{"id":4481,"date":"2024-11-08T15:31:58","date_gmt":"2024-11-08T18:31:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/?post_type=artigo&#038;p=4481"},"modified":"2025-06-14T15:20:17","modified_gmt":"2025-06-14T18:20:17","slug":"o-atlas-imnemosynede-aby-warburg","status":"publish","type":"artigo","link":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/","title":{"rendered":"Ordem sustentada. O Atlas <i>Mnemosyne<\/i> de Aby Warburg"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"4481\" class=\"elementor elementor-4481\" data-elementor-post-type=\"artigo\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-4d2f789e nohoverflow elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"4d2f789e\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-39b61528\" data-id=\"39b61528\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-541facf elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"541facf\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><b>Pablo Schneider<\/b><strong>*<\/strong><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-037e628 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"037e628\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><strong>Como citar: <\/strong>SCHNEIDER, Pablo<span style=\"letter-spacing: 0.025em;\">. Ordem sustentada. O Atlas Mnemosyne de Aby Warburg<\/span>.&nbsp;<strong style=\"letter-spacing: 0.025em;\">&nbsp;19&amp;20, <\/strong><span style=\"letter-spacing: 0.025em;\">Rio de Janeiro, v. XIX, 2024. DOI: 10.52913\/19e20.xix.11. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>\u2022&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2022&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; \u2022<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-938f5e5 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"938f5e5\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">1. Em 1929, o cientista da arte, da cultura e das imagens Aby Warburg (1866-1929) definiu o objetivo de sua pesquisa como o estabelecimento \u201c[d]os fundamentos [\u2026] para o desenvolvimento de uma nova teoria da mem\u00f3ria humana das imagens\u201d [<i>die Grundlagen<\/i> [\u2026] <i>f\u00fcr die Entwicklung einer neuen Theorie des menschlichen Bildged\u00e4chtnisses<\/i>].<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_edn1\" name=\"_ednref1\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"vertical-align: baseline;\"><!-- [if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[1]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a> Ele compreendia tais fundamentos como v\u00e1lidos tanto em uma perspectiva hist\u00f3rica, quanto na contemporaneidade. Os artefatos visualmente tang\u00edveis eram de import\u00e2ncia central em sua empreitada. Para abordar seus tipos de formas, significados e efeitos de modo anal\u00edtico, Warburg reuniu diferentes reprodu\u00e7\u00f5es e as disp\u00f4s sobre quadros cobertos com tecido preto. Os arranjos das diversas pranchas de imagens eram gerados a partir de um conjunto gerenci\u00e1vel de 1.500 a 2.000 fotografias. A ideia de que o conhecimento cient\u00edfico poderia ser obtido atrav\u00e9s de combina\u00e7\u00f5es do g\u00eanero n\u00e3o era, a princ\u00edpio, uma abordagem incomum na hist\u00f3ria da arte do in\u00edcio do s\u00e9culo XX. A pesquisa art\u00edstico-cient\u00edfica da \u00e9poca era determinada por uma abordagem que focava na ordem e na sele\u00e7\u00e3o de um invent\u00e1rio de objetos. Pinturas, desenhos e gravuras eram, sempre que poss\u00edvel, vinculados a artistas identific\u00e1veis. As obram podiam ent\u00e3o ser agrupadas nas chamadas Escolas, definidas geograficamente. Para a forma\u00e7\u00e3o destes agrupamentos, era fundamental descrever as maneiras individuais de trabalho dos artistas e conect\u00e1-las a um estilo mais geral. Esse proceder era acompanhado de julgamentos de valor, uma vez que certas \u00e9pocas e certas regi\u00f5es eram tidas como mais relevantes que outras. Portanto, eram importantes as op\u00e7\u00f5es de demarca\u00e7\u00e3o, que constru\u00edam rela\u00e7\u00f5es de competitividade e incorporavam conclus\u00f5es valorativas. As intera\u00e7\u00f5es entre os estilos n\u00e3o constitu\u00edam o foco dessas investiga\u00e7\u00f5es. <\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">2. J\u00e1 