. Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 14 out. 1902, p.3. - Egba

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 14 out. 1902, p.3.

De Egba

Encerra-se amanhã a Exposição Geral de Belas-Artes, do corrente ano.

A impressão por ela produzida foi, no consenso geral, excelente pelo número não pequeno dos bons trabalhos que ela encerra; e é de surpreender que em um centro que ainda recentemente, por ocasião da Exposição Portuguesa e do leilão Quartin, mostrou tão apreciativo interesse por coisas de arte, fossem tão diminutas as aquisições de quadros e obras de escultura ali exibidos.

Nenhum meio mais profícuo de animação existe do que a aquisição diretamente aos artistas de produções suas por aqueles que têm os elementos necessários e de algum modo tem afirmado a sua predileção e gosto por obras de arte - queremos crer, por uma real apreciação delas e não pelo snobismo mesquinho de possuir coisas que todos não podem ter, mas que as procuram haver por muito menos do seu real valor.

Realmente, é desconsolador ver, por exemplo, só para falar do mais moço, um artista como o jovem Corrêa Lima que acaba de honrar o nome brasileiro na Europa e que nos traz obras tão primorosas, não vender a sua primeira obra em mármore, produção que em outro centro, dadas as circunstancias atuais desse artista, seria renhidamente disputada, tanto mais que é uma fina peça de escultura, singularmente sugestiva.

Infelizmente, o próprio Estado, que pela responsabilidade que tem na criação dos artistas, tinha a obrigação moral de animá-los, é o primeiro que lhes regateia o mais modesto auxilio, não lhes adquirindo nada.

Amanhã daremos os nomes dos poucos amadores que adquirirão trabalhos na Exposição.


Digitalização de Arthur Valle

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

Jornal do Commercio, Rio de Janeiro, 14 out. 1902, p.3.

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