{"id":4708,"date":"2024-12-02T11:45:13","date_gmt":"2024-12-02T14:45:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/?post_type=artigo&#038;p=4708"},"modified":"2025-06-14T15:19:02","modified_gmt":"2025-06-14T18:19:02","slug":"felicien-rops-o-fruto-proibido-do-decadentismo","status":"publish","type":"artigo","link":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/felicien-rops-o-fruto-proibido-do-decadentismo\/","title":{"rendered":"F\u00e9licien Rops: o fruto proibido do decadentismo"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"4708\" class=\"elementor elementor-4708\" data-elementor-post-type=\"artigo\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-4d2f789e nohoverflow elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"4d2f789e\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-39b61528\" data-id=\"39b61528\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-541facf elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"541facf\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><strong>Reginaldo da Rocha Leite*<\/strong><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-037e628 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"037e628\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><b>Como citar: <\/b>LEITE,&nbsp;Reginaldo da Rocha<span style=\"letter-spacing: 0.025em;\">.&nbsp;<\/span>F\u00e9licien Rops: o fruto proibido do decadentismo.&nbsp;<strong style=\"letter-spacing: 0.025em;\">&nbsp;19&amp;20, <\/strong><span style=\"letter-spacing: 0.025em;\">Rio de Janeiro, v. XIX, 2024. DOI: 10.52913\/19e20.xix.12. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/felicien-rops-o-fruto-proibido-do-decadentismo\/<\/span><\/p>\n<p>\u2022&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2022&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2022<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-938f5e5 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"938f5e5\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">1.\n<i>Pela exterioridade er\u00f3tica, que o autor lhe imprimiu com a nervosa m\u00e3o\nsat\u00e2nica de um possu\u00eddo, empolga vivamente seus interessados analisadores e,\nseja simp\u00e1tica ou antipaticamente, abala-os, impressiona-os, aturde-os. <\/i>[&#8230;]<i>\nAinda mesmo que se esteja numa meia virgindade d\u2019alma, isto \u00e9, que se conserve\na crosta r\u00fastica de uma vaga civiliza\u00e7\u00e3o provinciana, essa obra singular e\ninquietante <\/i>[&#8230;]<i> vencer\u00e1 com as tenta\u00e7\u00f5es mefistof\u00e9licas de del\u00edcias\ndesconhecidas, do sempre desejado sabor de fruto proibido.<\/i> (DUQUE-ESTRADA,\n1910, p.21)<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">2.\nAs palavras do cr\u00edtico brasileiro <a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/bios\/bio_gd.htm\" target=\"_blank\">Luiz\nGonzaga Duque-Estrada<\/a> (1863-1911) abordam o objeto aqui tratado &#8211; as obras\nde F\u00e9licien Rops (1833-1898) &#8211; e ser\u00e3o o fio condutor de um mergulho no\nins\u00f3lito, no inesperado, no estranhamento e, sobretudo, na rela\u00e7\u00e3o entre\nexposi\u00e7\u00e3o, censura e circula\u00e7\u00e3o do n\u00e3o-exposto.&nbsp;\n<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><b><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">Sabor\nde fruto proibido<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">3.\nNo artigo <i>A ironia de Rops<\/i>, publicado na revista <i>Kosmos<\/i> em 1904,\no cr\u00edtico de arte Luiz Gonzaga Duque-Estrada decomp\u00f5e o pensamento\nevolucionista apresentado em textos anteriores, e nos d\u00e1 sinais n\u00e3o s\u00f3 do seu\nposicionamento em favor do decadentismo, mas do ousado interesse no \u201cfruto\nproibido\u201d de F\u00e9licien Rops \u2013 i.e., em obras que seriam expostas em Paris, em 1882,\nmas tiveram a exibi\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico vetada.&nbsp;\nNosso texto tra\u00e7ar\u00e1 um paralelo entre a vis\u00e3o do cr\u00edtico brasileiro com\na exposi\u00e7\u00e3o proibida de Rops, resultando na circula\u00e7\u00e3o de conceitos e,\nprincipalmente, na defini\u00e7\u00e3o do que \u00e9 um artista moderno.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">4.\nComo uma exposi\u00e7\u00e3o francesa, censurada em Paris no s\u00e9culo XIX, foi respons\u00e1vel\npor mudar o pensamento e a postura do cr\u00edtico Gonzaga Duque no Brasil? Ao\ntomarmos como alicerce para o artigo um questionamento, nosso desafio adota a\ncontram\u00e3o como sentido, pois, mesmo proibidos de serem expostos, os trabalhos\nde F\u00e9licien Rops tiveram tamanha repercuss\u00e3o que despertaram a curiosidade do\ncr\u00edtico brasileiro.&nbsp; Com isso, nosso\ntexto traz como elemento norteador um segundo questionamento: qual o alcance\nque uma exposi\u00e7\u00e3o proibida pode ter no tr\u00e2nsito de pensamentos e obras em\ncar\u00e1ter intercontinental?