. ARTES E ARTISTAS. Ecos da XIX exposição. O Paiz, Rio de Janeiro, 3 set. 1912, p.6. - Egba

ARTES E ARTISTAS. Ecos da XIX exposição. O Paiz, Rio de Janeiro, 3 set. 1912, p.6.

De Egba

As más línguas, como os filhos da Candinha, vão a todos os lugares. Estiveram na Escola de Belas Artes e tomaram as suas notas. Perderam o caderninho, mas, alguém o encontrou e resolveu nele confiar, pedindo-nos que anunciássemos o achado na seção dos “Objetos perdidos”.

Satisfazemos hoje o desejo da honrada pessoa que quer restituir o seu a seu dono. Tomamos o alvitre de destacar o anúuncio para esta coluna. Dá mais na vista aqui. Como é provável que tenham sido perdidos outros caderninhos e porque não variem muito de forma esses blocks de algibeira, para evitar que seja reclamado por um falso dono esse que está em nosso poder, em vez de dizermos simplesmente que “entregamos ao verdadeiro dono uma carteira de notas encontrada na exposição de belas artes, preferimos publicar hoje as linhas escritas em uma das folhas, à guisa de santo, contando que a senha, em cujo segredo estamos, nos desvende o proprietário do objeto, a quem não faremos dúvida em entregar a preciosidade...

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Aqui vão as impressões:

“O catálogo está impresso em bom papel. Valha-nos isso, porque a revisão está fantástica. É de esperar que para a 20ª exposição a comissão alugue um revisor. O francês em que está escrita a denominação dos trabalhos de artes aplicadas é de fazer corar um zulu. Nós íamos perdoar o d que sete vezes conclui o abajur de uma expositora. Enfim, abatjourd' podia passar. O diabo é que logo adiante, na mesma página, surge uma “Coluna com cachet-peau”. Sempre queríamos ver a cara do expositor que havia mandado à escola o seu cache-pot. Verdade é que o tal cache-pot é uma lástima é quase uma pequena vergonha para a comissão que o deixou passar.”

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“136 trabalhos de pintura! Bravo! Trabalhou-se. Vários mestres expõem. É lisonjeiro. Paro em frente ao quadro n. 16, do mestre A. de F. [Francisco Aurelio de Figueiredo e Mello] É, como se diz no Binoculo, o retrato de uma senhorita decotada. É riquíssimo o vestido de baile ... A senhorita é que está com um semblante, em todo de haver perdido a barca para o célebre Baile na ilha fiscal, que o mesmo mestre A. de F. ofereceu ao governo (e o governo aceitou) por sessenta contos de réis...”

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“O outro retrato de senhora. Tela imensa, para salão rico. O autor é um jovem já mencionado honrosamente em 1907. Olho os anéis da mão esquerda do modelo. Um rubi ... reconstituído. O artista deverá esforçar-se por pintar um Oriente. Uma dessas minúcias muitas vezes compromete o todo. Pintar uma pedra falsa num retrato de luxo... Dir-se-ia que a obra toda é reconstituída.”

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“O mestre M. B. [Modesto Brocos] pintou uma Cena de bordo. Sentiu tanto o que pintou que enjoou, lançando aquele quadrinho das índias Na cachoeira... Ficou-lhe a impressão de bordo e de tal sorte que resolveu mostrar o Morro do Senado (em 1908), a uma pacata família, do alto de um vasto tombadilho.”

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“Gostei muito do Tijolo deitado tocando frauta [sic] ...”

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Prosseguiremos na publicação das notas até que o autor legítimo venha reclamar a carteirinha perdida.


Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

ARTES E ARTISTAS. Ecos da XIX exposição. O Paiz, Rio de Janeiro, 3 set. 1912, p.6.

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