. AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 set. 1906, p.2. - Egba

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 set. 1906, p.2.

De Egba

De Araujo Fróes, professor do Colégio Militar, há uma tela apreciável, que mereceu menção honrosa do 2º grau. É um trecho de Icaraí, com bastante verdade, um colorido firme, promissor de trabalhos de maior fôlego.

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De F. Fader, pintor argentino, há cinco telas no salão, todas sobre motivos dos campos e das cordilheiras. É um dos poucos argentinos, dos novos, que se dedicam aos costumes locais de seu país. Seus trabalhos, um tanto antiquados, possuem uma “maneira” larga de fatura, que não impressiona muito, dando a ilusão de “manchas” de estudo de atelier e não de um trabalho acabado. Há, porém, uma quantidade perfeita no estilo do artista: a luz é tocada com precisão, vendo-se que foi esta a principal atenção ao executar as suas pinturas.

A monotonia dos assuntos também concorre para diminuir muito o efeito dos quadros, que melhor seriam apreciados se estivessem afastados uns dos outros, no salão. A maneira de “manchar” revela que o artista há de ser um bom “impressionista” da sua terra e do seu meio.

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Rodolpho Lindermann, discípulo de Jean Paul Laurens, expõe quatro telas, três paisagens e um retrato, todos num estilo penumbrado, fazendo predominar as tonalidades tristes. É mais fiel na paisagem, onde os toques são de mais seguro efeito.

No retrato, porém, há um que de desagradável, pelo rebuscado da fatura, imprópria de tal gênero. Nas telas de natureza o seu pincel mostra-se mais à vontade com mais largueza de manejo e com belos traços de estilo próprio. Por seus trabalhos mereceu o artista a menção honrosa de 2º grau.

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Também mereceram a menção honrosa de 2º grau os trabalhos de Germano Neves, paisagens prometedoras, trechos bem apanhados de nossa terra, com apreciável precisão de tons.

O colorido possui vigor, e dos efeitos luminosos o artista tira todos os recursos possíveis, revelando assim uma tendência perfeita para a paisagem naturalista.

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Vasquez é ainda o esquisito paisagista, que vive aqui e ali, pela zona fluminense, apanhando impressões suaves e efeitos pitorescos da nossa natureza. O seu temperamento é de um sereno observador, que escolhe as melhores tonalidades, a suavidade da luz, as horas de sol oblíquo, para as suas telas. Este ano o seu pincel, a sua maneira e o seu estilo, nos agradaram muito mais. O artista já possui um que de seu, um toque próprio que o distingue a primeira vista: tem estilo caracterizado. Leve no manejo, suave nos tons, verdadeiro na impressão, Vasquez revela-se, de ano para ano, um artista de paisagem, digno de aplausos.

Bueno Amador.

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A Exposição continua aberta todos os dias, das 10 às 3 da tarde.


Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 set. 1906, p.2.

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