o c\u00edrculo em torno da <i>Kunstwissenschaftliche Bibliothek Warburg<\/i> (KBW) seguia uma abordagem diferente, que tamb\u00e9m integrava formas de organiza\u00e7\u00e3o, mas as pensava de outro modo. Nesse sentido, diferentes documentos n\u00e3o s\u00f3 eram interligados uns aos outros, mas tamb\u00e9m eram entendidos como fatores capazes de estabelecer entre si rela\u00e7\u00f5es ativas. O <i>medium<\/i> de cria\u00e7\u00e3o do conhecimento na KBW consistia na combina\u00e7\u00e3o de imagens em quadros [<i>Tafel<\/i>] e da linguagem. Com base na exposi\u00e7\u00e3o intitulada \u201cProto-palavras da linguagem afetiva dos gestos\u201d [<i>Urworte leidenschaftlicher Geb\u00e4rdensprache<\/i>]<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_edn2\" name=\"_ednref2\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"vertical-align: baseline;\"><!-- [if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[2]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a> na sala de leitura da biblioteca, em 1927 [ <\/span><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19e20\/19e20_XIX\/mnemosyne\/fig01.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">Figura 1<\/span><\/b><\/a><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> ], j\u00e1 se podia antever que as apresenta\u00e7\u00f5es ali feitas n\u00e3o seguiam uma abordagem meramente est\u00e9tica. <\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">3. V\u00e1rias formas de reprodu\u00e7\u00e3o foram ali combinadas entre si e, \u00e0 primeira vista, n\u00e3o revelavam quaisquer estruturas em comum. Um detalhe da supracitada exposi\u00e7\u00e3o de janeiro de 1927 tamb\u00e9m enfatiza a op\u00e7\u00e3o por dinamizar os objetos.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_edn3\" name=\"_ednref3\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"vertical-align: baseline;\"><!-- [if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[3]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a> Os livros &#8211; a despeito de serem, alguns deles, do final do s\u00e9culo XVI &#8211; eram presos apenas com cord\u00f5es, para facilitar, em particular, a abertura de outras p\u00e1ginas pelo leitor. Mesmo ap\u00f3s esta curta explana\u00e7\u00e3o, torna-se evidente que a compreens\u00e3o da ordem perseguida na KBW n\u00e3o tinha como objetivo uma conclus\u00e3o fixa, mas pretendia ser din\u00e2mica. Neste contexto, o conjunto de ilustra\u00e7\u00f5es n\u00e3o era orientado normativamente. No entanto, a sua limita\u00e7\u00e3o era construtivamente importante pois permitia calcular, de modo produtivo, a energia das possibilidades de conhecimento. A redu\u00e7\u00e3o delimitava o material relevante para projetar um espa\u00e7o de pensamento [<i>Denkraum<\/i>]<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_edn4\" name=\"_ednref4\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"vertical-align: baseline;\"><!-- [if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[4]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a> a partir dos diversos arranjos produzidos.<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><b><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">Atlas <i>Mnemosyne<\/i><\/span><\/b><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">4. O foco de considera\u00e7\u00f5es seguintes \u00e9, de modo exemplar, o projeto do chamado Atlas <i>Mnemosyne<\/i>, sobre o qual foi realizado intenso trabalho na KBW entre 1924 e 1929, o ano da morte de Warburg.<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">5. Do Atlas, sobreviveram tr\u00eas registros fotogr\u00e1ficos de suas condi\u00e7\u00f5es entre 1928 e 1929. As s\u00e9ries compreendiam cada dezenas de pranchas, apresentando um total de at\u00e9 2.000 ilustra\u00e7\u00f5es. O que caracterizava o Atlas era a sua densa combina\u00e7\u00e3o de imagens, de variados tamanhos e qualidades, bem como seu arranjo, que inicialmente n\u00e3o seguia nenhuma estrutura ou dire\u00e7\u00e3o de leitura imediatamente \u00f3bvia: trata-se de uma forma radical de ordem, que talvez s\u00f3 pudesse ter desenvolvido todo o seu potencial na efetiva discuss\u00e3o diante das pranchas negras, como aponta uma nota de Warburg, datada de outubro de 1929: \u201cMaci\u00e7o conjunto pressionado por Ghirlandaio: [Edgar] Wind o apresentou como fun\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o de desejo [<i>Wunschraum<\/i>]<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_edn5\" name=\"_ednref5\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"vertical-align: baseline;\"><!