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A XXXVI EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 13 ago. 1929, p. 5.

De Egba

Rápidas impressões da sua inauguração, ontem, com a presença do presidente da República

Está inaugurada desde ontem mais uma, a XXXVI, das nossas Exposições Gerais de Belas Artes. O ato inaugural, o que desde o governo Epitacio Pessoa não se verificava, teve a assistência do presidente da República e essa honra ao atual “Salon” foi bem merecida pois é dos melhores destes últimos anos ou pelo menos dá essa impressão graças a uma seleção mais criteriosa dos trabalhos que deu ao conjunto muito maior harmonia do que a costumeira.

Evidentemente o critério da excessiva tolerância, até aqui seguido invariavelmente, parecendo um benefício ao meio artístico era, entretanto, a ele profundamente nocivo. Deve-se pressupor que o artista que ingressa em um “Salon” sujeito a júri teve uma recompensa no simples fato de ter sido admitido. Não se tratando de um salão de “independentes”, como não se trata no caso, mais louvável é sem dúvida o critério este ano adotado. Mais louvável e mais útil. Se não há o contraste ao qual já nos habituamos de um trabalho inferior realçando o vizinho de mais valor, não há também a recíproca.

Na XXXVI Exposição, ora franqueada ao público, o que principalmente ressalta é o equilíbrio. Dir-se-ia que os nossos artistas se esmeraram mais para comemorar o centenário das exposições de arte no Brasil que agora se verifica. Há prejuízo de quantidade mas há lucro de qualidade.

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Seção de pintura: 208 trabalhos. Seção de escultura: 54 trabalhos. Gravura de medalhas e pedras preciosas: 44 trabalhos. Gravura e litografia: 10 trabalhos. Arte aplicada: 1. Arquitetura: 8.

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Na seção de pintura figuram este ano quase todos os da velha guarda. Nota-se apenas, de relance, a ausência de Rodolpho Chambelland. Lá estão entretanto, Visconti, Bernardelli [Henrique Bernardelli], Amoedo e Parreiras [Antonio Parreiras].

O prêmio de viagem, não despertou tão grande interesse como em 1927 e 1928, quando foram disputadíssimas as vitórias respectivamente de Manoel Santiago e Candido Portinari. Concorrem atualmente Euclides Fonseca, Cadmo Fausto, Gastão Formenti, Joaquim Ferreira, Jordão de Oliveira, Manoel Constantino, Manoel Faria, Orlando Teruz, Orozio Belém, Rosele Del Negro, Sarah Villela de Figueiredo e Suzana Mesquita.

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O retorno de um prêmio de viagem desperta sempre grande curiosidade. Todos querem ver o que lucrou na Europa, o que aproveitou, em que se beneficiou com o contato dos grandes centros. Por isso muitas atenções se voltavam para as telas do sr. Armando Vianna que expunha pela primeira vez após o seu regresso do Velho Mundo. E a sua contribuição, com justiça, só merecia de todos muitos encômios. Voltou outro artista, mais seguro da sua técnica, com uma apreciável ambientação. Tanto em “Banho Matinal”, como em “Repouso” e “Cigana” seu progresso é sensível. Na paisagem, como na figura e no nu.

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Eliseu Visconti, sempre o extraordinário criador de harmonias. Henrique Cavalleiro, embora não tenha produzido muita coisa nova aos olhos dos íntimos do seu atelier, apresenta-se forte, muito forte mesmo. Sua técnica, vigorosa e moderna, obedece a um imperativo de sentimento que se vai aprimorando dia a dia. Sente-se que esse pintor não parou. Pesquisa, estuda, procura evoluir. Fica bem, nesta ligeira nota, falar, nele ao lado de Eliseu Visconti.

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Oswaldo Teixeira apresenta três belos quadros um arbusto e dois ótimos retratos. Do elemento feminino destaca-se sem dúvida a senhora Sarah Villela Figueiredo que nos apresenta dois ótimos retratos - um da senhorita Glycia Serrano [Imagem].

E quase nada se pode dizer mais após uma visita rápida de inauguração. Há sempre tanta gente onde está o presidente da República!


Imagens

Dois aspectos da inauguração do Salon de Belas Artes. Em cima, o presidente da República, os ministros da Justiça e da Viação, o diretor da Escola e visitantes. Em baixo, grupo de expositores


Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

A XXXVI EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES. O Jornal, Rio de Janeiro, 13 ago. 1929, p. 5.

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