RODOLPHO BERNARDELLI

(Guadalajara, México, 1852 – Rio de Janeiro, 1931)

José Maria Oscar Rodolpho Bernardelli ingressou na Academia Imperial de Belas Artes (AIBA) em 1870, tendo como professor de estatuária Francisco Manoel Chaves Pinheiro. Em 1874, naturalizou-se brasileiro. Dois anos depois foi premiado na Exposição Internacional de Filadélfia com as esculturas Saudades da Tribo (1874) e À Espreita (1875). Recebeu no mesmo ano o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro com o relevo Príamo implorando o corpo de Heitor a Aquiles. Bernardelli permaneceu em Roma, de 1877 até 1885, onde estudou com o escultor Giulio Monteverde. Conheceu, entre outros, os escultores Achille D’Orsi e Eugenio Maccagnani.

Enviou diversas obras para a Academia, relativas a trabalhos que deveria apresentar como pensionista, como Jesus Cristo (1877) e os relevos Figura de Homem (1877), Figura de Mulher (1877), Adão e Eva (1878), Fabíola ou O primeiro martírio de São Sebastião (1878) e ainda cópias em mármore da Vênus Calipígia (1882), do Museu de Nápoles, e Vênus de Médicis (1885) Em 1884, na Exposição Geral de Belas Artes apresentou os originais em gesso de três das suas obras mais famosas: O proto-mártir Santo Estevão, apedrejado pelos judeus nos últimos dias do ano 33 (1879), Faceira (1880) e Cristo e a Mulher Adúltera (c.1882), cujo grupo em mármore fora finalizado naquele mesmo ano e apresentado na Exposição de Turim.

Em 1885, retornou ao Rio de Janeiro e atuou como professor da cadeira de escultura estatuária em substituição a Chaves Pinheiro, na AIBA. Com a proclamação da República, foi eleito diretor da recém-instituída Escola Nacional de Belas Artes (ENBA) e, simultaneamente, assumiu a  cátedra de Escultura. Bernadelli manter-se-ia como diretor e professor da ENBA até 1915, sendo responsável, entre outras melhorais, pela criação do Conselho Superior de Belas Artes, pela reforma da Pinacoteca da Escola e pela sua transferência para uma nova sede na atual Avenida Rio Branco.

* Veja mais sobre Rodolpho Bernardelli em DezenoveVinte

Rodolpho Bernardelli. Cartas a Maximiano Mafra entre 1878 e 1885, Seção Documentos.

Gonzaga Duque. A arte brasileira: Escultura IV, Seção Artigos na Imprensa.

Suely de Godoy Weisz. Rodolpho Bernardelli, um perfil do homem e do artista segundo a visão de seus contemporâneos, Seção Artistas e Coleções.

Camila Dazzi. As Relações artísticas entre Brasil-Itália no último oitocentos: a recepção da crítica de arte carioca aos  pintores brasileiros na Itália (1880-1890), Seção Crítica de Arte.

Camila Dazzi. Pensionistas da Escola Nacional de Belas Artes na Itália (1890-1900) - questionando o “afrancesamento” da cultura brasileira no início da República, Seção Ensino Artístico.

* Algumas obras de Rodolpho Bernardelli nas Exposições Gerais de Belas Artes

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES DE 1876 - Seção Escultura

Retrato de Félix Émile Taunay, antigo diretor da Academia Imperial das Belas Artes (gesso para ser fundido em bronze)

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES DE 1879 - Seção Escultura

O primeiro martyrio de S. Sebastião; conforme a descripção do Cardeal Wiseman, no romance historico “Fabiola ou A igreja das catacumbas.”

S. Sebastião, condemnado por Diocleciano nos fins do 3o século, a morrer a tiros de frexa, como Christão, foi salvo da morte por ter Fabiola, servindo-se de sua escrava Afra, conseguido de Hyphax, numida, commandante dos archeiros encarregados da execução, que estes lhe não fizessem nenhuma ferida mortal. Desfallecido pela perda do sangue, e julgado morto, foi o corpo entregue aos escravos de Santa Irene, que o reclamara para dar-lhe sepultura.

Na ocasião destes o levantarem do chão, são sorprehendidos por Afra que, approximando-se delles, diz-lhes: “Ainda está vivo.”

Parece ser este o momento escolhido pelo artista.

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES DE 1884 - Seção Escultura

Jesus Cristo e a mulher adúltera - esboço para grupo em mármore, para a Exposição de Turim (gesso)

Cópia de original grego (Museu de Nápoles): Vênus Calipígia