-- [if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[5]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a> da corte dos M\u00e9dici. Rembrandt como imagem final (<i>A cura pela sombra<\/i> de Masaccio, a <i>Conspira\u00e7\u00e3o de Claudius Civilis<\/i> de Rembrandt, e Leonardo).&#8221;<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_edn6\" name=\"_ednref6\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"vertical-align: baseline;\"><!-- [if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[6]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a> O colega mais pr\u00f3ximo de Warburg, Fritz Saxl, fez algumas reflex\u00f5es sobre o Atlas antes de 1928. O seu tom n\u00e3o era de forma alguma entusiasmado, e pode-se perceber que, em particular, a ordena\u00e7\u00e3o incessante do material representava um problema para Saxl: \u201c[A prancha] VI seria certamente uma das melhores, caso fosse acompanhada por um texto que tornasse compreens\u00edvel essa compara\u00e7\u00e3o entre o combate cotidiano e monumental de cavalaria, e que Gozzoli fosse t\u00e3o lindamente colocado na metade secular. [\u2026] Me parece que esse efeito seria atingido com a integra\u00e7\u00e3o de alguma explana\u00e7\u00e3o impressa. Mas tudo depende do texto.\u201d<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_edn7\" name=\"_ednref7\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"vertical-align: baseline;\"><!-- [if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[7]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a> Saxl tamb\u00e9m descreveu a t\u00e9cnica de adi\u00e7\u00e3o de Warburg, embora a tenha claramente criticado. Mas o que se torna aparente na sua avalia\u00e7\u00e3o c\u00e9tica \u00e9 a fundamental orienta\u00e7\u00e3o din\u00e2mica do Atlas. Neste sentido, uma forma de ordem se perdia para Saxl, pois o espectador n\u00e3o seria mais capaz de produzir <i>insights<\/i>. O que restava era uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil.<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">6. Em 1937, alguns anos depois da KBW ter emigrado para Londres, Ernst H. J. Gombrich tentou produzir uma vers\u00e3o do Atlas [ <\/span><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19e20\/19e20_XIX\/mnemosyne\/fig02.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">Figura 2<\/span><\/b><\/a><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> ], que mostra, com impressionante nitidez, as dificuldades associadas \u00e0 abordagem metodol\u00f3gica do original.<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">7. Nesta variante, as obras eram organizadas, estruturadas e rotuladas de uma maneira \u00f3bvia. Ali \u00e9 mostrada uma interpreta\u00e7\u00e3o visual do material, o que faz com que o conceito do Atlas <i>Mnemosyne<\/i> &#8211; ainda que involuntariamente &#8211; claramente se destaque em uma dire\u00e7\u00e3o oposta. Warburg e o c\u00edrculo KBW perseguiam explicitamente uma ideia muito diferente, que visava a, em \u00faltima an\u00e1lise, uma esp\u00e9cie de laborat\u00f3rio de imagens, e n\u00e3o uma cole\u00e7\u00e3o de imagens iconogr\u00e1fico-normativas.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_edn8\" name=\"_ednref8\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"vertical-align: baseline;\"><!-- [if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[8]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><b><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">Constela\u00e7\u00e3o conceitual da comunh\u00e3o<\/span><\/b><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">8. Nas tr\u00eas vers\u00f5es documentadas do Atlas <i>Mnemosyne<\/i>, datadas de 1928 e 1929, Warburg tratou do tema da comunh\u00e3o, que ele via como uma situa\u00e7\u00e3o moral.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_edn9\" name=\"_ednref9\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"vertical-align: baseline;\"><!