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J. M. ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 20 ago. 1918, p.5.

De Egba

(Diferença entre revisões)
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Foram estas as reflexões que nos despertaram as visitas feitas ao ''salon'', depois de termos percorrido aquelas salas, onde tão claramente se oferecia a arte já ''definitiva'' - se assim podemos dizer -  de uns; o esforço leal e brilhante de outros e as eloquentes promessas dos novos.
Foram estas as reflexões que nos despertaram as visitas feitas ao ''salon'', depois de termos percorrido aquelas salas, onde tão claramente se oferecia a arte já ''definitiva'' - se assim podemos dizer -  de uns; o esforço leal e brilhante de outros e as eloquentes promessas dos novos.
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Edição de 22h13min de 28 de Março de 2013

Ligeiras impressões do “salon”.

Como profanos, todos os sistemas e feituras nos parecem admissíveis na pintura de cavalete, desde que se destinem a exprimir a ideia ou o sentimento que o artista quis despertar em nós, e não pretendam interessar-nos exclusivamente pelo seu caráter, apuradamente clássico, ou extravagantemente revolucionário.

Como profanos, nos é indiferente que A, em vez de se utilizar de pincéis como B e C, se sirva de escovas ou esponjas, e que recorra ao efeito do alto relevo, por meio da sobreposição da tinta empastada, ou que lhe prefira o das tenuidades do espeganço [sic] - se com isso pôde exprimir o que pretendia. Mas, se apenas o preocupou o empenho de prender a nossa atenção pelas singularidades do 'processo, por mais individual que ele pareça, temos o direito de não apreciar em alto grau a sua arte, e de dizer que tal artista não vê a natureza através do temperamento, mas que se serve dela simplesmente como pretexto para a aplicação, mais ou menos engenhosa, das suas astúcias de artífice.

E já não será, então, para nós o artista, mas, apenas o ...arteiro!

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Finalmente, qual a impressão obtida do atual salon?

Excelente! Não o dizemos com vibrações de entusiasmo calculado, mas com a sinceridade, embora de um visitante desejoso de ver com os olhos da boa fé.

Há naquelas salas coisas notavelmente inferiores e algumas impiedosamente rejeitáveis, mesmo por profanos, como nós?

Seria rematada hipocrisia negá-lo!

Mas, existem para isso duas razões igualmente ponderáveis.

Primeira: A conveniência de aceitar tudo, para não desanimar os que começam...(e parece que até os que... ainda não começaram).

Segunda: A necessidade que os aristas tem, de viver, como toda a gente. Porque se há um ideal, que é a aspiração da suprema perfeição nunca atingida, ou, segundo a vulgarizadíssima expressão de Guizot, a pura essência da poesia, desventuradamente ainda há um outro, não menos empolgante e a cuja realização absoluta até os artistas são constrangidos - para felicidade do senhorio, do vendeiro, do sapateiro, do alfaiate...

Isso explica perfeitamente a falta de seleção de alguns artistas nas suas próprias remessas, isto é, porque - a par de trabalhos seguros e dignos do maior apreço - eles enviam, às vezes, coisas tão insignificantes, que chega a ser difícil atribuí-las ao mesmo autor.

Mas, que remédio, senão contar com a boa vontade dos amadores... econômicos, visto que o número dos outros continua a sr infinitamente inferior ao dos famosos trezentos de Gedeão?...

E seria tão fácil aumentá-lo!

Bastaria que as altas individualidades do país (nem só de política vive o homem!) e as agremiações de elite, como o Clube dos Diários, o Jockey Club, o Derby, e todos os outros agrupamentos representativos das classes mais cultas e abastadas da nossa sociedade, se interessassem um pouco mais vivamente pela nossa arte, que é, em toda a parte do mundo, a expressão mais sensível do progresso e da cultura!

Se os artistas nacionais se reconhecessem assim aparados, animar-se-iam, certamente, a esforços mais amplos e completos, e dar-nos-iam tudo quanto logicamente podemos deles esperar!

Foram estas as reflexões que nos despertaram as visitas feitas ao salon, depois de termos percorrido aquelas salas, onde tão claramente se oferecia a arte já definitiva - se assim podemos dizer - de uns; o esforço leal e brilhante de outros e as eloquentes promessas dos novos.

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Digitalização de Arthur Valle

Transcrição Natalia Mano Goulart Saraiva

J. M. ARTES E ARTISTAS - BELAS ARTES. O Paiz, Rio de Janeiro, 20 ago. 1918, p.5.

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