. BELAS-ARTES - Impressões do salão deste ano - Escultura - Gravura - Arquitetura. O Jornal, Rio de Janeiro, 16 ago. 1920, p. 3. - Egba

BELAS-ARTES - Impressões do salão deste ano - Escultura - Gravura - Arquitetura. O Jornal, Rio de Janeiro, 16 ago. 1920, p. 3.

De Egba

Edição feita às 21h11min de 11 de Junho de 2012 por Egba (Discussão | contribs)
(dif) ← Versão anterior | ver versão atual (dif) | Versão posterior → (dif)

Registradas que já foram as nossas impressões sobre a seção de pintura na exposição geral deste ano, passaremos agora a tratar da escultura, gravura e arquitetura. Feito isso, estará concluída a nossa tarefa, no desempenho da qual só tivemos o objetivo de ser justos, não procurando diminuir o esforço de ninguém, nem alimentando vaidade com elogios exagerados e imerecidos. Quer nas exposições gerais, quer nas individuais, trate-se de nacionais ou estrangeiros, tem sido e será sempre essa a nossa linha de conduta.

A SEÇÃO DE ESCULTURA

Sob qualquer ponto de vista, a seção de escultura deste ano é, visivelmente, inferior a do ano passado. Numericamente, então, essa inferioridade, além de ser patente, chegou ao ponto de não se poder consagrar à escultura uma sala especial. É lamentável que o desânimo tenha por essa forma invadido o espírito dos nossos jovens escultores.

O sr. Francisco de Andrade, que tão fortemente se fez representar em exposições anteriores, limitou-se aos bustos, este ano. É de lamentar que assim tenha acontecido. Dos bustos que expõe, destacaremos, como trabalho de mais largueza e segurança, no modelado, o do arquiteto Francisco dos Santos. Está feito com vigor de expressão, animado por um sólido desenho e observação anatômica. O estudo para uma estátua, representando um bandeirante, tem boa atitude a figura, lançada com certa nobreza.

Também quiséramos, para o sr. Magalhães Corrêa, artista de talento e prêmio de viagem da nossa Escola de Belas Artes, uma representação mais sólida, em se tratando de um salão anual. As duas cabecinhas por ele enviadas são cheias de vida e de delicadeza, são dois pequenos mimos do seu coração para dois rebentos da sua alma de pai e artista.

O escultor que domina na exposição geral é o sr. Antonio [sic] de Mattos [Antonino Mattos], prêmio de viagem na exposição geral de 1914. Na “Agonia” há expressão de dor. É bem um símbolo de vida que se extingue. Mas a “Escrava” é o trabalho de folego, entre os que expõe o artista, é mesmo a melhor peça de escultura no salão deste ano. O modelado é fino e a posição da figura está bem estudada. De formas belas, a escrava, braços cruzados para traz e acorrentados, tem os olhos fixos no céu, numa expressão súplice de liberdade.

Há muita simpatia e muita bondade na expressão fisionômica do retrato com que se apresenta o sr. Casemiro Corrêa, interessante busto em que ele reproduzia as feições de sua velha mãe.

O retrato em bronze do facultativo sr. Maciel Bacellar, executado pelo sr. Umberto Cavina, está bem modelado, mas deixa a desejar quanto à semelhança.

No busto apresentado pelo sr. Martins Ribeiro - 149 do catálogo - há graça na atitude, o modelado agrada mas o traço de semelhança não foi bem alcançado.

Do sr. Leão Velloso não chegamos a penetrar no assunto que lhe inspirou o trabalho “Evocando”, mas aquele beijo de “Um sonho” é agradável de ver e as duas figuras, graciosamente apresentadas em relevo têm em torno de si uma forte irradiação.

O busto em gesso, do general Silva Pessoa, feito pelo sr. Laurindo Ramos, talvez dê melhor resultado depois de passado para o bronze.

Tanto no busto em bronze, apresentado pelo sr. Paspual Fonseca [sic] Pascoal Fosca, como na sua índia argentina, há observação e viveza de modelado.

A SEÇÃO DE GRAVURA

Também há pouca coica [sic], este ano, na seção de gravura. Na parte referente às medalhas, esperávamos uma representação mais brilhante do sr. Adalberto Mattos, nome já consagrado nesse delicado ramo de arte. Mas, tivemos de nos contentar com a sua delicada “Felicidade”.

Apreciamos e muito os medalhões do sr. Francisco Marinho, para os campeonatos de natação e water-polo; o interessante “Peri” do sr. Jorge Soubre e algumas das peças expostas pelo sr. L. Campos.

Na gravura litográfica despertaram-nos a atenção duas produções em talho doce: “Criança orando” e “Madona de Raphael”, enviadas pelo pintor sr. Otto Reim.

O sr. Lopes de Leão tem nessa seção quatro assuntos colhidos na Itália.

A SEÇÃO DE ARQUITETURA

Estão expostas, nesta seção, dois projetos pertencentes ao sr. José Mariano Filho, o inteligente colecionador que tanto impulso procura dar a vida artística da nossa cidade “Uma residência à beira-mar”, de Victor Duburgas, e “uma casa em estilo colonial”, de Francisco Santos.

A EXPOSIÇÃO GERAL À NOITE

Visto à noite, o salão da exposição geral oferece aspecto interessante. A luz está distribuída com habilidade e há telas que ganham mesmo muito realce sob a luz artificial.

Todas as noites, das 19 às 22 horas, a concorrência tem sido numerosa.


Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

BELAS-ARTES - Impressões do salão deste ano - Escultura - Gravura - Arquitetura. O Jornal, Rio de Janeiro, 16 ago. 1920, p. 3.

Ferramentas pessoais
sites relacionados