. O Salão da Escola de Belas Artes. A festa de hoje e os trabalhos dos concorrentes ao prêmio de viagem. O Jornal, Rio de Janeiro, 11 ago. 1928, p. 3. - Egba

O Salão da Escola de Belas Artes. A festa de hoje e os trabalhos dos concorrentes ao prêmio de viagem. O Jornal, Rio de Janeiro, 11 ago. 1928, p. 3.

De Egba

Realiza-se hoje a cerimônia preliminar da abertura do Salão da Escola de Belas Artes, que vem, nesses últimos anos, pela sua organização, pelo número e qualidade dos seus trabalhos, pelas afirmativas de verdadeiras vocações artísticas, interessando indubitavelmente a opinião pública. As nossas exposições de quadros, como os nossos salões, que não há muito eram frequentados apenas das elites intelectuais e dos profissionais e amadores, já hoje comportam ou estimulam um concurso de visitantes que vale por um índice do desenvolvimento do gosto das artes em todas as classes. Se não é grande entre nós ainda o interesse capaz de animar a produção de obras de arte, porquanto são relativamente poucos os que as adquirem, é certo que não há nada de mais promissor do que o prazer que o nosso público vai encontrando em os contemplar, criando assim um ambiente de grandes possibilidades, para empregarmos um termo de aplicação frequente na ordem econômica, mas bem ajustado ao fenômeno que registramos.

E não resta a menor dúvida que os nossos artistas, os nossos professores e discípulos são dignos do estímulo e do louvor da opinião, bem como de todo o amparo dos poderes públicos. A melhor afirmativa da nossa veia de arte está ainda na obstinação com que trabalha tão grande grupo, sem encontrar, todavia maiores recompensas, no entusiasmo febril com que uns renovam as lições e os modelos antigos, e outros se debatem à procura de fórmulas novas, e isto não só na pintura, como em todas as artes, o que exprime a vitalidade invejável do nosso temperamento artístico, a sedução irresistível da beleza que sacrifica tantas energias pelo amor do sonho, numa terra em que a arte nacional não encontra por enquanto maiores compensações, embora sendo o Brasil entre todas as nações deste continente talvez aquela em que surgem com maior frequência os artistas de inspiração, de personalidade e vigor.

O salão deste ano, cuja “vernissage” hoje se soleniza, será de certo uma confirmação de tão rápidos, mas tão lisonjeiros conceitos de arte nacional.

Os concorrentes ao prêmio de viagem do Salão de 1928 são em número de 11, conforme se deduz de nossa gravura que mostra, por ordem numérica, as pinturas a óleo da senhorita Gilda Moreira (n.1), do sr. Manoel Constantino (n. 2), do sr. Cadenio Fausto [sic] (n. 3), do sr. Candido Partinari [sic] (n. 4), do sr. Manoel Faria (n. 5), da senhorita Edith de Aguiar (n. 6), do sr. Ozorio Belém [sic] (n. 7), bem como o baixo relevo (n. 8) do sr. A. Marinho [sic] [Francisco Gomes Marinho], e ainda (ns. 9, 10 e 11) as pinturas de [sic] óleo do sr. J. Fonseca [sic] [Euclydes Fonseca], da senhorita Sarah Villela e do sr. Orlando Ferraz [sic] [Orlando Teruz].


Imagens

Pinturas a óleo de Gilda Moreira (n.1), de Manoel Constantino (n. 2), de Cadmo Fausto (n. 3), de Candido Portinari (n. 4), de Manoel Faria (n. 5), de Edith de Aguiar (n. 6), de Orozio Belém (n. 7), baixo relevo de Francisco Gomes Marinho (n. 8), pinturas a óleo de Euclydes Fonseca (n. 9), Sarah Villela (n. 10) e de Orlando Teruz (n. 11).


Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O Salão da Escola de Belas Artes. A festa de hoje e os trabalhos dos concorrentes ao prêmio de viagem. O Jornal, Rio de Janeiro, 11 ago. 1928, p. 3.

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