&nbsp; Acreditamos\nque o poder de comunica\u00e7\u00e3o de uma exposi\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m das portas abertas, ultrapassa\na visibilidade da visita f\u00edsica do p\u00fablico e da cr\u00edtica, desperta e agu\u00e7a o\ninteresse no material \u201cimpr\u00f3prio ao consumo.\u201d&nbsp;\n<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">5.\nReferimo-nos aqui \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o <i>Les Sataniques<\/i> do pintor, gravador e\nilustrador F\u00e9licien Rops, proibida na capital francesa em 1882, mesmo ap\u00f3s a\ncria\u00e7\u00e3o, em 29 de julho de 1881, da lei que garantia a liberdade de imprensa e\ndos artistas em territ\u00f3rio franc\u00eas.&nbsp; Al\u00e9m\nde trazer a discuss\u00e3o dos questionamentos citados, enxergamos como ponto nodal\no artigo <i>A ironia de Rops<\/i>, publicado primeiramente como artigo na\nrevista <i>Kosmos<\/i> em 1904, e, mais tarde, incorporado ao livro <i>Graves e\nFr\u00edvolos<\/i>, lan\u00e7ado em Portugal em 1910 e no Brasil em 1911, como cap\u00edtulo de\nabertura, no qual \u00e9 estampado o perfil decadentista do brasileiro em\nconverg\u00eancia \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o de Rops como artista moderno e n\u00e3o\npositivista.&nbsp;&nbsp; <o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">6.\nF\u00e9licien Rops, artista de origem belga, teve sua inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia\nmarcadas por peculiaridades.&nbsp; De uma\nfam\u00edlia consolidada na ind\u00fastria t\u00eaxtil, Rops fora educado com aulas\nparticulares &#8211; a hoje chamada educa\u00e7\u00e3o em espa\u00e7o n\u00e3o-formal \u2013 e, ao completar\ndez anos, viu-se matriculado em um col\u00e9gio cat\u00f3lico de Namur, na B\u00e9lgica. L\u00e1,\nimpressionou a in\u00fameros religiosos com sua facilidade em memorizar e declamar\npassagens b\u00edblicas.&nbsp; No entanto, Rops\ntamb\u00e9m produziu \u2013 durante os cinco anos que passou nesse col\u00e9gio \u2013 v\u00e1rias\ncaricaturas de seus professores, causando constrangimento e indigna\u00e7\u00e3o no meio\nclerical.&nbsp; Posteriormente, seguiu seu\ncaminho como aluno na Academia de Belas Artes belga.&nbsp; Al\u00e9m do campo art\u00edstico, Rops mergulhou no\n\u00e2mbito do direito, tornando-se advogado.&nbsp;\nEntretanto, sua atua\u00e7\u00e3o como artista-ilustrador tomaria vulto em Paris,\nao conhecer Charles Baudelaire (1821-1867), St\u00e9phane Mallarm\u00e9 (1842-1898),\nJos\u00e9phin P\u00e9ladan (1858-1918), Barbey d\u2019Aurevilly (1808-1889) e Auguste Villiers\nde L\u2019Isle-Adam (1838-1889), todos com trabalhos ilustrados por ele.&nbsp; <o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">7.\nAo tomarmos por base o panorama da produ\u00e7\u00e3o de Rops, \u00e9 poss\u00edvel observar\nclaramente que suas ilustra\u00e7\u00f5es carregam em si mesmas a primazia da s\u00e1tira e da\npar\u00f3dia, ferramentas utilizadas, pelo artista, para desnudar a sociedade\nburguesa europeia de seus arroubos hip\u00f3critas, al\u00e9m de trazerem \u00e0 discuss\u00e3o\nvultosas obsess\u00f5es, capazes de causar perturba\u00e7\u00f5es e estranhamentos no\nobservador. Outro ponto a destacar \u00e9 que Rops entende o tema como algo\ncomplementar, e o imagin\u00e1rio ou a abstra\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es como protagonista \u2013 i.e.,\no artista n\u00e3o se apega estruturalmente \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o da representabilidade, mas se\nlan\u00e7a \u00e0 concep\u00e7\u00e3o do jamais visto, do ins\u00f3lito, do inesperado e, sobretudo, do\nque foge ao padr\u00e3o. Portanto, \u00e9 apropriado dizer que um dos sintomas do pano\nvisual<a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/felicien-rops-o-fruto-proibido-do-decadentismo\/#_edn1\" name=\"_ednref1\" title=\"\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><u><span style=\"color:#AF0000;vertical-align:baseline\"><!--[if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><u><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[1]<\/span><\/u><\/span><!--[endif]--><\/span><\/u><\/span><\/a>\nde Rops \u00e9 o deslocamento da conven\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito da ret\u00f3rica visual&nbsp;&nbsp;&nbsp; <o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">8.\nSuas ilustra\u00e7\u00f5es foram consideradas t\u00e3o perturbadoras em Paris que v\u00e1rios de\nseus trabalhos receberam o selo de proibidos em solo franc\u00eas.&nbsp; S\u00e3o ilustra\u00e7\u00f5es em livros que s\u00f3 conhecemos\nporque, ap\u00f3s a proibi\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a, as publica\u00e7\u00f5es foram permitidas na B\u00e9lgica.