medalhas, os trabalhos do Sr. Adalberto de Mattos e os estudos, estudos interessantes mas sempre estudos, dos discípulos do Sr. A . Girardet na casa da Moeda, devendo talvez ser destacado o nome do Sr. Jorge Soubre; na de gravura e litografia, só um expositor, o Sr. Carlos Oswald, que tem três águas-fortes, interessantes e finas, e na de arquitetura dois expositores tão somente, com trabalhos que demonstram estudo e inventiva.

O que surpreende, não é que a exposição seja o que é; mas, sim, que tenha sido possível realizá-la, dado o pouco ou nenhum estímulo que os artistas têm entre nós para produzirem.

Não podem esperar, quer dos governos federal ou municipal, quer de particulares, que adquiram quaisquer obra de valor em que ponham o melhor do seu talento e de sua habilidade técnica; e sem esse forte incentivo, o de ver a sua obra apreciada e dignamente remunerada, já muito fazem apresentando o que constitui a exposição deste ano.

Deus queira que em 1916 seja possível realizar-se exposição, pelo menos, igual.

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O ilustre artista Sr. João Baptista da Costa deve estar bastante lisonjeado com a consagração que acaba de receber de seus pares.

Depois da reforma por que passou o ensino das belas artes no Rio de Janeiro, têm-se realizado na Escola de Belas Artes vinte e duas exposições: no entanto, foi este ano conferida pela primeira a Grande Medalha de Honra.

Dadas, pois as circunstâncias em que isso ocorreu, a distinção feita ao ilustre paisagista, além de constituir uma justa e nobre recompensa de uma obra artística numerosa e de valor, equivale a sagraá-lo entre os artistas nacionais o primus inter pares.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 15 ago. 1915, p.2.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 15 ago. 1928, p. 7.

O SALÃO DE 1928 - Durante o atual Salão haverá conferências todas as quintas-feiras, estando inscritos os Professores Fléxa Ribeiro, Roquete Pinto, Adalberto Mattos, Medeiros e Albuquerque, Aloysio de Castro e Ronald de Carvalho.

Na de amanhã falará o Prof. Fléxa Ribeiro, sobre "Arte Moderna".

A conferência que é pública, terá início às 16 horas.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 15 ago. 1928, p. 7.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 15 out. 1907, p. 3.

A Exposição Geral de Belas Artes encerra-se hoje, e embora pouco nos reste a dizer sobre ela, não queremos deixar de fazer algumas referências à sua seção de artes aplicadas.

Esta seção, conquanto pequena, mereceu atenção, não tanto pelo que apresenta, como pelo que sugere e promete.

Os visitantes, e principalmente as visitantes, que é a quem mais de perto incumbe tornar as suas casas, além de confortáveis, atraentes, deverão ter visto nas limitadas exposições das três únicas expositoras, as Sras. D. Joanna Brandt, D. Marga Hauer e D. Julietta Wencelius [sic], quantos elementos decorativos podem encontrar, para fazer as suas casas mais lindas e mais agradáveis, nos objetos do uso diário.

Na nossa época em que o emprego da máquina é universal, a fabricação dos objetos e utensílios do uso caseiro obedece na sua grande maioria a meia dúzia de moldes, nada notáveis pela beleza e arte, que se repetem infinitamente ad nauseam.

Nas nossas fábricas de trastes, por exemplo, onde o trabalho propriamente de marcenaria atingiu uma perfeição bastante notável, ninguém pode negar que é frisante a pobreza do desenho; o que de melhor produzem, ou constitui imitações mais ou menos bem acabadas do nosso mobiliário dos tempos coloniais ou português, ou então do que atualmente se denomina "arte nova".

Nenhuma originalidade de concepção, nem individualidade de fatura: sente-se a obra feita para a loja e repetida em numerosos espécimens iguais, para pôr o produto assim barateado ao alcance do maior número de bolsas.

Não podemos, é certo, aspirar ao ideal de William Morris, o restaurador da arte decorativa inglesa e propulsor do movimento que atualmente lavra com tamanha intensidade em todos os grandes centros cultos da Europa, de se tornar ao sistema das épocas em que tudo era feito à mão, e em que o mais comezinho objeto de uso diário aliava à sua utilidade própria uma forma airosa e agradável.

Se não podemos prescindir do emprego das máquinas, que no fim de contas são ferramentas tão aproveitáveis como as que usavam os artistas antigos, podemos, todavia, desejar que haja entre quem delineia um objeto, - tanto uma joia como um móvel, uma almofada como uma cortina, um vaso como um prato, - e aquele que o executa, simpatia mútua no intuito de que esse objeto saia um produto artístico e agradável de se ver, e que ao prazer que ambos tiveram em produzi-lo, se acrescente também o prazer de quem o adquirir, em possui-lo.

Há também uma diversidade de ramos de arte aplicada, toda de interior, em que a inteligência e o gosto feminino mais apropriadamente e mais caracteristicamente podem fazer sentir a sua influência, como a dos bordados, das rendas, dos crivos, da aplicação de fazendas umas sobre outras, finalmente, de todos os ramos em que a agulha e os finos instrumentos congêneres têm o seu campo de ação, guiados por mãos delicadas e de gosto. Conhecemos muitas patrícias nossas aqui da Capital, habilíssimas na manufatura desses delicados tecidos, e que fazem por suas mãos as cortinas de suas casas, as almofadas com que ornam os seus salões, as toalhas e os guardanapos de que se servem nas suas mesas, as luvas de rendas que calçam, etc.

É de lastimar que elas, na sua modéstia, não deem o devido valor a esses lindos objetos que criaram e não os exponham, para excitar em suas patrícias o desejo de imitá-las.

Seria realmente de desejar que esta seção de artes aplicadas ocupasse de ano para ano maior espaço nas nossas exposições, e que fosse produzindo uma reforma estética na escolha dos objetos caseiros.

Compreendemos que serão necessários esforços quase sobre-humanos para se abrir mão das feias produções que em geral o comércio oferece nesse particular.

E é nisso, nessa tentativa da quebra da uniformidade geralmente adotada, nesse esforço para educar o gosto estético, fazendo ver a possibilidade de formas novas e belas nos objetos mais comuns, de modo a transformar a casa em um "meio" artístico e encantador que constitui o maior serviço prestado por essas exposições.

Na atual Exposição, a Sra. Joanna Brandt, que desde que aqui chegou se tem mostrado trabalhadora operosa e entusiástica, tem alguns espécimens de mobília, de muito feliz efeito nas suas aplicações de madeira e cobre repoussé, em que se sente a influência do que se faz no gênero na Europa, segundo o mostram os desenhos continuamente publicados pela magnífica revista de arte The Studio.

O seu biombo, trabalho de madeira aplicada, couro repuxado e pintura sobre vidro, é belo de linhas; é um móvel de agradável efeito decorativo, como aliás são todos os outros objetos expostos por essa talentosa artista.

A sua cadeira, com assento de couro repuxado, é de um desenho simples e bonito e é muito confortável.

A Sra. D. Marga Hauer, que pela primeira vez aparece em nossas exposições, promete vir a ser um valioso elemento para a educação do povo nesse particular.

Os objetos expostos por ela, tanto o seu armário, o seu cofre para joias e a sua decoração com um pavão, como os outros, são dignos de nota.

A Sra. D. Julietta Wenceslins, que já foi premiada em anterior exposição, não esteve desta vez, apesar de expôr objetos interessantes, à altura dos seus trabalhos anteriores.

Esperemos que no próximo ano, tanto estas como novas expositoras e expositores, concorram para dar maior importância a tão bela, tão útil e tão simpática seção das nossas exposições.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 15 out. 1907, p. 3.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 15 out. 1910, p.4.

Encerra-se hoje, às 4 horas da tarde, a Exposição Geral de Belas Artes, que durante um mês e quinze dias esteve aberta no edifício da Escola de Belas Artes, à Avenida Central, tendo em todo esse tempo, sido muitíssimo concorrida.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 15 out. 1910, p.4.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 15 out. 1913, p.6.

Encerra-se hoje a Exposição Nacional de Belas Artes, que esteve aberta durante algum tempo, despertando sempre grande interesse.

Foi organizada uma interessante festa para hoje, na qual tomarão parte os literatos Srs. Luiz Edmundo, Goulart de Andrade, Bastos Tigre, Emilio de Menezes, os caricaturistas Calixto, Luiz Raul e o ator Carlos Abreu.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 15 out. 1913, p.6.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 15 set. 1913, p.4.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - A seção de arquitetura da Exposição contém apenas um desenho de um projeto de farol monumental do Sr. José Pitlik, e a de arte aplicadas, quatro desenhos do Sr. Otto Schule, de sala de jantar, sala de senhor, de um buffet moderno e de uma escrivaninha a Luiz XV.

A de escultura é mais concorrida e encerra obras dignas de atenção.

Ocupa o primeiro lugar pelo esforço, talento e adiantamento que revela no seu autor, o "Discóbolo" [Imagem, Imagem], do Sr. Antonino Pinto de Mattos, estátua de um adolescente que acaba de tirar o disco.

Este motivo foi assunto de muitas estátuas dos artistas gregos, sendo talvez a mais notável das que vieram até nós, a do escultor Míron, da qual existem diversas cópias.

O trabalho do Sr. Antonino de Mattos tem uma linha elegante que domina todo o desenvolvimento da figura, bom desenho e excelente estudo anatômico.

A atitude que o artista deu ao seu jovem atleta, é que nos parece um pouco difícil e insustentável, como que tirando à estátua o preciso equilíbrio e firmeza.

Esta obra faz honra ao jovem artista e é de esperar que tenham a mais completa confirmação as esperanças que ela augura.

O Sr. Rodolpho Pinto do Couto, o artista distinto que já se afirmou nas exposições anteriores, tem um prodígio de execução rápida e impressionante no busto do pintor Souza Pinto. Talvez o modelo tenha contribuído para esse resultado um pouco com a sua fisionomia afinada e irrequieta. É feito numa maneira espontânea e larga, talvez em forma de esboço em que se sente muito o dedo do escultor, mas acusando muita habilidade, e vibrante de vida e de expressão. É uma dessas coisas, de que, uma vez vistas, a gente nunca mais se esquece.

No busto do Coronel Ernesto Senna, a execução é mais minuciosa e trabalhada, e se não falta semelhança com o modelo, a impressão que produz no espectador é algo dolorosa pelo acentuado realismo.

A cabeça de estudo (Velha) é tamebem [sic] de execução minuciosa e trabalhada, e esta e o busto do barão do Rio Branco são das suas obras as que menos gostamos.

Um bom trabalho é o busto em bronze feito pelo Sr. Humberto Cavina, fino de modelado e de fisionomia.

A Sra. Nicolina Vaz Pinto do Couto expõe quatro trabalhos, dos quais o que nos pareceu melhor, é o busto do falecido Dr. Francisco Pereira Passos, apesar do caráter um tanto israelita que deu à sua fisionomia.

Ainda são expositores nesta seção os Srs. Armando Braga, com uma cabeça de estudo de um negro; o Sr. Armando Magalhães Corrêa, com um busto-retrato em bronze; o Sr. Antão Bibiano Silva, com um trabalho de composição "Filocteto" e um retrato busto do Sr. Dr. Oliveira Lima; o Sr. Francisco de Andrade, com um pequeno garoto apregoando "A Noite" e um busto de Carlos Gomes; um estudo em gesso do Sr. Lauro Roma [sic] [Laurindo Ramos]; o Sr. Luiz Esteves de Carvalho, com uma estátua "Caridade", não muito feliz em concepção e assaz medíocre em execução; o Sr. Adalberto de Mattos, com o retrato do escultor A. M. C., em baixo relevo em bronze; o Sr. J. Rodrigues Moreira Junior, com um "S. Jerônimo"; o Sr. Vicente Rodrigues Moreira, com um gesso corpo inteiro de um menino dormindo; o Sr. Modestino Couto [sic], com um busto em bronze e o Sr. Antonio Pitanga, com um busto em gesso.

Destes trabalhos, alguns possuem certas qualidades apreciáveis, e outros bastantes defeitos, mas todos mostram esforços respeitáveis.

Tratando de escultura, deveríamos ter falado em primeiro lugar das obras de Corrêa Lima, que já pode ser considerado um mestre. Mas, qualquer parte em que ele esteja, nunca deixa de ter destaque.

Os seus dois painéis em gesso, alto relevo, para o monumento de Gonzaga Duque, e para o túmulo do Sr. Azevedo Lima, tem nobreza na concepção e excelência na execução.

O seu cavalo em bronze (estudo para o grande cavalo do novo edifício do Jockey Club) é sabiamente modelado e de efeito.

Na seção de medalhas, o Sr. Augusto Girardet faz, como sempre, boa figura com uma exposição muito variada, em que revela a sua excelente virtuosidade nos diversos gêneros de gravura que cultiva; e também se distingue como professor, com os trabalhos apresentados pelos seus talentosos alunos, a Sra. Dinorah de Azevedo, Adalberto de Mattos e Accacio Rodrigues Moreira.

Pode ser que no "compte-rendu" que fizemos do nosso "Salão", tenhamos passado por alto algum trabalho e algum nome que merecessem ser lembrados. Que nos seja isso perdoado; procuramos mencionar aqui apenas as obras que mais nos impressionaram de uma ou de outra maneira, e as lacunas ocorridas devem ser levadas à conta da falibilidade inerente à natureza humana e não o desejo de menosprezar ninguém.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 15 set. 1913, p.4.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 15 set. 1915, p.6.

De acordo com o regimento das Exposições Gerais em vigor, encerra-se hoje a XXII Exposição Geral de Belas artes, que tanto êxito alcançou no corrente ano. Para o encerramento desse certame, a comissão diretora organizou uma festa artística, confiando a direção do programa ao Sr. Luiz Edmundo. Esta festa será a "Hora Feminina", e nela tomam parte as Sras. Julia Lopes de Almeida, Angela Vargas Barboza Vianna, Albertina [...], senhorinha Rozalina Coelho Lisboa, Lilah de Barros, Estella Ramos, Leonor Besada e margarida Lopes de Almeida.

A "Hora Feminina" terá início às 15 e 88ãmeia [sic] horas.

Os bilhetes de ingresso estão a venda no edifício da Escola de Belas Artes, desde 10 horas da manhã. Os expositores poderão entrar acompanhados de uma pessoa de sua família, apresentando por esta ocasião o seu respectivo cartão permanente.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 15 set. 1915, p.6.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 16 ago. 1914, p.6.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS-ARTES - A atual exposição, a vigésima-primeira exposição anual realizada depois da reforma por que passou a Escola Nacional de Belas Artes, prova que, apesar de não haver da parte do público o encorajamento e a apreciação que são os incentivos mais poderosos para a produção artística, há entre nós grupo bastante numeroso de moços que trabalham, que se esforçam por se aperfeiçoar na sua arte e que apresentam obras interessantes.

É fora de dúvida que a maioria das obras expostas, conquanto acusem certo conhecimento das qualidades mecânicas da arte que professam, no [sic] possui a nota de inspiração pessoal, de individualidade, que é a que fornece o elemento mais interessante e mais atraente a todo trabalho artístico.

O momento é muito pouco propicio para que os artistas vejam as galerias da Exposição visitadas mesmo por aqueles poucos que nunca deixam de ir ver e apreciar com simpatia os esforços anuais dos nossos artistas.

Vamos fazer aqui uma resenha rápida dos principais trabalhos expostos, sentindo que provavelmente deixaremos de enumerar alguns com qualidades apreciáveis.

Já em anterior noticia nos referimos as obras de João Baptista da Costa, e agora encetaremos esta nota com o veterano artista Modesto Brocos, que mandou um autorretrato, bastante vigoroso de expressão e que não estaria sujeito a reparo se não fosse a cor demasiado terrosa que o artista se deu a si próprio.

O Sr. Eugenio Latour expõe sete trabalhos que traem, se assim se pode dizer, a sua proveniência francesa e a sua educação artística, bem guiada aqui e aprimorada em meio francês.

Em todos os seus quadros, sem se notar a procura de originalidade, reconhece-se nele um artista que se delicia na sua arte, que se esforça por adquirir pureza de forma e de estilo, emprestando a quase todas as suas figuras certa elegância, pela maneira fina com que as pinta, e dando-lhes qualidades extremamente atraentes.

O retrato oval N. 161 é uma das melhores telas da Exposição, muito feliz de pose e de expressão.

O quadro 162 - "No Salão de 1913" - é interessante por mostrar um conhecido amador, o homem mais retratado dos nossos tempos, em ato de autoadmiração perante um retrato.
O Sr. Carlos Oswald, outro moço, quer nos seus quadros a óleo, quer nas suas finas águas-fortes, águas tintas e pontas secas, é um artista possuidor de nota pessoal, de uma visão individual que nunca é banal. Tem muito talento, mas diríamos que o seu talento é feito mais de ternura do que de vigor, de uma imaginação graciosa e delicada, um tanto sonhadora.

Tem boas qualidades de técnica e de cor, e sabe colocar as suas figuras em meios decorativos.

Todos os seus quadros são atraentes: o retrato do maestro Henrique Oswald ao piano, é pintado com muita simplicidade, é expressivo de pose, e o quadro n. 50 – "No jardim fantástico", é uma bela composição decorativa.

O Sr. Rodolpho Chamberland está representado por um único trabalho, um retrato de menino; mas, está muito bem representado.

Esse retrato é uma bela obra, viril no arranjo, viril no modo direto como é pintado e viril de expressão.

O rapaz, vestido de uma camisa esporte de lã creme, de calças brancas curtas e sapatos amarelos, está encostado a uma parede de tons verdoengos. Junto aos pés, uma grande bola de couro demonstra que o retratado é adepto do foot-ball, e a sua pose e o seu ar de lassidão revelam que ele acaba de sair de uma partida desse fatigante exercício.

O modelo é um rapaz forte que promete vir a ser um homem varonil, e sente-se tão bem debaixo das roupas que envolvem, como no rosto, toda a anatomia do jovem e robusto corpo.

Feito em tons verdoengos claros e cor de creme, o quadro é uma bela obra de grande harmonia decorativa.

Outro moço que está bem representado este ano é o Sr. Alvim Menge.

O seu quadro - N. 12 - Cair da tarde - é uma bela tela; a impressão do por de sol foi muito bem estudada e o efeito perfeitamente alcançado. Pintado numa maneira mais larga do que nos acostumou o artista, a impressão do momento é bem dada.

O pôr-do-sol, avermelhado e luminoso, é harmonioso e traduz bem a nostalgia da hora. E como é um efeito passageiro, de pequena duração, exige da parte do pintor uma boa memória.

Tem poder de transmitir uma forte impressão recebida pelo artista, e em arte isso é tudo.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 16 ago. 1914, p.6.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 16 ago. 1927, p. 4.

No salão nobre da Escola de Belas Artes realiza-se hoje, às 4 horas da tarde, uma conferência, 1ª da série dos românticos, em que serão apreciados dois dos principais expoentes das artes daquela época.

Estas conferências são promovidas pela Comissão de Propaganda das Artes no Brasil, sendo o convite feito em nome do "Comitê" diretor do 34º "Salão".

O orador será o Sr. Dr. Henrique de Irajá, artista e nosso colega de imprensa.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 16 ago. 1927, p. 4.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 16 out. 1910, p.6.

ENCERRAMENTO DA EXPOSIÇÃO GERAL - Encerrou-se ontem a Exposição Geral de Belas Artes do corrente ano.

Durante os quarenta e cinco dias em que esteve aberta, foi ela visitada apenas por 1.025 pessoas, não contando naturalmente as pessoas presentes no dia da inauguração, que ali foram por convite.

Em uma cidade cuja população se calcula ser de quase um milhão de habitantes, esse número revela uma ausência de cultura, uma falta de interesse por coisas de arte, que desola.

Conquanto a Exposição fosse pequena e dos trabalhos expostos muitos talvez não devessem ter sido admitidos, ainda assim encontravam-se ali, em número bastante regular, telas de artistas cujos nomes só por si deviam ter despertado, pelo menos, a curiosidade dos que têm a mais superficial educação artística.

Realmente, se os trabalhos de artistas como Henrique Bernardelli, Rodolpho Amoedo, João Baptista da Costa, Modesto Brocos, Eugenio Latour, Pedro Peres, Elysio Visconti, entre os nacionais, e Agustine Salinas [sic], Pablo Salinas, Giuseppe Brugo e A. Girardet, entre os estrangeiros, para só citar os nomes de artistas já consagrados, não são suficientes para levar à uma exposição de arte frequência mais numerosa do que a registrada na porta da Exposição, demonstra isso um lamentável caso de atraso, bastante humilhante para as nossas ambições de centro mais civilizado da América do Sul.

O número das obras adquiridas, também não foi grande; mas, em proporção com a quantidade das telas expostas e principalmente dos visitantes, foi mais lisonjeiro, foram vendidos dez quadros!

O artista, que vendeu mais, foi o eminente pintor espanhol Pablo Salinas, residente: um amador, que não quis dar o nome, adquiriu os quadros: À sobremesa (número 126), e De Volta do campo (n. 128); o Dr. Pedro Godinho, o quadro No Atelier'' (n. 129); e Sr. Heitor de Mello, o quadro O Chá (n. 180), e o Dr. Justino Proença, o quadro Um Conselho do Cardeal (n. 132).

Seu irmão, e não menos distinto artista, Sr. Agustin Salinas, vendeu, para amadores que quiseram conservar o incógnito, o grande quadro Domus Moecenatis (n. 122). As Lavadeiras (n. 120), e a Guardadora de Gansos (n. 123).

De João Baptista da Costa foi apenas adquirido um trabalho, Rio Morin (n. 11), pelo Dr. Justino Paixão.

Do Sr. Luiz Christofe foi adquirida a interessante paisagem Rio Grandense'' (n. 32). e do Sr. Coelho de Magalhães, uma marinha (Copacabana) n. 35, pelo Sr. Dr. Paulo de Frontin.

Extremamente animador!

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 16 out. 1910, p.6.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 16 set. 1905, p. 2.

Na Exposição Geral de Belas Artes, foram concedidos pelos respectivos júris os seguintes prêmios:

Na seção de pintura, prêmio de viagem ao Sr. Rodolpho Chambelland, aluno do Sr. Henrique Bernardelli, pelo seu quadro Bacante; 2º medalhas de prata às Sras. DD. Anna [Anna da Cunha Vasco] e Maria Cunha Vasco, discípulas do Sr. B. Treidler, pelas suas aquarelas; ao Sr. E. Bevilacqua, discípulo do Sr. H. Bernardelli, pelo seu quadro Salomé; ao Sr. A. Fernandes Gomes, discípulo do pintor Barbasan, pelo seu quadro Interior de aldeia e ao Sr. H. [sic] Chambelland [Carlos Chambelland], discípulo do Professor Rodolpho Amoedo, por um retrato que expõe.

Foi concedida menção honrosa à Sra. M. Daum.

Na seção de artes aplicadas, foi concedida uma 2ª medalha de prata ao Liceu de Artes e Ofícios de S. Paulo, que mandou diversos móveis, pelo cavalete artístico exposto e menção honrosa de 1º grau às Sras. DD. Joanna Brandt, pelos seus pratos de porcelana decorada e Mary Hirsch, pelos seus trabalhos em couros repuxados.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 16 set. 1905, p. 2.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 17 set. 1905, p. 4.

Exposição Geral de Belas Artes - Quando não fosse senão pelos quadros expostos este ano por João Baptista da Costa, se não conhecêssemos nada anterior dele e houvéssemos de julgá-lo simplesmente pela sua obra na Exposição, teríamos sempre que o considerar um artista de incontestável valor, o paisagista que melhor tem penetrado no íntimo da nossa natureza e a tem traduzido com mais sentimento de veracidade. Se este ano não tem nenhum trabalho da força da "Volta do Trabalho" da Exposição de 1904, os seus quadros não deixam, por isso, de ser obras profundamente sentidas e executadas com a arte fina e segura que ele se tem criado.

O caráter extremamente atraente dos seus temas, a sinceridade absoluta que respira de toda a sua obra, quando mesmo possa ela ter de sofrer reparos dos técnicos, empolgam de pronto a simpatia do público apreciador de arte; e os estudos e os progressos que revela de ano para ano, apesar de haver já conquistado um lugar no primeiro plano dos nossos artistas, demonstram a seriedade com que pratica a sua arte e o torna digno de gozar, como realmente goza, do respeito e da afeição dos seus confrades.

A paisagem é, por assim dizer, uma arte do décimo nono século, porque, só depois dos pintores ingleses do princípio desse século, dos pintores da escola de Barbizon, dos Naturalistas e dos Impressionistas, foi que os artistas se esforçaram por exprimir, além da tradução fiel das formas externas da natureza, as suas diversas fases, os seus variados, curtos e mutáveis aspectos, mostrando que entre eles e os seus temas se estabeleceram íntimas correlações.

Nos seus quadros, os pintores modernos devem se esforçar por dar, nos seus céus, nas suas árvores, nos outros objetos, no próprio solo, e com precisão, o jogo de luz, a vibração do sol, a luminosidade da atmosfera, a transparência, a serenidade ou agitação das águas, finalmente, todos os belos, variados e inconstantes aspectos da natureza.

Para conseguir isso, é preciso, primeiro que tudo, que eles votem sincero amor à natureza, que vivam no seu meio, comunguem diariamente com ela, que a saibam compreender e a saibam sentir, tendo a faculdade de ir além do seu aspecto visual e de penetrar por assim dizer no próprio íntimo dela.

João Baptista da Costa é um artista que, fazendo-se paisagista, tem procurado sempre a sua inspiração diretamente nas cenas da Natureza, e nas suas telas sente-se a impressão profunda que elas nele produzem e que sabe manifestar de modo comunicativo e expressivo.

Dos seus quadros na atual Exposição, que são em número de oito, tanto os três maiores, Começo do dia (19), Poços de Caldas (20) e Prisioneira (21), como os outros menores todos agradam e são bons espécimens das suas qualidades de paisagista.

Começo do dia é uma pintura singularmente impressiva e terna, com uma sedutora nota poética. A paisagem representa um trecho da Copacabana, deixando-se avistar ao fundo a igrejinha e o mar alto.

Começa a surgir o dia: na orla longínqua do horizonte umas colorações rubras e alaranjadas anunciam o advento do Sol, cuja luz já vai envolvendo o pequeno templo de Deus de um transparente véu arroxeado, ao passo que os planos primários, uma planície cheia de vegetação rasteira, conservam-se ainda cobertos das sombras escuras da noite que a refulgência invasora do dia ainda não dissolveu. Vibra em toda a paisagem uma impressão de serenidade; e uma figura isolada, um pescador que com suas redes caminha em demanda do seu labor diário, dá a nota de movimento e de vida em contraste com a tranquilidade geral do quadro e faz lembrar Millet.

Este belo quadro, adquirido pelo Sr. Dr. Regis de Oliveira, está destinado a apresentar no estrangeiro uma espécime de arte brasileira e é provável que encontre ali a apreciação a que faz jus.

O quadro Poços de Caldas, pintado em hora mais adiantada do dia, representa uma vista característica da região sul mineira, das vastas campinas onduladas pelas pequenas colinas em forma de meias laranjas, com a vegetação verde a elas peculiares e de que o pincel de João Baptista sabe dar uma nota tão exata. Sob o ponto de vista técnico, é talvez superior aos outros expostos pelo artista.

O quadro Prisioneira (21), também vibrante de luz, é uma tentativa feliz de um gênero, que tem suas dificuldades, mas que o talento, a perseverança e as qualidades de desenho de João Baptista, superarão, tornando-o também distinto como animalista. A figura do animal, porém, está de certo modo prejudicada pelo vigor com que é pintado o fundo da paisagem.

Dos quadros pequenos, todos muito interessantes, agradamos mais o de n. 16, Estrada do Vidigal, uma joiazinha, cheia de frescura e de vigor.

Se há um reparo a fazer aos quadros de João Baptista, é que ele não trabalhe um pouco mais vigorosamente os seus primeiros planos, o que se nos afigura daria maior perspectiva aérea às suas tão sentidas e tão sedutoras paisagens.

Esse pequeno reparo, que pode ser apenas uma apreciação isolada, em nada pode prejudicar o encanto de suas telas, que, qualquer que seja a hora ou o trecho de natureza que represente, manifestam sempre o amor carinhoso da natureza e felicidade de compreensão em exprimi-la.

Roberto Mendes, artista imaginoso e colorista, tem uma paisagem vibrante dos tons rubros do crepúsculo [Imagem], que parece a tradução de um sonho de uma visão do Oriente e na qual o sol que descamba, enche de uma coloração de ouro e vermelho o horizonte, e cuja prodigiosa irradiação se reflete n'água.

Este talentoso artista, desde a sua interessante exposição de paisagens pintadas em pastel, há anos, afirmou-se um impressionável doublé de um poeta e o seu atual quadro o confirma isso plenamente.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 17 set. 1905, p. 4.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 17 set. 1907, p. 3.

Os pensionistas, ou ex-pensionistas, atualmente na Europa não mandaram para a atual Exposição trabalhos na altura do que se poderia esperar dos seus esforços ali.

O que enviou trabalho de mais fôlego, foi o Sr. Lucilio de Albuquerque, que é representado por dois quadros alegóricos, um episódio do Canto V, do "Inferno" de Dante e um Agnus Dei.

O primeiro quadro tem por tema o célebre episódio de Paulo Malatesta e Francesca da Rimini, quando Dante, no segundo círculo do Inferno vê, entre as almas dos que abusaram do amor na Terra e ora ali são condenados a evoluir eternamente tocados por ventos tenebrosos, passarem entrelaçadas as sombras dos dois cunhados apaixonados:

"Quali colombe dal disio chiamate

Coll'ali aperte, e ferme al dolce nido

Volan per l'aer dal voler portate;"

Como se vê, o tema é belo e atraente, por isso mesmo, não é pequeno o número dos artistas que o tem procurado interpretar na tela.

Citando de memória, podemos lembrar-nos de Paul Delaroche, Gustavo Doré, Giabert [sic], o grande G. F. Watts, e entre nós, Aurélio de Figueiredo e Decio Villares, que pintou uma maravilhosa grisaille, uma das joias da escolhida coleção do […] amador, que é o Dr. Fabio Ramos.

Compreende-se que, depois desses pintores, alguns dos quais como Gustavo Doré, Paul Delaroche e Watts fizeram verdadeiras obras-primas, só uma concepção verdadeiramente grandiosa e vigorosamente tratada poderia tornar aceitável e apreciada mais uma versão desses tópico da epopeia dantesca. Infelizmente, o Sr. Lucilio, apesar de seu inquestionável talento, ainda não possui o amadurecimento nem o adiantamento técnico necessário para arcar satisfatoriamente com semelhante assunto. O grupo dos apaixonados, condenados a viver eternamente ligados, não tem saliência distinta, nem a figura do poeta tem a expressão da suprema compaixão e da suma angústia que nele produziu aquela pavorosa visão, que o fez cair como morto.

O outro quadro - Agnus Dei - é feito com mais sentimento e singeleza, e agrada mais.

E aqui podemos dizer [...] palavras acerca de D. Georgina de Albuquerque, sua esposa, que se acha também estudando pintura em Paris, e que mandou dois trabalhos interessantes.

Um deles, intitulados Supremo amor, representa uma jovem mãe com a filhinha no regaço e é impregnado de um puro e sadio sentimento feminino, e o outro seu trabalho, Italiana, é o busto de uma robusta filha do povo, um estudo interessante tanto pelo que diz respeito ao desenho como à cor.

O Sr. Eugenio Latour, que se acha atualmente em Roma, enviou duas paisagens e um quadro de figura. Vê-se que ele anda ocupado em problemas de luz e de fatura. Nos quadros enviados, a sua pincelada é cheia e fresca, um tanto pastosa e firme, e as tintas são um tanto crivas e vibrantes.

O quadro de figura representa uma rapariga na exuberância da mocidade, temperamento vibrante e irrequieto, palpitante do que os Ingleses chamam animal spirits. A fisionomia da rapariga, visivelmente uma frequentadora de ateliers, ressalta com angular expressão de vitalidade, de debaixo de um chapéu vermelho, plenamente batido de sol e que parece iluminar todo o quadro. O vestido preto, pobre e sem a elegância que teria um modelo parisiense, é um esplêndido e harmônico contraste para essa cabeça tão cheia de vida, pintada com grande vivacidade de toque e largueza de execução.

Nos quadros - Bancos de pesca em Veneza - uma Veneza diferente das que estamos acostumados a ver nos quadros de Ziem e suas imitações, e Efeito de sol, nota-se visivelmente como está preocupando ao artista o estudo da luz nas suas múltiplas gradações e nos variados aspectos que estas emprestam às coisas.

Aguardemos como [sic] sentimentos de curiosidade e expectativa simpática os trabalhos que o Sr. Eugenio Latour nos trará da Europa.

O Sr. Eduardo Bevilacqua, prêmio de viagem na Exposição do ano passado, tem apenas duas vistas de Petrópolis, de tão somenos importância que não merecem mais do que as linhas que aí ficam.

Embora não seja pensionista do Estado, mas esteja na Europa estudando à sua custa, o Sr. A. de Alvim Menge não fica muito deslocado no pé desta notícia.

Conquanto não seja da força dos artistas precedentemente citados, o Sr. Menge expõe quadros não isentos de interesse.

Só quem conheceu os trabalhos pintados pelo Sr. Menge antes de sua partida para Europa, há cerca de dois anos, pode fazer ideia dos esforços e dos progressos por ele feitos.

É discípulo atualmente do Sr. Barbazan Lagueruela [sic], e isso se trai no quadro - O Novato - o trabalho seu de que menos gostamos, pintado com demasiado cuidado de detalhes e preocupação de efeito de bonito. O quadro - Ave Maria - tem certo sentimento, e o Velho Garibaldino é uma sólida cabeça de estudo.

O Sr. Menge está em boas mãos e talentoso e diligente e apaixonado como é de sua arte, tem diante de si um belo futuro.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 17 set. 1907, p. 3.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 17 set. 1913, p.8.

A Comissão Diretora da 20ª Exposição Geral de Belas Artes fez público que o artista João Timotheo da Costa obteve no atual "Salon" pequena medalha de prata e não de bronze, como por engano foi notificado.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 17 set. 1913, p.8.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 18 ago. 1916, p.5.

A Exposição Geral de Belas Artes teve ontem regular concorrência.

Foram adquiridos os seguintes quadros:

Velhas Mangueiras, de Baptista da Costa, Estudo de Torso, de Zeferino da Costa; Tempestade, de Pedro Bruno; Borboleta Azul, de Carlos Oswaldo; O Minas Gerais em Alto Mar, de Virgilio Rodrigues.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Natalia Mano Goulart Saraiva

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 18 ago. 1916, p.5.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 18 ago. 1920, p.6.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - A exposição deste ano contém, como já dissemos, muitos elementos que a tornam bastante interessante e, que merecem referências mais ponderáveis do que as simples e perfunctórias menções de uma primeira notícia.

Desses elementos, talvez seja o mais atraente e digno de nota a pequena serie de retratos que ela apresenta.

Para o observador inteligente, um belo retrato talvez seja a obra de arte que maior prazer lhe dê. O retrato é a obra em que mais perfeitamente se pode realizar a unidade completa dos dois elementos constitutivos da arte plástica, a reprodução e a expressão; porque o tema já proporciona a própria unidade, isto é, a coordenação ou harmonia dos elementos constitutivos, que o artista só tem que desenvolver e tornar real. Como diz um escritor, brinca nas mãos do artista. Dá-lhe a cabeça humana, com toda a sua solidez e forma, com a sua vivacidade, para ser um ponto de convergência para os seus pensamentos e um centro para a órbita do seu pincel. A natural subordinação também dos outros membros, [...] ao que é exigido pela arte. O pintor só tem que fazer ideia cabal de quão cheios de graça são os fatos e de saber tirar proveito das sugestões proporcionadas por estes, para estar no limiar de uma criação estética.

Um belo retrato é realmente uma bela coisa rara. A fascinação exercida por um retrato depende dos pontos de simpatia que possa existir entre o artista e o seu modelo, e do modo como ele souber desenvolver esses pontos, afim de que o resultado diga alguma coisa tanto do artista como da pessoa retratada.

Examinando os retratos reunidos na atual exposição, os que de pronto empolgam a atenção, são os dois de senhora enviados pela ilustre pintora americana, atualmente no Rio de Janeiro.

Como já dissemos em outra ocasião, os trabalhos de Mrs. Cecil Clarcke Davies [sic] trazem à memória as obras de artistas ingleses do fim do século décimo oitavo e princípio do décimo nono, como todo o seu encanto característico, mas que ela também sabe ser moderna, - mostrou-o no retrato de militar e no retrato de senhora, cuja tonalidade dominante era amarela, da sua exposição na Galeria Jorge.

Nos seus retratos, vê-se que o seu objetivo é dar à sua obra um sentimento de dignidade, e de distinção, e isso o mais simplesmente possível.

Em ambos os retratos da exposição o colorido é sóbrio, o modelado é feito com muita delicadeza e há certa sutileza de expressão.

No da Sra. Stewart, em que houve talvez um pouco de estilização, a fisionomia emerge cheia de vida do meio quente, formado pelo tom escuro do fundo do vestuário.

No retrato da Condessa de Provanna - tanto a pose como a expressão são perfeitamente naturais - havendo perfeita harmonia nos tons azuis do véu e claros do vestido, e do fundo cinzento.

Em ambas as mãos são finamente desenhadas, e a execução é cuidada e segura.

Será de lastimar que a distinta artista não tenha oportunidade de pintar retratos de algumas das nossas patrícias, com o que só teríamos que ganhar.

Um retrato que honra sobremodo o seu autor é o de D. Georgina de Albuquerque, pintado por seu marido, Lucilio de Albuquerque. A distinta artista é pintada sentada no centro do seu "atelier" - o arranjo é simples e agradável; e a composição tem harmonia e impressiona bem.

Lucilio fez uma bela obra de arte, em que, sem sacrificar as qualidades puramente artísticas, não deixou de lhe dar o requisito primário de um retrato, que é a semelhança.

Talvez a figura ganhasse ainda maior relevo se o fundo fosse completamente neutro, ou se houvesse menos pormenorização dos elementos do quadro que constitui esse fundo; mas compreende-se o sentimento dedicado que levou o artista a dar ao seu trabalho esse fundo, que além de tudo empresta um elemento característico à sua tela e não lhe diminui o valor.

O Professor Amoedo tem um retrato de menina em que não teve a felicidade de mostrar as qualidades que fizeram dele um dos mestres da nossa pintura.

Rodolpho Chambelland expõe dois bons retratos bustos de homem, que devem ser parecidos pela sinceridade e honestidade com que são pintados.

A Sra. Regina Veiga mandou um retrato de senhora, cuja tonalidade dominante é o branco, e que dá testemunho do progresso da distinta amadora, com dificuldades habilmente vencidas.

Retrato cheio de graça também é o da senhorinha A. X. pela Sra. Solange de Frontin Hess, que igualmente acusa progresso.

Carlos De Servi tem um retrato do Dr. Alfredo de Souza, bom de fatura e de expressão e muito feliz na escolha do ponto de vista em que tomou o seu modelo.

Fernandes Machado tem um retrato ao ar livre, interessante pela felicidade com que soube focalizar as singulares qualidades características do retratado.

Arthur Thimoteo da Costa expõe um retrato de senhora, de boas qualidades; e o Sr. Mario Tullio, um interessante retrato, com certo caráter, do poeta Dr. Olegario Marianno.

Não devemos passar em olvido o grupo de retratos do jovem artista Guttmann Bicho, intitulado "Alguns amigos". Retratos em grupo constituem dos mais difíceis problemas nesse ramo de arte; mas, que, quando solvidos com felicidade, causam bom efeito e evitam a monotonia que é quase inevitável na pintura de indivíduos isolados. Não podemos dizer que Guttmann Bicho soubesse fugir a esses escolhos, mas não sofre dúvida que há vida nos seus retratos e que o seu trabalho revela um esforço respeitável.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 18 ago. 1920, p.6.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 18 set. 1904, p.4.

Exposição Geral de Belas-Artes - Notamos com prazer que já vai sendo numeroso o grupo de moças que, entre nós, procuram cultivar seriamente a pintura, dedicando-se com fervor ao seu estudo e aprendendo com professores, que são artistas feitos e que tomam ao sério a missão de mestre, desenvolvendo e guiando criteriosamente as aptidões artísticas de suas discípulas.

Na atual exposição, a que concorreram nada menos de treze amadoras, há trabalhos que denotam essa seriedade de intuitos, o esforço aturado e perseverante de querer fazer justo, certa fidelidade de observação, qualidades de desenho e de combinação cromática, finalmente, todo esse conjunto demonstrativo de que o estudo da pintura já é considerado alguma coisa, superior à simples prenda decorativa, da qual as moças tomavam ligeiras tinturas com uma professora quase tão leiga na matéria como elas próprias.

Por isso, já não tão são abundantes os quadros de natureza morta, os estudos de frutas e flores. Aliás, quase todos informes, que outrora tapizavam grande parte das paredes das nossas exposições. Atualmente, aparecem agradáveis estudos de paisagem, em que se divisa certa educação visual, e trabalhos de figura em que há correção de desenho e apreensão regular das qualidades de modelado.

Deste ponto de vista e guardadas as devidas proporções, é muito interessante a exposição das senhoras, este ano.

Em primeiro lugar e sem reservas de espécie alguma, devemos falar das irmãs senhoritas Anna [Anna Cunha Vasco] e Maria Cunha Vasco. Já expõem trabalhos há alguns anos, fazendo jus a ser consideradas mais como artistas que como amadoras, pela maneira ampla e sólida como pintam a aquarela, de que tem feito especialidade. Discípulas de Benno Treidler, quase se pode dizer que ombreiam com ele na fatura larga, na maneira impressionista de encarar a natureza, na predileção pelos efeitos de luz vibrante, de cores intensas. São paisagistas e na variedade e de suas produções acusam um alto nível de qualidades artísticas. Na escolha dos seus temas deixam-se guiar pela sua impressão espontânea e direta sem sofrer a influência de convencionalidades. Daí, desenhos cheios de efeitos atmosféricos luminosos, de águas transparentes, de sutilezas de cor, em que o caráter um tanto de mancha não prejudica nada a impressão geral.

Aquarelas como a de n.53 (Leure) [sic], as de ns. 59 e 60 (Palatinado) são impressões de verdade em generalizações largas de efeito.

Das outras expositoras, podemos fazer menção dos trabalhos de D. Eulalia do Nascimento Silva, uma talentosa discípula de Antonio Parreiras que tem sabido aproveitar as lições do mestre. Destacam entre eles o quadro Na Roça n.74 e os estudos de interior de igreja.
D. Angelina [Angelina de Figueiredo] e D. Marietta de Figueiredo, também discípulas de Antonio Parreiras, tem uns interessantes estudos de interiores.

D. Irene de Andrade Ribeiro apresenta diversos trabalhos de figura que honram os créditos do seu professor, destacando-se entre eles os dois retratos (101 e 102).

Podemos ainda citar os trabalhos a claro-escuro de D. Beatriz Savio, D. Nina Santoro, as Uvas Paulistas de D. Amelie Pfam, os desenhos de D. Juliette Wancelius [sic], e algumas das frutas de D. Sarah Del-Vecchio, que já expusera o ano passado.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 18 set. 1904, p.4.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 18 set. 1907, p. 4.

Há na Exposição Geral de Belas Artes um quadrinho que faz as delícias de quantos a tem visitado, técnicos ou profanos.

É o quadro intitulado - Cataplum - do pintor espanhol Barbasan Lagueruela.

Representa uma rua de aldeia, no meio dia em dia de muito sol.

Uma menina, que vinha pela rua afora, escorrega e cai, quebrando-se a vasilha que trazia na mão, e espantando umas galinhas e galos que mariscavam no macadame da estrada.

E esse assunto, que deu o nome ao quadro bastou para o artista fazer uma pequena joia.

O quadro é, primeiro de que tudo, uma explosão de luz, de um brilhante efeito de sol, de um deslumbramento ofuscante, de uma impressão pirotécnica, se assim se pode dizer, que cega.

Além disso é tratado com tão extraordinária meticulosidade de detalhes que, no pincel de qualquer outro artista, prejudicaria o efeito de conjunto.

A pequena figura da menina caída é desenhada com extraordinária precisão e paciência: até as unhas dos pequenos dedos estão salientemente indicadas.

Em alguns dos galos, que fogem, todos com a sua plumagem admiravelmente feita tanto na cor como no desenho, vê-se vibrante o brilho dos olhos.

As paredes da casa no primeiro plano, onde o sol bate em cheio com a reverberação quente e dolorosa aos olhos como se se projetasse sobre gelo, é um pintor de técnica que atrai a atenção dos pintores.

E as montanhas ao fundo, também inundadas de sol, pintadas com singular finura, deixam ver uma nesga de céu claro e azul, que faz o espectador ter vontade de descortinar o que fica para além.

Entretanto, esse quadro cujos menores detalhes parecem pintados com uma lente, que é preciso ser visto de perto para que essas minudências sejam devidamente apreciadas, é feito com tal harmonia de conjunto, em uma tão bela e tão segura combinação de efeitos de luz e de cor, que, à proporção que o espectador se afasta, se as pequenas minudências desaparecem, a impressão do todo é a de uma sinfonia de vibrantes gradações de luz e reflexos de sol, executada com singular habilidade.

Todo o quadro é um triunfo de uma virtuosidade consumada, como poucas vezes nos tem sido dado ver aqui.

E Barbasan, se nos aparece como um pequeno-mestre descendente em linha reta de Fortuny e Pradilla, mostra também ser um cultor emérito da moderna e triunfante escola do plein-air.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 18 set. 1907, p. 4.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 19 ago. 1921, p.6.

XXVIII EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Conforme já fizemos ver na notícia sucinta que demos do nosso Salão no dia seguinte ao vernissage, não encerra ele nenhum grande trabalho destinado a ficar como o quadro que deve marcar o ano, e isso quer em obra de composição, quer no retrato. Na paisagem há, não sofre dúvida, toda uma série de obras distintas que honram os artistas que as pintaram, sem, todavia, ampliar-lhes a nomeada.

Cumpre, entretanto, patentear que a Exposição contém bom número de quadros com qualidades brilhantes e diversas, composições espirituosas, obras cheias de fortes e finos elementos de execução.

As abstenções foram assaz numerosas: artistas cujas obras exalçariam o valor de qualquer exposição, deixaram de comparecer. Já não falando de Henrique Bernardelli, que há alguns anos não expõe, também não estão representados na Exposição Pedro Alexandrino, Benno Treidler, Modesto Brocos, F. Puidomenech Colom [sic], Carlos De Servi, Gustavo Dalveara [sic], Antonio Rocco, Augusto Luiz de Freitas, Henrique Vio, D. Regina Veiga, Leopoldo Gotuzzo, etc.

Em compensação, há artistas que acusam incontestável progresso e mesmo pode-se dizer que há uma revelação de temperamento artístico do qual há muito a esperar.

João Baptista da Costa, o atual Diretor da Escola, tem cinco trabalhos, dos quais quatro das suas belas paisagens tão atraentes e luminosas e um pequeno quadro de figura.

Apesar do grande valor daquelas, este é o trabalho mais interessante e original da amostra de João Baptista da Costa e tanto mais atraente porque, ao que se sabe do seu gênio aparentemente sério e tristonho, não se esperava dele um retrato de impressão caricatural. Muita gente há de considerar isso como uma coisa de somenos valor, porque ou ignora ou se esquece que na caricatura, como em qualquer outra forma de arte, pode-se fazer coisas notáveis e valiosas.

Para uma caricatura de efeito, são necessárias altas qualidades de desenho, um grande sentimento do grotesco e um fino "humour"; e, como se sabe, um crítico francês já disse que todo bom retrato precisa ter alguma coisa de caricatural. O retrato do ator Edmundo Silva em um papel de uma peça de Raul Pederneiras é bem "réussi" e mostra a habilidade com que João Baptista soube apreender, com o mesmo espírito com que o ator o revestiu, a caracterização caricatural do personagem ideado pela veia humorística de Raul Pederneiras.

É um dos trabalhos da atual Exposição de que toda a gente que a visitar, não se poderá esquecer.

Rodolpho Amoedo expõe um auto-retrato pintado em aquarela.

É um trabalho digno do artista, de uma fatura fina e magistral, belo de cor, bem iluminado e de expressiva caracterização.

Eliseu Visconti é o artista que enviou maior número de trabalhos e todos dignos de sério exame.

É atualmente o nosso artista melhor aparelhado, ao lado dos dois professores que o guiaram no início de sua carreira e cujos nomes ele nobremente mencionou no catálogo - um artista que tem individualidade e que tem um lugar na primeira plana dos nossos pintores, honesta e gloriosamente conquistado.

Em qualquer exposição onde apareça, não se pode passar por ele, isto é, por seus trabalhos como quantidades negligenciáveis.

A agudeza penetrante da sua faculdade de expressão, a finura do seu desenho e modelado, a sua maestria técnica empolgam e impõem-se; e nada que ele faz deixa de impressionar o observador. Se o público entendido o admira e reconhece a excelência da sua obra, ele é eminentemente um artista para artistas - que atestam a sua superioridade.

O seu grupo de retratos, das pessoas de sua família, achando-se no grupo o próprio artista - é uma obra prima de simplicidade e de finura feita na sua maneira antiga - dessa outra obra prima que é o retrato da escultora Nicolina de Assis [Imagem], uma das joias da coleção José Marianno. Nessas cabeças tão divinamente desenhadas, numa tonalidade monocroma, com luz e com sombras, quanta expressão, que admirável ciência de colorido.

Do mesmo privilegiado pincel são os quadros: "Amigos inseparáveis", numa gravura cinzenta, com as mesmas qualidades de expressão e de desenho, o fino retrato de menino, a "Roupa estendida", fundo de um quintal, de grande ciência de perspectiva e mais vibrante de luz e de cores vivas.

Mas o interesse da amostra de Visconti não para aí, como se sabe, ele é, sem exagero um dos nossos maiores desenhadores a branco e preto, e um decorador de fina inventiva, e isso evidencia-se exuberantemente da série de seus estudos e desenhos de nu, alguns dos quais fizeram parte do "Salão" de Paris, do ano passado.

De Lucilio de Albuquerque e D. Georgina de Albuquerque é óbvio que não se deve falar separadamente. Estes dois artistas são marido e mulher; trabalham naturalmente juntos e têm pintado, ao lado um do outro, cenas da natureza e retratos que outra coisa não são os quadros de figura saídos de seus pinceis, quaisquer que sejam as intenções que os determinaram, mas, é justo dizer que cada um tem sabido guardar a sua individualidade. Dos dois, Lucilio é talvez mais forte paisagista com grande vigor de expressão, sem deixar de ser um notável pintor de figura. D. Georgina embora a sua pintura seja também vigorosa possui talvez mais delicadeza de expressão. Em aspecto pessoal, há naturalmente mais diferença entre eles do que entre as suas obras, mais [sic] é fácil reconhecer a obra de cada um. Lucilio considera a esposa como a maior artista dos dois; e ela acha que o contrário é que é a verdade. Ambos são amantes de cores ricas, e como vão sempre ao natural, aprenderam a ver as verdadeiras sombras dos raios do sol projetando-se sobre a terra e conhecem os seus tons desde o laranja ao violeta e vice-versa. São dois artistas modernos na larga acepção deste termo, perfeitamente aparelhados; e do conceito em que são tidos por quem lhes vê as obras, fala alto a excelente recepção que recentemente tiveram da crítica e da sociedade culta de Buenos Aires.

D. Georgina de Albuquerque está representada na exposição por dois quadros de figura o primeiro deles denominados "Acácias" é um retrato de menina aureolada por acácias em um dia de sol. A menina está vestida de violeta claro, e ao [sic] mescla impressionística dos tons amarelos das acácias e violáceos claros do vestuário - faz uma bela simpatia de luz com que esse luminoso dia de sol envolve a interessante figura da menina retratada.

O quadro intitulado Risonha é uma pintura cheia de expressão e riqueza de cor.

Lucilio mandou duas paisagens, pintadas brilhantemente, com muita largueza de pincelada e vigor de colorido.

Antonio Parreiras expõe dois quadros grandes, paisagens com figuras de forte efeito e vigorosamente pintados. Com a longa estadia de Parreiras na Europa, a sua visão da nossa paisagem perdeu algo da perspicuidade que o fazia dar a tudo quanto outrora pintava, […] caráter tão genuinamente brasileiro, e se sua maneira moderna tornou-se mais fina e sábia, foi talvez com o sacrifício daquela qualidade. As suas figuras são boas e bem metidas, e os seus dois quadros são incontestavelmente obras de um maitre-peintre [sic].

Um pintor que, embora não seja a primeira vez que entra no nosso "Salão", se apresenta este ano com singular destaque é Sr. Angelo Cantú.

Contaram-nos que este artista quando aqui aportou, vindo da Itália, querendo tirar da Alfândega os trabalhos que trazia, teve que sujeitá-los, como é de praxe, à inspeção do diretor da Escola, para atestar sobre o seu valor artístico. Falando com João Baptista, propôs logo a este, para provar a sua capacidade, pintar-lhe o retrato. João Baptista - achando engraçado e fora do comum semelhante oferecimento, prestou-se de boamente a servir de modelo, e parece que logo após o artista recém-chegado obtinha dele o atestado requerido e retirava os seus quadros.

Pelos trabalhos que expõe, reconhece-se que não é somente senhor da sua arte, mas dotado de uma percepção não ordinária das delicadezas de expressão necessárias para se chegar à excelência. Tem desenho fácil, fluente e seguro; pincelada simples, larga e por vezes gordado [sic]; criteriosa graduação de tons e sóbria modulação de cor.

Com os quadros expostos, entre os quais é quase difícil estabelecer primazias, ele define a sua posição artística e esta posição é de irrecusável distinção.

O quadro - Flor Exótica - talvez o que mais impressiona, pode ser um retrato, apesar de ser uma joia de pintura de gênero na sua maneira de falar à imaginação.

O denominado - Perto do Fogo - evidentemente pintado na Europa, representando um canto de atelier com o modelo seminu, de costas junto à lareira - é um bonito estudo de formas femininas e carnação quente.

Qualquer dos seus trabalhos encheria bem e agradavelmente a parede em que fosse pendurado.

Helios Seelinger tem quatro paisagens com figuras, com tonalidades quentes que fazem lembrar alguns dos quadros do célebre pintor Turner, o primeiro dos Impressionistas na opinião de muitos críticos.

Helios Seelinger gosta de tirar os assuntos dos seus quadros de mitos, legendas e cenas da natureza em que possa expandir um pouco a sua imaginação fantástica. Gosta de pintar centauros, sereias e coisas fabulosas. E tudo isto como que sendo elementos ou temas para tratamento decorativo.

É um artista que tem originalidade; pode-se gostar ou não dos seus quadros: mas é quase impossível não os ver e reconhecer, pelo menos, que são pessoais.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 19 ago. 1921, p.6.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 19 ago. 1927, p. 6.

O SALÃO DE BELAS ARTES - A exposição de Belas Artes, há dias inaugurada sob os melhores auspícios a que tivemos a feliz oportunidade de aludir, por ocasião de sua abertura, continua a chamar a atenção pública.

Frequência desusada nota-se no palácio das Artes para onde estão convergindo nestes últimos dias, não só quantos se dedicam à pintura, escultura ou outra qualquer manifestação artística, mas também um público numeroso que não estamos acostumados a ver em tais lugares.

A que atribuir este fenômeno? A propaganda em prol da nova exposição não tem sido maior do que em outros tempos. Talvez justifique tão grande interesse o número de trabalhos expostos, os nomes dos expositores e a sua qualidade.

Poucas vezes o "Salão" se tem apresentado tão animado em trabalhos como hoje e não é exagero dizer que em número e qualidade de peças exibidas a atual exposição não fará má figura em comparação com outras estrangeiras.

Nossos artistas trabalharam e trabalharam muito. O acervo de quadros, esculturas, planos arquitetônicos, gravuras, artes aplicadas, é quase excessivo para as nossas forças aquisitivas de objetos de arte, em relação à população e à fortuna pública. Como quer que seja, sem que nos preocupem estes problemas, na sua expressão econômico-social, apraz-nos registrá-los e fazemo-lo sob a melhor das impressões.

No artigo que dedicamos à inauguração da Exposição XXXIV frisamos a impossibilidade em que nos achávamos de fazer a merecida referência aos trabalhos apresentados pelos nossos artistas. E assim é. Uma larga série de artigos tal não conseguiria, mas temos o dever de registrar, além daqueles a que já aludimos, nossa impressão sobre outros trabalhos que nos parecem dignos de apreço, sem, contudo, podermos abranger tudo quanto lá existe.

Sem a oportunidade que esperamos alcançar por estes dias, de ver com o merecido cuidado, as seções de medalhas, escultura, arquitetura e artes aplicadas, podemos, entretanto, à vol d'oiseau, apreciar mais uma das salas destinadas à pintura.

Assim, nestas, tivemos o feliz ensejo de deter-nos ante um "Retrato" (n. 88 no catalogo), do Sr. Carlos Oswald que, neste trabalho, apresenta uma verdadeira obra prima. Efetivamente, nesta tela, o artista desdobra as suas qualidades de técnico, conhecedor, como poucos, do seu métier; tons, execução, expressão, planos, modelagem, a tudo ali se atende com êxito absoluto. Os detalhes recomendam ainda o autor quer se procure na fisionomia serena, tranquila humana, dessa figura de mulher, quer se considere a sua atitude de recato, tão compatível com a expressão do rosto, quer ainda se contemple a verdade daqueles cabelos e o seu brilho natural. Do tecido do vestido pode-se, sem exagero, dizer que ele se faria sentir se lhe passássemos a mão... É, em resumo, um trabalho este digno de ser visto e que será contemplado com embevecimento por quanto soem emocionar-se com a expressão da arte.

E, prosseguindo na nossa visita, vimos mais: "Marinha", do Sr. Ernesto Victor Saadeh, original na sua feitura e de feliz perspectiva: uma graciosa "Eulália", do Sr. Germinal Artesi; "Veranistas" e "Casa Branca", da Sra. Haydéa Lopes Santiago, com muita vida e bela perspectiva, na primeira tela, e colorido feliz na segunda; "Loira", do Sr. José Perissinoto, cabeça de linhas clássicas, visando belo efeito; série de oito pequenas telas, do Sr. Levino Fanzeres, trabalhos em que o pintor afirma as suas magníficas qualidades de paisagista, além do quadro de grandes dimensões "Murmúrios da tarde", de belas tonalidades e planos perfeitos; seis quadros do Sr. Manoel Santiago, concorrente ao prêmio de viagem, dando-nos, entre outros, a "Helena" bem modelada.

Encerramos a nossa visita de ontem com um demorado olhar a tela do Sr. Theodoro Braga, "Muira-k-itã".

É um trabalho de difícil execução a que o artista deu grande parte de seu talento, aplicando na lenda do rio Nhamundá, os recursos de sua técnica poderosa. A cor das índias, sob uma luz de luar direta, a margem de um lago, exige na composição pictural, um esforço desorientador. Que tonalidade dar a esses corpos de bronze, sob os raios do astro da noite? Fosse a carne branca e o efeito seria fácil. O moreno escuro dos índios requer imaginação, ciência profunda das cores, efeitos novos, tanta coisa difícil que só um grande artista poderá vencer. E parece-nos que o Sr. Theodoro Braga atinge o seu objetivo com o efeito esplêndido das sombras a que dá realce a forma impecável dos corpos femininos, tão bem tratados pelo seu desenho e na modelagem que lhes imprime.

Para este quadro o artista teve requintes de carinho, a tal ponto de o motivo da sua grande moldura ser uma feliz composição dos "muira-k-itans" e das "gregas" indígenas, estas graciossímas [sic], sendo os ângulos formados pelas tangas das índias, com seus desenhos riquíssimos nos motivos e resultantes dos documentos que nos chegam pela cerâmica, velha de séculos...

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 19 ago. 1927, p. 6.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 19 set. 1907, p. 4.

O Sr. Oscar Pereira da Silva, que emigrou para S. Paulo, onde parece querer ocupar o lugar deixado pelo saudoso Almeida Junior, expõe na atual Exposição um quadro de gênero de proporções regulares, e duas cabeças de estudo.

O Sr. Oscar Pereira da Silva há muito que não aparecia nas nossas exposições, onde outrora havia feito boa figura pelas qualidades técnicas dos seus trabalhos. De volta de sua viagem à Europa, de onde trouxe grande número de cópias de quadros de J. P. Laurens, e diversos quadros de gênero, revelando todos um desenho seguro e sólida execução, retirou-se depois para o Estado de S. Paulo. Aí dedicou-se ao ensino, e os trabalhos que de então para cá tem produzido, tem encontrado na própria capital paulista amadores que lhes dão fácil colocação.

O quadro de gênero Canto de Cozinha representa parte de uma cozinha de casa pobre, onde ao fogão uma mulher pobre, que já não é moça, assa nas brasas uns pés de inhame. Essa figura foi evidentemente pintada com carinho, pois tudo nela é feito com grande estudo e meticulosidade, sem a ausência do menor elemento que revele a idade e a natureza da mulher. A cara é cuidadosamente modelada e a roupagem pintada com tal arte que trai a flacidez mole das carnes que lhe estão dentro, própria da idade que a figura denota.

Na maneira meticulosa como estão pintados os acessórios, há alguma coisa dos antigos pintores flamengos; vê-se que o artista teve um prazer técnico, se assim se pode dizer, em pintar aqueles inhames, a lenha, a panela de cobre e demais objetos, que completam aquela cozinha da roça e que constituem o meio natural e familiar próprio da figura, e em que esta está à vontade, numa ação comum da sua vida diária. É uma cena da vida da classe pobre paulista e passada com grande exatidão para a tela, sem a preocupação de fazer um quadro de composição, uma cena mais ou menos teatral. A figura casa-se bem com o meio em que está; tudo está ali bem e tem um ar familiar, de tranquilidade; sente-se que o artista viu esse quadro e não fez mais do que copiá-lo do vivo.

Talvez possa-se achar que o quadro é todo homogeneamente iluminado por uma luz igual e igualmente intensa, sem quase sombras. Mas, ao contrário, o artista não poderia pintar com tanta arte a vasilha de cobre e demais acessórios que se acham na prateleira ao fundo do fogão, e ficaria privado de prazer em que se compraz, de delinear cuidadosamente os acessórios, os metais e outros objetos, em que evidencia as suas qualidades de pintor.

Mesmo com estes senões o seu Canto de cozinha é um quadro interessante e pertence a um gênero de pintura muito adaptado ao seu temperamento, e dentro do qual se pode produzir obras interessantíssimas, principalmente se procurar traduzir e fixar com a sua arte cenas e costumes caracteristicamente populares.

Os seus dois outros trabalhos Cabeça de Expressão e Tomando uma pitada, são quase dois estudos acadêmicos, excelentemente pintados.

Esperemos que o Sr. Oscar Pereira da Silva seja de futuro concorrente mais assíduo de nossas composições, enviando-nos da Paulicéa telas recontando-nos fases pitorescas da vida paulista.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 19 set. 1907, p. 4.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 19 set. 1912, p.8.

Circunstâncias insuperáveis não permitiram ao encarregado desta seção voltar a tratar antes da Exposição Geral de Belas Artes, e já agora não tem ele remédio senão dar conta da sua tarefa de um modo perfunctório.

Já dissemos que a exposição deste ano continha muitos trabalhos interessantes e revelara certa atividade por parte dos nossos artistas mais novos, na luta muito louvável pela conquista do prêmio de viagem, objetivo de todo artista desejoso de se ir aperfeiçoar nos grandes centros do Velho Mundo.

Dentre os mestres, triunfam brilhantemente Elyseo Visconti e João Baptista da Costa.

Elyseo Visconti tem um retrato, um estudo de nu, um quadro alegórico e duas paisagens.

O primeiro, que é o retrato de Gonzaga Duque, já visto na Exposição da Praia Vermelha em 1909, é melhor dos seus trabalhos na atual exposição e no gênero, se tem superior ou rival entre as suas produções tem-no no admirável retrato da escultora Nicolina da Assiz.

Este retrato deve ter sido difícil de pintar devido a não poder o artista aproveitar-se do principal elemento de expressão em uma figura, a saber, os olhos, cobertos pelas lunetas azuis, de que usava Gonzaga Duque: mas, apesar das dificuldades a vencer, o resultado foi extremamente feliz, e o artista conseguiu dar a caracterização própria, como o reconhecerão todos quantos estimaram e amaram o falecido escritor.

A postura do retrato, de perfil, é natural e a cabeça fina e fidalga de Gonzaga Duque está pintada com grande vigor.

Cumpre também evidenciar a grande habilidade com que o artista soube harmonizar os simples elementos do vestuário, sóbrio de cores, com o fundo.

Do nu não gostamos tanto: a figura da menina, entrando quase na puberdade, está em uma posição desgraciosa, meio acaçapada e encolhida, como que envergonhada de expor o seu jovem corpo ao olhar indiscreto e desrespeitador de todo o mundo: e, demais, não é tratado com a finura dos seus quadros anteriores do mesmo gênero, como por exemplo, o Sonho Místico.

O pintor intitula esse quadro Primavera, e naturalmente, quis simbolizar essa estação lembrando-se do verso do poeta: "Oh! Primavera, gioventú del'anno; oh, gioventú, primavera della vita!" Mas, admira que não tivesse pintado a sua figura ao ar livre, como ele o sabe fazer tão bem, em vez de metê-la em um quarto fechado, como a tiritar de frio.

O quadro - Mensagem - tem um tema alegórico cuja intuição confessamos humildemente não ter compreendido bem, mas, é bem pintado como fatura, e a sua impressão seria completamente agravel [sic] se não fosse o efeito desarmônico da tonalidade azul da figura diáfana.

As suas duas paisagens são finas e possuem um sentimento delicado da natureza. Afigura-se-nos que há um efeito demasiado carregado nas sombras.

Os reparos que acima fizemos, não passam da maneira de ver do escritor destas linhas, e em nada pretendem amesquinhar a obra do ilustre artista.

O Sr. Rodolpho Amoedo é representado na Exposição com um quadro de figura, de uma mulher deitada, a que ele intitula Juventude.

O Sr. Amoedo tem na nossa Pinacoteca quadros de tamanho valor artístico, que, logo que foram expostos a sua volta do pensionato na Europa, o colocaram na primeira plana dos nossos pintores.

Mas a suprema excelência dessas suas obras faz com que se exija dele que tudo quanto saía do seu amestrado pincel possua as mesmas qualidades superiores: e é, por isso que não nos agrada a sua tela deste ano, a qual nos parece não ter sido cuidadosamente estudada e não estar acabada.

João Baptista da Costa tem diversas paisagens de Petrópolis, iguais as que nos tem acostumado a ver nas anteriores exposições, quadros mais ou menos cheios de sol e de luz com o verde característico da nossa terra que ele sabe reproduzir como ninguém, e que tem quase todos motivos muito semelhantes, pintados em geral na mesma tonalidade e com o mesmo cuidado. Todos eles possuem o cunho inconfundível do seu pincel e não podem deixar de agradar; mas, confessamos que nos impressionaram mais simpaticamente os dois pequenos - Villa Marianna e Serra dos Órgãos, menos vibrantes que os outros, mas possuindo tons muito finos e harmoniosos, e quiçá mais poesia.

Todos os trabalhos que emanam do seu pincel são provas do talento e do cuidado com que o distinto artista procura entender a nossa natureza; mas, não podemos deixar de lembrarmos com saudade do seu Volta do Trabalho, que parecia ser o início de uma nova direção.

O Sr. Fiuza Guimarães expõe um nu, uma Salomé.

Parece que a heroína de Oscar Wilde, tão graficamente representada pela Bellincioni, impressionou os nossos artistas, pois temos mais de uma versão dessa personagem bíblica no Salão deste ano.

A do Sr. Fiuza, que não é a de menos valor, é um tanto masculina nas suas formas.

O Sr. Carlo de Servi tem três trabalhos dos quais nos agradou sobremaneira o intitulado Carioca, o mais forte dos três, e que é pintado com certo vigor, talvez em virtude do modo como está iluminado.

É uma das coisas atraentes da Exposição.

Benno Treidler, que há tempos tem andado arredado do Salão, enviou este ano um pequeno trabalho, bastante interessante, um retrato a cavalo.

É trabalho que tem valor artístico; mas, manda a verdade dizer que gostamos mais do modo como estão pintados o cavalo e a paisagem, do que da figura do retratado que se nos parece demasiado rígida.

o Sr. Arthur Thimotheo fez-se representar apenas pelo seu belo quadro Idílio, que na atual exposição, bem colocado e em mais favoráveis condições de luz, melhor mostra as suas boas qualidades, podendo-se mais francamente apreciar o seu incontestável valor.

O Sr. Lucilio de Albuquerque expõe nove trabalhos, alguns já vistos na sua exposição quando chegou da Europa, e outros pintados depois. Dos primeiros, já em notícia anterior lhes mostramos o valor e só teríamos agora que repetir o que então dissemos. Dos seus novos trabalhos, aquele de que mais gostamos é a paisagem - Margens do Tietê - muito quente de cor e de interpretação.

Helios Seelinger destacou da sua recente exposição apenas dois quadros para o representar na Exposição Geral - o Combate Naval e a Cleópatra, que, nas melhores condições em que se acham expostos, mostram a largueza do modo como são tratados, o vigor e a originalidade da sua concepção. As impressões que tivemos quando vimos esses quadros pela primeira vez, mais se acentuaram, fazendo-nos cada vez mais desejar acompanhar o desenvolvimento de um artista que se não confunde com nenhum outro.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 19 set. 1912, p.8.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 2 ago. 1914, p.14.

XI [sic] EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS-ARTES - Realizou-se ontem, conforme estava anunciado, a inauguração da Exposição Geral de Belas-Aartes do corrente ano.

Não compareceu o Sr. Presidente da República, que se fez representar pelo ajudante de ordens, o Sr. Comandante Reginaldo Teixeira.

Foi enorme a concorrência dos visitantes, parecendo todos muito bem impressionados com os resultados dos esforços dos nossos artistas no ano decorrido.

Já externamos a nossa impressão geral, que com a visita de ontem foi ainda mais favoravelmente intensificada.

Voltaremos breve a falar minuciosamente da Exposição.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 2 ago. 1914, p.14.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 2 ago. 1915, p.7.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Inaugurou-se ontem, oficialmente, a Exposição Geral de Belas Artes do corrente ano, com a presença do Sr. Presidente da República.

O Sr. Dr. Wencesláo Braz, que se fez acompanhar do Sr. Coronel Tasso Fragoso, Chefe de sua Casa Militar, chegou à Escola de Belas Artes às 2 horas da tarde, sendo recebido pelo atual Diretor da Escola e a Comissão Organizadora da Exposição. S. Ex. percorreu demoradamente os dois salões do andar superior do edifício da Escola, onde se acha instalada a exposição, examinando com atenção e interesse os trabalhos expostos, e externando ao retirar-se as boas impressões que lhe causavam as obras dos nossos artistas, para cujos esforços teve palavras de elogio.

Visitaram também a exposição ontem os Srs. Ministros do Interior e das Relações Exteriores.

Os salões da Exposição apresentavam um espetáculo atraente e animador, cheios constantemente de uma enorme concorrência, em que se notavam representantes de todas as classes sociais, que trocavam as impressões recebidas dos trabalhos ali reunidos.

Não faltou também o brilho que a todas as reuniões desse gênero dão a beleza, a graça e a elegância feminina.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 2 ago. 1915, p.7.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 2 set. 1902, p.2.

Com a presença do Sr, Presidente da República realizou-se ontem a inauguração da Exposição Geral de Belas Artes do corrente ano.

O Sr. Presidente da República, acompanhado de seu Secretário o Sr. Dr. Cochrane, foi recebido pelo Professor Rodolpho Bernardelli [...]

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 2 set. 1902, p.2.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 2 set. 1903, p.3.

A inauguração da Exposição de Belas-Artes ontem no edifício da Escola de Belas-Artes foi extraordinariamente concorrida.

O Sr. Presidente da República não compareceu, mas estiveram presentes e visitaram a Exposição, parecendo bem impressionados, os Srs. Ministros do Interior, da Fazenda e da Viação e o Sr. Prefeito do Distrito Federal. Estiveram também presentes o Sr. Conselheiro Camelo Lampreya, como todo o pessoal da Legação Portuguesa, e o Sr. Cônsul da Holanda.

Os dois salões da Exposição e aquele em que estão os objetos de arte adquiridos o ano passado estiveram continuamente cheios, notando-se entre as pessoas presentes os representantes de todas as classes e grande número de senhoras da nossa melhor sociedade.

Foi adquirido ontem na Exposição pelo Sr. Antonio José Dias de Castro o quadro Pescador (21), do Sr. J. Baptista.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 2 set. 1903, p.3.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 2 set. 1904, p.3.

Exposição Geral de Belas-Artes - Realizou-se ontem, ao meio dia, a inauguração oficial da undécima exposição anual de belas-artes, no edifício da Escola Nacional de Belas-Artes.

O Sr. Presidente da República não compareceu, mas se fez representar pelo Sr. Dr. J. J. Seabra, Ministro do Interior, que abriu a Exposição e, acompanhado do diretor e professores da Escola de Belas-Artes, percorreu todas as salas, mostrando-se muito satisfeito com os trabalhos expostos.

Estiveram também presentes os Srs. Ministro da Indústria, Dr. Lauro Muller, que visitou demoradamente a Exposição; o Sr. Conselheiro Camelo Lampreia, Ministro de Portugal, muitas famílias da nossa melhor sociedade, grande concorrência de senhoras, de homens de letras, jornalistas, médicos, advogados, etc., conservando-se as salas constantemente cheias durante todo o dia.

A impressão geral parecia ser de grande satisfação, sendo a opinião corrente que tanto pelo número como pela qualidade das obras expostas, a atual exposição é superior as dos anos mais recentes.

Ontem mesmo foram adquiridos alguns quadros do Sr. João Baptista da Costa.

No saguão do edifício tocou durante toda a cerimônia uma banda marcial.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 2 set. 1904, p.3.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 2 set. 1906, p. 4.

Ontem, ao meio-dia, realizou-se no edifício da Escola de Belas-Artes, a inauguração da Décima Terceira Exposição Geral de Belas-Artes, com a presença do Sr. Presidente da República.

S. Ex., que foi acompanhado do Chefe de sua casa militar, foi recebido no saguão da Escola, onde tocava uma banda militar, pelo Sr. Ministro do Interior, e pelo Diretor e mais membros da congregação da Escola.

A visita de S. Ex. pelas salas da Exposição foi demorada, mostrando interesse por quase todos os trabalhos expostos, parecendo ser muito boa a impressão que lhe causou a atual exposição.

A concorrência de pessoas de nossa melhor sociedade, foi grande, notando-se número extraordinário de senhoras, que encheram literalmente as salas durante todo o dia.

Foram ontem inaugurados dois trabalhos de Belmiro de Almeida, um esplêndido retrato de senhora [Imagem], que nos parece destinado a ser o clou deste ano e um delicioso quadrinho de gênero, dos quais falaremos mais tarde em notícia especial.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 2 set. 1906, p. 4.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 2 set. 1908, p. 5.

Inaugurou-se ontem, a décima-quinta Exposição Geral de Belas Artes.

Às 2 horas da tarde, o Sr. Presidente da República chegou, em carro do Palácio, ao edifício da Escola de Belas Artes, vindo acompanhado do Sr. Dr. Edmundo Veiga. Chefe da sua Casa Civil e de todos os membros da sua Casa Militar.

S. Ex. foi recebido na entrada do edifício ao som do Hino Nacional, pelo Sr. Professor Rodolpho Bernardelli, Diretor da Escola, acompanhado dos respectivos professores e dos membros do júri da Exposição.

O Sr. Dr. Affonso Penna percorreu demoradamente os salões em que estão dispostos os quadros e outras obras expostas, examinando atentamente os trabalhos, e fazendo com que o Sr. Rodolpho Bernardelli lhe apresentasse muitos dos expositores presentes, a quem S. Ex. dirigiu palavras de congratulações e animação com relação aos respectivos trabalhos.

Às 3 horas da tarde, o Sr. Presidente da República retirou-se, sendo acompanhado até o carro pelo Diretor e professores da Escola e membros do júri.

O Sr. Ministro do Interior, não compareceu por doente, fazendo-se representar pelo seu oficial de Gabinete, Dr. Moreira Guimarães; o Sr. Dr. Chefe de Polícia também não pôde comparecer, por estar impedido em outra parte, sendo representado pelo seu Secretário, Sr. Bellarmino Carneiro.

Estiveram presentes e acompanharam o Sr. Dr. Affonso Penna, durante a sua visita, o Sr. Conde de Selir, Ministro de Portugal; o General Antonio da Souza Aguiar, Comandante da Brigada Policial, e Comendador Armelim, Secretário da Legação de Portugal.

Foi numerosíssima a concorrência de convidados, principalmente de senhoras da nossa melhor sociedade, sendo difícil o movimento nos salões.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 2 set. 1908, p. 5.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 2 set. 1910, p.5.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Com grande concorrência realizou-se ontem a inauguração da 17ª Exposição de Belas Artes.

Ao meio dia chegou ao edifício da Academia Nacional de Belas Artes o Sr. Presidente da República, a fim de inaugurar a Exposição Nacional de Belas Artes de 1910.

S. Ex. fez-se acompanhar dos Srs. Ministros da Justiça, Secretário da Presidência da República e do Chefe da sua Casa Militar.

Recebido à entrada do edifício pelo Diretor da Academia, professor Rodolpho Bernardelli, e pela Diretoria da Exposição, composta dos Srs. Belmiro de Almeira, J. Baptista da Costa e Corrêa de Lima, foi S. Ex. conduzido ao salão onde figuram os trabalhos de pintura e escultura e gravura, e aí se conservou cerca de três quartos de hora, observando os trabalhos expostos.

S. Ex. regressou ao Palácio pouco antes de 1 hora da tarde.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 2 set. 1910, p.5.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 2 set. 1914, p.4.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS-ARTES - Por ter sido prorrogada, por mais quinze dias, a XXI Exposição Geral de Belas Artes, continua aberta, no edifício da Escola de Belas-Artes, até 15 do corrente, das 11 horas da manhã às 5 da tarde.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 2 set. 1914, p.4.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 20 ago. 1920, p.5-6.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES Voltando à Exposição é de dever falar em primeiro lugar de João Baptista da Costa, o ilustre diretor da Escola e o mestre da paisagem entre nós.

Expõe dois quadros grandes - "Tarde calma", vista da Lagoa de Rodrigues de Freitas, e "Últimos raios de sol", Petrópolis.

O que mais prezamos em João Baptista é a sinceridade com que interpreta a natureza, dando do trecho de paisagem que escolhe para tema uma translação tão palpitante de verossimilhança e infundindo-lhe vida, como que fazendo um bom retrato dela e sabendo incutir-lhe a expressão que no momento apresenta. Dos seus dois quadros, talvez o primeiro tinha um aspecto mais alegre mais risonho, mais se tivéssemos de fazer uma preferência escolheríamos o segundo por nos parecer o que apresenta uma fase mais duradoura menos transitória da natureza e talvez mais impregnada de sentimento.

Lucilio de Albuquerque também expõe duas paisagens bem estudadas e muito bem iluminadas.

D. Georgina de Albuquerque expõe cinco trabalhos todos interessantes, todos possuidores de brilhantes qualidades de luz e de cor. São figuras de mulheres, ou isoladas ou grupadas, com grande arte, bem desenhadas, vestidas garridamente, e banhadas de quentes raios de sol, todas [sic] coisas muito belas, causando admiração não trem ainda encontrado amadores de bom gosto, que as adquirissem.

Helio Selinger mandou dois quadros grandes - duas marinhas, dois quadrinhos de figura e meia dúzia de atraentes notas de paisagem.

O simbolismo representa grande papel na arte de Helios Selinger. Talvez que as suas obras não saíssem incólumes de uma análise muito rigorosa; que possam parecer algo desiguais; que tenham falhas e que nem sempre as cores e as linhas tenham trabalhos à perfeição que os mestres poderiam desejar; mas, apesar de tudo, sentimos que devemos aceitá-las tais como elas são, no receio de que, se sofressem. Mas, [sic] alguma alteração, perdessem esse quê que nos prende e nos empolga. Como elas são, refletem bem o seu caráter, o caráter do seu talento, e isso é muito ou é tudo na obra de um artista.

As suas duas marinhas representam uma tentativa de corporificar ideias ou visões de fatos com o mar como campo de ação; e considerando-se que devem ter sido pintados mais de memória do que diretamente da natureza. Traduzem com bastante efeito as ideias que o artista quis simbolizar.

No quadro - Por mares nunca navegados pareceu-me dispensável ter introduzido a efígie de Camões que quebra a harmonia decorativa da composição.

A figurinha intitulada Colombina é cheia de graça.

Eugenio Latour é representado por um grande quadro de composição interior com muitas figuras. Este trabalho representa com verossimilhança uma cena que temos visto frenquentemente da qual até temos por diversas vezes feito parte.

É a antecâmara do gabinete de uma autoridade superior em dia de audiência. Um exame sério desse quadro mostra logo que deve ter ele custado ao artista muito trabalho e muita observação, pois que para conseguir a diversidade de posição de caráter de seus personagens muitos estudos do natural precisa ele de ter feito.

O quadro tem ambiente e tem composição e constitui uma obra notável, um esforço sério e digno de todo o respeito.

Temos ouvido incriminar a obra de Latour de um defeito que se afigura grande e que realmente o seria se fosse tão flagrante como o pretendem: - a falta de nivelamento do chão do quadro, o que lhe entorta a perspectiva.

Ora, como bem o disse o grande pintor inglês John Collier e todo o artista o sabe, "é sempre difícil fazer o chão num quadro parecer plano e que com uma perspectiva algo violento causa quase impossível. [sic]

Na pintura de retratos todos sabem que para obviar esse perigo os artistas tem quase sempre no seu atelier uma espécie de palco ou tablado onde colocam os seus modelos, porque, se o artista fica no mesmo nível do individuo que retrata, o chão corre o risco de parecer absurdamente inclinado. Isso pode ser até certo ponto evitado colocando-se a figura um pouco acima do plano em que se acha o artista. Além disso, o artista tem sempre a facilidade de afastar-se do trabalho para poder avaliar da perspectiva. Isso em um retrato: é fácil de imaginar quanto essa dificuldade redobra em uma composição de grandes proporções e que não pode ser toda pintada do natural e que nem sempre se pode lançar mão do expediente empregado por alguns artistas - o de adotar para o chão um horizonte mais baixo do que para o resto do quadro.

Carlos Oswaldo tem um quadro - Jesus entre os doutores - em que a figura do menino não possui o relevo nem a intensidade de expressão que nos pareceria indispensável, mas que tem uma figura de velho - com bastante acentuação e caráter.

Carlos De Servi, além do registro de que já falamos, tem um bom quadro de natureza morta e uma paisagem em guache.

Rodolpho Chambelland tem uma paisagem "Sol da tarde", violenta de cor e de luz vibrante, que constitui um mau vizinho.

Arthur Thimotheo da Costa tem três quadros de paisagem na sua maneira larga, profusamente iluminados de sol, um principalmente, o denominado "Efeito de sol", de violenta impressão É dos quadros que mais atraem os olhos dos visitantes na exposição.

Seu irmão Arthur [sic] [João Thimotheo da Costa] expõe uma vista da "Boa Viagem" feita com certa largueza, um estudo de figura e um quadro - um médico auscultando um menino nu [Imagem], com qualidades.

O Sr. Edgard Parreiras, que acaba de realizar uma tão interessante mostra individual na "Galeria Jorge", tem uma paisagem [Imagem] e que é um dos trabalhos mais sérios da Exposição.

Outro artista que também apresenta duas paisagens dignas de apreço, pelas suas qualidades, é o Sr. Pedro Bruno, o prêmio de viagem do "Salão" do ano passado.

O Sr. Argemiro Cunha tem um retrato de senhora, de pé, bom de fatura e uma paisagem [Imagem], também com qualidades.

Levino Franzeres, que já é um artista consagrado, tem quatro trabalhos de boa expressão e sentimento.

Do Sr. Mario Navarro Costa é difícil falar. Chega-nos de Portugal precedido de uma aura que nos fazia esperar obra bastante diferente da que a que expõe: não compreendemos os seus quadros com cores que se nos afiguram demasiado cruas e com um desenho e perspectiva que não nos impressionam com particularmente certas.

Do Sr. Otto Bimgner [sic], gostamos de um quadrinho de figura "n. 96), um estudo de cabeça de moça, que é fino de modelado e de entonação e que não fica despercebido junto da paisagem de cores violentas do Sr. Chambelland. Do mesmo senhor, também gostamos de uma paisagem da Gávea.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 20 ago. 1920, p.5-6.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 20 set. 1908, p. 7.

Na atual Exposição de Belas Artes há coisas interessantes, que nos escaparam na primeira visita e seria injustiça passar por elas sem reparo.

Não faltou quem se queixasse da pobreza da exposição este ano; mas, num meio como o nosso em que é tão limitado o grupo de apreciadores dos bons quadros e é mais limitado ainda o daqueles capazes de os adquirir. O que é de admirar, é que os nossas artistas ainda se abalancem a produzir trabalhos que demandem certo esforço, dispêndio de tempo e dinheiro, quando a probabilidade quase certa de vê-los voltarem para o atélier, terminada a exposição, é a única perspectiva que se lhes antolha. E não se diga que, se os nossos artistas não encontram quem lhes adquira os quadros, é porque não se dão ao trabalho de fazer obras de valor. A verdade é que não temos ainda quem conheça e saiba apreciar essas obras; bem recentemente, tivemos um frisante exemplo disso, com a exposição de magníficas telas dos principais artistas italianos, organizada pelo Sr. Ferruccio Stefani. Excetuadas umas seis ou oito adquiridas pelo Sr. Comendador Costa Pereira, Dr. Arthur Lemos, Dr. Rego Barros, e mais mais [sic] um ou dois amadores, todas as telas dessa exposição voltaram para a Itália, com grande desânimo do Sr. Stefani, que julgara encontrar aqui um meio mais culto.

Do Estado não há nada a esperar: possui uma galeria de Belas Artes, mas não a habilitam com os meios necessários para que ela possa adquirir obras de artes. Se não fosse a munificência de alguns particulares generosos, essa galeria veria passar os dias e os anos sem que para as suas coleções entrasse alguma obra nova. O Sr. Stefani presenteou-a com o formoso quadro de Ettore Tito - "Dansa em roda" - ; o artista chileno Alfredo Helsby, com a sua "Vista panorâmica", de Valparaíso; o artista francês Guignard, com um dos seus melhores trabalhos; e agora um amador, o Sr. Julio Delage, acaba de lhe ofertar os dois bronzes do escultor italiano G. Renda e o belo quadro do eminente pintor francês Maurice Bompard - Vue de Venise, que se acham no nosso salon deste ano. A nossa Galeria, pobre em tudo, é pobríssima de quadros modernos, e estas generosas dádivas vão preenchendo imperdoáveis lacunas e proporcionando importantes elementos para estudo aos alunos da nossa escola. Do valor instrutivo desses quadros estrangeiros se tem uma prova nessa própria exposição; já mencionamos, em anterior notícia, os quadros de Barbasan, de Gagliardini, de Tournés, e de Hyppolite Lucas, e a este devemos acrescentar o quadro "La Toilette", de Zier, um saboroso estudo de nu, excelentemente pintado, em que o artista encontrou um bom modelo, novo e belo, cuja carnação sadia e rósea e musculatura soube fixar na tela.

Esses quadros, cujo valor artístico ninguém poderá contestar, não têm amesquinhado, antes têm concorrido para fazer sobressair os trabalhos de alguns dos nossos artistas. O quadro Vue de Venise, de Bompard, com a sua intensidade de cor e de luz e a sua maneira larga, não constitui por certo um bom vizinho; entretanto, com a sua proximidade nada sofreram, pode-se afirmar, a admirável tela de Visconti, Maternidade, nem a interessante paisagem de Latour, Luar, cujas qualidades melhor se realçam ali do que na sua primeira exposição na Associação dos Empregados no Comércio.

A Maternidade, de Visconti, que esteve no Salon de 1906, é um trabalho merecedor de francos elogios. Tudo nele é bem feito e agrada; a paisagem ampla e cheia de ambiente; a figura da mulher, tão bem tratada; a carnação da criança que mama, rosada e polpuda; o modo fino e delicado como são pintados o cetim e as rendas dos vestuários, a tonalidade geral, o jogo de cores, tão demonstrativo do colorista que é o pintor, o sentimento sereno e resplandescente da maternidade honesta e feliz, tudo concorre para fazer desse quadro uma obra de arte, em que o artista, com singular poder de técnica, concretizou a sua visão material e a sua interpretação espiritual do tema, de modo feliz.

Nos outros quadrinhos que expõe estudos de plein-air, de grande simplicidade e frescura, se revela também a sua arte acabada. A respeito da composição do pano de boca do Theatro Municipal, cujos estudos, na sua maioria, são admiráveis como desenhos, já é sabida a opinião desta folha. Reservamo-nos para desenvolver essa opinião mais particularmente quando for ele mostrado ao público no seu meio natural.

O Sr. João Baptista da Costa é artista que nunca deixa de se fazer representar nas exposições anuais. Trabalhador incansável, apesar dos seus afazeres como professor da Escola e do Instituto Profissional, acha tempo de pintar dois ou três quadros de fôlego. Este ano tem três paisagens e um retrato. Neste mostra-se bom pintor de figura: o modelo é bem estudado, tanto na interpretação como na execução franca e firme, sendo o único reparo a fazer talvez a falta de um pouco mais de ar em torno da cabeça.

Na paisagem nota-se a mesma honestidade, o mesmo respeito à natureza, na transcrição dos seus aspectos mais atraentes e mais reais. É um paisagista bem nosso, verdadeiro, de grande objetividade, sem, todavia, ser frio, aceitando a natureza como ela se lhe apresenta e não a modificando segundo uma visão preconcebida.

Nas paisagens que expõe, reconhece-se esses característicos, mas parece-nos que o artista não foi muito feliz nas figuras do quadro grande, nem mesmo na do pequeno rapaz, da intitulada Para a pesca, que nos impressionam como desproporcionais, e prejudicando os efeitos de perspectiva, encurtando as distâncias.

Carlos Oswald tem um pequeno auto-retrato, que, pela sua colocação, nos passou na primeira notícia, mas que é uma das boas coisas da exposição. É de muito bom desenho, finamente modelado, expressivo e com ambiente. Se há algum senão (e se isto constitui senão) é que lembra um retrato antigo. Já essa tendência para seguir a maneira de certos pintores, com Lenbach, de dar uma tonalidade de quadro antigo às suas telas se trairam nos retratos com que o Sr. Oswald aqui apareceu há uns dois ou três anos.

Augusto Luiz de Freitas, que vive na Itália e reside habitualmente em Anticoli Corradi, expõe, três trabalhos pintados neste aldeia, numa tonalidade suave e delicada.

O Sr. Alvim Menge, discípulo de Barbasan, não pinta como o mestre; aproveita-lhe as lições, mas faz obra sua. Os três quadros que expõe, todos de grandes proporções, revelam grande adiantamento tanto no desenho como no colorido e possuem bastante expressão, mostrando que há muito a esperar do seu autor.

Bem diferente é a tonalidade da paisagem do Sr. José Raphael, um deitar de sol cheio de luz alaranjada e quente e de boa perspectiva, por um artista que visivelmente não é um principiante.

O Sr. Alfredo Norfini, filho de um pintor que goza de reputação pelos seus quadros históricos e pelos seus retratos, e irmão do escultor Giuseppe Norfini, que também já chamou a atenção sobre seu nome na Itália, expõe uns quadros de boa cor e bom desenho, principalmente a reunião de estudos de cabeça que denominou "Os meus modelos".

Do Sr. José Navarro, um artista espanhol muito elogiado, dois quadros de marinha em que se revelam as qualidade de cor e de luz peculiares à escola de Sorolla, mas em que se notam desequilíbrios de perspectiva e desproporções nas figuras.

O pintor chileno Alfredo Helsby, que fez aqui em Petrópolis exposição dos seus trabalhos a óleo e aquarela, há seis estudos na sua maneira meticulosa, e cheios de cor.

Devemos ainda salientar o quadro - Mesa de cozinha (n. 89). da Sra. D. Maria Luiza Pompeu de Camargo, de sólidas qualidades e bem entonado, que se faz ver, apesar da vizinhança perturbadora do quadro de Gagliardini - Maisons de pécheurs (62).

Como já dissemos, grande parte dos nossos artistas não concorreram, uns por não ter podido fazer trabalho especial para esta exposição, outros por haverem preferido mandar os seus quadros para a seção brasileira de belas artes na Exposição Nacional.

O Salão deste ano não foi, pois, tão numeroso, como era de desejar, de bons trabalhos.

É de esperar que no conjunto das telas e mais obras de arte reunidas na Praia Vermelha os nossos artistas consigam das uma boa amostra da nossa arte e compensar a abstenção notada na atual Exposição Geral.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar'

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 20 set. 1908, p. 7.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 20 set. 1912, p.9.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Voltando à Exposição Geral, falemos do retrato de senhora e menina, do artista F. Pons Arnau, discípulo de Sorolla. É um bom trabalho, de um artista que conhece a sua arte, que pinta bem a figura e não encontra embaraços de técnica.

Rodolpho Chambelland tem dois retratos que servem para evidenciar as suas boas qualidades de desenho.

No retrato do Dr. J. M., pela igualdade de cor do fundo é do vestuário do retratado, vê-se que ele quis imitar Whistler naquelas suas famosas harmonias; mas, considerando que nesse gênero de pintura, os valores são assaz sutis, parece que a técnica devia ser mais apurada.

No retrato do Sr. J. H., há mais contraste, e por conseguinte atrai mais em consequência do aspecto mais vital.

Não gostamos tanto dos retratos do Sr. C. Chambelland, menos consistentes.
D. Georgina de Albuquerque tem diversos trabalhos interessantes, entre os quais um excelente retrato do Sr. Azeredo Coutinho, cuja simpática fisionomia há de por força ir à posteridade, tal é o prazer e o afã que os nossos artistas têm tido em fixá-la na tela.

Outra senhora de talento, D. Angelina Agostini, expõe três trabalhos de figura, um retrato e dois estudos de cabeça, reveladores de uma incontestável vocação artística e estudo sério e aturado.

O retrato de senhora tem caráter tanto na maneira como está pintada a cabeça como na pose.

A figura de homem, D. Pablo, é bem modelada, e bem estudada, sendo de salientar a maneira como está pintada a mão.

A outra figura, uma cabeça de mulher ruiva, um modelo difícil mas muito grato para os artistas, possui também muitas boas qualidades, principalmente a frescura do colorido.
Se continuar no bom caminho em que vai, é uma artista em cujo futuro se devem depositar as mais fagueiras esperanças.

O Sr. Levino Fanzeres que afigura-se-nos, aparece pela segunda vez na Exposição Geral, teve este ano a fortuna de alcançar o prêmio de viagem.

O Sr. Fanzeres tem uma exposição numerosa e variada, em que predomina a paisagem. É artista que possui evidentemente talento, mas que nos parece ainda pouco aparelhado para se guiar por si só em centros produtores das mais variadas e estonteantes impressões, como aqueles aonde deve levá-lo o seu pensionato.

O quadro que lhe granjeou o prêmio representa Judas Iscariote fugindo ante a figura de Cristo que lhe aparece em visão.

O quadro não possui grande homogeneidade de tons, parecendo os seus valores um pouco forçados.

A figura principal - a de Judas Iscariote - é bem concebida, mas um tanto pesada na cor, como que não se casando bem com o ambiente.

Não há negar que a ideia do quadro é boa, mas oferece dificuldades de interpretação com que as forças do jovem artista não podem ainda arcar cabalmente.

O Sr. J. Baptisa Bordon é um artista de talento, já afirmado em anteriores exposições, e um discípulo que tem seguido de perto a maneira do seu mestre, o Sr. João Baptista da Costa.

Todos os seus trabalhos revelam seriedade no estudo e um artista cuja tendência não apresenta dúvidas nem vacilações, mas que já sabe a trilha que há de seguir.

É um paisagista, inegavelmente; e no seu quadro "Nenúfares", um tanto singular de cor, pintado com certo cuidado, denota uma maneira individual de ver, de sentir e de exprimir que já não se coaduna com a do seu mestre.

Prossiga ele na rota que tomou para si, e o futuro não lhe regateará o reconhecimento a que fizer jus.
O Sr. Gutmman Bicho expõe quatro retratos, tratados de um modo um tanto ambicioso para as forças do jovem artista e dos quais naturalmente não se saiu com o êxito com que contava.

Se o artista quiser trabalhar, empregando o seu talento em estudo aturado sem a preocupação de modelos mais ou menos atraentes, há de fazer obra de mais valor artístico.

Notamos ainda, uma boa paisagem do Sr. Antonio Zoppi; o retrato do Dr. Pereira da Motta, do Sr. Dumont la Bute, que tem qualidades; os retratos de Dona Francisca Azevedo Leão, etc.

Não podemos deixar de registrar os dois esplendidos estudos de Sorolla e o excelente estudo de cabeça de Malhoa, cuja presença honra a exposição.

Naturalmente, na nossa rápida resenha dos expositores, nous en passons et des meiuilleurs [sic]; mas, esperamos ser perdoados pela nossa falta.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 20 set. 1912, p.9.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 20 set. 1913, p.4.

Continua aberto diariamente, das 10 horas da manhã às 5 da tarde o atual "Salon" de 1913, instalado em uma das espaçadas galerias da nossa Escola de Belas Artes, à Avenida Rio Branco.

Hoje, sábado, é de se esperar grande concorrência a este "Salon".

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Para segunda-feira está anunciada a "Hora humorística".

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 20 set. 1913, p.4.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 21 ago. 1923, p.5.

XXX EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - A atual exposição contém, em todas as suas seções, obras que, pelo seu número, variedade e qualidade, merecem ser examinadas com atenção e apreço principalmente considerando-se as circunstâncias em que ela se realiza.

A exposição do ano passado pode-se dizer que mal acaba de encerrar-se e já os nossos artistas organizam outra, apresentando novas obras e evidenciando uma grande soma de operosidade, de atividade, de boa vontade que muito os honra, e esse esforço, essa produtividade, em que não se faz sentir que na confecção das obras expostas, houve descaso, precipitação, inconsideração pelo resultado, deve merecer o acolhimento mais fervoroso.

Há na atual exposição um fato que é digno de especial destaque: é o ressurgimento, se assim se pode dizer, de um artista que pelas suas produções mais recentes, parecia ter abandonado o campo em que conquistara os seus primeiros triunfos. Reaparece com obras nesse ramo pujante e fortes que surpreenderam e encheram de satisfação os seus antigos admiradores. Queremos nos referir à numerosa exposição de paisagens de Antonio Parreiras, que só por si bastaria para garantir o êxito da exposição.

Há também a revelação e a confirmação dos talentos de novos e esperançosos artistas e obras de valor de muitos de nossos artistas mais velhos e consagrados.

Voltemos a Antonio Parreiras: acostumado com a exuberância e o vigor da natureza brasileira, cheia de emaranhamentos e dificuldades e transplantando-se para a Europa, onde encontrou nos diversos países que visitou enormes diferenças de atmosfera, de conformação, de vegetação e de cor, era natural que lhe fossem necessários alguns anos para se apoderar dos novos objetivos e ambientes que se lhe deparam.

Com as qualidades do paisagista nato de observação e assimilação, conseguiu ele produzir uma obra interessantíssima e notável, com a individualização de cada nova região, cheia de frescura e de vigor e de grande variedade.

Em uma tão numerosa coleção de tantos e tão vários espécimes de seu forte pincel, não podemos especializar, mas sim reconhecer o seu grande talento e a sua grande produtividade.

É na paisagem que a atual exposição é mais rica: à frente de todos, o nosso grande mestre nacional João Baptista da Costa com quatro trabalhos valiosos, devendo nós destacar o número 11 "Em Plena Natureza" - a vista do amplo horizonte visto do alto da Serra de Petrópolis, tendo por fundo a cidade do Rio de Janeiro, tratada com simplicidade e vigor, com a perspectiva e o sentimento de vastidão desse grandioso panorama.

Levino Fanzeres tem uma amostra muito numerosa e muito variada assinalada pela feliz escolha dos pontos pintados, pela singularidade do modo como corta os seus temas, interpretando tudo com muito sentimento de forma e de cor.

O professor Lucilio de Albuquerque expõe cinco trabalhos de paisagem feitos em largueza e espontaneidade e fortes de cor.

O Sr. Edgard Parreiras mandou uma paisagem denominada "Mangueira". O primeiro plano é ocupado por uma frondosa mangueira em sombra, destacando-se de um céu azul muito luminoso e como fundo vê-se a cidade do Rio de Janeiro.

É muito bem iluminada de sol e de uma coloração quente.

O Sr. Leopoldo Gottuzzo apresenta duas paisagens vigorosas de claro-escuro e de sobriedade de cor, agradando-nos particularmente a paisagem "Antigo forte do Leme".

O Sr. Gottuzzo expõe também dois trabalhos a óleo e uma sanguínea. Os dois trabalhos a óleo "Retrato de J. B. e moleque triste", estão pintados na maneira peculiar do artista e agradam muito. E o "estado de nu" (sanguínea) tem excelentes qualidades de desenho.

Elyseu Visconti é representado por seis trabalhos de assuntos diferentes, agradando muito o denominado "Afetos", retratos de sua consorte e filhos, envoltos num ambiente harmonioso e de uma flagrante semelhança. O artista interpretou estes seus trabalhos pela sua última maneira.

De quadros de composição, o que mais avulta é o de n. 63, de Joaquim Fernandes Machado - denominado "O símbolo da fé mais uma vez repete o milagre da salvação; aos desesperados da terra só o consolo deixado por Cristo".

A grande guerra que há pouco terminou, não inspirou nenhuma obra de arte, porque o quadro do Sr. Machado se decorra dessa conflagração, só o fez, reconhece-se indiretamente.

O cenário passa-se num campo de batalha: cercado de outros soldados moribundos, no furor da refrega, um oficial do exército, caído, vertendo sangue, já na agonia, é amparado por uma dama da Cruz Vermelha que, no ato de socorrê-lo, reconhece nele o seu marido. A mulher nesse transe doloroso, sem esperança de ver o seu marido reviver, exalta-se com o forte sentimento religioso com o pensamento da ressurreição; e, dominada por essa esperança enquanto com o braço procura proteger o marido moribundo que repousa a cabeça sobre um tambor coberto pelo pavilhão nacional, contempla com exaltação e fervor uma cruz que se delineou e surge do ambiente obscurecido pelo fumo e gazes dos explosivos de guerra.

Neste trabalho quis o artista simbolizar a mulher patrícia na nobre missão de enfermeira, que engrandece com a dedicação gerada pelo sentimento nobre do altruísmo espiritual inato no fundo de todo o coração feminino.

A cena é pintada sem exagero patético, nem falso sentimento.

Como obra de arte tem o valor pelo modo como o artista se esforçou por vencer certas dificuldades técnicas do seu tema.

Outro quadro que prende a atenção é a composição do Sr. Augusto Bracet, intitulado Direito de Asilo. Direito de asilo constituía antigamente uma prerrogativa de que gozavam certos lugares que constituíam verdadeiros santuários, que davam abrigo e proteção e do qual, os que neles se recolhiam, não podiam ser retirados nem mesmo pela força, sob pena de sacrilégio. Na Grécia antiga, os templos, na sua maioria, gozavam deste direito, e esse hábito, seguindo analogias judaicas, passou para a Igreja Cristã. A partir do décimo quarto século, as igrejas exerceram largamente esse direito de asilo, direito que pode-se dizer a legislação moderna extinguiu inteiramente.

Nos tempos medievais, em que as paixões eram fortes e a violência era coisa de que os protestantes não hesitavam em lançar mão, esses santuários foram o abrigo e a proteção contra os ataques dos potentados e das multidões.

É um dos casos desses atentados que o artista procurou pintar, e se o seu quadro não resultou inteiramente feliz, possui ele qualidades que o recomendam.

O quadro do Sr. Oswaldo Teixeira - Sinite parvulos venire ad me etc. - também pode ser metido nesta classe.

Este moço desde que começou a expor nunca deixou de chamar a atenção, quer os seus trabalhos agradem, quer não, tais qualidades de talento e execução tem mostrado.

O quadro a que nos referimos, tem muitos senões quer no arranjo quer na execução; mas, o fato de se ter arrojado a esse cometimento em tão verdes anos, pois o Sr. Oswaldo Teixeira ainda não tem vinte anos, só fala em seu favor.

No retrato tem mostrado inegáveis qualidades, e isto ainda se reconhece na atual exposição. O seu retrato do Sr. V. L. R., é bom, talvez o melhor dos que expõe, com bom e minucioso modelado, expressão e penetração. Os outros seus quadros de figura são feitos com cuidado, não se podendo deixar de reconhecer desproporção entre a cabeça e o resto do corpo das suas figuras.

É realista no retrato com qualidades sensíveis de interpretação de caráter.

É um artista de quem há muito que esperar e terá tudo a ganhar se lhe for conferido o prêmio de viagem.

O Sr. Theodoro Braga expõe três trabalhos, entre os quais se destaca o denominado "Senhora" excelente retrato, pose graciosa e nobre, de boa cor e bom desenho, e interpretação individual da retratada.

Carlos Chambelland está bem representado por dois trabalhos que agradam muito: "As comungantes", assunto que tem sido tratado por vários pintores, mas a que o nosso artista soube dar uma versão simpática e agradável interpretando o tema com muita harmonia de tons.

O retrato de Mme. Chambelland parece bem semelhante, de uma maneira fluente e cheio de cor, e constitui também um quadro atraente.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 21 ago. 1923, p.5.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 21 set. 1905, p. 3.

Exposição Geral de Belas Artes - A paisagem é ainda representada na Exposição por artistas como Benno Treidler, as suas duas discípulas as Sras. DD. Anna [Anna da Cunha Vasco] e Maria Cunha Vasco; A. Luiz de Freitas, Gustavo Dall'Ara, Carlos Augusto de Lacerda, João Macedo, D. Sarah del Vecchio, etc.

Benno Treidler é o nosso impressionista por excelência, no bom e verdadeiro sentido do termo como hoje é ele compreendido.

Os seus quadros a óleo, em que mais raramente se mostra, mas em que, quando os apresenta, se mostra mestre da sua técnica, bem como as suas aquarelas no que já é o mestre consagrado, são sempre impressões vívidas de efeitos pouco duráveis, impressões transitórias de luz, mais sólidas e mais completas, porém, do que simples esboços, do que meras sugestões, conservando todavia a frescura e o vigor da primeira intenção.

Alemão de origem, tem, todavia, a impressionabilidade de um meridional pelas cores fortes, e durante muito tempo a acusação que se lhe fazia era de crueza de tintas que nem todos viam na natureza.

Atualmente, refreou essa tendência de sua visão, e os seus quadros apresentam tonalidades mais suaves, sem deixar de transmitir a sensação das cambiantes vivas de luz e de cor, nem abandonar a largueza e vigor da sua técnica.

O seu quadro a óleo, Manhã, é uma luminosa paisagem cheia de sol, atmosfera brilhante e horizonte largo, que prescindia bem da figura nela metida. As suas aquarelas são, como sempre, largamente manchadas e vibrantes.

Não devemos esquecer o seu sólido e bem desenhado retrato de senhora em aquarela.

Como é natural, as suas discípulas, as senhoritas Cunha Vasco seguem-lhe as pegadas, mas com as suas notas pessoais, e uma segurança de execução que lhe granjearam uma 2ª medalha, prêmio que os júris não costumam conceder a amadores.

O quadro - N. 68, um mar revolto e as vistas de paisagem, tiradas do Corcovado, são belas e de execução segura e franca.

De A. Luiz de Freitas há quatro paisagens, […] que se descortina sempre a preocupações dos efeitos de luz e de atmosfera, procurados com grande sinceridade e com resultados muito felizes.

É um pintor consciencioso e de qualidades sólidas, e que vai modesta porém seguramente conquistando o seu lugar entre os nossos bons artistas.

Gustavo Dall'Ara se distingue também pela exuberância cromática da sua visão, com águas e céus inundados de luz e os seus fundos de morros com casaria dando ensejos a notas variegadas. Muitos dos seus quadros têm sido registros de aspectos da nossa cidade velha que vão desaparecendo, e ainda nas atuais marinhas da Exposição, os trechos pintados estão sofrendo modificações em consequência das obras do melhoramento do nosso porto.

Carlos de Lacerda, quando há anos chegou da Europa, expôs alguns quadros, principalmente marinhas, que despertaram interesse pela sua nota de sinceridade e por uma técnica delicada e sóbria e das quais uma mereceu a distinção de ir fazer parte da nossa Galeria Nacional. Outra ordem de preocupações o tiveram arredado da arte durante alguns anos, e agora aparece-nos ele com três quadros, em que procura traduzir com verdade aspectos da nossa paisagem.

Do Sr. Theodoro Braga, pouco ou nada teríamos a acrescentar ao que dissemos, não há muito tempo, quando tratamos da exposição que fez dos seus trabalhos pintados na Europa, e o mesmo podemos dizer do Sr. Alvaro de Cantanheda, que se acha atualmente em Teresópolis, de onde provavelmente trará dentro em breve interessantes impressões e quadros.

O Sr. Malaguti tem um quadro que não pode ser passado por alto sem uma palavra de referência.

Embora não seja fácil compreender a sugestão ou o simbolismo contido no seu quadro denominado Quietude e representado uma mulher já madura, tendo ao colo, amparada com o braço direito, uma criança adormecida e muito pálida, e na palma da mão esquerda uma laranja, o seu trabalho acusa uma procura de individualidade artística e maior cuidado técnico do que o artista nos tem acostumado em anos anteriores. O seu talento é reconhecido por todos, e se desse maior preocupação à técnica, talvez tornasse mais geralmente compreendidos os seus ideais, que, entretanto, quaisquer que sejam as impressões que causem, têm o mérito de ser inteiramente próprios.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 21 set. 1905, p. 3.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 22 ago. 1916, p.5.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Por motivos de força maior, só agora podemos voltar à nossa tarefa anual de dizer sobre os trabalhos executados pelos nossos artistas este ano, e agora reunidos no nosso "Salão".

A exposição atual é uma das mais numerosas que se tem realizado no edifício da Escola: mas não se pode em consciência afirmar que seja a melhor das realizadas desde que se iniciou a norma de se exibir anualmente, sob a égide do instituto oficial de arte, as produções anuais dos artistas nacionais.

Razões de fácil compreensão levaram a comissão de admissão a usar de extremada condescendência na escolha das obras apresentadas para fazer parte da exposição; esse critério, bastante contestável, talvez tenha algo prejudicado o nível da exposição. Todavia, ela possui elementos em número suficiente para torná-la assaz interessante e digna de ser visitada: o aparecimento de alguns pintores de valor, cuja convivência no nosso meio era, por assim dizer, ignorada, e o progresso feito por muitos dos nossos artistas mais novos.

Dos já consagrados, poucos foram os que se fizeram representar, naturalmente levados pelo desejo de deixar que os novos cultores da arte dominassem o campo.

João Baptista da Costa - na sua qualidade de Diretor da Escola - "noblesse oblige" - não podia furtar-se ao dever de comparecer ao "certamen" e dar o exemplo; por isso, lá estão mais algumas das suas tão expressivas translações da nossa natureza, que podem agradar umas mais do que outras, conforme as predileções de quem as examina, mas que possuem, todas, as peculiares qualidades que consagraram João Baptista o maior intérprete de certas fases da nossa paisagem.

Outro mestre que também enviou trabalhos é Henrique Bernardelli, trabalhos que, considerando-se o assunto que representam e a data memorial que ali se celebrou, tem a sua presença plenamente justificada. São uma coleção de vinte e dois medalhões a fresco, com os retratos de homens ilustres, artistas e estadistas, cujos nomes estão ligados à fundação e ao desenvolvimento da nossa Escola de Belas Artes.

Não só nesses retratos como em obras anteriores, o Professor Henrique Bernadelli deu provas de que é proficiente exímio nesse processo, como aliás o é em todos os da sua arte; e esses medalhões, que foram concebidos e executados para ser colocados na fachada do edifício que atualmente os acolhe, não devem mais sair dali, pois são um digno complemento dele.

Modesto Brocos, outro antigo Professor da Escola, está representado por trabalhos que não estão na altura de sua reputação.

Dos artistas mais velhos devemos ainda citar o Sr. Gustavo Dall'Ara, com um bom quadro de gênero, de bom desenho e expressivo, e o Sr. Augusto Petit, com uma série de retratos e paisagens, na sua conhecida maneira.

Na seção de pintura a óleo aparecem, pela primeira vez, nas nossas exposições, dois artistas italianos, ou antes [...] todos residentes no Estado de [...], que merecem especial destaque: [...] Antonio Rocco, Henrique Vio [...] Ziliano [Giorgio Ziliani].

O Sr. Antonio Rocco mandou [...] trabalhos, dos quais um denominado [...] Minatori", primeiros socorros, é talvez a melhor obra de pintura da Exposição.

É um quadro de gênero, de certas proporções: um trabalhador de uma mina ou de estrada de ferro se acha estendido no chão, vítima evidentemente de um desastre e cercado de outros indivíduos. Feito numa maneira sóbria e segura, o quadro tem movimento e vida e os indivíduos nele representados se acham atentos na ocupação do momento, que é socorrer o companheiro vítima do desastre, e o artista soube dar-lhe o verdadeiro sentimento da cena que pintou.

Entre os outros três trabalhos destaca-se um bom estudo de nu.

Em todos eles, observam-se a mesma técnica sólida e larga e sinceridade na maneira de expôr os assuntos.

O Sr, Henrique Vio é outro pintor cujo valor deve ser, desde já, reconhecido. A sua exposição é numerosa e variada e compreende obras notáveis tanto na concepção como na maneira expressiva com que as traduz. Os seus quadros tem desenho, boa compreensão dos valores e atraem pela sua maneira larga e franca.

Tem dois retratos que o honram. O de sua mãe (n. 238) possui caráter e expressão: a cabeça sai de um fundo escuro levemente esverdeado e não há no quadro outro ponto de destaque. O vestido preto é indicado sem grandes minudências, de modo que toda a atenção se tem de concentrar no rosto da retratada.

O do Dr. Rafael Briquet (n.269), em roupas de verão e num banco do jardim de sua casa, que se vê ao fundo é, também excelente, e um bom espécime de pintura ao ar livre, sem intensidades de luz que prejudiquem a caracterização do retrato.

As suas paisagens, vistas de Veneza e de S. Paulo, tem cor e pincelada firme e larga. Todas muito interessantes, de efeito agradável, especialmente a de n. 237, "Casebre abandonado".

O Sr. Giorgio Ziliano expõe um quadro de composição, "Guerra alla Guerra", de muita cor e movimento, e quatro estudos da própria cabeça do artista, vistas sob reflexo de luz artificial. São interessantíssimos os efeitos que pinta e, desenhista forte e concreto, deve ser um bom retratista, porque em todos esses quatro retratos, feitos sob luzes diferentes e posições variadas, soube manter a mesma semelhança e própria caracterização.

Dos trabalhos expostos pelos Srs. Carlos Oswaldo e Levino Fanzeres nada temos agora que dizer. Recentemente realizaram aqui exposições individuais e, como muitos dos trabalhados mostrados nessas exposições se acham atualmente na Escola, só teríamos que repetir mais ou menos o que então escrevemos.

São dois artistas que já conquistaram brilhantemente s suas esporas e a quem se pode vaticinar um belo futuro.

Na próxima notícia falaremos de alguns dos nossos jovens artistas que acusam progressos incontestáveis, para depois passar à seção de aquarela, pastéis e desenho, que contém algumas das melhores obras da Exposição.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Natalia Mano Goulart Saraiva

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 22 ago. 1916, p.5.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 22 set. 1907, p. 3.

Os Júris de Escultura - Gravura de Medalhas e Pedras Preciosas e de Pintura, ontem reunidos, conferiram os seguintes prêmios:

Escultura - Gravura: Medalha de 2ª classe (prata) aos expositores Joaquim Rodrigues, Moreira Junior, D. Nicolina Vaz de Assis e Honorio da Cunha e Mello.

Menção Honrosa de 2º grau ao expositor Adalberto Pinto de Mattos.

Pintura: Prêmio de viagem - Carlos Chambelland, medalha de 2ª classe (prata) aos expositores Louis Christophe, Lucilio de Albuquerque, Arthur Timotheo da Costa, Gaspar Puga Garcia e Roberto Mendes.

Menções Honrosas de 1º grau aos expositores D. Georgina de Albuquerque, D. Regina Veiga, Alberto Delpino, José Marques Campão, D. Rachel Boher, D. Irene de Andrade Ribeiro, Carlos Alberto de Agostini, A. de Alvim Menge, João Timotheo da Costa e Mario Navarro da Costa.

Menções Honrosas de 2º grau aos expositores D. Beatriz Pompeu Camargo, Gaspar Coelho Magalhães, D. Luiza M. S. Belard, D. Eugenia Freire Meirelles, D. Mercedes Lisboa Seng, Carlos Sussekind, Galdino Bilho [sic], D. Virginia de Niemeyer e D. Izabel Hislop.

Aquarelas: Medalhas de prata aos expositores Modesto Brocos e Gustavo Dall'Ara.

Guaches: Medalha de prata ao expositor Aurelio Zimmermann.

O Júri de Pintura, em separado, propôs que a administração da Escola Nacional de Belas Artes se esforçasse para obter do Sr. Ministro do Interior a reversão do prêmio de viagem, que não foi aproveitado pelo laureado na exposição passada, ao expositor Arthur Timotheo da Costa, dependendo disso a concessão da Medalha de Prata ao mesmo expositor.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 22 set. 1907, p. 3.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 23 ago. 1916, p.5.

As galerias da Exposição de Belas Artes foram ontem muito visitadas.

Entre as telas que se acham expostas figurará de hoje em diante, no salão de honra, uma de Nicolao Taunay, da missão artística de 1816, intitulada "L'oiseau mort", obra prima de grande valor.

A Exposição hoje continuará aberta da 10 às 5 da tarde.

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Digitalização e Transcrição de Arthur Valle

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 23 ago. 1916, p.5.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 23 set. 1906, p. 4.

Voltando à Escola de Belas-Artes cumpre-nos dizer algumas palavras a respeito de jovens artistas que tão louvável diligências empregaram para se distinguir na exposição do corrente ano.

O Sr. Eduardo Bevilacqua, que obteve o prêmio de viagem, mandou um quadro alegórico - A Infância de Orfeu - e um retrato.

O Sr. Bevilacqua já tem sido medalhado em anteriores exposições, e apesar de pintar bastante regularmente a figura, parece-nos que as suas simpatias naturais são mais pela paisagem. Isto demonstra no seu - quadro Infância de Orfeu, em que a paisagem é pintada com grande observação da natureza, tem espaço, tem ambiente, tem perpectiva [sic], mas a figura é mesquinha e dura. O retrato tem algumas qualidades, apesar de ser um tanto sujo de cor e seco.

O Sr. Carlos Chamberland tem também dois quadros: um de gênero ao ar livre [Imagem], e um retrato. Ambos revelam os esforços do jovem artista, que é inteligente, e tem boas qualidades de cor. Está destinado a pisar o trilho brilhante por onde enveredou o irmão.

Fernandez Gomes mandou igualmente dois quadros, com boas qualidades de observação e de fatura, mas não se mostra na altura do que deu e prometeu o ano passado.

Lucilio de Albuquerque fez-se representar apenas por uma [sic] retrato a pastel de menina, com bom desenho e expressão, mas áspero de fatura.

O Sr. G. Neves apresentou uns dois quadros mais ou menos acabados, um que a fatura, se bem que desigual, apresenta qualidades sólidas e bom estudo do natural e certa tendência a seguir a escola do Sr. João Baptista. Gostamos, porém, mais da meia dúzia de notas, impressões da natureza, feitas com muita simplicidade e com muita frescura. É incontestavelmente um artista que promete.

O Sr. Carlos Oswald é, sem dúvida, um dos mais fortes em técnica, mas é pena que esteja se deixando atrair por certos pintores alemães como Leubach [sic] e caindo no mesmo senão que torna antiquadas as obras desse grande artista. Pelos seus trabalhos expostos o Sr. Oswald parece mais um artista formado copiando quadros antigos do que no estudo direto da natureza. Discípulo de Odoardo Gelli [sic], que, segundo dizem as crônicas, é apaixonado das cores, admira que se deixasse seduzir justamente por aqueles artistas em que a cor tem menos atração. Todos os seus quadros tem uma tonalidade escura e monótona, mostrando que ele não gosta da luz natural. O seu claro-escuro é produzido por aquela luz artificial pelo grande Rembrandt, e que se compreende pudesse ser julgada natural no tempo em que os artistas pintavam em ateliers iluminados por pequenas janelas com vidros encaixilhados em chumbo e que não deixavam penetrar a luz francamente, como as largas janelas modernas.

As suas figuras não parecem ter a carnadura, a cor natural dos originais, mas possuem um aspecto amarelento-escuro; a sua Madalena tem uma cor cinzento-atijolada que se não compreende em uma mulher moça, que, reza a história, foi formosa e clara e cuja pele devia possuir a frescura e a brancura da mocidade.

Todos os seus retratos e quadros de figura tem o mesmo característico [sic], luz forte e vibrante sobre certas partes do corpo, ao passo que outras ficam completamente na penumbra, sem cor, em fundo muito escuro; e compreende-se que em um retrato ou uma figura assim pintada, a simples técnica boa não basta e é preciso uma forte caracterização, grande expressão vital na fisionomia da figura para que o quadro viva.

O artista moderno, nesta época em que a técnica atingiu à tamanha perfeição, tem de possuir uma nota pessoal; étre maitre c'est - como dizia Thoré Burger - ne ressembler a personne. Isto é, o artista deve procurar ter individualidade e esforçar-se, o mais que puder, para não confundir-se com outrem. Além disso todo o artista deve pertencer à sua época e seus quadros devem acusar a maneira própria do tempo em que foram pintados, tanto mais que a cor dos quadros antigos hoje não é provavelmente a mesma de quando foram pintados.

O Sr. Oswald tem bastante talento e já alcançou bastante excelência de técnica para voar com asas suas e temos certeza que, quando se deixar dominar exclusivamente pelas sugestões próprias, há de atingir a uma posição brilhante entre os artistas brasileiros.

O seu quadro - Violinista - que é evidentemente um retrato, tem sólidas qualidades; mas preferimos o quadro Triste, com expressão e sentimento.

Dos dois irmãos Timotheo da Costa, o mais forte inquestionavelmente o Sr. Arthur Timotheo, que expõe dois retratos, um estudo e um quadro denominado Livre de preconceitos. Não entendemos bem a propriedade deste título, nem gostamos muito da composição, visivelmente obra de um cenógrafo, apesar do bom desenho da cabeça da mulher morta na praia. A sua cabeça de negro é, porém, um trabalho profundamente honesto, de admirável vigor, de um realismo direto e inexcedível, extremamente expressiva, que só por si basta para fazer honra à exposição do jovem artista.

O Sr. J. Timotheo tem três retratos, com certas finuras de fatura e que mostram os bons estudos e os acurados esforços do jovem pintor para se distinguir na sua arte.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 23 set. 1906, p. 4.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 23 set. 1909, p. 4.

O Conselho Superior de Belas Artes, sob a presidência do Sr. Dr. Esmeraldino Bandeira, Ministro do Interior, reuniu-se, ontem, em sessão para deliberar sobre a concessão do "Prêmio de Viagem", na forma da lei, ao artista que mais se distinguiu na Exposição.

Estiveram presentes 18 membros do Conselho.

Lida e aprovada a ata da sessão anterior, procedeu-se à leitura da ata da sessão conjunta dos júris da Exposição, tendo sido indicados merecedores daquele prêmio, o Sr. Puga Garcia, pelo Júri de pintura, e o Sr. Adalberto de Mattos, pelo Júri de gravura de medalhas.

Em escrutínio secreto obteve a maioria de votos o Sr. Adalberto de Mattos, a quem consequentemente ficou concedido o "Prêmio de Viagem".

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 23 set. 1909, p. 4.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 24 ago. 1916, p.5.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - O Sr. Lucilio de Albuquerque já não é bem um artista novo: há muito que se tornou conhecido nas nossas exposições, foi pensionista na Europa, teve a pequena medalha de ouro no "Salão" de 1912 e é professor da Escola.

É, pois, um pintor já feito e consagrado e do qual se pode esperar muito.

Não era, portanto, de surpreender que ele se atirasse a uma composição de muito fôlego e grandes proporções [Imagem]. A empresa era arriscada, envolvia problemas de custosa solução e, por isso, não é de estranhar que não houvesse sido bem sucedido in totum.

Entram na composição do seu quadro elementos que só um indivíduo com certos conhecimentos da arte de engenharia poderia apropriadamente empregar e, nesse sentido, o trabalho do Sr. Lucilio de Albuquerque contém senões que o prejudicam, mas que são suficientemente compensados pelas suas qualidades propriamente pictoriais.

Para quem sabe os óbices com que tem de arcar um artista incumbido de fazer um quadro oficial, para quem já passou por todos os dissabores que acarreta a execução de uma dessas grandes telas encomendadas pelos governos para recordar fatos que se desejam comemorar e gravar na memória do povo, há no quadro do Sr. Lucilio de Albuquerque o mérito de certas dificuldades vencidas que cumpre reconhecer em favor do jovem mestre.

Fez uma grande máquina que não deixa de ter valor, o que há de com certeza produzir boa impressão quando colocada no lugar a que se destina.

É natural a transição do Sr. Lucilio para a Sra. D. Giorgina de Albuquerque, também artista já bastante conhecida dos nossos amadores.

D. Georgina de Albuquerque expõe três trabalhos a óleo que agradam, dos quais um grande de gênero - Árvore do Natal - que logo chama e prende a atenção dos visitantes.

O assunto, embora não seja novo, foi bem aproveitado pela distinta artista e deu-lhe ensejo a pintar uma bela página que encanta a quantos a contemplam.

Nada mais interessante do que ver esse grupo de crianças em torno da árvore do Natal, variegadamente iluminada e carregada de brinquedos, que lhes estão sendo distribuídos.

No primeiro plano, uma moça, vista de costas ao plano, dá a música necessária à festa, e ao mesmo tempo se volta para um moço assentado perto dela, e em cujo rosto se vê a expressão de quem espera que o "Papa Noel" lhe mande um presente diverso dos que se acham pendurados na árvore simbólica.

Há movimento na composição, as figuras são boas e o tema do quadro bem contado na apropriada linguagem pictorial.

O quadro - Five O'Clock - é um bom estudo de pintura ao ar livre.

Tratemos agora dos trabalhos enviados pelo Sr. Henrique C. Cavalleiro, que se apresenta muito bem este ano.

É ele talvez dos artistas mais novos o que melhor figura faz e que maiores progressos revela.

Tem três retratos, todos muito bons, e um bom estudo de figura ao ar livre.

São todos feitos numa técnica muito larga e firme, com sólidas qualidades de desenho e com boa entonação, e que revela a intenção de procurar expressar a personalidade dos seus modelos.

É um artista cuja carreira futura será interessante acompanhar.

Outro artista jovem que merece destaque é o Sr. Guttmann Bicho, que também expõe uma série de retratos, feitos numa maneira segura e larga.

O mesmo se pode dizer do Sr. Raymundo Cela, que também expõe três retratos bem interessantes.

Outro jovem artista que igualmente merece menção é o Sr. Argemiro Cunha, cujo quadro - Um ponto preto - é bem feito.

O Sr. Leopoldo Gotuzzo, nosso patrício, enviou de Espanha, onde se achava ultimamente, sete bons trabalhos, todos de figura, dos quais um interessante estudo de nu.

Tem bom desenho e entonação, mas são feitos numa maneira um tanto mole, flou, que lhe prejudica algo a solidez.

O Sr. José Marques Campão é representado por cinco trabalhos de merecimento, dos quais mais nos agradou muito o de n. 151 - Uma nuvem.

Devemos, antes de encerrar esta notícia, citar o quadro Conciliadora, da Sra. Maria Pardos, de boas qualidades e expressivo; os estudos de paisagem do Sr. B. Pinto; o quadro " Retrato de Senhora" (159) do Sr. G. Coelho de Magalhães, que revela progressos, etc.

Pode ser que tenhamos deixado de destacar algum trabalho digno de nota, mas será isso devido ao modo como os quadros se acham colocados, que nem sempre permite um exame perfeito, ou então porque já nos tenhamos referido aos seus autores por ocasião de recentes exposições suas.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Natalia Mano Goulart Saraiva

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 24 ago. 1916, p.5.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 24 ago. 1924, p.8.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - É sabido que o florescimento das belas artes é um dos mais seguros índices da civilização geral de um povo.

Herbert Spencer chamando a música, pintura e artes correlatas, de "flores da civilização", exprimiu lindamente uma ideia verdadeira porque é certo que elas só vicejam, em toda a sua exuberância, nos meios civilizados, onde as condições do ambiente sejam propícias a tão delicadas culturas.

No Brasil, atinge a pouco mais de uma centena de anos de vida artística propriamente dita, com as características de método e observação que a tornam grande. Havia, é certo, nobres temperamentos, de fina e esquisita sensibilidade, mas isolados no seu sonho de beleza, desajudados de qualquer estímulo, ignorados nas suas aspirações de gloria e, por isso mesmo, limitados na produção e na sua influência exterior.

A missão francesa de Le Breton, aqui aportada em 1816, foi, talvez, o maior benefício trazido ao Brasil pela fuga de D. João VI. Daí parte, em verdade, a evolução e metodização da inteligência artística brasileira. Dada, pois, a exiguidade das nossas tradições a esse respeito, é mister reconhecer bastante animador o progresso das belas artes entre nós.

Quem quer que passeie longamente os olhos pelo "Salão" de 1924, terá, decerto, a presciência do brilhante futuro da arte nacional. A par de indecisões e impersonalismos de alguns "novos", existem vitoriosas afirmações de outros. Há belos talentos, penetrados da divina febre da arte.

A exposição de pintura é, sobretudo, copiosa e valiosíssima.

Daria um trabalho de largo fôlego o estudo detalhado do que ali merece notícia e referência. Do que se segue, pode-se inferir, porém, o mérito geral do "Salão" deste ano.

"No campo" é um excelente quadro do professor Baptista da Costa. O cenário respira deliciosa suavidade. O rapazola, que aparece no primeiro plano, tem o mesmo ar de paz e de serenidade dos animais que o cercam, numa grande confraternização bucólica. "Árvore solitária" é outro quadro em que se revelam as qualidades de técnica do insigne paisagista brasileiro. O professor Elyseu Visconti dá-nos um sugestivo "Cuidado das flores", um magnífico, "Santa Theresa" e alguns notáveis desenhos que se destinam à decoração do novo edifício do Conselho Municipal. Augusto Petit expõe um ótimo retrato, o "Paulo Delpech", de impressionadora naturalidade.

Os vários aspectos da demolição do morro do Castelo, fixados pelo hábil pincel do Sr. Benno Treidler, evocam muito bem, diante do espírito do observador, a realidade de que são cópia. "A última ceia", de Carlos Oswaldo, é uma excelente água forte em que o artista pôs à prova a sua capacidade de execução. Lucilio de Albuquerque manejou o seu consagrado pincel em sugestiva alegoria onde a alma de Bilac parece viver nalgumas das suas mais belas ideações poéticas como Phrynea-Alvorada do amor-Beijo eterno-Tentação de Xenocrates-Caçador de esmeraldas. Essa tela de Lucílio de Albuquerque é por assim dizer, o ritmo da sensibilidade do poeta traduzido em cor, transmudado em "nuances". A técnica da Sra. Georgina de Albuquerque tem uma das suas melhores demonstrações no "Retrato da senhorinha R.O.F.", de magnífica expressão. Helios Seelinger, com a imaginação ardente e a originalidade de concepção que o caracterizam, faz o "Lago dos amores" e a "Luta das ideais", onde se evidenciam a primor, as suas inconfundíveis qualidades de fantasias da tela. As suas figuras evocam a grandeza semi-divina dos Titãs, e a agrestia das suas folhagens encerra alguma coisa de paradisíaco e soberbo. "Confidência", de Theodoro Braga, é uma cena mundana em que aparecem duas jovens em diálogo íntimo, no recanto de uma saleta discreta. "Inspiração", outro quadro do mesmo artista, é uma bela figura de mulher, nessa atitude de abandono peculiar aqueles cuja mente divaga, no surto alto da fantasia. "Ao bandeirante desconhecido" é uma das telas de maior relevo do "Salão" de 1924. A concepção desse trabalho é altamente feliz por implicar numa homenagem de profunda significação patriótica, lembrando aos corações brasileiros aquele herói anônimo que, primeiro tombou a entrada do país de maravilhas que ele ia conquistar. O quadro representa o esqueleto do bandeirante desconhecido, sobre o qual se debruça um anjo representando a glória. Ao alto, a História grava na eternidade do seu registro a imagem desse precursor benemérito. Ao derredor estua a beleza cantante da floresta virgem com os seus grandes troncos centenários e as folhas tenras da sua eterna primavera. A técnica do autor Fernandes Machado é positivamente irrepreensível. O sr. Meinhard Jacoby expõe um interessante "Estudo de expressão de um orador" em que se revelam apreciáveis qualidades de realização. O "Retrato do Sr. Julio Arp" é outra excelente tela que diz bem do sabor clássico da arte do Sr. Meinhard Jacoby. O Sr. Alberto Guignard tem um desenho de "Velha" que nos dá uma notável expressão de realidade. O Sr. Heinhard Graf [sic] é um artista que procura dar às suas telas um tom nitidamente pessoal. O seu traço tem alguma coisa que o distingue e nas suas telas repousam com agrado os nossos olhos. A aquarela "Luar em Blumenau" "Idílio na roça" e "Paisagem" confirmam plenamente o nosso juízo. "Elsa" é um quadro digno de menção. A Sra. Laure Enthoven demonstra requintada sensibilidade nos seus quadros, dos quais merecem nota particular "La maison blanche", "Jardim em Belgique que e" [sic] "Les bords de la Seine" onde o seu grande amor pela natureza encontra magníficas oportunidades de expansão.

O Sr. Rudolf Wolff é um simbolista de arrojada imaginação. Os seus desenhos chamam a atenção dos visitantes pela sua originalíssima concepção. Entretanto, ninguém de boa fé, e medianamente entendido em coisas de arte pode negar o mérito de telas como, por exemplo, a "Fatalidade" de impressionante efeito. Oswaldo Teixeira é um dos "novos" de mais talento dessa plêiade de artistas. A sua execução tende para uma segurança impecável e a sua capacidade criadora é incontestavelmente superior. "Boas notícias" é uma deliciosa cena de família. A expressão do chefe de família que lê a carta recém-chegada, a atitude flagrantemente à vontade de todos os assistentes reunidos ao derredor de uma mesa, os pequenos detalhes do quadro, tudo é de jeito a dar ao espírito do observador a impressão exata da realidade. "O pescador" é outra tela que merece registro. A cara do homem de mar mordida do sol causticante da praia, é uma pequena obra prima. "Brindando" é um quadro alegre, que evoca a idade cavalheirosa em que a mulher e o vinho eram as duas paixões capitais que logravam florir a expressão dos rudes homens de guerra e de aventura. O "Retrato do pintor Augusto Petit" é outro gênero em que se evidencia, ainda uma vez, o mérito de Oswaldo Teixeira. Garcia Bento também um "novo" tem uma "Entrada da baía de Guanabara" em que se nos vão os olhos enlevados na sua arte notavelmente evocativa. "Mau tempo" é também uma tela sua, de real mérito. O Sr. Armando Vianna demonstra magnífica execução nas suas telas, sobretudo no "Retrato do Sr. J.P." e no "Aniversário de vovó" em que o seu talento artístico parece ter-se singularmente esmerado. O esboço do Sr. Augusto Bracet, "A força do direito", assinala um temperamento já perfeitamente educado e apto a enriquecer a arte brasileira com preciosas contribuições. A sua "Quietude" ratifica essa opinião, de modo feliz. O Sr. Edgard Parreiras na "Paisagem" e "Hora de luz" revela uma execução confiante em si mesma e uma sensibilidade altamente criadora. O "Trecho do rio Joana", do Sr. Paula Fonseca, é uma visão de realidade, perfeitamente objetivada pelo artista. Levino Fanzeres concentrou na sua única tela exposta, "Águas de minha terra", toda a sua capacidade de execução, e foi com muita felicidade que o fez. É muito notável também o "Depois das chuvas", de Frederico Brandon, em que o espectador parece sentir a frescura do ar lavado e a grande paz das outras coisas mudas. Guttman Bicho fez um "Mãe" de deliciosa ternura e expressão. O seu traço, de uma grande delicadeza, presta-se muito bem para a arte do sentimento, em que é preciso fixar numa linha a bondade de uma fisionomia. O "Jardim do Luxemburgo" está perfeitamente à altura dos quadros anteriores do Sr. Gaspar Magalhães, o mesmo sucedendo com alguns outros quadros expostos por esse artista como, por exemplo, o "Retrato do Sr. G. S. Araújo", de bom efeito pictórico. O "Retrato da Senhorita P.G.", devido ao pincel do Sr. Alfredo Galvão, destaca-se pela naturalidade da expressão, em que brilha um doce, um admirável olhar. A "Mata iluminada" de Annibal Mattos reproduz um trecho das nossas incomparáveis florestas com uma vida e uma fidelidade que muito recomendam o talento do autor. Parece-se sentir a impressão de deslumbramento que nos salteia nesses recantos da natureza, cuja imagem por muito tempo nos acompanha como que fixada indelevelmente na retina.

O Sr. J. Hallais de Oliveira tem um "Retrato do colega Vicente Leite", de excelente naturalidade, em que o seu pulso revela uma firmeza de traço digna de encômios. O Sr. José Maria Medeiros expõe alguns quadros de real mérito. "O beijo da vaga" é de grande efeito e impressionante beleza. "Irresoluta" é outra boa tela. "O dia de São João" é uma magnífica cena da roça em que surgem figuras de intensa vida. Sarah Villela tem dois bons quadros, sobretudo o do "Sr. F. G. A." que é primoroso. A postura do rapaz, com a bengala e o chapéu numa das mãos e a capa negligentemente caída sobre o braço é, por assim dizer, um instantâneo da realidade. Finalmente, e para encerrar esta exposição que já vai longe, registre-se a forte ideia de Daniel Sabater "A mulher que vendeu o seu amor", de grande efeito trágico. Esse quadro representa uma mulher morta, deitada em decúbito dorsal, com a boca retorcida numa indizível expressão de pavor. Ao fundo, desfilam sombras do remorso, visões malditas, de arrepiante expressão. A seção de escultura não tem, nem a exuberância nem o valor de conjunto que caracteriza a seção de pintura, que vimos de bosquejar nas suas linhas gerais. É sabido mesmo que essa feição da arte é pouco querida, senão mal prezada entre nós. Isso, entretanto, não tira o mérito de algumas obras dignas do apreço dos cultuadores da Beleza. Assim é que o Professor Petrus Verdié apresenta trabalhos muito notáveis dentre os quais se destaca a "Cabeça de criança" que é um primor de arte e dispensa por siso outras referências. O Sr. Modestino Kanto tem uma "Marcha triunfal" em que se percebe a vibração de toda a sua alma de artista buscando vazar na insensibilidade do gesso o seu sonho de perfeição. O "Retrato do Ministro Sampaio Vidal" executado também em gesso pelo Professor Magalhães Correia é uma obra digna de menção pelo carinho da sua execução. A maquette "Tiradentes", de Martins Ribeiro, é uma das melhores evocações que notamos dessa grande e inconfundível figura da nossa história. "Eu sou o espírito que nega", do Sr. Antonino Mattos é de um simbolismo um tanto arrojado, mas incontestavelmente interessante e digno de registro especial. O busto em bronze do "Comendador Thomaz de Aquino Mindello" diz bem do talento consagrado do Professor Honório da Cunha Mello, cujo pulso seguro se evidencia ainda no "Gonçalves Dias", magnífico busto em gesso. O Sr. Francisco de Andrade trabalhou a primor na estatueta em gesso do Sr. Arthur Bernardes, Presidente da República. O artista fixou bem o perfil do eminente homem de Estado, que se destaca esplendidamente com as suas linhas mais características. O Sr. Orestes Acquarone [Orestes Acquarone Filho] deu-nos uma "Loura" [sic] de extrema gentileza e o Sr. Armando Braga foi totalmente feliz no seu "O Braguinha".

O Sr. Alfred Joel tem magníficos trabalhos em que todos se demonstra o seu belo talento e a sua perfeita técnica. É magnífico o seu "Frei Pedro Sinzig", e o "Busto do menino Hamers" é de uma excelente execução. "O semeador", do Sr. João Zaco Paraná é um gesso altamente sugestivo. Uma figura de homem no gesto de quem vai lançar à terra um punhado de sementes fecundas, geradoras de vida, benfeitoras dos homens...

A Sra. Margarida Lopes de Almeida tem uma esplendida "Cabeça de velho" e o Sr. Hammerich (Gunnar) expõe um regular "Busto do Marechal Setembrino de Carvalho".

Na seção de arquitetura há trabalhos de notável mérito.

"Fonte comemorativa da Independência" é um importante trabalho do professor Bernar [sic] [João Ludovico Berna], conjunto arquitetônico de grande relevo.

O seu projeto para um "Edifício para um grande hotel" é digno de registro. O Sr. Angelo Bruhns reproduz com boa técnica um "Solar brasileiro". Lucio Costa e Fernando Valentim são dois artistas de boa escola cujos projetos, em grande número aliás, são merecedores de todo apreço. Capricham eles nos mínimos detalhes das hábitações, de sorte que tudo resulta num magnífico e completo trabalho. Entre eles destacamos a "Propriedade do Sr. Valentim do Nascimento", esmeradamente feita.

O Sr. Attillio Corrêa Lima dá-nos um bom projeto para a residência e o Sr. Victor Dubugros [sic], outro notável para uma igreja.

Na seção de gravura de medalhas e pedras preciosas (uma das mais reduzidas da Exposição), são sobretudo notáveis os trabalhos do professor Augusto Girardet cujas medalhas de bronze tem um bem trabalhado relevo. O Sr. Adalberto Mattos expõe uma boa "cabeça do maestro Henrique Oswaldo" e o Sr. Francisco Gomes Marinho apresenta uma excelente "Salomé", baixo relevo em gesso. O "Cupido cativo" do Sr. Ignácio da Silveira, e algumas medalhas dos Srs. Alves Campos e Herminio Pereira merecem especial menção.

A exposição de arte aplicada concorreram, infelizmente, pouquíssimos artistas brasileiros. O professor João Ludovico Maria Berna apresenta algumas obras notáveis, entre elas um interessante vaso decorativo em bronze, com embutidos de prata fosca. Os trabalhos em couro da Sra. Maria Hirsch da Silva Braga são geralmente bons. Essa artista soube inspirar-se bem na flora brasileira, o que torna simpática a sua arte a todos que sabem sentir o mundo de motivos estéticos a que ela pode dar origem.

Outra artista cujas obras despertam logo a atenção é a Sra. Joanna Pavlowna de Oven Grentner, de nacionalidade russa, que concorreu com maior número de trabalhos. As suas almofadas em couro evidenciam bem a sua estranha habilidade nesse gênero de arte. As suas obras tem uma tonalidade forte, pois que ela escolhe sempre as cores mais vibrantes, embora jogando com elas magnificamente e procurando arrancar-lhes o máximo de efeito possível.

A Sra. Anna Duarte [?] tem também um "panneau decorativo" em que se reconhecem boas qualidades de execução.

Para fechar essa breve notícia servem muitíssimo bem os lindíssimos projetos de decoração para colgaduras, trabalhos de Theodoro Braga que se revela neles um hábil artista, de quem muito pode esperar ainda a arte essencialmente brasileira.

São essas, a breves traços, as impressões que trouxemos da nossa visita a XXXI Exposição Geral de Belas Artes. Procuramos transmitir ao publico com a máxima isenção de animo o que nos sugeriu essa visita aquele templo de arte. Alguma obras citadas teriam mais largo estudo, e outras mesmo teriam imediato destaque, se não fora a feição rápida dessa noticia, em cujos moldes não cabem grandes considerações de ordem técnica.

De tudo se infere, porém, uma verdade incontestável: é a floração cada vez mais bela do sentimento artístico brasileiro, desabrochando em obras de real valia, assim pela beleza da concepção quanto pelo primor da realização.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 24 ago. 1924, p.8.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 24 ago. 1929, p. 7.

O SALÃO DE 1929. - Luiz Edmundo a convite da comissão organizadora, realizará na próxima quinta-feira, 29, às 17 horas, uma conferência sobre "O Rio de Janeiro no tempo dos Vice-reis".

Hoje, às 14 horas, na sala da Congregação da Escola reunir-se-ão os expositores do corrente ano, a fim de conferirem a medalha de honra ao artista brasileiro que mais tenha se distinguido entre os seus colegas.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 24 ago. 1929, p. 7.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 24 set. 1905, p. 4.

Exposição Geral de Belas Artes - Na atual exposição a turma dos novos que se apresentaram bem armados e ameaçando conquistar brevemente, e de assalto, lugar nas posições já ocupadas pelos seus mestres, é respeitável, embora não muito numerosa. Nos trabalhos desses moços observam-se tendências sãs […], esforços de emancipação, o desejo de revelar individualidade, de mostrar-se cada qual como é, procurando inspirar-se tão somente na Natureza.

É fora de dúvida que quase todos ainda estão longe de conseguir completamente esse desideratum; mas o esforço nessa preocupação de querer dever tudo ao seu trabalho e ao seu temperamento individual é visível, e isso já constitui um sintoma muito inteligente e animador.

Já em uma primeira notícia ressaltamos a importância da contribuição do Sr. Eugenio Latour para o êxito da atual exposição e o muito que progrediu e trabalhou nos dois anos passados na Europa. Pouco teremos de acrescentar ao que a seu respeito já foi dito, e a opinião de quantos tem visitado a Exposição, tem-lhe sido uniformemente fértil de merecidos encômios.

Os seus quadros possuem a sedução que emana de uma visão do natural, simples e sincera.

