. J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 17-18 out. 1894, p. 2. - Egba

J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 17-18 out. 1894, p. 2.

De Egba

Fiusa Guimarães. – As telas que expõe este artista, não sendo boas, são todavia uma prova de que possui algumas qualidades que, desenvolvidas pelo trabalho, podem fazer dele um bom artista. A execução é ainda hesitante, as tintas são empregadas sem grande verdade, a fatura não tem toda facilidade e falta ao artista essa confiante segurança que permite audácias e originalidade: é um principiante, creio. Se o não for, se o que enviou à exposição é o seu trabalho definitivo, não conseguiu em todo o caso passar desse estado de confusão e indecisão que caracteriza o pintor que começa.

A tela 103, Visita, é a prova do que digo: uma senhora numa sala, eis o quadro. Dentro de um tal assunto que não tem concepção, o único motivo do quadro seria o estudo de pormenores e de luz: isto é, se a educação estética do Sr. Fiusa Guimarães fosse feita, se conhecesse um pouco de móveis de estilo e quase nada de decoração, não teria pintado numa sala (que só nos móveis e na decoração encontra razão para ser pintada) aqueles móveis de casa de pensão e aquele quadrinho raquítico na parede e um tapete velho demais. Isto é tudo de péssimo gosto. Se a figura ainda fosse boa… mas tal não sucede. É uma visita que tem o ar de quem pediu uma audiência e está à espera do Sr. Ministro, e se contrafaz e se sente mesquinha e pouco à vontade. Desola este quadro.

Em paisagem revela boas qualidades; é claro que não no n. 104, Petrópolis, em que a cor do solo, o verde da vegetação e o céu tem uma absoluta falta de harmonia. Já no n. 109, S. João Nepomuceno, uma certa suavidade de cores, o céu em que há ar e a luz bem tonalizada fazem desculpar o mau colorido do solo e o desenho lambido.

Nos ns. 107, 108 e 110, outras notas: no primeiro há harmonia de valores e doçura de pincelada; no segundo é bem o céu de poente e no terceiro ainda o céu destaca.

Passando pela tela 111, Copacabana, em que a praia se conhece porque está lá gente, e não pela areia, vê-se a tela 105, Juiz de Fora, que é o melhor trabalho do Sr. Fiusa. Tem longe, soube dar o azul do céu, marcar o verde de fórmula que a cor da terra com ele se harmonizasse, e as casinhas ao alto estão finamente coloridas, numa sobriedade de tons singela e verdadeira.

Quanto à aquarela que figura com o n.106, melhor fora não dar tal espécime do que pode fazer no gênero.

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Francisco Macedo [sic] .- 4 paisagens: Em todas uma falta completa do conhecimento das transições de luz, uma incorreção do desenho que só se permite a quem começa, e nas primeiras telas que são sempre um como que ensaio de pincéis e da palheta. Deve ser um principiante: basta olhar para as vacas da paisagem que tem o n. 123 para afirmar que nunca desenhou animais.

Não conhece os tons, não observou nem estudou as árvores, hesita em tudo.

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João Macedo. – Uma tela, uma paisagem. As mesmas incorreções que apontamos no precedente. Aprendizagem.

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Rodrigo Soares. - Dois retratos: um de corpo todo, outro de busto; aquele grande, quase tamanho natural, e este pequeno. Ns. 145 e 146.

Vê-se que sabe desenhar; mas ressalta a nota de uma preocupação de fazer vigoroso que prejudica o conjunto.

O n. 145 é atado, tem falta de desenvoltura, sente-se pouco à vontade, é contrafeito. Em pormenores há claramente manchas de uma grande franqueza e desenho justo que provam que o artista já tem feito muito.

O segundo retrato é menos réussi ainda que o primeiro. Dir-se-ia que o Sr. Rodrigo Soares se sente apertado pela pequenez da tela e quereria pintar a grandes pinceladas e não com minucioso cuidado como se viu forçado pelas dimensões do quadro.


A sua exposição é inferior ao que sabe, sobretudo porque a prática da pintura decorativa, mural, muito lhe tem transformado a maneira pessoal e principalmente o desenho, em que chegou a ter grande segurança.

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Pinto Bandeira - Um estudo de cabeça: certo vigor de pincel mas uma notável falha de desenho, de que resulta a cabeça ficar colada aos ombros. é o n. 144.

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Insley Pacheco. - Barranca, n.112. Uma paisagem sem beleza, com violentos tons verdes, uma confusão. Sem estudo de pormenores, sem originalidade.

J. B.


Digitalização de Fundação Biblioteca Nacional Acessível em: http://memoria.bn.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

J. B. EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. A Noticia, Rio de Janeiro, 17-18 out. 1894, p. 2.

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