Patrimônio reconstruído: a trajetória da arquitetura da Santa Casa de Misericórdia de Manaus através da memória documental

Camyla Lorena Torres Silva[1] e Cybelle Salvador Miranda[2]

SILVA, Camyla Lorena Torres; MIRANDA, Cybelle Salvador. Patrimônio reconstruído: a trajetória da arquitetura da Santa Casa de Misericórdia de Manaus através da memória documental. 19&20, Rio de Janeiro, v. XV, n. 1, jan.-jun. 2020. Disponível em: http://www.dezenovevinte.net/arte%20decorativa/ad_scmanaus.htm

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Sobre história e memória

1.     A historiografia do século XX encarou a tarefa cada vez mais complexa de abordagem do passado em meio aos novos caminhos e territórios abertos pelos contextos do modernismo e pós-modernismo. Assim, a tarefa dos historiadores concentrou-se não apenas na seleção e organização dos fatos, mas em evidenciar as mentalidades, ou seja, os pensamentos que caracterizam os longos períodos de tempo.

2.     Walter Benjamim foi um dos pensadores que buscou romper com o paradigma da análise histórica até então vigente, que assegurava a trajetória da história como uma sucessão de fatos interligados, interpretados de forma neutra e organizada sob ponto de vista dos sujeitos dominantes e dos ideais de progresso. A visão dialética benjaminiana encara a historiografia emanada das questões sociais e políticas, na qual a história cultural é produto das lutas sociais de classe. Sua crítica ao historicismo deve-se ao movimento em torno dos discursos dominantes, cujos personagens “participam de um cortejo triunfal, em que os dominadores de hoje espezinham os corpos dos que estão prostrados no chão.”[3]

3.     A crítica de Benjamin dialoga com as ideias do filósofo Friedrich Nietzsche, de que o povo necessita de um certo conhecimento do passado. Contudo, essa atitude transformou as ciências históricas do século XIX em uma necessidade de ação interminável, extrapolando as margens da história. A partir desse fenômeno, criou-se um crivo para a separação do que fosse essencialmente significativo e relevante, em detrimento ao aleatório e desimportante. Nesse contexto de seleção do passado surge a relação entre história e memória, determinada pela reciprocidade das limitações que uma mantém sobre a outra, e que se fez de forma mais enfática quando do surgimento da historiografia crítica, como um ato de emancipação do método histórico positivista, na qual o direito da memória se fez prevalecer sobre a outrora poderosa história oficial.[4]

4.     Para Pierre Nora,[5] a oposição de memória e história reside no caráter principal das duas. Assim, a primeira é viva e em constante evolução, sempre aberta à dialética da lembrança e do esquecimento, enquanto a segunda é uma reconstrução quase sempre problemática e voltada para o passado. Enquanto a memória organiza e fundamenta as origens e as questões relacionadas à herança, a história separa e seleciona os fatos do passado e cria identidades de caráter universal, em contraponto às identidades específicas que advém de determinadas memórias.

5.     Maurice Halbwachs trilhou um caminho sociológico para a distinção de memória e história e seu interesse na primeira foi estudá-la como um elemento de coesão em determinado grupo e agregador de lembranças em comum. Enquanto a memória emerge do grupo que ela une ou é individualizada, a história é universal e sem pertencimento. Para o autor, a história “só começa no ponto em que termina a tradição, momento em que se apaga ou se decompõe a memória social. Enquanto subsiste uma lembrança, é inútil fixá-la por escrito ou pura e simplesmente fixá-la.”[6]

6.     Em comum, esses autores evidenciam o direito da memória em face da história neutra e objetiva, tratando-a como absoluta e enraizada no espaço, nas imagens e objetos.

Sobre a memória e seus locais de sobrevivência

7.     Enquanto os processos de recordação ocorrem espontaneamente nos indivíduos e seguem regras gerais dos mecanismos psíquicos, no nível coletivo e institucional esses processos são guiados por uma política específica de recordação e esquecimento.

8.     Para garantir sua permanência, a memória viva deve ser traduzida em memória cultural, implicando em seu suporte em mídias e na sua proteção através dos monumentos, memoriais, museus e arquivos. A transformação da memória viva e individual para memória coletiva e artificial é um processo problemático e pode sofrer ações de deformação, redução e institucionalização da recordação, que só pode ser amenizado e tratado com um trabalho de crítica e reflexão.[7]

9.     Considerando que as mídias externas se atualizam tecnologicamente, a construção da memória também se modifica. Com a evolução da internet e o aumento considerável da capacidade de armazenamento dos dispositivos, os arquivos, que antes residiam fisicamente em bibliotecas e instituições, estão agora cada vez mais disponibilizados de forma virtual e gratuita aos usuários.

10.   As mídias permitem acessos diferenciados à memória, como, por exemplo, as diferentes experiências que imagens e textos carregam. Já os locais incluem localizações que guardam os acontecimentos relevantes e reativam as recordações.

A imagem como locus da memória

11.   A deferência da história à escrita tornou esta última o meio principal da memória, a partir da atribuição de critérios de legibilidade e transparência. Todavia, este posicionamento alterou-se radicalmente com a utilização das imagens como fontes históricas. A escolha pelas fontes imagéticas não se associou ao critério de transparência atribuído à escrita, mas sim por ela ser um símbolo de ambivalência irredutível. A claridade dos textos contrasta com a opacidade e mutabilidade das imagens.[8]

12.   A historiografia deparou-se com a limitação das fontes materiais textuais, produzidas no âmbito da história oficial das instituições e de seus arquivos. Consequentemente, os historiadores utilizaram a imagem como evidência histórica, desenvolvendo um trabalho de crítica às fontes, assim como já realizavam com os textos. O uso das imagens proporcionou não só o acesso ao passado, como uma “testemunha ocular,” mas também semeou o campo da discussão do impacto que as experiências e o conhecimento obtido através da análise visual podem ter no presente.

