. Belas Artes. O "vernissage" do salão de 1924 - Diversas notas. O Jornal, Rio de Janeiro, 12 ago. 1924, p.3. - Egba

Belas Artes. O "vernissage" do salão de 1924 - Diversas notas. O Jornal, Rio de Janeiro, 12 ago. 1924, p.3.

De Egba

O “vernissage” da exposição geral de belas artes teve a presença de muitos artistas, homens de letras e jornalista. Foi uma tarde cheia para os que vivem um pouco do espírito e que ali estiveram remidos em franca e agradável camaradagem.

O “vernissage” oferece uma nota de participar encanto pelo ambiente de intimidade que estabelece, dando margem a uma troca de ideias mais sincera e qualquer preocupação formalística.

A inauguração oficial do salão está marcada para hoje, às 13 horas, com a presença do mundo oficial.

Sobre os trabalhos expostos diremos com mais vagar, apreciando as diversas seções em que o certame se divide. Diremos, entretanto, desde já que a exposição geral deste ano impressiona agradavelmente e apresenta produções que autorizam afirmar o evoluir progressivo do nosso meio artístico.

Citemos de passagem, o concurso de Baptista da Costa, o mestre da paisagem brasileira; Elyseu Visconti, de Marques Junior, Garcia Bento, Oswaldo Teixeira, Augusto Bracet, Georgina de Albuquerque, Margarida Fiori [?], Bracet, Edgard Parreiras, Lucilio de Albuquerque, Gaspar Magalhães, Augusto Petit, Helio Seelinger, Theodoro Braga, Armando Vianna e Fernandes Machado.

Uma seção que se apresenta este ano com trabalhos dignos de exame mais detido, é a das artes decorativas. Figura aí um belo e delicado grupo de escritório, em couro cinzelado e com relevos inspirados na flora brasileira, envio da sra. Maria Hirsch da Silva Braga.

Os concorrentes ao prêmio de viagem são os srs. García Bento, Oswaldo Teixeira e Armando Vianna da seção de pintura: Francisco Gomes Marinho, na seção de gravura.

A maior tela da atual exposição é o envio do pintor Fernandes Machado – “Ao bandeirante desconhecido”. No primeiro plano do quadro, vê-se a cova aberta em que ficou abandonado e esquecido dos que marcharam à frente o esqueleto do bandeirante desconhecido. Sobre essa sepultura um anjo, significando a glorificação histórica, desce para depositar a coroa simbólica. Em torno do lugar sagrado, vêem-se troncos de árvores cobertos de parasitas, pedras, musguentas, folhagens, característicos das nossas matas virgens, como se fossem sentinelas silenciosas em torno daquele cujo nome só a História conhece. Na parte superior da tela, a figura da História, acompanhada de anjos, inscreve no seu registro de pedra, o nome desse bandeirante, cuja glória, dois anjos empunhando e fazendo vibrar as suas tubas altissonantes, apregoam por todo o território nacional.


Imagem

Um aspecto do “vernissage” do salão deste ano


Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

Belas Artes. O "vernissage" do salão de 1924 - Diversas notas. O Jornal, Rio de Janeiro, 12 ago. 1924, p.3.

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