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O SALÃO DA ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES. A inauguração oficial de domingo. O Jornal, Rio de Janeiro, 14 ago. 1928, p. 5.

De Egba

Inaugurou-se domingo, com a solenidade oficial do estilo, o Salão da Escola Nacional de Belas Artes.

Pode dizer-se, sem exagero, que a abertura do Salão de 1928 foi, sob muitos aspectos, um dos acontecimentos artísticos mais significativos a que o Rio tem assistido nos últimos tempos.

Há muitos anos não se via, na Escola Nacional de Belas Artes, uma exposição anual que representasse, em todas as suas seções tão larga soma de esforço, de trabalho, de inteligência lúcida e consciente, como a que anteontem se inaugurou.

Nem andaria talvez longe da verdade quem afirmasse que, pelo menos na seção de pintura, o Salão Oficial nunca apresentara um conjunto tão numeroso, variado e interessante, como o deste ano.

Desta vez sente-se que todos os artistas brasileiros, trabalharam com a vontade unânime e vidente do realizar alguma coisa de considerável que, dignificando-os individualmente, dignificasse, sobretudo a arte nacional.

Percorrendo as galerias do Salão, vê-se positivamente que novos e velhos, mestres e discípulos, orientaram todos os seus esforços no mesmo sentido, procurando reagir contra a indiferença e a ausência de estímulos que esmagaram sempre as nossas manifestações artísticas.

Os mais novos, concorrendo em legião, e com grande número de obras, ao Prêmio de Viagem, revelam com nitidez a esperança, o entusiasmo radioso, levando o Salão atestados flagrantes de que o espírito das criaturas se sobrepõe às próprias contingências do tempo e da idade.

E é curioso passar uma revista geral, ainda que de relance, sobre os trabalhos mais significativos do Salão de 1928.

Só ao Prêmio de Viagem concorreram quinze artistas, sendo onze pintores e quatro escultores.

Esses concorrentes foram os srs.: Candido Portinari, que se apresenta com probabilidades de triunfo, levou ao Salão doze trabalhos, dos quais mereceu destaque o “Retrato do sr. Olegário Mariano”, e “Retratos” e o “Retrato do sr. Jorge de Castro”, além de carvões interessantes; Cadmo Fausto, com três trabalhos, dos quais é mais vultoso - “Manhã no Campo”; a sta. Edith de Aguiar, com quatro quadros, entre eles um “Nu”, de técnica forte e larga, e um “Retrato de E. S.”; sta. [sic] Gilda Moreira, com dois trabalhos. “Borboletas”, que fez boa impressão, e “Sinfonia”; Manoel Constantino, com dois quadros; Manoel Faria, com o quadro “Anchieta ou o Apóstolo das Selvas”; Orlando Ferraz [sic] [Orlando Teruz], com três quadros, entre os quais “Os guaycurús” e “Homens do Mar”; Orozio Belém, com nove trabalhos, dos quais se destaca o quadro “As estações brasileiras”; sra. Sarah Villela de Figueiredo, com cinco trabalhos, sendo mais notáveis o nu “Meu modelo” e o retrato da “Sta. [sic] Mercedes Nicolussi”; Gastão Formenti, com três trabalhos; Euclydes Fonseca, também com três; o escritor [sic] Paes Leme, “Uma cabeça” e os gravadores srs. Calmon Barreto, com três trabalhos, e G. Marinho, com sete trabalhos fortes, dos quais se destaca a medalha “O Guarani”.

Concorreram com trabalhos notáveis, na seção de pintura, os srs. André Vento, Annibal Mattos, Garcia Bento, com uma “marinha” apreciável; Augusto Bracet, com um bom “Nu”; Carlos Oswaldo, com uma Santa Cecília, quadro de misticismo impressionante; Celso Kelly, com o “Pão de Açúcar”; Cesar Turatti, com um belo “Dia Tropical”; Ernani de Irajá, Jordão de Oliveira, Orestes Acquarone, com o quadro histórico “O Chafariz da Carioca” e um painel decorativo; Francisco Marra [sic], Vicente Leite, Suzana de Mesquita, etc.

Deram também brilho ao Salão os escultores; Humberto Cozzo, com três trabalhos, dos quais um notável - “O busto do pintor Bernardino”; Francisco de Andrade, com dois trabalhos; Juan Sacco Paraná [sic] [Zaco Paraná], com seis esculturas; Julieta França, Lotti Bento [sic] [Lotte Benter], com 15 trabalhos interessantes (estudos indígenas); Quirino da Silva, com “D. Quixote”; Humberto Cavina, Orestes Acquarone [Orestes Acquarone Filho], com uma maquete “Estoicismo”, que fez boa impressão, etc.

Na seção de gravura apresentaram trabalhos os srs. Brasilio Nunes [sic], Arlindo Bastos, etc.

Dos mestres compareceram ao Salão os srs. Elyseu d’Angelo Visconti, com vários trabalhos; Georgina Albuquerque, Lucilio Albuquerque, Marques Junior, H. Cavalleiro, com seis trabalhos, os irmãos Bernardelli (Henrique [Henrique Bernardelli], que apresenta cerca de 30 retratos, e Rodolpho [Rodolpho Bernardelli] que apresenta o busto de Henrique Bernardelli); o prof. Corrêa Lima, com um busto de Rodolpho Bernardelli, Magalhães Corrêa, Modestino Canto, Augusto Girardet, Adalberto Mattos, etc.

Essa simples enumeração sucinta de nomes e de obras, sem nenhuma veleidade crítica, mostra nitidamente a importância que, pela quantidade como pela qualidade, tem o Salão de 1928.


Imagem

Flagrante tomado durante a inauguração oficial de domingo


Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

O SALÃO DA ESCOLA NACIONAL DE BELAS ARTES. A inauguração oficial de domingo. O Jornal, Rio de Janeiro, 14 ago. 1928, p. 5.

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