\nMas quais foram os motivos alegados para a proibi\u00e7\u00e3o? Suposta apologia ou\npropaga\u00e7\u00e3o do satanismo, explora\u00e7\u00e3o da figura feminina como elemento satanizado\ne portador da lux\u00faria que corr\u00f3i o homem, este, uma v\u00edtima diante do fim\ntr\u00e1gico, pr\u00f3ximo e intransfer\u00edvel.<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">9.\nA dualidade tamb\u00e9m \u00e9 um recurso utilizado por Rops e evidenciado, sobretudo, em\nsuas ilustra\u00e7\u00f5es.&nbsp; A instabilidade visual\nganha foco a partir dos conflitos d\u00fabios \u2013 por exemplo, mulheres (damas da\nnoite) crucificadas como o Cristo salvador, com olhares e gestos lascivos, de\numa sensualidade convidativa. Vemos o uso de elementos simb\u00f3licos do sacro e do\nprofano, que exprimem o alicerce conflituoso e complementar do positivo e do\nnegativo, do Cristo esqu\u00e1lido e do diabo debochado e insubmisso. Tais pontos\nlevaram Gonzaga Duque a entender a postura de Rops como fruto de uma \u201cdiab\u00f3lica\nlubricidade\u201d (DUQUE-ESTRADA, 1910, p.6).<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">10.\nA dualidade encontrada nas ilustra\u00e7\u00f5es de Rops converge com o pensamento de\nDidi-Huberman, em <i>L\u2019image ouverte: motifs de l\u2019incarnation<\/i> \u2013 que tem sua\npublica\u00e7\u00e3o original na Fran\u00e7a em 2007 e, at\u00e9 o momento, resta sem tradu\u00e7\u00e3o para\no idioma portugu\u00eas, tampouco lan\u00e7amento previsto no Brasil. No livro, a\ndualidade \u00e9 abordada como sintoma no \u00e2mbito da presen\u00e7a do ausente\ndesej\u00e1vel.&nbsp; Tal express\u00e3o, cunhada pelo historiador\nda arte franc\u00eas, \u00e9 aplicada quando encontramos num pano visual um s\u00edmbolo ou um\npersonagem que \u00e9 inserido na composi\u00e7\u00e3o com o objetivo de materializar uma\nideia d\u00fabia, dual, ou seja, para caracterizar dois valores distintos, ou at\u00e9\nmesmo contradit\u00f3rios, com apenas um elemento.&nbsp;\nTal recurso fora utilizado, por exemplo, em ilustra\u00e7\u00e3o de \u00c2ngelo\nAgostini (1843-1910) para a <i>Revista Ilustrada<\/i> de 04 de agosto de 1877 [ <b><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19e20\/19e20_XIX\/rops\/fig01.jpeg\" target=\"_blank\">Figura 1<\/a><\/b> ].<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">11.\nAgostini, nessa ilustra\u00e7\u00e3o sem t\u00edtulo, apresenta um Cristo-ind\u00edgena, ou seja, a\npersonifica\u00e7\u00e3o de um her\u00f3i tr\u00e1gico h\u00edbrido.&nbsp;\nNo trabalho, s\u00e3o inseridos atributos ind\u00edgenas, como tanga em penas,\ncolares de sementes e cocar para compor a figura de um franco-ind\u00edgena.&nbsp; No entanto, a presen\u00e7a da cruz em madeira,\napoiada em um dos delt\u00f3ides, caracteriza outro personagem &#8211; Jesus Cristo \u2013 em uma\ndas poses correspondentes aos Passos da Paix\u00e3o, a queda do Cristo com a\ncruz.&nbsp; Ao tra\u00e7armos um paralelo entre o\npano visual de Agostini e o pensamento de Didi-Huberman, o conceito de\nhibridismo no pano visual mostra-se claro, assim como, a presen\u00e7a do ausente\ndesej\u00e1vel, devido a possibilidade de materializar uma entidade que n\u00e3o est\u00e1\npresente por meio do hibridismo.&nbsp;\nSitua\u00e7\u00e3o semelhante ocorre, como veremos, em obras proibidas de F\u00e9licien\nRops.<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">12.\n<i>Com frequ\u00eancia, quando pousamos nosso olhar sobre uma imagem da arte,\nvem-nos a irrecus\u00e1vel sensa\u00e7\u00e3o do paradoxo. O que nos atinge imediatamente e\nsem desvio traz a marca da perturba\u00e7\u00e3o, como uma evid\u00eancia que fosse obscura.\nEnquanto o que nos parece claro e distinto n\u00e3o \u00e9, rapidamente o percebemos,\nsen\u00e3o o resultado de um longo desvio \u2013 uma media\u00e7\u00e3o, um uso das palavras. No\nfundo, o paradoxo \u00e9 banal. Acontece com todos. Podemos aceit\u00e1-lo, nos deixar\nlevar por ele; podemos mesmo experimentar certo gozo em nos sentirmos\nalternadamente cativos e liberados nessa trama de saber e de n\u00e3o-saber, de\nuniversal e de singular, de coisas que pedem uma denomina\u00e7\u00e3o e coisas que nos\ndeixam de boca aberta&#8230; Tudo isso diante de uma mesma superf\u00edcie de quadro, de\nescultura, em que nada ter\u00e1 sido ocultado, em que tudo diante de n\u00f3s ter\u00e1 sido,\nsimplesmente, apresentado<\/i>. (DIDI-HUBERMAN, 2013, p.9)<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">13.\nAinda segundo Didi-Huberman, a imagem se configura como resultado de uma\npossibilidade est\u00e9tica, compreendida a partir de um de tr\u00eas processos\nposs\u00edveis: representabilidade, apresentabilidade e visualidade.&nbsp; No processo de representabilidade, h\u00e1 a busca\npela imita\u00e7\u00e3o, pela aproxima\u00e7\u00e3o e representa\u00e7\u00e3o das coisas vis\u00edveis do mundo\nf\u00edsico.