O seu quadro Praga Social (144) tem grande valor e mostra o artista tão absorvido pela ideia que o inspirou, que a representação externa dela saiu com tal unidade e vigor de expressão que do primeiro lance recebemos vividamente a comoção como se estivéssemos diante do fato, esquecendo-nos de que se trata de uma pintura. A sua composição tem naturalidade de arranjo e verdade nas posturas e expressões das figuras. E as suas lacunas, se as tem, desaparecem no bom efeito do conjunto.

O seu quadro - As Tesourinhas - é talvez dos expostos o que mais tem agradado ao público. E realmente é isso que se devia dar: as três raparigas, tão bem observadas, tão cheias de vida com os seus formosos e rosados rostos, palpitam de malícia e de graça no meio daquele ambiente claro e luminoso, enchendo-o de alegria.

O quadro - Flores e Mocidade - é um interessante estudo do nu, com boas qualidades; e ainda poderíamos citar dele - a paisagem ao longe, um belo efeito de luz e de perspectiva, uma impressão de telhados, casaria e paisagem, etc., o quadro denominado Lygia; mas, para que especializar mais, quando todos eles agradam por mais de um título.

Do Sr. Rodolpho Chambelland, que obteve o prêmio de viagem, também fizemos referência circunstanciada na nossa primeira notícia, e o seu quadro - Bacantes em festa, se os profissionais podem-lhe achar defeitos, representa um belo esforço em arcar com dificuldades que recomendam o jovem artista.

Outro novo, que pela primeira vez aparece nas nossas exposições, é o Sr. Antonio Fernandez Gomez, que expõe vinte quadros que têm agradado muito. O Sr. Fernandez, que é filho da Galliza, veio para o Brasil em 1895, tendo treze anos de idade, e aqui ficou até 1901.

Durante esse tempo esteve empregado em um estabelecimento fotográfico de S. Paulo e nos lugares que lhe deixava o seu trabalho, entregava-se, sem o auxílio de professor, ao estudo do desenho.

Aos 19 anos de idade, tendo feito algumas economias, resolveu ir estudar pintura na Europa. Foi para Roma e nos três anos que aí passou trabalhou assiduamente, tendo por professor ao [sic] conhecido pintor espanhol Barbasan e agora apresentou-nos os resultados dos seus estudos. É admirável o que conseguiu em tão pouco tempo, tendo aos 23 anos de idade uma execução bastante forte, um tanto minuciosa, principalmente nos primeiros planos, com bastante solidez de fatura. Os quadros que expõe, em um número de vinte, são quase todos paisagens, vistas de interior de aldeia, estudos de pedra, arcarias velhas cobertas de hera, com interessantes efeitos de luz e sombra.

Os seus céus é que ainda deixam a desejar e a sua maneira ressente-se um pouco de falta de simplificação e de largueza, coisas que naturalmente adquirirá com o tempo. O seu quadro Trecho de Aldeia (101), é de uma fatura sólida, tanto na pintura das casarias como do chão, onde as sombras estão feitas com vigor. O quadro Olivares (92), que talvez rivalize com o antecedente em excelência de fatura, tem nos rochedos bem pintados, ambiente e perspectiva; podemos ainda especializar os quadros Estrada Escabrosa, 'Piazza delle Ville, O Ramalhete, 'Sol da Manhã, etc.

J. Timotheo da Costa é um audaz, e um audaz que tem talento; o seu retrato a carvão, em tamanho natural, é feito com muita largueza e bom desenho; a figura tem postura donairosa e caráter. Seu irmão Arthur Thimotheo da Costa tem dois quadros com figuras regulares, e tendências largas, sendo que em um tem um trecho de paisagem feito com sentimento do natural.

Carlos Chambelland, irmão do que recebeu o prêmio de viagem, tem um interessante retrato de moça, corpo inteiro, com detalhes bem feitos e boa impressão de conjunto.

O Sr. Eduardo Bevilacqua tem dois trabalhos, um retrato e um quadro bíblico, que, embora possuindo qualidades recomendáveis, não satisfazem tão completamente quanto as suas obras anteriormente nos faziam esperar.

O Sr. Lucilio de Albuquerque, também aluno da Escola, é um artista de merecimento, mas singularmente modesto; tem um temperamento delicadamente impressionável e reservado. Dos seus dois trabalhos preferimos a cabeça de menina a pastel, uma carinha risonha cheia de ingenuidade.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar'

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 24 set. 1905, p. 4.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 24 set. 1907, p. 3.

De José Malhôa, o eminente artista português, possui a Exposição um esplêndido retrato a pastel, do qual não há muito que dizer, porque tudo fica dito no adjetivo acima expresso.

Como já dissemos em anterior notícia, a retratada, uma menina apenas entrando na juventude, é um formoso tipo da morena brasileira, de bastos cabelos pretos e belos olhos expressivos.

Malhôa, com a sua técnica consumada, modelou deliciosamente essa linda cabecinha, com toda a sua carnação quente de morena, num pastel de grande finura e limpidez, mostrando a delicadeza e segurança com que sabe manejar, esse tão atraente quão melindroso veículo artístico.

Se ousássemos fazer um reparo a um trabalho tão completo, seria para lastimar que o mestre tivesse posto ali aquele punhado de rosas, aliás admiravelmente desenhadas, que dão ao quadro uma mancha que distrai a vista da formosa cabeça, tão superiormente feita.

Mas, esse reparo, que não passa de uma impressão pessoal, em nada diminui o merecimento desse retrato, que é uma obra de grande valor.

O Sr. professor Rodolpho Amoedo não mandou para o Salão deste ano nenhum trabalho de sua lavra; mas acha-se perfeitamente representado pelos trabalhos de sua talentosa discípula, a Sra. D. Regina Veiga.

Essa jovem amadora, que revela as mais decididas qualidades artísticas e demonstra um extraordinário adiantamento, tem dois retratos de senhoras, bastante atraentes.

Primeiro que tudo, mostra que possui uma paleta fina e limpa, uma gama de cores claras e simpáticas, um desenho já bastante correto, e um toque delicado, ligeiro e franco.

No retrato em pé, se as mãos e os braços deixam a desejar como desenho e coloração, a cabeça é bem feita, com finuras de modelado nas sombras da face direita e com os olhos metidos e pintados, diríamos quase, como só os mestres sabem fazer. Nesse retrato, há ainda a notar o modo excelente como está pintada o boa de arminho, cuja brancura é de notável pureza e limpeza, bem como os demais acessórios e o fundo de cores simpáticas.

No retrato sentado, que é o menos forte dos dois, encontram-se as mesmas qualidades de desenho e de colorações ternas e suaves.

O que surpreende nesses trabalhos, é que a jovem amadora sabe fazer belos retratos com as tintas mais ternas e agradáveis, sem nada de gritante, e sem que também o desenho seja sacrificado, e com certo conhecimento do valor das sombras, muito raro em quem está ainda no princípio de seu tirocínio artístico.

Esses retratos, tanto pelo seu arranjo como pelas combinações das suas cores, são, demais, duas telas de belo efeito decorativo.

Das suas pochades, há uma especialmente, a que representa uma criança sentada em um canteiro, em que há certo sentimento ingênuo, e cujos olhos, dois pontos apenas, são feitos com singular arte.

Se essa jovem amadora não abandonar a pintura, como aqui fazem quase todas as senhoras, mas continuar a estudar assiduamente e a afirmar as qualidade tão brilhantemente reveladas pelos quadros atualmente expostos, será uma pintora que honrará sobremodo a aptidão artística da mulher brasileira.

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São bem dignos de nota os dois trabalhos expostos pelo Sr. Puga Garcia, um ex-aluno da Escola de Belas Artes, discípulo do Sr. Amoedo, mas que parece andava arredado das exposições.

O seu quadro alegórico - Crepúsculo - atrai por certo sentimento de serenidade. Há calma solene na paisagem e o sol que descamba, tem umas colorações quentes e alaranjadas que se refletem na água.

O desenho é regular e as cores não deixam de ser brilhantes. A figura é bem feita e não é isenta da expressão própria e o quadro faz um efeito decorativo interessante.

O seu outro trabalho - Fantasia - um busto fino de mulher, se não é isento de defeitos de desenho, possui a delicadeza e o aveludado próprios do pastel.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 24 set. 1907, p. 3.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 25 ago. 1927, p. 5.

Exposição geral de belas artes - Reuniu-se na Escola Nacional de Belas Artes, o Júri incumbido de distribuir os prêmios do Salão de 1927.

Os trabalhos foram presididos pelo Professor Rodolpho Amoedo, estando presentes os membros da Comissão Julgadora Professores Elyseu Visconti e Lucilio de Albuquerque e os pintores Guttman Bicho e Almeida Junior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior].

O prêmio principal, o de viagem à Europa, foi conferido ao pintor Manoel Santiago, pela tela "Marajoaras".

Os outros prêmios conferidos foram os seguintes:

Pequena medalha de ouro - Hans Paap, A. Rocco e Oswaldo Teixeira.

Grande medalha de prata - Candido Portinari, Cadmo Fausto, Sarah Villela de Figueiredo e Haydéa Santiago.

Pequena medalha de prata - Yvonne Visconti, Mario Tullio, João de Azevedo, Rosille Torres, Paulo Gagarin, Murillo Lagrecca e Euclydes Fonseca.

Pequena medalha de bronze - Virgilio Lopes Rodrigues, Francellina Falcão, Lange Morretes, Jurandyr P. Leme, Wanda Turatti, Zilda Elsenlohr [sic], Quirino Campofiorito, J. Mendes [?], Gaspar Neiva, Padua Dutra, João Dutra, Balthazar da Camara e Mario Nunes.

Menção honrosa de 1º grau - Lupercio Ferraz, Simone [?], Suzanna Mesquita, Germinal Artesi, F. Acquarone e Isabella [?].

Menção honrosa de 2º grau - Moysés Silva, Virgilio Silva, Del-Negro, L. Abreu [Luiz Abreu], Archimedes Dutra, H. Torres [Hilda Soares Torres], Francinet Alves, T. Sato e Paiva [Odilon Paiva].

Prêmios em dinheiro:

1:000$000 - Manoel Faria e Orlando Teruz.

500$000 - Edith Aguiar e Gastão Formenti.

250$000 - Gilda Moreira e Roberto Niand [sic].

Essa decisão do Júri terá de ser aprovada pelo Conselho Superior de Belas Artes.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 25 ago. 1927, p. 5.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 25 set. 1912, p.6.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Terminando hoje as nossas notas sobre o Salão deste ano, digamos alguma coisa sobre a seção de escultura, na qual o Sr. Corrêa Lima, o Sr. Petrus Verdié e o Sr. Pinto do Couto apresentam trabalhos verdadeiramente dignos de nota.

Corrêa Lima tem um projeto de fonte [Imagem] de boa concepção e técnica e que mereceria ser passado para o bronze e erigido em algum dos nossos jardins.

A despesa a fazer-se com isso não seria grande, e a cidade ganharia possuindo mais uma […] obra de arte, da lavra de um artista de merecimento.

Sr. Petrus Verdié expõe cinco trabalhos, todos merecedores de fazer parar o visitante muito tempo.

Já falamos deles em anterior noticia, mas julgamos que não será demais salientar a grande expressão de desalento, de desesperança, de resignação de sofrimento, que emana de todo o conjunto dessa pequena joia de madeira e marfim, que o artista denominou modestamente no catálogo - "Femme au chale".

Outra jóia que merece ser preservada em material menos frágil é o gesso denominado "Étude de mouvement", um delicioso nu de mulher, de linhas finas e airosas, e vibrante de movimento e vida. Quem não gostaria de possuir um exemplar dessa bela obra.

O Sr. Pinto do Couto, o jovem artista português discípulo de Teixeira Lopes, que estabeleceu domicilio entre nós, tem diversos trabalhos dos quais dois são realmente de grande valor. A sua cabeça de negra de extraordinária expressão e modelado meticuloso e o retrato do Sr. A. de S., de muito caráter e técnica larga e sólida.

Nesta seção devemos ainda notar os trabalhos de D. Nicolina Pinto do Couto, e um bom retrato do Sr. Bibiano Silva pelo Sr. Modestino Couto [sic].

Na seção de medalhas, como sempre, o Professor Augusto Girardet tem excelentes trabalhos, que mantém e confirmam a sua reputação de artista emérito; e o seu discípulo Adalberto Mattos expõe numerosos trabalhos, que mostram o seu talento e também ainda a necessidade de não abandonar as lições do mestre.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 25 set. 1912, p.6.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 26 ago. 1914, p.5-6.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - A exposição já vai em quase metade do tempo em que tem de estar aberta ao público e nós ainda não nos desempenhamos completamente da nossa tarefa anual.

A guerra que conflagra toda a Europa tem desviado da exposição a atenção e a frequência dos visitantes, e confessamos com certo vexame que também temos incorrido na mesma culpa.

Vamos ver se ainda temos tempo de nos remir dela.

Trataremos agora do Sr. Helios Seelinger, o artista que maior número de trabalhos expõe. É verdade que muitos destes são simples esboços e desenhos inacabados; mas todos eles concorrem para apontá-lo como o artista de notas mais individuais do nosso Salão.

Possuidor de suficiente maestria técnica, não a ostenta ao ponto de empolgar ela exclusivamente a atenção do observador, de modo que não o deixe perceber e impressionar-se com a ideia geradora da obra.

A sua pintura é sempre pessoal e subjetiva; e, como já dissemos quando ele começou a distinguir-se aqui, se trai alguma afinidade, é com a obra de certos artistas alemães, como Boecklin, Klinger e principalmente Franz Stuck, com o qual até tem certa semelhança fisionômica.

É um idealista que vai buscar as suas inspirações em temas da mitologia ou da Bíblia ou em concepções fantásticas que se prestam a ser tratadas pelo pintor, não como simples ilustrações, mas como imagens vivas e impressionadoras. É uma arte singular e perturbativa, dando por vezes a sensação de uma atmosfera erótica, e por vezes como que a impressão de criações demoníacas.

Das suas obras na atual exposição, quase todas contêm provas de desenvoltura ousada na concepção e de certa sugestividade poética, como, por exemplo, nas denominadas "A Negra Corte da Vitória", "Ruínas de Ouro", "Salomé", "Cântico das Sereias", "Farandola", "Queda Dantesca", "Inferno".

Nos seus desenhos das decorações para o Club Naval há harmonia no movimento das figuras, bem como encanto fantástico na composição.

Muito ainda se poderia dizer dos seus desenhos de Faunos, da sua concepção de Satã, das suas atraentes cabeças decorativas, mas o que acima fica dito é o suficiente para chamar a atenção para essa notável exibição de uma arte irrequietamente interessante e intensamente pessoal.

A passagem do Sr. Seelinger para qualquer dos outros expositores é um tanto violenta, pois que não há nenhum que tenha pontos de afinidade com ele.

Falemos de um expositor novo nas nossas exposições, cujo nome não se encontra no Catálogo, mas cujas obras se impõem a atenção do visitante. É um Sr. Cantú, pintor italiano que vive em S. Paulo, segundo nos contam, e que tem parentesco com o celebre historiador do mesmo nome.

Tem quatro trabalhos todos muito interessantes, revelando um artista bastante senhor de uma técnica sólida e larga, e que sabe pintar a figura com grande vitalidade. A sua mulher de preto, pintada com a maneira direta de um retrato, é formosa e pela sua expressão fisionômica denota que sua viuvez é recente. Tanto o chapéu que lhe coroa a cabeça como o vestido que lhe cinge o corpo elegante e esbelto, e as luvas de pelica preta que lhe apertam as mãos finas, são, respectivamente, bem representadas, e na maneira como toda a figura é apresentada e na habilidade e certeza da pincelada, há qualquer coisa que sugere leves reminiscências de Boldini.

A sua cena de crianças tomando banho de mar é um claro plein-air com boas figuras bem movimentadas: a sua mulher envolta em roupagens roxas, atraente na sua singular composição e cheia de expressão, e muito empolgante é a cabecinha cheia de vida do garoto no pequeno quadro retangular.

Falemos de uma moça que tem um grande futuro diante de si se não falharem as promessas que nos dão as suas já reais qualidades. D. Angelina Agostini, prêmio de viagem e que se acha atualmente estudando em Londres.

Tem três retratos que são três bons espécimes de execução séria e direta, e com certas qualidades de caráter. A sua cor não é talvez tão limpa quanto era de desejar; mas, com as tendências que parece serem as dominantes do seu espírito e com as lições que naturalmente há de haurir no meio que escolheu para aperfeiçoar os seus estudos, é de esperar que nos volte uma retratista excelente. A base que já tem, é sólida e há muito a esperar do seu invejável talento. Há certa maliciosa e cruel acentuação na interpretação psicológica dos seus dois retratos masculinos.

O Sr. Oscar Pereira da Silva expõe dois quadros de nus que já estiveram no "Salon" e que servem para mostrar a sua habilidade técnica, principalmente na riqueza meticulosa dos acessórios. São dois quadros de bonito efeito e que ainda agradariam mais ao geral dos visitantes se os modelos fossem menos planturosos.

O Sr. De Servi, artista assaz conhecido entre nós, tem um retrato de senhora de qualidades regulares e um quadro de figura um tanto pesado de execução.

O Sr. Luiz Christophe tem três boas paisagens, das quais a de n. 168 - "Por de Sol" - efeito poético.

O Sr. João Baptista Bordon, três paisagens de Petrópolis, que revelam o discípulo de Baptista da Costa, e que seriam muito interessantes se não fosse a uniformidade de tratamento em todos os planos.

É muito interessante, pelo efeito de vibração de luz, a paisagem de Arthur Thimoteo da Costa e assaz finas as paisagens mineiras do Sr. Annibal Mattos.

Devemos ainda chamar atenção para os trabalhos dos Srs. Dall'Ara, Lucilio de Albuquerque, D. Georgina de Albuquerque, Guttmann Bicho, Otto Bimgener [sic], etc.

Em próxima notícia diremos alguma coisa a respeito da secção de escultura.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 26 ago. 1914, p.5-6.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 26 ago. 1916, p.6-7.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Trataremos hoje da seção de aquarela, pastéis e desenho.

O artista que ali mais atrai a atenção é o Sr. H. Puigdomenech Colom [sic], tanto pelo número como pela qualidade dos trabalhos que expõe.

O Sr. Colom há muitos anos que vive no Rio, onde se tornou conhecido como um artista decorador, que tem enchido de diversos trabalhos de merecimento o interior de muitos edifícios desta Capital.

Nunca, porém, expôs nada que pudesse fazer prever o aquarelista valente que ora se afirma com os dezoito desenhos que o representam na atual exposição.

Sem ostentar excessos ruidosos de virtuosidade, o Sr. Colom mostra-se senhor da técnica de aquarela, que sabe tornar flexível e amoldar aos temas que se lhe oferecem, divisando-lhes o caráter que traduz com a expressão apropriada.

Assim é que no quadro A féria do Dia a figura da Cigana é vestida com cores garridas, expressivas da profissão alegre que exerce o seu modelo, e a fatura mais nervosa e larga.

No grande quadro Catedral de Toledo, as riquezas de escultura, as belas linhas arquitetônicas, as complicadas disposições internas do grande templo católico são feitos de modo que se salientam na sua beleza e estilo característico, sem descabida pormenorização, e com singular segurança de perspectiva que sugere bem a extensão do amplo recinto. E na meia luz reinante como que expressa o sentimento de respeito e veneração que se apodera do espírito em meio tão importante.

Outro trabalho que impressiona fortemente é o denominado Derradeiros Raios do Sol, no qual o soberbo perfil do Corcovado se eleva grandiosamente num céu dourado pelos últimos lampejos incandescestes do astro rei, prestes a desaparecer.

E nos quadros ns. 388, 395 e 396, o caráter dos penhascos, duros, sólidos, sombrios, é dado com singular efeito de verdade.

O mesmo se pode dizer do quadro Palmas de Santa Rita, no qual a aparência que tem essas flores é bem expressa.

E essa sugestão do aspecto externo dos objetos igualmente se patenteia nos seus quadros de frutas.

Os trabalhos do Sr. Colom são dos que mais realce dão à exposição.

O Sr. Alfredo Norfini, Italiano de origem, mas há muitos anos domiciliado no Brasil, tem nesta seção três trabalhos dignos de nota: duas paisagens muito finas, justas de cor, e de efeito nobre, em têmpera, cuja técnica maneja com maestria, e uma boa aquarela, cujo tema foi bem observado.

O Sr. Levino Fanzeres tem boas aquarelas e uma nota a pastel muito atraente, de bom desenho e vibrante cor.

Ainda nesta seção o jovem artista Sr. H. Cavalleiro se acha bem representado com um bom pastel e duas aquarelas cheias de frescura.

Igualmente com boa nota de frescura são as seis aquarelas que expõe a Sra. Dona Georgina de Albuquerque.

Uma jovem artista que se apresenta muito bem, é a Sra. D. Sylvia Meyer, que tem espalhados pelas diversas salas da exposição meia dúzia de trabalhos a pastel que muito a honram como ao seu distinto mestre, o Professor Henrique Bernadelli.

Já é bastante forte na técnica desse fino e delicado processo, e de bom desenho, os seus trabalhos agradam, devendo-se salientar o de n.335, que é um bom retrato.

Também merecem menção os trabalhos a pastel da jovem artista D. Adelaide Lopes Gonçalves, pelas boas qualidades que revelam.

Ainda a pastel devemos destacar o retrato da autoria da Sra. D. Pedrosa do Rego Monteiro [sic], artista já consagrada e cujos trabalhos falam por si. O retrato a que nos referimos teve a honra de ser admitido no "Salon des Artistes Français".

São também dignos de carinhosa nota os trabalhos a guache da Sra D. Julieta Maria [sic], que fazem lembrar os do seu professor, o falecido Insley Pacheco, que cultivou com tanto esmero esse processo de pintura: e nessa similaridade está o melhor louvor dos trabalhos expostos pela distinta professora.

Agora cumpre-nos falar de uma das obras que mais prendem a atenção do visitante nessa pequena mas tão simpática sala da Exposição.

Queremos nos referir à serie de desenhos coloridos feitos pelo Sr. Corrêa Dias, para ilustrar um livro de um dos mais distintos dos nossos jovens poetas.

São da lavra de um artista português, Corrêa Dias, cujos trabalhos são, pela primeira vez entre nós, expostos ao público.

Essa arte da decoração de livros é muito antiga, pois data, pode-se dizer, da iluminura dos manuscritos, cujos primeiros espécimens se encontram nos antigos papiros dos Egípcios.

Os gregos e os romanos a cultivaram e, na Idade Média, achou ela guarida nos conventos, onde os artistas que os habitavam deixaram uma série de Bíblias, Missais e Livros de Hora magnificamente iluminados, obras primas no gênero que são dos mais preciosos legados da arte medieval.

Na arte da iluminura conheciam-se três estilos: o bizantino, que surgiu em Constantinopla, no segundo século da era Cristã, e no qual se mesclavam ornamentações de estilo ocidental com motivos de procedência asiática e no qual se notava um abuso só ouro: o irlandês, cujo característico consistia no emprego de espirais e de enastrados, com entrelaçamentos de monstros grotescos, e o Carlovingrano [sic], que apareceu em França e na Alemanha, sob os auspícios de Carlos Magno e seus sucessores, e que foi o mais seguido nos países do centro da Europa, e se distinguia por um esplendor de colorido e harmonia de desenho.

Com o Renascimento e a descoberta da imprensa, veio o declínio da arte da iluminura: mas, a descoberta e o aperfeiçoamento dos modernos processos de impressão dos desenhos coloridos, facilitando-lhes a reprodução fiel e nítida de milhares de exemplares, trouxe a sua reviviscência.

Hoje em dia são em grande número os artistas que tem feito obras notáveis nesse gênero de trabalho, e foi para nós um verdadeiro regalo ver os trabalhos do Sr. Corrêa Dias.

Os desenhos a que nos referimos revelam de modo brilhante a presença entre nós de um artista, de um artista cuja obra apresenta uma rara combinação: notável inventiva e boa execução.

Conquanto fosse de certo modo buscar os seus motivos, e filiasse até certo ponto os seus desenhos, no estilo seguido no décimo quinto século, ele não fez um pastiche, mas fez obra individual com os elementos de desenho e de colorido próprios de um artista moderno. É de esperar que, na reprodução mecânica desses desenhos, a obra do Sr. Corrêa Dias seja dada ao público de modo a nada desmerecer da maneira original como o artista a executou, fazendo assim com que o livro que os seus desenhos vão enriquecer, tenha um duplo valor artístico que o tornará mais apreciável e fará dele um mimo que todo amador guardará com zelo.

Não devemos encerrar esta notícia sem citar as excelentes sanguíneas e o bom desenho do Sr. Augusto José Marques Junior, a quem não fizemos justiça quando deixamos de mencionar a expressiva cabeça a óleo que expõe sob o n. 280.

Outro bom desenho no mesmo gênero é o estudo a sanguínea do Sr. Domenech.

Do velho Valle de Souza Pinto, há um magnífico retrato a crayon do Sr. Conde de Frontin e dois finos estudos a lápis de figura. Parece-nos que, dito isto, está dito tudo quanto é necessário dizer com referência a qualquer desenho de Valle, tal a sua proficiência nesse gênero de trabalhos e a reputação de que justamente goza.

Raul Pederneiras tem uma série de charges em aquarela, feitas com bom desenho, muita felicidade e a verve característica.

Fechemos esta notícia registrando o aparecimento de diversas gravuras em água forte e água tinta, feitas por jovens artistas.

A água forte não tem sido muito apreciada e cultivada pelos nossos artistas; no entanto, é um dos ramos mais finos da arte do desenho, "a arte, como dizia um artista notável, que se poderia pôr de parte para obras executadas por artistas para artistas".

Na água forte, o artista tem de possuir boa técnica, saber servir-se bem da agulha com que trabalha, saber desenhar com correção e firmeza, bem como empregar uma perfeita seleção no modo como interpreta o seu tema, no que consiste principalmente a perfeita execução. É a arte da linha pura e do claro-escuro, e a grande habilidade consiste muitas vezes em saber restringir-se e deixar de fora muita coisa que pareceria necessária para completar a obra. Na sua execução não se podem fazer nem alterações nem raspagens, nem eliminações.

É uma arte que exige, com especialidade, […] e critério seguro da parte do artista.

Por isso são pouco numerosos os artistas que tem cultivado a água-forte com […], e por isso também não devem causar admiração os preços elevados que alcançam, mas […] como Londres e Paris [...]

[…], pois, os jovens artistas Carlos Oswald, Argemiro Cunha e Adalberto Mattos, dedicando-se a tão fina especialidade.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Natalia Mano Goulart Saraiva

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 26 ago. 1916, p.6-7.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 26 ago. 1926, p.6.

O JÚRI DO SALÃO DE MCMXXVI - O Conselho Superior de Belas Artes, tomando conhecimento das decisões dos Júris de Pintura, Escultura, Gravura de Medalhas, Arquitetura e Artes Aplicadas, aprovou as seguintes resoluções dos Júris:

Pintura: Prêmio de Viagem: Armando Vianna pelo trabalho n. 291 - "Primavera em flor"; Grande medalha de ouro: Pedro Bruno, pelo trabalho 44 "Mãe"; Pequena medalha de ouro: Marques Junior, pelo trabalho 195 - "Ventarola Verde"; Grande medalha de prata: Aos Srs. Manoel Constantino, pelo trabalho 179 "Infância de Giotto" e André Vento pelo trabalho 16 "Adormecida"; Pequena Medalha de prata aos Srs. Manoel Faria pelo trabalho 189 "Meu retrato"; Gastão Formenti pelo trabalho 109 "Último Retoque"; Domingos Dias da Silva pelo trabalho 78 "Gozando a rede"; Orlando Teruz pelo trabalho 244 "Retrato"; Gilda Moreira pelo trabalho 124 "Alegria de Viver"; Annibal Mattos pelo trabalho 21 "Ancoradouro"; Aydéa Santiago pelo trabalho 131 "Hora da Missa"; Ozorio Belem pelo trabalho 225 "Yayá"; Medalha de bronze aos Srs. Heribert Niaud pelo trabalho 140 "Mística"; Príncipe Paulo Gargalin [sic] pelo trabalho 237 "Em descanso"; Roselli K. Torres pelo trabalho 245 "Pó de Arroz"; Yvonne Visconti pelo trabalho 312 "Retrato"; José dos Santos pelo trabalho 170 "De Ponto"; Bais Momeneck [sic] pelo trabalho 29 "Estudo de Figura"; Vicente Leite pelo trabalho 300 "De minha varanda"; Menção honrosa de 1º grau: Emilia Marchezine pelo trabalho 92 "Opilado"; Olga Pedrosa pelo trabalho 216 "Chuva de ouro"; Palmyra Pedra pelo trabalho 230 "Senhora D. P."; Affonso Dias Martins pelo trabalho 72 "Curativo"; Balthazar da Camara pelo trabalho 28 "Mãe e Pátria"; Padua Dutra pelo trabalho 227 "Preparo para doce"; Alcebiades Miranda pelo trabalho 3 "Estudo de retrato"; Americo Frederico da Rocha pelo trabalho 14 "Espanhola"; Angenor de Barros pelo trabalho 19 "Cambuquira"; Alfredo Galvão pelo trabalho 5 "Noiva"; Virgilio Lopes Rodrigues pelo trabalho 203 "Praia de Copacabana"; Hugo Falbo pelo trabalho 383 "Quando a fealdade é precoce"; Menção Honrosa de 2º grau aos Srs. Heraclito Ribeiro dos Santos Ferraz pelo trabalho 138 "Senhorita Henriqueta"; Lupercio Ferraz pelo trabalho 167 "Trecho do Rio Faria"; Maria Francelina de Barros Falcão pelo trabalho 193 "Cabeça de Velho"; Paulo Mazzuchelli pelo trabalho 235 "Senhorita Annurama"; Zuzana Mesquita [sic] pelo trabalho 266 "Cabeça", Odelli Castello Branco pelo trabalho 213 "Flores"; Roberto Rodrigues pelo trabalho 241 "O Suicida"; Germinal Artesi pelo trabalho 121 "Orando"; Francisco Aquarone pelo trabalho 104 "Depósito de Cal"; Maximiliano Valdez pelo trabalho 199 "Barcos em Badalona"; Celso Kelli pelo trabalho 66 "Retrato"; Hilda Eixeulober [sic] pelo trabalho 151 "Retrato"; Medalha de bronze ao Sr. Jordão de Oliveira pelo trabalho 166 "Retrato do Sr. Neves Manta".

Prêmios em dinheiro: 1:000$000 ao Sr. Manoel Santiago pelo trabalho 249 "A carta"; Candido Pertinaz [sic] [Portinari] pelo trabalho 50 "Retrato do poeta Olegario Marianno"; 500$000 aos Srs. Miguel Campplocth [sic] pelo trabalho 206 "Banhista"; e Sarach Villella [sic] pelo trabalho 261 "Professor Bernardelli"; 250$000 aos Srs. Oswaldo Teixeira da Rocha pelo trabalho 271 "Retrato"; e Cadman Fausto [sic] pelo trabalho 101 "Antes do Baile"

Escultura: Grande medalha de ouro: Sr. Francisco de Andrade pelo trabalho 317 "Golpe Mortal"; Pequena medalha de ouro Sr. Cunha Mello pelo trabalho 331 "Busto de S. Ex. o Sr. Dr. Arthur Bernardes"; Humberto Cavina com o trabalho 340 "S. Francisco"; Grande medalha de prata aos Srs. Armando Braga pelo trabalho 323 "Mãe"; e Lotte Benter pelo trabalho 349 "Aviador"; pequena medalha de prata aos Srs. L. B. Paes Leme com o trabalho 259 "Melancolia"; Vicente Larocca com o trabalho 363 "De profundis"; José Pereira Barreto pelo trabalho 330 "Busto do colega José Rangel"; Menção honrosa de 2º grau aos Srs. Homero da Silva pelo trabalho 337 "Reflexão de uma flor"; e Yara Castro pelo trabalho 363 "Busto do Sr. L. G."; 1:000$000 ao Sr. Laurindo Ramos pelo trabalho 342 "Busto do Professor Rocha Vaz"; 250$000 ao expositor Homero da Silva com o trabalho 337 "Reflexão de uma flor".

Gravura de medalhas e pedras preciosas: Grande medalha de ouro ao Sr. Adalberto de Mattos com o trabalho 371 "Plaquete da Sociedade Nacional de Agricultura" [Imagens 1, 2]; Pequena Medalha de ouro ao Sr. Leopoldo Campos pelo trabalho 381 "Medalha da Sociedade Rio Grandense"; Medalha de Bronze ao Sr. Calmon Barreto pelo trabalho 375 "Eros e o Leão"; Menção Honrosa de 1º grau: Sr. Walter Rodrigues Toledo pelo trabalho 383 "Montesquieu"; 500$000 ao Sr. Calmon Barreto.

Artes aplicadas: Grande medalha de ouro a D. Joanna Pawlowna pelo seus trabalhos e especialmente pelo de número 387 "Livro do Centenário da Câmara dos Deputados"; Augusto Herboth pelo trabalho 386 "Pequena medalha de ouro".

Arquitetura: Medalha de Bronze ao Sr. Luiz Signorelli, pequena medalha de prata ao Sr. Roberto Magno de Carvalho e 500$000 aos Srs. Paulo Antunes Ribeiro, Corrêa Lima (Attilio) e Lucas Mayerhofer pelo conjunto apresentado.

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CONSELHO SUPERIOR DE BELAS ARTES - Sob a presidência do Sr. Dr. José Mariano Filho, Diretor da Escola Nacional de Belas Artes, reuniu-se, ontem, o Conselho Superior de Belas Artes para tomar conhecimento do recurso interposto ao Exmo. Sr. Ministro do Interior, pelo Sr. Virgilio Mauricio, a propósito da não aceitação dos quadros com que concorreu à Exposição Geral de Belas Artes.

O assunto foi largamente debatido, tendo o Conselho tomado conhecimento do "dossiê" referente ao Sr. Virgilio Mauricio, pertencente à Sociedade Brasileira de Belas Artes.

Da decisão tomada, por unanimidade, foi lavrado o seguinte termo:

"O Conselho Superior de Belas Artes, homologando, por unanimidade, a decisão de Júri que recusou diversos quadros apresentados pelo Sr. Virgilio Mauricio, cingiu-se aos termos do regulamento do Conselho, o qual não exige que sejam motivadas as re [...]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 26 ago. 1926, p.6.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 26 ago. 1928, p. 15.

O PRÊMIO DE VIAGEM DO "SALÃO" - O júri das quatro seções da Exposição Geral de Belas Artes atribuiu, este ano, por unanimidade de votos, o prêmio de viagem ao pintor Sr. Candido Portinari.

Entre os que concorreram a esta prova de estímulo, se bem que no "salão" de 1928 os candidatos à viagem não se apresentassem com largas vistas e com trabalhos de mérito indiscutível, o Sr. Portinari, entretanto, surgiu com certo vigor na sua arte muito expressiva, com uma grande demonstração de amor à sua arte e com a mais acentuada tendência para um trabalho que, bem orientado, o levará a belos triunfos.

Muito de propósito, na nossa primeira apreciação sobre a atual exposição oficial de belas artes, eximimo-nos de referências aos candidatos ao prêmio de viagem, no delicado desígnio de não anteceder juízos que poderiam prejudicar os concorrentes.

Reservamo-nos, pois, para, em breve, apreciar, segundo um sincero conceito nosso, os trabalhos apresentados e, então, traduzir a impressão que nos deixaram os expositores em geral, particularmente, os concorrentes ao desejado prêmio que, aliás, pela sua exiguidade não tem senão o valor moral de sua expressão de estímulo.

Aliás o Sr. Candido Portinari já é um agraciado da Escola de Belas Artes, tendo conquistado medalha de bronze em 1923, pequena medalha de prata em 1925 e grande medalha de prata em 1927.

Estava, pois, em escala ascendente e chega ao píncaro das conquistas oficiais.

O seu talento e o seu trabalho honesto lhe garantirão outras mais significativas para a vida de um artista, na acepção lata do termo.

Assim seja.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 26 ago. 1928, p. 15.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 26 set. 1903, p.2.

Merece especial menção a coleção de belas medalhas oferecidas à Escola de Belas-Artes pelo Sr. Luiz de Rezende, um amador ilustre cujos serviços ao desenvolvimento do gosto pela arte entre nós, são inestimáveis, com a importação para este centro de tantos quadros e outros objetos artísticos de subido valor.

A arte da medalha, tão pouco conhecida e tão pouco cultivada aqui, é entretanto, daquelas que mais facilmente estão ao alcance de todos; das que mais merecem ser apreciadas e que tem grande fascinação. Realmente, pouca gente reconhece-lhe o seu valor e dignidade e a sua importância como um registro duradouro de notáveis acontecimentos históricos.

Scaligero deriva a palavra medalha do termo arábico - methalin - que quer dizer - uma espécie de moeda com uma cabeça humana; mas, a etimologia mais provável é a do latim metallun (metal) através das formas do latim baixo "medalea, medalia, medallia, medalla, medala."

A medalha propriamente dita, independente do seu valor monetário e simplesmente como objeto de comemoração, é de existência comparativamente recente, pois só data do tempo dos imperadores Romanos, realmente de Trajano para cá. Embora os Gregos houvessem cunhado moedas, nunca produziram medalhas propriamente ditas.

Com a queda do Império do ocidente e a Invasão dos Godos e dos Vândalos nos séculos quinto e sexto, desapareceu o uso da medalha para reviver novamente nos tempos do Renascimento.

A Petrarcha talvez se deva em grande parte a renascença da arte do medalhista.

Petrarcha era um grande colecionador de numismática e foi naturalmente do estudo dessas relíquias da antiguidade que ressurgiu a arte da medalha.

Sabe-se que as primeiras medalhas cunhadas na Itália, foram feitas em Pádua para Francisco, príncipe reinante da casa de Carrara, grande amigo de Petrarcha. As medalhas mais antigas conhecidas na Itália, datam dessa época, (ano de 1390), quando o príncipe Francisco il Vecchio foi feito prisioneiro por Gian Galleazzo. Duque de Milão, e seu filho Francisco Novello tomou conta do Governo de Pádua. A medalha tem de um lado o busto do pai e do outro, o do filho, tendo ambos o título de "Senhor de Pádua".

Esta medalha é única, pois só quarenta anos depois é que começou a verdadeira série dos medalhistas do Renascimento, com o c[elebre pintor Vittore Pisano, ou Pisanello, que foi também o seu maior vulto e o verdadeiro introdutor da arte da medalha na Itália.

Mais do que os seus quadros e os seus desenhos, foram as suas medalhas de bronze que firmaram a reputação de Vittore Pisano ou Pisanello; nessas medalhas fixou ele de modo imperecível e transmitiu à posteridade as fisionomias dos principais personagens do seu tempo, príncipes e princesas, condottieri e homens de letras.

Pode-se dizer que nenhuma medalhista de qualquer época soube melhor que ele dar dignidade, suavidade ou graça a seus retratos e apresentar uma execução, que tinha tanto de sobriedade quanto de variedade

Com o auxilio de relevos, tão adelgaçados quanto eram pesados e espessos os das medalhas do século seguinte, e de espaços planos quase imperceptíveis, utilizados com inimitável liberdade e vigor Pisanello fez obras admiráveis.

Depois de Pisanello, os medalhistas mais notáveis da Itália foram: o artista que assinava os seus trabalhos "Sperandio ou Sperandeus" (contemporâneo de Pisanello); Matteu de Pasti ou di Pastis, discípulo de Pisanello; Amadeus Mediolinus; Antonio Marescotto, Jacobo Lixignolo e Baldassar Estensis; Fra Antonio de Brescia; Nicolo Fiorentino; o eminente escultor Antonio de Pollajuolo; o pintor Gentile Bellini, no 15º século.

No 16º contam-se os nomes de Francesco Francia, de Benvenuto Cellini, de Sanzello e de outros menos conhecidos como Leone Leoni e Giacomo Trezzo.

Em tamanho, os bustos ou retratos feitos nas medalhas daquele tempo, são menores do que os retratos representados em outras artes, quer pintura, quer escultura; mas no vigor de tratamento, as medalhas podem sofrer comparação com qualquer outra forma de arte da mesma época. O característico das primeiras medalhas italianas é a maneira franca e vigorosa de retratar; qualidade essa de muito valor nesse gênero de arte. As medalhas foram feitas no intuito de ter-se uma forma de retratos a um tempo portátil e de fácil reprodução, porque, uma vez criado o molde, podem-se tirar dele quantos exemplares quiserem. E os príncipes e os fidalgos da Itália serviam das medalhas para presentear com os seus retratos os amigos, exatamente como fazemos hoje com as fotografias.

Os medalhistas do décimo quinto século foram justamente notáveis como retratistas, ao passo que os seus sucessores, os do 16º século - se preocupavam mais com os detalhes menos essenciais ao fim que se tinha em vista, sacrificando o motivo principal da medalha.

Diz C. F. Keary, no seu manual da coleção do Kensington Museum, que as medalhas do 15º século são, por via de regra, muito maiores em tamanho do que as do 16º século. São também muito mais largas no estilo do tratamento. Muito mais esculturais do que as medalhas subsequentes, são muito notáveis pelos retratos que ostentam no obverso [sic]. As medalhas do 16º século, por outro lado, apresentam muitas vezes reversos de grande beleza, mas acusam evidentemente demasiada influência da escola contemporânea de pintura.

Dessa época em diante a arte da medalha entrou em decadência na Itália, para só ter uma nova reviviscência no século passado sob influência dos artistas franceses.

Nos outros países da Europa, conquanto a historia registre a cunhagem de algumas medalhas e o aparecimento de alguns artistas, a arte da medalha não foi tida em contar tão elevada como outras artes.

Em França durante o Renascimento e até o século décimo oitavo, registram-se os nomes de Guillaume Martin, de Guillaume Dupré que viveu no tempo de Henrique 4º e cunhou em 1597, a célebre medalha deste monarca como Hércules com Gabriela de Estrées no reverso; de Jean Warin ou Varin, que nasceu em 1601 e morreu em 1740 [sic]; o de Germain Jacquet, de Grénoble.

Até a época da Revolução as medalhas tinham todas o caráter oficial; mas quando em 1789, explodiu o grande grito da liberdade, houve uma verdadeira febre, uma extraordinária mania por medalhas, que recordassem todos os fatos e acontecimentos daquela época tormentos [sic].

De tudo e por tudo se fizeram medalhas; dos ferros tirados da Bastilha, dos sinos dos conventos; de cobre, de chumbo, de estanho; para celebrar a tomada da Bastilha, o 10 de Agosto, a festa do Ser Supremo, em suma, para representar os sofrimentos do povo, as suas, lutas e as suas vitórias - medalhas que primavam mais pela quantidade do que pela qualidade, e a que os antigos graveurs Du Roi tiveram de tentar adotar o seu talento, lutando com uma obra que não era muito do seu gosto.

Dessa efervescência naturalmente brotaram alguns artistas de valor, como por exemplo a Augustin Dupré e Bertrand Andrieu. Durante a era napoleônica, cunharam-se em França muitas medalhas; mas o estilo greco-romano que então dominava, não deixou que aparecessem obras originais e em que os artistas pudessem expandir o seu talento individual.

Depois da Restauração, deu-se como que um despertar e a maior parte dos escultores de então, como Barre, Domara, Bovy, Gayard, Desboeufs e Pradier, e mais tarde David de Angers, Rude, Préault, Barye, Carpeaux delinearam medalhas que podem ter guarida entre as obras primas do gênero. Mas todos estes artistas eram escultores e como escultores trabalhavam as medalhas.

Foram Chapu Ondiné, Ponscarne e Degeorge, que deram o primeiro passo para a evolução da arte glíptica e para o renascimento da arte da medalha e os modernos medalhistas franceses dos últimos quarenta anos, levaram-na a um nível de perfeição a que ela há muitos séculos não atingira.

Estes artistas são Michel Cazin, Antoine, Gardet, Alphée Dubois, Alexandre Charpentier, Louis Botée, Vernou, Lechevrel, Levillain, Legastelois, Daniel Dupuis, Niclausse, G. Dupré, Coudray, Jules Patey, Yencesse, Prouvé, Deloye, Carabin, J. C. Chaplain e o maior de todos, Oscar Roty.

Roger Marx, a grande autoridade acerca de medalhas, diz que o renascimento da glíptica deve-se a ser ela a arte que pode satisfazer mais completamente as novas aspirações das tendências modernas, "A arte glíptica tem uma missão claramente definida; dá testemunho das mudanças e das eventualidades da história, e da marcha da civilização; recorda as alegrias e as tristezas da nação e do lar, garantindo uma memória perpétua de todo acontecimento, público ou particular; basta pensar um momento na nossa moeda corrente passando de mão em mão para se reconhecer o papel ativo representado pela arte do medalhista, essa arte que mais do que qualquer outra, tende a fomentar a educação do gosto público."

Antigamente, a medalha era sobretudo simbólica, destinada a comemorar algum grande feito de armas, rememorar a fisionomia de alguma individualidade eminente, ou a avivar a grande ideia da Pátria; e a sua qualidade primordial era ser impressionadora.

A medalha moderna firma-se em um principio muito diverso. Tem ainda por objetivo comemorar fatos importantes, mas o seu caráter é mais íntimo e mais doméstico e entra muito mais pelo campo do sentimento.

Essa arte oferece vastos horizontes à atividade artística, pois que, como é exercida atualmente por artistas como Roty, Chaplain, Patay, encontra em todos os fatos da vida do homem e da vida social elementos para as suas obras.

A grande coisa é saber o artista concentrar dentro de pequenos espaços limitados, os fatos necessários, concretizando, por assim dizer, a sua essência. É uma arte sintética e ao mesmo tempo pratica e simbólica.

Foi dessa arte tão fina e tão sugestiva que o Sr. Luiz de Resende presenteou a Escola com uma coleção de espécimes de súbito valor. Basta dizer que contem obras do Alfredo Dubois, E. Verhier, Du Vivier, L. Coudray, Daniel Dupuis, Chaplain, Oudiné, J. Duval, Domard, Alphée Dubois, Leon Deschamps, Andrieu, A. Dupré e A. Bovy; e se o espaço não nos permite fazer uma ligeira descrição de cada uma delas, não nos podemos furtar ao prazer de especificar separadamente as seguintes: plaquettes de Joanna d'Arc e Floricultura, do falecido e pranteado Daniel Dupuis; a famosa plaquette "Salut au Soleil", de G. Dupré, que tamanha sensação causou na Exposição de 1900; a adoração do menino Jesus, do mesmo; o belo medalhão de Guttenberg, de Léon Deschamps; os excelentes retratos de Casimir Perier, Faure e Loubet, de Chaplain; e umas pequenas medalhas em parta , feitas com tão pouco relevo mas tão grande ciência dos planos.

Esse grupo de medalhas pode ser o núcleo do nosso Gabinete de medalhas, que, a exemplo das nações mais cultas, precisamos possuir. A elas se podem agregar as poucas medalhas cunhadas durante a nossa tão curta vida política, que pelos [sic] menos terão um valor histórico; e as medalhas já feitas e por fazer por esse tão distinto quão modesto artista, chamado Augusto Girardet, que estas não terão só o valor histórico, mas irão fazer muito boa figura naquele meio. Sem contar, que é de esperar que o nobre e generoso exemplo do Sr. Luiz de Rezende tenha muitos imitadores, e que o Governo, por seu lado, imite também o da França, perpetuando por meio das medalhas as fisionomias dos nossos governantes, desde que somos nação livre, bem como de todos aqueles que pelos seus atos mereceram essa distinção da Pátria.

O público, esse deve ir à Exposição educar o seu gosto no exame daquelas medalhas.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 26 set. 1903, p.2.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 26 set. 1907, p. 4.

Se há um ramo de pintura em que a feição nacional seja bem acentuada, é a paisagem. Os artistas, empregando os processos modernos da pintura da paisagem e inspirando-se na nossa natureza, naturalmente haviam de fazer obra que tivesse cunho acentuadamente brasileiro. A paisagem brasileira tem uma feição própria e distintiva, e quem a souber devidamente interpretar qualquer que seja a maneira como a represente, não poderá deixar de fazer obra expressiva do caráter peculiar da nossa natureza.

Dos nossos artistas modernos, nenhum, talvez, tenha pintado a nossa paisagem com compreensão mais exata do que o Sr. João Baptista. A sua arte é mais objetiva do que subjetiva; o artista não procura embelezar ou de qualquer modo poetizar a natureza, mas simplesmente transladar para a tela, com a maior fidelidade os trechos e os aspectos que o impressionaram, de modo a produzir igual impressão no espectador, sem emprestar-lhe outra beleza ou outra poesia e não [...] que eles tenham por si próprios. As suas paisagens como que traem o desejo de fugir ao sentimentalismo, a […] a nota que possa destoar da transcrição sincera e real da verdade. Se a paisagem é, como a definia Zola um état d'âme, a de João Baptista demonstra um estado de alma sempre sereno e igual, preocupado em transmitir com singular impressão direta cenas tranquilas e atraentes da natureza.

Dos seus quadros deste ano, se nenhum é superior em concepção ou execução ao seu admirável "Volta do Trabalho" de há três anos, todos são feitos com grande felicidade de translação e solidez de fatura.

Com exceção do pequeno e vibrante Caminho da Floresta, que tem certa impressão quente, todas outras paisagens são de Juiz de Fora e dão o efeito frio da natureza de serra acima.

O grande quadro denominado - Depois da Chuva - é bem indicativo do seu título.

O dia já vai adiante, e um rebanho de carneiros, tocado pelo respectivo zagal, caminha vagarosamente, em busca do aprisco por uma estrada que revela a chuva recente, no seu solo ainda úmido e nas poças d'água que o mancham aqui e ali.

Em outro plano, de uma casinha, meio encoberta pelo arvoredo, voa pela chaminé um pequeno rolo de fumo.

Tudo o mais é o arvoredo, a mata que se estende, densa e profunda, pela encosta acima, terminando em um céu carregado.

Tudo na vegetação de um verde claro intenso, no chão úmido, na atmosfera saturada de água, no céu costado de nuvens pesadas e prenhes, revela que a chuva que há pouco caiu sobre aquele vale não terminou de todo e que dentro em breve outro aguaceiro há de novamente visitá-lo.

Se o rebanho de carneiros, com o seu respectivo zagal, não nos satisfaz completamente, a paisagem, ou sua translação exata de um aspecto característico da natureza, agrada-nos bastante.

O quadro - Interior de floresta - […] menos […], tem um tom mais alegre e brilhante e é uma bela impressão do efeito de luz. É um […]

Através da folhagem sentem-se as vibrações da luz de um sol meridional que vem encher de alegria o recôndito da mata, cobrindo de cintilações a superfície das águas e as arestas das pedras musgosas.

Os outros quadros são representações fiéis e interessantes de trechos característicos do nosso interior, e são bastante atraentes.

Em suma, uma exposição que honra o distinto artista, tanto pela quantidade como pela excelência da sua produção no ano decorrido.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 26 set. 1907, p. 4.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 27 set. 1907, p. ?.

O Sr. Roberto Mendes é um temperamento diverso do do Sr. João Baptista; entrevê a paisagem por um prisma diferente e infunde na translação que dela faz uma nota de comoção espiritual em que a fantasia entra com uma boa dose.

Isto se observa principalmente no quadro A Brisa. As primeiras sombras da noite já se anunciam no horizonte, ainda iluminado pelas colorações alaranjadas do crepúsculo, que se vão difundindo. As águas do lago, em que boia perdida e imprecisa uma pequena canoa, enrugam-se no contato de brisa que perpassa levemente.

Há calma e harmonia no conjunto e a visão do pintor exprime naturalmente o sentimento poético que o dominou.

O quadro Estudo de Mangueiras, talvez melhor de fatura dá a comoção de um dia chuvoso e seria uniformemente bem tratado se o artista houvesse cuidado mais o primeiro plano. É um dos mais interessantes estudos de paisagem da Exposição.

O Sr. Teixeira da Rocha expõe quadros que mostram o cuidado, exagerando talvez, com que se esforça por interpretar a verdade da natureza, eliminando tudo quanto possa concorrer para [...]

Nos quadros de paisagem por ele expostos há o mesmo consciencioso cuidado e acabamento de sempre.

No catálogo aparece um nome novo, é do Sr. Louis Christophe, um patrício nosso educado em Paris, e que apresentou dois quadros que demonstram sólida educação artística.

O denominado Charmes, de proporções maiores, representa um interior de floresta, cujo solo está alfombrado das folhas secas de que as árvores esguias e altas ficaram quase despidas. Apenas uma pequena figura, a de um homem encostado a uma árvore, assoma à solidão da mata. Esta mesma parece dominada, na sua imobilidade, pelo silêncio, pela semi-escuridão solene que reina em toda a paisagem.

O quadro é de um efeito simples e algo patético e a sua fatura excelente.

O outro quadro seu Debarquement de la sardine - é também muito bom de fatura.

Representa a chegada de barcos de pesca em um porto do norte da França, no longo cais de pedra, junto ao qual estão amarrados os barcos, há uma grande aglomeração de gente, pescadores, aldeões, mulheres do povo, crianças; o dia é sombrio e o céu plúmbeo e carregado de nuvens, prognostica uma borrasca iminente. O mar movimentado corresponde perfeitamente ao aspecto do céu.

Se o primeiro plano parece um tanto grande e haver qualquer desequilíbrio no desenho do cais, o modo pode-se dizer admirável como estão pintados a massa de gente no [...] cheia de vida e movimento, o céu, o mar, faz desse quadro um dos mais interessantes trabalhos da Exposição.

Temos curiosidade de ver como um jovem artista que se apresenta tão cheio de boas qualidades de observação e de execução, tratará a nossa paisagem, exprimirá as impressões profundas e simpáticas que a natureza brasileira não pode deixar de ter despertado em um filho seu tão longamente afastado dela.

O Sr. Germano Neves, que o ano passado apareceu com umas notas de paisagem tão interessantes, expõe este ano cinco estudos que chamam a atenção pela justeza da impressão. O Sr. G. Neves tem também dois retratos, um de homem que tem caráter e é honestamente pintado, e o outro de menina, fino e expressivo.

O veterano artista Insley Pacheco teve uma numerosa exposição de pequenos estudos de paisagem, a óleo e em gouache, vistas da Copacabana, Paquetá e Ilha do Governador, feitas na sua conhecida maneira, em que a realidade é entrevista através de um prisma algo fantasista.

O Sr. Gustavo Dala'Ara [sic], um veneziano e portanto colorista, tem duas paisagens que não nos agradaram.

Na denominada Rua Direita, uma grande aquarela pintada sobre tela, o abuso do amarelo gema de ovo dá uma tonalidade desagradável ao quadro. Parece-nos também que o quadro se ressente de um defeito de perspectiva, que faz o Morro do Castelo ficar quase a cavaleiro da Rua Primeiro de Março.

No quadro vista da Glória as cores são demasiado irritantes e produzem má impressão.

O Sr. Dala'Ara expõe também dois retratos, um de homem e outro de senhores, mais discretamente pintados.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

Editando NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 27 set. 1907, p. ?.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 28 ago. 1923, p.5.

XXX EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES - Prosseguindo na nossa nota a respeito da atual exposição, falemos hoje em primeiro lugar, do L. [sic] Lucilio de Albuquerque, que desta vez, além do desenho n. 105, apresenta três paisagens e uma marinha.

Esta, que é a de maiores proporções, representa um trecho de praia em que se vêem grandes rochedos e ao fundo a entrada da barra do Rio de Janeiro, pintado tudo largamente na sua maneira atual em que o uso da espátula é empregado com habilidade de métier.

O quadro A curva da estrada é um trecho de paisagem, belo, bem iluminado e interessante de cor.

Fiuza Guimarães é um artista que ultimamente tem andado arredio da exposição; causou-nos, pois, surpresa seu aparecimento na atual apresentando nada menos de sete trabalhos. São todos desenhos, sendo três a fusain, um sanguínea, e três a óleo, estudos de cabeças, que se podem bem classificar como desenhos, todos pintados em uma gama monocromática e com certa finura e correção, e parecendo certos retratos ingleses de artistas do princípio do século décimo oitavo.

Interessante os três trabalhos do Sr. Gaspar de Magalhães. O retrato em aquarela é muito bem feito, com muita desenvoltura e felicidade de caracterização. O quadrinho Midinete, uma figurinha atraente, com a graça viva e maliciosa do protótipo parisiense.

A Sra. Georgina de Albuquerque expõe três trabalhos que parecem tirados da sua recente exposição na Galeria Jorge, e de que pouco teríamos que dizer além do que então escrevemos a respeito dessa exposição.

Das obras catalogadas sob o nome do Sr. João Thimotheo da Costa, que mandou três estudos de paisagem, fortes de cor e na sua maneira, larga, há um trabalho que merece destaque, não só pelo seu valor próprio como pelo nobre sentimento que levou o Sr. João Thimotheo a expô-lo: é o retrato de uma artista, bastante distinta, deixado inacabado pelo falecido Arthur Thimotheo da Costa, mas em condições que o tornam bastante apreciável, de pose não comum, numa cor acinzentada e tranquila, numa apresentação bastante individual de retratada.

O Sr. Hans Paap é, diz o catálogo, de nacionalidade alemã e estudou em Munich; os trabalhos que expõe, porém, foram todos feitos aqui, vistas tiradas de pontos da Tijuca e da Gávea.

Não visa efeitos complexos, e não emprega muitas cores para os seus resultados finais, que são de grande simplificação, característica de uma nova escola moderna, uma espécie de pointillé. Os seus quadros, que têm sentimento decorativo não deixam de possuir certa nobreza de estilo.

O Sr. André Vento expõe dois trabalhos, dos quais agradou-nos mais o denominado Matinal. Em ambos se nota que tem sentimento de cor e de luz, que impressionam bem, um pouco divisionistas na sua maneira.

O quadro - Seara de Espinhos - do Sr. Argemiro Cunha tem composição que revela qualidade, tem cor, mas se sente que o artista ainda não está bem firme neste gênero de trabalhos e não conhece bem a malícia do métier.

O Sr. Pedro Bruno tem quatro trabalhos interessantes, dentre os quais salienta-se o de n. 23 - A Pescadora - bem composto, bem desenhado, fino de cor e harmonioso.

O Sr. Candido Portinari, que pela primeira vez aparece nas nossas exposições, é um moço ainda bastante jovem, mas que revela talento e grandes aptidões. O retrato que expõe tem boa composição: a figura está bem pensada, com boas qualidades de desenho e em ambiente.

A Senhorinha Sarah Villela Figueiredo tem dois trabalhos de figura, ambos pintados largamente e vibrantes de cor: vê-se que está em boa escala o que se não se desviou das pegadas do mestre, dará uma artista.

Não devemos fechar a notícia de seção de pintura sem citar as aquarelas da Sra. Y. d'Angelo Visconti, em que se vê que ela tem notáveis aptidões e bom professor e dizer duas palavras a Arthur Lucas, que, embora [...] por atroz moléstia, ainda teve bastante energia e animação para apresentar uma paisagem assaz interessante.

Raul Pederneiras expõe três caricaturas a aquarela. Além das qualidades artísticas que todos os trabalhos de Raul Pederneiras sempre possuem e do espírito que ele proverbialmente empresta a tudo que faz, têm elas grandes qualidades de observação e certo valor documentário fixando e conservando figuras que vão desaparecendo, - o que é também um medo de escrever história.

Na seção de escultura, o trabalho que mais nos impressionou é a estatueta em mármore Verdade, do Sr. Amadeu Zani, de muita finura e graça, em que se nota que o artista se inspirou mais na sua visão estética do que num apego servil ao modelo. É um trabalho executado com grande habilidade e que impressiona muito agradavelmente.

É um belo trabalho o busto de tamanho natural em gesso, S. Francisco de Assis, do Sr. Humberto Cavina.

O Sr. Antonio Mattos mandou dois trabalhos - Base do monumento ao Dr. Delphim Moreira (gesso) que tem qualidades de composição e de fatura, mas de que só se poderá fazer juízo seguro quando colocado no lugar a que se destina, e um busto em gesso - Velho Fauno - com qualidades de modelado. Também são expositores os Srs. Vicente Larocca com dois trabalhos que impressionam bem, Paulo Mazzuchelli, com um retrato em gesso do pintor Mario Tullio; Modestino Kanto, com um retrato em gesso do Sr. Alvaro Santos; Martins Ribeiro, com um retrato - medalhão em gesso; Leopoldo Silva, com um grupo sacro, em gesso, de grandes proporções; Francisco de Andrade, um busto em gesso; D. Amelia Sabino de Oliveira, com dois trabalhos Lindóia (mármore) e Sonho de Pedras (pedra), que têm certa originalidade e qualidades técnicas; Alberto Frederico, com um busto em bronze, e Albert Freyhoffer, com diversos plaquetes em gesso e um retrato em bronze, bastante parecido, do Sr. Affonso Vizeu.

Na seção de gravura de medalhas, naturalmente ocupa o primeiro lugar o Professor Augusto Girardet, com uma vitrina contendo sete medalhas, um retrato de senhora em ágata e um brasão gravado na mesma matéria. O valor de Girardet, como medalhista, já tem sido tantas vezes provado e reconhecido que seria pretensão querer encarecê-lo. Quem conhece as obras dos grandes gravadores de medalhas e pedras preciosas como Roty, Chanplain, Legros, Cozin, Charpentier, [...] e os seus discípulos que impulsionaram o renascimento dessa fina arte na Europa, dando-lhes as grandes qualidades das medalhas buriladas por Vittore Pisano, Matteo de Pasti e Benvenuto Cellini nos séculos décimo quarto e décimo quinto, há forçosamente de reconhecer que Girardet tem direito a um lugar ao lado daqueles artistas.

Para nós Augusto Girardet tem, porém, outro grande merecimento que deve ser constantemente salientado, e é a sólida educação técnica com que tem guiado uma série de artistas inteligentes como os Srs. Jorge Soubré, Arlindo Bastos, Herminio José Pereira, Ignacio da Silveira e Leopoldo Campos, prêmio de viagem em 1920.

Os trabalhos com que esses moços concorrem à atual exposição são dignos de exame.

A seção de arte aplicada é pequena: apenas quatro expositores, mas nem por isso deixa de ser atraente e revela o desejo e o esforço de alguns artistas em se lançarem em um campo que em diversos países da Europa, está cada vez mais preocupando os artistas que acham justamente que tudo quanto possa contribuir para tornar a vida mais agradável é digno da atenção e da atividade deles.

Theodoro Braga que há muito tem essa preocupação, merece todos os encômios por procurar nos elementos indígenas a sua inspiração para esse gênero de trabalhos, como o demonstra nos trabalhos que expõe.

Helios Seelinger, que desertou este ano da seção de pintura, expõe duas belas composições em azulejos, inspiradas tanto nos motivos como na fatura na arte portuguesa.

Muito interessante é o tapete bordado à mão da Sra. Wanda Marie, desenho de Raul Pederneiras - em anigem [sic] e lãs brasileiras. E bem assim os trabalhos do Sr. Ludovico Berna - vitral em estilo Luiz XV e as duas taças em prata dourada e em outro, cristal e mármore.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 28 ago. 1923, p.5.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 28 set. 1905, p. 4.

Exposição de Belas-Artes - A Exposição contém cinco trabalhos de um artista italiano, que já em anterior exposição obteve uma medalha. É o Sr. Carlo De Servi, domiciliado há nove anos em S. Paulo, onde tem pintado retratos e trabalhos de composição e de decoração para igrejas e casas particulares, nos quais, bem como nos atualmente expostos, quase todos estudos de cabeça, patenteia um talento robusto. O seu desenho é seguro; os contornos, bem feitos, modelados com justeza e o seu modo de pincelar é feito com franqueza e abundância de tintas, quase sempre em uma tonalidade quente. Vê-se que estuda bem o modelo; e que dele se serve para a realização da ideia já delineada no seu espírito ao tomar dos pincéis, e que a expressão que as suas figuras têm, principalmente no olhar, emana do talento criador do artista. Isto se reconhece sobretudo no quadro denominado - Reminiscências do passado, uma bela cabeça de velho em perfil, com o olhar no espaço e apoiada na mão, pintada com a conexão e a segurança de quem conhece como mestre e como mestre sabe vencer as dificuldades da pintura das extremidades.

Modesto Brocos expõe apenas dois quadros, um retrato, e uma marinha ao cair da tarde, apesar das boas qualidades de luz e de fatura deste, preferimos o retrato, muito sóbrio de cor, de uma construção sólida e simples; a figura vive com a dignidade tranquila apropriada à velhice.

É pena que o Sr. Raphael Frederico não trate mais cuidadosamente os seus trabalhos. Os seus motivos são interessantes, mas requerem uma execução menos sumária e mais trabalhada, e que lhes aumentaria bastante o valor.

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Nicolina de Assis - Esta nossa inteligente patrícia, que se acha atualmente em Paris, aperfeiçoando-se na arte de escultura para a qual desde muito cedo, revelou tão decidida vocação, expôs no Salão deste ano um trabalho em bronze e mármores destinado ao monumento do General Couto de Magalhães, que ali fez impressão.

Podemos agora publicar não só o que a respeito desse trabalho da escultura brasileira disse o crítico do Universo como também a opinião do grande escultor Mercié acerca dos trabalhos expostos no Salão.

Eis o que escreveu o crítico de l'Univers: "Uma brasileira, a Sra. Vaz de Assis, para o monumento do General C. M., compôs uma importante peça em bronze e em mármore, de belo efeito - A Pátria Brasileira; uma mulher em bela postura, elegantemente roupada, com um bonito gesto apresenta uma coroa de louros e de hera e com a mão direita empunha mui naturalmente uma bandeira. A artista soube fazer um trabalho grandioso e simples e exprimir com sobriedade um pensamento nobre."

Antonin Mercié, membro do Instituro e Presidente do Júri de Escultura, deu à nossa patrícia o seguinte atestado:

"Certifico que as obras expostas pela Sra. Vaz de Assis são, sob todos os pontos de vista notáveis, a uma bela concepção aliam uma fatura das mais interessantes. Sinto-me feliz em poder dizer todo o bem que penso das suas obras expostas no Salão.

Do eminente escultor Denys Pnech [sic] recebeu também a nossa estudiosa patrícia o seguinte documento:

"A Sra. Nicolina Vaz de Assis, que me foi recomendada pelo Sr. Ministro Plenipotenciário do Brasil em Paris, havendo-me pedido que ateste a sua assiduidade no trabalho, tenho o prazer de declarar que não somente sempre a vi muito assídua, mas que também os seus progressos desde que ela trabalha em Paris tem sido muito reais, do que dá testemunho a sua bela exposição no Salão dos Artistas Franceses."

A Sra. Nicolina de Assis, que assim honra o nome brasileiro na Capital do mundo artístico, é o modelo do esplêndido retrato [Imagem] pintado por Elyseo Visconti, e que é o clou da nossa atual exposição.

Este retrato também faz parte do Salão de Paris, onde foi alvo das mais lisonjeiras referências dos competentes.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 24 set. 1905, p. 4.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 29 ago. 1926, p.6.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Na relação dos prêmios conferidos aos expositores do corrente ano, publicada há dias, houve a omissão do nome do expositor Murillo G. de Souza, que obteve menção honrosa de 1º grau, com o quadro 209 "Estudante".

A Exposição estará aberta hoje, das 11 às 17 horas.

Igualmente estarão abertas do meio dia às 17 horas as galerias antigas do primeiro pavimento.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 29 ago. 1926, p.6.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 29 set. 1907, p. 4.

As senhorinhas Maria [Maria da Cunha Vasco] e Anna da Cunha Vasco há muito que adquiriram o direito de ser tratadas como artistas. Durante mais de cinco anos temo-as aqui acompanhado desde suas primeiras tentativas na aquarela, sob a direção proficiente e reta de Benno Treidler e temos testemunhado, de ano para ano, os seus esforços, os seus estudos, os seus graduais progressos, que atualmente fazem delas, diríamos, quase êmulas do seu distinto professor.

Pela maneira por que pintam, parecem duas gêmeas, tanto ainda se confundem os modos como encaram a natureza e como a interpretam. Fazem parte do grupo de paisagistas que sentem paixão pela natureza, e pela sua sensibilidade às cores vivas, são impressionistas da mais pura água.

Na sua maneira de manchar, de fazer a aguada, há largueza e segurança, e o desenho é bastante correto, feito por massas, com uma grande franqueza. Os trabalhos das duas inteligentes amadoras, ou antes, artistas, dão à primeira vista a impressão de não estarem acabados; mas, vistos na distância e na luz convenientes, tudo toma forma e valor, e os seus trechos de paisagem surgem com os aspectos e as aparências com que se apresentam na realidade, com certa unidade e amplidão em que há harmonia.

Como era natural em moças que aprendiam com um professor do valor do Sr. Treidler, seguirem muito de perto o mestre, não como copistas mas como a um inspirador, e isso tem prejudicado um pouco a afirmação das suas individualidades, que [...], já se vão deixando […]

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 29 set. 1907, p. 4.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 3 set. 1909, p. 5.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - O catálogo do Salão deste ano abre com o nome venerando do Sr. Angelo Agostini. O catálogo nos ensina o método mais intuitivo e fácil de seguir, neste apurado resumo de impressões, sem escolhas nem preferências estabelecidas. A ordem alfabética [...] justamente a que convém nestes casos, e sobretudo, no caso especial dos pintores - a gente mais suscetível e ciumenta, que povoa este fraco mundo de vaidade e amor próprio...

O Sr. Agostini teria, além do privilégio nominal, outro muito mais imponente e respeitável: o da idade. É um dos mais velhos, se não mais velho dos nossos artistas em atividade. E ainda outro título lhe assiste, que é, seguramente, o melhor de todos: a sua vida de trabalho e de combate, que se multiplicou, em extenso período, pelas revistas de crítica e de propaganda, com inquebrantável energia. O Sr. Angelo Agostini foi, durante longo tempo, o único jornalista do lápis, conhecido e aclamado no Brasil. Esse tempo passou, e o trabalhador retirou-se um pouco, a descansar da luta ardente de tantos anos; ficou então, o desenhista e, por uma nova inspiração que gradualmente se foi fazendo e enraizando, veio o pintor.

O pintor trouxe a este Salão uma tela de vastas dimensões e título ainda mais vasto: O Almirantado, durante a 1ª sessão de 1907, com a assistência do Presidente da República. É uma coleção de figuras oficiais, de sobrecasaca ou de farda, empertigadas para o ato solene. Retratos que deixam logo adivinhar as pessoas de quem se trata, o Dr. Miguel Calmon, o Marechal Hermes, o Almirante Alexandrino de Alencar, o Acadêmico Almirante Barão de Jaceguay, o Dr. Alfredo Pinto. Essas brilhantes personagens surgem gravemente entre os tapetes e os lustres, na meia luz de um dia enevoado, que o salão recebe pelas janelas da esquerda. Tal é o grande quadro do Sr. Agostini; o outro, muito menor, representa um Engenheiro atacado pelos índios, em Mato Grosso e faz lembrar os episódios agrestes do romance-folhetim a lápis, em que o laureado diretor da Revista Illustrada narrou a vida sensacional do popularíssimo e inolvidável Zé Caipora.

Segue-se (no catálogo) a Sra. Anna Ferreira da Costa [sic] (discípula de Henrique Goldscmidt), com uma esperançosa Paisagem, em que se vê uma pontezinha discretamente levantada ao fundo duma encosta sombria. E o Sr. Argemiro Cunha, mais modesto ainda, apresenta um simples Estudo, com qualidades que seria injustiça não animar e amparar.

Daí, ascende a gente, em um vôo, não inteiramente isento de perigos, aos píncaros magistrais onde há muito se instalou o prestígio artístico do Sr. Baptista da Costa. Esse artista expõe onze telas. É um trabalhador incansável (ah, eles são poucos, mas incansáveis! De uma fecundidade prodigiosa. E houve aqui um erro de colocação, a não ser que se trate de uma pirraça proposital, com o fim de atirar o crítico a mais triste e embaraçosa das posições, fazendo-o ficar entre duas obras-primas, qual delas mais poderosa e atraente. É a Estrada do Bingen, volta de caminho que se prolonga, que se vê continuar em um magnífico efeito de perspectiva, dominada, no primeiro plano, por uma arvore augusta, maternalmente carregada de trepadeiras e coberta por um céu alto e longínquo que mal se enxerga, mas do qual se sente a amplidão e a luz; e é a Paisagem, surpreendente encenação bucólica, verdadeira sinfonia de tons verdes, casados e relacionados em magistral harmonia de técnica, verdes que se abrem soberbamente à claridade do dia, verdes que escurecem e fogem, escondidos e afogados nos refolhos. Entre esses dois quadros, os olhos do espectador limitam grotescamente os daquele cediço bonhomme pintado com que os relojoeiros fantasistas adornam os despertadores baratos; porque a sensibilidade se converte simplesmente em pêndulo.

O quadro Meditando parece-nos inferior; a figura é desproporcionada, com uma cabeça enorme; mas há uma nota belíssima - a fresca e alegre ramagem, tocada de luz, em que se enquadra a fronte pensativa do modelo. Os Amores perfeitos são na verdade perfeitos. No Idílio rústico, empregou o Sr. Baptista da Costa os seus "lilases" prediletos, sempre admiráveis e admirados, naturalmente, mas em que o artista se tem repetido um tanto, sem talvez dar por isso. As figuras do barqueiro e da lavadeira estão bem colocadas na paisagem, faltando-lhe, entretanto, uma nota mais forte e flagrante de vida, a nota supremamente eloquente e que produz o efeito mais vibrante, isto é, o "momento". A Pouca pressa - prestamos assim uma homenagem ao inspirado e consciencioso artista - não parece do Sr. Baptista da Costa.

O Retrato do Dr. Passos, do Sr. Belmiro de Almeida, dá a mais excelente impressão de verdade na interpretação, de sinceridade na fatura. A psicologia individual preocupou de certo o artista que a realizou na tela, com grande felicidade. A cabeça branca é orgulhosa, sem perder o ar venerando, dominadora, conservando, entretanto, a auréola da simpatia; assenta direita sobre os ombros um pouco curvados de ancião poseur; e a sombra em que se lhe fecha um pouco o olho direito tem uma expressão, que é um achado, de finura soberba e um tanto despreziva... Não temos agora assim bem presente, na memória, outro retrato do Dr. Passos; para nós, portanto, foi no Sr. Belmiro de Almeida que o Dr. Passos encontrou o seu retratista.

O artista expõe outro retrato, Retrato de meu pai, tratado por diferente processo, mas com igual carinho e apuro, e uma Cabeça de estudo, deliciosa imagem de adolescente, olhar suavíssimo, face tenra e rosada, cabelos macios e luminosos - figura encantadora, que se destaca de um fundo verde de parque, enfeitado de árvores em forma airosa de ramalhete. Parece uma fantasia, um devaneio poético; é ligeiro, vago, terníssimo - e representa sem dúvida o trabalho de muitas e torturadas horas, porque se advinha o requinte a que o artista se deixou obedecer para alisar aqueles contornos, apagar aquelas linhas, afogar aqueles tons predominantes - sem prejudicar a intensidade expressiva do conjunto vivíssimo.

Segue-se o Sr. H. Bernardelli. Mas, na verdade, já vão longas estas linhas; e o Sr. Bernardelli é daqueles que não perdeu, nem mesmo por esperar.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz'

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 3 set. 1909, p. 5.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 3 set. 1911, p.6.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Inaugurou-se ontem no edifico da Escola Nacional de Belas Artes, a décima oitava Exposição Geral de Belas Artes, com a presença do Sr. Presidente da república, do Ser. Ministro do Interior e do Sr. Ministro da Fazenda.

O Sr. Presidente da República, que veio acompanhado do Sr. General Percillo da Fonseca, e de outros membros das suas casas civil e militar, foi recebido na porta principal do edifício, pelo Diretor e professores da Escola, membros da Comissão Organizadora da Exposição e diversos dos artistas expositores.

Acompanhado pelas mesmas pessoas, S.Ex. visitou as salas da Exposição, examinando demoradamente os trabalhos expostos, para muitos dos quais teve palavras de encômio, cumprimentando os seus autores.

Antes de retirar-se, S. Ex. visitou uma das salas da escola, a exposição dos trabalhos trazidos da Europa pelo ex-pensionista da Escola, o Sr. Lucilio de Albuquerque e sua esposa, D. Georgina de Albuquerque tendo para ambos louvores pelos adiantamentos pelos mesmos artistas revelados nos trabalhos expostos.

O Sr. Presidente da república, após a sua demorada visita, retirou-se cerca das 3 ½ horas da tarde, sendo acompanhado até a porta pelo Diretor e professor da Escola e pelos Membros da Comissão Organizadora da exposição.

Os Srs. Ministros do Interior e da Fazenda também deram demonstrações de agrado pela maioria dos trabalhos expostos.

A concorrência de visitantes à sala da Exposição foi enorme, excedendo ao que temos visto nos anos anteriores.

Viam-se ali, a par de muitas famílias da nossa melhor sociedade, senadores, deputados, jornalistas, membros de outras profissões liberais, examinando atentamente os trabalhos, externando e trocando impressões e dando as maiores provas de grande interesse.

Como era de prever, os trabalhos que mais prendiam atenção, eram os admiráveis retratos de Visconti e as belas paisagens de João Baptista.

Após esses, foram examinados e louvados os trabalhos dos nóveis artistas G. de Magalhães, Puga Garcia e Bicho; as sólidas cabeças de estudo de D. Angelina Agostini; a esfuziante caricatura de Barbasan; as paisagens de Brugo; o quadrinho de Adolpho Menge; um bom retratinho a óleo e os finos desenhos de Valle de Souza Pinto; o "Étude de Chat", de Petrus Verdié; o busto em gesso de Corrêa Lima; as magníficas medalhas do mestre Augusto Girardet e as medalhas e plaquetes do seu discípulo Adalberto Mattos, atualmente em Florença; e a numerosa obra trazida da Europa, pelo ex-pensionista da Escola Joaquim Rodrigues Moreira Junior.

Embora, não muito grande, a exposição tem muito que ver e que apreciar; e seria de desejar que a concorrência e animação de ontem não constituíssem uma nota excepcional, mas antes se repetissem diariamente, mostrando que o nosso publico já se interessa pelas coisas de arte e as sabe apreciar.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 3 set. 1911, p.6.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 3 set. 1913, p.7.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Realizou-se anteontem a inauguração oficial da Exposição Geral de Belas-Artes do corrente ano.

Compareceu o Sr. Presidente da República, acompanhado do Chefe da sua Casa Militar e do Sr. Coronel Andrews. S. Ex. fez uma demorada visita à Exposição, tendo sempre a seu lado o Sr. Lucilio de Albuquerque, membro da Comissão Organizadora da Exposição, e teve mais de mua [sic] vez palavras de agrado e satisfação pelos trabalhos expostos, dizendo, antes de se retirar que tinha prazer em exprimir o seu contentamento, vendo o progresso que de ano para ano notava nos nossos artistas, e no desenvolvimento e maior lustre que tomavam as exposições anuais realizadas no edifício da Escola.

Também estiveram presentes os Srs. Dr. Herculano de Freitas, Ministro do Interior, e Dr. Lauro Muller, Ministro das Relações Exteriores, que pareceram levar da Exposição as melhores impressões.

A enorme galeria, que está preparada com muito gosto, esteve até às 5 horas sempre cheia de uma assembleia seleta predominando o elemento feminino, que por mais de um motivo fez concorrência, prejudicial quase diríamos, aos quadros, desviando frequentemente deles os olhares.

A impressão geral que a Exposição deste ano produz em toso os visitantes é extremamente lisonjeira e honrosa para os nossos artistas, cujos esforços são dignos dos maiores encômios e requerem referências minuciosas e ponderadas que não podem ser feitas em uma notícia escrita quase sobre a perna.

Em notícias subsequentes, trataremos com individuação dos trabalhos da Exposição.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 3 set. 1913, p.7.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 30 ago. 1928, p. 10.

O SALÃO DE 1928 - OS PRÊMIOS - O Conselho Superior de Belas Artes terminou ontem os seus trabalhos concedendo, de acordo com as indicações dos júris respectivos, os diversos prêmios aos artistas que concorreram à XXXV Exposição Geral.

A Escola durante toda a tarde teve grande animação, sendo geral à curiosidade dos concorrentes e da generalidade do nosso meio artístico.

Damos a seguir a distribuição dos prêmios:

PINTURA - Prêmio de viagem: Candido Portinari. Pequena medalha de ouro: Theodoro Braga e A. Alves Cardoso. Grande medalha de prata: - Paulo Gagarin, Yvonne Visconti. Pequena medalha de prata: - D. Franzi Wilfer Horts [sic], Jordão de Oliveira, Francisca Azevedo Leão, Genesco Murta, Suzana Mesquita, Nelson G. Netto. Medalha de bronze: - D. Grace Adelaide West, Jaulo Rossi [sic], Schrader Volgen [sic], Lupercio Ferraz, João Zacco Paraná, Louise Visconti, Celso Kelly, J. Migueis. Menção honrosa de 1º grau: - Nicolau del Negro, Archimedes Dutra, José Jardim de Araujo, Natale Parisi, J. Sellinger, Flery [sic], Elaine Sanceau, Luiz Abreu, Rosalvo Simões, Aldo Bonadei, Francinet Alves, Roberto Rodrigues. Menção honrosa de 2º grau: - Alvaro de Almeida, Orlando Tarquinio, Yolanda Torres, João Fernandes, Renata Mounier.

PRÊMIOS DE ANIMAÇÃO: - Manoel Constantino e Orlando Teruz, 1:000$000. Cesar Turatti, Francisco Manna, 500$000. Prêmio Zeferino de Oliveira (1:000$000): - Cadmo Fausto. Prêmio Illustração Brasileira (réis 1:000$000): - Vicente Leite. Prêmio Galeria Jorge (500$000): - Nelson Netto. Prêmio Minerva (500$000): - Mario Nunes.

ESCULTURA - Pequena medalha de ouro: - Modestino Kanto, Zacco Paraná e Benter Bogdanoff. Pequena medalha de prata: - Umberto Cozzo.

Prêmios de animação: - Armando Braga 1:000$000. Paulo Mazzucchelli, 500$000. Prêmio Zeferino de Oliveira (1:000$000): - Yayá Castro.

GRAVURA DE MEDALHAS E PEDRAS PRECIOSAS: - Grande medalha de prata: - Calmon Barreto. Medalha de bronze: - Lucilia Ferreira. Menção honrosa de 2º grau: - Adolpho Hengerbuhler [sic].

Prêmios de animação: - Prêmio Zeferino de Oliveira (1:000$000): - Francisco Gomes Marinho, Calmon Barreto, 5000$000.

ARQUITETURA - Medalha de bronze: - Antonio Virzi. Menção honrosa de 2º grau - Mario Fertin de Vasconcellos e Paulo Candiota.

Prêmios de animação: - Roberto Magno de Carvalho. (1:000$000). Premio Zeferino de Oliveira: - Elisiario Bahiana, 1:000$000.

GRAVURA E LITOGRAFIA - Menção honrosa de 2º grau: - Mario Doglio.

"Prêmio da Cidade", instituído pelo Conselho Municipal: - Armando Magalhães Correia, 15:000$000.

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Hoje, às 16 horas, no salão nobre da Escola, o Professor Adalberto Mattos realizará a sua anunciada conferência sobre "Zeferino da Costa e sua obra".

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 30 ago. 1928, p. 10.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 30 ago. 1929, p. 5.

OS PRÊMIOS DO "SALÃO" - Sob a presidência do Sr. Dr. Viana do Castello, Ministro da Justiça, reuniu-se anteontem o Conselho Superior de Belas Artes, o qual, homologando os pareceres dos diferentes júris da XXXVI Exposição Geral de Belas Artes, resolveu conferir os seguintes prêmios:

Prêmio de viagem - Calmon Barreto, pelo trabalho 275 "Índio" gravura e buril.

Arquitetura - Affonso Riedy [sic] e Gerson P. Pinheiro, pelo trabalho n. 319 - "Anteprojeto de uma residência" - Menção honrosa de 1º grau e o prêmio de animação de 1:000$000. Paulo Candiota e Evaristo Sá, pelo trabalho n. 323 - "Anteprojeto para a sede da Universidade de Minas Gerais - Belo Horizonte" - Menção honrosa de 1º grau e o prêmio "Casa Minerva" - 500$000.

Escultura - Magalhães Corrêa, pelo trabalho n. 240 "Luta selvagem" (grupo do Chucro em luta com um casal de jaguares) - Grande medalha de ouro. Samuel Martins Ribeiro, pelo trabalho n. 255 "Femme nue" - Pequena medalha de ouro. Alfredo Herculano, pelo trabalho n. 14 "O trabalho". Quirino Silva, pelo trabalho n. 251, J. S. Bach e João Ferri, pelo trabalho n. 230 "Raios de Sol" - Pequena medalha de prata. Achilles Araujo, pelo trabalho n. 209 "Sabedoria" - Menção honrosa de 1º grau. Ugo Bertazzon, pelo trabalho n. 260 "A orientação" - Medalha de bronze. Alfredo Herculano, prêmio de animação - 2:000$000. Yayá Castro, no trabalho n. 263 "A primeira observação de H. Natural" - 1:000$000. Quirino da Silva, com o trabalho n. 251, prêmio "Casa Minerva" - 500$000.

Gravura de medalhas e pedras preciosas - Lucilia Ferreira, com o trabalho n. 301 "Sra. Anna Amalia de O. C. Mendonça" e Walter R. Toledo, no trabalho n. 307 "Othon Plaisant" - pequena medalha de prata. Adolpho Hungerbyeler, com o trabalho n. 269 "Calmon Barreto" - Menção Honrosa de 1º grau. Prêmio de animação - Francisco Gomes Marinho, com o trabalho n. 231 "Provas de sinetes gravados em pedra" - 1:000$.

Gravura de Litografia - Mario Doglio, com o trabalho n. 314 e Otto Puante [sic], com o trabalho n. 317 "No parque" - Medalha de bronze. José Suarez, com o trabalho n. 313 "O Riachuelo em Buenos Aires" (água forte) - Menção honrosa de 1º grau.

Pintura: Armando Vianna, trabalho número 198 "Banho matinal" e Paula Fonseca, trabalho n. 157 "A face do gigante que dorme" pequena medalha de ouro; Bernardino Pereira, trabalho n. 28, "Auto-retrato" e Vicente Leite, trabalho n. 201 "Dois irmãos e Gávea", pequena medalha de prata. A. Scavone, trabalho n. 2, "Descanso de carroceiros"; Archimedes Dutra, trabalho número 23, "Raios de Sol"; Henrique Manzo, trabalho n. 85 "Convalescente"; João Fernandes Ribeiro, trabalho n. 100, "A féria do dia"; Orlando Tarquinio, trabalho n. 143, "Solar século XVII" (Santa Isabel) e Alberto Guignard, trabalho n, 7 "Santa Glorinha Strobel", medalha de bronze; Gustavo Rheigantz, trabalho n. 72 "Minha colega Tita"; Lucilia Fraga, trabalho n. 114 "Rosas" e "Salvador Sabaté", trabalho n. 183, "Yo y Katusca", menção honrosa de 1º grau; Achiles Araujo, trabalho n. 4 "Paisagem" e Ignez Corrêa da Costa, trabalho n. 92, "Retrato", menção honrosa de 1º grau.

Prêmios de animação: - Jordão de Oliveira, trabalho n. 106, "Paisagem", 2:000$000. Joaquim Rocha Ferreira, trabalho n. 103 "Volta do trabalho", 2:000$000. Manoel Faria, trabalho n. 123 "Lagoa Rodrigo de Freitas", 1:000$000. Cadmo Fausto, trabalho número 51, "Cócegas", 1:000$000. Prêmio "Pocopio [sic] Ferreira", 2:000$000, ao trabalho número 11 "Gulosos", L. F. de Almeida Junior. Prêmio "Maria Pardos", 1:000$000, ao trabalho n. 170, "Meu pai", Quirino Campofiorito. Prêmio "Ilustração Brasileira": 1:000$000, trabalho n. 201, "Dois irmãos". Vicente Leite. Prêmio "Galeria Jorge" 500$000, trabalho n. 66 "Cenas de praia", Gastão Formenti. Prêmio "Minerva", 500$000 ao trabalho n. 47, "Feira do Norte", Euclides Fonseca.

Prêmio da cidade, Pedro Bruno, pelo trabalho n. 165, "Verão".

Quanto à "medalha de honra" de acordo com o voto dos expositores resolveu ainda o Conselho não conferir o aludido prêmio no corrente ano.

Tendo o Governo resolvido criar mais um "Prêmio de viagem", dependendo isso da abertura do crédito necessário, foi o mesmo conferido ao expositor da seção de pintura, Sr. Jordão de Oliveira, pelo trabalho n. 106 - "Paisagem".

- "O Rio de Janeiro no tempo dos vice-reis", será o assunto da conferência que o Sr. Luiz Edmundo realizará hoje, às 17 horas, no salão de honra da Escola de Belas Artes.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 30 ago. 1929, p. 5.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 31 ago. 1915, p.5.

A Comissão Diretora da XXII Exposição Geral resolveu que o atual certame seja prorrogado até o dia 15 de Setembro próximo.

Quinta-feira, 2 de Setembro, às 16 horas, realizar-se-á, no terraço do Templo de Vesta, a conferência do Dr. Gregório da Fonseca, cujo tema é "Artes e artistas".

A exposição acha-se aberta diariamente, das 10 às 17 horas, até o dia 15 de Setembro, nas mesmas condições quanto ao preço de entrada.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 31 ago. 1915, p.5.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 4 out. 1907, p. 5.

Da seção de pintura da Exposição pouco resta a dizer.

Augusto Luiz de Freitas, que se acha na Itália e tem trabalhado muito, não mandou o melhor dos seus trabalhos.

A sua Família Pobre é um quadrinho de gênero, pintando uma cena de interior bastante comum, bem feita, mas desagradável de cor. O Inverno parece ter a nota exata e a Rua da Aldeia é um instantâneo em que a cor é muito desmaiada.

Não falta cor, porém, aos seus sete vibrantes estudos de paisagem, alguns demasiado sumários e imprecisos, nos outros bem interessantes. Augusto de Freitas deve breve voltar à pátria e podemos então contar com uma exposição mais completa.

O Sr. Felix Bernardelli é representado por duas pequeninas aquarelas, bem manchadas e com bastante cor.

O Sr. Aurelio Zimmerman é um nome que aparece pela primeira vez no catálogo da Exposição, mas que nele não faz somenos figura.

O seu quadro a óleo - Um drama no campo - é bem feito. A paisagem é bem pintada e bem iluminada; a figura do cavaleiro caído está bem colocada e dá bem a impressão de um morto, e o cavalo é bem desenhado e justo no modelado e na cor.

As duas gouaches são também tocadas por quem sabe desenhar e sabe empregar esse processo.

O Sr. Carlos [...] [?] também aparece pela primeira vez este ano, e mostra aptidões que, com estudo e a boa direção que tem, podem levá-lo longe.

Outro nome novo é o do Sr. Mario Navarro da Costa, que expõe uma grande marinha.

Neste há erro no desenho dos navios e pequenas embarcações e a água não tem movimento; mas a cor é limpa e agrada-nos a preferência por um ramo da paisagem tão atraente e que devia merecer dos nossos artistas mais simpatia do que eles lhe tem dado.

É muito mais numeroso este ano o grupo de senhoras que expõem; mas infelizmente quase todas parecem mal guiadas e apresentam trabalhos que não interessam nem pelo assunto nem pela fatura.

A Sra. Marguerite Daum, que já foi premiada em anterior exposição, tem um retrato de homem com qualidade de claro-escuro e expressão, e dois estudos de paisagem, pintados com certa largueza.

A Sra. D. Beatriz Pompeu Camargo, discípula de Oscar Pereira da Silva, tem um quadro, Bombons e licor, que mostra que qualquer assunto serve para se revelar aptidão e adiantamento. É de esperar que em futuras exposições essa amadora apresente trabalhos em que as qualidade de fatura ora reveladas sejam melhor aproveitadas.

A Sra. D. Rachel Boher tem estudos de paisagens bem observados com certa justeza de cores.

Raul mereceria uma menção à parte pela sua engraçadíssima exposição. Os seus pequenos [...] burlescos, bem lançados e sugestivos, empolgam pelo imprevisto e pelo bem apanhado a propósito. É impossível deixar de parar diante deles e não sentir os efeitos cômicos do seu humorismo.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 4 out. 1907, p. 5.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 4 set. 1903, p.3.

Antes de falar das seções de pintura e escultura da Exposição de Belas-Artes, seja-nos permitido tratar em primeiro lugar daquilo que constitui por assim dizer a novidade da exposição deste ano e que constitui a tentativa da criação de uma indústria artística que merece ser bem acolhida pelos elementos superiores de vida que tem no Brasil.

O artigo, que abaixo se segue e que é da pena de um ilustre amador dado a estudos de cerâmica, mostra de um modo brilhante o valor da obra do Sr. Elyseo Visconti.

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A cerâmica nacional na Exposição das Belas-Artes - Na seção de artes aplicadas acham-se expostos alguns vasos e pratos de cerâmica nacional decorados por Elyseo Visconti e queimados e esmaltados na manufatura dos Srs. Ludolf & Ludolf. Escusado é dizer que pela novidade e adiantamento dos estudos deste ramo de arte, tão interessante e novo entre nós, esta seção mereceu especiais atenções e despertou os comentários mais festivos e animadores às louváveis tentativas dos distintos expositores.

Não se trata por ora de trabalhos que pretendam refletir o grau atual do progresso das artes cerâmicas. A técnica já da confecção dos objetos, isto é, da parte essencialmente cerâmica, que compreende a composição e queima das pastas e dos esmaltes, já da parte especialmente decorativa, está ligada de maneira singular aos progressos realizados pela mecânica, pela química, pela física e pelas belas-artes, e não é de um golpe que se pode atingir este conjunto de conhecimentos.

Os expositores apresentaram-nos conscienciosamente sob o título de ensaios, e é justamente considerando-os como tais que apreciamos o relevo que poderá tomar em nosso ambiente a arte inaugurada. Não há naqueles trabalhos preferência definida por qualquer dos estilos ou dos gêneros de decoração que caracterizaram a cerâmica de qualquer país da Europa ou do Oriente e que aos espíritos conhecedores desse gênero de arte revelam de pronto a sua origem; há, entretanto, e felizmente, alguma coisa que vale mais do que isto: é o cunho de originalidade, é a expressão de gosto individual e é o aproveitamento dos recursos encantadores e inesgotáveis da flora nacional como motivo decorativo. Só esta preocupação, desenvolvida com talento, gosto e critério, é bastante para criar uma nova indústria artística capaz de um grande progresso e apta a conquistar honrosa colocação entre os mais preciosos produtos da inteligência humana, confrontados mesmo com os trabalhos mais apurados dos artistas do velho mundo.

O belo quando é original salva-se infalivelmente da condenação de esquecimento que recai sobre as obras vulgares, e fica prolificando preciosos benefícios à humanidade, e nesses ensaios já se encontra incontestavelmente beleza e originalidade.

As composições são muito felizes, as pinturas dotadas em geral da necessária clareza, e quase todas traçadas sobre fundo branco, sem a preocupação dos variados recursos deslumbrantes dos decoradores de faiences [sic], que tanto maravilham pela harmonia das cores, pela complexidade dos processos e truques engenhosos de decoração, muitas vezes emprestada por outras artes, mas, muito mais do domínio da indústria que do interesse stricto da arte.

Nota-se que ainda não está completo o estudo do jogo do pincel na pasta cerâmica; há pequenas falhas, há cores desmaiadas que indicam que não está bem conhecida a posage das tintas para dar, após a fusão do esmalte, o tom imaginado pelo artista.

A aprendizagem desta técnica vale muito, é mesmo necessária, mas não constitui o problema principal na fase inicial da arte cerâmica: é uma questão exclusivamente de ensaios e de paciência. O que ali está tão encantadoramente expresso é justamente o essencial na arte: inspiração própria, traço de uniformidade entre as decorações, que revela um determinado objetivo, apropriação dos motivos decorativos ao ramo característico de arte e as formas dos objetos ornamentados.

Um vaso, um copo, um prato não são quadros, sobre os quais a natureza deva ser representada com suas sombras, suas perspectivas.

Na pintura a tela deve inteiramente desaparecer para dar lugar a cena que o pincel deve reproduzir; mas bem diferente é o fim do decorador em cerâmica: o objeto principal que é necessário por em relevo é o próprio vaso, o copo, o prato. Os Chineses e os Japoneses o compreenderam melhor do que todos os artistas do Ocidente, e daí a primazia indisputável da sua cerâmica nas melhores exposições do mundo. Eles não ignoram mais do que os outros, diz Emile Jouveaux, as regras da perspectiva e do modelado, como mostram seus álbuns, seus retratos, suas miniaturas, mas evitam fazer uma aplicação desajeitada destes conhecimentos sobre objetos que devem ser ornados e não absorvidos pela decoração. Eles procuram simplesmente embelezar os vasos, fazer valer suas felizes proporções, a pureza de seus contornos, seduzir os olhos pela beleza e vivacidade das cores.

Nunca teriam a ideia de reproduzir sobre um vaso ou sobre um copo a obra-prima de um grande mestre; em uma palavra, eles não confundem a arte decorativa com a arte expressiva, ou a pintura propriamente dita.

Ao que nos parece, Visconti inspira-se de preferência nestes princípios e é assim que não procurou fazer quadros com os seus vasos e pratos e só se preocupou de dispor de maneira mais vantajosa para eles os seus elementos decorativos.

A parte especialmente cerâmica, executada pelos Srs. Ludolf, revela um grande adiantamento.

A pasta é muito clara e o toque indica consistência, a textura é extremamente cerrada, os esmaltes tem um brilho e uma transparência que os assemelham aos de quaisquer das faiences europeias.

Quem tem conhecimento da técnica dificílima das artes cerâmicas e da sua especial e absoluta dependência dos princípios da química, a ciência das maravilhas e das surpresas, pode bem avaliar o que de labor paciente e constantes ensaios não terá custado aquele bom resultado.

No conjunto, é uma tentativa digna [...] maiores louvores o que não deve ser votada [...] indiferença.

É de esperar que os nossos artistas se proponham a colaborar esforçadamente na aclimatação desta interessante arte entre nós, elevando […] à altura de seus belíssimos talentos, e junta[...] mais uma página curiosa à historia das artes nacionais.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 4 set. 1903, p.3.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 4 set. 1904, p.4.

Exposição Geral de Belas-Artes - Um escritor francês, Paul Gsell, na Révue de junho do corrente ano, ataca, em um artigo de grande pessimismo, os dois Salões parisienses, que diz concorrerem para a decadência atual da arte francesa.

Diz o articulista que a causa desse fato é o propósito que tem os principais artistas franceses de só expor grandes quadros, em que, pelas suas cores violentas, pela sua fatura brutal e panorâmica, pelos reflexos fulgurantes que de si lançam, pelos temas que falam à sensibilidade artificial do público, procuram obter facilmente efeitos que empolguem o público, principalmente o público que compra.

Isso prejudica obras menos vistosas, mas inquestionavelmente muito mais artísticas, que passam despercebidas no meio dessa enorme aglomeração de grandes máquinas, já [...] preparadas, a chamar sobre si a atenção dos visitantes.

Outrossim, como esses Salões são dirigidos por corrilhos de artistas que só miram, de combinação com os mercadores de quadros, tornar cada vez maior a procura dos seus produtos e dificultar a entrada no mercado de novos concorrentes, envidam todos os esforços para obstar a que se façam conhecer os artistas novos, de talento real e de sinceridade e independência de sentir.

Lembrávamo-nos desse artigo ao percorremos a nossa atual exposição; e, a proporção que íamos examinando os trabalhos ali expostos, a franqueza com que foram recebidos quadros de todos os gêneros, a maneira como se deixava, pela colocação de seus trabalhos, que os novos artistas demonstrassem impressivamente as qualidades, reconhecíamos, guardando as devidas proporções do meio, quão descabidas seriam entre nós as considerações do escritor francês.

Realmente, no nosso salão atual não são precisamente os pintores já feitos os que apresentam quadros os que, ou pela suas proporções ou pela sua combinação cromática, despertam e atraem as vistas os visitantes, nem tão pouco se exilaram para regiões altas e escuras, onde não pudessem ser descobertos e devidamente apreciados, trabalhos de artistas que ora começam a expor.

Dirão talvez os pessimistas que é isso devido à diferença de meios, principalmente a não existir ainda um mercado de obras de arte entre nós e por isso não haver razão para essas rivalidades, para esse receio da concorrência, para essa guerra a novos competidores. Seja como for, a verdade é que, na Exposição Geral de Belas-Artes, reinou a maior catolicidade na admissão das obras, e que, a não ser devido a grosseiros defeitos de execução, não se recusaram ali trabalhos de artista algum, qualquer que seja a escola em que se filie, qualquer que seja o ideal por ele abraçado.

Não é esta a primeira vez que temos tido ocasião de fazer semelhante observação. E é essa diversidade de obras, essa variedade de demonstrações estéticas que tornam tão interessante a nossa exposição, que contem na realidade uma porcentagem bem regular de obras de merecimento, em uma produção já bastante numerosa, dadas as condições pouco favoráveis do nosso meio.

Deve antes causar admiração que, sem termos ainda semelhante mercado de obras de arte, se possam fazer todos os anos exposições reunindo trabalhos que representam esforços sérios de artistas que, pela animação que recebem, dão prova de grande abnegação.

É realmente desconsolador, em vista da soma de labor, de esforço de dispêndio de talento e de estudo que representa uma exposição, verificar que o público em geral nem sequer vai vê-los quanto mais adquiri-los.

Compreende-se que, se todas as obras ali expostas fossem de somenos valor, seria rematada loucura querer que fossem apreciadas; mas isso não se dá; há ali uma boa porcentagem de trabalhos que não deslustraria a ninguém tê-los na sua casa.

A Exposição merece ser visitada uma e muitas vezes. Se a média geral não é de trabalhos excepcionais, nem o poderia ser em um agrupamento de cerca de 260 obras de arte, número já bastante elevado para o nosso meio, há ali muitas coisas excelentes e considerável variedade de esforços.

Ainda este ano o Sr. Henrique Bernardelli se impõe logo à atenção do visitante com uma série de trabalhos em que confirma a superioridade com que trata a figura.

Com duas pequenas exceções, toda a sua exposição deste ano consta de retratos, cinco em número e todos na sua melhor maneira. A sua obra deste ano é um triunfo da virtuosidade deste mâitre-peintre, e na pintura de retrato parece ter culminado com o de Arthur Napoleão.

Proficientemente tratado, o perfil do insigne pianista recorta-se tranquilamente no fundo escuro, produzindo impressão serena e agradável, com o olhar vago na expressão de abstração tão comum ao grande músico. O artista, sentado ao piano, e a mão direita descansada sobre o teclado, é visto apenas em busto, em virtude do corte longitudinal do quadro.

A composição cromática do fundo, com seus pretos quentes, dá singular relevo de figura e faz lembrar um dos grandes mestres italianos. Olhando-se para este retrato, só se vê emergir vigorosamente a figura de Arthur Napoleão, e a excelência de execução faz esquecer a própria técnica.

Junto ao retrato de Arthur Napoleão, está o do professor Brocos (33), feito a pastel, e de tamanho menor.

É só a cabeça do distinto artista que se destaca de um fundo arroxeado, com singular força de modelado e felicidade de expressão, em uma fisionomia de difícil translação. É uma bela afirmação dos recursos técnicos de Bernardelli e quadro que entre muitos goza de primazia.

O retrato da senhorita Amoroso Lima (n. 31) é pequena e adorável tela em que a figura infantil da pequena retratada tem a ingenuidade e a inocência próprias da sua idade.

Os outros dois são pintados ao ar livre e revelam observação precisa e exata dos efeitos de luz e modo admirável como foram vencidas as dificuldades peculiares a este gênero de trabalho.

O retrato da Sra. Oliveira Lima (n. 30) é um quadro interessantíssimo pelo seu arranjamento, pela profusão de luz que o inunda, pela harmoniosa combinação das cores e pela graça e destaque que tem a figura, elegante e donairosamente sentada naquele ambiente cheio de sol.
O do Dr. Alberto de Faria (n. 32) também em corte longitudinal, apresenta o retratado em vestes de passeio, sentado na varanda da sua casa de Petrópolis, e conquanto igualmente ao ar livre, é feito em uma luz mais baça: o tom desse retrato é difícil, por isso chama a atenção a maneira como foi executado. A pose é cheia de despreocupada naturalidade; a exposição é boa, bem apreendidos os característicos da fisionomia do retratado.

Dos dois quadros de gênero que o Sr. Bernardelli expõe, ambos em aquarela, um - o Extasis (n. 28), já é nosso conhecido e a ele nos referimos por ocasião de falar da Exposição dos Aquarelistas. O outro - Como faria Casals (27), é habilmente concebido e executado. Representa um velho músico abraçado ao seu violoncelo, e perplexo sobre a interpretação que deve dar a algum trecho de música. Pergunta-se nessa conjuntura como o violoncelista Casals, que acaba de nos deixar, o faria; e a fisionomia do violoncelista (o mesmo modelo que serviu para os quadros Extasis e Avarento, este de propriedade do Dr. Rego Barros), tem a expressão apropriada.

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Foi ontem adquirido pelo Sr. Arthur Vieira da Costa o quadro n.18 - Fonte da Saudade, original do Sr. João Baptista da Costa.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 4 set. 1904, p.4.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 4 set. 1907, p. ?

O Sr. Henrique Bernardelli, o mestre incontestado, ainda este ano faz uma das primeiras, senão a principal figura da exposição.

Concorre com cinco trabalhos, todos no difícil ramo de arte do retrato, em que tantas obras-primas legaram artistas como Ticiano e Raphael, Rembrandt e Velasquez, Franz Hals, Holpeiu [sic], Van Dyck, David, Millais e Lembach, para só falar dos mortos.

O Sr. Bernardelli é, pode-se bem dizer, um realista: os seus retratos têm a grande qualidade de ser, sobre [...] semelhantes, dando o caráter próprio dos retratados.

O Sr. Bernardelli procura representar os seus modelos com verdade, tais quais são, sem a preocupação da técnica, sendo que neste particular a sua execução vai se tornando de ano para ano mais simples, sólida e segura.

Com exceção do retrato do Sr. Visconde de T. de C., que está de casaca, claque e luvas, e tem o peito ornado de muitas condecorações, os seus retratados estão com os vestuários que usam comummente na vida diária e sem acessórios inapropriados.

São pintados com grande harmonia de cor, perfeitamente iluminados, e revelando hábil disposição das massas.

Os seus fundos, quase todos castanhos escuros, ou avermelhados, quentes, se a alguns podem parecer [...] para o artista uma espécie de maneira, são esplêndidos repoursoirs [sic] que fazem as cabeças dos seus retratados destacarem-se com grande relevo e vigor.

O retrato do Sr. A. C. (n. 25), de pequena proporção, de quatro quintos do corpo em pé encostado no espaldar de uma cadeira de assento e costas de couro, é o que mais tem agradado e vê-se que foi pintado exclusivamente para o artista se contentar a si próprio, num desses momentos de satisfação artística que o grande Joshua Reynolds tanto aconselhava como uma expansão necessária e um exercício salutar.

Foi pintado com supremo carinho, com grande cuidado no modelado da cabeça e no desenho das mãos, numa execução segura e franca que conseguiu dar toda a frescura de uma primeira impressão.

A fisionomia do retratado, muito bem apanhada na sua expressão característica, nem falta aquele ligeiro toque caricatural com que muitos artistas eminentes emprestam a essa expressão maior intensidade.

O retrato do Sr. Dr. J. B. O., corpo inteiro, tamanho natural, de sobrecasaca, de pé, no seu gabinete de trabalho, é um sólido trabalho de pintura sóbria e séria.

O artista concentrou a luz mais forte na cabeça deixando tudo o mais em uma penumbra relativa, e nessa cabeça, bem arquitetada, forte e expressiva, talvez falte apenas aquele toque a que acima nos referimos, para dar um pouco mais de mobilidade de expressão a uma das naturezas mais irrequietas que conhecemos.

No retrato do Sr. V. de T. de C., um tanto de parade como se dizia antigamente, parecia difícil de se conseguir um resultado artístico pela sua composição; o pintor, entretanto, não se mostra desigual, principalmente pelo modo fino como modelou a cabeça do ilustre advogado.

Ainda nos retratos, meio corpo, dos dois distintos militares, o artista soube-se manter no mesmo nível. Os dourados e os encarnados dos uniformes não quebram a tranquilidade de efeito, nem enfraquecem o vigor das fisionomias.

Em suma, um conjunto de obras valiosas de um artista que de ano para ano consolida e fortalece a posição invejável que conquistou no nosso mundo artístico.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 4 set. 1907, p. ?

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 4 set. 1909, p. 4.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Ao começar a nossa notícia de ontem, escrevemos que íamos fazer um "apressado" resumo de impressões. Em vez desse tímido adjetivo, o que saiu no jornal foi "apurado". Lavramos, pois, em defesa da nossa modéstia, tão cruelmente ferida, este protesto, cuja veemência toda a gente compreenderá.

O Sr. Henrique Bernardelli, "o nosso retratista nacional" - como diriam os Franceses se o artista fosse Frances - expõe quatro exemplares desse gênero que nos últimos tempos o tem quase completamente absorvido. O do Comendador Julio Cesar de Oliveira, verdadeira "máquina" de consagração para a galeria de Ordem Terceira, representa bem a maneira geral do artista, o paciente capricho do seu detalhe, o rigor do modelado que lhe merece sempre tão consciencioso e aplicado interesse. O retrato é apenas o rosto, pois que o mais se perde numa casaca e numas calças como todas as outras, empertigadas na pose clássica dos beneméritos, diante dum móvel rico de confraria. Mas esse rosto é uma das mais vigorosas, expressivas e bem acabadas obras de arte que já produziu o pincel magistral do artista. Outro retrato, o do Dr. José Prestes, obedece a outra espécie de cuidado e maestria; tem outra intimidade, outra interpretação típica; e na fisionomia, na larga testa saliente, no olhar que tem o misto de firmeza e nonchalance dos temperamentos fortes e contemplativos, no [...] da boca surpreendido num golpe do pincel vibrante - refletem-se bem os traços dominantes da psicologia do retratado. O n. 16 é mais um bom retrato na galeria do Sr. Bernardelli; o n. 18, uma nota fugitiva da qual o artista fará, quando quiser, outro bom retrato. E não passaremos adiante sem prestar aqui a devida homenagem ao espírito travesso e repentista de uma senhora, ou antes moça, aluna da Escola, talvez e com certeza leitora do Paiz...

Mademoiselle Três Estrelinhas? exclamou ela, depois de consultar o catalogo - Deve ser da família do Souza Lage.

O Sr. Brocos, modesto no nome e, honra lhe seja, no juízo que parece fazer de si próprio, dá-nos quatro telas, a mais ampla das quais se intitula A Ideia. É um assunto grandioso. Mete [sic] céu e mar, cenário infinito como a aspiração que nele se veio abrigar. Um poeta - ou um filósofo, pouco importa - a meio da sua lucubração, invoca o espírito protetor sobre a sua cabeça, o espaço enche-se da visão de Deus que estende o gesto magnífico e ao mesmo tempo, inspira e abençoa. O n. 19 reproduz uma velha cena veneziana, contra uma fachada de palácio, corretamente arquiteturada. Os outros dois trabalhos são: um trecho de proa de navio, onde alguns indivíduos dormem e outros jogam cartas (Imigrantes) e o retrato de Mme. D. C., tipo andaluz, garridamente vestido duma toilette vermelha.

O Sr. Giuseppe Brugo está por pouco tempo, dizem-nos, no Brasil. Que pena! Devia ficar. Mas as suas Velhas pedras de Jerusalém e o seu Retrato ficarão, de certo, e com orgulho quase lhes poderemos chamar "nossos". A cor vetusta daquelas pedras que ouviram as preces de muitas gerações; aquele ambiente, em que se sentem errar todas as tradições duma fé e duma raça; as diversas atitudes daquelas figuras que rezam, ou se encaminham enlevadamente para o voto ou voltam, com a consciência satisfeita e o coração dulcificado - tudo isso se harmoniza e casa, peregrinamente. E a exatidão, a flagrância dos detalhes é empolgante: uma só das figuras, a última da direita, por exemplo, amarfanhada contra o muro, deixando pender a cabeça na humildade da súplica, bastaria para traduzir o sentimento profundo e concentrado que domina todo o quadro.

O retrato é belíssimo. A seda preta do vestido enruga-se, fofa e leve, em torno do busto: nos cabelos, vê-se a pressão recente do ferro de frisar; há outras minúcias felizes; e a fisionomia de rosado delicadíssimo, acusa uma bondade e uma distinção que não deixaram, de certo, de impressionar o artista, pois que tão expressivamente ele as faz transparecer.

O Velho Colono, do Sr. Pedro Bruno - que se dedica igualmente à pintura e à música - revela certas qualidades simpáticas e dignas de mais amplo cultivo. O Recanto da Ilha Porchat, do Sr. Marques Campão, mostra que esse artista não aprendeu ainda a distribuição e harmonia das cores que lhe saem da paleta um tanto cruas e pesadas; mas, por outro lado, apresenta, bem como os seus outros dois trabalhos, Aracy e Saudosa, apreciáveis qualidades de observação e desenho. A Sra. Carlota Gondolo Laboriau abordou um assunto romântico, os Inseparáveis na miséria, que vem a ser um velho, talvez faminto e desiludido, para o qual se voltam os olhos fiéis de um cão perdigueiro. A Sra. Cecilia Direndl [sic] mandou três quadros de flores: o n. 31 mostra-nos alguns crisântemos, excessivamente pinturilados; o n. 30 são algumas lindas rosas, dispostas com muito gosto e em cujo conjunto se salientam certos toques delicados, agradabilíssimos ao olhar; de rosas também - e dele se pode dizer a mesma coisa - o n. 32.

O Sr. Rodolpho Chambelland é um moço de incontestável talento; e o seu Retrato, parecendo embora ter sido feito em condições desfavoráveis e espinhosas, não prejudica o conceito em que já nestas colunas declaramos ter o artista.

O Cair da Tarde, do Sr. Christoffe, revela uma fantasia ardente e patética, a qual não faltarão, sem dúvida, admiradores. Os seus outros quadros são trechos de floresta, onde as ramadas exuberantemente se entrelaçam, desenhadas com certa preocupação de minúcia, que nem sempre favorece o conjunto - e uma volta do rio Paquequer, sítio aprazível em que o pintor se deleitou e que fielmente reproduziu.

O Sr. Coelho de Magalhães apresenta uma Cabeça, simpática cabeça de matrona portuguesa, com o seu lenço de cores vivas, as suas arrecadas e o seu cordão de ouro, e um ar, carinhosamente interpretado, de avó de aldeia, doudinha pelos netos. A outra tela do jovem artista, intitula-se No atelier; um pintor abre em ramos de compasso curvo, à altura dos olhos, o polegar e o indicador da mão direita, para medir a cabeça do modelo nu, um velho com a resignação passiva de todos os modelos. A anatomia deste modelo é bastante dura; e a luz do recinto menos bem definida; outros defeitos se poderia talvez indicar ainda, mas nunca eles seriam de vulto a invalidar a promissora tentativa do Sr. Magalhães, que, por um estudo metódico e bem orientado, virá a tornar-se um belo artista.

O Sr. Crotti, com as suas impressões de Cascais e do Monte Estoril, revela evidentes progressos em relação aos seus trabalhos do ano passado, que já lhe valeram uma menção honrosa do primeiro grau. Seu outro quadrinho, Mon modéle, é uma excentricidade.

E findaremos hoje com o Sr. Dall'Ara, que apresenta quatro estudos a fusain, corretamente desenhados.

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O quadro do Sr. A. Luiz de Freitas, Prenda de Noivado, foi adquirido pelo Senador Arthur Lemos; Riacho, do mesmo autor, pelo Sr. J. Velloso; o Fazendo horas, do Sr. F. Manna, pelo Tenente Gregório da Fonseca.

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A Paisagem (Tijuca) a que ontem nos referimos, é da Sra. Anna Fernandes da Costa.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 4 set. 1909, p. 4.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 5 set. 1906, p. 2.

Belmiro de Almeida, que há anos andava arredado das nossas exposições, como arrufado com todos nós, com o público, os colegas e os pobres rabiscadores de coisas de pintura, que tanto o admiramos e o estimamos, humanizou-se este ano. Quanto ele se dispõe a fazer as coisas, as faz logo bem feitas; compareceu à Exposição com trabalhos, que logo de golpe o sagraram o triunfador do ano.

Com uma coquetterie que não deixa de assentar em quem vive a estudar esse ente complexo de garridice e de inesperadas surpresas que é a mulher, já nos havia mostrado o Sr. Belmiro o pequeno e fino quadro humorístico que intitulou Beijos e o pequenino e delicioso busto em bronze, exibindo mais uma face atraente do seu tão individual e delicado talento.

E enquanto os que conhecem as suas admiráveis faculdades lamentavam que ele mandasse dois brinquedos - embora pequenas joias pelo esmero artístico - quando podia fazer obras de vulto, ele surpreende, emudece e empolga a todos com os dois trabalhos alçados no correr do dia da abertura da Exposição - La Dame à La Rose e Amuada.

O primeiro, essa esguia e elegante figura de mulher jovem e nervosa, vestida de preto, que parece atravessar a tela, com a mão direita brincando com o rosário de contas negras e a esquerda empunhando uma rosa príncipe-negro, enquanto volta à cabecinha entontecedora, traz-nos à idéia com o seu riso petulante os versos de Gabriel Mourey à Parisiense:

"Fleur de luxe dans le décor du Bois givré,

Toute de grace fine et de charme, elle passe

Onduleuse, eventant le chaud parfum poivré

Des fourrures et de sa peau par l'air qui glace..."

Realmente, é uma dessas sereias modernas, aquela figurinha delgada, - tão finamente graciosa, de um corpinho esbelto e delicado, apertado num corpete de veludo preto e numa estreita e elegante saia, - que se destaca do fundo amarelo cinzento com tão singular e profunda expressão de vitalidade.

Olha com uns formosos olhos negros, vivos e risonhos, nos quais a ingenuidade se casa com a malícia numa tão sutil combinação, que se não sabe qual domina a outra e onde a natureza cede o lugar à astúcia, mas cujo conjunto constitui um todo extraordinariamente fascinante, um ente profundamente perturbador e lançado neste mundo, como as sereias no mundo antigo, para a perdição dos homens.

Esse quadro de uma impressão empolgante, de tão aparente simplicidade, é uma magistral obra de arte, penetrante e saborosa, de uma fatura requintada, de singular delicadeza de toques, e que só um artista conhecedor de todas as sutilizas do pincel poderia empreender. Tem o encantamento que produzem as belas formas primorosamente interpretadas e feitas, como acontece com todas as boas obras de arte, com um estilo pessoal, difícil de descrever-se. Reconhece-se que se está diante de um mestre do seu ofício, um sólido cultor do desenho e um colorista delicado. O aspecto do quadro dá a mais profunda impressão de simplicidade e pouco esforço, que revela a grande arte do pintor. No entanto, para se fazer ideia do grande esforço, da soma enorme de conhecimentos e da técnica a um tempo segura e fina empregados pelo artista na realização dessa bela obra, basta examinar com atenção o modo como é pintado o fundo da tela, o amarelo-havana levemente sarapintado de encarnado, formando uma tapeçaria serena e tranquila; o desenho de algumas coisas como a cabeça, as mãos e certas minudências de detalhe, de acurada perfeição, tudo feito com grande requinte e delicadeza nos efeitos de modelado, de luz, sem quase sombras, e grande conhecimento e justeza de valores.

E em toda a súmula brilhante de qualidades técnicas, não falece a expressão espiritual, pois que o quadro é uma caracterização feliz de um tipo especial e apurado da mulher moderna.

O quadro menor - Amuada - não é menos encantador. Outro tipo parisiense, a sereia ainda em embrião, se assim nos podemos exprimir, com toda a sua ingenuidade nativa, sem ter ainda a forte dose de malícia, que torna a outra uma tentadora tão perigosa. É uma figurinha de menina, com um amplo chapéu azul, moderno, enfeitado apenas de uma rosa, com uma blusa branca de listras amarelas claras e saia de lã cinzenta clara. Está sentada à beira de um divã de seda amarela e todo o fundo do quadro é um arranjo de amarelo e branco Whistler denominaria esse quadro uma sinfonia em amarelo e cinzento.

A figura da menina destaca-se com muito relevo, com as mãos sobre o regaço, segurando uma dessas bolsinhas modernas de trama de prata. Olha para o chão, a carinha rosada, uma linda carinha com toda a frescura da juventude, retorcendo-se em um beicinho delicioso numa expressão de mau humor que não vai durar muito e mostra, entretanto, que esse botão facilmente se desabrochará em sorriso.

Essa pequena tela, fadada a agradar por igual aos artistas e aos leigos, não revela à primeira vista o menor esforço, na impressão de simplicidade que produz; mas aí também o exame aturado mostra a grande arte de Belmiro, o seu prazer nas minúcias de desenho, a delicadeza nas combinações da cores em que não há uma nota gritante, mas em que tudo se harmoniza, delicadeza de fatura sem empastamento de tintas, delicadeza de sentimento, produzindo tudo um belíssimo quadrinho, que é uma finíssima obra de arte.

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O Sr. Dr. Leopoldo de Bulhões, Ministro da Fazenda, acompanhado do Sr. Dr. Assis Brasil e senhora visitou ontem a Exposição Nacional de Belas-Artes.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 5 set. 1906, p. 2.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 5 set. 1913, p.6.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Novas visitas ao "Salão" atual não diminuem sensivelmente a impressão de que esta exposição é bastante superior às destes últimos anos.

Entretanto, concorre nele um fato que, não passando despercebido de quantos acompanham de perto o movimento artístico entre nós, lhe minora grande parte da graça e encanto. Muitas das obras expostas já foram vistas anteriormente em exposições parciais, de modo que, para aqueles que visitaram essas exposições, há muitas coisas que perderam o sabor da novidade.

Como, porém, na maior parte, estas obras possuem boas qualidades artísticas, estamos certos de que serão elas revistas com prazer por aqueles que já as conhecem.

Vamos agora citar algumas das coisas que mais nos impressionaram e que nos parecem dignas de ser lembradas.

Incontestavelmente o quadro que mais de pronto chama a atenção e a empolga, é o denominado "Baile à fantasia", do jovem artista Rodolpho Chambelland. É uma poderosa nota de cor, um magnífico espécime de técnica colorista executado com singular gosto e habilidade.

O tema desse quadro possui grande caráter local, e adapta-se completamente ao tratamento que lhe deu o artista, que soube interpretar com bastante felicidade o seu espírito popular. Nem lhe falta o sentimento de expressão amorosa e algo erótica da dança.

A sua vizinhança prejudica sobremaneira aos dois outros quadros que R. Chambelland expõe igualmente, retratos que são outros tantos trabalhos que o honram, pela maneira como são pintados, o do Dr. A. P. (n. 57), parecendo revelar vigorosamente o caráter do retratado, e da D. A. B. (n. 58), feito com singular cuidado e estudo, uma obra de fina técnica.

Já agora continuemos a examinar as obras dos artistas mais moços, que os mestres, como João Baptista, por exemplo, seguros da sua sólida supremacia, podem esperar serenamente que lhe vamos bater à porta.

O Sr. Carlos Oswald, que há pouco tempo fez com tão brilhante êxito uma exposição de obras suas, no próprio edifício da Escola, tem na exposição atual dez dessas obras, que anunciam um talento nada banal, um temperamento fino, sincero de expressão, assaz vigoroso e já possuidor de uma boa técnica.

Dos seus quadros, não sabemos qual preferir: o retrato do velho (n. 181), de uma grande simplificação que deveria ter dado muito trabalho ao artista; o fino retrato de moça ao piano (n. 185), o excelente estudo de nu e reflexos de luz (n. 178) [Imagem], ou o quadro que fica por cima deste. Qualquer deles é um belo espécime de uma arte nada comum e fará a delícia de quem o vier a possuir.
O próprio painel decorativo - "As forças da pátria" - faz boa figura com a sua nova colocação.

O Sr. Arthur Thimoteo da Costa expõe também um bom quadro de assunto carnavalesco [Imagem], mas cuja impressão não tem a alegria e a vibração do Sr. Chambelland.

É Pierrot que se recolhe pela madrugada, depois de uma noite passada em orgia. Pierrot arrima-se à parede, à espera que lhe abram a porta; sente-se que as pernas não lhe estão muito seguras e que a cabeça lhe pesa demais. Coberto de fitas e outros apetrechos carnavalescos, está ali ainda parado o automóvel que o trouxe. A cena é triste e desconsoladora, impressão que é bem traduzida pela tonalidade cinzenta da fria madrugada.

Bem pintado, esse quadro põe em distinta saliência o nome do jovem artista, de cujo futuro há muito a augurar.
O Sr. Eugenio Latour também expõe coisas já vistas, mas que servem para mostrar que ele possui desenho firme, modelado, justo e delicado mesmo, e uma cor que, se não é luminosa e abundante, não é suja, nem deixa de ter exatidão.
Reconhece-se certa sinceridade no que pinta, sendo de lastimar que nos seus estudos do nu, aliás bem feitos, não escolhesse modelos mais perfeitos.

O Sr. Carlos Chambelland expõe dois quadros de figura, um retrato do eminente Sr. Dr. Oliveira Lima e outro retrato poderíamos dizer, que ele intitula "La dame au gant".

Como pintura propriamente dita, não são mal feitos; mas, como retrato, o do Sr. Dr. Oliveira Lima é "manqué". É um tanto caricatural e ninguém, que o olhar, fará a menor ideia do retratado.

Já W. Burger dizia: "L'apréciation du personnage peint par l'artiste est pourtant nécessaire, lorsque qu'on étudie les qualités d'um portrait. Bien comprendre son homme est la prémiere qualité du portraitiste; bien peindre ne vient même qu'après".
Quem, diante daquele retrato em que as exuberâncias físicas do ilustre acadêmico estão pintadas com tamanho realismo, saberá reconhecer o escritor vigoroso, erudito e original, o conferencista vivo, expressivo e fino? Falta ao retrato o caráter do modelo. Demais, pelo modo como está pintada a mão trai-se o auxílio da fotografia.

O Sr. João Thimoteo tem dois quadros: um estudo de nu, duas figuras em tamanho natural, de costas, e um quadrinho de gênero - "O último toque" - um jovem escultor dando os últimos acabamentos a um pequeno gesso.
Gostamos mais do último, que tem certa graça.

A pintura de nus do tamanho do outro quadro do Sr. Thimoteo, principalmente com os modelos desgraciosos escolhidos por ele, demanda, para ser aceitável, um vigor de pincel que o jovem artista ainda não possui.
O Sr. Adolpho de Alvim Menge, discípulo de Barbasan, tem uma exposição muito numerosa e interessante. É um artista que caminha de vagar [sic], mas seguro.

Os seus quadros são dos mais agradáveis da exposição, pela feliz escolha de alguns dos seus temas, que ele ainda não consegue traduzir com o mesmo grau de sentimento com que lhe acodem à mente.

O quadro - "Serata d'onore" - que tem bom movimento, exigia uma execução mais desembaraçada e espontânea.
O quadro - "Sedução" - tem coisas bem feitas nos acessórios, mas a figura é mesquinha, faltando-lhe como foco da tela o vigor necessário para contrabalançar os outros efeitos.

O quadro - "Hidromancia" - que traz ao espírito a lembrança de Alma Tadema, é um mimo de concepção delicada e executado com certa finura.

Tem graça e flexibilidade a atitude da jovem, uma Grega com certeza, acompanhando com visível interesse as evoluções das pétalas n'água, à procura da solução de um enigma que indubitavelmente lhe toca o coração.

Não devemos esquecer o Sr. Gaspar de Magalhães, que tem um estudo - "Antes do banho" - feito com toda a consciência e que é muito interessante e um bom estudo, a carvão, de cavalos.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 5 set. 1913, p.6.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 6 out. 1906, p. 3.

Há na Exposição de Belas-Artes um pequeno quadrinho representando uma paisagem pernambucana, um coqueiro a desfolhar-se no primeiro plano; uma estrada por um areal, onde caminha um transeunte; umas mangueiras em planos secundários, no fundo a mata característica daquela região e uma nesga de céu.

O quadro não atrai à primeira vista nem pela sua tonalidade, que não é quente nem vibrante, nem pela sua fatura, que não é vigorosa nem larga.

Mas quem o observa de perto e com vagar nota que o seu autor não é um principiante nem um vacilante; a sua execução é um tanto amaneirada, mas com a firmeza de toque, a solidez de pincelada, a verdade de tons, de quem não é leigo na ciência dos valores nem bisonho nas regras do desenho. Se tudo é muito minuciosamente tratado, não há erros de desenho e tudo é pintado com a arte de quem sabe ver, e transmitir de modo agradável a impressão que a natureza lhe causou, conhece-se que o autor dessa paisagem é um pintor alheio à corrente mais moderna da arte europeia e que a sua maneira, qualquer que seja o modo de apreciá-la, não se parece com a de ninguém e trai um artista que se tem desenvolvido independentemente de qualquer influencia estranha.

Realmente, trata-se de um artista brasileiro, que, domiciliado há muito em Pernambuco, se tem dedicado à interpretação da paisagem daquele estado. É autor desse quadrinho o Sr. Telles Junior; e apesar de ter o trabalho em questão bastante valor, o artista não deve só ser julgado por ele, pois que, mesmo aqui no Rio de Janeiro, há bom número de trabalhos seus que mostram de modo mais saliente as suas qualidades.

Quem escreve estas linhas esteve recentemente em Pernambuco e procurou muito conhecer pessoalmente o Sr. Telles Junior; mas, infelizmente, não o conseguiu. O artista morava em um arrabalde muito afastado do recife, e andava sempre fora no campo, a procurar assuntos para pintar.

Consta-nos que o artista não é moço; mas, não nos lembra ter visto trabalho seu em nenhuma das anteriores exposições, e não gostaríamos de deixar passar sem menção um artista que tem tido a perseverança e a coragem de trabalhar em um meio tão pouco simpático, produzindo uma obra, que pode não ser perfeita, mas que é pessoal e sincera.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 6 out. 1906, p. 3.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 6 set. 1903, p.3.

A impressão geral de quem percorre as salas da Exposição Geral de Belas-Artes é a do espírito de absoluta catolicidade que presidiu a admissão dos trabalhos, fato que já se tornou notável nos anos anteriores e que no corrente se faz mais sensível pela maior severidade relativa do júri, que elevou um tanto o nível dos quadros expostos. Realmente, em uma exposição realizada sob os auspícios do corpo dirigente de uma escola, tendo na sua comissão maioria de membros a ela pertencentes, mostra o maior liberalismo de espírito e a mais tolerante e louvável imparcialidade a reunião lado a lado de trabalhos de artistas como o Sr. H. Bernardelli, o Sr. Amoedo, o Sr. João Baptista, o Sr. Visconti, o Sr. Helios Seelinger, o Sr. Gaston Cariot, Raoul Carré, Auguste Matisse, Richard Rauft, Garrido, etc.

Outra impressão que produz igualmente a exposição, é que a maior parte dos trabalhos visa mais a demonstrar certa habilidade técnica, certa correção de execução do que à expressão de um sentimento, a representação de um certo ideal emotivo como o elemento preponderante na produção da obra artística. Este fato é o que se nota em geral em todas as exposições e não se poderia esperar que a nossa fosse a única a constituir a exceção da regra.

Dada a estreiteza do nosso meio, a falta absoluta da mais insignificante animação quer oficial quer particular, não é de admirar que se não apresentem quadros de grande fôlego, mas pelo contrário deve surpreender que os nossos artistas ainda se abalancem [sic] a expor trabalhos cheios de interesse e boas qualidades técnicas e que pelas proporções fáceis de acomodar-se em qualquer salão, não deveriam, como geralmente acontece, voltar para os ateliers dos seus autores.

A atual exposição, embora não possuindo nenhum quadro que se saliente extraordinariamente dentre os demais, é bastante variada e contém bastantes elementos de atração. É na pintura de figura que os trabalhos são mais numerosos e alguns há de bastante interesse artístico.

Como já há muito nos acostumou, o Sr. Henrique Bernardelli apresenta este ano, na sua numerosa exposição, alguns trabalhos de que a gente se fica lembrando sempre. O retrato (n.35) é um desses primores de técnica que causam as delicias dos apreciadores do talento desse artista. É de pequenas proporções e representa uma senhora sentada em uma cadeira e vista de frente. Pintado numa goma [sic] escura, a figura emerge, com bastante relevo, do seu ambiente, com certa subtileza de tom e de iluminação. Além do rosto, o único ponto que tem certa saliência de cor é a pluma vermelho-escuro do chapéu, produzindo tudo um atraente efeito de grande harmonia. Todo o quadrinho é muito bem pintado e nunca a largueza e a liberdade de tratamento são sacrificadas.

No outro retrato (n.34), o de uma moça tocando violino, a tela é mais clara e a figura tem posição elegante e fina, sem perder de firmeza, nem de precisão de linhas.

O quadro Juca Cobra, é de efeito pitoresco e o Via Crucis, bastante vigoroso, não é falto de certo sentimento apropriado e simbólico.

O Sr. Rodolpho Amoedo, além dos trabalhos com que tomou parte na recente exposição dos aquarelistas, mandou um pequeno retrato a óleo e dois a ovo. O primeiro é o de uma formosa moça e é pintado com o tratamento cuidadoso e meticuloso a que ultimamente nos tem acostumado.

A tonalidade do quadro é toda cor de rosa e de grande delicadeza e sumamente agradável, apesar de ter um pouco o aspecto de pintura em porcelana.

Dos outros dois retratos, o melhor é o do Sr. V. M., mais sóbrio no tratamento e mais vigoroso.

O Sr. Visconti tem um bom retrato, a têmpera, de seu irmão, muito sereno de impressão e de grande semelhança.

O seu quadro - Cabeça de mártir - pintado visivelmente sob a reminiscência dos velhos mestres espanhóis, é vigoroso de modelado e expressão e faz lembrar uma escultura.

O Sr. Fiuza apresenta alguns dos sólidos estudos que trouxe da Europa, principalmente os diretamente influenciados pelo meio em que viveu em Munique.

O melhor de todos, na nossa opinião, pelo estudo de modelado e expressão apropriada, é o n. 120 - Cabeça de velha - que o Sr. Oliveira Lima adquiriu com tanta felicidade de escolha. O estudo do nu (n.124) tem boas qualidades de observação e de desenho, e é também interessante o n. 121 - Dominó.

O Sr. João Macedo, prêmio de viagem em 1900 e que acaba de chegar da Europa, tem dois trabalhos que se nos afiguram não representar progresso sobre o que o artista já fazia.

Esperaremos a sua próxima exposição para melhor apreciar o que ganhou com a sua estadia na Europa.

O Sr. Joaquim Augusto Marques Guimarães, um artista que se retirou para o Estado de São Paulo, onde se tem dedicado ao professorado com bom êxito, mandou um bom retrato de senhora.

O Sr. Raphael Frederico expõe quatro trabalhos interessantes, dois retratos e dois quadrinhos de gênero. Todos eles agradam pela sua cor limpa e pela expressão. O Sr. R. Frederico tem uma predileção simpática pelos assuntos em que os personagens são crianças e, com os elementos que possui e com mais cuidado no tratamento, pode-se constituir, nesse interessante porém difícil gênero, um especialista tão apreciado como o são hoje em França Boutet de Monvel, Chocarne Moreau, Miss M. A. Bell e outros.

Do artista francês E. L. Garrido há uma bela cabeça, muito bem pintada e de extrema delicadeza, toda ela em uma tonalidade branca, com grande simplicidade de execução e de subtil expressão.

Na paisagem, de que está cheia a exposição, tem três esplêndidos quadros o Sr. João Baptista. Este artista, incontestavelmente um dos que melhor traduzem a nossa natureza, sabe imprimir aos seus trabalhos - de motivos muito simples - tal cunho de realidade que os seus quadros são como que janelas abertas para trechos da nossa paisagem. Procura notar com exatidão as impressões que no seu espírito deixa o recanto de mata, a volta de rio ou um trecho de praia, com a luz própria da hora, e pintá-las como lhe aparecem, sem nenhum arranjo ou combinação introduzida. Na cor visa mais o que é verdadeiro do que o que produz efeito brilhante.

É essa impressão da realidade, de traduzir com verdade esse profundo verde da nossa paisagem que o preocupam e, como é um amigo da luz, escolhe sempre temas que impressionam profundamente, dando a sensação igual a da natureza própria e como que abstraindo quase completamente a personalidade do pintor. Em todas as suas três paisagens se nota essa mesma impressão, preferindo nós a intitulada Pescador, de uma tão exata translação da natureza, da região denominada de serra-acima.

Outro artista que tem sabido interpretar bem a nossa paisagem é Gustavo Dall'Ara. É de uma extraordinária sinceridade na representação dos trechos da natureza que lhe impressionam, quase sempre horas iluminadas de intensa luz do sol, que ele derrama prodigamente em uma reverberação cintilante de raios quentes, como que cobrindo a natureza de um véu vaporoso, de uma tênue gaze azul-argentina, produzindo um efeito intensamente ofuscante e empolgante na sua realidade. O quadro Morro do Trapicheiro é um dos melhores da Exposição; tem um primeiro plano tratado com bastante delicadeza e vigor, grande horizonte e as montanhas de fundo com a saliência necessária.

A aquarela Imediações da Praia Pequena é bem feita; preferimo-la ao quadro a óleo que sobre o mesmo motivo pintou o artista.

Na paisagem também faz boa figura o Sr. Henrique Bernardelli, que, além de esplêndidas aquarelas, mandou dois trabalhos a óleo, vistas de Teresópolis, traduzidas com a verdade com que ele transcreve tudo quanto se propõe pintar e com grande sobriedade de cor.

O Sr. Visconti enviou uma vista do Morro de Santo Antônio, pintada em têmpera e de impressão agradável e com a nota pessoal.

O Sr. Eugenio Latour, que se acha na Europa, enviou dali dois quadrinhos, duas vistas de Paris, muito finamente observadas e pintadas, mostrando a ductibilidade do seu talento e a influência que já o novo meio está lhe imprimindo.

Dos quadros de artistas estrangeiros, o de Ricardo Rauft, dos grupos da nova geração e dos neo-impressionistas, La Neige au Village, tem boa entoação, produz sensação de espaço e augura-se aos que dá bem o efeito da neve; e se há algum relaxamento no desenho da carroça e outros pormenores, isto explica-se, porque o quadro foi visivelmente pintado com a preocupação principal de dar um efeito de cor e de luz.

Dos dozes [sic] de Raoul Carré, também um novo, pintados com uma largueza de pincelada, um empastamento e um pseudo impressionismo absurdo, o de n.63 Procession en Poitou, tem movimento e destaque; mas o de n. 64, é um simples amontoado de camadas espessas de tintas mais ou menos vivas, em que dificilmente se pode descortinar a intenção do artista.

O quadro Floréal - Poéme de Saison - de Gaston Cariot é uma extravagância mas uma extravagância artística feita por um pintor que inegavelmente tem talento e conhece o metier da sua arte. Pertence a uma escola como a dos pointillistes e virgulistes, e chega a um resultado verdadeiramente interessante. A tela é inteiramente coberta de mosaicos minuciosos, quase baixo-relevos feitos quase a duas cores, e tocados de pontos brancos, e com esses singulares maneirismos técnicos, admira que ele conseguisse dar tão atraente efeito de espaço, de ar, de atmosfera, de vibração de luz e de primavera em flor.

Na próxima notícia trataremos dos novos artistas e das aquarelas.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 6 set. 1903, p.3.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 6 set. 1909, p. ?.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS-ARTES - O Sr. De Agostini (Carlos Alberto) expõe uma telazinha em que se revela a sua tendência para o paganismo. Tendência aliás comedida, dentro dos limites da écloga: uma figurinha deitada de ventre (com perdão da palavra) passeia os dedos pelas cordas duma lira; a distância, um pelotãozinho de ovelhas mantém-se disciplinarmente em posição de sentido; todo o quadro respira inocência.

A Cascata dos Pilões, do Sr. Fernandez Gomez, revela um bom cunho de observação nas pedras lisas e lavadas, na vegetação úmida da beira de água, na frescura do ambiente recolhido. Outro quadro, Uma lavanderia em Santos, deixa ver, além dos atributos desse gênero de estabelecimentos e da figura da jovem profissional, uma extensão de morros de excelente perspectiva, e onde a relva tem aquela frescura e viço peculiares à nossa permanente primavera. Mas o melhor quadro desse pintor é seguramente o que se intitula Pastando. No primeiro plano, uma vaca malhada de branco e havana atola gulosamente o focinho na relva tenra; é um belo bicho, o seu pelo reluz, sadio e quente; para além, outras duas vacas, no campo extenso; o horizonte é largo, o céu fartamente luminoso; e sente-se a proximidade do ar, na paisagem típica, surpreendida em toda a sua beleza e grandiosidade.

Num fundo de chácara, algumas galinhas e um cão que esmigalha concentradamente um osso entre os dentes vorazes: tal o quadrinho, na verdade prometedor, da Sra. Francisca Emilia Mariano de Campos, Fazendo pela vida.

O Sr. Augusto Luiz de Freitas é um dos artistas mais numerosamente representados no Salão. Nada menos de dezesseis telas. A mais ampla e significativa é a n.67, Prenda de Noivado, onde há a casaria duma aldeia pobre, acastelada por uma encosta acima; no primeiro plano, duas campônias sentadas, uma das quais mostra à outra a dádiva do esposo ausente; ao longe, desdobra-se a serrania, em seguro efeito de perspectiva e constituindo a melhor parcela do quadro. Entre as outras telas, destacam-se Verão, com uma esplêndida soalheira, Impressão, que reflete o exotismo dum poente cor de sangue e cor de chumbo e Estudo, que é um trecho bem acabado do n. 67, a que já nos referimos.

As guaches do Sr. do Sr. Insley Pacheco são bem conhecidas: o artista conserva a sua fatura minuciosa, o seu colorido alegre e veemente.

O Sr. Latour expõe um quadro encantador. É a Farfaleta, criaturinha de alegria e de meiguice, cuja face, surpreendida na eclosão do mais natural e comunicativo dos sorrisos, obriga a uma longa contemplação deliciada. Toda a fisionomia sorri, na rosada frescura da pele virgem: é um encanto! Em outras telas, mantém o Sr. Latour a sua invejável reputação de artista vigoroso e brilhante. Só nos pareceu menos louvável o retrato do Sr. Santos Maia, onde o recinto e todos os acessórios estão excelentemente apanhados, mas a figura tem uma gaucherie', um desequilíbrio de técnica já bastante de estranhar em pintor de tal força e segurança.

O Sr. Fernandes Machado apresenta uma série de aquarelas, muito variada, muito escolhida e muito interessante. São na quase totalidade impressões de trechos ribeirinhos; toda a vegetação é delicada e idílica; e naquela fatura leve que mais convém ao gênero, reconhece-se bem a água quieta e silenciosa dos lagos, a água translúcida, ligeiramente arrepiada, dos rios mansos. Uma nota geral de verdade, de flagrância, transparece de cada aspecto reproduzido; e cada lugar tem a sua poesia, ou animada e engalanada pelo sol, ou repousando naqueles recantos sombrios, de onde se traz a mais doce saudade. Há, do mesmo artista, um quadro a óleo, Efeito de Sol, onde um claro arroio desce rumorejando e espumejando, entre a verdura intumescida; para trás erguem-se os troncos de alguns álamos gigantescos; e o fundo é tapado por uma sebe densa, cuja ramagem não deixa atravessar o sol, mas toda dele, se penetra jubilosamente. Esse efeito parece-nos belíssimo. E não deixaremos de mencionar ainda o n. 83, do mesmo artista: num canto de boudoir uma coquette, em cujo dorso nu se ostenta uma carnação mimosa e opulenta, retorce entre os dedos nervosos as pontas de um lenço pirracento que teima em não sair perfeito...

Entre outras telas apreciáveis expõe o Sr. Francisco Manna a que se intitula Ontem e Hoje, a maior e melhor de todas. Não há meio de se não reconhecer nesse trabalho, quaisquer que sejam os defeitos parciais que se lhe possam apontar, uma aptidão já francamente pronunciada, além da aspiração mais digna de encorajamento e apoio. Há uma ideia ali dentro e difícil de apresentar com clareza e eloquência: o Sr. Manna conseguiu-o. As três figuras principais do quadro refletem cada qual a sua vida própria; vivem de fato aos olhos do espectador que se sente obrigado a considerá-las atenta e refletidamente. Uma é o triunfo momentâneo e descuidado; outra a ruína e o desespero; a terceira a desilusão nascente que medeia aquele prólogo e aquele epílogo. O desenho é forte, livre, espontâneo; o conjunto é movimentado, harmônico; em certos detalhes nota-se um cunho enérgico de verdade. E a melancolia de que se reveste a figura do primeiro plano é tão intensa e eloquente que se espalha, se comunica e domina todo o quadro.

Segue-se a Sra. Maria Teixeira de Faria, que expõe uma Jarra e uma Jarrinha, aquela com flores e esta com duas rosas'', ambas bonitinhas.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 6 set. 1909, p. ?.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 7 set. 1902, p.3.

Exposição Geral de Belas Artes - O visitante que examinar cuidadosamente a seção de pintura, há de primeiramente notar que na aceitação dos trabalhos apresentados, presidiu o espírito mais liberal, sem predileções de escola, nem preferência individuais, e em segundo lugar, que apesar deste fato, já se realizou este ano uma como seleção natural, de modo que os quadros absolutamente não aparecem com a saliência evidente dos anos anteriores, nem também a afluência dos amadores, na sua maioria sem nenhuns predicados de merecimento artístico, e que também nos outros anos constituía uma feição característica. Todavia, o número dos quadros expostos é muito maior do que no ano passado pois que só o catálogo menciona 270, sem contar alguns que ali não estão incluídos, como, por exemplo, os do artista Malagutti e dada a exiguidade de espaço de que dispunha a comissão incumbida de colocá-los compreende-se que nem sempre a sua arrumação se pudesse fazer de modo a que não ocorressem aproximações perigosas com resultado prejudicial para o efeito de algumas das obras expostas. Entretanto a impressão geral da Exposição é como já dissemos a mais agradável e surpreendente e dá testemunho de um intenso espírito de trabalho por parte dos nossos artistas tanto mais de admirar e de louvar em vista da persistência das circunstâncias desfavoráveis e da quase absoluta ausência de incentivo à produção artística no nosso meio.

