. CREMONA, Ercole. O Salão de 1923. Illustração Brasileira, ano IV, n. 37, set. 1923, p. 11-16. - Egba

CREMONA, Ercole. O Salão de 1923. Illustração Brasileira, ano IV, n. 37, set. 1923, p. 11-16.

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Animador é o aspecto do Salão de Belas Artes do corrente ano, a despeito dos reiterados ataques de um grande grupo de pessimistas. Se há iniciativa que mereça ser julgada com uma dose de filosofia otimista, é precisamente a Exposição geral de Belas Artes, anualmente levada a termo pelo Conselho Superior.
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#redirect [[CREMONA, Ercole. O Salão de 1923. Illustração Brasileira, Rio de Janeiro, set. 1923, p. 11-16.]]
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Pouco a pouco evoluímos, já se não vê a "quitanda" de antigamente, o regime do sarrafo e da serapilheira não existe mais e a mocidade já tem uma preocupação de produzir e formar uma individualidade característica. Só a última circunstância deve ser para todos nós um motivo de alegria e de recíprocas congratulações.
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Os artistas moços primam pelo trabalho esforçado e pela exibição de talento.
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Sejamos, pois, indulgentes e otimistas para os fracos, desejosos de acertar na espinhosa estrada da Arte.
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Iniciaremos os nossos comentários pelos moços.
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Em todo o turbilhão de cores há uma tela que prende a atenção dos olhos experimentados. É uma cena de ''atelier'', modesto.
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Uma figura jovem, muito clara, com tons limpos, predomina no quadro; à esquerda, sobre um cavalete, está um busto de mulher ainda em terra e ao fundo baixos-relevos perdidos em planos mais afastados.
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É o [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Gazeta_de_Noticias_1923.08.19_cp.jpg retrato do escultor Paulo Mazzucchelli], pintado pelo jovem artista [[CANDIDO PORTINARI]], uma verdadeira promessa de pintor. A tela é possuidora de qualidades verdadeiramente notáveis para a idade do seu autor, o desenho é bom, revelando um grande desembaraço; a pincelada é franca e o ambiente justo. O quadro não é uma obra isenta de erros, porém, é já um documento valioso, uma nota onde se percebem uma certa independência e vontade de individualismo. Outro jovem que se apresenta bem é [[OSWALDO TEIXEIRA]]. O moço pintor mandou ao ''Salão'' um conjunto de seis trabalhos: "Sinite parvulos venire ad me Talium est enine regnum coelorum", "Retrato do Dr. A. M.", [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Gazeta_de_Noticias_1923.08.19_ot1.jpg "Recostada"], "Retrato do Sr. V. L. R.", "Adolescente" e "Fim de missa". Do grupo de telas destacamos os retratos e "Recostada". Nos retratos, o pintor mostra-se seguro do desenho e possuidor de uma técnica digna de registro; no grande quadro de composição, percebe-se uma afoiteza, uma precipitação prejudicial; grandes defeitos são visíveis sem o menor esforço, o próprio desenho tão familiar ao artista acha-se sacrificado.
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Apesar de erros incontestáveis, a tela é uma peça de valor, onde o talento do pintor está flagrantemente espelhado. Permita-nos o artista um pouco de franqueza; julgamos poder usar dela, pois acompanhamos a sua vida artística desde o tempo em que vestia calças curtas e frequentava as aulas do Liceu de Artes e Ofícios; falamos como amigo e com a experiência de causa própria: não se fie nos demasiados elogios, eles são a causa da precipitação com que pintou o grande quadro.
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A obra de verdadeira Arte deve ser amadurecida e seriamente meditada, assim sendo, não acontecerá como agora acontece ao jovem artista que produziu uma tela onde as falhas existem, não por falta de conhecimentos, mas por falta de meditação, de crítica leal dos que convivem com o pintor e o incitam ao malabarismo de pincel.
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A obra de arte pode ser bela sem serem precisas acrobacias e outras condições doentias... Não veja o artista, nas nossas palavras, a pretensão de aconselhá-lo, não temos autoridade para tal fazer, porém temos o direito e o dever de dizer com franqueza e lealdade o que acabamos de declarar! ...
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[[CEZAR TURATTI]] dá-nos um retrato da "Senhorinha Wanda Broude" onde há sentimento e condições agradáveis de pintura; o desenho resente-se um pouco, porém o conjunto do trabalho é agradável. [[MANOEL CONSTANTINO]] apresenta-se bem com "Edith" e "Retrato"; o primeiro é, entretanto, superior ao retrato, a cabeça de criança é modelada com segurança e muito expressiva. Como composição, "Edith" agrada imensamente, os seus detalhes têm propriedade e o desenho está tratado com certa habilidade.
