. J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 9-10 out. 1894, p. 2. - Egba

J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 9-10 out. 1894, p. 2.

De Egba

João Baptista. - Um dos melhores coloristas da exposição. Deve ser um trabalhador, um forte, uma organização de artista, equilibrada e sã. Expõe muitas telas e não se pode dizer que em qualquer delas haja vestígios de trabalho feito na lufa-lufa de concluir para vender. Em todas se nota, mesmo ao lado de incorreções, essa coisa sempre evidente que é a vontade de produzir bom.

Se este esforço nem sempre teve o desejado resultado, pouco importa. Basta que, manifestando qualidades boas em todas as telas, em todas revelando vontade e trabalho, haja executado algumas bem, muito bem mesmo.

A tela n. 19, Lagoa Rodrigo de Freitas, é de uma grande originalidade de colorido, sem contudo se perder a relação dos valores. A água não é, como na tela n. 29, do mesmo título, executada com propriedade e verdade; é a água de lagoa, parada, mas sem a transparência que se nota à direita neste último quadro.

Aqui, se o longe não é perceptível, nem belo, há uma grande verdade de cor no velado da rocha, sempre em neblina envolta. E o céu, que neste quadro não é bem tratado, merece outro desvelo na Estação das Mangueiras, n.21, em que a frescura das cores, a escolha de um verde natural e a boa perspectiva contribuem para a beleza da paisagem, incontestavelmente uma das melhores do Sr. Batista.

Uma das coisas que mais me agradam nas obras deste pintor, é a maneira por que faz a água, de uma transparência nítida, de uma verdade palpitante de natureza. É ver os quadros: n. 22, cheia de colorido; n.28, espécie de miniatura, em que um pintor sobre pedras, está abrindo a caixa das tintas; e o n. 29, de que já falei.

Nas telas de ns. 23, 25, 27, 30 e 32 há uma grande beleza de verde, respeito pelos valores, céu bem feito, e no n. 25 nota-se muita justeza de colorido na pedreira, como o solo do n.27 é exato, executado sem esforço.

Nos ns. 23 e 24, a fatura é boa, as sombras justas, o desenho é fino, e ainda o colorido é vigoroso.

No n. 31, Forte Acadêmico, se as nuvens têm certa frescura e, se o solo está bom, as figuras parecem bonecos mal desenhados.

Uma tela interessante, embora a figura seja contrariada e pareça colada à parede, é a Leitura interrompida, que ali tem o n. 20. A paisagem do fundo é clara, arejada, de cores frescas, e uma impressão de leve marca o todo do quadro de uma nota agradável e doce.

Nesta tela revela o Sr. Batista qualidades excelentes de cor para paisagem, qualidades que ainda existem e intensamente no quadro n. 26 - Repouso.

Aqui, é bom o fundo - a paisagem. O desenho dos morros toma grande relevo pela beleza do verde. As palhoças estão finamente tratadas, produzindo pelo colorido suave uma bela harmonia com a doçura do fundo.

A figura tem laivos da escola de Puvis de Chavannes, observa-se mais o contorno que os detalhes, o que é justo, porque o pleno ar dá uma grande saliência aos contornos e atenua forte-[…]

[…] os pensionistas […] quando a Bretanha lhes sorri como o único meio de equilibrar as finanças. Mas ainda assim seria um mau interior bretão.

Entre amigos toda a franqueza é pouca.

J. B.


Digitalização de Fundação Biblioteca Nacional Acessível em: http://memoria.bn.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 9-10 out. 1894, p. 2.

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