13.   No caso do estudo da arquitetura e da cidade, ao se analisar as imagens de paisagens urbanas ou edifícios é possível apreender, através dos detalhes, os aspectos da cultura material passada que os textos poucas vezes abordam ou mesmo não conseguem descrever de forma fiel.[9]

14.   Com a evolução das pinturas para as fotografias e filmagens, a dialética visual obteve maior credibilidade e transparência, com o poder de resgatar os vestígios imagéticos do passado. A fotografia como meio de recordação supera todos os outros meios, pois a mesma é, em boa medida, a emanação do referente, uma comprovação indexadora de um passado.[10]

15.   As fotografias e retratos podem tornar evidentes as questões de poder e status social de épocas e atuam na seleção do que é digno de ser marcado na memória ou desaparecer da história, como por exemplo, moradias populares e o cotidiano das camadas populacionais menos desejáveis, como os doentes e loucos. Estas imagens, muito utilizadas na divulgação das grandes metrópoles e de novos cenários citadinos, projetam os valores da mentalidade dominante e o espírito que, por períodos de tempo, moldaram os costumes e as opiniões do local.

16.   A análise detalhada de uma imagem para fins de interpretação foi chamada, pelos historiadores da arte do século XX, de iconografia, podendo ser aplicada tanto a pinturas como a fotografias. A chamada Escola de Warburg obteve destaque entre os grupos de iconografistas, que tinha, entre seus membros, o historiador Erwin Panofsky.

17.   Para Peter Burke,[11] os estudos de Panofsky continham um enfoque de interpretação da imagem similar à tradição alemã para a interpretação de textos, distinguindo a análise em 3 níveis: o da descrição iconográfica, que é o significado natural dos elementos (pessoas, animais, eventos); o segundo nível, que é referente à análise iconográfica, reconhecendo os significados convencionais dos elementos; e o terceiro nível, a interpretação iconológica, que se voltava para os significados intrínsecos da imagem e que refletiam as atitudes de uma nação, crença, política e cultura.

18.   O campo da iconografia atraiu novos estudiosos e aprimorou-se a partir dos enfoques de Panofsky. Neste trabalho especificamente, iremos utilizar o método estruturalista de análise de imagens, que considera não só a imagem focal retratada, mas também o que não foi escolhido e os pontos cegos das imagens, equivalentes aos silêncios dos discursos orais.[12]

A memória implicada nos jornais e periódicos

19.   Os acervos de jornais e periódicos ainda figuram timidamente como fontes nas pesquisas históricas sobre a cidade. Contudo, propõem o desafio de pensar a imprensa como “prática social constituída e instituinte dos modos de viver e pensar a cidade.”[13] O uso da imprensa nos estudos sociais e históricos busca captar as práticas culturais e o exercício das mentalidades de diferentes épocas, para se extrair dela somente as informações publicadas, mas também compreender as motivações que estão por detrás de suas produções.

20.   A disponibilização de publicações jornalísticas e comunicações governamentais pela Hemeroteca Digital Brasileira da Bibliotheca Nacional/RJ, por exemplo, permitiu acesso a uma renovada fonte de informações e uma diversidade de materiais que jaziam em arquivos mortos, mas que, no passado, servira como veículo de informações para os mais diversos segmentos da sociedade.

21.   A imprensa cede espaço para a manifestação das dinâmicas de significações e dos papéis sociais, mostrando-se como uma faceta importante da vida e das construções na/da cidade. A cultura letrada da imprensa abre caminhos no terreno da História Social através da densa riqueza de documentos e testemunhos que permitem o estudo em perspectivas particulares.

22.   Para esta análise, buscou-se compreender os materiais da imprensa como um instrumento do fazer histórico e que, ao se articular com a iconografia, abre espaço para um campo de investigação sobre a Santa Casa de Misericórdia de Manaus/AM e de sua arquitetura, no momento em que a memória institucional encontra-se afetada pela perda de arquivos e documentos. A articulação entre a cultura da escrita e os espaços ocorre a partir do entendimento de como a imprensa projetava e impunha a cidade e suas transformações, no período do final do período provincial do Amazonas, perpassando a belle époque manauara até a República, período aqui compreendido entre a década de 1870 até o início da década de 1940.

23.   Ao se utilizar tais fontes de acesso ao passado, faz-se importante ressaltar que, nos trabalhos sob este enfoque, “está a preocupação comum em pensar as experiências culturais desse período, onde o signo da transição, instabilidade, experimentação e novidade indicam uma situação cultural efervescente em função de suas marcas próprias.”[14] Tal preocupação demonstra como as relações de poder, refletidas na cultura e na produção dos espaços, articulavam o jogo de forças e as motivações ideológicas tanto da sociedade brasileira imperial, quanto do período provincial e republicano no Amazonas.

24.   Segundo Maria Luiza Ugarte Pinheiro,[15] a imprensa no Amazonas surgiu juntamente com a elevação do Amazonas à categoria de província e assim, de forma tardia em comparação ao restante do Brasil, esteve por muito tempo vinculada aos governos locais. O desenvolvimento do periodismo se deu no início do século XX e tinha como característica principal a efemeridade, já que os altos custos de produção, a distância geográfica em relação ao centro administrativo do país e a escassez de profissionais inviabilizavam a permanência prolongada das tipografias no Estado.