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[[EDITH DE AGUIAR]] firma um retrato sóbrio, muito bem estudado com belas qualidades de técnica e de desenho. O tom preto predominante na tela é justo, tendo a jovem artista vencido sérias dificuldades; a cabeça da figura revela uma austeridade que fica bem naquele conjunto; as cambiantes do preto e da carne foram compreendidas pela pintora, de forma agradável. Como desenho o quadro possui também magníficas qualidades que prometem seriamente.
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[[MANOEL FARIA]] é outro jovem que vem escalando os obstáculos que encontra na sua estrada, de uma forma encantadora. Os retratos de “Mme Z” e “Mme X” revelam condições especiais de retratista. Preferimos, porém, o retrato de “Mme Z”. A impressão recebida, agora, é a mesma de quando o retrato esteve exposto no “Salão da Primavera” no Liceu de Artes e Ofícios, no ano passado; isso nos leva a confirmar com mais segurança o futuro do modesto artista.
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[[ANTONIO GARCIA BENTO]] com a tela “Tarde de Sol” confirma plenamente tudo que se tem dito do seu mérito e da maneira inconfundível de interpretar as suas marinhas. Garcia Bento é um dos jovens de grande valor entre os seus contemporâneos, as telas que assina não se parecem com qualquer das dos seus colegas; em vez de pincel, o artista emprega a espátula, conseguindo efeitos magníficos.
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Ainda agora, na tela “Tarde de Sol”, se verifica isso. o pintor dá-nos sob aquele título uma marinha animada de navios e outras embarcações onde uma planimetria estudada lhes realça os planos de maneira agradável.
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[[MARIO TULIO]] dá-nos cinco telas com belas qualidades de cor. D. [[SARAH VILLELA FIGUEIREDO]] com os quadros apresentados mostra que progride francamente; o [...] precisa. A cor do quadro é limpa e […] retrato da Senhorinha L. B.” é o melhor documento do seu progresso, é um quadro de condições afinadas.
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[[ARMANDO VIANNA]] apresentou-se bem. [[OZORIO BELEM]], muito jovem ainda, promete vencer na arte que abraçou. [[MANOEL SANTIAGO]] com a tela “Yara” revela um aproveitamento seguro e uma noção equilibrada da composição.
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[[CARLOS CHAMBELLAND]] é um dos vencedores do ''Salão'', as suas telas garantem-lhe regalias especiais. Tratando […] comparticipação à grande mostra, tivemos já a oportunidade de realçar os seus méritos de fino pintor; transcrevendo os nossos conceitos sobre os seus quadros, confirmamos integralmente tudo quanto escrevemos; “Um pintor que se apresenta com galhardia, este ano, é Carlos Chambelland. O artista dá-nos apenas duas telas: “Retrato de Mme C. Chambelland” e [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_cc.jpg “As Comungantes”]. Em ambos os trabalhos, Carlos Chambelland patenteia um seguro conhecimento do desenho e dos empastamentos. No “Retrato de Mme C. Chambelland”, a par do desenho existe a condição da semelhança, qualidade essencial em tal gênero de trabalho. À primeira vista poderá parecer um conceito acaciano dizermos que a qualidade primordial em um retrato é a semelhança; é preciso, porém, notar que estamos na época em que se encontra "espiritualismo" em tudo:”
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<nowiki>...</nowiki>
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"A tela “As Comungantes” é daquelas que deixam uma impressão profunda no espírito do observador: o próprio leitor poderá verificar o que afirmamos, atendendo no ambiente do quadro, na atitude das figuras e na maneira por que foram resolvidas. Contribui para o encanto do quadro o grande sentimento das duas figurinhas. A tela de Carlos Chambelland merece as honras da Pinacoteca.”
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[[JOAQUIM FERNANDES MACHADO]] está também representado com galhardia. O grande quadro intitulado [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_fmachado.jpg “O símbolo da Fé” mais uma vez repete o milagre da salvação: ''aos desesperados da Terra só o consolo deixado por Cristo''”] - uma coisa, porém, pedimos ao pintor: parcimônia nos títulos; - o quadro “Morro do Castelo” é fraco, muito fraco, não parecendo do autor do “O símbolo da Fé...”, - esteja o leitor tranquilo que não tornamos a escrever o título por inteiro! - [[FIUZA GUIMARÃES]] voltou à atividade; para satisfação dos seus admiradores, mandou ao ''Salão'' uma série de desenhos e três cabeças bem interessantes. [[GASPAR MAGALHÃES]] com o seu envio, apesar de pequeno, mostra-se senhor da mesma honestidade e do mesmo desenho que sempre soube dar aos seus quadros. [[GASTÃO FORMENTI]] está mal representado, o auto retrato é incontestavelmente inferior às marinhas que costuma pintar.
