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EXPOSIÇÃO de Belas-Artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 11 set. 1904, p.2.

De Egba

PRÊMIO DE VIAGEM

A legislação republicana que estabeleceu a exposição anual de belas artes instituiu, como proteção e animação, o prêmio de viagem à Europa, concedido pelos júris das diversas seções reunidos em sessão plenária, ao concorrente brasileiro, menor de 34 anos de idade, que pelos trabalhos apresentados melhor merecesse essa distinção.

Os prêmios tem tido resultados fecundos. Basta percorrer as galerias do salão presente para compreender a utilidade de tal iniciativa. Os Srs. J. Baptista, Fiuza, Freitas [Augusto Luiz de Freitas], Visconti, Macedo, Correia Lima, Machado, Seelinger, demonstram, nas telas ou bustos que apresentam, o aproveitamento que obtiveram frequentando ateliers e museus estrangeiros.

O salão de 1904 é um dos mais concorridos e triunfantes. Na pintura, escultura e arquitetura, os rapazes merecedores do prêmio abundam. A tarefa dos júris não será das mais fáceis.

Ontem, à 1 hora da tarde, na diretoria, reuniram-se para julgamento dos trabalhos expostos, os respectivos júris.

O nome do Sr. Aloisio Carlos de Almeida Stahlembrecher, arquiteto titulado pela nossa Escola de Belas-Artes, foi aclamado como o presente prêmio de viagem. Os projetos do Asilo do Bom Pastor são, de fato, um dos melhores trabalhos expostos no salão. Foi a afirmação calma, segura, ponderada desse grande talento, e, pela opinião dos críticos e aplauso dos visitantes, estava naturalmente, destinado a tão necessária recompensa.

Em pintura, o Sr. João Baptista da Costa, o sensível e delicado pintor da natureza brasileira, obteve medalha de 1ª classe (outro) pelo seu quadro – Fim de jornada (n. 17). A medalha de 2ª classe (prata) coube ao Sr. Rodolpho Chambelland, distinto aluno de Rodolpho Amoedo, pela sua magnífica composição Uma noite de espetáculo (n. 50). As menções honrosas de 1ª classe foram distribuídas aos Sr. Lucilio de Albuquerque e DD. Eulalia do Nascimento e Silva, Anna da Cunha Vasco e Maria da Cunha Vasco.

Os Srs. Carlos Oswaldo, Jorge de Mendonça e DD. Irene de Andrade Ribeiro, Nina Santoro, Angelina de Figueiredo e Marieta de Figueiredo obtiveram menções de 2ª classe.

O júri de arquitetura era composto dos Drs. Ernesto da Cunha de Araújo Vianna, Adolpho Moraes de los Rios, Eduardo Barbosa, professores da escola, e Aarão Reis e Gastão Bahiana, eleitos pelos expositores; o de pintura, dos Srs. Henrique Bernardelli e Rodolpho Amoedo, professores da escola, e Aurelio de Figueiredo e Modesto Brocos, escolhidos pelos concorrentes.

Na época atual de renovação urbana, quando os poderes públicos transformam e alargam as ruas e procuram embelezar a cidade, é sobremodo significativa a decisão ontem dada pelos júris da exposição, presididos pelo diretor da escola, professor Rodolpho Bernardelli, premiando com a viagem à Europa um digno representante da moderna geração de arquitetos educados e titulados pela nossa escola de Belas-Artes.


Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

EXPOSIÇÃO de Belas-Artes. O Paiz, Rio de Janeiro, 11 set. 1904, p.2.

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