-- [if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[9]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a> Ele observou em 1927:<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">9. <i>F\u00f3rmula de <\/i>pathos [<i>Pathosformel<\/i>]<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_edn10\" name=\"_ednref10\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"vertical-align: baseline;\"><!-- [if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[10]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a><i><\/i><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">10. <i>crist\u00e3 tr\u00e1gico-passiva<\/i><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 12pt 42.55pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">11. <i>da comunh\u00e3o<\/i><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_edn11\" name=\"_ednref11\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"vertical-align: baseline;\"><!-- [if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[11]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a><i><\/i><\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">12. O motivo combina diferentes camadas de significado, que se desenvolvem no contexto da situa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica da comunh\u00e3o. Esta mostra pessoas do sexo masculino em uma mesa. A cena estava firmemente ancorada na mem\u00f3ria coletiva dos espectadores europeus. O que era vis\u00edvel n\u00e3o precisava ser analisado, mas podia ser apreendido imediatamente. O que se v\u00ea \u00e9 um ato social: a refei\u00e7\u00e3o compartilhada. Mas o acontecimento n\u00e3o \u00e9 de forma nenhuma neutro, uma vez que evoca o iminente sacrif\u00edcio de Cristo. Portanto, a f\u00f3rmula de <i>pathos<\/i> da comunh\u00e3o n\u00e3o se expressa apenas visualmente, mas est\u00e1 inseparavelmente ligada a considera\u00e7\u00f5es morais que se apresentam no ato de ver. O motivo s\u00f3 pode ser entendido at\u00e9 certo ponto como um fato iconogr\u00e1fico, e este n\u00e3o representa o principal crit\u00e9rio de ordena\u00e7\u00e3o das pranchas. Pelo contr\u00e1rio, a estrutura da ordena\u00e7\u00e3o das imagens abre a op\u00e7\u00e3o de abordar discursivamente \u00e1reas emocionais fronteiri\u00e7as como a despedida, a trai\u00e7\u00e3o, a morte sacrificial e a reden\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">13. Passividade e trag\u00e9dia descrevem os polos da situa\u00e7\u00e3o \u00e0 mostra, vis\u00edvel, e do evento futuro. A calma do momento se baseia na execu\u00e7\u00e3o do ato, que se transmuta em um ritual. Para incluir esse aspecto em suas considera\u00e7\u00f5es, Warburg integrou \u00e0 prancha uma pintura de Rembrandt, <i>A Conspira\u00e7\u00e3o de Claudius Civilis<\/i>, criando assim uma forte liga\u00e7\u00e3o entre a comunh\u00e3o e a cena da conspira\u00e7\u00e3o. A passividade em rela\u00e7\u00e3o ao destino na comunh\u00e3o crist\u00e3 gera a f\u00f3rmula de <i>pathos<\/i> tr\u00e1gico, que continua viva na pintura. Isto n\u00e3o deve ser entendido prioritariamente em termos visuais, mas sim em um sentido abrangente, em termos de conte\u00fado, ou de humanismo. O material e as formas de organiza\u00e7\u00e3o pretendiam lan\u00e7ar as bases para uma teoria da mem\u00f3ria coletiva da imagens.<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">14. Na sequ\u00eancia das tr\u00eas vers\u00f5es da prancha, pode-se observar como os mesmos motivos se aproximam e depois se afastam. Na segunda vers\u00e3o, por exemplo, o afresco milan\u00eas da <i>\u00daltima Ceia<\/i>, de Leonardo da Vinci, aparece espremido entre as obras de Rembrandt, apenas para depois mover-se para baixo na prancha. A constela\u00e7\u00e3o formada por pintura e desenho desloca-se inicialmente do centro para a esquerda, mas seu car\u00e1ter comparativo permanece na justaposi\u00e7\u00e3o. As duas imagens tamb\u00e9m pertencem ao grupo daquelas que foram inseridas em todos os estados documentados do Atlas. Uma mudan\u00e7a radical ocorre na prancha 72 de 1929 [ <\/span><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19e20\/19e20_XIX\/mnemosyne\/fig03.