. EXPOSIÇÃO de Belas-Artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 3 set. 1904, p.2. - Egba

EXPOSIÇÃO de Belas-Artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 3 set. 1904, p.2.

De Egba

A 11ª exposição geral de belas-artes, inaugurada anteontem, com a presença dos Drs. J. J. Seabra, ministro do interior e Lauro Müller, ministro da viação, é mais um atestado brilhante da utilidade do preceito legislativo republicano que estabeleceu esses certames anuais.

A concorrência de expositores é, este ano, grande.

Nas diversas seções de salão, arquitetura, escultura, pintura, pirogravura e gravura, mestres e representantes da geração nova figuram com trabalhos de valor ou ensaios dignos de interesse e estudo.

Na seção de pinturas culminam Henrique Bernardelli e Rodolpho Amoedo, ambos professores da Escola Nacional de Belas-Artes. Henrique apresenta retratos magníficos, com aquela técnica sapiente, segura, singular que o torna incomparável entre os seus contemporâneos todos. O retrato do Dr. Alberto de Farias é maravilhoso de fatura e composição e o de Mme. Oliveira Lima (pastel), pela naturalidade da pose, a suavidade e arranjo do ambiente, merece ser destacado.

Rodolpho Amoedo tem duas composições de grande valor.

Cativa (pintura a ovo) é mais uma das manifestações brilhantes e variegadas do grande pintor da Partida de Jacob, que na Oração apresenta, pela primeira vez nas nossas exposições, um adorável rosto de mulher em encausto [sic], processo que, desprezado há tempo, começa de novo a prender as atenções dos pintores.

O Sr. J. Baptista, primeiro paisagista brasileiro da geração presente, concorre com diversas composições que fortificarão a nomeada que já possui; do Sr. Teixeira da Rocha, outro paisagista de mérito, há trabalhos ricos de colorido e expressão.

O Sr. J. Fiusa [sic], artista laureado da nossa escola, mostra, na Paisagem de Tirol, um dos mais originais trabalhos seus, pela sobriedade magnífica da técnica e pela melancolia doce e suave que dele se destaca.

Da novíssima geração que surge, os nomes de Chambelland [Rodolpho Chambelland], Lucilio, Bevilacqua e Jorge de Mendonça andavam de boca em boca dos visitantes do salão. Rodolpho Chambelland, ainda aluno da escola, pela 2ª vez expositor, na Noite de Espetáculo, pela audácia da composição, a mais difícil no sentido técnico, de todo o salão, demonstra um talento original e investigador no seu respeito à tradição e ao ensinamento dos mestres, de que muito tem por certo a esperar a arte nacional.

Lucilio, embora moço e modesto, pode-se dizer um artista consagrado. Os retratos de Mlle. J. R. são atestados brilhantes do seu savoir-faire e delicadeza de colorido. O Sr. Jorge de Mendonça tem paisagens expressivas e belas, que prometem, ao lado das de Baptista, Fiusa e T. da Rocha, um renascimento esplêndido desse gênero de pintura.

Outros artistas apresentam-se, com menos brilho, mas não com muito inferior merecimento. Assim, devem ser citados os Srs. Machado, Manno [sic] [Francisco Manna], Agostini, Malaguti, Helios Seelinger, Pacheco, Dall’Ara, Macedo e outros.

Em escultura há poucos trabalhos. O busto do Dr. Gross, do grande estatuário brasileiro Rodolpho Bernardelli, e o menino, do suave e delicado escultor Correia Lima, foram os mais apreciados.

Em arquitetura, além dos planos de Morales de los Rios e René Borba [sic], há o magnífico projeto do Asilo do Bom Pastor do arquiteto Stahlembrecher, que pela solidez do plano, beleza arquitetônica da fachada e das decorações é, sem dúvida, um dos melhores trabalhos da presente exposição.

Em gravura e pirogravura há excelentes contribuições do professor Jurasdet [sic] [Augusto Girardet] e de Mme. Wincelins.


Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

EXPOSIÇÃO de Belas-Artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 3 set. 1904, p.2.

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