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BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 30 ago. 1923, p.3.

De Egba

O dia de ontem foi grandemente movimentado para a vida artística da cidade. Do que ocorreu damos notícia a seguir.

A medalha de honra do salão deste ano

Os artistas representados na exposição geral deste ano estiveram reunidos para resolver sobre a concessão da medalha de honra correspondente ao mesmo certame.

Compareceram: Antonio Parreiras, Lucílio de Albuquerque, Raul Pederneiras, Gaspar Magalhães, Jorge Soubre, Helios Seelinger, Argemiro Cunha, Edgard Parreiras, Leopoldo Silva, Levino Fanzeres, Pedro Bruno, M. Constantino, Armando Vianna, Garcia Bento, Manoel Faria, J. B. Paula Fonseca, Modestino Kanto, Francisco de Andrade, Ludovico Berna, Baptista da Costa, Paulo Mazzuchelli e André Vento.

A medalha de honra foi conferida ao pintor Antonio Parreiras, que obteve 18 votos, havendo quatro cédulas em branco.

Comovido, o artista agradeceu a homenagem que lhe era prestada pelos colegas, quase ao fim da sua carreira, Aproveitou o ensejo para fazer um apelo aos mesmos no sentido de se unirem em movimento solidário na defesa dos interesses comuns.

Fez referência à campanha de silêncio, que disse estar sendo feita em torno dos esforços dos artistas brasileiros. A seguir, recriminou a imprensa, increpando-a de pródiga em elogios para com os artistas estrangeiros e de silenciosa para com os nacionais. Acentuou que ela, quando destes fala, é para destruir, sem se lembrar dos sacrifícios feitos pelos nossos artistas, sem esperança de recompensa, pois o colecionador nacional desampara também o trabalho bom do seu patrício para amparar, de preferência, a arte de arribação.

Aconselhou, por fim, aos seus colegas a reagirem pelo trabalho e prestigiando, tanto quanto possível, a Escola de Belas Artes, como representante oficial da classe, e a Sociedade Brasileira de Belas Artes, como representante oficial da mesma perante o povo.

A exposição geral

A exposição geral de belas artes continua aberta. O número de visitantes não tem sido grande, nestes últimos dias. É triste registrá-lo, mas é verdade. Isso demonstra a necessidade de ser franco o ingresso no salão anual dos nossos artistas.

A ideia, já posta em prática há alguns anos, de se realizarem festas mundanas em torno do salão, afim de atrair para ele a atenção do público, precisa não ser abandonada. Cumpre lançar mão de todos os elementos capazes de contribuir para a educação artística do nosso meio, até que esse sentimento se radique na alma da nossa gente.

Vamos concluir hoje as nossas impressões sobre a seção de pintura, no certame dos artistas patrícios. Imperdoável seria que não registrássemos, nesta crônica despretensiosa e simples, o trabalho enviado pelo Sr. Arthur Lucas. Apesar de enfermo, esse artista leva sempre o seu concurso ao salão. Desta feita está ele representado por um interessante aspecto de praia.

O nome e a arte de Arthur Thimotheo, o saudoso pintor tão cedo levado pela morte, são evocados por um retrato, tela em que se apresentam, trabalhados com o mesmo vigor, a figura e a paisagem.

Da contribuição sempre valiosa levada pela Sra. Georgina de Albuquerque, devemos destacar o "Fim de passeio", magnífico quadro de ar livre, em que ressalta a forte vibração do colorido de um casaco, um contraste violento de que a pintora tirou excelente partido.

Interessantes e dignas de especial registro, as paisagens do Sr. João Timotheo.

A seguir registraremos impressões sobre as seções de escultura, gravura e arquitetura.


Imagem

O pintor sr. Antonio Parreiras, artista distinguido com a "medalha de honra" do salão deste ano


Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 30 ago. 1923, p.3.

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