. A exposição de belas artes - Vernissage. O Paiz, Rio de Janeiro, 1 set. 1912, p.3. - Egba

A exposição de belas artes - Vernissage. O Paiz, Rio de Janeiro, 1 set. 1912, p.3.

De Egba

Foi ontem a vernissage do salão da exposição deste ano, na Escola de Belas Artes.

Uma festa simples e concorrida apenas por profissionais, amadores, jornalistas e aficionados.

O salão vai dar uma excelente impressão. Ao primeiro golpe de vista, vê-se que maioria é de trabalhos, onde nomes que surgiram há pouco se vão firmando superiormente. Os mestres nacionais pouco concorrem e alguns estrangeiros vieram defender o renome de que já gozam.

Há os trabalhos dos concorrentes ao prêmio de viagem, que despertam uma grande curiosidade.

Destes, o trabalho do Sr. Capllonch é positivamente o mais pretensioso, cercado de uma ficelle de molduras espaventosas. São três quadros num mesmo grupo - A voz do profeta, Baile fatídico, Triunfo de Salomé. Há neles, naturalmente, alguns defeitos, mas o artista aplicou-se e conseguiu bons efeitos. O Sr. Gaspar de Magalhães concorre com um quadro que representa uma sessão de pintura numa praia. Há nele coloridos bons, mas é um trabalho muito discutível. Outro concorrente é o Sr. Galdino Bicho, que expôs uma mulher num interior, onde se nota certa delicadeza de coloridos, embora pequenos defeitos de desenho. É de notar, porém, que o artista escolheu a modalidade mais difícil, que é a de fazer figuras. O Sr. Navarro da Costa expõe um grande medalhão - O patacho, que é um excelente quadro. Também concorre um outro jovem pintor, o Sr. Alvaro Teixeira, com o seu quadro Desalento de Orfeu. Não fora a figura mal desenhada, o conjunto e a perspectiva da paisagem seriam bons.

O Sr. Levino Fanzeres tem também um bom quadro, Dentro da vida, onde conseguiu surpreender um momento de ocaso original.

Dos concorrentes, porém, o que mais impressiona é J. C. Bordon [sic], um modesto artista, que apresenta uma magnífica paisagem, além de outros pequenos quadros do mesmo gênero (troncos), onde o efeito de luz coada é perfeito.

Carlos [Carlos Chambelland] e Rodolpho Chambelland expõem bons retratos; Arthur Timotheo tem lá o seu Idílio e João Timotheo expõe um bom quadro - Trabalhando; Fedora R. Monteiro mandou de Paris uma cabeça muito boa e Angelina Agostini tem um excelente retrato, onde já mostra a segurança do colorido e a verdade do seu desenho.

Dos mestres, há paisagens de J. B. da Costa, que não precisam de encômios, embora se possa dizer que o estimado pintor está, cada vez mais, se aperfeiçoando, conseguindo efeitos que só estamos acostumados a ver nos grandes mestres ingleses e umas águas perfeitas.

Dois quadros do mestre espanhol Sorolla produziram uma forte corrente de admiração, pela originalidade e os melhores efeitos na arte de colorir.

Visconti expôs alguns trabalhos, que estão na altura do seu valor; mas há um retrato de Gonzaga Duque que está acima de todos os elogios.

Entre os escultores, o Sr. Correia Lima expõe um magnífico grupo - A fonte; o Sr. Verdier tem vários trabalhos primorosos, como a maquete de Oscar Lopes; um bronze (gato) e um trabalho em madeira e marfim que honra a escultura.

Há um esplêndido busto de negra do Sr. Pinto do Couto; um outro do barão do Rio Branco, da Sra. Nicolina de Assis; um Pugilatore e um Narciso, do Sr. Antonio Mattos [sic] [Antonino Mattos], muito bom, sendo este último concorrente ao prêmio de viagem.

A exposição é brilhante e a animação grande.

Será hoje a inauguração oficial, devendo comparecer o Sr. presidente da República.


Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

A exposição de belas artes - Vernissage. O Paiz, Rio de Janeiro, 1 set. 1912, p.3.

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