. AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 out. 1906, p.4. - Egba

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 out. 1906, p.4.

De Egba

A secção de escultura, na presente Exposição, é pobre em quantidade, mas ganha vantagem em qualidade.

O busto de bronze, exposto por Belmiro de Almeida, é um pequeno trabalho feito com muito gosto, cheio de vida, imprimindo mais uma nota elogiosa ao talento do artista.

Corrêa Lima, a quem um grupo de rapazes do nosso meio inteligente prestou ultimamente justa e original homenagem, revela mais uma vez o quanto é merecedor o seu talento de execução e fatura.

O Trabalho é um gesso de formas perfeitas de observação, talhado com maestria, como são todos os trabalhos do jovem e laureado artista.

Honorio da Cunha e Mello expõe dois trabalhos agradáveis. Destaca-se logo a Cabeça de Garoto, bem observada, com promessas de êxito completo do discípulo de Rodolpho Bernardelli.

De D. Nicolina de Assis, há um busto de dama, em bronze, um dos melhores trabalhos de sua lavra, que conhecemos. A figura é expressiva, o toque é perfeito, vivo e muito insinuante. O seu estudo para uma fonte, decorativo e singelo, também merece referência pela perfeição aliada à sobriedade dos toques.

D. Julieta França expõe sete trabalhos. A nossa artista, porém, dominada pelo sentimento monumental, sacrifica muito a sua maneira e a sua arte. O busto do Dr. Serzedello Corrêa é de uma fatura muito lisa, sem as grandes impressões que caracterizam a escultura moderna.

A maquete comemorativa é apenas uma ideia do que poderia ser o monumento; não revela grande originalidade, mas agrada no conjunto. Mais aceitável é o seu gesso Sonho do filho pródigo, cujo título em francês, não nos nos [sic] parece próprio de uma artista nacional, assim como o outro título Confidence do seu gesso enorme e desgracioso, onde as duas figuras estão em uma pose constrangida, artificial, sem indício de sentimento. Quem o contempla, não tem a menor ideia de que o trabalho representa uma confidência, parece-nos antes um Hércules desproporcional a retesar os músculos duros de uma ninfa.

Na seção de gravura de medalhas e pedras preciosas continua a figurar isolado o professor Girardet. Os seus trabalhos são sempre os mesmos, criteriosamente feitos, carinhosamente tratados.

Deles destacamos a medalha oferecida ao Dr. Passos e as Vaidosas, interessante baixo relevo, muito vivo e muito atraente.

Modesto Brocos, com a água-forte, retrato do Dr. J. J. Seabra, nos deu saudades das suas primeiras águas-fortes, muito mais cuidadas na execução e no desenho.

Na secção de artes aplicadas, figura somente D. Joanna Brandt, com seus trabalhos de couro e bordados, na maioria interessantes e originais.

* * *

Terminamos estas apreciações, quando recebemos uma resposta a carta do artista Belmiro de Almeida, ultimamente transcrita.

Publicá-la-emos, como tréplica natural nessa questão que nos parece simpática e merecedora de atenção do meio artístico.

Bueno Amador.


Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Andrea Garcia Dias da Cruz

AMADOR, Bueno. BELAS ARTES. O SALÃO DE 1906. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1 out. 1906, p.4.

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