. ARTE - A “HORA MUSICAL”. O Imparcial, Rio de Janeiro, 16 set. 1913, p.8. - Egba

ARTE - A “HORA MUSICAL”. O Imparcial, Rio de Janeiro, 16 set. 1913, p.8.

De Egba

Realizou-se, ontem, na Escola de Belas Artes, com uma concorrência toda chic, a interessante festa, a que, muito acertadamente, deram o nome de “Hora musical”.

Efetivamente, o momento é o mais oportuno para se tratar desse assunto: no Municipal, com admirável elenco, uma companhia italiana revive as velhas óperas de Wagner, tão estimadas quão incompreensíveis; no mesmo teatro e com os mesmo elementos executam-se várias audições de um ópera brasileira, a Abul, com desmedido sucesso, e, por fim, a Galaor, de Araujo Vianna, de que já se conhece uma audição, vem acordar o nosso sentimento musical, fazendo-nos vibrar inteiramente.

A Escola de Belas Artes, onde já se exibiram, em palestras suaves e cheias de encantos, os poetas da nova geração Goulart de Andrade, Luiz Edmundo e Bastos Tigre, dá agasalho, agora, a um punhado de musicistas com que muito se deleita a elite carioca.

A “Hora musical”, pois, como não podia deixar de ser, obteve um êxito muito grande.

A senhorita Marietta Verney Campello, na canção da Sibila da nova ópera de Araujo Vianna, Galaor, obteve merecida ovações. O mesmo aconteceu à senhorita Belia, sua irmã, que foi irrepreensível na canção de Moema, de Delgado e Carvalho e Wolte de Catalam.

O sr. Pedro Bruno, cantando uma parte da “I pagliacei”, de Leoncavallo, andou sempre à altura do justo renome que conquistou.

No violino, o sr. A. Cardoso de Menezes executou, com muita proficiência vários trechos de musicas clássicas destacando-se Thais, de Massenet e Zamacucca, de Nicolino Milano.

Os acompanhamentos foram feitos pelo maestro Araujo Vianna, que se portou com a habitual correção.

A assistência coroou os intérpretes da “Hora musical” com calorosos aplausos.


Imagens

Os artistas que tomaram parte na “Hora musical”

Um aspecto da assistência


Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

ARTE - A “HORA MUSICAL”. O Imparcial, Rio de Janeiro, 16 set. 1913, p.8.

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