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GRANDJEAN DE MONTIGNY (Paris, 1777 - Rio de Janeiro, 1850) Na França, com apenas 23 anos, Auguste-Henri-Victor Grandjean de Montigny conquistou o Prix de Rome, feito lhe valeu uma estadia de quatro anos na Cidade Eterna, onde estudou a arquitetura clássica, escreveu alguns livros e fez inúmeros desenhos a partir do legado antigo. De volta a Paris, o jovem arquiteto teve seu talento reconhecido por Percier e Fontaine, principais arquitetos de seu tempo, que o indicaram para trabalhar na corte da Westfália, quando Napoleão conquistou o território e o deixou sob o comando de seu irmão Jerome Bonaparte. Todavia, tão logo concluiu seus primeiros projetos - a reforma do palácio real e a criação de um jardim - Napoleão foi deposto e os franceses tiveram que abandonar a Westfália. Novamente em Paris, cujo ambiente era agora hostil para os bonapartistas. Grandjean de Montigny recebeu dois convites de trabalho: um para a corte russa e outro para a corte portuguesa. Aceitou a segunda opção e veio para o Brasil, onde reconstitui a sua reputação e até mesmo a sua família, já que a esposa que trouxera de Paris, mãe de seus quatro filhos, morreu pouco tempo depois de chegar ao Rio. Além dos irmãos Marc e Zèpherin Ferrez, que fundaram empresas no Brasil, Grandjean de Montigny foi o único integrante da Missão Francesa que não voltou à França. Nos 24 anos que viveu no Rio de Janeiro, trabalhou intensamente e, dentre todos os projetos que criou, três chegaram aos nossos dias: a casa que construiu para morar na Gávea, o Solar Grandjean de Montigny, hoje restaurado e transformado em centro de cultura; o pórtico principal da Academia de Belas Artes, transferido para o Jardim Botânico; e a Praça do Comércio, a atual Casa França-Brasil. Manteve-se ativo até os últimos dias de vida, prestando serviços de consultoria à prefeitura da cidade; apenas dois anos antes de morrer, Grandjean de Montigny concluiu, inclusive, um belo projeto para o Senado, cujo original – assim como boa parte de seus projetos e desenhos - encontra-se conservado no acervo do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro. O acervo de outras instituições cariocas, como o Museu D. João VI da Escola Nacional de Belas Artes e o Museu da Cidade, guardam importantes exemplares de suas obras. * Veja mais sobre Grandjean de Montigny em DezenoveVinte Bernardo Domingos de Almeida. Portal da antiga Academia Imperial de Belas Artes: A entrada do Neoclassicismo no Brasil, seção Arquitetura e Artes Decorativas. |