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[[GEORGINA DE ALBUQUERQUE]] mantém inalterável a primazia conquistada entre os artistas da sua geração; dos seus quadros diremos unicamente que são magníficos e que qualquer grande pintor poderia assiná-los sem receio de se sentir diminuído!
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Externando de tal forma a nossa opinião sobre o seu grande valor, entendemos prestar ao seu formoso talento a mais sincera das homenagens. [[LUCILIO DE ALBUQUERQUE]], seu marido, por sua vez confirma o conceito em que é tido: um pintor de real merecimento. As suas telas possuem emoção e uma frescura de cor muito apreciável.
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[[LEOPOLDO GOTUZZO]] é o mesmo pintor aristocrata de sempre; o sentimento dos seus quadros é comunicativo. No “Retrato de J. B.” o artista dá-nos uma magnífica obra de Arte, cheia de ótimos predicados de desenho, técnica e cor. D. [[MARGUERITE BRACET]], que estreia este ano no ''Salão'', mandou um interessante quadro intitulado “La Bible”. A distinta senhora revela qualidades sérias de pintora, no seu quadro há detalhes que parecem de um já experimentado artista; o conjunto está ambientado e a cor é bastante agradável. [[AUGUSTO BRACET]] merece francamente os melhores elogios, não só pelo quadro exposto como pela persistência com que se tem apresentado nestes últimos anos nas Exposições Gerais.
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A prova evidente do valor do quadro de Augusto Bracet reside precisamente na diversidade de opinião que o mesmo provocou, sendo que a maioria dos juízos foi francamente favorável ao pintor. O quadro de Bracet não é perfeito, porém é preciso convir na circunstância de que o artista está em franca evolução e possui talento bastante para chegar a produzir belas obras.
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Quem cotejar os envios do pintor, verá a razão do nosso lado. [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_ab.jpg “Direito de Asilo”] tem em si uma grande qualidade que a nosso ver é valiosíssima, excluindo todas as belas condições artísticas: revela a preocupação de produzir dentro de uma ideia - é coisa tão rara a ideia; - tal condição é importante e bastante merecedora de um registro especial. [[PEDRO BRUNO]] é também um vencedor, o seu envio é bom e demonstra ser o pintor um trabalhador infatigável. Os seus nus são muito bem tratados, principalmente [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_pb.jpg “Yara”]. [[LEVINO FANZERES]] está bem representado. Já tivemos a oportunidade de tratar a obra do pintor e entre outras considerações dissemos: O pintor espírito-santense vem aos poucos conquistando um lugar de destaque entre os de sua geração, que cultivam a paisagem.
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A marcha do pintor tem sido lenta, porém, de algum tempo a esta parte, vem-se acentuando consideravelmente; as boas qualidades são em maior número e reveladoras de um critério mais equilibrado.
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O aspecto da maioria das telas do artista não nos é estranho; há bem pouco tempo estiveram os quadros em exposição na “Galeria Jorge”: destas mesmas páginas partiram comentários sobre o mérito dos referidos quadros, comentários que pedimos licença para transcrever por se referirem a telas agora expostas no ''Salão'':
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“Nos quadros que o pintor apresenta ao público na “Galeria Jorge”, mostra-se mais seguro, os motivos são traduzidos com emoção variada: “Caminho da Fazenda” é uma bem manchada paisagem de corte pitoresco e planimetria compreendida. Um pequeno defeito notamos, porém, na tela: a grande árvore que domina, à direita, parece-nos fora do ambiente; a sua cor é muito igual a de outros pontos que, em virtude da perspectiva, não podem ter a mesma tonalidade.
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O aspecto geral da paisagem é, entretanto, agradável e merecedor de elogios.
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[[HANS PAAP]] é um pintor bizarro. As suas telas são curiosíssimas e pessoais. [[ARTHUR LUCAS]] não quis deixar de contribuir para o realce da grande mostra de Arte. Mandou “Santa Cruz”, uma tela possuidora de qualidades.