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">Figura 3<\/span><\/b><\/a><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> ]. Aqui, a cena da conspira\u00e7\u00e3o foi reproduzida em tamanho bem maior e posicionada diretamente ao lado da cena da <i>\u00daltima Ceia<\/i>. A combina\u00e7\u00e3o parece dominar a prancha. Contudo, uma ordem iconogr\u00e1fica e cronol\u00f3gica, que seria estruturada horizontalmente, n\u00e3o deveria de forma alguma ser aceita como crit\u00e9rio de ordena\u00e7\u00e3o. Ao contr\u00e1rio, as pranchas geram espa\u00e7os de pensamento dentro dos quais um conjunto condensado de material visual \u00e9 repetidamente inserido em contextos de significado.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_edn12\" name=\"_ednref12\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"vertical-align: baseline;\"><!-- [if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[12]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a> O n\u00famero limitado de associa\u00e7\u00f5es visuais ajuda a dar suporte \u00e0s op\u00e7\u00f5es de visualiza\u00e7\u00e3o, sem isolar a sua energia intelectual. O objetivo era, em primeiro lugar, analisar a mem\u00f3ria imag\u00e9tica humana e, em segundo lugar, descrever processos din\u00e2micos no ato de constru\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o. Isso exigiu imagens de artefatos visuais que provaram ser fontes de energia nesses desenvolvimentos. Uma compreens\u00e3o normativa das imagens n\u00e3o entrou em jogo aqui, e teria prejudicado o sistema em rede das pranchas de imagens. Isto porque estas constituem uma forma de pensar que organiza motivos e n\u00edveis de conte\u00fado de maneira flex\u00edvel, permitindo que interconex\u00f5es surjam temporariamente. Nesse sentido, as pranchas n\u00e3o representam o conhecimento, mas sim geram um espa\u00e7o no qual o conhecimento pode emergir discursivamente. A importante combina\u00e7\u00e3o imag\u00e9tica da <i>\u00daltima Ceia<\/i> e da cena da conspira\u00e7\u00e3o mostra que a orienta\u00e7\u00e3o metodol\u00f3gica do Atlas <i>Mnemosyne<\/i> n\u00e3o era iconogr\u00e1fica ou enciclop\u00e9dica. Warburg estava mais preocupado com uma abordagem da vida ap\u00f3s a morte na comunh\u00e3o como uma a\u00e7\u00e3o social de constru\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. A orienta\u00e7\u00e3o discursiva b\u00e1sica das pranchas tamb\u00e9m pode ser entendida como uma indica\u00e7\u00e3o da sua ordena\u00e7\u00e3o mut\u00e1vel. Trata-se de uma din\u00e2mica que pode ser entendida como um momento extremamente produtivo das constela\u00e7\u00f5es de imagens. Estas constela\u00e7\u00f5es configuram as vizinhan\u00e7as mais pr\u00f3ximas e mais amplas das imagens, que, embora fixadas na prancha, originavam movimentos potenciais &#8211; mut\u00e1veis, referentes, pulsantes &#8211; que tiveram de ser pensados e vistos. <\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><b><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%; color: black;\">Conclus\u00e3o<\/span><\/b><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%; color: black;\">15. As pranchas do Atlas <i>Mnemosyne<\/i> foram criadas por um motivo espec\u00edfico. Elas deviam transmitir conhecimentos, apresent\u00e1-los, se necess\u00e1rio, e desenvolv\u00ea-los ainda mais. Warburg concebeu a rede gerada a partir da ordem das imagens como din\u00e2mica e comunicativa. Ele perseguiu um m\u00e9todo de combina\u00e7\u00e3o pensado estritamente a partir das imagens, que colocava a quest\u00e3o da materialidade destas \u00faltimas em segundo plano. A import\u00e2ncia dos artefatos como obras de arte era, portanto, secund\u00e1ria, e o Atlas configurou-se como elemento de uma \u201cci\u00eancia das imagens\u201d [<i>Wissenschaft vom Bilde<\/i>], como disse o pr\u00f3prio Warburg em 1926.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_edn13\" name=\"_ednref13\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"vertical-align: baseline;\"><!