. AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 set. 1913, p.6. - Egba

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 set. 1913, p.6.

De Egba

A HORA MUSICAL - Na terrasse da Escola de Belas Artes realizou-se ontem a segunda festa da série artística que se organizou para alegrar as segundas-feiras no certame ali atualmente em [...]

A “hora literária”, há oito dias realizada com grande êxito, abriu o campo. Ontem tivemos a “hora musical”, que esteve brilhante, graças ao concurso dos nossos apreciados cultores de boa música.

Os assistentes tiveram ensejo de apreciar trechos da ópera Galaor, cantados pelas Senhoritas Isabel e Marietta de Verney Campello, acompanhadas no piano pelo autor da ópera, o maestro Sr. Araujo Vianna. Pedro Bruno, que, além de pintor apreciado, é delicado cultor do canto, fez ouvir a sua voz de barítono, cantando a Ave Maria, também composta pelo maestro Sr. Araujo Vianna colhendo muitos aplausos.

Foi uma bela hora de arte.

Na próxima segunda-feira, dizem, teremos a “hora humorística”, de que talvez participem, entre outros, os Srs. Bastos Tigre, Calixto Cordeiro e os nossos companheiros Srs. Raul Pederneiras e Luiz Peixoto, que farão caricaturas instantâneas.

Nada há deliberado por enquanto, mas temos como quase certa a realização dessa festa, parte integrante da série de horas de arte tão bem iniciadas.

O SALÃO DE 1913 - A falta de espaço não nos tem permitido a frequência das nossas apreciações sobre os trabalhos da atual exposição geral de belas artes. D’ora avante procuraremos abreviar as notas a respeito, adotando o sistema que esteve muito em uso no velho continente: os dos valores, por meio de graus, especialmente, sendo o grau 10 a máxima da apreciação, correspondente à nota ótima; os graus 9 a 6, correspondentes à nota boa; de 6 a 1, à nota sofrível, e o zero, naturalmente, será a nota má. Esses valores não serão dados somente pela apreciação pessoal do rabiscador destas linhas, serão também a resultante da observação dos competentes no assunto, de modo a melhor firmar o valor dos trabalhos.

Assim, hoje, em pintura, temos a seguinte discriminação:

Sr. Alvaro Teixeira, grau 4; D. America de Souza, grau 3; D. Adelaide Gonçalves, grau 5; D. Adelia Saldanha, grau 3; Sr. André Vento, grau 5; Sr. Agenor de Barros, grau 5; Annibal Mattos, grau 8; Arnaldo de Carvalho, grau 9; Raul Bevilacqua, grau 8; Guttmann Bicho, grau 8; Miguel Caplonch, grau 8; Carlos Chambelland, grau 9; Rodolpho Chambelland, grau 9; Coelho de Magalhães, grau 6; José Cordeiro, grau 7; Gustavo Dall'Ara, grau 9; Carlos de Servi, grau 9; J. Dias Junior, grau 5; Eurico Moreira Alves, grau 6; D. Fedora do Rego Monteiro, grau 6; Srs. Fiuza Guimarães, grau 9; Gastão Formenti, grau 8; D. Francisca Leão, grau 7; D. Julieta Bicalho, grau 7; Srs. Luiz Christophe, grau 8; Luiz de Freitas, grau 7; Lucilio Albuquerque, grau 9; Heitor Malagutti, grau 9; D. Maria Pardos, grau, 5; Marques Junior, 8; Alvim Menge, grau 9; Navarro da Costa, grau 9; Carlos Oswald, grau 9; Edgard Parreiras, grau 7; Pons Arnau, grau 7; Souza Pinto, grau 9.

Em escultura obtivemos os seguintes valores.

Srs. Armando Braga, grau 7; Francisco de Andrade, grau 6; Luiz Esteves de Carvalho, grau 0; Antonio Mattos, grau 8; Moreira Junior, grau 8; Pinto do Couto, grau 9; Corrêa Lima (H. C.), grau 10.

Continuaremos assim a publicação simbólica das apreciações por valores e mais tarde, quando houver uma folga de espaço que facilite mais delonga na apreciação discriminada, voltaremos à praxe antiga, fazendo referências sobre os trabalhos mais merecedores.

Bueno Amador.


Digitalização de Mirian Nogueira Seraphim

Transcrição de Vinícius Moraes de Aguiar

AMADOR, Bueno. BELAS-ARTES. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 16 set. 1913, p.6.

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