Na Exposição [...] como já fizemos notar [...] a maioria dos artistas, tanto dos jovens como dos já feitos […] não merecem a mais ligeira noticia em compensação há alguns excelentes, que hão de tornar memorável a Exposição de 1902.

O Sr. Henrique Bernardelli expõe nada menos de sete.

Realmente a sua produção no ano que decorreu foi extraordinário, demonstrando a infatigabilidade de um pincel que, não obstante nada perde do seu vigor.

Os seis retratos, quase todos em busto e na sua maioria de músicos, se destacam principalmente pela execução vigorosa e franca, por uma técnica sólida e larga, que sempre produz efeito brilhante. Pinta com singular flexibilidade de mão, e com o sentimento dominante da forma e da cor, sacrificando talvez o assunto ao valor artístico ou pictorial, se assim se pode dizer do trabalho. Possui uma grande capacidade de desenho, pintando como que diretamente e de uma só assentada, sem entretanto, desprezar os pormenores. Os seus modelos são retratados com singular fidelidade, exatamente na posição que assumem - diretamente do natural. E ele representa a natureza nos seus mais amplos detalhes, com singular perfeição de arte. É um maitre-peintre, que visivelmente se deleita no exercício da sua arte, possuidor de um métier sólido e acabado, mas é também um artista mais receptivo do que criador.

Dos retratos expostos seria difícil dar preferência de alguns sobre os outros tal o ar de família no ponto de vista artístico que todos têm, e tal a perfeição técnica com que são executados.

No n. 49 do Sr. Roveda há a notar umas mãos admiravelmente pintadas: e em todos, a perfeição do desenho, os fundos quentes, a excelência do modelado e o jogo de luz, fazem deles espécimes de pintura sólida.

Se tivéssemos de dar preferência, talvez escolhêssemos o do S. Couceiro (n. 46) na sua oficina examinando uma rabeca. Sente-se que o homem está no ambiente e ocupação própria; a distribuição de luz é boa e de [...] serena e a entonação quente.

O Sr. Thomaz Driendl tem um retrato, corpo inteiro, quase de tamanho natural, do Sr. Dr. Joaquim Murtinho. Este artista desde 1879, ano em que expôs o seu já celebrado quadro - Cena do interior na Baviera - e um retrato, não concorria às nossas exposições. Artista de diversas aptidões, tem vivido por vezes arredado da pintura, a que volta depois de longos intervalos como acontece agora, depois de um [...] dos pinceis que durou oito anos passados exclusivamente nos rudes labores da lavoura. E apresentava-se como um triunfador com um retrato que há de ficar, na frase de um dos nossos artistas de talento, e que há de marcar época.

Na pintura de retratos, há dois métodos distintos. Em um o artista pinta o homem no seu caráter extremo, no seu meio, procurando dar a nota das suas preferências das suas ocupações e da sua vida diária. No outro, o artista isola o retratado, exclui todos os acessórios que possam dar qualquer sugestão, e concentra todo o interesse na individualidade que tem de fixar na tela, no seu caráter, no seu temperamento, na sua personalidade mental, dando-lhe um fundo que nada tem que ver com o assunto.

Ambos tem sido seguidos por artistas eminentes e em ambos se têm produzido obras de grande valor.

O retrato do Sr. Joaquim Murtinho é pintado de conformidade com o segundo processo. Feito em um fundo escuro, de uma tonalidade quente, a figura do ilustre estadista e médico apresenta-se de pé, vestido de preto, com um chapéu mole preto, em uma das mãos as quais se apoiam em uma bengala numa posição que lhe é natural. O rosto, meio voltado para a esquerda, olha para fora do quadro, para o espaço. Os únicos pontos do retrato que são iluminados são o rosto, com singular clarão de luz intensa, e as mãos, tudo o mais ficando em uma penumbra semi-escura.

Seguindo a maneira do grande retratista seu conterrâneo, Franz Lenbach, e do artista-psicólogo inglês G. F. Watts, o Sr. Driendl concentrou toda a vida e todo o interesse do seu trabalho na fisionomia do retratado.

Pintou unicamente bem a cabeça e aos olhos deu uma extraordinária intensidade de expressão. Há ali todo um singular estudo de psicologia, admiravelmente interpretado. É uma síntese de um caráter, cujas qualidades dominantes, de elevada inteligência, de energia, de decisão, de firmeza de propósitos, de tenacidade de resolução, são vigorosamente expressadas.

Tudo isso interpretado com uma admirável força em uma cabeça em que brilham olhos de extraordinária vitalidade de expressão, que parecem olhar para o futuro, absortos em projetos e ideias grandiosas, indiferente ao fervilhar de preocupações pequenas que em torno deles possam pulular. A fisionomia é simplificada com vigor, e a s mãos que constituem, depois da cabeça, a [...] de maior interesse, com menos simplificação, parecendo-nos, entretanto, que mereciam ser melhor cuidadas.

O fundo é harmonioso em um tom quente e neutro, deliberadamente […], que não deixa salientar a proposital falta de acabamento.

Nesse magnífico retrato, que é uma bela obra de subjetivismo, vê-se que o Sr. Driendl pensa que não basta, para fazer-se um bom retrato, dar a semelhança externa, e que a primeira qualidade do retratista é, como dizia Burger-Thoré [sic] - bien comprendre son homme. Há nesse retrato alguma coisa que mostra que ele é também um pouco un evocateur d'âmes.

Um dos mais ilustres escritores de arte entre nós achou semelhança entre o trabalho do Sr. Driendl e trabalhos de Bonnat; e isso se explica pela influência que a obra de ambos acusa do estudo dos grandes mestres espanhóis; Bonnat, como se sabe, visitou e estudou acuradamente as galerias de Madrid, e o Sr. Driendl fez a sua educação artística em Munique, cuja galeria abunda de quadros espanhóis, principalmente de Ribera.

O Sr. Elyseo Visconti, que é talvez o artista cujas obras dão mais intensamente o tom à exposição, mandou nada menos de cinco retratos, interessantes pela compreensão e pela fatura. Excetuando o do Dr. Custódio Coelho de Almeida, que tem certo caráter e é bastante realista, todos os outros são feitos ao ar livre e mostram o intuito de vencer dificuldades de efeitos de luz e de cor. Nestes retratos o Sr. Visconti mostra-se muito moderno e impressionista da melhor espécie. São, pode-se dizer, sinfonias em verde, porque os seus fundos, que dão a tonalidade dominante, são verdes. Como essa cor é extremamente absorvente, por vezes prejudica a apresentação da figura; mas em alguns dos seus trabalhos, como nos retratos do Sr. Dr. O. Romeiro (249) e do Sr. Simas (251) consegue de modo admirável vencer as grandes dificuldades propositalmente procuradas, e dar a sensação exata do ambiente. Este último retrato, que é o de que mais gostamos, é muito bem estudado e muito bem tratado. A sua postura, franca e natural, nada tem de forçada e a cabeça e as mãos foram finamente modeladas e pintadas.

Todos os outros seus retratos, se não têm o efeito procurado tão completamente conseguido, são obras que têm qualidades artísticas interessantes e nada banais.

O Sr. Brocos tem um retrato, corpo inteiro, que tem certo caráter espanhol na cor; é de grande realismo, e tudo é bem e meticulosamente pintado, sem discrepância dos pormenores e acessórios.

Do retrato do General Osório, pelo Sr. Aurelio de Figueiredo, apesar do seu desenho correto, não gostamos sem restrições; a composição apresentava naturalmente dificuldades, e o movimento da figura nos parece não ser próprio da idade que devia ter o retratado. Demais, o fato de ter de retratar um morto, já por si só constituía um elemento negativo para a consecução do caráter próprio.

O Sr. Rodolpho Amoedo expõe um pequeno retrato de senhora, pintado com muita finura, que não exclui algumas durezas. É muito agradável de cor, mas tem as mãos pouco cuidadas.

O Sr. Eugenio Latour, um ex-aluno da Escola, que nos anos anteriores já se havia revelado artista, de talento, confirma isso plenamente com os trabalhos que tem na atual Exposição. Tem dois retratos que são duas obras extremamente interessantes, demonstrando que tem uma alma de verdadeiro artista e uma técnica já bastante sólida.

O que denomina Colheita de rosas (n. 104) é de uma criança encantadora, cujos olhos têm singular expressão de inocência angélica; e o retrato de Mlle. L. G. (n. 106), muito bem compreendido, com boas qualidades de desenho e de cor, e com caráter. É um artista que faz honra ao ensino da Escola, e que só precisa de alguns anos de convívio em centros artísticos mais adiantados do que o nosso, para chegar à plena maturidade de um talento incontestável, afirmado de modo brilhante.

O Sr. João Macedo, atual pensionista da Escola, mandou da Europa dois retratos. Preferimos dos dois, o de Mlle. F. (n. 108) menos ambicioso porém mais sólido de fatura, mais sincero, mais estudado e mais harmônico. O de Mme. de S. (n. 107), traz o intuito de imitar o que faz o pintor Boldini; há um rebuscado na postura da figura, como que procurando dar um movimento instantâneo; a figura tem qualquer coisa de recortado, há o intuito do chic e do excêntrico, mas com durezas e faltas de valor, o que impressiona desagradavelmente.

Do saudoso Benjamin Parlagreco, tem à Exposição um auto-retrato, apropriadamente coberto de crepe, o que torna mais aguda a perda de um artista de tão grandes qualidades.

Podemos mais citar: o retrato de menino (n. 220) feito pelo Sr. Seelinger, um jovem artista que se revela bastante original, - bom de colocação um tanto rubenesca e de fatura larga; um retrato do Sr. Malagutti, pelo Sr. Lucilio de Albuquerque, com certa observação de caráter e com algo de esquisito, uma nota branca fria em um fundo verde; o perfil de F. B. T. (n. 131) por D. Clelia Nunes, forte em cor e muito fresco de impressão; e o retrato do Dr. França Meirelles (n. 128) por D. Marietta França, que tem certas qualidades de observação e de execução.

O Sr. Augusto Petit expõe um certo numero de retratos na maneira que lhe é peculiar, da qual o auto-retrato é o que melhor exprime o seu modo de compreender e de pintar o gênero.

O Sr. Malagutti expõe dois retratos em busto, um de menino e outro de homem, e ambos feitos muito sumariamente, com grande largueza de execução, à procura de uma nota impressionista. Melhor do que estes é o quadro denominado, ao que nos dizem Beatriz', (pois os seus trabalhos não constam do catálogo), mas que se nos afigura ser retrato de uma mulher tuberculosa.

A figura, vestida de preto, destacando-se de um fundo verde, é desenhada com certa intenção, e tem expressão na sua aparência velada.

É um artista que tem talento, mas que se deixa visivelmente influenciar pelo desejo do excêntrico e de fugir do banal.

Na sua pintura sente-se a preocupação literária, a influência de certas correntes modernas em literatura, mas a sua execução não é igual à elevação dos seus intuitos; e os melhores ideais, quando inadequadamente realizados, correm o risco de não ser compreendidos e a critica não tem remédio senão apegar-se à técnica. No caso do Sr. Malagutti, este deixa ainda a desejar, tanto em desenho como na distribuição plástica das tintas.

O seu quadro denominado Margarida, com uma inscrição em latim que a colocação do quadro não deixa ler, e cujo intuito não chegamos a divisar, produz a impressão de um cartaz.

A figura é disforme, parecendo o busto ter sido feito de um modelo e os membros inferiores de outro, ou em todo caso de um modelo ruim, sendo a impressão pesada, apesar do processo de simplificação a que se entregou o artista.

Voltando a tratar dos quadros de figura, a obra de Sr. Visconti se salienta com grande destaque e cercando a individualidade desse artista da auréola simpática formada pelo talento, por intuitos elevados e pelo nobre esforço de realizá-las. Quase todos os quadros ali reunidos, como o seu S. Sebastião, as suas Oréadas, o seu Pedro Alvares Cabral e a sua extraordinária Gioventú, já fizeram parte da sua exposição particular quando o artista aqui chegou o ano passado, e deles e do artista então falamos longamente, e agora só teríamos que confirmar o que então dissemos.

Os trabalhos do Sr. Visconti demonstram amplamente que, a par de um grande talento, possui ele uma verdadeira alma de artista que nunca está satisfeito com o que já fez e está sempre à procura de novos horizontes; e apesar de toda a perfeição de sua técnica e da profusão e alto valor dos seus trabalhos, não se pode ainda determinar o ponto onde ele se fixará, a despeito das suas evidentes tendências idealista e decorativas.

O Sr. Henrique Bernardelli tem três magníficas cabeças, duas a pastel e uma a óleo, que são mais três brilhantes espécimes da sua sólida técnica, e com a expressão apropriada. O quadro O voto (n. 38) tem muita harmonia no arranjo.

O Sr. Amoedo expõe um S. João Baptista, que é irregular na fatura. A cabeça, talvez um pouco desproporcional, tem expressão, mas há como que certo desequilíbrio entre o tronco e os membros inferiores.

A paisagem no primeiro plano é bem pintada e tem certa transparência; mas o fundo é demasiado pesado e a auréola de luz que cerca a cabeça do Menino Precursor é excessivamente intensa e forte e ganharia muito com ser atenuada.

A nosso ver, o quadro ressente-se de precipitação no seu acabamento e mereceria novamente ocupar a atenção do ilustre artista, pois que a sua concepção tem elevação e nobreza de sentimento.

O Sr. Driendl expõe também três trabalhos pequenos em que mostra a solidez da sua educação técnica. Gostamos mais do denominado Lição interrompida (n. 93) em que a figura principal é magnífica de expressão e de posição, e mesmo a fisionomia da menina acusa a expressão própria de curiosidade; neste quadro não nos agrada, principalmente a paisagem, que ganharia mais em ser atenuada para mais clara. O quadro Interior (n. 92), visivelmente feito de encomenda e a sabor do seu proprietário, tem precisão e minuciosidade de detalhes sem quebra de perspectiva e desrespeito aos valores, e é bastante harmônico. A cabeça do estudo (n.91) lembra um retratinho do século 18° e, se bem que com certas durezas, tem grande expressão nos olhos.

O Sr. Felix Bernardelli mandou do México, onde atualmente reside, uma boa cabeça muito fina e característica. É bem um irmão de Henrique Bernardelli.

O Sr. Wenigartner [sic] mandou dois quadros umas Bailarinas (263) e Nidia (265) com as qualidades e os defeitos que lhe são característicos e que não contribuem para aumentar a sua posição artística; e o Sr. Angelo Agostini, o veterano artista tão estimado, três estudos de cabeça, na sua maneira particular, dos quais gostamos mais do n. 4 - Um frade.

A Sra. Diana Dampt segue ainda a maneira de seu antigo professor, o pintor francês Aman Jam [sic], na sua indagação dos enigmas do eterno feminino. A sua Reine Manthy é bem pintada e muito decorativa como quase todos os quadros do seu ex-mestre.

O pastel Toilette uma mulher risonha com um espelho na mão, é bom de expressão.

O Sr. Latour tem um quadro de gênero Escolha difícil (n. 105) que é interessante e bem pintado apesar de ter uma figura cujo busto nos parece um pouco curto. Mas não é esse o gênero que deve propriamente ocupar o seu pincel. Tem muito talento, bastante alma de artista e técnica já assaz forte para lançar-se em motivos de mais elevação.

O Sr. Raphael Frederico, que também possui talento, tem o grande defeito de não se apoderar bem dos assuntos que reproduz; mostra-se um tanto desigual na fatura, acusa certa indecisão, parecendo não acabar os seus trabalhos.

O quadro Junto ao altar evoca reminiscências de um quadro semelhante da pintura francesa Izabel Scorein, e algumas das figuras dos comungantes tem a expressão conveniente. A harmonia de efeito é quebrada com a introdução da mulher vestida profusamente.

O Sr. Helios Seelinger vibra uma nota muito original com os seus dois quadros Faunos alegres (217 e 218), que têm certas qualidades, muito belos de cor, de muito movimento e de grande efeito decorativo. Merecia que algum amador rico os fizesse pintar em grande, como decoração de algum gabinete ou outro aposento de sua vivenda. O Sr. Helios Seelinger promete-nos uma exposição particular dos trabalhos que trouxe da Alemanha, e nessa ocasião falaremos mais circunstanciadamente a seu respeito. Mas os quadros acima mencionados, e retrato que expõe e os dois trabalhos de caricatura (Interior e Samba) bem desenhados e de certo humour, bastam para revelar um moço de talento, de inegáveis aptidões artísticas, com certa feição original de espírito e regular técnica.

O Sr. Lucillio de Albuquerque, outro aluno talentoso da Escola, que, se cumprir o que promete, há de dar um artista, tem um quadro de figura, Stella (n.2) uma figura de moça, bem desdenhada, muito boa de expressão, de suavidade de sentimento, em um fundo amarelo de efeito decorativo.

Devemos também não esquecer o Anchieta, do Sr. Evencio Nunes, cuja figura central é bem feita, excelente de cor e de entonação. A figura do anjo, da Visão, é que se não mantém no mesmo nível.

E podemos ainda mencionar o estudo de cabeça, (n.714), belo efeito de ar livre, da Sra. D. Ignez Sampaio, e os trabalhos da Sra. D. Maria de Oliveira e Silva, principalmente o Manola'' (n.266), que tem certa expressão na boca.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 7 set. 1902, p.3.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 7 set. 1906, p. 4.

Um artista argentino, o Sr. Fernando Fader, enviou para a nossa atual Exposição Geral de Belas Artes meia dúzia de quadros, que foram anteontem ali colocados.

São todos paisagens com animais, cavalos e cabras, e figuras humanas, pintados com tão grande largueza que tem mais o caráter de pochade do que de pinturas acabadas. São obras impressionistas de cena que devem ser comuns nas pastagens platinas e feitas com verdade reveladora de íntima familiaridade com elas.

Nem todas são isentas de senões que são mesmo filhos da intenção visível no artista de sacrificar os pormenores ao vigor das impressões transcritas em geral com profunda intensidade e força.

A sua palheta não é muito limpa nem muito brilhante nas luzes; mas isso não prejudica ao efeito que visa, nem tira aos seus quadros o sentimento.

Leva por vezes o seu modo largo de manchar ao ponto de parecer menosprezar o desenho; entretanto, em alguns quadros, como por exemplo, aquele em que tem um peão debruçado no selim a concertar qualquer parte do correame, tanto o cavalo como a figura humana nele montada estão feitos com mão de mestre, mostrando que não é um principiante, e sim um pincel amestrado, quem os delineou. Esse quadro é igualmente bem iluminado, dando com exatidão a hora adiantada do dia na qual foi pintado.

Como espécimes mais salientes da maneira de pintar do Sr. Fader, poderíamos, além deste quadro, mencionar o que lhe fica em cima, de muito sentimento, e o que contém um rebanho de cabras em descanso.

Seria de desejar que alguns desses quadros encontrassem destino no Rio, e ali mesmo na Galeria da Escola o primeiro quadro citado poderia achar guarida, pois que pelas suas qualidades não faria figura somenos, e a sua aquisição pelo Governo constituiria uma justa prova de consideração ao primeiro artista platino que espontaneamente concorre as nossas exposições.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 7 set. 1906, p. 4.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 7 set. 1909, p. 7.

Exposição Geral de Belas-Artes - O Sr. Roberto Mendes é um poeta. Não será de certo a primeira vez que o artista recebe tal epíteto literário; nem por isso, todavia, nos sentimos obrigados a procurar-lhe outro: aquele lhe assenta e o define perfeitamente. As telas a que ele deu a designação despretensiosa Estudos e impressões, são, de fato, obras acabadas e da mais alta poesia. Naqueles trechos de bela paisagem estival, as cores cantam e até, no entusiasmo imaginativo que despertam, se diria que rimam. E já os motivos em si acusam o enlevo apaixonado do contemplativo, do poeta: um canal que se estende, quedo e lânguido, a meio da planície arborizada; um final de rua que vai dar ao mar, num salto de penedia e de abismo, margeada por um muro sobre o qual floresce a ramaria jubilosa dum flamboyant; um acastelamento de pedras brutas sobre a areia, à beira da água; uma onda que se arqueia para quebrar, cor de azeite e encristada de espumas - e ao redor de tudo isso, e sobre tudo isso e em tudo isso, o sol, barras e torrentes de sol, uma luz fulgurante e gloriosa, aquecendo amorosamente a natureza tropical. Mas não é só na escolha dos assuntos que o Sr. Roberto Mendes revela a delicadeza do seu temperamento; na execução também, que é sempre apurada, requintada, e na qual se adivinha o pintor procurando os seus efeitos de traço e cor, como o poeta invoca, ansioso e arroubado, as suas imagens e as suas sonoridades...

Raramente um artista terá evidenciado tão rápidos progressos como o Sr. Alvim Menge, que apenas há dois anos nos manda de Itália, onde se está fazendo a educação artística, os produtos da sua aprendizagem brilhantíssima. Dos dois quadros do Sr. Menge agradamos mais - e muito mais - a 'Popeia. É um nu, ou antes, um meio nu, pois que a parte inferior do corpo se lhe envolve num "drapejamento" claro, aliás engenhosamente composto. A "academia", já meio fanada, da cortesã - a flacidez dos músculos e da pele, a queda incipiente dos seios - está veridicamente estudada, apalpada em todos os seus contornos; e a mesma decadência por igual se reflete nos tons que esmorecem e arrefecem, cansadamente. Entretanto, a figura é bela ainda: e tanto mais exata quanto é certo que deixa adivinhar o triunfo e a glória da personagem histórica que ali ressuscita...

O Sr. Noronha França foi discípulo dos Srs. Almeida Junior e Oscar Pereira da Silva; parece que já hoje dispensa mestre e é pena, porque as apreciáveis qualidades e recursos que revela nos seus dois quadros e sobretudo naquele que se intitula A sombra, precisariam ainda de algum cultivo, sob a direção de um bom mestre.

O Sr. Norfini também tem que aprender ainda para dar todo o desenvolvimento as faculdades patenteadas na sua Marinha.

O Sr. Carlos Oswald, que passou por um temperamento exótico, meio desorientado, dotado embora de inata e profunda intuição artística, começa a libertar-se dos seus defeitos - ou a fazê-los esquecer - a impor-se como um artista apenas bastante "diferente" para se constituir uma originalidade. A figura macerada, torturada de sonho da sua Réveuse; o seu Pierrot todo branco, melancólico, dando uma sensação musical de surdina moribunda; o seu Homme au manteau noir, tipo de poeta ou artista doutros tempos, desgrenhado e fatal - são criações acentuadas, essencialmente individuais. A fatura, com o seu cunho de aparência antiga, é, na verdade, nova, porque é própria; os seus mesmos desvios e deficiências não se confundem com a inexperiência comum; e assim também os traços fortes, os efeitos profundos se tornam mais profundos e mais fortes pela sua independência e ineditismo. O Sr. Oswald não tardará de certo em fazer triunfar completamente a sua originalidade.

O Sr. Petit, o conhecidíssimo retratista, de cujos méritos já tudo foi dito e redito, expões mais um exemplar daquele gênero que lhe valeu tão vasta notoriedade.

Das numerosas telas do Sr. Presciliano Silva - pois que não comporta esta simples notícia a análise de todas elas - agradaram-nos superiormente a Paisagem, sugestivo trecho de campo, sobre o qual, após uma bátega de chuva estival, a neblina úmida se adelgaça, se desfaz e descortina a perspectiva belíssima - e o Lago do Parc Monceau, entre a vegetação nobre e rica remirando-se na água, tranquilamente. De resto, esses dois quadros bastam para recomendar o Sr. Presciliano Silva ao interesse do público e atestar os excelentes resultados que ele tirou da sua estadia na Europa.

O Sr. Puga Garcia foi já, na XIV Exposição, galardoado com uma medalha de segunda classe (prata). Desta vez, porém, abalançou-se a mais ousada tentativa; o seu Ismael e Agar, pela composição ao mesmo tempo simples e grandiosa, que o artista imaginou dar-lhe, requereria mais experimentada técnica, mais educada compreensão dos efeitos plásticos e cenográficos. Assim, saiu-lhe um quadro de teatro, no sentido de visivelmente truqué. Ismael e Agar, com as qualidades que, aliás, se lhe não podem negar, ficou aquém dos já reconhecidos merecimentos do brilhante ex-aluno da Escola Nacional. O Sr. Puga Garcia saberá tirar muito breve estamos certos, a desforra que o seu comprovado valor reclama.

Com duas interessantes paisagens, a Sra. Rachel Boher patenteia os progressos que lhe têm proporcionado as lições do Sr. João Baptista da Costa e que ela aproveita como deve, tratando de libertar sua própria intuição artística.
Nada menos de 18 trabalhos apresenta o caricaturista Raul. É uma coleção esfuziante, endiabrada, irresistível. A começar pelos trocadilhos e equívocos de palavras que lhe fornecem títulos de surpreendente resultado cômico, tais como Os três mosqueteiros, A última vitória, O perigo de amarello, e a acabar na deformação macabra dos motivos mais poéticos e requintados, como o Idílio, a Pastoral, os Incompreendidos, ele, esta série percorre todas as nuances da inesgotável paleta do autor das Cenas da Vida Carioca. O traço é sempre espontâneo, é fulgurante; e quando, como na Última vitória, há um movimento a traduzir, uma perspectiva a indicar, o lápis travesso arremessa-se em busca do seu efeito, com certeira e desprendida facilidade, Raul é um humorista levado de todos os demônios.

Que dizer ainda das aquarelas do Sr. Benno Treidler? Há anos já que pontualmente, fielmente, aqui lhas admiramos e louvamos. E entretanto, forçoso se torna acrescentar ainda alguma coisa, porque o artista progride sempre e cada vez mais lisonjeiramente nos impressiona. Entre as quatro aquarelas deste Salão, não há escolher; se as que representam panoramas vistos do alto de Santa Tereza se impõem pela largueza do horizonte, a harmonia dos planos que se sucedem fielmente, as outras tem o atrativo do detalhe vigoroso e das figuras que as adornam, engenhosamente, colocadas no cenário e vivendo dentro dele. E em todas triunfa a técnica do Sr. Treidler, larga a aparência descuidada, mas que nada despreza e a qual nada escapa.

O Sr. Visconti dá-nos um airoso Chalet Murtinho, um Luxembourg magistralmente "manchado" e o quadro Minha família. Este quadro tem sido muito discutido, registramo-lo para maior honra do artista. A fatura é "uma novidade" só estranhável para quem não souber que o Sr. Visconti não cessa de estudar, de investigar, de variar e multiplicar esforços pela conquista da sonhada perfeição. As tintas que parecem espalhadas e distribuídas por um pincel nervoso, em febril inspiração, oferecem, examinadas de perto, um aspecto arrepiado, crespo, violento, que quase ofende a vista; ao passo porém, que se vai recuando, as formas se fixam e se arredondam e ressaltam, na poderosa expansão da vida que as anima. O efeito primordial da fatura adotada pelo pintor é o da rutilância ambiente; há ali uma irradiação; e a luz que envolve as duas figuras do quadro, parece ao mesmo tempo sair delas, sobretudo da criança formosíssima que o Sr. Visconti deve adorar duas vezes, como pai e como artista.

Na Miséria social, "tríptico" do Sr. Pedro Weingartner, expõe-nos o artista, pelo processo dos romances-folhetins, os lances dominantes de um amor condenado e fatal. No primeiro quadro a ilusão e a redução; no segundo, o desespero da mulher abandonada e o crime que ela medita contra o fruto dos seus amores; no terceiro, o sacrifício do inocente, na caverna lôbrega de uma "tecedeira de anjos"; o corpo da criança consome-se em um forno ardente e pela coluna de fumo que sobe, palpitam asas de anjos, formando o cortejo daquela alma de anjo que se evola. O Sr. Weingartner confirma plenamente, nessa obra, a sua fama artística que é uma das mais espalhadas e vulgarizadas no Brasil.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 7 set. 1909, p. 7.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 7 set. 1915, p.6.

SALON DE 1915 - Continua a ser muito visitada a XXII Exposição Geral de Belas Artes, instalada em uma das vastas galerias de Pintura da Escola Nacional de Belas Artes.

De conformidade com o Regimento das exposições gerais, o ingresso nessa Exposição hoje é grátis, estando apenas à venda o catálogo da referida Exposição.

Quinta-feira, 9 do corrente, realizar-se-á a última festa artística, a qual será a Hora Feminina. Se o tempo permitir, esta festa terá lugar no terraço do templo de Vesta, e no caso contrário no interior do salão da exposição. O programa desta festa, está sob a criteriosa direção do Sr. Luiz Edmundo. Tomarão parte na "Hora Feminina" as Sras. Julia Lopes de Almeida, Angela Vargas Barbosa Vianna, Senhorinhas Rosalina Coelho Lisboa e Margarida Lopes de Almeida, além de outras escritoras e poetisas, cujo concurso não está ainda assegurado.

Reina o maior entusiasmo para esta festa artística, para cujo sucesso gentilmente concorrem ilustres Senhoras e Senhorinhas da nossa melhor sociedade.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 7 set. 1915, p.6.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 8 set. 1904, p.4.

Exposição Geral de Belas-Artes - O Sr. Rodolpho Amoedo fez-se representar este ano apenas por três trabalhos, um em pintura a óleo, de ovo e dois em encáustica.

Cumpre dizer que os trabalhos atuais desse artista acusam menos vigor do que os de outrora. Logo que aqui chegou da Europa, foi o Sr. Amoedo o artista que apresentou a obra mais sólida e mais numerosa talvez de quantos pensionistas tem tido o Estado no estrangeiro, e os seus principais trabalhos lá estão na nossa Galeria Nacional despertando a admiração de quantos a visitam e atestando o valor do seu talento e do seu pincel. Nos últimos anos, porém, o seu espírito investigador e amigo de experiências tem-no levado a tentar diversos processos, a experimentar veículos novos, de modo que parece curar mais do processo material do que do próprio tema, afigurando-se-nos que, embora possuindo ainda as mesmas qualidades de desenho, de sentimento e de execução, a sua obra se recente de falta de vigor e de intuito.

Dos três trabalhos que expõe, todos em processos só por ele tentados, o que mais agrada é o pequeno quadro denominado Cativa (N. 4) que representa uma jovem oriental, despida da cintura para cima, o que lhe deu ensejo de um interessante estudo do nu. A cativa, muito jovem ainda, apresenta, entretanto, opulências do desenvolvimento precoce peculiar aos países quentes. Talvez haja alguma intenção simbólica na entonação vermelha do quadro; mas, é feito com cuidado. O efeito é conseguido; a cor geral é harmônica, e tanto a pose como a expressão tem o seu encanto, embora pareça que houve certo propósito de salientar as fascinações da cor.

Do quadro - Oração (N. 5), aliás regularmente desenhado, não gostamos tanto, parecendo que a pose dá ideia diferente da que o autor quis exprimir.

O retrato (N. 6), em perfil, com certas qualidades de modelado, é seco e talvez duro, e isso se explica pela dificuldade do processo empregado, a encáustica, que requer manipulação pronta e rápida.

O Sr. Elysêo Visconti também concorreu à Exposição com quatro trabalhos apenas, e nenhum de grande fôlego. Mas o Sr. Visconti afirma-se sempre um artista; todos os seus trabalhos despertam sempre o interesse inerente à obra de um verdadeiro pintor. Os seus trabalhos possuem expressão artística, um sentimento sempre fino e harmônico, certa distinção, que tornam a sua arte individual.

O retrato (213) é um trabalho hábil, na sua expressão e uma bela idealização do sentimento materno.

Igualmente boa é a cabeça de estudo.
A leitura é um quadrinho de gênero interessante, de uma simplicidade de composição muito atraente e em que às figuras dos dois meninos o artista soube dar a expressão apropriada.

A sua técnica da aquarela é peculiar e interessante, de uma subtileza fina, tendo às vezes o aveludado do pastel, e a sua cor, nem gritadora, nem vibrante, mas antes sóbria e suavizada, tem encanto.

O Sr. Antonio Teixeira da Rocha, um artista trabalhador e de talento, fez-se representar por quatro quadros, de três dos quais já tivemos ocasião de falar aqui minuciosamente ressaltando as suas principais qualidades, e agora só teríamos que repetir o que então dissemos.

A paisagem com figuras (N. 202), é um belo trabalho, bem estudado, com muita perspectiva, sincero de cor, cuidadosamente pintado.

O Sr. Modesto Brocos mandou dois trabalhos unicamente, uma cabeça de contadeira (43), que já fez parte da exposição dos aquarelistas, e um quadro de gênero - Cena domestica (44), pintando costumes da vida do interior, na especialidade a que nos tem acostumado esse artista. O assunto é bem exposto e a tonalidade geral do quadro mais clara, menos suja na linguagem técnica, do que soem ser os trabalhos nesse gênero do apreciado artista.

Angelo Agostini, o veterano artista, tem três quadros no seu estilo peculiar, e que tem agradado, e o Sr. Auguste Petit, um retrato e dois quadros de natureza, na sua maneira inconfundível.

Raphael Frederico tem um interessante retrato de menino a cavalo, em uma bela paisagem, um bom estudo de ar livre, pintado com muita frescura.

No gênero que lhe é predileto, é também o quadrinho Aos Cajus (88).

É difícil não há dúvida, pintar quadros em que os protagonistas sejam crianças, porque não há modelos mais irrequietos e indomáveis. Por outro lado, tem tal variedade de expressões, tão imprevista é a nota de novidade que eles podem introduzir num quadro, tal a diversidade de atitudes e a profusão de garça, que emprestam às composições que, vale a pena não abandonar um campo tão prometedor.

Não nos agradam os trabalhos expostos pelo Sr. Seelinger, que são simples impressões de atelier e isso mesmo não das melhores. O único trabalho seu que nos impressionou agradavelmente, foi o seu auto-retrato, feito com mais seriedade do que os outros trabalhos.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 8 set. 1904, p.4.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 8 set. 1907, p. 4.

O Sr. Arthur Thimoteo da Costa tem na Exposição um quadro apenas; uma tela de grandes proporções, que denominou - Antes da Aleluia.

Os seus trabalhos do ano passado, em que revelou tanto talento quanto adiantamento técnico, faziam-[...] esperar este ano mais uma brilhante exibição do jovem artista; e se a nossa expectativa não foi tão satisfatoriamente realizada como pressagiávamos, nem por isso o esforço do estudioso pintor é menos merecedor de aplausos.

Tomou para assunto do seu quadro um episódio popular, a aglomeração de gente nas portas e nos adros das igrejas, no sábado de aleluia, antes dos sinos anunciarem - o fim da Paixão do Senhor.

Em geral, os fiéis se reúnem, uns armados de foguetes para festejar o momento tão glorioso para a Humanidade, e outros, a maioria, ali vão com vasilhas apropriadas para receber a água benta e o alecrim, com o que hão de santificar as suas moradas.

Como se vê desta simples exposição, o assunto presta-se admiravelmente a um belo quadro de gênero, e o fato de ter o jovem artista tomado para tema, explica-se naturalmente por proporcionar-lhe elementos para mostrar o seu saber técnico.

Na sua aparente facilidade não há nada mais difícil do que pintar um bom quadro de gênero, porque, em geral, nesse ramo de pintura, o assunto tem menos importância do que a maneira como ele é tratado.

Como já dizia Edmond About, o autor de um quadro de gênero tem de agradar ao público dos domingos, isto é, ao público composto do vulgo profano, que se satisfaz com a ideia dramática mais ou menos claramente representada - e o público das sextas-feiras, que no seu tempo era o dia destinado nas exposições às visitas dos espíritos mais educados e mais críticos, os quais olham mais para o saber que o artista revela, para o modo como o quadro é composto e pintado, e para a execução dos detalhes.

Entre nós o público de quase todos os dias é composto destes últimos, porque o comum do público raramente frequenta as exposições de arte, de modo que o artista que expõe é geralmente só julgado pelos seus pares.

Apesar de muitas qualidades técnicas boas, não se pode dizer que o Sr. Arthur Thimotheo da Costa tenha conseguido fazer um trabalho que satisfaça.

Primeiramente a tela é demasiado grande para o assunto que, independente de pitoresco do seu tema, pode quando muito interessar como documento histórico de um costume popular. Por isso o seu quadro revela um desequilíbrio na composição, um vazio em muitas das suas partes, ressentindo-se da falta de efeito de conjunto e de harmonia.

As figuras, que são pintadas em tamanho de grandes proporções; são quase todas imóveis e sem vida, e isso se explica porque é evidentemente mais difícil dar vida às figuras em telas grandes do que em quadros de menores proporções. Demais as suas figuras parecem, quase todas, que estiveram brigando, porque têm os rostos como que ensanguentados.

Entretanto as qualidades naturais de um pintor, as revelam sobretudo no modo como pinta os fundos dos seus quadros, como faz as coisas que não têm grande precisão, e no quadro do Sr. Thimotheo o fundo é que o salva, visto a frescura como é feito.
O Sr. Thimotheo há já anos que vem afirmando o seu talento e os seus bons estudos técnicos, e é de esperar que na próxima exposição apresente um trabalho que, feito sem a precipitação de que se ressente o seu quadro atual, confirme plenamente as esperanças contidas na sua tão sólida cabeça de negro do ano passado.

Outro artista que o ano passado se apresentou chamando sobre si a atenção, e que este ano se mostra aquém do que então prometia é o Sr. Francisco Manna.

Este jovem artista que tem talento e evidente vocação para a paisagem animada com figuras, prefere, entretanto, entregar-se à pintura de quadros com intuitos sociais.

Já o ano passado expôs um quadro filiado a esses intuitos, e a sua tela na atual exposição - O Epilogo obedece ao mesmo gênero da pintura.

Representa um velho mendigo, morto em uma pocilga onde foi acabar a sua vida miserável, abandonado ou perseguido pela sociedade.

Se o objetivo do quadro foi mostrar o descalabro e por fim o termo miserável a que o alcoolismo pode levar o ente humano que se deixa dominar por ele, há certa coerência no modo como a figura está feita, porque aquela cor arroxeada podia ser de um ébrio habitual e encanecido. Se o artista quis simplesmente pintar um pobre abandonado da sorte que a sociedade não quis socorrer e deixou morrer de fome, então não se compreende a cor do rosto do morto, pois pela frescura das cascas de laranja pintadas junto à enxerga, se vê que a morte do mendigo não data de muito tempo, e aquela cor só podia ser de um alcoólico, de um afogado ou de um falecido de moléstia de Basedow.

A figura, colocada em sentido longitudinal da tela, faz mau efeito, tanto mais que tem um comprimento desmesurado, muito superior às proporções regulares do corpo humano.

Não gostamos também dos trabalhos expostos este ano pelo Sr. Carlos Oswaldo, artista que em anteriores exposições revelou talento e savoir-faire.

Expõe três retratos e em todos exibe o mesmo desejo de ser original, mas que consegue apenas ser extravagante.

O seu estudo de cabeça, um auto-retrato, que tem certas qualidades de modelado, parece um pergaminho velho que tenha sofrido os efeitos de um incêndio.

O retrato do Sr. M. B. é uma figura mesquinha, sem corpo, chata, sem modelado, parecendo mais uma sombra do que um ente humano.

O retrato do maestro Oswaldo também não tem corpo, sendo que a carnação parece a de uma estátua de marfim.

O Sr. J. Thimotheo da Costa tem um retrato de João do Rio, que não o lisonjeia nada, antes o amesquinha, pois que o fez quase sem cabeça, ou por outra, cortou com uma barra preta a parte posterior da cabeça, dando a um dos espíritos mais brilhantes do jornalismo atual uma cabeça de microcéfalo.

Podemos terminar esta notícia com uma referência ao Sr. João Macedo, que volta ao gênero de pintura que lhe valeu as suas primeiras distinções, como aquele interessante Gravador que ainda é talvez o seu melhor trabalho.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 8 set. 1907, p. 4.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 9 set. 1903, p.3.

Antes de ocuparmo-nos dos artistas mais novos, é de rigorosa justiça fazer menção aqui das duas paisagens do Sr. M. Brocos, ambas representando pontos muito pitorescos de um trecho da estrada que sobe para Teresópolis, nas cascateas em que o Rio Soberbo se bifurca perto do local denominado Barreira, e em que o seu aspecto é selvático e majestoso. A palheta do Sr. Brocos mostra-se aí mais limpa do que de costume, a sua pintura é sóbria e robusta: as pedras tem o corpo e o aspecto de dureza que lhes são próprios, a água é bem transparente e a impressão geral exata e característica do local.

Dos novos, a figura mais saliente e mais robusta é a do Sr. Helios Seelinger.

Se é verdade, como diz um escritor, que nesta época em que a técnica da pintura se tornou de fácil aquisição e são tão numerosos os pintores que primam por ela, é necessário ter individualidade para ser contado como uma quantidade do mundo artístico, então o Sr. Seelinger já tem direito a essa consideração, porque individualidade não é o que lhe falta.

Dos nossos artistas poucos ou nenhuns [sic] são os que tratam de assuntos simbólicos, preferem a translação de fatos positivos à expressão de ideias abstratas e compreende-se que assim raramente apresentem trabalhos em que possam revelar individualidade muito marcada de sentimento e de pensamento. Em geral, só se preocupam com os resultados brilhantes a que pode chegar a perfeição de técnica na interpretação por assim dizer imitativa de cenas da natureza e na representação de acontecimentos da vida diária. Isso constitui, sem dúvida, um ponto de vista artístico digno de consideração e apreço, mas não exclui desse direito, nem do bom conceito dos que principalmente acham prazer na parte intelectual de uma obra de arte, aqueles artistas que, a par de habilidade de execução, possuem faculdades de imaginação e de inventiva e criam obras que se afastam da craveira usual. É por esse lado, sobretudo, por essa faculdade pensante, sugestiva que a obra do Sr. Seelinger se destaca; vê-se o desejo de dizer alguma coisa, de externar uma ideia, embora a faculdade executiva ainda nem sempre consiga a perfeição e clareza de expressão que ele deseja. Compreende-se isso, dada a sua pouca idade, mas são dignas de todo o auxílio e de toda animação essas qualidade poderosas que já revelou e que, bem desenvolvidas e cultivadas, podem fazer dele um artista de valor.

Dos dois quadros que apresentou este ano, o Remorso é de intenção mais profunda no seu simbolismo tão comovente e tão lugubremente impressionador. Ambas as figuras tem a expressão própria, e o efeito que o quadro deixa em quem o contempla, efeito que se torna mais intenso quanto mais prolongada é a contemplação, é o de uma mistura perturbadora de compaixão e de sombria melancolia.

O outro quadro seu - Bohemia - desvia-se um tanto dos moldes em que em geral vasa as suas concepções. Ainda assim, tanto pela intenção como pela execução, é de todos os expostos o que revela maiores e mais louváveis esforços e trabalho.

É uma cena de atelier de um naturalismo que parece estar em oposição aos trabalhos que até agora nos tem apresentado; mostra grande espírito de observação, grande variedade objetiva. Dentro do atelier se permitem coisas que se não pensariam possíveis em nenhuma outra atmosfera. Ali permitem-se todas as liberdades, todas as extravagâncias que possam contribuir para incitar e ampliar a produção artística. Nesses lugares, durante dias e durante noites, reúnem-se entes de sexo diferentes que colaboram na mesma obra artística, tendo apenas de permeio a sombra intangível do sentimento da arte.

Uma das faces peculiares da vida de atelier é a comunicação alegre e amistosa, as relações entre os artistas, os seus amigos e os seus modelos - na permuta ruidosa, sugestiva, prolificadora de impressões e de ideias; aí, no seio desse convívio encantador, é que se passam algumas das horas mais alegres, mais consoladoras da vida artística; daí é que provem muitas vezes o conforto, o levantamento da coragem, a reanimação do espírito e o recrudescimento de fé no futuro, desses desfalecimentos, dessas duras desilusões, dessas lutas fatigantes e acabrunhadoras do artista no esforço doloroso de procurar realizar o seu ideal em uma forma que custa a precisar-se e de ver a sua obra reconhecida em um meio que não quer compreendê-la.

Foi essa vida [...], ruidosa, excitante, cheia de vibrações que Helios Seelinger procurou simbolizar no seu quadro. E primeiro que tudo procurou reunir ali alguns dos moços, artistas, poetas, escritores, mais ardentemente empenhados na labuta em prol de distinguir-se.

Como execução, o quadro tem defeitos e importantes, devidos principalmente, reconhece-se logo, à pressa de terminá-lo e à falta de estudo de diversas figuras, entre as quais há desproporções frisantes prejudicando a perspectiva linear. Mas tem qualidades vigorosas e no seu efeito geral é bastante impressionador. A sua execução é larga e nervosa: o colorido é quente [...] bem feito, bem distribuído e bem estudado o efeito da luz artificial do lampião de querosene [...] a luz natural do dia que vem apenas aparecendo por uma janela no fundo.

A perspectiva aérea é boa; os agrupamentos tem movimento e vida e algumas figuras, como por exemplo a da mulher sentada no primeiro plano, são bem feitas.

Há um que de romântico na escolha da hora e o elemento simbólico é introduzido com a figura de mulher, nua, apenas coberta por um véu roxo escuro.

O Sr. Eduardo Bevilacqua, jovem aluno da Escola e discípulo de Henrique Bernardelli, apresenta paisagens que já revelam qualidades e um quadro de composição - Canção de Daphnes, que faz lembrar composições congêneres. O efeito não é desagradável e a pintura acusa muita disposição ao jovem artista apesar dos defeitos de desenho nas figuras e muito apegamento à maneira do mestre.

Os dois irmãos Chambelland [Carlos Chambelland e Rodolpho Chambelland] têm na Exposição alguns estudos interessantes, em que há apreciáveis qualidades de desenho e paisagens com uma nota bem exata, principalmente a de n. 67, muito justa conquanto fria de impressão.

O Sr. Lucilio de Albuquerque, que já o ano passado se salientara, tem um delicado estudo de figura, um perfil de moça, feito a pastel, e dois retratos muito discretos. É um artista de quem se deve esperar muito.

O Sr. Evencio Nunes, outro aluno da Escola já nosso conhecido, tem um interessante quadro de gênero e um bom retrato.

Podemos citar mais entre os novos os Srs. Araujo Froes, José Monteiro da França, Jorge de Mendonça e Luiz Maria Felippo.

Depois que morreu Castagnetto, nenhum artista apareceu que tenha sabido pintar boas marinhas. Há na exposição alguns trabalhos nesse gênero que ainda não satisfazem, mas os Srs. Luiz Ribeiro Junior e Virgilio Lopes Rodrigues merecem louvores pela perseverança e carinho com que se dedicam a este ramo de pintura, e é de esperar que, com estudo aturado do natural e a observação própria, venham a conseguir bons resultados na arte que cultivam.

O número das senhoras que mandaram trabalhos é bastante numeroso e mostram certo gosto e amor no estudo da pintura: são elas as Srs. D. Alina Teixeira, D. Clelia de Castro Nunes, D. Dinorah de França Meirelles, D. Elvira Gamensoro Ferreira, D. Georgina Moura Andrade, D. Helena Vaz Pereira de Viveiros, D. Irene de Andrade Ribeiro, D. Leduina B. da Gama Rodrigues, D. Marietta de França Meirelles e D. Minna Mee.

De Angelo Agostini, Pedro Bolato, De Agostini, Alberto Delpino, Augusto Petit, não se pode dizer outra coisa senão o que se tem dito nos anos anteriores: são artistas com o seu modo de pintar já acentuado e os seus trabalhos deste ano não apresentam novidades.

O Sr. Francesco Napolitano, que pela primeira vez aparece na exposição, tem uma maneira acentuadamente italiana e os seus quadros não são destituídos de qualidades, principalmente o de n. 160.

Na próxima noticia trataremos das aquarelas, desenhos, gravuras e litografias.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 9 set. 1903, p.3.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 9 set. 1904, p.2.

Exposição Geral de Belas-Artes - O Sr. João Baptista da Costa apresenta-se este ano com uma exposição numerosa e variada. Todos os seus trabalhos agradam e acusam um artista que vai assumindo pronunciado destaque e individualidade. Possui um grande talento, de elevada expressão técnica; a sua visão tem encantos especiais, e o seu estilo é simples, sincero, sério e escrupuloso.

Sente de tal modo a nossa natureza que, vendo-a e reproduzindo-a, segundo a sua maneira pessoal de a compreender, as cenas que os seus quadros representam são aceitas por todos, como translações fiéis da nossa paisagem. Os seus trabalhos têm sempre uma beleza simples e não rebuscada, observação muito segura e delicadeza e distinção de exposição.

A sua grande paisagem - Fim da jornada - (17) é um belo trabalho em que o artista joga com muita arte o efeito dos contrastes de luz e sombra. Toda a conformação do terreno e da vegetação denuncia um trecho da zona de serra acima. No primeiro plano, uma estrada dentro de uma fazenda, com a sua porteira característica. Um carro com as suas duas juntas de bois, recolhe vagarosamente ao terreiro. Seguem o mesmo caminho diversos trabalhadores. É ao cair da tarde e todo o primeiro plano já se acha abandonado pelo sol, que vai descambando por detrás das colinas. Os planos secundários vibram ainda dos últimos lampejos do astro-rei. O céu, muito limpo e iluminado, é apenas manchado por pequenas nuvens claras, douradas pelos últimos reflexos da luz solar.

A impressão que produz este quadro é serena e impregnada do caráter nostálgico da hora.

A sua paisagem (19) de Copacabana é uma das que maior impressão despertam; as montanhas e a vegetação, o vale que entre elas se estende, a tonalidade do quadro, tudo é pintado com esse amor e sentimento peculiares ao nosso artista.

A Praia do Vidigal tem uns rochedos pintados com uma fidelidade que satisfaria a um geólogo, e nos seus quadros A caça de passarinhos (14) e Caminho da estação, tão interessantes de tema, mostram a mudança de cor, ou antes de tonalidade, para o claro por que está passando o artista.
O Sr. Benno Treidler, além de três das suas apreciadas e vigorosas aquarelas, enviou uma paisagem a óleo - Manhã de sol (207), que nos faz lamentar não pintar ele mais vezes nesse gênero, de que se mostra tão hábil manejador.

Um artista em geral tem mais simpatias por uns efeitos que por outros, e se sente mais fortemente certo aspecto da natureza, é fora de dúvida que o pintará mui frequentemente. É isso o que se dá com o Sr. Treidler; gosta tanto dos efeitos de sol, de luz intensa, de cores vivas, que quase todos os seus quadros apresentam a natureza debaixo desse aspecto; e se muitos reparam em seus trabalhos certa violência de cor, hão de em compensação notar qualidades que lhes são próprias, e que revelam um artista intensamente impressionista, na melhor acepção desta palavra.

O seu quadro - Manhã de sol - é pintado com vigor e sutileza; um belo estudo de árvore em uma encosta ondulante, o céu cheio de luz, profusão de ambiente, e muita frescura nos verdes da paisagem.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 9 set. 1904, p.2.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 9 set. 1909, p. 3.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS-ARTES - A estátua monumental do Barão de Maúa é uma das obras verdadeiramente grandiosas e imponentes do Sr. Rodolpho Bernardelli. O banqueiro opulento e arrojado industrial apresenta-se-nos numa atitude dominadora, avassaladora, que deve ser esteticamente a dos homens da sua têmpera e da sua força. Direito e sólido, com o belo rosto escanhoado, onde as feições voluntariosas se destacam, rijamente modeladas; a mão direita na ilharga, arredando a banda da sobrecasaca, a outra descabida para trás das costas, segurando o vasto chapéu alto e a bengala poderosa - o vulto de Mauá reveste-se bem da majestade moderna dos que manejam milhões e dão impulso as obras do progresso. É uma figura vitoriosa, que olha de alto e parece desafiar as adversidades e os insucessos, na segura certeza de os arredar do seu caminho; a sua fronte triunfa; a sua inteligência e a sua vontade resplandecem; está coberta de glória.

Na Exposição há, também, a maquette de Teixeira de Freitas e os bustos de Castro Alves, Ferreira de Araújo e Dr. Chapot Prevost, dos quais já tratamos nestas colunas e que são outras tantas obras fortes e seguras do nosso mestre consagrado.

O Sr. Modesto Brocos expõe um Busto e a maquette do frontão da Biblioteca Nacional, onde as figuras alegóricas formam um quadro airoso e delicado.

O Sr. Umberto Cavina dá-nos dois bustos em bronze, os de D. Carlos I e Santos Carvalho, nos quais o artista parece ter-se preocupado com a "semelhança" que está realmente bem procurada e achada; e mais um busto em gesso, , que olha devotamente uma cruz.

O Busto-retrato, da Sra. Julieta de França, é um bebê gorducho, simpático, que olha para o ar, como a procura da teteia que segundo a tradição doméstica, lhe disseram estar no teto da casa, para o obrigarem a posar. A escultora expõe também uma maquette, Pró-Pátria, que é uma apoteose a Tiradentes e onde, entre algumas "academias" apenas indicadas, se ergue o vulto do herói mineiro.

Passa-se depois à secção da gravura e litografia que teve dois únicos concorrentes: os Srs. Carlos Oswald e Pedro Weingartner. É interessante de observar a diferença de factura dos dois artistas: o primeiro, traçando largamente os seus motivos e procurando as notas impressionantes que na verdade resultam de poderoso alcance sugestivo: o segundo, caprichoso e meticuloso, buscando reproduzir com a fidelidade de uma miniatura, quanto os seus olhos viram na paisagem, na cena, ou na figura.

Outros dois concorrentes figuram na gravura de medalhas; o professor Girardet e o seu discípulo Sr. Adalberto de Mattos. O Sr. Girardet é um gravador primoroso: toda a gente, há muito tempo, o sabe. As suas medalhas compõem hoje uma coleção única, no Brasil, pela correção, o apuro, a finura com que são executadas; representam a mais delicada das intuições artísticas, servida pela paciência laboriosa mais tenaz e aplicada. Cremos, porém, que o engenho do Sr. Girardet não produzira ainda obra mais completa do que este Prêmio Dr. Frontin, onde a fisionomia do ilustre engenheiro se desenha em tão excelente lavor e em cujo reverso se estende uma vista da Avenida Central, com os belos prédios alinhados numa perspectiva perfeita; ou do que o Prêmio da Exposição Nacional, que reproduz o panorama magnífico da nossa "Cidade de Luz".
O Sr. Adalberto de Mattos apresenta uma plaquette em gesso (Homenagem ao Professor R. Bernardelli), que deixa alguma coisa a desejar, sobretudo quanto à estética do [sic] figura alegórica, e um Retrato de [...] Mattos, punção em aço, essa sim, obra fina e bem acabada.

O Professor João Ludovico Maria Berna expõe um projeto para o edifício do Forum federal, em que há a simplicidade grandiosa mais adequada àquele fim; e outro, para escola naval, gracioso e sóbrio.

O Sr. Henrique J. L. de Almeida figura com um anteprojeto para teatro ao ar livre, infelizmente inaplicável no Brasil, onde se não pensa nessas coisas, mas nem por isso menos de admirar na concepção e na execução superiores.

A Fundição Indígena faz-se representar com êxito nas "Artes Decorativas e Objetos de Arte", por uma coleção de belos bronzes, executados nas suas oficinas. E, na mesma secção, as Sras. Julie Hengel e Margrethe Krog, que pertencem à Sociedade Dinamarquesa de Arte Aplicada, expõem trabalhos em renda Hedebo, que é um gosto examinar e um sonho delicioso imaginar que estão em nossa casa, alindando e tornando preciosa a nossa mesa de jantar.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 9 set. 1909, p. 3.

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 9 set. 1913, p.6-7.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Ainda tratando dos novos, temos que nos referir aos Srs. Annibal Pinto de Mattos, cujo quadro "Solidão" é impregnado de poesia; Gutmann Bicho, cujo temperamento ardoroso se revela nos seus trabalhos, mas que ainda precisa estudar muito; Miguel Capllonch, com um grande quadro inspirado em Wagner, demonstrando que os estudos feitos pelo artista na Europa não habilitam ainda a arcar com temas de tal magnitude; Mario Navarro da Costa, que visivelmente faz progressos na especialidade que adotou, e expõe uma marinha interessante, com um belo efeito de vibração de luz produzida sobre a superfície d'água; B. Bourdon, que não se fez representar tão bem quanto era de esperar de um jovem artista que já tão boas provas tem dado de si; Edgar Parreiras, com paisagens de uma tonalidade muito crua, etc.

Dos artistas mais velhos, ocupa facilmente o primeiro lugar João Baptista da Costa.

Pode haver quem não goste da sua pintura, mas não há quem possa passar indiferente diante dos seus quadros; e o ilustre artista se impõe a todos pela continuidade retilínea do seu esforço, pela massa sólida da sua obra.

É difícil, principalmente para um artista já de há muito feito, revelar em cada novo trabalho que expõe, progresso acentuado sobre os trabalhos anteriores; e quando ele já conseguiu atingir um nível elevado e saliente, não é pouco manter-se persistentemente na alta posição conquistada.

É o que ainda faz João Baptista da Costa com as sete obras que mandou para a Exposição.

Das duas paisagens maiores, as preferências se dividem entre as denominadas A caminho do curral e Tranquilidade.

A primeira contém excelente perspectiva e um empolgante efeito de serenidade campestre, que não é isento de poesia e parece pintada mais diretamente.

A segunda, pintada na hora predileta do artista, tem água, no primeiro plano, e toda a mata que se reflete na penumbra e os planos posteriores, montanhosos, brilhantemente iluminados pelos sol que declina, é também uma obra vigorosa e verdadeira.

Cheia de frescura e de espontaneidade direta são as suas outras telas menores, principalmente as de ns. 32 e 36.

O Sr. Visconti acha-se muito mal representado este ano, e, se não fosse a sua paisagem de Santa Teresa, que é realmente fina, teríamos que passar por seu nome sem a menor referência.

O Sr. Fiusa Guimarães tem dois trabalhos, um estudo de cabeça, já velho, e um quadro alegórico de grandes pretensões de que não gostamos nada.

Esse quadro é intitulado a Guerra, e foi inspirado, diz o Catálogo, em uma bela poesia do falecido e saudoso Thomaz [sic] Lopes.

Diante dele é impossível não nos lembrarmos do famoso quadro de Franz Stuch [sic], também intitulado A Guerra, que se acha na Nova Pinacoteca de Munique.

Na obra de Stuck há também um campo de batalha juncado de cadáveres e por sobre este campo passa um enorme cavalo negro sobre o qual monta uma hirta e gigantesca figura nua de guerreiro, que traz sobre o ombro direito uma grande espada e tendo a fronte aureolada por uma palma.

Esta obra de Stuck é um espécime do poder da pintura levado a extraordinário grau de força impressiva.

Os corpos lívidos que alastram o solo são desenhados com singular simplicidade e largueza; o tétrico cavaleiro, cujo rosto tem vaga semelhança com Napoleão, se destaca no meio das cores simbólicas, e um esplendor chameja todo o horizonte.

O vigor de expressão alegórica deste quadro no modo realista como é pintado, é tal que quem o vê uma vez nunca mais dele se esquece.

No quadro do Sr. Fiusa, o cavalo é substituído por um animal que parece ser uma mescla de onagro com morcego; cavalga-o a figura da morte, de olhos reluzentes e empunhando a foice característica.

No primeiro plano, alguns corpos pintados com algum relevo, e todo o resto do quadro envolto numa sombria e confusa tonalidade plúmbea.

Um trabalho desse gênero, para impressionar fortemente, precisa ter um vigoroso tratamento técnica que falta absolutamente ao trabalho do Sr. Fiusa.

O Sr. Carlos de Servi está profusamente representado.

Tem um grande retrato de parade, [...] senhora; um pequeno retrato-estudo, um estudo do nu, e mais três outros quadros.

Podemos discordar do modo como trata alguns desses trabalhos; mas não podemos negar-lhe a excelência do seu pincel, o seu bom desenho e boas qualidades de cor.

No retrato de senhora, não nos parece que o artista foi inteiramente feliz.

A semelhança deixa a desejar e como que há certo exagero no modo como estão pintados os olhos.

Afigura-se-nos muito forte o contraste entre a tonalidade da cabeça e a do resto do quadro. O azul do vestido impressiona um tanto violentamente, apesar dos tons roxos do fundo.

A posição da retratada é muito boa e distinta, e toda a figura tem a devida saliência.

No quadro de nu, Puberdade, é deliciosa a cabeça, que está finamente pintada.

No pequeno retrato de n. 87, o artista produziu um excelente e vigoroso estudo de cabeça profusamente iluminada e em que há acentuada expressão característica. É evidentemente uma das melhores notas da Exposição, um excelente retrato, de uma tonalidade, de uma individualidade inconfundível.

O Sr. Augusto Luiz de Freitas mandou apenas meia dúzia de interessantes estudos, dos quais destacamos o de n. 142 - Luz crepuscular - que tem poesia.

O Sr. Lucilio de Albuquerque tem um retrato ao ar livre de um conhecido amador e colecionador. O retratado está na sua chácara, encostado a uma latada através da qual se vem raios de sol. Tem na cabeça um chapéu de Chile, veste paletó de palha e de seda, gravata azul claro, solta sobre a camisa e calça cor de alecrim. No rosto, há a expressão prazenteira do amador que vê assim aumentada a sua coleção de retratos... próprios e mais um bom nome para o seu catálogo de celebridades.

O outro quadro do Sr. Lucilio é uma boa paisagem.

Do Sr. Heitor Malaguti contém a Exposição seis trabalhos na sua conhecida maneira, vaga e velada. As suas figuras parecem incompletas ou desenhadas com muita parcimônia. Agradou-nos mais o quadro n. 151, numa tonalidade roxa, com as formas da figura com mais relevo.

Do Sr. Helio Seelinger, atualmente em Paris, apenas o quadro - O fogo - já nosso conhecido e cujas boas qualidades estão bem patenteadas pelas ótimas condições de luz e da colocação que tem na Exposição.

Dos retratos enviados pelo Sr. Pons Arnau, um artista que tem revelado boas qualidades de técnica em obras anteriores, nenhum satisfaz plenamente, parecendo-nos, entretanto, os melhores o do Sr. Dr. L. F que tem certa caracterização, e o de sua senhora.

O outro grupo de retratos trai a composição fotográfica e a homogeneidade na pintura de certas partes, como os olhos, por exemplo, das diversas pessoas, o que denota falta de observação e execução descurada.

O Sr. Raphael Frederico e o Sr. Modesto Brocos mandaram pequenas notas, que nada adiantam ao que já conhecemos dos dois artistas.

O Sr. Valle de Souza Pinto expõe um retrato a crayon, bem feito e um tanto acadêmico.

Falemos agora de uma das notas mais simpáticas da exposição, a da contribuição que algumas senhoras, artistas e amadoras, trouxeram ao êxito do nosso "Salon".

Pelo nome que já conquistou no nosso mundo artístico, cabe de justiça a primeira menção à Sra. Georgina de Albuquerque, que expõe uma boa e fina cabeça de mulher em perfil.

A Sra. D. Angelina Agostini justifica brilhantemente a sua ascendência artística.

O seu aparecimento nas nossas exposições foi uma revelação; é uma moça de grande talento e incontestável vocação. Os seus trabalhos, embora ainda desiguais, indicam que ela tem sabido aproveitar-se das boas lições e da boa escola do seu eminente mestre, o professor Henrique Bernardelli.

O seu quadro que mais chama a atenção, é o de n. 10, intitulado As compras [Imagem], um grande cesto no primeiro plano, do qual acabam de ser despejados em profusão couves, laranjas, pimentões vermelhos, uvas, bananas, etc. Em plano secundário, uma figura de mulher arruivada, com avental.

O quadro é bem iluminado e a pintura da natureza morta é feita com solidez, frescura e harmonia e faz lembrar um pouco os antigos pintores flamengos. É pena que não tivesse tirado melhor partido do bom e interessante modelo que teve para pintar a figura.

Os outros seus quadros, todos de figura, são igualmente pintados com o mesmo cuidado e savoir-faire.

Agradou-nos sobremodo o pequeno retrato de criança - Magú - feito com muita finura e felicidade de expressão.

A jovem artista já é hoje, não há desconhecê-lo, uma bela realidade, cujo desenvolvimento futuro há de ser acompanhado com interesse.

Acreditamos que o próprio seu ilustre mestre gostaria de ver o lindo talento da discípula desabrochar completamente em um meio menos estreito e mais estimulante e educador do que o nosso.

Henrique Bernardelli tem ainda duas discípulas, que expõem obras que merecem menção.

A Sra. D. Francisca Azevedo Leão tem dois bons retratos, revelando boas qualidades de desenho, podendo-se, talvez notar que tivesse tratado o pastel (em que são pintados) como se fosse pintura a óleo.

A Sra. Sylvia Meyer também tem três trabalhos, que mostram a boa escola em que está sendo educada.

João Baptista também se acha representado por algumas discípulas, que lhe seguem as boas lições com aproveitamento.

São elas as Sras. DD. Julieta Bicalho e Iracema Orosco Freire.

São também expositoras as Sras. D. Adelaide Lopes de Souza Gonçalves, com interessantes trabalhos de figura; Viscondessa de Sistello, D. Fedora do Rego Monteiro, Dona Carlota Laboriau, D. Sarah Padovani, Dona Maria Pardos, D. Angelina de Figueiredo, D. America de Souza e D. Adelia Marques Saldanha.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 9 set. 1913, p.6-7.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1895, p.2.

Inaugura-se hoje a Exposição Geral de Belas Artes, no edifício da Escola Nacional de Belas Artes, com a presença do Sr. Presidente da República.

Ontem efetuou-se ali a cerimônia do envernizamento, para a qual fomos convidados.

A impressão que se sente da atual exposição é que, se ela não é superior a do ano passado, não lhe fica também em plano sensivelmente inferior. O número dos quadros expostos é tão grande como o dos expostos em 1894, embora seja menor o número dos expositores.

Notamos entre estes a ausência dos Srs. Victor Meirelles, Pedro Américo, Rodrigues Lopes, Parreiras, Pedro Peres, Decio Villares, Teixeira da Rocha, Vasquez, e de todos os pensionistas do Estado.

Muitos destes artistas estão afastados da escola por motivos que a nós não incumbe indagar e outros não concorrerão voluntariamente.

Diversos artistas estrangeiros receberão convite para concorrer a esta exposição, mas, como o Governo só em data de 22 do corrente foi que autorizou a despesa a fazer-se com o transporte das suas obras, estas não poderão tomar parte na exposição.

Em compensação, aparecem no Catálogo alguns nomes novos, entre nós, como os de Mme. Berthe Worms, Srs. Marques Guimarães, Alvaro do Valle, H. Darier, Carlos de Lacerda Malevolli [sic], Eugenio Teixeira, que não fazem figura somenos nesse certame artístico.

Em uma primeira visita não é fácil destacar logo as obras que mais dignas sejam do apreço geral.

Há quadros bons e que fazem honra aos artistas que os assinam, mas não nos parece que haja nenhum que se destaque tão superiormente dos outros, a ponto de isolá-lo como a obra prima do ano.

Quando se entra chama logo a atenção do visitante um quadro do Sr. Rodolpho Amoêdo, (n. 18) - Passeio Matinal, em que esse procurou harmonizar o verde cru, com o encarnado vivo, o branco e o amarelo, e que produz um efeito que não se nos afigura positivamente simpático. Nesse quadro notam-se as qualidades de pintor do Sr. Amoêdo, mas somos de opinião que a cinza das cores e a incorreção do desenho prejudicam o efeito de um assunto aliás feliz. O outro quadro que atrai logo a atenção geral é a grande composição alegórica do Sr. Belmiro de Almeida, a Aurora do Quinze de Novembro, quadro decorativo de grandes proporções, em que o artista foi bastante feliz na composição, e cuja execução acusa todas as suas grandes qualidades de desenhista e colorista.

Entre as paisagens, notamos: dois quadros dos Sr. Belmiro de Almeida, que produzem uma nota individual no conjunto geral, uns estudos de efeitos de sol, sobre a paisagem de um verde claro e quente, e um de uma manhã coberta de véus diáfanos de nevoeiro; do Sr. Benjamim Parlagreco, irmão do conhecido professor da nossa Escola e morador de Nápoles, duas boa paisagens, 173 e 174 – a primeira, com duas figuras muito bem metidos [sic] e muito bem pintados no primeiro plano, e um fundo bem indicado; a segunda é uma sentinela perdida no meio de uma mata, junto a uma fogueira, na qual aquece as mãos; os quadros do Sr. H. Bernardelli, bem observados, dando a entonação da nossa vegetação, com colorido talvez um tanto monótono; uns belos estudos das montanhas de Minas, do Sr. Aurélio de Figueiredo, em que há uns admiráveis efeitos de névoas nas montanhas; uma paisagem (n. 24) do Sr. Angelo Agostini, representando um trecho de mata, com uma linha férrea e umas figuras de índios; o lindo quadro do Sr. Fachinetti, representando a pedra de Itapuca, de que já falamos nestas colunas, e que é um perfeito espécime do estilo peculiar deste artista; três quadros da Sra. D. Maria Agnello Forneiro, discípula do Sr. Fachinetti, e que o acompanha no seu modo artístico; a "Vista do Rio Caravellas" (n. 106) e "Campo de Queimados" (n. 110), do Sr. Brocos, bem entonados; alguns trabalhos do Sr. Alberto Delpino.

No retrato, nesse difícil gênero de pintura é muito limitado o número dos trabalhos expostos; notam-se, porém, os seguintes: os ns. 128 e 130, pela Sra. D. Diana Cid, bem desenhados e harmoniosos; do Sr. H. Bernardelli, três trabalhos, um retrato, de mulher, pintado e desenhado com vigor, e, os outros dois, em pastel e bem semelhantes; do Sr. Belmiro de Almeida, (n. 49), semelhantes e com caráter; de Mme. Berthe Worms, o retrato da Sra. D. Julia de Almeida (n. 96), pintado com chic e em que é bem acentuada a fisionomia da distinta escritora; do Sr. Marques Guimarães, o retrato da mãe do artista (n. 157) cuidadosamente pintado, e o retrato do Sr. Julião Machado (n. 158), um tanto fantasista.

Entre os quadros de gênero, merecem menção: do Sr. Brocos, o quadro n.101, a "Redenção de Chain" [sic] de grandes proporções em que há quatro figuras, uma preta velha, uma mulata filha, e seu netinho já quase branco e o pai deste, de pura raça caucasiana e no qual o artista procurou mostrar as gradações do cruzamento, da raça branca com a raça de cor, bem pintado e bem desenhado, sobressaindo a figura da preta, feita com grande verdade, e a "Feiticeira" (n. 103), igualmente bem pintado e com muito caráter; do Sr. Álvaro do Valle, os quadros "Junto ao Fogão" (n. 16) e o "Proletário" (n. 17), o primeiro de uma entonação apropriada a um interior, e o segundo pintado com expressão; do Sr. Felix Bernardelli, alguns quadros simpáticos, destacando-se o de n. 82, a "Culpa"; do Sr. Henrique Bernardelli, o interior de "atelier" (n. 67 - "Repouso") o modelo descansando sentado, lendo, bem desenhado e bem composto; os "Galinhos", (n. 53), episódio familiar brasileiro bem interpretado, e a aquarela "Livre Operário" (n. 75), que é bem desenhada e pintada com largueza; do Sr. Belmiro de Almeida, a "Cega de Narni" (n. 52), bem sentido e fino de cor; "Lieta" (n. 51), comunicativo e modernamente pintado, e Ciociaretto (n. 50); do Sr. Almeida Junior, os quadros: Cozinha da Roça (n. 10), bonito efeito de interior, o Caipira pitando (n. 14), bem pintado; do Sr. Rodolpho Amoêdo, Más Notícias (n. 21), cabeça bem pintada e expressiva; do Sr. Aurélio de Figueiredo, os quadros: n. 27, o Gatinho, com duas figuras de criança bem pintadas; Quer Uvas (n. 26), uvas bem feitas; o Ruído da Concha (n. 31), uma menina tendo ao ouvido uma concha pintada com verdade; do Sr. Weingärtner, um retrato de uma senhora vestida à japonesa em um ambiente japonês, meticulosamente pintado.

No gênero natureza morta, destacam-se: "Peixes" (n. 4), pintados com frescura e "Cebolas" (n. 6), um belo estudo a pastel, do Sr. Pedro Alexandrino; "Mangas" (n. 40), do Sr. João Baptista, largamente pintado; "Um jejum de preceito" (n. 161), bem feito e harmonioso; "Copo com Camélias" (n. 159), e "Uma Camélia em um copo de água", (n.165), em que as flores são finamente pintadas e "Aperitivos" (n. 163), pintado com verdade, do Sr. Marques Guimarães.

A Exposição é pobre de marinhas; nota-se apensas uma pequena "pochade" do Sr. Lacerda, e uma outra do Sr. Castagneto.

Na seção de escultura dois trabalhos, a Vida e a Morte, da Sra. D. Adelaide U. da Silveira, regular para uma amadora; e a "Moema" do Sr. Rodolpho Bernardelli, um esboço em gesso, modelado com grande verdade.

A seção de arquitetura tem um único expositor, o Sr. Marques Guimarães, que apresenta diversos prospectos e plantas de um teatro de segurança para o Rio.

A seção de gravura de medalhas e pedras preciosas tem também um único expositor, o Sr. Augusto Girardet que apresenta uma medalha comemorativa da inauguração da estátua do general Osório, e alguns trabalhos em pedras duras, que são cuidadosamente tratados.

Na seção de gravura em água forte igualmente se apresentou um único expositor, o Sr. Antonio Piccinni, que é um artista de muito valor e consciencioso. Destacam-se entre os seus trabalhos o Avaro (n. 197), soberba composição e perfeito desenho; o Contador de histórias (n. 198) e o Salve Regina (n. 199), que são vigorosamente feitos.

Na seção de litografia, um bom retrato do almirante Saldanha da Gama, pelo Sr. Valle de Souza Pinto.

A seção de artes aplicadas é muitíssimo pobre; apresentou-se apenas o Sr. Benedicto Filho, com três trabalhos.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1895, p.2.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1896, p.2.

Hoje ao meio-dia inaugura-se, na Escola de Belas Artes, a exposição geral de Belas Artes do corrente ano, com a presença do Sr. Presidente da República.

Ontem ocorreu ali a cerimônia do vernissage, com grande concorrência de senhoras e amadores, que foram sôfregos ver quais as novidades artísticas do ano.

Pelo rápido exame que fizemos, a nossa impressão é que a exposição desse ano é bastante inferior à de 1895, tanto em quantidade, como em qualidade. Se não fossem os retratos dos Srs. Daniel Bérard, Modesto Brocos, Rodolpho Amoêdo e Salgado, belas paisagens dos Srs. Aurélio de Figueiredo e João Baptista, os quadros enviados o passado pelo Srs. Eliseu Visconti e Oscar Pereira da Silva, um pastel do Sr. Henrique Bernardelli, uma pequena cabeça de velha, enviada pelo Sr. Lopes Rodrigues, quatro magníficas aquarelas do Sr. Freidler [sic], e talvez um retrato enviado pelo Sr. Madruga Filho, uma velha lendo uma carta de Mme. Berthe Worms e trabalhos de alguns amadores de merecimento, como o que se assina Annitta, o nível da exposição estaria abaixo do vulgar. O número dos absenteístas, por motivos que não nos compete agora averiguar, foi maior ainda do que o ano passado, e os próprios artistas que em 1895 mandaram trabalhos de fôlego, parece que perderam o entusiasmo e deixaram-se dominar pelo desânimo e limitaram-se a mandar alguns retratos e pequenos quadros, os quais, embora revelando as suas excelentes qualidades artísticas, não está na altura do que se devia esperar do seu talento, principalmente tratando-se de exposição no edifício da Escola de Belas Artes.

Cumpre ponderar, porém, que, apesar dessas circunstâncias que lastimamos e que é de se esperar não se repetirão no ano próximo vindouro, os trabalhos acima citados, sobre os quais falaremos mais de espaço, merece ser vistos e apreciados.

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Digitalização e transcrição de Arthur Valle

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1896, p.2.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1898, p. 4.

Inaugura-se hoje a exposição geral de Belas Artes do corrente ano.

Ontem, como é de praxe, realizou-se ali a cerimônia do vernissage, que foi bastante concorrida, embora não entrasse ainda nos costumes da nossa alta sociedade, como acontece em Paris coma abertura dos Salões e em Londres com a das exposições da Royal Academy, fazer da véspera de inauguração oficial um dia seleto, exclusivo, para a reunião dos representantes das artes e das letras, e do escol da melhor sociedade, principalmente do que ela possui de mais elegante e garrido no gênero feminino.

A impressão que a atual exposição há de produzir nos visitantes será forçosamente satisfatória e agradável, e essa impressão torna-se a tanto mais intensa quantos se produz e perdura, quando ainda há poucos dias se admirava tantos e tão preciosos exemplos da pintura europeia.

A seção de pintura compreende nada menos 254 trabalhos, representando 47 expositores na sua maioria: a de arquitetura 12, trabalhos de três exposições, e a de escultura quatro trabalhos, de quatro artistas, e a de gravuras de medalhas e de pedras preciosas, cujo único expositor é o Professor Augusto Girardet, com seis trabalhos, todos, como costuma acontecer com este artista, despertando interesse.

Em uma visita passadeira como não podia deixar de ser a de ontem, seria impossível notar imediatamente todos os quadros de valor que ali se acham reunidos. Vê-se, porem, que se trabalhos muito durante o ano, que se há telas de subido merecimento artístico, e alguns dos expositores, principalmente dos mais jovens, ascensão progressos notáveis.

Predominam muito salientemente os artistas, e embora o júri de admissão fosse ainda bastante complacente, o nível dos trabalhos expostos é muito mais elevado do que nestes últimos anos. Nota-se também que algumas amadoras, Mlle. Mary Manso Sayão e as Sras. DD. Anna [Anna da Cunha Vasco] e Maria da Cunha Vasco, pelo talento que revela, pelos progressos consideráveis que fizeram, afirmam sem direito de estar lado a lado dos mestres e dos artistas de nome feito.

Mas de espaço trataremos circunstanciadamente da Exposição. Queremos, entretanto, desde já chamar a atenção para alguns dos quadros que mais nos impressionaram.

Almeida Junior, que o ano passado pouco mandou, vingou–se bem este ano: expõe sete trabalhos, destacando-se dentre eles logo a grande tela decorativa – Partida da Monção, no estilo da escola moderna de Puvis de Chavannes, de belo efeito poético, uma soberba cabeça de Beata, uma boa cabeça de estudo, uma paisagem ao ar livre, mas um tanto fora de efeito, e um vigoroso esboceto – S. Jerônimo.

Souza Pinto, o grande pintor português, mandou o quadro En Prairie, que tanto barulho fez o ano passado em Paris, uns Cavalos admiravelmente pintados e metidos em um campo, um belo estudo ao ar livre, muito decorativo.

Madruga Filho, um pensionista do Estado que está em Paris, enviou umas magníficas paisagens, dá um toque largo e vigoroso, um retrato do Sr. Regis de Oliveira e um interessante retrato de menina do jardim.

A exposição de Henrique Bernardelli é numerosa, como de costume, e contém bons retratos como de Rodolpho Bernardelli, o do próprio artista e um pequeno de senhora, e muitas paisagens pequenas, mais bem feitas e bem observadas.

Rodolpho Amoêdo tem um retrato de Aurélio de Figueiredo, bem pousado; um dominó, que parece sair de uma aventura amoroso, e um amenina ao sol, uma sinfonia de cores muito luminosa.

De Aurélio de Figueiredo há a grande paisagem decorativa, de que já falamos por ocasião da sua exposição, e um belo estudo de por de sol.

Há dois belos estudos do nu e uns estudos, alguns bastante fantásticos, de Eliseu Visconti, um interessante quadrinho do Weingärtner, umas excelentes aquarelas Benno Treidler, dos pasteis de Parlagreco, uma marinha bastante vigorosa e uns estudos de paisagem de Joaquim Fernandes Machado, uma paisagem, uma nota muito alegre de João Macedo, umas vistas e guaches de Insley Pacheco, um retrato em forma de medalha, do Sr. Brocos, uma bela cabeça de mulher, de Angelo Agostini, duas cabeças de velho, do Sr. A. Petit, etc.

Da Sra. D. Mary Manso Sayão há seis trabalhos, quatro naturezas mortas, bem tocadas, e dois retratos, dos quais um, o da própria autora, é excelentemente pintado, coma cabeça muito bem modelada, destacando-se de um fundo quente.

Cumpre-nos também salientar as belas aquarelas das Sras. D. Anna e D. Maria da Cunha Vasco, tão largamente feitas, tão bem iluminadas, embora mostrem que as inteligentes amadoras acompanham muito de perto a maneira do mestre.

Interessaram-nos também quatro aquarelas, finalmente desenhadas e tocadas, da Sra. D. Anna Porto-Alegre, uma discípula de Pedro Américo.

Chama também logo a atenção um vigoroso retrato, crayon, do maestro Francisco Braga do artista C. Villaça.

No salão de pintura admira-se o belo esboço em barro, da imagem de S. Lucas, que Rodolpho Bernardelli vi fazer para a igreja da Cruz dos Militares, e os trabalhos de Augusto Girardet, entre os quais o modelo de medalha comemorativa de Carlos Gomes, com ótimo retrato do falecido artista.

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Ontem mesmo foi adquirido por um conhecido jornalista e sócio do Centro Artístico o quadro Velha Beata, de Almeida Júnior.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Gisele Soares

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1898, p. 4.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1900, p.2.

Inaugura-se hoje, no edifício da Escola Nacional de Belas Artes, a Exposição Geral de Belas Artes do corrente ano.

Realizou-se ontem ali a cerimônia do vernissage, que foi regularmente concorrida.

Pela rápida visita que ontem fizemos, a Exposição atual na seção de pintura é pobre, apesar do número relativamente grande de trabalhos expostos.

Dominam os amadores e amadoras, e os quadros de natureza morta. Dos nossos artistas mais notáveis poucos concorrerão, e dos professores da Escola apenas os Srs. Amoedo e Henrique Bernardelli (cujos trabalhos ainda ontem não estavam colocados) concorrerão.

Entretanto, vale a pena uma visita à Exposição para ver os quadros dos Srs.: João Baptista da Costa (facile princeps), Rodolpho Amoedo, Bruno Freidler [sic], Modesto Brocos, Belmiro de Almeida, Raphael Frederico, as duas senhoritas Cunha Vasco [Anna da Cunha Vasco e Maria da Cunha Vasco]; Macedo, Machado, Facchinetti, D. Maria Fomeiro [sic], Luiz Ribeiro Filho, Mrs. L. A. Hunter, etc.

A seção de arquitetura é a que melhor figura faz este ano: só a exposição Morales de los Rios representa tanto pela quantidade como pela qualidade esta seção. Nela notam-se mais dois trabalhos de valor, feitos com ciência e consciência, do Sr. Giacomo Micheli, três trabalhos do talentoso aluno da Escola o Sr. Heitor Mello, plantas de casas edificadas pelo Sr. Alexandre Speltz e um trabalho do professor Sr. Berna.

Na seção de escultura é única expositora a distinta artista a Sra. D. Nicolina Vaz de Assis, com um busto em bronze, bom retrato do Sr. Visconde de Ouro Preto e uma cabeça de estudo em gesso; na seção de medalhas e pedras preciosas, o Sr. Girardet com diversas medalhas e um delicioso baixo relevo – Pensée.

Na seção de gravura e litografia, apenas um trabalho, um retrato à água forte, bom trabalho do Sr. Modesto Brocos.

Mais de espaço voltaremos a tratar da Exposição.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 1 set. 1900, p.2.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 10 set. 1895, p.3.

O Sr. Belmiro de Almeida expõe apenas oito quadros, mas é na nossa opinião o artista que tem a nota mais pessoal da exposição. Nos seus trabalhos notam-se: frescura de impressão, luz suave e clara, boas qualidades de desenho. Vê-se que ele tem amor e entusiasmo pela sua arte; que procura emocionar-se e comover de igual modo o observador com os assuntos que pinta. Já é um artista que tem lugar marcado entre os melhores e promete ainda progredir muito.

Chama logo a atenção de quem entra o seu grande quadro alegórico Aurora de Quinze de Novembro, enorme peça decorativa representando a República simbolizada em uma bonita mulher vestida de branco e empunhando uma bandeira, em torno da qual volitam em espiral diversos anjinhos personificando as virtudes que devem ser inerentes ao regime republicano. Embora não isento de defeitos, é trabalho de concepção feliz; de boa composição e arranjo, com a verdadeira entoação da pintura decorativa. Existe entre as figuras do primeiro plano e as dos outros certa desproporção que não prejudica o efeito geral da composição, que é bom. Poder-se-ia notar também alguns senões nos detalhes, que são de somenos importância e que desaparecem perante a natureza do quadro, que é a primeira tentativa de pintura decorativa deste gênero feita entre nós e digno de ocupar posição condigna em algum importante edifício público.

Dos seus pequenos quadros, o que mais depressa impressiona o visitante é o de n. 51 - Lieta, costume feito à luz do gás, como diz o catálogo; é realmente feito de maneira cintilante, muito gracioso de assunto e a cabeça modelada com solidez; as suas paisagens (ns. 46, 47 e 48) são bastante individuais, feitas em uma gema clara, em que foram bem apanhadas expressões momentâneas da natureza.

O quadro A cega de Nami, propriedade do Sr. Domicio da Gama, é interessante e feito com arte e sentimento, e a pequena tabuinha Ciociarello é delicada de fatura.

Expõe também um retrato, que se vê que foi pintado com rapidez, mas que tem caráter.

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São dignos de ser cuidadosamente examinados e admirados os trabalhos de gravura de medalhas e pedras preciosas, expostos pelo Sr. Augusto Girardet, professor da Escola.

Além da medalha em bronze, comemorativa da inauguração da estátua do general Osório e que é em admirável espécime desse gênero de trabalhos, pelo bem acabado com que está feito, notam-se: uma figura da "República", gravado em aço, e três trabalhos em ágata, finamente esculpidos, e um belo trabalho de escultura em uma concha, os retratos do Sr. Rodolpho Amoêdo e de sua senhora, em perfis paralelos, de grande semelhança e de muita finura de lavor.

O Sr. Girardet é incontestavelmente um artista distinto e trabalhador e que, consta-nos, já tem conseguido obter resultados lisonjeiros com os alunos que frequentam a sua aula e que se iniciam no estudo de um ramo de arte relativamente pouco conhecido até agora entre nós.

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O Sr. Barão de Sampaio Vianna adquiriu o quadro "Peru", do Sr. Valle de Souza Pinto, que faz parte da Exposição.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 10 set. 1895, p.3.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 10 set. 1901, p.3.

Exposição Geral de Belas Artes - Doença do encarregado desta seção fez com que só agora possamos falar sobre a atual Exposição de Belas Artes, que se inaugurou no dia 1 do corrente.

A nossa apreciação sobre os trabalhos ali reunidos já chega talvez um pouco atrasada; todavia, por desencargo de consciência e pelo sentimento de satisfação que essa tarefa sempre nos desperta, vamos deixar aqui as impressões que a atual Exposição nos causou.

É impossível percorrer as duas salas da Exposição sem um sentimento de satisfação e de esperança, vendo reunidas tantas telas de merecimento.

A Exposição este ano foi para quase todos uma surpresa. O nível geral da Exposição é muito mais elevado do que o das anteriores: encontram-se ali muitos trabalhos que mostram o que os nossos artistas podem produzir - trabalhos com certa felicidade na escolha dos motivos e bastante excelência na sua execução. Em geral, nas exposições anteriores, temos tido meia dúzia de telas verdadeiramente notáveis - e as demais, de uma tal mediocridade que se distanciavam frisantemente daquelas. A deste ano, não; se não possui nenhum quadro, que pela grandeza da sua concepção e pela superioridade da maneira por que foi pintado, se destaque tão salientemente dos demais e marque uma época na nossa arte, o número de trabalhos de real merecimento é grande, há nela real homogeneidade e harmonia no seu todo, e a consequência é um resultado bastante animador, e que contradiz brilhantemente as profecias lúgubres de que essas exibições anuais não têm mais razão de ser. Há ali trabalhos interessantes no retrato, na pintura de figura e de paisagem e em escultura, em gravura e glíptica.

A expurgação este ano já foi bastante grande, mas não tão completa como era de desejar, tanto mais quanto o sucesso de uma exposição não depende do grande número dos trabalhos reunidos, porém sim do valor intrínseco destes, e por outro lado, a admissão de telas de nenhum merecimento artístico é um desserviço à educação do gosto do povo.

Dada a exiguidade de espaço de que o acanhado edifício da nossa Escola dispõe para essas exposições, e isso mesmo com sacrifício de quadros de nossa galeria permanente, - um menor e mais escolhido número de telas faria melhor vista, porque proporcionaria melhor arrumação, não amontoando os quadros uns sobre os outros e deixando-os ficar com melhor distribuição de luz. Assim, o público, por um lado, poderia examinar melhor os quadros expostos e mais serenamente formar a sua apreciação, e por outro lado os próprios trabalhos expostos, colocados assim mais independentes uns dos outros, poderiam apresentar mais livremente, sem as influências que uma demasiada proximidade de outros quadros lhe possa causar, os seus valores próprios.

É essa impressão de menos apinhamento, de arrumação mais criteriosa na colocação das telas, e de certa tendência, muito fraca ainda mas já sensível, para mais severa seleção, que tem o visitante ao percorrer as salas da Exposição.

Outra boa impressão que a atual Exposição logo infunde é a de ver que, apesar de serem profundamente contrários à produção artística os elementos atualmente predominantes no nosso meio, grupo bastante numeroso de nossos artistas, sem outro incentivo que a força interna, a febre de produzir própria, por assim dizer, do artista verdadeiramente apaixonado da sua arte, apresenta um conjunto não escasso de obras de merecimento. De fato, em uma época em que nada lhe favoneia a esperança de verem os seus trabalhos condignamente apreciados; em um meio tão pouco educado ainda, que o povo foge das exposições, e em que mesmo as classes que só dizem ilustradas não as visitam; e quando não podem alimentar a menos esperança de ver um trabalho seu adquirido, nem pelo Governo, cuja proteção é por assim dizer toda teórica, nem pelos particulares abastados, cuja grande maioria desconhece por completo o valor de uma obra de arte, é preciso muita abnegação, muita consciência do que lhes impõem a dignidade e o amor da arte, para ainda trabalharem.

E se a ausência de alguns dos nossos melhores artistas faz que a Exposição não possa ser perfeitamente representativa da nossa arte, ausência que tem sua explicação, é manifesto que essa demonstração de vitalidade de nosso meio artístico no momento presente tem duplo valor, não somente porque mostra como as influências mais hostis, pelo menos na aparência, não abatem o espírito dos artistas, mas também pelo que revela do que podemos esperar no futuro.

O artista que na seção de pintura mais demoradamente prende a atenção do visitante é o Sr. Henrique Bernardelli. O ilustre pintor expõe nada menos de treze trabalhos, que executou durante a sua última visita à Capital francesa; e em todos afirma a sua já notável personalidade. O seu quadro - Padre José Mauricio - é uma obra de grande finura artística. É um trabalho de reconstrução histórica de um episódio da vida de D. João VI e que salienta uma feição característica desse príncipe a que as artes no Brasil deveram a sua própria animação. O artista agrupou na atmosfera tranquila de um interior característico da época, com os móveis apropriados, o velho Rei, alguns dos seus cortesões e damas da corte, sem prescindir do frade, infalível figura então em todas as reuniões mais ou menos solenes, para uma audição musical de um pobre frade mulato que aqui encontrou, e que, com uma elevação digna de nota acima dos preconceitos da época, admitiu logo na sua convivência e cujos talentos soube sempre honrar. José Mauricio, o genial artista, está assentado ao cravo, um belo instrumento da época, e interpreta uma daquelas suas composições que arrebatavam a músicos do valor de Neuhomm [sic] e de Marcos Portugal, o seu rival nas graças de D. João.

No meio tom tranquilo de uma sala, a cena desenvolve-se serena e naturalmente: os espectadores estão calmos, sérios, atentos, cada um na atitude que o seu interesse e a sua intensidade de apreciação determinam; e as figuras, na sua diversidade, têm expressão. Até o próprio frade, cuja fisionomia é a mais desagradável do quadro, cochila com característica indiferença.

O quadro é pintado com uma execução que tem tanto de segura quanto de simples e sóbria, e a ideia que ele quer transmitir, sugerida com muita firmeza. A simplicidade tanto no estilo como na técnica traduz perfeitamente o espírito da obra do artista, e apesar da variedade de tintas que há nele, a harmonia de tons é a mais completa, ao passo que o artista soube evitar essa demasiada minúcia de detalhes que em geral prejudica o efeito geral das obras desse gênero, por sua natureza de impressão mais ou menos fria.

O Sr. Bernardelli tem outros quadros de gênero, como O pátio do Convento, em que há certo sentimento, e o - No Banho, episódio passado em um meio arqueológico, feito com graça e belo efeito de luz, de cor delicada e uma boa carnação.

Os outros seus quadros de gênero, apesar de bons espécimens da técnica do artista, desaparecem diante dos trabalhos acima citados, exceto os retratos que com eles rivalizam. Neste gênero, o Sr. Bernardelli apresenta quatro trabalhos notáveis. O principal fim do retratista é pintar o caráter da pessoa retratada, e pode-se dizer que o ilustra artista conseguiu isso nesses quatro trabalhos.

O seu auto-retrato é um desses trabalhos que se imprimem na memória como uma medalha, tal saliência tem a expressão que o artista soube dar-lhe. Pintado numa gama quente, com abundância de tinta de um só jato, a cabeça de perfil destaca-se com singular relevo e vitalidade.

Outro retrato vibrante de vida, na sua expressão serena, é o de n. 19, a pastel, do Professor Girardet: é o homem vivo.

Sólido, de carnação mole e bom modelado - é o de n. 17, de uma mulher planturosa, planturosamente pintado; e finalmente, o pequeno retrato n. 18, de uma mulher sentada em uma cadeira forrada de seda verde, com uma blusa lilás, e o boá preto envolvendo-lhe o pescoço, em um fundo cinzento. Em um tom baixo, a figura é pintada com muita finura, com quase imperceptíveis sutilezas de modelado, a carnação justa e expressão viva; é uma pequena obra-prima de equilíbrio e harmonia.

O Sr. Rodolpho Amoedo é entre os nossos artistas um dos que mais conhecimentos têm dos diferentes ramos da técnica da pintura e se compraz em fazer experiências de processos que não são usualmente os mais empregados. Há já bastante tempo que anda experimentando a pintura por meio da clara de ovo, ou a moderna tempera como é ele [sic] denominado na Inglaterra, onde diversos fervorosos adeptos como Southall, Arthur Gaskin, Spencer Stauhope, Marianne Stokes, Walter Crane, Batten, etc., que seduzidos pelo brilho que ainda conservam as pinturas de Memline, Marinus van Romersval, etc. estão envidando reviver esse processo. O número de Agosto do Studio traz um estudo sobre as diversidades desse processo, sem contudo estabelecer positivamente a superioridade da moderna tempera sobre a pintura a óleo. O que parece provado é que esse processo entre os seus característicos distingue-se pela sua luminosidade, qualidade de grande valor na pintura decorativa, principalmente na feita à maneira dos Primitivos, com o fundo dourado.

Foi esse o processo escolhido pelo Sr. Amoedo para pintar o único trabalho com que aparece na Exposição desse ano, um grande quadro simbólico-decorativo intitulado Saudade.

Um artista do valor do Sr. Amoedo não podia fazer uma obra que, quaisquer que fossem os seus senões, deixasse de impressionar e prender o visitante; e de fato o seu quadro é digno de atenção. Não nos parece que tenha conseguido realizar completamente na sua alegoria esse delicado sentimento que o poeta tão caracteristicamente qualificou de acre-doce.

A figura que ele imaginou está pintada com certa intenção fina e tem expressão; as montanhas do fundo, de um roxo violáceo, de certa simplicidade de forma, possuem o tom sombrio, apropriado ao estado da alma que o artista quis exprimir. Mas a água que separa a figura do fundo montanhoso é feita de maneira que quebra esse conjunto de impressão, e fornece um elemento desarmônico à unidade de efeito. Em uma gama demasiado amarela, em uma estilização' de efeito levada a um excesso deplorável, introduz, afigura-se-nos, uma nota extravagante que discorda com a nobreza da concepção e faz perder o sentimento da Natureza.

Os cultores dessa escola neo-idealista decorativa, desde Puvis de Chavannes, sempre tiraram os seus elementos da realidade, espiritualizando-os, para chegar ao simbolismo a que queriam atingir, mas nunca deturpando-os ao ponto de fazê-los perderem o seu caráter. Este excesso de estilização, em vez de simplificar e elevar o sentimento, introduz um elemento que se aproxima do grotesco, fazendo perder toda a unidade e grandeza de concepção, e prejudicando o efeito desejado.

É essa a impressão que nos produziu a sua aliás, valiosa e nobre tentativa em uma nova direção, para ser bem sucedida, na qual sobram ao ilustre artista talentos e a mais cabal capacidade técnica. Deus queira que a nossa maneira de ver, se bem que sincera, seja isolada, e que o artista alcance o triunfo que, aliás, merecerão os seus louváveis esforços.

O Sr. Brocos é um incansável; apresenta nada menos de sete trabalhos na seção de pintura e cinco na de gravura.

Dos dois quadros de gênero que expõe, gostamos de um, o de n. 26, denominado - A peneirar café - uma cozinha da roça, com bom desenho e ambientes, embora talvez um pouco sujo de cor, e do outro, n. 25, A descascar goiabas', não gostamos, nem das goiabas, que são muito mirradas e informes, nem da mulata que as descasca, que tem uma orelha fora do lugar, e é desagradável na impressão geral.

Ao seu quadro Cruzeiro do Sul damos os nossos mais francos encômios. É uma composição que não tem nada de banal, imaginada com muita felicidade e executada com muita delicadeza. No fundo azul do painel, que representa o céu, nas estrelas que formam o Cruzeiro, vê-se Jesus na cruz, e revoando em torno dela os grupos das estrelas da Via Láctea, formando anjos em adoração. Como se vê, há um delicado sentimento religioso nessa simples concepção, que não tem nada de ruidosa.

O Sr. Brocos tem mais quatro retratos, dos quais três excelentes. O de n. 29, do ilustrado e simpático Sr. Dr. Marques Pinheiro, é o melhor; tem semelhança, tem relevo, tem caráter; o retratado olha de frente, com franqueza e a sua fisionomia inteligente desprende-se bem do fundo cinzento.

É um sólido trabalho, sóbrio e expressivo. O de n. 29 também possui qualidade de boa execução, e o de n. 30, do Sr. Rodolpho Abreu, no seu gabinete, constitui um quadrinho interessante, de onde a figura do ilustre mineiro resulta cheia de vida. É de bom desenho, principalmente nas extremidades.

Mas onde não temos senão os mais francos e calorosos elogios para o Sr. Brocos é na sua exposição de águas-fortes. Já aqui mesmo nesta seção, em notícia especial, nos pronunciamos sobre estes trabalhos do ilustre artista; e exaltando a proficiência com que maneja a agulha de gravar, proficiência que lhe daria um nome invejável, em centro onde esta nobre arte da gravura fosse melhor apreciada, fizemos ver o importante serviço, o grandioso e imperecível monumento que estava elevando à memória de ilustres brasileiros. O número dessas águas-fortes foi aumentado com mais um retrato, o de Fagundes Varella, mais um primor de desenho e de expressão, e em que se nota a simplificação que o artista vai introduzindo na sua execução.

Gustavo Dall'Ara expõe apenas um pequeno retrato de criança, discretamente pintado, e uma luminosa vista do Cais do Mercado, de vibrante efeito de luz. Reconhece-se logo que se está diante do trabalho de um filho de Veneza pela riqueza de cor.

A qualidade sua mais saliente é a sinceridade com que passa para a tela aquilo que escolheu para motivo do seu trabalho. Não procura idealizar; pinta a realidade exatamente como a vê, e o seu temperamento trai-se na predileção da hora, na luz ardente e intensa, na profunda variedade e vivacidade de cor.

Neste como em alguns dos seus quadros anteriores representando trechos da nossa Capital, tenta sempre dar ideia de vida de movimento. As suas tintas afiguram-se a muitos demasiado cruas e vivas, efeito talvez da excessiva sinceridade da sua maneira de ver.

Outro italiano que também aqui se estabeleceu há anos e tem sabido interpretar a nossa natureza em uma série de quadros belos é o Sr. Benjamin Parlagreco. É um artista que tem o culto da nossa paisagem, cuja variedade de efeitos procura entender e interpretar, estudando-lhe minuciosamente todos os seus incidentes de forma e de cor. Conhece o valor do trabalho feito in loco, diante do assunto que quer pintar; e assim em geral os seus quadros traem o meio onde vive no momento em que os fez.

Atualmente, porém, fixou o seu atelier no pitoresco bairro da Copacabana, cujas belezas tem analisado em uma série de esboços e pequenos estudos, dos quais há alguns bem interessantes na Exposição, e em alguns quadros acabados, como no admirável Pedra do Arpoador, no Mau tempo e na Igrejinha, em que consegue exprimir com exatidão variedades de forma, a cor local e principalmente efeitos de atmosfera, poderosos efeitos de sol.

Além das suas belas paisagens tem um estudo de cabeça a pastel, feito com espírito.

Do Sr. Benno Treidler tem a Exposição cinco das suas luminosas aquarelas. Este notável artista é um dos que melhor compreendem a infinita variedade dos aspectos da paisagem, onde descortina e apanha em flagrante singulares efeitos de luz e de atmosfera, que por vezes parecem inexatos ao olhar pouco acostumado a estudar a nossa natureza. Daí desenhos admiráveis, feitos naquela sua larga e segura maneira de manchar, pintando com vívida realidade cenas encantadoras, sutis jogos de luz. As suas aquarelas vibram de verdade e beleza e tem esse encanto de espontaneidade, peculiar a esse gênero de pintura.

Um moço que pela primeira vez aparece nas exposições da Escola, e que no entanto já é um artista feito, é o Sr. Roberto Rowley Mendes. Já tivemos ocasião de nos referir detalhadamente aos seus trabalhos, e então fizemos ressaltar o seu poético, que se reflete na sua obra. Não é o pintor de determinado ponto da paisagem, mas, sim, o pintor dos momentos poéticos e místicos da Natureza, de certos aspectos solenes e melancólicos. A sua arte não é, pode-se dizer, imitativa; ele vai impressionar-se diretamente na Natureza, mas na sua obra reflete mais o espírito, a impressão do que o aspecto exato dela, traduz fielmente a visão poética que dela lhe dá o seu temperamento poético. Isto se nota no seu belo Rancho de Pescadores, tão impregnado da umidade e melancolia, do seu belo estudo (199) e da cálida Tarde de Verão.

Para obter esses efeitos usa o pastel, por causa da sutileza e brilho da cor, da leveza e transparência que esse veículo proporciona, a quem se sabe servir dele com a proficiência a que atingiu o Sr. Roberto Mendes.

De um artista que prometeu muito, mas infelizmente não tem correspondido inteiramente a essa expectativa por motivos que o meio naturalmente explica, dado o seu temperamento nervoso e amigo da solidão, o Sr. D. G. y Vasquez, tem a Exposição diversas paisagens e uma pequena marinha. São pequenos estudos do natural, mas o Sr. Vasquez parece que vê a Natureza sob um só aspecto, o que não está em harmonia com a infinita variedade dos seus efeitos e o que tende a limitar os próprios recursos do artista.

É fora de dúvida que a individualidade de um artista harmoniza-se melhor com certos afeitos do que com outros, e por isso naturalmente repete as mesmas impressões. É o que se dá com o Sr. Vasquez, que pinta sempre àquela hora em que o verde da paisagem é carregado, já se aproximando do cinzento; os seus céus são sempre carregados, plúmbicos, opacos. Porém, sob esses aspectos, que são talvez o resultado do seu viver solitário, sente-se nos seus quadrinhos sinceridade e amor da Natureza.

O Sr. Vasquez tem talento, muito talento, e não é um novato na maneira de manejar os pincéis e as tintas. Muito pelo contrário.

Convinha, talvez, abandonar a vida solitária e reclusa que leva, estudar a maneira de pintar moderna, principalmente os trabalhos dos pintores de plein air e dos impressionistas, e temos certeza que nos daria quadros em que vibrariam mais […] luminosidade do […]

O Sr. Angelo Agostini, o intenso colorista, tem um grande painel decorativo, a Aurora', que possui belas qualidades de desenho e de cor, e o tratamento do nu, o único que existe na Exposição, é feito com felicidade e delicadeza.

O Sr. Augusto Petit expõe diversos quadrinhos de frutos e flores, bem feitos, e três quadros de figuras, bem contornadas.

Antes de passar a tratar dos novos, o que faremos em subsequente notícia, teremos apenas que registras o pequeno quadrinho Entre couves'', do Sr. Raphael Frederico, um interessante cartão de visita deste distinto artista; o retrato-fantasia do Sr. Sebastião Fernandes, os dois quadros da Sra. Viscondessa de Sistello, os quadros do Sr. Marques Guimarães, etc.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 10 set. 1901, p.3.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 11 set. 1895, p.2.

O Sr. Aurélio de Figueiredo é uma forte organização artística, servida por uma inteligência bem cultivada.

Na totalidade dos seus trabalhos nota-se uma certa uniformidade de maneira, parecendo ser talvez mais forte em paisagem do que em figura, conquanto o seu desenho seja sempre expressivo.

Sabe escolher bem os seus assuntos, de que se aproveita com felicidade; o seu colorido é simpático, tem chic, conquanto, às vezes, pareça-nos destoar um pouco de verdade.

É muito variado nos seus motivos, e, como é um trabalhador infatigável, a sua produção é muito numerosa.

Tem na Exposição onze quadros, dos quais, três paisagens, seis quadros de gênero e dois painéis decorativos.

Das paisagens, destacam-se, a de n. 34 - vista do alto do Itacolomy -, bem pintada, bem desenhada, com a natureza daquele terreno ferruginoso bem caracterizado; "Mar de Brumas", que representa um efeito de nevoeiro nas montanhas da Serra de Ouro Branco (Minas), que afirmam ser verdadeiro os que têm viajado por aquelas paragens, mas que se assemelha extraordinariamente com um mar calmo, semeado de ilhas; a "Bananal", de Jacarepaguá, é igualmente bem feita, sentindo-se, porém, que o primeiro plano não revela o mesmo vigor que se nota nos planos posteriores.

Dos seus quadros de gênero, gostamos: do "Gatinho", em que as figuras das duas meninas são tratadas com felicidade; tem bom colorido e se harmonizam com o meio, "O Gatinho" é naturalmente mais feio do que as meninas; de "no Jardim", que é feito com graça; do "Ruído da Concha", um quadro bonito, muito uniforme de colorido e de fatura, há expressão no olhar da menina e a concha é bem feita; do quadro "Quer Uvas?" de efeito, e talvez o menos forte de desenho, e parece-nos haver como que certa descabida de observação na gradação dos tons; é todavia um quadro que agrada; as uvas são bem pintadas.

Da "Saudade" (n. 30), não gostamos.

Os dois painéis decorativos, embora revelem o talento artístico de seu autor, não nos parecem iguais aos seus outros trabalhos.

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O Sr. João Baptista Castagneto é considerado, com toda a justiça, como um dos nossos artistas cujos trabalhos recebem a melhor apreciação por parte do público. É um verdadeiro impressionista, e como marinhista não tem rival entre nós. Todos os seus quadros, conquanto não primem pelo excesso de desenho, têm boa coloração, bom conjunto, e revelam pincel de artista de pulso. É, demais, muito operoso. É de lastimar, pois, que mandasse para a Exposição três das suas telas mais fracas e incolores, quando poderia salientar-se honrosamente, fazendo-se representar por algumas das suas velas marinhas.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 11 set. 1895, p.2.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 set. 1896, p.1.

A Exposição de Belas Artes este ano foi, como já se tem dito muitas vezes, bastante fraca, realmente mais fraca de quantas se tem ali realizado. Entretanto não se pode dizer que não tenha havido bastante atividade no mundo artístico esse ano.

Além do panorama do Sr. Victor Meirelles, tivemos a cúpula do Instituto Nacional de Música, que trouxe ocupado o Sr. Henrique Bernardelli todo o ano, e que merece ser vista. Há mais o magnífico trabalho de restauração do belo templo da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, em boa hora confiado pela sua inteligente e criteriosa administração à inquestionável competência do Sr. Thomas Driendl, e que nos veio revelar um tesouro artístico que aqui existia ignorado.

O Sr. Pedro Peres trouxe da sua excursão a Teresópolis diversos trabalhos de merecimento, sobressaindo dois, grandes quadros acabados, realmente dignos de nota, e sobre os quais já falamos nestas colunas.

Sr. Benjamin Parlagreco realiza atualmente na Fotografia Gutierrez um exposição bem interessante de uns trinta e tantos trabalhos seus, e já se anuncia para brevemente a exposição dos trabalhos de Antonio Parreiras e de dois discípulos seus. De Antonio Parreiras sabemos que tem acabados já muitos pequenos trabalhos de cavalete, como sempre estudados diretamente do natural; mas, o que há de com certeza chamar sobre si a atenção geral é a sua grande tela intitulada Sertanejas, em que ele transplantou com admirável vigor e felicidade um soberbo trecho da nossa portentosa natureza, e um enxame das suas mais belas e variegadas habitadoras, compondo um quadro que há de causar extraordinária e profunda impressão.

Dado o nosso meio ainda tão pouco afeito a entender e apreciar obras de arte; considerada a pouca animação que de todos os lados os artistas recebem, tanto por parte dos poderes públicos que regateiam as parcas subvenções com que até agora tem sido favorecidas as artes entre nós, como por parte dos particulares que deixam de comprar-lhes os seus trabalhos para pagarem por altos preços pinturas estrangeiras, quase sempre de valor contestável e proveniência duvidosa, o resultado não é tao desolador como prima facie parecia.

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Digitalização e transcrição Arthur Valle

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 set. 1896, p.1.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 set. 1901, p.3.

Exposição de Belas Artes - Se é possível, temos ainda maior nossa satisfação ao apreciar os esforços dos que ora começam a aparecer, porque, se os seus trabalhos por via de regra não apresentam as perfeições de técnica nem a cabal realização dos temas como os dos mestres, esses esforços, justamente por demandarem maior energia e persistência, são mais dignos de animação e revelam a sua sinceridade no desejo de exibir o resultado da sua aplicação.

Essa prova de vontade de trabalhar, essa tentativa de querer fazer alguma coisa que seja digna de figurar ao lado dos trabalhos dos mestres, se nem sempre se impõem à nossa admiração, nunca deixam de fazer jus ao nosso respeito.

O interesse na exposição dos moços está, em geral, menos no grande valor dos seus trabalhos do que no muito que esses prometem para o futuro. Ainda assim, na atual Exposição há trabalhos que são verdadeiras surpresas e revelações, e acreditamos que os próprios professores não se desdenhariam de assiná-los.

Cabe de direito a primeira menção nesta notícia ao Sr. Joaquim Fernandes Machado que entre outros mandou um quadro, que é uma das obras mais admiráveis da atual Exposição, tanto pela sua concepção como pela execução feliz que lhe soube dar o artista, e que nada fazia presagiar, apesar de já se haver revelado pintor de talento em anteriores exibições.

Realmente, o seu quadro - O Sonho de Jacob - coloca-o em um plano superior e constitui um compromisso sério a que o artista por honra sua tem de fazer justiça no futuro.

Não é a primeira vez que o Sr. Machado procura, como em geral o tem feito todo artista ambicioso de fazer uma obra duradoura, na Bíblia tema de seu quadros. Para as composições idealistas, as grandes inspirações são ainda a religião, a mitologia e a alegoria; e das três não há dúvida, que a primeira é a que fala mais diretamente e mais naturalmente ao espírito do homem. Na época presente, porém, para ser bem sucedido é preciso fugir à tradição das composições banais que têm representado em inúmeras telas quase todos os episódios da Bíblia. É necessário, aproveitando-se dos novos elementos fornecidos pelas diversas evoluções por que passou a arte no último século, fazer uma composição que ao mesmo tempo que traduza o espírito do assunto histórico ou imaginoso, o apresente debaixo de uma feição decorativa, em cores vaporosas, impressionando docemente, sem contrastes violentos nem abalos fortes. É necessário aproveitar os novos elementos de que dispõe a pintura moderna, Parece-nos que foi essa a compreensão que teve o Sr. Machado na interpretação do seu assunto, porque são bem evidentes nele as intenções decorativas e não se nota o menor indício de imitação. O tema é apresentado com singular finura e delicadeza. A figura de Jacob, bem desejada está em atitude que, conquanto não comum, não é forçada e é indicativa de fadiga, natural depois de uma longa jornada; e a cabeça descansa sobre as pedras que, diz a Bíblia, tomou ele para travesseiro. O fundo da paisagem em que vagamente representa o sonho do patriarca, é bem imaginado e bem executado; a combinação de cores, conquanto rica, é inteiramente harmônica e produz um belo efeito decorativo, e as figuras dos anjos que sobem e descem a escada, mais sugeridas do que pintadas, pode-se dizer, tem a diafaneidade, como que a imaterialidade do sonho.

Pode ser que não seja inteiramente isenta de defeitos, que não descortinamos, tão boa foi a impressão que nos produziu; mas o que ninguém poderá pôr em dúvida é que é um dos trabalhos mais notáveis da Exposição, tanto mais por partir de um moço que, por assim dizer, enceta agora a sua carreira. Há nele qualidades que, se forem sabiamente desenvolvidas e aperfeiçoadas, podem dar um pintor idealista.

O Sr. Augusto Luiz de Freitas, ex-aluno da Escola e que na Exposição de 1898 tirou o prêmio de viagem, acaba de chegar da Itália e apresenta os trabalhos que aí pintou durante a sua ausência do Brasil.

Vê-se que não desperdiçou o seu tempo e que trabalhou com afinco e com proveito.

Os seus trabalhos, que são bastante numerosos, revelam que toda a preocupação do artista foi aperfeiçoar-se na técnica da sua arte, estudar, sem intentar fazer grandes quadros de composição. E os numerosos trabalhos que trouxe, tanto a óleo como a aquarela, mostram que, no escasso tempo de que dispôs, fez muito, progrediu bastante e voltou com uma fatura mais segura e mais sólida, se bem que muito amaneirada à italiana, e talvez com a cor um tanto opaca. Este, porém, são senões a que ele não podia fugir, e que agora, em outro meio, trabalhando sozinho, há de facilmente modificar.

Entretanto, os seus trabalhos são muito interessantes, estudos de pontos pitorescos apanhados com certa felicidade, e o seu quadro n. 72 - Abandonada - feito com certo apuro, tem composição e sentimento, e possui certos detalhes pintados com [...] e cuidado, como o efeito de luz que entra pela janela, muito bem tratada, como bem tratado é o pano que cobre o berço. É um quadrinho de gênero bem atraente.

Também devemos especializar: o quadro n. 81 - Confidências - em gravura mais clara, as figuras bem desenhadas, os valores bem exatos e de grande estudo; e o n. 73, o melhor talvez de cor.

O Sr. Fiuza Guimarães, ex-pensionista da Escola, mandou três trabalhos que são bons como estudos, e revelam que o artista aproveitou muito na grande escola de Munique, hoje em dia centro incontestável da arte na Alemanha e notável pela sua independência.

Os modelos escolhidos pelo Sr. Fiuza não são simpáticos, mas não há negar que o artista soube tirar bom proveito deles, apresentando três espécimens de pintura sólida e de bom modelado.

As Sras. D. Anna da Cunha Vasco e D. Maria da Cunha Vasco apresentam este ano estudos em aquarela que confirmam a impressão agradável causada nas anteriores exposições.

Os seus progressos são evidentes, e acompanhando, como era natural, a maneira do professor, se não tem, como não podem ter ainda, a largueza, segurança e firmeza de toque deste, possuem já o conhecimento das relações das massas e já sabem dar expressão às variações de luz e de sombra. Vê-se que o Sr. Treidler ensina as suas discípulas a verem, incute-lhes o hábito da observação correta e inteligente; leva-as ao verdadeiro impressionismo, isto é, ao desejo de pintar as coisas, não como a análise científica mostra que elas são, mas conforme o aspecto que tomam sob as diversas condições de atmosfera, e consideradas sob o ponto de vista da pintura.

Isto também já se revela nos trabalhos de outra discípula sua a Sra. D. Maria Herminia Lisboa.

O Sr. Eugenio Latour, discípulo da Escola, tem três quadros bem interessantes, tanto pelo assunto como pela fatura. O denominado Antes de sair - o busto de uma mocinha em perfil, que dá os últimos toque ao seu vestuário, é muito gracioso na sua cor delicada, tem expressão, pureza de desenho e uma fatura muito fina; e o quadro n. 110 - A féria do dia - um velho cego, com a sanfona debaixo do braço, vem por uma estrada, ao lado de uma menina, que conta as moedas que a caridade pública lhe deixou no boné. A paisagem tem o tom próprio do cair da tarde; o assunto é tratado com sentimento; e O Pequeno trocista (N. 112), também estudo de plein air, em que venceu com felicidade certas dificuldades.

O Sr. Benjamin Constant Netto, que foi discípulo do falecido e malogrado Almeida Junior, mostra na sua fatura que não lhe foram inúteis as lições do mestre.

O seu estudo de cabeça é feito com a mesma preocupação de modelado e tom sombrio de cores, que caracterizava o seu professor nesse gênero de trabalhos, e os seus quadros - 6 [sic] Laranjas, e 6 - Peixes - são pintados com essa expressão de realidade de efeitos, que unicamente tornam aceitável esse gênero de pintura. A sua técnica é boa e há muito a esperar dele para o futuro.

O Sr. Heitor Malagutti, outro aluno, - da Escola, apresenta trabalhos em que revela certo talento, mas que dão a impressão de não estarem acabados. O artista parece que tem a preocupação de ser original, à maneira talvez de Carrière, envolvendo as suas figuras em um véu através do qual nada de positivo se destaca. Pinta toda a carnação com o mesmo tom.

O Sr. Evanio Nunes [sic], outro talentoso aluno da Escola, tem dois trabalhos: a Visão no Carcere - Tiradentes, agradável de composição e muito harmônico; e Mãe (62), interessante e de certo sentimento e fatura fina.

O Sr. Lucilio de Albuquerque, também aluno da Escola, uma graciosa cabeça de menina, pintada com certo donaire; e o Sr. Heitor Costa, um quadro 94, - Reveuse, com a figura bem desenhada, mas que por mal colocado, não pode ser bem observado.

Cumpre citar também as marinhas do Sr. Ribeiro Filho, um amador que se está fazendo artista à custa de talento e de trabalho, e de grande paixão pela especialidade que abraçou; e o Sr. Bolato, aluno da Escola, que expôs dois trabalhos ao ar livre, bem feitos, o quadro de n. 23, e estudo n. 24.

Na próxima notícia trataremos das seções de escultura, arquitetura e gravura.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 set. 1901, p.3.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 14 out. 1901, p.2.

Encerra-se amanhã a Exposição Geral de Belas Artes do corrente ano.

Conforme já dissemos anteriormente a exposição deste ano, apesar de não possuir trabalho nenhum que por suas excepcionais qualidades marcasse uma época, e da abstenção de grande número de artistas de valor, como Decio Villares, Daniel Bèrard, Belmiro de Almeida, João Baptista da Costa, Elysêo Visconti, Teixeira da Rocha, etc., foi uma das melhoras a que […] assistido nestes últimos anos pela sua homogeneidade e elevado nível.

Quer pelos trabalhos da seção de pintura quer pelas duas [sic] seções de escultura, gravura e arquitetura, merecerá ela ser visitada pelo nosso público, que infelizmente ali não compareceu com o interesse à concorrência que seria de esperar da população que se supõe culta e civilizada, de uma capital como a nossa.

Pelos quadros adquiridos, cuja enumeração daremos amanhã, ver-se-há também que a parte dos colecionadores foi muito pequena, muito pouco animador o estímulo real dado aos artistas.

Por parte do Governo, a mais especulativa das animações: uma visita rápida do Chefe de Estado e do Ministro do Interior e a distribuição de medalhas que nunca são entregues. A pequena verba para aquisição de trabalhos […] outrora tinha a escola há muito que desapareceu do seu orçamento.

Em tais circunstâncias, é, pois, de admirar e de louvar que tivessem os nossos artistas apresentado uma tão interessante reunião de trabalhos, e é de lastimar que a indiferença geral não soubesse lhes dar o reconhecimento a que tinham direito os seus esforços.

É de esperar que, com a remoção da escola para o novo edifício projetado em lugar menos escuro e facilmente acessível, sejam as futuras exposições mais concorridas, com o que quem mais lucrará será o público.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 14 out. 1901, p.2.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 14 set. 1895, p.2.

O Sr. João Baptista da Costa é uma das aptidões artísticas mais aproveitáveis dos novos; fez merecidamente nome em pouco tempo, e o ano passado tirou o prêmio de viagem à Roma, de que infelizmente ainda não lhe foi possível utilizar-se. Nos quadros que apresenta este ano, não revela progressos marcados sobre os anos anteriores, antes parece-nos que está trabalhando com rapidez, que está ficando um pouco amaneirado, adquirindo talvez pequenos vícios de que facilmente se emancipará em outro meio mais largo. É esse o preço de ter visto os seus quadros muito procurados e de ter adquirido nomeada rapidamente.

Temos certeza que, com uma estada na Europa de alguns anos, frequentando os museus principais e os ateliers dos mestres modernos; com estudo aturado e com o seu incontestável talento, há de voltar-nos um artista de que todos os seus patrícios se hão de orgulhar.

Dos onze quadros, que expõe, os que mais nos agradam são: Mangas e as frutas, com muita frescura, bem desenhadas e bem entoadas; a Aurora, talvez o mais sólido, bem como o sentimento da hora; e Na Roça, uma linda mancha bem observada, em entonação clara.

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Outro jovem artista, de boas disposições artísticas e de esperançoso futuro é o Sr. Carlos de Lacerda, que acaba de chegar de Paris, onde foi discípulo dos conhecidos pintores Dagnan-Bouveret e Raphael Collin.

Expõe quatro trabalhos, três paisagens e uma marinha, e em todos os quatro mostra boas qualidades de desenho e de colorista. A marinha é um quadro muito bem sentido, uma mancha muito justa e muito verdadeira.

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Agora falemos de um velho artista que é novo entre nós, o Sr. Adolpho Malevolti.

O Sr. Malevolti expõe apenas dois quadros, ambos feitos por processos um tanto antiquados, mas ambos mostram que o seu autor é um artista que conhece a sua arte.

O "Vestíbulo lateral da Igreja de Carmo" é um belo estudo de perspectiva, e a "Campanha toscana ao nascer do sol" é interessante e de efeito, é bem iluminada, bem sentida, embora um tanto convencional.

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O quadro "O Pescador" do artista francês H. Darier, é uma "grisaille" que tem qualidades decorativas apreciáveis. É uma pena que esteja um tanto estalado, tendo ainda assim bastante valor.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 14 set. 1895, p.2.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 14 set. 1901, p.3.

Exposição de Belas Artes - A seção de escultura este ano é também bastante interessante por conter espécimes notáveis de uma arte que aqui não tem tido a apreciação de que é merecedora.

O Sr. Rodolpho Bernardelli expõe apenas três trabalhos, dos quais o de maior fôlego é o busto em bronze, tamanho natural, do saudoso jornalista Ferreira de Araújo. Como retratista há muito que se impôs: os seus retratos em geral primam pela semelhança, têm animação e expressão vital das feições, e no de Ferreira de Araujo tudo isso se nota. O retrato em bronze, tamanho reduzido, do Sr. L. R. é uma cire perdue, muito fina, de uma execução muito simples e animada; e a Vicória, um pequeno bronze dourado, tem na sua fatura nervosa e espontânea bem caracterizada a expressão de movimento e de graça.

O ilustre professor com esses trabalhos, que embora de grande valor próprio, não são os que melhor podem representar a sua arte, quis apenas fazer ato de presença, mas deixou o melhor do campo ao seu discípulo, o Sr. José Octavio Corrêa Lima, um ex-aluno da Escola que se acha em Roma estudando a sua arte.

Este talentoso moço, que na exposição de 1898 obteve o prêmio de viagem com um trabalho que revelava qualidades não desprezíveis de desenho e fatura, mandou agora quatro trabalhos, um em gesso e três em bronze, que atestam rápido, e admirável progresso causam a impressão de que temos mais um escultor nacional.

Nos trabalhos expostos, revela um vigor de tratamento e certa audácia de execução, que não eram de esperar em um artistas [sic] tão novo; todos os seus trabalhos mostram logo que a qualidade de desenho correto e seguro, já evidenciada no seu Remorso, tem-se aprimorado o que leva o estudo do corpo humano a grande pormenores anatômicos.

Cada uma dessas obras nos surpreende, porque a par de provar que é um artista que tem ideias e lhes sabe dar interpretação, demonstra também que ele não abandona a natureza, mas, pelo contrário, procura desvendar-lhe os segredos. É evidentemente amante do nu, a cujas sutilezas de modalidade procura dar expressão, e a sua fatura já se ressente de certa independência e virilidade, apesar de visível preocupação de detalhes.

O seu S. João, em gesso e tamanho natural, tem vigor de desenho e é executado com grande simplicidade de composição; possui nobreza e pureza de linhas de um mármore clássico, e causa uma impressão serena e elevada.

Os três bronzes têm todos, a par de uma execução cuidada, principalmente no estudo da anatomia, caráter distintivo.

O Caim, no abatimento profundo, na expressão de desolação e desesperança, dá bem a ideia do remorso. O prisioneiro tem expressão selvagem, atitude altiva e nobremente provocadora, e certa impressão de movimento; e o Pagé, um pequeno bronze muito carinhosamente tratado nos menores detalhes do modelado, é excelente de atitude e expressão pitoresca.

Por ora, o Sr. Correia Lima só se tem limitado a modelar as linhas firmes e vigorosas do corpo masculino, tipo da força; sentimos que ainda não o tenha seduzido a carnação macia da mulher, tão delicada nas suas curvas flexíveis.

No pouco tempo em que está na Europa, tão extraordinários foram os seus progressos, que é de lastimar que a sua pensão termine brevemente e que o artista tenha de interromper estudos tão promissores de brilhantes resultados. Raras vezes entre nós uma vocação artística tem-se afirmado com tanta força e será de lastimar que, por falta dos recursos necessários, se veja ela impedida de desenvolver-se nos meios mais próprios para a sua completa e cabal manifestação.

A Sra. D. Nicolina Vaz de Assis, discípula da Escola, que já se tem distinguido por mais de um trabalho de merecimento, tem dois gessos bem interessantes: uma cabeça de estudo, feita com certa graça de contorno e vida e bem entendida sobriedade no tratamento da mantilha que envolve a cabeça de moça; e uma menina adormecida, graciosa na sua posição, bem expressiva, sendo apenas de lamentar o modo como distribuiu e tratou os cabelos.

A sua maneira de representar crianças, pelas quais tem notável predileção, é bem simpática e serve-lhe para exibir boas qualidade de técnica.

Do Sr. Amadeo Zani gostamos de um busto, em gesso, o retrato de D. Bosco, pelo seu modelado, expressão e execução franca.

Devemos também incluir nesta seção os admiráveis retratos em gesso, em baixo relevo, dos Almirantes Barroso e Tamandaró, pelo Sr. Augusto Girardet.

É de uma fina e segura arte a maneira como, conservando quase plana a superfície do seu gesso, consegue ele dar modelado expressivo e cheio de vida às suas figuras. Isto também se observa nas maquetes em gesso para as medalhas de IV Centenário, do Rei Umberto e em memória de Verdi.

A medalha oferecida a Rodolpho Bernardelli pelo Conselho Superior de Belas Artes é bastante original, e o broche em ouro representando um Amor Perfeito, cujo centro é formado por um fino e delicado perfil de mulher, é fino tanto de ideia como de execução.

Na seção de arquitetura domina quase exclusivamente o professor Morales de los Rios, com diversos projetos de mercados, teatros, etc. Uns já construídos e outros por executar, mas evidenciando todos os variados conhecimentos que tem da sua especialidade, o critério de saber adaptar o estilo próprio não só ao fim como ao local, como o provam tão exuberantemente os seus mercados para o Rio, tão leves e tão sólidos, elegantes e simples, deixando entrar francamente o ar e a luz.

Como cultor de arte decorativa, ou antes, como diz bem o Catálogo, de arte aplicada às indústrias, mandou três espécimens que mostram o seu fino gosto e talento moldável.

O Sr. Victor Dubugras, arquiteto francês que vive em S. Paulo, expõe um belo projeto da Matriz da cidade do Ribeirão Preto, em estilo parece-nos neo-grego, de magnífico efeito, e o Sr. Ludovico Berna expõe um projeto de uma habitação nas Águas Férreas e o projeto do novo edifício do Jornal do Brasil.

Na seção de gravura, além do Sr. Brocos, de cujos trabalhos já falamos, é também expositor o Sr. J. R. Cattaneo, que tem um quadro com diversos espécimes de xilografia, dos quais alguns muito finamente executados.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar'

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 14 set. 1901, p.3.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 15 out. 1897, p. 2.

Encerra-se hoje a Exposição Geral de Belas-Artes do corrente ano.

O número dos trabalhos expostos não foi muito avultado, mas entre eles havia muitos dignos de ser notados em qualquer parte onde houvesse melhor apreciação por obras artísticas e que seriam suficientes para dar à exposição grande concorrência.

A abstenção quase geral que se deu com relação à exposição que hoje se encerra é um triste sintoma para a nossa educação artística, que se deveria julgar mais adiantada, e de muito poucos estímulos para que os artistas trabalhem em um meio que se mostra tão mediocremente apreciador.

O número de quadros vendidos foi também quase nulo, e compreende-se que é este outro elemento desanimador para os artistas, que naturalmente tem de viver e de manter-se, como toda a gente, e que […] continuar a produzir se, pela arte que professam, não conseguirem meios de subsistência.

Acresce que este ano não foi votada a pequena verba que era destinada à aquisição de quadros para a nossa Pinacoteca, de modo que nem lhes resta a esperança de ver o Estado comprar um ou alguns de seus trabalhos.

Nestas condições, compreende-se que, só entranhado amor à sua arte é que poderá fazer com que os artistas continuem a trabalhar e a expor, e não há que lastimar sobre a pequenez da exposição deste ano, senão que admirar que ainda houvesse artistas assaz corajosos e laboriosos para enviar trabalhos em condições tão pouco propícias.

Façamos votos para que no próximo ano as coisas não sejam ainda piores.

Entretanto, aos artistas não é a coragem que falta, e a prova é que já se anuncia uma nova exposição de pintura. É a dos alunos do Sr. Antonio Parreiras, e como se trata de moços entusiastas e laboriosos, desde já podemos prognosticar que a sua exposição não será distituída de atrativos, pelo menos para os poucos que se deliciam vendo paisagens sinceramente pintadas.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Natalia Mano Goulart Saraiva

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 15 out. 1897, p. 2.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 15 out. 1901, p.3.

Encerra-se hoje, às 4 horas da tarde, a Exposição Geral de Belas Artes.

Foram apenas vendidos doze quadros, a saber: Ns. 13, No banho, do Sr. Henrique Bernardelli, ao Sr. João dos Santos Couceiro: 14, No Convento, do mesmo artista, ao Sr. Dr. Joaquim Gonçalves Ramos; 16, Freira, também do Sr. Henrique Bernardelli, ao Sr. Visconde de Villela.

Ns. 168, 176 e 178, do Sr. Benjamin Parlagreco.

Ns. 83, 85 e 87, do Sr. A. J. de Freitas [sic].

N 31, do Sr. Cavallaro, adquirido pelo Dr. Affonso Pinheiro.

N. 54, do Sr. de Agostini, ao Sr. Alfredo Braga.

N. 56, do mesmo artista, ao Sr. Dr. Aristides Benicio de Sá.

Não se pode dizer que fosse muito animador.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 15 out. 1901, p.3.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 15 set. 1895, p.2.

O Sr. Alvaro do Valle, artista português, enviou para a exposição dois quadros, "Junto do fogão" e o "Proletário", feitos em uma tonalidade suja, pouco sólidos de construção, com desenho não muito firme, mas que tem expressão.

O Sr. Angelo Agostini não é dos mais modernos na fatura; expõe apenas dois trabalhos: uma paisagem - "Através das matas", um recanto de mata cortada por uma linha férrea, na ocasião em que acaba de passar um trem que se vê afastar-se ao longe sujando o céu de um rolo de fumaça pardacenta, dois índios surgem da esquerda, espantados com o aparecimento do monstro desconhecido. O assunto é feliz, mas não é muito novo. É um tanto monótono e de entonação demasiado escura. A sua outra tela "Marietta" é uniforme de desenho e tem certa harmonia.

O Sr. Delphim da Camara é um velho artista que já tem a sua feição peculiar, é pintor de retratos e expõe dois trabalhos. Tem certo chic na sua maneira de pintar; os seus retratos são agradáveis. Vê-se que procura pintar com justeza.

O Sr. Facchinetti, que tem um nome justamente respeitado entre os nossos artistas, tanto que foi escolhido por eles para fazer parte do júri que deve julgar dos trabalhos expostos, tem na Exposição uma única tela - A vista da "Praia de Icarahy", naquela sua maneira delicada, minuciosa que o distingue. Esse quadro, de que já falamos mais extensamente em outra ocasião, confirma a sua predileção pelos panoramas iluminados, é bem observado e de efeito.

A Sra. Marquesa de Itu adquiriu o quadro "Peixes" (n. 4), do Sr. Pedro Alexandrino, que também vendeu ao Sr. Garcia Redondo o quadro "Cebolas" (n. 6); o Sr. André de Oliveira adquiriu os quadros 85 "Tipo Romano", do Sr. Felix Bernardelli e "Campo de Queimados" (n. 110) do Sr. Brocos; o Sr. Barão de Quartin adquiriu uma cabeça de estudo - Negro (n. 108), do Sr. Brocos e o coronel Antonio Bazilio, a "Paisagem veneziana", do Sr. Parlagreco.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 15 set. 1895, p.2.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 16 out. 1901, p.2.

Encerrou-se ontem a exposição do corrente ano.

O Sr. Comendador J. J. Antunes Braga adquiriu ontem os quadros n. 62, Mãe, do Sr. Evencio Nunes, e n. 73, Anticoli Corrado, do Sr. Antonio José de Freitas Junior [sic] [Augusto Luiz de Freitas].

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 16 out. 1901, p.2.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 16 set. 1897, p. 4.

Temos ainda que voltar à Exposição de Belas-Artes para tratar de quatro quadros do Sr. Belmiro de Almeida, os quais enriqueceram a exposição recentemente.

Como se sabe, o Sr. Belmiro chegou há pouco da Europa, onde tem residido nestes últimos 12 ou 15 meses, e os quadros expostos foram pintados lá.

São quatro pequenos trabalhos, mas que chamam imediatamente a atenção. A sua fatura, neste ano e tanto, sofreu modificações visíveis. A execução é mais ampla, mais leve, mais segura, de quem tem a mão mais firme sem preocupação de errar na técnica, de quem está prático no savoir-faire; uma execução fina e sólida, que não deixa ver nenhum esforço, nenhuma meticulosidade de técnica; não há a monotonia de amaneirado.

As tintas são vivas e agradáveis, e a maneira como distribui a luz faz com que a atenção se prenda naturalmente no ponto principal da tela, não se distraindo por nenhuma meticulosidade de acessório. Pelo contrário, em geral, deixa ele os elementos secundários numa incerteza de tratamento que dá mais relevo ao tema principal.

Dos trabalhos expostos chama logo a atenção o denominado Pronta para a feira, uma camponesa portuguesa, nova e bonita, garridamente vestida com uma saia e avental encarnado, cheio de bordados, com enormes argolas de ouro do Porto nas orelhas, e o característico lenço na cabeça. É uma faceira, cônscia da sua formosura, que ali se expõe à admiração dos rapazes, com um [...] sorriso nos olhos semicerrados, como quem sabe bem qual a impressão que produz. E não há dúvida que esta impressão é irresistível e empolgadora, e que bem duro será o coração do que não se render diante das suas graças garridas.

Uma parisiense é uma linda figurinha de uma dessas bonecas parisienses, cujos olhos azuis cintilam de coquetterie. É um primor de modelação e de fina execução.

A Cabeça, uma figura de mulher em perfil, é bem desenhada e iluminada, e tem expressão.

Não gostamos tanto da execução do esboço do quadro intitulado Dor, embora o motivo não seja mau. Pareceu-nos que o braço direito é demasiado longo, e que a posição do corpo era algo forçada e sem o devido desenvolvimento. A cabeça, entretanto, tem sentimento, e alguns dos acessórios, bem pintados. É provável que, no quadro grande, estes señoes, que talvez sejam devidos ao croquis tirado de fotografia, desapareçam e que o Sr. Belmiro faça aí justiça dos foros de bom desenhista, de que justamente goza.

Este nosso distinto artista chegou a um ponto de desenvolvimento técnico em que pode com justiça confiar no seu savoir faire, e agora falta-lhe só pintar um quadro cujo assunto revele a elevação das suas faculdades criadoras, para ficar consagrado artista completo.

E, pelo que sabemos do seu espírito trabalhador e ambicioso de salientar-se na sua arte, podemos desde já assegurar que esse quadro não se não fará esperar muito.

O Sr. Belmiro de Almeida está atualmente em Minas Gerais, seu estado natal, e aí poderá colher inspirações, pois que não faltam motivos para isso, para algum trabalho notável, que engrandeça e perpetue o seu nome, bem como o do seu torrão natal.

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Não seria de justiça deixar de dizer duas linhas sobre os dois retratos expostos pelo Sr. Delfim da Camara, um velho pintor modesto, porém, que na sua maneira despretensiosa procura conscienciosamente fazer, a par de retratos parecidos, obra artística.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Natalia Mano Goulart Saraiva

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 16 set. 1897, p. 4.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 17 out. 1895, p.2.

Encerrou-se anteontem, às 4 horas da tarde, a Exposição Geral de Belas Artes.

Qual a nossa impressão sobre o certame artístico, já a externamos nestas colunas, e nada temos a adiantar ao que já escrevemos.

O público não compareceu à Exposição com a afluência que era de esperar que despertasse o interesse de ver o que haviam produzido os artistas nacionais durante o ano decorrido. E mesmo entre os que visitaram a Exposição, durante o mês e meio em que esteve aberta, foram bem poucos os amadores que adquiriram alguns dos trabalhos expostos. O resultado não se pode dizer, pois, que tenha sido dos mais animadores, nem dá esperanças que a Exposição de 1896 venha a ser superior à atual.

Desejamos, porém, que esses prognósticos sejam desmentidos, e que o próximo Salão seja não só mais uma afirmação do progresso e da pujança dos nossos artistas, como também que desapareça a sizania que lavra entre eles e que tanto mal causa à arte nacional.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 17 out. 1895, p.2.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 18 set. 1895, p.3.

O Sr. Alberto Delpino, que é dos expositores mais novos, foi aluno da antiga Academia. Tem na Exposição uns doze trabalhos diferentes, mas é na paisagem que se destaca mais.

A sua entoação é triste e sombria, mas reconhece-se que procura ver justo, apesar de afigurar-se-nos que sente pouco a cor.

É muito interessante o motivo do seu quadro "Pinheiros" (n. 118), que daria uma tela magnífica, tratado por um artista de pulso.

Interessante igualmente de mancha e nota pitoresca é o "Panorama de Mariana" (n. 126).

Se este artista deixar de querer pintar "chic" poderá fazer carreira.

O Sr. Fiúza Guimarães foi discípulo da antiga academia e ainda hoje frequenta as aulas da atual Escola de Belas Artes. Conquanto os seus progressos não tenham sido rápidos e mareados, é um artista operoso e cuidados, como o revela a quantidade de trabalhos que expõe. São muito bem escolhidos todos os assuntos.

É bom de mancha e tem boa perspectiva o quadrinho n. 133 - "Forte de Villegaignen" e muito interessante como documento histórico, e como tal, digno de arquivo.

A paisagem n. 140 é a melhor e a mancha mais justa de todas as suas obras expostas, é muito habilmente feita.

O Sr. Valle de Souza Pinto é um artista bastante conhecido, principalmente como hábil retratista a crayon. Expõe dois quadros a óleo e um retrato à litografia. Dos primeiros, o de n. 177 tem uma nota pitoresca, e o de n. 178 - "Saveiro em construção", etc., é feito com certo cuidado e com a habilidade que lhe é peculiar.

A litografia é um bom retrato do falecido contra-almirante Saldanha da Gama.

Dos atuais alunos da Escola, apenas dois mais expõem: são o Sr. João Macedo, são o Sr. João Macedo, que mandou três estudos e o Sr. Joaquim Fernandes Machado, que também concorreu com três quadrinhos. Ambos revelam boas disposições.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 18 set. 1895, p.3.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 18 set. 1900, p.3.

Exposição de Belas Artes - Só hoje podemos voltar de novo à Exposição Geral de Belas Artes, de que motivos de força maior nos desviaram por algum tempo. Também pouco nos resta a dizer além do que já expendemos anteriormente, nem a época é de preocupações artísticas, infelizmente; e é talvez esse o principal motivo da pobreza da atual Exposição no que diz respeito tanto ao número como à qualidade dos trabalhos expostos por artistas dignos desse nome. A atual Exposição é resultado natural do tempo e do meio em que vivemos. Sem estímulo de espécie alguma para produzir; sem a mais insignificante animação por parte do Estado, que no momento atual não pode desprender nada na aquisição de quadros, nem na distribuição de prêmios encorajadores; sem a menor probabilidade de ver os seus trabalhos apreciados e adquiridos, testemunhando em torno deles, ou o silêncio desolador ou a censura áspera e absoluta que não releva as dificuldades e as agruras de uma produção em um meio abafador, letal, hostil a todo trabalho artístico, não é de surpreender que de ano para ano se estiole e diminua em nossas artistas o prurido de trabalho e que se torne cada vez maior a sua abstenção.

Muito é de louvar e de admirar que ainda houvesse quem se abalançasse a fazer alguma coisa expressamente para o concurso anual, o que fez que este último ano de século não passasse sem a realização da Exposição, embora a pior talvez de quantas tem presenciado a Escola.

É inútil dizer que tudo quanto acima fica dito se refere unicamente aos trabalhos que denotam aptidões e esforços artísticos reais, e não à turbamulta de quadros sem mérito nenhum apreciável, que entulham a atual Exposição, e que revelam simplesmente a vaidade fofa e pueril de pretensos amadores, de ver os seus nomes no Catálogo, quadros que podiam ali não estar sem detrimento, ou antes com vantagem para o nível da Exposição.

Sobre os quadros da Exposição cumpre-nos agora falar dos do Sr. Henrique Bernardelli, enviados de Paris, onde se acha o ilustre artista. São todos pequenos quadros de gênero, em que o artista mais uma vez revela a sua sólida técnica, embora se tenha ele havido com certa reticência na maneira de tratá-los. Os assuntos são interessantes, principalmente os de episódios nacionais, como os de ns. 3° [Imagem] e 4° [Imagem], que ainda podiam ser melhor aproveitados, e produzir mais profunda impressão.

O Sr. Benno Treidler expõe algumas de suas belas aquarelas, gênero em que se tem revelado mestre. A sua palheta não é muito variegada, porém ele consegue com admirável precisão e segurança os efeitos que visa; e os seus quadros nunca deixam de atrair a atenção. A sua paisagem a óleo - Copacabana é um bom estudo, talvez demasiado verde de cor.

As Sras. DD. Anna [Maria da Cunha Vasco] e Maria da Cunha Vasco, as duas talentosas discípulas de Benno Treidler, confirmam este ano a excelente impressão que os seus trabalhos produziram nas anteriores exposições e são notáveis os progressos que realizaram.

Os seus trabalhos deste ano contém algumas [sic] belos estudos de projeções de sombras e de reflexos.

Outra discípula de Benne [sic] Treidler, que acusa disposições artísticas não mediocra [sic], é a Sra. D. L. A. Hunter.

Os seus quadros são todos interessantes pelo assunto, mostrando que sabe ver como um artista já feito; tem boa cor, e nota-se que são tratados por quem procura ser sincero na sua maneira de interpretar o que observa.

A técnica é ainda vacilante e ressente-se da falta de dezembro e de firmeza de mão.
Com estudo perseverante e aplicação aturada, pode vir a ser uma artista de merecimento.

O Sr. João Macedo, o talentoso aluno da escola que o ano passado tão boa impressão fez com o seu quadrinho o Gravador, tem este ano um quadro de figura - A Prece - interessante mas sem o acabamento necessário e uma paisagem, de um verde muito igual e monótono.

O Sr. Joaquim Fernandes Machado tem um quadro grande, de assunto bíblico, o Profeta Daniel na Cova dos Leões, muito sombrio de cor, e com uma mão que é um aleijão, tendo apenas um bom efeito de luz no fundo.

Podemos ainda citar: as marinhas do Sr. Luiz Ribeiro Junior, um amador que tem gosto pela especialidade e na qual procura imitar Eduardo de Martino; um simpático retrato de senhora pelo Sr. Eugenio Latour, a cabecinha muito boa, muito superior ao resto, o quadro de Fauhinetti [sic], representando um fenômeno vegetal, feito na sua maneira particular, e os quadros de sua discípula, D. Maria Ferreira [?], que segue de perto as pegadas do mestre; retratos discretos pelo [sic] Sras. D. Dinorah [Dinorah de França Meirelles] e D. Marietta Meirelles, e os quadros do Sr. H. Malagutti, em que se nota o prurido de querer ser original, mas em que há qualquer coisa que prende e atrai, e os trabalhos do Sr. João Ribeiro, em que a execução está muito aquém da intenção.

Na seção de escultura, a única expositora, a Sr. D. Nicolina Vaz de Assis, apresenta um busto em bronze, do Sr. Visconde de Ouro Preto, e uma interessante cabeça de estudo.

O busto do Sr. Visconde de Ouro Preto é um bom retrato e tem boas qualidades de técnica. É pena que a pátina que lhe deu o fundidor o faça semelhar a esses bustos de gesso bronzeado, tão comuns entre nós.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 18 set. 1900, p.3.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 2 set. 1897, p. 2.

Inaugurou-se ontem a Exposição Geral de Belas Artes deste ano.