-- [if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; color: black; vertical-align: baseline;\">[13]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a> O ato e o momento dessa ordem eram de import\u00e2ncia central. Isso podia ser documentado fotograficamente, mas n\u00e3o deveria ser interpretado como algo fixo, como um resultado \u00faltimo. A ordem era o processo em si, e n\u00e3o um ponto final. Neste contexto, a limita\u00e7\u00e3o da cole\u00e7\u00e3o de imagens do Atlas <i>Mnemosyne<\/i> parece extremamente sensata. Sua inten\u00e7\u00e3o n\u00e3o era formar um c\u00e2none, nem uma abordagem normativa. A incessante ordena\u00e7\u00e3o \u00e9 o n\u00facleo metodol\u00f3gico, com o qual se pretendia apreender os atos fundamentais, as condi\u00e7\u00f5es para o surgimento da cultura humana. Nesse sentido, a ordem n\u00e3o visava fixar o material, mas sim preservar o seu dinamismo. O Atlas <i>Mnemosyne<\/i> fornecia a estrutura organizadora para isso.<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><i><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%; color: black;\">Tradu\u00e7\u00e3o do alem\u00e3o por Arthur Valle e Daniel Rincon Caires<\/span><\/i><\/p><div><p><!-- [if !supportEndnotes]--><\/p><hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/><p><!--[endif]--><\/p><div id=\"edn1\"><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_ednref1\" name=\"_edn1\"><\/a><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">* Pablo Schneider \u00e9 historiador de arte e trabalha atualmente na Deutscher Kunstverlag. Suas investiga\u00e7\u00f5es se centram no in\u00edcio do per\u00edodo moderno, na iconologia pol\u00edtica e no c\u00edrculo da <i>Kunstwissenschaftliche Bibliothek Warburg<\/i>, com foco em quest\u00f5es metodol\u00f3gicas. O presente artigo foi originalmente publicado como: SCHNEIDER, Pablo. <\/span><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">Anhaltende Ordnung. Der Mnemosyne-Atlas Aby Warburgs. <i>In<\/i>: VON ENGELBERG DOCKAL, Eva; HEROLD, Stephanie (org.). <b>Ordnungssysteme.<\/b> Ausw\u00e4hlen, Werten, Sortieren. Siegen, 2024, p. 84-90.<\/span><\/p><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"><a href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_ednref2\" name=\"_edn2\">[1]<\/a> Carta a Karl Vossler, 12 out. 1929, citada em: SCHOELL-GLASS, Charlotte. Superlative der Geb\u00e4rdensprache. Kindermord. <i>In<\/i>: HELAS, Philine (org.): <b>Bild\/Geschichte.<\/b> Festschrift f\u00fcr Horst Bredekamp. Berlim, 2007, p. 155.<\/span><\/p><\/div><div id=\"edn2\"><p class=\"MsoEndnoteText\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_ednref2\" name=\"_edn2\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%; vertical-align: baseline;\"><!-- [if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[2]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> [N. do T.] Interessado na maneira pela qual a Antiguidade havia sobrevivido (ou deixado vest\u00edgios de sua exist\u00eancia) em elementos visuais que eram reassimilados pelas pessoas do presente e reintroduzidos continuamente em novos objetos visuais, Warburg concebeu o conceito de <i>Urworte<\/i> &#8211; literalmente \u201cpalavras ancestrais\u201d &#8211; ou talvez, melhor, \u201cproto-palavras\u201d -, que pode ser definido como o elemento base dessa transmiss\u00e3o cultural, como uma esp\u00e9cie de c\u00f3digo gen\u00e9tico cultural, ou, nas palavras de Isabella Woldt, como \u201coriginal significant visual elements as gestures preserved in concepts and in cultural artefacts, which have been transferred to the later cultures.\u201d A ideia \u00e9 a de que experi\u00eancias emocionais de alta pot\u00eancia podem se consubstanciar em \u201cgestos,\u201d ou formas, que se tornam como que s\u00edmbolos dessa emo\u00e7\u00e3o e, como proto-palavras, ingressam no cabedal de dados culturais e s\u00e3o transmitidos para as gera\u00e7\u00f5es futuras, que os reatualizam. Ver: WOLDT, Isabella. Ur-Words of the Affective Language of Gestures: The Hermeneutics of Body Movement in Aby Warburg. <b>Interfaces \u2013 Image-Texte-Language<\/b>, n. 40, 2018. Dispon\u00edvel em: <\/span><a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/interfaces\/605\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">https:\/\/journals.openedition.org\/interfaces\/605<\/span><\/a><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> Acesso em 1 nov. 2024.<\/span><\/p><\/div><div id=\"edn3\"><p class=\"MsoEndnoteText\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_ednref3\" name=\"_edn3\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%; vertical-align: baseline;\"><!