. ARTES E ARTISTAS. Salão de 1911. O Paiz, Rio de Janeiro, 1 set. 1911, p.6. - Egba

ARTES E ARTISTAS. Salão de 1911. O Paiz, Rio de Janeiro, 1 set. 1911, p.6.

De Egba

VERNISSAGE - Realizou-se ontem vernissage do salão de 1911, isto é, a modesta cerimônia da véspera da inauguração que será hoje, na presença do Sr. presidente da República, suas casas civil e militar, ministros de Estado, prefeito e pessoas gradas.

O Sr. presidente da República prometeu à comissão diretora da exposição, achar-se às 2 horas da tarde, no edifício da escola, onde anualmente se fazem os salões artísticos.

A exposição de pintura não é grande, mas é seleta. Neste ano a comissão diretora mandou estender um velário corrigindo a luz mal dirigida da galeria.

Pela primeira vez os concorrentes ao prêmio de viagem foram convidados à previa declaração; os seus trabalhos ficaram reunidos em um pano de parede e, facilmente, se poderá fazer estudo comparativo. Dentre eles se destacam os dos srs. Eurico Alves, Fedora Monteiro, Gaspar Magalhães e Puga Garcia.

Apareceram pela primeira vez algumas paisagistas de talento.

Em escultura há muitos trabalhos do sr. Moreira Junior, ex-pensionista do Estado.

Na mesma seção se destacam: um gatinho, gracioso gatinho e esculturas da Sra. Hermelinda Cunha.

É nota interessante à exposição de gravura do Sr. Adalberto Mattos, pensionista do estado na Itália, ex-aluno da escola e discípulo de Augusto Girardet, exímio professor da especialidade na nossa Escola de Belas Artes.

Este mestre na gravura, sempre abrilhanta os salões anuais, e ainda agora o público terá de apreciar belas produções de Augusto Girardet.

Entre os quadros expostos emocionam os de Elyseu Visconti e as incomparáveis paisagens de João Baptista da Costa.

A arquitetura não se fez representar. Por que [sic] Morales de los Rios, Heitor de Mello e os jovens arquitetos brasileiros, que tanto projetaram nesta cidade, não compareceram.

Sente-se que eles não exponham, quando tanto agradam as construções que, sob seus planos, são levadas a efeito nesta cidade...

A falta do catálogo, que só será distribuído hoje na inauguração, nos inabilita a detalhadas apreciações, o que faremos amanhã.

O aspecto do salão de 1911 agrada; e, pela primeira vez, a ornamentação floral realça, devido à coadjuvação prestada, a pedido da comissão diretora, pelo Dr. Julio Furtado, digno inspetor geral dos jardins públicos.


Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ARTES E ARTISTAS. Salão de 1911. O Paiz, Rio de Janeiro, 1 set. 1911, p.6.

Ferramentas pessoais
sites relacionados