&nbsp; Ao definir o processo de\napresentabilidade &#8211; ponto que nos interessa em particular -, Didi-Huberman o\ncoloca como opositor \u00e0 representabilidade por suas concep\u00e7\u00f5es antit\u00e9ticas ao\ncampo da representa\u00e7\u00e3o.&nbsp; \u00c9 o caso da arte\nabstrata, seja geom\u00e9trica ou informal, que traz a cis\u00e3o por meio da abertura com\na tradi\u00e7\u00e3o &#8211; aquela que se consolida no representar sobre o alicerce do\nvis\u00edvel-leg\u00edvel \u2013, assim como, em trabalhos que buscam na abstra\u00e7\u00e3o o arcabou\u00e7o\npara cria\u00e7\u00f5es que incorporam o imagin\u00e1rio, tais como, nas produ\u00e7\u00f5es difundidas\npor Rops, i.e., nas concep\u00e7\u00f5es art\u00edsticas figurativas nas quais o protagonismo\nidentifica-se na presen\u00e7a do ausente desej\u00e1vel: materializa\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas,\nantag\u00f4nicas \u00e0 representa\u00e7\u00e3o e ao processo linear de interpreta\u00e7\u00e3o\niconogr\u00e1fica.&nbsp; Assim sendo, a\napresentabilidade ganha corpo no intelecto expressivo, no qual os sintomas do\npano visual \u2013 aquilo que foge ao padr\u00e3o \u2013 s\u00e3o gerenciadores do processo\ncriativo, e n\u00e3o mais o tema ou motivo leg\u00edvel. <o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">14.\nPortanto, \u00e9 poss\u00edvel entender os trabalhos de Rops proibidos na Fran\u00e7a como\naquilo que choca, que foge ao padr\u00e3o concedido e reconhec\u00edvel, que transcende\nao permitido e difundido pelas institui\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas de ensino art\u00edstico.\nNesse sentido, apresentar \u00e9 interpretar, metamorfosear, abrir com o sistema\nbin\u00e1rio do ser ou n\u00e3o ser de uma simples identifica\u00e7\u00e3o, ir al\u00e9m do previs\u00edvel.\nE isso \u00e9 visto &#8211; ao menos \u00e9 o que pretendemos comprovar, -nos trabalhos\nselecionados por Rops para sua exposi\u00e7\u00e3o de 1882, onde a ilustra\u00e7\u00e3o reina como\nmeio expressivo de cr\u00edtica e ironia.<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><b><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">Tenta\u00e7\u00f5es\nmefistof\u00e9licas de del\u00edcias desconhecidas: as obras proibidas de Rops<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">15.\nA exposi\u00e7\u00e3o <i>Les Sataniques<\/i>, idealizada para montagem e abertura ao\np\u00fablico na conturbada Paris em fins dos oitocentos, contaria com trabalhos de\nRops sob t\u00e9cnicas distintas \u2013 estudos em preto e branco, e em cores \u2013, gravuras\ne ilustra\u00e7\u00f5es.&nbsp; O <i>corpus<\/i> a ser\nexposto seria apresentado ao p\u00fablico por meio de duas fragmenta\u00e7\u00f5es\nexpositivas: uma r\u00e1pida retrospectiva da produ\u00e7\u00e3o do artista e a s\u00e9rie <i>Les\nSataniques<\/i>.<a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/felicien-rops-o-fruto-proibido-do-decadentismo\/#_edn2\" name=\"_ednref2\" title=\"\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"vertical-align:baseline\"><!--[if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[2]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a><o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">16.\nNa primeira parte, temos um grupo de imagens nas quais a figura feminina obt\u00e9m\ndestaque e\/ou protagonismo absoluto, tal como em <i>La tentation de Saint Antoine<\/i>\n(<i>A tenta\u00e7\u00e3o de Santo Ant\u00e3o<\/i>), de 1878 [ <b><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19e20\/19e20_XIX\/rops\/fig02.jpeg\" target=\"_blank\">Figura 2<\/a><\/b> ].<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">17.\nNesta imagem, a instabilidade visual ganha foco a partir da forma\u00e7\u00e3o de\ndiagonais.&nbsp; A figura feminina \u2013 de\ncabelos rubros e flamejantes \u2013, assume o protagonismo do pano visual, no qual a\ncrucifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a do filho de Deus, mas a da mulher que esbanja prazer e\nsensualidade convidativa, por meio do olhar e sorriso lascivos. O uso do\nvermelho &#8211; importante elemento simb\u00f3lico do sacro e do profano -, exprime o\nalicerce da dualidade, a raiz do positivo e do negativo, do Cristo esqu\u00e1lido e\ndo diabo sat\u00edrico, debochado e insubmisso. O sangue figural, representado\nsimbolicamente pelo tecido que escorre do Cristo e o desnuda, \u00e9 o mesmo que\nrecobre o diabo.&nbsp; Tais elementos e\nrecursos nos ajudam a compreender a cr\u00edtica de Gonzaga Duque, segundo o qual a\n\u201cdiab\u00f3lica lubricidade\u201d do artista belga possui \u201calgo d\u2019alucina\u00e7\u00e3o criadora de\nEdgard Poe e muito da fun\u00e9rea originalidade de Charles Baudelaire\u201d\n(DUQUE-ESTRADA, 1910).