A Santa Casa de Misericórdia e sua história nos periódicos e na iconografia

25.   É possível que o acervo documental da Santa Casa estivesse, outrora, minimamente organizado, já que há citações de relatórios de portaria, registros de pacientes e relatórios administrativos em trabalhos acadêmicos de anos anteriores.[16] Atualmente, não há informações na página eletrônica da instituição sobre os documentos e demais materiais relativos à história e funcionamento do hospital.

26.   Segundo a crônica publicada no blog amazonense “Táqui Pra Ti” em 6 de março de 2005,[17] o Prof. Dr. José Ribamar Bessa Freire informa que certo pesquisador, em visita ao acervo da Santa Casa de Misericórdia de Manaus, constatou que não existia dentre os materiais nenhum documento produzido no século XIX, já que em seu entendimento, a instituição teria sido fundada em 1880. Os documentos estavam armazenados de forma precária em uma sala do hospital [Figura 1], e continham informações da instituição a partir de 1950: controles de estoque da farmácia; folhas de pagamentos e livros de caixa; ocorrências dos pacientes; relatórios de cirurgias; fotografias de instalações; reformas e eventos no prédio. Bessa Freire recomenda ao pesquisador a busca de informações em outras fontes históricas como os jornais de época e cita trabalhos de referência neste campo, como as publicações da citada Prof.ª Dr.ª Maria Luiza Ugarte Pinheiro, Coordenadora do Laboratório de História da Imprensa no Amazonas, da Universidade Federal do Amazonas.

27.   Não há informações oficiais sobre o paradeiro do acervo da instituição, já que seu prédio foi saqueado e todos os pertences que permaneceram após o seu fechamento não se encontram mais no local. Atualmente, é possível consultar documentos dispersos em algumas instituições, como a Biblioteca Ramayana de Chevalier, do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), a Associação Comercial do Amazonas (ACA) e a Biblioteca Virtual do Amazonas, sendo que somente esta última possui seu acervo digitalizado.

28.   Para alcançar um enfoque mais específico no campo da arquitetura da Santa Casa, buscou-se fontes de pesquisa nos acervos da imprensa e na iconografia de época, nos quais tanto a Província do Amazonas quanto a cidade de Manaus são retratados em seus aspectos urbanos, políticos, econômicos e sociais. A pesquisa concentrou-se exclusivamente no acervo da Hemeroteca Digital Brasileira, que disponibiliza um acervo digitalizado cuja socialização auxilia nos estudos históricos na medida em que novos acervos e obras raras são incluídas para acesso, diminuindo assim, o abismo da falta de informações documental na região amazônica e proporcionando uma apropriação crescente de seu conteúdo por parte dos pesquisadores. Também foram utilizadas as fontes da Biblioteca Virtual do Estado, principalmente os álbuns municipais, códigos de posturas e relatórios administrativos.

29.   Na Hemeroteca Digital, a busca por informações iniciou-se pelo local “Amazonas,” incluindo todos os períodos disponíveis, utilizando as palavras-chave “Hospital da Caridade” e “Santa Casa de Misericórdia.” Importante destacar que o senso comum sobre a Santa Casa de Misericórdia de Manaus estabeleceu seu surgimento em 1880, a partir da Lei Provincial nº 451 e poucos materiais já publicados informam a criação de um hospital da caridade, ainda no período provincial do Amazonas. O resultado perfez um total de 413 ocorrências em 171 periódicos, entre o período de 1862 a 1990 para “Hospital da Caridade” e 7.044 ocorrências em 171 periódicos, de 1852 a 2007 para “Santa Casa de Misericórdia”.

30.   Em 25 de janeiro de 1873, foi recebida pelo governo da Província do Amazonas a quantia de 1.470$000 réis, doada pelo comerciante e tenente-coronel José Coelho de Miranda Leão, para promover a construção do Hospital da Caridade em Manaus, capital da província. A autorização para o início das obras partiu do Ministério da Agricultura em 26 de outubro do mesmo ano, nos terrenos “delimitados pela rua do Progresso, rua de José Clemente, continuação da travessa da nova matriz e a primeira travessa que fica ao ocidente do largo de S. Sebastião”[18] [Figura 2]. A informação sobre a localização do terreno do antigo Hospital da Caridade revela, portanto, que a Santa Casa de Misericórdia de Manaus está implantada no mesmo local há 146 anos. Assim, a subsuperfície de sua área e demais estruturas em pé são testemunhos históricos da evolução de sua construção e podem preencher lacunas a respeito de sua arquitetura.

31.   Na época de sua construção, apenas o Hospital Militar de São Vicente [Figura 3] prestava socorro aos acometidos pelas endemias e pestilências; contudo, seu atendimento era restrito apenas a militares e civis do sexo masculino. Criada no ano de 1855, a enfermaria localizada na ilha de São Vicente foi, provavelmente, a primeira instituição médica da cidade de Manaus.

32.   Até o ano de 1853, Manaus era constituída por edificações de apenas um pavimento, construídas em pau a pique, cobertas de palha, destacando-se apenas a Igreja da Matriz, a Prefeitura Municipal, o prédio do Antigo Tesouro Público e o Colégio Amazonense D. Pedro II. A ausência de relatos e imagens desta época revelam a indiferença por essas construções, já que não apresentavam características monumentais dos edifícios de outras províncias.[19]

33.   A proposta de contratação do serviço para a construção do Hospital da Caridade foi aceita em 25 de outubro de 1875, para a “construção de uma parte do pavimento térreo do hospital da caridade desta capital.”[20] A obra perpassou os anos de 1876 e 1877 e possivelmente o atraso decorreu da escassez de mão de obra, dos altos custos de navegação e da burocracia da administração imperial, que se encontrava centralizada, enquanto Manaus padecia por causa do isolamento geográfico no extremo Norte do país, segundo Otoni Mesquita.[21]

34.   Nos jornais não é informado sobre a autoria do projeto do hospital, constando apenas existência de projetos de detalhamentos como o desenho da cantaria com ombreiras, soleira e da volta de pedra de lióz, que podiam ser vistos na sede da Repartição de Obras Públicas.[22] A dificuldade para os estudos da arquitetura de Manaus no período provincial está na ausência dos projetos e dados desta repartição. Pode-se aferir a hipótese de uma falha na organização dos setores da administração pública ou o desprezo dos governantes pela autoria dos projetos, orçamentos e forma como esses projetos eram executados.

