. NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 16 out. 1910, p.6. - Egba

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 16 out. 1910, p.6.

De Egba

ENCERRAMENTO DA EXPOSIÇÃO GERAL - Encerrou-se ontem a Exposição Geral de Belas Artes do corrente ano.

Durante os quarenta e cinco dias em que esteve aberta, foi ela visitada apenas por 1.025 pessoas, não contando naturalmente as pessoas presentes no dia da inauguração, que ali foram por convite.

Em uma cidade cuja população se calcula ser de quase um milhão de habitantes, esse número revela uma ausência de cultura, uma falta de interesse por coisas de arte, que desola.

Conquanto a Exposição fosse pequena e dos trabalhos expostos muitos talvez não devessem ter sido admitidos, ainda assim encontravam-se ali, em número bastante regular, telas de artistas cujos nomes só por si deviam ter despertado, pelo menos, a curiosidade dos que têm a mais superficial educação artística.

Realmente, se os trabalhos de artistas como Henrique Bernardelli, Rodolpho Amoedo, João Baptista da Costa, Modesto Brocos, Eugenio Latour, Pedro Peres, Elysio Visconti, entre os nacionais, e Agustine Salinas [sic], Pablo Salinas, Giuseppe Brugo e A. Girardet, entre os estrangeiros, para só citar os nomes de artistas já consagrados, não são suficientes para levar à uma exposição de arte frequência mais numerosa do que a registrada na porta da Exposição, demonstra isso um lamentável caso de atraso, bastante humilhante para as nossas ambições de centro mais civilizado da América do Sul.

O número das obras adquiridas, também não foi grande; mas, em proporção com a quantidade das telas expostas e principalmente dos visitantes, foi mais lisonjeiro, foram vendidos dez quadros!

O artista, que vendeu mais, foi o eminente pintor espanhol Pablo Salinas, residente: um amador, que não quis dar o nome, adquiriu os quadros: À sobremesa (número 126), e De Volta do campo (n. 128); o Dr. Pedro Godinho, o quadro No Atelier'' (n. 129); e Sr. Heitor de Mello, o quadro O Chá (n. 180), e o Dr. Justino Proença, o quadro Um Conselho do Cardeal (n. 132).

Seu irmão, e não menos distinto artista, Sr. Agustin Salinas, vendeu, para amadores que quiseram conservar o incógnito, o grande quadro Domus Moecenatis (n. 122). As Lavadeiras (n. 120), e a Guardadora de Gansos (n. 123).

De João Baptista da Costa foi apenas adquirido um trabalho, Rio Morin (n. 11), pelo Dr. Justino Paixão.

Do Sr. Luiz Christofe foi adquirida a interessante paisagem Rio Grandense (n. 32). e do Sr. Coelho de Magalhães, uma marinha (Copacabana) n. 35, pelo Sr. Dr. Paulo de Frontin.

Extremamente animador!


Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 16 out. 1910, p.6.

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