&nbsp; As figuras\nangelicais se decomp\u00f5em, desintegram o aspecto de humanidade, mostram a\nverdadeira ess\u00eancia de uma sociedade que se esvai diante da lux\u00faria e da\ngan\u00e2ncia (elementos simb\u00f3licos materializados pelo porco).&nbsp; \u00c9 relevante acrescentar que durante as\n\u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX a psicologia e psiquiatria modernas tomam vulto\nna Fran\u00e7a, e Freud, ao escrever alguns ensaios sobre os desejos, recorre ao\ntrabalho de Rops como caso de estudo da repress\u00e3o do desejo.&nbsp; Contudo, nosso interesse reside na segunda\nparte da exposi\u00e7\u00e3o, pois ela nomeia o evento censurado.<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">18.\n<i>Les sataniques<\/i> re\u00fane uma s\u00e9rie de cinco gravuras e um grupo de estudos\npara as obras que aliam o protagonismo da mulher e do diabo com o erotismo e a\ncr\u00edtica social.&nbsp; A mulher \u00e9 tratada como\na personifica\u00e7\u00e3o da sociedade francesa que \u00e9 entregue, sobretudo, \u00e0 lux\u00faria e hipocrisia\n&#8211; i.e., Rops recorre \u00e0 figura feminina para materializar simbolicamente a queda\nmoral da humanidade. A s\u00e9rie \u00e9 composta das gravuras intituladas: <i>Sat\u00e3\nsemant l\u2019ivraie<\/i> (<i>Sat\u00e3 semeando o joio<\/i>) [ <b><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19e20\/19e20_XIX\/rops\/fig03.jpeg\" target=\"_blank\">Figura 3<\/a><\/b> ], <i>L\u2019enl\u00e8vement <\/i>(<i>O rapto<\/i>) [ <b><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19e20\/19e20_XIX\/rops\/fig04.jpeg\" target=\"_blank\">Figura 4<\/a><\/b> ], <i>L\u2019idole<\/i> (<i>O \u00eddolo<\/i>) [ <b><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19e20\/19e20_XIX\/rops\/fig05.jpeg\" target=\"_blank\">Figura 5<\/a><\/b> ], <i>Le sacrifice<\/i> (<i>O sacrif\u00edcio<\/i>) [\n<b><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19e20\/19e20_XIX\/rops\/fig06.jpeg\" target=\"_blank\">Figura 6<\/a><\/b> ] e <i>Le calvaire<\/i> (<i>O calv\u00e1rio<\/i>) [ <b><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19e20\/19e20_XIX\/rops\/fig07.jpeg\" target=\"_blank\">Figura 7<\/a><\/b> ], todas produzidas em 1882, ano da exposi\u00e7\u00e3o\ncensurada.&nbsp; Curioso ressaltar que a\nfigura feminina pode ser interpretada ora como v\u00edtima de Sat\u00e3 ou como a\nrespons\u00e1vel pela perdi\u00e7\u00e3o masculina.<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">19.\nO primeiro trabalho da s\u00e9rie apresenta o diabo vestido como um campon\u00eas, de\npropor\u00e7\u00f5es gigantescas, a difundir o mal sobre uma Paris diminuta e vulner\u00e1vel\n\u2013 como uma met\u00e1fora ao poder divino aflorado pelas catedrais g\u00f3ticas, em\ndetrimento da figura humana [ <b><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19e20\/19e20_XIX\/rops\/fig03.jpeg\" target=\"_blank\">Figura 3<\/a><\/b> ].&nbsp; Rops\ndivulga uma descri\u00e7\u00e3o, a qual reproduzimos, que vem acompanhada da gravura a\nser exposta.<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">20.\n<i>Terr\u00edvel e gigantesco, vestido como um campon\u00eas, Sat\u00e3, o semeador b\u00edblico,\ncaminha a passos largos por sobre os lugares habitados pelos homens. Neste\nmomento, sob um esmaecido luar, ele atravessa Paris. Seu p\u00e9 direito \u00e9 posto\nsobre as torres de Notre-Dame. Com um gesto vigoroso, lan\u00e7a ao ar as mulheres\nque enchem seu sinuoso avental, semente funesta dos crimes e desesperos\nhumanos. E sob as largas abas de seu chap\u00e9u bret\u00e3o, seu olhar flameja com uma\nalegria mal\u00e9fica.<\/i>&nbsp; (tradu\u00e7\u00e3o nossa)<a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/felicien-rops-o-fruto-proibido-do-decadentismo\/#_edn3\" name=\"_ednref3\" title=\"\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"vertical-align:baseline\"><!--[if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[3]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a><o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">21.\nA segunda gravura da s\u00e9rie <i>Les sataniques<\/i>, intitulada <i>L\u2019enl\u00e8vement<\/i>\n(O rapto), apresenta dois corpos entrela\u00e7ados girando no ar, como em um bailado\ncoreografado [ <b><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19e20\/19e20_XIX\/rops\/fig04.jpeg\" target=\"_blank\">Figura 4<\/a><\/b> ].&nbsp; Sat\u00e3\nse apropria do corpo de uma mulher sob a cumplicidade da lua e dos mist\u00e9rios\nnoturnos.&nbsp; Os movimentos atect\u00f4nicos da\ndupla valorizam diagonais e sinuosidade, resultando em uma estrat\u00e9gica\ninstabilidade visual.&nbsp; Rops repete a\nf\u00f3rmula dos cabelos flamejantes para ilustrar a cumplicidade da mulher com o\nmal e com o pecado.<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">22.