. A INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE ARTE CONTEMPORÂNEA. O Imparcial, Rio de Janeiro, 14 nov. 1922, p.6. - Egba

A INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE ARTE CONTEMPORÂNEA. O Imparcial, Rio de Janeiro, 14 nov. 1922, p.6.

De Egba

A CERIMÔNIA - IRREGULARIDADES

Efetuou-se, ontem, às 2 horas da tarde, na ex-secretária da Escola de Belas Artes, vasto e encardido prédio da Avenida, a famosa "Exposição de Arte Contemporânea", laboriosa demonstração de progresso, em 106 anos de cultura artística.

O edifício ostentava uma ornamentação farta, à que faltaram apenas as clássicas palmeirinhas e folhagens, mas chegando mesmo a ter cravos expostos sobre colunas, o que é, realmente, de grande efeito...

O ato revestiu-se de certa solenidade, sendo o Dr. Baptista da Costa, diretor do estabelecimento, lido, discretamente, um longo memorial, que foi ouvido com muita atenção pelos presentes. Em seguida foi declarada aberta a Exposição.

Não sendo este ano um “salonzinho” vulgar, claro está importante melhoramentos foram feitos nas galerias, para receber e exibir, condignamente, as numerosas telas e estátuas aprovadas pelo conspícuo juiz.

O que há de apreciável nesses melhoramentos é apenas a distribuição de luz que se tornou o uniforme. O grande número de trabalhos expostos impede-nos de falar do conjunto, em resumo, e ainda mesmo que o desejássemos tentar, faltar-nos-iam dados precisos a respeito de cada um dos trabalhos. Não havia catálogos. O operoso diretor, naturalmente, fiado na popularidade do estilo de cada um dos artistas, achou dispensável essa formalidade.

Enganou-se S. S. e a não ser os seus gsozinhos [sic] de pescoço estendido, na ânsia de beber uma aguazinha franjada de espuma, tudo envolvido num conhecimento ambiente de Petrópolis, às nive horas da manhã, que toda gente sabe que só poderia ser obra de sua amada palheta e dos seus pincéis de dois cabelos, nenhum mais dos quadros acusa, pela sua fatura, o nome do autor.

Ora, é sabido que a modéstia dos nossos pintores não lhes permite escrever em letras perfeitamente indecifráveis as suas respectivas firmas, daí a grande utilidades do catálogo.

Esperamos que S. S. reconsidere do seu propósito de deixar os espectadores na ânsia de contemplar as “obras primas”, que tem a felicidade de exibir no ano de centenário sem conhecerem o nome do autor.

Venda-os mesmo a 10$000 mas organize catálogos.

No mais, resta a notar o concurso de uma banda de música que abrilhantou a solenidade executando trechos admiráveis...


Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

A INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE ARTE CONTEMPORÂNEA. O Imparcial, Rio de Janeiro, 14 nov. 1922, p.6.

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