35.   Parte do hospital foi entregue pelo construtor Gregório José de Moraes em 11 de março de 1878 e são descritos como executados alguns serviços que não constavam na contratação inicial, como “construcção de uma parede de alvenaria dividindo em duas a enfermaria do corpo meridional; na abertura de uma porta exterior e collocação de soleira, ombreira e volta.”[23] No corpo setentrional, edificou-se uma cozinha, para tão logo se iniciar os atendimentos aos doentes.

36.   No expediente da Assembleia Legislativa do Amazonas, de 26 de agosto de 1878, o presidente da Província do Amazonas, Barão de Maracajú, autorizou a utilização de parte do prédio do hospital para o aquartelamento da Guarda Policial, sob a justificativa de economia do erário. O quartel da polícia de fato se alojou no prédio do hospital, já que há um anúncio no Jornal Commercio do Amazonas, no qual consta que a padaria “Estrella do Amazonas”, da firma Nazareth & Cia, situava-se em frente ao quartel da polícia (Hospital da Caridade).[24]

37.   Pode-se especular que tanto a execução de obras com acréscimos e alterações quanto a cessão de parte do prédio para outra função demonstram como a saúde e assistência não eram a prioridade da província. A pasta recebia o menor orçamento em relação às outras rubricas e, mesmo assim, deveria assegurar o atendimento da saúde tanto na capital quanto no interior.[25]

38.   Até 1879, o Hospital da Caridade ainda se encontrava em obras e, no mesmo ano, constituiu-se uma comissão para “organizar o compromisso da irmandade da Casa de Misericórdia, que deverá crear-se nesta capital.”[26] A comissão era composta por grupos de pessoas que deveriam estudar os efeitos legais e financeiros da criação da instituição, angariar donativos e organizar a irmandade da Misericórdia.

39.   Segundo o jornal Amazonas, em 31 de janeiro de 1880 o Tesouro Público Provincial do Amazonas publicou a contratação de obras para a construção de quatro salas e um corredor no corpo posterior do Hospital da Caridade. No mês seguinte, foram comprados camas, colchões e travesseiros para a inauguração do hospital, sob a responsabilidade de guarda de Manoel Brígido dos Santos Sobrinho.[27]

40.   Em 4 de abril de 1880, a Santa Casa de Misericórdia de Manaus foi criada através da Lei Provincial nº 451, assinada pelo Presidente José Clarindo de Queiroz. A administração do hospital ficou à cargo das Irmãs de Sant’Anna e coube ao presidente não só a entrega do edifício, mas também a destinação de todas as quantias que fossem voltadas à sua manutenção, assim como decidiu-se que os rendimentos do Cemitério Público da capital passariam a ser administrados pela irmandade.

41.   A partir de maio do mesmo ano, o hospital já inicia os trabalhos de recolhimento de indigentes e de presos enfermos, já que a penitenciária não dispunha de local de tratamento. Neste momento, constam registros de surtos de varíola e cólera na cidade, contudo, os mesmos não desencadearam taxas significativas de mortalidade na população.

42.   Em sessão extraordinária da Assembleia Legislativa Provincial de 1 de outubro de 1880, o Presidente da Província e médico Satyro de Oliveira Dias informou sobre o andamento das obras públicas e demonstrou preocupação sobre a insuficiência dos espaços do Hospital da Caridade, devendo ser implementadas obras para a construção de “acommodações especiaes para os presos e para os alienados.”[28]

43.   No ano seguinte, a Diretoria de Obras Públicas autorizou o recebimento definitivo das obras do Hospital da Caridade, construída por Leonardo Antônio Malcher e José Cardoso Ramalho. Nossa hipótese é de que estas obras se referem à primeira construção, iniciada em 1873.

44.   No final do século XIX, a cidade de Manaus já passava por mudanças significativas em seu espaço urbano e despertava o interesse internacional por conta do aumento na atividade de extração da borracha. A cidade deixava para trás um passado decadente e estagnado do final do período colonial, modernizando sua infraestrutura urbana, instituindo códigos de posturas, e edificando seus prédios institucionais e residências com uma arquitetura à altura da nova capital.

45.   As obras públicas do período provincial já indicavam traços arquitetônicos com elementos do ecletismo. A adoção do ecletismo, já então amplamente difundido no Ocidente, pode ser interpretada como uma tentativa de se integrar ao mundo moderno, adequando-se ao padrão vigente. Mesmo que de forma tímida, Manaus já vinha definindo-se como uma cidade “civilizada,” acentuando sua faceta eclética a partir do século XX, com o financiamento de obras com os lucros da exportação da borracha[29].