\nA terceira gravura do grupo \u00e9 <i>L\u2019idole<\/i> (<i>O \u00eddolo<\/i>), na qual \u00e9\nestampado o apego, a adora\u00e7\u00e3o, dessa mulher que fora seduzida e raptada pelo\nmal [ <b><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19e20\/19e20_XIX\/rops\/fig05.jpeg\" target=\"_blank\">Figura 5<\/a><\/b> ]. Trata-se de uma entrega ao universo da\nlux\u00faria que culminar\u00e1 na queda da humanidade. <o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">23.\nContudo, na quarta gravura da cole\u00e7\u00e3o, Rops traz a escrava de Sat\u00e3 sobre o\naltar do sacrif\u00edcio de sangue [ <b><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19e20\/19e20_XIX\/rops\/fig06.jpeg\" target=\"_blank\">Figura 6<\/a><\/b> ], com olhos arregalados e com o corpo em\ncontor\u00e7\u00f5es de dor e prazer \u2013 comportamento semelhante aos registrados nas\nfotografias de Jean-Martin Charcot, no hospital psiqui\u00e1trico feminino de Paris,\nnas quais pacientes expressam o <i>pathos<\/i> em crises de histeria.<a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/felicien-rops-o-fruto-proibido-do-decadentismo\/#_edn4\" name=\"_ednref4\" title=\"\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"vertical-align:baseline\"><!--[if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[4]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a>&nbsp; Na cena gravada por Rops, a mulher que fora\nseduzida agora serve de oferenda ao mal, \u00e9 penetrada por um falo gigantesco e\nsela, assim, seu compromisso de propriedade e cumplicidade.&nbsp;&nbsp; <o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">24.\nAo estarmos diante da \u00faltima gravura da s\u00e9rie, <i>Le calvaire<\/i> (<i>O\ncalv\u00e1rio<\/i>), nos deparamos com uma dupla crucifica\u00e7\u00e3o [ <b><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19e20\/19e20_XIX\/rops\/fig07.jpeg\" target=\"_blank\">Figura 7<\/a><\/b> ]. Nela, o personagem crucificado contracena\ncom uma figura feminina, num hemorr\u00e1gico fundo iluminado por velas que\nimpulsiona as figuras ao encontro do p\u00fablico.&nbsp;&nbsp;\nNo \u00e1pice da cruz \u2013 elemento que determina o eixo compositivo \u2013, consta a\ninscri\u00e7\u00e3o Belzebu por meio da sigla BELZ em substitui\u00e7\u00e3o a tradicional sigla\nI.N.R.I. Constatamos aqui a leitura da dualidade, do hibridismo proposto por\nRops e estudado em seu car\u00e1ter sem\u00e2ntico por Didi-Huberman. Afinal, que Cristo\n\u00e9 esse crucificado? Um Cristo-Belzebu? Rops materializa o hibridismo, a jun\u00e7\u00e3o\nde dois personagens num s\u00f3 corpo, ambos de car\u00e1ter antag\u00f4nicos \u2013 um Cristo com\ndentes pontiagudos e amea\u00e7adores, que apresenta o p\u00eanis ereto e membros\ninferiores t\u00edpicos de um bode.&nbsp; A figura\nh\u00edbrida ainda encena um prazeroso enforcamento da mulher, utilizando os\npr\u00f3prios cabelos da v\u00edtima, que caracteriza uma segunda crucifica\u00e7\u00e3o por meio\ndo posicionamento dos bra\u00e7os perpendiculares ao corpo.<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><b><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">Considera\u00e7\u00f5es\nfinais<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">25.\nPodemos concluir pensando que, ao trazer o ins\u00f3lito para o pano visual, em\ntrabalhos para a exposi\u00e7\u00e3o <i>Les Sataniques<\/i>, Rops flerta, ainda no s\u00e9culo\nXIX, com o processo de apresentabilidade descrito por Didi-Huberman,\ndistanciando-se do di\u00e1logo com a tradi\u00e7\u00e3o iconogr\u00e1fica.&nbsp; Acreditamos que esse seja o ponto nodal e\nmotivador para Gonzaga Duque classific\u00e1-lo como artista genuinamente moderno,\npois mesmo ao recorrer aos temas crist\u00e3os \u2013 t\u00e3o atacados pelo cr\u00edtico nas\nExposi\u00e7\u00f5es Gerais de Belas Artes no Rio de Janeiro, organizadas pela Academia Imperial\ne &nbsp;pela Escola Nacional de Belas Artes -,\no ilustrador impulsiona o contato do espectador com o choque visual, com\ndiferentes sensa\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es e, sobretudo, com o \u00e1pice do estranhamento e do\nescapismo do padr\u00e3o.&nbsp; Sobre a produ\u00e7\u00e3o de\nRops, o cr\u00edtico brasileiro descreve,<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">26.\n<i>\u00c9 que ela n\u00e3o excita o instinto por um simples gozo da vista, <\/i>[&#8230;]<i>\nmas, morde como a tar\u00e2ntula, injeta a pe\u00e7onha num trincar doloroso e inflama\ntodo o organismo num desespero de \u00edncuba epileptizado<\/i>. (DUQUE-ESTRADA, 1910\n, p.21-22)<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">27.