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EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. SANTOS OLLALA. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 23 out. 1894, p.1.

De Egba

Edição feita às 23h19min de 6 de Dezembro de 2010 por Egba (Discussão | contribs)
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[Santos Ollala] É espanhol, provavelmente moço, mas poucos o conhecem de pessoa.

Tem talento sem dúvida, e é um dos expositores que mais se fazem notar pelo brilhantismo da palheta.

Nesta exposição apresenta-se com quatro paisagens de pintura a óleo, três desenhos a pena, dois a lápis e uma aquarela; o que mostra que não tem predileção alguma e que está devidamente preparado para todos os gêneros de arte.

Não sai, porém, de uma simples preparação; estes trabalhos dão prova do seu temperamento artístico, e reduzem-se a uma promessa. Os frutos hão de vir com o trabalho e com o desenvolvimento das qualidades intelectuais do artista.

O quadro mais interessante é o Pescador, n. 155. A paisagem é uma fiel representação de vegetação tropical, muito forte e muito escura, e por conseguinte pouco alegre

A figura que anima a cena é simpática e está bem trabalhada.

Menos feliz é a Cascata, embora seja um estudo dos mesmos elementos e da mesma vegetação; mas a água que fornece o assunto do quadro está longe, bem longe de representar o que deve ser; poderá ser algodão, lã, gesso líquido, tudo, menos água.

A Aboboreira, os Cajus, a Barra da Tijuca são pequenas manchas das que se fazem para apanhar um efeito momentâneo; mas com o trabalho consecutivo perderam aquela frescura que os bons artistas alcançam em trabalhos dessa natureza.

A Aquarela (n. 165) é apenas uma tentativa; mas a Cabeça do velho (n. 169) é um bom desenho à pena; desenho simpático e correto e que revela uma feliz expressão de humour.

A Saracura e o Caramanchão, desenho à pena, são também felizes e alcançam o claro-escuro com relevo e graça; não há esforço e não há ficelles, a ingenuidade do processo artístico revela a ingenuidade da visão dos efeitos naturais.

Nos desenhos a lápis, os traços mais vigorosos mostram a franqueza com que o artista desenha e esboça.

É uma simples preparação, mas esperamos numa próxima exposição vê-lo em ação com quadros de maior assunto e de maior significação.

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Quinze dias após a abertura da exposição chegaram dois quadrinhos do professor Beniamino Parlagreco, de que não nos ocupamos por motivos de pura conveniência.

O Sr. barão de Quartin comprou já um deles e pediu que fosse exposto, no que foi atendido gentilmente pela diretoria da escola; o público julgue-o sem o auxílio da crítica.


Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Bárbara Kushidonti

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. SANTOS OLLALA. Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, 23 out. 1894, p.1.

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