. BELAS ARTES. SALÃO DE 1905. A Noticia, Rio de Janeiro, 1-2 set. 1905, p. 2. - Egba

BELAS ARTES. SALÃO DE 1905. A Noticia, Rio de Janeiro, 1-2 set. 1905, p. 2.

De Egba

No edifício da Escola Nacional de Belas Artes, realizou-se hoje, a solene abertura da 12ª exposição geral de belas artes, com a presença de altas autoridades, do diretor, corpo docente e alunos da Escola, homens de letras, artistas e algumas famílias.

A exposição deste ano, folgamos em dizê-lo, é mais numerosa e mais seleta que a do ano passado.

Na seção de pintura, que, como sempre é a mais rica figuram 262 trabalhos.

Deixaram de concorrer muitos dos nossos artistas de nomeada, em compensação outros, de mais constância e esperança no futuro das nossas belas artes e não menos ilustres, dando o exemplo aos novos, concorreram com elementos de sobra para o êxito do salão de 1905.

Destacam-se ao primeiro lance dolhos [sic] os quadros de Visconti, sobretudo o retrato da distinta escultora brasileira D. Nicolina Vaz de Assis; os de João Baptista, o primoroso pintor da nossa natureza; os retratos de Henrique Bernardelli, as marinhas de Dall'-Ora [sic]. Brocos também dá-nos um trecho da nossa baía, com efeitos do poente, belo trabalho, e um bom retrato de pessoa de sua família.

Eugenio Latour, pensionista do Estado, atualmente na Europa, enviou alguns trabalhos de valor, destacando-se o quadro - “Praga Social”, uma cena de alcoolismo em família de um proletário, um belo trabalho no seu conjunto em questão bem definidas a técnica e os efeitos de luz.

O artista em outros quadros que apresenta agrada vivamente pela nota dominante do colorido dado aos seus trabalhos.

Citaremos ainda os de Weingartner, Raphael Frederico, Eduardo Bevilacqua e as paisagens de Petrópolis de Luiz de Freitas e o brilhante concurso trazido pelos irmãos Chambelland [Carlos Chambelland e Rodolpho Chambelland], ambos alunos da escola e brasileiros.

É a segunda vez que concorrem e desta o fizeram com convicção e amor e jovens como são muito prometem.

Salientaremos as aquarelas de Rodolpho Chambelland e o seu quadro muito feliz - “Bacantes em festa”. Nesta seção há muitos nomes novos destacando-se A. Fernandes, E. Morand, Vaugnah [sic] e Carlos Azevedo.

Em aquarela sobressaem como sempre os belos trabalhos de B. Treidler e suas distintas discípulas as demoiselles Cunha Vasco [Anna da Cunha Vasco e Maria da Cunha Vasco], duas amadoras que já conquistaram justa nomeada pelo talento artístico.

Os desenhos de Raul dão uma nota atraente a esta seção.

Na seção de gravuras só há a notar as primorosas medalhas do professor Girardet, na de escultura os trabalhos da Associação dos Escultores de ornatos de madeira, os exemplares de marcenaria artística enviados pelo Liceu de artes e ofícios de S. Paulo, os trabalhos em couro de Mlle. Hirsch, Theodoro Braga e D. Joanna Brandt, e a jarra Tiradentes de Benedicto Machado.

Na de arquitetura destacam-se belíssimos desenhos do Sr. Victor Dubugras, professor da Escola Politécnica de S. Paulo.

A exposição deste ano merece uma visita demorada pela sua importância e valor dos trabalhos dos nossos artistas, que tanto tem elevado as Belas Artes do nosso país.


Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BELAS ARTES. SALÃO DE 1905. A Noticia, Rio de Janeiro, 1-2 set. 1905, p. 2.

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