K. LIXTO (Calixto Cordeiro)

(Niterói, RJ, 1877 - Rio de Janeiro, RJ, 1957)

Desenhista, caricaturista e pintor, Calixto Cordeiro iniciou-se nas artes como aprendiz na Casa da Moeda do Rio de Janeiro, sob a orientação de Artur Lucas, passando a freqüentar, alguns anos mais tarde, a Escola Nacional de Belas Artes (ENBA). Deixando a Casa da Moeda, ingressou na Imprensa Nacional, onde desenhou o primeiro selo de imposto de consumo impresso no Brasil. Na edição de 30 de julho de 1898 d'O Mercúrio, publicou sua primeira caricatura, tendo sido ainda nesse ano que abreviou sua assinatura, adotando o K para substituir o C e o A.

Sua atividade de caricaturista estender-se-ia por mais de trinta anos, com intensa colaboração em jornais e revistas do Rio de Janeiro, como O Riso, D. Quixote, Careta, A Semana Ilustrada, Fon-Fon!, Ilustração Brasileira, A Caricatura, Gazeta de Notícias, O Cruzeiro, tendo ainda participado, juntamente com escritores e artistas como Raul Pederneiras, da fundação d'O Tagarela, O Malho, Avança e Degas na primeira década do século XX. Em 1914, começou a criar alegorias de préstitos para a sociedade carnavalesca Tenentes do Diabo. K. Lixto figurou no I Salão dos Humoristas, realizado em 1916 no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, do qual participaram também Belmiro de Almeida, Julião Machado, J. Carlos e Raul Pederneiras, entre outros. Ainda em 1916, recebeu a medalha de bronze no Exposição Geral de Belas Artes, certame este que lhe conferiria mais tarde, em 1954, a medalha de prata, pelo quadro Vigília. Trabalhou por quase vinte anos para a Loteria Federal, onde criou os conhecidos dísticos “O Seu Dia Chegará”, “Até que Enfim” e “Insista, Não Desista”.

K. Lixto dedicou-se ainda à pintura, escultura e xilogravura, bem como à poesia (Ruma de Rimas, Pesadelo) e à literatura de ficção, deixando alguns livros inéditos; foi membro da Academia Brasileira de Belas Artes. Gonzaga Duque dedicou-lhe um estudo de 1901, que foi reproduzido em Contemporâneos (1929), Theodoro Braga reuniu referências bibliográficas a seu respeito em Artistas Pintores no Brasil (1942) e Herman Lima analisou detidamente sua produção na História da Caricatura no Brasil (1963). Em 1956 o Museu Nacional de Belas Artes organizou uma ampla exposição de suas pinturas e caricaturas, com um prefácio de catálogo por Luís Peixoto e notas biográficas por Dilma de Oliveira Pinto.

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