O Sr. Prudente de Moraes se fez representar pelo Sr. 1º Tenente Max Frontin, e compareceu o Sr. Ministro do Interior que examinou minuciosamente os trabalhos expostos.

Foi bastante numerosa a concorrência de senhoras e cavalheiros, notando-se grande número de artistas e escritores conhecidos.

O número de trabalhos expostos este ano é muito inferior ao do ano passado, mas a impressão que tem o visitante não é desagradável. O nível artístico não desceu, apesar de ser muito limitado o número de artistas que tiveram a coragem de concorrer, sabendo-se que este ano o Governo não tinha verba para a compra de quadros, e que a situação atual faz com que os poucos verdadeiros amadores que existiam em outros anos estejam retraídos. Efetivamente, a abstenção este ano foi extraordinária, deixando de expor trabalhos, artistas que nesses últimos anos tem sido frequentadores constantes do nosso pequeno Salão anual; e muitos deles sabemos que tem no atelier grande cópia de quadros acabados.

Os expositores são em número de 25 na seção de pintura, um na de escultura, um na de [sic] seção gravura de medalhas e pedras preciosas e um na de desenhos a crayon.

Na seção de pintura chamam logo a atenção os trabalhos do Sr. Henrique Bernardelli, que expõe uma grande marinha - Santa Maria, pintada em uma gama muito clara, magníficos retratos e quadros de gênero e finas aquarelas. O Sr. Amoedo tem dois bons retratos e um belo quadrinho de gênero; o Sr. Brocos mandou dois retratos bem estudados. O Sr. B. Parlagreco expõe interessantes estudos de interior e retratos, a maior parte deles já nossos conhecidos.

Nota-se dois retratos e um estudo do nu, de Sra. Diana Cid; um estudo do Sr. Augusto Luiz de Freitas; um bom retrato de Mlle. Mary Mareso Sayão [sic]; dois quadros do Sr. Oscar Pereira da Silva; três trabalhos do Sr. Almeida Junior, todos chamando a atenção geral e duas paisagens do Sr. Telles Junior.

Foi também muito admirado o quadro - Paisagem com vacas - de Souza Pinto, de que aqui já falamos.

O Sr. Rodolpho Bernardelli expõe um interessante modelo em gesso de um retrato que vai fazer em bronze, e o Sr. Augusto Girardet, o árduo professor da aula de gravura de medalhas e pedras preciosas, delicados trabalhos em ágata, em concha, em topázio, em aço e em gesso, que merecem ser minuciosamente examinadas.

Do Sr. Cesari Machari, artista italiano, admira-se um rigoroso estudo a crayon.

Cumpre também salientar o progresso revelado pelo trabalho de diversos amadores e amadoras.

Mais de espaço voltaremos a tratar dos trabalhos expostos.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Natalia Mano Goulart Saraiva

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 2 set. 1897, p. 2.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 2 set. 1900, p.3.

Exposição Geral de Belas Artes - Com a presença do Sr. Presidente da República, acompanhado de sua casa civil e militar, estando presente o Sr. Dr. Epitacio Pessoa, Ministro do Interior, foi inaugurada ontem a Exposição Geral de belas Artes do corrente ano.

O Sr. Presidente da República foi recebido à porta do edifício da Escola pelo Sr. Professor Amoedo, Vice-Diretor em exercício, que acompanhou S. Ex. Durante a sua visita pelas salas da Exposição.

Parece que o Sr. Presidente da República saiu bem impressionado da Exposição, principalmente pela seção de arquitetura que lhe mereceu especiais cumprimentos.

A concorrência à abertura da Exposição foi bastante numerosa, principalmente de senhoras e de artistas.

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O número de trabalhos de verdadeiro mérito expostos é diminuto, conforme já o fizemos sentir, mas uma visita às salas de pintura deixa ver que há quadros interessantes, de grande merecimento.

Talvez tivesse causado melhor impressão, pelo menos, uma impressão mais elevada e digna, houvesse feito uma exposição menos numerosa, mas de nível superior. Ao que parece, porém, convém encher a grande sala destinada à pintura, e por isso preferiu-se fazer uma exposição em que o número dominasse a seleção.

Por nossa parte contentar-nos-emos, pois, em mencionar unicamente uma diminuta proporção dos quadros expostos:

Começaremos falando de João Baptista da Costa, que é este ano o artista que apresenta o trabalho de maior vulto, o quadro denominado - Um transe doloroso.

É uma cena dolorosa a que ele representa: o interior de um quarto em que em uma cama esterteja nos últimos arrancos da agonia uma pobre criança; ajoelhada no chão, a cabeça apoiada em uma das mãos, uma mulher ainda moça, uma mãe que soluça, e que tem a outra mão segurando o filho; em plano posterior, sentado sob o peso de um acabrunhamento profundo, está o pai, um rude operário, na imobilidade entorpecedora de uma grande calamidade. Junto à cama, de pé, uma menina olha lacrimejante e espantada para aquele espetáculo cujo mistério ela ainda não pode compreender. Um cão, o amigo dedicado e fiel daquele lar humilde, parece compreender e partilhar do drama de dor que ali está tendo o seu último ato.

Há mais do que sugestão; há grande expressão na maneira de apresentar o fato doloroso; há profundo sentimento e muita harmonia de concepção.

Pintado com grande liberdade, possui simplicidade e vigor, embora se note talvez certa desigualdade, como que certa desarmonia no acabamento.

É um trabalho, porém, que se nota imediatamente e prende longamente a atenção, e revela os admiráveis progressos que o talentoso artista tem feito. Por ele afirma-se o Sr. João Baptista tão bom pintor de figura como paisagista, e causa-nos satisfação vê-lo entrar em um novo gênero com tamanho brilhantismo.

João Baptista expõe mais três paisagens, todas elas dignas de nota, e um quadro de deliciosos pêssegos, polpudos, úmidos, verdadeiramente apetitosos.

Na paisagem, João Baptista tem uma simplicidade que agrada sobremaneira; vê-se que tem satisfação em pintar o que vê; porém vê com tamanha penetração e sente com tanta simpatia o que vê, que nunca deixa de tirar da natureza a própria comoção que ela causa. Como que nos diz com o seu pincel aquilo de que temos como que uma indefinida sensação. Há nas suas paisagens certos efeitos de luz e de atmosfera, que encanta [sic]; sente-se nelas uma simpatia íntima e profunda com a natureza, que desperta em quem as vê uma impressão indescritível como a própria natureza nem sempre produz.

O quadro Um trecho do Rio Grande é um belíssimo estudo, muito atraente e com uns gansos tão excelentes como a paisagem.

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Belmiro de Almeida tem na Exposição apenas um quadro, um pequeno retrato de menina, de que já falamos, quando esteve exposto na Casa Vieitas, com todo o entusiasmo que ele desperta.

Belmiro é um mestre consumado no desenho; e o seu retratinho exposto tem na Exposição uma nota tão especial, tão individual, tão sua e tão atraente que há de fatalmente ser um ponto em torno do qual hão de parar demoradamente os visitantes da Exposição.

Nada mais interessante nem mais gracioso do que a figurinha da menina, que se destaca do fundo de uma paisagem, que tem seu quê de primitiva, com uma saliência de recorte, viva e expressiva.

Do tratamento com que é feita a roupagem, mostra a grande habilidade do pintor e a sua técnica tão notável pela finura como pela simplicidade.

Belmiro é hoje um artista de merecimento incontestável e apreciado, e que sabe sempre criar um interesse novo com cada novo trabalho que expõe, e na atual Exposição talvez nada seduza tanto como o encantador retratinho que ele mandou.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 2 set.1900, p.3.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 4 set. 1895, p.2.

O trabalho exposto pelo Sr. Rodolpho Bernardelli na Exposição Geral de Belas Artes - Moema - representa uma mulher - uma índia quase nua - boiando à mercê das ondas, quase de bruços como sói acontecer a toda afogada. É feito em gesso e de tamanho natural.

Parece-nos ser uma das melhores composições do ilustre escultor. O corpo, flexível, bem modelado e revelando o amplo conhecimento da anatomia humana, é levado levemente nas ondas cheias de movimento que o sustentam, e é por elas como que docemente embalado; os cabelos desalinhados e todos gotejantes d'água bem como o resto.

É uma concepção simples que acusa toda ausência de intenção literária; é uma obra verdadeiramente realista, de um assunto, cuja escolha é uma audácia, mas cuja execução foi feliz.

É o produto de um realismo nobre, cheio de verdade e de sentimento artístico; nele harmonizam-se muito felizmente a simplicidade e a exatidão.

É uma dessas tentativas de traduzir um assunto segundo a maneira moderna, e em que a ideia poderia ter sido melhor aproveitada; cujas imperfeições são fáceis de ser apontadas, mas do qual poucos fazem justiça à nobre audácia que há em concebê-lo e as dificuldades que encontra a sua execução.

Esse trabalho no mármore terá ainda mais relevo e mais transparência.

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O Sr. Pedro Alexandrino Borges, que o ano passado causou surpresa geral com o seu belo quadro da cesta de laranjas, enviou este ano à Exposição seis trabalhos, dos quais cinco de natureza morta, que constitui a sua especialidade e um retrato.

Daqueles, o que mais nos agrada é o n. 5, "Cebolas" um estudo a pastel, em que o desenho é correto e o colorido exato, e em que o conjunto atinge grande perfeição.

No quadro "Romãs" (n. 1), achamos demasiado grandes as proporções que deu a essas frutas, e demasiado carrega-la a cor dos bagos. Dos outros dois, "Goiabas" e "Peixes" (ns. 3 e 4), gostamos extremamente da realidade com que estão pintadas aquelas frutas, e da frescura dos segundos; apenas, achamos que o fundo de ambas podia ser menos escuro, as frutas menos cortadas e o samburá de onde se entornaram as goiabas poderia ser mais envolto com o fundo.

É incontestável que atualmente ninguém entre nós pinta natureza morta com tanta arte e tanta fidelidade, exceção feita do Sr. João Baptista, que neste gênero tem ultimamente apresentado trabalhos que merecem ser postos ao lado dos do Sr. Pedro Alexandrino.

O quadro "Cesta Entornada" é dos trabalhos do Sr. Pedro Alexandrino o que nos parece menos feliz.

O retrato, que mandou, é muito discretamente pintado.

O Sr. Pedro Alexandrino que é discípulo do Sr. Almeida Junior, e muito trabalhador, parece-nos destinado a fazer nome respeitado entre os nossos mais competentes artistas.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 4 set. 1895, p.2.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 4 set. 1900, p.3.

Exposição Nacional de Belas Artes - O Sr. Rodolpho Amoedo expõe este ano apenas três quadros, dos quais o melhor é o retrato de Mlle. L. M.

A beleza da retratada, a sua graciosa atitude, a atração da cor, a finura com que é pintado, prendem logo a atenção. É muito bem feito, tudo é muito bem tocado, há muita arte na composição, e não teria o menor senão se não fosse uma certa dureza que não sabemos se devemos atribuir ao abuso talvez dos pretos.

No auto-retrato, pintado com certa simplicidade, nota-se a mesma dureza, e tem um caráter que não nos parece verdadeiro. Parece mais o retrato de um turco rebarbativo do que o do distinto e apreciado artista.

Na Saída de Baile há certa finura de toque, mas é o que nos agrada menos.

O Sr. Raphael Frederico, que o ano passado se distinguiu por uns belos quadrinhos de gênero, este ano mandou trabalhos da mesma espécie e igualmente interessantes.

É incontestavelmente um artista que tem talento, muito feliz na escolha dos assuntos, que tem uma palheta variegada e simpática e uma técnica talvez demasiado larga para a espécie de trabalhos que apresenta. É pena que não tivesse trabalhado mais os seus quadros, não os houvesse tratado com mais apuro e unidade, o que teria feito deles verdadeiras joias.

Agradaram-nos sobremodo o de n. 74 - Antes do Ensaio e o n. 76 - Rondó em lá menor, de gracioso tema e cor agradável.

Dos quadros do Sr. Brocos, as três paisagens demonstram uma técnica boa e segura, a palheta mais limpa do que nos acostumara esse artista e fidelidade na reprodução dos trechos escolhidos, todos tirados da estrada de Teresópolis, nas vizinhanças da barreira do Rio Soberbo.

Afigura-se-nos melhor a Paineira, em que a paisagem é exata e são evidentes as suas qualidades de pintor, mas afigura-se-nos que há qualquer coisa na planimetria: e a Mangueira (n. 20) tem fidelidade local e boa de cor, mas o céu nos parece duro, pesado, sem a leveza nas nuvens, a atmosfera própria da hora.

O retrato é um bom e sólido estudo de cabeça, também notável pela semelhança.

O Sr. Brocos tem na Exposição um bom retrato à água-forte, de uma técnica nervosa e franca, e que seria primoroso se não fosse a mão esquerda.

Um artista cuja exposição sempre se torna saliente é o Sr. Benjamin Parlagreco.

É um pintor que tem talento, que tem uma maneira sua particular e inconfundível, que o faz reconhecer imediatamente.

É de se notar a sinceridade com que procura transmitir a realidade da impressão que recebe diante da natureza, principalmente da denominada de terra fria.

Dos seus quadros este ano preferimos o de n. 168 - Quintandinha, excelente e exato de impressão, e os de ns. 158 e 159, muito agradáveis de cor, com características locais, embora de efeito frio.

No quadro - A procura de parasitas, afigura-se-nos haver qualquer senão na perspectiva; aliás é ele um dos mais interessantes da numerosa contribuição desse laborioso artista.

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O Sr. J. J. Antunes Braga adquiriu o quadro n. 8 - Pêssegos de Santa Barbara, do Sr. João Baptista da Costa.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 4 set.1900, p.3.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 5 set. 1895, p.2.

O Sr. Marques Guimarães, artista português recentemente chegado entre nós, é um dos expositores que maior número de quadros apresentou, revelando aptidão para todos os gêneros de pintura. Além disso, é o único concorrente à seção de arquitetura com um projeto de teatro de segurança para o Rio de Janeiro. É também escultor, e conquanto não apresentasse trabalho nenhum nesse ramo de arte, deve ter-se distinguido nele porque foi o escolhido para substituir o pranteado Soares dos Reis, de quem era discípulo e colaborador, como professor de escultura na Escola de Belas-Artes do Porto.

É, pois, um artista que veio para cá com o nome feito. Realmente, quem examina os seus numerosos trabalhos reconhece que está diante de um pintor distinto, que tem amor à sua arte, que tem sentimento, que sabe desenhar com correção e cujo colorido é simpático. Em todos os seus quadros nota-se que o artista dedica grande cuidado a tudo quanto faz, e que trata com o mesmo caprichoso esmero todos os planos das suas telas, sem contudo ser excessivamente meticuloso, nem prejudicar o efeito.

Dos seus quadros, o de n. 161 - "Um jejum de preceito" - é bem estudado, todos os diversos objetos ali representados são bem observados e parece-nos ser o mais harmonioso.

As suas outras naturezas mortas revelam, a par de muita observação, pincel fino e delicado e boa distribuição de cores.

O Sr. Marques Guimarães expõe também três paisagens - "Manhã de Inverno", "Tarde de Verão" e "Capoeiras", dos quais gostamos mais desta última, e que estão mal colocados, como aliás quase todos os seus quadros.

Os dois retratos que mandou - o de sua mãe e do artista Julião Machado - são bem tratados, principalmente o primeiro, que é muito harmonioso.

Seu, notamos também um diploma para uma associação de Caridade, feito com muito gosto e chic.

Se de alguma falta se ressentem os trabalhos do Sr. Marques Guimarães, é de certo vigor, aliás explicável.

O Sr. Marques Guimarães, que é ainda moço, já tem feito muito e parece fadado a um futuro brilhante - o que nos deve causar satisfação a todos nós, porque o Sr. Marques Guimarães é também meio Brasileiro, pois que, conquanto nascido em Portugal, é filho de pais Brasileiro.

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Uma seção interessante da Exposição é a pertencente aos artefatos da "Companhia Argentífera".

Em duas vitrinas acham-se arrumadas diversas obras de prata e metal, tais como serviços de chá e de mesa, charuteiras, cigarreiras, talheres, colherinhas de chá e de café, copos, vasos, etc., das formas as mais variadas e artísticas, e de diversos estilos.

Os trabalhos de lavor e cinzel são, realmente, delicados e revelam um gosto e um apuramento que fazem honra à nossa indústria artística e que em nada desmerecem perto do que de semelhante nos vem do estrangeiro.

Notamos algumas peças finamente esculpidas e douradas, de belo efeito.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 5 set. 1895, p.2.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 6 set. 1895, p.3.

São nada menos de sete as senhoras que concorrerão à Exposição de Belas-Artes, seis na seção de pintura e uma na de escultura; Mme. Berthe Worms, D. Diana Cid, D. Maria Agnelle Forneiro, Mlle. Victorina Vaunier, a Sra. A. Minitzhy, D. Alina Teixeira e D. Adelaide U. Silveira.

Mme. Berthe Abraham Worms é francesa, discípula dos notáveis pintores Jules Lefebvre, Benjamin Constant e C. Boulanger, e reside atualmente em S. Paulo.

Os seus trabalhos distinguem-se pela correção do desenho e pelo seu colorido bonito. Dos seus quadros, o que gostamos mais é o de n. 97 - Um cardeal - em que essas suas qualidades se acham bem patentes e que é muito vigoroso.

O quadro Saudades de Nápoles tem sentimento e colorido harmonioso, mas os braços desproporcionalmente curtos. A Lição difícil tem expressão e o quadro Cabeça de mulher é bem feito.

Do retrato da Sra. D. Julia Lopes já falamos mais de uma vez nestas colunas.

A Sra. D. Diana Cid já o ano passado chamou a atenção com alguns quadros com que concorreu à Exposição. Este ano mandou apenas três trabalhos, mas nem por isso faz figura somenos. Distingue-se por ter sobriedade e harmonia de cores e pinta com sentimento. Os seus quadros devem ser vistos a alguma distância, para que se destaque todo o efeito.

Dos dois retratos que expõe, já dissemos o que pensamos; o quadro En dètresse (n. 12 A) é bem sentido, parecendo-nos que a figura só por si exprime bem a ideia da artista, sendo desnecessário o esqueleto arroxeado que traz na mão um coração vermelho.

A Sra. D. Maria Agnelle Forneiro expõe quatro trabalhos, nos quais, como nos do ano passado, nota-se bem pronunciada a influência do seu professor o Sr. N. Facchinetti, cuja maneira ela cultiva. Tem incontestavelmente muito talento e as suas telas são bem sentidas, notando-se já em alguns trabalhos como que certo esforço para individualizar-se. É uma artista de quem há muito a esperar.

O quadro "Meditação" da artista russa A. Minitzhy tem expressão, mas é feito em uma entonação monótona e escura, que o torna pouco atraente.

Mlle. Victorina Vannier, que expõe dois quadros de natureza morta, revela ainda certa hesitação.

Os quadros da Sra. D. Alina Teixeira, em um tanto fracos, traem boas disposições artísticas.

O trabalho que a Sra. D. Adelaide Umbelina da Silveira expõe, não é bastante importante para se poder aferir com justiça o seu merecimento como cultora da arte do Sr. Rodolpho Bernardelli.

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Por ora os únicos quadros vendidos na Exposição são os seguintes: a "Culpa" do Sr. Felix Bernardelli, adquirido pelo Sr. Vice-Presidente da República; o "Palácio da Boa Vista", do Sr. Belmiro de Almeida, pelo Sr. Augusto Wequelin; "Um Cardeal", de Mme. Berthe Worms, pelo Dr. Garcia Redondo, e o "Chalet do Diretor da Companhia Bahia e Minas", do Sr. Brocos.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 6 set. 1895, p.3.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 6 set. 1896, p.3.

Já externamos a nossa opinião sobre a impressão geral que nos causou a Exposição de Belas Artes do corrente ano. Ao dizer, porém, que a considerávamos inferior a do ano passado, fizemos notar que havia, entretanto, trabalhos que mereciam ser vistos analisados, trabalhos que de algum modo davam interesse a esse certame artístico anual.

Vamos agora fazer os comentários que os trabalhos acima aludidos nos despertaram, externando com sinceridade nossas impressões.

Pela arrumação e arranjo dos quadros nos dois salões de que se compõe a Exposição, afigura-se que o próprio júri tratou de estabelecer uma seleção entre os trabalhos expostos, acumulando no primeiro salão os que lhe pareceram de mais valor artístico e desterrando para o segundo os que eram mais fracos. Se esse foi realmente o critério que presidiu a arrumação das obras expostas, devemos dizer que não foi ele em todos os casos rigorosamente justo.

Na primeira sala, quem entra sente logo a sua atenção atraída para dois retratos em tamanho natural do Sr. Daniel Bérard, um patrício nosso que estudou na França com Lenri Lherman e Gustavo Jacquet, e que é atualmente professor de desenho figurado na Escola Nacional de Belas Artes.

O Sr. D. Bérard veio de Paris precedido da reputação de notável pintor de retratos, e aqui justificou plenamente este conceito com os trabalhos que tem apresentado no pouco tempo que está no Rio. Trouxe-nos uma arte consumada que nos consola de não ter entre nós Carolus Duran e os Edenfelt.

O retrato de Mme. B. (n. 48) é simplesmente magnífico. A figura, soberba de beleza e de vida, destaca-se admiravelmente do fundo cinzento em uma atitude talvez um pouco espetaculosa, mas de efeito; há graça donairosa na maneira como está colocada a capa violeta, salientando perfeitamente o vestido de seda creme. A harmonia da tonalidade seria talvez mais completa, se não fosse a manga esquerda de um verde muito vivo, que dá como que uma nota demasiado aguda. O braço e a mão direitos são primores de modelado.

No retrato do Sr. G. de O., talvez não impressionando tão fortemente, há mais harmonia de conjunto, há o mesmo desenho correto, há a mesma exatidão na maneira de pintar a carne, e grande naturalidade e tranquilidade na postura. As mãos são as de um abade, ou de um parteiro, roliças, polpudas, macias, flácidas.

Devemos notar também um busto de menina, de uma adorável expressão de ingenuidade.

Aos retratos do Sr. Bérard seguem-se três pelo Sr. Rodolpho Amoêdo, que não são positivamente, dos trabalhos que tem sabido do pincel do ilustre artista, os que gostamos mais. Achamo-los secos, de uma coloração algo crua, como que colados sobre a tela e um tanto inanimados. Vê-se sempre que são feitos por um artista que sabe desenhar, mas que, por qualquer causa que não sabemos explicar, não atingiu desta vez ao nível artístico a que nos acostumou.

Há, sem dúvida, em alguns deles belos trechos de pintura, como acessórios bem feitos, mas isso não é tudo. É digno de ser visto o retrato do professor C. de C. (n.9), no qual não são tão marcados os senões que apontamos, onde o rosto é finamente pintado e toda a figura executada com certo caráter.

O Sr. Modesto Brocos também expõe três retratos, um de senhora e dois de homens. Gostamos mais do primeiro, apesar de serem todos três muito bem desenhados; mas achamo-los um tanto duros, um pouco monótonos de cor e pretensiosos nas posturas escolhidas.

Pelo pintor português Salgado há um retrato do Dr. F. de Araújo, um esboço não acabado, mas uma boa impressão forte e cheia de vida.

Entre os retratos devemos ainda citar: o de mulher (n.96) pelo Sr. Madruga Filho, cujo desenho é bom e cuja fisionomia é expressiva e o de mulher também (n.132), pelo Sr. Antonio Vianna, de um tom um pouco triste, mas de bom desenho, e que mostra que o seu autor tem talento.

O Sr. Aurélio de Figueiredo expõe diversas paisagens e marinhas e dois grandes painéis religiosos.

Estes, embora um tanto antiquados de gênero, merecem ser citados por certo arranjo de conjunto. Do seu "paraíso fin de siècle" não podemos dizer que gostamos, embora a paisagem seja interessante. Mais interessantes são as paisagens 23 e 34, em que se sente a veia poética tão característica no talento do Sr. Aurélio, e as marinhas – Brumas Matinais – de efeito fantástico, e a de n.19, bem estudada.

O Sr. J. Baptista da Costa, atualmente estudando na Europa, é o expositor que maior número de trabalhos apresenta, na sua maioria paisagens, vistas do Rio, algumas bem apanhadas, de um colorido bonito, frequentemente cru e por vezes falso. O quadro Barra da Tijuca (n.34) é bem observado e mais justo de tom, e o de n.29 tambem merece menção. O de n.38, Barreira, é bom.

Os trabalhos do Sr. Oscar Pereira da Silva, do Sr. Eliseu Visconti e do Sr. Raphael Frederico já foram ali expostos o ano passado, e sobre eles então dissemos o que pensávamos.

A obra do Sr. Oscar Pereira da Silva é bastante numerosa e interessante, e contém alguns dos melhores quadros da exposição.

O Sr. Eliseu Visconti tem diversos estudos felizes, entre os quais se destaca o de n. 138 – Risonha.

O quadro A Comunhão dá testemunho de seriedade, de propósito e de firmeza de vontade, mas recente-se ainda de certa hesitação.

O retrato do maestro A. N. é um bom estudo; há caráter na figura, que pousa bem.

Os dois quadros enviados pelo Sr. P. Weingärtner, e que mereceram tão extensa descrição, por parte do nosso correspondente em Roma, não nos agradaram. De um desenho que nem sempre é impecável, e é por vezes duro, o Sr. Weingaätner sacrifica o efeito do conjunto a um estudo demasiado rebuscado, minucioso e inútil dos detalhes. Esta maneira de pintar pode mostrar que o seu autor é hábil, mas nunca um artista verdadeiro.

O Sr. Manoel Lopes Rodrigues é muito desigual nos trabalhos que expõe; o único de que verdadeiramente gostamos, é a bela Cabeça de Velha (n.90), que parece indicar-lhe a direção a tomar.

A Sra. Bertha Worms deu-nos o ano passado coisas melhores. A sua pintura é séria, o desenho é regular, mas há certa falta de vida e de luz. O n. 69 é uma boa pochade.

O Sr. Benno Treidler tem um pincel hábil e é um bom colorista. Mandou quatro aquarelas lindas, das quais a de ns. 45 e 46, de estilo e de efeito, são as que mais nos agradaram.

O Sr. H. Bernardelli contentou-se este ano em expor dois pequenos trabalhos, um pastel regular e uma pochade graciosa.

O Sr. Lix Bernardelli mandou sete quadros que não são superiores aos que expôs o ano passado, nem pela originalidade dos motivos, nem pela sua execução. Gostamos do de n. 59.

O Sr. Henrique Tribolet, que tem seis trabalhos, é discípulo do Sr. Fachinetti. Não possui ainda a habilidade de fatura do mestre, mas faz supor que terá maior largueza de vistas e execução mais independente.

O Sr. Raphael Frederico enviou estudos regulares de atelier, próprios para preparar quadros e não para fazer parte de uma exposição.

Antes de terminar, devemos ainda chamar a atenção para os trabalhos da amadora, que se assina como o nom de guerre de Annita. Vê-se logo que se trata de uma discípula do Sr. Pacheco. Tem alguns estudos a óleo, e duas ou três guaches de um colorido bonito e agradável.

Cumpre também mencionar os nomes dos Srs. Macedo e Machado, dois talentosos alunos da Escola Nacional de Belas Artes.

Na seção de gravura, sobre pedras preciosas, os trabalhos do Sr. Enrico Girardet são das melhores coisas da exposição: gravuras todas muito finas e admiravelmente desenhadas.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Andrea Garcia Dias da Cruz

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 6 set. 1896, p.3.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 6 set. 1897, p. 2-3.

Na atual Exposição Geral de Belas Artes a obra que, como já dissemos, avulta não só pelo seu número como pelo seu valor e solidez é a do Sr. Henrique Bernardelli; e é pena que a concorrência de artistas dignos desse nome não houvesse sido maior, porque mais saliente papel essa obra faria, acreditamos, e se manteria, sem que facilmente pudesse correr o perigo de ser avantajada.

O Sr. Henrique Bernardelli há muito que afirmou os créditos de um artista consumado, possuidor de uma técnica admirável, cuja perfeição às vezes como que sacrifica, se assim se pode dizer, o efeito geral de seu trabalho.

Nos quadros expostos esse ano, é essa a impressão que se tem, e ninguém de boa fé pode negar que se está diante de um artista que se assenhoreou de todos os segredos do seu métier e que trabalha com a perseverança, com a pertinácia, com o cuidado, com a despreocupação de interesses secundários, de quem ama estremecidamente a arte que abraçou. Continuamos a pensar que o senhor Henrique Bernardelli é, não obstante a excelência de alguns dos trabalhos expostos, um grande pintor de figura , que perfila com a máxima correção, com o cuidado minucioso, com o estudo acurado, demasiado acurado às vezes, do modelo.

O senão a notar-se na maior parte dos trabalhos que expõe esse ano, será por ventura esse mesmo, em que o meticuloso apego ao modelo, dá como que certa ausência de movimento, certa falta de vida ao motivo tratado.

Outro reparo que nos parece acertado fazer, é que os quadros, nem sempre, justificam pela sua simples observação a intenção com que foram feitos, não explicam a denominação com que aparecem no catálogo, por mais perfeita que seja a maneira como são pintados.

Particularizando, a tela, que pelas suas proporções, logo chama a atenção, é a grande marinha denominada Santa Maria (n° 44), pintada com a intenção de rememorar o fato da descoberta da América, mas fato de que ninguém desprevenido cogitará ao inspecioná-la.

Representa apenas no primeiro plano uma praia de área branca, contra a qual vem se quebrar as ondas de uma mar muito esmeraldino, que se alonga pelo horizonte fora, uma nau antiga e um céu iluminado. Pintada segundo a escola moderna, que ora avassala um parte dos artistas em França, a impressão que produz é magnífica. Tem tal abundância de luz, que chega a doer os olhos.

O mar nem sempre é tratado com a mesma igualdade; não tem sempre o mesmo vigor. No lado direito do primeiro plano, porém, há uma onda flagrantemente apanha, admiravelmente pintada, cheia de movimento e de vida. É contudo uma bela pintura, que há de forçosamente impor-se à admiração.

Os quadros Heloísa, Mártir, Vestal, belos estudos com técnica, ressentem-se, como acima dissemos, da imobilidade dos modelos, bem como a pouca compreensão dos ideais do pintor.

Gostamos extraordinariamente do quadro n. 43 Monólogo, de pequenas proporções, uma reunião em uma sala, senhoras e cavalheiros em círculo, no meio do qual uma poeta de pé, encostado em uma cadeira, recita um monólogo. Feito com muito gosto artístico, com grande leveza de mão, largamente, sem demasias de técnica, palpita de vida e de interesse. O agrupamento é bem combinado, e é de extraordinária felicidade na expressão das fisionomias bem como na fidelidade com que foram apanhados os retratos de conhecidos homens de letras. A postura cômica de alguns personagens dá uma nota engraçada à tela, que é uma pequena obra prima de composição rápida e nervosa. Outra delícia artística é o retrato do Sr. Rodolpho Bernardelli, sentado sua mesa de trabalho, sobre a qual está um lampião, com um abajur verde. É uma pequena tábua de tamanho de uma mão, visivelmente pintada com prazer íntimo, febrilmente, em que o pincel em toques vigorosos e largos estampou com muita felicidade a figura do distinto escultor.

Nas aquarelas, finamente pintadas, nota-se igualmente a boa observação do moedlo e a boa técnica.

Em suma, uma obra que honra sobremodo o ilustre artista, exemplo digno de ser imitado pelos seus confrades, pela sua incansável dedicação ao trabalho, pela sua perseverança constante ao estudo e pela sua inquebrantável firmeza no exercício de sua arte, não obstante a ausência de incentivos, que o nosso meio social atualmente oferece ao trabalho artístico.

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O Sr. Coelho Netto adquriu a aquarela - Leito do Rio Soberbo (n. 33) do Sr. Henrique Bernardelli.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Lucas Ferreira Paes Leite

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 6 set. 1897, p. 2-3.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 7 set. 1895, p.2.

O Sr. Modesto Brocos, professor da Escola Nacional de Belas Artes, expõe dez quadros.

O Sr. Brocos é incontestavelmente um artista de verdadeiro talento, bom desenhista e que tem largueza na sua maneira de pintar. Ultimamente tem feito especialidade no estudo feliz de tipos da raça negra, como bem o demonstra a quase totalidade dos seus trabalhos expostos.

Dos seus quadros, o primeiro da lista - "A redenção de Cã", de grandes proporções, chama logo a atenção de quem entra. Muito já se tem falado sobre este trabalho; não nos parece, porém, que ele tenha o valor que se quer dar como concepção. No desenvolvimento do assunto, é pouco claro; a ideia que o artista teve em mente traduzir, não transparece à primeira vista, nem se entende sem explicação; quem o observar, não compreenderá que o tema é a redenção de uma raça. Afigura-se-nos que semelhante intuito não se realiza com a transfusão progressiva nela de elementos que lhe são estranhos e a gradual extinção dos seus característicos. Demais, o assunto em si é pouco delicado para ser assim publicamente tratado; envolve fatos sociais que realmente se dão, mas que não são aceitos na ordem geral de coisas. Fere preconceitos ainda arraigados em muitos espíritos e, para ser compreendido, demanda explicações demasiadamente delicadas para serem franca e claramente expostas. Na nossa opinião representa apenas um simples episódio que ocorre na nossa vida social, mas sem constituir normalidade e ao qual se deu um título ruidoso, a nosso ver inadequado. Como estudo de seleção natural, os tipos representados não são dos mais felizes.

Quanto à fatura, as figuras são regularmente desenhadas, principalmente a da preta, tronco da família retratada na tela. Na escolha do tipo do primeiro cruzamento das raças, o artista não foi feliz, pois que essa mulata não é dos mais belos espécimes que aqui se encontram. No desenho da criança notam-se certas durezas em alguns pontos, como sejam nas pernas e no braço direito.

É pena que o artista não tenha dado ao quadro um fundo menos insignificante e mais caracteristicamente local.

Dos outros quadros do Sr. Brocos, os que mais gostamos são: a "Feiticeira", harmonioso e de tonalidade baixa, mas em que se nota moleza em certos contornos; a "Mater Dolorosa", de efeito, velho de fatura, e duas cabeças de estudo, feitas com muita exatidão.

O Sr. Pedro Weingärtner mandou poucos trabalhos e que nada adiantam sobre o que se conhece deste artista, que firmou reputação de bom pintor de quadros de gênero.

O n. 181, que o catálogo diz ser um retrato, representa uma bonita mulher vestida à japonesa, é bem pintado, feito com grande minudência, mas o desenho é um tanto seco.

O quadro Lavadeira é uma linda cena de costumes brasileiros, bem feita, mas sem harmonia no seu conjunto.

O quadro n. 182 - retrato de uma criança - é bem pintado, com um fundo, porém, bastante convencional.

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Pertencem ao Sr. Coronel Antonio Bazilio os quadros Praia de Santa Luzia, Praia do Russell, Mangas e Frutas, do Sr. João Baptista da Costa.

O mesmo cavalheiro adquiriu o quadro Estudo na Atalaia, da Sra. Maria Agnelle Forneiro.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 7 set. 1895, p.2.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 8 set. 1895, p.2.

O Sr. Henrique Bernardelli é o artista que maior número de trabalhos expõe no atual certame artístico. É um nome feito e é lente da Escola. Distingue-se tanto no desenho da figura como na pintura de paisagem; parecendo-nos, todavia, que é superior no primeiro gênero. É uniforme no conjunto dos seus trabalhos, que possuem, quase todos, bom desenho, e que são pintados quase sempre em uma tonalidade escura. É um artista operoso e que está em pleno desenvolvimento de suas aptidões artísticas, sendo muito justamente considerado com um dos melhores artistas nacionais. As suas paisagens distinguem-se por um verde escuro muito cru, são um tanto opacas, como que tendo pouco horizonte e falta de transparência no ambiente.

Dos seus quadros agrada-nos mais os seguintes: um pequeno retrato, rosto apenas (n. 56), semelhando pintura antiga, bem desenhado e expressivo, tendo sobretudo a mão na qual descansa o rosto, esplendidamente modelada; o "Repouso" (n. 67), um bom trabalho, um bem harmonioso interior de "atelier", que recebe luz direta do janelão, muito bem desenhado notando-se, porém, um pequeno cochilo nas linhas de perspectiva da mesa etc.; um retrato (n. 56 b), vigorosamente pintado, mas de fundo falso; "Marabú", bela cabeça de negro, com um fundo esquisito e colado à figura; as "Galinhas" (n. 53), um episódio familiar bem apanhado, mas de entonação escura; "Apadia" (n. 66), de bom efeito, de uma entonação menos escura;. "Carandaby" (n. 63), bela mancha de cor e de desenho.

Nos quadros "Prólogo" e "Epílogo", as paisagens revelam as qualidades acima apontadas e têm figuras, que se nos afiguram deslocadas e amesquinhadas pelo vigor da paisagem. No primeiro é de muito mau efeito a figura da Índia, pouco característica, de postura contrafeita e com uma tanga inútil pela sua má colocação. No segundo, a figura do aventureiro português, morto por uma flecha, está colocada fora de foco do quadro, fazendo por isso a atenção desviar-se do interesse do episódio representado.

Gostamos também dos quadros "La Bazia" e "Veneza", de boa entonação clara e interessante pelo motivo.

Expõe também alguns trabalhos a pastel e a aquarela, processos em que o Sr. Henrique Bernardelli se distingue, e dos quais achamos o de n. 73 - "Jambo", bem modelado - de boa coloração e boa observação, e dois retratos bem parecidos.

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Seu irmão mais novo, o Sr. Felix Bernardelli, que trocou o arco do violino pelo pincel, e que tem andado a estudar em Roma e em Paris, mandou uns doze quadrinhos em que se nota na sua maneira de fazer certa semelhança com a de seu irmão Henrique. Não é ainda um artista feito, mas tem inegavelmente vocação artística e é feliz na escolha dos assuntos dos seus quadros.

Entre os seus trabalhos salientam-se: A "Culpa", fraco de desenho, mas interessante de assunto, que desafiaria o pincel de um pintor de mais pulso; a "Ilha de Capú" [sic], de bonito efeito e bem entonado, em tanto escuro talvez para o ambiente Nalvano [sic], e um belo quadrinho, representando um rabequista e o seu instrumento.

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A Exposição foi ontem muito concorrida, notando-se entre os visitantes alguns dos nossos melhores amadores.

Recebeu também alguns quadros novos da Europa, do artista português Malhôa e do artista italiano Parlagreco, de que depois falaremos.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 8 set. 1895, p.2.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 8 set. 1897, p. 2.

Ao lado da obra do Sr. Henrique Bernardelli, também se destaca o quadro de Souza Pinto, Paisagem e animais na Bretanha, que já esteve exposto em outro lugar nesta cidade e a que já tivemos oportunidade de nos referir aqui.

Esse quadro, feito na maneira moderna do autor, é uma bela paisagem, admirável de perspectiva e tratamento artístico; e os seus animais tem corpo, tem forma e tem vida. Absorve a atenção, prejudicando de algum modo os efeitos dos quadros que lhe estão vizinhos.

Souza Pinto é hoje um artista que está fazendo carreira brilhante em Paris, e a quem a crítica europeia tece os maiores elogios. Ainda, no número de Agosto do Magazine of Art, no compte rendu do Salão, lê-se o seguinte sobre o artista português: "A luz poética com que o Sr. Souza Pinto, um filho de Portugal, banha as suas figuras não é menos deliciosa do que a distinção da sua maneira de tocar, que fazem com que seus quadros - uma mescla dos estilos do Sr. George Clausen e do Sr. Bontet de Monvel - se destaquem dos que os rodeiam".

O Sr. Rodolpho Amoedo expõe seis trabalhos, dos quais dois são retratos e duas aquarelas.

Gostamos mais de sua obra este ano do que da do ano passado.

O retrato de Mme. L. V. (n. 16) é um belo trabalho, de boa técnica e ótimo desenho, em que o artista venceu com maestria dificuldades fáceis de perceber. O fundo do retrato é harmônico: os vestidos, muito bem feitos; e o tufo de flores rubras ao lado esquerdo do pescoço, não obstante a nota viva que imprime ao quadro, pela contraste com as outras tintas, dá-lhes o preciso relevo.

É porventura o melhor retrato da exposição e faz honra ao artista que o pintou.

O retrato de Mme. N. C. (18) é fiel, agradável de impressão e tem certo caráter.

O quadrinho Tarde de Maio é forte na cor, e as aquarelas, de boa técnica.

A exposição do Sr. Benjamin Parlagreco é bastante numerosa e impressiona bem. O Sr. Parlagreco é incontestavelmente um artista que tem talento e que sente bem a paisagem. A sua pintura tem cor e desenho. É pena que seja um tanto amaneirado e que às vezes prejudique o efeito de seus quadros com a introdução de animais, principalmente no caso atual com a vizinhança das vacas do Sr. Pinto. Devemos salientar entre os trabalhos expostos os quadros (n. 52), Margens do Rio Santo Antônio, que tem certa poesia; o n. 48, A roda do moinho, que tem muita vida e bastante perspectiva aérea e um bom efeito de sol, e os quadros 50 e 51, em que a paisagem é bem característica das terras frias.

Dos retratos, gostamos do do Sr. C. Parlagreco.

Dos três quadros expostos pelo Sr. Almeida Junior, preferimos o n. 15 Tanque Velho, em que há muita perspectiva aérea e bastante luz; o n. 13, Caçando, grande tela em grisaille, é suave mas monótona de cor, e fria e efeito.

Os dois retratos da Sra. Diana Cid, como técnica, são bem pintados e bem desenhados, mas faltos [sic] de movimento. Os fundos são agradáveis e decorativos e há certa delicadeza em todo o conjunto.

O estudo do nu, se bem que fiel em cor, é algo duro e falto [sic] de modelação.

As flores do Sr. Ernesto Papf são bem pintadas, embora a técnica seja um pouco pesada.

Os dois quadrinhos do Sr. Gustavo dall'Ara são bem desenhados, mas causam impressão desagradável pela sua cor escura.

O Sr. O. Pereira da Silva mandou apenas dois quadros em que o artista se não revela com a felicidade de costume. A Petite Jardiniére é muito bem desenhada, e a Cabeça de expressão é excelentemente pintada bem como as mãos, mas é prejudicada pelo fundo amarelo.

O Sr. João Baptista da Costa, que se acha atualmente estudando na Europa, mandou dois quadros, uma paisagem muito verde, e um quadro de flores. Nenhum deles revela ainda progresso, embora saibamos que o artista tenha se aplicado seriamente ao estudo em Paris. Dos dois, gostamos nais das flores, umas rosas bem tocadas.

O Sr. Modesto Brocos, atualmente na Europa, mandou apenas dois retratos, bem desenhados, mas desagradáveis de cor.

Gostamos também da marinha do Sr. V. Lopes Rodrigues, um operoso e modesto artista.

Poucos quadros mais restam da exposição e estes quase todos de amadores que, guardadas as devidas proporções, revelam estudo e progresso da parte dos seus autores.

O Sr. Augusto Girardet expôs 16 trabalhos de gravura em ágata, topázio, concha, aço, e em gesso, em todos nos dá ensejo de admirar a perfeição e a delicadeza de sua excelente técnica.

Será impossível destacar entre tantas peças finas e delicadas, todas trabalhadas com a consciência e a perfeição do artista consumado. Só citaremos a de n. 90, cuja delicadeza de formas, admirável em tão diminutas proporções, nos encantou.

Os gessos são bem modelados.

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O Sr. Augusto Weguelin adquiriu o pastel (n. 29), Vestal do Sr. H. Bernadelli e o Sr. Dr. Chapot-Prevost, a aquarela (n. 36) Choça Abandonada do mesmo Sr. H. Bernadelli, e o quadro do Sr. Oscar Pereira da Silva, Cabeça de Expressão (n. 80).

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Natalia Mano Goulart Saraiva

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 8 set. 1897, p. 2.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 9 out. 1895, p.2.

Encerra-se no dia 15 do corrente a Exposição Geral de Belas Artes.

Já foi publicada nestas colunas a lista dos expositores premiados. A primeira medalha de ouro foi concedida ao Sr. Modesto Brocos, autor do quadro "Redenção de Cã"; sobre o qual emitimos francamente a nossa opinião, dizendo que não nos parecia ter o valor que se lhe queria dar. Entretanto, já sabíamos que estava ele destinado a dar ao seu autor o primeiro prêmio do certame artístico; a decisão do júri nada nos surpreendeu pois.

A segunda medalha foi com justiça concedida ao Sr. Pedro Alexandrino; embora fosse escolhido algum de entre dois ou três outros artistas, também se não poderiam suscitar queixas.

A Exposição tem sido regularmente visitada, mas o número de quadros vendidos tem sido muito diminutos, e muitos aquém da expectativa; ou os amadores são extremamente difíceis de contentar, ou o gosto artístico entre nós não está tão desenvolvido e tão generalizado como se apregoa.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 9 out. 1895, p.2.

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 9 set. 1895, p.1.

O Sr. Rodolpho Amoêdo, vice-diretor e lente da Escola, apresentou este ano meia dúzia de trabalhos que forçosamente atraem a atenção do visitante, pela maneira como são feitos. A sua pintura atual é do gênero que se chama bonita, e revela audácia da parte do artista; são tours-de-force nem sempre felizes. É muito trabalhada; as tintas são muito vivas e cruas e produzem impressão garrida e violenta.

O desenho é deficiente, sobretudo nas extremidades, notando-se certas faltas de proporção.

Dos seus trabalhos, o de n. 18 - "Passeio Matinal" tem as cores muito vivas e não se harmonizando; a luz demasiada intensa. A cabeça de mulher do primeiro plano tem certa distinção e o pequeno chapéu de sol, muito bem feito, dá uma nota muito fresca; o quadro "Refeição Matinal", tem certa dureza; mostra mais habilidade do que arte; "Melancolia" (n. 20), é regularmente feito; agradável de mancha; não parecendo mesmo artista, discordando da última maneira de fazer do Sr. Amoêdo; o quadro "Más Notícias" (n. 21) é o melhor trabalho, que o ilustre artista expõe este ano; tem bom conjunto; a figura apresenta-se bem, parecendo mais um retrato do que um quadro de gênero. A almofada e o vestido são bem pintados. É pena que a cabeça seja um tanto dura.

Do diploma que compôs para os prêmios a distribuir-se aos expositores laureados, já dissemos em tempo o que pensávamos a respeito; resta-nos agora somente lamentar com o artista que a pobreza de elementos artísticos desta Capital não permitisse que em vez de feitos pela fototipia fossem eles gravados, o que constituiria por certo obra mais artística e mais digna da Escola.

O Sr. Almeida Junior também enviou pequeno número de trabalhos. Escolhe assuntos da vida da roça paulista que ele eleva com a sua arte, perita diretamente da natureza: tem uma certa realidade, cingindo-se talvez demasiado rigorosamente ao que vê, o que parece indicar que lhe falta imaginação.

O seu desenho não é sempre correto e sente-se por vezes certa opacidade na sua maneira de pintar.

O seu quadro "Cozinha da roça" é de bom efeito, não tanto por causa dos objetos iluminados, como dos que estão na penumbra. A figura e as galinhas são um tanto fracas de desenho. O quadro "Cena da roça" é de um bom conjunto, o motivo é bastante comum.

Tem um cavalo muito bem pintado: a "Cabeça de estudo" (n. 13), é o mais sólido dos seus trabalhos, tanto de desenho como de colorido; a "Caipora pitando" (n. 14), é um assunto pequeno para as proporções do quadro, a coloração atijolada nos impressiona como artificial; o "Recado difícil" é o mais fraco conjunto.

O Sr. Benjamin Parlagreco, irmão do Sr. Carlos Parlagreco, professor da escola, é napolitano e acha-se atualmente entre nós. Expõe seis seus quadros, todos de assuntos interessantes, principalmente para quem não conhece a vida e a paisagem de Nápoles.

É amaneirado e uniforme na sua maneira de fazer e não se salienta por grande correção de desenho.

Dos seus quadros destacam-se: o "Vigia" (n. 174), que é melhor, representa um episódio interessante, bem observado: o quadro "Bela-Vista", é uma bonita paisagem, de colorido agradável.

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A concorrência na Exposição, ontem, foi muito grande. O Sr. Edmundo Lenzinger adquiriu o quadro "Vigia", do Sr. Parlagreco, que já havia vendido ao Sr. Barão de Quartim o quadro "Bela Vista" e ao Sr. Jannuzzi o quadro "Órfã".

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 9 set. 1895, p.1.

O "Salão" - A quem coube a grande medalha de ouro. O Globo, Rio de Janeiro, 26 ago. 1926, p. 1.

Adalberto Mattos foi o grande consagrado do salão deste ano, pois que o júri Oficial de Belas Artes acaba de lhe conferir o prêmio máximo, por voto unânime; a grande medalha de ouro do ano. É assim o segundo gravador, ou antes, o segundo artista-gravador, que alcança a grande medalha, visto que o primeiro que teve essa honra foi Girardet, por sinal, mestre de Adalberto Mattos. Cumpre, porém, dizer que a resolução do júri não surpreendeu a ninguém, porquanto todos sabem do mérito do medalhado, que vem sendo distinguido desde 1907, ano em que obteve menção honrosa de 2º grau, para tê-la de 1º em 1908 e alcançar o prêmio de viagem em 1909, conquistando três anos depois a grande medalha de prata, e em 1913, a pequena medalha de ouro.

Adalberto Mattos é em verdade um artista de alto merecimento e a distinção de agora nada mais faz que confirmá-lo para vaidade de todos os seus amigos e prazer de seus admiradores, que ele os conta em toda a parte.

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Imagem

Adalberto Mattos

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O "Salão" - A quem coube a grande medalha de ouro. O Globo, Rio de Janeiro, 26 ago. 1926, p. 1.

O "SALÃO" - Inaugura-se amanhã a XXXIII exposição geral de Belas Artes. O Globo, Rio de Janeiro, 11 ago. 1926, p. 3.

O "vernissage" de hoje

Com a presença de muitos artistas e de convidados realizou-se, hoje, às 13 horas, o "vernissage" da XXXIII exposição de Belas Artes, que constitui o "Salão" de 1926. Desde o primeiro instante ao edifício da Escola Nacional de Belas Artes, afluíram muitas pessoas, dando aspecto movimento à solenidade. Grande era o número dos artistas que davam o toque final às suas obras. O aspecto, em conjunto é excelente, podendo-se dizer que o "Salão" deste ano supera o do ano passado. Além das telas de mestres, como Chamberland [sic], Belmiro, Visconti, Selios [sic] [Helios], Lucilio de Albuquerque e outros, se destacam os novos, candidatos ao prêmio de viagem. Comparecem em trabalhos de evidência, Guttmann Bicho, Almeida Junior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior], Pedro Bruno, Georgina Albuquerque, Príncipe Gargarino [sic] [Paulo Gagarin], além de mais alguns. Entre os novos notamos os esforços, dignos de nota, de Teruz, Osorio Belém, Manoel Constantino, Santiago [Manoel Santiago], Armando Faria [?], Sarah [Sarah Villela Figueiredo], Manoel Faria, Celso Kelly, André Vento, Edith Aguiar, Figueiredo Rocha [?], Vicente Leite e Candido Gusmão [sic], que é estreante e se apresenta com um retrato.

A inauguração oficial do "Salão", será amanhã, às 13 horas, com a presença dos Srs. presidente da República, ministro do Interior e altas autoridades, convidados e artistas expositores.

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O pintor Guttmann Bicho, que figura no "Salão" com algumas telas de valor, sobre as quais falaremos em tempo, teve a ideia de representar um leitor do GLOBO [Imagem], de maneira que o conjunto constituísse, ao mesmo tempo, uma obra de arte. Esse quadro, que destacaremos entre os outros, por motivo especial, que facilmente se compreende, tem a virtude de consignar as expressões da maneira de Guttmann Bicho, que tem o seu nome inscrito entre os nomes dos mestres contemporâneos de nossa pintura.

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Imagem

O quadro de Guttmann Bicho, em que se vê um leitor do GLOBO

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O "SALÃO" - Inaugura-se amanhã a XXXIII exposição geral de Belas Artes. O Globo, Rio de Janeiro, 11 ago. 1926, p. 3.

O "Salão" - MANOEL SANTIAGO, prêmio de viagem - UM CASAL DE ARTISTAS. O Globo, Rio de Janeiro, 30 ago. 1927, p. 1.

Foi justa a sentença do júri que deu ao pintor Manoel Santiago o prêmio de viagem do "Salão". Distinguimos ali outros concorrentes de mérito, Orlando Teruz, Sarah Villela, Manoel Faria, Candido Portinari, na pintura, Paes Leme, Pereira Barreto na escultura, para citar alguns. Mas, acontece que a obra de Manoel Santiago se caracteriza num progresso constante de três anos, pelo menos e que a escolha deixará vaga a concorrência dos outros, mais novos, no próximo torneio. A plêiade de artistas novos, que se apresentam desde três anos, no "Salão", é brilhantíssima, é mesmo excepcionalmente notável. O prêmio de viagem dificulta-se e não pode deixar de obedecer ao critério de sucessão nos esforços e nas provas de capacidade. O que se tornaria necessário seria o governo instituir dois prêmios de viagem, em vez de um único. A ida de Manoel Santiago oferecerá ensejo a que outro artista conheça a Europa, aproveitando a estadia ali. É a Sra. Haydéa Santiago, esposa do laureado. Pintora de mérito, candidata como o marido ao prêmio de viagem, a Sra. Haydéa Santiago apresentou trabalhos que a apontam às atenções da crítica. Na nossa gravura se vêm, ao alto, o Sr. Manoel Santiago e a Sra. Haydéa Santiago [Imagem]. Em baixo, a tela que deu ganho de causa ao pintor premiado [Imagem]. Ao lado o quadro com que concorreu a Sra. Haydéa Santiago [Imagem]. Cogita-se de dois trabalhos de alta expressão artística em que se entrançam a segurança de cores e de desenho e o sentimento poético

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Imagens

O pintor Manoel Santiago, prêmio de viagem, e a pintora Haydéa Santiago. Em baixo, a tela premiada, Marajoaras, e, ao lado, a tela com que a pintora concorreu, Veranistas

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O "Salão" - MANOEL SANTIAGO, prêmio de viagem - UM CASAL DE ARTISTAS. O Globo, Rio de Janeiro, 30 ago. 1927, p. 1.

O "SALÃO" - Rápida viagem pela galeria dos concorrentes. O Globo (Edição extraordinária), Rio de Janeiro, 16 ago. 1926, p. 8.

Seis candidatos ao prêmio de viagem

Opiniões de Eloy Pontes e Paulo Boneschi

O "Salão" deste ano, em virtude do critério de escolha, apresentou-se menos atopetado e com melhor aspecto do que o último. De um modo geral se pode dizer que os novos se esforçaram imenso, quer os que disputam o prêmio de viagem, quer os que se inscrevem para conquistá-lo de futuro. Houve mesmo revelações, que já constituem mais do que promessas. Para darmos notícia justa, minuciosa e segura da concorrência, seguiremos a ordem do catálogo, que, por sinal, está menos mau do que os catálogos dos outros anos.

Se em primeiro lugar encontramos "Vitória-régia" de Adelaide Desierto Nascimento, tela de pouca monta, calcada em assunto esvaído, logo em seguida podemos registrar os trabalhos de Alcebiades Noronha Miranda, revelando um temperamento de artista muito sensível. A sua "Ronda do silêncio" transuda poesia triste e marca a existência de qualquer coisa que nenhum esforço técnico substitui, que é inteligência. Cogita-se de um novo, do qual se deve guardar o nome. Alfredo Galvão ("Retrato e Noiva") assim, assim... Almeida Junior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior], prêmio de viagem realizado, apresenta dois nus de bom gosto. "Radiosa" consegue mesmo vencer os embaraços que o gênero oferece. "Pensador", um velho de cabeça atormentada, seria melhor se se chamasse "Pensativo"... Ninguém pensa em coisas sérias naquele jeito... Em todo o caso, vá. Telas do pintor falecido Americo Frederico da Rocha, cinco, que autorizam a lamentar a sua morte. Ali estava um artista apreciável. André Vento, que conquistou medalha de prata há oito anos, e nunca mais concorreu ao prêmio, expõe "Adoração ao sol" e "Adormecida", duas telas de valor evidente. Fica-se pensando porque o pintor se detêm por ali. "Adormecida" (nu), nos diz que André Vento tem querido desbaratar o que dele toda a gente esperou sempre. Agenor de Barros, insignificante. Annibal Mattos, velho trabalhador, trabalhador incansável, filho de uma tenaz aplicação, nos dá quatro telas. "Barcas na Guanabara" é a melhor das quatro. A paisagem marinha, melancólica e tranquila, com longes de nuvens baças, tem um primeiro plano de águas transparentes, de poesia segura e sóbria. Aí está um artista que tem caminhado com garras de força de vontade. Archimedes José da Silva, João Felippe Azevedo, B. Pinto, personagens do fundo da cena. Uma das revelações é Bath. da Câmara, que atingiu ao que se pode desejar, a um novo com "Desejos". Cogita-se de uma tela em que há movimento, audácia e brilho de composição. "Desejos" é mesmo a alegria de um canto do "Salão". Entretanto "Mãe e Pátria", do mesmo, falhou. Bas Domenech, outro produto da perseverança. A perseverança, porém, não lhe dá tudo que pode e que ele merece. Belmiro de Almeida, mestre, grande medalha de ouro em 1921, não sabemos bem por que escolheu um modelo esquisito para "Nu de mulher". Como aquilo fala verdade! As carnes flácidas caem, pompeiam as adiposidades e tudo traduz de tal sorte a severa realidade dos fatos, que se poderia dizer, como os contempladores leigos: "só falta falar" Grande artista! Só um grande artista saberia fugir aos tropeços que o modelo ofereceu. Benno Treidler, marinhista obstinado, pintou o Iate Clube Brasileiro de todos os modos, em todas as posições, de forma a nos deixar a ideia de ter folheado um álbum de gravuras. Augusto Bracet, professor, pequena medalha de ouro. Parece que trabalhou pensando na grande medalha. Trabalhou com afinco. Temperamento pouco emocional, confiando no desenho aquilo que nem só ao desenho se confia, Bracet, este ano, saiu-se um pouco da algidez. Os dois retratos e "Cismando" são obras que justificam a designação do autor para uma cadeira da Escola, até que venha o concurso... Sobre os esforços de Augusto Bracet se poderia escrever um estudo mais longo sem desaire. Diríamos que, depois da sua viagem à Europa, é a primeira vez que ele se apresenta à altura das expectativas, se não fora o receio de melindrar com elogios. Pedro Bruno também outro caso de aplicação real. Do ano passado para cá evidenciou progresso, conquanto seja um artista firmado e sagrado pela pequena medalha de ouro. "Romântica" é obra de mestre, com a circunstância de ser ao mesmo tempo, obra que revela um temperamento poético apreciável. "Cristo ao luar" deve ser citado, com louvores. Candida Cerqueira ("Retrato") é aluna da Escola.

Ou muito nos enganamos ou Candido Portinari (concorrente ao prêmio de viagem) está sendo estragado pela "entourage". Trata-se duma inteligência forte, que se deixou dominar pelas impressões de Zolunga. Entretanto, Portinari tem personalidade. Se não é o que lhe andam segredando os adversários da aplicação, não se inscreve também entre os insignificantes, que tanta tinta e tanta tela estragam, estragando a paciência alheia. Os dois retratos que Portinari apresenta [1 e 2], como títulos ao prêmio de viagem, cheios de excelentes notas pessoais, marcam, ao mesmo tempo, uma certa insistência de processos, que parece dizer que o artista se considera feito e acabado. Isto é um mal evidente. Henrique Cavalleiro se destaca nas paredes pela diferença dos demais. Com defeitos ou sem eles, Cavalleiro tem as virtudes da personalidade. Revela-se como caricaturista exímio em duas aquarelas. Essas aquarelas constituem mesmo a nota curiosa do "Salão". "Paisagem" e "Serra da Bocaina" são telas que se avizinham da perfeição. "Mocidade" e "Sonho místico", painéis, são duma poesia penetrante. Esses trabalhos apontam Henrique Cavalleiro aos que se acostumaram a estimar o talento. "Sonho místico" obedece a um critério tão firme que as figuras humanas se casam às figuras das pombas, que adornam o painel. Celso Kelly, talento original, com falta de aplicação, expõe dois retratos. Há ali alguém, que poderá vir a ocupar um posto se a tenacidade, o amor às perspectivas auxiliarem. Oscar Turati [sic], Alberto Delpino, Affonso Dias Martins, Domingos Dias da Silva, Diva de Moura Ferreira, segundos planos... Edith Aguiar, pequena medalha de prata, tem em "Elsa" (pastel) uma prova de capacidade. Que gênero inexpressivo o pastel! Que esforço perdido! "Claro e escuro" e "Anêmonas" bons. Por que é que o Eduardo Bevilacqua, prêmio de viagem de 1906, pintou aquele "S. Lourenço", tão peco e por que é que o expôs? Elaine Sanceau, Emilia Marchesine, Ernesto Quissac, Euclydes Fonseca, Eugenio Proença Signaud [sic], Levino Fanzeres, Francinet Alves, fundos de cena... Fausto de Souza, concorrente ao prêmio de viagem, concorre... As duas telas, que apresenta, se não chegam a impressionar ninguém, não fazem mal aos outros. "Antes do baile" revela qualidades. Revela. Gaspar Magalhães, Francisco Acquarone, Gastão Formenti, verbos de encher... Georgina de Albuquerque é a alacridade de cores bem distribuídas, salvando um recanto de parede, onde se amontoaram coisas fantásticas. "Malmequer", "Dia de verão", "Alta na encruzilhada" três telas que valem por três testemunhos de um talento, que une a técnica ao bom gosto. Que estranha poesia nasce da pintura de Georgina de Albuquerque! Seu elogio está feito. Não estivesse e aqui lhe deixariam-nos um punhado de adjetivos estimulantes. Gerhard Orthof, alemão, com um retrato magnífico, com palhetadas audaciosas e originais. Germinal Artezi, moço, com tendências para a extravagância. A extravagância, porém, só não cai no ridículo quando há talento. É o caso de Artesi. Os retratos de Mlles. Amelia Bastos e Marina Fernandes definem uma personalidade. O pincel que os fixou tem direito a contar com o futuro. Gilda de Oliveira [sic], Hallais de Oliveira, N. N. [?], para quando forem anunciados... Guttmann Bicho, filho da constância, com excelentes qualidades, prêmio de viagem em 1921, dá-nos quatro telas, todas de boa água. "Ar livre" é mesmo uma das obras-primas do "Salão" (bem entendido). Haydéa Lopes Santiago, quando diminuir a velocidade, quando abandonar a "fato presto", quando esquecer o desejo de expor muito, poderá muito. Seu "Romance", entretanto, impressiona bem. "O portão da chácara", "Tarde de verão", "Hora da missa", caracterizam bem o seu colorido. Desejaríamos, entretanto, vê-la fixada numa tela em que reunisse todas as virtudes que se espalham, que se distribuem, que se perdem e diluem quase no seu labor extenso. Helios Seelinger, mestre, talento original, exemplo em a extravagância, às vezes, se salva pelo engenho incontestável, com "Pedro Malazarte" fixou todos os aspectos, todas as facetas, todas as perspectivas da sua maneira. Maneira pessoal. Pena é que Helios não encontre motivos para trabalhar mais do que trabalha. Heraclito Ribeiro dos Santos, Heribert Niaud, Hilda Eisenlohr, Hilda Soares Torres, Irene Ribeiro França, Seelinger Fleury, João Braga, João Fahrion, Jordão de Oliveira, José dos Santos: comparsaria... Arthur Lucas, que uma enfermidade pertinaz não venceu, apresenta "Terra , Céu, Mar, e Primavera", esforço que comove! Lucilio de Albuquerque, professor, grande medalha de ouro, com "Fim de pescaria" se penitenciou. É pena que o pescador, que puxa a rede, esteja tão duro, parecendo colhido de modelo artificial. Luiz Kattembach, novo, é uma inteligência evidente. Seu "Bailado pagão" apresenta alguém.

M. Constantino, candidato ao prêmio de viagem, trabalhou muito, demonstrando progresso do ano passado pra cá. É um concorrente respeitável, que faz lamentar não poder o "Salão" mandar para a Europa pelo menos três dos atuais concorrentes. "Infância de Giotto" é obra de mérito. "A rosa branca" é obra magnífica. "Retrato", de Corbiniano Villaça, aproxima-se da perfeição rigorosa, que é pseudônimo de obra-prima. M. Constantino é um nobre artista, que dispõe já de elementos primorosos. Manoel Faria, trabalhador incansável, apresenta sete quadros, todos com estigmas de evolução, principalmente no que respeita ao colorido. "Lago dos nenúfares" é ótimo. A medalha de prata será prêmio mesquinho para quem assim concorre aos prêmios do "Salão". Maria Francellina, Maximiliano Valdes, razoáveis. Mario Tulio, com "retrato", mereceu gabos. Marques Junior (que vadio!), prêmio de viagem, apresenta "Ventarola verde", menos do que devia. Meinhard Jacoby, alemão, grande e nobre inteligência de artista. "Volta do serviço", "A escolha dos instrumentos", "Corte de cana", que excelentes provas! "Branco em branco" é uma das telas melhores do "Salão", revelando um temperamento excepcional munido duma excepcional maneira de fixar impressões. Miguel Capllonch: e esta? Que ideia! Miriam Falcão Lima, Murillo Gonçalves de Souza, Odelli Castello Branco, Odilon Paiva, Olga Mary Pedrosa, Padua Dutra, Palmyra Pedra, multidão do fundo de cena. Orozio Belem (que a revisão teima em chamar de Osorio e com razão) é uma das afirmações novas do "Salão". Progressos magníficos. "O orientalista Dr. Paulo Boneschi" é trabalho de polpa. "Yáyá" inscreve o Sr. Orozio Belem no rol dos que podem disputar o prêmio em futuro próximo. Otto Bunguer, alemão muito bom em "Ressaca", uma única tela, que é ato de prudência. Paula Fonseca, prêmio de viagem de 1923, foi perder na Europa o que sabia aqui. "Mercado de Florença" é detestável. Não se diria do mesmo paisagista que tão bem mereceu o prêmio há três anos! Paulo Mazzucheli, Porciuncula de Moraes, Pureza Cardoso, Raul Pedrosa, Sara Costa, Suzana Mesquita, puff! Príncipe Paulo Gargarin [sic]: "Em descanso" (marinha) único quadro exposto. Por quê? Receios e susceptibilidades. No entanto Gargarin é um artista de altas qualidades. Joaquim da Rocha Ferreira é a grande revelação do ano. Entrou com o pé direito. Aí está um talento, que os elogios não devem desmerecer. Com aplicação Rocha Ferreira há de ser um dos maiores artistas contemporâneos nacionais. Os três retratos, que expõe, são três provas duma excepcional envergadura. Não veio precedido de reclames. É alguma coisa!... Roselli Koch Torres. Outra concorrente autorizada aos prêmios do "Salão", que se apresenta sem padrinhos valiosos. Por isso mesmo dá prazer elogiar "O pó de arroz", tão bem feito e tão sensível e o retrato a pastel, que nada deixa a restringir.

Manoel Santiago, concorrente ao prêmio de viagem, forte concorrente. Não se trata de um pintor apenas de esforço, que tudo confia ao desenho. Cogita-se dum talento, cheio de poesia, de sensibilidade, de engenho improvisador. Santiago afirmou-se mesmo, em "Currupira" uma das inteligências mais seguras de quantas pleiteiam louros. "Currupira" é uma composição encantadora, executada com graça infinita. "A cabocla", "A carta", nus artísticos, confirmam os louvores, que queremos consignar aqui sem reservas. Há outros trabalhos de Santiago. Sarah Villela de Figueiredo, concorrente ao prêmio de viagem, com três retratos. Os retratos do professor Bernardelli e do Sr. A. de Medeiros, são duas afirmações magistrais. Sarah Villela tem mesmo um "savoir-faire" que a aponta a quem quer que percorra as galerias do "Salão". É uma concorrente que embaraça. Sylvia Meyer continua expondo pasteis bons. Oswaldo Teixeira [Oswaldo Teixeira da Rocha] deixa um pouco a desejar. É um aplicado. Com o tempo... Orlando Ternz [sic], que se apresentou há um ano com brilho, volta à carga com grandes quadros. Fora melhor que os fizesse menores. Fazendo-os menores Ternz devia abandonar a pintura lisinha, acabadinha, antigazinha. Entretanto, atado a ela, Ternz nos dá "Retrato antigo", "Retrato" e "Bahiana faceira", três obras de mérito. A segunda delas, então, justifica as esperanças que, há um ano, pusemos na sua capacidade. Gostamos menos de "Perfis", por motivo que acima ficou aludido. Timotheo da Costa [João Timotheo da Costa] pode-se gabar, sem medo, de haver dado o melhor quadro do "Salão" com seu "No atelier". "Estudo de tronco", "Adolescente", bons. O mesmo não dizemos, para sermos justos, de "Paisagem". Ugo Pablo [sic], com "Retrato" e "Ruína" mereceria elogios que "Quando a frialdade é precoce" não merece.

´Armando Vianna, candidato ao prêmio de viagem. Há um ano, pintou um grupo de senhoras, favorecidas pela luz vermelha de sombrinhas [Imagem]. Este ano repetiu a façanha. Com menos êxito. "Primavera em flor", entretanto, justifica as preferências que já se acentuaram sobre Vianna, no empenho de mandá-lo à Europa. "Antes da festa", é obra de valor incontestável. "Travessura", deixa a desejar. A perna do garoto, sentado na pedra, é aleijada. Armando Vianna, entretanto, pelo que já fez, é um dos mais fortes talentos novos, é uma afirmação digna, é um valor em evolução constante. Não há quem, de boa fé, não se emocione diante das suas telas. Isto é o que se deve estimular. Desenho é fácil, mas há que "haver talento"... Vicente Leite trabalhou muito. Antes trabalhasse menos, concentrando as suas aptidões. Artista de qualidades evidentes, novo, constitui promessa que ninguém contesta. Virgilio Lopes Rodrigues, denunciando progressos, é um paisagista de sentimento. Visconti, o mestre, expõe uma obra-prima autêntica, com "Retrato", "Baiana" e "Piedade" não contestam os elogios que Visconti devia ter aqui, numa lista de adjetivos, que não escrevemos por inúteis. Grande, nobre e ilustre artista! Yvonne Visconti, filha do mestre, expõe "Paisagem", tela de valor.

E é tudo que a pintura nos deu. Esse tudo foi muito. Os concorrentes ao prêmio, Armando Vianna, Manoel Santiago, Sarah Villela, Manoel Constantino e Candido Portinari, representam cinco afirmações moças, que merecem os estímulos da crítica. Vianna é mesmo um dos candidatos que muito merece, pela obediência que vem observando, aos conselhos da tenacidade. Santiago e Constantino são dois temperamentos excepcionais. Sarah é um talento másculo. Portinari será um artista de valor o dia em que der de ombros aos que afirmam que lhe sobram as virtudes que a aplicação concede até mesmo aos mestres incontestáveis.

Em escultura, registramos o "Velho filósofo", de Antonino Mattos, excelente. Francisco de Andrade com "Golpe mortal" lavrou um tento. Armando Braga, Cunha Mello, Homero Silva, Honorio Peçanha, Cavina, José Rangel, Lotte Reuter [sic], Laurindo Ramos, Magalhães Corrêa, Paes Leme, Yáyá Castro, Vicente Laroca, bons. Orestes Acquarone apresenta "Gaúcho", que é prova de um talento digno de menção. Verdié, o mestre, em "Tamanduá brasileiro", escultura em madeira, atingiu ao extremo, que justifica a situação que desfruta.

Eloy Pontes.

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A XXXIII EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES

IMPRESSÕES RÁPIDAS

O conjunto do salão oficial deste ano apresenta-se mais forte e mais agradável do que nos anos anteriores.

Nas telas há mais luz, mais cor, mais vibração. Parece que um sopro novo de vida esteja animando a nossa mocidade artística.

A seção de escultura é menos rica e menos original.

A de arquitetura é positivamente nula.

A de artes aplicadas não apresenta interesse nenhum, a não ser uma série de pranchas aquareladas em que a paciência de um chinês ao serviço de um cérebro alemão, esquartejou em mil elementos anatômicos os lindos motivos ornamentais da arte aplicada indígena.

Que utilidade artística têm esses elementos isolados, quase todos "geométricos" e "comuns" às artes primitivas?

A originalidade da arte indígena consiste tão somente na "maneira" de compor esses elementos. Isolados perdem eles todo valor artístico.

Mas visitamos rapidamente as diferentes seções e notamos as nossas impressões pessoais.

SEÇÃO DE PINTURA

PEDRO BRUNO

É por excelência o pintor brasileiro de ar livre: Ao equilíbrio da composição, à delicadeza do colorido, à discrição dos jogos de luz e sombra, alia uma técnica segura e um desenho impecável.

O conjunto do quadros de Pedro Bruno é espontaneamente harmônico, de uma poesia calma e serena.

Desconhece, esse artista, os contrastes violentos das cores que encontramos, por exemplo, nos quadros de ar livre pintados por Georgina de Albuquerque, cheios de efeitos cromáticos artificiais.

"Mãe", "Sol de outono", "Guanabarinas", "Cristo ao luar", "Romântica", constituem um conjunto de obras suficiente para firmar a fama de um artista.

JOÃO TIMOTHEO

A esse artista cabe a honra de ter pintado uma pequena joia que constitui, a nosso ver, o "clou" do salão desse ano: "No atelier". Bem composto, bem desenhado e valorizado, esse quadro de João Timotheo foi executado com técnica larga e "pastosa".

A figura do adolescente é grandemente expressiva e bem ambientada: o colorido quente e vibrátil.

João Timotheo apresenta mais uma cabeça: "Adolescente", um "Estudo de tronco", interessante e uma paisagem "Tijuca", de efeito bastante decorativo.

HENRIQUE CAVALLEIRO

É um dos pintores modernos mais fortes. Suas paisagens, limpas de cor, cheias de luz e vibrações, são pintadas duma maneira larga e sintética.

Massas e cor são as preocupações principais desse jovem artista.

Não gostei do "Retrato do Dr. Hernani de Irajá", a não ser como "tentativa", no gênero.

ALMEIDA JUNIOR

O notável artista Almeida Junior não nos quererá mal se, em vez de cumprimentá-lo pelos dois nus de mulher: "Nu romano" e "Radiosa", apresentamos-lhe os nossos sinceros parabéns pelo ar livre "Estudiosa", que possui qualidades artísticas pouco comuns. É um trabalho que honra o autor.

ELYSEU VISCONTI

O mestre apresenta-se com três trabalhos: "Retrato", ótimo de técnica e duma psicologia notável; "Piedade" bem pintado (lindo o esforço da cabeça) e "Baiana", que não nos parece à altura da fama do autor.

JACOBY MEINHARD

Entre os quatro trabalhos enviados pelo notável pintor alemão destacamos, pelas qualidades técnicas e pela singular expressão, o retrato "Branco em branco".

MANOEL FARIA

Este jovem paisagista concorre ao "Salão" deste ano com sete trabalhos, entre os quais nos apraz salientar a grande tela "Lago dos nenúfares".

Manoel Faria é pintor "realista": incansável e cuidadoso observador da nossa natureza, procura reproduzi-lo em suas

Paulo Boneschi.

(A CONCLUIR)

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Imagens

"Infância de Giotto", de Manoel Constantino, à esquerda, e "Prof. Henrique Bernardelli", de Sarah Villela de Figueiredo

"No Atelier", de João Timotheo da Costa

"Primavera em Flor", de Armando Vianna

Retrato de Roberto Rodrigues, de Candido Portinari

"O Curupira", de Manoel Santiago

"Lago do Nenúfares", de Manoel Faria, à esquerda, "Adoração ao Sol", de André Vento, ao centro, e "Poesia da Tarde", de Vicente Leite

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O "SALÃO" - Rápida viagem pela galeria dos concorrentes. O Globo (Edição extraordinária), Rio de Janeiro, 16 ago. 1926, p. 8.

"O SALÃO DE 1912". A Noticia, Rio de Janeiro, 2-3 set. 1912, p.5.

Quando o Sr. presidente da República chegou ontem, à Escola de Belas Artes já o salão regurgitava com uma concorrência de elite onde predominavam as senhoras e demoiselles dando-lhe um aspecto encantador.

O Sr. presidente da República, percorrendo o salão admirou o progresso dos nossos artistas tendo para cada trabalho examinado palavras de elogios.

Com grande número de pessoas que enchiam o "salão" era quase impossível admirar-se em exame minucioso os inúmeros quadros e esculturas, que formando um conjunto belíssimo dão ao visitante a impressão de estar em algum recanto maravilhoso.

Há quadros de uma intensa vida e colorido e há esculturas de uma perfeita execução, dos quais amanhã falaremos.

Tocou durante o dia no saguão da Escola uma banda de polícia, e, até a tarde era extraordinário o movimento de visitantes ao "salão".

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

"O SALÃO DE 1912". A Noticia, Rio de Janeiro, 2-3 set. 1912, p.5.

O "SALÃO" DE 1913. O Imparcial, Rio de Janeiro, 7 set. 1913, p.5.

Imagens

Alguns quadros expostos no "Salão" de 1913: 1) João Baptista da Costa, "A caminho do curral"; 2) Carlos Oswald, "Supremo esforço"; 3) João Baptista da Costa, "Tranquilidade"; 4) Luiz Christoffe, "Trecho do rio Paquequer"; 5) Adolpho Alvim Menge, "Hidromancia".

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O "SALÃO" DE 1913. O Imparcial, Rio de Janeiro, 7 set. 1913, p.5.

O "SALÃO" DE 1913. O Imparcial, Rio de Janeiro, 9 set. 1913, p.7.

Imagens

1) Arthur Timotheo, "O dia seguinte"; 2) Carlos Oswald, "Estudo de reflexo"; 3) Pedro Bruno, "Harmonia das Praias" (Paquetá); 4) Rodolpho Chambelland, "Baile à fantasia".

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O "SALÃO" DE 1913. O Imparcial, Rio de Janeiro, 9 set. 1913, p.7.

O "SALÃO" DE 1921 - Reunião do Conselho de Belas Artes - DISTRIBUIÇÃO DE PRÊMIOS. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 27 ago. 1921, p.7.

Esteve reunido ontem, sob a Presidência do Sr. Ministro da Justiça, o C. Superior de Belas Artes, para decidir sobre a distribuição dos prêmios concedidos de acordo com o regulamento da Escola aos concorrentes ao "Salão" de 1921.

O Sr. Dr. Alfredo Pinto, ao iniciar os trabalhos do Conselho, apresentou as suas despedidas, por ter de deixar a pasta na próxima semana, sendo S. Ex. saudado pelo Sr. Diretor da Escola de Belas Artes, que se congratulou com S. Ex. pela sua nomeação para o Supremo Tribunal Federal.

O Sr. Professor Baptista da Costa agradeceu ao Sr. Dr. Alfredo Pinto o concurso por S. Ex. prestado às belas artes, durante a sua administração na pasta da Justiça.

Passou, em seguida, o Conselho à apuração do concurso de prêmios que deu o seguinte resultado: - Seção de Pintura - Prêmio de viagem, a Guttmann Bicho; grande medalha de ouro, a Belmiro de Almeida; grande medalha de prata, a Angelo Cantú; Levindo Fanceres [sic] e Jorge de Mendonça; pequena medalha de prata, a Marques Junior; medalha de bronze, a Gastão Forment [sic], Irene França e Oswaldo Teixeira; menção honrosa de 1º grau, a Manuel Constantino Ribeiro, e Joaquim da Rocha Ferreira; menção honrosa de 2º grau, a Adelia Saldanha, Gino Bruno Francoso M. Bas Domeneck, José Maria dos Reis Junior, Thomaz Reynolds e Armando Vianna; prêmios em dinheiro: 1:000$000, a Francisco Manna e Gaspar Magalhães; 500$000, a Raul Deveza e aula Fonseca [sic] e Luiz Kattenback; prêmio Galeria Jorge (500$000) a Almeida Junior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior]. Seção de Escultra: - menção honrosa de 2º grau a D. Maria de Assis Mattos; prêmio em dinheiro: 1:000$000, a Antonio [sic] Mattos [Antonino Mattos]; 250$000, a Paulo Mazuchelli. Seção de gravura: - Prêmio em dinheiro: 500$000, a Arlindo Bastos. Seção de Arquitetura: - pequena medalha de ouro a [[Francisco dos Santos; menção honrosa de 1º grau, a A. G. Maya [sic].

O Conselho resolveu conferir a grande medalha de ouro ao artista Belmiro de Almeida que concorreu com um interessante trabalho que, por ter chegado tarde a esta Capital, não pôde figurar no catálogo.

O quadro do artista Belmiro de Almeida representa o "Salão de Versailles", onde foi assinado o Tratado de Paz, vendo-se na tela a Delegação Brasileira.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O "SALÃO" DE 1921 - Reunião do Conselho de Belas Artes - DISTRIBUIÇÃO DE PRÊMIOS. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 27 ago. 1921, p.7.

O "Salão" deste ano. Foi hoje a inauguração oficial. A Noite, Rio de Janeiro, 12 ago. 1921, p.2.

A preferência do Sr. presidente da República

Foi hoje inaugurada oficialmente, na Escola Nacional de Belas Artes, 28ª exposição geral, compreendendo pintura, escultura, gravura e arquitetura, com a presença do Sr. presidente da república e membros do governo, elementos do corpo diplomático e autoridades diversas, além do diretor e pessoal docente do estabelecimento, expositores, etc.

Recebido à porta da Escola e por uma comissão especial introduzido no recinto, o Sr. Epitacio Pessoa entrou a olhar telas e maquetes, bustos e medalhões, sem grande preocupação, pelo dever protocolar de percorrer, no tempo de que dispunha, o maior espaço possível.

Centralizando todas as atenções, o chefe da nação foi alvo […] tempo da curiosidade ambiente, pairando em torno da presidencial opinião que todos desejaram ouvir e conhecer.

Na seção de escultura houve, entretanto, alguma coisa capaz de prender o olhar inquieto de admiração ou de ódio, de apreço ou de rivalidade, em que pese não se poder atribuir ao intuito de S. Ex. admirar o trabalho do escultor Francisco de Andrade ou porque se tratava do busto do Sr. Nicanor Nascimento, obra do discípulo de Corrêa Lima, que lá está sob número 176.

Quando pela última vez, o ilustre visitante arriscou de soslaio um olhar oblíquo ao meio vulto candidato eleito e [...] ao último pleito federal, houve quem […] terceiros de ter o semblante do observador perdido um momento a proverbial e eterna jovialidade ofuscada por uma lembrança malsã, que seria remorso em se tratando de autoridade menos altruísta.

E como todas as atenções se voltasse para o chefe da Nação estabelecendo uma conduta de que não deveríamos […] discrepância, só de outras vezes com […], voltaremos à Exposição Geral de Belas Artes e trataremos de alguns […] 246 trabalhos que constituem o "Salão" deste ano.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O "Salão" deste ano. Foi hoje a inauguração oficial. A Noite, Rio de Janeiro, 12 ago. 1921, p.2.

O "Salão" deste ano. O Vernissage na Escola de Belas Artes. A Noite, Rio de Janeiro, 11 ago. 1921, p.1.

Uma exposição harmônica

Realizou-se hoje, na Escola de Belas Artes, o vernissage da exposição que será inaugurada amanhã.

Impressão fugaz, ligeira, de conjunto, a impressão do vernissage, em geral, não autoriza juízos definitivos. No movimento final de preparo das obras expostas, entre os gestos de seus primeiros apreciadores, quando uma espécie de emoção de estreia domina os expositores, o observador participa dessa emoção e o seu desejo é achar tudo bom, proclamar a excelência de todos esses trabalhos, representativos de ânsia, de sonho, de esperança, de necessidade.

Talvez na exposição deste ano não haja nada de grandioso, nem o engenho de nossos artistas triunfe em obras sublimes, mas há muita coisa de belo, de bom, de interessante. O certame, encarado sob o aspecto dos valores artísticos, é harmonioso.

Nas salas, ornadas de ramagens, que se desprendiam das coroas e festões em que se entrançavam, os artistas envernizavam, conversando, os seus quadros, ao perpassar dos visitantes, cheios de curiosidade simpática e que por vezes deploravam a falta de um catálogo, que evitasse dúvidas na interpretação de certos trabalhos, pois diante de um quadro de Bracet, representando uma figura nua de mulher, alongada sobre águas que cobriam uma caverna, um crítico exclamou:

- A mãe d'água!

E um pintor corrigiu:

- Não é a mãe d'água. É a Morte e a Vida.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O "Salão" deste ano. O Vernissage na Escola de Belas Artes. A Noite, Rio de Janeiro, 11 ago. 1921, p.1.

O "Salão" do ano - A MEDALHA DE HONRA - COMO SE DISTRIBUI O PRÊMIO DE VIAGEM. O Globo, Rio de Janeiro, 20 ago. 1927, p. 1.

Quando se inaugura o "Salão" já se sabe, quase com segurança, quem será o prêmio de viagem do ano. É que ali também, como alhures, prevalecem os caprichos da política, feita de simpatias e preferências, que ofuscam a justiça dos julgamentos. Este ano não mudou. Logo no começo se soube que caberia ao Sr. Fausto [Cadmo Fausto de Souza] a vitória, pois os membros do Júri se inclinavam todos para ele. A despeito disto, outros artistas compareceram, com trabalhos de mérito. Na pintura vimos os Srs. Manoel Santiago, Manoel Faria, Candido Portinari, Orlando Teruz, e as Sras. Sarah Villela, Edith Aguiar, Haydéa Santiago e Gilda Moreira; em escultura, vimos o Sr. Paes Leme, entre outros; na gravura, apresentaram-se dois concorrentes, e qualquer deles oferece margem a um exame detido para julgamento. Há mesmo exemplos de progressos surpreendentes, como acontece com Orlando Teruz, que apresentou "A tentação", tela executada com talento, em que se imprimem as galas de uma inteligência poética apreciável e pouco corrente. Há exemplos de crença tenaz é de tenaz amor ao trabalho, como se vê em Manoel e Haydéa Santiago, dois artistas seguros na sua orientação. Há exemplos de força de vontade, de que Manoel Faria é efeito edificante. Candido Portinari e Sarah Villela, retratistas, por seu turno, apresentaram as provas de que essa nobre arte encontra arrimo entre as incertezas contemporâneas. Entretanto, mesmo antes de aberto o "Salão", já se sabia o prêmio de viagem... E, será como se diz?

No tocante à medalha de honra, a escolha, como ainda, ontem, publicou o GLOBO, na "Segunda Edição", teve o segredo da oportunidade, coroando uma vida cheia de glórias e de triunfos, como é a do escultor Bernardelli [Rodolpho Bernardelli]. Em todo o caso sempre conviria advertir aos que não compreendem que o juízo do público, em visita ao "Salão", mal chega a compreender esse critério dúbio, que faz justiça por um lado e faz política por outro...

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Imagem

A Tentação, quadro de Orlando Teruz, um dos candidatos ao prêmio de viagem

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O "Salão" do ano - A MEDALHA DE HONRA - COMO SE DISTRIBUI O PRÊMIO DE VIAGEM. O Globo, Rio de Janeiro, 20 ago. 1927, p. 1.

O "SALON" - Duas expositoras. A Noite, Rio de Janeiro, 5 set. 1912, p.1.

Dos trabalhos expostos atualmente na Escola de Belas Artes que espíritos perversos já classificaram entre as calamidades que desabaram ultimamente sobre o Brasil, pouca coisa mesmo muito pouca coisa se põe a salvo da irreverência da crítica dos que afastados das mil e uma "coteries", vão ali procurar sensações artísticas.

Por esse motivo merecem um destaque especial os trabalhos de duas senhoras, onde se encontra facilmente a afirmação de qualquer coisa que não abunda muito na maioria do que com tanta generosidade a crítica indígena tem elogiado.

As duas expositoras a que nos referimos são a senhorita Angelina Agostini e de D. Georgina de Albuquerque.

A primeira, herdeira de um nome que constitui uma responsabilidade, expõe dois quadros: um retrato de Mme. Leão de Barros, trabalho onde se descobre o pincel de um artista consumado, seguro do desenho e do colorido. Pode competir com o belo retrato de Gonzaga Duque que Elyseu Visconti expõe.

Outro trabalho, um difícil estudo do perfil, que a autora modestamente denominou "Hortência" garante-lhe um dos primeiros lugares entre os expositores.

D. Georgina Albuquerque expõe um retrato do Sr. Azeredo Coutinho, que possui uma original galeria de retratos seus, de todos os feitios, de todas as cores e de quase todos os nossos artistas. O do "Salon" deste ano é o quadragésimo e terá, forçosamente, na original galeria, um destaque especial, porque é um trabalho perfeito.

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A senhorita Angelina Agostini e D. Georgina de Albuquerque

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O "SALON" - Duas expositoras. A Noite, Rio de Janeiro, 5 set. 1912, p.1.

O "SALON" DE 1908. A Noticia, Rio de Janeiro, 3-4 set. 1908, p. 1.

Não é das mais lisonjeiras, infelizmente, a impressão que deixa ao visitante a exposição de pintura aberta anteontem. É sabido que o Sr. Dr. Sampaio Corrêa, chamando os nossos jovens artistas a trabalhar nos pavilhões da Exposição, de certo modo os colocou em dificuldade de trabalharem para o "Salon" no que aliás não há que censurá-lo pois essa circunstância não deveria de modo algum influir para que a Exposição Nacional ficasse privada do concurso das belas artes brasileira, que até hoje ali não tem outra representação. Mas a verdade é que os jovens pintores tiveram este ano menos tempo para cuidar de sua exposição anual. Entretanto, não quiseram deixar de concorrer e por sua vez o júri de admissão ao que parece, não quis deixar de fazer uma exposição numerosa. A essas duas razões se deve, a nosso ver, a pobreza artística do Salon deste ano. Foi um erro reduzir tal exposição em semelhantes circunstâncias? Não foi. Os nosso Salons em geral despertam tão pouco entusiasmo no público, que seria perigoso interrompê-los ainda que por um ano unicamente. Demais nem tudo ali é mau ou mesquinho. Compreende-se bem que os pintores de real merecimento, os alunos de valor que a Escola tem inegavelmente, não sofreram um eclipse no seu talento, para caírem redondamente dos progressos alcançados em longos anos de estudo. Visconti, entre outros, tem bons trabalhos, e dos novos Timotheo [João Timotheo da Costa] apresenta um quadro, o único que expõe, que causou a mais lisonjeira impressão.

Em regra os nossos pintores não primam por uma grande força de concepção. Alunos ainda ou apenas saídos da escola sofrem geralmente o influxo das formas acadêmicas, das concepções dogmáticas, e é necessário que o tempo os liberte dessas maneiras imutáveis e intangíveis. O quadro de Timotheo, que se intitula O sonho, já mostra essa liberdade e, mais que essa liberdade, um poderoso surto de imaginação e um forte sintoma de originalidade.

A posição da figura, uma mulher deitada, em escorço, é uma das posições mais difíceis para a perspectiva e apresenta precalços que não vence qualquer. Timotheo os venceu com grande brilho e conseguiu apresentar um trabalho igualmente admirável pela concepção e pela execução.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O "SALON" DE 1908. A Noticia, Rio de Janeiro, 3-4 set. 1908, p. 1.

O "SALON" DE 1908. O "VERNISSAGE". Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 1 set. 1908, p. 1.

O salon de 1908 ainda não pôde ser inaugurado no novo edifício da Escola de Belas Artes, na avenida Central.

Já se sabia disso quando o edifício foi prometido para 1907.

As empresas do governo são todas assim. Tenha-se em vista o que está acontecendo com os prédios destinados à Biblioteca Nacional e Supremo Tribunal...

Foi, portanto, no velho casarão que confina o Tesouro que se realizou, ontem, o vernissage da nova exposição.

Havia uma concorrência seleta de pintores, escultores, homens de letras e jornalistas.

Era uma atmosfera simpática de arte por todo o salon, quase repleto por aquela hora cálida do meio dia.

Positivamente a exposição deste ano é uma bela e excelente exposição.

Poucos artistas nacionais, mas em compensação todos muito bem representados. Poucas pinturas.

Grande profusão de quadros de grandes dimensões. Um, sobretudo, representando d. Pedro de Alcântara, tem um fundo tão vasto, que, na frase espirituosa de um visitante, serviria mesmo para conter toda a família imperial. Na verdade, d. Pedro é uma figura que desaparece, numa tela de quase cinco metros de altura, sobre uns três de largo, aproximadamente.

Baptista da Costa exibe umas paisagens magníficas. Bracet um retrato expressivo. Lagueruela, pintor espanhol, ora domiciliado entre nós, expõe três telas, que são três verdadeiras obras d'arte, Albergo, Anticole e Feira em Albarracin. Bompart [sic], artista francês, representa-se com uma Veneza deliciosa de poesia e naturalidade. Brocos, expõe um mau retrato, mas salva-se com duas belas paisagens.

Crotti, pintor italiano, um pastelista dos melhores, dá-nos umas lindas coisas. Medinetti e Auto-retratos são, na verdade, dois quadros de mestre.

Latour mostra-nos ainda uma vez os seus bons trabalhos expostos, não há muitos meses, no salão da Associação dos Empregados no Comércio.

Mais uma vez nos extasiamos diante da sua Soror materna de um sentimentalismo tão tocante.

Machado apresenta-se com duas belíssimas produções: A chamada das sereias' e Predica aos pássaros. O primeiro, sobretudo, encanta-nos imensamente.

Menge está no Salon com três curiosas molduras. Navarro [José Navarro] com Pescadores e Temporal, está muito bem.

Carlos Oswaldo, um dos mais belos talentos da moderna geração de pintores, um poeta delicioso, dá-nos um Auto-retrato e uma Paisagem dignos de destaque.

Petit Auguste [sic], natural de França, discípulo de Eugéne Nesle: menção honrosa em 1882 e medalha de Prata em 1884; premiado com medalha de ouro na Exposição geral de 1898 - travessa de S. Francisco, 22, expõe frutas, doces e flores e os retratos de mme. L. do sr. M. e uma Saracura.

Timotheo da Costa [João Timotheo da Costa], o simpático pintor, expõe um ousado nu - Sonho, que a par de pequenas indecisões apresenta qualidades extraordinárias.

Visconti, o consagrado e querido artista, expõe nada menos de 54 trabalhos.

Basta dizer que se fez ao lado do Salon principal um pequeno Salon só para os seus estudos desenhados e pintados para o Theatro Municipal.

Lá estavam em esboços, na verdade, Carlos Gomes, a baiana do angu, Gonçalves Dias, o dr. Chico Passo, João Caetano, o moleque das balas e todos os supre-homens [sic] e figuras cívicas da nossa história, de Pedro Alvares Cabral ao dr. Affonso Penna.

Mas quadros como a Maternidade, Tricoteuse e outros desse pintor que nós sabemos admirar como ninguém, fazem de sobejo esquecer todos aqueles esquissos'' [sic] do famoso pano, de uma fatura maravilhosa, mas de uma concepção infeliz.

Na seção de escultura, Rodolpho Bernardelli expõe um busto em bronze do dr. Pereira Passos. Moreira Junior, - Daphnes, tocando à frente dos pastores e Renda, um artista italiano - duas graciosas figuras dançando.

A seção de medalhas e pedras preciosas é representada por Girardet e Adalberto Mattos.

Marques Guimarães, o único expositor da seção de arquitetura, expõe o projeto do concurso para a matriz de Ribeirão Preto.

* * *

A cerimâonia oficial da inauguração será realizada hoje, às 2 horas da tarde, com a presença do dr. Affonso Penna, presidente da República.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O "SALON" DE 1908. O "VERNISSAGE". Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 1 set. 1908, p. 1.

O "SALON" DE 1909. Fon-Fon!, Rio de Janeiro, n. 37, 11 set. 1909, p. 21-22.

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<br style="clear: both" />
A visita de S. Exa. o Sr. Presidente da República à exposição anual de pintura

O Dr. Esmeraldino Bandeira, Ministro do Interior, saudando o professor Rodolpho Bernardelli, à saída da escola de Belas Artes. No primeiro plano, o Sr. Conde de Selir, Ministro de Portugal e o almirante alexandrino de Alencar.

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<br style="clear: both" />
A fachada do novo edifício da Academia de Belas-Artes, na Avenida Central e dois aspectos dos trabalhos expostos na atual exposição de pintura nacional.

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Digitalização da Fundação Bibliotheca Nacional

Transcrição de Arthur Valle

O "SALON" DE 1909. Fon-Fon!, Rio de Janeiro, n. 37, 11 set. 1909, p. 21-22.

O "SALON" DE 1910 - VERNISSAGE. A Noticia, Rio de Janeiro, 31 ago.-1 set. 1910, p. 2.

Com grande concorrência de artistas, expositores e pessoas da nossa melhor sociedade, fez-se hoje, ao meio dia, na galeria superior do novo edifício da Escola de Belas Artes a cerimônia do "vernissage" da 17ª exposição, cuja inauguração será amanhã, solenemente, com a presença do Sr. presidente da República.

Podemos hoje ver que há grande número de quadros para a exposição deste ano, que se pode desde já dizer será muito melhor que a do ano passado.

Há muitos quadros e muito quadro bonito. Na ligeira visita que fizemos podemos ver na galeria de pintura as assinaturas dos seguintes expositores:

D. Adelia Marques Saldanha (1 quadro), R. Amoedo (2), Argemiro Cunha (1), Arnaldo Carvalho (1), Henrique Bernardelli (2), Galdino Bicho (1), Haldo Bocigni (1), João Baptista Bourdon (1), Modesto Bócos [sic] (1), José Brogo [sic] (3), Pedro Bueno [sic] (3), Miguel Caplouche [sic] (3), D. Carlota Gondolo Laboriau (1), Luiz Christofle [sic] (3), Gaspar C. Magalhães (1), Joaquim Soares Cunha (1), Gustavo Dall Ara (2), Dario Villares Barbosa (2), Milly Dernemont (2), Manoel Bass Dormenech (1), Carlos Gomes Fernandes (1), Francisco Ferraresse (4), José Monteiro França (11), D. Gabriela Costa (1), Helena R. Meira (7), Insley Pacheco (2), Latour (1), F. Manna (1), Mario Villares Barbosa (1), Annibal Motta [sic] (1), Germano Neves (2), Pedro Peres (2), Petit (2), Persiliano Silva [sic] (1), Rachel Boher (2), D. Raymunda Gama e Costa (2), Regina Veiga (2), Fabiam - de la Rose (1), Augustin Salinas (5), Pablo Salinas (8), Alvaro Teixeira (1), Virgilio Mauricio (2), Visconte [sic] (2).

Há ainda para a exposição deste ano grande número de trabalhos de gravura, escultura e artes decorativas.

Como homenagem ao distinto pintor Berard, ultimamente falecido, a comissão da exposição expõe também em uma dependência anexa ao salão os quadros deixados pelo saudoso artista.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O "SALON" DE 1910 - VERNISSAGE. A Noticia, Rio de Janeiro, 31 ago.-1 set. 1910, p. 2.

O "SALON" DE 1912 - As obras dos expositores. A Noite, Rio de Janeiro, 21 ago. 1912, p.1.

O entusiasmo dos novos e dos velhos mestres, a quantidade e qualidade das obras enviadas à comissão organizadora da XIX Exposição Geral de Belas Artes, são uma prova, mais que eloquente, de que o nosso "salon" deste ano se tornará um grande acontecimento artístico, como há muitos anos não nos é dado gozar.

Em escultura, que nos anos anteriores era pobremente representada, teremos no próximo certame, a par dos mestres, os que aparecem pela primeira vez e, cujos trabalhos são citados cá fora com um certo entusiasmo.

O quadro, cuja fotografia reproduzimos, é do pintor espanhol Pons Arnan [sic], possuidor de uma medalha de ouro conquistada numa exposição de Belas-Artes da Espanha.

Discípulo do grande Zorolla [sic], Arnan [sic], tem-se tornado conhecido entre nós pela série de retratos que várias vezes tem exposto e é um dos que anualmente concorrem com trabalhos ao nosso "salon".

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Imagem

O quadro do pintor espanhol Pons Arnan [sic]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O "SALON" DE 1912 - As obras dos expositores. A Noite, Rio de Janeiro, 21 ago. 1912, p.1.

O "SALON" DE 1912 - As obras dos expositores. A Noite, Rio de Janeiro, 26 ago. 1912, p.1.

É grande a ansiedade pela abertura da XIX Exposição Geral de Belas Artes, cuja inauguração se realizará, como é de praxe, com a presença do sr. presidente da República e ministros, no próximo dia 1 de Setembro.

Na véspera será a [sic] "vernissage", que é como se sabe a festa dos artistas.

Neste dia, os expositores passam o verniz nos seus trabalhos, endireitam a sua colocação, e dão "rendez-vous" aos literatos e jornalistas, únicos convidados para esta festa.

Tudo até agora concorre para profetizar, que este futuro certame artístico, será maravilhoso não só pela concorrência como também pelos trabalhos enviados à comissão organizadora, que demonstrarão plenamente o progresso dos nossos artistas.

A gravura que aqui publicamos é um trabalho do escultor Antonino Mattos, discípulo de Corrêa Lima intitulado "Narciso".

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Imagem

"Narciso", do escultor Corrêa Lima [sic] [Antonino Mattos]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O "SALON" DE 1912 - As obras dos expositores. A Noite, Rio de Janeiro, 26 ago. 1912, p.1.

O "SALON" DE 1912 - AS OBRAS DOS EXPOSITORES. A Noite, Rio de Janeiro, 29 ago. 1912, p.1.

A secção de escultura da XIX Exposição Geral de Belas Artes terá este ano uma grande concorrência de expositores.

Corrêa Lima e Verdier expõem e isso já torna notável esta secção.

Nicolina, a escultora patrícia, expõe também vários trabalhos conjuntamente com seu esposo, o escultor português Sr. Pinto do Couto que pela primeira vez aparece em público.

Há os novos: Pitanga, Modestino, Rodas, Antonino e Bibiano, entre os quais alguns concorrentes ao prêmio de viagem.

Como se vê, é muito interessante a exposição de escultura.

Gravura e pedras preciosas, outra secção do "salon" em que apreciaremos os trabalhos do nosso Girardet e do seu discípulo Adalberto Mattos, que há pouco tempo encerrou a sua exposição de medalhas com um grande sucesso.

Hoje reproduzimos um interessante busto do escultor Pinto do Couto, enviado ao próximo "salon".

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Busto em gesso do escultor Pinto do Couto

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O "SALON" DE 1912 - AS OBRAS DOS EXPOSITORES. A Noite, Rio de Janeiro, 29 ago. 1912, p.1.

O "SALON" DE 1913 - Os poetas iniciam uma nova festa - A "Hora Literária". A Noite, Rio de Janeiro, 6 set. 1913, p.2.

A comissão organizadora da XX Exposição Geral de Belas Artes celebra na próxima segunda-feira uma festa "chic".

Esta festa realiza-se no terraço interno da Escola de Belas Artes, junto ao tempo de "Vesta" onde funciona o "bar".

É a "Hora Literária" que, pela primeira vez, se realiza no nosso meio, e que vai ser iniciada pelos poetas Goulart de Andrade, Luiz Edmundo e Bastos Tigre.

Ela vai ser um dos grandes atrativos do atual "Salon" de pintura.

Desde já, pode-se imaginar o que vai ser essa festa. Quem deixará de ir, sabendo que Luiz e Goulart, os dois finos poetas, amados por todos quantos os conhecem, vão durante um quarto de hora cada um, dizer versos inéditos?

Que Bastos Tigre, poeta e prosador, o nosso humorista, vai falar durante meia hora com aquela "verve" cheia de graça e vida?

Aí está o que será a "Hora Literária", que representa o precioso concurso levado pelos poetas da dificílima arte da palavra escrita, aos poetas da cor, seus irmãos em Arte.

Para estas palestras não há convites. O ingresso é com a entrada paga ao "Salon".

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Imagens

Luiz Edmundo

Sem legenda [Goulart de Andrade]

Sem legenda [Bastos Tigre]

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O "SALON" DE 1913 - Os poetas iniciam uma nova festa - A "Hora Literária". A Noite, Rio de Janeiro, 6 set. 1913, p.2.

O "SALON" DE 1920 - Inaugura-se hoje a exposição de belas artes - OS TRABALHOS EXPOSTOS. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 12 ago. 1920, p.3.

Inaugura-se hoje, oficialmente, a vigésima sétima exposição geral, organizada pelo Conselho Superior de Belas Artes.

Precedendo o ato inaugural que se revestirá da solenidade dos anos anteriores, realizou-se ontem, às 2 horas da tarde, o "vernissage" daquele certame artístico.

O salão de exposição da Escola de Belas Artes apresentava um aspecto solene, sendo inúmeras as pessoas que assistiram aos trabalhos preliminares para a abertura do "salon".

Na atual exposição figuram trabalhos de grande valor artístico e nela tomam parte as figuras mais representativas da arte brasileira.

O local escolhido para o certame foi o segundo andar do edifício daquela Escola, onde, além de haver mais luz, há espaço suficiente para a exposição de todos os trabalhos, sem que se torne necessário colocá-los uns sobre os outros.

A comissão diretora da exposição, composta dos Srs. Rodolpho Amoedo, Benno Treiller e Raul Pederneiras, ontem, por ocasião do "vernissage", proporcionou aos visitantes momentos de satisfação mostrando-lhes os trabalhos que no "salon" de 1920 hão se constituir a nota artística do ano.

OS ARTISTAS QUE CONCORREM À EXPOSIÇÃO

São os seguintes os artistas que este ano concorrem à exposição: A.Martins Ribeiro, com um quadro "Visão interior"; A. Lopes de Almeida, com duas telas "Beijos de Sol" e "Vegetação"; Almeida Junior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior], com um grande quadro - "Primeiro Pecado" e outro "Estudo do Sol"; Americo Giusti, com o quadro "Estudo de cabeça"; Rodolpho Amoedo, "Retrato de Mlle. XXX" e "Chá das cinco"; André Vento, "Cleopatra"; Antonio Esposito, "Raio de Sol"; Antonio G. Bento, "Cais do Porto", " Praia de S. Cristovão" e "Dia de Sol"; Argemiro Cunha, "Retrato" e "Caminho do Porto"; B. Pinto, "Caminho da Gávea", paisagem: João Baptista da Costa, "Tarde Calma", "Últimos raios de Sol"; Bécho Guttmann [sic], "Alguns amigos"; Bracet Augusto, "Ânfora" e "Escolha Difícil"; Pedro Bueno [sic], "Outono", "Manhã de Sol" e "Manhã de inverno"; D. Cecil Clark Davis, "Senhora Stewart" e "Condessa Mande de Provanna"; Cesare Colossuono "Velho artista" e "Estudando a lição"; Chambelland [Rodolpho Chambelland], retratos do Dr. A. P. e do O. M. e "Sol da tarde"; Gaspar Coelho Magalhães, "Cabeça de Carneiro", "Tomo"; Carlos de Serviz [sic], "Estudos de frutos", "Depois da tempestade" e retrato do Sr. Dr. Alfredo Souza; A. Delphino, "Minha Mãe"; Domeneck, dois estudos de pastel; João Dutra, "Bairro de S. João", "Poesia da roça", "Manhã no Piracicaba"; Levino Fanzeres, "Agonia da tarde", "Ipé florido", "Ave Maria" e "Efeito de Sol"; Fernandes Machado, retrato, "Fomenti", "Rocha do Arpoador" e "Nuvens da tarde": F. Caccleli [sic], "Crepúsculo matutino"; Georgina de Albuquerque, "Manhã de Sol", "Meiguice", "Fantasia", "Faceira", "Chagrin d'amour"; H. Witte, "Rua Westphalia"; Hermogenes Marques, "Patrulha", "As despedidas", "Reconhecimento"; Irene França, "Estudo interrompido" e "Desanimo"; J. Rocha Ferreira, retrato de M. Santiago; John Graz, "Igreja de Ronda", "Paisagem de Ronda"; Julia F. Pinto, "Zigane"; Laudelino de Aguiar, "Cebolas"; Latour, "Dia de audiência"; Lucilio de Albuquerque, "A jangada", dois retratos, "A igrejinha" e um recanto do saco de S. Francisco; Lopes de Leão, "San Gemignano delle belle torri"; L. Kattenback, "Um retrato"; Manna (F.), "Ócio de estudante", "Recreio matinal", "Pescadores de águas turvas", "Recanto iluminado", "Tarde de sol"; M. d'Assumpção Santiago, "Auto-retrato" e "Rua de S. José"; M. Faria, "Paisagem"; Mario Tullio, um retrato e duas paisagens; Maria E. Frontin Werneck, "Interrogação"; M. H. Lisboa, "Marinha", "Cabeça"; Navarro da Costa, "De minha janela", "Barcos do Rio Leça", "Luz tropical"; Otto Banguer [sic], "Paisagem da Gávea", "Catedral de Aschaffenburg", "Antigo Conselho Municipal", "A tarde" e "Meu filho"; Oswaldo (Carlos), "Jesus entre os doutores"; Petit (Augusto), "Primavera"; Paulo Fonseca [sic], "Bico do Papagaio", "Um paisagista", "Paisagem"; Parreiras [Edgard Parreiras] "Manhã de sol"; Porciúncula, "Último beijo"; Regina Veiga, retrato, "Depois da posse", "O pássaro morto", "Reis Junior", um retrato; Seelinger (Helios) "Por mares nunca dantes navegados", "Nossa esquadra na guerra" e mais seis quadros; Solange Frontin Hess, retrato: Timótheo (A.) "Misteriosa", "Efeito do sol" e outros; Timótheo (João) "Ilha Boa Viagem" "Auscultando"; Visconti, "Samothrace", "A Família", "Cura de sol"; Zina Sita, "Rosa".

OS TRABALHOS DE ESCULTURA

Na escultura apresentaram trabalhos os artistas Antonio de Matos [sic] [Antonino Mattos], Casemiro Corrêa, Umberto Carino [sic], Flor Heinzelmann, Francisco de Andrade, Margarida Lopes de Almeida, Magalhães Corrêa, Martins Ribeiro, Laurindo Ramos, Leão Velloso, Maria Meyer, Pasqual Fosca e Vicente Laroca.

Sobre a arquitetura apresentaram trabalhos: Victor Duburgos [sic], Francisco Santos e José dos Santos e sobre gravura-litografia, Lopes de Leão e Otto Reim.

Muitos desses trabalhos impressionam logo à primeira vista pela riqueza de colorido e efeito de luz.

Um dos grandes quadros que estão expostos é sem dúvida o trabalho do Sr. Almeida Junior, "Primeiro Pecado". O seu autor deu-lhe a seguinte descrição:

"Sentados numa pedra, sob a árvore do Bem e do Mal, estão Adão e Eva. Lindo é o dia, e o sol, declinando mansamente por trás da montanha violácea, que se aleia ao fundo, marca de ouro as silhuetas das árvores. Mais além outra montanha, e mais outra esbatendo-se no mais puro azul.

O céu de um azul esmeralda, cortado de nuvens douradas, termina, lá no horizonte, num róseo-carne.

À direita, na verde campina, passam quatro carneiros, dos quais um vai a beber da água, que corre no baixio, e outro, como que interroga o horizonte.

À esquerda, no tronco da árvore maldita, vê-se a serpente que após haver ofertado a Eva o fruto do pecado, se contrai sobre si mesma. Eva, então, cheia de graça no gesto belo, oferece por sua vez a Adão o pomo fatídico. Adão entre a obediência a Deus e o amor sacrossanto a Eva, deixa que sua alma se evole às regiões da indecisão."

Esse trabalho, apesar de algumas falhas, é bom.

Existem ainda muitos outros trabalhos dignos de ser apreciados e que vão constituir o grande sucesso do atual "salon", elevando e dignificando a arte brasileira.

O ato inaugural da exposição realiza-se, às 3 ½ da tarde, e não as 2 como fora noticiado, em virtude do Sr. Presidente da República não poder comparecer aquela hora.

Como nos anos anteriores, a exposição estará aberta à noite das 7 às 10.

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Ao alto: um grupo de expositores e de famílias que compareceram ao "vernissage". Em baixo: alguns quadros exibidos

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O "SALON" DE 1920 - Inaugura-se hoje a exposição de belas artes - OS TRABALHOS EXPOSTOS. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 12 ago. 1920, p.3.

O "SALON" DE 1920 - Inaugurou-se, ontem, a exposição de Belas Artes. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 13 ago. 1920, p.3.

[...] manifestou a sua impressão, que foi excelente, tendo frases elogiosas para os artistas brasileiros que concorrem ao certame.

Estava finda a solenidade, isto é, estava inaugurada a vigésima sétima exposição de Belas artes.

VISITA À ESCOLA

A convite do Sr. Baptista da Costa, o Dr. Epitácio Pessoa e os membros de sua comitiva foram convidados a percorrer o edificio da Escola.

Em primeiro lugar dirigiram-se todos à galeria de pintores nacionais, onde S. Ex. teve oportunidade de apreciar excelentes trabalhos de artistas brasileiros.

Efetivamente, ali se encontram trabalhos de vulto, como sejam uma tela de Victor Meirelles, representando a batalha dos Guararapes, tela de grande valor histórico e artístico, e muitos outros quadros que elevam e dignificam a arte brasileira.

Diante do quadro "Baile na ilha Fiscal", de Pedro Américo [sic], o Sr. presidente da República deteve-se longo tempo examinando-o cuidadosamente. Os personagens que ele reproduz, vendo-se ao centro a figura veneranda do Imperador Pedro II, cercado dos membros mais em destaque da nobreza brasileira, mereceram de S. Ex. demorada atenção. Ao retirar-se o Dr. Epitácio Pessoa não pode deixar de referir-se à perfeição do trabalho, que reproduz com veracidade um fato da história do regime passado.

Daí, todos se dirigiram para o primeiro pavimento do edifício, onde se encontram os trabalhos de escultura.

O Sr. presidente da República examinou-os com atenção, percorrendo em seguida os ateliês e outras dependências da Escola, inclusive a secretaria.

Depois S. Ex. retirou-se, sendo acompanhado até a porta pelo diretor e professores da Escola de Belas Artes e pessoas presentes. A banda de música executou novamente o hino nacional.

AS AUTORIDADES PRESENTES

Ao ato inaugural estiveram presentes, além do Sr. presidente da República, as seguintes autoridades: Drs. Alfredo Pinto, ministro da Justiça; Carlos Sampaio, prefeito municipal; Raul Veiga, presidente do Estado do Rio de Janeiro; general Silva Pessoa, comandante da Brigada Policial e seu ajudante de ordens tenente Mario Pinto Guedes; Dr. André Cavalcanti, ministro do Supremo Tribunal Federal; senador Fernando Mendes de Almeida, Dr. Julio Barbosa, representante do senador Antonio Azeredo, presidente do Senado; Dr. Manoel Duarte, secretário da Prefeitura, e major Rocha Silveira, ajudante de ordens do desembargador Geminiano da Franca, chefe de polícia.

Além das autoridades, compareceram muitas outras pessoas, estando literalmente cheio o recinto onde funciona a exposição.

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O Sr. presidente da República, ladeado pelos Drs. Raul Veiga e Alfredo Pinto e do general Silva Pessoa, visitando a exposição de Belas Artes

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O "SALON" DE 1920 - Inaugurou-se, ontem, a exposição de Belas Artes. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 13 ago. 1920, p.3.

O "SALON" DE 1925. Grande concorrência de pintores. O Globo, Rio de Janeiro, 12 ago. 1925, p. 2.

Inaugurou-se hoje, solenemente, com a presença do representante do Sr. presidente da República, do Sr. ministro da Justiça, altas autoridades, professores, artistas e convidados, o "Salon" de 1925, a que concorrem seis candidatos ao prêmio de viagem. Sem dúvida alguma, o "Salon" deste ano provocou uma afluência considerável de pintores, dividindo-se por nada menos de cinco salas as telas que se oferecem à admiração do público. Entre os nomes novos, feriram-nos a atenção, na rápida visita de hoje, os dos Srs. Garcia Bento, M. Faria, Oswaldo Rocha, Mario [?], Armando Vianna, Edith de Aguiar, e De Murta. O primeiro expõe uma série de marinhas, a cujo valor deixamos apenas referências, para tratar, mais a tempo da sua expressão. Se não nos enganamos, o Sr. Garcia Bento corre para a vitória final... Entretanto, ao seu lado apresenta-se o Sr. M. Faria, com um recanto de paisagem em que há um trecho de água estagnada de bom efeito. Também o Sr. Armando Vianna se apresenta com muito relevo. A sua tela de um bando de senhoras do sol, coberta uma das do bando com uma sombrinha "rouge" [Imagem], é um atestado que merece os estímulos da crítica. O senhor Oswaldo Rocha oferece aos olhos dos que visitam o "Salon" um trecho de jardim, bom, mau grado um certo acabamento, que torna como que precioso o seu estilo.

Nota curiosa: as feiras livres inspiraram dois artistas, os Srs. Mario [?] e J. Medeiros [José Maria de Medeiros], o primeiro, bom, o outro, francamente mal.

Os nomes antigos estão bem representados: Baptista da Costa, com duas soberbas paisagens; Gottuzzo, com dois nus de segura técnica; A. Bracet, com um Cristo razoável; Navarro da Costa, com duas marinhas; Lucilio de Albuquerque, E. Parreiras, Guttmann Bicha [sic], Anibal de Mattos, Sarah Figueiredo e outros, com variedades dignas de nota; Carlos Oswald, com uma cabeça maravilhosa, e Arthur Lucas, há tanto tempo enfermo, com cisnes sobre água; Henrique Cavalleiro, com uma série de impressões magníficas, que se destacam nas paredes como a segurança duma personalidade e de um temperamento característico. O professor Verdié fez a surpresa de três telas e um auto-retrato, o que não evitou de ser ele a nota por excelência do salão de escultura. O seu medalhão em madeira, do Conde da Barca, é uma obra de mestre. A sala de escultura está bem concorrida. Há ali uma cabeça de índio em madeira, de um professor mexicano, que se aproxima da obra-prima. A sala de artes aplicadas, boa. Boas as salas de gravura, de arquitetura, de medalhas.

A inauguração do Salon, constitui uma nota brilhante. Muitas senhoras, muitas flores, muita animação e muita cordialidade entre expositores, foram os aspectos característicos da primeira tarde de arte de 1925, na Escola Nacional de Belas Artes.

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Marinha, de Garcia Bento, concorrente ao prêmio do "Salon"

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

O "SALON" DE 1925. Grande concorrência de pintores. O Globo, Rio de Janeiro, 12 ago. 1925, p. 2.

O "Salon" de 1925. O Globo, Rio de Janeiro, 14 ago. 1925, p. 8.

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"Flores de Sol" - quadro de Armando Vianna, um dos concorrentes ao prêmio do "Salon"

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

O "Salon" de 1925. O Globo, Rio de Janeiro, 14 ago. 1925, p. 8.

O "SALON" E OS EXPOSITORES - A luta das aquisições oficiais. A Noite, Rio de Janeiro, 28 ago. 1912, p.1.

A nossa gravura representa um dos painéis do grande tríptico "Salomé", do pintor brasileiro M. Capllonch.

Este quadro de arrojada composição é dividido em três partes, e inspirado no formoso drama de Oscar Wilde, muito conhecido entre nós pela belíssima tradução que dele fez Paulo Barreto.

O "tríptico" é dividido assim: 1º A voz do profeta; 2º O baile fatídico; 3º O triunfo de Salomé.

M. Capllonch, há pouco chegado da Europa, apresenta-se agora ao nosso público no "Salon" de Setembro.

É um dos concorrentes ao prêmio de viagem.

As aquisições oficiais e os expositores

Com a última reforma por que passou a Escola Nacional de Belas Artes, o seu Conselho Superior passou a ser constituído somente por artistas, resultando daí um grande benefício para a classe.

Entre esses benefícios, torna-se necessário lembrar aqui a última deliberação tomada com aprovação do ministro da Justiça, acerca da verba anual com que a escola é dotada para a aquisição de obras de arte.

Essa deliberação resolveu de um modo criterioso e justo a maneira de ser aplicada tal verba, que, nos parece ser a ridicularia [sic] de 25 contos de réis, e defende por sua vez os interesses dos pintores patrícios.

Dois terços daquela quantia só poderão ser aplicados na aquisição de trabalhos expostos no "salon" e de artistas nacionais.

Acabaram-se assim aquelas cavações [sic] nas antessalas dos ministérios, onde o ministro se aborrecia, e geralmente, os mais bem sucedidos nem sempre eram os de maior valor.

- Vejam-se as últimas aquisições.

A concorrência aos dois terços da pequena verba vai ser talvez uma das lutas mais interessantes do "salon" deste ano.

Interessante pelo valor dos concorrentes, e, pelo estímulo que a deliberação do conselho trouxe aqueles a quem se pode chamar de "mestres", e que, embora possuindo um passado e uma numerosa bagagem artística, vegetam por aí, nesta época falha de senso e critério, postos à margem, por quem chega a ser grande em tudo, sem a gente conhecer bem o que produz e o que faz.

Assim, aqueles terão agora um motivo para que a sua representação no "salon" seja brilhante, pois do valor da sua obra resultará a vitória, vitória dada no confronto justo e leal a que todos os trabalhos têm de se submeter.

Os concorrentes que mais probabilidades reúnem de êxito, são os seguintes: Amoedo, Fiuza Guimarães, Visconti, Baptista da Costa, Heitor Malaguti, Lucilio e Helios Seelinger.

Em escultura parece-nos que teremos somente Corrêa Lima e Verdier.

Os novos terão por sua vez o prêmio de viagem, exceto os que o desembaraço do artigo 73 desumanamente repele, desembaraço este que faz lembrar o de um certo cavalheiro, que, tendo uns filhos muito engraçados, para distraí-los, convidava as crianças da vizinhança para brincarem com os seus; e que quando eram chegadas as horas das refeições, mandava os seus criados expulsá-los, para não tomarem parte no melhor da festa.

São estas as duas lutas que mais interessantes vão tornar o "salon" de 1912.

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Um dos painéis do grande tríptico - SALOMÉ - do pintor Capllonch

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O "SALON" E OS EXPOSITORES - A luta das aquisições oficiais. A Noite, Rio de Janeiro, 28 ago. 1912, p.1.

O "SALON" E OS PRÊMIOS - O Conselho Superior homologa os prêmios conferidos pelo júri. A Noite, Rio de Janeiro, 13 set. 1913, p.2.

Reuniu-se hoje, à 1 hora da tarde, o Conselho Superior de Belas-Artes, a quem foi entregue, conforme manda o regulamento, o resultado obtido com o julgamento das obras expostas no atual "Salon", trabalho este dos júris que funcionam na XX Exposição Geral de Belas Artes.

O Conselho homologou todos os prêmios conferidos a vários artistas, cabendo o prêmio de viagem à pintora Angelina Agostini, que o obteve com o seu quadro "A vaidade".

Angelina Agostini não é uma estreante no nosso "Salon". Há 4 ou 5 anos, ela tem aparecido com trabalhos, que de ano para ano mostravam um progresso constante e eram uma demonstração evidente de que Angelina estudava e estudava muito, causa única e principal desse seu progresso.

Discípula de Henrique Bernardelli e ex-aluna da Escola de Belas Artes, onde estudou também com aquele mestre, ali estão os seus trabalhos deste ano, mostrando o quanto ela foi bem dirigida e o resultado obtido pela discípula na sua assiduidade ao estudo, qualidade esta que falta a muitos dos que principiam e que por isso mesmo vacilam nos primeiros passos dados no difícil caminho da Arte.

Angelina Agostini ainda não tem definitivamente traçado o seu itinerário ao Velho Mundo aos grandes centros artísticos europeus.

No entanto, parece-nos que ela irá em primeiro lugar a Londres, onde estudará os grandes retratistas. Depois é natural que visite Paris e a Itália, pátria de seu pai, o grande e saudoso artista Angelo Agostini, preso para sempre à nossa história, pela sua campanha abolicionista de que foi um dos mais denodados batalhadores.

Os outros premiados foram os seguintes:

Grande medalha de ouro: Augusto Girardet; pequena medalha de ouro: Carlos Oswald e Adalberto de Mattos; grande medalha de prata: Carlos Chambelland e Gustavo Dall'Ara; pequena medalha de prata: Adelaide Gonçalves, Pedro Bruno, Mario Navarro da Costa, e Antonino Pinto de Mattos; medalha de bronze: D. Iracema Orosco, Julieta Bicalho, Arnaldo de Carvalho, Humberto Cavina, Rodolpho Pinto do Couto e João Timotheo da Costa; menção honrosa de 1º grau: D. Maria Pardos, Marques Junior, Dias Junior, Antão Bibiano Silva e Dinorah Carolina de Azevedo; menção honrosa de 2º grau; Gastão Formenti e Vicente Rodrigues Moreira.

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A pintora Angelina Agostini, discípula de Henrique Bernardelli autora do quadro "A vaidade"

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O "SALON" E OS PRÊMIOS - O Conselho Superior homologa os prêmios conferidos pelo júri. A Noite, Rio de Janeiro, 13 set. 1913, p.2.

O "SALON" OFICIAL DE BELAS ARTES - AS ESCULTURAS. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 21 ago. 1927, p. 16.

Os jornais foram unânimes em afirmar o triunfo do atual Salon das Belas Artes, reflexo natural do espírito de tranquilidade e de confraternização que ora reina entre os artistas e que sucedeu aquela situação anômala de lutas mesquinhas, de mal estar moral que só acabou com o afastamento do último diretor em comissão.

Com efeito, não só todos os grandes mestres das nossas artes plásticas expõem como, ainda, voltam a expor artistas há muito afastados de exposições do Salon. Os irmãos Bernardelli, por exemplo, velhos mestres que, há cerca de vinte anos, não tinham a menor relação com o palácio das Belas Artes, ao saber do simpático movimento de confraternização artística operada em torno do nome de Correia Lima, atual diretor da Escola, foram os primeiros a dar o exemplo. E atrás deles vieram os outros.

Dos grandes nomes das nossas artes (e isto é realmente notável), só não expuseram os artistas que se acham ausentes do Rio, como Belmiro de Almeida, Helios Seelinger, Decio Villares, etc.

Um Salon organizado desta forma, com todos os bons artistas au grand complet, só podia ser um Salon magnífico.

A parte da escultura não peca por pródiga em matéria de trabalhos, mas, em compensação, o que lá está, é muito interessante.

Vamos encontrar, dominando o recinto das estátuas, a figura do Progresso um detalhe do monumento à República que será erigido na cidade de Niterói e da lavra do mestre Correia Lima. É um bronze simpático de linhas, seguro de desenho, e palpitante de vida.

Numa fatura bem diversa, logo em frente, encontramos um gesso que também impressiona e que agrada. A Besta Humana do sr. Armando Braga, um novo de grande valor que se apresenta lindamente.

O único defeito que ali notamos foi o da ausência absoluta dos atributos essenciais da bestialidade na mesma estátua, o que lhe dá um ar, quiçá, de alegre caricatura. Não obstante, tem excelente construção e vida, que é o principal.

Rodolpho Bernardelli expõe apenas um busto, o retrato do industrial Granado, que não desmerece em nada a obra do escultor dos nossos melhores monumentos públicos. É dos trabalhos mais procurados e olhados com maior simpatia do Salon.

Antonino de Mattos expõe sete trabalhos, cada qual mais interessante.

Honório da Cunha Mello enviou uma Eva que o organizador do Salon achou de bom aviso colocar atrás da Besta Humana do sr. Braga.

Acontece, porém, que por ocasião da última ventania, uma janela mal fechada foi sobre a Mãe dos Homens e fê-la pó, de onde se concluiu que frágeis não são apenas as Evas de carne e osso, mas ainda as que são feitas em gesso, como a da escultura de Mello.

Olhemos com simpatia para o Ubirajara de Pereira Barreto, aluno de Correia Lima, que serenamente evoca, com orgulho, a raça dos que dominaram, um dia, o berço da nossa nacionalidade. E detenhamo-nos diante das esculturas de Magalhães Correia, o terrível Armando, que com muito conhecimento de causa expôs um delicioso Pulo da Onça... Junto a esse bronze, o magnífico busto de sua senhora.

Façamos, porém, um destaque especialíssimo ao bronze de uma senhora que, por discípula de Bourdelle não foi recusada pela comissão vestibular. O seu Arrependimento de St. Hubert é uma obra admirável, quer como concepção, quer como linha geral de composição, fugindo, como foge, à linha vulgar dos agrupamentos acadêmicos. É uma peça fortíssima, merecedora dos mais entusiásticos aplausos.

A exposição apresenta, ainda, esculturas de Francisco Andrade, Paulo Mazzuchelli, Humberto Cozzo, Florisbella Monteiro, Carlos del Negro, Homero da Silva, Isaura de Andrade, Josephina Vasconcellos, Bente, Newton Sá, Rayal [?], Acquevones [?], Paes Leme Veidie [sic], Torres [Roselli Koch Torres] Cavina Larocca e Yáyá Castro.

Incorporada à seção de escultura vimos uma maquette de Raul Saldanha da Gama que, particularmente, impressiona. Maquette do monumento comemorativo à fundação da cidade do Rio de Janeiro.

Se não nos falha a memória, a colônia portuguesa domiciliada nesta cidade, uns anos atrás, pensou em erguer a Mem de Sá e seus companheiros um monumento que fosse concebido por um artista brasileiro e que, com entusiasmo e orgulho, enaltecesse o fato histórico que se comemora a 20 de janeiro. Tal ideia, porém, ao que parece foi relegada ou esquecida. O natural, entretanto, é que os poderes públicos, por um concurso ou por aquisição do projeto de Saldanha da Gama tornassem efetiva uma ideia que, antes de ser dos portugueses, devia ser nossa.

O monumento, como se vê pela gravura que dele damos, seria tão alto como o maior dos nossos arranha céus, e, posto no ponto já por uma lei municipal determinado (e que fica próximo ao antigo Calabouço), não ergueria, apenas, alto, o padrão do nosso orgulho de ser, mas o nosso nome artístico, tão desprezado de todos, quando se trata de oferecer um monumento à cidade.

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Imagens

1). Monumento aos fundadores da cidade do Rio de Janeiro. – 2). Busto por Armando de Magalhães Correia. – 3). Busto de Rodolpho Bernardelli. – 4). "Ubirajara", de Pereira Barreto. – 5). Correia Lima – A estátua do Progresso, parte integrante do monumento à República.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O "SALON" OFICIAL DE BELAS ARTES - AS ESCULTURAS. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 21 ago. 1927, p. 16.

O "VERNISSAGE", HOJE, DO SALÃO DE 1928. O Paiz, Rio de Janeiro, 11 ago. 1928, p. 1.

Terá lugar, hoje, às 14 horas na Escola Nacional de Belas Artes, o "vernissage" da Exposição Geral (XXXV) de 1928.

Melhor do que nos outros anos é o interesse despertado pelo certame oficial de arte. Nos meios artísticos e sociais há uma simpática e viva expectativa pelos trabalhos que serão hoje expostos.

Segundo já se sabe algumas das seções estão bastante concorridas, parecendo que certa severidade do júri, por ocasião da escolha prévia, permitia uma seleção mais cuidada de tal sorte que tanto o público, como a critica terão ocasião de encontrar, no salão, matéria abundante, escolhida e variada.

Tais processos escrupulosos só podem merecer louvor: são fatores decisivos de educação, policiando o gosto e os avisos do público em assuntos de arte.

* * *

Já ontem pode o PAIZ adiantar as informações e críticas sobre o certame publicando em sua primeira página algumas reproduções de quadros e esculturas que hão de ser bem apreciadas pelo público.

Atendendo assim aos desejos dos que acompanham com interesse o nosso movimento artístico e aguardando com ansiedade a abertura da mais importante das demonstrações da nossa cultura artística podemos, ao mesmo tempo e da forma mais expressiva, chamar a atenção do grande publico para o salão de 1928.

É necessário que aos esforços dos organizadores do salão correspondam os progressos dos expositores, mas não é menos indispensável o interesse geral do grande público pelas nossas realizações artísticas.

Verifica-se, de ano para ano, um interesse maior e o salão que se inaugurará amanhã parece despertar bem maior curiosidade. Registremo-lo como um bom sinal de cultura.

* * *

A inauguração geral será amanhã, às 14 horas também, e com a presença do sr. Presidente da República e altas autoridades, especialmente convidados para aquela cerimônia inaugural.

Nos trabalhos do salão que ontem demos, em primeira mão aos nossos leitores, verificou-se um engano de revisão que nos apressamos em corrigir. O baixo relevo, cabeça de índia, é da Sra. Lotte Benter-Bogdanoff, e não como foi publicado.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O "VERNISSAGE", HOJE, DO SALÃO DE 1928. O Paiz, Rio de Janeiro, 11 ago. 1928, p. 1.

O 'SALÃO' DE 1906 - O VERNISSAGE. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 1 set. 1906, p. 2.

Seleta, porém fraca, a classificação a dar para o salão, cuja abertura se fará hoje, [...] hora da tarde, e cujo vernissage ontem se efetuou.

[...], pela orientação mais cuidada, pelo critério mais exigente na aceitação de tutti quanti enviado, ainda assim para desejar em certas condescendências é fraco, demasiado fraco mesmo, pela deficiência do número e da variedade e arrojo das telas e das [sic] concepção.

Ausência notável dos mestres costumeiros e dos nomes consagrados, ante os quais a critica periodicamente desfecha a retumbância dos seus elogios e dos seus adjetivos amigos e encomiásticos, se faz notar, no salão de 1906, em contraste impressionante com a hora de labor e transformação que vamos passando.

O frêmito de progresso que, qual trepidação de caldeira de tensão máxima, nos sacode, parece deveria ter repercussão fatal em todos os departamentos onde fosse suscetível à sua expansão de emprestar vibração, cortando a morna estagnação das práxis rotineira [sic]. E a arte parecia ser daqueles, onde esse salutar movimento mais repercussão deveria ter a mais prontas manifestações era, licito esperar.

Mas aos fazedores destes prognósticos escapa sempre a sutilíssima lei de que às grandes oscilações de progressos materiais bruscos não acompanham pari-passu as transformações morais e ainda menos as de ordem intelectual, onde os processos de evolução se fazem através de um trabalho lento e gradativo e por isso mesmo inevitável e fatal.

É o refluxo de uma dessas fases de vida social, a inópia relativa do nosso salão. Ou antes, a dura necessidade, que é mister não esconder e pelo contrário, claramente, proclamar, em que se vêem os nossos artistas de empregar em ocupações correlativas o esforço e tempo que em outros centros são empregados no acendrado labor dos ateliers.

Mas, ainda que fraco, o salão tem a rara ventura de evidencia [sic] dois artistas de raro merecimento, desses que, na hora da sua aparição, já são alguma coisa mais do que as decantadas promessas, e afirmam, na pujança máscula das suas obras, a certeza inevitável das suas conquistas futuras.

Esses dois artistas que dentre os expositores novéis destacamos, são os Srs. Oswald (Carlos) e Bevilacqua (Eduardo), que indiscutivelmente constituem a nota do presente salão.

O vernissage esteve muito concorrido, tendo comparecido a ele o Sr. ministro do interior.

Hoje, à 1 hora da tarde, na presença do Sr. presidente da República, far-se-á a inauguração da XIII exposição geral de belas-artes.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O 'SALÃO' DE 1906 - O VERNISSAGE. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 1 set. 1906, p. 2.

O BUSTO DO PRESIDENTE BERNARDES NO SALÃO. O Paiz, Rio de Janeiro, 15 ago. 1926, p. 1.

Por ocasião da abertura do salão oficial, a 12 do corrente, na Escola Nacional de Belas Artes, teve lugar a cerimônia de instalação do busto, em bronze, do Sr. Presidente Arthur Bernardes, na seção de escultura.

A obra é do professor Cunha Mello e revela, na sua simplicidade, o zelo e o atencioso interesse que o escultor empregou na reprodução do modelo.

Austera serenidade e concentração interior que caracterizam o retratado, foram revelados com grande felicidade pelo professor Cunha Mello.

O estatuário procurou marcar com solidez, sem nenhum exagero, num modelado justo, todas as particularidades típicas do chefe da Nação. Uma pátina suave envolve a matéria, e dá ao conjunto do retrato um ar de veracidade, uma fixação de semelhança, que por si só bastaria para demonstrar a busca do caráter que parece ter predominado na técnica do escultor Cunha Mello.

Não sabemos de outro retrato de S. Ex., o Sr. Arthur Bernardes, onde se haja cuidado com tanto esmero e carinho em deixar bem patente os traços mais significativos de fisionomia. Vê-se que sem abandonar o conjunto o escultor procurou, com especial interesse, marcar as particularidades que são representativas do modelo.

Na sala onde está exposto, aquele trabalho tem merecido constantes elogios, tanto dos críticos, como dos artistas.

Por sua vez, o escultor brasileiro tem sido felicitado pela realização de uma obra que talvez seja culminante na sua carreira de artista.

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Imagem

FACE E PERFIL DO BUSTO DO SR. ARTHUR BERNARDES, PRESIDENTE DA REPÚBLICA, OBRA DO PROF. CUNHA MELLO

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O BUSTO DO PRESIDENTE BERNARDES NO SALÃO. O Paiz, Rio de Janeiro, 15 ago. 1926, p. 1.

O Conselho Superior de Belas Artes conferiu ontem o prêmio de viagem. O Imparcial, Rio de Janeiro, 14 set. 1913, p.1.

Imagem

A senhorita Angelina Agostini, que obteve o prêmio de viagem no Salão deste ano, e os quadros com que concorreu ao dito prêmio.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O Conselho Superior de Belas Artes conferiu ontem o prêmio de viagem. O Imparcial, Rio de Janeiro, 14 set. 1913, p.1.

O DIA DOS ARTISTAS - A inauguração do "salon" - Um aspecto da XX Exposição Geral de Belas Artes. A Noite, Rio de Janeiro, 1 set. 1913, p.1.

Foi inaugurada hoje, pelo Sr. Presidente da República, a XX Exposição Geral de Belas Artes.

S. Ex. foi recebido na porta da Escola de Belas Artes pelo seu diretor e membros da comissão organizadora do "salon", que o acompanharam na sua rápida e apressada visita feita ao mesmo, retirando-se pouco tempo depois, sendo acompanhado até a porta com as mesmas formalidades.

O atual "salon" é, talvez, um dos melhores que ultimamente se têm feito.

Todos os artistas trabalharam e bem.

Na seção de pintura lá encontramos os mestres como Baptista da Costa, sempre sincero dentro da sua arte. Pons Arnau é, talvez o "clou" deste ano, com os seus belíssimos retratos. Fiuza expõe um quadro de assunto muito original [Imagem], onde existem sérias dificuldades de desenho, galhardamente vencidas e inspirado num belo soneto de Oscar Lopes, muito bem interpretado pelo pintor.

Luiz Christofle [sic], Alvim Menge, Lucilio, Latour, Carlos Oswaldo, Chambelland, Arthur Timotheo, Angelina Agostini, De Servi, Arnaldo de Carvalho e muitos outros, muito bem representados.

Na seção de escultura, Corrêa Lima expõe o seu formoso trabalho, a "Estela" de Gonzaga Duque, o único crítico de arte que o Brasil possuiu e cuja vaga até hoje não foi preenchida.

Antonino Mattos tem um dificílimo trabalho muito bem executado.

Na seção de escultura, há o busto do Dr. Oliveira Lima. O Dr. Oliveira Lima é um destes homens que toda a gente admira. Diplomata e homem de letras, é um intelectual de altos merecimentos.

Parece-nos que seria esta a qualidade que deveria apaixonar os que pretenderam representá-lo. Nada disso. Para os seus intérpretes, o Dr. Oliveira Lima é simplesmente um homem gordo.

Em qualquer dos dois trabalhos há uma grande falta de intelectualidade.

Na seção de gravura, Girardet e Adalberto Mattos concorrem com bons trabalhos.

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Imagens

"Jogando a malha" de Antonio Mellor, [sic] [Antonino Mattos] um dos bons trabalhos da seção de escultura

O "Retrato de Mmme. H. T. e seus filhos", de Pons Arnau, um dos melhores trabalhos do "Salon"

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O DIA DOS ARTISTAS - A inauguração do "salon" - Um aspecto da XX Exposição Geral de Belas Artes. A Noite, Rio de Janeiro, 1 set. 1913, p.1.

O ELEMENTO FEMININO NO SALÃO DESTE ANO. Um quadro de Maria Francelina. O Globo, 26 ago. 1930, p. 8.

No Salão deste ano não são poucas as contribuições do elemento feminino, sendo que algumas revelam qualidades de sentimento e percepção tão viva, ao par de uma técnica que não se desmerece de nada em confronto com a dos quadros vizinhos, que os seus nomes logo, se impõem, senão como afirmativas, ao menos como esperança de mais fortes realizações. É claro que não vamos incluir neste número artistas do porte de Georgina de Albuquerque, consagrada de tão longa data entre os melhores elementos da pintura brasileira, e a ombrear-se com todos, e nem vamos também nos referir a Senhora Sarah [Sarah Villela Figueiredo], especializada em retratos, e também largamente aplaudida. A menção, que é antes um comentário à gravura de hoje, visa destacar entre os artistas mais retraídos, e que contudo se afirmam este ano, as senhoras Maria Francelina e Wanda Turatti. A nossa gravura reproduz uma das belas composições da primeira, no salão de agora, ou seja essa "Finlandesa" que todos olham, a despeito da vizinhança atraente e luminosa de um dos grandes trabalhos da exposição, que é "Um só, Yáyá?" de Bernardino [Bernardino de Souza Pereira]. A senhora Maria Francelina tratou o assunto com miudeza e escrúpulo, revelando a preocupação do ambiente, da naturalidade e da vida, sem dar gritos de cor para chamar a atenção. As qualidades de seu desenho se refletem na "Alvorada", e o seu sentimento das graduações da luz e do movimento na cena ingênua e arejada do "Catecismo". Ao lado dessa artista, e dando uma das notas mais suaves noutra sala, figura sem dúvida a Sra. Wanda Turatti, que apresenta um retrato tratado de maneira segura e espontânea, e interessante sob todos os seus aspectos como revelação de uma sensibilidade nova.

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Imagem

[Cliche Globo]

"Finlandesa", quadro de Maria Francelina

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O ELEMENTO FEMININO NO SALÃO DESTE ANO. Um quadro de Maria Francelina. O Globo, 26 ago. 1930, p. 8.

O Globo
O GLOBO NAS ARTES. O prêmio de viagem do "Salon". O Globo, Rio de Janeiro, 29 ago. 1925, p. 4.

Um pleito muito curioso que o Conselho de Belas Artes vai decidir

O Conselho Superior de Belas Artes vai decidir um caso novo, o qual se apresenta no atual "Salon".

Como se sabe, no certame artístico que se realiza anualmente, nesta capital, há sempre um concorrente ao prêmio de viagem, pleito em o qual tomam parte artistas brasileiros medalhados nas Exposições Gerais.

O prêmio de viagem foi criado juntamente com o "Salon", em 1894, a fim de estimular os artistas livres do país, cuja Escola Nacional de Belas Artes concede, igualmente, idêntico galardão, permitindo assim que o melhor aluno do último ano possa aperfeiçoar os seus estudos nos grandes centros europeus.

O primeiro prêmio de viagem, concedido naquele ano da fundação, coube ao paisagista Baptista da Costa, seguindo-se os artistas Augusto Luiz de Freitas, Joaquim Fernandes Machado, João Araripe de Macedo, Eugenio Latour, Helios Sellinger, Aluizio Stalembrecher, Rodolpho Chamberland [sic], Eduardo Bevilacqua, Arthur Timotheo, Carlos Chamberland [sic], Puga Garcia, Levino Fanzeres, Angelina Agostini, Baptista Bordon, Dias Junior, Raymundo Cela, Francisco Manna, Pedro Bruno, Guttmann Bicho, Almeida Junior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior], Paula Fonseca e Oswaldo Teixeira, pintores; Correia Lima, Moreira Junior, Antonino Mattos, Francisco Andrade e Modestino Kanto, escultores; e Adalberto de Mattos e Leopoldo Campos, gravadores.

Desses premiados, deixaram de partir para a Europa os artistas Manna, Bevilacqua e Puga Garcia, - o primeiro, por não ter sido reconhecida pelo governo a sua qualidade de brasileiro nato; o segundo, por ter desistido do prêmio em favor de seu colega Arthur Timotheo, e o terceiro por se ter suicidado.

Também o escultor Francisco Andrade teve o prêmio de viagem anulado pelo ministro Alfredo Pinto, pelas mesmas razões que impediram o pintor Manna de embarcar.

Agora, trata-se de saber quem deve ir para a Europa como detentor do prêmio do presente "Salon". Quatro artistas medalhados concorreram: a pintora Sarah de Figueiredo, retratista; o pintor Garcia Bento, marinhista, Jorge Soubre e Francisco Marinho, gravadores.

O Júri de pintura, composto dos professores Rodolpho Amoedo, Rodolpho Chamberland, Lucilio de Albuquerque, Marques Junior e João Timotheo apresentou, eleito por quatro votos, Garcia Bento, e o Júri de Gravura de Medalhas, composto pelos professores Correia Lima, Petrus Verdié, Augusto Girardet, Magalhães Correia e Modestino Kanto, apresentou, eleito por unanimidade, o gravador Francisco Marinho, medalhado de 1922.

O Conselho Superior teria que resolver entre esses dois candidatos, se outro caso não surgisse, carecedor de atenção. O gravador Jorge Soubre, que o Júri não sufragou por sugestão do artista Girardet, desde 1915 vem concorrendo ao "Salon" onde sempre obteve, seguidamente, os maiores prêmios, e que, este ano, termina o limite da idade para concorrer ao prêmio de viagem.

Até aqui, sempre foi observado o critério da escolha do candidato, cuja idade haja atingido ao limite do regulamento do "Salon". Assim aconteceu com os pintores Pedro Bruno, Guttmann Bicho e Paula Fonseca, e que, em requerimento ao ministro da Justiça, alegando mais que, desde 1921 o prêmio de viagem têm recaído na pintura, o gravador Jorge Soubre declara desistir, logo que lhe seja concedido, do prêmio a que tem direito, em favor dos seus colegas, desejando apenas a reparação ao seu mérito de artista, a cujos filhos quer deixar a herança de fé no futuro da arte do Brasil.

