. O SALÃO de 1906. A INAUGURAÇÃO. O Paiz, Rio de Janeiro, 2 set. 1906, p.2. - Egba

O SALÃO de 1906. A INAUGURAÇÃO. O Paiz, Rio de Janeiro, 2 set. 1906, p.2.

De Egba

A inauguração da 13ª Exposição Geral de Belas-Artes esteve animada, alegre, concorrida. Ao meio-dia, já se achavam na Escola de Belas Artes, além de grande número de convidados, o Dr. Félix Gaspar, ministro do interior; seu secretário, Dr. Rodrigues Barbosa, e o Dr. Francisco Pereira Passos, prefeito municipal, quando chegou o Sr. presidente da República, acompanhado por Mlles. Rodrigues Alves e o general Souza Aguiar.

O Sr. presidente foi recebido pelo Sr. ministro do interior, seu secretário, Dr. Passos, o diretor da Escola professor Rodolpho Bernardelli; o secretário, Dr. Diogo Chalreo; o bibliotecário, Victor Viana, e pelos professores Homem de Mello, Araujo Viana, Carlos Cianconi, Baptista da Costa, Ludovico Berna, Girardet, Zeferino da Costa e Gastão Bahiana.

O Sr. presidente da República e Mlles. Rodrigues Alves demoraram-se bastante tempo no salão, apreciando e comentando os trabalhos expostos.

O aspecto da exposição era encantador.

O salão regurgitava de “leading beauties” e “smarts”.

Toda a sociedade carioca ali se deu o “rendez-vous”.

A 1 hora da tarde, chegaram os dois trabalhos do Sr. Belmiro de Almeida, que ainda não se tinha podido retirar da Alfândega, em virtude da greve. Foi um sucesso o aparecimento desses dois quadros lindos: a “Dame a la Rose”, uma senhora esguia, de preto, com uma rosa na mão, causou natural admiração; tem caráter e destaca a técnica superior do eminente artista pintor. A “Amuada”, de uma feitura leve e perfeita, concentrou em torno de si uma sempre entusiástica multidão de contempladores.

Os visitantes estavam satisfeitíssimos com o salão, que, embora pequeno, tinha trabalhos de valor. E ninguém se fartava de ver e tornar a ver as paisagens do Sr. Baptista, o retrato magnífico [Imagem] do Sr. Eduardo Bevilacqua, o “Preto” incomparável do Sr. Arthur Timotheo, o “Violinista” do Sr. Carlos Oswald, o “Trabalho” perfeito do Sr. Correia Lima, e os “pastéis” do Sr. Arthur Lucas.

Alguns retratos provocaram comentários e piadas. Foram entre eles muito apreciados: o do Sr. Bevilacqua, o do Sr. Sylvio Bevilacqua, feito pelo Sr. José Timotheo [sic]; o do Sr. Luiz de Rezende, pelo pintor francês Aman Jean; o nosso colega de imprensa Sr. Raul Xavier, por sua Exma. esposa, D. Luiza Xavier; os bustos de Correia Lima e de D. Julieta França, os autorretratos de Mlle. Daum e M. Petit.

A inauguração do salão foi um lindo sucesso. Nunca se viu tanta gente na nossa Escola de Belas Artes.


Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O SALÃO de 1906. A INAUGURAÇÃO. O Paiz, Rio de Janeiro, 2 set. 1906, p.2.

Ferramentas pessoais
sites relacionados