. F. A Noticia, Rio de Janeiro, 2-3 set. 1895, p. 1. - Egba

F. A Noticia, Rio de Janeiro, 2-3 set. 1895, p. 1.

De Egba

Não é este o lugar em que se tem de fazer a crítica da atual Exposição de Belas Artes; mas, nesta coluna, o assunto não tem limitações, e o caso do dia é a Exposição inaugurada ontem, em presença do Sr. Presidente da República.

A Exposição é pobre, dirão os que de espírito prevenido, e sistematicamente, fazem guerra à Escola Nacional que substitui a antiga Academia; será pobre ainda, mas é nacional.

Os artistas não foram pedir assuntos à mitologia nem à história romana; inspiraram-se no meio em que vivem, e trabalham por fazer uma arte nossa, o que sempre é melhor do que arremedar a arte alheia.

Vejam o clou da exposição, a Moema, de Rodolpho Bernardelli, assunto genuinamente nacional; o quadro de Brocos, a Redenção, em que a figura da velha africana acaba de o consagrar grande artista, e artista nosso, porque já era nosso pelo bem que fazia a esta terra e ultimamente nos arredores de Teresópolis assentou definitivamente os seus arraiais no Brasil; os quadros de Rodolpho Amoedo, de Belmiro, de Almeida Junior, de Henrique Bernardelli, e outros em que estão a nossa vida, os nossos costumes, as nossas paisagens.

Das reformas levadas a efeito pela República, desde os seus primeiros dias, destacou-se a que se ocupou com o ensino das belas artes. O Instituto Nacional de Música já é um estabelecimento modelo, e Alberto Nepomuceno vem agora argumentar-lhe o brilho; a Escola de Belas Artes, se se completar a reforma, dando-lhe o edifício de que precisa, será em breve uma casa de que nos orgulharemos. O que está ainda por organizar, embora já planejado, é o teatro nacional. Mas a sua vez não há de tardar.

F.


Digitalização de Fundação Biblioteca Nacional Acessível em: http://memoria.bn.br/

Transcrição de Karina Perrú Santos Ferreira Simões

F. A Noticia, Rio de Janeiro, 2-3 set. 1895, p. 1.

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