. NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 6 set. 1895, p.3. - Egba

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 6 set. 1895, p.3.

De Egba

São nada menos de sete as senhoras que concorrerão à Exposição de Belas-Artes, seis na seção de pintura e uma na de escultura; Mme. Berthe Worms, D. Diana Cid, D. Maria Agnelle Forneiro, Mlle. Victorina Vaunier, a Sra. A. Minitzhy, D. Alina Teixeira e D. Adelaide U. Silveira.

Mme. Berthe Abraham Worms é francesa, discípula dos notáveis pintores Jules Lefebvre, Benjamin Constant e C. Boulanger, e reside atualmente em S. Paulo.

Os seus trabalhos distinguem-se pela correção do desenho e pelo seu colorido bonito. Dos seus quadros, o que gostamos mais é o de n. 97 - Um cardeal - em que essas suas qualidades se acham bem patentes e que é muito vigoroso.

O quadro Saudades de Nápoles tem sentimento e colorido harmonioso, mas os braços desproporcionalmente curtos. A Lição difícil tem expressão e o quadro Cabeça de mulher é bem feito.

Do retrato da Sra. D. Julia Lopes já falamos mais de uma vez nestas colunas.

A Sra. D. Diana Cid já o ano passado chamou a atenção com alguns quadros com que concorreu à Exposição. Este ano mandou apenas três trabalhos, mas nem por isso faz figura somenos. Distingue-se por ter sobriedade e harmonia de cores e pinta com sentimento. Os seus quadros devem ser vistos a alguma distância, para que se destaque todo o efeito.

Dos dois retratos que expõe, já dissemos o que pensamos; o quadro En dètresse (n. 12 A) é bem sentido, parecendo-nos que a figura só por si exprime bem a ideia da artista, sendo desnecessário o esqueleto arroxeado que traz na mão um coração vermelho.

A Sra. D. Maria Agnelle Forneiro expõe quatro trabalhos, nos quais, como nos do ano passado, nota-se bem pronunciada a influência do seu professor o Sr. N. Facchinetti, cuja maneira ela cultiva. Tem incontestavelmente muito talento e as suas telas são bem sentidas, notando-se já em alguns trabalhos como que certo esforço para individualizar-se. É uma artista de quem há muito a esperar.

O quadro "Meditação" da artista russa A. Minitzhy tem expressão, mas é feito em uma entonação monótona e escura, que o torna pouco atraente.

Mlle. Victorina Vannier, que expõe dois quadros de natureza morta, revela ainda certa hesitação.

Os quadros da Sra. D. Alina Teixeira, em um tanto fracos, traem boas disposições artísticas.

O trabalho que a Sra. D. Adelaide Umbelina da Silveira expõe, não é bastante importante para se poder aferir com justiça o seu merecimento como cultora da arte do Sr. Rodolpho Bernardelli.

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Por ora os únicos quadros vendidos na Exposição são os seguintes: a "Culpa" do Sr. Felix Bernardelli, adquirido pelo Sr. Vice-Presidente da República; o "Palácio da Boa Vista", do Sr. Belmiro de Almeida, pelo Sr. Augusto Wequelin; "Um Cardeal", de Mme. Berthe Worms, pelo Dr. Garcia Redondo, e o "Chalet do Diretor da Companhia Bahia e Minas", do Sr. Brocos.


Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 6 set. 1895, p.3.

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