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O "SALON" DE 1925. Grande concorrência de pintores. O Globo, Rio de Janeiro, 12 ago. 1925, p. 2.

De Egba

Inaugurou-se hoje, solenemente, com a presença do representante do Sr. presidente da República, do Sr. ministro da Justiça, altas autoridades, professores, artistas e convidados, o “Salon” de 1925, a que concorrem seis candidatos ao prêmio de viagem. Sem dúvida alguma, o “Salon” deste ano provocou uma afluência considerável de pintores, dividindo-se por nada menos de cinco salas as telas que se oferecem à admiração do público. Entre os nomes novos, feriram-nos a atenção, na rápida visita de hoje, os dos Srs. Garcia Bento, M. Faria, Oswaldo Rocha, Mario [?], Armando Vianna, Edith de Aguiar, e De Murta. O primeiro expõe uma série de marinhas, a cujo valor deixamos apenas referências, para tratar, mais a tempo da sua expressão. Se não nos enganamos, o Sr. Garcia Bento corre para a vitória final... Entretanto, ao seu lado apresenta-se o Sr. M. Faria, com um recanto de paisagem em que há um trecho de água estagnada de bom efeito. Também o Sr. Armando Vianna se apresenta com muito relevo. A sua tela de um bando de senhoras do sol, coberta uma das do bando com uma sombrinha “rouge” [Imagem], é um atestado que merece os estímulos da crítica. O senhor Oswaldo Rocha oferece aos olhos dos que visitam o “Salon” um trecho de jardim, bom, mau grado um certo acabamento, que torna como que precioso o seu estilo.

Nota curiosa: as feiras livres inspiraram dois artistas, os Srs. Mario [?] e J. Medeiros [José Maria de Medeiros], o primeiro, bom, o outro, francamente mal.

Os nomes antigos estão bem representados: Baptista da Costa, com duas soberbas paisagens; Gottuzzo, com dois nus de segura técnica; A. Bracet, com um Cristo razoável; Navarro da Costa, com duas marinhas; Lucilio de Albuquerque, E. Parreiras, Guttmann Bicha [sic], Anibal de Mattos, Sarah Figueiredo e outros, com variedades dignas de nota; Carlos Oswald, com uma cabeça maravilhosa, e Arthur Lucas, há tanto tempo enfermo, com cisnes sobre água; Henrique Cavalleiro, com uma série de impressões magníficas, que se destacam nas paredes como a segurança duma personalidade e de um temperamento característico. O professor Verdié fez a surpresa de três telas e um auto-retrato, o que não evitou de ser ele a nota por excelência do salão de escultura. O seu medalhão em madeira, do Conde da Barca, é uma obra de mestre. A sala de escultura está bem concorrida. Há ali uma cabeça de índio em madeira, de um professor mexicano, que se aproxima da obra-prima. A sala de artes aplicadas, boa. Boas as salas de gravura, de arquitetura, de medalhas.

A inauguração do Salon, constitui uma nota brilhante. Muitas senhoras, muitas flores, muita animação e muita cordialidade entre expositores, foram os aspectos característicos da primeira tarde de arte de 1925, na Escola Nacional de Belas Artes.


Imagem

Marinha, de Garcia Bento, concorrente ao prêmio do "Salon"


Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

O "SALON" DE 1925. Grande concorrência de pintores. O Globo, Rio de Janeiro, 12 ago. 1925, p. 2.

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