. AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 25 set. 1906, p.2. - Egba

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 25 set. 1906, p.2.

De Egba

Entre os pintores estrangeiros que figuram no atual salão, destacamos Guillaume Alaux, com a sua expressiva marinha, trabalho de pincel firme e completo senhor da técnica. Chapuis, com um trecho da poética e legendária Bretanha, de uma suavidade empolgante; e Collin, com o “Banho ao ar livre” muito pitoresco e delicado.

Eliseu Visconti apresenta-nos a sua pequena tela “Segredo”, no estilo antiquado que o artista frequentemente cultiva. Este trabalho lembra sua tela que ficou celebre, a do “Beijo”, embora não possua as mesmas suavidades de expressão. É o único trabalho exposto pelo artista, hoje ocupado na Europa, com a decoração do Teatro Municipal, a seu cargo.

- Pedro Weingartner expõe um “Interior de cozinha”, já nosso conhecido, onde há muita fidelidade e muita observação nos efeitos luminosos. Expõe mais a “Pastora” e “Praça de Anticoli”, duas telas agradáveis no mesmo estilo de sempre, minucioso, detalhado, que faz distinguir prontamente a obra do artista rio-grandense.

Do finado Souza Vianna, há no salão três estudos de cabeça e um estudo de animais, que revelam qualidades distintas, provando que muito havia a esperar desse bom pincel mineiro.

Honorio Esteves, que é da velha guarda, apresenta três estudos de paisagem, com algumas qualidades e regular dose de sentimento.

Não concordamos, porém, com os títulos que procurou dar as telas. “Um cajueiro da Estrada do Morro do Cavalão”... “Uma rua do jardim do campo de Sant’Anna”... são títulos informativos demais, que fazem lembrar o [...] de Pedro Américo em seus primeiros tempos, quando punha títulos quatro vezes maiores do que os seus quadros. A parte essa prolixidade dos títulos, os quadros de Esteves são regulares, com toques felizes.

Feitosa Filho obteve menção honrosa do 2º grau com os seus trabalhos expostos. Deles destacamos o Caipira fumando, de apreciável fatura, e a Paisagem com muita suavidade de tons. O mais são frutas e mais frutas, que, se agradam pela fatura, transformam o salão em monotonia. Observando bem, o visitante vê que a predileção da maioria é exatamente pela natureza morta, e, em um salão, sempre faz desmerecer muito a atenção, que foge logo destes quadros.

Isso não quer dizer que os trabalhos de Feitosa desagradem, pelo contrário, são na maioria bons, bem tocados, perdendo apenas Cebolas, confrontadas com as Cebolas de Malhôa.

Bueno Amador.


Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 25 set. 1906, p.2.

Ferramentas pessoais
sites relacionados