GEORGINA DE ALBUQUERQUE

(Taubaté, SP, 1885 - Rio de Janeiro, RJ, 1962)

Georgina de Moura Andrade (esse era seu nome de solteira) iniciou seus estudos artísticos ainda na cidade natal, Taubaté, em aulas particulares dadas pelo pintor italiano Rosalbino Santoro, radicado em São Paulo e professor do Liceu de Artes e Ofícios local. Em uma viagem à capital paulista, teve a oportunidade de ver uma exposição de Antonio Parreiras que muito a teria impressionado. Em 1904, com apenas 19 anos, decidida a se tornar artista profissional, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a estudar na Escola Nacional de Belas Artes (ENBA), como aluna de Henrique Bernardelli. Na Escola, conheceu e se apaixonou pelo pintor Lucílio de Albuquerque, com quem logo se casaria.

Quando, em 1906, Lucílio conquistou o Prêmio de Viagem á Europa oferecido aos alunos regularmente inscritos na ENBA, o casal mudou-se para a França. Em Paris, permaneceram durante cinco anos. Na École des Beaux-Arts, Georgina foi aluna de Paul Gervais e Adolph Déchenaud; também cursou, como era usual entre os brasileiros, a Academia Julian, onde foi orientada por, entre outros, Henri Royer.

Em 1911, o casal voltou ao Brasil, já formado artisticamente e pronto para enfrentar o mercado, instalando-se em um ateliê no Rio de Janeiro. A partir de 1927, Georgina passou a integrar o corpo de professores da ENBA, primeiro como livre-docente, depois como catedrática-interina e, finalmente, ocupando como titular a cátedra de Desenho. Em 1952, tornou-se diretora da Escola, tendo sido a primeira mulher a ocupar tal cargo.

Seu marido Lucílio faleceu em 1939, quando Georgina tinha 54 anos, ocasião em que ela teve de assumir sozinha as responsabilidades familiares. O casal possuía então mais de uma centena de quadros e, orientada por amigos e colegas, a artista tomou a decisão de montar, em sua própria casa, o Museu Lucílio de Albuquerque, ao qual incorporou todo o acervo familiar; paralelamente, fundou uma escola de desenho e pintura, destinada a ensinar a crianças os primeiros passos na arte.

Além dos inúmeros prêmios recebidos nos “salões” anuais, participou de exposições internacionais, nas quais conquistou várias medalhas. Georgina percorreu todos os gêneros de pintura: entre seus quadros figuram retratos, naturezas-mortas, nus, cenas do cotidiano, paisagens e marinhas. Ela mesmo definia sua pintura como “impressionista”, resultado em pare de seu contato com artistas franceses, nos cinco anos que morou em Paris. Sua obra está representada nos principais museus brasileiros, em especial no Museu Nacional de Belas-Artes do Rio de Janeiro e na Pinacoteca do Estado de São Paulo.

* Veja mais sobre Georgina de Albuquerque em DezenoveVinte

Catálogo da Exposição de pintura de Lucilio e Georgina de Albuquerque na Escola Nacionalde Bellas Artes, Seção Catálogos.

Georgina de Albuquerque.O desenho como base no ensino das artes plasticas” (tese de concurso), Seção Textos de Artistas.

Arthur Valle. Pensionistas da Escola Nacional de Belas Artes na Academia Julian (Paris) durante a 1ª República (1890-1930), seção Ensino Artístico.