. NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 ago. 1921, p.5. - Egba

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 ago. 1921, p.5.

De Egba

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES - Com a presença do Sr. Presidente da República, realiza-se hoje, a uma hora da tarde a inauguração oficial da “28ª Exposição Geral de Belas-Artes” no edifício da Escola Nacional de Belas Artes.

Teve ontem ali lugar a cerimônia do vernissage a que concorriam artistas, amadores, pessoas de posição social e representantes de países estrangeiros: e a impressão produzida pelos trabalhos expostos pareceu ser muito boa.

O número dos trabalhos não é tão grande como tem sido em alguns dos anos anteriores; mas, ainda assim é de admirar que não sejam eles mais diminutos nas difíceis circunstâncias em que todos nos debatemos.

Dos mestres - mandaram trabalhos - na seção de pintura - o Diretor da Escola João Baptista da Costa - três paisagens, um quadro de figuras ao ar livre e um pequeno quadro de gênero - um retrato-caricatura, feito com chiste e graça. Elyseu Visconti - uma série de desenhos, e quatro quadros a óleo - dois grupos de retratos: paisagem impressionista e uma figura de menino. Por agora, basta chamar a atenção para esses trabalhos; o que aliás é também inútil, porque ninguém com os olhos abertos e que saiba ver, deixará de olhar para eles.

Trabalhos que também logo prendem a atenção e aos quais toda a gente voltará mais de uma vez, são os quadros de figura do artista Angelo Cantú, aliás mal colocados e em má luz.

Eugenio Latour tem quatro trabalhos pintados no Morro do Castelo - um retrato de velho, que parece ser um tipo ali popular; e dois interiores de Igreja, que produzem impressão de que o tema lhe foi particularmente simpático e que ele cuidou com carinho. São também quadros que a gente tem de rever mais de uma vez.

D. Georgina de Albuquerque expõe dois quadros de figura - retratos visivelmente feitos com intenção. O denominado “Acácias”, ao ar livre, com muita cor e fortes vibrações de luz, afigura-se-nos que vai ser um dos “clous” do Salão deste ano.

Lucilio de Albuquerque - duas paisagens de valor.

Antonio Parreiras é representado por dois grandes quadros de figuras e paisagens, como ele os sabe pintar.

Na rápida visita através das salas, dominado mais pela curiosidade de ver do que de fazer crítica, deparamos ainda com muita coisa interessante que mais tarde teremos de examinar mais atenta e demoradamente, como os quatro trabalhos de Seelinger com as intenções simbólicas que formam o característico da sua pintura; os trabalhos dos dois irmãos Arthur [Arthur Thimoteo da Costa] e João Thimoteo da Costa; as paisagens de Edgard Parreiras; de Francisco Manna, de Fernandes Machado, de Levino Fanzeres, de Argemiro Cunha; os trabalhos de figura de Rodolpho Amoedo, de Guttmann Bicho, o quadro “o nu” [sic] de Augusto Bracet, denominado “A Vida”; todos e bons, de Carlos Chambelland; a japonesa [Imagem], de Coelho de Magalhães; os retratos de Raul Deveza, os estudos de figura de Marques Junior, a “Adolescência” de Carlos Oswald e quatro trabalhos rigorosos de Oswaldo Teixeira, que nos dizem ser um menino de dezesseis anos de idade, mas que já maneja o pincel com a desenvoltura de um artista já experimentado.

A seção de escultura também contém muita coisa digna de atenção e que merecerá estudo cuidadoso. Nem Rodolpho Bernardelli, nem Corrêa Lima têm ali nada; mas estão por assim dizer bem representados por discípulos de valor como Antonino Mattos, com duas estátuas, uma em gesso [Imagem], e outra em bronze [Imagem]; Francisco de Andrade, com duas estátuas - imagens - Santa Tereza de Jesus e Nossa Senhora do Monte do Carmo - encomendas da Ordem do Carmo, e o busto do Dr. Nicanor do Nascimento; Armando Magalhães Corrêa, A carioca, uma estatueta em gesso; Hildegardo Leão Velloso, com um projeto de monumento [Imagem], de que se não deve falar sem estudo demorado mas que chama a atenção.

O Sr. Humberto Cavina é o único que expõe bronzes, uma estatueta - intitulada Fundidor e um estudo de cabeça.

Uma das seções da exposição que costuma ser sempre extremamente atraente, e que este ano em nada se mostra inferior às dos anos anteriores, é a de gravura - gravura de medalhas, toda ela formada pelos trabalhos desse insigne mestre que se chama Augusto Girardet e dos seus ilustres discípulos. É impossível falar dessa seção de corrida.

E finalmente a seção de arquitetura, com projetos dignos de nota, e em que se reconhece com prazer o interesse que o velho estilo colonial está despertando da parte dos nossos arquitetos e, melhor ainda, dos que estão construindo casas.

A exposição do corrente ano, sem obras de grande pretensões em qualquer de suas seções, possui qualidade que a hão de fazer visitada frequentemente por quantos ali forem.


Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

NOTAS DE ARTE. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 12 ago. 1921, p.5.

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