-- [if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[3]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> FLECKNER, Uwe; WOLDT, Isabella (org.). <b>Aby Warburg.<\/b> Bilderreihen und Ausstellungen. <\/span><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">Berlim, 2012, p. 83.<\/span><\/p><\/div><div id=\"edn4\"><p class=\"MsoEndnoteText\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_ednref4\" name=\"_edn4\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%; vertical-align: baseline;\"><!-- [if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[4]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> [N. do T.] <i>Denkraum<\/i> (tamb\u00e9m referido como <i>Wunschraum<\/i> ou <i>Zwischenraum<\/i>), simplificando ao extremo a defini\u00e7\u00e3o que Warburg oferece, \u00e9 o espa\u00e7o abstrato e artificial, constru\u00eddo pelo homem, onde se torna poss\u00edvel estabelecer uma separa\u00e7\u00e3o entre aquele que observa e o objeto que \u00e9 observado. Esse espa\u00e7o pode ser mental, erigido na esfera do pensamento, mas pode tamb\u00e9m se concretizar no laborat\u00f3rio, no museu ou na <i>Wunderkammer<\/i>, a depender do momento hist\u00f3rico que se observe. A esse respeito, ver: JOHNSON, Christopher D. <b>Memory, metaphor, and Aby Warburg\u2019s Atlas of images.<\/b> Ithaca: Cornell University Press and Cornell University Library, 2012; e RECHT, Roland. Introduction. <i>In<\/i>: LUGLI, Adalgisa. <b>Naturalia et Mirablia &#8211; les cabinets de curiosit\u00e9s en Europe.<\/b> Paris: Adam Biro, 1998, p. 23-29.<\/span><\/p><\/div><div id=\"edn5\"><p class=\"MsoEndnoteText\" style=\"margin-bottom: 12.0pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_ednref5\" name=\"_edn5\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%; vertical-align: baseline;\"><!-- [if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[5]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> [N. do T.] Ver nota 4. <\/span><\/p><\/div><div id=\"edn6\"><p class=\"MsoEndnoteText\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_ednref6\" name=\"_edn6\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%; vertical-align: baseline;\"><!-- [if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[6]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> MICHELS, Karen; SCHOELL-GLASS, Charltte (org.). <b>Tagebuch der Kulturwissenschaftlichen Bibliothek Warburg.<\/b> Berlim, 2001, p. 549.<\/span><\/p><\/div><div id=\"edn7\"><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_ednref7\" name=\"_edn7\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%; vertical-align: baseline;\"><!-- [if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[7]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> Warburg Institute Archive, WIA III.104.2.1. Mnemosyne.<\/span><\/p><\/div><div id=\"edn8\"><p class=\"MsoEndnoteText\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_ednref8\" name=\"_edn8\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%; vertical-align: baseline;\"><!-- [if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[8]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> Z\u00d6LLNER, Frank. \u201cEilig Reisende\u201d im Gebiet der Bildvergleichung. Aby Warburgs Bilderatlas \u201cMnemosyne\u201c und die Tradition der Atlanten. <b>Marburger Jahrbuch<\/b>, v. 37, p. 279\u2013304, 2010.<\/span><\/p><\/div><div id=\"edn9\"><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_ednref9\" name=\"_edn9\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%; vertical-align: baseline;\"><!-- [if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[9]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a><span lang=\"EN-US\" style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> WARNKE, Martin; BRINK, Claudia (org.). <b>Aby Warburg.<\/b> Der Bilderatlas Mnemosyne. <\/span><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\">Berlim, 2000, p. 119.<\/span><\/p><\/div><div id=\"edn10\"><p class=\"MsoEndnoteText\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_ednref10\" name=\"_edn10\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%; vertical-align: baseline;\"><!