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DÉCIMO salão de belas-artes. A INAUGURAÇÃO. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 2 set. 1903, p.2.

De Egba

Ontem, à 1 hora da tarde, o sr. ministro do interior abriu a décima exposição de belas-artes.

A esse tempo, já a vasta sala regurgitava da gente que ainda se ocupa das coisas artísticas em nosso país, e que eram expositores, jornalistas, literatos e amadores.

Estes últimos dividiam-se em duas classes, bem o podemos adivinhar: uns que ali foram sem intenção de ver, quanto mais de sentir e de comover-se pela arte, - por simples dever de representação: outros, que foram verdadeiramente curiosos, querendo apreciar, de visu, feitos de que ouviram falar com elogio, as melhores obras e a melhor arte que se fez, no decurso de um ano no Brasil.

Pudemos notar as seguintes pessoas: dr. Lauro Muller, ministro da indústria; conselheiro Camelo Lampreia, ministro de Portugal; F. Palm, cônsul da Holanda, capitão Martins Pereira, representante do sr. ministro da guerra: senador Nogueira Paranaguá, dr. Raymundo Correa, os irmãos Bernardelli [Rodolpho Bernardelli e Henrique Bernardelli], dr. Amaro Cavalcanti, capitão-tenente Belfort, Auguste Petit, senador Nilo Peçanha, 1º tenente José Augusto Vinhaes, dr. Brasil Silvado, [...] Arthur Odo [...], secretário particular do sr. ministro da Inglaterra, Augusto Girardet, professor Araújo, Raphael Frederico, Cattaneo Riccardi [sic], Carlos Americo, Léo d’Affonseca, dr. Neves da Rocha, d. Irene de Andrade Ribeiro, Dall’Ara, d. Sara del-Vecchio, d. Clélia Nunes, Thomaz Driendl, J. Macedo, Napolitano, Francesco [sic] e Agenor Carvoliva.

No saguão da Escola, tocava uma das bandas da brigada policial.

Os quadros reluziam.

O dia estava bonito; fazia sol.

Logo a entrada, aquela formosa paisagem do morro de Santo Antonio, onde se revela toda a alma de Elisêo Visconti, toda a emoção, toda a poesia, toda a ductilidade de seu pincel.

No outro plano, a Bohemia, de Helios Seelinger, um rapaz que estudou na Alemanha, de onde trouxe toda a nebulosidade de concepção, toda a fantasia alada que é característica dos alemães.

J. Baptista da Costa, Brocos, Henrique Bernardelli, Fiuza, Delpino, Amoêdo, d. Alina Teixeira, Bevilacqua, Cariot, Carré, Chambelland, d. Clélia Nunes, as irmãs Cunha Vasco [Anna da Cunha Vasco e Maria da Cunha Vasco], Dall’Ara, De Agostini, Evencio, Raphael Frederico, d. Marietta Meirelles, J. Macedo, Lucilio, Latour, Rauft, Napolitano, d. Sara Del Vecchio e outros tem quadros que merecem menção.

As outras seções, de escultura, de arquitetura, de cerâmica, etc., também estão magníficas.

De tudo falaremos mais desenvolvidamente.

Falta-nos espaço, agora.

- O sr. presidente da República deixou de comparecer a exposição, por motivos de força maior.

S. ex. prometeu comparecer mais tarde, com sua exma. família.


Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

DÉCIMO salão de belas-artes. A INAUGURAÇÃO. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 2 set. 1903, p.2.

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