MONTEIRO LOBATO

(Taubaté, SP, 1882 – São Paulo, SP, 1948)

Contista, ensaísta e tradutor, mas também editor e pintor, José Bento Monteiro Lobato foi um dos personagens mais interessantes da recente história cultural brasileira. Além de toda essa sua inclinação pelas letras e pelas belas-artes, Lobato se formou em Direito e atuou como promotor público, até se tornar fazendeiro, após receber uma herança deixada pelo avô. Embora seja hoje mais celebrado pela sua excepcional produção no campo da literatura infanto-juvenil brasileira, parcela significativa da obra literária de Monteiro Lobato é dedicada à discussão de questões sociais, políticas e econômicas que tem em comum um forte viés nacionalista. Em seus primeiros livros - Urupês, Cidades Mortas, Negrinha -, o escritor elabora uma dura crítica à violência, ao racismo, à exploração laboral do menor, ao caótico crescimento das cidades, aquilo que desembocaria, poucos anos depois, na crise da primeira década do Estado Novo brasileiro.

Lobato praticou efetivamente as artes plásticas. Todavia, sua intervenção mais significativa nesse campo se deu por intermédio da sua atuação como crítico de arte, em periódicos da imprensa da cidade de São Paulo. É célebre o artigo Paranóia ou Mistificação?, publicado em 1917, no qual Lobato, comentando uma exposição de Anita Malfatti, criticou a influência dos "futurismos” e “uma atitude estética forçada no sentido das extravagâncias de Picasso & Cia.” nas obras da artista. Mas a sua crítica de arte não se identifica com um qualquer conservadorismo retrógrado: especialmente entre 1915 e 1919, quando colaborou em periódicos como a Revista do Brasil, Lobato desenvolveu um consistente projeto nacionalista para a cultura brasileira, que posteriormente, através da sua atuação multifacetada, procurou expandir para as mais diversas áreas.

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