\nPor fim, a produ\u00e7\u00e3o de Rops prop\u00f5e estranhamentos anunciados por uma exposi\u00e7\u00e3o\ninternacional que nunca aconteceu, mas que mesmo assim foi fundamental para que\nGonzaga Duque repensasse sua postura positivista. <o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><b><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">Refer\u00eancias<o:p><\/o:p><\/span><\/b><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">BANCQUART,\nMarie-Claire (\u00c9d.). <b>\u00c9crivains fin-de-si\u00e8cle. <\/b>Paris: Gallimard, 2010. <o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">BERGEZ,\nDaniel. <b>Litt\u00e9rature et peinture.<\/b> 2e \u00e9d. Paris: Armand Colin, 2011.<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">COUTINHO,\nLuiz Edmundo Bou\u00e7as e MUCCI, Latuf Isaias (org.). <b>Fulgura\u00e7\u00f5es<\/b>: parcerias\ntextuais e o decadentismo. Rio de Janeiro: Confraria do Vento, 2009.<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">DIDI-HUBERMAN,\nGeorges. <b>L\u2019image ouverte<\/b>: motifs de l\u2019incarnation. Paris: Gallimard,\n2007.<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">DIDI-HUBERMAN,\nGeorges. <b>Diante da imagem<\/b>. S\u00e3o Paulo: Editora 34, 2013.<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">DIDI-HUBERMAN,\nGeorges. <b>Inven\u00e7\u00e3o da histeria<\/b>: Charcot e a iconografia fotogr\u00e1fica de\nSalp\u00eatri\u00e8re. Rio de Janeiro: Contraponto, 2015. <o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">DUQUE-ESTRADA,\nLu\u00eds Gonzaga. <b>Graves &amp; fr\u00edvolos.<\/b> Lisboa: Livraria Classica Editora,\n1910.<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">GIBSON,\nMichael. <b>Simbolismo.<\/b> Lisboa: Taschen, 1999.<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">HUYSMANS,\nJoris-Karl. <b>L\u00e0-bas.<\/b> Paris: Garnier-Flammarion, 1978. <o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">HUYSMANS,\nJoris-Karl. <b>Al\u00e9m.<\/b> Lisboa: Ass\u00edrio &amp; Alvim, 2006. <o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">LEGRAND,\nFrancine-Claire. <b>Le symbolisme en Belgique.<\/b> Bruxelas: Laconti, 1971.<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">LEMONNIER,\nCamille. <b>F\u00e9licien Rops, l\u2019homme et l\u2019artiste.<\/b> Paris: Hardpress\nPublishing, 2013.<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">LUCBERT,\nFran\u00e7oise. Traduction, transposition et adaptation dans le discours sur l\u2019art\ndes \u00e9crivains symbolistes. In: MERCIER, Andr\u00e9e; PELLETIER, Esther (Dir.). <b>L\u2019adaptation\ndans tous ses \u00e9tats.<\/b> Qu\u00e9bec: Nota Bene, 1999. p. 75-109.<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">MATHIEU,\nPierre-Louis. <b>La g\u00e9n\u00e9ration symboliste.<\/b> Genebra: Skira, 1990.<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">MERCIER,\nAlain. <b>Les souerces \u00e9sot\u00e9riques et occultes de La po\u00e9sie symboliste\n1870-1914. <\/b>Paris: Nizet, 1974.<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">PAQUE,\nJeannine. <b>Le symbolisme belgue.<\/b> Bruxelas: Labor, 1989.<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">PIERRE,\nJos\u00e9. <b>L\u2019Univers symboliste. <\/b>Fin de si\u00e8cle et d\u00e9cadence. Paris: Somogy,\n1991.<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">PIERROT,\nJean. <b>L\u2019Imaginaire d\u00e9cadent, 1880-1900.<\/b> Paris: Publications de\nl\u2019Universit\u00e9 de Rouen\/P.U.F, 1977.<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">PIQUEIRA,\nGustavo. <b>Primeiras impress\u00f5es<\/b>: o nascimento da cultura impressa e sua\ninflu\u00eancia na cria\u00e7\u00e3o da imagem no Brasil. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2020.<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">PRAZ,\nMario. <b>La chair, La mort et le diable.<\/b> Le Romantisme noir. Paris:\nDeno\u00ebl, 1977.<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">RICHARD,\nNo\u00ebl. <b>Le mouvement d\u00e9cadent.<\/b> Paris: Nizet, 1968.<o:p><\/o:p><\/span><\/p><p>\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n\n<\/p><div><!--[if !supportEndnotes]--><br clear=\"all\">\n\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\">\n\n<!--[endif]-->\n\n<div id=\"edn1\">\n\n<p class=\"MsoEndnoteText\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/felicien-rops-o-fruto-proibido-do-decadentismo\/#_ednref1\" name=\"_edn1\" title=\"\"><\/a><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">&nbsp;<\/span><\/p>\n\n<p class=\"MsoEndnoteText\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">* Reginaldo da Rocha Leite, professor do Departamento\nde Teoria e Hist\u00f3ria da Arte e do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da Arte\n(PPGHA), ambos no Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de\nJaneiro (UERJ). Doutor em Artes Visuais pelo PPGAV\/EBA\/UFRJ, com P\u00f3s-Doutorado\nem Hist\u00f3ria da Arte (PPGHA\/UERJ). Membro do Comit\u00ea Brasileiro de Hist\u00f3ria da\nArte (CBHA) e do grupo de pesquisas NUCLEAR (N\u00facleo de Livres Estudos em Arte e\nCultura Contempor\u00e2nea do PPGHA\/UERJ). Seu campo de interesse concentra-se na\nprodu\u00e7\u00e3o art\u00edstica dos s\u00e9culos XIX e XX. Email: <a href=\"mailto:rochaleitereginaldo@yahoo.com\">rochaleitereginaldo@yahoo.com<\/a><o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n\n<p class=\"MsoEndnoteText\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%; color: rgb(175, 0, 0); vertical-align: baseline;\"><!