|
|
DÉCIO VILLARES (Rio de Janeiro, 1851- Idem, 1931) Pintor, desenhista e escultor, Décio Rodrigues Villares nasceu no Rio de Janeiro em 1851. Seu pai, José Rodrigues Villares, havia sido vereador da Câmara Municipal de Nova Iguaçu e seus tios eram ligados a postos políticos importantes do Império. Tais parentescos garantiram-lhe a entrada no Colégio Pedro II e depois na Academia Imperial de Belas Artes (AIBA). Villares teria se matriculado na Academia em 1868, todavia, a documentação da instituição, hoje depositada no Museu Dom João VI da EBA/UFRJ, nada revela a seu respeito enquanto estudante: não há avaliações de seus trabalhos neste período, e sabe-se que o artista não participou das Exposições Gerais, quando era aluno, nem tampouco concorreu ao Prêmio Viagem ao Estrangeiro. Villares viajou por conta própia ao estrangeiro (França e Itália), onde permaneceu durante nove anos. Em 1872, matriculou-se no atelier de Alexandre Cabanel em Paris. Os biógrafos do artista pouco revelam sobre a sua passagem pelo atelier do célebre mestre francês, apenas que, seguindo a tradição dos alunos de Cabanel, Villares teria sido premiado no Salão de Paris de 1874, ganhando a medalha de ouro de melhor pintura de artista estrangeiro, com o quadro Paolo e Francesca da Rimini. Sabe-se também que Villares freqüentou o atelier de Pedro Américo, em Florença, quando este pintava a grande tela A Batalha do Avahy. Os laços de amizade e colaboração artística de Villares com Américo e com seu irmão, Aurélio de Figueiredo, eram antigos. Quando da execução da Batalha, entre os anos de 1872 e 1875, Pedro Américo aceitava a colaboração de outros artistas e Villares foi um deles, tendo também pousado como modelo para um dos muitos rostos a compor a cena de batalha. Uma carta enviada de Florença a Rodolpho Bernardelli indica que em 1878 Villares ainda permanecia ou se encontrava na Itália(1). Villares retornou ao Brasil em 1881 e no ano seguinte começou a participar de exposições que, pela primeira vez, mostravam seu trabalho. Datam desta época os primeiros textos acerca de suas telas pintadas no estrangeiro, escritos por críticos como Gonzaga Duque, Oscar Guanabarino e Felix Ferreira. Villares expôs ainda em galerias privadas no Rio de Janiro, como a Casa Moncada ou o Salão Vieitas, e nos Salões do Liceu de Artes e Ofícios. Trabalhou também em escultura, realizando vários bustos de personagens históricas, e desenhou caricaturas para jornais satíricos. Data da estadia de Décio Vilares em Paris sua adesão aos ideais republicanos e a sua conversão ao Positivismo – o artista teria, inclusive, pintado uma Queda do Cristianismo e uma Virgem da Humanidade para o Templo da Igreja Positivista parisiense e desenhado a atual bandeira do Brasil, de acordo com a ideia de Teixeira Mendes. Tais dados explicam a participação de Villares, em 1890, em parceria com Montenegro Cordeiro e Aurélio de Figueiredo, na elaboração de um projeto para a reforma do ensino das artes plásticas no Brasil - o chamado “Projeto Montenegro” - cujos diretrizes eram afinadas com os ideais Republicanos e Positivistas. Villares morreu em 1931, e neste mesmo ano sua viúva pôs fogo no seu atelier, nada salvando-se, exceto suas principais telas. Tal perda e a conseqüente falta material escrito pelo próprio artista dificulta até hoje o acesso às suas idéias, uma carência que só pode ser suprida, em parte, pelas informações de seus contemporâneos. (1) Carta de Décio Rodrigues Villares a Rodolpho Bernardelli. Florença. 23.01.1878. MNBA. * Veja mais sobre Décio Villares em DezenoveVinte “Projeto Montenegro”: A reforma do Ensino das Artes Plásticas em 1890, seção Textos de Artistas. |