O Conselho Superior de Belas Artes está, pois, em face de um incidente curioso. De um lado dois eleitos pelos julgadores dos dois ramos de arte que, para o prêmio de viagem compareceram ao "Salon", e, de outro, a reclamação do mais antigo medalhado que não mereceu o voto do Júri aludido, e que não poderá mais, em face da idade que completa este ano, concorrer ao prêmio pelo qual há dez anos vem batalhando, sempre estimulado, em todas as Exposições Gerais.

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Imagem

O gravador brasileiro Jorge Soube [sic]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

O GLOBO NAS ARTES. O prêmio de viagem do "Salon". O Globo, Rio de Janeiro, 29 ago. 1925, p. 4.

O GLOBO NAS ARTES. O PRÊMIO DE VIAGEM NO "SALÃO" DESTE ANO. O Globo, Rio de Janeiro, 24 ago. 1928, p. 8.

Escrevem-nos:

"O prêmio instituído pelo Salão de Belas Artes, que mais interesse desperta no meio artístico, é sem dúvida o prêmio de viagem à Europa: este marca, na vida do artista, não só uma consagração ao relativo mérito, como o início da fase de fixação que vai efetuar nos grandes centros de arte da Europa. Os concorrentes à viagem, neste ano, são em número elevado: a sala, que lhes é destinada reúne trabalhos de Gilda Moreira, Sarah Villela de Figueiredo, Edith Aguiar, Candido Portinari, M. Constantino, Orlando Terry [sic], Cadino Fausto [sic], Gastão Formenti, Euclydes Fonseca, Manoel Faria e Orogio Belem [sic]. As telas expostas revelam qualidades apreciáveis de todos os concorrentes, o que não quer dizer tenham todos o mesmo valor. Logo após a abertura do Salão, constituíam a vanguarda da sala os nomes de Cadino Fausto, M. Constantino, Candido Portinari e Orlando Terry. Um exame mais detido e acurado, pesando devidamente os valores de cada qual, veio por em especial evidência os quadros de Portinari e Constantino, para que, entre ambos, se estabelecesse o confronto decisivo, e, desse confronto resultou, para a maioria dos espectadores diários do "Salão", a preferência pelo autor do retrato de Olegário Marianno, que é, na opinião geral, o quadro que reúne melhores qualidades para a premiação. É de esperar-se, pois, sem nenhum desdouro para os demais concorrentes (entre os quais há figuras de raro brilho), que o premiado desse ano seja o Sr. Candido Portinari: esta é, pelo menos, a impressão que colhemos hoje, visitando o salão e conversando com os artistas."

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O GLOBO NAS ARTES. O PRÊMIO DE VIAGEM NO "SALÃO" DESTE ANO. O Globo, Rio de Janeiro, 24 ago. 1928, p. 8.

O Imparcial
O Jornal
O julgamento dos trabalhos da Exposição Geral de Belas Artes. O Jornal, Rio de Janeiro, 24 ago. 1924, p.3.

Amanhã, às 9 horas reunir-se-ão os júris das várias seções da Exposição Geral de Belas Artes, a fim de premiarem os trabalhos expostos nesse certame.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O julgamento dos trabalhos da Exposição Geral de Belas Artes. O Jornal, Rio de Janeiro, 24 ago. 1924, p.3.

O LADO IGNORADO... O Paiz, Rio de Janeiro, 5 set. 1912, p.2.

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<br style="clear: both" />

- Tem V. Ex. muitíssima razão, Sr. Comendador, mas o mais difícil não é pintar!

- Bem sei, é ter talento.

- Também não é. O mais difícil, Sr. Comendador, é ... vender!

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O LADO IGNORADO... O Paiz, Rio de Janeiro, 5 set. 1912, p.2.

O Malho
O NOSSO "SALON" DESTE ANO - Um aspecto geral da "vernissage". A Noite, Rio de Janeiro, 31 ago. 1912, p.1.

A chuva impertinente que há dias está caindo, evitou a concorrência que se esperava para hoje na [sic] "vernissage" do novo "salon" da Escola de Belas Artes.

Entretanto as salas da Exposição não ficaram desertas e lamentavelmente sós, como sucedia anteriormente.

Os acontecimentos artísticos já estão despertando uma séria atenção no nosso público e a atual exposição, pela expectativa que vinha despertando, está fadada a um grande sucesso artístico.

Está aí a [...] do que de mais brilhante tem a nossa arte da cor e da plástica.

Na rápida visita feita às salas da Exposição podemos assinalar o sucesso, nas primeiras impressões, do quadro de Visconti - um retrato de Gonzaga Duque; paisagens de Baptista da Costa; estatueta de Verdier, com o retrato de Oscar Lopes; Fonte [sic], belo trabalho de escultura, de Corrêa Lima; Salomé, quadro de Fiuza Guimarães; vários retratos, de Chambelland, e outros trabalhos.

Os concorrentes ao prêmio são numerosos. O "tríptico" de Caplonch é muito bonito, tendo muita luz à tela de Arnaldo [Arnaldo de Carvalho] e intitulada Aventureiro.

A atual Exposição de Belas Artes, que bem merece a visita do nosso público, é uma das melhores que se têm feito e vem demonstrar uma evolução gratíssima aos que acompanham com carinho e entusiasmo o progresso da nossa vida artística.

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Imagens

MÃE PRETA - LUCILIO

JUVENTUDE - R. AMOEDO

RETRATO - A. AGOSTINI [Angelina Agostini]

JUVENTUDE - CORREA LIMA

SALOMÉ - FIUZA GUIMARÃES

PAISAGEM - BAPTISTA DA COSTA

AVENTUREIRO- ARNALDO [Arnaldo de Carvalho]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O NOSSO "SALON" DESTE ANO - Um aspecto geral da "vernissage". A Noite, Rio de Janeiro, 31 ago. 1912, p.1.

O NOSSO "SALON". Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 18 ago. 1929, p. 1.

Imagem

"No camarim", quadro do artista patrício F. Acquarone, um dos mais admirados da atual exposição de arte, pela justeza de desenho, composição e brilhante conjunto de cores.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O NOSSO "SALON". Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 18 ago. 1929, p. 1.

O NOSSO "SALON". Fon-Fon!, Rio de Janeiro, n. 36, 7 set. 1912, n/p.

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Aspecto geral da exposição anual dos trabalhos de pintura e escultura dos alunos da academia de Belas-Artes, tirado por Fon-Fon! no dia da abertura.

Outro aspecto da exposição, vendo-se à direita, junto ao busto, o professor Eliseu Visconti.

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Digitalização da Fundação Biblioteca Nacional

Transcrição de Arthur Valle

O NOSSO "SALON". Fon-Fon!, Rio de Janeiro, n. 36, 7 set. 1912, n/p.

O Paiz
O Paiz, Rio de Janeiro, 13 set. 1913, p.4.

Fiuza Guimarães.

O pintor Fiuza Guimarães acaba de se defender, naquele seu feitio sereno e modesto, mas brilhantemente, de uma acusação leviana de plágio.

Fiuza, que é uma reputação de honestidade artística, lendo nas Notas de arte, dos nossos colegas do Jornal do Commercio [link], que o seu quadro A guerra era quase uma cópia da obra-prima do pintor alemão Franz Stuck, com a mesma designação daquele, esperou o julgamento do júri do salão da XX exposição de belas artes, onde se acha o seu trabalho, e como ele nada tivesse encontrado do plágio acusado, veio, por uma carta publicada ontem, explicar a composição da sua esplêndida tela, inspirada em um belo soneto de Oscar Lopes.

Os dois quadros, realmente, nada se parecem na sua concepção, como na sua fatura, a não ser que o autor da crítica severa queira encontrar plágio na ideia originária (a guerra), sobre a qual não fizeram obra, apenas Stuck, muito mais atacado que Fiuza, e este nosso ilustre patrício: centenas de telas, gravuras e relevos se acham espalhados pelo mundo, guardando o mesmo símbolo da guerra-desgraça, da guerra-devastação.

Mas, Fiuza merece parabéns pela reclame magnífica que o paralelo estabelecido entre o seu quadro e o do grande pintor de Munich lhe trouxe, quando a sua extraordinária modéstia não o faria almejar tanto.

Entretanto, é lastimável que se queira exercer entre nós crítica severa de arte, quando nos falta de todo o verdadeiro crítico, aparelhado pela prática de ver através de um critério próprio, que só os profissionais podem ter; que saiba distinguir técnica e nuanças, que a falta de ambiente próprio não nos permite.

O que temos, por enquanto, é a crítica enfática, feita através dos compêndios, e, por isso mesmo, falsa e incompetente.

Salão de 1913.

A exposição geral de belas artes tem sido muito visitada.

Hoje, sábado, é de esperar grande concorrência.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O Paiz, Rio de Janeiro, 13 set. 1913, p.4.

O Paiz, Rio de Janeiro, 14 set. 1913, p.2.

Angelina Agostini

Não foi fácil o trabalho do júri da exposição de belas artes em conferir o prêmio almejado por todos os nossos novos artistas que expuseram este ano o prêmio de viagem.

O salão tem na sua 20ª exposição três ou quatro telas dignas da alta distinção. Mas, resolvendo-se por Angelina Agostini, o júri agiu com inteira justiça, e, destacando o seu quadro - "A vaidade", dos seus concorrentes, ele tornou ainda mais honrosa a escolha.

Realmente, Angelina Agostini, que vem expondo no salão há quatro anos, agora mais acentuou a sua superioridade, e o seu quadro premiado mostra os elementos indiscutíveis de boa técnica, sentimento e caráter próprio, que o tornaram logo muito distinto aos olhos dos visitantes da exposição, quer fossem leigos ou artistas.

O prêmio de viagem que o júri acaba de lhe conferir - a maior das recompensas - foi recebido com geral regozijo, mesmo pelos artistas que com ela concorriam.

Angelina Agostini é filha do saudoso Angelo Agostini, que fundou a "Revista Illustrada" e o "D. Quixote", e tem o seu nome ligado à campanha abolicionista no Brasil; e irmã dos Srs. Eugenio e Eduardo Agostini, funcionários públicos.

Foi discípula de Henrique Bernardelli e aluna da Escola Nacional de Belas Artes.

Hora musical.

Depois da "hora literária", a comissão da exposição de belas artes vai fazer no terraço da Escola Nacional a "hora musical".

Naquela falaram três queridos poetas, que encantaram o distinto auditório que obtiveram.

Amanhã, das 4 às 5 (porque a "hora" da exposição será sempre às segundas-feiras), duas distintas artistas, as senhoritas Isabel e Marieta de Verney Campello cantarão versos do "Galaor", de Araujo Vianna, que será o próprio a acompanhá-las.

Tomarão parte ainda na "hora musical" o barítono Pedro Bruno e os maestros Henrique Oswald e Alberto Nepomuceno.

Como se vê, será um verdadeiro concerto que os frequentadores da exposição vão ter amanhã das 4 às 5 horas da tarde.

XX exposição de belas artes - Os prêmios conferidos.

Reuniu-se ontem o Conselho Superior de Belas Artes para tomar conhecimento do julgamento do júri da XX exposição, deste ano, e homologou todos os prêmios propostos pela comissão, e que são os seguintes:

Prêmio de viagem, D. Angelina Agostini; grande medalha de ouro, Augusto Girardet; pequena medalha de ouro, Carlos Oswald e Adalberto de Mattos; grande medalha de prata, Carlos Chambelland e Gustavo Dalla Ara [sic]; pequena medalha de prata, dona Adelaide Gonçalves, Pedro Bruno, Mario Navarro da Costa e Antonino Pinto de Mattos; medalha de bronze, D. Iracema Orosco, D. Julieta Bicalho, Arnaldo de Carvalho, Humberto Cavine, Rodolpho Pinto do Couto e João Timotheo da Costa; menção honrosa de 1º grau, D. Maria Pardos, Marques Junior, Dias Junior, Antão Bibiano e D. Dinorah Carolina de Azevedo; menção honrosa de 2º grau, Gastão Formenti e Vicente Rodrigues Moreira.

A comissão diretora propôs as seguintes aquisições, que foram aprovadas: n. 35, "Caminho do curral", do professor J. Baptista da Costa, 4:000$; n. 178, "Estudo de reflexos", e n. 179, "Supremo esforço", ambos de Carlos Oswald, 3:500$; n. 56, "Baile à fantasia", de Rodolpho Chambelland, 5:000$; n. 104, "Cabeça de velho", de Fiuza Guimarães, 1:000$; n. 135, "Bianca", de Eugenio Latour, 1:000$; n. 140, "Ilha da Boa Viagem", de Luis Christophe, 900$; n. 78, "Tarefa pesada", de Gustavo Dall'Ara, 2:000$; e n. 148, "Velhinhos felizes", de Luiz de Freitas, 2:000$; soma, 19:400$000.

Tendo havido um saldo de seiscentos mil réis, o professor J. Baptista propôs e foi aceita pelo conselho a aquisição das coleções de medalhas do professor Augusto Girardet, representando os presidentes da República.

Fiuza Guimarães.

Tivemos ontem a agradável visita do distinto pintor nacional Fiuza Guimarães, que nos veio, gentilmente, agradecer as palavras justas com que tratamos o caso do seu belo quadro "A guerra", exposto no salão da Escola de Belas Artes, este ano.

Fiuza teve a extrema bondade de se dizer confortado pelo apoio que lhe prestamos, apoio aliás espontâneo, dado sem a menor interferência e somente inspirado no sentimento de justiça que despertou o insólito da aleivosia feita a um dos nossos mais dignos artistas.

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Imagem

Sem Legenda [Angelina Agostini]

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O Paiz, Rio de Janeiro, 14 set. 1913, p.2.

O Paiz, Rio de Janeiro, 31 out. 1894, p.2.

Realizou-se ontem na escola nacional de belas artes a reunião do júri da exposição geral, sendo conferidos os seguintes prêmios:

Seção de pintura. 2a. medalha de ouro - José Julio de Souza Pinto, Belmiro de Almeida Junior, Elyseu d'Angelo Visconti e Oscar Pereira da Silva; 3a. medalha de ouro - Felix Bernardelli, D. Diana Cid, Franscisco Garcia Santos Olalla, Pedro Alexandrino Borges, Benno Treidler; menção - A. A. Valle de Souza Pinto, Maria Agnello Forneiro e Manuel Pereira Madruga.

Prêmio de viagem - João Baptista da Costa.

Na seção de arquitetura, foi premiado com a 2a. medalha de ouro, o Sr. João Ludovico Maria Berna.

Na seção de artes aplicadas à indústria, a Companhia Argentífera Brasileira e a de Marcenaria Brasileira com a 2a. medalha de ouro; a Companhia Industrial de Cristais e Vidros com menção.

Não houve medalha de honra nem 1as. medalhas.

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Hoje, às 7 ½ da noite, na galeria n. 3 da escola nacional de belas artes, o professor Coelho Netto fará conferência pública sobre história das artes.

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Digitalização e transcrição de Arthur Valle

O Paiz, Rio de Janeiro, 31 out. 1894, p.2.

O Paiz, Rio de Janeiro, 6 set. 1911, p.7.

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<br style="clear: both" />

Exposição de Belas Artes - o Sr. presidente da República na parte externa do edifício da Escola

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O Paiz, Rio de Janeiro, 6 set. 1911, p.7.

O Paiz, Rio de Janeiro, 9 set. 1918, p.4.

Continua sendo muito visitada a Exposição Geral de Belas-artes, acrescida com a exposição dos artistas uruguaios.

Foram adquiridos alguns trabalhos dos artistas Carlos Oswaldo, Baptista da Costa, Raul Pederneiras e outros.

A exposição estará aberta hoje das 10 ás 17 horas.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Natalia Mano Goulart Saraiva

O Paiz, Rio de Janeiro, 9 set. 1918, p.4.

O prêmio de viagem do "Salão de 1930". O Globo, 26 ago. 1930, p. 1.

Todos os anos, a concessão do prêmio de viagem do Salão, que compõe a Exposição Nacional de Belas Artes, desperta viva curiosidade, emulação e palpites entre os nossos artistas. Desta vez, então, o fato parece que culminou e até excedeu em números inéditos os mais movimentados de passadas épocas. Houve mesmo um deplorável caso de carta falsa, como se se tratasse de outra espécie de política... Afinal, já hoje a coisa está a meio caminho da solução definitiva. Reuniram-se, ontem, entre os demais, os membros de júri das seções de pintura e escultura do atual "Salão", tendo resolvido apresentar à aprovação e escolha do Conselho Superior de Belas Artes, os nomes dos expositores pintor Cadmo Fausto e escultor Humberto Cozzo, para o aludido prêmio. O primeiro concorre à ambicionada láurea com a tela "Pescadores", e o segundo com uma figura de mulher, em gesso, de tamanho natural, intitulada "Anseio": ambos esses trabalhos reproduzidos na gravura acima.

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Imagens

[Cliche Globo]

"Pescadores", tela de Cadmo Fausto

"Anseio", figura em gessso de Humberto Cozzo

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O prêmio de viagem do "Salão de 1930". O Globo, 26 ago. 1930, p. 1.

O PRÊMIO DE VIAGEM DO SALÃO OFICIAL: Cadmo Fausto. O Paiz, 27 ago. 1930, p. 7.

O júri da XXXIV [sic] exposição geral de belas artes conferiu o prêmio de viagem do salão oficial deste ano ao pintor Cadmo Fausto.

Foi uma decisão de inteira justiça, pois, conforme aqui mesmo se publicou, suas qualidades se evidenciavam de tal forma que ao júri só cumpria conferir ao jovem artista aquela alta premiação.

A grande medalha de prata foi ganha por Jordão de Oliveira, outra figura que se destaca na geração de modernos pintores brasileiros.

O Conselho Superior de Belas Artes, convocado para hoje, homologará as decisões acima referidas.

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"TARRAFEIROS", quadro de CADMO FAUSTO, em exposição no atual "Salon"

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O PRÊMIO DE VIAGEM DO SALÃO OFICIAL: Cadmo Fausto. O Paiz, 27 ago. 1930, p. 7.

O PROF. FLÉXA RIBEIRO INAUGURARÁ HOJE A SÉRIE DE CONFERÊNCIAS. O Paiz, 14 ago. 1930, p. 2.

O Prof. Fléxa Ribeiro inaugurará hoje, à tarde, no salão de honra da Escola Nacional de Belas Artes, a série de conferências comemorativas da exposição de 1930, falando sobre "A metafísica da pintura".

O tema é, como se vê, singular e original, sendo fácil adivinhar e antever o encanto que a palavra do Sr. Fléxa Ribeiro lhe emprestará, com o seu colorido quente e harmonioso.

Professor, crítico de arte, prosador e poeta, títulos esses que ele tanto tem elevado e enobrecido, o conferencista de hoje terá, certamente, como sucede sempre que se anuncia uma palestra sua, na Escola Nacional de Belas Artes, uma ansiosa assistência de intelectuais, de artistas, de pessoas de realce no nosso mundo literário, artístico e social, que tão justamente lhe admiram a poderosa inteligência, a fina e cultivada sensibilidade.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O PROF. FLÉXA RIBEIRO INAUGURARÁ HOJE A SÉRIE DE CONFERÊNCIAS. O Paiz, 14 ago. 1930, p. 2.

O SALÃO DA E. N. DE BELAS ARTES. O Globo, Rio de Janeiro, 12 ago. 1929, p. 1.

O salão da Escola Nacional de Belas Artes se abriu, ontem, na sua exposição de ano. Abriu-se, porém, apenas para os expositores, em cerimônia de "vernisage" [sic], porque a inauguração propriamente dita se realizará às 14 horas e deve ir animadas [sic] quando entrarmos em circulação. Na cerimônia preliminar de ontem, verificada às 18 horas, a impressão rápida de conjunto e de passagem foi a de que a exposição deste ano despertará maior interesse que a do último, pela seleção dos trabalhos e número dos expositores. A nossa gravura reproduz um aspecto do salão, onde figuram todos os concorrentes ao prêmio de viagem.

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Aspecto da Exposição Geral de Belas Artes de 1929 [Foto e clichê Globo]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O SALÃO DA E. N. DE BELAS ARTES. O Globo, Rio de Janeiro, 12 ago. 1929, p. 1.

O Salão da Escola de Belas Artes. A festa de hoje e os trabalhos dos concorrentes ao prêmio de viagem. O Jornal, Rio de Janeiro, 11 ago. 1928, p. 3.

Realiza-se hoje a cerimônia preliminar da abertura do Salão da Escola de Belas Artes, que vem, nesses últimos anos, pela sua organização, pelo número e qualidade dos seus trabalhos, pelas afirmativas de verdadeiras vocações artísticas, interessando indubitavelmente a opinião pública. As nossas exposições de quadros, como os nossos salões, que não há muito eram frequentados apenas das elites intelectuais e dos profissionais e amadores, já hoje comportam ou estimulam um concurso de visitantes que vale por um índice do desenvolvimento do gosto das artes em todas as classes. Se não é grande entre nós ainda o interesse capaz de animar a produção de obras de arte, porquanto são relativamente poucos os que as adquirem, é certo que não há nada de mais promissor do que o prazer que o nosso público vai encontrando em os contemplar, criando assim um ambiente de grandes possibilidades, para empregarmos um termo de aplicação frequente na ordem econômica, mas bem ajustado ao fenômeno que registramos.

E não resta a menor dúvida que os nossos artistas, os nossos professores e discípulos são dignos do estímulo e do louvor da opinião, bem como de todo o amparo dos poderes públicos. A melhor afirmativa da nossa veia de arte está ainda na obstinação com que trabalha tão grande grupo, sem encontrar, todavia maiores recompensas, no entusiasmo febril com que uns renovam as lições e os modelos antigos, e outros se debatem à procura de fórmulas novas, e isto não só na pintura, como em todas as artes, o que exprime a vitalidade invejável do nosso temperamento artístico, a sedução irresistível da beleza que sacrifica tantas energias pelo amor do sonho, numa terra em que a arte nacional não encontra por enquanto maiores compensações, embora sendo o Brasil entre todas as nações deste continente talvez aquela em que surgem com maior frequência os artistas de inspiração, de personalidade e vigor.

O salão deste ano, cuja "vernissage" hoje se soleniza, será de certo uma confirmação de tão rápidos, mas tão lisonjeiros conceitos de arte nacional.

Os concorrentes ao prêmio de viagem do Salão de 1928 são em número de 11, conforme se deduz de nossa gravura que mostra, por ordem numérica, as pinturas a óleo da senhorita Gilda Moreira (n.1), do sr. Manoel Constantino (n. 2), do sr. Cadenio Fausto [sic] (n. 3), do sr. Candido Partinari [sic] (n. 4), do sr. Manoel Faria (n. 5), da senhorita Edith de Aguiar (n. 6), do sr. Ozorio Belém [sic] (n. 7), bem como o baixo relevo (n. 8) do sr. A. Marinho [sic] [Francisco Gomes Marinho], e ainda (ns. 9, 10 e 11) as pinturas de [sic] óleo do sr. J. Fonseca [sic] [Euclydes Fonseca], da senhorita Sarah Villela e do sr. Orlando Ferraz [sic] [Orlando Teruz].

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Pinturas a óleo de Gilda Moreira (n.1), de Manoel Constantino (n. 2), de Cadmo Fausto (n. 3), de Candido Portinari (n. 4), de Manoel Faria (n. 5), de Edith de Aguiar (n. 6), de Orozio Belém (n. 7), baixo relevo de Francisco Gomes Marinho (n. 8), pinturas a óleo de Euclydes Fonseca (n. 9), Sarah Villela (n. 10) e de Orlando Teruz (n. 11).

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O Salão da Escola de Belas Artes. A festa de hoje e os trabalhos dos concorrentes ao prêmio de viagem. O Jornal, Rio de Janeiro, 11 ago. 1928, p. 3.

O SALÃO DA ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES. A inauguração oficial de domingo. O Jornal, Rio de Janeiro, 14 ago. 1928, p. 5.

Inaugurou-se domingo, com a solenidade oficial do estilo, o Salão da Escola Nacional de Belas Artes.

Pode dizer-se, sem exagero, que a abertura do Salão de 1928 foi, sob muitos aspectos, um dos acontecimentos artísticos mais significativos a que o Rio tem assistido nos últimos tempos.

Há muitos anos não se via, na Escola Nacional de Belas Artes, uma exposição anual que representasse, em todas as suas seções tão larga soma de esforço, de trabalho, de inteligência lúcida e consciente, como a que anteontem se inaugurou.

Nem andaria talvez longe da verdade quem afirmasse que, pelo menos na seção de pintura, o Salão Oficial nunca apresentara um conjunto tão numeroso, variado e interessante, como o deste ano.

Desta vez sente-se que todos os artistas brasileiros, trabalharam com a vontade unânime e vidente do realizar alguma coisa de considerável que, dignificando-os individualmente, dignificasse, sobretudo a arte nacional.

Percorrendo as galerias do Salão, vê-se positivamente que novos e velhos, mestres e discípulos, orientaram todos os seus esforços no mesmo sentido, procurando reagir contra a indiferença e a ausência de estímulos que esmagaram sempre as nossas manifestações artísticas.

Os mais novos, concorrendo em legião, e com grande número de obras, ao Prêmio de Viagem, revelam com nitidez a esperança, o entusiasmo radioso, levando o Salão atestados flagrantes de que o espírito das criaturas se sobrepõe às próprias contingências do tempo e da idade.

E é curioso passar uma revista geral, ainda que de relance, sobre os trabalhos mais significativos do Salão de 1928.

Só ao Prêmio de Viagem concorreram quinze artistas, sendo onze pintores e quatro escultores.

Esses concorrentes foram os srs.: Candido Portinari, que se apresenta com probabilidades de triunfo, levou ao Salão doze trabalhos, dos quais mereceu destaque o "Retrato do sr. Olegário Mariano", e "Retratos" e o "Retrato do sr. Jorge de Castro", além de carvões interessantes; Cadmo Fausto, com três trabalhos, dos quais é mais vultoso - "Manhã no Campo"; a sta. Edith de Aguiar, com quatro quadros, entre eles um "Nu", de técnica forte e larga, e um "Retrato de E. S."; sta. [sic] Gilda Moreira, com dois trabalhos. "Borboletas", que fez boa impressão, e "Sinfonia"; Manoel Constantino, com dois quadros; Manoel Faria, com o quadro "Anchieta ou o Apóstolo das Selvas"; Orlando Ferraz [sic] [Orlando Teruz], com três quadros, entre os quais "Os guaycurús" e "Homens do Mar"; Orozio Belém, com nove trabalhos, dos quais se destaca o quadro "As estações brasileiras"; sra. Sarah Villela de Figueiredo, com cinco trabalhos, sendo mais notáveis o nu "Meu modelo" e o retrato da "Sta. [sic] Mercedes Nicolussi"; Gastão Formenti, com três trabalhos; Euclydes Fonseca, também com três; o escritor [sic] Paes Leme, "Uma cabeça" e os gravadores srs. Calmon Barreto, com três trabalhos, e G. Marinho, com sete trabalhos fortes, dos quais se destaca a medalha "O Guarani".

Concorreram com trabalhos notáveis, na seção de pintura, os srs. André Vento, Annibal Mattos, Garcia Bento, com uma "marinha" apreciável; Augusto Bracet, com um bom "Nu"; Carlos Oswaldo, com uma Santa Cecília, quadro de misticismo impressionante; Celso Kelly, com o "Pão de Açúcar"; Cesar Turatti, com um belo "Dia Tropical"; Ernani de Irajá, Jordão de Oliveira, Orestes Acquarone, com o quadro histórico "O Chafariz da Carioca" e um painel decorativo; Francisco Marra [sic], Vicente Leite, Suzana de Mesquita, etc.

Deram também brilho ao Salão os escultores; Humberto Cozzo, com três trabalhos, dos quais um notável - "O busto do pintor Bernardino"; Francisco de Andrade, com dois trabalhos; Juan Sacco Paraná [sic] [Zaco Paraná], com seis esculturas; Julieta França, Lotti Bento [sic] [Lotte Benter], com 15 trabalhos interessantes (estudos indígenas); Quirino da Silva, com "D. Quixote"; Humberto Cavina, Orestes Acquarone [Orestes Acquarone Filho], com uma maquete "Estoicismo", que fez boa impressão, etc.

Na seção de gravura apresentaram trabalhos os srs. Brasilio Nunes [sic], Arlindo Bastos, etc.

Dos mestres compareceram ao Salão os srs. Elyseu d'Angelo Visconti, com vários trabalhos; Georgina Albuquerque, Lucilio Albuquerque, Marques Junior, H. Cavalleiro, com seis trabalhos, os irmãos Bernardelli (Henrique [Henrique Bernardelli], que apresenta cerca de 30 retratos, e Rodolpho [Rodolpho Bernardelli] que apresenta o busto de Henrique Bernardelli); o prof. Corrêa Lima, com um busto de Rodolpho Bernardelli, Magalhães Corrêa, Modestino Canto, Augusto Girardet, Adalberto Mattos, etc.

Essa simples enumeração sucinta de nomes e de obras, sem nenhuma veleidade crítica, mostra nitidamente a importância que, pela quantidade como pela qualidade, tem o Salão de 1928.

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Flagrante tomado durante a inauguração oficial de domingo

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O SALÃO DA ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES. A inauguração oficial de domingo. O Jornal, Rio de Janeiro, 14 ago. 1928, p. 5.

O SALÃO DE 1894. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 nov. 1894, p. 1.

Uma surpresa agradabilíssima a todos quantos se dedicam às questões de arte.

Recebemos ontem a visita do sr. alferes Cosme Peixoto, que, há quatro anos, no Diario do Commercio, escreveu interessantes críticas de arte. Está gordo e rubicundo, e parece que nada sofreu nestes tempos de revolta em que, disse-nos, esteve trabalhando pela pátria.

O sr. Peixoto prometeu-nos a sua colaboração artística, mas declarou-nos que queria toda a liberdade de ação, para que o seu modo de pensar sobre assuntos artísticos não sofresse limitações. Ficamos de acordo.

Amanhã será publicado em folhetim o primeiro artigo de Cosme Peixoto sobre o salão de 1894.

Recomendamos a sua leitura aos nossos artistas e amadores e a quantos cogitam de belas-artes.

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Digitalização de Fundação Biblioteca Nacional Acessível em: http://memoria.bn.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

O SALÃO DE 1894. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 nov. 1894, p. 1.

O SALÃO de 1906. A INAUGURAÇÃO. O Paiz, Rio de Janeiro, 2 set. 1906, p.2.

A inauguração da 13ª Exposição Geral de Belas-Artes esteve animada, alegre, concorrida. Ao meio-dia, já se achavam na Escola de Belas Artes, além de grande número de convidados, o Dr. Félix Gaspar, ministro do interior; seu secretário, Dr. Rodrigues Barbosa, e o Dr. Francisco Pereira Passos, prefeito municipal, quando chegou o Sr. presidente da República, acompanhado por Mlles. Rodrigues Alves e o general Souza Aguiar.

O Sr. presidente foi recebido pelo Sr. ministro do interior, seu secretário, Dr. Passos, o diretor da Escola professor Rodolpho Bernardelli; o secretário, Dr. Diogo Chalreo; o bibliotecário, Victor Viana, e pelos professores Homem de Mello, Araujo Viana, Carlos Cianconi, Baptista da Costa, Ludovico Berna, Girardet, Zeferino da Costa e Gastão Bahiana.

O Sr. presidente da República e Mlles. Rodrigues Alves demoraram-se bastante tempo no salão, apreciando e comentando os trabalhos expostos.

O aspecto da exposição era encantador.

O salão regurgitava de "leading beauties" e "smarts".

Toda a sociedade carioca ali se deu o "rendez-vous".

A 1 hora da tarde, chegaram os dois trabalhos do Sr. Belmiro de Almeida, que ainda não se tinha podido retirar da Alfândega, em virtude da greve. Foi um sucesso o aparecimento desses dois quadros lindos: a "Dame a la Rose", uma senhora esguia, de preto, com uma rosa na mão, causou natural admiração; tem caráter e destaca a técnica superior do eminente artista pintor. A "Amuada", de uma feitura leve e perfeita, concentrou em torno de si uma sempre entusiástica multidão de contempladores.

Os visitantes estavam satisfeitíssimos com o salão, que, embora pequeno, tinha trabalhos de valor. E ninguém se fartava de ver e tornar a ver as paisagens do Sr. Baptista, o retrato magnífico [Imagem] do Sr. Eduardo Bevilacqua, o "Preto" incomparável do Sr. Arthur Timotheo, o "Violinista" do Sr. Carlos Oswald, o "Trabalho" perfeito do Sr. Correia Lima, e os "pastéis" do Sr. Arthur Lucas.

Alguns retratos provocaram comentários e piadas. Foram entre eles muito apreciados: o do Sr. Bevilacqua, o do Sr. Sylvio Bevilacqua, feito pelo Sr. José Timotheo [sic]; o do Sr. Luiz de Rezende, pelo pintor francês Aman Jean; o nosso colega de imprensa Sr. Raul Xavier, por sua Exma. esposa, D. Luiza Xavier; os bustos de Correia Lima e de D. Julieta França, os autorretratos de Mlle. Daum e M. Petit.

A inauguração do salão foi um lindo sucesso. Nunca se viu tanta gente na nossa Escola de Belas Artes.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O SALÃO de 1906. A INAUGURAÇÃO. O Paiz, Rio de Janeiro, 2 set. 1906, p.2.

O SALÃO de 1906. O Paiz, Rio de Janeiro, 1 set. 1906, p.1.

O "vernissage" - Os mestres e os novos - Artistas estrangeiros - A pintura - A escultura - A inauguração.

O vernissage do salão de 1906 teve uma concorrência anormal. Do meio-dia às 4 horas da tarde as galerias da Escola Nacional de Belas Artes regurgitavam.

O Dr. Félix Gaspar, ministro do interior, acompanhado do seu secretário Dr. Rodrigues Barbosa, compareceu. O professor Rodolpho Bernardelli, diretor da escola; o secretario Dr. Diogo Chalréo; os professores Dr. Araújo Viana, Baptista da Costa e Ludovico Berna receberam S. Ex. que percorreu as galerias mostrando-se satisfeito pelo progresso das artes no Brasil.

O vernissage, elegante e fino, correu animado. Entre as numerosas pessoas presentes, notamos: os professores Zeferino da Costa, Girardet, Homem de Mello e Morales de Los Rios, Leo d'Affonseca, D. Julia Lopes, Henrique Oswald, Raul Pederneiras, Raphael Pinheiro, almirante Teffé, D. Adelina Lopes, Julião Machado, Santos Maia, Dr. Paula Alvarenga, Francisco Guimarães, Cunha Vasco, Aurelio de Figueiredo e D. Maria Clara da Cunha Santos, além dos artistas expositores.

Grupos formavam-se discutindo, destacando as belezas dos quadros, enquanto alguns pintores terminavam o envernizamento de seus trabalhos.

As galerias regurgitavam. Há muitos anos que não se realiza um vernissage tão concorrido e lindo. Seria devido essa animação à presença do ilustre ministro do interior?

* * *

Mas se o vernissage animou por sua alegria, desalentou muitos amadores pelo número reduzido de telas que expôs. Foi a impressão geral. Entretanto, estudando com calma, lamentando embora abstenções de mestres, dissipa-se facilmente essa impressão, porque se compreende o valor real das exposições anuais.

O salão tem por missão principal patentear a criação de artistas novos e o desenvolvimento, a transformação ou evolução dos antigos. De modo que o visitante pode regozijar-se com o salão que hoje se inaugura. Nele talentos novos se afirmam.

Os Srs. Arthur Timotheo da Costa e Carlos Oswald revelam excepcionais qualidades de técnica e imaginação.

Há, de fato, grandes abstenções. O Sr. Henrique Bernardelli, o incomparável pintor, cuja técnica segura não tem igual, trabalhador incessante, não enviou nem uma obra sua. Do Sr. Elyseu Visconte [sic] há apenas uma tela, Segredo. O nome do Sr. Rodolpho Amoedo eminente pintor da Partida de Jacob, não figura também no catálogo.

Essas abstenções são, entretanto, de uma maneira paradoxal à primeira vista, prova do progresso das artes no Brasil. Os mestres citados não puderam terminar trabalhos para o salão, porque andaram o ano todo ocupados com grandes decorações.

Em compensação, artistas que há muito não apareciam nas nossas exposições anuais, expõem este ano com excepcional brilho e há uma serie de autores estrangeiros, interessante e variada.

Se na geração que surge convém destacar os Srs. Arthur Timótheo, Carlos Oswald e Eduardo Bevilacqua, entre os artistas feitos é preciso notar, principalmente, os deliciosos pastéis do Sr. Arthur Lucas e as paisagens incomparáveis do Sr. Baptista da Costa.

Belmiro de Almeida.

Depois de alguns anos de ausência, o Sr. Belmiro volta a aparecer, faz parte do júri de pintura e parece destinado a ser um dos triunfadores do presente salão. Mas a greve dos estivadores, perturbando o serviço de descarga, impediu que suas grandes telas, Amuada e Dame à La rose, estivessem ainda ontem na exposição.

O Sr. Belmiro voltou da Europa mais forte, decidido a trabalhar como sempre e com uns fiozinhos de prata pela barba original ... Mas, apesar de não terem ainda chegado seus grandes quadros, o Sr. Belmiro alcançou ontem real suc- [...]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O SALÃO de 1906. O Paiz, Rio de Janeiro, 1 set. 1906, p.1.

O SALÃO DE 1912 - O Conselho Superior de Belas Artes reuniu-se ontem e distribuiu os prêmios do Salão. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 17 set. 1912, p.3.

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Despertar de Ícaro

LUCILIO DE ALBUQUERQUE, AUTOR DO "DESPERTAR DE ÍCARO" QUE A ESCOLA VAI ADQUIRIR

Levino Fanzeres que obteve o prêmio de viagem

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O SALÃO DE 1912 - O Conselho Superior de Belas Artes reuniu-se ontem e distribuiu os prêmios do Salão. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 17 set. 1912, p.3.

O SALÃO DE 1912. A Noticia, Rio de Janeiro, 3-4 set. 1912, p.3.

Certo o "Salão" é a nota sensacional deste ano, invadindo o visitante em agradável bem estar pela afirmação positiva de que existe, neste país, um punhado de artistas fortes, cuja confiança no seu valor o ambiente dissolvente não conseguia ainda absorver.

Nos anais da nossa Escola não há notícia de um certame tão bem equilibrado e tão concorrido, já pelo grande número de trabalhos, já pelo valor deles, dando a impressão perfeita do ressurgimento da esperança e do alento no nosso meio artístico, e, o prêmio de viagem vem, por certo, por em dificuldades o Júri, tal o valor dos muitos jovens que a ele concorrem.

Sabemos que disputam o prêmio: "Bordon" com sete magníficas paisagens, algumas delas de um colorido excepcionalmente real, como Nenúfares.

"Pedro Bruno" com três quadros em que se destaca "[Manhã azul]" de um belíssimo efeito e colorido.

"Gutruman Bicho" [sic], com quatro retratos de um acabamento perfeito e um estudo, "Paisagem".

"Alvaro Teixeira", com "Reverência" e "Desalento de Orfeu", que vêm provar quanto há a esperar, desse jovem artista.

"Coelho de Magalhães", com cinco trabalhos de mérito, como "Curiosos", que é uma tela de muita vida.

"Fanzeres", com treze trabalhos de uma coloração inspirada, como o "Crepúsculo", deliciosa paisagem vespertina, inspirado num capítulo do "Dentro da Vida", de A. Fanzeres.

"Navarro da Costa", com uma marinha "Remanso", em que se sente a intensa arte que o ditou.

"Capllonch", com o seu tríptico "Salomé" inspirado em Wilde, é um quadro de fôlego em que o artista demonstra temperamento, fibra e talento.

E, muito outros artistas expõem trabalhos onde primam nuns a delicadeza de cor, noutros o delírio de luz e noutros o extraordinário da inspiração e, em quase todos, a perfeita execução.

Amoedo, Arnaldo de Carvalho, D. Angelina Agostini, Timotheo da Costa [Arthur Timotheo da Costa], Annibal Mattos, Antonio Zoffi [sic], Delfino, Aurelio Figueiredo, Arnau, Augusto Petit, Baptista da Costa, Treidler, Teixeira Bastos, Bute, Brocos, Bastidas, viscondessa de Cistello, Cordeiro de Servy [sic], Carlos [Carlos Chambelland] e Rodolfo Chambelland, D. Carlota Laboriau, Domeneck, Trotte [?], Pullete [sic] Emiliano Praxedes, Luiza Guimarães [sic], D. Francisca Leão, D. Fedora R. Monteiro, D. Georgina de Albuquerque, Magni Sellinger, D. Isolina Machado, Lucilia de Albuquerque [sic], Mme. Lebelle, D. Laura Saint Brisson, D. Sylvia Meyer, José Malhôa, Paneroi, João Timotheo da Costa, Visconti e com esculturas admiráveis os Srs.: Pitanga, Antonio Mattos [sic] [Antonino Mattos], Bibiano Silva, Covrine [sic], Corrêa Lima, Andrade, Modestino Couto [sic], Verdré [sic], Pinto do Couto, Rodas e Rodrigues Moreira; em medalhas apresentaram esplêndidos trabalhos os artistas Girardet, Adalberto Mattos e Accacio Moreira, de cujos trabalhos não podemos falar nesta nossa curta e despretensiosa notícia.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O SALÃO DE 1912. A Noticia, Rio de Janeiro, 3-4 set. 1912, p.3.

O SALÃO DE 1912. A Noticia, Rio de Janeiro, 31 ago.-1 set. 1912, p.3.

Realizou-se hoje na escola de Belas Artes a festa dos artistas, o vernissage dos quadros expostos no "Salão" deste ano.

A grande quantidade de trabalhos quase todos muito bem executados, dão ao salão um aspecto bizarro, e o visitante deslumbrado pelas cores e efeitos de luz não sabe qual o trabalho que deva admirar.

As esculturas, os quadros e as entalhações em tartaruga e madeira ocupam um grande salão no primeiro andar da Escola, no qual os artistas cheios de esperança e cônscios do valor de suas concepções movem-se em todos os sentidos, endireitando os seus quadros, os seus grupos, a procura do melhor efeito, eis o vernissage.

E, bem razão têm os expositores, mestres e discípulos, pois o "Salão de 1912" cheio de verdadeiras obras primas vem provar que apesar do indiferentismo público e oficial, os artistas brasileiros dotados de uma força de vontade extraordinária, não se deixam vencer pelo meio dissolvente progredindo e produzindo obras dignas dos melhores salões.

E o povo carioca, que sempre se mostrou indiferente e frio ante os esforços dos nossos artistas, não deve manter esse modo de proceder, indo ao "salão", para estímulo dessa plêiade de artistas esforçados, na conquista da perfeição.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O SALÃO DE 1912. A Noticia, Rio de Janeiro, 31 ago.-1 set. 1912, p.3.

O SALÃO DE 1913 - Prêmios conferidos pelos júris da Exposição Geral de Belas Artes. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 14 set. 1913, p.7.

Foi o seguinte o resultado dos prêmios conferidos pelo júri da XXª Exposição Geral de Belas Artes.

Prêmio de Viagem, d. Angelina Agostini. Grande medalha de ouro, Augusto Girarde [sic]. Pequena medalha de ouro, Carlos Oswald e Adalberto de Mattos. Grande medalha de prata, Carlos Cambelland [sic] e Gustavo Dall'Ara. Pequena medalha de prata, d. Adelaide Gonçalves, Pedro Bruno, Mario Navarro da Costa e Antonino Pinto de Mattos. Medalha de bronze, d. Iracema Orosco, d. Julietta Bicalho, Arnaldo de Carvalho, Humberto Cavina, Rodolpho Pinto do Couto e João Thimoteo da Costa. Menção honrosa de 1º grau, d. Maria Pardos, Marques Junior, Dias Junior, Antão Bibiano e d. Dinorah Carolina de Azevedo. Menção honrosa de 2º grau, Gastão Formenti e Vicente Rodrigues Moreira.

A comissão diretora propôs as seguintes aquisições, que foram aprovadas:

N. 35 - Caminho do curral, do professor J. Baptista da Costa - 4:000$; n. 178 - Estudo de reflexos - e 159 - Supremo esforço, ambos de Carlos Oswald, por 3:500$; n. 50 - Baile à fantasia, de Rodolpho Chambelland - 5:000$; n. 104 - Cabeça de velho, de Fiuza Guimarães - 1:000$; n. 135 - Bianca, de Eugenio Latour - 1:000$; n. 140 - Ilha da Boa Viagem, de Luiz Christophe - 900$; n. 58 - Tarefa pesada, de Gustavo Dall'Ara - 2:000$; n. 148 - Velhinhos felizes, de Luiz de Freitas - 2:000$000. Soma, ....... 19:400$000.

Tendo havido um saldo de seiscentos mil réis, o professor J. Baptista propôs e foi aceito pelo conselho a aquisição das coleções de medalhas do professor Augusto Girardet, representando os presidentes da República.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O SALÃO DE 1913 - Prêmios conferidos pelos júris da Exposição Geral de Belas Artes. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 14 set. 1913, p.7.

O SALÃO DE 1913 - São seis candidatos à medalha de prata. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 11 set. 1913, p.5.

Feitas as ligeiras observações primeiras sobre a obra apresentada pelos quatro candidatos ao prêmio de viagem deste ano, cabe-nos agora prosseguir na análise rápida do Salão, não [...] extravagante preocupação de comentador do catálogo, mas como parcela do público que vê e não pode parar senão diante do que o impressione, por isto ou por aquilo.

Com a modificação última no regimento, os candidatos ao prêmio de viagem [...] passaram a sê-lo à medalha de prata, excetuados os quatro já referidos, detentores, desde o certame passado, desse galardão.

Deles nos ocuparemos de preferência, a ver se não os surpreende o resultado do júri sem o nosso despretensioso julgamento.

Dissemos já que o Salão é dos novos. Não importa nisso a afirmação [...] que o seja exclusivamente desses candidatos esperançados.

Contudo, muito fizeram eles digno de menção especial.

Alvaro Teixeira, com duas telas, apregoa o grande esforço dispendido depois da medalha de bronze.

Do nu Desalento de Orfeu, o pintor passou ao da Queda da Phalena, mais cuidado, como o primeiro, porém, metido em paisagens de fantasia, a que desta vez falta a poesia com que a outra soprou.

Enterro do fiel é já uma composição mais significativa, onde Alvaro Teixeira se revela melhor, copiando o mal cuidado quintal.

Pena é que o artista se não esmerasse mais no desenho das figuras, muito duras, como no verde da vegetação, muito pouco real.

Não já assim Pedro Bruno, que surge agora melhor aparelhado que da outra vez, ainda que conservando o assunto e até mesmo os elementos picturais.

Harmonias de praia representa um poético recanto de Paquetá, iluminado pelo sol, com uma faixa de praia onde há um barco e duas figuras.

Há nesse quadro, entretanto, o que faltava no outro, isto é, um ambiente seguro, luz, ar, perspectiva aérea em resumo, mais vida.

Tudo isso é feito como o artista vê, sem preocupação de agradar a este ou àquele, de um modo inteiramente seu, o que aliás só o faz merecedor de encômios nesta terra de imitadores.

E assim consegue emprestar aos seus quadros a simpatia que pessoalmente desperta.

Eurico Alves enviou doze trabalhos, quase todos conhecidos por já expostos.

Rachel é uma deliciosa página bíblica em que o moço artista distila a delicadeza do seu sentir em arte. É a figura da legenda sentada à beira do poço, enquanto as ovelhinhas passem tranquilas o [...] e o [...]

Num cenário todo suavidades, [...] com carinho, a tela de Eurico agradaria de todo, se não fora um ou outro cochilo que não bastam para a desamar. É que, parece, Eurico não acabou o quadro, com o mesmo desvelo com que o levou até certo ponto. Ainda assim recomenda-o sobremaneira.

Finalmente, Navarro da Costa, o nosso marinhista que enviou ao certame uma larga tela intitulada Sol de Inverno.

Navarro é já hoje um artista conhecido do nosso meio pela encantadora maneira de ver a nossa marinha.

Nada menos de três grandes trabalhos tiveram nos Salões do ano a sagração dos prêmios regulamentares.

Remanso, o último, tinha qualidades inúmeras de fatura fartamente prodigalizadas nas palavras dos mestres e na crítica oportuna, a par de pequeninos defeitos, que fomos os primeiros a assinalar.

Em Sol de Inverno, o artista conscientemente procurou corrigir uns e outros e conseguiu uma tela digna de figurar entre mestres da especialidade, sem se fazer desmerecido.

O céu de porcelana de Remanso, em desacordo com a fatura larga e pastosa do resto, desapareceu no trabalho ora exposto, em que igualmente fugiu Navarro às cores berrantes que lembravam no outro a preocupação instante dos [...] n'água.

É um dos bons quadros da exposição.

Na escultura dois são os concorrentes: Antonino de Mattos e Bibiano Silva.

Não é novidade já que se trata de dois moços de assinalado valor.

Antonino tem os incitamentos da crítica e os cuidados do mestre a trabalhar-lhe o temperamento calmo. Sua obra até agora revela habilidades extraordinárias que longe, muito longe o levarão, palmilhando a senda trilhada com ruidoso sucesso por Corrêa Lima.

Discóbolo [Imagem, Imagem] é um trabalho de artista já feito, com dificuldades galhardamente vencidas, agradável à vista do entendido como do profano.

Muito diverso se revela Bibiano Silva. Viram todos, no ano passado, aquela figura máscula, toda nervos e músculos de Liberto, com o rosto erguido num gesto de desafio, quebradas as cadeias que o cingiam.

O símbolo, por uns achado acima das forças do autor, e por outros taxado obra de gênio, e por todos elogiado, com pequeníssimas restrições, teve a sua significação decifrada agora.

Bibiano é um torturado que se recrutava ali em Liberto, quebrando as cadeias que o vinham acorrentado.

E ainda mais oprimido pela injustiça da suspeita terrível, Bibiano tomou a ombros a ingente empreitada de muito mais fazer, sozinho, recluso num vão escuro, e estudou, frequentou os hospitais, leu Sófocles, Lessing, na ânsia de vencer na cruzada de honra.

E saiu Philotetes da retorta predestinada.

O que é a obra do moço todos têm visto ali naquele recanto do salão. É um cidadão, vivendo das glórias e lutas da sua pátria, abandonado em região deserta, tendo a pungi-lo a dor cruenta de uma chaga incurável no pé.

É uma vítima do mais terrível dos sofrimentos, perene, ininterrupto, cruel que ali se estorce em atitude que só por si tiraria o sono a escultores já consagrados.

Mas Bibiano, venceu também na outra feição da sua obra e o observador diante de Philotetes mede-lhe nas crispações dos músculos, na expressão dolorida, na contorção que todo o envolve e que se faz toda a sua razão de existir, o máximo sofredor da mais cruel das dores imaginadas.

Que o visitador pare diante do trabalho de Bibiano, estude-o, sinta-o, e certo, como nós, se convencerá de que ele o é de um grande espírito, de um talento de escol, revelado com precocidade, que o torna ainda mais admirável.

Os júris das diferentes seções reuniram-se ontem, resolvendo acerca de todos os prêmios, devendo, porém, ser oportunamente sujeitos à aprovação do Conselho Superior.

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Imagens

ALVARO TEIXEIRA

ANTONINO DE MATTOS

EURICO ALVES

BIBIANO SILVA

NAVARRO DA COSTA

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar'

O SALÃO DE 1913 - São seis candidatos à medalha de prata. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 11 set. 1913, p.5.

O SALÃO DE 1913. O Imparcial, Rio de Janeiro, 14 set. 1913, p.5.

Imagens

1 e 2) O escultor Moreira Junior (prêmio de viagem em 1908 e membro do júri de escultura no Salão deste ano) e seu gesso "S. Jerônimo"; 3 e 4) Eurico Moreira Alves e o seu quadro a óleo "Rachel".

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O SALÃO DE 1913. O Imparcial, Rio de Janeiro, 14 set. 1913, p.5.

O SALÃO DE 1913. O Imparcial, Rio de Janeiro, 28 set. 1913, p.5.

Imagens

Guttman Bicho e o seu quadro "Lalá e Lulú" e Bibiano Silva e o seu gesso Philoctetes.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O SALÃO DE 1913. O Imparcial, Rio de Janeiro, 28 set. 1913, p.5.

O Salão de 1921 - COMO TRANSCORREU A SUA INAUGURAÇÃO. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 13 ago. 1921, p.3.

A comparência do chefe da nação e de grande número de altas autoridades

Conforme acontece anualmente, o Salão de 1921 foi inaugurado oficialmente ontem, à 1 hora da tarde, com a presença do Sr. Presidente da República e das altas autoridades nacionais e estrangeiras, jornalistas, expositores, artistas em geral e convidados.

À chegada do chefe da Nação, que estava acompanhado dos Srs. General Hastimphilo de Moura, chefe de seu estado-maior, e comandante Moreira, ajudante de ordens, foi ao encontro de S. Ex., na Escola Nacional de Belas Artes, uma comissão de recepção, constituída dos Srs. Ministros do Exterior, Marinha e Guerra, chefe de polícia, professor Baptista da Costa e os organizadores da exposição, Srs. Rodolpho Chambelland, Morales de los Rios e Raul Pederneiras, professores e discentes da Escola, pessoal administrativo, etc.

Acompanhado pela comissão acima indicada, o Sr. Epitacio Pessoa passou a visitar as seções de arquitetura, pintura, gravura e escultura, de que estão expostos 246 trabalhos, aos quais já nos referimos ontem, noticiando o "vernissage".

Grande para ser visto em poucos minutos, o Salão foi percorrido de maneira a não dar tempo ao chefe do Estado para uma observação meticulosa das telas, maquettas [sic], medalhas, esculturas expostas. Entretanto, S. Ex. Se deteve diante de alguns, o que não implica depreciação para os não contemplados com esse gesto.

O medalhão alusivo à vinda do rei Alberto ao Rio, no qual se vêm, além do Rei Soldado, a rainha e o Sr. Epitacio Pessoa, foi grandemente notado pelo presidente, o mesmo acontecendo aos trabalhos dos concorrentes ao prêmio de viagem.

Foi movimentada e animadora a inauguração da 28ª Exposição de Belas Artes, não há negar, notando-se elevado número de colecionadores, que demostravam grande interesse pelos trabalhos deste ano.

Entre os representantes diplomáticos de países estrangeiros, lá estavam os embaixadores da Inglaterra, Bélgica e Portugal, ministros da Alemanha, Grécia e Checoslováquia, Sr. Eduardo Igarzabal, encarregado de negócios da Argentina, e muitos outros.

O chefe do Estado deixou o edifício da Escola um pouco depois das 2 horas, por isso que S. Ex. tinha audiências marcadas, inclusive a dos congressistas.

No saguão tocou uma banda militar, que executou o Hino Nacional, à chegada e à saída do chefe do Executivo.

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Imagem

O sr. Presidente da República entre o ministro do Exterior e o professor Baptista da Costa, vendo-se na gravura grande número de autoridades presentes à inauguração do Salão

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O Salão de 1921 - COMO TRANSCORREU A SUA INAUGURAÇÃO. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 13 ago. 1921, p.3.

O SALÃO DE 1925. O "vernissage" de ontem na Escola de Belas Artes. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 12 ago. 1925, p. 2.

Como sói acontecer anualmente, houve, ontem, o "vernissage" da 32a. Exposição Geral de Belas Artes, que será oficialmente inaugurada hoje, à 1 hora da tarde.

O "vernissage", que teve seletos e numerosos visitantes, faz augurar que o Salão de 1925 terá bastante brilho.

O que se viu ontem deixa patente o carinho com que não só a comissão diretora, composta dos professores Baptista da Costa, Archimedes Memoria e Theodoro Braga, como todos os expositores, cuidaram da organização do nosso principal certame de arte. Os trabalhos expostos, já pelo valor quantitativo, já pela qualidade, causam agradável impressão, tendo-se também patente aos notáveis progressos dos novos e do aperfeiçoamento dos que já tiveram um nome consagrado em exposições anteriores.

A exposição está instalada em cinco grandes salões da escola e o seu júri ficou assim constituído:

Pintura: professores Rodolpho Amoedo, Lucilio de Albuquerque, Marques Junior, Rodolpho Chambelland e Timotheo da Costa.

Arquitetura: Gastão Bahiana, Morales de los Rios, Raphael Galvão, Saldanha da Gama e Raul Pena Firme.

Gravura em medalhas e escultura: Corrêa Lima, Augusto Girardet, Petrus Verdier, Modestino Kanto e Magalhães Corrêa.

Artes aplicadas: Nereu Sampaio, A. Memória, Adalberto Mattos e Corrêa Lima.

Gravura e litografias: Modesto Brocos, B. Traidler [sic], Adalberto Mattos e Nereu Sampaio.

Para o prêmio de viagem, há, este ano, apenas seis concorrentes, que são, em pintura Sarah Villela de Figueiredo, Cadmo F. de Souza, Garcia Bento e Armando Martins Vianna, e em gravura de medalhas e pedras preciosas, Jorge Soubre e Francisco Gomes Marinho.

Entre os presentes ao "vernissage" estava o maharadja de Kapurtala, que examinou com atenção os trabalhos expostos e depois esteve alguns momentos no gabinete da diretoria da Escola, em palestra com os professores Baptista da Costa e Theodoro Braga.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

O SALÃO DE 1925. O "vernissage" de ontem na Escola de Belas Artes. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 12 ago. 1925, p. 2.

O SALÃO DE 1927 - REALIZA-SE HOJE O "VERNISSAGE" NA ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 11 ago. 1927, p. 1.

Imagens

AO ALTO, DA ESQUERDA PARA A DIREITA: NU, de Oswaldo Teixeira; ALMA DE PARIS, de Wellisch; UM FLAGRANTE DE RUA, de Georgina de Albuquerque – EM BAIXO, NA MESMA ORDEM: RETRATOS, por R. Chambelland [1]; Portinari [2], e E. Visconti [3]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O SALÃO DE 1927 - REALIZA-SE HOJE O "VERNISSAGE" NA ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 11 ago. 1927, p. 1.

O Salão de 1928. Os artistas premiados pelos júris do atual certame. O Globo, Rio de Janeiro, 29 ago. 1928, p. 3.

O Conselho Superior de Belas Artes aprovou, em sua reunião de ontem, e homologou juntamente com a concessão do prêmio de viagem ao pintor Candido Portinari e do "prêmio da cidade" ao escultor Magalhães Corrêa, os atos dos júris das diversas seções do "Salão" deste ano, premiando os seguintes expositores:

Pintura - Peq. Medalha de ouro: Theodoro Braga e A. Alves Cardoso.

Grande medalha de prata: Paulo Gagarim e Ivonne Visconti.

Peq. Medalha de prata: Franzi Wilfer Horst, Jordão de Oliveira, Francisco de Azevedo Leão [sic], Genesco Murta, Suzanna Mesquita e Nelson G. Netto.

Medalha de bronze: Grace Adelaide West, Paulo Rossi, Schrader Volger [sic], Lupercio Ferraz, João Zacco Paraná, Louise Visconti, Celso Kelly e J. Migueis.

Menção honrosa de 1º grau: Nicoláo del Negri, Archimedes Dutra, José Jardim de Araujo, Natale Parisi, J. Seulinger Fleury, Elaine Dancean, Luiz Abreu, Rosalvo Simões, Aldo Bonadei, Francinet Alves e Roberto Rodrigues.

Menção honrosa de 2º grau: Alvaro de Almeida, Orlando Tarquinio, Yolanda Torres, João Fernandes e Renata Mounier.

Prêmio de animação - 1:000$000: Manoel Constantino e Orlando Teruz; 500$, Cesar Turati e Francisco Manna.

Prêmio "Zeferino de Oliveira" - 1:000$000 - Cadmo Fausto.

Prêmio "Illustração Brasileira" - 1:000$ - Vicente Leite.

Prêmio "Galeria Jorge" - 500$ - Nelson Netto.

Prêmio "Minerva" 500$000 - Mario Nunes.

Escultura - Pequena medalha de ouro - Modestino Kanto, Zacco Paraná e Benter Bogdanoff.

Pequena medalha de prata - Umberto Cozzo.

Prêmio de animação - 1:000$, Armando Braga; 500$, Paulo Mazzuchelli.

Prêmio "Zeferino de Oliveira" - 1:000$000 - Yáyá Castro.

Gravura de medalhas e pedras preciosas - "Grande medalha de prata" - Calmon Barreto. Medalha de bronze: Lucilia Ferreira. Menção honrosa, do 2º grau, Adolpho Hungerbutkler [sic].

Prêmios de animação: "Zeferino de Oliveira": 1:000$, Francisco Gomes Marinho; 500$: Calmon Barreto.

ARQUITETURA - Med. de bronze: Antonino Virzi [sic].

Menção honrosa 2º grau: Mario Fertin de Vasconcellos e Paulo Candiota.

Prêmios de animação: 1:000$000: - Elisiario Bahiana.

Prêmio "Zeferino de Oliveira": 1:000$000 - Roberto Magno de Carvalho.

Gravura e litografia - Menção honrosa de 2º grau, Mario Doglio.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O Salão de 1928. Os artistas premiados pelos júris do atual certame. O Globo, Rio de Janeiro, 29 ago. 1928, p. 3.

O Salão de Belas Artes de 1921. Illustração Brazileira, Rio de Janeiro, ago. 1921, n/p.
O Salão de Belas Artes. PINTURA GRAVURA ESCULTURA. Illustração Brazileira, Rio de Janeiro, set. 1920, n/p.

Ao iniciarmos este estudo sobre o atual Salão de Belas Artes, não podemos abandonar importantes detalhes com relação às instalações bem pouco estéticas das exposições anuais.

Como é fácil verificar, na presente exposição, quem entra recebe logo a impressão do regime dos remendos, mais ou menos disfarçados pelas folhagens e aniagem nova, cheia de babadinhos...

Os tabiques cobrem os quadros da Exposição permanente, privando-os do ar e da luz, tão preciosos a uma obra de Arte. Para complemento obstruem as janelas com papel ordinário, o que dá ao ambiente um aspecto bem pouco artístico, ambiente que por todos os motivos deveria ser grandioso e variado de manifestações estéticas, mas ...

O que vem salvar a situação são os envios que os artistas fizeram, de obras dignas do respeito e da admiração de todos os que dedicam um pouco de amor à causa do Belo, e que julgam as questões de Arte como realmente devem ser julgadas.

Entre as obras enviadas, destaca-se, brilhantemente, altivo, cheio de qualidades sólidas, o retrato que o pintor LUCILIO DE ALBUQUERQUE enviou: representa o quadro a imagem de sua digna esposa, D. Georgina Albuquerque, em grandeza natural, tendo por fundo um detalhe do quadro pintado Poe ela: " A noite de Natal"; bem pousado e resolvido com galhardia, é o referido retrato, sem favor, a melhor obra exposta no atual Salão. A composição, o desenho e a pastosidade das tintas são de molde a autorizar o que afirmamos, colocando mesmo o seu autor entre os nossos melhores artistas; outros quadros apresenta o pintor com qualidades definidas; "A Jangada", interessante de linha e de muita cor, a "Igrejinha" (Saco de São Francisco), com muito sol e perspectiva e um mar entonado e bem compreendido.

GEORGINA DE ALBUQUERQUE, a retratada de Lucilio, por sua vez, confirma a reputação conquistada em anos anteriores como pintora de "ar livre". Os seus assuntos são bem tocados e a luminosidade observada com honestidade; o conjunto apresentado pela distinta artista atesta vigorosamente que ela atingiu o ponto culminante da sua capacidade de artista conscienciosa.

Mais de uma vez temos dito que a artista em questão representa o expoente máximo da representação feminina no ambiente artístico carioca; é pois com satisfação que aqui registramos os triunfos que vem alcançando no Salão presente.

Pertencem ainda ao grupo dos que salvam a situação antiestética do atual Salão de Belas Artes os dois irmãos Thimóteo, que se apresentam com trabalhos onde a técnica e o desenho revelam o valor artístico de ambos. JOÃO THIMÓTEO nos dá três quadros, entre os quais, "Auscultando"; são duas figuras que se contrastam pela idade, um velho médico de longas barbas brancas que ausculta um adolescente; o ambiente simples faz destacar a sobriedade da maneira porque o artista tratou as figuras, quer na carnação, quer no grande roupão de linho branco do velho médico; "Auscultando", patenteia que o artista continua a ser o mesmo do "Aprendiz", uma das vitórias do ano passado, e que caminha pela estrada moderna, triunfante nos nossos dias, mas sem os exageros e descuidos de desenho tão peculiares aos que em grande maioria enveredam pela mesma estrada, porém, procurando iludir o público com o famoso empastamento de tintas cruas, mas que, na verdade, encobrem uma ignorância de desenho absoluta. Naturalmente existem exceções, mas na generalidade dos casos acontece o que afirmamos.

No quadro de João Thimóteo percebe-se a preocupação da fatura dentro do desenho e da harmonia, que é a nota predominante do conjunto.

Contrastando com seu irmão, temos ARTHUR THIMÓTEO. Possuidor de um temperamento irrequieto, os seus quadros cheios de luz denotam uma paleta vigorosa; a grande pedra banhada de sol, "Praia da Boa Viagem" (123), assim o atesta; a tendência do pintor para as manifestações modernas é manifesta, o empastado é desenhado e a valorização justa, as ondas movimentam-se irrequietas no seu vai-vem éterno; a planemetria e o ambiente satisfazem perfeitamente aos mais exigentes. No retrato de Mme. Avelino Mesquita o artista nos dá uma bela mostra da visão de colorista fino, um embriagado da luz e dos efeitos valorizados e justos; os panejamentos são resolvidos com segurança e propriedade. Em "Misteriosa", o pintor nos dá uma boa composição, com detalhes bem resolvidos e uma figura bem pousada.

RODOLPHO CHAMBELLAND apresenta três trabalhos dignos do seu valor, onde se mostra senhor de conhecimentos seguros, tanto de técnica como de desenhador impecável.

BAPTISTA DA COSTA que é tido como o "primus inter pares" da nossa paisagem, não obstante este ano ter fugido um pouco do eterno Piabinha, começa a cansar pela monotonia dos seus assuntos; possuidor como é de um grande valor, vem abusando dele em larga escala.

A paisagem que o ilustre mestre apresenta este ano é bonita, tem grandes qualidades de técnica, mas está longe da fama de que goza; temos a impressão de estar diante de um cromo reproduzindo uma das fantasias de Henrique Serra, o notável pintor espanhol, que tem explorado os paludes da Campanha Romana, com um fim puramente comercial, pois quem pinta quadros de composição onde as figuras são seriamente resolvidas, e composição arrojada, só pode fazer tais fantasias por espírito mercantil; Baptista da Costa está nos mesmos casos de Henrique Serra. Autor de obras de valor incontestável, vem se aferrando ao eterno Petrópolis, bucólico, com as suas paisagens cortadas pelo risinho tradicional, sempre às mesmas horas, e o seu abuso já começa a atingir as condições de receita.

Um paisagista do valor de Baptista da Costa não tem o direito de esgotar as suas energias num estéril emprego público, como é o de Diretor da Escola de Belas Artes, num país como o nosso, em que as questões de Belas Artes nada valem... O seu dever é fazer a trouxa, e ir buscar dentro da nossa verdadeira natureza, nos nossos sertões virgens da maldade dos homens, as expressões da Arte que o seu talento é capaz de compreender e traduzir para a tela. Meios pecuniários na lhe faltam e depois o ilustre artista sabe muito bem que cada quadro que pinta é um cheque que assina!

Outro tanto não podemos dizer do venerando mestre RODOLPHO AMOEDO, pois o declive da sua decadência quase que atinge à vertical; não há mais salvação possível. O retratinho que enviou este ano ao Salão é positivamente a pá de cal sobre o seu glorioso passado. Dizemos estas verdades cruéis porque não sabemos ler pela mesma cartilha dos cronistas benevolentes, que entendem dizer sempre bem dos fantasmas da Arte, mesmo quando eles têm o duvidoso valor do Sr. Augusto Petit ou chegam ao extremo doloroso a que chegou o glorioso mestre, autor das mais sentidas manifestações de Arte, como são "O Jacob", "Philetas", "Marabá" e o Christo em Capharnaum", etc., etc.

Usamos duramente da verdade, por ser ela a base da verdadeira ciência critica, e, estribados em tal princípio, em absoluto poderíamos afirmar que o venerando mestre seja um triunfador, pelas manifestações de Arte agora enviadas ao salão, e consequentemente sujeitas ao julgamento imparcial da crítica.

Um grande autor afirma que: a "crítica nasceu das boas obras, assim como a retórica e a eloquência". Ora, assim sendo, torna-se mister repelir as que pela sua ruindade tentam ofuscar as merecedoras de encômios...

ELISEO VISCONTI envia ao Salão: "Samothrace", "A Família" e "Cura de Sol", quadros que figuraram no Salon de Paris, deste ano. Sem dúvida alguma o atual envio representa um coeficiente digno do grande mestre que é Visconti, principalmente "Samothrace", obra reveladora de conhecimentos sólidos e impregnada de um sentimento tocante, mas ... continuamos a preferir o mestre como autor da "Maternidade", da "Primavera", dos "Retratos de Gonzaga Duque" e "Nicolina Pinto do Couto" e acima de tudo do "São Sebastião", obra que o governo tinha por dever adquirir, mas que continua no atelier do pintor, porque os que nos dirigem absolutamente não sabem distinguir o joio do trigo e em matéria de estética não vão além dos tabiques engalanados, ou dos retratos de sacristia, comendadores de cadeias de ouro ao ventre roliço das digestões do bacalhau, salgado com o suor dos infelizes...

EUGENIO LATOUR tem no Salão um quadro infeliz, sem dúvida com qualidades de pintura apreciáveis, principalmente nas duas figurinhas de mulher colocadas nos primeiros planos do grande quadro, que, francamente mais parece uma obra humorística do que uma coisa séria, como em geral o distinto autor da "Musette" e da "Farfaletta" sabe fazer.

ARGEMIRO CUNHA, um modesto que se apresenta com sobriedade no seus dois trabalhos - um retrato e uma paisagem de regulares proporções: "Caminho do Porto", bem iluminada e manipulada com segurança de desenho e técnica apreciável, o artista em questão já premiado em diversos Salões de Belas Artes, onde, diga-se de passagem, tem sofrido injustiças, patenteia qualidades sérias, tem sido um lutador. No retrato apresentado são patentes as condições de retratista, os panejamentos são cuidados e o tecido de veludo bem resolvido; o trabalho agrada pela sobriedade, o movimento da figura é simpático: representa uma senhorita em atitude de calçar as luvas brancas. Um detalhe desenvolvido com felicidade: o broche que arrebata o decote da figura, brilhante, contrasta com o resto da obra, envolvida em uma tonalidade sépia.

ALBANO LOPES DE ALMEIDA concorre com duas paisagens interessantes, demonstrando uma maneira pessoal e compreensão da luz; nas suas paisagens predomina a nota decorativa, abundante; as profundidades são sentidas, autorizando a augurar ao jovem artista um futuro brilhante e promissor.

GARCIA BENTO, o jovem marinhista, que há alguns anos vem produzindo trabalhos de relativo valor, apresenta três quadros interessantes, espatulados com simpatia.

PEDRO BRUNO, o conquistador do prêmio de viagem do ano passado apresenta-se fraco; com relação ao que tem produzido, nos dá a impressão de que executou os trabalhos apresentados de afogadilho, apenas para figurar no catálogo. O desenho dos seus quadros é fraco e a coloração desordenada, faltando-lhes a finura com que o artista caracterizava as suas produções, antes da conquista do referido prêmio.

CECIL CLARK DAVIS confirma plenamente o que já escrevemos sobre ela. Os seus trabalhos representam manifestações altamente educadoras para os nossos jovens artistas; a distinta hóspede possui qualidades de retratista muito sérias; os seus retratos são largamente feitos, deixando porém transparecer um sólido conhecimento do desenho; a harmonia que deles emana é suave e sedutora. De CARLOS DE SERVI, entre os trabalhos enviados, destacamos "Estudo de frutos", um trabalho bem tocado, onde os mínimos característicos dos motivos componentes do quadro são resolvidos com segurança; a técnica é variada dentro dos limites de um desenho rigoroso; "Depois da tempestade" e o "Retrato do Sr. Dr. Alfredo Souza" são por sua vez bons espécimes de Arte.

LEVINO FANZERES tem a prejudicar um dos seus bons trabalhos uma moldura que o Júri não devia permitir que entrasse no Salão, pela sua espalhafatosa construção, prejudicial aos trabalhos que lhe estão vizinhos. Afora o absurdo artista esta bem representado .

FRANCISCO CUCOLILO é um novo, que tem surpreendido pelo progresso que tem feito; não há muito tempo expôs dois quadrinhos na Galeria Rembrandt, mostrando que tem estudado. O trabalho que agora enviou ao Salão possui qualidades e patenteia condições de fatura reveladoras de um futuro brilhante.

HERMOGENES MARQUES confirma as suas qualidades de pintor militar; não há muito dedicamos ao seu talento algumas linhas onde estudávamos o seu valor como tal. Pedimos permissão aos nossos leitores para aqui transcrever o que dissemos do moço artista:

"Muito jovem ainda, dedicou-se seriamente ao estudo do desenho com o grande "Chartier" de Paris, onde durante 5 anos trabalhou, armazenando um cabedal que atualmente desenvolve aqui no Rio. Hermogenes Marques, assim se chama o moço pintor. O seu atelier começa a receber o aspecto de museu de troços militares; aqui e ali fardamentos, capacetes, correias, máscaras contra os gazes asfixiantes, espadas e mais uma infinidade de pequenos nadas preciosos a uma composição de assunto bélico, completando o ambiente livros, muitos livros, alinhados pelas estantes, revistas, etc., etc.

Pelas paredes, quadros, estudos de animais em atitudes complicadas e ousadas, músculos retesados, expressões de pavor e expectativa, manchas, paisagens da Córsega, dos Pirineus e arredores de Paris.

Em todo aquele ambiente percebe-se uma orientação segura e devotada à verdadeira causa da Arte: não sendo ainda um consumado mestre, tão pouco é um aprendiz. Os seus trabalhos revelam qualidades que garantem a sua posição de destaque ao lado de Pedro Américo, com a vantagem de ser senhor de uma maneira mais simpática de grupar as figuras, nas atitudes e escolha dos assuntos prenhes de grande pitoresco.

Em um dos seus movimentados desenhos de cavalos, "A corrida", encontramos pontos de contato com o magnífico quadro de Gericault, "O Derby d'Epsom".

Na "Corrida", o movimento dos animais é bem compreendido, a anatomia resolvida com bom conhecimento, aliás, que se encontra em todos os seus desenhos e composições. Durante a estadia no velho mundo o seu temperamento desenvolveu-se de maneira grandiosa, dedicando-se ao difícil gênero de assuntos militares, preenchendo assim uma lacuna no nosso meio artístico. Já tínhamos artistas que, com grande brilho, praticavam a figura, a paisagem, a marinha, a natureza morta, etc.; faltava-nos porém o pintor de batalhas, gênero desaparecido no Brasil com a morte de Pedro Américo.

Sem receio de errar, podemos garantir que a falta acha-se preenchida pelo moço artista. No próximo Salão teremos a mais categórica das provas, com o envio que o distinto pintor vai fazer de quadros de assunto militar, que fatalmente agradarão pela sua composição e detalhes."

Pelos trabalhos que o artista enviou ao salão tivemos confirmadas as nossas previsões em todos os seus menores detalhes, só nos faltando felicitá-lo pelo êxito que vem alcançando.

LUIZ KATTEMBACK, outro novo que se apresenta com um retrato ao ar livre, com qualidades, sendo o seu trabalho relativamente bom.

FRANCISCO MANNA, MARIA ELISA DE FRONTIN WERNECK, PAULA FONSECA, A. MARTINS RIBEIRO, BICHO, COELHO DE MAGALHÃES e FORMENTI apresentam-se bem, mostrando progresso na difícil Arte que abraçaram.

NAVARRO DA COSTA, marinhista, nos dá duas marinhas de aspecto moderno, onde se percebe que o artista tem estudado a sua especialidade. Os seus trabalhos são ricos de cor, vibrantes mesmo, traduzindo fielmente o espírito irrequieto que predomina nos seus menores gestos; encontramos o artista fielmente retratado nos seus quadros.

Dos trabalhos que o artista mandou ao Salão preferimos a marinha pintada em Portugal, onde os detalhes são mais resolvidos e mesmo mais estudados; lastimável é entretanto que o pintor não anime as suas produções com figuras desenvolvidas, para quebrar a nota monótona que se percebe no seu quadro.

REGINA VEIGA apresenta trabalhos bons, com finuras de desenho e de técnica. Achamos porém que a distinta artista, este ano, está representada com inferioridade, relativamente aos anos anteriores, pois tem exposto obras de grande valor.

EDGARD PARREIRAS, um paisagista fino, que caminha vitorioso, não obstante a luta permanente em que vive. A paisagem "Manhã de Sol", que figura no Salão sob o n. 104, é o melhor atestado disso: sente-se realmente o Sol a beijar a crista da folhagem, a dourar os barrancos e os troncos. Não há muitos dias teve o laborioso artista a sua exposição aberta na Galeria Jorge, onde reuniu uma série de coisas em que o seu talente [sic] refulgia em toda a sua plenitude. Sentimos no jovem artista uma glória da nossa Arte, sem ser preciso o abuso dos motivos, pois o referido artista vem se mostrando fértil na escolha dos seus assuntos, como conseguiu provar na sua recente mostra e nos Salões anteriores.

CARLOS OSWALDO é um dos triunfadores do [...]

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Imagens

RETRATO, de LUCILIO DE ALBUQUERQUE - MEDALHA DE HONRA (OURO).

DOIS IRMÃOS - MEDALHA DE DINORAH SIMAS ENÉAS.

ESCRAVA, DE ANTONINO MATTOS - PRÊMIO DE 1 :000$000.

"POR MARES NUNCA DANTES NAVEGADOS" - PREMIADO COM A PEQUENA MEDALHA DE OURO - DE HELIOS SEELINGER.

"RECONHECIMENTO" - PREMIADO COM MENÇÃO HONROSA DE 1º GRAU - DE HERMOGENES MARQUES.

"RETRATO DE MME. AVELINO MESQUITA" - DE ARTHUR THIMÓTEO (MEMBRO DO JÚRI) - "RETRATO DE O. M." - DE RODOLPHO CHAMBELLAND (MEMBRO DO JÚRI) - "RETRATO DA SRA. STEWART" - PREMIADO COM A PEQUENA MEDALHA DE OURO - DE D. CECIL CLARK DAVIS - "CHAGRIN D'AMOUR" - DE GEORGINA ALBUQUERQUE (MEMBRO DO JÚRI).

"BARCOS DO RIO LEÇA - PREMIADO COM A PEQUENA MEDALHA DE OURO - DE MARIO NAVARRO DA COSTA.

"JESUS ENTRE DOUTORES" - DE CARLOS OSWALDO (MEMBRO DO JÚRI)

"AUSCULTANDO" - PREMIADO COM A PEQUENA MEDALHA DE OURO - DE JOÃO THIMÓTEO.

"CAMINHO DO PORTO" - PREMIADO COM A GRANDE MEDALHA DE PRATA - DE ARGEMIRO CUNHA.

"TARDE DE SOL" - DE FRANCISCO MANNA - PREMIO DE ANIMAÇÃO ( 250$000).

"MANHÃ DE SOL" - PRÊMIO DA GALERIA JORGE (500$000) - DE EDGARD PARREIRAS.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O Salão de Belas Artes. PINTURA GRAVURA ESCULTURA. Illustração Brazileira, Rio de Janeiro, set. 1920, n/p.

O Salão deste ano. Depois do "vernissage" de ontem, a inauguração de hoje. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 12 ago. 1928, p. 3.

Ontem à uma hora da tarde, realizou-se a cerimônia do vernissage, preliminar da inauguração oficial que se verificará, às 2, também da tarde, do Salão deste ano, na Escola Nacional de Belas Artes.

O ato, de pura inteligência, foi simples, mas teve uma concorrência regular. Cerca de trezentos artistas exibem aos olhos do público e das altas autoridades do país os seus quadros. A maioria é de gente nova. Dizem, porém, que desta vez o governo está disposto a prestar o seu auxílio, incentivando o gosto pelas artes plásticas. Pelo menos sabe-se que já há um prêmio de 15:000$ - o Prêmio Carioca - que será conferido ao pintor laureado. São Paulo, Minas e o Estado do Rio secundarão a filantropia federal. E a Sociedade de Propaganda das Belas Artes está promovendo uma campanha no sentido de chamar todas as administrações estaduais e municipais a cooperar nesse amplo e belo programa de ajudar os artistas a trabalhar, absorvidos no seu idealismo.

O vernissage de ontem deu bem uma ideia do que será o Salão, que hoje se inaugura com a presença do presidente da República e dos ministros de Estado. Não só os homens; muitas são as senhoras que também expõem os seus quadros.

Os concorrentes ao prêmio de viagem são em número elevado: 10 pintores: os srs. Manoel Constantino, Cadmo Fausto, Candido Portinari, Manoel Faria, Ozório Belém [sic], J. Fonseca [sic] [Euclydes Fonseca] e Orlando Teruz; as senhoritas Gilda Moreira, Edith de Aguiar e Sarah Villela de Figueiredo; e um gravador que é o sr. A. Marinho [sic] [Francisco Gomes Marinho].

Todos eles se apresentam com obras que merecem referências especiais.

Na visita que fizemos ao recinto da exposição, pudemos verificar, também, os trabalhos enviados por Pedro Bruno, Oswaldo Teixeira, André Vento, d. Pureza Cardoso e outros, que já se tornaram afirmações.

O quadro da senhora Pureza Cardoso intitula-se Mocidade Florida.

O do sr. Oswaldo Teixeira denomina-se São Sebastião.

Há ainda: Retratos, de Portinari; O Apóstolo das selvas, de Manoel Faria; A dama das camélias, de Manoel Constantino; Borboletas, de Gilda Moreira; Manhã no campo, de Cadmo Fausto, e outros, que iremos apreciando oportunamente.

A comissão organizadora é composta dos professores Correia Lima, Bracet [Augusto Bracet], Magalhães Corrêa e Rodolpho Chambelland, todos do referido estabelecimento de ensino superior.

A exposição, conforme já temos dito, é a XXXV realizada na Escola.

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Visitando os trabalhos expostos

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O Salão deste ano. Depois do "vernissage" de ontem, a inauguração de hoje. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 12 ago. 1928, p. 3.

O Salão deste ano. Inaugurou-se domingo, à tarde, a XXXV Exposição anual de artes plásticas. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 14 ago. 1928, p. 3.

Previamente anunciada, tendo sido convidadas as altas autoridades do governo da República, a imprensa, as escolas superiores, as associações de classe e os representantes do corpo diplomático estrangeiro, realizou-se domingo, às 2 horas da tarde, a inauguração oficial do Salão de Belas Artes ou a XXXV Exposição Nacional de Artes Plásticas, na respectiva Escola.

A essa hora, uma banda de música da Polícia Militar tocava à entrada, no primeiro pavimento.

O presidente da República não compareceu.

Foi uma nota desagradável, a qual entre os artistas novos, porque os velhos já estão habituados a essas decepções, causou triste impressão.

O sr. Washington Luis se fez representar por um dos seus ajudantes de ordens.

Dos ministros de Estado, só os srs. Vianna do Castello e Victor Konder, foram assistir a abertura do Salão, que teve, em compensação uma extraordinária concorrência de intelectuais e artistas, notadamente de famílias distintas.

Procuramos ver se eram muitos os senadores, deputados e intendentes municipais que lá se achavam. Observamos. Eram tão poucos, meia dúzia, no máximo, que se chegava a duvidar se a comissão organizadora tinha mesmo convidado a essa gente, que legisla para o país e que se diz representar a cultura social brasileira.

A comissão, a convidara, é verdade, mas eles é que lá não foi [sic] salvo um ou outro considerado esquisito no Senado, na Câmara e no Conselho...

Foram numerosos os trabalhos expostos, cerca de quatrocentos, ocupando os diversos salões e corredores da Escola Nacional de Belas Artes.

Há pintura, escultura, retratos e medalhões.

As velhas escolas predominam.

Contudo, o modernismo, principalmente na estatuária, sempre conseguiu vencer algumas colocações. A crítica dirá em tempo do valor desses trabalhos, onde há dez pretendentes ao prêmio de viagem à Europa.

O ato inaugural foi presidido pelo professor Corrêa Lima, diretor da Escola, que tinha ao seu lado os demais membros da comissão organizadora.

Registrando esta nota informativa da solenidade da inauguração do Salão, convém, desde já, acentuarmos o abandono em que ficou a Escola, desaparelhada de todos os recursos materiais para um certame artístico da natureza desse que à cidade ela proporcionou no derradeiro domingo.

Foi preciso que, à última hora, a Polícia Militar lhe emprestasse operários e material para os reparos de que a Escola necessitava. Tudo lhe faltava.

O Congresso não dá verba para essas coisas - que ele refuga como coisa de menor importância - e a Escola virá a cair aos pedaços.

O Salão é produto de muito esforço dos professores e artistas. Daí a comissão procurar explicar a medida antipática e incoerente, num meio como este, de se cobrar os ingressos dos visitantes do Salão, cobrando-lhes, por cima, o preço dos catálogos.

O Salão quer concorrência, deseja que o público lhe veja os trabalhos e... exige dinheiro à entrada! Mas, é com essas migalhas do público que a Escola Nacional de Belas Artes, estabelecimento oficial, instituto do governo, custeia o Salão, onde se exibem às manifestações de idealismo e arte que o Brasil ainda logra entre os seus filhos!...

Durante toda a tarde do domingo o Salão esteve concorrido.

A comissão organizadora, como nos anos anteriores, a fim de facilitar a visita do público aquele certame, resolveu que o mesmo permanecesse aberto, à noite, das 9 às 11 horas, durante a semana corrente.

Por deliberação da Diretoria da Escola, tanto o Salão como a Pinacoteca, estarão abertos do meio dia às 5 horas da tarde diariamente, menos a Pinacoteca que às segundas-feiras permanecerá fechada, para limpeza.

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Dois aspectos da cerimônia inaugural do "Salão" de Belas Artes

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O Salão deste ano. Inaugurou-se domingo, à tarde, a XXXV Exposição anual de artes plásticas. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 14 ago. 1928, p. 3.

O salão deste ano. O Jornal, Rio de Janeiro, 16 ago. 1924, p.3.

Tem despertado vivo interesse o salão deste ano, certame que oferece ensejo para momentos de agradável encanto na contemplação das últimas produções dos nossos artistas.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O salão deste ano. O Jornal, Rio de Janeiro, 16 ago. 1924, p.3.

O SALON DE 1908. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 1 set. 1908, p. 1.

O VERNISSAGE - A INAUGURAÇÃO

Visconti - Baptista da Costa - Pintores estrangeiros - Impressões - A exposição é menos concorrida que as anteriores.

Inaugura-se hoje, às 2 horas da tarde com a presença do presidente da República e das altas autoridades do país, a 15ª Exposição Geral, o nosso "salon" oficial.

A época é de novidades a outrance [sic] e de muita coisa. Quando o ilustre Rodolpho Bernardelli, há quinze anos realizou com sacrifício para continuar com trabalho maior a ideia das exposições anuais - essas exposições eram a grande nota de arte plástica. Este ano, porém, só em pintura nós tivemos quatro ou cinco exposições de artistas nacionais e vamos ter ainda a da Exposição Nacional. E além dessas tivemos a Exposição de Arte Italiana, a exibição de pintores franceses, espanhóis, chilenos… Não se pode dizer que com o Progresso a arte não se desenvolveu também.

A 15ª Exposição devia ressentir-se um pouco. Entretanto há pelo menos duzentos trabalhos e se é notável a falta de Rodolpho Amoedo, de Henrique Bernardelli, de Selinger [sic], há a entrada do elemento estrangeiro com excelentes quadros de [...], de Borbessau [sic], de Bompard, Helsbey [sic], Zier e outros.

Ontem, à cerimônia do "vernissage", que é aqui muito diferente da de Paris, compareceu, como de costume, muito pouca gente. E, assim, à vontade, foi possível examinar os quadros expostos com cuidado e vagar.

O maior expositor é o Sr. Elyseu Visconti. O notável artista expôs todos os estudos magníficos para o pano de boca do Theatro Municipal, que, aliás, é excessivo, os estudos para os "plafonds" do mesmo teeatro, que são magníficos. Além dos estudos, há um quadro admirável "Maternidade", e várias aquarelas e paisagens verdadeiramente esplêndidas.

O nome de Visconti está de tal forma discutido que vale traduzir dos "Archives Biographiques Contemporaines, informações a seu respeito:

"Elyseu d'Angelo Visconti, pintor e desenhista, de origem italiana nasceu no Rio de Janeiro a 1 de agosto de 1867 [sic]. Iniciou seus estudos na Escola de Belas Artes de seu país natal, onde teve como professores Amoedo, Bernardelli e Zeferino da Costa. Aí foi distinguido com o prêmio de […] (viagem) em pintura.

Essa recompensa dada no Brasil de uma maneira mais liberal do que na França, permitiu ao jovem artista de terminar seus estudos em Paris, onde acompanhou os cursos da Escola de Belas Artes, notadamente os de Eugene Grasset, de arte decorativa.

Visconti estreou nos salões da "Societé des Artistes Français", em Paris, enviando em 1895 um retrato de Alberto Nepomuceno e "Os convalescentes"; e em 1896, dois estudos de nu, dos quais um muito notável foi adquirido pela Pinacoteca do Rio de Janeiro. Desde então tem enviado trabalhos de um sentimento muito pessoal e de harmonioso colorido aos salons da "Societé Nationale des Beaux Arts": "São Sebastião", e um estudo de nu (1898); "Juventude" e "O beijo" (1899); retrato de "Mme. Nicolina de Assis" e de "Mlle. Lindheimer" (1905); "Maternidade" e […] (1906); "A carta" e "No Luxembourg", estudos de ar livre (1907), etc.

Na Exposição Universal de Chicago (1896) Visconti fez-se representar por diversas paisagens que obtiveram uma medalha de prata. Em Paris (1900), uma tela de delicada poesia: "As oréadas" que mereceu a medalha de prata e foi adquirida pela Escola do Rio de Janeiro, e em S. Luiz (1906) um "São Sebastião" já exposto em Paris, e "A humanidade [sic] guiando P. A. Cabral", além de peças de cerâmica que mereceram uma medalha de ouro. Visconti é também o autor do pano de boca do Theatro Municipal do Rio de Janeiro (1906). O pano, muito vasto, representa "A influência das artes sobre as civilizações", e cada período da arte personificada na antiguidade, por Orfeu; na idade média por Dom Ambrosio; sob a renascença, por Palestrina; e na época moderna, por Beethoven, e Carlos Gomes, o célebre compositor brasileiro, uma imensa frisa ilustra "O amor arrastando a virtude", e o teto indica "A passagem do dia" onde o "Cruzeiro do Sul precede a Aurora e a Manhã", "As horas que fogem" e "O Dia morrendo nos braços da Noite", alegoria engenhosa tratada por um pincel prestigioso. Dois [,,,] também merecem ser citados: "A arte lírica e o drama", de um belo efeito de luz.

Este artista, particularmente dotado, produziu também toda uma série de ilustrações para doze selos postais e quatro bilhetes postais no concurso aberto no Brasil em 1906, sob os auspícios do Sr. Betim Paes Leme, então diretor dos Correios, e que uma decisão do ministro Lauro Muller impediu de ser levado a efeito. Toda a imprensa dos dois mundos, entre outras a "Ilustração", de Paris, comentou e reproduziu as realizações do Sr. Visconti, que obtiveram em concurso todos os prêmios, por unanimidade de votos. A sua execução torna assegurado ao Brasil o primeiro lugar na arte philatelica. São dignas de nota as vinhetas representando: "A Republica. O [...]. O comércio. A abolição da escravatura. O balão dirigível. As artes. A industria. A mulher brasileira".

Além de Visconti, citemos os trabalhos de E. Latour, já vistos na sua exposição: Menge, Christophe, João Baptista da Costa, que é neste salão o segundo triunfador com as suas paisagens. Timotheo da Costa [João Timotheo da Costa], Norfini, Carlos Oswald, de Agostini, etc.

Há também o Sr. A. Petit, como sempre abundante e muitas telas que parecem do Sr. Petit.

A seção de esculturas tem apenas três trabalhos: um busto do Dr. Passos por Bernardelli; uma Daphnes de Moreira Junior e duas figuras da Dança por G. Renda. Na gravura de medalhas: como sempre Girardet e um seu discípulo de talento: A. Mattos [Adalberto Mattos]. A seção de arquitetura é de uma extraordinária pobreza. Os nossos arquitetos têm tanto que fazer que nem lhes sobra um pouco de tempo para expôr. Daí apenas um concorrente: o Sr. Marques Guimarães, do Porto, com um único projeto.

A exposição é talvez menos concorrida que as anteriores.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O SALON DE 1908. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 1 set. 1908, p. 1.

O SALON DE 1913. O Paiz, Rio de Janeiro, 2 set. 1913, p.2.
O VERNISSAGE. A Noticia, Rio de Janeiro, 31 ago.-1 set. 1899, p. 1.

Visitamos hoje a exposição dos trabalhos escolhidos pelo repectivo júri da escola de Belas-Artes.

Acompanhando a ordem do catálogo que será amanhã distribuído, vimos em primeiro lugar a sala de pintura, onde se acham dispostos perto de duzentos quadros novos de diversos artistas. A entrada impressionou-nos desde logo uma bela paisagem de B. Parlagreco, que expõe, além desse trabalho, outros de igual valor, como o que representa um trecho da rua Nassau, em Petrópolis, e o que se intitula Vaca e bezerro.

Entre as muitas telas expostas por Almeida Junior, agradou-nos principalmente o Importuno e Saudade.

Rodolpho Amoedo apresenta-nos um magnífico estudo - Festão de Magnólias - e um admirável retrato do ilustre literato D. Silva Ramos.

São sete os quadros exibidos por Aurelio de Figueiredo, entre os quais figura uma aquarela lindíssima. Os quadros - Doce perfume, Tarde serena e a Rapsódia das ondas, do género simbolista, revelam todo o merecimento do grande artista.

Das telas de Baptista da Costa, ao qual se referiu há pouco toda a imprensa, elogiando os trabalhos expostos a rua do Ouvidor, vimos com prazer o Lac de Mimmes e o Começo de outono, em Suresne.

Caboclo (estudo de cabeça) e Luciolo [sic] merecem especial atenção e interesse. São ao [sic] melhores das quatro telas que expõe o Sr. Carlos De Servi, artista italiano, domiciliado em São Paulo.

Teixeira da Rocha e João Ribeiro, da academia de letras, concorrem a exposição geral com muitos trabalhos de valor.

O mesmo fazem Alberto Delpino e D. Maria Clara da Cunha Santos, que apresenta, sob o número 101, um quadrinho Cat[…] com copo d'água, digno de figurar ao lado das Flores campestres de J. F. Machado, discípulo estudioso de Amoedo e H. Bernardelli, e da Begônia de D. B. Vaz, discípulo de Almeida Júnior, em São Paulo.

D. Anna da Cunha Vasco e sua irmã, D. Maria da Cunha Vasco, são duas amadoras de taleto, que assinam uma boa coleção de aquarelas.

Na sala destinada aos trabalhos de escultura acham-se uma linda estátua em gesso - O remorso, de Correia Lima; um busto de Saldanha da Gama e uma Cabeça de menina, ambos assinados por D. Nicolina Vaz de Assis, discípula, como o primeiro expositor, de Rodolpho Bernardelli.

Com trabalhos de arquitetura e gravura de medalhas e pedras preciosas, figuram na exposição Ludovico Berna e Girardet.

Ao vernissage compareceu um grande número de artistas e homens de letras, que receberam agradabilíssima impressão, não só da exposição como do acolhimento que tiveram da diretoria da Escola de Belas-Artes representada pelo secretário, Dr. Diogo Chalréo.

A exposição será amanhã inaugurada, ao meio dia, com a presença do Sr. presidente da República e do Sr. ministro do interior.

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Digitalização de Fundação Biblioteca Nacional Acessível em: http://memoria.bn.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

O VERNISSAGE. A Noticia, Rio de Janeiro, 31 ago.-1 set. 1899, p. 1.

O. G. ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 7 set. 1897, p.3.

Exposição de Belas-Artes

A quarta exposição, organizada pela Escola Nacional de Belas-Artes, foi pouco concorrida.

Muitos artistas que mandavam seus trabalhos aquele certame estão fora da capital e além disso, a pequena classe de pintores está dividida formando dissidência contra o programa de ensino oficial.

No entanto, apesar do pequeno número de obras de arte ali exposto, notam-se trabalhos excelentes que reúnem todas as boas qualidades exigidas pela estética.

Pretendemos fazer rápida análise, senão de todos os trabalhos ao menos da maior parte, e começaremos pelo fim, salientando um desenho a creiom, estudo feito para os afrescos da catedral de Gênova, de Cesar Machari, professor, senador e artista italiano. Foi exposto pelo proprietário, um dos irmãos Bernardelli, e deve ser bem observado principalmente pelos alunos do curso de desenho para que vejam o que se pode chamar perfeição, independência e certeza.

A seção de gravura de medalhas e pedras preciosas é ocupada pelo professor da escola - Augusto Girardet, artista consciencioso, trabalhador e modesto.

É um gênero este em que os artistas quase que desaparecem. Um quadro excita logo a curiosidade do observador no sentido de conhecer o nome do autor; outro tanto não se dá com a gravura em pedras preciosas - o artista poucas vezes é relembrado, e ainda mesmo que se trate de uma celebridade os seus produtos somem-se nas mãos dos entendedores, são conservados como preciosidades dentro dos cofres e o nome do artista esquecido.

As ágatas de Girardet são de uma perfeição rara. De desenho rigoroso e talhadas com delicadeza, apresentam todas as minuciosidades que uma forte lente pode descobrir em trabalhos desta ordem. Ao lado das ágatas figuram as conchas e um topázio gravado para ser visto por transparência, trabalho esse de muito valor e que merece ser observado com cuidado para ser apreciada a paciência do artista, em obter todos os traços do modelo.

Na secção de escultura apenas aparece o modelo em gesso de um retrato que vai ser fundido em bronze; é de Rodolpho Bernardelli, e dir-se-ia vivo aquele busto, em que o gesso, apesar das suas más qualidades para exprimir a forma humana, parece ter adquirido a flacidez da carne e o aveludado cutâneo.

Rodolpho Bernardelli procura sempre nas suas esculturas obter, juntamente com o desenho meticuloso da forma, a mais perfeita expressão; e o resultado desses dois cuidados combinados é conseguir a vida nos seus produtos artísticos, colocando-se assim entre os grandes escultores.

Não é o primeiro retrato que esse artista exibe; muitos existem nesta capital, mesmo em casas particulares, e neles há sempre o sopro do idealismo, um que de sedutor, de atraente, que fascina ainda mesmo em se tratando de bustos de homens, e nessa qualidade, que revela a alma do artista e o seu justo sentimento do belo, repousa o seu merecimento estético.

Sem tais condições não há arte, e a prova, para não sairmos da exposição de que nos ocupamos neste momento, basta citar os quadros vindos de Paris, de D. Diana Cid, sobretudo um dos retratos, que qualquer artista teria deixado no cavalete como um esboço. No entanto, essa forma indecisa e antipática, tem hoje não só grande número de cultores como até apreciadores e defensores - é a maldita escola simbolista, invadindo o cérebro dos artistas, produzindo uma loucura suigeneris que ameaçaria arruinar a arte se espíritos esclarecidos não lhe tivessem saído ao encontro para dar-lhe decisiva batalha.

O n. 60, Estudo do nu, é mais bem trabalhado do que qualquer dos dois outros, mas ainda assim nota-se não o cunho do acabado, do completo e do definitivo, sente-se que falta ali qualquer coisa, que o corpo humano não tem aquela forma duvidosa e que esses velados são simples pretextos para evitar a dificuldade do desenho rigoroso, emprestando ao quadro um tom de esboço.

O. G.

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Transcrição de Fabiana Guerra Granjeia

Atualização da grafia por Andrea Garcia Dias da Cruz

O. G. ARTES E ARTISTAS. O Paiz, Rio de Janeiro, 7 set. 1897, p.3.

O. G. IMPRESSÕES DO "SALÃO". A Noticia, Rio de Janeiro, 2-3 set. 1904, p. 1.

Ontem era uma aluvião nas duas galerias da Escola Nacional de Belas Artes. Dia oficial, dia solene, apesar do céu enfarruscado e da cidade cheia de lama, não faltou gente e todos cumpriram gratamente o dever social de inaugurar o "Salão".

Dois ministros lá foram, ou melhor, três ministros, porque também lá esteve um plenipotenciário. E muitos comendadores, alguns conselheiros, inúmeras moças, cavalheiro circunspectos e uma banda de música.

O salão de pintura não transbordou, poque não tem janelas e lá fora chovia, mas havia muita gente, muita curiosidade, muita crítica e muita satisfação. Com um dia assim, melancólico e frio, uma exposição de arte desentorpece e alegra.

As paredes estão literalmente cobertas: o pano vermelho que forra a galeria acadêmica quase desaparece sob os 259 trabalhos expostos. 259! Trabalhou-se muito este ano e esgotou-se um grande número de assuntos. Paisagem inéditas tiveram a sua consagração mais cedo do que esperavam e ontem lá estavam seduzindo com o seu verde opulento a admiração dos amadores; retratos, muitos, cenas de interior, algumas cenas de costumes, jardins, frutas, flores, etc.

Mas com a afluência de visitantes, uma dificuldade extrema em receber impressões, em observar, em colher notas.

Um caricaturista, às pressas, acotovelado, traçava croquis, na rapidez de uma impressão e de um olhar. E a música no saguão tocava atroadoramente a Manon, de Puccini, como seduzindo os visitantes para outra arte que se aprecia no Lírico, de casaca negra, de peitilho reluzente, faiscando de brilhantes e a 25$ a cadeira. – O. G.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O. G. IMPRESSÕES DO "SALÃO". A Noticia, Rio de Janeiro, 2-3 set. 1904, p. 1.

O. G. IMPRESSÕES DO "SALÃO". A Noticia, Rio de Janeiro, 6-7 set. 1904, p. 2.

Ontem andava-se à vontade nas duas galerias. Pouca gente, visitantes raríssimos, entrando espaçadamente e correndo silenciosamente as salas. Nem críticos nem amadores em multidão como na véspera, um silêncio e uma frieza de obrigar a sobretudo.

Os quadros entretanto lá estavam como anteontem impassíveis e mais indiferentes que os visitantes. Para nós foi melhor assim. Pudemos à vontade admirar as inúmeras belezas que ali se ostentam e que estão desafiando observações e comentários. Nomes consagrados surgem nos painéis a par de nomes novos que se apresentam ainda vacilantes e tímidos. São principalmente os medalhões que provocam a atenção geral pelo prestígio de seus nomes e pela boa colocação dos seus quadros. E os comentários saltam:

- São belíssimas estas paisagens do J. Baptista.

- Ah! o retrato do Arthur Napoleão está belíssimo!

- E o do Dr. Alberto de Faria? Só lhe falta falar...

- E dizer de que escultor são aqueles baixos relevos que se vêem no muro.

Um velho, Angelo Agostini, expõe três quadros: Leões caçando, Nos pampas e Laçando bois. Todos muito bons e trágicos lembrando as aventuras do Zé Caipora.

No primeiro sente-se toda a violência das forças primevas, os reis do deserto, ou antes a família dinástica dessas regiões tremendas (há lá um leão e uma leoa) espreitam do alto dos rochedos a presa que deve ainda vir muito longe, pois no campo da tela apenas se veem os dois leões, os rochedos e os ossos de passados repastos. O autor provavelmente quis poupar ao visitante o espetáculo da refeição sangrenta. E prejudicou os leões que têm de esperar a caça, assim compassivamente retirada de cena e das suas garras.

O segundo quadro é forte e vibrante. Aí o autor quis experimentar os nervos dos espectadores e pintou o assassinato de uma pobre vaca que, fiada na amizade dos homens, docemente passeia no campo, quando lhe apareceram dois facínoras. Laçando bois é uma cena do caos. Jeová não figura por estar fatigado depois de ter fabricado os homens e os animais. Eva também não figura, provavelmente por não saber laçar bois.

Mas as nuvens cercam ainda os pobres bois que fogem espavoridos e os laçadores que, no meio do nevoeiro, não veem bem os animais. E é uma correria doida e cega pela campina, que lembra um trecho da Avenida com as nuvens de pó que os corredores levantam.

Amoedo apresenta uma oração altamente sugestiva. Uma mulher reza a hora das Trindades, enquanto um sino, ao longe, imita os poetas nefelibatas e tange tristemente balão! balão! A dama está profundamente compenetrada da fé divina e põe todo fervor na sua devoção. Tanto que as suas mãos, coladas à boca, ansiosas de alcançar o céu, vão-se alongando desmedidamente até encherem todo o quadro - A Cativa (pintura de óleo e ovo) acabou de sair da casca; tanto que ainda não teve tempo de se vestir completamente. Provavelmente aguarda o paletó que lhe deve vir da costureira de um momento para o outro. - O. G.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

O. G. IMPRESSÕES DO "SALÃO". A Noticia, Rio de Janeiro, 6-7 set. 1904, p. 2.

O. Guillomet
O. I. S.
O. I. S. O Salão Humorístico, 1909. Fon-Fon!, Rio de Janeiro, n. 37, 11 set. 1909, p. 20.

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MANNA. VITRINA DO PARC ROYAL

MENGE. O NASCIMENTO DE VENUS COM UM BRAÇO SÓ

PUGA GARCIA. HORRORES DO BOND ELÉTRICO

[…]

CHAMBELLAND [Rodolpho Chambelland]. CORAÇÃO ESPETADO

H. BERNARDELLI. […] AS CALÇAS

OSWALD RECLAME DE PILOL

BURGO [sic] UMA MOÇA "NA PONTA"

MENGE BARÃO DIRIGÍVEL

BELMIRO […]

R. MENDES O CAMINHO DA ROÇA

[…] LABORIAU DESMATRICULADOS

F. MACHADO - Ó MUQUE!

LATOUR CAKE-WALK SENTADO

VISCONTI 3 DEDOS A ÓLEO

BROCOS VISTA DO "DEDO DE DEUS" SERRA DOS ÓRGÃOS

J. BAPTISTA A CABEÇUDA

WEINGARTNER A DOR DE DENTES

GASPAR. - "TEM GENTE!"

PRESCILIANO. EXÓRDIO DE DOR DE BARRIGA

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Digitalização da Fundação Bibliotheca Nacional

Transcrição de Arthur Valle

O. I. S. O Salão Humorístico, 1909. Fon-Fon!, Rio de Janeiro, n. 37, 11 set. 1909, p. 20.

O. N.
O. N. O "Salão de 1906". Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 9 set. 1906, p. 5.

As 218 telas que formam a galeria de pintura na 13ª Exposição, inaugurada a 1º do corrente na Escola de Belas Artes, dizem eloquentemente o que está de há muito na consciência de todos, isto é, que o nosso meio não comporta ainda grandes produções.

Há, porém, nessa opinião, que é um estigma aos ricos, pelo desamor à arte nacional, uma pequena injustiça.

Diz-se a cada momento que os nossos endinheirados preferem às produções nacionais, trabalhos de mestres estrangeiros e oleografias sem valor artístico.

É uma acusação, sob certos aspectos, verdadeira.

O que, porém, não se pode deixar de reconhecer, porque é a impressão de quantos tem visitado o "Salão", é a ausência de - arte nacional - isto é, de produções de artistas, senão nacionais, ao menos saídos da nossa Escola de Belas Artes. O predomínio dos artistas estrangeiros é tal, que desnacionaliza quase a Exposição.

Treidler, Alaux, Amau Jean [sic], Bassi, Henri Bouvet, Brejoud [?], Caprile, Chapuis, Max Claude, Collin, Bordallo Pinheiro [Columbano Bordalo Pinheiro], Diana Dampt, D'All'Ara, D'Orgence [sic], Ema Vass [sic], Malhôa, Fernandes Gomes, Lindermann, Francisco Manna, Marguerite Danin [sic], Marve [sic] e alguns outros absorvem com abundante produção a pequena lista de artistas nacionais.

A que atribuir a deserção do elemento indígena?

Bernardelli, Visconti, Amoedo, Zeferino e outros nomes feitos, que nos anos anteriores têm concorrido sempre, esqueceram-se desta vez do "Salão"?

Outros nomes que, nas exposições anteriores, marcaram promissoras esperanças, conquistando prêmios de viagem e menções honrosas, tais como: Latour, H. Leelinger [sic], d. Clelia Nunes, J. França, Th. Braga, etc., também deram-se férias...

É, como se vê, uma pretensão encher a boca com - arte nacional - (falando das artes do desenho), quando o balanço das nossas produções artísticas (e as exposições anuais da Escola não são outra coisa) acusa um predomínio avassalador da - arte estrangeira.

Não vai nisso absolutamente um exagero de chauvinismo, que seria até certo ponto censurável e ridículo. Sirva a observação apenas para atenuar a increpação que pesa sobre a burguesia carioca, que dizem indiferente e infensa aos nossos artistas do pincel. Não há - arte nacional - a proteger, desde que os nossos patrícios deixam o campo livre à concorrência estrangeira.

Dos quadros expostos, um existe que conquistou gerais simpatias.

É uma tela de Chambelland [Carlos Chambelland] - Olhares curiosos -, que representa uma cena muito simples e muito inocente ...

São três ingênuas mocinhas, que se entreolham sorrindo e parece se interrogarem - quel diable vont ils faire? - vendo sumir-se na orla da praia um gracioso par …

A "Dame à La rose" de Belmiro, é outro quadro de valor, que salva da indigência a galeria deste ano.

Belmiro é um nome conhecido entre nós e não é de estranhar que sobressaia, [...] quando os mestres debandaram.

Representa o seu quadro uma dama parisiense, tendo em uma das mãos uma rosa e nos lábios um sorriso brejeiro ...

"Livre de preconceitos" é um título que faz pensar em um quadro reacionário de pintor moralista.

Puro engano! Thimótheo da Costa [Arthur Timótheo da Costa], que tem mais talento d [sic] que idade, quis apenas um golpe nesse preconceito tolo que a civilização criou - o vestuário.

O seu quadro é a apologia da nudez.

Representa uma mulher nua, estendida preguiçosamente na praia, como que a seduzir o oceano, que lhe lambe os pés...

A cena de si não merece reparo. Mas o título...

Dar-se-á o caso de que o artista chame sinceramente à roupa de preconceito?

"Retrato de preto" é outro quadro de Thimotheo e um dos melhores da Exposição.

Como o diz o título, representa um negro, de nariz chato e beiços encarnados, chupando uma ponta de cigarro.

O artista apanhou admiravelmente a expressão do negro desabusado das nossas cidades: uma expressão de audácia e capadoçagem muito do "Treze de Maio".

Na época que corre, não poderíamos apelidar esse quadro - O inimigo do argentino?

Baptista da Costa que, na paisagem, é incontestavelmente um mestre, apresenta algumas telas magníficas.

Bevilacqua é outro artista moço, mas cujos progressos se acentuam de ano para ano.

Apresenta apenas dois trabalhos - Infância de Orpheu e Retrato - que tem sido merecidamente apreciados.

Não é nosso intento oferecer uma lista completa dos quadros bons, reservando o silêncio para os maus. Esta crônica é apenas uma impressão geral, e não a critica dos trabalhos expostos.

Feito este reparo, que tem por fim prevenir desde já qualquer omissão injusta, entremos na secção de escultura.

Corrêa Lima, Julieta França e Nicolina Assis são três artistas já conhecidos do público.

D. Julieta França, que acaba de regressar da Europa, onde esteve como pensionista da Escola, tem talento, extraordinária força de vontade e perseverança, mas fala-lhe o sentimento delicado de Artista.

"Confidence", além de alguns defeitos e modelado, é de concepção pouco elevada.

Sabemos como toda a gente o sabe hoje - que a Arte é a Natureza ... sim, mas a Natureza refratada no espírito.

Copiar na tela ou modelar no mármore uma cena grosseira da vida, é, quando não envergonhar ao próprio homem, pelo menos alienar as suas simpatias.

"Confidence", parece-nos uma aberração do sentimento estético e nem sequer tem o mérito de ser o que a Artista quis representar.

A artista imaginou uma mulher sua sentada nos joelhos de um homem também nu, que lhe diz confidências ao ouvido; mas fê-lo sem expressão, sem cobrir a realidade com o véu da fantasia, que é o traço subjetivo do artista.

Holz definiu algebricamente a Arte na fórmula - Arte = Natureza - x. Ora, é justamente esse x a incógnita que ao artista cabe descobrir. A Natureza é para ele o que a luz solar é para o fotógrafo: um elemento essencial, mas que não lhe dá nem tira mérito. O x é apenas um fugitivo momento, um trecho da Natureza, a que o artista imprime o cunho do seu temperamento.

Esse momento pode ser heroico ou ridículo, simples ou solene, mas deverá ser sempre alguma coisa de mais ou de menos do que a Natureza: nunca, porém, a Natureza mesmo.

D. Nicolina de Assis, também chegada há pouco da Europa, onde esteve a expensas do Estado de São Paulo, apresenta apenas dois trabalhinhos.

Ambos feitos com muita Arte, não podem servir para medir o mérito, já comprovado em trabalhos de maior vulto, da escultora paulista.

Como pretende fazer brevemente uma exposição sua, dela nos ocuparemos mais detalhadamente em ocasião oportuna.

Em conclusão: o salão de 1906 é digno do nosso meio. Telas em geral pequenas, representando temas trivialíssimos, ausência completa de trabalhos de concepção - eis a mercadoria mais vendável em uma sociedade onde as grandes fortunas são ainda grãos de areia, comparados com os rendimentos de um Rockfeller ou de um Morgan...

A luta pela vida, o mercantilismo característico do nosso tempo, o espírito prático, o Mercantilismo na Arte, se me permitem a expressão - já se acusa com sinfonia de uma remodelação do ideal artístico, figura abstrata, é certo, mas nem por isso alheia às circunstâncias do meio, como a planta, na feliz comparação de H. Taine que, cresce e floresce conforme a seiva que a nutre e o ambiente que ela absorve.

É por isso que os quadros de gênero desapareceram das nossas pinacotecas e cederam lugar às - cenas da roça - e - cabeças de velho - ...

O. N.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O. N. O "Salão de 1906". Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 9 set. 1906, p. 5.

Octavio Chermont Rayol
Octavio de Chermont Rayol
Octavio Dornelles
OCTAVIO FILHO, Rodrigo. O "Salão" de 1918. Revista do Brasil, São Paulo, ano III, nov. 1918, n. 35, p.305-310.

Estou a crer que o sucesso alcançado pelo "salão" deste ano não atingirá as raias da celebridade que paira sobre os "salons" parisienses de 1836 e 1837, onde foram expostas algumas telas encomendadas por Luiz Felipe, Rei de França, para a Galeria das Batalhas do Museu de Versalhes. E isto é natural. Não estamos nos princípios do século XIX, não temos o Museu de Versalhes, nem batalhas a comemorar; quanto a este último ponto devemos curvar a nossa admiração em homenagem ao destino...

Inaugurada a 12 de agosto do corrente ano a XXV Exposição Geral de Belas Artes, permaneceu a mesma aberta durante mês e meio, despertando interesse relativamente pequeno.

É isto uma injustiça oriunda da nenhuma educação artística do nosso povo...

Adepto da lei do menor esforço o público empanturrava o recinto da exposição dos mármores florentinos, instalada a dois passos do Salão, entusiasmado pelos perfis das heroínas e santas amoldadas em fábricas engenhosas.

Ir ao Salão era um trabalhão: primeiro porque era preciso despender uma pratinha de mil réis; segundo porque estando o Salão instalado no primeiro andar Escola Nacional de Bellas Artes, havia uma longa escada a subir... Uma massada...

A não ser nos dias de vernissage e da inauguração quando comparecem na sisudez obrigatória de sempre o mundo oficial e a garrulice sem senso da gente da moda o Salão era visitado apenas por alguns curiosos.

Aliás uma estátua ou um quadro, pedem mais atenção e cultura a quem os observa, do que outras manifestações artísticas, como o teatro dramático ou a música, que forçam o espectador, mesmo de mediana inteligência e que nada perceba do que se executa ou representa, a ouvi-lo silenciosamente ou considerá-lo como um simples divertimento...

A Lição de Anatomia de Rembrant pode passar despercebida a um cidadão qualquer que passeia o seu olhar de touriste pela Casa de Maurício de Nassau em Haia; mas se este mesmo cidadão se encontrar entalado numa poltrona de teatro, ante uma orquestra que execute uma das sinfonias de Beethoven, forçosamente (mesmo que os seus nervos não se emocionem) se manterá numa atitude de silêncio respeitoso... Em caso contrário, pode ter a certeza de que seu espírito atingiu o grau máximo de cretinice humana...

* * *

Foram 118 os artistas que levaram ao Salão deste ano o concurso de seus trabalhos de pintura, escultura, gravura, arquitetura e artes aplicadas. Destes 118 expositores alguns já são mestres consagrados, outros ainda prometem melhoras futuras e muitos acentuam uma lamentável decadência.

Os Salões poderiam ser mais equilibrados se a comissão competente para colocar o placet nas obras aspirantes aos mesmos não fosse tão benevolente. Consta, aliás, que esta comissão recusou este ano cerca de 40% dos trabalhos apresentados. O corte podia ser maior, evitando as notas dissonantes e desafinadas numa exposição onde primam esculturas de Corrêa Lima e paisagens de Baptista da Costa.

É lamentável o número de trabalhos expostos onde não há uma única manifestação de inteligência, a mais vaga ideia do que seja uma obra de arte e onde domina a mais completa ignorância do bom gosto.

Dizem que certos trabalhos são aceitos e tolerados unicamente como recompensa ao esforço, incitamento e ajuda a arte nacional! Mas isso é um erro. O contrario é que é racional, lógico e útil. Um artista nem se fabrica nem se inventa e a exposição de maus trabalhos é o melhor depoimento contra a nossa vaga cultura e um crime cometido contra os infelizes autores, que assim perdem um precioso tempo, ao invés de procurarem um melhor ofício.

A verdade porém é que temos artistas reais, sem pretensão nem pose, artistas que vivem dentro de um belo sonho, isolados do mundo áspero que os cerca. São raros abnegados que, como disse o Sr. Monteiro Lobato "perpetram um heroísmo tangencial à loucura, heroísmo maior que o dos guerreiros e eminhocados na terra de periscópio no olho, loucura é igual a de Poetas que esperem da Bolsa, cotação para rimas".

Não sei vai nisso algum exagero do ilustre escritor. O que é certo é que serão sempre poucos os hosanas levantados em louvor de tais artistas.

Mas já é tempo de entrarmos pelo Salão:

Há uma certa harmonia da distribuição dos trabalhos expostos. Logo no topo da escada, na primeira sala, começa a exposição de obras de escultura; comecemos pois por elas.

O trabalho que me pareceu mais completo, nessa seção, foi um estudo em gesso do Barão Homem de Mello executado pelo Sr. Pinto do Couto. É um meio corpo admirável retratado do natural. A fisionomia do ilustre Barão, está imortalizada na obra do Sr. Pinto do Couto em traços definitivos. Tudo neste magnífico trabalho é emocionante: o sulco das rugas, o olhar amortecido e triste, a lassidão do corpo, onde se sente um grande cansaço de viver... O Barão Homem de Mello pousou para este trabalho nos últimos tempos de sua vida, e quem o viu por essa ocasião poderá verificar a fidelidade com que o escultor o executou.

É de notar ainda a paralisia da mão direita, esplendidamente esculpida na sua imobilidade.

Os trabalhos expostos pelo Sr. Corrêa Lima vieram aumentar - e isso fosse possível - o seu renome de grande escultor. Os bustos de Baptista da Costa, Raul Pederneiras e Gama Rosa, são fidelíssimos, imprimindo cada um o momento fisionômico mais peculiar aos retratos: Baptista com um olhar triste e sonhador, refletindo a viveza do seu talento e Gama Rosa o cansaço de sua longa vida.

O busto em gesso de uma senhora também exposto por Corrêa Lima, e que obteve a medalha de hora, bem a mereceu: é uma linda cabeça, amparada por uma linha de pescoço elegantíssima, que se prolonga nuns ombros e colo magníficos, tudo envolto num belo planejamento.

O Sr. Modestino Kanto foi contemplado com o prêmio de viagem. E foi justa a distinção.

O jovem escultor empregou na feitura de seu monumento "On ne passe pas" o melhor do seu esforço e do seu talento. É a promessa do que poderá fazer para o futuro se continuar a trabalhar.

O motivo de sua obra premiada é universal e atual: simboliza o esforço gaulês em Verdun impedindo o avanço dos bárbaros. A figura é arrojada, tem élan e a anatomia é boa.

Imperdoável, porém, são os outros trabalhos expostos por Modestino: os bustos de José do Patrocínio, Collatino Barrozo, Calixto, Luiz Peixoto e Olegario Marianno não satisfazem.

O de Olegario por exemplo é um estudo que não devia ser exposto: apresenta o poeta com duas faces diversas; os outros, se tem alguma parecença, falta-lhes vida.

Almir Pinto é um ótimo discípulo de Corrêa Lima. Apresenta um trabalho que merece especial destaque, As Primeiras Desilusões - que demonstra uma alma de artista onde há ideia e originalidade. É suavíssimo o perfil de imensa tristeza das figuras representativas das Desilusões.

O Sr. Humberto Cavina, não parece ter nascido em Florença e desmente as medalhas recebidas anteriormente, expondo um grupo em gesso - Arditti - onde a dureza dos soldados abnegados, causa uma péssima impressão.

Celso Antonio expõe uma cabeça de criança - Primeira Mágoa - de uma naturalidade flagrante contrapondo a este trabalho um busto do desenhista Corrêa Dias onde sobressai um riso pouco feliz.

Gustave Debine [sic] e Marcel Debut, dois franceses, expõem ambos ótimos trabalhos. O primeiro um Rêveur de longas barbas comodamente instalado numa poltrona e em atitude muito natural; o segundo expõem O Viúvo, pequena escultura que comove na sua expressão de mágoa de tristeza...

Precisamos não nos esquecer de Hildegardo Leão Vellozo, que se estiver juízo há de ser um dos primeiros na sua arte. Os trabalhos que expõe - Collix - admirável cão em cimento branco onde há muito movimento e ótima anatomia e o pequeno busto do Prof. Rodolpho Bernardelli são esplêndidos testemunhos do que poderá produzir seu brilhante talento.

Não conheço, dizem que não tem vinte anos o que é para ele uma felicidade a aproveitável.

Devo mencionar ainda os Srs. Francisco de Andrade, autor de um grupo - A Vida - muito sugestivo, Casemiro Corrêa, Magalhães Corrêa e Paulo Mazzuchelli, que expõe O Vencedor, interessante baixo-relevo em gesso patinado.

Passemos agora rapidamente pela Arquitetura onde vemos belos projetos de Victor Dubugras e Filinto Santoro e pela gravura, onde L. Campos leva a palma com seu delicadíssimo Lírio, meigo rosto de mulher desabrochado de dentro de umas pétalas delicadas.

Gomes Marinho apresenta os magníficos retratos de Altair e Alda e Adalberto Mattos um artístico retrato do Dr. Miguel Pereira.

* * *

Nesta nova geração de cantores Carlos Oswaldo é incontestavelmente o artista mais de acordo com o tempo em que vive, dotado de muita imaginação e talento, e conhecedor e senhor profundo de sua arte.

Este ano apresentou-se galhardamente com 8 telas, das quais três verdadeiramente notáveis: um retrato de Henrique Oswaldo, A Última Ceia e o Fausto. Os outros cinco são estudos de luz artificial bastante interessantes.

O retrato do pai do pintor é o melhor trabalho: parecença, técnica, luz, sombra, fundo, nada deixa a desejar. É preciso porém notar que Carlos Oswaldo teve em auxílio de seus talentos de pintor a chance única de ter tido um esplêndido modelo. De fato, quem encara nos olhos o retrato de Henrique Oswaldo sente faiscar neles o brilho vivo de sua alma de artista.

A Última Ceia é um quadro de composição muito harmônica: o Cristo está sentado à cabeceira da mesa rodeado por seus discípulos, agrupados com arte.

É o momento em que ele declara que sabe que está sendo traído. Há um grande espanto na fisionomia dos apóstolos. Judas levanta-se bruscamente arrastando no seu gesto o pano da mesa e derramando o vinho de um copo: é o símbolo da tragédia divina que vai começar.

O movimento brusco de Judas, está delineado com toda precisão e a luz que cai de uma candeia presa a um teto produz efeitos de luz e sombra admiráveis, num ambiente misterioso.

Antonio Parreiras expõe uma paisagem de grande vulto - La valée de Chévreuse - onde a pincelada firme do artista não desmente o seu passado de grande paisagista: é outono e as folhas amarelas caem pelo frio que vem chegando... Há uma água parada sobre a qual paira uma bruma suavíssima.

Edgard Parreiras também expõe uma paisagem, onde se reflete a influência do mestre, o que é lisonjeiro para ele.

Rodolpho Chambelland um dos nossos pintores de maior talento, apresenta o magnífico retrato do Barão S. de V. muito elegante e sóbrio onde o talento do artista se manifesta em toda sua pujança.

Baptista da Costa é o mesmo de sempre. A frescura encantadora de sua pincelada alegra o olhar de quem a contempla. Ao olhar-se um quadro de Baptista tem-se a impressão agradável de que se abre a janela para uma paisagem muito lavada e muito boa.

Ninguém melhor do que ele consegue dar vida ao verde da nossa paisagem e fazer mais leve o ar puro dos campos.

Bem representados ainda estão André Vento, Antonio G. Bento, Gutman Bicho, dos melhores retratistas da nova geração, sendo de lastimar que este ano tenha exposto o Retrato de Mme. Zú, pardavasca faceira e luzidia que se está otimamente pintada, é um modelo de mau gosto; Augusto Bracet apresenta uma Lindoia dolente e Raimundo Cela, prêmio de viagem do ano passado, um retrato de Gustavo Barrozo, onde o pintor viu umas sobrancelhas e uma boquinha que o ilustre homem não tem.

Coelho Magalhães, Pedro Bruno e Gotuzzo apresentaram trabalhos bons e estudados; os irmãos Timotheo da Costa [Arthur Timotheo da Costa e João Timotheo da Costa] trabalharam com amor; Helios Seelinger expõe denodadamente um painel decorativo Caravelas. Os seus trabalhos tem sempre uma nota bizarra, por vezes extravagante, mas sempre inteligente.

Colon e Rocco afirmam cada vez mais o justo renome que já possuem.

Podíamos citar ainda outros se os fôssemos extrair e procurar confusão das naturezas mortas e mais especiarias de bazares e quitandas.

Há certos senhores e senhoras que ao em vez de pintarem deviam praticar aquela outra arte proclamada por um personagem de um romance de Oscar Wilde: a arte muito aristocrática de não fazer coisa nenhuma...

Deixei o último espaço destas notas, para as senhoras expositoras. Mas antes de tirar-lhes o meu barrete numa saudação galanteadora, não devo me esquecer de Raul Pederneiras que representou brilhantemente a caricatura no atual Salão expondo entre outras, o Saci-Pererê e Tangomania.

Na escultura devemos chamar a atenção para Margarida Lopes de Almeida que começa a sua carreira com uma boa promessa: o busto da Sra. A. L. A.

Na pintura Georgina Albuquerque que apresenta entre vários trabalhos duas excelentes telas: O Jardim Florido onde há muito calor e boa luz e O Carnet de baile pequeno quadro de muito gosto, otimamente colorido; Maria Pardos satisfaz muito com a Zuleika que expôs; Sylvia Meyer tem um bom pastel e finalmente Regina Veiga apresenta o único nu do Salão - Danáe - tendo conseguido um belíssimo modelo de feições encantadoras. Os pequenos defeitos de desenho que se observam no quadro não são bastantes para diminuírem a boa impressão que dele se tem.

As expositoras são, creio eu, vinte e cinco. Só me referi a cinco. Confesso que tenho sérios receios em passar por galanteador...

RODRIGO OCTAVIO FILHO.

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Imagens

BAPTISTA DA COSTA: Primavera

CARLOS OSWALDO: Retrato de Henrique Oswald

LEOPOLDO GOTUZZO: Plazuela Del Soccorro - Espanha

GEORGINA ALBUQUERQUE: Carnet de baile

H. SEELINGER: Caravela

MODESTINO KANTO: On ne passe pas

PINTO DO COUTO: Busto do Barão Homem de Mello

CORRÊA LIMA: Busto de Raul Pederneiras

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Beatriz Freitas Blancsak

OCTAVIO FILHO, Rodrigo. O "Salão" de 1918. Revista do Brasil, São Paulo, ano III, nov. 1918, n. 35, p.305-310.

Octavio Neves
Odelli Castello Branco
Odilon Paiva
Olga Mary Noellner Pedrosa
Orestes Acquarone
Orestes Acquarone Filho
Orlando Tarquinio
Orlando Teruz
Orozio Belém
OS NOSSOS PINTORES. Fon-Fon!, Rio de Janeiro, n. 36, 7 set. 1912, n/p.

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<br style="clear: both" />

Mme. M. G., do jovem artista Galdino Bicho, que figura no nosso "Salon" de setembro. Galdino Bicho é concorrente ao prêmio de Viagem.

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Digitalização da Fundação Biblioteca Nacional

Transcrição de Arthur Valle

OS NOSSOS PINTORES. Fon-Fon!, Rio de Janeiro, n. 36, 7 set. 1912, n/p.

Os nossos pintores. Fon-Fon!, Rio de Janeiro, n. 36, 7 set. 1912, n/p.

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<br style="clear: both" />

O talentoso pintor Miguel Capllonch, autor do belo quadro Salomé, que se acha no salão da "Escola de Belas Artes".

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Digitalização da Fundação Biblioteca Nacional

Transcrição de Arthur Valle

Os nossos pintores. Fon-Fon!, Rio de Janeiro, n. 36, 7 set. 1912, n/p.

Oscar Guanabarino
Oscar Pereira da Silva
Oswaldo Soares Vieira Machado
Oswaldo Teixeira
Oswaldo Teixeira da Rocha
Otto Büngner
Otto Quante
Otto Reim
Otto Rein
Otto Schule
P.
P. A XXXVI EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 16 ago. 1929, p. 3.

O ambiente novo da nossa mostra de arte oficial - Uma rápida impressão dos trabalhos expostos

O "salão" deste ano, ou melhor, em linguagem oficial, a XXXVI Exposição Geral de Belas Artes, está aberto já ao público, durante o dia e a noite, conforme O JORNAL noticiou. Damos, a seguir, uma ligeira impressão da nossa mostra oficializada, que se anunciou este ano, segundo os rumores correntes nos meios artísticos, com intenções bem especificadas de se fazer uma rigorosa seleção, pelo júri. Ninguém poderá avaliar da justeza dessa escolha, feita aliás por artistas, em parte, escolhidos pelos expositores, visto que apenas vemos os trabalhos que ficaram. Entretanto, realmente, pode-se dizer que o "salão" deste ano oferece um aspecto mais equilibrado, e com maior unidade do que nos outros anos.

Percorrendo aquelas salas, de uma suntuosidade artística lisonjeira para um país novo como o nosso, sem grande tradição artística, apesar de ser a única existente na América, notam-se logo, à primeira vista, trabalhos de valor, que se destacam.

Assim, por exemplo, esse magnífico retrato da sra. Glorinha Strobel, do sr. A. Veiga Guignard, ou, mais adiante, o que é raro entre nós, um quadro religioso, "Após a cruz", do pintor Balthasar da Camara, de outra escola, mas de certa serenidade dolorosa. Em outra sala, entre aquarelas, o desenho curiosíssimo, do sr. Eugenio Sigaud, o "Saci-pererê". Muito claro, mesmo da terra do sol, o "Feira do Norte", do sr. Euclydes Fonseca.

Entre outros trabalhos, como numa nota melancólica naquela festa de cores moças, os quadros belos e límpidos do sr. Garcia Bento, cuja morte foi uma perda sensível para a nossa arte, interrompendo-se assim uma das mais harmoniosas evoluções artísticas que temos tido.

O sr. Wilfer Horst, artista estrangeiro, concorre com um trabalho interessante, o "Sinfonia", tal como o sr. Helios Seelinger, com o seu painel decorativo "Carnaval".

Henrique Cavalleiro, nosso companheiro de trabalho, enviou ao "salão" três esplêndidos quadros, destacando-se entre eles, pela sua soberba luminosidade, temperada apenas pela sonolência da tarde, a "Paisagem" n. 82.

Entre os concorrentes ao prêmio de viagem, a sra. Sarah Villela de Figueiredo, com as suas figuras admiráveis, como o retrato de "Miss Espírito Santo", onde, vestindo formas desenhadas com segurança, realça a pompa dos brocados e das sedas, o sr. Joaquim da Rocha Ferreira, com um retrato do sr. C. Irisar, feito com uma técnica moderna e agradável, os quadros tão brasileiros do sr. Jordão de Oliveira, e o retrato do sr. Hernani de Irajá, pelo pintor Orlando Teruz, destacam-se pela sua beleza e pela afirmação artística de seus autores. Assim também a senhorita Solange de Frontin Hess, cujos dois trabalhos, "Entre palmas" e "No terraço" são de notável significação, pelo progresso e pela firmeza de sua evolução.

O sr. Arthur [sic] Vianna [Armando Vianna], recém-chegado da Europa, expõe dois painéis de grande serenidade e limpidez. O sr. Paulo Gagarin, entre os trabalhos que expõe, conta uma vista do Rio de Janeiro, muito justa de cor e luz.

Entre os mestres, o "Barco vermelho", do sr. Pedro Bruno, surpreende, com uma abertura de luz, esplêndida. Marquez Junior causa admiração com seus quadros.
Enfim, em uma impressão geral, a seção de pintura do salão deste ano é bastante animadora e agradável. Na escultura, mais fraca, como sempre, os trabalhos de feição modernista destacam-se com mais vigor, tais como as belas cabeças do sr. Quirino Silva, um "Estudo", do sr. Barandier da Cunha, e a "Femme nue", do sr. S. Martins Ribeiro, que talvez seja o melhor trabalho exposto. Oswaldo Teixeira expõe três belos quadros - "Christus", "Primavera" e outro retrato. Mais adiante vemos um belo quadro, cheio de sol, "Gulosos", de Almeida Junior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior]. Orlando Teruz melhorou muito e apresenta dois quadros bons. M. Constantino dá-nos uma tela de arte - "Um nu". Jordão é um dos que sobressaem entre os novos.

Para citar os mestres temos a dizer que Visconti e Parreiras Antonio Parreiras lá estão causando admiração geral.

- P.

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Imagens

Alguns quadros expostos: "Primavera", de Oswaldo Teixeira; "Miss Espírito Santo", de Sara Villela Figueiredo; "Mimi", de H. Cavalleiro; "O banho", de A. Vianna; "Evocação", de Chambelland, e "Christus", de Oswaldo Teixeira

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

P. A XXXVI EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 16 ago. 1929, p. 3.

Pablo Salinas
Palmyra Pibernat Pedra
Pascoal Fosca
Paulo Antunes Ribeiro
Paulo Boneschi
Paulo Candiota
Paulo Claudio Rossi
Paulo Gagarin
Paulo Mazzucchelli
Paulo Valle Junior
Paulo Vergueiro Lopes Leão
Paulo Veroneso
PAULO VERONESO. IMPRESSÕES DO "SALÃO". A Noticia, Rio de Janeiro, 7-8 out. 1904, p. 2.

De Minas vem muita coisa apreciável. Veio de lá "Conjuração" que foi a precursora do "Grito do Ypiranga"; vieram já um vice-presidente da República e vários ministros e o eco ilustre das "alterosas montanhas". Além dessa patriótica contribuição, preciosa para a vida brasileira, Minas, quando não tem talentos a exportar, manda com igual patriotismo, leite, lombo e queijos que são do mais fino sabor. Agora, o grande Estado mandou-nos um pintor. Aliás já o tinha mandado, há muito tempo, porque o Sr. Honorio Esteves, que é de quem aqui se trata, foi aluno da nossa antiga Academia de Belas Artes, donde saiu como um revolucionário e para onde volta como um conservador. Efeitos do tempo e da vida e das voltas que o mundo dá. E tão completa é a reconciliação do Sr. Esteves que, descendo de Minas para aqui vir conquistar a glória e o renome, trouxe a preocupação de modificar os esgotos de nossa cidade, para o que concebeu uma admirável e engenhosa série de projetos de galerias e ralos.

Além disso, pondo de lado a higiene da cidade e pegando nos pinceis, o Sr. Esteves tomou a barca de Niterói e foi-se a pintar a Jurujuba e Icaraí. Isso era fatal. Jurujuba e Icaraí têm, cada uma, duas grandes funções na vida nacional. A primeira presta-se para as epidemias e os pintores e a segunda para os quadros e para os banhos. O Sr. Esteves compreendeu isso perfeitamente e não se furtou ao iniludível tributo pictural. Por isso, com patriotismo, pintou uma estrada da Jurujuba e a praia de Icaraí. Esqueceu-lhe a estrada do Cavalão que é de uma riqueza vegetal feracíssima.

De Minas, além dos projetos de esgoto, o Sr. Esteves trouxe uma Camponesa. É de crer que, ao menos para o seu gasto, trouxesse também alguns queijos. Esses, porém, não figuram na exposição. O Sr. Esteves quer que Minas figure brilhantemente pelo lado intelectual e não pelo prosaico lado estomacal. E faz bem, porque quem tem fome não vai à academia ver quadros nem camponesas e Minas não é apenas um vasto celeiro de coisas substanciais. E a prova é que nos manda agora o Sr. Honorio Esteves, sem prejuízo da exportação diária dos queijos que cada vez continuam a ser mais apreciados e procurados. Não sabemos se o mesmo sucederá aos quadros do ilustre pintor. O certo é que S. S. salvou os créditos artísticos das alterosas montanhas descendo da velha Ouro Preto, sobraçando o maço de projetos de ralos e galerias, a palheta, os pinceis, as bisnagas e a Camponesa de Minas e vindo aqui pintar Icaraí e a Jurujuba.

Ouro-Preto pod impar de orgulho com o seu talentoso artista que, pondo de lado a natureza-morta (o "Salão" está cheio de caças, frutas e queijos, preferiu dar uma forte e viva impressão dos campos mineiros, registrando na tela o tipo de uma camponesa. E assim ficamos admirando aquela bendita tersa pelo cérebro e pelo estômago. Honra, pois, ao filho ilustre de Minas. - Paulo Veroneso.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

PAULO VERONESO. IMPRESSÕES DO "SALÃO". A Noticia, Rio de Janeiro, 7-8 out. 1904, p. 2.

Pedro Alexandrino Borges
Pedro Bolato
Pedro Bruno
Pedro Henrique Christiano Jannsen
Pedro Peres
Pedro Weingärtner
PEDRO WEINGARTNER. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 10 out. 1894, p.1.

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Os nativistas hão de dizer que ele é alemão, e alemão também o chamará, mas por outras razões, o nosso correspondente em Londres, que teima em dizer que o maestro Alfredo Riel não é português, isso com grande descontentamento da colônia.

A nós faz-nos conta dizer que o Pedro [Pedro Weingärtner] é brasileiro, pois que deixou o umbigo no Rio Grande do Sul, e gaba-se de ser guasca. Henrique Bernardelli desenhou-o com asas; é que as tem, o diabo do Pedro, e tem voado por esses ares fora, fazendo-se um artista com quem se deve contar. Na exposição atual, Weingärtner está bem representado, e os amadores parecem dispostos a deixar-lhe o atelier vazio. pouco importa; ele não tem medo de trabalhar, e em breve o veremos, de volta dos seus pampas, ou de Berna, ou da Alemanha com um novo sortimento de trabalhos, em que sempre há a notar um passo adiante. É que o Pedro não é um oficial de pintura; é um pintor em toda a extensão da palavra.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

PEDRO WEINGARTNER. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 10 out. 1894, p.1.

PEIXOTO, Cosme. O SALÃO DE 1894 IV. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 30 nov. 1894, p. 1.

Os srs. Pedro Weingartner e Modesto Brocos também são professores da escola Nacional; e, portanto, lugar lhes compete imediatamente depois dos mestres que o engrossamento proclama intangíveis, e dos quais, com irreverência que nunca me será perdoada, tenho ousado dizer umas tantas coisas que fariam arrebitar ainda mais a cauda do cavalo da estátua, se porventura naquilo fosse admissível maior tensão.

O primeiro trabalho que vi do sr. Weingartner foi exposto, se bem me lembra, na casa do sr. Pacheco. Representava um interior de biblioteca e traduzia paciente estudo e qualidades de desenhista. Mais tarde, na Academia, expuseram-se paisagens do mesmo artista, e, francamente, menos me agradaram. Agora ainda menos.

A vista de Nova Veneza (n. 203) tem deplorável colorido. Há oleografias em que melhor se manifestam os recursos da cor. Não conheço a localidade, mas entendo que foi caluniada. Nunca poderia ser assim, sob pena de haver por lá um sol diferente do que ilumina as regiões catarinenses que tenho percorrido.

O n. 211 representa Um piquete de força de Arthur Oscar, de passagem em Nova Veneza. Aí o céu é bem sentido, mas no grupo dos cavaleiros os cavalos muito deixam que desejar. Se são tais os famosos animais dos pampas não vejo porque se devam envergonhar os honestos sendeiros que arrastam tílburis.

Os demais quadros, dando testemunho da operosidade do autor, não o dão todavia da proficiência que se poderia augurar da sua estreia. Será um eclipse? Absorvê-lo-ão [sic] os labores do magistério? Não sei, nem posso dizê-lo. O que está no salão, não demonstra ainda a decadência, como se dá com as obras últimas de outros professores. Pode ser uma parada, e mesmo aos maiores artistas é lícito estacionar de vez em quando para resfolegar e tomar alento. O pior foi que esse momento de repouso coincidisse com a carga desordenada do esquadrão dos novos contra os moinhos de vento do academicismo.

E, a propósito do sr. Weingartner, bom será dizer que nele tenho um excelente auxiliar no intuito de tornar patente a injustiça clamorosa com que o Marial da Gazeta de Noticias deu o finado ex-imperador como protetor de nulidades artísticas, que ele impunha às massas inconscientes. Com efeito, o sr. Weingartner, havendo revelado notável propensão para a pintura em sua ex-província natal (o Rio-Grande do Sul), foi mandado estudar na Europa pelo ex-imperador, e como pensionista dele completou os seus estudos. Ora ali está como o falecido chefe do Estado desprotegia os novos! Criando, a expensas suas, um dos professores fortes e ousados (como lá diz o Marial) dos quais se rodeou o sr. Bernardelli [Rodolpho Bernardelli] para restaurar a arte no Brasil!

Não sou sebastianista, já o disse, o com isto não admito brincadeiras. A minha patente põe-me a salvo de suspeitas; e da minha biografia, já publicada, ressalta a antiguidade do meu republicanismo, anterior, muito anterior ao dos supremos magistrados da República, pois o sr. Prudente antes de 1870 era monarquista liberal, e o sr. Manuel Victorino ainda o era no Congresso deste partido em 1888. Mas, por ter nascido republicano, não se segue que eu deva apoiar todas as iniquidades de Marial. Weingartner é um ousado, um forte e deve o que é ao generoso ex-imperador. Leve o diabo o republicanismo que precisa de ser mentiroso! Pois não basta o ser ingrato, quando assim se faz preciso para a salvação da pátria?

A transição entre o sr. Weingartner e o sr. Brocos suavemente se faz pelos retratos do sr. Ubaldino do Amaral. Se não fosse a fotografia, muito tempo houvera perdido o ilustre homem de Estado posando sucessivamente nos ateliers dos dois professores. E o mais interessante é que cada retratista teve uma ideia diferente da tez de s. ex. Este o fez pálido, aquele rubicundo. Comparem-se os ns. 64 e 213. Se estivessem juntos os dois quadros, gozaria o público de mais um daqueles gostosos reclames: o sr. Ubaldino era assim; tomou xarope de qualquer coisa e ficou assim…

O sr. Brocos é principalmente um paisagista. Algumas de suas telas revelam o homem que sabe o que vê e que sente o que sabe. Entre elas pareceu-me a melhor o n. 57 - Garimpeiros. As figuras destes caçadores do vil metal são, como todas as figuras de paisagem, meros episódios do poema da natureza, mas episódios bem inventados e bem metidos na ação principal.

O cenário dos Garimpeiros é o da terra de Minas, de onde também o sr. Brocos tirou a sua Vista da cidade de Diamantina. (n. 65). Vista é uma maneira de dizer, porque o quadro ficou quase todo ocupado por uns penedos. Eu poderia dizer ao sr. Brocos que o melhor sistema de se tirar a vista de uma cidade não é a gente colocar-se por trás dos pedregulhos que a escondem; mas, em boa e santa verdade, antes quero Diamantina deste modo entrevista na tela do sr. Brocos, do que a Nova Veneza complacentemente esparramada no quadro do sr. Weingartner.

Saudemos com um elogio alguns belos estudos de paisagem de Teresópolis (ns. 60 e 62), e, para elucidação do artista, ponderemos-lhe que em seu n. 54 confundiu coisas muito distintas. O catálogo diz: Mulatinha, e o quadro representa uma crioula. O sr. Brocos talvez não tenha andado muito pelo nosso interior. Para bem-fazer estas distinções é preciso conhecer as fazendas.

Do sr. Brocos ainda há uma água-forte (n. 240) em que patenteia certo vigor, e com ele se acabaria a parte da exposição dos professores da Escola, se não fossem ainda os trabalhos do sr. Girardet, na seção de gravura de medalhas e pedras preciosas. Sobre isto nada direi, porque obras deste gênero não podem ser bem apreciadas em uma vitrina mal banhada de luz, quando muitas vezes até se faz necessário tomá-las à parte e cuidadosamente examiná-las com uma lente.

Passemos, pois, a outros expositores de quadros, e, logicamente, depois dos mestres, vem ao caso estudar os discípulos, isto é, os que como tais se incluem no catálogo; o primeiro será o sr. Baptista da Costa, que obteve o prêmio de viagem à Europa. Á tout seigneur, tout honneur.

