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NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 set. 1896, p.1.

De Egba

A Exposição de Belas Artes este ano foi, como já se tem dito muitas vezes, bastante fraca, realmente mais fraca de quantas se tem ali realizado. Entretanto não se pode dizer que não tenha havido bastante atividade no mundo artístico esse ano.

Além do panorama do Sr. Victor Meirelles, tivemos a cúpula do Instituto Nacional de Música, que trouxe ocupado o Sr. Henrique Bernardelli todo o ano, e que merece ser vista. Há mais o magnífico trabalho de restauração do belo templo da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, em boa hora confiado pela sua inteligente e criteriosa administração à inquestionável competência do Sr. Thomas Driendl, e que nos veio revelar um tesouro artístico que aqui existia ignorado.

O Sr. Pedro Peres trouxe da sua excursão a Teresópolis diversos trabalhos de merecimento, sobressaindo dois, grandes quadros acabados, realmente dignos de nota, e sobre os quais já falamos nestas colunas.

Sr. Benjamin Parlagreco realiza atualmente na Fotografia Gutierrez um exposição bem interessante de uns trinta e tantos trabalhos seus, e já se anuncia para brevemente a exposição dos trabalhos de Antonio Parreiras e de dois discípulos seus. De Antonio Parreiras sabemos que tem acabados já muitos pequenos trabalhos de cavalete, como sempre estudados diretamente do natural; mas, o que há de com certeza chamar sobre si a atenção geral é a sua grande tela intitulada Sertanejas, em que ele transplantou com admirável vigor e felicidade um soberbo trecho da nossa portentosa natureza, e um enxame das suas mais belas e variegadas habitadoras, compondo um quadro que há de causar extraordinária e profunda impressão.

Dado o nosso meio ainda tão pouco afeito a entender e apreciar obras de arte; considerada a pouca animação que de todos os lados os artistas recebem, tanto por parte dos poderes públicos que regateiam as parcas subvenções com que até agora tem sido favorecidas as artes entre nós, como por parte dos particulares que deixam de comprar-lhes os seus trabalhos para pagarem por altos preços pinturas estrangeiras, quase sempre de valor contestável e proveniência duvidosa, o resultado não é tao desolador como prima facie parecia.


Digitalização e transcrição Arthur Valle

NOTAS SOBRE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 set. 1896, p.1.

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