46.   O inchaço populacional ocasionado pela migração e o fato de que as reformas urbanas e epidemias trazidas pelos vapores que atracavam no porto da cidade agravaram os problemas de saúde em Manaus, tornaram os espaços do hospital insuficientes para o atendimento da população. Reclama-se orçamento para novas obras a fim de atender, além da população doente, os indigentes, elefantíacos, loucos e presos, que eram recolhidos a partir da implementação do Código de Posturas de 1890. A Santa Casa de Misericórdia crescia à medida que suas funções aumentavam para o tratamento dos alienados, dos imigrantes acometidos pelas doenças tropicais como febre amarela, órfãos, tuberculosos e desvalidos. Contudo, seu prédio não acompanhou a premissa de modernidade e progresso que justificou as transformações da cidade, permanecendo uma edificação térrea, sem a indicação de uma organização espacial condizente com o modelo hospitalar mais comum da época, o pavilhonar. A tipologia adotada seguia certos padrões do programa higienista, como a construção em bloco único e térrea, pátio central, compartimentos que se abrem para corredores e a sequência de vãos das janelas das fachadas. Esta configuração permitia a renovação do ar e iluminação das enfermarias em atendimento às exigências higienistas.[30]

47.   O projeto de transformação de Manaus se intensificou entre os anos de 1892 a 1900, sob o comando do governador Eduardo Ribeiro, alterando radicalmente as feições da cidade e os modos de vida da sociedade. Segundo Mesquita,[31] dentre as principais mudanças, destacam-se o aterramento de igarapés que antes cortavam a cidade, alteração do traçado urbano da área central, demolição e/ou remodelação dos edifícios herdados do período provincial, nivelamento de colinas e pavimentação de ruas e calçadas.

48.   Os melhoramentos transformaram a cidade em uma vitrine, que refletia a vida cosmopolita das grandes capitais europeias e atraíam cada vez mais estrangeiros e capital para investimento. Contudo, o projeto de embelezamento também é encarado nos estudos revisionistas deste período como uma maquiagem da realidade local que não proporcionou qualidade de vida para toda a população, excluindo as camadas mais pobres e acentuando a miséria e desigualdade social.

49.   Na carta cadastral da cidade e arrabaldes de Manaus de 1895, já é possível observar que o prédio do hospital ocupa quase todo o quarteirão, possui um pátio interno e necrotério [Figura 4]. O Palácio da Justiça é representado na planta possivelmente em construção, já que só viria ser inaugurado em 1898, e será um marco referencial importante para se verificar a imagem da Santa Casa em segundo plano [Figura 5].

50.   A historiografia de Manaus cristalizou-se em torno do discurso do moderno e do belo, perpetuando-se principalmente em fotografias, postais e álbuns governamentais que circulavam pelo Brasil e exterior, e representavam o exibicionismo da riqueza da borracha e evidências apenas de um aspecto da imagem da cidade. Assim, tanto Burke (2004) quanto Assmann (2011) defendem que a imagem é o meio que mais desperta afeto nos indivíduos e que sob o enfoque na modernidade, muitos estudos se concentram, primeiramente, no efeito que as imagens geram na sociedade, e posteriormente, na influência da sociedade na produção de imagens.

51.   A imagem de Manaus foi difundida nas principais exposições internacionais da época, dentre elas a de 1893 em Chicago, com a apresentação do álbum The City of Manaós and the Country of Rubber Trees. Sobre este material, Bruno Braga escreve:

52.                            No seu interior, vemos de tudo um pouco, desde elementos nativos como variedades da fauna e flora, os prédios de Manáos que começavam a surgir neste período, e os índios, sim o índio aparece neste álbum, porém de uma forma longínqua, afastada, o que fica em evidência é a belle époque, a reurbanização da cidade, as pompas que a economia gomífera proporcionou. Entre a cidade mostrada e a cidade real, neste álbum temos uma distância expressiva, pois, essas fotografias de paisagens, com a participação em exposições universais, desperta uma sensação de “não estar no todo,” de “iluminar uma parte escurecendo as demais.” Sim, não é toda a Manáos que aparece neste álbum, até porque, quem não se enquadrava nas normas, no discurso do belo e organizado, não iria ser bem visto em uma exposição progressista, que precisa atrair investidores na cidade.[32]

53.   Dos dois hospitais existentes, a Santa Casa e a Beneficente Portuguesa [Figura 6], apenas o segundo era incluído nos álbuns propagandísticos, como digno de representar a modernidade e progresso no âmbito da saúde. A ausência de imagens e projetos arquitetônicos da Santa Casa pode ser encarada como um silêncio ao signo da antimodernidade que as doenças e a miséria representavam naquele momento. 

54.   No período Republicano, o Governador do Amazonas, Coronel José Cardoso Ramalho Júnior, em mensagem de 10 de julho de 1900, informa a necessidade de um edifício apropriado para a Santa Casa de Misericórdia, não sendo procedente a realização de reformas já que o local era insuficiente e sem qualidades apropriadas para uma casa de saúde. Segundo o Governador:

55.                            [...] a influência indirecta de um bom hospital é de um alcance incalculável para a immigração: o extrangeiro que se arreceia de vir para o Amazonas, temendo ver-se aqui desamparado de socorros caso as molestias do clima o ataquem, sabendo que, os socorros são infallíveis na zona para onde teme se transportar, verá eliminado o seu receio e sem hesitar virá trazer-nos espontaneamente o concurso do seu trabalho.[33]

56.   No ano anterior, Ramalho Júnior já havia solicitado providências da Diretoria de Obras Públicas e assim, foi lançada a concorrência para a construção do novo hospital da Santa Casa. A empresa Antônio Januzzi, Irmão & Com. arrematou as obras e propôs uma séria de alterações no projeto cedido pelo Governo do Amazonas [Figuras 7a e 7b]. As exigências da então moderna higiene hospitalar prescreviam mecanismos de ventilação e renovação do ar, em consonância com a teoria dos fluidos então em voga, que consideravam que o ar e água poderiam ser portadores de emanações pútridas e fétidas, os miasmas. Sobre as definições de projeto, Januzzi propõe:

57.                            Com effeito, a engenharia sanitária condemna absolutamente os hospitaes de proporções gigantescas, aconselhando, ao contrário, a construcção de pavilhões isolados, independentes, como meio de conseguir-se conscienciosa separação dos doentes de molestias puramente organicas, dos affectados de molestias de origem infecciosa.[34]

58.   O contrato com a empresa de Januzzi foi rompido em 1900 e o projeto reduzido à uma proposta de edifício mais modesto, de menores dimensões e construído em diversas etapas. As obras que já estavam ocorrendo foram paralisadas e entregues ao Estado, com a justificativa de que fora “verificada quasi que inexequibilidade da construção do projeto primitivo, motivada pela demasiada grandeza do edifício muito superior ás necessidades actuaes desta capital.”[35]

59.   Nos próximos anos, os relatórios de atividades da Santa Casa registram apenas a execução de serviços de manutenção como caiação, troca do assoalho do refeitório das irmãs, troca dos vidros e venezianas da enfermaria feminina (1900); construção da capela no local do antigo necrotério (1903); reparos nos dormitórios das irmãs e no telhado, pinturas interna e externa, colocação de grades nos corredores da enfermaria (1908).

60.   O hospital novamente apresentava necessidade de mais espaços para atender ao recolhimento cada vez maior de indigentes, devido às imposições mais rígidas dos códigos de postura de 1901, 1910 e 1920. O hospital assumiu a demanda de tratamento dos doentes da extinta enfermaria militar; dos mortos, por ser o único necrotério da cidade; e dos presos da cadeia pública. De acordo com Silva (2012) os surtos de disenteria, paludismo, beribéri, tuberculose e gripe espanhola demandaram a construção de novas enfermarias e salas de isolamento.

61.   Ao entrar no século XX, aumentam as ocorrências para o termo “Santa Casa de Misericórdia” na Hemeroteca Digital Brasileira. Contudo, são poucas as informações sobre obras e aquisições de materiais. Grande parte das notícias são notificações de recolhimento de pessoas, internamento, falecimento e assuntos administrativos.

62.   Durante a passagem de sua expedição à Manaus em 1916, o médico americano A. Hamilton Rice descreveu o que viu na Santa Casa de Misericórdia, informando que “o hospital está em uma estrutura velha, totalmente inadequada e suja, contrariando as informações recebidas de que seria um espaço amplo e recém-construído.”[36] Rice observou que em uma época de alta incidência de febre amarela na região, o governo local despendia recursos na construção de um vistoso teatro, ao invés de implementar melhorias das condições da população doente.

63.   A fotografia do relatório de Rice registrada a partir do pátio interno do hospital [Figura 8] mostra uma edificação térrea, com uma sequência de aberturas em arco pleno, telhado com revestimento cerâmico em 4 águas e uma edícula com aberturas em arco ogival, lambrequins no telhado e jardim sem tratamento paisagístico. A identificação do prédio e do ângulo da foto foi possível a partir da observação da platibanda do Palácio da Justiça,mostrada ao fundo.

64.   O estrangeiro, como uma testemunha ocular, cede uma perspectiva impressionada ou crítica da situação, que muitas vezes governantes buscavam esconder ou tratavam com naturalidade; assim, mostra-se como fonte para a contraposição dos discursos oficiais. A partir do relato de Rice pode-se concluir que a Santa Casa de Misericórdia, naquele momento, ainda era encarada como uma instituição secundária, já que seu prédio possuía aparência simples e sem nenhum tratamento estético, apesar de seu papel nas políticas públicas de saúde e higiene no Amazonas.

65.   As melhorias mais significativas na Santa Casa e registradas com imagens [Figura 9, Figura 10, Figura 11 e Figura 12] foram executadas na gestão dos provedores Coronel Leopoldo de Moares e Mattos e do arquiteto Aluysio de Araújo. No relatório da Santa Casa de Misericórdia referente ao exercício de 1922, é informada a construção de novos pavilhões de primeira e segunda classe com dois pavimentos, inserção de elevadores, quartos para pensionistas com acabamentos de luxo e jardins com tratamento paisagístico.

66.   Em seu relatório de gestão, Aluysio de Araújo descreve as reformas na Santa Casa:

67.   Crearam-se varias enfermarias novas, inclusive a de clinica ophtalmologica, de creanças e dos militares, a secção de maternidade e salas para tratamento electros e raios x, para não citar numerosos gabinetes de clinica, laboratorios, pavilhões com luxosos apartamentos para pensionistas de primeira e segunda classe.

68.                            [...] No andar, por cima do vestibulo, ainda em consequencia dessa alteração, ficou o salão nobre, bem ao centro do edfificio. Deste modo, foi o logar primeiramente reservado ao alludido salão subdividido em varias enfermarias, o mesmo se fazendo quanto ao antigo dormitório das irmãs, cujos aposentos de transferiram  para logar mais adequado [...].

69.                            [...] A fachada do prédio, revestida de cimento em fórma de pedras artificiaes, o que, acima de tudo, demorará os estragos do tempo, tomou linhas modernas e de grave estylo.[37]

70.   Após reformas sofridas nos anos 1930, a fachada principal do prédio pouco alterou-se. Contudo, internamente as modificações e acréscimos foram continuados, adequando os espaços para as normas de saúde vigentes e atualizações da tecnologia médica. Em 2004, a Santa Casa de Misericórdia de Manaus encerrou suas atividades em meio a uma grave crise administrativa e imersa em dívidas trabalhistas, permanecendo fechada até meados de 2015, quando iniciou-se um profundo processo de degradação de seu prédio causado por invasões e depredações [Figura 13]. Todo o madeiramento do telhado, telhas, vidros, cabeamento elétrico, móveis, materiais de expediente e esquadrias foram roubados e vendidos no mercado ilegal. Mediante a vulnerabilidade de seu prédio, usuários de drogas e indivíduos em situação de rua passaram a residir no local. As notícias desta ocupação indevida denunciam o abandono da instituição e mostram a delicada realidade do local.[38].

