. O Salão deste ano. Inaugurou-se domingo, à tarde, a XXXV Exposição anual de artes plásticas. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 14 ago. 1928, p. 3. - Egba

O Salão deste ano. Inaugurou-se domingo, à tarde, a XXXV Exposição anual de artes plásticas. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 14 ago. 1928, p. 3.

De Egba

Previamente anunciada, tendo sido convidadas as altas autoridades do governo da República, a imprensa, as escolas superiores, as associações de classe e os representantes do corpo diplomático estrangeiro, realizou-se domingo, às 2 horas da tarde, a inauguração oficial do Salão de Belas Artes ou a XXXV Exposição Nacional de Artes Plásticas, na respectiva Escola.

A essa hora, uma banda de música da Polícia Militar tocava à entrada, no primeiro pavimento.

O presidente da República não compareceu.

Foi uma nota desagradável, a qual entre os artistas novos, porque os velhos já estão habituados a essas decepções, causou triste impressão.

O sr. Washington Luis se fez representar por um dos seus ajudantes de ordens.

Dos ministros de Estado, só os srs. Vianna do Castello e Victor Konder, foram assistir a abertura do Salão, que teve, em compensação uma extraordinária concorrência de intelectuais e artistas, notadamente de famílias distintas.

Procuramos ver se eram muitos os senadores, deputados e intendentes municipais que lá se achavam. Observamos. Eram tão poucos, meia dúzia, no máximo, que se chegava a duvidar se a comissão organizadora tinha mesmo convidado a essa gente, que legisla para o país e que se diz representar a cultura social brasileira.

A comissão, a convidara, é verdade, mas eles é que lá não foi [sic] salvo um ou outro considerado esquisito no Senado, na Câmara e no Conselho...

Foram numerosos os trabalhos expostos, cerca de quatrocentos, ocupando os diversos salões e corredores da Escola Nacional de Belas Artes.

Há pintura, escultura, retratos e medalhões.

As velhas escolas predominam.

Contudo, o modernismo, principalmente na estatuária, sempre conseguiu vencer algumas colocações. A crítica dirá em tempo do valor desses trabalhos, onde há dez pretendentes ao prêmio de viagem à Europa.

O ato inaugural foi presidido pelo professor Corrêa Lima, diretor da Escola, que tinha ao seu lado os demais membros da comissão organizadora.

Registrando esta nota informativa da solenidade da inauguração do Salão, convém, desde já, acentuarmos o abandono em que ficou a Escola, desaparelhada de todos os recursos materiais para um certame artístico da natureza desse que à cidade ela proporcionou no derradeiro domingo.

Foi preciso que, à última hora, a Polícia Militar lhe emprestasse operários e material para os reparos de que a Escola necessitava. Tudo lhe faltava.

O Congresso não dá verba para essas coisas - que ele refuga como coisa de menor importância - e a Escola virá a cair aos pedaços.

O Salão é produto de muito esforço dos professores e artistas. Daí a comissão procurar explicar a medida antipática e incoerente, num meio como este, de se cobrar os ingressos dos visitantes do Salão, cobrando-lhes, por cima, o preço dos catálogos.

O Salão quer concorrência, deseja que o público lhe veja os trabalhos e... exige dinheiro à entrada! Mas, é com essas migalhas do público que a Escola Nacional de Belas Artes, estabelecimento oficial, instituto do governo, custeia o Salão, onde se exibem às manifestações de idealismo e arte que o Brasil ainda logra entre os seus filhos!...

Durante toda a tarde do domingo o Salão esteve concorrido.

A comissão organizadora, como nos anos anteriores, a fim de facilitar a visita do público aquele certame, resolveu que o mesmo permanecesse aberto, à noite, das 9 às 11 horas, durante a semana corrente.

Por deliberação da Diretoria da Escola, tanto o Salão como a Pinacoteca, estarão abertos do meio dia às 5 horas da tarde diariamente, menos a Pinacoteca que às segundas-feiras permanecerá fechada, para limpeza.


Imagem

Dois aspectos da cerimônia inaugural do “Salão” de Belas Artes


Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O Salão deste ano. Inaugurou-se domingo, à tarde, a XXXV Exposição anual de artes plásticas. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 14 ago. 1928, p. 3.

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