. R. P. BELAS ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 ago. 1920, p.4. - Egba

R. P. BELAS ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 ago. 1920, p.4.

De Egba

SALÃO DE 1920 - O certame do corrente ano, recentemente inaugurado, se não prima pela quantidade destaca-se pela qualidade. Sente-se que os artistas procuraram maiores surtos e desejaram revelar, com maior segurança, às nossas autoridades, condenavelmente indiferentes, e ao nosso povo, inexplicavelmente apático, que há tenacidade, constância, pertinácia, apesar de todos os obstáculos que se apresentam, a partir da criminosa xenomania, que só acha de valor o que vem lá de fora...

A seção mais numerosa, como sempre, é a da pintura. Nela se contam cento e trinta e dois trabalhos, dos quais destacamos, nesta primeira resenha de impressão geral, duas admiráveis telas de J. Baptista da Costa, o mestre consagrado; um excelente retrato, obra prima de Lucilio de Albuquerque; uma primorosa tela de D. Georgina de Albuquerque; as rês produções vigorosamente sentidas de Elyseu Visconti; as obras de Helios Seelinger, em progresso ascendente e entusiasta; a concepção arrojado [sic] de Augusto Bracet; a segurança das cores e a flagrante verdade dos quadros de Rodolpho Chambelland; uma soberba natureza morta de Carlos de Servi; a adorável e poética tela de Levino Fanzeres; as revelações promissoras de Hermogenes Marques; as fanfarras de luz de Navarro da Costa; a admirável cabeça de Otto Büngner; o misticismo insinuante de Carlos Oswaldo; a paisagem sentida [Imagem] de Edgard Parreiras; a vigorosa técnica e o fundo sentimento dos irmãos Timótheo da Costa [Arthur Thimotheo da Costa e João Thimotheo da Costa] e a delicadeza de fatura de D. Regina Veiga. Na escultura destacamos Antonino Mattos com a sua “Escrava”, lançada com soberba técnica; o bronze muito humano de Umberto Cavine; os trabalhos magistrais de Magalhães Corrêa; o bronze impressionante de Paschoal Fosca e as demonstrações mais firmadas de dois novos, Martins Ribeiro e D. Margarida Lopes de Almeida. Em gravura revelam-se de pronto Adalberto Mattos com a maestria já reconhecida e D. Dinorah Enéas.

Antes de entrarmos em detalhes de apreciação, que faremos em artigos seguintes, seja-nos lícito dizer que a visita presidencial à exposição não se limitou observação das obras d’arte expostas; as galerias e demais dependências principais do edifício da Escola Nacional de Belas Artes foram visitadas igualmente com atenção, ficando bem patentes as necessidades de ampliação e melhoramento de inúmeras seções do grande prédio, para que ele possa satisfazer às exigências justas, longos anos reclamadas, para beneficio real da instituição. Outro ponto, também a frisar, observado com mágoa, na inauguração, é a ausência quase absoluta dos professores da casa à cerimônia mais cultual que ali se celebra anualmente. Sete apenas foram vistos e a maioria deixou-se ficar em casa, no gozo patriarcal do pijama e das chinelas, como se aquilo nada valesse para eles, nem mesmo o favorzinho de uma desculpa por telegrama ou um recadinho modesto pelo telefone, justificando o ablativo …

R. P.


Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

R. P. BELAS ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 ago. 1920, p.4.

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