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[[EDGARD PARREIRAS]], que vem conquistando a golpes de talento uma nomeada sólida, dá-nos [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_eparreiras.jpg “Mangueira”], uma magnífica paisagem rica de cor e corte caprichoso. [[PAULA FONSECA]], também paisagista, vai de triunfo em triunfo. A tela intitulada [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_pfonseca.jpg “Recanto da Fazenda”] tem magníficas qualidades, assim como “A Morena”. De [[THEODORO BRAGA]] destacamos entre as suas telas o retrato [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_tb.jpg “Senhora”]. O pintor paraense é uma das figuras mais completas do nosso meio artístico atual: como pintor de cavalete, é, incontestavelmente, dos bons que possuímos: os seus trabalhos no ''Salão'' assim o demonstram.
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“Senhora” é um trabalho de linha sóbria e bom empastamento. Como decorador tem “Frisa decorativa” (Lenda brasileira), “Estilização da Flora e Fauna brasileiras” e “Aplicação da ornamentação indígena”. Sobre esta última modalidade do seu grande talento, tivemos bem há pouco tempo o prazer de escrever:
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“Monteiro Lobato encontrou em Theodoro Braga o fiel tradutor do seu pensamento rebelado de brasileiro: “[...] a Arte Colonial através de um temperamento profundamente esteta, filho da terra, produto do ambiente, alma aberta à compreensão amorosa da nossa Natureza...”
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Theodoro Braga assim fez: criou sem copiar o acanto, sem decalcar as volutas caprichosas do jônico nem os trevos do gótico.
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Bebeu a inspiração nos motivos brasileiros, na folhagem poliforme, na linha caprichosa dos frutos e na “silhouette” graciosa das aves.
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Tão belo trabalho mereceu, quando exposto no Salão Comemorativo do Centenário, na Escola N. de Belas Artes, a medalha de ouro, prêmio justo por todos os motivos.”
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[[JOÃO TIMOTHEO]] está bem representado, as suas telas são interessantes e revelam evolução. Completa a sua contribuição o envio de uma tela pintada por seu irmão Arthur <nowiki>[</nowiki>[[Arthur Timotheo da Costa]]<nowiki>]</nowiki> já falecido o “Retrato de Sylvia Meyer”, uma verdadeira joia.
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[[ARGEMIRO CUNHA]], um valoroso mas arredio pintor, mandou ao ''Salão'' uma tela que não tem sido devidamente apreciada: [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_acunha.jpg “Seara de espinhos”]. Nesse singelo trabalho está uma alma de artista, um pintor dos mais honestos. Sistematicamente foge à evidencia. Vamos, porém, contrariar a sua modéstia exagerada e revelar ao público o seu verdadeiro valor.
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Argemiro iniciou os seus estudos com Evencio Nunes, no Liceu de Artes e Ofícios. Entrando para a Escola de Belas Artes frequentou por algum tempo a aula do professor [[Rodolpho Amoêdo]], passando depois para as de [[João Baptista da Costa]] e [[Zeferino da Costa]] - O Mestre dos Mestres - durante o período de estudos revelou-se sempre um verdadeiro fanático pelo estudo do desenho. Dentro de muito pouco tempo era respeitado pelos seus colegas e considerado pelos mestres, que viam nele uma organização de artista. Os assuntos religiosos foram sempre o ponto capital da sua inclinação.
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O retrato mereceu também a sua atenção.
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Nesse gênero de trabalho pintou algumas telas de grande valor como o retrato de “Mlle Maria Silva” que figurou no "Salão" de 1919, sob o título de “Rosas”, sendo premiado com a medalha de prata.
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Da sua paleta saiu ainda a grande tela retratando a “Senhorita Léa Meirelles” e “Mocinha”, um delicado trabalho muito elogiado quando exposto em 1912. Além de pintor, Argemiro cunha é um hábil água-fortista e um litógrafo de grande valor: aqui mesmo nestas páginas vários têm sido os trabalhos publicados.
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Propositadamente deixamos para o fim dos nossos comentários, sobre a pintura do ''Salão'', as figuras de [[Antonio Parreiras]], Baptista da Costa e [[Eliseu Visconti]], os mestres que muito honrem com as suas telas a maior mostra da arte brasileira.
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Não comentaremos as obras desses três grandes artistas porque elas estão acima de qualquer comentário. Profundamente ridículo seria repetir os adjetivos empregados pela crítica unânime, com referências aqueles; diremos unicamente que qualquer dos quadros que têm a assinatura dos pintores é digno da admiração de quantos sentem verdadeiramente a Arte! Este é o nosso elogio.
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Na seção de escultura apresentam-se 12 artistas firmando um conjunto de 22 trabalhos. Entre os artistas expositores destacam-se [[Leopoldo Silva]] com um belo grupo “Piedade”; [[Antonino Mattos]] com um [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_antoninom.jpg detalhe do “Monumento ao Dr. Delfim Moreira”]; [[Umberto Cavina]] e [[Amadeu Zani]] com [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_azani.jpg “Verdade”], um mármore delicioso.