71.   O Decreto nº 7176/2004 do município de Manaus classifica a Santa Casa de Misericórdia como Unidade de Interesse de Preservação de 1º Grau, devendo estas conservarem as características originais de suas fachadas, volumetria e taxa de ocupação do terreno. No âmbito federal, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), publicou a notificação do tombamento do centro histórico de Manaus no Diário Oficial da União nº 222, seção 03, em 22 de novembro de 2010, incluindo a Santa Casa na área tombada.

72.   Mesmo supostamente protegida pelo seu reconhecimento como patrimônio cultural brasileiro e manauara, a Santa Casa de Misericórdia padeceu do mal que sempre a acompanhou desde a sua criação: o esquecimento e a negligência. Sua história representa o que José Reginaldo dos Santos Gonçalves (1996) expõe nos discursos preservacionistas atuais, nos quais a imagem da perda é o fato histórico exterior ao discurso da preservação, embora representada por ele em maior ou menor ênfase como seu principal elemento articulador.

Considerações finais

73.   A investigação sobre a história da arquitetura da Santa Casa de Misericórdia de Manaus e seu registro na memória documental não se restringe apenas a um retorno às origens ou à geração de esquemas comparativos com outras arquiteturas de sua época, mas ocupa-se também em evidenciar a contribuição de seu atributo material como um documento histórico do passado, capaz de resgatar elementos do contexto de sua criação e trazer subsídios para sua preservação no presente.

74.   Tanto a internet como as tecnologias de digitalização de documentos impressos ampliaram o campo dos estudos da História e permitiram a democratização das informações antes restritas a bibliotecas e arquivos. Superar as estruturas de poder, às quais o arquivo se deixa dominar pelo controle de seu conteúdo e a seleção do apagamento, faz com que as fontes históricas passem a circular nos mais diversos campos dos estudos historiográficos, permitindo o revisionismo de narrativas antes estabelecidas como o único discurso legítimo.

75.   A revisão da produção historiográfica do Amazonas é recente e buscou descortinar a abordagem tradicional da belle époque manauara, expondo neste caso as formas políticas e sociais da concepção e organização do espaço urbano, os mecanismos de controle, exclusão e isolamento, que recaíam sobre a camada menos favorecida da população.

76.   No caso da Santa Casa de Misericórdia de Manaus, ao nos depararmos com a escassez de fontes históricas sobre a instituição e com a perda de seu acervo documental, coube-nos a tarefa de buscar outros meios de armazenamento da memória no campo imagético e no periodismo. Perscrutar a memória jornalística e as imagens do passado possibilitou superar o discurso comum que se tem acerca do hospital, como sua criação anterior à 1880 e compreender as reformas executadas até seu aspecto atual.

77.   O que se busca com este estudo é lançar a hipótese de que nem a importante função d Santa Casa como o mais antigo socorro público e sua participação no projeto de embelezamento e limpeza social da cidade foram relevantes o suficiente para inseri-la no rol das obras arquitetônicas representativas do período histórico da borracha. As estruturas de poder dos séculos XIX e XX produziram um simulacro da realidade local, ocultando as dimensões cotidianas da doença, miséria e caos social e assim, a modernidade determinou o esquecimento da história da Santa Casa.

78.   Para Nora, a memória apropriada como história possui característica arquivística e é tomada pelo que de há mais material e concreto no registro da escrita e da imagem. O interesse pelo arquivo marca o mundo contemporâneo e a preocupação com a preservação do passado dá ao mais simples testemunho uma dignidade virtual. As fontes periódicas e imagéticas se apresentam como o domínio da memória, distante pelo esquecimento, tornando-se o local de sua permanência.

79.   Os lugares associam-se a ideia da perda do patrimônio cultural e dos valores identitários atrelados a ele. O estado atual de abandono e degradação da Santa Casa de Misericórdia de Manaus materializa a predestinação da instituição ao esquecimento a que sempre esteve submetida e assim, o presente se apaga e se distancia de um passado que ainda está por ser resgatado.

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[1] Arquiteta e urbanista, mestranda no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, integrante do Laboratório de Memória e Patrimônio Cultural (LAMEMO) e bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM). E-mail: torrescamyla@yahoo.com.br

[2] Docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo/Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Universidade Federal do Pará. Coordena o Laboratório de Memória e Patrimônio Cultural (LAMEMO) E-mail: cybelle@ufpa.br

[3] BENJAMIN, Walter. Sobre o conceito da história. In: BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: Ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo, SP: Editora Brasiliense, 1985, p. 225.

[4] ASSMANN, Aleida. Espaços da recordação: formas e transformações da memória cultural. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2011, p. 143.

[5] NORA, Pierre. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Projeto História: Revista do Programa de Estudos Pós-Graduados de História, [S.l.], v. 10, out. 2012, p. 9. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/revph/article/view/12101 Acesso em: 04 jan. 2020 às 18:28h.

[6] HALBWACHS, Maurice. A memória coletiva. 2 ed. São Paulo: Centauro, 2003, p. 101.

[7] ASSMANN, Aleida. Espaços da recordação: formas e transformações da memória cultural. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2011, p. 19.

[8] Ibid., p. 237.

[9] BURKE, Peter. Testemunha ocular: história e imagem. Bauru, SP: EDUSC, 2004, p. 17.

