JOSÉ MARIA DE MEDEIROS

(Ilha de Faial, Açores, 1849 - Rio de Janeiro, RJ, 1925)

Pintor e professor. José Maria de Medeiros chegou ao Brasil em 1865, fixando-se no Rio de Janeiro, cidade onde se naturalizou por volta de 1882 e de onde nunca se afastou. Estudou encadernação no Liceu Imperial de Artes e Ofícios, se tornando ali professor dessa mesma disciplina. Em 1868, passou a estudar na Academia Imperial de Belas Artes (AIBA), sonde recebeu a orientação de Victor Meirelles e Souza Lobo, dentre outros. Medeiros foi professor de Desenho Figurado, da AIBA, entre 1878 a 1891, e depois da proclamação da República passou a lecionar no ensino público, tornando-se em 1897 professor do Instituto Profissional João Alfredo.

Entre outras premiações, conquistou a grande medalha de ouro na Exposição Geral de Belas Artes de 1876. Realizou duas individuais na Galeria Rezende (1897, 1899). Sua obra integrou ainda a mostra Retrospectiva da Pintura no Brasil, no Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, em 1948; esse museu possui o quadro talvez mais famoso do artista, Iracema, de 1884, inspirado no romance-poema de José de Alencar, obra que valeu a Medeiros a condecoração de Oficial da Ordem da Rosa, concedida na Exposição Geral pelo Imperador Dom Pedro II.

* Veja mais sobre José Maria de Medeiros em DezenoveVinte

Gonzaga Duque. A arte brasileira: Progresso VI, Seção Artigos na Imprensa.

* Quadros de José Maria de Medeiros nas Exposições Gerais de Belas Artes

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES DE 1879 - Seção Pintura e Escola Brasileira (Pinacoteca)

A morte de Sócrates

EXPOSIÇÃO GERAL DE BELAS ARTES DE 1884 - Seção Pintura

Iracema

Inquieta Iracema pela ausência do esposo, sai em busca dele e chega à beira do lago, já quando as doces sombras da tarde vestiam os campos. Encontrando ali fincada na areia da praia a flecha do guerreiro traspassando um guaiamum, e de que pende um ramo de maracujá, enchem-se-lhe os olhos de lágrimas, interpretando as ordens que aquele símbolo lhe revela - como o guaiamum, deve ela andar para trás, e como o maracujá, que guarda a flor até morrer, conservar a lembrança do esposo. Sem volver o corpo, nem desviar os olhos da simbólica flecha, a filha dos Tabajaras retrai lentamente os passos.