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AS obras do palácio das Belas Artes. O Jornal, Rio de Janeiro, 11 nov. 1922, p. 3.

De Egba

O “vernissage” e a inauguração da exposição de arte contemporânea comemorativa do Centenário da Independência

Está marcada para amanhã a inauguração da exposição de arte contemporânea, comemorativa do Centenário da nossa Independência política. Hoje à tarde, das 16 às 18 horas, realiza-se a cerimônia do “vernissage”. Essa exposição, como se sabe, envolve também o “salão” deste ano, retardado em virtude das obras executadas no Palácio das Belas Artes.

São de grande vulto as aludidas obras, determinadas pela falta de espaço, pela impropriedade de instalações para as aulas e principalmente para o museu, que guarda os nossos melhores tesouros artísticos e as valiosas peças quo vamos adquirindo das notabilidades estrangeiras.

Por largo tempo se reclamou esse melhoramento, por muitos anos o nosso “saião” foi apresentado entre sarrafos e aniagem, sem que os protestos dos artistas e da imprensa lograssem ser ouvidos.

Mas o professor Baptista da Costa, com uma persistência verdadeiramente evangélica, logrou alcançar a boa vontade e a atenção das nossas autoridades para a situação precária das instalações em que se vinha procurando fazer o ensino das belas-artes no Rio de Janeiro.

E as obras foram atacadas. Constam elas de novas galerias, criadas com aproveitamento de espaço ocupado por terraços inúteis. Pode-se calcular a área ganha como superior a um terço da área total do edifício.

Com a remodelação de toda a divisão interna, estão agora independentes as diversas seções do estabelecimento, que tem a entrada dos alunos da Escola separada da entrada dos visitantes do museu.

A escada da entrada principal para acesso às galerias foi desdobrada. em dois lances, colocados lateralmente, sendo aproveitado o espaço ao fundo para uma galeria de escultura.

O palácio das belas artes passa a ter galerias especias destinadas ao “salão” anual, acabando-se assim, como dissemos, com os sarrafos e as aniagens, de tão desagradável aspecto.

O edifício foi dotado de dois elevadores: um para o acesso dos alunos às salas de aulas e outro para os visitantes do museu.

Cuidou-se também de uma distribuição de luz capaz de ser aproveitada para o funcionamento do museu e da exposição à noite.

Em tudo isso obedeceu-se, como é natural, às linhas e ao estilo arquitetônico do edifício.

A execução dos melhoramentos e acréscimos, isto é, tudo que diz respeito com a parte arquitetônica, esteve a cargo dos professores Archimedes Memória e Gastão Baena [sic].

Os ornatos são sóbrios e distintos. Em volta das galerias destinadas ao salão anual foram colocados lambris, havendo também aí, como nas galerias do museu, mostruários para as pequenas obras de arte.

O professor Baptista da Costa procedeu a uma revisão geral na instalação dos quadros do museu, começando pelas obras da missão francesa que iniciou os estudos das belas artes no Brasil, seguindo-se depois os artistas nacionais em ordem cronológica sob o ponto de vista das épocas.

As obras do edifício ainda não estão concluídas, mas permitem, pelo seu adiantamento, realizar-se a inauguração de amanhã que é esperada com grande e natural curiosidade.


Imagem

O professor Baptista da Costa, diretor da Escola de Belas Artes


Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Arthur Valle

AS obras do palácio das Belas Artes. O Jornal, Rio de Janeiro, 11 nov. 1922, p. 3.

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