O sr. Baptista é um trabalhador, disseram-me, e eu o creio pelo número de seus quadros, catorze, de n. 19 à 32. Tem não pouco talento, sem o que não faria algumas das paisagens exibidas. É moço ainda, e já vê o seu mérito reconhecido pela escola (o que aliás não é muito) e pelo público, que lhe compra os quadros. Não tem, pois, razão de queixa contra a sorte, e deve empenhar todo o esforço para corresponder às finezas da inconstante deusa.

Das obras do jovem artista algumas citarei, sem estabelecer preferências. O n. 19, por exemplo, é uma bela paisagem da Lagoa Rodrigo de Freitas. Todos nós conhecemos aquilo, e, contudo, aquilo está visto com olhos de poeta. O pintor não corrigiu a natureza (noutro dia fizeram-me a fineza de atribuir-me este pecaminoso conselho) mas soube colhê-la em seus bons momentos, e ouvi-la cantar dentro da alma antes que tentasse fixá-la no quadro. Não conheço o sr. Baptista, mas não se me dera de apostar que anda namorado. Não há para inspirar o paisagista como essas duas falas benfazejas - a mocidade e o amor.

Outra boa paisagem, a de n. 32: Estação da Mangueira. Estive ali uma vez, aborrecidíssimo, a espera do trem, que nunca mais chegava. Andei e desandei por ali fora… achei o sítio insignificante. Agora, pelo quadro do sr. Baptista, vejo que fui muito injusto: eu não tinha compreendido essa beleza campestre. É que me faltam as tais fadas benfazejas; ô amor ó mocidade!

A Capela Malla Machado (n. 33) não desmerece dos precedentes – e, para que o moço artista não se ensoberbeça, com lhaneza lha direi que maior partido pudera haver tirado da concepção do n. 20: Leitura interrompida. Um mancebo depõe o livro e olha pela janela afora. Medita, cisma… em quê? Na glória? É talvez um novíssimo que sonha acabar com os novos! Deus lhe apresse a realização de tais sonhos e ponha breve termo ao reinado da incompetência! Ao pensamento não correspondeu a execução. O interior penumbrado do aposento faz, com a perspectiva descortinada da janela, um contraste demasiado cru e violento. E a figura não é graciosa, podendo aliás sê-lo sem perder a naturalidade. Quanto ao Repouso (n. 26) o melhor é não falar nele. Direi apenas que representa um mulato (ou caboclo?) de terracota […] e por sinal que muito feio. É o quadro maior do autor, e é também o seu maior pecado.

Eis ali os trabalhos do aluno laureado da escola Nacional… Mas aqui entram a assaltar-me fundadas dúvidas sobre este ponto delicado: será realmente João Baptista da Costa uma feitura da escola Bernardelli-Amoedo? E respondo que não.

O sr. Baptista foi aluno do professor Medeiros, que honrou uma das cadeiras de desenho da antiga Academia, e que foi fraternalmente privado dela pelo sr. Bernardelli, depois de a ter conquistado em concurso e ocupado com distinção durante doze anos. Entregue aos seus recursos quando começou a mirabolante fase dos revoltosos, o sr. Baptista, nada podendo aprender com o sr. Amoedo (e sabemos por que razão) entrou a fazer-se pintor por si mesmo, cultivando de preferência o gênero em que mais podem colaborar a observação e o sentimento próprios: a paisagem.

O sr.. Baptista é professor no Instituto Profissional. Imagine-se com que assiduidade acompanha as lições da escola! Não; o de que ele precisava, deu-lho seu mestre, o sr. Medeiros; o resto tem-lho dado a contemplação da natureza.

Quando esta não se lhe apresenta sob a forma predileta, em várzeas aveludadas e colinas que revestem, como lá diz o poeta das Brasilianas, a verdejante clâmide da terra, - então o sr. Baptista vacila e faz índios de terra cota.

Os demais discípulos da escola são os srs. Fiusa Guimarães, João Macedo, Bento Barboza e Angelo Visconti.

Os dois primeiros são paisagistas incipientes, embora revelando inclinação para o gênero… E notai bem que é sempre a paisagem sempre o ar livre, sempre o terror das lições dos mestres reformadores… Ao ar livre criam asas e ensaiam seus vôos… Pobres rapazes! Possa a mãe Natureza prodigalizar-lhes os carinhos que lhes não podem dar os mestres da escola – umas lições menos verdes que as da Volta do Trabalho e menos imorais que as de Filetas!

O sr. Bento Barboza, além de pintor, é jornalista, - mais uma razão para querer-lhe bem, pois sempre dei o, cavaquinho pela gente que escreve para jornais. Infelizmente nada posso dizer desse cavalheiro como jornalista pois nunca li a Revista Theatral, apenas sabendo que é ilustrada; e, quanto à pintura, só mencionarei o número 44 - Vovó, – título este que que ao princípio me entusiasmou, acreditando que ia ver o famoso canhão que para as plagas do Cócito (linguagem mitológica em homenagem a mitológico [sic] da escola) mandou tantos e tão negregados custodistas; mas logo verifiquei que a Vovó era simplesmente uma triste velhota. Dei-lhe boas tardes e passei adiante.

O sr. Visconti é outro filho da Academia, que, logo após a revolta de 1890, foi mandado para a Europa, naturalmente com o que lhe tinham ensinado os antigos mestres. Entretanto figura como discípulo de Amoedo e Bernardelli! Sempre, e em toda parte, a prestidigitação, aparentando frequência e aproveitamento de todo o ponto ilusórios!

Dos trabalhos do sr. Visconti o que mais me impressionou foi a Leitura (n. 194) bela cabeça metida num livro. As bananeiras (n. 197) tem a singularidade de representar, diante de uma soca dessas plantas, um cordão de que pendem várias peças de roupa. É prosaico, de mau efeito e vulgar como as ruas enfeitadas para festas públicas.

Eis em resumo os alunos de nova fase: dois, os melhores, vindos da antiga Academia, a saber: um que foi logo para a Europa e outro que vai agora e que aprendeu paisagem consigo mesmo. Dos três restantes, dois são ainda paisagistas em começo, - sempre paisagistas sublinho de novo - e o outro na exposição apenas foi pai de sua Vovó, ou bisavô de si mesmo, o que não o recomenda por muito novo.

Vamos aos discípulos de escultura…

Mas aqui tem lugar um zero gigantesco - 0 -, e sinto que não o possa mandar imprimir em tipo garrafal.

Não há alunos de escultura!

Em geral quando se anuncia que um gênio vai reger uma aula afluem os discípulos. Na escola, não: o professor é imenso, é enorme, é colossal - e ninguém quer aprender com ele!

Assim como (pelo teorema de Marial, escritor da Gazeta) quanto mais longe está um diretor de estabelecimento tanto melhor o dirige, assim também quanto mais genial é um mestre, tanto menor o número de seus discípulos! No limite, como me dizia em Maceió o meu professor de matemática, sendo infinito o gênio do mestre, deve ser zero o número de alunos! E assim é na famosa escola, cantada em prosa e verso pela benevolência dos compadres e pela inconsciente bajulação dos pascácios.

A aula de escultura extinguiu-se, é preciso repeti-lo, e extinguiu-se sob o governo autocrático de Rodolpho, o imortal.

O gênio desdenha satélites. Durante muitos anos brilhará sem competência no céu artístico. Concursos, para estátuas a fazer, não os pode querer com estrangeiros o nativista mexicano. Quando uma vez, no senado, se falou de abrir certame para não sei que estátua, levantou-se um pai da pátria e disse que era inútil a concorrência em país onde havia um Bernardelli. Ignoro se depois disto foram todos ao Capitólio render graças aos deuses por ser o aniversário do óbito do academicismo.

Tão somente em pediria vênia para modificar a frase cipiônica que ficaria assim:

– Admiradores do gênio, Bernardelli regenerou o ensino da escultura, acabando com ele. Como os vencedores implacáveis, passou tudo a fio de espada: academicismo, mestres, alunos. Não resta pedra. Só Rodolpho é escultor! Vamos, não no cimo do Capitólio, porque isto seria acadêmico, mas para baixo do cavalo bebericar vinhos gelados!

Cosme Peixoto,

Oficial honorário.

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P.S. Cavalheiro tão discreto quão oficioso escreve-me informando que Marial não é, como talvez eu supusesse (diz ele), o ilustre Lulú Senior, mas sim, um mancebo, fidalfo nas letras por via de hereditariedade. Ao sr. M de A. (tais as iniciais do meu correspondente) tenho que responder que absolutamente jamais confundi Lulú Senior com Marial, cujas vacilações de estreante nunca poderiam ser tomadas pelas manhas do veterano. Se trouxe à baila o bom Lulú é porque ele, diretor da falange Bernadellesca, veio contar onde se mete para apreciar estátuas.

Quanto à fidalguia literária de Marial, apenas lembro que a Constituição de 24 de fevereiro de 1891, vigente pelo menos em parte, aboliu os títulos de nobreza, que aliás não eram hereditários no Brasil, mesmo nos tempos […].

Assim, respeitando a gloriosa ascendência de Marial, mui respeitosamente pondero que, simples alferes republicano, não lhe posso fazer continências como a um príncipe de sangue. Aguente-se balanço!

C. P.

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Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

PEIXOTO, Cosme. O SALÃO DE 1894 IV. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 30 nov. 1894, p. 1.

PEIXOTO, Cosme. O SALÃO DE 1894 V. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 4 dez. 1894, p. 1.

A concisão das respostas de Marial, as másculas energias de seu esilo [sic], a graça inimitável das suas pilhérias - tudo está revelando um escritorzinho de raça, pela próvida natureza deparado para fazer simetria ao sr. Felinto de Oliveira, que na literatura hodierna parecia destinado a resplander [sic] sem rival possível.

A obra do sr. Felinto intitula-se - O Kif. Proponho que deste vocábulo marroquino se faça uns [sic] adjetivo carioca: o seu Marial está muito Kif.

Tendo-lhe assim amarrado este epiteto, que nada tem de contundente, sendo apenas estrepitoso) julgar-me-ia dispensado de contestar-lhe a sua segunda resposta, publicada na Gazeta de sábado; mas sempre algumas coisinhas direi, não só porque isto me diverte, mas para não perder o direito a terceira e talvez mais deliciosa Kifada.

No tocante à velha Academia ouviu Marial inexatidões de que se fez eco inconsciente, o que é grave erro em polêmica, pois me obriga a pulverizar-lhe as inverdades. Estão vivos, e nesta cidade, membros do magistério da Academia e seus antigos alunos: os srs. Victor Meirelles, Zeferino da Costa, Medeiros, Pedro Perez, Brocos, Parreiras - quantos outros? - e todos eles, homens sérios e de bem, podem a Marial atestar que é de todo o ponto falso o não ter nunca havido aula de modelo vivo na Academia. É falsíssimo. Não é leal, nem merece consideração alguma, o informante do inexperto Marial.

Não há um só professor nem um só aluno desse tempo que, se for honesto, se atreva a subscrever a inverdade que sobre pérfida informação Marial teve o mau gosto de atirar à publicidade, arriscando-se a esta contestação em matéria de fato.

Citei acima o nome do sr. Zeferino da Costa, que deve ser insuspeito à grei dominante na escola. Marial há de conhecê-lo. Pois bem! Digne-se de perguntar a esse artista se não é verdade o que vou referir. O sr. Zeferino, quando da Academia foi para Roma continuar seus estudos, logo ao cabo do primeiro ano, entrando em concurso com outros moços estrangeiros, obteve o segundo lugar na aula de modelo vivo. Como o poderia haver conseguido se não tivera sido, como foi, aproveitado discípulo de modelo vivo na academia?

Mais ainda: o sr. Rodolpho Bernardelli, logo que chegou a Roma e ali se matriculou na Academia de S. Lucas, a diversos amigos seus aqui do Rio, escreveu que nada tinha ali que aprender quanto a modelo vivo. Lembra-me ter lido esse trecho numa carta do artista, e certamente não é indiscrição trazê-lo a público. Mais recônditas particularidades tem divulgado o sr. Arthur Mendonça. (Vide Paiz de 23 de novembro. Extremamente Kif!)

Também não é verdade o que diz Marial a respeito das aulas de paisagem. Motta, Muller, Tannay foram excelentes observadores da natureza, e muitos de seus quadros desafiam o confronto com as melhores produções artísticas desta minguada atualidade. O que escreve Marial é mera repetição do que disse o sr. Alfredo Camarate, na mesma Gazeta, quando Grimm começou a lecionar na Academia. Cantou-se, em todos os tons que Grimm inaugurara o ensino ao ar livre. Então Grimm também só ensinava a copiar árvores em tinas? Depois de Grimm lá esteve também na Academia o sr. Parreiras paisagista de elevadíssimo mérito. Também esse mandava levar galhos para os alunos os copiarem a portas fechadas? Quanta injustiça e quanta baboseira!

Não sei se os pobres, se os mendigos professores daquele tempo exultavam de alegria quando de festas ganhavam um canivete e meia dúzia de lápis. É possível. Os de agora são muito mais fidalgos. Além de receberem honorários pelas aulas que fingem reger, mas onde não aparecem alunos têm atéliers fornecidos pelo Estado pra ceiatas [sic] e regabofes e metem-se em vencimentos principescos para representarem a arte na terra da indústria. É assim, é … Mas atenda Marial à diferença dos tempos. Antigamente nós eramos um pais pobre, hoje nadamos na opulência: os recursos do Brasil são inesgotáveis.

Confessa Marial que a escola tem poucos discípulos. Poucos, não; os tem segundo a letra do seu regulamento. Os que lá estão, ou são ainda os antigos, os do pardieiro (como Baptista da Costa, Visconti etc.), ou são alunos do Liceu e da Casa da Moeda, que entraram sem os preparatórios regulamentares.

Conteste-o quem for capaz.

Para explicar o fato, Marcial calunia a mocidade brasileira, dizendo que esta, ao cultivo das artes, prefere a frequência dos frontões e casas de jogo! É curioso! Desta sorte, logo que se espalhou que a escola fora brilhantemente reforma[…] tinha um elenco de professores divinamente geniais, a rapaziada disparou pela jogatina a dentro, tomada de horror às artes e de medonha antipatia aos mestres célebres! Marial é assim: não conhece dificuldades para explicar os fatos a seu modo. Os aristotélicos, embaraçados na explicação do movimento ascensional da água nas bombas, inventaram o horror do vazio; Marial engendrou agora o horror do gênio. Em a gente vendo rapazes num frontão, pode ter a certeza de que são inimigos das artes, afugentados da escola pela reputação genial de Bernardelli, Amoedo & C.!

Eu não digo, meu nobre mancebo, que a extinta Academia fosse impecável e que nela o ensino tivesse atingido as últimas raias da perfeição. O que sustento é, primeiro, a grande superioridade absoluta da obra da arte de então sobre a de agora, que se limita a gêneros inferiores e que, quando levanta o voo, produz botas deplorabilíssimas; e, segundo, a imensa superioridade relativa da Academia sobre a Escola, atendendo-se a que o velho instituto era mui mediocremente dotado no orçamento, ao passo que nada se tem recusado à Escola deserta, que nos custa os olhos da cara, e que só parece útil aos bebedores de vinhos gelados e aos devoradores de cogumelos indigestos. (1)

Para demonstrar (não simplesmente enunciar) e mesquinhez da produção artístico exibida ao último Salão, tenho-me socorrido a diversos processos habituais. Mas acabam prest [...] para o Marial, que é neófito nestes assuntos, e desconfio que em muitos outros. Se aponto uma teoria, citando o autor, ele grita que é pedantismo. Se aludo a obras de arte congêneres das criticadas, diz que não sabe delas, e põe em dúvida que eu as conheça. Se dou as minhas impressões, indigna-se e parece propender à singularíssima ideia de que um crítico só deve externar impressões alheias!

- Ainda o senhor é feliz, exclamava o saudoso Guilherme de Aguiar em não sei que opereta; ainda o senhor é feliz, porque se parece com seu pai! Eu cá sai parecido com vizinho ali do canto.

Meu caro Marial, eu faço crítica como todos a tem feito antes de mim. Cito, comparo, dou as minhas impressões. O senhor, meu caro amiguinho, é que não saiu a seu pai!

Quanto ao pince-nez do busto Benjamin, Marial continua desnorteado. Afirma que já tem visto bustos de Thiers com óculos de mármore! Onde?! Quem assinou tais bustos?! Declare-o por favor. Exiba esses curiosos espécimes ou indique onde podem ser vistos. Se não o fizer, bem compreenderá a falsa posição em que fica.

Outra asserção inverídica: – que todos[sic] as fotografias representam o finado Benjamim com o pince-nez acavalado no nariz.

Está enganado. Os amigos do ilustre morto poderão afirmar o contrário. Tenho visto fotografias (entre elas uma tirada em julho de 1882 na casa J. Insley Pacheco) onde Benjamin Constant figura sem luneta. A Ilustration, de 23 de novembro de 1889, n. 2.439, publicou gravuras sobre a revolução, e entre elas os retratos dos protagonistas do movimento. O retrato de Benjamim não trás luneta acavalada.

Marial fez questão de um erro tipográfico. Eu não disse que "a refração altera a cor da região ocular, dando um efeito muito diverso do que produziriam nos aros seus vidros.
O que escrevi foi que – "a refração altera a cor da região orbicular, dando um efeito muito diverso do que produziriam aros sem vidros." Entendeu agora? Nos prólogos dos livros é costume apelar para a inteligência dos leitores. Felizmente não apelei para a deste moço: ter-me-ia deixado ficar mal.

E o mais interessante é que, arguindo-me de haver encalhado na sintaxe (para o pobre menino a sintaxe é um baixio perigoso!) acaba afirmando que careço de regrinhas de estilo. Quer corrigir erros sintáxicos com regras estilísticas! Major Hermeterio, meu bravo chefe, vê bem o que tens feito! Deixas passar nos exames toda esta meninada que não sabe onde acaba a sintaxe e onde começa o estilo!

Por último, Marial me pergunta que mal me fez o sr. Bernardelli, tão bom, tão cavalheiro, tão amável, etc., etc... Meu Deus! Nada tenha pessoalmente com esse artista, nem com outro qualquer. Quero crer que seja o mais virtuoso dos escultores e o mais […] dos anfitriões. Mas isto não basta… eu não confundo a vida particular do homem com a sua obra artística. Desta só é que tenho tratado, e somente dela continuarei a tratar.

Fazendo-o, julgo prestar bom serviço à verdade e aos legítimos interesses da arte em minha pátria. Profligo [sic] uma coterie audaciosa. Destruo uma claque indecente. Estou no meu direito, e dele me não demove qualquer menino choramigas.. Tirem daqui esta criança.

Cosme Peixoto.

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(1) "Lembras-te do famoso jantar que saboreamos naquela saleta improvisada por baixo da estátua de Osório, saleta que fazia lembrar o túmulo de Rhadamás na Aida, e dos deliciosos cogumelos que nessas ocasiões nos envenenaram?

"Terrível noite!...

.....

"O Vasques e o […] provaram dos cogumelos e nada sentiram. Nós outros […] seriamente enfermos, com especialidade o Brocos, que foi quem mais cogumelos comeu. Durante muitos dias doeram-nos os diafragmas e andamos enverdeados. [sic]" (Artigo assinado A. A., no Paiz de [...])

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Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

PEIXOTO, Cosme. O SALÃO DE 1894 V. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 4 dez. 1894, p. 1.

PEIXOTO, Cosme. O SALÃO DE 1894 VI. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 6 dez. 1894, p. 1.

Lulú Senior saiu a campo no sábado passado (dia de judeu!) no jornal do Rochinha, a Noticia. Como essa folha costuma dar, em fo[…], capítulos falseados da história de 15 de novembro, já muito conhecida, e panegi[…] do sr. Lucena pelo sr. José Avelino, coisa que não sou dos seus mais assíduos leitores. Agora o serei, pois, realmente, não con[…] ao Lulú Senior os foros de verdadeiro […], conquistados e confirmados no labutar […]. Quaisquer que sejam as nossas […], não me impedem de fazer-lhe […]

[…] que não nos podemos entender é em arte, isto porque o meu honrado con[…], ouso dizê-lo sem receio de lhe ofender […]indre, é a negação do bom gosto artístico. […]lheiro estimável por outros títulos, […] Lulú é antes de tudo um pai da vida, […] da bambochata, sem prejuízo da […] entenda-se logo.
[…] escreveu uma vez que - o entusiamo é […]. Este dizer pinta o homem. Quem […] na longa vida desse jornalista, o viu […] na defesa de uma causa vencida? […] dedicações, as resistências hones[…] convictas, os heroicos e resignados […] só lhe merecem chascos, porque ele não os compreende, tudo subordinando aos fáceis preceitos do seu epicurismo horaciano.

Em belas-artes um espírito assim conformado não se pode alar às regiões do sublime, nem mesmo às do belo, e somente paira ao nível do bonito, ou do que tal se lhe afigura, segundo os caprichos da última moda. Proscreve as obras-primas da estatuária grega, e adora Grévin e Bernardelli. De bom grado permitiria que se queimasse a Ilíada e a Jerusalém libertada, contanto que lhe deixassem Catulle Mendes e Armand Sylvestre. Consequente é, pois, quando por bom preço adquire objetos de perspetiva, excentricidades doentias de colorido, e encomenda e paga os desenhos de Belmiro que lhe exornam a folha. Bonecos da Gazeta - chama-lhes ele com uma troça que seria feroz se não fosse involuntária.

Assim, muito não é que Lulú Senior tenha em torno de si constituído um conventículo de artistas, comprometendo-se a defendê-los contra as irreverências das díscolos, dos pedaços de asno como eu, e recebendo em troca, por unânime aclamação dos elogiados, a patente de Mecenas perpétuo e de primeiro entendedor das belas-artes.

A patuscada, uma eterna patuscada que menor risonha não parece, apesar dos primeiros cabelos brancos, impele o ilustre crítico a tudo levar em molecagem - tomado o termo na acepção cortês que lhe dá o dialeto brasileiro. Expõe-se uma bota? Lulú ordena, que a elevem às nuvens, e dócil lhe obedece a caterva dos mancebinhos que ali experimentam os tiros em prol do paradoxo e contra o ancião bom senso. Convida-o um escultor para julgar de uma estátua? Ei-lo que se mete sob o ventre do cavalo, a saborear vinhos gelados, e em seguida escreve um artigo onde comicamente se entrelaçam a nota crítica e a gastronômica. Filho de um honrado negociante em padaria (nem o lembro por ofendê-lo, eu que tenho três avós acendedores de gaz) Lulú adora as croútes e as tartines. Não se lhe pode tocar nelas - e não me admira que tantas vezes me atribua sentimentos despeitosos e inconfessáveis.

Nos templos asiáticos não é licito entrar calçados. - Tirem as botas! gritam as sentinelas aos raros viajantes que por lá se aventuram. Lulú Senior é o contrário… De bom grado deita abaixo todo o nosso passado artístico só para que de um ápice não desmereça o culto das botas.

Tenha Lulú paciência com estas rabugices de um amigo velho e sincero, conquanto talvez demasiado rude. A culpa é sua defendendo o indefensável. Eu não estou vindicando a Academia destruída por Bernardelli [Rodolpho Bernardelli]; o que tenho feito é estudar os frutos do anti-academicismo tão ardentemente preconizado. E vendo que, não obstante os pregões e os rufos de caixa, o laureado escultor mexicano está dirigindo uma escola nacional sem alunos, e já se vê reduzido a dar como seus os discípulos de mestres condenados, não há forças humana (polícia secreta exclusive [sic]) que me obrigue a calar o que ainda tenho por dizer.

O folhetim último de Lulú Senior, que melhor se chamaria o Lulú Cardápio pela roda viva de banquetes em que sempre anda metido (*), é mera repetição dos argumentos, já por mim rebatidos, do inocente Marial. Tem mais estilo e mais espírito - eis tudo. E mau foi que Lulú deixasse ao seu filhinho espiritual (notai bem que não digo espirituoso) as primícias das anedotas de atelier contadas no palácio da rua da Relação, entre duas pinguinhas do fino. Tais historietas referidas pelo menino tinham o sabor das caraminholas desculpáveis em crianças. Lulú, mais velho, não devia repeti-las. Admite-se que um pequerrucho assovie o Bitú; mas atingiria às raias do burlesco ouvi-lo tocado no grande órgão do Instituto de Música. Não se abuse dos grandes canudos.

Pouco valem, portanto, as ridículas e falsas historietas do galho de goiabeira nas aulas de paisagem, regidas por artistas que se chamaram Felix Emilio Taunay, Augusto Muller, Agostinho da Motta, Zeferino da Costa, Grimm e Antonio Parreiras.

Taunay, no dizer de Duque Estrada, autor da Arte Brasileira (trabalho que, sejam quais forem os seus erros, é ainda o primeiro do gênero entre nós) Taunay tinha uma ingênua audácia no copiar "a natureza, era sóbrio no colorido e quase sempre correto no desenho. Augusto Muller mereceu gabos do viajante e artista francês Biard, que tão severo foi aliás para com os homens e as coisas do Brasil. Agostinho da Motta pelo mesmo Lulú Senior é reconhecido como em si tendo a estofa de um grande artista. Zeferino da Costa acha-se vivo, graças a Deus, posto que excluído (não sei como) do ensino oficial. Grimm, faleceu já, mas dele saiu um brilhante grupo de paisagistas: Caron, infelizmente já morto França Junior, o amador émulo de profissionais; e Garcia y Vasquez que se porventura ler o folheto de Lulú, há de sorrir-se com o seu desdenhoso sorriso espanhol, das absurdas e atoleimadas fábulas cuspidas sobre o túmulo de seu mestre. Quanto a Parreiras - esse fechou com chave de ouro a série dos professores paisagistas da Academia, e aí está na pujança do vigor e do talento...

[…]

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(*) Ainda agora se está tratando de oferecer um festim aos figurões que prometeram proteger as belas-artes. Marial, Lulú e Bernadelli mastigarão em honra e a bem da arte.

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Digitalização de Fundação Biblioteca Nacional Acessível em: http://memoria.bn.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

PEIXOTO, Cosme. O SALÃO DE 1894 VI. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 6 dez. 1894, p. 1.

Petrinilha de Lima
Petrus Verdié
Phidias et mon doigt. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 2 out. 1894, p.1.

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<br style="clear: both" />
Foi inaugurada ontem como grande sucesso a exposição geral de Belas Artes. A Gazeta pretende fazer a crítica dos trabalhos expostos, e mais uma revista cômica do Salon, publicando as caricaturas dos artistas e dos quadros.

Para que ninguém tenha o direito de queixar-se, esse trabalho não será feito só pelo nosso colega Belmiro; a todos os artistas e amadores será permitido atirar pedras... ilustradas ao telhado de vidro do seu vizinho. Assim, além do julgamento da crítica, que muitas vezes os artistas consideram mordaz e mal intencionada, os nossos artistas serão julgados pelos seus melhores amigos, os oficiais do seu ofício.

E como á tout seigneur tout honneur, damos hoje a caricatura de Rodolpho Bernardelli, o nosso grande escultor, feita por seu irmão Henrique [Henrique Bernardelli], que lá está brilhando no Salon com a sua estupenda Faceira. A divisa Phidias et mon doigt é uma adaptação à escultura Dieu et mon droit, de que servem ainda alguns representantes da realeza que vai cedendo o passo aos reis dos tempos modernos: homens de talento.

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Digitalização e transcrição de Arthur Valle

Phidias et mon doigt. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 2 out. 1894, p.1.

PRÊMIOS DO SALON. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 31 out. 1894, p.1.

Realizou-se ontem na escola nacional de Belas-Artes a reunião do júri da exposição geral, sendo conferidos os seguintes prêmios:

Seção de pintura - 2ª medalha de ouro - José Julio de Souza Pinto, Belmiro de Almeida Junior, Elyseo Angelo Visconti e Oscar Pereira da Silva; 3ª medalha de ouro - Felix Bernardelli, Manuel Lopes Rodrigues, D. Diana Cid. Francisco Garcia Santos Ollala, Pedro Alexandrino Borges, Benno Freidler [sic]. Menção - A. A. Valle de Souza Pinto, Dona Maria Agnelle Forneiro e Manuel Pereira Madruga.

Prêmio de viagem - João Baptista da Costa.

Na seção de arquitetura foi premiado com a 2ª medalha de ouro João Lodovico Maria Berna.

Na seção de artes aplicadas à indústria - A companhia Argentifera Brasileira e a companhia de Marcenaria Brasileira, com a 2ª medalha de ouro.

A companhia Industrial de Cristais e Vidros com menção.

Não houve medalha de honra nem primeiras medalhas.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Bárbara Kushidonti

PRÊMIOS DO SALON. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 31 out. 1894, p.1.

Presciliano Silva
Pugero Paneral
Pureza Cardoso
Puvis
PUVIS. IMPRESSÕES DO "SALÃO". A Noticia, Rio de Janeiro, 8-9 set. 1904, p. 2.

J. Baptista que já foi João Baptista da Costa é um admirador de paisagens. Para ele não há como um bom campo cheio de sol, ou levemente melancolizado por brumas e nevoeiros. E quando não tem um campo, serve-lhe mesmo um jardim, tanques, ou mesmo uma chácara de couves e nabos. E não deixa de ter razão. É da lavoura e da terra que vêm todas as riquezas. A arte suprema idealizadora do esforço humano, não pode desprezar esse trabalho. J. Baptista vai mais longe ainda, e mostra-se um vegetariano extremado. Para ele não é necessário que o campo seja extenso e abundante. Nem precisa mesmo que seja campo o terreno que ele transplanta para a tela.

Basta-lhe que ele tenha um tufo de ervas ou uma árvore mesmo mirrada. A caça de passarinhos representa um rapaz com uma gaiola na mão à espera que os incautos habitantes do espaço se venham ingenuamente meter na armadilha. É como se vê um belo tema artístico que já Adão conhecera no Paraíso e lhe serviu de agradável passatempo naquela monotonia horrível do Éden. Nem as profundas meditações de Hamlet se lhe sobrepõe.

Quem sabe a íntima psicologia desses peraltas? Apenas aquele quadro assim isolado está incompleto. Falta-lhe qualquer coisa, talvez outro quadro que lhe sirva de pendant, por exemplo A caça de moscas! J. Baptista na pintura faz concorrência ao Dr. Vieira Fazenda e registra na tela os cantos da cidade que lhe parecem mais pitorescos. Lá estão a Copacabana, Manguinhos, a praia do Vidigal e uma escadinha no mesmo Vidigal. A Copacabana podia talvez dispensar esse registro, principalmente depois que desapareceram de lá os cajueiros. A praia do Vidigal e Manguinhos estão também no mesmo caso. Mas a escadinha não é o quadro de J. Baptista [sic] tem a utilidade incontestável e valiosa de um indicador. A escadinha está se vendo que é um lugar perigoso, de um acesso difícil. Todos os cuidados serão poucos e para evitar um desastre é necessário estudá-lo como se estuda um campo inimigo. Só assim se pode subir por essa escadinha. É, pois, o quadro do ilustre paisagista muito útil aos moradores do lugar, principalmente em noites escuras e úmidas. - Puvis.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

PUVIS. IMPRESSÕES DO "SALÃO". A Noticia, Rio de Janeiro, 8-9 set. 1904, p. 2.

Quirino Campofiorito
Quirino da Silva
R. Collin
R. da Silva Benedicto Junior
R. de C.
R. de C. A Exposição Anual de Belas Artes. A Illustração Brasileira, 2. ano, n. 33, 1 out. 1910, p.117-118.

Dois retratos pintados com a maestria soberba de Rodolpho Amoedo, o Amoedo dos bons tempos, sem as lamentáveis inovações de colorido em que seu robusto talento se perdeu durante tanto tempo, chegando a nos dar a triste impressão de que perdera as melhores qualidades de dezembro.

Estão logo à entrada e dão ao visitante uma impressão boa, sólida, de pintura honesta e sadia. Depois logo adiante tem-se a surpresa dos painéis de Pablo Salinas. É uma maneira tão nova, tão diversa do que estamos acostumados a encontrar em nossas exposições... A maneira de pintar é nova... porque tem uma estética antiga, lembra os mestres de antanho, Fragonard, Chardin, um Chardin, que visse claro e luminoso. A primeira impressão chega a desagradável; de dúvida, de artifício, parecem oleografias em sua elegância amaneirada e chic. Mas observando com atenção, vê-se quanto desenho, quanta arte de composição, que primor de detalhes há no Concerto, no Atelier, O Chá, o Tango, e A sobremesa. Apesar das cores sempre bonitas e muito lavadas como em uma aquarela para folhinha os pequenos quadros de Pedro Salinas são pequeninas obras-primas em que, sobretudo, o desenho é levado ao apuro de uma ciência. O quadro A noite tem mais preocupação de verdade e é magnífico.

Agustin Salinas, com as mesmas qualidades de desenho, o mesmo gosto pelos detalhes pitorescos, pelas cenas da antiguidade e os horizontes teatrais tem uma pintura mais larga, mais nervosa, apresenta telas de grande beleza como Colheita de Milho e As Lavadeiras.

Visconti, um pouco acadêmico, tem um bom quadro - Onomástico; Henrique Bernardelli figura apenas com dois retratos feitos com a perfeição desse artista que é o mais completo, o melhor dos pintores do Brasil. Pedro Peres tem uma composição com muitas qualidades - Previsão dolorosa - a figura da criança é agradável, a composição elegante. Infelizmente o outro quadro, Passeio Impedido é de ingenuidade desoladora. Eugenio Latour mostra-se mais uma vez artista de raro mérito e sentimento encantador com a Violeta. O Ceifeiro de Francisco Manna está bem desenhado, mas tem colorido vago. De F. Ferraresi, o Arco degli Orafi é excelente, o Bolle de sapone assaz interessante.

O trabalho de Dario Villares Barbosa Lobos do Mar (que figurou no Salon de Paris) é desconcertante. Parece o trabalho de um principiante que já possui todas as ficelles dos mestres, sabe copiar modelo, mas não tem a autoridade necessária para fazer um quadro. Suas figuras não são más; falta-lhes porém naturalidade, a verdade, que não se exprime apenas pela cópia mais ou menos hábil, falta-lhes vida.

Depois da missa, composição de Coelho de Magalhães, tem desenho louvável, mas cor hedionda; o tríptico de Miguel Caplong [sic] Os três beijos é uma obra em que há audácia e nada mais. A composição é tudo quanto há de mais infantil - desagradável; Luiz Cristophe apresenta uma paisagem com boas qualidades.

E por falar em paisagem. Nunca a natureza do Brasil fora vista e interpretada com a maravilhosa perfeição, que se mostra nas telas de João Baptista da Costa. E todas os seus trabalhos expostos são verdadeiros prodígios de metier e de verdade, são paisagens de Petrópolis metidas em moldura; o homem que assim pinta nossos horizontes é uma glória nacional, uma glória autêntica, que há de sobreviver a muitos nomes hoje aureolados pela fama de coloridos brilhantes e aspectos de fantasia bonita.

Pedro Bruno expôs um bom estudo (n. 21); José Brugo dois estudos magníficos, especialmente o nu e uma anedota Les Affiches, em que há singular sentimento.

Carlos Gomes Fernandes apresenta uma paisagem (tríptica), horrenda, José França várias telas, falsas como Judas durante a traição; D. Gabriella Costa uma composição A Prece, apavorante; Alvaro Teixeira um estudo monstruoso...

Mas o nível geral da exposição é bem superior ao de algumas anteriores; vê-se que houve mais escolha, houve talvez mais onde escolher.

- Na exposição especial de trabalhos de Daniel Berard é lamentável que, a par de trabalhos excelentes, expusessem outros absolutamente indignos.

R. de C.

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Imagens

A. Salinas - Fim do trabalho no campo

João Baptista da Costa - Paisagem de Petrópolis

Dario Villares Barbosa - Lobos do Mar

P. Salinas - A noite

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

R. de C. A Exposição Anual de Belas Artes. A Illustração Brasileira, 2. ano, n. 33, 1 out. 1910, p.117-118.

R. P.
R. P. BELAS ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 ago. 1920, p.4.

SALÃO DE 1920 - O certame do corrente ano, recentemente inaugurado, se não prima pela quantidade destaca-se pela qualidade. Sente-se que os artistas procuraram maiores surtos e desejaram revelar, com maior segurança, às nossas autoridades, condenavelmente indiferentes, e ao nosso povo, inexplicavelmente apático, que há tenacidade, constância, pertinácia, apesar de todos os obstáculos que se apresentam, a partir da criminosa xenomania, que só acha de valor o que vem lá de fora...

A seção mais numerosa, como sempre, é a da pintura. Nela se contam cento e trinta e dois trabalhos, dos quais destacamos, nesta primeira resenha de impressão geral, duas admiráveis telas de J. Baptista da Costa, o mestre consagrado; um excelente retrato, obra prima de Lucilio de Albuquerque; uma primorosa tela de D. Georgina de Albuquerque; as rês produções vigorosamente sentidas de Elyseu Visconti; as obras de Helios Seelinger, em progresso ascendente e entusiasta; a concepção arrojado [sic] de Augusto Bracet; a segurança das cores e a flagrante verdade dos quadros de Rodolpho Chambelland; uma soberba natureza morta de Carlos de Servi; a adorável e poética tela de Levino Fanzeres; as revelações promissoras de Hermogenes Marques; as fanfarras de luz de Navarro da Costa; a admirável cabeça de Otto Büngner; o misticismo insinuante de Carlos Oswaldo; a paisagem sentida [Imagem] de Edgard Parreiras; a vigorosa técnica e o fundo sentimento dos irmãos Timótheo da Costa [Arthur Thimotheo da Costa e João Thimotheo da Costa] e a delicadeza de fatura de D. Regina Veiga. Na escultura destacamos Antonino Mattos com a sua "Escrava", lançada com soberba técnica; o bronze muito humano de Umberto Cavine; os trabalhos magistrais de Magalhães Corrêa; o bronze impressionante de Paschoal Fosca e as demonstrações mais firmadas de dois novos, Martins Ribeiro e D. Margarida Lopes de Almeida. Em gravura revelam-se de pronto Adalberto Mattos com a maestria já reconhecida e D. Dinorah Enéas.

Antes de entrarmos em detalhes de apreciação, que faremos em artigos seguintes, seja-nos lícito dizer que a visita presidencial à exposição não se limitou observação das obras d'arte expostas; as galerias e demais dependências principais do edifício da Escola Nacional de Belas Artes foram visitadas igualmente com atenção, ficando bem patentes as necessidades de ampliação e melhoramento de inúmeras seções do grande prédio, para que ele possa satisfazer às exigências justas, longos anos reclamadas, para beneficio real da instituição. Outro ponto, também a frisar, observado com mágoa, na inauguração, é a ausência quase absoluta dos professores da casa à cerimônia mais cultual que ali se celebra anualmente. Sete apenas foram vistos e a maioria deixou-se ficar em casa, no gozo patriarcal do pijama e das chinelas, como se aquilo nada valesse para eles, nem mesmo o favorzinho de uma desculpa por telegrama ou um recadinho modesto pelo telefone, justificando o ablativo …

R. P.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

R. P. BELAS ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 ago. 1920, p.4.

R. P. BELAS ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 ago. 1920, p.8.

O SALÃO DE 1920 - Professor e diretor da Escola Nacional de Belas Artes, preso, portanto, a mil e um encargos e outros tantos precalços [sic] que absorvem e enervam o administrador, João Baptista da Costa nos surpreende, mostrando que a longa série de caseiras que os cargos lhe proporcionam, não consegue esmorecer a sua dedicação pela arte que abraçou e de que é um dos mais nobres representantes da plêiade nacional moderna. Todas as atribuições e vicissitudes dessa árdua tarefa de dirigir e professar, não o estorvam, quando procura, em horas breves de tréguas, traduzir na tela as impressões impregnadas de encanto da nossa inigualável natureza - Tarde calma e Últimos raios de sol são os dois soberbos trabalhos com que se apresenta este ano à nossa admiração. Em ambos sentimos a mesma verdade, o mesmo atrativo empolgante das nossas águas, das nossas montanhas e da nossa vegetação, em estados d'alma que revelam logo o estilo do artista, sereno e seguro, exato e magistral.

Elyseu Visconti, recém-chegado da Europa, onde trabalhou, como sempre, com devotamento, apresenta três telas, das quais destacamos em primeiro lugar A família; a sua feitura, caracteristicamente pessoal, rodeia o grupo afetivo de um ambiente carinhoso que impressiona suave e deleitosamente. Samotracia é um quadro, com o mesmo gênero de feitura, cheio de suave mágoa a se evolar entre mistos de saudade e de evocação. Cura de sol é um magnífico estudo, cheio de naturalidade de entonações flagrantemente europeias.

A estada do artista no velho continente, no momento das agruras materiais e morais da guerra, não tirou um átomo da sua dedicação pela arte e suas telas são o melhor exemplo do seu real valor.

Um casal de artistas que nos honra, de que podemos nos orgulhar com segurança, cada um deles com seu estilo próprio, mas irmanados ambos pelo meso ideal sagrado, é Lucilio e Georgina de Albuquerque. Lucilio, que é um feixe de nervos feito homem, sempre agitado e ativo, apresenta cinco trabalhos, cada qual excelente. O retrato de sua esposa é, sem dúvida alguma, uma obra de arte a valer, de qualquer modo que seja encarado, esse trabalho por si só bastaria para revelar o merecimento desse operoso e dedicado artista. D. Georgina também figura na exposição com cinco trabalhos, todos admiráveis, destacando-se a Manhã de sol, de uma feitura larga, encantadoramente iluminada. Se outras obras a autora não possuísse merecedoras de seu destaque entre os nossos melhores artistas, seria suficiente a apresentação dessa esplêndida tela para sua consagração.

Rodolpho Chambelland, outro mágico da cor e do desenho, aparece este ano com dois ótimos retratos e uma paisagem impressionante. Em seus trabalhos se divisa de pronto o pulso seguro de um forte e a técnica insinuante de um colorista severo. Não se prende a nonadas de minúcia, e as minúcias se revelam nessa largueza de toques que caracteriza o estilo do artista, senhor absoluto da paleta.

Das quatro telas que nos oferece ao enlevo do espírito Levino Fanzeres, todas repletas desses segredos de luz que o seu pincel desencanta e nos impressiona, o mais tocante é o Ipê florido, onde as cores quentes, vigorosas, tropicais penetram n'alma, como se estivéssemos na contemplação real dessa soberba árvore coroada de ouro.

Continuaremos - R. P.

A Exposição Geral de Belas Artes continua aberta diariamente, das 11 às 17 e das 19 às 22 horas, na Escola Nacional de Belas Artes.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

R. P. BELAS ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 ago. 1920, p.8.

Rachel Boher
Raoul Carré
Raphael Frederico
Rapin
RAPIN. A EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 8 set. 1896, p. 2.

(NOTAS DE UM "RAPIN")

Como só vou às exposições de pintura quando já há poucas probabilidades de lá encontrar gente chic, da que absorve a atenção do visitante tímido, como eu, pelas suas toilettes e pelas suas interjeições preciosas, - deixei passar os seis primeiros dias, e ao sétimo, por me parecer que ao cabo de seis dias já a gente chic estaria farta de ver pinturas - meti na carteira o rótulo da academia, perdão! - meti na carteira o convite enviado pela academia (uma linda elipse em cartão cor de rosa que lembra - guardado o devido respeito, - os rótulos das latas de conserva) e parti.

Quase ninguém. Apenas quatro visitantes - três cavalheiros magros e uma dama gorda - sentados no banco da primeira sala, ali posto para alívio daqueles que com admiração possa ter vertigens.

Todos os quatro - os três e a dama, tinham o ar hipócrita de recolhimento muito vulgar nos touristes que depois de haverem palmilhado a vila inteira em cata de curiosidades enfiam pela porta aberta da primeira igreja - para fugirem à soalheira e esperarem a hora do […]. E […] os vi fitar a mesma tela com o mesmo olhar fatigado, até me pareceu que os quatro - pelo vício de armarem à benevolência dos sacristães - simulavam estar ali para se desobrigarem duma promessa.

Entrei, portanto, confiadamente, tranquilizado já pelo aspecto pacífico dos três cavalheiros magros e da dama gorda - e fui-me percorrendo a sala, bem-disposto a ver e a sentir. Ora, devo dizer que é assim que eu adoro as exposições de pintura: - quando tudo em torno é silêncio e nada pode desviar a intimidade que vai estabelecer-se entre mim e o artista, através da sua tela. É assim que eu gosto de visitar as exposições de pintura e… os cemitérios.

Gosto de demorar em face do quadro que é mais recente esforço do artista ou da lápide que marca o último leito do amigo - para meditar, para conversar e até para discutir com ele.

E quantas vezes sucede que ao afastar-me da tela tenho a mesma exclamação que ao afastar-me da lápide:

- Pobre moço!... Pobre moço!... Deus te dê o reino do Céu!

Ir a exposições de pintura em dias de inauguração (ou de vernissage, como é chic dizer) e visitar cemitérios no dia de finados, são coisas a que não pude ainda habituar-me. Em um, como em outro lugar precisos são o silêncio e o isolamento propícios à concentração do espírito que quer "ver" e meditar.

(?) Quem pode sentir toda a tristeza que se evola do túmulo do seu senhorio, por exemplo, se ao lado chalreia um grupo de costureiras vindas em pandega, para rirem da compunção de certos viúvos que elas conhecem joviais e reinadios?

(?) E quem pode deixar-se possuir pela intensidade trágica de um quadro em que o artista nos mostra uma jovem e fresca pescada feita postas, entre cebolas e pés de salsa, se por detrás de nós uma voz cristalina exclama:

- Que belo almoço para o meu Mimoso!

Ah! Foi para os salons, - principalmente, - que a sabedoria das nações inventou o velho aforismo: - "antes só do que mal acompanhado!"

*

E fui-me vagarosamente ao longo das paredes, vendo e meditando… É necessário aqui um parêntesis. Devo declarar, para não suscetibilizar a vaidade dos mestres, que eu neste mundo apenas procuro uma coisa: - divertir-me. E como fui dotado pelo céu - sempre previdente - de um carater que só deixa de ser jovial nos dois últimos dias de cada mês, - o que eu busco principalmente, para me divertir é a nota alegre.

Rir é raciocinar. (Isto não é meu, é de Camillo.) Ora, como é preciso que também eu raciocine, - rio. E desta vez rio tanto mais à vontade quanto é certo que não há gente para rir como os artistas de atelier.

Feita esta sangria em saúde, com licença…

*

Aqui, uma velhota corada, tipo de camponesa de Romainville, concierge retirada à cultura das carotes, sustenta ao colo um pequerrucho que de sobrolho carregado estica o braço na direção de uma gaiola em que um coelho branco levanta o focinho, curioso e desconfiado. Este quadro que o catálogo nos diz ser a Basse cour de grand-mère - deverá com mais propriedade intitular-se: - A infância do magnetizador.

Na mesma parede e numa tela de dimensões que o assunto, com franqueza, merece, - uma camponesa sentada sobre uma brouette cheia de ervas, medita e desfolha um malmequer. A sua expressão de melancolia é tão evidente que me intrigou durante alguns minutos - mas depois que lhe descobri a causa fiquei compungido!

Pobre moça!.. Se um dia se constipar - que torturas!.. que torturas!..

Como poderá ela assoar aquele nariz - sem narinas?.. Pobre moça!

Ah!..

Esta exclamação sai-me ao ver o retrato de F. de A., muito vermelho, ser forçado a de exibir todo o comprimento do braço esquerdo que por um triz não atravessa a moldura. No seu olhar resignado leio esta lamentação:

- Se eu, ao menos, pudesse dobrá-lo.

Mas não podes! Ah! Querido amigo, não tentes mover-te nem procures sair daí!... Se te levantas não faltará quem diga que esses quadris e essas coxas pertencem à Sra. Pepa, do Timtim… Fica-se sentado, custe o que te custar! Noblesse oblige !...

Inteiror. Uma senhora, (bem gentil, por sinal, apesar do seu ar preocupado) - talvez por mudar de residência - faz leilão. Reuniu todos os móveis e todos os bibelôs num quarto e - enquanto […] o leiloeiro - folheia, sentada um livro de estampas. Bonne chance! - mas eu de tudo isso, só arrematava o livro.

Paraíso (fin de siècle.) Dou-lhes a minha palavra da honra que este título, tal qual o copiei, está no catálogo, com parêntesis e tudo.

Um emigrado, colono, estirado sobre uns pedregulhos cor de chocolate, sopra uma longa fumaça azulada, em forma de trombeta. Tem o sobrolho carregado. Cara de poucos amigos. Em frente uma moçoila sadia, toda vestida de branco, conserva na mão um galho não sei de que árvore e - num plano superior, aparecendo entre os dois, uma figura indescritível, que tem a pender-lhe da cabeça um manto amarelo - estende ao grupo… uma laranja madura.

Mais além, do lado esquerdo, um boi enorme pasta em companhia de dois bois anões e a paisagem sobe pelo quadro a cima, igualmente iluminada, - com laranjeiras em que as laranjas podem ser contadas uma a uma. Soma: Paraíso (fin de siécle).

Ah! fin de siécle, o que mais nos reservas tu? …

61 e 62 - dois retratos de cavalheiros extremamente parecidos talvez porque foram pintados pelo mesmo artista. Um escreve e o outro lê. Serão os irmãos Goncourts?

Os três cavalheiros magros e a dama gorda levantam-se e dirigem para a porto [sic] de saída.

Tanto melhor! Vou ficar inteiramente só.

Não sei porque a presença daqueles quatro palermas começava a irritar-me. Apanharam-me duas vezes a rir e a dar estalinhos com os dedos…

- Como assim? Ah! é exato! É a hora de fechar…

RAPIN

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Digitalização de Fundação Biblioteca Nacional Acessível em: http://memoria.bn.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

RAPIN. A EXPOSIÇÃO DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 8 set. 1896, p. 2.

Raul Bevilacqua
Raul Cerqueira
Raul Deveza
Raul Lessa de Saldanha da Gama
Raul Pederneiras
Raul Pederneiras - Caricaturas
Raul Pedrosa
RAUL. Exposição de Belas Artes O Salão Cômico. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 set. 1912, p.7.

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<br style="clear: both" />

53 - M. Brocos - Presepe do Clube do Chuveiro de Prata, de Santa Tereza

57 - J. Sorolla - Está custando a sair!...

[...] - Rodolpho Amoedo - Chupando cana na catacumba

113 - Lucilio Albuquerque - Xô mosca!

67 - Coelho Magalhães - Natureza morta... na areia

144 - Francisco de Andrade - O Sr. Rio Branco e todo o corpo diplomático

148 - Petrus Verdié - Tem gente!

138 - Antonio de Mattos - Entra Juca! Capoeiragem em gesso

39 - Gutman Bicho - À espera da criança... para embalar

149 - Petrus Verdié - Exposição de cachorros

[...] - M. Capllonch - Adivinhação: Onde está o General Roca?

8 - Arthur Timotheo - Cabeças de vento.

36 - Pedro Bruno - Pescando crianças em Paquetá.

83 - Fiuza Guimarães - Salomelanus

107 - H. Seelinger - Equilibristas e malabaristas orientais.

3 - Alvaro Teixeira - Desalento de Orfeu rachado ao meio.

38 - Gutman Bicho - A boneca de engonço.

140 - Bibiano Silva - Dentista americano ao sair do banho.

141 - H. Cavina - Vênus de milho

155 - Pinto do Couto - Escultura profética: o Sr. Lindopho ao envelhecer.

142 - Corrêa Lima - Falta de água na rua Emerenciana. Reclamação em gesso.

127 - D. Sylvia Meyer - Anna Nica

RAUL [Raul Pederneiras - Caricaturas]

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Digitalização e transcrição de Arthur Valle

RAUL. Exposição de Belas Artes O Salão Cômico. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 15 set. 1912, p.7.

RAUL. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES – O Salão Cômico. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 5 set. 1909, p.8-9.

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<br style="clear: both" />

N. 49 - Carlos de Agostini - Uma mulher da lira mordendo a areia

N. 105 - Alvim Menge - Caricatura do ator Chaby em hora de massagem, depois de uma luta romana

N. 111 - C. Oswald - Reclamo da água de Absalão, o melhor tônico para o cabelo

N. 106 - Alvim Menge - Projeto para um figurino sans dessous

N. 120 - Presciliano Silva - "Nos bolsos ... nicles"

N. 14 - Belmiro de Almeida - O Dr. Passos. Retrato feio a reticências

N. 97 - Francisco Manna - A última medida policial: circulez, mesdames...

N. 33 - R. Chambelland - A dama de copas. Modelo arte nova para cartas de jogar

N. 149 - E. Visconti - "Minha família" ... pintada a confetti

N. 15 - H. Bernadelli [sic] - Um Comendador pouco destro e muito sinistro

N. 83 - J. F. Machado - Pretexto para catar pulgas ... diante de gente

N. 79 - E. Latour - Retrato das calças brancas do Sr. Santos Maia

(continua na 9ª página).

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<br style="clear: both" />

[...] 23 - G. Brugo - Só de uma banda ... ou a equilibrista

N. 20 - M. Brocos - "Acho melhor repartir o cabelo do outro lado"

N. 1 - Angelo Agostini - Teatro de João M [...] em espetáculo de grande gala

N. 150 (Fragmento) - P. Weingartner - "M [...] bonito não chora na cama..."

[...] 21 - Puga Garcia - Alegoria à Assistência P [...] ica, socorrendo uma vítima de automóvel

N. 29 - Mme. Laboriau - Tipo da roça com um cão de raça de pelo ruço

N. 20 - João Baptista - "Carneirinho, carneirão [...] rão, neirão, olhai pro céu, olhai pro chão"

N. 104 - Roberto Mendes - Corso de cabritos em frente à arca de Noé

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

RAUL [Raul Pederneiras - Caricaturas]. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - O Salão Cômico. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 5 set. 1909, p.8-9.

RAUL. O Salão de 1904: notas impressionistas. Kósmos, Rio de Janeiro, set. 1904, n/p.

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<br style="clear: both" />

- Sabe como se parece a saleta?

- Não.

- Com um cemitério da roça quando não hã defunto para enterrar

- !!!

- Bem. Dê-me agora algumas notas impressionistas.

- Aí vão elas:

-

Fiuza mostrou ser simbolista com esta colega. Ninguém melhor interpretou na tela a velha comparação do pescoço de cisne...

-

De Amoedo. Influência da pintura encáustica no crescimento das mãos. Belo sistema para quem não tiver mãos a medir...

-

Este outro, de Machado, deve simbolizar o espanto petrificado de um conhecido conselheiro ao ver que um simples cabrito suporta inalterável o peso de uma matrona.

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<br style="clear: both" />

De Machado - Influência dos cogumelos brancos sobre o penteado de arame e os paletós de palitos...

-

- Este quadros do Snr. Machado deve representar um dominó suspenso diante de dois nus e 5555 pedacinhos de papel de cor...

- Engano seu, é a tentação de Santo Antônio.

-

Pintura a ovo para que a arte não gema. Simbolizou Amoedo, com toda a perfeição, o seio da representação nacional...

-

Angelo Agostini está viciado! Resultado da influência do meio. Quis favorecer os visitantes com dois palpites para o jogo proibido...

-

H. Bernardelli - O comilão

Devorando os dedos, raivoso, por não poder dar conta de um presunto daquele tamanho...

-

Bevilacqua - Soberbo trabalho - O Dr. Ruy Barbosa, aos 15 anos de idade, lendo pela 1a vez um código civil.

-

Petit é incorrigível! Tentando pintar o retrato do visconde do Rio Branco disfarçado no visconde de Ouro Preto, fez enganado, o busto do conde de Figueiredo...

-

É bonito este, de Chambelland [Rodolpho Chambelland], representando uma noite de S. João antes da postura municipal - Não escapou a clássica rodinha de fogo...

-

Tela de Helios Seelinger

- Recreativo quebra-cabeças

- Prêmio ao primeiro decifrador: a coleção de telas expostas pelo mesmo autor. Ninguém decifrará.

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Digitalização e transcrição de Arthur Valle

RAUL [Raul Pederneiras - Caricaturas]. O Salão de 1904: notas impressionistas. Kósmos, Rio de Janeiro, set. 1904, n/p.

Raymunda Delphina da Gama e Costa
Raymundo Cela
Realizou-se ontem o "vernissage" do "Salão" de 1913. O Imparcial, Rio de Janeiro, 31 ago. 1913, p.1.

Imagens

Algumas obras expostas no Salão de 1913 a inaugurar-se amanhã dos artistas: 1) Carlos Chambelland; 2) Angelina Agostini; 3) Sylvia Meyer; 4) Antonino de Mattos; 5) Miguel Capplonch

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

Realizou-se ontem o "vernissage" do "Salão" de 1913. O Imparcial, Rio de Janeiro, 31 ago. 1913, p.1.

REALIZOU-SE ONTEM O "VERNISSAGE" DO "SALÃO" DE BELAS ARTES DE 1930. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 12 ago. 1930, p. 3.

A inauguração oficial será hoje à tarde

Efetuou-se ontem, à tarde, com grande concorrência de artistas, intelectuais e jornalistas, o "vernissage" do "Salão" deste ano.

Em seguida, procedeu-se à inauguração do busto em bronze do professor Rodolpho Bernardelli, decano dos mestres daquele estabelecimento, que durante diversos anos dirigiu, imprimindo-lhe um surto de progresso de que o atual desenvolvimento é um reflexo.

O ato da inauguração foi presidido pelo ministro da Justiça, que ocupou o lugar principal da mesa de honra, ladeado pelo homenageado e pelo professor Flexa Ribeiro, catedrático de história das artes ocupando os demais membros do corpo docente as respectivas cadeiras da Congregação e havendo ainda numerosa assistência constituída de elementos da nossa sociedade e dos círculos das artes e das letras.

A sessão foi aberta pelo sr. Vianna do Castelo às 4 horas da tarde, que deu a palavra ao sr. Flexa Ribeiro, o qual, em feliz improviso, recordou o valor artístico do professor Bernardelli, aludindo à justiça do preito que se lhe rendia e sendo as suas últimas palavras cobertas por aplausos.

Depois, o professor Adalberto Mattos, em nome do Conselho Superior de Belas Artes, saudou o homenageado, cuja carreira artística historiou, evocando as suas grandes obras e salientando os serviços prestados em prol do desenvolvimento artístico brasileiro. As suas derradeiras frases foram abafadas por prolongadas palmas.

A seguir, procedeu-se à inauguração do busto, retirando-se as flores que o cobriam.

Por fim, o professor Rodolpho Bernardelli, em rápidas mas comovidas palavras, agradeceu a homenagem que lhe era prestada, com frases de excessiva modéstia, sendo, após isso, efusivamente abraçado por todos os presentes.

Pouco depois, no salão de conferências, teve início a palestra do escritor Agrippino Grieco, sob o tema "O artista", com que se inaugurou a série de conferências do "Salão" deste ano.

Hoje, finalmente, com as formalidades oficiais de sempre, inaugura-se a XXXVII Exposição Geral de Belas Artes, o "Salão Brasileiro de 1930".

Este ato terá lugar às 2 horas da tarde, com a presença do presidente da República e altas autoridades do país.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

REALIZOU-SE ONTEM O "VERNISSAGE" DO "SALÃO" DE BELAS ARTES DE 1930. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 12 ago. 1930, p. 3.

Regina Veiga
Rembrandt do Flamengo
REMBRANDT DO FLAMENGO. IMPRESSÕES DO "SALÃO". A Noticia, Rio de Janeiro, 22-23 set. 1904, p. 1.

D. Angelina de Figueiredo é uma das muitas moças que este ano concorreram "Salão". E concorreu com quatro quadros, cuja psicologia não se apreende facilmente, só de uma visita à galeria e de um rápido exame às telas. D. Angelina é evidentemente modesta, mesmo muito modesta. Por enquanto não se abalança a pôr nomes pomposos nos seus trabalhos. Também para quê? Ainda é cedo e há muito tempo.

Daqui até lá pode ser que haja um grande acontecimento e então ela se afoitará a pintar a epopeia.

É mesmo um epopeia que ela espera para se definir seguramente. Enquanto isso não vem, com a glória e o renome, D. Angelina vai pintando para não descansar a mão e não esfriar a inspiração. Também não é só de epopeias que vivem os pintores: muitas vezes uma paisagem modesta e humilde vale pelo quadro mais perfeito de uma batalha ou de um juramento de Constituição. E a prova está em que os quadros de batalha pintados pelos nossos artistas estão hoje nos museus, nenhum em casa de comendador. Ora o comendador nestas coisas não se engana: odeia as telas grandes que não lhe cabem em casa e dão um trabalho nas mudanças. Antes uma oleografia, que até se pode enrolar. Por isso e pela sua imensa modéstia, D. Angelina, com esse claro senso que as mulheres têm, apresentou apenas estudos.

Os assuntos são os que mais falam às almas sensíveis dos conselheiros. Vejam bem: um dos quadros intitula-se Nossa casa. Parecendo uma tela de informação, como a Escadinha do Vidigal é um indicador, o quadro de D. Angelina, é um perfeito documento do nosso mau gosto em artes arquitetônicas.

E aí está a psicologia dessa tela modesta e aparentemente inofensiva. D. Angelina pintou-a como um protesto contra as nossas construções e sob esse ponto de vista o seu trabalho só merece louvores, a principiar pelo Sr. Dr. Passos que é um dos maiores reformadores da nossa cidade. O estudo que figura na galeria com o n. 7 é de uma psicologia ainda mais sutil.

Parece que D. Angelina não precisa sair de casa para sentir grandes emoções de arte. Ali mesmo, na chácara da sua vivenda, encontra a alma humana, acessível e fácil à sua emotividade artística. O mundo pode resumir-se perfeitamente nesse recanto representado por vários seres, desde o jardineiro suarento e atrigueirado das soalheiras até os cãezinhos espertos e as galinhas cacarejantes. O seu quadro é um desses curiosos flagrantes da vida doméstica cotidiana. O jardineiro extenuado foi talvez descansar e para que as galinhas não fugissem para a rua, para que os cachorros não barafustassem pela porta fora [sic] atrás dos transeuntes, fechou a porta do muro, escorando-a com a sua enxada, a sua pá e o seu paletó.

Cena perfeitamente humana, conquanto pouco épica. Sente-se bem a […] do jardineiro e o préstimo do seu casaco, da sua pá e da sua enxada para que os cachorros não fujam e as galinhas não vão lá fora desafiar imprudentemente a gula dos gatunos. Tal jardineiro, de certo raro entre os jardineiros pelo seu zelo, merecia bem essa consagração na tela e D. Angelina provou ser uma alma fundamente sensível à gratidão, pintando com carinho e reconhecimento aquela porta, aquela pá, aquela enxada e aquele honrado casaco! - Rembrandt do Flamengo.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

REMBRANDT DO FLAMENGO. IMPRESSÕES DO "SALÃO". A Noticia, Rio de Janeiro, 22-23 set. 1904, p. 1.

Renata Mounier
René Barba
Reportagem Fotográfica. FATOS DIVERSOS. O Malho, Rio de Janeiro, n. 831, 17 ago. 1918, n/p.

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BELAS ARTES

Alguns dos artistas brasileiros que expõem trabalhos seus, no "salon" deste ano, inaugurado, domingo, 11.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Natalia Mano Goulart Saraiva

Reportagem Fotográfica. FATOS DIVERSOS. O Malho, Rio de Janeiro, n. 831, 17 ago. 1918, n/p.

Revista da Semana
Revista da Semana. Rio de Janeiro, ano I, n. 18, 16 set. 1900, p.145.

Imagem

BELAS ARTES NO RIO DE JANEIRO - O Salão de 1900. - TRANSE DOLOROSO, quadro de J. Baptista da Costa

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Digitalização Fundação Bibliotheca Nacional

Transcrição de Arthur Valle

Revista da Semana. Rio de Janeiro, ano I, n. 18, 16 set. 1900, p.145.

Revista da Semana. Rio de Janeiro, ano I, n. 21, 7 out. 1900, p.166, 167, 171.

Imagens

[p.166]

RETRATO DE MLLE. L. M. - (AMOEDO.)

SAÍDA DO BAILE - (AMOEDO.)

A PAINEIRA - (BROCOS.)

[p.167]

GONZAGA, o poeta dos inconfidentes - (H. BERNADELLI.)

CLOÉ - (BERNADELLI.)

A MANGUEIRA - (BROCOS.)

[p.171]

O BODE PRETO - (BROCOS.)

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Digitalização Fundação Bibliotheca Nacional

Transcrição de Arthur Valle

Revista da Semana. Rio de Janeiro, ano I, n. 21, 7 out. 1900, p.166, 167, 171.

Revista da Semana. Rio de Janeiro, ano I, n. 23, 21 out. 1900, p.183.

Imagens

A FIGUEIRA - Brocos

O ALEIJADINHO - Bernadelli [Henrique Bernardelli]

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Digitalização Fundação Bibliotheca Nacional

Transcrição de Arthur Valle

Revista da Semana. Rio de Janeiro, ano I, n. 23, 21 out. 1900, p.183.

Revista do Brasil
RIBEIRO, Fléxa. A ARTE E A MORAL. O Paiz, Rio de Janeiro, 21 ago. 1925, p. 3.

Há quem acredite que os princípios morais são absolutos. É maneira cômoda de confiar-se nas leis da adaptação.

Não pretendo discutir se a moral é fenômeno sociológico evolutivo ou não.

Pela magnitude de tais assuntos logo se vê a impossibilidade de tratá-los eu, e em curto espaço.

O que merece ser focado no momento, é a moral na arte.

Há dias, um quadro foi recusado pelo júri de pintura das Exposições Gerais, sob o fundamento de que o assunto e o modo como estava tratado, principalmente, não convinham às boas regras da moral.

Não sei bem de qual. Mas, se a maioria do júri se referia ao conjunto das normas das boas ações, não é fácil compreender que tem a Arte com a Moral.

Uma obra de arte só deve ser bela. A beleza não é, propriamente, e conforme se atribui a Platão, o esplendor da verdade. Acredito antes que a verdade seja o esplendor da beleza.

Aquela é acidente desta.

Ainda porque tudo que é belo é naturalmente verdadeiro.

Existe a verdade como indicação, como refulgência da Beleza.

Como se vê, o terreno fica fugidio, uma vez que se cuida de esferas metafísicas dessas duas realidades ideais...

Arte não precisa de metafísica; é como as mulheres realmente formosas, que dispensam os adornos: o seu prestígio maior e deslumbrante vive sempre da pura nudez.

Creio que a razão mais profunda da diferença de espécie entre a Moral e a Beleza resulta exatamente da gênese de cada uma.

O sentimento estético é biológico, congenital; ao passo que o moral é adquirido, obra ingente de adaptação.

Aquele está fundamente relacionado com a reprodução da espécie; não escapa à ação genésica da vida. Todo o seu desenvolvimento e esplendor espiritual é apenas fenômeno, complexo embora, de pura dissociação de ideias. No entanto, o sentimento moral resulta de uma contínua, vigilante, dominadora ortopedia afetiva, pelo influxo violento da razão. É a aspiração de uma finalidade abstrata de perfeição que jamais existiu na realidade.

No primeiro há libertação: o homem se integra na natureza; no segundo, domina a escravidão: o homem se justapõe, postiçamente, às convenções sociais.

Todas as modalidades da beleza exaltam a vida; a disciplina moral a deprime e humilha.

Eis por que entre essas duas entidades - moralista e artística - o antagonismo é completo e inexorável.

O artista, criador da própria beleza, em síntese social, é ser libertário por excelência. Ao passo que o moralista, renegado e mutilador, é escravo de suas próprias teorias e convenções.

Como, porém, o lastro fundo da natureza é o mesmo, na constituição ontogênica de ambos, sucede que este se apresenta hipócrita, sonso, velhaco embiocado, enquanto que o outro abrolha generoso, leal, cheio de ímpetos magníficos.

O primeiro é, talvez, mais social; mas o outro é mais humano.

Como o moralista seja, em geral, refalsado e intrujão, vaidoso de suas virtudes, sucede que toma sempre ares de ser aperfeiçoado pelos martírios constantes, a disciplina punidora dos instintos.

Mais próximo deles, impelido na torrente maravilhosa dos sentimentos, o artista se apresenta como homem primitivo, ainda não dosado convenientemente pelos métodos da civilização.

Para não fugir da atração dos sexos, bastará vê-los diante de formas femininas nuas: o moralista arrisca um olho, ávido de concupiscência sopitada, ao passo que o artista imagina logo um conjunto de beleza tangível, que aquela visão daria, exaltando os seus sentidos na realização de uma obra de arte.

São seres incompatíveis, que se não podem unificar.

E eis por que não será possível tomar a moral como critério analítico para obras de arte.

Uma coisa pode ser muito moral, como assunto, e apresentar-se ignóbil como execução.

E de motivo desprezível é possível engrandecer-se o homem, criando a expressão definitiva da vida.

Franz Halls fez de uma feiticeira, de um pequeno e miserável pescador, como de meia dúzia de octogenárias, três largos poemas, intensos de sentimentos, eloquentes de realidades, mais profundos que a própria vida; transfigurou os modelos: deu-lhes caráter universal.

Uma Virgem com o Menino, pintada por um lambe-tintas, será sempre quadro imoral. Mas, artista de gênio, fará de uma cena natural, [...] público condenável, assunto moral.

Que maravilhas, de intenso surto moral, não rebrilham e seduzem na Erótica, de Hokusai, como nas páginas de Felicien Rops? Quem dirá que a Quermesse de Rubens, ainda nos pares que se conjugam nos últimos planos, seja capitulada de imoralidade?

Tudo está em surpreender o flagrante da vida: ela é sempre bela se a soubermos compreender, exalçar, engrandecer, nas correspondências espirituais.

Em cada gota de prazer há um infinito que se oferece à nossa mesquinha percepção. Infelizmente a sociedade é fácil. E escapa-nos o melhor, que só começa depois de termos perdido a fome, pelo pronto enfartamento.

A dimensão de nossa capacidade de gozo é ridícula. Só o artista, sabendo escolher na confusão multifaria [sic] das coisas, consegue dissociar em fibrilhas mínimas as sensações, depurando-as em deleitações voluptuosas, e de tal sorte prolongando a alucinação dos sentidos, no mergulho sensual de impregnar-se na própria delícia da vida.

* * *

São comentários esses que me ocorrem a propósito do quadro Sesta tropical - que o júri da Exposição Geral de Belas Artes, deste ano, recusou, segundo dizem, por imoral, como tema e como arranjo cênico.

Quem examinar a referida tela verificará o engano deplorável. A Sesta tropical deveria, em verdade, ser recusada. Não por este motivo. Ela é ingênua, insignificante. Nada sofreria com sua exibição o pudor público.

O quadro referido é imoral por ser feio. Quero eu dizer por estar errado nos planos, na composição geral. Os corpos estão cheios de "vazios". Verdadeiras bexigas assopradas.

Há nela cabeças falantes; troncos num plano, pernas em outro.

As figuras que ali se juntaram esperam, paspalhonas, que alguém lhes diga para que fim se reuniram.

Sob esse critério, sim: é uma obra imoral.

Tanto essa, como várias outras, aliás, que se ostentam nas paredes do Salão Nacional, e que deveriam ser vendidas, para que se extraísse o óleo tão útil e necessário à lubrificação do pobre mecanismo dos cérebros enferrujados que teimam em borrar excelentes metros de tela.

Fléxa Ribeiro.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

RIBEIRO, Fléxa. A ARTE E A MORAL. O Paiz, Rio de Janeiro, 21 ago. 1925, p. 3.

RIBEIRO, Fléxa. AS BELAS ARTES NA EXPOSIÇÃO. I - SEÇÃO BELGA. O Paiz, Rio de Janeiro, 20 nov. 1922, p.1.

Apesar de maldizentes, os artistas brasileiros têm um traço característico da mais pura originalidade: vivem isolados.

Podem acusá-los de não dar livre curso à sua inspiração, de fugir ao chamamento isolito [sic] de seu destino nas inovações artísticas, que não se exercitarem à mão-tente [sic] com os princípios do desenho; como também de não procurarem ampliar em perspectiva germinais as paisagem mentais de seu espírito na cultura geral: ninguém lhes poderá jamais negar esse esforço, esse heróico abandono: eles vivem sós.

É caso único, talvez, entre os povos civilizados. Em todos os centros de vida coletiva, a sociabilidade, a camaradagem é o laço constante e afortunado que enreda e prende, seduz e consola, os irmãos do mesmo sonho, as almas sedentas das mesmas aspirações. Guildas, ou sociedades, ou reuniões cotidianas, os atraem e, por momentos, os isolam na multidão. Modernamente, os cafés, como os de Paris, substituem as guidas e outras academias dos incaminati com Luizes, Agostinhos e Annibaes Carracci. E com vantagem. Tira o caráter de disciplina às assembleias, e dá-lhes a boêmia e livre confraternidade, indispensável ao florescimento das ideias e dos sentimentos; ao confronto progressivo das técnicas.

Quem não se lembra da Rotonde, boulevard Montparnasse? Nesse centro de artistas, elementos heterogêneos de todas as nacionalidades, formam um todo homogêneo pelas mesmas ideias. Ali convivem, diariamente, em horas aprazadas, após os labores da oficina, pintores, escultores, gravadores, arquitetos, súditos de Lenin, Mussolini, Bonar Law, Poincaré, cidadãos da livre América, homens kemalistas, neo-gregos, nipônicos e boêmios, que se emulam na mais afetuosa irmandade. Por entre eles sorriem, revoam e arrulham os mais graciosos modelos.

Quem se isola - é excelente verdade - mais se aperfeiçoa. Mas a vingar o insular-se, se o convívio foi animado, confraterno, excitador, intenso nas criações de reflexos novos. Convívio e solidão - devem alternar-se, como na natureza, vales e montanhas.

Entre nós, nada de semelhante sucede. O próprio caráter topográfico da cidade concorre para isso: poliópolis vasta: tudo está distante; bairros mesclados, sem fisionomia específica - permitem que os artistas tanto morem no Leblon, em S. Cristóvão, como em Santa Tereza ou em Ramos.

Além dessas condições de ordem material, outras existem de ordem intelectual, que não desejo agora assinalar.

* * *

Deixando à margem esse revelador semblante burguês e pacato da arte brasileira, vou ver o "Salão" deste ano, comemorativo do centenário, e, por isso, da maior importância e significação.

Creio que nunca o certame anual de artes se realizou em condições tão simpáticas e propícias como a presente. As novas galerias, que o zelo e a tenacidade inexauríveis do professor Baptista da Costa conseguiram que se construíssem - permitiram convenientes instalações nas novas salas, aos envios deste ano.

Não me sendo possível, por agora, anotar todos os trabalhos expostos, farei comentário de conjunto sobre cada seção.

A maior curiosidade do "Salão" deste ano é a concorrência dos artistas belgas. Duplamente importante: pelo valor e pela oportunidade que oferece aos jovens artistas brasileiros para examinarem, em vários exemplares, os resultados de certas formas modernas da pintura e de escultura. Principalmente no que diz respeito ao divisionismo, neo-divisionismo e pontilhismo - que vai além de Seurat e Paul Signac - e que são representados por um dos seus chefes - o Sr. Theo van Rysselberghe, de quem creio ter sido eu o primeiro a tratar no Brasil, por 1914. Já o admirava com emoção, desde a sua Hora ensolarada e a Leitura, onde Emilio Verhaeren (cuja efígie Bonnetain medalhou) lê um daqueles ígneos poemas em que emerge campos alucinados, cidades tentaculares e ritmos soberanos, e é ouvido por Mauricio Maeterlinck, Fleix Fenéon, René Ghil e outros da ronda simbolista.

De Theo van Rysselberghe há três quadros que devem ser assinados aos estudiosos: Dame au blanc, Pièce d'eau à Grenade e Arc em ciel. O primeiro revela toda a técnica da divisão dos tons e da mistura ótica para a formação da síntese dominante.

A figura e o ambiente estão banhados de finas vibrações luminosas; e as inquietações da luz dão-nos a emoção da atmosfera. Como isso também se evidencia em Arc em ciel e Pièce d'eau, preciosos exemplares! Quanto as almas juvenis - e principalmente os mestres – deviam meditar no exame de Rysselberghe!

Na seção de pintura, onde há bastantes produtos oriundos da crise da fealdade de que foi atacada, de 1910 para cá, arte francesa, com os cubistas - logo se evidenciam a segurança técnica e as raras qualidades do Sr. V. Gilsoul. Que ambientes! Canal prés de Bruges traz a revelação de poeta e de pintor, dono da perspectiva aérea, senhor da emoção das coisas. No Escalier à Versailles - assunto ingrato, de expressão geométrica – os céus são magníficos, vão longe, e o cântico da hora flui com intensidade: as mesmas qualidades e senhorio se evidenciam.

Como esquecer o Sr Laermans, com o seu Moulin? De princípio, ele parece antipático nas cores e no estúrdio dos tipos; mas convém demorar na contemplação, ou melhor, voltar outra vez a vê-lo: ele tem alguma coisa a nos dizer. J. Gouwellos apresenta uma academia – Ondulations – que está feita com sentimento, graça, inteligência e inolvidável prazer. Sente-se isso na fatura, na verve, como na belle matière. Também se revela com destaque o Sr. M. Verburgh, em Les Modistes: largueza das pastas, sentimento da matéria, a justiça dos tons, dando modulação airosa às figuras, e não sei que de brejeiro na flor espiritual das tonalidades.

Para que mencionar o Sr. Mambour, bem representativo (Derain e Friesz?) com o seu trio microcéfalo? Onde os elementos de anatomia? Mas deixando de lado a compostura somática do homem - que sempre deve ter algum valor - que significam esses três cretinos hemiplégicos, cujos crânios o ímpeto sonoro arrebatou? São abortos que tocam instrumentos que jamais tiveram os perfis e as composições com que o pintor os representa.

Sou espírito libertário, amigo das renovações na arte; mas não me ofereçam a vítima humana com o nariz no umbigo e as orelhas nos glúteos.

Aliás, essa forma alarmante dos discípulos de Picasso – passou. Hoje, ó céus! volta-se à casta pulcritude linear de Ingres. Nem ao menos começaram por Delacroix! Foram logo ao violino de Monsieur Ingres...

Felizmente, o Sr. Mambour tem poucos companheiros que se lhe emparelhem: a maioria lhe é inferior, decididamente inferior...

Na escultura, há dois bronzes de excelência: Mère et enfant, de Lagae, e L'Yser, de Braecke. No primeiro, o envolvimento é sensível e a ternura se evidencia. Em L'Yser, porém, há qualquer coisa de poderoso, intenso; é um instantâneo do ser na atmosfera de bruma; é uma representação; alguma coisa como um flagrante de perfis. Evoca; comove: faz pensar. Essa cabeça de soldado, larga e viva, arrasta, no ímpeto de seu assomo concentrado, o vigor fecundo e imanente de símbolos.

Também o Sr. Wynants se apresenta com interessante tête de soldat, onde há largueza nas massas e particular idealidade na vida interior.

Mas por que o Sr. Mimme se exibe com esse feto ajoelhado, que mais parece um tendal de apófises salientes... fora do lugar? E como o diabo teria modelado o Sr. Puvrez a sua Jeune Fille nue? Tudo em planos como na escultura rudimentar dos negros do hinter-land africano? Os pequenos traquinas costumam lavrar figuras dessa jaz – em molongós ou cascas de melancia...

Mas para que cuidar dessas formas teratológicas de modelagem se L'Yser emerge na memória, aglomerado de forças, impassível, estranhamente simbólico?

E até outro dia.

Fléxa Ribeiro.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

RIBEIRO, Fléxa. AS BELAS ARTES NA EXPOSIÇÃO. I - SEÇÃO BELGA. O Paiz, Rio de Janeiro, 20 nov. 1922, p.1.

RIBEIRO, Fléxa. AS BELAS ARTES NA EXPOSIÇÃO. II - ARTE CONTEMPORÂNEA: PINTURA. O Paiz, Rio de Janeiro, 27 nov. 1922, p.1.

II - ARTE CONTEMPORÂNEA: PINTURA

Se arte é difícil... Muito mais é julgá-la em um meio em que de há muito se excluiu a sinceridade dos conceitos de maldizer ou de louvação. Em geral, os nossos artistas não toleram a menor restrição no valor que eles mesmos se atribuem.

Ora, sem liberdade de juízo, sem sinceridade de análise, - não é possível ao crítico expressar-se com justeza sobre as obras expostas, nem marcar os estágios evolutivos das artes do desenho; e menos ainda procurar humildemente orientar o público no sentido de prestigiar o bom gosto, de enaltecer e avigorar, no seu espírito, os dogmas sagrados da beleza.

É verdade que também os pintores e estatuários poderão fazer considerações bem estúrdias e pitorescas sobre certos goliardos da crítica, ou noticiaristas de coisas de arte. Nesse capítulo ridente, há até, entre os artistas, um pequeno sotisier onde estão catalogadas expressões reveladoras: "Miguel Ângelo esculpe o mármore com o buril"... "Mulher esculpida por um Tanagra"... "puro estilo fantasia"... "museu de arte retrospectiva"....

Embora! Por que não havemos de falar com honesto entusiasmo das amostras de arte, enfileiradas da exposição contemporânea?

Somente para os professores da Escola Nacional de Belas Artes eu me reservo o direito de dar-me por suspeito.

Temo que a lógica afetiva me tende a fazer ver em outro ângulo de luz suas obras: e eu jamais mentiria à sinceridade que jurei manter em relação à Arte: em tudo se pode mentir, menos nessa espera divina da Verdade.

* * *

Artista curiosa, de sensível progresso, é a Sra. Georgina de Albuquerque. A sessão do Conselho de Estado se apresenta excelente como grupo como harmonia, além do arrojo que há no próprio assunto, em relação à tonalidade. Mas por que os três planos não se definiram com mais vigor? Em que valha as qualidades da fatura que revela, não vejo que a Princesa R […] esteja completa: a imperial criatura não assenta toda com o peso do volume. Se o busto é modelado com certo vigor, do tronco para baixo não se sentem as formas.

Manacá, ar livre, bem estudado, com tons risonhos; e se nos Efeitos do sol estão justas as sombras, particularmente as que se projetam no dorso do rapazelho, não compreendo o desenho das pernas do infante, que mais parecem de um jovem que só atingiu à maioridade. Mas como em todas as telas de D. Georgina há frescura e uma certa alegria espiritual, que é bem evidente em Colhendo Flores, embora aí a ação da luz, naquele ambiente, não esteja vista com justeza, pois os valores foram exagerados: forte uns, fracos outros.

Por que as violetas, como se vê à linha da anca até o solo, farão vibrar mais os verdes? E acaso a pele humana tecerá essa ronda de envios luminosos? Por que não há mais consistência nas massas?

Para o observador experimentado - o Sr. Pedro Alexandrino constitui o número excepcional do "Salão". Sua arte em silêncio é magnífica. Tachos e Marmelos rivalizam com Joseph Bail. Com que sabor são acariciados os brilhos vibrantes do tacho areado, a moleza tranquila da toalha! Está justo, crespo, sentido, o caldeirão onde a luz morde os reflexos do metal. Como a escumadeira marca de uma nota vivaz esta natureza morta! e as sombras das fazendas projetadas nos metais? As pequenas manchas de luz que se coam através dos olhos da arupema dão uma graça ridente ao conjunto. Quem teria saído do Copa? No tumulto daqueles objetos inanimados há uma alma que vive com emoção. O Sr. Pedro Alexandrino tem qualidades primaciais entre os artistas brasileiros, e que dão notável destaque: honestidade no desenho, presciência de composição, seriedade no sentimento da matéria, dons da harmonia.

E não sei como a Escola Nacional de Belas Artes deixar-se-há privar de Tachos e Marmelos.

Porque é necessário não esquecer que nas novas salas de arte contemporânea, há muita figura que é menos viva do que qualquer das naturezas mortas do Sr. Pedro Alexandrino.

Creio que um dos êxitos do Rio, nestes últimos meses, foram os retratos do senhor Bror Kronstrand. O pintor sueco exibe cinco retratos: ou antes, um retrato só em cinco molduras.

Não é que o Sr. Kronstrand tenha acentuado e virtuoso estilo, que o marque com tal veemência, que, de longe, ele se anuncie, como se sua maneira fosse seu próprio arauto: e assim, as pessoas se aparentariam para não lhe destruir o modo de pintar. Nada disso. É que seus personagens não vivem: é apesar de serem todos da mesma família, o Sr. Carlos Sampaio, por exemplo, que tem uma cabeça interessante, embora haja dado cabeçadas na administração municipal, parece antes uma abadessa, horas depois de haver engolido doses maciças de calomelanos. Examinando melhor o processo técnico do Sr. Bror, creio que primeiro há desenho e depois uma coloração apropriada convencional. Todos os retratados precisam de um tratamento de Coleína, que como é como quem diz, extrato fluido de fel de boi. Acaso pintará ele com gasolina, ou outro produto do petróleo?

O retrato do Sr. Epitácio Pessoa, além da corcova com que se giba, não tem harmonia, e há nele uma parecença vulgar, antipática, materialona, que tira à criatura esses dons individualizantes do caráter, que unicamente podem assinalar um retrato. Ou será porque está parecido demais?

Os Efeitos do sol (n. 85), do Sr. Levino Fanzeres, traduzem fina emoção: há neles não sei que de tranquilo e enlerante. Por que esse primeiro plano, berra no verde cru em desarmonia com o conjunto, ritmos de montanhas e serenidade de águas?

Que pena o Sr. Marques Júnior não se ter aproveitado melhor do prêmio de viagem! O seu divisionismo é convencional (será possível?) asualmente [sic] absurdo. Haveria aqui, se o espaço permitisse, um colóquio sobre essa matéria. Mas não acha o pintor que como quadro de cavalete esse confetismo exagerado é menos compreensível do que como decoração? Toda teoria precisa de interpretação; e a interpretação é o modo pessoal de ver e exprimir idêntico fenômeno.

Há, em tudo, porém, uma verdade geral: antes do colorido é necessário que existam as massas e as superfícies. E como marcar perfis? - Só pela excelência do desenho.

E digo isso, modestamente, por estar convencido de que ainda nas coisas feias há uma alma de beleza.

Fléxa Ribeiro.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

RIBEIRO, Fléxa. AS BELAS ARTES NA EXPOSIÇÃO. II - ARTE CONTEMPORÂNEA: PINTURA. O Paiz, Rio de Janeiro, 27 nov. 1922, p.1.

RIBEIRO, Fléxa. AS BELAS ARTES NA EXPOSIÇÃO. III - ARTE CONTEMPORÂNEA: PINTURA. O Paiz, Rio de Janeiro, 4 dez. 1922, p.1.

Dizer a verdade é, quase sempre, testemunho de má criação intelectual. Só as naturezas fortalecidas pelo sentido valor estão aptas a recebê-la, medi-la, aceitá-la. Quantas vezes no conceito crítico não irradia e esplende, como luz subitânea, a revelação de fragmentos de nós mesmos, e que, até então, dormiam ignorados.

A sinceridade é alta primazia de admiração. O que todo artista deve querer exigir, no seu julgamento, são três qualidades essenciais no crítico: educação visual, honestidade e poder de compreensão.

E como compreender é também criar, o crítico que se esforça e inquieta, se reanima e entusiasma, para ressentir, repensar a obra de arte - pela flor e pelo perfume de sua espiritualidade - elabora com sua energia, com os estos de sua vida, com os haustos de suas aspirações, nova criação, fá-la renascer outra vez, no mesmo clima de sensibilidade, à mesma luz benéfica das ideias.

Quantas vezes, o pintor, tempos depois, não se confessa, na intimidade de seu ente de razão, e não verifica que as advertências e sugestões que o irritaram foram fertilizantes prestimosos?

* * *

Entre os pintores brasileiros, o Sr. Visconti é figura de exceção. O que mais o assinala é sua capacidade politécnica.

Desde o movimento pré-rafaelita - todas as agudas e constitutivas formas picturais modernas estão registradas com emoção e habilidade em suas telas. Isto significa que ele é espírito particularmente evolutivo. Essa sua aridez espiritual, - aliada à sensível aptidão técnica - fá-lo, desse ponto, exemplo vivo, e único, no Brasil.

A qualidade primaz, dominante, em qualquer obra do Sr. Visconti, de qualquer época, e não importa que fatura, - é o relâmpago de que há ali um pintor e um artista.

Não me cabe agora estudá-la, no que essa qualidade assimilativa importa de vantagens e prejuízos à sua individualidade.

Nestes envios do "Salão" o que se evidencia é o seu neo-impressionismo, isto é, o atento e cuidado estudo das sombras luminosas e das cores e reflexos ao ar livre. O Sr. Visconti é, enfim, e de modo sintético, um impressionista. O mundo é uma sinfonia de cores. Nenhum outro pintor brasileiro, creio eu, já melhor compreendeu o problema do ar-livrismo, como ele.

Um corpo exposto ao ar livre, como se sabe, além dos raios luminosos que não absorve nem decompõe, e que reemite à retina, também reenvia os reflexos dos objetos circunvizinhantes, formando na rede irradiante, uma vibração luminosa em que os tons se dividindo se mesclam e formam, já na retina, como que uma unidade ótica - é o que se chama a cor. Ora, a luz do espaço é profundamente diversa da luz interior da oficina: pois há reflexos e há complementares.

Como se sabe ainda, há entre nós quem desconheça esses princípios, - que ele jamais esqueceu, - e que tente pintura ar-livrista.

No Sr. Visconti, o sentimento do colorido é maior, mais justo, mais previdente do que o das linhas e dos contornos, onde, às vezes, há indecisões.

Ainda nos quadros presentes ao certame o fenômeno se evidencia com segurança: o modelado, às vezes, pode falhar; pode ainda a construção não se estabelecer à agudeza de certos exigentes, - a coloração é sempre exata, preciosa; de elevado sentimentos são as superfícies coloridas. E por que teria o Sr. Visconti exposto frágeis desenhos, como esses que vão de 262 a 272, do catálogo?

E quando falo de desenho, é claro que só me refiro a quando ele é o instrumento apto à transcrição das ideias do pintor, e não como mera e impessoal tabuada escolar.

Outra natureza sensível, de dotes receptivos apreciáveis, é a do Sr. Carlos Oswald: as tendências são, porém, bem diferentes das do Sr. Visconti. Estamos, aqui, em face de um luminista.

Tanto vale dizer de um intimista? É claro que o Sr. Oswald se perde, às vezes - quase sempre - em uma fotofilia bizarra, em que as luzes são trazidas com certa convenção e no intuito de efeitos impressionantes, para destruírem o tom local, mas que não se harmonizam com o ambiente em que elas vão cantar. O que predomina em suas composições é uma espécie de espiritualidade decorativa. Quer ser mais sugestivo; é, porém, mais decorativo. Embora! em todas as suas cenas de fantasmas de luz há um senso místico que as relaciona, - Viva a independência, - que expõe, - parece sair um pouco de seus modos habituais: mas como é delicioso de ternura, de afetividade, essa juventude que ajoelha e se curva! Embora a construção da figura central desagrade, erra no quadro envolvente harmonia que seduz.

O Sr. Pedro Bruno apresenta, entre outros trabalhos, uma grande composição: O Precursor: c'est une machine. Creio que o pintor andou errado na escolha do tema: o desenho não é feliz, o plano se inclina e corre, as figuras não assentam com as cargas no solo.

Entre o Precursor e o homem que lhe veste a alva há larga distância, no solo, o que impossibilitaria este, nem só de tocá-lo, para vesti-lo, como ainda de sentir que o antebaço é quase demais. Esse cidadão, assim de três quartos, oferece tal superfície de costas que se fica a pensar o que seria se elas fossem vistas na sua imponente totalidade! Além disso, os elementos construtivos do grupo não se relacionam, não fazem unidade. Aliás, já que esta mesma inopia [sic] de composição foi observada no quadro a Bandeira, que lhe granjeou o prêmio de viagem: valores, volumes, dimensões nem sempre se acordam para a total expressão. As massas imperantes não regem, na variedade, a coordenação necessária aos efeitos integrais do conjunto. O resultado é o seccionamento dos grupos, a falta de centro de conjunção e irradiação. É claro que não pretendo exigir que o pintor, ainda hoje, se escravize aos dogmas clássicos da composição; mas, dentro da liberdade individual, não é possível fugir a certos princípios que são cardeais na realização de obras dessa natureza.

Entretanto, há na pintura do Sr. Pedro Bruno inspiração, certa idealidade, e como que a procura da bela matéria. Nesse quadro de sirena – Guanabarinos - vive o sentimento de ar livre, de vibração amorosa da cor, irradiante à refração marinha, que são de bem louvar; há mais liberdade na fatura. Por que a Sonia, que tem leveza espiritual na efloração da cabeça, não foi marcada, nas superfícies, com mais vigor? E se assim falo é nem só em relação ao desenho, como também o visionamento interior das formas. Essa figura carece de equilíbrio, parece mutilada.

Há no Sr. Pedro Bruno honestidade no trabalho e vivo desejo de revolução.

Basta, para demostrá-lo, destacar o seu trabalho principal do certame deste ano: Anunciação. Obra sentida, viva, em que o pintor revela, no modelado, no desenho e na coloração, compreensão de certas realidades picturais – o que é o índice remissivo da personalidade.

Retrato de criança creio ser a tela mais significativa do Sr. Leopoldo Gotuzzo. O modelado é bom, o sentimento do desenho é feliz, e, principalmente, o azul de contraste é original e está estudado com carinho. Como de tudo isto, resulta um envolvimento harmonioso das pastas, realçando com sinceridade a expressão da puerícia encantada!

Mas já não perduram essas qualidades na Pensativa, onde não há proporções entre os membros da figura, principalmente em relação a cabeça que, além do mais, não tem vulto, silhuetando-se em um recorte plat. Ora, na natureza só há, afinal, volumes e planos.

O Sr. Antonio Parreiras, com os consideráveis envios deste ano, chegou ao magnífico esplendor das más qualidade no desenho e na pintura.

Não é, porém, uma decadência. São os primevos dotes que agora entram em completo desenvolvimento. Sua técnica é preciosa nas impropriedades que comete: as páginas com que se faz notar, este ano, estão escritas com inolvidáveis erros de sintaxe de construção, grafismos aberrantes e falta de equilíbrio.

Não é crível que esses aborígines fossem deslocadores: pois o Sr. Parreiras os articula como tais. Que ideia, santo Deus, se faz da anatomia humana! e pior ainda: de uma exposição de belas artes, onde, ao menos devem presidir o bom gosto e o senso das proporções! E dizer-se que a pintura é a cópia interpretativa da ação luminosa e colorante da atmosfera sobre os custos!

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O "Salão" sufragará, hoje, o nome do pintor que merecer a mais alta distinção que o certame anual consede: a Medalha de Honra.

Não sendo expositor – a não ser de ideias e tão pessoais que nem servem para que os outros e por isso delas ninguém cuida, - e não podendo, portanto, votar na assembleia dos artistas, posso, no entanto marcar duas possíveis correntes eletivas: Visconti e Pedro Alexandrino. Não faço muita questão de categorias de arte: mas figura e paisagem me comoveram mais que natureza morta, ainda quando é magnífica - conforme já tive o prazer de assinalar - como do pintor de Cerejas e Metais.

Fléxa Ribeiro.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

RIBEIRO, Fléxa. AS BELAS ARTES NA EXPOSIÇÃO. III - ARTE CONTEMPORÂNEA: PINTURA. O Paiz, Rio de Janeiro, 4 dez. 1922, p.1.

RIBEIRO, Fléxa. AS BELAS ARTES NA EXPOSIÇÃO. IV - ARTE CONTEMPORÂNEA: PINTURA. O Paiz, Rio de Janeiro, 11 dez. 1922, p.1.

Por várias vezes têm assinalado o pendor de meu espírito pelas inovações artísticas: assim, recebo, de bom aviso, com alvoraçada simpatia, as tendências moças, ainda as mais perigosas. Convencido como ando de que Arte não evoluciona, mas se renova, vivo sempre a afeiçoar esses surtos benfazejos para as conquistas de novas formas técnicas. Entre a natureza e o artista a luta é eterna e sempre virgem: ela se oculta e vela nos seus sedutores mistérios; e ele vai tateante, ávido, atilado na sua cegueira, procurando apresar-lhe os enigmas da beleza.

A natureza é o grande modelo: o que o artista aspira não é copiá-la, nem reproduzi-la, na sua semelhança externa, na sua parececença vulgar; ele sonha e anseia por alguma coisa de mais profundo e inédito: quer interpretá-la; surpreender na sua vida interior, imortalizar, pela virtude técnica, a movediça efemeridade de seu semblante, como espelho de sua própria alma. Mesmo porque, objetivamente, a natureza é pobre de emoções; mas rica, inexaurível, nas suas miraculosas ressurreições subjetivas. O artista é o que vê e revela o mistério da beleza que se oculta.

Feita a profissão de fé, ninguém me pode acreditar ancorado, tranquilo, no remanso de uma enseada, na configuração geográfica da estética. Nunca, para usar o exemplo clássico, que encontrei divergências, na finalidade artística, entre Ingres e Delacroix: ambos me seduzem e comovem: em um eu sinto com o pensamento, em outro penso com o sentimento. Ambos formam a unidade eleita.

Se o trabalho realizou a beleza, isto é, a "expressão" da verdade de caráter universal, se nele há uma vida interior das formas poderosa e maior que a exterior: - pouco me importa a técnica de que o artista se serviu. Técnica é meio, e não fim. Que assoma e assoberba é a individualidade: afirmar-se é a condição imanente do espírito de todo artista.

Ainda mesmo em artes diversas, essa unidade, às vezes, aparece: Carrière - um dos grandes pensadores da França - pintava na sua monocromia, em planos, como escultor; Rodin - ressurreição impetuosa de Fídias, através de Miguel Angêlo - esculpia marcando valores de colorido, como um pintor.

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Ora, pois, conforme eu ia dizendo, não vejo motivos para não olhar com simpatia os processos do Sr. Helios Seelinger.

Entre os dons naturais e o conhecimento constante de recursos do ofício deve haver sempre harmonia. A aptidão ingênita, que é muito, não é tudo. O Sr. Helios, que tem sentimento do pitoresco, uma imaginação neo-romântica, consegue realizar uma espécie de mitologia realista, não vem este ano ao "Salão" com muita fortuna. O seu tríptico apresenta defeitos visíveis da arte de compor, além que no painel central o desenho não conseguiu transcrever com justeza as formas: do grupo que luta bastaria examinar alguns pormenores anatômicos, e ver-se que uns não estão articulados com veracidade, e outros parece que não foram interpretados, diante da própria realidade. Em "Navio fantástico", por exemplo, tudo está no mesmo plano: o barco é recortado sem naturalidade, imponente em sua massa, mas sem que o pintor não conseguisse dar nada de essencial da caravela. Mas quem poderá negar o Sr. Helios seelinger o dom decorativo, originalidade nas concepções (que começam a ficar monótonas) e, sobretudo, um lirismo jovial e pagão que lhe marca bem uma individualidade em nosso meio, pois não mais é possível aproximá-lo nem de Arnold Böcklin, nem de Franz von Stuck ou Max Klinger.

O Sr. Francisco de Nemay apresenta alguns retratos: como para mim a qualidade fundamental do portrait é um acento da individualidade que ele deve marcar, julgo os trabalhos do pintor obras muito secundárias. Além disso, o Sr. Nemay não procurou expressar os signos reveladores da vida moral do personagem, que deveriam ter sido obtidos por uma observação mais cuidada, meticulosa, alerta e policial-secreta, durante o convívio da pose. Ficaram, desse feitio, as criaturas sem muito caráter. E não sei que espírito mal me segreda que se há certa frescura nas tintas, já o mesmo se não dá com a construção, como pode bem afirmar o retrato de dona Rosalina Coelho Lisboa, que se encomprida na tela, sem volume, em tons frios. Como o Sr. Nemay não marcou a passagem do tom local para as sombras, o retrato não avulta, as distâncias não estão sentidas, a tela continua uma superfície lisa; e como não há equilíbrio entre as superfícies coloridas, a nota dominante não rege nem pontua o concerto cromático. Sem ambiente, não há, em verdade, nem movimento, nem vida, no seu mais profundo sentido.

Com os "Primeiros sons do hino da independência", o Sr. Bracet se evidencia possuidor de uma maneira sua, que parece cultivada com carinho: uma coloração pálida, que às vezes contrasta com o pastoso de certas figuras, como ainda se pode ver no envio deste ano: é alguma coisa que vive ausente, mas que se mostra sem confusão na sua silhueta externa. Infelizmente a perspectiva é falha: o movimento não é exato, as figuras não parecem plenas de volume: há não sei que de vazio.

Da senhora Marieta Galliez só me cabe dizer que ainda não conseguiu unidade em sua fatura pictural, embora seja evidente no seu espírito o sentimento do ambiente interior. Os trabalhos que envia é muito apreciável o "Estudo" (número 144), onde há envolvimento, emoção da hora, delicadeza na interpretação dos tons locais. Mas já os mesmos dons não se mostram no "Trecho do parque do Catete", sem veracidade na atmosfera, e que é um ar livre pintado com efeitos luminosos de interior: onde essa rica multiplicidade de reflexos que é, hoje, o domínio precioso de todas as escolas que derivava do impressionismo, da técnica de Monet, de Sisley, Renoir; neo-impressionismo, divisionismo, pontilhismo?

E a falta de sequência lógica no modo de tratar esses temas de ar livre ainda mais se pronuncia em Tarde: aqui a natureza é de metal opaco; os verdes são crus; a água não tem brilho nem transparência; as formas estão recortadas.

Et, peintre, fier de mon génie,

Je savourais dans mon tableau

L'énivrante monotonie

Du métal, du marbre et de l'eau.

Vejo antes e D. Marieta Galliez um temperamento de intimista, onde as frescas harmonias se encadeiam pelo próprio parentesco que há entre certas cores; o que importa dizer que suas qualidades melhor se expandirão transcrevendo as formas aclaradas pela mesma luz.

Acredito que a revelação deste ano é o Sr. Oswaldo Teixeira, em cuja juventude vários dons preciosos afloram. Se me coubesse dizer alguma coisa ao jovem pintor, diria: "cuidado! alerta! que te querem inutilizar pelos gabos". Já várias promessas reais se tem fanado na estufa do ba-ta-clan dessas gloríolas!

Para quem traz essas qualidades, a salvação vitoriosa estará no equilíbrio entre elas e a disciplina cotidiana no estudo. Estudo que não deve crestar o impulso juvenil e generoso da criação, mas que será o meio perene inigualável para fixar as suas impressões em face da natureza.

Só para conhecer a estrutura íntima das formas, o desenho da matéria "habitada", quantos anos de análise e contemplação, de experiência e meditação?

Tudo está em nós: os aspectos da natureza são apenas motivos para nos revelarmos. Muito do que o Sr. Teixeira ainda hoje compreende, por instinto, o fará, mais tarde, de consciência refletida. No seu "Homem da Rosa" há interesse, certa fantasia lunar que seduz, sem afastar qualquer coisa de espiritual, de mordaz ou farsista. Mas a construção não é sólida; não há consistência nas formas. E por que a luz que aclara a camisa refrange e corre nos cetins que vestem as rótulas ainda desce a iluminar as tíbias? Como é possível alumiar tantos perfis? A avó e D. Juan Tenorio chamam o nosso interesse; apesar de que o primeiro não ofereça unidade nem na composição nem na fatura, pois os pequenos estão convencionais; não parece estudo do natural o pequerrucho.

Mas, que valem esses descuidos e imperícias, diante das reais e afirmativas qualidades no compreender e sentir os corpos e a sua colaboração no ambiente que com tanta viveza se esperançam no Sr. Oswaldo Teixeira? Estudando, trabalhando com afã, conhecendo-se melhor ao rever-se nas obras dos mestres, viajando para realizar esse inter-visionamento e a necessária educação visual, ao par do conhecimento técnico, no confronto dos maiores, - virá a ser um nome na pintura brasileira.

Fléxa Ribeiro.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

RIBEIRO, Fléxa. AS BELAS ARTES NA EXPOSIÇÃO. IV - ARTE CONTEMPORÂNEA: PINTURA. O Paiz, Rio de Janeiro, 11 dez. 1922, p.1.

RIBEIRO, Fléxa. AS BELAS ARTES NA EXPOSIÇÃO. V - ARTE CONTEMPORÂNEA: ESCULTURA. O Paiz, Rio de Janeiro, 18 dez. 1922, p.1.

Raramente se dirá com justeza que a seção de estatuária, do "Salão" do Rio de Janeiro, constitui certame de escultura: em geral, em grande número, o que há é modelagem. Poucas vezes o bronze se mostra; e o mármore é impressionante exceção.

É a convicção de muitos que o verdadeiro original da escultura, não é nem a pedra nem o bronze, e sim no barro em que a obra foi moldado, ou mesmo o gesso para onde ela passou sem muito perder do imprevisto ardente da inspiração. Aí vivem todos os ímpetos e mordidos da primeira fatura.

Mas quem não trabalha na matéria dura não se pode, afinal, dizer escultor. Será no melhor sentido, coroplasta, modelador de figuras em matéria dócil, essencialmente plástica, como é a terra ou a cera.

Já, há anos, tratando do êxito de Dardé - que ficou célebre com o Fauno e a Douleur - sustentei que os "talho direto", em se atacando logo matéria definitiva, após o croquis, retirava do estatuário o intermédio da maquete, e o deixava em contato mais imediato com o mármore, a pedra ou a madeira, podendo ele imprimir, nesses blocos, mais viva e fresca impressão de seu sentir e do sabor vivaz e virgem de suas ideias. O barro, obediente e servil, é uma estação: aí se perpetuam muito mais sutis, finas, imponderáveis emanações de espírito, táteis percepções intransponíveis, improntos de fuga. Muitas superfícies - que eram animadas da modelagem, sobre a fremente pressão do dedo ou a voracidade do desbastador - vão reaparecer, no mármore, totalmente inertes.

O talho direto é a verdadeira expressão da luta do artista com a matéria: e só através dela o seu espírito, refletor da beleza, poderá radiar com serenidade. Aliás, em tudo o intermediário é mau: é claro, entanto, que aqui não vai censura nem condenação ao uso generalizado; mas acredito que nenhum artista de consciência negará a veracidade destes conceitos. O talho direto não tem virtudes estéticas especiais que possam transformar artesão em artista: é apenas um processo. E, empregado convenientemente, em certas realizações, apresenta vantagens preciosas e de forte e misteriosa evidência.

A estatuária moderna francesa – progênie magnífica do gênio de Rodin - aí está para confirmar o acerto: Bourdelle, Abbal, Dardé, J. Bernard. Este último é até um reacionário contra o impressionismo escultórico...

* * *

É verdade que no presente certame há exceção do conceito inicial desta noticia: mármores e bronzes povoam as galerias. Não me sendo possível falar de Correia Lima, começo a parlar com o Sr. Pinto do Couto. Dos envios do estatuário português, o retrato do "Barão H. de M." (n.72), que eu já conhecia, é a obra de mor valia, pois tem vida espacial como massa e planos. Feito com particular sentimento da matéria, há nele senso das linhas interiores das formas: além dessas qualidades técnicas, patenteia ainda caráter e individualidade, que não é bem a mesma coisa. Não sei por que o Sr. Couto decepou, tão bruscamente o barão, pelas rótulas, deixando como cul-de-jatte, em uma espécie de paúl [sic]. De certas disposições particulares do modelo, o Sr. Pinto do Couto se aproveitou com êxito, pois variados planos estão assinalados com viveza, e fazem no jogo de luz efeitos que concorrem à vida do retrato. Em alguns pormenores, como na mão direita, há evidente e emocionado estudo. O cirurgião "Dr. A. V. C" (n. 75), está construído com segurança de quem conhece a profundidade dos volumes e procura da individualidade à expressão. Já no retrato do Sr. "W. B." (n. 70) se apresenta desigual o estatuário: as superfícies são lisas, sem vigor; as faces assim lixadas, polidas, dão impressão de qualquer coisa de fátuo e despido de interesse. Será que o modelo fosse tão amorfo que não permitisse, ao Sr. Pinto do Couto, marcá-lo um poucochinho fora deste tom balofo e vazio? É verdadeira cera perdida... e com ruim defunto. Embora esteja cuidado em valores opostos a este, o retrato do conselheiro "R. B." não me parece ter atingido no visionamento do escultor: é obra de realismo vulgar, sem beleza, dentro da realidade, que o modelo deveria naturalmente inspirar. Não me refiro à beleza, no sentido comum; mas à ideal, que resulta do caráter da obra.

Mas ninguém vence o Sr. Leopoldo Silva na quantidade de exemplares enviados, a não ser o Sr. Finta de Aba. O Sr. L. Silva trabalha com abundância o mármore e usa, com preferência, o bronze. Só isso é motivo de simpatia. Infelizmente, não lhe possa ser gabos porque seus envios se ressentem de certas imperfeições que são fundamentais como elementos anti-artísticos. Suas figuras são rígidas; de uma execução espessa; há nelas não sei que de áspero. O mármore não se aclara nem se amortece; é uniforme. Por outro lado, e sempre de maneira geral, não sinto diferenciações específicas da matéria nos seus trabalhos: cabelos, variações da epiderme, e outros elementos, é tudo a mesma coisa. Na "Esposa da morte", por exemplo, as superfícies são mortas, o corpo não é prismático; o braço esquerdo jaz postiço em movimento que falhou, e que deixa a figura paralisada no tempo. Na Testa de Fanciulla flutua mais vida e creio ter sido estudada com amor em relação aos dotes característicos do modelo. Não sei: mas - como na "Mulher em repouso" (n. 36) - apreendo que o Sr. Leopoldo Silva ainda não domina o ofício, é por ele dominado: o tipo andrógino, assim deitado, está sem muitas faces, como se o corpo fosse uma prancha esquadrinhada com intuitos de talhar xoanas [sic] dedálicas. Pois o corpo feminino (não será um hermafrodita?) cheio de tantas curvas, mavioso em suas ondulações numerosas, glória de ritmos, só apresenta esse aspecto de rigidez cadavérica, ao Sr. Leopoldo Silva? Onde a frescura do granulado do mármore, sugerindo a elasticidade renitente e cálida da epiderme humana? Em todo caso, a "Menina e moça" é uma revelação feliz. Creio, porém, que a falha fundamental da técnica do escultor - é ver as formas como superfícies em extensão, ao invés de considerá-las como vistas de profundidade. Não há, pois, nos seus trabalhos, a consciência da estrutura interna - conhecimento esteológico [sic] seguro - que se pronuncia à flor da pele, com esse frêmito pressentido da tensão muscular, com esse vulto denso que caracteriza a intensidade palpitante da vida na forma animal. Na construção anatômica, no modelado e no movimento está toda arte do estatuário. Entanto, como a pele humana é cheia de numerosas e sucessivas saliências e reentrâncias saborosas, que dão relevo e vigor aos aspectos e a fazem viver como de irradiação sensível, ainda nas superfícies que aparentemente são lisas!

O Sr. Finta de Aba é um artista húngaro, que se apresenta como discípulo de Rodin. Lamento não encontrar em seus trabalhos nada daqueles traços que estrelam arte do grande Mestre francês: nem ciência do modelado, nem movimentos transitórios, nem o desdobramento continuativo do gesto, nem busca desenfreada de perfis que se ligam por meio de planos sucessivos, nem mesmo a superposição do desenho do movimento, ao desenho anatômico, quanto mais a procura do caráter, como padrão de beleza! O que se nota é exatamente a falta de lógica nas suas composições: há confusão de planos, como no "Sonho que se evola". É evidente o desejo de fazer da escultura uma arte dinâmica: as massas estão repartidas arbitrariamente, mas procurando estabelecer jogo equilibrado de forças. Como, porém, o Sr. Finta pareça não se ter apurado muito no desenho, nota-se que esse amálgama de totalidades não fora estudado como faces significativas; além de que representa talhos anatômicos muito duvidosos, como contornos desenhados, ou talvez que os valores não tivessem sido observados com atenção, e as relações de "opacidade e transparência" não correspondam à verdade, entre as formas e o meio em que elas se desenvolvem. O que, porém, se me a figura mais exato é que o Sr. Aba não chega à síntese: é um mundo caótico: tem-se a impressão de um simbolismo teratológico; e os pormenores se aglomeram, à solta, e criam verdadeira sarabanda à vista do observador, que não consegue focar a unidade e ler com clareza as transcrições plásticas da estatuário húngaro. Para atingir à intensidade expressiva, como na "Imortalidade", não se faz mister acumular massas, como em aparelhos poligonais dos pelágios - e sim ver a profundidade dos volumes e a silhueta interior das formas. Ter-se-á, acaso, o Sr. Finta impressionado com as obras de Sudbnine?

É totalmente diversa maneira da senhora Nicolina Vaz Pinto do Couto: e de puro estilo italiano moderno! "A República Brasileira" é lisa, fria, admiravelmente comercial. Não há sinceridade na fatura. Com certa habilidade manual é possível obter assim, nem só essa obra, como a "Cabeça de estudo": tão postiça esta quanto aquela é enfática. De há muito que os italianos se fizeram hábeis feseurs, e enchem o mundo de peças fabricadas como se fossem a reprodução de dado cliché. Na "Cabeça de criança", a ilustre escultora chega a um modo adocicado, mimoso, bonitinho, mas que não é a expressão da vida na sua seleção característica, que deve ser o destino da arte.

Com Beatriz, o Sr. Antonino de Mattos não mostra muito progresso. Mas é evidente que seu espírito tende para certa suavidade, bem longe daquela Escrava, que nada personaliza, nem mesmo o sexo. Mas o artista ainda não consegue sentir com evidência os planos, e as extremidades, daí não ver os volumes de face, em fundo, marcando-lhes, pelos relevos e concavidades, perfis, e permitindo, assim, que se possa contornar a figura sempre por eles acompanhada. É claro, porém, que se começam a aliar, na sua sensibilidade, as realidades das formas com certas idealidades da expressão.

Por que o Sr. Laurindo Ramos tenta já o retrato? O seu "Paulo Barreto" parece mais bexiga, tanto quanto cheia, uma cabaça por cabeça, do que indivíduo humano. Nunca pensei que o bronze pudesse ficar tão lambido. Uma folha de acanto ou outro ornamento clássico, seria tirocínio indispensável. O retrato é uma síntese de caráteres: é necessário não estar peado, discipularmente, pelo aprendizado da técnica, para que a mão liberta fique obediente às impulsões instantâneas da observação. Na estatuária é necessário fixar, das móbeis expressões, a mais típica: só, desse feitio, e por processo de síntese, conseguir-se-á que o retrato conserve, sugira, na sua imobilidade, como energia latente, os signos espirituais e ativos da vida.

Fléxa Ribeiro.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

RIBEIRO, Fléxa. AS BELAS ARTES NA EXPOSIÇÃO. V - ARTE CONTEMPORÂNEA: ESCULTURA. O Paiz, Rio de Janeiro, 18 dez. 1922, p.1.

RIBEIRO, Fléxa. CRÔNICA DO "SALÃO". O Paiz, 22 ago. 1930, p. 3.

FLÉXA RIBEIRO

MODIFICAÇÕES NECESSÁRIAS - OS PRÊMIOS DE VIAGEM - CADMO FAUSTO EM DESTAQUE - VICENTE LEITE, JORDÃO DE OLIVEIRA E SARAH FIGUEIREDO

Na organização dos "Salões" de belas artes, há algumas praxes que devem ser modificadas com urgência e franqueza.

Não se compreende como ainda predomina o critério de dar valor às obras expostas com a premiação em medalhas, de várias matérias, e mais as menções com os respectivos graus.

Um artista não pode ser tratado como escolar. E esboça qualquer coisa pitoresca ver, muitos deles, avançados nos anos, a receber, em cerimônia pública, a cobiçada dádiva, chamados um a um, sob o ruído tabelar das palmas.

Que a Escola Nacional de Belas Artes continue a manter a velha tradição que os franceses nos mandaram, compreende-se porque é maneira analógica com a premiação pelos algarismos.

Mas, o pintor ou escultor que não é ou nunca foi aluno daquele instituto superior de ensino, - não deverá sujeitar-se a essa espécie de julgamento, fora de tempo.

Sem mudar de súbito a usança secular, entre nós, talvez fosse possível tornar-se os prêmios do Salão Oficial muito mais úteis e até mesmo atraentes.

Se todos esses prêmios - medalhas grandes e pequenas de ouro, e também de prata, bronze e menções - fossem traduzidas em dinheiro a título de recompensa do dispêndio e de estímulo aos jovens iniciados da arte, seguramente a eficiência da premiação se tornaria mais fecunda.

Além do mais, o novo critério correria melhor na chama moderna da vida: a realidade imediata, de ordem intrinsecamente útil, como finalidade do esforço da dedicação.

É evidente que num senso puro de arte, despido de qualquer preconceito de academia, o artista não deveria receber, pela sua criação, outro título além da crítica dos seus contemporâneos, uma vez que já teve a maior satisfação que esta lhe poderia dar: a alegria de ter criado, através do sentimento da Forma, alguma coisa de misterioso e inorgânico que havia nele.

Para o pintor, homem de qualidades morais, valerá mais a satisfação de ter realizado transunto de seu eu, do que receber, de uma só vez, todos os prêmios.

Outro anacronismo, e que nem chegou a encontrar tradução em nossa língua, é a usança do hors concours. Acobertado por esse título, o concorrente está dispensado do veredictum do júri.

E sucede, então, que nem mais aquele vago medo de ser recusado o persegue: e, de tal sorte, enfraquece prodigiosamente a polícia secreta de suas produções.

Estas considerações me ocorrem a propósito do Salão deste ano.

Como trato de recompensas, não é demais que me demore um momento sobre os candidatos ao prêmio de viagem.

Nos anos anteriores, o júri se tem manifestado com inatacável probidade no julgamento dos candidatos: elegeu Portinari, e depois escolheu Calmon, e conferiu uma alta distinção a Jordão de Oliveira.

Creio que nos dois concursos examinei com cuidado a produção de Cadmo Fausto. Em ambos reconheci as qualidades de pintor que ele manifestava, numa posse sensual da cor, mas com as falhas que o impossibilitavam de ser premiado. Além disso, no grosso de sua pasta havia qualquer coisa de vulgar.

Acontece que sensível evolução agora se produz: e vejo no Sr. Cadmo Fausto o aumento de imaginação decoral [sic], um sentimento mais seguro na composição, e principalmente a matéria, essencialmente pictural melhorada. Naturalmente que a forma ainda não tem a densidade exigida, há fofo onde se esperava o compacto. Por vezes, uma espécie de cheio meio oco.

Mas certa largueza de fatura, jovialidade de cores; o ar rarefaz em planimetria muito aprazível aos olhos.

Dos três quadros que enviou, os Pescadores se apresentam com mais justeza de movimento: as figuras se compõem num ambiente apropriado, e, além disso, no jogo dos planos, Cadmo Fausto tirou o partido possível com audácia inesperada.

O carvão - Nu - embora ainda amassado sem lógica na expressão plástica, se mostra com desembaraço, num composto cheio de espírito.

São de tal evidência as qualidades de Cadmo Fausto, que não vemos, este ano, quem lhe possa competir no prêmio de viagem.

Constantemente tenho destacado o nome de Jordão de Oliveira. Fui eu mesmo quem o descobriu, anos passados, vendo, sem saber de quem era, um quadro no Salão.

O ano passado, sua paisagem revelava considerável progresso, principalmente pela clareza e limpidez, um sentimento luminoso da sombra, como se ele houvesse realmente entrado na compreensão dos valores na situação do volume no espaço.

Agora, verifico que aquele caminho foi abandonado. Jordão de Oliveira se desdisse a meio pela sua acuidade ótica ou pelo seu descuido no transcrever a forma.

A sua composição não tem unidade nem regência: os três tipos, aliás o mesmo modelo, não se entendem: cada um fala uma língua, e se reuniram sem nenhum propósito pictórico.

Mas será apenas uma inadvertência: ele é um pintor que se vai em breve completar.

Dos outros prêmios de viagem, só vejo Vicente Leite que se revela tenaz na pesquisa de composição paisagística, na conquista da atmosfera. Infelizmente, na primeira desacertou quando pintou aquela série de quadros num quadro só, sem se lembrar que a dominante é a própria ideia dos conjuntos.

No entanto, esse mesmo quadro do pintor, seccionado do meio, indicaria o quanto o jovem expositor tem progredido. A paisagem carioca possui já um envolvimento lúcido: e a cor se irradia naquela neblina de luz que dá poesia aos aspectos da natureza brasileira.

Os concorrentes ao prêmio de viagem nem sempre se mostram em frequente evolução. É o caso da ilustre Sarah Figueiredo. Os desvios se enfraqueceram sensivelmente, em especial no que diz com a construção. Muitos daqueles retratos estão vazios. Além disso, há um abandono no tratar a forma: a pintora não consegue, nem pela pasta, nem pelo modelado, dar unidade ao volume: ele fica impreciso, como se não fosse da matéria que o desenho e o colorido querem sugerir.

Não sou estremado na exigência de princípios clássicos. Em todo caso, da experiência das escolas e das épocas da pintura sempre se deve tirar índice exemplar.

Ou então descobrir, como em ciência, nova verdade, outra face da verdade...

Creio que foi um crítico francês o autor desta máxima: La forme "in se" n'est rien. L'esprit de la forme est tout.

É precisamente esse espírito que eu procuro. Qualquer técnica me agrada; mas que ela me mostre a realidade do ideal que se procura.

Na arte do retrato há mais do que a semelhança: e é para lá da parecença exterior que o indivíduo verdadeiro vive, interessa, sugere, representa.

Além de pesquisá-lo no seu códex moral secreto, há ainda a linguagem precisa para no-lo traduzir. Sem essas duas energias - a física e a plástica - não há retrato no sentido da arte da pintura.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

RIBEIRO, Fléxa. CRÔNICA DO "SALÃO". O Paiz, 22 ago. 1930, p. 3.

RIBEIRO, Fléxa. O SALÃO BRASILEIRO. O Paiz, Rio de Janeiro, 12 ago. 1928, p. 1.

Acredito que nunca se realizou conjunto tão abundante e variado, na seção de pintura como no salão deste ano.

A exposição de arte, que hoje se inaugura testemunha, com clareza iniludível, o esforço considerável, a tenacidade vivaz, o desiderio esperançado, por parte dos pintores e escultores.

Do ponto de vista geral, só há motivos de aplauso e estímulo. Infelizmente, a função da crítica não é pendurar-se desses vagos e balançantes ramos de louvores. Precisa abandonar as dominantes imprecisas, as sínteses remotas, e descer aos casos modais, à individualidade de cada artista refletida, assinalada nas obras expostas.

No Brasil, onde o gosto estético apenas madruga, e onde os yoyos-aleijadinhos [sic] se empavesam de juízes pavonáceos de coisas que jamais hão de compreender, pela obtusidade córnea que os ferrou à nascença, faz-se mister juízos claros, dissociação de valores, pautação de méritos, sinceridade lúcida na apreciação dos que, com tanto afã dedicação e desprendimento, se consagraram, no decurso do ano, ao brilho engrandecido do salão brasileiro de belas artes.

Naturalmente que, num conjunto de perto de 600 trabalhos, não é fácil, desde logo, sem exame repetido, traçar apreciação crítica com rigorosa segurança. A obra de arte não se mostra à primeira contemplação: há nela sempre um mistério de vida própria, de palpitação interior, que se vai desvendando à proporção que nos familiarizamos com os pormenores, com certas tonalidades surdas, com diluídas camadas de inteira construção.

Num salão, como o nosso, a primeira impressão é vaga e geral; de seguida, ela se torna determinada e analítica, bem destacados os sentidos pessoais; só depois por fim, teremos obtido a síntese resultante, como o resumo plástico-dinâmico de todo aquele mundo pictural, que se agita, vive, diminui, amplia-se, na imobilidade aparente das telas.

Afinal, que representam todos esses quadros (agora só falo de pintura) do salão brasileiro? Que intuito tiveram os pintores em realizando aquelas criações? Qual a finalidade procurada?

Traduzir a natureza? Interpretá-la? Encontrar, nessas páginas da vida, a sua própria vida? Achar uma razão de ser da existência? Recolher no mistério esparso das coisas o efêmero onde se ocultam alguns destroços da eternidade da matéria?

Cada um que responda a si próprio. Se não encontrou essa resposta, então, inútil será procurar transplantar para a tela aquilo que é inimitável, uma vez que o modelo será sempre superior à cópia.

A beleza está para a imaginação do sentimento, como o infinito para a imaginação do pensamento.

Nenhum artista até hoje criou expressão alguma de beleza; vários a têm encontrado na alta densidade; e o mundo vive da sugestão que eles espalharam pelo anseio humano.

* * *

De há muito que D. Georgina de Albuquerque se criou personalidade inconfundível. Sua arte é das mais avançadas que o país tem possuído. Observo a evolução da pintora com curiosidade crescente: e a vejo alerta numa conquista contínua de técnica de ar livre, na destreza de surpreender a forma dentro do ambiente luminoso.

Como que um instinto a conduz a pesquisar sempre, na tentativa feliz de renovar sua técnica.

De começo, alguns dos seus quadros de ar livre apresentavam páginas convencionais. Havia esforço maior da inteligência que do sentimento: ela se apossava do volume, na segurança de tê-lo conseguido, abandonando, no fervor e açodamento, a justeza das cores, parecendo, por vezes, desta sorte, que só o desenho exterior seria suficiente.

Por mais de uma vez, e com pesar, tive de fazer reparos desse feitio, e que poderiam parecer menos amáveis, em se tratando de uma senhora. Sei que tal não sucedia: D. Georgina de Albuquerque é um pintor: e, como tal, não necessita de servir-se das convenções dos galanteios sociais para o julgamento imparcial de suas telas.

Na presente exposição, ela aparece com uma pintura magistral: O ordenança. Toda a composição é larga e o pincel curto e forte atacou com bravura, em plena pasta, acentuando, de uma só vez, as camadas coloridas. Principalmente o animal está obtido com muita franqueza e eloquência pictural. Tudo que é secundário foi apenas esboçado: as folhagens do último plano estão pastosas, gordas, cheias, mergulhadas numa indistinção característica, onde tudo se lê bem, sem pormenores impertinentes.

Em atmosfera vista com realidade, o cavalo e o ordenança se enquadram numa espécie de unidade global: pela heterogeneidade descontínua da matéria, transcrita com sabor e visão de colorista, D. Georgina de Albuquerque apresenta o primeiro cavalo construído, como animal, na pintura brasileira.

Os que Victor Meirelles nos legou na Batalha dos Guararapes - são objetos de pão, incertos na própria articulação. Na Batalha de Avahy, de Pedro Américo, temô-los magníficos, mas, como vertebrados simbólicos, seres triunfais, cuja natureza é super-hípica.

De todos os quadros de ar livre que ela tem exibido, acredito não andar longe da verdade dizendo ser O ordenança o mais completo: na unidade da luz e na modulação da cor. Um exame pormenorizado da fatura revelará a simplicidade com que tudo foi conseguido: e, apesar da espontaneidade do toque, há ambiente, além do geral, próprio de cada pormenor. As diversas modalidades da matéria, como pelos do animal, epiderme do homem, farda do ordenança, tudo isso foi pintado com sentimento iniludível da realidade ótica.

Se uma restrição se devesse fazer, seria apenas em relação à ação do ordenança, que parece um pouco fria, como se a pintora ainda não tivesse segurança íntima dos movimentos imprevistos e surpreendentes da marcha.

No Avental branco, a primeira maneira de ar livre ainda se mostra: não me refiro a certos descuidos do desenho; mas, unicamente, ao exagero dos reflexos da pele humana, que se toca de tal transparência, como se tudo fosse diáfano, de uma leve translucidez inquietante.

Apesar dessa persistência - é visível que a artista atingiu, agora, o domínio de si própria: com Visconti e Henrique Cavalleiro constitui a trindade que trouxe luz do dia aos quadros e limpou a pintura brasileira, que era quase sempre sombria, encardida e triste.

FLÉXA RIBEIRO.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

RIBEIRO, Fléxa. O SALÃO BRASILEIRO. O Paiz, Rio de Janeiro, 12 ago. 1928, p. 1.

RIBEIRO, Fléxa. O SALÃO DE 1926 - O "VERNISSAGE" DE ONTEM. O Paiz, Rio de Janeiro, 12 ago. 1926, p. 1.

As direções da pintura brasileira - Clássicos ou inovadores? - Algumas figuras: Visconti; Georgina de Albuquerque; Henrique Cavalleiro; Orthof; Timotheo - Uma promessa: Jordão de Oliveira - Dois novos: Rocha Ferreira e Ivone Visconti

Como um prefácio

Numa inspeção rápida e sumária que ontem fiz à Exposição Geral de Belas Artes, logo me veio a certeza de que o salão deste ano se apresenta elevado de um grau em relação ao seu vizinho último.

Embora tenha havido excessiva tolerância no julgamento das obras expostas - pois há monstros que não deveriam figurar ainda num certame "independente" - deve-se confessar que, em geral, o conjunto se oferece em condições de melhor equilíbrio. Especialmente em relação à pintura.

Quanto à orientação dominante entre os artistas brasileiros - particularmente entre os novos - não posso deixar de verificar a falta de princípios diretores, como também a ausência de total liberação.

Por mais de uma vez já afirmei - e com que agrada íntimo - que não dou a menor importância às escolas. Só me agradam os temperamentos.

Prefiro uma vocação inicial pronunciada, uma sinceridade viva, pronta e receptiva, com vários erros típicos de execução, a uma figura apática, fria, antipaticamente correta.

A perfeição, do ponto de vista da rigorosa correção - é própria dos medíocres.

Só eles não erram. O gênio é caracterizado pelos bruscos e admiráveis contrastes de proporções de grandezas ainda nas pequenas coisas.

O que, porém, não se compreende é o meio termo. Detesto essa indecisão; espécie de amadorismo, em que o indivíduo só se afasta do clássico porque não tem forças para segui-lo.

Quando pode compreendê-lo, copia-o, acompanha-o; é o seu discípulo; se não tem capacidade para tal cometimento, renega-o. E começa, então, a escamotear o trabalho, fugindo das dificuldades por meio de embustes na fatura, com gaguice de quem não sabe falar. Carrega nas sombras, funde fragmentos, que deviam ser modelados, nas trevas enganadoras. E com essa traição técnica acredita-se ultra-moderno: e, nesse capítulo, não há necessidade nem de saber desenhar. Ainda quando se encare o desenho, não como representação caligráfica, nem mesmo como tradução das formas, mas como transcrição interpretativa.

Ora, precisamente entre os novos expositores é o que se nota. Eles não tomaram ainda as rédeas da montaria; ora galopam, ora trotam, mas é sempre o corcel que os conduz: como cavaleiros, não têm iniciativa, nem na direção, nem na arrancada.

Daí, algumas tendências se encontrarem apresilhadas, sem liberdade para os surtos veementes da personalidade.

Se a pintura não é o retrato da vida, no espelho vivo de uma alma, então mal chegará a ser mero brinquedo, de interesse precário.

Eu desejaria que o Salão trouxesse, na maré montante de suas águas, essas flores marinhas, bizarras, que indicam logo a existência de raízes fundas, bem mergulhadas no leito vermiculoso, como valisnerias spiralis, capazes de se desespiralarem, uma vez fecundadas, e de novo volverem ao solo submarino para a alegria da germinação de outros frutos.

Algumas figuras

Pelo modelado, pela solidez, e por esse sentimento particular na densidade da matéria, - logo se destacam, no Salão, os quadros do Sr. Visconti. São qualidades primaciais que se não adquirem facilmente, e que, por si sós, revelam, na significação própria do termo, um pintor. Como não costumo ocultar meu parecer, devo declarar que à alegria simpática das tonalidades preferenciais do artista falta uma correspondência de emotividade, que às vezes, dá às suas telas certa aparência espectante, e não atrativa. O caso é tanto mais curioso, quando o Sr. Visconti não vê as coisas como "motivos" frios; seu olhos de colorista circundam a forma, tomam-lhe a temperatura; sentem-nas banhadas na luz colorida.

Parece, porém, que, depois, o artista se oculta, foge em dar-se todo, e procura ser contemplador de sua própria criação. Dir-se-ia que se guarda para obras de maior envergadura.

Como é ele dos nossos pintores de maior vulto, o que há evoluído constantemente, havendo a sua fatura assinalado um temperamento múltiplo, amplo e sagaz, devemos esperar de sua politécnica trabalhos em que todas as suas ricas qualidades se encontrem na fusão de sentimento alto, veemente, representativo.

Nesse particular, o Sr. Henrique Cavalleiro é bem expressivo, não se esconde; é verdade que ele vai dos erros e confusões de planos à simplificação deliciosa, comovida, como a que apresenta no retrato do Sr. Hernani Irajá. Mas aquelas faltas não no impedem de revelar, nas suas paisagens, essa jubilosa claridade, essas carreiras voluptuosas dos azuis e dos amarelos que erram, aqueles, entre os vermelhos e os violetas e estes entre os laranjas e os verdes esmaiados. Se seu desenho por vezes claudica, suas cores são sempre afinadas, cantam uma lírica suave e vigorosa ao mesmo tempo.

Como D. Georgina de Albuquerque é um dos nossos melhores pintores, ela me permitirá que, com os meus aplausos à sua sensibilidade, às audácias felizes de suas composições - eu lhe manifeste o pesar que tive em ver nas telas que expõe os nus diáfanos; as carnes estão transparentes, como se fossem estranhamente iluminadas por dentro.

Mas, por outro lado, quanta frescura nos tons, quanta riqueza na decomposição das cores! Por vezes, a irraliação [sic] de seus verdes cantam alto, sonoro.

Se uma forma exposta ao ar livre, num ambiente colorido, participa dos reenvios luminosos que a vibração conduz através da massa de ar, e se os azuis vão, à sombra, tomando tons violáceos, ou rubros-mauves, não acredito que a pele humana possuas os reflexos dos metais. Este seria um ponto a merecer algumas considerações.

Um pintor de ar livre deverá ser um realista? Como todos sabem, a pintura impressionista (que melhor divulgou estes processos, sob a influência do físico americano N. H. Rood), chefiada por Monet, Renoir, Sisley e Berthe Morisot, não admite outra interpretação senão aquela que a retina absorvia da realidade.

Como, de fato, não vemos com frequência corpos nus, num jardim ou num bosque, talvez se possa acreditar que os pintores deixam, em tais telas, tanto quanto de sua imaginação.

Haverá realmente estudos de ar livre, como entendiam os mestres impressionistas?

Ignoro as precedências picturais do Sr. Orthof; mas, de suas telas há duas notas bem interessantes, de harmonia originais e simples, tratadas em plena pasta, com sombras ligeiras, que revelam, nem só um conhecedor do ofício, como técnica moderna, onde o modelado dá às superfícies coloridas o volume necessário e suficiente.

Por vezes, a luz que ele fez valer fica um pouco raspada, secando de leve algumas formas que se recortam.

Mas há ali olhos alertas e mão prestamente disciplinada. É uma pintura com certa largueza, e posada de uma só vez.

Já há dias mencionei, no "Salão dos Novos", uma tendência: o Sr. Jordão de Oliveira. Ainda aqui só agrado me causa verificar que não me enganei. Há dois quadros seus bem significativos de uma juventude inclinada à pintura. O retrato a "gris" está modelado com franqueza: ele ataca as dificuldades com o desejo interessado de vencê-las, e não de escondê-las para iludir.

Parece sincero no que faz. Infelizmente, além desse retrato e de um tipo de caráter que apresenta, vejo-o figurar no Salão deste ano com outro retrato, a meio corpo, onde o tratamento é falso: as formas estão escorridas e não têm profundidade.

Só uma coisa lhe posso dizer: fuja das facilidades e das coisas bonitas. Busque nos seres o caráter: sinta-o, faça-o seu, transcreva-o, procure ver justo, e seja sincero.

E acredito que a arte brasileira (a verdadeira, e não a imitada) poderá esperar ver no Sr. Jordão de Oliveira, não muito tarde, um pintor.

Já que falo de "novos", conviria também mencionar, nesta rápida resenha, o Sr. Rocha Ferreira, que promete algo, segundo as falas com que se revelou, este ano, no Salão: é um retrato, em pé.

Quanto aos "premiáveis" para viajar - o Sr. Constantino e o Sr. Candido Portinari - convirá tratá-los com mais demorada observação, pois as qualidades e os defeitos, entre ambos, parece que se equilibram, não sendo fácil, para não ser injusto, assinar, desde logo, a preeminência.

Não poderá, porém, encerrar esta primeira crônica das artes - feita sob a fuga das impressões - sem indicar o nome de Ivone Visconti, que expõe, principalmente, um retrato que merece a atenção e a estima dos que se interessam pelos jovens temperamentos.

E também me apraz concluir com louvores ao Sr. Timotheo [João Timotheo da Costa] - de que tantas vezes tenho divergido - pelo retrato de homem que apresentou: original na posição, como na maneira de paginar, cheio de certa vida, e que contrasta com vigor com o outro retrato, de mulher, do mesmo autor, e onde uma cabeça flutua sem corpo, num vago mar de cores que se esbarram sem fusão e sem conseguirem, pelos valores, dar vulto às formas, nem marcar os volumes nos planos.

Fléxa Ribeiro.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

RIBEIRO, Fléxa. O SALÃO DE 1926 - O "VERNISSAGE" DE ONTEM. O Paiz, Rio de Janeiro, 12 ago. 1926, p. 1.

RIBEIRO, Fléxa. O SALÃO DE 1926. O Paiz, Rio de Janeiro, 13 ago. 1926, p. 1.

ESTÉTICA DA PAISAGEM BRASILEIRA - MUITO SOL E POUCA LUZ - DIFICULDADES TÉCNICAS - DOIS MÉTODOS - PORQUE A PAISAGEM BRASILEIRA É SOMBRIA, DESDE FRANZ POST - HANS PAAP E O PRÍNCIPE GARGARIN [sic] - UM ESCULTUOR QUE SE FAZ PINTOR: PETRUS VERDIÉ

A paisagem brasileira

Por mais esforço que faça o crítico, é difícil poder transmitir aos leitores, imediatamente, as suas impressões de certame artístico de certa monta, sem o instrumento necessário para fixar as suas observações: o catálogo.

Esperamos que em breve aquele guia indispensável seja posto à venda.

Eis porque não será descabido começar hoje por tratar, de um modo geral, da estética da paisagem brasileira.

Sempre que examino os nossos paisagistas, e desde Agostinho da Motta até o Sr. Paula Fonseca, logo me assalta o pressentimento de que a natureza brasileira ainda não foi compreendida na sua total expressão. E menos ainda pelos filhos desta terra do que pelos estrangeiros, como os Srs. Hans Paaap [sic] ou príncipe Gargarin [sic].

Quase todos, e sem excluir Baptista da Costa, empregam receitas europeias para traduzir natureza tropical, em tudo diferente das regiões de clima frio.

Acaso a dificuldade maior não virá da própria essência dos recantos a pintar, neste ambiente de sol?

Onde os trechos de meia luz, onde o sol se atenua, a vibração se colore, ainda com luz pictural, nas demoras das transições luminosas, permitindo ao paisagista fixar as tonalidades justas, e que se alucinam ao envolver certas formas?

Se o pintor vê tudo em perspectiva, são longas massas que se recortam no ar seco; a grandeza de volumes que perdem de valor se são postos na escala das dimensões da tela. Nesses vazios dos planos, as cores dominam, por momentos; mas tão rápidas são as transições que o observador se desespera no tormento vão de pretender anotá-las, naquelas densidades mesmas.

Se limitarmos o campo de nossa visão, e formos buscar o pitoresco, o paisagístico, dentro de uma relação de verticais e horizontais, como num registro certo, - a luz branca, quase sem colorido algum, claridade onde há mais sol do que luz, tudo decompõe, destrói, como se nada absorvesse, e tudo remitisse numa brancura que cega, estonteia e deslumbra.

Reconheço que é um problema de estética e de física cheio de apreensivas complicações.

Não pretendo agora desvendá-lo, sob a verdade meridiana da observação. Mas desejaria que os nossos pintores procurassem examinar esta particularidade de nossa atmosfera, e, depois, em consciência, verificassem se estes conceitos não traduzem uma verdade elementar.
Dos dois métodos acima indicados, evidentemente o segundo é preferível: é o que indica a verdadeira paisagem, como gênero, e que se constituiu desde o advento artístico de Paul Brill.

Para aceitá-lo, o pintor brasileiro terá que mudar de técnica. A usada até hoje, e que no fundo ainda é a "poussiniana", meio itálica, meio francesa, - já está demonstrando não ser capaz de dar às transposições necessárias para sugerir a vida das coisas e dos seres na natureza pinturesca.

Com essa tremulante vibração molecular, em que os vibriões luminosos se propagam em galões veementes e rapidez alucinante, tudo banhado em remitências fulgurantes - só se poderá atingir ao espírito da paisagem brasileira, dando apenas as sínteses em tudo. "Representar o que se vê, e não o que é.

"Detalhar" as coisas, entrar nos pormenores das formas como ourives às rosas de uma jóia, é destruir a expressão dos conjuntos. E com o nosso sol excessivo, no deslumbre vertiginoso das cores que morrem - o paisagista só se deve ocupar com a simplificação de todo aquele caos luminoso para poder expressá-lo.

Desse ponto de mira, o príncipe Gargarin tem, de certo, melhor compreendido a natureza brasileira. Por vezes, como no Em descanso, que expõe no Salão, falta-lhe o poder de emprestar consistência à matéria, de dar peso às coisas pesadas. Sendo as qualidades de coloração que este seu quadro apresenta, em tudo diferentes do que se pratica entre nós, - é evidente que os barcos não estão construídos com matéria sólida.

As clarezas das coisas, só são vistas, assim, nas obras do Sr. Paap e do Sr. Cavalleiro: sendo que neste o processo é todo da escola francesa moderna.

Em geral, a nossa paisagem é escura, dominada pelos tons surdos. E os nossos paisagistas como que lhe emprestam colorido convencional.

Aqui convém relembrar o que já escrevi.

Pois é sabido que, desde Franz Post, toda a paisagem brasileira é sombria.

Será porque onde há muita luz há pouca cor? Haverá, como já afirmei várias vezes, um erro em se considerar o Brasil terra de paisagistas, só porque há excesso de sol? Ou ainda dependerá aquele fato da hora preferida, para se fixar o estado da natureza, ser frequentemente entre onze e três da tarde?

Mas quem nos diz que a verdade de semelhante fenômeno está em outra coisa? E, se procurássemos razão mais funda, quem sabe se não na iríamos encontrar, simplesmente, na falta de estudos mais conscientes do ar livre, do empório dos reenvios luminosos, dos reflexos ambientes, das complementares numerosas?

E, se o paisagista brasileiro sentisse predominantemente as massas, mas como os seus pormenores representativos, e sem as inúteis particularidades, e, assim, na sua execução, nos desse tão somente o total significativo? Porque afinal esse acabado do desenho, no pormenor - real, existente, mas não sintético - leva-o há por de certo, a dada perfeição acadêmica, escolar, mas com inevitável prejuízo da interpretação das correspondências, da clareza decorativa necessária, dos surtos emotivos e globais na transcrição das formas, do ambiente atmosférico livre em que elas vivem e se desenvolvem constantemente.

Toda paisagem é um ser vivo. Ser espiritual, que apenas se serve dos aspectos materiais da natureza, como a alma do nosso corpo, para falar, exprimir-se, significar, agir, amar, sofrer, viver. A paisagem habita em nós. Ela é sempre um panorama da alma, que os olhos podem contemplar. É como espelho em que os estados do nosso pensamento emotivo se refletem, e se irradiam.

Desse ponto de vista, a paisagem é mais do que a figura: é esta espiritualizada em numerosas essências pessoais, reveladoras, que germinam e florescem em ambiente decorativo. É uma sucessão de ritmos.

É larga transposição de valores, como se a própria paisagem fosse mais música do que pintura, mais arte dinâmica do que estática.

Cada indivíduo nela se revê e se encontra: e conhece-se a si mesmo.

Ainda na decorrência dos conceitos sobre a paisagem, conviria lembrar que o professor Petrus Verdié não se afasta muito da tradição francesa, mesmo nesta natureza tropical. No entanto, ele sabe que os orientalistas, com Fromentin à frente, e os mais pessoais, como Gaugain [sic] que se taitizou completamente, buscaram logo novas técnicas, mais de acordo com a regiões que se propunham a reproduzir.

Mas, o caso do Sr. Verdié é todo especial. Sendo escultor, e de longa data, só agora se dispôs a pintar.

Quem viu os seus trabalhos do ano passado, reconhecerá os sensíveis progressos que tem feito. Talvez que ingênita timidez o tenha impedido de atrever-se mais, ousar com tranquilidade emotiva, se assim me posso exprimir.

Do conjunto dos seis trabalhos que expõe, as desigualdades atestam o desejo vivo de aperfeiçoar-se. Ele busca com evidente propósito resolver a equação de seu temperamento e da natureza que o cerca.

De suas paisagens, eu prefiro Maisons, onde os pormenores o ocupam menos, e a coloração se afina mais. Le morne englouti, trabalho de maior vulto - foi feito" demais: em todos os planos as têm importância, são marcadas com vigor geométrico; a luz rarefeita, seca: e tudo isto lhe dá certo aspecto fotográfico pela exatidão exagerada. Talvez não me engane, dizendo-lhe que a transposição deve dar o que se vê e não o que existe, realmente.

Na natureza morta, o acabado das frutas tirou-lhes a densidade que resulta das captações das massas essenciais.

No entanto, La femme au Collier atesta excelente caminho na conquista da simplificação representativa. É um retrato tratado com certa largueza, sentimento dos valores: e as pastas se modulam com espessura, dando corpo às cores, e profundidade às formas. É aí que se compreende bem o escultor: pinta com o sentimento das três dimensões. É uma afirmação.

A crônica de hoje já se alonga: mas não posso deixar de referir-me aos desastres do Sr. Santiago [Manoel Santiago] e Almeida Junior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior].

Conforme já disse, aceito todas as escolas e todas as faturas. Mas, francamente, o Sr. Santiago não desejo [sic] interpretar os modelos que escolhe.

As obras que enviou ao salão este ano parecem vistas dentro de um aquário: há nelas qualquer coisa de postiço, de flutuante, de falso que nos fez pensar não nos estar dado, o Sr. Santiago, a expressão sincera de sua visão.