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Na gravura de medalhas, triunfa o professor [[Augusto Girardet]]. Não é demais repetirmos o que já dissemos sobre o venerado mestre: “Como sempre que se apresenta nos Salões de Belas Artes, o professor Augusto Girardet conquista a atenção dos entendidos - dizemos ''entendidos'', porque bem poucos são os capazes de compreender a Arte da medalha, no Rio de Janeiro, mesmo entre os que mais entendem... A contribuição do mestre é valiosa; dentro daquela pequena ''vitrine'' existe uma dose de emoção rara e grandiosa. Em todos os trabalhos, a par de uma correção impecável, espelham-se a grande técnica e o talento inconfundível do mestre; as suas medalhas nada ficam a dever às dos maiores mestres contemporâneos como Roty, Vernon, Chaplain, Charpentier, Chapu, Scharff e Lancelot Croce. Propositadamente não especificamos esta ou aquela medalha; indiferentemente, elas nos merecem a mesma admiração e o mesmo respeito.”
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Ao mestre seguem-se [[Leopoldo Campos]], [[Jorge Soubre]], [[Arlindo Bastos]], [[Herminio Pereira]] e [[Ignacio da Silveira]].
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Na seção de arquitetura apresentam trabalhos os arquitetos [[Elisiario Bahiana]], professor [[Ludovico Berna]], [[Angelo Brunhs]], [[Josino Camargo]], [[F. Mesquita]], [[Luiz Signorelli]], [[Dubrugros]] [sic], [[Francisco Santos]] e [[M. Nazieres]]. Na de gravura e litografia, apenas três expositores concorreram, os Srs. [[Mario dos Santos]], [[Ildefonso Torres]] e [[Virgilio Filho]], aliás bem fracos.
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Nas artes aplicadas aparecem nomes de responsabilidade como Theodoro Braga, [[Helios Seelinger]] e [[Wanda Marie]] com um belo tapete bordado sobre desenho de [[Raul Pederneiras]] que também se apresenta galhardamente com uma série de trabalhos de um humor magnífico.
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Pelos diversos júris foram conferidos os prêmios seguintes:
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BAPTISTA DA COSTA - [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_bc1.jpg “EM PLENA NATUREZA"]
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BAPTISTA DA COSTA - [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_bc2.jpg “NÉVOAS DA MANHÔ]
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PEDRO BRUNO - [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_pb.jpg “YARA”]
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GEORGINA DE ALBUQUERQUE - [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_ga.jpg “FIM DE PASSEIO”]
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LEOPOLDO GOTUZZO - [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_gotuzzo.jpg “ANTIGO FORTE DO LEME”]
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MANOEL FARIA - [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_mfaria.jpg “RETRATO”]
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ARGEMIRO CUNHA - [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_acunha.jpg “SEARA DE ESPINHOS”]
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CARLOS CHAMBELLAND - [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_cc.jpg “COMUNGANTES”]
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LUCILIO DE ALBUQUERQUE - [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_la.jpg “A CURVA DA ESTRADA”]
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AUGUSTO BRACET - [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_ab.jpg “DIREITO DE ASILO”]
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FERNANDES MACHADO - [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_fmachado.jpg “SÍMBOLO DA FÉ”]
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THEODORO BRAGA - [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_tb.jpg “SENHORA”]
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EDGARD PARREIRAS - [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_eparreiras.jpg “MANGUEIRA”]
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AMADEU ZANI - [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_azani.jpg “VERDADE”]
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ANTONINO MATTOS - [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_antoninom.jpg “DETALHE DE MONUMENTO”]
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SARAH VILLELA  FIGUEIREDO - [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_svf.jpg “RETRATO DA SENHORITA L. B.”]
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[http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_ag.jpg MEDALHAS DO PROFESSOR AUGUSTO GIRARDET]
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PAULA FONSECA - [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_pfonseca.jpg “RECANTO DE FAZENDA”]
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LEOPOLDO CAMPOS - [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_lcampos.jpg “MARABÁ”]
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HUMBERTO CAVINA - [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_cavina.jpg “S. FRANCISCO DE ASSIS”]
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VICENTE LAROCA - [http://www.dezenovevinte.net/egba/index.php?title=Imagem:Ib_1923_larocca.jpg “RISONHA”]
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'''Digitalização de Arthur Valle'''
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'''Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar'''
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CREMONA, Ercole. O Salão de 1923. [[Illustração Brasileira]], ano IV, n. 37, set. [[1923]], p. 11-16.
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