--[if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[1]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> Pano\nVisual \u00e9 um conceito criado por Didi-Huberman para denominar as diferentes\nlinguagens visuais, independente da t\u00e9cnica empregada.&nbsp; Portanto, pano visual pode ser entendido como\nsuperf\u00edcie visual, sendo bidimensional (pintura, desenho, gravura, mosaico) ou\ntridimensional (escultura, modelagem, moldagem, objeto, constru\u00e7\u00e3o, instala\u00e7\u00e3o,\nperformance).<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n\n<\/div>\n\n<div id=\"edn2\">\n\n<p class=\"MsoEndnoteText\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/felicien-rops-o-fruto-proibido-do-decadentismo\/#_ednref2\" name=\"_edn2\" title=\"\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%; vertical-align: baseline;\"><!--[if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[2]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> A\nrela\u00e7\u00e3o das obras que seriam expostas encontra-se no <i>Mus\u00e9e<\/i> F\u00e9licien Rops em Namur, na B\u00e9lgica.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n\n<\/div>\n\n<div id=\"edn3\">\n\n<p class=\"MsoEndnoteText\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/felicien-rops-o-fruto-proibido-do-decadentismo\/#_ednref3\" name=\"_edn3\" title=\"\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%; vertical-align: baseline;\"><!--[if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[3]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">\nNo original em franc\u00eas \u201cTerrible et gigantesque, habill\u00e9 en paysan, Satan, le\nsemeur biblique, enjambe les lieux habit\u00e9s par les hommes. A ce moment, sous un\np\u00e2le clair de lune, il traverse Paris. Votre pied droit est pos\u00e9 sur les tours\nde Notre-Dame. D&#8217;un geste vigoureux, il lance en l&#8217;air les femmes qui\nremplissent son tablier ondul\u00e9, germe d\u00e9sastreux des crimes humains et du\nd\u00e9sespoir. Et sous les larges bords de son chapeau breton, son regard brille\nd&#8217;une joie malveillante.\u201d<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n\n<\/div>\n\n<div id=\"edn4\">\n\n<p class=\"MsoEndnoteText\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/felicien-rops-o-fruto-proibido-do-decadentismo\/#_ednref4\" name=\"_edn4\" title=\"\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%; vertical-align: baseline;\"><!--[if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[4]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> Ver:\nDIDI-HUBERMAN, Georges. <b>Inven\u00e7\u00e3o da histeria<\/b>: Charcot e a iconografia\nfotogr\u00e1fica de Salp\u00eatri\u00e8re. Rio de Janeiro: Contraponto, 2015.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n\n<\/div>\n\n<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo apresenta uma discuss\u00e3o que nos parece pertinente e desafiante. Como uma exposi\u00e7\u00e3o francesa, censurada em Paris no s\u00e9culo XIX, foi respons\u00e1vel por mudar o pensamento e a postura do cr\u00edtico Gonzaga Duque no Brasil?  Nosso desafio adota a contram\u00e3o como sentido, pois mesmo proibidos de serem expostos, os trabalhos de F\u00e9licien Rops tiveram tamanha repercuss\u00e3o que despertaram a curiosidade do cr\u00edtico brasileiro, estampada no texto \u201cA ironia de Rops\u201d, publicado na revista <i>Kosmos<\/i> em 1904.<\/p>\n","protected":false},"author":29,"featured_media":4888,"template":"","categories":[23],"tags":[],"revista-issn":[],"edicao":[51],"class_list":["post-4708","artigo","type-artigo","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","edicao-volume-xix"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/artigo\/4708","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/artigo"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/types\/artigo"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/users\/29"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/artigo\/4708\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4888"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4708"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4708"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4708"},{"taxonomy":"revista-issn","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/revista-issn?post=4708"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=4708"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}