O pintor tem certo pendor para representar lendas amazônicas: para isso é necessário a energia de abstração e a capacidade de resumir picturalmente. Como não sintetiza, isto é, não apresenta os motivos essenciais, e morde os modelos em pormenores falhos, sucede que há um amalgam [sic] de formas e de cores, sem subordinação.

Ainda no "jazz-band" há certa unidade, e é o que permite surpreender-se o mecanismo dos acordes.

Quanto ao Sr. Almeida Junior... só deveria tomar contas ao júri... mas o júri de arte, como o outro, o criminal, absorve mesmo com provas irrefutáveis nos autos, ou até com as confissões do próprio réu.

E fiquemos nesta figura de retórica.

Fléxa Ribeiro.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

RIBEIRO, Fléxa. O SALÃO DE 1926. O Paiz, Rio de Janeiro, 13 ago. 1926, p. 1.

RIBEIRO, Fléxa. O SALÃO DE 1926. O Paiz, Rio de Janeiro, 14 ago. 1926, p. 1.

AINDA A PAISAGEM BRASILEIRA: FANZERES E PAULA FONSECA - OUTRAS FIGURAS: BRUNO; GUTTMAN; SARAH; SYLVIA MEYER; TERUZ - OS CONCORRENTES PRINCIPAIS AO PRÊMIO DE VIAGEM: CONSTANTINO E PORTINARI

Ainda a propósito do que ontem disse, referente à necessidade de uma outra interpretação da paisagem brasileira, vejo agora que o Sr. Levino Fanzeres apenas confirma a regra. As suas paisagens, de um certo sentimento delicado, são também sombrias. Em Efeitos de Sol, se o contorno geral é bom, a árvore que domina a composição foi vestida, na fronde, de cor convencional. Custa a crer que o pintor ativesse [sic] estudado do natural. Não é bem o mesmo que se dá com Recanto poético: o colorido parece mais justo, e o sentimento mais evidente; no entanto, uma certa indistinção nos planos perturba a visão binocular do observador que encontra dificuldade em repousar no elemento dominante.

Dos quadros do Sr. Guttman Bicho, um sincero no trabalho que executa, prefiro o Ar livre. É uma paisagem larga, clara, cheia de ar, e onde as cores se acordam em tonalidades amáveis; há um pouco da influência dos neo-impressionistas. Infelizmente todas essas apreciáveis qualidades, que numa tela culminam, são destrocadas pela figura do primeiro plano. A dama parece inteiramente fora daquele ambiente. Não respira nem vive na atmosfera que envolve o jardim: parece ser criatura habituada aos campos rarefeitos. Para trás, bem para trás, vive o ar respirável!

Quanto lucraria a composição se a figura humana, não lhe tirasse a significação panteísta?

Quem observa, com um pouco de atenção, a obra do Sr. Bicho, logo verifica que o seu desenho é fraco. Não que eu me agarre a força mágica desta palavra - desenho; em todo caso, para dar volumes, e mesmo para distribuir as cores, nos efeitos dos valores, é indispensável a capacidade de dar o rendu das formas.

No caso presente, como que se deseja logo indagar se realmente aquela figura foi estudada, no conjunto da composição, se ela foi executada ao ar livre, ou pelo menos se à sua presença, o pintor anotou os valores nas transições do colorido...

De sua viagem à Europa, o Sr. Paula Fonseca trouxe ao Salão duas paisagens: Mercado de Florença e Recanto do Jardim de Luxemburgo. Melhor este: onde as pastas foram postas para efeitos sumários. E além do mais há certo encanto espiritual, naquela doce tranquilidade. A de Florença está um tanto seca, como se tivesse sido muito trabalhada nos últimos planos. O que, aliás, e ainda bem, já não foi observado no friso, com um baixo relevo, que contorna o edifício do mercado.

D. Sarah Figueiredo toma destaque no Salão, com dois retratos: prefiro o do Dr. Amaury de Medeiros: tem certo caráter, tanto quanto impressionista, elegante e pouco vulgar na paginação. Parece obra de influência inglesa. É de lamentar que ainda não esteja segura nos valores: e talvez por isso o corpo e as pernas da figura não têm muito vulto. E como as calças caem vazias, sem nada que as habite!

Outra pintora, D. Sylvia Meyer, ainda não se decidiu a abandonar uns restos de amadorismo. A menina e moça é joli, fria, tímida. Em Renards Bleus há interesse decorativo, o desenho das pernas marcam um progresso que as outras telas não faziam prever. Em conjunto, sente-se que todas aquelas criaturas bonitinhas não vivem: a energia interior as abandonou, e elas para ali ficaram esquecidas...

Também o Sr. Teruz, em Perfis, revela falta de consistência na construção: tudo é mole, falho. É verdade que o pintor deu muito mais importância à arquitetura e aos acessórios do que à figura.

Não vejo novos traços de progresso no Sr. Pedro Bruno.

Apenas ele obtém maior equilíbrio, tanto nas harmonias das cores, como na distribuição das figuras. Quanto àquelas, quase se acredita tê-las obtido antecipadamente. É o que lhes empresta certa monotonia. Continuo a pensar que Pedro Bruno se entretêm muito com as expressões superficiais; pouco vê em profundidade: e talvez por isso sua obra tenha mais caráter decorativo.

Há nele uma espécie de romantismo da cor: e esse lado poético dá às suas telas certo encanto que chega a ocultar os enganos frequentes observados nos eixos de suas figuras.

Deixada expressa a minha admiração ao júri, por ter consentido na exposição de fotografias ampliadas e coloridas (como o retrato do desafortunado Baptista da Costa), passo ao ponto culminante destas notas: os dois candidatos mais fortes ao prêmio de viagem: Constantino e Candido Portinari.

Ambos são clássicos, se assim me posso exprimir. O Sr. Constantino parece, porém, mais pessoal: sua técnica é mais segura; define-se melhor. É também menos regular. O retrato do Sr. Corbiniano Villaça foi tão posado que ficou um tanto hirto. A harmonia de tons em azuis é encantadora. Mas a pele do rosto do barítono está quase vítrea. No entanto, a composição do quadro é original, e revela um conhecedor de certos segredos do ofício. Apesar disso, nada há ali de vida interior: aquele homem não pensa nem sente: está apenas sentado. A senhorita H. M. S., num tom de pérola delicioso, parece uma porcelana.

Na "Infância de Giotto", o Sr. Constantino demonstra a sua imaginação, e revela-se pintor capaz de composições de maior vulto. É um artista que, mais tarde, ocupará lugar de pronunciado destaque na arte nacional.

No Sr. Candido Portinari a elegância do desenho, o romantismo de outras eras, sobrelevam as demais qualidades. É um jovem que ficou à margem da evolução pictural. Dir-se-ia um tradicionalista: mas sua fatura recebeu o influxo de certas modalidades da pintura moderna, onde também aquele sentimento predomina. E não é outra a razão que o levou a filiar-se a Zuloaga, mestre que sempre se conservou estranho às correntes que revolucionam a arte desde o Impressionismo.

Sua sensibilidade fina, leva-o a assimilar com facilidade as dominantes expressionais de certos artistas. Dos dois retratos que expõe, o de O. M. É mais sincero: as tonalidades violáceas, com modulações levemente lilases dão ao fundo de sua tela qualquer coisa que não deve ser bem de seu temperamento. O de R. R. Não tem o devido volume, e as cores desafinam: a figura se recorta quase sem relevo. E a importância que ele deu, talvez sem querer, aos acessórios - capa, bengala, chapéu, - desviam a atenção do observador. O quadro não tem foyer. As coisas secundárias beberam a principal.

São tropeços naturais, em quem se constitui ainda. Mais do seu sentimento, muito devemos esperar: alguma coisa da alma florentina tenta renascer nesse adolescente que é, desde já, um espiritualista.

Como aqui falo de retratos, não devo esquecer que o Sr. Augusto Bracet oferece, no salão deste ano, o do Sr. A. B., onde, ao contrário da técnica habitual do pintor, a figura toma corpo e as cores se animam de certo vigor.

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Não posso concluir a crônica de hoje, sem um esclarecimento necessário. Como tenha sabido que espíritos malévolos procuraram emprestar sentido diverso ao que dei, às linhas finais da crítica anterior, convém esclarecer que as opiniões que emiti sobre o Sr. Almeida Junior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior] apenas se referiam ao juízo que faço sobre o valor artístico de suas telas.

Nunca desconheci o seu esforço, a sua tenacidade no trabalho. Sem modificar o conceito estético exarado, aqui desfaço qualquer outra interpretação, que se queira dar àquelas palavras, do ponto de vista moral ou social.

FLÉXA RIBEIRO.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

RIBEIRO, Fléxa. O SALÃO DE 1926. O Paiz, Rio de Janeiro, 14 ago. 1926, p. 1.

RIBEIRO, Fléxa. OS PAISAGISTAS DO SALÃO OFICIAL. O Paiz, 25-26 ago. 1930, p. 1.

A paisagem brasileira e sua interpretação. De Franz Post a Baptista da Costa. A luz e a cor nos trópicos. Visconti. Lucilio. Príncipe Gagarin e sua dupla visão. Paula Fonseca e sua evolução. A ilusão do colorido. Um processo inédito de crítica artística.

FLÉXA RIBEIRO

De longa data, sozinho, me oponho à interpretação pictural que os nossos artistas têm dado à paisagem brasileira.

Ao que parece, o transvio vem mesmo desde o esquecido Franz Post. Agostinho da Motta e Baptista da Costa (entre os dois há sensível diferença: naquele melhor desenho, mais solidez; neste maior capacidade ocular, vendo com mais exatidão a natureza tropical) continuaram, de um modo geral, a pintar a paisagem, como entidade abstrata. Acreditaram que sua geometria era suficiente; a atmosfera e o colorido poderiam ser imaginados, sob a influência discipular das escolas europeias.

Mas não me cabe agora voltar a falar dessas preliminares da paisagem brasileira.

Até hoje ainda não vi que se pudesse destruir os assertos feitos no tocante à interpretação da nossa natureza.

Para resumir aquela velha pregação, direi que o pintor não poderá negar estas duas realidades e que ele sente, mas que não acredita possível, por vício mental de educação estrangeira, especialmente francesa: 1º) Aqui há muito sol e pouca luz (entenda-se: luz colorida); 2º) Na perspectiva panorâmica (geralmente preferida pelos pintores) não há cores cruas: o verde é verde cinza, o azul é azul cinza, o violeta, o róseo são cinzas. Assim, cobrindo os volumes coloridos, há uma neblina tênue, transparente, mas grisalha, de leve, isto nos dias de sol pleno. Os corpúsculos em suspensão, a evaporação úmida, a bruma que vem do mar, tudo isto forma um velarium lúcido, tremulina impalpável, mas real, que vela luminosamente as coisas, as distâncias... As sombras que se esvaem, e emergem, às vezes se esfumam, nesse meio túrbido, saturadas de turbilhões fúmidos, esbranquiçados, esgarçam-se em fugas, e voltam logo à recomposição.

Se tomarmos para limite deste comentário o trecho predileto dos nossos paisagistas, nestes últimos tempos, o Pão de Açúcar, ou mesmo os aspectos circunvizinhos da Guanabara, que vemos?

Quais são as dominantes cromáticas? O verde, o azul, o róseo, o róseo-violáceo; por vezes, um castanho mauve nas massas. Mas tudo isto está como esbatido pelo próprio sfumato, dir-se-ia escamoteado por prestímano invisível, que mostra e esconde ao mesmo tempo, com velocidade intangível de prestidigitador, à magia esfuminhante do sol, cuja luz se funde no tom gris-perle dos vapores montantes das águas guanabarinas.

Não me refiro às cores acidentais, com os laivos verde-pastel e os garços que se demoram nos céus-nascentes e poentes. Falo da escala principal nos planos e nos volumes.

Ao que parece, não passam de quatro os pesquisadores da paisagem brasileira, e que desejam dar, realmente, uma solução autêntica à sua fisionomia específica, fugindo à cartilha de pintar que trouxeram da Europa: Lucílio de Albuquerque, Henrique Cavalleiro, Hans Pap [sic] e o príncipe Paulo Gagarin.

Nós vivemos diante de uma natureza magnífica: ela tem suas leis especiais. Cumpre aos artistas estudá-las com atenção sentida. Do esforço decisivo deles depende a formação de uma escola de paisagistas, que ainda não temos. É verdade que já conseguimos conhecer da existência de uma paisagem peculiar do Brasil...

* * *

Este ano, em Santa Tereza, Visconti se aproxima daquela realidade, dando-nos, numa hora especial, de neblina excessiva, uma das interpretações mais justas. É uma visão de poeta que se integra em bela matéria de colorista em tons suaves. Gostaríamos de vê-lo, artista politécnico, de sagacidade ótica, binocular, escolher, numa visão panorâmica, um dia de sol pleno, um bloco de paisagem que vive sob a influência da Guanabara, para termos, em definitivo, um exemplo salutar.

Lucilio de Albuquerque, que deve ser admirado pela sua constante vitalidade evolutiva, e que se tem consagrado, nestes últimos anos, à conquista de uma pintura mais de flagrante da natureza brasileira, oferece em O Pão de Açúcar sutil percepção da movediça turbação da atmosfera, como certa onda de poesia, no plano de base do cone famoso. Mas os céus não participam daquele mesmo sentimento, e se mostram como que fora do ambiente, inertes, sem profundidade mole.

No primeiro plano, além disso, há certa dureza como se a atmosfera fosse outra.

Com surpresa, vejo o príncipe Paulo Gagarin, em Paisagem carioca, dar um salto, e tentar realizar alguma coisa de eclético, nesse mesmo caminho, já referido.

Sua paisagem apresenta dois aspectos diversos: no primeiro plano, as bananeiras foram ajustadas com veracidade de sentimento; são motivos vistos dentro da luz natural, no ambiente colorido das formas compreendidas num horizonte limitado; no segundo, os demais planos, principalmente o imediato, e na amplitude panorâmica, dada ao quadro, o pintor, intelectualmente, por determinação exclusiva do raciocínio, com uma ótica minuciosa e quase fotográfica, que nos deve impressionar, reproduz, ou antes copia, a enseada de Botafogo. Essa duplicidade empresta à Paisagem carioca qualquer coisa que é exato, mas que não é verdadeiro: e isso inquieta, e choca o observador.

Em arte as coisas são como parecem ser e não como são. A verdade científica é uma, a artística outra. Para o pintor, no caso presente, o maior problema consiste em dar nas massas, no vigor e profundeza do modelado, a realidade das minúcias.

Se o pormenor é característico, nós o podemos fazer compreender exatamente pelas massas ricas de variedade, que só se mostram quando intensificamos forçadamente o nosso olhar.

Haveria muito interesse em conversar com o príncipe Paulo Gagarin, mas... a redação de jornal não é própria. Em todo caso, ao que me parece, houve intenção, por parte do paisagista, de fundir, num quadro só, os dois meios únicos de realizar a paisagem brasileira: com horizonte limitado, - muito sol e pouca luz, ou com o alargamento panorâmico, tudo esfumado pelo elemento intermédio que se interpõe entre as coisas e o observador, num país tropical, pouco próprio para paisagem, segundo a técnica europeia.

Pelo que se vê, o resultado não deve tê-lo agradado. Mas fica a Paisagem carioca como excelente documentação de quanto a natureza carioca é difícil de ser conquistada.

Ainda o melhor será abandonar por completo as cores literárias com que quase todos os paisagistas brasileiros insistem em conquistá-la. É esse precisamente o caso de Paula Fonseca, que se mostra evoluído, conseguindo nas suas paisagens outeirescas luminosidade e frescura.

Como discípulo de Baptista da Costa, sente-se ainda em Paula Fonseca as influências do mestre famoso. Apesar dos inegáveis progressos do artista, esse tom de crueza cromática, escorrendo cores vivas, não lhe empresta a unidade que só resulta de observação mais justa da atmosfera que reveste as paisagens. E depois, nem sempre é feliz no corte que escolhe ou prefere.

Paula Fonseca se apossa dos volumes, e muitas vezes, da síntese das formas, mas ainda lhe falta vê-las com mais sentimentos, dentro da luz que as banha, no envolvimento incorpóreo em que elas são verdadeiramente eloquentes.

Quando falamos em natureza tropical, por convenção intelectiva, só admitimos o excessivo na cor e na luz. Confundimos a fecundidade da terra com a luz que se satura de cor.

No entanto, se observássemos o quanto a sombra luminosa é colorida!

Eis por que fico à espera de uma demonstração, in loco, que o pintor me prometeu, diante da natureza compassiva.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

RIBEIRO, Fléxa. OS PAISAGISTAS DO SALÃO OFICIAL. O Paiz, 25-26 ago. 1930, p. 1.

RIBEIRO, Fléxa. PEQUENA CRÔNICA DE ARTE. O Paiz, Rio de Janeiro, 19-20 ago. 1929, p. 5.

SALÃO DE 1929. A PAISAGEM BRASILEIRA: LUCILIO DE ALBUQUERQUE

Por FLÉXA RIBEIRO

Julgo que haverá toda conveniência, agora que o salão comemorativo do centenário de exposições gerais obtém justo sucesso, em fazer uma pequena pausa, e focalizar intencionalmente o problema da paisagem no Brasil.

Há vários anos que insisto na demonstração da ausência de caráter específico do que se pratica entre nós, naquele gênero. Tenho repetido, por vezes sem conta, que os nossos paisagistas trazem a receita francesa, e com ela se estafam em pintar a natureza tropical. Ninguém olha para a paisagem carioca, por exemplo. Pintamos, obedientes à geometria, uma série de volumes e massas inscritos, bem ou mal, mas que não estão dentro da atmosfera do Rio de Janeiro.

Lucilio de Albuquerque, que tanto tem evoluído, ele mesmo, ainda não conseguiu penetrar esse mundo de sol, onde há pouca luz.

Outros que o tentaram, com Hans Paap e Príncipe Paulo Gargarin, caíram num maneirismo oposto do que até Baptista da Costa se praticava. Se escaparam daquele pormenor quase fotográfico, tanto quanto convencional, e trataram a natureza pelos seus grandes volumes, tudo visto à distância, panoramicamente, mergulharam nas cores berrantes, nas pastas espessas de sombras inverossímeis.

Se olharmos para a natureza brasileira, principalmente da terra carioca, não encontramos aqueles verdes, nem aqueles azuis, ou mesmo violetas esbraseantes. Em tudo, na distância, há verde gris, azul gris, róseo polvilhado de cinza: como que um véu grisalho flutua por sobre os montes de verdura ou pelas encostas escalvadas.

A visão de um Rio de cores vivas é uma ideia tropical: porque habitamos esta zona, imaginamos - talvez por vício literário - que o colorido aqui sobe à tonalidades inauditas.

No entanto, a luz branca dissolve as cores, e deixa, através de sua vibração molecular, para o reenvio ótico uma série de tons gris que forme a dominante policromática da natureza em que vivemos.

Lucílio de Albuquerque se reconciliou com a paisagem nacional depois de sua viagem à Bahia. No entanto, ainda não conseguiu desfazer-se de certos preconceitos picturais. E eis por que o vemos empastar demais as sombras, quando deveria fazê-las ligeiras, deixando essa fatura de preferência para a luz.

Enquanto não se convencer de que esta é fria e as sombras são quentes, cheias de vibração colorida, não terá penetrado por completo no enigma da paisagem.

O seu esforço é dos poucos que seguem uma evolução lógica, procurando ler com olhos de visão larga o ambiente de ar livre onde as massas nadam.

Desse ponto de vista, a Pescaria em Icaraí é significativa. Desde o primeiro plano a atmosfera de ar livre, ar da praia, se faz sentir, e por todos os planos ela se acentua, numa monocromia de luz, onde se insinua a vibração policrômica diluída, ondulante, vaporosa, arejada.

Com algumas restrições aos personagens da cena litorânea, é essa uma das melhores telas do salão deste ano. Todo o fundo está sentido, com a cadência livre de uma visão de paisagista, onde os volumes se harmonizam no arrière-plan, indicando uma grandeza panorâmica cuja unidade fala por emoções eloquentes.

Na Gávea, o pintor teima na mesma fatura de sombras espessadas, como crostas, sem permeabilidade. A Figueira de Belém Velha, já a luz é mais fina, menos intensa, mais colorida. Mesmo aí, onde há menos umidade, ar mais seco, fixou-se não sei que de duro que tirou à matéria, à epiderme das coisas, essa elasticidade móbil que daria a toda a paisagem o envolvimento peculiar às tonalidades de ar livre.

Lucilio de Albuquerque é artista sincero, que se renova de quando em quando, na pesquisa, na retificação do que vê, dominando, cada dia, pela conquista de mais uma parcela de verdade.

Sem sair dos dotes inerentes à sua personalidade já definida, o mestre brasileiro há de nos dar, enfim, pela tenacidade na observação, o retrato animador, o flagrante emotivo do mundo luminoso que nos cerca - difícil, grandioso, totalmente diferente do que em Paris se ensina como sendo interpretação da paisagem, sob as dominantes do sol tropical.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

RIBEIRO, Fléxa. PEQUENA CRÔNICA DE ARTE. O Paiz, Rio de Janeiro, 19-20 ago. 1929, p. 5.

RIBEIRO, Fléxa. SALÃO BRASILEIRO. O Paiz, Rio de Janeiro, 15 ago. 1928, p. 1.

UM MESTRE: HENRIQUE BERNARDELLI - OSWALDO TEIXEIRA E O PERIGO DA HABILIDADE - TRÊS NOTAS CLARAS: MARIO NUNES; NELSON NETTO; CEZAR TURATTI - CAMÕES E JÁO...

Se a crítica deve ser sincera, imparcial, e apaixonada nessa sinceridade, em se tratando dos jovens expositores , não vejo como atenuar aquele juízo quando se cuida da análise flagrante de um mestre, cuja tradição artística é uma das glórias da pintura brasileira. Refiro-me, como é fácil de se compreender, ao Sr. Henrique Bernardelli.

Dos pintores formados durante o ambiente tutelar do segundo império, o nome de H. Bernardelli é dos mais consideráveis. A pinacoteca da Escola Nacional de Belas Artes abriga algumas de suas telas famosas.

Não cabe agora, aqui, desenvolver comentários em torno desse período. Quis apenas assinalar a importância do pintor, principalmente do mestre, do ponto técnico de referência. Várias gerações têm sido amestradas pelo seu esforçado e vigilante zelo.

Tanto quanto afastado do meio artístico que mais se congrega em torno da Escola Nacional de Belas Artes, Henrique Bernardelli aparecia pouco numeroso, e às vezes, nas exposições gerais.

No certame deste ano, vemô-lo num total de 28 telas, e destas 24 são retratos.

Para o nosso nascente meio artístico semelhante volume de envios impressiona, e causa segurança pela revelação de capacidade fecunda do mestre.

Dizendo minha admiração pelo técnico, meu respeito pela obra do pintor, fico inteiramente livre para tentar analisar as telas enviadas este ano ao salão.

Dizer desde logo que o resumo explícito de impressões causadas pelos 48 [sic] quadros é triste, - traduz apenas a realidade iniludível. O Sr. H. Bernardelli quis com a sua teoria de retratos, das mesmas dimensões, quase com o mesmo colorido em fundo uniforme, demonstrar ser possível retratando 21 alunos, dar a todos sensações visuais de imagens decompostas pelo cinema: há em todos eles evidente propósito de homogeneidade e monotonia fisionômica. Não me refiro, é claro, à semelhança que, como se sabe, é o privilégio secundário do retrato. Quase todos eles são frios, apáticos, como se fossem figuras inexperientes no campo da expressão psicológica.

Ninguém negará o que se sente do pintor, numa largueza de fatura: mas quanto também se há de observar de inexperto e descuidado no tocante às composições, ao arranjo cênico mesmo uma vez que se não queira falar na arte relativa de compor. Aquela dama que se encosta a uma coluna sobre a qual se instalou um vaso de flor é francamente homenagem aos antigos processos fotográficos de cidades provincianas.

Não acredito que o Sr. H. Bernardelli esteja em decadência. Em quadros como o seu auto-retrato, e principalmente o retrato de R. Bernardelli (o melhor dos seus envios deste ano) há lucidamente surtos de energia e facilidade picturais. Mas para 48 [sic] quadros, num salão só, talvez seja superabundância tanto quanto impávido demais.

Será que os pintores, como os artistas do canto também perdem o registro do timbre de voz, com o decorrer dos anos? Nestes casos será preferível cantar menos, mesmo porque não se notará tanto que o tenor está ficando abaritonado.

No próprio retrato de R. Bernardelli, com todas as boas qualidades afirmadas francamente, um espírito indiscreto não poderia perguntar porque a mão direita (que deve estar no primeiro plano) aparece prodigiosamente maior que a outra? Será a destra o símbolo do escultor?

Acredito que o pintor em se policiando um pouco mais, e limitando a sua remessa, ainda terá luminosas oportunidades de destruir, com vigor, algumas destas afirmativas.

FLÉXA RIBEIRO.

(Conclui na 4ª página)

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

RIBEIRO, Fléxa. SALÃO BRASILEIRO. O Paiz, Rio de Janeiro, 15 ago. 1928, p. 1.

RIBEIRO, Fléxa. SALÃO BRASILEIRO. O Paiz, Rio de Janeiro, 15 ago. 1928, p. 4.

(Conclusão da 1ª página)

De há muito que espero uma boa indicação para me referir ao Sr. Oswaldo Teixeira, depois que chegou do cumprimento do prêmio de viagem.

Não conheço, no Brasil, caso algum pictural, semelhante ao de Oswaldo Teixeira. De começo, ainda mal conhecido, foi tido como um gênio. Durante esse período, ou pouco depois, tive ocasião, nestas mesmas colunas, de criticá-lo com minha habitual franqueza. Lembro-me ainda de tê-lo advertido das fauces hiantes que se abriam diante dele...

Quando regressou de Europa, logo vi que Oswaldo Teixeira havia em certos casos piorado. Piorado, de quê? Indagará o leitor.

Do abuso que fez das facilidades automáticas, Oswaldo Teixeira não consegue refrear a sua habilidade; e a torrente se despenha.

Convirá desde logo afirmar que não conheço, a não ser Pedro Américo, no Brasil, outra imaginação pictural, como a de Oswaldo Teixeira: ampla, sonora, decorativa.

Quando se vê, porém, o estilo em que a galopada imaginativa foi transcrita, fica-se vexado como diante de uma formosa mulher, de cores vistosas, rica de saúde, que pregasse diante de nós mentiras sensacionais, jurando que tudo era verdade, e com ela se havia passado.

Eis por que as telas de Oswaldo Teixeira são difíceis de julgamento: diante delas, a abundância, a facilidade, a jorrante energia criadora, logo nos dominam: sentimos no transbordamento daquele lirismo empolgante alguma coisa de excepcional no mundo de nossa pintura; e por outro lado, a falta de coerência moral na interpretação de natureza, em várias telas, nos leva a ver no seu autor, pelas surpresas inauditas, como um prestidigitador, um ilusionista da pintura: homem maravilhoso que come brasa e puxa fitas das mais rutilantes cores.

Quando se entra numa galeria, onde ele está, ninguém o pode deixar para depois: atrai e domina pela virtuosidade exuberante, pela largueza fácil de fatura, por uma espécie de espessura inconfundível das superfícies coloridas, que o caracterizam na diversidade impaciente em que se manifesta, de composição para composição.

No presente Salão, os Pescadores Brasileiros realizam o que há de mais sincero em sua técnica: espaço, ar, luz, sombras coloridas. - Quadros como o Vitórias Régias testemunham impressionante verve decorativa, ridente tumulto de cores, mas ausência do sentimento da matéria, pelo menos nos elementos mais característicos do quadro: as vitórias regias não parecem seres vegetais: dão-nos a sensação fácil de pratos fundos de couro flutuantes.

Por vezes, como no Frutos Tropicais, Visão Veneziana, O poeta de Deus, São Sebastião do Rio de Janeiro, sente-se o orador que perde o sentimento próprio da eloquência, e fica algo retórico, com tremura na voz.

Mas, seja como for, - com as irregularidades, altos e baixos, no que ainda mais se assemelha a Pedro Américo - Oswaldo Teixeira, amordaçando a habilidade ilusória, retemperando os seus dotes generosos de pintor na observação inexorável da natureza, não se satisfazendo com o aproximado, nem com a enganadora supremacia da criação sobre a execução, há de verificar o lugar de excepcional destaque que o destino reserva, seguramente, à sua juventude pródiga, do quadrante da pintura brasileira.

* * *

Das notas sentidas, luminosas e frescas, deste Salão, entre os novos, convirá destacar alguns dos envios dos Srs. Mario Nunes, Nelson G. Netto e Cesar Turatti. O Sr. Mario Nunes manda-nos duas marinhas do Recife, francamente acusadas de ar livre, autênticas de cores, numa vibração colorida muito alegre e muito cheia de reflexos. É do bom impressionismo. Já o Abandonado se apresenta um tanto cru, em pastas secas, sem unidade de superfície, e particularmente sem espírito.

Quanto ao Sr. Nelson Netto há nele uma sinceridade pictural muito agradável, e que bem se revela, no esboço do Painel Decorativo, não só no tocante à composição das figuras, como mesmo, pelos outros quadros, no que diz com a afinação das cores.

O Dia Tropical, do Sr. Turatti, é bem iluminado, num ambiente típico: e o sabor decorativo areja o arranjo pictórico de uma sensualidade vaporosa e lânguida, em que a mulher, os papagaios, a cadeira de vime, tudo se funde em claro harmonioso, luz colorida, tépida e macia.

O Sr. Justino Migueis vem demonstrar que o assunto nada vale; a execução é tudo. O seu Camões na Ilha dos Amores não devia ter sido aceito pelo júri que se anunciou tão severo. É uma obra infantil, em que nem o autor revela conhecimentos de composição, e menos ainda treino elementar na arte de interpretar a matéria.

Camões na Ilha dos Amores trouxe-nos apenas à ideia um fato, passado há muitos anos em Lisboa. D. Pedro de Mello, fidalgo e homem de esbórnia, modelou, em cera, segundo a técnica do museu Grevin, um Camões agonizantezinho, deitado na enxerga. Junto, Jáo, de joelhos, recebia o último alento do cantor dos Lusíadas.

Expôs o grupo. A concorrência foi considerável. Entre os primeiros visitantes estava Theophilo Braga, tido e havido como especialista camoneano.

Theophilo examinou detidamente a cena patética, e depois chamou à parte o autor daquela maravilha e disse, com alto acento de sabedoria:

- D. Pedro de Mello, sua exposição é admirável. O grupo que modelou está irrepreensível. Mas há um pequeno anacronismo que destrói tudo.

- ... ?

- É que Jáo morreu antes de Camões.

Dois dias depois reabria-se a exposição. E, via-se Camões, de joelhos, recebendo o último alento do escravo Jáo...

FLÉXA RIBEIRO.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

RIBEIRO, Fléxa. SALÃO BRASILEIRO. O Paiz, Rio de Janeiro, 15 ago. 1928, p. 4.

RIBEIRO, Fléxa. SALÃO BRASILEIRO. O Paiz, Rio de Janeiro, 19 ago. 1928, p. 2.

O "prêmio de viagem". Os 11 candidatos. Fala a esfinge. O selecionado: Portinari X Constantino. A lei de subordinação. Como se toma a natureza por uma convenção. A quem, este ano, deverá pertencer o prêmio. O julgamento de amanhã.

POR

FLÉXA RIBEIRO

Mais do que nos outros anos, o grande interesse do Salão é o "prêmio de viagem". Concorrem, para 1928, Candido Portinari, M. Constantino, Sarah Figueiredo, Orosio Belém, Edith Aguiar, Orlando Teruz, Manoel Faria, Gastão Formenti, Gilda Moreira e Euclydes Fonseca.

Como se vê, os candidatos tornam difícil o juízo da comissão.

Naturalmente que ela já procedeu a uma espécie de prova eliminatória. Também acredito que já realizou uma primeira escolha daqueles que apresentam, evidentemente, melhor qualidade, tanto do ponto de vista técnico, como estético.

De tal sorte a reunião de amanhã, em que tudo deve ficar ultimado, estará grandemente facilitado por essa perícia inadiável de seleção primária.

Acredito ver que passaram pelos olhos da primeira crítica do júri apenas dois nomes: Portinari e Constantino. Entre os dois pintores será decidido o pleito. Qual vencerá?

No momento em que escrevo, julgo que a própria comissão não poderia responder.

É que ouço aqui do lado, a voz da Esfinge jornalística a segredar-me, em tom alto, se é possível: decifra-me, ou eu te devoro.

Por um exame direto dos trabalhos apresentados, evidentemente, com elementos diferentes, aqueles candidatos se equivalem: as presenças e ausências de valores estéticos, pesados, dariam talvez um índice aproximado.

Sucede, porém, que nada é igual na natureza: ninguém consegue a repetição.

Eis por que acredito ser possível estabelecer algumas diferenças entre os dois mais fortes concorrentes: M. Constantino e Portinari.

Há, de toda segurança, um laço que os irmana: ambos tomam, em certa dose, a natureza por uma convenção.

E, partindo desse conceito metafísico, vestígios de aprendizado, ambos acreditam que certos pormenores de construção pictural, carecem de importância, e, ou os substituem ou os transformam, sem conseguir, de tal sorte, concretizar a resultante expressiva. Assim, todos os fundos das telas exibidas nem só são "arranjados", como não foram observados atuando sobre os motivos principais.

O fundo de um quadro é elemento ativo de vida, de desenvolvimento, físico do assunto central da composição. Não se pode de tal sorte, pintá-lo convencionalmente, ou neutralizá-lo por completo.

Ou quando se faça que se mergulhe os seres e as coisas temáticas naquela mesma atmosfera convencional para ao menos chegar-se à unidade legitima.

No retrato de R. J. (óleo), a subordinação da natureza à convenção foi ao extremo. E o Sr. Portinari nos apresenta mesmo do ponto de fato da matéria, uma homogeneidade falsa, como se o pintor procurasse propositalmente dar-nos a sensação do postiço.

No entanto, no retrato de O. M., ele se liberta dessa convencionice, como que readquire a sua liberdade interpretativa, e realiza uma obra fina, de espiritualidade nervosa, onde um desenho elegante se evidencia, dando a compreender a relação entre ele e a cor.

O verde da farda se enaltece, nos seus tons graves, pelo ensurdecimento opaco com que os dourados se embaçam. Não querendo obter resultados fáceis com o brilho dos outros, o Sr. Portinari marcou bem a tônica cromática, dando a reversão dos valores na superposição dos verdes e dos dourados, quando aqueles, sob a ação destes pareciam descer demais na escala dos valores picturais.

Na composição - Retratos - as três cabeças não estão sujeitas a uma regência suprema: e daí a fraqueza no princípio de ordem de onde resulta sempre a clara harmonia. Apesar disso, cada figura, vista individualmente, ou mesmo na alternância, apresenta individualidade; a fatura se elastece e encorpa com vigor.

Convirá, no entanto, resumir: Candido Portinari é dotado de sentimento delicado de pintor: sem o querer, é um tradicionalista. O retrato de O. M. é uma das obras mais definidas do salão deste ano.

M. Constantino é mais variado no conceito que faz das transposições da natureza. As suas qualidades de artista o levam a procurar compor com certa movimentação. Infelizmente, o seu grupo da Morte de Mimi, como o de Portinari (um pouco menos!), não chega a focar o momento dramático, de maneira elástica.

Realizou uma página literária: há descrição e não síntese evocativa. As figuras são exteriores. Além disso, não se encontra facilmente a oração principal daquele trecho da Vida de Boêmia. Vê-se que M. Constantino sentiu aquele instante humano através de impressões de leitura.

Já na Dama das Camélias há um esplendor de tonalidades muito atraente. A seda do traje de Margarida Gautier, nos seus argênteos-plúmbeos, rebrilha de ondas luminosas. A figura, embora não esteja bem pousada, apresenta, no entanto, um certo abandono que a torna viva, na sua própria melancolia, ou no seu silêncio ativo.

Como este ano M. Constantino não se apresente com mais adições de novas qualidades, do que nos anos anteriores, e como ainda Portinari se exiba, com alguns carvões enérgicos e incisivos, além dos quadros já referidos, estou daqui a sentir como o júri poderia preferi-lo para a consagração deste ano.

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Imagens

CANDIDO PORTINARI

M. CONSTANTINO (Auto retrato, especial para O PAIZ)

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

RIBEIRO, Fléxa. SALÃO BRASILEIRO. O Paiz, Rio de Janeiro, 19 ago. 1928, p. 2.

RIBEIRO, Fléxa. SALÃO BRASILEIRO. O Paiz, Rio de Janeiro, 20-21 ago. 1928, p. 1.

Um renovador: E. Visconti - H. Cavalleiro e o caldeirão de Picasso - Antonino Mattos e o estilo francês pré-impressionista - Os contrastes de Pedro Bruno e sua ojeriza às pernas - Um pesquisador: Pedro Rossi [sic] - Será caso de expectação?

POR

FLÉXA RIBEIRO

Creio que já tive interesse de expressão em escrever, certa vez, ser Elyseu Visconti, dos nossos pintores, o mais ardente espírito de evolução: havendo já, na pericio [sic] de sua compreensão, dominado algumas das técnicas bem características de nossos tempos, assimilando-as por completo.

Não cabe agora, em natural relato, cuidar de analisá-lo retrospectivamente, e assinalar, de seguida, como conclusão lógica, a sua preeminência, desse ponto, na pintura brasileira.

Na presente exposição, ele se destaca em vigor em eloquência em páginas como o Retrato e Para a escola (paisagem). No primeiro a solidez compreendida da figura, a sensação ótica das variações luminosas, são vistas com afinação vibrante, numa espécie de música translúcida. Apenas talvez a boca esteja feita demais para ar livre: e os vermelhos dos lábios desafinem um quase nada. No segundo a atmosfera dos dias límpidos, o arejado dos planos, as massas verdes das bananeiras, cuja tranquilidade herbácea contrasta com as manchas da traquinada que se protege pelo muro, tudo indica a palheta limpa.

Menos compreensível, como expressão de sentimento, achei a Igreja de Santa Tereza, onde o divisionismo parece não traduzir bem, na distância, o espaço entre o templo, e as vibrações coloridas da luz, tudo isso distante do observador.

Dir-se-ia que o mestre pintou uma igreja brasileira sob a recordação da atmosfera francesa.

Na Visita há uma densidade de massas, harmonias de tons que dão ao quadro uma espessura sensível, de onde se evola - é bem o termo - como continuado prazer visual. Apesar disso prefiro dos cinco trabalhos enviados, a paisagem e o retrato, pois encontro na visita as tintas com menos limpeza.

Quem examinar de perto a fatura de Visconti há de observar como ele trata a pasta com segurança e simplicidade, sem superposições, obtendo as resultantes das complementares pela justaposição, às vezes, para que a retina faça a síntese colorida dominante. Os empastamentos são plenos e postos com frescura e luminescência, em tonalidades ricas, de maneira que a composição toda é sempre clara, sem incidentes de superfícies que à distância conveniente se fundem, dando uma espécie de unidade tonaria [sic]: na própria luz as partes opacas, que exprimem as saliências, como nas sombras, as cores líquidas, as reentrâncias, - constituem uma dada diferenciação tonal de luz fria e sombra quente, dentro de cujo ambiente fluídico tudo palpite e vive.

Apesar de tudo isso, por vezes, como nos deserdados, sente-se que há certo ressecamento das cores, parecendo que estas perdem um pouco de transparência, e começam a obscurecer-se, como se o pintor não tivesse as mesmas facilidades de emoção.

No Retrato o estudo particular da luz, com os reflexos, as sombras luminosas onde há penetração das cores dos próprios corpos circundantes, constitui precioso documento para a nossa pintura.

Com uma palheta limpa, Visconti consegue exprimir modalidades sutis da matéria: e cada tela agrega uma série de pormenores típicos, dignos de estudo pormenorizados.

Henrique Cavalleiro é o mais completo discípulo de Elyseu Visconti. Nesta afirmativa não vai nenhuma conclusão restritiva quanto à personalidade do jovem pintor. Quis apenas dizer o quanto na compreensão da arte, os dois pintores, por meio da sensibilidade, se aproximam um do outro.

Ambos aceitam a natureza como uma realidade que somente se pode apreender pelo desenho de interpretação.

Para Henrique Cavalleiro a cópia quanto mais exata, mais afasta a verdade ótica; e por isso, como a arte é também artifício (Degas dizia que ambos eram enganadores) convirá encontrar aquele que melhor e mais fundo nos dê a transcrição da verdade.

Que seria um indivíduo, apenas dotado de imaginação reprodutora que nos narrasse fielmente, sem nenhuma alteração intensiva, um episódio por ele assistido? Não veríamos, plasticamente, nada da cena. Para que sejamos compartes da anedota será necessário que o narrador encontre os verdadeiros meios de transposição, reavivando a atmosfera que se formou, a quando do episódio, e que lhe deu a ele essa densidade comunicativa, essa espécie de interpsicologia contagiosa de onde resultou a dramaticidade ou comicidade explosiva do reconto.

Todos já compreenderam que ele precisa encontrar as sínteses fecundas.

Por esse lado, sigo com interesse as interpretações de Henrique Cavalleiro.

Eis por que lamento, por vezes, não encontrar por baixo das vibrações coloridas, desses acordes lúcidos de melodia que ele evoca a construção interna que é dada, como ele sabe muito bem, pelo desenho: segurança e prodígio dos instantâneos do mestre que acabei de citar - Degas - desenhando, pintando, compondo.

Nos envios deste ano, a par daquelas qualidades de colorista, nota-se certa aspereza em algumas formas: na paisagem (Rio) há, no entanto, ar e os planos se assinalam com sentimento. Mas já o mesmo não se dá com a Igreja de Magdalena, onde a confusão dos planos não nos faz nem ver, nem sentir o primeiro, se é água ou tapete, e se os barcos são de realidade, ou simples ilusão monocular do tecido. Para outro lado, o céu é vertical, endurecido, como cortina grossa que pouco a pouco se encrua.

Apesar de sentir que as harmonias de cores são mais finas e fluídicas na Igreja de Magdalena, prefiro ainda assim a paisagem carioca, menos moderna, mas onde o desenho de interpretação não foi escondido pela sensualidade exclusiva das cores.

No Retrato de um amigo, Henrique Cavalleiro encontra soluções excelentes para traduzir pelas massas, em planos francamente acusados, todo ciclo moral da expressão do personagem no instante pictural que é o resumo de uma série de momentos da duração daquela individualidade.

Atacado em plena pasta é de uma fatura larga e saborosa. No retrato de O pintor há apenas um estudo: e acredito que nele não se chegou à conclusão psíquica necessária, embora o sumário das indicações talvez esteja a indicar mais um degrau na evolução do artista, como se ele se aproximasse medrosamente dos empastamentos cézannianos, pois não no acredito aspirando o caldeirão de Picasso...

O Sr. Antonino Mattos que se tem distinguido pela elegância de suas composições escultóricas e sobre as quais me tenho manifestado francamente, ora no gabo, ora na anotação reservada, figura na seção de pintura.

Aparece, no atual Salão, o estatuário, com três telas. É uma modalidade a mais do talento do Sr. Antonino Mattos. Embora não seja nova, evidencia que a sua curiosidade em traduzir a natureza procura mais de uma arte. As três notas do Sr. Antonino Mattos, como era natural, revelam aquela mesma sensível delicadeza das obras estatuárias. Um envolvimento sutil esbate as próprias tonalidades dos primeiros planos. São composições que lembram o estilo francês de antes do impressionismo francês. Sente-se ainda a hesitação: é que o Sr. Antonino Mattos não se acomoda facilmente com o estado atual da pintura. Ele prefere, por temperamento, os processos anteriores a Cézanne.

Se procurasse encontrar o termo justo para defini-lo, diria ser ele um intimista.

* * *

A evolução para o Sr. Pedro Bruno foi curta. Pelas obras expostas este ano logo se verifica como o pintor se enfileira entre os seduzidos pela representação de alegorias decorativas. Dos seus quadros o mais importante é Beethoven: obra infeliz tanto pela pobreza da composição, como principalmente pelos erros de construção. Que se há de dizer do excelso músico que além de surdo acabou perneta no pincel de Pedro Bruno? Se não podia resolver o problema da perna direita, deveria, talvez, escondê-lo até a cintura. Além disso, não há horizonte no quadro: os planos dos longes vêm ameaçadores sobre o observador. Não sei por que li, nessa alegoria sem significação, alguma coisa onde não há, propriamente, o desenvolvimento do bom gosto...

Para um "grande medalha de ouro" parece ser deficiente aquele atestado justificativo. No entanto, como são amáveis e saborosas as Gaivotas. Um pouco no gosto francês, o Sr. Pedro Bruno nos deu uma página decorativa fina, elegante, sugestiva, onde erram, na luz, alegrias de cores fundidas, e cuja aérea madidez, no símbolo da figura vaporosa, quase incorpórea que está de pé, derrama pelo ambiente uma carícia de árias musicais. Fica-se meio tonto com o contraste; mas a figura do primeiro plano, de costas para o observador, tudo justifica: ainda não teve a solução requerida: não vai também muito lá das pernas.

* * *

Já tive ocasião de referir-me, a quando de uma exposição individual, a Paulo Rossi. Ele concorre neste salão com três quadros: só isso é atestado de delicadeza e conveniência, A paisagem que agora figura já se apresentara na individual como uma das suas melhores criações.

De um modo geral só me cabe dizer o quanto se verifica, - e aqui ainda melhor pela natural comparação - como Paulo Rossi sente a matéria e compreende a construção da forma.

Há no Sono, como em Moinho Velho solidez, sem rijeza, o que é demonstração clara da inteligência na transcrição dos volumes na atmosfera.

Talvez em todas as telas se apresente a mesma rarefação de ar que ele imprime às suas composições, no desejo evidente, de dar-lhe individualidade marcante, evitando de tal sorte, qualquer sombra de confusão nos planos.

Ou será que ele se contente com uma espécie de ambiente geral, sumário, deixando, tanto quanto os ambientes parciais próprios a cada coisa, ou a cada parte do todo?

Apesar disso, sente-se logo o quanto aquelas obras são sinceras e indicam sem confusão um artista sensível e imaginoso, à pesquisa da realidade plástica, como síntese transcendente da beleza espiritual e ótica ao mesmo tempo.

* * *

O júri deste ano (falo de seção de pintura) quis demonstrar que a natureza (pelo menos a humana) é cheia de fraquezas comoventes, mas inevitáveis: e eis por que foram aceitos os dois trabalhos do Sr. Angelo Prinzo. O estudo é uma ilustração ridícula, onde nem sequer se encontra o desenho na sua fase mais simples: tudo está no ar. O retrato de L. H., foi comprimido em prensa hidráulica. São produto de pura expectação: não foram gerados dentro da pintura.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

RIBEIRO, Fléxa. SALÃO BRASILEIRO. O Paiz, Rio de Janeiro, 20-21 ago. 1928, p. 1.

RIBEIRO, Fléxa. SALÃO BRASILEIRO. O Paiz, Rio de Janeiro, 22 ago. 1928, p. 1.

CARLOS OWALDO [SIC] ACENDE UMA VELA A DEUS E OUTRA AO DIABO - UM PINTOR GRAVE: ALVES CARDOSO - SENHORA SARAH DE FIGUEIREDO E A ALEGRIA ENGANADORA DAS CORES: PORQUE A FORMA É UM PROTEU - DOIS SUPLENTES: GENESIO MURTA [sic] E PADUA DUTRA

Dos nossos pintores modernos, o Sr. Carlos Owaldo [sic] é um dos que melhores qualidades artísticas apresentam. Já se vê que procuro estabelecer, com clareza, diferença entre pintor e artista. Este é expresso, além de faculdade de transmitir a emoção, pelo dom de interpretação universal de natureza. A maioria dos pintores e escultores são talvez hábeis, idôneos e até primazes no ofício, mas não se nos apresentam na pauta do sentimento, como artistas

O Sr. Carlos Owaldo [sic], além de pintor de boas qualidades, é artista de sutil impressão.

Durante algum tempo, parecia que se havia transviado, enveredando por teimosia no encanto da cor local, e pela criação convencional de luz trazida pelos processos indiretos. E havia qualquer coisa de cromo em muitas de suas composições.

Agora abandonou todas essas experiências, e ficou tranquilamente eclético quanto à técnica e aos métodos de interpretação.

Carlos Owaldo [sic] bem analisado é um pintor que acende uma vela a Deus e outra ao Diabo. (Que no caso se deveria também escrever com maiúscula).

A sua Santa Cecília é de uma pureza de cor incomparável: tom sobre tom, os vermelhos se afinam num crescendo colorido, como ondas luminosas que corressem sobre o mar da própria cor, mas onde, ainda assim, conseguem se individualizar. Além disso, a diferenciação de matéria, a assonância do colorido em que as diferentes epidermes se dissociaram e se harmonizaram ao mesmo tempo, corre alto e se exalta numa [...] percepção visual de valores: chega-se a ter uma espécie de sensação tátil nos olhos para sentir a evidente cromática daquela vibração luminosa.

Para abrir contrastes - e somente estudar esta oposição - Carlos Owaldo [sic] nos oferece Árvores (Petrópolis) compreendidas de maneira antagônica: e a interpretação por massas sumárias, empastando as luzes e fazendo as sombras ligeiras, alternando tons quentes e tons frios, - filia-o aos derivados dos impressionistas sem no entanto aproximá-lo dos divisionistas típicos.

Esta técnica atesta o quanto é viva a virtuosidade do pintor em cuja íris de artista o mundo exterior cintila na alegria divina das cores que se decompõem nelas mesmas, e ele vai, comovido e ávido, procurar as próprias harmonias dos tons, esbatimentos diluídos, numa translucidez, quase imperceptível, ainda aos olhos adestrados.

Com o Victor Hugo e Violoncelista, Carlos Owaldo [sic] constitui uma das poucas vitórias artísticas do Salão brasileiro.

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O sentimento de cor leva frequentemente a senhora Sarah de Figueiredo a confiar demais nas superfícies coloridas. Nos envios deste ano, há telas em que o esboço caracteriza, por assim dizer, a dominante da fatura. Deslumbrada pelas cores - principalmente pelas primárias, D. Sarah Figueiredo não se ocupa muito em construir a forma interiormente. É talvez por isso que, em quadros como o da Senhorita Mercedes Nicolossi, todo o alarido dos lindos vermelhos parecem vazios. Com esta tela foi que ao lado de Marina, em que a dominante é o verde, compreende-se que o acaso veio em prol dos desejos da aurora: aproximando aquelas duas cores complementares obteve um vermelho mais intenso e um verde de alta eloquência crômica.

É um prazer para os olhos a intensidade do verde daquele chalé delicioso: infelizmente as seções nuas do modelo não apresentam superfícies vivas: há qualquer coisa de volume oco, como se a matéria do corpo humano não fosse densa na sua renitência elástica.

Prefiro o auto-retrato onde à certa justeza de cor se alia uma solidez maior de construção: e há uma espontaneidade de fatura que se não disfarça longe do desenho. É esse o bom caminho: a forma viva é como Proteu: precisa abraçá-la com decisiva prontidão, para possuí-la.

A par destes pequenos reparos, é evidente a sensibilidade da pintora que com tanto bom gosto decorativo se emociona, à ondulante irradiação das cores.

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O Sr. Alves Cardoso é um pintor de destacado renome: quando foi de sua exposição individual, no Gabinete Português de Leitura, há meses, tive oportunidade de criticá-lo mais de perto. Discípulo de Carlos Reis, guarda individualidade própria, e as suas obras possuem aquela solidez grave de construção que é peculiar a alguns dos mais eminentes pintores de Portugal.

Dos três trabalhos remetidos à exposição geral deste ano, prefiro o retrato de D. Emilia Bretes, pela intensidade moral do personagem, como também pelas formas habitadas que o desenho interior conseguiu fazer sentir. - E lá fora está a nevar! - tem já qualquer coisa de convencional (talvez para nós), por onde me parece não ter andado a mesma chama de emoção, apesar do fogo que enrubesce aquelas pernas de reduzido agrado à composição. Claro que tais observações nada diminuem o valor técnico do Sr. Alves Cardoso, tido com justiça, como um mestre, na sua terra.

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Quem examinar os Botes ao Sol, do Sr. Padua Dutra, há de verificar as qualidades apreciáveis que amanhecem no pintor: nesse quadro os planos se definem, o ar circula no espaço, o horizonte foge. Infelizmente no primeiro plano há nem só dureza de matéria dos botes que se recortam fora da atmosfera da paisagem, como também a iluminação é convencional, e os reflexos não foram observados ao natural.

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O Sr Genesco Murta, este ano, conseguiu certa homogeneidade característica na matéria, pela unidade de luz: e a sua Maré baixa se compõe com atraente colorido, num sentimento de ar livre, como se o pintor começasse a ver os volumes na atmosfera, sob a ação policrômica dos raios espectrais.

FLÉXA RIBEIRO.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

RIBEIRO, Fléxa. SALÃO BRASILEIRO. O Paiz, Rio de Janeiro, 22 ago. 1928, p. 1.

RIBEIRO, Fléxa. SALÃO BRASILEIRO. O Paiz, Rio de Janeiro, 30 ago. 1928, p. 1.

FLÉXA RIBEIRO

SALÃO BRASILEIRO

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PINTURA

O processo do Sr. Gagarin - As paisagens urbanas do Sr. Francisco Manna - Garcia Bento e a evolução da técnica

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ESCULTURA

Dois temperamentos na estatuária - O realismo da Sra. Lotte Benter Bogdanoff - O Sr. Humberto Cozzo e a psicologia do retrato

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O PRÍNCIPE Paulo Gagarin é pintor inconfundível. Há nesta frase elogio e talvez advertência. Elogio porque se designa, com primordial interesse, um estilo pessoal, que se não poderá jamais assemelhar com outro. A advertência se esclarece, como simples aviso a quem parece tender estandardizar o estilo num processo voluntário de realização.

Será talvez daí que nasça, este ano, a impressão de haver Paulo Gagarin exposto quadros tanto quanto convencionais. Parece que os seus verdes, os azuis, até os azuis-cinéreos como que se tornaram mais crus e duros. A tela panorâmica do Rio acentua com propósito aqueles méritos que se me afiguram negativos de evolução técnica e de capacidade de interpretação da natureza.

Evidentemente que o pintor poderá dizer-me encontrar engraçado o crítico que presume tanto a ponto de confiar de preferência na sua acuidade visual, e procurar apreciar, além disso, ou por isso mesmo, com mais justeza cromática efeitos de luz e cor cuja graduação crepuscular (de aurora ou poente) ele não assistiu!

Seria o mesmo se nós somente pudéssemos ajuizar do valor de um retrato conhecendo o modelo... Aliás para saber-se se uma paisagem é falsa não há necessidade de acompanhar o cavalete do artista pela superfície do globo. Há na obra de arte alguma coisa maior e mais profunda que a semelhança com a realidade objetiva: é a vida sôfrega da matéria, e que se oculta sob mil disfarces: a única dominante moral do artista é dar forma estética a essa realidade espiritual, presente e obscura.

Paulo Gagarin que foi dos primeiros a ver com lucidez a necessidade de outra interpretação na paisagem brasileira, como que parou e está hesitante: e com hesitação oferece espelho às nossas dúvidas: e ficamos a pensar se ele não descobriu uma espécie de processo infalível com que consiga pintar espontaneamente. Acredito que essa facilidade é uma ilusão.

No entanto, a Rua de arrabalde ali se mostra como documentos e testemunho de que o pintor vê largo, em massas reais, com sentimento do geral, mas onde há pormenor, uma vez que se afaste do propósito de pintar de maneira voluntária. Aquelas durezas de superfícies, como certa secura da própria matéria, aparecem com prejuízo para um olhar que vê amplo e um coração sensível à cornucópia transfiguradora da nossa luz tropical.

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Nesse particular é também o que se encontra no Sr. Francisco Manna. A natureza se resseca tanto, que se tem a impressão de qualquer coisa aproximada do metal.

Nas paisagens urbanas, o Sr. Manna parece ter horror à verticalidade, ao fio a prumo: tanto assim que as manchas dos arranha-céus são sempre inclinadas, como se fossem vistos um pouco numa perspectiva plafoné.

Mas ninguém negará, no entanto, como o sr. Francisco Manna progride no estudo que faz da pintura de ar livre: as suas paisagens urbanas já tem vitalidade autêntica: o ar circula livremente. Para mim, o que há de mais sensível nas telas do pintor são as cores que ele exprime em linguagem persuasiva: as harmonias são boas, só faltam tintas líquidas. Por outro lado, vê-se que ele observa com cuidado certos efeitos picturais que precisam de tradução atilada do artista para que possam dar, transcritas, a mesma impressão ótica sobre o observador.

Ao Sr. Manna falta mais frescura e tranquilidade construtiva, isto é, mais segurança técnica para que o seu sentimento se possa arejar com liberdade. O pintor ainda olha muito para o teclado quando toca: e é o receio de errar na execução que o faz parecer menos espontâneo, e a sua fatura como que excessiva, sem aquela doçura úmida própria de certas matérias de ar livre, que vivem à sombra.

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A propósito do processo fixo para traduzir qualquer expressão de conjunto da natureza, e do qual falei às primeiras linhas desta crônica, há um caso bem típico de libertação, no Sr. Garcia Bento. Antes de obter o prêmio de viagem, a sua técnica se limitava exclusivamente a tudo espatular. Tanto os crespos das ondas mansas, como os bulcões de nuvens dos dias de agosto, ou o cobre fundido das manhãs de inferno [sic], ou ainda a forma retilínea de um bloco, até mesmo as marinhas neblinosas, em tudo o Sr. Garcia Bento, hierarquicamente metia a faca. Alinhavam-se, sobrepunham-se, ou embricavam-se, com pequenas diferenças de espessuras, as fatias coloridas. Todos esses gomos acabam por cobrir o indumento da tela de uma série de camadas, que formam uma só, como a própria crosta da monotonia.

Se para certas superfícies a fatura francamente posada da espátula convém, e, pode mesmo ser preferentemente indicada, sucede que para outras tal processo não é necessário, pela simples razão que na própria natureza as epidermes variam essencialmente de espessura, densidade, permeabilidade, translucidez, opacidade, elasticidade, tudo isto numa trama celular rica, variada, infinitamente típica.

Acredito que para traduzir tudo isso, por maior que seja a virtuosidade do pintor, convirá de preferência, o emprego de todos os meios materiais, - pincéis, broxas, espátulas, etc.

Agora o Sr. Garcia Bento veio felizmente mudado. Como ele é um pintor sincero, logo se vê o quanto sua arte lucrou com esse abandono de processo convencional.

Nos Barcos no Rio Douro há uma compreensão bem outra de arte de pintar. Com uma paginação nova, curiosa, o sr. Garcia Bento focou um flagrante vivo da realidade.

Além desses barcos, onde há como uma segurança pictural, numa objetiva do alto, há ainda o 'Porto de Grão, onde já há certo movimento na imobilidade tranquila das águas e estas começam a ficar transparentes, às primeiras camadas, uma vez que o sol as ilumina.

É um marinhista que se define; e, com o tom pessoal apresentado, não é difícil concluir, tratando com largueza a matéria, de sua evidência ainda maior na pintura brasileira.

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Na seção de escultura, deste ano, dois expositores se destacam com acentuado interesse: a Sra. Lotte Benter Bogdanoff e o Sr. Humberto Cozzo. São dois temperamentos bem diversos.

A Sra. Lotte Benter é uma realista, que procura através das modalidades da forma, o caráter, na expressão.

A natureza do desenho externo da forma pouco a preocupa: ela deseja é obter o sentido da figura, isto é, a lógica dos pormenores que acabarão por trazer luz à síntese psicológica expressiva, inconfundível, e que faz dos seus retratos - que nunca vimos - nossos conhecidos sobre os quais formamos já critério pessoal, tanto que, vendo-os pela primeira vez, logo os achamos parecidos com eles próprios, embora continuemos a ignorar os verdadeiros modelos.

É considerável o poder com que a Sra. Lotte Bogdanoff pesquisa as linhas sumárias: e nelas fixa a resultante típica. Alem disso, constrói em profundidade, de maneira que o seu modelado não é superficial, parecendo trazer a estrutura interna do volume com a mesma precisão com que culminou na afloração da epiderme.

De posse da técnica da matéria dura (apresenta várias cabeças de madeira), a Sra. Lotte Benter procura sensivelmente, como penetração e agudeza moral, inquirir do sentimento do modelo, não somente no conjunto, mas nos pormenores. Por vezes, o seu desejo de largueza na fatura fêz-la apresentar a forma como endurecida, o que é bem visível na Força Presa - modelado enfático, volume oco - onde o poder de energia aglomerada revela antes tormento e certo mal estar. Prefiro do que apresentou (14 trabalhos) os estudos de índios, onde há cabeças de vivos flagrantes de expressão.

Na Índia em descanso, a Sra. Benter procurou cerrar mais de perto o modelo: e a forma adquire admirável justeza, perquirindo com curiosidade de realista alerta e bem avisada. Há uma outra índia que sorri, onde também as finas anotações do rosto, sob a tênue aragem moral do sorriso foram pespontadas com cuidados e zelos técnicos pouco comuns entre nós.

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O Sr. Humberto Cozzo foi para mim uma revelação. E digo assim, embora nada conheça de sua atividade artística.

O retrato do "Pintor Bernardino" é alguma coisa na escultura brasileira: e significa que encontramos no Sr. Cozzo um retratista amante da vida da matéria, ao mesmo tempo que obcecado pelas irradiações do espírito.

O Sr. Humberto Cozzo é, evidentemente, um idealista. Além disso, ou como complemento a essa tendência de seu temperamento, ele vê, nas manifestações prementes da natureza, símbolos omissos: e logo procura encontrá-los para que sua imaginação se sacie na integração de uma espécie de ilustração dos ritmos da vida, palpitante de energia instintiva, vertiginosa nas largas ondulações do espírito.

Não sei se consegui emparedar o escultor numa verdade analítica: mas tanto quanto a escultura é uma arte indiscreta, acredito não estar muito distanciado da verdade.

Humberto Cozzo se debate entre estas duas margens: e não julgando necessária preferência exclusiva, desce o rio da vida procurando utilizá-las para maior encanto e poesia da viagem.

O retrato do "Pintor Bernardino" é significativo do que acabo de afirmar. O Sr. Cozzo sabendo que a expressão individualizante vive nos pormenores, não se cansou de fixar as minudências do modelo, sem, no entanto amesquinhar a individualidade: ao contrário dessa trainée de superfícies táteis, expondo à luz as saliências, mergulhando as reentrâncias na sombra, fez aparecer como as páginas legíveis do caráter do retratado. Apesar dessa busca realista, o retrato guardou uma linha de elegância e tranquilidade que revela como o escultor procurou não afastar da natureza.

Já na Primeira pose'' encontrei hesitação - do modelo e do artista: Há qualquer coisa de acanhado em certos volumes, sendo que o escultor não deu a solução requerida ao terço inferior das coxas nem das pernas. Toda essa seção parece postiça, ainda para uma estação de pé, e segundo o tema escolhido. Falta, além disto, aquela espontaneidade, surgente, tão necessária para fixar a juventude prônuba daquele corpo.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

RIBEIRO, Fléxa. SALÃO BRASILEIRO. O Paiz, Rio de Janeiro, 30 ago. 1928, p. 1.

Richard Ranft
Richard Rauft
Rigolot
RIO, João do. O SALÃO DE 1904. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 1 set. 1904, p. 3.

A 11ª Exposição Geral de Belas Artes

Inaugura-se, hoje, ao meio dia, a décima primeira exposição geral. Há onze anos, à custa de sacrifícios e de esforços, vem Rodolpho Bernardelli sustentando essa sua campanha. Para o primeiro salon foi preciso contribuir com a sua bolsa, para os subsequentes teve que se fazer defesa e arrimo. Onze anos depois o nosso público começa a compreender o valor das exposições e, hoje até, para os mundanos, a abertura da exposição é o definitivo encerramento da season.

Ontem, ao vernissage concorreu como sempre a flor da nossa sociedade e é de prever que hoje ao meio dia, não seja possível andar nos estreitos corredores da Escola e nas duas galerias onde estão os 259 trabalhos expostos.

A exposição de 1904 não acusa tendências nem escolas estéticas, mas é incontestavelmente uma das mais intensas que temos visto.

Os nossos melhores artistas expõem: Bernardelli, Machado, Helios têm quadros de raro valor, o adiantamento dos alunos aos quais dá o júri inteira liberdade como aos Srs. Bevilacqua e Chambellan [sic] [Rodolpho Chambelland] é raro, e há entre as telas variadíssimas, temperamentos originais, como mme Wencelius, que apresenta seis desenhos impregnados de uma beleza, de uma compreensão da paisagem tão grande que a alma tranquila dos elementos parece se transfusar e viver na meia luz das suas tintas. Mme. Wencelius será, sem dúvida, uma das atrações do salon com esses melancólicos poemas que se intitulam Luar e Por do Sol, A Manhã e Sob as folhas.

São estes os principais trabalhos da exposição:

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Pintura de imaginação e decorativa

AMOEDO - AGOSTINI - LUCILIO MACHADO - TEIXEIRA DE FREITAS [?] - MALAGUTI

Amoedo, o esteta do Nu e do Casto, o discípulo de Puvis, mostra dois quadros de um sabor esquisito, dois quadros que lhe dão a sua dupla feição de artista, a Oração, de uma suave e mística doçura, e a Cativa, com as mãos pendidas e o colo nu, - o colo onde dois seios lúbricos arfam, onde dois seios cantam um estranho poema de vida interior, onde dois seios parecem dizer como no verso de Rollinat

...Osez!

Les seins voluptueux sont friands de vos lèvres

Et de larmes d'amour veulent être arrosés

Machado tem a rivalíssima cabeça de um pedinte, o Cardo Civilizado, a bizarra Constelação e dois grandes quadros de pintura religiosa. Parece que uma das suas preocupações é a história sagrada. O seu primeiro quadro de sucesso foi o Pecado, belo pela ingênua graça de um Adão criança e frágil. Depois tivemos Daniel, e agora Cristo curando um paralítico e a Tentação de Santo Antônio. O Cristo frio; a Tentação, de um grande simbolismo de cores, tem a figura do santo prejudicada pelo estardalhaço das larvas, umas damas nuas que, a julgar pelo tamanho dos pés, começaram a ser feitas pela base. Isso não desmerece, porém a sensação de valor das duas telas.

Como a pintura imaginativa é o pêndulo entre a ideia que se corporifica e o nu que sugestiona, há dois quadros, o Inspirado, de Teixeira de Freitas, trabalhado numa carícia de luz superior, e a Ode Sáfica, de Malaguti, que são, um com a significação de ideal, outro com a sugestão de venenosas ideias os dois extremos desta arte de fantasia e criação.

Malaguti está cada vez mais requintado e mais pompeiano. A sua Ode Sáfica, uma mulher nua tapando o rosto

Nulla potest mulier tamtum se dicere amatam

É de uma crispante e inalterável sensualidade.

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Retratos

HENRIQUE BERNARDELLI - R. AMOEDO - HELIOS SEELINGER - THU-CEU-HAM - MACEDO MANNA - LUCILIO - BEVILACQUA.

Arsene Alexandre, numa das suas críticas, dizia: "É bela a missão do pintor moderno se ele a sabe compreender, é imenso o seu domínio se sabe ver. O fortunatos nimium sua si bona norint! Em outros termos: que inesgotável fonte de assuntos teria se não se emparedasse nos quatro muros do atelier! Só o retratista possui um imenso campo em que os assuntos se multiplicam sempre novos, a beleza dos semblantes de hoje quase todos preocupados, agitados, carcomidos de sonho, de ambição, de vício! Os homens de ação, os sábios, os artistas, os agitadores, os industriais, todos estigmatizados diversamente, mas tendo os traços característicos da inquietação..."

A exposição tem belos exemplos desses retratos que são retratos d'alma. Além de uma delicadíssima tela de Amoedo, do retrato do Dr. Seabra, feito pelo chinês Thu-Ceu-Ham (o que é uma originalidade, convenham) e de esforçadas tentativas de Macedo, Manna e Bevilacqua, conta a exposição com uma admirável coleção de retratos de Henrique Bernardelli e com as variações sobre o mesmo semblante de Helios Seelinger.

O Sr. Henrique Bernardelli, o pintor senhor de uma técnica maravilhosamente expressiva, é desses que Arsene Alexandre quer fazendo a história do seu tempo. Nos seus retratados dois são artistas, Napoleão e Brocos, outro industrial, e há ainda duas senhoras, realizadas com uma graça aristocrática de detalhe. Em Napoleão há toda a nervosidade angulosa de compositor, em Brocos, a calma resistente, no industrial, um belo retrato ao ar livre, a psicologia de um ser [...] da sua felicidade. Valem por um trecho de sociedade contemporânea essas cinco telas admiráveis de Bernardelli.

Helios Seelinger mandou oito quadros com títulos diversos. Esses oito quadros asseguram-no grande retratista e são em grande parte as suas variações sobre o mesmo semblante. Há um auto retrato, o retrato de um amigo e as variações, espalhadas pelo salon.

Devem-se lembrar de Mme. de M. (a princesa de M. para os íntimos), célebre ocultista, discípula de Mme. de Thebes, crítica de arte, sugestionadora, etc. Essa senhora, com as mãos finas cheias de anéis simbólicos da África, da Índia e dos sacerdotes da Escandinávia, exerceu por momentos o papel de grande mago da nossa arte nova. É ela que aparece, melancólica, doutrinando, sorrindo, vestida para o baile, prestes a sair, com a camisola exótica das feiticeiras, sempre ela nessas telas deliciosas. Torna-se mesmo impossível deixar de reconhecê-la. Em todos os quadros, os finos dedos das figuras mostram a constelação misteriosa dos seus anéis de sibila.

Que encanto e que piquant o das exposições de retratos! É toda vida dos nossos dias, é a história comentada por nós mesmos!

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Paisagens

As paisagens abundam. Pode-se sem dificuldade contar umas sessenta. D. Anna [Anna da Cunha Vasco] e D. Maria da Cunha Vasco pintam irmamente [sic] cinco aspectos cada uma de sítios que naturalmente visitaram juntas; os Srs. Esteves, Delpino, Dall'Ara, Evencio, Bolato e Lemos mandam a sua quota de observação da natureza, D. Eulalia Silva e o Sr. Bevilacqua, como discípulos aproveitáveis, enviam algumas telas nas mesmas condições, o incansável velhinho Sr. Pacheco tem quinze, nada menos de quinze, o Sr. Luiz Ribeiro, impressionista, fez cinco com as denominações de impressões, o Sr. Teixeira da Rocha expõe duas belas paisagens animadas, o Sr. Carlos Oswald, irmão do virtuose que há dias estreou no Instituto, concorre com cinco aspectos italianos.

Os dominadores deste gênero são porém, os Srs. Baptista da Costa, Machado e Fiuza. Baptista nos seus oito quadros tem um penetrante encanto, transmite-nos toda a quente voluptuosidade dos nossos campos; Fiuza na sua alva paisagem bretã, um pouco imaginada, é surpreendente, o Sr. Machado afirma-se um trabalhador incansável nessa série de uma sensibilidade superior em que se visionam trechos de vegetação de Paris, o Bois, Vincennes, Villemens, etc., sob a doçura da primavera, ou sob a tristeza do outono...

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Pintura de costumes

José Veríssimo deve estar satisfeito. Os nossos pintores já começam a tomar a sério os costumes. Na exposição o Sr. Brocos, um fiel da escola, tem [...] Cena Doméstica, a Sra. Eulalia um quadro Na roça, o Sr. Evencio uma Lavadeira, Sr. Teixeira de Freitas um belo interior com figuras, uma cena de família muito pitoresca. Como se não bastasse isso, o Sr. Angelo Agostini fantasia uns gaúchos e uma laçada aos bois, que se não são autênticos, mostram ao menos o carinho do desenhista pela nossa terra. [...]

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Pastéis e aquarelas

Elyseu Visconti, o encantador. Elyseu, tem duas aquarelas de uma beleza rara, uma que apenas é a macia doçura de uma paisagem feita de sonho, outra o [...] de dois petizes lendo um livro, [...] a expressão aguda e curiosa dessas [...] carinhas, a vida dessas fisionomias […] inteligência desses olhares [...] uma arte subtil em pintar crianças. Elyseu é simplesmente extraordinário.

Para que esta parte da exposição tivesse todo o relevo, Triedler [sic] expõe [...] três vigorosas aquarelas, o Sr. Freitas manda da Itália outras três. Lucilio [...] um delicado Gris e Mme. Pfam [...] Esteves. Delpino e José França [...] alguns pastéis levemente tratados.

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Escultura

RODOLPHO BERNARDELLI - CORREA LIMA - ZANI

A seção de escultura é uma das mais fracas este ano. Há o busto em bronze do Dr. Gross, magistralmente feito pelo escultor Bernardelli, um Menino, gesso de Corrêa Lima, com as conhecidas qualidades de gracilidade do jovem artista, e dois retratos em gesso e em baixo relevo em bronze do veneziano Zani. Sempre foi fraca a seção de escultura nas exposições anteriores. Nos outros anos, porém, Corrêa [...] na Europa, trabalhava mais: [...] senhoras, com aptidões para esculpir mandavam assuntos mitológicos [...] e bustos dos grandes homens [...]. Os grandes homens já se foram [...] D. Nicolina e D. Julieta, estão estudando em Paris.

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Gravura e artes aplicadas

GIRARDET

É também muito pobre a exposição de gravuras. Ainda o ano passado o Sr. Brocos expunha as suas águas fortes. Este ano temos apenas o incansável Sr. Girardet, o único pelo qual se conserva a rubrica deste ramo de arte nos [...]. O Sr . Girardet é tenaz, é modesto, é hábil. Anualmente estamos nos [...] de ir encontrar no salon os modelos das suas medalhas, todos de uma beleza suave e discreta. Tem este ano sete trabalhos e inteligente professor, em que é de justiça salientar as: Medalhas do Jubileu dos Telégrafos, Medalha Lembrança […] em gesso e gravura em aço e o Retrato de senhora.

Nas artes aplicadas, parece não ter sido continuada a tentativa das porcelanas com desenhos de Visconti. Há apenas um vaso decorativo em pirogravura da excelente e original Mme. Wencelius.

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Arquitetura

MORALES DE LOS RIOS- STAHLEMBRECHER - BARBA.

A exposição de projetos ficou na galeria n. 2 Não há aí os descalabros de arquitetura nova que nos mandam da Alemanha, de Paris e da Áustria. Há a calma afirmação de um talento, o Sr. Stahlembrecher, as lindas fachadas de Morales de los Rios e uma copiosa coleção de antigos projetos do Sr. Barba para certos e determinados edifícios na França. Essa última parte não tem um interesse muito atual. Para a gente diante de um colossal projeto meio [...], corre ao catálogo e lê: Bolsa de gêneros em Marselha. Pode ser belíssimo, mas não calha, não tem nada com a exposição nacional de 1904.

Vale à pena visitar a fria sala da arquitetura. O projeto de fachada angular para a Avenida de Morales é magnífico e Stahlembrecher expõe o seu primoroso - Asilo Bom Pastor.

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Conclusão

Há ainda estudos, telas de mocinhas e rapazes que prometem, algumas fruteiras, o Sr. Petit com um variado sortimento de senhoras, frutas, a inevitável [...], etc. A impressão que o público terá hoje indo à Escola é entretanto a de esforço encarniçado, titânico. Bernardelli resolveu que teríamos um salon. O salon lá está. Alguns grandes nomes da pintura não concorrem a ele, sistematicamente hostis. Que se há de fazer? Todos os anos novos elementos surgem vigorosos e cada exposição é um inconteste triunfo, não só para a escola como para os que expõem nesses livres certames de arte.

João do Rio.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

RIO, João do. O SALÃO DE 1904. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 1 set. 1904, p. 3.

RIOS, A. Morales de los. BELAS ARTES. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 3 set. 1902, p. 3.

Foi ante ontem inaugurada ao meio dia e em presença do Sr. presidente da República, a IX Exposição de Belas Artes, consoante com a lei e o regulamento que estabelecem as condições do ensino artístico na nossa Escola Nacional de Belas Artes.

Julgo ser a presente uma das mais interessantes exposições entre todas as da série, quer pela qualidade das obras expostas, quer pelos nomes dos seus autores. Entretanto, é deplorável e muito sensível aos amantes das belas artes a sistemática abstenção de muitos dos nossos artistas. Respeitando os motivos de tais abstenções faço votos para que desapareçam. Nesta época em que tudo periclita, em que classes inteiras da nossa sociedade, como a dos engenheiros, se vêm forçosamente inativas, bem a contragosto dos seus membros entusiastas e dedicados, é incompreensível que, mesmo na aparência, os artistas e, notadamente os pintores, se mostrem indiferentes a esta classe de certames, tanto mais quanto a crise que assoberba neste momento todas as iniciativas, parece ter avigorado a produção artística, tal o número das obras que conhecemos e que diariamente assomam nos mostradores das nossas lojas elegantes, como as cabeças formosas das lindas moças assomam às janelas, desejosas de se verem admiráveis.

Consequente com o seu programa e zelosa, a administração e a direção da Escola de Belas Artes tem, entretanto, anualmente, o mais fidalgo acolhimento para todos os que querem honrar os seus salões.

Muito desejável seria, assim mesmo, que os expositores não esperassem até a última hora, até o último minuto, para anunciarem as suas remessas de obras artísticas. A preparação do local, muito acanhado, por certo, a confecção do catálogo, que este ano, por certo, se iniciará ilustrado, e, sobretudo, o Regulamento das Exposições, obrigam, por vezes, a não se aceitarem as obras que não foram anunciadas com discreta antecedência.

Sei que este ano, por exemplo, não tem [...] ser expostas algumas obras chegadas 48 horas antes de ser inaugurada a Exposição e entre elas algumas de merecimento.

Eu me pergunto onde é que elas poderiam ter tido cabimento sem interromper os serviços escolares visto como as únicas salas disponíveis para a Exposição são as que ocupam as obras atualmente expostas.

Pelo número, tanto como pela beleza, a Exposição de Henrique Bernardelli salienta-se de maneira imperiosa. Entre os quadros deste artista merecem especialíssima menção os seus retratos e particularmente os dos Sr. e sra. Accetta e os dos professores Conceiro, Rochini Roveda, Tatti e Araujo Vianna, este último a pastel.

Não se sabe o que mais admirar; se a extraordinária aparência dos modelos, se a perfeição do desenho, se o vigor e a valentia do colorido nessa aparente fácil dificuldade que é a característica dos mestres, se enfim o modelado e a maestria da execução em todos os seus pormenores.

A cabeça do retrato do Sr. Accetta é um primor de arte e vê-se que o artista tem caprichado para surpreender no seu modelo todos aqueles jogos e reflexos que a luz, vista pelos olhos exercitados de um artista de merecimento, é apenas capaz de achar nas tonalidades da pele. No quadro em que o mestre Couceiro é representado trabalhando os seus violinos e rabecas, os efeitos da luz são tão belos e facilmente trasladados para a tela que tem-se a sensação do ambiente e o espectador embevecido parece até que está a ouvir na alegria daquele raio de sol o canário invisível e engaiolado a cantar ao astro rei as suas árias mais primorosas.

O fundo sóbrio e escuro do retrato do maestro Roveda, destacando o busto do retratado e emoldurando-o numa gama simpática de tintas purpurinas, faz destacar a coloração das carnes com uma fineza de relevos e de reflexos de uma riqueza extraordinária, parecendo até que ao pincel tem faltado lugar onde impressionar todos os efeitos surpreendidos pela retina do artista. Noutra gama, o retrato do professor Rochini destacando-o sobre um fundo claro de telas adamascadas faz por sua vez ressaltar aureolando todos os pormenores fisionômicos e característicos do ilustre músico. Até no do Tatti revelam-se os especiais carinhos com que o artista tem tratado esses retratos: nesse quadro não vai apenas a fisionomia do retratado; vai a expressão, o caráter e o característico. Primorosos também os estudos intitulados, Azulina, cabeça de mulher loura vestida de azul e de esplêndida carnação que está a lembrar aquelas venezianas lendárias dos quadros de Tiepolo e A risonha, mais ainda o primoroso pastel O Voto e as paisagens e os estudos recentemente feitos em Diamantina e que certamente vão ser viveiros de futuras pinturas de maiores fôlegos.

Com um modestito [sic] retrato de bela senhora, numa sinfonia de notas claras e róseas. Amoedo apenas apresenta este quadro e um S. João Baptista em que o pintor brinca com as dificuldades de sua arte, roubando seus esplendores luminosos à Santa auréola do Precursor e banhando-o daquela luz divina.

Aurelio de Figueiredo apresenta outro retrato o do General Ozório e diversas paisagens. Eu considero o Aurelio um dos pintores que com mais felicidade tem sabido surpreender a luz ambiente dos nossos espaços tropicais para embrenhá-la nas [...] de suas paisagens, nos cumes alterosos das serras que ele sabe tão bem ide[...] para fazê-la rendilhar a folhagem das nossas arvores. Este segredo que os [...] e os Parlagrecos tem vindo decifrar tão longe, dando-lhe toda a dedicação de seu tempo e dos seus esforços, Aurelio possui.

[...]

[…] diversa interpretação que dão à sua visão.

Brocos tem um retrato, diversas paisagens, uma aquarela e diversas águas fortes. Nesta última classe de trabalhos ele é um artista perfeito e consumado como é visível nos seus retratos do barão Homem de Mello, do comendador Marques Pinheiro e de Rodolpho Bernardelli e é preciso vê-lo atarefado nesse trabalho especial para compreender o amor e o cuidado com que ele os sabe tratar. A sua aquarela, Um escrivão público é um primor de graça e de facilidade: gosto assim mesmo das suas paisagens de Teresópolis cujos recantos não tem mais segredos para ele, mas não gosto do seu grande retrato n. 63, não porque as qualidades da sua técnica sejam censuráveis, mas acho-o azedo, permitam-me a expressão, pela crueza dos tons dados aos panos e bandeiras que rodeiam o retratado e pela rigidez forçada do modelo. Prefiro-lhe todos os retratos que conheço do mesmo artista, que é um mestre no gênero, como, por exemplo o busto do conselheiro Marques Pinheiro.

Dall'Ara, como fez Parlagreco, parece estar apenas preocupado em estudar a nossa natureza. O sol napolitano que lhe iluminou as primeiras telas, aquele sol do Mediterrâneo, tão penetrante e sedutor que pode dizer-se inspira os artistas, desde o berço, pela retina, vai-se apagando na sua lembrança, ainda recente, para dar lugar a este outro sol tropical americano, a essa luz que tanto impressionou os primeiros descobridores destas terras, pouco afeitos a rudimentos de pura estética, e que, para os que aqui chegamos, tem a primeira revelação nas águas claras e nos verdes focos das costas pernambucanas.

Entretanto esse estudo da luz tropical propende a não sei que durezas de expressão que são visíveis num quadro de assunto ingrato, o Novo hospital do Exército e contra a qual é preciso lutar como é o caso de repetir com relação a outro artista benemérito, o Visconti.

Driende [sic], há tantos anos ausente dos nossos concursos, aparece este ano com um retrato de corpo inteiro do ex-ministro da fazenda dr. Joaquim Murtinho.

Não duvidarei um minuto pensando que a maioria dos visitantes acharam este quadro... insignificante. Talvez quisessem algum dr. Murtinho fardado ou com os raios de Júpiter na mão ... Entretanto, e toda reserva feita relativamente a alguns modelados e tecnicismos, acho esse retrato simplesmente magnífico. Aqui no Correio nós, os colaboradores, podemos dizer livremente o que queremos e pensamos de coisas e de pessoas e é por isso que eu dou a minha modesta opinião como própria de quem firma, mas enfim livre, independente. Acho o retrato felicíssimo. A superioridade do homem de governo está discretissimamente revelada na maneira porque a cabeça está tratada e aquele clarão que está a lhe iluminar a fronte vem dar à fisionomia fria e aparentemente indiferente do personagem, uma nota muito característica. O resto do corpo é tratado muito largamente sem pormenores, aquele chapéu mole, aquele traje é o do médico, do homem de vida despretensiosa, liso, metódico, escovado; aquele fundo de retrato feito duma única tinta, apagada, esbatida, suavemente esbatida, é uma transição entre a força de execução pictórica da cabeça e a flacidez do baixo do quadro e enfim, aquele olhar não olha para nós, vai sua via, seu caminho, ele desengana o doente e vai ao rumo dos seus propósitos... Desde o Victor Hugo e o Thiers de Bounats [sic], e toda comparação entre artistas desviada, não vi retrato que mais me impressionasse.

Felizmente, hoje, ninguém, me tomará por engrossador do retratado!

Frederico Raphael Frederico é um belo pintor, um antigo pensionista da Escola na Europa, um artista de fôlego..... Quero-lhe muito bem por isso e lhe vou querer mal, mas muito mal se apenas nos dá outra coisa do que este ano relegando-nos à companhia de primorosas... aves do quintal, ou à nota indecisa de suas comungantes afogadas num mar de branco que deveria ter tentado a esplêndida palheta do notável artista.

Latour, outro discípulo da Escola, é hoje mais do que uma promessa; é uma realidade e os seus retratos, depois dos lindíssimos de anos passados, e o seu quadro colheita de rosas bem poderiam servir-lhe de passaporte para aquela viagem de Europa e aquela conversa com os grandes mestres da pintura, pedra de toque dos que hão de completar seus estudos artísticos.

O outro pensionista, Macedo, atualmente na Europa, tem um belíssimo retrato de senhora ao qual apenas reprocharei um tanto de dureza nas roupagens negras da retratada cujo busto está primorosamente tratado.

Em seguimento dos precedentes, Evencio Nunes, dá-nos uma promessa com o seu quadro de Anchieta com aspirações muito louváveis de galgar brevemente o lugar de pensionista e mostrando a Lucilio de Albuquerque qual o caminho a seguir para isso.

A sombra de Parlagreco, velada, pelo fúnebre véu de crepon que recobre o seu auto-retrato vem lançar a nota triste neste conjunto de alegrias da luz e das cores misturando-se nas palhetas vizinhas e maldizendo o Destino que tão cedo roubou aquele valente artista ao nosso convívio e à nossa admiração.

Petit, sempre em progresso, nessa maneira que lhe é peculiar e que não perdoa pormenores, tem diversos retratos entre os quais salientarei o do próprio artista, de impecável desenho.

Faunos alegres são duas notas muito vigorosas e originais de Helios Seelinger a quem desejaria conhecer em trabalhos de maior fôlego.

Souza Pinto, como Luiz Bernardelli apenas nos manda atencioso cartão de visita desenhado numa paisagem do Douro, limite entre suas impressões passadas da Normandia francesa e as terras cheias de sol do Douro e um canto do rio, sem grande interesse.

Visconti é outro dos grandes expositores deste ano. Ele é um entusiasta, um laborioso, um artista consciencioso constantemente na brecha. Vem da Europa influenciado pelas tendências ruskinianas e pelos trabalhos do Suíço Boeklim [sic]. É o que me parece e é o que parece salientar-se nas suas belíssimas Oréadas e na sua Giuventú. Chegando aqui, naturalmente, era fatal, a luz do trópico fez na sua retina a consabida e eterna revolução e começou a esquadrinhar-lhe os efeitos. É o que se deduz da série de apontamentos expostos pelo artista sem que porém nenhum deles me fizesse a impressão daquele belíssimo do dias dos mortos no Luxemburgo. Consequência dessa nova maneira de apreciar a luz e a sua influêcia nas cores, no ambiente e na paisagem são seus quadros Os novos e Esperando saída nos quais o decorador habilíssimo que ele é aparece por baixo do pintor, consequência também são ainda os seus retratos feitos ao ar livre com essa maestria que ele possui e que não foi igualada desde aqueles retratos de família que ele expôs numa galeria na rua Gonçalves Dias. Na seção de desenhos ele apresenta assim mesmo belíssimos estudos do natural, trabalhos de artista amoroso da sua arte e enfim trabalhos primorosos de arte aplicada em que ele é especialista.

Weingartner, fez-nos grande remessa de trabalhos. Seus minuciosos quadros das eiras italianas acho-os demasiadamente pormenorizados pela mesma forma que o seu quadro [...] (costume pompeiano) o que fez com que a ideia, a sensação do artista fique afogada na avalanche dos pormenores os mais insignificantes do botão, da joia, do brilho, do perfil em […] diminutas e em outras preciosidades do pincel extremamente hábil. A todos os seus quadros prefiro a Pousada [...]

Não foi por esquecimento que ainda não citei os nomes de Correia Lima, o jovem e valente escultor recém-chegado da Europa, discípulo da Escola e do insigne Rodolpho Bernardelli e o qual, numa série de belíssimos trabalhos, vem justificar os sacrifícios que a nossa mocidade artística possa custar ao erário público e a honra que desse sacrifício possa advir ao Brasil.

Ele expõe um grande grupo, tamanho natural, intitulado Mater dolorosa de um modelo fino, delicado, escrupuloso; de uma silhueta simpática; de composição muito bela e que vem provar que certos privilegiados da arte:

"... pour des coups d'essai,

Ils font des coups de maitre."

Seus bronzes Dueto e Eterna luta são dois primores e os nossos amadores darão triste cópia de si, se antes de 48 horas o primeiro, pelo menos, não leva ao lado do número do catálogo a etiqueta: vendido. Os gessos Forja e o bronze Tentação são outros tantos primores ... como o são os projetos de medalhas do impecável Girardet para quem estão esgotadas as adjetivações encomiásticas.

Talvez que muitos perguntem porque nesta crônica meti-me na camisa de onze varas de distribuidor de opiniões favoráveis ou não sobre artistas que não precisam de minha opinião para verem seus nomes aureolados.

Foi a tentação de um pretenso artista de falar sem cerimônia com outros artistas reais e positivos.

Sirva de desculpa ao firmante o annexim [sic] que declara ser: fácil a crítica e a arte difícil.

A. Morales de los Rios [Adolpho Morales de los Rios - Artigos]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

RIOS, A. Morales de los. BELAS ARTES. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 3 set. 1902, p. 3.

RIOS, A. Morales de los. EXPOSIÇÃO DE BELAS-ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 2 set. 1903, p.2.

Inaugurando ontem oficialmente a sua décima exposição anual, a Escola de Belas Artes desempenhou-se cabalmente e com a sua habitual pontualidade daquela obrigação dos seus Estatutos.

A exposição, no seu conjunto, se não revela extraordinárias progressos nos nossos artistas, não é inferior às precedentes.

Que querem? Num país onde o negócio e o industrialismo primaram até hoje sobre todas as outras manifestações da atividade humana, onde o artista não acha fácil colocação para as suas produções, não se pode pedir que a mocidade se dedique com extraordinária preferência ao culto das Belas-Artes, cujos proventos apenas se lhe apresentam sob um aspecto mítico e até sem a auréola sedutora do triunfo.

É por isso mesmo que aqueles que com coragem abraçam esse verdadeiro sacerdócio, que também têm as suas hierarquias, devem ser animados e tratados com uma benevolência discreta, sob pena de exercermos uma crítica que, pela sua severidade, chegaria a ser descabidamente excessiva e inoportunamente desproporcionada para com aqueles que, à força de tantos sacrifícios, sofrendo tantas e tão contínuas desilusões e lutando num meio tão ingrato, estão dando provas diárias da sua firmeza, da sua probridade [sic] profissional e o seu desejo constante de progredir, honrando o nome pátrio no tal vasto campo das belas-artes, reduzido entre nós a um pequeno prado, onde florzinhas tímidas apontam aqui e acolá, chegando raramente a vicejar, à míngua do orvalho benfazejo, sob a forma da moeda corrente.

Entretanto, repito, os artistas e a escola oficial que os tem formado, na sua quase totalidade, não desanimam, quer expondo os trabalhos dos seus discípulos daqui e da Europa, quer realizando outras exposições, como a recente, de Victor Meirelles, quer nas suas exposições anuais, onde, como, na permanente, dois antigos alunos da escola, os Srs. Visconti e Fiuza, figuram já como membros do Júri de pintura, além de apresentarem notabilíssimos trabalhos como expositores.

Acontece, porém, e o caso merece ser revelado, que quando algumas repartições públicas precisam de fazer alguns retratos, gênero o mais favorecido entre nós, não é raro suceder serem encomendados no estrangeiro, como aconteceu há pouco com os dos diversos presidentes que tem tido a República...

Este desamparo dos nossos artistas priva-os dos recursos necessários, e não são poucos os que se precisam para atacar grandes composições de caráter histórico e de maior fôlego que parecem estagnadas desde a época dos quadros das batalhas de Guararapes, de Avahy e dos Bandeirantes.

Não faltariam a própria escola meios e recursos de ajudar os artistas, fornecendo-lhes os meios de realizar algumas destas grandiosas composições e disto vem dar fé a belíssima exposição indumentária que este ano ocupa uma das salas abertas ao público.

Nela vem-se [sic] grande quantidade de objetos e de obras de arte da mais diversa procedência que constituem um verdadeiro tesouro artístico, que penso não ter igual na América do Sul e que forneceriam aos artistas largos elementos para a composição dos seus quadros se a Escola de Belas-Artes, ao invés de ter todos aqueles objetos, simplesmente arrecadados e armazenados por falta absoluta de espaço, os pudesse expor de maneira conveniente, qual se usa nos verdadeiros museus.

Contemplando os objetos expostos nessa sala e cuja catalogação encheria todo este jornal, o público estará longe de pensar que aquilo tudo representa apenas uma ínfima parte das coleções totais que possui a escola, que o público infelizmente desconhece, que forma parte do patrimônio nacional e que os artistas não poderão aproveitar para os fins peculiares a que eram destinados.

Mesmo para dar lugar à atual exposição, foi preciso amontoar telas pelos corredores e pelas escadas, trancar salas destinadas a aulas e abarrotadas de quadros e de objetos, fechando portas e saídas, sob pena de não haver onde armazenar tudo aquilo de que se orgulharia mais de uma nação. E eu pergunto qual seria a sorte de todos esses tesouros de arte, pacientemente acumulados, se um foguete fatal viesse rebentar no meio de uma daquelas salas passando por qualquer clarabóia e se amanhã nos anunciassem discriminadamente os jornais as peripécias do incêndio da Escola Nacional de Belas-Artes, fazendo acompanhar essa relação com a das obras de arte desaparecidas, graças a um desleixo que nesse momento haveria de motivar censuras... de que todos seríamos passíveis.

Entretanto, a escola lá continua a funcionar como pode e a maioria dos nossos artistas responde ao seu apelo.

Na exposição que ontem se inau [...] e queridos, Visconte [sic] expõe uma belíssima têmpera, representando com felicidade uma ladeira cheia de sol, no morro de Santo Antônio; uma mancha intitulada À fresca, representando figuras à sombra de uma arvore com felizes efeitos de luz; o retrato de seu irmão feito a têmpera e dois belos estudos de [...].

Fiuza, ao lado de muitos estudos de paisagens, lembranças de viagem, expõe duas cabecinhas bem pintadas, uma cabeça de senhora intitulada Dominó, um estudo de Nu e um Baco, todos eles conhecidos desde a sua exposição particular.

França [José Monteiro da França], outro discípulo da escola, expõe um interior - Na cozinha - com boas qualidades de pintura e de observação.

Dall'Ara, um laborioso, uma reminiscência de sua aquarela, A praça da República, ao anoitecer, e duas belas paisagens feitas do seu modo especial e feliz de ver a nossa natureza.

Frederico [Raphael Frederico], que andava preguiçoso, expõe um quadrinho representando um [...] o que vem a ser uma anomalia, a dormitar por baixo de uma [...], que o sol atravessa com os seus raios.

Matisse, um pintor francês, mandou-nos um curiosíssimo efeito de sol poente, avermelhando rochedos que costeiam um mar de esmeralda, tal qual os vemos nas costas mediterrâneas da Itália, da Grécia e Espanha.

Outro francês, Carré, de processos esquisitos na sua maneira de pintar, mandou duas verdadeiras saladas russas, muito apreciáveis entre artistas que sabem ver no meio daquele sarrabulho de cores em especial, na procissão em Poitou, mas que oferecidas ao paladar publico são de difícil ingestão.

Baptista, o impecável paisagista brasileiro, brinca com as dificuldades da técnica em todas as suas paisagens, entre as quais saliento a Igrejinha de Copacabana e o pescador.

Evencio Nunes, que é um trabalhador sincero, lutando com os maiores embaraços para prosseguir os seus estudos, também apresenta uma paisagem de nota muito pessoal e dois quadros, na cozinha e uma lição, muito bem tratados e que estão a recomendá-lo com o seu colega Lucilio de Albuquerque, para o prêmio de viagem. Este último, que é outro trabalhador entusiasta, vai em real e continuado progresso, como evidencia este ano com os retratos e um pastel.

Helios Seelinger, que já tem um nome apreciado, é o grande expositor deste ano.

Ele apresenta um grande quadro cheio de dificuldades técnicas, feito num acanhadíssimo atelier, e por isso mesmo apresentando senões que são de fácil retoque. Assim, por exemplo, a figura do tocador de guitarra tem muito curtas as pernas; a figura do fumante que acende o cigarro à luz de lampião é grande demais e existe desproporção entre ela e a que lhe fica por baixo, deixando perceber falta de perspectiva entre estas duas figuras e o candeeiro, o braço do modelo, violentamente estendido tem perfis e reflexos que prejudicam o desenho, e assim outros pequenos senões.

Entretanto, o seu quadro tem grande merecimento: estão bem agrupadas as figuras; o efeito de luz externa e o da lâmpada está bem executado, o fundo de quadro sobre tudo é muito bom e nele se vêem retratos de rapazes conhecidos nas artes. Em suma a obra recomenda muito o autor, e é bem provável que com o tempo, recursos e sossego, coisas de que os nossos artistas carecem, tivesse completado mais um bom trabalho.

E aqui fico hoje, fixando reunião para amanhã aos que a minha prosa não aborrecer ou aos que dela precisarem para dormir.

A. MORALES DE LOS RIOS. [Adolpho Morales de los Rios - Artigos]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

RIOS, A. Morales de los. EXPOSIÇÃO DE BELAS-ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 2 set. 1903, p.2.

RIOS, A. Morales de los. EXPOSIÇÃO DE BELAS-ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 3 set. 1903, p.1.

Além do trabalho a que me referi na crônica precedente, Helios Seelinger expõe outros apreciados e já conhecidos de anteriores exposições particulares, e entre os quais salientarei o Remorso.

Angelo Agostini (o velho, seja dito apenas em sentido comparativo) apresenta cinco quadrinhos, dos quais destacarei o denominado Pintor atrapalhado, bem feito e muito na nota espirituosa peculiar do artista. Agostini [Carlos Alberto de Agostini] (o moço: aqui está o termo de comparação) apresenta frutas e manchinhas de cor, que vão prometendo.

Froes [Manoel Ribeiro de Araujo Froes], umas lindas paisagens, reunidas num só quadro e que revelam notáveis progressos.

Bevilacqua, discípulo da escola, apresenta-se de maneira muito honrosa para tão novel artista, com especialidade da Canção de Daphnis, muito acadêmica e a qual acho parentesco com alguma coisa já vista, seja dito sem ofensa, e da qual não me lembro bem.

Bolato, como o anterior, da escola, revela novamente a sua vocação artística, pintando nos lazeres do expediente administrativo.

E como Virgilio, o popular e amável Virgilio, bem conhecido auxiliar do leiloeiro Dias, não menos popular do que o seu vendedor: eu sabia que Virgilio pintava […] sem trocadilho), roubando aos domingos algumas horas de seu trabalho acabrunhador, mas não o conhecia sob o aspecto pelo qual o mostramos: marinhas muito variadas de técnica, lembrando aqui o Castagnetto, que foi seu mestre; ali o Santa Olalla, que também o foi, e, em suma, apresentando-se bastante honrosamente. Não se admirem se me demoro nesta apreciação de um amador: ele merece essa animação.

Outra coisa não precisa Ribeiro Filho, que está num momento de moleza produtiva que lhe cumpre sacudir para seguir a trilha em que ia. E, já que estou a distribuir incitamentos, dêem-me licença para animar o trabalhador Augusto Petit, o qual poderá ser criticado à vontade e cujo estilo não é dos que mais agradam aos profissionais, mas que se esforça honestamente por fazer o melhor possível e, se a pintura é um meio de representar a natureza no que ela tem de belo, hão de convir que ele sabe escolher os temas artísticos: aquele cabelo do seu quadro Amaralys é simplesmente um primor - Oh! Exclamarão alguns. Pois é assim: digo o que penso e penso como sinto! Aí está: vejam os quadros de Napolitano: sim senhor, técnica superior a de Petit, que se vai formando por si mesmo, mas, enfim, técnica, nada mais: não gosto sem reservas do hieróglifo e do rebus na pintura acabada e pronta, para apreciar a ideia perfeita do artista.

Com toda a modéstia e pesar de seu processo lambido, prefiro o portão de [...] ao Nápoles coberto de neve do Napolitano. Ideia esquisita essa e quase sacrílega, referindo-se ao país do sol, é que comparo com a esquisitice desse prometedor artista que se chama Latour. Eis um rapaz aluno da escola, que ganha em boa campanha o prêmio de viagem depois de fartar-se de paisagens desta terra, que as tem tão belas. Parecia natural que chegando a Paris fosse atraído por outro gênero de impressões. Pois bem, que é o que nos manda? paisagens físicas de Paris, ao lado das quais a beleza das de Brocos, com aquela luz brilhando sobre os rochedos do Soberbo em Teresópolis, faz e mesmo efeito que o vigor másculo de [...] ao lado da mesquinharia física de Chilon [...].

E já que o nome de Brocos me veio ao bico da pena, deixem-me recomendar as suas belas paisagens deste ano e as suas impecáveis águas-fortes. Noto ainda, apesar de um pouco frio e amaneirado, o retrato de Felippe. Não devo esquecer o quadro de Rangl [sic] [Richard Rauft], pintor francês, um dos melhores da exposição e que reproduz com felicidade um aspecto de paisagem coberto de neve ferido pelos derradeiros raios de um sol triste de inverno.

Citarei ainda, de passagem, os trabalhos dos irmãos Chambellando [sic] [Carlos Chambelland e Rodolpho Chambelland], de Jonas de Barros, do francês Cariot, muito bom: de Childe que tem um gatinho bem estudado, ainda, que frio de cor, os quadros de Delpino, Garrido, Macedo, Marques Guimarães, Cattaneo, Carlos Reis, artista português que apresenta um bom estudo de [...]. E, enfim, não devo esquecer nesta resenha a brilhante corte de senhoritas, que vieram honrar a exposição com primorosos quadrinhos, salientando, em primeira plana [sic], as duas irmãs Cunha Vasco [Anna da Cunha Vasco e Maria da Cunha Vasco], que são duas verdadeiras artistas; a senhorita Sarah Del Vecchio, uma principiante que promete completar-se e que apresenta retratos, frutas e flores, gêneros aos quais, nos nossos centros, e indefectivelmente votada a pintura de senhoras; e ainda: D. Minna Mee, uma aluna que tem alguns trabalhos interessantes de frutas e legumes; as senhoritas Alina Teixeira, Clelia de Castro Nunes, que é uma das expositoras cujos trabalhos revelam maior temperamento artístico e nota pessoal e mais: D. Elvira Gomensoro, Dinorah [Dinorah de França Meirelles] e Marietta de França Meirelles, nomes que são uma tradição; Georgina Moura Andrade Ribeiro e Leduina B. da Gama Rodrigues. E vá a rapaziada acautelando-se diante desta triunfadora invasão de pincéis manejados pelos mais lindos dedos do Rio de Janeiro e circunvizinhanças.

Ah! Não me tratem de patrício de gangorra e outros piegas, nem de ilusões cor de rosa, através das quais estou a olhar para a Exposição de Belas Artes.

Já disse o que pensava a respeito d critica artística entre nós e, demais, não quero que venha qualquer Antoine, experimentador de sublimes tendências, tratar-me de Sarcey de bazar barato.

Se ao menos me soubesse um Sarcey de bom cunho!

De propósito não falei nem no Amoedo nem no Henrique Bernardelli: tudo está dito a respeito deles e das suas pinturas. Peço apenas licença para frisar a laboriosidade exemplar que continua a caracterizá-los e de que é prova exuberante o número de quadros que expõem.

Entretanto, vejam aquele retrato do Henrique Bernardelli, que representa uma senhora sentada em cadeira de alto espaldar. Vão medindo os centímetros quadrados dessa pintura e vão apreciando o que cada um desses quadradinhos encerra de primores artísticos.

Na escultura figuram Correia Lima, com um bem modelado Pescador de nota indígena e um lindo busto de menino, e D. Julieta França, com um belo Cupido, que deve ferir a valer, a avaliar pelo arco do menino.

Rodolpho Bernardelli, esse triunfa ... Não imaginem que estou a lisonjear o chefe e amigos: vão ver aquele busto, admiravelmente esculpido, do Dr. Brissay.

Na seção de gravura e medalhas figura uma esplendida coleção, [...] à escola pelo distinto amador de artes, Sr. Luiz de Rezende, e que constitui valiosíssimo presente.

Ainda na mesma seção o talentoso e laborioso Girardet, que vive no atelier, janta no atelier e dormia no atelier, se o deixassem, apresenta, entre trabalhos acabados na perfeição, vários esboços de medalhas com efígies do rei Humberto e da rainha Margarida, de grande beleza, assim como outros com figuras de italianos célebres que são verdadeiros primores.

Na seção de arquitetura, este ano, por grande esquisitice, figura apenas uma Cena de martírio, um martirológio inteiro até, se quiserem, porque outra coisa não tem sido para mim [Adolpho Morales de los Rios], há três anos, esse projeto da Escola de Belas-Artes que anda como o judeu errante, a pairar sobre todos os cantos da capital federal, sem conseguir terra que o receba definitivamente ou que o sepulte.

Nesse martírio tive, entretanto, desta vez, um cireneu, na pessoa do Fontes Soares, que me ajudou a levar a cruz, com aquela belíssima reprodução que esse artista, que é um modesto operário, fez do meu projeto, e é para falar em Fontes Soares e não em mim, e na sua probidade exemplar ao interpretar o trabalho a ele cunhado, na sua capacidade técnica, no seu gosto artístico refinadíssimo, que falo incidentemente no modelo em gesso da projetada Escola de Belas Artes.

A ele e a R. Bernardelli, de quem foi a ideia de fazer o modelo e que fez todas as despesas, agradeço aqui esse favor.

Resta-me falar da exposição cerâmica de Elyseo Visconti, um ensaio felicíssimo dessa arte tão delicada, que não podia achar melhor nem mais competente intérprete; mas este assunto merecia capitulo a parte, limitando-me aqui apenas a felicitar o artista pelo seu êxito e o Dr. Américo Ludolf, que soube patriocinar [sic] essa tentativa na sua fábrica de cerâmica. E acabou-se.

A. Morales de los Rios. [Adolpho Morales de los Rios - Artigos]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

RIOS, A. Morales de los. EXPOSIÇÃO DE BELAS-ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 3 set. 1903, p.1.

RIOS, A. Morales de los. TAGARELICE ARTÍSTICA. O Paiz, Rio de Janeiro, 3 set. 1902, p.1-2.

Acaba de ser inaugurada, em presença do Sr. presidente da República, a 9ª exposição anual de belas artes, no acanhadíssimo edifício da nossa Pinacoteca, que hoje, mais do que nunca, evidenciou a sua impropriedade para aquele destino. Vai sem reclamo.

A concorrência, muito seleta, enorme, com efeito; enorme o calor naquelas salas sem ventilação de espécie alguma e, no meio daquela multidão e daquele vai-vem de criaturas, mal se podiam apreciar as que se acham expostas pelos quadros, quer em forma de retratos, muito numerosos este ano, quer em outras manifestações pictóricas.

Seja dito de passagem o que já creio ter salientado algures, a saber: os nossos artistas e os nossos momentâneos hóspedes artísticos têm uma tendência marcadíssima para especializar-se no retrato e na paisagem. Os quadros de gênero e muito mais os de assuntos históricos escasseiam de maneira muito sensível.

É talvez um sinal dos tempos que atravessa a arte entre nós.

Um quadro histórico supõe um longo trabalho, estudos conscienciosos e dispendiosos, modelos e sobretudo a probabilidade de não ficar improdutivo todo esse dispêndio de trabalho e de recursos. Ora, quem é que compra quadros históricos entre nós? Foi uma vez a verba que inteligentemente foi aplicada pelo atual governo para a aquisição de obras de arte: era preciso dar-lhe emprego, rapidamente, de modo que ela fosse cortada por qualquer desses incidentes que já revelaram os ecos dos nossos parlamentos ou por qualquer outro motivo fortuito. Não existiam no mercado, perdoem-me a expressão, quadros históricos em condições de serem adquiridos para o nosso museu ou para as nossas repartições e, naturalmente, a verba foi inteligentemente aplicada em outras aquisições. Entretanto, essa verba é ainda larga, poderíamos talvez qualificá-la de inesgotável no caso vertente. Não seria, o caso de dedicar parte dela em auxilio dos nossos artistas de merecimento reconhecido e dos nossos antigos e atuais pensionistas, para os mesmos desenvolverem nas suas telas, no bronze e no mármore quaisquer interessantes assuntos históricos?

Aí estão Henrique Bernardelli, Amoedo, Brocos, Frederico [Raphael Frederico], Visconti, Aurelio [Aurelio de Figueiredo], Fiuza, Macedo, Correia Lima e tantos outros (não se zanguem os que não citei), sem nomear os nossos paisagistas, que certamente honrariam os créditos com que fossem auxiliados e enriqueceriam as nossa coleções com as suas produções.

A Escola de Belas Artes, anualmente, consagra oficialmente, pelo menos, um artista, que a Nação subvenciona na Europa durante um número determinado de anos. Creio poder garantir que nem uma única vez a escolha do respectivo júri tem deixado de ser acertadíssima e acatada. O artista designado para viajar e aperfeiçoar-se na sua arte tem sido sempre o que mais altos merecimentos tinha para aquela designação. Ora, esses artistas vão à Europa cheios de ardor e de coragem, trabalham conscienciosamente, como o demonstram as suas numerosas produções e a sua fidelidade às nossas exposições oficiais; honram o nome brasileiro; caldeiam a imaginação naqueles centros artísticos, onde vêem seus colegas de outros países honrados com as encomendas dos seus governos; sonham com glórias e distinções semelhantes; voltam para cá acompanhados de uma enorme bagagem de trabalhos e ... quando tudo faz esperar que tanto labor e os sacrifícios da Nação tenham a merecida recompensa ... zás! Não tem verba! Vá pintar batatas ou tirar o retrato de qualquer provedor de ordem, ou reproduzir as feições de qualquer Zé Pereira da venda do canto!

Isto é desperdiçar talento e dinheiro... mas não insistamos ! ainda seria possível que alguém se lembrasse, do lado da cadeia velha ou da Casa da Moeda, de riscar as verbas dos pensionistas em viagem...

Há tanto emprego ainda no negócio da banha e bacalhau para rapazes com vontade de cavar a vida...

E, o que eu estou aqui cavando, e, talvez, desperdiçando, são tiras de papel, isto é, colunas, e, francamente, não é tanto o espaço de que a gente dispõe nos jornais para dizer o que quer para tal desperdício... Mas, é desperdício? Bom: já estou reincidindo...

Oh! Deus de Gutenberg! quando é que haverá um jornal grande, largo, alto, comprido, que deixe a gente dizer tudo quanto quer com liberdade de espaço!

Resta-me apenas o necessário para dar uma sucinta relação do que vi e todos vimos na exposição, que acaba de abrir suas portas no meio da mais seleta e numerosa concorrência e que amanhã, sem ir mais longe, estará provavelmente... às moscas! É o costume, não falo senão por experiência. Tomara eu que isto mudasse.

Enfim: vamos a isto...

O retrato triunfa em toda a exposição com os que apresentam Henrique Bernardelli, Visconti, Amoedo, Driendl, Brocos, Aurelio, Petit... j'en oublie, et des meilleurs.

Henrique Bernardelli expõe uma verdadeira coleção de retratos, puras maravilhas de parecido, execução e de arte. A gente tem vontade de lhe dar um abraço cada vez que o encontra a perambular nas salas da exposição. Os seus retratos dos Ascheta, do filho deste, a pastel; de diversos e conhecidos professores do nosso conservatório de música e do Couceiro, na sua oficina de violinos e rabecões, são primores, cuja análise me levaria a encher esta crônica apenas com o nome deste artista insigne. Apenas quero acrescentar: vão admirar aquilo! O artista já não precisa dos cumprimentos de mais ninguém!

Junto do Henrique, o Visconti expõe, por sua vez, notabilíssima coleção de belíssimos retratos, tratados com um namoro especial do nosso ambiente tropical; muitos deles feitos en plen air (desculpe-me o autor do que não se deve dizer) e entre os quais salientarei os do Dr. Custodio Coelho, do Dr. J. Carlos de Souza, da viúva Simas e do Dr. Romeiro.

O retrato do Dr. Joaquim Murtinho, exposto pelo Sr. Driendl, mereceria um capítulo a parte. O artista, muito amante de pormenores, foi de uma sobriedade extraordinária neste retrato. Entretanto, a cabeça, a atitude, a filosofia do retrato, permitam-me a expressão, são extraordinárias. Aquela maneira vaga de desenhar o corpo do personagem e de salientar poderosamente as feições do retratado e, sobretudo, aquele clarão discreto da fronte, ao lado daquela atitude fria, indiferente, calma, propositalmente apagada; aquele olhar fixo no que os outros não vêem, que não olha para o espectador, mas para longe; aquele fundo de quadro, de uma nota uniforme, desvanecida, são notas muito belas... eu acho aquele retrato admirável, mesmo quando à técnica se lhe devam dirigir alguns reparos.

Amoedo tem apenas um retratinho pequeno, muito lindo, numa nota clara muito simpática. Brocos tem outro bom retrato do presidente da Sociedade Espanhola de Beneficência, o que lhe fez, talvez, abusar das cores violentas da bandeira e do estandarte, colocados ao lado do retratado. Petit, como sempre, expõe uma coleção de retratos levados até a mais impecável correção e minúcia, entre os quais salientarei o seu auto-retrato.

Aurelio apresenta um grande retrato do general Osório.

Entretanto, os de Henrique Bernardelli, ao qual forçosamente volto pela atração natural que exercem aquelas obras admiráveis, tornam-no o grande triunfador neste gênero pictórico.

É preciso ver aquelas mãos e aquelas cabeças, admiravelmente pintadas, dos professores Rochini, Roveda, Tatti e Araujo Vianna (pastel), aquela luz do quadro em que o professor Conceiro trabalha, para compreender quanto é sincera e justa esta apreciação.

Resta-me apenas uma tira de papel para dizer o que penso das restantes obras expostas na Escola de Belas Artes!...

É pois a passo de carga que devo acabar esta despretensiosa e desalinhavada crônica, citando apenas o que acho melhor, para servir apenas de cicerone aos que me quiserem ler.

Vejam, pois, Ao por do sol (n.9), belíssima paisagem de Aurelio Figueiredo, a quem tanto gosto de encontrar neste gênero: ele é um teimoso, porém, sem criticá-lo, prefere os grandes assuntos históricos... esses que mal se vendem!

Também Rossini pensava ser muito melhor cozinheiro do que músico. Vejam também a habilidade do pincel de Amoedo no seu S. João (n. 7); o incipiente Lucilio de Albuquerque na sua Cabeça de artista, bom retrato do pintor Malagutti, e, já que citei este nome, recomendo aos curiosos as obras deste artista, que nem posso totalmente aplaudir, porque me fere tudo o que sinto como estético, e a quem não posso censurar de todo, porque há na alma desse pintor alguma coisa que está em formação e em efervescência, que talvez um dia terá forma definitiva e aplaudida. Vejam os quadros do veterano Angelo Agostini: umas frutas do professor Góes [?]; algumas das marinhas do Balliester; os lindíssimos quadros de costumes mexicanos de Lix Bernardelli, irmão de Rodolpho e de Henrique, família privilegiada de artistas; a Risonha e a Azulina, as paisagens e os costumes mineiros (das minas) do H. Bernardelli; umas paisagens de Bolato; duas belas paisagens de Brocos (ns. 65 e 64) e a sua linda aquarela sob o n. 66, e parem momentaneamente diante dos quadros d'All'ara, que vai interpretando a luz das nossas paisagens tropicais com grande maestria. Recomendo o quadro a Toilette, de D. Diana Dampt, o n. 101, Estudando e o Canto de quintal, de Frederico, a quem será preciso excomungar, se não der voltas à sua fantasia e à sua arte na medida das suas forças, e ainda vejam com vagar a exposição de Latour. É este um dos mais tenazes, laboriosos e bons alunos da escola. Já nos anos anteriores fez jus ao prêmio de viagem. Muito me admirará se este ano não conquistar essa recompensa com a sua exposição e notadamente com o n. 104, intitulado Colheita de rosas e... perdoem o atrevimento da minha indicação. Macedo, outro discípulo da escola, atualmente na Europa, expõe um bom retrato sob n. 107; o busto sobretudo é excelente, o baixo do vestido da retratada resulta um pouco duro!

Citarei também as paisagens de Mendonça [Jorge de Mendonça], que me disseram discípulo de Parreiras, e não de E. de Sá, e que tem algumas das qualidades daquele mestre da nossa paisagem. Um bom retrato de D. Julia Naegeli; um [sic] porção de paisagenzinhas interessantes de Pacheco [Joaquim Insley Pacheco], e outras de Virgilio Lopes Rodrigues levam-me até o quadro de outro discípulo da escola, Evencio Nunes (Anchieta), que é, por assim dizer, a primeira promessa formal de um artista que está... preparando sua viagem para a Europa, se continuar no caminho empreendido desta [...]. D. Ignez Sampaio com dois estudos; Seelinger com duas interessantíssimas pochades, muito bem sentidas, de Faunos alegres, e Xavier que aponta no horizonte da arte com uma paisagen[...] muito modesta, levam-me as grandes firmas de Souza Pinto, com duas telas recomendáveis é das quais salientarei Um trecho do rio Douro; de Visconti, cujas Oréadas, Esperando a saída e Os novos revelam duas tendências diversas do artista: a primeira (as Oréadas) escolar e influenciada pelo meio europeu em que ela foi inspirada e a segunda (Esperando e Os novos), inspirada no nosso sol e nas suas reverberações; muito artista sempre, procurando seu caminho, senhor da sua arte..., entretanto, desculpe a ousadia de pedir-lhe a procura daquela correção impecável dos seus primeiros trabalhos, em que [...] as tentações embriagadoras da nossa natureza; ainda outra forma de primeira linha... mas, desta vez, para sempre apagada nas telas brilhantes devidas ao seu pincel e apenas aparente na frieza marmórea de um túmulo: Parlagreco.

Terminarei esta resenha citando ainda o quadro da viscondessa de Sistello, intitulado Un flegmar (um preguiçoso), que é uma pintura bastante recomendável.

Como é que vou ainda falar como merecem de artistas do merecimento de Correia Lima, na escultura; de Girarde [sic], na gravura; de Brocos, na água-forte; de Dubugras, na arquitetura; de Treidler, na aquarela; de Cattaneo, na xilografia e de D. Julieta Wenceline [sic], nas artes aplicadas.

Salientarei apenas as belas águas fortes do Brocos, em que ele é mestre indiscutível os projetos de medalhas do mestre Girardet, o artista escrupuloso e trabalhador, e as belíssimas esculturas de Correia Lima, discípulo do grande Rodolpho Bernardelli, que com razão pode orgulhar-se deste artista. Na sua exposição, Correia Lima vai recorrendo a todas as manifestações de sua arte, desde a picaresca figurinha Um dueto, que é um primor, até o grupo magistral, tamanho natural, consciencioso e belo Mater dolorosa, passando pela bela estatueta a Forja, que parece extratada e corporificada de um célebre quadro velazquino.

E... devo fazer ponto.

Fiz o que pude: façam melhor os que sabem.

A. Morales de los Rios. [Adolpho Morales de los Rios - Artigos]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

RIOS, A. Morales de los. TAGARELICE ARTÍSTICA. O Paiz, Rio de Janeiro, 3 set. 1902, p.1-2.

Roberto Magno de Carvalho
Roberto Niaud
Roberto Rodrigues
Roberto Rowley Mendes
Rodolpho Amoêdo
Rodolpho Bernardelli
RODOLPHO BERNARDELLI. Medalha de Honra do Salão de 1927. O Paiz, Rio de Janeiro, 21 ago. 1927, p. 1.

O júri da XXXIV Exposição de Belas Artes conferiu ontem "medalha de Honra" ao ilustre escultor Rodolpho Bernardelli.

Dos nossos estatutários é o mais abundante, fecundo e representativo.

Várias de suas obras monumentais decoram o Rio de Janeiro.

De há muito que seu nome é um legítimo padrão da arte brasileira.

Escultor dotado de uma técnica excelente, modelando com grande sentimento das formas, Rodolpho Bernardelli é uma figura de notável e assinalado destaque na civilização brasileira.

O ato do júri de há muito que estava previamente ratificado pelo consenso unânime da nacionalidade.

R. Bernardelli nasceu em 1859. Matriculou-se na Imperial Academia de Belas Artes, sendo discípulo de Chaves Pinheiro. Em 1876, obteve o prêmio de viagem à Roma, tendo nesse mesmo ano alcançado a 1ª medalha de ouro na Exposição Geral de Belas Artes. Sua pensão no estrangeiro fora prorrogada, sendo em 1886 nomeado professor da Imperial Academia. Em novembro de 1890 foi nomeado diretor da Escola Nacional de Belas Artes, sendo ainda nesse ano nomeado professor de escultura, em cujos cargos foi reconduzido em dezembro de 1900 exercendo-os até 1915. É membro do Conselho Superior de Belas Artes.

São suas obras capitais:

São Sebastião, bronze; A Faceira, bronze; Chisto e a Adúltera, mármore, Santo Estevão, Nicolas Antoine Taunay, Vênus de Médicis, cópias em mármore; Vênus Calipígia, cópia em mármore; todos figuram na galeria de escultura da Escola Nacional de Belas Artes.

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Imagens

[Fotografia de Rodolpho Bernardelli, sem legenda]

BERNARDELLI – "Santo Estevão"

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

RODOLPHO BERNARDELLI. Medalha de Honra do Salão de 1927. O Paiz, Rio de Janeiro, 21 ago. 1927, p. 1.

Rodolpho Chambelland
Rodolpho Lindermann
Rodolpho Pinto do Couto
Rodrigo Octavio Filho
Rodrigo Soares
Romualdo Prati
Rosalbino Santoro
Rosalvo Ribeiro
Rosalvo Simões
Roselli Koch Torres
Rubens
RUBENS. IMPRESSÕES DO "SALÃO". A Noticia, Rio de Janeiro, 10-11 set. 1904, p. 2.

É relativamente numerosa a representação feminina no "Salão" deste ano.

As senhoras, as moças de família vão pouco a pouco se convencendo de que a mulher se deve ir libertando do convencionalismo burguês que a reduz ao papel prosaico de administradora do lar, consentindo apenas como uma inocente manifestação de sentimento artístico que frequente o Lyrico e as sessões musicais do Instituto. É um movimento digno de todo o aplauso e acoroçoamento; é até, na Europa, uma das primeiras manifestações do instinto libertário das mulheres e o mais belo dogma da demagogia das saias.

No Brasil, onde tanta reforma extraordinária se tem feito, não admira que se venha também a fazer esta.

Depois do monopólio do magistério que vai poupar aos pimpolhos do futuro o trágico espetáculo dos sobrecenhos cerrados e das melenas melancólicas do professor classicamente atrasado nos ordenados, substituindo-os pelos óculos enfumaçados e pela voz empapada das sogras; depois de três ou quatro médicas e outras tantas advogadas elegantes, justo é que tenhamos também um bom grupo de mulheres pintoras. E assim, ainda uma vez a carunchosa Europa se curvará ante o Brasil. Entre as pintoras que vimos no salão das Belas Artes justo é destacar as demoiselles Cunha Vasco, Anna [Anna da Cunha Vasco] e Maria [Maria da Cunha Vasco]. São duas artistas trabalhadoras e metódicas. Ajustaram-se perfeitamente para fazerem os mesmos progressos.

Não pode haver mais completa fraternidade.

A sua obra indica bem o seu viver, todo dedicado à arte sagrada, ao torturante ideal.

Vê-se bem que elas demarcaram o seu sonho de arte entre Petrópolis e o Rio. E já não é pequena distância. Ambas residem aqui no inverno, ambas veraneiam na cidade elegante. Os seus quadros não esquecem essa circunstância altamente útil no domínio da arte e fecunda de emoções.

Só os perigos da Serra dão para uma epopeia.

No Rio não é qualquer recanto humilde e tímido que merece as honras do seu pincel e o fidalgo bosquejar das suas mãos.

São a Copacabana e o Leme, duas praias do chic, como Trouville, Cascaes, etc. Também Petrópolis sofre restrições: A cidade não é toda aristocrática, como no tempo da monarquia também não era toda imperial. Essas coisas são como as grandes essências: encerram-se em pequenos frascos. Por isso, de Petrópolis, as duas artistas altivamente se dignam pintar tão somente o Palatinado. É interessante acompanhá-las pelos seus quadros. Quando o inverno cai sobre a cidade chic, elas docemente recolhem ao Rio e calmamente se entregam à pintura dos dois únicos lugares interessantes que o Rio tem: Copacabana e Leme. Mas ainda neste suave trabalho há uma ordem graciosa.

Primeiramente vem a Copacabana, mais nobre e mais mística com a sua branca capelinha beijada pela espuma das ondas com uns restos de fortins que lembram tempos heroicos e cavaleirescos.

Depois é que vem o Leme, sítio menos distinto, mas ainda heroico, recordando no seu desmantelado forte o valor português.

Mlle. Anna tem então uma Copacabana, como sua gentil irmã; tem também um Leme, como a sua graciosa irmã e colega. Nisto chega o verão. É forçoso fugir à canícula e abalar para Petrópolis. E as duas artistas sobem a serra ansiosas de passarem à tela as belezas do Palatinado. É todo o estio na contemplação do fidalgo lugar. Ao fim deles as duas artistas regressam trazendo dois Palatinados! - RUBENS.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

RUBENS. IMPRESSÕES DO "SALÃO". A Noticia, Rio de Janeiro, 10-11 set. 1904, p. 2.

Rudolf Wolff
Salão da Escola de Belas Artes. A SUA INAUGURAÇÃO OFICIAL, HOJE. O Jornal, Rio de Janeiro, 12 ago. 1928, p. 3.

Realizou-se, ontem, com grande concorrência, o "vernissage" do Salão de Belas Artes, que constitui a mostra anual da Escola Nacional de Belas Artes.

A Exposição deste ano, pelo que se pôde constatar ontem, será animadora para as tradições artísticas da cidade, embora, desde já, se preveja que o número de adquirentes não compense os esforços empregados.

Há, porém, desta vez, incentivo oficial, constituído pelo "Prêmio Carioca", de 15:000$000, que a Municipalidade concedeu e a promessa de mais algumas subvenções dos governos de Minas, São Paulo e Estado do Rio.

Os concorrentes ao prêmio de viagem, na recente Exposição, são os seguintes pintores: Manoel Constantino, Cadmo Fausto, Candido Portinari, Manoel Faria, Osorio Belém [sic], J. Fonseca [sic] [Euclydes Fonseca] e Orlando Teruz; as senhoritas Gilda Moreira Edith de Aguiar e Sarah Villela de Figueiredo; e um gravador, que é o sr. A. Marinho [sic] [Francisco Gomes Marinho].

Os pintores Oswaldo Teixeira, Pedro Bruno, André Vento apresentaram à Exposição inaugurada alguns trabalhos interessantes.

Concorrem à Exposição, também alguns artistas da velha geração como R. Bernardelli que expõe, entre outros, um belíssimo busto; Augusto Bracet, com um quadro intitulado "Nu".

O escultor Corrêa Lima também apresenta um busto.

Henrique Bernardelli expõe alguns trabalhos entre os quais se destaca um retrato; a sra. Georgina de Albuquerque, que concorre também com algumas produções entre as quais um óleo impressionante.

Oreste Acquarone Filho, C. Portinari, este também um concorrente ao prêmio de viagem; Zaco Paraná, João de Oliveira [?], P. C. Rossi, Humberto Cozzo, Armando Braga, Vicente Leite, Garcia Bento, expõem ao "Salão" interessantíssimos trabalhos que impressionaram agradavelmente a enorme assistência ao "vernissage" de ontem.

Hoje, às 14 horas, será realizada a inauguração oficial, com a presença do presidente da República, ministros da Justiça e demais autoridades.

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Imagens

1 - Busto, trabalho do sr. R. Bernardelli; 2 - Busto, trabalho do sr. O. Correia Lima; 3 - Retrato, óleo do sr. C. Portinari; 4 - Estatueta, trabalho do sr. Zaco Paraná; 5 - Retrato, óleo do sr. H. Bernardelli; 6 - Óleo, do sr. Oswaldo Teixeira; 7 - Óleo da sra. Georgina de Albuquerque; 8 - Retrato, óleo do sr. Jordão de Oliveira; 9 - Retrato, óleo do sr. P.C. Rossi; 10 - Nu, óleo do sr. Augusto Bracet; 11 - Busto, trabalhos do sr. Orestes Acquarone Filho; 12 - Retrato, óleo do sr. H. Bernardelli; 13 - Busto, trabalho do sr. Humberto Cozzo; 14 - [...], trabalho do sr. Armando Braga; 15 - Paisagem, trabalho do sr. Vicente Leite; 16 - Marinha, trabalho do sr. Garcia Bento; 17 - Trabalho do sr. Elyseu Visconti [Imagem]

Dois aspectos da inauguração do Salão de 1928, na Escola de Belas Artes

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

Salão da Escola de Belas Artes. A SUA INAUGURAÇÃO OFICIAL, HOJE. O Jornal, Rio de Janeiro, 12 ago. 1928, p. 3.

Salão da XX exposição. O Paiz, Rio de Janeiro, 2 set. 1913, p.2.

Com a solenidade de hábito, foi ontem inaugurado o salão da XX exposição de pintura e escultura, na Escola Nacional de Belas Artes.

Compareceram o Sr. presidente da República e todo o mundo oficial, senhoras da alta sociedade, artistas, etc.

Aberta a exposição e saudado o Sr. presidente da República, o chefe da Nação teve ensejo de referir-se aos progressos dos nossos artistas com sincero entusiasmo.

Começou, então, a visita oficial às galerias, admirando toda gente tanto a grande cópia de telas levadas este ano ao salão, como as esculturas dos nossos mestres e dos jovens artistas, que começam a executar os seus trabalhos com mão segura.

É notável, igualmente, o gosto artístico que presidiu à disposição dos quadro [sic], objetos e das tapeçarias, que fazem parte da coleção Heitor de Mello.

O dia foi unicamente de festa: os visitantes enxameavam o vasto recinto da exposição, garrulando, exprimindo-se em interjeições admirativas que punham um grande vozear ininterrupto no salão.

Era precisa uma contemplação mais serena do que se achava à vista dos curiosos ou aos olhos da crítica bisonha.

Entretanto, é preciso que se diga o que contém o salão da XX exposição; e amanhã daremos cumprimento a esta tarefa, ligeiramente, como é de nosso hábito, para não assumirmos ares de pretensão dogmática.

A propósito da inauguração da exposição, recebemos a seguinte carta do pintor Lucilio de Albuquerque, um dos membros da comissão organizadora:

"Sr. redator do Paiz - Rogo-vos o favor de juntar à notícia que tiverdes de fazer sobre a inauguração da XX exposição de Belas Artes a declaração que fez o Sr. presidente da República, marechal Hermes da Fonseca, de tornar pública aos artistas a satisfação de que se achava possuído pelo progresso artístico notado de ano a ano, maximé no atual salão. De V. criado atento e obrigado Lucilio de Albuquerque. Rio 1 de setembro de 1913."

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

Salão da XX exposição. O Paiz, Rio de Janeiro, 2 set. 1913, p.2.

SALÃO DE 1902 - VERNISSAGE. A Noticia, Rio de Janeiro, 30-31 ago. 1902, p. 3.

Em virtude de disposições da nossa legislação de belas-artes, é o dia 1º de setembro o designado para a abertura das grandes exposições anuais, legalmente chamadas - exposições gerais de belas-artes -, semelhantes a congêneres certames franceses, os Salons, de Paris.

Por vernissage se entende, em França, a véspera da abertura solene. O dia do vernissage é de sucesso em Paris do luxo e da tafularia da alta sociedade francesa.

No Rio de Janeiro, a véspera, ou o dia dos últimos toques de verniz e de remates, limita-se a uma reunião íntima de expositores, de seus amigos particulares e representantes da imprensa. A solenidade, a festa propriamente dita, reserva-se para o dia da inauguração que se realiza no edifício da Escola Nacional de Belas-Artes, com a assistência do Sr. presidente da República, sua casa civil e militar, membros do ministério e do Congresso, corpo diplomático e representantes de todas as classes sociais.

A abertura da Exposição será segunda-feira, e coincide este ano cair o vernissage amanhã, domingo, dia em que não publicaremos folha. No intuito, porém, de anteciparmos algumas notas a respeito dos trabalhos expostos, dos quais só poderíamos dar notícia na edição de segunda-feira, apressamo-nos em inteirar os nossos leitores de algumas impressões que conseguimos obter.

Se nestas colunas, a 31 de agosto do ano passado, ao referirmo-nos à Exposição desse ano, dissemos que o público se certificaria, como se certificou, de que o Brasil poderia contar com os esforços dos trabalhadores da forma e da cor, mais razões existem no próximo certame para essa afirmação categórica, porque numerosos trabalhos constituem o Salão de 1902, que será a 9ª Exposição Geral de Belas-Artes depois da promulgação do decreto de 1890, que reorganizou o ensino artístico oficial.

A lei republicana estabeleceu o dia 1º de setembro como assinalado no calendário da nossa civilização, e por essa mesma lei se instituíram prêmios para os expositores; - menções honrosas, medalhas de prata e ouro, havendo também, para quem o merecer, o prêmio de viagem com estada de dois anos nos grandes centros de cultura artística.

A aquisição de obras de arte, expostas por artistas nacionais, e sobre assuntos nacionais, seria igualmente uma medida complementar e compensadora, como já a tivemos, a exemplo do que se pratica na Europa e nos Estados Unidos da América do Norte.

O salão de 1902, constará de trabalhos de pintura, escultura, gravura, arquitetura e artes aplicadas.

Encherá a seção de escultura o Sr. Corrêa Lima, glorioso filho da Escola Nacional de Belas Artes e discípulo do eminente estatuário Rodolpho Bernardelli.

Premiado no salão de 1899, acaba de regressar de Itália, onde esteve, durante dois anos, como pensionista do Estado. Os amigos das belas artes terão ocasião de contemplar as produções artísticas do nosso compatriota, quais um grupo de gesso, tamanho natural, - Mater dolorosa; dois bustos, sendo um de mármore; várias estatuetas de bronze e uma de gesso.

O grupo é trabalho de fôlego, modelo para ser passado a mármore, e o artista espera encontrar proteção para levar a efeito o seu intento. É obra psicológica a denotar muita aplicação do seu autor. Sintetiza a dor de uma mulher junto do cadáver de seu filho.

São dignos de menção; os dois bustos, o de terracota que é muito expressivo e o de mármore, embora não esteja acabado; e mais as estatuetas de bronze, o Dueto a representar um pastor que toca flauta e uma ovelha a corresponder com seus balidos; e a denominada A luta pela vida.

A seção de pintura será abundante. Predominará o retrato e a paisagem nos trabalhos a óleo, ainda não vistos em exposições parciais; mas, tomado o salão em seu conjunto há também quadros de gênero, bíblicos, históricos, mitológicos, flores, natureza morta, fantasistas e composições humorísticas.

Além do quadro a óleo serão expostas muitas aquarelas, alguns pastéis e guaches.

O Sr. Henrique Bernardelli triunfa mais uma vez nessa exposição esplêndida; triunfa pela impecabilidade de sua fatura, pela compreensão rara de sua estesia singular expressa e vivida na inexcedível beleza de sua sapiencial técnica.

Enviou primorosas telas, pastéis, aquarelas e desenhos à pena, destacando-se retratos de alguns artistas e paisagens, recordações de sua excursão à terras diamantinas do Estado de Minas Gerais.

Felix Bernardelli, outro talento, que trabalha atualmente no México, destinou também ao salão quatro bons quadros.

O Sr. Elysêo Visconti, ex-pensionista do estado na Europa e medalhado na exposição de Paris de 1900, expõe quase toda a sua obra.

De muitos trabalhos já se ocupou A Noticia quando o artista fez a sua exposição exclusiva na Escola, logo depois do seu regresso da Europa.

Suas últimas produções pintadas no Rio de Janeiro, e que, pela primeira vez, serão vistas no próximo salão, são realmente muito notáveis. Os retratos, magníficas composições, distinguem-se por uma legitimidade incomparável. É um regalo contemplá-los.

Modesto Brocos é outro expositor de nome e de técnica. Chamam a atenção a sua bela paisagem de Teresópolis e o retrato, corpo inteiro, do Sr. D. Duran, benfeitor da Sociedade de Beneficência Espanhola; trabalhos de amplitude e de valor.

O retratado é um súdito espanhol, domiciliado há longos anos no Brasil, e ex-presidente daquela sociedade, em cuja administração se construiu o edifício da respectiva sede social, à rua da Constituição.

Não faltarão retratos a ver na exposição. O Sr. Rodolpho Amoedo, professor da escola e membro do júri, expõe um retrato de senhora, o qual se salienta pela frescura do colorido e singular distinção. Mencionaremos também outros retratos [...] como os devidos ao pincel dos Srs. Aurélio de Figueiredo e Thomaz Driendl.

Entre as paisagens salientam-se as do Sr. João Baptista da Costa, membro do júri, as do Sr. Souza Pinto, as do Sr. Aurelio de Figueiredo, as do Sr. Treidler e as do Sr. Gustavo Dall'Ara. Deste último artista brilha a denominada Chácara Magalhães Castro.

O Sr. Raphael Frederico, ex-pensionista da escola, concorreu este ano com bom contingente. Sobressaem os seus trabalhos: Junto do altar, composição moldurada em uma métopa de templo grego; e uma paisagem de corte original.

Dos novos, mas que já compareceram em exposições anteriores, luzem no Salão o Sr. Eugenio Latour, com a sua Colheita de rosas, e o Sr. Lucilio de Albuquerque, com a sua Cabeça de artista.

O Sr. Evencio Nunes enviou uma composição, - Anchieta, de tom simpático, a representar em leito mortuário o célebre jesuíta, cujo nome fulgura na nossa história pátria.

O Sr. Heitor Malagutti, o ilustrado jovem pintor, reacionário, prossegue e cultiva a sua maneira original. A sua Beatrix é uma nota do Salão, assim como o simbolismo do seu painel decorativo - Margarida.

Falta-nos espaço para dizer mais a respeito do Sr. Malagutti, que é excepcional no modo de ver a natureza, segundo ditames de uma filosofia de arte que o pintor estremece.

O Sr. João Macedo, atualmente com o prêmio de salão de 1900, remeteu de Paris dois retratos, dos quais um, em tamanho natural, impressiona agradavelmente pela sua entonação e movimento.

Dos que pela primeira vez se apresentaram, a nota humorística é a do Sr. Hellios Seelinger, ex-aluno da Escola, que mostra fértil imaginação, especialmente nos seus Faunos alegres.

O Sr. Jorge de Mendonça obtém com os seus quadros também uma bela nota na Exposição.

Do conhecido artista Sr. Angelo Agostini, sempre a lutar na fileira com os moços, mandou três composições de sua lavra, entre elas citaremos, de passagem, o Velho Mosqueteiro.

O Sr. Augusto Petit nos regala com vários quadros. Em um deles aprecia-se graciosa jovem a olhar maliciosamente para o contemplador, deixando ver formoso colo.

A Sra. Marietta Meirelles premiada no Salão de 1901, ainda desta vez afirma o seu esforço progressivo.

O Sr. Nilo de Paula expõe belas Cebolas.

Não esqueceremos os nomes dos Srs. Delpino e Insley Pacheco; este, depois de longa ausência da exposição, enviou 60 quadros.

A triste nota é a ausência do pranteado artista Benjamin Parlagreco, falecido ultimamente.

O seu auto-retrato, exposto no Salão, lembra as excelentes qualidades que ornavam o pintor, cuja falta será sempre sentida.

Para terminarmos a notícia sobre a seção de pintura, é justo registrar que são dignos de louvor todo aquele, e toda aquela, que levou o seu pequeno contingente para o grande certame.

O Sr. professor Augusto Girardet expõe na seção de gravura de medalhas e pedras preciosas belíssimos produtos de sua lavra, nos quais, como sempre, sobressai a elevada competência do artista.

Na seção de xilografia há trabalhos do Sr. Riccardi, e na de pirogravura da Sra. Julieta Weincelio [sic].

São notáveis as águas-fortes de Modesto Brocos.

O Sr. Victor Dubugras, professor da escola politécnica de S. Paulo, expõe um projeto de arquitetura particular.

Limitamo-nos por ora a estas rápidas indicações a respeito da exposição à inaugurar-se segunda-feira, 1º de setembro.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

SALÃO DE 1902 - VERNISSAGE. A Noticia, Rio de Janeiro, 30-31 ago. 1902, p. 3.

SALÃO de 1903. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 1 set. 1903, p.1.

Realizou-se ontem o vernissage da 10ª exposição geral. Há quatro anos, os dias de vernissage são sempre sombrios, melancólicos, tristes. O de ontem também o foi, um dia gris, úmido, triste, dia de fim de outono, de primavera que acorda. Esteve bastante numerosa a concorrência a essa cerimônia de envernizamento. Muitos pintores, homens de letras, jornalistas, alguns repórteres apressados, colhendo notas e desaparecendo rápidos e um bando de senhoras, sôfregas de arte, que alegravam o ambiente com suas claras toilettes.

O dia da private view entre nós é quase uma realidade. Sobem as escadas da Escola os verdadeiros estetas e os interessados, e lá, na balbúrdia dos pintores a pregar quadros, das escadas que se mudam rápidas, das desencontradas opiniões nada há de abertura oficial e de mundanice. A impressão deixa de ser completa, vê-se o quadro de relance, com o perigo de uma escada de frente, a voz dos pintores a discutir e a dar ordens e o bater rápido dos martelos.

Podemos entretanto apreciar, entre as inevitáveis flores e frutas de todas as exposições, algumas telas de perfeição admirável de Visconti, Bernardelli [Henrique Bernardelli], Amoedo, Fiuza, Helios, o atestado do esforço inteligente de alguns novos como o Sr. Macedo e o Sr. Bevilacqua: e o clou dessa exposição, as cerâmicas de Elyseu Visconti, que afinal realizou o seu ousado sonho de arte industrial, apresentando vários vasos que são de rara beleza e de desenho apurado.

A exposição, se não tem a afluência das anteriores, porque em boa hora o júri recusou muitos quadros, apresenta além das cerâmicas de Visconti, vários temperamentos desconhecidos, é afinal uma feliz surpresa para quantos neste país amam e respeitam as coisas de arte.

Hoje, com uma grande concorrência e a presença dos altos representantes da nação, far-se-á a inauguração da 10ª exposição geral.

Graças ao esforço desse artista superior, que se chama Rodolpho Bernardelli, contra todas as guerras e todos os parti-pris, as exposições, atestados anuais do nosso progresso artístico, tem-se sucedido regularmente.

A 10ª será mais um louro dessa lenta obra a que se dedica modestamente, com a sua presistencia [sic] de forte, o admirável escultor.

A abertura oficial será ao meio-dia, com a chegada do Sr. presidente da República, tocando no saguão várias bandas de música militares.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

SALÃO de 1903. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 1 set. 1903, p.1.

SALÃO de 1903. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 2 set. 1903, p.2.

A inauguração da 10ª exposição geral teve uma grande concorrência. Todo o nosso high-life lá se achava rutilando a elegância das toilettes e a felicidade de admirar, nessa doce intimidade, que é sempre uma exposição de arte. Ao meio dia, quando na sombra do peristilo tocavam as bandas de música o hino nacional, já havia pelas escadarias tapetadas um constante ascender de vestidos caros, entre o sussurro das vozes e o frou-frou das sedas. Na primeira sala, logo depois de ser franqueada a entrada, quase não se podia mover a gente, tal a afluência de visitantes.

A impressão foi magnífica. Fez-se severo o júri, desta vez, e como vestígio de certos ensaios maus, que tanto enfeiavam as exposições anteriores, há apenas, aqui e ali, a inevitável flor num copo e os inevitáveis cachos de frutas...

A sala de pintura, além desses encantadores retratos de Amoedo, dos trabalhos de Bernrdelli [Henrique Bernardelli], das paisagens de Baptista da Costa, de algumas telas de Brocos, das têmperas e da Cabeça de Martir de Elyseu Visconti, tem a poderosa afirmação de um artista muito sóbrio e muito inteligente que é o Sr. Fiuza e do vigoroso temperamento e saber técnico do Sr. Helios Selinger tanto no movimentado quadro Bohemia como no estudo Remorso, uma admirável tela de precisão anatômica e sugestiva idealização.

O salão n.2 reúne as seções de escultura, com um busto do Dr. Brissay de R. Bernardelli, dois gessos muito delicado, de Corrêa Lima e um Cupido da Sra. Julieta França; de arquitetura, com o modelo da futura Escola de Belas-Artes em gesso pelo Sr. Fontes Soares, as gravuras de medalhas de Girardet, as águas-fortes de Brocos, e as cerâmicas de Ludolf e Elyseo Visconti, que são admiráveis como inicio de uma indústria e de uma arte superior.

A diretoria da Escola franqueou ao público uma outra sala da esquerda, onde estão expostos móveis e instrumentos antigos, últimas aquisições da escola.

Às 2 horas da tarde era enorme a concorrência.