-- [if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[10]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> [N. do T.] <i>Pathosformel<\/i> \u00e9 um termo cardeal para Warburg. <i>Pathos<\/i> em alem\u00e3o tem o sentido de <i>forte emo\u00e7\u00e3o<\/i>. <i>Pathosformel<\/i> indica assim, no vocabul\u00e1rio de Warburg, uma esp\u00e9cie de forma can\u00f4nica \u2013 imut\u00e1vel, recorrente, que atravessa o tempo \u2013 de manifestar uma emo\u00e7\u00e3o pela forma. Para Cristopher D. Johnson, essa ideia anula a possibilidade de separar forma e conte\u00fado: \u201c[&#8230;] the literal pathos of a grieving mother becomes a formula when it appears on a Greek funeral urn, in a quattrocento painting of the Deposition, or in a Hamburg newspaper photograph\u201d (JOHNSON, op. cit., p. 14).<\/span><\/p><\/div><div id=\"edn11\"><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_ednref11\" name=\"_edn11\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%; vertical-align: baseline;\"><!-- [if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[11]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> Nota, 20 abr. 1927. Warburg Institute Archive, WIA III.102.2.1. Mnemosyne.<\/span><\/p><\/div><div id=\"edn12\"><p class=\"MsoNormal\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_ednref12\" name=\"_edn12\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%; vertical-align: baseline;\"><!-- [if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[12]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> Ver as contribui\u00e7\u00f5es em: TREML, Martin; FLACH, Sabine; SCHNEIDER, Pablo (org.). <b>Warburgs Denkraum.<\/b> Formen, Motive, Materialien. Munique, 2014.<\/span><\/p><\/div><div id=\"edn13\"><p class=\"MsoEndnoteText\" style=\"margin-bottom: 12pt; line-height: 150%;\"><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/artigo\/o-atlas-imnemosynede-aby-warburg\/#_ednref13\" name=\"_edn13\"><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%; vertical-align: baseline;\"><!-- [if !supportFootnotes]--><span class=\"MsoEndnoteReference\"><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 107%; vertical-align: baseline;\">[13]<\/span><\/span><!--[endif]--><\/span><\/span><\/a><span style=\"font-size: 12pt; line-height: 150%;\"> Em uma carta a Moritz von Geiger, 17 nov. de 1926, citada em: Hensel, Thomas: <b>Wie aus der Kunstgeschichte eine Bildwissenschaft wurde.<\/b> Aby Warburgs Graphien. Berlim, 2011, p. 12.<\/span><\/p><\/div><\/div>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo XX, a ideia de que o conhecimento podia ser obtido atrav\u00e9s de combina\u00e7\u00f5es de imagens n\u00e3o era uma abordagem incomum na hist\u00f3ria da arte. Mas o c\u00edrculo em torno da <i>Kunstwissenschaftliche Bibliothek Warburg<\/i> (KBW) seguia uma procedimento que integrava formas de organiza\u00e7\u00e3o pensadas de maneira singular. Ali, diferentes documentos n\u00e3o s\u00f3 eram interligados uns aos outros, mas tamb\u00e9m entendidos como fatores capazes de estabelecer entre si rela\u00e7\u00f5es ativas. O meio de cria\u00e7\u00e3o do conhecimento na KBW consistia na combina\u00e7\u00e3o de imagens em quadros [<i>Tafeln<\/i>] e da linguagem, os mesmos componentes do Atlas <i>Mnemosyne<\/i>,  incessantemente (re)elaborado por Aby Warburg entre 1924 e 1929.<\/p>\n","protected":false},"author":28,"featured_media":4485,"template":"","categories":[23],"tags":[],"revista-issn":[],"edicao":[51],"class_list":["post-4481","artigo","type-artigo","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category-artigo","edicao-volume-xix"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/artigo\/4481","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/artigo"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/types\/artigo"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/users\/28"}],"version-history":[{"count":0,"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/artigo\/4481\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4485"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4481"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4481"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4481"},{"taxonomy":"revista-issn","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/revista-issn?post=4481"},{"taxonomy":"edicao","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.dezenovevinte.net\/19_20\/wp-json\/wp\/v2\/edicao?post=4481"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}