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QUIRINO CAMPOFIORITO (Belém, PA, 1902 – Rio de Janeiro, RJ, 1993) Pintor, desenhista e ilustrador gráfico, crítico de arte e professor, Quirino Campofiorito era filho do arquiteto e pintor de origem italiana Pedro Campofiorito. Desde 1917, trabalhou como ilustrador n’O Tico-Tico e na Revista Infantil; no fim da década de vinte, tornou-se caricaturista d’O Malho, D. Quixote, A Maçã, A Máscara, Eu sei tudo, entre outros periódicos e trabalhou ainda como desenhista de publicidade na Metro Goldwin Mayer. Colabora, também, com seu pai, (1875 – 1945) em seus projetos para prédios públicos do Rio e de Niterói. Estudou na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro (ENBA), entre 1920 e 1929. Nesse último ano, conquistou o Prêmio de Viagem à Europa, para onde se transferiu juntamente com a esposa, a pintora Hilda Eisenlohr. Lá trabalhou em ateliês, academias e círculos artísticos, em cidades de Roma e Paris, essa última onde o pintor expôs (Salons d’Autonne, des Artistes Français, etc.) e onde, em 1933, nasceu seu filho, Ítalo. De retorno ao Brasil, Campofiorito participou dos Salões Nacionais - como foram renomeadas, com o Estado Novo, as antigas Exposições Gerais -, nos quais, com sua tela O Operário, ganhou em 1935 a medalha de prata (isenção de júri). Criou e dirigiu uma Escola de Belas Artes em Araraquara (1935) e assumiu, em 1938, a cadeira de Desenho Artístico da ENBA. Na mesma época, criou o mensário Bellas Artes, onde conviviam as opiniões dos artistas conservadores e dos modernistas. Em 1940, figurou entre os mais destacados participantes na criação de uma Divisão Moderna do Salão Nacional, que foi colocada sob a direção de uma comissão de tendência modernista - Mário Andrade, Oscar Niemeyer e Candido Portinari. Campofiorito foi ainda presidente do Núcleo Bernardelli em 1942 e, até 1952, participou ativamente da criação de associações, institutos e exposições internacionais envolvendo artistas brasileiros, inclusive a célebre Bienal de São Paulo, da qual integrou o júri em 1951. Campofiorito produziu constantemente em uma outra vertente de sua vida profissional, a de crítico de arte, escrevendo diariamente, por cerca de 40 anos, em periódicos como o Diário da Noite, O Jornal, O Cruzeiro e o Jornal do Commércio. Sua carreira docente prosseguiu com seu doutorado em artes pela UFRJ e efetivação como catedrático na ENBA, em 1950, onde criou os cursos de xilogravura e cenografia, entregues respectivamente a Oswaldo Goeldi e Tomás Santa Rosa. Em 1969, foi afastado da Universidade por Ato Institucional da ditadura militar que cassou ou aposentou diversos professores universitários brasileiros de indiscutível nomeada. Veio completar a sua vida de professor quando, anistiado pela restruturação democrática, recebe em 1981 o título de Professor Emérito da ENBA, na qual voltou a fazer conferências Como artista, foi através da apropriação plástica das vanguardas históricas que Campofiorito. encontrou sua derradeira linguagem pictórica, materializada em suas Homenagens (Kate Kollwitz, Brecht, Braque, Malevitch, Albers). Seus últimos quadros são, a um só tempo, pictóricos e críticos: neles convivem a mais purificada geometria e certos sinais de vida (caramujos, maçãs, etc.) que remetem a suas antigas adesões estéticas como os artistas italianos do movimento conhecido como Novecento, Giorgio de Chirico, Cézanne, entre outros. * Veja mais sobre Quirino Campofiorito em DezenoveVinte Termos de julgamento das provas dos Concursos ao Prêmio de Viagem em pintura durante a 1a República, Seção Documentos. Fábio De Macedo. Núcleo Bernardelli: Una Enseñanza Artística Liberadora en la Construcción del Arte Moderno en Brasil, Seção Ensino Atístico. |