. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 6 out. 1894, p.1. - Egba

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 6 out. 1894, p.1.

De Egba


Henrique Bernardelli é o segundo da dinastia. Em pequeno tocou rabeca, como toda a família, e mais tarde atirou-se à pintura, como a família toda. No tempo em que a Escola de Belas Artes parecia uma loja de bichos empalhados, Henrique Bernardelli fez o concurso de viagem à Europa e perdeu pelo voto de Minerva. Minerva, dessa vez, teve juízo, porque decidindo assim deu-nos dois pintores viajados. Armado com seu prêmio, seguiu Rodolpho Amoêdo, o concorrente feliz, para a França, de onde nos voltou, anos depois, o pintor que todos conhecem e aplaudem; Henrique, que só podia apelar para outro concurso daí a seis anos - a Academia de então não tinha pressa - abalou para Roma, onde era pensionista escultor seu irmão mais velho. Enquanto o irmão amassava o barro, ele moía tintas. Hoje aí está, premiado em Paris e em Chicago, e dando-nos telas como a Faceira, que é um dos primores da atual exposição.

Henrique Bernardelli é muito viajado. Ultimamente foi ao México, e o anel - de chumbo ou de prata? - que usa no polegar foi-lhe dado de presente por uma princesa Azteca, que se tomou de amores por ele a primeira vez que lhe viu o nariz. Por isso, o Belmiro, reproduzindo-lhe a vera imagem, fê-lo de perfil para salientar-lhe o nariz que o torna irresistível, e ostentando no polegar o anel que é um talismã. Uma só coisa o contraria nessa história do anel: não o poder usar no nariz.


Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 6 out. 1894, p.1.

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