Entre outras pessoas notamos na festa da inauguração:

Os Srs. Conselheiro Camello Lampreia e o seu secretário Cabral, da legação de Portugal, os Drs. Lauro Muller, J. J.Seabra, ministros da viação e do interior, senador Nilo Peçanha, deputados Candido Rodrigues, Calogeras, Angelo Netto e Antonio Bastos, comendadores Esberard e Palm, Alfredo Bevilacqua, conde de Figueiredo, Coelho e Almeida, Silva Santos, Peregrino da silva, Americo Ludolff, Celso de Souza, Villasboas, Villaça, Souza Ribeiro, Catta-Preta, Henrique Oswaldo, Sá Vianna, Frei João do Amor Divino Costa, Carlos Gross, Abreu Fialho, comendador Leo d'Affonseca, Emilio de Barros, Pinto Ribeiro, João Chaves, Souza Lage, A. Servulo Lima, Arthur Azevedo, Frota Pessoa, Medeiros e Albuquerque, João Luso, Felinto de Almeida, Pereira Netto, Franco de Sá, Dr. Brissay, Bernardo Horta, Guedes de Carvalho, Dr. Betim Paes Leme, professor Chambellan, Alexandrino de Oliveira, André Cavalcanti, Góes de Vasconcellos, J. Segurado, Dr. Costa Ferraz, Augusto Cesar, Miranda Cunha, Dr. Tobias Monteiro e muitas outras.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

SALÃO de 1903. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 2 set. 1903, p.2.

SALÃO de 1905. O Paiz, Rio de Janeiro, 2 set. 1905, p.2.

Apesar da tristonha sexta-feira de ontem, enfarruscada e chuvosa, a abertura solene da 12ª exposição geral na Escola Nacional de Belas Artes esteve brilhante, em toda a extensão do termo.

Com a presença de altas autoridades, entre as quais o Sr. ministro do interior, do diretor, do corpo docente e alunos da escola e homens de letras, críticos de arte e muitas famílias, essa abertura realizou-se aproximadamente ao meio dia.

A exposição deste ano é uma das mais ricas, das mais escolhidas, das que oferecem melhor impressão de conjunto.

Aliás, foi esta a opinião de muitas pessoas entendidas que ontem procuraram Rodolpho Bernardelli, para levar-lhe os aplausos que merece pelo esforço empregado na formação desses certames, cujo êxito tem dependido exclusivamente da firme orientação que aos mesmos tem imprimido o artista excelente.

Por hoje, basta que assinalemos a abertura da exposição.

Nesta mesma coluna, iremos depois dando aos poucos as nossas impressões de detalhe.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

SALÃO de 1905. O Paiz, Rio de Janeiro, 2 set. 1905, p.2.

SALÃO DE 1912 - Realizou-se ontem o vernissage do Salão de Belas Artes. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 1 set. 1912, p.3.

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Imagens

João Baptista Bordon e os seus quadros

Grupo de artistas que figuram no salão de 1912

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

SALÃO DE 1912 - Realizou-se ontem o vernissage do Salão de Belas Artes. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 1 set. 1912, p.3.

SALÃO DE 1930. As conferências da Escola de Belas Artes. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 21 ago. 1930, p. 5.

Realiza-se hoje a segunda conferência da série organizada pela comissão diretora do atual salão.

Às 17 horas no salão de honra da Escola N. de Belas Artes, falará o professor Adalberto Mattos, membro do Conselho Superior de Belas Artes, sobre o tema "Um patriarca da arquitetura", ilustrado com projeções luminosas.

Para essa conferência a entrada é pública. O conferencista é um dos artistas brasileiros laureados pela Escola.

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Imagem

Professor Adalberto Mattos

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

SALÃO DE 1930. As conferências da Escola de Belas Artes. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 21 ago. 1930, p. 5.

"SALÃO" DE 1930. Concedidos o prêmio de viagem e os demais. O Globo, 28 ago. 1930, p. 2.

O Conselho Superior de Belas Artes, ontem reunido, sob a presidência do ministro da Justiça, resolveu conceder, como se verá, a seguir, todos os prêmios aos expositores presentes ao "Salão" deste ano, ou seja a XXXVII Exposição Geral de Belas Artes. O de viagem, que é sempre o mais ambicionado, coube ao pintor Cadmo Fausto, com a tela ["Pescadores"], que ainda, anteontem reproduzimos numa gravura, ilustrando a notícia da indicação dos nomes daquele artista e do escultor Humberto Cozzo para a escolha, ontem, realizada. Os demais prêmios estão assim distribuídos:

Grande medalha de prata - Alvaro de Cantanheda, Balthasar da Camara, Cesar Turatti, Dakir Parreiras, Dirce B. Mendes, Hernani de Irajá, Maria L. Corrêa da Costa, José dos Santos, Jurandyr Paes Leme, Lucilia Fraga, Luiz Kattenback [sic], Manoel B. Domeneck, Maria Francellina B. Falcão, Mario Nunes, Solange de Frontin Hess, Virgilio L. Rodrigues e A. Scavone.

Medalha de bronze - Aldo Bonadei, Aliberto Baroni, Eunice Margarido da Silva [sic], Francisco Acquarone, João Fernandes, Odelli Castello Branco, Nicoláo Del Negri.

Menção honrosa de 1º grau - Alcebiades Miranda Junior, Camilla T. Alvares de Azevedo, Carlos da Cunha, Edson Motta, Eugenio de Figueiredo, Evencio Nunes, Heitor de Pinho, Heraclito R. dos Santos, Maria Delfino de A. Lima, Martinho de Haro, Salvador Caruso, Yolanda Torres e Renata Eugenia Nounier [sic].

Menção honrosa de 2º grau - Cordelia de Amorim Lima, Luiz Abreu, Manoel F. Garcia, Maria E. Boher Bahiana, Monaco Elena, N. Seelinger Fleury [sic], Nieta Gomes.

Prêmios de animação em dinheiro.

2:000$000: Euclydes Fonseca e Manoel Faria. 1.000$000: Vicente Leite e Bernardino de Souza Pereira. Prêmio de Estado de Pernambuco: Mario Nunes. Prêmio Laura de Frontin Hess: Georgina de Albuquerque. Prêmio "Ilustração Brasileira": Orozio Belém. Prêmio Galeria Jorge: Porciuncula Moraes. Prêmio Minerva: Heribert Niaud. Prêmio da cidade: Augusto Bracet.

Seção de escultura - Pequena medalha de ouro: J. Milde. Grande medalha de prata: Ugo Bertazzon.

Medalha de bronze: Achilles Araujo, Honorio Peçanha. Menção honrosa de 1º grau: Homero Silva, Vicente R. Moreira e José Rangel.

Menção honrosa de 2º grau: Celita Vaccani, Octavio de Chermont Rayol. Prêmios de animação: Maria Pardos (1:000$ e uma medalha de ouro), Sr. Martins Ribeiro; 2:000$: Honorio Peçanha; 1:000$: Alfredo Herculano. Prêmio Minerva: Vicente R. Moreira.

Gravura de medalhas - Medalha de bronze: Adolpho Hungerbuhler; 1:000$ ao Sr. Manoel Ignacio da Silveira.

Seção de Arquitetura - Medalha de bronze: Paulo Candiota e Evaristo de Sá. Prêmio Minerva (500$000), Helio Duarte e Annibal Martins Ferreira. Prêmio de animação (1:000$000), Paulo Antunes Ribeiro.

Seção de Artes Aplicadas - Grande medalha de prata - H. Gonot. Pequena medalha de prata: A. da Costa e H. Gonot, Ambrosina Fonseca. Medalha de bronze: Max Grossmann. Menção honrosa de 1º grau: Cesar Alexandre Formenti.

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Imagem

[Cliche Globo]

Pintor Cadmo Fausto

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

"SALÃO" DE 1930. Concedidos o prêmio de viagem e os demais. O Globo, 28 ago. 1930, p. 2.

SALÃO DE 1930. O "VERNISSAGE", UMA HOMENAGEM E UMA CONFERÊNCIA. O Globo, 11 ago. 1930, p. 1.

Inaugura-se, amanhã, com as formalidades oficiais do estilo, a XXXVII Exposição Geral de Belas Artes, ou seja o "Salão Brasileiro de 1930". O ato terá lugar às 14 horas, presentes o Sr. Presidente da República e altas autoridades.

Hoje, porém, e ainda como sempre, será o "vernissage", às 16 horas, ato assistido e concorrido de intelectuais e artistas, sobretudo. Por essa ocasião proceder-se-á à inauguração do busto do professor Rodolpho Bernardelli, o "decano dos artistas brasileiros", como reza o convite, e glória viva da nossa escultura, dizemos nós, e busto, que é um trabalho eximo [sic] do professor Corrêa Lima.

Em seguida, às 17 horas, e ainda na mesma Escola Nacional de Belas Artes, o escritor Aggripino Grieco pronunciará uma conferência, a primeira da série deste ano, discorrendo sobre "O artista".

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Imagem

[Cliche Globo] Rodolpho Bernardelli

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

SALÃO DE 1930. O "VERNISSAGE", UMA HOMENAGEM E UMA CONFERÊNCIA. O Globo, 11 ago. 1930, p. 1.

SALÃO DE BELAS ARTES DE 1929. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 11 ago. 1929, p. 3.

É com ansiedade que o ambiente artístico de nossa terra aguarda a inauguração do Salão de Belas Artes do corrente ano. A cerimônia, que terá lugar amanhã, na Escola Nacional de Belas Artes, será presidida pelo presidente da República com a presença das altas autoridades, corpo diplomático, artistas e jornalistas especialmente convidados para tal fim. O Salão apresenta um aspecto de real encanto pela forma por que foi organizado; foi preocupação dominante dos seus dirigentes o critério da harmonia dos valores e das tendências de cada artista. A seção de pintura, como sempre, é a que maior contingente oferece; 208 obras figuram na [...] quadros, na sua maioria de artistas já consagrados em outras exposições. Os nomes mais em evidência lá estão enriquecendo o ambiente; na rápida visita que fizemos aos locais destinados à pintura, constatamos a presença de Elyseu Visconti, Bernardelli [Henrique Bernardelli], Amoedo, Lucilio e Georgina de Albuquerque, Antonio [Antonio Parreiras] e Edgard Parreiras, Carlos Oswaldo, Leelinger [sic] [Helios Seelinger], Pedro Bruno, Cavalleiro, Marques Junior, Bracet, Almeida Junior [Luiz Fernandes de Almeida Junior], Armando Vianna, Paulo Fonseca [sic], André Vento, Oswaldo Teixeira, Irmãos Dutra, Theodoro Braga, Paulo Gagorin [sic], Annibal Mattos, Balthazar da Camara, Bernardino Pereira, Alvim […] Garcia Bento, Coelho de Magalhães, Campofiorito [Quirino Campofiorito], Irene França, João Timotheo, Louise Visconti, Paes Leme [Jurandyr dos Reis Paes Leme], Navarro da Costa e tantos outros apreciados pintores que o nosso público já aprendeu a estimar.

Bem rica é a seção de escultura, toda ornamentada com raros e custosos tapetes gentilmente cedidos pela Casa Canetti. Naquele ambiente de harmonia, destacam-se os trabalhos de Modestino Kanto, Magalhães Correia, Antonino Mattos, Leopoldo Campos, Adalberto Mattos, Zaco Paraná, Achiles Araujo, Herculano, Cavina, [...] Pacau [?], Quirino Silva e Samuel Martins Ribeiro. Bem desenvolvida está também a seção de gravura de medalhas onde vimos trabalhos de Leopoldo Campos, Adalberto Mattos, Arlindo Bastos, Loubre, Jardim Araujo, Lucilia Ferreira e Walter Toledo. Na gravura e litografia expõem: Carlos Oswaldo, Suarez [?], Doglio e Quante; são trabalhos interessantes em vários procedimentos. Na seção de arquitetura estão obras de Magno de Carvalho, Berna Santos Maia e outros novos.

Nada menos de 12 artistas concorrem ao prêmio de viagem. São eles: na pintura, M. Constantino, Tenuz [sic], Osorio Belém [sic], Cadmo Fausto, Jordão de Oliveira, Rocha Ferreira, Sarah Villela de Figueiredo, M. Faria; na escultura: Humberto Cozzo e Paes Leme. Na seção de gravura concorrem […] Calmon Barreto e Francisco Marinho.

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Imagens

Aspecto da seção de escultura do Salão de 1929 e uma tela de Antonio Parreiras: "Era um dia de sol..."

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

SALÃO DE BELAS ARTES DE 1929. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 11 ago. 1929, p. 3.

SALÃO Oficial 1930. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 10 ago. 1930, p. 1.
SALÃO Oficial de 1930. A inauguração de ontem - Distribuição de prêmios. O Paiz, 13 ago. 1930, p. 2.

Com toda solenidade foi ontem inaugurada a XXXVII exposição geral de belas artes.

O Sr. Dr. Vianna do Castello, ministro da justiça, em nome do Sr. Presidente da República, deu início, às 14 horas, à visita às salas onde estão expostos inúmeros trabalhos de pintura, escultura, gravura e cerâmica, acompanhado por grande assistência de artistas e convidados, entre os quais se viam os mais destacados elementos da sociedade carioca.

Em todos os presentes o salão oficial produziu boa impressão, não só pela variedade dos trabalhos exibidos, como também pela qualidade de muitos deles.

Na sala dos prêmios de viagem, foi visível o destaque que tomou a contribuição do pintor Caduno Fausto [sic], que se apresenta este ano sensivelmente evolvido.

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Às 15 horas, teve lugar, na sala de honra, a distribuição dos prêmios aos expositores do ano passado. O ato solene foi presidido pelo Dr. Cicero Peregrino, diretor do Departamento Nacional de Ensino.

Ao início da cerimônia, em nome do Conselho Superior de Belas Artes, falou o professor Flexa Ribeiro. Numa breve alocução, o orador felicitou os premiados e teceu algumas considerações sobre a arte e o artista.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

SALÃO Oficial de 1930. A inauguração de ontem - Distribuição de prêmios. O Paiz, 13 ago. 1930, p. 2.

SALÃO Oficial de 1930. O Paiz, 14 ago. 1930, p. 2.

Desde o dia do "vernissage", a Exposição Geral de Belas Artes tem tido extraordinária concorrência.

Além do mundo oficial, considerável número de pessoas da "elite" carioca tem percorrido as salas de pintura e escultura.

O fato mais auspicioso para o presente Salão é que já várias obras foram adquiridas.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

SALÃO Oficial de 1930. O Paiz, 14 ago. 1930, p. 2.

SALÃO oficial de 1930. Vernissage, inauguração e impressões do Salão. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 10 ago. 1930, p. 6.

O salão deste ano, cuja "vernissage" se realiza amanhã, Dia do artista, será consagrado ao mestre Rodolpho Bernardelli, decano da classe.

Nessa cerimônia, simples como tudo que é feito com sinceridade, confraternizam-se os artistas, sem vaidade, para glorificar aquele que tem sido um batalhador em prol da arte em nossa terra.

Falará o prof. Adalberto Mattos, pelo Conselho Superior de Belas Artes, saudando o seu fundador, e pela Congregação da Escola de Belas Artes o prof. Flexa Ribeiro, enaltecendo os seus dons de professor e ex-diretor.

A seguir, o professor Corrêa Lima inaugurará a sua obra, o "Busto do mestre", no Salão de Honra, perante os professores da Escola, membros do Conselho Superior de Belas Artes e os artistas expositores do atual Salão, distribuindo-se no ato, como recordação da homenagem, cartões postais com a reprodução da obra inaugurada.

Não haverá convites.

Logo após, terá lugar a "vernissage", no salão da Exposição, onde serão servidos café e doces; às 3 horas, o sr. Agrippino Grieco fará uma palestra sobre "O Artista".

É esta, em resumo, a festa de confraternização dos artistas brasileiros.

Terça-feira, 12, aniversário da criação do ensino das Belas Artes no Brasil, será inaugurado oficialmente, às 2 horas, o Salão de 1930, comparecendo o presidente da República e mundo oficial.

Em seguida à inauguração do Salão, haverá uma sessão solene do Conselho Superior de Belas Artes, presidia pelo ministro da Justiça para entrega dos prêmios conferidos na exposição anterior aos artistas expositores.

O Salão deste ano é bem melhor que os anteriores.

Houve maior cuidado na escolha dos trabalhos, e denota mais esforço, mais desejo de progresso por parte dos nossos artistas.

A ele comparecem os mestres que dignificam a nossa cultura, animando os novos com os seus exemplos.

Passando em rápida revista, o atual salão, vemos que o número de artistas expositores deste ano é de 174, correspondendo a 370 trabalhos, assim distribuídos: 120 pintores com 223 telas, na sua maioria grandes; 28 escultores com 56 trabalhos; 9 gravadores com 28 baixos relevos e medalhas; 7 arquitetos com 18 projetos; 3 em gravura e litografia, com 6 águas-fortes e 7 expositores em arte aplicada com 39 trabalhos.

Na seção de Pintura, sala A, encontram-se à entrada os trabalhos de Henrique Bernardelli, o mestre dos bandeirantes, com três trabalhos, retratos do "Dr. Rodolpho Vaccani", da "Sra. Vaccani" e "Proletário", obras fortes de sua segura palheta. Na sala B aparece Elyseo Visconti com os seus três quadros: "A casa", "A lição", e "Sta. Tereza", finíssimas de tons e suavíssimas de ambiente, mostrando a sua sempre nova e evoluidora técnica.

Na sala D o sempre trabalhador Antonio Parreiras, com a sua "Terra flagelada", grande tela que representa o Nordeste, e na sala E a sua maior composição "Labor", em que representa o tradicional carro de boi, transportando troncos das nefastas derrubadas: nesta composição há uma sinfonia de cores de sua rica palheta, e ainda outro menor quadro representa o "Sol", mas de pequenas dimensões; mais adiante a tela de Benno Traidler [sic] "Recordação do Morro do Castelo", de suave coloração.

O mestre Rodolpho Amoedo surge na sala H, com o seu "Auto-retrato" em aquarela, de técnica segura e simples.

Assim estão representados os mestres no atual Salão.

Em seguida aparece a outra geração de artistas, fruto da primeira.

Da sala A, Theodoro Braga, com o seu "Anhanguera" o bandeirante, forte e audacioso, quadro de composição histórica.

Oswaldo Teixeira com retratos e paisagem.

Carlos Oswaldo com as suas telas místicas, de coloração quente.

Na sala B, Lucilio de Albuquerque, com a "Olaria do Cristal" e o "Pão de Açúcar" em sua translúcida coloração. Fiuza Guimarães, com a sua tela "Vaga", nu em voluptuoso movimento imitando a onda, de coloração discreta. Edgard Parreiras com o seu "Matinal" marinha de belos contrastes. "Recanto Praieiro", de simplicidade que lhe é peculiar, e "Dia sombrio" tela que possui qualquer coisa de misterioso, de poético e de sentimental onde reflete a alma do artista.

Pedro Bruno, com três belas notas, flagrantes do ar livre: "Poemas do Mar", "Divino poeta" e "Pão de cada dia" onde transmite sensibilidade poética do artista, que com sua agradável e suave palheta nos dá um cunho todo pessoal de harmônicos efeitos.

Henrique Cavalleiro, com três telas de ambiente europeu, mas que na seção de gravura e litografia nos mostra as suas belas ilustrações a preto.

Na sala C. Marques Junior, com a preocupação de sinfonia em verde, apresenta dois nus: "Primeiros raios de sol" e "Intimidade" e outro trabalho "Flores". Na sua fatura atual nota-se uma evolução, mas os seus quadros ressentem-se disso, pois dá a impressão de diversas faturas em sua nova técnica.

Guttman Bicho, com dois belos retratos e uma paisagem. Retratos: "da viúva Aggripino Serpa" e de "Phocion Serpa", feitos com técnica segura, em ambientes diferentes, o primeiro sóbrio e de interior e o segundo luminoso e magistralmente tocado. "A paisagem" representa a estrada de rodagem da Freguesia à Galeão, flagrante extraordinário de sua mágica palheta, que este ano se impôs entre os expositores pelo seu grande progresso.

Paula Fonseca, este substituto de Baptista da Costa, aparece com um extraordinário vigor, perdendo muito da fatura do mestre, mas ganhando com a sua própria, será sem favor um dos nossos melhores paisagistas.

O progresso é notável em seus três trabalhos "Morro do Geribá", "Bico do Papagaio" e "Nova Favela". A sua medalha de ouro serviu-lhe de estímulo; assim acontecesse com os demais expositores...

Georgina de Albuquerque, a nossa maior pintora, apresenta três trabalhos "Roceiros", no "Cafezal" e "Olhos azuis", três vibrantes notas do nosso atual salão.

Raul Pederneiras, com as suas caricaturas "O morro da Glória", "Árvores de Natal" e "Cristo e adúltera", duas aquarelas e uma pintura que nos fazem rir pelo assunto crítico.

Armando Vianna, um dos últimos de volta da Europa, medalha de ouro do último salão, apresenta três pinturas, duas pequenas "Minha filha" e "Canto de mesa", de agradável e carinhoso acabamento, e a grande "Samba carnavalesco" de vigorosa fatura, em que aparece o pessoal da Pavuna em ritmado movimento bem nacional.

Augusto Bracet - Este ano mandou duas telas, "Prece" e "Sacrário": bons trabalhos, a primeira uma jovem no interior da igreja, em prece, num ambiente místico bem de seu feito. Sacrário, tela maior, uma das melhores que tem apresentado o Salão; uma jovem desce a escadaria, tendo como fundo um vitral; ela com suas belíssimas mãos transporta o Sacrário, todo de Ouro e pedraria; vestido de veludo negro, a época da idade média. Este trabalho é bem a alma do artista, sincero, honesto e trabalhador. Helios Seelinger sempre com sua visão comunista de "Altos e baixos", "Máquinas" e "Dançarinas" em notas decorativas bem pessoais.

Não sendo possível descrever todo o salão citaremos os mais em evidência que ainda nos ocorre à memória.

Loise Visconti, com três belas aquarelas, Almeida Junior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior] com suas três telas em tons azuis.

André Vento, com belos retratos, Argemiro Cunha com suas duas telas "A Ceia" e o "Escoteiro".

Luiz de Freitas, com paisagens, Evencio Nunes com duas paisagens, Francisco Manna, com a "Manhã", Gaspar Magalhães, "Miscelânea" , "Henribert Niaud" com belas notas de cor, Jurandyr Paes Leme, com a "Mágoa das Torres", Porciuncula de Moraes, com dois trabalhos, Virgilio Lopes Rodrigues - "Marinhas".

Entre os candidatos a prêmio de viagem estão os jovens artistas que num trabalhar constante marcham para a conquista do almejado prêmio que infelizmente é um só e os candidatos dezesseis.

São eles Jordão de Oliveira, Cadmo Fausto, Manuel Faria, Orozio Belem, Vicente Leite, Gastão Formenti, Sarah Figueiredo, O. Teruz, José de Azevedo [sic] [João de Azevedo], Euclydes Fonseca e Rocha Ferreira.

Na seção de Escultura expõem: Francisco de Andrada, três bustos magníficos, Modestino Kanto, uma estatueta em cerâmica de Itaipava - "Vasques", feito em fatura moderna sem preocupação de modernista. Zacco Paraná, a estátua e maquete de Francisco Sá.

Magalhães Corrêa, três trabalhos: "Luta selvagem", bronze, "Meus desvelos" gesso, "Acuando" - (o cão e o tejuaçu).

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

SALÃO oficial de 1930. Vernissage, inauguração e impressões do Salão. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 10 ago. 1930, p. 6.

Salão Oficial de Belas Artes. Na Exposição Geral (XXXV) de 1928. O Paiz, Rio de Janeiro, 10 ago. 1928, p. 1.

Algumas Obras de Pintura e Escultura. O "Vernissage" de Amanhã

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Imagens

1) GARCIA BENTO - "MARINHA"

2) E. VISCONTI - "PAISAGEM"

3) SARAH [Sarah Villela Figueiredo] - "AUTO-RETRATO"

4) M. CONSTANTINO - "DAMA DAS CAMÉLIAS"

5) COZZO - "RETRATO"

6) C. PORTINARI - "RETRATO DE O. M."

7) ERBULTH [sic] - "CABEÇA"

8) R. BERNARDELLI - "RETRATO DE H. B."

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

Salão Oficial de Belas Artes. Na Exposição Geral (XXXV) de 1928. O Paiz, Rio de Janeiro, 10 ago. 1928, p. 1.

SALÃO OFICIAL DE BELAS ARTES. O VERNISSAGE DE AMANHÃ - PINTURA E ESCULTURA. O Paiz, 10 ago. 1930, p. 3.

Imagens

Alguns dos trabalhos expostos: 1) - J. Fiuza - "A vaga"; 2) - Cadmo Fausto - "Tarrafeiros"; 3) - Rocco - "A revista"; 4) - Modestino Kanto - "Ator Vasques"; 5) - Magalhães Correia - "Repouso de feras"; e 6) - J. Nilde [sic] - "A dançarina".

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

SALÃO OFICIAL DE BELAS ARTES. O VERNISSAGE DE AMANHÃ - PINTURA E ESCULTURA. O Paiz, 10 ago. 1930, p. 3.

Salgado
Salon Cômico. A Cigarra, Rio de Janeiro, 19 set. 1895, p.4.

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<br style="clear: both" />

Por Belmiro [Belmiro de Almeida - Caricaturas]

1895

103 - YÔ-YÔ, QUER LINGUIÇA?

62 LIVRA!...

2 MEIA CARA (A OUTRA MEIA PARA O SALON de 1896)

17 TRISTE SORTE É A DO CARVOEIRO!

56 JOÃO MINHOCA

183 A toalha do Weingartner

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Digitalização e transcrição de Arthur Valle

Salon Cômico. A Cigarra, Rio de Janeiro, 19 set. 1895, p.4.

SALON DE BELAS ARTES - PINTURA. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 28 ago. 1927, p. 10.

O salon de pintura se não apresenta a homogeneidade do de escultura, é, entretanto, a nosso ver, superior aos do gênero apresentados ao público em anos anteriores.

É numeroso e forte, sendo que apresenta, ainda, a dorure prestigiosa dos mestres que não quiseram desmentir as intenções do certame que, para todos os efeitos, passará à história como o Salon da concórdia...

Comecemos por Henrique Bernardelli, uma das ovelhas que voltaram ao aprisco para consolidar a fase de confraternização artística que sucedeu a dos descalabros e desmandos de uma administração incompetente e anárquica.

O velho mestre da pintura apresenta dois belos retratos [Imagem 1 e Imagem 2], ambos dignos do consagrado pincel que criou a Tarantella. O primeiro, sobretudo, é um sonho de perfeição e de vida, uma das obras primas dessa galeria soberba com que a nova escola reaparece aos olhos curiosos do público.

Visconte [sic], o poeta formidável da cor e de cuja sensibilidade artística vivem as almas que se forram de sonho e poesia expõe uma Igreja de Santa Thereza (430) que enternece, e um retrato que, em fatura bem diversa, diz energia e verdade o marcado 431.

Modesto Brocos, outro mestre, expõe com menos felicidade. Parreiras [Antonio Parreiras], pontual ao rendez-vous da paz e da concórdia, mandou uma belíssima paisagem, provando que os seus janeiros ainda não conseguiram fazer tremer-lhe a mão, na hora da pincelada feliz.

Rodolpho Chambelland triunfa no retrato da senhorita M-B, que avulta de uma saraivada de cores mais ou menos agradáveis.

Carlos Chambelland que, não há muito, marcou por uma notável exposição, a mais brilhante fase do seu formoso talento, enviou para o salon algumas das suas telas já expostas na Galeria Jorge, inclusive aquele lascivo Sátiro, cidadão autentico de Gomorra, aquisição inteligente do senador Lopes Gonçalves...

Carlos Oswald, arranca da sua romântica e perturbadora palheta um retrato que maravilha, o marcado 88.

De Argemiro Cunha, cite-se uma cabeça de garoto, pincelada com ótima expressão.

Edgard Parreira mostra belas paisagens.

Destaquemos ainda: Francesco Mana - Canto do Rio, muito bom. Fiuza Guimarães, com dois óleos em um fusain; Bicho, acentuando progressos: João Timotheo, pintor da família Helios, revelando notáveis adiantamentos de técnica na exploração dos seus novos modelos. A sua pintura começa a lavar-se. Apenas, nas paisagens, o seu colorido é ainda um tanto sujo e pesado. Os seus retratos, porém, reabilitam-no. Bons retratos; Hans Paape, figura de Mulher, numa agradável intenção decorativa, ao lado de um cocheiro belo de cor; Gorgorine [?] emoldura a sua alma numa paisagem brasileira onde põe, entretanto um pouco de névoa sonhadora do seu país: Lucilio Albuquerque com paisagens largas, vigorosas, e, Georgina Albuquerque que esplende com um progresso que, não sabe a gente, até onde irá parar.

O seu quadro Juventude é um primor de colorido, de frescura e encantamento.

Achamos um pouco mornas as paisagens do sr. Petrus Verdier que, entretanto, brilha na seção de escultura com um lindo Tamanduá para o qual posou o pintor patrício Theodoro Braga.

OSWALDO TEIXEIRA

Um lugar à parte para o jovem artista.

A nota mais palpitante e mais simpática de todo o salão deste ano, e, pela qual, cheios do mais fundado orgulho e da mais legítima alegria ergueram-se os críticos em louvores de toda sorte, é a do progresso realmente fantástico feito por esse jovem de vinte e três anos e que, aos vinte, conquistava com tanto brilho e dignidade o prêmio de viagem à Europa.

Somos dos que não prodigalizam frases nem exagerados conceitos, muito principalmente quando se trata de um moço que começa, pois, sabemos, de sobejo, dos perigos decorrentes dessas despropositadas turifações [sic].

O elogio em exagero, prejudica. Vamos, assim posto, afirmar, com a maior das convicções, apenas, que os progressos apresentados pelo jovem pintor são, na realidade, notabilíssimos, mesmo geniais, mas não cheguemos ao ponto de dizer que ele é já um grande pintor, o maior do Brasil ou da América. Nada disso.

Pelos trabalhos que Oswaldo Teixeira apresenta, verifica-se o seguinte: que além da intuição e da precocidade de seu luminoso espírito, há ainda, a contar, um entusiasmo e uma capacidade de trabalho que correm paralelas.

Dos artistas de sua geração é o que, pelo menos, até agora, se apresentou mais equipado para a luta. É uma força viva da natureza, como a dos grandes espíritos que surgem, só de quando em quando, veio d'água, forte, violento, e, ao mesmo tempo, cristalino irrompendo do seio augusto da terra e a rolar em golfões indomáveis como os grandes caudais na trajetória de um destino marcado pela fatalidade, para o mar ou para a glória.

Que o país de Pedro Américo e de Victor Meirelles possa abençoar, mais tarde, este nome, como o de um dos grandes artistas que soube amar com honra e com talento, são os desejos reais dos que convictamente o admiram e que, simultaneamente, desejam vê-lo atingir o caminho da perfeição.

PRÊMIO DE VIAGEM

Não há tribunal que satisfaça a ninguém. Nem o das Alturas, presidido pelo velho Deus. Somos todos, assim posto, uma pobre matéria eternamente insatisfeita e que protesta, sempre. E contra que? Contra o que choca o nosso arbítrio.

Em geral, os juízos que decidem dos prêmios de viagem do salon, sofrem torturas após os votos da obrigação. Coroando, entretanto, o espírito de concórdia entre os artistas, este ano, não houve, como se esperava, o clássico sarrabulho dos protestos, feitos (o que é profundamente cômico) em geral, pelos eleitores dos juízes.

Todos aceitaram a decisão que favorece Manoel Santiago favorecendo ao mesmo tempo uma pintora de talento, Haydé, sua mulher.

Achamos justa a decisão do júri. Entre os concorrentes ao prêmio de viagem, porém, havia uma corrente [sic] fortíssima a senhorita Sarah [Sarah Villela Figueiredo]. O seu retrato 395 - Zilah - é um quadro interessantíssimo. Submeta-se a senhorita Sarah aos princípios tradicionais na casa (que tanto pesam na hora do julgamento), e, para o ano próximo, apresente uma tela de composição. Quem tão desembaraçadamente maneja a figura, não tem o direito a caprichos de retrato... Un bom mouvement mademoiselle Villela Figueiredo!

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Imagens

RETRATO por Henrique Bernardelli

RETRATO por E. Visconti

RETRATO por Henrique Bernardelli

RETRATO por Carlos Oswaldo

FLORENTINO, por Oswaldo Teixeira

ZILAH, por Sarah Villela Figueiredo

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

SALON DE BELAS ARTES - PINTURA. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 28 ago. 1927, p. 10.

Salvador Caruso
Salvador Delgado Rodas
Salvador Sabaté
Samuel Antonio das Neves
Samuel Martins Ribeiro
Sarah Costa
Sarah Del Vecchio
Sarah Padovani
Sarah Villela Figueiredo
Saul de Navarro
Schraeder Velgen
Sebastião Vieira Fernandes
SENIOR, Lulu. AOS SÁBADOS. A Noticia, Rio de Janeiro, 6 set. 1896, p. 2.

O nosso público não é positivamente doido por belas artes, e isso pela boa razão de que não teve quem o educasse nesse sentido, quem lhe preparasse o espírito para apreciar o belo, distinguindo-o da fancaria e das indústrias que fingem de arte. Daí o relativo abandono em que vivem os artistas, daí o pouco estímulo que estes encontram, e o seu consequente desânimo.

Ainda há dias tivemos uma tristíssima prova do que é a vida do artista em nossa terra. O pobre Raphael Bandeira, um rapaz que tinha talento e amor à sua arte, cansou de lutar, depois de andar por aí desalentado, e o seu corpo decomposto veio ter à praia, sem que se saiba se a morte o surpreendeu, ou se foi ele voluntariamente ao encontro do supremo descanso.

Ainda assim há um grupo de artistas que não desanimam, e nadam contra a corrente, satisfeitos com a própria consciência, que os não arreda do caminho ideal, embora ele seja calçado quase unicamente de espinhos. E ali está a exposição anual, relativamente pobre em número de trabalhos expostos, mas rica, muito rica, se atendermos a que ela representa uma grande soma de esforço, tanto mais meritório quanto menos recompensado e compreendido, e ainda mais rica se também levarmos em conta que um dos mais laboriosos dos nossos artistas, Henrique Bernardelli, se nada mandou ao Salão este ano, tem ali a dois passos da Escola, na cúpula da sala de concertos do Instituto Nacional de Música, a prova do muito e muito que trabalhou, e da bonita página com que enriqueceu a arte nacional.

Vão ver esse bonito trabalho, feito com tanto amor pelo Henrique, que teve por auxiliar o Brocos, o bom e modesto Brocos, (com minúscula e maiúscula) que se apagou, que abandonou a sua maneira, para cingir-se inteiramente ao pensamento e à inspiração do colega e amigo.

Vejam como tudo aquilo é suave, pela cor, pelo agrupamento de figuras, pela harmonia de composição. E como deve ser agradável, nos intervalos de um concerto, passar os olhos por aquelas cenas que o pintor fez com o melhor de seu coração de artista apaixonado!

Voltemos, porém, à exposição. Este ano Rodolpho Amoedo, que está exercendo interinamente o cargo de diretor, pensa em executar o artigo do regulamento que autorizou a organização de uma tômbola. Pela quantia relativamente módica de vinte mil réis tem cada cidadão o direito de ir ver a Exposição todos os dias, e faz jus a um quadro, dos que a escola adquirir com o produto desses bilhetes e que lhe tocar por sorte. Ora, por pouco apreço que se dê a obras de arte, nesta terra, em que tanta gente enfeita as suas salas com oleografias, registros, fotografias e bolas de papel de cores, correr o risco de apanhar um quadro por vinte mil réis, que representam menos que o valor da moldura, já é tentador.

E, depois, desde que os nossos recursos de gente arrebentada não nos permitem estimular diretamente as artes, dando aos artistas o que o seu trabalho vale, é de nosso dever estimulá-los ao menos por estes meios indiretos, comprando-lhes alguma coisa, paga por muitos, embora fique em poder de poucos.

A mim tocaram vinte e cinco desses bilhetes; e os meus amigos, que não são amadores de belas artes, ficam prevenidos para que fujam quando me virem, se não levam droga. E quando tiver passado os vinte e cinco, vou ao Amoedo pedir mais, porque acho a tômbola uma boa ideia, que merece ser levada por diante.

Assim dependesse de mim tirar a escola daquela gloriosa fachada, em que ela se acha impedida de ser o que deve ser, porque é difícil pintar e expor quadros em salas em que não há espaço, nem ar, nem luz.

Rodolpho Bernardelli já cansou de pedir o edifício da praça do Mercado da Glória, onde, com pouca despesa, faria, não uma coisa de luxo, mas uma coisa prática, uma casa em que seria possível trabalhar proficuamente. E para a fachada gloriosa iria a Caixa de Amortização, que ficaria muito bem nas beirinhas do Tesouro, e que desempataria a casa em que está de meias com o Correio, ocupando com os seus 40 e tantos empregados quase tanto espaço como aquele em que se acotovelam os oitocentos e tantos funcionários postais. A mudança faria a felicidade de todos, mas é talvez por isso que a não querem fazer. Ato bom, útil, prático, e nossa terra, está de antemão condenado. Será mais feliz que o seu chará o Rodolpho Amoedo? Ele é muito mais homem para agarrar-se à casaca do ministro e não o deixar mais enquanto este não lhe der a casa, e como agora há ministro novo, que, sobre ser novo é moço, e há de gostar de ligar o seu nome a um verdadeiro melhoramento, é possível que alguma coisa se obtenha, que já não seria sem tempo.

[...]

LULU SENIOR.

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Digitalização de Fundação Biblioteca Nacional Acessível em: http://memoria.bn.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

SENIOR, Lulu. AOS SÁBADOS. A Noticia, Rio de Janeiro, 6 set. 1896, p. 2.

SENTIDO! (No Salon de 1904). Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 4 set. 1904, p. 1.

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- Acredite o meu caro artista que me sinto imensamente feliz por vir a esta bela exposição. Desejava que me apresentasse aos bons artistas.

- Então vai comprar os melhores quadros ! ?

- Não... É para pedir uns cartões postais.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

SENTIDO! (No Salon de 1904). Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 4 set. 1904, p. 1.

Sergio Antunes
Severino Cruz
SILVA, Mario da. BELAS ARTES. Impressões sobre o salão deste ano. A PINTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 18 ago. 1921, p. 3.

Para se fazer a crítica de arte é mister [...] - e isto é claro - uma sensibilidade. Mas, embora elemento indispensável, essa sensibilidade não é elemento único e ao crítico torna-se necessário ir buscar na fisionomia um conceito que sirva de base às suas pesquisas nesse campo da atividade e, uma vez obtido esse conceito, […] o quanto ele caiba na obra criticada.

Esse conceito da arte, no momento atual do pensamento é o que encerra a fórmula […] arte-intuição, o conceito que, isolando a arte das outras faculdades do espírito, a considera como a forma de conhecimento natural do homem, apenas desabrocha à vida teorética, superando, portanto, a estética romântica (Schelling e Solger [sic]) que fazia da estética a faculdade superior do espírito.

Fazer aqui a história de como esse conceito surgiu, seria tarefa por demais longa e inoportuna, tanto mas quanto ela está perfeitamente exposta nas obras filosóficas de Benedetto Croce. Apenas cumpre-nos constatar o que, em virtude dele, se torna a crítica de arte.

Ela é, necessariamente, crítica estética, move-se unicamente no campo das imagens, constatando apenas se o fato submetido ao juízo crítico é artístico ou não, ou não é artístico e onde o não é. E, assim, a crítica estética é, conseguintemente, crítica histórica, porque para tal verificação é necessário narrar como o fato se passou, como a imagem ou fantasma surgiu no espírito do artista, isto é, escrever uma página de história da arte, que, como toda história, só pode atingir as categorias do espírito e nada mais.

Daí resulta claro que, uma vez sentida a beleza de uma obra, cabe ao crítico analisar subtilmente o porquê dessa beleza, indo buscar nas outras obras do autor o elemento constante a todas e, baseado nesse elemento, pôr em luz como imagem e sentimento expressos, estavam unos e indissolúveis na intuição do autor.

E não cabe aqui o sofisma de que essa estética convenciona ser o conteúdo da imagem unicamente o sentimento ou estado de alma, porque o sentimento não é nenhum conteúdo convencional, mas todo o universo olhado "sub specie intuitionis".

Uma vez exposto esse conceito da crítica, está implicitamente declarada a impossibilidade em que nos achamos de fazer verdadeira crítica de arte do Salão deste ano e não só do deste ano, mas de todos os salões onde sejam expostas somente duas ou três das obras de uma artista qualquer.

Pela falta, de elementos suficientes à análise, a síntese perde toda a segurança, não se podendo pôr isso em consciência, chamar de crítica as impressões que aqui vamos dar sobre o salão. Haverá, quando possível, um esboço de análise em busca de intuição do artista e uma tentativa de síntese, mas isto em casos especiais, continuando as demais obras in[...] sob o ponto de vista crítico e observadas apenas com o juízo do gosto, que não […] juízo.

Comecemos pelos dois mais completos artistas representados na seção de pintura os srs. Elyseu Visconti e Angelo Cantú.

Do sr. Visconti o belo "Grupo de retratos" e o "Roupa estendida" nos dão uma excelente impressão da sua arte. Arte feita com forte senso do real, de um […] amor à família e às coisas caseiras isenta de qualquer das pseudo-nevrose [sic] próprias a grande parte dos nossos artistas. E quem se lembrar do teto do Theatro Municial, confirmará o juízo; porque nosso sonho, ou outra coisa que o chamem as mulheres têm uma forte e sadia constituição feminil; não são abstrações de mulheres, mas mulheres em toda a extensão da palavra e o turbilhão do sonho que as envolve, não é caracterizado por nada de mórbido ou nevrótico, mas por uma doce tranquilidade. Daí a sua incapacidade em tratar de inspirações dantescas, para o que será necessário um espírito mais romântico: daí a ausência nos dois "Canto das Sereias" de qualquer visão mitológica.

O sr. Cantú não é, como podiam fazer-nos erroneamente acreditar certas preferências, um refinado decadente, um sensual dannunziano, um desses homens, "fin de siecle", terror dos bons burgueses, para os quais o mundo fora feito apenas com o fim de lhes deleitar os sentidos. Nada disto. Pelo contrário, um sentimento (refinado, certamente, como moderno que é), tímido e suave. No seu quadro, por exemplo, "Flor exótica", que foi que impressionou o artista? Não a evocação baudelairiana de volúpias desconhecidas, não a luxúria de cores que têm sempre, para os decadentes, as terras exóticas. Apenas a sua atenção foi atingida pelo olhar de tristeza, tristeza mesclada a um instintivo receio da jovem e todo o quadro se entona nesse sentimento. E dessa sinceridade (não escondida pelo decadentismo rebuscado do título) resultou para o sr. Cantú o ter conseguido uma excelente obra, das melhores do salão. Ainda excelente "Atravessando o lago", onde o sentimentalismo do autor diante da sentimentalidade do assunto, não podia deixar de vibrar de doce alegria, que bem exprime o colorido. Apenas uns efeitos de luz dispensáveis, reminiscências talvez de preconceitos de escola, fazem dessa uma tela inferior à antecedente. Boas as faturas de "Perto do fogo" e de "Mocidade", não revelando entretanto nenhuma nova fonte artística, deixando mesmo algo a desejar.

Mais propenso às coisas tristes, o sr. Parreiras [Antonio Parreiras]. Aquele bloco de pedra que faz fundo a "Pescadores da minha terra", exprime bem o sentimento de solidão, quase de tristeza, que, a nosso ver, tem o artista diante da natureza. Frio aquele mar da Guanabara e sem vida aqueles pescadores, que deviam exprimir a outra parte da visão, a da impotência ou do esforço vão homem em face da natureza. Aliás essa falta de vida nota-se também na figura de Fernão Dias Paes Leme, em "Caçador de esmeraldas". O assunto enquadrar-se-ia, entretanto, no temperamento do artista. Mas, faltando-lhe inspiração, como vimos, para sentir o esforço do homem, a parte artística do quadro deveria existir no trecho de floresta que rodeia a figura. Entretanto, tal não se dá. O sr. Parreiras, que bem sente a força da natureza como inimiga ao homem quis, por um preconceito muito nosso, sentir a exuberância vital da nossa flora e a riqueza do nosso solo, em lugar de exprimir o que ele podia sentir, a sua brutalidade, a sua ferocidade.

E sirva isto de lição aos nossos artistas, que insistem em querer ver assim a nossa natureza, esquecendo-se de que ela é muda e pode ser trágica, feroz, triste, rica, pobre, "selvaggia, ed aspra e forte" [sic], segundo o temperamento que a sente, a reproduz e envolvida nesse ambiente, nô-la transmite. - MARIO DA SILVA.

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Imagem

"Atravessando o lago" - Quadro de Angelo Cantú

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. Impressões sobre o salão deste ano. A PINTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 18 ago. 1921, p. 3.

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. Impressões sobre o salão deste ano. A PINTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 20 ago. 1921, p. 3.

O professor Baptista da Costa é ótimo técnico, desenhista e pintor. A não ser aquelas duas lenhosas figuras de "Hora romântica", poderíamos dizer que tudo o que os seus quadros representam é objetivamente perfeito, no sentido de que tudo que é objetivo é mudo e sem vida porque a vida das coisas é o nosso espírito quem lh'a dá. E, assim sendo, as paisagens e figuras do sr. Baptista, desde o "Dia luminoso" até "O ator Edmundo Silva", são artisticamente falsas, por lhe faltarem aquela espiritualidade ou subjetividade que ao artista cabe dar às coisas. Por certas preferências, se nos afigura o sr. Baptista da Costa um temperamento amante da tranquilidade das campinas, dos [...] claros e dos céus límpidos; um temperamento para quem um pôr-do-sol é sempre triste, o romper de uma aurora sempre alegre.

Que dizer do sr. Rodolpho Amoedo? Não estivesse o seu nome consagrado com telas do valor de "Desdemona", de "A narração de Filetas" e de "Jesus em Cafarnaum", nos veríamos aqui constrangidos a nele não falar, como o de um desconhecido para a arte. Porque, se é verdade que algumas qualidades técnicas se encontram no "Auto-retrato", qual a significação espiritual dessa obra? Quando a imagem de "Moema" se lhe apresentou ao espírito, qual o sentimento que a acompanhava e que a gerara? Provavelmente nenhum, porque nenhum vemos expresso. E somos levados a crer que ambas as obras são vasto produto da imaginação, imagens nascidas da recordação de outras imagens, por capricho da imaginação e não fruto da fantasia, estrilhada fortemente num estado de alma.

Do sr. Lucilio de Albuquerque desejaríamos conhecer mais alguma coisa. Que qualquer sentimento existe, é inegável, especialmente se considerarmos com alguma atenção "Paisagens". Sentimento não profundo, entretanto, porque se o fosse, não se teria deixado vencer, como deixou, por um virtuosismo técnico que o abafa e o desperdiça, impedindo-nos de senti-lo imediatamente.

"Alguns colegas", do sr. Arthur Thimoteo da Costa, é inteiramente falho de qualquer espiritualidade ou caráter. Seriam cabeças de homens, se o homem fosse constituído unicamente por elementos materiais. Mas o homem, para o artista, deve dizer sempre qualquer coisa, ter um caráter, uma espiritualidade, coisas que, bem entendido, lhe são conferidas pelo próprio artista, porque, como já dissemos alhures, o universo é mudo se o homem o não faz falar. Daí o não podermos considerar artística a referida tela, como tampouco podemos considerar tais "Efeitos de luz", que não passa de um efeito de luz com o qual a arte nada tem a ver, e "Cabeça", pela mesma razão de "Alguns colegas". Há naquele "Paisagem" uma luminosidade agradável que transcende o tecnicismo de mero efeito de luz. Mas é impossível qualquer juízo apenas baseado nesse pedaço de céu. E o resto do quadro foi inspirado unicamente no desejo de exibir qualidades técnicas, as quais, justamente por serem apenas técnicas, não são artísticas.

O sr. Edgard Parreiras, quando se lhe apresentou diante do espírito aquela "Sol da tarde", teria sentido a tristeza do poente ou a vida fecundante daquela luz; a força que se irradia do refrangir do sol em miríades de cores ou a riqueza oriental daquele derramar de pedras preciosas; teria sentido a tristeza ou a alegria daquela casa que olha à entrada; teria sentido a vida que dentro dela se desenrola monótona ou ardente? Certamente, não. Pelo quadro, tem-se a impressão de que o autor observou o avermelhado do terreno e daí concluiu ser aquela paisagem um ótimo elemento pintórico [sic]. E não dizemos que o não seja. Mas, artístico, é que não o julgamos.

Apesar do inexpressivo das figuras de "Tranquilidade", quadro do sr. Chambelland [Carlos Chambelland], possui, diluídos, dotes artísticos. Aquela vaga tristeza que causou ao artista a monotonia da paisagem, é apercebida pelo observador, levemente, muito levemente, mas é apercebida. E o fato repete-se; confirmando a existência de um sentimento vago e não bem intuitivo, na água de "Jaqueira" e na "Paisagem pernambucana". Inexistente, porém, nos dois retratos, quase sem vida. O que nos faz acreditar e desejar a possibilidade de uma verdadeira arte do sr. Chambelland, uma vez que o artista consiga vencer o homem, desvencilhando-o de preocupações e preconceitos técnicos, e uma vez que o homem fixe nas telas somente o que o artista sentiu.

A que virá aquele esqueleto que o sr. Bracet pôs como reflexo à sua "Vida"? Compreende-se nessa tela algum conceito pessimista ou cientificamente realístico, mas que não passou de um conceitualismo sem valor artístico, porque não atingiu o espírito estético. De fato, a paisagem é quase arcádica e seria mesmo agradável sem a monotonia do colorido. A figura de mulher seria uma ótima ninfa, sem o inexpressivo da cabeça.

Agrada-nos, e não pouco, "Serenidade", do sr. Helios Seelinger, quadro que está bem entonado sobre esse sentimento. E com prazer veríamos esse artista abandonar os efeitos coreográficos de "Recanto de sereias" e "Sereia de Paquetá". Também não nos agrada o "Morro de Santa Tereza". Para tal não foi feita a sensibilidade artística do sr. Helios Seelinger, ao qual conviria muito limitar-se às evocações românticas, não muito profundas, é verdade, mas que, constituindo a sua corda sensível, poderiam produzir obras boas sob o ponto de vista artístico.

Mario da SILVA

A "MEDALHA DE HONRA"

Hoje, à 1 hora da tarde, terá lugar a votação para a "Medalha de honra" a ser conferida ao expositor brasileiro que mais se distinguir entre os artistas somente podendo votar os expositores premiados em exposições anteriores.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. Impressões sobre o salão deste ano. A PINTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 20 ago. 1921, p. 3.

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. Impressões sobre o salão deste ano. A PINTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 21 ago. 1921, p. 3.

No sr. Oswaldo Teixeira temos, sem dúvida, o mais promissor dos novos expositores. O forte sentimento do real, ao mesmo tempo forte e doloroso, que anima a sua arte, nos dá esperanças de vê-la em breve erguer-se vigorosa, desde que esse sentimento que lhe dá vida atualmente seja suficientemente aprofundado e reforçado pela meditação. Necessário se faz que ele se torne parte viva e consciente do espírito do artista. Preferíamos falar dele mais demoradamente nesta ocasião. Entretanto, manda a sinceridade registrar o prazer estético que nos causam "Retrato de artista", "Velha beata" e, principalmente, o "Retrato do pintor Santiago".

Há qualquer coisa, não podemos precisar o que, que nos agrada [...] "Juventas" do sr. Marques Junior; infelizmente o sentimento que gerou a obra está muito desperdiçado e quase anulado por um excessivo virtuosismo coreográfico. As mesmas palavras poderíamos repetir a respeito da "Historia do Mago Vermelho", do sr. Mario Tullio.

Também nos agrada de maneira vaga e indeterminada a marinha "Ipanema", do sr. Santiago [Manoel Santiago]; não encontramos, porém, a mesma expressão em "Praia do Arpoador", onde nos parece ter faltado ao autor nítida consciência das causas que o levaram a escolher aquele trecho de mar de preferência a outro. E a ausência dessas causas importa na ausência de sentimentos artisticamente unos nessa tela.

Que dizer dos dois concorrentes ao prêmio de viagem, os srs. Almeida Junior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior] e Guttmann Bicho? Em ambos notamos a ausência completa de elementos artísticos - imagens, frutos de sentimentos e por eles caracterizadas.

A materialidade dos símbolos que deveriam exprimir "Recordação", do sr. Almeida Junior, claramente nos indica que essa recordação ou lembranças, a saudade ou nostalgia, não foi sentida, mas, apenas e de maneira banal, imaginada. E o "Pano decorativo" do segundo, o sr. Bicho, nos mostra uma pura preocupação técnica, que não analisamos por fugir ao campo da estética, e, portanto, ao nosso.

Muitos outros nomes poderíamos aqui catalogar e de muitos outros quadros poderíamos mencionar o título, mas apenas para verificar a sua existência no salão...

Em todos a técnica tenta em vão substituir a alma, substituição irrealizável, que não só denota a falta de uma verdadeira consciência artística, mas também a de um profundo desconhecimento de todo o valor lógico ou conceitual da palavra arte.

A técnica é, sem dúvida, elemento necessário ao artista, o qual como homem prático - o "homo estheticus" é uma pura abstração, dada a unidade essencial do espírito - quer e sente a necessidade de fixar a imagem artística ou fantasma que se lhe agita na intuição. Isto, entretanto, não justifica que se a considere arte em si, por mais perfeita que ela seja. E todos acordam que não basta conhecer-se bem uma língua, todos os seus vocábulos considerados puros e as suas regras gramaticais, para se ser poeta: poeta é um dos sinônimos de artista. A técnica pintórica [sic], como a linguagem, como todo e qualquer meio de expressão, perde todo o significado, quando considerada isoladamente, porque, justamente por ser meio de expressão, ou melhor, expressão, afirma em si a existência indispensável e até apriorística de uma coisa a exprimir. E essa coisa é justamente a imagem artística ou imagem lírica, porque qualquer outra imagem é fruto da imaginação pura, isto é, puro trabalho mneumônico [sic]. Na verdade, a definição verdadeira da arte, como a pode aceitar o pensamento moderno, é ser a arte uma síntese "a priori" estética de imagem e sentimento na intuição - definição dada pelo filósofo italiano Benedetto Croce.

E passaremos à escultura, na próxima crônica.

Mario da SILVA

VOTAÇÃO DA MEDALHA DE HONRA

Por falta de um para completar o número legal, não se realizou ontem a votação para a "medalha de honra", a ser conferida pelos expositores da atual "Salão", ao artista brasileiro que mais se distinguir na Exposição, devendo haver para tal fim nova reunião amanhã às 13 1/2 horas.

Somente poderão votar os expositores premiados em exposições anteriores.

A VISITA À EXPOSIÇÃO GERAL É GRÁTIS HOJE

A exposição geral de Belas Artes estará hoje, como todos os domingos e feriados, franqueada à visita do público gratuitamente.

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Imagem

Paisagem do professor Baptista da Costa

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. Impressões sobre o salão deste ano. A PINTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 21 ago. 1921, p. 3.

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. Impressões sobre o salão deste ano. ESCULTURA - GRAVURA - ARQUITETURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 23 ago. 1921, p. 3.

O sr. Leão Velloso é o que se poderia chamar um temperamento clássico; isto é, um daqueles temperamentos que tendem a olhar o mundo com uma certa serenidade, que têm uma disposição natural a não colher a parte atormentada ou doentia das coisas, mas a vê-las pelo seu lado tranquilo e forte. E por isto julgamos ótimo o seu projeto de monumento [Imagem]; nele, a linha rítmica exterior é fácil intérprete do ritmo interior, gerador da imagem; os homens que a compõem - representando os Estados do Brasil - não são caracterizados pelo comum açucarado patriotismo que, substituindo às vezes pelo amontoado barroco de figuras barrocamente contorcidas, domina em geral nesse gênero de monumentos; mas é sua característica uma sadia força máscula, é sua disposição uma harmonia simétrica; e a sua atitude não é de obediência servil mas de nobreza, tudo de acordo com a íntima inspiração do autor. Esse senso da classicidade, porém, é menos patente na figura de mulher sentada, o qual se bem que de boa maneira completa a linha geral do monumento, poderia ser mais expressiva na sua própria linha de composição, um tanto fria. Inferior se nos afigura, entretanto, "Beatitude", onde se sente timento que quis exprimir o artista, sentimento que quis exprimir o artista [sic], sensualismo manifestado de maneira mais potente na languidez do braço direito da figura. A falta de uma verdadeira síntese estética entre os dois sentimentos, impede a obra de manter-se toda de arte, só tal permanecendo em alguns pontos, por exemplo a cabeça, onde essa dualidade foi felizmente superada.

Bom trabalho o bronze "Escrava", do sr. Antonio [sic] Mattos [Antonino Mattos], revelador de um espírito um tanto romântico. É justamente, por se revelar, na torção dolorosa e na expressão fisionômica da escrava. Esse espírito romântico, é que o trabalho do sr. Antonio [sic] Mattos se torna um fato artístico. Essa harmonia, entretanto, cinde-se em dualismo artisticamente falso em "Angústia", onde a quase classicidade das formas externas não se adapta bem ao sentimento gerador e não deixa expandir-se totalmente. Houve, certamente, alguma superposição de imagens por parte do artista, o qual, querendo evitar, talvez, a manifestação sincera da sua alma por julgá-la, devido a certos preconceitos dominantes, antiestética ou não suficientemente estética, forçou a expressão, comprimiu o sentimento em formas que não lhes são adequadas, mas que são comumente julgadas "belas formas", como se a forma, em si, pudesse ser artisticamente bela ou feia. E falseou, assim, o escultor, essa outra imagem verdadeira - a arte.

Do sr. Samuel Martins Ribeiro preferimos a "maquette" da "Visão que no sonho apareceu à virgem", à própria visão. Em ambas as obras a figura de Cristo é demasiadamente dura; há, entretanto, na "maquette" - e é por isto que a preferimos - mais espontaneidade, menos daquele realismo impróprio à maneira de tratar um assunto por natureza místico e que alguma impressão de misticismo deveria ter deixado no espírito do autor, como realmente deixou e se manifesta, embora de maneira incompleta na "maquette".

Bastante agradável o movimento geral do "Ataque de índios Guaycuru's", do sr. Paulo Mazzucchelli; falta, entretanto, clareza à imagem, o que indica falta de clareza na intuição que a gerou. Não nos agrada, porém, a frieza neoclássica das duas cabeças do mesmo autor.

Boas algumas das gravuras do sr. Girardet, especialmente o pequeno medalhão representando o dr. Oswaldo Vieira do Carvalho e a placa comemorativa de Giulio Monteverde.

De todos os projetos de casa de estilo ou estilização colonial, só nos pareceu mais espontâneo, isto é, mais artístico, o do sr. A. G. Maya [sic], que acreditamos ter sido, dentre os arquitetos representados no Salão, o que melhor instruiu [sic] o espírito do nosso povo e o exprimiu em projeto de constituição adequada.

Como para a pintura, aqui também poderíamos citar nomes e obras com o único fito de considerá-las frutos de cogitação extra artísticas, as quais não são esteticamente criticáveis por fugirem, ao nosso ver, ao campo da arte. Mas consideramos inútil e inoportuno tal trabalho, e, por isto, não o fazemos.

Mario da SILVA

A MEDALHA DE HONRA NÃO FOI CONFERIDA

Os artistas medalhados da atual exposição geral, estiveram ontem reunidos para conferir a "medalha de honra" ao artista que mais se houvesse distinguido no atual certame.

Compareceram vinte e sete expositores. Foram corridos três escrutínios com o seguinte resultado:

Primeiro escrutínio, Antonio Parreiras, 12 votos; Eliseu Visconti, 9 votos; Belmiro de Almeida, 2 votos; em branco, 2 votos. Segundo escrutínio: Antonio Parreiras, 13 votos; Eliseu Viscontin [sic], 10 votos; Belmiro de Almeida, 2; em branco, 2 votos. Terceiro escrutínio: Antonio Parreira [sic], 13 votos; Eliseu Visconti, 12 votos; Belmiro de Almeida, 1 voto; em branco, 1 voto.

Não tendo nenhum artista obtido dois terços dos votantes, como preceitua o regulamento, não foi conferida a medalha de honra este ano.

A nota distribuída pela secretaria da Escola de Belas Artes está errada quando informa que a concessão da medalha de honra fica a juízo do Conselho Superior de Belas Artes. Não é isso o que o regimento estabelece. Ao Conselho Superior compete resolver sobre outras dúvidas, mas a medalha não pode ser conferida sem que a votação haja alcançado dois terços dos presentes.

Presidiu a reunião o sr. Raul Pederneiras.

Compareceram: Ludovico Berna, Rodolpho Amoedo, Lucilio de Albuquerque, Guttmann Bicho, Luiz Kattembach, A. Bracet, Artur Thimoteo, Antonino de Mattos, Magalhães Corrêa, Garcia Bento, Antonio Parreiras, Jorge de Mendonça, João Thimoteo, Humberto Cavina, Helios Seelinger, Gaspar Magalhães, Francisco Manna, André Vento, Edgard Parreiras, Arthur Lucas, Almeida Junior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior], Gastão Formenti, Francisco de Andrade, João Baptista da Costa, Irene França, Augusto Girardet e Francisco Coculilo.

O PRÊMIO DE VIAGEM NA EXPOSIÇÃO GERAL DESTE ANO

O júri das diversas seções da Exposição Geral de Belas Artes, deste ano, já entregou as suas decisões ao Conselho Superior para julgamento em última instância.

Apesar do sigilo estabelecido mesmo pelos que mais costumam falar, podemos adiantar que o prêmio de viagem foi concedido.

Não deve ter sido tarefa fácil ao júri optar por um dos concorrentes. Dirão alguns que escolheram o "menos pior". Mas, ainda assim, continuamos a achar pesada a tarefa de tal indicação...

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Imagens

O projeto de monumento do escultor Hildegardo Leão Velloso

O pintor Antonio Parreiras

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. Impressões sobre o salão deste ano. ESCULTURA - GRAVURA - ARQUITETURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 23 ago. 1921, p. 3.

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. O salão de 1924 - A ESCULTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 21 ago. 1924, p.3.

A escultura está fraca, este ano, principalmente no que diz respeito aos artistas nacionais.

Os estrangeiros estão um pouco mais fortemente representados. Temos, entre eles, o sr. Acquaronne [Orestes Acquarone Filho], que, além de uma delicada "Loura" [sic] (322), expõe um gesso (324), ótimo na sua simplicidade e no seu harmonioso jogo de claros e escuros.

Outro artista estrangeiro, o sr. Alfred Joel, apresenta no salão um número de obras maior que o de todos os outros expositores e, ao mesmo tempo, os melhores trabalhos da seção. Arte sadia a desse artista, que não se perde em barroquismo exterior ou em "trompe-l'oeil" de duvidoso efeito, mas que se aprofunda no argumento que quer tratar e no-lo traz à luz de maneira sóbria e sincera. Exageros, imperfeições, estilizações artificiais ainda maculam a sua obra e lhe impedem o desabrochar total da personalidade: não podemos, por exemplo, deixar de censurar os ombros da figura de legionário, terceira estação da sua "Via Sacra" (331), ou todo o lado direito da Cruz e do Cristo da estação XII, imperfeita na perspectiva. Mas, outros trabalhos há que nos permitem apreciar os seus belos dotes. Entre eles citaremos como os de nossa preferência, o retrato de frei Pedro Sinzig (325), o "Menino e tartaruga" (334), "Antes do banho" (335) e o busto do menino George Hamera (333).

Passando ora aos artistas nacionais, forçoso é confessar que, em comparação com os anos anteriores e em face do que era lícito esperar-se, a escultura está com sua representação muito fraca no atual salão. Debalde se percorre de olho alerta a sala onde estão dispostos quase todos os trabalhos dessa seção; inutilmente se lançam olhares esperançosos pelas demais salas; a grande obra, grande mesmo relativamente ao nosso meio, lá não está.

Há, porém, trabalhos interessantes, sobre os quais é justo bordar alguns comentários.

Está entre eles o bronze "Après le peché", de autoria do sr. Antonino Mattos. A composição apresenta-se suave e harmoniosa, as figuras estão solidamente trabalhadas. Mas, apesar disto, não consegue esse trabalho elevar-se ao nível da grande arte, e isto por um vício de concepção. Ao representar os sentimentos que, depois do pecado, deveriam ter as duas figuras desse bronze, houve por bem o autor servir-se de elementos um tanto exteriores e pouco expressivos, de maneira que esses sentimentos, se até certo ponto estão caracterizados, não o são, como a grande arte exige, de maneira totalmente segura. Esses sentimentos não foram de todo intuídos e daí não terem sido expressos de forma completa. Que foram caracterizados até certo ponto, é simples constatar. Evidentemente, nem o homem, nem a mulher estão alegres e contentes com o que fizeram. Pelo contrário, o sentimento que manifestam é um sentimento doloroso. Mas qual? Será pudor, cansaço, arrependimento ou repugnância moral? Isto não está claramente definido. "Id est", não foi claramente pensado, não está intuído. Porque a verdade é que, quando o velho Horácio, na sua arte poética, dizia: "Bene provisam rem, verba non invita sequuntur" [sic], descobria uma das leis fundamentais do conceito da arte, qual o concebe a estética moderna. No caso da escultura, quem, "non invita", deveriam [sic] seguir logo, são as linhas, massas, claros-escuros e os demais elementos dessa arte. Ora, no bronze do sr. Antonino Mattos, o homem, com a mão direita, cobre o próprio rosto, e a mulher o esconde, de todo, debaixo dos cabelos atrás dos braços.

É exatamente essa falta das fisionomias que nos denota o vício da concepção. O autor concebeu o seu trabalho assim como o executou, encarregando a composição e os gestos das figuras de representar tudo aquilo de sentimento que ele havia intuído. Mas esses gestos e essa composição, como dissemos, não especificam, não individualizam de maneira inconfundível esse sentimento. E isto significa que não o individualizou perfeitamente o autor, por não se ter nele aprofundado.

Aliás, esse defeito de pouco aprofundar o assunto, o temos patente em outro trabalho do mesmo autor: "Eu sou o espírito que nega". Aí há evidentemente símbolo: mas qual é ele? Não o sabemos. Sabemos, sim, que aí há uma boa cabeça e umas ótimas mãos. Além disso, ao invés do símbolo, é clara a influência de certas correntes modernistas as quais, querendo sintetizar demais, acabam eliminando os elementos da síntese de maneira tal que a síntese no final é síntese não suscetível de análise, síntese de elementos não existentes nela, síntese por modo de dizer.

Convém aqui, talvez, intercalar o preceito de Taine de que a arte é uma longa fadiga. Não é somente uma longa fadiga; mas o é também. É longa fadiga introspectiva, meditação, estudo perseverante de si mesmos, ou de si mesmo através os outros. Mas, estudo e meditação. Isto dizemos aqui e ora porque consideramos o sr. Antonino Mattos um excelente escultor o qual, caso se aprofundasse um pouco mais, poderia vir a ser também um respeitável artista.

Notam-se ainda, na seção de escultura, um bom busto (333), do sr. Francisco de Andrade, e dois excelentes trabalhos da sra. Margarida Lopes de Almeida (351 e 352), principalmente expressivo este último, uma cabeça de velho tratada rijamente à moda dos impressionistas.

O sr. Petrus Verdié apresenta uma graciosa "Cabeça de criança", além de várias "maquetes" entre as quais preferimos a do grupo Agricultura (372). Mas será possível que a figura de Tiradentes apareça à mente desse artista na atitude melodramática em que ele a representou nos estudos 366, 367 e 368? Quando muito, seria aquela a figura de um Tiradentes de dramalhão na interpretação de um mau ator. Assim, também, não: francamente, protestamos. Heroísmo, abnegação, patriotismo, fé, tudo o que quiserem e como melhor quiserem, poderá ser, de acordo com a mente de cada artista, o caráter da figura do patriota mineiro. Mas esse heroísmo ou fé ou abnegação, se existem, existem na alma e não nas "poses", e é essa alma que nos deve transmitir o artista.

Esse protesto estende-se também aos srs. Modestino Kanto, autor de Tiradentes, n. 361 e Samuel Martins Ribeiro, autor do de n. 369. Cumpre, entretanto, dizer que tanto num trabalho como no outro há mais severidade de concepção do que no do sr. Verdié. Mas, ainda assim, há muito artifício, muita exterioridade.

Ainda podemos citar os três gessos do sr. Armando Braga, principalmente o de n. 313 e o esboço 363 do sr. Paulo Mazzuchelli, bom trabalho, mas que trai com demasiada evidência a influência que a obra de Zanelli teve sobre o espírito do autor.

E ora, podemos entrar finalmente no grosso da exposição: na seção de pintura. É o que faremos na próxima crônica.

Mario da SILVA

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Imagem

"O semeador" - Estátua em gesso de João Zaco Paraná

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. O salão de 1924 - A ESCULTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 21 ago. 1924, p.3.

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. O salão de 1924 - A gravura e a arte aplicada. O Jornal, Rio de Janeiro, 19 ago. 1924, p.3.

Continuando as nossas impressões sobre o salão oficial deste ano, trataremos hoje da gravura e da seção de arte aplicadas.

GRAVURA

O número dos artistas que expõe nesta seção é pequeno e esses mesmos não parecem querer na maior parte das vezes, elevar-se até às alturas da grande arte, mas limitam-se a ficar na honestidade técnica, quando não caem de todo na banalidade e no mau gosto.

Talvez quem consiga sair dessa pacata, mas, sob o ponto de vista artístico, indiferente honestidade, é o sr. Augusto Girardet. Os seus trabalhos, principalmente os da vitrine 384, revelam simplicidade de concepção, as suas figuras têm relevo e naturalidade e, sem cair em estilizações arrebatadas ou pueris mantêm uma linha de viril severidade que não pode deixar de agradar. Mas, ao mesmo tempo, pareceu-nos haver alguma frieza acadêmica na composição de certos grupos de figuras.

Uma regular cabeça do maestro Henrique Oswaldo apresenta o sr. Adalberto Mattos. O sr. Herminio José Pereira, feliz medalha 387, banalizou-se de todo no emblema do Asilo Bom Pastor. O "Cupido cativo" do sr. Manoel Ignacio da Silveira, não deixa de ter uma certa graça. O sr. Francisco Gomes Marinho, que nos dá um baixo relevo em gesso - "Salomé" fresco e harmonioso, não nos pareceu, entretanto, tão bem inspirado nas suas medalhas.

E, sem mais, pode-se passar a seção de

Arte aplicada

Campo vasto, esse, que poderia oferecer múltiplas possibilidades, desde o vaso em terracota aos cristais, aos lustres e aos móveis e que, no entanto, é exiguamente representado na exposição. Também neste ramo, com no da gravura, não se pode dizer que, ao diminuto da quantidade, corresponda, compensando, a excelência da qualidade. Infelizmente, assim não é. Alguma coisa de bom aí existe; mas, se isto levanta o nível da exposição nesse ramo da arte, em nada melhora, com seria de nosso desejo, o da arte nacional. Esta deve refugiar-se na seção de arquitetura e fazer-se representar pelas fotografias de que tivemos ocasião de falar quando externamos as nossas impressões sobre aquela seção da exposição. Convenhamos que é pouco. Será possível que ninguém, entre nós, cuide das indústrias artísticas? Em todo o caso, a constatação aí fica; sob o ponto de vista artístico, a arte brasileira só possui, na exposição, além das referidas fotografias, os quatro projetos de decoração para colgaduras de autoria do professor Theodoro Braga. Não que essas quatro peças sejam magníficas obras de arte; pelo contrário, a que se intitula "Fantasia Geométrica" é um tanto banal, mas no aproveitamento dos motivos da fauna e da flora brasileira não falta elegância discreta, principalmente no que se serve da garça.

O valor todo da seção está nos trabalhos enviados por artistas estrangeiros, notadamente os da sra. Joanna Pavlowna de Oven Grentner.

Essa artista é de nacionalidade russa e traduz nas suas obras o gosto pelas cores vivas que caracteriza muitos pintores do seu país, como sejam Baxt A. Golovin e N. Goncharowa. Além disso, nelas manifesta o que de irrequieto e vibrante há no espírito do seu povo e que não raras vezes nos aparece, a nós ocidentais e latinos, fruto de exaltação neurastênica ou delírio suicida.

Muitos nos agradam os seus couros, especialmente os de n. 460, 454, 458 e 461, menos violentos nas estilizações do que, por exemplo, os 459, 457 ou 455 e por isto, a nosso ver, mais de acordo com a tendência estética do espírito que busca em primeiro lugar a harmonia e a serenidade.

Os seus panos, por essa mesma razão, nos agradam menos; há neles exagerada e exterior violência de contrastes; melhores, porém, os 447 e 448. Belo, ainda, o grupo da cadeira e da cesta em estilo colonial; o sólido trabalho a pasta de couro n. 444.

Também a sra. Maria Hirsch da Silva Braga trabalha habilmente sobre couro, como é fácil verificar pelo seu grupo para gabinete de leitura. Entretanto, somos de opinião que um pouco mais de graça e leveza nas estilizações em nada prejudicaria a sua obra. O estilo dos móveis, porém, obedecem a sólido gosto.

Os vitrais do sr. Guilherme Schleinstein são dois trabalhos regulares, mas um tanto frouxos de colorido.

A caixinha em madeira do sr. Santos Balouta, é incontestavelmente fruto de muita paciência e muita habilidade. Mas valerá mesmo a pena aplicar-se toda essa paciência e essa habilidade em trabalhos como esse, em que é ínfima a praticidade e onde a estética não existe? Enfim, o sr. Balouta achou que vale e lá terá as suas ótimas razões. A sua obra, porém, artisticamente, não interessa. E passemos adiante. A seguir registraremos impressões sobre a escultura.

Mario da Silva

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Imagem

Retrato do Maestro Henrique Oswald - Trabalho de Adalberto Mattos

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. O salão de 1924 - A gravura e a arte aplicada. O Jornal, Rio de Janeiro, 19 ago. 1924, p.3.

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1924 - A pintura - Os artistas estrangeiros. O Jornal, Rio de Janeiro, 22 ago. 1924, p.3.

Como nas demais seções da exposição, também a esta os artistas estrangeiros prestaram a sua contribuição, enviando trabalhos. E, sendo a pintura a mais ampla dentre as várias seções de que consta o atual salão, era natural que a presença desses hóspedes fosse aí mais numerosa do que nas demais, como na realidade acontece.

Deles nos ocupamos hoje, dando-lhes aquela primazia a que, como hóspedes, têm direito. Claro está que não nos é possível aqui externar um juízo mais ou menos seguro sobre suas qualidades ou demorar-nos na análise de suas personalidades artísticas. O fato de alguns deles terem apenas enviado três ou quatro trabalhos, já limita o material sobre o qual se deve exercer a análise, impedindo assim um exame mais consciencioso. E, quando isso não se verificasse, como em alguns casos não se verifica, e acharem-se os trabalhos disseminados por várias salas, dificulta a nítida visão e comparação das obras: sem essa visão e comparação, meios indispensáveis para a procura da personalidade, é obvio que o estudo viria a ressentir-se de demasiadas lacunas. Por esse motivo nos limitamos como, aliás, temos feito nas outras seções a registrar impressões.

Desses artistas estrangeiros que apresentam trabalhos, alguns são já nossos conhecidos, através exposições individuais por eles já entre nós realizadas.

Está nessas condições o sr. Meinhard Jacoby. Com prazer revemos no Salão três dos retratos já expostos na "Galeria Jorge". Encontramos, a par desses retratos, um trabalho ainda não exposto: o "Estudo de expressão de um orador". Esse como os outros, confirma o juízo que já havíamos externado, isto é, nos reafirmam as qualidades verdadeiramente clássicas e o temperamento robusto e equilibrado que nos pareceu caracterizar a pintura desse forte retratista.

Também nossos conhecidos são a senhora Jeanner e o sr. Daniel Sabater. A primeira expõe três trabalhos, números 165, 166 e 167, e outros três expõe o segundo, números 273, 274 e 275.

Contrariamente ao que acontece com os do sr. Sabatêr, que já faziam parte da sua primeira apresentação ao nosso público, os da senhora Jeanner não figuravam na sua primeira exposição. Mesmo assim não nos parece que eles, em substância possam modificar os conceitos já emitidos a seu respeito e que achamos inútil repetir.

Outros artistas há, porém, que ainda nos são inteiramente desconhecidos. O sr. Heinrich Graf, por exemplo, cujo envio ao salão sobe a quatorze trabalhos. Que dizer deles? O Sr. Graf, incontestavelmente, sabe desenhar; não só, mas sabe desenhar como artista, imprimindo ao desenho vivacidade e brios que dão realce a sua obra. Porém, parece-me que há algo de rebuscado no seu colorido, rebuscado todo especial, o qual, para fugir à hiperestesia colorística, cai no monótono, e com o fim de evitar modernismos barulhentos, refugia-se em um passadismo sem relevo. Poder-se-ia chamá-lo, talvez, de futurismo às avessas. Os seus trabalhos, porém, apesar disto, ou - quem sabe? - exatamente por isto, sugestionam. Dá-lhes graça, além do traço vivo e nervoso que busca o conjunto sem perder o detalhe, um certo saber de ilustração, que lembra, ao longe certos artistas ingleses, mestres nessa arte. Ao longe, dissemos, porque o gosto do sr. Graf está mais de acordo com o gosto alemão, severo e pesado: haja vista, além das aquarelas "Casa de colono", "Vista de um parque" e "Luar em Blumenau", uma graciosa cabecinha (n.148) de evidente inspiração na escola alemã do século XV. Também interessantes, do mesmo autor, "Idílio na roça" e "Paisagem".

Outro artista que apresenta numerosos trabalhos é a sra. Laure Enthoven: enviou nada menos de 18 produções. A senhora Enthoven é uma modernista arrojada, toda compenetrada de cezannismo em alguns dos seus trabalhos, como por exemplo, "Femmes au jardin". Porém uma certa timidez ainda a detém e na maioria dos casos, a leva a aceitar um meio termo entre o último impressionismo e a tendência cubista. E nós a preferimos aqui, onde evidentemente a artista se sente mais à vontade e nos oferece boas telas. Entre elas convém mencionar "Jardin em Belgique", "Les bords de la Seine" e "Les poteries japonaises". Bons também "Les pivoines roses" e "La maison blanche".

O modernismo, além da sra. Enthoven encontra mais dois adeptos: um é o sr. Alberto […] [Alberto Schlopsnies] cuja "Vista do pão de açúcar" de uma dureza procurada não deixa de ser interessante: o outro é o sr. Rudolf Wolff, que enviou treze desenhos. Francamente, não sabemos o que dizer desses desenhos. Já nos foi dado contemplar, sem espanto. Picasso [...] ou Depero e outros mais, aos quais em França, se dá o nome de "fauves". O sr. Rudolf Wolff, porém, nos desnorteia. Não conseguimos descobrir, por mais que nos esforçássemos, os símbolos do seu simbolismo e, o que é pior, os valores pictóricos dos seus desenhos.

Os demais expositores estrangeiros limitam-se a apresentar menor número de trabalhos. Citemos, entre os melhores, um forte retrato (17) do pintor argentino Antonio Alice, dois graciosos quadrinhos (290 e 291) da senhora Suzana Mesquita, também de nacionalidade argentina, e três interessantes aquarelas do sr. Otto Brungner (237, 238 e 239). Há ainda umas "Cerejas" decorativas da senhora Oven-Grentner e alguns bons estudos de luz da senhora Elaine Antonia Sanceau, principalmente os 72, 73 e 76. Para concluir esta crônica cotaremos ainda um bom "Retrato do sr. Paulo Delpech", de autoria de um pintor franco-brasileiro, bem, conhecido do nosso publico - o sr. Augusto Petit.

Mario da SILVA.

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Fragmento do esboceto decorativo "A Força do Direito", enviado ao salão deste ano, pelo pintor Augusto Bracet

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1924 - A pintura - Os artistas estrangeiros. O Jornal, Rio de Janeiro, 22 ago. 1924, p.3.

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. O salão de 1924 - A PINTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 24 ago. 1924, p.3.

Continuando nas impressões que vimos registrando sobre a atual Exposição Geral de Belas Artes, entramos hoje a tratar dos pintores nacionais.

"Ab Jove principium", o sr. Eliseu Visconti é sempre o mesmo excelente artista. A sua atual preocupação, a julgar pelos trabalhos que expõe, é o estudo aprofundado da luz, estudo não academicamente entendido, como a palavra poderia fazer crer, mas estudo artístico da luz; ou seja o aprofundar-se na realidade, sempre subjetivamente vista, e objetivá-la através a especial fisionomia que o jogo das luzes lhe confere. Assim sendo, a verdadeira visão da realidade não permite ao artista o arbítrio pelo qual em benefício da luz são todos os demais elementos desprezados. Tal arbítrio redundaria em visão unilateral, parcial, falha. Mister é que a luz ilumine algo; não como acontece a muitos impressionistas que deixam flutuando uma pura luz a iluminar objetos irreais. A realidade do pintor é também luz, mas não somente luz, porque, nesse caso, não passaria de uma abstração. Ao rijo temperamento artístico do sr. Visconti não podia fugir essa verdade e, assim, na sua atual preocupação, mantêm-se seguros os seus sólidos dotes de desenho, que se desdobram em largas perspectivas, sem esquecer de construir o assunto sobre o qual as luzes incidem. Vejam-se as telas "Santa Teresa" e, principalmente "Vila Rica, Copacabana". Nada de frágeis irisações: ao contrário, solidez, força. Respira-se bem, diante dos seus quadros. A visão é larga e ao mesmo tempo rigorosa e clara. Ótimo trabalho também "A Carta". Porém, em "Cuidando das flores", preferíamos não ver aquela vivacidade de colorido. Parece-nos que aí as flores deixaram de o ser; isto é, deixaram de ser certas linhas, certos claro-escuros, certos volumes para se tornarem simplesmente cor. Agrada-nos mais, por isto, o fundo do quadro, onde a realidade total reassume a sua preponderância.

Como desenhista o sr. Visconti se nos apresenta forte também na série de estudos para a decoração do Conselho Municipal [1, 2, 3] e nas quatro "Pesquisas de luz", embora naqueles se notem algumas falhas.

Outro artista vigoroso é o sr. Carlos Oswaldo. Não sabemos bem qual a razão que o levou ao seu "Violoncelista" a projetar aquela luz avermelhada sobre a figura do quadro. A figura do violoncelista, com claro-escuro acentuado e talvez acentuado demais, não precisava para tomar relevo, daquele efeito de luz, aliás, otimamente distribuído. Em todo o caso, a tela continua [sic] um forte trabalho, assim como a "Vestal". Belos também os seus desenhos e, principalmente, aquelas duas delicadas cabecinhas, "Dormindo" e "Cupido".

Do sr. Augusto Bracet há no salão três trabalhos, de bom efeito, principalmente a composição e colorido dos seus projetos de decoração "A força do direito" (53 e 54). Bom ainda o nu [Imagem] apesar de uma certa falta de consistência na cabeça e nas mãos da figura.

O sr. Marques Junior, não obstante a tendência dispersiva a que o deveria levar a seu impenitente divisionismo (ou "pastilhismo", como espirituosamente Mauclair denominou essa técnica) consegue manter-se sólido em "Adormecida" onde há um bom nu. Apreciamos, também, o seu desenho (415): porém gostamos menos da tela "Serenidade".

Concluiremos, por hoje, com um sincero aplauso ao quadro "Hora de luz" do sr. Edgard Parreiras, bom sob todos os pontos de vista e, ao mesmo tempo limitando de muito o valor da "Paisagem" (243), monótona de colorido e mesmo imperfeita na perspectiva.

Mario da Silva

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Imagem

"Hora de luz" - Tela do pintor Edgard Parreiras

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. O salão de 1924 - A PINTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 24 ago. 1924, p.3.

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. O salão de 1924 - A PINTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 26 ago. 1924, p.3.

Prosseguindo nas impressões que vimos publicando sobre a atual Exposição Geral de Belas Artes, continuemos hoje, a passar em revista alguns pintores nacionais, cujas obras se impõem ao olhar imparcial do visitante.

O professor Baptista da Costa está representado no Salão, por cinco telas. Preferimo-lo, sinceramente, nas duas paisagens "Rio Tietê" e "Casinha rústica", onde os conhecimentos técnicos do autor tem ocasião de se alargar em amplas e fortes luminosidades. As outras duas paisagens nos parecem menos felizes, posto que em ambas ainda perdure a sensibilidade desse artista, o qual, se às vezes aparece um pouco frio, possui a grande virtude de estudar carinhosamente o assunto que se apresenta à sua mente e não desprezá-lo em troca de artificiosos arroubos de duvidosa origem e de ainda mais duvidoso resultado artístico, como não raramente acontece a muitos dos nossos pintores. Bom ainda, como colorido, o seu "Figos", onde, entretanto, desejaríamos mais consistência de claro-escuro e de volume.

Belo o "retrato da senhorita A. R." (78), do Sr. João Fahrion. As fortes qualidades de desenhista e seguro manejador do pastel, que esse pintor possui ainda se revelam excelentes empregados em "Espanhola" (79), "Chapéu amarelo" (84) e no ótimo "Estudo de nu" (83). Porém já não podemos dizer o mesmo quando o sr. Fahrion, em "Mulatinha" (81) e no "Em trajes turcos" (80), emprega o óleo, trabalhando-o como se fora pastel. Aí os relevos tomam um certo ar de rebuscado, que não agrada, o colorido não tem vivacidade. E, como resultado final, as suas telas aparecem um pouco amareladas.

Um pintor que não poupou as próprias forças é o sr. Oswaldo Teixeira, o qual enviou ao salão nada menos de sete trabalhos, todas de grandes dimensões. O sr. Oswaldo Teixeira é inegavelmente um forte técnico. Não só revela também recomendáveis dotes artísticos, de sobriedade e serenidade a visão, quando trata o retrato ou a figura isolada. Vejam-se, por exemplo, o ótimo retrato do pintor Augusto Petit e o "Retrato de mme. A. R.". Vejam-se ainda "Recordando" e a excelente jovial fisionomia de "Brindando". Não nos entusiasma, entretanto o seu "Pescador". Há nesse quadro, a nosso ver, um grande [...] de exibição técnica. O sr. Oswaldo Teixeira sólido desenhista e hábil aproveitador de claro-escuro e mesmo da luz (veja-se a parte [...] de "Brindando"), quis aqui realizasse um [...] da luz o equilíbrio [...] não lhe [...] de pintar ainda [...] que aqui [...] . Ao contrário, os termos estão [...] a fisionomia adaptou-se a [...] que mais [...] para fazer brilhantes efeitos de luz; o caráter, a expressão, a alma, a vida, elementos básicos sujeitaram-se a ser [...], servidoras da luz. [...]: um quadro tecnicamente bom (menos aquelas pernas) é uma [...] amostra das próprias qualidades. Mas a arte - ai de nós! - superficializou-se, suicidou-se. Ainda pior correm as coisas em "Boas notícias", onde, tendo em mira uma grande composição, não sentida pela sensibilidade, mas procurada, querida pela vontade, não só o sr. Oswaldo Teixeira, não alcançou o seu "desideratum" da grande composição, mas perdeu até os seus dotes que poderiam tê-lo levado a fazer, se não uma composição, pelo menos uma série de boas figuras. E assim, aqui, nem arte nem técnica. Porque não ficar nos retratos? O sr. Oswaldo Teixeira considera-os, talvez, um gênero inferior? Mas se em arte não há gêneros! A arte, em pintura, só quer uma coisa: bons quadros. O resto, e os gêneros, são gavetas, muito cômodas, para classificar as obras, mas absolutamente não intervêm no juízo estético, quando esse juízo queira ser verdadeiramente estético e não empírico, abstrato ou confusionista.

Registramos, ainda, por hoje, dois painéis decorativos do sr. Helios Seelinger, dos quais preferimos "Lago dos amores", sem contudo desprezar o efeito obtido com a água em "Luta dos ideais". E ainda um painel decorativo [Imagem] do sr. Lucilio de Albuquerque, que nos deixa completamente frios. Preferimos - e muito mais - a sua "Iracema" (193).

Mario da SILVA.

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Imagens

"Brindando" – Quadro de Oswaldo Teixeira

O jovem pintor Oswaldo Teixeira, prêmio de viagem do salão deste ano

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. O salão de 1924 - A PINTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 26 ago. 1924, p.3.

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1924 - A PINTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 28 ago. 1924, p.3.

Em continuação às impressões que temos vindo notando sobre o salão deste ano, cabe-nos hoje ainda tecer alguns comentários à margem das obras de mais alguns dos nossos pintores.

Em primeiro lugar, diremos das marinhas do sr. Garcia Bento. São quatro ótimos trabalhos, mas um há que de especial maneira se impõe à atenção do visitante. É a marinha "Ancoradouro" (103), uma das mais belas coisas que nos apresenta o atual salão. Tudo, nessa tela concorre para no-la recomendar como solidíssimo trabalho de um artista nítido e forte: a luz magistralmente distribuída, a perspectiva longínqua e o sóbrio das tonalidades; a estrutura compacta do barco e a ondulação plácida da água; a fatura larga e desembaraçada, segura de si, mas sem ousadias intempestivas; a harmoniosa fusão de todas essas coisas em uma lúcida e serena visão de artista. Também não há regatear aplausos a "Mau tempo" (105) e "Praia de fora", sem dúvida ótimas telas. Entretanto, em ambos esses quadros parece-nos que o autor abuse um pouco da espátula, argamassando, se assim é licito metaforizar, em demasia, as suas tintas, de maneira a privar a tela daquela amplidão de atmosfera que tanto realce deu ao seu "Ancoradouro". Além disso, em "Praia de fora" não nos parece que aquela faixa uniforme de céu responda bem à luminosidade intensa do primeiro plano. Ainda bom "Entrada da baia de Guanabara", onde, entretanto, não podemos deixar de salientar a falta de solidez na estrutura dos rochedos do primeiro plano.

Algumas alegres notas de luz e de cor enviou ao salão a sra. Haydéa Lopes, que se nos revela uma vibrátil e delicada sensibilidade. Indicaremos como de nossa preferência dentre os seus trabalhos os "Mocidade em flor" (132) e "Cabra-cega" (135).

O sr. Benno Treidler é possuidor, inegavelmente, de uma sólida técnica da aquarela, que ele emprega sem hesitações e da qual consegue excelentes transparências e efeitos; ao mesmo tempo, é o sr. Treidler um vivo desenhista. Mas por que conservar, em nada menos de vinte trabalhos (a tanto sobe o número dos que esse artista enviou ao salão), a mesma uniformidade de luz e o mesmo colorido? É verdade que todos vinte são "Estudo do Morro do Castelo", mas não é menos verdade que há pictoricamente falando, infinitos Morros do Castelo, não só tantos quantos os artistas que o vejam, mas, para um mesmo artista, tantos quantos sejam os segundos que passam as luzes que variam as cores que mudam e até as temperaturas que oscilam. Ainda mais: tantos há quantos possam ser os sentimentos de uma mesma alma, devido aos quais prefere ela hoje este Morro do Castelo, com esta perspectiva, esta luz, esta cor, estas linhas, e amanhã já elege colorações novas, novas luminosidades perspectivas, cortes e pontos de vista novos. O sr. Benno Treidler, entretanto, viu vários trechos do mesmo assunto, mas sempre do mesmo modo, e caiu no monótono.

E, já que estamos entre os aquarelistas citemos logo também os trabalhos do sr. Porciuncula de Moraes, especialmente "Viração" (249) e "Convento em ruínas" (251), estudadas com carinho e sugestivas.

Do sr. Armando Vianna, agradam-nos os retratos, principalmente o de n. 297, mas nos parecem muito menos felizes tanto a "Poesia da Vida" (299) como "Aniversario de vovô" (296).

Notemos ainda, por hoje, os interessantes estudos de luz da sra. Yvonne Visconti dos quais preferimos os de ns. 318 e 320; uma original nota decorativa da sra. Marguerite Flori Bracet (56); as duas impressões de luz. "Recordações" e "Flor silvestre", de autoria da sra. Georgina de Albuquerque, e ambos os retratos (283 e 284) da sra. Sarah Villela Figueiredo.

Mario da Silva

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Imagem

"Mau tempo" – quadro do pintor Garcia Bento.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1924 - A PINTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 28 ago. 1924, p.3.

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. O salão de 1924 - A PINTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 30 ago. 1924, p.3.

Concluindo as nossas impressões sobre o atual salão, tratemos hoje de mais algumas telas e mais alguns autores, os últimos dentre aqueles que conseguiram fazer-se notar, senão por encerrarem sublimidades, pelo menos por qualquer qualidade, qualquer nota, qualquer vestígio de alguma personalidade em ato ou sem gestação.

O sr. Manoel Santiago, autor de seis quadros do salão, sabe, sem dúvida, compor o seu assunto e isto podemos ver, se não na romântica e amaneirada "Evocação", certamente em "Tapina do Amazonas", "Caipora" e "Harmonia". Mas, diante de todos os seus trabalhos fica como que uma sensação de impreciso, de flutuante, de filamentoso, de desbotado que não sabemos bem se buscada pelo autor ou se por ele deixada nos quadros a seu pesar. O colorido e a luz, que tenderiam a tomar vigor, ali estão como que lavados afim de perderem a natural vivacidade. Isto em parte contribui para tornar as telas vagamente decorativas. Mas tira-lhes a solidez, qualidade necessária mesmo nos efeitos decorativos.

Também decorativa nos parece ser a tendência do sr. Roberto Niaud, tendência essa que se afirma agradavelmente em "Depois da pesca" (269). E ainda a marinha do sr. Mario Tulio (193) é também puramente decorativa.

Entre os retratistas encontramos o sr. Cesar Turatti, regularmente sólido em "Retrato da Sra. Elza Brondi", e o sr. Candido Portinari, de cujas obras preferimos o "Retrato do pintor Santiago" (258) e do "Arquiteto Attilio M. Alves" (256). Também apresenta um retrato o sr. Guttmann Bicho, mas fraquíssimo de desenho. Dele preferimos ainda a "Paisagem", a quem a técnica pontilhista não deixa de dar certa agradável e suave luminosidade.

Interessante "A esmola", do sr. José Maria Medeiros e "Últimos retoques", do sr. Orlando Teruz. Notamos ainda uma boa tela, "Estrada Velha", do sr. Ernesto Quessak; duas do sr. Fausto de Souza: "Aguadeira" e "A caminho da feira"; e os desenhos do sr. Gaspar Magalhães, "Prédios", "Gluglu" e a graciosa sépia "Impressões", bom estudo de movimento.

Além desses trabalhos, alguns existem no salão, que se não se salientam por especiais qualidades pictóricas, não deixam de chamar a atenção do visitante, pelas dimensões das telas. Dentre todos esses, o que nos agrada mais é o quadro "Ao bandeirante desconhecido", do sr. Fernandes Machado; neste trabalho, ao lado de uma insuficiente fusão e harmonia de colorido e alguns senões de desenho, há seriedade e alguma grandiosidade de concepção. Os demais quadros de grandes proporções nos parecem fracos; artificioso de colorido e insuficiente de massa a "Mata iluminada", do sr. Annibal Mattos; frio, álgido e sem vida, "Águas de minha terra", do sr. Levino Fanzeres.

Quanto ao esboço decorativo, "A Evolução Brasileira", de autoria do sr. Miguel Capplonch, devemos confessar que não conseguimos encontrar ai nada mais do que uma rude tarefa, fadigosamente levada a cabo com escasso resultado, seja nos símbolos, seja propriamente nos elementos de pintura.

Muitos outros trabalhos existem ainda nas salas onde está instalada essa trigésima primeira Exposição Geral de Belas Artes. Mas, excetuando as inadvertências e as desatenções ou cochilos sempre possíveis quando se deva correr o olhar só na pintura, por nada menos de trezentos e vinte e um trabalhos, tantos quantos conta essa seção, podemos dizer não haver mais nenhum que se destaque e se imponha ao olhar. Todos eles passam despercebidos, sem louvor e sem censura, gozando as imunidades anti-críticas da "aurea mediocritas.

Assim, aguardemos com confiança o salão do ano vindouro...

Mario da SILVA

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Imagem

"Quietude" – Quadro de Augusto Bracet, enviado ao salão deste ano.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

SILVA, Mario da. BELAS ARTES. O salão de 1924 - A PINTURA. O Jornal, Rio de Janeiro, 30 ago. 1924, p.3.

SILVA, Mario da. Belas Artes. O salão de 1924 - Notas e impressões - A arquitetura. O Jornal, Rio de Janeiro, 17 ago. 1924, p.3.

A primeira impressão que pode ter quem, desapaixonadamente, percorrer as salas onde se acha instalada a atual Exposição Geral de Belas Artes, é francamente boa.

A comissão organizadora, rica das experiências de anos anteriores - em que à disposição e colocação das obras vinha geralmente sacrificada a quantidade destas - esmerou-se em fazer com que o número das obras fosse adequado à capacidade das salas. Não só. Também na disposição que deu a essas obras, criteriosamente buscou o melhor modo de pô-las todas em evidência, sem que umas fossem prejudicadas pela vizinhança de outras, favorecendo destarte tanto a comodidade do exame de cada uma delas, como a boa harmonia do conjunto. Não há, neste particular, regatear aplausos. Falhas poderá haver [sic] e convenhamos serem naturais em certames dessa ordem, mas a verdade é que predomina no ambiente daquelas salas uma nota de agradável distinção. A organização de uma exposição não é elemento desprezível no seu êxito. Daí a justiça desta referência, a razão de ser destes aplausos que terão o apoio de quantos desejem ver cuidados todos os fatores que possam dar alento às artes entre nós.

Pelo que diz respeito ao valor intrínseco das produções apresentadas, também é promissora a impressão deixada pela atual exposição. Trabalhos, como é natural, os há melhores e os há piores, os há sinceramente bons e os há imperdoavelmente ruins. Mas, seja devido ao progresso realizado pelos nossos jovens artistas, seja pelo comparecimento de alguns dos consagrados e de um respeitável número de artistas estrangeiros, a impressão é que o nível artístico dessa trigésima primeira exposição geral e, fora de dúvida, sensivelmente mais elevado do que o das realizadas nos últimos anos.

Arquitetura

Já na seção de arquitetura constata-se com prazer o desenvolvimento que essa arte parecia ser destinada a representar, entre nós, o papel de gata borralheira entre as artes - vai tendo no sentido de se afirmar como valor artístico, entrando os fatores gosto e estilo a terem nela preponderância, ao passo que tudo (em primeiro lugar as construções existentes no Rio) levava a crer tivesse ela que permanecer somente como engenharia, ou como puro "confort" ou, na maioria dos casos, sem ser nem uma coisa nem outra.

Há na exposição, um razoável número de bons projetos. Cumpre-nos assinalar, ao lado do severo e sóbrio do sr. Corrêa Lima [Attilio Corrêa Lima] (n. 408), e dos dois do sr. Angelo Bruhns ("Solar brasileiro" e "Portão colonial"), nos quais porém as amplas curvas do nosso barroco jesuítico assumem algo de precioso e superficial, os vários apresentados pelos srs. Lucio Costa e Fernando Valentim. Nesses a preocupação estética predomina francamente aliada, é de supor, a exatidão cientifica de competência da engenharia.

Talvez um certo estetismo modernístico seja o senão que convenha apontar nas obras desses dois artistas. Desejaríamos vê-los mais classicizados, mais pausados, mais sólidos e rígidos na concepção, menos ricos, principalmente no trato do estilo colonial. Esse estilo, como todos os barrocos, contém implícito farto espírito decorativo. Vício este de origem, quando a severidade do renascimento foi pouco a pouco substituindo-se o exagero e o enfatismo exteriores e veio lentamente minguando o espírito harmonioso dos Brunelleschi ou dos Bramante, mais interior, mais profundo. Mas essa [...] do barroco, que se manifestava na amplidão decorativa das curvas e no [...] dos detalhes, adquiriu nuances diversas [...], adaptando-se ao caráter dos diversos ambientes. Entre nós, o espírito rude dos colonizadores deu-lhe certa força e simplicidades, o que não teve alhures. Contudo, portanto, [...] na tradição [...], não sujeita-o demais aos caprichos estéticos do modernismo; [...] conservar-lhe aquela rústica robustez que, mesma através as […] decorativas, constitui a essência da sua beleza.

Aliás, essa beleza compreendem perfeitamente os srs. Lucio Costa e Fernando Valentim, como bem demonstra o projeto 414. Onde nos parece pecarem eles por excesso é na sua decoração, a nosso ver demasiado rica: o que, entretanto, em nada pode diminuir o valor desses dois artistas, que como tais se revelam em todos os projeto apresentados. Não se limitam eles à construção pura e simples, mas seu gosto requintado estende-se aos interiores, aos móveis, à decoração mural, aos ferros batidos. Principalmente desse último e precioso elemento souberam aproveitar-se os autores - como é claro pelas fotografias que acompanham o projeto 415 - de maneira discreta e útil. Disseram-nos terem tido execução entre nós esses trabalhos em ferro batido, obedecendo a desenhos feitos pelos mesmos arquitetos. Belos e severos trabalhos, esses, e que só reafirmam os dotes dos dois artistas, também nos dão uma boa prova do que sejam capazes de fazer os nossos obreiros, quando encontrem quem saiba dirigi-los. Pena é que, na seção de artes aplicadas não nos seja dado encontrar trabalhos desse gênero. É essa uma indústria artística que mereceria ter mais desenvolvimento e mais representação nas exposições. As fotografias de que falamos acima deixaram-nos bem impressionados. Estamos certos de que se for cultivado com carinho esse ramo das artes aplicadas, talvez venha ele a ser, entre nós, auxiliar precioso à arquitetura e, em geral, ao bom gosto.

Notemos ainda, na mesma seção de arquitetura, um bom projeto de Igreja do sr. Victor Dubugras (409) e concluamos as nossas notas sobre esta seção com uma referência ligeira ao único expositor estrangeiro, o sr. Felix Tilk, cujo projeto (420) de uma capela para a ereção do "Cristo" do escultor Bernardelli [Rodolpho Bernardelli], nos deixa completamente indiferentes, tão incompreensível nos parece, artisticamente, aquele amontoado de coisas, que se torce e contorce em janelas e cúpulas e torres, em busca de uma espinha dorsal arquitetônica, e que parece escapar-se, inalcançada e inalcançável até ao céu...

Mario da SILVA

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O rio Tietê em Itu - Quadro do professor Baptista da Costa

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

SILVA, Mario da. Belas Artes. O salão de 1924 - Notas e impressões - A arquitetura. O Jornal, Rio de Janeiro, 17 ago. 1924, p.3.

Simplício Rodrigues de Sá
Solange de Frontin Hess
Stefano Cavallaro
Suzana Mesquita
Sylvia Meyer
T. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 4-5 out. 1894, p. 2.

Almeida Junior. - Nas seis telas do Sr. Almeida Júnior há afirmação de um artista imperfeito, indeciso, mas um artista por temperamento.

De tudo quanto expõe, o trabalho melhor é Pescaria (n.9) em que a paisagem é doce, de um verde de natureza, sem violências, sereno e verdadeiro. À beira do riacho os dois pequenos que pescam tem vida, foram notados, estão ali a pescar e não por simples necessidade de fazer figuras. Quero dizer com isto que suponho que o artista, ao pegar do pincel e ao preparar a tela para este trabalho, tinha em mente a Pescaria e não uma simples paisagem: houve intenção.

Na Pescaria o desenho é bom, excetuando a mão esquerda da figura do primeiro plano, que tem falta de nitidez, que é quase uma mancha.

No n. 10, A pintura, há uma grande beleza de colorido, um sonho de arte se evola do conjunto, que é mais agradável do que correto, e em que, por certo, a frescura das cores, a sua alacridade, o não sei que de luz e de mistério que emerge da tela atraente e simpática mal podem ofuscar o mau desenho dos braços. E seria uma tela deliciosa se não fora este defeito. A anatomia, tantas vezes maltratada nesta exposição, é boa, viva de verdade e de colorido.

No n. 7, Amolação interrompida, a figura é inteiriçada, raide, há falta de verdade no terreno, e a parte já amolada tem a cor da pedra de amolar, sem que do metal se possa distinguir a pedra.

O n.8, Picador de fumo, é também cheio de defeitos. Artificial a madeira em pedaços, falsa a terra, mal desenhada a figura. Não é aquilo. E pelo solo, aquelas manchas que são? Água? Pedra? Sombra? Mistério indecifrável.

Ao fundo, um muro de pedras separadas, traçadas com cuidado, tem o ar de uma construção tosca feita com pedras polidas.

Nestas duas telas há uma evidente preocupação de fazer estranho: marcar mais a linha de contorno do que os pormenores, destacar, pelas linhas extremas, figuras e objetos.

O n. 11, Salto Votorantim, tem qualidades de luz, é bonito mesmo, mas a água está marcada com tal relevo que prejudica o conjunto.

O n.12 é uma cabeça, um estudo bem traçado em que há anatomia, há expressão, mas em que domina uma preocupação de cor, que decididamente é uma das feições deste artista.

Felix Bernardelli. - É uma família de artistas esta família Bernardelli, e, em verdade, aqueles cujos trabalhos temos visto são artistas, tem o amor da arte, sem o qual toda a obra é efêmera; trabalham para atingir uma satisfação íntima e não para agradar o público, que procura o espetaculoso e o novo, com a mera vaidade de ter coisa que faça vista.

O Sr. Félix Bernardelli é, segundo creio, o mais novo dos Bernardellis. A sua exposição é uma das melhores, e só serve para fazer honra aos dois irmãos que, mais do que ele, estão já consagrados pela estima do público e pelo alto apreço e respeito dos profissionais.

As quatro telas de Félix Bernardelli […] uma organização de artista […]

[…] se abriu e deixou ver o que constitui o assunto do quadro de Félix Bernardelli.

As outras duas telas tem por motivo o namoro; numa, uma moça, encostada à vidraça, espera que ele passe. Espera, e desespera; na outra, figura uma criadita que, entre o espanador e a vassoura, encontra tempo para ir de quando em quando ver se ele passa. Ambos estes quadros tem uma vaga poesia do interior do home, que a muitos não impressionará. Mas que sóbria decoração artística, que suave luz, que transparência de cortinas, que bom gosto simples e nobre de vestuário na figura do quadro Quem espera desespera?!

Sim, meus amigos, este é um artista de eleição, fino temperamento de analista, tranquilo espírito de pintor, que nem busca na audácia desvairada dos contrastes nem nos inexplicáveis pruridos de novidade macabra ou mística a realização desse inseparável sonho de glória que o artista persegue. Um artista, e um artista sério, sem complicações, simples e bom.

T. B. [sic] [J. B. ?]

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Digitalização de Fundação Biblioteca Nacional Acessível em: http://memoria.bn.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

T. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 4-5 out. 1894, p. 2.

Tchilde
Theodor Gaede
Theodoro Braga
Thomas Driendl
Thomaz Reynolds
Thu-Ceu-Han (Antonio Pereira)
Torquato Bassi
Toyomatsu Sato
Ugo Bertazzon
UM CENTENÁRIO DE ARTE. O "SALÃO" DESTE ANO E O PRIMEIRO DE TODOS. O Globo, Rio de Janeiro, 10 ago. 1929, p. 1.

Realiza-se, amanhã, o "vesnisage" [sic] do Salão de 1929, ou seja a XXXVI Exposição Geral de Belas Artes. A inauguração oficial do grande certame artístico brasileiro, com as pompas e formalidades do estilo, será levada a efeito na segunda-feira, às 14 horas, com a presença do chefe da Nação.

Mas o "Salão" deste ano, além das coisas, nomes e fatos mais ou menos de sempre, encerra uma expressão que muitos ainda ignoram: a expressão de um centenário. Centenário de fundação. Realmente (e vale a pena fazer um pouco de história, malgrado as opiniões de que a nossa arte não tem história). Assumindo, José Clemente Pereira a pasta do Império, deu mão forte a Debret, autorizando-o, assim como a Grandjean de Montigny, a fazer uma exposição oficial, anualmente, dos trabalhos dos discípulos, decisão que sobremaneira afetou o já então decantado Henrique José da Silva.

Em 1829, portanto, realizou-se a primeira exposição nacional de pintura, escultura e arquitetura. O catálogo foi impresso à custa de Debret; houve 2.000 visitantes; os jornais, deixando a política, ocuparam-se bastante da novidade. Cerca de 50 quadros de pintura nela figuraram, dos quais 10 de Debret, retratos, quadros históricos, cenários, natureza morta, cópias, desenhos, estudos anatômicos, esboços de Simplicio Rodrigues de Sá, José de Christo, Souza Lobo, Porto Alegre, José dos Reis, José da Silva, Falcoz, João Climaco e Augusto Goulart. Na seção de escultura figurou Marcos Ferrez, com o busto do príncipe Eugenio de Beauharnais e três retratos de mulher.

Assim pois, há cem anos era levada a efeito a primeira exposição oficial de belas artes no Brasil. Teriam, depois, falhado os primitivos intuitos? Estará o certame de agora, bem como os dos anos anteriores, à altura das responsabilidades que lhe empresta tão longa existência? Cada qual responda, recordando, contemplando, analisando... Por nós, registramos, apenas, o acontecimento, aliás, muito expressivo, ilustrando a sua divulgação com um dos trabalhos expostos, este ano, na seção de escultura e que acima se vê. Trata-se do "Bandeirante desconhecido", firmado pelo professor Magalhães Corrêa, que se inspirou numa recente página histórica do professor Roquette Pinto e realizou uma obra que naturalmente despertará gerais atenções.

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Imagem

"Bandeirante desconhecido", de Magalhães Corrêa [Cliché Globo]

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

UM CENTENÁRIO DE ARTE. O "SALÃO" DESTE ANO E O PRIMEIRO DE TODOS. O Globo, Rio de Janeiro, 10 ago. 1929, p. 1.

UM SÉCULO DE EXPOSIÇÕES DE ARTE NO BRASIL. O SALÃO BRASILEIRO DE 1929. O Paiz, Rio de Janeiro, 11 ago. 1929, p. 5.

O "VERNISSAGE" DE HOJE

Visconti - Da Veiga Guinhard [sic] - A. Vianna - Jordão - O. Tarquinio - Camila Azevedo - Achiles Araujo

Com a limitação dos envios e mais cuidado na aceitação, o júri do Salão de 1929 conseguiu obter melhor equilíbrio, e oferecer ao público seleção mais preciosa.

Tem-se impressão de que o certame evoluiu, e que as artes plásticas alcançaram um grau mais de homogeneidade.

Numa visita rápida que fiz, anotei algumas afirmações pessoais que dão ao Salão deste ano um caráter vivo, como se novos temperamentos se manifestassem para a definição de personalidades autônomas.

O Sr. da Veiga Guinhard foi revelação completa. Embora já o conhecesse do envio a Rosário, fiquei seduzido pela sensibilidade do seu desenho, sua fina percepção do colorido. O nu recortado na maneira dos primitivos italianos, e ao mesmo tempo com a agilidade continua da linha japonesa, um pouco chato, com sentimento decorativo sugere a luz espiritual de Florença.

O retrato do mesmo autor, e que O PAIZ reproduz, é feito com espírito, sentindo-se como o pintor se compraz em dar predomínio ao desenho na cor, numa recordação de Ghirlandajo.

De sua viagem à Europa, o Sr. Armando Vianna trouxe apreciável aumento de capacidade técnica. Um sentimento mais agudo do ambiente. O nu é saboroso, todo feito com pastas finas, transparentes, que se acamam com evidente compreensão do volume a plenitude. Do busto aos tornozelos a mulher se envolve numa semi-sombra luminosa, tênue por onde erram vibrações coloridas quase imperceptíveis. E todo esse ambiente é vaporoso e quente, por que as sombras ligeiras dominam. A cabeça vem um pouco à frente, foi acaba de mais [sic]: talvez os cabelos, e mesmo o modelado do rosto estejam fora dos valores. Vê-se que não está no plano que lhe cabia e que se deu importância como se fosse retrato. E foi pena porque a afinação é voluptuosa, em um modelado subtil, destacando-se num fundo gris claro, tudo dentro de um arranjo muito livre, que ainda mais assinala o sentimento da matéria.

Além desse quadro, o Sr. Vianna apresenta também uma composição, de paisagem com figuras. A luz que banha as formas foi bem compreendida. No original (pois que a fotografia que aqui se reproduz trocou os efeitos) a mulher de pé está iluminada pela luz e pela sombra: e dentro desses mundos coloridos ela fica irradiante. A figura de costas apresenta o modelado mais definitivo, com certo vigor. Apenas notarei que o pintor não conseguiu dar unidade ao grupo: as duas figuras da esquerda fazem um quadro, mas a de pé, como que se isola e não consegue ser a dominante regencial do conjunto.

Armando Vianna se apresenta como um pintor sério, cuja sinceridade promete alguma coisa mais à arte brasileira.

No desejo de assinalar, de começo, as novidades devo também mencionar Jordão de Oliveira que fez notável progresso, com a sua paisagem. O jovem artista conseguiu depurar-se, afinar as cores: a atmosfera daquele ar livre conventual foi vista por uma neblina que progride com avidez. Que deliciosa emoção não se expande em tudo! Quer dizer primeiro o plano tão largo com sombra geométrica, e um pouco fora da nota geral que ainda mais de desconcerta com as duas freiras que ficaram paradas?

Por que os verdes das frondes altas foram postos tão crus?

No retrato, verifiquei que Jordão foi vencido: a figura está bamba, sem construção, e não se sabe porque foi ali colocada. Mas o cão está envolvido, sedoso, embora tudo isto não forme composição.

Três notas ainda, com três vírgulas na leitura geral do salão: O. Tarquinio - flagrante de massas, luz justa no primeiro e segundo planos, mas seu vertical, duro empedernido; Camila Azevedo - paginação original, certa frescura no modelado que ainda está incerto; Achiles Araujo - paisagem com volumes francos, ritmos, mas atmosfera seca, um pouco no gênero de Carrá, ou de Hugo Adami.

Propositadamente deixei para o fim desta primeira notícia, os dois êxitos do Salão deste ano: Visconti e Cavalleiro. Só falarei do primeiro, hoje.

Aquele mestre da pintura brasileira apresenta três trabalhos, como um tríptico de três técnicas.

No retrato de mulher, um óleo diluído, tratado com frescura, limpidez, espontaneidade de aquarelas, há uma verdadeira evolução de fatura. Com pastas leves, pousadas amorosamente, Visconti realizou um poema de cor. A mão esquerda é um tema magnífico. Todo o retrato respira juventude de inspiração; harmonias que se pontuam melhor nas maçãs do rosto, na ferrure, na gravata mole, quase liquida, tal a sensibilidade com que foi indicada. É uma página de alta significação estética, onde as superfícies coloridas se sucedem como um mar.

Nas duas figuras, o pintor se prende ao pontilhismo, e realiza aquele ambiente vivo que caracteriza os seus últimos trabalhos. Já no retrato (M. C.) apreciei menos a secura do ar, o equilíbrio instável da figura, numa posição que o conjunto não explica bem. Embora haja caráter e construção, julgo secundário aquele retrato na obra de Visconti, o fundo não entrou em correspondência com o retrato.

Como o "Salão" que hoje realiza o "vernissage" vai ficar aberto por 30 dias, ainda terei boas oportunidades para falar ao leitor sobre os seus feitos deste ano centenário.

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Imagens

E. VISCONTI - RETRATO

DA VEIGA GUINHARD - SONHOS DE OLHOS ABERTOS

JORDÃO - HORA DE LUZ

GEORGINA DE ALBUQUERQUE - ROMANCE

QUIRINO [Quirino da Silva] - BACH (escultura)

A. VIANNA - PAISAGEM COM FIGURAS

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

UM SÉCULO DE EXPOSIÇÕES DE ARTE NO BRASIL. O SALÃO BRASILEIRO DE 1929. O Paiz, Rio de Janeiro, 11 ago. 1929, p. 5.

Um trabalho decorativo do pintor Augusto Bracet. O Jornal, Rio de Janeiro, 22 ago. 1924, p.3.

No salão deste ano figuram, entre outros trabalhos enviados pelo pintor patrício sr. Augusto Bracet, um esboceto decorativo simbolizando a "Força do Direito" [Imagem]. É um belo painel com as figuras bem lançadas e harmoniosamente distribuídas. Nele o artista desenvolveu o assunto depois de estudá-lo com cuidado e carinho. A gravura que hoje inserimos representa um fragmento desse trabalho [Imagem].

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

Um trabalho decorativo do pintor Augusto Bracet. O Jornal, Rio de Janeiro, 22 ago. 1924, p.3.

UMA PINTORA BRASILEIRA QUE CONCORRE AO PRÊMIO DE VIAGEM NO SALÃO GERAL DE BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 12 ago. 1928, p. 10.

A senhorita Edith Maria Pinheiro de Aguiar, pintora brasileira, nascida em Berlim, onde seu pai, Sr. João Fausto de Aguiar, era então, 1º secretário de legação, recebeu sua primeira educação em França e Itália. Por essa época visitou todos os museus europeus, vindo, depois de uma estadia de dois anos na Espanha, para o Brasil onde deu inicio ao estudo da pintura. Foi aluna do inolvidável mestre Baptista da Costa e dos professores Bernardelli, Chambelland e Amoedo.

Concorrendo sempre aos salões de Belas Artes tem conquistado vários prêmios. Em 1923 recebeu medalha de bronze e no ano seguinte pequena medalha de prata, e em 1927 um prêmio de animação, na importância de quinhentos mil réis.

A talentosa pintora patrícia, cuja carreira brilhante é a consequência de sua acentuada vocação artística, concorre este ano, ao Salão, a prêmio de viagem com os seguintes quadros: Retrato de Mlle. E. S.: Um nu - Dinorah; Uma paisagem e uma natureza morta - Harmonia Veneziana.

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Imagem

EDITH PINHEIRO DE AGUIAR – "Paisagem" (quadro exposto no "Salão" deste ano, que hoje se inaugura oficialmente na Escola Nacional de Belas Artes.)

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

UMA PINTORA BRASILEIRA QUE CONCORRE AO PRÊMIO DE VIAGEM NO SALÃO GERAL DE BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 12 ago. 1928, p. 10.

UMA QUESTÃO ARTÍSTICA - Como se desfaz uma injusta acusação de "plágio" - A defesa do pintor Sr. Fiuza Guimarães. A Noite, Rio de Janeiro, 12 set. 1913, p.1.

Do pintor Sr. Fiuza Guimarães, um dos expositores do nosso atual "Salon", onde se apresentou com um belo trabalho inspirado num soneto de Oscar Lopes - A Guerra, recebemos a seguinte carta com as fotografias elucidativas e que abaixo publicamos.

"Sr. Redator dA Noite, - Há quatro dias apareceu na seção Notas de arte, do Jornal do Commercio [link], uma apreciação aos trabalhos expostos no "Salon", onde se dizia que o meu quadro A Guerra, sugerido [...] belo soneto de Oscar Lopes, era uma quase cópia, ou uma cópia do quadro do grande mestre alemão Stuck, também intitulado A Guerra.

Demorei a aparecer em público para desfazer a aleivosia, porque resolvi deixar o pulso livre ao júri do "Salon" que, no Regulamento das Exposições, tem um artigo que lhe dá plenos poderes para proceder rigorosamente contra os plagiários.

O júri, ao ver a infundada acusação de que fui vítima, não agiu, porque nada tinha que fazer. Fiquei eu em campo e por isso aproveito o momento para lhe enviar as fotografias do meu quadro [Imagem] e do quadro de Stuck [Imagem], e explicar-lhe também a diferença que há entre a minha pobre pintura e o "chef d'oeuvre" que é a admirável composição de Stuck.

No belo trabalho do grande mestre alemão sente-se o triunfo da vitória representada por uma figura simbólica, que é o herói: - seja ele Atila ou Napoleão.

Sobre o seu ombro direito a espada, gotejando ainda o sangue dos vencidos. Monta um cavalo de perfil e de cabeça baixa, pisando com orgulho os mortos.

No meu quadro vê-se a sempre vencedora representada pela figura da morte, de frente para o espectador, cavalgando um animal fantástico e, portanto, desconhecido por mim e pelo autor dos versos.

E neste ponto a minha interpretação foi de uma grande felicidade, pois o próprio crítico do Jornal do Commercio lhe desconhece as formas e diz: "um animal que parece ser uma mescla de onagro com morcegos": é essa a forma estranha e desconhecida descrita nos belos versos e foi exatamente isso o que procurei fazer.

No quadro de Stuck é o herói, vencedor de homens. No meu, é a morte, orgulhosa da farta messe de cadáveres e vencedora impiedosa e fatal da humanidade.

No meu há também uma figura de mulher que completa a composição.

Simboliza a metralha, arrastando e mutilando aqueles que opõem os seus feitos à sua fúria devastadora.

Como se vê, nada há de relação entre um e outro trabalho, a não ser a semelhança dos assuntos.

Mas há mais ainda. Como compus esse quadro?

Em conversa com Oscar Lopes, disse-lhe que escolhesse um trabalho seu que eu interpretaria e faria um quadro para o "Salon". Oscar Lopes ofereceu-me o seu livro e escolheu o soneto "A Guerra", como sendo o que lhe parecia mais próprio para uma composição. Eu aceitei essa indicação e botei mãos à obra.

Se o meu trabalho tivesse sido julgado com o respeito que os verdadeiros críticos de Arte têm pela sua missão, eu tenho a certeza de que não necessitava responder, pois não tenho a pretensão de me julgar perfeito, como também sou um dos que defendem a liberdade da crítica, principalmente quando ela é honesta e não visa interesses de espécie alguma.

Nada me desanima: continuarei a trabalhar com o mesmo entusiasmo, sinceridade e independência com que até hoje me tenho mantido. A você, etc. - Fiuza Guimarães."

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Imagens

"A guerra", de Fiuza Guimarães e exposto no nosso "salon"

"A guerra", quadro de Franz Stuck

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar'

UMA QUESTÃO ARTÍSTICA - Como se desfaz uma injusta acusação de "plágio" - A defesa do pintor Sr. Fiuza Guimarães. A Noite, Rio de Janeiro, 12 set. 1913, p.1.

V. V.
V. V. O SALÃO. O Paiz, Rio de Janeiro, 9 set. 1905, p.2.

A atual exposição de belas artes - Os projetos de Rodolpho Bernardelli - O novo palácio na Avenida - O que será - A exposição de 1906 - Extensão de suas atribuições.

A exposição geral de belas artes é, atualmente, um dos sítios de reunião da sociedade elegante do Rio de Janeiro. O vernissage foi este ano extraordinariamente concorrido. E no dia da inauguração uma multidão fina e variada encheu as galerias da Escola Nacional de Belas Artes. Leadings, beauties, altas notabilidades da política, artistas, amadores, entes de letras e finanças, diplomatas cruzavam pelo salão, analisavam os quadros, cumprimentavam-se, iniciavam e prosseguiam […]

Mas o sucesso não se limitou ao dia da inauguração. Todas as tardes o salão se enche. Le tout Rio continua a admirar os quadros, com interjeições maliciosas e finas, onde os vocábulos dernier baleau [sic] abundam. E a arte do vestuário vai ali se exibir, com todo o encanto sugestivo de sua empolgante atração, ao lado das maravilhas executadas pelos nossos artistas.

Ontem, subia eu, calmamente, as escadas da Escola Nacional de Belas Artes, quando encontrei Coelho Netto que as descia apressado.

- Vá ver, disse-me o grande escritor. Só perdi duas exposições. Pois afianço que das muitas que vi esta é a melhor!

Subi. Nas galerias, a multidão smart se agitava,as joias, as [...] e os olhares reluziam. Na biblioteca, Rodolpho Bernardelli, o eminente estatuário, diretor da escola e o leading worker de todo aquele triunfo de arte nacional, o Dr. Diogo Chalréo, digno secretário, cuja atividade esclarecida e eficaz muito contribuiu para o êxito dos nossos salões; outros artistas e funcionários palestravam.

- Estamos fazendo as nossas despedidas, disse-me um dos presentes. É a última vez que organizamos exposição junto ao Tesouro. Para o ano estaremos na Avenida.

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O salão de 1905 é magnífico. É menos abundante do que os anteriores, mas pelos talentos que nele se revelam, merece atenção especial. É, além disso, seleto.

E nas seções de gravuras e artes industriais apresenta originalidade esplêndida.

Muitos dos nossos grandes artistas não enviaram, entretanto, trabalhos. A abstenção de Rodolpho Bernardelli, que sempre animava com seu aparecimento seus discípulos, é lamentável. Rodolpho Amoedo também não compareceu ao salão presente.

Mas o aspecto geral da exposição é animador. Na seção de pintura há principalmente, a afirmação de novos talentos. Rodolpho Chambelland fez progressos, excelentes. Na exposição anterior, na Noite de espetáculo, foi um estudo consciencioso, audaz, de grande efeito. Nos Bacantes em festa suas aptidões se desenvolveram e […] É um quadro magnífico. Bevilacqua, discípulo de Henrique Bernardelli, expõe uma composição feliz, Salomé. Latour, que está na Europa em virtude de prêmio que obteve em salão anterior, estudou e trabalhou muito no velho mundo. Aparece agora mais seguro da técnica. O seu grande quadro, Praga Social, é intenso, tem qualidades apreciáveis. Roberto Mendes enviou uma paisagem cheia de poesia, suavidade e encanto [Imagem]. É talvez o trabalho mais sugestivo do salão. Roberto Mendes é um pintor intelectual; lido e prático na moderna escola inglesa, admirador de Raskin [sic] e seu ledor fervente, ele procura na paisagem a sensação esquisita, o efeito sentimental que o mestre requeria e julgou o mais difícil e belo escopo do pintor. Malagutte [sic] tem uma tela belíssima; J. Thimotheo da Costa estreia com um excelente retrato do poeta J. Abreu Albano e Carlos Chambelland e A. Thimoteo da Costa revelam também habilidade prometedora.

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Os grandes nomes célebres confirmam sua fama. Os retratos de Henrique Bernardelli são maravilhosos; o de Machado de Assis, principalmente, pela riqueza da fatura, vigor da expressão e beleza dos detalhes, merece contemplação especial dos visitadores do salão.

Visconte [sic] tem um retrato esplêndido da escultora D. Nicolina Vaz de Assis [Imagem], retrato que é, talvez, um dos melhores trabalhos expostos. De João Baptista da Costa e Luiz de Freitas há paisagens deliciosas; Modesto Brocos, Macedo e Séve [?] concorrem também com brilho ao nosso anual certame artístico.

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Na seção de artes aplicadas, os trabalhos da Associação dos Escultores em Madeira são bem belos, são excelentes fragmentos de obras decorativas. Os móveis fabricados no Liceu de Artes e Ofícios de S. Paulo demonstram o valor do seu ensino prático. É um verdadeiro Liceu de Artes e Ofícios.

A pintura de porcelana de Joanna Brandt é excelente. D. Joanna Brandt é uma senhora dinamarquesa, trabalhadora, sã, cheia de talento e atividade; quer introduzir no Brasil essa bela arte que vai seduzindo as new women de seu país.

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O salão para o ano será na Avenida, acrescentou o funcionário referido. Se o governo e as agitações não mandarem o contrário, o novo edifício da escola estará em setembro de 1906 em condições de abrigar a 13ª exposição geral de belas artes.

Sabe-se que Rodolpho Bernardelli é ativo e transformador no seu aparente ceticismo. Aquele artista de gênio, em se tratando de empreendimentos de arte, é um homem de ação. Foi o criador das exposições periódicas, trabalha para a sua manutenção e conseguiu o novo edifício da escola e vai para o ano desenvolver e melhorar o aspecto dos nossos salões.

Para o ano teremos um salão variegado, completamente diferente. Os projetos de Rodolpho Bernardelli são a este respeito grandiosos.
O palácio a construir-se terá amplas acomodações. As galerias da escola ficarão livres durante as exposições anuais que se irão abrigar em salas especiais. O salão de 1906 será curioso, variado, multiforme. Além dos artistas nacionais, pintores, escultores, gravadores e arquitetos, artistas industriais de toda a América latina concorrerão. A exposição se tornará assim latino americana, senão internacional. Divulgará os nossos artistas e estenderá nossa influência, contribuindo para a fraternidade sul-americana.

A seção de artes aplicadas será ampliada. O ilustre diretor da escola se esforçará para obter o concurso de todos os artistas e diretores de indústrias artísticas do Brasil e América. Mobiliário, decoração, talha, cerâmica, artes suntuárias, joalheria, indumentária e artes acessoriais, tudo aparecerá e terá lugar distinto.

E para que o público elegante possa apreciar essas belas e inúmeras coisas sem cansaço, o palácio da escola ficará em festas durante todo o tempo da exposição. Os concertos se sucederão. Haverá five o'clock em petites tables, five o'clock artísticas que marcarão, sem dúvida, época na história da nossa vida elegante! Os visitantes encontrarão, ao demais, refrescos, sorvetes, doces... O álcool será abolido. Nos palcos ajardinados do novo palácio se ostentará, com todo o brilho, a maior exposição de flores da América do Sul.

E, ao demais, os próprios visitantes organizarão, involuntariamente, outras exposições de igual encanto. Haverá estonteante exposição de toilettes lindas e novas e da sempre maldita e sempre triunfante arte da coqueterie [sic], que é, sem dúvida, a mais empolgante de todas!

- V. V.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

V. V. O SALÃO. O Paiz, Rio de Janeiro, 9 set. 1905, p.2.

VANDIQUE, Brun. O Salão de Belas Artes. NOTAS COMPRIMIDAS I. O Globo, 13 ago. 1930, p. 2.

Este ano, temos dois salões. Um nos fundos do Palace Hotel e outro no salão do Palácio das Belas Artes. Íamos ver o primeiro, que é da Sociedade dos Artistas Brasileiros, mas deixamos para depois, porque, no momento, ia fazer ali uma conferência um cavalheiro russo... A outra inaugurou-se com a presença das altas personagens da governança, das artes, das letras e das ciências. Houve café com biscoitos, música, discurso e uma conferência trepativa [sic] do Agripino Grieco, que fez muita gente rir amarelo. O salão está bonito, bem disposto, melhorzinho do que o anterior. Muita coisa podia ser cortada, mas o júri não pode cortar os trabalhos hors concours... O salão encheu-se à cunha, o que é natural, por ser a entrada grátis. Nos outros dias, de entrada paga, fica minguante de concorrência. Há zum-zum em torno do prêmio de viagem e lufa-lufa em torno das aquisições oficiais. Cada candidato se apadrinha como pode... A corrida é grande. A comissão organizadora está de parabéns pela organização das galerias e pelo programa traçado. Há muita coisa que ver e comentar, em notas comprimidas. A arte moderna, a tal de afogadilho, estilo vai-ou-racha ou pedregulho facetado, só dá duas amostras no salão: um pedaço de batente de portão de chácara antiga, com uma cara dura em cima, que o Quirino [Quirino da Silva] diz ser o João Caetano, e um pedacinho de louca amarrotada, miniatura, que Modestino Kanto afirma ser o Vasques ator, quando era mais alto e mais corpanzudo. Marques Junior expõe dois nus, um de costas e outro de papo para o ar, verde no fundo, com clara d'ovo batido em vários pontos do corpo. Seelinger Fleury apresenta uns manipanços africanos, que a polícia deixou escapar de algum candomblé. É curioso o quadro de Pedro Bruno, onde uma família, à falta de pão para tanta gente, bota um menino em cima da mesa de jantar [Imagem]. Muito bem apanhada a contorcionista que o Fiuza Guimarães tomou do natural no circo de Catumby [Imagem]. A agricultura agradece os cachos de uva do tamanho de um bonde com reboque, que Orlando Teruz colocou entre bonecos de porcelana. Foram muito gabados os cartões postais de Levino Fanzeres e o filhote da célebre Juruna na beira da praia. Ainda de Pedro Bruno há o frade que, cansado de pregar aos peixes no ano passado, conta histórias aos tico-ticos neste ano, para variar. Luiz Kattenbach meteu Cristo verde de pau-peroba no meio de gente de pau de gameleira, tendo ao fundo uma fila de gente bocejando. Mazzuchelli expõe um gesso contorcionado, onde uma mulher comprime com toda gana um pobre cabrito, para asfixiá-lo.

Amanhã, tem mais.

Brun Vandique.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

VANDIQUE, Brun. O Salão de Belas Artes. NOTAS COMPRIMIDAS I. O Globo, 13 ago. 1930, p. 2.

VANDIQUE, Brun. O Salão de Belas Artes. NOTAS COMPRIMIDAS II. O Globo, 14 ago. 1930, p. 2.

Como os garotos do ano passado não puderam vender as laranjas do quadro, Almeida Junior [Luiz Fernandes de Almeida Júnior] fez com que eles dessem cabo das frutas, este ano, noutro quadro. André Vento fez a cara do Corbiniano Villaça quando era mais moço, para bulir com o busto em gesso de João Scuoto, que fez o mesmo Corbiniano quando for meio velho. H. Peçanha fez o busto do Modestino depois de um desastre, cheio de pontos falsos, ligaduras e vários pneumáticos na garganta. A. Bracet, vendo que a moça devota do ano passado estava de pé, apresentou-a, este ano, de joelhos, que é menos cansativo. Balthazar da Camara dá-nos um pretendente implorando o prêmio gordo do governo de Pernambuco. Muito sugestivo o dominó branco de Carlos Oswaldo, cheio de confetti, também brancos. Sigaud vai progredindo nos pingos de tocha, Rocha Ferreira intitulou seu quadro Peru com farofa... mas, ao invés de farofa, pintou um garrafão. Bas Domenech teve o gosto de meter um barco à vela num molho de maionese. Manoel Faria exibe um Anhanguera no tempo em que bancava o guayamú, e na atitude de quem dá o sinal de capoeiragem: – "entra, Juca!". - Mario Nunes, do Recife (não confundir com o homônimo do teatro da nova gente velha) apresenta dois jogos de puzles, do gênero de caixinhas de jogo de paciência, com quadradinhos de cores espantadas. Orozio Belem dá um nu malcriado, porque volta as costas ao público, e um Cristo entre anões, com o camisolão saído limpinho da lavanderia. Oswaldo Teixeira nos oferece três telas, uma paisagem de mostarda e pirão de abacate, uma dama branca espichada no escuro e uma dama preta (no vestido), penteando um galgo russo com uns dedos de sete léguas. Paula Fonseca foi feliz na alegoria da couve-flor entre montanhas. Antonio Parreiras ilustrou a óleo o célebre soneto de Nicoláu Tolentino: "vai, mísero cavalo lazarento...". Gagarin soube ampliar a baía de Botafogo, no estilo de presepe azulado. O Raul perpetrou um cavalo com asas saltando por cima de bonecos do teatro João Minhoca. O auto-retrato do Amoedo é perfeito no estilo sépia lusco-fusco. Theodoro Braga exibe Anhanguera preparando o primeiro ponche oferecido aos tupiniquins [Imagem]. Achilles Araujo nos mostra "o passo do urubu malandro", executado por um guayamú de coco pelado. Cozzo figura com uma cabeça de Vento, isto é, com o busto do pintor André Vento, quando era mais gordo. Zacco Paraná tem três gessos, a cabeça, um estudo para estátua [Imagem] e a estátua do Dr. Francisco Sá, em tamanho sobrenatural, com cara de poucos amigos.

Amanhã, tem mais.

Brun Vandique

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

VANDIQUE, Brun. O Salão de Belas Artes. NOTAS COMPRIMIDAS II. O Globo, 14 ago. 1930, p. 2.

VANDIQUE, Brun. O Salão de Belas Artes. NOTAS COMPRIMIDAS III. O Globo, 15 ago. 1930, p. 1.

Argemiro Cunha teve a habilidade de vestir o gigante de pedra com roupa de escoteiro. Armando Vianna organizou um samba nunca visto [Imagem], e pôs ao lado um canto de mesa, para servir chá com biscoitos aos dançarinos do quadro grande. Ainda de A. Bracet há, no salão, a homenagem a Miss Morro da Viúva, onde a senhorita exibe a taça conquistada no concurso de beleza. A. Cantanheda faz concorrência ao prefeito, como seu gramado extenso, quase infinito. C. Turatti expõe uma senhorita ensaiando fox-trot ao ar livre. Dakir Parreiras foi irônico: pintando uma menina entre galináceos, deu o título A hora do milho; todos perceberam o trocadilho, que se refere ao momento dos prêmios polpudos. Visconti dá-nos um esplêndido trecho de Santa Teresa, depois de um banho de fumaça. Euclydes Fonseca, amigo do folk-lore indígena apresenta o clássico episódio do "Chico-chicote, nariz de bodoque, que tudo vendeu por um caco de pote". Gaspar Magalhães, à falta de um retrato de uma Miss do concurso de beleza, pôs na tela uma Miss Ebanea, onde há de tudo, como na botica. G. Formenti fez adoecer um menino de propósito, só para retratar uma cara de dieta forçada. D. Georgina de Albuquerque fez largo reclame dos chapés [sic] de palha, gênero mexicano. Haans Paap mostra o engano de dois garotos indígenas, que, ao invés de passarem rouge nos lábios, besuntaram com ele toda a fisionomia. Helios Seelinger não teve mãos a medir nas figuras que apresentou em ambiente furta-cores. Hernani de Irajá expõe uma Margarida dos subúrbios, que não vai mais à fonte, por falta de roupa. Lucilio oferece um curioso desmancho de tinturaria nas águas da praia de Icaraí. D. Maria Bahiana foi feliz na figura de uma dama atacada de icterícia. Na escultura, Armando Braga exibe um frade embaracado [sic] por não poder passar o balandrau a uma dama vestida de nu. Magalhães Corrêa, segundo a interpretação de Adalberto Mattos, nos mostra um cachorro street-dog, a rir de uma lagartixa empalhada. Martins Ribeiro expõe três damas pneumáticas, uma delas cheia de confete num ponto imaginário.

Amanhã, tem mais.

Brun Vandique.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

VANDIQUE, Brun. O Salão de Belas Artes. NOTAS COMPRIMIDAS III. O Globo, 15 ago. 1930, p. 1.

VANDIQUE, Brun. O Salão de Belas Artes. NOTAS COMPRIMIDAS IV. O Globo, 16 ago. 1930, p. 2.

Não fomos ao Salão dos Artistas Brasileiros, porque, como dissemos, havia dança russa e conferência de um cavalheiro russo; como não pescamos patavina do idioma, resolvemos visitar mais tarde o certame. Penalizados, demos com o nariz na porta. A exposição encerrou-se depois de grande triunfo, conforme as notícias que mandavam para os jornais. Foi pena perdermos a apreciação. Procuramos o Navarro da Costa, pedimos uma reprise, mas o artista sentiu muito não poder atender. Pedimos ao Celso Kelly, que também se recusou a dar segunda edição do salão. Afirmam ambos que a exposição não é sugestão de uma dissidência havida, há tempos, sobre coisas do salão oficial. Os filhos da Candinha, que não dormem, dizem o contrário. Em qualquer hipótese perdemos a oportunidade de umas notas comprimidas sobre a mostra de arte que brilhou no Palace Hotel.

Voltemos ao salão oficial. Na gravura, Adalberto Mattos dá-nos um auto-retrato no estilo maracujá de gaveta. Ignacio da Silveira fez carantonhas engraçadas no lombo de várias jarynas do norte, desmentindo a cantiga que diz: "a Bahia não dá mais coco"... Rodrigues Toledo, num medalhão, apresenta Pasteur com cara de Victor Hugo ou Victor Hugo com cara de Pasteur. Ludovico Berna, na arquitetura, oferece o projeto de um monumento aos precursores da liberdade nacional, que, na opinião do autor, foram o padre Miguelinho, Frei Caneca, Tiradentes, Evaristo da Veiga e José Bonifácio, o velho; íamos lembrar Felicio dos Santos, Gonçalves Ledo e mais alguns paredros, mas, no momento, não há lugar para tanta gente. Saldanha da Gama, no vestíbulo, dá nas plantas perspectivas e cortes de muitas coisas com que se projeta a reforma urbanista da capital do Espírito Santo, tudo isso para mostrar ao urbanista Agache que nos quoque gens sumus. Muito boas as cerâmicas de Itaipava, que revelam excelente e promissora iniciativa. O Modestino Kanto que, nos trocadilhos, não perde vasa [sic], vendo o salão vazio em certa hora, atribuiu a vazante à grande quantidade de vasos... Nessa seção de arte aplicada, Mael Grossmann exibe em porcelana um buda de nove meses e um tamanduá bandeira, só para bulir com o outro tamanduá que Verdié expôs no salão anterior.

Depois de amanhã, tem mais.

Brun Vandique.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

VANDIQUE, Brun. O Salão de Belas Artes. NOTAS COMPRIMIDAS IV. O Globo, 16 ago. 1930, p. 2.

VANDIQUE, Brun. O Salão de Belas Artes. NOTAS COMPRIMIDAS V. O Globo, 22 ago. 1930, p. 2.

Começaram as conferências públicas, às quintas-feiras, conforme o programa da comissão de cerimônias do Salão. Da primeira, do Agripino Grieco, já falamos. Tivemos agora a do Flexa Ribeiro, sobre as complicações da metafísica na pintura, com vistas de lanterna mágica, e a de Adalberto Mattos, sobre um pai nobre da arquitetura indígena, sem projeções luminosas, porque no tempo desse patriarca não havia chapas. O salão enche-se e chovem palmas: sinal certo de que o público vai gostando, pouco a pouco, desses processos de cultura e de orientação. Voltemos à exposição. B. Pinto não expõe, este ano; sendo o número de quadros limitado a três, no salão, o artista apresentou cinquenta no saguão do Liceu, com sucesso, por ser um dos mais provectos especializados na paisagem. Cadmo Fausto expõe um carvão cheio de faceirices; uns tarrafeiros tomando banho de areia [Imagem] e uma cena de campo, em que um tipo lusco-fusco faz a colheita da palha assada. Guignard apresenta um preconício de elixir de Nogueira. Guttman Bicho dá dois retratos que devem estar parecidos e uma paisagem depois de um dia de lixívia no ambiente. Cavalleiro [Henrique Cavalleiro] procurou poupar tinta nos quadros, por causa da crise mundial. Hernani de Irajá nos oferece um mecânico vadio, a fazer greve sozinho, enquanto os outros fingem que trabalham. A lavadeira de João Azevedo ri-se dos projetos de casas baratas, encajuada [sic] sob um telheiro mal-ajambrado. Jordão exibe uns vaqueiros do norte, sem pernas e sem vacas, talvez por causa da seca. Jurandir Paes Leme, numa tela comprida, pôs uma torre, um galho de trepadeira e uns pombos em colóquio, dizendo: "Vamos desenhar?" "Nos trópicos", é o título de uma cena de teatro João Minhoca, pintado por Lagreca. Os nus malcriados, de costas para o público, continuam no salão, temos mais um do Marques Junior e mais outro de D. Olga Mary. D. Palmyra Pedra expõe um cromo de folhinha com um auto-retrato, quando na primeira infância, João Ferri exibe, na escultura, um torcicolo em gesso, com a cabeça de Helios Seelinger. Rayol dá-nos a máscara de Beethoven, - que já é uma praga, - antes de ir ao cabeleireiro.

Depois de amanhã, tem mais.

Brun Vandique.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

VANDIQUE, Brun. O Salão de Belas Artes. NOTAS COMPRIMIDAS V. O Globo, 22 ago. 1930, p. 2.

Vasco Lima
Vasconcellos Cardoso
Vicente Larocca
Vicente Leite
Vicente Rodrigues Moreira
Victor Dubugras
Victor Meirelles de Lima
Victorine Vaunier
Virgilio Francisco da Silva Filho
Virgilio Lopes Rodrigues
Virgilio Mauricio
Virgilio Mauricio - Artigos
Virginia de Niemeyer
Viscondessa de Sistello
Vuagnat
W. da Trindade
Waldemar Ferreira Braga
Walter R. Toledo
Walter Rodrigues Toledo
Wanda Marie
Wanda Turatti
Wellisch
Willy Görms
Yáyá de Castro
Yolanda Torres
Yvonne Visconti
Z.
Z. BELAS-ARTES - Abertura da exposição. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 2 set. 1905, p. 2.

Apesar do dia cheio de chuva, a abertura da 12ª exposição de Belas Artes teve uma concorrência enorme. Tudo quanto há de distinto, de elegante, de chic, o [...] Rio lá estava enchendo as duas galerias de alegria, de vivacidade, de encanto.

A exposição agradou, agradou como há muito não agrada uma exposição. Nos grupos só se falava nisso.

- Quantos quadros?

- 262, mas toleráveis quando não são bons ou magníficos. O quilômetro de tela dos anos anteriores era pior.

Muita gente parava diante das caricaturas do Raul, outros iam admirar o retrato de Machado de Assis, por Bernardelli [Henrique Bernardelli], ou o primor de Visconti: - D. Nicolina Vaz de Assis, em toillete de inverno, num fundo terne... [Imagem] Latour também provocava as atenções.

É preciso dizer que as moças paravam de preferência diante do retrato do autor do Braz Cubas, e que os artistas, os homens de letras, mostravam muita boa vontade em apontar as belezas das telas de Latour, um dos novos de mais talento. Coelho Netto, por exemplo, ficou encantado com algumas das suas telas.

Na outra galeria, onde está a exposição de artes aplicadas, Mme. Joanna Brandt triunfa em toda a linha com as suas pinturas sobre porcelana e os seus couros repoussés. Há um banco de couro, motivo cataléa [sic] magnífico.

Mme. Brandt é dinamarquesa, trabalha a porcelana em fornos próprios, aqui no Rio; é incansável. Como a elogiássemos ao saber que estuda cerâmica aplicada com o Sr. Ludolff, o mesmo que há dois anos nos dava, com Visconti, vasos deliciosos, teve esta frase simples e encantadora:

- Oh! eu faço tudo isso para não fazer crochet. O meu desejo é acabar com o crochet.

É raro encontrar tanto mérito em tanta simplicidade.

Temos a citar, além dos artistas citados ontem, na nossa notícia sobre o vernissage os Srs. Treidler, Freitas [Augusto Luiz de Freitas] Weintgartner [sic] Raphael Frederico [sic], etc.

Às 4 horas da tarde ainda era grande a concorrência na Escola. Em baixo, no saguão, tocava uma banda de música, e era uma tristeza deixar toda aquela radiante beleza das telas, em que se fixava a arte das senhoras que lhe guardavam a essência, para vir arriscar-se cá fora à inclemência da chuva, da lama e do dia triste. - Z.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

Z. BELAS-ARTES - Abertura da exposição. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 2 set. 1905, p. 2.

Zaco Paraná
Zeferino da Costa
Zélia Ferreira
Zier
Zina Aita
Zulmira Penteado
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