[10] Ibid., p. 238.

[11] Ibid., p. 45.

[12] Ibid., p. 220.

[13] CRUZ, Heloisa de Faria. São Paulo em papel e tinta: Periodismo e vida urbana 1890-1915. São Paulo, SP: Arquivo Público de São Paulo, 2013, p. 11. Disponível em: http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/publicacoes/memoria_ebook/ver/sao-paulo-em-papel-e-tinta---periodismo-e-vida-urbana---1890-1915 Acesso em 27 dez 2019 às 15:35h.

[14] Ibid., p. 25.

[15] PINHEIRO, Maria Luiza Ugarte. Periodismo e Vida Literária em Manaus. In: Encontro Regional Norte de História da Mídia, 5, 2018, Manaus, AM. Anais (on-line). Manaus: ALCAR, 2018, p. 1. Disponível em: http://www.ufrgs.br/alcar/encontros-nacionais-1/encontros-regionais/norte/5o-encontro-2018/gt-historia-do-jornalismo/periodismo-e-vida-literaria-em-manaus/at_download/file Acesso em: 27 jan. 2020.

[16] Conforme dissertação de mestrado de Silvia Maria Quintino Bocaiúva intitulada Condições Sociais de Migrantes em Manaus, 1920-1945, do Programa de Pós-Graduação em História, da Universidade Federal do Amazonas.

[17] Disponível em: http://www.taquiprati.com.br/historia Acesso em 04 jan. 2020, às 15:02h.

[18] BOLETIM OFFICIAL, Manaus, nº 10, 29 de janeiro de 1873, p. 4. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/850691/193 Acesso em: 26 dez. 2019, às 17:28h.

[19] MESQUITA. Otoni Moreira de. Manaus: história e arquitetura (1669-1915). 4 ed. Manaus, AM: Editora Valer, 2019, p. 57.

[20] JORNAL DO AMAZONAS, Manaus, n. 88, 02 de abril de 1876, p. 2. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/260940x/145 Acesso em: 26 dez. 2019, às 17:28h.

[21] MESQUITA, op. cit., p. 57.

[22] JORNAL DO AMAZONAS, Manaus, n. 187, 09 de junho de 1877, p. 3. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/260940x/660 Acesso em: 26 de dezembro, às 18:04.

[23] AMAZONAS, Manaus, n. 178, 18 de setembro de 1878, p. 1. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/164992/1717 Acesso em: 26 dez. 2019, às 17:42h.

[24] COMMERCIO DO AMAZONAS, Manaus, nº 114, 08 de maio de 1879, p. 04. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/301337/309 Acesso em: 27 dez. 2019, 09:17h.

[25] COSTA, Cybele Morais da. Socorros públicos: as bases da Saúde Pública na Província do Amazonas. Dissertação: Mestrado em História, Universidade Federal do Amazonas (Dr. Hideraldo Lima da Costa), Manaus/AM, 2008, p. 50.

[26] AMAZONAS, Manaus n. 362, 10 de dezembro de 1879, p. 2. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/164992/2462 Acesso em: 17:56h.

[27] AMAZONAS, Manaus, n. 413, 18 de abril de 1880, p. 2. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/164992/2666 Acesso em: 27. dez. 2019, 18:32h.

[28] AMAZONAS, Manaus, n. 525, 28 de janeiro de 1880, p.1. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/164992/2803 Acesso em: 27 dez. 2019, 18:39h.

[29] MESQUITA, op. cit., p. 60.

[30] ANDRADE, I.; COSTA, R; GALLO, E. Edifícios da Saúde no Rio de Janeiro Oitocentista. In: Hospitais e Saúde no Oitocentos: diálogos entre Brasil e Portugal / organizado por Cybelle Salvador Miranda e Renato da Gama-Rosa Costa. Rio de Janeiro: Editora FIOCRUZ, 2018, p. 58.

[31] Ibid., p. 145.

[32] BRAGA, Bruno Miranda. A cidade e suas representações: Manaus no século XIX (1850-1883). CLIO: Revista de Pesquisa Histórica, Recife, PE, v. 34, n.1, mai. 2016, p. 174. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaclio/article/view/25026/20273 Acesso em: 06 nov. 2019, às 20:35h.

[33] RELATÓRIO DOS PRESIDENTES DOS ESTADOS BRASILEIROS. Manaus, 10 de julho de 1900, p. 20. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/720879x/544 Acesso em 27 dez. 2019, às 10:12h.

[34] INSTITUTO GEOGRÁFICO E HISTÓRICO DO AMAZONAS. Memorial apresentado ao Exm. Snr. Governador do Estado do Amazonas por Antonio Januzzi, Irmão & C: sobre o projecto da construcção de um Hospital para a Santa Casa de Misericórdia de Manaós. Rio de Janeiro: Jornal do Commercio, 1899, p. 5.

[35] Ibid., p. 107.

[36] COUNCILMAN, W. T; LAMBERT, R. A. The medical report of the Rice expedition to Brazil. Cambridge: Harvard University Press, 1918, p. 47.

[37] RELATÓRIO DOS PRESIDENTES DOS ESTADOS BRASILEIROS. Manaus, 10 de julho de 1900, p. 209-210. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/720879x/7253 Acesso em 27 dez. 2019, às 22:49h.

[38] Por exemplo: Homem que estuprou adolescente no prédio da Santa Casa de Misericórdia é preso em Manaus, PORTAL MANAUS ALERTA, 21 de novembro de 2019. Disponível em: https://manausalerta.com.br/homem-que-estuprou-adolescente-no-predio-da-santa-casa-de-misericordia-e-preso-em-manaus/ Acesso em: 04 jan. 2020, às 10:38h.