. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 8 set. 1913, p.5. - Egba

BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 8 set. 1913, p.5.

De Egba

O Salão de 1913 - Se é de justiça iniciar a série das nossas apreciações com a apresentação do melhor trabalho atual na exposição de Belas Artes, apontamos em pintura esse deliciosíssimo painel de João Baptista da Costa, que tão sentidamente soube alcançar a nossa natureza em todos os seus matizes e em toda a sua poesia dos trópicos. Esse primoroso canto da encantadora cidade petropolitana, a que o artista denominou “Tranquilidade” é, para nós, a mais preciosa das telas expostas.

Quanta verdade, quanto sentimento e quanta beleza poética nesse trecho positivamente nosso, caracteristicamente nosso e que o autor soube, como sempre, imprimir na tela com a segurança magistral de um consagrado.

É uma paisagem, há vegetação como sempre, e como sempre há o clássico filete d'água, característico de quase todos os trabalhos do paisagista brasileiro, -dirão [...] muitos que somente veem com os frios olhos sem alma. O que podemos garantir é que nesse delicioso palmo de tela, o assunto da paisagem é sentido e vivo, sente-se ali o ambiente morno e nostálgico dos nossos campos e das nossas águas, o paisagista soube dar à sua impressão de cor O sentimento poético [...] e aliado à mais encantadora das interpretações.

À Baptista da Costa, que é um consagrado, estas linhas de certo não são de aplauso comum, mas de […] admiradora aclamação, como prova frisante e sincera do [...] valor que lhe reconhecemos na dificílima arte da paisagem interpretada e sentida e caracteristicamente brasileira.

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Uma tela de um discípulo de Baptista da Costa e que merece especial referência é a do [...] “Velhas árvores”, de João Baptista Bordon, magnífica paisagem de efeito seguro, com largos toques de sol a coar a luz pela folhagem [...] caminhos.

Bordon, cuja exposição ultimamente feita apresentou vitoriosas revelações [...] que é declaradamente um paisagista de real merecimento.

De Eugenio Latour a exposição apresenta sete trabalhos, dos quais destacamos e colocamos em primeira [...] ns. 135 “Bianca” e 137 “Nelina”, duas delicadas composições feitas com a leveza e a frescura que já caracterizam a palheta do artista.

“Polichinelo”, “Máscaras” e “Rosa Murcha” são outros primores que merecem elogiosas referências, pois demonstram que Latour de de dia para dia mais se acentua no seu caráter próprio, exclusivamente seu, o que é um dos mais fortes predicados do verdadeiro artista.

Bastaria, para quem não o conhecesse, como recomendação ao aplauso e à consagração. “Blanca”, esse pequeno rosto admiravelmente lançado, cheio de verdade e de expressão.

Continuaremos.

A hora literária - Na “terrasse” da Escola Nacional de Belas Artes realiza-se hoje, às 4 horas da tarde a primeira festa de arte, da série que se vai organizar durante a permanência da Exposição Geral.

A de hoje é exclusivamente literária e dela participarão os conhecidos literários Srs. Luiz Edmundo, Goulart de Andrade e Bastos Tigre, que certamente abrirão a temporada com o brilho que sabem dar às suas palestras.

A entrada para essa hora de arte genuína é a mesma da exposição [...] essa deliciosa série são bastante para augúrio do êxito feliz.

Segue-se na próxima semana a hora musical e assim teremos todas as segundas-feiras um belo momento de gozo artístico, celebrando a aliança de todas as manifestações de arte.

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Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 8 set. 1913, p.5.

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